Vamos pensar no título da exposição.
Encruzilhada é um lugar onde caminhos se cruzam.
Encruzilhada é quando uma pessoa pode escolher entre caminhos diferentes.
Pode ser um lugar de encontro, escolha e mudança.
A exposição apresenta trabalhos de artistas negros e negras, para valorizar a cultura negra no Brasil.
Durante muito tempo, muitas pessoas negras tiveram pouco espaço para mostrar suas obras e suas histórias.
Agora, podemos conhecer melhor suas ideias e maneiras de ver o mundo.
A exposição ajuda a contar a história do Brasil a partir das experiências e das vidas das pessoas negras.
Um novo caminho que podemos seguir depois de passar por uma encruzilhada.
Rubem Valentim nasceu na Bahia e foi pintor, escultor e gravador. Quando pequeno gostava das aulas de desenho geométrico.
Em suas obras, ele juntava cores, formas geométricas e símbolos ligados ao Candomblé, religião afrobrasileira criada a partir de tradições de povos africanos.
RUBEM VALENTIM
emblemático
Bernardo Paz
A obra ao lado faz parte de uma série chamada: Objeto emblemático.
São grandes esculturas em madeira e tinta, com formas geométricas para homenagear as religiões afro-brasileiras.
Emblema é um símbolo com um significado especial.
“Emblemático” quer dizer que algo representa uma ideia importante.
Seu trabalho ajudou a mostrar a importância das tradições afro-brasileiras na arte e na história do Brasil.
A artista desta obra é Guilhermina Augusti, que nasceu em São Paulo, mas hoje vive e trabalha no Rio de Janeiro.
Na obra, está representada uma pessoa escravizada que viveu em Salvador, na Bahia, e que se chamava Xica Manicongo.
O nome Manicongo era usado por governantes do Reino do Congo. O Congo é um país hoje em dia.
GUILHERMINA AUGUSTI
XICA MANICONGO
EM ESCURO INDIZÍVEL
2023
Serigrafia s lkscreen
40 x 60 cm
Co eção da artista
Crédito da imagem: Estúdio em obra
Isso nos faz pensar: será que Xica
Manicongo era uma rainha?
Veja os pequenos desenhos ao redor do rosto.
São símbolos Adinkra.
Cada um tem um significado, como força, união, sabedoria, ou respeito aos antepassados.
Esses sinais surgiram entre povos da região de Gana por volta de 1700.
Naquela época, eram usados em tecidos que a realeza vestia em cerimônias importantes.
símbolo de justiça símbolo de compreensão e cooperação símbolo para uma pessoa que é lider ou guardião símbolo de fé, paciência e compreensão
A artista mostra histórias e pessoas negras de um jeito que muitas vezes não aparece nos livros, nos museus ou nos documentos.
Uma nova forma de contar essas histórias com mais cuidado e respeito.
Essa obra foi feita em serigrafia, um jeito de fazer várias cópias de um desenho.
A artista coloca tinta sobre uma tela especial e a imagem
aparece no papel, na camiseta ou em outro material.
GUILHERMINA AUGUSTI
XICA MANICONGO
EM ESCURO INDIZÍVEL
2023
Serigrafia s lkscreen
40 x 60 cm
Co eção da artista
Crédito da imagem: Estúdio em obra
A artista Silvana Mendes nasceu em São Luís, no Maranhão.
Esta obra faz parte da série Afetocolagens.
Você já fez colagens na escola?
Afeto é uma palavra usada para falar de carinho, cuidado e ligação entre as pessoas.
No passado, muitas imagens de pessoas negras e indígenas não mostravam seus nomes, suas famílias ou suas histórias.
SILVANA MENDES
Série Afetocolagens
2022
Impressão sobre tecido
237 x 236 cm
Coleção da artista
A artista Silvana Mendes usa fotografias antigas e cria colagens, acrescentando cores e recortes nesses retratos.
Com a colagem são criadas novas imagens para valorizar
essas pessoas, criar novas histórias para olhar o passado.
A artista destaca a presença negra em partes da história que foram esquecidas, ajudando a criar novas formas de ver e entender o passado.
Ao lado está a foto original, feita em Pernambuco em 1869.
A fotografia não era como hoje.
Poucas pessoas tinham câmeras fotográficas.
Os fotógrafos registravam as pessoas e o dia a dia das cidades, mostrando a realidade daquele tempo.
Era a época da escravidão.
Nos retratos de pessoas negras, não apareciam seus nomes nem suas histórias.
A imagem ficou e resistiu ao passar do tempo. Mas suas histórias não.
Foram apagadas.
A foto original é do fotógrafo alemão Alberto Henschel, foi feita em Pernambuco em 1869.
SILVANA MENDES
Série Afetocolagens 2022
Impressão sobre tecido
237 x 236 cm
Coleção da artista
Duas artistas da exposição escolheram este retrato para recriar
a história dessa mulher, que viveu em Pernambuco em 1869.
GUILHERMINA AUGUSTI
MANICONGO
Crédito da imagem: Estúdio em obra
Arthur Timótheo da Costa nasceu no Rio de Janeiro, em 1882.
Ele foi pintor e gostava de fazer paisagens e retratos.
Nesta obra, chamada Autorretrato, o artista pinta a si mesmo. Um autorretrato é uma imagem que a pessoa faz dela própria.
A pincelada é o jeito como o artista passa a tinta na tela.
Nas pinturas de Arthur, essas marcas aparecem com força.
Autorretrato, 1908
Acervo da P nacoteca de São Paulo/Doação de Benjamin de Mendonça 1956
Crédito: Isabella Matheus
ARTHUR TIMÓTHEO DA COSTA Rio de Janeiro, RJ, 1882-1922
Ele também usava cores, luz e sombra para destacar partes importantes da imagem, como o rosto e o olhar.
Arthur trabalhou pintando cenários para o teatro.
Lá, aprendeu como a luz pode chamar a atenção para uma pessoa ou um lugar.
Em suas pinturas, ele clareava algumas partes e deixava outras mais escuras, como acontece no teatro. Assim, ajudava as pessoas a olhar primeiro para o que era mais importante na imagem.
Lâminas Linguagem Simples
Redação: Flavia Rocha
Edição: Daniela Chindler
Arte: Giovanna Cima