Sementinha REVISTA DO COLÉGIO CAMPO DE FLORES | ANO XX | NÚMERO II | fevereiro a julho de 2020 | sementinha@campodeflores.com
Bem-Estar: Nosso e do Mundo
CONTEÚDO 2
SEMENTINHA ANO XX | fevereiro a julho de 2020
EDITORIAL 3 PONTO DE CHEGADA 4 NOTÍCIAS Sessão de Formação «Ensino, Avaliação e Aprendizagem» 4 NOTÍCIAS Uma das melhores experiências da nossa vida 5 NOTÍCIAS Ensino@Distância 6 NOTÍCIAS Agora consigo ver melhor as estrelas! 7 NOTÍCIAS O que nos torna Humanos? 8 NOTÍCIAS Portugal após a Pandemia 10 NOTÍCIAS Utopia de um Portugal sublime 10 NOTÍCIAS Tempo de Pandemia é um tempo de heróis? 11 NOTÍCIAS Finalistas... 12 NOTÍCIAS Tempos de quarentena 16 NOTÍCIAS O «bichinho» da leitura... 17 NOTÍCIAS À descoberta do Clube de Leitores 18 NOTÍCIAS Projeto «Animais da quinta» 18 NOTÍCIASVisita ao Museu da Música Portuguesa - CasaVerdades de Faria 19 NOTÍCIAS Somos Finalistas! 20 NOTÍCIAS No Zoom crescemos juntos 21 NOTÍCIAS Artistas de palmo e meio 23 NOTÍCIAS Exposição virtual do 1.º ciclo 24 NOTÍCIAS Dia Internacional da escrita à mão 24 NOTÍCIAS O Fado 25 NOTÍCIAS Educação para a saúde 26 NOTÍCIAS Festa dos Finalistas do 1.º ciclo 27 NOTÍCIAS Poster Eco-Código 27 NOTÍCIAS Açores 28 NOTÍCIAS Horta Bio CCF 30 NOTÍCIAS Horta Bio... em casa! 30 NOTÍCIAS Constrói o teu depositrão 31 NOTÍCIAS Aulas de Suporte Básico de Vida - 9.º Ano 31 NOTÍCIAS Saída de Campo virtual ao EVOA 32 NOTÍCIAS Dia da Europa 33 NOTÍCIAS Uma viagem memorável ao conhecimento 34 NOTÍCIAS Cartas de guerra 36 NOTÍCIAS Olimpíadas da Filosofia 38 NOTÍCIAS Programa «A Empresa» não para, evolui 39 NOTÍCIAS Handlit na XIII Competição Nacional (virtual) do Programa «A Empresa» 40 NOTÍCIAS CERN 2020 41 NOTÍCIAS PIN - Apresentação de trabalhos 2019-2020 42 NOTÍCIAS Academias Gulbenkian do conhecimento 44 NOTÍCIAS PANGEA 2020 - Concurso da Matemática 44 NOTÍCIAS Cartazes - 5.º Ano 45 NOTÍCIAS Padrão Tridimensional - 5.º Ano 45 NOTÍCIAS Design - Criatividade em forma de coração 46 NOTÍCIAS Arquitetura - 8.º Ano 46 NOTÍCIAS Engenharia - 9.º Ano 47 NOTÍCIAS Segurança Digital - Líderes digitais 47 NOTÍCIAS Alunos da Robótica constroem robot destinado à competição 48 NOTÍCIAS Entrega de certificados do Curso SBV 2020 49 NOTÍCIAS Operação «Floresta Segura» 2020 50 NOTÍCIAS Concerto Acústico 51 NOTÍCIASVerão diferente...Verão prudente! 52 CRESCER SAUDÁVEL Dissuasão da Toxicodependência: o que deve saber 53 ABRIR CAMINHOS Bem-estar: Nosso e do Mundo - Um olhar sobre a saúde mental de todos nós 57 HORIZONTE 58 Bem-Estar: Nosso e do Mundo - Lições de Pandemia 58 Bem-Estar: Nosso e do Mundo 62 DE DENTRO 66 PERFIL Nuno Ferreira 66 NÓS FamíliaVeloso 70 ESTILO «Bem-Estar: Nosso e do Mundo» 74 PONTES Rock in Rio: Por um mundo melhor 75 PENSAMENTO SOLTO Ser professor é uma grande prova de amor 76 LARGADA 78 CRÓNICA A primazia do bem-estar moral 78
CAPA Saída de Campo aos Açores | Alunos do Secundário
Editorial João Rafael Almeida | Diretor do Colégio Campo de Flores
BEM-ESTAR: O NOSSO...E DO MUNDO? “A falta de cooperação é um protesto contra a falta de consciência e participação involuntária no mal.” Mahatma Gandhi
Será uma verdade estafada que este ano letivo foi verdadeiramente atípico. Observando (e não basta olhar) esta “Sementinha” ainda não transparece muito, tal o número e interesse de tantas atividades desenvolvidas pelos nossos alunos e professores quer enquanto ensino presencial, quer no ensino remoto extraordinário. Para além do medo que rapidamente se instalou houve, quase subliminarmente, uma energia induzida que sussurrava: “Agora é que vamos mudar de vida para atingirmos a sustentabilidade do nosso planeta!” Bem sabemos que o Mundo dos interesses não se emociona com as dificuldades dos Outros, antes perscruta as oportunidades. Constatámos, de facto, grandes parcerias científicas surgirem, mas também vimos atos de habilidade política que permitiram, à sombra da pandemia, o fortalecimento de poderes e ações imorais sem que os media estivessem devidamente interessados em divulgá-los. O pensamento único, desejavelmente acrítico deu um pulo enorme. Assistimos ao melhor e ao pior do ser humano. O Mundo dos Valores Universais e Humanos mais do que robustecido vai sendo fragmentado, fraturado e fragilizado sob o interesse de minorias antidemocráticas. Em muitos de Nós, continuou o “salve-se quem puder” sem percebermos que, se não cuidarmos do nosso contexto, humano quem cuidará de nós? (tradução livre de Ortega y Gasset). Os grupos etários com que nos relacionamos no Colégio ainda são muito generosos. Procuramos perpetuar essa generosidade; essa cumplicidade; essa Humanidade através dos nossos modelos. Neste sentido, o segundo semestre do ano letivo
2019-2020 foi tanto surpreendente quanto enriquecedor. Talvez nunca tenhamos sentido tanta cooperação e tanta disponibilidade. Muito agradecemos às famílias, aos nossos incansáveis professores e aos nossos empenhados alunos pelo ano ter sido tão Humano. Para os colaboradores desta nossa “Sementinha” ficará sempre a nossa insuficiente gratidão: a sua Excelência Reverendíssima O Bispo de Setúbal, D. José Ornelas Carvalho, por nos trazer uma mensagem de exigência pessoal e coletiva e de Esperança; ao casal Théra, o testemunho de dádiva humana a quem de tudo necessita; ao Professor Mithá Ribeiro pelo alerta para a ultrapassagem dos limites morais da banalização dos valores universais; à Família Veloso (da aluna Violeta Veloso) pela prova de energia na defesa da sustentabilidade; à Inês Jacob (nossa antiga aluna) pela excelência e inevitabilidade da sua escrita; à Dora Palma por nos exemplificar o que as empresas fazem para garantir um Mundo melhor; ao Dr. Américo Gegaloto pelos “tiros” certeiros nos mitos dos consumos e das adições de substâncias ilícitas; ao nosso antigo aluno, atual professor e futuro Pai Nuno Ferreira por bem espelhar a alma do nosso Colégio. A excelência dos artigos, da direção editorial e do grafismo são motivos claros de emoção e reconhecimento. Muito Obrigado!!
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PONTO DE CHEGADA 4
SESSÃO DE FORMAÇÃO «ENSINO, AVALIAÇÃO E APRENDIZAGEM» No dia 5 de março de 2020, realizámos no Colégio uma sessão de formação com o professor Domingos Fernandes, sobre o tema Ensino, Avaliação e Aprendizagem. Domingos Fernandes é Professor Catedrático no Instituto de Educação da Universidade de Lisboa onde é coordenador de unidades curriculares e cursos de graduação e pós-graduação no domínio da avaliação em educação. É Investigador na Unidade de Investigação & Desenvolvimento em Educação e Formação da Universidade de Lisboa e leciona regularmente em universidades nacionais e internacionais ao nível pós-graduado. Foi para nós um enorme privilégio receber o autor de mais de uma centena de publicações em domínios como a avaliação em educação. Refletimos sobre o papel da avaliação pedagógica no desenvolvimento das aprendizagens dos nossos alunos. Segundo Domingos Fernandes, o principal propósito da avaliação pedagógica é contribuir para que os
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a l u n o s a p r e n d a m m e l h o r, c o m m a i s profundidade e compreensão e isso não é uma questão de “instrumentos”, pois avaliar não é classificar nem é redutível a um qualquer algoritmo. Avaliar é um processo pedagógico e tem de estar ao serviço das aprendizagens e do ensino e não das classificações. Refletimos ainda sobre o feedback como o elemento central da avaliação pedagógica, pois através dele os alunos podem saber onde estão e o que têm de fazer para poderem chegar onde se pretende que cheguem. Só com feedback poderá haver avaliação para aprender. Avaliar, Aprender e Ensinar são processos inseparáveis. Susana Cheis – Coordenadora do CONSIGO (Centro de Desenvolvimento CCF)
UMA DAS MELHORES EXPERIÊNCIAS DA NOSSA VIDA Foi em fevereiro que fizemos a nossa viagem à Finlândia, uma das melhores experiências das nossas vidas e que iremos sempre recordar. Ao chegar a Helsínquia, fomos muito bem recebidos pelas nossas famílias de acolhimento e também conseguimos perceber que era um país muito diferente do nosso, estava muito frio e o chão tinha muita neve, mas infelizmente nos dias a seguir a neve derreteu e não conseguimos fazer muitos dos jogos previstos, mas isso não nos impediu de nos divertirmos muito. Na Finlândia, conseguimos presenciar várias atividades que em Portugal são mais difíceis ou menos habituais de se fazer, fizemos ski e trenó e fomos a uma sauna e, para além disso, assámos salsichas e marshmallows na fogueira. Foi muito divertido! Fizemos também uma viagem de barco a Tallin, a capital da Estónia, onde fizemos uma visita guiada à parte histórica da cidade. Fomos também a Helsínquia onde visitámos o museu Heureka, um museu muito divertido e com várias atividades, mas também visitámos um pouco da cidade o que nos fez conhecer um pouco mais da cultura do país. Na última noite, fizemos um jantar de confraternização com os nossos colegas finlandeses e as suas famílias em que cada um dos alunos portugueses fez uma sobremesa típica de Portugal. Acho que esta experiência não só nos permitiu treinar o nosso inglês, pois tínhamos todos os dias de conviver com a nossa família finlandesa e comunicar com ela, mas também conhecermos um pouco da cultura finlandesa e ao mesmo tempo dar a conhecer um pouco da nossa. Carolina Matta – 8.ºB
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ENSINO @ DISTÂNCIA O dia em que foi comunicado o encerramento obrigatório das escolas a par da continuidade obrigatória do ensino marcou o início de um novo e importante capítulo da nossa história tecnológica e digital. Vivíamos, já, uma certa estabilidade, no que diz respeito à utilização de dispositivos informáticos, à exploração e criação de recursos interativos e à consulta da internet, porque há muito, que traçámos o nosso trajeto de “imigrantes digitais”. A “fluência digital”, que ficou mais vincada nos nossos processos de ensino e aprendizagem com a introdução do Programa “i”, há seis anos, foi facilitadora do plano de trabalho que, sem orientação externa e hipótese de resistência, tivemos de implementar, num género de missão. No entanto, como responsável pelo referido Programa e habituada a um certo intervalo de imprevisibilidade no qual, às vezes, “navega” este tipo de tecnologias, considero que esta foi a verdadeira prova de que todo o percurso já realizado constituiu uma vantagem, nesta fase que nos mostrou a (irreversível) dependência desse “mundo de dígitos (e dedos)”. Ao longo destes anos de implementação da utilização de equipamentos e recursos digitais no nosso Colégio deparei-me, por vezes, com alguma ansiedade e insegurança de quem integra o nosso projeto educativo. O “mundo digital”, para alguns, é impessoal, não tem cheiro e textura (como o papel, por exemplo), é efémero e não gera os mesmos sentimentos do que o analógico (“o mundo físico”). Perante esta perspetiva, tenho transmitido que o digital e o analógico são simplesmente diferentes. Atualmente, cada um possui o seu valor e juntos são uma promissora “equipa”! Hoje, tenho ainda mais certezas, de que é a ação de cada um de nós sobre o digital que pode transformar as suas limitações em oportunidades. Somos nós, humanos, que programamos e manuseamos o digital, por isso, podemos imprimir nele as nossas emoções e torná-lo mais pessoal e perpétuo. Foi o que, na minha visão, aconteceu na (dura) fase de confinamento, na qual a nossa missão/função de educadores/professores teve de continuar a ser muito ativa. Mas, desta vez, sem o nosso “mundo físico” por perto, sem os nossos alunos, sem o cheiro e a textura dos objetos das salas de aula e sobretudo, sem a espontaneidade das relações (humanas) que tanto contribuem para as aprendizagens de todos os dias.
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“Crescer exige afeto”. Este é um dos pilares do nosso projeto educativo. “Crescemos e aprendemos com quem estabelecemos laços. É o afeto que nos dá a confiança e a coragem para lidar com a difícil tarefa que é crescer, todos os dias um pouco mais. Somos uma escola por muitos chamada de “Escola Família”, porque sabemos que a qualidade das relações humanas é o pó mágico que liga cada de um de nós e que alimenta o desenvolvimento do potencial humano. O afeto que desenvolvemos centra-se na empatia – capacidade de se colocar no lugar do outro - e no altruísmo – capacidade de nos superarmos em prol do bem-estar de outrem. Este deslocalizar do Eu permite-nos abrir horizontes na gestão das relações pessoais e sociais, dando sentido à responsabilidade de todos contribuirmos para o bem-comum.” O nosso plano de ensino à distância, que teve de ser pensado em função do nosso grande universo de famílias quer de alunos, quer de professores, centrou-se no exigente objetivo de ensinar sem nunca comprometer este pilar. Estivemos distanciados fisicamente, mas nunca socialmente. Conhecemos, utilizámos e/ou apropriámonos de inúmeras ferramentas digitais, e com terabytes de empenho, tentámos despertar, nos nossos alunos, pelo menos, a mesma motivação pela aprendizagem que, geralmente, manifestam na sala de aula. Foi igual? Não. Foi diferente! Mas na mesma perspetiva que já assumi em relação ao digital e ao analógico, afirmo que todos nós, no formato físico, dentro das nossas casas, e no formato digital, dentro da casa uns dos outros, formámos uma promissora equipa, que, mais uma vez, e no âmbito em questão, constatou que ser “fluente digital” é como ser fluente numa língua, ou seja, é o resultado do esforço de nos expressarmos numa série de situações diferentes. Esta reflexão fez-me reler algumas páginas de um livro que foi publicado há quase vinte e cinco anos, na fase de expansão do uso da internet, e que eu li há quinze. É sobre uma temática que sempre me atraiu, ou seja, aborda o uso das tecnologias de informação e comunicação na educação. Destaco-o, porque descentraliza-as da escola e transfere-as para o ambiente familiar, para além de enfatizar as relações interpessoais entre os que usam a tecnologia. O autor é Semour Papert e o título é A Família em Rede. As ideias gerais deste livro continuam atualizadíssimas e o título retrata como toda a comunidade do Colégio Campo de Flores viveu o ensino e a aprendizagem, neste atípico momento da História. Margarida Cruchinho – Coordenadora do “Programa i”
PONTO DE CHEGADA
AGORA CONSIGO VER MELHOR AS ESTRELAS! «O que mudou em ti, nestes tempos de isolamento?»; «Que preocupações novas surgiram na tua vida?»; «Que coisas boas descobriste, estando fechado na tua casa, durante tanto tempo?» São perguntas simples, mas obrigam a um «olhar para dentro de si» que agora envolve os outros e que crianças e jovens não estão habituados a fazer! Vivem tão intensamente, tão alegre e descontraidamente, que não é habitual parar para pensar! Estão tão ocupados a ser crianças e jovens, a estar em constante diversão, que não há tempo para observar com atenção o que existe do lado de fora da sua janela e, principalmente, o que está do lado de dentro. E é assim que deve ser, não é?! Mas agora o tempo abrandou o seu ritmo; a vida exigiu adaptações; o receio trouxe a capacidade de valorizar ou descobrir o que é pequeno mas enche o peito de alegria e conforto; a família tornou-se o centro dos dias; o animal de estimação vive mais feliz, por ter sempre companhia e muito mais atenção; o quarto ou a sala de estar é agora a sala de aula; o pai ou a mãe estão a trabalhar ali mesmo ao lado, ou pior … têm de sair para o hospital ou outro lugar de risco, que os deixa com «o coração nas mãos» (Até agora nunca se tinham sentido «com o coração nas mãos»!); as refeições são de novo momentos de partilha e tudo tem um sabor melhor… (Se mantivermos a televisão desligada, pois esta é capaz de
encher a casa de tristeza, de dar aquele nó na garganta que não nos deixa engolir a fruta, de nos lembrar que a vida é demasiado preciosa para a pormos em risco ...) São muito jovens, mas a vida obrigou-os a parar para pensar; levou-os a crescer mais depressa; a olhar o mundo com olhos diferentes; a adaptar rotinas; a perder muitas coisas de que gostam, a que estavam habituados e julgavam como certas; a preocupar-se com o que virá a seguir, com o futuro (o desemprego, a pobreza?); obrigou-os a aprender de forma diferente; a sentir saudades muito cedo; a descobrir que os pássaros cantam muito pela manhã; a falar mais com o irmão; a sentir a falta dos avós e dos amigos; a reconhecer a sorte que é ter um parque à beira da janela ou o mar ao alcance da vista; a TER SAUDADES DA ESCOLA!!!!! «O que mudou em ti, nestes tempos de isolamento?» Um aluno do 7.º ano, com ar sério, pensativo e até intrigado (visível através do ecrã, na videoconferência) respondeu: «Acho que agora consigo ver melhor as estrelas!» Haverá coisa mais bonita, numa época tão triste? Fernanda Neves – Professora de Português
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O QUE NOS TORNA HUMANOS? No âmbito do seguimento do trabalho de exploração dos Direitos Humanos, iniciado na disciplina de Cidadania e Desenvolvimento, em sala de aula, solicitou-se aos alunos do 8.ºA uma reflexão mais profunda sobre este tema, no início da fase de confinamento, na qual este assunto iria assumir uma dimensão ainda mais significativa. Estes alunos foram convidados a assistir, com a sua família, à primeira parte do introspetivo documentário "Human" e a debater as ideias transmitidas. Como produto final, tiveram de apresentar cinco respostas possíveis à questão: "O que nos torna humanos?". Partilho algumas dessas respostas que refletem o que nós somos (com certeza) hoje e aquilo que nós precisamos para sobreviver no (imprevisível) amanhã, neste mundo dominado pelo Homem. Margarida Cruchinho | Diretora de Turma do 8.ºA
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PONTO DE CHEGADA . Errar e aprender com os erros.
. Os sentimentos, principalmente o amor, pois é um
. Amar e ser amado, reciprocidade no carinho,
sentimento único. Nós, humanos, também nos
compreensão e tolerância.
distinguimos dos outros animais, porque conseguimos
. Empatia, ser sensível e ser consciente da dor do outro.
sentir esperança.
. Acreditar!
. A liberdade de decidir e de agir. Alexandre Baptista
Matilde Araújo
. O amor que se constrói no dia-a-dia, unindo várias pessoas. Quando este sentimento é verdadeiro, persiste em todas as ocasiões.
. A capacidade de tomar decisões e aceitar as consequências que vêm depois. Matilde Lopes
. A igualdade entre todos, mesmo entre homens e mulheres, porque ninguém deveria ser obrigado a
. A generosidade. Milena Zelenovic
obedecer a alguém, o que acontece em algumas famílias e/ou culturas, quando as mulheres são obrigadas a casar
. Sermos nós próprios ou termos amor-próprio.
ou são vítimas de violência. . O respeito uns pelos outros, porque apesar das diferenças entre as pessoas, todas têm sentimentos. O
Fiquei chocada por ver que há tantos casos de mulheres no mundo que são discriminadas pelos homens. Sabia que existiam, mas nunca pensei que fossem tantos e tão
mundo necessita de todos!
graves.
. A união familiar. Bernardo Agapito
. Termos “uma voz”. No documentário, são contadas muitas histórias de
. A capacidade de nunca desistirmos dos nossos
homens e mulheres que viveram a discriminação, devido
objetivos!
à sua cor, e se eles não tivessem tido “uma voz”, não
Diogo Orrico . A criatividade, pois com ela conseguimos fazer diversas ações. . O raciocínio, pois quando raciocinamos conseguimos chegar mais longe. . A capacidade de perdoar, pois podemos perdoar quem nos faz muito mal. Uma das histórias do documentário foi a de um homem que matou a filha e a neta de uma senhora e esta ajudou-o a entender o que era o amor. Gonçalo André . Sabermos controlar os sentimentos e não fazer as coisas por impulso. Jiayi Ye
seriam quem eles eram, pois a voz simboliza a opinião. Se não tivermos opinião vamos ficando cada vez mais reservados e ninguém entra na nossa vida... o que é mau, porque assim perdemos oportunidades únicas como a de amarmos alguém. . A capacidade de sentirmos diferentes emoções. Se nós não sentíssemos, mesmo que só um bocadinho, de felicidade, tristeza, medo, alegria, amor e muito mais, o que seríamos? Não ficaríamos felizes nem tristes, zangados ou calmos... ficaríamos vazios! Como humanos, considero que é muito importante sentirmos tudo! Paloma Veloso
. Todos termos as mesmas necessidades, mas por inúmeras razões (localização geográfica, cultura, religião, ...) vivenciamo-las de maneiras diferentes. . Sermos todos iguais... Mas cada ser humano consegue ser único!
. O poder de sentir. . Os diferentes valores que aprendemos. . A necessidade de nos sentirmos úteis. Sofia Farias
João Alves . Sermos capazes de mudar e escolher os nossos próprios caminhos. . Termos diferentes opiniões e interesses. Maria Gabriela Costa
. Depois de ver este documentário, ficou claro que sou sortuda em ter o que tenho. Deveríamos agradecer, todos os dias, o facto de estarmos vivos e termos casa, alimentação e família, necessidades básicas de todos os humanos. Matilde Nogueira
“Nós não nascemos humanos, nós tornamo-nos humanos.” (frase de Joseph Campbell, transcrita por Matilde Araújo)
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PONTO DE CHEGADA
PORTUGAL APÓS A PANDEMIA Ponto de partida: Neste tempo em que vivemos, é pertinente pensar que mundo teremos após a pandemia. Há quem acredite num mundo mais sustentável, solidário, justo e afetuoso. Há quem tenha uma visão mais pessimista, antevendo o agravamento das desigualdades e dos problemas ambientais. Partindo do conceito de “utopia” de Thomas More e da importância da Ilha dos Amores n' Os Lusíadas, "princípio da esperança", os alunos foram desafiados a imaginar, numa perspetiva utópica, Portugal após a pandemia. Partilhamos o texto da aluna Beatriz Guilherme do 10.ºC. Sónia Pisco – Professora de Português 10.ºC
UTOPIA DE UM PORTUGAL SUBLIME O termo “utopia” foi primeiramente cunhado por Thomas More em 1516 na sua obra A Utopia, remetendo para uma ilha imaginada onde já existiria uma sociedade ideal. O dicionário da Porto Editora refere-se a utopia como um “modelo da sociedade oposto à ordem política existente no momento, cuja realização se considera impossível”. Em Os Lusíadas, de Luís de Camões, encontra-se o episódio da Ilha dos Amores, onde é possível identificar, por parte do poeta, uma ideia de esperança para aquele que seria um Portugal idealizado, onde viveria uma nova geração aperfeiçoada, fruto da união entre homens e divindades. Estar sujeita a um confinamento e, por momentos, exposta a períodos de reflexão, permitiu-me idealizar como seria um Portugal ideal, pós-pandemia. Nessa versão melhorada existiriam quatro valores imprescindíveis: a liberdade, a igualdade, a solidariedade e a justiça. Vivemos num estado de direito democrático, beneficiando já do valor da liberdade. O facto de as restrições aplicadas terem sido temporárias é um exemplo disso mesmo. Outros valores não estão, infelizmente, tão implementados na nossa sociedade como seria desejável… As desigualdades sociais, relativamente ao ensino, por exemplo, sempre existiram, mas foi graças à pandemia que ganharam ênfase. Tomou-se
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consciência do número de famílias em dificuldades, nomeadamente para conseguir que os filhos pudessem prosseguir os estudos em quarentena. Num país utópico, tais famílias teriam acesso, em igualdade de circunstâncias, à tecnologia. Deveríamos continuar a assistir a manifestações de humanismo e altruísmo por parte da população (sob a forma de entrega de comida ou medicamentos), relativamente a cidadãos pertencentes a grupos de risco ou fragilizados: a sua vulnerabilidade não desaparecerá após a pandemia… A justiça é também tema recorrente de discussão devido às assimetrias no acesso à mesma e à lentidão dos tribunais. Num Portugal utópico, o acesso e a celeridade da justiça constituiriam uma confirmação da igualdade entre cidadãos. Em síntese, apesar de, em sentido literal, utopia ser algo impossível de alcançar, creio que, reunida a determinação e o humanismo dos portugueses poder-se-ia atingir a utopia de ver concretizados os valores da igualdade, da justiça e da solidariedade. Beatriz Guilherme, 10.º C
TEMPO DE PANDEMIA É UM TEMPO DE HERÓIS? No âmbito do estudo da obra Os Lusíadas, nomeadamente do canto VII (estrofe 87), e a partir de alguns documentos autênticos, o 10.º C confrontou o modelo de herói proposto por Luís de Camões com os heróis - palavra que se "infiltrou" no nosso discurso - que surgiram neste tempo de pandemia. No fim, deram a sua opinião. Partilhamos o texto da aluna Matilde Casimiro do 10.ºC. Sónia Pisco – Professora de Português do 10.ºC
A pintura é de Banksy, uma homenagem aos profissionais de saúde do seu país. O artista deixou um bilhete aos funcionários do hospital Geral de Southampton: "Obrigado por tudo o que estão a fazer. Espero que isso ilumine um pouco o lugar, mesmo que seja apenas a preto e branco". (in https://www.jn.pt/artes/banksy-homenageia-profissionais-desaude-com-obra-de-arte-12161919.html) Nestes tempos recentes, todo o mundo tem vindo a presenciar uma situação singular, de carácter histórico e que faz despertar a nossa compaixão e agradecimento para com aqueles que arriscam as suas vidas diariamente e se dedicam a ajudar o mundo durante este período alarmante. Na minha opinião, este tempo de pandemia é um tempo de heróis, é um tempo de compaixão, sacrifício e altruísmo. O dicionário português define brevemente a palavra “herói” como uma pessoa de grande coragem, que provoca admiração. Seguidamente, irei expor as razões que me levam a acreditar que o presente é realmente um tempo de heróis. Os “heróis” desta pandemia são pessoas comuns cuja coragem se revelou perante esta condição anormal a que todo o mundo foi sujeito. Na minha opinião, um exemplo de heróis “pandémicos”, que merecem a nossa admiração, são os profissionais de saúde, como os enfermeiros aplicados que trabalham múltiplas horas extras isentos de pagamento, os médicos reformados que voltaram ao serviço durante tempo indeterminado e os especialistas que procuram incansavelmente uma cura ou vacina para este vírus. Chamo a atenção, a título de exemplo, para o caso de Fernanda João, uma pneumologista reformada de 72 anos que aceitou o apelo da Ordem dos Médicos e voltou a vestir a bata sem hesitação.
