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Biologia humana, sedução e sucesso | 3.ª Edição

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Porque diferem homens e mulheres em certos comportamentos e formas de pensar? Terão todos os indivíduos a mesma predisposição para se reproduzirem? Que fatores moldaram a evolução psicológica e intelectual do ser humano? E quais são os mecanismos que realmente influenciam a atração e a sedução?

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Desafiando interpretações convencionais, este livro convida o leitor a olhar para a natureza humana sob uma perspetiva diferente, através de hipóteses originais e reflexões inesperadas.

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Manuel Cardoso é licenciado em Matemática. Foi também um excelente jogador de xadrez. Nesta obra estão incluídas as suas mais importantes descobertas em biologia humana.

www.sitiodolivro.pt

Biologia humana, sedução e sucesso 3.ª Edição

Em Biologia Humana, Sedução e Sucesso, o autor apresenta uma interpretação original e provocadora da natureza humana, explorando temas como reprodução, inteligência, atração, sedução, sucesso social e diferenças comportamentais entre homens e mulheres. Inspirada pela biologia evolutiva e pela observação do comportamento humano, esta obra propõe reflexões ousadas sobre mecanismos psicológicos e sociais que raramente são discutidos sem filtros ou convenções.

Manuel Cardoso

O que determina verdadeiramente o comportamento humano? Até que ponto a biologia e a evolução influenciam os nossos desejos, crenças, relações e ambições?

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BIOLOGIA HUMANA,

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SEDUÇÃO

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autor: Manuel Cardoso

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título: Biologia humana, sedução e sucesso

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edição gráfica: Edições Ex-Libris® (Chancela Sítio do Livro) paginação: Paulo S. Resende

arranjo de capa: Ângela Espinha

3.ª edição Lisboa, julho 2026

isbn: 978­‑989-9198-56-2

depósito legal: 566641/26

© Manuel Cardoso

Todos os direitos de propriedade reservados, em conformidade com a legislação vigente. A reprodução, a digitalização ou a divulgação, por qualquer meio, não autorizadas, de partes do conteúdo desta obra ou do seu todo constituem delito penal e estão sujeitas às sanções previstas na Lei.

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Declinação de Responsabilidade: a titularidade plena dos Direitos Autorais desta obra pertence apenas ao seu autor, a quem incumbe exclusivamente toda a responsabilidade pelo seu conteúdo substantivo, textual ou gráfico, não podendo ser imputada, a qualquer título, ao Sítio do Livro, a sua autoria parcial ou total.

publicação e comercialização:

www.sitiodolivro.pt publicar@sitiodolivro.pt (+351) 211 932 500


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PREFÁCIO

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As ideias centrais deste livro começaram a tomar forma há já vários anos. Desde então, a ciência — em particular a genética e a neurociência — continuou a evoluir, refinando, corrigindo e, por vezes, contrariando pressupostos anteriores. Um exemplo disso diz respeito à hipótese de que as mulheres, por possuírem dois cromossomas X, transmitem uma parcela substancialmente maior da inteligência aos filhos do que os homens. Na altura, referi uma proporção aproximada de 75% contra 25%, valor que sempre considerei provisório. A evidência atual sugere que essa diferença é consideravelmente menor — talvez mais próxima de 60% contra 40% —, embora ainda haja incerteza. Nos últimos anos, muitos genes associados às capacidades cognitivas foram identificados nos cromossomas autossómicos, e não apenas no cromossoma X. A inteligência, como hoje parece claro, está muito mais distribuída pelo genoma do que os modelos anteriores sugeriam. O que parece manter-se verdadeiro, contudo, é que os homens, por terem apenas um cromossoma X, podem em certos casos ser mais vulneráveis a determinadas fragilidades 7


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e apresentar valores mais extremos em algumas características, incluindo mentais. Esta observação, embora mais modesta do que afirmações anteriores, continua a enquadrar-se no quadro biológico mais amplo explorado neste livro. Importa sublinhar que estes desenvolvimentos científicos não comprometem de forma significativa os principais argumentos aqui apresentados. As ideias fundamentais permanecem válidas, e o leitor pode facilmente adaptá-las à luz do conhecimento empírico mais recente. Esta obra é, pela sua própria natureza, largamente especulativa. Não pretende oferecer respostas definitivas, mas antes assumir a coragem de avançar hipóteses, propor interpretações e explorar linhas de raciocínio pouco convencionais. Ao fazê-lo, incorre inevitavelmente no risco de erro em alguns pormenores. Ainda assim, o progresso intelectual sempre dependeu dessa disposição para pensar com ousadia, aceitar a incerteza e permitir que o tempo e a evidência venham a aperfeiçoar aquilo que, inicialmente, foi apenas compreendido de forma parcial.

