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MEMÓRIA TOPOGRÁFICA E DESCRITIVA DE COIMBRA E SEUS ARREDORES
B elezas de Coimbra seguido de Memória topográfica e descritiva de Coimbra e seus arredores autores: António Moniz Barreto Corte-Real (1804-1888) / Francisco António Rodrigues de Gusmão (1815-1888) recolha dos textos e notas: M ário Araújo Torres imagem de capa: António Moniz Barreto Corte-Real (óleo sobre tela, autor desconhecido / Museu de Angra do Heroísmo) edição gráfica: Edições ex-Libris® (Chancela Sítio do Livro) paginação:
Paulo S. Resende Ângela Espinha
arranjo de capa:
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1.ª edição Lisboa, janeiro, 2020 isbn:
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título:
978‑989-8867-75-9 464055/19
depósito legal:
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© Mário Araújo Torres
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ANTONIO MONIZ BARRETO CORTE-REAL
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MEMÓRIA TOPOGRÁFICA E DESCRITIVA DE COIMBRA E SEUS ARREDORES POR
FRANCISCO ANTÓNIO RODRIGUES DE GUSMÃO
Recolha de textos e notas por Mário Araújo Torres
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NOTA PRÉVIA
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Prosseguindo no propósito de facilitar o acesso a publicações relevantes sobre a história de Coimbra de há muito esgotadas e na sequência da reedição da Conquista, antiguidade e nobreza da mui insigne e ínclita cidade de Coimbra, de António Coelho Gasco (Lisboa, c. 1595 – Maranhão, 1666) 1, e da História breve de Coimbra: sua fundação, armas, colégios, conventos e Universidade, de Bernardo de Brito Botelho (pseudónimo), na reedição anotada por António Francisco Barata (Góis, 1836 – Évora, 1910) 2, reúnem-se no presente volume duas obras de características diferentes, mas complementares: Belezas de Coimbra, de António Moniz Barreto Corte-Real (Angra, 1804 – Angra do Heroísmo, 1888), e, sob o título Memória topográfica e descritiva de Coimbra e seus arredores, a recolha dos artigos da autoria de Francisco António Rodrigues de Gusmão (Tondela, 1815 – Coimbra, 1888) sobre essa temática, dispersos por diversas publicações periódicas, que ele projetara reunir em volume, com a apontada designação, o que não chegou a concretizar. A obra de Gasco, por ele deixada em manuscrito, confiado a um amigo, quando em 1652 partiu para o Maranhão, onde viria a falecer em 1666, foi editada por António Lourenço Caminha em 1805, com 2.ª edição em 1807. Ao reproduzi-la, em formato de folhetim, no jornal O Despertar, Ernesto Donato salientou tratar-se de
1 António Coelho Gasco, Conquista, antiguidade e nobreza da mui insigne e ínclita cidade de Coimbra, seguido de Antiquário discurso (Sobre as antiquidades de Trás-os-Montes), recolha dos textos e notas por Mário Araújo Torres, Lisboa, Edições Ex Libris (Chancela Sítio do Livro), 2019, 190 págs. 2 Bernardo de Brito Botelho, História breve de Coimbra: sua fundação, armas, colégios, conventos e Universidade, reprodução em fac-simile do exemplar da primeira edição (1733) com emendas manuscritas pelo autor e transcrição da segunda edição anotada por António Francisco Barata (1873), recolha dos textos e notas por Mário Araújo Torres, Lisboa, Edições Ex Libris (Chancela Sítio do Livro), 2019, 254 págs.