Também podem ser considerados heróis aqueles que, face a ausência de qualificações profissionais, doam, recolhem e distribuem recursos. O mundo pôs para trás das costas os seus ressentimentos e uniu-se em prol de uma causa maior, a saúde mundial. Em poucos meses, foram criadas instituições a nível global com a intenção de financiar as buscas por uma cura e o tratamento dos doentes. Em Portugal, por exemplo, a Instituição Gulbenkian lançou a Iniciativa Gulbenkian Soluções Digitais, com o propósito de financiar projetos digitais orientados para a promoção da saúde pública e que pretendem responder a algumas das necessidades resultantes do Covid-19. A população inteira encontrase sensibilizada quanto a este assunto. Na minha perspetiva, todos nós temos a oportunidade de ser “heróis” nesta pandemia, todos nós podemos fazer a diferença através de pequenos atos “heróicos”. Atos tão aparentemente insignificantes ficar em casa, praticar o distanciamento social, lavar as mãos cuidadosamente, usar uma máscara quando é necessário sair à rua - podem fazer a diferença. Eu acredito que todos os nossos pequenos atos “heróicos” vão derrotar este vírus e que nós, juntos, vamos ultrapassar estes tempos difíceis.
Matilde Casimiro, 10.ºC
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LISBOA
AINDA
abraços m e n s o ij e ão tem b splanadas Lisboa n e os nem is r m e t s não os dada ssos ã a p m e m d e t não pazes igas e ra r a p a r inguém n e nem d s ia ças che em tem pra as não t m l oa o s m nem can cinemas ia l á ainda te m A ota de s, nem nem gaiv antes, sem bare s taur oa sem res é poema a d in a da é Lisb o in d a a a f é m mes ainda tro de si n e d a d fecha iste berta egre e tr l a a e a d o a s s id c e Pe Lisboa d rta é a d in a se a rua de d a c m e e siste ainda re 2020, arço de
Manuel
Alegre
20 de m
Finalistas...
Foi repentina e inesperadamente que fomos forçados a parar. Fomos levados a abrigarmo-nos na segurança dos nossos lares. Deixámos que o medo da mais assustadora pandemia nos dominasse. Janelas abertas, durante muito tempo, foram apenas as da comunicação social. To d o s o l h á v a m o s à n o s s a v o l t a e descobríamos em nós pensamentos diferentes. E quais seriam os pensamentos dos nossos alunos, especialmente daqueles que já há muito abraçávamos, saudosos, por saber que estavam de partida? E foi assim que, numa aula de Português, debruçadas sobre o Zoom, na ilusão de que isso nos permitiria a proximidade que a todos nos faz tanta falta, lhes pedimos para erguerem os olhos, ouvirem o Poeta, ouvirem-se a si próprios e permitirem que nós, ansiosas, os ouvíssemos também.
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Queríamos a despedida diferente. Queríamos que o “até sempre” fosse abraçado de lágrimas, de sorrisos e muitos braços envoltos. Queríamos dizer nos seus olhos as palavras todas da vida que partilhámos juntos. Queríamos… Mas agora o que importava era tão somente ouvir… Estas são algumas das frases que nos fizeram chegar, pelo Zoom, pelos versos do Poeta, pelos seus sentimentos que agora emanavam da sua respiração. Como gostamos de todos vós. Como sentimos a vossa falta. Como vos queremos dizer que são grandes nos nossos corações e na nossa história! Sabemos que há em cada um de vós, alunos finalistas do ensino secundário, a coragem para bem viver, para bem escolher, para ser feliz! Confiamos em todos vós! Ana Guerra e Teresa Ribeiro (Professoras de Português do 12.º Ano)
PONTO DE CHEGADA 12.º A
“O tempo passado em casa serve para descobrirmos paixões e talentos que estavam adormecidos e que nunca tiveram tempo de florir.” Beatriz Nunes “A pandemia pela qual estamos a passar tem impactos positivos na nossa sociedade, tal como a união mundial, a preocupação pelo outro e a eliminação de hábitos desnecessários... Fechados em nossas casas, nós ainda somos nós.” Beatriz Rosas “Nos momentos em que nos privamos de tantas coisas que considerávamos essenciais e descobrimos que sem elas a vida continua, podemos, finalmente, apreciar a pureza das que ficam, pois quando a nossa casa e rua são o mundo, olhar para o céu e perdermo-nos nele é viajar.” Camila Freitas “Mesmo que as ruas lá fora estejam desertas, as nossas casas e corações estão cheios.” Carolina Diogo “A sociedade uniu-se, união inicialmente forjada pelo medo, agora, ligada pelo respeito. Esta é a opinião de um jovem de 17 anos cuja vida parou e, nesse tempo, se dedicou a pensar.” Daniel Dinis “Aprendemos a valorizar os abraços, os beijos e os sorrisos que neste novo presente são virtuais. Aprendemos que, embora olhemos para a janela e sintamos um aperto no coração, olhamos lá para fora e vemos um futuro recheado de esperança no horizonte.” Filipa Martins “Nada acontece sem um motivo e esta pandemia, que nos levou ao isolamento social, obriga o ser humano a refletir que não é superior ou “dono” do mundo.” Inês Rolo “Milhares de pessoas continuam a lutar pelo nosso país, para que este não pare, para que este possa voltar à normalidade, para que possamos voltar a ter risos e esplanadas, assim como praças cheias de gente na cidade de Lisboa.” João Gregório “Apesar desta pandemia nos ter puxado “o tapete” no que toca à liberdade e alcance de objetivos, devemos permanecer otimistas e fortes, pois depois da tempestade vem a bonança.” João Ruivo “Não gosto deste vírus, mas devo agradecer-lhe por abrir os olhos da humanidade e mostrar que o essencial é invisível aos olhos. O coronavírus ensinou-me a aproveitar cada dia como se fosse o último, sendo que a expressão carpe diem nunca pareceu tão indicada.” Madalena Pires “A vida. A vida não para. A nossa vitalidade e vontade interior de viver saltitam nos nossos corações.” Maria Coutinho
“E o mundo ri e chora à procura de uma pequena vitória e, passo a passo, no relógio a hora e ninguém sabe que escreve a história.” Maria Mafalda Ribeiro “O nosso mundo interior cruzou-se com o mundo real e todos os nossos planos perderam a sua importância.” Maria Luísa Silva “Quando tudo voltar “ao novo normal”, espero que tenhamos aprendido que nós também somos universo por explorar, tão grande como aquele que nos rodeia e, se queremos viver neste mundo, que o façamos como seus visitantes e não como seus donos.” Francisco Lima “A pandemia que vai ficar na história, isolando o ser humano na sua essência.” Daniel Silva “Todos os nossos planos foram cancelados como se o vírus nos tivesse ligado e colocado a chamada em espera... sem previsão para desligar. A liberdade ganhou um novo significado, uma vez que o ditador é invisível.” Mariana Sousa “Todas as pandemias têm um fim, agora o que retiramos destas experiências é que define cada um de nós, podendo ajudar-nos a avançar para o futuro ou prender-nos e arrastar-nos para as profundezas.” Miguel Rolo “Temos tempo para afinar todas as cordas da guitarra, que é a nossa mente, para quando esta situação melhorar tocarmos a nossa melhor canção para o mundo.” Miguel Nogueira Rolo “O vírus trouxe-me o facto de conseguir criar horários de estudo, de treino e de diversão.” Pedro Silva “Resistamos... porque nunca fomos povo de nos render e não será agora que o iremos fazer.” Sarah Joosab “Somos obrigados a parar: a refletir, a viver, a esperar, a temer, a observar. De súbito, somos todos iguais; estamos no mesmo estado frágil, vulnerável, vivemos a mesma situação. Entendemos a efemeridade das coisas da vida. Pela primeira vez, sentimos a pele do outro, partilhamos a dor, a esperança e compreendemos que, sem elas, a nossa existência é tão débil quanto uma pétala na tempestade. Não há “beijos nem abraços”, mas há palavras e há saudade, não “tem risos nem esplanadas”, mas tem sorrisos e alpendres, não “tem passos”, mas tem vozes, não “tem mãos dadas”, mas tem mãos unidas, ainda que não fisicamente, tem “praças cheias de ninguém”, porque a esperança ocupa o espaço, o medo foi assustado e encoberto pelo “fado” e pelos “poemas”. “Ainda resiste”, ainda resistimos, juntos e com a consciência de
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PONTO DE CHEGADA que, se um dia a humanidade foi a escolhida para enfrentar semelhante pesadelo, é porque adiante se segue um sonho, o sonho de reerguer, de construir, de alcançar. Ainda existe esperança, ainda podemos sentir juntos e partilhar o que chamamos de liberdade. Ainda. Sofia Pereira
“A resiliência é, por definição, “a capacidade de um indivíduo de lidar com problemas, adaptar-se a mudanças, superar obstáculos ou resistir à pressão de situações adversas”. Devemos, por isso, procurar encontrá-la no nosso interior e fazer dela uma companhia constante. Numa cidade de portas fechadas, reside em nós a escolha de manter as janelas abertas.” Carolina Afonso
“Esta pandemia serve para reafirmar que, embora tenhamos dominado o mar e o monstro do Cabo Bojador, a humanidade continua tão frágil como era há séculos atrás e... assim continuará.” Tiago Henriques
“Esta conjuntura tem-me atribuído muito tempo que tenho utilizado para voltar a praticar atividades que fui largando com o passar dos anos, como por exemplo a guitarra ou a pintura, para brincar mais com as minhas cadelas e tentar, pelo menos, aproximar-me mais dos meus irmãos. No entanto, quando estes momentos de distração e entretenimento acabam, não consigo parar de pensar no que poderia ter feito, se isto nunca tivesse acontecido.” Carolina André
“A natureza que tanto tempo esteve cinzenta... agora, em abril de águas de mil, vê-se um sol em sorriso invisível que apenas se sente. Tanta poluição que desapareceu do azul dos céus... e não tivemos nós de desaparecer para tal acontecer, tivemos apenas de parar de nos guiar pela ambição desmedida, pela cegueira e pela surdez propositadas.” Vanessa Filipe
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“São tempos de guerra, podemos dizer, mas de uma guerra fora do comum, travada entre os seres humanos e um vírus. Parece que estamos a lidar com um vírus inteligente, que foi capaz de nos atingir onde mais dói – interferindo nas nossas relações sociais.” Afonso Soares “Esta pandemia obrigou-me a olhar para a Terra de uma forma diferente, uma forma que mostra que o planeta nunca foi, não é e nunca será um planeta perfeito. Para se tornar num, a sua população, que também não é perfeita, tem de se unir e de ser principalmente inteligente, e assim penso que este momento em que nos deixou afastados, curiosamente, nos deixou mais unidos.” António Andrade “Por mais mal que traga, esta doença não nos impede de aprender, de crescer, nem nos abate a esperança de a ultrapassar, tal como a resistência para o conseguir.” António Benoliel “Nada é como conhecíamos “antigamente”. Na verdade, este “antigamente” não se refere a um passado longínquo, refere-se, sim, ao mundo que nós conhecíamos há algumas semanas atrás, antes do confinamento social que somos obrigados a cumprir, para o nosso bem e para o bem de todos os que nos rodeiam.” Beatriz Fortuna
“Forçados a mudar completamente os nossos hábitos e a nossa maneira de pensar e de agir, apercebemo-nos de que aquilo que julgávamos ser o mais importante, afinal não é. Antes de aparecer o vírus, competíamos uns com os outros e não dávamos valor a quem nos rodeava, e agora, em contrapartida, temos tempo e não temos as pessoas.” Carolina Nascimento “A falta de conhecimento do ser humano perante certas situações, neste caso uma doença, pode levá-lo a ficar consumido pelo medo, pois nós, humanos, estamos habituados a ser superiores no que toca à ciência. Temos sempre uma certa curiosidade de tentar perceber os factos novos e durante o tempo em que não os conseguimos alcançar, por vezes, o medo consome-nos, principalmente numa situação pandémica que provoca mortes.” Catarina Moutinho “Muito se perdeu, porém um novo e indispensável sentimento surgiu em muitos de nós: a valorização das coisas vulgares que antes fazíamos e a aceitação deste novo desafio para aprofundarmos a nossa ligação com aqueles com quem vivemos.” Diana Martins “A liberdade já era um dado tão garantido que, de certa forma, não lhe dávamos a devida importância. Em suma, acho que este tempo que passámos e ainda vamos passar isolados fisicamente de outras pessoas nos permitiu perceber a sorte que temos em poder viver sem amarras e sem medo constante de sermos infetados por um vírus invisível.” Diogo Sousa “O medo com que vivemos nestes dias vai continuar instalado por entre as ruas, nas casas, nas pessoas... O toque não será o mesmo, mas a esperança por dias melhores é o nosso abrigo.” Eduardo Fortunato “Não é fácil suspendermos a vida que temos, não é
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fácil deixarmos de fazer rotinas a que estamos habituados, não é fácil para ninguém, mas é nestes momentos que, por vezes, valorizamos a vida que temos e somos gratos por estarmos com os de que mais gostamos, fazendo o que queremos dentro do que é possível.” Fábio Reais “Devemos aproveitar esta altura para ficar em casa, olhar para o passado, avaliar o ponto em que estava a nossa vida, observar atentamente o presente, a ausência de atividade nas ruas “cheias de ninguém” e tentar visualizar um futuro, ganhando a noção de que nada é garantido.” Gil Alves “Como tudo na vida, esta situação também nos ensina algo: nunca tomarmos nada por garantido, porque nada na vida é para sempre, temos de usufruir do nosso tempo o melhor que conseguirmos.” Guilherme Pais “O Covid-19 foi um vírus inesperado que de repente apareceu e nos forçou a permanecer em casa até tempo indeterminado. Estaria a mentir se dissesse que esta situação não me tem afetado, pois sinto-me como um rato encurralado num labirinto à procura do pedaço de queijo.” João Gonçalves “Os impactos negativos são mais do que os positivos, ainda assim, tem havido impactos positivos marcantes, como a questão climática e a preparação que algumas empresas têm feito para assegurar o futuro.” Leonardo Silva “Tudo aquilo que tomávamos por garantido já não o é mais. Deste modo, começamos a valorizar os pequenos acontecimentos como os almoços com os avós, os cafés com os amigos, a aprendizagem na escola e a presença dos professores, o que significa que, no futuro, quando tudo isto passar, vamos viver como antes não vivíamos, vamos apreciar as simples caminhadas e os pequenos acontecimentos da vida.” Maria Carolina Castanheira “Querida Lisboa, Acho que durante os meus 17 (quase 18) anos nesta terra, nunca tinha visto as tuas icónicas ruas vazias. Tu, coração do país, a nossa Lisboa, vives agora apenas raros encontros com os que procuram suprimir as suas necessidades básicas. Mas tu vais continuar sempre igual, porque connosco ou sem nós, continuas a mesma, com a mesma história, casa de poetas e inspiração de grandes obras. Espera por nós, brevemente voltamos para ti. Até já.” Mariana Simões
única forma de combater este surto é ficarmos confinados a quatro paredes, na segurança dos nossos lares.” Marta Martins “Considero que a pandemia veio servir como um botão de “pausa” a meio de um refrão, permitindo a todos refletir durante e sobre a situação, levando a que, no futuro, sejamos todos diferentes. Este “pausar” provoca um melhor entendimento da “música” e de tudo o que a constitui.” Martim Serradas “Com isto, penso que, como pessoa, sinto que, agora, mais do que nunca, é momento para trabalhar no sentido pessoal, ou seja, procurar perceber que aspetos é que devo melhorar e de que forma é que posso fazer isso. Depois disto, penso que todos voltaremos mais forte e prontos a seguir em frente com as nossas vidas.” Pedro Amado “À escala mundial, os níveis de poluição baixaram drasticamente e habitats parcialmente destruídos começaram a regenerar-se e, individualmente, faznos inovar os nossos hábitos que, muitas vezes, poderão não ser os melhores.” Rodrigo Pires “As crianças passaram a desenhar arco-íris em casa como símbolo da esperança. Ponho-me a pensar nas caras pintadas delas, nas mães que já não querem saber das roupas sujas de tinta e que dão gargalhadas juntamente com os filhos. A música surgiu nas varandas. O nosso vizinho da frente, que sempre foi tão sério, agora dança ao som da Macarena. E nós rimos. Rimos muito! E os cães? O que ontem era uma tarefa simples, como levá-lo à rua, hoje é um luxo. Já t^m um ar cansado de tantos passeios que dão. Eu olho para os meus e adivinho o seu pensamento. Mais uma risota, claro.” Rodrigo Rosa “Penso que, quando somos sujeitos a grandes ruturas, os nossos comportamentos alteram-se e a nossa própria visão relativamente ao mundo também. um dos grandes erros até agora cometidos foi tomarmos a liberdade como algo garantido e permanente. Ora, neste momento, nada nos é garantido e, por isso, temos tendência a dar mais valor ao que outrora tomávamos como algo indubitável.” Sofia Santos “Claro que esta pandemia vai alterar para sempre a nossa maneira de viver. Nos primeiros tempos, é normal que a população ande desconfiada. A verdade é que irá existir sempre uma certa desconfiança, não propositada, mas que faz parte do nosso instinto enquanto humanos.” Tiago Henriques
“Pensávamos estar numa das melhores fases da nossa vida, no ano em que somos finalistas, mas, devido ao perigo de contágio, fomos obrigados a ficar fechados em casa. Percebemos, então, que a
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TEMPOS DE QUARENTENA No dia 01 de dezembro de 2019, foi detetada na China uma doença fora do vulgar. Parecia uma gripe ou uma pneumonia, mas não era nem uma coisa nem outra. Era proclamado a 31 de dezembro, pela OMS, o novo Coronavírus (mais conhecido, por COVID-19). Esta estranha doença espalhou-se pelo mundo inteiro e rapidamente chegou a Portugal, no dia 02 de março de 2020. Duas semanas depois, foi declarado o estado de emergência. Os carros deixaram de circular nas estradas, as consultas menos importantes foram adiadas, os hospitais esvaziados o mais rapidamente possível e foram montados hospitais de campanha por todo o lado. As escolas começaram a fechar e todas as gerações do país foram mandadas para casa. Só as lojas de bens de primeira necessidade ficaram abertas. Portugal preparava-se para lutar contra a doença. Assim se passaram dois longos meses, até ao dia em que o estado de emergência foi substituído pelo estado de calamidade, a 03 de maio de 2020. Durante os dois meses fechada em casa, percebi o valor de ir para uma boa escola todos os dias, de conversar no chão do recreio com as minhas colegas, de poder passear na rua com as pessoas que mais adoro, de uma festa de aniversário, de uma visita, de um almoço de família, ou de um simples abraço, de um beijo, de todas aquelas pessoas que preenchem a
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minha vida, de sorrisos meus conhecidos (escondidos atrás das máscaras). É disto que sinto mais falta. O mundo atravessa uma fase difícil, mas que temos de ultrapassar. Não poderia ser de outra forma. “Temos de cuidar dos vivos e enterrar os mortos” disse o Marquês de Pombal perante uma situação semelhante, e é isso mesmo que nós vamos fazer. Durante estas semanas, também me apercebi das mudanças humorísticas que todos nós enfrentamos. Ora me sentia feliz, pois estava um dia lindo de sol e cinco minutos depois sentia-me frustrada, pois não conseguia enviar o trabalho que fiz com tanto cuidado. As mudanças continuavam depois de ver as notícias na televisão (ora as que nos davam mais esperança, ora as mais tristes). Sinto, no entanto, que esta fase difícil vai ser superada como qualquer outro desafio e um dia tudo voltará ao normal. Temos de ter coragem. Vai ficar tudo BEM! (Maio 2020) Ema Piñeiro 6.ºC
O "BICHINHO" DA LEITURA ... Há gostos que parecem nascer connosco e crescem ... Mas também há outros que se aprendem e passam a fazer parte de nós ... Os "dez minutos de leitura" já sabem a pouco para tantos! Para alguns é um hábito que se adquire; para outros é a oportunidade de ter no seu dia mais um momento de tranquilidade, de fuga, de descontração, de descoberta ou de fantasia... Quem gosta de ler entenderá de uma forma especial porque estas imagens nos fazem sorrir. Fernanda Neves – Professora de Português “
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À DESCOBERTA DO CLUBE DE LEITORES Estamos mesmo crescidos! Neste semestre, demos início a uma nova aventura: o Clube de Leitores. Cada um de nós, à vez, escolheu um livro da nossa biblioteca. Em casa, com a ajuda dos pais, aprendemos a história, para a recontarmos aos nossos amigos e preencher uma ficha de leitor sobre o livro. Com este projeto, começámos a adquirir gosto pela "leitura" e a aprender como os livros nos ensinam tanto e são nossos amigos. Grupos dos 3 anos – Educadoras Marta e São “
PROJETO ANIMAIS DA QUINTA No início do 2.º semestre, os grupos dos 3 anos exploraram a história "ovelhinha dá-me lã", a partir da qual, surgiu o interesse por saber mais sobre alguns animais da quinta. Após fazermos o levantamento do que já sabiam sobre estes animais, as crianças fizeram algumas perguntas: - O que comem? - O que nos dão? - Como se chamam as casinhas onde vivem, na quinta? - Porque é que não têm frio, se não usam roupa? - Brincam uns com os outros? - Usam chucha quando são bebés? Em grupo, descobrimos qual o animal preferido de cada um e construímos um gráfico, através do qual percebemos que o animal mais escolhido, em ambos os grupos, foi o cavalo. Pedimos aos pais a colaboração na pesquisa e construção de cada um dos animais escolhidos. As famílias mostraram-se muito participativas e criativas, ao longo do projeto. Em sala, também construímos alguns dos animais, com materiais de desperdício. Pedimos à professora de Ciências Margarida Cruchinho, que nos ajudasse a perceber quais são os revestimentos dos animais da quinta. No laboratório, ao experimentarmos molhar penas de aves, descobrimos que são impermeáveis, como as capas que usamos para brincar à chuva e que o pelo dos mamíferos os mantém quentinhos no inverno, mesmo sem roupa! E agora, mesmo sem podermos ir mais além do que o jardim de casa, continuamos a explorar e a ter surpresas, como uma codorniz e o seu ovo, que o S.M. encontrou e fotografou para os amigos verem. Aprendemos tanto! Divertimo-nos a valer com este projeto e partilhámos as nossas descobertas com os amigos. Agora, queremos partilhá-las também com vocês! Grupos dos 3 anos – Educadoras Marta e São
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VISITA AO MUSEU DA MÚSICA PORTUGUESA CASA VERDADES DE FARIA Realizámos uma visita ao museu da Música Portuguesa, em Cascais, no dia 18 de Fevereiro, onde assistimos a um concerto comentado, realizado pela Orquestra de Câmara de Cascais e Oeiras, conduzida pelo maestro Nikolai Lalov. O maestro fez-nos viajar para o mundo da música, através da apresentação dos músicos e dos seus instrumentos. Ouvimos quatro instrumentos de corda, dois Violinos, uma Violeta e um Violoncelo, e reparámos que têm sons bem distintos. Num ambiente mágico, cantámos músicas que conhecemos tão bem, como o “Balão do João” ou a “Estrelinha”, aprendemos a dançar o “Minueto”, uma dança palaciana onde nos tornámos príncipes e princesas… Brincámos aos maestros, conduzindo os músicos para ritmos mais “piano” e mais “forte”. Descobrimos que estes instrumentos se tocam com ou sem arco e que podem imitar sons de animais, como o gato, a vaca ou mesmo passarinhos. Ficámos maravilhados com as diferentes músicas, ritmos e melodias surpreendentes e, aprendemos muitas coisas novas. Grupos dos 4 anos – Educadoras Filipa, Sofia e Diana “
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SOMOS FINALISTAS! Terminámos o Pré-escolar e estamos de Parabéns pela caminhada que fizemos! Quando iniciámos este ano letivo, estávamos longe de imaginar os caminhos que teríamos de percorrer. Naturalmente, tínhamos muitas expectativas de que seria um ano desafiante, de muitas descobertas, aprendizagens e conquistas! E assim foi! Foi um ano de desafios, adaptações e superação! Começámos nas salas dos 5 anos, explorando o espaço, os materiais, as amizades,… as rotinas, que tanta segurança, confiança e conforto nos deram! Mas, em março, fomos postos à prova e vencemos! Escola e família uniram-se, mais do que nunca, ultrapassando as barreiras físicas da escola tradicional, levando-nos a envolver-nos num verdadeiro trabalho colaborativo, que sempre privilegiou o desenvolvimento total e harmonioso das nossas crianças. De repente, os cenários mudaram, o que não mudou foi a nossa missão de pais, educadores e crianças/alunos. Que bom foi poder contar com este apoio e disponibilidade das famílias! Estamos tão gratos e satisfeitos que esta parceria tenha resultado! O momento da despedida inevitavelmente surgiu. Este ano não pudemos fazer a Festa de Despedida do Pré-escolar em conjunto, mas cada Grupo teve um momento para assinalar a conclusão desta aventura que tem sido o Pré-escolar e a transição para o 1.º Ciclo. Esperamos que seja recordado com o mesmo carinho com que o preparamos. Se gostávamos que tivesse sido diferente? Claro que sim! Gostávamos de trocar aquele abraço especial, aquele beijinho sentido, aquele olhar ternurento que, sem nada dizer, diz tanto e nos enche o coração e a alma de orgulho e de missão cumprida! Afinal de contas, o Préescolar é, essencialmente, os afetos! Assim é a Vida… Muda-se a página, muda-se o cenário… Novos ventos, nova brisa, novos ares, novos desafios… e sempre o mesmo empenho e dedicação! Adeus Pré-escolar, o1.º Ciclo espera-vos com carinho! Beijinhos virtuais e até sempre! Grupos dos 5 anos - Educadoras Bela, Cristina, Carla e Rosarinho
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PONTO DE CHEGADA NO ZOOM CRESCEMOS JUNTOS! As aventuras virtuais do Pré-escolar chegaram ao fim. Foram meses desafiantes - mas de aprendizagens significativas - ao longo dos quais, alunos, educadoras e famílias, desenvolveram novas competências, tanto tecnológicas, como de gestão de emoções e de saudades. Ao longo de várias sessões, nos últimos meses, as famílias mostraram uma grande disponibilidade e empenho, que deve ser valorizado. Obrigada! Foi um trabalho de equipa! Partilhamos aqui algumas memórias… Educadora Bela Magalhães
3 anos Açores: uma viagem virtual inesquecível! Quem disse que na quarentena não podemos viajar? Uma das semanas vividas com mais entusiasmo, nas aulas zoom, nos grupos dos 3 anos, foi a da viagem virtual ao Açores. Alunos, famílias e educadoras viajaram juntos e descobriram os encantos deste arquipélago (agora sabem que um arquipélago é um conjunto de ilhas). De malas de viagem e cartão de cidadão preparados, depois de entrarem no avião, ouvirem as instruções de segurança das hospedeiras e apertarem os cintos, viajaram até à Ilha do Pico. Descobriram que, nesta ilha, existia a montanha mais alta de Portugal e, como são corajosos, quiseram subi-la. Calçaram ténis confortáveis e fizeram uma longa caminhada, que valeu muito a pena, pela vista que encontraram: parecia que estavam mais altos que as nuvens! Depois desta experiência radical, construíram a montanha do Pico e desenharam-se a si e aos seus companheiros de percurso, no topo dela, celebrando a sua conquista. Para fazerem a travessia para a Ilha de S. Miguel, cada um construiu o seu barco, com materiais recicláveis. Embarcaram, então, para S. Miguel, onde puderam viver a experiência de andar de barco e ver baleias de perto. Aprenderam que, nos Açores, há cerca de 20 espécies diferentes de baleias. Conheceram a Lagoa das 7 Cidades e a Lagoa do Fogo e descobriram as espécies de peixes nelas existentes, trazidas pelo Homem. Inspirados pela beleza das Lagoas, brincaram com a Matemática e treinaram a motricidade fina, “pescando” peixinhos coloridos e colocando-os nas “lagoas” das cores correspondentes, fazendo contagens, formando conjuntos e aprendendo os conceitos de “pertence” e “não pertence”. Para terminar a semana, aterraram no Faial, onde conheceram a história do Vulcão dos Capelinhos e ficaram impressionados com as imagens que viram e a história que ouviram, porque nunca tinham visto um vulcão em erupção. Para reconstituir a madrugada de 27 de setembro de 1957, quando este vulcão acordou e abanou a ilha, tornaramse cientistas e fizeram uma experiência, na qual construíram o seu próprio vulcão e puseram-no em erupção. Durante esta viagem, viram paisagens deslumbrantes, viveram experiências inesquecíveis e aprenderam tanto! Os viajantes costumam fazer diários de bordo, onde registam as memórias para mais tarde recordar. Os nossos turistas também fizeram o deles. Que experiência os terá marcado mais? Foi tão divertido usar a nossa imaginação para "voar"! Que nunca percamos esta capacidade, ao crescermos.
