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APOIO CIENTÍFICO

RELATO DE CASO

RETALHO EM CATA-VENTO: SÉRIE DE DOIS CASOS

ARTIGO ORIGINAL

■ Uso da Crioterapia no Tratamento do Angioqueratoma Circunscrito: Experiência de Caso

RELATO DE CASO

■ Hidradenoma nodular: inovação diagnóstica em um caso raro

■ Melanoma amelanótico numa tatuagem: um grande mascarado

■ Fístula cutânea odontogênica mimetizando neoplasia cutânea: relato de caso

■ Frontoplastia e transplante capilar técnica fue em mesmo tempo cirúrgico

www.surgicalcosmetic.org.br

P ublicação trimestral

EDITOR-CHEFE

Hamilton Ometto Stolf Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Campinas (SP), Brazil.

COEDITORES

Bogdana Victoria Kadunc Hospital do Servidor Público Municipal, São Paulo (SP), Brazil.

Célia Luiza Petersen Vitello Kalil Universidade Federal da Fronteira Sul, Passo Fundo (RS), Brazil.

Vitor Costa Fabris Centro de Estudos em Dermatologia Estética, Criciúma (SC), Brazil.

Sociedade Brasileira de Dermatologia

Afiliada à Associação Médica Brasileira

www.sbd.org.br

Surgical & Cosmetic Dermatology

SUR GI CAL & COS ME TIC DER MATO LOGY

Publicação Oficial da Sociedade Brasileira de Dermatologia

Publicação Trimestral

Online ISSN: 1984-8773 l Janeiro - Março 2026 l Volume 18 l Número 1

Diretoria executiva | 2025-2026

Presidente:

Carlos Baptista Barcaui | RJ

Vice-Presidente:

Lauro Lourival Lopes Filho | PI

Secretária Geral:

Francisca Regina Oliveira Carneiro | PA

Tesoureiro:

Márcio Soares Serra | RJ

Primeira Secretária:

Rosana Lazzarini | SP

Segunda Secretária:

Juliana Kida | SC

Equipe Editorial

Editor-chefe:

Hamilton Ometto Stolf

Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Campinas (SP), Brazil.

Universidade Estadual Paulista, São Paulo (SP), Brazil.

Coeditors:

Bogdana Victoria Kadunc Hospital do Servidor Público Municipal, São Paulo (SP), Brazil.

Célia Luiza Petersen Vitello Kalil Universidade Federal da Fronteira Sul, Passo Fundo (RS), Brazil.

Vitor Costa Fabris Faculdade de Medicina da UNIARP, Caçador (SC), Brazil.

Centro de Estudos em Dermatologia Estética, Caçador (SC), Brazil.

Editores de áreas

Cosmetic Dermatology

Doris Hexsel

Brazilian Center for Studies in Dermatology, Porto Alegre (RS), Brazil.

Carolina Malavassi Murari

University of Santo Amaro, São Paulo (SP), Brazil.

Laser and Technology

Celia Kalil

Santa Casa de Misericordia Hospital in Porto Alegre, Porto Alegre (RS), Brazil.

Luciana Cirillo Maluf Azevedo

ABC Medical School, Santo André (SP), Brazil.

Nail surgery

Nilton Di Chiacchio

Municipal Civil Servant Hospital, São Paulo (SP), Brazil.

Tricologia

Carolina Fechine

School of Medicine of the University of São Paulo, São Paulo (SP), Brazil.

Luciana Pontes

Ruston Clinic, São Paulo (SP), Brazil.

Micrographic Surgery

Felipe Cerci

Mackenzie Evangelical University Hospital, Curitiba (PR), Brazil.

Reconstructive Dermatologic Surgery

Lauro Lourival Lopes Filho

Federal University of Piauí, Teresina (PI), Brazil.

Healing and wounds

Gisele Viana de Oliveira

Minas Gerais State Civil Servants’ Pension Institute, Belo Horizonte (MG), Brazil.

Luciana Patrícia Fernandes Abbade

Botucatu Medical School of the São Paulo State University – Unesp, São Paulo (SP), Brazil.

Cosmetic Dermatologic Surgery

Carlos Gustavo Wambier

Warren Alpert Medical School, Brown University, Providence, Rhode Island, United States of America.

Diagnostic Imaging

Paula Tavares Colpas

Pontifical Catholic University of Campinas, Campinas (SP), Brazil.

Conselho editorial nacional

Alcidarta dos Reis Gadelha

Faculdade de Medicina da Universidade Estadual da Amazônia, Manaus (AM), Brazil.

Ana Paula Gomes Meski

Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, São Paulo (SP), Brazil.

Ana Cláudia Cavalcante Espósito

Universidade Federal de São Paulo, Departamento de Dermatologia e Radioterapia, Botucatu (SP), Brazil.

André Luiz Simião Pontifícia Universidade Católica de Campinas, Campinas (SP), Brazil.

Carlos Baptista Barcaui

Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Hospital Universitário Pedro Ernesto, Rio de Janeiro (RJ), Brazil.

Carlos Gustavo Wambier

Warren Alpert Medical School, Brown University, Providence, Rhode Island, Estados Unidos da América.

Carolina Oliveira Costa Fechine

Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, São Paulo (SP), Brazil.

Carolina Malavassi Murari Universidade de Santo Amaro, São Paulo (SP), Brazil.

Emerson Vasconcelos de Andrade Lima Santa Casa de Misericordia do Recife -Recife (PE), Brazil.

Érica de Oliveira Monteiro Universidade Federal de São Paulo – UNIFESP, São Paulo (SP), Brazil.

Érico Pampado Di Santis Universidade de Taubaté – UNITAU, Taubaté (SP), Brazil.

Fabiane Mulinari Brenner

Hospital das Clínicas, Universidade Federal do Paraná, Departamento de Dermatologia, Curitiba (PR), Brazil.

Felipe Bochnia Cerci

Hospital Universitário Evangélico Mackenzie, Curitiba (PR), Brazil.

Flávia Alvim Sant’anna Addor Grupo MEDCIN, Pesquisa Clínica, Osasco (SP), Brazil

Francisco M. Paschoal Faculdade de Medicina do ABC, São Paulo (SP), Brazil.

Gisele Viana de Oliveira Instituto de Previdência dos Servidores do Estado de Minas Gerais, Belo Horizonte (MG), Brazil.

Izelda Carvalho Costa Universidade de Brasília - UnB, Brasília (DF), Brazil.

José Roberto Pereira Pegas Complexo Hospitalar Padre Bento de Guarulhos, Guarulhos (SP), Brazil.

Lauro Lourival Lopes Filho Universidade Federal do Piauí, Teresina (PI), Brazil.

Luciana Archetti Conrado Integra Dermatologia - São Paulo (SP), Brazil.

Luciana Cirillo Maluf Azevedo Faculdade de Medicina do ABC, Santo André (SP), Brazil.

Luciana Patrícia Fernandes Abbade Faculdade de Medicina de Botucatu da Universidade Estadual Paulista – Unesp, São Paulo (SP), Brazil.

Luciana Takata Pontes

Clínica Ruston, São Paulo (SP), Brazil. Luis Antonio Torezan Universidade de São Paulo – USP, São Paulo (SP), Brazil.

Luiz Fernando F. Kopke Universidade Federal de Santa Catarina – UFSC, Florianópolis (SC), Brazil.

Maria Fernanda Gavazzoni

Santa Casa da Misericórdia do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro (RJ), Brazil.

Monica Manela Azulay Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro (RJ), Brazil.

Nilton Di Chiacchio Hospital do Servidor Público Municipal, São Paulo (SP), Brazil.

Paula Tavares Colpas

Pontifícia Universidade Católica de Campinas, Campinas (SP), Brazil.

Samira Yarak

Universidade Federal de São Paulo, São Paulo (SP), Brazil.

Conselho internacional de revisores

Jerry Brewer University of South Carolina, Colúmbia (SC), Estados Unidos da América.

A/C SURGICAL & COSMETIC DERMATOLOGY

Av. Rio Branco, 39 18º andar

Cep: 20.090-003

Rio de Janeiro-RJ, Brazil.

Phone: 55 (21) 2253-6747

E-mail: surgical@sbd.org.br website: www.surgicalcosmetic.org.br

A Surgical & Cosmetic Dermatology é uma publicação oficial da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) em parcer ia com a Sociedade Brasileira de Cirurgia Dermatológica. O conteúdo técnico-científico apresentado nesta publicação é de co-propr iedade da Sociedade Brasileira de Dermatologia.

Editada por: Sociedade Brasileira de Dermatologia.

PUBLICAÇÃO TRIMESTRAL

Equipe técnica

Nazareno Nogueira de Souza

Bibliotecária

Vanessa Mafra

Informações sobre assinatura no site: www.surgicalcosmetic.org.br

©2019 Sociedade Brasileira de Dermatologia. Site: www.sbd.org.br

Os anúncios veiculados nesta edição são de exclusiva responsabilidade dos anunciantes, assim como os conceitos emitidos em artigos assinados são de exclusiva responsabilidade de seus autores, não refletindo necessar iamente a opinião da SBD.

Todos os direitos reser vados e proteg idos pela lei 9.610 de 19/02/98. Nenhuma parte dessa publicação poderá ser reproduzida sem autorização prévia por escrito da Sociedade Brasileira de Dermatologia, sejam quais forem os meios empregados: eletrônico, mecânico, fotog ráfico, gravação ou quaisquer outros.

Material de distr ibuição à classe médica.

A revista consta no Depósito Legal, na Biblioteca Nacional, de acordo com o Decreto nº 1.825, de 20 de dezembro de 1907.

Licença Creative Commons

Indexação

n Sumár ios. org (www.sumarios.org/)

n DOAJ (https://doaj.org/)

n Latindex (www.latindex.org)

n Lilacs (https://bases.bireme.br/)

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SURGICAL & COSMETIC DERMATOLOGY / INSTRUÇÕES PARA OS AUTORES

Surgical & Cosmetic Dermatology é uma revista interdisciplinar de acesso livre dedicada a publicar pesquisas sobre todos os aspectos da cirurgia dermatológica. A revista aceita artigos em Oncologia Cutânea, Cirurgia e Dermatologia Cosmética, Laser e outras Tecnologias Terapêuticas.

Acesse as Políticas Editoriais para mais informações sobre:

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Idioma

Acesso livre

Autoria

Política de revisão por pares

Direitos autorais e licenças

Diretrizes éticas e integridade da pesquisa

PREPRINT

Aceitamos a submissão de artigos depositados em repositórios de preprints. Os autores podem compartilhar seu preprint em qualquer lugar e a qualquer momento.

No caso de um preprint ser aceito para publicação, encorajamos os autores a vincula-lo à sua publicação formal por meio de seu Digital Object Identifier (DOI).

Os autores podem atualizar seus preprints no bioRxiv (https://www.biorxiv.org/), medRxiv (https://www.medrxiv. org/) ou outros com seus manuscritos aceitos.

AVISO LEGAL

As declarações e opiniões expressas nos artigos e comunicações publicadas na Surgical & Cosmetic Dermatology são de responsabilidade do(s) autor(es) e não necessariamente do(s) Editor(es), Editora ou Sociedade.

DIRETRIZES PARA SUBMISSÃO

A preparação correta do manuscrito torna os processos de revisão e publicação mais eficientes. Assim, recomendamos alguns cuidados que podem facilitar significativamente a preparação dos manuscritos.

Os artigos devem ser inéditos e redigidos no idioma de origem do autor (português ou inglês). A equipe editorial providenciará as versões necessárias. A escolha da fonte deve ser Times New Roman ou Arial, de número 12.

O título do trabalho deve ser curto e conciso, informado em português e inglês, com até 150 caracteres sem espaços, acompanhado de um título resumido. Os resumos em português e inglês devem acompanhar o formato adequado ao tipo de artigo.

Os autores devem informar claramente se houve conflitos de interesse e suporte financeiro.

As palavras-chave devem ser citadas em português e em inglês (Keywords), totalizando 3 a 10 por idioma, devendo ser incluídas em todos os tipos de artigos. É recomendável que estas palavras estejam contidas no DeCS (Descritores em Ciências da Saúde) e MeSH (Medical Subject Headings) que podem ser acessados na internet.

O número limite de palavras para os textos deve ser obedecido segundo o tipo de artigo, e computado excluindo as referências e os resumos em português e inglês.

Devem ser evitadas informações introdutórias extensas e repetitivas, dando-se preferência às mais recentes, ainda não publicadas. Evite textos com repetição da mesma informação no resumo, introdução e discussão.

Pesos e medidas devem ser expressos no sistema métrico decimal, e temperaturas em graus centígrados.

Drogas devem ser mencionadas por seus nomes genéricos, seguidos da dosagem e posologia empregadas, evitando-se a citação de termos comerciais ou marcas. Descrições de quaisquer equipamentos, instrumentos, testes e reagentes devem conter o nome do fabricante e o local de fabricação.

De acordo com o ICMJE, apenas podem ser designados como autores, aqueles que participaram ativamente no trabalho, podendo assim assumir a responsabilidade pública pelo seu conteúdo. Os créditos de autoria devem se basear exclusivamente em contribuições substanciais para: discussão e planejamento do tema e protocolo, análise ou interpretação de dados;

Redação do artigo ou sua crítica; responsabilidade pela aprovação final para a publicação. Outras contribuições menores como sugestões de literatura, coleta e análise de dados, obtenção de financiamento, auxílio técnico na execução de rotinas, encaminhamento de pacientes, interpretação de exames de rotina e chefia de serviço ou departamento que não estejam envolvidas no estudo, não constituem critérios para autoria. e podem ser reconhecidas separadamente sob a forma de "agradecimentos", de acordo com a decisão dos autores.

Os autores devem informar o nome com suas abreviaturas, e as suas afiliações institucionais, seguidos de cidade, estado e país. Os vínculos às instituições devem ser citados em ordem hierárquica (ex.1º Departamento, 2º Universidade) e não são permitidas a inclusão dos mini-currículos. Quando um autor é afiliado a mais de uma instituição, cada uma deve ser identificada separadamente. Quando dois ou mais autores estão afiliados à mesma instituição, a sua identificação é feita uma única vez. Autores pertencentes à Clínicas privadas devem citá-las como uma instituição. É obrigatório mencionar o número ORCID, utilizado para a identificação de pesquisadores, para o primeiro e último autores. O autor deve assumir pelo menos uma responsabilidade na elaboração do trabalho e deverá informar a contribuição de cada um na submissão. Um dos autores deve ser designado como autor correspondente, com endereço de e-mail. Deve também ser citado o local de realização do trabalho.

TIPOS DE ARTIGOS

A Surgical & Cosmetic Dermatology publica os seguintes tipos de artigos:

ARTIGOS DE REVISÃO

Artigos de Revisão podem aprofundar os temas específicos nas áreas de interesse da S&CD, algoritmos, compilações, estatísticas, consenso e guidelines. Estes trabalhos têm formato livre, porem devem conter resumo não estruturado de até 100 palavras e conclusões ou considerações finais. Limite: texto até 6000 palavras, 10 ilustrações e 60 referências. Os artigos de revisão sistemática ou metanálises devem seguir orientações pertinentes (http://cochrane.org.br).

ARTIGO ORIGINAL

Artigos Originais são relatos de uma pesquisa investigativa original nas áreas de Cirurgia Dermatológica, Oncologia Cutânea, Diagnóstico por Imagem, Tecnologia em Dermatologia e Dermatologia Cosmética. Exemplos: estudos experimentais, estudos clínicos, comparações e descrições de técnicas ou de métodos de avaliação. O texto deverá conter até 4000 palavras, 10 ilustrações e 35 referências e seguir o formato IMRDC (Introdução e objetivo, Métodos, Resultados, Discussão, Conclusão).

Resumo: deverá ter no máximo 250 palavras e ser estruturado, contendo os itens: Introdução, Objetivo, Métodos, Resultados e Conclusões. Não é permitido afirmar que os resultados ou outros dados serão apresentados ou discutidos.

Introdução: citar as razões que motivaram o estudo, descrevendo o estado atual do conhecimento sobre o tema. Utilizar o último parágrafo para especificar a principal pergunta ou objetivo do estudo, e a principal hipótese testada, se houver.

Métodos: Explicar como o estudo foi feito:

Tipo de estudo: descrever o seu desenho especificando a direção temporal (retrospectivo ou prospectivo), o tipo de randomização quando utilizada (pareamento, sorteio, sequenciamento, etc.), se o estudo foi cego, comparativo, controlado por placebo, etc.

Local: indicar onde o estudo foi realizado (instituição privada ou pública), citar que a pesquisa foi aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa de sua instituição, os procedimentos de seleção, os critérios de inclusão e exclusão, e o número inicial de pacientes.

Procedimentos: descrever as principais características das intervenções realizadas, detalhando a técnica e lembrando que o estudo de investigação deverá ser reprodutível.

Descrição dos métodos utilizados para avaliação dos resultados.

Inclusão da análise estatística descritiva e/ou comparativa com descrição do planejamento da amostra (representativa do universo a ser estudado), a análise e os testes estatísticos e apresentação dos níveis de significância adotados. A utilização de análises estatísticas não usuais é incentivada, porém neste caso, deve-se fazer uma descrição mais detalhada da mesma.

Resultados: descrever os principais resultados que devem ser acompanhados de estimativas pontuais e medidas de dispersão

(p.ex., média e erro padrão) ou de estimativas intervalares (p.ex., intervalos de confiança), bem como os níveis descritivos dos testes estatísticos utilizados (p.ex.“p-value”). Os achados também devem ser interpretados sob o ponto de vista clínico.

Discussão: enfatizar os novos e importantes resultados encontrados pelo estudo e que farão parte da conclusão. Relatar observações de outros estudos relevantes. Mencionar as limitações dos achados e as implicações para pesquisas futuras.

Conclusões: devem ser concisas e responder apenas aos objetivos propostos. A mesma ênfase deve ser dada para estudos com resultados positivos ou negativos.

DIAGNÓSTICO POR IMAGEM

O Diagnóstico por Imagem aborda temas ou casos clínicos em que os exames de imagens (dermatoscopia,microscopia confocal, ultrassom e outros métodos) são fundamentais no diagnóstico ou tratamento. É composto por resumo não estruturado de até 100 palavras, texto até 1200 palavras, 6 ilustrações e 5 referências.

COMO EU FAÇO?

Como eu faço descreve novas técnicas ou detalhes de técnicas. Compõe-se por resumo não estruturado de até 100 palavras, introdução com revisão de literatura, métodos, resultados, discussão e conclusão. Limite: 1200 palavras, 8 ilustrações e 30 referências.

RELATO DE CASO

Relatos de caso são descrições de casos ou séries de casos de relevância nas áreas de interesse da S&CD, com descrição de tratamentos, complicações, etc. Contém resumo não estruturado de até 100 palavras, introdução com revisão de literatura, métodos, resultados, discussão e conclusão, sempre que pertinentes. Limite: texto até 1200 palavras, 8 ilustrações e 30 referências.

CARTAS AO EDITOR

As Cartas ao Editor são comentários objetivos, breves e construtivos sobre estudos ou pesquisas anteriormente publicados. Compõe-se de texto de até 600 palavras e no máximo 5 referências.

COMITÊ DE ÉTICA

O certificado de autorização por um Comitê de Ética é exigido apenas para os Artigos Originais de pesquisa prospectiva.

REFERÊNCIAS

As referências bibliográficas devem ser listadas nas últimas páginas do artigo, e numeradas de acordo com a citação no texto (em ordem numérica sequencial), seguindo o estilo Vancouver, como indicado pelo International Committee of Medical Journal Editors (ICMJE). Referências citadas em legendas de tabelas e figuras devem manter a sequência com as citações no texto. Todos os autores devem ser citados se forem até seis; acima disso, devem ser mencionados os seis primeiros e “et al.”. Seguem-se exemplos dos tipos mais comuns de referências. Exemplos de citações no texto retirados do ICMJE:

Artigo em periódico:

Hallal AH, Amortegui JD, Jeroukhimov IM, Casillas J, Schulman CI, Manning RJ, et al. Magnetic resonance cholangiopancreatography accurately detects common bile duct stones in resolving gallstone pancreatitis. J Am Coll Surg. 2005;200(6):869-75.

Capítulo de livro:

Reppert SM. Circadian rhythms: basic aspects and pediatric implications. In: Styne DM, Brook CGD, editors. Current concepts in pediatric endocrinology. New York: Elsevier; 1987. p .91-125.

Texto na Internet:

Ex. com autor indicado: Fugh-Berman A. PharmedOUT [Internet]. Washington: Georgetown University, Department of Physiology and Biophysics; c2006 [cited 2007 Mar 23]. Available from: http://www.pharmedout.org/

Ex. quando o autor é uma organização: International Union of Biochemistry and Molecular Biology. Recommendations on Biochemical & Organic Nomenclature, Symbols & Terminology etc. [Internet]. London: University of London, Queen Mary, Department of Chemistry; [updated 2006 Jul 24; cited 2007 Feb 22]. Available from: http://www.chem.qmul.ac.uk/iubmb/.

Apresentação prévia em eventos:

Bruhat M, Silva Carvalho JL, Campo R, Fradique A, Dequesne J, Setubal A, editors. Proceedings of the 10th Congress of the European Society for Gynaecological Endoscopy; 2001 Nov 22-24; Lisbon, Portugal. Bologna (Italy): Monduzzi Editore, International Proceedings Division; c2001. 474 p.

ILUSTRAÇÕES

As figuras, quadros, gráficos e tabelas devem ser referidas em ordem numérica sequencial no texto em números arábicos (exemplo: Figura 3, Gráfico 7), cabendo ao Editor suprimir as redundantes. As legendas das figuras e gráficos e os títulos e notas de rodapé das tabelas devem descrever precisamente seu conteúdo com frases curtas, porém suficientes para a compreensão ainda que o artigo não seja totalmente lido. Todos devem ser inseridos no passo correspondente a ilustrações no sistema, evitando que use o campo destinado ao texto para que não contabilizem as palavras dentro das ilustrações.

As figuras deverão ter resolução mínima de 300 DPI, largura mínima de 1.200 pixels com altura proporcional, e serem gravadas nos formatos JPG ou TIF. As fotografias devem estar no foco, possibilitando a visualização dos detalhes a serem demonstrados. Podem ser colocadas setas ou linhas para localizar as áreas de interesse. As legendas das imagens histológicas devem especificar a coloração e o aumento. Se uma figura já foi publicada anteriormente, deverá citar a fonte original abaixo da mesma e constar nas referências. Deverão enviar à revista a permissão do detentor dos direitos autorais para a sua reprodução. No uso de figuras que identifiquem a face de pacientes será preciso autorização por escrito para divulgação (ver no site da revista o documento Autorização para uso de fotografias).

Quanto aos vídeos é necessário inserir legendas contendo informações como título do manuscrito, autoria, instituição e outros comentários pertinentes. No uso de imagens de pacientes, a identidade deverá ser resguardada, do contrário, será preciso anexar-lhes permissão por escrito para divulgação. Os gráficos deverão ser elaborados em Microsoft Excel. As tabelas dispensam sua descrição no texto tendo a finalidade de suplementá-lo e não a de aumentá-lo. As unidades utilizadas para exprimir os resultados (m, g, g/100, mL, etc.) figurarão no alto de cada coluna. Os pacientes devem ser identificados por números ou letras, e nunca pelos nomes, iniciais ou número de registro hospitalar.

CARTA DE APRESENTAÇÃO

A carta de apresentação deve incluir as seguintes informações:

Uma explicação de por que seu manuscrito é adequado para publicação em Surgical & Cosmetic Dermatology. Confirmação de que o conteúdo do manuscrito é original e não foi publicado nem está sendo considerado para publicação em outro lugar.

Se o manuscrito estiver sendo enviado para uma edição especial em particular, o nome específico deve ser mencionado na carta de apresentação.

Se o artigo relatar os resultados de uma intervenção de saúde em participantes humanos, a Surgical & Cosmetic Dermatology recomenda fortemente sua documentação em um registro apropriado. O número e a data de registro devem estar indicados nesta carta.

DECLARAÇÕES DOS AUTORES

As seguintes declarações devem ser incluídas na versão final do manuscrito. Espera-se que essas declarações sejam submetidas juntamente com a carta de apresentação, uma vez que a Surgical & Cosmetic Dermatology adota a revisão por pares duplo-cego. ‘Agradecimentos’ – lista de pessoas que contribuíram para o artigo (e não atendem aos critérios de autoria), incluindo colaboradores que forneceram serviços profissionais de redação ou materiais.

‘Disponibilidade de dados e materiais’ – as declarações de disponibilidade contêm informações sobre onde os dados que suportam os resultados relatados no artigo podem ser encontrados, como hiperlinks para conjuntos de dados arquivados publicamente. Exemplo de frases são: ‘Todos os dados gerados ou analisados durante este estudo estão incluídos neste artigo’; 'Os conjuntos de dados gerados e/ou analisados durante o estudo atual estão disponíveis no repositório [NOME]', 'Os conjuntos de dados gerados durante e/ou analisados durante o estudo atual estão disponíveis junto ao autor correspondente mediante solicitação razoável', ou 'Não aplicável' se nenhum dado novo foi criado ou analisado no estudo.

‘Apoio financeiro’ – todas as fontes de financiamento do estudo devem ser divulgadas; é necessário indicar bolsas que os autores receberam para apoiar a pesquisa.

‘Conflito de interesses’ – todos os conflitos de interesse financeiros e não financeiros devem ser declarados nesta seção. Se os autores não tiverem interesses conflitantes, é necessário mencionar ‘Os autores declaram não haver conflito de interesses’.

‘Contribuição dos autores’: Espera-se que cada autor tenha feito contribuições substanciais ao manuscrito, que devem ser especificadas nesta seção. Use as iniciais para se referir à contribuição de cada autor. Por exemplo: ‘AB, CD e EF conceberam esta pesquisa e projetaram experimentos. GH participou da concepção e interpretação dos dados. IJ realizou experimentos e análises. KL e MN escreveram o artigo e participaram de suas revisões. Todos os autores leram e aprovaram o manuscrito final'.

O limite máximo de autores aceitável é de 5 (cinco); só haverá exceção para trabalhos de maior complexidade (ex. Artigo Original, Revisão) mediante justificativa e aprovação dos editores.

‘Aprovação ética/ aprovação ética e consentimento para participar’ – manuscritos que relatam estudos envolvendo participantes humanos ou dados sobre humanos devem incluir uma declaração sobre aprovação e consentimento éticos, o nome do comitê de ética que aprovou o estudo e o número de referência do comitê. Estudos envolvendo animais devem incluir uma declaração de aprovação ética. Se o manuscrito não relatar ou envolver o uso de dados de animais ou humanos, é necessário declarar 'Não aplicável'.

‘Consentimento de uso para publicação (Copyright)' – se o manuscrito contiver dados pessoais de qualquer indivíduo em qualquer forma, o consentimento para publicação deve ser obtido dessa pessoa ou, no caso de crianças, de seus pais ou tutor legal. Todas as apresentações de relatos de caso devem ter consentimento para publicação.

SUBMISSÃO

Os manuscritos devem ser submetidos por meio de nosso sistema de submissão online (https://www.gnpapers.com.br/ scd/default.asp?lang=en). O autor responsável pela submissão é responsável pelo manuscrito durante o processo de submissão e revisão por pares. Ele/ela deve garantir que todos os coautores elegíveis foram incluídos na lista de autores e que todos leram e aprovaram o manuscrito submetido. Para enviar um manuscrito, os seguintes arquivos são necessários:

Arquivo principal do manuscrito que não deve conter os nomes dos autores ou coautores (arquivo anônimo, pois a revista utiliza a revisão por pares duplo-cega). Referências e tabelas menores devem ser incluídas neste arquivo.

Uma página de título que deve conter os nomes de todos os autores e coautores, suas afiliações, seus e-mails, e as todas as declarações de autores.

Uma carta de apresentação.

Arquivos de imagens.

Quaisquer arquivos adicionais como material complementar ao manuscrito.

Todos os documentos como Consentimento de Uso para Publicação (Copyright), Conflito de Interesses e Autorização para Publicação de Fotografias estão disponíveis no site da revista e no sistema de submissão online. Estes documentos devem ser assinados por todos os autores participantes e anexados no sistema ao se submeter o manuscrito. A Autorização para Publicação de Fotografias só é necessária quando a face do paciente é identificada por completo. O documento de Participação no Estudo só será solicitado pelos editores se houver necessidade.

Publicação oficial da Sociedade Brasileira de Dermatologia

Janeiro - Março 2026 l Volume 18 l Número 1

Online ISSN: 1984-8773 Surg Cosmet Dermatol. 2025;v.17: n.4 out-dez. p.375-6.

