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SEMENTINHA | ANO XXI | NÚMERO 1

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Sementinha REVISTA DO COLÉGIO CAMPO DE FLORES | ANO XXI | NÚMERO I | setembro e outubro de 2020 | sementinha@campodeflores.com

APRENDE COM A MUDANÇA, CRESCE COM A DIFERENÇA.


CONTEÚDO 2

SEMENTINHA ANO XXI | setembro e outubro de 2020

EDITORIAL 3 PONTO DE CHEGADA 4 NOTÍCIAS Inglês na quarentena 4 NOTÍCIAS Tempos estranhos! 7 NOTÍCIAS Um reencontro desejado! 8 NOTÍCIAS É tão bom estar de volta! 9 NOTÍCIAS Sessão inaugural do Secundário 10 NOTÍCIAS A alma de uma Instituição 11 NOTÍCIAS Cerimónia de Reconhecimento do Mérito 11 NOTÍCIAS Dia Mundial da Música - A Sinfonia dos Animais 12 NOTÍCIAS Dia Mundial da Música com o Carlão 13 NOTÍCIAS Espelho da Motivação 13 NOTÍCIAS Dia Nacional da Água 14 NOTÍCIAS O Outono chegou! 14 NOTÍCIAS Nas salas dos 3 anos, o Outono vai chegando devagarinho! 15 NOTÍCIAS Já sabemos ler! 16 NOTÍCIAS Escrever+ - Recebemos o nosso dossiê de escrita! 17 NOTÍCIAS 5 de outubro de 1910 20 NOTÍCIAS Muitos parabéns a todos! 20 NOTÍCIAS Conselho Eco-Escolas 21 NOTÍCIAS Campanha de angariação de fundos para a erradicação da Pólio21 NOTÍCIAS Halloween is here again and we don’t want to miss it! 22 NOTÍCIAS Quiz de Halloween 22 NOTÍCIAS Ler até morrer! 23 NOTÍCIAS Memórias de um país confinado 24 CRESCER SAUDÁVEL Covid-19 25 PENSAMENTO SOLTO África livre da Pólio! 26 HORIZONTE 28 Tomás Tojo 28 DE DENTRO 32 PERFIL Rita Nortadas 32 ESTILO «Aprende com a mudança, cresce com a diferença.» 33 LARGADA 34 CRÓNICA O Escorpião: para descobrirmos quem somos 34 CRÓNICA Outono, tempo de mudança e também de Esperança!... 35


Editorial João Rafael Almeida | Diretor do Colégio Campo de Flores

APRENDE COM A MUDANÇA, CRESCE COM A DIFERENÇA. A maior pandemia que enfrentamos não será a da Covid 19. Temos outra igualmente silenciosa, mas esta visível, que nos ameaça mais e nos obriga a maiores cuidados e compromissos: a mudança climática. As ignorâncias e a procrastinação empurram-nos deliberadamente para circunstâncias imprevisíveis. Se toda a gente refere que a pandemia a todos apanhou de surpresa, o mesmo não podemos utilizar como desculpa na agressão brutal que, há décadas, perpetramos ao nosso planeta. Bem sabemos das grandes capacidades de adaptação do ser humano, o nosso Colégio é prova disso; na ciência reside sempre a esperança para remediar as asneiras que o Homem pouco faz para evitar. O confinamento mostrou, e bem, a capacidade de adaptarmos métodos, estratégias, meios para continuarmos a atingir os nossos fins: uma aprendizagem sólida e crítica da realidade. Todos os nossos colaboradores se superaram e, por certo com falhas, conseguimos resultados interessantes (como se pode ver pelos artigos nesta nossa publicação); aprendemos com a Mudança e Crescemos com a Diferença, mas soubemos manter o que para nós são valores inalienáveis: o respeito, a atenção ao que é diferente, a relação de afeto, o saber ouvir, os direitos e os deveres, a força da família… fomos bravos! Depois a grande alegria de estarmos de volta e a frustração de não nos tocarmos. Não é nada fácil, mas cá estamos, cá continuamos, o

tempo que for necessário (leiam o belo texto da Beatriz Soares e a linda poesia da Nida). A alegria da descoberta das letras e da leitura no primeiro ano continua contagiante; a aventura mágica da escrita na Rua do Campo de Flores; os 53 anos do Colégio (Parabéns a todos!); a atribuição de mais uma bandeira Eco-escolas (Parabéns ao grupo EcoCCF); a criatividade do Halloween; a experiência virtual e empreendedora do Guilherme Souza; as campanhas do nosso Interact e os sucessos na tentativa de erradicação da poliomielite; a descoberta de um interesse inesperado dos portugueses, urbanos, pelas plantas através de fantásticas iniciativas que nos traz Tomás Tojo; a dádiva a todos nós da nossa antiga aluna Rita Nortadas, na linha da frente e no empreender do novo projeto de Medicina Hospitalar Domiciliária (Fantástico, Rita e Vitória); as palavras refletidas do Professor Mithá Ribeiro que nos alertam para a necessidade de continuarmos a admirar a Verdade, o Belo e o Bem. Obrigado a todos por nos fazerem crescer em Humanidade!

P.S. Este ano a Sementinha ambiciona ter uma periodicidade mais curta. Agradeço à Cláudia Luís (nossa editora), à Rita Duarte, reforço na equipa editorial, e à Paula Alcobia por continuarem a dizer sim aos nossos Sonhos.

