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AJUDANDO O URSO e Outras Histórias

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Šiauliai, 2025

Ajudando o Urso

Igor Plohl, ilustrado por Vitor Hugo Matos

Quando eu crescer

Majda Koren, ilustrado por Greta Alice

O Senhor Toupeira e os Perdidos e Achados

Sashka Dermansky, ilustrado por Lisa Penedo

Camaleão Daltónico

Marta Curtis, ilustrado por Raimonda Nabažienė

Os Cascos Alados

Olha Kryštopa, ilustrado por Teja Milavec

A Daphne Perdeu a Cauda

Evelina Daciūtė, ilustrado por Catarina Glam

O Melhor Presente

Virgis Šidlauskas, ilustrado por Iryna Biluta

Para onde, Leon?

Roda o Prato, Roda o Mundo

Rita Sineiro, ilustrado por Tamara Rimele

Dias Sim e Dias Não

Adélia Carvalho, ilustrado por Mariia Kozyrenko

Sobre a Menina Oliunia e a Esquilo Fluffy

Olena Lotocka, ilustrado por Marija Smirnovaitė

e a Borboleta

por

Ajudando o Urso

Era uma vez um urso que caiu de um carvalho alto e velho. Quis comer um pouco de mel silvestre, mas escorregou. Antes mesmo de se poder dizer

“crash” ou “boom”,

ele caiu e partiu as duas pernas. Até ficar curado, precisou de uma cadeira de rodas.

“Oh meu Deus, oh não”, gritaram os

leitões quando o vieram visitar. “Coitadinho, coitadinho. Deves precisar de muita ajuda. Teremos todo o gosto em estar ao teu lado. Diz-nos o que fazer!”.

“Ohhh, obrigado”, o coração do urso aqueceu. “Felizmente, ainda consigo fazer muita coisa sozinho.”

“Mas certamente há algo em que podemos ajudar”, disseram os leitões.

“Bem”, pensou o urso em voz alta, “talvez possam empurrar a minha cadeira de rodas quando as minhas patas ficarem demasiado cansadas. Gostava de ir visitar a minha tia Esquilo, que vive longe”.

“Claro”, acenaram os leitões. “Teríamos todo o gosto em ir contigo.”

E lá foram eles. O urso fez rolar a sua cadeira de rodas e os leitões trotaram alegremente atrás dele em fila indiana. Os seus pezinhos batiam, batiam, batiam.

No início, o caminho era plano e bem pavimentado, mas logo chegaram à primeira colina. O urso empurrou firmemente as rodas.

Coitado, pensou um coelho, que viu o viajante peludo. Ele está a lutar tanto! E aqueles porquinhos preguiçosos estão apenas a passear em vez de o ajudarem!

“Posso ajudar?”, ofereceu o coelho. “As minhas pernas são fortes e rápidas.”

“É muito simpático da tua parte”, disse o urso, “mas por enquanto ainda me consigo desenrascar sozinho.”

“Oh”, disse o coelho, surpreendido, e continuou o seu caminho.

Passado algum tempo, o leitão do meio perguntou ao urso: “Já te doem as patas?”

“Não”, sorriu o urso, “de todo.”

Numa floresta escura cheia de árvores poderosas, uma corça avistou o grupo. Pobrezinho, pensou ela, ao ver o urso na sua cadeira de rodas. E aqueles porquinhos preguiçosos estão apenas a coçar-se contra as árvores! Deviam estar a ajudar o pobre coitado!

“Diga-me, senhor”, perguntou a corça ao urso educadamente, “precisa de ajuda? Teria todo o gosto em dar uma ajuda.”

“É muito amável da sua parte, cara senhora. Mas, para já, estou bem.”

“A sério?”, disse a corça, intrigada. “Bem, se mudares de ideias, chama-me!”

“Obrigado!” disse o urso. “Não será necessário. Tenho os leitões para me ajudarem.”

Ao meio-dia, o caminho levava-os a uma grande colina. A estrada era seca e pavimentada, mas estava a ficar mais íngreme.

“As tuas patas já devem estar pelo menos um pouco doridas”, disse o leitão mais pequeno. Os seus próprios pés estavam a ficar muito doridos.

“Doem um bocadinho”, admitiu o urso, “mas ainda me consigo desenrascar.”

Este urso teimoso, pensava o leitão mais velho e maior. Ele não nos deixa ajudar!

À tarde, chegaram a um grande campo. Os leitões enfiaram alegremente o focinho no chão. Yum, yum, yum, fizeram eles, com prazer.

O urso fez uma pausa para descansar. Passado algum tempo, começou a rolar novamente.

“Parece que precisas de ajuda!” disse um cavalo, enquanto trotava para o urso. Agarrou na cadeira de rodas e empurrou-a rapidamente para a frente. “Não se pode confiar em porcos que se empanturram no campo!”

“Obrigado, mas não é necessário”, protestou o urso. “Eu cá me arranjo, e os leitões são muito fiáveis.”

“A sério?”,

resmungou o cavalo. “Bem, então, boa viagem!”

O sol já tocava o horizonte e os viajantes estavam quase a chegar ao seu destino. Só mais uma volta e estariam no velho carvalho. Era aí que a tia do urso tinha a sua casa.

“Porque não nos deixas ajudar-te?” resmungou o leitão mais velho. “Fizemos todo este caminho contigo para nada. Os nossos pés estão doridos! Os teus devem doer ainda mais! Além disso, toda a gente pensa que não temos coração!”

“Doem”, admitiu o urso, “mas sinto-me melhor quando consigo fazer as coisas sozinho. É nessa altura que me sinto orgulhoso de mim próprio. E quando me sinto orgulhoso de mim próprio, sinto-me feliz.”

O urso deu o seu melhor e empurrou as rodas para a reta final. Quando chegou ao seu destino sozinho, gritou alegremente: “Ei,

oh ei! Consegui!”

“Bem-vindo, meu querido urso!” Disse a Tia Esquilo, muito feliz por o ver. “Convidava-te para tomar chá, mas sei que não podes ir a minha casa.”

“Ah, sim, posso”,

sorriu o urso. “É para isso que servem os meus pequenos ajudantes!”

Os porquinhos juntaram as cabeças e puseram mãos à obra: teceram um cesto com ramos, colocaram o urso lá dentro, ataram-no a uma corda, fixaram uma roldana ao carvalho e levantaram o urso bem alto, até à casa da tia Esquilo.

Ela bateu palmas com alegria e ofereceu um banquete a toda a gente, enquanto o velho carvalho se movia orgulhosamente à sua volta.

Quando eu crescer

O meu nome é Zagi. O meu pelo é macio e verde. Os meus olhos são tão azuis como o céu.

Tenho o mesmo tamanho que tu.

Vivo muito longe.

Anda, eu mostro-te!

Sentamo-nos no foguetão, os motores fazem VRROOOM, VRROOOM e WHOOSH!

Passamos por mil sóis e planetas. Algumas estrelas são pequenas e brancas, outras são maiores e amarelas. As maiores são vermelhas.

Estamos a aproximar-nos do meu planeta! O foguetão desce silenciosamente. Um paraquedas abre-se e o foguetão flutua como uma semente de dente-de-leão antes de aterrar num lago. A pequena casa junto ao lago é a minha casa.

Espreita pela janela! Vês?

Estou a aconchegar-me nos braços da minha mãe.

“Zagi, o que é que vais ser quando cresceres?” pergunta ela.

“Vou ser astronauta. Vou nadar pelo espaço. Vou passar com o meu foguetão pela nossa janela e acenar-vos!”

Imagino-me como um astronauta. Estou a voar pelo espaço num foguetão:

VRROOOM, VRROOOM e WHOOSH!

Encontro-me com outros seres noutros foguetões.

Alguns foguetões são pontiagudos como setas, outros são redondos como pratos.

No interior, viajam criaturas de todos os cantos do universo. Alguns são peludos, outros escamosos. Alguns têm a pele nua, outros penas coloridas. Aceno a toda a gente que encontro.

Neste momento, um foguetão vermelho e redondo passou a zunir, com um astronauta emplumado no interior, ostentando um longo bico verde. Aceno-lhe e...

Espreita pela janela!

Vou passar com o meu foguetão pela nossa janela e acenar-vos!

“E se não te tornares astronauta? O que é que vais ser então?” A mamã acorda-me do meu devaneio.

“Então vou ser pasteleiro! Vou amassar massa, bater ovos, fazer pão de ló e biscoitos, decorar bolos e fazer cremes e compotas. Trago-te um biscoito ou dois todos os dias.”

Fecho os olhos e MMMMM - sinto o cheiro a baunilha e canela. Estou a bater as natas numa taça grande com um batedor. Está cada vez maior, em breve vai transbordar!

Paro de bater, passo o dedo à volta da borda e raspo o excesso de creme. Lambo o meu dedo - YUM, YUM! É doce! Tão doce!

Abro os olhos e penso:

“Se calhar, afinal, não vou ser pasteleiro.”

“O que é que vais ser então?”, Pergunta novamente a mamã.

“Quando for grande, vou ser piloto de carros de corrida. Vou ganhar uma medalha de ouro e vou trazê-la para te mostrar!”

Fecho os olhos e ouço palmas e aplausos:

“Bravo, bravo, Zagi! Viva!”

Abro o jornal e lá estou eu!

De pé no pódio dos vencedores, com uma medalha de ouro ao pescoço e um ramo de flores nas mãos.

Um jornalista da televisão pergunta-me como me sinto.

“Estou muito feliz por ter ganhado o primeiro lugar!” digolhe.

“E se não fizeres corridas de carros? O que é que vais ser então?” A mamã está sempre a perguntar.

“Sabes que mais? Talvez venha a ser camionista. Tenho um camião frigorífico cheio de gelados e cones. Eu entrego o gelado todo e guardo um só para ti!

Fecho os olhos. Conduzo o camião. Há imagens coloridas de gelados no congelador. O motor faz um zumbido. Vou para aqui e para ali, para a esquerda e para a direita, ao longo de estradas sinuosas, subindo as colinas e descendo os vales.

Paro quando um pequeno animal atravessa a estrada.

Paro quando o semáforo fica vermelho.

E vou-me embora quando fica verde.

E na parte de trás, centenas e centenas de cones e gelados viajam comigo!

A minha mamã faz-me cócegas outra vez:

“E se não conduzires um camião? O que serás então?”

“Vou ser florista! Cultivo plantas em vasos, rego-as e volto a plantá-las. Faço buquês de noiva, buquês de aniversário e buquês para pessoas apaixonadas.”

Fecho os olhos. Estou a caminhar entre vasos cheios de flores. Cada vaso contém algo diferente.

Escolho e apanho flores. Estou a fazer um buquê para uma princesa que está a festejar o seu aniversário.

Algumas flores têm espinhos. “AU! Esta picou-me mesmo!”

Abro os olhos. A mamã está a sorrir.

“Zagi, sabes o que vais ser quando fores grande?”

Acho que a mamã está a provocar-me.

“Sabes que mais, mamã? Quando eu crescer, serei teu filho e tu continuarás a ser a minha mamã.

Virei abraçar-te, como faço hoje!

Porque cheiras muito bem! Melhor do que as flores da florista, melhor do que os biscoitos, o melhor de todo o universo!”

Fecho os olhos. A mamã abraça-me. E é quente e aconchegante nos seus braços.

O Senhor Toupeira e os Perdidos e Achados

O Senhor Toupeira encontrava frequentemente coisas perdidas na floresta. Em casa, colocava o que encontrava numa caixa grande. Um dia, o Senhor Toupeira pensou: “Alguém deve sentir falta destas coisas”. E depois pregou um cartaz na entrada da sua casa a dizer: “Perdidos e achados. (Aqui podes encontrar o que perdeste)”.

Toda a gente à volta sabia: se algo se perdesse, bastava ir ter com o Senhor Toupeira.

Mas um dia aconteceu um contratempo.

De manhã, o Senhor Toupeira não conseguia encontrar os seus óculos. Ele olhou em cima da mesa. Olhou debaixo da cama. Olhou para o parapeito da janela...

