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Outro futuro é possível
Rebeca Gryspan* Secretaria-Geral Ibero-Americana
Enfrentamo-nos a desafios importantes, mas a nenhum impossível. Com avanços e retrocessos, a nossa região já ultrapassou obstáculos muito mais difíceis. As sociedades são exigentes e isso não deve ser visto como uma ameaça, mas como um padrão de qualidade. O caminho por percorrer determina o ano 2030 como o ponto de chegada, mas sem qualquer dúvida o mais importante é a nossa atitude ao longo do trajeto.
Isaiah Berlin afirmou que os filósofos são adultos que continuam a colocarse perguntas infantis. E não o dizia a brincar: ele, talvez um dos maiores filósofos políticos do século XX, via o mérito da visão incólume das crianças. Escrevo estas linhas com a intenção de fazer algo parecido. Com a intenção de vos convidar a fazer um exercício que alguns considerarão ingénuo, ou (por que não) infantil: o de imagina como será o ano 2030 na IberoAmérica se formos capazes de cumprir os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. “O caminho não foi fácil, mas a luta valeu a pena. Ao longo da última década conseguimos transformar paulatinamente as nossas instituições para as colocar ao serviço das exigências da nossa cidadania. Abrimos as portas das nossas instituições às pessoas.
* ERebeca Grynspan, economista e ex. vice-presidenta da Costa Rica, foi eleita Secretária-Geral Ibero-Americana a 24 de fevereiro de 2014 pelos 22 países que constituem e Conferência Ibero-Americana. Iniciou o seu mandato no dia 1 de abril de 2014. É a primeira mulher a ocupar o cargo.
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Pouco a pouco, vimos como se reduzia a pobreza e a fome, e como os serviços públicos básicos, como a saúde melhoraram substancialmente. Os nossos modelos educativos também se transformaram. Apercebemo-nos que devíamos desenvolver as competências e capacidades dos jovens para os poder integrar num mercado de trabalho em transformação e muito dinâmico. Graças a isso, aumentámos significativamente a qualidade do emprego. Contribuímos com trabalhos dignos para a melhoria do desenvolvimento e diminuímos a lacuna da desigualdade em toda a região. Durante estes anos, observámos como as mulheres ocuparam substancialmente postos de direção em grandes empresas, presidências em diferentes países da nossa zona, prefeituras, congressos e ministérios; diminuiu o fosso salarial e compreendemos que a repartição dos cuidados da casa tinha de ser mais equitativa. Entendemos que a degradação do ambiente não era a via para o desenvolvimento e decidimos produzir e consumir de forma responsável. Aprendemos a conceber cidades sustentáveis e inclusivas, onde os transportes públicos se caracterizaram pela eficiência e suficiência. O governo e a cidadania reconciliaram-se, enquanto que o setor privado se tornou num grande apoio para melhorar a realidade social, económica e ambiental. Todos juntos, conseguimos criar uma grande aliança com a academia, sociedade civil, governos locais, cidades, jovens e mulheres do nosso continente… Uma grande aliança que nos tornou no que agora somos. Talvez tenha sido
a tarefa mais importante que jamais empreendemos, e ainda há um longo caminho a percorrer, mas o esforço, como disse antes, valeu a pena”. Isto é uma utopia, é verdade. Mas as utopias servem para alguma coisa. Servem para situar um destino no mapa. Para saber onde ir. Pois, como bem afirmava Berlin, quando dizemos que “podíamos estar melhor”, estamos a referir uma sucessão progressiva que termina em algum sítio. Nalguma utopia. Se não tivermos destino não temos rota. E deambulamos, perdidos. A Ibero-América está atualmente numa encruzilhada de onde pode seguir o caminho incorreto. Nessa encruzilhada a única opção clara é a Agenda 2030. Uma agenda que nos indica não só um destino, mas também um roteiro. Acreditar nela, acreditar no que descrevi no início, é acreditar em nós próprios e dar um passo firme para o nosso progresso. A ambição da Agenda 2030 é, portanto, o seu maior nutriente, pois leva-nos a pensar em grande. No entanto, também envolve um enorme desafio. Um desafio que estou convencida só conseguiremos ultrapassar se formos munidos de otimismo e realismo em partes iguais.
A Agenda 2030 no contexto atual Uma das críticas mais comuns à Agenda 2030 é que abarca demasiado.
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Não há dúvida de que se trata de uma agenda muito ambiciosa: erradicar a pobreza e a fome, reduzir as alterações climáticas e proteger o ambiente, alcançar a igualdade de género e diminuir as desigualdades económicas e sociais, promover o crescimento económico sustentável, e construir sociedades mais justas e pacíficas, são desafios pela sua natureza complexos e entrelaçados que exigem um esforço titânico por parte de todos os níveis da sociedade.
