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Seafood Brasil #62

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A nova evolução da Seafood Brasil para expandir seu Universo

A segunda parte da matéria sobre a cadeia aquícola no Tocantins

www.seafoodbrasil.com.br

O gambito do pescado

Acordo Mercosul-UE ressignifica rota comercial entre os blocos e pescado nacional quer entrar no tabuleiro. Às vésperas da auditoria sanitária, chegou a vez de o Brasil fazer sua jogada?

Notícias alvissareiras

A edição #62 da Seafood Brasil chega em um momento que alivia o cenário da edição #61: tarifaço suspenso e aprovação do Acordo Mercosul-UE. Ainda assim, os sinais positivos convivem com dúvidas estruturais sobre o futuro do setor. A reportagem de Capa (pág. 20) desta edição se debruça justamente sobre o Acordo, com consulta a fontes brasileiras e europeias em primeira mão. Em vez de tratar o assunto com euforia ou alarmismo, porém, optamos por uma análise mais pragmática: o acordo pode abrir oportunidades importantes de acesso a mercado, mas também traz exigências que o setor brasileiro ainda precisa demonstrar capacidade de atender, assim como estar dispostos a flexibilizar o fluxo de importações - já que o acordo é de mão dupla.

A edição também dedica espaço relevante aos números do setor. Os dados mais recentes da PeixeBR (pág. 54) indicam que a piscicultura brasileira ultrapassou pela primeira vez a marca de 1 milhão de toneladas produzidas. É um marco importante, que confirma a trajetória de expansão da atividade no país. Ao mesmo tempo, nossa análise da balança comercial do pescado em 2025 mostra como o cenário internacional continua em transformação, com destaque para o comportamento das importações dos Estados Unidos após o chamado “tarifaço”, que redesenhou parte das correntes comerciais do setor.

Outro destaque é a segunda parte do Especial sobre o Tocantins (pág. 36), um dos polos mais dinâmicos da piscicultura brasileira. Depois de apresentar o panorama geral do estado na edição anterior, aprofundamos agora os fatores que sustentam esse crescimento: investimentos produtivos, avanço tecnológico e um ambiente institucional relativamente favorável à expansão da atividade. Como mostramos na reportagem, o desafio agora é transformar esse crescimento em consolidação de mercado. Redação

Publishers:

Editor-chefe: Ricardo Torres

Editor-executivo: Léo Martins

Repórter: Fabi Fonseca

Designer gráfico: Thalita Cibelle Medeiros

Marketing e Tráfego: Letícia Baptiston

Crédito da foto de capa: Seafood Brasil com uso da IA

Por fim, esta edição também apresenta os próximos passos da própria Seafood Brasil (pág. 10). Ao longo dos últimos anos, a revista ampliou seu papel como plataforma de informação, conexão e inteligência para o setor. Novos projetos publicitários, editoriais, eventos e iniciativas estão saindo do forno com um objetivo claro: ressignificar o papel da Seafood Brasil como indutora da geração de negócios na cadeia, da aquicultura e pesca à comercialização.

Boa leitura!

Ricardo Torres e Fabi Fonseca

Fabi Fonseca e Ricardo Torres
Julio Torre e Ricardo Torres

NOVA MARCA ABIPESCA

Há 10 anos liderando a indústria de pescados em constante movimento, cada vez mais forte, unida e representativa.

Sinais contraditórios

Em meio à volatilidade do regime tarifário adotado pela gestão Trump, os maiores importadores de pescado do mundo não veem benefícios com as medidas, recentemente suspensas pela Suprema Corte dos EUA

Os Estados Unidos importam em torno de 85% do pescado que consomem - só em 2025, esta participação correspondeu a 2,2 bilhões de toneladas, 3% a mais sobre o volume importado no ano anterior. Desde o ano passado, porém, o maior cliente de pescado global está pagando mais caro para manter esta posição. “A abordagem geral do governo Trump em relação às tarifas foi difícil para empresas americanas de todos os tipos”, avalia Lisa Wallenda Picard, presidente e CEO do National Fisheries Institute (NFI).

Em entrevista exclusiva à Seafood Brasil, ela analisa o impacto das tarifas dos EUA no comércio de pescado e a relevância contínua do Brasil como fornecedor para o mercado norte-americano. “O Brasil tem pescado que não conseguimos encontrar aqui nos EUA, como a deliciosa lagosta espinhosa”, diz Picard. Na conversa, a executiva ressalta a parceria com a Associação Brasileira das Indústrias de Pescado (Abipesca) e vê os exportadores brasileiros como parceiros estratégicos.

Antes do NFI, Picard foi VicePresidente Sênior de Política, Comércio

Divulgação
“A única certeza para os próximos cinco anos é que nossas indústrias de pescado ainda precisarão muito uma da outra.”

e Assuntos Regulatórios na National Turkey Federation e Chefe de Gabinete do Serviço de Inspeção e Segurança Alimentar (FSIS) do USDA. Mestre em Assuntos Legislativos pela George Washington University e Bacharel em Comunicações pelo Flagler College, possui ainda um Certificado Executivo pela Kennedy School of Government na Harvard University.

Veja os detalhes do papo a seguir!

1 Olhando para o passado recente, como as políticas tarifárias e as tensões geopolíticas remodelaram a estrutura das importações de pescado pelos Estados Unidos, e quais foram as consequências imediatas para fornecedores como o Brasil, que dependem fortemente do mercado americano?

A abordagem geral do governo Trump em relação às tarifas foi difícil para empresas americanas de todos os tipos. A incerteza é sempre um desafio e, como a maioria das empresas de pescado vende mais de um tipo de produto, houve inúmeras mudanças que tiveram de ser rastreadas a cada ajuste nas taxas tarifárias. As tarifas sobre produtos do Brasil também tiveram o aspecto adicional de taxas baseadas em ações políticas, já as políticas tarifárias remodelaram os empregos e a economia de pescado aqui, mas não o mercado em si. Claro que a pesca dos EUA está entre as mais bem geridas do mundo e é explorada até o seu rendimento máximo sustentável, mas não podemos simplesmente aumentar a captura em nossas águas. Grande parte dos itens de pescado que amamos não podemos simplesmente produzir mais aqui.

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No ambiente atual, como os importadores dos EUA estão se adaptando à volatilidade das tarifas?

As pessoas que trabalham com pescado são resistentes e sabem

como enfrentar uma tempestade, por assim dizer. Também tem havido alguma diversificação, mas o Brasil tem pescado que não conseguimos encontrar aqui nos EUA, como a deliciosa lagosta espinhosa. Em alguns casos, “diversificar” significa descontinuar, o que pode ser uma consequência intencional da política, mas não beneficiou as empresas americanas de pescado.

3 Da perspectiva dos compradores dos EUA, como o Brasil é percebido hoje como fornecedor de pescado – tanto em termos de qualidade e confiabilidade do produto? A recente turbulência tarifária afetou a imagem do País nos EUA?

Não creio que alguém veja o Brasil de forma diferente por causa da situação tarifária dos EUA no ano passado. A Abipesca é uma grande parceira do NFI e o Jairo Gund [CEO da entidade] veio a Washington (DC) [em setembro de 2025] e testemunhou perante nosso Tribunal de Comércio Internacional sobre a importância do comércio de pescado para ambos os nossos países. Devido à recente decisão da Suprema Corte que invalidou as tarifas da IEEPA [sigla em inglês para International Emergency Economic Powers Act, a lei usada pelo presidente Donald Trump para determinar sobretaxas a todos os países com os quais os EUA têm relacionamento econômico], o Brasil enfrenta atualmente uma tarifa de 10% da Seção 122 e uma tarifa de 50% imposta pela Seção 232, afetando setores como aço e alumínio.

4 Quais espécies brasileiras você acredita que ainda têm o maior potencial no mercado dos EUA e que fatores competitivos determinarão seu sucesso no futuro?

O governo dos EUA atualizou recentemente suas Diretrizes Dietéticas para Americanos e aumentou a

quantidade de pescado que as pessoas são recomendadas a consumir. Todos nós sabemos que pescado é a proteína mais saudável do planeta, portanto, acredito que todas as espécies brasileiras têm potencial. O Brasil também desfruta de benefícios logísticos - uma vez que compartilhamos um hemisfério, o transporte é mais oportuno e não está tão sujeito a muitos dos fatores geopolíticos de outros lugares.

5 Olhando para os próximos 5 anos, você espera que os EUA se tornem mais protecionistas ou mais abertos? E que medidas estratégicas os países exportadores como o Brasil devem tomar hoje para se manterem competitivos num mercado moldado por tarifas, resiliência da cadeia de abastecimento e risco geopolítico? Essa é uma pergunta muito difícil de responder, pois teremos duas eleições importantes aqui nos EUA durante esse período. Embora a Suprema Corte dos EUA tenha derrubado uma ferramenta que o governo Trump usava para aplicar tarifas, existem outras, como a Seção 301 e 232, que eles agora empregarão. Independentemente de como este presidente atual, ou o próximo, se sinta em relação ao comércio internacional, isso não mudará o fato de que os cidadãos dos EUA amam certos produtos de pescado que simplesmente não conseguimos capturar ou produzir o suficiente - ou que não se desenvolvem - aqui. Nosso clima, bem como nossa infraestrutura de aquicultura muito menor, não nos permite produzir como o Brasil pode. Itens de pescado colhidos e produzidos no Brasil são um insumo importante para muitas empresas dos EUA. A única certeza para os próximos 5 anos é que nossas indústrias de pescado ainda precisarão muito uma da outra

Na Água

Tecnologia para pesca e criação

Crédito das fotos:

Divulgação/Empresas

O lançamento do lançamento

Criado para diminuir a mão de obra, o lançador de ração para 3º ponto do trator da Weemac também tem como objetivo proporcionar uma alimentação mais homogênea, melhorando a uniformidade dos peixes ou camarões para assim, render seu crescimento. Equipado com um silo com capacidade de 300 kg, a máquina possui abrangência máxima de lançamento de 15 m, regulador manual para dosagem de ração e lançamento aproximado de 20 kg por minuto. O lançador pode ser utilizado para diversos tamanhos de ração, exceto as em pó.

(Des)Pescadora de Ilusões

A despescadora de camarão 860 P da Aqua-Life, comercializada pela Marine Equipment, foi desenvolvida com base na experiência da empresa em viveiros no Texas (EUA) e México. Considerando todos os aspectos do processo de despesca, a solução pode trabalhar submersa com calha de sucção invertida e não submersa com tubulação de sucção e a calha de mesmo tipo. Logo, de acordo com a sua desenvolvedora, ao trabalhar submersa, a bomba não necessita do sistema de escorva, o que facilita a operação - porém esta deve ser colocada e retirada da posição ideal no viveiro.

As funcionárias do mês Um probiótico para peixes e camarões, com atividade biorremediadora de aplicação via água ou ração e fórmula exclusiva com 10 bactérias “trabalhadoras”. É dessa forma que a Braspec Biotecnologia define o AquaLimp, produto biológico que tem em sua composição bactérias benéficas. Com fórmula desenvolvida com objetivo de facilitar a vida do produtor, a solução promove maior equilíbrio, qualidade e sanidade da água, além de ter atividade probiótica que aumenta o ganho de peso dos animais. Disponibilizado em embalagens de 1 kg, o AquaLimp é indicado para todos os sistemas como intensivos, semi-intensivos, extensivos, sistemas RAS, Aquaponia e Bioflocos, bem como para tanques escavados, de concreto, geomembrana e caixas d’água.

“Cara,

crachá” do pescado

Disponível em três versões (agulhado, agulhado com aplicador descartável e a granel), o transponder microchip 134,5 Khz da Mar do Sul Aquicultura possui camada anti-migratória (Parylene C). Encapsulado em Biovidro (BIOglass) e com tamanho aproximado de 12 mm x 2 mm, a solução possui memória adicional que, além do número de identificação do animal, registra: mês/ano da jornada de vacinação ou vitaminas; mês/ano da jornada de vacina de espécie específica ou complementos alimentares, hormônio ou data da última desova; e informação se o animal for macho ou fêmea. Por fim, todas esses dados podem ser consultados e/ou alterados com microchip implantado no animal.

Pau de

selfie?

Para proporcionar movimentação das camadas mais profundas de lagos/tanques, o prolongador da Agricotec pode ser adaptado a qualquer modelo e marca de aerador chafariz, tudo para uma movimentação mais homogênea de toda a coluna de água. De acordo com a companhia, o item proporciona ao usuário diminuição dos riscos de mortalidade relacionada à estratificação; maior disponibilidade de oxigênio em toda a coluna de água; aumento dos índices zootécnicos; oxigenação mais uniforme em todas as camadas do lago/ tanque; eliminação de gases nocivos; e aumento da área

útil de produção de peixes do seu viveiro. A solução é indicada para tanques ou lagos com mais de 3 m de profundidade.

