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Histórias que trazemos na mala_caderno Sala de Aula

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MUSEU JUDAICO DE SÃO PAULO • HISTÓRIAS QUE TRAZEMOS NA MALA • P.1

ENCONTROS NA SALA DE AULA


2023


ÍNDICE

Episódio 1 Objetos contam histórias º p.6

Episódio 4 O livro mais precioso do judaísmo º p.28

Episódio 2 O que nos une º p.15

Episódio 5 Receitas de família º p.39

Episódio 3 Escrito nas estrelas º p.21

Episódio 6 Mande notícias º p.45


Olá, O projeto “Histórias que trazemos na mala” foi elaborado para democratizar o acervo do Museu Judaico de São Paulo (MUJ). Ele tem como objetivo expor o acervo de objetos e documentos do MUJ que registram a presença Judaica no Brasil, de forma lúdica. A proposta é expandir esse acervo, resultado de pesquisa e documentação, para fora do espaço museológico. É um projeto amplo, extramuros, que pretende ampliar o conhecimento do público. O MUJ abriu suas portas no dia 5 de dezembro de 2021, na antiga sinagoga Beth-El, projetada em 1929, no centro da cidade de São Paulo. Seu prédio foi restaurado e acrescido de um anexo, cujo projeto arquitetônico, com viés contemporâneo, foi pensado para abrigar adequadamente o acervo, além de exposições e uma programação sociocultural diversificada. O acervo do Museu salvaguarda objetos, documentos, fotografias, livros, periódicos e depoimentos relativos à comunidade judaica do Brasil. Há diferentes objetos, como um vestido de noiva de uma jovem senhora do Marrocos, um relógio de bolso de um imigrante da Polônia, um cachorro de pelúcia vindo na mala de crianças chegadas da Europa. O projeto “Histórias que trazemos na mala” ilustra a riqueza e a pluralidade da cultura judaica e a relaciona com a cultura brasileira. O projeto compõe-se de uma série de animação em seis episódios que mesclam com criatividade elementos visuais e sonoros. A protagonista, Débora, é também a narradora. Para tornar essa narrativa atraente para seus alunos, é fundamental que vocês façam uma imersão nas histórias. Que tal fazer uma viagem cultural, sem sair do lugar? Este caderno vai aproximá-los do povo judeu, pelo contato com costumes, música, danças., comidas, rituais, afeto e entendimento entre familiares. Isso tudo compõe a memória desse povo. Pode-se perguntar: o que o outro tem em comum comigo e o que tem de diferente? O conhecimento sobre os povos e suas tradições aproxima e cria empatia entre as pessoas. Este caderno está estruturado em seis episódios: Episódio 1 – Objetos contam histórias Episódio 2 – O que nos une Episódio 3 – Escrito nas estrelas Episódio 4 – O livro mais precioso do judaísmo Episódio 5 – Receitas de família

Para cada episódio são propostos um ou dois grandes temas que motivam um leque de reflexões e sugestões de atividades. Para cada um deles, há um breve texto explicativo, o Bate-papo. Sugerimos a leitura dele, antes da preparação da sua aula ou atividade. São ferramentas para criar imaginariamente a construção de um cenário. Também há Subtemas como o da Animação. Sua escolha é flexível, você pode optar por um deles ou por todos, conforme o nível ou o interesse da turma. Para cada um dos subtemas você encontra Sugestões de atividades de experimentação em grupo ou individuais. A ideia é trabalhar com assuntos que estão no dia a dia dos alunos, por meio de músicas, jogos teatrais, debates, rodas de conversa, ilustrações e o que mais lhe ocorrer. Cabe a você criar um clima de descontração e aprendizado em cada atividade. Sua atuação é sempre fundamental para que os alunos se sintam e motivados. Certos assuntos merecem ser tratados com relevância e aprofundamento. Para eles foi criado o Frame in foco, parágrafo que enquadra determinada cena do episódio, destacando sua relevância.

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Episódio 6 – Mande notícias


O Momento musical traz comentários sobre a trilha sonora de cada episódio. São enumeradas as obras, os respectivos compositores e os artistas que tocam e cantam. Essas músicas fazem parte da cultura judaica, por isso há também uma explicação sobre seu significado e o momento no qual são, usualmente, entoadas. A música remete à cultura de um povo. Cantar, tocar e ouvir música são experiências alegres para todas as idades. O tópico Saiba +, indica informações para você compartilhar com os estudantes em diferentes momentos. Antes da projeção, ele criaria um clima de curiosidade; durante as atividades em grupo, ele ampliaria o tema tratado.. No final, o Glossário esclarece dúvidas sobre palavras usadas nos vídeos e nas atividades. Histórias que trazemos na mala compõe-se de seis episódios audiovisuais, criados em linguagem próxima do público estudantil. As animações podem ser transmitidas por celular, laptop, aparelho de TV ou projetor. A ideia principal é que o momento de apresentação do episódio seja um momento especial para a classe e que as atividades decorrentes auxiliem na formação de cidadãos conscientes que exerçam o respeito ao outro.. De modo coletivo, todos, na sala de aula, podem produzir um ambiente de cinema, com pouca luz e, se possível, com almofadas confortáveis. A apresentação de Débora, narradora e personagem principal, serviria como introdução. Ela é uma contadora de histórias, descendente de imigrantes, anda de skate pela cidade, frequenta bibliotecas e museus. Ao narrar, ela apresenta festas e costumes de sua religião, a judaica, mostra objetos, descreve cenas do seu dia a dia e, de certo modo, identifica-se com as garotas e garotos da classe.

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Os vídeos são informativos e curtos. O primeiro, de cerca de 5 minutos, é o mais longo. Os demais têm de três a quatro minutos. Conforme o nível da classe, conviria pausar em certas cenas para comentários e explicações.


Episódio 1

OBJETOS CONTAM HISTÓRIAS EP 1 - Histórias que trazemos na mala

Tema: Animação

Bate-papo a) Movimento animado b) Pinos c) Desenhos e fotos d) Cores e fontes e) Linha do tempo da imigração judaica no Brasil

Frame in foco Momento musical Saiba + Glossário

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Subtemas


Bate-Papo Histórias que trazemos na mala é uma série de animação e teve um processo de produção, que será compartilhado com vocês. Como todo projeto audiovisual, ele seguiu várias etapas. Na préprodução, definiu-se a equipe que iria trabalhar e a ideia que pretendíamos transmitir. Neste projeto, havia um conteúdo específico a ser apresentado, o acervo do Museu Judaico de São Paulo (MUJ). Esse tipo de conteúdo, baseado na história e nas tradições de uma comunidade, permitiu-nos fazer uma pesquisa fascinante. A pluralidade dentro da cultura milenar judaica, além de outras que coabitam pacificamente nosso País, são apresentadas nos episódios.

