A Liberdade de Viver uma Vida Valiosa é uma demanda sobre os fundamentos antropológicos e normativos de uma pretensão cuja legitimidade resta por provar – ou, pelo menos, por cumprir. Trata-se de questionar, por um lado, até que ponto a liberdade de construir um projeto de vida se relaciona inexoravelmente com as plataformas institucionais que o Direito admite e promove e, por outro lado, quais as raízes mais fundas das práticas normativas que, acompanhadas da convicção profunda da sua obrigatoriedade, originaram e legitimaram o pensamento contemporâneo das éticas do cuidado que o relacionam com a solidariedade.
O conceito de vida valiosa refere-se a uma realização dinâmica da pessoa, quando esta alcança um certo limiar de «capacidades combinadas»; lugar onde as suas faculdades internas se coadunam adequadamente com arranjos institucionais propícios e propulsionam, desse modo, um projeto de vida que a própria considere valedoura. O que a antropologia, a ética e o direito nos dizem sobre a legitimidade de uma