Tilapitos é a linha kids da Brazilian Fish desenvolvida para ampliar o consumo da categoria e gerar novas oportunidades de mix para o varejo.

A linha Tilapitos nasce com um objetivo claro: facilitar a introdução do peixe na alimentação infantil com segurança, qualidade e praticidade para as famílias. Desenvolvida com foco específico no público infantil, a linha contribui para formar novos hábitos de consumo e ampliar a presença da tilápia no carrinho de compras.

O portfólio inclui Nuggets de Tilápia, Pastelzinho de Tilápia, Estrogonofinho de Tilápia, Nhoquito de Tilápia e Macarrãozinho de Tilápia, oferecendo variedade de formatos e ocasiões de consumo. O Pastelzinho carrega o selo de apoio à causa autista, agregando valor social à categoria e fortalecendo a conexão com as famílias.

As embalagens colecionáveis, estimulam recompra e aumentam o giro no ponto de venda. Tilapitos é uma estratégia de crescimento para redes que buscam diferenciação, fortalecimento da categoria de pescados e construção de relacionamento com novos consumidores desde a infância.

Baixe o nosso catálogo
A TILÁPIA DO BRASIL TEM NOME E SOBRENOME.

Marketing & Investimentos

Um universo de conexões

Seafood Brasil evolui e se transforma em um universo que se propõe conectar toda a cadeia de pescado em um palco de geração de negócios

Texto: Léo Martins

Todo mundo sabe o que é um USB. O famoso padrão universal conecta, transfere dados e fornece energia entre computadores e periféricos. Não à toa, a nova fase da Seafood Brasil segue o modelo do Universal Serial Bus para ressignificar a geração de negócios para todos os elos do setor, da produção aquícola e pesqueira à comercialização no varejo e no food service através de uma evolução de sua história: o Universo Seafood Brasil (USB).

O novo ecossistema da Seafood Brasil vai redefinir como se consome conteúdo e se faz negócio dentro de nosso segmento. Quem faz questão de ressaltar esses aspectos é Ricardo Torres, CEO da Seafood Brasil, ao explicar o que é e o que motivou a criação do Universo Seafood Brasil. “Entendemos que nosso público ao longo de quase 15 anos não precisa somente de informação, mas também conexões que o deixe perto de quem realmente decide”, inicia. “Por isso a Seafood Brasil se transformará num palco de gerações de negócios que atua em uma dor muito específica do

setor: encontrar os seus compradores e estabelecer um relacionamento firme e duradouro com eles.”

A Seafood Show Latin America foi criada para ser o ápice desse esforço, mas infelizmente ela acontece só uma vez por ano. “Agora, nós temos uma plataforma de impulsionamento de negócios como nunca houve na cadeia produtiva do pescado, onde compradores e fornecedores terão a chance consumir conteúdo, conversar, gerar visibilidade para as marcas e se conectarem o ano inteiro para assim, gerarem negócios a partir desta conexão”, completa Torres.

Canva
Ao mostrar uma nova forma de gerar negócios e consumir conteúdo através da tecnologia, novo Universo Seafood Brasil está pronto para colocar o setor em outro patamar
O Universo Seafood Brasil é um ecossistema que utiliza tecnologia para redefinir a forma com que todos os elos do setor de pescado consomem conteúdo e fazem negócio

mídia do setor jamais fez: utilizamos a nossa IA proprietária para trazer um grande volume de notícias globais do setor diariamente e fazer um relatório completo com tudo o que os participantes da nossa comunidade precisam saber daquele dia, com a nossa curadoria”, pontua o COO.

e eventos vão funcionar de forma integrada. De forma complementar, todos vão compor um ecossistema de informação contínua”, detalha o CEO.

Tecnologia = Dados, IA, comunidade e muito mais

Mas não é só nas siglas que as coincidências entre o nosso USB e aquele que você já conhecia no seu dia a dia andam de mãos dadas: para os dois casos, a tecnologia é um pilar fundamental para torná-los revolucionários em seus respectivos setores.

No caso do nosso USB, a Inteligência Artificial (IA) é o motor da inovação. “Todo mundo tem uma opinião sobre o mercado do pescado, mas existe uma diferença brutal entre achar e saber. E isso acontece porque quase ninguém tem dados reais e completos que não só embasem essas opiniões, mas que também entendam os gargalos de cada elo da cadeia”, detalha Pedro Carnevalli, novo COO da Seafood Brasil e um dos primeiros no Brasil a trabalhar com as APIs da OpenAI no País.

Neste contexto, Carnevalli explica como essa novidade vai se dar e como ela vai ser útil para a audiência da Seafood Brasil. “Estamos trazendo dados diários que vão revelar o que de fato os decisores de produção, varejo, food service e indústria precisam saber para traçarem suas estratégias com muito mais assertividade”, detalha. “Sendo assim, a gente criou o que nenhuma

De acordo com Carnevalli, a Comunidade USB será além de um ponto de encontro de muito network e geração de negócios. “Nessa comunidade, você entra, participa e cresce, justamente porque cada interação foi pensada para aproveitar o tempo de quem está lá”, destaca. O COO assinala que o processo de validação para ingresso na comunidade verifica a empresa, cargo e atuação no setor. “Afinal, se você deixa entrar todo mundo, não tem mais comunidade e sim mais um grupo de WhatsApp. Por isso, dentro da nossa Comunidade, existe estrutura. Não é terra sem lei onde cada um posta o que quer: tem mediação e regras claras, com pauta semanal, debates guiados e alguém garantindo que aquele espaço continue sendo útil para todos.”

O que esperar do conteúdo?

Com tanta mudança, é inevitável que a forma como trabalhamos o conteúdo também não evolua. Neste cenário, a principal mudança passa pelas formas de entregar conteúdo ao leitor. Antigamente, a Seafood Brasil conversava com você pela revista, até então nosso principal canal de comunicação e que chegava aos nossos leitores a cada dois meses e meio. “Porém, a forma como todos nós consumimos conteúdo mudou, pois fazemos isso o dia inteiro a todo momento. E isso nos obriga a não ficarmos presos somente a um canal e formato”, pontua Ricardo Torres.

Para chegar até este objetivo, o Universo Seafood Brasil vai trazer convergência editorial total entre seus 6 canais de comunicação. “Isso significa que revista, portal, redes sociais, podcasts, WhatsApp

Na prática, isso significa que sim, a revista continua com cinco edições no ano (incluindo o Anuário). Porém, ela não vai estar mais em “carreira solo”: ela será a âncora de credibilidade que vai alimentar todos os outros canais, tudo funcionando de forma conectada. “Por isso eu falo novamente: o editorial não acabou. Ele se multiplicou para ser onipresente e estar onde o nosso leitor estiver”, reafirma Torres.

Ads são a alma do negócio

No Universo Seafood Brasil, a maneira como as empresas do setor têm suas marcas expostas aos compradores também evoluiu em relação ao que era feito antes. “A lógica da mídia digital tradicional é simples: você escolhe um ‘interesse’ genérico e torce para que dentro dessas milhões de pessoas, alguém seja seu cliente”, inicia Tiago Bueno, gerente comercial da Seafood Brasil. “Nossa proposta neste novo momento é apresentar algo diferente, ou seja, oferecer a essas marcas de anunciar apenas para seus atuais e futuros compradores.”

Assim nasceu o Seafood Ads, pilar fundamental do USB, que traz às empresas que fazem parte desse ecossistema a chance de aparecerem não para quem talvez se interesse, mas para quem já compra e decide. “São 150 mil dispositivos de compradores reais da cadeia do pescado como produtores aquícolas e pesqueiros, donos de restaurante, varejistas, gerentes industriais, entre outros”, diz Bueno.

O USB alcança 80% do inventário publicitário da internet, extrapolando os limites da mídia proprietária. “Na prática, isso significa que quando o comprador abre o seu YouTube, Spotify ou site de notícias que ele gosta, a marca dessa empresa vai

Marketing & Investimentos

Os pilares que sustentam o Universo

Seafood Brasil

SEAFOOD ADS

Proprietária de gestão de mídia e geração de leads.

SEAFOOD PUBLISHER

Editora de publicações especializada no pescado (revista Seafood Brasil).

aparecer em forma de vídeo, áudio ou banner. Em outras palavras, a empresa vai estar em qualquer lugar da internet que esse comprador consome e não somente em nossa revista, site e feira, por exemplo”, acrescenta o gerente comercial.

Porém, como neste novo momento a IA é uma parceira estratégica do USB , ela também entra de forma essencial nesta dinâmica.

“Nossa IA identifica quem de fato compra aquele produto específico com frequência. Ou seja, não é somente um interesse, mas um

SEAFOOD COMMUNITY

Comunidade composta pelos 1.000 maiores compradores de todos os elos da cadeia.

SEAFOOD INSIGHTS

Divisão de pesquisas com foco em geração de dados para o setor

comportamento real de quem compra algo na cadeia do pescado. E a gente anuncia somente para essas pessoas” , justifica Pedro Carnevalli.

O resultado dessa mecânica é zero desperdício e zero audiência irrelevante, com o orçamento do fornecedor indo 100% para quem importa. “No Universo Seafood Brasil, unimos o prestígio da revista e dos eventos presenciais com a escala do Ads. Agora, nosso anunciante não está só numa página de anúncio: ele está em todos os pontos de contato da jornada de compra do cliente dele.”

Com o Seafood Ads do USB, as empresas do setor extrapolam os limites da mídia proprietária para aparecer diretamente para quem já compra e decide em qualquer lugar da internet

Torres considera que este é o maior passo da Seafood Brasil para reafirmar a posição de uma plataforma de comunicação que utiliza a informação para aumentar o consumo e gerar negócios para a cadeia produtiva do pescado. “Ao acompanhar as mudanças do mercado, deixamos de ser apenas uma editora para nos tornarmos o motor de desenvolvimento que o segmento precisava para alcançar novos patamares, por meio da conexão entre compradores e fornecedores, no canal em que estiverem”,, conclui o CEO.

As notícias mais importantes de nosso site no último bimestre

Paraná e Santa Catarina reforçam barreiras contra a tilápia do Vietnã

Os governos do Paraná e de Santa Catarina adotaram medidas para restringir a entrada de tilápia importada do Vietnã, reforçando, segundo eles, a proteção à produção aquícola local e à sanidade dos plantéis. As decisões envolvem tanto tributação sobre a importação da espécie vietnamita quanto à manutenção de proibições sanitárias. No Paraná, a publicação da Lei nº 22.962 estabeleceu uma alíquota de 22% sobre operações de importação de tilápia. Já conforme a Secretaria de Comunicação do Estado de Santa Catarina, as preocupações sanitárias com riscos associados ao TiLV, também fundamentam a decisão do Estado, que manteve a proibição da comercialização de tilápia oriunda do Vietnã.

CostaFoods Brasil entra no

setor de pescado com nova aquisição

A CostaFoods Brasil divulgou que adquiriu a unidade industrial de processamento de pescado DB Lemes Pereira, situada no Distrito Industrial de Araguari, no Triângulo Mineiro. Segundo a empresa, a operação inaugura a entrada da companhia no setor de pescado, ampliando assim sua atuação além do portfólio tradicional e reforçando sua estratégia de expansão industrial e diversificação produtiva. Ainda de acordo com a companhia, a compra da planta já estruturada permitirá à CostaFoods iniciar operações sem a necessidade de grandes investimentos adicionais, acelerando sua integração ao mercado de pescado - o primeiro produto a sair da nova unidade será o filé de tilápia, que será comercializado sob a marca Belavida.

Vivenda do Camarão chega ao mercado de atacado para expandir atuação

Tradicional rede de culinária rápida à base de pescado, a Vivenda do Camarão, anunciou sua entrada no segmento de atacado e atacarejo. De acordo com a empresa, a iniciativa busca posicionar a marca como fornecedora estratégica para o canal B2B, servindo como uma intermediária para compradores como bares e pequenos restaurantes que já se abastecem nesses estabelecimentos. Atualmente, a companhia já mantém negociações avançadas com grandes grupos do setor, incluindo Atacadão, Giga, Tenda e Max Atacadista para assim, concretizar seu plano.

Pescado mantém preços sob controle e fecha 2025 abaixo da inflação

Os dados mais recentes do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), divulgados pelo IBGE, reforçam a posição competitiva do pescado no mercado brasileiro de proteínas animais. Em dezembro de 2025, o subgrupo Pescados registrou alta mensal de 0,55%, mas encerrou o ano com deflação de 1,57% no acumulado do ano - no mesmo período, a inflação geral do País foi de 4,26%. Já entre as espécies de pescado monitoradas, o cenário foi heterogêneo, com destaques para o pintado (30,86%), além de bacalhau (11,72%), anchova (10,57%) e caranguejo (9,84%). Na outra ponta, recuos foram observados em espécies de grande volume, como tilápia (-5,18%) e salmão (-6,44%).