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4 anos Maio: um mês cheio de descobertas e aventuras! Durante o mês de Maio realizámos atividades muito variadas e enriquecedoras! Voámos num foguetão e explorámos um castelo feitos apenas com formas geométricas. A partir de recortes e colagens de revistas fomos usando a nossa criatividade de diferentes formas com ajuda de lápis, canetas e tintas coloridas. Realizámos uma experiência científica para tentar descobrir se alguns materiais que escolhemos desapareciam na água ou não. Construímos uma história muito imaginativa onde cada amigo participou com as suas ideias. Colorimos imagens com símbolos e cores escolhidas pelos amigos, e ainda utilizámos o contorno de vários objetos do nosso quotidiano para produzir uma obra de arte muito criativa. Também decorámos uma casa com a melhor das imagens, a nossa linda família. Ouvimos a história “Ser amigo” e desenhámos os nossos melhores amigos, registando o que para nós significa a amizade. Também arregaçámos as mangas e criámos a nossa plasticina caseira. Foi muito bom estarmos “juntos” e desfrutarmos destes momentos tão divertidos!
5 anos Dando asas à imaginação e criatividade! Embora tendo estado longe, continuámos sempre juntos de coração, realizando, com a preciosa colaboração das famílias, muitas atividades e aprendizagens significativas, desenvolvendo todas as áreas do conhecimento. Priorizamos a capacidade criativa, tentando otimizar as ideias das crianças e das suas famílias. Muitas foram as atividades concretizadas. Escutando música, fomos pintores, inspirados na técnica do artista plástico Romero Britto e desenhamos e colorimos autênticas obras de arte. Ouvimos a “Lenda do Mestre Tam e do seu aprendiz Gram” e, com as 7 peças mágicas do Trangram, divertimo-nos criando diversas formas, enquanto fomos treinando a visão espacial, explorando a criatividade, aprendendo sobre a classificação de formas geométricas e aprimorando habilidades para resolver problemas. Fomos escritores e ilustradores duma história que inventamos em conjunto (“Conto Redondo”) e individualmente atribuímos-lhe um título. Para comemorar o Dia da Criança, construímos em família brinquedos e jogos com materiais recicláveis. Fomos muito criativos e imaginativos e ficamos muito surpreendidos com as partilhas que fizemos! Ficamos muito entusiasmados com as nossas descobertas e habilidades e continuámos a nossa aventura! Beijinhos virtuais!
ARTISTAS DE PALMO E MEIO No dia 15 de abril de 2020, comemorou-se o Dia Mundial da Arte e para assinalar essa data, as professoras do 1.° Ano e a professora de Expressão Plástica desafiaram os alunos a reproduzir obras do Pintor Albino Moura. Sabem o que descobrimos? Que os nossos artistas brilharam e descobriram novas técnicas e, quem sabe, uma nova paixão. Muitos dos alunos não imaginavam que conseguiam reproduzir tão brilhantemente uma obra de arte e, graças a este trabalho, verificaram que afinal até têm aptidão para um talento que estava “adormecido”. Professoras do 1.º ano
. . Os pais
Alunos do 1.º Ano
“Foi muito divertido conhecer este pintor.” “Não sabia que conseguia fazer desenhos só a olhar.” “Foi giro, porque na minha casa tenho um quadro do Albino Moura.” “Gostei muito de pintar as gordinhas do Albino Moura.” “Tive muita sorte, porque a minha secretária é de vidro e com a ajuda de um candeeiro, a minha mãe transformou-a numa mesa de luz para eu trabalhar.”
“Confesso que nós, os pais, adorámos participar e, orgulhosamente, até vamos emoldurar a “obra de arte”.” “Foi muito giro estarmos a trabalhar as duas no mesmo mas cada uma no seu! E fizemos uma coisa diferente, pois a Maria nunca tinha usado esta técnica. Foi muito engraçado observá-la a pensar sobre como juntar as cores, passando umas por cima das outras para obter os tons que pretendia, pois só tínhamos 8 lápis de cor ao nosso dispor.”
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EXPOSIÇÃO VIRTUAL DO 1.º CICLO
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1.º An
2.º
Ano 3.º Ano
4.º Ano
Ao longo do ano, os alunos do 1.º Ciclo realizaram trabalhos que foram revelando as suas aprendizagens e percurso escolar. No entanto o confinamento obrigatório parecia impedi-los de partilhar com a comunidade educativa o que tinham feito. Então, tirando o melhor partido possível das potencialidades das tecnologias, com o apoio precioso do nosso administrador informático, Paulo Henriques, foi editada uma espetacular exposição virtual dos trabalhos dos alunos, que a todos convidamos a visitar através dos QR Codes seguintes. Esperamos que gostem! Parabéns alunos do 1.º Ciclo pelo trabalho desenvolvido! Equipa Editorial da Revista Sementinha “
Atenção: O conteúdo disponibilizado poderá demorar alguns minutos a descarregar para o seu computador, dependendo da velocidade da sua ligação à Internet.
DIA INTERNACIONAL DA ESCRITA À MÃO No dia 23 de janeiro, celebra-se o Dia Internacional da Escrita à Mão. Esta ideia teve origem nos Estados Unidos da América. Celebra, assim, uma invenção que tem pelo menos 3500 anos. O Dia da Escrita à Mão pretende não deixar esquecer uma arte que durante muitas gerações foi utilizada para passar ideias revolucionárias, escrever obras imortais, assinar acordos internacionais, declarar amores intensos e fazer ameaças, entre muitos outros. Apesar de toda a evolução e revolução tecnológica, a escrita à mão mantém-se e faz parte do nosso dia-a-dia. No dia em que se comemora o Dia Internacional da Escrita à Mão, os alunos do 2.º ano desafiaram todos os alunos do 1.º ciclo a pôr a sua caligrafia à prova. A adesão a este desafio foi fantástica! Os nossos jurados, a professora Francisca e o Dr. João Rafael, não tiveram uma tarefa fácil em selecionar os vencedores... Alunos do 2.º ano
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O FADO
Durante a primeira semana de maio, os alunos do 2.º ano ficaram a conhecer um pouco mais sobre a História do género musical que colocou Portugal no mapa mundial da música: o Fado. As crianças e respetivas professoras realizaram uma visita de estudo virtual ao Museu do Fado, um lugar que homenageia o estilo musical que já abrilhantou muitas salas de espetáculos, um pouco por todo o mundo. O Museu do Fado situa-se no famoso bairro de Alfama, em Lisboa, e pode ser visitado através de marcação prévia ou pelo website: https://youtu.be/YRM0imT5Qms. Para aprenderem ainda mais sobre o Fado, durante a manhã de 4 de maio, cerca de 100 convidados encheram o palco Zoom para ouvirem a incrível voz da fadista Sofia Ramos. Aprendemos que existem três fados (fado corrido, fado mouraria e fado menor) e que existem muitas histórias acerca da origem do fado. Foi uma experiência incrível! Alunos do 2.º ano
Entrevista dos alunos do 2.º ano realizada à fadista Entrevista Sofia Ramos: P: Quando e por que razão é que começou a ouvir fado? R: Quando fiz 6 anos recebi um CD da Amália. Eu gostava muito de a ouvir cantar. Não sei explicar bem porquê, era muito novinha e na minha família ninguém ouvia Fado. Mas foi um estilo musical de que sempre gostei. P: Teve o apoio da família para seguir a carreira de fadista? R: Sim, sempre. A minha família apoia-me em tudo o que me faça feliz. P: Onde aprendeu a tocar guitarra? R: Aprendi sozinha, através da internet, não domino muito o instrumento. Tive aulas de música em criança, mas o instrumento na altura era o piano. P: O que sente quando canta o fado? R: Sinto muitas coisas difíceis de explicar. É como se tudo se apagasse à minha volta e só existisse a música e as palavras que canto. Como se fosse um exorcismo que tira cá de dentro as coisas menos boas. Depois de cantar, sinto-me sempre mais leve. P: Qual é o seu fadista preferido? R: Tenho muitos. A primeira é a Amália. Gosto muito da Hermínia Silva, Fernanda Maria, Beatriz da Conceição, Maria Teresa de Noronha, Carlos Ramos, Ricardo Ribeiro, Hélder Moutinho e muitos, muitos mais. P: Qual a música que gosta mais de cantar? R: Um dos meus Fados preferidos é o Fado Cravo. Obrigada, Sofia, pela disponibilidadeeeparabéns parabéns pelo Obrigada, Sofia, pela disponibilidade trabalho! SEMENTINHA ANO XX | fevereiro a julho de 2020
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EDUCAÇÃO PARA A SAÚDE Durante estes meses diferentes, em que estivemos na escola online, foram realizadas diversas sessões de Educação para a Saúde no 1.º ciclo pela enfermeira Sílvia, com o intuito de esclarecer os nossos alunos sobre alguns temas atuais, mas também de os informar relativamente a outros. Os mesmos foram variando, sendo adaptados às idades e ao contexto atual em que todos estamos a viver. Considerei que era importante abordar assuntos como: a postura correta para estar sentado e a trabalhar na secretária, o que é o coronavírus e que medidas devemos adotar para nos protegermos, como por exemplo a lavagem correta das mãos. Pelo facto de as máscaras e viseiras, mas principalmente as primeiras, passarem a ser doravante um utensílio de uso comum, foi também falado sobre a sua importância, como é que se colocam, que tipos de máscaras devemos usar, bem como o que não é correto fazer com elas. Ainda foram abordados assuntos como a importância da lavagem dos dentes, cuidados de higiene e cuidados a ter no verão. Esperemos que as aulas tenham sido proveitosas para os alunos e que algumas dúvidas que existissem sobre alguns temas, se tenham dissipado. Enfermeira Sílvia Carvalho
“Aprendemos a lavar corretamente as mãos.” Leonor Rosa 1.ºA “Aprendi que se tem de escovar os dentes duas vezes seguidas, passar com fio dentário e usar elixir.” Madalena Pedro 1.ºA “Aprendemos muitas coisas novas sobre a higiene e sobre a postura!” Miguel Costa 1.ºB “Gostei de aprender como devemos lavar os dentes." Rafael Teixeira 1.ºC “Aprendi muito sobre a postura correta das costas” Gabriel Gonçalves 1.º D “Foi uma aula muito importante, porque aprendemos como nos proteger do vírus.” - Gabriel Correia” 2.ºB “Tenho gostado muito das tuas aulas, porque sempre estamos a aprender mais sobre o nosso corpo e os cuidados que devemos ter.” Francisca Falcão 3.ºB “Eu tenho gostado muito das aulas de Educação para a Saúde e a que gostei mais foi aquela em que nós fizemos alongamentos. Foi muito divertido! “ Ana Carolina Gil 3.ºB “Tem sido importante falar destes assuntos. Temos aprendido muito sobre situações que estávamos a viver no confinamento." Turma do 3.ºD “Máscaras com filtros devemos utilizar, Afastados a dois metros devemos estar, Em casa devemos ficar, Vacinas devemos tomar, Assim iremos ficar bem Por isso, todo cuidado é precioso. Também podes decorar uma canção como lavares as mãos.” Margarida Martins 4.ºA “Gostei de falar das máscaras e das viseiras, ainda por cima nesta altura muito importante, JÁ SEI USAR UMA MÁSCARA!” Mariana de Castro 4.ºB “Na última aula, aprendemos que tipo de máscaras podemos utilizar e a forma correta como as devemos utilizar para nos protegermos do vírus.” Rodrigo Carvalho 4.ºB “As tuas aulas são muito importantes, porque nos sensibilizam para a importância da nossa saúde. Achei muito interessante a aula sobre os vírus e as bactérias e a aula de ontem sobre a importância da máscara e como colocar e retirar, fundamental nos dias que correm.” Leonor Tojinha 4.ºD
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PONTO DE CHEGADA FESTA DOS FINALISTAS DO 1.º CICLO Apesar dos tempos difíceis que estamos a viver, há tradições que o nosso Colégio mantém bem vivas mesmo que sejam à distância. Foi o caso da Festa de Finalistas dos alunos do 1.º ciclo que, após muitos preparativos e ensaios por parte dos alunos e professores, realizados por videoconferência, conseguiram todos, de uma forma virtual mas com muito orgulho, carinho e entusiasmo, apresentar no dia 26 de junho uma bonita e marcante festa de despedida do 1.º ciclo. Naquele dia, Alunos, Pais, Familiares dos alunos, todos os Professores, Coordenadora e Diretor do Colégio estiveram ligados à FESTA virtual, onde cada turma apresentou uma coreografia, o Diretor enviou uma bonita e importante mensagem para os nossos alunos e, como é tradição, houve também o momento da “queima das fitas”, assim como a entrega do Livro de Curso a cada aluno. Todos assistiram a este lindo e importante momento com uma mistura de sentimentos que fez com que alunos e adultos ficassem de lágrimas nos olhos por sentirem que mais uma importante etapa da vida de todos foi ganha com muita dedicação e amor. Professores do 4.º ano
POSTER ECO-CÓDIGO O poster Eco-Código do nosso Colégio, um dos 7 passos do Programa Eco-Escolas, já foi submetido a concurso. Este poster contém as frases que revelam a conduta ecológica do nosso Colégio durante o ano letivo atual. Estas foram elaboradas e propostas por diversas turmas. “Para o mundo proteger, plástico tens de recolher.” “Para alimentos ter, uma bio-horta eu vou fazer.” “Roupa vou doar, para o ambiente preservar.” “Os cigarros no chão não, vamos parar com a poluição.” “Para o oxigénio não acabar, vamos começar a semear.” “A torneira vou fechar, para a água doce não acabar.” “Não gastes energia, aproveita a luz do dia.” “Para o mar salvar, garrafas de plástico deixa de usar.” “Sustentar é poupar... e não desperdiçar.” “Se mais objetos eu reaproveitar, com menos lixo o planeta vou afetar.” “Vamos reciclar agora para não chorarmos noutra hora.” “Para o planeta mudar, as praias e as ruas vamos limpar!” “Lixo para o chão não deitarei, para um planeta sustentável contribuirei.” Os desenhos que o ilustram são da autoria de duas alunas da turma C do 6.º ano, a Frederica Braga e a Beatriz Braga. Agora é preciso continuar a colocar o nosso eco-código em ação, pois não temos um planeta B, assim, temos de cuidar deste o melhor que conseguirmos. “Juntos vamos sempre mais longe!” Márcia Guilherme e Fátima Diogo - Coordenadoras do Programa Eco-Escolas
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AÇORES Os alunos do 10.° ano de Biologia e Geologia foram, de 12 a 15 de fevereiro, à ilha Terceira para estudar os fenómenos geológicos e biológicos que caracterizam o arquipélago. Este é o segundo ano em que realizamos esta saída e, mais uma vez, se confirma que os Açores são um autêntico laboratório natural. Fomos recebidos com bom tempo, numa envolvente paisagem magmática em que o verde foi o reflexo dos nossos olhos. Avistámos caldeiras, passeámos sobre escoadas basálticas, entrámos em tubos lávicos e chaminés vulcânicas! Caminhámos muito, mas descobrimos uma biogeodiversidade magnífica! No dia de São Valentim, oferecemos à natureza duas espécies endémicas. Apesar do cansaço, fruto da aventura incessante da descoberta de paisagens e lugares inesquecíveis, terminámos esta saída de um modo muito especial. De manhã, entre o cerrado nevoeiro, subimos ao mais alto vulcão que originou a ilha, observámos fósseis que se formaram em rochas magmáticas e espécies de plantas que só vivem em condições muito específicas. À tarde, visitámos a Base Aérea n.º 4, onde fomos espetacularmente recebidos por vários elementos da Força Portuguesa e Americana:
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conhecemos o quartel americano dos bombeiros, a torre de controle, os hangares das aeronaves de busca e salvamento e a estação meteorológica. Por estarmos numa zona militar, o registo de grande parte desta tarde inédita ficou apenas na nossa memória! Esta saída foi importantíssima para os alunos constatarem que a observação (ao vivo e a cores) é a primeira via do conhecimento científico. Agradecemos a todas equipas que muito bem nos acolheram: Quinta dos Açores, Central Geotérmica do Pico Alto, Parque Natural da ilha Terceira, Aguiatur (em especial ao Sr. motorista Carlos Sozinho), Bowling Café, Best of Bowling, Rui Monteiro Take Away e Pousada da Juventude do Negrito. Margarida Cruchinho e Ivo Meco – Professores de Biologia e Geologia
A viagem à ilha Terceira, nos Açores, permitiu-nos trabalhar de uma forma mais didática os conteúdos abordados na aula, nomeadamente, rochas e estruturas geológicas, que nos foram sendo demonstradas ao longo dos percursos pedestres pela ilha. Durante a visita à Central Geotérmica do Pico Alto, onde falámos sobre energias renováveis, foi fascinante ver como o Homem conseguiu adaptar-se ao meio ambiente e aos recursos disponíveis na ilha para criar algo tão importante nos dias de hoje, energia elétrica. Contudo, o que mais me fascinou foram, sem dúvida, as paisagens que tivemos a oportunidade de apreciar durante os passeios pedestres pela ilha (Caminho das Bestas, Monte Brasil, Furnas do enxofre, entre outros...), sendo de realçar o silêncio e a calma ao longo destes passeios pela natureza. A vista de 360° sobre a ilha e o oceano, com a qual fomos presenteados no cimo da Torre de Controlo da Base Aérea das Lajes, é espetacular, e não poderia estar mais grata por termos tido esta oportunidade única. As visitas à Gruta do Natal e ao Algar do Carvão também foram muito interessantes e agradáveis, sobretudo a ida ao Algar do Carvão, pois foi um momento mágico! A luz a entrar pela cratera no topo da chaminé da gruta, os pingos de água a caírem da vegetação que mais faziam lembrar chuva autêntica, e a água cristalina da lagoa existente na parte mais baixa do Algar... formam um ambiente ímpar de enorme encanto! Na minha opinião, algo que também se fez notar foi a simpatia e humildade dos habitantes da ilha, que foram sempre bastante afáveis connosco. Para concluir, penso que só faltou mesmo um mergulho nas águas açorianas! Ficará para a próxima! Marta Domingos – 10.ºD
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HORTA BIO CCF O grupo EcoCCF abraçou o desafio das Hortas Bio, desde a preparação do terreno, à sementeira, até à produção de alguns hortícolas. A nossa horta seguiu os processos de acordo com o tema “Espaços Exteriores/Comunidades Sustentáveis”, não se aplicando quaisquer produtos químicos. O solo foi fertilizado recorrendo a húmus de minhoca e tipo de culturas foram basicamente hortícolas e aromáticas; nomeadamente batateiras, ervilheiras, faveiras, alhos, couves, rúcula, rabanetes e hortelã, tendo-se registado um grande envolvimento por parte dos alunos. Os principais objetivos desta atividade foram informar sobre o processo e as vantagens da produção biológica, estudar o ciclo de vida e as formas de reprodução das plantas, incentivar a realização de atividades práticas associadas à produção de alimentos e a tornar as comunidades mais sustentáveis, promover uma alimentação mais saudável e sustentável na Escola e na comunidade, dando ênfase à necessidade de adquirir preferencialmente produtos locais. Registamos o nosso agradecimento ao Sr. Paulo, cujo conhecimento e apoio se refletiu nos produtos obtidos. Trabalhando em equipa, vamos sempre mais longe! Márcia Guilherme e Fátima Diogo - Coordenadoras do grupo EcoCCF
HORTA BIO...EM CASA!
Trabalho realizado pela aluna Mariana Guilherme, do 6.ºA: Germinação das sementes de milho.
Trabalho realizado pela aluna Maria Coelho, do 6.ºA: Crescimento de folhas de cenoura a partir de restos da cozinha
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Devido ao encerramento do escola, por motivo do estado de emergência, não nos foi possível continuar a tratar e manter a horta do Colégio, todavia, as nossas casas tornaram-se espaços de ensino e de aprendizagem a todos os níveis. O Programa Eco-Escolas e a disciplina de Ciências Naturais adaptaram-se a esta nova realidade e não baixaram os braços. Ou melhor, os nossos alunos do 6.º ano não baixaram os braços! Lançaram sementes à terra, nas suas casas, levaram restos da cozinha para a horta, fosse esta em pequenos recipientes, vasos ou nos seus quintais, e realizaram experiências sobre a reprodução das plantas, um tema incluído no programa de Ciências Naturais do 6.º ano, monitorizando o seu crescimento e não desistindo perante as adversidades, tendo criado pequenas hortas biológicas nas suas casas. Esta atividade procurou também mostrar a necessidade de tornar a nossa comunidade mais sustentável, dando ênfase à alimentação saudável e sustentável. Com muita pena, não nos é possível mostrar as fotos de todas as plantas obtidas, mas aqui estão algumas para nos mostrar o excelente trabalho realizado. Para quem ainda não viu as suas plantas crescerem significativamente, não desistam. Pensem que a natureza demora o seu tempo e que a persistência, normalmente, dá frutos! Márcia Guilherme e Fátima Diogo - Coordenadoras do grupo EcoCCF
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CONSTRÓI O TEU DEPOSITRÃO Durante o ensino à distância, o Programa Eco-Escolas promoveu vários concursos, tendo o grupo EcoCCF abraçado alguns, nomeadamente o concurso “Constrói o teu depositrão” para a recolha de pilhas. Aos alunos foi proposto, com os materiais que tinham em casa, construírem um depositrão, onde fossem acumulando as pilhas usadas, em fim de vida. As pilhas são resíduos muito poluentes que, por isso, não devem de forma alguma ir parar aos resíduos indiferenciados, pois podem vir a contaminar os solos e os lençóis freáticos. A aluna Carolina Machado, da turma C do 6.º ano, construiu o depositrão que foi a concurso, tendo utilizado os materiais nas fotografias em anexo. Agora é esperar pelo resultado do concurso. Boa sorte, Carolina! Márcia Guilherme e Fátima Diogo - Coordenadoras do grupo EcoCCF
AULAS DE SUPORTE BÁSICO DE VIDA – 9.º ANO O nosso dia-a-dia pode confrontar-nos com situações complexas e de emergência, e nem todos conseguem dar uma resposta atempada e correta à situação até os meios mais adequados chegarem ao local. É neste sentido que todos os anos é realizada uma formação aos nossos alunos de 9.º ano, integrada no programa de Ciências Naturais sobre Suporte Básico de Vida. Esta foi ministrada pela enfermeira Sílvia, no decorrer do mês de maio e junho, sendo que a grande diferença este ano foi o facto de as aulas terem sido on-line devido à pandemia da COVID-19, impedindo que a componente prática pudesse ser realizada e praticada. Porém foi feito um esforço para que toda a componente teórica ficasse consolidada, recorrendo a vídeos explicativos para que os alunos pudessem visualizar a componente prática. Acreditamos que dotar os nossos alunos de competências para poderem atuar perante situações mais complexas será uma mais-valia para eles, para a família e para a sociedade onde se encontram inseridos, podendo fazer toda a diferença caso venham a ser confrontados com uma situação destas até a ajuda diferenciada chegar.