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obra “muito repetidas vezes citada em publicações que se ocupam de Coimbra desde os tempos de antanho, e (…) hoje muito rara, e desejada nas coleções dos que se ocupam das velharias desta terra”. Apesar do estilo apodado de pouco atraente e da desordenação na arrumação das matérias, todos reconhecem o enorme esforço do seu autor em preservar memórias, que, sem ele, para sempre se perderiam. A História breve de Coimbra, publicada, em 1733, sob o pseudónimo de Bernardo de Brito Botelho, foi “a primeira publicação em ordem cronológica que expressamente se fizera sobre a história de Coimbra”, no dizer de António Francisco Barata, que, em 1873, promoveria a sua reedição, amplamente enriquecida com anotações da sua lavra, corrigindo inexatidões, suprindo falhas e atualizando informações. A obra Belezas de Coimbra, publicada pelo terceirense António Moniz Barreto Corte-Real, em 1831, quando estudante da Universidade, distingue-se pela sua superior qualidade literária. Enquadrada por cartas saudosas à sua “amada Júlia”, propõe-se levar ao meio do Atlântico a descrição da “terra que possui o teu amante” e fazê-la “admirar comigo os prodígios e encantos que a Providência liberalizou (…) à risonha Coimbra, que se está erguendo sobre as margens do Mondego, majestosa como o trono da sabedoria”. Na reedição da sua obra, que, em 1855, iniciou no jornal Liceu, de Angra do Heroísmo, Corte-Real assinalou: “Depois do meu livrinho têm aparecido em vários periódicos literários muitos e excelentes artigos sobre o mesmo assunto. Entre eles distinguem-se superiormente, pela profundidade e vastidão de conhecimentos arqueológicos, os do sr. Francisco António Rodrigues de Gusmão, a quem respeito e admiro, até por ver que, de mil e tantos estudantes que têm ido anualmente seguir os estudos universitários, no período de 25 anos, ele é o primeiro que conheço pela imprensa recreasse o seu espírito com o mesmo objeto e pensamento que tanto deleitou o meu nos saudosos tempos de Coimbra, na flor da minha mocidade.” Tendo, em 1859, Inocêncio Francisco da Silva anunciado (Dicionário Bibliográfico Português, Tomo II, pág. 346) que o seu particular amigo e colaborador Francisco António Rodrigues de Gusmão
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projetava publicar uma obra intitulada Memória topográfica e descritiva de Coimbra e seus arredores, em parte composta por artigos já saídos em publicações periódicas e no resto inédita, propósito que não chegou a concretizar, reputou-se adequado, na segunda parte do presente volume, coligir e reproduzir os artigos de sua autoria surgidos na Revista Universal Lisbonense (entre 1842 e 1851), em O Instituto (entre 1852 e 1858), no Arquivo Pitoresco (em 1862) e no Panorama Fotográfico de Portugal (entre 1869 e 1872), sobre a referida temática. Quanto à obra Belezas de Coimbra, reproduzem-se os Capítulos I a XI tal como foram publicados no jornal Liceu, em 1855-1856, e os restantes na versão original, de 1831. Em ambas as obras, atualizou-se a grafia, deu-se numeração árabe sequencial às notas de rodapé da responsabilidade dos respetivos autores e completaram-se as citações bibliográficas. No final, inserem-se notas sobre a vida e obra dos dois autores. A imagem de capa, de António Moniz Barreto Corte-Real (óleo sobre tela, de autor desconhecido), foi cedida pelo Museu de Angra do Heroísmo (Direção Regional de Cultura / Secretaria Regional da Educação e Cultura / Região Autónoma dos Açores), a quem penhoradamente se agradece. Mário Araújo Torres
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ANTONIO MONIZ BARRETO CORTE-REAL (Óleo sobre tela, autor desconhecido / Museu de Angra do Heroísmo)
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REEDIÇÃO DA VERSÃO DE 1831 (IMPRENSA DA UNIVERSIDADE, COIMBRA) COM AS ALTERAÇÕES INTRODUZIDAS NA REPUBLICAÇÃO EM 1855-1856 NO LICEU – JORNAL DE INSTRUÇÃO PÚBLICA (ANGRA DO HEROÍSMO)
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Si qua meis fuerint, ut erunt, vitiosa libellis, Excusata suo tempore lector habe. Exul eram; requiesque mihi, non fama petita est; Mens intenta suis ne foret usque malis. OvĂdio, Tristes, Livro 4, Elegia I.
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INTRODUÇÃO 1
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Quanto pode de Atenas desejar-se Tudo o soberbo Apolo aqui reserva; Aqui as capelas dá, tecidas de ouro, Do bácaro e do sempre verde louro. Camões, Lusíadas, Canto III, 97.
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Ente mimoso, que tens o império desta alma, consente que o teu doce nome se esconda debaixo do nome de Júlia; deste nome harmonioso e terníssimo, com que os amantes imaginários costumam batizar o objeto de suas vagas paixões. Júlia, ó Júlia, tu não és para mim um sonho, com que engane o pensamento, és uma pura realidade, és mais do que eu, és o universo inteiro. Embora iludam os outros só com teu nome o seu coração, e com suas palavras ambíguas queiram deixar-nos em dúvida se és ou não habitante do país das quimeras; que tu não és para mim uma ilusão, és minha própria existência. Júlia, ó minha Júlia, que estarás tu fazendo a esta hora, em que o astro dos amantes, rompendo as vastas solidões do céu, entorna sobre estes campos uma misteriosa saudade? Talvez, ah! talvez que teus lindos olhos, pregados nesta rainha das noites, ali se encontrem com os meus! Talvez que o teu pensamento agora mesmo se ocupe com as minhas lembranças! Talvez que estejas marcando os graus de infinita distância que me separam de ti! Talvez que estejas pintando na ideia as vastas planícies do Atlântico, as montanhas altíssimas que se metem entre nós, ah! e que estejas contando estes anos, estes compridos anos, que mais parecem séculos, que têm marcado seis vezes com ponteiro de ferro a eternidade da nossa ausência. Júlia, ah! Júlia, tu vives tão longe de mim e nem ao menos conheces a terra que possui o teu amante; nem ao menos formas a mais