Implementação do Selo da Pesca Artesanal do Brasil ganha novos avanços

O Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA) e o Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA) avançaram na implementação do Selo da Pesca Artesanal do Brasil – Identificação de Origem. O selo tem como objetivo reconhecer a origem dos produtos, valorizar a atividade pesqueira artesanal e fortalecer a identidade dos alimentos provenientes das comunidades tradicionais. Para obter a chancela, os pescadores e pescadoras devem estar devidamente inscritos no Cadastro da Agricultura Familiar (CAF) e no Registro Geral da Atividade Pesqueira (RGP), na categoria de pescador profissional artesanal, com licença ativa ou deferida. Já associações, cooperativas e demais organizações coletivas também podem solicitar a certificação, desde que pelo menos 50% de seus dirigentes possuam RGP ativo.

Marrocos proíbe exportação de sardinha e medida pede atenção do Brasil

A decisão do governo do Marrocos de suspender, desde 1º de fevereiro, a exportação de sardinha congelada para qualquer destino impõe um cenário de atenção para a indústria brasileira de conservas de pescado. Conforme a Agência Ecofin, a medida ocorre em um contexto de forte pressão sobre os estoques marroquinos de pequenos pelágicos, além de um cenário que combina sobrepesca, esgotamento dos estoques e aumento da demanda interna. Essa situação provocou forte concorrência pela espécie e levou a diversos episódios de aumento de preços em 2025, em várias regiões do país. De acordo com o governo marroquino, a restrição tem como objetivo garantir o abastecimento do mercado doméstico e conter a alta dos preços, sobretudo no período do Ramadã, quando o consumo de sardinha cresce significativamente. A duração da medida, no entanto, não foi especificada, o que amplia a incerteza para importadores e indústrias dependentes da matéria-prima.

Lei paraguaia avança sobre criação de tilápia em Itaipu

A sanção da lei nº 7.618/2025 pelo presidente do Paraguai, Santiago Peña, representa um movimento relevante na agenda aquícola regional e recoloca o reservatório da Usina Hidrelétrica de Itaipu no centro das discussões estratégicas sobre expansão da produção de tilápias na América do Sul. A nova legislação institui o regime de licenciamento ambiental para o criação, engorda e comercialização de espécies alóctones ou exóticas em corpos d’água fechados e semiabertos no país. Segundo o portal da Itaipu, a norma cria as condições jurídicas para viabilizar a tilapicultura no lado paraguaio do reservatório de Itaipu, algo que até então era travado por restrições legais no lado paraguaio. O ponto central agora passa a ser a revisão do Acordo Bilateral Brasil–Paraguai, que atualmente proíbe o uso de espécies exóticas no

NÃO SEJA UM PEIXE FORA D’ÁGUA: LEIA ESSAS E OUTRAS NOTÍCIAS COMPLETAS EM NOSSO SITE! Leia esse QR Code e acesse nosso portal: https://www. seafoodbrasil.com. br/noticias

Na Planta

Tecnologia em processamento de pescado

“Vai

triturar teus peixinhos”

Já a Branco Máquinas aposta em seu triturador de pescados

Não sobra escama sobre escama

A Brusinox apresentou para o mercado sua descamadora de pescado com jato de água de alta pressão, solução projetada para processar tilápias, peixes amazônicos e oceânicos. Com um sistema de jatos que garante a remoção de escamas, a máquina possui uma configuração voltada à segurança alimentar que permite acesso aos componentes internos para higienização completa. Ainda de acordo com a marca, a descamadora prioriza a produtividade industrial por meio de uma estrutura robusta e compacta, que facilita a integração em layouts de processamento contínuo.

Automatic Fish Grinder 90 para trazer produtividade às indústrias do segmento. Projetado para o processamento de resíduos e matéria-prima com capacidade produtiva de 1.500 kg/h em espécies como a tilápia, o item é fabricado em aço inox AISI 304 com acabamento jateado, possui estrutura tubular e chaparias de até 10 mm e ainda integra um conjunto de facas trituradoras e pentes separadores. Conforme a marca, o sistema, que é movido por um motoredutor trifásico SEW em tensões de 220 V ou 380 V, conta com painel de comando eletrônico e saída de resíduos direcionada para otimizar o fluxo de descarte ou reaproveitamento na planta.

Missão resfriamento possível

Unidade resfriadora de líquido projetada para operar com NH3 ou fluidos halogenados em ambientes de alta capacidade térmica, chiller com compressor parafuso da Mayekawa Brasil é voltado a diversos segmentos industriais. O equipamento utiliza trocadores a placas para o resfriamento de água e soluções e que, segundo a marca, acaba otimizando a troca de calor no processo. Conforme a empresa, o sistema ainda conta com o painel

Mypro Touch, que centraliza o controle de toda a refrigeração, além de possuir um mecanismo de retorno de óleo automático, garantindo a estabilidade operacional necessária para as demandas da indústria.

De pele nova

Disponibilizado ao mercado de processamento pela Engmaq Equipamentos, o descoureador de filé de pescado é fabricado em aço inox AISI 304 com acabamento jateado e escovado. Projetado para trabalhar com 1 filé por vez, o maquinário apresenta um sistema de regulagem da altura da lâmina de corte, permitindo precisão no ajuste conforme a espécie processada. A estrutura também conta com mesa de corte desmontável para facilitar a higienização interna e painel elétrico completo, seguindo assim os padrões de conformidade técnica para a operação segura no ambiente de operação industrial.

Classificação livre

Projetada para a formação de lotes e pesagem precisa em alto-mar, a classificadora marítima da JBT Marel conta com um sistema avançado de compensação de movimento para operar sob as oscilações das embarcações. O equipamento, disponível em versões de pista única ou dupla, processa fluxos contínuos de peixes inteiros, filés, mariscos e subprodutos, como sacos de ovas, tudo com monitoramento em tempo real. Além de classificar o produto por peso ou de forma inteligente em lotes com sobrepeso mínimo, a solução possui acesso facilitado para higienização e disponibiliza conexão remota para assistência técnica.

Crédito das fotos: Divulgação/Empresas

Tratado histórico projeta uma nova era de integração entre Mercosul e União Europeia, mas o setor corre contra o tempo para superar o bloqueio sanitário e vencer a auditoria de junho

Se no século XV as caravelas partiam do Velho Continente em busca de riquezas no Novo Mundo, em 2026, o fluxo de oportunidades pode estar se invertendo. E para o pescado brasileiro, a Europa, com seus mais de 720 milhões de consumidores, permanece como o destino mais cobiçado para a diversidade de produtos que o Brasil é capaz de ofertar.

Em um cenário geopolítico de incertezas, o Acordo entre o Mercado Comum do Sul (Mercosul) e União Europeia (UE), assinado em janeiro, encerra uma jornada diplomática de 26 anos. Mais do que um tratado para redução de tarifas, não é exagero afirmar que o documento simboliza uma “redescoberta” comercial das exportações brasileiras na Europa, assim como a rota inversa: as importações de produtos europeus pelo Brasil.

Rumo ao Velho Continente

Seafood Brasil com uso da IA
Após 26 anos de negociações, a assinatura do tratado entre Mercosul e UE projeta uma nova era de integração entre os blocos

A UE é hoje o segundo maior parceiro comercial do País, com uma corrente de comércio de bens estimada em cerca de US$ 100 bilhões em 2025. Uma vez ratificado no Parlamento Europeu, o tratado promete fortalecer a diversificação das parcerias comerciais brasileiras e impulsionar a modernização do parque industrial, integrando o Brasil às cadeias produtivas europeias. Já para a UE, a tratativa reduzirá as tarifas sobre diversos itens como automóveis (atualmente até 35%), máquinas (atualmente entre 14% e 20%), produtos farmacêuticos (atualmente até 14%) e muitos outros produtos, economizando para as empresas do bloco mais de 4 bilhões de euros por ano.

Onde o acordo trava

Apesar do avanço histórico do Acordo entre Mercosul e UE, a negociação enfrentou (e ainda

enfrenta) resistência de alguns países europeus - a França, por exemplo, se destacou como uma das principais opositoras, com duras manifestações de agricultores locais.

Por outro lado, no Brasil, o agronegócio defende a necessidade de mecanismos de proteção. Em março, o Plenário do Senado aprovou o Projeto de Decreto Legislativo (PDL) nº 41/2026, que ratifica o Acordo Provisório de Comércio entre Mercosul e UE. O texto recebeu o aval do plenário e seguiu para sanção presidencial.

Pouco depois, o governo federal publicou o Decreto nº 12.866/2026, que estabelece as chamadas salvaguardas bilaterais, medidas de proteção para produtores e empresários brasileiros. Entre elas estão o aumento de tarifas, a limitação de volumes importados e, em casos específicos, a suspensão de isenções

fiscais, garantindo tempo para que os setores impactados se ajustem à concorrência internacional.

Do lado europeu, a situação ainda precisa da aprovação do Parlamento Europeu e de ratificações nacionais específicas. No fim de janeiro, o Parlamento decidiu enviar os termos do Acordo ao Tribunal de Justiça da UE para uma análise de legalidade. A medida, aprovada por uma margem apertada - de 334 votos a favor, 324 contra e 11 abstenções -, suspende, na prática a implementação do Acordo por vários meses, até que o parecer jurídico seja concluído.

Em fevereiro, Olof Gill, portavoz da Comissão Europeia para Comércio, afirmou que o tratado entraria em vigor de forma provisória assim que fosse ratificado pelos países do Mercosul que já concluíram seus processos internos. Até o começo de março, Argentina e Uruguai haviam

salvaguardas internas, o bloco europeu aguarda o parecer de legalidade do Tribunal de Justiça da UE

Números do acordo

Segundo projeções da Comissão Europeia e do governo brasileiro, o Acordo UE–Mercosul poderá gerar resultados expressivos para ambos os lados:

+77 bilhões de euros de aumento no PIB da Europa;

50 bilhões de euros (39% de crescimento) nas exportações anuais da UE;

Até 600 mil empregos gerados na Europa;

+R$ 37 bilhões sobre o PIB brasileiro;

2,46% de aumento (R$ 42,1 bilhões) nas importações totais pelo Brasil;

2,65% de aumento (R$ 52,1 bilhões) nas exportações totais do Brasil.

finalizado seus procedimentos legais. “O mais provável é que o acordo comece a vigorar em junho de 2026”, diz uma fonte de alto nível diplomático consultada pela Seafood Brasil.

O pacto com o Mercosul não é o único movimento estratégico da UE neste ano. No final de janeiro, o bloco e a Índia formalizaram um amplo acordo que, após duas décadas de negociações, cria uma zona de livre comércio envolvendo cerca de 2 bilhões de pessoas. Ao mesmo tempo, a UE mantém negociações com outras nações, como os Emirados Árabes Unidos, buscando ampliar sua rede de acordos comerciais.

E para o pescado?

Se o Acordo entrou para a história do comércio exterior e inaugurou uma nova era para o bloco sulamericano, o cenário global acelerou o desfecho. Afinal, em um contexto de “tarifaço” nos Estados Unidos e de reconfigurações nas cadeias globais de suprimentos, o entendimento com a Europa deixa de ser apenas um tratado comercial.

Segundo Welber Barral, ex-

secretário de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), o momento exige leitura estratégica e a pressão externa serviu como catalisador. “É um Acordo que demorou muito tempo para ser negociado, avançou ironicamente por conta da negociação com os Estados Unidos e é estratégico do ponto de vista brasileiro, não apenas pelo comércio, mas também pelo que pode gerar de investimentos europeus na América Latina e no Mercosul, principalmente”, pontua.

Embora o agro ainda lide com o sistema de cotas, que posterga o livre comércio pleno, Barral enxerga uma transição irreversível para a liberalização. Nesse cenário, a grande vantagem reside no acesso ao mercado “premium” europeu. Ele enfatiza que, “apesar das limitações volumétricas iniciais, o alto valor agregado e o rigor do consumidor europeu garantem preços que tornam a operação vantajosa para o agro exportador brasileiro.”

Já para o pescado, Jairo Gund, diretor executivo da Associação Brasileira das Indústrias de Pescados (Abipesca), avalia o tratado como

Enquanto o Brasil ratifica o texto e implementa
Seafood Brasil com uso da IA

“excelente”, especialmente pela complementaridade de portfólio. “O Brasil já é um grande importador de pescado, e as espécies que eles produzem lá [na UE] não são as que nós produzimos aqui. Então, não há concorrência, pelo contrário: há sinergia nesse processo”, explica.

