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Planuras

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Planuras

Poesia

Maria José de Brito Franco

Planuras Poesia

Maria José de Brito Franco

FICHA TÉCNICA

título: Planuras

autora: Maria José de Brito Franco

edição: edições Vírgula ® (Chancela Sítio do Livro)

grafismo de capa: Ângela Espinha

paginação: Alda Teixeira

1.ª Edição Lisboa, março, 2026

isbn: 978-989-9284-12-8

depósito legal: 559957/26

© Maria José de Brito Franco

Todos os direitos de propriedade reservados, em conformidade com a legislação vigente. A reprodução, a digitalização ou a divulgação, por qualquer meio, não autorizadas, de partes do conteúdo desta obra ou do seu todo constituem delito penal e estão sujeitas às sanções previstas na Lei.

Declinação de Responsabilidade: a titularidade plena dos Direitos Autorais desta obra pertence apenas ao(s) seu(s) autor(es), a quem incumbe exclusivamente toda a responsabilidade pelo seu conteúdo substantivo, textual ou gráfico, não podendo ser imputada, a qualquer título, ao Sítio do Livro, a sua autoria parcial ou total. Assim mesmo, quaisquer afirmações, declarações, conjeturas, relatos, eventuais inexatidões, conotações, interpretações, associações ou implicações constantes ou inerentes àquele conteúdo ou dele decorrentes são da exclusiva responsabilidade do(s) seu(s) autor(es).

A autora não escreve segundo o Acordo Ortográfico de 1990.

publicação e comercialização: www.sitiodolivro.pt publicar@sitiodolivro.pt (+351) 211 932 500

Não podia deixar de dedicar este livro às pessoas mais importantes da minha vida: Meus pais:

António Ferreira e Olinda Fernandes Gomes Ferreira

Meu marido: João de Assunção de Brito Franco

Meus filhos:

João Lourenço, Maria Beatriz, Maria Lúcia, Maria Cecília e Maria Carolina

Meus netos:

Sara Letícia, Sofia Laura, Victoria Natalie, João Peter, Francisco Lourenço, António Maria, Joaquim e Benjamim.

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NOTA INTRODUTÓRIA

Porquê um livro de poesia agora aos 83 anos?! Tenho feito essa pergunta a mim mesma muitas vezes; não tenho uma resposta, mas vou teimar em publicá-lo. Em 2011 publiquei SENHOR VENTO, POR FAVOR, dedicado aos nossos 40 anos de casados. Este será dedicado aos nossos 55 anos de casados, que faremos este ano, lá para o Verão. E é uma sincera homenagem ao homem que me proporcionou ser mãe dos meus queridos 5 filhos, meu maior desejo nesta vida.

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Resumindo a nota introdutória do Senhor Vento, que era muito mais completa: nunca deixei de escrever e hoje vejo as gavetas cheias de pequenos papéis que decidi passar a limpo. É tudo isso que vos deixo.

Os primeiros poemas que publiquei foi em Luanda, no Jornal A Província de Angola, na página literária, aos Domingos, entre 1966 e 1967. Era nessa altura Chefe de Redacção o jornalista Jaime de Figueiredo, de quem guardo a lembrança de uma pessoa muito afável e culta.

Publiquei ainda no Templário, de Tomar e no Jornal A Comarca de Arganil.

Em 2021 publiquei Cem Cartas Para Mariana, baseado numa história verdadeira, e de cujas cartas serei guardiã até ao fim dos meus dias.

1.º Prémio de Poesia dos Jogos Florais da Escola Comercial Ferreira Borges, Lisboa, 1961.

3.º Prémio de Poesia no Concurso Linhas de Poesia, da Carris, Lisboa, 2003.

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NOTÍCIAS

É dos jornais

Dizerem sempre “de fonte fidedigna”

As notícias mais díspares

E inverosímeis.

Numa banca, ainda hoje

Três vespertinos traziam

Nas suas primeiras páginas

A mesma notícia

Comentada em cada um

De maneira tão diferente

Que resolvi não acreditar

Em nenhum deles.

“Dez mortos”, “Três”

“2, apenas”.

“Depois de tratada

A ligeiros ferimentos

Recolheu a casa

A senhora fulana de tal”

A senhora era eu

Estava internada

E continuava mal.

E há ainda os anúncios

Aqueles habituais:

“criada – precisa-se” “carpinteiro”

“Bela casa com jardim”

“Tudo por pouco dinheiro, só aqui”

Aparecem uns mais que comerciais,

Esquisitos, ambíguos e que não sabemos ao certo

P’ ra o que são

Mas servem p’ra fazer a confusão.

Há também uns que põem logo

As pessoas ricas e bonitas:

“Você entra e sai daqui encantadora,

Venha minha senhora!”

