Celebração de um
Encontro
FICHA TÉCNICA EDIÇÃO:
Ex-Libris ® (chancel a Sít io do Livro) TÍTULO: Cel ebração de um Encont ro AUTOR: Ál varo Dionísio REVISÃO:
Ana Domingos PAGINAÇÃO: Paulo S. Resende CAPA: Patrícia Andrade 1.ª EDIÇÃO Lisboa, Setembro 2013 ISBN:
978-989-98448-7-2 363096/13
DEPÓSITO LEGAL:
© ÁLVARO DIONÍSIO PUBLICAÇÃO E COMERCIALIZAÇÃO
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Celebração de um
Encontro
A todos os antigos camaradas fuzileiros e amigos
CELEBRAÇÃO DE UM ENCONTRO
Introdução Já no início deste século, ano de 2005, Alma tomou a iniciativa de realizar um encontro – o primeiro – entre camaradas que tinham andado juntos na guerra em Angola. O local escolhido foi a antiga Escola de Fuzileiros, em Vale de Zebro, Unidade que os tinha preparado para essa missão. À primeira vista, seria mais um encontro de antigos militares, igual a tantos outros; não fora o facto da cerimónia religiosa vir a ser celebrada por um ex-oficial de Marinha, também fuzileiro: o Imediato do Destacamento Delta, Pedro Viana, outrora companheiro de armas. Foi a celebração desta missa, agora pelo então Frei Viana, que impulsionou o autor deste livro – agnóstico – a inflectir para os domínios da ciência e da religião. Impressionou-o sobremaneira as razões que levaram um oficial de carreira a sair da Marinha: a trocar as suas armas de combate pelas “armas de Jesus”; o pensamento por si formado de que a maioria das pessoas tinha uma “ideia triste de Deus”, inclusive os anteriores companheiros de armas. Para o autor, a religião está associada ao pensamento humano (quando não há actividade) na busca de uma resposta; também a
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ciência, de forma diferente, procura a verdade. Os mistérios da vida, do Universo e da morte. Uns acreditam, outros não, no Divino, mas ninguém é indiferente! Por isso, meditei também sobre estes temas, com particular destaque para a figura histórica de Jesus. Contudo, os episódios do encontro não foram esquecidos e prosseguiram quando a missa terminou. Por último, importa dizer que o cenário e as personagens são reais. Porém, os seus nomes e alguns episódios são fictícios.
Lisboa, 2013-08-05
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Vale de Zebro: Escola de Fuzileiros – Eh malta! Vamos entrando. A missa vai já começar… o Frei Pedro Viana está lá dentro à nossa espera! – proclamava o Alma, também conhecido por Almafuzo, num frenesim imparável… e havia razões para isso! Afinal tinha sido ele o promotor do tão desejado encontro entre camaradas que em tempos recuados haviam partido para Angola. A Escola de Fuzileiros era o local escolhido para o encontro, que contava com a participação empenhada do Comandante com quem o Almafuzo traçara as coordenadas. Contava também com a presença de outras altas patentes e demais representantes. Por isso, e muito mais, Almafuzo estava interessado que tudo corresse bem; era um dia especial e de enormes expectativas! Na agenda do programa figurava a celebração de uma missa em homenagem aos companheiros já falecidos. A missa, em si mesmo, não constituía surpresa, não fora o facto de o seu celebrante ser um antigo camarada de armas em Angola: o oficial e Imediato Pedro Viana! – Eu bem disse ao Imediato Viana que o pessoal não estava para aí voltado… – confidenciava Almafuzo a Eduardo Tiago.
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Ainda cedo, por volta das oito horas, começaram a surgir as primeiras movimentações no Corpo de Fuzileiros dos antigos companheiros de armas. Vinham de todos os pontos do País, e até do estrangeiro, para entusiasticamente confraternizarem o acontecimento. A alegria irradiava por todo o lado. Uma boa parte fazia-se acompanhar das suas mulheres, filhos e mesmo netos! Encaminhavamse apressadamente para a Porta de Armas a pé ou de carro, de onde – cumpridas as formalidades – saíam depois disparados como se não houvesse tempo a perder… Era a materialização de um sonho: o reencontro de antigos companheiros de armas – alguns pela primeira vez – para reviver o passado e saborear velhas amizades guardadas há 40 anos! À medida que cada participante avistava um ex-companheiro aproximava-se dele, às vezes, após breve “descodificação”… logo os braços se abriam, abraçando-se de imediato num sentimento profundo, de alma cheia e com toda a força do coração. Não raras vezes, acontecia uma ou outra lágrima fugidia escapar descontroladamente. As conversas – quase sempre inacabadas – multiplicavam-se e dividiam-se por pequenos grupos em formação rodopiante. Momentos depois, passeava-se já pelos locais da Escola de Fuzileiros em diálogo compassado… olhar retardado à distância… dedo indicador apontado para os sítios onde ficavam as casernas, o tanque de lavar a roupa, o refeitório, a parada, o ginásio, as pistas de lodo e todo o pormenor que a memória ainda conservava. Tinha sido essa a “Escola” por onde todos passaram juntos, momentos difíceis mas bons, convividos na plena juventude de outros tempos! Mas ainda havia muito mais para recordar… só que então apareceu o Alma! Veio avisar “o pessoal” para se reunir em frente ao Monumento dos Fuzileiros, onde iria ocorrer a cerimónia militar.
