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Relatório de Avaliação Final - Projeto CHEGA (Nov 2018)

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R E L A T Ó R I O

D E

A V A L I A Ç Ã O

F I N A L

CHE G A

P Á G . # 1


R E L A T Ó R I O

D E

A V A L I A Ç Ã O

F I N A L

P ROJE TO “ C H EGA”

P Á G . # 2


ÍN DICE Índice

3

Nota prévia

4

Sumário Executivo

7

Conclusões e recomendações

9

Metodologia

15

I. execução Global

19

II.análise por atividade

26

1. Conselho Consultor Concelhio

26

2. Formação/Ações de Sensibilização

28

3. Elaboração de Recursos Técnicos/Pedagógicos

32

4. Gabinete de Apoio à Vítima de Violência doméstica

36

5. Grupo de ajuda mútua

40

6. Atividades de animação e workshops

41

7. seminário

48

Síntese da análise das atividades

50

III.análise por Categorias

51

1. Relevância/Coerência

51

2. Eficácia

55

3. Eficiência

58

4. Impacto

60

P Á G . # 3


NOTA P RÉVI A O presente relatório apresenta as principais leituras das informações recolhidas pela equipa de avaliação externa durante o processo de avaliação do projeto CHEGA, desenvolvido pela SOPRO – Solidariedade e Promoção, em parceria com o Município de Vila Verde e cofinanciado pelo Programa Operacional de Inclusão Social e Emprego (POISE) no âmbito da Tipologia de Operação 3.16 – Apoio Financeiro e Técnico a Organizações da Sociedade Civil sem Fins Lucrativos, com tutela da CIG – Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género. Muitas das leituras efetuadas têm o seu enfoque na interpretação e confronto de perceções dos stakeholders relevantes face a diferentes temas ou situações. Estas análises procuraram ser o mais exaustivas e aprofundadas possível embora depois sistematizadas de forma simples e inteligível. Conforme previsto a equipa de avaliação acompanhou a equipa da Sopro no desenho do sistema de monitorização e avaliação do projeto, tendo posteriormente acompanhado os mecanismos, processos e tempos de recolha dessa informação. Este projeto queria reforçar a resposta social disponibilizado pela SOPRO desde 2012 no âmbito da prevenção e intervenção na violência doméstica e no namoro, assim como na igualdade de género. A área de intervenção é a Região do Norte, mais concretamente a Sub-região Cávado, localizado no NUTS III – Cávado, onde se enquadra o concelho de Vila Verde, tendo como destinatários a comunidade em geral (crianças, jovens, adultos e pessoas idosas) e como público-alvo as vítimas de violência doméstica. Assim, ao longo do processo avaliativo e tendo em conta os objetivos traçados: i) Intervir junto de vítimas de violência doméstica (violência de género; violência nas relações de intimidade e violência no namoro); ii) Promover a igualdade de género, prevenir a vitimização e desconstruir preconceitos e estereótipos associados à violência de género junto dos jovens e da população adulta; iii) Envolver as entidades públicas e privadas locais como parceiros estratégicos na implementação de estratégias promotoras da igualdade de género e o combate à violência de género, foi possível analisar o processo de intervenção, bem como as atividades que o compuseram e damos aqui conta dos dados de execução alcançados. Antes de fecharmos esta nota prévia não podemos deixar de agradecer a todos os operadores e promotores de projeto pelo seu tempo e contributos essenciais para esta avaliação e particularmente aos que receberam a equipa de avaliação e responderam diretamente a entrevistas, o nosso muito obrigado a todos. P Á G . # 4


S UM ÁRI O E XE CUT IVO

P Á G . # 5


P Á G . # 6


SU M Á RI O EX ECUTI VO O processo de implementação desta avaliação externa decorreu, dentro do planeado, tendo sido sempre disponibilizada as informações relevantes para que esta pudesse acontecer.

Esta abertura foi absolutamente decisiva num processo avaliativo que centrou muito do seu processo de recolha e gestão de informação numa lógica qualitativa e de confronto e combinação de perceções sobre o projeto e a sua implementação.

A equipa de avaliação começou por estudar aprofundadamente, os dados fornecidos pela Sopro, mais especificamente pela equipa e coordenação do projeto, para depois prosseguir para a sistematização de um plano de avaliação, com um conjunto de questões agrupadas em categorias de análise consideradas relevantes.

Posteriormente, a equipa de avaliação construiu os instrumentos de recolha de informação que permitiram a recolha dos indicadores e evidências que possibilitaram responder às questões de avaliação. Estes instrumentos, nesta fase intercalar da avaliação, foram os seguintes: •

Guiões de entrevista

•

Inquéritos por questionário

•

Matrizes de sistematização de informação (qualitativa e resultante da análise documental aos suportes de dados relevantes)

•

Instrumentos para a visualização de informação

A dimensão qualitativa do processo avaliativo, evidenciada claramente pelos instrumentos de recolha de informação selecionados, criou a necessidade da triangulação de fontes e indicadores para responder a muitas das questões de avaliação.

O trabalho de campo decorreu de forma positiva, apesar dos desafios já enunciados, e embora julguemos que poderia ser desejável mais algumas recolhas, tal não foi P Á G . # 7


possível, e sabemos como em processos desta natureza existem constrangimentos, desde logo de tempo e disponibilidade, que modelam a estratégia de recolha de dados.

Após a recolha e compilação da informação obtida junto de todas as fontes de informação a que nos foi possível aceder, tentámos dar resposta à totalidade das questões de avaliação e realizar uma análise crítica do projeto “Chega”, construindo uma narrativa de performance, organizada por dimensões de análise correspondentes neste caso a ações-chave do projeto, que julgamos ser uma boa representação do que foi a implementação do projeto.

Esta primeira análise foi consubstanciada numa análise documental e numa auscultação para recolha de perceções junto dos stakeholders relevantes no âmbito do projeto.Toda esta informação foi analisada e cruzada criticamente na busca de padrões de resposta, tendências, consonâncias ou dissonâncias e também na procura e sistematização de sugestões e análises prospetivas, minimamente estruturadas e fundamentadas, que pudessem ser mais um elemento válido para a análise da equipa de avaliação.

Passemos, então, à sistematização das principais conclusões a que a equipa de avaliação chegou, e também a um conjunto de recomendações para o desenho de intervenções futuras de natureza similar que se queiram realizar, bem como para a implementação, acompanhamento e avaliação das mesmas.

P Á G . # 8


CONC LUSÕ E S E R E CO M EN DAÇÕ ES Para facilitar a leitura, compreensão e utilização como suporte à tomada de decisão daquelas que são as principais conclusões e recomendações deste relatório, organizámos as mesmas pelas categorias de análise/dimensões que utilizámos e que seguiram a estrutura operacional do projeto, ou seja, organizámos a análise pelas atividades-chave do projeto “Chega”.

Comecemos então pela síntese das principais conclusões, que foi possível retirar através da análise e cruzamento dos indicadores e evidências recolhidas junto de um conjunto alargado de fontes de informação.

C O N S E L H O C O N S U L T O R

•

O Conselho foi criado de forma progressiva e tem vivido um processo de construção gradual e dinâmico. Envolve 10 entidades do Concelho que de forma regular se reunem para analisar casos

•

A construção de uma ficha de acompanhamento comum permitiu o reforço do trabalho articulado e uma resposta mais eficiente às necessidades identificadas

•

O envolvimento dos atores locais poderia ter sido mais efetivo

P Á G . # 9


TE STEM UNHOS PARTICIPA NT ES F O R M A Ç Ã O / A Ç Õ E S

•

D E

S E N S I B I L I Z A Ç Ã O

Parecem não existir dúvidas sobre a competência e o domínio dos temas abordados por parte dos formadores envolvidos, e as temáticas justificam-se e constituem base importante para o trabalho que se pretendia ver desenvolvido

•

O formato é interessante, embora se reconheça ser necessário mais tempo para aprofundar os temas

•

Os participantes dos diferentes públicos alvo reconhecem ter aumentado o seu conhecimento sobre os temas, conseguindo uma visão diferente da realidade em questão

•

Verificou-se a adequação dos meios envolvidos e o domínio dos mesmos por parte dos formadores. Aliás, as sessões decorreram de forma interativa e dinâmica e foram sessões avaliadas como positivas

•

Sendo a formação/sensibilização uma importante estratégia de transformação de comportamentos e atitudes, era importante acompanhar o impacto efetivo nos participantes após as sessões

•

Era importante introduzir o factor de continuidade nas sessões em alternativa a um formato mais pontual, de forma a poder aprofundar e refletir, alterando possíveis comportamentos

•

O número de participantes envolvidos no processo formativo é significativo e sinal da abrangência do projeto

P Á G . # 1 0


R E C U R S O S

•

T É C N I C O / P E D A G Ó G I C O S

A construção de um jogo pedagógico permitiu captar a atenção dos públicos mais jovens e criar uma dinâmica reflexiva sobre o tema

•

Houve uma plantação abrangente do instrumento, o que permite retirar evidências da sua utilidade

•

Seria importante criar outros instrumentos e disseminar para que possam ser utilizados noutros contextos

G A B I N E T E

D E

A P O I O

À

V I T I M A

E

G R U P O S

D E

A J U D A

M Ú T U A

•

A possibilidade de articular a intervenção direta com ações de formação parece-nos ser importante para permitir uma maior eficácia na resposta

•

O gabinete e o acompanhamento são valorizados como espaços de confiança e segurança, ainda assim precisam de maior divulgação para romper as barreiras do medo próprios de quem vive a realidade de violência doméstica

•

Os Grupos de Ajuda Mútua tiveram resultados abaixo do esperado, sendo necessário a utilização de outras estratégias de captação

•

A metodologia utilizada parece, no entanto, adequada às necessidades identificadas

P Á G . # 1 1


A T I V I D A D E S

•

D E

A N I M A Ç Ã O

E

W O R K S H O P S

A utilização de workshops e sessões com crianças e jovens foi adequada e valorizada por todos os atores permitindo alargar a abrangência

•

Seria importante criar estratégias de continuidade formativa

•

O conhecimento de alguma legislação e os dados estatísticos revelou-se como importante para os jovens conhecer a realidade em causa

•

Os procedimentos a utilizar em caso de conhecimento de uma situação revelam-se como conteúdos fundamentais

Finalmente, e analisando aqueles que são os objetivos do projeto, podemos afirmar que no seu conjunto e na leitura desta equipa de avaliação, existem dimensões com potencial de inovação para uma resposta integrada orientada para a igualdade de género e a prevenção da violência de género, doméstica e no namoro. Na verdade, a metodologia utilizada que cruza a formação/sensibilização, com a intervenção direta e a capacitação dos agentes educativos confere uma multidimensionalidade importante para a resposta aos problemas identificados. A criação de um Conselho Consultor permite uma intervenção integrada e

articulação entre as entidades locais o que

poderá, em paralelo com um acompanhamento de proximidade, ter um impacto positivo na integração social das vítimas de violência doméstica. Não existem no entanto, dados objetivos que nos permitam, à data, afirmar mais do que a própria potencialidade da metodologia. Algumas notas finais: o projeto teve taxas de execução física elevadas e a equipa que o promoveu reúne competências para a intervenção e para dinamizar intervenções no futuro nesta área. Nessas intervenções um maior investimento no desenho do projeto pode levar a um processo de implementação mais robusto e coerente, que permita ultrapassar alguns dos desafios que tiveram que ser enfrentados neste projeto.

