SESC – SERVIÇO SOCIAL DO COMÉRCIO SÃO PAULO - 2025
VALORIZANDO PARCERIAS E O DIÁLOGO COM A SOCIEDADE
PERTO DE COMPLETAR 80 ANOS, O SERVIÇO SOCIAL DO COMÉRCIO - SESC afirma a sua missão de promover o bem-estar social e a qualidade de vida dos trabalhadores do comércio de bens, serviços e turismo, de seus familiares e da comunidade. Ao mesmo tempo, o Sesc está atento às mudanças sócio-históricas que reorientam, de tempos em tempos, a visão institucional. Dessa forma, busca ampliar seu reconhecimento junto à sociedade, qualificando práticas, aprimorando a colaboração com variados agentes e, sobretudo, valorizando as pessoas.
O Circuito Sesc de Artes é uma das ações em rede que bem expressam esses fundamentos. Iniciado em 2008, com o intuito de estender a um maior número de municípios paulistas a programação cultural desenvolvida nas unidades, o projeto realiza-se, cada vez mais, em diálogo com as
lideranças das regiões abrangidas, expandindo o atendimento ao público e ocupando espaços significativos para as cidades. Nesse sentido, o evento também se destina a difundir a missão, os valores e as diretrizes institucionais, buscando uma comunicação direta com todos os públicos sobre os serviços e benefícios oferecidos pelo Sesc.
Em outra vertente, o Circuito Sesc de Artes atualiza e fortalece a cooperação com Prefeituras Municipais e Sindicatos do Comércio e Serviços, reconhecendo seu papel como lideranças regionais e ressaltando a história e o desenvolvimento econômico e cultural das cidades. A renovação dessas parcerias enseja a melhoria de processos na elaboração das ações, incorporando formas transversais e sustentáveis de concretizá-las, além de beneficiar aproximações e diálogos propositivos com toda a sociedade.
Abram Szajman
Presidente
do Conselho Regional do Sesc São Paulo
CRUZANDO OS CAMINHOS DE SÃO PAULO
CHEGAMOS À 17ª EDIÇÃO DO CIRCUITO
SESC DE ARTES, PROJETO QUE REVISITA A história do Sesc ao percorrer cidades, fazendo-nos refletir continuamente sobre nossa ação cultural. Em 2025, o Circuito abrangeu 132 cidades paulistas, além do bairro de São Miguel, na zona Leste paulistana, proporcionando aos públicos um repertório variado de teatro, dança, circo, música, literatura, cinema, artes visuais e tecnologias, além de ações formativas. Como novidade, foram incluídos roteiros com recursos de acessibilidade em Libras, além de atividades de turismo em centros históricos e de valorização social, com a Mostra de Saberes Regionais.
Assim, um grupo de 460 artistas foi aonde o povo está, unindo representantes de São Paulo, de diversas regiões, a artistas do Rio de Janeiro, Ceará, Argentina e Uruguai. Esta conjunção resultou das intermediações institucionais realizadas, ressaltando a diversidade e o intercâmbio almejados no trabalho programático do Sesc.
Também aprimoramos os espaços de atendimento ao público. As praças passaram a contar com Centrais de Relacionamento Itinerantes (CRI) padronizadas, onde as pessoas puderam obter informações sobre o Sesc e seus serviços, como a Credencial Plena, os aplicativos e as atividades que ocorrem dentro e fora das unidades.
Nos últimos anos, planejar o Circuito nos tem apontado a necessidade de aprofundarmos a percepção sobre os rumos da cultura no Brasil. Modos inovadores de produção, impulsionados pelas redes eletrônicas, suscitam novos perfis de trabalhadores da economia criativa, levando-nos a refletir sobre o papel da mediação nesse campo. Atento a essa realidade, o Sesc entende a importância de incentivar a formação e qualificação de agentes culturais sintonizados com o presente, estimulando práticas autônomas. Por isso, dentro da programação, ofertamos ações pedagógicas com o desejo de que a iniciativa favoreça a fruição estética e lúdica, mas também se constitua como atividade reflexiva e de oxigenação das ideias.
Enquanto os artistas cruzam os caminhos de São Paulo, igualmente entra em circulação nosso agradecimento às Prefeituras Municipais e aos Sindicatos do Comércio e Serviços, que caminham conosco na realização do Circuito Sesc de Artes. Essas parcerias viabilizam o trabalho de articulação engenhoso que movimenta as redes de criação, sendo vitais para o fortalecimento desse capital cultural no estado.
Luiz Deoclecio Massaro Galina Diretor Regional do Sesc São Paulo
POLÍTICAS PÚBLICAS, COOPERAÇÃO EM REDE
GESTÃO CULTURAL E TRABALHO
REDE – ESTRATÉGIAS PARA A MOBILIZAÇÃO DE TERRITÓRIOS CULTURAIS
COSTURAS CULTURAIS: GESTÃO, PARCERIAS E INTERCÂMBIOS
CIRCUITO
QUANDO O PALCO É A RUA 90
ENTRE A ACESSIBILIDADE E O ACOLHIMENTO 92 A PRAÇA COMO LUGAR DE ENCONTRO 94 APRESENTAÇÕES
TURISMO SOCIAL – AS CIDADES VISTAS COM UM NOVO OLHAR 120
VALORIZAÇÃO SOCIAL – O VALOR DE TODOS OS SABERES 122
CURSO SESC DE GESTÃO CULTURAL – FORTALECENDO REDES ENTRE TERRITÓRIOS 124
TODOS CAM LEVAM
OS INHOS À ARTE
O TEXTO JÁ VAI COMEÇAR. MAS, ANTES, QUEREMOS FAZER UM CONVITE A VOCÊ que lê. Se puder, feche agora este catálogo e carregue-o com você até um espaço público. Abra-o de novo quando chegar a uma praça, a um parque, a um centro de eventos da sua cidade. Sente-se em um dos bancos, observe as outras pessoas ao redor. É possível que nesse cenário haja um pipoqueiro, um vendedor de milho verde ou de picolé e outros comerciantes vendendo comidas de rua. Talvez você ouça o barulho de pássaros que gorjeiam, de cachorros que latem. Deve haver árvores também, flores, um gramado. Se for um dia de sol, é possível que muitas pessoas estejam circulando pelo espaço. Pessoas velhas, adultas, jovens, crianças. Homens, mulheres, pessoas brancas, pretas, amarelas. É possível que muitas dessas pessoas tenham ascendência indígena, europeia e africana, tudo um pouco misturado. Talvez, percebendo o seu interesse pelo espaço e pelo que acontece ao seu redor, uma ou outra pessoa comente sobre o tempo, sobre o lugar, pergunte sobre o que é o livro entre as suas mãos, este catálogo que você abre e
lê enquanto se senta em um banco de praça. Se você fechar os olhos, pode imaginar essa mesma praça, parque ou centro de eventos ocupado por toda uma diversidade de vidas, enquanto vê pessoas se divertindo coletivamente durante uma oficina de artes, ou batendo palmas para os artistas do espetáculo que acaba de começar.
Espaços públicos são assim – ou deveriam ser assim –: cheios de vida, ocupados e povoados por pessoas de todas as idades, etnias, crenças, raças, condições sociais. É também essa diversidade cultural que pautou a curadoria de atividades do Circuito Sesc de Artes 2025, realizada entre os dias 3 de maio e 8 de junho, em 132 cidades do interior, litoral e Grande São Paulo nas quais o Sesc não possui instalações físicas permanentes, além de São Miguel Paulista, na zona leste de São Paulo, bairro que receberá futuramente uma unidade do Sesc. Foram mais de 840 sessões de atividades, distribuídas em 12 roteiros, com mais de 460 pessoas participantes, entre artistas, oficineiros e oficineiras e guias de turismo.
A MOVIMENTAÇÃO
DA ECONOMIA
CRIATIVA
Além de promover arte na rua para todas as pessoas, a edição 2025 do Circuito Sesc de Artes ampliou expressivamente a quantidade de atividades realizadas por indígenas, além de ações afrorrefenciadas. A quantidade de artistas locais, de cada uma das regiões que receberam o evento, também foi a mais elevada da série histórica, considerada desde a primeira edição do Circuito.
Para tudo isso acontecer, muitos meses antes a programação começou a ser pensada por uma equipe de curadoria
composta por pessoas atuantes nas unidades do interior, litoral e Grande São Paulo, além de responsáveis, na Administração Regional do Sesc São Paulo, pelas linguagens artísticas e ações para a cidadania. Desde o início, as equipes do Sesc também uniram suas forças a produtoras e produtores culturais, gestoras e gestores, além de outros grupos de relevância em cada uma das cidades participantes para, conjuntamente, realizarem o projeto.
Mais do que fomentar a cultura criativa dos municípios, a economia local também foi acionada com a contratação de hospedagem para produtoras, produtores e artistas participantes. O fomento aconteceu ainda com a dinamização das cidades no dia do próprio evento, com maior circulação de pessoas e consumo local.
Roberto Assem
Além disso, cada roteiro de atividades exigiu a contratação de micro-ônibus para transportar artistas entre as hospedagens e os espaços de apresentação, fora a contratação de caminhões de transporte de carga e de ônibus para levarem artistas de diversas localidades para os municípios do interior, litoral e Grande São Paulo. A compra de materiais que foram utilizados nas oficinas práticas, além da locação de o equipamentos de áudio e de iluminação, tendas, cadeiras e banheiros químicos, também movimentou a economia para a realização do evento. Sem contar a contratação de equipes de limpeza, bombeiros e ambulância.
DOS FAZERES
TRADICIONAIS
À ARTE
CONTEMPORÂNEA
Toda essa preparação e o envolvimento de equipes multifuncionais garantiu, em cada uma das cidades participantes, que a festa acontecesse. Diversas linguagens artísticas foram contempladas e, em cada roteiro, houve variações entre elas: assim, as praças sempre contaram com apresentações de artes cênicas ou de música, DJs, mediações de leitura, além de uma série de atividades que privilegiaram o fazer artístico coletivo a partir das experiências do cinema, circo, artes visuais e das tecnologias.
Os diversos fazeres criativos foram contemplados, não apenas pela diversidade de criações tradicionais e contemporâneas em ações de dança, teatro, circo, música, literatura, cinema, artes visuais e tecnologias. A inovação também se deu, nesta edição do Circuito, pela realização inédita das Mostras de Saberes, organizadas em seis cidades. As mostras trouxeram para o palco principal o artesanato produzido em diversas regiões do estado de São
Matheus
José Maria
Paulo, com ações de demonstração realizadas por artesãos locais, além da promoção e venda de seus produtos.
Outra realização inédita da edição foram as ações de Turismo Social que, em três municípios, promoveram passeios gratuitos em que os participantes puderam visitar pontos históricos e culturais das cidades, acompanhados por guias de turismo.
Para além dessas ações, o Circuito promoveu, ainda, uma nova edição do Curso Sesc de Gestão Cultural, com o intuito de fortalecer as redes entre artistas e suas comunidades, mas também de incentivar e apoiar a realização de ações já embrionárias em diversas das localidades atendidas. Os espaços de relacionamento com o público também foram padronizados nesta edição, com a montagem de tendas e a exibição de vídeos da campanha do Circuito e das principais ações realizadas pela instituição no estado, com incentivo para que trabalhadores das áreas de comércio de bens, serviços e turismo pudessem se credenciar no Sesc durante o evento.
Ao unir os conceitos de cultura, território e comunidade, a partir das contribuições da economia criativa, o Circuito reforçou sua importância no cenário artístico e socioeducativo como um dos principais eventos regionais do interior, litoral e Grande São Paulo. Não apenas por propiciar a fruição artística de todos os públicos, já que a realização das atividades em praças e ruas torna o acesso ainda mais democrático, mas também por promover encontros e trocas entre artistas, artesãs e artesãos, além de participantes das mais variadas classes sociais, raças, credos e idades. Ou seja, foi também a busca por diversidade o que pautou a curadoria desta edição do Circuito.
Você, que agora chega ao final deste texto, também faz parte de tudo isso. O texto já vai terminar, mas o trabalho continua. No ano que vem, tem mais. Até lá, seguimos nos encontrando nas praças e nos textos, ocupando com arte todos os espaços que pudermos.
Nilton Fukuda
FOR TERRI REDES QUE
Reflexões sobre como a parceria entre Sesc, prefeituras e sindicatos fortalece políticas culturais, ativa economias locais e promove pertencimento em cidades paulistas.
MAM TÓRIOS TRANS-
Matheus José Maria
POLÍTICAS PÚBLICAS, COOPERAÇÃO EM REDE E OS CAMINHOS PARA O DESENVOLVIMENTO LOCAL
EM UM MUNDO PROGRESSIVAMENTE GLOBALIZADO E DIVERSIFICADO, a cultura é mais do que apenas patrimônio a ser protegido. Ela também é recurso que pode impulsionar o desenvolvimento humano, fomentar identidades coletivas e fortalecer a coesão social. No entanto, para que isso se concretize, é fundamental a construção de políticas públicas efetivas e duradouras, com a articulação entre diferentes atores sociais e institucionais.
No âmbito municipal, diante dos desafios impostos pela complexidade urbana e pelas desigualdades sociais, ganha força a ideia de que os governos locais não devem atuar de forma isolada, mas em rede. Mobilizam-se, assim, parcerias entre agentes públicos e segmentos da sociedade civil, a exemplo de sindicatos e instituições como o Sesc.
Apesar de a atuação do Sesc ter se transformado ao longo de seus quase 80 anos de existência, a instituição já se preocupava, desde o início, com o mapeamento das características demográficas, sociais e econômicas dos trabalhadores do comércio.
E o Circuito Sesc de Artes é, desde 2008, uma das mais importantes ferramentas para o fortalecimento das redes entre a instituição, os governos municipais e os sindicatos de comércio de todo o estado de São Paulo.
