Skip to main content

Histórias da Minha Terra | Uma questão de fé

Page 1

Uma questão de fé O moço era de ter muita fé, devoto do Divino Pai Eterno e de Nossa Senhora Aparecida, que era a padroeira da Vila Racha Placa, povoado que existiu, mas não existe mais. O tal moço batizado como Valdivino era conhecido em todo canto como Nego Padre, mas era padre não. Ele e uns colegas trabalhavam na igreja lendo o Evangelho e falando sobre Jesus, então o povo dizia: olha ali o Nego Padre. Um dia Nego Padre, Zé Goiano e Zé Furtado precisavam atravessar o rio. Iam levar para a CEDERE de Parauapebas os documentos das terras que tinham. Ao chegar nas margens, as águas tinham subido e o rio Parauapebas estava cheio.

8

O canoeiro tinha outro serviço e largou na mão do cunhado a canoa e a tarefa de atravessar os dois Zés e Nego Padre. A canoa não era lá grande coisa. Era coxim, canoa pequena, frágil. Era aviso, mas ninguém deu atenção. O grupo se apertou e dividiu como deu. “Como é que faz?” Dois foram juntos em um banquinho. “Cê vai mais ele”, foi o que sugeriu o cunhado do canoeiro, que agora estava no comando, embora capitão não fosse. “Aí eu vou, disse ele, na remansa”. O rapaz pôs-se a remar. A canoinha era valente, saiu levando os quatro homens. Tentou fazer sua parte, mas dali a pouco “tchi”. “Tchi” era água entrando.

9


Turn static files into dynamic content formats.

Create a flipbook
Histórias da Minha Terra | Uma questão de fé by Sapoti Projetos Culturais - Issuu