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Já com a Guarda de Honra formada, a voz de comando, mais o toque do clarim, deu-se início à cerimónia, acto solene e comovente que envolveu toda a gente. Antigos combatentes e familiares homenageavam, assim, os seus mortos junto ao Monumento. Terminada a cerimónia, os confraternizantes encaminharam-se para o local de culto onde nos encontrávamos no começo da narrativa. Do lado de fora da Capela, em frente à entrada, encontravamse já alguns camaradas, cruzando-se entre si amadurecidas conversas cerejeiras naquela manhã de Primavera antecipada e de sol esplendoroso. Emocionado, Eduardo Tiago conversava a gosto com o seu amigo André Teixeira, há muito residente no estrangeiro, tendo também ele e a sua mulher se deslocado a Portugal para participar na grande festa. Tratava-se de um acontecimento ímpar, que visava igualmente homenagear, de forma singular, os “quatro pioneiros” formadores dos fuzileiros – um deles falecidos à data. Pela primeira vez, antigos camaradas e combatentes iriam assistir a uma missa celebrada pelo Imediato, agora Frei Dominicano, Pedro Viana! Aos poucos, para surpresa do Almafuzo e alguns de nós, o interior da Capela foi-se enchendo... Por uma passadeira vermelha estendida passavam os antigos militares e acompanhantes que, relançando estrategicamente o olhar para os lugares vagos, os iam ocupando. A certa altura, mesmos os espaços laterais, junto às paredes, estavam igualmente preenchidos; tamanho era o interesse da comunidade ali reunida! Curiosidade? Manifesto arrebatamento cristão? Ou ambas coisas? Qualquer delas, ou todas juntas, revelava algo inédito: assistir a uma missa celebrada por um ex-fuzileiro! Junto ao altar encontrava-se já o Imediato Pedro Viana – agora de hábito – proferindo informalmente as seguintes palavras:
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– Para mim é um momento emocionante: é a primeira vez que o Imediato do Destacamento Delta pode celebrar a Eucaristia com aqueles que foram os meus companheiros de muitas coisas… Daqui há momentos queria fazer umas confidências que têm a ver quando há 40 e tal anos estava convosco noutras missões. Prosseguindo, dizia Frei Viana: – A missa, vocês conhecem bem a alma desta celebração, será acompanhada com folhetos que tenho para distribuir por vós, mas o Almafuzo disse-me que uma centena chegavam, porque iria ficar tudo lá fora. Afinal, a maioria está cá dentro! Por isso, os folhetos para a sequência da celebração da missa não chegam, infelizmente, para todos. Seguidamente, já todos de pé e uma boa parte de folhetos entre as mãos, acompanhavam atentos a celebração litúrgica de Frei Pedro Viana com estas palavras: – Nós somos tomados a ter responsabilidades e sabemos o que é estar em nome de alguém, ser enviado em nome de alguém, estar em nome pessoal, familiar ou até em nome de um País. Lembrar que somos cristãos e estamos aqui também em nome de Alguém. Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo… Não muito distante do altar, encontrava-se uma pequena mesa, coberta com uma toalha branca e, sobre esta, antigas armas de guerra! Frei Pedro Viana pegou em algumas delas e, manejando-as com todo o à-vontade e irrepreensível perícia de outros tempos, explicava a sua utilização, perante a admiração de todos, dizendo: – Acham estranho, uma espingarda e uma granada? Para nós foi uma desgraça! Não eram armas tão sofisticadas como aquelas que são hoje; também havia bazucas e morteiros, lembram-se disso?! Estas
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foram as armas que usávamos. Claro que os mais novos, filhos e netos que aqui estão presentes, não sabem o que isso era… Seguidamente, Frei Viana relembrou que eram essas armas que dormiam connosco, quando fazíamos o patrulhamento no Zaire e em Cabinda, e que nos acompanhavam para todo o lado... – Só não se fazia amor com elas, como era evidente! Mas tínhamos toda a atenção com elas – concluiu. Eduardo Tiago ouvia atentamente as palavras de Frei Viana – ali tão próximo de si – em vestes sacerdotais, a pregar os ensinamentos de Cristo como se estivesse a falar connosco em outras ocasiões. Todos os ouvintes, em especial os que conviveram com ele em Angola, sentir-se-iam, por certo, orgulhosos!