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PONTO DE CHEGADA 4

INGLÊS NA QUARENTENA Ensinar inglês a crianças tão jovens, quando muitas ainda estão no processo de aquisição da própria língua materna, já parece, por si, um desafio! A nossa experiência tem-nos provado que, quanto mais jovens, mais fácil é a retenção de vocabulário e desinibição para o colocar em prática. Durante o confinamento, este desafio ganhou novas proporções, não estando presencialmente com os nossos alunos, os recursos a muitas estratégias tornaram-se limitados. Se pensarmos que estamos a falar de crianças que não leem nem escrevem, a recorrer às novas tecnologias através de zoom, acedendo a aulas virtuais, ligando e desligando câmaras e microfones e respeitando a vez de participação... parece impensável! Mas, mais uma vez, os nossos pequenos surpreenderam-nos. A presença era assídua, a participação entusiasta e aderiram com vontade e alegria a todas as tarefas propostas! Com a ajuda das famílias, incansáveis, dedicadas e que revelaram um apoio extraordinário, os resultados superaram as expectativas. À hora certa lá estavam eles, pouco a pouco, dominando as ferramentas do zoom de forma autónoma e sempre sem perder a curiosidade que os move!

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Carla Seabra, Isabel Santos e Sandra Gago – Professoras de Inglês do Pré-Escolar


PONTO DE CHEGADA

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PONTO DE CHEGADA

TEMPOS ESTRANHOS! E, de repente, fomos para casa! Creio que, de todos os desastres que poderiam acontecer, uma pandemia seria o que menos esperava. Aconteceu tudo tão rápido ... Nunca esquecerei o dia em que recebemos a circular a informar que tínhamos de ficar em casa. Na altura, pensava que eram apenas quinze dias e que, num piscar de olhos, iríamos voltar para a escola. Mas esses quinze dias passaram, seguidos de outros longos quinze e por aí adiante. Foram quatro meses de total isolamento, sem amigos, sem escola, sem avós, sem coisa com que me distrair. A situação melhorou, quando começaram as aulas online (não foi bem melhorar, pois a felicidade de estar entre os colegas não estava lá, a sensação de estar presente estava ausente). Porém sempre nos podíamos distrair e “conviver virtualmente” uns com outros. Veio o verão. Quando penso em verão, penso em praia, amigos, noites quentes, férias em família e outros milhares de palavras que trazem um sorriso a qualquer rosto. Todavia, este verão foi diferente, posso defini-lo por máscaras, desinfetante e distância, palavras que não provocam sorrisos. Palavras que vão para sempre lembrar a fase estranha e chata pela qual todos estamos a passar. Neste tempo, pareceu que a covid-19 também “tirou férias”, quer dizer, a situação felizmente melhorou, o que me deu uma enorme vontade de voltar, não só à escola, mas quase que à vida real. O verão passou mais rápido do que os tempos de confinamento. E, naquelas duas semanas, antes do primeiro dia, já não conseguia parar de pensar no que iria ser rever tudo após seis longos meses. Começou a escola. Voltaram as aulas, os professores, os amigos e os intervalos, mas também a máscara, o desinfetante e a distância. Foi diferente... Foi ótimo regressar, retornar à rotina, porém não “soube” ao mesmo! Faltou o toque, uma coisa que, parecendo que não, é muito importante. Ausentaram-se aqueles abraços de saudades após as férias de verão, os abraços de carinho entre amigos, os abraços de brincadeira e nervosismo. Estes vão ser tempos que, pela sua distinção, serão sempre lembrados. Tempos estranhos e maus que não vão querer ser revividos.

Fizeram-nos apreciar e sentir saudades do que antes estávamos habituados a que fosse banal. Espero que todos juntos ultrapassemos esta situação o mais rápido possível, para que, finalmente, a “vida real” possa voltar onde pertence. Beatriz Soares - 8.º A

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UM REENCONTRO DESEJADO! Mais um ano letivo começou; os corredores encheram-se, uma vez mais, de conversa e gargalhadas, os livros, os cadernos, os lápis e as canetas voltaram a espalhar-se pelas mesas, voltámos a ver-nos a estar uns com os outros. E nunca tínhamos estado seis meses longe fisicamente dos nossos alunos. A expectativa do regresso foi acompanhada por meses de preparação do espaço e de novos hábitos e procedimentos que garantam a segurança de todos. O nosso Plano de Contingência foi delineado, avaliado, reestruturado e atualizado, sempre à luz das orientações da Direção Geral de Saúde. Criaram-se novas entradas no Colégio, conforme o ciclo de escolaridade, assinalaram-se percursos, estabeleceram-se espaços próprios de recreio para cada ano, encerrou-se o bar, limitou-se a ocupação simultânea de espaços comuns (refeitório, wcs, mediateca, etc), dotou-se cada sala de gel desinfetante de mãos e, também, de rolos papel de limpeza e desinfetante de equipamentos, para que as salas de aula estejam sempre prontas a receber os alunos, ao longo do dia, dividiu-se o espaço de refeição com acrílicos e levaram-se a cabo diversas outras medidas de prevenção de contágio. A palavra de ordem foi “antecipação”! Era e é necessário antecipar qualquer tipo de cenário e estar preparado para qualquer eventualidade. E foi assim que, com humildade, nos preparámos para o inimaginável, para o desconhecido, que passou de novidade a hábito. É importante estabelecer rotinas e boas práticas, para que cuidemos uns dos outros, num espaço que é de todos e elo de ligação entre centenas de famílias. O ano começou mascarado de pandemia, num tom sério que exige responsabilidade e nos obriga a comunicar por trás de uma barreira que nos cansa e nos dificulta a tarefa de nos “lermos”, porém não tem preço perceber que os olhos também sorriem e que revelam que estamos felizes por estarmos juntos!

Olá!

