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Centro de Recursos Educativos: inovação na escola

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construir uma educação democrática, para todos. O que escrevem merece ser lido não apenas como testemunho histórico, mas também como inspiração Parte da equipa do CRE – 2025

A Equipa:

para repensarmos hoje a formação de professores. ANTÓNIO NÓVOA (do prefácio, 2026)

Margarida M. Graça Ana Maria Pessoa Isabel S. Rosa Fernando Pinho Francisco Matias Projecto de Álvaro Siza Vieira

Luísa Cruz Natércia Massas Patrícia Argüello BAR

Susana Marques Teresa Marques Átrio / Segurança

Entrada Principal

Valentino Silva

Centro de Recursos Educativos: inovação na escola

história quando, depois de Abril, se procurou

ESCOLA SUPERIOR DE EDUCAÇÃO DE SETÚBAL

Este livro é sobre um tempo decisivo da nossa

CENTRO DE RECURSOS EDUCATIVOS: INOVAÇÃO NA ESCOLA

O livro é uma reflexão sobre o caminho aberto e percorrido pelo Centro de Recursos Educativos da Escola Superior de Educação de Setúbal na implementação de novas metodologias pedagógicas, na experimentação fundamentada de outras formas de trabalho na sala de aula, na autonomia sustentada, na formação cooperada. Representa o olhar da equipa, coesa,

ESCOLA SUPERIOR DE EDUCAÇÃO DE SETÚBAL

empenhada e entusiasta que durante décadas, sem horários e quase sem limites, trabalhou num projeto que desenvolveu por acreditar ser possível e urgente. Um projeto que se decidiu divulgar de forma mais alargada e completa, numa escrita partilhada, nos 40 anos PREFÁCIO DE

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ANTÓNIO NÓVOA

da ESE e no seguimento dos artigos escritos para a revista Medi@ções. Um projeto que, no presente, se revela atual e… imperioso retomar!

CENTRO DE RECURSOS EDUCATIVOS GINÁSIO

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CENTRO DE RECURSOS EDUCATIVOS: INOVAÇÃO NA ESCOLA ESCOLA SUPERIOR DE

EDUCAÇÃO DE SETÚBAL

margarida martins da graça • ana maria pessoa

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isabel santos rosa • susana marques • fernando pinho francisco matias • luísa cruz • natércia massas patrícia argüello • teresa marques • valentino silva

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título:  Centro de Recursos Educativos: inovação na escola

– Escola Superior de Educação de Setúbal

autores:  Margarida Martins da Graça, Ana Maria Pessoa, Isabel Santos Rosa,

Susana Marques, Fernando Pinho, Francisco Matias, Luísa Cruz, Natércia Massas, Patrícia Argüello, Teresa Marques, Valentino Silva

Edições Ex-Libris ® (Chancela Sítio do Livro)

acompanhamento editorial: Sítio do Livro prefácio:

António Nóvoa

revisão:

Luísa Solla e Conceição Andrade

design da capa:

Patrícia Proença

fotografias da capa:

Alda Teixeira

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paginação:

Arquivo do CRE

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edição:

Lisboa, 1.ª edição, julho 2026 isbn:

978-989-9198-53-1

depósito legal:

564344/26

© 2026, Margarida Martins da Graça, Ana Maria Pessoa e Isabel Santos Rosa catalogação na fonte:

Graça, Margarida Martins da

Centro de Recursos Educativos: inovação na escola – Escola Superior de Educação de Setúbal/Margarida Martins da Graça… [et.al.]. – 1.ª ed. – Lisboa: Edições ExLibris, 2026. 520 p. 1. Centro de Recursos Educativos 2. Formação de Professores 3. Inovação Pedagógica 4. Prática Pedagógica 5. Biblioteca Escolar 6. Mediateca Escolar 7. Produção de Recursos Educativos 8. Educação para os Media 9. Pensamento Crítico 10. Educação de Infância 11. Ensino Básico 12. Ensino Secundário 13. Ensino Superior

