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Seafood Brasil_#64

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www.seafoodbrasil.com.br

#64 - Mai/Jun 2026

DE MUROS A PONTES

TUDO SOBRE A APAS SHOW, AQUISHOW BRASIL E EXPOCAMARÃO P16

RAIO-X DO PESCADO NAS GÔNDOLAS NACIONAIS P46

A FINA FRONTEIRA ENTRE O VAREJO E O FOOD SERVICE P58

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Entre o avanço das espécies importadas e a luta por mercados externos, cadeia do pescado busca construir caminhos para diálogos que aliviem tensões e garantam o crescimento do setor


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Uma inovação que amplia categorias e conquista consumidores. Nossa polpa 100% carne de salmão é ideal para hambúrguer, croquetes, pastéis, nuggets e muito mais — com todo o sabor e qualidade do salmão da Aqua.


EDITORIAL

U

FOGO AMIGO

ma mobilização motivada pela preocupação com a entrada da tilápia importada resultou, em São Paulo, em uma mudança tributária que atingiu também o salmão, a merluza, o panga e outras espécies que hoje compõem a oferta básica de grande parte das empresas brasileiras de pescado. Na reportagem de Capa desta edição (pag. 34), o advogado Welber Barral, que já atuou como árbitro do sistema de solução de controvérsias da Organização Mundial do Comércio (OMC), avalia que essa “guerra federativa” pode contrariar normas nacionais e compromissos assumidos pelo Brasil na OMC. Mais do que uma discussão jurídica, porém, o episódio expõe uma disputa interna que pode produzir consequências para toda a cadeia.

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Isso ocorre em um momento de clara expansão do consumo. Wilson Santos parte de uma projeção conservadora, de crescimento de 3% ao ano, para estimar que, até 2030, o Brasil precisará acrescentar entre 400 mil e 500 mil toneladas à oferta de pescado registrada em 2025, de aproximadamente 2,7 milhões de toneladas. A aquicultura brasileira vem apresentando uma expansão expressiva e deve continuar sendo protagonista nesse processo. Ainda assim, seria muito difícil atender, apenas com a produção doméstica e no ritmo exigido pelo mercado, a todo o aumento esperado do consumo, especialmente por conta da diversidade de espécies, cortes, faixas de preço e consumo do varejo e pelo food service.

É por isso que o Brasil compra do exterior. As importações não deveriam ser vistas necessariamente como adversárias da produção nacional, mas como parte de uma oferta complementar que ajuda a abastecer o mercado, ampliar o acesso do consumidor e sustentar o crescimento da categoria. Isso não reduz a legitimidade das preocupações da tilapicultura brasileira, que conquistou espaço depois de quase três décadas. Logo, é razoável que produtores cobrem condições equilibradas de concorrência, equivalência sanitária, previsibilidade regulatória e atenção a diferenças ambientais, trabalhistas e produtivas entre países. No entanto, o que não parece razoável é adotar instrumentos que atinjam indistintamente espécies e empresas sem relação direta com a origem do conflito, inclusive companhias que comercializam tanto pescado nacional quanto importado. A solução não pode comprometer essas empresas, tampouco ignorar os investimentos realizados na produção brasileira. Por isso, na reportagem de Capa, especialistas apresentam ideias e alternativas capazes de preservar o abastecimento, fortalecer a competitividade nacional e oferecer segurança jurídica a toda a cadeia.

Ricardo Torres Editor-chefe da Seafood Brasil

Produção doméstica e importação não precisam estar em lados opostos, pois são necessárias para que o pescado ganhe espaço na mesa dos brasileiros. Perder-se em disputas internas, enquanto o consumo permanece dezenas de quilos abaixo do registrado por outras proteínas, é um fratricídio que o setor não pode se permitir.


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SUMÁRIO

_ 08

5 perguntas

12 _Na água

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MKT & investimentos

Radar regulatório 30 _

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Na planta

34 _

As tensões do setor na busca por novos caminhos

Na gôndola 44 _

Estatísticas

Case Mantenedores 54 _

Na cozinha

_ 46

_ 56

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Personagem 64 _

Impressão Printi Crédito da foto de capa: Ilustração de Thalita C. Medeiros

Publisher: Ricardo Torres Editor-chefe: Ricardo Torres Editor-executivo: Léo Martins Repórter: Fabi Fonseca Designer: Thalita C. Medeiros CS Manager: Amanda Albuquerque

Redação redacao@seafoodbrasil.com.br

Sede – Brasil

Comercial comercial@seafoodbrasil.com.br Tiago Oliveira Bueno

CEP 04142-030

A Seafood Brasil é uma publicação da Seafood Brasil Editora Ltda. ME CNPJ 18.554.556/0001-95

Rua Guairá, 72 São Paulo - SP falecom@seafoodbrasil.com.br


A ABIPESCA segue promovendo o fortalecimento da indústria brasileira de pescados por meio de ações estratégicas que ampliam oportunidades de negócios, incentivam a internacionalização das empresas e reforçam a imagem do Brasil como fornecedor de pescados de qualidade, seguros e produzidos com responsabilidade. Nos próximos meses, estaremos presentes nos principais eventos do setor, conectando empresas, compradores e parceiros em importantes mercados nacionais e internacionais:

abipesca.oficial

SIAVS 2026 – O maior evento da cadeia de proteína animal do Brasil. Seafood Show Latin America 2026 – Principal feira de negócios do setor de pescados da América Latina. China Fisheries & Seafood Expo 2026 – Um dos maiores encontros mundiais da indústria de pescados, reunindo compradores e expositores de diversos países. Junte-se à ABIPESCA e faça parte das iniciativas que impulsionam o pescado brasileiro para novos mercados.

abipesca.com.br

@abipesca

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FORTALECENDO A PRESENÇA DO PESCADO BRASILEIRO NO MUNDO


5PERGUNTAS

FELIPE QUEIROZ economista-chefe da Associação Paulista de Supermercados (Apas)

Divulgação

Economista-chefe da Apas, Felipe Queiroz analisa as tendências do segmento, como o impacto do uso de canetas emagrecedoras, o crescimento dos congelados, a escassez de mão de obra no varejo e os caminhos para a indústria superar desafios logísticos e conquistar relevância no mercado.

H

Por Fabi Fonseca

á coisas que nunca mudam, e uma delas é o fato de que abastecer o carrinho dos supermercados exige muita estratégia, seja pelo preço dos produtos, pela oferta, necessidade, desejo ou pelas tendências de mercado. Na era do consumo voltado à saudabilidade e à longevidade, o desafio do pescado vai além de atrair o olhar do público que busca uma vida mais saudável: exige, cada vez mais, uma atuação conjunta entre a indústria e o varejo alimentar.

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Afinal, embora as tendências apontem para novas oportunidades, quem atua nesse segmento sabe perfeitamente que colocar o peixe de forma consistente no carrinho do brasileiro ainda é um dos grandes gargalos do setor. Para decifrar essa dinâmica, que une o comportamento nas gôndolas à realidade das redes de supermercados, conversamos com Felipe Queiroz, economista-chefe da Associação Paulista de Supermercados (Apas). Segundo o especialista, o pescado vive um momento estratégico, impulsionado pelo aumento da renda real e pelo mercado de trabalho aquecido no País. No entanto, diante de um varejo altamente competitivo como o brasileiro, exigências logísticas como a padronização de porções e o cumprimento rigoroso das normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) tornaram-se premissas básicas, mas ainda são desafios para a construção de parcerias sólidas de longo prazo.


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Além disso, Queiroz reforça que a operação exige uma sinergia impecável na cadeia de frio entre os fornecedores (nacionais e importadores) e as redes varejistas para assegurar a máxima eficiência, qualidade e segurança do alimento que chega às gôndolas.

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1 Como você analisa o posicionamento do pescado no varejo atual, considerando as principais tendências de consumo, e quais são os principais gargalos existentes para a expansão do volume de vendas deste produto? O que podemos observar, inclusive com as pesquisas que a Apas tem realizado sobre o comportamento do consumidor, é uma busca crescente por saudabilidade - isso se reflete diretamente na alteração da cesta de produtos. Logo, o pescado se apresenta como um item importante nessa cesta, com muito potencial de expansão. Atualmente, as áreas costeiras e as próximas a rios são as que registram um consumo médio maior em relação à média nacional. Nesse sentido, nós observamos - não como um gargalo, mas sim como uma grande oportunidade de expansão para a indústria - o forte crescimento do segmento de peixes congelados. 2 Aproveitando o gancho sobre o estudo da Apas, um dos pontos inovadores apresentados este ano durante a Apas Show, que aconteceu em maio, foi o impacto dos medicamentos análogos de GLP-1 (as canetas emagrecedoras) na mudança do perfil de consumo. Pensando no mercado de pescado, de que maneira a indústria e o varejo podem trabalhar o marketing e o posicionamento para captar novos consumidores de olho nessa oportunidade? Há uma mudança estrutural em curso na sociedade: a busca por maior saudabilidade, por uma dieta equilibrada e o desejo de viver mais e melhor. A pesquisa que realizamos mostra que, quando as pessoas

“QUANDO A RENDA AUMENTA, O CONSUMO NÃO APENAS CRESCE, MAS SE TRANSFORMA: AS PESSOAS PASSAM A BUSCAR PRODUTOS DE MAIOR VALOR AGREGADO. É AÍ QUE SE ABRE UM LEQUE DE OPORTUNIDADES PARA O PESCADO, TANTO O NACIONAL QUANTO O IMPORTADO” começam a utilizar as canetas emagrecedoras, o objetivo vai além da perda de peso, pois envolve uma transformação no estilo e no padrão de vida. Isso abre um grande leque de possibilidades para a indústria do pescado, considerando que ele não é apenas uma fonte de proteína magra, mas também um alimento rico em ômega-3 e vitaminas essenciais. Sendo assim, é fundamental que o setor aproveite este momento como uma janela estratégica de expansão. Isso envolve desde a construção de um soft power [influência com atração e persuasão] para a cadeia, por meio de propaganda e marketing, até ações institucionais que estimulem o aumento do consumo na sociedade.

A indústria, de modo geral, acompanha as transformações da sociedade. Hoje, um dos grandes desafios do varejo diz respeito à empregabilidade e à atração de mão de obra especializada, desde o açougueiro até o peixeiro. Diante dessa escassez em áreas estratégicas para as lojas, abrese espaço para a expansão de produtos industrializados que tragam maior conveniência ao consumidor. Assim, o setor supermercadista consegue atender a diferentes nichos de clientes. Acompanhar a par e passo o comportamento da sociedade é fundamental para a indústria não perder o timing e, consequentemente, ampliar sua participação de mercado e o volume de vendas.

3 Durante a coletiva do evento, você mencionou que o varejo supermercadista brasileiro desenha hoje dois modelos de comercialização: a peixaria tradicional (com cortes feitos na hora) e o segmento de congelados, que está em franca expansão. Como a indústria de processamento deve se posicionar para atender a essa demanda por diferentes espécies e cortes, visando especialmente o mercado de congelados?

4 Os dados da Apas apontam que os perecíveis representam cerca de 44,3% do faturamento do varejo alimentar, tendo sido a única cesta que cresceu em volume em 2025. Em contrapartida, durante um comitê para o varejo realizado pela Seafood Brasil, representantes do setor mencionaram que as grandes redes de supermercados vêm reduzindo o espaço físico


crescerem. É a estrutura atual do mercado de trabalho que tem levado o varejo a buscar essas novas alternativas de exposição e oferta de pescado.

5Para encerrarmos a nossa

entrevista, quais são as suas perspectivas e projeções para o futuro do varejo de pescado no Brasil? Eu vejo um cenário de grande potencial. A participação do pescado dentro do volume total de proteínas animais consumidas no Brasil ainda é baixa, o que significa que há um espaço de crescimento enorme. A indústria avícola, por exemplo, fez um trabalho consistente ao longo do tempo com ovos e derivados que fortaleceu e ampliou seu mercado; o mesmo ocorreu com as indústrias bovina e suína. Esse mesmo movimento precisa ser feito pela indústria de pescado, envolvendo desde a ampliação do marketing institucional até o

incentivo direto ao consumo para alavancar as vendas na ponta. O segundo ponto é que os consumidores estão mudando de hábitos de modo acelerado, e acompanhar esse timing gerará grandes oportunidades. De forma geral, as expectativas para o setor são de crescimento, impulsionadas pelo aumento da renda real e pelo mercado de trabalho aquecido logo, a conjunção desses fatores macroeconômicos contribui para um consumo maior. Quando a renda aumenta, o consumo não apenas cresce, mas se transforma: as pessoas passam a buscar produtos de maior valor agregado. É aí que se abre um leque de oportunidades para o pescado, tanto o nacional quanto o importado. Sendo assim, embora já tenhamos uma presença consolidada de itens como o bacalhau e outros peixes tradicionais, ainda vejo essa indústria com um vasto potencial que permanece pouco explorado.••

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das peixarias tradicionais. Diante desse contraste, onde os perecíveis crescem, mas o espaço físico da peixaria encolhe, qual é a sua visão sobre a presença do pescado nas grandes redes supermercadistas? O grande desafio do setor não é o potencial de consumo, nem que as grandes redes queiram diminuir esse espaço por falta de interesse comercial. O problema real é a escassez de mão de obra especializada; faltam peixeiros, assim como faltam açougueiros. Isso abre uma excelente oportunidade para os produtos congelados e já porcionados - um caminho que a indústria bovina, por exemplo, já tem percorrido muito bem. Em vez de enxergar isso como uma dificuldade, o setor deve ver como uma oportunidade para oferecer novas soluções e produtos de maior valor agregado. Se houver investimento nessas opções prontas e convenientes, haverá espaço para as vendas


NA ÁGUA Produção aquícola e pesqueira

Crédito das fotos: Divulgação/Empresas

Bate forte o tambor

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Os filtros de tambor rotativo são as novidades da Tropical Aqua para a remoção de sólidos suspensos da água em diversos sistemas de tratamento e recirculação. Os equipamentos são atualizados com rotação variável, possuem modelos com capacidade de vazão de até 1.500 m³/h e estão disponíveis nas séries 400, 800 e 1.200.

