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«289 — Um Projecto de Pedro Cabrita Reis»

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Um P rojecto de P e dro C a b rita R e is de 14 de Julho a 15 de Setembro de 2018 A P roject by P e dro C a b rita R e is from 14 July to 15 September 2018

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Fernando S. Amaro

João Paulo Feliciano

Rubene Palma Ramos

Vasco Araújo

Ângela Ferreira

Henrique Pavão

Cristina Ataíde

João Ferro Martins

Marta Peneda

Manuel Baptista

Norberto Fernandes

Francisco Queirós

Pedro Barateiro

Fernanda Fragateiro

Jorge Queiroz

Paulo Barros

Vasco Futscher

Joana R. Sá

Tiago Batista

Patrícia Garrido

Ana Rostron

Sara Bichão

Pedro Gomes

Rui Sanches

Diogo Bolota

Ângelo Gonçalves

Julião Sarmento

Paulo Brighenti

Gat.Uno

Noé Sendas

Alexandra C.

Sílvia Hestnes Ferreira

Paulo Serra

Nuno Cera

Tomaz Hipólito

Fernando Silva Grade

Pedro Cabral Santo

Gustavo Jesus

Jorge Mestre Simão

Pedro Cabrita Reis

Vanda Madureira

Tânia Simões

Rui Calçada Bastos

Leandro Marcos

Marta Soares

Pedro Calapez

Bertílio Martins

Miguel Soares

Luís Campos

Edgar Massul

João Timóteo

Rosa Carvalho

Susana de Medeiros

Rui Toscano

Pedro Cavalheiro

Paulo Mendes

Francisco Tropa

Rui Chafes

Fátima Mendonça

Pedro Valdez Cardoso

Catarina Correia

Tereza Mieiro

João Pedro Vale + Nuno

Gil Heitor Cortesão

José Miranda Justo

Alexandre Ferreira

Vasco Costa

Vasco Marum Nascimento

Francisco Vidal

Fernão Cruz

Jorge Neves

Ana Vidigal

Luisa Cunha

Maria José Oliveira

Xana

Milita Doré

Rodrigo Oliveira

Armanda Duarte

Miguel Palma

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A volta da arte a Faro

É com um enorme agrado que redijo estas linhas com palavras que expressam, para mim e para todos os farenses, a alegria de ter de volta a Faro uma exposição de arte contemporânea de cariz nacional, voltando a colocar a nossa cidade na rota das mostras de arte. Esta alegria foi visível e palpável no sucesso que teve junto de todos os que a visitaram e que dela saíram mais enriquecidos. E é a agradecer (e a apoiar) que se reconhece o valor dos que tornaram possível esta exposição, que o presente catálogo ora corporiza e fixa em matéria, para o futuro, a memória das ideias, do pensamento, do indizível. O nosso obrigado à Associação 289, que na pessoa do seu Presidente, Bertílio Martins, representa todo um conjunto de artistas empenhados e que com vontade, esforço e tenacidade criaram um espaço para a sua criatividade e trabalho, um espaço para a sua liberdade, enriquecendo com isso o nosso tecido cultural, tornando-o mais coeso e dinâmico, rompendo com os cânones de uma certa normalidade que, por vezes, nos entorpece. Fica certamente uma marca em Faro e no panorama artístico regional e nacional, marca essa que se quer acentuar em futuras colaborações. Um muito obrigado ao artista que «cuidou», «curou», dos artistas que fizeram esta exposição: o Pedro Cabrita Reis, que imaginou para a casa da 289 uma mistura de artistas consagrados com outros que agora começam a dar os primeiros passos no caminho da criação artística. Ele, algarvio de adoção, com um amor pela sua Casa Queimada e por Tavira, com uma carreira nacional e internacional consolidada desde o final dos anos 80 e que, graças a Manuel Baptista, também expôs na nossa Galeria Trem, aceitou trazer para Faro muitos dos seus amigos e com eles fez desta exposição uma luz: «Pusemos uma luz no cimo de um pau e espetámos esse pau na terra. Essa luz é vista por muita gente.» Assim possa continuar com a Associação 289 e connosco, em Faro, agora e no futuro, bem como muitos dos seus amigos. E é nesta senda que pretende continuar o Município, no apoio à concretização de uma política cultural consolidada, aglutinadora pela qualidade, das múltiplas artes e respetivas vozes que lhe dão corpo. A arte contemporânea é uma das várias componentes dessa política, é trave mestra do cariz nacional e internacional que se quer imprimir à cultura em Faro, sendo as parcerias com a Fundação de Serralves e a Fundação Millennium bcp os exemplos cimeiros deste nosso empenho. É de artistas que trata este catálogo, e é em jeito de agradecimento a todos os que aqui estão que cito com prazer o artista Pedro Cabrita Reis: «Só se pode ser artista plenamente, se se estiver permanentemente num estado de curiosidade, num estado de espanto, espanto como absoluta abertura às coisas que acontecem.» Bem hajam! R o g é rio Bac a l hau Presidente da Câmara Municipal de Faro