Para Rosangela Pinheiro, diretora de cultura de Nazaré Paulista (SP), o Sesc traz uma série de eventos que promovem a cultura e o lazer. “Para os trabalhadores do comércio, essa ação é essencial porque, além do contato com a arte, também fomenta todo o comércio local. Sem contar o acesso democrático à cultura, porque todas as pessoas podem participar. Pessoas de qualquer idade, qualquer situação financeira, qualquer gosto. Todo mundo consegue aproveitar e se divertir”, comemora.
Já o secretário de cultura de Limeira (SP), Silvio Britto, afirma que a cultura se abrilhanta com a presença do Circuito Sesc de Artes na cidade. “Eventos como esse são essenciais para a cidadania das pessoas: nós vemos as famílias chegando à praça, buscando essa cultura que é tão importante para a vida delas”. Ele lembra, ainda, que “essa parceria logo vai se ampliar, porque teremos o Sesc aqui em Limeira”, referindo-se à futura unidade do Sesc no município.
As prefeituras encontram nos sindicatos do comércio aliados fundamentais para o desenvolvimento econômico, a valorização do trabalho e a dinamização dos centros urbanos. Já os sindicatos contam com as gestões municipais para formularem políticas de fomento, investirem em infraestrutura e promoverem o diálogo entre interesses públicos e privados. O Sesc, por sua vez, completa
Matheus José Maria
essa parceria com sua expertise de décadas na promoção da cultura, no fortalecimento de redes de educação não formal e na realização de eventos culturais entre os maiores do país.
Com essas parcerias, as culturas locais saem vencedoras. Mas também ganham os comércios locais – fomentados pelos dias do evento –, as prefeituras e os sindicatos – que podem contemplar a população e os trabalhadores com um evento do porte do Circuito –, e a população de cada uma das regiões atendidas – que pode se beneficiar de todas as ações que compõem a programação. Se as estratégias dessa tríade têm como foco a mobilização de territórios culturais e o debate sobre o papel dos processos de articulação coletiva para a consolidação das redes culturais, não há dúvidas de que os benefícios se expandem para muito além do campo da economia criativa. A formação de redes permite consolidar espaços de diálogo e experimentar soluções inovadoras que atendam às especificidades locais, fortalecendo o comércio dos municípios que recebem as atividades do Circuito e revitalizando os espaços públicos.
É sobre essa criação de redes e o processo de articulação entre esses três atores que os pesquisadores e gestores culturais Ivan Montanari e Mateus Sartori refletem nos textos a seguir. Para Sartori, o Circuito Sesc de Artes é um modelo exemplar de gestão cultural baseada em articulação, escuta e cooperação entre o Sesc São Paulo, as prefeituras municipais e os sindicatos do comércio. Afinal, mais do que uma programação itinerante, o projeto, para ele, fortalece as redes culturais locais, valorizando a diversidade regional, impulsionando a economia dos municípios e promovendo intercâmbios simbólicos entre artistas de diferentes territórios.
Já Ivan Montanari lembra, em seu texto, que a promoção da cultura, especialmente em municípios com poucos recursos, demanda articulação em rede entre diferentes atores sociais.
Ele reforça, ainda, que essa estratégia permite otimizar e ampliar recursos, democratizar o acesso à cultura e fortalecer vínculos territoriais por meio da ocupação de espaços públicos, do compartilhamento de saberes e da valorização das especificidades locais.
DEMOCRATIZAR O ACESSO À CULTURA
E FORTALECER VÍNCULOS TERRITORIAIS
POR MEIO DA OCUPAÇÃO DE ESPAÇOS PÚBLICOS, DO COMPARTILHAMENTO DE SABERES E DA VALORIZAÇÃO
GESTÃO CULTURAL E
TRABALHO EM REDE
–
ESTRATÉGIAS PARA A MOBILIZAÇÃO DE TERRITÓRIOS CULTURAIS
POR IVAN MONTANARI
A CULTURA É UM BEM PRECIOSO QUE REFLETE A
IDENTIDADE E A DIVERSIDADE DE UM POVO. NO BRASIL, essa diversidade se manifesta de várias formas, através de tradições, artes e expressões que contam a história de cada comunidade. Nesse sentido, a promoção e o desenvolvimento da cultura se constituem como fundamentais para humanizar o contexto em que as pessoas vivem e transformá-lo em um lugar de afeto, memória e diálogo, que contribua para uma maior sensação de pertencimento das pessoas com seus territórios. É no território, a partir das relações cotidianas e dos vínculos comunitários, que a cultura se enraíza – sua força está na capacidade de conectar pessoas, saberes e espaços. Pensar a cultura a partir da dimensão local permite reconhecer a diversidade de identidades, memórias e práticas que constituem o tecido social de cada lugar.
No entanto, agir nesse campo apresenta desafios de diferentes ordens, sobretudo nos contextos locais de municípios que não são capitais e que dispõem de poucos recursos para investimento na área. O trabalho em rede emerge, nesse cenário, como estratégia fundamental para potencializar ações culturais, democratizar o acesso e fortalecer identidades territoriais. Articular diferentes atores sociais, governos, instituições e comunidades significa não só otimizar, como, principalmente, potencializar recursos e ampliar o alcance das ações. A troca e compartilhamento de experiências, recursos e conhecimentos permite a construção coletiva de soluções que atendam às reais necessidades da comunidade e promovam a inclusão social. Ao contar com atores e instituições locais, que possuem capilaridade e influência em diversos territórios,
Diana Gandra
a articulação em rede pode ser um caminho eficaz para promover desenvolvimento local, inclusão social e valorização da diversidade cultural, superando a fragmentação de ações culturais e integrando iniciativas dispersas em um projeto comum, com maior potencial de impacto e de escala.
A articulação em rede possibilita identificar agentes culturais, espaços, festividades e demandas locais, e pode envolver instituições públicas, privadas e do terceiro setor, agentes e lideranças comunitárias, coletivos, educadores, sindicatos, meios de comunicação, entre outros. Na prática,
as ações de articulação costumam dar conta de parcerias no oferecimento de atrações e programações culturais, compartilhamento de infraestrutura e de logística, tais como equipamentos e disponibilização de rede elétrica e banheiros, produção conjunta de material de comunicação, divulgação cruzada em canais oficiais e redes sociais, possibilitando o engajamento de redes comunitárias, autorização facilitada para a realização de eventos culturais, interlocução com agentes de trânsito e segurança, entre outros.
O trabalho em rede costuma ter benefícios mútuos para todos os
Matheus
José Maria
participantes, tanto no que diz respeito ao cumprimento de suas missões institucionais, quando for o caso, quanto no tocante à ampliação do alcance de suas ações, do fortalecimento de seus vínculos e de criar uma imagem positiva com o território e as pessoas que ali vivem. Dessa forma, criam-se contextos de experiência e diálogo para a comunidade – que é a maior beneficiada nesse tipo de confluência de ações, obtendo maior acesso a bens culturais.
No contexto local, a articulação em rede também é fundamental para que a força transformadora da cultura se amplifique e ultrapasse os limites de equipamentos culturais tradicionais, ocupando espaços públicos, o que a torna acessível a todas as pessoas participantes. A realização de atividades culturais em locais abertos e gratuitos às vezes só é possível com a integração das ações de diversos agentes e possui um potencial enorme para romper com a
ideia de que a cultura é um privilégio de elites, tornando-a um direito de todos. A promoção de atividades culturais em espaços públicos é fundamental para democratizar o acesso à cultura e fortalecer o convívio social nas cidades.
Os espaços públicos são locais de encontro, interação e vivência cultural. Eles oferecem oportunidades para que as pessoas se conectem, compartilhem experiências e celebrem a cultura, fortalecendo o vínculo entre os cidadãos e lugares públicos. Essas iniciativas transformam praças, ruas e parques em palcos de encontro, onde diferentes grupos sociais podem compartilhar experiências, expressões artísticas e tradições populares. Além de revitalizar áreas urbanas, essas ações estimulam a apropriação coletiva dos espaços, combatendo a segregação e o isolamento característicos dos centros urbanos, fortalecendo a integração social e a economia local.
Matheus
José Maria
O trabalho em rede é fundamental para mobilizar e engajar a comunidade em torno de ações culturais e considerar as especificidades de cada território. Agentes locais, seja em escala de “estado”, “região”, “município” ou “bairro”, são importantes pois compreendem a vida e a dinâmica cultural local, considerando as especificidades históricas, geográficas e simbólicas de cada localidade, estimulando o diálogo intercultural sem apagar diferenças.
A construção dessas parcerias exige sensibilidade, empenho, capacidade de diálogo e compromisso com processos colaborativos. A experiência mostra que o trabalho em rede na gestão cultural gera resultados significativos quando é baseado em princípios e práticas de colaboração efetiva, sustentado por arranjos institucionais adequados, orientado para resultados
concretos e comprometido com a transformação territorial. Para além do legado da ação em si, as parcerias deixam aprendizados mútuos que fortalecem as atuações de cada parceiro nos mais diferentes contextos.
O desafio que se coloca é não só firmar, mas manter, ampliar e consolidar essas parcerias, criando estruturas permanentes de colaboração que garantam continuidade às ações e permitam seu aprimoramento constante. No entanto, ao conceber a cultura como um projeto coletivo e territorializado, o trabalho em rede possibilita uma ação mais complexa, pensada por uma diversidade de pontos de vista e com uma conexão orgânica com o território onde se realiza, o que traz um enorme potencial para a promoção de experiências transformadoras para os territórios.
Ivan Montanari é mestre em gestão de políticas públicas e especialista em gestão e políticas culturais. Educador nas áreas de políticas públicas e gestão cultural, foi secretário municipal de cultura e turismo de Bragança Paulista (2014-2016), atua como consultor na implementação de políticas públicas para a cultura e já integrou diversas comissões de avaliação em editais municipais e estaduais.
Kiko Medici
COSTURAS CULTURAIS: GESTÃO, PARCERIAS E
INTERCÂMBIOS NO CIRCUITO SESC DE ARTES
POR MATEUS SARTORI
Roberto Assem
VIVEMOS UM TEMPO EM QUE OS PROJETOS CULTURAIS QUE CONSEGUEM gerar impacto real nos territórios são aqueles sustentados por redes sólidas de articulação, escuta e cooperação. O Circuito Sesc de Artes, promovido anualmente pelo Sesc São Paulo em parceria com Prefeituras Municipais e Sindicatos do Comércio, é um exemplo dessa prática. Mais do que uma programação cultural itinerante, o Circuito tornou-se, ao longo de suas edições, um exercício contínuo de articulação institucional, mobilização de agentes locais e fortalecimento das redes culturais existentes no estado de São Paulo.
Na edição de 2025, a organização dos roteiros por macrorregiões consolidou uma estratégia sensível à diversidade e à pluralidade do território paulista. Essa divisão territorial não apenas facilitou a logística e a gestão do projeto, mas também potencializou a participação de artistas locais, criou oportunidades de circulação para trabalhos independentes e fomentou o intercâmbio cultural. Trata-se de uma costura estratégica que amplia a presença do Sesc para além de suas unidades, valoriza a produção cultural regional e dinamiza ecossistemas culturais, principalmente fora dos grandes centros urbanos.
Em cada cidade por onde passa, o Circuito Sesc de Artes gera impactos que vão muito além da programação cultural. A presença de artistas, técnicos e equipes de produção movimenta significativamente a economia local, com a ocupação de hotéis e pousadas, e o aumento da demanda em restaurantes, lanchonetes e outros comércios. Essa dinâmica evidencia que a cultura não é apenas um direito, mas também uma poderosa ferramenta de desenvolvimento econômico e territorial.
O modelo de atuação do Circuito baseia-se em um tripé de parcerias que conecta instituições com propósitos comuns: o Sesc, as Prefeituras e os Sindicatos do Comércio. Essa tríade é fundamental não apenas para a viabilização do projeto, mas também para a consolidação de uma rede de diálogo interinstitucional, capaz de garantir continuidade, qualidade e capilaridade às ações culturais.
São parcerias que não apenas conectam redes e ações, mas também contribuem para a ampliação de repertórios e para o fortalecimento da gestão cultural nos municípios.
No atual contexto brasileiro, em que políticas públicas culturais enfrentam constantes ameaças de retrocesso, o investimento em articulações coletivas torna-se ainda mais urgente. A cultura precisa ser protegida por redes — de profissionais, de instituições, de cidadãos e cidadãs — que se responsabilizem por sua permanência e valorização. Projetos como o Circuito Sesc de Artes, que se sustentam em práticas colaborativas, são fundamentais para inspirar outros arranjos de gestão e para lembrar que nenhuma política cultural se consolida sem a participação ativa da sociedade civil.
As redes que se formam a partir do Circuito são também redes de intercâmbio e de trocas simbólicas. Em cada roteiro, artistas de diferentes regiões do estado, de outros estados e até de outros países compartilham experiências e vivências, revelando a riqueza dos “Brasis” que coexistem em São Paulo. Essa escuta ampliada fortalece vínculos, gera conhecimento e ajuda a compreender a cultura como um bem comum, múltiplo e diverso.
Por fim, é importante lembrar que, para além da fruição artística e do entretenimento, o Circuito Sesc de Artes é também um espaço formativo e reflexivo. As ações pedagógicas, os cursos e os espaços de mediação oferecidos durante o projeto são instrumentos potentes de formação de agentes culturais, estimulando práticas autônomas e contribuindo para o fortalecimento das redes locais de produção cultural. Em um país de desigualdades históricas como o Brasil, projetos como esse não apenas democratizam o acesso à cultura — eles transformam realidades.
AMateus Sartori é músico, arquiteto urbanista, turismólogo, gestor cultural e empresário. Cursou gestão cultural no Centro de Pesquisa e Formação do Sesc São Paulo e é pós-graduado nos cursos Gerente de Cidades e Cultura: Plano e Ação.
