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Eu quis cantar

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FILOMENA LIMA

EU QUIS CANTAR

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FICHA TÉCNICA edição: Edições Vírgula ® (Chancela Sítio do Livro) título: Eu quis cantar autora: Filomena Lima arranjo de capa: Patrícia Andrade desenho de capa: Filomena Lima ilustrações: Filomena Lima paginação: Alda Teixeira 1.ª Edição Lisboa, outubro 2016 isbn: 978-989-8821-30-0 depósito legal: 413442/16 © Filomena Lima

publicação e comercialização:

www.sitiodolivro.pt

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PREFÁCIO Eu quis cantar é, talvez, o desabafo que todos fizemos quando projetámos o infinito e depois percebemos que “nada é verdade”. Fica a arte que brota dessa miragem e que nos habita, numa ânsia de se concretizar, de se evadir. E o sublime acontece quando nos entendemos melhor, quando purgamos uma culpa de amor sem reservas e de viagens sem regresso. O universo da literatura é isso mesmo: palavras, umas atrás das outras, numa torrente, tão linear e tão incerta, que ao ser recebida nos traz a serenidade ou a exaltação de termos passado por tudo, mas sem termos vivido intensamente as emoções que experimentámos. Na sequência, continuaremos sempre a querer cantar, nem que seja para nos sentirmos emergentes, neste lugar tão inóspito. Afinal, o que pretendemos é apenas o reconhecimento, não a glória, nem os louros, mas o latejar de uma alma irmã que reconhece em nós um pulsar diferente, que nos considera especiais num mundo de seres tão iguais, de tão infelizes inconsciências. Na verdade, nós apenas queremos cantar, nós apenas queremos que nos ouçam! Fica aqui a oportunidade dessa partilha, de um universo nada trivial nos confins dessa alma amarga. SÓNIA DE JESUS CARDOSO

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Parte 1

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Os Jardins do Éden A serpente e eu nos Jardins do Éden, numa cumplicidade desconfiada, antes de quaisquer estações do ano e um Deus a dizer, Não!, não saibas!, que os frutos proibidos são perigosos e pergunto-me: onde começou a traição – foi a serpente? Fui eu? Foi o interdito? Que os frutos, talvez, fossem todos inocentes, nos Jardins do Éden. Eu, parte de um homem, isso acho melhor não, mas provei e pequei por causa de uma provocação e do interdito em Jardins do Éden alheios à dor e à morte, condição humana. Deus talvez sim e o homem não é pra aqui chamado. E a serpente sabe, e eu sei e o homem, esse é omnisciente como Deus, dono de tudo o que há Jardim do Éden e tudo o mais.

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O amor e a morte O amor e a morte traduzidos em rimas, por palavras, em escrita conjugando-se através dos nossos dias banhados pelo sol. Vida finita. E um rol de coisas mais para que se admita que os silêncios não são indefinidos. Que há sorte, acaso, destino, desdita. Sons dos sinos da infância proscrita, que alimenta afinal de luzes a memória. Que a vida corre no tempo e o tempo é história, da qual não somos meros monumentos se bem que as pedras fiquem e que os risos e os lamentos deixem de se ouvir.

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Encruzilhadas A vida este saboroso, saboreado flirt, com as cores que são o coração das roupas, dos brincos, dos adereços – flirt, aí vai, de livro em livro, estrofe em estrofe, parágrafo p.136 e p.124 Colli acerca de Nietzsche e Thomas Pynchon, esse engoli inteiramente, The Crying of Lot 49. E de V., vi passagens aqui e além, como por exemplo, aquela dos crocodilos nas sarjetas. As antologias universitárias, essas, visitei-as, num misto de amor/ódio cobiçosos enquanto os ventos olorosos de Março ou Abril ou até talvez os de Maio, quem sabe, quando tu fores exactamente o pai exemplar e quando eu perder o brilho dos olhos.