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RECO ME N DAÇÕE S Neste ponto as principais preocupações da equipa de avaliação são refletir sobre a experiência do projeto “Chega” para, através de uma análise crítica, deixar pistas que permitam melhorar intervenções futuras.

Assim sendo, apresentamos um conjunto de recomendações sobre o que poderia ser, à luz dos dados e perceções recolhidas e analisadas, intervenções futuras ou, pelo menos, deixar pistas para melhoria incremental dos aspetos mais fortes do projeto e uma evolução nas dimensões mais frágeis do mesmo, a fim deste concretizar com ainda maior eficácia a sua missão e objetivos.

Manter e reforçar o processo de envolvimento dos parceiros locais

Continuar a apostar em processos formativos, mas trazendo especialistas e dando um carácter de maior continuidade

Realizar sessões públicas a partir dos resultados obtidos

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Manter as sessões de capacitação a agentes educativos e alargar a outros profissionais

Criar novos instrumentos de trabalho que permitam a comunicação e uma resposta mais eficiente

Criar novos recursos pedagógicos e disseminar para outros contextos para ter maior abrangência

Criar um sistema de avaliação de impacto, de forma a perceber as transformações de comportamento após as formações

Ter um “barómetro de resultados e mudanças”, organizado num dashboard que sistematize de forma visual as principais mudanças e os resultados alcançados com o processo formativo

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M E TODOLOGI A A equipa da Logframe refletiu sobre experiências avaliativas idênticas em diversos contextos até definir a sua abordagem. Verificámos a existência de um conjunto de pressupostos metodológicos e técnicos que se repetem e são assinalados como boas práticas em contextos internacionais de programas e iniciativas com objetivos semelhantes ao projeto Chega. Da análise destas experiências e até dos seus planos de avaliação ficámos com uma ideia mais clara do que queríamos propor metodologicamente neste caso específico.

Assim sendo, a avaliação realizada assentou nos seguintes pressupostos metodológicos: •

Trabalhar no sentido de obter uma perceção clara dos objetivos da avaliação externa e das dimensões prioritárias, através de uma articulação estreita com a equipa do projeto;

•

Tentar chegar ao maior número de stakeholders garantindo a maior diversidade possível de perspetivas sobre a implementação do projeto;

•

Planear e definir as metodologias de avaliação, dimensões, variáveis, indicadores e instrumentos a aplicar em estreita colaboração com a Sopro e seus parceiros.

Face à vasta experiência da equipa de avaliação, incluindo a avaliação de impacto de programas e intervenções, e tendo por base as discussões técnicas realizadas para a preparação deste processo avaliativo, foram definidos alguns princípio que procurámos respeitar no desenho da metodologia de avaliação e que iremos manter na implementação da mesma: •

Cooperação e diálogo constante e aberto - potenciando a criação de empatia, ambiente de trabalho positivo e o desenvolvimento de processos mais ricos.

•

Transparência - para fomentar os níveis de confiança necessários a um trabalho de consultoria de qualidade superior.

•

Participação - a construção de soluções partilhadas e de leituras abrangentes, não só é desejável, como fundamental para atingir níveis superiores de proficiência e eficácia.

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•

Utilidade - cada momento de trabalho cumpre um objetivo preciso, claro e inequívoco no processo de consultoria e tem resultados tangíveis que são necessários para atingirmos os objetivos definidos.

I DE I AS D E PART I DA … A Avaliação no âmbito de uma iniciativa que incide em problemas sociais complexos como o projeto “Chega”, que abrange um conjunto de iniciativas e ações/atividades a vários níveis, tem que incorporar perspetivas e mecanismos de recolha e análise da informação variados para conseguir uma leitura relevante das mudanças efetivas promovidas. De salientar que muitas dessas mudanças são intangíveis de leitura complexa quando não mediada e assente, variadas vezes, em perceções e cruzamento de perceções de atores chave.

Com base na leitura da informação fornecida pela Sopro e parceiros, através da coordenação do projeto e da identificação clara da estrutura e das atividades do projeto, bem como de pesquisas adicionais realizadas, optou-se, em todo o desenho da avaliação, por manter a coerência e referenciar as opções técnico-metodológicas num conjunto de ideias e princípios que quisemos ter como base do desenho do modelo de avaliação: •

Desenho colaborativo do formato final do plano de avaliação (apesar da proposta apresentada, há espaço para a flexibilização e enriquecimento do que é um modelo com plasticidade).

•

Uma realidade de intervenção complexa exige uma metodologia que combine diferentes mecanismos e enfoques.

•

Ter um equilíbrio entre atribuição e contribuição, principalmente quando falamos de impactos, que respeite a complexidade dos contextos mas não esqueça a necessidade de perceber os resultados e mudanças alcançadas.

•

Enfoque na performance mas referenciado ao processo. A qualidade dos resultados e a eficácia da iniciativa é um ponto focal da avaliação, mas há que analisar igualmente a qualidade dos processos de planeamento, (re)planeamento e implementação no presente e em momentos futuros.

•

Abordagem multi-método. P Á G . # 1 6


O PE RAC IO N A LI Z AÇÃO A construção e operacionalização do plano de avaliação seguiu a seguinte orientação e fases processuais:

1. REUNIÃO DE ARRANQUE

2. CONSTRUIR A TEORIA DA MUDANÇA

3. DEFINIR QUESTÕES DE AVALIAÇÃO E INDICADORES

4. DEFINIR E VALIDAR PLANO DE AVALIAÇÃO

5. CONSTRUIR INSTRUMENTOS DE RECOLHA DE INFORMAÇÃO

6. RECOLHA DE INFORMAÇÃO

7. ANÁLISE DA INFORMAÇÃO RECOLHIDA

8. SÍNTESE E PRODUÇÃO DE RELATÓRIO DE AVALIAÇÃO

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Qualquer projeto contém em si mesmo uma dimensão política que é vertida em opções estratégicas que também se constituem como um guia para a ação,

POLÍTICO

ESTRATÉGICO

isto para além da dimensão operacional que já encerra em si mesmo. Por estas razões, julgámos ser importante que toda a recolha de informação e as análises efetuadas à mesma, estivessem sempre no “encontro” destas três

OPERACIONAL

dimensões, valorizando todas e não esquecendo nenhuma.

Em termos de abordagem técnica, o objetivo foi basear a mesma nas ideias-chave, de alguma forma atrás enunciadas: •

Abordagem multi-método para abarcar a diversidade da intervenção e atores envolvidos.

•

Combinação de indicadores quantitativos e qualitativos recolhidos de diversas fontes

•

Construir o Plano e Avaliação a partir do que está já definido com a equipa do projeto e outros stakeholders considerados relevantes.

Após reflexão interna em torno das abordagens mainstream na área de avaliação que poderíamos utilizar, abraçámos uma “perspetiva múltipla” em termos metodológicos, que engloba não só instrumentos diferentes, como posicionamentos diferenciados para olhar a intervenção.

O Modelo de Avaliação implementado combina: •

Theory of Change (Teoria da Mudança - TOC) - importante para compreender a “cadeia de transformação” e as mudanças e impactos esperados pela iniciativa.

•

Análise de Contribuição / Atribuição na avaliação das mudanças.

•

Abordagem centrada na performance significativa.

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I. E XE CU ÇÃO GLO BA L Atendendo aos objetivos da avaliação, bem como às características do processo cujo produto final, âmbito e enfoque estão bem definidos e delimitados, optou-se por apresentar os dados a que chegámos de uma forma global, a partir de uma visualização dos níveis de execução. Apresentam-se, assim, as principais respostas às questões de avaliação estruturando o relatório a partir de uma análise global. Iniciando a abordagem aos dados de análise, salientamos que existe um elevado nível de satisfação em relação à intervenção do projeto e mais concretamente um forte reconhecimento da importância da intervenção da Sopro no território, considerando-se que esta se apresenta com contributos significativos para a dinâmica de inclusão social ao nível da igualdade de género e da violência de género e do namoro.

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Para os parceiros, os resultados foram alcançados, o que poderá indiciar que o projeto respondeu de forma efetiva às necessidades identificadas. Quando interpelados sobre a relevância e impacto do projeto para a igualdade e violência de género e para uma resposta mais eficaz e eficiente ao problema, a perceção dos atores é de que houve um contributo positivo do projeto para o alcance dos objetivos traçados.

O plano de ação do projeto Chega é adequado ao contexto e necessidades locais As competências da equipa técnica e dos parceiros respondem completamente às exigências do projeto face aos seus objetivos O Projeto Chega contribuiu para uma maior sensibilização da comunidade sobre a igualdade e violência de género O Projeto Chega contribuiu para uma resposta mais eficaz e eficiente ao problema da violência de género

7%13% 7%

2 - Discordo

53%

20%

73%

13% 13%

73%

7%

73%

20%

0% 1 - Discordo totalmente

27%

3 - Não discordo nem concordo

25%

50% 4 - Concordo

75%

100%

5 - Concordo totalmente

As respostas situam-se entre o concordo e o concordo totalmente parecendo confirmar a relevância e eficácia das ações realizadas. Em relação às competências da equipa técnica e ao papel dos parceiros, existe uma forte concordância de que estas respondem às exigências do projeto face aos seus objetivos. No entanto, menos consensual é a perspetiva de adequação do projeto ao contexto e às necessidades locais, o que poderá dever-se à especificidade do território. Inicialmente o projeto não foi apresentado ao Conselho Local de Ação Social, o que gerou algumas resistências só esbatidas através de um processo de construção de confiança.

Quando analisamos os dados de execução global, verificamos que o projeto "Chega" apresenta resultados bastante positivos, tendo abrangido um total de 5583 pessoas entre agentes educativos, crianças, jovens e vítimas de violência. Com efeito, a multidimensionalidade do projeto é um factor a destacar, uma vez que existe a preocupação de envolver diferentes públicos, de diferentes áreas de intervenção e com diferentes estratégias, o que poderá permitir uma resposta mais abrangente aos problemas identificados.

