Pr e
vi
ew
ATÉ AMANHÃ… MEU AMOR
Amanhã… Meu amor Luiz Santos edição: Edições Vírgula ® (Chancela Sítio do Livro)
ew
título: Até
autor: Joaquim
Liliana Simões Ângela Espinha paginação: Paulo Resende revisão: capa:
isbn:
vi
1.ª edição Lisboa, julho 2020
978‑989-8986-22-1 469456/20
depósito legal:
© Joaquim Luiz Santos
Pr e
Todos os direitos de propriedade reservados, em conformidade com a legislação vigente. A reprodução, a digitalização ou a divulgação, por qualquer meio, não autorizadas, de partes do conteúdo desta obra ou do seu todo constituem delito penal e estão sujeitas às sanções previstas na Lei. Declinação de Responsabilidade: a titularidade plena dos Direitos Autorais desta obra pertence apenas ao(s) seu(s) autor(es), a quem incumbe exclusivamente toda a responsabilidade pelo seu conteúdo substantivo, textual ou gráfico, não podendo ser imputada, a qualquer título, ao Sítio do Livro, a sua autoria parcial ou total.
publicação e comercialização:
www.sitiodolivro.pt publicar@sitiodolivro.pt (+351) 211 932 500
ATÉ AMANHÃ… MEU AMOR
ew
(poesia)
Pr e
vi
Joaquim Luiz Santos
ew
vi
Pr e
ร Memรณria da Minha Mulher
Pr e
vi
ew
Dulce Maria
ew
vi
Pr e
Prefácio Um amor real.
vi
ew
Poucas histórias de amor a que assistimos fora de um ecrã são capazes de nos enternecer como a história que a Dulce e o Quim viveram. Não foi um amor como nos filmes, sempre perfeito, sempre inalterado. Foi um amor terreno, real, que nos comovia pela intensidade e pela resistência. Na memória, guardo os olhares cúmplices, o companheirismo e a dedicação sem igual que os dois emanavam. Foram melhores amigos, companheiros nas dificuldades, pais dedicados e atentos, seres humanos que não poderiam ter outro par.
Pr e
O destino determinou que ficassem juntos até que a morte os separasse, mas nem assim se apartaram. Este é um amor que vive para lá do terreno ou da fragilidade do corpo. Para lá da saudade. A prova disso é este livro, que presta uma homenagem tão simples ao amor real, sofrido e verdadeiro. Este livro é, ao mesmo tempo, um tributo a um ser humano que partiu cedo demais. A Dulce pode ter levado consigo sonhos e promessas que ficaram por cumprir a dois, a quatro, a seis ou a dez (porque a família tem aumentado), mas não levou
9
ew
a intensidade deste sentimento e a clareza com que se afirma nos dias ora frios, ora quentes, ora felizes, ora sufocantes do seu par, do homem que lhe arrebatou o coração desde sempre. Este é um amor que o tempo não apaga, e que nos deveria inspirar a todos.
Pr e
vi
Carla Rocha (Locutora de rádio)
10
at é a m a n h ã … m e u a m o r
Última madrugada
Pr e
vi
ew
São três da madrugada do dia 15 do mês de Dezembro do ano de 2012. No silêncio da noite, neste quarto de hospital, só estamos Os quatro, meu amor: tu, eu e os nossos filhos. No silêncio da noite, Só se ouve o borbulhar da pressão do oxigénio, Que alimenta essa respiração tão sofrida, tão ofegante, Que nos arrasa a alma e nos destroça o coração, Mas… Que te agarra à vida, que se quer escapar, Devagar… devagarinho…! Estamos alerta, nesta hora de grande sofrimento, Nesta hora que a vida te injustiça, Depois do amor que durante tantos anos tens dado A todos, e quando agora mais alguém Tanto dele precisava. Nesta hora da vida, estamos aqui, meu amor, Tal como te jurei… Até que a morte nos separe… fisicamente.
11
joaquim luiz santos
A morte a chegar
ew
Ela aí estava, como dizia o poema… «Branca e leve… branca e fria». Só que o nosso momento, Era a morte!
vi
Quando forem dez e quarenta da manhã, Vou voltar a sentir o frio a chegar… Um frio mesmo gelado Que senti a começar, A morte a aparecer Nos dedos da tua mão, Trespassou-me o coração.
Pr e
Por muitos anos que viva, Nunca mais irei esquecer, Aquilo que é sentir. Só não consigo entender, Que coragem encontrei, P’ra estar a olhar e a ver, O que estava a acontecer. É algo aterrador!!!
Como é possível vencer a dor E nada poder fazer.
