FUNDADO EM 31 MARÇO 1922 • N.º 3795 • QUINTA-FEIRA, 26 NOVEMBRO 2020 • SPORTING.PT • SEMANAL • ANO 98 • 1€ (IVA INCLUÍDO) • DIRECTOR: ANDRÉ BERNARDO
“SI ME MUERO, QUIERO VOLVER A NACER Y QUIERO SER FUTBOLISTA. Y QUIERO VOLVER A SER DIEGO ARMANDO MARADONA.” O MAIS ANTIGO JORNAL DE CLUBE DO MUNDO
2 - SPORTING 3795
EDITORIAL
PORQUE 2021 NÃO SERÁ COMO “2021”… André Bernardo
É uma honra estar hoje aqui a escrever este editorial um dia depois de se saber que duas das imagens da Campanha “EU SOU – ADN SPORTING” foram seleccionadas para integrar a edição de 2020/2021 da 200 Best Digital Artists da Archive. É um enorme reconhecimento mundial de um caminho que iniciámos em Junho com o lançamento da campanha “EU SOU, e que projecta a Marca Sporting para onde ela pertence num muito merecido reconhecimento à equipa interna do Sporting CP e às agências que deram corpo a este conceito. Parabéns a todos!
A realização do filme foi executada por Ridley Scott, realizador de Blade Runner que ilustrou o futuro orwelliano e a mensagem da Apple de uma forma sublime, marcando um ponto de viragem ao comunicar os valores que a marca representava e não os seus produtos. Qualquer marca é consequência da percepção gerada por dois factores: i) a sua herança; ii) a experiência que as pessoas têm com os vários pontos de contacto com a mesma.
Em “Regresso ao Futuro” – documento de visão estratégica que apresentámos em Maio – revelámos que um dos aspectos prioritários para nós era “evoluir o posicionamento e imagem da Marca Sporting em linha com o seu ADN”.
Quanto à primeira, cabe-nos com orgulho recuperar a nossa identidade de Ser Sporting e transmitir o nosso ADN único. E só tem ADN quem tem um código de valores que preserva.
E a propósito de Marca e ADN não posso deixar de regressar no tempo a 1984 para relembrar uma das campanhas e anúncios mais emblemáticos de sempre e que conseguiu uma simbiose perfeita entre Forma e Matéria para comunicar o seu ADN. No dia 24 de Janeiro desse ano, no intervalo da Super Bowl, a Apple lançava o Macintosh com uma campanha e anúncio que marcaria um antes e um depois no marketing mas também do próprio Super Bowl, transformando o intervalo do evento a partir desse momento na maior montra publicitária do mundo.
Quanto à segunda, uma marca tem de entregar aquilo que “promete” na experiência que fornece aos seus nos diversos pontos de interacção existentes. E como tal, falando somente no plano extradesportivo, a experiência que queremos dar no nosso Estádio/Pavilhão/Academia, nos nossos canais digitais, entre outros pontos, são temas que temos identificados e que requerem um ponto de viragem.
O anúncio recria o universo do livro “1984” de George Orwell ilustrando uma legião de seguidores todos idênticos e vestidos de igual que ouve proselitamente o discurso do “Big Brother” emitido numa televisão gigante, numa clara exemplificação de submissão das massas. De repente uma mulher atlética irrompe este enquadramento e atira um martelo que destrói a televisão. O filme termina com a seguinte mensagem: ‘A 24 de Janeiro, a Apple Computer lançará o Macintosh. E tu verás porque 1984 não será como “1984”’.
Temos um projecto muito bem definido p ara isso e, apesar d as l imitações fi nanceiras, os Sportinguistas ‘vão poder ver porque 2021 não será como “2021”’. P.S. – Uma horas antes de fechar esta edição fomos abalados pela triste notícia da despedida de Diego Maradona. Alterámos ainda a tempo a capa do Jornal Sporting para homenagear o D10S que brindou os relvados na Terra. A foto é icónica e não há mais que eu consiga acrescentar às palavras do próprio que destacamos. Resta-nos desfrutar em vídeo das jogadas de Maradona disfarçado de humano a jogar futebol.
PROPRIEDADE: SPORTING CLUBE DE PORTUGAL DIRECTOR: ANDRÉ BERNARDO COORDENADOR EXECUTIVO: VÍTOR FRIAS || VRFRIAS@SPORTING.PT REDACÇÃO: LUÍS SANTOS CASTELO || LSCASTELO@SPORTING.PT; MARIA GOMES DE ANDRADE || MGANDRADE@SPORTING.PT; PEDRO FERREIRA || PSFERREIRA@ SPORTING.PT FOTOGRAFIA: JOSÉ LORVÃO; MÁRIO VASA; PEDRO ZENKL COLABORADORES PERMANENTES: JUVENAL CARVALHO; PEDRO ALMEIDA CABRAL; TITO ARANTES FONTES AGENDA E RESULTADOS: JOÃO TORRES || JBTORRES@SPORTING.PT EDITOR E SEDE DA REDACÇÃO: ESTÁDIO JOSÉ ALVALADE, RUA PROFESSOR FERNANDO DA FONSECA, APARTADO 4120, 1501-806 LISBOA, PORTUGAL TELEFONE: +351 217 516 155 E-MAIL: MEDIA@SPORTING.PT NIF: 500 766 630 REGISTO ERC: 100313 TIRAGEM: 9500 EXEMPLARES DEPÓSITO LEGAL: 48492/91 DISTRIBUIÇÃO: VASP, QUINTA DO GRAJAL – VENDA SECA 2739-511 AGUALVA CACÉM IMPRESSÃO: WGROUP ESTRADA DE SÃO MARCOS, Nº 27, 2735-521 AGUALVA CACÉM ESTATUTO EDITORIAL: HTTPS://WWW.SPORTING.PT/PT/JORNAL/ESTATUTO-EDITORIAL ASSINATURAS: E-MAIL: ASSINATURAJORNAL@SPORTING.PT LINHA SPORTING 707 20 44 44 INTERNACIONAL +351 30 997 1906 (segunda a sexta-feira das 10h00 às 20h00)
SPORTING 3795 - 3
ATLETISMO
1978
LENDAS DO SPORTING CLUBE DE PORTUGAL Francis Obikwelu chegou ao Sporting CP no final de 1996 e depressa se tornou numa das figuras mais lendárias do Clube, que ainda representa. Nascido na Nigéria, a 22 de Novembro de 1978, ganhou vários títulos e expressão mundial a representar o seu país e o Sporting CP, tendo conquistado a Taça dos Campeões Europeus, em 2000, de Leão ao peito. Com uma carreira marcada também por lesões, tentou sempre superar-se e atingiu vários recordes. Já naturalizado português, tornou-se no primeiro europeu a fazer os 100 m abaixo dos dez segundos. Venceu a prata olímpica em Atenas e conquistou ainda vários ouros nos Europeus, tanto nos 100 m, como nos 60 e nos 200, mas não se fica por aqui.
4 - SPORTING 3795
FRANCIS
OBIKWELU ENTREVISTA
“A MINHA CARREIRA AINDA AGORA COMEÇOU” Francis Obikwelu fez, no passado domingo, 42 anos e, depois de mais de meia vida dedicada ao atletismo, diz que ainda está no início da carreira, mesmo que já compita nos veteranos. À conversa com o Jornal Sporting, o velocista nigeriano, que se naturalizou português em 2001, falou sobre o passado e o presente, a vida de treinador e ainda a marca de azeite que lançou há alguns meses Texto: Maria Gomes de Andrade Fotografia: Museu Sporting – Centro de Documentação Aconteça o que acontecer, o Obikwelu já tem há muito tempo um currículo de fazer inveja. Nestes anos todos, qual foi a conquista que mais o marcou? Ui, muitas. Os Jogos Olímpicos são especiais, são a competição mais bonita do mundo, mas na verdade houve um Campeonato da Europa que me marcou mais, o de Gotemburgo, em 2006, porque venci o ouro tanto nos 100 como nos 200 metros. Foi incrível conseguir ser campeão nas duas especialidades, sobretudo pela carga de provas em tão poucos dias. Foi incrível e histórico também.
Acabou de fazer 42 anos, por isso começamos por aí. O que deseja para mais este ano de vida? Desejo o mesmo de sempre a cada ano que passa: continuar a melhorar tempos, a bater recordes e a fazer melhor do que no ano anterior. Por isso, espero um ano à imagem dos outros, de muito trabalho e de muito foco nos meus objectivos. E aos 42 ainda conseguirá isso tudo? Com trabalho, muito trabalho, estamos sempre mais perto de o conseguir.
Ainda assim, a prata olímpica em Atenas, em 2004, foi uma conquista inigualável, certo? Claro, foi uma medalha olímpica.
Prova disso é que, por exemplo, em 2019 foi campeão mundial ao fazer 60 metros em 6,90 segundos. Como é que aos 40 anos se consegue fazer isso? Não há milagres, isso só aconteceu porque, apesar de fisicamente já não ser o atleta que era, continuo a trabalhar e a dedicar-me ao máximo. Além disso, a descansar também porque isso também tem contado. Foco-me muito no que quero e um dos meus objectivos é terminar a carreira com a certeza de que deixei uma boa imagem. Por vezes até podem achar que as coisas são difíceis de realizar, mas para mim são fáceis. Eu gosto de desafios e sobretudo desses, em que as pessoas não acreditam.
“A MINHA PREOCUPAÇÃO É BATER RECORDES E TENTAR DEIXAR MARCAS DIFÍCEIS DE BATER” Continua a sentir-se o jovem que em 2004 se tornou no primeiro atleta do velho continente a ultrapassar a barreira mítica dos 10 segundos, é? Há diferenças, obviamente que há muita coisa que não é igual. Estou mais velho e tenho mais peso, mas sinto-me muito bem.
Nessa prova, que ainda está muito presente em milhares de portugueses, ficou muito perto do ouro. Quando passou a meta achou que tinha ganhado? Não, quando já temos alguma experiência, sabemos logo que sim ou não. Sabia que podia ganhar, e podia ter vencido, mas cometi um erro ao chegar e percebi logo que não ia conquistar o ouro. Ainda assim, foi uma excelente conquista e essa ninguém me a tira. Por se sentir assim é que também tem os Jogos Olímpicos (JO) de Tóquio como objectivo, não é? Claro, e sei que chegar lá só depende de mim. Se treinar bem, descansar bem e trabalhar muito, é possível que lá chegue. No entanto, o facto de a data dos JO ter mudado veio alterar alguma coisa? Sobretudo quando já se tem a idade do Obikwelu, ainda que não o esteja a chamar velho… Não, eu nem sequer penso nas coisas assim. Todos vão estar mais velhos um ano, não é? A minha preocupação é bater recordes e tentar deixar marcas difíceis de bater e, por isso, só penso no dia-a-dia, em treinar bem, recuperar e não ter lesões.
O que é que ainda recorda dessa conquista? Como se sentiu no pódio a ouvir ‘A Portuguesa’? Só quem passa por isso é que percebe. É mesmo muito difícil explicar, é mais do que a recompensa do trabalho bem feito e a confirmação do mérito. Lembro-me que agarrei na bandeira e pensei “fiz história”, mas não consigo explicar até porque para mim foi – como continua a ser – uma honra representar Portugal nessa prova. Apesar de tantos momentos de glória, também teve contratempos e desilusões ao longo da carreira. Qual foi a prova que ainda hoje lhe causa algum dissabor porque não atingiu o objectivo? Os 100 metros nos Jogos Olímpicos de Pequim, em 2008.
SPORTING 3795 - 5
Eu estava bem, em excelente forma, mas cheguei lá cansado porque treinámos muito. Sabia que tinha tudo para ganhar, a expectativa era muita, mas não consegui acelerar.
pequeno, desde os tempos em que vivia na Nigéria, utilizo todos os dias e é saudável. Para mim é como se fosse algo religioso e até milagroso. Não é azeite só por ser.
Também teve várias lesões, infelizmente… essa parte foi sempre a pior? Claro que sim, mas as lesões também fazem parte da vida dos atletas. Todos nós nos lesionamos com maior ou menor gravidade, por isso acho que aquilo que importa é a forma como regressamos dessas lesões. É preciso voltar sempre ainda melhor. Chegaram-me a dizer após uma lesão que não podia regressar, mas eu disse que podia e que iria ao pódio. E fui. Essa é que tem de ser a mentalidade.
E anos depois de ter a ideia, concretizou-a... Sim, deu-se a oportunidade depois de uma feira de vinhos e azeite a que fui. Falei com um senhor, disse que gostava e avançámos. Depois, assisti a todas as etapas da criação do produto, a todos os detalhes, e foi fantástico.
Além do físico, é preciso ser muito forte mentalmente para se vingar. É isso? Sim, sem dúvida, e não só no desporto, mas também na vida e no nosso dia-a-dia. Temos de ser positivos. Ainda hoje encontrei no supermercado uma senhora que conheço e me disse “estou mais ou menos”. Eu digo sempre que “estou bem”, se temos saúde, estamos bem, não é? Por isso, o meu pensamento é sempre positivo, se correr mal, havemos de aprender com os erros, mas nunca penso de forma negativa. Não me identifico com essa forma de pensar. E como é que prepara a cabeça antes das provas, sobretudo das mais importantes? Sinceramente, tento nem pensar na prova em si. Acho que é melhor viver o dia-a-dia sem essa pressão, só com a pressão de trabalhar e de prepararmos bem a prova, porque se estivermos bem, é meio caminho andado. Por isso, o meu pensamento sempre foi: ir, ganhar e depois descansar. Actualmente compete nos veteranos e, aos 42 anos, também é pertinente perguntar-lhe até quando é que pensa competir? Pensa nisso? Não, acha que penso? Não, até porque a minha carreira ainda agora começou (risos). A carreira é feita de etapas e depois dos juniores e dos seniores, agora estou nos veteranos e aquilo em que penso é aquilo que já disse: continuar a bater recordes. No entanto, depois do adeus, quer dedicar-se inteiramente à profissão de treinador? Sim, é possível, é algo que já concilio actualmente e que quero continuar a fazer. O que acha que acrescenta aos atletas com quem trabalha? Eles responderão melhor, mas, ainda que nunca me coloque em bicos de pés, passo-lhes o meu exemplo de sucesso, a minha experiência, faço-lhes ver que ser campeão não é fácil. Temos 20 por cento de talento e 80 de trabalho. Nada cai do céu. É preciso ter fome de querer ser o melhor. Como o Cristiano Ronaldo, por exemplo. Conheço-o dos tempos do Sporting CP e ele sempre foi assim, sempre disse que ia ser o melhor e fez tudo para o ser. Treina faça chuva ou faça sol, sacrifica-se, adora o que faz e não desiste. É isso que tento incutir aos atletas, por isso é que se querem trabalhar comigo não há tempo para fotografias nem telemóveis. Se aceitam isso, tudo bem; se não, vão à vida deles. O Obikwelu tem trabalhado com atletas de várias modalidades. O Cristiano Ronaldo, por exemplo, trabalha consigo. Os futebolistas procuram-no porquê? Por causa das lesões, porque querem ser mais rápidos...