A combinação entre a intervenção direta e indireta, traz uma componente de prevenção, mas também de remediação das situações, e um conhecimento particular P Á G . # 2 0


da problemática em questão. Os números falam por si, e nesse sentido percebe-se que a intervenção nas escolas, mas também a dinamização do Gabinete de Apoio e dos Grupos de Ajuda Mútua se revelam como essenciais.

Destaca-se no entanto, a importância de encarar a intervenção como um processo gradual e dinâmico, na medida em que os dados parecem revelar uma intervenção que não é apenas de formação e sensibilização, mas também ao nível de acompanhamento individual e grupal. Os grupos de ajuda mútua tiveram sentiram dificuldades iniciais na participação, provavelmente devido às características específicas da problemática, que implica a vergonha e o medo de exposição, havendo necessidade de se trabalhar mais o medo de poder não haver confidencialidade e segurança. No entanto atingiram praticamente a meta estabelecida de participantes ( a meta era de 15 e participar 14).

O envolvimento das entidades do concelho também é um aspeto que merece destaque, na medida em que se reconhece a dificuldade, nestes processos, de articulação interorganizacional. Existiram 10 entidades envolvidas neste processo de forma continuada e com reuniões periódicas, que permitiram um trabalho mais integrado ao nível da igualdade de género e da violência doméstica.

As ações junto das escolas e designadamente do público jovem, foram importantes e de grande abrangência, como se pode observar nos dados apresentados. É importante salientar que houve uma valorização significativa do poder conhecer a Lei da Paridade, bem como os dados estatísticos sobre o tema. É uma informação que nem sempre é divulgada e nesse sentido permite uma maior consciência da realidade.

A construção de um instrumento pedagógico foi também valorizado no contexto escolar, como facilitador da transmissão de conhecimento e de apoio à reflexão sobre o tema, tendo sido aplicado em 25 escolas, o que pode ser considerado relevante, permitindo evidências sobre a sua utilidade.

O objetivo de envolver as entidades públicas e privadas locais como parceiros estratégicos na implementação de estratégias promotoras da igualdade de género e no combate à violência de género, foi também alcançado, ainda que se reconheça as dificuldades inerentes a este processo e a necessidade de se continuar o percurso colaborativo. Foi criado uma ficha de acompanhamento comum dos casos com P Á G . # 2 1


informações relevantes sobre a situação, análise do risco e medidas já efetuadas, identificando as entidades intervenientes. Destaca-se que esta possibilidade de construção conjunta permite um trabalho conjunto e, possivelmente, uma resposta mais célere e eficiente às necessidades.

Os testemunhos dos participantes ilustram a importância que as atividades tiveram e a percepção positiva das mesmas.

De uma forma global, pode-se afirmar que a execução do Projetp "Chega" é positiva, relevante e eficaz face aos objetivos e metas traçados. Foi possível promover uma intervenção junto de vítimas de violência doméstica (violência de género; violência nas relações de intimidade e violência no namoro) e, ao mesmo tempo, promovendo a igualdade de género, numa lógica de prevenção da vitimização e da desconstrução de preconceitos e estereótipos associados à violência de género junto dos jovens e da população adulta.

Em seguida apresentam-se os dados de execução global, e alguns testemunhos que refletem as evidências que marcam o processo avaliativo.

P Á G . # 2 2


AVALIAÇÃO GLOBAL DO PROJETO - CONSELHO CONSU LTOR

4,6 Avaliação dos resultados Implementação do processo

10 EN TIDADES

AS SINA RA M PR OTOCOLO PA R CE RI A

1 0 RE U NIÕ ES RE A LI Z ADA S

AÇÕES D E SEN SIBILIZAÇÃO/AT I V I DA D E S /W O R KS H O P S

73

20 AÇÕE S PA RA AG EN TES ED UCAT IVOS 50 AT I V IDA D E S/W O R KS HO PS EM ESCO LA S 1 WO RK S HO P E S P EC I A LIZ A D O PA RA CO NSE LHO CO NSULTO R 2 AU L A S DE DE FE SA P ES S OAL CO M PR O F E SSO R E SP E CI ALIZAD O

I NST RUMENTOS CRIA DO S P E LO P ROJ ETO

1

2

I NST RU M EN TO DE A RT I CULAÇÃO /I NFO RM AÇÃO

(FICHA ACOM PANHAME N TO )

1

I N ST RU ME NTO D E PREV EN ÇÃO DA VI O LÊ NCI A NO NA M O RO

(KIT PEDAGÓG ICO)

K IT AP LI CAD O EM

25

ES CO LA S

P Á G . # 2 3


N ÚMERO DE PESS OA S A BRA N GI DAS P E LO P R OJ ETO A LU N OS (W O RSH OP S)

5583

2201

A LU N OS (U TI LI ZA RA M JO G O)

2800

AG E NT E S E D UCAT IVO S ( AÇÕ ES SEN SIB I LI Z AÇÃO )

473

V ÍT I MA S D E VI O LÊN C I A ( G AB I NET E AP O I O VÍ TI M A) P E S SOA S ( GR UPO A JUDA MÚT UA)

95

14

I NT ERVENÇÃO DIRETA COM V Í T I MA S D E V I O LÊNCI A CAS OS ACO M PA NH AD O S ( CO NS ELHO CONSULTO R) AT E ND I ME NTOS ( GA B I N ETE A PO I O V Í TIM A )

14

492

CAS OS CO M ACO N SELH A M E NTO PS ICO LÓ G ICO, SO CIA L E J U R Í D I CO

95

CAS OS E N CA M I NH AD O S PA R A O UT RO S SE RVI ÇO S G RU P O D E A J U DA M ÚTUA

90%

155

2

D E F RE QU Ê NC I A N AS 1 6 S E S S ÕE S R E ALI Z ADA S

1 SEMIN ÁR I O F I NA L , CO M 1 3 2 PA RT I C I PA N T E S

P Á G . # 2 4


TESTEM UNHOS PA RTIC IPAN T ES

“UM PROJETO DE ENORME PERTINÊNCIA E VALOR TENDO EM CONTA A REALIDADE SOCIAL ATUAL" (Agente Educativo)

DE SSOAS QUE GOSTAM PE AS R IA O AP S O EM ) “APRENDI QUE DEV NÓS” (Aluno 1º/2º Ciclo E D S TE EN ER IF D COISAS

“PERCEBI QUE A LEI DAS COTAS TRAZ MUITAS MUDANÇAS A UM CAMPO QUE TEM DE SE TORNAR MENOS NORMATIVO E MAIS PROGRESSISTA" (Aluno Ensino Secundário)

“AS ESCOLAS E A SOCIEDADE NECESSITAM DESTE TIPO DE INTERVENÇÕES E DO EXEMPLO DOS PROFISSIONAIS DA SOPRO” (Agente Educativo)

“O CONSELHO TROUXE UMA MAIS-VALIA EM TERMOS DE CONHECIMENTO SOBRE A REDE DE APOIO À VÍTIMA” (86% dos Parceiros e Técnicos inquiridos)

“PERCEBI O QUE É A VIOLÊNCIA DOMÉSTICA E AS DINÂMICAS QUE OCORREM NESSE CONTEXTO” (98% das Vítimas de Violência inquiridas) P Á G . # 2 5


II. A N Á LIS E POR ATI VI DA D E As questões de avaliação foram agrupadas em categorias de análise consideradas relevantes e inteligíveis de forma imediata para estruturar a avaliação do projeto e a reflexão crítica sobre a sua implementação, sendo apresentadas a partir das atividades realizadas.

Neste sentido, respondemos às questões utilizando os dados recolhidos junto das mais diversas fontes de informação utilizadas, de forma a permitir uma visão rápida dos principais dados de cada uma das atividades, através da visualização dos principais indicadores e métricas e de uma resposta clara às questões de avaliação constantes do plano de avaliação.

1. CONSELHO CONSULTOR CO NC E LH I O Esta atividade consistiu na criação de uma equipa multidisciplinar local, composta por várias entidades e parceiros do Concelho de Vila Verde, com o propósito de promover a articulação e concertação de boas práticas no domínio da prevenção/ intervenção no fenómeno da Violência Doméstica/Namoro. Pretendia, ainda, capacitar os técnicos e agentes intervenientes em contacto com situações relacionadas com esta problemática

Se analisarmos a perceção dos parceiros sobre o trabalho desenvolvido pelo Conselho Consultor, percebe-se que existe um grande alinhamento de perceções, considerando que o trabalho desenvolvido foi uma mais valia na intervenção realizada.

P Á G . # 2 6


Perceção sobre Conselho Consultivo Reforçou dinâmicas de colaboração que já existiam entre as entidades parceiras

13%

27%

7%

Criou novas sinergias com as outras entidades parceiras Resposta mais eficiente através de uma melhor articulação entre entidades parceiras

40% 20%

Resposta mais eficiente através da capacitação dos técnicos

7%

60% 53%

13%

67%

13%

80%

As sessões de formação foram úteis para um conhecimento mais aprofundado do problema

13%

87%

O Conselho trouxe uma mais-valia no conhecimento sobre a rede de apoio à vítima

13%

87%

0% 1 - Discordo totalmente 5 - Concordo totalmente

2 - Discordo

25%

50%

3 - Não discordo nem concordo

75% 4 - Concordo

Uma leitura acompanhada destas perceções vai ao encontro da leitura da própria equipa de avaliação, que considera que o trabalho de articulação entre entidades parceiras deve ser encarado como um processo gradual e dinâmico que implica várias etapas, não sendo automático, sendo talvez por isso que as dimensões em que existe uma perceção menos positiva sejam o reforço das dinâmicas de colaboração e a produção de novas sinergias. No que se refere às sessões de formação e à capacitação dos técnicos, a maioria considera que estas foram úteis e permitiram maior conhecimento e, desde aí, uma resposta mais eficiente, permitindo destacar a importância do processo de capacitação das equipas e organizações para a intervenção que se realiza. Estes resultados são, do nosso ponto de vista, importantes permitindo afirmar que a criação de um Conselho Consultor Concelhio é uma das estratégias que permite o envolvimento efetivo dos parceiros ao longo do processo e, por conseguinte, uma resposta mais efetiva às necessidades do público alvo.