Segundo ele, a redução tarifária permitirá ao Brasil competir em melhores condições com os produtos asiáticos, reposicionando o País no cenário internacional. “Certamente isso nos dará um fôlego e uma aceleração no crescimento, e o reflexo acaba sendo sentido também no mercado nacional”, afirma.

Ao analisar a chegada de produtos processados europeus ao mercado brasileiro, Gund descarta qualquer ameaça à indústria nacional. Nesta linha, ele ressalta que o alto custo de

O pacto com o Mercosul não é o único movimento estratégico da UE neste ano. No final de janeiro, o bloco e a Índia formalizaram um amplo acordo que, após duas décadas de negociações, cria uma zona de livre comércio envolvendo cerca de 2 bilhões de pessoas

produção na Europa funciona como uma barreira natural, protegendo produtos brasileiros de concorrência direta e abrindo espaço para complementaridade de portfólio. “Hoje, por exemplo, não trazemos conservas como mexilhões porque não são viáveis comercialmente”, exemplifica.

Para Thamires Quinhões, diretora executiva da Abrapes, o Acordo tem um peso estratégico que vai além do comércio e representa um marco histórico nas relações entre os dois blocos. “Não se trata apenas de um tratado comercial, mas de um vetor de previsibilidade, competitividade e reinserção do Brasil nas cadeias globais de valor.”

Já para Julio César Antônio, presidente da Associação Brasileira de Fomento ao Pescado (Abrapes), para as empresas importadoras, o

Exija do seu fornecedor a qualidade dos produtos Natubrás

Pescados com qualidade

o ambientemeio

Matéria-prima da melhor procedência, ótimas práticas de fabricação, instalações que respeitam a legislação e equipamentos de congelamento ultrarrápido são alguns dos fatores que garantem o padrão de qualidade Natubrás São camarões, lulas, mexilhões, polvos e cortes nobres de peixes, em embalagens práticas e seguras ao consumidor.

Acordo tende a ser positivo. “Porém, seus efeitos serão graduais e dependem tanto do desenho final da redução tarifária quanto da interação com a tributação interna, incluindo o ICMS, que em muitos estados gira em torno de 12% para pescado importado”, pondera.

Do ponto de vista do consumo, a entrada de pescado europeu com tarifas reduzidas deve redesenhar preços, mix de produtos e hábitos do consumidor brasileiro, com potencial de impacto projetado para o médio e longo prazo. “Ainda que o Acordo preveja prazos de desgravação tarifária mais céleres para pescado, não há previsão sobre quando o Acordo efetivamente entrará em vigor”, pontua Quinhões.

Assim, embora o Acordo traga oportunidades, a diretora executiva da Abrapes comenta que há pontos críticos que precisam ser considerados como a assimetria competitiva, a tributação interna e as barreiras não tarifárias, a exemplo dos requisitos de rastreabilidade e de sustentabilidade que devem ser claros, harmonizados e

Do ponto de vista do consumo, a entrada de pescado europeu com tarifas reduzidas deve redesenhar preços, mix de produtos e hábitos do consumidor brasileiro, com potencial de impacto projetado para o médio e longo prazo

exequíveis. “A Abrapes reconhece as oportunidades de ampliação de portfólio e de competitividade que o Acordo pode trazer, mas defende regras equilibradas, transparência, previsibilidade e apoio à adaptação do setor, de forma que as importações, a indústria e as futuras exportações brasileiras possam se desenvolver de maneira sustentável e coordenada”, finaliza.

O gargalo sanitário

Mesmo com as perspectivas positivas trazidas pelo tratado entre Mercosul e UE, o pescado brasileiro ainda enfrenta um obstáculo gigante para acessar o mercado europeu: o

bloqueio sanitário.

Na prática, o tratado comercial não altera automaticamente essa condição. “Para que possamos exportar, é preciso ter um aval das autoridades sanitárias da UE, e é essencial que eles reconheçam o serviço brasileiro responsável pela segurança do alimento e saúde animal como um serviço equivalente ao deles. Este reconhecimento está suspenso desde 2017. Logo, mesmo com o Acordo UE-Mercosul em vigor, não podemos exportar pescado para a UE”, explica José Luis Ravagnani Vargas, diretor do Departamento da Indústria do Pescado do Ministério da Pesca e Aquicultura (DIP/MPA).

Assim, a expectativa do setor está

A diversidade de pescado disponível ao consumidor pode crescer com a maior integração comercial entre Mercosul e União Europeia
Canva

voltada para a auditoria europeia prevista para junho de 2026, quando técnicos do bloco devem avaliar in loco desde as condições sanitárias das embarcações até o sistema de verificação dos serviços oficiais brasileiro. “Na minha avaliação, nunca estivemos tão preparados para demonstrar a excelência de todo o trabalho que o setor privado e o governo vêm fazendo para certificar os produtos brasileiros”, assegura Vargas.

Do ponto de vista da UE, ainda há dúvidas sobre a capacidade de o governo brasileiro satisfazer o rigor europeu, como sinaliza uma fonte diplomática do bloco. “O sistema brasileiro de fiscalização dos barcos é o maior obstáculo neste momento. Reforçar esse sistema é imprescindível para que a auditoria seja bem-sucedida.” Segundo a fonte, um dos temas sensíveis é a

O cardápio do acordo

Oferta europeia

Empresas aguardam liberação do acesso para retomar o fluxo de exportações à UE

Radar internacional

O avanço das negociações movimenta os principais players do comércio internacional de pescado. Para a Greenfish Brasil , o tratado já faz parte do planejamento estratégico, especialmente como vetor de médio e longo prazo. Segundo o sócio-diretor da empresa, Lucas Martins, a UE é um mercado de alto valor que demanda sustentabilidade. “Embora o Acordo ainda esteja em fase de consolidação política, a perspectiva de redução tarifária e maior previsibilidade regulatória muda o racional de investimento. Para nós, a UE representa um mercado de alto valor, com forte demanda por pescado de origem sustentável e rastreável”, afirma. A memória exportadora da empresa reforça o otimismo: a Greenfish, que já operou fluxos constantes para a Holanda e Ilhas do Caribe sob jurisdição da UE, vislumbra novas oportunidades.

Já a Maris Pescados , outra companhia nacional com histórico exportador, recorda que a suspensão de 2017 interrompeu um fluxo consolidado de lagosta. “O desempenho foi consistente e demonstrou que o produto brasileiro possui aceitação e competitividade no exterior”, conta o gerente de vendas da companhia, Nacione Torres . Para ele, a eventual implementação do Acordo deve contribuir para uma maior previsibilidade institucional, segurança jurídica e redução gradual de barreiras comerciais.

A aposta das empresas recai sobre espécies específicas. Na Greenfish, pargo, pescada-cambucu e tamuatá estão no radar, além do retorno estratégico do camarão-rosa da costa paraense. Já a Maris Pescados, que mantém presença no varejo nacional com o camarão, enxerga em peixes como a cioba, ariacó e dentão e na lagosta grandes oportunidades para a exportação.

capacidade de as embarcações brasileiras congelarem o peixe no momento da captura em alto mar.

Welber Barral completa que o tratado pode ser considerado um avanço, mesmo com o mercado europeu ainda fechado ao setor. “No caso do pescado, um ponto interessante são justamente as exigências sanitárias e a capacidade que o setor tem de cumprir essas exigências de um lado. Agora, o Acordo cria mecanismos para você tanto poder reclamar no caso de uma eventual barreira, como também para acelerar as certificações.”

Neste cenário de preparação intensiva, Estevam Martins, consultor do Sindicato dos Armadores e das Indústrias da Pesca de Itajaí e Região (Sindipi), avalia que o universo de embarcações atualmente aptas ainda é restrito. Segundo ele, cerca de dez barcos estão devidamente certificados para o mercado europeu, conforme as portarias vigentes. “Essas embarcações operam em estrita conformidade com os protocolos de Boas Práticas de Fabricação [BPF] e dispõem de sistemas de conservação a bordo altamente eficientes”, completa.

Para o consultor, o desafio da missão europeia transcende a infraestrutura física e está centrado na rastreabilidade documental e no controle sanitário oficial. “A União Europeia exige comprovação rigorosa do controle de resíduos, metais pesados e da eficácia na inativação de parasitas, conforme estabelecido pelo Regulamento CE 853/2004. Apesar dos esforços realizados em modernização de porões e capacitação das tripulações, o êxito na auditoria dependerá de uma atuação articulada entre o setor privado e o MPA, assegurando que o monitoramento oficial brasileiro cumpra integralmente os requisitos de equivalência europeus.”

Logo, se as ações entre o setor público e o governo são apontadas como fatores determinantes, o diretor do DIP/MPA, José Luis Ravagnani

Maris Pescados

O Acordo entre Mercosul e União Europeia pode redesenhar o mix de produtos e os preços para o consumidor, ampliando a oferta de pescado e a competitividade no mercado internacional

Vargas, assegura a atuação entre os ministérios. “O MPA e o Mapa trabalham como se fossem um só e, lógico, respeitando as competências de cada um. O setor público [está] com muita sinergia entre os dois Ministérios [e apresenta] controle de todo o processo de produção e certificação. O setor privado está motivado e demonstrando bom preparo.”

Governança sanitária na prática

Para além das questões institucionais e diplomáticas, a manutenção do mercado europeu também exigirá ainda mais atenção no “chão de fábrica” do setor. “A retomada da possibilidade de acesso à UE e ao Reino Unido, reforça um ponto central: exportar para esses mercados exige governança sanitária de ponta a ponta, sustentada por evidências e desempenho consistente”, avalia Gustavo Faria, diretor técnico da Lex Experts.

Ele explica que, na prática, o estabelecimento precisa demonstrar, por meio de documentação robusta e

“A União Europeia exige comprovação rigorosa do controle de resíduos, metais pesados e da eficácia na inativação de parasitas, conforme estabelecido pelo Regulamento CE 853/2004.”

De olho nas regras da UE

Desde 10 de janeiro de 2026, entrou em vigor na UE um novo sistema de controle que institui o certificado digital de captura para todos os produtos de pescado importados pelo bloco, o CATCH, ferramenta que substitui o antigo processo documental em papel por um sistema eletrônico de verificação. Considerado um dos pilares do Pacto Oceânico da União Europeia, o mecanismo busca assegurar que todo pescado que ingressa no mercado europeu tenha origem legal e esteja em conformidade com os padrões regulatórios do bloco, reforçando os esforços de combate à pesca ilegal, não declarada e não regulamentada (INN).

Dados da Comissão Europeia indicam que as importações respondem por cerca de 70% do consumo de pescado na UE, sendo que aproximadamente 80% desse volume está sujeito às regras do regulamento contra a pesca INN. Nesse contexto, a adaptação do pescado brasileiro às exigências contra a pesca INN torna-se estratégica.

Segundo Estevam Martins, a adequação ao padrão exige a adoção rigorosa dos Mapas de Bordo Digitais e o uso contínuo de sistemas de monitoramento por satélite (VMS-PREPS). “As embarcações brasileiras já iniciaram esse processo de adaptação. Contudo, o desafio atual consiste na integração eficiente desses dados”, afirma.

De acordo com o consultor, como o mercado europeu requer que cada lote exportado seja plenamente rastreável até sua coordenada geográfica de captura, empresas que priorizam transparência e adotam planos de manejo estruturados contarão com significativa vantagem competitiva, convertendo a rastreabilidade de um custo operacional em um diferencial estratégico nos âmbitos de marketing e sustentabilidade. Para o presidente do Coletivo Nacional da Pesca e Aquicultura (Conepe), Cadu Vilaça, as embarcações brasileiras estão preparadas para atender aos padrões anti-INN. No entanto, ele ressalta que o fôlego do setor é frequentemente freado por um ordenamento nacional complexo e com poucos avanços nesse sentido. “Temos condições, sim. Há embarcações aptas e um aumento da demanda será um estímulo a investimentos e adequações privadas. Mas é preciso entender que o principal agente é o gestor

Embarcações brasileiras são parte central da cadeia produtiva e terão papel decisivo no cumprimento das exigências sanitárias do mercado europeu

execução diária, que seus Programas de Autocontrole (PAC) e Análise de Perigos e Pontos Críticos de Controle (APPCC) estão efetivamente implementados, que a cadeia primária é qualificada e monitorada e que a rastreabilidade garante a segregação de lotes até a emissão do Certificado Sanitário Internacional (CSI).