QUE EM
Taba Benedicto
RIQUEZA DOS "BRASIS" COEXISTEM SÃO PAULO
AS CIDADES COMO TERRITÓRIOS VIVOS
EM UM CENÁRIO NO QUAL A CULTURA É DEIXADA DE LADO POR MUITOS SETORES ECONÔMICOS E SOCIAIS, a construção de redes colaborativas é mais do que desejável, ela é indispensável para a formulação e a implementação de políticas públicas eficazes, contextualizadas e sustentáveis. Se as ações do Circuito Sesc de Artes marcam a cooperação em rede entre prefeituras, sindicatos do comércio e o Sesc nos dias em que acontece o evento, é importante lembrar que essa cooperação se prolonga durante todo o ano. Afinal, assim que o evento de 2025 acaba, é feito um balanço das atividades e iniciam-se as conversas para a realização da próxima edição.
Atualmente, o Circuito é uma ferramenta de desenvolvimento cultural e territorial, especialmente fora dos grandes centros urbanos. E para a manutenção dessa potência, a atuação integrada desses três atores é fundamental – como explicitado nos textos dos pesquisadores Ivan Montanari e Mateus Sartori – já que assim ampliam-se as possibilidades de gerar impacto positivo na vida da população, com ganhos que vão desde a dinamização da economia local até a promoção da inclusão social e o fomento cultural. Se as cidades são territórios vivos, parcerias como essas garantem a preservação das condições essenciais para o bem-estar coletivo e o desenvolvimento local.
Keiny Andrade
Em números, vozes e imagens, o Circuito Sesc de Artes 2025 revela a força coletiva de um projeto que movimenta cidades, conecta públicos e amplia o acesso à cultura em todo o estado de São Paulo.
ALCA PRE O
NCE DA SENÇA
O CIRCUITO 2025 EM NÚMEROS
ORGANIZAR UM EVENTO É TAREFA PARA MUITAS MÃOS. E NÃO É DIFÍCIL TER A dimensão da complexidade dessa tarefa: se uma comemoração familiar que dura pouco tempo, como uma festa de aniversário, requer horas de trabalho antes e depois para acontecer sem nenhum percalço, imagine a quantidade de trabalho envolvida em um evento como o Circuito Sesc de Artes.
Em 2025, o projeto aconteceu em 132 cidades do interior, do litoral e da Grande São Paulo, além de São Miguel Paulista, bairro paulistano que integra o plano de expansão do Sesc, reunindo não apenas prefeituras e órgãos municipais de cada um desses municípios, mas artistas de toda a região, do Brasil e mesmo de outros países, além das equipes de programação, de alimentação, de serviços, de infraestrutura e de comunicação de 23 unidades do Sesc no estado, sem contar todos os públicos que se reúnem para as atividades e apresentações nos dias de realização do evento.
Não é exagero chamar esse trabalho de força-tarefa. Porque é só assim, com a colaboração de tantas mãos por tantos meses, que a magia acontece nas praças e nas ruas. Tudo com um objetivo claro: aproximar a arte e a cultura de todos os públicos. E que público! Em 2025, foram 240.450 presenças nas 840 sessões de atividades de artes visuais e tecnologias, cinema, circo, dança, literatura, música, teatro, turismo e valorização social. Esse número representa um aumento de quase 50% de público em relação à edição anterior do Circuito.
Nesta edição, os públicos de diversas cidades também tiveram a oportunidade de emitir sua Credencial Plena durante o evento. Nas tendas de relacionamento, foi possível conhecer mais sobre o trabalho do
Sesc por meio de vídeos institucionais, além de receber informações para realizar o credenciamento. Os espaços públicos que sediaram o Circuito também contaram com uma tenda equipada com televisão, cadeiras de praia e atendimento personalizado das equipes para suporte ao uso do aplicativo Credencial Sesc SP e, em alguns casos, para emissão dos cartões físicos de relacionamento.
Mais de 6 mil pessoas foram atendidas nesses espaços. Desse total, mais de 700 emitiram sua Credencial Plena na hora, com destaque para as unidades do Sesc em Osasco e Mogi das Cruzes, com
respectivamente 115 e 105 credenciais plenas emitidas durante o Circuito.
Outra etapa fundamental para a realização de um evento desse porte é a comunicação. Porque não adiantaria de nada todo o preparo e a organização se, na hora, as pessoas de cada uma das cidades atendidas não soubessem da realização do Circuito. Uma das novidades que marcaram a edição deste ano foi a parceria com influenciadores digitais regionais, que puderam difundir o evento para seus públicos, com maior alcance em cada uma das regiões. Alguns vídeos divulgando o Circuito chegaram a ter mais de 25 mil visualizações nas
6.191
ATENDIMENTOS
NAS TENDAS DE RELACIONAMENTO
709
CREDENCIAIS DO SESC EMITIDAS DURANTE O CIRCUITO
redes sociais. No Instagram do Sesc São Paulo (@sescsp), por exemplo, foram mais de 2,2 milhões de pessoas visualizando os conteúdos.
Esses números são resultado do investimento inédito em impulsionamento nas redes sociais, que contou com a utilização do recurso de geolocalização para permitir que as pessoas que acessassem as redes sociais do Sesc fossem direcionadas para as atividades do Circuito na sua região, potencializando o aproveitamento das informações que seriam recebidas pelos visitantes da plataforma digital. Ao todo, essa campanha inovadora alcançou
mais de 28 milhões de contas nas redes sociais Facebook, Instagram e TikTok, o que contribuiu para que mais de 160 mil pessoas acessassem o Portal SescSP, representando um aumento de mais de 90% em comparação ao ano anterior.
Além do trabalho intenso de comunicação nas redes sociais, seja por influenciadores digitais ou pelas equipes de comunicação das unidades do Sesc, também foi intenso o trabalho de divulgação do Circuito junto aos veículos de comunicação tradicionais. No total, foram veiculadas 365 notícias sobre o Circuito em mídias impressas, rádio, televisão, blogs e sites. 2.
DE VISUALIZAÇÕES NOS PERFIS DO INSTAGRAM DO SESC SÃO PAULO E DAS UNIDADES PARTICIPANTES
MAIS DE
2,2 MILHÕES 28 MILHÕES
DE CONTAS NAS REDES SOCIAIS
IMPACTADAS POR CAMPANHA DE IMPULSIONAMENTO DIGITAL
Zé Carlos Barretta
A PESQUISA CIRCUITO SESC DE ARTES
NO TERCEIRO ANO CONSECUTIVO EM QUE É REALIZADA,
A PESQUISA CIRCUITO SESC DE ARTES* CONTOU, em 2025, com 1.389 participantes, a maior parte mulheres cisgênero, que deram suas respostas em 80 municípios por onde o Circuito passou. Em comparação com a edição anterior, realizada em 2024, foram 25% mais respostas, e um acréscimo de 50 cidades pesquisadas. A ampliação da amostragem é resultado do envolvimento de mais equipes do Sesc São Paulo que, neste ano, como já havia ocorrido em 2023, prontificaram-se a aplicar o questionário nas praças onde o evento ocorreu.
* A pesquisa tem 95% de nível de confiança e margem de erro de 3%, para cima ou para baixo, em cada resposta.
64% são mulheres cisgênero
58,9%
têm entre 31 e 50 anos
42% dos frequentadores que trabalham, atuam nas áreas de comércio, serviços e turismo
1.389 RESPONDENTES
64% já conheciam o Sesc
SOBRE OS FREQUENTADORES DO CIRCUITO
Frequentam shows Leem livros
música
Assistem a plataformas de streaming no tempo livre
Informam-se pelas redes sociais
Os resultados da pesquisa evidenciaram o conhecimento prévio dos públicos do Circuito sobre o trabalho realizado no estado: 64% já conheciam alguma unidade do Sesc e 15% já tinham ouvido falar da instituição, ainda que não conhecessem nenhuma unidade. O resultado mostra a força do Sesc no estado, considerando que a pesquisa foi realizada em cidades onde não há unidades instaladas e, para conhecer a instituição, as pessoas precisaram se deslocar para municípios do entorno.
A pesquisa revelou, também, que 83% foram ao Circuito acompanhadas. Entre essas pessoas, 61% estavam com crianças ou jovens, 41% com
companheiros e companheiras, 18% com amigos e amigas e 10% com mãe ou pai.
Entre as pessoas que tinham um emprego no momento das atividades (76%), houve grande concentração de trabalhadores das áreas de comércio, serviços e turismo (42%), autônomos (19%) e funcionários públicos (18%).
Além de avaliar o perfil do público, a pesquisa também questionou como as pessoas ficaram sabendo das ações do Circuito. A maior parte delas (46%) soube das atividades pelas redes sociais, principalmente em perfis de prefeituras, sindicatos e influenciadores digitais locais, o que comprova a
Descansam no tempo livre
Passeiam
Gostariam de viajar no tempo livre, apesar de não o fazerem
efetividade das ações de comunicação empreendidas nesta edição, com reforço da campanha de impulsionamento digital.
Outro dado interessante que ajuda a revelar os tempos atuais é a informação de que 77% dos respondentes da pesquisa do Circuito Sesc de Artes disseram se informar por meio das redes sociais, frente a apenas 18% que costumam se informar consultando sites de notícias e 12% que o fazem pela programação televisiva. **
A importância da pesquisa ecoa para além dos dados estatísticos. Nas duas primeiras vezes em que ela foi aplicada durante o Circuito (nos anos de 2023
Frequentam parques e praças
Assistem a peças de teatro
e 2024), quando perguntadas sobre o que gostariam de fazer em seu tempo livre, apesar de ainda não fazerem, uma boa parte das pessoas indicou o desejo de viajar. O dado se repetiu nesta edição, com 36% dos respondentes indicando o desejo de viajar no tempo livre, apesar de essa não ser uma prática comum em suas rotinas. Foi a partir desse dado, coletado pelas pesquisas anteriores, que a edição de 2025 do Circuito Sesc de Artes celebrou uma de suas novidades: a inclusão de ações de Turismo Social entre as atividades oferecidas.
** A soma dos percentuais excede 100% porque a pergunta permitia múltiplas respostas.
Oficinas, mediações de leitura, contações de histórias e apresentações artísticas ampliam repertórios e convidam o público do Circuito a viver a cultura como experiência sensível e compartilhada.
EXPERI O QUE
MOVE A ÊNCIA
José Maria
APRENDIZAGENS NAS PRAÇAS
CADA ROTEIRO DO CIRCUITO SESC DE ARTES É COMPOSTO POR PELO MENOS
dois conjuntos de atividades: as apresentações artísticas e uma série de ações formativas no campo socioeducativo, com oficinas de artes visuais, tecnologias, artes cênicas, circo, cinema e música. Ao aproximar as pessoas do fazer, tão importante no processo de educação para a cidadania, a programação também fomenta a fruição de futuras ações culturais: afinal, quando aprendemos as técnicas e os saberes por trás de uma criação, a curiosidade se aguça para conhecer (e praticar) cada vez mais.
Na edição de 2025, foram ao todo 20 oficinas, distribuídas entre os 12 roteiros de programação. Em cada praça, as atividades socioeducativas ocuparam os espaços por cerca de quatro horas, possibilitando ao público uma série de vivências e aprendizagens. “Foi uma experiência única”, afirma José Carlos Gomes, artesão, artista plástico e arte-educador responsável pela oficina Biojoias de bagaço de cana, realizada durante o Circuito nas
cidades paulistas de Fernandópolis, Votuporanga, Mirassol, Tanabi, Ilha Solteira, Pereira Barreto, Colina, Monte Alto, Novo Horizonte, Bebedouro, Assis e Presidente Venceslau. Para ele, foi possível “sentir a alegria estampada no rosto de quem participou das atividades. A arte transforma vidas e todos esses momentos durante o Circuito ficarão na lembrança”.
Além da diversidade de linguagens artísticas contempladas, as oficinas também privilegiaram os diferentes saberes, desde os que fazem parte da cultura ocidental até as tradições de povos ameríndios, africanos e orientais, que marcam parte tão significativa da população brasileira.
Entre as ações, o público pôde vivenciar as principais etapas de produção audiovisual para a criação de vídeos curtos, a fabricação de um amuleto na forma de um bonequinho de tecido a partir de referências da tradição oriental, as brincadeiras possíveis com jogos africanos, europeus, asiáticos e ameríndios de diferentes épocas, as técnicas de produção visual que permitem transformar criações ilustradas em bottons e ímãs exclusivos, a fabricação de biojoias a partir da transformação de resíduos de bagaço de cana em obras de arte, a criação de zines e até mesmo a construção de suas próprias personagens digitais, com o auxílio de canetas 3D.
Para a oficineira e artesã Lu Ahamy, do povo Guarani Mbya – que ministrou uma oficina sobre grafismos realizada nas cidades de Águas de São Pedro, Limeira, Joanópolis, Várzea Paulista, Marília, Pederneiras, Cerquilho, Araras, Botucatu, Lençóis Paulista, Nova Odessa e Itapira –, mais do que possibilitar a transmissão e a troca
de conhecimentos, a participação no evento permitiu que o público conhecesse e reconhecesse os povos originários. “Nós ainda estamos aqui e isso faz parte da história das pessoas que frequentam o Circuito também”. A artista lembra que, infelizmente, “as pessoas não conhecem muito as culturas indígenas. E o Sesc traz muito dessa diversidade para as ruas: não apenas das culturas indígenas, mas de outras tantas. As pessoas que nos conhecem aqui levam esse conhecimento para casa, e essa é uma porta que abre outras tantas”.