Finalizado o storyboard, foi iniciada a produção, com a animação criada a partir de desenhos, inserção de palavras, ícones e fotos de objetos pertencentes ao acervo do Museu. Por meio da computação gráfica, esses elementos foram combinados e ganharam movimento. Depois, houve a finalização com a sonorização.

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Na etapa seguinte, definiu-se o roteiro com a elaboração da narrativa e a escolha de personagens e cenários. Surgiram perguntas como: Haverá desenhos ou fotografias? Quais cores serão predominantes? Qual o tipo de enquadramento? Será narrado em primeira pessoa? E a trilha sonora, qual será? Assim que foram definidas as respostas, partiu-se para o storyboard, que é uma sequência das cenas, desenhadas quadro a quadro. Ele mostra os elementos de cena ou aponta referências para desenhá-los, assim como os enquadramentos, por meio de ilustrações e indicações de como será o movimento da cena. Houve uma grande pesquisa no acervo para selecionar o que entraria em cada episódio.


Subtemas a) Movimento animado Nas animações, criar o movimento significa “ludibriar” o olhar do espectador, na passagem de um desenho ao seguinte, dando impressão de que as imagens que desenhamos se movimentam Assim foram feitos os primeiros desenhos, quadro a quadro, em seguida fotografados e apresentados em sequência, em um tempo curto, numa velocidade de 16 ou mais imagens por segundo, produzindo a ilusão de movimento contínuo. Alguns artistas usam desenhos, outros, massinha, dobraduras ou objetos para contar suas histórias animadas. Em 1982, os estúdios Disney inovaram com o filme Tron que conta a história do hacker Kevin Flynn lutando em um mundo inteiramente digital, com uso da computação gráfica em larga escala. A partir daí criaram-se animações usando somente computação gráfica ou misturando várias técnicas. O famoso animês, termo que é a pronúncia abreviada de “animação” em japonês, é feito tanto fotografado quadro a quadro, como usando computação gráfica.

Sugestão de atividade - Vamos fazer uma Animação? É divertido fazer uma animação e podem-se usar elementos simples como uma folha de papel de qualquer cor ou tamanho. O importante é passar ao espectador a sensação de movimento. Material necessário: Papel, caneta colorida e celular. Proposta: Na fase da pré-produção, formamos as equipes e distribuímos as funções. Qual será a história? quem fará o roteiro? quais alunos fotografam, quais preparam o cenário e as personagens? Feito o roteiro, é preciso criar um storyboard. Por exemplo, se for a história de uma folha de papel lisa que vira uma bolinha, podemos desenhar a sequência de imagens ilustrando como esse movimento vai acontecer: de uma folha lisa amassamos primeiro uma ponta, depois mais um pouco e assim por diante, até que o papel tome forma de uma bola. Fotografamos a sequência, seguindo o que havíamos planejado, desde a imagem do papel liso, seguido do amassado na ponta, até fotografamos todas as etapas para que a bolinha tomasse forma. Se seus alunos têm celular, uma sugestão seria usar a câmera do aparelho para fotografar e entender como conseguimos sugerir o movimento, ao juntarmos essas imagens e passarmos uma seguida da outra. Criamos a ilusão do movimento. (Foto: https://upload.wikimedia.org/

Sugestão de atividade – Zootropo, voltando ao passado Uma atividade que não precisa de celular e é muito divertida é a montagem do zootropo, assim você pode mostrar como foi o início da aventura dos artistas que queriam criar imagens em movimento Material necessário: Tampa de caixa ou caixa circular (de 20 cm a 30 cm de diâmetro), uma bola de gude, fita crepe, papel preto, papel branco, tesoura e lápis ou canetas Proposta: Proponha uma oficina em que grupos de alunos montem seu próprio zootropo, a pequena máquina criada em 1834 por William George Horner, composta por um tambor circular com pequenas janelas recortadas, através das quais olha-se para os desenhos dispostos em tiras. Ao girar o tambor, cria-se a ilusão de movimento. Um passo a passo, utilizando uma tampa de caixa, bola de gude, fita crepe, papel e lápis, está disponível na internet em: https:// pt.wikihow.com/Fazer-um-Zootropo. (Foto: Clem Rutter, Rochester, Kent.)

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wikipedia/commons/0/0b/Paperball_yellow.png)


Sugestão de atividade – Folioscópio (Flipbook), o livrinho animado Outra atividade é um folioscópio ou livro animado. Material necessário: Bloco de papel pequeno e lápis. Proposta: Pode ser uma atividade individual, cada aluno pode fazer o próprio livro animado. Peça ao aluno que pense qual movimento ele quer mostrar, de uma flor se abrindo ou de um cavalo correndo, por exemplo. O passo seguinte seria desenhar um cavalo levantando uma pata; na próxima página, a outra pata; e assim por diante. Ao folhear rapidamente o bloquinho, as imagens sucessivas comporão uma sequência animada. (Foto: https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Flipbook.jpg)

Sugestão de atividade – Taumatrópio O taumatrópio é um brinquedo óptico. Material necessário: 1 disco de papelão, 2 folhas de papel branco cortadas no formato do disco, barbante, tesoura, cola e lápis. Proposta: Nesta oficina, o propósito é que duas imagens se transformem em uma. Para isso, em cada um dos papéis brancos cortados no tamanho do disco e colados sobre ele , devem ser desenhadas imagens diferentes, coloridas ou em preto e branco. É preciso, em lados opostos, prender dois barbantes como na figura ao lado. O taumatrópio funciona quando giramos os barbantes, e temos a ilusão de que uma terceira imagem se forma a partir da junção das duas que fizemos. O exemplo clássico dessa brincadeira é desenhar uma gaiola de um lado e o passarinho no outro. Ao torcermos o fio, o passarinho estará na gaiola. Que tal criarmos exemplos mais animados que esse? Base Nacional Comum Curricular (BNCC)

b) Pinos O “pino” que virou a marca do Google Maps é um ícone em forma de gota invertida. Jens Eilstrup Rasmussen, um engenheiro dinamarquês, cofundador do Google Maps, projetou este ícone. Ele queria que o pino marcasse com precisão um ponto em um mapa sem obscurecer sua localização. O ícone ganhou vida própria e é usado em animações, propaganda e outros produtos artísticos e de comunicação para dar ênfase a uma localização. Na série Histórias que trazemos na mala a equipe de produção colocou esse ícone como um efeito especial que se repete em várias cenas, eles fazem referência a instituições, cidades ou países citados na narrativa. Você conseguiu achar algum?