ARTIGO DE REVISÃO

Modalidades de Tratamento para Ocronose Exógena: Uma Revisão Narrativa das Abordagens Terapêuticas Atuais e Emergentes. 98 (Tratamento para Ocronose Exógena) Emmanuela Dapomaa Asante, Hsuan-Hsiang Chen

ARTIGO ORIGINAL

Análise de Informações Sobre Tratamento da Acne no TikTok: Estudo Piloto Transversal do Conteúdo em Português Brasileiro

110 Vitor Costa Fabris, Inae Paula Battisti, Maria Luísa Rocha Dadalt

Complicações na cirurgia dermatológica: "estudo de série de sasos"

117 Luiz Roberto Dal Bem Pires Júnior, Maira Mitsue Mukai

CARTA AO EDITOR

Comentário sobre: "Reconstrução labial com retalhos superficiais: integração funcional e estética"

125 Muhammed Said Aydin, Gökay Özler

Hidradenoma nodular: inovação diagnóstica em um caso raro

128 Ana Paula Weber, Giulia Maria dos Santos Goedert, Barbara Brunca, Hamilton Ometto Stolf, Paula Tavares Colpas

Retalho em cata-vento: série de dois casos

132 Joao Marcos Franco de Souza, Barbara Messias Pereira, Bianca Miyazawa, Carlos Borges-Junior, Rogerio Nabor Kondo

Uso da crioterapia no tratamento do angioqueratoma circunscrito: experiência de caso

136 Malu de Aquino Almeida Garcia, Louise Santos Abdulmassih, Maria Amelia Lopes dos Santos, Renata Mie Oyama Okajima, Josie Eiras Bisi dos Santos

Fístula cutânea odontogênica mimetizando neoplasia cutânea: relato de caso

141 Clarissa Brito Farias, Ana Vitória Lins Paiva Antunes, Aretuza Iolanda Pimentel Torres Portella, Antônio Carlos Evangelista de Araújo Bonfim, Luciana Cavalcanti Trindade

Carcinoma Basocelular periocular com invasão orbitária: relato de caso

146 Mariana Sofia Monteiro Silva, Luiz Fernando Eller Riscaroli, Eduardo Garbin Rosset, Ricardo Barbosa Lima, Luciana Ferreira de Araújo, Ruy Gomes Neto

Frontoplastia e transplante capilar técnica fue em mesmo tempo cirúrgico

151 Rafael Reinert, André Felipe Kroenke, Emanoelle Machado, Marcos Felippe Takano-de-Saidneuy, Lauren Menna Marcondes, Murilo Gamba Beduschi

A refratariedade terapêutica de múltiplos granulomas piogênicos em dobras ungueais como efeito adverso

156 ao uso do amivantamabe: relato de caso

Ana Vitoria Lins de Paiva Antunes, Clarissa Brito Farias, Luciana Cavalcanti Trindade, Renata Monteiro de Lacerda

Localização atípica de tumor de células granulares em uma paciente do sexo feminino: um relato de caso raro

160 Nivin Mazen Said, Gisele Alves Morikawa Caldeira, Airton Kenji Motizuki, Mariana Bastos Amanajás, Maraya de Jesus Semblano Bittencourt Silvia Fer reira Rodrigues Müller, Franklin de Souza Rocha

Melanoma Amelanótico numa Tatuagem: Um grande mascarado

João Alfredo Monte Melo de-Barros, Rafael Freire de Lira Sobral, Ana Beatriz Albuquerque Nunes, Maria Tereza de Medeiros Leite Espínola Jader Freire Sobral Filho

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Modalidades de tratamento

para ocronose exógena: Uma revisão narrativa das abordagens terapêuticas atuais e emergentes. (Tratamento para ocronose exógena)

Treatment modalities for exogenous ochronosis: A narrative review of current and emerging therapeutic approaches. (Treatment of exogenous ochronosis)

DOI: http://www.dx.doi.org/10.5935/scd1984-8773.2026180541

RESUMO

A ocronose exógena é uma doença cutânea crônica caracterizada por hiperpigmentação dérmica, geralmente causada pelo uso prolongado de hidroquinona. Esta revisão analisou 29 estudos (2000-2025) sobre tratamentos para a ocronose exógena. As terapias baseadas em laser e luz, especialmente em combinações, apresentaram maior eficácia, enquanto o microagulhamento e peelings químicos proporcionaram melhoria moderada. Os agentes tópicos isolados tiveram benefício limitado. A hiperpigmentação pós-inflamatória foi o evento adverso mais comum. Modalidades emergentes, como vitamina C intradérmica, terapia com exossomos e lisado de fibrina rica em plaquetas, tiveram resultados promissores.Terapias multimodais parecem mais eficazes, exigindo estudos controlados adicionais para confirmar sua segurança e eficácia. Palavras-chave: Ocronose; Lasers; Hiperpigmentação

Artigo de Revisão

Autores:

Emmanuela Dapomaa Asante1 Hsuan Hsiang Chen2

1 Tema General Hospital, Internal Medicine Department, Tema, Greater Accra, Gana

2 University of South Wales, Department of Dermatology, País de Gales, Reino Unido

Correspondência:

Emmanuela Dapomaa Asante

E-mail: nuelasante11@gmail.com / emmanuela.asante@ghs.gov.gh

ABSTRACT

Exogenous ochronosis is a chronic skin disorder characterized by dermal hyperpigmentation, often resulting from prolonged use of hydroquinone. This review analyzed 29 studies (2000-2025) assessing treatments for exogenous ochronosis. Laser and light-based therapies, particularly in combination regimens, showed the greatest efficacy, while microneedling and chemical peels provided moderate improvement. Topical agents alone offered limited benefit. Post-inflammatory hyperpigmentation was the most frequent adverse event. Emerging modalities, including intradermal vitamin C, exosome therapy, and platelet-rich fibrin lysate, demonstrated promising early results. Overall, multimodal and light-based therapies appear to be the most effective; however, further controlled studies are essential to confirm their safety and long-term outcomes.

Keywords: Ochronosis; Hyperpigmentation; Dermabrasion

Fonte de financiamento: Nenhuma Conflito de interesse: Nenhum

Data de submissão: 30/11/2025

Decisão final: 21/12/2025

Como citar este artigo: Asante ED, Chen HH. Modalidades de tratamento para ocronose exógena: Uma revisão narrativa das abordagens terapêuticas atuais e emergentes. (Tratamento para ocronose exógena). Surg Cosmet Dermatol. 2026;18(2):e20260541.

INTRODUÇÃO

O termo “ocronose” deriva da palavra grega ochre, que significa descoloração amarelada, e a condição foi descrita pela primeira vez no século XVIII por Virchow, que observou uma pigmentação semelhante ao ocre nos tecidos.1-3

A ocronose se refere a uma descoloração azul-acinzentada dos tecidos conjuntivos causada pelo depósito de pigmentos e é classificada em formas endógena e exógena.4 A ocronose endógena, ou alcaptonúria, é uma doença autossômica recessiva rara resultante da deficiência do ácido homogentísico oxidase,5-10 que leva a manifestações sistêmicas como artropatia, pigmentação e calcificação de órgãos.11-19

A ocronose exógena (OE), por outro lado, é uma doença adquirida caracterizada por pigmentação azul-enegrecida da pele, normalmente induzida pela aplicação crônica de agentes tópicos clareadores da pele. A hidroquinona é o composto mais frequentemente envolvido, embora resorcinol, fenol, quinina, ácido pícrico e mercúrio também tenham sido associados à condição.3 Descrita pela primeira vez por Pick em 1906 e associada posteriormente ao uso de hidroquinona por Findlay e De Beer em 1975, a OE passou a ser reconhecida como um efeito adverso importante das práticas prolongadas de clareamento da pele.3

A OE apresenta prevalência crescente, particularmente em populações com fototipos mais escuros, nas quais a demanda por clareamento da pele é elevada e os produtos muitas vezes não são regulamentados. É importante destacar que o risco de OE não é determinado apenas pela concentração de hidroquinona, uma vez que casos foram relatados com formulações de baixa concentração (2%), implicando a dose cumulativa e a duração da exposição como fatores de risco centrais.14

Formulações à base de álcool podem elevar ainda mais esse risco ao favorecer a absorção percutânea.3 Fatores predisponentes adicionais incluem exposição solar extensa ou prolongada, aplicação em grandes áreas da superfície corporal e a presença de melanócitos ativos que interagem com vias metabólicas induzidas pela hidroquinona.15-17

A compreensão da patogênese da OE permanece incompleta. Diversos mecanismos foram propostos, incluindo a estimulação da melanogênese induzida pela hidroquinona, sua oxidação em quinonas e intermediários semelhantes à melanina e a inibição do ácido homogentísico oxidase, levando à polimerização de pigmentos na derme.20-23

Clinicamente, a OE manifesta-se como máculas azul-enegrecidas bilateralmente simétricas, predominantemente nas regiões malares, têmporas e bochechas, progredindo por três estágios: eritema e pigmentação leves (estágio I), hiperpigmentação com mílios coloides (estágio II) e lesões papulonodulares (estágio III).24-30

O diagnóstico pode ser desafiador, particularmente nos estágios iniciais, quando a OE pode mimetizar o melasma. A dermatoscopia pode revelar áreas amorfas cinza-azuladas com obliteração das aberturas foliculares, enquanto a microscopia confocal de reflectância tem evidenciado estruturas dérmicas características.

A histopatologia permanece o padrão-ouro para o diagnóstico, com a presença característica na derme de fibras de coloração ocre em forma de banana.3

Os dados epidemiológicos são limitados devido ao subdiagnóstico e aos erros diagnósticos. Relatos iniciais sugeriam prevalências de até 35% entre populações negras na África do Sul, mas evidências mais recentes demonstram que a OE também afeta indivíduos com fototipos mais claros, incluindo populações hispânicas, europeias e asiáticas.31-34

Nos Estados Unidos, um levantamento em dermatologia identificou 512 casos suspeitos, dos quais 130 foram confirmados por biópsia.30

O manejo da OE é difícil, pois a pigmentação muitas vezes é persistente e pode ser irreversível. A suspensão da hidroquinona e a fotoproteção rigorosa constituem as primeiras medidas essenciais, embora a melhora possa levar anos. Intervenções farmacológicas, como retinoides, corticoides, antioxidantes e agentes sistêmicos, produzem resultados variáveis, enquanto abordagens procedimentais — incluindo peelings químicos, dermoabrasão, microagulhamento e dispositivos baseados em energia, como lasers Q-switched e Nd:YAG — têm demonstrado potencial, mas carecem de padronização.24,30

Dada sua prevalência crescente, seus desafios diagnósticos e osucesso terapêutico limitado, a OE representa uma preocupação dermatológica importante. Esta revisão avalia criticamente as modalidades terapêuticas farmacológicas e não farmacológicas utilizadas atualmente para OE, com ênfase em evidências provenientes de séries de casos clínicos, resultados de procedimentos e terapias emergentes, para orientar a prática clínica e pesquisas futuras.

MÉTODOS

Delineamento do Estudo

Este estudo empregou uma revisão narrativa da literatura para explorar e avaliar as modalidades de tratamento da OE, com ênfase na eficácia, segurança e terapias emergentes. A revisão foi orientada por três objetivos: (1) identificar as modalidades terapêuticas mais eficazes; (2) avaliar questões relacionadas à segurança e aos efeitos adversos; e (3) destacar novas intervenções promissoras.

A abordagem de revisão narrativa foi escolhida porque permite integrar diferentes fontes de evidências, incluindo relatos de caso, séries de casos e estudos retrospectivos, que constituem a maior parte da literatura sobre OE. Ao contrário das revisões sistemáticas, que requerem dados homogêneos, esse método proporciona uma visão abrangente das tendências terapêuticas, lacunas de conhecimento e inovações em potencial, o que o torna particularmente valioso para doenças pouco estudadas.35-37

Estratégia de Busca

Foi realizada uma busca abrangente nas bases PubMed, Scopus, Google Scholar, ScienceDirect, JAMA, na ferramenta FINDit da University of South Wales e na revista Surgical &

Cosmetic Dermatology. A busca abrangeu publicações de janeiro de 2000 a maio de 2025, utilizando palavras-chave e combinações como “Exogenous Ochronosis”, “Hydroquinone-induced ochronosis”, “Treatment”, “Laser therapy”, “Microneedling”, “Dermabrasion” e “Oral medication”. Operadores booleanos (“AND”, “OR”) foram utilizados para refinar a busca, e as listas de referências dos principais artigos passaram por uma triagem para identificar estudos adicionais.

Critérios de Inclusão e Exclusão

Foram incluídos relatos de caso, séries de casos, estudos retrospectivos ou revisões sistemáticas revisados por pares que relatassem desfechos terapêuticos em pacientes com OE confirmada clinicamente ou por histopatologia. Foram consideradas apenas publicações em língua inglesa envolvendo seres humanos. Foram excluídos estudos exclusivamente sobre ocronose endógena, pesquisas em animais ou in vitro, estudos que não tivessem como foco principal modalidades terapêuticas e trabalhos em outros idiomas sem resumos utilizáveis.

Extração e Síntese de Dados

Vinte e nove artigos atenderam aos critérios de inclusão: 2 estudos retrospectivos, 8 séries de casos e 19 relatos de caso. Os dados foram extraídos para tabelas contendo autor e ano, delineamento do estudo, modalidade de tratamento, desfechos e efeitos adversos. Os achados foram sintetizados qualitativamente, com atenção especial às terapias combinadas e às abordagens emergentes. Uma revisão sistemática ou metanálise não foi viável devido à heterogeneidade dos delineamentos dos estudos e das medidas de desfecho.

RESULTADOS

O tratamento da OE engloba medidas não farmacológicas, abordagens farmacológicas, como medicamentos tópicos e orais, e intervenções procedimentais, como dermoabrasão, microagulhamento e terapias com dispositivos baseados em energia.

Abordagens Não Farmacológicas

Uma etapa fundamental no manejo da OE é a suspensão imediata do agente agressor, embora a melhora visível possa levar anos.19

A fotoproteção rigorosa, incluindo protetores solares de amplo espectro, chapéus, óculos de sol com proteção UV e vestimentas protetoras, também é essencial para prevenir a pigmentação adicional.3

Diversos relatos de caso destacam o benefício do uso de protetor solar como terapia adjuvante. Por exemplo, Tekgöz et al.7 relataram redução da hiperpigmentação após 7 meses de uso de protetor solar e suspensão da hidroxicloroquina. Da mesma forma, Ceglio et al.,5 Bellew e Alster,2 e Gulwani et al.28 enfatizaram o uso de protetor solar de amplo espectro durante o tratamento da OE. Uma revisão narrativa de Simmons et al.30 também relatou melhores desfechos com o uso de protetor solar

em alguns casos. Esses achados ressaltam a importância da fotoproteção na prevenção da progressão da doença e na proteção da pele durante o tratamento.

Abordagens Farmacológicas

Medicamentos Tópicos

Os tratamentos tópicos isolados têm demonstrado eficácia limitada no manejo da OE. No entanto, quando combinados com outras terapias, podem proporcionar melhora clínica. Os agentes tópicos mais utilizados incluem corticoides, ácido retinoico, ácido azelaico, ácido kójico, inibidores da calcineurina tópicos e inibidores da tirosinase.

Uma série de casos publicada em 2007 por Charlín et al.6 descreveu quatro mulheres (fototipos IV–V) com melasma de longa duração que desenvolveram hiperpigmentação facial progressiva após 10–25 anos de uso de cremes à base de hidroquinona (2%–6%). Os sinais clínicos incluíam máculas azul-acastanhadas, pápulas semelhantes a caviar e despigmentação em padrão de confete, compatíveis com OE estágio II de Dogliotti. A histopatologia confirmou incontinência pigmentar e fibras amarelo-acastanhadas em forma de banana na derme.

O tratamento com combinações de ácido retinoico a 0,05%, ácido azelaico a 20% e ácido kójico resultou apenas em melhora parcial ou mínima.6

Singh e Ramesh31 relataram o caso de uma mulher de 44 anos que desenvolveu pigmentação azul-enegrecida após 1 ano de uso de creme clareador da pele. A histopatologia confirmou odiagnóstico de OE. Apesar da suspensão do creme e do uso de ácido retinoico tópico a 0,05% associado a fotoproteção rigorosa, não houve melhora perceptível após 3 meses.

Da mesma forma, Qorbani et al.27 descreveram dois pacientes com OE secundária ao uso de hidroquinona e tretinoína. Em um dos casos, loção de desonida a 0,5% associada à fotoproteção reduziu a inflamação, mas não melhorou a pigmentação. O segundo paciente foi tratado com gel de tazaroteno a 0,1% e creme de pimecrolimo em conjunto com fotoproteção, porém a pigmentação persistiu por mais de 1 ano.

Patel e Shah24 relataram o caso de uma mulher de 55 anos com OE após 2 anos de uso diário de um creme com hidroquinona. O exame clínico revelou placas azul-acastanhadas associadas a eritema e telangiectasia. Apesar da suspensão do creme, da aplicação de emolientes tópicos e gel de retinoide, além da adoção de fotoproteção rigorosa, observou-se apenas melhora mínima após 2 meses.

Um estudo retrospectivo recente de Keshavamurthy Vinay et al.12 avaliou 29 pacientes com OE, predominantemente mulheres (93%) com fototipos III–VI. A maioria apresentava histórico de uso de hidroquinona para melasma, com duração média de 16 meses. A região malar foi a área acometida com maior frequência, com 41% dos casos classificados como estágio I de Dogliotti e 59% como estágio II. Entre os 11 pacientes para os quais havia dados de tratamento disponíveis, as terapias combinadas apresentaram desfechos variáveis. Peelings químicos

associados a tacrolimo tópico a 0,1% levaram a melhora moderada ao longo de 6 meses em 6 pacientes. Um regime composto por ácido kójico, arbutina e ácido glicólico resultou em melhora mínima, enquanto 1 paciente tratado com tacrolimo tópico combinado com medicação oral apresentou melhoria moderada após 6 meses.

De modo geral, os tratamentos farmacológicos tópicos para OE têm papel principalmente adjuvante. A monoterapia raramente produz melhora substancial, e os desfechos tendem a ser melhores quando os agentes tópicos são combinados com fotoproteção, peelings químicos ou tratamentos sistêmicos. Apesar da eficácia limitada, os agentes tópicos continuam sendo um dos pilares do manejo da OE, especialmente em pacientes com doença leve ou como parte de estratégias terapêuticas multimodais.

Medicamentos Orais

Os medicamentos orais são utilizados com pouca frequência na OE, geralmente em associação com outras terapias. Os agentes incluem ácido tranexâmico, corticoides, glutationa e retinoides sistêmicos.

Moche et al.22 relataram duas pacientes negras com OE decorrente do uso prolongado de hidroquinona que desenvolveram sarcoidose cutânea e sistêmica. O tratamento com prednisona oral (30 mg/dia) e cloroquina (200 mg/dia) levou à melhora tanto dos sintomas sistêmicos quanto das manifestações cutâneas.

Pirrone et al.25 descreveram uma mulher filipina de 51 anos com OE confirmada histologicamente que recebeu isotretinoína oral na dose de 20 mg 4 vezes ao dia, apresentando melhora discreta.

Sunkara et al.32 relataram o caso de uma mulher de 39 anos com OE após 3 meses de uso de creme de hidroquinona a 4%. Foi administrada glutationa oral, resultando em redução de 50% da pigmentação após 4 meses.

Em um estudo retrospectivo de Keshavamurthy Vinay et al.,12 um paciente recebeu ácido tranexâmico oral como parte do tratamento, obtendo melhora moderada.

Tratamentos Procedimentais

Os tratamentos procedimentais para OE geralmente são considerados quando os medicamentos tópicos ou orais proporcionam benefício limitado. Eles incluem dermoabrasão, microagulhamento e peelings químicos, todos os quais têm o objetivo de reduzir a pigmentação dérmica por meio de lesão cutânea controlada ou remodelamento tecidual. As evidências disponíveis baseiam-se principalmente em relatos de caso, séries de casos e pequenos estudos retrospectivos, refletindo tanto a raridade quanto a natureza resistente ao tratamento da OE.

Dermabrasão

A dermoabrasão induz uma lesão superficial da pele, desencadeando cicatrização e remodelamento dérmico, o que pode melhorar a aparência cutânea. Ela demonstrou sucesso moderado a substancial em casos seletos de OE, especialmen-

te quando as terapias tópicas falham. Sunkara et al.32 relataram ocaso de uma mulher de 39 anos com OE decorrente de 3 meses de uso de hidroquinona a 4% que foi submetida a microdermoabrasão associada a fotoproteção, alcançando redução de 50% da pigmentação após 4 meses. Da mesma forma, Lamas et al.15 descreveram uma mulher de 70 anos com histórico de OE havia 10 anos que foi submetida a dermoabrasão facial com lixa d’água, combinada a um regime tópico noturno (desonida a 0,05%, tretinoína a 0,01% e alfa-bisabolol a 2%) e fotoproteção rigorosa. Após 3 meses, a paciente apresentou redução acentuada da hiperpigmentação, destacando o papel da dermoabrasão na obtenção de clareamento substancial da pigmentação quando associada a medidas adjuvantes.

Microagulhamento

O microagulhamento consiste na criação de microlesões na derme para estimular a produção de colágeno e facilitar a redução da pigmentação. Moerbono Mochtar et al.23 relataram os casos de 3 mulheres com idade entre 45 e 50 anos, portadoras de OE de longa duração, que foram submetidas a sessões quinzenais de microagulhamento com dermaroller de 1 mm durante um período de 8 semanas, associadas ao uso diário de protetor solar FPS 30. Observou-se melhora da pigmentação e das alterações vasculares a partir da quarta semana, acompanhada por aumento da satisfação das pacientes e dos escores de aparência atribuídos pelos médicos. Um estudo retrospectivo maior, com duração de 10 anos, conduzido por Lazar et al.16 e envolvendo 25 pacientes com OE, demonstrou que o microagulhamento promoveu remodelamento dérmico e alcançou redução visível da pigmentação sem efeitos adversos importantes, especialmente em pacientes com fototipos mais escuros, indicando sua segurança e eficácia como opção procedimental.

Peelings Químicos

Os peelings químicos utilizam agentes cáusticos, como ácido glicólico, ácido salicílico e ácido tricloroacético (ATA), para remover as camadas epidérmicas e dérmicas superficiais, promovendo a redução da pigmentação.

França et al.8 relataram o caso de uma mulher de 40 anos com OE inicialmente submetida a um peeling combinado composto de hidroquinona a 5%, ácido retinoico a 5% e ácido salicílico a 14%, o qual resultou em melhora mínima. Um peeling subsequente com ATA a 20%, em combinação com outras modalidades terapêuticas, levou à resolução completa das lesões.

Da mesma forma, Keshavamurthy Vinay et al.12 relataram melhora moderada em pacientes com OE tratados com peelings de ácido glicólico a 30%. Quando os peelings de ácido glicólico foram combinados com medicamentos tópicos, 6 pacientes apresentaram redução moderada da pigmentação ao longo de um período de 6 meses. Esses achados ressaltam que os peelings químicos podem ser mais eficazes quando utilizados em combinação com outras modalidades terapêuticas do que como monoterapia.

De modo geral, os tratamentos procedimentais para OE

oferecem opções terapêuticas valiosas quando as abordagens farmacológicas convencionais falham. A dermoabrasão, o microagulhamento e os peelings químicos promovem remodelamento dérmico e redução da pigmentação, com desfechos muitas vezes potencializados quando combinados com agentes tópicos e fotoproteção rigorosa. Embora as evidências disponíveis sejam limitadas, essas intervenções têm consistentemente demonstrado potencial para alcançar melhora parcial a substancial, particularmente em casos de longa duração ou resistentes ao tratamento. São necessários estudos adicionais para padronizar protocolos, otimizar combinações terapêuticas e determinar a eficácia e a segurança a longo prazo em diferentes fototipos.

Terapias Baseadas em Dispositivos de Energia

Kramer et al.14 descreveram o caso de uma mulher hispânica com OE refratária a tratamentos tópicos que foi tratada com laser de rubi Q-switched (694 nm, fluência de 7 J/cm² e spot de 5 mm). A paciente apresentou melhora clínica evidente, sugerindo que os lasers de rubi Q-switched podem representar uma opção promissora para casos refratários de OE.

Alster e Bellew2 relataram o uso de laser de alexandrita Q-switched de 755 nm em 2 pacientes com OE induzida por hidroquinona. O primeiro paciente foi submetido a 6 sessões com intervalos de 2 meses e fluência média de 7,8 J/cm², enquanto o segundo realizou 4 sessões com intervalos de 4 meses e fluência média de 6,9 J/cm². Ambos apresentaram clareamento substancial das áreas pigmentadas, sem cicatrizes ou alterações de textura, e o exame histopatológico confirmou a redução da pigmentação dérmica.

Gil et al.9 avaliaram o uso da terapia com luz intensa pulsada (LIP) em uma mulher de 63 anos, fototipo V de Fitzpatrick, diagnosticada com OE. Ela foi submetida a 6 sessões de LIP (645 nm, duração de pulso de 6 ms, fluência de 20–22 J/cm²), associadas a tratamento tópico com ácido kójico a 4% e ácido salicílico a 0,2%, além de fotoproteção rigorosa. Após 2 meses, havia sido alcançada apenas uma melhora clínica discreta. As características dermatoscópicas da OE persistiram, e a microscopia confocal de reflectância identificou corpos subepidérmicos em forma de banana inalterados, indicando eficácia limitada da LIP. França et al.8 relataram o caso de uma mulher de 40 anos com OE após uso prolongado de hidroquinona que foi submetida a múltiplas modalidades terapêuticas. Quatro sessões de laser Nd:YAG Q-switched (1064 nm, 2,9–3,05 J/cm², spot de 4 mm) produziram resposta limitada. O tratamento subsequente com laser de CO₂ ultrapulsado (5 W, intervalos de 30 dias) resultou em melhora parcial, particularmente na região malar esquerda. Em seguida, foi administrada terapia com LIP (36 J, 10 ms), seguida de microdermoabrasão e de um peeling químico combinando hidroquinona a 5%, ácido retinoico a 5% e ácido salicílico a 14%. A eliminação completa das lesões foi alcançada após 3 sessões adicionais de LIP (36 J, 10 ms) em conjunto com peelings de ATA a 20%.

Tan33 avaliou 6 pacientes etnicamente chineses com OE confirmada histologicamente e melasma concomitante, classificados de acordo com os estágios de Dogliotti: 4 com estágio I, 1 com estágio II e 1 com estágio III. O tratamento consistiu em sessões quinzenais de laser Nd:YAG Q-switched (1064 nm), utilizando uma primeira passada de baixa fluência (1,2 J/cm², spot de 8 mm) e passadas direcionadas de alta fluência (4–6 J/cm², spot de 4 mm) até o aparecimento de petéquias ou eritema. Creme tópico EMLA foi aplicado antes do tratamento, e os cuidados pós-tratamento incluíram tetraciclina tópica e manutenção de agentes clareadores sem hidroquinona. Os pacientes com doença em estágio II e III apresentaram melhora acentuada após 8 e 16 sessões, respectivamente, enquanto os pacientes com doença em estágio I demonstraram melhora entre leve e moderada. O clareamento da pigmentação foi mantido, e não ocorreram eventos adversos graves, sustentando o uso dos lasers Nd:YAG Q-switched, particularmente com a técnica de múltiplas passadas de baixa fluência associadas a passadas direcionadas de alta fluência, para OE entre moderada e grave em fototipos mais escuros.

Lee e Weiss17 relataram o caso de uma mulher de 48 anos com OE tratada com LIP (570 nm, 12 J/cm², 15 ms) em intervalos de 6 semanas, apresentando clareamento da pigmentação após a sessão inicial.

Liu et al.21 descreveram um homem chinês de 50 anos (fototipo IV) com OE estágio II que foi submetido a seis sessões de laser Nd:YAG Q-switched (1064 nm, 6–9 J/cm²) sem apresentar melhora, apesar da adesão ao tratamento e da suspensão da hidroquinona.

Ko e Wang13 relataram o caso de uma mulher chinesa de 50 anos com OE tratada com lasers Nd:YAG Q-switched (1064 nm, 5,3 J/cm²) e de alexandrita Q-switched (755 nm, 8,5 J/cm²). A pigmentação piorou após 2 sessões; o uso de laser de CO₂ fracionado foi recomendado, mas recusado. Carvalho et al.4 descreveram uma mulher de 46 anos (fototipo V) tratada com sessões mensais de laser de CO₂ fracionado durante 12 meses, alcançando melhora substancial. Pirrone et al.25 relataram o caso de uma mulher filipina de 51 anos que apresentou melhora

Kanechorn-Na-Ayuthaya et al.11 descreveram 3 pacientes com OE tratados com laser Nd:YAG Q-switched (1064 nm) e laser de CO₂ fracionado. No primeiro caso, uma mulher tailandesa de 67 anos (fototipo V) foi submetida a 4 sessões de laser Nd:YAG Q-switched (1,9–2,2 J/cm²) e 1 sessão de laser de CO₂ fracionado, obtendo clareamento progressivo e melhora da textura cutânea na terceira sessão, apesar de hiperpigmentação pós-inflamatória (HPI) transitória. No segundo caso, uma mulher de 58 anos (fototipo III) foi submetida a 4 sessões de laser Nd:YAG e uma sessão de laser de CO₂, alcançando melhora perceptível da pigmentação e do tom da pele após a terceira sessão, acompanhada de HPI temporária. No terceiro caso, uma mulher de 66 anos (fototipo IV) foi submetida a 2 sessões de laser Nd:YAG seguidas de tratamento com laser de CO₂ fracionado, apresentando HPI mínima, clareamento visível da pele e discreto rejuvenescimento após 5 meses. De modo geral, a terapia combinada com lasers resultou em melhora gradual das lesões e grau elevado de satisfação dos pacientes.

ED, Chen HH

discreta com isotretinoína oral e corticoides tópicos, mas cuja terapia subsequente com laser fracionado ao longo de 3 sessões produziu clareamento acentuado das lesões hiperpigmentadas. Baca et al.1 descreveram o caso de uma mulher de 55 anos (fototipo IV) com EO de longa duração, refratária a múltiplas terapias prévias, que foi submetida a 9 sessões de laser de picossegundos fracionado não ablativo (1064/532 nm), obtendo melhora evidente na coloração e na textura das lesões.

Qian26 apresentou 2 casos de EO tratados com radiofrequência microagulhada pulsada como adjuvante à terapia a laser, com desfechos satisfatórios.

Lee et al.18 relataram o caso de uma mulher de 66 anos tratada com laser de CO₂ fracionado e laser Nd:YAG Q-switched, sem melhora clínica após 3 sessões. Ceglio et al.5 descreveram um homem de 52 anos (fototipo V) tratado sequencialmente com laser Nd:YAG Q-switched (12 sessões), LIP (7 sessões) e laser de CO₂ fracionado (5 sessões), sendo a melhora mais expressiva observada após a terapia com laser de CO₂ fracionado. Lazar et al.16 realizaram uma revisão de 10 anos envolvendo 25 pacientes com EO (88% mulheres, fototipos IV–VI) e observaram que o laser de alexandrita Q-switched (755 nm) foi eficaz, com melhora acentuada em 3 pacientes após uma média de 4,66 sessões.

Li e Zhang20 relataram o caso de uma mulher de 28 anos com EO e vitiligo concomitantes que apresentou melhora após 4 peelings químicos e uma sessão de LIP.

Almutairi et al.38 relataram o caso de um homem de 31 anos com EO refratária que respondeu a 3 sessões de laser de alexandrita de picossegundos (755 nm) após tratamento prévio sem sucesso com laser Q-switched e laser de picossegundos de 1064 nm. O paciente apresentou melhora acentuada das lesões após 6 meses, sem complicações.

MODALIDADES TERAPÊUTICAS NOVAS E EMERGENTES

As modalidades terapêuticas emergentes para EO visam melhorar os desfechos clínicos e a satisfação dos pacientes. Uma dessas abordagens inovadoras envolve injeções intradérmicas de vitamina C, que atuam como antioxidantes e podem reduzir a pigmentação. Outra modalidade inovadora é o lisado de fibrina rica em plaquetas (PRF-L), um derivado autólogo da fibrina rica em plaquetas, rico em fatores de crescimento e citocinas, que pode promover rejuvenescimento cutâneo e regulação da pigmentação.

Uma série de casos envolvendo 3 mulheres javanesas saudáveis, com idade entre 45 e 50 anos, explorou o potencial do PRF-L no manejo da EO. Todas apresentavam hiperpigmentação facial progressiva previamente diagnosticada como melasma, com duração da doença de 2, 5 e 6 anos, além de histórico de uso prolongado de cremes clareadores prescritos por dermatologistas, sem acompanhamento e sem conhecimento dos ingredientes utilizados. O exame clínico revelou hiperpigmentação em placas irregulares, eritema facial, máculas hipopigmentadas e telangiectasias.

