OUSAR
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Na sua palestra, Artur Galvão apresentou a sua visão relativamente à racionalidade, a relação que a filosofia estabelece com a ciência e à forma como o ser humano manipula aquilo que entende como verdade para seu próprio proveito. O professor Artur apresentou os conceitos de circunstâncias, fins e meios, os quais precisamos ter em atenção para decidirmos que ações devemos tomar. É importante percebermos os recursos que temos à nossa disposição, a situação em que nos encontramos e aquilo que pretendermos alcançar para avaliarmos se algo é fazível ou se é uma ideia demasiado exorbitante. Eu penso que devemos usar o nosso raciocínio para avaliar se algo é possível ou não. É possível comparar experiências semelhantes que vivenciamos e avaliarmos se estamos, de facto, aptos para fazer o que desejamos fazer. Se, por exemplo, uma pessoa, que nunca cantou, se quiser tornar num cantor internacional tem de perceber o seu estado e o trabalho necessário para atingir o seu objetivo. Após avaliar a situação, poderá perceber que não tem condições para ser um cantor mundialmente famoso. Se esse for o caso e insistir no seu objectivo, não estará a pensar de forma realista porque, nesse momento, não possui capacidades para tal. Pode, no entanto, trabalhar, aprender a cantar melhor, e assim melhorar as hipóteses de realizar o seu desejo. Este é um caso em que, através da análise da situação em que um sujeito se encontra, ele consegue, através do seu raciocínio, encontrar maneiras de alcançar os seus objetivos. Nem sempre é este o caso, pois por vezes é necessário reconhecer a nossa própria incapacidade enquanto seres humanos, visto que há sonhos que são de realização impossível, como por exemplo, eu sonhar voar pelos céus. Nesses casos, devemos adequar os nossos fins àquilo que somos capazes de fazer e, neste caso, reconhecer que é algo impraticável, porque os humanos nascem sem a capacidade de voar. Devo adaptar esse desejo a algo que eu, de facto, consiga fazer, como saltar de pára-quedas. É possível fazer um paralelismo entre esta ideia e a fábula da raposa e das uvas que nos foi mostrada na apresentação. A raposa, após tentar alcançar as uvas muitas vezes, acabou por desistir e disse para si mesma que as uvas estavam, quase de certeza, amargas e que tinha sido até melhor ela não as ter comido. O que a raposa deveria ter tentado perceber era que, enquanto raposa, não era capaz de alcançar as uvas - comparando a altura a que as uvas estavam e a altura que ela conseguia saltar - e tentar alcançar um fruto que estivesse ao seu alcance. No entanto, manipulou a verdade a seu favor, de modo a fazer com que sofresse menos no final. Esta atitude impede que esta raposa se torne
numa raposa melhor, pois ao não reconhecer que está em erro, não abre espaço para a evolução. A raposa irá viver uma mentira, criada pela sua mente. Consigo assim concluir que temos de ser capazes de reconhecer as nossas limitações e, em vez de nos manipularmos a nós mesmos para não nos sentirmos mal, devemos avaliar aquilo que somos capazes de fazer e criar objetivos realistas à volta disso. Para mim, esta palestra cumpriu o seu objetivo, porque me fez refletir nas minhas metas e na forma como, por vezes, desisto de algo que pretendia alcançar. Ao invés de não fazer nada para melhorar, contentando-me com uma desculpa, devo procurar melhorar a estratégia para alcançar um certo objetivo, se de facto este for possível, ou encontrar um outro objetivo que me seja possível concretizar, consoante as minhas apetências e as circunstâncias em que me encontro. Daniel Peres, 11.ºC Basta Tentar! Após assistir à palestra de Artur Galvão, professor de Filosofia da Universidade Católica de Braga, realizou-se, logo de seguida, uma simples interação com os alunos, em que nos foi perguntado qual era a nossa opinião a respeito da palestra. De um ponto de vista prático, acredito que todos concordariam que foi uma experiência interessante e talvez até uma forma engenhosa de cativar os alunos para certas disciplinas. Também não posso negar que os tópicos analisados foram muito bem apresentados, manifestando assim, mais uma vez, o meu agradecimento por uma atividade tão inovadora e incomum na qual tivemos o privilégio de participar. Contudo, houve certos aspetos discutidos dos quais discordo. Começando por analisar atentamente a fábula da raposa apresentada, as duas principais ações criticadas foram o fato da raposa tentar alcançar um objetivo considerado demasiado alto e a sua atitude após não conseguir alcançá-lo. Na minha perspetiva, eu não acredito que a tentativa de alcançar algo considerado inalcançável seja algo condenável, mesmo utilizando um ponto de vista racionalista, uma vez que as consequências de uma ação muitas vezes diferem do esperado, logo, caso alguém não sofra más consequências por tentar, eu acredito que deva tentar, mesmo que não consiga atingir o objetivo final. Por último, também discordo de certas ideias defendidas na apresentação do professor Artur Galvão quanto a objetivos demasiado altos. Exemplificando com uma citação semelhante à