E está a ter sucesso? Estamos a vender bem e neste momento decorrem negociações para começar a ser vendido nos supermercados. É um azeite fantástico. Muitas das vezes aquilo que acontece é quererem fazer as coisas porque sim e para ganhar dinheiro, mas eu não penso assim. Identifico-me com o produto e sei que todo o processo acontece de forma devagar.
várias coisas. Procuram em mim aquilo que o clube não lhes dá porque querem, acima de tudo, ser atletas e não só jogadores de futebol. Com o Cristiano tem resultado tudo muito bem, ele sabe treinar, como recuperar, o que comer, o que fazer... E como tem sido trabalhar com ele? Tem sido bom, claro, ele é um atleta de excelência. Marca às 9h30 e não aparece às 9h35, aparece às 9h25. É muito profissional, muito empenhado e tem muita disciplina. É uma máquina de trabalho. Além de futebolistas, também já trabalhou com pilotos de Fórmula 2... Sim, e gostei muito. Em que consistia o trabalho com eles? Era um trabalho tanto físico, como psicológico. Embora não pareça a profissão de piloto também exige muito da parte física. É preciso preparar os músculos e as fibras para aguentar o impacto do calor dentro do carro, por exemplo, e também fazer um bom trabalho de recuperação e tratamento de lesões. E a parte psicológica também é muito necessária para conseguirem aguentar a pressão, corresponder às expectativas e lidar com as frustrações e as falhas. Como é que o Obikwelu chegou até aqui, a este trabalho em particular? Foi algo pelo qual sempre me interessei e trabalhar nisso surgiu normalmente, com o apoio do Emiliano Ventura (fisiologista), mas enquanto atleta sempre me preocupei em procurar como treinar melhor, recuperar melhor e ser melhor. Gosta desse trabalho? Sente-se feliz? Sinto-me muito feliz, levanto-me todos os dias muito feliz porque adoro o que faço. Adoro mesmo e é incrível ajudar os outros e assistir à evolução deles. No entanto, ainda que o desporto faça parte da sua vida há muitos anos, recentemente também se tornou empresário e tem uma gama de azeite. Como nasceu esta ideia? Nasceu há muitos anos e deve-se aos objectivos que todos nós temos. Eu sei que, no fundo, sou uma marca e, por ser, sempre quis criar algo com o meu nome. O azeite surgiu porque é algo de que gosto muito e porque para mim o azeite significa vida: consumo azeite desde
Posto isto, Portugal tem-lhe dado muito. Recuando 26 anos, ter ficado em Portugal, após o Mundial de Juniores, foi a melhor decisão? Sem dúvida que sim. Sou nigeriano, e orgulho-me muito disso, mas este país deu-me tudo e tem muita gente boa. Caí aqui e caí bem. Não me arrependo e, para dizer a verdade, não me vejo a viver noutro país. Saio para competir, mas anseio sempre por voltar. Portugal é a minha casa. Ainda assim, esta aventura não começou da melhor maneira: esteve ilegal e trabalhou nas obras. Foram tempos difíceis? Não, não foram tempos nada difíceis. São fases da vida. As coisas acontecem porque têm de acontecer. Sou um homem religioso, por isso penso assim. Trabalhei nas obras com muito gosto e cresci muito enquanto lá trabalhava, sabendo que se voltasse a ter a oportunidade de regressar ao atletismo ia agarrar a oportunidade. A minha vida é uma história, que até inspira muita gente: fui um jovem sem família, que trabalhou nas obras e que, entretanto, ganhou muitas medalhas e bateu imensos recordes. Sente-se um exemplo? Acho que sou, sim, mas não gosto de me ver assim, nem de falar muito sobre mim.
“PARA MIM, O SPORTING CP É MAIS DO QUE UM CLUBE” Ficar em Portugal foi o melhor que fez e chegar ao Sporting CP, depois de representar o CF “Os Belenenses”, também foi? Sem dúvida. A minha carreira foi normal e seguiu os passos certos de evolução. Primeiro num clube mais pequeno para chegar depois a um grande. O Moniz Pereira deu-me essa oportunidade e se não fosse o Sporting CP muitas coisas não teriam acontecido na minha carreira e na minha vida. Sendo assim, consegue dizer numa palavra aquilo que o Sporting CP representa para si? Só numa? Não consigo. O Sporting CP é vida, é família, é o clube que me tem dado tudo. Nunca me faltou. Para mim, o Sporting CP é mais do que um Clube. Nem sei explicar. E para mim é um orgulho ser e sentir-me uma referência do Sporting CP, que é um Clube, como o nome diz, de Portugal.
6 - SPORTING 3795
FUTEBOL EQUIPA PRINCIPAL
Deu para tudo NUNO SANTOS E JOVANE CABRAL VOLTARAM A MARCAR, SEBASTIÁN COATES BISOU E OS JOVENS PEDRO MARQUES E GONÇALO INÁCIO FACTURARAM PELA PRIMEIRA VEZ PELA EQUIPA PRINCIPAL NA GOLEADA DE 1-7 IMPOSTA PELOS LEÕES AO SG SACAVENENSE Texto: Luís Santos Castelo Fotografia: José Lorvão
Numa noite fria no Estádio Nacional, na última segunda‑feira, a equipa principal de futebol do Sporting Clube de Portugal carimbou a passagem à quarta eliminatória da Taça de Portugal com uma goleada de 1-7 sobre o SG Sacavenense. O jogo deu para tudo: dar continuidade a veias goleadores, defesas-centrais a facturar duas vezes e jovens da formação a estrearem-se a marcar pela equipa principal. Depois da paragem para os compromissos das selecções nacionais, o Sporting CP voltou à competição a todo o gás e chegou aos 15 golos marcados nas últimas três partidas. No Jamor, onde o conjunto de Rúben Amorim espera voltar
em Maio para a final da Taça de Portugal, o rei foi o Leão.
ENTRADA A ‘MATAR’ E JOGO RESOLVIDO NA PRIMEIRA PARTE Luís Maximiano e Cristián Borja – que jogou do lado direito nos 45 minutos iniciais – foram titulares e, assim, somaram os primeiros minutos da temporada, enquanto Vitorino Antunes e Gonçalo Inácio estrearam-se a marcar presença no onze inicial do Sporting CP. Contudo, ainda pouco tempo havia passado para perceber essas alterações quando o marcador foi inaugurado. Logo ao terceiro minuto, Jovane Cabral assistiu Nuno Santos
Os Leões festejaram sete vezes no Jamor
com um passe fenomenal e o ex-Rio Ave FC finalizou de forma certeira com o pé esquerdo, apontando assim o quarto golo da época. Seguiram-se novas oportunidades para Nuno Santos (acertou no poste) e para João Mário (boa defesa do guarda-redes Tiago Mota), mas a bola não foi parar ao fundo
Ficou à vista o instinto goleador de Pedro Marques
das redes do SG Sacavenense até aos 26 minutos, altura em que chegou mais um golo, desta feita com Nuno Santos a assistir Sebastián Coates. O capitão Sportinguista subiu mais alto do que todos os adversários e cabeceou para o fundo das redes. Em menos de meia hora, 0-2
23 de Novembro de 2020 | Taça de Portugal – 3.ª eliminatória | Estádio Nacional, Oeiras
SG SACAVENENSE Iaquinta (53’)
1-7 (0-3 ao intervalo)
SPORTING CP Nuno Santos (3’) Sebastián Coates (26’, 47’) Jovane Cabral (31’ penálti) Pedro Marques (86’, 90’) Gonçalo Inácio (90+3’)
Sporting CP: Luís Maximiano [GR], Cristián Borja, Luís Neto, Sebastián Coates [C], Gonçalo Inácio, Vitorino Antunes (Daniel Bragança, 46’), Matheus Nunes, João Mário, Jovane Cabral (Bruno Tabata, 59’), Nuno Santos (João Palhinha, 72’), Andraž Šporar (Pedro Marques, 72’). Treinador: Rúben Amorim. Suplentes não utilizados: Antonio Adán [GR], Nuno Mendes, Pedro Porro.
Dois golos para o capitão Sebastián Coates
para os visitantes. Pouco depois, Andraž Šporar sofreu falta na área adversária e o árbitro Hélder Malheiro apontou pontapé de penálti. Na conversão, Jovane Cabral não deu hipóteses de defesa e marcou pelo segundo jogo consecutivo depois de ter fechado o resultado
SPORTING 3795 - 7
Nuno Santos fez o quarto golo em 2020/2021
em Guimarães. Até ao intervalo, destaque para as ocasiões de Šporar (34 minutos) e de João Mário (42 minutos) e ainda para o golo anulado a Nuno Santos, a um minuto dos 45, por fora-de-jogo.
GOLO DE HONRA DO SG SACAVENENSE E ‘LEÕEZINHOS’ A BRILHAR Daniel Bragança entrou para o lugar de Antunes ao intervalo e reforçou o
meio-campo, com Cristián Borja a passar para esquerda e Matheus Nunes a jogar na ala direita durante o segundo tempo. E tal como no primeiro, o Sporting CP marcou nos minutos iniciais num golo quase igual ao do 0-2: cruzamento de Nuno Santos e Coates, de cabeça, a bisar. O SG Sacavenense não queria perder a oportunidade de marcar ao Sporting CP e conseguiu atingir esse
João Mário esteve em evidência contra o SG Sacavenense
objectivo aos 53 minutos por intermédio de Iaquinta, que não escondeu a emoção e no final do jogo dedicou o tento ao falecido pai. Mas a toada do jogo não foi alterada: Sporting CP a dominar, a comandar e a criar muitas oportunidades de golo. Matheus Nunes, Jovane Cabral, João Mário – que espalhou magia no relvado do Jamor durante 90 minutos – e Bruno Tabata (que substituiu Jovane Cabral a meia hora
Titular pela primeira vez, Gonçalo Inácio fez também o primeiro golo pela equipa principal
do fim) podiam ter marcado, assim como Gonçalo Inácio, que cabeceou à trave aos 67 minutos. O guardião Tiago Mota também foi importante ao negar mais golos ao emblema de Alvalade, como aconteceu contra Nuno Santos e Tabata num espaço de poucos minutos. Aos 72 minutos, João Palhinha e Pedro Marques
entraram para os lugares de Nuno Santos e Andraž Šporar. Os restantes três golos apenas viriam a surgir nos minutos finais. Aos 86, Matheus Nunes colocou a bola na área e Pedro Marques, num excelente gesto técnico de cabeça, estreou-se a marcar pela equipa principal do Sporting CP ao segundo jogo (já tinha
Jovane Cabral voltou a facturar depois de já o ter feito em Guimarães
8 - SPORTING 3795
jogado alguns minutos em 2018/2019). Pouco depois, o bis do avançado de 22 anos proveniente da formação Leonina: cruzamento de Tabata, corte mal conseguido da defesa do SG Sacavenense e Pedro Marques, com
instinto goleador, a não falhar para o 1-6. Ainda houve tempo, contudo, para o sétimo já aos 90+3 minutos. Livre batido por Tabata e Gonçalo Inácio, defesa de 19 anos com muitas épocas de
Leão ao peito, cabeceou para o 1-7. Foi mais uma estreia a marcar e um sonho cumprido no Jamor, o palco perfeito para dar início a uma caminhada que se espera de sucesso na prova rainha do futebol português.
Pedro Marques, abraçado por Matheus Nunes e Daniel Bragança, marcou os primeiros dois golos pela equipa principal
EMANUEL FERRO: “RESPEITO PELO JOGO, PELO ADVERSÁRIO E PELO NOSSO TRABALHO DIÁRIO No final da partida, Emanuel Ferro fez a análise à partida e mostrou-se completamente satisfeito com a exibição, com o resultado e principalmente com a atitude do Sporting CP. “O que mais gostámos foi a forma séria e comprometida [como o Sporting CP encarou a partida], com respeito pelo jogo, pelo adversário e pelo nosso trabalho diário. Foi uma partida em que fomos agressivos e comprometidos com a ideia que tínhamos. O resultado vem um pouco disso”, começou por dizer aos jornalistas na sala de conferências de imprensa do Estádio Nacional. “Queríamos preparar este jogo de forma séria. Nas últimas semanas, o trabalho foi esse. Jogaram os atletas que tiveram melhor prestação nos treinos. Esse é o nosso foco em cada momento”, continuou. O treinador-adjunto de Rúben Amorim abordou ainda a utilização de alguns jogadores que têm tido direito a menos minutos em 2020/2021. “Essa demonstração de capacidade e oportunidade tem sido feita ao longo de toda a época. Os resultados não têm sido apenas resultado do trabalho de quem joga, mas sim do colectivo, do plantel, da
estrutura. Alguns jogam mais, outros menos, mas contamos com todos”, lembrou. Emanuel Ferro comentou também a prestação de Pedro Marques, que facturou por duas vezes. “O Pedro está a fazer o percurso dele na equipa B, onde tem feito golos. Hoje teve a oportunidade de jogar. A equipa estava com grande capacidade ofensiva e ele aproveitou. (...) Temos a consciência dos jogadores que temos na equipa A, B e sub-23. É importante haver dedicação para os jogadores aproveitaram mediante as suas características. No caso do Pedro, é fazer golos. Não é só trabalho dele, mas sim trabalho colectivo”, considerou. Por fim, o técnico explicou a utilização de Matheus Nunes na ala direita durante a segunda metade. “O Matheus já passou, em alguns momentos, por aquela posição. O Nuno Mendes veio da selecção com um toque, mas estava recuperado. O Pedro [Porro] jogou por Espanha e decidimos desta forma. Hoje, funcionou assim. (...) É fundamental perceber que esta equipa funciona como um todo. Os jogadores estão prontos para assumir diferentes posições. É disto que se faz uma equipa”, finalizou.
JOÃO PALHINHA HOMENAGEADO Antes do apito inicial, João Palhinha foi homenageado pelo SG Sacavenense, clube que representou nos escalões de formação antes de ingressar nas camadas jovens do Sporting CP. O SG Sacavenense ofereceu ao médio verde e branco uma camisola, uma placa e um cartão de associado do emblema do concelho de Loures. “Muito obrigado, mais uma vez, pela homenagem, SG Sacavenense! É com muito carinho que recordo todos os momentos felizes durante os três anos e meio da minha formação e as grandes amizades que ainda hoje levo comigo para a vida. Desejo-vos todo o sucesso”, escreveu João Palhinha no Instagram.
DEPOIS DO SG SACAVENENSE, O FC PAÇOS FERREIRA O FC Paços Ferreira é o adversário que se segue no caminho do Sporting Clube de Portugal na Taça de Portugal. O encontro dos dezasseis-avos-de-final da prova irá jogar-se no Estádio José Alvalade, a 12 ou 13 de Dezembro. Sporting CP e FC Paços Ferreira mediram forças apenas uma vez na prova rainha do futebol português, precisamente na mesma fase da prova. Foi em 2010/2011, também em Alvalade, e os Leões venceram por 1-0 com golo de Yannick Djaló.
ANUNCIO_Jornal_SCP_25,3x33,5cm_26 Novembro.pdf 1 23/10/2020 12:42:50
C
M
Y
CM
MY
CY
CMY
K
10 - SPORTING 3795
FUTEBOL ANÁLISE
A DIFERENÇA ENTRE A TEORIA E A PRÁTICA do escalão maior. A equipa do Sporting CP entrou no jogo insaciável, irrequieta, dinâmica e com muita vontade de acabar rapidamente com as esperanças da equipa de Sacavém. E assim aconteceu logo aos três minutos de jogo com o primeiro golo de Nuno Santos. Rodrigo Pais de Almeida
A forma contundente como o Sporting CP entrou no jogo a contar para a Taça de Portugal frente ao SG Sacavenense acabou com alguns dos receios que poderiam existir na nação Sportinguista: por um lado, uma potencial quebra de rendimento da equipa derivada da paragem para os jogos das selecções; por outro uma eventual galvanização de uma equipa do CNS numa eliminatória a uma mão aproveitando algum possível facilitismo da equipa
Rúben Amorim mexeu pouco nos intérpretes e nada nos posicionamentos, voltando a mostrar que a sua cabeça e o seu discurso têm sequência prática no que pede e no que os seus jogadores tendem a produzir. Luís Maximiano, Gonçalo Inácio, Antunes e Borja foram os quatro jogadores que entraram de início e que poucos minutos tinham até então. O propósito de proporcionar ritmo competitivo foi conseguido, bem como as entradas e excelentes indicações de Daniel
Bragança e Bruno Tabata que trouxeram ao jogo qualidade na posse de bola e sobretudo na definição do último passe (quer em bola corrida, quer no jogo estratégico). O bis do jovem e estreante Pedro Marques a marcar pela equipa principal foi a cereja no topo do bolo de uma equipa que pela sua postura a cada segundo, pela forma como festeja jogada após jogada de sucesso, ou apoia o colega quando este erra ou tem um momento menos bom, mostra confiança, prazer em jogar e um ambiente que calculo que seja de enorme companheirismo e compromisso. As oportunidades foram sendo criadas. Muitas e de qualidade. A equipa foi aproveitando o jogo para de uma forma sapiente gerir o esforço sem colocar em causa o resultado e o respeito pelo
Fotografia: José Lorvão
adversário. E não há melhor forma de o demonstrar do que o ritmo, a intensidade e a pressão que foi colocada desde o primeiro ao último minuto como se de uma final se tratasse. Se João Mário transcrevia o guião definindo no jogo ofensivo com a sua leveza e classe infindável, Jovane e Matheus Nunes entre linhas e Nuno Santos a aproveitar os constantes espaços deixados por Šporar (que chamava a si a marcação dos centrais adversários), permitiam ao Sporting CP chegar a zonas de finalização permanentemente ou ganhar bolas paradas que criaram sempre muito perigo para a equipa do concelho de Loures. O muito que correu a equipa do Sporting CP e uma atitude irrepreensível na abordagem do jogo e ao longo do mesmo, trouxeram uma dimensão ao resultado final que se ajusta ao que se passou em campo ao longo dos 90 minutos. Duas notas finais. A primeira para o que falta jogar até ao final do ano 2020 na Liga NOS. O Sporting terá mais quatro jogos para a Liga. Depois de receber no próximo sábado o Moreirense FC, segue-se uma visita a Famalicão, uma recepção ao SC Farense e a fechar o mês de Dezembro uma deslocação ao Jamor para enfrentar a Belenenses SAD. Três jogos na região de Lisboa e uma deslocação ao terreno da equipa que foi a grande surpresa da última temporada em Portugal. Este ciclo levará a que esteja jogado o primeiro terço do calendário. Acredito que com a mesma dose de trabalho e competência, o líder da Liga NOS assim o permanecerá, e dará um Natal e uma passagem de ano como há muito os Sportinguistas desejavam e mereciam.