Genética aprimorada A Tilamax da Real Fish é uma família de matrizes com melhoramento genético de tilápia certificada e desenvolvida em parceria com a Universidade Estadual de Maringá (UEM). Com 14 gerações testadas e aprovadas, a empresa destaca ainda que a solução gera mais de 80 famílias de diferentes cruzamentos ao ano.


Geração saúde Voltado a peixes e camarões em todas as fases de cultivo, o suplemento em pó DB AQUA da Imeve atua no suporte energético e metabólico dos animais. A formulação combina aminoácidos essenciais, vitaminas, além de probióticos e prebióticos que auxiliam no equilíbrio da microbiota intestinal.

Apoio na digestão e imunidade Novos probióticos da linha Sanolife agora compõem o portfólio da INVE Aquaculture. O PRO-W atua na decomposição de resíduos e redução de cianobactérias. Já o PRO-TAB fornece pastilhas de afundamento lento com Bacillus para o trato digestivo e suporte imunológico de peixes na recria. ••

Pescados com qualidade

Matéria-prima da melhor procedência, ótimas práticas de fabricação, instalações que respeitam a legislação e equipamentos de congelamento ultrarrápido são alguns dos fatores que garantem o padrão de qualidade Natubrás. São camarões, lulas, mexilhões, polvos e cortes nobres de peixes, em embalagens práticas e seguras ao consumidor.

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do Exija cedor e forn seu alidade a qu dutos pro dos ás ubr Nat

O sabor que faz a diferença


NEWS

MKT & INVESTIMENTOS As principais notícias sobre os aportes, expansões, movimentos corporativos e outros investimentos que agitaram o mercado de pescado nacional e internacional

Raguife projeta nova fábrica de ração para pescado no Nordeste Empresa de ração integrante do Grupo Ambar Amaral, a Raguife prepara a construção de uma nova fábrica no Nordeste. O investimento previsto é de cerca de R$ 50 milhões e faz parte da estratégia de expansão da companhia para atender com mais eficiência os polos produtores de peixe da região. A nova unidade deverá ser instalada entre os estados da Bahia, Alagoas e Pernambuco. A definição do município ainda depende de negociações com as prefeituras locais, mas a expectativa é de que a fábrica entre em operação até 2028.

Cencosud adquire St. Marche, que

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entra em recuperação judicial

Confira essas e outras notícias de investimentos do setor de pescado no site da Seafood Brasil:

EXPANSÃO

NÚMEROS

FINANCIAMENTO

LANÇAMENTO

REBRANDING

M&A

A varejista chilena Cencosud anunciou a compra integral da rede de supermercados premium St. Marche, em uma operação que condiciona a aquisição à conversão da recuperação extrajudicial da rede paulistana em judicial. O negócio ocorre após o St. Marche registrar um prejuízo líquido de R$ 188 milhões em 2025. A conclusão da transação depende do término da recuperação judicial e da aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).


Fider congela plano de expansão e foca em pescado premium em SP Braço de pescado do grupo paulista MCassab, a Fider decidiu paralisar temporariamente seus planos de expansão produtiva. A empresa alega que as incertezas que atingem o mercado como os impostos dos EUA e a entrada da tilápia do Vietnã, somada às altas taxas de juros no Brasil, forçaram a companhia a suspender o projeto de uma nova fazenda de engorda em Pedregulho (SP). O investimento de R$ 5 milhões praticamente dobraria a capacidade de produção da empresa, saltando das atuais 9,6 mil toneladas para mais de 17 mil toneladas anuais. Projetos para uma nova área de cultivo na represa de Igarapava, entre São Paulo e Minas Gerais, também não saíram do papel.

Ceará projeta complexo pesqueiro em São Gonçalo do Amarante O município de São Gonçalo do Amarante (CE) lançou o projeto de um novo Complexo Industrial Pesqueiro e Logístico que abrange também os distritos de Siupé, Taíba e Pecém. A estrutura visa integrar a produção aquícola e pesqueira regional à malha logística da ferrovia Transnordestina e ao Porto do Pecém. A ideia é ter, em um único lugar, indústrias de beneficiamento de pescado, agroindústrias, operações logísticas, empresas de tecnologia, energia, comércio e serviços. Entre as estruturas estão ainda um armazém frigorífico com capacidade superior a 3 mil toneladas, fábricas de farinha de pescado e novas unidades industriais. ••

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CAMARÃO ARGENTINO


FEIRAS E EVENTOS

MKT & INVESTIMENTOS

APAS SHOW 2026

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Acompanhe aqui os episódios do Podcast Seafood Brasil - Temporada Varejo

Confira como foi nossa cobertura para a Apas Show 2026 no portal lendo este QR Code

EXPLODE CORAÇÃO!

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ntre os dias 18 e 21 de maio, o Expo Center Norte, em São Paulo (SP), bateu no ritmo do varejo alimentar. Em sua emblemática 40ª edição, a Apas Show fez jus ao seu tema “Coração Supermercadista – Paixão que transforma o varejo” com 900 expositores e representantes vindos de 24 países. A feira recebeu mais de 153 mil visitantes crescimento de 7,9% em comparação ao ano anterior -, firmando ainda uma projeção de movimentar R$ 17,8 bilhões de negócios gerados. Para o pescado, o evento é um dos principais canais de diálogo com as grandes redes nacionais e internacionais. Por isso, o setor contou com delegações de países como Argentina e Portugal, por exemplo, além de uma participação de cerca de 25 empresas do segmento. Outra novidade para nosso setor é que, em parceria com a Apas Show, a Seafood Brasil gravou uma temporada focada em pescado no varejo para o Podcast Seafood Brasil. Em um estúdio montado dentro do evento, Ricardo Torres, CEO da empresa, recebeu especialistas e profissionais de diversas empresas do setor para discutir os principais assuntos do pescado no varejo nacional. A seguir, confira como a presença do pescado ajudou a pulsar o coração do varejo na Apas Show 2026!


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01 Márcio Ortega e Dalton Ortega (Baita Alimentos) 02 Pedro Carvalho, Leo Silveira, Rodrigo Mascareñas e Pedro Semedo (ASMI)

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03 Rafael Viola, Rosana Viola (Direto Dumar) e Marco Aurélio (Costa Marine)

06 Elsa Nicolau e Marcelino Pereira (Nigel)

04 Adriano Silva, Antônio Alves e Alessandro

07 Diego Silvério, Edison e Robson Vargas (CVale)

Fialho (Masterboi) e Ricardo Pedroza (Marchef Pescados)

05 Joaquin Armesto, Gonçalo Bastos, Bruno

Antunes e João Feiteira (Bacalhau Caxamar Brasil)

08 Júlio Cesar Antônio e Fabricia Roweder (Mar & Rio

10 Kleber Ronkoski, Marco Aurélio e Fabrício Alencar (Hecke Alimentos) 11 João Miranda, Gabriel Pires (Noronha

Pescados)

Pescados), Nanuk (ASMI) e Héber Marçal (Noronha Pescados)

09 Antônio Guimarães e Sidônio Barros (Soguima SA)

12 Angélica Seiblitz (BomPORTO), Nanuk e José Madeira (ASMI)

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MKT & INVESTIMENTOS | FEIRAS E EVENTOS - APAS SHOW 2026

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13 Fábio Shaen, Lauri Paludo e Adriana Vale (Bello Alimentos | Mar & Terra)

18 Evandro Correa e Marlon Manthey (LAR Cooperativa)

14 - Alessandro Medeiros, Mario Silva e Carlos Aragon (Bom Peixe)

19 Alexandre Lachi, Maurício Deliberaes e Paulino (Copacol)

15 Vicente Nunes, Marcelo Nasser, Ricardo Alves (Riberalves), Renato Costa, Sérgio Dantas e Silas Souza (Friboi)

20 Geraldo Neves e Ivan Lasaro Filho (Opergel | Oceani)

16 Eduardo Frasson e James Loureiro (Bom Peixe)

(American Seafoods)

17 Renata Dietrich e Kely Souza (Minerva Foods)

21 Thiago Ferreira (MGS Foods), Mike Cusack e Carolina Nascimento 22 José Ricardo Soler e Eder Krummenauer (Frumar)


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27 Paulo Miorelli, Tiago Alves (Costiero Pescados | Perte Alimentos), Letícia Baptistion (ASMI) e Gabriel Miorelli (Costiero Pescados | Perte Alimentos)

28 Ricardo Chueiri e Rafael Pereira (Aurora Coop) 29 Sergio Sousa, Patrícia Sousa, Angélica Seiblitz e Rafael Sousa (BomPORTO) 30 Equipe BomPORTO 32 Gustavo Pedroza (Marchef Pescados) e Tiago Bueno (Seafood Brasil | Seafood 37

23 Tiago Bueno (Seafood Brasil | Seafood Show Latin America) e Fábio Lima (Ecil | Inak) 24 Pedro Carvalho, Guilherme Nascimento, Pedro Semedo, Letícia Baptiston, Rodrigo Mascareñas, Gabriel Escalante e Augusto Alencar (ASMI)

25 Ronaldo Barros (Bras Fruit), Rafael Pedroza (Marchef Pescados), Lucas Tavares

Show Latin America)

33 Joaquín Chivite, Mercedes Osorio, Paulo Christofani, Eduardo Bredarioli e Miriam Ariz (Congelados de Navarra)

34 Thamires Quinhões (Abrapes) e Felipe Katata (Cermaq) 35 Pedro Henrique Pereira (Delly`s | Pesquali), Thamires Quinhões (Abrapes), Ivan Lasaro Filho (Oceani | Opergel) e Maria Stela Conte (Abrapes)

(Itaueira Camarões) e Ricardo Pedroza (Marchef Pescados)

36 Maicon Tosin (Planalto Fish), Rosa Malavacci (Abrapes) e Vitor Pieri (Planalto Fish)

26 Julio Nascimento (Brasmar | Marnobre), Rodrigo Vece (O Rei das Ovas), José Wellington (Brasmar | Marnobre) e Guilherme Lopes (O Rei das Ovas)

37 Luciano Calabria (Food Italia), Ronaldo Pechta, Tainã Alfano, Marcílio Alfano, Murilo Sonohara (Di Salerno)

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31 Alvaro Camargo, Anna Pizarro e Hugo Corales (ProChile)


FEIRAS E EVENTOS

MKT & INVESTIMENTOS

AQUISHOW BRASIL 2026

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Acompanhe aqui os episódios do Podcast Seafood Brasil - Temporada Produção

Confira como foi nossa cobertura para a Apas Show 2026 no portal lendo este QR Code

PEIXE DENTRO D’ÁGUA

A

Aquishow Brasil 2026 movimentou a cidade de Uberlândia (MG) ao reunir os principais elos da cadeia produtiva da aquicultura nacional. O evento apresentou de perto o potencial do segmento brasileiro e buscou ainda reforçar o papel estratégico de Minas Gerais no cenário nacional da piscicultura - em especial a região do Triângulo Mineiro. A feira registrou a participação de cerca de 6 mil visitantes vindos de 20 países. Em três dias de evento (09, 10 e 11 de junho), produtores, técnicos, pesquisadores e empresários circularam pelo pavilhão para firmar parcerias comerciais, avaliar a eficiência da atividade e conhecer novos insumos. E a exemplo do que aconteceu na APAS Show 2026, foi realizada também na Aquishow Brasil a gravação do Podcast Seafood Brasil, porém, com o foco inteiramente voltado à produção aquícola nacional. Em um estúdio estruturado dentro da própria feira, profissionais de várias empresas, lideranças e especialistas debateram com Ricardo Torres, CEO da Seafood Brasil, os rumos, os desafios estruturais e as principais oportunidades econômicas da produção nacional. A seguir, confira como foi o evento através das fotos dos expositores e visitantes do evento! ••


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05 Izabella Farias, Marcelo Shei (Altamar Sistemas Aquáticos | Tropical Aqua) e Gabriela Pereira (Sea Scient Group)

10 Lisandro Bauer, Marina Valdo (AquaVita) e Renato

06 Santiago Benites (Aquivet), Magnus Cossi e Marcelo Toledo (Phyraxis)

11 Andrey Chama, Renan Sousa, Warly Santos, Valéria Maria e Diego Antunes (SEPEA-TO)

03 Deborah Carvalho, Thiago Tardivo e Matheus

07 Francisco Medeiros (PeixeBR), Patrick Hainfellner e André Blanch (MSD Saúde Animal)

12 Natalia Shiogiri, Nilton Paraca Ishikawa (Simpop Tech | Aqua In) e Fabiana Pilarski (CAUNESP)

04 Victor Rasteiro, Bruno Urach, Emerson

08 José Longo, Wellington Rossitto, Bruna Wagner, Gustavo Costa, Thais Milena, Murilo Correa e Delton Pereira (Imeve)

13 Danilo Miyazaki (Cipatex | Polinutri) e Gabriel

09 Juliano Leal, Herbert, Luniel Arruda (Saciatta | Natter)

14 Marcelo Simão (Samaria Rações) e Fabio Rodrigues (Kemin AquaScience)

01 Marilsa Patricio (Aquishow Brasil), Emerson Esteves (Global Peixe), Gracielle Vieira e Lucas Patrício (Aquishow Brasil) 02 Cristiane Neiva e Daniela Castellani (Instituto de Pesca) Hyashida (Agronorte | Total)

Assakawa e Gabriel Sanita (Raguife)

Morandi (QualyFish)

Galindo (GKVJ | Hipra)

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MKT & INVESTIMENTOS | FEIRAS E EVENTOS - AQUISHOW BRASIL 2026

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15 Thiago Tardivo, Melanie Digmayer, Ricardo Ribeiro, Filipe Chagas, Natali Kunita, Pedro Castro, Max Rockli, Francisco Altimari, Gabriel Soriani e Mônica Dótoli (PeixeGen) 16 Filipe Chagas, Carlos Brandão e Francisco