P Á G . # 2 7

100%


2. FORM AÇÃO/ AÇÕES DE SEN S I BI LI Z AÇÃO Estas ações de sensibilização dirigidas a agentes educativos, tinham como objetivo promover uma maior consciencialização e sensibilização relativamente às questões relacionadas com a violência de género, mais concretamente no domínio da violência no namoro. Esta atividade pretendia ainda, capacitar e proporcionar estratégias de perceção, aquisição e desenvolvimento de competências de despiste e intervenção perante situações de violência no namoro por parte dos jovens. Importa salientar que foram considerados como agentes educativos pessoas que lidam com crianças e jovens, desde professores, passando por profissionais da juventude. Como podemos observar são diversas as funções assumidas, ainda que, logicamente, a grande parte sejam docentes e auxiliares de ação educativa. Administrativo Animador social-cultural Assistente Social Auxiliar ação educativa Diretor Diretor técnico Enfermeiro Formador Monitor Professor 2º ciclo Professor 3º ciclo Professor secundário Professor universitário Psicólogo Sociólogo Outro (especifique) 0

50

100

150

200

P Á G . # 2 8


Relativamente à idade, os agentes educativos abrangidos nestas atividades caracterizam-se por pertencerem na sua maioria ao sexo feminino, encontrando-se na maioria na faixa etária abaixo dos 25 anos (43%) e entre os 35-44 anos (23%). Sexo dos Agentes Educativos

Idade dos Agentes Educativos

5%

21%

17% 43% 23% 79%

Feminino

Masculino

12%

menos de 25 anos 35-44 anos 55-64 anos

25-34 anos 45-54 anos 65 ou mais anos

Estes dados são importantes ter em consideração no que se refere à intervenção, uma vez que pode ter consequências na formação realizada, na medida em que existe um cruzamento de gerações diferentes, existindo uma maioria de pessoas situadas em idades mais novas, de início de carreira, seguidos por participantes em idade parental. A avaliação realizada pelos participantes em relação às sessões é bastante positiva, situando-se a maioria das respostas no concordo e concordo totalmente para todos os itens. Ao olharmos para a avaliação realizada pelos participantes, torna-se relevante que as sessões permitiram alargar o conhecimento, sendo os conteúdos considerados relevantes para o exercício profissional. De uma forma geral, destacam a adequação e a pertinência destas sessões, não apenas por terem sido concretas e claras, nas perceções dos participantes, mas sobretudo por permitirem adquirir conhecimentos específicos para a identificação de casos de violência no namoro e de maus-tratos, bem como sobre as formas de atuação, de encaminhamento e das respostas existentes neste âmbito. Por tudo isto, a maioria dos inquiridos aconselharia estas sessões a outras pessoas. P Á G . # 2 9


Avaliação das Sessões A sessão superou as minhas expectativas iniciais

3%

As informações foram transmitidas de forma clara

1%

Adquiri conhecimentos relevantes no âmbito da igualdade de género

3%

48%

49%

28%

70% 41%

56%

Adquiri conhecimentos relevantes sobre

o fenómeno da violência no namoro

2%

Os conteúdos da sessão foram adequados à função

que desempenho e pertinentes ao meu contexto profissional

4%

36%

61%

As informações são úteis do ponto de vista profissional,

para identificar casos de violência no namoro e maus tratos

3%

35%

62%

1%

38%

61%

Adquiri conhecimentos sobre as formas de atuação, de encaminhamento

e das respostas existentes neste âmbito Aconselharia outra pessoa a fazer esta sessão

1%

0% Discordo totalmente

Discordo

Não concordo Nem discordo

39%

58%

31%

25%

68%

50%

Concordo

75% Concordo Totalmente

A análise das perceções dos participantes sobre a sessão de sensibilização permite-nos destacar quatro dos seus comentários: o primeiro é a importância, relevância e pertinência do tema abordado, pois parece ser consensual a sua atualidade nos contextos juvenis; o segundo, é a necessidade de se dedicar mais tempo à formação tendo em conta o tema em questão, pois requer uma abordagem mais aprofundada; o terceiro, é a necessidade de se realizar ações de prevenção junto das escolas e de trabalhar estes temas com as próprias crianças e jovens, cruzando com a formação aos agentes educativos; e um último, é a satisfação com a sessão realizada, quer a nível de conteúdos, quer a nível das dinâmicas desenvolvidas. Para a equipa de avaliação, tornase evidente que a capacitação realizada através destas sessões se torna central no projeto. No seguimento desta análise, compreende-se que para a maioria dos agentes educativos envolvidos considera que o projeto "Chega" e a intervenção da SOPRO são importantes para a comunidade, com especial destaque para as atividades promovidas nas escolas e entidades de infância e juventude com vista à sensibilização e consciencialização para a igualdade de género e violência no namoro.

P Á G . # 3 0

100%


Importância das Atividades Realizadas nas Escolas e Entidades

15%

2% Sim Não

Parcialmentre Não sei

83%

Em síntese, os dados revelam que a execução da atividade foi relevante e com elevado nível de eficácia, na medida em que as metas definidas inicialmente foram alcançadas.

Pensa a equipa de avaliação que o processo de formação e capacitação se revela como fundamental para o que poderá ser uma mudança substantiva no conhecimento e, consequentemente, na forma de olhar e intervir para as situações. Ainda assim, valeria a pena haver um acompanhamento de follow up que permitisse comparar a intervenção antes e depois da formação.

P Á G . # 3 1


3. ELAB ORAÇÃO D E RECURS O S T ÉCNI CO S /P E DAG Ó G I CO S Esta atividade tinha como finalidade desenvolver um instrumento de prevenção e intervenção, destinado aos jovens em idade escolar, sobre as questões de Igualdade de Género, Violência de Género e Violência Doméstica, com especial atenção sobre as problemáticas da Violência no Namoro. Com este instrumento pretende-se abordar as temáticas relacionadas com as relações amorosas igualitárias e não violentas, sensibilizando os jovens para que reconheçam as caraterísticas de relações de namoro saudáveis, integrando-as nas suas vivências emocionais. Após a criação do instrumento, este foi aplicado em 25 escolas, tendo abrangido 2800 alunos e 70 professores. As informações recolhidas junto dos jovens validam este instrumento como uma estratégia de sensibilização e formação em contextos educativos. É importante referir que recolhemos as perceções de 2533 jovens participantes, sendo que o grupo se encontra equilibrado entre raparigas (47%) e rapazes (53%), encontrando-se, na sua maioria na faixa etária dos 14 aos 17, com destaque para os 15 anos (n=844), tornando-se as idades relevantes para a compreensão e apropriação dos temas.

Idade dos Participantes

Sexo dos Participantes Menos de 13

19 273

13

53%

47%

620

14

844

15

485

16

228

17 Feminino

Masculino

63

+ de 17 0

225

450

675

900

P Á G . # 3 2


As ações realizadas em contexto escolar são avaliadas pelos participantes como muito positivas. Numa análise sobre as perceções dos jovens estes consideram que o Kit Educativo é de grande utilidade e apresentam um elevado nível de satisfação pelas sessões realizadas.

Utilidade do Kit e Satisfação com ação

Utilidade do Kit Educativo

1%

28%

70%

Satisfação com a ação

1%

28%

71%

0% Nada importante Importante

25%

Pouco importante Muito importante

50%

75%

100%

Mais ou menos importante

A grande maioria dos alunos considera que é preferível usar este tipo de metodologia ao invés de uma apresentação oral ou powerpoint. E de uma forma geral, consideram que a escola deveria ter este kit educativo, sendo mais fácil perceber estes temas através deste instrumento.

Perceção dos jovens sobre o Kit Educativo Prefiro usar esta metodologia ao invés de uma apresentação oral ou um powerpoint

3%

45%

52%

Acho que a minha escola deveria ter este kit educativo

3%

43%

53%

É mais fácil perceber estes temas através de um kit deste género

2%

43%

54%

0% Discordo totalmente

Discordo

25%

Não discordo nem concordo

50% Concordo

75%

100%

Concordo totalmente

Ao analisarmos os níveis de conhecimento dos jovens sobre os temas, percebemos a importância que as sessões podem ter do ponto de vista da sensibilização, mas P Á G . # 3 3


sobretudo ao nível de como agir nas situações concretas. Com efeito,

maioria dos

jovens refere que já tinha ouvido falar do tema antes das sessões, e que conseguiam dar uma definição do que é a violência no namoro. No entanto, destacamos que são significativas as percentagens de jovens que assumem não ter conhecimento prévio acerca da identificação das características de uma relação violenta (50%), e de como proceder no caso de conhecer alguém que é vítima ou de ser vítima (61%), o que parece poder confirmar a importância do instrumento criado, até por introduzir o tema nas conversas entre os jovens.

Identificação das características de uma relação violenta antes das sessões

Conhecimento de como agir em situação antes das sessões

39% 50%

50%

61%

Sim

Não

Sim

Não

Na mesma linha, é interessante atentar no que estes consideram ter sido as dimensões que se apresentaram como “novas” ao seu conhecimento. Assim, e no que se refere ao que pode caracterizar uma relação de namoro violenta, os jovens reconhecem sentir-se surpreendidos por o denegrir a imagem em público, mexer sem consentimento no telemóvel e nas contas de correio eletrónico/conta do facebook e proibir a convivência com amigos/as serem comportamentos característicos de quem exerce violência no namoro (n=1301); por os rapazes também serem vítimas de violência no namoro (n=1163) e por existir igual probabilidade de rapazes e raparigas serem agressores no namoro, sendo apenas diferente as formas de violência que cada um usa (n=1090) por alguns comportamentos típicos de quem exerce violência no namoro serem partir ou estragar objetos ou roupa do/a companheiro/a, controlar a maneira de vestir, controlar P Á G . # 3 4


o que o/a outro/a faz nos tempos livres e ao longo do dia, ligar constantemente ou enviar mensagens e ainda ameaçar terminar a relação como estratégia de manipulação (n=1035); e em último, por as formas de violência na intimidade que surgem com mais frequência serem: a violência verbal e a violência psicológica. Estas costumam sempre evoluir tornando-se, com o passar do tempo, mais graves, mais perigosas para a vítima, mais intensas e mais frequentes (n=996). Já quanto à forma de agir no caso de terem conhecimento de algum caso de violência no namoro ou de o próprio ser vítima, os elementos que mais surpreenderam os alunos relacionam-se com o facto de ser recomendável falar com um/a Professor/a e/ou Psicólogo/a da Escola (n= 1328); ser possível apresentar queixa junto das autoridades policiais, uma vez que a Violência no Namoro está enquadrada no crime de Violência Doméstica que é considerado crime público (n= 1152); ser recomendável falar com uma pessoa mais velha que seja de confiança, caso o ato de violência se repita ou se agrave, para que possa ajudar a decidir como agir (n= 908); ser possível recorrer aos serviços/gabinetes especializados que apoiam vítimas de violência doméstica (n=782); ser recomendável não manter segredo sobre a situação e falar sobre o que está a acontecer (n=681); e ser importante que, no caso do próprio ser a vítima, não se envolver diretamente, devendo procurar manter-te em segurança até que uma autoridade policial chegue ao local (n=656). Na verdade, estes níveis de “surpresa” e “novidade”, revelam a necessidade de abordar os temas de forma inovadora e com metodologias adequadas, de forma a aprofundar as diferentes perspectivas do tema, e sobretudo a tornar apelativa a abordagem. Através dos dados de execução, torna-se possível afirmar que esta atividade apresenta um bom nível de eficácia, relevância e adequação.