“Não se encontram em lado nenhum...” Disse o Senhor Toupeira, confuso. “Não consigo ver quase nada sem os meus óculos.”

De repente, a casa tremeu. Os pratos batiam e os vidros das janelas chocalhavam. Lá fora, algo estava a dar passadas com força: “POM! POM! POM!”

O Senhor Toupeira olhou pela janela e viu uma coisa grande e cinzenta.

“Parece uma nuvem de tempestade”, decidiu o Senhor Toupeira.

“Não sou uma nuvem, sou um elefante!”, disse uma voz vinda do exterior. “Sou eu a andar de forma tão barulhenta.”

E o Elefante pisou o local novamente: “POM! POM! POM!”

“Espera lá fora, por favor”, disse o Senhor Toupeira, “vou procurar os meus óculos e saio.”

“Obrigado”, disse o Elefante e sentou-se no banco.

De repente - CR-R-RAC!

“Acho que... Encontrei os teus óculos” O Elefante levantou-se do banco. “Lamento, mas agora estão completamente partidos.”

O Senhor Toupeira sentiu-se irritado e zangado. Os seus punhos cerraram-se. O seu coração começou a bater mais depressa e o seu rosto tornou-se sombrio. Mas o Senhor Toupeira apercebeu-se que a culpa não era do Elefante. Ele não queria que os óculos se partissem. Além disso, o Elefante tinha pedido desculpa.

O Senhor Toupeira respirou fundo algumas vezes: inspirarexpirar, inspirar - expirar, e de novo: inspirar - expirar.

Finalmente, o seu coração abrandou e os seus punhos abriramse. Mas continuava triste.

Depois, bateram à porta: “TRUZ! TRUZ! TRUZ!”

Alguém cinzento entrou.

“Por favor, entra”, disse o Senhor Toupeira educadamente, “mas não consigo ver quem és. O elefante sentou-se nos meus óculos.”

“Lamento ouvir isso”, suspirou Alguém Cinzento. “Mas ele não o fez de propósito, pois não?”

“Não, não foi de propósito. Então, quem és tu?”

“Reconhecem-me facilmente pelas minhas orelhas. Sente isto.”

O Senhor Toupeira tocou nas orelhas. Eram longas e quentes.

“Deves ser o Coelhinho”, adivinhou o Senhor Toupeira.

“É isso mesmo! E estou à procura de uma cenoura que perdi.”

O Toupeira tirou da caixa uma coisa comprida e amarela.

“Isto é uma banana”, disse o Coelhinho. “A cenoura é mais dura. E tem um cheiro diferente.”

O Coelhinho foi-se embora, mas logo entrou Alguém de Cabelo Vermelho.

“Olá. Estou à procura de uma noz que escondi e não sei onde exatamente.”

“E quem és tu?” Perguntou o Senhor Toupeira com tristeza. “Não consigo ver porque o elefante sentou-se acidentalmente nos meus óculos. Deixas-me tocar nas tuas orelhas? Quero saber quem és”.

“Sou mais facilmente reconhecido pela minha cauda”, disse Alguém de Cabelo Vermelho.

O Senhor Toupeira tocou na cauda. Era muito macia e fofa.

“Deves ser o Esquilo”, adivinhou o Senhor Toupeira, e encontrou algo redondo na caixa.

“Não é uma noz, é uma bola pequena. Mas não fiques chateado, fizeste o teu melhor.”

E o Esquilo saiu dos Perdidos e Achados de mãos a abanar. Depois, Alguém Redondo entrou pela porta.

“Olá. Perdi a minha luva quando estava a tratar do jardim.”

“Não o reconheço”, suspirou o Senhor Toupeira. “O Elefante sentou-se nos meus óculos por acidente. Posso tocar-te?”

“É melhor não, porque eu sou espinhoso”, disse o estranho. “É melhor ouvires-me.”

Alguém Redondo começou a cheirar e a soprar alto de uma forma engraçada: “SNIFF, SNIFF, SNIFF! PUFF, PUFF, PUFF!”

“Eu sei!” O Senhor Toupeira exclamou alegremente.

“Tu és o Ouriço!”

E o Senhor Toupeira tirou uma coisa macia da caixa. Mas não era uma luva, era uma meia.

“Não é isso...” disse o Ouriço.

O Senhor Toupeira não disse nada. Sentiu-se envergonhado e perturbado.

“Compreendo que estejas aborrecido, mas fizeste o teu melhor”, tentou confortá-lo o Ouriço.

“Sem os meus óculos, não posso ser útil. O meu gabinete de Perdidos e Achados é ridículo e falso”, suspirou o Senhor Toupeira.

O Ouriço foi-se embora. O Senhor Toupeira estava angustiado. Passado algum tempo, bateram de novo à porta: “TRUZ! TRUZ! TRUZ!”

Alguém Cinzento, Alguém Ruivo e Alguém

Redondo estavam à porta.

“Toma”, disseram em uníssono, “isto é para ti”.

A tromba do Elefante atravessou a janela e empurrou os óculos novos para as mãos do Senhor Toupeira!

“Esta é uma prenda de todos nós!”

O Senhor Toupeira pôs os óculos. E, de repente, tudo à sua volta se tornou claro, colorido e familiar.

“Coelhinho! Aqui está a tua cenoura! Esquilo! Aqui está a tua noz! Ouriço! Aqui está a tua luva! Elefante...” O Senhor Toupeira ficou subitamente sem saber o que fazer. “O que é que procuravas?”

“Estava à procura de novos amigos”, disse o Elefante, “e encontrei-vos a todos!”

“Hurra!” O Senhor Toupeira alegrou-se. “Então o meu gabinete de Perdidos e Achados é real!”

Camaleão Daltónico

C era um camaleão que vivia na floresta no sul da África. C era muito curioso, sempre com muitas perguntas.

Adorava sentar-se no galho mais alto de todos e procurar coisas diferentes. Todos os dias esperava pelo nascer do sol, e pelos desenhos que os raios de luz faziam nas folhas gigantes. Havia dias que pareciam dragões a dançar.

E ali ficava até o vento acordar. Às vezes acordava com tanta força que punha a floresta toda a dançar. E a olhar para as folhas a abanar imaginava que eram pássaros a querer voar.

Muitas vezes perguntava aos amigos sobre as coisas que via e que ouvia e sentia, mas parecia que não o entendiam.

-

Já viste

aquela folha velhinha e

toda

enrolada?

- perguntou C - está a fazer um túnel para as formigas não apanharem chuva. - E as teias de aranha que parecem trampolins? Quem me dera ser leve como um inseto e saltar de umas para as outras.

-

E as

nuvens?

ontem passearam pelo céu o tiranossauro, o velociraptor e o branquiossauro. Iam muito devagar não sei para onde, mas olharam para o meu ramo e eu acenei olá. Não sei se me viram, mas de repente o céu ficou cinzento escuro, muito escuro e eles desapareceram. Pode ser que voltem amanhã.

Quando chovia, mal se via os troncos das árvores que desapareciam no escuro. A floresta ficava mais lenta e parecia que de repente todos os animais ficavam em pausa e em silêncio. Às vezes C desenrolava a sua língua comprida para recolher a água da chuva. Adorava o sabor da água que vinha do céu e ficava ali a ouvir o som das gotas.

E de repente a floresta virava uma orquestra, com o som da chuva a cair nas folhas, nas árvores, e na terra e até nele - splash, pum, pau, splash.

Sentado no seu ramo, C mudava de cores enquanto pensava em coisas boas e depois em coisas más.

- Como é que te escondes se nem sabes que cor estás a usar? - perguntavam os outros camaleões.

C não sabia o que era o verde das plantas e da esperança, nem o vermelho do zangado e dos morangos, não sabia o que era o azul do mar ou o azul da calma, nem o amarelo do sol e da alegria. Não conseguia ver as cores da felicidade, nem as cores da tristeza e por isso era comum perceber tudo de forma diferente. Um dia achou que o seu amigo estava a mostrar as cores da felicidade e atirou-se da árvore para cima dele para brincar, mas o amigo não gostou e ficou ainda mais zangado - Não viste que estava de escuro?

Os camaleões falavam assim. Vestiam as emoções. Se estavam zangados, vestiam-se de escuro e coloridos quando estavam felizes.

Mas C não via o mundo apenas a preto e branco. Via cinzentos, muitos cinzentos e via luz e via detalhes, muitos detalhes, mas ainda assim não sabia responder: como vou saber onde me esconder se não sei de que cor estou?

Uma vez enquanto estava a pensar e com um olho a girar, girar, girar à procura de uma resposta, encontrou uma árvore diferente. Fez zoom com um olho até ficar bem perto da sua pele. E ali ficou , a ver como se vestia aquela árvore quando de repente reparou numa coisa: - Parecem escamas!

Que estranho, pensou C, até são parecidas às minhas.

Quando estou zangado elas levantam-se e ficam espetadas e mais escuras como as da árvore. E lembrou-se do seu pai zangado e como ficava escuro, e de rir com os seus amigos e como as suas escamas ficavam mais macias e lisinhas.

- Eu não preciso de saber as

cores para me esconder. Nem para saber se alguém está contente ou triste ou zangado. Eu conheço as peles de toda a gente e como muda a floresta. Conheço a pele macia das rosas, e a das folhas velhas que parecem papel, conheço as escamas dos meus amigos quando se zangam e como se escondem nos ramos. E conheço o cheiro. Cheiram mal os que me querem apanhar, por isso fujo sempre a tempo.

As escamas de C aos poucos começaram a ficar mais e mais lisas, mais e mais claras, como uma pétala de uma flor macia e de repente já nem se via C , escondido no meio das flores.

Os Cascos Alados

Quando a Sónia desenha, o mundo à sua volta fica parado. O ar enche-se de respirações quentes e ofegantes. Sónia quase consegue sentir o cheiro e o olhar dos olhos castanhos brilhantes. A Sónia desenha cavalos - é o que mais gosta de fazer.

Sónia desenha uma linha - e o cavalo no seu desenho parece estar a pisar o chão com o casco: clip-clop, clip-clop. Sónia aplica pinceladas - como se estivesse a tocar no pelo liso com a mão.

Os cavalos são o grande amor da Sónia. Só os desenha a eles, porque só os cavalos são os seus melhores amigos.

A primeira vez que a mãe levou Sónia a um estábulo nos arredores da cidade foi quando a menina se recusou a ir à escola. O barulho, o pó, todas as pessoas à volta - ugh... Tudo isto assustou muito a Sónia. A cabeça começou a doer-lhe, chorou e implorou para não ir mais à escola. Depois, a mãe consultou alguém e levou-a até Pedro, um amigo do pai de Sónia que tem estábulos.

Desde então, a rapariga vai lá todas as noites e todos os fins-de-semana. E durante as férias escolares, ela praticamente vive ali. A Sónia não só monta, como também limpa os cavalos, alimenta-os e penteia-lhes as crinas. A rapariga gosta de respirar o cheiro da crina de cavalo quando escova os cavalos: cheira, cheira... ah... E quando o animal tira suavemente um pedaço de açúcar da palma da mão de Sónia com os seus lábios de veludocrocante, crocante - a rapariga fica paralisada.

Sónia faz os seus trabalhos de casa, depois de se instalar confortavelmente nos fardos de feno. Ultimamente, Sónia tem passado muito tempo na barraca do recém-chegado, o Trovão.

O Trovão é um cavalo jovem. Não foi bem tratado no estábulo de onde foi trazido: tinha feridas nos lados. Ele luta, relinchando ansiosamente quando Pedro se aproxima dele, e não deixa que o médico se aproxime. Quando a Sónia vê o que está a acontecer, o seu coração começa a bater mais depressatum! tum! - como se fosse o Trovão a bater os cascos: clip-clop, clip-clop.

Sónia observa o garanhão de longe. Ele é muito bonito. O seu pelo é tão preto que parece roxo.