“Penso que estas aulas de SBV foram bastante úteis, pois aprendemos algo muito importante para a vida e que pode ser necessário aplicar a qualquer altura.” Joana Freire 9.ºC “Ganhei bastante conhecimento sobre como atuar neste tipo de situações e apesar de não ter sido presencialmente achei que foi bastante esclarecedor na forma de como devo agir.” Alexia Cunha 9.ºB “Estas aulas foram importantes e interessantes, pois não nos ensinam apenas algo teórico, ensinam-nos algo que podemos usar na prática.” Ana Gonçalves 9.ºC
Enfermeira Sílvia Carvalho
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SAÍDA DE CAMPO VIRTUAL AO EVOA Nos dias 16 e 17 de junho, as turmas do 8.º ano tiveram oportunidade de “visitar” o EVOA, Espaço de Visitação e Observação de Aves, localizado na Reserva Natural do Estuário do Tejo, em Vila Franca de Xira, adaptando-se assim uma atividade que estava programada, cuja concretização física não foi possível devido à situação pandémica atual. Nesta saída de campo virtual, os nossos alunos puderam conhecer as características daquele ecossistema, debater os impactos que algumas atividades humanas têm no mesmo e conversar sobre a ecologia da Coruja-das-torres. Esta videoconferência, diferente das já habituais, sensibilizou, mais uma vez, os nossos alunos para a importância de preservarmos o meio natural que nos rodeia. Aproveitamos para agradecer a disponibilidade da Ana Teresa Pereira, técnica do EVOA, e recomendamos a todas as famílias a visita presencial a este magnífico espaço. Departamento das Ciências Naturais
“Esta visita de estudo foi diferente, por motivos óbvios, mas mesmo assim conseguimos retirar muita informação … aprendemos principalmente sobre a fauna e a flora! Claro que não foi tão entusiasmante como se fôssemos mesmo ao EVOA, pois poderíamos ver ao vivo todos os acontecimentos. Assim, a visita de estudo não teve todos os complementos para nos prender a atenção.” Martim Coelho – 8.ºD “Foi uma experiência diferente do habitual, mas no final até ficámos com os nossos conhecimentos, sobre a natureza, mais aprofundados.” Jaime Pereira – 8.ºD “Gostei muito de ter participado na Visita de Estudo ao EVOA, pois apesar das adversas circunstâncias atuais (COVID-19) conseguimos ter uma visita bastante interessante e dinâmica, que nos permitiu perceber e conhecer um pouco mais sobre a biodiversidade existente no Estuário do Tejo. Para o próximo ano espero que nós possamos ir fisicamente, com os professores e colegas, ao EVOA para assim complementar esta visita de estudo virtual!” Rafael Gonçalves – 8.ºB “Esta atividade foi uma forma diferente de conhecer um “observatório” gigante repleto de uma imensa fauna e flora. Apesar de virtual, a visita foi muito divertida e interessante.” Miguel Marto – 8.º D “Durante o E@D realizámos uma saída de campo virtual ao EVOA na disciplina de Ciências Naturais. Foi uma experiência diferente do normal, pois não sentimos a natureza, mas os conteúdos abordados foram bastante interessantes.” Filipe Pitaça – 8.ºA
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DIA DA EUROPA No dia 9 de maio, celebrámos a União Europeia e o momento que marcou a sua fundação: a Declaração Schuman. Não é uma data que esteja muito presente na mente dos portugueses e, por isso, queríamos recordar a importância deste dia para todos os Europeus. Este ano, o 9 de maio teve um valor especial pois simboliza, mais do que nunca, a importância de pertencermos a uma União de países que protege os seus cidadãos. Este ano, num 2020 atribulado, celebrámos marcos importantíssimos da nossa história comum: o 70.º aniversário da Declaração Schuman e o 75.º aniversário do fim da Segunda Guerra Mundial. Os fundadores da Europa criaram algo poderoso a partir dos escombros das guerras mundiais: a paz. Apesar de todos os desafios que a Europa tem vindo a enfrentar, essa paz deu origem a um mercado comum forte, à mobilidade dos europeus e viagens sem fronteiras, a mais emprego, mais cultura e mais inovação. Hoje, já somos 500 milhões de europeus a viver em liberdade e prosperidade no continente europeu. Estamos agora a enfrentar um novo obstáculo, também este de escala mundial. Os últimos meses têm sido duros, na luta contra uma crise sem precedentes. Este ano, a Comissão homenageia todos os europeus que se unem para fazer com que a Europa ultrapasse esta crise e prepare o caminho para a recuperação. Em 2020, a Comissão tem trabalhado continuamente na proteção dos europeus através da coordenação de uma resposta europeia comum ao surto de coronavírus. Aliás, é impossível pensar em soluções para esta crise e não pensar em soluções para o conjunto da União Europeia. Se o mundo é global e interdependente, a União Europeia é já um espaço contínuo de interação a todos os níveis. Não haverá saída para a pandemia e para as suas sequelas sem a atuação da União Europeia. E o Dia da Europa é uma oportunidade para
recordarmos os valores fundamentais da União Europeia: a paz, a liberdade, o Estado de direito, a democracia e uma economia e sociedade prósperas para todos. São estes os valores que nos permitem, a nós europeus, trabalhar e viver pacificamente, aproveitando, ao mesmo tempo, as oportunidades económicas e tecnológicas que a União oferece. Hoje é importante que nos lembremos do caminho já percorrido e do que já ganhámos ao longo destes anos comunitários. É essencial que, por todo o país, as nossas crianças fiquem a saber que pertencem a uma comunidade de países unidos na sua diversidade. É essencial que se contem histórias do antes e que se celebre o depois. Como declarou Robert Schuman há 70 anos: “A Europa não se fará de uma só vez, nem de acordo com um plano único. Far-se-á através de realizações concretas que criarão, antes de mais, uma solidariedade de facto”. Lembremo-nos que o caminho para a recuperação é feito em conjunto, com base nos valores que nos unem há já 70 anos. Só unidos e num espírito de solidariedade, poderemos manter o projeto europeu, continuar a preservar a paz e a trabalhar para um futuro próspero e sustentável para as pessoas na Europa e em todo o planeta. A nossa unidade e solidariedade acabarão por nos ajudar a vencer o inimigo invisível que hoje ameaça a nossa saúde e os nossos meios de subsistência. Viva a Europa! Departamento de Ciências Sociais e Humanas
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UMA VIAGEM MEMORÁVEL AO CONHECIMENTO Dia 1 O dia começou bem cedo. O ponto de encontro: aeroporto de Lisboa, às 6 horas. Sem atrasos, embarcámos rumo a Bruxelas. Estamos no dia 13 de fevereiro. íamos para a capital belga. Uma visita de estudo de três dias dos alunos do curso de Ciências Socioeconómicas, do 11.º ano, que há muito tempo “estava na gaveta do departamento de Ciências Humanas e Sociais” e que este ano, depois de muitos meses de preparação, realizou-se mesmo. Atrasos não eram permitidos, pois tínhamos, à tarde, uma visita guiada no Atomium. Depois de um almoço apressado já em Bruxelas, chegámos ao local à hora marcada. Tivemos, então, a oportunidade de visitar este ícone inevitável da cidade, uma criação única na história da arquitetura e vestígio emblemático da feira mundial em Bruxelas (Expo 58). É hoje, refira-se, a atração turística mais popular da capital da Bélgica... e da Europa. Dia 2 No segundo dia, as expectativas eram enormes: conhecer o Parlamento Europeu o Parlamentarium e a Comissão Europeia. No Parlamento Europeu, fomos recebidos pelo Sr. Dr. António Vale, que nos fez uma fantástica visita guiada pelo Parlamento. Pudemos perceber o processo de construção europeia, as instituições da UE e outros assuntos abordados, tendo sempre em foque a União Europeia. No Parlamentarium, fizemos uma visita virtual, pela história e pela integração europeia. Neste museu interativo, pudemos ver como são tomadas as decisões na União Europeia e como elas influenciam a nossa vida quotidiana de uma maneira completamente nova e
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dinâmica. Na Comissão Europeia, fomos recebidos pela Sr. Dr.ª Luísa Rodrigues, que nos fez uma apresentação intitulada “Comissão Europeia: o poder executivo da União Europeia”. Nesta visita, tivemos a oportunidade de aprender como funciona esta instituição. Com estas visitas pudemos contactar diretamente com poder decisório da União Europeia e, desta forma, compreender a importância e valorizar a cidadania europeia. Após a visita, o nosso dia ainda estava a meio. É que fomos convidados (25 alunos e 2 professores) para ir jantar à casa da tia da aluna Maria Correia (11.º ano C), que reside em Bruxelas. Fomos amavelmente recebidos por esta senhora que nos providenciou um jantar fantástico. O nosso AGRADECIMENTO. Dia 3 Para o último dia estava marcada uma visita à Casa da História Europeia. As expetativas de todos foram superadas. Um museu maravilhoso com um espólio inigualável. Fomos conduzidos, ao longo da visita, pela História Europeia, desde as origens e a evolução da Europa até à guerra e à procura de uma vida melhor. A nossa visita não podia terminar sem conhecer as atrações turísticas da cidade. Foi o que fizemos antes de embarcar, vagueando pelo centro histórico da aristocrática Bruxelas. O centro da cidade é simultaneamente o seu coração turístico: visitámos a Grand Place; atravessámos as Galerias Saint-Hubert (para comprar chocolate); conhecemos o famoso Manneken Pis; e não arredámos pé sem comer moules frites e waffles. Uma viagem inesquecível, sem dúvida!Física Cláudia Eduardo – Professora de Economia
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PONTO DE CHEGADA CARTAS DE GUERRA A Primeira Guerra Mundial foi o primeiro conflito à escala verdadeiramente mundial. Foi originada por diversas razões, mas as raízes principais assentaram numa complexa rede de alianças entre as potências europeias que levaram à corrida ao armamento, às tensões nacionalistas e a profundas rivalidades económicas. Os horrores da guerra deixaram marcas profundas na Humanidade e contribuíram para que gerações de jovens crescessem traumatizadas com a carnificina vivida nas trincheiras. Sendo esta matéria objeto de estudo dos alunos do 9.º ano na disciplina de História, surgiu o desafio de incorporarem soldados ou enfermeiras na Frente da Flandres Francesa, em 1917, e redigirem cartas aos seus familiares relatando o seu dia-a-dia e as dificuldades vividas nas trincheiras. Surgiram, assim, testemunhos verdadeiramente fantásticos onde o imaginário dos alunos foi para além das expectativas. Teresa Gonçalves – Professora de História
Flandres, 23 de novembro de 1917 Querida mãe, seu carinho, São tantas as minhas saudades. Do , mas que do seu abraço, das suas refeições. Ah! saudades das refeições. o que se Estou a escrever-lhe para lhe contar perdeu passa por aqui. Sinto-me só! Aqui a vida s a cor. Escrevo-lhe para me sentir mai acompanhada, mais perto de si. . Esta carta será escrita em vários dias hia; Sempre que sentir falta da sua compan . penso que nunca a conseguirei acabar Até depois!
17 dezembro de 19 e d 0 2 s, re d n Fla parar e. Não consigo ã m l, ta o é le nte. E rriso contagia so e el u q a n r de pensa r que são a única co Aqueles olhos ridão. de tanta escu o ei m o n r ve consigo os novo morreu a em om h m u Hoje, doente. Estava muito . os d a id cu s ado meu o daquele sold ig m a ra E z. a Pobre rap ert, o falado. Rob o muito. de que te tenh . Temos falad er iz d te e d e m esqueciara me vir ver. Ele corta-se p valente. É tão doce. E
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Flandres, 30
de nov
embro de 19 Soldados de 17 smembrado s , c e gos, doentes Tento ajudá . -los, mas aq ui a morte tem mais fo rça. Não se i o que faze Estou a per r. der a esper ança. s, 12
Flandre
e 1917
bro d de dezem
s. istalino a ferido, r c , s e verd stav . Olhos um soldado. E o do arame o n e r o raç Ele é m na, conheci lpe no b o g a m m e u s nha e. Esta uito. Ti urativo. iferent d m o o lg ã a n -me um c mas m spertou s anda Fiz-lhe e a . D s o i . d o r a c a p olh far e as e com o Contou-me qu m ão a u i r r So ças est ela co. u n o e p o d m s qu su .A Falámo s trincheiras . Mas algo na ez s a i n av a negras se cada vez m . Pela primeir ça aresperan propag u e d e am convers ti só. sen não me
Flandres
, 7 de janeiro Partiu. Foi para um sítio onde não mais de 1918 poderei ver o seu sorriso, olhar o seu olhar, ouvir a sua vo z nem sentir o seu abraço. Na guer ra, a morte vence; a tristeza prevalece. Era bom demais para ser verd ade. Não chorais por mim, po is irei para um lugar mais feliz. Longe da guerra. Al gures onde a paz se rá finalmente uma realidade e esta rei com ele e com o pa i. Talvez os consiga apresentar . Dar-se-iam bem. Am bo s mortos em combate a defender a bandeira. A defend er interesses de outros. Juntos pe la guerra, separado Flandres, 2 de janeiro de 1918 s pe la guerra. Lembre-se de mim. Es tarei sempre consig o. Estou tão feliz! Apesar de todos os soldados No seu coração. E não comet a o mesmo erro que eu. que tento salvar, muitas vezes sem sucesso, A minha irmãzinha precisa de si. D ig alhe que fui para longe. Mas que vejo finalmente uma luz. Oficializamos o sempre que uma estr ela cintilar, serei eu a sorrir. nosso namoro. Mas secretamente. Se souberem disto provavelmente irão Até sempre, fuzilar-nos. Não há espaço para amor Stephanie na guerra.
15 de abril de 1917 Querida mãe, É uma sensação ar a escrever-te esta carta! Nem sabes o quão bom é est nte não tenho sentido! de escape e alívio que ultimame te, não há um um horror para toda a gen Estes períodos de guerra são o e/ou marcado ta guerra sem estar perturbad único homem que não saia des s de nós a vida acaba aqui). para toda a vida (para muito a ninguém! Não pesadelo que eu não desejo Viver nas trincheiras é um dia os dejetos são , sendo que no nosso dia-aiene hig de es diçõ con tem exis rto, visto que não mulados em covas a céu abe feitos em qualquer lado e acu sou em ainda não ter imaginas o quão sortudo eu existem casas de banho. Nem ficado doente! os por piolhos e nas e ratos e somos atacad Dormimos ao lado de rataza iras tornam-se eles em que chove: as trinche aqu são s dia res pio os s, Ma . pulgas a qual temos de chega aos tornozelos e sobre fossas de lama nojenta que nos quase impossível e ção nas trincheiras torna-se ula circ a s, dia tes Nes . mir dor va é a solução. ga água potável, a água da chu para aqueles a quem não che ituado. Muito compara à que estava hab Quanto à comida, nada se a os soldados quente e a boa comida vai par to pra um os em com e ent dificilm acima do meu nível. que estão hierarquicamente o sobreviver à forma física e tenho conseguid Felizmente, eu tenho uma boa a última carta que dia de amanhã e esta pode ser guerra, mas nunca se sabe o desistir da minha que te adoro e que não vou te escrevo. Espero que saibas ntecer nesta me mate, mas tudo pode aco rra gue a est que ro que vida! Não altura. s saudades, Muitos beijinhos com imensa O teu soldado preferido.
4 de dezembro de 1917 Querida irmã, Espero que esteja tudo bem por aí. Não tens ideia das saudades que tenho vossas, da nossa casa, de me sentir seguro… Enfim , de tudo. Mal posso esperar por ir para casa, embora, cada vez mais, receie que isso não aconteça. A vida de soldado é muito mais difícil do que imaginei. Estou agora a viver debaixo do chão, nas trincheiras da Flandres. Tenho sorte em ainda estar vivo, esforço-me e faço de tudo para sobreviver, na esperança de voltar para casa. Aqui, podemos morrer a qualquer momento, com tantas explosões, tiros, emboscadas, etc… Já vi tanto sangue à minha frente… Ontem , um dos melhores amigos que fiz, desde que vim para cá, levou um tiro. Até podia ter sido salvo, mas não nestas condições, já não há enfermeiras que cheguem para tanta desgraça. Acabou por morrer, o coitado. Não sabes o quanto receio que isso me aconteça. Já para não mencionar a falta de condições. Não nos dão comida suficiente para o enorme esforço que fazemos; os dejetos estão expostos, acumulados em covas. Também existem muitos ratos e bichos; para além disso, temos de andar na lama que, por vezes, nos chega aos tornozelos. Já muitos soldados morreram com doenças que apanharam por estarem sujeitos a esta miséria. Não tenho mais tempo para continuar a escrever, por mais que quisesse. Manda os meus cumprimentos ao resto da família e diz-lhes o quanto os adoro e sinto a falta deles. Fico à espera de uma resposta da vossa parte. Muitos beijinhos do teu irmão que te ama, João. (Mariana Gonçalves - 9.ºC)
Querida Júlia, Já passou tanto tempo e tenho tantas saudades tuas e da minha família. As coisas aqui são muito complicadas e, cada vez mais, tenho medo de não regressar e de não te voltar a ver. Guardo com carinho a fotografia nossa que me deste, daquele dia em que fomos passear ao jardim e, graças a Deus, tenho sobrevivido a todas as batalhas. Essa fotografia tem me protegido e representa a tua presença aqui. Acalmou ontem uma das piores batalhas, aqui em França, a batalha de Verdun. Nunca até agora tinha assistido a uma batalha tão violenta como esta. As trincheiras estão cheias de dejetos, ratos e ratazanas que circulam por aqui. O cheiro é horrível e o soldado Mendonça foi obrigado a limpar toda esta porcaria porque ficou de castigo. Tenho uma coisa muito triste para te contar… Como sabes ontem foi uma das batalhas mais violentas, mas aqui não se pode mostrar fraquezas… O meu braço direito aqui, o soldado Francisco Coelho, já andava a mostrar fraqueza há algum tempo. Tivemos de avançar de trincheiras e passar pela Terra de Ninguém. Ele não queria ir, estava com medo e com saudades de casa, mas eu incentivei-o e disse-lhe que conseguia. Ao passarmos pela Terra de Ninguém, vinham bombas e balas de todos os lados, os nossos corações batiam acelerados, mas o objetivo estava à frente dos nossos olhos. Estávamos quase a ultrapassar aquele grande desafio, mas ele tropeçou e eu não reparei. Já não podia voltar para trás, quando eu o chamei, ele olhou para mim, piscoume o olho e levou com uma bala. Não se mexeu mais. Admito que aí mostrei fraqueza, mas olhei em frente e continuei por ele. Escapei-me de todas as balas, de todas as bombas e passei pelo arame farpado que separava a nova trincheira da Terra de Ninguém. Acho que agora vamos permanecer aqui por algum tempo, mas a guerra está longe de acabar. O general é muito exigente e a comida é pouca, para além disso, acho que nunca vou conseguir esquecer o que vivi aqui. Quando fecho os olhos vem me o som das bombas à cabeça. Não te escrevo mais porque a minha pausa acabou, espero que estejas bem, porque eu me vou aguentando. Beijos, Do teu António (Mafalda Romão – 9.ºC) SEMENTINHA ANO XX | fevereiro a julho de 2020
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Flandres, 20 de abril de 1917 Querida mãe, Como sabe, a guerra é muito complicada e difícil. Como enfermeira, tenho amparado bastantes soldados a não se preocuparem com as famílias e com o resto da vida porque, embora seja difícil, ajuda-os a ter mais concentração perante a guerra. Já vi muitas coisas como nunca pensara, desde soldados com mais de cinco balas nas pernas; soldados com a cara toda queimada devido ao gás que mandam uns contra os outros; várias mãos sem dois ou três dedos; resumindo, já vi o que pensei que fosse impossível. As condições são muito miseráveis, todos os espaços estão cheios de sangue ou de pó; há várias poças inundadas de água, cheias de arames farpados e com grande nível de profundidade; há sempre muita neblina e fumo no ar provocado pelas granadas e muito barulho devido aos tiros… Eu estou no Hospital de Companhia onde, felizmente, não existe tanto terror. Estou bem, mas com muitas saudades de casa. Sei que a mãe não gostou que eu viesse cá ajudar, mas precisam de mim aqui e, ao mesmo tempo, é importante ver como isto tudo funciona. Escrevo esta carta com muito amor e saudade. Vê-la-ei muito em breve! Beijinhos da sua filha. (Maria Rosa – 9.ºD)
31 de outubro de 1917 Caro filho, Sou eu, o teu pai! Está tudo bem aí por Portugal? E a mãe, está boa? Espero que esteja tudo a correr bem. Estou a escrever de Somme, no nordeste da França. Estamos numa batalha violentíssima contra o Império Alemão, nunca tinha visto nada assim! Morrem imensos homens todos os dias, incluindo muitos portugueses que eu conhecia. As condições são péssimas aqui; vivemos numas trincheiras: uns buracos no chão que nós próprios cavám os, não há a mínima higiene, muita da gente que morre é por causas ligadas à higiene, ou melhor, à falta dela. Estamos constantemente a ser alvos de granadas, bombardeamentos, canhões, gases e outras invenções quaisquer que os alemães inventam para nos matar quand o menos esperamos. Já travámos muitas batalhas violentas, mas acho que nunca tinha visto nenhuma como esta, pessoas autenticamente esfaqu eadas, baleadas, pisadas no chão por toda a gente e pelos nossos cavalos de guerra, que levam tudo e todos à frente, bem, isto é algo inesqu ecível! Espero que tu nunca venhas a ter que participar numa guerra , é uma sorte eu ainda estar vivo. Pelo andamento disto, mais um ano no máximo e a guerra acaba ,a Alemanha já está a enfraquecer, agora que os Estados Unidos entraram para nos ajudar. Prometo que vou dar o meu máximo para vos voltar a ver. Vai ser difícil, mas eu vou fazer o que estiver ao meu alcance. Espero que venhas a ler esta carta e, se conseguires, respon de-me rapidamente, estou a morrer de saudades vossas. Um abraço e um beijo para a mãe, Pai (Tiago Bento – 9.ºC)
OLIMPÍADAS DA FILOSOFIA Nos dias 6 e 7 de Março, realizaram-se as IX Olimpíadas da Filosofia, em Coimbra, na Escola de Dança e Secundária Quinta das Flores, nas quais, como já vem sendo hábito, a nossa escola participou. Este ano, o Colégio foi, honrosamente, representado pelos alunos André Carvalho e Tomás Matos, ambos da turma 11.°A e acompanhados pela professora Rita Franco. Apesar de não termos obtido alguma classificação de destaque, a nossa participação valeu pela aprendizagem, pelo convívio salutar e pela discussão filosófica, sempre num excelente ambiente. Os nossos filósofos tiveram oportunidade de contactar com outros filósofos do país, partilhar e trocar experiências que, por certo, ficarão na memória. Esta foi uma oportunidade única de um contacto diferente com a disciplina que, desejamos, lhes tenha trazido um maior gosto pelo conhecimento filosófico. Os nossos alunos mantiveram sempre o espírito de aventura, abraçando este desafio com uma atitude exemplar e desportivismo, por isso merecem os nossos parabéns. O Colégio Campo de Flores foi muito bem representado. Para o ano haverá mais e lá estaremos! Rita Franco – Professora de Filosofia
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PROGRAMA A EMPRESA NÃO PARA, EVOLUI Técnicas de Apresentação e de Comunicação e Técnicas de Entrevista A pandemia de Covid-19 alterou radicalmente nos últimos dois meses as rotinas e comportamentos de todos. “Adaptação” tornou-se, portanto, a palavra de ordem. No nosso Colégio, adequámo-nos a este “novo normal”, apesar de todos desejarmos que não se prolongue no tempo. A prova está na forma como hoje lecionamos. Assim, continuamos com as mesmas atividades que sempre tivemos, apesar de serem lecionadas de forma diferente. É o caso do programa A Empresa, no qual tivemos aula de Técnicas de Apresentação e de Comunicação, com a Dr.ª Susana Cheis, no passado dia 15 de abril, via zoom. Não foi presencial; foi digital. Mas foi um sucesso. Semanas depois, a Dr.ª Susana Cheis transmitiu novamente o seu conhecimento aos alunos do 12.º ano, desta vez, no tema Técnicas de Entrevista. Numa sessão que decorreu 6 de maio, e que teve alguns problemas técnicos no Zoom, mas que foram resolvidos, abordou-se o antes, o durante e o depois das entrevistas para emprego. No antes, a Dr.ª Susana Cheis explicou que é fundamental prepararmo-nos bem quando vamos para uma entrevista de trabalho. No que diz respeito ao durante, ensinou aos nossos alunos os cuidados que devem ter com a linguagem verbal e não-verbal que se utiliza durante a entrevista. Já no pós-entrevista, alertou para importância de se refletir sobre a conversa mantida com a nossa interlocutora ou interlocutor. Técnicas para não se engasgar em público O Dr. Guilherme Simões, licenciado em Ciências da Comunicação e pós-graduado em Comunicação Aplicada – Estudos Aplicados em Jornalismo, trabalhando há mais de 25 anos no universo da comunicação social, institucional e empresarial e das TMT, também nos ajudou no nosso programa. Atendendo ao currículo do pai da Mariana Simões, do 12.º ano B, não resistimos a pedir que nos desse uma aula sobre como fazer apresentações em público. Ato contínuo, a 30 de abril, os nossos alunos ficaram a saber - via Zoom - as técnicas para comunicar em público. Foram alertados para a importância que tem a preparação prévia dessa mesma apresentação e os preparativos obrigatórios para o dia de “subir ao palco”. Ficaram a conhecer a importância da imagem que se deve transmitir e ainda aprenderam algumas técnicas vocais. Cláudia Eduardo – Professora de Economia SEMENTINHA ANO XX | fevereiro a julho de 2020
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PONTO DE CHEGADA HANDLIT NA XIII COMPETIÇÃO NACIONAL (VIRTUAL) DO PROGRAMA A EMPRESA A miniempresa Handlit conquistou o seu lugar na Competição Nacional Virtual do programa A Empresa, da Junior Achievement Portugal, que se realizou no dia 5 de junho. Este ano a competição - que devia ter-se realizado no Porto - decorreu num formato completamente diferente dos anos anteriores, mas não deixou de acontecer graças às novas plataformas de comunicação em vídeo. Para participar nesta competição, a nossa miniempresa Handlit teve de entregar um sumário executivo sobre a sua ideia de negócio e um vídeo com o seu Pitch, no qual mais uma vez apresentaram a sua ideia de negócio e o seu protótipo. O processo só ficou concluído depois de terem passado por uma entrevista, em inglês, em zoom, com o júri de renome. Infelizmente, a nossa miniempresa Handlit não ficou no pódio. Os nossos alunos não conseguiram convencer o júri com a sua ideia de negócio que consistia numa asa multitarefas – reutilizável, lavável prática e segura. Ideia já concretizada em protótipo em parceria com a FCT. Não obstante, foi uma experiência gratificante em que os nossos alunos tiveram a oportunidade para a mostrar a sua capacidade de comunicação e o trabalho desenvolvido durante o ano letivo. Vamos relembrar como tudo começou... As miniempresas Bloodtracker, Dulcitus, Greenie, Handlit, Nutrinoodles e X Plain foram escolhidas para representar o nosso colégio na Feira (I)limitada de Lisboa, que se realizou no dia 6 de maio. O apuramento das nossas miniempresas nestes eventos pode ser considerado normal. Todavia, este ano, face ao momento delicado que se está a viver, poder-se-ia esperar que os nossos alunos preferissem não participar. Puro engano. Foram estóicos! E contra todas as expetativas, nas férias de Páscoa, puseram as mãos à obra, trabalharam, empenharam-se e conseguiram um feito histórico no nosso colégio: o apuramento de seis miniempresas na Feira (I)limitada de Lisboa. Foi nesta Feira (I)limitada de Lisboa que a nossa miniempresa conseguiu o apuramento para a Competição Nacional. Independentemente do feito da miniempresa Handlit, é importante realçar que todos os alunos estão de parabéns!!! Este ano letivo vai ficar para sempre gravado na nossa memória, sobretudo por causa da situação pandémica em que nos encontramos. No entanto, neste momento, e em termos de balanço, queria salientar e enaltecer a capacidade de adaptação dos nossos alunos. E não queria deixar de referir a forma autónoma com que trabalharam durante este projeto. Tornaram-se alunos ainda mais pró-ativos, capazes de resolver mais facilmente os problemas, dentro e fora do seu projeto, e aprenderam a ser mais críticos. Foi um prazer trabalhar convosco. O meu OBRIGADA. Gostaria igualmente de deixar aqui um agradecimento muito especial à professora Margarida Cruchinho, pois tem sido uma ajuda imprescindível para o desenvolvimento dos nossos projetos, no âmbito do Programa A Empresa. Cláudia Eduardo – Professora de Economia
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PONTO DE CHEGADA