Por sua vez, Sarah de Oliveira, diretora executiva da Lex Experts, completa que, no modelo de habilitação por pré-listing, esse compromisso é validado por verificação oficial e só se mantém com aprovação plena, disciplina de registros operacionais e capacidade de resposta rápida a notificações internacionais, pois, nesse mercado, falhas de processo se convertem rapidamente em suspensão ou perda da habilitação. “Para as empresas, a mensagem é objetiva: quem internaliza os requisitos como rotina operacional, e não como

‘projeto’, transforma conformidade em previsibilidade de exportação e proteção reputacional. Quem encara o tema como burocracia, por outro lado, amplia a exposição ao risco de bloqueios nas exportações e perda de negócios. O caminho está posto e agora, é a vez de o setor fazer sua parte”, finaliza Oliveira.

Da tarifa zero às questões internas

O Acordo acelera a competitividade da tilápia nacional, na visão da Associação Brasileira da Piscicultura (PeixeBR). Com a inclusão do produto na Categoria 0, as tarifas de importação, que atualmente oscilam entre 7,5% e 9%, serão totalmente eliminadas logo no primeiro dia de vigência, sem a imposição de cotas de exportação.

O otimismo em relação à redução tarifária da tilápia tem sido filtrado por questões domésticas

Mas o otimismo em relação à redução tarifária da tilápia tem sido filtrado por questões domésticas. “O Acordo é bom e zera a tarifa para a exportação de peixes de cultivo do Brasil para a UE, porém ainda há um longo caminho a percorrer, e temos temas mais urgentes e importantes no Brasil a resolver, como a importação de filé de tilápia do Vietnã e o desejo do MMA [ Ministério do Meio Ambiente] de incluir a tilápia na lista de espécies invasoras. Aliás, este é um bom exemplo: se a tilápia for incluída na lista, a UE não poderá importar produtos considerados invasores;

nesse caso, o Acordo não faria sentido algum para nós”, comenta Francisco Medeiros, presidente da associação.

Para além dessas questões, Medeiros vê o Acordo como uma chance de enfrentar a hegemonia chinesa no fornecimento à Europa, condicionada à modernização do ambiente regulatório brasileiro. “Se a legislação no Brasil permitir, poderemos fazer um produto para competir. E não estamos falando de qualidade, mas de oportunidades”, destaca.

No Norte do País, as atenções da piscicultura se voltam para o peixe nativo, com foco no tambaqui. Conforme Francisco Hidalgo Farina, vice-presidente da Associação dos Criadores de Peixes do Estado de Rondônia (Acripar) e presidente da Comissão Nacional de Aquicultura e Pesca da CNA, o Acordo funciona como um facilitador de acesso, mas a efetiva entrada no bloco exige uma cadeia produtiva organizada.

A tilápia é um dos principais produtos da aquicultura brasileira com potencial de expansão no mercado internacional
Seafood
Brasil

Capa

“O tambaqui tem potencial internacional, porém o mercado europeu exige padrão, regularidade e confiança sanitária. Hoje, o desafio não é vender na Europa, mas organizar a cadeia para que ele possa ser comprado com segurança. Como espécie, o tambaqui está pronto. O que ainda precisa evoluir é a estrutura da cadeia produtiva”, avalia Farina.

Para Itamar Rocha, presidente da Associação Brasileira de Criadores de Camarões (ABCC), o próprio Acordo pode ampliar a pressão política por soluções estruturais. “Embora no presente momento, ele [ o Acordo] não trará benefícios para os setores carcinicultor e aquicultor ele certamente será fundamental para aumentarmos as pressões junto ao governo brasileiro, através do MPA. Nesse sentido, a ideia é solucionar os problemas de ordem sanitários das embarcações da pesca industrial, que causaram a proibição das exportações de pescado para a UE, ou preferencialmente, para

propor o mais rápido possível, a separação dos produtos oriundos da carcinicultura e aquicultura, da pesca extrativa do Brasil.”

No segmento, o histórico do P. vannamei brasileiro serve de inspiração. Rocha lembra que, em 2004, o País liderava as importações de camarão tropical na UE, com 43.019 toneladas, superando Índia e Equador. “Com o Equador ocupando (8%) e Índia (5%), o que por si só, se constitui a prova cabal da qualidade e das oportunidades para o nosso camarão no segundo mercado mundial importador de camarão [ UE]”, diz. Conforme ele, a projeção do potencial desse mercado está associada à preferência por importar camarões médios inteiros (com cabeça), onde o Brasil é competitivo.

Para a pesca extrativa, Estevam Martins, consultor do Sindipi, avalia que o tratado representa um avanço significativo que vai além da questão tarifária, consolidando

o Brasil em um dos mercados mais exigentes do mundo. “Considerando os desafios a serem superados, como as barreiras sanitárias impostas pela União Europeia, a pesca extrativa brasileira enfrenta obstáculos substanciais: as alíquotas de importação variam entre 7,5% e 12% para a maioria dos peixes congelados, podendo atingir até 15% a 20% para crustáceos como camarão e produtos processados. Com o novo tratado, aproximadamente 80% do pescado fresco e congelado brasileiro terá tarifa zero imediatamente após sua implementação”, diz.

De acordo com ele, a eliminação gradual dessas tarifas proporcionará condições equitativas para espécies brasileiras de ticket médio mais elevado diante de concorrentes já beneficiados por preferências tarifárias. “Contudo, o êxito dependerá não apenas da competitividade de preços, mas também da capacidade do setor em transformar esse acesso em reconhecimento de qualidade internacional.”

Espécies nativas despontam como alternativa de valor agregado para futuros mercados internacionais

Na Gôndola

A oferta de peixes, crustáceos e moluscos

Pode camarão, produção?

O destaque da Japa da Ostra, marca da Brasil Seafood, fica a cargo do camarão cinza descascado eviscerado cozido congelado. Vendido em embalagens de 454 g, o produto foi desenvolvido justamente para dar agilidade a quem não dispensa o crustáceo em seus pratos. Pensando ainda em oferecer ao consumidor custo-benefício, a empresa disponibiliza o item em embalagens de 51/60 unidades.

Destaque da Acadêmicos da Tilápia

Buscando trazer luz à tilápia, que é seu carro-chefe, a Coopermota destaca sua marca

Candú através de seu filé de tilápia premium. Congelado de forma individual, o item, segundo a empresa, é produzido especificamente em tanque-rede e depois, drenado - ou seja, sem nada de adição de água, o Glaze Por fim, ainda de acordo com a marca, a embalagem do produto também carregada um destaque, uma vez que ela apresenta uma cor vibrante para chamar a atenção do consumidor no ponto de venda.

Os bons companheiros

A Karam’s Mar lançou ao mercado de food service seu kit paella de 400 g. Com 100 g de cada item dentro do kit, o produto foi pensado para quem é fã declarado desse prato e que busca formas de prepará-lo de forma ágil em seu dia a dia. Outra novidade da empresa para os consumidores fica por conta da pescadinha branca, produto disponibilizado para o púiblico de forma congelada, sem pele e também em embalagens de 400 g.

Nem o Jacquin resistiria

Apostando em uma linha gourmet inédita para os consumidores, a New Fish traz um lançamento com produtos que já contam com molho artesanal pronto para ser descongelado e colocado na proteína. Segundo a empresa, fazem parte da linha o filé de

salmão porcionado com molho maracujá, o camarão descascado com molho tradicional de salsa galega e o kit paella de frutos do mar com molho espanhol. A New Fish também destaca que os itens da linha foram inspirados em diferentes países como Espanha e França, por exemplo, e podem ficar prontos em um tempo que varia de 05 a 25 min, dependendo do produto.

É o tchan da tilápia

A tilápia é a escolhida pela Bello Alimentos para ganhar novos formatos e assim, valorizar o diferencial dessa espécie. Para isso, a empresa aposta na verticalização para garantir o frescor, produzindo o item em Itaporã (MS), onde realiza o abate próprio e apresenta ao mercado opções de filés e postas em embalagens de 400 g e 800 g. Ainda segundo a marca, outro destaque é a linha “Pronto para a Grelha”, que chega ao varejo e ao food service já limpo e eviscerado, tudo para alcançar consumidores que buscam conveniência em seu dia a dia, mas sem abrir mão do sabor.

New York, New Burguer

O Fish Crispy é a nova aposta da Seara com a rede Bullguer para atender consumidores que sentem falta de algum lanche feito com pescado no food service. Inspirado nas delicatessens nova-iorquinas, o sanduíche utiliza peixe empanado da Seara como protagonista, mas acompanhado por queijo de cabra e molho especial. Segundo as empresas, a novidade busca aliar crocância e refrescância para a temporada de calor, estando disponível em todas as unidades da rede Bullburguer no Brasil. Por fim, a Seara destaca que a companhia está dedicando uma operação especial para garantir volume e alcance da novidade, tudo para que os novos consumidores possam experimentar e se tornarem fãs do hambúrguer.

Firmeza, peixe?

Focado na praticidade do consumidor final, o filé de piramutaba sem pele da Pesquali, da Delly’s Food Service, chega ao varejo em embalagens de 500 g. A empresa informa que

o produto se destaca pela carne firme de sabor suave e levemente adocicado, podendo assim ser classificado como um peixe magro de alto valor proteico. De acordo com a companhia, o item também passa por processos de controle para garantir a integridade da textura, que permite preparos diversos como grelhados, assados ou ensopados. Voltada também ao atacado, a marca, reforçando a versatilidade da espécie para diferentes receitas, disponibiliza o pescado em caixas com 40 unidades.

Show das Poderosas

As iscas de polaca empanadas da Noronha Pescados chegam ao varejo como uma alternativa prática para quem, conforme a empresa, busca uma opção poderosa para petiscos. Disponibilizado em embalagens de 300 g, o produto é composto por pedaços de filé temperados,

que passam por um processo de pré-fritura e congelamento para garantir a crocância após o preparo. Ainda segundo a Noronha, o item foi desenvolvido para facilitar a rotina doméstica, sendo compatível com o cozimento em air fryer sem perder a textura dourada. Por fim, a companhia destaca que a novidade foca na conveniência de pratos rápidos, servindo tanto como acompanhamento quanto como prato principal.

Frio na barriga (e no prato)

O carpaccio de salmão da Damm chega ao mercado em embalagens de 100 g, divididas em duas porções de 50 g para facilitar o consumo fracionado. Originário das águas frias do Pacífico, o produto, conforme a companhia, conta com as certificações internacionais ASC e BAP, que atestam a sustentabilidade e a responsabilidade ambiental da produção. Livre de conservantes, aromas e corantes artificiais, o item ainda é rico em ômega 3 e vitamina D. Já fatiado, o lançamento é indicado ao preparo de entradas e aperitivos leves, sendo também uma opção para quem está em dieta ou que possui restrição a glúten.

Quando a produção vira tecnologia

Pesquisa científica, genética, alevinagem e novos projetos de produção começam a redesenhar o mapa da cadeia aquícola no Estado do Tocantins

Texto: Fabi Fonseca

Enquanto técnicos monitoram tilápias selecionadas geneticamente em Palmas (TO), a poucos quilômetros dali, fazendas de alevinagem abastecem produtores que começam a ocupar os reservatórios do Estado com tanques-rede, ao mesmo tempo que a tradição dos peixes nativos ganha fôlego. Esse movimento não é isolado, pois conecta pesquisa científica e produção comercial, abrindo um novo capítulo para a piscicultura no Tocantins.

Ao longo de uma semana em setembro de 2025, a equipe de reportagem da Seafood Brasil percorreu os principais polos produtivos, centros de pesquisa e unidades de processamento do Tocantins para entender o avanço da atividade na região*. O resultado é um Especial que produzimos em duas partes: a primeira parte você pôde conferir na edição #61 e, agora, na edição #62, as atenções estão voltadas à tecnologia que dá competitividade à região, com genética, pesquisas, políticas públicas, alevinagem e produção de novas espécies com potencial de elevar o patamar de produtividade tocantinense.

A convergência entre espécies nativas e a expansão da tilápia é a aposta da Tilatins para crescer no Estado

*NotadeRedação:A presente reportagem é fruto de uma apuração entre os dias 18 e 22 de agosto de 2025, no Tocantins. Especificamente sobre a participação da Embrapa Pesca e Aquicultura, o conteúdo reflete as diretrizes da instituição em seu período de transição, destacando o seu histórico de pesquisas e integrando o seu planejamento estratégico às atualizações da nova gestão para o pescado no Estado.