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21 Renata Moreira e Rose Cardoso (Têxtil Sauter) 22 Ricardo Conolly e Marcelo Conolly (EngePesca)

31 Equipe Ministério da Pesca e

24 Rodrigo Souza e João Moutinho (Mercolab) 25 Ricardo Abdo, Diego Assis e Manoel Ribeiro (ADM)

18 Nedyr Chiesa, João Bordignon, Fabio Souza e Eniel Klein (Trevisan | Chiesa e Frighetto)

26 Fabio Rossi (Marine Equipment), Ricardo Schanoski, Débora Czaban e

19 Renato Morandi (QualyFish), Pedro Gomes,

27 Miguel Fernandes (Pathovet) e Jorge Oliveira (Meu Pescado)

(Guabi)

Sergio Malavazzi (Supra | Alisul)

30 Eduardo Urbinati (Phibro), Railton Prata

(Innutri) e Bruna Castro (Phibro)

Altimari (Real Fish)

20 Diego Viana, Karina Martins e Gustavo Pizzato

29 Renato Amaral, Guilherme Neto e

23 Mahmoud Wehbi e Ayoub Wehbi (Braspeixe)

17 Equipe Qualis Acqua

Carolina Vieira (Camarão da Carol), Allison Medeiros (Agronorte | Total) e (Dani Nomura) Vidara do Brasil

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Rafael Schanoski (Tatil Fish)

28 Gabriella de Souza, Bruna Gindre e Thalita Palanedi (GenoMar)

Aquicultura

32 Cristiano, Cristiane Luiza e Eliseu (AkoPlas) 33 Rodrigo Pedralli e Maísa Selingardi (Vaxxinova)

34 Cristian Moreno, Nataly Cárcamo, Carolina San Martin e Carlos Odobret (Futerpenol | MNL Group)


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35 Lucas Laurini e Roney Nogueira (Inata) 36 Paulo Filho (Aquiplan), Jucilene Cavali (Projeto ProÁgua) e Eduardo Antônio (Unesp) 37 Ailton Rodrigues (Comunidade Aqua), Ana Beatriz (Aquabit), Ade Luiz (Zaltana

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38 Paulo Oliveira (Instituto de Pesca), Luiz Felipe Porto (MAP Aqua), Kaka Ambrosio (DuPeixe) e João Manoel (AquaBusiness Consultoria) 39 Erick Diaz (Hipra), Altemir Gregolin (IFC Brasil) e Luis Otávio (Hipra)

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Pescados) e Mayara Olsen (Dourada Piscicultura | Acripar)


FEIRAS E EVENTOS

MKT & INVESTIMENTOS

ExpoCamarão 2026

CAMARÃO QUE DORME NÃO VENDE

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O Confira um vídeo com o resumo do que foi o evento em nosso Instagram lendo o QR Code abaixo:

Centro de Eventos do Ceará, em Fortaleza, sediou, entre os dias 25 e 27 de junho, a ExpoCamarão 2026, evento que acontece dentro da PEC Brasil - que, recentemente, mudou de nome (antes PEC Nordeste) para refletir a expansão do evento para uma representatividade nacional - evento que, segundo a organização, registrou um público recorde de 130 mil visitantes e movimentou R$ 150 milhões em negócios. Conhecida como um dos principais encontros da carcinicultura no País, a ExpoCamarão reuniu players do mercado nacional e internacional do segmento em mais de 300 estandes focados na cadeia produtiva do camarão, trazendo inovação, tecnologia e networking para aproximar produtores e compradores do segmento. Veja como foi a ExpoCamarão contada nos rostos de quem marcou presença no evento!


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01 Alberto Pinheiro (ADM), Itamar Rocha (Fenacam | ABCC) e Carolina Vieira (Camarão da Carol) 02 Evandro Lorenz, Candi Demarchi, Lucila Cabrera e Eduardo Conte (Suiaves) 03 Carolina Vasconcelos (Alltech), Danilo Tremocoldi

05 Equipe Agronorte | Total

11 Equipe Vidara

06 Luan Moura, Breno Maia e Anderson Rubens (Nutrial)

12 José Edvaldo, Caio Nascimento, Evandro Penha e Issac Bruno (BRX Aeradores)

07 Marcio Mattos, Eduardo Soffioni (Andritz) e Adelino Lopes (ACL Consultoria) 08 Lucas Santos, Vanessa Sebok e Anderson Siqueira

(Doremus), Thiago Ushizima (Adisseo), Thiago Tardivo (Agronorte | Total) e Alfredo Freire (iAqua)

(Instrutherm)

04 Kênio Lima, Wellington Amorim e Augusto

09 Evanio Oliveira, Adelia Souza e Sergio Carrer (Polinutri)

Albuquerque (Samaria Rações)

10 Felipe Costa, Tiago Karkow e Pedro Henrique (AquaGermany)

13 Flávio Farias, Rafael Liano e Ricardo Sampaio (Aquatec)

14 Ricardo Marinho, Renata Batalha, Pierina Pablo e Junior Praxedes (Prilabsa) 15 Camila Melo, Maisa Magna, Raquel Carvalho e Jessica Girão (Larvifort)

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MKT & INVESTIMENTOS | FEIRAS E EVENTOS - EXPO CAMARÃO 2026

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16 Rafaela, Daniel, Liélio e Cristine (Inve Aquaculture)

22 Equipe ADM

28 Equipe Dimeve | Imeve

17 Diego Rocha, Sergio Vale e Maurício (Biotê)

23 Gentil Filho e Ricardo Carriero (Bomar Pescados)

29 Diana Alves, André Campos e Natália de Lima

18 Wal Melgaço e Ronaldo Melo (BioTrends)

24 Equipe AcquaSystem

19 Diego Manso e Allyne Elins (Nexco)

25 Yeico Plaza, Gabriela Damasceno, Cristhofer Garcia e Miguel Fuentes (BlueSensor Br)

Pereira, Salomão Yen, Igor Nuevo (Y3K Health) e Antunes Almeida (AquaLife)

(RotoAqua)

26 Mariana Clara e Michele Melo (Miliane Mineração)

31 Brann Chito, Karolina Santos e Paulo Henrique

21 Gabriel Jesus (Gabbia Biotecnologia), De Angelis

27 Ricardo Lopes, Jefferson, Bárbara Vieira, Francis

20 Cláudio Tuamm (BioFutura) e Cleberson Cardoso (Camarões Iguatu) e Ricardo Campos (Camarão Rei Itaueira)

Segovia e Carlos Orlean (Mais Hidro Soluções)

(Fiabesa)

30 Mônica Paiano, Yago da Silva, Bruno de Sousa, Helio

(Rovester.ai)

32 Equipe Beraqua


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RADAR REGULATÓRIO Novidades e mudanças em leis, regras e outros assuntos que podem impactar diretamente a legislação do pescado

São Paulo recua e suspende ICMS para parte do pescado

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O governo do Estado de São Paulo promoveu um recuo parcial nas regras de taxação do setor através da Portaria SRE nº 35, de 7 de julho de 2026. Editada pela Secretaria da Fazenda e Planejamento, a portaria, na prática, suspende parcialmente os efeitos da publicação do Decreto nº 70.667/2026 que extinguiu o tradicional diferimento e passou a exigir o recolhimento imediato de 7% de ICMS no desembaraço aduaneiro. A nova medida define como vai funcionar a concessão de um regime especial para suspender Quer ver outras análises o lançamento do imposto na entrada regulatórias e de determinadas espécies de pescado seus impactos importadas. Além disso, o texto para a indústria? regulatório restabelece o benefício Confira o quadro Minuto Regulatório do diferimento na nacionalização de no perfil da produtos de alto valor agregado, como LEX Experts no salmão, atum e bacalhau. No entanto, Instagram: a nova portaria deixou de fora espécies populares como pangasius (panga), merluza, cação e a própria tilápia. Análise para o setor: “Os peixes mais populares para a população, cuja produção nacional é inexistente ou próximo disso, não foram contemplados com a desoneração do ICMS no desembaraço aduaneiro. Assim, não há dúvidas de que o custo destas espécies será majorado, sendo com a manutenção das importações por São Paulo, seja com a migração das mesmas para outros estados da federação. A medida aplicada que visava proteger a tilápia, afetou todo o comércio de pescado paulista e afetará empregos, renda e também a inflação do peixe, que ficará mais caro ao consumidor” – David Veiga, advogado e sócio da Respect Consultoria

No site da Seafood Brasil, confira essas e outras notícias que impactam diretamente o âmbito regulatório no pescado:

Portaria MPA n0 701 prorroga prazo para certificação de embarcações Publicada no fim de maio, a Portaria MPA nº 701 trouxe uma nova alteração no calendário de implementação do Certificado Oficial de Boas Práticas Higiênico-Sanitárias a Bordo para embarcações pesqueiras de produção primária que fornecem matériaprima destinada ao processamento industrial de produtos da pesca para o mercado internacional. O ajuste foi justificado pelo Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA) com base em entraves operacionais e logísticos enfrentados pelo setor produtivo. Na prática, para os Grupos A (modalidades com métodos de conservação normatizados e registro de grande volume de exportação em 2023) e B (modalidades com métodos de conservação normatizados e registro de exportação em 2023), o novo prazo passa a ser 31 de maio de 2027. Já o para o Grupo C, que reúne modalidades com métodos de conservação normatizados que demandam ações de fomento, o prazo passa a ser 31 de maio de 2028. Análise para o setor: “Mais do que uma prorrogação, a Portaria MPA nº 701 pode ser lida como uma transferência da responsabilidade para o setor transformar prazo em implementação. O certificado continua obrigatório e os novos marcos podem ser usados para adequar embarcações, capacitar tripulações, estruturar os técnicos responsáveis e produzir registros que comprovem controle higiênicosanitário e rastreabilidade. Para as indústrias exportadoras, esperar o


vencimento do prazo é uma estratégia de alto risco: a conformidade da matéria-prima começa no barco e pode determinar quais fornecedores e mercados permanecerão acessíveis. Também é essencial não confundir essa prorrogação com as regras específicas para União Europeia e Reino Unido, que possuem procedimento próprio e exigem verificação oficial na embarcação. O prazo aumentou, mas a necessidade de agir continua imediata” - Gustavo Faria, médico-veterinário e diretor técnico da LEX Experts

IN 380 da Anvisa altera regras para uso de aditivos no pescado A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) publicou a Instrução Normativa (IN) nº 380/2025, que altera a IN nº 211/2023 e atualiza a lista de aditivos alimentares e coadjuvantes de tecnologia autorizados. Para o setor de pescado, a principal novidade é a autorização do uso de diferentes compostos fosfatados - incluindo ácido fosfórico, fosfatos, difosfatos, trifosfatos e polifosfatos - com função de estabilizante em filés de peixe, crustáceos e moluscos congelados. De acordo com a norma, foi fixado limite máximo de 2.200 mg/ kg (2,2 g/kg), expresso como teor total de fósforo, considerando o uso isolado ou combinado desses aditivos. A mudança ainda amplia as possibilidades tecnológicas para o setor e as empresas que optarem pelo uso de fosfatos deverão atualizar seus Programas de Autocontrole em relação a controle de formulação, processo de aplicação e controles internos, além da rotulagem, de forma a assegurar o atendimento às condições previstas na legislação.

Análise para o setor: “A publicação desta IN Anvisa nº 380/2025 representa uma mudança concreta para a indústria de pescado que na prática, cria uma oportunidade tecnológica, mas também eleva a responsabilidade da indústria. Formulação, concentração da solução, tempo de contato, absorção, drenagem, controles analíticos, especificação do produto e rotulagem precisam estar tecnicamente alinhados. Não basta adquirir um produto comercial autorizado e aplicá-lo sem as validações necessárias no processo e no produto. O principal desafio do setor está em validar de forma técnica o uso tecnológico legítimo, evitando que aplicações que causem alteração indevida do peso, da composição ou que impactem na percepção do consumidor sobre o produto. Quem tratar a nova autorização apenas como oportunidade de rendimento poderá transformar um benefício regulatório em risco econômico e reputacional” - Sarah de Oliveira, médicaCriação-de-imagem_arte_banner_impresso_V2.pdf 1 13/07/2026 11:25 veterinária e diretora executiva da LEX Experts ••

LANÇAMENTO

BOLINHOS COM

BACALHAU

Nossa missão é levar as melhores soluções de negócios às empresas, para que elas sejam cada vez mais sustentáveis, rentáveis e produtivas.

P R O D U TO I M P O RTA D O

ORIGEM PORTUGUESA

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PR ÁT I CO S E DE L ICI OS OS !


NA PLANTA Tecnologia em processamento de pescado

Crédito das fotos: Divulgação/Empresas

Balança, mas não cai A Toledo do Brasil apresenta suas balanças rodoviárias autônomas com integração de dados em nuvem. O sistema realiza a pesagem de frotas industriais com mínima intervenção humana, otimizando o controle rigoroso de entrada e saída de matérias-primas e a rastreabilidade logística.

Só o filé Para automatizar o processamento de tilápias e peixes amazônicos, a máquina de tirar pele da Brusinox remove a pele e a linha de sangue dos filés. O equipamento traz ajuste fino de espessura de corte e controle de velocidade da esteira, operando de forma contínua em turnos intensos.

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Velozes e descourados Com capacidade de processar 90 filés de tilápia por minuto, a descouradeira Skinner Fillet 5000 é o destaque da Branco Máquinas. Feito em aço inox AISI 304, o maquinário usa corte estilo estilete para retirar o couro sem escamas, operando com motoredutor SEW e até dois funcionários.