Já para Luciano Cerqueira, responsável pela oficina Jogando os afrogames nos municípios Nazaré Paulista, Piracaia, Itapeva, Itararé, Cotia, Embu das Artes, Atibaia, Mairiporã, Franco da Rocha e Jandira, o mais relevante da experiência foi a criação de laços. “Ter a oportunidade de conhecer outras cidades foi incrível, porque o Circuito reflete sobre as questões das cidades e da cultura e, com certeza, constrói laços que fazem com que a cidadania aconteça”, afirma.
ESSA É UMA PORTA
OUTRAS
QUE ABRE TANTAS
ENSINO POR MEIO DA ARTE
O pensamento por trás das ações formativas oferecidas durante o Circuito Sesc de Artes carrega consigo muitos dos ensinamentos do educador e filósofo Paulo Freire (1921-1997), um dos mais importantes pensadores brasileiros do século 20. Para ele, a educação transformadora é aquela que privilegia a comunhão entre pessoas, povos e nações, com a imersão crítica na realidade para que possamos emergir com pensamentos lúcidos e solidários. Segundo a obra de Freire, é o trabalho coletivo e colaborativo que sintetiza as diversas relações culturais e sociais, o que pode possibilitar a transformação da sociedade.
Nesse processo, quem ensina e quem aprende faz parte de uma mesma construção coletiva. É a partir da prática comum da liberdade que o respeito aos diversos saberes e à autonomia de cada pessoa permite a aprendizagem e o ensinamento. O processo educativo, portanto, é um processo coletivo.
Durante o fazer artístico e socioeducativo, não são apenas os resultados que importam. As praças, mais do que se transformarem em espaços de ensino, também passam a ser lugares de fala, de escuta atenta, de troca. A aproximação criativa entre todas as pessoas envolvidas possibilita o conhecimento de cada indivíduo por meio de sua singularidade, e também como parte de um coletivo cultural e social. O ensino, assim, não pretende homogeneizar visões, mas ampliar aquilo que cada pessoa conhece sobre si mesma, sobre os outros e sobre o tempo e o espaço que ocupa.
Foi assim com a oficina Brinquedos de tronquinhos, realizada por Beatriz Miguez e Fernando Barroso nas cidades de Ferraz de Vasconcelos, Salesópolis, Poá, Campos do Jordão, Lorena, Cruzeiro, Pindamonhangaba, Paraibuna e Igaratá. “Estreamos no Circuito em Ferraz de Vasconcelos, onde um jovem
A EDUCAÇÃO COMO ATO POLÍTICO COMPROMETIDO COM A AUTONOMIA DE CADA PESSOA
se encantou com a feitura do barco e nos disse que iria até Igaratá para soltá-lo. Ele não sabia, nem nós, que Igaratá faria parte do nosso roteiro. Quando chegamos lá, a Lu Morgado, artista naïf e moradora da cidade, nos disse que Igaratá significa canoa grande, canoa forte! Talvez o vento tenha soprado forte para que essas histórias confluíssem para as mesmas águas”, enfatiza Beatriz.
Esse diálogo entre pessoas, artes e públicos é o que provoca a observação da realidade com outros olhos, situando a educação como ato político comprometido com a autonomia de cada pessoa. As praças, assim, alcançam seu maior potencial: transformam-se em espaço de troca efetiva, de intercâmbio transformador e de valorização das diferentes culturas e saberes.
Giuliano Martins
Renata Teixeira
OFICINAS
Conheça todas as ações formativas nas áreas de tecnologias, cinema e artes oferecidas pelos roteiros da edição 2025 do Circuito Sesc de Artes.
Giuliano Martins
ATELIÊ MÓVEL – EXPERIÊNCIA
MONDRIAN
Com o Coletivo Dell’Arte
Inspirado na obra do artista plástico holandês Piet Mondrian (1872-1944), conhecido por sua estética abstrata e suas telas em tons de vermelho, azul e amarelo, o coletivo de artes visuais de Catanduva (SP) convidou o público a criar livremente sua própria obra de arte.
ROTEIRO 4
BIOJOIAS DE BAGAÇO
DE CANA
Com José Carlos Gomes
Já imaginou transformar resíduos de bagaço de cana em obras de arte? Na oficina do artista visual de Rancharia (SP), biojoias foram produzidas a partir da reutilização das fibras dessa matéria-prima. A atividade incentivou não só o reaproveitamento de materiais e a sustentabilidade, mas também a geração de renda em processos mais naturais e com menor impacto ambiental.
ROTEIRO 4
Taba Benedicto
Taba Benedicto
BORDABOLETA
Com Coletivo Meio Fio
Que tal criar um móbile de borboleta a partir de um pedaço de madeira e de técnicas de bordado? Durante a oficina, a artista paulistana convidou o público a vivenciar o presente por meio do fazer manual têxtil e compartilhar suas criações artesanais com o coletivo.
ROTEIRO 10
BOTTONS E ÍMÃS
Com Clubinho Gráfico
A partir de desenhos autorais sobre sentimentos e sobre aquilo que cada pessoa gosta de fazer, o artista visual e educador Noelodran (Leonardo Alcântara), de Santos (SP), apresentou um laboratório de possibilidades gráficas, onde o público pôde transformar suas criações ilustradas em bottons e ímãs exclusivos.
ROTEIRO 2
Nilton
Kiko M
BRINQUEDOS DE TRONQUINHOS
Com Vagalume Brinquedos
Os participantes construíram brinquedos enquanto se divertiam, socializavam e ouviam música. Os artistas visuais de Sorocaba (SP) ensinaram o público a confeccionar barquinhos e bonecos a partir de cascos de árvores, galhos, folhas, flores, sementes, retalhos de tecidos, barbante, bolachas de madeira e gravetos.
ROTEIRO 9
CHAVEIROS
PIXEL ART
Com Paulo Roberto de Castro Oliveira Filho
O público foi apresentado à técnica da pixel art, que consiste na criação de imagens que remetem aos primeiros gráficos digitais utilizados em videogames e computadores. A partir da organização de peças plásticas coloridas, os “pixels”, cada participante criou chaveiros personalizados, compondo o trabalho sobre uma base perfurada e fixando o objeto final com o calor de um ferro de passar.
ROTEIRO 6
Matheus José Maria
Roberto Assem
CHAVEIROS TÊXTEIS
Com Coletivo Macaco Velho
Por meio de técnicas acessíveis, o coletivo de artes visuais de Araraquara (SP) orientou os participantes no processo de transformar retalhos e sobras de material em pequenas peças de arte, unindo sustentabilidade e criatividade. Para a criação de chaveiros personalizados, foram usados materiais como tecidos, fios de barbante e lã.
ROTEIRO 3
ESTAMPARIA
COM ADINKRAS
Com Cia. Amoras
Adinkra é o nome que se dá para representações gráficas que expressam conceitos, ideias e filosofias dos povos Akan, grupo originário da África Ocidental. Durante a oficina, artistas visuais de São Paulo (SP) propuseram uma imersão nessa herança cultural a partir do ensino de criação de pôsteres com carimbos confeccionados com Adinkras.
ROTEIRO 12
Roberto Assem
Matheus
José Maria
GRAFISMOS, SUAS TINTAS
E SEUS SIGNIFICADOS
Com Lu Ahamy e Awa Mbarete
Para diversos povos originários, os grafismos são representações que vão além da estética. Em alguns povos, é comum as crianças construírem pequenos piões para brincar e enfeitá-los com símbolos gráficos. Durante a oficina, os artesãos Awa Mbarete e Lu Ahamy, de Campinas (SP), compartilharam essa experiência: os brinquedos produzidos foram decorados pelo público.
ROTEIRO 5
Keiny Andrade
JOGANDO OS AFROGAMES
Com Maloca Games
O público foi convidado a descobrir jogos de tabuleiro inovadores que abordam diferentes aspectos da diversidade cultural. As partidas, mediadas pelo estúdio paulistano Maloca Games, propiciaram o desenvolvimento de habilidades cognitivas, emocionais e sociais, enquanto as pessoas participantes se divertiram coletivamente.
ROTEIRO 7
JOGOS DO MUNDO
Com Caravana Lúdica
O público foi convidado a conhecer e a brincar com jogos africanos, europeus, asiáticos e ameríndios de diferentes épocas. Os tabuleiros, construídos com materiais reciclados, propiciaram o desenvolvimento cognitivo e a interação entre as pessoas participantes.
ROTEIRO 1
Renata Teixeira
JOGO DOS PLANOS
Com Vem Vento
Produções
A oficina ofereceu uma introdução prática ao cinema, por meio da qual as pessoas participantes puderam conhecer as principais etapas da produção audiovisual, passando pela criação de enquadramentos e narrativas, pela gravação de cenas e pela exibição dos vídeos produzidos e editados em tempo real.
ROTEIRO 3
LIVRO PARA GUARDAR MIUDEZAS
Com Mínimo Diário
Entre envelopes, dobraduras e colagens, as pessoas foram incentivadas a confeccionar histórias autorais escritas, desenhadas, contadas e encadernadas artesanalmente. Durante a oficina, os artistas visuais de São Paulo produziram e compartilharam livros e criações poéticas, direcionando o olhar do público para o mundo e para as memórias.
ROTEIRO 5
Roberto Assem
MICROPAISAGENS
Com De Brinks no Rolê
Utilizando técnicas mistas de ilustração, recorte e colagem, os artistas visuais do Vale do Paraíba (SP) convidaram o público a criar micropaisagens para serem vistas de dentro de um monóculo.
10
NEUROFÁBRICA: DO RASCUNHO AO 3D
Com Glauco Paiva
O artista visual paulistano compartilhou técnicas para a construção de criaturas digitais a partir da ajuda de canetas 3D e peças cortadas a laser. A experiência de criação dos personagens virtuais uniu arte, diversão e tecnologia.
ROTEIRO 11
ROTEIRO
Nilton Fukuda
Matheus
José Maria
ROTAS AFRO XR –PATRIMÔNIO NEGRO E TECNOLOGIA
Com Rotas Afro
Que tal passear por lugares marcantes e conhecer personalidades negras do interior paulista por meio de tecnologias de realidade virtual? Com o acervo Rotas Afro XR, o público foi convidado a visitar virtualmente patrimônios da cultura negra.
ROTEIRO 6
Robson Peq
TACATINTA MINIGRÁFICA - CRIAÇÃO DE BOTTONS
Com Tacatinta
A artista visual Jéssica Groke, mineira radicada em São Paulo, conduziu o público na criação de estampas de maneira analógica, utilizando papel pré-cortado, lápis, canetas e canetinhas. Depois de produzidas as ilustrações, as pessoas participantes manipularam uma prensa mecânica para fabricar artesanalmente seus próprios bottons.
ROTEIRO 8
STENCIL, STICKER E LAMBE-LAMBE
Com Mimura Rodriguez
Que tal experimentar na prática a aplicação de ilustrações em papéis que podem ser utilizados como lambe-lambe e stickers? Durante a oficina, a artista visual paulistana apresentou a história da arte urbana e algumas de suas técnicas e expressões culturais. As produções do público tiveram como tema a fauna e a flora brasileiras, dando visibilidade à exuberância da diversidade natural do Brasil.
ROTEIRO 7
Z é Carlos Barretta
TERU TERU BOZU
Com Monica Mie Hayashi
“Teru” significa “brilhar” e “Bozu” se refere à cabeça careca de um monge budista. Durante a oficina, a artista visual de Ribeirão Preto (SP) ensinou a criação de um amuleto na forma de um bonequinho feito de pano branco que, segundo a tradição japonesa, tem o poder de afastar a chuva e trazer dias ensolarados.
ROTEIRO 1
ZINE COM CARIMBOS
Com Coticoá
Artistas visuais convidaram as pessoas participantes a criarem uma publicação artesanal a partir de uma folha de papel. O zine foi produzido com dobras e um corte simples, e as páginas foram ilustradas com imagens, formas e letras carimbadas. Ao final, as narrativas visuais foram compartilhadas entre o público.
ROTEIRO 11
Tiago Barbosa Borges
Matheus
José Maria
Renata Teixeira
O DIREITO DE CONTAR HISTÓRIAS
QUANDO VOCÊ PENSA EM LEITURA, QUAL CENA VEM À MEMÓRIA?
É possível que imagine o espaço de uma biblioteca onde há uma pessoa sentada com um livro nas mãos, lendo em silêncio. Mas talvez essa pergunta te leve para um momento da infância em que alguém lê uma história para você. É possível que nessa cena você esteja no quintal da casa da sua avó, junto a outras crianças sentadas em roda enquanto personagens escalam árvores, conversam com animais, vivem grandes aventuras. Ou talvez a pessoa adulta que cuida de você esteja lendo enquanto você pega no sono.
A leitura pode ser mesmo um pouco de tudo isso, e hoje não há dúvidas de que ela acontece tanto individual
quanto coletivamente. Atividades como as mediações de leitura e as contações de história são exemplos de que uma narrativa pode ganhar força quando contada em voz alta e compartilhada com outras pessoas.
CURIOSO NOS
OLHOS DAS CRIANÇAS
Z é Carlos Barretta
Para Auritha Tabajara, mediadora da ação Recriando imaginários (realizada nas cidades de Jambeiro, Monteiro Lobato, Biritiba Mirim, Suzano, Itaquaquecetuba, Guararema, São Bento do Sapucaí, Guaratinguetá, Caçapava e Jacareí), “o mais marcante foi sentir o abraço do público e a força dos artistas ao meu lado, companheiros que se tornaram uma segunda família. Cada praça, assim, sendo uma aldeia efêmera, onde o saber ancestral se entrelaça ao brilho curioso nos olhos das crianças”. Ao compartilhar sua história e acolher tantas outras, Auritha
segue com a certeza de que “educação e arte, quando vividas plenamente, são capazes de transformar”.