A segunda nota para a forma como alguns treinadores se expressam acerca da aposta no jovem praticante. Se é verdade que sem jogadores de qualidade a aposta perde fundamento, não é menos verdade que os treinadores têm de se preocupar não apenas com o dia de hoje, mas com o futuro e sustentabilidade dos clubes e dos seus projectos. Um treinador é escolhido pelas suas valências, pelo que é e o que pode trazer a um clube, mas também pelo enquadramento no projecto desportivo apregoado pelo clube. Se o clube anuncia a pretensão de ter a melhor academia de formação do mundo, se pretende ser um bastião da formação, o seu líder técnico não pode constantemente desdenhar, desvalorizar ou denegrir a qualidade do jovem praticante, porque no limite, a culpa será sempre sua que não potenciou o enorme valor dos seus jovens profissionais! Como disse Jan Snepscheut, “na teoria não existe diferença entre teoria e prática. Mas na prática há…”. O líder da Liga NOS parece querer contrariar quer o cientista holandês quer o treinador detractor da qualidade dos jovens praticantes. Ainda na última jornada jogou com oito jogadores da sua formação e dez jogadores abaixo dos 22 anos e não o vi desculpar-se com essa juventude/ inexperiência dos seus atletas ou com a base formativa que apresenta semana após semana, pois esse é o projecto desportivo do Clube e não muda por um(s) jogo(s) menos bom(s). No Sporting CP, na prática, não existe diferença entre a teoria e a prática. Se levantar espuma por vezes é necessário, levantar excessos de espuma só pode servir mesmo para ir dar banho ao cão.
SPORTING 3795 - 11
FUTEBOL EQUIPA PRINCIPAL
LÍDER REGRESSA A CASA DEPOIS DE UM MÊS DE AUSÊNCIA, O SPORTING CP ESTÁ DE REGRESSO AO ESTÁDIO JOSÉ ALVALADE E À LIGA NOS PARA DEFRONTAR O MOREIRENSE FC, EQUIPA QUE PASSOU POR UM SURTO DE COVID-19 NO INÍCIO DE NOVEMBRO E QUE É AGORA LIDERADA POR CÉSAR PEIXOTO Texto: Pedro Ferreira Fotografia: Mário Vasa
Garantida a passagem à quarta eliminatória da Taça de Portugal, é tempo de virar novamente baterias para a Liga NOS. Quase um mês depois do último jogo no Estádio José Alvalade, diante do CD Tondela, o Sporting CP regressa a casa já no próximo sábado, para defrontar o Moreirense FC, em jogo a contar para a oitava jornada (20h30). Líderes isolados com 19 pontos, mais quatro do que SC Braga e SL Benfica, os Leões vêm de quatro vitórias consecutivas, a última delas frente ao Vitória SC, e são detentores do melhor ataque da Liga NOS, com 19 golos marcados, e da melhor defesa, com apenas quatro golos sofridos. Além disso, o conjunto verde e branco é também a única equipa que ainda não somou qualquer derrota na edição 2020/2021 da prova. Já o Moreirense FC, actual 11.º classificado, vem de um triunfo por 0-1 frente ao Merelinense FC, para a Taça de Portugal, e detém um registo de duas vitórias, dois empates e duas derrotas na Liga NOS (um jogo em atraso). Se olharmos para o saldo de golos, é caso para dizer que esta é uma equipa que marca e sofre pouco. Os homens de Moreira de Cónegos têm, até ao momento, apenas cinco golos marcados e seis sofridos, sendo detentores do terceiro pior ataque, a par de Rio Ave FC, Gil Vicente FC e Portimonense SC, e da quarta melhor defesa da prova, atrás da Belenenses SAD, Rio Ave FC e… Sporting CP. Quanto às baixas para este jogo, do lado da formação verde e branca o internacional equatoriano Gonzalo Plata não deverá ser opção para Rúben Amorim devido à COVID-19. Em sentido inverso, Pedro Gonçalves, que contraiu uma
Jovane Cabral foi titular no último jogo entre as duas equipas que terminou empatado a zero
lesão no joelho após o regresso dos compromissos da selecção sub-21, ‘corre’ para estar apto. César Peixoto, técnico que substituiu recentemente Ricardo Soares, não tem tido tarefa fácil desde que assumiu o comando técnico dos cónegos. Depois do surto de COVID-19 que assolou o plantel, a equipa técnica e a estrutura, com cerca de 25 pessoas infectadas, no início de Novembro, e que obrigou mesmo ao fecho das instalações do clube e ao adiamento do jogo da sétima jornada diante do FC Paços de Ferreira, o treinador de 40 anos e o seu adjunto também testaram positivo na semana passada, pelo que nem estiveram no banco no jogo de domingo para a Taça de Portugal. Assim sendo, e caso recupere a tempo, o jogo no Estádio
José Alvalade poderá significar a estreia de César Peixoto no banco do Moreirense FC e como treinador principal na Liga NOS. Quanto aos lesionados, a formação do concelho de Guimarães já sabe que não vai poder contar com o médio Filipe Soares, que testou positivo à COVID-19. Além dele, Pedro Nuno, um dos jogadores mais utilizados e o melhor marcador da equipa com três golos apontados, sofreu uma rotura de ligamentos no joelho direito e não voltará a jogar em 2020/2021. Yan Matheus, Lucas Silva e Abdu Conté continuam em dúvida, enquanto Pedro Amador e Sori Mané são baixas confirmadas. Relativamente ao histórico de confrontos entre as duas equipas, o Sporting CP
leva larga vantagem. Num total de 23 jogos entre os dois conjuntos, os Leões venceram 16, empataram cinco e perderam apenas dois, somando 45 golos marcados contra 20 sofridos. Curiosamente, no último encontro entre as duas formações, o empate a
zero foi o resultado que perdurou até ao final dos 90 minutos. Se quisermos recordar a última derrota dos Leões, temos de recuar até 21 de Outubro de 2012, num jogo da Taça de Portugal que terminou 3-2 para os cónegos após prolongamento.
ÚLTIMO ONZE DO MOREIRENSE FC Mateus Pasinato Anthony D’Alberto Lazar Rosic Steven Vitória Afonso Figueiredo
Fábio Pacheco Pedro Nuno Felipe Pires
Alex Soares
André Luís
Walterson Silva
12 - SPORTING 3795
OPINIÃO
FUTEBOL SUB-23
UMA QUESTÃO DE ATITUDE
Miguel Braga
Na passada segunda-feira, tendo o Estádio Nacional como palco, o Sporting Clube de Portugal entrou em campo com a missão de passar à próxima eliminatória da Taça de Portugal e cumpriu com distinção, ganhando por uns expressivos 7-1 ao SG Sacavenense. Mais do que o resultado – muito bom, ainda para mais com uns números que trazem à memória colectiva verde e branca recordações de uma tarde bem passada em Dezembro de 1986 –, a noite do Jamor foi uma demonstração de respeito e seriedade pelo jogo, pelo adversário e pela competição. Aos 89 minutos de jogo, Pedro Marques aproveitou da melhor forma o cruzamento de Bruno Tabata e bisou na partida, sendo prontamente ladeado por Daniel Bragança e Matheus Nunes. Mas em vez de saborear o momento com os companheiros, o jovem jogador avançou para o guarda-redes da equipa adversária e pediu a bola. Ainda faltavam uns minutos para o jogo acabar. Também a forma como Coates atacou a bola nos dois cabeceamentos
vitoriosos, a alta rotação constante de Nuno Santos ou o empenho em cada lance de Luís Neto, são bons exemplos do que se quer no dia-a-dia do Sporting CP. Esta ambição, esta vontade, este compromisso e solidariedade de grupo, na forma com que se enfrenta cada jogo será fundamental para as batalhas futuras desta época. E será fundamental o contributo não só dos jogadores, da equipa técnica e da estrutura, mas também dos Sócios e adeptos, contagiando os demais com a sua força e a sua crença. Todos deveremos estar conscientes que a estrada é longa, que várias pedras serão colocadas no nosso caminho e que será a união do grupo e a determinação de cada um de nós que protegerão a nossa equipa das investidas dos rivais. Tudo o que se passa em campo é reflexo do trabalho que é feito diariamente na futura Academia Cristiano Ronaldo. E é isso que Sócios e adeptos esperam da equipa de futebol do Sporting CP: atitude, foco e intensidade. Faltam seis jogos nas três competições internas – Liga NOS, Taça de Portugal e Allianz Cup – até final do ano. É mais um ciclo importante que teremos de atacar com a mesma seriedade demonstrada até agora. Com humildade, este grupo vai lutar para dar alegrias aos Sportinguistas, encarando cada jogo como se fosse o último. Sábado, frente ao Moreirense FC, não será excepção.
JOVENS LEÕES PENALIZADOS PELA FALTA DE EFICÁCIA A EQUIPA VERDE E BRANCA SOFREU PRIMEIRO E, APESAR DAS VÁRIAS OPORTUNIDADES CRIADAS, NÃO CONSEGUIU CHEGAR AO GOLO Texto: Xavier Costa Fotografia: Mário Vasa
Na quarta-feira, foi a vez da equipa sub-23 do Sporting Clube de Portugal subir ao relvado do Estádio Municipal do Jamor, desta feita para defrontar o GD Estoril Praia, em jogo a contar para a nona jornada da primeira fase do grupo B da Liga Revelação. Apesar das oportunidades criadas, os jovens Leões não conseguiram dar a volta à equipa da Linha, que mantém assim a liderança da prova. O jogo começou animado, com ambas as formações a chegarem com facilidade a zonas de finalização. O GD Estoril Praia fez o primeiro e único golo da partida aos catorze minutos, através do ponta-de-lança Douglas Aurélio. Pouco depois, aos 22 minutos, os locais ficaram perto de dilatar a vantagem, não fosse a defesa atenta do guardião Leonino ao cabeceamento de Bernardo Vital. O Sporting CP procurava reagir e, passada a meia hora de jogo, os jovens Leões entraram no seu melhor período ofensivo, mas nem Diogo Brás (30’), Tiago Ferreira (32’) ou João Daniel (33’) conseguiram finalizar com êxito. Na sequência, Duarte Carvalho rematou rasteiro e colocado para a defesa de
Na próxima jornada, os jovens Leões recebem SL Benfica
João Oliveira e, dois minutos depois, o 87 verde e branco, já na pequena área, cabeceou por cima da trave. O Sporting CP acabou melhor a primeira parte, mas sem conseguir o empate. No segundo tempo, o GD Estoril Praia procurou aproveitar as transições rápidas e aos 57 minutos Douglas Aurélio ficou muito perto do 2-0. O conjunto de Filipe Pedro sentia dificuldades e não encontrava o caminho para a baliza adversária, levando o treinador verde e branco a promover três alterações aos 69 minutos. Os jovens Leões continuaram a perseguir o empate e foram empurrando a formação adversária para a sua área, mas o GD Estoril Praia
conseguiu desbaratar as investidas Leoninas. Aos 87 minutos, o Sporting CP teve a derradeira oportunidade para empatar, mas o remate de Paulo Agostinho, já no interior da área, saiu desenquadrado. Já em período de descontos, Tiago Santos fez o empate, mas, após alguma hesitação, a equipa de arbitragem assinalou fora-de-jogo. Com este desfecho, o Sporting CP fica a cinco pontos da liderança do grupo B da primeira fase da Liga Revelação, ocupada pelo GD Estoril Praia. Na próxima jornada, os jovens Leões recebem o eterno rival, um dérbi sub-23 agendado para as 14h30 da próxima terça-feira, dia 1 de Dezembro.
25 de Novembro de 2020 | Liga Revelação – grupo B – 9.ª jornada | Estádio Nacional, Oeiras
GD ESTORIL PRAIA Douglas Aurélio (14’)
1 -0
SPORTING CP
(1-0, ao intervalo)
Sporting CP: Diogo Almeida (GR); Hevertton Santos (Tiago Santos, 55’), Chico Lamba, Rafael Fernandes, Babacar Fati; João Daniel, Duarte Carvalho (Samuel Lobato, 69’), Bernardo Sousa (Lucas Dias, 83’); Tiago Ferreira (Gonçalo Costa, 69’), Diogo Brás, Nikolai Skoglund (Paulo Agostinho, 69’). Suplentes não utilizados: Vasco Gaspar [GR], Rodrigo Rêgo, Diogo C., Renato Veiga. Treinador: Filipe Pedro. Disciplina: Cartão amarelo a Tiago Ferreira (18’) e João Daniel (90’).
14 - SPORTING 3795
OPINIÃO
CLUBE INICIATIVAS
GANHAR À SPORTING CP
Pedro Almeida Cabral
Há muitas maneiras de ganhar. Podemos ganhar bem a jogar mal. Ou ganhar mal a jogar bem. Toque de bola, fintas estonteantes e assistências primorosas não garantem golos. E, por vezes, ressaltos desencontrados, desmarcações por acaso e sobras inesperadas conduzem à vitória. Ganhar é sempre ganhar. Nem que seja por meio golo a zero. Porém, há uma forma de ganhar melhor que todas as outras. Porque envolve jogar espectacularmente, respeito pelo adversário, compromisso competitivo em todo o tempo de jogo e mãos cheias de golos. Foi o que sucedeu no jogo da Taça com o SG Sacavenense, com vitória à Sporting CP por 7-1. A Taça é uma competição especial. Há um reencontro com o futebol de outros tempos, em que o desporto se vestia com um equipamento mais amador e era assente nas colectividades. O SG Sacavenense, para quem viva na Grande Lisboa, dispensa apresentações. Fundado em 1910, com futebol desde 1911, sempre foi uma escola de iniciação na zona
norte da capital. Não é por acaso que um dos nossos jogadores preponderantes nesta época, João Palhinha, fez parte da sua formação no SG Sacavenense. Ou que o Sporting CP sempre teve ligações estreitas com o clube de Sacavém. O Sporting CP entrou no jogo para ganhar. Mas mais do que isso. Entrou no jogo para respeitar o adversário. Sem presunções, nem sobrancerias, colocando uma equipa, onde muitos jogadores trabalham durante o dia, ao nível da equipa profissional do Sporting CP. Esta era a melhor homenagem que o Sporting CP podia fazer ao centenário SG Sacavenense. E não ficou por aí. Consciente que não há verdadeiro futebol sem entreajuda, solidariedade e clubes formadores, a cedência da nossa receita televisiva ao SG Sacavenense é uma atitude que deve encher de orgulho Sócios e adeptos e que faz parte desta vitória à Sporting CP. Dos sete golos, fica o veloz Nuno Santos, um jogador que cada vez mais se revela uma aquisição acertadíssima, com um golo e duas assistências, Coates, nas alturas, a marcar dois oportunos golos, e Pedro Marques, a mostrar que o seu faro pelo golo – marcou dois golos em 18 minutos e por pouco não fez o hat trick – ainda poderá fazer muito estrago esta época. Maravilhoso Sporting CP, a ganhar à Sporting CP no Jamor, onde mora a final da Taça onde queremos estar.