As sinergias entre setores, agentes e territórios serão o nome do jogo e o vínculo fundamental nos próximos doze anos. No entanto, não há maior mostra de que estes esforços se podem alcançar do que a forma como a própria Agenda foi concebida. Um verdadeiro triunfo do multilateralismo: 193 países que conseguiram chegar a acordo sobre dezassete objetivos prioritários, com os seus indicadores e metas, num processo que contou, para além de negociação intergovernamental, com uma vastíssima participação cidadã, do setor privado, da academia e dos restantes agentes da sociedade. Mais de 10 milhões de pessoas fizeram parte da maior consulta alguma vez realizada por uma instituição internacional.
Este triunfo do multilateralismo sublinha a maior força da Agenda 2030: é a única narrativa positiva que temos a favor da cooperação à escala global, num mundo onde começa a predominar a lógica da fragmentação e da polarização. A Agenda 2030 é, sem qualquer dúvida, um espaço onde se ouvem e juntam as vozes que preconizam mais diálogo, mais cooperação, mais solidariedade e mais multilateralismo. No caminho que devemos percorrer até ao horizonte 2030 é claro que ninguém pode avançar sozinho ou de forma segregada. As sinergias entre setores, agentes e territórios serão o nome do jogo e o vínculo fundamental nos próximos doze anos. Significará um grande esforço de coordenação, solidariedade e trabalho de equipa. Não há ninguém a quem os dezassete ODS não beneficiem ou a quem não prejudique o fracasso coletivo de não os alcançar. Esta é uma agenda que se constrói de baixo para cima e que exige a participação de todos e todas. A dimensão e a profundidade dos dezassete Objetivos de Desenvolvimento Sustentável obrigam-nos, portanto, a pensar em conjunto e a pensar estrategicamente. A encontrar as ações que podem criar maior impacto para poder catalisar e multiplicar a mudança. E a unir a pluralidade dos agentes que devem colaborar para o conseguir. Neste sentido, gostaria de contribuir para este debate com três linhas de
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ação que, na minha opinião, são vitais para o pensamento estratégico de que os ODS necessitam: 1) estabelecer grandes alianças 2) localizar as dinâmicas principais pela sua transversalidade 3) trabalhar num novo caráter institucional.
Uma grande aliança para ao futuro Precisamos de caminhar juntos, harmonizar diferenças e unir forças. Como bem sabemos, o desenvolvimento sustentável apoia-se em três pilares: no económico, no social e no ambiental. O problema é que, até agora, estes pilares funcionaram como feudos, como se se tratasse de um jogo de soma zero, no qual os lucros das empresas deviam necessariamente ser alcançados à custa do ambiente ou os progressos sociais representassem riscos para os negócios. A evidência demonstra-nos que isso não é verdade. Quando os setores realmente se conseguem coordenar, criam-se e multiplicam-se espaços de ganharganhar. A visão fragmentada do passado fracassava por não integrar conceitos como a sustentabilidade, ecossistemas e sinergias. Um erro que não é meramente académico: estes ecossistemas existiam e existiram sempre, só que às vezes não os víamos porque não os sabíamos
medir. Os êxitos da sociedade só perduram quando beneficiam todos os setores, quando todos em conjunto trabalham para os alcançar; quando incorporam o setor público, a empresa privada e a cidadania numa grande aliança. Vivemos num mundo cada vez mais interconectado. E quanto mais interconectados estamos mais dependemos uns dos outros e mais sinergias possíveis existem. Cumprir a Agenda 2030 só será possível se conseguirmos ser catalisadores dessas oportunidades e dessas alianças. A estrutura multinível e multiagente de que a Agenda 2030 necessita é uma estrutura na qual a Secretaria-Geral Ibero-Americana (SEGIB) e o Sistema Ibero-Americano já progrediram muito. Pensar em coletivo não é novo para nós. Reunimos Chefes de Estado e de Governo, como faremos na próxima XXVI Cúpula Ibero-Americana dos dias 15 e 16 de novembro em La Antigua, sim. Mas no quadro da Cúpula reuniremos e reunimos já também empresários, governos locais, ministros de todos os setores, líderes indígenas, universidades, representantes regionais e outros. Sabemos como os espaços para o encontro e a formação de acordos estratégicos contribuem para o debate, a análise e a busca de propostas que beneficiam de ter surgido do consenso, pelo que podem ser extremamente eficientes. É uma realidade: perante os grandes desafios que envolvem os ODS, a Ibero-América tem a particular vantagem de contar com esta estrutura institucional,
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uma estrutura que oferece a opção de alargar os espaços de interação, coordenação e cooperação de todos os agentes relevantes.