Até a última gota A centrífuga AFPX da Alfa Laval atua na recuperação de proteínas, gorduras e óleos no processamento de pescado, atingindo até 99,7% de pureza. O equipamento opera em três modos configuráveis, possui sistema de limpeza no local (CIP) automatizado e processa águas de cozimento e de prensa.

Selado e integrado As seladoras de bandeja automáticas e semiautomáticas da Multivac chegam ao mercado com foco na economia de recursos e otimização de espaço. O maquinário possui conceito operacional intuitivo, estrutura sob o padrão Hygienic Design para limpeza rápida e integração a linhas existentes. ••

Das águas frias da costa da Patagônia chilena, qualidade que atravessa fronteiras.

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Uma referência global em salmão.


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O EQUILÍBRIO ESTÁ NO DIÁLOGO Entre o avanço de espécies importadas, barreiras fiscais e a luta por mercados externos, cadeia nacional busca um caminho do meio para atravessar o período de tensão

Por Fabi Fonseca | Edição: Ricardo Torres e Léo Martins

A FORÇA DA TILAPICULTURA BRASILEIRA

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A proteína do decênio

(Comparativo de expansão nos últimos 11 anos)

Tilápia Brasileira:

+10%

ao ano

Outras proteínas (Bovinos, Aves, Suínos, Leite e Ovos): crescimento em ritmo inferior

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Perfil socioeconômico e capilaridade +1 Milhão de empregos diretos e indiretos gerados 100% de presença nacional (geração de renda e progresso em todos os estados do Brasil)

Fonte: Anuário 2026 PeixeBR

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ma travessia desafiadora exige equilíbrio. No comércio internacional, a lógica é a mesma: como abrir mercados externos sem deixar as fronteiras domésticas vulneráveis?

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dos produtores são de pequeno porte (atividade jovem e em pleno desenvolvimento)

O debate não é novo, mas ganhou holofotes potentes em 2026 com a tilápia do Vietnã. Em meio a reações locais e negociações para reabrir praças internacionais, o setor equilibra-se em uma disputa onde bilhões de reais, empregos e o bolso do consumidor estão em jogo.

Um mercado gigante e o desafio do exterior A piscicultura brasileira atingiu o marco de 1,011 milhão de toneladas em 2025, com a tilápia respondendo por quase 70% da produção nacional, segundo o Anuário da Associação Brasileira da Piscicultura (PeixeBR). No entanto, o entusiasmo cedeu espaço à apreensão em fevereiro, quando a Balança Comercial virou e pela primeira vez: as importações superaram as exportações da espécie.

A entrada de 1,3 mil toneladas de filé vietnamita em um só mês (4,1 mil toneladas em peixe inteiro) representou 6,5% da produção mensal do País, o que acendeu um alerta político, fiscal e sanitário que já vinha se intensificando no setor. Neste cenário, o embate central do impasse reside na


“NESTE ANO, NÃO CHEGAMOS AO MELHOR PREÇO DESDE MARÇO DE 2023. OU SEJA, NÃO TIVEMOS MELHORA DO AMBIENTE DE NEGÓCIO ANALISANDO OS PRIMEIROS 6 MESES DO ANO E UM DOS FATORES FOI A IMPORTAÇÃO.” Francisco Medeiros

A questão sanitária também tornou-se uma apreensão dos produtores locais, que alertam que o Vietnã abriga patógenos inexistentes nos cultivos nacionais, como o Vírus da Tilápia do Lago (TiLV). Como conta Francisco Medeiros, presidente executivo da PeixeBR, quando se fala de competitividade na tilapicultura, vem à mente que o produtor brasileiro precisa evoluir e melhorar os resultados para aumentar esse indicativo, mas não é essa a realidade. “Porém, o custo de produção da tilápia à beira do tanque no Vietnã e no Brasil, na região Oeste do Paraná e em parte de Santa Catarina, são exatamente os mesmos. A nossa perda de competitividade é da porteira para fora.” Segundo ele, a atividade nacional enfrenta o sistema regulatório “mais cruel” do mundo e a maior carga tributária entre os grandes produtores, além de assimetrias na fiscalização industrial que favorecem os asiáticos. “Em contrapartida, temos a tilapicultura mais tecnológica do mundo e a maior produtividade por área”, analisa.

Ele aponta que os preços pagos ao produtor subiram no fim de 2025 e início de 2026, mas voltaram a cair no segundo trimestre. “Além disso, nos primeiros 5 meses, as importações de tilápia em São Paulo equivaleram a 30% da produção estadual do período, gerando dificuldades de caixa, redução de preços da indústria para o mercado e fechamentos.”

Em 3 de junho de 2026, o Decreto nº 70.667/2026 alterou o artigo 391 do RICMS/SP encerrou o diferimento mantido há décadas e passou a exigir 7% de ICMS imediato no desembaraço de pescado importado. A medida pegou o setor de surpresa. Após a repercussão, o governo paulista recuou parcialmente em julho ao criar um regime especial que suspende o imposto por 90 dias para espécies de alto valor (salmão, atum e bacalhau), mas manteve a cobrança para peixes populares como panga, merluza e tilápia.

O choque: margens na fazenda e o caixa industrial A trajetória da tilápia do Vietnã no mercado brasileiro reflete a rápida transição de um alerta sanitário para um nó tributário nacional. Após um bloqueio preventivo do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) em 2024 por receio do vírus TiLV, as compras foram liberadas em 2025.

E sem uma diretriz federal unificada, o avanço asiático deflagrou uma guerra fiscal e regulatória nos Estados: Santa Catarina e Pernambuco restringiram a entrada por risco sanitário, enquanto Paraná, Minas Gerais e São Paulo suspenderam incentivos e aumentaram as alíquotas de ICMS. Em paralelo, o Congresso passou a discutir a proibição total da importação, criando um verdadeiro cabo de guerra.

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disparidade de custos entre o produto nacional e o asiático. Conforme dados do Comex Stat compilados pela Jubart Data, o Brasil importou cerca de 8.097 toneladas de tilápia do Vietnã a US$ 4.216 por tonelada até junho de 2026.

Mudanças no ICMS em SP e a surpresa ao setor


CAPA Neste cenário, a ponta operacional da cadeia sente o baque em direções opostas. De um lado, produtores locais relatam a necessidade de preservar as margens diante da alta dos custos e da concorrência externa. Um desses casos é o da Fider, do grupo MCassab, que anunciou a paralisação temporária da expansão para uma nova fazenda de engorda em Pedregulho (SP), por conta da alta de impostos nos EUA - que fez sua exportação recuar de 50% para 35% das vendas - e o avanço das importações do Vietnã. Por outro lado, indústrias de processamento e empresas mistas enfrentam o efeito colateral das mudanças de tributações, como conta o presidente da Associação Brasileira de Fomento ao Pescado (Abrapes), Marcel da Luz Simões. “A pauta da tilapicultura é legítima, mas gerou um desgaste para o setor inteiro, principalmente para a indústria de São Paulo, que foi a mais afetada e perdeu boa parte da competitividade em relação a outros Estados”. O fator agravante é que 70% de toda a matériaprima processada pela indústria paulista é importada.

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Simões destaca que a entidade continua demonstrando ao governo os impactos da medida e pondera que o alívio da Portaria SRE nº 35/2026 foi modesto, cobrindo uma parcela pequena do volume da indústria paulista. “O que todos buscamos é o fomento ao consumo de pescado no Brasil olhando para o todo: importado, nacional e pesca extrativa”, conclui. Geopolítica do mercado e o malabarismo do varejo Os dados revelam que a transformação no abastecimento do País responde a vetores econômicos estruturais, com a cadeia nacional tendo que equilibrar a defesa do produto doméstico sem comprometer food service, indústrias mistas e varejo alimentar.

Para o engenheiro de pesca e consultor de inteligência de negócios Francisco Abraão Oliveira, a preocupação nacional não deve estar na capacidade produtiva do Vietnã. “A preocupação é que o Vietnã sirva de base para o envio de produto acabado com matéria-prima chinesa, da mesma forma que a JBS faz montando frigoríficos por lá para mandar carne brasileira congelada, processar e distribuir para a Ásia toda. Essa é a grande sacada e ponto de atenção.” Mesmo diante do receio quanto à escala e ao custo do filé asiático, Oliveira conta que o desembarque ainda não provocou um efeito direto ao consumidor. “As marcas da JBS não derrubaram o preço e incorporam isso à margem. A provocação para as indústrias de tilápia é: por que você também não incorpora esse produto vietnamita como uma parcela da sua margem? O mercado externo precisa ser olhado pelo lado do importador e do exportador.” A disputa, no entanto, já impacta o dia a dia das empresas, como explica a diretora de Varejo da Frescatto Company, Meg Felippe. “Antes de aparecer na etiqueta de preço, essa tensão chega às empresas, à formação de estoques, às decisões de importação, à escolha dos portos, à composição do portfólio e às negociações entre indústria e varejo”, aponta. Na prática, para companhias com portfólio misto, o encarecimento aduaneiro exige um verdadeiro malabarismo comercial. “No caso de São Paulo, por exemplo, dependendo do regime fiscal da empresa, isso representa aumento de custo, pressão sobre o capital de giro ou dificuldade para aproveitar créditos tributários. Algumas empresas absorvem parte desse impacto temporariamente, mas outras podem redirecionar suas

importações.” Para ela, o equilíbrio depende da construção de um mercado transparente, previsível e tecnicamente responsável, com diferentes origens compondo o abastecimento, porém concorrendo com regras equivalentes. É justamente essa reação fiscal paulista que desperta críticas no setor. “Isso impacta um negócio gigantesco como o do salmão e prejudica cadeias, restaurantes e segmentos que já vivem comprometidos”, analisa Oliveira. Como consequência, as barreiras nos estados levaram importadores a descentralizar a entrada por portos do Norte e Nordeste. ••

DISTRIBUIÇÃO DAS IMPORTAÇÕES

POR ESTADOS EM VOLUME (T) ATÉ JUNHO São Paulo: 45,7% Santa Catarina: 37,2% Rio de Janeiro: 7% Minas Gerais: 4,3% Pernambuco: 3,6% Ceará: 0,6% Rondônia: 0,6% Paraíba: 0,3% Alagoas: 0,3% Maranhão: 0,3% Fonte: Comex Stat/MDIC (tratados internamente por JubartData)


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CAPA

Diante do avanço do filé congelado e das barreiras estaduais, representantes do Vietnã apostam em conformidade regulatória e cooperação técnica para equilibrar o mercado entre os dois países

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ara apresentar o outro lado da linha no tenso debate sobre a presença do pescado asiático nas gôndolas nacionais, a Associação Vietnamita de Exportadores e Produtores de Pescado (VASEP) busca desmistificar o impacto das importações. Diante das preocupações da piscicultura brasileira sobre assimetria de custos e riscos sanitários ligados ao Vírus da Tilápia do Lago (TiLV), a entidade comenta que respeita as apreensões do setor brasileiro, mas destaca que a indústria do Vietnã desenvolveu uma cadeia de valor integrada. “Acreditamos que as preocupações sanitárias devem ser avaliadas pelas autoridades técnicas competentes com base em evidências e nos princípios de avaliação de risco internacionalmente aceitos. Elas não devem ser utilizadas como uma

suposição geral contra os produtos de tilápia vietnamitas”, disse. E, no que diz respeito à competitividade, a associação comenta que o Vietnã não considera a presença de produtos com preços competitivos, por si só, uma evidência de concorrência desleal, já que o ganho competitivo de seus produtos foi desenvolvido ao longo de várias décadas por meio de investimentos, predominantemente privados, em vários setores-chave. A VASEP afirma que o envio de tilápia ao Brasil não visa substituir a produção nacional. “Vemos ainda o Brasil como um parceiro comercial importante e de longo prazo. Porém, uma parceria sustentável deve se basear na conformidade regulatória, no acesso previsível ao mercado, no

respeito entre os dois setores e no diálogo técnico contínuo.” Alerta no ambiente corporativo e diplomático “Preocupa-nos a multiplicação de critérios distintos entre Estados: ICMS diferenciado em uns, restrições sanitárias em outros, cada iniciativa com alcance e fundamentação próprios, somada a propostas legislativas de proibição total em tramitação no Congresso. Uma maior harmonização regulatória em âmbito nacional contribui para oferecer segurança jurídica, previsibilidade e melhores condições de planejamento para produtores, importadores e exportadores”, conta Victor Key, presidente da Câmara de Comércio e Indústria BrasilVietnã (Brazil Vietnam Chamber).

Segundo ele, é importante considerar os efeitos sobre toda a cadeia de abastecimento. “Um ambiente de menor concorrência pode refletir em aumento de custos ao consumidor, enquanto medidas restritivas, por si só, não substituem políticas estruturantes voltadas ao fortalecimento da produção nacional.” ••

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O OUTRO LADO DA LINHA A ESTRUTURA VIETNAMITA Produção (2025): 9,8 mi toneladas de pescado (60% aquicultura). Tilápia: 420 mil t

Envio ao Brasil (1º sem/26): US$ 35 mi de um total de US$ 69 mi exportados em tilápia do país

Destino em valor: O Brasil respondeu por 50,7% da receita global de tilápia do Vietnã no 1º sem/26

Fonte: Dados do Comex Stat, VASEP e Alfândega do Vietnã

Volume (filé): 8.097 toneladas de filé limpo e congelado

Peso vivo equivalente: ~25 mil toneladas de matéria-prima (rendimento de ~32%)

Absorção de mercado: ~6% da safra anual de tilápia vietnamita em 6 meses


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CAPA

A EQUAÇÃO DA COMPETITIVIDADE Diante da importância do fornecimento externo e da tensão comum entre os mercados, o setor busca caminhos para crescer com sustentabilidade e competitividade

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echar a conta entre proteger a produção nacional, garantir o abastecimento do mercado interno e abrir novos mercados é uma equação complexa, ainda mais quando colocada na perspectiva do comércio internacional. “Toda vez que há uma abertura comercial, há sempre um embate entre os importadores e os produtores locais. A grande questão para o setor nacional é sempre como aumentar sua competitividade para não precisar de medidas protecionistas”, explica Welber Barral, exsecretário de Comércio Exterior. Para compreender o tamanho desse desafio, é preciso olhar para a escala do consumo interno. O

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As estratégias para alterar a realidade atual do filé de tilápia

Fonte: Wilson Santos.

consultor Wilson Santos, da WS Consultoria, destaca que em 2025, o consumo nacional foi projetado em 2,7 milhões de toneladas equivalentes em pescado inteiro. Dessa demanda total, cerca de 25% são supridos por importações. Projetando um crescimento moderado de 3% ao ano, estima-se que, em 2030, o País precisará de um volume adicional entre 400 mil e 500 mil toneladas sobre o patamar de 2025. Aqui surge o gargalo, pois para Santos, as políticas públicas atuais têm sido contraditórias: “Se por um lado muito se fala em aumentar o consumo, por outro, as políticas públicas estabelecidas internamente têm um claro viés de restrição ao crescimento do setor, tanto no cultivo como, principalmente, na pesca extrativa”. Alheio ao impasse, o apetite do brasileiro por pescado não para - espécies de alto volume no consumo nacional, como salmão e panga, registram total dependência do fornecimento externo.


