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As Cadeias Humanas

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autor: António Portela

revisão: Mário Potes

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edição: Edições ex-Libris® (Chancela Sítio do Livro)

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título: As Cadeias Humanas

arranjo de capa: Adriana Oliveira paginação: Paulo Resende

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1.ª edição Lisboa, agosto 2026 isbn: 978‑989-9198-40-1

depósito legal: 557552/25

© António Portela

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Todos os direitos de propriedade reservados, em conformidade com a legislação vigente. A reprodução, a digitalização ou a divulgação, por qualquer meio, não autorizadas, de partes do conteúdo desta obra ou do seu todo constituem delito penal e estão sujeitas às sanções previstas na Lei. Declinação de Responsabilidade: a titularidade plena dos Direitos Autorais desta obra pertence apenas ao seu autor, a quem incumbe exclusivamente toda a responsabilidade pelo seu conteúdo substantivo, textual ou gráfico, não podendo ser imputada, a qualquer título, ao Sítio do Livro, a sua autoria parcial ou total. publicação e comercialização:

www.sitiodolivro.pt publicar@sitiodolivro.pt (+351) 211 932 500


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Dedico este livro a toda a minha família e amigos pelo apoio dado.


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Prefácio

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Todos nós sentimos, pensamos, idealizamos, decidimos e reagimos/agimos. Por esta ordem. Eu chamo a isto de cadeias humanas. O processo e modo de funcionamento do ser humano. A essência de quem nós somos está naquilo que somos capazes de fazer, está nas cadeias humanas. Perante o universo e a realidade, o ser humano executa o processo das cadeias humanas começando por sentir o universo/realidade, por pensar sobre o universo/realidade, por idealizar, decidir e reagir/agir também sobre esse universo/realidade. É tudo o que fazemos desde que nascemos até morrermos. Estudar as cadeias humanas (nossas e dos outros) é fundamental para compreender quem somos, como são os outros e para compreender também o nosso modo de funcionar, bem como o dos outros. Desde o começo deste livro até ao fim, tudo o que o leitor tem de fazer é ter presente a figura da cadeia humana. Figura da cadeia humana: 1 sentir ➝ 2 pensar ➝ 3 idealizar ➝ 4 decidir ➝ 5 reagir/agir/ inação Dou um exemplo de cadeia humana, para ficar mais claro. 9


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Exemplo: O João dá-me um estalo e eu dou-lhe um pontapé. Em termos da minha cadeia humana, fica: Eu SINTO o João dar-me um estalo. (Sentir) Eu PENSO em dar-lhe um pontapé. (Pensar)

3.

IDEALIZO todas as formas de lhe dar um pontapé (Idealizar) DECIDO dar-lhe um pontapé (Decidir) REAJO ao estalo dele, dando-lhe um pontapé (Reagir).

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4. 5.

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1. 2.

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As cadeias humanas são tao simples quanto isto (mas ao mesmo tempo muito mais complicadas, sobretudo somando cadeias humanas com o tempo e impacto disso em nós). O que proponho ao leitor é, tendo presente esta figura, ler o livro e refletir exatamente sobre quem a pessoa é e quem a pessoa quer ser e o que as cadeias humanas têm a ver com isso, como a natureza se organizou exatamente para criar o ser humano e que ferramentas nos deixou para lidar com o mundo que nos rodeia. O mundo das cadeias humanas é fascinante e é muito importante que se entenda exatamente como fomos feitos e o que podemos fazer com isso. As cadeias humanas que fazemos a toda a hora é aquilo que a natureza/universo/Deus permite que nós sejamos. Vou repetir, que é importante esta frase: “As cadeias humanas que fazemos em vida é aquilo que a natureza/universo/Deus permite que nós sejamos”.