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A Associação 289

A Associação 289, sediada às portas da cidade de Faro, reflecte a vontade de um grupo de artistas de criar um espaço dedicado à Arte Contemporânea. Cidadãos de um território que, na sua generalidade, é alheio às práticas da criação artística contemporânea, o colectivo 289 pretende «construir» um local de referência dessas mesmas práticas, de forma independente, passando a ser uma parte efectiva e incontornável da oferta cultural da cidade de Faro e da região do Algarve. O convite a Pedro Cabrita Reis, para desenvolver um trabalho no espaço da Associação, surgiu de forma atrevida, no meio de conversas informais que fomos mantendo, em Faro, logo no início da actividade da Associação. Pedro Cabrita Reis manifestou de imediato a vontade de apoiar a 289 enquanto projecto independente dedicado à Arte Contemporânea. E esse apoio viria a materializar-se na idealização e realização da exposição de que o presente catálogo é testemunho. De uma forma muito generosa, Pedro Cabrita Reis retirou Faro e a região do Algarve da periferia da Arte Contemporânea em Portugal durante o Verão de 2018, convocando artistas, críticos, público para o projecto «289», centrando todas as atenções no espaço do Solar das Pontes de Marchil. Obrigado Pedro Cabrita Reis. A cidade de Faro foi o palco de todo o enredo que nos trouxe por fim a este texto, a este momento, e como anfitriã do projecto «289» a cidade apoiou de imediato a ideia pela mão da Câmara Municipal de Faro, o que se revelou decisivo para o sucesso de todo o projecto. Mas não só Faro como outros locais e outras pessoas deram o seu contributo para que este projecto vingasse, criando uma singularidade na paisagem cultural: ter no Algarve a exposição com mais artistas contemporâneos do país. Obrigado a todos. As s o c iaç ão 2 89

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A Exposição 289

Há convites irrecusáveis. Foi o que pensei quando a 289 me falou do interesse que tinha em organizar comigo uma exposição naquele espaço misterioso e apetecível da associação, logo ali à saída de Faro, uma antiga casa de lavoura, agora de conversas em sombras aprazíveis, testemunho de um tempo que passou, com laranjais que iam quase até à Ria Formosa, mas agora lugar de outros cultivos, de encontros para outros pensamentos, de reflexão, trocas de ideias e práticas, lugar de ateliers, de exposições, uma casa de Artistas, na cidade, para a cidade. Ao princípio deveriam ser poucos os nomes a convidar. Os meios eram escassos. Mas o entusiasmo não! Foi-se percebendo isso à medida que se avançava na construção da ideia. Todos os dias, acrescentava-se a alegria e a adesão a este projecto, num lugar inusual, longe dos grandes circuitos, para, entre todos e com todos, lançar esta semente também inusual numa terra ainda fértil, a da possibilidade de se fazerem coisas juntos. A ideia pegou, os artistas tomaram-na em mãos, a cidade juntou-se, da autarquia vieram apoios, outros amigos vieram também, uns pela força das suas palavras escritas ou ditas, outros pela generosidade do trabalho oferecido, as coisas dever-se-iam fazer sempre assim... Nada é eterno, sabe-se, mas, por vezes certos momentos perduram e, ao longo do tempo, o que deles vai ficando é uma luz que marca um lugar e ilumina as pessoas que por ele passaram. Quando esse é um lugar de Festa e celebração como foi a «289», então a luz que dele imana perdura e caminhará com todos os que fizeram a Festa e que a deram a partilhar, através das obras de arte que no Verão de 2018 habitaram o Solar de Marchil, ali mesmo à saída de Faro. P e dro C a b rita R e is Casa Queimada, Tavira, 19.12.2018

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A periferia é um lugar que não existe Ou como uma exposição é mais que uma exposição