O diagnóstico de EO foi sustentado por testes de estiramento da pele, exame com luz de Wood e dermatoscopia. Após

a obtenção do consentimento informado, o PRF-L autólogo foi preparado por meio da coleta de sangue periférico em tubos estéreis de 10 mL sem anticoagulante, centrifugação a 2700 rpm (~400 g) por 12 minutos e incubação do gel de PRF isolado a 4 °C durante 24 horas para obtenção do sobrenadante de PRF-L. A pele facial foi higienizada e submetida à anestesia tópica durante 1 hora. O PRF-L foi administrado por dois métodos: aplicação tópica seguida de dermarolling (profundidade de 1 mm) no lado direito da face e injeção intradérmica com seringa de 1 mL no lado esquerdo. As pacientes foram orientadas a aplicar protetor solar FPS 30 diariamente. O seguimento por 2 meses incluiu documentação fotográfica clínica quinzenal, e dois médicos cegados avaliaram a melhora utilizando uma escala de 10 pontos. Melhoras precoces foram observadas ao exame dermatoscópico, e uma das pacientes apresentou melhora clínica visível.23

Rajesh Gulwani et al.28 descreveram um homem indiano de 45 anos com hiperpigmentação bilateral das bochechas após uso intermitente de múltiplos agentes clareadores ao longo de 9 anos, incluindo um creme de combinação tripla (2% de hidroquinona, 0,05% de tretinoína e 0,1% de mometasona) durante 3 anos. O exame clínico revelou máculas azul-enegrecidas sobre fundo eritematoso, enquanto a dermatoscopia demonstrou glóbulos escuros em padrões anulares, arciformes e curvilíneos, obliteração folicular e telangiectasias. O exame histopatológico confirmou o diagnóstico de EO, revelando afinamento da epiderme, degeneração elastótica e corpos ocronóticos em forma de banana na derme. O paciente foi tratado com injeções intradérmicas de vitamina C (ácido ascórbico): 1 mL (100 mg) em intervalos de 1 cm nas áreas afetadas, repetidas a cada 4 semanas, por um total de 3 sessões. Foram prescritos protetor solar com proteção contra radiação ultravioleta, infravermelha e luz visível, além de um hidratante reparador da barreira cutânea contendo ácido hialurônico, ceramida, esqualeno e lecitina. O tratamento resultou em resolução completa do eritema em 1 mês e melhora de aproximadamente 80% da hiperpigmentação após 3 meses. O regime de tratamento foi bem tolerado, com desconforto entre leve e moderado nos locais de injeção.28

A terapia com exossomos vegetais representa outra opção terapêutica emergente. Widjaja et al.35 relataram o caso de uma mulher indonésia de 39 anos com hiperpigmentação facial difusa após 8 meses de uso de creme contendo 4% de hidroquinona. Ela desenvolveu eritema e pigmentação em placas irregulares e nunca havia utilizado protetor solar. O exame clínico revelou pele seca e amarelada, com máculas hiperpigmentadas, áreas hipopigmentadas e telangiectasias, sustentando o diagnóstico de EO. O tratamento consistiu em injeções intradérmicas de 6 mL de um skin booster à base de exossomos vegetais em diferentes regiões da face, seguidas da aplicação tópica de 1,2 mL de soro contendo exossomos e terapia fotodinâmica (TFD) com luz dupla, durante 10 minutos para cada fonte. Foi instituído um regime abrangente de cuidados com a pele, incluindo uma rotina matinal composta por sabonete facial, tônico, soro e um creme contendo niacinamida, alfa-arbutina, ácido ascórbico 3-O-etila-

Surg Cosmet Dermatol. 2026;18:e20260541.

do e ácido tranexâmico, além de um creme noturno contendo retinol. Foi introduzido um protetor solar híbrido FPS 50 para fotoproteção. No 36º dia de seguimento, observaram-se melhoras na textura e no tom da pele, com aspecto mais luminoso, melhor hidratação e redução evidente das placas hiperpigmentadas, especialmente nas bochechas.

Essas terapias emergentes refletem uma tendência em direção a abordagens minimamente invasivas, regenerativas e direcionadas para a EO. O PRF-L oferece modulação da pigmentação e remodelação dérmica mediadas por fatores de crescimento autólogos, demonstrando melhoras dermatoscópicas e clínicas precoces. A vitamina C intradérmica proporciona redução da pigmentação mediada por mecanismos antioxidantes e favorece oreparo cutâneo, alcançando melhora clínica substancial em casos graves de EO. A terapia com exossomos vegetais, combinada a agentes tópicos e à TFD, representa uma abordagem multimodal que atua simultaneamente sobre a pigmentação, a inflamação e a restauração da barreira cutânea.

Em todas essas modalidades, a fotoproteção permanece uma medida adjuvante fundamental, enfatizando a importância do uso de protetor solar para prevenir alterações pigmentares adicionais e proteger contra os danos induzidos por radiação ul-

1. Charlín et al., 2007 Série de casos

travioleta, infravermelha e luz visível. Além disso, cuidados com a pele de suporte, com componentes reparadores da barreira cutânea e antioxidantes, podem potencializar os desfechos terapêuticos gerais. Relatos de caso e pequenas séries de casos sugerem que essas terapias geralmente são bem toleradas, com efeitos adversos mínimos, como dor leve nos locais de injeção e eritema transitório, ao mesmo tempo em que proporcionam melhoras mensuráveis da hiperpigmentação, do eritema, das telangiectasias e da textura da pele.

Em conjunto, as evidências iniciais sugerem que essas abordagens inovadoras podem complementar as estratégias convencionais de manejo da EO, oferecendo potencial para melhora clínica mais rápida, maior satisfação dos pacientes e ampliação das opções terapêuticas para indivíduos com casos resistentes ao tratamento. São necessários acompanhamentos de longo prazo e estudos de maior porte para estabelecer protocolos padronizados, determinar esquemas posológicos ótimos e comparar sua eficácia com a das terapias procedimentais e farmacológicas estabelecidas. Ainda assim, o PRF-L, a vitamina C intradérmica e a terapia com exossomos vegetais representam acréscimos promissores ao arsenal terapêutico em constante evolução para o tratamento da EO.

Ácido retinoico + ácido azelaico + ácido

kójico

Ácido retinoico + ácido azelaico

2. Singh and Ramesh, 2014 Relato de caso Ácido retinoico + protetor solar

3. Qorbani et al., 2020 Série de casos

4. Lazar et al., 2023 Estudo retrospectivo

5. Patel and Shah, 2024 Relato de caso

6 Keshavamurthy Vinay et al., 2025) Estudo retrospectivo

Loção de desonida + protetor solar Gel de tazaroteno 0,1% + creme de pimecrolimo + fotoproteção

Triluma

Tretinoína

Lactato de amônio

Emoliente + gel de retinoide

Ácido kójico + arbutina + ácido glicólico + protetor solar

Tabela 2: TRATAMENTO ORAL

1. Moche et al., 2010 Série de casos Prednisona VO 30 mg + cloroquina VO 200 mg

Tabela 3: TRATAMENTO PROCEDIMENTAL

1. Lamas et al., 2023 Relato de caso Dermabrasão

2. Lazar et al., 2023 Estudo retrospectivo Microagulhamento

3. Keshavamurthy Vinay et al., 2025 Estudo retrospectivo Peeling químico com ácido glicólico a 30%

Melhora parcial

Sem melhora Não documentados Não documentados

Sem melhora Não documentados

Melhora mínima

Melhora mínima ou nenhuma melhora Não documentados Não documentados

Sem benefício Não documentados

Melhora mínima Não documentados

Melhora mínima Não documentados

Melhora acentuada Não documentados

Clareamento significativo Não documentados

Melhora acentuada Não documentados

Melhora moderada Não documentados

Tabela 1: TRATAMENTO TÓPICO

Tabela 4: TERAPIA COM DISPOSITIVOS BASEADOS EM ENERGIA (EBD)

1. Kramer et al., 2000 Relato de caso Luz intensa pulsada (comprimento de onda de 570 nm, fluência de 12 J/cm2, duração do pulso de 15 ms)

2. Bellew and Alster, 2004 Série de casos

3. Charlín et al., 2007 Série de casos

4. Kanechorn-Na-Ayuthaya et al., 2013 Série de casos

5. Tan, 2013 Série de casos

6 Liu et al., 2014 Relato de caso

Laser de alexandrita Q-switched (755 nm, fluência inicial de 7,0 J/cm2, fluência final de 8,0 J/cm2, fluência média de 7,8 J/cm2)

Laser de alexandrita Q-switched (755 nm, fluência inicial de 6,0 J/cm2, fluência final de 7,0 J/cm2, fluência média de 6,9 J/cm2)

Laser Nd:YAG Q-switched (1064 nm)

Laser Nd:YAG Q-switched (1064 nm, fluência de 1,9–2,2 J/cm2) + laser de CO2 fracionado

Laser Nd:YAG Q-switched (1064 nm, fluência inicial de 1,9 J/cm2) + laser de CO2 fracionado + laser de corante pulsado

Laser Nd:YAG Q-switched (1064 nm) + laser de CO2 fracionado

Laser Nd:YAG Q-switched (1064 nm)

Laser Nd:YAG Q-switched (1064 nm; fluência de 6–9 J/cm2)

7 Lee and Weiss, 2014 Relato de caso ILuz intensa pulsada (comprimento de onda de 570 nm, fluência de 12 J/cm2, duração do pulso de 15 ms)

8 Ko and Wang, 2015 Relato de caso

9 Carvalho et al., 2016 Relato de caso

10 Baca et al., 2018 Relato de caso

11 Qian, 2018 Série de casos

12 Lee et al., 2019 Relato de caso

13 Ceglio et al., 2022 Relato de caso

Laser Nd:YAG Q-switched (1064 nm, fluência de 5,3 J/cm2, região zigomática direita) Laser de alexandrita Q-switched (755 nm, fluência de 8,5 J/cm2, região zigomática direita)

Fractional CO2 laser (120 mm tip, 120 mJ, 150 points stitches per cm2)

Laser fracionado de picossegundos (1064 nm e 532 nm, fluências iniciais de 1,30 e 0,18 J/ cm2, aumentadas em 0,20/0,02 J/cm2 por aplicação até fluências máximas de 2,9/0,30 J/cm2)

Radiofrequência microagulhada pulsada +Laser Nd:YAG Q-switched + laser de brometo de cobre

Laser de CO2 fracionado + laser Nd:YAG Q-switched

Laser Nd:YAG Q-switched (1064 nm) + luz intensa pulsada + laser de CO₂ fracionado (10.600 nm)

14 Lazar et al., 2023 Estudo retrospectivo Laser de alexandrita Q-switched (755 nm)

15 Almutairi et al., 2024 Relato de caso

Melhora acentuada Não documentados

Melhora significativa

Melhora acentuada Não documentados

Hiperpigmentação pós-inflamatória

Sem melhora Não documentados

Melhora significativa

Melhora significativa

Melhora significativa

2 pacientes apresentaram melhora relevante e 4 apresentaram melhora leve.

Hiperpigmentação pós-inflamatória + púrpura

Hiperpigmentação pós-inflamatória + púrpura

Hiperpigmentação pós-inflamatória + púrpura

Petéquias e pontos hemorrágicos

Sem melhora Não documentados

Melhora acentuada Nenhum relatado

Agravamento da hiperpigmentação, caracterizando falha terapêutica Não documentados

Melhora significativa Não documentados

Melhora significativa Não documentados

Resultados satisfatórios Nenhum relatado

Sem melhora Não documentados

Melhora significativa Nenhum relatado

Resposta favorável Nenhum relatado

Laser de alexandrita de picossegundos (755 nm) Melhora significativa Nenhum relatado

1. Keshavamurthy Vinay et al., 2025 Estudo retrospectivo

2. Pirrone et al., 2017 Relato de caso

3. Sunkara et al., 2020 Relato de caso

Tabela 5: TRATAMENTOS COMBINADOS

Pomada de tacrolimo + ácido tranexâmico oral Peeling de ácido glicólico + pomada de tacrolimo

Isotretinoína oral + corticoides tópicos + laser fracionado

Microdermoabrasão + peelings químicos (ácido glicólico a 50% e yellow cosmelan) + glutationa oral + creme de ácido kójico + protetor solar

4. Gil et al., 2010 Relato de caso Luz intensa pulsada (645 nm, 6 ms, 20–22 J/cm2) + creme com ácido kójico a 4% e ácido salicílico a 0,2%

5. Franca et al, 2010 Relato de caso

Laser Nd:YAG Q-switched (1064 nm) + laser de CO₂ ultrapulsado + luz intensa pulsada + microdermoabrasão + peelings químicos (5% de hidroquinona, 5% de ácido retinoico, 14% de ácido salicílico e ácido tricloroacético a 20%)

6. Liu et al, 2014 Relato de caso Creme de tretinoína + creme de niacinamida +laser Nd:YAG Q-switched (1064 nm)

7. Li and Zhang, 2024

Peeling químico (ácido salicílico) + luz intensa pulsada

Melhora moderada Melhora moderada Não relatado

Melhora acentuada Não documentadosPost

Redução de 50% da pigmentação Não documentados

Melhora leve Não documentados

Resolução completa das lesões Não documentados

Sem melhora Não documentados

Redução da pigmentação Não documentados

TRATAMENTOS NOVOS E EMERGENTES

1. Moerbono Mochtar et al., 2019 Série de casos Lisado de fibrina rica em plaquetas (PRF-L) Melhora clínica visível Nenhum relatado

2. Rajesh Gulwani et al., 2024 Relato de caso

3. Widjaja et al., 2025 Relato de caso

DISCUSSÃO

Injeções intradérmicas de vitamina C

Terapia com exossomos vegetais + terapia fotodinâmica

A fotoproteção é amplamente recomendada, uma vez que a EO é agravada pela exposição à radiação ultravioleta. Bhattar et al.3 destacam seu papel na limitação da progressão da doença, enquanto Simmons et al.30 alertam que o uso isolado de protetor solar não resulta em melhora cosmética substancial. Na literatura, a fotoproteção é utilizada predominantemente como terapia adjuvante, sugerindo que os melhores resultados são obtidos quando combinadas com terapias ativas.

Os agentes tópicos, especialmente nos estágios iniciais da EO, demonstram eficácia modesta. Estudos de Charlín et al.,6

Redução de 80% da hiperpigmentação

Dor leve a moderada no local da injeção

Melhora visível da pigmentação Nenhum relatado

Singh e Ramesh31 e Qorbani et al.27 relatam resposta limitada ao ácido retinoico, ácido azelaico, corticoides e inibidores da calcineurina. Embora esses agentes teoricamente atuem sobre a produção de melanina e a inflamação, a baixa penetração dérmica provavelmente limita sua eficácia diante dos depósitos pigmentares profundos encontrados na EO. Keshavamurthy Vinay et al.12 demonstraram ainda que a monoterapia tópica produz melhora mínima, a menos que seja combinada com peelings ou agentes sistêmicos. Assim, os tratamentos tópicos geralmente devem ser considerados terapias adjuvantes e não tratamentos definitivos.

Tabela 6:

Uma observação consistente em múltiplos estudos4-6,9,12,13,15,24,27,31,33 é o histórico quase universal de uso de hidroquinona entre pacientes que desenvolvem EO. Isso evidencia uma associação possivelmente subestimada entre o manejo do melasma e o surgimento da EO, levantando preocupações quanto à segurança a longo prazo, especialmente em indivíduos com fototipos mais escuros ou com uso prolongado de hidroquinona. A reavaliação das diretrizes para o tratamento do melasma e o desenvolvimento de alternativas mais seguras ou de protocolos mais rigorosos podem ajudar a reduzir a incidência de EO. Os medicamentos orais são utilizados de forma esporádica, principalmente em apresentações atípicas ou com finalidade experimental. Moche et al.22 relataram o uso de corticoides e cloroquina em casos de EO com características sarcoídicas, sugerindo um possível papel da imunomodulação sistêmica nas variantes inflamatórias. Agentes mais convencionais, como a isotretinoína25 e a glutationa,32 proporcionam melhora entre leve e moderada da pigmentação, provavelmente por meio do aumento da renovação celular e da redução do estresse oxidativo. O ácido tranexâmico oral, tradicionalmente receitado para melasma, mostrou eficácia modesta em um caso,12 possivelmente devido aos seus efeitos anti-inflamatórios. Entretanto, esses achados são isolados, ressaltando a necessidade de estudos controlados para avaliar segurança e a dosagem.

As intervenções procedimentais parecem mais promissoras, especialmente para pacientes que não respondem à terapia farmacológica. A dermoabrasão demonstrou redução significativa da pigmentação, particularmente quando combinada a agentes tópicos e fotoproteção.15 A microdermoabrasão32 e o microagulhamento16,23 também apresentaram resultados favoráveis, sobretudo em indivíduos com fototipos mais escuros, nos quais a pigmentação dérmica é mais pronunciada. O microagulhamento oferece as vantagens de promover remodelação dérmica e aumentar a absorção de medicamentos tópicos.

Os peelings químicos, especialmente com ATA, parecem superar os peelings superficiais, como os de ácido glicólico. França et al.8 relataram resolução completa das lesões com ATA a 20% após falha do tratamento com agentes superficiais, enquanto Vinay et al.12 observaram apenas melhora moderada com ácido glicólico a 30%, destacando a importância da profundidade do peeling. Abordagens sequenciais ou combinadas podem aumentar ainda mais a eficácia, embora a variabilidade das formulações, técnicas e fatores dos pacientes torne comparações diretas mais difíceis.

As terapias a laser e baseadas em luz apresentam resultados promissores, porém variáveis. Os lasers Q-switched (rubi, Nd:YAG e alexandrita) demonstraram eficácia, mas podem induzir HPI ou até mesmo agravar a pigmentação, particularmente em pacientes com fototipos mais escuros.13 Os lasers de CO₂ fracionado, isoladamente ou em combinação com dispositivos Q-switched, produziram resultados mais consistentes.4,5 A LIP parece ter maior eficácia quando adicionada a regimes terapêuticos multimodais. Os lasers de picossegundos apresentaram resul-

tados preliminares encorajadores, com menos efeitos adversos,38 mas ainda necessitam de validação adicional.

As terapias regenerativas emergentes, incluindo injeções intradérmicas de vitamina C, exossomos vegetais e PRF-L, têm como objetivo restaurar a integridade dérmica ao mesmo tempo que reduzem a pigmentação. As injeções de vitamina C alcançaram reduções de até 80% da pigmentação,28 enquanto os exossomos vegetais e o PRF-L foram associados a melhora da qualidade da pele e clareamento cutâneo.23,35 Embora promissores, esses estudos em estágio inicial têm amostras pequenas e dados limitados sobre segurança a longo prazo.

Poucos estudos relatam eventos adversos. A HPI é o mais frequente, especialmente após terapias baseadas em laser, representando risco especial para pacientes com fototipos mais escuros, que constituem uma grande parcela dos casos de EO. Relatos de piora da pigmentação com lasers Q-switched e de alexandrita13 reforçam a necessidade de cautela. O microagulhamento, os lasers de picossegundos e alguns peelings químicos, por outro lado, geralmente são bem tolerados.

Em conclusão, o manejo da EO exige uma abordagem multimodal e individualizada. As medidas não farmacológicas permanecem fundamentais, as terapias tópicas oferecem benefícios adjuvantes e as intervenções procedimentais ou baseadas em energia proporcionam a redução mais consistente da pigmentação. Estratégias regenerativas emergentes podem ampliar ainda mais as opções terapêuticas, mas estudos de alta qualidade são necessários para otimizar protocolos de tratamento, minimizar eventos adversos e identificar fatores preditivos de resposta ao tratamento, especialmente em indivíduos com fototipos mais escuros.

CONCLUSÃO

Esta revisão destaca a complexidade do manejo da EO, um distúrbio pigmentário desafiador. Entre as opções terapêuticas disponíveis, as terapias a laser e baseadas em luz, particularmente quando utilizadas em combinação com outras modalidades, demonstram a eficácia clínica mais consistente, sustentando uma abordagem multimodal em relação à monoterapia. Os tratamentos procedimentais, como o microagulhamento e peelings químicos, proporcionam melhora moderada, enquanto os agentes tópicos isolados são, em geral, pouco eficazes, especialmente em doença de longa duração ou em casos com pigmentação dérmica profunda.

Em relação à segurança, a HPI é a complicação relatada com mais frequência, sobretudo após terapias a laser. O microagulhamento e os lasers de picossegundos geralmente são bem tolerados e podem representar opções mais seguras para pacientes com fototipos mais escuros, mais suscetíveis ao rebote pigmentar e a eventos adversos.

Intervenções emergentes, incluindo vitamina C intradérmica, exossomos vegetais e PRF-L, apresentam resultados preliminares promissores, potencialmente combinando redução de pigmento com remodelação dérmica, restauração da

barreira cutânea e efeitos antioxidantes e anti-inflamatórios locais.

De modo geral, o manejo da EO continua a ser multifacetado e requer planos de tratamento individualizados, baseados na profundidade da pigmentação, gravidade histopatológica, fototipo e tolerância ao tratamento. As terapias combinadas parecem ser as mais eficazes, mas estudos controlados adicionais são necessários para estabelecer protocolos padronizados, confirmar a segurança a longo prazo e validar abordagens emergentes para aplicação clínica mais ampla.

2026;18:e20260541.

AGRADECIMENTOS

Gostaria de expressar minha profunda gratidão ao Deus Todo-Poderoso pelo dom da vida, força e sabedoria que me permitiram realizar e concluir este projeto.

Meus sinceros agradecimentos também ao meu supervisor, Dr. Hsuan-Hsiang Chen, por sua orientação, apoio e incentivo ao longo deste trabalho.

Por fim, expresso minha sincera gratidão à Merck Foundation pelo patrocínio dos meus estudos e por possibilitar essa jornada acadêmica.

Este trabalho foi realizado em cumprimento parcial dos requisitos para o grau de Mestre em Ciências (MSc) em Dermatologia na Prática Clínica na University of South Wales. l

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AUTHOR’S CONTRIBUTION:

Emmanuela Dapomaa Asante 0009-0006-8831-7943

Contribuição do autor, Elaboração e redação do manuscrito, Revisão crítica da literatura, Revisão crítica.

Hsuan Hsiang Chen 0000-0003-2642-5114

Aprovação da versão final do manuscrito, Revisão crítica do manuscrito.

www.surgicalcosmetic.org.br/

Análise

de informações sobre tratamento

da acne no TikTok: estudo piloto transversal do conteúdo em português brasileiro

Assessing acne treatment information on TikTok: A cross-sectional pilot study of Brazilian Portuguese content

DOI: http://www.dx.doi.org/10.5935/scd1984-8773.2026180544

RESUMO

Introdução: O TikTok é uma plataforma de vídeos curtos popular entre jovens, grupo etário mais afetado pela acne. O conteúdo de saúde nessa rede frequentemente é produzido por criadores sem formação acadêmica em saúde, gerando preocupações quanto à qualidade e confiabilidade das informações.

Objetivo: Avaliar a qualidade educacional, a confiabilidade e o embasamento científico de vídeos do TikTok em português brasileiro sobre tratamento da acne.

Métodos: Os 30 “top videos” sobre “tratamento da acne” foram selecionados usando um novo perfil do TikTok. A qualidade educacional foi avaliada usando a Patient Education Materials Assessment Tool for Audiovisual Materials (PEMAT-A/V), o embasamento científico usando as Diretrizes de 2024 para o Tratamento da Acne Vulgar da American Academy of Dermatology (AAD) e a confiabilidade usando o Journal of the American Medical Association (JAMA) Benchmark Criteria.

Resultados: Apenas 10% dos vídeos recomendaram tratamentos corretos segundo as diretrizes da AAD.

Nenhum criador não médico indicou condutas adequadas. A pontuação do PEMAT-A/V foi alta, indicando fácil compreensão; a pontuação no JAMA Benchmark Criteria foi baixa.

Conclusão: Recomenda-se cautela ao usar o TikTok como fonte de informação sobre tratamento da acne em português brasileiro, pois a maioria dos vídeos apresentou recomendações incorretas ou imprecisas.

Palavras-chave: Acne Vulgar; Comunicação em saúde; Dermatologia; Análise de Rede Social

Artigo Original

Autores:

Vitor Costa Fabris1,2

Inae Paula Battisti1 Maria Luísa Rocha Dadalt1

1 UNIARP, Faculdade de Medicina, Caçador (SC), Brazil

2 Centro de Estudos em Dermatologia Estética, Caçador (SC), Brasil

ABSTRACT

Background: TikTok is a short-video platform popular among the young, the age group most affected by acne. Health-related content is often produced by creators without academic backgrounds in health care, raising concerns about information quality and reliability.

Objective: To evaluate the educational quality, reliability, and evidence-based accuracy of TikTok videos on acne treatment in Brazilian Portuguese.

Methods: The top 30 videos for “tratamento da acne” (acne treatment) were selected using a new TikTok account. Educational quality was assessed using the Patient Education Materials Assessment Tool for Audiovisual Materials (PEMAT-A/V), accuracy using the 2024 American Academy of Dermatology (AAD) Guidelines of Care for the Management of Acne Vulgaris, and reliability using the Journal of the American Medical Association (JAMA) Benchmark Criteria.

Results: Only 10% of videos recommended treatments consistent with AAD guidelines. No non-medical creator provided correct recommendations, and only 33% of physician-created videos were correct. PEMAT-A/V scores were high, indicating well edited and understandable content, whereas JAMA scores were uniformly low, reflecting poor reliability.

Conclusions: Caution is warranted when using TikTok as a source of information on acne treatment in Brazilian Portuguese, as most videos analyzed were incorrect or imprecise.

Keywords: Acne Vulgaris; Cross-sectional studies; Social Media; Health Communication

Correspondência:

Vitor Costa Fabris

E-mail: vitor fabris@gmail.com / vitorcfabris@hotmail.com

Fonte de financiamento: Nenhuma Conflito de interesse: Nenhum

Data de submissão: 8/1/2026

Decisão final: 19/3/2026

Como citar este artigo: Fabris VC, Battisti IP, Dadalt MLR. Análise de informações sobre tratamento da acne no TikTok: estudo piloto transversal do conteúdo em português brasileiro. Surg Cosmet Dermatol. 2026;18(2):e20260544.

INTRODUÇÃO

O TikTok é uma rede social online e plataforma de vídeos curtos que cresceu rapidamente desde seu lançamento em 2017. Caracteriza-se por vídeos curtos, envolventes e produzidos pelos próprios usuários, sendo particularmente popular entre indivíduos com menos de 29 anos de idade, que representam cerca de 60% de seu público.1 À medida que a internet se tornou um meio importante pelo qual os pacientes buscam informações de saúde, houve um aumento expressivo na produção de vídeos relacionados à saúde em redes sociais, incluindo o TikTok. Além de dermatologistas, médicos e educadores em saúde, esse conteúdo também é produzido por criadores sem formação acadêmica formal em ciências da saúde, levantando preocupações quanto à qualidade e à confiabilidade das informações disponíveis na plataforma.2

A maioria dos usuários do TikTok pertence à faixa etária mais acometida pela acne.1,3 Devido à sua juventude, às inseguranças relacionadas à aparência e ao elevado uso da internet, essa população é particularmente vulnerável à desinformação online.4 Além disso, estudos demonstram que pacientes com acne buscam ativamente opções terapêuticas na internet e podem adotar tratamentos encontrados nela sem consultar um dermatologista ou médico para determinar se a intervenção é apropriada para seu caso específico.5

Considerando que formas moderadas e graves de acne, quando não tratadas ou quando o tratamento é retardado, podem levar à formação de cicatrizes e deformidades duradouras,6 é importante avaliar a qualidade do conteúdo relacionado à acne ao qual os pacientes são expostos no TikTok, pois este pode influenciar negativamente seu comportamento. Estudos demonstram que vídeos sobre acne produzidos em inglês apresentam baixa qualidade informacional, mesmo quando criados por educadores em saúde,7 porém há poucos estudos científicos voltados à população brasileira. Como os padrões de uso da internet variam entre diferentes culturas,8 dados provenientes de outras populações podem não refletir adequadamente o contexto brasileiro. Portanto, este estudo foi projetado para avaliar a qualidade educacional, a confiabilidade e o embasamento científico de vídeos sobre tratamento da acne em português brasileiro publicados no TikTok.

MÉTODOS

Trata-se de um estudo transversal, com coleta de dados realizada em março de 2025 no estado de Santa Catarina, Brasil. Foi criado um novo perfil de usuário no TikTok para evitar o viés de treinamento do algoritmo e então realizada uma busca pelo termo “tratamento da acne” na plataforma. Os vídeos recomendados na categoria “Top Videos” foram avaliados individualmente, a partir do primeiro resultado, até que fossem identificados 30 vídeos que preenchessem os critérios de inclusão: vídeos em português brasileiro que recomendassem tratamentos para acne vulgar. Os vídeos foram salvos para posterior extração dos dados.

Dois pesquisadores independentes extraíram dos vídeos dados quantitativos (número de visualizações, curtidas, compartilhamentos e duração do vídeo) e qualitativos (formação acadêmica e gênero do criador). A qualidade educacional dos vídeos foi avaliada por meio do Patient Education Materials Assessment Tool for Audiovisual Materials (PEMAT-A/V),9 um instrumento validado desenvolvido para medir o grau de compreensibilidade e acionabilidade de materiais educativos em saúde para os pacientes. Os escores do PEMAT-A/V variam de 0 a 100%, sendo que valores mais elevados indicam melhor qualidade educacional. Dois pesquisadores estudaram independentemente a escala PEMAT-A/V e participaram de treinamento conjunto para maximizar a consistência das suas avaliações. Como a escala inclui mais de 20 itens, a concordância completa era improvável; portanto, a média dos escores de ambos foi utilizada como valor final. Para todas as demais variáveis avaliadas no estudo, um terceiro pesquisador foi consultado para resolver eventuais divergências.

É importante ressaltar que o PEMAT-A/V não avalia a acurácia científica do conteúdo — um vídeo pode alcançar pontuação máxima mesmo apresentando informações sem embasamento científico. Considerando esse aspecto e visando a uma avaliação mais robusta do embasamento científico e da confiabilidade, os vídeos também foram avaliados utilizando os critérios Journal of the American Medical Association (JAMA) Benchmark Criteria10 e as Guidelines of Care for the Management of Acne Vulgaris de 2024 da American Academy of Dermatology (AAD)11 (doravante denominadas diretrizes da AAD de 2024 para o manejo da acne).

Os JAMA Benchmark Criteria avaliam a qualidade e a confiabilidade das informações de saúde disponíveis na internet em quatro domínios: autoria, atribuição, divulgação e atualidade. Em geral, pontuações de 3 ou 4 são consideradas indicativas de alta confiabilidade, enquanto pontuações iguais ou inferiores a 2 sugerem baixa confiabilidade.