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Ou seja, nós somos desta maneira e fazemos as coisas desta maneira e não podia ser doutra forma. É sagrado isto. Aquilo que Deus permite que sejamos e que façamos e não podemos ir além disto, existem limites na nossa entidade. Limites impostos pela natureza ou Deus. É preciso tentar compreender esta forma das coisas funcionarem, de nós funcionarmos. Ao longo deste livro, cada leitor irá seguir o seu próprio caminho, tirar as suas próprias conclusões e isso é espetacular. Isso são as cadeias humanas em funcionamento. Este livro não é a verdade, é uma análise da verdade. Este livro tem como objetivo pôr a pessoa a pensar sobre a forma como está a fazer as suas cadeias humanas. Exemplo: é muito comum a pessoa estar a pensar muito e a reagir/ agir pouco. Exemplo: é muito comum reagir às coisas, mas não agir. Exemplo: é comum agir pouco por antecipação. Exemplo: é comum sermos muito sentimentais em certas áreas da nossa vida. Etc. Este livro foi preparado como se prepara um buffet: um pouco de cada coisa para agradar a todo o cliente. Vários assuntos são abordados para ter muito por onde escolher e também para ser abrangente, para abranger todos os assuntos relacionados com o tema das cadeias humanas.

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INTRODUÇÃO: O que é uma cadeia humana e as suas fases

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Porque é que não existe um manual de instruções de como funciona o ser humano? Poupava esforços inúteis, problemas acumulados, interações erradas, sofrimento desnecessário, etc. Como é que nós funcionamos? Qual é o processo e as etapas do nosso funcionamento e porque é importante saber isto? Um cérebro pode funcionar bem ou mal, mas funciona. A primeira coisa que tive de analisar para perceber como eu funcionava foi o meu próprio cérebro. E é fácil e difícil analisarmos o nosso próprio cérebro. Fácil porque ele está sempre a funcionar, 24 horas por dia. Fácil porque, enquanto está saudável, ele funciona sempre da mesma maneira. Difícil porque o seu funcionamento é complexo. Com base nesta análise do meu cérebro, eu criei a definição de cadeia humana. O que é uma cadeia humana? Uma cadeia humana é o processo base ou principal realizado pelo cérebro humano, ou seja, por nós, de receber um input externo, processá-lo e devolver, ao exterior, um resultado desse mesmo processo. 13


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Vamos simplificar: O João dá-me um estalo, eu devolvo um murro. Nós SENTIMOS o estalo, PENSAMOS “isto doeu”. IDEALIZAMOS “o que vou fazer?”. DECIDIMOS “dar-lhe um murro” e REAGIMOS Figura 1 – A cadeia humana dando-lhe um murro. Tudo isto parece banal, mas é mais complicado do que parece. Existe uma figura que vai acompanhar todo este livro e que é o centro dele. Tudo gira à sua volta. A Figura daquilo que eu chamo de cadeias humanas. Esta é a figura: Figura 1 – A cadeia humana

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Cadeia Humana

1. Sentir

2. Pensar

3. Idealizar

4. Decidir

5. Reagir / Agir / Inação

Pode-se voltar sempre a esta figura para perceber do que estou a escrever ao longo do livro.

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É normal na vida estudarmos e pensarmos nos nossos próprios problemas. Não é egoísmo, é a natureza humana e é o que a natureza exige de nós. A função principal do cérebro humano é exatamente resolver problemas. Sem problemas, o que faria o cérebro humano, qual seria a sua função? Sem universo, sem ambientes hostis, o que faria o cérebro humano? Deixo esta pergunta no ar: se o cérebro humano produz sempre um resultado, porque é que é assim? Porque é tão importante para 14


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o universo “Saber” o que o cérebro humano produz e como se ajusta o universo ao que o cérebro humano produz? Mas estou a complicar. Vamos por partes. Normalmente, as pessoas, ao longo da vida, queixam-se de depressões, tristezas, dor, dores físicas de cabeça após noitadas, etc. O cérebro está a funcionar mal? Eu faço esta pergunta porque ele processa tudo sempre da mesma maneira. O processo dele de resolver as coisas, a que eu chamo de cadeias humanas, é sempre o mesmo. E às vezes funciona bem e outras vezes funciona mal. Porquê?