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INTRODUÇÃO

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Neste livro faço críticas sérias ao darwinismo, como ele é geralmente entendido. É preciso compreender, no entanto, que toda a argumentação se enquadra num certo darwinismo, de aceitação da sua forma mais genérica ou abstrata como totalmente verdadeiro; aliás, como algo impossível de não ser verdadeiro. Dito de outro modo, defendo que o darwinismo tem muito que parece ser tautológico. Por exemplo, assegura que «sobrevivem os que sobrevivem», o que está sempre certo, mas é trivial. Esta crítica já foi muitas vezes feita ao darwinismo. Pela minha parte, não pretendo ser negativo quando incido nesta questão. Ambiciono contribuir para melhorar muito a teoria darwinista, pois está repleta de erros e interpretações que conduzem a caminhos errados quando confrontados com os factos. Não admira que geralmente as previsões baseadas no darwinismo traduzam o oposto do que acontece na realidade. Dizer que o darwinismo não faz previsões é como afirmar que o aristotelismo não as fazia na Idade Média. Claro que as fazia. Apenas não eram previsões com rigor matemático. Ao longo do século XX e no início do 9


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XXI as previsões do darwinismo, quando aplicadas ao comportamento e reprodução humanos, foram quase sempre opostas ao que se constatou na realidade. Sendo assim, diria que o darwinismo teria sido refutado se fossemos simplistas (curiosamente, Karl Popper afirmou que o darwinismo não pode ser contestado porque é metafísica, não ciência). Para mim, o darwinismo tem de se enquadrar numa perspetiva científica e ser aprimorado. A acusação de que é tautológico tem pouca relevância, exceto pela curiosidade lógica. Se é tautológico porque tem vindo a realizar tantas previsões erradas? Por isso parece não ser tautológico, mas estabelecedor de uma distorção da realidade… Ou parece tautológico na sua abstração máxima, mas quando se pretende acrescentar algo de concreto, para descer à realidade, não se sabe como fazer e tende a enganar-nos. Ora, é neste ponto que é importante acrescentar conhecimento, corrigir e melhorar. Podemos comparar o processo com certos aspetos das linguagens de programação: quando são de alto nível revestem-se de abstração elevada e se não houvessem os compiladores, que traduzem a linguagem abstrata de alto nível para uma de grau inferior, os programas não funcionavam ou cometiam erros. O darwinismo balança, desde o seu início, entre o muito abstrato e o muito concreto. O tradutor de nível não faz as correções necessárias. Muito há a fazer neste campo. Uma coisa é certa: Darwin e o neodarwinismo erraram em muitas questões. A teoria dos jogos pode vir a desvendar muitos segredos na biologia e a provar o contrário do que o darwinismo atual tem afirmado em muitas matérias. Ao rejeitar as explicações religiosas, ao defender que os homens descendem de antigos primatas e ao detetar a «seleção 10