Sónia sente a necessidade de desenhar o Trovão. Há vários dias que está sentada junto ao estábulo dele. A rapariga mal olha para o cavalo. Ela sabe como é difícil ser olhada. E o cavalo respira cada vez mais calmo a cada dia que ela passa sentada no feno que está por perto. Ela ouve-o relinchar alegremente quando se aproxima.

“Se as feridas do Trovão não forem tratadas hoje, vão infetar”, diz o médico a Pedro. “Podemos perder o cavalo dessa forma.”

Isto perturba imenso a Sónia. Ela aproxima-se dos adultos:

“Posso tratar as feridas do Trovão”, diz a rapariga sem olhar para cima.

“Tu?! Não pode ser, ele é perigoso!”, exclama o médico, aterrorizado.

Pedro mantém o silêncio e observa Sónia com atenção.

“Sabes”, diz ele, “vamos tentar...”

“Mas...” O médico ficou sem palavras.

“O garanhão já está habituado a ela. Há uma semana que ela está sentada ao lado dele. Ele conhece-a, conhece o seu cheiro. Temos de experimentar. Nós estaremos aqui e, se for necessário, imobilizaremos o cavalo.”

Poucos minutos depois, Sónia aproxima-se de Trovão, que bufa ansiosamente: fr-r-r-r... Sem o olhar nos olhos, a rapariga estende a palma da mão com alguns pedaços de açúcar.

“Trovão...” Sónia diz baixinho, “rapaz...”

E sente um hálito quente e húmido na palma da mão e lábios macios a levantar suavemente o açúcar. O cavalo está a respirar pesadamente - as suas feridas doem. Sónia acaricia-lhe a testa, e o cavalo toca-lhe suavemente no cabelo com o focinho.

“Dói”, sussurra a rapariga, “eu compreendo, coitadinho do Trovão, dói, mas vai passar, bom menino, vais melhorar, bom menino, bom, bom...”

Perante as palavras de Sónia, Trovão acalma-se e levanta as orelhas. Sob os dedos da rapariga, a sua pele negra treme, mas ela não tem medo: o cavalo confia nela, vê-a como um dos seus, e ela sabe-o.

Durante vários dias, Sónia tratou do Trovão, limpando-o, escovando-o e aparando-lhe a crina. O Trovão é um rapaz bonito e, desde que começou a recuperar, tornou-se visivelmente mais calmo e mais feliz.

O verão acabou e as férias escolares também, mas a amizade de Sónia e Trovão não. A rapariga só visita os estábulos depois da escola e aos fins-de-semana. Continua a fazer os seus trabalhos de casa sentada ao lado do cavalo. E quando acaba, desenha o seu amigo. Todo o caderno de desenhos de Sónia é dedicado aos cavalos e, claro, a maior parte dos seus desenhos são retratos de Trovão, que a rapariga desenha com cascos alados.

A Daphne Perdeu a Cauda

Uma manhã, a cadela Daphne acordou, sentou-se e, instintivamente, foi abanar a cauda. Mas algo estava errado. Não havia nada para abanar - onde a sua cauda deveria estar, havia apenas um espaço vazio.

A Daphne pestanejou e depois esforçou-se por verificar debaixo da toca. Depois, debaixo da mesa. Depois, entre as almofadas do sofá. Mas não a encontrou. Remexeu em caixas de brinquedos e sapateiras. Entrou no armário mais perfumado, farejando entre as especiarias e os cobertores velhos. No entanto, não a encontrou em lado nenhum.

Será que está lá fora? Daphne correu para o quintal, dando a volta a todos os cantos, vasculhando arbustos e canteiros de flores, escavando um monte de folhas do ano passado, mas por mais que procurasse, a cauda tinha desaparecido.

Daphne sabia que alguns cães nasciam sem cauda. Mas ela não era um deles. Ela tinha nascido com uma cauda magníficalonga, expressiva, perfeitamente equilibrada - e tinha crescido com ela como parte de si própria. Nunca tinha imaginado um dia sem ela. E agora, sentia muito a falta dela.

No quintal, a gata chamada Kitty estava a aproveitar o sol da manhã, enrolada como uma vírgula na pedra quente.

“Kitty”, disse a Daphne, “Olá.” “Por acaso viste a minha cauda?”

“Não,” disse Kitty. “Verificaste nos arbustos?” “Sim.”

“No monte de folhas velhas?”

“Também procurei lá.”

“Hmmm...” “Parece que ela realmente desapareceu.” “É mau estar sem cauda?”

“Muito mau”, disse Daphne.

“Bem”, murmurou Kitty, “até a encontrares, podes levar a minha emprestada. Hoje não vou a lado nenhum.”

E com um movimento gracioso, ofereceu a sua caudamacia, fina e quente. Daphne agradeceu-lhe profundamente e voltou a partir, com a cauda emprestada bem alta.

Junto à vedação do vizinho, avistou Dovas, o pavão.

“Olá, Daphne”, cumprimentou ele. “Hoje estás com um ar... diferente.”

“Perdi a minha cauda”, disse ela. “A Kitty emprestou-me a dela.”

“Foi muito simpático da parte dela”, reparou Dovas. “Mas talvez a minha te agrade mais?”

O pavão adorava a sua cauda - a sua obra-prima - e raramente perdia uma oportunidade de a exibir.

“Porque não?” concordou Daphne. “Vamos experimentar.”

Então, trocaram as caudas e ambos concordaram: a cauda de pavão assentava na perfeição à cadelinha. Dovas desfilou com a cauda da gata a abanar atrás de si, enquanto Daphne se pavoneava num arco cintilante de penas. Depois de se despedir alegremente, Daphne seguiu em frente, olhando para a esquerda e para a direita - talvez a sua verdadeira cauda aparecesse, como que por magia.

No prado ao lado do parque da cidade, o leitão Ūkas estava a cavar uma vala com o focinho.

“Pavão Dovas?”, perguntou, levantando o focinho lamacento. “És tu?”

“Não, Ūkas”, disse a Daphne. “Sou eu, a Daphne.” “Perdi a minha cauda, por isso a Kitty emprestou-me a dela.” “Depois troquei-a pela do Dovas. Até encontrar a minha, andarei com uma emprestada.”

“Ahh..” Ūkas grunhiu. “Tudo está claro. Mas vai ser difícil procurar com uma cauda tão grande e pesada. Vais-te cansar. É melhor levares a minha - é pequena, leve e não atrapalha.”

“Tens razão, Ūkas”, concordou Daphne. E assim trocaram.

A cauda do leitão era de facto leve como uma pena e, durante algum tempo, Daphne ficou satisfeita - podia mover-se mais depressa, cavar mais fundo, explorar mais. Mas depressa se apercebeu que não tinha nada para abanar. Nenhum abanar alegre, nenhum movimento feliz - apenas um pequeno caracol apertado que permaneceu perfeitamente imóvel. E a Daphne adorava abanar a cauda. Era metade da alegria de caminhar, o ritmo dos seus pensamentos, a música do seu humor. Esta cauda não tinha sido feita para isso.

No parque da cidade, o pónei Kurjojis pastava tranquilamente.

“Kurjojis, olá!” Chamou Daphne. “Que bela maneira tens de abanar a cauda”, disse ela.

“Olá, Daphne”, respondeu ele. “Para ser sincero, às vezes cansa-me. Gostava de ter uma cauda mais calma - uma que não se mexesse tanto.”

“Então vamos trocar?”, sugeriu ela. “A cauda do Ūkas é uma das mais calmas que já usei.”

Kurjojis olhou para a pequena cauda enrolada. Fez uma pausa, ponderou e depois acenou com a cabeça. Com um alegre movimento da sua nova cauda, feita de crina de cavalo, Daphne seguiu em frente.

Enquanto farejava o bairro antigo e tranquilo, esbarrou subitamente em algo macio. Ela olhou para cima - e viu uma cauda verde a sair de uma janela aberta. Depois, como se fosse agitada pela brisa, começou a mudar: primeiro para vermelho, depois para laranja, depois para violeta.

“Olá, Camaleão Oni”, disse Daphne, com os olhos arregalados. “Que cauda tão bonita! Como muda maravilhosamente de acordo com o teu estado de espírito.”

“Olá, Daphne”, respondeu o Oni. “Quem melhor para mudar os nossos sentimentos do que nós próprios? Queres verde?

Queres azul? Concentras-te muito - e pode ser de todas as cores ao mesmo tempo.”

“Como seria maravilhoso”, pensou Daphne, já habituada a trocar de caudas, “andar com uma cauda assim, nem que fosse só por uma hora. Vamos trocar? Se não te importares, Oni?”

Perguntou Daphne.

“Bem”, respondeu ele após uma breve hesitação, “se for só por pouco tempo, então sim,concordo.”

Com a cauda do camaleão agora sua, Daphne continuou o seu caminho. Talvez pela constante e hipnotizante mudança de cores, ou talvez pela enorme distância que tinha percorrido na sua busca - mas a cadelinha começou a sentir-se esfomeada. Decidiu que era altura de ir para casa. Uma boa refeição, um momento de descanso e poderia recomeçar com novas energias.

A primeira coisa que viu ao chegar ao seu quintal foi a roupa a dançar ao sabor da brisa. Entre a blusa da mãe e o pijama do pai, balançando suavemente na linha... estava pendurada a cauda da Daphne.

“Encontrei-a! Encontrei-a! Encontrei-a!” Ela ladrou tão alto e com tanta alegria que a cauda do Oni se assustou e caiu no chão.

O seu ladrar fez com que a mãe entrasse a correr no quintal. Desprendeu a cauda do estendal e devolveu-a à sua cadela. Por mais caudas que tivesse pedido emprestadas, nenhuma lhe assentava tão bem como a sua. Daphne saltava, girava em círculos vertiginosos, corria atrás da cauda com uma alegria selvagem - não conseguia conter a sua felicidade. Estava de volta. Exatamente onde devia estar.

Devolveu a cauda do camaleão à gata.

A gata trocou-a com o pavão.

O pavão trocou-a com o leitão.

O leitão passou-a ao pónei.

E o pónei, por fim, devolveu-a ao camaleão e voltou a pegar na sua própria cauda.

Finalmente, o equilíbrio tinha sido restabelecido. Por toda a cidade, cada cauda estava onde devia estar. Ao ver isto, o sol cansado bocejou e desceu abaixo do horizonte.

Daphne olhou para a janela. Uma única estrela brilhava no céu que escurecia - tremendo, como se estivesse a chorar.

“Porque estás a chorar, pequena estrela?”, perguntou ela suavemente. “Qual é o teu nome?”

“Eu não sou uma estrela”, foi uma resposta tranquila. “Eu

sou o cometa Minty. Perdi a minha cauda.

Podes... emprestar-me a tua?”

O Melhor Presente

Virgis Šidlauskas, ilustrado por Iryna Biluta

Há um sítio onde o sol bate todo o dia. Descalço na areia, podes queimar as solas dos pés em segundos. Ai! Terias de saltar - de pé para pé - assim mesmo! Toc! Toc!

O importante é não parar.

A não ser que sejas um pequeno Leãozinho.

Então, a areia quente não é uma agonia - é pura alegria.

O Leãozinho vive à sombra de uma grande acácia. Durante o dia, a sua ampla copa protege-o do sol escaldante. À noite, as estrelas cintilam entre os seus ramos - suficientemente perto para observar em segredo, suficientemente perto para ronronar com admiração silenciosa.

Nada os perturba. Não por serem leões. Mas porque um rochedo, do tamanho de um elefante, os protege dos olhares indiscretos - e os arbustos espessos e barbudos crescem a toda a volta. Um esconderijo perfeito. E o que pode ser melhor do que um canto confortável só para ti?

O Leãozinho é infinitamente doce.

Toda a gente que o conhece diz o mesmo.

E quando ele começa a ronronar, é como se não houvesse nenhuma criatura como ele no mundo.

Depois chega a manhã do seu aniversário.

“Mas o que é isto?” Bang, bang, bang! Por detrás da rocha, ouve-se um estrondo profundo - como um trovão distante.