Equipa Editorial da revista Sementinha

Nesta altura tão difícil, sinto que o colégio tem tentado manter a normalidade, dentro do que é possível. Sinto-me perfeitamente segura com as medidas de segurança implementadas pelo colégio, e todos os meus filhos se adaptaram muito bem. Luísa Garcia (Mãe dos alunos Mariana, Matilde e Miguel Comprido)

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É TÃO BOM ESTAR DE VOLTA! Eram muitas as saudades que tínhamos do nosso Colégio, dos amigos e das professoras e, por isso, foi com grande entusiasmo que regressámos e fomos surpreendidos por uma nova entrada. Os sorrisos de quem nos recebia, continuam cá, mas agora, apesar de estarem escondidos pelas máscaras, refletem-se no olhar. O bichinho ainda não se foi embora e “obrigou-nos” a mudarmos alguns dos nossos hábitos e a termos ainda mais cuidado. No entanto, o que não mudou, foram os afetos, as brincadeiras, as amizades, as aprendizagens, o tempo de qualidade que passamos juntos e toda a magia do Pré-Escolar. Conhecemos amigos novos e temos aproveitado para brincar juntos, como gostamos, para estreitar laços, para partilhar experiências e continuarmos a crescer juntos e felizes! Alunos do Pré-Escolar


PONTO DE CHEGADA

SESSÃO INAUGURAL DO SECUNDÁRIO No dia 30 de setembro, realizou-se a tradicional Sessão Inaugural do Secundário, destinada aos alunos e encarregados de educação que, este ano, dão os primeiros passos neste novo ciclo da sua escolaridade e das suas vidas. Eduardo Caetano de Sousa, Coronel Tirocinado do Exército na reserva e Mestre em Relações Internacionais, na área da Política Diplomática, foi o nosso palestrante convidado. Num contraste duro com os anos anteriores, no auditório do Colégio sobrava espaço. As cadeiras, ocupadas apenas pelo corpo docente do 10.º ano e pelos coordenadores pedagógicos, o espaço entre elas e as máscaras nos rostos, relembravam-nos que este é um ano 'especial' e punham à prova a nossa tenacidade e perseverança. O auditório virtual, presente através de um zoom que passou a permear tantas das nossas interações, compôs-se de alunos e pais, atentos e interventivos, apesar da distância física. Em poucos minutos, o discurso cativante do nosso orador reuniu a nossa atenção, fintando as circunstâncias. Fomos brindados com uma brilhante e rigorosa análise geopolítica da energia, na qual foram abordadas questões tão prementes como a difícil gestão internacional do acesso à energia, a segurança energética e a responsabilidade climática. Três variáreis de um mesmo problema, cuja solução parece depender de uma malha extremamente complexa de vontades e interesses políticos internacionais. Não deixa de surpreender que a localização geográfica de um gasoduto permita fazer uma leitura de conflitos internacionais e de manobras políticas que, à primeira vista, nos parecem motivadas por uma série de outros fatores. Este foi, verdadeiramente, um momento de aprendizagem, de pôr em movimento o pensamento crítico, e, sobretudo, um momento que oferece aos nossos jovens um vislumbre dos desafios que têm à sua espera. Ao Coronel Eduardo de Sousa, um sincero Obrigado! Equipa Editorial da revista Sementinha

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A ALMA DE UMA INSTITUIÇÃO As instituições são “almadas”, ou seja, as relações que são estabelecidas internamente entre os seus membros dão-lhe a força, a “alma” quase invencível para a tudo resistir. Essa “Alma” não é de um só, resulta da sinergia entre todos: Colaboradores, Alunos e Famílias. Ao longo dos anos, o nosso Colégio tem beneficiado da bondade de muitos dos seus membros para se constituir como uma grande casa da Aprendizagem. A amizade pode ser avaliada pela frase de Millôr Fernandes: “A verdadeira amizade é aquela que nos permite falar, ao amigo, de todos os seus defeitos e de todas as nossas qualidades”. A Filomena Cristóvão e o Alexandre Pinheiro foram e são bons Amigos; curiosamente algo parecidos nos poucos defeitos e nas muitas qualidades. O Colégio, todos nós, devemos-lhes esse grande valor que é a amizade, que muito reconhecemos e agradecemos. A boa disposição, a disponibilidade, o empenho só chocam com um defeito visceral: a clubite Leonina. Não há ninguém perfeito. Mena e Alex Pin, mil beijos e abraços com desejos de muitos e frequentes reencontros. Muito Obrigado! A Administração

CERIMÓNIA DE RECONHECIMENTO DO MÉRITO Muitos Parabéns! Em pandemia, a cerimónia de Reconhecimento do Mérito - Prémio "Mais Saber, Mais Valer" teve contornos muito diferentes da comemoração habitual (mais uma perda nas vivências de todos nós: Alunos, Pais, Professores). Ainda assim foi significativo o interesse de todos em seguir a cerimónia (transmitida em streaming para as Famílias) e reconhecer o orgulho e humildade de todos. A ambição é mais Saber para melhor Servir os vários níveis de intervenção que todos temos na comunidade. O orgulho e a ambição não podem turvar a nossa ação pessoal e social tornando-se vaidade. Temos a perceção clara de que os nossos alunos estão, cada vez mais, a fixar os seus objetivos e a lutar saudavelmente por eles. Parabéns a todos! João Rafael Almeida - Diretor Pedagógico