1 Na edição de 1831, o título era: “CARTA A JÚLIA / SERVINDO DE INTRODUÇÃO.”
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leve ideia dos objetos com que ele se entretém e com que suaviza a saudade que dilacera sua alma. Mas… não… tu não os ignorarás por muito tempo. Apesar de não poderes sair desse impercetível torrão, que lá jaz semiengolido nas ondas do Atlântico; Júlia, ó minha Júlia, tu vais gozar comigo as delícias deste céu que se estende sobre os campos de Coimbra; vais visitar comigo a cidade de Afonso Henriques: hás de contemplar as raridades de que a natureza e a arte enriqueceram a terra das luzes: hei de levar-te à nossa Academia, a este jardim das ciências, onde a mocidade portuguesa vem colher as flores da sabedoria. Ali verás passeando pelos majestosos Gerais o teólogo, o jurisconsulto, o filósofo, o matemático e o médico. Ali ouvirás as lições dessas verdades sublimes que foram reveladas ao mundo pelo próprio Deus. Ali ouvirás a análise dessas leis eternas que nascem com o homem e de que o autor da Natureza formou o código sagrado que existe em nosso coração: ali verás meditando em silêncio um pequeno número de sábios sobre estas leis, que firmam a paz e terminam a guerra, enquanto a ambição dos homens perversos busca batizá-las em rios de sangue. Ali ouvirás explicar as leis desse povo que foi conquistador e legislador, as quais ainda respiram a grandeza e sabedoria que formaram o carácter dos senhores do mundo. Ali admirarás as leis ditadas por esse legislador sagrado, as quais, sendo prudentemente combinadas com o governo temporal, promovem a paz e a ventura dos povos, mas que têm excitado em todos os séculos tempestades violentas quando mãos ardilosas buscam alargar seus justos limites. Ali verás explicada a ciência que foi criada pelos Euclides e Arquimedes e aperfeiçoada pelos Newtons e Laplaces. A ciência de Hipócrates e Galeno também chamará a tua atenção. Enfim acharás que Deus, a Natureza e o Homem são os objetos em que se emprega uma porção escolhida de sábios, que, dando um adeus à fortuna, cultivam a arte dificílima de esclarecer os homens. Numa palavra, ali acharás explicado o mundo físico e o moral. Hei de levar-te à Biblioteca e correr contigo este universo literário, onde estão por sua ordem os grandes génios do mundo, dizendo
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à posteridade na mudez e no silêncio quais foram suas ideias, quais seus pensamentos. Ali saudarás os Homeros, os Euclides, os Túlios, os Newtons, os Descartes, os Galileus, os Copérnicos e todos esses homens ilustres que luziram como astros de sabedoria entre as nações da Terra. Hei de levar-te ao Jardim Botânico, a esta vasta república de vegetais, disposta e ordenada segundo as leis que lhe deu Lineu, o sábio legislador das aves. Ali saudarás a palmeira da Índia, a roseira do Japão, a magnólia da América e muitas outras plantas, que a natureza lá fez nascer entre os gelos do norte ou nos tostados desertos da África. Enfim hei de mostrar-te todas as máquinas e instrumentos científicos que enriquecem a Universidade. Ah! minha Júlia, é tal a sede que tem o meu coração da tua companhia que milhões de vezes a imaginação faz crer ao meu pensamento que as minhas vozes, chamando por ti, terão o poder mágico de te trazer à minha presença. Ainda há pouco, rompendo o profundo silêncio que reina no meu quarto, por ti bradei uma e muitas vezes; vem, minha Júlia, dizia, vem ter comigo; vem admirar comigo os prodígios e encantos que a Providência liberalizou à nossa Atenas portuguesa, ao nosso Parnaso lusitano, ao nosso templo de Minerva, à risonha Coimbra, que se está erguendo sobre as margens do Mondego, majestosa como o trono da sabedoria. E sentindo depois correr por todo o meu corpo um doce estremecimento, que me elevava o espírito e enchia o coração de deliciosas sensações, prossegui: Ah! és tu que chegas; demos pois princípio à tarefa; visitemos primeiro a cidade e depois o palácio das ciências, o nosso viveiro dos sábios. 2
2 Na edição de 1831, esta INTRODUÇÃO terminava com a seguinte Nota: “A primeira parte desta obra consta da história da cidade de Coimbra e a segunda da história da sua Universidade.” A segunda parte da obra não chegou a ser publicada.