Ahh! É um parente distante. Atrasou-se na longa viagem e não tem onde passar a noite.

Há anos que não nos visita e não faz a mínima ideia porque é que toda a gente está a sorrir. Menos ainda, o que dar ao Leãozinho. Ele próprio também já tinha sido pequeno, mas há muito, muito tempo.

Por isso, mergulha num pensamento profundo. Coça a nuca com uma garra. Rrrr, rrr! Depois, com a outra, atrás da orelha. Rrrr, rrr! Por fim, coça o flanco empoeirado. Um pequeno punhado de terra seca escorrega-lhe para a palma da mão.

O Leãozinho observa o convidado, com os olhos arregalados e suplicantes. O que fazer?

“Bem... parabéns”, murmura o familiar, sem jeito.

É a única coisa em que ele consegue pensar.

Que desastre.

O Leãozinho está de coração partido.

Ele não faz ideia do que fazer com isto - um punhado de terra conta como uma prenda?

Ao ver as suas orelhas caídas e os seus bigodes trémulos, a mãe fica preocupada.

“O que é que se passa, pequenino?”

“O tio deu-me isto”, sussurra, segurando a terra. “Talvez ele quisesse dar-me isto como uma piada?” “O que é suposto eu fazer com uma mão cheia de terra? Espalhá-la ao vento?”

A mãe reflete por um momento. De facto, é uma boa pergunta. Depois os seus olhos brilham. Ela pisca o olho.

“Eu sei! Podias plantar alguma coisa lá dentro”, sugere. “Não seria maravilhoso?”

Claro que sim! O espírito do Leãozinho levanta-se instantaneamente.

Mas para isso, precisa do local perfeito. Um lugar banhado pela luz do sol. Onde nada bloqueia os raios dourados. Onde o vento sopra suavemente. Onde a chuva lava. E o céu estende-se por cima, infinito e azul.

Primeiro, passa pelo local de descanso preferido do seu pai.

Mas a zona onde se pode deitar ao meio dia para aquecer a barriga ao sol já está ocupada.

Depois, olha para o recanto da mãe.

Ali está um papagaio - a chilrear, a grasnar, a gritar como um despertador ao cair da noite. A mãe faz um alongamento longo e luxuoso. Ah, como é bom sentirmo-nos à nossa altura! Ela limpa o pelo com lambidelas cuidadosas - lambidelas, lambidelas - e depois desliza silenciosamente para a erva alta para caçar.

Perto do seu irmão mais velho, encontra-se uma bola de erva seca. Ele brinca com ela até que a escuridão caia e esconda tudo - ou até que role diretamente para a toca de uma raposa. Oh, sua raposa! Então tem de procurar uma nova.

Ao lado da irmã estão ossos - e um tambor esticado com pele de boi. Quando ela bate nele, toda a savana treme. Se, por acaso, estiver a passar um bando de avestruzes por ali - todas elas enterram imediatamente a cabeça na areia. E não as levantam novamente até que tudo esteja calmo. É por isso que, por vezes, ficam assim durante muito tempo.

O lugar do Leãozinho fica bem no canto da rocha. À noite, mantém o calor como um cobertor. Durante o dia, mantém-se agradavelmente fresco. Mas a luz do sol nunca o atinge. Que injustiça!

Terá de explorar para além da toca.

A família não se opõe. Dizem-lhe apenas para regressar ao pôr do sol.

Um pequeno leão tem de conhecer os animais e as aves da terra. De que outra forma poderá ele um dia governar um reino que nunca viu?

O Leãozinho não discute. Ele sai - primeiro espreita à volta da rocha. Sniff, sniff - para a esquerda. Sniff, sniff - para a direita. Que calor insuportável! Tudo está queimado, murcho, transformado em caules quebradiços.

Ao olhar em redor, repara numa raposa-do-deserto. As orelhas longas e eretas erguem-se acima da erva - visíveis de longe. E numa pata, a raposado-deserto agarra algo com cuidado.

“O que é que estás a esconder aí?”, pergunta o Leãozinho.

Ele não é apenas doce - é infinitamente curioso.

“E porque tens tu as patas atrás das costas?”, contrapõe a raposa-dodeserto.

O Leãozinho revela o seu presente: uma pequena mão-cheia de terra seca. Na pata da raposa-do-deserto está o seu próprio segredoa sua surpresa de aniversário. É uma semente minúscula, não maior do que uma gota de chuva.

“Não sei o que fazer com ela”, encolhe os ombros. “Pergunto-me... qual seria o melhor sítio para a colocar?”

“E que tal na minha mão-cheia de terra?”, diz o Leãozinho, de repente, animado.

Não é uma ideia perfeita?

“Mas é tão pequena”, murmura a raposa do deserto depois de cheirar cuidadosamente. “Onde é que podemos encontrar um sítio onde nada a perturbe? Caso contrário, a hiena sorrateira virá farejar e começará a desenterrá-la num instante”.

“Vamos perguntar a alguém”, sugere o Leãozinho.

Primeiro, encontram o Pássaro Secretário, que salta rapidamente por entre os arbustos, com os olhos afiados à procura de insetos. Quando pedem ajuda, ele grasna:

“Abrigo? Em qualquer lado - mas não aqui! Vão precisar de sombra.”

“Mas é difícil crescer à sombra”, murmura um tatu a passar. “O mais importante é a água.”

“Vamos a correr para o rio!”, exclama a raposa-do-deserto, com as orelhas espetadas de entusiasmo.

“Não sejam tolos, queridos”, riem os suricatas, espreitando por cima da sua rocha de vigia. “Os rebanhos pisam-na dia e noite. A tua pequena semente seria reduzida a pó.”

“É verdade”, suspira o Leãozinho, com as orelhas descaídas.

Os seus olhos erguem-se para as árvores altas ao longe. Talvez lá?

Ele tenta trepar, primeiro sem sorte - até que o simpático Elefante repara e levanta-os gentilmente pelo tronco. No alto, os ramos estendem-se mais perto do sol. Mas a raposa-do-deserto fica tonta com a altura, com as patas a tremer.

De volta a terra firme, cavam um buraco profundo na terra fresca. Mas está demasiado frio lá em baixo. A semente iria congelar e nunca mais acordar.

O dia inclina-se lentamente para a noite.

De cabeça baixa, os dois amigos começam a caminhar para casa, com as patas a arrastarem-se no pó. Talvez amanhã tenham mais sorte...

De repente, deparam-se com o velho e sábio Hipopótamo, meio submerso numa piscina tranquila, observando-os com olhos calmos e conhecedores.

“Eu conheço um pequeno sítio”, diz ele suavemente. “Mas têm de se apressar”. E inclina-se para a frente, sussurrando algo suave aos seus ouvidos.

Os rostinhos cansados voltam a iluminar-se.

Guiados pela sabedoria do Hipopótamo, partem em direção às dunas de areia. Estéril. Silencioso. Nada cresce aqui. No entanto, chegam ao topo, sem fôlego, com o coração a bater. Aí, espalham a mão cheia de terra do Leãozinho. E nela, eles plantam a semente. Há apenas luz suficiente. Apenas o calor suficiente. Ao lado, espetam um ramo fino de palmeira na areiapara fazer uma sombra suave.

O vento do rio vem à deriva, fresco e suave, fazendo cócegas no solo, sussurrando através da erva das dunas.

Sem pressa, sem ser perturbada, a semente descansa - absorvendo o calor, bebendo a luz, segura no seu pequeno e perfeito mundo.

Os dois amigos sentam-se lado a lado no cume da duna. Uma alegria tranquila enche os seus corações - leve, quente e profunda.

Este - este é o melhor presente de aniversário de todos.

Para onde, Leon?

Leon adorava revirar os olhos. Nisso, ele era imbatível! Também conseguia pôr a língua de fora muito longe. A sua pele parecia casca de árvore, como se fosse muito velho, embora na verdade fosse ainda um jovem. Conseguia enrolar a sua longa cauda como um jovem feto que enrola as suas folhas. E, como todos os camaleões, podia mudar de cor.

“Que conveniente!”, poderás pensar. Mas era tudo menos isso.

“Qual o caminho para a Cidade Amarela?” Perguntou Leon a um caminhante que encontrou numa estrada poeirenta num dia de verão.

“Ooooo, uma pedra que fala?!” o velho agarrou-se à cabeça. “Devo estar a ver coisas por causa do calor!”, murmurou e saiu a correr.

“Pfft, uma pedra!” Leon bufou e continuou o seu caminho.

Em breve chegou à Cidade Amarela, rodeada por todos os lados por um muro feito de espigas de milho.

“Bandeira amarela, amarelos temos de ser, quem é este no portão que estou a ver?”, perguntou o porteiro.

“Um camaleão”, apresentou-se Leon.

“Um camelo?”, intrigou-se o porteiro. “Tens uma corcunda, mas eu pensava que os camelos eram muito diferentes. Bem, desde que sejas amarelo. Só permitimos a entrada de criaturas amarelas na nossa cidade!”

“Pfft, uma corcunda!” Leon bufou. “Eu podia ter melhor postura, claro, mas comparar-me a um camelo? Isso é demasiado!”

Na Cidade Amarela, todos eram realmente amarelos, liderados pelo Rei Sol, que não suportava que alguém fosse diferente dele. Uma vez que a cor de Leon mudava consoante o ambiente que o rodeava, tinha de ter muito cuidado. Só comia bananas, peras e gelado de manga, bebia limonada e punha girassóis no vaso da sua mesa. Mas até os girassóis - e o próprio sol – podiam tornar-se aborrecidos ao fim de algum tempo.

Numa manhã, Leon começou a desejar morangos. E rosas. Foi para o mercado muito cedo para não se cruzar com ninguém. Mas no momento em que se aproximou de uma banca cheia de morangos deliciosamente perfumados, ele... mudou de cor, claro!

“Uma criatura vermelha!”, gritou o vendedor do mercado, e quase desmaiou.

“Já não és bem-vindo aqui!”, declarou o porteiro, empurrando-o com força para fora da cidade. “Vai para a Cidade Vermelha!”, gritou atrás dele.

E assim Leon foi-se embora. Caminhou durante sete longos dias e noites. Por fim, chegou a uma muralha da cidade feita de tomates sumarentos.

“Bandeira vermelha, vermelhos temos de ser, quem é este no portão que estou a ver?”, perguntou o porteiro.

“Um camaleão”, apresentou-se Leon.

“Um melão?”, disse o porteiro, perplexo. “A tua pele tem um aspeto rugoso, mas eu pensava que os melões tinham um aspeto muito diferente. Bem, desde que sejas vermelho. Só permitimos a entrada de criaturas vermelhas na nossa cidade!”

“Pfft, rugoso!” Leon bufou. “Eu podia usar loção mais vezes, claro, mas comparar-me a um melão? Isso é demasiado!”

Na Cidade Vermelha, toda a gente era realmente vermelha, liderada pela Rainha de Copas, que não suportava que alguém fosse diferente dela. Leon passou a comer apenas morangos, cerejas, tomates e pimentos vermelhos, a beber sumo de beterraba e a colocar rosas no vaso da sua mesa. Mas até as rosas - e as belas rainhas - podiam tornar-se aborrecidas ao fim de algum tempo.

Numa manhã, o Leon teve vontade de comer pepinos. E curgetes. E até um filodendro. Foi para a florista muito cedo para não se cruzar com ninguém. Mas assim que se aproximou dos vasos de plantas verdes, ele... mudou de cor, claro!

“Uma criatura verde!”, gritou a florista e quase desmaiou.

“Já não és bem-vindo aqui!”, declarou o porteiro, empurrando-o com força para fora da cidade. “Vai para a Cidade Verde!”, gritou atrás dele.

E assim Leon foi-se embora. Caminhou durante sete longos dias e noites. Por fim, chegou a uma muralha da cidade feita de melancias gigantes. Mas a história foi a mesma.