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A BNCC propõe esse tipo de atividade, como ilustram as passagens a seguir: (EF15AR04) Experimentar diferentes formas de expressão artística (desenho, pintura, colagem, quadrinhos, dobradura, escultura, modelagem, instalação, vídeo, fotografia etc.), fazendo uso sustentável de materiais, instrumentos, recursos e técnicas convencionais e não convencionais. Processos de criação. (EF15AR05) Experimentar a criação em artes visuais de modo individual, coletivo e colaborativo, explorando diferentes espaços da escola e da comunidade. (EF15AR06) Dialogar sobre a sua criação e as dos colegas, para alcançar sentidos plurais.


Sugestão de atividade – Ligar os “pinos” Vamos descobrir conexões ao ligar os “pinos”? Por exemplo, na animação há um ícone na palavra Rússia e um outro no Museu Judaico de São Paulo, uma instituição cultural no Brasil. Qual fato pode ligar os dois lugares? Uma das respostas pode ser: o Museu abriga histórias e objetos de imigrantes russos que vieram para São Paulo no começo do século 20. Outra resposta pode ser o fato de que o projeto arquitetônico do Templo Beth-El, sede do Museu Judaico, foi projetado pelo arquiteto russo Samuel Roder. Há muitas ligações com perguntas e respostas para fazer! Mãos à obra! Material necessário: Episódios de Histórias que trazemos na mala. Proposta: Proponha à turma rever um dos episódios com um novo olhar, buscando localizar onde aparecem os pinos. Depois de encontrados, liste-os e ofereça a possibilidade de uma reflexão em conjunto para encontrar relações entre eles. Base Nacional Comum Curricular (BNCC) Mais uma vez, nossa proposta se inspira na BNCC: (EF15AR01) Identificar e apreciar formas distintas das artes visuais tradicionais e contemporâneas, cultivando a percepção, o imaginário, a capacidade de simbolizar e o repertório imagético. (EF15AR06) Dialogar sobre a sua criação e as dos colegas, para alcançar sentidos plurais.

c) Desenhos e fotos Antes da invenção da fotografia, o modo de retratar lugares e pessoas era o desenho, a pintura e a escultura. Os monarcas do Brasil encomendavam retratos seus pintados com a roupa de imperadores, para assim serem reconhecidos em todo o Brasil. Com o advento da fotografia, a pintura como documentação foi reduzida. Você percebeu que, nos vídeos Histórias que trazemos na mala, aparecem tanto desenhos como fotografias? É uma colagem. São diversos os itens que os imigrantes judeus trouxeram em suas malas. O que vocês trariam, se estivessem no lugar deles?

Uma das técnicas usadas pelos artistas que pertenciam às vanguardas modernas do começo do século 20 foi a colagem, composição feita a partir do uso de materiais de diversas texturas: papéis, impressos, pequenos objetos e pinturas superpostas ou colocadas lado a lado. É divertido fazer uma colagem. Podemos usar imagens impressas, papéis coloridos, retalhos, embalagens, tudo o que dá para colar com cola branca numa folha de papel. Que tema vamos compor? Material necessário: Papel, cola branca, materiais diversos, se possível coloridos. Proposta: Este é um desafio: sugira a escolha de um tema para a atividade baseado no episódio Objetos contam histórias: deve ser um objeto que nos traga lembranças. A partir dos materiais reunidos para essa atividade, os alunos escolherão aqueles que usarão para compor sua colagem.Depois, a produção, dos alunos pode ser exposta para uma apreciação do grupo.

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Sugestão de atividade – Colagem


BNCC Ainda uma vez, recorremos ao apoio da BNCC: ​​(EF15AR04) Experimentar diferentes formas de expressão artística (desenho, pintura, colagem, quadrinhos, dobradura, escultura, modelagem, instalação, vídeo, fotografia etc.), fazendo uso sustentável de materiais, instrumentos, recursos e técnicas convencionais e não convencionais. (EF69AR05) Experimentar e analisar diferentes formas de expressão artística (desenho, pintura, colagem, quadrinhos, dobradura, escultura, modelagem, instalação, vídeo, fotografia, performance etc.).

d) Cores e fontes Todos temos uma identidade, temos até um documento que nos identifica, pela foto e pelo local de nascimento. Empresas, marcas e produtos criam sua identidade com logotipos, cores, embalagens e slogans. Clubes de futebol e escolas de samba também têm as respectivas identidades. Quando pensamos nas cores verde e rosa, logo nos lembramos da Mangueira. Ou quando pensamos no Flamengo, recordamos o vermelho e preto de seu uniforme. Quais são as cores que identificam Histórias que trazemos na mala? Quando aparece Débora, a narradora, essas cores estão presentes? Além das cores, o modo de escrever o nome de um produto, como os comprados no supermercado, também foi criado com um desenho especial, o chamado logotipo. Você percebeu que, além das imagens na animação há também as palavras? E que elas são escritas com dois tipos de letras bem diferentes? Elas seguem uma regra de utilização: a manuscrita para as palavras em hebraico e os nomes de pessoas; e a gótica para as traduções das palavras em português e as denominações de lugares.

Sugestão de atividade – Círculo cromático de objetos

Material necessário: Objetos coloridos de uma só cor. Proposta: Proponha aos alunos, em grupos, montar o círculo cromático com objetos! Peçam que tragam de casa objetos coloridos, preferencialmente de uma só cor, pode ser uma caneta, uma bola, um estojo, uma camiseta, ou outro objeto. Em seguida, a partir da imagem do círculo cromático, eles devem montar seu próprio círculo de cores. Sugerimos que tirem fotos e façam a comparação dos círculos cromáticos criados pelos grupos. Fotos: https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Rgb-colorwheel.svg / https://ojcsart.edublogs.org/2020/03/20/found-objects-colour-wheel/

BNCC De novo, retomamos as indicações da BNCC: (EF15AR02) Explorar e reconhecer elementos constitutivos das artes visuais (ponto, linha, forma, cor, espaço, movimento etc.).