Pensa a equipa de avaliação que a criação de recursos pedagógicos nesta área de intervenção apresenta um impacto que é importante não desconsiderar, até pela abrangência conseguida com a sua aplicação, podendo ser um instrumento importante de sensibilização e formação, com consequente alteração de comportamentos.

P Á G . # 3 5


4. GAB IN E TE DE A POIO À V Í T I MA DE V I O LÊNCI A D O MÉ ST I CA Este gabinete tem como objetivo ser uma unidade de intervenção, aconselhamento e encaminhamento em assuntos de Igualdade de Género, Violência Doméstica e Tráfico de Seres Humanos, recorrendo a uma intervenção de natureza transversal, que consagre a mobilização para os recursos locais internos e externos. Desta forma, tem como finalidade direta proporcionar o atendimento, apoio, proteção e reencaminhamento de vítimas de violência doméstica, atuando numa lógica de trabalho em rede, por forma a dar respostas de proximidade no apoio e intervenção multidisciplinar e especializada às vítimas. Foram recolhidas perceções de 78 sobreviventes de situações de violência doméstica. Destes a maioria é do sexo feminino (94%), pertencendo, na sua maioria, à faixa etária entre os 45 e os 54 anos (36%) e entre os 35 e os 44 anos (29%). De salientar que, ainda que pouco significativo verificam-se já casos com idades abaixo dos 25 anos.

Sexo de Sobreviventes

4%

4%

6%

21%

6%

Idade dos Sobreviventes

29%

94% 36% Feminino

Masculino

15-24 anos 35-44 anos 55-64 anos

25-34 anos 45-54 anos 65 ou mais anos

P Á G . # 3 6


Numa análise mais detalhada acerca das sessões realizadas no Gabinete de Apoio à Vítima de Violência Doméstica, verifica-se que as sessões tiveram um bom nível de participação, na medida em que 24 dos inquiridos participaram entre 4 a 7 sessões (32%), 23 participaram entre 7 e 10 sessões (31%) e que 20 dos inquiridos participaram em mais de 10 sessões do gabinete (27%). Numero de sessões em que participaram 8

1-3

24

4-7

23

7-10

20

Mais de 10 0

4

8

12

16

20

24

Numa leitura das perceções sobre as sessões, existe um bom nível de satisfação, destacando-as como um espaço securizante e, neste sentido, como um espaço no qual foi possível criar um ambiente de confiança para partilharem as suas experiências, com garantia de confidencialidade. Perceção das sessões

41%

Durante as sessões senti segurança

59%

O meu papel e o papel do terapeuta foram claramente definidos

9%

91%

O terapeuta teve uma boa postura

6%

94%

Senti empatia com o terapeuta

1% 6%

92%

Senti que as conversas foram confidenciais e não serão repetidas fora do atendimento

5%

95%

Senti que podia partilhar emoções e experiências

8%

92%

0% Discordo totalmente

Discordo

25%

Não concordo nem discordo

50% Concordo

75%

100%

Concordo totalmente P Á G . # 3 7


Como podemos observar, em termos de conteúdos e dos conhecimentos adquiridos nas sessões, a maioria considera que as sessões permitiram realizar uma avaliação de risco e um plano de segurança pessoal. Consideram, ainda, que as sessões possibilitaram melhorar o entendimento do fenómeno da violência doméstica e das dinâmicas que envolvem, bem como a compreensão da sua situação em particular, ajudando a identificarem-se enquanto vítimas de uma situação de violência doméstica e identificarem o parceiro/a enquanto agressor/a, com comportamentos abusivos. Existe menos consenso relativamente à importância das sessões no fornecimento de informações acerca dos processos legais e dos direitos, no caso da existência de processo criminal.

Percebi o que é a violência doméstica e as dinâmicas que ocorrem nesse contexto Entendi que fui sujeita(o) a violência doméstica que o/a meu/ minha parceiro(a) foi o(a) agressor(a) e teve comportamentos abusivos contra mim No caso da existência de processo criminal forneceram-me informações acerca dos processos legais e dos meus direitos

Foi realizada a avaliação de risco

Foi realizado o plano de segurança pessoal

1% 3% 12%

85%

5%9%

86%

1% 3%

Discordo

27%

49%

4% 8%

88%

5%10%

85%

0% Discordo totalmente

21%

25%

Não concordo nem discordo

50% Concordo

75%

100%

Concordo totalmente

Importa, ainda, referir que existe a perceção de que as sessões contribuíram para o aumento das suas competências pessoais, com particular destaque para a auto-estima e auto-confiança.

15%

Autoestima Capacidade para tomar decisões

1%

Resolução de problemas

0% Contribuiu pouco

23%

76%

24%

76%

15%

Autoconfiança

Não contribuiu

85%

85% 25%

50%

Não contribuiu muito nem pouco

75% Contribuiu

100% Contribuiu muito P Á G . # 3 8


Uma leitura acompanhada destas perceções vai ao encontro da leitura da própria equipa de avaliação, que considera que apesar das dificuldades inerentes a um acompanhamento nesta área, esta ação assume especial importância no que concerne à identificação de necessidades, mas sobretudo como um espaço de confiança e desenvolvimento pessoal. A avaliação de risco e o Plano de Segurança, pela forma como foram concebidos representam uma importante ferramenta, que permite o sentimento de autoconfiança e a possibilidade de encarar o futuro. O acompanhamento realizado pelos profissionais leva a que identifiquem também a procura de ajuda terapêutica como uma ferramenta.

Perceção de futuro após sessões Estou melhor preparada(o) para lidar com a experiência de violência doméstica pela qual passei Vou procurar ajuda terapêutica para me ajudar a lidar com a situação de violência doméstica Vou procurar ajuda de familiares, amigos e outras pessoas Vou aplicar o plano de segurança pessoal e tomar medidas para me proteger

4% 3% 5% 6% 3%

Discordo

65%

15%

9% 3% 9% 0%

68%

27%

1%10%

Vou efetuar uma queixa crime no âmbito da violência doméstica

Discordo totalmente

28%

41%

35%

22%

67%

12% 25%

Não concordo nem discordo

68% 50% Concordo

75%

100%

Concordo totalmente

Existe um menor consenso em identificar a procura da ajuda de familiares, amigos ou outras pessoas como possíveis passos seguintes, o que se justifica no quadro de violência, e que poderá implicar a necessidade de mais tempo no processo de retomar a confiança noutras pessoas.

A perspetiva da equipa não difere destas perceções, conferindo especial importância ao Gabinete, como um espaço privilegiado de acompanhamento e inserção social. Em termos de execução desta atividade, a avaliação é bastante positiva.

P Á G . # 3 9


5. GRUPO DE A JU DA MÚT UA Os Grupos de Ajuda Mútua tem por objetivos proporcionar informação sobre o fenómeno da violência de género na intimidade e o seu enquadramento social, cultural e político e promover a desconstrução de discursos de género conservadores e legitimadores da violência contra as mulheres. Procura, ainda, incentivar a reflexão em torno dos significados e dos impactos das histórias pessoais de vitimação motivando para a ação, no sentido do empoderamento e da capacitação pessoal e social, com vista à prevenção da revitimação e à promoção do bem-estar. Apesar de se terem verificado algumas alterações relativamente ao inicialmente previsto, nomeadamente a realização de uma visita ao exterior, foi possível alcançar a meta de realização de dois grupos, embora não atingindo a meta estabelecida para o número de participantes estabelecidos. Ainda assim a avaliação é positiva. Os dois grupos de ajuda mútua criados contaram com a participação de 14 membros, tendo sido realizadas todas as sessões com uma taxa de frequência, por sessão, de 90%.

P Á G . # 4 0


6. AT IVI DA DES DE A NIMAÇÃO E W O R KS HO P S Pretendeu-se com o desenvolvimento de uma série de iniciativas sensibilizar os jovens e a comunidade no geral para a temática da Violência de Género e da Importância da Igualdade entre mulheres e homens de uma forma dinâmica, pedagógica e, acima de tudo, preventiva através de ações de informação e sensibilização, dinâmicas de grupo e workshops. Esta atividade contemplou formações com temas específicos, consoante o ano de escolaridade. Nesse sentido, foi realizada formação sobre estereótipos de género nas profissões, para o ensino secundário; formação sobre violência no namoro, para 3º ciclo; e formação sobre igualdade de género, para 1º e 2º ciclos. Em todos os casos, foram realizados inquéritos aos alunos que participaram nas formações para recolher a sua perceção.

Relativamente à formação sobre estereótipos de género nas profissões, a perceção é muito positiva, existindo um grau de satisfação elevado.

Grau de satisfação com sessões

2%

98%

Satisfeito

Muito satisfeito

P Á G . # 4 1


É importante neste contexto referir que existiram 177 respostas, destas, 55% são do sexo feminino e 45% do sexo masculino, tendo a maioria entre 16 e 17 anos. Sexo dos jovens que responderam

Idade dos jovens que responderam 43

15

47

16

45%

55

17

55% 31

18

0

Mais de 18 0 Feminino

15

30

45

60

Masculino

Numa análise sobre o conhecimento e perceção dos jovens sobre estereótipos de género nas profissões é possível identificar que existe consciência da desigualdade de género em relação às mulheres, ao nível da progressão de carreira, mas existe maior desequilíbrio no conhecimento tido sobre a existência da Lei da Paridade. Conhecimento sobre Desigualdade entre Homens e Mulheres na progressão da Carreira

Conhecimento Sobre Lei da Paridade

Sim Não

Sim Não

11% 47%

53%

89%

P Á G . # 4 2


Destaca-se ainda que a maioria dos jovens não considera justo que as mulheres não tenham o mesmo direito a progredir na carreira do que os homens, sendo da opinião que quer a Lei da Paridade, quer a Lei da Parentalidade pode ajudar no âmbito das questões da igualdade de género (97% e 98% respetivamente). Os jovens realçam que aprenderam mais sobre a temática, sobre a Lei da Paridade e a Lei de Cotas, e que lhes foi possível tomar consciência de que é necessário existir um trabalho direto para que as pessoas entendam as desigualdades de género, para além das políticas de género, de forma a minimizar os estereótipos existentes. Os dados demonstram a importância da formação nestas idades sobre os temas em questão, ampliando o seu conhecimento, mas também sensibilizando de forma a poder traduzir-se em comportamentos e atitudes.

Relativamente à formação sobre Violência no Namoro ao 3º Ciclo, destacamos que foram recolhidas 673 respostas, sendo 56% do sexo feminino e 44% do sexo masculino, tendo a maioria entre 16 anos (27%) e 17 anos (24%).