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Limites Existem dois géneros, feminino e masculino e eles procuram-se por entre as árvores da floresta atravessando sendas surdas, sussurrantes, sombrias. Eles procuram-se, eles tocam-se, eles ferem-se nos espinhos. Os lodaçais dificultam-lhes a caminhada. Eles olham-se, eles medem-se, eles desafiam-se, eles entregam-se. Não há paz neste hemisfério, no outro hemisfério da terra. Surgem cortes que sangram e o sangue escorre sobre a pele doce. Nem sempre há harmonia no desenho que se traça. Vêem-se colisões, rupturas, rasgos, como o buraco negro que atrai matéria, a matéria que, dizem, veio da energia inicial, da primeira grande explosão. Olhos nos olhos

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ele e ela inebriam-se com o reflexo de luz que vai de uns para os outros olhos. Um dia vem depois de outro findo e hรก limites um dos limites a morte.

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Pasquein Traço o traço para não desaparecer, eu que queria o teu olhar, o teu abraço. Na ausência me desfaço. Segue-se ao colapso um renascer, sendo este o ritmo do próprio viver. Rio a rima do meu sofrimento, riso de mim, do qual me alimento. Após o fim vem, talvez, o advento com laivos de amargura, de tormento, seguindo o ciclo da morte e do nascer. Não faças caso, eu também não faço – somos carne osso músculo coração, Não aço. É sofrer um dos sentidos de paixão.

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Culpa Se foi numa manhã de nevoeiro ou se foi numa noite de invernia é-me indiferente. Canto que, demente, tem a alimentá-lo fantasia e nela dorme e nela se asfixia, igualmente morte e letargia dilacerante canto de quem sente quem mente e está ausente sendo, infinitamente, entretanto. Hoje temos as horas, os minutos, os segundos igualmente fraccionados. Deixámos de perguntar – Deus joga aos dados? – e em uníssono tornámo-nos ateus. Porém, quem os pecados sente como seus, não pode dispensar-se de cuidados. Sendo que D. Sebastião se dispersou algures, pelas terras da moirama, solicitamos um outro modo de ver, uma outra chama. Perguntamos a quem salva se salvou. Outra de mim não sou. Eu sou quem sou e é disso que devo dar relato, somar a soma. Se foi de uma manhã de nevoeiro ou se foi numa noite de invernia, é indiferente. Foi, em suma. Foi, em sentido lato.

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Eco Rio-me disso, do amor. Estarás louco, por me dizer que a dor é bem? Disso, do desdém, faço pouco. Rio-me também disso, do esplendor. O amor é uma voz perdida numa riba. O ódio, este sabor a algoz. Não me rio, que o tempo é estreito, por isso não dá jeito. Não me rio, porque estou sozinha. Que é que me arrima? A dor é bem? Não faças pouco. Do amor há pouco quem.

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Sobressalto Há um grito sufocado em meu peito. Foi teu feito, nada fazes para o sanar. E, na espera, estoura a calma, o eu desfeito. Como Fénix, renasceu o desejar. Desencontro: este sempre foi meu jeito. Assim fico. Jamais me irei encontrar. Turva o riso, estala mágoa no meu peito. Ouço apenas o som do meu respirar. Quanto fica, solidão de quem sofreu e que sofre deste modo, modo meu.

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Luta Não foi jogo – mas eu apostei bem alto. E no ressalto da minha aposta, perdi. Apostada em navegar em mar alto, não foi jogo, foi uma luta – venci. Venci. Mas perdi-me no engodo. No instante em que te olhei – e caí. Não foi jogo – foi encontro, foi acaso. Não foi acaso – premeditei e sofri. Tal encontro casual que foi dar azo ao vórtice. E, como tal, o vivi.

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Desejo Irrompeu o sol pela noite do meu coração enregelado. Tal açoite no nascituro mal preparado para respirar – fizeste-me acordar de um sonho soturno – eu quis dançar, mas tinha passado a idade. Se quis dançar, não tinha qualquer agilidade para dançar.