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A culpa é do cérebro ou nossa? Eu concordo se me disserem que as depressões, tristezas, dor, dores físicas de cabeça são alarmes que o cérebro tem para quando as coisas funcionam mal. Mas é o cérebro a funcionar mal ou nós a alimentarmos mal o cérebro, ou ambos? Na maioria das vezes, eu defendo que somos nós a desrespeitar o processo cerebral e a alimentá-lo com algo menos dentro daquilo que ele gosta. É assim, não é culpa nossa se morrer alguém e sentirmos tristeza. Mas o cérebro prefere a notícia que, por exemplo, entrámos para trabalhar num bom emprego, porque isso produz alegria. O que interessa reter é que o cérebro foi “desenhado” por Deus ou natureza para passar pela situação da morte de alguém e pela situação de receber a notícia de um bom emprego, por ambas as situações/experiências, positiva e negativa. E não só passar por isso ou processar isso como devolver um resultado ao meio ambiente positivo ou negativo de alegria ou tristeza ou outro resultado possível. Será que o cérebro também tem uma zona de conforto de onde não gosta de sair e, quando sai, refila? 15


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Quando o “motor aquece”, o cérebro refila sempre. Então é importante conhecermo-nos a nós próprios para perceber de antemão estes sinais que o cérebro “emite” e que avisam que devemos mudar de curso, mudar algo que permita corrigir o problema. O cérebro humano tem o poder extraordinário de identificar problemas e avisa-nos “esperando” a nossa correção. O livre-arbítrio não é só externo, não é só em relação a decidir sobre coisas externas a nós. Não. O l livre-arbítrio também funciona no que diz respeito a problemas internos. Podemos ignorar os sucessivos avisos do cérebro em relação a algo que esteja a funcionar mal. No entanto, apesar de termos livre-arbítrio para decidir externamente e internamente, o problema anunciado e avisado pelo cérebro não vai desaparecer se nós o ignorarmos. Vai crescer em tamanho e explodir na nossa cara. Pode-se dizer que o cérebro é honesto e tem razão, nós é que, enquanto alma, temos a capacidade de fazer mal a nós próprios usando mal o livre-arbítrio, contra nós. Mas para chegar às cadeias humanas de que falo atrás foi preciso pensar muito no assunto.

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Inicialmente não identifiquei todas as fases do processo das cadeias humanas e, em boa verdade, as cadeias humanas não estão completas, mas para exposição do assunto, achei melhor ficar por aí. Originalmente identifiquei apenas 3 fases do processo. Existem 3 “coisas” que a alma humana faz, através do cérebro: 1. 2. 3.

Sentir Pensar Agir

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E porque achei que isto era tudo o que Deus permite que fôssemos, a todas as fases do processo cerebral chamei-lhe de triloFigura 2 – A trilogia divina gia divina.

2. Pensar

3. Agir

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1. Sentir

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Figura 2 – Trilogia divina

universo ou exterior

1. Sentir

2. Pensar

3. Agir

ou:

universo ou exterior

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Nota: nós estamos rodeados do universo e, portanto, os nossos processos, sejam cerebrais ou outros, começam e acabam no universo. Como estamos “embrulhados” no universo, somos como que “esponjas” a absorver tudo o que vem de fora.

A trilogia divina pareceu-me um nome bonito que dei às 3 “coisas” que Deus permitiu que nós fizéssemos na terra. Claro que estava incompleto. Foi a primeira vez que aprendi realmente, através de pensar pela minha cabeça, o seguinte: 17