Quando Leon, na Cidade Verde, governada pelo Deus Linden, foi apanhar mirtilos, ele... mudou de cor, claro! Por isso, mandaram-no para a Cidade Azul, um lugar que se dizia ser para sábios - mas a sua rainha não era nada sábia e era tão tacanha como todos os outros governantes.

Leon voltou a caminhar durante sete longos dias e noites até que, ao longe, viu uma árvore que brilhava com algo amarelo, vermelho, verde e azul.

“Será que as bananas, as cerejas, as maçãs e as ameixas crescem todas na mesma árvore?” Perguntou Leon em voz alta. “Devo estar a perder o juízo por causa da fome!”

Finalmente, Leon chegou à Cidade Colorida. Não havia muros à sua volta, nem um rei ou uma rainha. Nesta cidade, os cidadãos eram de todas as cores - amarelos, vermelhos, verdes, azuis, rosas, roxos, castanhos, pretos, ...

“Bandeira colorida, nós gostamos de cores, bem-vindos à nossa companhia, sejas tu como fores!”, saudava uma multidão alegre reunida debaixo de uma árvore cuja copa estava enfeitada com lanternas de papel. “Queres uma taça de fruta?”

Ele acenou com a cabeça e apresentou-se: “Chamo-me Leon, sou um camaleão”.

Alguém lhe deu um copo gigante cheio de fruta colorida, e ele transformou-se instantaneamente em todas as cores. Mas na Cidade Colorida, ninguém se importava.

“Que bonito!”, poderás pensar. E foi mesmo.

Roda o Prato, Roda o Mundo

A mesa é o meu lugar menos preferido no mundo todo. Não gosto de comer e não gosto muito de conversar. E a mesa é um lugar para comer e para conversar. Pelo menos aqui em casa é assim.

A mana, que é muito mais crescida do que eu, andou pelo mundo a viajar.

Viajar deve ser igual a estar à mesa. É que a mana só fala do que comeu e das pessoas com quem conversou nos lugares por onde andou. E parece que conversou e comeu muito. Muito mesmo.

Tanto que agora tem um plano: vamos todos juntos dar a volta ao mundo no prato. Nos nossos pratos, aqui mesmo na mesa de casa.

E assim, a cada domingo entra na cozinha e… Cabelo apanhado atrás, avental apertado à frente.

Mangas para cima, socas nos pés lá em baixo. Ingredientes fora da despensa, ingredientes dentro da tigela, da balança, da forma…

Panelas para aqui, tachos para lá e tra-la-rá-la-rá:

Roda, roda, roda

Rosa dos Ventos, Roda dos Alimentos

Roda o prato, roda o globo

Prova o mundo todo

- O pequeno-almoço está pronto! Hoje vamos à Ucrânia! , grita a mana da cozinha.

Roda, roda, roda

Rosa dos Ventos, Roda dos Alimentos

Roda o prato, roda o globo

Prova o mundo todo

É o primeiro domingo e no meu prato está uma torre tão alta que toca num céu de natas com pequeninos balões de fruta azuis. A mana tem flores na cabeça e começa

“Era uma vez…”

Hhhhh… Nham nham!

Comer é como ouvir histórias.

- O almoço está na mesa! Hoje passeamos pela Lituânia! , chama a mana da cozinha.

Roda, roda, roda

Rosa dos Ventos, Roda dos Alimentos

Roda o prato, roda o globo

Prova o mundo todo

É o segundo domingo e o meu prato está cheio de surpresas. Será que consigo adivinhar? Sabe a queijo, sabe a cogumelos. E este o que será? A mana põe um disco a girar e é como se uma banda animada entrasse na nossa cozinha. E bingo! Consegui acertar todos os sabores.

Hhhhh… Nham nham!

Comer é como brincar.

- Quem quer lanchar?!

Quem quer visitar a Eslovénia? , pergunta a mana da cozinha.

Roda, roda, roda

Rosa dos Ventos, Roda dos Alimentos

Roda o prato, roda o globo

Prova o mundo todo

É o terceiro domingo e no meio do prato está um bolo friomacio-crocante-cremoso. A mana estende um mapa na mesa e dá-me uma lupa para a mão.

Hhhhh… Nham nham!

Comer é como explorar.

- Venham jantar! Portugal já chegou! , pede a mana da cozinha.

Roda, roda, roda

Rosa dos Ventos, Roda dos Alimentos

Roda o prato, roda o globo

Prova o mundo todo

É o quarto domingo e o meu prato cheira a festa e a verão, a sardinha grelhada no carvão. Pela cozinha a mana espalhou cor e lá fora fez subir um balão com luz.

Hhhhh… Nham nham!

Comer é como desenhar.

Este domingo entramos os dois na cozinha. Eu e a mana. E… cabelo apanhado atrás, avental apertado à frente. Mangas para cima, socas nos pés lá em baixo. Ingredientes fora da despensa, ingredientes dentro da tigela, da balança, da forma…

Panelas para aqui, tachos para lá e tra-la-rá-la-rá:

Roda, roda, roda

Rosa dos Ventos, Roda dos Alimentos

Roda o prato, roda o globo

Prova o mundo todo

- Mãe, Pai! Venham provar!!!, gritamos eu e a mana da cozinha.

Roda, roda, roda

Rosa dos Ventos, Roda dos Alimentos

Roda o prato, roda o globo

Prova o mundo todo

Em frente à mãe e ao pai um prato cheio de bombons. E dentro dos bombons escondemos… Pimenta-morango, malagueta e caramelo, recheio de alface com laranja, creme de mel com azeitona, crocante de amêndoa e cebola.

Hhhhh… Nham nham!

Comer é como ser apanhado numa partida.

Numa partida deliciosa!

Agora a mesa já não é o meu lugar menos preferido do mundo todo. Mas tem de ser a mana a cozinhar! É que só com ela a comida chega à mesa com histórias e brincadeira, aventuras e uma ou outra travessura.

A mana abriu um restaurante. Um lugar cheio de mesas para comer e conversar. E lá, entre tachos e panelas… Roda, roda, roda

Rosa dos Ventos, Roda dos Alimentos

Roda o prato, roda o globo

Prova o mundo todo

O trabalho dela é trazer o mundo para o prato e precisa de alguém ao seu lado com um bom palato…

Hhhhh… Nham nham!

Comer é como dar abraços.

Dias Sim e Dias Não

Adélia Carvalho, ilustrado por Mariia Kozyrenko

A Lia tem seis anos, vive numa casa da cor do morango, que é a sua comida favorita.

Dentro da casa da Lia vivem mais quatro pessoas:

O pai que tem cabelos pretos e uns óculos verdes para ver coisas que estão muito perto, a mãe de cabelos cor de laranja e que é muito boa a encontrar coisas perdidas, as grandes e as pequenas. Um gato da cor do café que mia a todas as pessoas que passam junto da janela. E uma cadela castanha e branca, que adora comer o lanche da Lia debaixo da mesa da sala de jantar.

A Lia gosta muito de dias de silêncio.

A Lia gosta de olhar para tudo, mas não gosta de ser vista.

A Lia gosta de ouvir, mas não gosta de ter de responder.

A Lia gosta de sítios seguros, que sejam só dela.

A Lia não gosta quando as pessoas falam muito alto.

Quando as pessoas chegam assim com muita pressa, a falarem muito alto, ela procura um lugar seguro, um lugar só dela.

Um dia, encontrou uma bola grande e transparente e meteuse lá dentro.

Ali ela via o mundo de dentro para fora, ali as vozes chegavam baixinho sem empurrar, e as luzes dançavam à sua volta sem magoar.

Ali, a Lia via coisas que mais ninguém via.

O vento que levantava as folhas no ar.

A chuva que caía devagarinho, sem lhe molhar os cabelos.

Os pássaros que cantavam e ela adivinhava-lhes a música.

Os animais que passavam a correr, e ela tinha tempo para os contar.

Lia gostava de contar coisas até cem e muito mais.

Às vezes chamavam-na:

— Lia, anda brincar!

Mas a Lia só saía quando queria.

Havia muitos dias “NÃO”.

Não aos abraços apertados.

Não ao barulho da liquidificadora.

Não ao cheiro forte da comida.

Não à areia colada nos dedos.

Não à gelatina que é fria e se desfaz na boca.

Não quando lhe pediam para fazer coisas que não entendia.

Nesses dias, a bola era a sua casa preferida.

Era como uma concha segura, era como uma nuvem macia.

Mas a Lia também tinha dias “SIM”.

Sim a tocar a espuma do mar.

Sim a andar no baloiço.

Sim a provar um bocadinho de bolo novo.

Sim a dar a mão, bem de leve.

Sim a fazer festas ao gato.

Sim a dar uma bolacha à cadela.

Nesses dias, a Lia saía da bola.

Arriscava.

Explorava.

Foi na escola que conheceu o Noa.

O Noa não queria falar.

Gostava de desenhar dinossauros e empilhar pedrinhas.

O Noa não puxava a Lia, não dizia “anda lá, sai daí”.

Sentava-se só do lado de fora da bola e esperava.

Um dia, a Lia saiu.

Sentou-se ao lado dele,

o Noa desenhou um dinossauro e deu-lho.

A Lia pegou num lápis azul e desenhou o céu no desenho do Noa.

Num outro dia, o Noa trouxe pedrinhas.

Contaram-nas juntos e empilharam-nas juntos.

Uma, duas, três, quatro, cinco, seis, sete....

O Noa também gostava muito de contar e de juntar coisas.

Juntava por cores, por tamanhos e formas, só não gostava de falar.

Num outro dia foi a Lia quem trouxe alguma coisa.

Trouxe uma pena verde-clara e muito macia.

— Olha, Noa, olha como ela voa. — E soprou.

O Noa soprou também, e a pena dançou no ar.

Subiu, desceu, rodopiou e voltou a subir.

Riram-se os dois baixinho, sem barulho.

E sem pressa.

Até que um dia o Noa disse uma palavra.

Foi no recreio da escola.

A Lia apontou para uma maçã e disse devagar:

— Ma-çã.

O Noa repetiu, baixinho:

— Ma-çã.

Gostou do som.

Disse outra vez.

E mais uma.

— Maçã, maçã, maçã.

A Lia sorriu.

Sentaram-se juntos, sem pressa. A Lia tirou a pena verde do bolso e disse:

— Pena.

— Pena. — Repetiu o Noa.

— Céu. — Disse a Lia, a apontar para cima.

— Céu. — Disse o Noa, a rir.

— Terra. — Disse a Lia, a apontar para o chão.

—Terra. — Repetiu o Noa.

Diziam as palavras devagar.

Saíam da boca sem pressa.

E sem medo de errar.

E assim, aos poucos, devagarinho, que era o seu tempo preferido, a Lia saía mais.

E o Noa falava mais.

E ambos tinham dias “Sim”, ambos tinham dias “Não”.

E tu, hoje é um dia sim ou não?

Sobre a Menina Oliunia e a Esquilo Fluffy

Oliunia entrou de rompante no apartamento, batendo a porta com tanta força que algumas lascas de gesso caíram no chão de madeira. Ao ouvir o barulho, a mãe veio a correr do escritório, o pai da cozinha e o irmão mais novo, Taras, do quarto das crianças.

Olena Lotocka, ilustrado por Marija Smirnovaitė

“Não vão acreditar no que aconteceu!”, exclamou a rapariga, “fiz amizade com um esquilo! E eu falei com ela!”

Os pais trocaram olhares.

“Como assim, falaste?”

“Deixem-me lavar as mãos e eu conto-vos tudo!”

Num instante, Oliunia saiu a correr da casa de banho, sacudiu as gotas das suas mãos molhadas e estalou a língua diligentemente: “Tsk, tsk, tsk!”

“Foi o que ela me disse. E foi o que eu também lhe disse.”

E, mais uma vez, a sala de estar encheu-se de conversa: “Tsk, tsk, tsk!”

“Querida, por favor, traduz”, pediu-lhe a mãe, sorrindo.