Imagem do antigo fuzileiro Eduardo Tiago direccionou o seu pensamento para a imagem guardada desse antigo oficial fuzileiro: Pedro Viana, Imediato do Destacamento Delta de Fuzileiros Especiais, a segunda personagem hierarquicamente mais importante do seu comando. Esse pensamento rolou para um passado algo distante; passado que emergia agora e caminhava lado a lado com o presente. Dir-se-ia que naquela mesma pessoa se associava a imagem virtual, esfumada pelo tempo, à imagem real, do presente. Ambas pareciam sobrepor-se, mesmo confundiremse, como o leito de um rio em que as águas seguem o seu percurso, mas o rio permanece. Os anos haviam corrido por Pedro Viana e por todos nós. Não eram assim tão poucos! Todavia, o passado estava ali ao nosso lado! Agora, já não a montante, mas a sua imagem continuava presente! A imagem do oficial de Marinha em funções rotineiras e
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burocráticas; ou a de fuzileiro nas missões especiais: em operações de guerra, no mato ou nos rios em Angola; em situações particulares vividas nos postos do Zaire. O Imediato Pedro Viana, 1.º Tenente, de uniforme alinhado, estatura alta e condigno porte militar. Pedro Viana já então usava barba comprida e cuidadosamente aparada; só que agora sobressaíam algumas pontas brancas da idade. Mas o cabelo “curto”, o mesmo de sempre! Teria uns magros 25 anos, solteiro, como a maioria do pessoal, e como ele próprio recordou, só dois ou três, no Destacamento, eram casados, de entre eles o Comandante Páscoa Rodrigues. Pedro Viana era uma figura apresentável, pessoa educada e de fino trato. Aparentava ser um “bem-nascido” e sê-lo-ia, decerto! Nas suas conversas e diálogos, de breve duração, assumia pendor pedagógico, quase paternalista. Provavelmente, fruto de uma educação escolástica, marcadamente religiosa. Não achava lá muita graça às piadas e palavrões de caserna ou, pelo menos, tentava disfarçar... Diga-se de passagem que o comandante Páscoa Rodrigues também não. Mas este por motivos diferentes: entendia que o uso frequente de certos vocábulos (“caralh…”, “fod…-se”, “vai-te fod…”) era um mau hábito para os seus “recorrentes”. Estes dificilmente se libertariam do vício e usá-la-iam um dia mais tarde, em convívio familiar e com amigos. Por isso, instituiu uma regra: cada um que empregasse esse vocabulário, poria uma moeda num mealheiro colectivo. Assim, de forma pedagógica, pretendia corrigir o seu uso! É certo que Pedro Viana apoiaria o sancionamento pedagógico de tais medidas. Mas não terá sido só por isso: ele próprio não gostava de ouvir esse “palavreado”! Claro que os praças (na presença do Comandante ou do seu Imediato) evitavam dizer “das suas”… só que, às vezes, lá escapavam!…
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Pedro Viana tinha um tipo de humor próprio e gostava de responder directamente às perguntas do pessoal e, conforme as circunstâncias, com a sua costumada subtileza, ironia ou mesmo mordacidade graciosa! A par disso, revelava uma certa humanidade e generosidade de sentimentos. Frei Pedro Viana – actualmente na casa dos 60 e qualquer coisa anos… – mantinha ainda os mesmos traços: um pouco mais de barriga, não muito; cabelo algo fragilizado, algumas brancas aqui e ali, em solidariedade com suas barbas aparadas; óculos – claro – escuros, de uso permanente e não já temporário, como antigamente. Mesmo assim, mantinha a inquebrantável postura, os mesmos gestos e maneira de estar. A sua voz – “aquela voz”! – agora como dantes, inconfundível. Ao mesmo tempo que estes pensamentos navegavam na memória de Eduardo Tiago, outros surgiam rapidamente! O comportamento actual de antigos companheiros, em perfeita sintonia com os rituais litúrgicos. – Hoje – dizia Frei Viana –, gostaria de falar convosco de outras armas e de outros combates. Estas são as armas que não tem a ver com a idade nem com o que se passou: são as armas de Jesus. Assim colocava um parêntesis no seu passado militar, ao decidir dedicar-se a “outros combates”. Pedro Viana estava a meio da sua comissão em Angola quando passou a comandar o Destacamento Delta do qual era Imediato (2.º Comandante). Terá sido nessa qualidade que acedeu a um conjunto de informações militares, decorrentes da sua participação em reuniões operacionais de elevado nível. Descobriu então que a guerra não era só o combate entre contentores, envolvidos em confronto directo ou emboscados, mas que ia muito para além disso nas suas práticas e consequências, acarretando a morte de
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inocentes (homens, mulheres e crianças) e a destruição das próprias populações civis. Na verdade, a guerra desencadiava ódios, semeava vinganças e aguçava a sede de matar. Na guerra, a vida humana jogava-se na mira de uma espingarda de disparo solitário e certeiro, ou no lançamento de umas tantas granadas numa emboscada, sob fogo intenso de violentas rajadas. Na guerra, o rescaldo avaliava-se quase sempre pelo rácio entre as operações bem e mal sucedidas: avanços e recuos. Conquistas no terreno adversário e tomadas de posições estratégicas; material apreendido e número de prisioneiros capturados; baixas sofridas e perdas de vidas humanas. Em combate, tão ou mais importante que as tácticas, as estratégias e o armamento é a coragem, a audácia, a tenacidade e bravura dos soldados: o espírito de sacrifício e sofrimento, esforçado cansaço passo-a-passo, vigilante, desconfiado de armas engatilhadas em terreno incógnito, onde o perigo espreita, o silêncio assusta e os disparos matam! É a dor das emboscadas de morte nas retiradas vazias e inconformistas; é a capacidade sublimada em amargas bebedeiras, tristes e perturbantes, em pensamentos divididos, enrolados na fumaça de um cigarro. São conversas desalinhadas até ao próximo combate. Quem sabe se o último!