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Todos os direitos de propriedade reservados, em conformidade com a legislação vigente. A reprodução, a digitalização ou a divulgação, por qualquer meio, não autorizadas, de partes do conteúdo desta obra ou do seu todo constituem delito penal e estão sujeitas às sanções previstas na Lei. Declinação de Responsabilidade: a titularidade plena dos Direitos Autorais desta obra pertence apenas ao(s) seu(s) autor(es), a quem incumbe exclusivamente toda a responsabilidade pelo seu conteúdo substantivo, textual ou gráfico, não podendo ser imputada, a qualquer título, ao Sítio do Livro, a sua autoria parcial ou total. Assim mesmo, quaisquer afirmações, declarações, conjeturas, relatos, eventuais inexatidões, conotações, interpretações, associações ou implicações constantes ou inerentes àquele conteúdo ou dele decorrentes são da exclusiva responsabilidade do(s) seu(s) autor(es). publicação e comercialização:

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Estar no mundo sem fazer história, sem por ela ser feito, sem fazer cultura, sem “tratar” sua própria presença no mundo, sem sonhar, sem cantar, sem musicar, sem pintar, sem cuidar da terra, das águas, sem usar as mãos, sem esculpir, sem filosofar, sem pontos de vista sobre o mundo, sem fazer ciência ou teologia, sem assombro em face do mistério, sem aprender, sem ensinar, sem ideias de formação, sem politizar, não é possível.

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Paulo Freire (1997)

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À Maria Emília Brederode Santos, pelo estar de liberdade afável indutor de inovação ao Rui Canário, pela inteligência reforçada por ironia esclarecedora e reflexiva à Teresa Marques, pela força transformadora da empatia criativa

ao Flávio, sorridente, mestre no apoio dedicado, no enfrentar dos desafios

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ao presente que exige … humanizar

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Agradecimentos No one writes a book without a team of people behind them, influencing them along the way.

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Roxanne Dunbar-Ortiz, Dina Gilio-Whitaker (2016)

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Este é o único livro que a equipa do CRE escreveu. Foi um trabalho de orquestra, com permanente necessidade de definição e desocultação de finalidades, de metodologias, de escolha de reportório, de afinação de instrumentos, de colaboração e interajuda, como foi sempre o trabalho enquanto equipa. Foi (talvez) o texto mais difícil que se produziu. Há um ano, ninguém imaginava que todos se reuniriam, de novo, para (re)pensar o que foram os 40 anos de uma inovação pedagógica. A vida deste livro começou quando, ainda durante a produção de dois artigos sobre o CRE, feitos como contributo para assinalar os 40 anos de história da Escola Superior de Educação de Setúbal, se percebeu que, não só havia toda uma história deste projeto educativo que (ainda) nunca fora feita, como também o projeto estava num impasse difícil. Ponderou-se a necessidade de assinalar também os 40 anos da existência do CRE que se comemoram neste ano de 2026. Apesar de todos os obstáculos que teve de enfrentar (tristeza pela Teresa Marques, mobilização de vontades, aferição de critérios, discussão teórica, reorganização e/ou inexistência de fontes, revisita dos arquivos do CRE e pessoais, de apontamentos soltos ou da memória, de fontes paralelas e entrevistas, visionamento de horas de documentos...) este foi também o texto que, na proporção inversa da sua extensão, mais rapidamente foi 9