Tenho a casa cercada de arvoredo E aladas trepadeiras de mãos dadas Cingem-na toda. E olho-as quase a medo, Porque tenho as saídas já vedadas. s amora barros

289 é o indicativo telefónico da região de Faro. 289 também é uma associação artística, cuja sede está situada na periferia da cidade. 289 é o nome de uma exposição, com curadoria de Pedro Cabrita Reis, que reúne mais de 70 artistas, num só espaço, ao mesmo tempo. Na periferia do país, Algarve. Que não é periférico, pois tudo depende do ponto de vista, do lugar de onde se olha e do ponto que se determina ser o centro. No caso de Portugal, o centro é Lisboa. E tudo o resto é longe. E tudo o resto é periférico, mesmo que o país seja pequeno e que as distâncias possam ser percorridas de uma só empreitada – corta-se o país de lés a lés num dia. Mas há um centro inegável e há o resto. Há o sul do Sul, que é o reino dos Algarves. À beira-mar plantado, cumpre o seu destino de terra de veraneio, de espaço de encontro dos amigos que, cansados da urbe, fogem em direcção ao sul e ao sol. Porque ao Algarve, neste país, só lhe permitem viver nas férias. A sua existência está condenada aos dias de praia e, nesta altura, todos os olhos se voltam para cá e tudo acontece. Porque parte de Lisboa também se muda e a periferia torna-se, por uns meses, o centro. Quase 80 artistas, em Julho, no Algarve, é uma grande festa. Mas o curador, que ousou pensar, e fazer, esta exposição, quer mais do que uma celebração, um reencontro de amigos, uma festa das artes e para as artes. Quer marcar uma posição, que é sempre política. Porque arte é política, sempre, mesmo quando não faz questão de sê-lo. Mesmo quando pensa que não é. Porque a arte incomoda, emociona, sensibiliza, desagrada, ocupa espaço, exibe-se. Porque a arte é considerada periférica no sistema em que vivemos, que a coloca sempre à margem – dispensável, vive-se muito bem sem ela. Mas ninguém nunca tentou fazê-lo, viver sem a arte, sem o que ela nos pode trazer/fazer, sem o que ela nos diz ou cala. Nos anos 20, os artistas do Algarve clamavam nos jornais que a arte só podia sobreviver nos grandes centros, que era preciso transformar as pequenas cidades em metrópoles modernas, agitar as mentalidades provincianas e conservadoras. Nos anos 20 Roberto Nobre escreveu um artigo intitulado «As mulheres são as culpadas do aparecimento do modernismo». Culpa que o artista louvava, pois foram as mulheres que trouxeram Paris a Faro, que importavam as modas e a modernidade, que, como bem sabemos, é um modo do tempo que passa e tem consciência desta passagem – efémero, evanescente. Quase um século depois, as marcas da modernidade esbateram-se. E a contemporaneidade, que já está há bastante tempo instalada no universo das artes, parece que não quer chegar. Parece apenas, porque já cá está, só que não se vê. Porque, do centro, a periferia vê-se mal. Porque há o estereótipo de um lugar que é feito de sol e sal. Porque mesmo que haja artistas em número e qualidade mais que suficientes, serão sempre poucos. Por isso Cabrita Reis traz 79, não 7. Porque sabe que o gesto do artista, se multiplicado e replicado, é mais visível e faz mais alarido. Porque 79 artistas, numa associação de artistas, criam uma comunidade. E podem ajudar a periferia a emergir. A tornar-se centro. A ideia de emergência é vasta e a sua definição cobre diversos campos – é emergente aquele que emerge, que vem à tona, como também aquele que se encontra em ascensão. O campo semântico do termo contempla