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Nossos olhos nos dão a possibilidade de enxergar várias cores ao nosso redor. Os teóricos organizaram essas cores em um círculo que é uma representação simplificada das cores. Ele costuma ser dividido em 12 partes, cada uma delas representada por uma cor. Há as cores primárias: amarelo, vermelho e azul- e as secundárias – laranja, verde e roxo. E as terciárias que vêm da mistura das primárias com as secundárias.


e) Linha do tempo da imigração judaica no Brasil A imigracão judaica no Brasil iniciou-se ainda no século 16, quando os cristãos-novos, partindo da Península Ibérica, chegaram ao Brasil. No entanto, até a proclamação da independência, em 1822, o catolicismo foi a religião oficial do Brasil sem liberdade para a prática de outras religiões. Mas no século 17, nos anos da ocupação holandesa em Recife, entre 1630 e 1654, especialmente enquanto o governador holandês Maurício de Nassau permaneceu no Brasil, houve naquela cidade uma tolerância fora dos padrões para a época. Em 1630, foi criada a primeira comunidade judaica organizada do Brasil e foi fundada a primeira sinagoga do nosso país, chamada Kahal Zur Israel (em hebraico: Comunidade Rocha de Fachada da Sinagoga Kahal Zur Israel Israel). Ela está localizada no centro antigo de Recife, é aberta ao público e hoje abriga o Arquivo Histórico Judaico de Pernambuco. No século 19, foi fundada em Belém do Pará a segunda comunidade judaica organizada no Brasil. O ciclo da borracha atraiu imigrantes de vários países, incluindo judeus. Em Belém, foi fundada a primeira sinagoga moderna no país e, em 1842, foi criado um cemitério judaico na cidade. Em meados do século, surgiu no Rio de Janeiro a primeira instituição judaica, a União Shel Guemilut Hassadim, estabelecida por judeus marroquinos que migraram do norte do Brasil. Várias outras se estabeleceram na capital do Império. Em 1873, foi a vez da União Israelita do Brasil, a primeira sociedade filantrópica judaica no país. No início do século 20, há registros da primeira colônia gaúcha, na região de Santa Maria, com famílias originárias da Bessarábia e o estabelecimento da primeira escola judaica. É nesse momento que imigrantes judeus da Europa Oriental e Ocidental e do Oriente Médio formaram comunidades estruturadas nas principais cidades do país: São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Curitiba, Belo Horizonte, Recife e Salvador. Nos anos que antecederam a Segunda Grande Guerra cerca de 17 mil judeus entraram no país. Entre 1940 e 1945 o Governo Vargas baniu o ensino e a publicação de jornais em línguas estrangeiras e as organizações de imigrantes tiveram que “nacionalizar” seus nomes e eleger diretorias com brasileiros natos. As instituições judaicas se adequaram, mas o ensino do hebraico foi mantido nas escolas judaicas.

Em finais dos anos 1950, chegaram os judeus húngaros e os egípcios que se instalaram, sobretudo, no Rio de Janeiro e em São Paulo. Nos anos de chumbo da ditadura militar, militantes judeus foram mortos pela repressão, sendo o caso mais emblemático o do jornalista Vladimir Herzog. No século 21, o Brasil vem atraindo judeus oriundos da América Latina, que deixam seus países em momentos de crise política e econômica. Em 2009, o dia 18 de março foi escolhido para ser o Dia Nacional da Imigração Judaica, por lei federal sancionada oficialmente.

Sugestão de atividade – Linha do tempo A imigração judaica ocorre no Brasil há quase 500 anos. Ao longo desse tempo, diferentes razões motivaram sua vinda a diferentes cidades do País: expulsões, fome, guerras e regimes ditatoriais. Aqui foram recebidos e se organizaram como coletividade. Fundaram sinagogas, escolas, clubes, associações e o Hospital Albert Einstein em São Paulo, por exemplo. Essa história de imigrantes pode ser contada em uma linha do tempo. Material necessário: Canetas coloridas e papel cartão ou cartolina.

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Em 1946 foi fundada a Federação Israelita do Estado de São Paulo, para organizar a imigração do pós-guerra dos judeus refugiados da Europa e, em 1948, surgiu a Confederação das Entidades Representativas da Coletividade Israelita do Brasil – depois Confederação Israelita do Brasil (Conib).


Proposta: Proponha uma atividade que consista em registrar os dados da história das migrações no Brasil em linhas do tempo. Divida a turma em grupos, ficando cada um deles responsável por um povo diferente: japoneses, sírios, italianos, coreanos, espanhóis, portugueses, congoleses por exemplo. Após uma pesquisa sobre os dados na internet ou em livros, cada grupo deve traçar uma linha horizontal do tempo na qual constem datas e dados. Depois de prontas, as linhas do tempo podem ser comparadas quanto às épocas de imigração e tipos de instituições criadas por cada um dos grupos no País, enfatizando a diversidade de elementos que constituem nossa cultura. Fotos:https://www.flickr.com/photos/mcdemoura/5381129858 / https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Sinagoga_Kahal_Zur_ Israel,_Recife,_Pernambuco,_Brasil.jpg

BNCC Ainda uma vez, retomemos a BNCC e suas indicações: (EF07LI14) Produzir textos diversos sobre fatos, acontecimentos e personalidades do passado (linha do tempo/ timelines, biografias, verbetes de enciclopédias, blogues, entre outros).

Frame in foco

Momento musical Assistindo ao episódio Objetos contam histórias, foi possível prestar atenção às músicas? A trilha sonora é parte importante da animação, ela traz ritmo e emoção. Cada episódio tem uma trilha sonora especialmente pensada e executada por músicos profissionais. São músicas da cultura judaica. Nesse episódio, as músicas são: Tantz, Tantz Ydelech (tradicional música klezmer); Hevenu Shalom Aleichem (tradicional canção judaica cuja letra significa “trouxemos paz para você”, cumprimento que pode ser entendido como “Desejamos que você tenha sucesso e paz em sua vida”; Nigun (nigun é uma forma de música religiosa judaica, geralmente sem letra, cantada com sons repetitivos como “lai-lai-lai” ou “dai-dai-dai”; Tumbalalaika: (tradicional música em iídiche que aparece quando citam o bandolim) e Adon Olam (música judaica tradicional cantada, frequentemente, no Shabat). Nesse episódio os músicos foram: Violão e instrumentos sintetizados: Guilherme Miranda; Voz: Dália; Tema de abertura: Tantz, Tantz Ydelech - Flauta e Piano: Aline Silveira e violino: Alexei Henriques.