12
at é a m a n h ã … m e u a m o r
Esse último olhar
ew
Não consigo separar esse olhar do meu viver, Esse ténue olhar, que não consigo de forma nenhuma esquecer. Morremos. Tu fisicamente, Eu psicologicamente.
Pr e
vi
Morremos os dois, meu amor.
13
joaquim luiz santos
A importância do teu descanso
Esta é uma delas!
ew
É mais uma noite, a juntar a tantas, Mas há noites piores que outras, Onde a angústia latente, Se faz sentir mais fortemente.
vi
Daquelas em que não damos conta de nós, Daquelas em que nos sentimos dramaticamente sós, Em que constatamos a nossa impotência, Pelo desenrolar da nossa diária vivência.
Pr e
Quero-te dizer, meu amor, que onde quer que estejas, Quero que estejas em paz, farei tudo o que for preciso Para que assim seja, nem que para isso tenha de renegar A existência!
Sexta-feira, 24 de Maio de 2013, 02h37
14
at é a m a n h ã … m e u a m o r
Fio de vida
Pr e
vi
ew
Já não sei escrever, meu amor, Já não consigo dizer-te o que sinto. A dor de ver esse olhar ténue a perder a vida, Estarreceu todo o meu ser. Não sei o que dizer, Não sei o que fazer. Vivi assim, Agarrado a ti, Agarrado à vida, Que se escapou devagar, devagarinho, Entre os meus dedos.
15
joaquim luiz santos
O olhar e o frio
ew
Começou num dia primaveril, Num rasgo fugidio, mas fulminante, De um olhar tão subtil… Tão subtil e tão aveludado, Como de um quente «fogueante», Cheio de vida, Pleno de uma beleza estonteante.
Pr e
vi
Foi o calor desse olhar «enchinezado», Que como sabes, meu amor, Me fez ficar deslumbrado. Um deslumbramento, Um encantamento, Que agarrou a minha vida à tua Vida, cheia de entrega e paixão, De carinho e muito amor… depois… Depois veio o frio!!!
Sábado, 12 de Janeiro de 2013, 00h43
16
at é a m a n h ã … m e u a m o r
Agradecimento
Pr e
vi
ew
Por muitos ou poucos anos que possa viver, Há uma coisa que a Deus tenho de agradecer, Foi ter conhecido a minha mulher.
17
joaquim luiz santos
A falta que me fazes
ew
Faz hoje dois meses que entreabriste os olhos para te despedires de nós.
Pr e
vi
Jamais, enquanto for vivo, vou esquecer esse momento, Que vive comigo todos os dias, todas as noites. Continuo a não entender, Continuo a não perceber, Não sei o que dizer, Não sei o que fazer. Mas há uma coisa que eu sei, Sei a falta que me fazes, Sei que fiquei só no mundo, Sei que apesar de tudo o que me rodeia, Que os filhos e os netos estão ali. Eu não tenho culpa De a minha vida ter estado sempre centrada em ti, E sem ti, nada me diz nada. Habituei-me à tua presença na minha vida, desde menino, Habituei-me a amar-te e a dedicar-me a ti. Por isso, e por muito que me esforce, não consigo Viver sem ti, meu amor. Por muito estranho que possa parecer ao mundo, Eu sou assim, porque sei a falta que me fazes. Sexta-feira, 15 de Fevereiro de 2013, 01h20
18
at é a m a n h ã … m e u a m o r
Madrugada letal
ew
Madrugada que brusca na vida, Violenta, brutal, avassaladora, Na minha mão, o sinal De vida perdida. Sentia-a. Vi-lhe a cara aterradora, Como posse sem retorno.
Pr e
vi
Era a morte a invadir-nos, A morte espiritual, Porque a outra… a outra… Era mesmo letal.
19
joaquim luiz santos
O vazio e o frio
Pr e
vi
ew
É… o vazio e o frio, Continua tudo aqui, A chama da velinha Mantém-te sempre presente, Seja num sonho de desvario, Seja porque te pressinto, mas… O calor que me transmitias já não mais o sinto, Estendo o braço, Procuro-te no espaço que era teu, Mas continuo a não sentir esse calor. Depois… Depois volta a dor… E vem de novo o vazio e o frio, que continuam sempre aqui.
20
at é a m a n h ã … m e u a m o r
A força incontível do amor
ew
Foram muitos os passos, Foi longa a caminhada, E enorme a distância a percorrer, E tudo por te amar, Só me faltou mesmo nadar, Para o rio atravessar.
vi
Depois do calor da sofreguidão dos teus beijos, Vinha o frio da noite calada, Onde me perdia na estrada numa desorientação total, Mas com o coração quente e a esperança sempre crescente, De um amor a aumentar numa força desmedida, Que me dava a força incontida de tudo continuar.
Pr e
E continuei… E ganhei!!!
21