Genética, pesquisa, políticas públicas, alevinagem e novas espécies estão entre as tecnologias que vêm impulsionando a competitividade do Estado

SeafoodBrasil

O secretário Rodrigo Ayres destaca que a meta para o ano é profissionalizar a base produtiva e garantir segurança jurídica para atrair investimentos

A base na ciência

Sediada em Palmas (TO) desde 2009, a Embrapa Pesca e Aquicultura consolidou-se como uma das principais bases de pesquisa do pescado nacional. Embora instalada no Norte do País, sua atuação ultrapassa as fronteiras regionais e impacta diferentes cadeias produtivas do setor em todo o Brasil. A unidade trabalha atualmente com diversas espécies, mas sua estratégia está ancorada nas duas de maior volume de produção e consumo no País: a tilápia e o tambaqui.

Estratégias para profissionalizar a cadeia

O Tocantins consolidou, em 2023, a criação da Secretaria da Pesca e Aquicultura (Sepea). Agora, para obiênio 2025-2026, a pasta entra em uma fase de execução técnica focada em transformar o potencial hídrico do Estado em ativos econômicos. Entre as iniciativas principais está o programa Trilha da Pesca e Aquicultura, uma caravana técnica itinerante que conecta governo, instituições de pesquisa, assistência técnica, fomento e bancos públicos para identificar o potencial produtivo específico de cada município. “A Trilha da Pesca e Aquicultura representa as nossas boas-vindas ao Estado do Tocantins”, afirma o secretário Rodrigo Ayres.

Entre as ações do programa está a transição da pesca artesanal e da piscicultura familiar para modelos de negócio rentáveis. Segundo Ayres, oobjetivo é “fazer uma transição do assistencialismo para uma inclusão social, econômica, com emprego renda para as comunidades”, onde a estratégia consiste em integrar pequenos produtores a grandes players já estabelecidos, criando polos onde o produtor familiar utilize a infraestrutura já existente.

Diante da necessidade de estatísticas, também estão nos planos da Sepea o lançamento do Censo Aquícola e do Monitoramento de Desembarque Pesqueiro. Já para o investidor e o produtor de pescado, para os quais a governança institucional segue como o principal

No caso da tilápia, o foco recai sobre a fronteira tecnológica e comercial. “Para a tilápia, o alcance acaba sendo mais na parte de comércio, seja o comércio internacional ou outras vias para o consumidor nacional”, explica Roberto Valadão Flores, chefe-geral que assumiu a unidade em janeiro deste ano.

Segundo ele, as pesquisas avançam em novos métodos para tanquesrede, especialmente em regiões de clima tropical, com o objetivo de elevar a produtividade e aprimorar o ordenamento territorial da atividade. Já no campo dos peixes nativos, o tambaqui ocupa papel central nas linhas de pesquisa. “O destaque vai para a genética, seja na parte do melhoramento genético, quanto na edição genômica”, diz.

O diferencial na genética

Se a inovação tecnológica tem sido um dos pilares que sustenta odesenvolvimento da aquicultura no País, grandes players do setor já arrancam nessa corrida. Em outubro de 2022, o Grupo GenoMar Genetics consolidou o Tocantins como ponto estratégico da tilapicultura nacional ao inaugurar seu Centro de Melhoramento Genético em Monte do Carmo, a 90 km da capital.

indicador de estabilidade de um mercado, o secretário destaca que a pasta busca estruturar uma malha legislativa capaz de elevar a aquicultura ao status de política de Estado, garantindo que o crescimento do setor seja sustentado por leis.

Assim, a secretaria discute a minuta do projeto de lei complementar que cria a Política Sustentável da Pesca e Aquicultura, que seguiu para apreciação da Assembleia Legislativa estadual. O texto institui o Conselho Estadual e as Câmara Setoriais da Piscicultura e da Pesca e Esportiva. “Não há nada que dê mais segurança jurídica do que uma lei aprovada dizendo que o Estado tem metas e instrumentos para cumprir os objetivos nas leis municipais”, finaliza.

Sepea

O campo experimental em Palmas é uma das bases operacionais mais relevantes da Embrapa, com infraestrutura laboratorial dividida em Biologia Aquática, Sanidade, Histologia/ Fisiologia e Qualidade da Água

A escolha resultou de uma trajetória iniciada nos anos 1990 pela então Aquabel, que buscava regiões capazes de ampliar a janela produtiva da tilápia durante o inverno do Sul e Sudeste. “A partir de 2017, já sob o controle do EW Group, a Aquabel buscou o Tocantins para montar uma unidade de distribuição de formas jovens. A experiência foi bem-sucedida e permitiu aumentar a disponibilidade no período de inverno, repercutindo positivamente na cadeia”, conta Thiago Gil dos Santos, gerente de produção e operações.

Mais do que logística, a instalação em Monte do Carmo foi uma decisão de ciência climática. “Aqui, a gente tem uma janela reprodutiva ampliada por causa da temperatura. Não conseguimos produzir o ano todo com máxima performance, mas tem outra característica que é o crescimento do peixe ao longo de todo o ano.”

Rigor na biossegurança

O Centro da GenoMar Genetics ocupa 5,5 hectares de lâmina d’água,

Tecnologia para todo o setor

De fato, a Embrapa Pesca e Aquicultura é um centro de inteligência do setor, que une tecnologia de ponta a soluções práticas para o campo. E entre os resultados estratégicos recentes, a edição genômica do pescado é destaque. A pesquisadora responsável pela linha, Fernanda Almeida, explica que essa abordagem representa hoje a biotecnologia mais avançada da instituição voltada à aquicultura.

Atualmente, o trabalho foca no tambaqui e na tilápia. No caso do tambaqui, três fenótipos estão no centro das investigações: a coloração, a edição genômica das espinhas em “Y” e a musculatura dupla - o projeto mais avançado comercialmente, obtido a partir do nocaute do gene da miostatina. “Ao eliminar a ação inibitória da miostatina sem inserir genes externos, o que não caracteriza um Organismo Geneticamente Modificado (OGM), a musculatura cresce além do padrão natural”, detalha.

O impacto é direto para o setor. Enquanto a tilápia apresenta rendimento médio de 33% a 34% em filé, o tambaqui com miostatina suprimida pode alcançar patamares superiores, ampliando sua atratividade industrial. Os resultados dessa linha devem ser objeto de patente.

Integração e nutrição

A integração entre áreas é marca registrada nos projetos da unidade, como o voltado às necessidades nutricionais do pescado ao longo das fases produtivas, da alevinagem à engorda. O pesquisador Giovanni Moro explica que lacunas importantes começam a ser preenchidas. “Com uma ração de maior digestibilidade, menos nutrientes são descartados no tanque. Esse excesso, além de reduzir o desempenho do animal, compromete a qualidade da

água”, afirma. Em paralelo, outras linhas buscam identificar genes associados à resistência a doenças e à tolerância térmica, além do desenvolvimento da tilápia YY, conhecida como “supermacho”. Nos laboratórios concentram-se os principais experimentos da unidade e ali estão duas frentes centrais: o galpão de reprodução e melhoramento genético e o espaço dedicado à nutrição e aos sistemas de produção. O conjunto inclui tanques indoor, áreas de quarentena, laboratórios de ótica e uma bateria de viveiros escavados, desenhados para simular diferentes realidades produtivas.

Os estudos cobrem ainda todo o ciclo produtivo, desde larvas recém-eclodidas até peixes com 1,5 kg ou mais - neste cenário, um dos pilares do trabalho é o aprofundamento das bases nutricionais de espécies como tambaqui e pirarucu. Nas incubadoras, a pesquisadora Luciana Shiotsuki demonstra como são avaliados os coeficientes de digestibilidade dos ingredientes e, com esses dados, são construídas as tabelas de digestibilidade que servem de referência para nutricionistas e formuladores. Os resultados são publicados em português e disponibilizados de forma aberta.

Entre os experimentos de maior interesse prático está o uso da larva da mosca-soldado-negro como complemento alimentar, que permite com que pequenos produtores produzam sua própria fonte proteica a partir de resíduos orgânicos, reduzindo custos sem comprometer o sistema produtivo.

Conservação e Inteligência Artificial

No núcleo de conservação genética, a pesquisadora Luciana Ganeco apresenta o trabalho envolvendo o pirarucu, a caranha/pirapitinga e o tambaqui, escolhidos pelo elevado potencial econômico e pela necessidade de preservar linhagens puras. “Foi feita a caracterização genética deles para ter certeza da

pureza e também de que eles são de diferentes famílias”, explica. Além da manutenção dos animais vivos, a chamada conservação in situ, a unidade abastece o Banco Genético da Embrapa, em Brasília, com amostras de DNA e sêmen criopreservado.

Já na área dedicada ao pirarucu, o pesquisador Lucas Torati explica que um projeto em andamento utiliza inteligência artificial para estudar a reprodução da espécie. “A máquina conta quantas vezes o pirarucu sobe e faz uma planilha de Excel com dia, hora e as coordenadas do viveiro onde houve a aparição do peixe”, explica Torati. “Mas, antes de chegar a esse ponto, há um longo caminho de aprendizado de máquina”, complementa. A iniciativa é desenvolvida em parceria com a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

distribuídos em diferentes formatos de viveiros, além das áreas denominadas “multiplicadores” e “núcleo”todas internas e isoladas. A estrutura foi projetada sob uma lógica rígida de biossegurança, como explica Marina Karina de Veiga Cabral Delphino, gerente global de qualidade e sanidade. “Hoje, o núcleo é dividido em zona suja, zona mista e zona limpa. Dentro da zona limpa, ficam os animais separados entre núcleo e multiplicadores”, diz.

Considerada uma das estruturas mais avançadas do mundo na tilapicultura, a unidade opera sob o conceito de produção sob demanda. Ou seja, diferente de operações comerciais tradicionais, não há uma capacidade produtiva fixa. “Trabalhamos por demanda e produzimos matrizes conforme a necessidade da GenoMar Genetics Brasil [distribuição explica dos Santos.

Embora o núcleo não abasteça diretamente o mercado tocantinense - decisão estratégica ligada à logística da companhia e à falta de um polo desenvolvido de tilapicultura na região -, o impacto local é significativo: geração de empregos, espaço para formação técnica especializada e atração dos holofotes da indústria nacional para o Tocantins.

Três décadas sustentando a base

A menos de 100 km de Palmas, em Brejinho de Nazaré, a Aquicultura Fazenda São Paulo sintetiza a história da alevinagem no Tocantins. Fundada no final dos anos 1980 por Miyuki Hyashida e Marco Aurélio Nogueira

Especial

Hyashida. Após percorrer centros de pesquisa pelo País, o casal introduziu as primeiras matrizes de tambaqui e outras espécies que serviram de base genética para programas públicos e iniciativas privadas no Tocantins.

E embora o local mantenha um dos maiores núcleos de produção de nativos da região - com foco atual em tambaqui, tambatinga e pintado híbrido -, o salto mais recente está na tilapicultura, transição essa que foi acelerada por uma herança estratégica: a fazenda abrigou, por anos, a estrutura da GenoMar Genetics Brasil que, após mudança para unidade própria, permitiu a Fazenda São Paulo incorporar as instalações ao seu portfólio.

Ahiana Pedreira, gerente do empreendimento, explica que a comercialização de alevinos de tilápia já está em curso. “A produção dos ovos está aumentando e a gente iniciou agora o processo de comercialização”, diz. Em números, a operação escala rapidamente. “Atingimos uma produção em torno de 1 milhão de ovos e 600 mil alevinos mês”, pontua.

Apesar das apostas recentes na tilápia, os nativos seguem consolidados como carro-chefe da Fazenda São Paulo. Alaise Araújo, técnica agropecuária, explica que a última safra (de setembro a maio) trouxe números expressivos: 15 milhões de tambaquis, 5 milhões de tambatingas, 1 milhão de pirapitingas e 3 milhões de pintados. Já a comercialização segue o mesmo mapa da tilápia, ou seja, Bahia, Mato Grosso, Maranhão, Pará, Goiás, além do próprio Tocantins e de clientes de São Paulo. Agora também, a tecnologia, antes limitada, começa a ganhar espaço dentro

das propriedades - e isso tem feito a diferença. “Coisas que a gente nunca tinha usado como aeradores estão ajudando bastante”, diz.

Tilápia começa a ganhar escala

Às margens do Reservatório de Lajeado, no município de Lajeado, a produção de tilápia tocantinense começa a ganhar escala. A Tilatins, empresa especializada na produção em tanques-rede, nasceu da aposta de três sócios em explorar o potencial hídrico do Estado para o desenvolvimento da tilapicultura - uma escolha que desafia o padrão local.

No Tocantins, a preferência do consumidor recai tradicionalmente sobre as espécies redondas, enquanto a tilápia ainda busca ampliar seu espaço no mercado regional. Mesmo assim, as condições naturais indicavam uma oportunidade clara, como explica João Victor Labre, diretor da Tilatins. “O lago apresentou todas as condições necessárias para a produção: temperatura adequada o ano todo e uma carga biológica muito baixa. Além disso, estar no centro geográfico do País garante uma logística favorável para escoar a produção”, afirma.