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produzido. Numa primeira fase ainda se acreditou que seria possível escrevê-lo num tempo curto. Verificou-se ser uma impossibilidade. Do início ao fim, contou-se com o apoio de muitas pessoas, sobretudo colegas e estudantes (hoje profissionais em múltiplas áreas ou ainda em formação na ESE). Agradece-se a todos os que, na impossibilidade de a todos nomear, se reveem e sabem ser parte do grupo dos que, ao longo destes anos, com as suas críticas (construtivas e destrutivas) e sugestões, contribuíram para a existência do CRE e deram ânimo ao projeto que foi a razão de ser da equipa. Agradece-se a António Nóvoa a generosidade, a pronta disponibilidade de pensar sobre este projeto e o prefácio empático revelador do seu pensamento profundo, inquieto e interveniente sobre educação e a formação profissional de professores. A Luísa Solla que viveu o projeto da ESE, agradece-se o olhar cuidado e crítico com que fez a revisão, o aconselhamento assertivo e a formulação de questões pertinentes que ajudaram muito a melhorar este trabalho. A Conceição Andrade agradece-se a revisão minuciosa e atenta que, sob uma perspetiva exterior, ajudou a reorganizar ideias, a contextualizar alguns argumentos, a aprofundar a clareza, a melhorar a fluência do texto. A Patrícia Proença agradece-se a generosidade e o profissionalismo com que elaborou a capa do livro. A Joaquim Neves agradece-se a disponibilidade, as sugestões, a discrição e o conforto gourmet com que sempre cuidou de cada reunião. A pretexto dos 40 anos do CRE, a equipa voltou a reunir-se para deixar testemunho sobre o trabalho que a uniu. Reviveu-se o entusiasmo permanente, a colaboração sem limites, o rigor nas discussões e nas negociações de consensos. Este livro é a imagem e a pegada que se quer deixar, assente num reforço de empatia e amizade que ultrapassam, em muito, a camaradagem profissional.

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w ev ie Equipa CRE

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De baixo para cima: Pimentel, Margarida Graça, Sousa, Tó Zé, David, Valentino Silva, Joe, Patrícia Argüello, Fernando Pinho, Gertrudes, Teresa Marques, Natércia Massas, Anabela, Ana Maria Pessoa, Isabel Rosa, Fernanda e Ismail.

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Prefácio

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Ao Rui Canário, com uma admiração que a saudade aumenta

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Este livro é sobre um tempo decisivo da nossa história quando, depois de Abril, se procurou construir uma educação democrática, para todos, ultrapassando os atrasos provocados por décadas de políticas retrógradas. Traz-nos o retrato vivo de uma geração notável que, a partir das Escolas Superiores de Educação e da formação de professores, deu um contributo fundamental para o pensamento educacional e para a transformação da educação. Nas suas páginas encontro pessoas que admiro e que estão na origem dos melhores momentos e experiências da educação em Portugal. Escrevo apenas um nome, Rui Canário, homem de rara inteligência e intuição, que nunca deixou de nos surpreender com as suas ideias e de nos acolher com os seus afectos. Como indica o título, trata-se de um livro sobre o Centro de Recursos Educativos da Escola Superior de Educação de Setúbal, tendo como fio condutor a “inovação na escola”. Para além das histórias e das teses aqui apresentadas, apresenta-nos as vozes, em discurso directo, forte e inspirador, de muitas das pessoas que, desde 1986, tiveram responsabilidades nesta iniciativa. É um património riquíssimo que constitui, desde já, um material de consulta obrigatória para quem quiser compreender e estudar a realidade educativa portuguesa nos últimos quarenta anos. Os centros de recursos educativos foram pensados, inicialmente, como espaços para uso autónomo de alunos e de professores, frequentemente fora 13

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do horário regular das aulas. Destinavam-se a possibilitar o acesso a materiais diferenciados, com o propósito de induzir novas formas de aprendizagem e de ensino. Mas, para além das dinâmicas de autoformação, os centros desenvolveram rapidamente estratégias de promoção de mudança das práticas pedagógicas em sala de aula. E logo compreenderam a importância de situarem a sua acção no plano da escola e, como se diz no subtítulo deste livro, da “inovação na escola”. Esta maior abrangência percebe-se bem no estudo realizado, em 1992, no Centro de Recursos Educativos da Escola Preparatória Marquesa de Alorna, da autoria de Rui Canário e Fernando Oliveira. Cristina Barroso escreve no prefácio: “O relatório é ainda importante pelo facto de integrar a análise das relações dos professores (e das suas práticas pedagógicas) com o Centro de Recursos, num contexto mais amplo do estudo do processo de desenvolvimento de uma inovação na escola, abordando questões extremamente pertinentes como o processo de apropriação de uma inovação pelos professores, e o papel que os alunos desempenham nesse processo” (in Centro de Recursos Educativos – Modalidades de utilização pelos professores, Lisboa, 1992, pág. 6).