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Noite Nunca tiveste a atracção de abismo? Mesmo quando na tua face roça o frio? Quando é funda a noite, o inverno vazio e se abre uma grande fenda no espaço? Chama-se como, amor, chama-se como, laço, o seio e o regaço, o medo e o pavor? Casaram como?, o Céu e o Inferno dentro de uma noite escura como breu?

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Plénior Existem os laços que se estão a romper, desenleamos as mãos. Os olhos ficam baços. Existem, existiram, existirão laços? Quando o peito se aperta qual fora uma prisão – olhámo-nos de frente e faiscaram traços. Virámo-nos de lado foi a separação, contudo, o mundo não deixa de correr e a noite cai fundo, inexorável. Assim estamos no tempo, neste equilíbrio instável entre o belo, o bem, o bom, o deplorável, do instante não sabemos se é morte ou se é nascer. Como existem acasos, existem propósitos. Recuos, avanços, atrasos compósitos. Há choros, há gritos, lágrimas, lamentos cruzados por risos que são só momentos. Praticamos o mal, isso é o detestável. Aspiramos ao Bem, que refulge em adventos como aqueles – Maria, Jesus, em Belém. Para cada um de nós, há uma cruz também. Porém, dentro da dor, a salvação reluz. Existe a voz que chama. É a voz que conduz e nada que seja em vão quando se ama.

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Chamamento Quando o sol mergulhou no alto-mar, e ao mergulhar se lhe esventrou o sangue, chamei-te à praia para vires namorar. Deste-me um olhar esvaído e langue, esvaído de um último suspiro a exalar ou, quem sabe, irado ou ofendido, por ser uma mulher a convocar um grande amor da que não há marido, mas que é mulher, mulher capaz de amar. Chamei-te doce, e respondeste brusco. E foi à hora do sol se entregar na ante noite, ao lusco-fusco, quando a terra se casa com o mar.

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Canto A minha luta é comigo. Sou de mim o inimigo. Mendigo ajuda e perdão. Trago o cajado e o manto e estrangulado o meu pranto, convertido em estranho canto, não caias na ilusão! Eu teço teias de encanto para te enganar, para teu espanto. É só uma encenação. Minha luta não termina. E sinto o medo que mina. E tenho um nó na garganta. Não tenho gládio nem espada. Tenho o meu corpo, este nada ou esta dura prisão. Aceito o teu desafio – mas peço: joga comigo, que sozinha não consigo, que sozinha perco o chão. Sei cantar ao desafio. Sei dançar num corrupio. E, porém, sinto amargura… A caminhada é tão dura. Dá-me, pois, a tua mão.

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Desafio Não te criarei um mundo novo este não está desactualizado. Desafio-te a viver cada segundo como se nunca fosse tornar-se passado.

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Sinais São os dias dos tempos transversais, fazem-se neles plenas as mensagens que envias. Nós cegos e surdos, como maus guias, tacteando, perscrutando os sinais, maus intérpretes, por vias ínvias e, porém, tentando estar atentos. Dias todos iguais, todos eles cinzentos, escuros e pardacentos. Há, porém, adventos, abertas de luz. Legaste-nos o céu, fizeste isso, Jesus, Tu carregaste a cruz e por nós Te entregaste e disseste ainda: ‘ Não vos deixo sós.’ Há contudo, um caminho a percorrer por nós.

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Cantares ‘Quem canta seus males espanta.’ Lá diz o povo, que canta. A mim pica-me a garganta, e trago a alma de rojo. Apenas meias-verdades que de mais não sou capaz ou então meias-mentiras. Não parece – tanto faz? Fico-me pela mentira que a verdade faz mais mal e sem ela o mundo gira como com ela, afinal. Fui criança num palácio. Hoje governo um bordel. Corri a Campânia, o Lácio, e sabe-me a boca a fel. Eu dou-te a verdade inteira que não tenho dó de ti: como arde o trigo na eira lá bem batido, onde o vi.

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‘Quem canta seus males espanta.’ Bem diz o povo, que o sabe. Uns cantam com alegria Outros cantam por maldade. A mim pica-me a garganta. Eu queria ter outra sina. Andei a pisar o tojo e fui à água da mina.