A opção de Pedro Viana Quando Pedro Viana começou a comandar o Destacamento de Fuzileiros (DFE-D), em Angola, teve acesso a informações militares que até aí estavam reservadas as altas Chefias Militares da Região, como se disse. Por inerência da função, veio depois a participar em algumas reuniões, cuja colaboração com a Polícia do Estado (PIDE) se tornara
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uma realidade incontornável com a qual se viu envolvido. Apercebeuse então da grande teia montada nos “corredores da Guerra”: os processos que eram empregados na contraguerrilha e a barbaridade crua dos métodos aplicados. O principal objectivo era vencer a Guerra, quaisquer que fossem os métodos usados; desde que os fins fossem alcançados. Tudo o mais ficava justificado. Para o jovem oficial, crente e temente a Deus, pactuar com tudo isso era expiar uma culpa para o resto da sua vida. Não era tanto – diria mais tarde – o grito das armas e o fogo cruzado entre forças inimigas que o desconfortava, mas um conjunto de valores éticos e morais que estava aquém da guerra: a ausência de princípios e de uma moral sem escrúpulos que levava à tortura e causava sofrimento às populações civis. No seu pensamento, esta subversão de valores apresentava-se como contravalores. O então comandante Pedro Viana viu-se assim “apanhado” numa armadilha com a qual não contava. Ou de todo não havia previsto! Sendo um oficial de Marinha, por ambição ou outras motivações, acabaria por alterar o seu percurso na carreira militar quando optou pela Formação de Fuzileiro Especial, em Vale de Zebro. Era o início da guerra em África. Dissera mais tarde Frei Viana que a tortura mexera com ele (não só com ele...). Reconhece que muitos dos que viveram a situação da Guerra no Ultramar sofrem, ainda hoje, enormes traumas e pesadelos. Quanto a ele, os pesadelos acompanharam-no ainda durante muito tempo. Talvez que, à época, Frei Viana não tenha avaliado bem a dimensão do problema da guerra, não obstante ser um privilegiado oficial de Marinha, oriunda de uma classe elitista a vários níveis: pela tradição cultural e histórica, suporte económico e social; formação académica mais elevada e consequentemente uma classe mais esclare-
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cida. Regra geral, não era exactamente o caso das classes subalternas de praças e de sargentos Pois bem, quando a guerrilha se propagou no Ultramar, inicialmente em Angola, com a ocorrência de tristes e trágicos acontecimentos já conhecidos, houve um clamor na sociedade portuguesa. A maioria dos seus cidadãos acolheu com indignação e espírito de revolta a notícia difundida pelos órgãos informativos, os jornais, rádio e televisão, etc. A reacção política foi, como sabemos, a imediata mobilização dos militares portugueses para o Ultramar. A posse e manutenção dos territórios africanos era intransigentemente defendida pelo regime de então. Igualmente, um sentimento nacional e patriótico respondia positivamente ao apelo mobilizador de Salazar em defesa do Ultramar Português. Só mais tarde, já a meio do final da guerra, a sociedade civil portuguesa – que aos poucos vinha esmorecendo o seu apoio – mudou de opinião e passou a contestar o seu envolvimento na guerra. Até então, só mesmo uma inexpressiva minoria de pessoas, ideológicas e politicamente convictas, se situava no pólo oposto. Ainda assim, não defendiam o abandono das Colónias e algumas “dessas pessoas” foram mesmo para a guerra combater. Só um número reduzido de cidadãos, por razões várias e nem sempre políticas…, preferiu sair ou emigrar do País. Neste contexto, Pedro Viana aderiu ao “apelo patriótico” e foi para a guerra. Não como elemento integrado numa Força Naval (3.º Oficial ou Imediato…), mas como Fuzileiro Especial, assim que terminou a respectiva Formação. Fez a sua opção pelo risco, ao incorporar a renascente força elitista de Fuzileiros da Armada Portuguesa. Depois, no teatro de guerra e após sucessivos contactos com a realidade, e a práxis militar em campanha – por vezes em operações conjuntas dos três ramos –, veio então sentir-se profundamente chocado. Admitiria