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O Talit é um dos objetos rituais trazidos pelos imigrantes judeus em suas malas. Ele é um xale colocado na hora de rezar, feito de seda, lã ou linho. O mais importante é que tenha em suas extremidades os tsitsiot (franjas), já que está escrito: Franjas porás nas quatro bordas da tua manta, com que te cobrires. (Deuteronômio 22:12). Ele é usado como uma cobertura na hora das preces judaicas e há várias interpretações sobre o seu uso. Uma delas é criar o ambiente de igualdade entre os que estão orando na sinagoga: todos ficam iguais quando estão cobertos pelo talit. Há também um outro tipo de talit denominado talit katan (talit pequeno, em hebraico) utilizado pelos judeus ortodoxos durante o dia inteiro por baixo da roupa, a fim de cumprir o mandamento durante todo o dia


Saiba + A proposta dessas atividades é incentivar o grupo a fazer uma pesquisa, de forma motivada, sem o peso de uma tarefa trabalhosa, aprendendo de modo agradável.. Pesquisar e querer saber + é um grande incentivo para o aprendizado. Hoje a internet é uma enciclopédia do mundo, estar no computador é natural para a maioria das pessoas, por isso é importante que o grupo aprenda a traçar referências neste suporte. Se o acesso a internet não for fácil para os alunos, livros, TV e vídeos baixados previamente da internet podem ser fontes de dados. Dicas de links que falam sobre animação: Sobre a história da animação veja o vídeo “Uma breve história da Animação - Das primeiras experiências aos anos 1970”, de Paulo Montanaro, da Secretaria Geral de Educação a Distância da UFSCar: https://www.youtube.com/watch?v=DXrzcyur4wY (7m38). A continuação do vídeo anterior é Uma breve história da Animação – Dos anos 1970 aos dias atuais e está em: https://www.youtube.com/watch?v=DAFS7cEnXsI (8m3) . Para ver como são feitos filmes de animação em um grande estúdio os autores de A fuga das Galinhas explicam como fizeram uma de suas obras: https://www.youtube.com/watch?v=_GOa7Q3a_9w (2m30) . Um exemplo de como foi feita uma animação quadro a quadro em uma sala de aula está em: https://novaescola.org.br/conteudo/3592/como-fazer-uma-animacao-em-stop-motion-nas-aulas-dearte?gclid=CjwKCAiA24SPBhB0EiwAjBgkhl2kOJ-qekJDi7phsCrB_tYYImCP4UzaYpsvzUBmc58bB_ tn324ABoCPNoQAvD_BwE (leitura: 2 min).

Glossário Talit – xale feito de seda, lã ou linho, com franjas em suas extremidades. Ele é usado como uma cobertura para ser colocada nos ombros das pessoas na hora das preces judaicas.

Shabat – é o dia de descanso semanal no judaísmo, simboliza o sétimo dia, após os seis dias da Criação, citado no Livro Gênesis (Gênesis 1:31-2:3) do Velho Testamento. É observado, desde o pôr-do-sol de sexta-feira até ao pôr-do-sol de sábado. Hacker – indivíduo que se dedica a conhecer e modificar os aspectos internos de dispositivos, programas e redes de computadores. Animês – Anime, animé – a palavra é a pronúncia abreviada de “animação” em japonês, onde esse termo se refere a qualquer animação, não importa o país. Para os ocidentais, a palavra se refere às animações oriundas do Japão. App - Programa de computador ou software, desenvolvido com um propósito específico, que pode ser baixado, por download, para um celular ou para outro dispositivo móvel.

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Candelabro – é um castiçal com várias velas, na cultura judaica o candelabro de sete braços é chamado de menorá devido à menção no Livro Êxodo (Êxodo 25:31-40; Êxodo 37:17-24) do Antigo Testamento. Lá, encontra-se o detalhamento de uma peça desse tipo a ser confeccionada para o Templo de Jerusalém. Atualmente, a menorá constitui um símbolo do Estado de Israel, juntamente com a Estrela de Davi.


Episódio 2

O QUE NOS UNE EP 2 - Histórias que trazemos na mala

Tema: Protagonismo feminino

Bate-papo a) Mulheres governantes b) Mulheres cientistas

Frame in foco Momento Mmsical Saiba + Glossário

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Subtemas


Bate-Papo Débora, a garota que narra as Histórias que trazemos na mala, conta-nos a história de sua família, lê livros, passeia e anda de skate. Essa criação dos roteiristas da série antecede a medalha de ouro de Rayssa, a Fadinha, nas Olimpíadas, mas poderia ter sido inspirada nela. Veja quantas meninas estão em alta no esporte nacional. Primeiro Rayssa Leal ganhou a medalha de ouro em skate street nos Jogos Olímpicos de Tóquio, em 2021. No mesmo ano, nos Jogos Pan-Americanos Jr., Stephanie Balduccini, de 17 anos, nadou em 7 modalidades e ganhou 7 medalhas de ouro. Além dos esportes, a participação das mulheres na política e em muitas profissões aumenta a cada dia. Contudo, não é de hoje que elas são ativas. No Antigo Testamento, Débora, que significa em hebraico aquela que fala, foi uma profetisa e a quarta juíza de Israel. Sua história está no Livro dos Juízes, o sétimo livro da Bíblia. Ela é a única mulher citada a ter o status de juíza de seu povo. As mulheres sempre participaram da vida pública, mas nem sempre tiveram direitos iguais aos homens. No Brasil, as mulheres obtiveram, somente em 1932, o direito de votar e de serem votadas (o voto direto para homens tendo se iniciado em 1881), e é curioso ver que, ainda hoje, o sistema proporcional, que refletiria o parlamento como um “espelho” da sociedade, não conseguiu representar essa realidade. Em 2021, 15% das vagas do Congresso Nacional 1 foram das mulheres, enquanto elas representam 50,8% da população brasileira. Já tivemos uma mulher presidente, Dilma Rousseff, de 2011 a 2016. As mulheres, no século 21, estão ganhando protagonismo na economia, na pesquisa, nas artes, na ciência, na literatura, no cinema, na política em quase todos os países do mundo. A ONU Mulheres foi criada em 2010 e é a Entidade das Nações Unidas para a Igualdade de Gênero e o Empoderamento das Mulheres, destinada a valorizar o gênero feminino.