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Final Tu foste: e foi a perda. Tu foste: ó meu desejo que ficou! Tu foste: é esta a resposta ao que sou. Quem traçou o caminho? Desvelou o segredo? Nem enlevo ficou. Tu foste: é desejo o que sou. Eu quero uma resposta, não aquela que o vento levou. Foste tu quem tudo em torno a mim transformou. Tu foste a pedra sobre que se fundou. Nunca deixo recado, que falo face a face, tu foste: alguém me diz o que após isso restasse? Cicia-me a serpente, a que guardo no fundo, tu foste. Eu sou o mundo.

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Rima Tu nunca me pertenceste Nem de mim nasceste Nem te dei guarida Fui à despedida Quando tu quiseste Saudei a chegada Chorei à partida E fiquei perdida Quando me tiveste Fiquei só na vida Deixaste-me só Contigo a meu lado Quisera esse fado Mas o fado é triste E em cantar consiste Tudo o que me é dado.

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Esperança Anunciam-se de verde os campos. A música terrena joga compasso com a música estelar, esta silenciosa. Já há indícios de novos gerânios e petúnias. Jorra sol sobre o ar tépido. Diz a palavra Nova e tudo a Ti se entregará.

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Alma Tempos que vêm, tempos infinitos, num espaço que é agora e que é a terra, perdidos em horizontes de cansaços, vozes, frutos, flores – é uma guerra, em que jogamos todos nossos laços, os laços do estertor em que se encerra nosso corpo, feito de estilhaços como no Auschwitz dos tempos da guerra numa renovada primavera em que as flores são nossos compassos, compostos mil em que a vida se encerra.

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Temática intramundana Traços de finitude e contingência marcam-nos. O anseio do outro. A procura do olhar. Nossos passos no encalço da posse. no acidente de percurso. Na necessidade desassombrada – nihil obstat.

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Ressurreição Foi duma pedra tão tosca, de um lodo, que nos fizeste, de um sopro quente e agreste e assim somos um todo. Um todo a fingir que é gente sem aos palmos se medir e um corpo para sentir foi assim que nos quiseste. E um espírito a surdir do barro, lodo, soubeste, viemos nós a seguir. E sem seguir o teu querer e nós no lodo a morder e do morrer renasceste.

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‘No reino de…’ – misreadings Andei feita louca À tua procura Corri toda a rua Só me sinto oca. Andei feita louca Por um teu olhar Culpei o azar E a sorte, pouca. Não sei quantas solas Desfiz nesta busca. Mas o sol que ofusca Já vai a faltar Gozei o teu riso Que me foi fatal. Perdi-me, afinal, Por falta de siso. Sempre estavas longe E eu não atendi Ou não entendi. Foras como monge.

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Andei feita louca, Como não sei quem. Diz-me: a que te prendes Para andares bem? Peço-te, bem vês, A receita, a cura. Ando à tua procura. Dizes-me os ‘porquês’?

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Mistério Tenho medo do segredo do teu silêncio. Tenho medo do sentido multíplice das palavras. E, contudo, desdenho a omnisciência do absolutamente claro, inteiramente previsível, pois seduz-me o próprio mistério que provoca medo. Concluo: gosto de ter medo – o apelo do abismo. O terror primitivo das trevas. Entre o sim e o não dilacero-me penosamente e penso: antes lágrimas, pois o lamento não parece legítimo.

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Isolamento Pudesse, a minha voz, suscitar algum eco. Não parece acordar nenhum. Só o sol tão forte encandeia assim. faz-me vacilar e leva-me para longe, onde tudo é sossego.

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Instante Quando cada qual do seu eu se apercebe, esse jĂĄ se foi, desapareceu. Soma de vida ou morte ou terra e cĂŠu, escolha o leitor aquele de que gosta. E tal qual se diga do amor sendo a vida este amargo estertor que engana, por vezes, com um travo doce.

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