PRAZER


FILOSOFIA DE EQUITAÇÃO
EQUITAÇÃO DE PRAZER
Henrique Salles da Fonseca
FICHA TÉCNICA
título: Filosofia de Equitação
autor: Henrique Salles da Fonseca
edição: edições Ex-Libris ® (Chancela Sítio do Livro)
grafismo de capa: Ângela Espinha
paginação: Alda Teixeira
1.ª Edição
Lisboa, fevereiro 2026
isbn: 978-989-9198-42-5
depósito legal: 559642/26
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© Henrique Salles da Fonseca
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INTRODUÇÃO
O cavalo tem tanto direito à felicidade como qualquer um de nós . Não tem que viver em sacrifício só porque não é humano . A diferença entre uma vida de sacrifício e a felicidade depende quase exclusivamente de nós, os humanos que com ele lidamos . No relacionamento com os cavalos, não temos motivos que logicamente justifiquem a sublimação de complexos de autoridade e inerente brutalidade.
Se não é com violência que afirmamos a nossa autoridade na vida corrente entre os humanos, por maioria de razão esse princípio se aplica no relacionamento com outros seres fisicamente muito mais possantes que nós . Seja dócil com o seu cavalo e terá tudo o que ele lhe poderá oferecer; humanize-o e não se bestialize Você.
É lastimavelmente frequente assistir à chegada de uma pessoa junto de um cavalo e começar logo com um berro, uma palmada ou até mesmo uma chibatada ou um pontapé. Se perguntarmos a esse «animal que se desloca sobre dois pés» qual a razão de tal atitude, logo responderá que «é para Preview
ele saber quem manda aqui». Mentira. Não é nada disso. Trata-se apenas de medo. Sublima o medo com a agressão. Essa pessoa deve imediatamente mudar de profissão e assim ser impedida de continuar com tal tipo de atitudes agressivas . O problema está em que frequentemente se trata de pessoas boçais, sem qualidades intelectuais que lhes permitam ganhar a vida que não a «tratar de gado» . E como este escrito é dirigido a cavaleiros e não a palafreneiros, desde já sugiro a quem me lê que se verificar esse tipo de atitudes por parte do tratador do seu cavalo, cuide de mudar de tal «ajudante» que só lhe trará problemas e nunca soluções.
Fique entretanto a saber que se a confiança do cavalo se conquista com relativa facilidade, nada mais rápido do que a velocidade com que ela se perde . Por isso me apresso a dizer: nunca desmereça da confiança que o seu cavalo em si deposita; a recuperação da confiança do cavalo numa certa pessoa é muito mais difícil do que num estranho pois este tem crédito e o anterior desacreditou-se .
E se o cavalo puder confiar nos humanos que com ele lidam, então revela toda a pujança que dele esperamos, uma lealdade infinita, um enorme gosto pela vida, uma fonte inesgotável de prazer para o cavaleiro . Preview
PORQUÊ MONTAR A CAVALO?
Se o seu objectivo é soltar a adrenalina que tem dentro de si, sugiro-lhe que escolha outro desporto nomeadamente o paraquedismo mas se pretende sentir muito vento nas orelhas, sugiro-lhe o motociclismo . Se pretende mostrar a si próprio que é valente, sugiro-lhe que se integre num grupo de forcados mas se pretende exercitar a força, proponho-lhe o halterofilismo. Há muitos desportos à escolha para quem pretenda essas sensações mas montar a cavalo não tem nada a ver com isso .
Montar a cavalo é sobretudo um exercício de harmonia entre dois seres – o homem e o cavalo – que se entendem por sinais de tal modo indeléveis que de fora parece que nada acontece e que tudo é fácil .
O cavalo agradece os seus gestos brandos mas aprecia a sua determinação e não gosta das suas hesitações; está pronto a fazer a sua vontade se Você se impuser com gentileza mas reagirá mal contra a sua arrogância; responderá suavemente à sua subtileza e violentamente à sua brutalidade.