CERN 2020 Esta viagem era muito ambicionada pelos alunos e todos nós tínhamos grandes expectativas mesmo antes de embarcar para a aventura. Claro que todos sabíamos para onde íamos e o que íamos visitar, mas não sabíamos para o que íamos. Decerto que, para aqueles para quem a Física era desinteressante, pois só conheciam uma parte reduzida, das aulas, este alargar de horizontes fê-los conhecê-la melhor, aquilo que é a beleza dentro das muitas áreas do saber. Nesta aventura, cruzámo-nos com diferentes pessoas que nos apresentaram a Física de uma forma que nunca nos fora antes apresentada, nomeadamente o Engenheiro José Silva, físico português que nos demonstrou todo o funcionamento da maravilha que é o CERN, numa das melhores palestras que já me proporcionaram e que me proporcionarão em toda a minha vida. Nesta visita, chegámos a locais que não nos era possível se não nos fosse proporcionado pelo Colégio. Visitámos o “cerne do CERN”, a 100 metros de profundidade, onde pudemos observar o núcleo de colisão, o CMS, e onde pudemos estar centímetros do acelerador de partículas, que não podemos usufruir da sua presença devido a medidas de segurança relativamente à radiação. Na minha opinião, o CERN é um destino de trabalho para qualquer amante da Física e, com esta viagem, os fantásticos guias e colaboradores mostraram-nos que este sonho pode ser concretizado, mas apenas se o nosso querer e a nossa vontade de trabalhar forem de um “nível nuclear”. O âmbito desta viagem não se restringiu à Física, mas também ao conhecer da civilização humana e ao perceber que a Humanidade não tem limites. Como por exemplo, no museu da Cruz Vermelha, pudemos observar diferentes testemunhos de vítimas relacionadas com todos os ambientes de guerra e numa das instalações da ONU, pudemos observar algumas das mais importantes salas de reuniões do mundo, onde se discutem os mais controversos temas da Humanidade. O hotel onde ficámos encheu as nossas medidas e fica-nos na memória devido ao seu pequeno-almoço fabuloso. Nesta viagem, ainda pudemos usufruir da presença de três fantásticas professoras que partilharam connosco momentos inesquecíveis. Em suma, adorámos esta jornada e esperamos que as próximas turmas do 11.°ano possam aproveitar tanto como nós. José Guilherme Sousa, 11.°B
“A viagem à Suíça já era esperada pelos alunos desde o início do ano, e penso que a expectativa foi superada. Tivemos uma viagem não só lúdica, mas também de aprendizagem. Visitar o CERN foi realmente fascinante. Tivemos a oportunidade de ter uma pequena palestra com um engenheiro português que nos fez uma introdução mais aprofundada ao que é o CERN. Depois, pudemos visitar um dos núcleos de colisão de partículas e como este estava em obras pudemos observar o mesmo de perto, o que foi incrível. Visitámos também o centro histórico da cidade de Genebra, o museu da Cruz Vermelha e um dos edifícios mais importantes da ONU na Europa, onde também aprendemos algumas coisas interessantes. A atividade da patinagem no primeiro dia foi muito engraçada e divertida, estivemos todos juntos e tivemos momentos incríveis. Gostei muito desta viagem, onde aprendi várias coisas novas e me diverti muito, esta viagem proporcionou-nos muitos momentos inesquecíveis.” Sofyia Joosab 11.°B “Eu gostei muito da nossa visita à Suíça. Eu achei tudo o que fizemos muito interessante. Na minha opinião os pontos altos foram a nossa visita ao CERN e a visita ao museu da Cruz Vermelha. Achei a visita uma mais-valia, pois acabei por aprender mais do que estava à espera.” Catarina Costa 11.ºA “A viagem ao CERN foi muito boa, deu para nos divertirmos muito durante a estadia sempre com alguma atividade para fazer. O dia do CERN foi o dia mais interessante, em que aprendemos muito sobre o funcionamento do acelerador de partículas e a forma como foi construído. O nosso guia na visita ao detetor explicou extremamente bem tudo sobre o detetor e o LHC. As visitas ao museu da Cruz Vermelha e à ONU foram uma boa experiência. No geral, a visita foi extremamente bem feita e interessante.” Bernardo Santos 11.ºA
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PONTO DE CHEGADA
Projeto de
I REGISTER NOW
Foi com grande entusiasmo e alegria que, no dia 23 de junho, se realizou a apresentação dos Projetos de INvestigação (PIN), no auditório do Colégio para um extenso público que assistiu em videoconferência. Os projetos envolveram partilha de conhecimentos entre as disciplinas de biologia, física, química e aplicações informáticas, do 12.º ano e foram realizados em parceria, com orientação, de diversas instituições, nomeadamente, o Instituto Superior Técnico (Departamento de Física), a Faculdade de Ciências e Tecnologia (Departamento de Física, Departamento de Ciências dos Materiais, CENIMAT, Departamento de Química) e o International Iberian Nanotechnology Laboratory. Os alunos envolvidos mostraram o seu brilhantismo e esmeraram-se arrancando largos elogios dos professores orientadores. Estamos todos de parabéns. porque em situação de pandemia foram superadas as dificuldades, quer na fase de execução do projeto, quer nas apresentações. Uma vez mais, este projeto do Colégio permitiu aos seus alunos desenvolverem competências importantes e necessárias, no seu futuro universitário e do trabalho! Departamento de Física e Química Departamento de Ciências
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“Há experiências que não se esquecem e este projeto pertence definitivamente a esta categoria, porque a oportunidade de contactar com o meio universitário prematuramente e realizar um trabalho que jamais realizaríamos na escola é, no mínimo, única. Uma das razões que nos levou a fazer o PIN foi a possibilidade de aprendermos um pouco mais sobre Física Nuclear, apurar o nosso interesse pela área da Física e ver como os físicos trabalham no laboratório. Apesar de não termos feito a parte prática, a experiência de fazer um projeto de investigação não deixou de ser muito enriquecedora. Desde escolhermos o tema até à apresentação final, passámos por várias fases, durante as quais desenvolvemos a nossa capacidade de resolução de problemas, de interpretação de dados e elaboração de gráficos. Além disso, este trabalho uniu-nos muito, no sentido que, durante meses, nos juntámos semanalmente por videochamada para avançar neste projeto, que era o nosso objetivo comum! Este projeto foi sem dúvida um desafio, mas nós diríamos que fomos muito bem-sucedidas e estamos gratas por toda a ajuda que nos foi dada, bem como todo o acompanhamento concedido!” Carolina Diogo, Mafalda Ribeiro e Sarah Joosab 12.°A “Este foi um projeto de investigação que nos proporcionou a oportunidade de não só descobrir mais acerca da computação e mecânica quântica como também de aprofundar a temática do teletransporte quântico, inerente a esses dois conceitos. É este tipo de trabalhos que realizamos ao longo da nossa vida escolar que realmente nos faz crescer não só academicamente, mas também como pessoas, na medida em que estimulam a nossa curiosidade por saber mais acerca do tema que estamos a explorar e resiliência perante os diversos obstáculos que necessitamos de enfrentar para concluir toda a tarefa com êxito. Reconhecemos que este foi um projeto bastante complexo e trabalhoso, mas que, graças ao trabalho de equipa e esforço de todo o grupo, fomos capazes de concretizar com sucesso e com um sentimento de realização e felicidade. Sentimos, portanto, que todo o nosso esforço valeu a pena pois permitiu-nos entender melhor como será a “computação do futuro”, um tema bastante falado na comunidade científica e de extrema relevância no universo da física e da tecnologia. Estamos também bastante orgulhosos por sermos os pioneiros na realização de um trabalho resultante de uma parceria inovadora entre o Colégio Campo de Flores (CCF) e o Instituto Superior Técnico (IST) e, como tal, gostaríamos de agradecer a ambas as instituições pela oportunidade fantástica de realizarmos este PIN, bem como aos respetivos professores orientadores (Professora Sandra Jorge e Professor José Fernandes do CCF e Professor Doutor Filipe Joaquim, Professor Bernardo Lopes e Professora Débora Barreiros do IST) por todo o apoio que revelaram ao longo do projeto, nomeadamente através do esclarecimento de quaisquer dúvidas que tínhamos acerca deste tema completamente novo e ainda um pouco desconhecido, mas que será certamente revolucionário no futuro.” Afonso Soares, Eduardo Fortunato , Rodrigo Pires – 12.° B
PONTO DE CHEGADA
“A realização do projeto de investigação foi uma tarefa desafiante, cativante e deveras interessante. O contacto com uma realidade do ensino superior, ainda no ensino secundário, permitiu adquirir conhecimento e desenvolver ou reforçar capacidades muito importantes como a resiliência, a dedicação e a autonomia, que serão certamente necessárias para uma boa performance académica e profissional. Penso que, acima de tudo, é uma tarefa muito divertida, pois temos a oportunidade de explorar uma área que nos suscita interessa e ao mesmo tempo aprender novos conteúdos e relacioná-los com o conhecimento adquirido até então, estabelecendo uma relação mais consciente entre a teoria e a prática, o que torna a aprendizagem muito mais apelativa. Em suma, considerei a execução de um projeto de investigação uma experiência muito enriquecedora e uma excelente iniciativa por parte do colégio.” Vanessa Filipe, 12.ºA “No colégio, desde pequenos que ouvíamos os nossos colegas mais velhos falar de um tal projeto chamado PIIN, cuja realização é possível ao chegar ao 12.º segundo ano do ensino secundário. À medida que fomos progredindo na nossa viagem académica, viemos a perceber que este projeto se tratava de um projeto de investigação, com vários temas possíveis para desenvolver o mesmo. Este ano foi a nossa vez de realizar este projeto, integrando-se o tema do mesmo na área da física atómica, mais especificamente na espectroscopia de fluorescência de raios-X. Embora estejamos a enfrentar tempos diferentes, com muitas mudanças a que nos tivemos de adaptar rapidamente, foi possível concluir este projeto graças ao empenho de todos os envolvidos no mesmo. Podemos afirmar que as expectativas criadas foram largamente ultrapassadas e que o conhecimento que adquirimos na realização deste trabalho (relativamente ao tema do projeto como a diferentes métodos de trabalho) nos vai ser extremamente útil na próxima etapa das nossas vidas, o ensino superior. O desenvolvimento deste projeto foi apenas possível graças ao apoio das pessoas e instituições envolvidas no mesmo, e por isso gostaríamos de agradecer ao Colégio Campo de Flores por nos permitir sempre chegar mais longe, nomeadamente a professora Sandra Jorge, por nos ter acompanhado ao longo do trabalho e disponibilizado para ajudar sempre que necessário. Queremos agradecer também à Faculdade de Ciências e Tecnologias, mais concretamente ao Professor Mauro Guerra, por nos ter disponibilizado os recursos necessários à realização deste projeto. É com satisfação que iremos recordar este projeto de investigação, constituindo este um momento de transição nas nossas vidas, tanto no mundo académico como pessoal.” Gil Alves e António Benoliel, 12 ° B
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PONTO DE CHEGADA
ACADEMIAS GULBENKIAN DO CONHECIMENTO Ao longo deste ano letivo, tive oportunidade de desenvolver um projeto na área de neurociência e, mais especificamente, relacionado com a memória. Este projeto aconteceu na sequência da semana “Academia de Verão” do Instituto Superior Técnico a que o Professor Vicente Pitaça me propôs e incentivou a ir em 2019. Após essa participação a organização deste tipo de projetos entrou em contacto com alguns alunos para lhes propor este desafio. Neste projeto, que foi mais a longo prazo (cerca de 10 meses), cada aluno foi desafiado a escolher, no início ano, um tema que gostasse de explorar e que fosse para além da escola (no meu caso, foi a neurociência). Esclarecendo melhor, os alunos foram acompanhados por um ou dois orientadores (no modelo de ensino um para um) que nos ajudavam e direcionavam sempre no melhor caminho para a aprendizagem! Foi uma experiência muito gratificante e espero, mais tarde, poder partilhar com quem esteja interessado :) Disponibilizo um link para um vídeo no YouTube que é da fundação Calouste Gulbenkian, que suporta e apoia esta iniciativa de aprendizagem científica. Este vídeo explica esta iniciativa e mostra um pouco do nosso dia-a-dia, quando íamos ao Instituto Superior do Técnico, uma vez por mês, para ter as nossas sessões de aprendizagem e não só. Sofiya Joosab – 11.º B
PANGEA 2020 CONCURSO DE MATEMÁTICA Durante a semana de 9 a 13 de março, decorreu na nossa escola o concurso Pangea. Contámos com a presença de cerca de 100 alunos! Através do lema “Matemática para todos”, o concurso pretende unir estudantes de diferentes locais, estratos sociais e níveis de ensino, e torná-los entusiastas da Matemática. Este concurso é organizado em doze países europeus: Alemanha, Áustria, Dinamarca, Eslováquia, Eslovénia, Espanha, Hungria, Itália, Polónia, República Checa, Suíça e Portugal. Em todas as provas do concurso, do 3.º ao 10.º ano de escolaridade, as perguntas foram criadas tendo como objetivo avaliar não só os conhecimentos adquiridos na disciplina de Matemática, como também a destreza de raciocínio dos alunos. O tempo de realização da prova foi de uma hora, não sendo permitido o uso máquinas de calcular ou quaisquer sistemas de comunicação móvel. Serão apurados para a segunda fase do concurso, os primeiros 100 alunos de cada ano de escolaridade afetos ao Centro Pangea de Lisboa. Departamento de Matemática
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PONTO DE CHEGADA
CARTAZES – 5.º ANO Um dos conteúdos de Educação Visual do 5.ºano foi a Comunicação Visual com o trabalho do Cartaz. Face à situação atual do país e do mundo com o Coronavírus, decidiu-se que o tema seria as boas práticas que devemos cumprir para nos protegermos e evitarmos o contágio. Assim, cada aluno decidiu a sua mensagem e elaborou um cartaz que alertasse para os cuidados diários que devemos ter, principalmente, num regresso à escola. O objetivo final foi criar cartazes que possam ser afixados nos vários espaços do Colégio, quando no próximo ano voltarmos ao ensino presencial. Foi um trabalho desafiante, que passou por várias fases, que teve um resultado final muito bom e principalmente que deu muita satisfação aos alunos que o realizaram. Flávia Cadete – Professora de EV
PADRÃO TRIDIMENSIONAL 5.º ANO Ao longo de algumas aulas de Ensino à Distância, através de uma interdisciplinaridade entre Educação Visual e de Educação Tecnológica, o 5.º ano foi desafiado a criar um módulo tridimensional para depois, através da repetição, construir um padrão. Em Educação Visual, fizeram os estudos, ou seja, as propostas, e em Educação Tecnológica construíram, usando materiais recicláveis e reutilizáveis. Estes são alguns dos resultados. Flávia Cadete – Professora de EV e ET
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DESIGN – CRIATIVIDADE EM FORMA DE CORAÇÃO Os alunos do 7.º ano, das turmas A,B,C e D, para trabalhar o Design, um dos conteúdos da disciplina de Educação Visual, estiveram a fazer um coração em 3D. O recurso a materiais reciclados levou-os a olhar à sua volta e dar uma nova vida e utilidade ao que havia lá por casa. A inesperada reciclagem foi combinada na perfeição com a sua enorme criatividade e teve um resultado final surpreendente: trabalhos dignos de uma exposição e da nossa admiração! Lina Vieira – Professora de EV
ARQUITETURA 8.º ANO Neste Ensino à Distância, o 8.º ano esteve a trabalhar sobre o tema da Arquitetura. Um dos trabalhos consistiu em fazer o projeto de uma casa e respetiva maquete. Tal como qualquer Arquiteto, tinham um programa e uma área máxima a cumprir. Desenharam as plantas, com e sem mobília, umas à mão, outras com recurso a aplicações, e no fim construíram a maquete, igual ao projeto em planta. Foi uma experiência interessante. Flávia Cadete – Professora de EV
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PONTO DE CHEGADA
ENGENHARIA 9.º ANO Visto que a Engenharia é um conteúdo programático da disciplina de Educação Visual e o talento, o gosto e a vocação devem ser descobertos e trabalhados desde cedo, os alunos do 9.º ano foram desafiados a dedicar algum do seu tempo de confinamento e muito do seu entusiasmo a um projeto de engenharia que muito surpreendeu, pela criatividade e engenho demonstrados! Fazer o projeto e uma ponte em 3D, que conseguisse aguentar um quilo de arroz sem se desmoronar, revelou ter sido um trabalho prático que, além de aprender a projetar e concretizar, em muito ajudou a descontrair e proporcionar a partilha de tarefas com membros da família, o que, infelizmente, à medida que ficam crescidos se vai perdendo. Este revelou-se um trabalho diferente, divertido e, em alguns casos, agradavelmente partilhado com o avô, a mãe ou o irmão. Deixamos aqui apenas uma parte do trabalho realizado, mas suficiente para confirmarmos que, sozinhos ou com alguma ajuda, revelaram ser já uns verdadeiros engenheiros! Lina Vieira – Professora de EV
SEGURANÇA DIGITAL - LÍDERES DIGITAIS Realizou-se, ao longo de todo o ano letivo, um conjunto de atividades inseridas na iniciativa do Ministério da Educação / SeguraNet “Líderes Digitais” e no âmbito do Selo de Segurança eSafety Label, Segurança Digital no Colégio. Nestas atividades de sala de aula, foram envolvidos 967 alunos (498 rapazes e 469 raparigas) das disciplinas de TIC (1.º, 2.º e 3.º Ciclos) e Aplicações Informáticas B (12.º Ano - Ensino Secundário). “A iniciativa Líderes Digitais tem como principal objetivo motivar os alunos para a divulgação de temáticas que incentivem à utilização segura e responsável das tecnologias e ambientes digitais, contribuindo, ainda, para o desenvolvimento da literacia para os media.” No decorrer desta iniciativa, os alunos do colégio, na qualidade de Líderes Digitais, promoveram com o apoio da SeguraNet, campanhas de sensibilização dirigidas à comunidade escolar. Foram utilizadas dinâmicas síncronas e assíncronas, à distância em estreita ligação com o Ministério da Educação. A iniciativa contemplou duas categorias: Líderes Digitais (do 5.º ao 12.º Ano de escolaridade) e Líderes Digitais Benjamins (do 1.º ao 4.º ano de escolaridade). Estas atividades contribuíram para a manutenção do Selo Prata de Segurança Digital, certificação europeia eSafetyLabel, que foi atribuído ao Colégio. O eSafety Label (Selo de Segurança Digital) diz respeito a uma iniciativa da European Schoolnet. Trata-se de um serviço europeu de certificação e de apoio às escolas. O Selo de Segurança Digital foi criado em 2012, no “Dia da Internet Segura”, com o principal objetivo de promover o acesso seguro às tecnologias digitais como parte do ensino e da própria aprendizagem. O Selo da Segurança Digital é apoiado pela SeguraNet cujo objetivo consiste em promover uma navegação segura, crítica e esclarecida da Internet e dos dispositivos móveis na comunidade educativa, isto é, segundo as regras inerentes à utilização segura e consciente no âmbito da Cidadania Digital. O Selo de Segurança Digital nas escolas é avaliado perante três domínios: a infraestrutura, onde é avaliado se a rede escolar utilizada é segura; a política, se a escola tem um conjunto de políticas e práticas relativas ao bom uso das tecnologias e a prática, se os alunos na respetiva escola sabem como reagir aos perigos associados às tecnologias. O desenvolvimento das Tecnologias tem vindo a acentuar-se cada vez mais, o que leva a que haja uma maior atenção no que diz respeito à Segurança Digital. Os riscos mais comuns no uso das tecnologias dizem respeito às más práticas dos utilizadores face às redes, ou seja, o facto de os utilizadores, ao operarem em modo virtual, se esquecerem do mundo real. José Fernandes – Professor de Aplicações Informáticas
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PONTO DE CHEGADA
ALUNOS DA ROBÓTICA CONSTROEM ROBOT DESTINADO À COMPETIÇÃO Alunos do Clube de Robótica e Automação do Colégio Campo de Flores construíram um kit destinado à criação de um Robot autónomo e programável para a competição no evento pedagógico RoboParty. Este robot permite vários tipos de configuração em função dos desafios a que as equipas se candidatarem. É movido a energia elétrica proveniente da mais recente tecnologia de baterias recarregáveis de zinco. Com este tipo de baterias reduz-se substancialmente o risco de explosões inerentes às baterias de lítio. Relativamente a estas, apresentam menor peso para capacidades equivalentes o que torna estes protótipos mais competitivos. Esta experiência da construção de um robot traduziu-se numa atividade interessante para os alunos que puderam identificar e manipular os diversos componentes eletrónicos e soldá-los numa estrutura complexa de circuito impresso. Ainda não tínhamos construído o primeiro robot e um novo desafio surgiu para que se construísse um outro agora liderado por uma equipa de alunos mais novos neste domínio. No final, os resultados foram surpreendentes, porque depois de carregadas as baterias (com energia convencional ou com o nosso painel solar) e depois de os alunos terem desenvolvido o código para a programação e afinar os sensores puderam, com grande manifestação de alegria, constatar que foram capazes de realizar tal tarefa. A par destas práticas, os alunos desenvolvem também outro tipo de capacidades como a organização, partilha, trabalho colaborativo e manipulação de ferramentas associadas à motricidade fina. Devido aos constrangimentos que entretanto surgiram não pudemos participar na competição nacional RobotParty 2020, mas estamos preparados para a próxima edição da RobotParty 2021! José Fernandes – Coordenador do Clube de Robótica e Automação
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ENTREGA DE CERTIFICADOS DO CURSO SBV 2020 Realizou-se, com sucesso, mais um curso de SBV, promovido pelo Clube de Radiocomunicações e Proteção Civil CCF, no âmbito de uma parceria estabelecida entre o Colégio Campo de Flores e o Centro de Formação e Investigação do Hospital Garcia de Orta, destinado aos alunos e funcionários do colégio. Foram 18 os formandos, dezasseis alunos do 12.º Ano e duas funcionárias (Ana Isabel e Rita Bandeiras) que realizaram o Curso de Suporte Básico de Vida. A formação decorreu a um fim-desemana nas instalações do Hospital Garcia de Orta e a entrega dos certificados foi realizada no colégio pelo nosso Diretor, Dr. João Rafael Esta certificação corresponde a um CFP (Certificado de Formação Profissional) (área de formação: 729-Saúde), acreditado pelo INEM com a validação por um período de 5 anos. Todos os formandos que participaram nesta formação tiveram a obtenção da certificação com excelentes resultados. Agradecemos o envolvimento e apoio da Direção do Colégio na realização destes cursos promovidos pelo clube e que permitem o enriquecimento dos nossos alunos e funcionários. José Fernandes – Coordenador do Clube de Radiocomunicações e Proteção Civil CCF
Tive a possibilidade de, através do Colégio Campo de Flores, ganhar conhecimentos práticos de SBV. Fomos muito bem orientados pelos formadores, que nos acompanharam e ajudaram no decorrer da formação. Ao Colégio, ao Professor José Fernandes, aos Formadores e aos Colegas de Curso, um Muito Obrigada! Ana Silva (Vigilante) Penso que a realização desta atividade foi benéfica para todos os participantes, uma vez que nos permitiu adquirir novos conhecimentos acerca de como prestar uma primeira ajuda a alguém, numa situação de emergência e perante a ausência de profissionais mais experientes. Falando do curso em si, creio que os formadores conseguiram organizar bem a atividade dentro do período de tempo estipulado - o facto de nos terem distribuído por diferentes salas fez com que a explicação prática de todo o curso, bem como o esclarecimento de dúvidas fossem mais eficazes. Agradeço, portanto, ao Colégio e ao professor José Fernandes por nos proporcionarem esta experiência de formação em SBV que decerto poderá vir a ser-nos bastante útil no futuro. Afonso Soares (12.º Ano) No passado dia 8 de fevereiro, o Colégio, no âmbito do Clube de Proteção Civil, proporcionou-me e a alguns colegas do Clube, a participação num curso de Suporte Básico de Vida no Hospital Garcia de Orta, certificado pelo INEM. Através de uma exímia organização de todo o curso com explicações detalhadas, consistentes e aliadas a uma componente prática, podemos considerar uma mais-valia para a comunidade, permitindo ajudar a salvar uma ou mais vidas. Assim, para além de um enriquecimento curricular, sucedeu um enriquecimento pessoal, em termos de confiança e noção de que agora temos uma responsabilidade para atuar nestas situações. Agradeço ao Colégio, ao Clube de Proteção Civil CCF e ao Hospital Garcia de Orta por esta oportunidade e, em especial, aos nossos formadores pela categoria de ensino e especial simpatia, paciência e dedicação. Foi uma experiência gratificante e que certamente quero repetir daqui a 5 anos, para
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PONTO DE CHEGADA
OPERAÇÃO FLORESTA SEGURA 2020 Alunos e professores do Clube de Radiocomunicações e Proteção Civil do Colégio Campo de Flores participaram numa reunião preparatória de atividades com o Senhor Coordenador do Serviço Municipal de Proteção Civil de Almada, Dr. António Godinho. Uma dessas atividades em que o Colégio irá participar é a Operação Floresta Segura 2020, realizada em conjunto com os diversos agentes de proteção civil. A Operação Floresta Segura consiste numa atividade de patrulhamento, sensibilização e vigilância de incêndios florestais. A área que nos é proposta patrulhar/vigiar fica situada na Mata dos Medos, Fonte da Telha. Iremos contribuir com três equipas constituídas por alunos, professores e encarregados de educação durante dois fins-de-semana do mês de Julho, dias 18, 19 e 25. Estão integrados nas equipas de Proteção Civil CCF elementos do Interact Club de Almada, que connosco partilham um interesse comum que é a preservação do nosso inestimável património florestal. Esta atividade é realizada no âmbito do Voluntariado em Proteção Civil. Um dia da tua vida pela nossa floresta! José Fernandes – Coordenador do Clube de Radiocomunicações e Proteção Civil CCF e Interact Club CCF
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CONCERTO MUSICAL
CAMPO DE FLORES
Acustico ENRIQUECIMENTO CURRICULAR 2019-2020
Este ano, o tradicional Concerto Acústico foi levado a cabo num formato diferente do habitual. A Direção do Colégio e o Interact Club de Almada promoveram esta iniciativa solidária, cuja receita reverteu a favor da SPEM (Sociedade Portuguesa de Esclerose Múltipla) e na qual participaram antigos e atuais alunos, bem como alguns colaboradores. Atendendo à situação de confinamento e à impossibilidade de os alunos se juntarem para ensaiar, o concerto consistiu na montagem de vídeos enviados pelos participantes interpretando ao piano, guitarra ou violino uma música previamente definida, à qual se juntou um vocalista. O concerto online teve lugar no dia 24 de junho e contou com a participação de 22 intérpretes num programa constituído por 17 temas de diferentes estilos musicais. Aos nossos participantes, que graciosamente nos presentearam com as suas magníficas interpretações, um bem-haja pela colaboração e disponibilidade! Sandra Martins – Professora de Educação Musical
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Queridos Amigos, O "Faz de conta" dos meus Poemas tem uma função: "entreter" o nosso cérebro e o nosso coração... que não estavam preparados para esta SITUAÇÃO! Mesmo sendo "diferente", desejo-vos um Verão Excelente! Aquele Abraço. Nida Faria
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DE DENTRO
Crescer saudável Américo Gegaloto Licenciado em Direito. Desde 2001 Presidente da Comissão de Dissuasão da Toxicodependência de Setúbal, pós-graduado em "Problemas Legais da Droga e da Toxicodependência". Pertence à bolsa de formadores internos do SICAD, com participação em diversos eventos nacionais e internacionais relacionados com “Descriminalização, Comissões para a Dissuasão da Toxicodependência” e o "Modelo Português".
