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o conto de ahed

jogos_dezembro2020


sobre o jogo Não é incomum que possamos conhecer novas culturas a partir dos jogos digitais. Desde os primórdios dos games, a representação de ideias vindas do mundo inteiro toma forma e rompe as fronteiras do imaginário. Encontramos nos videogames um modo de representar e difundir culturas, sejam elas hegemônicas, ou não. Por exemplo, você certamente conhece jogos de futebol ou de mitologia grega, não? Beleza! Mas o que dizer daquelas culturas locais, comunitárias, e que nem sempre podemos conhecer? Dentre as muitas qualidades, O Conto de Ahed faz isso. Trazendo referências da cultura árabe, a proposta compreende, de antemão, o jogo como uma poderosa ferramenta para conhecermos novas culturas e ampliarmos nossas visões de mundo. O apagamento de culturas está diretamente ligado à possibilidade — ou não — de conhecimento por parte das pessoas. Chamado de epistemicídio, termo cunhado pelo pesquisador português Boaventura de Sousa Santos, tratam-se de mecanismos de destruição e apagamento de culturas que não foram assimiladas pela cultura branca e ocidental.

por João Laureth, Victor Vighi e Game e Arte

No caso de jogos como este, encontramos nos games independentes mais um meio de fortalecer culturas comunitárias, contribuindo para sua sobrevivência e enfrentamento ao epistemicídio.


propostas de reflexão a partir do jogo Além do entretenimento, videogames podem ser criados com muitas finalidades. O Conto de Ahed foi criado junto com um artigo acadêmico que discute a importância dos jogos digitais enquanto espaço potente para semear novos conhecimentos. Já pensou em conversar com as pessoas que desenvolvem os games que você joga? Quando você faz isso, certamente pode descobrir diversas referências utilizadas no jogo e que, muitas vezes, podem passar desapercebidas. Como será que o grupo desenvolvedor teve a ideia de trazer a temática árabe para o game? Bora sair um pouco do fluxo do jogo? Se você já jogou e agora está lendo, perceba que você controlou uma personagem mulher, que luta pelo seu povo, e enfrenta situações que dominam e assolam seu território. Agora, vem cá: Quantas personagens mulheres que você já pôde conduzir em um game? E destas, quantas delas trouxeram uma história de força, inteligência e superação?


Você já ouviu dizer que, fora do país, somos conhecidos como o país do futebol e do carnaval? Mas será que isto nos representa? Cuidar da questão dos clichês e representações nos games é fundamental. Além da escolha temática, é importante pensarmos na forma com que os assuntos serão abordados. O uso de estereótipos — aquelas imagens generalizadas e padronizadas pelo senso comum —, pode trazer algo muito ofensivo e não representar a realidade em sua total complexidade. Por exemplo, isto pode ocorrer ao ligarmos a cultura árabe ao extremismo e ao terror. O conto de Ahed foi desenvolvido por dois estudantes e também professores de Jogos Digitais. Além de compreender a educação como um espaço sem hierarquias, os desenvolvedores propõem uma ideia de educação pautada na diversidade cultural. E não é só no papel: Victor, ou Gloostão, se interessa por espiritualidade, anarquismo, desenha quadrinhos, joga futebol e tem interesse em aprender instrumentos como gaita de boca e bongô.

sobre os desenvolvedores Victor Vighi, ou Gloostão, é desenvolvedor de jogos, ilustrador e professor. Entrou no time de desenvolvimento do jogo O Conto de Ahed para dar suporte na programação da versão atual, e também contribuir com outras características posteriormente. Segundo João, sua principal característica é ser uma “metamorfose ambulante criativa”. Como profissional da educação, acredita em uma educação horizontal, e que todas as respostas estão dentro da diversidade de cada indivíduo. João Laureth é desenvolvedor de jogos, estudante e professor na área de jogos digitais. Idealizador do game O Conto de Ahed. João se interessa por temas que abordam cultura e sociedade, compreendendo os jogos como poderosas ferramentas para discutir temas, apresentar visões de mundo, e aprender coisas além das mecânicas de jogo.

imagens © divulgação


Esta série apresenta conteúdos por meio da interface dos videogames, trazendo manifestações das artes e da cultura pelo viés da pluralidade de narrativas desenvolvidas sob o olhar da diversidade. Com curadoria do Sesc São Paulo e de Tainá Felix e Jaderson Souza, da Game e Arte, a programação conta com um ciclo de debates pelo Centro de Pesquisa e Formação, entre 17/11 e 01/12/2020, e conteúdos disponíveis nas plataformas do Sesc Digital, com jogos para download, sob produção do Sesc Avenida Paulista. Todas as atividades são gratuitas e em ambiente virtual.


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