Montar a cavalo não é um exercício de dominação da vontade alheia mas sim um convite à colaboração e quando isso se obtém, Você vai poder desfrutar dessa maravilha que
é montar num dorso descontraído e possante como se navegasse nas nuvens…
E quando, munido de esporas e chibata, estiver montado a cavalo, não se esqueça do velho ditado que reza «se queres ver o vilão, põe-lhe o chicote na mão» .
É que, afinal, montar a cavalo é um acto de cultura pois só as pessoas educadas e cultas reúnem a subtileza necessária a uma boa monte.
RESUMO
Montar a cavalo é:
• Um exercício de harmonia
• Um convite à colaboração
• Um acto de cultura
CAPÍTULO I
O PRAZER DA EQUITAÇÃO
JÁ ESTÁ ESCARRANCHADO?
Então agora não se esqueça de que as esporas são um elemento decorativo da bota do cavaleiro e servem para não serem usadas enquanto que a chibata ou instrumento equivalente – «cravache», «stick», etc . – que Você tem na mão, serve apenas para tocar ao de leve na garupa indicando e sentido da deslocação pretendida. Sugiro-lhe que se abstenha de usos maléficos e de contundência destes adereços se por acaso se quiser manter em cima do cavalo com o objectivo do prazer que o fez escarranchar-se lá em cima. Mas como esses outros usos correspondem a problemas do foro psiquiátrico, abstenho-me de me preocupar com eles por inaplicáveis a quem me lê .
E a agora esqueça aquelas coisas que lhe disseram no passado do género de «pernas, pernas», «calcanhar para baixo»,
«rins para dentro», «bico do pé para fora», «pesar nos estribos», «agarrar-se com os joelhos»…
É evidente que não lhe vou recomendar que actue diametralmente em relação àquelas ordens pondo o calcanhar para cima, amarrecando-se ou pondo o bico do pé para dentro . Apenas lhe sugiro que não se preocupe com aquelas «coisas» e que se mantenha direito no selim, se descontraia e se esqueça da existência das suas pernas . Não calce excessivamente os estribos para os poder descalçar a qualquer momento; nunca os deixe passar para trás da parte mais larga do calçado, seja ele bota, botim ou mesmo um simples sapato .
E agora é a vez de contar uma história…
«Pernas, pernas», «calcanhar para baixo» e «bico do pé para fora»
Era uma vez uma senhora dinamarquesa que era paraplégica chamada Liz Hartel e que em 1952 ganhou uma medalha de prata olímpica em “Ensino” (a que hoje se chama «dressage») sendo içada e apeada do seu famoso cavalo “Jubilee” por uma mini-grua .

Liz Hartel (medalha de prata) dá a volta de honra no final dos Jogos Olímpicos de 1952 acompanhada pelo Cor. Henri Saint Cyr (medalha de bronze)
Fim da história
Então, se ela não usava as pernas e muito menos as esporas e foi laureada olímpica, Você que ainda não anda na alta competição internacional também não precisa de se esforçar muito atarraxando as pernas e ainda menos esporeando o cavalo . O cavalo empurra-se com o «assiette», mais do que com as pernas . Estas, são um último recurso de que não se deve abusar. Deixe as pernas cair em descontracção completa e descanse a ponta do pé no estribo.
Não pese nos estribos; descanse o pé, apenas .
Ah! É claro que o calcanhar para baixo lhe haveria de provocar uma contracção na perna, incompatível com a descontracção necessária a tudo o que se faz em equitação e se puser o bico do pé para fora imitará o Charlot e lá estará mais uma contracção . Deixe cair a perna e o bico do pé há-de ficar na posição natural com que Você anda na rua . Por aqui se vê que o «agarrar-se com os joelhos» também não faz qualquer sentido: abrace o cavalo com as pernas Preview
Se quiser saltar, sugiro-lhe que encurte dois furos aos loros para se poder levantar do selim no «campo» do salto e não ser bruscamente empurrado pelo dorso do cavalo no momento da elevação dos posteriores. Mas regressando à monte normal, fora dos saltos, volte a pôr os loros no comprimento conveniente .
descontraídas e não ligue a essas máximas antigas e que hoje já temos por anacrónicas .