As lições do professor João Mário RECONHECIDO COMO UM JOGADOR EXÍMIO DENTRO DE CAMPO, JOÃO MÁRIO É TAMBÉM UM SENHOR FORA DELE. PROVA DISSO FORAM OS ENSINAMENTOS E A EXPERIÊNCIA QUE O MÉDIO DOS LEÕES FEZ QUESTÃO DE TRANSMITIR, ATRAVÉS DA TELEVISÃO, AOS ALUNOS DO 3.º CICLO QUE, DEVIDO AO IMPACTO DA PANDEMIA DE COVID-19, ESTÃO A TER AULAS A PARTIR DE CASA Texto: Pedro Ferreira
João Mário esteve presente, na passada terça-feira, num dos blocos de educação física do “Estudo em Casa”, projecto tradicionalmente conhecido como tele-escola, tendo respondido a algumas questões relacionadas com os malefícios do sedentarismo, o regime alimentar de um desportista, a necessidade de dormir bem ou a importância de conciliar a actividade desportiva com a escola, temas indispensáveis tendo em vista o crescimento e desenvolvimento saudável de todas as crianças e jovens. “Foi uma experiência muito enriquecedora. Nunca tinha participado em nada do género, mas penso que correu bem e espero que os alunos em casa também tenham gostado. É importante o Sporting CP participar neste tipo de iniciativas porque permite-nos estar em contacto com a comunidade escolar, o que é muito bom”, frisou o internacional português em declarações exclusivas ao Jornal Sporting, considerando tratar-se de um projecto “muito gratificante” e de grande importância “para todas as crianças”. Já Filipe Ramos, professor de educação física e responsável pela presença do jogador verde e branco nesta aula, afirmou que, apesar do bloco ser destinado aos alunos do 3.º ciclo, também poderá ser utilizado por alunos de outras faixas etárias, desde o segundo ciclo ao secundário, e até pelos próprios pais. “A presença de um grande
jogador do panorama nacional e internacional e, como pude observar, de um enorme ser humano como é o João Mário, é uma grande mais-valia devido ao facto de nos transmitir toda a sua experiência e promover um estilo de vida activo e saudável, assim como o desenvolvimento integral e harmonioso do ser humano. Espero que essa experiência tenha sido valorizada pelos nossos alunos”, referiu o docente que é também personal trainer e membro de uma escola de surf. Apesar de reconhecer que o “Estudo em Casa” é muito diferente de uma aula de educação física leccionada na escola, Filipe Ramos não tem dúvidas de que os ensinamentos de João Mário terão um forte impacto junto dos alunos, até porque o atleta Leonino
é, para muitos deles, um ícone do desporto. “Sendo a personalidade que é, as suas palavras poderão ter um eco maior junto deles”, assegurou. Após a boa recepção por parte dos estudantes, o docente sublinhou ainda que tanto a disciplina de educação física como o Sporting CP se regem pelos mesmo princípios, razão mais do que suficiente para que esta seja uma experiência a repetir no futuro. “Sem dúvida. Foi uma excelente iniciativa, estou muito grato ao Sporting CP. Se tivermos em conta o objectivo da educação física, que é promover um estilo de vida saudável, juntamente com o lema do Clube, que engloba o esforço, a dedicação e a devoção, acho que a presença do João Mário reuniu uma combinação perfeita”, concluiu.
16 - SPORTING 3795
SPORTING 3795 - 17
ENTREVISTA FEDDAL
“ESTOU MUITO AGRADECIDO AO SPORTING CP E FAREI TUDO POR ESTE CLUBE” Zouhair Feddal sente que acertou ao vir para o Sporting Clube de Portugal. À conversa com o Jornal Sporting, o central marroquino falou dos primeiros meses de Leão ao peito, de Rúben Amorim e dos companheiros de equipa, deixando ainda o desejo de ficar em Alvalade durante muitos anos Texto: Maria Gomes de Andrade Fotografia: José Lorvão
Veste de Leão ao peito há três meses e meio. Que balanço faz destes primeiros tempos no Sporting CP? O balanço que faço é muito positivo. Desde o primeiro momento que me receberam muito bem e a verdade é que estou muito, muito, feliz e estou cada vez mais convencido de que acertei ao vir para este grande Clube. Está totalmente integrado? Sim, posso dizer que estou muito bem integrado, mas evidentemente que ainda me falta aprender português. É mais complicado do que eu pensava (risos). Considero-o bastante diferente do castelhano [idioma no qual se fez a entrevista]. Mas já sabe dizer alguma palavra ou não? Sim, sim, sei dizer uma ou outra palavra, e consigo entender tudo aquilo que me dizem os meus companheiros de equipa e o míster, mas para me expressar ainda tenho algumas dificuldades. Aprenderei pouco a pouco. Quem é, para já, o seu melhor amigo no Sporting CP? Não consigo dizer apenas um nome. Como é natural, interajo mais com os jogadores que falam castelhano [Feddal jogou quase toda a carreira em Espanha], mas todo o grupo é espectacular. São pessoas fantásticas e todos me ajudaram a integrar no Clube. Por isso, todos são importantes para mim.
“O PAULINHO É UM FENÓMENO, UM EXEMPLO, UMA LENDA DO SPORTING CP” E o Paulinho, o que dizer dele? É um fenómeno (risos). O Paulinho é a alegria do balneário, é aquele tipo de pessoa que está sempre feliz. É um exemplo de superação e é como uma lenda do Sporting CP. E o grupo é tão unido, divertido e empenhado como temos visto, por exemplo, nos vídeos da rubrica Inside Sporting no YouTube ou é só assim quando as câmaras estão presentes? (risos) Não, não. Não é pelas câmaras. Temos um grandíssimo grupo e protegemo-lo ao máximo. Somos como uma família, um grupo misto com gente veterana e gente jovem, que está junta para conseguir os seus objectivos.
E está a gostar de trabalhar com o Rúben Amorim? Estou a gostar muito, e também já tinha falado com ele antes de vir para o Sporting CP. É um treinador jovem, com muita vontade de crescer e de vencer. Estou convencido de que vai ser um grandíssimo treinador. Oxalá que nós também o possamos ajudar a que consiga conquistar os seus objectivos, que obviamente também são os nossos. O João Mário disse, recentemente, que o míster tem uma mentalidade moderna. Concorda com ele? Totalmente. Tem uma mentalidade vencedora, sabe motivar bem os jogadores e os seus métodos de trabalho são muito modernos. Só posso falar bem dele. Ele tem sabido gerir bem o grupo, e uni-lo também. Essa união tem sido importante para que, neste momento, o Sporting CP seja o líder isolado da Liga NOS? Sim, mas eu, pessoalmente, não dou muita importância à classificação. Não olho para isso. É verdade que a tabela reflecte o bom trabalho que temos vindo a fazer, tanto dentro de campo como fora, mas aquilo que temos de fazer é apenas seguir nessa linha e pensar, como sempre, no próximo jogo, que para nós é mais um final. Temos de pensar sempre semana a semana e continuar assim. O que acha do plantel do Sporting CP? Acho que tem muita qualidade. Eu já sabia o que era o Sporting CP, mas quando cheguei aqui dei conta de que é gigante. Um gigante que esteve muitos anos adormecido, mas espero que com a qualidade que há no plantel, possamos conquistar coisas importantes e dar alegrias aos Sportinguistas. O plantel tem muitos jovens jogadores da formação. Está surpreendido com o desempenho deles? Estou, mas, sinceramente, não ligo a idades. Somos todos jogadores da equipa principal, aqui não há o ser veterano ou o ser jovem, mas é verdade que há muito talento na formação do Sporting CP. Todos os jogadores dos escalões inferiores que têm treinado connosco dão o máximo e ajudam-nos muito. Oxalá que continuem a surgir muitos mais jogadores talentosos. Pelo que se sabe, o Feddal também gosta de os ajudar. Porquê?
Gosto porque também já fui jovem e houve jogadores que me ajudaram. Quando acho que, humildemente, lhes posso dar um conselho, dou. Eu também aceito que um jogador como o Coates, que é da minha idade, me dê conselhos ou até que seja um jogador mais novo a fazê-lo, se entender que fiz algo de errado. Ouvir e dar conselhos, de forma humilde, é algo fundamental para que possamos crescer. Nós somos um grupo e, por isso, acho que todos temos de nos ajudar. No esquema 3-5-2, tem jogado com dois experientes centrais – Sebastián Coates e Luís Neto –, como tem sido jogar ao lado deles? Eu tento adaptar-me a qualquer companheiro de equipa, pois o meu objectivo é sentir-me cómodo com todos eles. É natural que com o Coates, por falarmos o mesmo idioma, me sinta melhor, mas também me sinto bem com o Neto, com quem falo em espanhol ou italiano. Entendemo-nos todos muito bem. Vocês os três, e o Adán, são os jogadores mais velhos do onze mais habitual até ao momento. Sente que, apesar da qualidade dos jovens, é importante ter no sector mais recuado jogadores mais velhos e com a vossa experiência? Todos nós trabalhamos durante a semana para tentar convencer o míster de que podemos estar no onze, por isso, para mim, os onze que entram em campo são aqueles que estão melhor no entender dele. Nesse sentido, também como disse anteriormente, para mim a idade não interessa, a menos que se tenha 42 anos, não é? Hoje em dia um jovem pode jogar perfeitamente e render o mesmo que um veterano, assim como um veterano pode fazer o mesmo que um jovem. E apesar do crescimento nas exibições e dos bons resultados, ainda podemos esperar mais desta equipa? Claro que sim até porque no futebol não pode haver conformismo. Se nos conformamos, estamos arrumados. O nosso objectivo é melhorar a cada dia. Sabemos que há sempre alguma coisa para melhorar e para aprender. Temos de ter essa mentalidade, e mentalidade ganhadora, até porque estamos num grande Clube e sabemos que aqui só podemos pensar em melhorar e em vencer. Nenhum de nós pode relaxar, nem achar que já ganhámos alguma coisa porque, na realidade, não fizemos nada de extraordinário e a época só começou agora. Temos de continuar a trabalhar e a dar tudo, competir a 100 por cento e depois logo vemos o que acontecerá.
18 - SPORTING 3795
Está cá sozinho ou a sua família também veio? A minha família veio no início, mas os meus filhos tiveram de ficar em Sevilha por causa da escola. Como estou perto, a cerca de duas horas e meia, sempre que posso vou lá ver a minha mulher e os meus filhos. É uma situação difícil, mas por causa da escola dos miúdos, tivemos de tomar esta decisão, também para que a mudança não fosse tão brusca. Deverão vir no próximo ano, se calhar até já em Janeiro. E o Feddal veio para ficar muitos anos? Oxalá que sim. E veio também para alcançar o quê de Leão ao peito? Para dizer a verdade, eu não gosto muito de falar a longo prazo, prefiro falar do presente, do agora, e para já aquilo que se segue é o jogo com o Moreirense FC. Para mim não faz sentido estar a pensar mais à frente porque acho que pensar demasiado no futuro não nos ajuda a crescer. Por isso, há que pensar no presente, que é aquilo que temos mais perto. E acho até que se todos pensarmos assim, mais facilmente conseguiremos coisas importantes.
E do Feddal, o que podemos ainda esperar? Aquilo que posso prometer é trabalho e compromisso, isso não me vai faltar nunca. Claro que depois as coisas me podem correr melhor ou pior, mas o meu papel é trabalhar diariamente, ser bom colega de equipa, ajudar em tudo o que possa e contribuir com o meu “grão de areia” para que, tanto eu, como o grupo, consigamos os nossos objectivos. E podemos saber quais são os seus objectivos? Sim. Basicamente, aquilo que quero é melhorar. Melhorar sempre. Há alguma meta de golos, apesar de ser defesa? Há, mas o meu papel é defender e defender a nossa baliza. Marcar será um extra. O próximo jogo para a Liga NOS é já este sábado (20h30), em Alvalade, com o Moreirense FC. O que espera desse encontro? Espero um jogo difícil. Eles sabem que terão pela frente uma equipa que atravessa um bom momento e nós sabemos que teremos de estar a 100 por cento porque todos os jogos são complicados. Além disso, sabemos como é que as equipas vêm jogar ao nosso estádio, complicam-nos as coisas porque estão a defrontar um grande Clube. Já percebeu isso, mas ainda não jogou com o Estádio José Alvalade cheio. Já imaginou como será quando houver adeptos nas bancadas? Estou com muita vontade que isso aconteça. Será uma festa para todos nós por várias razões e porque significará que a COVID-19 já se foi embora. Sentir o calor dos adeptos é aquilo que nós jogadores mais gostamos. Sempre disse que o futebol é dos adeptos e das pessoas, e sem eles o futebol fica um pouco aborrecido. Neste momento, tentamos ter o melhor rendimento na ausência deles, mas a verdade é que o calor deles nos ajuda. O Feddal veio de um dos melhores campeonatos do Mundo, do espanhol... o que está a achar do campeonato português? Está a surpreendê-lo de alguma forma?
Sim, o campeonato espanhol é muito bom. Nunca joguei em Inglaterra, mas dizem que o melhor é um deles e para mim o espanhol é muito competitivo – tem o Real Madrid FC e o FC Barcelona, que são de outro nível, e o Clube Atlético Madrid, que tem estado melhor nos últimos anos. A Liga NOS, à primeira vista, parece fácil, mas na realidade não é. É uma Liga que requer muita concentração e na qual não se pode relaxar em nenhum momento, porque qualquer adversário pode surpreender. Nós somos uma das equipas mais importantes deste campeonato e temos de tentar ganhar todos os jogos.
“HÁ VONTADE DE FAZER DO SPORTING CP O QUE SEMPRE FOI” Porque razão escolheu o Sporting CP e a liga portuguesa? Porque o projecto que o treinador e o Hugo Viana me apresentaram foi muito interessante e, além disso, para mim, vir para o Sporting CP foi um passo em frente na minha carreira. Isso é óbvio. É um Clube que já ganhou muito e com história na Europa. Foi uma decisão muito fácil pelo projecto e pela vontade que há de fazer do Sporting CP o que sempre foi. E ter Lisboa como casa, também o ajudou a tomar essa decisão? Todos dizem que é uma cidade encantadora, além de que tem bom tempo e é junto ao mar... Sim, Lisboa é uma cidade muito boa. Gosto de viver em sítios assim. Estou a viver numa cidade espectacular, mas que ainda não descobri nem a 50 por cento porque, por causa da pandemia, não saio muito de casa. Pouco a pouco, conhecerei mais. O que é que já conhece da cidade? Hmmm... Os pastéis de Belém (risos). Gosto bastante deles, mas tento não comer muitos (risos). Também já andei pelo centro da cidade e gostei muito. Gostei do ambiente e da tranquilidade com que se vive. Gostei de tudo.
“TENHO MUITA VONTADE DE SENTIR O CARINHO DOS ADEPTOS DO SPORTING CP” O Feddal chegou em plena pandemia e ainda não teve oportunidade de falar muito com os adeptos. Gostava de lhes dizer alguma coisa? Infelizmente, ainda nem sequer tive a oportunidade de ter contacto com eles, mas tenho muita vontade de os conhecer. Só me disseram coisas boas deles, por isso espero que em breve possam ir ao estádio. Tenho muita vontade de sentir o carinho deles. Já agora fala muito para eles... é muito activo no Twitter, e até escreve em português... Sim, uso o tradutor do Google (risos)... Seja como for, com aquilo que escreve percebe-se que sente o Clube e isso é do agrado deles... É? Sinceramente não o faço para ‘dar graxa’. Faço-o porque estou muito agradecido ao Sporting CP pela oportunidade que me deu, tal como sempre estive agradecido aos outros clubes que também apostaram em mim. O Sporting CP é o Clube que represento, que me cuida e é o meu ganha-pão. Por isso, vou até à morte por ele. É certo que também sou uma pessoa sentimental, mas senti-me muito acolhido desde o primeiro momento e por isso darei tudo por este Clube. Considera que é importante sentir o Clube, como parece sentir, para dar em campo tudo aquilo que tem dado? Sim, mas independentemente disso, sempre fui muito competitivo, sempre gostei muito de ganhar. Está-me no sangue. É como já disse, as coisas podem correr-me melhor ou pior, mas nunca deixarei de lutar. Mesmo que possa estar a passar um mau momento, continuarei a lutar. Tento sempre dar tudo dentro de campo. E agora vai dar tudo no sábado e o que interessa é ganhar, não é? Sim, isso é o mais importante para já.