“Quer casar? Não hesite, responda

A este anúncio e envie três escudos

Em sêlos de correio

Receberá uma lista com nomes

E moradas de pessoas

Que também querem casar”

“Quer ganhar muito dinheiro?

Envie-nos hoje mesmo vinte escudos

E remeter-lhe-emos sem demora

Um catálogo com cem maneiras

Diferentes de enriquecer já agora”.

E assim, sucessivamente!...

É dos jornais

É isto e muito mais

O que ficamos a saber

Quando lemos um jornal.

Até quando esta ingenuidade?

Por onde é que anda a dignidade?

O dinheiro valerá tudo isto?

É por isso que quando compro o jornal

Metade vai logo para o lixo.

1971

Poema inspirado num acidente de autocarro que sofri nas vésperas de Natal, grávida de 3 meses do meu filho.

TARDE FRIA

A tarde estava fria

Mas que bem que me sabia

No rosto

O frio daquela tarde fria

Que bom sentir a minha mão gelada

Porque só viva eu a sentia.

Não foi ainda hoje

Que eu escrevi um poema

Feito de amargura.

Saí com uma imensa alegria

E vim encher a rua.

LADO A LADO

Cozem as duas, lado a lado

Fazem renda, matam tempo

Que não morre por si só.

Vivem sós num casarão

Que cheira a mofo e a tristeza

São a menina e a criada

A menina que o tempo envelheceu

E a criada que parece

Não ter passado pelo tempo.

Foram-se os senhores

Os meninos

E os filhos dos meninos

Estão p’ra longe

Só cá vêm de visita.

A menina ficou só

Era doente e a vida rejeitou-a

Por isso ficaram a menina e a criada

Mais que criada, uma amiga

Mais do que amiga, uma mãe.

Quem foi que disse

Que o seu ventre a não pariu?

Quem gerou tamanho amor

Que não é fruto da carne?

ABALAR

Deixarei o meu país

A porcos e gulosos

Ambos lambendo os beiços

Num desafio medonho.

Vou ter com meus irmãos

Que há muito que abalaram

E repartir com eles o meu sonho.

INVERNO NA CIDADE

Amanhã vão-me libertar

Por umas horas, é certo

Mas prometeram

Que me libertariam.

Quero ser dos primeiros

A tomar o cheiro à Primavera

Mas a Primavera virá amanhã

Como eu espero?!

E se eu pedi para me libertarem

E não chega a Primavera?

Como vou poder

Ficar à espera?

É preciso que se faça alguma coisa

Para que ela chegue sem demora

Tem sido triste e feio

E longo o Inverno

E eu tenho saudades

De pássaros e de flores

E de campos verdes

Para me deitar a olhar o céu

Um tempo sem nada acontecer

Se não olhar o céu

E respirar ar puro

E remexer no chão

E apanhar troncos e ervas

E flores selvagens

E chamar-lhes minhas.

Estou cansada deste Inverno

Na cidade!

AS DORES DO MUNDO

São as dores que me trespassam

São mil ideias que passam

São milhões de homens que assam Presos no espeto do mundo.

É a vingança de quem

Sabe de cor as prisões

E tem na carne e no sangue

Bocas que falam tortura.

Memórias de solidão

Rostos de pedra bem dura

Homens que murmuram ódio

E cuja força destrói

Homens que perderam cedo

O gosto à palavra amor.

Se conseguires sorrir

Depois das cinco e meia

Ao deixares para trás

A mesa do escritório

Dou-te um prémio

Pela coragem com que

Conseguiste aguentar

Mais um dia

De trabalhos forçados.

NÃO SEI

Não sei quem mais me marcou

Se a menina que não fui

Se a mulher qu’inda não sou

E as paredes do meu quarto

Soltam ecos do meu grito

Reconheço a minha voz

Mas quando foi que gritei?!

Há muito tempo, talvez,

Já nem eu sei!

Que é feito dos mitos do meu tempo?

Dos mitos que viviam do unguento

Com que a lei os protegia?

MADEIXA DE CABELOS

Irrequieta como o vento

Sozinha e triste

Por não ter ninguém

Parti, rumo ao firmamento

Numa viagem sem fim

Pelo além.

Levei uma madeixa de cabelos

E na retina, presos, Uns olhos negros, belos.

A MINHA SOMBRA

Depressa se dissimulou

A minha sombra fugidia

Por entre nuvens azuis

Se foi escondendo

Silenciosa

Cúmplice desta agonia

Em que me vê morrendo.

Abandonou meu corpo

E agora é ele que procura

Um novo encontro.

Da sombra, porém

Já nem o rasto.

Vi-lhe ontem o último cabelo

Esconder-se atrás da lua.

Gostou deste excerto do livro?

Pode comprá-lo, clicando aqui: https://www.sitiodolivro.pt/Planuras

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