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1` https://piaui.folha.uol.com.br/mulheres-ocupam-apenas-15-das-vagas-do-congresso-brasileiro/


Subtemas a) Mulheres governantes Muitas mulheres líderes foram premiês, chanceleres e presidentes no mundo. Sirimavo Bandaranaike foi a primeira mulher a ocupar o cargo de primeira-ministra (1960 - 1965, 1970 - 1977 e 1994 - 2000) quando seu partido ganhou as eleições no Sri Lanka. Golda Meir foi fundadora e primeira-ministra (1969 - 1974) do Estado de Israel; Indira Gandhi, líder feminina, foi primeiraministra da Índia por três mandatos consecutivos (1966 - 1977 e 1980 - 1984); Vigdís Finnbogadóttir da Islândia foi a primeira mulher eleita presidente de um país europeu e do mundo (1980 - 1996). Corazón Aquino, das Filipinas, foi a primeira presidente asiática (1986 - 1992); Angela Merkel, política alemã, atuou como Chanceler da Alemanha durante 16 anos (2005 - 2021). Além dessas, muitas outras mulheres protagonizaram importantes papéis políticos nos respectivos países em posições, antes, majoritariamente masculinas. Você conhece alguma mulher líder em sua comunidade? Foto: https://pt.wikipedia.org/wiki/Golda_Meir e https://picryl.com/media/john-gorton-and-indira-gandhi-89fa20

Sugestão de atividade – exercer a democracia Democracia é um sistema político no qual os cidadãos elegem seus dirigentes por meio de eleições. Cada cidadão tem uma palavra (ou voto) sobre como o governo deve ser executado, o que difereda monarquia ou ditadura onde uma pessoa (o rei ou ditador) tem todo o poder. Transpondo o sistema democrático para a escola, uma sala de aula democrática envolve alunas e alunos de modo a promover inclusão, respeito e altruísmo. Educadoras e educadores atuam de modo a exercitar a democracia e mostrar aos alunos o caminho para conectar-se com os representantes de sua cidade. Material necessário: Lousa e marcador Proposta: Sugira ao grupo pensar em conjunto como melhorar o dia a dia do bairro onde está a escola. Incentive a proposta de ideias: O que falta ao redor da escola? O que pode ser melhorado? Mais bancos na praça, parques, árvores, campos de futebol, espaços de lazer, bibliotecas? Depois você lidera uma votação para que se elejam três sugestões e a redação de uma mensagem, encaminhando-as a um representante da cidade.

Também em relação à convivência democrática, há tópicos na BNCC (EF04GE03) Distinguir funções e papéis dos órgãos do poder público municipal e canais de participação social na gestão do Município, incluindo a Câmara de Vereadores e Conselhos Municipais. (EF01HI03) Descrever e distinguir os seus papéis e responsabilidades relacionados à família, à escola e à comunidade. (EF01HI04) Identificar as diferenças entre os variados ambientes em que vive (doméstico, escolar e da comunidade), reconhecendo as especificidades dos hábitos e das regras que os regem.

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BNCC


Carolina de Jesus

Txai Suruí Juma Xipaia

b) Mulheres brasileiras para se inspirar Em países democráticos como o Brasil, as mulheres exercem as mesmas profissões que os homens. São educadoras, administradoras, advogadas, economistas, médicas, escritoras, policiais, astrônomas, sociólogas, astronautas, dentre outras profissões. outras. Muitas ocupam-se do trabalho dentro de casa, outras fazem os dois, o trabalho profissional e o doméstico. No Brasil, há histórias de mulheres incríveis de diferentes origens que, em seu campo de atuação, tornaram-se referências para as novas gerações. No campo da cultura, note-se a incrível trajetória de Carolina Maria de Jesus, empregada doméstica que se tornou uma das primeiras e mais destacadas escritoras negras do país, autora do autobiográfico “Quarto de Despejo: Diário de uma Favelada”. No âmbito da ecologia e política, em 2021, na 26ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP 26), ocorreu a maior delegação de mulheres indígenas brasileiras já vista. Dentre elas, Txai Suruí cujo discurso abriu a conferência e a cacica Juma Xipaia que dialogou com governantes mundiais e líderes preservacionistas. Foto: https://picryl.com/media/carolina-maria-de-jesus-1960-cropped-e390ff, https://www. flickr.com/photos/36232856@N03/52790555420/ e https://pt.wikipedia.org/wiki/Juma_Xipaia - Foto: Luara Baggi (ASCOM/MCTI))

Sinta-se à vontade para apresentar biografias de mulheres geniais à sua turma, pois há muitos exemplos na História brasileira que podem estar próximos ao meio cultural de seus alunos. Mulheres que sofreram violência pelo simples fato de serem mulheres, seria um bom tema para biografias. Esse gênero que conta a história de vida de uma pessoa requer alguns passos, como fazer uma linha do tempo, coletar datas e local de nascimento e morte. Pesquisar publicações e entrevistas e identificar as características principais da biografada para apresentá-la fielmente. Material necessário: Papel e caneta Proposta: Mostre exemplos de mini biografias de personalidades femininas e peçam aos alunos que reflitam sobre mulheres inspiradoras para cada um deles. Depois proponha que escrevam a biografia de uma delas, eventualmente de uma pessoa da família que considerem importante para eles. BNCC Também neste ponto, a BNCC torna a ser inspiradora (EF07LI14) Produzir textos diversos sobre fatos, acontecimentos e personalidades do passado (linha do tempo/timelines, biografias, verbetes de enciclop dias, blogues, entre outros). (EF09HI26) Discutir e analisar as causas da violência contra populações marginalizadas (negros, indígenas, mulheres, homossexuais, camponeses, pobres etc.) com vistas à tomada de consciência e à construção de uma cultura de paz, empatia e respeito às pessoas.

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Sugestão de atividade – Biografias de mulheres inspiradoras


Frame in foco Klezmer é um gênero de música cujo repertório é constituído de danças para casamentos e outras celebrações judaicas. Esse gênero foi criado a partir do século 15 pelos judeus da Europa Oriental. Na Polônia, Romênia, Bulgária, Hungria e regiões próximas, os músicos que tocavam klezmer eram amadores e absorveram a cultura local. Havia certa improvisação e liberdade na leitura da partitura e uma mescla de influências. Os músicos formavam grupos itinerantes que, em festas, tocavam um repertório basicamente feito para danças em grupo ou entre casais. Na formação dos primeiros grupos, predominavam os instrumentos de cordas, sobretudo o violino, acompanhado por um címbalo, um contrabaixo e, eventualmente, uma flauta. A partir do século 19, com o surgimento das bandas militares, foram adicionados instrumentos de sopro (clarineta, saxofone e trompete) e de percussão. No século 20, quando os judeus deixaram a Europa Oriental e os shtetls, as pequenas comunidades de judeus, o klezmer difundiu-se no mundo, especialmente nos Estados Unidos, influenciando importantes compositores, como George Gershwin, Leonard Bernstein e Aaron Copland. Nos EUA, fundaram-se escolas voltadas para a aprendizagem da música Klezmer. Essa música envolve eventos solenes e, ao mesmo tempo, encoraja os convidados a dançar no fim de cerimônias religiosas.