Essa foi a marca da edição 2025 do Circuito Sesc de Artes, que destacou as leituras realizadas no coletivo, por profissionais que apostaram na partilha de narrativas para gerar encantamento e identificação, e propiciar uma ampliação de olhares. Se as praças ocupadas foram lugar de encontro com vizinhos e amigos, foram também possibilidade de aproximação com o mundo dos livros.
NA EDIÇÃO DESTE ANO DO CIRCUITO
SESC DE ARTES, 12 ATIVIDADES
destacaram os livros como protagonistas. As histórias escolhidas pela curadoria foram exatamente aquelas que ampliam as visões de mundo de quem lê: fizeram parte da programação atividades que contemplam as tradições orais indígenas, conectando sabedoria ancestral e reflexão contemporânea, ações de leitura compartilhada de obras afro-brasileiras, acompanhadas de música ao vivo feita com instrumentos de origem africana e de brincadeiras quilombolas, além de atividades com livros que discutem sobre quem cuida das pessoas que cuidam.
OS LIVROS EM CIRCUITO DIVERSI DE
Bruna Damasceno
Mais do que privilegiar a leitura coletiva e a aproximação dos públicos com as possibilidades da literatura, os livros disponibilizados nas praças para leitura individual e coletiva também aproximaram as pessoas da diversidade de narrativas que compõem nossas próprias histórias. Um mundo mais diverso é também mais colorido, mais animado, e foi esse o clima nas praças. Afinal, escolher quais histórias vamos contar é elemento fundamental para mudar a nossa própria narrativa.
Mafuane Oliveira, idealizadora do projeto Historioteca chaveiroeiro – oferecida nos municípios Boa Esperança do Sul, Matão, Barretos, Batatais, Tabatinga, Jaú, Águas da Prata, São José do Rio Pardo, Guará, Guaíra, Itirapina e Pirassununga –recorda a cena marcante de uma mulher negra que, ao iniciar a conversa com o grupo, foi tomada por uma emoção intensa. “Com
os olhos marejados, ela relatou as dificuldades que enfrentou na infância, especialmente a ausência de acesso a espaços culturais com a diversidade e representatividade do Circuito. Para ela, estar ali, diante de um acervo tão diverso e acolhedor, que oportunizava o contato com diferentes culturas, foi algo profundamente transformador”, lembra Mafuane. “Ela disse que nunca tinha visto nada parecido. Aquele momento, para ela, representava uma reparação simbólica, uma abertura de portas de um universo que desconhecia.”
Histórias como essa se multiplicaram pelas praças do Circuito. Em São José do Rio Pardo, a mediadora Cláudia Adão, que também faz parte do projeto Historioteca chaveiroeiro, foi interrogada por uma das funcionárias da limpeza que gostaria de saber se ela já havia lido todos os livros do acervo. A mediadora disse que não e se ofereceu para ler Cinderela do Rio para a mulher que, depois, contou que em seus 48 anos de vida ninguém nunca lera uma história para ela.
NARRATIVAS
A IMAGINAÇÃO E O COLETIVO
PARA MUDAR NOSSA PRÓPRIA HISTÓRIA, É PRECISO
IMAGINAR NOVOS MUNDOS, NOVAS POSSIBILIDADES. E isso não é novidade. Já no final da década de 1980, um dos mais importantes críticos literários brasileiros, o pensador Antonio Candido (1918-2017), publicou um texto defendendo o papel da literatura como um direito inalienável e uma necessidade básica de todos os seres humanos. Porque todas as pessoas precisam de histórias para viver (ainda que não sejam as histórias contadas em livros).
Para ele, a literatura é a arte que nos permite sonhar, imaginar, criar diferentes formas de fabulação. É claro que cada sociedade cria suas próprias manifestações ficcionais, de acordo com seu conjunto de crenças e normas, sentimentos e lógicas. As histórias, assim, vão ser diferentes dependendo de quem conta, da região de onde cada pessoa vem, da idade dela, da raça, da classe social, do gênero. E por isso é importante reunir a maior diversidade possível de histórias. Com um pouquinho de cada uma delas, é possível entender melhor o mundo e nosso papel nele.
Escolher as histórias que vão ser passadas de geração em geração é também um papel político. Ao selecionar mediações de leitura e contações de história que privilegiam narrativas diversas, a curadoria da edição de 2025 do Circuito Sesc de Artes também apostou nas possibilidades de transformação pela força do coletivo.
Kiko M
Matheus José Maria
Matheus José Maria
MEDIAÇÕES DE LEITURA E CONTAÇÕES DE HISTÓRIA
Conheça todas as mediações de leitura e contações de história oferecidas pelos roteiros da edição 2025 do Circuito Sesc de Artes.
AMIGOS DE SACIS E OUTROS ENCANTADOS
Com Rubia Konstantiny e Moreno Overa
Entre livros e cordéis, artistas de São Luiz do Paraitinga conduziram as pessoas participantes a encontrar sacis e seres encantados da floresta, brincar de rima e desvendar coletivamente versos literários variados.
ROTEIRO 9
AS VERSÕES E OUTRAS HISTÓRIAS
Com Taturana Grupo
Conduzida pelo grupo paulistano a partir de obras de José Roberto Torero, Eva Furnari e Heloisa Pires Lima, a mediação de leitura convidou o público a vivenciar uma espécie de jogo: cada pessoa participante escolheu um livro para ser lido e, após a experiência, foi convidada a desenhar ou escrever um texto sobre a vivência.
ROTEIRO 11
BICICLOTECA VIAJANTE –ABYA YALA!
Com Casulo Viajante
Imagine uma biblioteca inteirinha sendo transportada por uma bicicleta. A atividade partiu dessa ideia e a seleção das obras lidas englobou autores e autoras latino-americanos e caribenhos, com obras em formatos e tamanhos variados.
ROTEIRO 12
Matheus
José Maria
Matheus
José Maria
HISTORIOTECA
CHAVEIROEIRO
Com Cia. Chaveiroeiro
Idealizada por Mafuane Oliveira, a atividade promoveu uma experiência imersiva ao integrar oralidade e leitura. Com a mediação de arte-educadoras, o público teve acesso a um acervo diversificado e com mais de 60 títulos que puderam ser lidos individualmente ou em voz alta para um grupo de pessoas.
ROTEIRO 2
BRINCAR DE LER
Com Carol Gregório, Thayame Porto e convidadas
As artistas de Ribeirão Preto (SP) experimentaram a fala em trava-línguas, improvisaram rimas e compuseram versos coletivamente. Entre as possibilidades de brincadeiras literárias, está ler rápido, ler devagar, ler muito alto, ler alto, ler baixo, ler baixinho.
ROTEIRO 1
Clayton João
Kiko M
HISTÓRIAS PARA ENCANTAR KAMURIN IGHÉ
Com Coletiva Educar Ancestral
A contação de histórias explorou as tradições orais indígenas, conectando ensinamentos antigos e reflexões sobre o presente. Por meio de narrativas de diversas comunidades originárias, o grupo de São José do Rio Preto (SP) abordou temas como a origem do mundo, a relação entre os seres humanos e a natureza. As pessoas participantes foram convidadas a refletir sobre os significados das possibilidades de encontro a partir da reconexão com suas raízes humanas e da valorização da diversidade cultural.
ROTEIRO 3
Roberto Assem
HISTÓRIAS PRETINHAS
Com Cia. Caruru
Para estimular o hábito da leitura, nada melhor do que um ambiente aconchegante, entre tecidos e esteiras, com uma série de títulos à disposição. É nesse cenário que o público do Circuito pôde ter acesso a histórias de personagens de autoria negra.
ROTEIRO 6
INFUSÃO LITERÁRIA
Com Cia. EntreContos
Sabe a sensação de sentir um cheiro e ele nos levar direto para uma memória? Com a criação de espaços aconchegantes e a ajuda de especiarias aromáticas, a mediação de leitura buscou resgatar experiências afetivas e emocionais, promovendo o gosto pelos livros e o diálogo com saberes africanos.
ROTEIRO 7
Matheus
José Maria
Renata Teixeira
PIQUENIQUES LITERÁRIOS
EM TAPETES VOADORES
Com Ler é uma Viagem
A companhia artística de Itu (SP) reuniu artistas e contadoras de histórias para incentivar a leitura com crianças na primeira infância, suas famílias e rede de apoio.
ROTEIRO 5
QUINTAL BAOBÁ
Com Coletivo Baobá
O baobá, árvore nativa do continente africano e símbolo de fertilidade e cura, é cercado de lendas e mitos. É na história ancestral dessa árvore que se inspira essa ocupação brincante e literária que ofereceu mediação de leituras afro-brasileiras, musicalidades com instrumentos de origem africana e brincadeiras quilombolas.
ROTEIRO 4
SANKOFA E SUAS HISTÓRIAS
Com Xirê de Quintal
Histórias escolhidas de dentro de um balaio onde dorme o pássaro Sankofa convidaram o público a mergulhar em ensinamentos, sabedorias e encantamentos.
A partir de um acervo literário preto, o público pôde descobrir, em roda, segredos de um futuro ancestral entre músicas, danças e brincadeiras.
ROTEIRO 8
RECRIANDO IMAGINÁRIOS: UM MERGULHO NA LITERATURA INDÍGENA
Com Ana Kariri, Auritha Tabajara, Cristino Wapichana e Fernanda Kaingang
A mediação de leitura propôs uma imersão na literatura indígena, a partir da qual o público pôde conhecer diferentes perspectivas das culturas originárias por meio de contos e poesias produzidas por seus povos.
ROTEIRO 10
Z é Carlos Barretta
Nilton Fukuda
Keiny Andrade
QUANDO O PALCO É A RUA
POUCAS AÇÕES SÃO MAIS DEMOCRÁTICAS DO QUE A ARTE FEITA NOS ESPAÇOS PÚBLICOS. DURANTE A realização da edição 2025 do Circuito Sesc de Artes, cada um dos 12 roteiros contemplou duas apresentações artísticas, de linguagens como música, teatro, circo e dança.
Aninha Barros, líder vocal do Grupo Samba D’Aninha – que se apresentou nas cidades de Águas de São Pedro, Limeira, Joanópolis, Várzea Paulista, Marília, Pederneiras, Cerquilho, Araras, Botucatu, Lençóis Paulista, Nova Odessa e Itapira – vê a interação mais próxima com os públicos e artistas como um dos pontos altos do projeto. “O Circuito foi fundamental
Kiko M
SE A ARTE É O QUE NOS ACORDA, O QUE
NOS MOVE, O QUE NOS TIRA DO LUGAR, OS
ESPAÇOS PÚBLICOS SÃO OS LUGARES
IDEAIS PARA QUE ESSA POSSIBILIDADE
SE TRANSFORME EM AÇÃO
para o nosso crescimento artístico e para a divulgação do nosso trabalho em locais onde nunca havíamos nos apresentado. E o que mais nos marcou foi a troca de energia com o público”, rememora. “Amamos conhecer artistas de outros segmentos, trocar informações, e até mesmo cogitar projetos futuros com novas parcerias.” Afinal, na convivência intensa durante os dias de apresentação nas praças, ruas e centros de eventos das cidades por onde passou o Circuito, não foram apenas os públicos que tiveram a chance de conhecer novos trabalhos, mas os próprios artistas muitas vezes criaram novas redes a partir dos contatos realizados com outros profissionais das artes e da cultura.
A arte, afinal, é essa espécie de troca de experiências entre as pessoas, um instrumento para a transformação. Se a arte é o que nos acorda, o que nos move, o que nos tira do lugar, os espaços públicos são os lugares ideais para que essa possibilidade se transforme em ação. “Conhecer e conviver com artistas de tantas linguagens, e perceber na prática o quão potentes e enriquecedoras são as artes quando geridas com propósito e excelência, foram experiências que nos fizeram concluir o Circuito com esperança e ânimo renovados”, afirma Thompson França, músico e produtor responsável pela banda Chic in Soul, que se apresentou no Circuito nos municípios Francisco Morato, Itapecerica da Serra, Osasco, Itapevi, Santa Isabel, Bom Jesus dos Perdões, Itapetininga, Tatuí, São Lourenço da Serra, Taboão da Serra, São Roque e Itu. “Contrastando com uma época de desafios e batalhas contra o preconceito e a intolerância de toda ordem, nós vivenciamos uma confraternização com comunhão não somente de corpos, mas também de almas e de corações”, enfatiza.
ENTRE A ACESSIBILIDADE E O ACOLHIMENTO
Para o ator Caio Marinho, da Próxima Companhia, o mais relevante da experiência também foi a oportunidade de trocar conhecimentos com outros coletivos artísticos e com o público, mas com um ingrediente extra: um dos destaques das ações do roteiro do qual Caio participou foi a acessibilidade em todas as ações, que contaram com intérpretes de Libras. Essa, de fato, foi uma das inovações da programação do Circuito em 2025. “Essa ação ampliou o alcance das atividades e garantiu que um público ainda mais diverso pudesse participar plenamente”, comemora o integrante da Próxima Companhia, que apresentou o espetáculo Os Tr3s Porcos nas cidades de Nazaré Paulista, Piracaia, Itapeva, Itararé, Cotia, Embu das Artes, Atibaia, Mairiporã, Franco da Rocha e Jandira.
“O Circuito permitiu compartilharmos diferentes processos criativos e fortalecer nossas práticas. Mais do que uma apresentação, participamos de uma tarde inteira de programação cultural, pensada para toda a família. É emocionante ver a participação ativa de pessoas de todas as idades, interagindo com atividades que abrangem diversas linguagens artísticas”, declara o artista.