Sexo de Jovens de 3 ciclo

1% 1% 10%

20% 44% 56%

17%

Idade de Jovens 3 ciclo 24%

Feminino

Masculino

27% Menos de 13 Mais de 17

13

14

15

16

P Á G . # 4 3

17


A maioria revela um elevada satisfação em relação à formação. Grau de satisfação com sessões

2%

37% 61%

Insatisfeito Muito satisfeito

Pouco satisfeito

Satisfeito

Do ponto de vista da compreensão e entendimento, após a formação, acerca do que é a violência no namoro e sobre os diferentes tipos de violência existentes, a maioria refere que percebeu, considerando-se existir um forte nível de eficácia, tendo sido atingidos os objetivos da formação. Compreensão do que é a violência no namoro

Compreensão sobre os diferentes tipos de violência

5%

3%

95% 97% Sim

Não

Sim

Não P Á G . # 4 4


Em relação ao conhecimento que tinham antes da formação, 75% das respostas apontam para um conhecimento prévio dos impactos da violência no namoro (ansiedade, medo, depressão e até mesmo levar as vítimas ao suicídio), e 60% referem que já sabiam identificar facilmente o que constitui uma relação saudável e uma relação não saudável. No entanto, um número significativo (39%) refere ainda não conseguir diferenciar uma relação saudável de uma não saudável, identificando como maior novidade para si, os seguintes elementos de uma relação não saudável (por ordem decrescente): dependência do parceiro/a; afastamento dos amigos; sentimentos de solidão, vazio, tristeza, mágoa e desespero; insultos; falta de respeito e controlo por parte do parceiro/ a. Características de uma relação não saudável Discussões

6

Reações ciumentas e falta de confiança

11 25

Controlo por parte do(a) parceiro(a)

66

Afastamento dos amigos

68

Dependência

25

Falta de respeito

28

Insultos Sentimentos de solidão, vazio, tristeza, mágoa e desespero

35 12

Falta de afeto 0

14

28

42

56

Neste sentido, as perceções dos jovens é que, antes da formação, tinham conhecimento acerca de como se deve proceder no caso de conhecerem alguém que sofra de violência de namoro (60%). Existe, no entanto, uma percentagem significativa que reconhece que não tinha conhecimento de como agir, designadamente que se deve disponibilizar para falar pela vítima, caso esta não queira/possa falar com as autoridades; que se deve incentivar a vítima a falar com a PSP ou GNR, se o caso for muito grave; e que deveriam falar com um adulto de confiança.

P Á G . # 4 5

70


Aspectos desconhecidos sobre os procedimentos 32

Deve-se ouvir e apoiar a vitima de violência

70

Deve-se falar com um adulto de confiança Se o caso for muito grave deve-se incentivar a que a vítima fale com a PSP ou com a GNR

83

Se a vítima não quiser/ puder falar com as autoridades deve-se disponibilizar para falar por ela

94 0

Numa análise sobre os

20

40

60

80

100

conhecimentos adquiridos após a formação, a perceção da

equipa sobre a utilidade das formações permanece, existindo o reconhecimento de conhecimento adquirido ou ampliado, manifestando as vantagens destes espaços, tendo provavelmente que ser mais cíclicos e alvo de um trabalho de continuidade.

Na mesma linha surge a formação sobre igualdade de género no 1º e 2º ciclo, demonstrando que mesmo em idades mais novas continua a ser útil espaços de diálogo e sensibilização sobre o tema. Foram recolhidas 208 respostas, sendo 39% do sexo feminino e 61% do sexo masculino, com idades entre os 6 e os 8 anos, na sua maioria (65%). Sexo de crianças de 1º e 2º ciclo

3% 2%

39%

30% Idade de crianças

61%

65%

Feminino

Masculino

6-8

9-10

11-12

Mais do que 12

P Á G . # 4 6


Como podemos observar, a perceção da maioria das crianças, é novamente, de grande satisfação com a formação.

Grau de satisfação com sessões

1%

17%

82%

Indiferente

Gostei

Gostei muito

Praticamente todos os alunos concordam com as questões de igualdade género, manifestas no facto de meninos e meninas poderem brincar com os mesmos brinquedos; de mulheres e homens podem ter as mesmas profissões; e de que pai e mãe se devem ajudar um ao outro a fazer as tarefas de casa. Destaca-se que o facto da maioria ter mencionado que aprenderam que os brinquedos não são exclusivos a meninos ou meninas; a importância de os pais se ajudarem; o facto de meninos e meninas poderem ter a profissão que querem; e de todos poderem usufruir dos seus direitos.

De uma forma geral, e do ponto de vista dos objetivos traçados para estas atividades e workshops, a execução desta atividade foi muito positiva, superando a meta inicialmente prevista de 1200 jovens/adultos informados.

P Á G . # 4 7


7. SEMIN ÁRIO O Chega previa a realização de uma seminário no final do projeto, com o intuito de criar um espaço de reflexão e divulgação dos seus conhecimentos e práticas, envolvendo a comunidade em geral para o debate destas problemáticas, bem como divulgar, a nível local e nacional, os resultados alcançados com o projeto.

O seminário teve como tema a da igualdade de oportunidades e combate à violência de género, tendo contado com a intervenção de personalidades de referência na área. Contou, ainda, com a presença de 132 participantes, não tido sido possível desta forma atingir a meta estabelecida no início de 150.

No entanto, é de destacar que os inquiridos avaliam a ação de forma muito positiva, considerando que cumpriu as expetativas que tinham em relação ao seminário, e considerando que se constituiu como uma mais-valia na aquisição de competências e/ ou conhecimentos úteis para a sua atividade profissional e/ou vida pessoal.

Avaliação global do seminário 4% 2% 25%

69%

Fraco Muito Bom

Insuficiente

Suficiente

Bom

P Á G . # 4 8


Aquisição de competências e/ou conhecimentos 1%

Cumprimento das expetativas 1% 4%

5%

1%

2%

93% Sim Não sabe

Parcialmente

93% Não Sim Não sabe

Parcialmente

No que concerna à dinâmica do seminário, a maioria dos participantes considera que a estrutura de organização facilitou a aprendizagem (98%), que os espaços físicos utilizados foram adequados (96%), que a organização do tempo foi adequada face aos objetivos e aos conteúdos transmitidos (95%), e que os oradores conseguiram transmitir os conteúdos de forma clara (94%)

Não obstante os comentários positivos registados que apontam para a importância de realizar ações como esta, é de destacar algumas sugestões para edições futuras, nomeadamente, maior cuidado na mistura de públicos-alvo, uma vez que no seminário estiveram presentes quer profissionais, quer jovens; e nesse sentido se a opção for por ter jovens presentes ter maior cuidado na adequação a este grupo específico; sendo igualmente sugerido a possibilidade de contar com o testemunho de um/a sobrevivente a uma situação de violência.

Seguindo a linha das sugestões, é de registar a vontade e preocupação dos participantes de verem abordado o tema da violência no trabalho em ações futuras da Sopro.

P Á G . # 4 9

Não


SÍN TE SE DA ANÁL I S E DA S ATI VI DA D ES Vejamos então os aspetos mais fortes e aqueles que são zonas de melhoria das atividades:

+ Maior articulação e colaboração entre entidades no território + Número de pessoas envolvidas em processos formativos e de sensibilização + Criação e aplicação de instrumento pedagógico + Pessoas vítimas de violência acompanhadas de forma personalizada e em grupos de ajuda + A transformação de comportamentos por via de processos formativos

-

Carácter pontual de algumas ações

-

Ainda que positivo, alguns temas foram abordados de forma não muito aprofundada

PISTAS PARA O FUTURO ‣

Continuar a investir na colaboração entre entidades e capacitação das equipas e profissionais

‣

Repensar a continuidade e sequência das sessões, permitindo um maior aprofundamento nos temas abordados

‣

Medir, posteriormente, o impacto da intervenção na alteração de comportamentos

‣

Criar condições para a construção e aplicação de outros instrumentos pedagógicos

P Á G . # 5 0


III . ANÁL I SE POR CAT EG O R I A S Neste ponto e considerando o projeto na sua globalidade optámos por realizar uma abordagem especifica a cada uma das categorias de análise que orientaram a avaliação.

1. RELEVÂN CIA /COERÊNCIA Iniciando a análise específica a cada uma das dimensões de avaliação, salienta-se que a dimensão da relevância teve em conta a perceção dos atores quanto à importância da intervenção da Sopro para a temática da igualdade de género e violência de género e do projeto Chega para a comunidade. Neste sentido, destaca-se desde logo o alinhamento entre os diferentes atores envolvidos quanto à importância da intervenção da Sopro para a comunidade e o território onde opera, com contributos significativos para um maior conhecimento sobre a igualdade e violência de género e para a criação de uma dinâmica de resposta mais adequada às situações de violência. Perceção dos atores quanto à importância da intervenção da Sopro para a comunidade e o território onde opera (%)

P Á G . # 5 1


Nesta linha, é de salientar que os resultados alcançados indiciam a relevância do projeto Chega na resposta às necessidades identificadas nesta área. Com efeito, segundo as perceções de parceiros e técnicos, o projeto Chega contribuiu positivamente para uma maior sensibilização da comunidade sobre igualdade e violência de género e para uma resposta mais eficaz e eficiente ao problema da violência de género (73,3% concordam totalmente). Assim, de acordo com as perceções recolhidas, não só os objetivos definidos para o projeto são considerados relevantes para a resposta às necessidades, como o projeto em si é considerado como uma mais-valia para a intervenção nesta área, operacionalizado através de um conjunto de atividades percecionadas, também elas, como pertinentes e úteis para o alcance dos objetivos. A título de exemplo, estes dados são reforçados pelas perceções dos parceiros e técnicos relativamente ao contributo muito positivo do trabalho desenvolvido pelo conselho consultor na intervenção realizada, nomeadamente pela utilidade das sessões de formação e pela mais-valia no conhecimento sobre a rede de apoio à vítima na área de abrangência do projeto, bem como pela avaliação positiva quanto à importância que os agentes educativos atribuem às atividades promovidas pela Sopro para a sensibilização e consciencialização dos agentes educativos e das crianças/jovens para o tema. As informações recolhidas junto dos jovens reforçam igualmente a relevância do projeto, não só pelos conhecimentos específicos adquiridos, mas também por consideraram o jogo pedagógico com grande utilidade para abordar o tema (70,3% avaliam como muito útil).