Está na altura de lhe sugerir que se lembre do velho conselho equestre proferido já não sei por quem:
«Monte com as mãos de uma Dama, tome a pose de um Rei e assuma as atitudes de um Cavalheiro» .
RESUMO
Atitude a cavalo:
• Mantenha-se direito no selim
• Descontraia-se
• Esqueça-se das suas pernas
• Empurre com o «assiette»
• Deixe as pernas cair descontraídas
• Descanse a ponta do pé no estribo
• A ponta do pé há-de ficar na posição natural
• Abrace o cavalo com as pernas descontraídas
“Rins para dentro!” – Você anda habitualmente por essas ruas além com os rins para dentro? Espero bem que a sua pose corrente seja mais natural e descontraída . Costas direitas, evidentemente, mas sem ter «engolido uma vassoira» . Pois é precisamente essa a posição em que deve andar a cavalo: costas direitas mas numa postura descon-
traída. O seu tronco tem que estar flexível tanto para trás como para a frente a fim de amortecer os movimentos verticais do dorso do cavalo de modo a que a sua cabeça não receba quaisquer solavancos. Ora, se Você puser os rins para dentro, deixa de poder flectir mais o tronco nesse sentido e não tardará muito para estar azamboado ou até com dores de cabeça. Como vê, meter os rins para dentro faz tanto sentido como amarrecar-se e isto nunca ninguém lhe disse . Porquê?
Presumo que por uma questão estética mas quem lhe disse aquilo também não saberá a razão de ser de tal indicação. Creio que, se perguntado, avançará com o argumento de que «já o meu Avôzinho assim dizia» . Portanto, ele repete como os papagaios . Portanto, não se preocupe em pôr os rins para dentro pois isso vai contraí-lo e contracção é a última coisa que se pretende em equitação . Em alternativa, espete o umbigo para a frente, na direcção das orelhas do cavalo. Vai ver que a diferença é enorme, para melhor . Experimente e confirme o que lhe digo: montar é fácil desde que estejamos descontraídos .
Agora que está numa posição natural, não forçada, fique ciente de que em equitação tudo deve ser flexível em torno de quatro pontos fixos: os cotovelos do cavaleiro devem estar quase «colados» ao tronco e as rédeas devem
ser seguradas entre os polegares e as falanginhas dos indicadores .
Porquê? É simples. O ponto fixo dos cotovelos contra as costelas faz com que Você não deixe passar os braços para trás do corpo puxando sistematicamente pelas rédeas até o cavalo meter o nariz no peito, encolhendo o pescoço . A mão do cavaleiro deve estar fixa mas não rígida um pouco acima do garrote e se queremos mais contacto com a boca do cavalo, devemos empurrá-lo contra a nossa mão e nunca puxar-lhe a boca contra nós. As rédeas devem andar sempre no mesmo comprimento, agarradas pelos indicadores e polegares na posição que já referi mas os outros dedos devem permanecer descontraídos . Se é necessária uma intervenção no sentido da redução do andamento, os outros dedos (médio, anelar e mindinho – os chamados «dedos do piano») devem contrair-se mas se isso não for suficiente, então deve levantar ligeiramente as mãos na vertical nunca puxando para trás . E se tiver dúvidas quanto à atitude, aparafuse os cotovelos ao tronco e junte as duas mãos pelas falanginhas fazendo um arco homogéneo desde o cotovelo até aos nós dos dedos . A isso se chama fixar a mão. Se fizer tudo isso sem que cá de fora vejamos seja o que for, então isso significa que Você já começa a sentir o prazer de montar a cavalo . Preview
RESUMO:
Atitude da mão:
• Costas direitas com postura descontraída
• Cotovelos «aparafusados» ao tronco
• Rédeas seguradas pelos indicadores e polegares
• NUNCA puxar para trás
JÁ VAI A PASSO?