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No caso de Setúbal, a importância maior do Centro de Recursos Educativos prende-se com o facto de estar inserido numa instituição de formação de professores e poder, por esta via, ter um impacto mais significativo, não só na própria Escola Superior de Educação, mas também nos professores em formação ou já em exercício. É o que dizem as autoras deste livro: “Como temos vindo a sublinhar o projeto do CRE foi promotor de inovação na área de formação docente porque entendeu sempre o desenvolvimento profissional e o desenvolvimento organizacional como partes complementares e simultâneas, trabalhadas e refletidas em conjunto, a partir de experiências individuais e coletivas” (p. 105).

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Prefácio

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Na verdade, a situação da formação de professores em Portugal continua muita indefinida e insatisfatória, tanto na formação inicial quanto na formação contínua. Na formação inicial, são óbvias as dificuldades das instituições de ensino superior para se envolverem seriamente em processos de formação profissional de professores. Tenho vindo a falar na necessidade de construir “terceiros espaços” que concretizem uma ligação autêntica entre o ensino superior e a profissão docente, criando uma co-responsabilidade na concepção e desenvolvimento dos programas de formação de professores. Na formação contínua, verifica-se uma tendência para a multiplicação de cursos e de acções de formação, por vezes com uma ligação frágil aos processos de organização escolar e de trabalho pedagógico. O conhecimento profissional docente e a reflexão-cooperação entre professores, que deviam ser o eixo dos programas de formação contínua, são muitas vezes relegados para plano secundário. Ora, quando se percorrem as páginas deste livro, facilmente se identificam, nos propósitos e nas realizações do Centro de Recursos Educativos, os enquadramentos e as formas de organização que deveriam reger a formação inicial e contínua de professores. Estão de parabéns as autoras desta obra – Margarida Graça, Ana Maria Pessoa e Isabel Rosa – que conseguem apresentar-nos, com ideias fortes e testemunhos marcantes, um projecto de “grande dinâmica social, enriquecido pelo fervilhar das teorias, pela experimentação na ação, pelo desejo de debate, de trabalho multidisciplinar, de interrogação permanente e de produção criativa” (p. 271). O que escrevem merece ser lido não apenas como testemunho histórico, mas também como inspiração para repensarmos hoje a formação de professores. antónio nóvoa

(fev. 2026)

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Sumário agradecimentos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . prefácio . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

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introdução . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

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PARTE 1

Inovação no Capitel

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Fundamentos históricos, políticos e conceptuais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 1. Plataformas de construção . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 1.1. História de um sistema educativo – contexto geral . . . . . . . . . . . 1.1.1. Do início do séc. XX aos anos 70 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 1.1.1.1. Educação, poder e relação massas-elites . . . . . . . 1.1.1.2. Da 1.ª República aos anos 60 . . . . . . . . . . . . . . . 1.1.2. Dos anos 70 à atualidade . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 1.1.2.1. Dos anos 70 à Revolução de Abril . . . . . . . . . . . 1.1.2.2. Da Revolução ao tempo presente . . . . . . . . . . . . 2. Centro de Recursos Educativos – um processo em construção . . . . . . 2.1. Idealizar, enquadrar, planear e construir . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 2.2. Uma escola – um projeto de inovação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 2.3. Enquadramento histórico e institucional . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 2.3.1. Contexto histórico em partículas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 2.3.2. Contexto histórico na transição . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 2.3.2.1. Do Projeto Regional do Mediterrâneo (PRM) ao Gabinete de Estudos e Planeamento da Acção Educativa (GEPAE) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