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ainda a ideia de algo que é urgente, que precisa de ser tratado logo. No campo das artes, e da cultura, emergentes são aqueles que ainda não são, que estão em vias de. Porque na contemporaneidade, a multiplicidade de emergências, e de emergentes, torna quase impossível delimitar um espaço para cada artista ou actor cultural. Porque a própria contemporaneidade é, em si mesma, emergente – faz parte do discurso da arte há demasiado tempo, mas não chega a estabelecer-se, é dinâmica, está em constante movimento, a vir à tona, a emergir de um mar de conceitos e conceptualizações muitas vezes antitéticos. A contemporaneidade é algo que nos escapa e, conforme Giorgio Agamben, «aqueles que coincidem muito plenamente com a época, que em todos os aspectos a esta aderem perfeitamente, não são contemporâneos porque, exactamente por isso, não conseguem vê-la, não podem manter fixo o olhar sobre ela». O verdadeiro contemporâneo é o que escapa, é o que não está no centro, mas habita, de forma sábia, a periferia. E é na periferia dos conceitos que a emergência «emerge» – que se torna um estado de permanente movimento, de busca, de ocupação de espaços outros e, algumas vezes, de ocupação do espaço central onde todos querem, ou pretendem, estar. Uma exposição com 79 artistas emerge na periferia da periferia. E o periférico é aquele que está em movimento, que, de forma mais livre, consegue criar e sem problemas frequentar as margens, porque só deste lugar, à distância, é que se vê o todo e se pode compreender a história que está a acontecer neste mesmo instante e que é voraz, nada perdoa. Ser periférico é resistir, é tornar-se essencial num dado instante. É estar em processo e, como tal, poder, mais facilmente, reinventar-se. E invadir o centro. Tornar-se central. Mesmo que por alguns instantes, para depois voltar ao seu papel – que é o de provocar o movimento. E de emergir. Mi rian Tavares

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Vasco Araújo, Poderia ter sido de outra forma…, 2018 Colcha de damasco, letras em madeira pintadas, estrutura em madeira • Poemas de Adília Lopes • 160 × 200 × 15 cm Damask bedspread, painted wood letters, wood structure • Poems by Adília Lopes • 160 × 200 × 15 cm

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Cristina Ataíde, Pedra, areia, pigmento e cal, 2018 Pedra, areia, pigmento, cal e madeira • 110 × 60 × 35 cm Stone, sand, pigment, whitewash and wood • 110 × 60 × 35 cm

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Henrique Pavão, 3.77 seconds, 2017 Impressão a jacto de tinta sobre papel • 160 × 125 cm Inkjet print on paper • 160 × 125 cm

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Marta Peneda, Soutien, 2016 Técnica mista em resina • 30 × 24 × 7 cm Mixed media in resin • 30 × 24 × 7 cm

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Francisco Queirós, Emboscadas naturalistas, 2018 Pasta de papel, cartolina e k-line • Dimensões variáveis Paper paste, paperboard and k-line • Variable size

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Jorge Queiroz, Donnerstag, 2010 Lápis e guache sobre papel • 26 × 26 × 11 cm Pencil and gouache on paper • 26 × 26 × 11 cm

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Ana Vidigal, O desejoso, 2016 Técnica mista sobre papel • 201 × 126 cm Mixed media on paper • 201 × 126 cm

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Xana, Manifesto com objectos para construir, 2018 Tinta acrílica sobre capacetes e baldes de plástico • Dimensões variáveis Acrylic paint on plastic helmets and buckets • Variable size

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80 Aphorisms on Art

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It is unnecessary to superimpose life and art – life and art will take care of it. A meeting of artists is a subversive event in and of itself. Painting does not take up space. Sculpture is a void. Drawing is a subtle body. The moving image irrupts from the movement of the eyes. The death of artists is the last sign of their perpetuity. The world does not exist outside what art makes of it. To paint a heaven is to see a heaven; the same goes for the words that describe hell. All texts are visual works. Read out loud texts are dance solos. We touch with the eyes. Read with the ears. A work of art does not fulfill a destiny; it tears and breaks and burns, it dos not cover, harmonize or disguise. Ruins are the testimonies of the future in the present. The present is an impossibility made possible by art alone – because art is always the present (like politics). The future is always left behind. If you work for the future you shall not conquer the present. The hands are for thinking matter. There is no choice between sex, death and art. All dialogues are the juxtaposed monologues of a multitude of voices. There are no great artists and lesser artists. There are artists: some will vanish, others never will. Architecture is neither the support of nor the shelter for artworks. Art must be made against architecture, against urbanism, against literature. There are no artistic disciplines, there are techniques; and there is a discipline, which is individual. If a text is sculpture, a sculpture is music – such is the correspondence between the arts. Consider the landscape like a body with its manifold signs. It is pointless to praise your works. Time will cover them in dust. Know only you are an artist. Time is capable of a lot against things, but of very little against will. Ignorant as to the context of artworks in our time, an archaeologist will come who will know their reason beyond history. A sweeping gesture will cleanse space; a heavy gesture will tear down walls; a firm gesture will draw the horizon. Where silence reigns is where noise becomes unbearable to us. The nature of objects and represented objects becomes the same. To ritualize each moment of daily life avoids distraction and turns life into an artistic moment. Art redeems the sacred that we consider lost. A village banquet, an arts banquet, a youth banquet or a family banquet – any banquet is always a treatise of philosophy. Like chance, which springs from the expected, surprise springs from what is known. Friends are not for life, but life is for friends – the only platform for encounter and schism. Some find themselves, some loose themselves; some share, some steal; some keep, some give; some hide, some show – no work is related to any morality. No work should aim at explaining itself without making itself understood. Authors remain unassailable in their territory – only by remaining misunderstood can they aspire to be understood. Art does not offer a conclusion, a common ground, but just disquiet – the generalization of doubt. With their work and their public, with their (p)references, artists have neither time nor ground – they roam the world like hunted animals, even when they say the contrary. Every work is a children’s boat built with beach flotsam and jetsam of an afternoon; we never know whether it will float or sink, or whether we would really want it to; we just know we want to build it, and we know that it will inevitably be left behind on the sand at the end of the day. Fame, glory, eternity draw the gallows whose shadow torments the artist. A work must say yes to its author and no to others. Time is not in the work, it is in its maker; it is in those who see it.