“Bem, a menina esquilo disse-me: “Olá! Eu sou a Fluffy. E tu, como é que te chamas?” E eu respondi: „Oliunia“! Depois aproximou-se de mim e pediu-me: “Oliunia, por favor, afugenta essa besta vermelha!”. “Queres dizer o Levchik, o gato?”

Perguntei à menina esquilo, apontando para ele. “Sim!” disse a Fluffy. “Ele vai ver onde escondo a noz e rouba-a!”. “Não te preocupes!” Tranquilizei-a. “Os gatos não comem nozes. E aquele preguiçoso apenas parece ameaçador. Como só come comida caseira, até se esqueceu de como arranjar comida para si próprio – apanhar ratos ou pequenos pássaros”.

“Quem é a Fluffy?” Perguntou Taras.

“A Fluffy é uma menina esquilo que esconde nozes no nosso jardim durante o inverno.”

“Onde?” O rapaz correu para a janela. Todos o seguiram.

“Amanhã mostro-te” Respondeu Oliunia. Depois pensou que não tinha visto onde Fluffy tinha escondido a noz.

Perguntou Oliunia ao pai:

“Pai, os esquilos escondem as nozes num só sítio? Será que se esquecem de onde é o seu armazenamento?”

“Talvez. Eles têm muitos esconderijos: em buracos, troncos de árvores podres, tocas. Podem esconder algo e depois esquecer. A neve profunda é outra razão pela qual os animais não conseguem chegar aos seus alimentos.”

Viu a sua Fluffy a arranhar a neve, incapaz de alcançar as suas provisões. E teve tanta pena da sua nova amiga!

Oliunia olhou para o jardim. Embora já fosse outono, as flores da mãe ainda estavam cheias de cor e a relva era verde e luxuriante.

Mas a imaginação da rapariga levou-a para um inverno rigoroso.

“Precisamos de descobrir onde é que o esquilo esconde a comida. E marcar o local com um pau.

Quando o jardim estiver coberto de neve, posso sair e limpar a neve para a Fluffy”, murmurou Oliunia para si própria.

Depois dos dias quentes do início do outono, o final de outubro trouxe a neve, que cobriu as placas que assinalavam os esconderijos dos esquilos. A rapariga estava preocupada - o que é que a sua Fluffy iria comer agora? O pai tranquilizou-a.

“Vamos pôr nozes e bolotas no comedouro!”

A menina pôs avelãs, bolotas e nozes no prato que o pai levou para o jardim. De cada vez que lá iam, perguntava se os esquilos tinham comido tudo. Ela não podia ir ver pessoalmente, porque o comedouro estava pendurado num lugar alto para proteger os pássaros dos gatos da rua.

Entretanto, aproximava-se o dia de São Nicolau. Na sua carta, Oliunia contou a São Nicolau as suas boas ações, descrevendo com particular orgulho a forma como cuidava dos pássaros e dos esquilos. E contou o seu sonho - ter uns binóculos para observar os animais à distância sem os assustar. O pequeno Taras também estava a escrever, ou melhor, a desenhar uma carta.

“A tua Fluffy também está a escrever uma carta a São Nicolau?” Perguntou Taras.

A pergunta do irmão fê-la parar. Nunca se perguntou se São Nicolau vinha ter com os animaizinhos ou se tinham um São Nicolau especial só para eles.

“Papááá! O São Nicolau vem ter com os animais?” Perguntou Oliunia, pensativa.

“Uau, essa é uma boa pergunta”, o pai coçou o queixo.

“Talvez a mãe saiba?”

Mas a mãe também não podia dizer nada com certeza.

Assim, após uma reunião de família, decidiram escrever uma carta em nome dos animais e das aves. Descreveram como eles beneficiavam a natureza e as pessoas. E só tinham um pedido: que todos passassem o inverno bem alimentados e em segurança.

Chegou a tão esperada manhã de feriado. Cheirava a tangerinas e ao chá de tília da mãe. Este ano, como todos se portaram bem, todos receberam presentes. Oliunia entrou discretamente na cozinha com os seus binóculos.

“Papá! Mamã!” a sua voz soou por todo o apartamento.

“Venham cá! Despachem-se!”

Em pouco tempo, todos vieram a correr.

“A Fluffy acabou de saltar do parapeito da nossa janela! Vejam o que deixou para trás!”

Toda a gente olhou pela janela.

“Isto é uma avelã”, disse a mãe, pegando no pequeno Taras.

“É uma avelã com casca!” Continuou Oliunia com entusiasmo.

“E nós colocamos avelãs sem casca no comedouro. Isto significa que São Nicolau também veio ter com a Fluffy! Ela decidiu agradecer-nos pelos nossos cuidados e trouxe-nos as nozes que ele lhe deu!”

Os pais trocaram olhares.

“Querida, diz à Fluffy que ficámos felizes por a podermos ajudar e agradece-lhe a prenda. Corre para o jardim enquanto o esquilo ainda lá está!”

A porta bateu. Através da janela aberta, ouviu-se o som da tagarelice de Oliunia: “Tsk, tsk, tsk!” Os ramos das árvores começaram a balançar. A beldade ruiva apareceu e deu um chilreio alto em resposta: “Tsk, tsk, tsk!”

“De que é que estão a falar?” Perguntou a mãe de Oliunia com um sorriso.

O pai respondeu:

“Oliunia há-de voltar e contar-nos!”

Lucy e a Borboleta

A Lucy tem seis anos de idade. Tem uma MÃE, um PAI, um IRMÃO e um GATO.

Os cinco vivem numa casa novaacabaram de se mudar.

Ainda não conhecem os seus vizinhos.

A Lucy está aborrecida em casa.

Ela sente falta de uma melhor amiga - alguém com quem correr, rir, sussurrar segredos depois da escola. O gato não pode ser o seu melhor amigo. Ele só se enrola à volta do irmão, ronronando como um pequeno motor, ignorando Lucy completamente. Ela chama:

“PSS, PSS, PSS! PSS, PSS, PSS!”

mas ele finge que não ouve, ou vira-se e caminha deliberadamente na outra direção.

O irmão dela não é diferente. Sempre ocupado. Sempre noutro lugar.

Por isso, Lucy passa os dias a desenhar. Na escola, as outras crianças gozam com ela, rindo dos seus traços vacilantes e das cores brilhantes e desencontradas. Mas em casa, é diferente. Ninguém está a ver. Ninguém se ri. Ainda assim, por vezes - especialmente nas tardes calmassente uma pequena dor oca no seu interior.

“Vai lá para fora”, sugere a mãe. „Talvez encontres lá alguns amigos“

“Acho que vi um rapaz da tua idade por aí”, acrescenta o pai.

“Mas nunca conheço ninguém”, diz Lucy, encolhendo os ombros. Até que, numa tarde, encontrou uma amiga. Enquanto se baloiçava no baloiço rangente do quintal, uma BORBOLETA pousou numa roseira. Lucy nunca tinha visto nada tão grande, tão deslumbrante. Um corpo macio e peludo. Antenas longas e delicadas. E as asas - azuis como o crepúsculo, violetas como o lusco-fusco, amarelas como o sol - listradas de preto, pontilhadas de branco, cintilando na luz.

“Queres ser minha amiga?” Perguntou Lucy, descendo do baloiço. Mas no momento em que ela deu um passo em frente - FLAP, FLAP! - a borboleta levantou voo, desaparecendo no céu.

O coração de Lucy afundou-se. Mas só por um momento. No dia seguinte, regressou ao seu quintal. As rosas perfumadas atraíam cada vez mais borboletas, mas aquela - a magnífica - era sempre a mais brilhante, a mais ousada.

Desta vez, Lucy avançou lentamente, em bicos de pés. Sempre que a borboleta se mexia, ela congelava - SEM MOVIMENTO, com a respiração suspensa - como se não fosse uma rapariga, mas uma perdra. A borboleta deu apenas alguns passos quando reparou nela - FLAP, FLAP! - e desapareceu.

E não regressou mais nesse dia.

Mas na manhã seguinte, pousou no banco de madeira junto à plantação de morangos.

“Talvez hoje”, sussurrou Lucy, “sejamos finalmente amigas”.

Ela descalçou os sapatos e esgueirou-se descalça pela relva, movendo-se como uma raposa - baixa, silenciosa, cuidadosa. A relva dava-lhe cócegas nas solas dos pés, fazendo-lhe subir arrepios pelas pernasHII, HII, HII! - ela ria-se. Faltavam apenas alguns passos, mas, assustada com o barulho, a borboleta - FLAP, FLAP! - voou para longe.

Oh, que medrosa!

Mais tarde, avistou-a de novo, a aquecer-se no prado. “Talvez agora”, pensou ela, “resulte.” Desta vez, ela ARRASTOU-SE de quatro, como um gato, depois deitou-se e avançou como uma serpente. A borboleta não se mexeucontinuou a apanhar sol. Mas o trevo debaixo do nariz de Lucy começou a fazer cócegas...

“AAAH-TCHIM!”a

rapariga espirrou.

E sem mais nem menos - FLAP, FLAP!a borboleta desapareceu.

A paciência de Lucy estava a esgotar-se. Porque é que aquela borboleta tinha tanto medo dela? Se ela continuava a voar sempre que ela se aproximava, talvez devesse apanhá-la? Se não tivesse para onde fugir, não teria outra hipótese a não ser ser sua amiga!

No barracão, encontrou uma rede. O pai usava-a para apanhar peixes do lagoagora a Lucy usá-la-ia para apanhar uma

BORBOLETA.

O problema? A borboleta tinha pousado no alto de uma árvore.

A subida não era fácil, mas Lucy estava determinada.

Enfiou a rede no cinto, agarrou-se ao tronco e começou a subirpara cima, para cima, como um esquilo a correr por entre os ramos. Lá estava ela - a borboleta, pousada num galho próximo.

Com um movimento rápido, Lucy balançou a rede - WHOOSH! - e apanhou-a.

“Aí está! Apanhei-te!”, sussurrou ela triunfante.

Agora só faltava descer.

Começou com cuidado, com as mãos sobre os pés - quando de repenteCRACK! SNAP! PUM! Ela nem sequer teve tempo de reagir. Num momento estava a trepar, no outro estava deitada na relva, atordoada. A alguns metros de distância, a rede estava vazia. No cabo da rede, a borboleta rastejava calmamente - depois, sem pressa - FLAP, FLAP! - levantou voo para o céu.

“Auu, dói tudo”, gemeu Lucy. “Espera só, borboleta - vais ter o que mereces!”

Ela estava tão zangada que se tinha esquecido de tudo sobre querer que fossem as melhores amigas. Já não se tratava de amizade. Tratava-se de vingança. Ela seria mais esperta do que aquela pequena malandra. Ela dar-lhe-ia uma lição.

E esperaria pelo momento perfeito.

Um dia, a borboleta esvoaçou para a estufa. Lucy não hesitoufechou a porta atrás de si.

“Ahah! Finalmente, apanhei-te!” disse ela, sorrindo.

Apanhou-a com cuidado e colocou-a num frasco de vidro.

FLAP, FLAP! FLAP, FLAP! FLAP, FLAP! – A borboleta batia as asas desesperadamente contra o vidro, mas não havia saída.

“O que é que tens aí?”, perguntou o irmão, espreitando com curiosidade quando Lucy regressou a casa.

O gato veio também, com a cauda a abanar e os olhos arregalados. De repente, toda a gente queria ver.

“Apanhei a borboleta”, disse Lucy.

“Para que é que precisas dela?”

“Ela é minha amiga”, disse ela.

“Uma amiga? Ninguém magoa ou prende os seus amigos. Não se pode FORÇAR alguém a ser nosso amigo. Ou querem estar contigo... ou não querem. Deixa-a ir. E se o fizeres, verás - voará para longe... e nunca mais voltará”

“Se eu a largar agora, o gato come-a!” Lucy ripostou, com a voz a subir de tom. “Queres isso?”

Furiosa, levou o frasco para o seu quarto e colocou-o no parapeito da janela. Sentou-se e ficou a olhar para a borboleta, observando a sua dança frenética contra o vidro.