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natural» Darwin estava certo. Mas, a partir daqui fez deduções erradas porque não dispunha de princípios suficientes. Também as deduções em relação aos animais são frequentemente diferentes, em muitos aspetos, das que se devem fazer para os humanos, que fazem surgir muitas inovações. De qualquer modo, o darwinismo será sempre vicioso se não definirmos as palavras-chave desde o início e não as enquadrarmos num modelo matemático. Por exemplo, por «apto» posso entender que é um indivíduo de grande sucesso (independente da sua reprodução efetiva) ou, de outra maneira, ser aquele que efetivamente se reproduz (independente de outros sucessos). Já quase nem falo da epigenética, um ramo recente e muito importante da biologia que altera muita coisa. Além da matemática, as simulações e os torneios por computador, inaugurados por Robert Axelrod, vão ter importância para resolver muitas questões da biologia e detetar o que se deve aproveitar ou reformar do darwinismo. A obra The Evolution of Cooperation, daquele autor, é um marco importante ao revelar que, ao nível prático, o cristianismo pode ter intuições mais certas para a vida do que o darwinismo clássico, o que está também de acordo com O Bom Livro – Uma Bíblia Laica, de A.C. Grayling. Outros temas são abordados nesta obra, como relacionamentos, sedução e temas gerais da vida e do sucesso financeiro, entre outros. Vale a pena sublinhar o tema da sedução. Num mundo tão mudado, os homens e as mulheres já não vivem numa sociedade tribal como há dezenas de milhares de anos, durante as quais desenvolveram os seus instintos de acasalamento. Agora tudo é novo, há contracetivos e liberdade de escolha de parceiros nas nossas democracias liberais. Por isso, aprender sobre sedução é 11


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importante para qualquer homem. Porque cada vez mais os seus instintos se mostram inadequados e incompetentes. Por outro lado, as mulheres surpreendem com as suas preferências baseadas em instintos, muitos deles vigentes num período histórico que pode recuar de 25 a 100 mil anos ou mesmo mais. Como diz Mario Luna em Sex Code, somos máquinas obsoletas de sobrevivência. Assim, não restam dúvidas de que aprender o jogo da sedução é de primordial importância na atualidade. Não abordo a sedução do ponto de vista da mulher, mas elas também podem aprender algo neste capítulo. O Apêndice apresenta fórmulas matemáticas sobre os temas do livro para os leitores das áreas tecnológicas e científicas interessados.

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CONVENÇÕES E TERMINOLOGIA

Frequentemente as variáveis tomam valores reais (ℝ) pertencentes aos intervalos [0, 1] ou [-1, 1]. Se uma variável do intervalo [0, 1] toma o valor 0,2 diremos que é um valor pequeno enquanto 0,8 será um valor grande. Muitas vezes, assumo valores numéricos aproximados, em vez de usar só palavras.

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Payoff é igual a ganho ou pontuação obtida. Denunciação (D) é igual a não-cooperação. Tit For Tat (ou TFT) é o mesmo que olho por olho. Minimax é um termo da teoria dos jogos que significa minimizar os ganhos máximos do oponente. Equilibrio de Nash em teoria dos jogos representa uma situação num jogo da qual nenhum dos oponentes tem vantagem em se desviar unilateralmente. Fitness é, neste livro, a aptidão geral do organismo para o sucesso e a reprodução, independente do meio, não sendo igual à reprodução efetiva que depende do meio. Portanto, fitness tem aqui um significado um pouco diferente do habitual nos trabalhos em biologia. 13


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Parte 1

SOBRE A GENÉTICA EVOLUTIVA

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Descoberta de 1984 e a Assimetria entre o Cromossoma X e o Cromossoma Y

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Em 1984, experiências com embriões de rato revelaram uma assimetria decisiva no desenvolvimento embrionário (McGrath & Solter; Surani et al.). Embriões contendo dois genomas maternos apresentaram maior desenvolvimento das estruturas embrionárias propriamente ditas, incluindo uma expansão mais acentuada do prosencéfalo — correspondente ao que, no modelo funcional clássico, se identifica como neocórtex. Em contraste, embriões contendo dois genomas paternos evidenciaram maior desenvolvimento corporal e das estruturas extraembrionárias. Este padrão revelou um princípio fundamental: a origem parental dos genes influencia diferencialmente a organização do organismo. Dentro desta arquitetura, o cromossoma X destaca-se pelo seu papel no desenvolvimento neural. Rico em genes envolvidos na diferenciação neuronal, plasticidade sináptica e funções cognitivas superiores, o X contribui para a expansão das estruturas associadas ao processamento abstrato e à cognição complexa. 15