SPORTING 3795 - 19
DIEGO MARADONA
AD10S, GÉNIO DEIXOU-NOS UM ÍCONE DO FUTEBOL INTERNACIONAL. NÃO HOUVE E NÃO VAI HAVER NENHUM OUTRO COMO DIEGO ARMANDO MARADONA Texto: Luís Santos Castelo, Pedro Ferreira
Sendo, por larga margem, o desporto mais popular do planeta, o futebol tem muitos ídolos e lendas espalhados por todo o Mundo. Nenhum deles, contudo, foi sequer parecido com Diego Armando Maradona, que morreu na última quarta-feira, 25 de Novembro, aos 60 anos. Dono de um carisma tremendo e protagonista de uma vida saída de um filme de Hollywood, o argentino deixou um legado impossível de igualar, mas apaixonante de acompanhar. Oriundo de um bairro pobre na periferia de Buenos Aires, Diego Maradona começou a destacar-se numa equipa local e reforçou depois o AA Argentinos Juniors. Aí, começou a brilhar. Pequeno em tamanho, gigante em talento, driblava sobre os adversários como faca quente em manteiga e marcava golos com uma naturalidade nunca antes vista. Estreou-se pela equipa principal ainda adolescente e rapidamente ficou famoso, estreando-se também pela selecção nacional argentina com apenas 16 anos. O resto é história: venceu o Campeonato do Mundo de sub-20 em 1979, mudou-se para o CA Boca Juniors em 1981 e fez a travessia atlântica para ser contratado pelo FC Barcelona em 1982, ano em que também participou no Campeonato do Mundo pela primeira vez. Em Espanha, contraiu lesões complicadas e não foi tão bem-aventurado como esperado, sendo aliás protagonista de situações menos felizes. Em 1984, trocou o FC Barcelona pelos italianos do SSC Napoli. Aí, tudo mudou: tornou-se uma referência do clube e da cidade, que ainda hoje recorda Maradona com muita saudade. No entanto, foi em 1986 que Diego Maradona atingiu o pico da carreira e conseguiu um dos feitos mais brilhantes da história
do futebol. No Campeonato do Mundo, realizado no México, levou a Argentina às costas até à final, que foi ganha contra a Alemanha por 3-2. Nos quartos-de-final, contudo, Diego Maradona definiu o rumo da história. Diante da Inglaterra, marcou um golo com a mão – que ficou conhecido como ‘A mão de Deus’ – e outro em que fintou meia equipa britânica e que é, para sempre, um dos melhores alguma vez conseguidos. Triunfo por 2-1 para os argentinos. Depois do Campeonato do Mundo, Maradona deu ainda mais ao SSC Napoli, que venceu a Serie A em 1987 e 1990, a Taça de Itália em 1987 e a Supertaça italiana em 1990. Na Europa, também os transalpinos brilharam com a conquista da Taça UEFA em 1989. Sempre com ‘El Pibe’ em grande destaque. Deixou o SSC Napoli em 1991, já depois do Campeonato do Mundo de 1990 e de alguns problemas com drogas e doping, e os anos seguintes não foram os melhores. No Sevilla FC, não foi o mágico de antes e na Argentina, onde ainda representou o CA Newell’s Old Boys e, novamente, o CA Boca Juniors. No Campeonato do Mundo de 1994, o último da carreira, acusou positivo no teste de doping. Pendurou as botas aos 37 anos e tornou-se treinador, tendo chegado a ser seleccionador da Argentina. Agora, orientava o Club Gimnasia y Esgrima La Plata, do seu país natal. O Sporting CP teve mesmo o prazer de ser o único Clube português que teve Diego Maradona como adversário. Aconteceu em 1989/1990, na primeira ronda da Taça UEFA, quando os Leões defrontaram o SSC Napoli e foram eliminados no desempate por pontapés de penálti após 0-0 em cada uma das mãos. No final da primeira mão, em
Diego Maradona em acção contra o Sporting CP, no antigo Estádio José Alvalade, em 1989
Alvalade, Maradona deixou os Sportinguistas deliciados ao vestir a camisola listada verde e branca. Na segunda, em Nápoles, perdeu uma aposta com Tomislav Ivković, guarda-redes croata que defendia as redes Leoninas. “Quando ele ia a marcar a grande penalidade, aproximei-me e disse-lhe: ‘Queres apostar 100 dólares em como defendo?’ Ele aceitou, eu defendi e no final do jogo deu-me a camisola dele e os 100 dólares”, contou o antigo guarda-redes do Sporting CP, em declarações ao Diário de Notícias, em 2010. Curiosamente, no ano seguinte, Tomislav Ivković voltou a encontrar Maradona no Campeonato do Mundo de 1990, quando a Jugoslávia defrontou a Argentina. No final, 0-0, novo desempate por pontapés de penálti e nova provocação do guardião. “No Mundial 1990 defendi outro penálti dele. Voltei a provocar, dizendo: ‘Cuidado, eu sei para onde vais marcar...’, simulei que ia para o mesmo lado e atirei-me para o outro. Defendi dois penáltis de Maradona e perdi esses dois jogos”, recordou Ivković ao mesmo jornal.
Deixou-nos um génio. Como todos os génios, tinha uma pitada de loucura, mas nada disso afectou o amor e o carinho
que milhões de adeptos de futebol lhe dedicaram ao longo das últimas décadas. Obrigado por tudo e até sempre, D10S.
DIEGO ARMANDO MARADONA FRANCO Nascimento: 30 de Outubro de 1960 (Lanús, Argentina) Morte: 25 de Novembro de 2020 (60 anos, Tigre, Argentina) Posição: médio-ofensivo Altura: 1,67 metros Alcunhas: El Pibe e D1OS Período de actividade: 1976-1997 Número total de jogos: 679 (91 na selecção argentina) Número total de golos: 346 (34 na selecção argentina) Clubes em que jogou: AA Argentinos Juniors (1976-1980), CA Boca Juniors (1981) e (1995-1997), FC Barcelona (1982-1984), SSC Napoli (1984-1991), Sevilla FC (1992/1993) e CA Newell’s Old Boys (1993) Clubes e selecções que treinou: CSD Textil Mandiyú (1994), RA Avellaneda (1995), Argentina (2008-2010), Al Wasl FC (2011/2012), Al-Fujairah SC (2017/2018), CSD Dorados de Sinaloa (2018/2019) e CA Gimnasia y Esgrima La Plata (desde 2019) Títulos colectivos (11): 1 Campeonato do Mundo, 1 Campeonato do Mundo de sub-20, 2 Serie A, 1 Taça de Itália, 1 Taça UEFA, 1 Supertaça italiana, 1 Taça do Rei de Espanha, 1 Taça da Liga espanhola, 1 Supertaça espanhola, 1 Campeonato Metropolitano argentino Principais prémios individuais: melhor jogador do Campeonato do Mundo (1986), melhor jogador do ano para a World Soccer Magazine (1986), melhor jogador do século para a FIFA (2000), autor do golo do século para a FIFA (o segundo contra Inglaterra no Campeonato do Mundo de 1986), jogador sul-americano do ano (1979, 1986, 1989, 1990 e 1992) e melhor jogador do mundo para a revista Onze (1986 e 1987)
20 - SPORTING 3795
EFEMÉRIDES O LEÃO DA ESTRELA
“NÃO ESQUEÇA QUE O LEÃO É O REI DOS ANIMAIS, ATÉ MESMO NO FUTEBOL” HÁ 73 ANOS, ESTREAVA ‘O LEÃO DA ESTRELA’, ICÓNICO FILME QUE FOMENTOU E DIVULGOU O SPORTINGUISMO. A FRASE DO TÍTULO É UMA DAS VÁRIAS PROFERIDAS POR ANASTÁCIO, PERSONAGEM PRINCIPAL QUE TUDO FAZ PARA ASSISTIR A UM FC PORTO VS. SPORTING CP
Texto: Luís Santos Castelo
Poucos filmes em Portugal tiveram o impacto de ‘O Leão da Estrela’. A película, que teve a sua estreia a 25 de Novembro de 1947, no Teatro São Luiz, em Lisboa, é uma das mais importantes da história do cinema em Portugal e o Sporting Clube de Portugal tem um papel de grande relevância. Assim como o filme foi essencial na expansão do emblema de Alvalade pelo país. Recordemos a história. Anastácio (António Silva) é um fanático Sportinguista que consegue bilhete para um FC Porto vs. Sporting CP no norte do país. O êxtase em que está para assistir à partida é interrompido pela notícia de
que não há bilhetes de comboio. Até que Anastácio consegue boleia de Miguel (protagonizado pelo mítico Artur Agostinho), motorista de um comandante que namora com Rosa (Laura Alves), a empregada do fervoroso Leão. Assim, Anastácio e a família vão com Miguel e Rosa até ao Porto. Anastácio assiste ao jogo entre adeptos adversários e entra em várias discussões, sendo que o Sporting CP vence por 1-2 com golos de Peyroteo e Travassos. As imagens do jogo que são exibidas na longa metragem são excertos de partidas entre Leões e dragões, no Porto, em 1946 e 1947. Na vida real, o Sporting CP também triunfou nessas partidas. No que resta do filme, Anastácio e a família criam várias mentiras de forma a
fazer pensar à abastada família Barata, com quem estavam hospedados, que também eram ricos, num estilo de comédia habitual à época e a fazer lembrar a revista à portuguesa. Até porque o original ‘O Leão da Estrela’ é de 1925 e foi criado para teatro. A Companhia Chaby Pinheiro levou ao Teatro Politeama a obra, sendo que os autores foram os comediógrafos Ernesto Rodrigues, Félix Bermudes e João Bastos. Pouco mais de 20 anos depois, a peça foi adaptada para cinema, ainda que com algumas alterações tendo em conta a ditadura – e a respectiva censura – que comandava Portugal na época. Tendo em conta o período conturbado que se vivia em Portugal em 1925, a comédia original foi “uma contundente crítica política e social”, como explicou o jornalista Pedro Caldeira Rodrigues no Jornal Sporting em Julho de 2017. O mesmo jornalista, numa palestra dada no Museu Sporting na mesma altura, relembrou uma das partes que estavam presentes na peça original e que, devido à censura, foram cortadas do filme de 1947. “E dizem que não há dinheiro! Corja de mandriões, quer uma pessoa divertir-se e não há comboio, não há nada! Era eu agora que ia fazer descarrilar o comboio! Isto é política! Se calhar venderam os bilhetes aos contratadores! Isto é que é um país! Não se pode fazer um projecto!... E querem eles a ponte sobre o Tejo e a autoestrada... E não querem que haja revoluções!... Não querem que haja mendicidade! Gastam tudo na pândega! Bondade! Ainda querem que tenha
FRASES ‘À LEÃO’ DE ANASTÁCIO “Não esqueça que o Leão é o rei dos animais, até mesmo no futebol” “O Peyroteo chuta no Terreiro do Paço e mete golo no Estádio do Lima. Ali, como um limão! Quero dizer, como um Leão!” “O meu amigo não brinque, hã? Que eu não sou Leão embalsamado. Até os mordo. Ah, mordo!” “Eu parece que já os estou a ver! A bola é posta em jogo. Os nossos avançam como Leões. Canário recebe a bola e passa a Travassos. Travassos dribla Guilhar, que se estende ao comprido, e passa a Vasques. Vasques recebe a bola e passa a Albano. Albano passa a Jesus Correia. Jesus Correia centra e Peyroteo, completamente isolado, corre, chuta e golo!” “O Peyroteo é verde. É Leão, como eu. Os Leões são verdes” “Que país é este que não tem bilhetes nem tem comboios para levar os Sócios do Sporting ao Porto?” “Se é Leão, é um homem de bem!” bondade. A bondade dava-lhe eu, mas era com uma bomba ali na estação! Não ia eu, mas também não ía mais ninguém”, diz Anastácio na comédia original, com a Inspecção dos Espectáculos a não permitir que tudo fosse proferido no filme. Hoje, 73 anos depois da estreia do filme, ‘O Leão da Estrela’ continua bem vivo. Cenas icónicas, como aquela
em que Anastácio relata um golo do Sporting CP e acaba a pontapear o tampo da mesa, ficaram marcadas para sempre na memória dos portugueses e, claro, dos Sportinguistas em particular. Em 2015, Leonel Vieira realizou a mais recente versão de ‘O Leão da Estrela’ com Miguel Guilherme com o papel principal. Ainda assim, as diferenças já são bastantes para as versões anteriores.
Anastácio (à direita), interpretado por António Silva, é um fanático Sportinguista
SPORTING 3795 - 21
“TODA A GENTE CONHECE ‘O LEÃO DA ESTRELA’ E SABE QUE ESTÁ ASSOCIADO AO SPORTING CP” O JORNALISTA PEDRO CALDEIRA RODRIGUES É BISNETO DE ERNESTO RODRIGUES, UM DOS AUTORES DA COMÉDIA ORIGINAL, DE 1925, E ESTEVE À CONVERSA COM O JORNAL SPORTING Texto: Luís Santos Castelo Fotografia: Museu Sporting – Centro de Documentação
Autor do livro ‘O Teatro de Revista e a I República - Ernesto Rodrigues e A Parceria (19121926)’, Pedro Caldeira Rodrigues tem-se debruçado sobre ‘O Leão da Estrela’. Não só por ser bisneto de Ernesto Rodrigues, um dos autores da comédia original, de 1925, mas também porque já colaborou com o Jornal Sporting e com o Museu Sporting sobre este e outros temas. Ao Jornal Sporting, novamente, Pedro Caldeira Rodrigues explicou que ‘O Leão da Estrela’ foi muito relevante para o Sporting CP dar a conhecer ainda mais as suas cores a todo o país num processo já iniciado anteriormente com o ciclismo, por exemplo. “O Sporting CP já era um Clube com alguma história. Foi fundado em 1906 e o filme é de 1947. Creio que a grande afirmação do Sporting CP a nível nacional ocorreu na década de 30, com a Volta a Portugal, que percorria grande parte do país e já havia uma grande rivalidade entre Sporting CP e SL Benfica, entre Alfredo Trindade e José Maria Nicolau.
Esta rivalidade entre estes dois ciclistas catapultou o nome dos dois clubes a nível nacional. Este contributo do Alfredo Trindade foi extremamente importante. ‘O Leão da Estrela’ é uma comédia que teve um enorme sucesso [enquanto peça], mas a sua difusão era restrita, ainda que o teatro de revista continuasse com enorme popularidade. Muitas pessoas iam a teatros, sobretudo em Lisboa. ‘O Leão da Estrela’ teve esse sucesso, mas o público que assistia a esse teatro de revista era mais restrito, de classes mais ou menos abastada. Portugal era um país pobre e em grande convulsão política e a peça reflecte também a turbulência que existia no país em 1925. (…) Presumo que o filme tenha tido muito mais espectadores do que a peça de teatro. O filme teve um extraordinário sucesso. Já havia cinemas em muitas zonas do país e com certeza que ajudou a propagar o Sporting CP”, começou por dizer. Lembrando depois a censura e as alterações que o filme de 1947 teve para ir ao encontro da mensagem pretendida por parte do regime ditatorial, Pedro Caldeira Rodrigues destacou que “o Sporting CP, em 1947, estava na vanguarda do desporto
A icónica cena em que Anastácio acaba a pontapear o tampo da mesa
português”. “Era um Clube ecléctico e tinha uma linha avançada muito famosa. Por isso, notam-se algumas diferenças. Na década de 1920, o Sporting CP era um Clube de origens elitistas. As coisas evoluíram. (…) O filme, sobretudo, imortaliza e prolonga para as gerações seguintes o nome do Sporting CP. Toda a gente conhece ‘O Leão da Estrela’ e sabe que está associado ao Sporting CP”, garantiu. Há uma cena em especial que ficou na memória de Pedro Caldeira Rodrigues e da maioria das pessoas que assistiram a ‘O Leão da Estrela’: a cena em que Anastácio relata uma jogada dos Cinco Violinos e acaba a pontapear o tampo da mesa. Essa cena, assegurou o jornalista, foi a demonstração do que significava ser Sportinguista naquela época. “Quando o Anastácio imagina aquela linha avançada do Sporting CP a marcar um golo e pontapeia o tampo da mesa, é uma demonstração de clubismo que existia e existe. Eu fui Sócio e atleta do Sporting CP, no final dos anos 60, no atletismo. Assistíamos aos jogos de futebol e existia um enorme fervor clubístico, com o estádio sempre cheio. O fervor era enorme. Os Sócios eram extremamente críticos em relação à arbitragem e às injustiças que ocorriam em campo. Era uma grande forma de defender o Clube e a camisola. Não era uma reacção violenta, mas sim em prol da defesa dos interesses e da dignidade do Clube. A manifestação do Anastácio, quando dá aquele pontapé, foi precisamente isso: uma manifestação de fervor clubístico. Principalmente na altura da ditadura, em que os três efes – fado, futebol e Fátima – eram muito fomentados. A peça e o filme foram importantes para o
Pedro Caldeira Rodrigues, acompanhado de Isabel Victor (directora do Museu Sporting), em 2017
nosso Clube”, considerou. Por fim, Pedro Caldeira Rodrigues lembrou o bisavô Ernesto Rodrigues e abordou a ligação que a família teve e tem ao Sporting CP. “Não conheci o meu bisavô, que também era Sportinguista, mas conheci o meu avô e também era um fervoroso adepto do Sporting CP, como o meu pai. Iam ao futebol
desde miúdos e eu fiz o mesmo. Havia grande orgulho e respeito. Também nas modalidades, com nomes como Carlos Lopes, Joaquim Agostinho, Fernando Mamede e secções como o basquetebol, o andebol, as lutas, o boxe, o bilhar… O Sporting CP tinha uma abrangência extraordinária e tornou-se um Clube respeitado”, concluiu.