Objetivos transversais A ambição da Agenda 2030, como dizia, obriga-nos a pensar estrategicamente. Cumprir dezassete objetivos simultaneamente é, sem dúvida, um grande desafio. Um desafio que não poderemos superar se tentarmos cumprir cada objetivo, um por um, separadamente. Devemos aproximarnos dos ODS de forma holística. Aproximar-nos deles como um todo interligado. Observá-los como uma rede com alguns nós focais onde podemos encontrar mais eficiências e sinergias. E assim encontrar as dinâmicas mais transversais e trabalhar nelas. No meu ponto de vista, há três dinâmicas transversais na Agenda 2030 em que nos devemos centrar: a igualdade de género, a transformação económica para modelos de consumo e produção sustentáveis, e a desigualdade e, daí, a desagregação dos objetivos para colmatar as lacunas. Para além do argumento ético a favor da igualdade de género ou das abundantes evidências empíricas sobre o custo da desigualdade, permitam-me salientar o argumento aritmético a favor do empoderamento das mulheres e das meninas. Se queremos dar o salto nos diferentes objetivos e metas
da Agenda 2030, não há via mais eficiente que a que afeta metade da população mundial. As mulheres são metade da economia verde (procura de produção sustentável no âmbito rural) e da economia azul (cuidar dos nossos mares e rios). São metade das vítimas da subnutrição e da pobreza. Metade dos habitantes dos ambientes poluídos. Metade dos cidadãos que vivem em centros urbanos disfuncionais. E assim sucessivamente. Realidades que se tornam evidentes nos 160.000 milhões de dólares que, segundo o Banco Mundial, custa a desigualdade de género na economia do planeta. As mulheres são, portanto, as principais aliadas para dar um salto exponencial para o desenvolvimento sustentável. O segundo objetivo transversal, tal como já referi, é a transformação dos nossos modelos de produção e consumo. A aposta num mercado que tenha a sustentabilidade no seu ADN. Uma transformação que, perante a ameaça das alterações climáticas, é urgente e que não será possível se não contarmos com o apoio dos dois lados da equação: cidadãos que exijam produtos sustentáveis e produtores que promovam práticas de sustentabilidade. Pelas vantagens que representam para a nossa região, gostaria de me centrar agora nas economias verde e azul. Para terem uma ideia, a América Latina concentra 50% da área florestal do
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planeta, o sumidouro de carbono1 terrestre maior do mundo, 12% da terra arável, quase quatro vezes mais recursos hídricos renováveis per capita que o resto do mundo, e 27% da produção de biocombustíveis2. Pouco mais de metade da eletricidade da América Latina provém de energias renováveis, relativamente aos 22% da média mundial3. Valores que deixam muito claro o potencial energético da região e que oferecem à Ibero-América a possibilidade de continuar a ser pioneira em várias áreas da produção sustentável; e que trazem benefícios que vão para além das alterações climáticas, benefícios esses que frequentemente ignoramos. Espanha, por exemplo, é líder mundial em energia eólica e solar, o que se observa claramente através das transformações ocorridas no campo espanhol. Em menos de uma geração, regiões diferentes, que antes se encontravam esquecidas por falta de emprego, estão hoje repletas de moinhos e painéis solares. Uma clara mostra de que a economia verde é também uma forma fantástica de desconcentrar a despesa da cidade para o campo, de reduzir a desigualdade regional em oferta de
emprego e de dar oportunidades de aprendizagem a uma população rural juvenil que ficará assim mais preparada para a economia do futuro.
A desigualdade de género custa na economia do planeta 160.000 milhões de dólares, segundo o Banco Mundial. Por sua vez, Portugal está a mostrar ao mundo as vantagens de transformar a economia dos mares, rios e portos no sentido da sustentabilidade. É um dos lugares onde mais centros de investigação e desenvolvimento trabalham na economia azul, oferecendo emprego a uma geração de engenheiros, cientistas e outros, e mostrando uma vez mais que a biodiversidade, quando respeitada, é também uma valiosa ‘matéria-prima’ para o desenvolvimento dos nossos países4. Por último, um dos principais aliciantes da Agenda 2030 é a redução da desigualdade em todas as suas formas. Um ideal que se alimenta do amor à justiça e da liberdade dos indivíduos
1. Um sumidouro de carbono é um depósito de carbono que absorve o carbono da atmosfera e contribui para reduzir a quantidade de CO2 no ar. Inclui oceanos e florestas. 2. McKinsey Global Institute, Where will Latin America’s growth come from? Discussion paper, April 2017, https://mck.co/2lk10QN 3. The Economist (10/12/2016), “Latin America is set to become a leader in alternative energy”, https://www. economist.com/the-americas/2016/12/10/latin-america-is-set-to-become-a-leader-in-alternative-energy Dados também no Databank do Banco Mundial. 4. Conference of European Schools for Advanced Engineering and Research (March, 2018), “Blue Economy in Portugal: An Ecosystems Approach”.