O especialista lembra ainda que restrições sanitárias são rotineiras e afetam até os gigantes do agro. Assim, em meio ao esforço para reabrir praças como a União Europeia, ele reforça que a abertura comercial é inevitável no longo prazo e exige foco na eficiência interna. No cenário internacional, as projeções para o mercado europeu demandam cautela regulatória quanto à competitividade do Brasil, conforme Santos. No último ano de exportações regulares para o bloco, em 2017, ele lembra que a União Europeia respondeu por apenas 11% do faturamento internacional do pescado brasileiro. O principal item foi o atum skipjack, correspondendo a 38% dos

Arquivo pessoal

“O MERCADO E OS HÁBITOS DE CONSUMO SEGUEM SEU RUMO INDEPENDENTE DA ORIGEM DO PESCADO. O CRESCIMENTO É A REALIDADE E A SOCIEDADE BRASILEIRA VAI DEFINIR O QUANTO DESTA IMPORTANTE FATIA ECONÔMICA VAI FICAR NO TERRITÓRIO NACIONAL.” Wilson Santos, da WS Consultoria

embarques. Contudo, “para este item não haverá mais condições de exportação: o Brasil reduziu as capturas e a demanda interna pelas conservas aumentou. Não existe excedente.” Já o mercado norte-americano permanece como o principal destino das exportações do pescado brasileiro. Porém, embora o setor tenha conseguido blindar o filé fresco e categorias de peso na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, a nova taxa de 25% trará desafios adicionais para a pauta exportadora. A lição da sardinha Para Wilson Santos, o setor brasileiro precisa, sim, adotar níveis de proteção para espécies específicas, e a cadeia de conserva de sardinha é um modelo prático.

Sujeita ao defeso ambiental de 5 meses, a indústria nacional buscou segurança e previsibilidade em cotas automáticas anuais de importação. Embora a matéria-prima local seja prioritária, a história dos últimos 40 anos provou a necessidade do insumo complementar: em períodos críticos, a dependência externa da sardinha atingiu 80%, enquanto em 2025 representou apenas 10%. “Assim, tanto a indústria como os armadores precisam de proteção para operar e disponibilizar o produto nacional”, analisa Santos. O consultor diz que essa iniciativa foi desburocratizada e hoje, roda de forma automática através do diálogo entre a iniciativa privada e a Câmara de Comércio Exterior (CAMEX), vinculada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). ••

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Defesa comercial x “Guerra Federativa” Diante da pressão das importações sobre os preços internos, a reação dos Estados tem sido o endurecimento fiscal, prática que Barral classifica como “guerra federativa”. Ele alerta para riscos jurídicos por violação a normas nacionais e da Organização Mundial do Comércio (OMC). “Cria-se uma barreira no primeiro momento, mas depois os importadores entram na Justiça e ganham o direito de não pagar, passando a ter o mesmo tratamento.”


CAPA

O DESAFIO TÁTICO DO CONSUMO Para além da disputa de custos, especialistas apontam como o pescado nacional pode deslocar a competição do preço para a percepção de valor, conveniência e comunicação de origem na gôndola

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O QUE SUSTENTA A GÔNDOLA?

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Desenvolvimento técnico de produtores nacionais Contratos e planejamentos de suprimento de médio e longo prazo Padrões comuns de rastreabilidade e comunicação no PDV Educação e informação clara ao consumidor Uso integrado de dados para equilibrar oferta, demanda, preço e desperdício

Fonte: Meg Felippe, diretora de comercial da Frescatto Company

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ara desenhar esse novo mapa de competitividade, uma das saídas do setor é olhar diretamente para o consumidor e para as métricas do varejo. É ali que pesquisas de mercado e ações de marketing se convertem em ferramentas de sobrevivência comercial, revelando vulnerabilidades internas e apontando caminhos concretos nas gôndolas. Ricardo Firetti, pesquisador da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA Regional), órgão da Secretaria de Agricultura e Abastecimento de São Paulo e coordenador- geral do estudo “Aquisição e alimentação domiciliar de pescados: mudanças institucionais, oferta de produtos da piscicultura e preferências de consumidores”, conta que o primeiro pilar dessa transformação exige que o setor alcance o mesmo nível de maturidade e eficiência interna das grandes proteínas nacionais. Em um cenário pressionado por concorrentes


estrangeiros com custos agressivos, o produto brasileiro precisa otimizar cada etapa, da fábrica de ração até a gôndola.

Arquivo pessoal

“SE FOR PENSAR EM FILÉ DE TILÁPIA CONGELADO, O VAREJO COM 40% TEM UM RISCO BEM MENOR DE ESTOCAGEM E DE COMERCIALIZAÇÃO. ALI É O PONTO EM QUE A GENTE CONSEGUE AUMENTAR A COMPETITIVIDADE EM RELAÇÃO NÃO SÓ A OUTRAS PROTEÍNAS, MAS TAMBÉM AO PRÓPRIO PEIXE IMPORTADO.” Ricardo Firetti, pesquisador da APTA Regional

É nessa trajetória até o consumidor final que o estudo da APTA Regional revela um dos gargalos: a margem do varejo. A pesquisa expõe que o varejo detém um controle desproporcional sobre a rentabilidade do setor, retendo de 40% a 53% da margem de comercialização tanto para o filé de tilápia congelado (pacote de 800 g) quanto para o peixe inteiro resfriado. Porém, o produtor absorve apenas 15% da margem no filé congelado (chegando a perto de 40% na tilápia inteira resfriada). Para equilibrar o preço final e ganhar competitividade, ele destaca que o setor precisa corrigir falhas logísticas severas. Na Região Metropolitana de São Paulo, a pesquisa catalogou 1.574 produtos congelados nos pontos de venda e constatou que cerca de 24% apresentavam sinais de descongelamento. “Se não compra, sobra na gôndola. Se sobra na gôndola, vai impactar no preço do varejo”, explica o pesquisador. Diversificação de oferta e o trunfo do valor A segunda linha de defesa consiste em deslocar o eixo da disputa. Como o filé congelado

importado acirra uma competição baseada em custos, a alternativa é mudar os atributos na gôndola. “Deslocar a competição do atributo ‘preço’ para a percepção de valor é a estratégia”, diz o professor Christiano França da Cunha, coordenador do Laboratório de Agronegócio (LAG) da Unicamp. Nesse cenário, o produto resfriado vira o grande trunfo nacional frente à distância geográfica do concorrente internacional. “Um filé resfriado, processado poucas horas após o abate, apresenta textura, sabor e aparência superiores ao produto previamente congelado, além de atender consumidores que associam alimentos frescos à maior qualidade e saudabilidade”, afirma Cunha. Rotulagem de procedência O terceiro pilar foca na comunicação de procedência e na educação do consumidor. Embora o preço seja determinante, as métricas indicam que ele não opera sozinho. “É informar que o peixe que está sendo vendido é importado ou nacional”, defende Ricardo Firetti, que aponta que grande parte do público consome peixe importado sem saber a origem. “A gente viu isso com o panga. Pouco mais de 80% das pessoas não sabiam que era importado porque na embalagem essa informação fica ‘escondida’ ou pouco visível.” ••

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Mudar a base de comparação

Uso de embalagens transparentes de alta qualidade, datas de processamento visíveis e QR Codes para rastreabilidade.

Certificações sanitárias e ambientais reduzem a incerteza do consumidor.

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Ativação no ponto de venda*

Gôndola exclusiva para o produto resfriado.

Mensagens-chave (“Processado recentemente”, “Produto Brasileiro”, “Mais fresco”). Demonstrações culinárias, degustações e receitas rápidas no varejo. * Nota: Estudos de marketing indicam que atributos extrínsecos (origem, marca e certificações) exercem forte influência na percepção de qualidade do consumidor (Zeithaml, 1988; Grunert, 2005; Cunha et al., 2011).

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Posicionamento e branding coletivo

Criação de marcas coletivas ou Indicações Geográficas (ex: “Tilápia Brasileira”).

Valorização do produtor local, sustentabilidade e elevado padrão sanitário. Fonte: Professor Christiano F. Cunha (Unicamp)

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GUIA DE DIFERENCIAÇÃO NO PONTO DE VENDA


NA GÔNDOLA A oferta de peixes, crustáceos e moluscos

Crédito das fotos: Divulgação/Empresas

O sal da terra A BomPORTO traz para o segmento premium o lançamento do bacalhau preparado com sal rosa. A empresa destaca que a novidade se diferencia por seu elevado grau de pureza e salinidade, agregando valor comercial e refinamento gastronômico à proteína, levando ao consumidor diferenciação sensorial no sabor.

Da terra do Messi Estreante no segmento de pescado congelado, a Hecke Alimentos apresenta ao mercado a merluza empanada com ervas finas. Importada da Patagônia argentina, a novidade foca na praticidade para o preparo em air fryer, trazendo nas embalagens com receitas e informações sobre nutrientes como o ômega-3.

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No ritmo da marguerita O Coconut Margarita Haddock, da canadense Icy Waters em parceria com a The Good Fish Company, traz o filé de haddock - peixe de carne branca e sabor suave. Harmonizado com uma crosta de coco com notas cítricas de margarita, a novidade é focada na conveniência e experiência sensorial do consumidor.

Da terra do Neymar Marca do grupo GTF, a Canção amplia sua linha de processados com o Small Fish, produto que consiste em peixinhos formatados feitos de filé de tilápia empanado. Segundo a companhia, o objetivo da expansão do mix é aumentar a presença da marca na gôndola e atrair o público jovem.


Fatia da Lituânia

Olha a faca!

Direto da Lituânia, o Smoked Herring Slices – Natural Flavor, da Vičiūnai Group, é um produto composto por fatias de arenque defumado prontas para o consumo direto da embalagem. Segundo a empresa, o item se destaca pelo sabor defumado equilibrado, corte preciso e apelo visual no ponto de venda.

Nova marca da Tramontina focada no público B2B, a Tramontina Primia lança facas profissionais para sushi. Com lâminas de aço inox, a novidade é dividida em três séries: Gold, Diamond e Silver. O portfólio para gastronomia japonesa traz ainda espátulas com tratamento térmico e cabos ergonômicos para cozinhas profissionais.

Se vira nos 60

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A Trident Seafoods apresenta o Crispy Battered Sauceable Nuggets. Feito com polaca do Alasca, o empanado conta com uma cobertura neutra, que absorve molhos e mantém a crocância por até uma hora, otimizando o delivery profissional. ••


ESTATÍSTICAS

EM BUSCA DA PERGUNTA PERFEITA Comitê de Varejo da Seafood Brasil reuniu durante a APAS Show 2026 profissionais de grandes redes varejistas do Brasil para mapear questões, mas também achar as respostas que a categoria precisa para vender melhor seu peixe nas gôndolas do País

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Por Léo Martins

m amigo me disse certa vez que o segredo para achar a resposta de alguma questão que esteja nos afligindo não está na resposta em si, mas sim em fazer a pergunta certa. E em algum momento do Comitê de Varejo da Seafood Brasil, um dos gestores participantes fez uma pergunta que parece ser uma daquelas certeiras, que intrigam o setor varejista de pescado há um tempo: se a tilápia e o salmão desaparecessem da peixaria amanhã, o que sobraria? O silêncio que se seguiu disse mais do que qualquer dado de pesquisa poderia dizer — não porque faltasse resposta, mas porque ela tem um peso diferente para quem opera com pescado nos varejos espalhados pelo Brasil.

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E esse foi um dos “peixes” que a Seafood Brasil escolheu para “vender” neste Raio-X do Pescado no Varejo Brasileiro 2026-2027, estudo qualitativo produzido a partir do Comitê de Varejo da Seafood Brasil realizado em parceria com a Noronha Pescados e a Aurora Coop durante a APAS Show deste ano e que reuniu especialistas, gestores de compras, responsáveis de categoria e profissionais de operação de grandes redes varejistas do Brasil - leia o estudo na íntegra através do QR Code na página ao lado.

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O que o Comitê encontrou não foi um grupo lamentando dificuldades, mas sim um que compara soluções usando como base relatos e experiências pessoais. A partir das perguntas certas, o que se viu a seguir foi o surgimento de respostas para questões intrigantes que todo o setor compartilha.