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Qualquer explicação que dermos a algo neste universo, neste planeta, por mais bonitinho, profundo e inteligente que seja, está incompleta. Isso aplica-se, e muito, nas relações sociais. Quem não tem o nosso pé, não anda pelo nosso caminho, logo não deve julgar aquilo que não sabe. Isto é muito verdadeiro nas relações sociais. Não é delas que fala este livro, mas vale o que escrevi. Quando queremos “olhar para algo”, escolhemos onde “pôr” os nossos olhos para olhar para esse algo. Um ponto a partir do qual observar. Logo aí, a nossa visão do problema está falseada qualquer que seja a conclusão a que cheguemos, porque é um mero ponto de vista. Quando a igreja diz que Deus é omnipresente, isso dá jeito, porque é a única “perspetiva” que é global, total e correta. Eu quando me lembrei da trilogia divina, esqueci-me do elemento principal do processo: A pessoa. As pessoas têm algo que é fundamental e que eu me esqueci nas trilogias divinas, que é o livre-arbítrio. A capacidade de decidir. Ora, há já muito tempo que grandes pensadores e filósofos se dedicam ao livre-arbítrio e ao destino. Uns acreditam em livre-arbítrio, o ser humano decide por si, outros acreditam em Destino onde é Deus que decide por nós e, depois, existe um grande pensador e filosofo contemporâneo chamado António Portela que acredita em Destino e, eventualmente, em livre-arbítrio, fica em aberto. Fica a pergunta: se escolhemos o que é escolhido para nós, isso é escolher? Mas volto noutra altura ao assunto. 18


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Sentir Pensar Decidir (com livre-arbítrio) Reagir/agir/inação

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1. 2. 3. 4.

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Se nós temos livre-arbítrio, então nós decidimos o que fazer. Deus criou, em nós e nos outros, um centro de decisão um pouco limitado a uma determinada área e aos 5 sentidos. Mas pronto, decidimos. Às vezes as nossas decisões chegam a gerar reações, ações ou inações e, aí, alteramos o aspeto do meio à nossa volta e mudamos algo nas pessoas ou causamos algum tipo de resposta às nossas ações. Supostamente não só fazemos, como fazemos à nossa maneira! Bom, então a original trilogia divina está incompleta. Falta o DECIDIR com livre-arbítrio. Passamos a ter:

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Nota: eu na trilogia divina tinha posto só ação, mas a verdade é que, a seguir a decidirmos algo, podemos estar a reagir ao exterior (exemplo: o Pedro dá-nos um pontapé e nós reagimos ao pontapé dando um murro). Podemos agir vindo de dentro de nós a ação e por nossa iniciativa sem estar a reagir a nada vindo do exterior. Podemos não fazer nada, nem reagimos ao exterior nem parte nenhuma ação de dentro de nós; é a inação. Isto depois é complicado, porque as nossas ações que julgamos vir de dentro de nós por nossa iniciativa, provavelmente não é mais do que a consequência de várias cadeias humanas iniciadas no passado, ou seja, não estamos a agir como acreditamos, estamos a reagir. Isto carece de uma explicação. 19


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Existem 3 situações possíveis depois de decidir fazer algo. 1.

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2.

Eu posso reagir. Exemplo: o João dá-me um pontapé e eu, em resposta, dou-lhe um murro. Eu estou a reagir ao João, a reagir ao meio externo a mim. Eu posso agir. Exemplo: sem ser provocado, dou um murro ao João. Mas será defendido, sobretudo por psicólogos, que a nossa ação do presente é uma série muito grande de reações a coisas no passado. Por exemplo, eu dou um murro ao João sem ser provocado porque em miúdo o meu pai era agressivo para mim. Eu, no presente, penso que estou a agir por conta própria, quando na verdade tenho um historial de vida para trás que contribui para a suposta ação do presente e, por isso, eu no presente simplesmente estou a reagir ao meu passado. Eu posso não agir, inação. O meu pai berrou-me em criança, o João deu-me um murro e mesmo assim não fiz nada.

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3.

