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NÃO SE APRENDE A BEIJAR NOS LIVROS

TEXTO SIMONA DE BELVEDERE (PROTAGONISTA DE NECA: ROMANCE EM BAJUBÁ, DE AMARA MOIRA)

ILUSTRAÇÃO ANA MATSUSAKI

FOTO FÁBIO AUDI

Melhor lugar pra beijo é no corre das clisses. Cona que não quer soltar o do ilê de baco pede pra função ser lá, o kibinho, a nequinha, até o édi elas deserdam dentro, e tudo umas Shekêra, Shekêra — fare antes la chuca perquê, né? Rá, é lá da música sim, qüenda o que ela virou pras bichas. Podres demais, mas também, rir pra não chorar. Sério, o afofi de nena, ele empesteia na máquina, cadê que sai. A mona cá faz a kátia, é o lavoro delas, lór, mas a mapô da mari, como que não cata a cena? E a erezada então:

— Pai, que cheiro de totô é esse? Quero ver pra explicar depois, afe. E, enquanto a cona tá lá horas no bem-bão, bem-bão, bem-bão, esquecida da vida, a bitoca vai rolando solta.

Beijoqueira no pistão não falta e as ibope se dão pencas com elas. Querem as que cobram matinho, aí entrevista aqui, entrevista acolá, vão parar justo na rua das mais babadeiras. Só fico passada com cona que gosta. “Gosta” de gostar sim, ficam didê e tudo, acredita? Elas vêm já nessa intenção, friozinho na barriga, será se vai ter, se não vai, e dão tanto mole que é pra musa ter zero dúvidas. Dizer-dizer não dizem, mas tu faz e elas voltam: ou seja. As frotas da vida, sabe? Bicha tem axé pra dizado do ori, isso sim. Só cuidado que as que ficam pê da vida com bátchio, ish, essas são bem mais comuns. Aí é linha Cosme e Damião, as maracujá de

gaveta voltando com os alibéuris e regalando um lindo docinho pra misse. Ah, e quem disse que catam qual certinha a que azuelou? Primeiro que acham trava tudo igual, a feita e a de tchaca de plástico, ó, irmãs vitelinas. Depois ainda tavam com a endaca aqüendada ou na neca ou melhor nem perguntar dove (a de lá não vai querer saber dove, confia). Fora o realce, que uns, no pegê, é só incentivo o que buscam... dizar a cláudia como, se, com padê, frapê é o máximo do máximo que aquelas necas chegam? E se esforçando pencas. Aí, pronto, põe tudo isso num saco, viados parecidérrimos (entre aspas, tô xoxando), lixos sempre muito ocupados, a colocaçãozinha babado, o resultado é qual? Aqui que vão lembrar, a que surgir na frente é quem leva. Tem que ficar esperta, ou já viu.

E tem outra coisa. No quesito atriz, se as bonecas dão show, os clis não ficam muito atrás, nananão. A gata mesma só decidiu comintchiáre depois de azuelarem ela horrores. Vergonhinha, ma mentir pra quê? Vem a pessoa que tu menos pensa, uma cacu bem fofa, a cara do croco do croco dela, aí tu vai ver, é ela quem faz a winona. Primeiros dias de batalha é cosi, e, até pegar jeito, tu cai em cada uma. E dessas tu até releva, podre pra valer é quando brota o tropo, ele paga bonitinho, bomba o edi da de cá sem dó e, a hora que a cláudia grita, é papapum no cartão da misse, elza o aqüé

“

‘GOSTA’ DE GOSTAR SIM, FICAM DIDÊ E TUDO, ACREDITA? ELAS VÊM JÁ NESSA INTENÇÃO, FRIOZINHO NA BARRIGA, SERÁ SE VAI TER, SE NÃO VAI, E DÃO TANTO MOLE QUE É PRA MUSA TER ZERO DÚVIDAS

AI, TEVE UM DIA, VIXE, ESSE FOI O VERDADEIRO ÁICE. ERA PRA SER UM SIMPLES SELINHO, NO TRUQUE: A MARI TAVA AQÜENDANDO A ENDACA NA NECA DA DE CÁ E, ENQUANTO DELIRAVA, A PALMICINCO SAIU NO DESEJO DO BEIJO