SPORTING CP ASSINALOU DIA MUNDIAL DO CINEMA No passado dia 5 de Novembro, Dia Mundial do Cinema, as redes sociais do Sporting CP ‘brincaram’ com os protagonistas, trocando os relvados pelos cartazes de filmes. Pedro Gonçalves, também conhecido por Pote, passou a ser Harry Pote, numa referência à saga Harry Potter, e mudou de visual, passando a ter o conhecido uniforme de Hogwarts (escola de magia da saga), assim como os óculos e a cicatriz de Harry Potter. Já João Palhinha e João Mário, dupla do meio-campo Leonino, são os ‘Men in Green’, lembrando os filmes ‘Men in Black’, protagonizados por Tommy Lee Jones e Will Smith. Por fim, Nuno Mendes, produto da formação do Sporting CP a brilhar na equipa principal, é o destaque do cartaz que recorda a versão de 2018 do filme ‘A Star is Born’, protagonizado e realizado por Bradley Cooper.
22 - SPORTING 3795
CLUBE
O CÓDIGO GENÉTICO ÚNICO As provas de ADN efectuadas ao plantel do Sporting Clube de Portugal não deixam dúvidas ao médico do Clube que, após análise, coloca o selo de aprovação no relatório que entrega ao roupeiro para que este possa encarregar-se de tratar da entrega da “pele” (camisolas). Esta é uma das cenas da nova campanha do Clube “Eu Sou – ADN Sporting”, na qual o director clínico João Pedro Araújo e o staff médico composto por Hugo Fontes, Nuno Loureiro e Alexandre Rodrigues e o roupeiro Paulinho ganharam o papel de actores, um papel apenas “secundário” porque o actor principal da nova campanha é mesmo o ADN Leonino. Esta nova acção publicitária do Sporting CP surge no seguimento da campanha-mãe “Eu Sou”, lançada em Junho deste ano, e foi uma criação praticamente toda made in Sporting. Isto porque a ideia partiu de dentro do Clube, que idealizou a cara meio-leão, desenvolveu o script do anúncio e as filmagens foram realizadas em casa – Estádio José Alvalade e Academia Sporting. A agência Gravity colaborou neste trabalho, tal como o Studio Nuts, enquanto as imagens ficarem a cargo da agência Garage. O Jornal Sporting quis saber como correram as gravações da campanha e para isso falou com o dr. João Pedro Araújo, que revelou que até se sentiu confortável nesta iniciativa, apesar
de não estar habituado a este género de acções. “Foi uma satisfação muito grande poder participar nesta acção promocional do Sporting CP. É uma área completamente distinta da nossa, mas representar o Sporting CP, seja em que moldes for, é sempre prestigiante. Todos sabemos que o Sporting CP é um clube enorme, mas quem o vive por dentro percebe, ainda mais, a
sua grandiosidade”, referiu. Neste sentido, o médico verde e branco disse estar disponível para repetir a experiência. “Senti-me bem. É sempre um prazer e uma honra representar o Sporting CP. Foi uma experiência gratificante e se o Sporting CP entender repetir a iniciativa, sabe que pode contar sempre connosco”, disse o director clínico verde e branco, acrescentando: “Pude perceber
os meandros da produção cinematográfica, algo que eu desconhecia. Foi um desafio bastante estimulante nesse sentido e achei o resultado final fabuloso”. Quanto ao ADN Sporting, João Pedro Araújo, que trabalha no Clube desde 2018/2019, não tem dúvidas: “Para mim é profissionalismo, responsabilidade, seriedade e honestidade. Acima de tudo, é
sermos competitivos e termos uma vontade enorme de vencer, mas com estes valores sempre presentes. São valores de base muito fortes dos quais o Sporting CP não prescinde”. Esta campanha termina, precisamente, com os valores do Sporting CP, retratados através do seu lema, escritos em cada uma das quatro camisolas oficiais desta época: Esforço, Dedicação, Devoção e Glória.
24 - SPORTING 3795
MODALIDADES JUDO
JORGE FONSECA DE BRONZE NO EUROPEU NA SUA TERCEIRA PARTICIPAÇÃO, O ATLETA LEONINO CONSEGUIU UM PÓDIO INÉDITO. SPORTING CP TEVE SETE JUDOCAS EM ACÇÃO NA PROVA Texto: Xavier Costa Fotografia: EJU
No passado sábado, Jorge Fonseca alcançou o terceiro lugar na categoria de -100 kg no Campeonato Europeu de judo que se realizou entre os dias 19 e 21 de Novembro, na O2 Arena, em Praga, na República Checa. De forma inédita, o judoca Leonino subiu ao pódio europeu e voltou a elevar o emblema do Sporting Clube de Portugal numa modalidade em que a Glória se vai pintando, cada vez mais, em tons de verde e branco. Para Jorge Fonseca, o pódio e correspondente medalha nesta prova continental só chegaram naquela que foi a sua terceira participação, depois do 5.º lugar em Baku 2015 e da 7.ª posição em Telavive 2018. No entanto, depois de um ano desportivo atípico, devido à actual situação pandémica e durante o qual chegou inclusive a estar infectado com COVID-19, o atleta Leonino deu a volta por cima e fechou 2020 com um feito inédito na sua carreira. Ora, para garantir o bronze europeu, o judoca do Sporting CP teve de vencer o georgiano Varlam Liparteliani no combate que decidiu o terceiro lugar do pódio, um triunfo que surgiu já no período de golden score quando, à passagem dos dois minutos e meio, o adversário foi penalizado e a vitória caiu para o lado português. Ainda antes, o trajecto até ao terceiro lugar teve início na
Esta foi a primeira medalha conquistada por Jorge Fonseca em Campeonatos da Europa
manhã do mesmo dia. Primeiro, venceu por ippon o estónio Grigori Minaskin e, na ronda seguinte, derrotou o croata Marko Kumric. No combate que definiu o acesso à fase final, Jorge Fonseca foi surpreendido pelo dono do 12.º lugar do
ranking mundial, o azeri Zelym Kotsoiev, e caiu para a fase de repescagem. Aqui, o atleta de Alvalade teve Mert Sismanlar como primeiro adversário, vencendo-o através de ippon e garantindo assim um lugar no combate que decidiu o terceiro
classificado da categoria e que viria a vencer. Depois de, em 2019, se ter tornado campeão mundial e ter contribuído ainda para a vitória Leonina na Liga dos Campeões, Jorge Fonseca fecha 2020 com um pódio europeu que permitiu
à comitiva Leonina regressar a Lisboa com mais uma medalha no bolso. No total, foram sete os judocas que combateram de Leão rampante ao peito nos tatamis checos. No primeiro dia da competição, o Sporting CP contou com a participação das judocas Joana Ramos (eliminada na primeira ronda da categoria -52 kg) e Wilsa Gomes (eliminada na segunda ronda da categoria -57 kg) e ainda dos Leões Sergiu Oleinic e Georgii Zantaraia (ambos eliminados na segunda ronda da categoria -66 kg). A estes nomes juntaram-se, na sexta-feira, os atletas João Fernando (eliminado na terceira ronda da categoria -73 kg) e João Martinho (eliminado na segunda ronda da categoria -81 kg). Esta edição da prova marcou ainda a estreia de Wilsa Gomes, João Fernando e João Martinho em Campeonatos da Europa de Seniores, com os dois primeiros a conseguirem vencer os seus combates de estreia. A competição, considerada a mais importante do calendário europeu, decorreu entre os dias 19 e 21 de Novembro e juntou mais de 345 judocas (209 masculinos e 136 femininas) em Praga, capital da República Checa. Devido à actual situação pandémica, o organismo que tutela o judo europeu, a European Judo Union (EJU), delimitou uma bolha de segurança dentro da qual decorreu toda a competição.
28/11 – Sábado
30/11 – Segunda-feira
Modalidade: Hóquei em patins Competição: Campeonato Nacional – 11.ª jornada Jogo: Sporting CP vs. Riba D’Ave HC Horário e local: 11h00 – Pavilhão João Rocha Transmissão: Directo e exclusivo
Modalidade: Futebol Competição: Liga Revelação – 1.ª fase – zona Sul – 10.ª Jornada Jogo: Sporting CP vs. SL Benfica Horário e local: 14h00 – Estádio Aurélio Pereira Transmissão: Directo
27/11 – Sexta-feira
29/11 – Domingo
01/12 – Terça-feira
Modalidade: Futsal Competição: Liga Placard – 11.ª jornada Jogo: Sporting CP vs. SL Benfica Horário e local: 21h30 – Pavilhão João Rocha Transmissão: Directo
Modalidade: Futebol Competição: Campeonato de Portugal – série G – 7.ª jornada Jogo: Sporting CP vs. GD Fabril Barreiro Horário e local: 11h00 – Estádio Aurélio Pereira Transmissão: Directo e exclusivo
Modalidade: Andebol Competição: EHF European League – grupo B – 4.ª jornada Jogo: Sporting CP vs. USAM Nîmes Gard Horário e local: 19h45 – Pavilhão João Rocha Transmissão: Directo e exclusivo
SPORTING 3795 - 25
MODALIDADES ANDEBOL
OPINIÃO
RUGIR BEM ALTO NA SUÉCIA
ADN SPORTING
VITÓRIA DA EQUIPA DE ANDEBOL EM CASA DO IFK KRISTIANSTAD PARA A EHF EUROPEAN LEAGUE Texto: Luís Santos Castelo
O Sporting Clube de Portugal foi à Suécia bater o IFK Kristianstad por 27-32 na quarta jornada da fase de grupos da EHF European League de andebol, subindo assim à liderança do grupo B da competição. Num triunfo importante, foram os nórdicos a inaugurar o marcador, mas o Sporting CP passou rapidamente para a frente. Forte na defesa – o IFK Kristianstad ia tendo muitas dificuldades em penetrar aos seis metros – e com Manuel Gaspar em bom plano, o ataque ia sendo perspicaz e eficaz. Ao intervalo, vantagem de cinco golos para a turma de Alvalade (11-16) e Darko Đukić em grande plano (seis golos nos 30 minutos iniciais). Na segunda metade, o IFK Kristianstad reagiu e reduziu a diferença para apenas um golo (20-21) aos 43 minutos, altura em que Rui Silva pediu um desconto de tempo para acalmar a equipa e pedir ataques mais trabalhados. Resultou da melhor forma: parcial de 6-0 a favor do Sporting CP e jogo resolvido aos 20-27. Daí para a frente, os visitantes controlaram e geriram a vitória que acabou por ficar fixada nos 27-32 num resultado e exibição que agradou a Rui Silva. “É uma vitória muito importante. É a primeira vitória de uma equipa portuguesa na Suécia contra este IFK Kristianstad,
que é uma das melhores equipas do país e que é liderada por um grande nome do andebol mundial”, disse o treinador verde e branco após a partida. “Entrámos muito bem, mesmo com as condicionantes que sabíamos que íamos ter: as lesões e a pouca rotatividade que teríamos de fazer. Os jogadores do Sporting CP estiveram fantásticos e seguiram o plano à risca. Na primeira parte conseguimos anular os jogadores-chave do IFK Kristianstad e depois fomos muito inteligentes nas transições e na forma como abordámos a defesa 6x0 do adversário. Isso deu-nos uma vantagem confortável de cinco golos ao intervalo”, continuou Rui Silva, que destacou a importância do desconto de tempo pedido a meio da segunda metade. “Sabíamos que o IFK Kristianstad ia reagir na segunda parte e assim foi.
Ajustaram a defesa e tiveram mais sucesso, até porque os nossos atletas estavam mais cansados. Tentámos rodar a equipa da melhor forma possível e eles aproximaram‑se até termos uma vantagem de apenas um golo. Depois do desconto de tempo que fui obrigado a utilizar para acalmar a equipa e mexer no ataque, para que fossem mais longos, fizemos um parcial de 6-0 e controlámos o jogo até ao final. A vitória foi extremamente justa. É a segunda vitória nesta EHF European League fora de casa, o que nos dá boas perspectivas de passar esta fase, que era o nosso objectivo principal”, concluiu. Na próxima jornada da fase de grupos da EHF European League, o Sporting CP recebe os franceses do USAM Nîmes Gard. O duelo está marcado para a próxima terça-feira, 1 de Dezembro, no Pavilhão João Rocha.
DESAIRE NO CLÁSSICO No último sábado, o Sporting CP recebeu o FC Porto no Pavilhão João Rocha para a 11.ª jornada do Campeonato Placard Andebol 1 e saiu derrotado por 27-33. Os Leões apresentaram-se bem nos minutos iniciais, mas o rival portuense conseguiu igualar o marcador ao intervalo (14-14). No segundo tempo, o FC Porto foi mais forte e conseguiu a vitória. Frankis Carol, com sete golos foi o melhor marcador do Sporting CP, que visita o SC Horta no sábado, 28 de Novembro, para mais uma ronda do campeonato.
24 de Novembro de 2020 | EHF European League – 4.ª jornada fase de grupos | Kristianstad Arena, Suécia
IFK KRISTIANSTAD
27 - 32
SPORTING CP
(11-16 ao intervalo)
Sporting CP: Pedro Valdés (4), Tomás Ferreira, Théo Clarac, Frankis Carol [C] (6), Dmytro Doroshchuk, Aljoša Čudić [GR], Tiago Rocha (5), Francisco Tavares (3), Salvador Salvador (1), Manuel Gaspar [GR], Arnaud Bingo (2), Nuno Roque (4), Darko Đukić (7), Joel Ribeiro. Treinador: Rui Silva. Disciplina: exclusão de 2 minutos para Frankis Carol (30’) e Arnaud Bingo (38’).
Juvenal Carvalho
Lembro-me perfeitamente do dia em que entrei para Associado do Sporting Clube de Portugal, quando ainda criança, pela mão de meu pai, e na companhia do Sócio proponente – na altura era condição obrigatória – o Sr. Olímpio, de quem já aqui falei do quanto influenciou o meu Sportinguismo numa das minhas colunas de opinião anteriores, entrei com eles na secretaria do antigo estádio. Como se fosse hoje, recordo essa tarde tórrida de um mês de Julho da década de 70 do século passado. A alegria era contagiante. O momento inolvidável. Ser Sócio do Sporting CP e ostentar na carteira, também ela com o emblema do nosso Clube, o cartão de Sócio com o símbolo do Leão rampante, era motivo de orgulho suplementar, e servia também para apimentar as conversas com amigos de infância de clubes rivais, dizendo-lhes que nem associados do clube deles eram, entre outras saudáveis picardias. A cada renumeração, fui tendo, como todos nós, mais cartões, e com todos eles, gostando mais ou menos do grafismo de cada um, o orgulho e a alegria pela sua recepção, foi o mesmo.