As diretrizes da AAD de 2024 para o manejo da acne foram utilizadas para avaliar se as recomendações de tratamento presentes nos vídeos eram corretas, incompletas ou incorretas. Os tratamentos para acne leve foram considerados corretos quando incluíam terapia tópica multimodal composta por um retinoide (adapaleno, tazaroteno, tretinoína ou trifaroteno), ácido salicílico ou ácido azelaico, combinados com peróxido de benzoíla (isolado ou associado a outros antibióticos tópicos) e/ ou clascoterona. Os tratamentos para acne moderada a grave foram considerados corretos quando combinavam uma terapia sistêmica com terapia tópica ou prescreviam isotretinoína. Os tratamentos sistêmicos incluíam antibióticos sistêmicos (doxiciclina, minociclina ou sareciclina), agentes hormonais (contraceptivos orais combinados ou espironolactona) e isotretinoína administrada em regime diário e não de forma intermitente. Os tratamentos foram classificados como incompletos quando recomendavam produtos incluídos nas diretrizes da AAD de 2024

para o manejo da acne, mas não constituíam um regime multimodal para acne leve ou não incluíam terapia sistêmica para acne moderada a grave. A recomendação de qualquer princípio ativo não contemplado pelas diretrizes foi considerada um tratamento incorreto. Todos os tratamentos incorretos foram registrados e posteriormente compilados para análise qualitativa. Além disso, os pesquisadores documentaram se um vídeo funcionava como publicidade para um único produto, seja por meio de patrocínio explícito de uma empresa ou por benefício financeiro autodeclarado decorrente da venda do produto, registrando também a marca correspondente quando aplicável.

O desenho do estudo inicial não incluía análise estatística, pois não era possível prever se os vídeos resultantes apresentariam características que permitissem comparações quantitativas entre grupos predefinidos — por exemplo, o estudo poderia ter identificado 30 vídeos produzidos pela mesma categoria de criadores, como indivíduos sem formação acadêmica formal em ciências da saúde. Por essa razão, todas as análises estatísticas foram realizadas post hoc e devem ser consideradas exploratórias, uma vez que o tamanho amostral não foi calculado de antemão.

Para a análise estatística, os vídeos foram divididos em três grupos: criadores sem formação acadêmica formal na área da saúde ou estética, criadores com formação acadêmica na área da saúde ou estética e médicos (incluindo dermatologistas).

Os dermatologistas não foram classificados separadamente dos demais médicos porque o número resultante de vídeos por grupo seria pequeno demais, reduzindo o poder estatístico da análise. Entretanto, as características quantitativas e qualitativas dos vídeos produzidos por dermatologistas foram registradas em um subgrupo e apresentadas separadamente, embora não tenham sido incluídas nas comparações estatísticas formais. As curtidas e os compartilhamentos dos vídeos foram expressos em porcentagens para servir como medida de engajamento dos usuários. Embora vídeos com mais visualizações tendam a acumular números absolutos mais elevados de curtidas e compartilhamentos, vídeos menos populares podem apresentar proporções maiores dessas interações, indicando maior engajamento relativo dos usuários.

A normalidade dos dados foi avaliada pelo teste de Shapiro-Wilk, com valor de p de 0,05 como limiar para normalidade. Os dados paramétricos foram apresentados como média (desvio-padrão) e analisados por análise de variância unidirecional (ANOVA), enquanto os dados não paramétricos foram apresentados como mediana e intervalo interquartil e analisados pelo teste de Kruskal-Wallis. As variáveis categóricas foram analisadas pelo teste do qui-quadrado. Para todas as análises, adotou-se nível de significância de 0,05. A análise dos dados foi realizada com o software GNU PSPP, versão 2.0.0.

RESULTADOS

Foram avaliados 197 vídeos, dos quais 30 atenderam aos critérios de inclusão do estudo. Os vídeos foram excluídos quando não estavam em português brasileiro ou não abordavam tratamentos para acne (por exemplo, vídeos focados na fisiopatologia

da acne ou em experiências pessoais de pacientes). A Tabela 1 apresenta os dados de cada grupo, enquanto a Tabela 2 apresenta os resultados do subgrupo de dermatologistas. O grupo de criadores de vídeos com formação acadêmica em saúde ou estética era composto por três farmacêuticos, três biomédicos e um esteticista.

A Figura 1 ilustra as proporções de recomendações de tratamento corretas, incorretas e incompletas em cada grupo, incluindo a análise do subgrupo de vídeos criados por dermatologistas. A Tabela 3 resume todos os tratamentos incorretos recomendados nos vídeos.

Sete dos 30 vídeos possuíam caráter promocional, correspondendo a 23% da amostra. Três eram da Creamy, 2 da Visara, 1 da Beiersdorf e 1 da TheraSkin.

DISCUSSÃO

Esses resultados fornecem uma visão do panorama atual dos vídeos sobre tratamento da acne no TikTok. Primeiramente, a qualidade dos tratamentos recomendados nos vídeos mais visualizados é muito baixa — apenas 10% dos vídeos recomendaram tratamentos que estão de acordo com as diretrizes da AAD de 2024 para o manejo da acne. Em especial, nenhum dos criadores sem formação médica recomendou tratamentos corretos para acne, e mesmo entre os médicos, a taxa de recomendações corretas foi baixa (33%). Esse achado se alinha com estudos que avaliaram a qualidade de vídeos sobre acne em inglês americano7 e é consistente com pesquisas em outras áreas da medicina, nas quais estudos demonstram que vídeos do TikTok fornecem informações de baixa qualidade sobre temas como oncologia,12-14 urologia,15-17 e cardiologia.18 É provável que essa tendência de desinformação no TikTok se estenda a todas as áreas da medicina, e uma possível explicação pode estar refletida nos escores PEMAT-A/V observados nos vídeos analisados neste estudo. Os escores PEMAT-A/V foram altos para todos os vídeos incluídos neste estudo, independentemente da formação dos criadores. Isso sugere que, no TikTok, a forma de apresentação do vídeo pode ser mais importante do que o conteúdo para alcançar elevados números de visualizações e engajamento. Escores altos no PEMAT-A/V indicam que os vídeos eram bem editados e fáceis de entender para o público, mesmo quando transmitiam desinformação em saúde. Pesquisas na área da pedagogia demonstraram que a percepção dos estudantes sobre a qualidade de uma aula muitas vezes é mais influenciada pelo carisma do professor do que pelo conteúdo da aula em si.19 Um fenômeno semelhante pode ocorrer com o conteúdo audiovisual no TikTok: a forma como a mensagem é transmitida pode ser mais influente do que a própria mensagem para alcançar grandes públicos. Isso não significa que vídeos de alta qualidade e baseados em evidências sobre tratamento da acne não existam no TikTok, mas os resultados deste estudo sugerem que tais vídeos não estão alcançando o público de forma eficaz.

Uma das principais barreiras para uma comunicação científica eficaz e baseada em evidências no TikTok é o formato

Tabela 1: Características qualitativas e quantitativas dos grupos de estudo

Criadores de vídeos (n) Sem formação acadêmica

Visualizações - Mediana (IIQ)

de compartimentos - Mediana (IIQ)

Duração (segundos) Mediana (IIQ)

PEMAT-A/V (compreensibilidade) Média (DP)

PEMAT-A/V (acionabilidade) Média (DP)

PEMAT-A/V (total)

Média (DP)

n: número; IIQ: intervalo interquartil; DP: desvio-padrão.

* Todos os vídeos dos grupos obtiveram pontuação 1 nos JAMA Benchmark Criteria, exclusivamente no domínio “atualidade”.

Tabela2. Características qualitativas e quantitativas do subgrupo de dermatologistas

Criadores de vídeos (n)

Visualizações - Mediana (IIQ)

% de curtidas - Mediana (IIQ)

% de compartimentos - Mediana (IIQ)

Duração (segundos) - Mediana (IIQ)

de criadoras mulheres

Dermatologistas (6)

(1,73)

(46,0)

PEMAT-A/V (compreensibilidade) - Média (DP) 86% (9)

PEMAT-A/V (acionabilidade) - Média (DP)

PEMAT-A/V (total) - Média (DP)

JAMA Benchmark Criteria*

Tratamentos corretos – n (%)

Vídeos promocionais – n (%)

n: número; IIQ: intervalo interquartil; DP: desvio-padrão.

* Todos os vídeos do grupo obtiveram pontuação 1 nos JAMA Benchmark Criteria, exclusivamente no domínio “atualidade”.

de vídeos curtos da plataforma. A duração mediana dos vídeos neste estudo foi de aproximadamente 1 minuto, tempo muitas vezes insuficiente para comunicar a complexidade necessária à prescrição de tratamentos para acne baseados em evidências. Essa limitação estrutural provavelmente contribui para a baixa qualidade do conteúdo médico disseminado. É importante ressaltar que nenhum dos 30 vídeos avaliados obteve pontuação superior a 1 nos JAMA Benchmark Criteria, sendo esse único ponto decorrente da divulgação automática da data de publicação pela própria plataforma e não de qualquer esforço intencional por parte dos criadores de conteúdo para garantir transparência ou confiabilidade. A maioria dos vídeos tinha menos de 90 segundos

(16)

(13)

de duração, e os criadores otimizam cuidadosamente o conteúdo apresentado nesse curto intervalo de tempo. Por consequência, podem omitir informações sobre possíveis conflitos de interesse ou sobre as fontes utilizadas para embasar o conteúdo, uma vez que esses detalhes tendem a não interessar o espectador médio. O resultado é que os vídeos mais visualizados sobre tratamento da acne frequentemente se apoiam em uma falácia conhecida como argumento de autoridade20 — a percepção de correção de um tratamento é avaliada com base no status de quem o recomenda e não em uma abordagem com embasamento científico. Sem a divulgação de conflitos de interesse ou das fontes utilizadas, os espectadores não têm como verificar as alegações apre-

Criadores sem formação acadêmica formal

Criadores sem formação acadêmica em Saúde ou Estética

Médicos (incluindo dermatologistas)

Dermatologistas (análise de subgrupo)

Tratamento incorreto

1: Análise dos tratamentos

Tratamento incompleto

Tratamento correto

Tabela 3: Tratamentos incorretos para acne recomendados nos vídeos

Tratamento incorreto Número de vídeos nos quais o tratamento foi recomendado

Consumo de chás (hortelã, folhas de amora e/ou dente-de-leão)

Uso de hidratantes tópicos como tratamento isolado

Suplementação oral com palmeira-serra (Serenoa repens)

Suplementação oral com cúrcuma e resveratrol

Aplicação tópica diária de óleo essencial de lavanda na face

Aplicação tópica crônica de Diprogenta® na face 1

Aplicação tópica de cascas de banana sobre lesões de acne 1

Uso de peelings mecânicos ou químicos como tratamento isolado

Mudanças alimentares como tratamento isolado

Troca diária das fronhas

sentadas. Isso é particularmente preocupante quando consideramos que apenas 33% dos vídeos produzidos por dermatologistas recomendavam tratamentos corretos para acne, já que o público tende a perceber esses criadores como figuras de autoridade no manejo da doença.

O mercado de skincare possui uma relação estreita com o tratamento da acne, e projeta-se que gere receitas de US$ 198,35 bilhões em todo o mundo em 2025.21 Nosso estudo sugere que essa indústria está utilizando com sucesso o marketing em redes sociais, uma vez que 7 dos 30 vídeos mais visualizados sobre tratamento da acne tinham caráter promocional. Isso pode comprometer ainda mais a qualidade das informações de saúde consumidas pelos usuários do TikTok, pois o marketing na plataforma é pouco regulamentado, levantando preocupações quanto à transparência, à divulgação de interesses e ao conteúdo potencialmente enganoso.22

Outro achado importante do presente estudo é que cerca de metade dos tratamentos incorretos recomendados nos vídeos (Tabela 3) envolvia remédios caseiros para acne, incluindo chás, suplementos e mudanças de estilo de vida. Esse resultado está alinhado com estudos que demonstram que até 80% dos pacientes utilizam tratamentos não farmacológicos e caseiros para suas doenças.23,24 Especificamente para a acne, estima-se que até 80% das pacientes do sexo feminino que seguem orientações sobre acne na internet adotem remédios caseiros ou mudanças na dieta.25 Esse comportamento é preocupante, pois a acne é uma doença com potencial para causar cicatrizes, e atrasos no tratamento eficaz podem resultar em desfechos cosméticos piores.6 Os tratamentos incorretos apresentados nesses vídeos também são consistentes com temas fundamentais da desinformação sobre acne identificados em estudos anteriores.4 Estes incluem

Figura
de acordo com as Guidelines of Care for the Management of Acne Vulgaris da American Academy of Dermatology (AAD), edição de 2024

a busca de tratamentos naturais, a crença de que mudanças alimentares podem curar a doença e a procura por “curas milagrosas” — a ideia de que um único tratamento pode resolver a acne.4 A busca por uma cura milagrosa também pode explicar por que alguns pacientes alternam entre diferentes tratamentos tópicos, mesmo em casos de acne moderada a grave, antes de buscar atendimento especializado, sem reconhecer que o problema está na necessidade de tratamento sistêmico e não nos produtos utilizados.

O presente estudo apresenta algumas limitações, entretanto. O fluxo constante de novos vídeos no TikTok, bem como as variáveis secretas que a plataforma utiliza para recomendar conteúdos,26 limitam a replicabilidade dos nossos achados. Embora nossa amostra de vídeos tenha sido relativamente pequena, esse tamanho amostral reduzido foi intencional, uma vez que o estudo se concentrou exclusivamente nos vídeos com melhor desempenho na plataforma.

CONCLUSÕES

Esses resultados fornecem uma visão do panorama atual dos vídeos sobre tratamento da acne em português brasileiro no TikTok. A qualidade dos tratamentos recomendados nos vídeos mais visualizados foi muito baixa: apenas 10% apresentavam re-

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comendações de tratamento totalmente alinhadas às diretrizes da AAD de 2024 para o manejo da acne. Nenhum dos criadores sem formação médica recomendou tratamentos corretos, e mesmo entre os médicos a proporção de recomendações corretas foi baixa (33%). Por outro lado, os vídeos eram, em geral, bem editados, envolventes e fáceis de compreender, conforme refletido pelos elevados escores PEMAT-A/V. Diante dessas características, aliados aos baixos escores nos JAMA Benchmark Criteria (que indicam que os espectadores não conseguem avaliar de forma confiável se os tratamentos propostos são respaldados por fontes legítimas), recomenda-se cautela quanto ao uso do TikTok como fonte de informação sobre tratamento da acne. A maioria dos tratamentos recomendados nos vídeos em português brasileiro mais visualizados analisados neste estudo era incorreta ou incompleta.

Nossos achados também destacam a importância da participação de médicos, especialmente dermatologistas, na produção de conteúdo educacional em saúde sobre acne nas redes sociais. Em nosso conjunto de dados, nenhum dos vídeos publicados por criadores sem formação médica aderiu integralmente às recomendações de tratamento das diretrizes da AAD de 2024 para o manejo da acne, enquanto o subgrupo de vídeos produzidos por dermatologistas apresentou o maior grau de adesão às recomendações baseadas em evidências. l

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CONTRIBUIÇÃO DOS AUTORES:

Vitor Costa Fabris 0000-0002-3540-2769

Análise estatística, Aprovação da versão final do manuscrito, Concepção e planejamento do estudo, Elaboração e redação do manuscrito, Obtenção, análise e interpretação dos dados, Participação efetiva na orientação da pesquisa, Revisão crítica da literatura, Revisão crítica do manuscrito.

Inae Paula Battisti 0009-0008-8182-5835

Concepção e planejamento do estudo, Elaboração e redação do manuscrito, Obtenção, análise e interpretação dos dados, Revisão crítica da literatura, Revisão crítica do manuscrito.

Maria Luísa Rocha Dadalt 0000-0001-8497-0546

Aprovação da versão final do manuscrito, Concepção e planejamento do estudo, Elaboração e redação do manuscrito, Participação efetiva na orientação da pesquisa, Revisão crítica da literatura, Revisão crítica do manuscrito.

www.surgicalcosmetic.org.br/

Complicações na cirurgia dermatológica: estudo de série de casos

Complications in Dermatologic Surgery: A Case Series Study

DOI: http://www.dx.doi.org/10.5935/scd1984-8773.2026180526

RESUMO

Introdução: A cirurgia dermatológica é amplamente utilizada no tratamento de neoplasias cutâneas, mas complicações precoces e tardias seguem pouco relatadas, apesar do impacto funcional e estético. Objetivo: Analisar complicações na cirurgia dermatológica, correlacionando-as com a técnica utilizada no reparo, a localização anatômica e o subtipo do tumor.

Métodos: Estudo retrospectivo com 107 lesões de 86 pacientes submetidos à exérese de tumores cutâneos sob anestesia local entre maio de 2023 e março de 2024. Variáveis clínicas, histológicas e técnicas foram avaliadas. Complicações precoces (≤ 4 semanas) e tardias (1-6 meses) foram analisadas (SPSS v.29; p < 0,05).

Resultados: A média de idade foi 73,3 anos, com 57% de mulheres. A face concentrou a maioria das lesões (69,2%) e o carcinoma basocelular foi o subtipo mais frequente (64,5%). O fechamento primário foi utilizado em 49,5% dos casos e retalhos em 44,9%. Complicações precoces ocorreram em 42,1%, sobretudo deiscências, e tardias em 13,1%, principalmente cicatrizes inestéticas. Retalhos apresentaram mais complicações precoces (53,7% vs. 30,2%) e tardias (25,9% vs. 1,9%). Lesões em membros inferiores tiveram alta taxa de eventos. Complicações precoces mostraram forte associação com intercorrências tardias (33,3% vs. 2,1%).

Conclusões: Complicações são frequentes e influenciadas pela técnica e localização. Técnicas complexas e eventos precoces aumentam o risco de desfechos tardios.

Palavras-chave: Dermatologia; Neoplasias Cutâneas; Retalhos Cirúrgicos; Oncologia; Complicações Pós-Operatórias

Artigo Original

Autores:

Luiz Roberto Dal Bem Pires Júnior1,2

Maira Mitsue Mukai1

1 Hospital de Clínicas, Universidade Federal do Paraná (UFPR), Dermatology, Curitiba (PR), Brazil

2 Hospital de Clínicas da Unicamp, Dermatology, Campinas (SP), Brasil

ABSTRACT

Introduction: Dermatologic surgery is widely used in the treatment of cutaneous neoplasms, but early and late complications remain underreported despite their functional and aesthetic impact.

Objective: To analyze complications in dermatologic surgery and their correlation with the repair technique, anatomical location, and tumor subtype.

Methods: A retrospective study of 107 lesions from 86 patients who underwent resection of skin tumors under local anesthesia between May 2023 and March 2024. Clinical, histological, and technical variables were assessed. Early complications (≤ 4 weeks) and late complications (1-6 months) were analyzed using SPSS v.29 (p < 0.05).

Results: Mean patient age was 73.3 years, and 57% were women. Most lesions were located on the face (69.2%), and basal cell carcinoma was the most frequent subtype (64.5%). Primary closure was performed in 49.5% of cases, and flaps in 44.9%. Early complications occurred in 42.1%, mainly dehiscence; late complications occurred in 13.1%, predominantly unaesthetic scars. Flaps had higher rates of early (53.7% vs. 30.2%) and late complications (25.9% vs. 1.9%). Lower-limb lesions showed a high complication rate. Early complications strongly correlated with late events (33.3% vs. 2.1%).

Conclusions: Complications are frequent and influenced by technique and location. Complex techniques and early events increase the risk of late outcomes.

Keywords: Dermatology; Skin Neoplasms; Surgical Flaps; Medical Oncology; Postoperative Complications

Correspondência:

Luiz Roberto Dal Bem Pires Júnior E-mail: lrdalbem@gmail.com

Fonte de financiamento: Não Conflito de interesses: Não

Data de submissão: 19/11/2025 Decisão final: 9/4/2026

Como citar este artigo: Pires Júnior LRDB, Mukai MM. Complicações na Cirurgia Dermatológica: Estudo de Série de Casos. Surg Cosmet Dermatol. 2026;18(2):e20260525.

INTRODUÇÃO

O câncer de pele é a neoplasia maligna mais comum no mundo, decorrente principalmente da exposição cumulativa à radiação ultravioleta (UV). 1-3

Classificam-se em melanoma e câncer de pele não melanoma (CPNM), sendo este último composto principalmente por carcinoma basocelular (CBC) e carcinoma espinocelular cutâneo (CEC), que juntos correspondem à maioria dos casos.4

A cirurgia dermatológica ambulatorial sob anestesia local é amplamente adotada e reconhecida por sua segurança e eficácia.5-8

Estudos multicêntricos demonstram taxas de complicações que variam de 1,6 a 12,7%, dependendo da complexidade do procedimento, da localização anatômica e dos fatores de risco do paciente.5-6,9

As complicações mais frequentes incluem deiscência da ferida operatória (3,3%), infecção do sítio cirúrgico (2,9-8,7%), hematoma e sangramento.5-6,10

A deiscência da ferida operatória representa uma complicação relevante, resultante da interação entre fatores mecânicos (como tensão excessiva, técnica de fechamento inadequada e descolamento inapropriado) e fatores fisiológicos, incluindo vascularização local, comorbidades e características do tumor excisado.6,11,12

A localização anatômica exerce papel fundamental na determinação do risco de complicações. Os membros inferiores apresentam risco até três vezes maior de infecção e complicações gerais devido à menor perfusão tecidual, à maior tensão cutânea e à dificuldade de drenagem linfática.13-15 Em contraste, o tronco apresenta as menores taxas de complicações, beneficiando-se de melhor vascularização e menor mobilidade.5,14 Já a face, embora frequentemente submetida a reconstruções complexas, apresenta resultados intermediários.10,16

O tamanho do defeito cirúrgico constitui um fator de risco independente para complicações. Defeitos maiores que 10 mm apresentam risco 1,52 vezes maior de complicações, enquanto defeitos superiores a 10 cm² elevam o risco de infecção em 3,64 vezes.5,13,15

O tipo tumoral também influencia o risco de complicações, sendo que CECs invasivos e in situ apresentando risco 2,96 vezes maior de infecção quando comparados a outras neoplasias cutâneas.13,17,18

Técnicas cirúrgicas adequadas são fundamentais para minimizar complicações. O descolamento apropriado pode reduzir a tensão de fechamento em até 83-92%, sendo essencial em fechamentos sob tensão.19-22 A sutura em camadas profundas é responsável pela maior parte da aproximação e eversão das bordas, reduzindo significativamente a tensão na sutura epidérmica e o risco de deiscência.23-26

Fatores relacionados ao paciente também influenciam os desfechos cirúrgicos. A idade avançada está associada a alterações na cicatrização devido a mudanças na composição e espessura

da pele, diminuição da microcirculação e resposta imunológica comprometida.27-32 Imunossupressão e sexo masculino, por sua vez, são fatores de risco para infecção de sítio cirúrgico.13,33,34

O tempo operatório prolongado (≥ 38 minutos) também se associa a maior risco de complicações, possivelmente refletindo a complexidade do procedimento.5

Existe forte correlação entre complicações precoces e tardias. Pacientes que desenvolvem intercorrências no pós-operatório imediato apresentam probabilidade significativamente maior de desenvolver sequelas duradouras, como cicatrizes hipertróficas, retrações e alterações funcionais, destacando a importância do manejo rigoroso e precoce dessas complicações para evitar sua cronificação.10,35

Diante desse panorama, o presente estudo tem como objetivo analisar complicações pós-operatórias, controle tumoral, preservação funcional e resultados estéticos em pacientes submetidos à exérese de cânceres de pele, considerando diferentes técnicas reconstrutivas e regiões anatômicas, com base em dados obtidos no serviço ambulatorial de Dermatologia de um hospital universitário.

METODOLOGIA

Foi realizado um estudo retrospectivo observacional, utilizando dados de prontuários médicos e análises de imagens do banco de dados do serviço de Dermatologia de um hospital universitário. Foram selecionados os pacientes submetidos a exéreses de cânceres de pele seguidas de reconstrução em um único tempo cirúrgico, em caráter ambulatorial, sob anestesia local entre 10/05/2023 e 27/03/2024.

Foram incluídos pacientes de todas as faixas etárias e ambos os sexos, com registros completos das cirurgias realizadas, incluindo detalhes sobre as técnicas cirúrgicas utilizadas e as áreas corporais afetadas, que compareceram às reavaliações realizadas nos 6 meses subsequentes às cirurgias.

As complicações precoces, como deiscências, hematomas, infecções, necrose e sangramentos, foram monitoradas nas primeiras quatro semanas após o procedimento. Já as complicações tardias, observadas durante o acompanhamento de 6 meses, incluíram cicatrização anormal (cicatrizes hipertróficas, incompletas ou queloides), alterações estéticas (assimetria facial ou corporal, alteração da textura da pele, perda de funcionalidade) e alterações de sensibilidade.

Os dados foram organizados em planilha Excel® e analisados com o programa IBM SPSS Statistics v.29.0 (Armonk, NY: IBM Corp.). Os resultados de idade foram descritos por médias, desvio-padrão, mediana, mínimo e máximo. Para as variáveis categóricas, foram apresentadas frequências e percentuais. Para a avaliação da associação entre duas variáveis categóricas, foi utilizado o teste exato de Fisher ou o teste do qui-quadrado. Valores de p < 0,05 foram considerados estatisticamente significativos (Figura 1).

RESULTADOS

Foram analisadas 107 lesões de 86 pacientes submetidos a cirurgias dermatológicas ambulatoriais para exérese de neoplasias cutâneas. A maioria dos participantes (81,4%) apresentava

apenas uma lesão, enquanto um único paciente teve quatro lesões tratadas durante o período do estudo.

A média de idade no momento da cirurgia foi de 73,3 anos (variando de 40 a 94 anos), com predominância de indivíduos acima de 60 anos (91,9%). Houve discreto predomínio do sexo feminino, correspondendo a 57% dos participantes.

Em relação às técnicas reconstrutivas empregadas, o fechamento primário foi o mais utilizado, aplicado em 49,5% das lesões (53 casos). Retalhos cutâneos foram utilizados em 44,9% dos casos (48 lesões), enquanto enxertos de pele foram empregados em 3,7% (4 lesões). Duas reconstruções envolveram o uso combinado de técnicas, incluindo retalho associado a enxerto ou a cicatrização por segunda intenção.

A distribuição anatômica das lesões demonstrou predomínio da face, com 74 casos (69,2%), seguida pelo tronco (10,3%), mãos (5,6%) e membros inferiores (4,7%). Outras localizações incluíram o couro cabeludo, os membros superiores e a região cervical, todas com frequência inferior a 4%.

Do ponto de vista histopatológico, o CBC foi o tipo mais prevalente, diagnosticado em 69 casos (64,5%), seguido pelo CEC em 26 casos (24,3%). O melanoma foi identificado em 6 casos (5,6%). Lesões de colisão (CBC + CEC) representaram 2,8% dos casos, enquanto carcinoma basoescamoso, carcinoma sebáceo e espiroadenoma écrino, corresponderam a um caso cada.

Margens cirúrgicas comprometidas foram observadas em 7,5% das lesões. Entre essas, duas tiveram comprometimento simultâneo de margens profundas e laterais, enquanto três apresentaram acometimento isolado de margens laterais e três, das profundas.

Complicações precoces

As complicações precoces ocorreram em 42,1% das lesões (45 casos). A deiscência foi a complicação mais comum, presente em 25,2% dos casos, seguida por hematomas (16,8%) e infecções (9,3%). O sangramento foi a complicação menos frequente, ocorrendo em apenas 3,7% das lesões (Figura 2).

As complicações precoces mostraram uma distribuição variável conforme a técnica cirúrgica empregada. Os retalhos apresentaram a maior taxa de complicações, com 54,2%, seguidos pelos enxertos, com 50%, e pelo fechamento primário, que teve a menor taxa, de 30,2%. Quando as técnicas foram agrupadas em fechamentos primários e fechamentos complexos (retalhos, enxertos e técnicas combinadas), observou-se uma taxa de complicações precoces de 30,2% para fechamentos primários, em comparação com 53,7% para fechamentos complexos. Essa diferença foi estatisticamente significativa (p = 0,019) (Tabela 1).

Em relação às áreas corporais, os membros inferiores apresentaram complicações em 100% das lesões tratadas, enquanto o tronco apresentou a menor taxa de complicações precoces (18,2%) (Tabela 1).

Entre os subtipos tumorais, o CBC foi o mais associado a complicações precoces (44,9%), seguido pelo CEC (38,5%) e

Figura 1: Infecção e necrose no pós-operatório de retalho no couro cabeludo
Figure a: Hematoma no pós-operatório de retalho periocular

Variável

Tabela

1: Lesão com complicação precoce (n = 107)

(retalho + enxerto)

(3 classificações mais frequentes)

*Teste exato de Fisher ou teste do qui-quadrado, p < 0,05

pelo melanoma (16,7%). Entretanto, a comparação entre essas variáveis não evidenciou associação estatisticamente significativa (p = 0,376) (Tabela 1).

Complicações tardias

Complicações tardias foram menos frequentes, ocorrendo em 14,0% das lesões (15 casos). Entre estas, a cicatrização anormal foi a mais comum (46,7%), seguida por complicações estéticas (40%) e alterações de sensibilidade (6,7%).

As complicações tardias também apresentaram diferenças estatisticamente significativas entre as técnicas utilizadas (p < 0,001), com taxas de 25,9% para fechamentos complexos em comparação com 1,9% para fechamentos primários. Entre as técnicas, os retalhos continuaram a apresentar a maior prevalência de complicações tardias, com 27,1%, seguidos pelos enxertos, com 25,0% (Tabela 2).

Em relação às áreas corporais, os membros inferiores novamente destacaram-se com 100% de complicações tardias. O couro cabeludo, os membros superiores e a região cervical,

por outro lado, não apresentaram qualquer complicação tardia (Tabela 2).

Entre os subtipos tumorais, embora sem significância estatística (p = 0,396), o melanoma teve a maior taxa de complicações tardias (33,3%), seguido pelo CBC (14,5%) e pelo CEC (11,5%) (Tabela 2).

Além disso, pacientes com complicações precoces tiveram uma probabilidade maior de desenvolver complicações tardias (33,3%) em comparação aos pacientes sem complicações precoces (2,1%), com diferença estatisticamente significativa (p < 0,001) (Tabela 3).

DISCUSSÃO

Este estudo reforça a segurança e a efetividade dos procedimentos dermatológicos ambulatoriais para o tratamento de neoplasias cutâneas, ao mesmo tempo em que identifica fatores críticos associados ao desenvolvimento de intercorrências pós-operatórias.