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mais tarde que as guerras eram em si mesmas destrutivas e viver a combater nelas seria como viver no inferno! Eduardo Tiago também concorda. Mas ao mesmo tempo pensa que nada disso é novo! Sempre assim foi ao longo das História: mata-se, tortura-se comete-se os piores horrores e a vida humana é esquecida. Tem pouca ou nenhuma importância. Quanto ao factor humano, o seu comportamento e reacções são bem diferentes em tempo de guerra ou em tempo de paz. Difícil é tipificar, pior ainda, tentar generalizar. A destruição, por vezes maciça, de populações civis e morte de inocentes sempre aconteceu, desde a Antiguidade, há muitos milénios de anos atrás. Isto não significa que não mereça um total repúdio e condenação. Aliás, ainda hoje estão a ser julgados, nas instâncias internacionais, crimes de guerra. Foi em obediência à protecção de valores e a princípios de dignidade humana que se publicaram Leis Internacionais visando prevenir os abusos e os crimes de guerra. A Convenção de Genebra, publicada a seguir à Segunda Guerra Mundial (1950) e que passou a vigorar em Portugal a 14 de Setembro de 1961, proíbe “ofensas contra a vida e a integridade física, especialmente o homicídio sob todas as formas, tratamento cruel, tortura e suplícios; proíbe que as pessoas tomadas como reféns sejam ofendidas na sua dignidade (…), especialmente tratamentos humilhantes e degradantes” (art.º 3.º 1/a, b e c). “Os prisioneiros de guerra devem ser tratados com humanidade; proibindo, em especial, a sua submissão a qualquer mutilação” (art.º 13.º). Ainda pela mesma ocasião (1948), foi publicada a Declaração Universal dos Direitos Humanos. Logo, a questão deve centrar-se na natureza do Homem que é capaz de fazer o melhor como também o pior. As guerras são sempre o pior! Mesmo nestas situações de conflito,
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a história regista gestos humanos de sublime nobreza e entrega; há sempre alguém que arrisca a vida para socorrer a do próximo, seja ele companheiro de armas (praça ou oficial) ou criança abandonada. Pedro Viana confrontou-se consigo mesmo. Estava perante um dilema entre permanecer ou sair da Marinha! Deixar de envergar o seu uniforme de oficial – branco e azul, de que tanto se orgulhava – e o convívio aberto entre os seus iguais ou entre praças e sargentos, com regras bem conhecidas. Voltar novamente para a guerra significava violentar-se espiritualmente; considerava uma afronta aos valores morais e um “atentado a Cristo”. O desejo de se tornar Capelão na Marinha era uma alternativa que lhe agradava, mas irrealizável; logo, uma hipótese afastada à partida. Assim, a opção de Pedro Viana de trocar o uniforme pelo hábito foi uma decisão reflectida e difícil. Mas outros valores mais altos se erguiam e não lhe era possível conciliar a sua carreira militar com a sua vocação religiosa. Talvez como Capelão, mas isso era-lhe então impossível. Pedro Viana provinha de uma família numerosa, da classe média, provavelmente média superior e culta. Ele era um celibatário que, se chegou algum dia pensar em casar-se, com o passar do tempo, essa ideia desvaneceu-se. Os seus companheiros do Curso de Cadetes, na Escola Naval, e os fuzileiros que estiveram consigo em Angola (solteiros à época) estavam agora todos casados. Só ele se mantinha solteiro. Tal como Jesus, ele era um celibatário! Cristo não participou em guerras, era um facto, mas também houve homens que deixaram a vida mundana para seguirem o exemplo de Jesus, como Francisco de Assis, fundador da Ordem dos Franciscanos, que, depois de uma vida mundana, iniciou em 1205 uma vida de pobreza austera e poucos anos
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depois (1209), dedicou-se à pregação da pobreza. Como missionário, passou por Espanha, Egipto, Palestina, etc. Foi canonizado Santo em 1228. Inácio de Loiola (1491-1556) – que foi um dos mentores da Reforma Igreja Católica – fundou a Companhia de Jesus da qual se tornou o seu Superior-Geral. Francisco Xavier (1506-1552), jesuíta Espanhol, Mestre de Artes e Teologia pela Universidade de Paris, foi apóstolo do Oriente (a pedido de João III de Portugal) e juntou-se a Santo Inácio de Loiola. Ora, Pedro Viana estava liberto de encargos familiares, encontrando-se assim disponível para responder ao apelo fervoroso que sentia dentro de si e trilhar a via religiosa, tornando-se Frade. Conseguiu então sair da Marinha, não sem grandes dificuldades, por ser oficial de carreira e depois porque decorria em pleno a guerra colonial. Os motivos exigidos para passar a disponibilidade tinham de ser fortes e convincentes: doença grave! Mas ele gozava de perfeita saúde! Poder-se-á imaginar os inúmeros requerimentos, exposições e pedidos de intervenções invocando as mais variadas razões… Por fim, lá conseguiu sair! Como dissera, alguns anos depois: “Graças a uma série de circunstâncias e de ajudas imprevisíveis.” Deus esteve do seu lado e as coisas aconteceram como Deus queria. Inicialmente, Frei Viana passou a pregar pelo País profundo, por terras e aldeias de Portugal, até que se recolheu a um Mosteiro – algures na Europa – para orar e meditar, intervir e aprofundar estudos teológicos. Ainda na Marinha, chegou a participar em reuniões, politicamente “recatadas”, no Clube Naval. Discutia com os seus camaradas acerca da Guerra do Ultramar e o regime político que a suportava. Possivelmente, nessa fase, a guerrilha nos territórios africanos acusasse já