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DIA MUNDIAL DA MÚSICA A SINFONIA DOS ANIMAIS Os alunos do Pré-Escolar e do 1.º Ciclo iniciaram as comemorações do Dia Mundial da Música escutando a história A Sinfonia dos Animais, do conhecido escritor e compositor Dan Brown. Neste livro interativo, o Maestro Rato apresenta vários animais que são representados por um conjunto de instrumentos e, através da conjugação dos seus timbres, somos transportados à sua imagem, característica e sonoridade. Ao longo das várias histórias, o Maestro cria uma analogia com a descrição do animal e transmite ao leitor mensagens de estímulo como a confiança, a resiliência, a coragem e o respeito. Com a leitura, audição e visualização deste livro, os alunos tiveram também a oportunidade de ouvir e reconhecer alguns instrumentos da orquestra. Sandra Martins - Professora de Educação Musical

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PONTO DE CHEGADA DIA MUNDIAL DA MÚSICA COM O CARLÃO Os alunos de Expressão Musical e de Educação Musical do Colégio Campo de Flores lançaram o desafio ao Carlão para responder a algumas perguntas por eles formuladas e o músico Almadense aceitou o desafio com enorme simpatia e disponibilidade. O objetivo era celebrarmos o Dia Mundial da Música de uma forma diferente, divertida e pedagógica e com a proximidade possível, atendendo às circunstâncias atuais de pandemia. O resultado não podia ter sido melhor e foi com muita alegria e entusiasmo que os alunos viram e ouviram as respostas a todas as suas dúvidas e curiosidades e assimilaram também alguns conselhos que o músico transmitiu, entre os quais que "O sucesso aparece depois de muito empenho e trabalho" - palavras que, com toda a certeza, vão acompanhar os nossos alunos ao longo das suas vidas. Bruno Simão - Professor de Expressão e Educação Musical

ESPELHO DA MOTIVAÇÃO Após um longo período em que a nossa liberdade foi condicionada e tivemos de ficar em casa, regressámos à sala de aula e encontrámos um novo elemento decorativo: um espelho rodeado de palavrinhas catalisadoras de bem-estar, otimismo e motivação. No primeiro dia de aulas, cada um de nós colocou-se em frente ao espelho, escolheu uma palavra e leu-a em voz alta. Sabem o que vimos no espelho? Sorrisos enormes, olhos brilhantes e uma alegria gigante por estarmos de volta. Daqui em diante, sempre que quisermos podemos repetir o “ritual”. Adorámos o momento. Sentimo-nos especiais e capacitados para tudo o que quisermos que aconteça! Ah! E temos um aviso: “Confinamento: não voltes. Não estás perdoado. Mas se voltares, estaremos cá para te mostrar que somos capazes de tudo.” Alunos do 4.º Ano

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PONTO DE CHEGADA

DIA NACIONAL DA ÁGUA Porque o saber não ocupa lugar e no sentido de reforçar a importância da água no planeta Terra, os alunos do 4.º ano procederam à pesquisa sobre este recurso que é fundamental à vida. Foram recolhidas informações surpreendentes relativas ao seu desperdício, quantidade, aos diversos estados em que se encontra, à sua poluição... Apresentadas as curiosidades à turma, escrevemo-las numa gota de água e afixámo-las nas respetivas salas de aula. Cada um contribuiu para a aprendizagem de todos neste dia dedicado à ÁGUA. Alunos do 4.º Ano

O OUTONO CHEGOU Diferentes folhas de Outono desenhadas em papel, aparas de lápis de cor, tesoura, cola e criatividade. Foi apenas disto que precisámos para dar as boas-vindas ao Outono. Preenchemos uma folhinha de árvore com aparas de lápis. Depois de recortada, foi colada numa folha que decorou a nossa sala de aula. À medida que o trabalho se desenvolvia, fomos conversando sobre o fundamento da mudança de cor das folhas no Outono e, assim, ativámos a inteligência naturalista que há em cada um de nós. Alunos do 4.º Ano

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PONTO DE CHEGADA

NAS SALAS DOS 3 ANOS, O OUTONO VAI CHEGANDO DEVAGARINHO! Nas salas dos 3 anos, o Outono vai entrando devagarinho. Ao longo do mês de outubro, falámos sobre esta estação do ano. Descobrimos cores, cheiros, paladares e texturas. Explorámos muitos materiais e técnicas, decorando as paredes das nossas salas com criações artísticas de Outono. Aproveitámos uma manhã em que o sol ainda estava quentinho e fomos explorar uma parte do pinhal que ainda não conhecíamos. Foi tão bom podermos ouvir os barulhos, sentir o fresco da manhã, os cheiros, observarmos os pinheiros, recolher elementos da natureza e enriquecer o nosso cantinho do Outono. Através de aprendizagens, sensações, experiências e memórias enriquecedoras, vamos vivenciando esta estação do ano. O Outono é mágico, repleto de descobertas e grandes oportunidades de aprendizagem! Carla Laneiro e Cristina Rodrigues - Educadoras dos 3 anos


CONSELHO ECO-ESCOLAS Há muitos anos que o Campo de Flores tem procurado agir no sentido da criação de uma comunidade e de uma escola ambientalmente mais sustentáveis, como o demonstra o facto de estar inscrito no programa Eco-Escolas há 14 anos e todos os anos ter sido premiado com a Bandeira Verde, um prémio atribuído às escolas que têm realizado diferentes ações em prol do ambiente. Assim, mais uma vez, se procedeu à constituição de um Conselho Eco-Escolas no Campo de Flores que se reuniu ontem, no dia 20 de outubro. Nesse Conselho, estiveram presentes diferentes representantes dos alunos, dos professores e dos órgãos de coordenação do Colégio. Os membros do Conselho não esqueceram que é importante e urgente mudar a forma como nos relacionamos com o ambiente, pois tudo o que é fundamental para o ser humano (saúde, alimentação, paz) depende dessa mudança. Os fantásticos membros do Conselho apresentaram importantes e diferentes medidas que irão fazer acontecer durante ano letivo. Para saberes mais procura o representante Eco-Escolas do teu ano. Sandra Henriques - Coordenadora do Programa Eco-Escolas