Tabela 2: Lesão com complicação tardia (n = 107)

*Teste exato de Fisher ou teste do qui-quadrado, p < 0,05

Paciente tem complicação precoce em alguma lesão (n = 86)

O perfil demográfico observado, com 91,9% dos pacientes acima de 60 anos e discreto predomínio feminino (57%), é consistente com o padrão epidemiológico global de cânceres de pele, que afetam predominantemente indivíduos em faixas etárias mais avançadas devido ao efeito cumulativo da exposição solar e às alterações fisiológicas do envelhecimento.1-6

Perfil e magnitude das complicações precoces A incidência de intercorrências no pós-operatório imediato foi de 42,1%, valor consideravelmente acima do intervalo de 1,6 a 12,7% relatado em grandes séries multicêntricas.6-8 A deiscência (25,2%) se destacou como a principal complicação e excedeu substancialmente os índices de 0,5 a 3,3% descritos previamente.5-7 Essa discrepância pode ser atribuída à maior complexidade das reconstruções executadas, à distribuição anatômica

Tabela 3: Associação entre complicações precoces e tardias
Variável Classificação Total
Paciente tem complicação tardia em alguma lesão

desfavorável das lesões tratadas e às características clínicas específicas da população atendida, como idade avançada, múltiplas comorbidades e reduzido acesso à atenção à saúde.

Tal complicação ocorre quando há desequilíbrio entre as forças mecânicas aplicadas ao tecido — incluindo tensão excessiva, técnica de descolamento subótima e método de sutura inadequado — e a capacidade fisiológica de cicatrização, influenciada por perfusão tecidual, por condições clínicas associadas e pela natureza da lesão removida.4,7,9,10 O fechamento por planos transfere a maior parte da carga mecânica para as camadas subdérmicas, aliviando significativamente a tensão sobre a sutura superficial e reduzindo o risco de separação das bordas.8,10,13,14

Outras intercorrências precoces incluíram hematomas (16,8%), infecções (9,3%) e sangramento (3,7%), todas com frequências superiores àquelas habitualmente relatadas na literatura especializada.5-7,12,14,15

Impacto da complexidade reconstrutiva e topografia anatômica

A análise comparativa revelou que reconstruções complexas (retalhos, enxertos e combinações) resultaram em 53,7% de complicações precoces, contrastando com os 30,2% observados em fechamentos diretos (p = 0,019).5-7 Essa disparidade reflete o maior trauma tecidual, a duração cirúrgica prolongada

e os requisitos técnicos mais rigorosos necessários para assegurar perfusão adequada e resultado funcional satisfatório (Figura 3).5,6

A topografia das lesões demonstrou influência determinante sobre os desfechos. Os membros inferiores apresentaram complicações em 100% dos casos, confirmando dados que indicam risco três vezes maior de infecção e outras intercorrências nessa região, atribuído à irrigação sanguínea limitada, à tensão cutânea elevada e à drenagem linfática comprometida.14-16 Em comparação, o tronco exibiu as menores taxas de complicações precoces (18,2%).6,15 A região facial apresentou resultados intermediários, beneficiando-se de sua rica rede vascular (Figura 4).5,17

Complicações tardias e sua relação com eventos iniciais

Complicações tardias ocorreram em 14% dos pós-operatórios, predominando alterações cicatriciais anormais (46,7%) e comprometimento estético (40%). A análise por técnica reconstrutiva revelou diferença estatisticamente significativa, com 25,9% de complicações tardias em reconstruções complexas versus 1,9% em fechamentos diretos.5

A associação robusta entre intercorrências precoces e tardias constitui achado de particular relevância clínica. Pacientes que apresentaram complicações no período inicial tiveram probabilidade marcadamente maior de desenvolver sequelas persistentes (33,3% vs. 2,1%; p < 0,001), enfatizando a necessidade de intervenção precoce e rigorosa para prevenir cronificação dessas

Figure a: Necrose no pós-operatório de enxerto no epicanto medial
Figura 4: Necrose parcial no pós-operatório de retalho na asa nasal

alterações.4,5 Eventos como deiscência, coleções hemáticas e infecção no período inicial podem comprometer o processo reparativo, culminando em sequelas permanentes, como cicatrizes hipertróficas, contrações teciduais e déficits funcionais.4,9,10

Mais uma vez, os membros inferiores demonstraram 100% de complicações tardias, reforçando a vulnerabilidade particular dessa região.14-16

Influência do tipo histológico e outros determinantes de risco

Embora o estudo não tenha encontrado uma associação estatisticamente significativa entre o subtipo tumoral e as complicações, o melanoma impõe desafios únicos. Suas ressecções amplas, muitas vezes realizadas contra as linhas de força cutâneas, aumentam o risco de complicações tardias, presentes em 33,3% dos casos, seguidos por CBC (14,5% tardias; 44,9% precoces) e CEC (11,5% tardias; 38,5% precoces).

Limitações do estudo

Este estudo possui limitações inerentes ao seu desenho retrospectivo, à realização em única instituição e à possível variabilidade técnica entre cirurgiões. O número limitado de casos envolvendo neoplasias raras ou complicações graves restringiu as análises estatísticas em subgrupos específicos. Investigações futuras, com desenho prospectivo e multicêntrico, envolvendo amostras maiores, serão necessárias para validar e ampliar estes achados.

CONCLUSÃO

Os desfechos da cirurgia dermatológica no câncer de pele resultam da interação entre fatores anatômicos, técnicos e oncológicos. Diferenças entre áreas anatômicas e reconstruções complexas aumentaram as complicações, enquanto eventos precoces foram preditivos de intercorrências tardias. As diferenças entre subtipos tumorais impuseram exigências técnicas e riscos distintos. Assim, a escolha reconstrutiva deve considerar não apenas a remoção tumoral, mas também a anatomia, o subtipo tumoral e o impacto funcional e estético. l

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CONTRIBUIÇÃO

DOS AUTORES:

Luiz Roberto Dal Bem Pires Júnior

0009-0001-6728-420X

Análise estatística, Aprovação da versão final do manuscrito, Concepção e planejamento do estudo, Elaboração e redação do manuscrito, Obtenção, análise e interpretação dos dados, Participação efetiva na orientação da pesquisa, Participação intelectual em conduta propedêutica e/ou terapêutica de casos estudados, Revisão crítica da literatura, Revisão crítica do manuscrito.

Maira Mitsue Mukai 0000-0002-4591-8451

Concepção e planejamento do estudo, Revisão crítica da literatura

www.surgicalcosmetic.org.br/

Comentário sobre: “Reconstrução labial com retalhos superficiais: integração funcional e estética”

A Comment on: “Lip reconstruction using superficial flaps: functional and aesthetic integration”

Carta ao Editor

Autores: Muhammed Said Aydin1 Gökay Özler1

1 Faculty of Medicine, Mugla Sitki Koçman University, Departamento de Cirurgia Plástica, Reconstrutiva e Estética, Mugla, Mentese, Turquia

DOI: http://www.dx.doi.org/10.5935/scd1984-8773.2026180586

RESUMO

Esta Carta ao Editor comenta o artigo “Lip reconstruction using superficial flaps: functional and aesthetic integration”. A série de casos apresentada oferece exemplos clínicos valiosos da seleção individualizada de retalhos superficiais para reconstrução do lábio superior e inferior após excisão de câncer de pele não melanoma. Enfatizamos o valor do planejamento reconstrutivo personalizado, sugerindo que medidas funcionais objetivas e critérios mais claros de seleção dos retalhos poderiam fortalecer ainda mais o impacto translacional do estudo.

Palavras-chave: Procedimentos de Cirurgia Plástica; Retalhos Cirúrgicos; Procedimentos Cirúrgico Dermatológicos

Correspondência: Muhammed Said Aydin E-mail: muhammedsaid.aydin@ gmail.com

ABSTRACT

This Letter to the Editor comments on the article “Lip reconstruction using superficial flaps: functional and aesthetic integration.”The reported case series provides valuable clinical examples of individualized superficial flap selection for upper and lower lip reconstruction following excision of non-melanoma skin cancer. We emphasize the importance of tailored reconstructive planning while suggesting that objective functional outcome measures and clearer flap-selection criteria could further strengthen the translational impact of the study.

Keywords: Plastic Surgery Procedures; Surgical Flaps; Dermatologic Surgical Procedures

Fonte de financiamento: Nenhuma Conflito de interesse: Nenhum

Data de submissão: 24/05/2026 Decisão final: 27/05/2026

Como citar este artigo: Aydin MS, Özler G. Comentário sobre: “Reconstrução labial com retalhos superficiais: integração funcional e estética”. Surg Cosmet Dermatol. 2026;18(2):e20260586.

Lemos com grande interesse o artigo de Aita et al., intitulado “Reconstrução labial com retalhos superficiais: integração funcional e estética”. Os autores estão de parabéns por apresentar uma série de casos bem estruturada que demonstra o uso bem-sucedido de múltiplas técnicas de retalhos superficiais para a reconstrução de defeitos dos lábios superior e inferior após a excisão cirúrgica de cânceres de pele não melanoma.

O principal ponto forte do manuscrito reside em sua abordagem orientada pela prática clínica e individualizada ao planejamento reconstrutivo. A seleção de retalhos de rotação de mucosa, V-Y com duplo avanço e dupla rotação em O-Z, de acordo com as características do defeito, reflete raciocínio cirúrgico sólido e adesão aos princípios estabelecidos da reconstrução labial. A ênfase na preservação da função esfincteriana oral e na manutenção das subunidades cosméticas é particularmente relevante na reconstrução perioral, na qual tanto os desfechos funcionais quanto os estéticos são fundamentais.

A variedade de técnicas apresentadas oferece orientação prática útil para cirurgiões que manejam defeitos semelhantes na

rotina clínica. Em especial, a aplicação bem-sucedida de retalhos em V-Y com duplo avanço para defeitos centrais do lábio e de retalhos de rotação em O-Z para reconstruções mais complexas destaca a versatilidade das técnicas de retalhos superficiais na obtenção tanto de simetria quanto de preservação funcional.

Entretanto, o manuscrito poderia ser fortalecido pela inclusão de medidas mais objetivas de avaliação dos desfechos funcionais. Embora a documentação fotográfica forneça evidências valiosas do sucesso estético, avaliações padronizadas da competência oral, da articulação da fala e da recuperação sensitiva aumentariam a robustez clínica dos resultados apresentados. Além disso, uma discussão mais detalhada das indicações, limitações e critérios de seleção de cada tipo de retalho ampliaria ainda mais ovalor translacional do estudo e auxiliaria os cirurgiões na tomada de decisão pré-operatória.

Em conclusão, essa série de casos contribui de maneira significativa para a literatura existente sobre reconstrução labial e reforça a importância de adaptar as estratégias reconstrutivas às características do defeito e aos requisitos funcionais. l

Cosmet Dermatol. 2026;18:e20260586.

REFER Ê NCIAS:

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AUTHOR’S CONTRIBUTION:

Muhammed Said Aydin 0009-0001-9374-3131

Aprovação da versão final do manuscrito, Revisão crítica da literatura, Obtenção, análise e interpretação dos dados, Revisão crítica do manuscrito, Elaboração e redação do manuscrito, Concepção e planejamento do estudo.

Gökay Özler 0009-0002-7217-3894

Aprovação da versão final do manuscrito, Revisão crítica da literatura, Revisão crítica do manuscrito, Concepção e planejamento do estudo.

www.surgicalcosmetic.org.br/

Hidradenoma

um caso raro

nodular: inovação diagnóstica em

Nodular hidradenoma: diagnostic innovation in a rare case

Relato de Caso

Autores:

Ana Paula Weber1

Giulia Maria dos Santos Goedert1

Barbara Brunca1

Hamilton Ometto Stolf1

Paula Tavares Colpas1

1 Hospital PUC Campinas, Dermatology, Campinas (SP), Brasil

DOI: http://www.dx.doi.org/10.5935/scd1984-8773.2026180571

RESUMO

O hidradenoma nodular é um tumor anexial benigno raro, originado das glândulas sudoríparas, que, clinicamente, apresenta-se como uma tumoração que mimetiza lesões malignas primárias ou metastáticas. A dermatoscopia, assim como as características clínicas, revela padrões estruturais que possibilitam amplos diagnósticos diferenciais. A ultrassonografia dermatológica tornou-se um método diagnóstico reconhecido cientificamente para possibilitar o diagnóstico precoce e preciso do hidradenoma, contribuindo para a terapêutica cirúrgica e a análise histopatológica. Este estudo relata um caso raro de hidradenoma nodular com inovação diagnóstica por meio da ultrassonografia de baixa frequência que inclui características clínicas, radiológicas e histopatológicas. Palavras-chave: Neoplasias cutâneas; Ultrassonografia; Diagnóstico por imagem; Diagnóstico clínico

ABSTRACT

Nodular hidradenoma is a rare benign adnexal tumor originating from the sweat glands, which clinically presents as a tumor mimicking primary or metastatic malignant lesions. Dermoscopy, as well as clinical characteristics, reveals structural patterns that allow for broad differential diagnoses. Dermatological ultrasonography has become a scientifically recognized diagnostic tool to enable early and accurate diagnosis of hidradenoma, supporting surgical treatment and histopathological analysis. This study reports a rare case of nodular hidradenoma, highlighting the diagnostic innovation achieved through low-frequency ultrasonography, which includes clinical, radiological, and histopathological characteristics.

Keywords: Skin neoplasms; Ultrasonography; Diagnostic imaging; Clinical diagnosis

Correspondência:

Ana Paula Weber E-mail: anapaulaweber21@gmail. com

Fonte de financiamento: Não Conflito de interesses: Não

Data de submissão: 02/04/2026 Decisão final: 23/05/2026

Como citar este artigo: Weber AP, Goedert GMS, Brunca B, Stolf HO, Colpas PT. Hidradenoma nodular: inovação diagnóstica em um caso raro. Surg Cosmet Dermatol. 2026;18(2):e20260571.

INTRODUÇÃO

O hidradenoma nodular é um tumor anexial benigno raro, originado das glândulas sudoríparas, e representa um desafio diagnóstico por mimetizar clinicamente lesões malignas, incluindo o carcinoma basocelular e o melanoma. Há predominância no sexo feminino, com idade média de apresentação aos 37 anos, sendo mais comum no couro cabeludo, face e membros superiores e raro nos membros inferiores. Possui baixo potencial de transformação maligna; porém, seu diagnóstico pode ser atrasado devido aos padrões clínicos e morfológicos variados, incluindo as diversas apresentações histopatológicas e clínicas.1,2 Atualmente, os hidradenomas apócrinos são os mais comuns e são definidos pelo exame histopatológico, visto que não há critérios radiológicos confirmatórios descritos, contribuindo para terapêuticas inadequadas e maior probabilidade de recidiva local.2 Nesse sentido, a ultrassonografia dermatológica, descrita em alguns poucos estudos prospectivos, surge como ferramenta essencial para auxiliar no diagnóstico precoce e preciso, possibilitando a abordagem cirúrgica adequada.3 O caso relatado demonstra uma rara apresentação clínica do hidradenoma nodular no membro inferior (coxa), associada à investigação diagnóstica com ultrassonografia cutânea de alta frequência, com os dois sinais ultrassonográficos característicos descritos pela primeira vez em 2018, possibilitando o tratamento cirúrgico adequado e a avaliação anatomopatológica correspondente. Desse modo, faz-se necessário relatar inovações diagnósticas confirmadas em um caso dermatológico clínico e cirúrgico raro.

RELATO DO CASO

Paciente do sexo feminino, 50 anos, apresentava tumoração violácea localizada na face medial da coxa direita com surgimento havia 7 meses, evoluindo com crescimento progressivo e gerando prejuízo à qualidade de vida. Negava afecções cutâneas prévias. Ao exame dermatológico, havia presença de tumoração cística (Figuras 1 e 2), discretamente infiltrada, com transiluminação positiva (Figura 3). À dermatoscopia ultravioleta, observou-se área homogênea rósea central e vasos arboriformes (Figura 4). Foi realizada investigação diagnóstica com ultrassonografia dermatológica utilizando transdutor linear de alta frequência de 22 MHz, evidenciando formação nodular hipoecoica na derme e no subcutâneo, com presença do sinal do globo de neve, também denominado “queda de neve” (Figura 5) e do “nível líquido-líquido” (Figura 6), medindo 2,23 x 2,34 cm. Os achados ultrassonográficos foram sugestivos de hidradenoma nodular. Após a análise conjunta das características clínicas, dermatoscópicas e ultrassonográficas, foi realizada excisão completa da lesão, considerando tratar-se de uma lesão benigna com baixo potencial de malignidade. A avaliação histopatológica descreveu lesão epitelial dérmica, constituída por bloco densamente celular de padrão basaloide, envolto por fibrose com diferenciação ductal apócrina, espaços císticos e conteúdo líquido hialino róseo (Figura 7), compatível com hidradenoma nodular. A paciente mantém acompanhamento com a equipe de dermatologia clínica e cirúrgica, sem sinais de recidiva local e satisfeita com a terapêutica instituída.

1:

tumoração na face interna do membro inferior direito

tumoração cística eritemato-violácea

DISCUSSÃO

O hidradenoma nodular compõe o grupo dos tumores anexiais cutâneos benignos que abrangem amplos diferenciais morfológicos, simulando clinicamente diversos tumores primários e metastáticos. Clinicamente, apresenta-se como um nódulo solitário com áreas císticas e serosas, com predileção pelo couro cabeludo e membros superiores, sendo raríssimo nos membros inferiores, como no caso relatado. O crescimento é lento e, em

Weber AP, Goedert GMS, Brunca B, Stolf HO, Colpas PT.
Figur1
Clínica:
Figura 2: Clínica:

2026;18:e20260571.

Figure 7: Histopatologia hematoxilina-eosina (objetiva 40×): estrutura de padrão ductal com células basaloides e nítido padrão apócrino

geral, assintomático. Macroscopicamente, a transiluminação positiva é explicada pelas áreas serosas compostas por líquido iluminado pela luz polarizada do dermatoscópio.1 A dermatoscopia é apresentada na literatura com apresentando área homogênea

rósea, estruturas esbranquiçadas e padrão vascular variado, incluindo vasos arboriformes e polimorfos atípicos, mimetizando, na maioria das vezes, o carcinoma basocelular e o melanoma.4 Diante do desafio diagnóstico clínico, a ultrassonografia

Figura 3: Transiluminação positiva à luz do dermatoscópio
Figura 4: Dermatoscopia ultravioleta
Figura 5: Ultrassonografia 12 MHz: “nível líquido-líquido”
Figura 6: Ultrassonografia 22 MHz: sinal da “queda de neve”

AP, Goedert GMS, Brunca B, Stolf HO, Colpas PT.

dermatológica de alta frequência, considerada um método não invasivo vantajoso, foi relevante para o diagnóstico pelos achados característicos de hidradenoma nodular, incluindo o sinal da “queda de neve” e o “nível líquido-líquido”, identificados no presente relato. Tais achados foram descritos pela primeira vez em 2018, em uma série de casos, destacando a importância desse método de imagem. Também é válido ressaltar que não há consenso sobre os critérios diagnósticos e terapêuticos, reforçando ainda mais a importância da ultrassonografia.3 Nesse sentido, a investigação diagnóstica foi imprescindível para determinar a abordagem cirúrgica, caracterizando a exérese justalesional como uma das opções disponíveis, dada a baixa probabilidade de evolução para hidradenocarcinoma. No caso, a cirurgia é consi-

derada curativa, embora haja relatos de recidiva devido à excisão incompleta. O exame histopatológico é considerado o padrão-ouro para o diagnóstico confirmatório, sendo descrito por uma lesão bem circunscrita, composta por espaços sólidos e císticos, permitindo avaliar as estruturas de padrão ductal com células basaloides.2 Para tanto, o diagnóstico preciso nesse caso raro é essencial para o seguimento e a conduta cirúrgica.

CONCLUSÃO

Relata-se uma neoplasia benigna rara, em localização incomum, cuja ultrassonografia foi fundamental para o diagnóstico e o planejamento cirúrgico. Entretanto, ainda são necessários estudos científicos para consolidar os critérios diagnósticos ultrassonográficos. l

REFERÊNCIAS:

1. Arthi M, Joseph LD, Arun Kumar K. Clinicopathological profile of nodular hidradenoma: A ten year study in a tertiary care center. J Cutan Aesth Surg. 2023;16(1):34.

2. Nandeesh BN, Rajalakshmi T. A study of histopathologic spectrum of nodular hidradenoma. Am J Dermatopathol. 2012;34(5):461-70.

3. Wortsman X, Reyes C, Ferreira-Wortsman C, Uribe A, Misad C, Gonzalez S. Sonographic characteristics of apocrine nodular hidradenoma of the skin. J Ultra Med. 2017;37(3):793-801.

4. Serrano P, Lallas A, Del Pozo LJ, Karaarslan I, Medina C, Thomas L, et al. Dermoscopy of Nodular Hidradenoma, a Great Masquerader: a morphological study of 28 cases. Dermatol. 2016;232(1):78-82.

CONTRIBUIÇÃO DOS AUTORES:

Ana Paula Weber 0000-0002-8841-7817

Análise estatística, Aprovação da versão final do manuscrito, Concepção e planejamento do estudo, Elaboração e redação do manuscrito, Obtenção, análise e interpretação dos dados, Participação efetiva na orientação da pesquisa, Participação intelectual em conduta propedêutica e/ ou terapêutica de casos estudados, Revisão crítica da literatura, Revisão crítica do manuscrito.

Giulia Maria dos Santos Goedert 000.0002-6672-0276

Análise estatística, Aprovação da versão final do manuscrito, Concepção e planejamento do estudo, Elaboração e redação do manuscrito, Obtenção, análise e interpretação dos dados, Participação efetiva na orientação da pesquisa, Participação intelectual em conduta propedêutica e/ ou terapêutica de casos estudados, Revisão crítica da literatura, Revisão crítica do manuscrito.

Barbara Brunca 0000-0002-2492-8474

Análise estatística, Aprovação da versão final do manuscrito, Concepção e planejamento do estudo, Elaboração e redação do manuscrito, Obtenção, análise e interpretação dos dados, Participação efetiva na orientação da pesquisa, Participação intelectual em conduta propedêutica e/ ou terapêutica de casos estudados, Revisão crítica da literatura, Revisão crítica do manuscrito.

Hamilton Ometto Stolf 0000-0003-4867-0276

Análise estatística, Aprovação da versão final do manuscrito, Concepção e planejamento do estudo, Elaboração e redação do manuscrito, Obtenção, análise e interpretação dos dados, Participação efetiva na orientação da pesquisa, Participação intelectual em conduta propedêutica e/ ou terapêutica de casos estudados, Revisão crítica da literatura, Revisão crítica do manuscrito.

Paula Tavares Colpas 0000-0002-1389-0749

Análise estatística, Aprovação da versão final do manuscrito, Concepção e planejamento do estudo, Elaboração e redação do manuscrito, Obtenção, análise e interpretação dos dados, Participação efetiva na orientação da pesquisa, Participação intelectual em conduta propedêutica e/ ou terapêutica de casos estudados, Revisão crítica da literatura, Revisão crítica do manuscrito.

www.surgicalcosmetic.org.br/

Retalho em cata-vento: série de dois casos

Pinwheel flap: a series of two cases

DOI: http://www.dx.doi.org/10.5935/scd1984-8773.2026180556

RESUMO

Reconstruções em couro cabeludo podem ser desafiadoras para o cirurgião dermatológico, por ser um local de pouca elasticidade e estar sobre uma área convexa e não plana. O retalho em cata-vento é um tipo de retalho em rotação utilizado para a região do vértex do couro cabeludo. Relatamos dois casos, um masculino e um feminino, utilizando a técnica para reconstruir defeitos após excisões de câncer de pele, no vértex e na região frontal do couro cabeludo. Palavras-chave: Couro Cabeludo; Carcinoma Basocelular; Carcinoma de Células Escamosas; Retalhos Cirúrgicos

Relato de Caso

Autores:

João Marcos Franco de Souza1

Barbara Messias Pereira1 Bianca Miyazawa1

Carlos Borges Junior1 Rogerio Nabor Kondo1

1 Universidade Estadual de Londrina (UEL), Dermatology, Londrina (PR), Brasil

ABSTRACT

Scalp reconstructions can be challenging for dermatologic surgeons because the site has little elasticity and is located over a convex, rather than flat, area. The pinwheel flap is a type of rotational flap used for the vertex region of the scalp. We describe two cases, one male and one female, using the technique to reconstruct defects after skin cancer excisions in the vertex and the frontal region of the scalp.

Keywords: Scalp; Carcinoma, Basal Cell; Carcinoma, Squamous Cell; Surgical Flaps

Correspondência:

João Marcos Franco de Souza E-mail: jmfs.md@gmail.com

Fonte de financiamento: Não Conflito de interesses: Não

Data de submissão: 6/2/2026 Decisão final: 9/4/2026

Como citar este artigo: Souza JMF, Pereira BM, Miyazawa B, Borges Junior C, Kondo RN. Retalho em cata-vento: série de dois casos. Surg Cosmet Dermatol. 2026;18(2):e20260556.

INTRODUÇÃO

O carcinoma basocelular (CBC) e carcinoma espinocelular (CEC) são os dois tipos de câncer de pele mais comuns.1 Quando localizados no couro cabeludo, seu tratamento cirúrgico pode ser desafiador, por se tratar de estar sobre uma área convexa e não plana, além de que defeitos não muito grandes podem necessitar de retalhos ou de enxertos, tendo em vista a inelasticidade local.2

Inicialmente, o retalho em cata-vento (RCV) foi desenvolvido, inicialmente, para corrigir defeitos circulares no couro cabeludo, justamente para sanar a limitada mobilidade limitada da pele, mas também tem sido utilizado em outras regiões da face também. Consiste em três ou mais abas que, por meio de rotações, permitem o fechamento local.3,4

Relatamos dois casos de pacientes, portadores de CEC e de CBC no couro cabeludo, nos quais optamos pelo RCV para reconstrução, com resultado estético satisfatório.

A

Relatos dos casos

Caso 1

Paciente do sexo masculino, 57 anos, tinha placa de 19 mm na região central do couro cabeludo, com biópsia incisional prévia evidenciando CEC no exame anatomopatológico. Foi realizada excisão com margens de 5 mm, com defeito resultante de 29 mm e reconstrução com RCV (Figuras 1, 2 e 3).

Caso 2

Paciente do sexo feminino, 47 anos, tinha placa de 16 mm na região frontal direita do couro cabeludo, com biópsia incisional prévia evidenciando CBC no exame anatomopatológico. Foi realizada excisão com margens de 5 mm, com defeito resultante de 26 mm e reconstrução com RCV (Figuras 4, 5 e 6).

Figura 1:

A - CEC.

B - Defeito

A A B B B C C

Figura 2:

A - Incisão do retalho.

B - Retalho descolado.

C - Retalho posicionado

Figura 3:

A - Retalho suturado.

B - Curativo compressivo para couro cabeludo.

C - Seis meses de pós-operatório

Souza JMF, Pereira BM, Miyazawa B, Borges Junior C, Kondo RN.

Figura 4:

A - CBC.

B - Defeito

C

A A A B B

B

Descrição da técnica

a)Paciente em decúbito dorsal horizontal;

b) Antissepsia com polivinil-iodina 10% tópica;

c)Colocação de campos cirúrgicos;

d)Anestesia local infiltrativa com lidocaína 2% com vasoconstritor;

e)Incisão com lâmina nº 15 e retirada circular da lesão com margens em bloco (Figuras 1B e 4B);

f)Incisões e confecção de abas de rotação (Figuras 2A,

2B, 5A e 5B);

Figura 5:

A - Incisão do retalho.

B - Retalho descolado.

C - Retalhos posicionados

Figura 6:

A - Retalho suturado.

B - Seis meses de pós-operatório

g)Posicionamento dos retalhos/abas de rotação (Figuras 2C e 5C);

h)Sutura simples com fio mononylon 4-0 (Figuras 3A e 6A);

i)Limpeza com soro fisiológico;

j)Curativo oclusivo com gaze e curativo compressivo para o couro cabeludo (Figura 3B).

RESULTADOS

Os pacientes foram acompanhados em consultas de seguimento com 1, 3, 6 e 12 meses, apresentando exame anatomopatológico com margens livres de CEC e CBC, respectivamente. Ambos evoluíram com boa cicatrização, sem sinais de recidivas e com resultado estético satisfatório (Figuras 3C e 6B).

DISCUSSÃO

Os retalhos cutâneos ou enxertos podem ser necessários para o fechamento de excisões de tumores de pele no couro cabeludo.2 Os retalhos, por manterem pele adjacente muito similar,3 são preferíveis ao enxerto, principalmente, para não causar uma alopecia em pacientes do sexo feminino, como no caso 2.2 Vecchione e Griffith, em 1978, usaram retalhos com três abas, com rotação no mesmo sentido para fechar um defeito circular no couro cabeludo, resultando em uma figura de cata-vento (Figuras 3A e 6A). Seu uso tornou-se clássico no vértex, mas posteriormente foi aplicado em outras regiões do couro cabeludo. Atualmente, o RCV também tem sido utilizado além do couro cabeludo, como nas regiões nasal e temporal sem pilificação.3,4

O RCV tem a vantagem de ser realizado em um único tempo cirúrgico, ao contrário de retalhos de interpolação. Por não exigir o curativo compressivo de Brown, como em casos de enxerto, também incomoda menos o paciente.2

REFERÊNCIAS:

1. Kondo RN, Gon AS, Pontello Junior R. Recurrence rate of basal cell carcinoma in patients submitted to skin flaps or grafts. 2019;94(4):442-5.

2. Raposio G, Gualdi A, Baldelli I, Raposio E. Basal cell carcinoma of the scalp: surgical approach and reconstructive options. Ital J Dermatol Venerol. 2024;159(4):412-6.

3. Kondo RN, Cestari AI, Soares BM, Scalone FM Aybar SAI. Pinwheel flap as an option to reconstruct a nasal defect: a series of two cases. Dermatol Arch. 2021;5(1):122-6.

CONTRIBUIÇÃO DOS AUTORES:

João Marcos Franco de Souza 0000-0002-9297-7841

Uma das opções para manter um curativo compressivo por 24 horas, evitando hemorragias ou hematomas sem utilizar ataduras elásticas de difícil execução, é utilizar o curativo compressivo de Kondo para couro cabeludo (Figura 3B).5

No caso 2, ao contrário do caso 1, por se tratar de uma paciente do sexo feminino, sem alopecia androgenética e na região frontal do couro cabeludo, a reconstrução foi um pouco mais desafiadora. Confeccionamos as abas de maneira que permitissem uma boa rotação e fechamento do defeito, mas sem que as cicatrizes ultrapassassem as margens de implantação de cabelos.

Os retalhos de rotação simples ou dupla também são opções reconstrutivas, mas o desenho do RCV foi escolhido por gerar menos redundância cutânea (dog-ears). A técnica dispensa ressecções adicionais e permite sua aplicação em defeitos circulares de pequeno a médio porte, com excelente adaptabilidade à área receptora.6

Ambos os casos apresentaram boa evolução, sem sinais de recidiva e com resultado estético e funcional satisfatório.