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um certo cansaço, impondo-se uma solução para o problema que não fosse a força das armas. A resolução apontava para uma solução política, como depois veio a acontecer, em circunstâncias que não terão sido as melhores… O último combate dos militares portugueses nos territórios africanos de Angola, Guiné e Moçambique deu-se ao fim de 13 anos! A sua consequência foi a morte de quase 10.000 portugueses, milhares de feridos e tramautizados psíquicos, o fim do Império Português em África e a sua independência política1. Uma independência acelerada, atabalhoada e por vezes caótica e o êxodo maciço das minorias brancas de Angola e Moçambique, na sequência de um processo revolucionário que teve origem no Golpe Militar de 25 de Abril de 1974, que nascera do “movimento dos capitães”, assim designado por representar uma classe de oficiais – os capitães do exército – em protesto contra uma decisão ministerial (Decreto-Lei n.º 353/73, de 13 de Julho), que permitia o acesso dos oficiais milicianos ao quadro permanente do exército, após um ano de formação na Academia Militar. Esse diploma provocou grande descontentamento entre os oficiais de carreira, sobretudo entre os capitães, os mais afectados com a medida. Tratavase, por isso, de um protesto de cariz corporativo, que depressa passou à contestação política e se transformou na politização do movimento. O Governo procurou remediar a situação, suspendendo o Decreto, mas era tarde demais. O movimento dos capitães, que tomou a designação de MOFA (Movimento de Oficiais das Forças Armadas) e depois 1
Angola tornou-se independente em 11 de Novembro de 1975; Moçambique em 25 de Junho de 1975; Guiné Bissau em 29 de Setembro de 1974; Cabo Verde em 5 de Julho de 1975 e São Tomé e Príncipe em 12 de Julho de 1975.
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de MFA (Movimento das Forças Armadas), estabelecera entretanto contactos com os dois principais Chefes Militares com posições favoráveis a uma solução política para a Guerra do Ultramar: os Generais Costa Gomes e Spínola. Estes jovens oficiais, que haviam combatido na linha da frente com os seus soldados na Guerra do Ultramar, acusavam já um certo desgaste nos últimos anos da guerra… por lado outro, formava-se nos meios académicos uma consciência política cada vez maior sobre “o Estado da Nação”, que se propagava entre militares. Era o prenúncio de uma mudança de círculo na história portuguesa, que viria a surgir com o 25 de Abril de 1974. Depois da tentativa falhada, ou “ensaio” de golpe, em 16 de Março de 1974, conhecido por “Intentona das Caldas da Rainha”, veio fatalmente o golpe do 25 de Abril. Faltavam cinco minutos para as 23h00 do dia 24 de Abril de 1974, quando os Emissores Associados de Lisboa, pela voz de João Paulo Diniz, anunciavam: “Convosco, Paulo de Carvalho com o Eurofestival 74, E Depois do Adeus”. Era o primeiro sinal de alerta para a acção! No Quartel do Carmo, onde se refugiara o Presidente do Conselho, Marcelo Caetano, e ministros do seu Governo, Salgueiro Maia intimou a guarnição a render-se. O histórico encontro entre o Presidente do Conselho e o jovem capitão, então com 29 anos, foi por si descrito da seguinte forma: Marcelo estava pálido, barba por fazer, gravata desapertada, mas digno. Fiz-lhe a continência da praxe e disse-lhe que queria a rendição formal e imediata. Declarou-me já se ter rendido ao Sr. General Spínola, pelo telefone, e só aguardava a chegada deste para lhe transferir o Poder, para que o mesmo não caísse
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na rua! Declarou esperar que o tratassem com a dignidade com que sempre tinha vivido e perguntou o que ia ser feito dele. Declarei que certamente seria tratado com dignidade, mas não sabia para onde iria, pois isso não me competia a mim decidir. Perguntou a quem competia. Declarei que a “Óscar”. Perguntou quem era “Óscar”. Declarei ser a Comissão Coordenadora. Perguntou-me quem eram os chefes. Declarei serem vários oficiais, incluindo alguns generais, isto para que ele não ficasse mal impressionado por a Revolução ser feita essencialmente por capitães. Perguntou-me ainda o que ia ser feito do Ultramar. Declarei-lhe que a solução para a guerra seria obtida por conversações.