P Á G . # 5 2


Perceção dos atores quanto à importância e contributo do projeto Chega nas diferentes atividades (valores para "muito importante”

Respostas curtas a questões complexas

A intervenção da Sopro apresenta relevância para a temática da igualdade de género e violência de género? Sim! Como foi possível verificar pelas perceções recolhidas, existe consonância na avaliação realizada por todos os intervenientes relativamente à importância da intervenção da Sopro para a temática em questão, no território onde opera (percentagens acima de 60%). Com efeito, a intervenção da Sopro é percecionada como importante para a comunidade, na medida em que contribui em grande medida para sensibilização e consciencialização para igualdade de género e violência de género e no namoro, abrangendo um leque muito variado de públicos, com particular destaque para as atividades desenvolvidas nas escolas e nas de infância e juventude

P Á G . # 5 3


Qual a importância do projeto Chega para a temática e para a comunidade? De grande importância! O facto de se tratar de um projeto com um carácter multidimensional reforça ainda mais esta ideia, na medida em que o seu grau de abrangência foi bastante alargado, contribuindo positivamente para um maior sentido de awareness da comunidade para este tema. Por outro lado, a diversidade de atividades desenvolvidas pelo projeto é igualmente fator diferenciador da intervenção. Desta forma, o projeto constituiu-se como um meio privilegiado de disseminação de informação e de reforço de dinâmicas de colaboração e/ou de criação de novas sinergias, com vista a uma resposta mais eficiente no âmbito da violência de género e de apoio à vítima, sobretudo através da capacitação. De realçar, no entanto, que a adequação do plano de ação do projeto ao contexto e necessidades locais foi avaliado de forma menos positiva (apenas 53,3% concordam totalmente), comparativamente a outras dimensões em análise, o que indica a necessidade de continuar a profundar o trabalho desenvolvido.

Em que medida os objetivos do projeto Chega são relevantes enquanto resposta às necessidades identificadas nesta área? Muito! Os objetivos do projeto foram delineados a partir do cruzamento da experiência adquirida pela Sopro e das necessidades identificadas a nível local, numa ótica de prevenção e acompanhamento de casos, através da oferta de um conjunto de serviços de apoio e intervenção à comunidade local. Assim, os resultados positivos alcançados levam a crer que os objetivos do projeto são muito relevantes na resposta efetiva às necessidades identificadas nesta área. Este é um elemento que é igualmente reforçado pelo consenso entre os diferentes intervenientes quanto à importância de dar continuidade ao projeto, sendo considerado de “enorme pertinência tendo em conta a realidade” e com “um recurso necessário para a comunidade” (parceiro/técnico).

P Á G . # 5 4


2. EFICÁCIA A dimensão de eficácia neste relatório teve em consideração o alcance das metas definidas pelo projeto, medido através do cumprimento do plano de ação estabelecido. A análise dos dados de execução globais permitem concluir que o projeto Chega apresenta um nível muito significativo de eficácia, com uma taxa de execução de 100% em praticamente todas as atividades, com as metas estabelecidas inicialmente a serem cumpridas e nalguns casos inclusivamente superadas, à exceção do número de vítimas que participaram nos grupos de ajuda mútua, do número de escolas em que foi aplicado o jogo pedagógico, e do número de participantes no seminário final, que ficaram abaixo do esperado. Análise comparativa entre metas estabelecidas e resultados alcançados Atividade

Conselho Consultor

Ações de Sensibilização a agentes educativos

Instrumento de prevenção/ intervenção sobre a violência no namoro

Meta

Resultados Alcançados

Número de entidades parceiras do concelho integradas no Conselho Consultor

6

10

Número de reuniões realizadas

10

10

Número de workshop especializado área da igualdade e violência de género com um convidado externo

1

1

Instrumentos de articulação/ informação sobre vítimas

1

1

Nº de casos acompanhados pelo Conselho Consultor

10

14

Nº de sessões de sensibilização realizadas

14

20

Nº de agentes educativos partipantes

360

473

Nº de impressões do jogo/kit

200

250

Nº de escolas em que o jogo pedagógico foi aplicado

30

25

Nº de alunos que utilizaram o jogo

2.500

2.800

Aplicação de instrumentos de avaliação (pré-teste/pós-teste) aos alunos

2

sem informação

Indicador

P Á G . # 5 5


Atividade

Indicador

Meta

Resultados Alcançados 95

Gabinete de Apoio à Vítima de Violência doméstica

(1º atendimento)

Nº de vítimas de doméstica/ familiares apoiados diretamente a nível de aconselhamento e apoio psicológico, social e jurídico

60

492

(atendimentos)

155

(encaminhados)

Grupo de Ajuda Mútua

Atividades/ workshops sobre igualdade de género e violência de género

Seminário Final

Nº de vítimas abrangidas pelos GAM

15

14

Nº de GAM dinamizados

2

2

Nº de sessões realizadas

8

16

sem informação

50

1.200

2.201

1

1

150

132

Nº de atividades/workshops realizados no âmbito da igualdade de género e violência de género Nº de jovens/alunos abrangidos pelas sessões de informação/ formação Nº de seminários realizados Nº de participantes no seminário

Desta forma, pode-se afirmar que o plano de ação foi cumprido com sucesso, com um nível de execução positivo e eficaz face aos objetivos e metas traçados. Com efeito, o projeto Chega apresenta resultados bastante positivos, desde logo pelo número elevado de pessoas abrangidas, pelo número de entidades envolvidas, pelo elevado número de sessões dinamizadas, pelos instrumentos criados que permitem pensar na continuidade de algumas das ações, pelo leque alargado de grupos-alvo com os quais teve intervenção, entre outros fatores. Assim, as elevadas taxas de eficácia alcançadas pelo projeto poderão dever-se precisamente ao fator da multidimensionalidade transversal a todo o projeto, bem como à sua capacidade de adequação às especificidades do contexto e dos públicos-alvo de cada uma das atividades, manifesta na implementação de estratégias diversificadas e diferenciadas. Estes resultados devem-se ainda ao facto dos objetivos e metas serem, na sua maioria, definidos com base no que é realizado e menos nas mudanças mais estruturantes e impactos que se pretendem alcançar.

P Á G . # 5 6


É também de destacar o facto de terem sido realizadas mais atividades do que as previstas, o que resultou numa maior divulgação e abrangência do projeto, como é o caso, por exemplo, da participação e presença nos media (programas de rádio, artigos de opinião e publicação mensal num jornal local, entre outras), apresentação do projeto em encontro internacional, presença e participação em reuniões da comissão alargadas de CPCJ, entre outras. Atividades desenvolvidas pelo projeto, não previstas em candidatura Participação em dois programas de rádio (Rádio Barcelos e Rádio Voz do Neiva) Dinamização de Redes Sociais (Facebook, Instagram, site do projeto) Participação na Concentração contra a Violência Doméstica, organizada pela UMAR Porto, na cidade de Braga Júri no concurso fotográfico “Na ótica da Igualdade”, organizado pela Associação Conviver e pelo CLDS, no âmbito do Plano Municipal para a Igualdade de Género do Município de Vila Verde Apresentação do Projeto CHEGA no Encontro Internacional relacionado com a temática da Igualdade de Género promovido pelo Município de Santa Comba - Galicia - Espanha entre os dias 09 e 12 de maio, no âmbito do projeto “Gender equality makes a better Europe”, desenvolvido, entre outros, pelo Município de Barcelos Publicação mensal no jornal “O Vilaverdense” desde junho 2017 a novembro de 2018 Artigo de Opinião sobre a Violência no Namoro na Revista Ter – Escola Profissional Amar Terra Verde Membro participativo nas reuniões do Conselho Consultivo do Projeto SER promovido pela associação GASC (projeto co-financiado pelo POISE, Portugal 2020 e União Europeia, através do Fundo Social Europeu – FSE) Participação nas reuniões da Comissão Alargada da CPCJ de Vila Verde e de Barcelos Participação na Semana para a Igualdade e Não Discriminação promovida pelo Município de Barcelos (através do desenvolvimento de várias atividades)

Respostas curtas a questões complexas

O plano de ação do projeto foi plenamente cumprido? Na totalidade! Não obstante a necessidade de alguns reajustes, próprios de qualquer processo de implementação, o plano de ação foi completamente cumprido, com resultados muito positivos, traduzido numa taxa de execução de 100% face às metas estabelecidas para cada atividade. Acresce o facto de terem sido P Á G . # 5 7


realizadas mais atividades do que as que estavam previstas, o que reforça o potencial de impacto do projeto. Ainda assim, importa salientar a existência de menor consenso entre técnicos quanto à adequação do plano de ação ao contexto e necessidades locais, o que poderá dever-se a especificidades do território que deverão ser tidas em conta na construção de planos futuros, apostando na robustez do plano, partindo do contributo e envolvimento de todos os parceiros em todas as fases do processo.

De que forma os objetivos do projeto Chega foram alcançados através da concretização das atividades previstas em candidatura? De forma integral. As atividades constituíram efetivamente o meio adequado para a concretização dos objetivos definidos. A este nível, a taxa de execução é inequívoca quanto à importância das atividades realizadas para o alcance dos objetivos definidos, quer seja ao nível da sensibilização e prevenção junto de jovens e adultos; da intervenção junto de vítimas de violência doméstica; e do envolvimento de parceiros estratégicos na implementação de estratégias promotoras da igualdade de género e o combate à violência de género. Uma leitura mais aprofundada permite ainda aferir que o projeto Chega, através da implementação das suas atividades, não só se constitui como uma mais-valia face aos objetivos definidos, como se revela como potenciador de mudanças efetivas, sobretudo ao nível das mudanças de perceção.

3. EFIC IÊNC IA A dimensão da eficiência foi avaliada mediante a ação desenvolvida no âmbito da atividade do Conselho Consultor, no que diz respeito à promoção de respostas nas situações de violência de género. A criação do Conselho Consultor, definido como uma das atividades estratégicas do projeto, apresenta resultados muito positivos, contribuindo em grande medida para o objetivo do projeto de envolver entidades públicas e privadas na implementação de estratégias promotoras da igualdade de género e de combate à violência de género, na medida em que permite pensar numa intervenção mais integrada. P Á G . # 5 8


De acordo com informação recolhida junto da equipa promotora do projeto, a estratégia de estratégia de atuação teve por base a análise de temas relevantes no âmbito da Violência de Género, como meio de capacitação do grupo, e ainda a reflexão/partilha de boas práticas de intervenção entre os parceiros. Assim, e embora não existam dados objetivos para o afirmar, o envolvimento de entidades locais com papel relevante possibilitou a otimização de conhecimentos e experiências de intervenção por parte de todos os envolvidos e a rentabilização de recursos, o que poderá ser traduzido numa maior eficiência. Neste sentido, importa destacar que 73% dos parceiros/técnicos consideram que as competências da equipa técnica e dos parceiros respondem completamente às exigências do projeto, dando, assim, mais garantias da capacidade de responder de forma eficiente às necessidades. Por outro lado, a construção de um instrumento de articulação reforça o potencial de trabalho futuro em articulação, materializado numa ficha de acompanhamento comum dos casos acompanhados, com informações relevantes sobre a situação, análise do risco e medidas já efetuadas por cada uma das entidades. Os resultados positivos neste âmbito suportam-se desde logo pelo número de entidades integradas no Conselho, acima da meta estabelecida, e pelas perceções positivas de parceiros e técnicos quanto à mais-valia do trabalho desenvolvido pelo Conselho Consultor na intervenção realizada, nomeadamente no que concerne à promoção de uma resposta mais eficiente no âmbito da violência de género através da articulação entre entidades (67% - concordam totalmente) e da capacitação dos técnicos representantes das entidades parceiras (80% - concordam totalmente). O cruzamento e articulação entre parceiros permitiu melhorar o conhecimento acerca da rede de apoio à vítima (87% - concordam totalmente), o que é considerado pelos atores como outra mais-valia do Conselho. No que se refere às sessões de formação dirigidas a técnicos, estas são consideradas fundamentais para que as equipas sejam capazes de intervir adequadamente nesta área. De salientar que 87% considera que estas sessões foram úteis e permitiram um conhecimento mais aprofundado sobre o tema, originando como consequência natural respostas mais eficientes.