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2.3.2.2. Do GEPAE à Escola Superior de Educação de Setúbal (ESE) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 2.3.2.3. Educação, reformas adiadas . . . . . . . . . . . . . . . . 2.3.3. Abril 1974 – o que mudou . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 2.4. CRE – Recurso para a mudança . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 3. Inovação em Educação: entre o conceito e a prática . . . . . . . . . . . . . . 3.1. Escola tateante – espaço de experimentação pedagógica . . . . . . 3.2. Dinâmicas de contestação, alicerces de inovação . . . . . . . . . . . . . 3.3. CRE – Inovação integrada . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 3.3.1. Implementação de uma inovação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 3.3.2. Mudança e inovação – argumentos diferenciadores/ caminhos cruzados . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 3.3.3. Eixos de inovação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 3.4. Do planeamento à ação: agir, refletir e avaliar . . . . . . . . . . . . . . . 4. Recursos educativos – conceitos, contextos e evolução . . . . . . . . . . . . 4.1. Métodos e modos de ensino – breve enquadramento . . . . . . . . . 4.2. Manual escolar – centralidade e questionamento . . . . . . . . . . . . 4.3. Biblioteca escolar e práticas pedagógicas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 4.4. Mediateca escolar . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 4.5. Centro de Recursos Educativos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 4.6. Diversificar recursos e promover literacias múltiplas . . . . . . . . . . 5. Teorias alicerce . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 5.1. Da Educação para os Media para a Literacia Mediática . . . . . . . 5.1.1. Pelos passos da História . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 5.1.1.1. A importância da UNESCO . . . . . . . . . . . . . . . 5.1.1.2. Em Portugal . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 5.2. Educação para os Media e Teorias da Comunicação – À procura do ponto forte . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 5.2.1. Teorias mediacêntricas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 5.2.2. Teorias audienciacêntricas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 5.3. Educação para os Media e Produção . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 5.4. Final do século XX – novas perspetivas teóricas . . . . . . . . . . . . .

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Sumário

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5.5. Educação para os Media – evolução em simbiose . . . . . . . . . . . . 5.5.1. Educação para os Media na escola – razões, finalidades, tempos e estratégias . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 6. Pensamento Crítico – pensar melhor, agir com cidadania . . . . . . . . . . 6.1. Definições e conceitos estruturantes . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 6.2. Razões . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 6.3. Correntes teóricas – duas linhas, dois percursos: Filosofia vs. Psicologia Cognitiva . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 6.4. Pensamento Crítico – ponto crítico do sistema educativo português . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 6.5. CRE – Pensamento Crítico e opção teórica . . . . . . . . . . . . . . . . . 6.6. Teorias da Comunicação, da Educação para os Media e movimentos do Pensamento Crítico – matriz conceptual do CRE . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

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PARTE 2

Olhar sobre uma polifonia complexa

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1. Centro de Recursos Educativos: Sexteto de setores em harmonia . . . . 1.1. Formações urgentes . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 1.2. Formação Inicial . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 1.2.1. Disciplinas e unidades curriculares – estratégias de implementação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 1.3. Formação contínua . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 1.3.1. Ações em diálogo com o território . . . . . . . . . . . . . . . . . . 1.3.2. Ações desenvolvidas na ESE . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 1.3.3. Interação internacional . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 1.3.3.1. Cooperação com Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP) . . . . . . . . . . . . . . . . 1.3.3.2. Dinâmicas europeias – e-portfólios e redes sociais 1.4. CRE – Produção de Recursos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

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1.4.1. O CRE em autonomia: da produção à divulgação . . . . . 1.4.2. Produções . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 2. CRE – Gestão democrática, coordenação e projeto coletivo . . . . . . . . 3. Vozes que constroem o CRE . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 4. Atividades dos Setores do CRE . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 4.1. Setor de Documentação e Informação – SDI . . . . . . . . . . . . . . 4.1.1. Perceber para integrar . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 4.1.2. Formação Inicial . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 4.1.3. Interação com a comunidade . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 4.1.4. Ligação ao mundo – redes, trocas e horizontes . . . . . . . . 4.1.5. Formação Interna – aprender dentro para agir fora . . . . 4.1.6. Dar a conhecer . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 4.1.7. Memória e reflexão crítica – Documentar, organizar, avaliar . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 4.2. Vozes que constroem o CRE . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 5. Setor dos Audiovisuais – Sentido dos sentidos: ver, ouvir, pensar, fazer 5.1. Formação Inicial . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 5.2. Profissionalização em Serviço . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 5.3. Formação Contínua . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 5.4. Ligação à comunidade . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 5.4.1. Cooperação com organizações nacionais . . . . . . . . . . . . 5.4.2. Cooperação com organizações internacionais . . . . . . . . 5.5. Produções . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 5.5.1. Câmara escura e reproduções fotográficas . . . . . . . . . . . 5.5.2. Diaporamas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 5.5.3. Vídeos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 5.5.4. Livros / Brochuras . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 5.6. Participação em Projetos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 5.7. Formação Interna . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 5.8. Divulgação institucional . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 5.9. Arquivo da vida da ESE – memória visual e sonora . . . . . . . . . 5.10. Vozes que constroem o CRE . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