Derrubado o regime, foi formada uma Junta de Salvação Nacional (JSN), cujo Programa do MFA ditava assim a sua acção: Considerando que, ao fim de 13 anos de luta em terras do ultramar, o sistema político não conseguiu definir, concreta e objectivamente, uma política ultramarina que conduza à paz entre os Portugueses de todas as raças e credos (…); Considerando que a definição daquela política só é possível com o saneamento da actual política interna e das suas instituições, tornando-as, pela via democrática, indiscutidas representantes do Povo Português; Considerando ainda que a substituição do sistema político vigente terá de processar-se sem convulsões internas que afectem a paz, o progresso e o bem estar da Nação: O Movimento das Forças Armadas Portuguesas, na profunda convição de que interpreta as aspirações e interesses da maioria
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do Povo Português e de que a sua acção se justifica em nome da salvação da Pátria, fazendo uso da força que lhe é conferida pela Nação através dos seus soldados, proclama e comprometese a garantir a adopção das seguintes medidas, plataforma que entenda necessária para a resolução da grande crise nacional que Portugal atravessa.
Quanto à política externa, o Governo Provisório respeitaria os compromissos assumidos internacionalmente, decorrentes dos tratados em vigor. Sobre Ultramar, o ponto oito do texto documental dizia o seguinte: A política ultramarina do Governo Provisório, tendo em atenção que a sua definição competirá à Nação, orientar-se-á pelos seguintes princípios: a) Reconhecimento de que as soluções das guerras no ultramar é política, e não é militar; b) Criação de condições para um debate franco e aberto, a nível nacional, do problema ultramarino; c) Lançamento dos fundamentos de uma política ultramarina que conduza à paz. Nas suas considerações finais, afirmava-se que: “Logo que eleitos pela Nação a Assembleia Legislativa e o novo Presidente da República, será dissolvida a Junta de Salvação Nacional (…).” A JSN, presidida pelo General António Spínola, foi extinta pela Lei n.º 5/75, de 14 de Março, e nessa mesma data foi formado o Conselho da Revolução.
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A Assembleia Constituinte foi eleita por sufrágio universal directo, realizado em 25 de Abril de 1975, que aprovou a Constituição da República Portuguesa em 2 de Abril de 1976. O primeiro Presidente da República constitucionalmente eleito foi o militar Ramalho Eanes, em 14 de Julho de 1976. O I Governo Constitucional, eleito pós 25 de Abril de 1976, tomou posse a 23 de Julho desse mesmo ano, constituído pelo Partido Socialista e presidido por Mário Soares. Depois da primeira revisão constitucional de 1982, o Conselho da Revolução foi extinto. Desde o período da Guerra Colonial e 25 de Abril de 1974, até ao momento da celebração daquele encontro de 2005, decorreram um conjunto de acontecimentos de vária natureza (política, cultural, económica, científica e religiosa) que alteraram o mundo à nossa volta e influenciaram a nossa maneira de pensar. No seu epicentro – ressalvando os cataclismos naturais – aparece sempre a acção do homem, quer para o bem, quer para o mal. Foi assim que: • Em 1967, foi realizado o primeiro transplante ao coração pelo Dr. Christian Bernard, na África do Sul; • Em 1969, Neil Armstrong foi o primeiro homem a pisar a Lua; • Em Julho de 1978, na Inglaterra, e depois em Portugal, em 1986, nasceram os bebés provetas pela aplicação da inseminação artificial, tecnicamente designada por fertilização in vitro; • O Papa João Paulo II, em 1981, foi vítima de um atentado, e também nessa data o Presidente Egípcio Anwar Sadat foi assassinado num desfile militar no Cairo;
CELEBRAÇÃO DE UM ENCONTRO