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Em termos morfológicos, esta influência manifesta-se no aumento relativo das regiões corticais — isto é, no crescimento da “cabeça” embrionária em relação ao corpo. O cromossoma Y, por sua vez, embora menor em número de genes, orienta a diferenciação sexual masculina e modula decisivamente o ambiente hormonal fetal. Através da ação androgénica — especialmente da testosterona em períodos críticos do desenvolvimento — influencia o crescimento corporal e a organização funcional de circuitos cerebrais associados à sobrevivência, territorialidade, motivação e resposta instintiva. Estudos posteriores identificaram expressão de genes ligados ao Y em regiões subcorticais do cérebro masculino, incluindo áreas tradicionalmente associadas ao sistema límbico e ao chamado complexo-R. No modelo tripartido do cérebro — neocórtex, sistema límbico e complexo reptiliano — esta distribuição sugere uma assimetria funcional coerente: o X associado à expansão cortical e à cognição abstrata; o Y associado à regulação somática, impulsiva e motivacional. Embora o cérebro funcione como um sistema integrado e poligénico, a divisão entre neocórtex, sistema límbico e complexo-R permanece uma ferramenta interpretativa poderosa. Ela expressa uma diferenciação estrutural e funcional intuitiva que reflete camadas evolutivas distintas da organização neural. A assimetria entre o cromossoma X e o cromossoma Y insere-se plausivelmente nesta arquitetura hierárquica. Esta configuração genética ajuda também a explicar um paradoxo evolutivo: a elevada inteligência masculina — em grande parte dependente de genes localizados no cromossoma X — não se traduz necessariamente em maior atratividade sexual ou 16


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reprodutividade. Como os homens transmitem o cromossoma Y aos filhos e o cromossoma X apenas às filhas, as vantagens cognitivas associadas ao X paterno não se transmitem de forma consistente, pelo menos pela linha masculina.

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Dilema do prisioneiro e jogo do «medricas»

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O dilema do prisioneiro (DP) é um famoso problema da teoria dos jogos que serve para estudar as melhores ações a tomar em muitas situações de conflito entre interesses individuais e de grupo. Além de usado para estudar o comportamento dos seres humanos, pode utilizar-se também para analisar o comportamento de outros seres vivos conscientes, ou mesmo bactérias, vírus e cromossomas ou genes nos organismos. O dilema foi descoberto por Merrill Flood e Melvin Dresher, cientistas da RAND Corporation nos Estados Unidos da América. Muitas histórias podem servir para o definir e, de facto, já muitas o fizeram. A mais conhecida, que lhe deu o nome, foi criada por Albert Tucker, também da RAND Corporation, e podemos descrevê-la da seguinte forma: «Dois suspeitos, A e B, são presos pela polícia que, não possuindo provas suficientes para os condenar, separa os prisioneiros e oferece a ambos o mesmo acordo: o que confessar, denunciando o outro que permanece em silêncio, fica livre e o acusado cumprirá a pena máxima. Se ambos ficarem em silêncio, a polícia só poderá condená-los a uma pena branda pelo crime leve cometido em flagrante. Se ambos denunciarem o cúmplice, cada um é condenado a uma pena menor do que a máxima, mas maior do que a

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leve. Os prisioneiros têm de decidir em absoluto desconhecimento da decisão um do outro.» A questão que se põe é saber como vão os prisioneiros reagir individualmente. Cada um percebe que seja o que for que o outro faça – ficar em silêncio ou confessar denunciando –, ganha mais em denunciar. Na verdade, no âmbito da teoria dos jogos o equilíbrio de Nash sugere que ambos denunciem. Todavia, verificamos que os prisioneiros obteriam melhor resultado se ambos cooperassem. Este é o dilema. Na perseguição do próprio interesse os prisioneiros acabam por obter um resultado inferior ao que alcançariam se não o fizessem, mesmo não cometendo nenhum erro de raciocínio. O dilema do prisioneiro (DP) pode ser concretizado, com os ganhos convencionais, na seguinte tabela na qual C é cooperar e D é denunciar:

C D

C (3, 3) (5, 0)

D (0, 5) (1, 1)