CONCLUSÃO

A aplicação do RCV continua sendo uma boa opção cirúrgica para reconstruções de defeitos no couro cabeludo, independentemente da localização da lesão e dos sexos dos pacientes. l

4. Vecchione TR, Griffith L. Closure of scalp defects by using multiple flaps in a pinwheel design. Plast Reconstr Surg. 1978;62(1):74–7.

5. Kondo RN, Ortega FT. Compressive dressing for the scalp. Surg Cosmet Dermatol 2016;8(3):260-1.

6. Simsek T, Eroglu L. Versatility of the pinwheel flap to reconstruct circular defects in the temporal and scalp region. J Plast Surg Hand Surg. 2013;47(2):97-101.

Aprovação da versão final do manuscrito, Elaboração e redação do manuscrito, Revisão crítica da literatura, Revisão crítica do manuscrito.

Barbara Messias Pereira 0000-0002-1180-7438

Aprovação da versão final do manuscrito, Elaboração e redação do manuscrito, Revisão crítica da literatura, Revisão crítica do manuscrito.

Bianca Miyazawa 0009-0003-0561-8504

Aprovação da versão final do manuscrito, Elaboração e redação do manuscrito, Revisão crítica do manuscrito.

Carlos Borges Junior 0009-0005-2561-3879

Concepção e planejamento do estudo, Obtenção, análise e interpretação dos dados, Participação intelectual em conduta propedêutica e/ou terapêutica de casos estudados

Rogerio Nabor Kondo

0000-0003-1848-3314

Análise estatística, Aprovação da versão final do manuscrito, Concepção e planejamento do estudo, Elaboração e redação do manuscrito, Obtenção, análise e interpretação dos dados, Participação efetiva na orientação da pesquisa, Participação intelectual em conduta .

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Uso da Crioterapia no Tratamento do Angioqueratoma Circunscrito:

Relato de Caso

Use of Cryotherapy in the Treatment of Angiokeratoma Circumscriptum: A Case Report

Relato de Caso

Autores:

Malu de Aquino Almeida Garcia1

Louise Santos Abdulmassih1

Maria Amelia Lopes dos Santos1

Renata Mie Oyama Okajima1

Josie Eiras Bisi dos Santos1

1 Universidade do Estado do Pará (UEPA), Dermatology Service, Belém (PA), Brazil

DOI: http://www.dx.doi.org/10.5935/scd1984-8773.2026180554

RESUMO

O angioqueratoma circunscrito é uma malformação vascular rara, caracterizada por ectasia de capilares dérmicos associada a alterações epidérmicas hiperqueratóticas. Relata-se o caso de um paciente do sexo masculino, de 10 anos, com lesões violáceas verrucosas no antebraço direito desde o nascimento, com episódios recorrentes de sangramento. O diagnóstico foi estabelecido por achados clínicos, dermatoscópicos e histopatológicos. Optou-se por tratamento com crioterapia, utilizando ciclos de congelamento com nitrogênio líquido. Observou-se redução significativa dos sangramentos e melhora funcional e psicossocial. A crioterapia mostrou-se alternativa eficaz, segura e minimamente invasiva para o manejo do angioqueratoma circunscrito.

Palavras-chave: Malformações vasculares; Angioceratoma; Crioterapia

ABSTRACT

Angiokeratoma circumscriptum is a rare vascular malformation characterized by dilated papillary dermal vessels associated with epidermal hyperkeratosis. This study reports the case of a 10-year-old male patient presenting violaceous, verrucous plaques on the right forearm since birth, with recurrent bleeding after minor trauma. Diagnosis was established through clinical, dermoscopic, and histopathological findings. Cryotherapy with liquid nitrogen was chosen as treatment using freeze-thaw cycles. The procedure led to a marked reduction in bleeding episodes and improvement in functional and psychosocial aspects. Cryotherapy proved to be a safe, effective, and minimally invasive therapeutic option for angiokeratoma circumscriptum.

Keywords: Vascular Malformations; Angiokeratoma; Cryotherapy

Correspondência:

Malu de Aquino Almeida Garcia Email: malualmeida98@hotmail. com

Fonte de financiamento: Não Conflito de interesses: Não

Data de submissão: 02/02/2026

Data de decisão: 19/03/2026

Como citar este artigo: Garcia MAA, Abdulmassih LS, Santos MAL, Okajima RMO, Santos JEB. Uso da Crioterapia no Tratamento do Angioqueratoma Circunscrito: Relato de Caso. Surg Cosmet Dermatol. 2026;18(2):e20260554.

INTRODUÇÃO

Angioqueratomas são malformações vasculares raras, definidas como um conjunto de distúrbios caracterizados histologicamente por ectasias dos vasos sanguíneos na derme, associadas a alterações epidérmicas como hiperqueratose, papilomatose e acantose.1,3 Tratam-se de telangiectasias de vasos preexistentes, não sendo, portanto, classificáveis como angiomas.1,2 Cinco subtipos de angioqueratomas foram descritos: angioqueratomas solitários ou múltiplos, angioqueratoma de Mibelli, angioqueratoma de Fordyce, angioqueratoma corporis diffusum e angioqueratoma circunscrito.1,3

O angioqueratoma circunscrito corresponde ao subtipo mais raro, representando aproximadamente 13% dos casos, acometendo predominantemente o sexo feminino e geralmente presente ao nascimento. 1,3,5 Clinicamente, apresenta-se inicialmente como máculas avermelhadas, que evoluem para placas verrucosas e/ou hiperqueratóticas de coloração violácea, com distribuição linear ou zosteriforme, tipicamente unilateral em membros inferiores, podendo também ocorrer no tronco. 1,4,5

A etiologia do angioqueratoma circunscrito permanece desconhecida.1,3,5 As alterações epidérmicas são progressivas, acompanhando a ectasia vascular.1 Trata-se de uma condição benigna, sem manifestações sistêmicas, e em casos raros pode estar associada às síndromes de Klippel-Trenaunay e de Cobb.1,2,5

Histopatologicamente, a lesão é caracterizada por capilares dérmicos papilares dilatados, parcialmente envolvidos pela epiderme, que apresenta acantose e hiperqueratose com cristas papilares alongadas.1,3,5 Ao contrário do hemangioma verrucoso, que acomete a derme profunda e o tecido subcutâneo, as alterações vasculares do angioqueratoma circunscrito se limitam à derme superficial, sendo este o principal diagnóstico diferencial.1,3,5 As principais indicações para tratamento incluem preocupações estéticas e sangramentos recorrentes.1,3,7 Lesões pequenas podem ser manejadas com diatermia, curetagem com eletrocauterização, criocirurgia ou excisão cirúrgica.1,7,8,9 Placas maiores são mais adequadamente tratadas com ablação a laser, uma vez que a excisão cirúrgica pode resultar em desfiguração substancial.1,5,8

O presente estudo relata um caso raro de angioqueratoma circunscrito, com características epidemiológicas atípicas, tratado com crioterapia, destacando a eficácia desse método como opção terapêutica minimamente invasiva.

RELATO DO CASO

Um paciente do sexo masculino, 10 anos, natural e procedente de Abaetetuba, Pará, foi admitido no Serviço de Dermatologia da Universidade Estadual do Pará, com manchas vermelho–violáceas no antebraço direito, presentes desde o nascimento. As lesões evoluíram com espessamento progressivo, com formação de bolhas de sangue e episódios de sangramento aos mínimos traumas, repercutindo negativamente na qualidade de vida do paciente, especialmente em aspectos relacionados à saúde mental.

Figure 1: Placas violáceas com superfície verrucosa. Contornos irregulares, coalescentes, com tendência a confluência, distribuição linear, a maior com 8 × 2 cm, localizada na face lateral do antebraço direito

Ao exame dermatológico, observaram-se placas violáceas com superfície verrucosa, contornos irregulares, coalescentes, com tendência a confluência, distribuição linear, sendo a maior com 8 × 2 cm, na face lateral do antebraço direito (Figura 1). À dermatoscopia, evidenciou-se discreto véu esbranquiçado, lagos vasculares vinhosos, pequena crosta hemática e eritema periférico (Figura 2).

Foi realizada biópsia da lesão, a qual revelou epiderme com área de hiperceratose e papilomatose, acompanhada de vasos capilares pronunciadamente ectásicos na derme, revestidos por endotélio plano e congestos por hemácias (Figura 3 e 4).

Diante dos achados clínicos e histopatológicos, estabeleceu-se o diagnóstico de angioqueratoma circunscrito, sendo então indicada abordagem terapêutica inicial com crioterapia.

Garcia MAA, Abdulmassih LS, Santos MAL, Okajima RMO, Santos JEB

Figura 2: Dermatoscopia da lesão.

Observa-se discreto véu esbranquiçado, lagos vasculares vinhosos, pequena crosta hemática e eritema periférico

Figura 3: Corte histológico de pele com angioqueratoma. Corado por hematoxilina-eosina (HE), aumento de 40×.

Observam-se áreas de hiperceratose, papilomatose e acantose, com cones interpapilares delgados e alongados; na derme, vasos capilares pronunciadamente ectásicos.

Derme profunda preservada; sem atipias

Para a realização da crioterapia, foi realizada infiltração anestésica local com lidocaína a 2% diluída em solução fisiológica a 0,9%. O procedimento consistiu na aplicação de dois ciclos de congelamento de 30 segundos cada, intercalados por períodos de descongelamento espontâneo de aproximadamente 2 minutos, abrangendo o terço inferior da lesão maior. Após a cicatrização, observou-se a formação de área cicatricial residual de aspecto fibroso e discretamente eritematoso (Figura 5), associada a relato de boa satisfação por parte do paciente e de seu responsável legal.

Considerando a resposta terapêutica favorável, foram programadas sessões subsequentes, nas quais pequenas áreas da lesão passaram a ser tratadas de forma gradual, com o objetivo de minimizar a dor durante o procedimento. O tratamento resultou em redução importante dos episódios de sangramento recorrente, proporcionando maior liberdade para a realização das atividades diárias do paciente.

DISCUSSÃO

O angioqueratoma é uma malformação vascular rara, de etiologia ainda não completamente esclarecida, com prevalência estimada de aproximadamente 0,16% na população geral.1,2 Na literatura, o subtipo circunscrito corresponde a cerca de 13% dos casos, apresentando predomínio no sexo feminino e acometendo, preferencialmente, os segmentos distais dos membros inferiores.1,3,5 Em contraste, o presente relato descreve um paciente jovem, do sexo masculino, com acometimento de membro superior, configurando uma apresentação clínica atípica.4-6

4: Corte histológico de pele com angioqueratoma. Corado por hematoxilina-eosina (HE), aumento de 100×.

Observam-se áreas de hiperceratose, papilomatose e acantose, com cones interpapilares delgados e alongados; na derme, vasos capilares pronunciadamente ectásicos

Figura

Figura 5: Após a primeira sessão de crioterapia. Observa-se formação de área cicatricial residual de aspecto fibroso e discretamente eritematoso

A forma circunscrita caracteriza-se clinicamente por placas eritemato-violáceas, verrucosas e hiperqueratóticas, geralmente assintomáticas, podem ocorrer episódios de sangramento após trauma em aproximadamente 25% dos casos.1,2,5 Embora a maioria dos casos seja observada desde o nascimento, há relatos de desenvolvimento tardio durante a infância ou adolescência.2,4,6

O diagnóstico é predominantemente clínico, auxiliado pela dermatoscopia e confirmado pelo exame histopatológico.1,2,5 O principal diagnóstico diferencial é o angioma verrucoso, que se distingue do angioqueratoma por apresentar ectasia vascular envolvendo não apenas a epiderme, mas também a derme e a hipoderme.1,3,5 Outros diagnósticos diferenciais incluem melanoma maligno, nevo de Spitz, micoses profundas e verrugas virais.1,2,5

As principais indicações para o tratamento do angioqueratoma circunscrito são o sangramento recorrente e o desconforto estético.1,3,7 As opções terapêuticas incluem crioterapia, excisão cirúrgica e curetagem associada à eletrocauterização para lesões de menor extensão.1,7,8 Em lesões mais extensas, a ablação por laser é preferida, a fim de reduzir o risco de desfiguração substancial.1,5,8

A criocirurgia consiste na aplicação de nitrogênio líquido, por meio de spray ou aplicador com ponta de algodão, promovendo destruição celular por congelamento.8,9 O nitrogênio líquido apresenta temperatura aproximada de −195 °C, resultan-

do em temperaturas teciduais entre −50 °C e −60 °C, consideradas ideais para a destruição celular.9 Trata-se de uma técnica rápida, simples, de baixo custo e amplamente disponível.8,9

No presente caso, diante dos episódios frequentes de sangramento após traumas mínimos, optou-se pela intervenção terapêutica.1,3 A crioterapia foi escolhida em função do tamanho da lesão, da disponibilidade do método no serviço e da boa cooperação do paciente,7-9 proporcionando resultados progressivamente satisfatórios ao longo das sessões. Embora não tenha sido observada remissão completa da lesão, houve redução substancial da frequência de sangramentos, com consequente melhora da qualidade de vida do paciente.

CONCLUSÃO

O angioqueratoma circunscrito é uma malformação vascular rara, com apresentações clínicas variadas. Este relato descreve um caso com características atípicas, no qual a crioterapia mostrou-se uma alternativa terapêutica eficaz e segura, promovendo controle dos sangramentos e melhora funcional, com impacto positivo na qualidade de vida do paciente. Assim, a crioterapia pode ser considerada uma opção viável e minimamente invasiva no manejo de casos selecionados de angioqueratoma circunscrito. l

Garcia MAA, Abdulmassih LS, Santos MAL, Okajima RMO, Santos JEB

Surg Cosmet Dermatol. 2026;18:e20260554.

REFERÊNCIAS:

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9. Prohaska J, Jan AH. Crioterapia em dermatologia [Internet]. In: StatPearls. Treasure Island (FL): StatPearls Publishing; 2025 [atualizado 15 set 2023].

AUTHOR’S CONTRIBUTION:

Malu de Aquino Almeida Garcia

0009-0003-7107-2888

Approval of the final version of the manuscript, Critical review of the literature, Acquisition, analysis and interpretation of data, Intellectual participation in the propaedeutic and/or therapeutic approach to the cases studied, Critical revision of the manuscript, Preparation and writing of the manuscript, Statistical analysis, Conception and design of the study

Louise Santos Abdulmassih

0009-0006-3221-913X

Approval of the final version of the manuscript, Critical review of the literature, Acquisition, analysis and interpretation of data, Intellectual participation in the propaedeutic and/or therapeutic approach to the cases studied, Critical revision of the manuscript, Statistical analysis, Conception and design of the study

Maria Amelia Lopes dos Santos

0000-0001-8606-6948

Critical review of the literature, Effective participation in the conduct of the study, Intellectual participation in the propaedeutic and/or therapeutic approach to the cases studied, Critical revision of the manuscript, Statistical analysis, Conception and design of the study

1Universidade do Estado do Pará (UEPA), Dermatology Service, Belém (PA), Brazil

Renata Mie Oyama Okajima

0000-0003-2168-5515

Approval of the final version of the manuscript, Critical review of the literature, Intellectual participation in the propaedeutic and/or therapeutic approach to the cases studied, Critical revision of the manuscript, Statistical analysis, Conception and design of the study

Josie Eiras Bisi dos Santos

0000-0001-8512-3920

Acquisition, analysis and interpretation of data, Intellectual participation in the propaedeutic and/or therapeutic approach to the cases studied, Critical revision of the manuscript, Preparation and writing of the manuscript, Statistical analysis

www.surgicalcosmetic.org.br/

Fístula cutânea odontogênica mimetizando neoplasia cutânea: relato de caso

Odontogenic cutaneous fistula mimicking skin neoplasia: case report

Relato de caso

Autores:

Clarissa Brito Farias1

Ana Vitória Lins Paiva Antunes1

Aretuza Iolanda Pimentel Torres

Portella1

Antônio Carlos Evangelista de Araújo Bonfim1

Luciana Cavalcanti Trindade1

DOI: http://www.dx.doi.org/10.5935/scd1984-8773.2026180547

RESUMO

As fístulas cutâneas odontogênicas representam um trajeto entre a cavidade oral e a pele e constituem manifestações de necrose pulpar e periodontite apical crônica, causadas por cárie, infecções ou traumas.

As manifestações cutâneas incluem lesões como nódulos e cistos e podem apresentar retração perilesional. São um desafio diagnóstico, pois, na maioria dos casos, os pacientes não referem odontalgia. Neste estudo, relatamos o caso de uma paciente cujo diagnóstico foi retardado pela ausência de suspeita clínica, tendo sido submetida a diversos tratamentos, inclusive cirúrgicos, devido à semelhança clínica da lesão com uma neoplasia cutânea. Após o tratamento odontológico, houve resolução completa da lesão.

Palavras-chave: Fístula Bucal; Fístula; Carcinoma Basocelular

ABSTRACT

Odontogenic cutaneous fistulas represent a tract between the oral cavity and the skin. They are manifestations of pulpal necrosis and chronic apical periodontitis, caused by caries, infections, or trauma. Cutaneous manifestations include nodules and cysts and may present with perilesional retraction. They pose a diagnostic challenge, as most patients do not report toothache.We report a case with delayed diagnosis due to lack of clinical suspicion where the patient underwent multiple treatments, including surgery, because of clinical resemblance to cutaneous neoplasia. The lesion resolved completely after dental treatment.

Keywords: Oral Fistula; Fistula; Carcinoma, Basal Cell

1 Faculdade de Medicina Nova Esperança, Dermatology Service, João Pessoa (PB), Brasil

Correspondência:

Clarissa Brito Farias E-mail: clarissabfarias@gmail.com

Fonte de financiamento: Não Conflito de interesses: Não

Data de submissão: 13/01/2026 Decisão final: 9/4/2026

Como citar este artigo: Farias CB, Antunes AVLP, Portella AIPT, Bonfim ACEA, Trindade LC. Fístula cutânea odontogênica mimetizando neoplasia cutânea: relato de caso. Surg Cosmet Dermatol. 2026;18(2):e20260547.

INTRODUÇÃO

As fístulas cutâneas odontogênicas (FCO) representam uma comunicação entre a cavidade oral e a pele e constituem manifestações cutâneas secundárias à necrose pulpar e à periodontite apical crônica.1 As causas incluem cárie, infecção pulpar ou periapical, doenças periodontais, fraturas radiculares e problemas mecânicos decorrentes de trauma, sem predileção por gênero ou faixa etária.2,3

As manifestações cutâneas incluem lesões como nódulos, cistos e áreas de solução de continuidade, podendo apresentar retração na região perilesional. Os trajetos fistulosos mais comumente relatados estão relacionados ao acometimento da arcada dentária inferior, com drenagem para a mandíbula e o mento.4,5

Apesar de bem documentadas, as FCOs continuam sendo um desafio diagnóstico, pois, na maioria dos casos, os pacientes não referem odontalgia. O diagnóstico definitivo geralmente é realizado por meio de exames de imagem, como radiografia panorâmica e tomografia computadorizada, que evidenciam alterações do processo alveolar.5

Estima-se que metade dos pacientes com FCOs seja submetida a tratamentos desnecessários, tais como múltiplas abordagens cirúrgicas dermatológicas e antibioticoterapia prolongada, até que o diagnóstico correto seja estabelecido.6

Nesse contexto, o objetivo do presente estudo é relatar um caso de FCO com diagnóstico retardado devido à ausência da suspeição diagnóstica, reforçando a importância do conhecimento dessa condição e de sua relação com o exame da cavidade oral de modo a possibilitar uma conduta adequada e oportuna.

RELATO DE CASO

Paciente do sexo feminino, 43 anos, faiodérmica, relatava surgimento de lesão em região mandibular direita, indolor, de crescimento progressivo, havia 6 meses. Ao exame, observava-se um nódulo eritematoso, com áreas amareladas e discreto brilho, de consistência fibroelástica e indolor à palpação (Figura 1). A dermatoscopia revelou uma lesão nodular, de fundo rosado, encimada por crostículas amareladas aderidas, com presença de áreas homogêneas amareladas e telangiectasias arboriformes cruzando a lesão (Figura 2), sugerindo carcinoma basocelular.

Foi realizada a exérese fusiforme da lesão e o exame anatomopatológico evidenciou pele com infiltrado inflamatório misto, linfo-histioplasmocitário e neutrofílico, denso e difuso, envolvendo a derme superficial e profunda, o que não corroborava a hipótese inicial de neoplasia cutânea (Figura 3).

Houve perda de seguimento e a paciente retornou após 2 anos da exérese, relatando recidiva da lesão no mesmo local. Ao exame, apresentava nódulo de aspecto lobulado, rosado, com um ponto central amarelado que eliminava exsudato e retração da pele circunjacente (Figura 4). Nesse momento, aventou-se a hipótese de FCO. A cavidade oral foi examinada e verificou-se dentes molares e pré-molares direitos em péssimo estado de conservação, com presença de restos radiculares (Figura 5). Foram solicitadas radiografia panorâmica da face e radiografias periapi-

Figura 1: Nódulo eritematoso, com áreas amareladas e discreto brilho, localizado no mento

Figura 2: Dermatoscopia revelando nódulo de fundo rosado, com áreas amareladas e vasos arboriformes cruzando a lesão

Figura 3: Exame anatomopatológico evidenciando pele com infiltrado inflamatório misto, linfo-histioplasmocitário e neutrofílico, denso e difuso, envolvendo a derme superficial e profunda (hematoxilina e eosina, 4×)

Figura 4: Nódulo com ponto amarelado, eliminando exsudato e apresentando retração circunjacente, 2 anos após a exérese inicial da lesão na mesma topografia

Figura 5: Destruição coronária total do elemento 46, com remanescente radicular evidente e ausência do elemento 44 ao exame clínico

cais dos pré-molares e molares inferiores direitos, evidenciando remanescentes radiculares dos elementos 44 e 46, com área de radiolucidez no ápice radicular do elemento 44, estendendo-se também à região periapical do elemento 45 (Figura 6).

A paciente foi encaminhada ao cirurgião-dentista, que optou pela exodontia dos restos radiculares supracitados com curetagem alveolar e antibioticoterapia com amoxicilina e clavulanato. O elemento dentário 45 foi tratado de forma conservadora, dado que apresentava vitalidade pulpar. A paciente retornou ao ambulatório 6 meses após a realização do tratamento odontológico, apresentando fechamento completo da fístula e cicatriz discretamente atrófica no local (Figura 7).

DISCUSSÃO

As FCOs representam um trajeto entre a cavidade oral e a pele. São infecções crônicas, manifestações de necrose pulpar e periodontite apical crônica, causadas por cárie, infecção pulpar ou periapical, doenças periodontais, fraturas radiculares ou problemas mecânicos decorrentes de trauma. Provocam um processo inflamatório osteoclástico, com formação de abscesso, que progride gradualmente através do osso alveolar, formando um trajeto em direção à área de menor resistência.7 O local da drenagem pode ser intraoral ou extraoral. Quando não detectadas

Figura 6: Presença de restos radiculares dos elementos 44 e 46, sugerindo remanescentes decorrentes de destruição coronária avançada (setas vermelhas). Observam-se áreas de radiolucidez periapical associadas aos elementos 44 e 46, com acometimento por contiguidade do elemento 45, sugerindo periodontite apical crônica (tracejado)

7: Cicatriz discretamente atrófica e fechamento completo da fístula 6 meses após o tratamento odontológico

precocemente, podem ocasionar alterações estéticas e transtornos psicológicos, comprometendo a autoestima, além de complicações e infecções secundárias.

É necessário um elevado grau de suspeição diagnóstica em relação à FCO, pois nem sempre há relato de odontalgia e a localização pode estar afastada do foco infeccioso, como nas fistulizações para a face e pescoço.8 Lee et al.7 verificaram que, de 33 pacientes com fístulas de origem odontogênica, 27 receberam inicialmente diagnóstico incorreto (81,8%). Os diagnósticos equivocados incluíram cisto epidérmico (24,2%), furúnculo (21,2%), micose subcutânea (15,2%), carcinoma de células escamosas (9,1%), carcinoma basocelular (6,1%) e granuloma piogênico (6,1%).

As manifestações cutâneas apresentam variabilidade morfológica, podendo se apresentar como retrações cutâneas, nódulos, abscessos, cistos, úlceras ou lesão com drenagem em diferentes locais, dependendo dos dentes acometidos.4 Os trajetos fistulosos são mais comumente associados a infecções de dentes inferiores, com drenagem preferencial para a mandíbula e o mento.5

O diagnóstico baseia-se na suspeita clínica e é confirmado por radiografia panorâmica da face, radiografia periapical e tomografia computadorizada.9 A ultrassonografia cutânea é uma técnica não invasiva e emergente, com utilidade comprovada em lesões localizadas,10 representando uma ferramenta segura e acessível para o diagnóstico da FCO. A presença de um trajeto fistuloso hipoecoico com realce ao Doppler colorido é um achado característico que auxilia no diagnóstico da condição.5

O tratamento consiste na remoção da causa primária, o que leva à cicatrização e regressão da lesão cutânea em 1 a 2 semanas. A cicatriz residual pode ser revisada cirurgicamente caso seja esteticamente desagradável para o paciente.6

Apesar de rara, a FCO deve sempre ser considerada no diagnóstico diferencial. Os médicos devem conhecê-la e estar atentos à cavidade oral, principalmente diante de lesões periorais e cervicais. Quando esse tipo de entidade se desenvolve e os pacientes desconhecem o quadro patológico dentário, eles procuram primeiro tratamento dermatológico antes de serem encaminhados para cirurgiões-dentistas. l

CB, Antunes AVLP, Portella AIPT, Bonfim ACEA, Trindade LC.
Figura

REFERÊNCIAS:

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10. Wortsman X, Wortsman J. Clinical usefulness of variable-frequency ultrasound in localized lesions of the skin. J Am Acad Dermatol. 2010;62:247-56.

CONTRIBUIÇÃO DOS AUTORES:

Clarissa Brito Farias 0009-0009-5395-045X

Análise estatística, Aprovação da versão final do manuscrito, Concepção e planejamento do estudo, Elaboração e redação do manuscrito, Obtenção, análise e interpretação dos dados, Participação intelectual em conduta propedêutica e/ou terapêutica de casos estudados, Revisão crítica da literatura.

Ana Vitória Lins Paiva Antunes 0000-0002-5171-245x

Concepção e planejamento do estudo, Elaboração e redação do manuscrito, Obtenção, análise e interpretação dos dados.

Aretuza Iolanda Pimentel Torres Portella 0000-0002-3952-363X

Concepção e planejamento do estudo, Elaboração e redação do manuscrito, Obtenção, análise e interpretação dos dados, Participação intelectual em conduta propedêutica e/ou terapêutica de casos estudados.

Antônio Carlos Evangelista de Araújo Bonfim 0000-0001-8739-365X

Aprovação da versão final do manuscrito, Concepção e planejamento do estudo, Elaboração e redação do manuscrito, Obtenção, análise e interpretação dos dados, Participação efetiva na orientação da pesquisa, Participação intelectual em conduta propedêutica e/ou terapêutica de casos estudados, Revisão crítica da literatura, Revisão crítica do manuscrito.

Luciana Cavalcanti Trindade 0000-0002-0643-1093

Concepção e planejamento do estudo, Participação efetiva na orientação da pesquisa, Revisão crítica da literatura, Revisão crítica do manuscrito.

www.surgicalcosmetic.org.br/

Carcinoma basocelular periocular com invasão orbitária: relato de caso

Periocular basal cell carcinoma with orbital invasion: a case report

Relato de Caso

Autores:

Mariana Sofia Monteiro Silva1

Luiz Fernando Eller Riscaroli1

Eduardo Garbin Rosset2 Ricardo Barbosa Lima1

Luciana Ferreira de Araújo1

1 Hospital Universitário Gaffrée e Guinle, Dermatology, Rio de Janeiro (RJ), Brasil

DOI: http://www.dx.doi.org/10.5935/scd1984-8773.2026180542

RESUMO

O carcinoma basocelular é a neoplasia periocular mais frequente. Embora a mortalidade seja baixa, a invasão orbitária representa uma complicação grave associada a alta morbidade. Relata-se o caso de um paciente do sexo masculino, 49 anos, tabagista, com lesão periocular de evolução agressiva, culminando em amaurose. O tratamento incluiu exenteração orbitária e reconstrução complexa com retalhos locais e regionais, complicada por necrose parcial e exposição óssea, exigindo múltiplos debridamentos. A histopatologia evidenciou padrão esclerodermiforme e diferenciação escamosa. O caso destaca as consequências devastadoras do carcinoma basocelular localmente avançado e a importância do diagnóstico precoce e da abordagem multidisciplinar para evitar deformidades e perda funcional.

Palavras-chave: Carcinoma Basocelular; Exenteração Orbitária; Neoplasias Cutâneas

2 Hospital Universitário Gaffrée e Guinle, Plastic Surgery, Rio de Janeiro (RJ), Brasil

3 Hospital Universitário Gaffrée e Guinle, Otorhinolaryngology, Rio de Janeiro (RJ), Brasil

ABSTRACT

Basal cell carcinoma is the most frequent periocular neoplasm. Although mortality is low, orbital invasion represents a severe complication associated with high morbidity. We report the case of a 49-year-old male smoker with an aggressively evolving periocular lesion culminating in amaurosis. Treatment included orbital exenteration and complex reconstruction using local and regional flaps, complicated by partial necrosis and bone exposure, requiring multiple debridements. Histopathological examination revealed a sclerodermiform pattern with squamous differentiation. This case highlights the devastating consequences of locally advanced basal cell carcinoma as well as the importance of early diagnosis and a multidisciplinary approach to prevent deformity and loss of function.

Keywords: Carcinoma, Basal Cell; Orbital Exenteration; Skin Neoplasms

Correspondência:

Mariana Sofia Monteiro Silva E-mail: marianasofiams@gmail.com / mariana.sofia.1@ebserh.gov.br

Fonte de financiamento: Não Conflito de interesses: Não

Data de submissão: 10/12/2025 Decisão final: 16/02/2026

Como citar este artigo: Silva MSM, Riscaroli LFE, Rosset EG, Lima RB, Araújo LF, Gomes Neto R. Carcinoma basocelular periocular com invasão orbitária: relato de caso. Surg Cosmet Dermatol. 2026;18(2):e20260542.