40. The usefulness of art is its lack of usefulness – like freedom is its prison and politics its destiny. 41. The work exists neither in a space without time, nor in a time without politics. 42. The work is not the quarry; the work is the hunter. 43. Artists are either their own country, or the expats of no country at all. 44. We realize the inevitability of humankind’s death only when witnessing the death of artworks. 45. Art in time, like a garden in the seasons. 46. Art has no morality at all, but it has its own mores. 47. Creation is libertine. Therefore, it is subject to strict rules, and to a rigorous exercise of power. 48. Before power artists are always freer than the power that summons them. 49. Like a sex game, the art game is not a singles match – both involve multiple partners. 50. Error is the condition of truth. Likewise, the desire for perfection leads to error. And there is no contradiction in such contradiction. 51. The public should expect artists to teach them how to make instead of teaching them how to see. 52. The masters of the past are artists’ masters of their future. 53. Man is the key for the anatomy of monkeys. Likewise, today’s art explains the art of the past. 54. Let us consider a painting, any painting – better tear it to shreds than to frame it. 55. The body of a work is not a lover’s body; its freedom is of a metaphysical nature. 56. Artists do not seek and do not find – they take in their hands the materials in their heads. 57. Art is neither a vice nor a virtue; it is a mental illness. 58. Artists must never be politically correct – that would spell the end of their revolutionary mission. 59. The performer on the public stage and the painter locked in her studio are one and the same character. 60. History provides a ground, albeit an occasionally slippery one; art is made within history, but brushing it against the grain. 61. Sociology may study art. However, it will never become art. 62. Scholarliness is the condition of artists, on condition that they forget everything when proposing their authorship. 63. Like death, art is without return. 64. In art the collector finds a life support. 65. A line in charcoal on the wall of a Paleolithic cave; it was made long after the drawing that you sold yesterday. 66. The smaller is not lesser that the greater, the faster is not quicker than what remains static. 67. The feminine and the masculine are art’s third gender. 68. Criticism and art must be autonomous or nothing at all. 69. We should never expect to be saved, or at least to be saved by art; much less by the art that we share with others – we gather only to alleviate our task of surviving. 70. In the end the reality and unreality on which artists feed – their labyrinth and their desert – are one and the same landscape, one and the same face – an image that artists seek for in vain. 71. Future art and past art are symmetrical. 72. Art is made with everything that flew out from Pandora’s Box. 73. In art, the idea can only be a clandestine practice. 74. Why is there art instead of nothingness? 75. Between Being and Nothingness, there is a void charged with energy – that is where art finds its time and space. 76. There is a labyrinth within ourselves that only the fall can deliver us from. 77. Art is the most aggressive activity of the Anthropocene – that which separated us from nature once and for all. 78. Plaster and clay do not soil the hands. 79. There is neither center nor periphery, no high and no low. There is a fire that burns everything around it, illuminating things and casting shadows on those who see it. 80. We have the map, but lack the path. Or: we have path and do away with the map? João Pinharanda for 289, Paris, 29 May 2018

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Agradecimentos | Acknowledgements