O contato das obras cênicas com a comunidade de pessoas surdas também foi marcante para a companhia Os Inventivos, que se apresentou nos municípios Cajuru, Altinópolis, São José da Bela Vista, Jaboticabal, Cravinhos, Ituverava, Pedregulho, Tambaú, Santa Rita do Passa Quatro, Taquaritinga e Ibitinga com o espetáculo Um canto
E COM COMPREEN
para Carolina. “As viagens pelo interior do estado proporcionadas pelo Circuito Sesc de Artes revelaram um encontro até então pouco imaginado por nós”, relata Marcos di Ferreira, ator e cofundador do grupo. “Por meio das nossas intérpretes de Libras, foi possível acessibilizar nosso espetáculo. Após as apresentações, diversas pessoas vinham nos parabenizar e agradecer a oportunidade de compreender e compartilhar essa poesia”, afirma.
A vida e a obra da escritora Carolina Maria de Jesus também inspiraram o espetáculo Bitita – Para não esquecer, apresentado nas cidades de Águas de São Pedro, Limeira, Joanópolis, Várzea Paulista, Marília, Pederneiras, Cerquilho, Araras, Botucatu, Lençóis Paulista, Nova Odesa e Itapira. Cristina Ayabá Martins, integrante da Cia. Cênica, lembra que a construção do trabalho teve início com uma solicitação feita
pelo Sesc, em uma dessas trocas tão importantes que sempre existem entre a instituição e o circuito de cultura do país. “Nós começamos a explorar a vida da Carolina Maria de Jesus e, depois de muito material coletado, construímos o espetáculo pensando em convidar as crianças a revisitarem suas memórias, sua ancestralidade, os fazeres de cada família. O espetáculo não é uma biografia da autora, mas as questões trabalhadas na peça surgem a partir dos questionamentos dela”, afirma a artista.
Para ela, outro ponto alto das apresentações no Circuito foi o fomento à descentralização das discussões, uma vez que, nas praças, o público é mais amplo e as crianças que assistem ao trabalho podem depois levar as mesmas discussões para casa. “A experiência foi muito bonita. Trocar com outros artistas também enriqueceu o nosso fazer artístico”, conclui.
PARTILHAR DER
Renata Teixeira
A PRAÇA COMO LUGAR DE ENCONTRO
Renata Teixeira
AS TROCAS, NOS ESPAÇOS PÚBLICOS QUE RECEBERAM
AS AÇÕES DO
CIRCUITO SESC
de Artes, foram feitas também com o próprio ambiente. “O Circuito foi uma oportunidade de circular por cidades do interior de São Paulo e conhecer os espaços, compartilhar a nossa arte em meio a pessoas, cachorros e situações que atravessam o cotidiano de cada lugar”, ressalta Nathália Dias, artista circense, produtora e integrante do Duo Gêmeas Dias, responsável por apresentar o espetáculo de circo Ciranda nas cidades de Piracaia, Nazaré Paulista, Itapeva, Itararé, Cotia, Embu das Artes, Atibaia, Mairiporã, Franco da Rocha e Jandira.
E nesses lugares de encontro, não há idade limite, porque todas as pessoas são bem-vindas e podem se divertir. Romina Sanchez e Felipe Abreu Pereira, artistas circenses da companhia Laguz Circo e Teatro, se apresentaram em cidades onde “senhoras muito idosas puderam brincar com a gente e se encantar com as bolhas gigantes de sabão do espetáculo. Houve um momento especial quando uma senhora de quase 90 anos dançou junto do palhaço e da palhaça, nos abençoou e disse que amou o espetáculo”.
Os artistas, que circularam com o espetáculo Suspiros e Burbujas em Guarujá, São Vicente, Cananéia, Barra do Turvo, Mongaguá, Peruíbe, Diadema, São Caetano do Sul e Mauá, também receberam relatos de diversos adultos que “sentiram muita conexão com suas crianças interiores, um resgate do brincar e do se encantar”. Se no mundo contemporâneo os encontros acontecem cada vez mais de forma virtual, o espaço das ruas ocupado pelas ações do Circuito Sesc de Artes permitiu que artistas e público se lembrassem daquilo que importa de verdade.
“Ver crianças, adultos, idosos e por vezes pessoas em situação de rua compartilhando o ambiente, dançando junto e tornando-se parte do espetáculo, foi incrível. Meu olhar vibrou com essa partilha”, celebra Lilian Martins, diretora artística da companhia de dança Diladim, que se apresentou nas cidades de Louveira, Itatiba, Ourinhos, Palmital, São Pedro, Rio Claro, Mogi Mirim, Americana, Mogi Guaçu, Valinhos, Jarinu e Bragança Paulista. “Quando apresentamos o espetáculo Requebrando, que tem o funk, as danças africanas e afrodiaspóricas como base de nossas criações, compartilhamos também um fragmento de um imaginar futurista, que expande olhares e reafirma a força dessas expressões. Esses encontros são mais que memória: são impulso para continuar criando, dançando e acreditando”, finaliza.
Kiko M
APRESENTAÇÕESARTÍSTICAS
Conheça todas as apresentações artísticas, nas áreas de música, circo, teatro e dança, oferecidas pelos roteiros da edição 2025 do Circuito Sesc de Artes.
A CAIXINHA DE MÚSICA DA PUREZEMPLA
Com Companhia Tetê Purezempla
A palhaça mineira radicada em São Paulo parece uma caixinha de música ambulante, tocando ukulele, escaleta e saxofone enquanto diverte o público com cenas cômicas. Quem escolheu o som foram as pessoas participantes: ao girar a primeira roleta é escolhido o instrumento que será tocado; a segunda aponta o estilo da música; e a terceira, decide a velocidade. Que tal arriscar a sua sorte?
ATRAVESSANDO LUGARES
Com Mano a Mana
Artistas interagem por meio de brincadeiras e a técnica circense de mão a mão. Enquanto realizam acrobacias e exploram os espaços, convidam o público a refletir sobre o que é habitual em nossas interações com os locais públicos.
ROTEIRO
ROTEIRO 8
1
Z é Carlos Barretta
Estúdio Sarara Rodrigues
AUTO DO GURIATÃ
Com Núcleo Maracá
Ópera popular e musical contemporâneo, o espetáculo narra a história do boi predileto de um fazendeiro. Reunindo artistas de várias tradições populares, a encenação desse auto tradicional brasileiro recupera a célebre versão de Mestre Humberto de Maracanã, um dos principais cantadores de Bumba meu Boi.
BALANÇO, BEATS E BATUQUES
Com DJs Lucas Caixa Preta e Scratchj
DJ Lucas ofereceu uma seleção musical com sons regionais brasileiros, afrobeat contemporâneo, black music e balanço caribenho. Já Scratchj, a partir de suas raízes no hip-hop, combinou músicas originais e canções sampleadas.
ROTEIRO 1
ROTEIRO 1
Renata Amaral
Holanda Filmes e Leonardo Correa
BALEIA CANTA BAHIA
Com Banda Baleia Banguela
Show musical pensado para agitar o carnaval com releituras de canções emblemáticas da sonoridade baiana. O repertório incluiu hits que convidaram o público a cantar e dançar, homenageando artistas como Daniela Mercury, Asa de Águia, Olodum, Ilê Aiyê, Araketu, Ivete Sangalo e Jamil.
ROTEIRO 12
BITITA – PARA NÃO ESQUECER
Com Cia. Cênica
O livro Diário de Bitita, de Carolina Maria de Jesus (1914-1977), narra a infância e a adolescência da escritora. Livremente inspirado na obra literária, o espetáculo apresentou a menina Bitita, sonhadora e perguntadeira que, em meio aos seus sonhos e questionamentos, também precisa lidar com a difícil realidade de vida.
ROTEIRO 5
Matheus
José Maria
Keiny
Andrade
BLACK OPEN FORMAT
Com
DJ Spin
Referência na discotecagem com vinil, o artista propôs criações musicais a partir de influências da black music. Em suas apresentações, não se limitou a um único gênero musical e explorou uma variedade de estilos, do rap ao samba, passando por reggae, R&B, soul, jazz, hip-hop, funk e afrobeat.
ROTEIRO 2
CABARÉ PLOP!
Inspirado no formato de cabaré circense, o espetáculo, apresentado pelos uruguaios Diego Martínez e Jorge Zagarzazú, reuniu atos curtos e dinâmicos que apresentaram cenas de humor e música ao vivo, em meio a números de malabarismo e de palhaçaria.
ROTEIRO 2
Com The Pambazos Bros
CANÁRIAS E PINTASSILGAS
Com Banda Sianinhas
Formada exclusivamente por mulheres, a banda apresentou um repertório com composições autorais e canções da cultura popular.
CATIMBA - A REVIRAVOLTA
Com Cia. 2 Mililitros
O Grêmio Recreativo de Pirapora da Vila Pauliceia e seu Elenco Incomum passa por uma crise: no primeiro jogo da final da Taça Pacopa, o craque do time sofre uma falta que o tira de campo pelos próximos meses. Agora o time tem duas opções: colocar em campo um perna de pau que sequer gosta de futebol ou optar por uma garota craque de bola.
ROTEIRO 9
ROTEIRO 8
Matheus
José Maria
Z é Carlos Barretta
CORDELINA
Com Odília Nunes
Ao som de uma sanfona tocada ao vivo, a intervenção teatral apresentou uma boneca gigante que compartilha mensagens de sorte com o público. Confeccionada com material vegetal, Cordelina ganhou vida pela voz da atriz, palhaça e cordelista pernambucana Odília Nunes.
ROTEIRO 4
CHIC IN SOUL
Com Na Pista, na Vida
A banda de samba-rock apresentou clássicos dos bailes black das décadas de 1970 e 1980. No repertório, músicas de artistas como Tim Maia, Cláudio Zoli, Jorge Ben Jor, Wilson Simonal e Os Originais do Samba, além de canções internacionais.
ROTEIRO 8
Taba Benedicto
Z é Carlos Barretta
CIRANDA
Com Gêmeas Dias e Trupe Cirandá
Inspirado na integração das pessoas quando juntam as mãos em uma ciranda, o espetáculo embalado por música ao vivo uniu artes circenses e cultura popular, em uma apresentação que celebrou a diversidade.
ROTEIRO 7
DEBANDADA
Com Debonde Cia. de Dança
Formada por seis pessoas dançarinas e uma intérprete de Libras, a intervenção criou uma cena em tempo real junto com o público, em diálogo com cada cidade e expressões da cultura local.
ROTEIRO 9
Renata Teixeira
Matheus José Maria
DJ BAYO
A multiartista Jéssica Bayo, de Bauru (SP), também atua como produtora cultural e fundou o coletivo VórtexO14. Seu set apresentou um repertório que mistura elementos da cultura preta, mesclando a eles sonoridades contemporâneas e alternativas. As influências diversificadas se traduzem em um som singular que atraiu ouvintes de diferentes idades e origens musicais.
ROTEIRO 5
DJ BBEKA
A artista de Sorocaba (SP) teve seu primeiro contato com a discotecagem em 2018 e, desde aquela época, anima o público ao mesmo tempo em que preserva o objetivo de apresentar suas raízes e sonoridades pretas. O set passou por gêneros como black music, R&B, afrobeat, dancehall e funk.
ROTEIRO 8
Keiny
Andrade
Z é Carlos Barretta
DJ GABI NAÔMI
DJ GURUNGA
O artista Luan Gurunga, reconhecido por sua habilidade de incorporar vivências periféricas à mixagem, apresentou repertório que valoriza a cultura latina, com escolhas que vão da black music ao afrobeat.
ROTEIRO 11
A artista de Ribeirão Preto (SP) apresentou uma seleção musical que celebra a ancestralidade afro, incluindo criações de artistas negras e negros de diversas origens e gêneros musicais.
ROTEIRO 6
Matheus
José Maria
Matheus
José Maria
DJ JULIANA GIL
A artista de Taubaté (SP) apresentou uma setlist que transita por gêneros que vão de ritmos brasileiros ao rock, passando por remixes e afrobeat, combinando clássicos e raridades e influências culturais cheias de energia.
ROTEIRO 10
DJ LU
PEQUIM
Com um set totalmente dedicado a músicas criadas por mulheres, a artista destacou, em seu repertório, o talento de compositoras e cantoras de diferentes estilos musicais, da cumbia ao rap.
ROTEIRO 4
Nilton Fukuda
Taba Benedicto
DJ LUJARO
Com uma pesquisa eclética, a discotecagem do DJ Gabriel Lujaro, que tem a música preta como principal referência, transitou entre a black music, o funk e as diversas vertentes do rap, desde o clássico boom bap até as sonoridades contemporâneas como trap, drill e grime.
ROTEIRO 3
DJ MURILO MARTINS
Com influências que vão das rodas de samba às manifestações culturais negras e africanas, o DJ carioca compôs seu setlist a partir de pesquisas de sonoridades raras e dançantes, passando por gêneros como soul, jazz, reggae e rap.
ROTEIRO 9
DJ PENSANUVEM
A artista paulistana dedicou sua apresentação à discotecagem em vinil, explorando psicodelias e gingados em ritmos como cumbia, funk e reggae.
ROTEIRO 12
Roberto Assem
Matheus
José Maria
Matheus
José Maria
ENCANTOS AMAZÔNICOS
Com Yandê Transpará
Experiência imersiva em danças tradicionais do Norte, como o carimbó e o lundu marajoara, o espetáculo resgatou as raízes africanas, indígenas e europeias da cultura amazônica, ao mesmo tempo em que sensibilizou o público sobre a importância da preservação e valorização da identidade cultural daquela região.
ROTEIRO 3
FABULOSO ACROTEJO MUSICAL
Com Cia. Naniko’s Circus
Artistas cênicos e músicos desfilaram em formato de cortejo, com números de acrobacia de solo, malabarismo, equilibrismo e pirâmide humana. Ao som de marchinhas de carnaval e de música brasileira, os artistas performaram em cima de pernas de pau e do monociclo, tocando trombone, trompete, saxofone, surdo e pandeiro.