NOTA IMPORTANTE: É preciso prestar muita atenção a estes exemplos porque eles mostram uma capacidade extraordinária que o ser humano tem a que eu chamo de CONVERSÃO DE ENERGIAS. A capacidade que o ser humano tem de converter algo de energias em algo de energias diferentes. Nós recebemos uma energia positiva do exterior e podemos converter não só uma energia positiva em energia positiva como 20


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podemos converter em energia negativa ou neutra (será?) e em quantidades diferentes. Fim da nota. Nós recebemos uma energia negativa do exterior e podemos devolver não só uma energia negativa como positiva ou neutra e em quantidades diferentes. Isto para mim é verdade, mas difícil de provar. Basicamente, este é mais um dos meus exemplos patetas que estou certo os psicólogos irão gostar, eu posso estar a dar um pontapé ao José hoje por causa de um pontapé que devia ter dado ao João há 10 anos atrás. Isto não é assim tão linear e simples, mas percebem onde quero chegar. Vou tentar resumir: Qualquer força ou ação que nós estamos convencidos que nasce em nós, na verdade é consequência de todas as cadeias humanas anteriores e, por isso, a sua origem é externa a nós, a sua origem está não só no passado, como no nosso historial. Eu berro à Maria no presente porque o meu pai berrava à minha mãe, porque o Pedrinho me berrou na escola, porque outra coisa qualquer… é um emaranhado de fios complicadíssimo onde estou convencido que berro à Maria por iniciativa própria, por ação, quando na verdade vem de trás e vem de fora, logo é uma reação. Uma reação indireta e de múltiplas causas. É o mundo onde vivemos é complexo LOL. A inação também é questionável porque existe sempre algum tipo de reação, ainda que não se note. O nosso corpo serve para sentir a realidade. O pensamento e a decisão para trabalhar, sob a nossa perspetiva, a realidade. 21


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A reação, ação ou inação servem como se fosse dar uma opinião sobre a realidade a Deus (ou universo, para os não crentes). É uma resposta ao programa e ao programador. Eu acredito que a humanidade é um programa de aperfeiçoamento onde Deus só quer saber como nos estamos a sentir com a experiência que é a vida e levarmo-nos a sucessivos melhoramentos ao longo da vida, a uma evolução. Nesse sentido, a nossa resposta a essa pergunta de Deus só pode vir das nossas reações ao que é colocado perante nós, que é o que acontece. Eu só não sei porque foi criado tudo isto, tão elaborado e, contudo, tão simples de perceber. As cadeias humanas são um exemplo disso. Uma coisa tão simples como: sentir, pensar, idealizar, decidir, reagir, delas nascem vida, experiências… é uma máquina trituradora de estímulos exteriores que depois dá um resultado: a nossa reação a tudo isto. Porque é que é tão importante a nossa reação? Mas pronto, para um organismo vivo é uma oportunidade única de ser decisor sobre a realidade maior, mas sempre regionalmente. Existe uma coisa muito engraçada que acontece quando pensamos nestes assuntos que é começarmos a pensar, tipo, “what´s the point?”. Para que serve tudo isto? Não era melhor não existir nada? É uma dádiva, ninguém diz que não, mas depois ter de pagar com sofrimento, tristeza e mais a morte física, que pode ser muito má, dá que pensar. Fim.

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Vou falar agora doutro assunto que considero importante. O assunto é “pensar sobre o sentir” e “pensar sobre o pensar”.

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Posso complicar bastante este assunto, mas prefiro, antes de começar a falar disso, referir que o sentir está presente em toda a cadeia humana. É a minha crença. Quando eu sinto, o sentir está lá, quando penso, o sentir está lá, quando eu idealizo, o sentir está lá, quando decido, o sentir está lá e, para terminar, quando vou reagir ou agir ou não agir, o sentir está lá. É preciso ter isso bem presente. O “toque” que o universo e o que está à nossa volta nos dá provoca um sentimento tão poderoso que se propaga por toda a cadeia humana e influencia todos os passos da cadeia humana. Este é o poder do universo. este é o poder do universo sobre nós. E lá porque uma pessoa pode ser fria e objetiva não invalida isto, o universo “obriga” sempre a pessoa a sentir, e sentir com intensidade. O sentir é talvez parte da nossa noção de existência. Nós somos aquilo que sentimos e é diferente para cada pessoa, para cada animal. Isto é poderosíssimo. O que foi preciso criar para nós sentirmos, para nós nos sentirmos desta e daquela maneira, a unicidade disso tudo. Não existem dois sentimentos iguais, mas um milhão de semelhantes. Eu sinto de forma diferente de outra pessoa, no entanto, ambos percebemos o que cada um passa e o que cada um sente. Tudo foi criado para que assim fosse. Eu fico sempre fascinado pela forma como o universo foi feito onde, por exemplo, só nós podemos ocupar o nosso lugar. Isso permite, entre outras coisas, sentir de forma diferente dos outros. Isso