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para forjarem o seu próprio destino. Mas que, por sua vez, nos permite desagregar os indicadores e apontar para aqueles que mais esforços exigem. Por vezes as médias, mais do que indicam, ocultam. A nossa região é muito diversa e em partes diferentes enfrentamos desafios diferentes. Por exemplo: há zonas com mais desigualdade económica entre os jovens e os idosos, outras com mais desigualdade entre o âmbito rural e o urbano, e mais ainda com desigualdade educacional entre pessoas de várias etnias e origens. Devemos utilizar a riqueza dos indicadores que esta Agenda nos proporciona para poder, utilizando a desigualdade como eixo constante, pensar estrategicamente e colmatar as diferentes lacunas sociais de que padecemos.
Repensar as nossas instituições Por último, outra das linhas de ação que considero devemos abordar com urgência é a inovação institucional; sim, devemos unir forças com todos os segmentos da sociedade e aperfeiçoar o nosso objetivo no que promete ser mais eficiente. Mas isto não serve para nada se nós próprios não refletirmos a mudança paradigmática que representa a Agenda 2030. Precisamos de novas ideias, novos paradigmas e novas metodologias. Isto pressupõe ter vontade de experimentar. Pois para inovar é
necessário assumir riscos. Por isso, devemos orientar orgulhosamente a transição de culturas que castigam a experimentação, para culturas que a recompensam. Isto envolve um desafio duplo. Por um lado, fazer com que as instituições deixem de ser labirintos fechados para serem oficinas abertas à participação, às ideias e à inovação cidadã. Por outro lado, compreender que a cidadania não é nem deve ser recetora passiva de ações institucionais, mas tornar-se num agente proativo das suas próprias soluções. A cidadania é e sempre foi uma maravilhosa fonte de ideias para a melhoria. Devemos passar de uma sociedade defensiva que rejeita a política para uma sociedade propositiva que procura dar resposta aos seus problemas através de instituições em que de novo confia. Na Secretaria-Geral Ibero-Americana sabemos que também estamos sujeitos a esse desafio. Um desafio que assumimos com humildade, pois conhecemos perfeitamente a sua exigência. E que quisemos abordar de diferentes maneiras. Por exemplo, através da Iniciativa de Inovação Cidadã, promovemos uma rede de 18 laboratórios de inovação em diferentes países da região, aos quais demos apoio ao o seu desenvolvimento e internacionalização, e através dos quais oferecemos às instituições um valioso espaço de criatividade e à cidadania um importante canal
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construtivo e propositivo. Por outro lado, através da rede Civics fizemos o mapeamento do território e conectámos mais de 5.000 iniciativas de participação cidadã em 16 países e 32 cidades ibero-americanas. Estes são apenas alguns exemplos do que estamos a fazer, reorientando assim a nossa atividade habitual para o cumprimento da Agenda 2030. Aperfeiçoando a estrutura que temos para que se aproxime mais ao dinamismo dos futuros desafios. Para que esteja preparada para que todos a possamos usar.
O caráter interminável do trajeto Enfrentamo-nos a desafios importantes, mas a nenhum impossível. Com avanços e retrocessos, a nossa região já ultrapassou obstáculos muito mais difíceis, entre eles, abraçar a democracia e banir a guerra. Aprendemos a respeitarmo-nos mais e a conversar melhor. Incluímos mais pessoas no debate e incorporámos novos agentes na tomada de decisões. As sociedades são exigentes e isso não deve ser visto como uma ameaça, mas como um padrão de qualidade. Oxalá nesta história de transformação e superação encontremos chaves para empreender os desafios que ficam pendentes. As condicionantes sempre
existiram, o que fazemos com elas é o que gera resultados diferentes. Para alterar a realidade, devemos primeiro entender que temos o poder de o fazer, um poder que não é perfeito nem ilimitado, mas suficiente para rescrever o nosso próprio destino. Por enquanto, o destino imediato é a próxima XXVI Cúpula IberoAmericana de Chefes de Estado e de Governo, que terá lugar em La Antigua Guatemala, nos dias 15 e 16 de novembro, subordinada ao tema “Uma Ibero-América próspera, inclusiva e sustentável”. Três palavras que resumem a imagem desejada com que iniciámos este texto e que devem congregar os nossos esforços e atenção nos próximos anos, que vemos como três tarefas que agora, mais do que nunca, sabemos como conseguir realizar. Tarefas que este mês de novembro a Ibero-América se deve comprometer a concretizar através do histórico roteiro que nos oferece a Agenda 2030. O caminho por percorrer determina o ano 2030 como o ponto de chegada, mas sem qualquer dúvida o mais importante é a nossa atitude ao longo do trajeto. Convido-vos a que imaginemos que outro mundo é possível. Que, olhando o horizonte, recordemos as palavras do poeta Nâzım Hikmet e digamos com otimismo: “O mais belo dos mares ainda não foi atravessado”.