dela todo, o tif, e corre o risco dele te dizar ainda. Ela fica maluca do edi. Boy magia é o que as gatas mais se lascam, não os que tu aqüenda o ojum e já cata. Nada, ele te seduz antes de beijar, tu fica “esse a beth até de grace kelly faria” e, no final, quem dera tivesse sido só vício. Pior é que o bafo, em geral, não é nem no ponto dela que rola, é lontano, tipo estrada deserta ou um lugar uó igual. Ah, faz a angélica, faz a angélica como? Êr! Ela sem ligue, ela sem arô, esqueceu? O que dá é pra tentar a sorte num hot wheels passando, aí em troca ela grava o ocó, mas o mais comum é botar o apatá no ombro e toda descabelada, choramingando, rogando praga no lixo, o viado ainda ter que camelar horas de volta. Isso quando não é alibete. Vida de viado, ó... tem que ter certeza que quer ser, sim. É tanto doce, que a diva começa a pensar “ah, quer saber, me aguardem”. Tem várias formas também. A mona acáisse se dá só com as mais no truque, estilo o gato comeu, um lajôzinho dando sopa, uma oxunzinha, um ojum de equê, e a cona diza antes de se dar conta, ops. Um cadô de nada, que que tem? Tif não, que o lixo, se cata, te gruda ali mesmo, nem descer do corre tu desce. Rua é babado, mulher. Bom, depois tem os que ela até já fez, mas não é muito fã, uma linha “splish splash”. É a que envolve atraque, gigi, bicha falando grosso, puxando chave, fazendo a ariel (a ariel sereia sim, que ela entra no corre-corre pela janela e, rá!, ó as perninhas balançando fora). Sem contar as que abrem buceta e falam que tão com a tia... bajé deixa as clis loucas. Só não pode abusar demais: um erro e tu tá no ilê de alibã, com coió todo dia e o edi da deusa virando parquinho dos margicléuris. Ai, teve um dia, vixe, esse foi o verdadeiro áice. Era pra ser um simples selinho, no truque: a mari tava aqüendando a en-

daca na neca da de cá e, enquanto delirava, a palmicinco saiu no desejo do beijo. Enfia daqui, enfia dali, que que ela não encontra? A aliança do lixo. Ele tinha tirado antes do pegê e, total no automático, sabe quando tu nem pensa, qüenda a musa fazendo a mãozinha de gato. Meda! Assim que acabasse o tetê do bezerrinho, na hora ele ia catar, então a de cá tinha que ser rápida: ou devolvia ou fazia a louca. Bicha, ela não me mandou endaca adentro? Pois é. Daí foi a linha atriz, ela chorando litros, mostrando bolsa e tudo, ajudando o ser a vasculhar o corre. Corta pro dia seguinte, ela no ilê de nena com uma peneira, até o babadinho dizar na chuca. Que vendeu o quê, virou amuleto da sorte dela.

E não que a de cá se orgulhe dessa ficha, tá? Nem das melhorzinhas do ramo ela saiu. Também, precisa? Qüenda esse pico, mio, natural sim, qüenda esse jarro marajoara, o edi, nariz que elas ficam querendo se cortar todas. Os anos passam, mas enquanto a de cá bater, beijar conas só em último caso.

Um barato essa história de que puta direita não beija. Ah, beija sim e nem é pouco. Se bem que, perto de tanta tiração, é até justo. Agora, o que a de cá não güenta: todas fazem, né? Ô! Mas é mencionar o bafão e guarda as beldades indignatas, todas enchendo a boquita pra dizer “ma quê”, “io no”, “nunca”. Bege, até pela croca no oló elas juram. Só que tem dia, aqui pelo menos, que a bicha beija ou não faz o da diária sequer. Voltar pra pensão como?

— Mãezinha, escusa, a rua tava o Óscar hoje, ma domani sem falta.

— Ó, pobrezinha! Não preocupar-te. Alítche do céu, final feliz é Disney, na rua a fada madrina é o cão. Primeira volta passa, mas ela te aqüenda um ojum que tu quase te nena toda. A segunda é multa e o viado tem sorte se não fizer nanã nas trevas. A terceira

em diante, Madona, ela barbariza... é raibã, é buceta no aracá, o muco raspado na zero, e ai se resistir. Já vi uma que: — Não fez de novo o aqüé, é?

Pois bem, ela rancou na ivete o apeti do viado e ainda revendeu pro açougueiro que fazia as misses. Detalhe, aí que a de cá catou perquê que com ele não era um lajô tão forte.

Tô dizendo isso, mas, quer saber, é uma pena que acabou cafifa acáisme. Mona, zona onde não tem, desce qualquer ser pra pista e as varejeiras tomam conta. O aqüé começa a tombar assim, cacuras se acostumando com as montadas de vinte, trinta arôs, a deusa no melhor figurino, produzidérrima, mas só cão batendo, e, quando menos se espera, até as piu belas têm que entrar na dança. Rua tem que ter lei, esse circo é o que mata. Hoje em dia, o SUS dando peito, hormônio, é caricata quem quer. Simples.

Se a de cá vareja? Mulher, pensa a rua penosa, a gata a noite inteira de salto, na intenção do sono dela, doida pra dizar, pra chorar, pra grudar uma dessas matusas malditas, óbvio que ela já fez. Então, fez mas vez em nunca, não sempre. Agora vício, romancinho com ocó bens, necão ganhando desconto, a fofa fazendo fiado — fiado, viado, pode? Isso jamé! Ainda mais quando tinha cafifa. Nisso foi vindo o varejo e, em seguida, a elza. Dona Elza, Dona Elza! A saudosa nem deve imaginar o que que o nome dela virou no bajubar. Conheci sim, ô, das primeiras babadeiras que houve. Era um armário, dois por dois, chegava no pistão e as cônsimes se borravam de medo... a lindeza ia viver do quê, se de pegê não dava? Descobriu assim a vocação. Décadas depois, sabe o que as novinhas dizem? Que, hoje em dia, a elza já beijou tanto que tá montada no aqüé, aí quem tá dando o nome é a neusa, prima dela. Eu morro com essas bichas!

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