“Chamo-me Lucy”, disse ela suavemente. “E qual é o teu nome?”

“Se ainda não tens um... posso escolher um para ti.”

Enquanto ela enumerava os nomes, a borboleta esvoaçava por entre as paredes de vidro. Tudo o que queria era uma coisa: liberdade.

Lentamente, a raiva de Lucy foi-se dissipando. Uma tristeza silenciosa tomou o seu lugar. Apercebeu-se de que o seu irmão tinha razão. Ela não podia forçar a borboleta a ser sua amiga. Tinha de acontecer livremente - por ambas as partes.

Com uma respiração profunda, ela levantouse, desceu as escadas e correu para o pátio. Desatarraxou a tampa. FLAP, FLAP! A borboleta parou por um instantedepois voou para o céu, desaparecendo na luz dourada.

Lucy suspirou. Por enquanto, ela ficaria sem um melhor amigo. Mas talvez, um dia, um verdadeiro viesse - por si só.

E foi exatamente isso que aconteceu.

Depois da escola, Lucy continuava a desenhar. Nos dias de nevoeiro, sentava-se à secretária, de lápis na mão. Nos dias de sol, instalava-se no banco do exterior, desenhando flores, árvores, nuvens. Hora após hora, ela praticava. E, lentamente, os seus desenhos tornaram-se melhores - mais vivos.

Uma tarde, olhou para cima e apercebeu-se de que não estava sozinha. Empoleirada ao seu lado no banco estava a maior e mais bela BORBOLETA que ela alguma vez tinha visto.

“Ei,” chamou um rapaz da vedação, “porque é que ela não tem medo de ti? Tenho estado a observar - está sempre a esvoaçar por perto quando estás a desenhar.”

“Não tem medo”, disse Lucy, sorrindo, “porque eu deixei de tentar apanhá-la. Gostarias de ver o que desenhei?”

“Sim”, disse ele.

FLAP, FLAP!

- a borboleta levantou-se do banco. Mas Lucy não se preocupou. Ela sabia que ela voltariaquando quisesse. O rapaz sentou-se no seu lugar.

“Chamo-me Arnas”, disse ele, oferecendo a mão. “Chamo-me Lucy”, respondeu ela, abanando a mão. “E istoisto é o meu desenho.”

“Hmm, o que é que poderá ser?...”

VITOR HUGO MATOS

IGOR PLOHL

trabalha numa escola hospitalar integrada na Clínica de Pediatria do Centro Médico Universitário de Maribor. Ensina Geografia, bem como Educação Cívica e Ética. Pelo seu trabalho na área da educação, recebeu o Prémio Gustav Šilih. Em 2008, sofreu um grave acidente ao cair de uma escada, ficando paraplégico. Após o acidente, publicou o seu primeiro livro, um álbum ilustrado infantil intitulado Rogi, o Leão – Uma bênção disfarçada. Os seus alunos contribuíram com as ilustrações para o livro, o que teve um impacto profundo na sua vida, dando-lhe um novo sentido de propósito. Predominantemente autobiográficos, os seus livros ajudam a sensibilizar para as consequências das lesões na medula espinal, a deficiência, e a importância da tolerância, solidariedade, amizade, perseverança e cuidado com a saúde. Até ao final de 2024, tinha realizado mais de 300 apresentações sobre os seus livros e a sua vida, tanto na Eslovénia como no estrangeiro. Os seus livros foram publicados nos Estados Unidos, Alemanha, Vietname e Ucrânia.

formou-se no Porto, Portugal. Trabalha como arquiteto e ilustrador há mais de vinte anos, com um percurso profissional que o levou a passar pelo Porto, Barcelona e Lisboa. Foi professor de Metodologia de Projeto na Escola de Design de Lisboa. Ilustrou manuais escolares e livros infantis, colaborando com editoras como a UPA Editora, a Livros Horizonte, a Porto Editora, a Penguin Random House e a Nuvem de Letras. Um dos seus livros foi distinguido com o Selo Caminhos de Leitura, em 2022 e selecionado para apresentação no pavilhão da DGLAB na Feira do Livro Infantil de Bolonha. Foi também integrado no Plano Nacional de Leitura 2027. Em 2023, foi distinguido pela revista norte-americana 3x3 Magazine com um Prémio de Mérito pelas suas ilustrações. No final de 2024, decidiu dar um passo em frente e fundou o atelier TILD.

GRETA ALICE

MAJDA KOREN

escreve histórias sobre crianças perfeitamente normais. De vez em quando, outras criaturas intrometem-se nas suas narrativas –monstros ou extraterrestres, por exemplo. Também escreve histórias completamente inventadas e disparatadas. Por exemplo, sobre uma mãe que cozinha contos de fadas para o seu Amorzinho. Ou sobre um cozinheiro que faz uma sopa anti-chuva. Gosta de escrever guiões de banda desenhada sobre dois porcos. São bandidos – só que não muito bons! As suas aventuras criminosas nunca resultam, e acabam sempre por ir parar à prisão. Em esloveno chamam-se Kapo in Bundo; em catalão, Cap i Pota; em italiano, Tino e Tano; em inglês, Pick and Pocket, e assim por diante. No seu país natal, Majda Koren é mais conhecida pela sua pequena criatura cor-de-rosa, o monstro Mici. Majda Koren venceu todos os principais prémios eslovenos de literatura infantil e juvenil. Os seus livros são também apreciados por crianças de outros países, tendo sido traduzidos para onze línguas – até agora. Adora o seu gato, as árvores e os gelados.

é ilustradora, educadora e autora de banda desenhada, tendo ilustrado mais de cinquenta livros para crianças e adolescentes. A artista está profundamente envolvida no campo da literatura infantil e tem um grande interesse pela banda desenhada. Aperfeiçoou as suas competências criativas ao participar em residências artísticas competitivas na Estónia, Letónia, Finlândia e Japão. O seu trabalho educativo e criativo foi apresentado em numerosos países europeus, em festivais literários, bem como no Japão e na Índia. Os ateliers educativos e criativos de Greta foram nomeados para o Prémio Vincas Auryla, e o seu trabalho colaborativo com a organização Vaikų žemė (em inglês: Children’s Land; em português: A Terra das Crianças) foi distinguido com um prémio do Ministério da Cultura da República da Lituânia. No âmbito de um projeto desenvolvido na Biblioteca Pública do Condado de Vilnius Adomas Mickevičius, Greta Alice ilustrou duas publicações elaboradas em linguagem clara.

Maja Modrinjak

LISA PENEDO

SASHKA DERMANSKY

é escritor infantojuvenil, professor de profissão e editor literário da revista infantil “Stezhka”. É autor do programa “Marichchin Kinozal” no canal 1+1. Envolve-se ativamente em voluntariado e realiza encontros com crianças nos territórios desocupados. O seu primeiro livro, o conto de fadas “O Senhor de Makutsa, ou as Aventuras da Cobra Onyska”, foi publicado em 2004. Atualmente, tem mais de 10 coletâneas de contos de fadas. “A Pequena Princesa de Draconia” e outras obras de Sashka Dermansky fazem parte do currículo escolar. Em 2022, foi nomeado pela Ucrânia para o Prémio Memorial Astrid Lindgren.

é designer gráfica e ilustradora de Soure, Coimbra. Depois de concluir o curso de Design Gráfico e Multimédia pela Escola de Artes e Design das Caldas da Rainha, em 2011, ingressou na Buröcratik, na qual fez parte de vários projectos de editorial, um dos quais publicados pelo Diário As Beiras intitulado ‘...Em Breve...‘. Em 2015 especializou-se no Mestrado de Design Gráfico e Projectos Editoriais pela Faculdade de Belas Artes do Porto, pela qual integrou em projectos de design editorial com o Instituto de Literatura Comparada Margarida Losa e com o i2ads. Em 2023 funda a editora Goonas juntamente com Marta Curtis. Recentemente gere em paralelo um estúdio privado de tatuagem e ilustração.

MARTA CURTIS

é licenciada pela University of Greenwich, UK, em Média e Comunicação, iniciou a sua carreira na área do cinema, como assistente de produção na Yellow Films, onde assinou o seu primeiro argumento para uma longametragem. Posteriormente foi contratada pela Escola Artística Soares dos Reis, onde leciona a disciplina de cine-vídeo.

Em 2019, mudou-se para Cape Town, África do Sul, onde tem vindo a desenvolver vários projetos de fotografia, tendo inaugurado uma exposição a solo intitulada Wallpaper em 2021. Em 2023 funda a editora Goonas juntamente com Lisa Penedo e como resultado o seu primeiro livro “Letras de Amor”.

RAIMONDA NABAŽIENĖ

é designer gráfica e ilustradora de livros. Trabalhou durante muitos anos como designer gráfica — uma profissão interessante e criativa —, mas procurava sempre uma forma de expressar o seu mundo interior, cheio de sonhos, ternura e um toque de magia. Com o tempo, desenhar tornouse uma parte inseparável da sua vida. Atualmente, cria ilustrações para crianças, onde emoção e imaginação, delicadeza e fantasia se entrelaçam. Para si, a ilustração é um pequeno mundo repleto de fantasia, sonhos, luz e autenticidade. Esforça-se por fazer com que cada desenho fale à criança, desperte a sua imaginação, prenda a sua atenção e lhe permita experienciar a beleza escondida naquilo que a rodeia. Ilustrou os seguintes livros: Kaip karalaitė iš grožio konkurso pabėgo (em inglês: How the Princess Ran Away from the Beauty Contest; em português: Como a Princesa Fugiu do Concurso de Beleza, de Jolita Zykutė, 2018); Slaptoji „Kornelijaus van Drebelio“ misija (em inglês: The Secret Mission of Cornelius van Drebel; em português: A Missão Secreta de Cornélio van Drebel, de Virgis Šidlauskas, 2018); e Tirliuko sodas (em inglês: Tirliukas’s Garden; em português O Jardim de Tirliuko, de Alvilė Rimaitė, 2024).

Nerijus Nabažas
Janete
Penedo
Lyubov

TEJA MILAVEC

OLGA KRYSHTOPA

é professora de língua e literatura ucraniana em Sheptytskyi, voluntária e personalidade pública. É autora de duas coleções de poesia, “Negativos Coloridos” e “Rimas Atrás das Portas”, e de uma coletânea de prosa curta, “Chaves”. Desde 2014 que está envolvida em atividades de voluntariado. Em particular, desde o início da Grande Guerra, tem organizado e liderado na sua cidade um clube de língua ucraniana para aqueles que desejam aprender e aperfeiçoar o seu ucraniano, denominado “RozMova”. É também autora e apresentadora da série de programas “Mova pro mov”. Olga escreve sobre aqueles que lutam e sobre aqueles que aprendem a esperá-los.

é ilustradora, animadora e professora do ensino básico, criando narrativas visuais lúdicas, sinceras e bem-humoradas. Para além de uma paixão geral pela arte, nutre um carinho especial pela comida, especialmente pelas sobremesas. Formou-se na Faculdade de Design de Liubliana. O seu trabalho vai além da ilustração clássica — abrange animação, arte experimental, produção de vídeo e condução de oficinas artísticas. Ilustrou diversos livros, contribuiu para uma antologia de obras de Svetlana Makarovič e participou na Bienal Eslovena de Ilustração. A sua animação Eu aos 25 (Me at 25) foi apresentada no Festival Internacional de Cinema de Animação Animateka. Na sua prática criativa, explora as ligações entre comida, redes sociais e arte. Teja vive e trabalha em Liubliana.