Assistindo ao episódio O que nos une, fique atento às músicas inseridas na animação. A trilha sonora é importante, ela instaura um ritmo e amplia a compreensão do que o autor propõe. Nesse episódio, as músicas judaicas ouvidas são: Tantz, Tantz Ydelech (tradicional música klezmer); Echad Mi Yodea: essa música foi escolhida para a parte que fala sobre o monoteísmo (sua letra diz “Um: quem sabe o que é? Um: eu sei o que é. Um é o nosso Deus”); Birchot Havdalah: música escolhida para o trecho que fala sobre a Havdalá no episódio 3, neste episódio foi utilizado apenas um trecho instrumental. Veahavtá: um dos parágrafos do “Shemá Israel”, trecho da Torá que é o ponto central dos serviços judaicos de oração; Az Der Rebe Tantst: (tradicional música em iídiche. O trecho escolhido diz: “quando o rabino canta, todos os chassidim cantam”. Chassidim é um termo plural que indica os fiéis de uma linha do judaísmo ortodoxa, por isso ela se situa na parte que mostra um rabino com roupas usadas pelos ortodoxos: chapéu e casaco preto; Cuando el Rey Nimrod: música de origem sefaradi (grupo judaico da Península Ibérica, cantada em ladino - língua falada por esse grupo-, que menciona o nascimento de Abraão, pai do judaísmo, na parte que comenta o nascimento do judaísmo, há cerca de 4 mil anos; Ale Brider, música tradicional em ídiche que celebra o fato de sermos todos irmãos, presente na passagem que enfatiza que os judeus fazem parte de uma comunidade; e Tantz, Tantz Ydelech: música Klezmer tradicional, no trecho em que aparece uma vitrola e menciona esse tipo de música. Os músicos foram: Flauta e Piano: Aline Silveira, Violino: Alexei Henriques, Voz: Diana Vaisman, Acordeon: Guilherme Miranda e o Grupo Viver com Yiddish: Voz: Thaís Goulart, arranjo e bandolim: Bruno Rian, flauta e piano: Aline Silveira e percussão: Davi Nascimento

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Momento musical


Saiba + A internet é a enciclopédia do mundo, estar no computador é natural para a nova geração, por isso é importante que o grupo aprenda a fazer links e traçar referências neste suporte. Mas, se o acesso a internet não for fácil para os alunos, uma pessoa pode pesquisar e divulgar seus resultados para todos.

O Museu Judaico de São Paulo (MUJ) preparou uma abrangente apresentação sobre as Mulheres no seu acervo: https://artsandculture.google.com/story/9QWR7cQymdW4JA Sobre exercer o direito à democracia, vá ao site que elenca boas práticas democráticas de deputados e senadores do Brasil https://www.politicos.org.br/ Links de biografias de mulheres brasileiras inspiradoras Carolina de Jesus – https://www.ebiografia.com/carolina_maria_de_jesus/ Txai Suruí – https://www.bbc.com/portuguese/brasil-59213035 Juma Xipaia - https://www.uol.com.br/ecoa/ultimas-noticias/2021/11/03/acao-para-cumprir- metas-eampliar-vozes-na-discussao-sao-destaque-na-cop26.htm

Glossário Antigo Testamento – Também chamado Bíblia Hebraica (Torá) é um livro sagrado. Os textos foram escritos em hebraico, grego e aramaico. Na versão aceita por judeus e protestantes, apresenta a história do mundo desde a criação até os acontecimentos após a volta do povo de Israel do exílio da Babilônia no século 4 a.E.C.. Shofetim – Juízes, em português. É o sétimo livro da Bíblia. Narra a história dos juízes bíblicos, líderes contra a opressão de monarcas estrangeiros modelos de pensamento judaico.

Chassidim – significa devotos - Judeus que pertencem ao movimento do judaísmo ortodoxo. Surgiu na primeira metade do século 18, na Europa Oriental em reação ao judaísmo talmúdico ou intelectualizado.

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Quipá – É um adereço de cabeça originalmente masculino, usado por homens judeus e por mulheres de comunidades liberais, ora em ocasiões solenes, ora diariamente. Cobrir a cabeça expressa respeito e a consciência de que Deus está acima do homem. Essa obrigação é um sinal de reverência a Deus (Tratado Shabat, 156b). O estilo da quipá, de uma só cor ou de várias, de tecido ou de crochê é uma questão de gosto e de identidade. Em certos casos, esse adereço pode indicar um grupo e um país de origem.


Episódio 3

ESCRITO NAS ESTRELAS EP 3 - Histórias que trazemos na mala

Tema: Calendário judaico

Bate-papo a) Shabat, dia do descanso b) Pessach, uma festa da liberdade c) Rosh hashaná, a cabeça do ano

Frame in foco 1 Momento Músical Saiba + Glossário

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Subtemas


Bate-papo Um calendário é um sistema de medida de tempo que agrupa e faz a contagem dos dias, dividindo-os em meses e anos. Como convenção e por praticidade, no mundo todo o ano civil está baseado no Calendário Gregoriano, promulgado pelo Papa Gregório XIII, no séc. 16. Esse calendário adota como marco inicial o nascimento de Jesus Cristo. Tem como referência o sol e adota o dia como unidade fundamental de tempo com 24 horas e a semana, como um período de 7 dias. O ano é constituído por 12 meses que podem ter de 28 a 31 dias, composto no total por 365 ou 366 dias, O judaísmo celebra o tempo. Uma das mais importantes bênçãos proferidas pelos judeus é: “Bendito sejas tu, eterno nosso Deus, que nos fizeste chegar a este momento de nossas vidas”. O judaísmo considera que são, principalmente, os movimentos da Lua, que orientam a vida sobre a Terra. Cada festa, cada Shabat, cada acontecimento do ciclo de vida judaica conta parte da história de Deus em busca da humanidade. “O tempo judaico consiste em contar, tanto de forma numérica como de maneira narrativa (...), considerando e contemplando aquilo que nele precede e aquilo que nele prossegue, se persegue e se ultrapassa. No tempo estão os factos, as experiências, as vivências e a rememoração, com a celebração e as aspirações.” 1 O calendário judaico mostrado por Débora, no Episódio 3. possui os meses definidos pela base lunar e o ano, pela base solar. Por isso, o calendário judaico é considerado lunissolar. O ano solar possui 365 dias e mais um quarto de dia. Portanto, o ciclo lunar tem de ser ajustado ao calendário solar, de tal forma que as festas judaicas ocorram nas estações corretas. Em alguns anos, adiciona-se um mês a mais, Adar II (Adar Sheni). E a cada 19 anos, o calendário judaico coincide com o calendário gregoriano. A contagem do ano no judaísmo é considerada a partir da criação do primeiro homem, Adão, e da primeira mulher, conforme narrativa da criação do mundo na Bíblia Hebraica (que corresponde ao sexto dia da criação). No ano de 2021, em Rosh Hashaná (ano novo judaico) para os judeus, teve início o ano de 5782 desde a criação do Homem. A contagem da semana é feita a partir da criação do mundo, conforme relatado na Bíblia Hebraica. O primeiro dia da semana (domingo), corresponde ao primeiro dia da criação do mundo. Segundo a narrativa bíblica, Deus criou o mundo em seis dias e no sétimo, sábado, Ele descansou (o sétimo dia é o Shabat, o Dia do Descanso). O dia, no calendário judaico, inicia-se ao anoitecer. Ele vai de um pôr do sol ao outro, porque na Bíblia está escrito: “ Houve tarde e houve manhã, dia primeiro.”2.