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e, claro, a nossa constituição genética, o nosso historial e outras coisas que contribuem para o nosso sentir. Ainda assim, podemos estar distantes, que sentimos de forma semelhante. Podemos ter histórias de vida diferentes que sentimos de forma semelhante. É fabuloso. Mas voltando ao assunto, uma coisa é sentir e, imediatamente a seguir, pensar sobre esse sentir. Isso é uma coisa. Outra coisa é eu já não pensar sobre o sentir, mas sim pensar sobre pensar. São coisas completamente diferentes. Quando eu penso sobre o que sinto, não tenho controlo sobre o pensar. Muitas vezes as pessoas dizem que não controlam o que pensam. Não é verdade. Não controlam o que pensam quando pensam sobre aquilo que sentem. É um pensar que vem imediatamente a seguir ao sentir e, por isso, ainda está ligado ao exterior, é híbrido. Eu sinto aquilo que vem de fora de mim e, quando penso sobre isso, é também como se fosse externo, mas já é interno porque uso o cérebro. Portanto é híbrido. Isto é complicado de explicar, eu sei. Agora vamos ver o “pensar sobre o pensar”. É melhor dar um exemplo. Eu queimo a mão. Sinto o calor, queimo-me e penso “isto está quente” e a seguir penso “vou tirar a mão e vou fazer um curativo na mão”. Quando eu queimo a mão, é o sentir. Quando eu penso “isto está quente”, é um pensamento sobre o sentir “isto está quente” e, quando eu penso “vou tirar a mão e vou fazer um curativo na mão”, é pensar sobre o pensamento. Isto é importante porquê? 24


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Eu não controlo nem nunca controlarei o que penso ligado ao sentir, mas eu posso controlar o pensamento e os pensamentos que vierem a seguir. É a beleza das cadeias humanas e do cérebro. O cérebro existe e as cadeias humanas existem como forma de controle interno e externo da pessoa. Nós mandamos no nosso reino e, eventualmente, poderemos mandar nos outros reinos exteriores a nós. Vamos receber o que sentimos, controlar o que sentimos várias vezes ao longo da cadeia humana para, depois, dar um resultado, reagir conforme queremos. Quando pensamos sobre o que pensámos, aí já é trabalho nosso, da nossa vontade, do nosso livre-arbítrio. Figura 3 – Um pouco além da trilogia divina

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Figura 3 – Um pouco além da trilogia divina

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rior do Ser Humano

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exterior ou universo

1. Sentir

2. Pensar

3. Idealizar

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4. Decidir

exterior ou universo

5. Reagir/Agir/Inação


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Quando pensamos sobre o que pensámos, eu chamo de IDEALIZAR. As pessoas SENTEM, depois pensam sobre o que sentem, que eu chamo de PENSAMENTO, depois pensam sobre o que pensaram, que eu chamo de IDEALIZAR, depois decidem e, no fim, REAGEM, AGEM OU NÃO AGEM sobre o assunto. Eu posso pensar as vezes que quiser sobre um assunto, posso, portanto, IDEALIZAR o tempo que quiser e as vezes que quiser sabendo, porém, que existe um tempo ótimo de decisão e reação e que outros assuntos e outras decisões começam a acumular na cabeça e é preciso dar saída aos pensamentos mais antigos. Pensar sobre pensar, ou seja, idealizar, permite à pessoa explorar o problema ou assunto e possíveis soluções para estes, decisões apropriadas e reações eficazes e eficientes. Quando eu me queimo, pensarei “como posso evitar que isto possa voltar a acontecer?”, “qual é o material que devo ter em casa para fazer o curativo?” e outros pensamentos muito úteis para o momento presente e futuro. Idealizar, pensar sobre o que pensei, é um momento de reflexão à posteriori sobre o que aconteceu. Aí podemos falar em pensar a sério. Pensar ligado à nossa vontade, ao nosso livre-arbítrio, a nós. Eu chamo ao pensar ligado ao sentir de pensar e chamo ao pensar ligado ao pensar de idealizar. São duas coisas distintas. O pensar ligado ao sentir não controlamos porque vem logo a seguir ao sentir, aliás, é como se fosse sentir também. É uma tradução do sentir. O pensar sobre esse pensamento, sobre o primeiro pensamento, é uma reflexão e chamo-a de idealizar. Idealizar é tentar obter uma ideia sobre um assunto, um 26