319 321 345 346 347 348 350 350 353 354 355 356 356 357 357 359 360 360 362

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Sumário

376 377 378 379 383 384 385 390 392 393 400 403 405 406 407 408 408 409 413 420 420 423 425 426 428 433 434 438

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6. Oficina Multimédia – rede para a autonomia . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 6.1. Formação para o Presente – competência crítica em ambientes digitais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 7. Oficina Pedagógica – mão nas Artes . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 7.1. Pedagogia do fazer – Produzir para o presente, arquivar para o futuro . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 7.2. Formação contínua . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 7.3. Oficina Pedagógica Virtual . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 7.4. Vozes que constroem o CRE . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 8. Setor Gráfico – Pantone de fontes . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 8.1. Tipograma da formação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 8.2. Vozes que constroem o CRE . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 9. Setor da Animação – Cultura, participação em movimento . . . . . . . . 9.1. Vozes que constroem o CRE . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 10. Arauto da informação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 11. CRE – Atividade coordenada . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 12. CRE (1986-2022) – Plataformas de fragmentação e de extinção . . . . 12.1. Obstáculos externos e internos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 12.1.1. Política educativa . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 12.1.2. Fragmentação imposta . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 12.1.3. À luz de estratégias de implementação da inovação . . 12.2. Recursos educativos como obstáculos à inovação . . . . . . . . . . . 12.2.1. Manual escolar . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 12.2.2. Biblioteca escolar . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 12.2.3. Mediateca escolar . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 12.2.4. CRE e Projeto MINERVA . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 12.2.5. Canto do cisne – mudar e destruir . . . . . . . . . . . . . . . 12.2.6. Integração curricular – esvaziar em suavidade . . . . . . 12.3. CRE e obstáculos – sistematizar para ultrapassar . . . . . . . . . . 13. Do canto do cisne à Fénix futuróloga – imaginar a continuidade . . . . 14. Pelas ondas incertas da democracia... assume-se o imperativo ético de passar o testemunho . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

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PARTE 3

Avançar sem abdicar, para intervir hoje

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1. Começar de novo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 448 2. Adivinhos do agora – Ler os sinais do tempo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 449 3. Sair do labirinto – Para o futuro... agora . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 453 3.1. Escola ausente . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 455 3.2. Escola em confronto – tensões e desafios do presente . . . . . . . . . 456 4. Escola insubstituível . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 465 5. Nova Ágora para a metamorfose . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 471 6. Para a Escola dos Futuros... agora! que proposta? . . . . . . . . . . . . . . . . 474 6.1. Um coração pulsante e pensante . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 474 6.2. Centro de Recursos – Coração pulsante e pensante para re-Animação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 477 referências bibliográficas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

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Entrevistas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Gerais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Legislação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

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Introdução

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Juntam-se 40 anos de percursos, com escola construída a partir de pensamentos, adiciona-se muito trabalho feito com prazer e uma equipa de eleição, salpica-se com projetos embutidos no distrito, no país e no mundo, acrescenta-se q.b. de teoria a fundamentar e mistura-se muito, muito bem, com o desejo de que não se esqueça. Daqui surge a vontade de escrever para divulgar, para deixar pegada na memória futura. Da alquimia eis o livro. Um livro que tem como base o trabalho realizado no Centro de Recursos Educativos (CRE) da Escola Superior de Educação de Setúbal (ESE). Teve como catalisadores os dois artigos escritos para a revista comemorativa dos 40 anos da ESE de Setúbal. Contudo, as restrições quanto à sua dimensão, impostas pelas regras editoriais da revista, aliadas à intensidade de ser a experiência do CRE provavelmente única no ensino superior, assim como o risco de invisibilidade a que poderá ser votada, reforçou a importância do que se desejava e impunha relatar. Daí ter-se decidido escrever este livro. Partindo de memórias da equipa, de arquivos muito diversificados, de referências teóricas essenciais, de textos já publicados, de testemunhos de estudantes e outros utilizadores, foi possível escrever história, deixar registo, marca, do que foi a fundamentação, a vivência e o trabalho realizado pelos diversos setores do CRE. Um livro que abriu e deu espaço para a palavra e para a imagem que, de forma entrelaçada, tornaram mais consistentes e dinâmicos os factos, os olhares e a autorreflexão feita sobre as vivências. Um livro que descreve um processo com inúmeros obstáculos, mas que se norteou sempre pela homeostasia – cabeça, coração, mão – pela coerên23