Força e cilada ao mesmo tempo Tilápia, salmão, camarão e bacalhau são as espécies que dominam o mix da peixaria no varejo nacional. Porém, conforme apontaram os convidados, essa concentração não é uma escolha ativa dos gestores, mas sim o resultado de um sistema que endurece qualquer desvio do básico. Uma das razões estruturais dessa situação está na própria fragmentação da cadeia de abastecimento, conforme apontou João Miranda, responsável comercial em São Paulo da Noronha Pescados. “O pescado é altamente fragmentado: tem o especialista em salmão, o especialista em tilápia, o especialista em camarão. E o pescado não consegue ser transportado junto com outros tipos de pescado. Isso complica a questão do pedido mínimo e dificulta a diversificação do mix.” Por outro lado, a chegada dos produtos de produção transformou a relação entre varejo e pescado ao oferecer algo que a pesca extrativa nunca conseguiu garantir de forma consistente: previsibilidade. “O que revolucionou a peixaria no varejo foi a estabilidade. Quando chegaram os produtos de produção, começando pelo camarão, passamos a conseguir

planejar, garantir a entrega e até fazer anúncio de TV”, relembrou Pedro Coelho, que à época era gestor de pescado fresco e sushi do Grupo Pão de Açúcar (GPA).

Leia o QR Code para ler a pesquisa qualitativa na íntegra!

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No entanto, essa estabilidade teve um custo, pois criou uma dependência profunda de poucas espécies e instalou uma lógica de giro que penaliza qualquer tentativa de ir além delas. Nesse sentido, os números da pesquisa quantitativa confirmam essa dominância: tilápia está presente em 96,6% das operações pesquisadas e camarão em 93,1%, com salmão (75,9%) e bacalhau (51,7%) completando o quarteto. Não por acaso, os congelados básicos lideram o sortimento declarado das operações, resultando em um círculo vicioso clássico, onde o consumidor não conhece a espécie porque ela não está na gôndola, e ela não está na gôndola porque o consumidor não a conhece. Para romper esse ciclo, alguns profissionais encontraram no “menos é mais” um caminho que contradiz a intuição do varejo tradicional. A redução de tipos de espécies e a substituição de várias marcas por uma única linha própria resultou em consumidor menos confuso, gôndola com mais exposição e margem melhorada.

Comitê do Varejo da Seafood Brasil se reuniu para discutir as travas e as oportunidades da categoria em 2026 e 2027

O pescado fresco tem uma capacidade que o congelado não consegue replicar, que é a de gerar compra por impulso, criar venda associada - temperos, azeite, acompanhamentos - e posicionar a loja como destino de qualidade. “O fresco tem a compra por impulso. Ou seja, ele te obriga a comprar um mix para prepará-lo, trazendo assim mais movimento para a loja. E o congelado não tem isso”, contextualizou a zootecnista Priscila Alvarez. Porém, essa força

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Fresco x congelado = a novidade do refresh O que o Comitê também revelou é que os gestores mais maduros não escolhem entre fresco e congelado, mas sim usam os dois de forma estratégica e complementar.


ESTATÍSTICAS vem acompanhada de uma operação que exige shelf life curtíssimo em algumas espécies, necessidade de mão de obra especializada e, quando o mix não é bem calibrado, um índice elevado de quebra. Não é à toa que 55,2% das operações apontam pescado fresco de qualidade premium como a principal categoria buscada para 2026. Porém, a realidade operacional mostra um gap: hoje, o fresco ocupa uma posição complementar no sortimento, enquanto os congelados básicos sustentam o volume. Logo, quem conseguir encurtar essa distância terá uma vantagem real de gôndola. Já o congelado tem a vantagem da previsibilidade, o que se traduz em margem estável, abastecimento planejável e menor dependência de técnica no ponto de venda. Meg Felippe, diretora comercial da Frescatto Company, reforçou esse cenário. “A margem do congelado, de modo geral, tem uma estabilidade infinitamente maior do que a do fresco, que trabalha com uma sazonalidade gigantesca: um dia você tem dez toneladas de determinada espécie, na semana seguinte não tem nenhuma. Quem traz equilíbrio para o negócio é o pescado congelado.” É nesse intervalo entre os dois mundos que o refresh - técnica em que se compra o produto congelado e se descongela apenas o volume necessário dentro da própria peixaria - entra como solução operacional emergente. Os participantes apontaram que a alternativa resolve três problemas

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Tilápia, salmão, camarão e bacalhau são as espécies que dominam o mix de pescado nas peixarias do varejo do Brasil

ao mesmo tempo: sazonalidade, perda e especialmente mão de obra que, segundo os convidados, é o fator que mais vem acelerando esse movimento. “Cada dia está mais difícil encontrar peixeiros para trabalhar na peixaria fresca. Vemos grandes redes fechando peixaria fresca não porque não há demanda, mas porque não há mão de obra”, apontou Felipe Scartezzini, gestor de pescado e hortifrúti da Swift. Inovação e espécies não convencionais: o problema começa antes da gôndola Apesar de sua grande variedade de espécies, o varejo nacional trabalha, na prática, com menos de dez. Essa distância entre a biodiversidade disponível e o que chega à gôndola é um dos paradoxos mais frustrantes do setor. Para os que estavam presentes, um dos motivos desse cenário está no volume mínimo: quanto mais diferenciado o produto, maior tende a ser o pedido mínimo - e menor a demanda inicial do consumidor. Espécies importadas chegam ao varejo com exigência de container inteiro, volume que nenhuma rede consegue absorver com um produto que o consumidor ainda não conhece. André Ferreira, gestor de congelados e bacalhau do Grupo Pão de Açúcar (GPA), deu um exemplo prático dessa situação: “Estamos tentando trazer lula da Patagônia, mas preciso importar um container de 20 toneladas. Como vou vender essa quantidade de um produto que ninguém conhece no Brasil? Vendo, no máximo, uma tonelada por ano. No fim, a gente acaba sendo empurrado para o básico novamente.” E a pesquisa quantitativa da Seafood Brasil confirma que o impasse vai além do volume: falta de conhecimento técnico da categoria e dificuldade de encontrar fornecedor confiável empatam como as duas principais barreiras para adicionar novos produtos, ambas apontadas por 20,7% dos respondentes - à frente de preço e volume mínimo. Não por acaso, espécies não convencionais são buscadas por apenas 6,9% das operações, o que mostra que a inovação que o setor realmente quer não está numa espécie exótica, mas em formatos mais práticos - 41,4% buscam filé porcionado para


Uma mudança no processamento de tilápia A FleXicut combina detecção óssea por raios-x, pesagem e corte inteligente para localizar espinhas com alta precisão e definir automaticamente a configuração e o ângulo de corte ideais. ■

Remoção automática das espinhas

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Redução de custos de mão de obra

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Padronização de corte em fluxo contínuo de processo

jbtmarel.com/pt

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A FleXicut da JBT Marel se integra perfeitamente para transformar sua linha de processamento de tilápia em uma solução completa, avançada, eficiente e precisa, que impulsionará seu negócio para o futuro.


ESTATÍSTICAS autosserviço, a aposta mais viável para quem quer inovar sem ampliar o risco operacional. Nesse vai e vem, o resultado é uma situação que se retroalimenta: a indústria não investe em novos produtos porque o varejo não consegue emplacar; o varejo não testa porque a indústria não entrega de forma confiável.

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Para espécies não convencionais, foi identificado um padrão recorrente que ocasiona perda do consumidor e da confiança na categoria. Elane Correa, da EC Consultoria, descreveu essa situação a partir de sua própria experiência. “Durante 13 anos no GPA, desenvolvemos um projeto chamado Diversidade de Consumo, onde trazíamos peixes não convencionais como olho-decão, sororoca e carapá para venda. Quando o cliente experimentava, gostava e voltava na semana seguinte. Só que o produto não estava mais disponível.” Nesse sentido, a saída exige três elementos funcionando juntos: disponibilidade garantida via refresh, comunicação clara no ponto de venda e um peixeiro disposto a agir ativamente como vendedor. “Fazer o consumidor experimentar uma espécie não convencional é complexo, pois ele precisa se desprender financeiramente para comprar algo que nunca provou. Tanto a indústria quanto o varejo precisam ter coragem e mostrar como preparar, induzindo a experimentação. O peixeiro é, antes de tudo, um vendedor”, pontuou Ricardo Chueiri, Marketing, Trade e P&D da Aurora Coop. Sazonalidade, giro e a arte de transformar problema em vantagem A sazonalidade das espécies extrativas foi apontada como um

SeafoodBrasil

Tilápia, salmão, camarão e bacalhau são as espécies que dominam o mix de pescado nas peixarias do varejo do Brasil

Comitê do Varejo da Seafood Brasil se reuniu para discutir as travas e as oportunidades da categoria em 2026 e 2027

A FALTA DE MÃO DE OBRA É UM DOS MAIORES PROBLEMAS QUE AMEAÇAM A EXISTÊNCIA DAS PEIXARIAS FRESCAS NO VAREJO NACIONAL

dos motivos que interrompe o processo de formação de hábito do consumidor. “O camarão rosa, por exemplo: a gente compra, o consumidor começa a fazer a recompra e na hora que o produto está começando a amadurecer, acaba. Entra a entressafra, o consumidor vai à loja, não acha o que quer e compra outra proteína”, expôs Felipe Scartezzini, da Swift. Porém, para os participantes, o pior cenário não é a falta temporária em si, mas a perda definitiva desse cliente para a carne bovina ou o frango, proteínas com disponibilidade garantida o ano inteiro. No entanto, Pedro Coelho, que era do GPA, mostrou como essa equação pode ser não apenas invertida, mas transformada em vantagem competitiva. “Tive esse problema por 2 anos com o camarão rosa. O que fiz? Comecei a programar a compra um ano antes. Quando abria a safra, já falava direto com o barco para saber o calibre e o volume. Já calculava minha demanda de 12 meses, incluindo Natal e Semana Santa. Resultado: nunca mais faltou”, revelou. Esse raciocínio se conecta diretamente ao binômio giro versus margem. Não à toa, aumentar giro - vender mais volume mantendo ou melhorando a margem - é a prioridade número 1 do setor para 2026, citada por 31% dos respondentes na pesquisa quantitativa da Seafood Brasil. Já inovar na categoria com produtos diferenciados e premium aparece em segundo (27,6%) - uma tensão que reflete redes de diferentes portes operando com estratégias distintas, mas que também mostra que giro e inovação não precisam ser excludentes. Entre quem quer aumentar o giro, por exemplo, 66,7% buscam filé porcionado para autosserviço e 55,6% buscam pescado fresco de qualidade premium, o que prova que crescer em volume não significa abrir mão de qualidade. André Ferreira contou que no GPA, eles tentaram encontrar dentro do congelado um equilíbrio


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XXII Feira Internacional de Equipamentos, Produtos e Serviços para Aquicultura

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ESTATÍSTICAS entre o que faz diferença na venda e na margem. “Para nós, o camarão é uma fortaleza dentro do GPA. Por isso, o que fizemos foi focar na tilápia e conseguimos rentabilizá-la junto com a nossa marca própria.” Conveniência, confiança e o varejo que quer ser destino de refeição Se tem uma palavra que sintetiza a direção estratégica do varejo é a conveniência. “A Geração Z quer praticidade. Ele quer levar um peixe para casa, mas não quer ter o trabalho de limpar. Quer o filé, sem espinha, numa forma prática. Quer colocar direto na air fryer e em 5 minutos estar pronto para consumir”, analisou Laelson Leão, gestor de pescado do Supermercado Hirota. E os dados da pesquisa confirmam que essa percepção não é isolada: 65,5% das operações declararam intenção de investir em produtos prontos e de conveniência. Entre as categorias mais buscadas para 2026, produtos prontos/conveniência aparecem em 44,8% das respostas e linha de sushi/sashimi em 31%. No entanto, a conveniência vai além do produto: ela passa também pela experiência de compra. O contraste entre o varejo brasileiro - onde o azeite está de um lado da loja, a farinha panko do outro e o shoyu em outro corredor - e redes internacionais como a espanhola La Sirena, que reúne mix, complementares e acompanhamentos num único corredor. Sabendo dessa possibilidade, alguns varejistas já testam esse caminho com a rotisseria de pescado e o sushi produzido na própria loja, apostas essas que mostram qual supermercado quer ser destino de refeição, e não apenas de ingrediente - leia mais na seção “Na Cozinha” (pág. 56).

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Esse movimento ainda se conecta ao debate da sustentabilidade que, no Comitê, ganhou outro ângulo do ponto de vista financeiro. Felipe Scartezzini, da Swift, disse que produtos de produção com rastreabilidade garantida podem ser vendidos com ticket médio superior. “Já os de pesca extrativa são mais difíceis, pois a gente não sabe como o produto está sendo armazenado”. Entre os varejistas que apontam melhorar margem como prioridade, 25% já incluem linha sustentável com rastreabilidade entre as categorias que buscam. Os participantes colocaram também em perspectiva a sustentabilidade da própria reputação da cadeia a partir de uma prática histórica: a de trocar espécie e entregar o que vem, independentemente do acordado. Isso, segundo os gestores, criou uma desconfiança estrutural que poucos fornecedores estão dispostos a enfrentar abertamente - e que a pesquisa quantitativa confirma: não encontrar fornecedor confiável é uma das duas principais barreiras para a expansão do mix, apontada por 20,7% dos respondentes. “Precisamos entregar a porção certa, cuidar da gôndola e trabalhar junto. Só assim construímos uma reputação confiável para o setor”, finalizou João Miranda, da Noronha Pescados.••

Quer pagar quanto? Da gôndola à estratégia, os números que ajudam a colocar o perfil do pescado no varejo brasileiro à disposição para o setor vender melhor o seu peixe.