O consumo de substâncias ilícitas, vulgarmente designadas por drogas é proibido em Portugal, isto é, não é permitido o consumo, a aquisição e/ou a posse para consumo próprio de substâncias ilícitas, que embora não seja considerado crime, constitui uma contraordenação social. Em 2001, com a entrada em vigor da Lei n.º 30/2000, de 29 de novembro, Portugal descriminalizou o consumo de substâncias ilícitas, atualmente é uma contraordenação e não é punida com pena de prisão, mas que pode haver lugar a aplicação de outras medidas, cujo objetivo principal é a dissuasão do consumo. Esta abordagem humanista, afasta os consumidores dos tribunais e procura a sua aproximação às estruturas de saúde, onde poderão receber ajuda adequada e especializada, bem como promover estilos de vida saudáveis.
O consumo de substâncias ilícitas ocorre pelas mais diversas razões, dependendo do indivíduo e do seu estado físico e psicológico, do contexto em que se encontra inserido, bem como, da substância psicoativa ilícita, isto porque, diferentes drogas produzem diferentes reações e efeitos, muitos dos quais indesejáveis para os órgãos que compõem o corpo humano, em particular para o sistema nervoso central entre outros.
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DE DENTRO
Neste texto, proponho-me abordar alguns Mitos versus Realidades que envolvem o consumo de substâncias ilícitas, ideias disseminadas e assentes no “passa a palavra”, em conhecimentos pouco estruturados, sem fundamento científico, com ou sem qualquer correspondência com a realidade, embora sejam transmitidas como verdades
Mito – “Antes dos 18 anos não acontece nada a quem consome drogas, nem tem que vir à CDT” Realidade – Aos 16 anos qualquer indivíduo já pode ser responsabilizado civil e criminalmente pelo consumo e posse de substâncias ilícitas, seja através da obrigação de comparecer na Comissão para a Dissuasão da Toxicodependência (CDT) do seu distrito de residência ou mesmo em Tribunal, se as quantidades de substâncias ilícitas apreendidas excederem o consumo médio individual para 10 dias.
Mito – “Até 5g de haxixe eu posso andar, que não me acontece nada!” Realidade – O uso, a posse e a aquisição de substâncias ilícitas para consumo próprio é sempre ilegal. No caso do Haxixe, a posse até 5g não é considerado tráfico, mas sim uma contraordenação, em que o princípio humanista da Lei defende a suspensão provisória do processo como oportunidade de reflexão e de mudança face ao consumo de substâncias psicoativas. Se o indivíduo cometer repetidamente a mesma infração, de posse, consumo ou adquisição de substâncias ilícitas, a Lei prevê a aplicação de medidas (suspensivas e sancionatórias) em função da situação em que o consumidor se encontra e das circunstâncias em que ocorreu a infração. As sanções previstas incluem, entre outras, o pagamento de uma coima, a apresentação obrigatória em local a determinar ou a prestação de serviços gratuitos a favor da comunidade. Mas se as quantidades de substâncias ilícitas apreendidas excederem o consumo médio individual para 10 dias, há suspeita de crime e o processo é enviado diretamente para o Ministério Público.
Mito – “Só quem tem problemas é que consome” Realidade – Os motivos que levam alguém ao consumo podem ser variados, como por exemplo: a curiosidade, o grupo de amigos, a vontade de viver novas experiências, o desejo de questionar e transgredir regras, ou até mesmo, uma forma (ilusória) para lidar com a realidade sem sofrimento. O que acontece é que os problemas não desaparecem, as substâncias não resolvem nada, e muitas vezes, apenas estará a criar mais um problema e colocar a sua própria vida em risco.
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Mito – “As drogas não são tão perigosas como se diz” ou “É sempre possível controlar o seu consumo” Realidade – A reação ao consumo de drogas é muito imprevisível e qualquer um de nós pode tornar-se dependente, pelo que deve evitar experimentar, desde logo, pelo completo desconhecimento sobre a origem da substância ilícita, a sua composição química, a par da existência de eventuais fragilidades internas entre outros fatores, circunstâncias que podem gerar consequências muito nocivas para a sua saúde. Mito – “Se for só para experimentar, não faz mal!” Realidade – Muitas pessoas começam só por experimentar, logo, o risco inicia-se nesse preciso momento, com a primeira experiência. A evolução desse risco depende do que fizermos depois, nomeadamente, quando se passa de um consumo ocasional para um consumo regular ou até mesmo, da curiosidade em experimentar outras substâncias ilícitas.
Para os adolescentes e jovens adultos, cujos cérebros ainda estão em desenvolvimento, os riscos da experimentação e consumo de drogas são muito significativos, no caso da cannabis, verificam-se alterações nas estruturas cerebrais por causa desses consumos, mesmo que ocasionais. Mito – “Se eu consumir drogas apenas aos fins-de-semana, não faz mal!” Realidade – Se EU consumir todos os fins-de-semana durante um ano, significa que vou consumir durante 104 dias num ano, o que representa um risco muito significativo. Por outro lado, há que ter ainda em conta que os efeitos do fim-de-semana muitas vezes se prolongam, afetando os dias seguintes. Mito – “Nem todas as drogas são ilegais” Realidade – É verdade. Geralmente quando falamos em drogas, pensamos naquelas que são Mito – “Fumar um charro é menos prejudicial que fumar um cigarro” Realidade – A forma como se fuma um “charro” (fumado, sem filtro e com aspirações profundas) aumenta o risco de desenvolver cancro. Tem efeito broncodilatador, o que favorece a absorção das substâncias tóxicas, tal e qual como o cigarro, sendo também prejudicial para os fumadores passivos. Acresce a isto que, o risco do desconhecimento do grau de pureza e concentração de THC (princípio ativo da cannabis) que o “charro” contém.
Mito – “A cannabis é um produto inofensivo para a saúde porque é natural” Realidade – O facto de ser natural, não significa que não faça mal. O tabaco e o ópio também são produtos naturais e ninguém tem dúvidas sobre os seus malefícios. A cannabis é uma droga psicadélica, em situações de uso habitual pode gerar a sensação de relaxamento, euforia, diminuição das inibições, lentificação do pensamento e movimentos, aumento do apetite (fase final da intoxicação).
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Em caso de sobredosagem, pode gerar pânico (ataques de pânico), sendo que também é geradora de debilidade física, síndrome amotivacional e psicose canábica, no limite pode originar o desenvolvimento de patologia / doença de forma crónica como é o caso da esquizofrenia, em virtude modificar as estruturas celebrais. O consumo de cannabis pode provocar dependência, essencialmente psicológica, pois verifica-se que a paragem dos consumos origina muitas vezes, depressão, ansiedade, irritabilidade, insónias, diminuição do apetite, entre outras consequências. Mito – “Misturar álcool com outras drogas pode ser perigoso” Realidade – É muito importante lembrar que, a mistura de álcool com drogas pode intensificar o seu efeito e causar reações muito negativas, potenciando-as.
Em conclusão, importa lembrar que apesar de Portugal ter descriminalizado a posse, o consumo e a aquisição de substâncias ilícitas (drogas), continua a ser ilegal e existem consequências para quem cometer essa infração, que não é um crime, mas uma contraordenação, isto é, continua a ser um comportamento expressamente proibido por Lei. Por outro lado, importa referir que as pessoas consomem drogas por causa dos efeitos que as mesmas produzem, para alterarem em muitas circunstâncias o seu estado de consciência, contudo o consumo regular ou esporádico envolve riscos significativos e consequências negativas para a sua saúde, as quais devemos conhecer previamente para melhor decidir. A ideia generalizada de que a cannabis é uma droga inofensiva não corresponde à realidade, pois produz profundas alterações na estrutura que liga o hemisfério direito ao esquerdo, interferindo também em áreas que processam as emoções, a agressividade, o prazer e a recompensa, que a médio e longo prazo deterioram o cérebro e culminam muitas vezes com a dependência ou com doenças psicóticas.
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DE DENTRO
Abrir caminhos Dr.ª Susana Cheis - Coordenador pelo Centro de Formação CONSIGO (CCF)
BEM-ESTAR: NOSSO E DO MUNDO UM OLHAR SOBRE A SAÚDE MENTAL DE TODOS NÓS
CONTINUAMOS FECHADOS EM CASA E JÁ ESTAMOS A DAR EM DOIDOS!
As linhas de apoio psicológico gratuitas são mais que muitas, espalhadas de norte a sul do país e os especialistas alertam para o impacto psicológico que a quarentena está a ter em muitos adultos, jovens e crianças. A ansiedade parece estar a aumentar, os ataques de pânico, a angústia, as alterações do sono e da alimentação, os conflitos conjugais e a exaustão. Estamos já cansados de estar confinados e temos medo: medo de podermos adoecer, medo de perdermos alguém que amamos, medo de estarmos a ser maus pais, medo que os nossos filhos não aprendam, medo de não conseguirmos ser os profissionais que éramos, medo que os outros nos julguem, medo do que virá por aí no futuro…. Pensámos que este tempo de quarentena seria ótimo para conseguirmos fazer tanta coisa que gostaríamos e na verdade o tempo não consegue esticar mais entre o nosso trabalho, os emails, as limpezas, a preparação da comida, as compras, a organização das roupas, a ajuda aos TPCs dos miúdos, o apoio às aulas deles, e ainda o exercício físico! Ufa!
Os miúdos estão sempre a implicar, aos gritos, não querem fazer as tarefas sozinhos, parece que regrediram e que agora já não conseguem fazer nada sem a nossa ajuda. E as aulas essas, são apenas um par de horas por dia. Não vamos conseguir fazer tudo como antes. Os nossos filhos não vão estar em aula o mesmo tempo que estavam antes. Não vamos conseguir ter o mesmo nível de produtividade e não vamos conseguir fazer todas as coisas que planeámos fazer neste tempo. E neste espaço de gestão de expectativas, comunicar eficazmente com os que estão à nossa volta parece, tantas vezes, uma tarefa impossível. As palavras do outro soam-nos a um ataque, uma cobrança, uma ameaça e reagimos atacando, cobrando e ameaçando. Estamos a viver um momento crítico das nossas vidas, e totalmente diferente do que já vivemos até aqui. Aceitemos isso mesmo. Aceitemos a nossa humanidade e toda a fragilidade inerente e procuremos encontrar algum equilíbrio, com a amabilidade e tolerância necessárias no momento. Alguns dias vamos conseguir manter tudo organizado, outros não. Alguns dias vamos conseguir ser bastante produtivos, outros não. Alguns dias vamos conseguir que todos em casa façam exercício físico, outros dias não. Alguns dias vamos conseguir manter as rotinas, outros não. E nada disso está errado. Estamos a dar o nosso melhor e não somos superhomens nem super-mulheres. Somos os melhores pais e mães, EXPECTATIVAS E DESAFIOS profissionais, esposos(as), filhos que conseguimos ser, no momento tão difícil que vivemos. E fazemos tudo o que podemos, com o que temos, onde estamos! E fazemos tanto! Importa recordarmo-nos de que não estamos sozinhos! Ser mais amável connosco vai ajudar-nos a sermos mais amáveis também com quem está do outro lado da nossa porta, na casa ao lado, do outro lado da linha, no quadradinho ao lado do nosso. Estamos todos a viver o mesmo e estamos juntos nisto. Se nos mantivermos unidos será mais fácil, mais leve, mais equilibrado e será maior o nosso bem-estar e o do Mundo! SEMENTINHA ANO XX | fevereiro a julho de 2020
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HORIZONTE
BEM-ESTAR: NOSSO E DO MUNDO Lições de Pandemia D. José Ornelas Carvalho | Bispo de Setúbal
O Padre José Ornelas Carvalho, filho de António Tomás Carvalho e Benvinda de Ornelas, nasceu a 5 de janeiro de 1954, no Porto da Cruz – Madeira – Portugal. Depois da escola elementar, foi aluno do Seminário Menor Diocesano do Funchal, entre 1964 e 1967. Desejando ser missionário, pediu para ingressar no Colégio Missionário da Congregação dos Sacerdotes do Coração de Jesus (Dehonianos), no Funchal (1967-1969), prosseguindo depois os estudos no Instituto Missionário, em Coimbra (1969-1971). Depois de um ano de noviciado, emitiu a primeira profissão religiosa em Aveiro, a 29 de setembro de 1972. Após dois anos de estudos filosóficos, passou dois anos nas missões da Congregação em Moçambique (1974-1976), regressando, em seguida, a Lisboa, onde concluiu a Licenciatura em Teologia, na Universidade Católica Portuguesa (1979). Especializou-se em Ciências Bíblicas, em Roma e Jerusalém, concluindo com a Licenciatura Canónica no Pontifício Instituto Bíblico de Roma. Foi ordenado Presbítero na sua terra natal, Porto da Cruz, a 09 de agosto de 1981. Regressado a Portugal, em 1983, foi docente assistente e secretário da Faculdade de Teologia de Lisboa, atividades que interrompeu para preparar o doutoramento em Roma e na Alemanha (1992-1996), tendo obtido o grau de doutor em Teologia Bíblica pela Universidade Católica Portuguesa a 14 de julho de 1997. Na mesma universidade, retomou as atividades docentes até 2003. Na sua Congregação, foi formador no Seminário de Alfragide, em paralelo com a atividade docente, e assumiu outros cargos no âmbito da Província Portuguesa dos Dehonianos, da qual se tornou Superior Provincial a 1 de julho de 2000. No Capítulo Geral da Congregação, foi eleito Superior Geral dos Dehonianos a 27 de maio de 2003, cargo que ocupou até 6 de junho de 2015.
Foi-me gentilmente pedido, a meio deste Verão muito estranho de 2020, que comentasse o tema que tem guiado o trabalho do Colégio Campo de Flores, durante o ano escolar igualmente especial que está a terminar. Apesar de o tempo não ser muito folgado, aceitei o desafio, tendo presente a muito agradável memória da visita feita ao Colégio durante o ano anterior e também o desejo de partilhar convosco algumas das experiências que me têm marcado durante a pandemia que estamos a enfrentar e que se prendem muito com o tema proposto.
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A experiência da responsabilidade de cada um (= EU) para com todos Certamente que quando o tema “Bemestar: Nosso e do Mundo” foi proposto, não se pensava ainda na pandemia e planeava-se uma forma bem diferente de desenvolver e pôr em prática esta ligação entre o bem-estar pessoal e o das pessoas e do Mundo à nossa volta. E, de repente, fomos levados a fazer um exercício prático e dramático deste princípio: . Ouvimos falar do vírus Covid-19 na China e pensámos que era longe e que o problema iria ter solução por lá.
HORIZONTE
. Quando chegou mais perto, à Europa, alguns não levaram muito a sério, mas felizmente as autoridades, aprendendo com a situação dramática dos países vizinhos, foram tomando medidas que permitiram que evitássemos o pior. . Quando a infeção chegou cá, ainda pensávamos que ia ser uma crise passageira e que a ciência e as autoridades iam arranjar uma solução. . Quando chegou mesmo perto de casa, fomos então levados a fazer a experiência de como é importante que cada um pense no bem-estar dos que o rodeiam e que todos somos responsáveis pelo que se passa à nossa volta e no mundo. . Percebemos quanto é importante que cada um (= EU) diga: o bem-estar da minha família, do meu colégio, do meu país e do mundo depende de mim.
ajudar-se, afastando o tédio e o isolamento e abrindo a escola a novas formas de colaboração. . Nas comunidades cristãs, concretamente na nossa Diocese, os jovens estiveram na linha da frente na organização e gestão de plataformas de transmissão de celebrações religiosas e na formação de grupos de reflexão e oração que chegavam a cada casa, fazendo a experiência de que, para Deus, não há distâncias nem barreiras e que as diferenças são uma riqueza. Os exemplos poderiam continuar num rosário de criatividade, paixão, saber e criatividade que, no meio das dificuldades que vivemos e prevemos, nos fazem esperar que tudo isto não seja em vão, mas se transforme em nova semente de solidariedade e participação para o bem de todos.
Tornou-se claro que os responsáveis pela saúde da família não são apenas os pais, que uma escola saudável não depende apenas da direção e dos professores; que o estado do país não é determinado apenas pelos governantes, mas cada um destes níveis de bem-estar depende da responsabilidade de cada cidadão (= de MIM). Basta uma pessoa para infetar a família, um aluno ou um professor para inviabilizar a escola, um foco para paralisar um lar, uma cidade, o país. Também aprendemos que não se pode abandonar ninguém na miséria e sem meios de defesa perante a pandemia e as outras dificuldades. A pobreza desses vai infetar os outros, nos transportes, no trabalho, nos supermercados. Mesmo o fecho das fronteiras não resolveu cabalmente os problemas e pôs em causa a vida de todos. Estamos todos no mesmo barco e é juntos que nos salvamos ou perecemos.
O saber e o crer ao serviço do bem comum para todos
O desafio de criar um mundo onde todos possam viver melhor Isto traz-nos uma grande responsabilidade, mas também mostra a oportunidade de cada um assumir um papel ativo e positivo, não apenas para evitar contágios do vírus, mas para se tornar transmissor ativo e criativo de novas atitudes que façam pessoas felizes, livres e capazes de colaborar num mundo melhor. E não faltaram pessoas assim, nestes tempos. . Vimos o heroísmo dos profissionais de saúde e dos lares, alguns dos quais pagaram com a própria saúde e até a vida a dedicação aos infetados pelo vírus. . Na vossa e nas escolas do país e do mundo, os responsáveis e professores mobilizaram-se e para suprir a impossibilidade de aulas presenciais, com novas formas de aprender à distância. Lançaram mão de novas tecnologias e sobretudo da criatividade de quem vive com paixão o que faz, introduzindo novas formas de relacionamento pedagógico, que vão durar para o futuro. . Jovens estudantes de todas as idades formaram grupos nas redes sociais, para estudar, jogar e
Gostaria ainda de citar outra vertente importante na resposta à pandemia: o papel do estudo, da ciência e o seu caráter global. Por um lado, a pandemia tornou-nos mais humildes, em relação ao nosso saber e ao nosso poder. De repente, em poucas semanas, apesar de toda a equipagem de conhecimentos e tecnologias, a humanidade inteira ficou de rastos e paralisou silenciosa, perante a falta de resposta, a um vírus que rapidamente pôs em xeque a humanidade. Isso levou-nos a tomar consciência da nossa fragilidade e, assim espero, a assumir um pouco mais a atitude dos verdadeiros cientistas, humildes e honestos, que sabem que não sabem tudo e que, por isso, precisam de estudar e procurar melhor e em redes com os outros cientistas. Essa é a têmpera do verdadeiro cientista, do verdadeiro estudante, do autêntico professor e mestre. Esta é também a atitude do verdadeiro crente, na busca sempre mais englobante do sentido do mundo e da vida, bem como de soluções para os problemas. A pessoa que crê não fecha os olhos para afirmar “eu creio”, não se senta à espera de soluções já feitas, nem se isola de quem pensa diferente. É antes alguém que procura entender tudo, mas sabe que há muito mais para compreender e abre a Deus a mente e o coração, pronta a dar o seu contributo para que se entenda melhor este mundo e se encontrem soluções para os problemas que nos afetam a todos. Na escola aprende-se muitas coisas úteis para a vida de cada um. Mas também se deve aprender como é que aquilo que se sabe contribui para que este mundo possa ser melhor. Por isso, cada escola e cada universidade são como que laboratórios, onde não se joga apenas com noções, conceitos e técnicas, mas se ensaia um mundo novo onde toda essa ciência se aplica e se coloca ao serviço das pessoas, da humanidade e do planeta onde vivemos.
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A bomba atómica da Solidariedade Raoul Follereau (1973-1977) foi um francês que dedicou toda a sua vida a debelar a terrível infeção da lepra. Ele falava da sua luta com uma imagem sugestiva: o bem e o mal, afirmava ele, são como o processo da bomba atómica. A explosão atómica desencadeia-se por um grupo de átomos que é feito explodir e que, por sua vez, causa a explosão dos átomos vizinhos e estes os que lhe estão próximos, causando o cogumelo de destruição que conhecemos, cujo efeito devastador se mantém durante séculos. Também o bem e a solidariedade, dizia Raoul Follereau, podem gerar um efeito semelhante, mas de sinal positivo: não de destruição, mas de construção de vida, bem-estar e felicidade, no círculo imediato das nossas relações e num cogumelo que se alarga à família, à escola, ao país e ao Mundo. Com o seu sonho e ação, ele motivou milhões de pessoas e organizações que lograram reduzir drasticamente a terrível praga da lepra no mundo. Jesus dizia o mesmo aos seus discípulos, perante uma multidão de gente faminta e a escassez do pão
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disponível. Alguns dos discípulos desinteressam-se e dizem que o problema não é deles: “manda-os embora – diziam – para que vá cada um procurar de comer”. Mas Jesus não concorda, porque ele sente a fome dessa multidão como se fosse sua. Por isso lhes diz: “Não! Dêem-lhes vocês mesmos de comer!”. Não fechem os olhos perante os problemas e a miséria, nem fiquem à espera dos outros para solucionar. Comecem vocês e já! E, diante da atrapalhação deles, indica-lhes um caminho: Não se assustem perante a dimensão das necessidades. Verifiquem antes quanto têm; o que é que podem partilhar com essa multidão de famintos. Essa é a receita para mudar o mundo, que desencadeia a explosão atómica do bem, da solidariedade, de um mundo novo: cada um de nós tem parte da solução para os problemas do mundo. Foram tantos os homens e mulheres, que sonharam desse modo, confrontados com os vírus da injustiça, da violência, da miséria, da exclusão. Cito, além de Jesus e do já mencionado Raoul Follereau, apenas três da história recente, que se revelaram particularmente ativos na luta contra os vírus sociais do seu tempo, arriscaram tudo e ajudaram a realizar, mesmo a custo da
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oposição dos poderosos e de inúmeras contrariedades, o sonho de uma humanidade melhor: . Mahatma Gandhi (1869-1948): levantou-se contra o despotismo e a exploração do regime colonial britânico na Índia. Recusou o uso da violência como solução. Semeou, lutou sem armas e tornou real o sonho da liberdade e da independência do seu povo. Foi assassinado ao procurar o entendimento entre as diferentes formas religiosas no seu país. . Martin Luther King (1929-1968): paladino inconformado com o vírus do racismo e da exclusão nos Estados Unidos. Morreu assassinado na luta pelo seu sonho. Ele gritava: I have a dream! Eu tenho um sonho! Tinha o sonho de um mundo fraterno e sem exclusões. Morreu por ele, mas o sonho continua bem vivo e atual. . Madre Teresa de Calcutá (1910-1997): natural da Albânia, foi para a Índia, não à procura de riquezas, mas em busca dos mais frágeis e das vítimas da pandemia da pobreza e da miséria extremas, partilhando a sorte dos excluídos das grandes metrópoles. Foi a esses excluídos da humanidade que dedicou toda a sua vida. São pessoas da história recente da humanidade. Não partiram de situações ideais nem tiveram caminho fácil, mas não se resignaram, não se acomodaram, nem se amedrontaram. Levantaram-se e rasgaram caminhos
que outros seguiram, melhorando a vida de multidões de pessoas e ajudando-nos a sonhar e a empenhar-nos na construção de um mundo melhor. Termino com uma saudação amiga a toda a comunidade do Colégio – Direção, professores, pais e colaboradores – e com uma palavra muito especial aos alunos e alunas, que recordo com muita estima. Façam jus ao nome do vosso Colégio: Campo de Flores. Façam crescer no Colégio e na vida flores de beleza e de arte, de saber e competência, de humanidade e solidariedade, de justiça e de paz. Nada disso vai acontecer sozinho. Levantem-se com a força e o saber que vão adquirindo, no esforço e na luta, mas juntos e com carinho. Não se deixem contagiar pelo vírus do medo, da abstenção, do isolamento e do “Não é comigo”. O bem-estar não se conquista no sofá, mas na vida das famílias, nas salas de aula, nas ruas, nas fábricas, nas igrejas e nos outros lugares onde se invoca o nome Deus. É aí, na vida real, que é preciso afirmar e ajudar a crescer os verdadeiros sonhos para a humanidade, com inteligência e coração. Que Deus nos ensine a sonhar os seus sonhos e a torná-los realidade, a partir da família e do Colégio, para este país, para toda a humanidade e para todo o Mundo.