Em operação desde 2021, a piscicultura atingiu a marca de 50 toneladas mensais da espécie. Embora a expectativa inicial fosse de que o volume seria absorvido pelo próprio Estado, o destino da produção tomou outro rumo. “Em 4 anos de atividade, não tivemos grandes

vendas dentro do Tocantins. Nosso peixe seguiu mais para o Nordeste, Centro-Oeste e Sudeste”, explica Labre.

A ausência de um polo local de processamento é o principal gargalo para a competitividade da espécie.

“Sem uma indústria próxima, o frete do peixe processado encarece. Por isso, nosso foco tem sido o mercado de peixe fresco”, detalha o diretor.

Os gargalos da cadeia

Se por um lado as condições climáticas e hídricas aparecem como vantagens competitivas, por outro, os gargalos da cadeia no Tocantins ainda são expressivos. Para o centro de melhoramento genético da GenoMar, por exemplo, a produção da tilápia impõe desafios operacionais sazonais.

Entre novembro e abril, as chuvas intensas aumentam a turbidez das nascentes. Já entre junho e outubro, a seca e os ventos predominam,

Projetos voltados

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Especial

trazendo consigo as queimadas típicas do Cerrado. “Aliado a isso, a gente ainda tem uma dificuldade com fornecedores, com a distância de laboratórios especializados, mão de obra qualificada (…)”, conta Thiago Gil dos Santos.

Neste cenário, onde o clima exige monitoramento constante, a sanidade é tratada como prioridade máxima. “O núcleo foi desenhado para que a gente não tenha esse tipo de desafio. Toda a água captada nasce dentro da propriedade, sem pisciculturas próximas. Temos parceria com a Agência de Defesa Agropecuária do Tocantins (Adapec) (...) e desinfecção de 100% das águas com UV”, explica Marina Delphino.

A unidade conta ainda com uma instalação quarentenária oficialmente credenciada pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).

“Todo animal que já ingressou aqui ficou quarentenado numa unidade totalmente isolada, com tratamento da água de entrada e saída”, afirma. O rigor chega ao ponto de descartar equipamentos, se necessário.

Cultura e diversificação

Mas, além dos desafios de produção e estadual, a tilápia no Tocantins ainda enfrenta outras resistências. “Alguns [produtores] são resistentes, por me falarem assim: : ‘Eu não vou querer tilápia porque ela reproduz muito’”, conta Ahiana Pedreira, gerente da Fazenda São Paulo. Por isso, no local, a aposta na espécie exige ações pedagógicas como apresentar a genética, orientar o manejo e ajustar expectativas.

Na Tilatins, que conta com 46 tanques-rede, metade da estrutura continua dedicada à tilápia, enquanto a outra parte passou a abrigar espécies redondas, como tambaqui e tambatinga, diversificação essa que reflete em margens pressionadas. “A redução de preços [do peixe] e o custo dos insumos começaram a tornar a margem mais apertada do negócio”, analisa João Victor Labre.

Já a Embrapa Pesca e Aquicultura, ao lidar com a complexidade das bacias brasileiras e a diversidade da pesca artesanal, também enfrenta seus desafios. Neste cenário, parcerias são fundamentais. “Praticamente toda a nossa atuação envolve um parceiro, seja um financiador público ou privado, seja um parceiro em execução ou em co-desenvolvimento junto com universidade ou empresas também interessadas e parcerias mais finalísticas de comercialização de validação de tecnologia e de comunicação do resultado”, destaca Roberto Valadão Flores.

O futuro no Tocantins

Com o avanço, a aquicultura no Tocantins deixou de ser uma promessa isolada para se tornar um plano de metas compartilhadas. O grande desafio, entretanto, também é transformar o potencial hídrico em um ecossistema autossustentável.

Para Flores, da Embrapa Pesca e Aquicultura, fortalecer o ecossistema das parcerias será decisivo para ampliar o impacto da instituição nos próximos anos. “A gente toma cuidado ao zelar por todas as parcerias que já temos e as que gostaríamos de ter”, diz. Dentro dessa lógica, o planejamento para este ano prevê a construção de uma agenda estratégica elaborada em conjunto com parceiros, alinhada às demandas do setor e às dinâmicas de mercado. No âmbito da produção, com apenas 20% de sua área outorgada em uso, a Tilatins planeja uma expansão gradual com foco no fortalecimento da cadeia dentro do próprio Estado. “A perspectiva é crescer com responsabilidade. Temos o plano de expansão e queremos rodar toda a operação aqui”, explica Labre. A meta é tornar o filé de tilápia competitivo frente a outras proteínas, como o frango.

Com o avanço, a aquicultura no Tocantins deixou de ser uma promessa isolada para se tornar um plano de metas compartilhadas. O grande desafio, entretanto, também é transformar o potencial hídrico em um ecossistema autossustentável.

A operação do Centro de Melhoramento
Genético do Grupo
GenoMar Genetics no Tocantins funciona de forma complementar ao núcleo nas Filipinas
Genomar

Já na Fazenda São Paulo, Miyuki Hyashida observa que os volumes atuais de alevinos refletem as mudanças do mercado e das políticas públicas e, de forma geral, a realidade do pescado no Estado, com a tilápia ganhando vantagens competitivas enquanto os nativos enfrentam um caminho mais difícil. Mesmo assim, a pioneira não deixa de sonhar. “Dá para fazer tanta coisa nesse Estado. Eu ainda vou ver você escrever isso na revista, com o Tocantins ocupando uma edição inteira”, finaliza.

História da Fazenda São Paulo com a produção de alevinos acompanha, em grande medida, a própria trajetória da cadeia produtiva no Tocantins
Seafood Brasil

Estatísticas Balança comercial: o Brasil no cenário de pescado em 2025

Com avanço sustentado por escala e redirecionamento de mercados, Brasil exportou 75.598 toneladas de pescado em 2025, crescimento de 17% e o maior volume da última década. Já as importações brasileiras encerraram o ano em 300 mil toneladas

Texto: Abraão Oliveira | Edição: Fabi Fonseca e Léo Martins

No ano passado, o mercado brasileiro de pescado atravessou um processo claro de adaptação motivado por dois fatores: 1) um ambiente internacional mais instável; e 2) um mercado doméstico marcado por renda heterogênea e elevada sensibilidade a preço. Neste contexto, o crescimento em volume - tanto nas exportações quanto nas importações - ocorreu sob compressão de preços médios na maioria das cadeias, maior dispersão regional e reorganização dos fluxos comerciais.

Analisando primeiro o plano macroeconômico, o Brasil encerrou o ano com crescimento moderado, inflação sob controle e política

monetária ainda restritiva - a renda média habitual do trabalho alcançou R$ 3.528 no terceiro trimestre, com expansão real próxima de 4%. Por outro lado, a massa salarial avançou, mas de forma desigual: crédito caro, inadimplência elevada e orçamento doméstico pressionado mantiveram a elasticidade-preço do consumo em patamares elevados.

Todos esses elementos formam o pano de fundo do setor em 2026: renda agregada em expansão, porém fragmentada; consumidor comparativo; e deslocamentos rápidos de demanda entre espécies, cortes e canais diante de pequenas variações de preço relativo.

Já no comércio internacional, o

tarifaço norte-americano inaugurou um novo ciclo de reorganização dos fluxos globais. A elevação de alíquotas sobre proteínas, por exemplo, alterou decisões logísticas, pressionou preços internacionais e incentivou a diversificação de destinos.

Nesse cenário, o Brasil exportou 75 mil toneladas em 2025 (+17%), mas as receitas cresceram apenas 2,3%, totalizando US$ 405 milhões. Por outro lado, o preço médio recuou 12,5%, para US$ 5.340 por tonelada, crescendo em escala, mas não em margem - aliás, margens apertadas tem sido a máxima para muitas categorias no Brasil e no mundo.

Nas importações, o padrão foi semelhante. O País internalizou 300 mil toneladas (+2,87%), embora o valor

total tenha caído 5,08%, para US$ 1,49 bilhão. O preço médio recuou 7,73%, refletindo ajustes globais de oferta e redirecionamento comercial.

Geograficamente, os Estados Unidos permaneceram como principal destino individual das exportações brasileiras, mas com retração de volume. Já a América do Sul e África ampliaram participação, absorvendo excedentes sob preços médios inferiores aos historicamente praticados no mercado norte-americano. Paralelamente, o Brasil consolidou-se como alternativa estratégica para produtos de origens asiáticas, sobretudo o Vietnã, que expandiu vendas de panga e avança agora, e de forma bem acelerada, com tilápia congelada.

O que podemos concluir de 2025 e o que esperar deste ano? 2026 consolida-se como um ano de

Inserción diciembre SB DEF IM.pdf 1 26/11/2025 8:53:08

elevada complexidade. As incertezas deixam de ser episódicas e passam a operar em escala global, fortemente condicionadas aos movimentos da geopolítica e aos rearranjos macroeconômicos. O comércio internacional assume papel central nesse processo, funcionando como

instrumento de ajuste em um cenário ainda instável. O mercado de pescado, altamente integrado a fluxos externos, permanece sensível a cada alteração tarifária, sanitária ou diplomática.

As exportações brasileiras avançaram em volume, porém sob compressão de preços médios e maior

Estatísticas

OS VETORES QUE MOLDAM O CENÁRIO EM 2026

1

Oferta global ainda cautelosa, influenciada por tensões geopolíticas e uso de tarifas como instrumento estratégico 2

Maior competição entre origens e destinos, exigindo eficiência logística e sanitária

O setor inicia o novo ciclo mais volumoso, mais competitivo e mais exposto a choques externos. Nesse contexto, o crescimento deixou de ser sinônimo de valorização.

3

Perspectiva de avanço do acordo Mercosul–União Europeia, que pode ampliar previsibilidade regulatória e abrir oportunidades graduais ao pescado brasileiro

Sobre a JubartData

exposição a mercados alternativos. Já as importações registraram expansão física, atendendo simultaneamente a três vetores: o food service, o consumo doméstico sensível a preço e nichos de maior valor agregadoespecialmente ligados à gastronomia japonesa e portuguesa.

O episódio do tarifaço evidenciou a vulnerabilidade de cadeias excessivamente concentradas em poucos destinos. Em contrapartida, a possível consolidação do acordo Mercosul–União Europeia sinaliza oportunidades de diversificação, desde que acompanhadas por ganhos efetivos de competitividade sanitária, logística e institucional.

No mercado interno, a combinação de renda heterogênea e crédito restrito mantém o consumidor altamente sensível a preço, embora ainda disposto a pagar por indulgências pontuais. Pequenas variações de preço, câmbio ou disponibilidade alteram rapidamente fluxos de demanda entre espécies, formatos e canais.

Em um ambiente de reorganização global e fragmentação doméstica, decisões baseadas exclusivamente em médias anuais tornam-se insuficientes. A competitividade passa a depender da capacidade de monitorar sistematicamente preços, câmbio, destinos, custos logísticos e movimentos de substituição entre espécies.

Mais do que produzir ou embarcar mais, o desafio estratégico reside em compreender, com agilidade, o que está mudando - e agir antes que o mercado consolide um novo equilíbrio.