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cia entre o pensamento e a ação, a articulação entre a teoria e a prática na defesa inabalável de uma escola, aberta ao mundo e à contemporaneidade, que se defendia (e defende) ativa na promoção das aprendizagens, atual na organização dos curricula, interativa com as diferentes dinâmicas contidas em novos recursos, em suportes muito diversificados (do papel ao digital, hoje, ao artificial), promotora de cidadãos com pensamento crítico e interventivos na defesa dos princípios da democracia, dos direitos humanos, da qualidade ambiental, das literacias de leitura, mediática, digital… Uma escola que procura sempre a mudança, assumindo-se como recurso, criando e promovendo recursos diversificados, selecionados e credíveis para que o saber, saber fazer e saber ser, fossem e sejam construídos de forma plural, multidimensional, com rigor e empatia.

Edifício da ESE de Setúbal

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Introdução

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Centro de Recursos Educativos: inovação na escola – Escola Superior de Educação de Setúbal é o testemunho de uma equipa envolvida e coesa que espera, de novo, discutir princípios, lançar debates, recriar emoções, contribuir para uma Escola no centro das alquimias transformadoras e geradoras de melhores presente e futuro. Como finalidade principal dá-se a conhecer o projeto pedagógico inovador do Centro de Recursos Educativos (1986-2022) em consonância com o projeto de formação de educadores, professores e de outros profissionais ali desenvolvido. A partir de dentro, a equipa responsável pela sua conceção, implementação e desenvolvimento descreve o contexto da reforma na formação de professores e os princípios teórico-práticos que o sustenta(ra)m. Analisa também o que foi a mudança de práticas docentes, de uma outra vivência de espaços pedagógicos e de uso de recursos educativos diversificados em sala de aula. Num tempo em que, então como hoje, a educação estava no epicentro de ataques com múltiplas fundamentações, em que as propostas mais radicais defendiam até a sua implosão, este projeto nasceu e cresceu como meio de contribuir para a metamorfose da escola (Nóvoa, 2022), enquanto inovação, através da conceção e concretização de “um processo de mudanças profundas, nos seus modelos de organização e de funcionamento, nos seus ambientes educativos, para que alunos e professores [pudessem]/possam construir, juntos, processos de aprendizagem e de educação” (p. 6). A partir de um olhar histórico sobre o percurso do CRE, elabora-se uma reflexão teórica e de investigação sobre o que se fez e quais as mudanças (im)possíveis nas práticas de ensino e de aprendizagem. Enunciam-se princípios teóricos orientadores. Identificam-se as fontes nas quais aquela experiência se baseou. Por vezes, houve que recorrer a outras – divergentes ou convergentes do projeto – porque, sendo mais contemporâneas, não estavam (ainda) disponíveis, nos finais do século passado. O livro parte da experiência da equipa, sustentada em tudo o que de mais avançado do ponto de vista teórico existia, num local específico, num con-