CAMPANHA DE ANGARIAÇÃO DE FUNDOS PARA A ERRADICAÇÃO DA POLIO Nos dias 22 e 23 de outubro, os alunos do Colégio Campo de Flores vestiram (literalmente!) a camisola da Pólio e tentaram recolher o máximo de fundos nas entradas do Colégio, fazendo uma campanha para toda a comunidade escolar, com o intuito de ajudar na erradicação desta doença. Nos dois dias, foi angariado um total de cerca de 300€. Na verdade, o trabalho começou muito antes, com ações de sensibilização por parte dos alunos mais velhos a irem às salas de aula dos mais novos, dando o alerta para a causa e para a necessidade de ajuda ao outro, espalhando cartazes na escola e falando do assunto nas redes sociais! Obrigada a todos pelas generosas contribuições! Interact Club de Almada

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Halloween IS HERE AGAIN AND WE DON’T WANT TO MISS IT!

Special dates and celebrations are part of the English program. Learning a language is more than just speaking or writing it, it's living it! And in that way the cultural context and specific traditions in English speaking countries play a very important role. Preschoolers and primary school students had lots of fun chanting Halloween songs, watching educational videos about this celebration and making all sorts of different crafts: Halloween bands, haunted houses, ghosts, witches, black cats, scary pumpkins... Happy Halloween! Carla Seabra - Professora de Inglês

QUIZ DE Halloween Na sexta feira à noite, no dia 30 de outubro, o Interact Club de Almada levou a cabo mais uma das suas iniciativas de angariação de fundos e de convívio, de modo virtual. É já o segundo Quiz desde que se iniciou a pandemia. Como é que isto se processa? É simples... Os jovens Interactistas convidam os participantes inscritos para uma videoconferência e, recorrendo a uma aplicação de jogo virtual, fazem perguntas sobre diversos temas. Cada participante responde na sua casa, através da aplicação, vendo as perguntas na videochamada. Desta vez, o nosso Interact organizou um Quiz, agora sob o tema do Halloween, que contou com cerca de 60 participantes, entre jovens, famílias, interactistas e rotários. Uma das novidades deste Quiz foi a parceria com o Interact Club de Tavira. As instituições parceiras escolhidas para beneficiar desta ação foram a APCAS (Associação de Paralisia Cerebral de Almada e Seixal) e a SER Igual (uma associação de Tavira). Todas as contribuições dos participantes servirão para a compra de bens necessários para estas instituições. No total, foram angariados 207,50€. Foi uma noite bastante divertida e bem passada, sabendo que, para além do convívio virtual, pudemos contribuir para ajudar quem mais precisa, de um modo absolutamente voluntário. Estas iniciativas dão trabalho, mas são um modo possível de, no meio do distanciamento imposto e tão necessário, se conseguir continuar a ajudar as pessoas e a recolher fundos. Interact Club de Almada

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LER ATÉ MORRER! Guilherme Souza é um aluno do Colégio Campo de Flores, do 12° B, que criou um canal no YouTube em março de 2020, cujo principal foco é apresentar e motivar a leitura de livros diferentes, sendo que também desenvolve outros temas. No dia 13 de outubro de 2020, entrevistámos o nosso amigo Guilherme de modo a partilhar com os leitores da Sementinha um pouco do seu trabalho e incentivar-vos a procurarem mais sobre este projeto. O principal motivo que levou o Guilherme a criar um canal no YouTube foi o facto de ter ficado com mais tempo livre, devido à situação da pandemia, especialmente no início da quarentena, “...queria ter uma coisa para eu ocupar a minha cabeça enquanto estava em casa.” Para além disso, o enorme gosto que o Guilherme tem por livros, juntamente com o facto de ter em mente a ideia “de facilitar as pessoas a conhecer alguns livros que não eram tão conhecidos”, há muitos anos, impulsionou a criação do seu canal. A origem do título do seu canal, Ler Até Morrer, foi ”tentativa e erro de encontrar um nome que fosse catchy e ao mesmo tempo fizesse sentido com o contexto do canal”. Para a sua seleção de conteúdo, o Guilherme normalmente procura tópicos que o “interessam em geral”. “O canal não é 100% livros, tem outros conteúdos. Às vezes, sou muito surpreendido quando vou procurar algum tema e acho que é pequeno e de repente é uma coisa gigantesca. Outras vezes, e mais recentemente aconteceu-me isso, é estar a deambular pelo YouTube e encontrar uma coisa que mais ninguém tenha encontrado e isso ser tema para vários vídeos”. Assim, “acaba por ser um misto entre encontrar coisas engraçadas sem querer e ter um plano já bastante consolidado, por exemplo, alguns livros que eu já tinha interesse em ler antes”. Neste canal, o tipo de conteúdo que atrai mais o criador é aquele “... que tenha algo que seja muito diferente daquilo que nós vemos normalmente”, distinto dos clichês habituais. “Tudo o que fuja desse âmbito é o que eu gosto de ver e gosto de criar, ou seja, coisas que fujam do normal”. Relativamente ao valor que o Guilherme dá aos comentários que o canal recebe, ele considera que “depende dos comentários. Comentários positivos, eu acho que se dividem em duas categorias: são pessoas que simplesmente gostaram do vídeo e foram lá comentar, …o que me deixa muito feliz..., porque se a pessoa perdeu o seu tempo a escrever aquilo (eu, que como utilizador também o faço), sei que aquela pessoa