A JubartData é uma plataforma independente de inteligência de mercado especializada em pescado e comércio internacional. A partir da integração de bases públicas nacionais e internacionais, estatísticas de comércio exterior e monitoramento contínuo de preços, desenvolve análises estruturadas sobre oferta, demanda, formação de preços e reorganização dos fluxos globais. Com metodologia própria e acompanhamento sistemático dos principais mercados produtores e consumidores, a plataforma transforma dados em leitura estratégica, apoiando decisões em um ambiente marcado por volatilidade geopolítica e crescente sensibilidade a preços. Para acompanhar as publicações e obter informações adicionais sobre os estudos e relatórios, acesse o Relatório Semanal da JubartData ou entre em contato diretamente por esse QR Code:

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EXPORTAÇÕES BRASILEIRAS DE PESCADO (t)

BRASILEIRAS POR CONTINENTE (t)

Estatísticas EXPORTAÇÕES

EXPORTAÇÕES BRASILEIRAS POR ESPÉCIE (t)

VARIAÇÃO PERCENTUAL (2025 VS 2024)

EXPORTAÇÕES BRASILEIRAS POR ESPÉCIE (milhões de US$)

VARIAÇÃO

EXPORTAÇÃO DE LAGOSTA

PARA EUA E ÁSIA

(t)

EXPORTAÇÃO DE TILÁPIA AOS EUA - VOLUME MENSAL PARA TIPO E VIA (t)

EVOLUÇÃO MENSAL - EXPORTAÇÃO AOS EUA DE FILÉS DE TILÁPIAS FRESCAS (TOP 5 PAÍSES)

Estatísticas EXPORTAÇÕES

EXPORTAÇÕES BRASILEIRAS POR ESPÉCIE (t)

VARIAÇÃO PERCENTUAL (2025 VS 2024)

EXPORTAÇÕES BRASILEIRAS POR ESPÉCIE (milhões de US$)

Estatísticas IMPORTAÇÕES

IMPORTAÇÕES BRASILEIRAS POR ESPÉCIE (milhões de US$)

VARIAÇÃO PERCENTUAL (2025 VS 2024)

Estatísticas IMPORTAÇÕES

IMPORTAÇÕES BRASILEIRAS POR ESPÉCIE (t)

IMPORTAÇÕES BRASILEIRAS POR ESPÉCIE (milhões de US$)

VARIAÇÃO PERCENTUAL (2025 VS 2024) VARIAÇÃO

Estatísticas Nadando para além das dificuldades

Números da piscicultura do Brasil em 2025 mostram que, apesar das adversidades do ano passado, atividade reafirmou seu potencial para uma futura liderança global

Com salto na produção nacional, o Anuário Brasileiro da Piscicultura 2026 da PeixeBR aponta o setor aquícola atingindo o marco simbólico de sete dígitos em um ano marcado por superações climáticas e desafios comerciais no mercado internacional

Texto: Léo Martins

“Seja água, meu amigo”, frase essa dita por Bruce Lee, famoso lutador de artes marciais e ator americano, simboliza a necessidade de adaptação, flexibilidade e fluidez perante os obstáculos da vida. E se tem um setor que em 2025, literalmente, levou essa frase ao pé da letra, foi o da piscicultura nacional. Afinal, assim como a água que se molda a qualquer recipiente, o segmento contornou

cada dificuldade para finalizar o ano com marcas que mantiveram não só sua trajetória de evolução, mas também o fizeram atingir o patamar inédito de ultrapassar a emblemática marca de 1 milhão de toneladas de peixes na aquicultura.

De acordo com o levantamento feito pela Associação Brasileira da Piscicultura (PeixeBR) em seu Anuário Brasileiro da Piscicultura 2026, a produção nacional totalizou 1.011.540

toneladas, o que representa um crescimento de 4,41% em comparação ao volume registrado no ano anterior. Chegar a esse número representou também uma conquista que insere o Brasil em um grupo seleto de apenas seis países que já superaram a barreira de sete dígitos na produção aquícola. Esse recorde, contudo, foi obtido em meio a um otimismo moderado, justamente porque o setor precisou lidar com adversidades

Seafood
Brasil

Estatísticas

EVOLUÇÃO DA PISCICULTURA NO BRASIL

Com 1.011.540 toneladas, piscicultura nacional entrou em um grupo seleto formado por apenas seis países que superaram a barreira de sete dígitos na produção aquícola

climáticas severas - oscilando entre temperaturas extremas, instabilidades nas cotações internacionais e entraves regulatórios, como a tentativa de classificação da tilápia como espécie invasora. Já no campo comercial, o mercado sofreu com o impacto do “tarifaço” que havia sido imposto pelo governo dos Estados Unidos, bem como com a crescente concorrência de tilápias importadas do Vietnã.

Porém, esses números não só mostraram a capacidade de adaptação do setor frente às dificuldades, mas também reafirmam o Brasil, segundo a PeixeBR, como líder da atividade aquícola nas Américas, abrindo ainda espaço para que o segmento nacional

chegue em breve ao topo do mundo. “Esse objetivo será alcançado por meio de investimentos em genética, nutrição, manejo, equipamentos, sanidade, produção, processamento e, principalmente, comercialização nos mercados interno e externo”, afirma Francisco Medeiros, presidenteexecutivo da PeixeBR. Segundo ele, a meta agora é ainda mais ambiciosa: alcançar a liderança global em 2040.

Hegemonia consolidada da tilápia

Conforme os indicadores do Anuário, a tilápia reafirmou sua posição como o motor central da piscicultura brasileira em 2025, respondendo por praticamente 70% de todo o peixe produzido no País - com volume de 707.495 toneladas, a espécie registrou um crescimento de 6,83% sobre o total contabilizado no ano anterior. Embora o ritmo de expansão tenha sido inferior ao salto registrado em 2024, o desempenho é considerado bastante significativo pela indústria devido às barreiras tarifárias e sanitárias enfrentadas no período.

Desde que a PeixeBR iniciou o levantamento da produção em 2015, o volume de tilápia no Brasil

acumulou uma alta de 148,2%, ciclo esse que, conforme a própria entidade, é sustentado por uma demanda interna e externa em constante aquecimento. Por outro lado, a evolução dos peixes trazida pelo melhoramento genético, assim como as opções de cortes oferecidas em razão do aprimoramento contínuo dos processos industriais, também foram responsáveis por garantir a escala necessária para o atendimento, seja do consumidor final, seja das redes de varejo e do food service.

Já no recorte regional, o Estado do Paraná permanece isolado na liderança, sendo responsável por 273.100 toneladas, o que equivale a um crescimento de 8,9% frente ao ano anterior. Completam o ranking dos maiores produtores as federações de São Paulo (88,5 mil t), Minas Gerais (73,5 mil t), Santa Catarina (52,7 mil t) e Mato Grosso do Sul (38,7 mil t).

Para manter esse ritmo de crescimento, a PeixeBR ressalta a importância de continuar diversificando os canais de exportação e fortalecendo as relações institucionais, além de trabalhar em conjunto para evitar problemas como na investida de classificar a tilápia como espécie

Fonte: Anuário PeixeBR 2026

PEIXES DE CRIAÇÃO NO BRASIL EM 2025

Segundo a PeixeBR, os números obtidos pelo setor em 2025 corroboram para que o País atinja uma meta ambiciosa: ser líder global de produção em 2040

invasora, medida essa que poderia trazer muitos problemas para o desenvolvimento da atividade.

Desafios e potencial dos nativos

O segmento de peixes nativos, por sua vez, registrou o seu terceiro ano consecutivo de retração. O Anuário indica que em 2025, a produção total somou 257.070 toneladas, volume 0,63% abaixo do apresentado no ano anterior. Neste contexto, a publicação aponta que o setor enfrentou obstáculos estruturais que limitam seu avanço, como o consumo concentrado em regiões específicas (Norte, Nordeste e Centro-Oeste) e a carência de uma infraestrutura industrial de

processamento mais robusta.

Apesar da queda em volume, as perspectivas para as espécies nativas, como o tambaqui, seguem positivas no campo mercadológico. O Estado de Rondônia, por exemplo, lidera a produção, com 55.200 toneladas, mesmo com um recuo de 2,8% em seu desempenho. Já o Maranhão, segundo maior produtor de nativos, apresentou um crescimento de 9,5% (42.700 t), demonstrando que ações regionais estratégicas podem reverter a tendência de baixa.

A retomada do crescimento passa, necessariamente, por um apelo gastronômico e cultural mais agressivo. Neste cenário, segundo o levantamento do Anuário, a combinação de aprimoramento nos processos produtivos com novas estratégias mercadológicas pode ser um caminho para a retomada do crescimento na produção de peixes nativos.

Já no campo comercial, a valorização da identidade regional e a inserção desses peixes em programas institucionais, como a merenda escolar e a cesta básica, são vistas como passos fundamentais para diversificar o mercado.

Equilíbrio em outras espécies

As espécies de aquicultura classificadas no grupo de “outras”, que inclui pangasius, trutas e carpas, somaram 46.975 toneladas em 2025 - o volume representa uma fatia de 4,64% da piscicultura nacional e apresentou uma retração de 1,75% em relação ao resultado do ano anterior. Aqui, é importante dizer que essa foi a segunda vez que este grupo registrou queda desde o início do mapeamento oficial da PeixeBR.

Apesar de ter registrado uma leve redução de 1,3% em seu volume, o Rio Grande do Sul mantém a maior participação neste segmento, trazendo para si 31,5% do total produzido, totalizando 14,8 mil toneladas. Em contrapartida, o Maranhão se destacou como o segundo maior produtor dessa categoria, com um salto de 9,9%, atingindo 11,1 mil toneladas. Santa Catarina fecha o pódio com 8,9 mil toneladas e um crescimento de 3,5%.

Mesmo com as oscilações pontuais, os números do Anuário mostram que ao “ser água”, a piscicultura brasileira em 2025 reafirma sua maturidade para se adaptar a novos e velhos desafios para alcançar novos marcos neste ano.

OS 10 MAIORES PRODUTORES ESTADUAIS

Coragem de Super Mario Personagem

O capixaba Mario José de Almeida se inspira no espírito aventureiro de seu xará do videogame para sair do balcão de sua peixaria e assim, desbravar novos mundos no objetivo de ajudar o mercado local e seu próprio negócio a “passarem de fase”

Texto: Léo Martins

Queria começar este texto dizendo a você, caro leitor, que é praticamente impossível não ligar a trajetória, o negócio e, claro, o nome de Mario José de Almeida, nosso Personagem desta edição, com a de um certo encanador baixinho, italiano e bigodudo famosíssimo no mundo dos games que se chama... Mario. Então, se saírem alguns trocadilhos, não ligue, tudo bem?

A história do nosso Mario não exigiu que ele pulasse sobre tartarugas igual ao seu xará no videogame, mas sim a mesma coragem e espírito aventureiro características de seu homônimo virtual para “não entrar pelo cano” (olha um trocadilho aí!).

Natural de Vitória (ES), Mario carrega em seus 52 anos de idade a tradição de uma família que fez do gelo e da escama o seu próprio lar. Filho de Moisés e Leonídia, Almeida cresceu em uma casa com 13 irmãos, onde o peixe nunca foi só uma mercadoria. “Desde cedo, tive contato com o comércio de pescado por causa dos meus irmãos mais velhos, que já atuavam no Mercado Municipal de Vitória. Aí, na adolescência, eu passei a ajudar eles”, recorda.

Para crescer com sua própria peixaria em si, Mario não comeu nenhum cogumelo mágico, mas precisou trabalhar antes como vendedor de pão, de picolé e até entregador de revistas na adolescência. Porém, nenhuma dessas experiências o desviou de seu destino nas bancas de peixe. “Aí, depois de ter trabalhado em quatro peixarias, acabei fundando a minha em 1991”, que, para a surpresa de zero pessoas, ganhou o nome de... Peixaria Du Mario – que, inclusive, carrega o personagem do game em seu logotipo.

Localizada no Mercado Municipal de Vitória, a peixaria do Mario (literalmente falando), conta atualmente com uma filial no Mercado Municipal de Cariacica (ES), cidade em que reside hoje, vendendo cação, dourado, peroá, badejo, dentão e camarão. No entanto, para o nosso peixeiro, o orgulho deste está em poder trabalhar ao lado de seus quatro filhos, frutos de seu casamento com Rosimere. “Para mim, ser peixeiro é uma arte que se renova a cada geração. E não há maneira mais bonita de honrar este legado do que com meus próprios filhos!”

como o personagem dos games, novas missões levaram Mario a desbravar outros mundos além do balcão. O primeiro deles foi ajudar a fundar a Associação do Comércio de Pescado da Vila Rubim (Ascopem), entidade que desde 1994 atua como porta-voz dos peixeiros locais e que atualmente, é presidida por Mario. “Para isso, em meu segundo mandato, buscamos investimentos para estruturar o mercado local nos moldes de grandes referências nacionais, como o de São Paulo”, aponta.

E foi nesse “fio do bigode” que Mario visitou, pela primeira vez, em 2025, um novo mundo: os corredores da Seafood Show Latin America. “Fui junto com a comitiva do Sindicato da Pesca do Espírito Santo e, de cara, a feira me impressionou pela organização. É um lugar que mostra a força do nosso setor e que reúne tudo o que precisamos para crescer. Fiquei encantado”, enaltece ele, que voltou ao Espírito Santo inspirado pelas novas tecnologias, ideias e oportunidades que encontrou. “Com certeza estarei de volta à feira deste ano com mais associados!”

No fim das contas, assim como o Mario da ficção, o da vida real sabe muito bem que é preciso coragem para enfrentar os desafios e avançar a novas fases. “Com a associação, busco melhores condições de trabalho, regularização e competitividade ao mercado local”, reflete. “Já como peixeiro, meu foco é seguir no crescimento sustentável da minha peixaria e fazer dela um exemplo para o nosso setor”, completa.

E se a coragem de um baixinho destemido inspirou milhares de jogadores ao redor do mundo, com certeza ela também vai ajudar esse capixaba a encontrar o que ele precisa para “zerar o jogo”.

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