O passo cumpre-se em 4 tempos, o trote em dois e o galope em 3 mas isso são coisas que já lhe ensinaram ou que Você já observou e não me vou quedar agora com mais explicações. Todos os andamentos devem ser decididos e nunca titubeantes. Você sabe o que quer e para onde vai, não tem que hesitar. Mas sabe mesmo para onde vai ou é o cavalo que sabe para onde Você quer ir? Quero acreditar que o cavalo não recebeu qualquer procuração para decidir para onde Você há-de ir . Então, o melhor é ser Você a dar as ordens . Preview
Bom, se já pôs a passo, então aproveito para lhe dizer que o cavalo tem só três andamentos: o passo, o trote e o galope . Não há meios-termos nem aproximações; qualquer alternativa é um logro .
Quer ir em frente? Então mantenha-se direito no selim, com as suas mãos e pernas em posição simétrica . Ponha a cabeça do cavalo a seguir no sentido que Você pretende e o corpo há-de seguir a cabeça… esperemos.
Mas alguma coisa impede a linha recta e há que fazer uma curva . Por exemplo, para a direita. Sim, bem sei o que lhe ensinaram (abra a rédea direita!). Esqueça. Não faça isso, a menos que esteja a montar um poldro em início de desbaste. A solução é quase contrária ao que lhe ensinaram antes . Contraia um pouco os dedos da mão direita, encoste a rédea direita ao pescoço do cavalo encurvando-o para esse lado, encoste a barriga da perna direita ao flanco do cavalo actuando suavemente de trás para a frente e conduza com a rédea esquerda, ou seja, a de fora . Vai ver como o cavalo se adapta perfeitamente a essa curva que poderá ser mais apertada ou mais larga conforme as ordens que Você der com a rédea de fora .
Agora, mantenha a cabeça do cavalo no percurso que Você pretende e a curva para a direita faz-se com naturalidade, sem mãos extravagantes e, portanto, sem perda e impulsão .
Vice-versa para a esquerda et ceteris paribus nos demais andamentos . Preview
E agora repare naqueles automobilistas que só pegam no carro aos Domingos e que sistematicamente descaem nas curvas para o lado de dentro .
Pois bem, se Você não tomar cuidado, o cavalo será também domingueiro descaindo para dentro da curva. Porquê? Porque tende a debruçar-se sobre a espádua de dentro. E daí a começar a sentir dores nessa espádua, não demorará muito .
Também Você não demorará muito a chamar o Veterinário e a queixar-se por ele não acabar com aquela manqueira. E como não encontra solução para o problema, decide desfazer-se do cavalo mandando-o, talvez, para o talho . E venha outro que não manque… por enquanto .
E, afinal, a solução era muito simples: bastava não deixar o cavalo descair para dentro nas curvas . Não se zangue com o Veterinário, deseje-lhe bom fim de semana e prescinda dos serviços dele em casos desta natureza .
Faça, então, as curvas como segue: adapte a encurvação do cavalo à curva que vai desenhar; pese na sua nádega do lado de fora da dita curva; toque ao de leve com a chibata (toque apenas indicativo, nunca punitivo) na garupa do lado de dentro da curva de modo a que o cavalo tenda a atirar o peso para o lado de fora; conduza (aperte ou alargue a curva) com a rédea de fora . Preview
Não queira andar em mais do que uma pista pois isso são outros exercícios . Estamos a tratar de uma só pista em que os pés do cavalo pisam o mesmo percurso que as mãos já pisaram. Apenas se verifica uma ligeira tendência para seguir a força centrífuga (que nestas velocidades é quase teórica) contrariando a tendência centrípeta que é bem real.

que o atormentava .
henrique
RESUMO:
Para curvar à direita
• Encurve o cavalo à direita por acção da sua rédea direita contra o pescoço do cavalo;
• Faça «cócegas» com a sua perna direita;
• Pese ligeiramente na sua nádega esquerda;
• Toque levemente com a chibata na garupa do lado direito;
• Conduza com a rédea esquerda.