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entendimento para poder depois resolver essa situação. Ou de extrair os problemas de uma determinada situação para resolver. Como explico eu isto? Deixa-me ver… as coisas brotam na vida como uma semente da terra. No início temos uma semente e, com o passar do tempo, teremos tronco, ramos e folhas. Nas cadeias humanas é a mesma coisa. Temos sucessivos sentimentos uns atrás dos outros a surgir, temos pensamentos uns atrás dos outros a surgir, temos idealizações umas atrás das outras, decisões umas atrás das outras e reações, ações e inações também umas atrás das outras. No início não controlamos este processo, o primeiro sentimento, o primeiro pensamento, a primeira idealização, a primeira decisão e a primeira reação, ação ou inação fugiram ao nosso controlo. Com o tempo é que se percebe que vai surgir um segundo sentimento, um segundo pensamento, uma segunda idealização, uma segunda decisão e uma segunda reação/ação/inação. Estes nós já conseguimos pôr mão neles, exceto o que tiver perto do exterior. Continuamos a não controlar o sentimento e a não controlar o primeiro pensamento, mas o segundo pensamento já dá para controlar. Podemos controlar também a idealização, a decisão e mais ou menos controlar a reação/ação/inação. O que está perto do exterior nunca controlamos bem, ou seja, não controlamos bem como nos sentimos, como pensamos quando é o primeiro pensamento e como reagimos/agimos/inação. Nota: dentro do cérebro vive cada um de nós e, por isso, quando o cérebro começa a funcionar, nós começamos a olhar para o processo cerebral. Começamos a analisar, quer queiramos ou não, todo o processo cerebral de sentir, pensar, idealizar, decidir e reagir/agir/ inação. E é esta a nossa vida. Nós olhamos para algo a desenrolar-se 27


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à nossa frente e, mediante as ferramentas que Deus nos dá como sendo as cadeias humanas, começamos a operar sobre isso. É a nossa vida. Somos entidades munidas de algumas ferramentas que usamos para operar sobre a realidade e reagir de uma forma qualquer, dando um resultado. Somos chamados a entrar em campo logo a seguir ao primeiro sentimento. A partir daí temos de começar a operar a realidade. E tento falar sobre isto mais tarde, podemos, com o tempo, mudar o próprio sentir, ou por outra, criar uma filosofia interna de sentir de forma a que, quando formos a sentir, possamos imediatamente sentir de uma forma mais de acordo ao que queremos. Por exemplo, a educação é crucial na forma como queremos que a sociedade evolua. Se nós educarmos os jovens para o catolicismo eles, em princípio, fazem evoluir o seu sentir para o bem e isso prepara-os para os futuros sentimentos que tenham. Exemplo: se eu educar um jovem a sentir compaixão pelo próximo, isso fará com que, no futuro, quando ele vir um sem-abrigo, imediatamente SINTA a VONTADE de ajudar, SENTINDO AMOR, PENSANDO de forma boa, IDEALIZANDO soluções para o sem-abrigo, DECIDINDO ajudar o sem-abrigo e, por fim, REAGINDO à situação do sem-abrigo e dando-lhe comida e encaminhando-o para um abrigo. ESTE É O PODER DE ENSINAR O NOSSO SENTIR. NA VIDA É FUNDAMENTAL TER UMA FILOSOFIA DE VIDA E DE SENTIR PARA QUE, QUANDO ESTAMOS PERANTE AS SITUAÇOES, POSSAMOS LOGO SENTIR, PENSAR, IDEALIZAR, DECIDIR E REAGIR/AGIR DE FORMA POSITIVA. Resumindo: 28