Quem compra, quanto compra e o que quer Quem respondeu — perfil das operações

27,6%

Rede nacional

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Rede média regional

17,2%

Rede grande regional

6,9%

Independente/peixaria

6,9%

Atacarejo

6,9%

Rede pequena

3,4%

Operação orgânica/ especializada


O que o varejo quer priorizar em 2026 31%

A peixaria de hoje - espécies de maior volume em 2025

13,8%

Aumentar giro: vender mais volume mantendo ou melhorando a margem

Ampliar mix: adicionar novas espécies ou categorias

96,6% Tilápia

93,1%

13,8%

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Inovar na categoria: trazer produtos diferenciados, sustentáveis e premium

A peixaria que o Brasil tem

Melhorar margem: comprar melhor ou vender mais caro

75,9%

Salmão chileno / norueguês

6,9%

Profissionalizar gestão: ter processos, dados e controles melhores

51,7% 44,8% Merluza

O que cada formato de varejo prioriza no mix

Bacalhau salgado / dessalgado

34,5%

Rede média regional: 1º Congelados básicos (3,43/5) 2º Processados (2,57/5) Rede grande regional: 1º Congelados básicos (3,4/5) 2º Processados (2,8/5)

Camarão rosa / sete barbas

Tambaqui

A peixaria de 2026 — categorias mais buscadas

Independente/peixaria: 1º Congelados básicos (3,5/5) 2º Processados (2,5/5) Rede pequena: 1º Fresco in natura (3,0/5) 2ºCongelados básicos (2,5/5) Atacarejo: 1º Congelados básicos (2,0/5) 2º Fresco in natura (1,0/5) *A pontuação de 0 a 5 representa a presença média declarada de cada linha de produto no mix de cada formato de operação

55,2% — Pescado fresco de qualidade premium 44,8% — Produtos prontos/conveniência 41,4% — Filé porcionado para autosserviço 37,9% — Camarões e frutos do mar premium 31% — Linha de sushi/sashimi 27,6% — Marca própria

Quanto cada formato compra por mês Rede nacional: 62,5% compram acima de 100 t/mês | 37,5% entre 30 e 100 t/mês

Rede grande regional: 40% entre 10 e 30 t/mês | 40% entre 30 e 100 t/mês Independente/peixaria: 50% entre 10 e 30 t/mês | 50% até 2 t/mês Rede pequena: 50% até 2 t/mês | 50% entre 2 e 10 t/mês

Fonte: Raio-X do Pescado no Varejo Brasileiro 2026-2027 | Comitê de Varejo — Seafood Brasil (2026)

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Rede média regional: 57,1% compram entre 10 e 30 t/mês


CASE MANTENEDORES

DA AUTOMAÇÃO PARA A EVOLUÇÃO Toda grande indústria tem um ponto de partida. No processamento de tilápias da Copacol, essa história começou a ser escrita com a Brusinox em 2008, com a implantação da primeira Unidade Industrial de Peixes em Nova Aurora (PR), que tinha capacidade de 10 toneladas/dia e operação essencialmente artesanal

Relacionamento estratégica desde o início Filetadora automatizada instalada na unidade da Copacol em Nova Aurora

A Copacol iniciou uma nova etapa de investimentos em automação, consolidando a parceria com a Brusinox para modernizar o setor de filetagem da Unidade Industrial de Peixes de Nova Aurora (PR). Em 2023, a unidade processava cerca de 150 mil tilápias por dia. A implantação de equipamentos automatizados trouxe maior padronização das operações, redução da variabilidade dos processos e ganhos em eficiência, qualidade e segurança operacional.

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“A automação da filetagem representa um marco importante na evolução industrial da Copacol. Em 2023, iniciamos, em conjunto com a Brusinox, um processo de desenvolvimento e comissionamento de uma solução voltada às necessidades da nossa operação. Mais do que implantar equipamentos, construímos uma parceria para desenvolver uma tecnologia capaz de proporcionar maior estabilidade operacional”, relata Laís Peça, gerente da Unidade Industrial de Peixes da Copacol, em Nova Aurora.

Brusinox/Divulgação

Ela conta que a Copacol participou ativamente dessa evolução, contribuindo com o desenvolvimento, os testes e validação das soluções para um processo robusto e confiável. “Essa parceria foi fundamental para impulsionar a evolução da cadeia da proteína da tilápia e preparar nossas operações para os desafios do futuro”, diz. Em 2024, a automação foi levada também à Unidade Industrial de Peixes de Toledo, ampliando o alcance das soluções desenvolvidas pela Brusinox.

Do Paraná para o mundo Com as duas plantas operando com tecnologia automatizada, a estrutura industrial da Copacol passou a processar, em conjunto, aproximadamente 210 mil tilápias por dia, consolidando uma das maiores operações de beneficiamento de tilápias da América do Sul. Essa evolução demonstra o compromisso da empresa com inovação e melhoria contínua do processo produtivo. Para a Brusinox, este case demonstra como engenharia, automação e equipamentos podem atuar como base silenciosa de grandes operações alimentícias - e esta parceria traduz como a indústria do pescado ganha maturidade quando tecnologia e processo caminham juntos. Em um setor que exige eficiência, regularidade e confiança, a escala da tilápia também se constrói no detalhe. ••


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NA COZINHA

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Por Mariana Naviskas

SUPERMERCADO COM SABOR RESTAURANTE Pokes, sushis e pratos quentes com pescado estão mudando a lógica de consumo do setor e aproximando, cada vez mais, o varejo e o food service


POKES, SUSHIS E ROTISSERIAS: O PEIXE, TRADICIONALMENTE ASSOCIADO AO PREPARO DOMÉSTICO OU AO CONSUMO EM RESTAURANTES ESPECIALIZADOS, GANHA ESPAÇO ATRAVÉS DE REFEIÇÕES PRONTAS QUE OFERECEM AO CONSUMIDOR COMPRA E CONSUMO AO MESMO TEMPO

Durante muito tempo, a divisão parecia simples: supermercados vendiam ingredientes; restaurantes serviam refeições. Hoje, essa lógica começa a ficar embaralhada. À medida que ampliam sua oferta de pratos prontos, refeições refrigeradas e soluções de consumo imediato, as redes varejistas passam a disputar um espaço que antes pertencia quase exclusivamente aos restaurantes. No mercado de pescado, a mudança é particularmente

Onde termina um e começa o outro? Um dos precursores desse crossover é o varejo de alta renda. Daniela Miguel é gerente comercial de Compras do Empório Varanda e trabalha há quase 30 anos no setor de proteína animal. Para ela, o conceito que rege as operações mais modernas no varejo hoje é o de que “o que você come você compra, o que você compra você come”. Um exemplo emblemático dessa lógica foi o Eataly, onde Miguel trabalhou como compradora - o espaço encerrou definitivamente suas operações em São Paulo ano passado. Lá, consumo e compra aconteciam de forma integrada. “O cliente podia degustar aves, crustáceos, moluscos e peixes e, ao mesmo tempo, adquirir na loja o produto que acabava de consumir”, conta. Dessa forma, o varejo deixa de vender apenas o produto para vender a experiência. E esse fenômeno não é mais exclusivo do mercado de luxo. A CEO da Connect Shopper, Fátima Mellen, observa que o varejo como um todo está saindo da fase de “olhar o produto” para o “olhar a ocasião de consumo”. “Cada vez mais, trabalhamos no varejo para pensar

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ocê entra no supermercado para comprar pó de café. No caminho, passa pela rotisseria, vê um poke recémmontado, uma bandeja de sushi preparada poucas horas antes, uma moqueca pronta para levar. Quando chega em casa, percebe que resolveu o almoço, mas esqueceu justamente o café.

visível. O peixe, tradicionalmente associado ao preparo doméstico ou ao consumo em restaurantes especializados, ganha espaço com pokes, sushis e até rotisserias e refeições prontas que aproximam o momento da compra do momento do consumo. Claro que varejo, indústria e food service continuam desempenhando papéis diferentes, mas a fronteira entre eles nunca foi tão difícil de enxergar. A questão já não é apenas onde comprar peixe, mas quem vai servir a próxima refeição do consumidor.


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Sushi, pokes e rotisseria dividem espaço com a compra tradicional em supermercados

em momentos de consumo, missão de compra, no momento que o consumidor vai utilizar aquele produto e quais outros produtos correlacionados podem fazer parte. Assim, saímos da venda de produtos e pensamos em [venda de] solução”, afirma. Segundo ela, o varejista que não migrar para esse modelo até 2030 corre o risco de perder relevância uma visão que inclui áreas de convivência e serviços agregados, como lanchonetes e restaurantes, dentro das próprias lojas.

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A CEO cita como exemplo a China, onde esteve em março e visitou grandes redes de varejo. “Dentro das lojas você tem o aquário, você escolhe seu peixe ali na hora. E você pode escolher limpar ali e ter o espaço onde o mestre ou o chef de cozinha faz o produto para você, para consumo imediato ou para levar para casa.” No Brasil, essa integração é vista pela Associação Brasileira de Supermercados (ABRAS) como uma evolução natural e já em curso. De acordo com Marcio Milan, vice-presidente da entidade, o movimento reflete uma mudança na rotina das famílias brasileiras. “O supermercado vem ampliando seu papel como destino de abastecimento e como solução alimentar para diferentes momentos de consumo ao longo do dia”, explica. Para ele, isso não significa uma ruptura com a função original do varejo, mas uma expansão. “A integração entre varejo e food service não elimina a vocação principal do supermercado, mas amplia a forma como as lojas atendem às necessidades das famílias, dos trabalhadores urbanos e dos consumidores que buscam alternativas rápidas para refeições dentro e fora de casa.” Milan destaca ainda o papel estratégico que as rotisserias passaram a desempenhar dentro das lojas. “Elas ajudam a aumentar o fluxo de

“AS REFEIÇÕES PRONTAS PASSARAM DE UMA SOLUÇÃO OCASIONAL PARA UMA CATEGORIA PRESENTE NA ROTINA DE MUITOS CLIENTES” Robson Parreiras, Diretor Comercial de Perecíveis do GPA C

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consumidores, agregam valor à loja, fortalecem a percepção de frescor e serviço, ampliam o tíquete médio e permitem melhor aproveitamento de categorias perecíveis. Além disso, a rotisseria aproxima o supermercado do momento real de consumo, oferecendo soluções para almoço, jantar, refeições rápidas e ocasiões de conveniência”. Segundo o vice-presidente da ABRAS, o supermercado não se transforma em restaurante, mas incorpora competências que antes eram exclusivas do food service: produção diária, padronização de receitas, controle de porcionamento, gestão de validade curta e experiência de consumo. O diretor comercial de perecíveis do Grupo Pão de Açúcar, Robson Parreiras, corrobora essa visão com uma leitura direta do comportamento do consumidor. “O supermercado passa a ocupar um espaço

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5 pilares

do crossover entre varejo e food service

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Produção diária e frescor contínuo

Padronização estrita de receitas

Os supermercados abandonaram o modelo de apenas empilhar caixas congeladas. O foco agora está na preparação diária dentro das próprias unidades (como balcões de sushi e pokes montados poucas horas antes do consumo) para sustentar a percepção de frescor máximo na gôndola.

Para oferecer pratos prontos (como salmão com arroz integral ou tilápia com creme de espinafre), o varejo adotou fichas técnicas rigorosas para que o sabor e a qualidade sejam idênticos em qualquer loja da rede.

COM CADA DIA MAIS DIFÍCIL PARA ENCONTRAR PEIXEIROS, A FALTA DE MÃO DE OBRA É UM DOS MAIORES PROBLEMAS QUE AMEAÇAM A EXISTÊNCIA DAS PEIXARIAS FRESCAS NO VAREJO NACIONAL cada vez mais próximo do food service, oferecendo alternativas que unem praticidade e alimentação de qualidade em um único ambiente”, comenta.

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Para ele, a sobreposição de canais é especialmente evidente no almoço rápido e nas refeições durante o horário de trabalho, momento em que o supermercado compete diretamente com o restaurante. “O consumidor escolhe entre conveniência, preço, localização, qualidade e tempo disponível. Nesse sentido, o supermercado passa a competir por determinados momentos de consumo, oferecendo uma alternativa acessível, prática e integrada à rotina de compras.” A corrida das refeições prontas O portfólio de soluções prontas nos supermercados conta com formatos como sushi, sashimi, poke, saladas com peixe e até refeições prontas refrigeradas ou já aquecidas. Para Milan, o movimento responde a uma demanda concreta do consumidor urbano. “O cliente busca substituir o preparo em casa, especialmente quando precisa resolver uma refeição com rapidez, sem cozinhar e com custo previsível. Em outros momentos, principalmente no almoço

durante a jornada de trabalho, a refeição pronta do supermercado também se torna uma alternativa ao restaurante, por combinar praticidade, preço competitivo e facilidade de acesso”, explica. Já Parreiras enxerga uma mudança ainda mais profunda. “Mais do que atender uma necessidade pontual, as refeições prontas vêm ganhando espaço como uma alternativa prática e acessível para consumidores que buscam equilibrar conveniência, variedade e qualidade no dia a dia”. Para ele, a categoria deixou de ser solução de emergência para se tornar parte da rotina. “Em alguns casos, substituem o preparo da refeição em casa. Em outros, representam uma alternativa ao restaurante, oferecendo refeições completas, saborosas e acessíveis para consumo imediato”, expõe. No Pão de Açúcar, por exemplo, a aposta em refeições prontas não é nova. A categoria já está presente em cerca de 90% das lojas, com aproximadamente 20 opções de pratos prontos, incluindo carnes, frango e peixes. A produção é majoritariamente realizada nas próprias unidades, o que, segundo Parreiras, “contribui para garantir frescor, qualidade e conveniência aos clientes”. Os pratos de


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Controle rigoroso de porcionamento

Gestão de validade curta

Foco na ocasião de consumo

A rentabilidade de marmitas populares de rotisseria (como as opções comercializadas por menos de R$ 20) depende de um controle milimétrico de pesagem e custos por prato, uma competência clássica de engenharia de menu do food service.

Operar com alimentos prontos resfriados exige uma logística de validade curtíssima e um controle de segurança alimentar impecável, coordenado por nutricionistas e chefs que monitoram os riscos da gôndola.

O supermercado deixa de vender apenas a matéria-prima (o ingrediente isolado) e passa a vender a solução para o almoço ou jantar rápido, incorporando áreas de convivência, lanchonetes e experiências gastronômicas integradas dentro do ponto de venda.