Da mesada dos meus pais, gente humilde de bairro, paguei as primeiras quotas. Posteriormente, e sem atrasos até hoje, cumpro religiosamente o meu dever de Associado. É este ADN e a forma de viver o Sporting CP, que para mim são intemporais. De sempre e para sempre, o código genético do meu Sportinguismo nunca se deixou abalar nos maus momentos. Os bons, ao assistir a tanto e tanto êxito suplantaram em muito os maus, apesar de nas vitórias ser muito menos preciso apoiar do que nos momentos menos bons. Já passaram muitos anos desde que me fiz Associado, já tive até o prazer de ser dirigente do nosso Clube, e de fazer também inúmeras amizades que perduram no tempo. Tudo isto, essencialmente para vos dizer com a emoção que a minha escrita transborda, e os que me conhecem sabem bem da genuinidade da mesma e da forma como sinto o Clube, confesso‑vos que voltei a sentir o “acne juvenil” como o do dia que me fiz associado, ao abrir diariamente a caixa do correio com a ansiedade da chegada do novo cartão. E eis que ele chegou a meio da semana passada. E recebi-o com a alegria que nem a passagem do meio século de vida, e o branquear dos cabelos, me deixam de fazer sentir um teenager na forma como vivo e sinto o nosso Clube. E acima de pessoas. Até porque todos nós passamos. Ficará sim, e para todo o sempre, o nosso grande amor:o Sporting Clube de Portugal.
26 - SPORTING 3795
FUTSAL
VOLEIBOL
FOI SEM ESPINHAS
TRIUNFO SÓLIDO
NO JOGO EM QUE A MARCA DOS 1900 GOLOS NA ERA NUNO DIAS FOI ULTRAPASSADA, O SPORTING CP DERROTOU O CCRD BURINHOSA E CONTINUA LÍDER INVICTO DA LIGA PLACARD A PAR DO PRÓXIMO ADVERSÁRIO: O SL BENFICA
LEÕES ALCANÇARAM A QUINTA VITÓRIA CONSECUTIVA NO CAMPEONATO HONDA DIANTE DE UM LEIXÕES SC QUE ATÉ COMEÇOU MAIS FORTE, MAS PERDEU GÁS COM O AVANÇAR DA PARTIDA Texto: Pedro Ferreira Fotografia: Pedro Zenkl
Texto: Pedro Ferreira Fotografia: José Lorvão
A equipa de futsal do Sporting CP venceu, no passado domingo, o CCRD Burinhosa por 0-7, alcançando dessa forma a décima vitória no mesmo número de jornadas da Liga Placard. Disputado na aldeia do futsal, o encontro entre o líder e o 13.º classificado da prova tornou clara a diferença de qualidade entre os dois plantéis, com o conjunto orientado por Nuno Dias a controlar desde os instantes iniciais. Depois de um primeiro aviso que esbarrou no poste, Alex Merlim inaugurou o marcador com naturalidade aos quatro minutos. Após trocar as voltas a Sévio, jovem que está emprestado ao CCRD Burinhosa pelo Sporting CP, o ítalo-brasileiro encheu o
Diego Cavinato e Alex Merlim estiveram em destaque ao bisar na partida
pé e rematou com mestria ao ângulo da baliza adversária. Mesmo com o poste ou o guarda‑redes John Welton a evitarem por diversas ocasiões o dilatar da vantagem, Cavinato e Zicky Té materializaram a superioridade Leonina já nos minutos finais da primeira parte e fecharam o resultado em 0-3, alcançando dessa forma o golo número 1900 da era Nuno Dias no Sporting CP. Na segunda parte, o CCRD Burinhosa até entrou mais perigoso, pregando alguns sustos a Gonçalo Portugal, guarda-redes que foi titular no lugar do lesionado Guitta, mas seriam os Leões a marcarem o quarto golo com Alex Merlim, o rei das assistências da Liga Placard (13), a assinar o bis. Poucos minutos depois, Erick fez o 0-5 com um belo golo de meia distância, pertencendo a Zicky Té, que também bisou, a honra de assinar o sexto da contagem na recarga a um primeiro remate de Cavinato. Curiosamente, seria o mesmo Diego Cavinato também a bisar e a fechar o placard em 0-7, com um golo que lhe permitiu igualar o colega de equipa Cardinal no topo da lista dos melhores marcadores da Liga Placard com 13 golos. Com este resultado, os Leões seguem invictos na competição com um registo de dez vitórias no mesmo número de jogos, sendo que na próxima jornada poderão isolar-se no primeiro lugar caso triunfem no dérbi diante do SL Benfica, que terá lugar já na sexta-feira, dia 27 de Novembro, no Pavilhão João Rocha (21h30).
22 de Novembro de 2020 | Liga Placard – 10.ª jornada | Pavilhão Gimnodesportivo da Burinhosa
CCRD BURINHOSA
0-7 (0-3 ao intervalo)
SPORTING CP Alex Merlim (4’, 26’) Diego Cavinato (12’, 38’) Zicky Té (20’, 35’) Erick Mendonça (29’)
Sporting CP: Gonçalo Portugal [GR], Tomás Paçó, Diego Cavinato, Alex Merlim, Zicky Té, Bernardo Paçó [GR], Erick Mendonça, João Matos [C], Mamadú Ture, Diogo Santos, Pany Varela, Pauleta, Cardinal, Rocha. Treinador: Nuno Dias. Disciplina: cartão amarelo para Pany Varela (22’) e Tomás Paçó (27’).
A equipa de voleibol do Sporting CP foi até Matosinhos, no passado sábado, vencer o Leixões SC por 0-3, em jogo a contar para a 14.ª jornada da fase regular do Campeonato Honda. Ainda sem qualquer vitória esta temporada, os homens da casa procuraram contrariar o favoritismo Leonino desde o primeiro ataque e, com alguma surpresa, alcançaram mesmo uma vantagem de quatro pontos no placard (15-11). Ainda assim, a turma de Alvalade não se deixou abater e foi em busca do resultado, igualando o marcador pela primeira vez a 16 pontos. Daí em diante, a equipa liderada por Gersinho andou sempre colada ao adversário em termos pontuais, chegando à vitória nos últimos minutos do primeiro set por 23-25. No segundo set, apesar de algum equilíbrio até ao 7-7 no marcador, o Sporting CP
Leões defrontam a AA São Mamede no domingo e o VC Viana na terça-feira
aumentou a intensidade e foi superior ao Leixões SC, arrecadando o segundo parcial do jogo com uma vantagem expressiva de oito pontos (17-25). No terceiro e último set, que confirmou a quinta vitória consecutiva no campeonato, o conjunto verde e branco esteve sempre na frente do resultado, apesar do Leixões SC nunca ter deixado de dar luta e ter mesmo igualado o resultado em certos momentos. Feitas as contas, os esforços da equipa do norte do país foram insuficientes perante um Sporting CP que foi melhor e fechou o triunfo com nova vitória, desta vez por 19-25. No rescaldo da partida, o treinador do Sporting CP, Gersinho, explicou as dificuldades sentidas no primeiro set, considerando que a equipa teve de se adaptar ao ritmo de jogo. “Entrámos em campo com o Miguel Maia, o André Saliba e o José Rojas, que são três atletas que precisam de ganhar mais ritmo de jogo. Treinam juntos, mas não têm tido muito tempo de jogo durante a época (…) Na sequência de alguns bons serviços do Robinson Dvoranen e de boas acções defensivas, empatámos e depois conseguimos dar a volta ao marcador. O primeiro set ditou o ritmo de jogo”, referiu. Com este resultado, os Leões ocupam agora a segunda posição do Campeonato Honda com 24 pontos, menos 12 do que o líder SL Benfica que tem, ainda assim, mais dois jogos disputados. Na próxima semana, a equipa de voleibol do Sporting CP recebe a AA São Mamede, no domingo, e desloca-se a casa do VC Viana, na terça-feira.
21 de Novembro de 2020 | Campeonato Honda – fase regular – 14.ª jornada | Nave Ilídio Ramos - Centro de Desportos e Congressos de Matosinhos
LEIXÕES SC
0-3
SPORTING CP
(23-25, 17-25, 19-25)
Sporting CP: Miguel Maia [C] (6), Éder Levi (7), Victor Hugo (3), André Saliba (14), José Rojas (4), Robinson Dvoranen (9), Hugo Vinha, Bruno Canhoto, Gil Meireles [L], João Fidalgo [L], Miguel Maia Sá [L], André Sousa, Hélio Sanches, Paulo Víctor, José Carlos Vinha, Renan da Purificação. Treinador: Gersinho.
Auditiv Pag Jornal SCP.pdf
1
14/02/20
17:10
28 - SPORTING 3795
HÓQUEI EM PATINS FEMININO
EFICÁCIA NO DÉRBI DÁ LIDERANÇA AO QUARTO JOGO OFICIAL ENTRE AS DUAS EQUIPAS, O SPORTING CP ESTREOU-SE A VENCER FRENTE AO ETERNO RIVAL SL BENFICA COM A CAPITÃ ANA CATARINA FERREIRA EM GRANDE ESTAQUE AO ASSINAR UM PÓQUER Texto: Pedro Ferreira Fotografia: Mário Vasa
A equipa feminina de hóquei em patins do Sporting CP venceu, na passada sexta-feira, o dérbi frente ao SL Benfica por 2-4, quebrando dessa forma a invencibilidade das águias que não perdiam nas competições nacionais desde o dia 22 de Junho de 2013, ou seja, há sete anos. Num início de jogo muito intenso, pautado por ataques e contra-ataques constantes e com oportunidades de golo de parte a parte, muitas vezes travadas pelas guarda-redes de ambos os conjuntos, o SL Benfica marcou primeiro, por intermédio de Flor Felamini, aos 12 minutos. O técnico Leonino Nuno Pinto reagiu de imediato e parou o jogo para dar indicações às suas jogadoras, que acabaram por se ressentir um pouco do golo e, apesar de terem continuado a tentar chegar ao empate, revelaram menor ascendente ofensivo. A cinco minutos do intervalo, curiosamente quando o Sporting CP não estava tão bem, o árbitro da partida assinalou livre directo a favor das Leoas e Ana Catarina Ferreira, na conversão, picou a bola e rematou para o empate da formação verde e branca. A partir daí o conjunto de Alvalade conseguiu voltar a equilibrar as contas da partida e jogou cara a cara com o adversário, mas o resultado já não voltaria a sofrer alterações
até ao período de descanso. A segunda parte começou com o SL Benfica a mostrar-se novamente por cima no jogo, mas entre os postes da baliza verde e branca estava Cláudia Vicente, guarda-redes de apenas 21 anos que se assumia cada vez mais como um dos destaques da partida devido às inúmeras defesas que impediram que as águias chegassem novamente ao golo. Ao ver a sua equipa por baixo no encontro, Nuno Pintou pediu o timeout e a verdade é que as Leoas melhoraram. O 1-2 surgiu poucos minutos depois, novamente por Ana Catarina Ferreira, num lance de contra-ataque em que a jogadora Leonina esperou pelo momento certo para atirar à baliza adversária. Logo a seguir, o juiz da partida assinalou penálti sobre Ana Catarina Ferreira, com a capitã a dispor de uma grande oportunidade para consumar o hat trick e dar mais um passo em direcção à vitória. No frente-a-frente com a guardiã Maria Vieira, a jogadora verde e branca não tremeu e aumentou para 1-3. Instantes depois, mais um lance de bola parada para o Sporting CP, desta vez um livre directo, após falta clara sobre Rita Lopes. Ana Catarina Ferreira, no momento decisivo, voltou a não falhar e fez o quarto das Leoas e da conta pessoal. Grande jogo da capitã da turma de Alvalade a consumar desta forma o póquer na partida e a aumentar a
Leoas impuseram a primeira derrota em competições nacionais ao SL Benfica desde 2013
vantagem para três golos. O SL Benfica ainda reduziu por Maca Ramos, quando faltavam dez minutos para o último soar da buzina, mas as Leoas tiveram o discernimento necessário para aguentar as investidas das águias nos momentos finais e segurar o resultado com unhas e dentes. Tudo somado, as comandadas de Nuno Pinto são agora líderes da série Sul do Campeonato Nacional com os mesmos 24 pontos do SL Benfica, apesar de terem vantagem no confronto directo visto que no dérbi da primeira volta perderam por apenas um golo de diferença (3-4). Na próxima jornada, a última da primeira fase, o Sporting CP recebe o CA Campo de Ourique no domingo.
20 de Novembro de 2020 | Campeonato Nacional – zona Sul – 9.ª jornada | Pavilhão Fidelidade
SL BENFICA Flor Felamini (12’) Macarena Ramos (41’)
2-4
SPORTING CP Ana Catarina Ferreira (21’), (37’), (37’), (38’)
Sporting CP: Cláudia Vicente [GR], Rute Lopes, Sofia Moncóvio, Ana Catarina Ferreira [C], Rita Lopes, Inês Caldeira [GR], Adriana Costa, Inês Arrais, Margarida Florêncio, Inês Florêncio. Treinador: Nuno Pinto.
NUNO PINTO: “PREPARÁMOS O JOGO AO MILÍMETRO” No rescaldo do triunfo, o treinador do Sporting CP, Nuno Pinto, frisou que as suas jogadoras cumpriram aquilo a que se tinham proposto antes do apito inicial: dar o seu melhor. “Aconteceram duas coisas que tinha previsto que pudessem acontecer. A primeira era que seria um grande jogo de hóquei em patins e foi efectivamente um grande espectáculo. Demonstra bem o valor destas atletas e aquilo que é o hóquei feminino, e penso que quem viu o jogo ficou bastante agradado. A segunda coisa que previ que poderia acontecer foi a nossa vitória e felizmente conseguimos esse objectivo”, começou por dizer, analisando depois o encontro. “Assistiu-se a uma primeira parte repartida, em que deixámos o SL Benfica pouco tranquilo quando empatámos já nos minutos finais. A partir daí dominámos e nos últimos cinco minutos poderíamos ter ido para o intervalo na frente do marcador. Na segunda parte conseguimos aproveitar as oportunidades e fomos muito eficazes. Tínhamos o jogo preparado ao milímetro, sabíamos quais eram as debilidades do adversário e em que aspectos poderíamos retirar alguma vantagem”, referiu. Por fim, o técnico verde e branco considerou o triunfo justo e apontou já ao próximo encontro, diante do CA Campo de Ourique, que poderá confirmar o Sporting CP como vencedor da série Sul do Campeonato Nacional. “A vitória acaba por nos assentar bem, sabendo que nestes jogos é preciso ter uma pontinha de sorte. No final, tivemos de arregaçar as mangas e defender, mas estamos felizes pela vitória e já estamos a pensar no jogo da última jornada contra o CA Campo de Ourique. Sem essa vitória não ganhamos a zona Sul e esse é o primeiro grande objectivo da época”, afirmou.
SPORTING 3795 - 29
ANA CATARINA FERREIRA: “NINGUÉM CONSEGUE RESOLVER UM JOGO SOZINHO”
Figura em maior destaque no encontro, Ana Catarina Ferreira fez questão de lembrar que a vitória no dérbi valeu apenas três pontos, tal como todas as outras, mas admitiu que jogos como este são muito benéficos para o hóquei em patins feminino. “Uma vitória é sempre importante independentemente do adversário. Acima de tudo, foi um bom jogo de hóquei em patins, com jogadoras
de qualidade a mostrarem-se ao mais alto nível. Espero sinceramente que este tipo de jogos se repita ao longo da época porque são, sem dúvida, uma mais-valia para a nossa modalidade”, começou por dizer a atleta que, logo a seguir, preferiu desvalorizar o facto de ter sido a autora dos quatro golos Leoninos. “Estou feliz por ter ajudado a equipa a conseguir os seus
objectivos, mas também é preciso referir que tudo isto foi possível graças ao trabalho de equipa. Ninguém consegue resolver um jogo sozinha. Neste caso fui eu que marquei os quatro golos, mas a equipa esteve muito bem. Se não fosse pelo colectivo, não conseguiríamos obter este resultado”, frisou em declarações exclusivas ao Jornal Sporting. Por fim, a capitã verde e branca olhou já para o jogo de domingo diante do CA Campo de Ourique, que encerra a primeira fase do campeonato, e deixou uma mensagem de confiança. “Sem dúvida alguma que queremos vencer a partida e vamos fazer tudo para isso. O nosso objectivo sempre foi ganhar todos os jogos e este não será excepção. Sendo o último encontro da primeira fase, vamos querer acabar da melhor forma”, rematou.