gostou mesmo, o que também me dá uma perspectiva do quanto as pessoas estão a gostar ou não; existem outros em que várias pessoas trabalham um pouco mais no comentário,... e foi a partir desses que eu criei uma equipa de validação dos vídeos antes de eu os publicar (são quatro pessoas que recebem os vídeos e veem, avaliam e verificam o que deve ou não ser mudado). Portanto, essas pessoas também participam muito na classificação do canal. Agora, acerca dos comentários maus: uns são críticas construtivas, mas com uma componente um pouco agressiva, outros são simplesmente agressões e esses são para ignorar.” Relativamente à influência que o Guilherme deseja que o seu canal tenha no público, ele gostaria de “abrir os horizontes às pessoas para lerem mais tipos de livros e livros diferentes. Isso é o básico. Mas gostaria também de implantar um pouco de compaixão, digamos assim, pelas outras opiniões, porque eu tenho opiniões muito vincadas em relação a bastantes livros e bastantes filmes e gostava de criar uma comunidade que conseguisse perceber que não é só porque eu tenho uma opinião diferente da tua que ela está simplesmente errada, são simplesmente opiniões diferentes. Gostaria de criar uma comunidade que percebesse isso e respeitasse a opinião dos outros.” Por fim, aos leitores da Sementinha, o Guilherme gostaria de dizer que “Portugal precisa de ler mais!” Ana Cláudia Pereira, Ana Sofia Pereira, Carolina Henriques e Sofiya Joosab - 12.ºB

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MEMÓRIAS DE UM PAÍS CONFINADO O período de confinamento foi um tempo difícil com sabor a grades que nos impediram de respirar... No entanto, a mente humana é soberba ao moldar-se às vicissitudes e desafios que o Planeta nos envia. O aluno Francisco Lima do 12.º A (2019-2020) aceitou, sem hesitação, o desafio apresentado pela Editora Chiado Books para escrever acerca deste estranho tempo que estava a viver: o confinamento. O Francisco, ainda que aluno do curso de Ciências e Tecnologias, sempre revelou uma sensibilidade peculiar para “ver por dentro” um texto. É percetível, na sua escrita, o poder que as palavras têm quando olhadas, lidas, sentidas... Concorreu com dois textos e ambos foram selecionados para um livro cujo título é “Quarentena: memórias de um país confinado”. Parabéns, Francisco Lima! CCF muito orgulhoso! Teresa Ribeiro - Professora de Português

os de espingarda “Não foram precisos can a só pedrada Não foi necessária um ada a humanidade estava err Para percebermos que lamentos Não foram evocados par licas e lamentos Não foi resultado de súp vitória Inúmeras batalhas sem na nossa história Incontáveis as derrotas da, Que não resolveram na a Golpe profundo de espad ida aberta Que deixa mais uma fer das, Portas e janelas fecha Coração aberto, ndo um oásis, Quisemos fazer do mu erto” Acabámos com um des

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“Vivo numa caixa de vidro, posso ve r tudo o que se pa ssa fora dela mas não posso sair, seria mu ito perigoso. vejo as plantas que cresce m sem medo sem medo que as corte m pela raiz, ouço o ch ilrear dos pássaros que há tanto tempo não ouvia, vejo espa ço onde antes me se ntia apertado... O mundo parece ma is que nunca o mund o, e não parece qu e sinta muito a nossa falta. É este o grande pr oblema de viver nu ma caixa de vidro , podes ver tudo o que se passa pa ra lá das parede s translúcidas, mas assim que quebrare s uma o que antes vias perfeito mo lda-se em confor midade com a tua existência. Quando tudo volta r ao "novo normal " espero que tenha mos aprendido que nós somos um univers o por explorar tã o grande como aquele que nos rodeia, e qu e se queremos viver neste mundo que o façamos como seus visitantes e não co mo seus donos.”


DE DENTRO

Crescer saudรกvel


DE DENTRO Pensamento solto Ryan Hyland

ÁFRICA LIVRE DA PÓLIO! O Dia Internacional de Luta Contra a Pólio (24 de outubro) tem, este ano, motivos maiores de regozijo. A Organização Mundial de Saúde (OMS) anunciou a 25 de agosto que a transmissão do vírus selvagem da pólio foi oficialmente interrompida em todos os 47 países da sua região africana. Este é um passo histórico e vital para a erradicação global da pólio, que é a principal prioridade do Rotary. Depois de décadas de resultados positivos alcançados arduamente na região, o Rotary e os seus parceiros na Iniciativa Global de Erradicação da Pólio (GPEI) - OMS, CDC, Unicef, Fundação Bill e Melinda Gates e GAVI (Aliança Global para as Vacinas e Imunização) - anunciam este marco como uma conquista de relevo na saúde pública. O feito prova que um forte compromisso, coordenação e perseverança são capazes de livrar o mundo da paralisia infantil. Desde 1996, com apoio dos Rotários, o GPEI administrou mais de 9 mil milhões de doses de vacina oral antipólio na área, prevenindo um número estimado de 1,8 milhões de casos de paralisia infantil. Cerca de dois milhões de voluntários ajudam a vacinar 220 milhões de crianças contra a pólio várias vezes ao ano na região africana. Em 14 anos de trabalho pela erradicação da doença nesta parte do globo, os Rotários contribuíram com 754 milhões de euros. O desafio de erradicar a pólio no mundo continua: “Este é um grande passo na nossa jornada para um mundo sem pólio, mas a luta não acabou. Ainda precisamos do apoio dos rotários, doadores e profissionais de saúde para concluir o trabalho”, lembrou Holger Knaack, presidente de Rotary International. Neste momento, há dois países que registam casos de pólio: Paquistão e Afeganistão. (artigo publicado na Revista Portugal Rotário, Outubro 2020)