INTRODUÇÃO

O carcinoma basocelular (CBC) representa a neoplasia maligna mais comum da região periocular, correspondendo a cerca de 80 a 96% dos tumores nessa localização. Apesar de frequentemente considerado um tumor de comportamento indolente e baixo potencial metastático, o CBC periocular pode apresentar comportamento localmente agressivo. A invasão orbitária é um evento incomum, com incidência estimada entre 0,8 e 5,5% em países desenvolvidos, podendo alcançar taxas alarmantes de até 17% em países em desenvolvimento, muitas vezes devido ao atraso no diagnóstico e no tratamento.1

A evolução clínica pode ser silenciosa, exigindo vigilância constante para sinais de tumores de alto risco. Os principais fatores associados à invasão orbitária incluem: múltiplas recorrências, grandes dimensões tumorais, margens cirúrgicas comprometidas, localização na região cantal (medial ou lateral) e subtipos histológicos agressivos, como os morfeiformes/esclerodermiformes, infiltrativos e basoescamosos. A invasão perineural, embora presente em menos de 1% dos casos, é um marcador de pior prognóstico. ₂

Embora a taxa de mortalidade associada ao CBC periocular permaneça baixa, a morbidade é alta. A progressão tumoral pode resultar em desfiguramento facial grave e perda da visão, impactando drasticamente a qualidade de vida do paciente.3

O objetivo deste estudo é relatar um caso de CBC periocular com evolução agressiva, resultando em perda visual e necessidade de exenteração, evidenciando as graves repercussões do atraso no atendimento especializado e a importância do tratamento precoce.

RELATO DE CASO

Paciente do sexo masculino, 49 anos, tabagista, sem comorbidades, foi encaminhado ao serviço especializado com história de lesão na região periocular com início em 2021. O quadro iniciou-se como uma pequena pápula na pálpebra inferior, progredindo ao longo de dois anos com ulceração, dor intensa e crescimento expansivo, culminando em perda da acuidade visual ipsilateral (Figura 1).

Ao exame dermatológico, observou-se extensa ulceração na região orbitária esquerda, com bordas perláceas e ampla destruição tecidual. O exame oftalmológico evidenciou atrofia do globo ocular e ulceração corneana (Figura 2).

Foi realizada biópsia incisional, que confirmou o diagnóstico de CBC. Exames de imagem demonstraram comprometimento orbitário sem invasão intracraniana. Diante da extensão tumoral e da perda funcional, realizou-se exenteração orbitária com margens livres à congelação (Figura 3).

O exame histopatológico revelou CBC esclerodermiforme com diferenciação escamosa (Figuras 4 e 5). Não houve invasão do nervo óptico.

1: Ulceração em região orbitária esquerda

Figura 2: Lesão apresentando bordas de aspecto perláceo e hiperpigmentação, atrofia do globo ocular, leucoma e ulceração corneana

A reconstrução incluiu retalho médio-frontal associado ao retalho de avanço cérvico-facial (Figura 6). A evolução foi marcada por necrose parcial (Figura 7), exposição óssea orbitária, debridamentos seriados e posterior confecção de retalho do músculo temporal. Optou-se por manejo conservador, com cicatrização por segunda intenção (Figura 8). Após essas intervenções, o paciente evoluiu com perda de seguimento clínico, não sendo possível dar continuidade ao acompanhamento, apesar das tentativas de contato realizadas pela equipe médica.

Silva MSM, Riscaroli LFE, Rosset EG, Lima RB, Araújo LF, Gomes Neto R.
Figura

Figura 3: Intraoperatório de exenteração orbitária e exérese do tumor com controle histológico de margens por congelação

Figura 4: Histologia mostrando carcinoma basocelular com finos cordões de células basaloides imersos em estroma desmoplásico, caracterizando o padrão esclerodermiforme

Figura 5: Presença de evidências de diferenciação escamosa

Figura 6: Primeiro pós-operatório evidenciando o retalho médio-frontal baseado na artéria supratroclear e o retalho de avanço cérvico-facial.

Figura 7: Necrose parcial do retalho, com exposição óssea e necessidade de debridamentos seriados

DISCUSSÃO

O caso ilustra o conceito de CBC localmente avançado, uma condição desafiadora na qual a cirurgia convencional ou a radioterapia isoladas podem não ser curativas ou então resultar em deformidades relevantes. As diretrizes do Consenso Europeu de 2023 enfatizam que os CBCs não devem ser subestimados; tumores negligenciados ou recidivados podem invadir tecidos profundos, tornando o tratamento complexo.7

A classificação da Associação Europeia de Dermato-Oncologia (EADO) e as diretrizes da National Comprehensive Cancer Network (NCCN) (versão 2.2024) preconizam uma abordagem multidisciplinar para esses casos. O tratamento de primeira linha para o CBC localmente avançado permanece sendo a cirurgia (com controle estrito de margens) e/ou radioterapia.4

No presente caso, a cirurgia radical (exenteração) foi necessária devido à invasão orbitária e à perda visual já estabelecida. A histopatologia revelou subtipos agressivos (esclerodermiforme e com diferenciação escamosa), que corroboram a evolução rápida e destrutiva observada.5,6 O padrão esclerodermiforme é conhecido por suas margens mal definidas e alta taxa de recidiva, enquanto a diferenciação escamosa (padrão basoescamoso) confere um comportamento biológico mais agressivo, aproximando-se do carcinoma espinocelular. 8

Quando a cirurgia e a radioterapia são contraindicadas ou falham, as diretrizes atuais recomendam a terapia sistêmica. Os inibidores da via Hedgehog (como o vismodegibe e sonidegibe) e a imunoterapia com inibidores de checkpoint anti-PD1 (como o cemiplimabe) surgem como opções valiosas.4,7 Para CBCs perioculares localmente avançados e doença metastática orbital, o uso de vismodegibe (150 mg/dia) tem demonstrado eficácia, podendo ser utilizado inclusive como terapia neoadjuvante para reduzir a massa tumoral e, potencialmente, a taxa de exenteração orbitária. 5

Em relação ao prognóstico, o CBC periocular com margens cirúrgicas negativas apresenta taxas de recorrência entre 1,5 e 5,6%, variando conforme a localização anatômica. O canto medial é o local mais propenso à recidiva e à invasão profunda, devido aos planos de clivagem embriológica que facilitam a disseminação tumoral.4 A literatura documenta que as taxas de recorrência são significativamente maiores para malignidades periorbitárias em comparação com os CBCs de outras localizações cutâneas.9

CONCLUSÃO

Este relato destaca a importância do diagnóstico precoce e do acompanhamento regular de lesões perioculares. O CBC, embora frequentemente curável, pode evoluir para formas localmente avançadas com invasão orbitária, resultando em cegueira e mutilação, incluindo a necessidade de exenteração orbitária. A abordagem multidisciplinar, envolvendo dermatologistas, oftalmologistas, cirurgiões de cabeça e pescoço e cirurgiões plásticos, é fundamental para o manejo adequado, visando à cura oncológica e à minimização das sequelas funcionais e estéticas. l

Silva MSM, Riscaroli LFE, Rosset EG, Lima RB, Araújo LF, Gomes Neto R.
Figura 8: Fechamento da ferida por segunda intenção após necrose parcial do retalho, 10 meses após a abordagem inicial do tumor

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CONTRIBUIÇÃO DOS AUTORES:

Mariana Sofia Monteiro Silva 0009-0007-9928-7337

Aprovação da versão final do manuscrito, Concepção e planejamento do estudo, Elaboração e redação do manuscrito, Obtenção, análise e interpretação dos dados, Revisão crítica da literatura, Revisão crítica do manuscrito.

Luiz Fernando Eller Riscaroli 0009-0006-6665-0710

Participação intelectual em conduta propedêutica e/ou terapêutica de casos estudados.

Eduardo Garbin Rosset 0009-0002-5743-8743

Participação intelectual em conduta propedêutica e/ou terapêutica de casos estudados.

Ricardo Barbosa Lima 0000-0002-4297-3236

Aprovação da versão final do manuscrito, Participação efetiva na orientação da pesquisa, Participação intelectual em conduta propedêutica e/ ou terapêutica de casos estudados, Revisão crítica da literatura, Revisão crítica do manuscrito.

Luciana Ferreira de Araújo 0000-0001-6323-4961

Obtenção, análise e interpretação dos dados, Revisão crítica do manuscrito.

Ruy Gomes Neto 0009-0006-6676-2173

Participação intelectual em conduta propedêutica e/ou terapêutica de casos estudados.

www.surgicalcosmetic.org.br/

Frontoplastia

e transplante capilar pela técnica

FUE em um mesmo tempo cirúrgico

Frontoplasty and hair transplantation with FUE technique in the same surgical time

Relato de caso

Autores:

Rafael Reinert1,2

André Felipe Kroenke1,2

Emanoelle Machado1

Marcos Felippe Takano de Saidneuy1,4

Lauren Menna Marcondes1,4,5

Murilo Gamba Beduschi1,3

DOI: http://www.dx.doi.org/10.5935/scd1984-8773.2026180539

RESUMO

A alopecia frontal fibrosante (AFF) é uma condição caracterizada por alopecia cicatricial que acomete a linha capilar frontal e ocasiona repercussões estéticas e psicossociais. O presente relato descreve uma paciente de 47 anos, sem comorbidades, com AFF estabilizada. Após 2 anos de tratamento clínico, foi submetida a frontoplastia associada a transplante capilar pela técnica Follicular Unit Extraction (FUE), com implantação de 2.100 unidades foliculares. A associação das técnicas cirúrgicas em um único tempo cirúrgico mostrou-se segura e eficaz e obteve bons resultados estéticos após 15 meses. A estabilização da doença e a atuação multidisciplinar foram fundamentais. A abordagem combinada de tratamento medicamentoso e cirúrgico é viável e potencializa os resultados em casos selecionados. Palavras-chave: Alopecia; Cabelo; Atrofia; Líquen Plano

1 Clínica Visaderm, Dermatology Clinic, Blumenau (SC), Brasil

2 Universidade Federal do Rio Grande (FURG), Rio Grande (RS), Brasil

3 Fundação Universitária Regional de Blumenau, Blumenau (SC), Brasil

4 Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Florianópolis (SC), Brasil

5 BML Patologia, Blumenau (SC), Brasil

ABSTRACT

Frontal fibrosing alopecia (FFA) is a condition characterized by cicatricial alopecia affecting the frontal hairline, causing aesthetic and psychosocial repercussions. This case report describes a 47-year-old patient with no comorbidities and stable FFA. After two years of clinical treatment, she underwent frontoplasty combined with Follicular Unit Extraction (FUE) hair transplantation, with implantation of 2,100 follicular units. Combining the two surgical techniques in a single procedure proved safe and effective, with good aesthetic results after 15 months. Disease stabilization and a multidisciplinary intervention were key. A combined approach of medical and surgical treatment is feasible and enhances results in selected cases.

Keywords: Alopecia; Hair; Atrophy; Lichen planus

Correspondência: André Felipe Kroenke E-mail: kandrefk@gmail.com

Fonte de financiamento: Não Conflito de interesses: Não

Data de Submissão: 11/11/2025 Decisão final: 10/03/2026

Como citar este artigo: Reinert R, Kroenke AF, Machado E, Saidneuy MFT, Marcondes LM, Beduschi MG. Frontoplastia e transplante capilar pela técnica FUE em um mesmo tempo cirúrgico. Surg Cosmet Dermatol. 2026;18(1):e20260539.

Reinert R, Kroenke AF, Machado E, Saidneuy MFT, Marcondes LM, Beduschi MG.

INTRODUÇÃO

As técnicas de frontoplastia e transplante capilar emergiram na década de 1990.1,2 Ambos os procedimentos visam a melhoria da qualidade de vida e o restabelecimento da autoestima por meio do tratamento de condições dermatológicas e morfológicas.3

A alopecia frontal fibrosante (AFF) é uma das condições clássicas dentre as alopecias cicatriciais. A patologia exige um tratamento medicamentoso prolongado por causar dano cicatricial progressivo à pele, o que impede a viabilidade dos anexos cutâneos locais.1,3 Concomitantemente ao tratamento medicamentoso, uma abordagem invasiva pode ser uma opção para restabelecer o crescimento pleno de pelos e cabelos em áreas acometidas pela doença.1,3

OBJETIVO

Demonstrar a viabilidade da realização de frontoplastia e transplante capilar com a técnica Follicular Unit Extraction (FUE) em único tempo cirúrgico.

METODOLOGIA

Trata-se de um estudo observacional e descritivo, do tipo relato de caso, abordando o tratamento da AFF.

RELATO DE CASO

Uma paciente do sexo feminino, 47 anos, sem comorbidades, com histórico de AFF havia 8 anos, foi submetida a tratamento clínico durante 2 anos com sulfato de hidroxicloroquina 400 mg/dia, infiltrações intralesionais de triancinolona e xampu de clobetasol duas vezes por semana, apresentando remissão da atividade da doença.

Após 12 meses de estabilização da doença sob tratamento contínuo, optou-se pela realização de transplante capilar pela técnica FUE, associado à frontoplastia para rebaixamento da linha capilar anterior. A escolha da técnica shave FUE baseou-se no contexto tecnológico vigente à época, quando esta se apresentava como o método mais previsível, seguro e reprodutível para a extração de unidades foliculares, com baixa taxa de transecção, sendo, então, a melhor opção técnica disponível.

O procedimento foi realizado por uma equipe multidisciplinar composta por um dermatologista, um cirurgião plástico e um anestesista, em ambiente de centro cirúrgico e sob anestesia local com sedação. Como forma de gerar maior segurança e conforto para a paciente durante o procedimento, em conjunto, foram instituídas corticoterapia, analgesia e antibioticoterapia intraoperatórias.

Inicialmente, realizou-se o planejamento e a marcação cirúrgica da área doadora para definição do número de unidades foliculares (UFs) a serem extraídas (Figura 1). Foram então removidas 2.188 UFs da região occipital (Figura 2), utilizando dispositivo motorizado Trivellini® com punch de 0,9 mm, diâmetro descrito na literatura como capaz de minimizar o trauma folicular e preservar a integridade dos enxertos. Durante a prepa-

ração das unidades, foi realizado um retalho de escalpe em plano subgaleal, com incisões relaxadoras para ganho de amplitude e elasticidade (Figura 3).

Após mensuração do avanço obtido com o descolamen-

Figura 1: Marcação pré-cirúrgica
Figura 2: Extração das unidades foliculares

to, foi realizada a ressecção de um fuso cutâneo na região frontal, com aproximadamente 4 cm de largura, correspondente ao avanço obtido, e 20 cm de comprimento (Figura 4). Concomitantemente, procedeu-se à biópsia do couro cabeludo para

monitoramento da doença de base, cujo exame histopatológico evidenciou infiltrado inflamatório perivascular e perifolicular discreto, seguido de síntese em dois planos (Figura 5).

O posicionamento da nova linha capilar baseou-se nas proporções faciais, na anatomia e dinâmica do músculo frontal e em parâmetros estéticos individualizados, considerando oavanço esperado após a frontoplastia e a exérese do tecido cicatricial. A área receptora foi preparada por pré-incisões com lâmina de 0,8 mm, respeitando a angulação e a direção natural dos fios. A densidade de implantação foi ajustada conforme o tecido receptor, com 50 unidades foliculares/cm² em áreas cicatriciais bem vascularizadas e 40 unidades foliculares/cm² em regiões com fibrose ou atrofia, visando otimizar a sobrevivência dos enxertos.

As unidades foliculares foram implantadas com implanters rombos, técnica que permite maior controle da profundidade, reduz o trauma aos enxertos e minimiza os riscos (Figura 6). O desenho e a orientação dos enxertos seguiram critérios anatômicos e estéticos, respeitando o padrão natural de crescimento capilar frontal feminino, com especial atenção à transição entre a área cicatricial e o couro cabeludo não cicatricial. A Figura 7 documenta o resultado 30 dias após o procedimento. Após o procedimento, a paciente manteve o uso de xampu de clobetasol duas vezes por semana até o retorno com 15 meses de evolução pós-operatória (Figura 8), passando posteriormente a utilizá-lo uma vez por semana. Durante o acompanhamento longitudinal, adotou-se uma abordagem multidisciplinar, incluindo seguimento psicológico.

Figura 3: Incisões em aponeurose subdérmica
Figura 5: Síntese em dois planos após frontoplastia
Figura 4: Exérese de tecido cicatricial

DISCUSSÃO

A AFF foi identificada e descrita por Kossarden em 1994, caracterizando-se como uma alopecia primária cicatricial linfocitária, cursando com destruição irreversível dos folículos pilosos. Clinicamente, o distúrbio envolve a linha capilar frontotemporal,

com eritema perifolicular, hiperceratose folicular e cicatrização com recessão da linha capilar, características que auxiliam no diagnóstico clínico.4,5

A ausência de um protocolo definido para a alopecia limita o tratamento, mas estudos mostram que a associação de antimaláricos e corticoterapia intralesional tem resposta positiva em até 60% dos casos, enquanto a corticoterapia oral é ineficaz. Já o uso de inibidores da 5-alfa-redutase, respeitando a dose diária máxima do medicamento, leva à estabilização da doença.6,7

Após a estabilização da alopecia por tratamento medicamentoso por um período mínimo de 12 meses, é possível realizar cirurgia reparadora estética para a melhora da região acometida. Assim, o transplante capilar pode ser realizado de forma isolada na área acometida pela doença cicatricial.8,9

Um estudo multicêntrico com 52 pacientes mostrou que a satisfação dos pacientes foi superior a 80% quando o transplante capilar foi realizado em áreas com doença estabilizada após o tratamento medicamentoso.9 Outro estudo mostrou que a satisfação e a autoestima das mulheres despontaram após a cirurgia de redução da linha capilar frontal.10 Dessa maneira, em conjunto com a equipe e para obter melhor resultado estético, optou-se por realizar a extração do tecido cicatricial por meio de frontoplastia associada ao avanço da linha capilar com o transplante capilar fio a fio.11

A extração das UFs foi realizada por meio da técnica shave FUE, escolhida com o objetivo de minimizar a taxa de

Reinert R, Kroenke AF, Machado E, Saidneuy MFT, Marcondes LM, Beduschi MG.
Figura 6: Rebaixamento da linha capilar frontal
Figura 8: 15 meses após o procedimento
Figura 7: 30 dias de pós-operatório

transecção, uma vez que a literatura descreve índices de dano inferiores a 4% com essa abordagem.12 O planejamento da densidade capilar foi definido de forma a preservar a naturalidade do resultado, respeitando os padrões estéticos e a média de unidades foliculares recomendadas para a etnia da paciente, sendo adotada densidade final em torno de 40 a 45 UFs/cm².13

O resultado estético final e a fixação real das unidades foliculares podem ser observados após 12 meses do procedimento. Contudo, não é possível descartar a possibilidade de queda das UFs implantadas no procedimento cirúrgico e recidiva de processo inflamatório na região.7,9,10 Por isso, é necessário continuar otratamento farmacológico e o acompanhamento regular com dermatologista para ajuste e manutenção do tratamento com xampu de clobetasol.14

CONCLUSÃO

Este estudo demonstra que o tratamento medicamentoso é crucial para estabilizar e promover a regressão da AFF, permitindo o planejamento adequado para a correção estética da área afetada. O transplante capilar pode ser realizado sobre a área cicatricial, embora não garanta uma fixação completa das UFs. A combinação desse procedimento com a cirurgia de exérese da região afetada resulta em maior sucesso estético e funcional. Este relato de caso contribui para a literatura ao destacar a viabilidade de realizar ambos os procedimentos em um único tempo cirúrgico, promovendo melhores resultados estéticos e elevando a autoestima dos pacientes. Essa versão do tratamento enfatiza a importância do tratamento medicamentoso inicial, seguido pelo potencial positivo da combinação de transplante capilar com exérese cirúrgica da área fibrosada, gerando benefício estético e psicológico para os pacientes. l

REFERÊNCIAS:

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2. Cintra GS, Cristovão AX, Silva MVA, Corazza AV. Técnicas de Transplante Capilar e suas Principais Complicações: uma Revisão Integrativa. Arch Health Invest. 2022;11(5):827–31.

3. Schmidt M, Ramelli E, Atlan M, Cristofari S. Étude anatomique scanographique du sinus frontal des patients transgenres en vue d’une chirurgie de frontoorbitoplastie de féminisation [Frontal sinus anatomical scanographic study of transgender patients for feminization frontoorbitoplasty surgery]. Ann Chir Plast Esthet. 2023;68(2):93-8.

4. Kossard S. Postmenopausal frontal fibrosing alopecia: scarring alopecia in a pattern distribution. Arch Dermatol. 1994;130(6):770–4.

5. Jouanique C, Reygagne P. L'alopécie frontale fibrosante [Frontal fibrosing alopecia]. Ann Dermatol Venereol. 2014;141(4):272-8.

6. Marmor MF, Kellner U, Lai TY, Melles RB, Mieler WF, American Academy of Ophthalmology. Recommendations on screening for chloroquine and hydroxychloroquine retinopathy. Ophthalmology. 2016;123(6):1386-94.

7. Vañó-Galván S, Molina-Ruiz AM, Serrano-Falcón C, Arias-Santiago

CONTRIBUIÇÃO DOS AUTORES:

Rafael Reinert 0009-0002-2357-435X

Aprovação da versão final do manuscrito.

André Felipe Kroenke 0009-0004-7581-9368

Participação efetiva na orientação da pesquisa.

Emanoelle Machado 0009-0008-7433-3517

Revisão crítica da literatura.

S, Rodrigues-Barata AR, Garnacho-Saucedo G. Frontal fibrosing alopecia: a multicenter review of 355 patients. J Am Acad Dermatol. 2014;70(4):670-8.

8. Unger W, Unger R, Wesley C. The surgical treatment of cicatricial alopecia. Dermatol Ther. 2008;21(4):295-311.

9. Vañó-Galván S, Villodres E, Pigem R, Navarro-Belmonte MR, Asín-Llorca M, Meyer-González T. Hair t.ransplant in frontal fibrosing alopecia: A multicenter review of 51 patients. J Am Acad Dermatol. 2019;81(3):865-6.

10. Park JH, You SH, Kim N. Frontal hairline lowering with hair transplantation in Asian women with high foreheads. Int J Dermatol. 2019;58(3):360-4.

11. Jimenez F, Alam M, Vogel JE, Avram M. Hair transplantation: Basic overview. J Am Acad Dermatol. 2021;85(4):803-14.

12. Avram MR, Watkins S. Robotic Hair Transplantation. Facial Plast Surg Clin North Am. 2020;28(2):189-96.

13. Epstein GK, Epstein J, Nikolic J. Follicular Unit Excision: Current Practice and Future Developments. Facial Plast Surg Clin North Am. 2020;28(2):169-76.

14. Mendes-Bastos P, Camps-Fresneda A. Hair Transplantation for Frontal Fibrosing Alopecia: Part of the Solution? Actas Dermosifiliogr. 2016;107(1):3-4.

Marcos Felippe Takano de Saidneuy 0009-0009-3815-4439

Aprovação da versão final do manuscrito, Elaboração e redação do manuscrito.

Lauren Menna Marcondes 0009-0009-5124-0470

Obtenção, análise e interpretação dos dados.

Murilo Gamba Beduschi 0000-0002-5218-9509

Revisão crítica do manuscrito.

www.surgicalcosmetic.org.br/

Refratariedade

terapêutica de múltiplos granulomas piogênicos em dobras ungueais como efeito adverso do uso do amivantamabe: relato de caso

Therapeutic refractoriness of multiple pyogenic granulomas on nail folds as an adverse effect of amivantamab: a case report

DOI: http://www.dx.doi.org/10.5935/scd1984-8773.2026180538

RESUMO

O amivantamabe é um anticorpo monoclonal biespecífico anti-EGFR e anti-MET indicado para câncer de pulmão de não pequenas células com mutações de inserção no éxon 20 do EGFR. Embora eficaz, está associado a efeitos cutâneos adversos, como paroníquia e granulomas piogênicos. Relata-se um caso de granuloma piogênico periungueal em paciente sob uso de amivantamabe, destacando a relação causal, a evolução clínica e o manejo cirúrgico. A identificação precoce e a abordagem multidisciplinar são fundamentais para manter a terapia oncológica e garantir o controle das lesões cutâneas. Palavras-chave: Granuloma Piogênico; Efeitos Colaterais e Reações Adversas Relacionados a Medicamentos; Terapia de Alvo Molecular

Relato de caso

Autores:

Ana Vitoria Lins de Paiva Antunes1

Clarissa Brito de Farias1

Luciana Cavalcanti Trindade1

Renata Monteiro de Lacerda1

1 Faculdade de Medicina Nova Esperança, Dermatology Service, João Pessoa (PB), Brasil

ABSTRACT

Amivantamab is a bispecific anti-EGFR and anti-MET monoclonal antibody indicated for non-small cell lung cancer harboring EGFR exon 20 insertion mutations. Although effective, it may cause cutaneous adverse events such as paronychia and pyogenic granulomas. We report a case of periungual pyogenic granuloma in a patient undergoing amivantamab therapy, emphasizing the causal relationship, clinical evolution, and surgical management. Early recognition and a multidisciplinary approach are crucial to maintain oncological treatment while ensuring adequate control of dermatologic manifestations.

Keywords: Granuloma, Pyogenic. Drug-Related Side Effects and Adverse Reactions; Molecular Targeted Therapy

Correspondência:

Ana Vitoria Lins de Paiva Antunes E-mail: vitorialpaiva@outlook.com

Fonte de financiamento: Não Conflito de interesses: Não

Data de Submissão: 09/11/2025

Decisão final: 22/03/2026

Como citar este artigo: Antunes AVLP, Farias CB, Trindade LC, Lacerda RM. Refratariedade terapêutica de múltiplos granulomas piogênicos em dobras ungueais como efeito adverso do uso do amivantamabe: relato de caso. Surg Cosmet Dermatol. 2026;18(2):e20260538.

INTRODUÇÃO

O amivantamabe é um anticorpo monoclonal biespecífico à base de imunoglobulina G1 (IgG1) totalmente humano, produzido em uma linha celular de mamíferos utilizando tecnologia de DNA recombinante.¹ Em monoterapia ou em combinação, o medicamento é indicado para tratar adultos portadores de câncer de pulmão de não pequenas células (CPNPC) metastático ou inoperável.²

A droga foi aprovada pela Food and Drug Administration (FDA) de forma acelerada em maio de 2021, apresentando taxa de resposta geral substancial e respostas duradouras.¹ Entretanto, efeitos adversos podem ser observados em pacientes em uso de amivantamabe, como reações à infusão, erupções cutâneas, paroníquia, dor musculoesquelética, dispneia, náuseas e fadiga.²

Os efeitos adversos cutâneos são prevalentes e se caracterizam por erupções acneiformes, xerose, fissuras, alterações ungueais e lesões inflamatórias periungueais. O granuloma piogênico é uma lesão relevante nesse contexto, visto que decorre da evolução de uma paroníquia crônica, inflamação das dobras ungueais observada com frequência durante o uso de amivantamabe. Esses efeitos são atribuídos ao processo inflamatório crônico e ao comprometimento da integridade cutânea.7,10

Os granulomas piogênicos são uma proliferação vascular benigna da pele ou do tecido celular subcutâneo.³ O surgimento dessa lesão está associado a fatores desencadeantes, tais como

traumas, infecções, reações a corpos estranhos, cicatrização tardia de feridas e, no caso de múltiplas lesões, uso de medicamentos oncológicos. Apesar de haver múltiplas opções terapêuticas para esse tipo de lesão, a permanência do fator causal resulta em refratariedade do quadro.4

Diante do exposto, este estudo tem como objetivo demonstrar a persistência das manifestações periungueais como efeito adverso do uso do amivantamabe, mesmo diante de várias abordagens terapêuticas.

RELATO DE CASO

Paciente do sexo feminino, 45 anos, foi diagnosticada com neoplasia pulmonar com metástases cerebrais em maio de 2023, tendo sido indicado o amivantamabe em outubro do mesmo ano, por se tratar de uma neoplasia inoperável e metastática. Compareceu à consulta dermatológica em junho de 2024 devido ao surgimento de lesões nas unhas das mãos e dos pés havia 6 meses.

Ao exame físico foram observadas pápulas eritematovioláceas, medindo entre 4 e 8 mm de diâmetro, arredondadas, friáveis, com secreção seropurulenta em dobras ungueais laterais e mediais de todas as unhas das mãos e dos pés, sem sinais de onicocriptose, compatíveis com quadro de paroníquia e granuloma piogênico (Figura 1).

Figura 1: Pápulas eritematovioláceas, medindo entre 4 e 8 mm de diâmetro, arredondadas, friáveis, com secreção seropurulenta em dobras ungueais laterais e mediais de todas as unhas das mãos e dos pés, sem sinais de onicocriptose

Diante do diagnóstico, foram utilizadas terapêuticas como cefadroxila, sulfametoxazol + trimetoprima e amoxicilina +clavulonato de potássio. Além disso, foram realizados tratamentos tópicos com ácido nítrico a 65%, ATA 50%, criocirurgia com nitrogênio líquido, timolol tópico e nitrato de prata, com resposta temporária do processo infeccioso, mas sem regressão das lesões, configurando, assim, um efeito adverso da terapia sistêmica com amivantamabe.

A persistência das lesões após os tratamentos realizados culminou na decisão de iniciar uma terapia ainda off-label para lesões como a da paciente, mas que já apresenta alguns resultados positivos em casos semelhantes: o uso de isotretinoína oral em doses baixas. Contudo, a terapia foi contraindicada pelo oncologista clínico, dado que a paciente apresenta metástases hepáticas.