CAPÍTULO I FUNDAÇÃO DE COIMBRA 1
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Do fertil Portugal quasi no centro A vistosa Coimbra está fundada; Pelo cume soberbo de alto monte, E pelas faldas, que ao poente avistão, Vai-se ao longe estendendo, até que chega A beber do Mondego as mansas aguas. Defronte, outra montanha senhoreia A liquida corrente dividida De longa ponte pelos grossos arcos. Apraziveis campinas, ferteis valles, Do crystallino rio retalhados, Em torno a cercão, aos habitantes dando Os mais bellos passeios do Universo.
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Da fronteira montanha, que dominão Dois famosos conventos, se disfruta A linda perspectiva da cidade, ……… Aqui ha muito tempo está fundada A nobre Academia Lusitana. (Poema anónimo [O Reino da Estupidez])
1 Depois do meu livrinho têm aparecido em vários periódicos literários muitos e excelentes artigos sobre o mesmo assunto. Entre eles distinguem-se superiormente, pela profundidade e vastidão de conhecimentos arqueológicos, os do sr. Francisco António Rodrigues de Gusmão, a quem respeito e admiro, até por ver que, de mil e tantos estudantes que têm ido anualmente seguir os estudos universitários, no período de 25 anos, ele é o primeiro que, conheço pela imprensa, recreasse o seu espírito com o mesmo objeto e pensamento que tanto deleitou o meu nos saudosos tempos de Coimbra, na flor da minha mocidade. Por isso irei aqui apontando, nas respetivas notas, os números dos periódicos que contêm os artigos chegados ao meu conhecimento.
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Coimbra, minha Júlia, fundada no centro da Lusitânia, brilha como um diamante encravado na coroa da Europa, que é o nosso Portugal. A origem, porém, do seu nome é hoje um mistério que a escuridão da noite dos séculos não nos deixa decifrar. Em cada autor encontramos uma opinião muito diversa. Mas, qualquer que seja a sua etimologia, o que é certo é que no sítio onde hoje avista o caminhante as ruínas de Condeixa-a-Velha existia antigamente uma cidade a que se referia este nome 2.
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2 «Nos antigos auctores, diz Bluteau no Vocabulário [Padre D. Rafael Bluteau (1638-1734), Vocabulário Português e Latino, áulico, anatómico, arquitetónico, bélico, botânico, brasílico, cómico, crítico, químico, dogmático, dialético, dendrológico, eclesiástico, etimológico, económico, florífero, forense, frutífero, 10 volumes, Coimbra, Colégio das Artes da Companhia de Jesus, 1712-1728], é chamada por muitos nomes, a saber: Conimbrica de Conus, que em latim é pinha; porque o sitio, onde ella está com casas apinhadas, o parece: Collimbricae de collis, oiteiro; porque parte consideravel da cidade é assentada em oiteiros; de collis-imbrium, que significa oiteiro de chuvas, por causa da sua frescura em sitio eminente; ou porque foi fundada pelos povos Colimbricos, que vieram em companhia de outras nações muitos annos antes da vinda de J. C.; Colimbriga ou Lancobriga de Brigo, antigo rei de Hespanha.» Podem ver-se mais sobre esta etimologia: António Coelho Gasco, Antiguidades de Coimbra [António Coelho Gasco (c. 1595-1666), Conquista, antiguidade e nobreza da mui insigne e ínclita cidade de Coimbra, Impressão Régia, Lisboa, 1805 e 1807]. Bernardo de Brito Botelho, História Breve de Coimbra [Bernardo de Brito Botelho (pseudónimo), História Breve de Coimbra: sua fundação, armas, igrejas, colégios, conventos e universidade, Lisboa, Oficina Ferreiriana, 1733 / 2.ª edição, anotada por António Francisco Barata, Imprensa Nacional, 1873]. Pedro de Mariz, Diálogos de Vária História [Pedro de Mariz (c. 1550-1615), Diálogos de vária história em que sumariamente se referem muitas coisas antigas de Espanha e todas as mais notáveis que em Portugal aconteceram em suas gloriosas conquistas antes e depois de ser levantado a Dignidade Real, e outras muitas de outros reinos dignas de memória, Coimbra, Oficina de António de Mariz, 1594]. Duarte Nunes de Leão, Descrição de Portugal [Duarte Nunes de Leão (15301608), Descrição do Reino de Portugal, Lisboa, Jorge Rodrigues, 1610]. Luís Cardoso, Dicionário Geográfico. [Padre Luís Cardoso (?-1762), Dicionário Geográfico, ou notícia histórica de todas as cidades, vilas, lugares e aldeias, rios, ribeiras e serras dos Reinos de Portugal e Algarve, com todas as coisas raras