ROTEIRO 6
Roberto Assem
Matheus
José Maria
FUNIL
Com Circo da Silva
Circo e música
caminharam lado a lado nesta apresentação composta por dez artistas, incluindo números de acrobacia, malabares e equilíbrio, além de uma banda de sopros e de percussão que interpretou clássicos do picadeiro em ritmo de polca e valsa.
ROTEIRO 10
FESTA NA ROÇA
Com Coletivo Piracema
Ao celebrar a vida no interior, o espetáculo levou à praça números de palhaçaria, malabarismo, acrobacia e música ao vivo para narrar o reencontro de velhos amigos que se reúnem para brincar e jogar conversa fora.
ROTEIRO 3
Nilton Fukuda
Roberto Assem
HOJE TEM SAMBA
Com Aninha Barros e Grupo Samba D'Aninha
Espetáculo musical que passeou entre o samba raiz e diversas releituras de clássicos do gênero, apresentando sucessos de intérpretes e compositores sambistas. Acompanhada por oito músicos, Aninha ainda interpretou canções de seus dois álbuns solo.
5
ILUSIONISMO CLOSE-UP
Com Caio Ferreira
Intervenção artística na qual o ilusionista circulou e realizou "mágicas de proximidade", fazendo coisas aparecerem e desaparecerem, entre outros efeitos fantásticos.
ROTEIRO 5
ROTEIRO
Keiny Andrade
Keiny Andrade
LIBRA
Com Viento Circo
A fim de representar como relacionamentos amorosos podem ser jogos de equilíbrio constantes, o espetáculo reuniu um casal que acomoda pensamentos, emoções e memórias sobre uma estrutura de bambu que lembra uma gangorra suspensa, enquanto apresenta habilidades circenses como acrobacias e suspensão capilar.
ROTEIRO 11
INDÓMITO
Com Estúpida Compañía
Espetáculo internacional que apresentou situações de tensão transformadas em momentos cômicos: em cena, a dupla de artistas resgatou números clássicos do circo e dos antigos “freak shows”, combinando riso e apreensão.
ROTEIRO 4
Taba Benedicto
Matheus
José Maria
MOSTRA DE REALIDADE VIRTUAL – SONHOS
Dir.: Qing Chao, China, 2017, 6 min. Por meio de óculos de realidade virtual, a exibição, que integra a Mostra Internacional de Cinema, convidou o público a testemunhar, mesmo que acordado, o universo dos sonhos.
ROTEIRO 2
ROTEIRO 9 ROTEIRO 12
NÓS
Com Barracão Cultural
O espetáculo apresentou a garota Mel, que vive rodeada de borboletas e sofre com a zombaria dos vizinhos. Um dia, com o corpo cheio de nós, ela resolve ir embora. Anda, cruza montanhas e rios, e só aos poucos seus nós começam a se desfazer.
ROTEIRO 10
Matheus
José Maria
NU VUCO VUCO
O bloco carnavalesco, majoritariamente composto por mulheres, levou para as praças uma mescla de diversos ritmos da cultura popular brasileira, desde o samba-reggae e o samba-afro até sonoridades típicas do pagode baiano, do maracatu e do samba de roda.
ROTEIRO 11
OS TR3S PORCOS
Com A Próxima Companhia
Todo mundo conhece a história dos três porquinhos. Mas você já pensou que essa é também uma fábula sobre quem tem ou não uma casa? O espetáculo apresentou, de maneira cômica e reflexiva, as linguagens da rua e do circo para abordar o direito à moradia.
ROTEIRO 7
Matheus
José Maria
Renata Teixeira
RÁDIO OZ
Com DJ Bruxxo e DJ Cyssa Prado
A discotecagem aconteceu como se fosse um programa de rádio das décadas de 1980 e 1990, incluindo locução e vinhetas, com clássicos do rock, black music, disco, jazz e música brasileira.
ROTEIRO
7
RASTRO
Com T. F. Cia de Dança
Como é continuar sentindo algo que já acabou? Nesse espetáculo, rastros e memórias foram transformados em coreografia e expressões da dança urbana e do hip-hop, em diálogo com os espaços, com a individualidade dos corpos e com os diferentes modos de agir e de sentir.
ROTEIRO 2
Renata Teixeira
Kiko
M
REQUEBRANDO
Com Grupo Diladim
Você já pensou que o jeito de cada pessoa remexer o quadril é uma espécie de coreografia? Tendo como ponto de partida o funk, a intervenção do grupo paulistano criou um baile na praça em que a musicalidade passeou por ritmos distintos.
ROTEIRO 6
SUSPIROS E BURBUJAS
Com Cia. Laguz Circo
Entre bolhas de sabão gigantes e ao som de música feita com acordeão e escaleta, a dupla de artistas apresentou números de acrobacia, malabarismo e palhaçaria, convidando o público a acessar sua criança interior.
ROTEIRO 12
Matheus
José Maria
Matheus
José Maria
TRAQUINAGEM DE CIRCO
Com Circo Colorê
E se você pudesse experimentar um pouquinho da emoção e do frio na barriga que sentem os artistas de circo realizando seus números no picadeiro? Nessa vivência do grupo de São José dos Campos (SP), as pessoas participantes foram convidadas a testar diferentes habilidades brincando de malabarismo, de mágica, de equilibrismo e tentando não deixar os bambolês caírem.
ROTEIRO 8
Z é Carlos Barretta
UM CANTO PARA CAROLINA
Com Cia. dos Inventivos
Musical inspirado na obra Quarto de despejo: Diário de uma favelada, de Carolina Maria de Jesus, autora reconhecida como uma das mais importantes escritoras do Brasil.
ROTEIRO 1
ZUMBIIDO AFROPERCUSSIVO
Composto somente por pessoas pretas e com repertório de músicas e coreografias autorais, o bloco se inspirou em danças e musicalidades africanas para envolver o público do Circuito com música, canto, dança e cultura preta.
ROTEIRO 4
Anderson Rodrigues
Taba Benedicto
TURISMO SOCIALAS CIDADES VISTAS COM UM
Guilherme
Barreto
A EDIÇÃO DE 2025 DO CIRCUITO SESC
DE ARTES CHEGOU COM NOVIDADES.
Uma delas se conecta ao programa de Turismo Social do Sesc São Paulo e aconteceu nas cidades de Franco da Rocha – na região metropolitana de São Paulo –, Iguape – no Vale do Ribeira –, e Penápolis – no Baixo Tietê. Em passeios a pé pelas regiões centrais desses municípios, o público, acompanhado de guias de turismo credenciados, foi convidado a imergir em suas regiões a partir da visita a marcos da herança histórica, cultural, patrimonial, ambiental e social de cada município.
Em Iguape, por exemplo, o passeio teve início no Museu Municipal e seguiu em direção a uma das praças da cidade, enquanto a história da região foi narrada pela artista e guia de turismo Alysson da Costa. A caminhada passou ainda por pontos como a Casa do Fandango Iguapense, onde as pessoas puderam acompanhar ao vivo o trabalho de uma artesã local. O prefeito do município, Salvador José Barbosa Júnior, ressaltou
que o Circuito foi relevante para a difusão cultural e de todos os serviços que o Sesc presta na região. “Para nós, como comunidade e como cidade que por muito tempo não teve ações como essas, é preciso agradecer ao Sesc pela iniciativa”, celebrou. A economia da região também agradece. Afinal, como defende o prefeito, “boa parte da economia iguapense gira em torno do turismo cultural. Portanto, uma atividade como essa ajuda a população a redescobrir a cidade e a fazer com que tenhamos mais renda e mais trabalhos futuros envolvendo as atividades que giram em torno da economia criativa”, enfatizou.
O Turismo Social do Sesc existe há mais de 70 anos e tem como diretrizes a democratização do acesso ao turismo, a operacionalização ética e sustentável, o reconhecimento do território e a educação pelo e para o turismo. As atividades incluem passeios, excursões e ações formativas, além do serviço de hospedagem nos mais de 40 equipamentos turísticos do Sesc por todo o Brasil. As ações realizadas durante o Circuito 2025 inauguraram uma nova vertente de ação do programa.
VALORIZAÇÃO SOCIAL –
O VALOR DE TODOS OS SABERES
HISTORICAMENTE, O CIRCUITO SESC DE ARTES TEM O PAPEL DE LEVAR ARTE PARA OS ESPAÇOS PÚBLICOS DE cidades onde não há unidades do Sesc instaladas. Com apresentações e oficinas de diferentes linguagens artísticas e socioeducativas, a edição de 2025 somou à programação as criações artesanais de diversas regiões do estado de São Paulo, trazendo o ineditismo das Mostras de Saberes.Nesses espaços em formato de feira,
Matheus
José Maria
o Sesc promoveu a valorização do artesanato local, com mostras das produções, demonstrações das técnicas utilizadas por cada artesão e artesã e venda de produtos.
A atividade, inédita na história do Circuito, foi promovida pelas unidades do Sesc em Registro, São José dos Campos e Birigui, e as ações foram realizadas em seis cidades: Iporanga, Miracatu, Ilha Solteira, Pereira Barreto, Paraibuna e Igaratá. Para a produtora cultural Natália Silva, conhecida como Nati, responsável pela organização da Mostra de Saberes em Pereira Barreto, a troca de informações e de conhecimento possibilitada pela ação foi fundamental para o enriquecimento da produção dos artesãos e artesãs participantes, mas também de artistas das diversas linguagens que estiveram presentes nas praças.
“O Sesc sempre valorizou muito as produções fora do radar, buscando as culturas e artes às vezes escondidas. Um artista que às vezes cria na própria garagem geralmente não tem acesso à divulgação, mas a feira trouxe esse olhar, permitindo o resgate do artesanato como linguagem e o resgate da criação desses artistas”, enfatiza.
A GENTE TEM
QUE SOMAR SEMPRE, SEJA
ARTE, SEJA PENSAMENTO
O Circuito, que já era múltiplo, ganhou mais uma camada, com ações de inclusão produtiva de pessoas e grupos que fomentam o desenvolvimento de cada município. “É a cultura local, do interior, junto à cultura regional e à cultura nacional. São os artistas que sustentam o mundo com as mãos, com as artes feitas no dia a dia. E isso é muito importante. A gente tem que somar sempre, seja arte, seja pensamento”, finaliza Nati.
CURSO SESC DE GESTÃO CULTURAL –FORTALECENDO REDES ENTRE TERRITÓRIOS
EM 2025, O CURSO SESC DE GESTÃO
CULTURAL COMPLETA 12 ANOS. DESDE sua primeira edição, quando o Centro de Pesquisa e Formação do Sesc São Paulo ainda ocupava um andar na unidade da Vila Mariana, centenas de profissionais e pessoas interessadas na área podem debater e aprender sobre temas como gestão pública e políticas culturais, economia criativa, sustentabilidade e desenvolvimento, diversidades, entre outros assuntos. E experiências tão enriquecedoras como essas não poderiam ficar de fora do Circuito Sesc de Artes.
Na edição deste ano, com uma curadoria que se pauta pelas relações entre cultura, território e comunidade, e a partir das contribuições da economia criativa, o curso Políticas Públicas e Mecanismos de Fomento à Cultura, oferecido às pessoas envolvidas nas diversas etapas de realização do Circuito, centrou suas discussões na análise da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB) e no Programa de Ação Cultural (ProAC). O objetivo foi “apresentar
aos participantes as possibilidades para a captação de recursos para a viabilização de um projeto cultural”, como explica Eder Martins, pesquisador do Centro de Pesquisa e Formação do Sesc São Paulo.
O curso reuniu profissionais de diversas cidades do interior, litoral e Grande São Paulo em discussões sobre projetos que já estavam em desenvolvimento ou que cada uma dessas pessoas gostaria de
desenvolver em suas próprias cidades. A inspiração veio de uma experiência real: a do projeto Alinhavando Redes, da Fátima Martins. A iniciativa da atriz e produtora teve origem na edição de 2023 do Curso Sesc de Gestão Cultural e nasceu para mobilizar fazedores de cultura, valorizar as experiências locais e construir um processo de articulação em rede. Hoje, reúne artistas, pessoas gestoras, artesãs, produtoras e trabalhadoras, além de lideranças culturais de diversos municípios do Centro Oeste Paulista. A construção coletiva já teve frutos, como as Conferências Intermunicipais de Cultura e a participação de artistas envolvidos em editais das leis de incentivo Aldir
Blanc e Paulo Gustavo. Nesta edição, o curso foi conduzido pelo pesquisador Ivan Montanari, mestre em gestão de políticas públicas e especialista em gestão e políticas culturais.
Montanari destaca a importância de reunir gestores públicos e agentes culturais para pensar as políticas públicas de cultura, desde os conceitos até o planejamento concreto das ações. Para ele, chamou a atenção “o interesse dos participantes não só de ampliar os conhecimentos, mas, também, de interagir e trocar; seja lançando mão dos conteúdos e discussões levantadas para comentar sobre o que acontece em suas perspectivas locais ou sobre oportunidades de atuação, seja trazendo provocações interessantes para pensar perspectivas futuras para essas políticas, problematizando o atual modelo de financiamento de projetos culturais”, afirma. Sem dúvida, formações como essa contribuem para o acúmulo de conhecimentos sobre o tema, o fortalecimento das redes e a ampliação de ações culturais em todos os territórios.
PENSAR TIVAS FUTURAS
ROTEI OS CIR
Mapas, caminhos e encontros: um passeio pelos 12 roteiros do Circuito revela as paisagens culturais e humanas que conectam o interior de São Paulo à experiência viva da cultura.