CLÁUDIA VICENTE: “FOMOS EFICAZES E FOI ISSO QUE FEZ A DIFERENÇA”
Também em destaque, mas entre os postes, esteve a guarda-redes Cláudia Vicente, que foi uma das principais ‘culpadas’ pela vitória verde e branca. Em declarações ao Jornal Sporting, a Leoa considerou que a eficácia nas bolas paradas “fez toda a diferença”. “Foi um bom jogo de hóquei em patins feminino, um encontro bonito de se ver. No geral, assistimos a uma partida com duas equipas com grande qualidade, ambos os plantéis são
muito bons. Tanto eu como toda a equipa ficámos muito felizes pela vitória, apesar de sabermos que temos um longo caminho pela frente”, começou por dizer. “Fomos eficazes e foi isso que fez a diferença. Não deixámos que o SL Benfica criasse tantas oportunidades e as que criou não deixámos que concretizasse. Estivemos bem a defender e depois aproveitámos as ocasiões que tivemos”, frisou, admitindo em seguida ter ficado orgulhosa com o que fez
dentro de campo. “Não posso mentir, fiquei muito feliz com a minha exibição. Senti que o trabalho foi recompensado e senti-me realizada no final do jogo. Gostei do que fiz e fico contente por ter conseguido ajudar a equipa a ganhar”, referiu. Por fim, Cláudia Vicente recordou que este triunfo terá acontecido em vão caso o Sporting CP não vença o próximo jogo, diante do CA Campo de Ourique, e sublinhou que o objectivo é conquistar títulos no final da época. “Queremos vencer e ficar em primeiro lugar, mas isso é apenas uma consequência porque temos sempre o objectivo de vencer. Uma das coisas que o treinador nos disse após a vitória foi que este jogo não vale de nada se não ganharmos o próximo. Depois desta primeira fase, queremos ganhar tudo o que há para ganhar. Somos o Sporting CP, representamos um Clube muito grande e, por isso, não podemos ter outro pensamento a não ser ganhar jogos e conquistar títulos”, rematou.
OPINIÃO JOGO A JOGO… ENCANTANDO… E VENDO O FUTURO!!!
Tito Arantes Fontes
Retomámos nesta semana os jogos de futebol da nossa equipa principal. Um jogo para a nossa e sempre tão querida Taça de Portugal! Uma prova que tem todo o carinho dos portugueses! Jogámos contra uma equipa do Campeonato de Portugal, tal como no ano passado. Em 2019 com o FC Alverca, este ano com o SG Sacavenense. Clubes vizinhos. Jogos diferentes. Tão diferentes… do dia para a noite! Na última época fomos eliminados, numa noite de má memória, na qual sofremos dois golos sem resposta. Este ano marcámos sete golos! Sete! E sofremos apenas um. Foi uma das maiores vitórias de sempre do Sporting CP em jogos da Taça! Mas o que quero mesmo sublinhar é o mundo de diferenças que existiu entre o jogo do ano passado, no qual foi tudo triste, difícil, um imenso pesadelo… e o deste ano, em que assistimos a um jogo alegre, no qual vimos evoluir – mais uma vez – a excelência dos nossos talentos! Rúben Amorim tem, de facto, muito mérito na revolução que operou no nosso futebol. Na revolução que empreendeu apostando na nossa juventude! E até na revolução que tem vindo a consumar no “coração”, no “íntimo” de todos e cada um dos Sportinguistas! Fruto do seu trabalho, da sua dedicação, da sua qualidade, do seu empenho, a verdade é que Rúben Amorim – depois de ser cirúrgico nas contratações desta época – soube manter os jogadores da “velha guarda” que interessam ao SCP, decidiu afastar quem não comungava dos seus valores e partiu para uma decisiva aposta nos jovens que tínhamos e que – afinal, às dezenas – florescem na nossa Academia! A “solução mágica” estava afinal tão perto… e nós sem a vermos! É já hoje indiscutível a qualidade do plantel que temos. E isto depois
de termos “perdido” jogadores tidos como imprescindíveis… Bruno Fernandes, Acunã, Wendel, Vietto… até destes já nos esquecemos… pois, já cá temos outros “heróis” que nos enchem de felicidade e orgulho! É um trabalho notável! Do qual todos os Sportinguistas têm e devem estar orgulhosos. Um trabalho que foi difícil e que implicou árduos caminhos, espinhosas decisões, apostas arriscadas e dificílimas escolhas da Direcção, nomeadamente do presidente Frederico Varandas. Mas é também um trabalho que começa a dar resultados. Um trabalho no qual se vislumbra a “olho nu” indiscutível qualidade e vontade de “ganhar o futuro”. Cá estaremos para – no momento próprio, e oxalá que coroados de glória – elogiarmos de modo categórico quem, indiscutivelmente, o merece. Para já o trabalho é – sem dúvida nenhuma – para continuar. Nos exactos moldes em que tem vindo a ser desenvolvido. Com os “pés no chão”. Com humildade. Jogo a jogo. Com o apoio de todos. E todos é mesmo todos. Ou seja, por exemplo, como as claques ontem fizeram na chegada da equipa ao Jamor. Apoiando a equipa! Dizendo, no fundo, que estamos – todos, as claques e todos os Sportinguistas – com a equipa! E sim, estamos preparados para dias difíceis, para os “roubos” que o “poder bicolor” nos está seguramente a preparar… mas, também aí, iremos dar uma resposta do nosso grande amor ao nosso Sporting CP! Continuando a apoiar! Sempre a apoiar! Todos! Porque “Até Morrer”… é mesmo ATÉ MORRER! Eu Sou SPORTING!!! VIVA O SPORTING CLUBE DE PORTUGAL!!! P.S. – … vamos, entretanto, assistindo a notícias de “rodapé” e em “fundo de página” sobre dívidas, processos, etc. de outros lados “bicolores”… ah, mas e onde estão as “parangonas” e os “debates nacionais” sobre essas matérias? Ah… e se essas notícias, se essas suspeitas, se essas “doyescas” dívidas e tudo o mais fossem do Sporting CP… o que não haveria já por aí? … é o que dá termos uma comunicação social comandada por “queimados da queimada” & outros que tais… quais siameses… também queimados…
30 - SPORTING 3795
ENTREVISTA IRINA RODRIGUES
“PERTENCER AO CLUBE DO PROF. MÁRIO MONIZ PEREIRA TORNOU A MINHA VINDA AINDA MAIS ESPECIAL” Entre recordes batidos e nove títulos nacionais consecutivos, há mais de uma década que, em Portugal, Irina Rodrigues lança o disco e toca o mesmo. Desde 2008 no Sporting Clube de Portugal, com doses desmedidas de esforço, dedicação, devoção e glória, a lançadora segue para a nova época com o contrato e as ambições renovadas Texto: Mónica Barros, Xavier Costa Fotografia: José Lorvão
O que significa para si prolongar uma ligação tão duradoura e frutífera com o Sporting CP? Fico feliz por continuar mais um ano de Leão ao peito. É importante manter este vínculo, sobretudo num ano atípico devido à pandemia, porque me dá muita segurança para preparar os Jogos Olímpicos de uma forma mais confortável. Estando no Sporting CP já desde 2008, acaba por ser um orgulho manter esta ligação.
“FICO FELIZ POR CONTINUAR MAIS UM ANO DE LEÃO AO PEITO” Ainda se lembra do primeiro dia em que integrou a família Leonina? Recordo-me que foi um dia muito feliz, até porque sempre foi um sonho meu ser atleta profissional, ainda por cima pertencendo ao clube do prof. Mário Moniz Pereira, o que tornou a minha vinda para o Sporting CP ainda mais especial. Além disso, integrei uma equipa onde estive com um dos meus maiores ídolos, a Naide Gomes, mas também o Francis Obikwelu. Pertencer a este conjunto foi óptimo. Com mais de uma década de memórias a verde e branco, quais destacaria? O momento mais emotivo e especial para mim foi quando renovámos o título de Campeões da Europa, vencendo a Taça dos Clubes Campeões Europeus, porque foi algo inédito. Só foi pena não termos o nosso professor [Mário Moniz Pereira] para viver isso connosco, pois tenho a certeza que ia ficar muito feliz, mas para nós foi algo inesperado, uma conquista bastante difícil e que nos trouxe uma alegria enorme. É um título internacional com uma equipa e representando um Clube, foi mesmo muito bom. O que significa para si fazer parte da dominadora equipa feminina do Sporting CP? Estar na melhor equipa feminina do atletismo nacional foi também um dos motivos pelo qual vim para o Sporting CP. Saber que estou num Clube que ganha há tantos anos consecutivos é bom e traz-nos aquele espírito de união e de pertença a algo maior. Lá está, não só nos sentimos orgulhosos por trazer estes títulos a todos os Sportinguistas, mas também por nós, que contribuímos para que isso aconteça.
Consegue nomear os muitos títulos que acumulou ao longo da carreira? Já perdi um bocadinho a conta (risos). Então se contabilizarmos todos os títulos de juniores e sub-23, uma vez que cheguei ao Sporting CP como júnior, já foram realmente algumas conquistas. Sei que de campeã de Portugal já tenho dez, no total, e isso é algo importante para mim. Depois, colectivos também já foram alguns, até porque foram várias as equipas em que participei desde os juniores.
“ESTAR NA MELHOR EQUIPA FEMININA DO ATLETISMO NACIONAL FOI TAMBÉM UM DOS MOTIVOS PELO QUAL VIM” Como surgiu o atletismo e, particularmente, o lançamento do disco na sua vida? Quando não pude continuar na natação, quis experimentar velocidade e corridas devido à minha boa capacidade de resistência. Claro que há muitas diferenças entre a natação e o atletismo, mas quando comecei notaram que as minhas características físicas eram muito vantajosas para o lançamento do disco. A verdade é que bati de imediato um recorde nacional e aquilo trouxe-me a noção de ‘ok, se calhar encontrei mesmo o meu desporto, vamos continuar’. Mas fui mantendo as outras disciplinas, até porque também gostava muito de
salto em altura, só que a questão do peso corporal tinha alguma influência e então o lançamento do disco acabou por ser uma opção mais agradável e que me trouxe sempre muitas alegrias. Quais as suas melhores recordações em provas internacionais? A primeira, no Festival Olímpico da Juventude Europeia, em 2007, na qual ganhei a medalha de ouro sem ser, de todo, a favorita, e ouvir o hino é sempre muito especial. Mas, destacaria também quando consegui cumprir o sonho de ir aos Jogos Olímpicos de 2012 [qualificação conseguida no meeting de Halle, na Alemanha, em Maio de 2012] como uma das mais importante. Depois, claro, as medalhas nos Europeus de juniores e os sub-23 também têm um lugar especial no meu coração, mas sem dúvida as duas primeiras que mencionei foram aquelas que me trouxeram mais brilho e alegria. Depois do sucesso regular a nível nacional, começa a almejar o destaque lá fora? Claro. Acho que quando descobrimos o nosso propósito e conseguimos atingir alguns objectivos nacionais, depois queremos o próximo passo, que é europeu e depois mundial. O nível de dificuldade é incomparável entre as categorias jovens e a sénior, porém continua a ser a minha luta e tento constantemente bater o meu recorde pessoal. Gostava muito também de atingir o recorde nacional, fixado nos 65,40 metros [pertencentes a Teresa Machado], que é uma marca que a nível mundial tem bastante visibilidade. Isto funciona como uma escada e à medida que a vamos subindo, só queremos continuar a subir, mesmo que o percurso nem sempre seja linear. Em 2016, qualifica-se para os Jogos Olímpicos, mas a uma semana da competição lesiona-se gravemente. Como se lida com isso? Foi um ano complicado. Atingi o meu recorde pessoal [63,96 metros] e quando me qualifiquei para os Jogos Olímpicos (JO) desse ano sempre acreditei que seriam especiais, por ser no Brasil, um país que fala a nossa língua. Ia ser uma experiência inolvidável, e a verdade é que não deixou de ser, só que por outros motivos... Foi difícil, porque treinei durante quatro anos para estar na competição e acabei por ter o sentimento que, se calhar, toda a gente teve este ano. Todos tinham Tóquio 2020 como objectivo e, de repente, não há JO. Há a frustração de não poder estar presente, porque treinamos para
SPORTING 3795 - 31
aquele objectivo, que ainda por cima é algo que só acontece de quatro em quatro anos, o que torna a competição muito mais especial. É complicado, foram muitas mudanças e, acima de tudo, foi o choque, mas já recuperei, a minha perna também já está bem, por isso o mais importante é pensar positivo e tentar seguir em frente. E em frente estão certamente os Jogos Olímpicos de Tóquio. É o grande objectivo? Sem dúvida, até para conseguir ter a maturidade que, provavelmente, não tinha com 21 anos em Londres 2012 [32.º lugar com 57,23 m] e ter assim aquela experiência que também é necessária numa lançadora para poder chegar lá e poder estar o melhor possível na qualificação.
“ACHO QUE TENHO UMA HISTÓRIA DIFERENTE E QUE PODE INSPIRAR ALGUMAS PESSOAS” Como é participar numa competição como os Jogos Olímpicos? A dada altura, uma colega disse-me que os Jogos Olímpicos é onde estão os super-heróis do dia-a-dia. Sentimos que estamos no mesmo palco dos melhores do mundo em termos de capacidade física. Acaba por ser um espaço onde toda a gente que faz desporto de alta competição quer estar, até porque acaba por ser o evento desportivo mais importante de todos. É sempre um objectivo e algo a almejar.
Depois do sonho desfeito em 2016, como encarou o adiamento dos JO deste ano? Quando não podemos controlar tudo à nossa volta, tentamos controlar-nos a nós próprios. No meu caso, tentei aproveitar para estudar mais e avançar no meu curso, até porque é algo que terei de prosseguir depois da carreira desportiva. Foi uma forma de dar a volta à situação, já que não foi possível estar nos JO tentei progredir um pouco mais na minha carreira profissional, no curso de Medicina. O que ainda a motiva a superar-se ano após ano? Acima de tudo, a motivação vem de todo o meu percurso. Gosto de olhar para trás, ver tudo o que consegui e pensar que ainda tenho mais coisas para alcançar. Como diz o meu treinador, ‘vamos continuar a semear para um dia colher os frutos’ e eu ainda estou à espera desse momento, ainda que seja uma colheita que já vai um pouco longa (risos). Mas, é nessa esperança de colher esses frutos bastante saborosos que eu consigo ir buscar a motivação para treinar todos os dias. Não é fácil, treinando quase sempre sozinha, mas há que manter o foco e a disciplina porque é aí que se vai buscar a grande motivação. Com o treinador longe, como tem adaptado o seu treino a este “novo normal”? Já não vou aos Açores desde Fevereiro. O facto de fazer grande parte do meu treino sozinha é complicado, só tenho apoio, sobretudo na parte da condição física, com o meu preparador físico. Não tendo um grupo de treino e o treinador estando a 1500 quilómetros complica
tudo. Ainda assim, tenho tentado sempre adaptar-me, até porque se quero estar nos JO tenho mesmo de o fazer. Perante a minha situação tenho de fazer o melhor que consigo com as condições que tenho. No que toca ainda a objectivos por atingir, o recorde nacional de Teresa Machado é um deles? Sim, desde miúda que gostaria de ter os recordes nacionais de todos os escalões e esse é o único que me falta. Alguns já os perdi, mas este é realmente o mais difícil e espero que um dia tenha o prazer de o alcançar. Sente que já é uma referência no panorama do atletismo nacional? Acima de tudo, acho que tenho uma história que é diferente e que pode inspirar algumas pessoas. Nós associamos sempre um atleta à definição muscular, a um peso e a uma percentagem de massa gorda muito reduzida e depois quando temos alguém que até consegue ter bons resultados, mas com um corpo diferente daquele que idealizamos para um atleta, acho que pode inspirar outras pessoas a enveredar por este tipo de desporto. É tudo muito imprevisível, mas o que seria uma boa época, agora que vai arrancar? Nos próximos Jogos Olímpicos ter um lugar, pelo menos, superior àquele que tive em Londres 2012 [32.º lugar com 57,23 m] e estar bem pelo Sporting CP no Campeonato de Europa de equipas, uma competição em que vamos estar na Superliga e que pode ser um feito importante para o atletismo nacional.
5 603199
000490
03795
AF_LigaNOSVirtual_253x318.pdf
C
M
Y
CM
MY
CY
CMY
K
a r i e F ª 5 6 2 / 1 1 / 0 2 0 2
1
09/11/2020
15:53