À esquerda o prisioneiro 1 | em cima o prisioneiro 2

(x, y) -> x = payoff do prisioneiro 1 | y= payoff do prisioneiro 2

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Como está indicado, na tabela o primeiro elemento de cada par ordenado é o payoff do jogador à esquerda, em linhas, e o segundo é o do jogador em cima nas colunas. Os ganhos (5, 0) ou (0, 5) correspondem aos casos em que um dos prisioneiros denuncia e o outro coopera ficando com o ganho do tolo recebendo pontuação nula (pena máxima) e o que denuncia obtém a pontuação máxima (fica livre); os ganhos (3, 3) são atribuídos na situação em que ninguém denuncia, isto é, há cooperação (pena branda); 18


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os ganhos (1, 1) são os payoffs quando ambos optam por denunciar o parceiro (pena menor do que a máxima, mas maior do que a branda). Ainda mais importante para o que se discute neste livro é considerar o dilema do prisioneiro iterado (DPI), que consiste no dilema do prisioneiro jogado repetidamente entre os mesmos jogadores. Neste caso os resultados podem ser mais cooperativos, de acordo com o «Teorema Popular» da teoria dos jogos que diz ser possível encontrar-se cooperação em equilíbrios de Nash do jogo repetido indefinidamente. Robert Axelrod fez estudos importantes através da organização de torneios de computador de DPI, conseguindo apresentar conclusões valiosas no seu livro The Evolution of Cooperation. Nesta obra Axelrod descreve várias estratégias, das mais simples às mais complexas, que lhe foram enviadas pelos participantes nos dois torneios. Ele verificou algumas características nas estratégias com melhor pontuação, principalmente na Tit For Tat ou olho por olho que ganhou ambas as competições: simpatia, provocabilidade, perdão e clareza. Estratégias ganhadoras, ou bem classificadas, são as que não denunciam em primeiro lugar (simpatia), que são provocáveis, isto é, retaliam mal o parceiro denuncia (provocabilidade), que perdoam prontamente quando o adversário volta à cooperação (perdão) e cujo comportamento é simples de perceber, não parecendo demasiado espertas (clareza). A estratégia ganhadora Tit For Tat coopera na primeira jogada e depois faz o que o seu parceiro executou na jogada anterior. Axelrod iniciou também modelações num ambiente ecológico para ver que estratégias tinham mais sucesso evolutivo, definindo, no entanto, a sua reprodução apenas com base no sucesso 19


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(payoffs). Como veremos, encontrei uma diferença significativa, na vida real, na reprodução dos seres vivos, que devia ser implementada nas modelações por computador: não é só importante o sucesso, isto é, os payoffs, é igualmente relevante a tendência para a reprodução, que é uma característica genética. Sabendo-se disso, pode-se modelar também as estratégias em computador, definindo a reprodução apropriadamente e concedendo um quinhão reprodutivo automático maior a determinadas estratégias independente dos payoffs. Um outro jogo a que também me refiro neste livro é o do medricas, que surge já implicitamente na Ilíada de Homero. Numa forma moderna pode ser descrito do seguinte modo: «Dois motoristas dirigem-se de encontro um ao outro, em rota de colisão frontal; cada um tem a opção de, como medricas, sair do caminho para evitar o choque ou manter a rota; se ambos forem medricas, sobreviverão os dois, o que, de certa maneira, é bom; todavia, se um se amedrontar e o outro não, o medricas fica desprestigiado (mas não perde a vida), enquanto o valentão que não se desviou averba uma vitória de prestígio; finalmente, se ambos optarem pela colisão frontal, mergulharão na pior situação, a da morte.» A tabela do jogo do medricas, com os ganhos convencionais, pode ser a seguinte:

C D

C (3, 3) (4, 2)

D (2, 4) (1, 1)