ROS DO CUITO
SESC ARARAQUARA
01 Ibitinga
02 Taquaritinga
SESC FRANCA
03 Ituverava
04 Orlândia
05 Pedregulho
06 São José da Bela Vista
ROTEIRO 1
SESC RIBEIRÃO PRETO
07 Altinópolis
08 Cajuru
09 Cravinhos
10 Jaboticabal
SESC SÃO CARLOS
11 Santa Rita do Passa Quatro
12 Tambaú
SESC RIBEIRÃO PRETO
Barretos
Batatais SESC SÃO CARLOS
Águas da Prata
Itirapina
Pirassununga
São José do Rio Pardo
SESC BIRIGUI 25 Andradina 26 Araçatuba
Lins 28 Penápolis
SESC CATANDUVA
Ibirá
Paraíso
ROTEIRO 3
SESC THERMAS DE PRESIDENTE PRUDENTE
Dracena
Lucélia
Osvaldo Cruz
Tupã
SESC RIO PRETO
Nipoã
Potirendaba
SESC THERMAS DE PRESIDENTE PRUDENTE
Assis
Presidente Venceslau
RIO PRETO
SESC BAURU
49 Botucatu
50 Lençóis Paulista
51 Marília
52 Pederneiras
SESC CAMPINAS
53 Itapira
54 Nova Odessa
ROTEIRO 5
SESC JUNDIAÍ
55 Joanópolis
56 Várzea Paulista
SESC PIRACICABA
57 Águas de São Pedro
58 Araras
59 Cerquilho
60 Limeira
SESC BAURU
61 Ourinhos
62 Palmital
SESC CAMPINAS
63 Americana
64 Mogi Guaçu
65 Mogi Mirim
66 Valinhos
ROTEIRO 6
SESC JUNDIAÍ
67 Bragança Paulista
68 Itatiba
69 Jarinu
70 Louveira
SESC PIRACICABA
71 Rio Claro
72 São Pedro
SESC CAMPO LIMPO
73 Cotia
74 Embu das Artes
SESC GUARULHOS
75 Atibaia
76 Mairiporã
77 Nazaré Paulista
78 Piracaia
ROTEIRO 7
SESC OSASCO
79 Franco da Rocha
80 Jandira
SESC SOROCABA
81 Itapeva
82 Itararé
SESC CAMPO LIMPO
83 São Lourenço da Serra
84 Taboão da Serra
SESC GUARULHOS
85 Bom Jesus dos Perdões
86 Santa Isabel
ROTEIRO 8
SESC OSASCO
87 Francisco Morato
88 Itapecerica da Serra
89 Itapevi
90 Osasco
SESC SOROCABA
91 Itapetininga
92 Itu
93 São Roque
94 Tatuí
SESC MOGI DAS CRUZES
95 Ferraz de Vasconcelos
96 Poá
97 Salesópolis
SESC SÃO JOSÉ
DOS CAMPOS
98 Igaratá
99 Paraibuna
ROTEIRO 9
SESC TAUBATÉ
100 Campos do Jordão
101 Cruzeiro
102 Lorena
103 Pindamonhangaba
SESC MOGI DAS CRUZES
104 Biritiba Mirim
105 Guararema
106 Itaquaquecetuba
107 Suzano
ROTEIRO 10
SESC SÃO JOSÉ DOS CAMPOS
108 Caçapava
109 Jacareí
110 Jambeiro
111 Monteiro Lobato
SESC TAUBATÉ
112 Guaratinguetá
113 São Bento do Sapucaí
SESC REGISTRO
114 Iguape
115 Iporanga
116 Itariri
117 Miracatu
ROTEIRO 11
SESC SANTO ANDRÉ
118 Ribeirão Pires
119 Rio Grande da Serra
120 São Bernardo do Campo
121 São Miguel Paulista (bairro de São Paulo)
SESC SANTOS
122 Cubatão
123 Itanhaém
124 Praia Grande
SESC REGISTRO
125 Barra do Turvo
126 Cananéia
ROTEIRO 12
SESC SANTOS
127 Guarujá
128 Mongaguá
129 Peruíbe
130 São Vicente
SESC SÃO CAETANO
131 Diadema
132 Mauá
133 São Caetano
CONSELHO REGIONAL DO SESC EM SÃO PAULO
PRESIDENTE
Abram Szajman
DIRETOR
Luiz Deoclecio Massaro Galina
Efetivos Arnaldo Odlevati Junior, Benedito Toso de Arruda, Dan Guinsburg, Jair
Francisco Mafra, José de Sousa Lima, José Maria de Faria, José Roberto Pena, Manuel Henrique Farias Ramos, Marcus Alves de Mello, Milton Zamora, Paulo Cesar Garcia Lopes, Paulo João de Oliveira Alonso, Paulo Roberto Gullo, Rafik Hussein Saab, Reinaldo Pedro Correa, Rosana Aparecida da Silva, Valterli Martinez, Vanderlei Barbosa dos Santos
Suplentes Aguinaldo Rodrigues da Silva, Antonio Cozzi Junior, Antonio Di Girolamo, Antônio Fojo Costa, Antonio Geraldo Giannini, Célio Simões Cerri, Cláudio Barnabé Cajado, Costabile Matarazzo Junior, Edison Severo Maltoni, Omar Abdul Assaf, Sérgio Vanderlei da Silva, Vilter Croqui Marcondes, Vitor Fernandes, William Pedro Luz
REPRESENTANTES JUNTO AO CONSELHO NACIONAL
Efetivos Abram Szajman, Ivo Dall’Acqua Junior, Rubens Torres Medrano
Artes Visuais e Tecnologia Juliana Braga de Mattos Educação para Sustentabilidade e Cidadania Denise Baena Segura Estudos e Desenvolvimento João Paulo Leite
Guadanucci Alimentação e Segurança
Alimentar Mariana Meirelles Ruocco Artes
Gráficas Rogério Ianelli Atendimento e Relacionamento com Públicos Patrícia
Piquera Centro de Produção Audiovisual
Wagner Palazzi Perez Desenvolvimento de Produtos Évelim Moraes Difusão e Promoção Ligia Moreira Moreli Sesc Digital
Fernando Amodeo Tuacek Contratação e Logística Marcia Mitter Patrimônio e Serviços Adriana Mathias Conformidade
Institucional Raquel Claro Vargas
Licitações Paulo Cesar Santos Assessoria de Imprensa Ana Lúcia de La Vega
Relações Internacionais Heloisa Pisani
GERÊNCIAS DAS UNIDADES DO SESC
Araraquara Rafael Barcot Bauru Thomas Veras Castro Birigui Andressa Gois Campinas
Hideki M. Yoshimoto Campo Limpo Graziela
Nunes Catanduva Marcos Roberto Martins
Centro de Pesquisa e Formação Andrea
Nogueira Guarulhos Oswaldo de Almeida
Junior Franca Camila Machado Jundiaí
Wagner Dini de Castro Mogi das Cruzes
Denise Mariano Osasco Mara Rita Oriolo
Piracicaba Fábio José Rodrigues Lopes
Registro Ruan Conceição Ribeirão Preto
Mauro Cesar Jensen Rio Preto Thiago
Freire Santo André Cristiane Ferrari Santos
Simone Engbruch Avancini São Caetano
Fabiola Gaspar São Carlos Vilma Marchi
São José dos Campos Debora Rodrigues
Teixeira Sorocaba Nilva Luz Taubaté
Daniela Savastano Thermas de Presidente
Prudente Susana Coutinho de Souza
CIRCUITO SESC DE ARTES Coordenação da Programação
Thaís Heinisch
Equipe Abraão Antunes da Silva, Adauto Perin, Adenilson Muniz, Adriana Macedo, Adriano Alves Pinto, Alex Dias, Alberto Fuka, Alexandra Matos, Alexandre da Silva, Aline Ribenboim, Allan Kendy, Amanda Fanny, Ana Elisa Mendoza, Ana Flavia Miranda, Ana Paula Ambrosio, Ana Paula Rodrigues, Analu Buchmann, Andreia Kanai, Andre Locatelli, André Queiroz, Ângelo Gaglioni
Júnior, Antonio Bitram, Augusto Pereira Paula, Aylton Lelis, Bárbara Guirado, Caio de Paula, Caio Gonçalves, Caio Nunes, Camila Amaral Tavares, Camila Casseano, Camilo Cazonatto, Carina Figueira, Carla Romano, Carlos Daniel Dereste, Carlos Imamura, Carlos Petrachini, Carlos Seizen
Iramina, Carol Barmel, Carolina Garcez, Cassio Murilo Fialho, Cecília de Nichile, Celso Ricardo Moreira, Chiara Peixe, Christi Lafalce, Christine Villa, Clarisse Martins, Claudete Moreira dos Santos Greiner, Cleizer Marques, Cristiane Cobra, Cristina Fongaro, Cynthia Petnys, Daniel Sanchis Fernandes, Daniel Yonashiro, Daniela Monte Rosa, Danilo Praxedes, Danilo Cymrot, Danusa Geremin, Denis Salzano, Denise Kieling, Diego Valladares, Diego Ferreira Soares, Diellen de Souza, Elaine Cristina Barbano, Elisangela Pimenta, Enio Rodrigo Barbosa Silva, Etiene Amaro, Fabiana Guerra, Fabio Vasconcelos,
Fabricio Floro, Fernanda Fontana Sampaio, Fernanda Paccanaro, Fernanda Silvestre, Fernando Augusto Mendonça, Fernando Viana, Filipe Luna, Flávia Rabaça, Flavio Vogtmannsberger, Francisco Galvão, Francisco Santinho, Francine Sayuri Segawa, Gabriel Alarcon, Gabriela Correa, Gabriela Amorim, Gabriela Barbosa, Gabriela Rancan, Geneilson Silva, Gilcemar Borges, Giovana Suzin, Gisele Lopes Ribeiro, Guilherme Luiz de Souza, Heber Augusto Tcherne, Henrique Rubin, Igor Pirola, Irene Caldeira, Isabela Martini, Isabela Trazzi, Iure Botao, Jane Sucena, Jefferson Santanielo, Jefferson Alves, Joana Eça de Queiroz, João Roberto Vicentini, Johnny Abila, Juliana Barreto, Juliana Fernandes Silveira, Juliana Okuda Campaneli, Juliano Brogna, Karla Ferreira, Katia Barelli, Kelly Cecilia Teixeira Ferrari, Laudo Bonifácio, Laura Lopes, Leila Ichikawa, Leonardo Gatti, Leonardo Nicoletti, Lívia dos Santos, Luã Gabriel Trento, Lucas Molina, Luciane Pierin, Luciano Domingos da Silva, Luciano Quirino, Luciano Teixeira de Souza, Luiz Eduardo Veiga, Luiz Fernando Figueiredo, Luiz Fernando Silva, Luiz Gustavo Alencar, Maira de Mello, Maitê Lacerda, Marcia Dabrek, Márcio Donisete, Marcos Braz, Marcos Matias, Marcos Tadeu, Marcos Takeda, Marcus Bellizzi, Maria Claudia Curtolo, Maria Denise Leite, Maria Fernanda de Assis, Mariana Barboza, Mariane
Gasperini, Marina Correa, Marina Zan, Mario Barroso, Maristella Bottas Langhi, Matheus José Maria, Mauricio Del Nero, Mauricio Ricci, Mauricio Trindade, Melina Marson, Miguel dos Santos, Murilo Haither, Natalia da Silva Martins, Natalie Ferraz Kaminski, Nathalia Alves Pereira, Ney da Silva Martins, Nicole de Aquino Dias, Nilo Gomes, Patricia Grecco, Pedro Ribeiro Pinto, Pollyanna Asbahr, Poliana Queiroz, Priscila Xavier, Priscila Modanesi, Priscila Rahal, Rafaela Sansão, Raquel Fonseca, Rebeca Caetano, Regiane Galante, Renata Mesquita, Renato Oliani, Ricardo Scardoelli, Roberta Assef, Roselaine de Souza, Ruth Santos, Sabrina Tenguan, Sidnei Martins, Silvia Eri Hirao, Silvia Mayeda Dangelo, Simone Aranha, Talita Rebizzi, Tatiana Fujimori, Thaís Emília Marques, Thaisa Senne, Thiago Aoki, Thiago Machado, Tiago Marchesano, Tiago Rosa, Tommy Pietra, Uidis Evangelista, Vanessa Machado, Vivian Pontin, Walsmek Silva, Zeno Prazeres
Comunicação Tamara Demuner, Thais Ferreira Rodrigues e Mildred Gonzalez Coordenação Editorial e Gráfica Cesar Albornoz, Érica Dias, Fabíola Tavares
Milan, Guilherme Barreto, Karina Camargo Leal e Silvio Basilio Produção e Edição de Textos Lucia Nascimento Identidade Visual Regular Switch Projeto Gráfico Nortearia
Revisão de Textos Pedro Paulo Silva
Agradecimentos pelo apoio e parceria
Sindicatos do Comércio de Bens, Serviços e Turismo, Prefeituras Municipais, Secretarias e Diretorias de Cultura
C4962
Circuito Sesc de Artes 2025: arte na rua para todas as pessoas / Serviço Social do Comércio. Administração Regional no Estado de São Paulo; apoio: Sindicatos do Comércio, Serviços e Turismo, Prefeituras Municipais. – São Paulo: Sesc São Paulo, 2025. –148 p.: il. –
ISBN: 978-65-89239-35-2
3 de maio a 8 de junho de 2025: 132 cidades.
1. Artes. 2. Circuito. 3. Sesc. 4. Circuito Sesc de Artes. 5. Democracia cultural. 6. Espaços públicos. 7. Arte na rua. 8. Conectando pessoas e comunidades. Título. II. Serviço Social do Comércio. III. Catálogo. IV. 2025. Apoios.
CDD 701.1
papel Alta Alvura 90g/m fontes Inter e ABC MAXI PLUS tiragem 2.254 outubro de 2025
SINDICATOS DO COMÉRCIO, SERVIÇOS E TURISMO PREFEITURAS MUNICIPAIS