P Á G . # 5 9


Estes dados permitem concluir acerca da importância do Conselho Consultor enquanto meio privilegiado de envolvimento e participação efetivo das entidades parcerias ao longo de todo o processo, viabilizando a possibilidade de operacionalizar respostas mais efetivas e eficientes tendo em conta as necessidades locais.

Respostas curtas a questões complexas O Conselho Consultor contribuiu para a promoção de uma resposta mais eficiente à questão da violência de género? As perceções recolhidas indicam que sim! A informação recolhida junto de parceiros e técnicos permite afirmar que o Conselho Consultor desenvolveu ações muito relevantes com vista a uma resposta eficiente no âmbito da violência de género de apoio à vítima, em particular através da capacitação dos técnicos (80% concordam totalmente). Parece consensual a perceção de que este conselho se constituiu como uma mais-valia em termos da formação e de um conhecimento mais aprofundado acerca da problemática, mas também do reforço e/ou criação de sinergias entre as várias entidades e de um maior conhecimento sobre a rede de apoio à vítima, possibilitando a reflexão e a partilha sobre formas de atuação e sobre instrumentos e mecanismos utilizados e a criar.

4. IMPACTO Não tendo sido implementada uma avaliação de impacto do projeto CHEGA, não é possível falar de impactos reais resultantes da implementação do projeto, mas sim de impactos potenciais, tendo como base de análise a mudança de perceção dos diferentes intervenientes sobre a temática da igualdade de género e violência de género, e a perceção das vítimas sobre a sua autonomização ou mudança da sua situação. Entre os potenciais impactos identificados, destaca-se o processo de formação e capacitação com um papel muito relevante no aumento de um conhecimento

P Á G . # 6 0


específico sobre esta temática e das formas de intervenção mais adequadas nas situações de violência. Com efeito, de acordo com as perceções recolhidas, as sessões realizadas traduziram-se numa mais-valia em termos da aquisição ou ampliação de conhecimento em todos os grupos-alvo, sensibilizando e clarificando sobre a problemática, bem como dando consciência acerca da forma como agir e intervir em situações de violência. Tomando como exemplo as sessões desenvolvidas com os jovens nas escolas, este dado torna-se evidente. Como é possível verificar, é significativo o número de jovens que reconhece que não tinha conhecimento prévio acerca de aspetos específicos, como sejam a identificação dos elementos que caraterizam um relacionamento de violência no namoro e de como agir no caso de conhecer alguém que é vítima ou se tu próprio/a fores vítima de violência no namoro, o que reforça o potencial impacto das sessões, em particular com a utilização de recursos pedagógicos como é o caso do kit educativo.

Conhecimentos prévios às sessões com o kit educativo (%)

Identificação de um relacionamento de violência no namoro

50

Formas de atuação em casos de violência

61

Não sabia

As perceções recolhidas junto dos agentes educativos vão na mesma direção, tendo contribuído para a aquisição de conhecimento específico para a identificação de casos de violência e sobre formas de atuação e de encaminhamento.

P Á G . # 6 1


Conhecimentos adquiridos nas sessões com agentes educativos (%)

62

Identificação de casos de violência no namoro e maus tratos

Formas de atuação, encaminhamento e as respostas existentes

61

Concordo Totalmente

De uma forma geral, apesar de satisfeitos com as sessões, é manifesto por todos os intervenientes o facto de serem necessárias mais sessões e mais tempo para abordar esta temática, o que leva a pensar na importância de estruturar um plano de formação ainda mais robusto e com maior perspetiva de continuidade. No que diz respeito à intervenção realizada junto de sobreviventes de situações de violência, verifica-se um nível elevado de satisfação com as sessões dinamizadas, em particular com as sessões dos Grupos de Ajuda Mútua (85% muito satisfeitos), talvez pela possibilidade de encontro e de partilha com outras pessoas que passaram por situações semelhantes, o que as sessões em gabinete não proporcionam, evidenciando o poder catalisador de mudança de um processo de grupo.

Grau de satisfação com sessões

15%

85%

Satisfeito

Muito Satisfeito

P Á G . # 6 2


Neste sentido, quer os grupos de ajuda, quer o gabinete de apoio à vítima, assumem um papel importante, com potencial de impacto na vida destas pessoas, no que diz respeito a ganhos positivos ao nível de competências pessoais fundamentais para lidar com as situações (de auto-estima, auto-confiança) e ao nível da compreensão das consequências da violência, do impacto da vitimação, contribuindo para um maior sentimento de emporwerment destas pessoas, manifesto pelo testemunho de um/a participante "Gostei muito de todas as explicações. Esta experiência foi muito boa, sem ela não teria conseguido." Temas abordados nas sessões dos grupos de ajuda mútua Crenças e estereótipos sociais

62%

Violência e suas consequências

8%

Impacto da vitimação

31%

69%

23%

69%

23%

Empowerment

77% 54%

Competências pessoais e sociais

0% Nada aprofundado

38%

Pouco aprofundado

25%

50%

Algo aprofundado

46%

75%

100%

Muito aprofundado

Os ganhos são igualmente referidos na aquisição de conhecimentos sobre a problemática em si e um maior entendimento sobre a sua própria situação, sendo de salientar a necessidade de dar maior ênfase ao fornecimento de informações acerca dos processos legais e dos direitos, no caso da existência de processo criminal, área onde as vítimas consideram que as sessões tiveram um menor contributo. Destaca-se, ainda, a percentagem significativa de vítimas que considera que está melhor preparada para lidar com a experiência de violência doméstica e que vai aplicar o plano de segurança pessoal e medidas de proteção e/ou efetuará uma queixa crime no âmbito da violência doméstica. Desta forma, não obstante o projeto apresentar uma taxa de eficácia elevada, o que pode ser indicativo da sua contribuição para mudanças efetivas, seria importante ter em conta a realização de uma avaliação de impacto no futuro, uma vez que para além de permitir inferir sobre a contribuição do projeto nas mudanças observadas pelos P Á G . # 6 3


diferentes intervenientes, permite simultaneamente avaliar a sustentabilidade das mesmas, o que poderá representar um importante insight tendo em conta a continuidade da intervenção.

Respostas curtas a questões complexas Em que medida o projeto Chega mudou a perceção dos públicos-alvo em relação à igualdade de género e violência de género? Em grande medida! As perceções recolhidas permitiram verificar que a intervenção do projeto, em particular as sessões de sensibilização realizadas com os diversos grupos da população (alunos, agentes educativos, parceiros e técnicos) contribuíram para a aquisição de conhecimentos relevantes sobre a temática. A título de exemplo destaca-se o facto de que, de acordo com as perceções dos agentes educativos, as sessões em que participaram terem sido importantes para a aquisição de conhecimentos sobre a igualdade de género e violência no namoro, bem como sobre a identificação e as formas de atuação e de encaminhamentos de casos de violência no namoro e maus tratos (médias ponderadas acima dos 4,5). Por outro lado, a experiência dos jovens nas sessões foi igualmente satisfatória, tendo contribuído para o aumento de conhecimento sobre aspetos específicos sobre o tema, tais como os indicadores que caraterizam um relacionamento de violência no namoro, a forma de agir se alguém conhecido for vítima de violência, consequências emocionais da violência no namoro, entre outros. Estes dados são ainda reforçados pelos 90,3% dos participantes no seminário final que consideraram que a participação nesta atividade lhe permitiu adquirir competências e/ou conhecimentos que serão úteis para a sua atividade profissional e/ou vida pessoal.

O projeto Chega teve impacto sobre a problemática da violência doméstica nas pessoas e comunidade? Sim, mas com margem de melhoria! As perceções recolhidas junto de parceiros e técnicos são muito positivas quanto ao contributo do projeto para uma resposta mais eficaz e eficiente ao problema da violência de género (73,3% avaliaram com o nível P Á G . # 6 4


mais alto), bem como ao seu impacto nas dinâmicas relacionadas com a problemática da violência doméstica (média ponderada de 4,9). Assim, destacam-se como mais-valia do projeto a sensibilização e capacitação da comunidade, o desenvolvimento de recursos técnicos e pedagógicos que favorecem a dinâmica do projeto, e a troca e partilha de informação e conhecimento especializado. Contudo, a adequação do plano de ação do projeto ao contexto e às necessidades locais é avaliada por estes atores de forma menos consonante, o que indica que existe ainda espaço para melhorias e aprofundamento da intervenção neste âmbito.

Em que medida o projeto Chega contribuiu para a autonomização ou mudança da situação das vítimas acompanhadas pelo gabinete de apoio à vítima? Foi um contributo importante! As perceções recolhidas junto de vítimas acompanhados no Gabinete Apoio à Vítima de Violência Doméstica e participantes nos Grupos de Ajuda Mútua levam a crer que o projeto teve efetivamente um contributo importante na autonomização e na mudança da sua situação. Este dado é suportado desde logo pelo facto de a maioria dos sobreviventes concordar positivamente com o contributo das sessões para o aumento de competências pessoais, em particular no que concerne à auto-estima e autoconfiança (85% para ambas no caso das sessões do GAM e 62% nas sessões do Gabinete de Apoio à Vítima), sendo ainda referido o contributo ao nível do seu empowerment (77%). Por outro lado, as perceções são igualmente positivas em relação ao ganho de conhecimentos específicos advindo da participação nas sessões, sendo que a grande maioria considera que está melhor preparada para lidar com a experiência de violência doméstica, o que leva a crer que a implementação do projeto contribuiu para a autonomização destas pessoas na forma de lidar com a situação de violência. Tal como refere uma das sobreviventes “Creio que o trabalho da SOPRO ajuda-nos a sentir que não estamos sozinhas, que em situações de desespero existe um ponto de abrigo algures para nós. Dá confiança e segurança às vítimas”.

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Relatório de Avaliação Final - Projeto CHEGA (Nov 2018) by SOPRO - Solidariedade e Promoção - Issuu