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A expansão das refeições prontas impõe um novo desafio ao varejo: garantir que sabor, frescor e segurança alimentar sejam preservados em todas as etapas, da produção à gôndola

pescado que mais se destacam na preferência dos consumidores são o salmão com arroz integral e brócolis, a tilápia com creme de espinafre e o salmão com legumes - combinações que refletem tanto a demanda por alimentação equilibrada quanto a familiaridade do consumidor com essas espécies.

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Os números sustentam o movimento: em 2026, enquanto a categoria geral de refeições prontas no GPA cresceu 8%, as preparações à base de pescado avançaram 20%. O sushi já superou 1,4 milhão de unidades vendidas no acumulado do ano, com avanço de 10%. Para Parreiras, o desempenho não é coincidência. “A saudabilidade é um dos fatores que impulsionam o crescimento da categoria de refeições prontas. Os consumidores estão cada vez mais atentos à composição dos alimentos e buscam alternativas equilibradas para o dia a dia. Nesse contexto, o pescado ganha destaque por ser percebido como proteína associada a uma alimentação leve e balanceada”, diz. Ele lembra ainda que o pescado preparado tem uma vantagem que o in natura não oferece ao consumidor menos experiente na cozinha: “Elimina etapas de preparo que muitas vezes representam uma barreira para o consumo.” A eficiência operacional do “food service de gôndola” também é visível no varejo regional. O gerente de formação e desenvolvimento da Plurix, Marcos Galvão, aponta que o crescimento da rotisseria é puxado por marmitas com produção própria, comercializadas por menos de R$ 20. O modelo posiciona o supermercado como alternativa direta ao restaurante, especialmente para o almoço durante a jornada de trabalho. Para ir além do básico, a rede apostou em cardápios mais elaborados: “Fizemos um exercício muito legal nesta Páscoa: trouxemos opções como moquecas, sardinhas escabeche e sardinha frita. E você vê que esses cardápios performam igual às outras proteínas. Então tem perfil, tem público para isso.”

O ponto central, para Galvão, é entender que o pescado não precisa disputar espaço apenas como ingrediente: ele pode, sim, disputar o almoço. “A gente pegou a carona em categorias que estão avançando, colocou o pescado junto e ele foi performando.” Segundo ele, a rotisseria, nesse sentido, funciona como uma porta de entrada para espécies e preparações que o consumidor talvez não arriscasse comprar in natura. Essas mudanças reduzem uma barreira comum para o pescado: o preparo. De acordo com o diretor presidente da Associação Brasileira da Piscicultura (PeixeBR), Francisco Medeiros, hoje, o consumidor busca preferencialmente praticidade. “O peixe está se adaptando para ser mais uma opção proteica para este consumidor. Como é o caso da tilápia: se o consumidor não sabe como preparar, consome cru”, destaca. Para ele, o crescimento dos itens de consumo imediato já está consolidado nos grandes centros. “Atualmente, temos um aumento significativo de consumo de refeições prontas, fenômeno observado principalmente nas grandes cidades. Essa é uma

Divulgação Abipesca

“O PESCADO PRONTO PARA CONSUMO PODE SER UM DOS INSTRUMENTOS MAIS EFICIENTES PARA AUMENTAR A FREQUÊNCIA DE CONSUMO NO BRASIL” Jairo Gund, diretor executivo da Abipesca


O impacto para a cadeia do pescado Para Jairo Gund, diretor executivo da Associação Brasileira das Indústrias de Pescados (Abipesca), o crescimento das refeições prontas cria uma oportunidade para o pescado pronto para consumo, que por sua vez, não substitui o in natura. “O consumidor pode continuar comprando peixe inteiro, filé fresco ou camarão para receitas tradicionais, mas passa também a ter alternativas práticas para o dia a dia.” Gund ressalta ainda que o crescimento das refeições prontas não representa apenas uma oportunidade comercial, mas uma mudança na natureza do produto. “Talvez o ponto não seja abrir mais um mercado, mas uma nova ocasião de consumo. O supermercado deixa de ser apenas ponto de venda de matéria-prima e passa a oferecer solução de refeição”, opina. Essa lógica, segundo ele, abre espaço para que a indústria construa diferenciais que vão além do preço: desenvolver marcas, linhas de maior valor agregado e soluções sob medida para canais diferentes. Sob essa ótica, a indústria tem buscado ampliar sua atuação em três direções: praticidade, padronização

Qualidade, frescor, sabor e segurança alimentar são alguns dos desafios para o food service dentro do varejo

e agregação de valor. Isso inclui filés congelados individualmente, porções temperadas, produtos empanados, hambúrgueres de pescado, almôndegas, iscas, nuggets, pratos prontos e kits para receitas. “A conveniência exige produto seguro, saboroso, estável, visualmente atrativo e fácil de preparar”, resume Gund. No food service e nas rotisserias, a demanda é ainda mais específica. “Cozinhas industriais e restaurantes precisam de regularidade de peso, rendimento, padrão visual, segurança e previsibilidade de custo. Um filé porcionado, um camarão classificado ou uma proteína já cortada reduzem perdas, melhoram o controle de estoque e facilitam a operação.” Como manter a integridade dos pratos prontos Para viabilizar refeições prontas de pescado, a engenharia de alimentos tem se debruçado sobre tecnologias de conservação que preservem o frescor sem alterar a estrutura da proteína. Robson Parreiras, do GPA, resume o que está em jogo do lado do varejo. “O principal desafio é garantir que qualidade, frescor, sabor e segurança alimentar sejam preservados em todas as etapas do processo, desde a seleção dos fornecedores até a disponibilização para o consumidor final.” Para lidar com isso, ele conta que o GPA adota processos rigorosos de controle e monitoramento da produção, além de contar com profissionais especializados - nutricionistas e chefs de cozinha - que validam se as soluções de conveniência mantêm o padrão esperado. “A companhia também investe continuamente no treinamento das equipes responsáveis pelo manuseio e preparo dos alimentos, assegurando o cumprimento das normas de segurança alimentar”, acrescenta. Além de manter a integridade dos pratos, outro desafio é reduzir as barreiras que ainda afastam parte dos consumidores do pescado. “O ponto central é que o brasileiro não rejeita o pescado. Muitas vezes ele encontra dificuldade de acesso, preço, preparo e regularidade”, afirma Jairo Gund. Produtos prontos, semiprontos, porcionados Canva e temperados ajudam a superar esses entraves e a transformar uma proteína ainda associada à Semana Santa em uma escolha mais presente na rotina. O pescado, que por décadas esperou no gelo para ser levado para casa e preparado, começa agora a percorrer um caminho diferente: ele chega cada vez mais pronto, porcionado e integrado às novas formas de consumo. Como resume Gund, “esse é um caminho importante para elevar o consumo per capita com qualidade, segurança e maior previsibilidade para a cadeia produtiva.” ••

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tendência natural que já observamos em muitas indústrias, oferecendo principalmente a tilápia como base proteica da refeição. E isso tende a aumentar.”


Por Léo Martins

Arquivo pessoal

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Ao transformar ilusões em realidade, Neide Santos, a Neidinha, fez sua vida dentro e fora do pescado valer a pena

PESCADORA DE ILUSÕES Com fé, otimismo, batalha e uma porção de sonhos, Neide Santos superou dores pessoais para ajudar a transformar o Norte de Minas Gerais em um polo da piscicultura familiar nacional e, de quebra, poder dizer que tudo em sua vida “valeu a pena”


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uem caminha pelo circuito de piscicultores no Norte de Minas Gerais, dificilmente não vai ouvir falar do nome Neidinha, apelido carinhoso dado pela família a Neide Aparecida Santos, mineira natural de Teófilo Otoni. Se você que está lendo esta matéria ainda não a conhece, pode apostar que, ao final do texto, você vai entender o quanto valeu a pena conhecer essa “Pescadora de Ilusões”. Atualmente com 61 anos de idade, ela é filha de mãe mineira e pai paraibano, retirante. “Meu pai me ensinou que o problema não dura a vida toda. Já minha mãe, foi a minha parceira que cuidou de mim e de meus filhos. Ela me ensinou a ser guerreira.” Tais valores ganharam força quando, como mãe solo, Neide precisou enfrentar duas situações específicas: a criação dos dois filhos e a perda de um deles, Matheus, aos 16 anos. “A mulher que eu me tornei hoje foi pelo fato de eu ser mãe solo. Mas, a virada de chave foi a partida do Matheus. Ali foi quando eu percebi que a gente não precisa ter, a gente tem que ser”, relembra emocionada. Neste processo, Neidinha relata o quanto a fé foi importante para não só superar o luto, mas transformá-lo em algo maior. “Queria morrer para ficar com meu

filho, mas também queria viver para cuidar da Bruna [sua filha mais velha]. Escolhi então ser forte e, a partir dali, coloquei na minha cabeça que eu precisava cuidar das pessoas e ajudar o próximo.” Antes de ficar conhecida por sua atuação na piscicultura, Neide trabalhou por 30 anos como servidora pública na área de contabilidade. Porém, após a perda do filho, ela migrou para o social, coordenando o ProJovem Trabalhador, projeto de qualificação profissional de jovens. Foi então que, em 2020, pela Agência de Desenvolvimento Local Integrado e Sustentável do Brasil (Adesb), o pescado cruzou seu caminho de forma profissional - para nunca mais sair. Mergulhando no pescado Ela conta que, oficialmente, seu primeiro contato com o peixe começou em 2019, em Buritizeiro (MG). “Quando eu era assessora parlamentar do deputado estadual Ricardo Campos, participei de reuniões junto ao Sebrae para buscarmos alternativas para os produtores daqui da região. Então, em 2020, pesquisas apontaram a vocação que a região tinha para a piscicultura. Foi aí que a Codevasf [Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba] apresentou para nós o projeto Piracema do São Francisco, do engenheiro de pesca Maurício Gross, para oferecer assistência técnica para atender os produtores. Só que o projeto precisava de investimento financeiro”, detalha. Já na Adesb, Neidinha foi atrás de recursos para começar o projeto. “Em 2021, consegui um investimento da Câmara dos Deputados para atender inicialmente 32 produtores de tilápia com assistência técnica”, diz. Com esse projeto, ela foi a campo. “Queria conhecer as dores Arquivo pessoal

NOME Neide Aparecida dos Santos IDADE: 61 PROFISSÃO: Aposentada ONDE NASCEU: Teófilo Otoni (MG) ONDE MORA: Pirapora (MG) FRASE PREFERIDA: “Sonho que se sonha só, é só um sonho que se sonha só. Mas sonho que se sonha junto é realidade.” Neide recebendo em 2025, recebendo o título de Cidadã Honorária do município de Buritizeiro

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RG DO PERSONAGEM


PERSONAGEM

“QUERIA MORRER PARA FICAR COM MEU FILHO, MAS TAMBÉM QUERIA VIVER PARA CUIDAR DA BRUNA [SUA FILHA MAIS VELHA]. ESCOLHI ENTÃO SER FORTE E, A PARTIR DALI, COLOQUEI NA MINHA CABEÇA QUE EU PRECISAVA CUIDAR DAS PESSOAS E AJUDAR O PRÓXIMO.” Arquivo pessoal

Neide junto a Édipo Araújo, ministro do Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA), e membros da Codevasf, Emater e produtores locais na Aquishow Brasil 2026

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do pequeno produtor do Norte de Minas. Visitei cada um mensalmente por dois anos, criando vínculos muito humanos com cada um, sabe? Tinha alguns que, na falta da ração certa, dava ração de cachorro para o peixe.” Vendo essa situação, Neide foi, em 2022, à Comissão de Participação Popular, uma ferramenta da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), para apresentar uma proposta de doação de ração, alevinos, kits colorimétricos e tarrafa para 50 produtores de dois municípios: Buritizeiro e Pirapora. “Esse foi um divisor de águas para a gente mostrar que a região realmente tem potencial, que o produtor tem condição de cuidar e produzir o pescado”, reforça. No fim do ciclo do projeto de fomento da Adesb, ao todo, os 50 produtores produziram um total de 44 toneladas de tilápia, 10% a mais do que a meta.

Novos projetos, novas conquistas O sucesso do projeto levou Neide a um evento do Ministério da Integração, em 2023, onde conheceu o programa de Rotas de Integração. Percebendo que a iniciativa poderia estruturar a piscicultura mineira, Neidinha agiu: “Fiz um ofício solicitando a criação da rota de integração aqui em Minas Gerais”. Essa articulação deu vida ao Polo do Pescado das Gerais, ou Rota do Pescado, que hoje reúne 25 municípios em uma extensão de 710 quilômetros no território mineiro. “Atualmente, sou coordenadora geral do polo”, conta orgulhosa. Outro legado das ações de Neidinha é que ela articulou na ALMG meio milhão de reais para tirar a Unidade de Beneficiamento de Pescados (UBP) de Buritizeiro do papel. O entreposto abaterá uma tonelada diária de tilápia, inserindo ainda famílias produtoras da região na venda para o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE). Atrás de novas “ilusões” Neide, que hoje mora em Pirapora, diz que ainda tem o sonho de expandir o polo e criar o Centro de Pesquisa e Desenvolvimento Tecnológico de Aquicultura em Pirapora, reunindo fábrica de ração, escola e recria de alevinos. “É um projeto que está no papel, mas tenho certeza que nós vamos conseguir realizar”, conta entusiasmada. E, olhando para trás, Neidinha encontra inspiração para realizar esses sonhos naqueles, que ela diz serem os momentos mais bonitos de sua trajetória no pescado. “O primeiro foi ver uma despesca em Buritizeiro, onde cruzamos o Rio São Francisco de balsa com vários órgãos reunidos e tiramos peixes de mais de um quilo na casa de um pequeno produtor”, inicia. “O outro foi participar de um fórum onde fizemos o repovoamento de peixes no próprio rio. Ver toda essa mobilização e a felicidade das pessoas me emocionou demais. Ali senti que, como diz a música ‘O Pescador de Ilusões’, tudo valeu a pena”, finaliza. ••


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