À esquerda o motorista 1 | em cima o motorista 2

(x, y) -> x = payoff do motorista 1 | y = payoff do motorista 2 20


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No quadro cooperar (C) é desviar-se e não-cooperar (D) é manter a rota. Os ganhos (3, 3) correspondem ao caso em que ambos os condutores se amedrontam e se desviam; os ganhos (4, 2) ou (2, 4) são atribuídos quando um se amedronta e se desvia e o outro mais intrépido mantém a rota ficando com a pontuação máxima (de 4) ao passo que o que se desvia recebe uma pontuação consideravelmente menor (de 2); os ganhos (1, 1) são os payoffs para a situação muito má para ambos de colisão frontal com a eventualidade de morte. Não há uma estratégia dominante neste jogo. Um oportunista que não segue a estratégia medrosa pode ganhar vantagem e, ao fazê-lo, põe em perigo o outro motorista. Desse modo, o outro indivíduo é prejudicado e os dois são colocados numa situação que pode ser desastrosa para ambos. Além disso, não é possível evitar o jogo do medricas quando se é desafiado, visto que recusar equivale a jogar e perder. Como veremos, na sedução as mulheres, devido à sua diferença (desvantagem e maior valor) constitucional por causa da gravidez e maior ligação aos filhos nos primeiros anos de vida, agem por instinto genético, de modo semelhante ao motorista que não se desvia pelo que esperam que seja o homem a fazê-lo. Isto também pode ser descrito, muitas vezes de modo mais adequado, pelo jogo do deslizamento de neve, de que falarei na Parte 2 e que é representado pela mesma tabela. A situação de sedução descrita implica várias coisas, entre elas o facto de caber ao homem tomar a iniciativa (desviar-se) e a mulher optar por uma atitude de espera (não se desviar). Ela pode optar, depois, pela aceitação ou, mais frequentemente, pela rejeição.

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Evolução comparada com as simulações evolutivas de Robert Axelrod

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São neste ponto comparados os processos de evolução de seres vivos, especialmente da vida humana, com simulações evolutivas de estratégias que jogam o dilema do prisioneiro iterado (DPI) através de torneios de computador, como os organizados por Robert Axelrod. 1. Método de Darwin e de Axelrod – Os seres vivos, ou as estratégias que têm mais sucesso, reproduzem-se em maior número; 2. Método sugerido por mim – Os seres vivos ou as estratégias obedecem a uma fitness própria, a qual depende de dois termos complementares: sucesso (s); tendência para a reprodução (t). Quando um dos termos sobe acima de certo valor, o outro desce devido ao valor da fitness ser limitado.

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Na grande maioria dos casos, os seres vivos com mais sucesso têm menor tendência para a reprodução e vice-versa, condicionados por uma fitness própria que não ultrapassa um determinado valor máximo. A reprodução humana é maior nos países menos desenvolvidos e mais pobres, onde os que alcançam elevado sucesso reproduzem-se mais e os seus filhos vingam também mais. Ao contrário, nos países desenvolvidos e ricos a reprodução é, em geral, muito menor, mas é onde os pobres e os de maior tendência reprodutiva obtêm taxas relativas de reprodução muito maiores do que entre os ricos e os inteligentes. Uma das razões para a ocorrência 22


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destes fenómenos pode residir no facto de a ocupação do tempo ser mais complexa e exigente nos países ricos. Os filhos atrapalhariam muito os modos e ritmos de vida mais exigentes e sofisticados, ocupando o tempo e exigindo acompanhamento das suas responsabilidades e estudos. A condição de pobre pode ser favorável para ter filhos se a vida estiver simplificada e conseguir-se, mesmo assim, sobreviver com poucos recursos financeiros. A intuição popular diz serem os ricos os que mais filhos têm nos países desenvolvidos. Só existe, porém, algum fundamento nesse palpite se se considerarem apenas os ultrarricos, tal como um estudo da revista Forbes, dos Estados Unidos da América, conclui: os bilionários têm mais filhos do que a média da população, mas este grupo de abastados constitui uma percentagem muitíssimo baixa do povo. Em contrapartida, outras pesquisas provam uma tendência geral contrária, isto é, são os pobres que mais se reproduzem nos países ricos. Justifico este fenómeno com o facto de, nestes países, os pobres empregarem menos tempo para alcançar o sucesso (s) e, além disso, terem maior tendência para a reprodução (t) que lhes dá maior determinação para avançar com a gravidez. Todavia, tal como os micróbios se adaptam aos antibióticos, provavelmente em longos períodos de tempo haverá uma adaptação e um esbatimento deste efeito. 9 F = fitness 9 s = sucesso 9 t = tendência para a reprodução 9 R = reprodução 9 F, s, t, R ∊ [0, 1] 23


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