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TOMÁS TOJO Ainda inspirada pelo tema integrador do ano letivo anterior “Bem-Estar: Nosso e do Mundo”, a revista Sementinha quis conhecer melhor Tomás Tojo, um jardineiro e ativista, formado em Artes, com Mestrado em Direção de Arte. Ao longo dos últimos anos, tem desenvolvido e participado em projetos sociais que relacionam a natureza em contexto urbano com a jardinagem coletiva e a sensibilização ambiental. É cofundador do projeto GREEN SP, responsável pela ativação e melhoramento de diversos espaços públicos através da jardinagem comunitária em São Paulo, Brasil. Desde 2017, que desenvolve e dirige o festival Jardins Abertos, proposta que promove a educação ambiental através de visitas a jardins da cidade. Colabora como professor de jardinagem no ensino público e dirige um projeto social informal de reciclagem de flores em lares de idosos. Em 2020, constitui formalmente a Associação Jardins Abertos com mais 8 membros. Depois de uma “conversa” descontraída, cresceu a admiração pelo seu trabalho e pelos projetos em que está envolvido, que são excelentes exemplos de que se “Aprende com a mudança (e) cresce com a diferença”. Equipa Editorial da revista Sementinha

Quem é o Tomás e onde reside? Embora eu tenha estudado Artes por 8 anos, percebi imediatamente que tinha um fascínio por plantas. Ao contrário dos humanos, as plantas comunicam de maneira brilhante e sem esforço aparente. Elas usam a sua própria linguagem para dizer o que sentem e o que querem para ser felizes. Hoje considero-me um jardineiro e ativista cujo objetivo é promover uma relação mais próxima com a natureza e a sustentabilidade. Nos últimos anos, criei e colaborei em projetos que conectam os humanos ao património "verde" da cidade. Eu ensinei jardinagem a crianças em escolas públicas, colaborei em projetos verdes em bairros vulneráveis ​e criei o festival

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Jardins Abertos como uma resposta significativa à nossa necessidade comum de nos conectarmos com a natureza na cidade. Tendo vivido no Porto, Londres, São Paulo e Lisboa, estou em Sintra há três anos e adoro. Sintra tem um microclima que incentiva a experimentação no jardim - aqui o tempo está sempre nublado. São muitos jardins e palácios incríveis, que me dão sempre a sensação de viver num romance do século XVIII. É ótimo morar no campo, trabalhar como freelancer e ir para a cidade apenas quando for realmente necessário. Eu quero praticar uma vida lenta pelo resto da minha (esperançosamente longa) vida e trabalhar em muitos outros projetos sociais.


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De onde vem essa paixão pela natureza / jardins? Tudo começou nos jardins da minha família. Primeiro plantando uma horta comestível (vegetais) e depois com a descoberta do mundo da Botânica, com todas as suas diferentes formas e experiências. No Brasil, descobri o prazer e a gratificação que vêm de projetos de cunho social. Encontrei também um mundo de espécies exóticas fascinantes e uma sociedade e cultura aberta e interessada na mudança social. Mais importante ainda, a nível pessoal, percebi que seria um profissional muito melhor na economia social do que enquanto artista. Portanto, embora eu acredite que a jardinagem coletiva é um processo artístico e criativo, essa intenção não está na raiz dos meus projetos, o que me salva de muitas angústias e dilemas. Mais tarde, fiquei mais ciente das questões urgentes de conservação e da necessidade de preservar o nosso planeta para o futuro. Os jardins são lugares únicos, como florestas, desertos e o mar. As plantas estão por toda parte; na verdade, elas crescem em muitos lugares que os humanos nunca imaginariam ver. Tudo vem das plantas. A natureza dá-nos tudo aquilo de que precisamos. O seu canto de natureza / a sua varanda. No meu canto, cultivo um pouco de tudo. Uma das coisas curiosas do mundo da Botânica é que estamos sempre a descobrir novas espécies. Encontramos em nós mesmos a capacidade de desenvolver os nossos gostos e acomodar novas realidades e interesses. Por exemplo, durante anos não me interessei muito por flores - costumava adorar folhas largas e exóticas. Mas, agora, eu amo de tudo um pouco e, como as abelhas e outros polinizadores, já não posso viver sem flores! 1

Os seus BACSACs: o que cultiva neles? De que gosta neles? Por enquanto, estou a cultivar principalmente plantas ornamentais, com foco especial em espécies variadas, pelas quais tenho um carinho especial. A variegação na natureza ocorre como um vírus, que foi preservado pelo homem pelo seu valor estético. Acho que a preservação de uma espécie que está tecnicamente "doente" é curiosa e filosoficamente interessante e, claro, relaciona-se com este momento atual, em que vivemos uma pandemia global. Os potes BACSAC são leves e muito versáteis. Ficam bem em todos os lugares. Vou fazer 30 anos daqui a alguns dias e estou feliz com meu jardim. Sinto que, agora, estou pronto para me casar. Hahaha!

