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Material Educativo - Finca-Pé Antonio Obá em Linguagem Simples

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Ministério da Cultura e Banco do Brasil apresentam
CCBB Educativo - Lugares de Cultura

Terra, o chão que a gente pisa.

Terra é o lugar onde vivemos.

É onde construímos nossas casas, caminhamos, plantamos e cuidamos da vida.

Nesta exposição, Antonio Obá convida o público a pensar sobre a terra e sua importância.

Suas obras falam sobre histórias, memórias e tradições do Brasil.

Finca-pé quer dizer colocar os pés bem firmes no chão.

Essa expressão também pode significar ficar forte, ter coragem e não desistir.

Nos faz lembrar uma pessoa que se sente segura, sabe quem é e valoriza suas raízes e sua história.

Essa obra se chama

Crianças de coral.

Você gosta de cantar com outras pessoas?

Um coral é um grupo de pessoas que canta junto.

Observe os rostos das crianças.

O que elas estão sentindo?

Elas parecem felizes, preocupadas, tristes ou gritando com raiva?

As crianças do coral que estão nos retratos, também estão nessa obra que se chama Réquiem.

Elas aparecem junto a uma mesa com pães e um retrato emoldurado.

O artista quis homenagear uma menina chamada Agatha Félix, que perdeu a vida por causa da violência.

Nas duas obras, as crianças parecem estar cantando, mas também podem estar mostrando tristeza, raiva ou revolta.

Seus rostos parecem querer dizer coisas importantes e quebrar o silêncio.

As crianças querem lembrar a história de Agatha e mostrar que ela não foi esquecida.

Réquiem 2019

Óleo sobre tela

190 x 190 cm

O nome desta obra é Ka’a pora.

O artista junta duas palavras:

Caipira: pessoa que vive no interior. O caipira anda de pé no chão, pisando na terra.

Caipora: personagem das lendas brasileiras que protege as matas e os animais.

Em algumas regiões é chamada de Curupira, ele tem os pés voltado para trás.

Ka’a pora 2024
x 550 cm

Vamos olhar para essa obra.

São partes do corpo: pés e pernas.

Da terra nascem plantas. Na obra, galhos crescem das partes do corpo.

A palavra “pé” também é usada para falar de plantas que dão frutos.

Por exemplo: um pé de laranja é uma laranjeira.

Antonio Obá cresceu no Cerrado. Lá, mesmo quando tem uma queimada, muitas plantas voltam a crescer depois do fogo, quando começa a época das chuvas.

A árvore que dá o pequi, o Pequizeiro, é uma dessas plantas.

Na obra Composição

adâmica para uma feitura de cabeça, Antonio Obá pinta a artista

Grace Salomé Kwami.

Grace era escultora e vivia em Gana, um país da África.

Composição adâmica para uma feitura de cabeça (homenagem a Grace Salomé Kwami)

2025

Óleo sobre tela

100 x 80 cm

Adâmica é uma palavra que lembra Adão.

Nas histórias bíblicas, Deus criou o primeiro homem

e o chamou de Adão. A mulher teria sido criada depois, a partir de uma de suas costelas.

Nas religiões africanas, o homem foi criado em esculturas de barro.

Nessa obra, Antonio Obá cria uma nova história.

Grace modela o barro.

É a mulher que cria o homem, começando pela cabeça.

Composição adâmica para uma feitura de cabeça

(homenagem a Grace Salomé Kwami)

2025

Óleo sobre tela

100 x 80 cm

Esta obra se chama A esfinge. Ela foi inspirada na Esfinge do Egito, uma construção muito antiga com corpo de leão e cabeça humana.

Em histórias da Antiguidade, a esfinge fazia perguntas para os viajantes.

Ao invés da esfinge, uma mulher está sentada na mesa, de joelhos.

A Esfinge. Música incidental:

“Veracruz”, por Milton Nascimento e Márcio Borges 2025 Óleo sobre tela 90 x 90 cm

No nome da obra tem o nome de uma música.

A ideia é ouvir a canção Vera Cruz, de Milton Nascimento, enquanto observamos a pintura.

Vera Cruz foi um dos primeiros nomes que o Brasil recebeu

e também é um nome de mulher: Vera.

A canção tem um tom triste e fala de perda e do mar.

Será que a música pode nos dar uma pista?

Qual seria a pergunta que Antonio Obá faz à esfinge?

Hoje foi que a perdi, mas onde já nem sei

Me levo para o mar

Em Vera me larguei e deito nesta dor

Meu corpo sem lugar

Ah, quisera esquecer a moça que se foi

De nossa Vera Cruz e o pranto que ficou

Da morte que sonhei, nas coisas de um olhar

Ah, nos rios me larguei, correndo sem parar

Buscava Vera Cruz nos campos e no mar

Mas ela se soltou, no longe se perdeu

Quero em outra mansidão um dia ancorar

E aos ventos me esquecer

E ao vento me amarrei e nele vou partir

Atrás de Vera Cruz

Ah, quisera encontrar

A moça que se foi no mar de Vera Cruz

E o pranto que ficou

Do norte que perdi nas coisas de um olhar

Composição: Marcio Borges, Milton Nascimento.

Lâminas Linguagem Simples

Redação: Flavia Rocha

Edição: Daniela Chindler

Arte: Giovanna Cima

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