CATARINA GLAM

EVELINA DACIŪTĖ

estreou-se na literatura infantil lituana em 2014. Até à data, publicou dezasseis livros para crianças, entre os quais se destacam, pela sua popularidade e prémios recebidos, Laimė yra lapė (em inglês: Happiness is a Fox; em português: A felicidade é uma raposa), Drambliai ėjo į svečius (em inglês: The Elephants Went Visiting; em português: OS Elefantes foram de visita), Paslapčiausia paslaptis (em inglês: The Most Secret Secret; em português: o Segredo mais Secreto), Duobė (em inglês: The Pit; em português: o Poço) e Ševeliūra (em inglês: The Mane; em português: A Juba). As suas obras foram traduzidas para mais de vinte línguas e adaptadas para o teatro. A autora encontra-se frequentemente com crianças na Lituânia e no estrangeiro, participa em festivais literários e dinamiza oficinas criativas.

é uma artista visual portuguesa, que se foca principalmente no desenvolvimento de design de personagens e ilustrações que materializa através de pinturas, esculturas e intervenções públicas.

Após um percurso inicial pelos universos do graffiti e do papercraft, encontrou na pintura de murais e na escultura em madeira a possibilidade de aumentar a escala das suas criações, de forma a permitir que elas pudessem existir na rua.

A estética das peças que cria é um reflexo do seu interesse por geometria e carpintaria, utilizando sólidos geométricos como ponto de partida para desenhar as suas personagens.

Chicolaev
Vitalii Mudryk

IRYNA BILUTA

VIRGIS ŠIDLAUSKAS

é um escritor lituano de livros infantis. Inspirado pelo nascimento da sua filha, começou a escrever para crianças. O autor afirma: “Se não fosse a minha filha, provavelmente nunca me teria envolvido nisto. Mas acredito que, se aconteceu, foi por uma razão. Nada acontece por acaso.” De facto, o seu primeiro livro, Ulfas ir stebuklinga barzda (em inglês: Ulf and the Magic Beard; em português: Ulf e a Barba Mágica, 2017), foi imediatamente reconhecido como um dos candidatos ao prémio de Livro Infantil do Ano. Šidlauskas acredita que um escritor de literatura infantil deve ser atento e observador, capaz de encontrar significado mesmo nas coisas mais simples — aquelas que ajudam a formar o leitor enquanto pessoa. As suas obras distinguem-se por diálogos vivos, humor e situações inesperadas, combinando de forma habilidosa a sensibilidade com a fantasia.

é uma jovem artista. Trabalha muito com ilustrações de estilo manga e mantém a sua própria página nas redes sociais. Atualmente, trabalha com crianças no departamento de trabalho sociocultural com adolescentes da biblioteca Ivanychuk. No seu percurso, ilustrou contos de fadas para a revista “Conto de Fadas da Tarde” (Evening Fairytale) e também para a revista “Chaves da Vitória” (Keys to Victory).

KHRYSTYNA VALKO

MAŠA OGRIZEK

é licenciada em Sociologia da Cultura e Filosofia. É autora de mais de quinze livros para crianças e jovens, que vão desde livros cartonados para os mais pequenos e bandas desenhadas até coletâneas de contos e romances curtos. A sua escrita distingue-se por personagens invulgares e excêntricas, bem como por uma linguagem apurada, ora com um tom humorístico, ora poético. As suas obras foram nomeadas várias vezes para diversos prémios. Em 2022, o seu livro Fox Moon recebeu o Prémio Večernica, o principal galardão esloveno para a melhor obra literária infantil ou juvenil. Em 2025, a sua banda desenhada Lažninka venceu o Prémio Zlatirepec para a melhor banda desenhada infantil e juvenil. Fox Moon foi adaptado para série radiofónica e inspirou também uma ópera juvenil. A partir do seu livro A Senhora do Chapéu foi igualmente criada uma série radiofónica; a obra foi ainda traduzida para macedónio e russo. Maša Ogrizek é editora da revista infantil Galeb. Vive e trabalha em Maribor.

é professora de pintura num colégio profissional. Ilustra ativamente temas relacionados com a guerra utilizando a técnica de pôster e divulga o seu trabalho nas redes sociais. Já ilustrou mais de 10 livros, entre os quais “Kitsya Mytsia”, “Pessoas pelo Café”, “Leontovych de A a Z”, entre outros. Dirige um clube de pintura para crianças com deficiência. É especialista em arte terapia aplicada a crianças com necessidades especiais, trabalhando como terapeuta de arte com grupos sociais vulneráveis, especialmente com crianças. Tem vasta experiência na organização de festivais socioculturais em Lviv, como o “Znesinnia Fest”, e é curadora de várias exposições de obras de crianças com deficiência.

Šarūnas
Vitaly Kolbounov
Anna Andrusiv
Miran
Juršič

TAMARA RIMELE

RITA SINEIRO

é licenciada em Estudos Portugueses e Lusófonos pela Universidade do Porto e Pós-graduada em Livro Infantil pela Universidade Católica. Em 2015 cruzou-se, por feliz acaso, com a Animação de Leitura e desde então corre o país de uma ponta a outra com visitas de autora, Mediação de Leitura, Oficinas Criativas ou Formativas e Seminários. O seu livro álbum de estreia - Filas de Sonhos - venceu o Prémio Llibreter na Catalunha e o Prémio António Torrado 2023, entre muitas outras nomeações na América Latina e Europa. Integra a Bolsa de Mediadores do Plano Nacional de Leitura e é voluntária e formadora na associação Nuvem Vitória.

é uma artista multidisciplinar que trabalha em gravura, ilustração, escultura e artes aplicadas. Licenciou-se em Educação Artística pela Faculdade de Educação da Universidade de Maribor. Durante os seus estudos, aprofundou o conhecimento de técnicas de gravura e escultura. Mais tarde, participou em numerosos simpósios de escultura, criando obras em madeira e pedra. Nos últimos anos, o seu trabalho tem-se centrado principalmente na ilustração de livros. As ilustrações que criou, em colaboração com a designer Brigita Klajnšek, para o livro Cem Factos sobre Prekmurje, receberam o prémio de Melhor Ilustração de Livro no Ilustrofest, em Belgrado, bem como uma menção especial do júri na Bienal Eslovena de Ilustração. Vive e trabalha perto de Ptuj com o marido e o filho.

ADÉLIA CARVALHO

nasceu numa pequena aldeia do norte de Portugal. Foi lá que aprendeu a trepar às árvores para provar os primeiros frutos do verão, a falar com os animais, a tomar banho nos ribeiros nos dias quentes e a brincar com as outras crianças da aldeia até ao pôr do sol. O seu melhor amigo era um cão que a seguia para todo o lado e que a deixava sempre abraçá-lo quando ela se sentia triste. Quando se mudou para a cidade para estudar, começou a frequentar a biblioteca e ficou surpreendida ao descobrir que podia levar livros para levar para casa gratuitamente. À noite, lia histórias ao avô Francisco, que não sabia ler. É licenciada em Educação de Infância e autora de cerca de trinta livros, traduzidos e publicados em vários países. Em 2024, foi nomeada para o Prémio Memorial Astrid Lindgren 2025.

MARIIA KOZYRENKO é poeta e artista, nascida e criada em Kharkiv. É autora de cinco livros. Devido aos acontecimentos na Ucrânia, vive atualmente em França. Criou o design dos seus próprios livros, entre os quais “Bomba de Sol” (Sun Bomb), “Gabinete dos Pensamentos Perdidos” (Bureau of Lost Thoughts), “Zhuyka” e “Descobre Aqui” (Discover Here). Também ilustrou a antologia do leste da Ucrânia “Kalmijus”, publicada em dezembro de 2017.

Alfredo Cunha
Jonas Peters
Mariya Slobodenyuk

MARIJA SMIRNOVAITĖ

OLENA LOTOCKA

viveu na Crimeia entre 1999 e 2014, onde trabalhou no arquivo de Yevpatoria. Após a anexação da península, deixou o local e fixou-se em Lviv. Atualmente serve nas Forças Armadas da Ucrânia. O primeiro livro de prosa de Olena Lototska, “Agora Zozulya Kuvala” (Now Zozulya Kuvala), incorpora a sua própria experiência e a de toda uma família, talvez até mais do que uma, pois de cada tronco brotam novos rebentos de vigor da juventude. A motivação da autora para escrever surge da necessidade de publicar aquilo que ouviu, viu e experienciou para que os leitores sejam comovidos até às lágrimas — ocultas ou explícitas — misturadas com sorrisos. É também autora da coleção de contos “Anjos em Colares”.

é artista e ilustradora de livros, criadora de imagens sensíveis e narrativas, onde a perspetiva infantil se cruza com uma profunda dimensão filosófica. O seu trabalho é facilmente reconhecível pelo humor subtil, pela intuição poética e pela capacidade de transmitir emoção com apenas alguns traços. Cada livro representa um novo mundo: Marija explora conscientemente diferentes técnicas de ilustração e realiza experiências para garantir que cada obra seja autêntica e que a narrativa visual tenha vida própria.

Em 2012, as suas ilustrações para livros infantis foram distinguidas com um prémio IBBY. Em 2013, um livro ilustrado por ela recebeu o Prémio Domicelė Tarabildienė para o Livro Infantil Lituano Mais Belo. Em 2014, as suas ilustrações foram selecionadas para a Exposição de Ilustradores da Feira do Livro Infantil de Bolonha, em Itália. Vários dos livros que ilustrou foram traduzidos e publicados na Eslovénia, Polónia e China.

DARKA ERDELJI

IGNĖ ZARAMBAITĖ

é escritora de livros para crianças e adolescentes, bem como educadora. Até à data, escreveu dezasseis livros e recebeu vários prémios de destaque:

2015: Nomeação para Melhor Estreia do Ano no Concurso Nacional de Literatura Infantil, pelo livro Emilio laiškas (em inglês: Emil’s Letter; em português: A carta de Emil)

2019: Vencedora na categoria Livro Infantil da campanha Livro do Ano 2019, com o livro Stebuklingi senelio batai (em inglês: Grandfather’s Magical Shoes; em português: os Sapatos Mágicos do meu Avô)

2020: Vencedora na categoria Livro Juvenil da campanha Livro do Ano 2020, com o livro Juodavandeniai (em inglês: Blackwaters; em português: Águas Negras)

2021: Prémio de Literatura Infantil

2023: Prémio Literário Internacional Janis Baltvilks Nos seus tempos livres, gosta de praticar desporto, ler, criar relevos murais, fazer bonecas, restaurar mobiliário e explorar o design de interiores e de paisagem.

é uma ilustradora, cenógrafa de teatro de marionetas e encenadora eslovena. Obteve o grau de mestre em cenografia de marionetas na Faculdade de Teatro da Academia de Artes Performativas (DAMU), em Praga. O seu trabalho combina arte visual, narrativa e técnicas artesanais como a cerâmica e a marcenaria. Ilustrou vários livros. Foi diretora artística do teatro de marionetas Soup Theatre, no Canadá. Atualmente trabalha no Teatro de Marionetas de Maribor, onde concebe cenários e marionetas. A sua obra foi premiada e exibida em numerosas ocasiões. A sua produção original Alma recebeu o prémio de design visual na Bienal de Artistas de Marionetas da Eslovénia. Darka acredita que o mundo pode ser contornado num barco de papel, apenas com uma mala de fósforos na mão.

Maja
Modrinjak
Vitaliy Kolbunov

ISBN 978-609-8237-30-6

O livro é publicado no âmbito do projeto “Heróis à Solta: Implementação de um programa de leituras sensoriais nas Bibliotecas Públicas Europeias”, financiado pela União Europeia. As visões e opiniões expressas no livro refletem o pensamento dos autores e não necessariamente as da União Europeia ou do Programa Europa Criativa. A União Europeia e a entidade financiadora não assumirão qualquer responsabilidade pelas palavras de cada autor.

Organizado por Urtė Šulskienė

Edição de Virginija Juškevičiūtė

Editor de linguagem Robertas Gedrimas

Tradução de Carla Maia de Almeida e iDisc

Design de Vaiva Kovieraitė-Trumpė

Publicado por Biblioteca Pública de Šiauliai - Povilas Višinskis

Editora Spaudos praktika

Tiragem 130 cópias

Ilustrações da capa por Vítor Hugo Matos e Raimonda Nabažienė.

Financiado pela

Coordenador de Projeto

Parceiros

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