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Surgiram golpes militares em África, na Nigéria (1983/1985) e no Próximo Oriente, a primeira intifada na Faixa de Gaza e na Cisjordânia, em 1987; A fome na Etiópia (1984-1985) congregou esforços internacionais, cuja solidariedade contou com a actuação do famoso concerto ao vivo Aid, em Julho de 1985; Houve protestos estudantis na Praça de Tiananmen, em 1989, na República Popular da China, em que os manifestantes exigiam reformas políticas e foram esmagados pelo Exército de Libertação Popular. No plano científico foi identificado o ADN, descrito como um composto orgânico, cujas moléculas contêm as instruções genéticas que coordenam o desenvolvimento e funcionamento de todos os seres vivos; Se popularizou o Microsoft Windows, especialmente após o Windows 95; os telemóveis; e o GPS (Global Positioning System ou Sistema de Posicionamento Global), isto é, sistema de navegação por satélite; Crises financeiras atingiram a Ásia, em 1997 e 1998, após grandes desenvolvimentos económicos dos designados Tigres Asiáticos (Singapura, Taiwan, Coreia do Sul, Hong Kong – cidade incorporada na China, em 1997), baseados numa economia agressiva, sobretudo industrial, apostada na exportação. Chegaram a atingir 202% do PIB em Singapura e 132% em Hong Kong; Se deu o colapso do Comunismo e o fim da Guerra Fria (1945-1991); Se reunificou a Alemanha, em 3 de Outubro de 1990;
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ÁLVARO DIONÍSIO
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Se deu o fim do apartheid na África do Sul. Frederik W. De Klerk assumiu a presidência em 1989. Em 1990, o novo presidente conduziu o regime sul-africano a uma mudança que pôs fim ao apartheid. O líder negro Nelson Mandela, que desde 1964 cumpria pena de prisão perpétua, foi posto em liberdade. Nas primeiras eleições livres, ocorridas em 1993, Mandela foi eleito presidente da África do Sul e governou de 1994 a 1999; Em 9 de Outubro de 1998, a Academia Sueca atribuiu o prémio Nobel ao escritor português, José Saramago, tinha então 75 anos; Aconteceu o genocídio do Ruanda, onde mataram um milhão de pessoas (1994); Benazir Bhutto foi duas vezes eleita primeira-ministra do Paquistão, sendo a primeira mulher a ocupar o cargo de chefe de governo de um estado muçulmano; Em Janeiro de 2002, o Euro se tornou moeda oficial da maioria dos países da União Europeia: 12 Estados, incluindo Portugal.
A globalização foi um dos processos de aprofundamento da integração económica, social, cultural, política. • Em 11 de Setembro de 2001 ocorreu o ataque terrorista, da Al-Qaeda, ao World Trade Center, em Nova Iorque; • Em 2003, Saddam Hussein (Presidente do Iraque) foi deposto, capturado e preso. Em 2006 foi condenado à morte e executado na forca; • Em 2004, a Al-Qaeda perpetrou atentados terroristas próximo de Madrid, causando a morte a 191 pessoas;
CELEBRAÇÃO DE UM ENCONTRO
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Em 2005, decorreu um ataque terrorista a Londres, pela Al-Qaeda.
Foram rápidas as mutações no mundo e deram-se ainda no nosso tempo! Algumas vezes nem dávamos por isso… outras, o esquecimento se encarregava de as apagar. Já não havia mais a lentidão de crianças a brincar nas tardes calmas de província, nos verões de trigo colocado nas debulhadoras. Nem crianças a correr e a pular por entre medas, fardos e sacos de trigo, a inventar quantas vezes queria ao dia! Mas isso aconteceu no tempo em que tudo era igual, os dias demoravam a passar; crescer e tornar-se adulto era um processo quase adiado! No final das contas, tudo se passou depressa demais e só a saudade ficou. O mundo dos dias de hoje já não se identifica com o do século passado. Uma vez mais, o avanço da ciência, capacidade criadora e inventiva do homem, permitira chegar às maravilhas tecnológicas actualmente existentes. O que não deixa de ser curioso é que todas essas investigações e descobertas, nas diversas áreas científicas, foram vivenciadas por uma grande parte da geração sénior. Desse ponto de vista, fomos uns privilegiados. Vivemos num mundo global – embora não saibamos bem o que ele seja – em que a informação online chega (às vezes perigosamente) a toda a parte do planeta. Não há dúvidas que a transmissão de novos conhecimentos influenciaram a nossa vida quotidiana: familiar e socialmente. Certamente também o comportamento e o pensamento espiritual e religioso. Depois deste périplo à história recente, regressamos ao ex-fuzileiro Pedro Viana, rumo a “outros combates”, agora numa perspectiva religiosa.
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