A Associação 289 e Pedro Cabrita Reis agradecem sincera e calorosamente a todos os que contribuíram para a realização deste projecto: • Rogério Bacalhau e Paulo Santos da Câmara Municipal de Faro • Bombeiros Sapadores de Faro • José Carlos Mendes, anfitrião da Associação 289 • Fernando Viegas, o nosso bom pastor • Guy Vieira • Teresa Xufre • Carlos Ferreira • Rita Araújo • André Philips • Rita Soares • Pedro Mesquita • Tiago Bacelar e por fim e porque sim a todos os Artistas que partilharam o seu entusiasmo e a sua obra. *** Associação 289 and Pedro Cabrita Reis sincerely and warmly thank all who helped realise this project: • Rogério Bacalhau and Paulo Santos of the Faro City Council • Bombeiros Sapadores de Faro • José Carlos Mendes, host of Associação 289 • Fernando Viegas, our good shepherd • Guy Vieira • Teresa Xufre • Carlos Ferreira • Rita Araújo • André Phillips • Rita Soares • Pedro Mesquita • Tiago Bacelar and finally to all the Artists who shared their enthusiasm and their work.

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Créditos fotográficos Photographic credits

Exposição 289 289 Exhibition

Catálogo 289 289 Catalogue

Alexandra C. – p. 50 Daniel Malhão – p. 142 Edgar Massul – pp. 20, 21, 22, 24, 26, 27 Fernanda Fragateiro – pp. 92, 93 Fernando Sampaio Amaro – pp. 20, 21, 22, 25, 26, 27, 30, 31, 154 Francisco Queirós – p. 140 Gustavo Jesus – pp. 2, 3, 6, 8, 10, 12, 15, 16, 20, 21, 22, 24, 25, 26, 27, 81, 146, 147, 182 Henrique Pavão – p. 136 Hugo Rodrigues / Sul Informação – pp. 21, 23, 24, 25, 74 João Ferrand – pp. 18, 19, 32, 34, 35, 37, 39, 41, 42, 43, 45, 47, 48, 49, 51, 54, 55, 56, 57, 58, 59, 60, 61, 63, 65, 66, 68, 69, 70, 71, 72, 76, 77, 78, 80, 83, 85, 86, 87, 88, 90, 93, 94, 95, 96, 97, 98, 99, 102, 103, 104, 105, 107, 108, 109, 111, 112, 113, 114, 115, 116, 117, 120, 121, 123, 126, 127, 130, 131, 132, 133, 134, 135, 137, 139, 141, 143, 144, 145, 148, 149, 151, 152, 153, 155, 161, 162, 163, 165, 169, 170, 171, 172, 173, 174, 175, 176, 177, 179, 180, 181, 188 João Ferro Martins – pp. 75, 89, 128, 129 João Timóteo – p. 166 Jorge Neves – pp. 110, 111, 129 Jorge Simão – pp. 20, 21, 22, 23, 24, 25, 26 Luís Campos – p. 62 Luisa Cunha – p. 79 Norberto Fernandes – p. 91 Nuno Cera – pp. 52, 53 Paulo Mendes – pp. 118, 119 Pedro Cabrita Reis – pp. 20, 21, 22 Rui Toscano – p. 168 Tânia Simões – pp. 23, 25, 160 Tatiana Macedo – pp. 100, 101 Tiago Batista – pp. 21, 23, 24, 27 Tomaz Hipólito – p. 106 Vasco Araújo – p. 33 Vasco Costa – pp. 44, 124, 125, 190 Violeta & Zoe – pp. 22, 27

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Pedro Cabrita Reis coordenação coordination Edgar Massul Tiago Batista produção production Sílvia Vieira Patrícia Serrão assistentes assistants Beatriz Cabrita Bruna Silva design gráfico graphic design Nuno Vale Cardoso montagem setting-up Bertílio Martins Gustavo Jesus Ângelo Gonçalves Vasco Costa transportes • seguros transportation • insurance

Pedro Cabrita Reis Manuel Rosa Edgar Massul textos texts Pedro Cabrita Reis Rogério Bacalhau José Miranda Justo Mirian Tavares João Pinharanda design gráfico graphic design Ricardo Assis Negrito Produção Editorial tradução translation José Gabriel Flores Rui Cascais revisão proofreading Helena Roldão impressão printing ACDPrint

Iterartis Textos e imagens © os Autores, 2019 Edição © Sistema Solar (Documenta) Rua Passos Manuel, 67 b – 1150-258 – Lisboa 1.ª edição, Janeiro 2019 isbn 978-989-8902-54-2 Depósito legal 451093/19

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