DISCUSSÃO

O amivantamabe é um anticorpo monoclonal biespecífico desenvolvido para atuar simultaneamente sobre os receptores do fator de crescimento epidérmico (EGFR) e do fator de transição epitelial-mesenquimal (MET), representando um avanço terapêutico relevante no manejo do CPNPC.1,3 A mutação de inserção no éxon 20 do EGFR confere resistência aos inibidores de tirosina quinase tradicionais, motivo pelo qual o amivantamabe, em monoterapia, foi aprovado para uso em pacientes adultos com doença avançada após falha do tratamento.2,5 Apesar dos resultados promissores quanto à eficácia e à durabilidade da resposta, o perfil de segurança e os efeitos adversos associados a essa terapia ainda estão em processo de caracterização mais abrangente em cenários clínicos reais.3

Entre os eventos adversos relatados, destacam-se reações à infusão, distúrbios dermatológicos, infecções e alterações respiratórias.2,3 As manifestações cutâneas são particularmente frequentes e incluem erupções acneiformes, xerose, fissuras e paroníquia, sendo esta última frequentemente acompanhada pelo surgimento de granulomas piogênicos (GPs).3,6 A paroníquia induzida por terapias anti-EGFR decorre da inflamação crônica das dobras ungueais, levando à perda da integridade da barreira cutânea e

favorecendo processos proliferativos vasculares secundários.4

O GP é um tumor vascular benigno, de caráter reativo, que pode surgir em qualquer faixa etária e apresenta-se clinicamente como uma lesão nodular, eritematosa e de superfície lobulada, de crescimento rápido e propensa a sangramentos.4,7 Nos últimos anos, observou-se um aumento expressivo da ocorrência de GPs associados ao uso de terapias antitumorais alvo-dirigidas, em especial aquelas que bloqueiam a via do EGFR, como oamivantamabe.6,7 A inibição dessa via promove alterações nos mecanismos de reparo epidérmico e inflamatório, predispondo ao desenvolvimento de lesões periungueais múltiplas e recidivantes.7

O manejo terapêutico dessas lesões requer um abordagem individualizada, levando em consideração tanto o controle local do granuloma quanto a manutenção da terapia oncológica.4 As opções incluem o uso de agentes tópicos ou sistêmicos, cauterização química com nitrato de prata, criocirurgia, laserterapia, escleroterapia e procedimentos cirúrgicos.4,8 A excisão cirúrgica é considerada o padrão-ouro, por apresentar menor taxa de recorrência, embora intervenções menos invasivas sejam preferíveis em casos múltiplos ou de difícil cicatrização.8 Recentemente, terapias tópicas com betabloqueadores, como timolol e betaxolol, têm se mostrado alternativas promissoras no tratamento de GPs associados a inibidores do EGFR, possivelmente pela modulação da angiogênese e redução do fluxo sanguíneo local.⁹ ¹⁰

Apesar das diversas opções disponíveis, a persistência da exposição ao agente causal no presente caso, o amivantamabe, representa um desafio terapêutico importante.3,6 A suspensão da medicação raramente é viável devido ao seu papel essencial no controle tumoral, o que limita a resolução completa das lesões cutâneas. Assim, o manejo deve priorizar o equilíbrio entre a continuidade do tratamento oncológico e o controle das manifestações dermatológicas, com enfoque multidisciplinar envolvendo oncologistas e dermatologistas. Essa integração é fundamental para otimizar a adesão terapêutica, minimizar impactos na qualidade de vida e contribuir para o uso mais seguro de terapias alvo-dirigidas emergentes. l

REFERÊNCIAS:

1. Neijssen J, Cardoso RMF, Chevalier KM, Wiegman L, Valerius T, Anderson GM, et al. Discovery of amivantamab (JNJ-61186372), a bispecific antibody targeting EGFR and MET. J Biol Chem. 2021;296:100641.

2. Vijayaraghavan S, Lipfert L, Chevalier K, Bushey BS, Henley B, Lenhart R, et al. Amivantamab (JNJ-61186372), an Fc Enhanced EGFR/cMet Bispecific Antibody, Induces Receptor Downmodulation and Antitumor Activity by Monocyte/Macrophage Trogocytosis. Mol Cancer Ther. 2020;19(10):2044-56.

3. Zhang J, Li W. Real-world pharmacovigilance analysis unveils the toxicity profile of amivantamab targeting EGFR exon 20 insertion mutations in non-small cell lung cancer. BMC Pulm Med. 2025;25(1):63.

4. Wollina U, Langner D, França K, Gianfaldoni S, Lotti T, Tchernev G. Pyogenic Granuloma – A Common Benign Vascular Tumor with Variable Clinical Presentation: New Findings and Treatment Options. Open Access Maced J Med Sci. 2017;5(4):423-6.

5. Moores SL, Laquerre S, Lorenzi MV. The user’s guide to amivantamab: A bispecific EGFR-MET antibody in EGFR exon 20 insertion-mutated NSCLC. Curr Treat Options Oncol. 2025;26(2):67.

6. Harrington S, Straka J, Aguh C. Erosive pustular dermatosis–like eruption of the scalp from amivantamab: A series of 3 cases. JAAD Case Rep. 2024;52:116-9.

7. Lim SY, Seet JE, Wong EPY, Chow PKH. Pyogenic granuloma as a dermatological adverse event induced by epidermal growth factor receptor inhibitors. Oncologist. 2025;30(1):36-44.

8. Lee EJ, Park JH, Kim JW. Nd:YAG laser versus sclerotherapy for treatment of pyogenic granuloma in children: a retrospective study. Sci Rep. 2025;15:1021.

9. Chen Y, Pradhan S, Xue S. Topical brimonidine for pyogenic granuloma after paronychia surgery. JAAD Case Rep. 2020;7:41-3.

10. Fabbrocini G, Marasca C, Ruggiero A, Cacciapuoti S. Topical betaxolol for the treatment of paronychia and granulation tissue-like lesions induced by epidermal growth factor receptor inhibitors. J Eur Acad Dermatol Venereol. 2021;35(6):e403-5.

CONTRIBUIÇÃO DOS AUTORES:

Ana Vitoria Lins de Paiva Antunes

0000-0002-5171-245X

Concepção e planejamento do estudo, Elaboração e redação do manuscrito, Participação intelectual em conduta propedêutica e/ou terapêutica de casos estudados, Revisão crítica da literatura, Revisão crítica do manuscrito.

Clarissa Brito de Farias 0009-0009-5395-045X

Obtenção, análise e interpretação dos dados, Participação intelectual em conduta propedêutica e/ou terapêutica de casos estudados, Revisão crítica da literatura.

Luciana Cavalcanti Trindade 0000-0002-0643-1093

Participação efetiva na orientação da pesquisa, Revisão crítica da literatura, Revisão crítica do manuscrito.

Renata Monteiro de Lacerda 0000-0003-4661-3745

Aprovação da versão final do manuscrito, Concepção e planejamento do estudo, Participação efetiva na orientação da pesquisa, Revisão crítica do manuscrito.

www.surgicalcosmetic.org.br/

Localização atípica de tumor de células granulares

em paciente do sexo feminino: um relato de caso raro

Atypical location of granular cell tumor in a female patient: a rare case report

Relato de Caso

Autores:

Nivin Mazen Said1

Gisele Alves Morikawa Caldeira1

Airton Kenji Motizuki2

Maraya de Jesus Semblano

Bittencourt1

Mariana Bastos Amanajás1

Silvia Ferreira Rodrigues Müller1 Franklin de Souza Rocha1

DOI: http://www.dx.doi.org/10.5935/scd1984-8773.2026180537

RESUMO

Tumores de células granulares são neoplasias neurogênicas raras, geralmente benignas, com apresentação clínica inespecífica. Relatamos o caso de uma mulher de 70 anos com lesão nodular ulcerada no braço, de crescimento progressivo, com dor e prurido. Os achados descritos nos exames complementares, como a ressonância magnética, o exame histopatológico e a imunohistoquímica, confirmaram, respectivamente, a presença de uma massa subcutânea expansiva, uma proliferação de células poliédricas com citoplasma granulado e positividade para proteína S100, compatível com o diagnóstico de tumor de células granulares. Discutem-se a importância do diagnóstico precoce, da ressecção completa e do acompanhamento clínico do paciente para prevenir recidivas e monitorar o risco raro de malignidade. Palavras-chave: Tumor de Células Granulares; Células de Schwann; Neoplasias por Localização

1 Universidade Federal do Pará (UFPA), Dermatology Service, Belém (PA), Brasil

2 Universidade Federal do Pará (UFPA), Faculdade de MedicinaBelém - PA - Brasil

ABSTRACT

Granular cell tumors are rare neurogenic neoplasms, usually benign, with a nonspecific clinical presentation.We report the case of a 70-year-old woman with an ulcerated nodular lesion on the arm, showing progressive growth, pain, and pruritus. Findings from complementary examinations, including magnetic resonance imaging, histopathological examination, and immunohistochemistry, confirmed, respectively, an expansive subcutaneous mass, a proliferation of polyhedral cells with granular cytoplasm, and positivity for the S100 protein, consistent with a diagnosis of granular cell tumor. The report discusses the importance of early diagnosis, complete surgical excision, and clinical follow-up to prevent recurrences and to monitor the rare risk of malignancy.

Keywords: Granular Cell Tumor; Schwann Cells; Neoplasms by Site

Correspondência:

Nivin Mazen Said E-mail: nivinmsaid@gmail.com

Fonte de financiamento: Não Conflito de interesses: Não É Ensaio Clínico? Não

Data de Submissão: 08/11/2025 Decisão final: 14/05/2026

Como citar este artigo: Said NM, Caldeira GAM, Motizuki AK, Amanajás MB, Bittencourt MJS, Müller SFR, Rocha FS. Localização atípica de tumor de células granulares em uma paciente do sexo feminino: um relato de caso raro. Surg Cosmet Dermatol. 2026;18(2):e20260537.

INTRODUÇÃO

Os tumores de células granulares (TCG) são neoplasias de origem neurogênica, tipicamente benignas e derivadas das células de Schwann.1-4 Costumam manifestar-se clinicamente como nódulos subcutâneos de crescimento lento, geralmente assintomáticos e com aspecto clínico pouco característico, o que pode dificultar seu diagnóstico inicial.1-4 Predominantemente são encontrados em adultos, especialmente em mulheres e indivíduos de pele negra, e os TCG podem surgir em várias regiões do organismo, como pele, língua, trato gastrointestinal, sistema nervoso periférico e tecido subcutâneo.1-4

MÉTODOS

O estudo consiste em um relato de caso de uma mulher de 70 anos diagnosticada com tumor de células granulares na região do braço direito. Descreve-se o caso desde o diagnóstico até o tratamento dessa neoplasia, tendo como base teórica uma revisão da literatura sobre a temática nas bases de dados PubMed, Scientific Electronic Library Online (SciELO) e Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS). Além disso, o presente estudo seguiu as orientações do checklist CARE para relatos de caso e séries de casos. O caso foi baseado no prontuário médico da paciente e nos exames complementares que auxiliaram no diagnóstico e na conduta, seguindo todos os procedimentos éticos e após consentimento da paciente.

RELATO DE CASO

Paciente do sexo feminino, 70 anos, encaminhada ao dermatologista devido ao surgimento de lesão nodular no braço esquerdo cerca de 2 anos antes, com crescimento progressivo, dor e prurido local, sem tratamentos prévios (Figura 1).

Ao exame dermatológico inicial, apresentava uma placa infiltrada, violácea, com centro ulcerado, medindo 2 cm de diâmetro e localizada na face anterolateral do braço esquerdo (Figura 2).

Figura 1: Apresentação clínica da lesão na região axilar esquerda

Figura 2: Dermatoscopia da lesão demonstrando placa infiltrada, violácea, com centro ulcerado, medindo 2 cm de diâmetro, sem outras especificações

Foram solicitados ressonância magnética (RM), exame histopatológico (HPT) e estudo imunohistoquímico (IHQ) da lesão cutânea. A RM da lesão indicou formação expansiva heterogênea, de contornos lobulados, localizada de permeio ao tecido celular subcutâneo da região axilar esquerda, medindo cerca de 3,8 × 3,3 × 2,5 cm, apresentando extensão para a pele adjacente e em íntimo contato com a musculatura do bíceps braquial, porém sem sinais de invasão ou outras alterações, sendo necessário correlacionar os achados com o estudo histopatológico para o diagnóstico. O HPT revelou fragmento revestido superficialmente por epiderme sem atipias, sobre derme média e profunda expandidas por proliferação compacta de células poligonais justapostas, com amplos citoplasmas granulares anfofílicos e pequenos núcleos centrais hipercromáticos (Figura 3A, 3B e 3C).

A IHQ resultou em positividade difusa para a proteína S100 e NKI-C3, sem sinais de malignidade. Correlacionando a IHQ aos achados clínicos, confirmou-se o diagnóstico de tumor de células granulares (Figura 3D).

A conduta inicial consistiu em solicitar os exames pré-operatórios para exérese cirúrgica e manter o seguimento clínico da paciente. Foi realizada a exérese cirúrgica do tumor com fechamento primário (Figura 4). Três meses após o procedimento, observou-se apenas cicatriz operatória residual no sítio da lesão (Figura 5).

DISCUSSÃO

Os TCGs, também conhecidos como mioblastomas de Abrikossoff, são neoplasias raras e de origem controversa, com manifestação de caráter majoritariamente benigno e pouca variação maligna relatada na literatura.1,2 Inicialmente considerados como derivados de mioblastos, evidências obtidas por estudos imunohistoquímicos e de microscopia eletrônica indicam que sua verdadeira linhagem é neurogênica, mais especificamente se originando das células de Schwann, como sugere a intensa expressão do marcador S100.3-5

Said NM, Caldeira GAM, Motizuki AK, Amanajás MB, Bittencourt MJS, Müller SFR, Rocha FS.

A C B D

Figura 3: Resultado do exame histopatológico com coloração hematoxilina e eosina, visualizado com aumentos de 10× (A), 20× (B) e 40× (C), demonstrando proliferação compacta de células poligonais justapostas, com amplos citoplasmas granulares anfofílicos e pequenos núcleos centrais hipercromáticos. A imunohistoquímica revelou positividade para proteína S100 (D)

A C B D

Figura 4: Etapas da ressecção de lesão subcutânea. (A)Marcação pré-operatória da lesão. (B) Exposição da lesão após dissecção dos planos subcutâneos. (C) Exérese da lesão. (D) Fechamento primário da ferida com sutura cutânea

5: Pós-operatório tardio da lesão, 3 meses após a cirurgia

Os TCGs podem ocorrer em diversas regiões anatômicas, sendo mais comuns na língua, pele e tecidos subcutâneos, embora possam surgir em praticamente qualquer parte do corpo, incluindo trato respiratório, gastrointestinal, mama e sistema nervoso central. Entretanto, o desenvolvimento na pele é pouco documentado na literatura.1,3,4 A apresentação clínica é frequentemente inespecífica, com crescimento lento e indolor, oque pode levar a atrasos no diagnóstico.1,4,5 Ainda que pouco frequentes, há relatos de associação dos TCGs com síndromes genéticas, como a síndrome de Noonan e a neurofibromatose. 4-6 Acometem predominantemente adultos entre a terceira e a sexta décadas de vida, com discreto predomínio no sexo feminino e em indivíduos afrodescendentes.2-4 A maioria dos tumores é benigna, mas menos de 2% apresentam comportamento maligno, com achados histológicos como necrose, pleomorfismo nuclear e atividade mitótica aumentada, com risco de metástase.2

Dada sua raridade e potencial para mimetizar outras lesões benignas ou malignas, o diagnóstico definitivo de TCG requer exame histopatológico, podendo ser associado à imunohistoquímica.2,4 Histopatologicamente, o TCG é caracterizado por um tumor não encapsulado, com grandes células poliédricas, pequenos núcleos centrais hipercromáticos e citoplasma contendo abundantes grânulos eosinofílicos, estendendo-se até a hipoderme.2 As células tumorais frequentemente apresentam grandes grânulos eosinofílicos circundados por um halo transparente, conhecido como corpos pústulo-ovoides de Milian.2 A abordagem terapêutica de escolha é a excisão cirúrgica completa com margens livres, sendo o acompanhamento clínico essencial para a detecção precoce de recidivas, principalmente nos casos que apresentam parâmetros histológicos de agressividade.2

Figura

Said NM, Caldeira GAM, Motizuki AK, Amanajás MB, Bittencourt MJS, Müller SFR, Rocha FS.

CONCLUSÃO

Conclui-se, que este caso documenta uma neoplasia rara que possui tanto diagnóstico desafiador quanto localização incomum, sendo pouco descrita na literatura científica quando

localizada em membro superior. Também reforça a importância do diagnóstico precoce desse tumor, visto que pode apresentar comportamento maligno. l

REFERÊNCIAS:

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2. Fahim S, Aryanian Z, Ebrahimi Z, Kamyab-Hesari K, Mahmoudi H, Alizadeh N, et al. Cutaneous granular cell tumor: A case series, review, and update. J Family Med Prim Care. 2022;11(11):6955-8.

3. Nasser KR, Cuce LC, Vasconcelos RF, Macedo AC, Rodriguez JGK, Arruda RG, et al. Apresentação atípica de tumor de células granulares. Surg Cosmet Dermatol. 2015;7(1):72-4.

4. Neelon D, Lannan F, Childs J. Tumor de células granulares. Em: StatPearls [Internet]. Treasure Island (FL): StatPearls Publishing; jan. de 2025.

5. Ardeleanu V, Jecan RC, Moroianu M, Teodoreanu RN, Tebeica T, Moroianu LA, et al. Case report: Abrikossoff's tumor of the facial skin. Front Med (Lausanne). 2023;10:1149735.

6. Paul SP, Osipov V. An unusual granular cell tumour of the buttock and a review of granular cell tumours. Case Rep Dermatol Med. 2013;2013:109308.

CONTRIBUIÇÃO DOS AUTORES:

Nivin Mazen Said 0000-0002-0611-5672

Aprovação da versão final do manuscrito, Concepção e planejamento do estudo, Elaboração e redação do manuscrito, Obtenção, análise e interpretação dos dados, Participação efetiva na orientação da pesquisa, Participação intelectual em conduta propedêutica e/ou terapêutica de casos estudados, Revisão crítica da literatura, Revisão crítica do manuscrito.

Gisele Alves Morikawa Caldeira 0000-0001-7655-1173

Aprovação da versão final do manuscrito, Concepção e planejamento do estudo, Elaboração e redação do manuscrito, Obtenção, análise e interpretação dos dados, Participação efetiva na orientação da pesquisa, Participação intelectual em conduta propedêutica e/ou terapêutica de casos estudados, Revisão crítica da literatura, Revisão crítica do manuscrito.

Airton Kenji Motizuki 0009-0002-7188-0984

Aprovação da versão final do manuscrito, Concepção e planejamento do estudo, Elaboração e redação do manuscrito, Obtenção, análise e interpretação dos dados, Participação efetiva na orientação da pesquisa, Revisão crítica da literatura, Revisão crítica do manuscrito.

Maraya de Jesus Semblano Bittencourt 0000-0002-7297-0749

Aprovação da versão final do manuscrito, Concepção e planejamento do estudo, Elaboração e redação do manuscrito, Obtenção, análise e interpretação dos dados, Participação efetiva na orientação da pesquisa, Participação intelectual em conduta propedêutica e/ou terapêutica de casos estudados, Revisão crítica da literatura, Revisão crítica do manuscrito.

Silvia Ferreira Rodrigues Müller 0000-0002-5714-8466

Aprovação da versão final do manuscrito, Concepção e planejamento do estudo, Participação efetiva na orientação da pesquisa, Participação intelectual em conduta propedêutica e/ou terapêutica de casos estudados, Revisão crítica do manuscrito.

Franklin de Souza Rocha 0000-0002-7386-1616

Aprovação da versão final do manuscrito, Concepção e planejamento do estudo, Participação efetiva na orientação da pesquisa, Participação intelectual em conduta propedêutica e/ou terapêutica de casos estudados, Revisão crítica do manuscrito.

www.surgicalcosmetic.org.br/

Melanoma amelanótico em uma tatuagem: Um grande mascarado

Amelanotic melanoma in a tattoo: A great masquerader

Relato de Caso

Autores:

Luíza Maria Grangeiro de Sousa1

João Alfredo Monte Melo de Barros2

Rafael Freire de Lira Sobral3

Ana Beatriz Albuquerque Nunes4

Jader Freire Sobral Filho5

Maria Tereza de Medeiros Leite Espínola5

1 Afya Paraíba, Cabedelo, Paraíba (PB), Brasil

DOI: http://www.dx.doi.org/10.5935/scd1984-8773.2026180504

RESUMO

O melanoma maligno amelanótico (MMA) é uma variante rara e de difícil diagnóstico, especialmente em áreas tatuadas, onde sinais visuais podem ser mascarados. Relatamos o caso de um paciente jovem com MMA sobre uma tatuagem na região deltoide, inicialmente diagnosticado como lesão benigna. A biópsia revelou lentigo maligno in situ, com Breslow de 0,7 mm. O caso desafia o perfil epidemiológico típico do MMA e levanta questionamentos sobre a possível influência das tatuagens na carcinogênese cutânea. Embora a associação não esteja comprovada, a crescente prevalência das tatuagens reforça a necessidade de vigilância clínica e investigações adicionais sobre essa possível relação.

Palavras-chave: Melanoma; Melanoma Amelanótico; Tatuagem

ABSTRACT

Amelanotic malignant melanoma (AMM) is a rare and diagnostically challenging variant, especially when located on tattooed skin, where visual clues may be obscured. We report the case of a young male patient with AMM over a deltoid tattoo, initially misdiagnosed as a benign lesion. Histopathology revealed melanoma in situ with a Breslow thickness of 0.7 mm. This case deviates from the typical AMM profile and raises questions about the potential role of tattoos in skin carcinogenesis. Although a causal link is unproven, the rising prevalence of tattoos highlights the need for clinical vigilance and further research into this possible association.

Keywords: Melanoma; Melanoma, Amelanotic; Tattooing

2 Universidade Federal da Paraíba (UFPB), João Pessoa (PB), Brasil

3 Hospital Universitário Lauro Wanderley, João Pessoa (PB), Brasil

4 Faculdade de Medicina Nova Esperança, João Pessoa (PB), Brasil

5 Unipê - Centro Universitário de João Pessoa, João Pessoa (PB), Brasil

Correspondência:

Luíza Maria Grangeiro de Sousa E-mail: luizamaria.academica@ gmail.com

Fonte de financiamento: Não

Conflito de interesses: Não

Data de Submissão: 02/08/2025

Decisão final: 09/02/2026

Como citar este artigo: Sousa LMG, Barros JAMM, Sobral RFL, Nunes ABA, Espínola MTML, Sobral Filho JF. Melanoma Amelanótico em uma Tatuagem: Um grande mascarado. Surg Cosmet Dermatol. 2026;18(2):e20260504.

INTRODUÇÃO

O melanoma maligno amelanótico (MMA) apresenta um desafio particular no diagnóstico do melanoma cutâneo devido à sua ausência de pigmento,1 representando de 2 a 20% de todos os melanomas.2 A crescente popularidade das tatuagens acrescenta complexidade ao diagnóstico dermatológico, dada a sua associação a diversas lesões cutâneas, tanto benignas quanto malignas. A identificação do MMA pode ser um desafio devido ao fato de não apresentar as características típicas do melanoma, como assimetria, bordas irregulares e variação de cor. Esse desafio é ainda maior quando o MMA se manifesta em áreas tatuadas, nas quais os indícios visuais para a identificação de anomalias cutâneas estão comprometidos.3 Neste relato, apresentamos um caso que exemplifica o MMA no contexto de uma tatuagem, enfatizando a importância de os clínicos estarem atentos aos melanomas associados a tatuagens. O reconhecimento e o diagnóstico precoces são fundamentais, uma vez que os atrasos diagnósticos têm sido relacionados a desfechos adversos.

RELATO DE CASO

Paciente do sexo masculino, 27 anos, fototipo II, procurou nosso serviço para avaliação de mancha vermelha com prurido ocasional em tatuagem na região deltoide esquerda, que surgida havia cerca de quatro meses. A tatuagem fora realizada oito meses antes, sem complicações ou reações imediatas, e a lesão não estava presente na época (Figura 1). O paciente referiu que dermatologistas anteriores haviam levantado a hipótese de reação alérgica ou infecção bacteriana, tendo sido prescrito um tratamento com betametasona e amoxicilina por 7 dias. Apesar do tratamento, a lesão persistiu.

Ao exame clínico, observou-se a presença de uma lesão eritematosa de 1,5 cm de diâmetro na região deltoide esquerda, sobreposta a uma tatuagem de pigmentação negra e bordas ovais regulares. O aspecto da lesão era consistente com um melanoma amelanótico (Figura 2). A análise histopatológica revelou lentigo maligno in situ com padrão de células epitelioides. Além disso, observou-se um discreto processo inflamatório ao redor do tumor e ausência de mitoses (Figura 3). O índice de Breslow foi de 0,7 mm, classificando a lesão como nível III de acordo com o índice de Clark. Não foram detectadas invasão linfática, invasão perineural ou regressão. Foi realizada uma segunda excisão para ampliar as margens de segurança. Não foram encontrados sinais de melanoma residual no tecido cicatricial.

O paciente se encontra em acompanhamento clínico, com consultas trimestrais durante cinco anos para garantir monitoramento adequado. Além disso, como parte do seguimento, opaciente foi instruído a realizar autoexames regulares de todos os sinais cutâneos, avaliando-os quanto a simetria, bordas, cor, diâmetro e evolução.

DISCUSSÃO

O MMA é um subtipo de melanoma cutâneo caracterizado por pigmentação clinicamente perceptível limitada ou

Figura 1: Tatuagem realizada oito meses antes
Figura 2: Lesão de melanoma amelanótico

ausente.1 O seu diagnóstico é complexo devido à ausência de sinais de alerta cardinais do melanoma, o que pode fazer com que se assemelhe a lesões cutâneas menos graves, incluindo patologias inflamatórias e tumores benignos (lesões melanocíticas benignas, granulomas piogênicos, nevos, queratoses seborreicas) e malignos (carcinoma basocelular, doença de Bowen e carcinomas espinocelulares).1,6 Essa complexidade pode resultar em tratamentos inadequados. No presente caso, o paciente foi previamente tratado para outras condições, o que causou atrasos na realização da biópsia e no tratamento subsequente. O impacto desse desafio diagnóstico na mortalidade por melanoma é um fator crítico a considerar. Os MMAs são frequentemente diagnosticados em estágios avançados, resultando em taxas de sobrevivência global mais baixas do que os melanomas malignos pigmentados (MMP).4 No entanto, quando se considera a espessura de Breslow, o MMA passa a ser comparável ao MMP.5 Isso sugere que, uma vez considerada a espessura de Breslow, o risco de mortalidade se alinha mais estreitamente entre os dois

subtipos, destacando a importância desse parâmetro específico na avaliação do prognóstico de melanomas com vários graus de pigmentação.

Não está claro se o estágio avançado da lesão se deve principalmente ao diagnóstico tardio ou se o melanoma amelanótico apresenta inerentemente características associadas a maior espessura de Breslow, mitoses, ulceração e subtipo nodular.2,4,5 Este caso acrescenta uma dimensão intrigante, pois a lesão apresentava um estágio de Breslow I, sem mitoses e sem ulceração, desafiando as expectativas convencionais. Tipicamente, o MMA é associado à idade avançada e encontrado em áreas com exposição solar crônica.2,5,7 O presente caso diverge desse padrão, pois opaciente tinha apenas 27 anos e a lesão estava localizada em um local protegido do sol. Esse desvio das características típicas do MMA leva à consideração da possível influência da tatuagem na carcinogênese. No entanto, é importante notar que essa relação não foi conclusivamente comprovada.

Apesar da prevalência crescente das tatuagens, apenas um número limitado de casos relatados envolve melanoma em tatuagens. Os mecanismos subjacentes à transformação maligna em tatuagens permanecem obscuros, dando origem a várias hipóteses. A toxicidade dos pigmentos, a resposta inflamatória crônica e o trauma podem desencadear alterações malignas, enquanto a exposição à luz ultravioleta (UV) pode causar estresse oxidativo. Além disso, as células do melanoma podem ser disseminadas durante a tatuagem.8 As tatuagens escuras podem não ter um efeito carcinogênico direto, mas ainda interferir na detecção precoce de alterações malignas, dificultando a identificação do sinal do “patinho feio”. Embora o aumento da absorção de luz UV pelo pigmento escuro nas tatuagens tenha sido proposto como um fator potencial na carcinogênese, o presente caso introduz incerteza, dado que o local do tumor não era exposto ao sol.10 Os achados do caso são compatíveis com o quadro clínico descrito na literatura existente, mostrando que as malignidades em tatuagens tendem a se manifestar em uma idade mais jovem em comparação com os dados epidemiológicos típicos dos diagnósticos de melanoma na população em geral.9,10 Em conclusão, o presente caso de MMA foge ao padrão convencional e ressalta a importância do diagnóstico precoce e preciso, dada sua apresentação enganosa. Devido à popularidade crescente das tatuagens, torna-se essencial investigar possíveis associações com o melanoma, reforçando a incerteza clínica e a necessidade de vigilância contínua. l

Figura 3: Análise histopatológica com hematoxilina e eosina (HE), 500×

REFER Ê NCIAS:

1. Pizzichetta MA, Talamini R, Stanganelli I, Puddu P, Bono R, Argenziano G, et al. Amelanotic/hypomelanotic melanoma: clinical and dermoscopic features. Br J Dermatol. 2004;150(6):1117–24.

2. Thomas NE, Kricker A, Waxweiler WT, Dillon PM, Busam KJ, From L. Comparison of Clinicopathologic Features and Survival of Histopathologically Amelanotic and Pigmented Melanomas: A Population-Based Study. JAMA Dermatol. 2014;150(12):1306–14.

3. Jaimes N, Braun RP, Thomas L; Marghoob AA. Clinical and dermoscopic characteristics of amelanotic melanomas that are not of the nodular subtype. J Eur Acad Dermatol Venereol. 2011;26(5):591–6.

4. Strazzulla LC, Li X, Zhu K, Okhovat JP, Lee SJ; Kim CC. Clinicopathologic, misdiagnosis, and survival differences between clinically amelanotic melanomas and pigmented melanomas. J Am Acad Dermatol. 2019;80(5):1292–8.

5. Wee E, Wolfe R, Mclean C, Kelly JW, Pan Y. Clinically amelanotic or hypomelanotic melanoma: Anatomic distribution, risk factors, and survival. J Am Acad Dermatol. 2018;79(4):645-51.

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8. Tchernev G, Chokoeva AA. Melanoma in a Chinese dragon tattoo. The Lancet. 2015.

9. Leijs M, Schaefer H, Rübben A, Cacchi C, Rustemeyer T. Cutaneous Malignancies in Tattoos, a Case Series of Six Patients. Curr Oncol. 2021;28(6):4721–37.

10. Melanoma Arising in a Tattoo: Case Report and Review of the Literature. [online] Available at: https://www.mdedge.com/dermatology/ article/78662/melanoma/melanoma-arising-tattoo-case-report-and-review-literature

CONTRIBUIÇÃO DOS AUTORES:

Luíza Maria Grangeiro de Sousa 0000-0002-0067-959X

Aprovação da versão final do manuscrito, Concepção e planejamento do estudo, Elaboração e redação do manuscrito, Obtenção, análise e interpretação dos dados, Participação efetiva na orientação da pesquisa, Participação intelectual em conduta propedêutica e/ou terapêutica de casos estudados, Revisão crítica da literatura, Revisão crítica do manuscrito.

João Alfredo Monte Melo de Barros 0000-0002-4681-0311

Aprovação da versão final do manuscrito, Concepção e planejamento do estudo, Elaboração e redação do manuscrito, Revisão crítica do manuscrito.

Rafael Freire de Lira Sobral 0009-0006-5732-9968

Revisão crítica do manuscrito.

Ana Beatriz Albuquerque Nunes 0009-0005-3551-0670

Revisão crítica do manuscrito

Maria Tereza de Medeiros Leite Espínola 0009-0004-2990-1125

Revisão crítica do manuscrito.

Jader Freire Sobral Filho 0000-0001-7822-8994

Aprovação da versão final do manuscrito, Obtenção, análise e interpretação dos dados, Participação efetiva na orientação da pesquisa, Participação intelectual em conduta propedêutica e/ou terapêutica de casos estudados, Revisão crítica do manuscrito.

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