A chamada “música clássica”, “música erudita” ou ainda, como é chamada na
Alemanha, “música séria”, é uma nomenclatura que pode, em muitos contextos, soar
com certa carga de elitismo, motivo pelo qual o Sesc tem optado pela expressão
“música de concerto”. De fato, no Brasil, essa categoria foi historicamente sequestrada
pelas elites, e é árduo o trabalho de fazer esse resgate; trabalho esse que se traduz
na garantia do direito ao acesso a esse gênero musical, cujos obstáculos, note-se,
não são necessariamente formados por barreiras econômicas, mas sim, simbólicas.
Ao realizar um festival dedicado à música de câmara, desejamos mais do que
oferecer uma programação para os frequentadores habituais das salas de concerto.
Buscamos, antes, contemplar e atrair pessoas pouco familiarizadas com o gênero.
Ao pensar estratégias efetivas de atrair novas plateias, optamos por não
aderir à ideia do concerto comentado, como se a fruição artística dependesse
exclusivamente de uma compreensão racional. Essa fruição está, em m