A poesia de Eugénio de Andrade revela, ao longo da sua evolução, uma tendência para a concentração verbal, a expressão breve em núcleos, que, mesmo em textos longos, pode ser vista numa concisão de fragmentos abrindo-se sobre o real, absorvendo-o e transfigurando-o. Chamarei, aqui, brevitas a esse tipo de concentração, querendo utilizar a forma etimológica como paradigma da busca das origens da língua, comparando-a àquela busca que, paralelamente e em termos de linguagem, Eugénio de Andrade faz no sentido de uma pureza que fosse originária, uma criação com características de primordialidade.
O retorno a esta matriz da linguagem representa uma das direcções do percurso poético de Eugénio que, pelo menos idealmente, diz aspirar a uma síntese capaz de conter o máximo de significado: «o silêncio é a minha maior tentação».