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O ser humano pensa e depois repensa, reflete sobre o pensamento original. E assim sucessivamente. Pensa as vezes que for preciso. As cadeias humanas de sentir, pensar, idealizar, decidir e reagir/ agir também existem da mesma forma. Existe uma cadeia humana original e a seguir vêm as outras todas, até à nossa morte. As cadeias humanas seguintes existem como reflexão, controle e solução para as cadeias humanas anteriores. Ok, é uma vida inteira de aperfeiçoamento, a humanidade é um programa de aperfeiçoamento e estamos todos cá uns para os outros, pois as nossas interações também existem para nos educar. Deus criou isto tudo porquê? Essencialmente para nos responsabilizar por tudo isto, porque uma vez que somos centros de decisão, uma vez que pensamos pela nossa cabeça, o que fizermos é da nossa responsabilidade, não dele. Embora que claro que é ele que torna tudo isto possível. É como se Deus dissesse: “Aquilo que decidires lá à frente foi revisto por ti lá atrás e, por isso, as decisões e ações são tuas e só tuas e não do ambiente externo ou de Deus.” E eu acredito na existência de uma entidade superior a que chamo de Deus porque, caso contrário, qual seria a necessidade de confirmar um pensamento? Nós confirmamos um pensamento e decidimos e reagimos porque quem criou não quer ficar com todas as responsabilidades, as responsabilidades são partilhadas entre nós e o nosso criador. Tinha de ser assim. Caso contrário seriamos meras marionetes que se mexiam à vontade de Deus, que provavelmente somos LOL. 29


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Assim não podemos culpar Deus pelas nossas escolhas. Ou seja, Deus estimula o universo, o universo estimula o Homem, o homem imediatamente sente dentro de si ser desencadeado um processo chamado de cadeias humanas que, por sua vez, irá fazer o homem reagir e produzir algo, algum resultado. A meu ver nem existia necessidade nenhuma de verificar um pensamento que se teve, é mais do género: se pensaste no que fizeste, sabias o que estavas a fazer. A responsabilidade é tua! A responsabilidade é do homem, daquilo que ele faz. É como se fosse um jogo. Existe umas regras e um tabuleiro que já existiam e que não somos responsáveis, mas, contudo, somos responsáveis pelos movimentos que dermos às nossas peças. É uma coisa partilhada entre criador e criação, a níveis diferentes, claro. Eu acho mesmo que no caso da humanidade é uma questão de Figura 4 – A cadeia transferência dehumana experiência. O criador quis que nós aprendêssemos, ao nosso nível, claro, aquilo que ele aprendeu ou sabe. Mesmo que não se acredite em Deus, podemos falar de natureza. Muito simples, mas muito complicado LOL. Vamos ficar por aqui, mas vou resumir. Figura 4 – A Cadeia Humana exterior ou universo

exterior ou universo

Cadeia Humana

1. Sentir

2. Pensar

3. Idealizar

1.º pensamento

2.º, 3.º, ... pensamentos

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4. Decidir

5. Reagir / Agir / Inação


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Resumindo: O universo vem como uma onda, uma onda de estímulos, estímulos esses que são sentidos, pensados, refletidos (idealização), decididos e reagidos/agidos/inação. E o desejo? Onde fica ele? Neste livro não fica de certeza, Ah, Ah, Ah. Talvez no próximo. O desejo é o motor e motivador do homem para ir à procura, no exterior, daquilo que precisa. O desejo do homem veio de ver uma macieira com maçãs ou da fome que sentia dentro de si? Veio de dentro de si, mas o que ele precisa está fora de si. Curioso. Nem vou falar em estímulos ambientais e na produção de estímulos humanos a partir de estímulos ambientais e das cadeias humanas, se não, não saio daqui. Ufa, acabei a introdução. Party!!!

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