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junto de circunstâncias, ao longo de mais de 40 anos de práticas concretas de intervenção na formação inicial, contínua e especializada realizadas na ESE. Foi a partir de um conjunto de princípios conceptuais – educação, reforma educativa, inovação, mudança, transformação, prática pedagógica, formação cooperada e autoformação, Educação para os Media, Pensamento Crítico e recursos educativos – que foi possível concretizar, na ESE, o Centro de Recursos Educativos, como projeto inovador de formação. Mais do que uma descrição da experiência do que foi o CRE, pretende-se que esta apreciação seja “uma autobiografia transfigurada em análise histórica e teórica, ou (...) uma análise histórica e teórica ligada a uma experiência pessoal” (Éribon, 2019, p. 20). Embora consciente do enorme risco que se corre, porque é comum dizer-se que os “indivíduos são os piores narradores dos eventos em que estiveram envolvidos, mormente se têm um interesse direto neles” (Godinho, 2010 in Rodrigues, 2011, p. 20), pretende-se, a partir de um “discurso reflexivo, teórico-prático, [fazer simultaneamente] uma análise política, histórica e estrutural da situação em causa [porque é] essa análise que dá forma e sentido ao que não podemos limitar a mero registo da experiência vivida” (Éribon, 2025, p. 217). Este livro tem como destinatários todos os que refletem sobre as mudanças nas práticas pedagógicas e nos recursos educativos. Destina-se também aos que se interessam pelo papel da escola na sociedade contemporânea, pela Educação, pelos sistemas educativos e reformas que neles foram sendo incorporadas, pelos diversos matizes do modelo escolar (ainda) vigente. É, também uma partilha com todos os estudantes que, ao longo dos últimos 40 anos, se cruzaram com o CRE. Finalmente, este livro pretende ser também a tinta que escreva a história que está por baixo da pouca visibilidade que a escola, paulatinamente, foi cobrindo ou mesmo apagando. Toda a intervenção em educação tem um contexto histórico que a explica e a partir do qual se propaga. Mesmo que de forma sumária, para que possa ser partilhada com outros, tem de se descrever a conjuntura em que se fundou, os pressupostos em que se apoiou, os problemas a que 26

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Introdução

respondeu, os contextos adversos e/ou facilitadores com que se deparou, os intervenientes com quem avançou, as dificuldades que ultrapassou, as soluções que alcançou, os fracassos que não superou, o legado que deixou. Por estas razões o livro organiza-se em três partes complementares:

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– Inovação no capitel – fundamentos históricos, políticos e conceptuais – Olhar sobre uma polifonia complexa – Avançar, sem abdicar, para intervir hoje.

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Na primeira, apresenta-se o contexto em que foi criada esta inovação, o sistema educativo e o modelo escolar em que se desenvolveu. Definem-se também as premissas teóricas e conceptuais em que assentou assim como a história desse processo, integrado num projeto de formação único, num modelo escolar já então obsoleto, num sistema em crise. Na segunda, partilha-se a história e as formas de implementação e desenvolvimento do projeto CRE, a sua organização/concretização e avaliação assim como alguns obstáculos ao projeto. Na terceira, perante as grandes questões colocadas à Educação nos últimos 150 anos, mitigadas sem sucesso por reformas casuísticas, desafiadas pelo presente, apresenta-se uma proposta que visa transformar práticas, ambientes, a vida nas escolas a partir de uma experiência pedagógica metamorfoseada num legado, num novo capítulo em educação. Descreve-se, pela primeira vez de forma sistematizada, a intervenção quotidiana na formação – inicial, contínua, especializada, pós-graduada – e na ligação ao meio (próximo, distante) que fez do CRE um elemento incontornável na apreciação das inovações pedagógicas concretizadas, nos últimos 40 anos, no país e, em particular, no Ensino Superior público.

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PARTE 1

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Inovação no capitel

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Fundamentos históricos, políticos e conceptuais 1. Plataformas de construção

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Tudo deve ser historicizado e contextualizado.

Edgar Morin (2025)

Em educação, a História não tem lições para dar. Mas tem, certamente, matéria suficiente para nos dar que pensar. António Nóvoa (2005)

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Neste capítulo descrevem-se e analisam-se os principais problemas, desafios e reformas que, em Portugal, a educação e o sistema educativo enfrentaram no último século.

1.1. História de um sistema educativo – contexto geral Fazer a história de uma instituição educativa é fundamental, mas não é neste caso o objetivo primeiro deste livro. Quarenta anos depois da sua criação, pretende-se entender o que foi o contributo de uma instituição de ensino superior politécnico para a mudança no sistema de ensino, na área da formação docente e de outros profissionais. Neste capítulo apenas se intenta colocar essa evolução em perspetiva, no contexto em que a sua 31

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