Já percebeu que a chibata (ou cravache, que é mais fino) serve para tocar na garupa . Na posição de descanso, a chibata deve permanecer sobre a coxa do cavaleiro num ângulo de cerca de 45º relativamente ao solo e o toque que dará na garupa será meramente indicativo e nunca punitivo . Limita-se a ser um complemento da acção das rédeas sobre o movimento que queremos imprimir à garupa. A chibata permite-nos uma acção de mão muito mais suave e a título excepcional pode servir de complemento da impulsão dada pelo «assiette». E quando quiser mudar a chibata de mão, Preview
• Contente-se com pouco, peça amiúde e acaricie com frequência
não «desembainhe a espada»: segure as duas rédeas (se estiver a usar bridão porque se estiver a usar freio e bridão, terá que se haver com quatro rédeas) com a mão em que segura a chibata; cruze a outra mão por cima da que segura as rédeas e agarre na chibata posicionando os nós dos dedos para cima; faça a chibata descrever um arco à sua frente e paralelo ao plano do seu tronco (excepcionalmente, o cotovelo do braço que assim segura a chibata vai ter que se afastar do tronco mas há contorcionismos que não podemos fazer pois não somos artistas de circo). Vai possivelmente ter um problema se se atrapalhar com o movimento e der uma chibatada nas orelhas do cavalo . Sugiro que se exercite apeado antes de correr algum risco evitável .
Creio que por esta altura já percebeu que o famoso «stick» não serve para nada nesta nossa equitação não contundente . Se herdou algum, guarde-o como relíquia dum monte que Você já não pratica .
Quantas vezes já referi o «assiette»? Já percebeu por certo que estou a falar do rabo. É que em equitação é assim que dizemos pois é um termo mais soigné, mais elegante e incompreensível pelos carroceiros .
Empurrar o cavalo com o «assiette» em vez de usar as pernas parece complicado mas não é:
• Sem que se veja cá de fora e, portanto, com a maior descrição, afaste ligeiramente as suas pernas do flanco do cavalo e deixe-se pesar exclusivamente sobre o seu «assiette»;
• Acompanhe o movimento do dorso do cavalo e “limpe o arreio” de trás para a frente com o seu «assiette»;
• Caricaturando, deixe os seus ombros “tocar” na garupa e espete o seu umbigo “até” às orelhas do cavalo.
Vai sentir o cavalo ganhar impulsão e avançar com mais determinação . Você estará a empurrar o cavalo com o «assiette» e muito em breve não o fará de outro modo. E perguntar-se-á como é que nunca se tinha lembrado de o fazer antes . As pernas passam a ser um último recurso e as esporas ficam definitivamente relegadas para o papel que lhes compete de elemento decorativo da bota. E tanto melhor que não tenham roseta nem terminem num horrível bico mais valendo que não ultrapassem um ou dois centímetros e que a ponta consista apenas duma bola inócua.
RESUMO:
Para empurrar com o «assiette»,
• Afaste as pernas dos flancos do cavalo
• Pese exclusivamente no «assiette»
• «Limpe o arreio» de trás para a frente com o «assiette»
• Contente-se com pouco, peça amiúde e acaricie com frequência
CONSELHO EQUESTRE PERMANENTE
• Monte com as mãos de uma Dama
• Assuma a pose de um Rei
• Tome as atitudes de um Cavalheiro
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CAPÍTULO II
UM POUCO DE HISTÓRIA
ANDAR A DIREITO MAS NÃO SÓ…
A equitação é uma área do conhecimento que está em evolução mas como já se pratica há muito tempo, facilmente se compreende que haja grandes capítulos de “ciência feita” .
Neste escrito não pretendo inovar e apenas me limito a reproduzir o que os meus Mestres me ensinaram e a prática me foi sugerindo. Cronologicamente, “bebi” os ensinamentos de cavaleiros tão ilustres como Mestre Nuno Oliveira, Tenente-Coronel Francisco Valadas, Coronel Jorge Mathias e Brigadeiro Henrique Callado.
Cada um no seu estilo, com todos aprendi e a todos aqui rendo as minhas homenagens póstumas .
E o que aprendi com estes Mestres?
Com Nuno Oliveira – a quem nós, os alunos, tratávamos por «Mestre Nuno» – aprendi a essência da equitação e com
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