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Um recanto de natureza para onde gosta de fugir em Lisboa? Fora de Lisboa? Tenho o privilégio de trabalhar em jardins privados no centro da cidade. Além disso, como Diretor dos Jardins Abertos, passo muito tempo a descobrir novos jardins e locais únicos em Lisboa. A Estufa Fria e o Jardim Gulbenkian são os meus jardins preferidos, na cidade. Fora de Lisboa, adoro o vale glaciar da Serra da Estrela, o ponto mais alto de Portugal, assim como o Algarve (a Sul), onde cresci. O Sul possui condições ecológicas muito interessantes para o cultivo de espécies exóticas. Uma pessoa/ personalidade que o inspira pela sua ligação com a natureza/ jardinagem? Sou inspirado por todos os ecologistas, filósofos, conservacionistas, jardineiros, paisagistas e todos aqueles que trabalham com pesquisa. Sou inspirado por todas as pessoas que fazem o esforço político para mudar a nossa visão zoocêntrica do mundo. Mas, acima de tudo, a minha equipa é a que mais me inspira. Tenho a sorte de trabalhar com pessoas únicas e generosas que compartilham comigo a mesma paixão, voz e interesse em mudar o mundo. Um projeto de agricultura ou jardinagem urbana local? Os parques 'vegetais' (hortícolas) da cidade, que fazem de Lisboa uma das cidades mais 'comestíveis' da Europa. Existem muitos deles espalhados pela cidade. Também adoro a Fazenda de Cogumelos Nãm, um projeto que recicla os grãos de café e os transforma em cogumelos, bem no centro da cidade. Outro projeto muito interessante denominado Tílias-coop, que decorre desde os anos 90 no Hospital Psiquiátrico de Lisboa, onde vários doentes recebem formação em jardinagem. A jardinagem é muito terapêutica e todos devemos praticá-la mais. Uma frase, um livro, uma obra de arte ligada à natureza ou à jardinagem que admira? “Ecologia sem luta de classes é jardinagem.” Chico Mendes Eu adoro absolutamente um livro de Jean Giono: L'homme qui plantait des arbres / O homem que plantava árvores. Makoto Azuma é o meu artista favorito, adoro todas as suas esculturas botânicas. Outros tópicos que considera interessantes para adicionar a este retrato? Neste momento extraordinário para o nosso planeta,

É uma bolsa ultraleve, simples e flexível para plantas, que pode seguir-nos por toda parte, na casa, no terraço, na varanda, no jardim. Permeável, permite que a terra respire e a água flua. 100% reciclável, adapta-se a todos os tipos de plantas. No âmbito do Festival Jardins Abertos, a empresa francesa BACSAC fez uma divulgação desta modalidade de jardinagem através de um giveaway.

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mais do que em qualquer outro momento, é vital manter distância física, mas não podemos deixar de continuar a promover a proximidade social. É importante estar ativo na mudança que queremos ver no mundo. A natureza é resiliente, sabemos bem disso, mas não podemos simplesmente receber sem dar nada em troca. PROJETOS A Associação Jardins Abertos foi oficialmente formada em janeiro de 2020, mas há muito que este grupo informal se dedica a verdejar as ruas das cidades e as mentes dos seus moradores. Tudo começou em São Paulo, entre 2014 e 2016, com o Green SP. Esta é uma iniciativa coletiva sem fins lucrativos que revitaliza jardins e áreas verdes carenciadas na cidade de São Paulo. Sempre na ótica da jardinagem coletiva e de utilizar a natureza para conectar as pessoas, a iniciativa tem o objetivo de tornar o espaço público mais próximo dos cidadãos, educando através do diálogo e da responsabilização sobre relação com a cidade. O Green SP usa a jardinagem como ferramenta de intervenção social e acredita na importância de ser ativo em relação à vida, à sociedade e ao espaço público. Em 2017, acontece a primeira edição do festival

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Jardins Abertos. A colaboração entre profissionais de jardinagem, paisagismo, cultura e sustentabilidade permitiu a organização de um festival em que os portões dos jardins mais bonitos da cidade de Lisboa são abertos gratuitamente ao público. O que começou como uma iniciativa informal em formato de percurso e com uma equipa muito reduzida, tornou-se um festival coorganizado pela Câmara Municipal de Lisboa que contabilizou mais de 28 000 participações em 2019, ano em que recebeu o Alto Patrocínio da Presidência da República. Em colaboração com a Junta de Freguesia de Campolide, em 2018, surge a iniciativa Varandas Comestíveis. Este projeto consistiu na realização de 10 oficinas de capacitação prática para a produção alimentar em contexto doméstico. Nesta formação, foi possível aprender a plantar e a manter um jardim comestível, em vasos ou floreiras. No fim, todos os participantes receberam uma floreira e um kit para que pudessem pôr em prática as técnicas aprendidas. Ao longo de 2019, com a Junta de Freguesia da Misericórdia, desenvolveu-se o Bairro Verde, um projeto continuado de plantio e intervenções verdes na freguesia. Desenrolaram-se diversas atividades no sentido de promover a criatividade, a consciência ambiental e o respeito pela cidade e pelos espaços


verdes, públicos e privados. Este foi um projeto particularmente pertinente de ser desenvolvido na freguesia em causa, uma das zonas mais turísticas da cidade, uma vez que promoveu a integração entre turistas e moradores através de intervenções ambientais em atividades de turismo sustentável. Em 2020, no contexto pandémico que se instalou no início do ano, nasceu o @eujardinoemcasa — um guia prático de jardinagem em quarentena. Este movimento foi criado com o objetivo de promover a partilha de conhecimentos sobre a jardinagem doméstica e a sustentabilidade em geral, com dicas e ideias de atividades para fazer em casa. A página é alimentada com conteúdo criado pelos próprios utilizadores e atingiu os 1000 seguidores na primeira semana e os 2000 em menos de um mês depois da sua criação. Por fim, depois de mais uma edição de muito sucesso, no Outono de 2020, perpetiva-se e aguarda-se com expectativa a edição da Primavera de 2021 dos Jardins Abertos para a qual estão todos convidados.

ook Faceb P S n e Gre

Faceb Jardins ook Abertos

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Site bertos Jardins A

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Estrada Nacional, 10-1 - Lazarim | 2829-514 Caparica Telefones: 21 294 61 00 | Fax: 21 294 61 02 email: geral@campodeflores.com | web: www.campodeflores.com


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