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BEM-ESTAR: NOSSO E DO MUNDO Mónica Vaz Théra e Joseph Théra
Imagem captada no Campo de Refugiados de Touloum, no leste do Chade. Na imagem, os alunos da escola primária brincam durante o intervalo das aulas da manhã.
A Mónica Vaz Théra nasceu em Vila Real, Portugal. É licenciada em Filosofia, com profissionalização no ensino e mestre em Direitos das Crianças. Em 2010 iniciou o seu trabalho em projetos de educação em contexto de desenvolvimento, na Guiné-Bissau com a Fundação Fé e Cooperação e em 2016 viajou para o Chade para coordenar os projetos de educação em contextos de emergência, implementados pelo Serviço Jesuíta para os Refugiados (JRS). No ano seguinte, assumiu a função de Coordenadora Inter-regional de Educação na mesma organização, coordenando os projetos de educação de 6 países: Chade, Camarões, República Centro Africana, Burundi, República Democrática do Congo e Tanzânia. Atualmente trabalha no apoio a um projeto de investigação, que envolve o apoio psicossocial e a educação em emergências, com a MHPSS Collaborative. É ateísta pela razão e humanista pelo coração. Joseph Théra nasceu em Fárako, na região de Sikasso, no sul do Mali. Estudou Filosofia na República Democrática do Congo, Faculdade de Saint Pierre Canisius, em Kimwenza. Obteve um certificado em psicologia geral no CNFDI em Paris. Trabalhou no Libermann College em Douala, Camarões, como Diretor de Disciplina e professor de filosofia. Foi coordenador do ensino secundário, cultura e desporto nos campos de refugiados no Leste do Chade de 2015 a 2016, com o Serviço Jesuíta para os Refugiados (JRS) e, em 2017, assumiu as funções de Assistente do Diretor Regional da mesma organização. Desde 2018 está a trabalhar com a organização ADPP-GB, como coordenador de projetos. Em fevereiro de 2016, publicou um pequeno ensaio sobre educação: Un modèle éducatif pour l'Afrique aujourd'hui - La Philosophie de l'éducation selon John Dewey. A Mónica e o Joseph são pais do Francisco, que tem 3 anos.
Talvez possamos começar este texto por refletir o que entendemos por bem-estar, esta palavra composta que, no nosso velho dicionário e nas definições que encontramos na procura rápida no google, significa Situação agradável do corpo ou do espírito; estado de satisfação plena das exigências do corpo e/ou do espírito; sensação de segurança, conforto, tranquilidade. Podemos concordar que o bem-estar é algo bom e que todos nós, independente das nossas diferenças, capacidades, competências, deveríamos conseguir realizar, pois parece algo que nos permite a felicidade. Mais controverso é o que nos pode ajudar a conseguir esse bem-estar, uma vez que o que nos ajuda a satisfazer as
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exigências do corpo e/ou espírito, o que nos dá segurança, conforto e tranquilidade, pode variar de acordo com o nosso contexto, isto é, de acordo com a realidade em que estamos e as possibilidades de realização de bem-estar nessa mesma realidade. Tudo o que acabamos de dizer parece um jogo filosófico de palavras e, dado que somos os 2 licenciados em filosofia e professores, como primeira profissão, não conseguimos deixar de o fazer. Antes de tudo, temos de ter uma definição comum para compreendermos do que estamos a falar. E já temos. Agora queremos falar sobre o que a nossa outra profissão nos tem permitido aprender, através da experiência muito concreta que nos faz
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entender que nem sempre o que promove ou ajuda ao nosso bem-estar e o bem-estar dos outros é o mesmo em todas as realidades, havendo desequilíbrios muitos grandes nesta balança. Nós somos a Mónica e o Joseph e conhecemo-nos em 2016 no Chade, enquanto trabalhávamos em projetos de educação com refugiados do Sudão do Sul, respetivamente, coordenadora de educação dos projetos de educação dos 8 campos de refugiados do leste do Chade, e coordenador do ensino secundário, juventude, cultura e desporto da equipa de intervenção nos 3 campos de Iriba, cidade do Chade, junto à fronteira com o Sudão do Sul. Em 2017, partimos para os Camarões. Neste país, que era a nossa base, o Joseph supervisionava a gestão de todos os projetos desenvolvidos em 3 países da sub-região: Camarões, com refugiados vindos da República Centro Africana (RCA); Chade com refugiados do Sudão do Sul; República Centro Africana, com deslocados internos. A Mónica coordenava os projetos de educação, parte técnica, de 6 países: Camarões, Chade, República Centro Africana, Burundi, República Democrática do Congo e Tanzânia. Todo este trabalho foi realizado na ONG Serviço Jesuíta para os Refugiados (JRS), que desenvolve trabalho em cerca de 50 países em todo mundo, onde existem refugiados ou deslocados internos. Refugiados e deslocados internos fazem parte de um grupo maior a que se chama deslocados forçados. Quando as pessoas são obrigadas, forçadas a deslocarem-se do seu país para outro devido a conflitos, guerras, perseguições ou desastres naturais (cheias, tsunamis, erupções vulcânicas, etc) são chamadas de refugiados. Quando esta deslocação forçada, pelas mesmas razões, acontece no próprio país, estas pessoas são designadas por deslocados internos. No fundo, refugiados ou deslocados internos não são mais do que pessoas que, por não estarem em segurança, por perceberem que a sua vida e a vida dos seus filhos e restantes familiares está em perigo, arriscam sair das suas casa (se estas ainda não foram destruídas), das suas aldeias e cidades à procura de um lugar onde possam sobreviver, onde possam ter alguma segurança, tranquilidade e algumas das suas necessidades básicas satisfeitas, sendo a maior a da vida. Ao contrário do que é, por vezes, anunciado nas redes sociais para assustar os mais desatentos, os países europeus, onde se inclui Portugal, não estão a ser “invadidos” por refugiados. Os dados recolhidos, cada vez com mais cuidado (podemos garantir), de 2019 dizem-nos que em 2018 o número de refugiados foi de 25,9 milhões em todo o mundo, incluindo os 5,5 milhões de refugiados palestinos sob o mandato da Agência da ONU de Assistência aos Refugiados Palestinos (UNRWA). Mais de dois terços de todos os refugiados vêm de apenas cinco países: Síria — 6,7 milhões; Afeganistão — 2,7 milhões; Sudão do Sul — 2,3 milhões; Mianmar — 1,1 milhão e Somália — 900 mil. Os países que acolhem o maior número de refugiados são: Turquia — 3,7 milhões; Paquistão — 1,4 milhão; Uganda — 1,2 milhão; Sudão — 1,1 milhão e Alemanha — 1,1 milhão. À exceção da Alemanha, a maior parte dos refugiados não se conseguem deslocar para muito longe dos seus países de origem. São na maioria pessoas com muito pouca capacidade económica e com menos capacidade para deslocação, como as mulheres, crianças e idosos. Assim, o país vizinho ou o seu próprio país são a solução, como é o caso dos países onde trabalhamos. No Chade, os refugiados são oriundos do Sudão do Sul, devido à crise/conflito do Darfur; nos Camarões os refugiados são da
República Centro Africana (CAR), devido ao constante e ainda atual conflito interno entre rebeldes e o Estado; na República Centro Africana trabalhamos com a população local, obrigada a deslocar-se de uma aldeia para outra ou de uma região para outra, devido aos ataques dos rebeldes; no Burundi, os refugiados são oriundos da República Democrática do Congo, devido ao conflito interno constante entre o governo e os rebeldes; na República Democrática do Congo com deslocados internos, pela mesma razão e na Tanzânia com refugiados oriundos do Burundi, por serem perseguidos pelo governo que ainda permanece no poder. Tudo isto parece muito estranho e confuso, mas é uma situação real e, em alguns casos, existente há mais de 15 anos. Não se pode, nesta situação, falar em emergência, mas em situações humanas perpetuadas de falta de direitos e bemestar em países, maioritariamente, escassos em serviços básicos, alguns mesmo em recursos naturais, como água e alimentos de primeira necessidade. Mas de que forma contribuímos para garantir algum bem-estar? Nós escolhemos contribuir trabalhando na área da educação. O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), no relatório Stepping Up": Refugee Education in Crisis, informa que 7,1 milhões de crianças refugiadas estão em idade escolar e que 3,7 milhões - mais de metade - não frequentam a escola. À medida que a idade avança, as dificuldades de continuarem a estudar são maiores: apenas 63% das crianças refugiadas frequentam a escola primária, em comparação com 91% a nível global. Em todo o mundo, 84% dos adolescentes frequentam o ensino secundário, enquanto apenas 24% dos refugiados têm oportunidade de o fazer. Sendo um direito humano básico, consagrado na Convenção sobre os Direitos da Criança de 1989 e na Convenção sobre o Estatuto dos Refugiados de 1951 a educação tem, neste contexto, um papel que vai para além da obtenção de conhecimentos e desenvolvimento de competências. Os campos de refugiados, em particular os que surgem no momento de uma emergência podem, também, ser espaços de falta de bem-estar, isto é, falta de segurança, dos bens mínimos necessários para o corpo e espírito e repletos de violência física e mental. A escola aparece neste contexto como um espaço de normalização face ao que os forçaram a abandonar os seus países, cidades, aldeias e normalização face ao campo de refugiados onde chegaram. A escola, enquanto espaço físico e educação, que deve ser de qualidade, é um contributo precioso para o bem-estar. É segurança ao proteger as crianças e jovens refugiados do recrutamento forçado em grupos armados, do trabalho infantil, da exploração sexual e do casamento infantil. A escola, o acesso a uma educação de qualidade dá às pessoas – crianças, jovens e adultos, porque não podemos esquecer os educadores e professores e o seu bem-estar - os conhecimentos e capacidades para viverem vidas produtivas, gratificantes e independentes, garantia do respeito pela sua dignidade. Com ela desenvolve-se o espírito crítico, esclarecem-se as más interpretações, permitindo uma aprendizagem sobre si próprios e sobre o mundo à sua volta, reforçando a resiliência pessoal e da comunidade. É este o horizonte que se apresenta a nós a cada dia de trabalho, mesmo que as dificuldades possam ser muitas. O nosso trabalho engloba a construção de espaços de educação. Nem sempre escolas com muros, secretárias, cadeiras, manuais e outros materiais didáticos, mas sempre com esse objetivo, pois sabemos que a qualidade acontece, também,
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Num outro pátio da escola, os alunos reúnem-se para jogar. Bambari é uma cidade destruída pela guerra. Uma cidade onde o Estado não existe.São os grupos rebeldes que fazem a lei. É uma grande alegria ser capaz de captar estes raros sorrisos.
quando estes estão garantidos. Em quase todos os países em que intervimos, os projetos educativos abrangem todos os níveis escolares. Incluem a creche, garantindo, essencialmente, que as professoras, os professores e as alunas possam ensinar ou aprender sabendo que os seus filhos estão em segurança; o pré-escolar num processo pedagógico e lúdico; o ensino básico e o ensino secundário. Em alguns países, como no Chade, foram iniciados projetos de apoio a alunos no ensino superior, em universidades privadas e estatais. Com o objetivo de garantir a qualidade do ensino, dedicamos muito do nosso trabalho à formação dos educadores, professores e diretores de escola a nível formal, nos Institutos de Educação nacionais, garantindo um diploma reconhecido pelos Ministérios de Educação, e a nível informal através dos nossos programas desenhados por profissionais da área da educação e conhecedores da realidade de cada contexto. A dignidade e o bem-estar dos profissionais de educação vêm, também, desta capacitação em competências reconhecidas pelas autoridades nacionais, neste caso Ministério de Educação, na realização do seu trabalho, para além de tudo o que um bom trabalho, profissional e respeitador, reflete no quotidiano das crianças jovens e adultos. Trabalhamos, também, na construção de materiais pedagógicos e didáticos, adaptados a cada nível de escolaridade e contexto. Numa responsabilização conjunta pelo processo educativo, trabalhamos com os pais e encarregados de educação. Trabalhamos, também, na
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formação profissional e na inserção no mercado de trabalho para quem já tem esse direito, na educação para a paz, para a saúde, para as questões de género, de forma participativa. Recordo-me com muito carinho a imagem de meninas e raparigas no Chade penduradas na janela da escola, porque não havia mais espaço dentro da sala, para discutirem questões ligadas à menstruação e reprodução. Depois há tudo o mais que é detalhe e que torna a experiência ainda melhor e que são as relações interpessoais, as amizades que ficam e os momentos de partilha, de trabalho, uns mais duros que outros. E isso normaliza, faz-nos, a todos, sentir com menos peso uma realidade que não foi escolhida. São os momentos dos campeonatos de volley com alunos, alunas e colegas de trabalho. O ouvir, em debates apaixonados o que são os sonhos dos jovens. É sentir a tristeza de uma jovem com o coração despedaçado por um amor não correspondido. É presenciar as dinâmicas e despedidas de amizade, depois de 3 meses de vida e aprendizagem conjunta na formação de professores, onde bebés nasceram e todos iam muito mais enriquecidos. Relembramos com muito carinho a viagem pelo deserto em que participamos, os dois, durante um dia inteiro. Transportados em camiões sem condições, professores e professoras, alunos e alunas, algumas grávidas, fizeram o percurso que os levou ao local onde se iam realizar os exames nacionais finais do secundário. Com eles partilhámos a vergonha, de alguns, de terem sido detetados a copiar. Este foi um momento muito especial para os jovens que, pela primeira
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vez, saíram da sua comunidade. Longe dos pais, embora acompanhados por alguns professores, e longe das pressões culturais e sociais da sua comunidade, puderam ser mais eles próprios. Há também todo o companheirismo e a amizade que se cria entre os colegas, que no meio de calor, desconforto, stress, frustração, afastamento da família, se transforma numa família especial que nos permite, também, bem-estar. Preferimos acabar com esta ideia positiva de normalização, com o lado que mostra que, no fundo, somos todos iguais na procura do que nos pode dar bem-estar, independentemente da experiência que pode tornar o processo mais difícil, porque a causa é mais difícil: conflitos, guerras, insegurança e desastres naturais. O trabalho de apoio aos refugiados, com quem é forçado a abandonar o seu território nem sempre é feito de forma adequada. Na maior parte das vezes, é influenciado por interesses que não os dos próprios refugiados e, como em todo o trabalho com pessoas, é dinâmico e necessita de reactualização constante. Temos a certeza que não é suficiente e, olhando para a realidade mundial, política, económica e climática, eventualmente tornar-se-á mais necessário e mais complexo. Talvez fosse interessante, enquanto alunos e professores, refletir, nas diferentes disciplinas, como as aprendizagens nos podem ajudar a compreender melhor esta realidade e, se assim considerarem, ajudar a evitá-la aqui, na vossa realidade, no quotidiano de consumo e no conhecimento da realidade do outro, que é um eu como nós. Nós escolhemos trabalhar em situações de emergência, de apoio humanitário usando as capacidades e competências que temos: pedagógicas, didáticas, de educação formal e não formal, de gestão de projetos e humanos. Não mudamos o mundo e não percebemos se mudamos a realidade de alguém, mas temos a certeza que contribuímos para algum equilíbrio no bem-estar, no nosso e no dos outros.
As duas imagens anteriores foram tiradas numa sala de aula na Escola Primária Árabe Franco-Árabe em Bambari, República Centro Africana. A escola está situada na Grande Mesquita de Bambari. A escola foi criada quando o conflito entre os rebeldes se tornou muito intenso no centro da cidade, privando as crianças da escola.
1 Retirado a 29.08.2020, em https://nacoesunidas.org/numero-de-pessoasdeslocadas-no-mundo-chega-a-708-milhoes-diz-acnur/ 2
Realizado na escola primária franco-árabe durante uma missão de campo em Bambari. Joseph Théra está na foto.
Retirado a 29.08.2020. em https://www.unhcr.org/news/press/2019/8/5d67b2f47/refugee-education-crisishalf-worlds-school-age-refugee-children-education.html 3
Retirado em 29.08.2020, em https://www.unhcr.org/education.html?gclid=CjwKCAjw4rf6BRAvEiwAn2Q76lkt SG4fk0KOFNt8r1yNcNnkTwmTPzzLq6yFA46dSmWrN5RZ3k0CxoCzSAQAvD_BwE&gclsrc=aw.ds
Formação pedagógica de formadores, com os diretores das escolas dos campos de refugiados no Burundi. Os refugiados são oriundos da República Democrática do Congo. Nesta foto está presente a Mónica.
DE DENTRO
PERFIL
Nuno Ferreira O Nuno Miguel Carrilho Ferreira, tem 32 anos (18-03-1988), é filho de Lídia e Rui Ferreira, irmão de Pedro Ferreira (ex-aluno do nosso Colégio entre 1987 e 1997). Estudou no Colégio desde os 5 anos de idade (último ano de pré em 1993 e terminou no 9.º Ano em 2003). É licenciado em Motricidade Humana – Educação Física e Desporto e Mestre em Ensino da Educação Física no 2.º, 3.º Ciclo e Secundário. Durante o Ensino Superior percebeu que o seu sonho era ser Professor de Educação Física, mas não em qualquer lugar… O sonho dele era “Ser Professor de Educação Física no Colégio Campo de Flores”! Hoje o seu sonho é uma realidade!
1. Qual é a tua maior qualidade? Adoro fazer os outros rir e sentir que as pessoas estão bem e alegres junto de mim. O sentido de humor é algo que privilegio bastante. Considero-me uma pessoa ambiciosa e que procura fazer sempre um pouco mais. 2. E o teu maior defeito? Sou extremamente teimoso e faço de tudo para não ser chamado à atenção. Quando não sei fazer alguma coisa, procuro informar-me antes para tentar fazer bem feito e não correr esse risco. 3. O que mais aprecias nos teus amigos? O sentido de oportunidade. Gosto de correr atrás dos meus amigos e aprecio bastante quando o fazem também. Adoro quando um amigo me procura sabendo que eu estou menos bem ou até mesmo quando o fazem só porque há um momento de felicidade meu. Ficarem felizes por mim, é algo que valorizo bastante. Dificilmente alguém que não é bem disposto fará parte do meu círculo de amigos, daí o sentido de humor ser algo que tanto valorizo. 4. Qual é a tua ideia de felicidade? Uma fantástica viagem a um destino paradisíaco que inclua (obrigatoriamente) praia, onde esteja a minha
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mulher e os meus grandes amigos. Onde tenha a oportunidade de comer bem, apanhar sol, dar bons mergulhos, rir-me e... praticar desporto. 5. Quais são os teus autores preferidos? Dan Brown surge claramente na linha da frente. Cativa-me a sua escrita, assim como o conteúdo dos seus livros. Logo de seguida, Ken Follet aparece como um dos meus autores de eleição. Não poderia deixar de referir um autor que não leio há bastante tempo, no entanto marcou claramente a minha infância/adolescência, Nicholas Sparks. Não me recordo de um livro da sua autoria que não tenha lido, bem como os outros dois referidos anteriormente. 6. Quem são os teus heróis na vida real? O meu irmão. Desde pequeno que sempre olhei para ele como um exemplo a seguir. Pela educação, pela forma de estar, pela postura, pela cultura, pela inteligência. “Quando for grande” não gostava de ser como ele, pois ele é Médico e eu não trocava a minha profissão por nenhuma outra, no entanto admiro bastante todas as caraterísticas pessoais que referi anteriormente. Ao longo dos anos, veio demonstrando ser o pai que um dia espero ser.
7. Qual é a tua palavra preferida? “Obrigado”. Sem dúvida que a gratidão é uma das bases da minha forma de estar na vida. Agradeço por tudo e aprecio bastante quando o fazem também. Agradeço pelos amigos que tenho, agradeço pela vida que tenho, agradeço pelo meu trabalho. “Obrigado” aparece claramente na frente. 8. O que mais detestas? Arrogância, falta de empatia, desconsideração pelos outros. 9. Um sinónimo de Colégio Campo de Flores? Um? Um não é fácil. Família, seria possivelmente o sinónimo que se poderia destacar. Quando nascemos, existem pessoas e “coisas” que invariavelmente amamos. Nascemos com um amor tremendo pelos nossos pais, pelos nossos avós, pela nossa casa, pela nossa terra. E, ao longo dos anos, vamos aprendendo a amar outras pessoas e “coisas” como os nossos amigos, a nossa mulher, a terra para onde vamos viver. Nasci e, ao fim de 5 anos, claramente, torneime mais uma flor no meio de tantos outros. Hoje, é com uma alegria enorme que todos os dias trabalho numa casa que me acolhe há tantos anos. Sou feliz e bastante valorizado por trabalhar em minha casa, com a minha família. 10. Qual o professor que te marcou mais? Outra pergunta de resposta difícil. Mas mais uma vez é inevitável dizer que o Professor Alexandre se destaca dos demais. Digo aqui, pois o Alexandre sabe-o, que foi um dos principais responsáveis por eu hoje ser professor de Educação Física, por toda a paixão que tem no desempenho do seu trabalho principalmente, mas também pela competência que revela ao fazê-lo. Não posso deixar de destacar a Prof.ª Francisca (1.º e 2.º ano) assim como o Prof. Manuel (Ed. Física) que me acompanharam no 1.º Ciclo. Por outro lado, é tão bom ter a oportunidade de hoje em dia trabalhar com Professores que tanto me marcaram. A Prof.ª Ana Caldeira (é incrível alguém saber tanto, sobre tanta coisa), a Prof.ª Fernanda Neves (haverá alguém neste mundo que saiba ler como a Fernanda? Eu não acredito!), a Prof.ª Margarida Ferreira (é verdade que a Matemática de 9.º ano não era fácil e, nessa altura, eu era um adolescente menos
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ajuizado, mas a professora era fantástica), o Prof. Luís Martins (liderar e ensinar é com ele. E como eu amava “a sua” Matemática!), a Prof.ª Teresa Ribeiro (como é fascinante encontrar magia numa folha com um texto!), a Prof.ª Cândida (ela não existe pois não? Parece saída de um livro de BD. Que show. Sou fã e sempre fui!), a minha querida Prof.ª Graciete (que amor de professora, que amor de pessoa, que admiração que eu tenho e que privilégio!), não posso terminar sem referir o Dr. João Rafael (tive a honra de ser seu aluno, ainda que apenas por um ano, no entanto foi o suficiente para entendermos que a viagem pela História é incrível, que sabedoria!). Agora imaginem o quão fascinante é para uma pessoa ter a oportunidade de ser acarinhado todos os dias por estes extraordinários professores e amigos. Ter a oportunidade de entrar todos os dias em casa, com toda esta gente querida e fantástica por perto. Sou um sortudo, um privilegiado. Obrigado por tudo!
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11. O que é ser aluno do Colégio Campo de Flores? É ter a oportunidade de sermos super bem tratados, de recebermos o carinho de todos os que estão à nossa volta. É sentirmo-nos especiais na aula, no recreio e em casa por termos orgulho em dizer que somos ou fomos alunos deste grande Colégio. 12. O «momento» no Colégio? Como atleta que fui, professor e treinador que sou, é fácil perceber que o desporto não só faz parte da minha vida, como assume claramente um papel de grande destaque na mesma. Desta forma, posso dizer que não havia dias para mim como os dias das provas no Colégio. Fossem estas de atletismo ou de desportos coletivos. Com orgulho digo que tenho 64 medalhas do Colégio em casa. Por este mesmo motivo, todos os dias de Olímpiadas, Corta Mato, Campeonatos Inter Turmas eram dias de excitação enorme,
daqueles dias em que, na véspera, não dormimos garantidamente. Recordo com saudade a conquista do corta mato distrital de Setúbal e toda a atitude do Prof. Alexande e Dr. João Rafael, para a resolução de um problema surgido na reta final, como relata o Prof. Alexandre no seu último livro Um pouco de mim… 13. Hoje, o que permanece do Colégio na teu dia a dia? Há tanto do Colégio no meu dia a dia. Começamos pelo fato de ter a oportunidade de trabalhar como Professor de Educação Física todos os dias numa casa tão querida, passando por todas as recordações que tenho dos bons momentos que aqui passei, não esquecendo, em momento algum os grandes ensinamentos que daqui retirei ao longo de tantos anos. Ensinamentos não apenas das matérias lecionadas, mas essencialmente da forma de estar na vida, ña educação e no respeito por todos. 14. Um desejo para o Colégio? Que continue a crescer por muitos e muitos anos a ajudar na formação de mais e melhores crianças e futuros adultos, incutindo a boa educação, novas aprendizagens e preparação para um futuro melhor. 15. Qual é o lema da tua vida? “Nada do que valha a pena é fácil”. Da autoria de Nicholas Sparks, é uma frase que “retirei” do livro “Diário da Nossa Paixão”, talvez a minha primeira paixão literária. Identifico-me totalmente com a expressão e, ao longo dos anos, tenho-me agarrado muito à mesma. Se for para valer a pena, então temos de nos esforçar para o conseguir, porque se nos for dado de mão beijada, nunca o iremos valorizar da mesma forma.