proferida pelo professor: "Caso nós tenhamos um sonho demasiado alto, devemos estabelecer outro mais baixo que possamos alcançar”. Eu discordo firmemente desta afirmação e acredito que possa até ser insensato as pessoas seguirem este raciocínio, sendo que a base da evolução e do facto da humanidade ter alcançado inúmeros feitos, é que, em muitas circunstâncias, alguém trabalhou para alcançar algo “impossível” e grande parte das conquistas humanas apenas foram alcançados porque alguém fez algo, mesmo contrariando a opinião de todos. Em suma, eu não defendo que alguém deva perseguir algo cegamente apenas porque é o seu sonho, logo não penso que seja errado informar as pessoas dos problemas que poderão enfrentar, porém eu acredito que se alguém estiver confiante que é capaz de fazer algo não deve ser desmotivado por querer tentar nem julgado se, no final, falhar. Helena Tavira, 11.º C “Estão verdes!” disse a Raposa sobre as uvas que não conseguira alcançar. Ela tentou saltar para apanhar as uvas mais altas, mas não conseguiu, logo, apenas acalmou a sua frustração com a sua falsa constatação “Afinal estavam verdes”. Esta fábula mostra que, quando tentamos alcançar algum fim, sem ter em conta os meios que temos para o alcançar e as circunstâncias em que nos encontramos, iremos eventualmente acabar desapontados, iludindonos com factos que não são reais, apenas para nos escusar. Então será que devemos desistir
daquilo que queremos alcançar? Uma palestra filosófica apresenta geralmente como objetivo uma viagem pela cabeça dos espectadores, deixando-os a pensar sobre qual será o seu ponto de vista em relação ao assunto abordado, sendo indispensável questionar todas as perspetivas para adquirirmos uma crença sobre um determinado assunto. A apresentação realizada pelo professor Artur Galvão refletiu sobre a racionalidade do ser humano, sendo um momento bastante agradável pelo simples facto de ter conquistado o seu objetivo. Depois de toda uma reflexão sobre este assunto, acho que não devemos desistir de tudo, mas teremos de ter noção dos nossos limites. Artur Galvão mencionou algo com que concordo: é necessário, antes de desejarmos algo como um fim, ter noção das circunstâncias em que nos encontramos e dos meios que podemos utilizar para lá chegar. Com isto podemos dizer que, se tentamos alcançar um fim não tendo os meios ou as circunstâncias adequados para o alcançar, então acabaremos por não o conseguir atingir e ficaremos frustrados. No exemplo da Raposa, podemos reparar que o animal tinha as uvas livres para poder apanhar (havendo circunstância), mas não conseguiu saltar alto o suficiente (não havendo meios), não alcançando o seu fim. Partindo do método proposto por Artur Galvão, não será racional tentar alcançar algo que sabemos não ter os meios ou circunstâncias para obter, pois iremos acabar por nos iludir e, assim, será melhor desistir. Este ponto de vista específico não afirma, por exemplo, que um rapaz que se encontre com dificuldades monetárias não deverá sonhar em ser multimilionário, mas apenas terá de saber que circunstâncias e métodos podem tornar o seu sonho realidade. Desta forma, ele estará realmente a ser racional, pois caso não tenha possibilidades para ser multimilionário, poderá pensar no que necessitará para alcançar essas possibilidades, e assim sucessivamente, até chegar a uma evidência que possa ajudar a resolver o problema. Este ponto de vista afirma, sim, que não deves acreditar que hoje vais andar naquela montanha russa que tanto anseias experimentar, quando não tens idade suficiente, acabando por te desiludires. De uma forma mais casual, levanta-te do sofá e para de tentar trazer o comando até ti apenas com a força da mente, está provado que é impossível, estás a ser irracional e apenas a perder tempo! Guilherme Antunes, 11.º C