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Família
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«É preciso toda uma aldeia para educar uma criança.» Carina Balcão e Paulo Veloso são pais do Afonso e da Violeta, nossa aluna do 7.º ano. São uma Eco-Família com verdadeiras preocupações e intervenções sociais exemplares, contribuindo ativamente para o seu Bem-Estar e o do Mundo… um Mundo muito melhor! “Sei que seria possível construir o mundo justo/ As cidades poderiam ser claras e lavadas/ Pelo canto dos espaços e das fontes/ O céu o mar e a terra estão prontos (…)”, Sophia de Mello Breyner Andresen 1. Que característica elegeria para definir a vossa família? Diria que a empatia está no centro de várias características que nos definem. Assistimos muito a uma vida centrada no “eu” sem que as pessoas consigam perceber que todos desempenham um papel fundamental para a sociedade, desde o senhor que varre a nossa rua às quintas-feiras, a D. Maria do café que escolhe o melhor pão, ao voluntário que diariamente antes de ir trabalhar vai alimentar todos os animais sem casa, etc., Tentamos ensinar os nossos filhos, apesar de ser um desafio na adolescência, que ajudar e tentar sentir o que aquela pessoa viveu ou está a viver é sem dúvida uma ferramenta essencial para um mundo melhor. A empatia com o
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nosso ecossistema, tentar fazer o nosso melhor todos os dias para que a nossa pegada seja o mais limpa possível e que cause o menor dano no nosso maravilhoso planeta azul. 2. Em que áreas desenvolveram a vossa formação? O Paulo estudou nos Salesianos no Porto, pouco depois iniciou a sua carreira na área informática praticamente de forma autodidata, é hoje Senior Network Engineer no UK. O meu percurso foi sempre pelas escolas públicas, fiz a minha licenciatura em Ciências Sociais e frequentei o mestrado em Matemática e computação. 3. Profissionalmente, abraçaram projetos que vos desafiam pessoal, mas também familiarmente. Sempre trabalhei, até quando estudava, em estudos de mercado e de pesquisa social. Em 2012, com uma amiga/colega e face à crise que o país atravessava decidimos abrir a
NÓS nossa própria em empresa de estudos de mercado, E.M. – Estudos de Mercado, Lda. Tr a b a l h a m o s m a i o r i t a r i a m e n t e c o m universidades do mundo todo na área social e empresas nacionais e internacionais. Tem sido um verdadeiro desafio para manter o equilíbrio entre a vida profissional e familiar trabalhar por conta própria e com o Paulo fora – ele trabalha num regime 2 meses no UK, 1 remotamente em Portugal. O Afonso terminou o 12.ºano e entrou para a classe de mergulhadores da Marinha. 4. O tempo da nossa vida vai sendo marcado por acontecimentos que se tornam indeléveis. Sem dúvida que os momentos mais marcantes na nossa vida são os nascimentos dos nossos filhos, e a morte dos pais do Paulo e nossos avós. Um é marcado por uma nova existência, pelo aparecimento de um amor pleno e o outro pelo desaparecimento físico de alguém que fez parte das nossas vidas e que nos ensinou a crescer. 5. Sabemos que a vossa família tem preocupações e ações muito concretas no que diz respeito ao “Bem-Estar: Nosso e do Mundo”. O voluntariado faz parte da nossa vida, quer no Canil ou Gatil a prestar cuidados e mimos aos animais de ninguém, quer na Refood no combate ao desperdício alimentar, ajudando as famílias mais desfavorecidas do Concelho. O voluntariado animal é feito pelos 4, mas agora com menos frequência cerca 6 horas mensais e a Refood pelas meninas às sextas-feiras. No combate ao desperdício e por um mundo mais ecológico (desafiadas por uma amiga de infância), inscrevemo-nos no concurso ECO FAMÍLIAS, onde as nossas práticas ecológicas familiares e comunitárias foram dissecadas. Ficámos em primeiro lugar, foi um orgulho especial para mim e para a Violeta, pois todo o material de concurso foi registado pelas duas. 6. A Violeta tem, para além da família e da escola, outros suportes que contribuem para a sua formação humana? A Violeta encontrou nos escuteiros uma das experiências mais enriquecedoras para ela, onde é constantemente desafiada a trabalhar para ser uma pessoa consciente e empenhada a nível social e ecológico.
NÓS
7. Para além dos escuteiros, que outras ocupações ou formas de lazer tem a Violeta e a família? Família: Caminhar no campo, montanha, observação da natureza, manualidades, jogar (jogos de tabuleiro e eletrónicos), ouvir e tocar música, ver streaming (habitualmente não vemos TV comercial). Violeta: Escutismo, dançar, desenhar, ouvir música, andar de skate. Afonso: Cross FIT, sair com os amigos. 8. Numa família em que os desafios pessoais são exigentes é necessário um trabalho de equipa para gerir e manter o equilíbrio? A nível profissional o Paulo aventurar-se numa vida fora de Portugal, por um trabalho intelectualmente mais desafiante foi e continua a ser uma das experiências mais difíceis de gerir. Apesar do tempo de qualidade diário: jantamos juntos todos os dias por vídeoconferência, temos o nosso mundo Minecraft onde Pai e Filha jogam frequentemente, ajuda nos estudos, etc., gerir a falta física, e solidão de quem está longe da família é muito difícil. Por outro lado, a mãe ao trabalhar por conta própria consegue gerir os horários de forma a que tudo decorra de forma
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menos penosa, mas trazendo sempre trabalhos de casa. A dinâmica familiar tem dias de verdadeira loucura, mas estamos todos determinados a manter o barco equilibrado. O Afonso já está em modo semiindependente, tem o seu trabalho, vai prosseguir com os estudos, mantém os objetivos e trabalha para os cumprir, o que nos transmite uma sensação de dever cumprido. “Regresso devagar ao teu/ sorriso como quem volta a casa.”, Manuel António Pina 9. N u m M u n d o d e p a r t i d a s e chegadas, existe sempre o nosso mundo, aquele onde nos sentimos felizes. Não há sítio mais marcante que a nossa casa, por mais que se viaje, sentimos sempre saudades de casa, do nosso sofá e do aconchego da nossa família animal (cão e gatos). Depois há os Açores, por toda a sua imensidão verde. Uma praia onde podemos enterrar os pés na areia quente.
NÓS
10. D o m e s m o m o d o , a n o s s a existência é marcada por pessoas únicas e inesquecíveis pela herança humana que nos deixam. Os nossos pais e avós, na sua vida humilde e simples, ensinaram os valores que hoje temos e que tentamos transmitir. 11. E que valores são os que vos regem? Honestidade, Humildade, 5 R's – Repensar, reutilizar, recusar, reciclar e reduzir. Valores sempre presentes no nosso dia-a-dia. 12. Por que razão optou por colocar o(s) seu(s) filho(s) no Colégio Campo de Flores? Para nós era fundamental sentir que existe um envolvimento e uma vontade de fazer mais e melhor. A Francisca transmitiu isto muito bem e ao longo dos anos continuamos a sentir em casa que o colégio faz parte de uma família para a Violeta. Mais do que ensinar matérias de programas curriculares, transmitir valores e ensinar outras valências que não estão disponíveis em todas as escolas é para nós um dos principais fatores de diferenciação e satisfação: trabalho de equipa, solidariedade, uma palavra amiga, positivismo. Os vários programas desenvolvidos de enriquecimento curricular têm sido sem dúvida uma mais valia educacional e ajudado a que as crianças de hoje, amanhã sejam adultos conscientes e preocupados com o mundo. 13. Este ano, o tema integrador é «Bem-Estar Nosso e do Mundo». O que lhe diz esse tema? O tema integrador não foi abraçado aqui em casa do ponto de vista do medo, mas do ponto de vista ecológico e de empatia com todos os seres. Cada vez é mais importante a consciência coletiva que as nossas ações por mais pequenas que sejam influenciam o nosso mundo e que a união faz a força. Juntos somos mais fortes e todos temos uma palavra a dizer, uma atitude a mudar para que o futuro deste planeta seja uma casa cada vez mais sustentável para todos os seres que nela habitam.
14. Lema de vida. Não temos nenhum lema de vida em particular, gostamos de viver ao ritmo da maré. 15. Como é um dia perfeito para si? Acordar. Um bom pequeno almoço, preparar a mochila com lanche prático. Partir todos em família (humanos mais cão) com o objetivo de descobrir uma qualquer floresta com uma caminhada sem pessoas, só pela natureza. Aproveitar e se o local permitir tomar um banho num riacho fresco. Aproveitar para observar a fauna e flora no ritmo lento. Voltar a casa ao fim do dia com as pernas moídas, mas a alma revigorada.
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DE DENTRO Estilo Gonçalo Machado – 11.º A Sílvia Correia – Psicóloga Educacional Carla Sofia Laneiro – Educadora
O Tema Integrador deste ano é «Bem-Estar: Nosso e do Mundo». 1. Em que medida este tema é pertinente nos dias em que vivemos? Gonçalo Machado – 11.ºA Nos dias em que vivemos, é muito importante que nós estejamos bem connosco e principalmente com o ambiente e as pessoas que nos rodeiam. Muitas vezes o nosso bem-estar significa o bem-estar dos mais próximos pois muitas vezes o nosso sucesso é o sucesso dessas determinadas pessoas ou vice-versa, o que mostra que o bem-estar nosso e do mundo é importante no nosso dia a dia, sendo praticamente necessário para que nós consigamos viver saudáveis e bem psicologicamente. Sílvia Correia – Psicóloga Educacional O lema deste ano letivo é pertinente, sempre; em todos os momentos da vida de cada um de nós. Cuidarmos de nós próprios e sentirmo-nos bem é fundamental para que tenhamos o equilíbrio necessário para aprender, para ensinar, para escutar o outro, para usufruir do que de melhor nos acontece, para lidar com os desafios… podia estar aqui o dia todo! O nosso bem-estar tem também uma influência direta no bem-estar de todos os que nos rodeiam ou com quem nos cruzamos. “É contagioso”! Como as gargalhadas! Este ano, mais do que nunca, o tema integrador fez tanto sentido… a própria vida fez-nos parar e cuidar de todos e de cada um de nós. De forma mais ou menos proativa, mais ou menos solidária, mais ou menos intencional, cada um deu de si, adaptou-se e contribuiu para colorir o nosso planeta! Trabalhámos em conjunto, cada um fez a sua parte, em prol de um todo… de um trabalho de equipa mundial, com o objetivo máximo de promover o Bem-Estar… o Nosso e do Mundo! Carla Sofia Laneiro – Educadora de Infância Diariamente, o nosso Bem-Estar reflete-se em diferentes domínios da nossa Vida, tanto ao nível físico, como emocional e social/relacional. É, pois, fundamental, incluirmos no nosso dia-a-dia boas práticas que assegurem esse Bem-estar. O segredo está em conseguir manter o equilíbrio entre o corpo e a mente, entre o pessoal, o profissional, o familiar e as amizades, desenvolvendo a nossa empatia e resiliência para connosco e para com o Mundo, do qual somos impreterivelmente parte integrante. Assim, o nosso Bem-estar está diretamente relacionado com a harmonia de tudo o que nos rodeia e essa harmonia só poderá efetivar-se se nos empenharmos em cuidar e nutrir um bom ambiente cívico, que respeite e garanta o Bem-estar de tudo e de todos, numa perspetiva ecológica e afetiva. O nosso Bem-estar e o do Mundo devem ser indissociáveis e deveremos mover todos os nossos esforços no sentido de zelarmos pela saúde mental e física de todos.
2. Como se concretiza este tema no dia a dia do nosso Colégio? Gonçalo Machado – 11.ºA No nosso colégio não é exceção, pois os nossos funcionários, colegas, o diretor João, dão tudo para nos assegurar esse bem-estar para que nos seja possível dar todas as oportunidades necessárias para seguirmos os nossos sonho e objetivos para termos sucesso na nossa vida. Todos os nossos colegas fazem também tudo por nós e dão-nos essas mesmas oportunidades de sermos felizes e ter sucesso. Sílvia Correia – Psicóloga Educacional É curioso que esta pergunta me seja feita a mim! Somos uma escola! Este tema, sendo tema integrador do ano, ou não, é sempre um objetivo essencial! O Departamento de Psicologia e Orientação Escolar, do qual faço parte há quase vinte anos, existe com o objetivo de promover o Bem-Estar de todos os que vivem a/na escola: alunos, colaboradores e as famílias que nos escolheram para as auxiliar nesta bonita tarefa que é educar os seus filhos. Carla Sofia Laneiro – Educadora de Infância No dia-a-dia do nosso Colégio, temos como objetivo principal criar um ambiente harmonioso, desafiante, promotor de saúde e de aprendizagem, que proporcione o bem-estar dos nossos alunos e funcionários e, consequentemente, da nossa comunidade. Acreditamos numa aprendizagem baseada em valores e princípios, a que chamamos as nossas Regras de Ouro. Promovemos e incentivamos o trabalho em equipa, a boa comunicação, o respeito, a amizade, a responsabilidade, a criatividade, a humildade, a solidariedade, a gratidão, o otimismo e a perseverança, sempre numa perspetiva fraterna de que o Mundo somos todos Nós e que devemos contribuir para um futuro melhor.
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DE DENTRO Pontes Dora Palma Na equipa desde 2009, Dora Palma é Sustainability Manager do Rock in Rio, onde coordenou a primeira implementação do sistema de gestão de eventos sustentáveis no Rock in Rio e a respetiva certificação na ISO 20121 - Eventos Sustentáveis, em 2014. Coordena e desenvolve os projetos de mobilidade e acessibilidade, gestão de resíduos sólidos, inventário da pegada de carbono, projetos de redução e compensação, plano de ação de sustentabilidade. Além disso, desenvolve e coordena as campanhas de consciencialização sobre desenvolvimento sustentável do Rock in Rio.
POR UM MUNDO MELHOR Em 1985, quando o Rock in Rio surge pela primeira vez pela mão de Roberto Medina, o Brasil estava a sair duma ditadura militar, os jovens tinham necessidade de se expressar e havia no ar muita incerteza e insatisfação. O Rock in Rio surge com a intenção de criar um evento com uma qualidade nunca vista, para mostrar o valor do país e o que de bom se podia fazer que trouxesse qualidade de vida às pessoas no Rio de Janeiro, demonstrando desde a primeira edição, a ideia de que para eu estar bem os outros precisam de estar bem. O Rock in Rio utiliza a música como linguagem universal, usa o seu poder para reunir pessoas não só para emocionar o público, mas também impactar a vida de cada um. Este sentimento permeia a história do festival, mas tomou forma concreta em 2001, quando nasce o projeto “Por um Mundo Melhor”, que nasceu para usar a força do festival para motivar as pessoas a procurarem melhorias de vida através de mudanças de comportamentos, da adoção de ações mais conscientes e em equilíbrio com o meio em que nos encontramos (social, económico e ambiental) e do conceito de responsabilidade na hora de decisão consciente dos impactes associados, não só para mim, mas também para o próximo. O início do projeto aconteceu com um movimento inédito. Noventa e oito milhões de pessoas uniram-se em torno de um gesto simples, mas com um significado poderoso: durante três minutos de silêncio, todos se reuniram por um mundo melhor. Já naquela edição, parte das verbas do festival foi utilizada em projetos sociais. Desde então, mais de 34 milhões de euros já foram investidos em ações que incluem a plantação de 304 mil árvores, a construção de uma escola na Tanzânia e um centro de saúde no Maranhão, a educação de 3.200 jovens no Ensino básico no Rio de Janeiro, a instalação de 760 painéis solares em 38 escolas em Portugal, a instalação em ONG de 14 salas sensoriais para melhorar a qualidade de vida de centenas de jovens portadores de necessidades especiais em Portugal, a doação de mais de 2.200 instrumentos para cerca de 150 instituições sem fins lucrativos, a construção de dez salas de música em escolas públicas, e a formação de assistente de luthier a 40 jovens de uma das primeiras comunidades pacificadas do Rio de Janeiro. Em paralelo com as ações para fora, a organização foi evoluindo as suas questões ambientais, sociais e económicas de forma a reduzir o impacto das suas
ações, tanto com o investimento num extenso plano para redução de emissões de CO2 do evento a nível internacional como na compensação das emissões de CO2 do festival tendo, em 2013, obtido pela primeira vez a certificação na ISO 20121 – Eventos Sustentáveis. Na área de gestão de resíduos tem também desenvolvido um grande trabalho onde garante a valorização e reciclagem do lixo produzido, tanto no Brasil como em Portugal, mantendo uma média de reciclagem na ordem dos 70%. Os nossos compromissos são os de envolver todas as partes interessadas e reduzir emissões de CO2 e resíduos gerados, além de melhorar a cada edição e manter a certificação na norma ISO 20121 – Eventos Sustentáveis. O Rock in Rio quer ajudar a transformar o planeta, não só através da música e do entretenimento, mas também através do apoio a causas sociais, ambientais e culturais. Mais ainda nesta nova realidade que ainda desconhecemos, mas que acreditamos que vai trazer ao de cima o que de melhor nós temos. Precisamos de estar atentos aos outros e de ajudar a suprir as suas necessidades para também nós estarmos bem.
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DE DENTRO Pensamento solto Inês Francisco Jacob Inês Francisco Jacob (1992). Frequentou o Colégio entre 2002 e 2007 (do 5º ao 9º ano). Licenciada pela FLUL, pós-graduada pela FCSH. Escreve desde que se lembra mas foi a partir da pré-adolescência que essa tarefa se tornou imprescindível. Tem poemas publicados nas revistas Apócrifa (Terças de Poesia Clandestina) e Telhados de Vidro (Editora Averno), e contribuiu com textos para teatro e para várias publicações online. É bolseira de criação literária da DGLAB 2020 (género poesia) . Será publicada, em breve, a sua primeira obra (a solo) pela não edições.
Amor
SER PROFESSOR É UMA GRANDE PROVA DE Entrei para o Campo de Flores no quinto ano e por lá permaneci até ao nono. Foram cinco anos cheios de tanto… memórias, amigos, emoções. Assim, ao recordar essa era irrepetível da minha vida, fico com vontade de abraçar muitas pessoas e viajo para dias felizes, plenos, de crescimento em tantos sentidos. Esses cinco anos de escola são fulcrais na aprendizagem de qualquer um. Já sabemos contar, sim, já sabemos ler, já sabemos escrever, mas começamos a utilizar essas ferramentas para outros alcances, para outras tentativas mais sérias, a aperfeiçoá-las. Aprendemos mais designações, mais conceitos, mais existências. Reflectimos sobre o que a História universal causou na nossa actualidade. Tentamos adaptar as equações ao quotidiano real. Agarramos nos poemas e dissecamo-los para compreendermos que as palavras também fazem falta. Muita falta. E tudo isto enquanto o nosso corpo cresce, a nossa mente expande, o nosso coração acelera. Não é fácil, é verdade, mas em retrospectiva…pode ser muito belo. O que cada um guarda em si, se for devidamente acompanhado e recebido pelos nossos professores, pode transformar-se numa imensa pérola. Quando alguém agarra em nós, na nossa mão, na nossa voz, e diz “isto é bom, continua, continua”, se formos mesmo capazes de escutar e de cumprir, então, ao crescer, verificamos que estamos a consolidar a nossa arte, seja ela qual for, tenha o alcance que tiver. E também apuramos o que já lá estava antes, o que já chamava por nós. Somos feitos de massa muito maleável nessa idade, mas também estamos no pleno das nossas criatividades e ânsias. Queremos crescer depressa, embora guardemos ainda alguma inocência, algum espanto primordial pelo sublime. E é tão maravilhoso quando alguém repara em nós... Foi justamente o que senti nesses cinco anos de Colégio. Tive a sorte de contar com a presença de vários professores que me agarraram e que me
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ajudaram a perceber que podia criar coisas boas e que nenhuma idade era pequena o suficiente para as adiar. No meu caso refiro-me à literatura, à escrita. O meu amor pelas palavras afirmou-se muito nesses anos. E confirmou-se, também. A disciplina de Português foi essencial para essa descoberta – é, para todos os efeitos, uma descoberta -, e sentia-me sempre tão feliz quando se guardava um momento de “motivação para a leitura”. A expressão explica-se por si só, mas é preciso deixar claro que esta intervenção era um maravilhoso e intencional exclusivo do Campo de Flores e que se fazia mesmo questão de levar às várias turmas, dos vários anos de escolaridade, esse colossal objecto: o livro. Reservado um momento da aula, a professora abria essa pequena dádiva e lia-nos excertos, falava-nos também do autor e da obra em causa, partilhando connosco o suficiente para nos deixar com água na boca mas sem revelar em excesso. Deveríamos ficar com vontade de, pelas nossas mãos e olhos, ler mais, continuar a história a fim de saber o que ia acontecer e, sobretudo, deveríamos fazer as pazes com as palavras, com o texto. Há muitos mal-entendidos com as letras… Mas, note-se, eu não estava chateada com as palavras, de todo, mas comecei a amá-las mais quando vi e senti o efeito que tinham em mim. Termos quem nos ajude a compreender melhor estes mistérios todos é uma sorte, uma bênção! Por isso, não posso deixar de referir as minhas professoras de Português que, ao longo dos meus cinco anos de Colégio, repararam em mim: Professora Teresa Ribeiro e Professora Fernanda Neves. Com estas duas queridas professoras em particular – já que insisto em destacar a literatura como a minha voz primitiva -, as aulas não eram só aulas, eram minutos de deleite, partilha e conhecimento. Também recebi muito carinho de outras professoras que não acompanharam a minha turma, como a Professora Cláudia Luís ou
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a Professora Vanda Leal, por exemplo. Queria conseguir explicar-vos o meu espanto contido na duração de uma aula. Li muito nesses cinco anos e creio que foi então que comecei a apreciar verdadeiramente esse silêncio tão especial de estarmos a sós com o nosso livro, nas mãos. E de, assim, ficarmos menos sós. Acredito que nunca li tanto como nessa altura. Tantos autores, tanta prosa, tanta poesia, com tanta avidez, tanta urgência. O que um professor pode ou deveria fazer passa, essencialmente, por ensinar-nos a utilizar uma bússola para que nos orientemos, para que possamos desvendar-nos melhor, para que consigamos tirar melhor partido daquilo em que encaixamos bem, em que podemos engrandecer, ser felizes. Quais os nossos dons? Somos melhores a Matemática? A Educação Física? Somos bons a Inglês? Preferimos História? Filosofia? Química? Ou Português? Somos mais crentes nas Ciências? Qual é a nossa disciplina preferida? O ideal seria, (nem sempre acontece, é verdade), que todos os professores estivessem atentos o suficiente para receberem de mãos abertas as divergências dos seus alunos e, nessa missão especial, compreenderem que não somos todos bons alunos a tudo e não somos todos iguais na forma como recebemos e reagimos às matérias, aos modelos, às aulas. Temos as nossas opiniões e, de igual maneira, as nossas complexidades e peculiaridades. Que alguém nos veja, verdadeiramente, é o que pedimos. No Colégio senti a justiça feita. Os professores percebiam, muitas vezes até quando nós não o
conseguíamos, quais os nossos ritmos preferidos, as nossas tendências, as nossas aptidões. Tínhamos voz, tínhamos tempo de antena, de Cacilhas tínhamos espaço para sermos Chafariz escutados e auscultados e não éramos encarados como parte de um todo que agia e reflectia por igual, não. E ainda bem! Por tudo isto, e por tanto, não tenho como agradecer suficientes vezes aos meus professores, com um carinho especial pelas minhas duas mestres de Português, presenças essenciais e inesquecíveis do meu crescimento. Não sei o que teria feito com as palavras. Se as teria ignorado, se as teria camuflado numa gaveta qualquer, se as teria dizimado. Não sei em que medida teria conseguido aceitar o seu lugar na minha vida, o espaço que ocupam nas minhas escolhas, na minha essência. Agora, sei que escrevo. Posso até dizê-lo em voz alta: escrevo. Consigo afirmá-lo. Sim, escrevo. Vejo que é verdade. Agora consigo – um dia de cada vez, não há pressa –, reconhecê-lo. Sei que escrevo. Gosto de o fazer. Preciso de o fazer. E em todos estes verbos confirmados quero exprimir o meu agradecimento. Há muita responsabilidade e muita magia nas mãos de todos os que acompanharam os meus e os nossos primeiros passos. Ser professor é mesmo, mesmo uma grande prova de amor. Obrigada a todos. NOTA: A autora do texto, por opção, não segue o Acordo Ortográfico de 1991.
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Gabriel Mithá Ribeiro | Colunista Residente Gabriel Mithá Ribeiro é natural de Moçambique, país a que se tem mantido ligado. Tem exercido diversas atividades, entre professor de História do ensino secundário, investigador do Instituto de Estudos Políticos da Universidade Católica Portuguesa (IEP-UCP), direção de seminários, conferência e palestras ou publicação de ensaios e artigos científicos na área do ensino e dos estudos africanos. Presentemente colabora como colunista no jornal online Observador.pt, fundado em 2014.
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A PRIMAZIA DO BEM-ESTAR MORAL Partilhemos uma máxima: é o interdito que funda o grupo, não é o grupo que funda o interdito. Interdito é aquilo que não se pode dizer ou fazer para que as sociedades possam existir. São os interditos que instituem a moral social sem a qual nem a condição humana faz sentido nem as sociedades são viáveis, a começar pelo Não matarás!, Não furtarás!... Aí começa e acaba o nosso bem-estar individual, institucional ou coletivo. O problema reside na imposição às sociedades de caminhos na direção contrária, matéria que merece muito mais discussão em colégios e escolas, instituições, conversas habituais, comunicação social, na Sementinha e um pouco por todo o lado. Em matéria tão sensível todos contamos. O interdito moral da morte, ou da inviolabilidade da vida humana, passou a poder ser quebrado. Depois de as sociedades terem domesticado a morte em muito por causa dos avanços na medicina, do acesso à saúde, do controlo da criminalidade violenta, da interdição da pena de morte, da promoção da paz ou do aumento da esperança média de vida, a legitimação moral e legal do direito de matar está de regresso através da interrupção voluntária da gravidez ou da eutanásia. Mesmo que essas práticas sejam restritas, não é possível negar que o interdito de matar foi quebrado, o que abriu a porta à subversão da mais ancestral utopia moral que sustenta a sanidade mental da espécie. O interdito moral da violação da integridade do indivíduo, dada a impossibilidade de fragmentar a mente do corpo, também está a ser quebrado. Ideologias políticas materializaram essa quebra por via legislativa com consequências em intervenções cirúrgicas que autonomizaram o sexo do género, isto é, o indivíduo passou a poder ser fragmentado entre o biológico e o mental. Ainda que hesitemos em dilemas que nunca suprimem o sofrimento, não restam dúvidas que foi quebrado outro interdito moral fundamental, porta sempre difícil de fechar. Não menos decisivo é o interdito moral da violação da propriedade individual e privada. Quanto mais quebrado tanto menos estáveis e prósperas são as sociedades. As nacionalizações da propriedade da Igreja ou de particulares têm constituído, ao longo da história, os maiores atropelos. Os sintomas perpetuam-se em excessos de carga fiscal que evidenciam a desproteção de indivíduos e sociedades face à violência do poder tutelar do Estado. Manifestam-se em ideologias políticas ou em teorias
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sociológicas e psicológicas que justificam e, por isso, alimentam a criminalidade como forma de repor a desigual distribuição da riqueza adulterando o significado moral e social não apenas da propriedade, como da justiça. Os mesmos pressupostos alimentaram a propagação da corrupção, outro fruto da desregulação civilizacional da representação da propriedade na mente dos indivíduos, ou a leviandade com que se deslegitimam as fronteiras nacionais como se a identidade dos povos nada valesse e como se não se sustentasse na filiação ancestral a uma propriedade territorial coletiva. Idênticos sintomas manifestam-se na grafitagem de edifícios ou na vandalização de automóveis, por norma propriedade de nãoabastados, assim como alastram em escolas onde hoje se ensina a gerir um orçamento participativo, isto é, a distribuir o fruto do trabalho alheio antes do próprio indivíduo ter concluído a sua formação escolar, antes de ter trabalhado e antes de ter ganho o seu próprio salário, o que subverte os princípios tradicionais da relação moral e social com a propriedade. Em suma, o interdito moral da violação da propriedade vem sendo quebrado, um domínio no qual as boas intenções políticas espoletaram sempre consequências sociais perniciosas. No atual contexto civilizacional, os nossos quotidianos são atravessados por muitas outras quebras de interditos morais. É essa herança que queremos legar às próximas gerações?
1 Excerto adaptado a partir de outro texto do autor.
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