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1 Ramos, José Augusto Martins O espaço do tempo, segundo o judaísmo. https://doi.org/10.4000/cultura.1470 2 Gênesis (1:5)


Subtemas a) Shabat, dia do descanso Há algumas versões sobre a criação do mundo, algumas delas de cientistas, outras de filósofos e, ainda, de líderes religiosos. Segundo o Gênesis o primeiro livro da Bíblia, Deus fez o mundo em seis dias, executando em cada um deles uma tarefa: 1. Luz; 2. Firmamento do Céu; 3. Separação da água e da terra; criação das plantas; 4. Sol, Lua e as estrelas; 5. Vida marinha e pássaros; 6. Animais terrestres; o homem e a mulher; 7. No sétimo, contemplou sua obra e descansou, é o dia de Shabat.

Como está escrito na Bíblia, em seu primeiro livro: “… Era noite e era manhã, o sexto dia. E os céus e a terra e tudo o que havia. E Deus completou no sexto dia Sua obra que Ele tinha feito; e Ele descansou no sétimo dia de toda a Sua obra que Ele tinha feito… E Deus abençoou o sétimo dia, e o santificou, porque nele Ele descansou de toda sua obra que Deus tinha criado. 3 No pôr do sol do sexto dia (sexta-feira), acendem-se duas velas para marcar o início do shabat. É costume receber o shabat com orações. É feita a bênção do vinho e a do pão, Chalá, pão trançado. Janta-se em família. No sábado costuma-se ler a Torá 4 na sinagoga (Veja o episódio 2 sobre a Torá). No final desse dia acende-se uma vela trançada e exalam-se aromas com o Bessamim (especiarias, em hebraico) para marcar o seu final.

Copo para vinho. Acervo: MUJ

Castiçais. Acervo: MUJ

3 (Gênesis 1:31-2:3) 4 Ver Episódio 5 – O Livro mais precioso do judaísmo

Bessamim. Acervo: MUJ

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A palavra Shabat em hebraico é a raiz para o termo sábado, em português, e para a denominação desse dia da semana em muitas outras línguas. O termo sabático é outro que deriva do original em hebraico e significa descanso. Já ouviram falar em ano sabático?


Sugestão de atividade – Como a chalá fica com bolhas? O pão doce trançado que se come no Shabat é um símbolo. Há várias receitas e ele pode ser trançado de várias formas com 3, 5 ou 6 pontas. Seguem duas receitas e dois jeitos diferentes de trançar a chalá: https://www.youtube.com/watch?v=DroPXUhiogc; https://www.youtube.com/watch?v=D12mTrT_XxQ. Introduza o assunto da fermentação ao lembrar que a Chalá é um pão fofinho e tem bolhas de ar na massa. São as bolhas que foram causadas pelo processo de fermentação pelos fungos microscópicos chamados leveduras. Por que o pão cresce? Que tal fazer um experimento com sua turma para mostrar como se dá esse processo químico? Material necessário: 3 recipientes de tamanho médio, 3 colheres de café de açúcar, ½ kg de farinha de trigo e água Proposta: Prepare três massas de pão e coloque-as em recipientes separados e cobertos com filme plástico (PVC), de acordo com o esquema mostrado a seguir: 1) Uma colher (de café) de açúcar + uma colher (de café) de fermento químico + 13 colheres (de sopa) de farinha + 1/4 de copo de água; 2) Uma colher (de café) de açúcar + 13 colheres (de sopa) de farinha + 1/4 de copo de água; 3) Uma colher (de café) de açúcar + ¼ de tablete de fermento biológico dissolvido separadamente em ¼ de copo de água morna + 13 colheres (de sopa) de farinha. Depois de 30 minutos, os alunos observarão que somente a massa do recipiente 3 cresceu, por ter sido a única em que foi colocado fermento biológico. BNCC Neste ponto, a BNCC também indica uma proposta de atividade (EF04CI07) Verificar a participação de microrganismos na produção de alimentos, combustíveis, medicamentos, entre outros.

Quando a primavera chega ao Hemisfério Norte, onde se situa Israel, no judaísmo celebra-se a festa de Pessach, que relembra a saída do povo de Israel do Egito onde viviam como escravos, guiados por Moisés, em direção a Canaã. Como saíram com pressa, não houve tempo para fermentar o pão para a viagem. Para lembrar esse episódio, durante os oito dias de Pessach, come-se um pão não fermentado chamado Matsá. Durante as primeiras noites da festa, celebra-se um jantar em família. Sobre a mesa coloca-se um prato, keará, com o símbolos da festa: Betzá, o ovo cozido, que simboliza o ciclo da vida; Zroa, osso, um símbolo da força dos escravos no Egito; Maror, erva amarga, como escarola, que lembra a amargura da escravidão; Karpás, batata cozida, mergulhada na água salgada que representa as lágrimas salgadas. Algumas famílias vindas do oriente médio colocam salsão em vez de batata; Charosset, mistura de maçã e nozes, com aparência de argamassa, para recordar o material que os hebreus usavam para fazer tijolos no Egito; Chazeret, erva amarga, -costuma-se usar alface romana- para simbolizar o sofrimento dos hebreus durante a escravidão no Egito. Atualmente, em comunidades judaicas liberais, inclui-se um alimento diverso, uma fruta, como uma laranja, para lembrar e incluir aqueles que se sentem marginalizados.

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b) Pessach, festa da liberdade


Sugestão de atividade – Em todo Brasil, líderes abolicionistas

(foto: https://pt.wikipedia.org/wiki/Lu%C3%ADs_Gama#/media/Ficheiro:Luiz_Gama_perfil.png)

Material necessário: Papel e caneta Proposta: É importante saber que o movimento abolicionista no Brasil foi um conjunto de ações de ativistas. As principais leis promulgadas foram a Lei Áurea, Lei do Ventre Livre, Lei dos sexagenários e Lei Euzébio de Queirós. Divida a turma em quatro grupos, cada um deles será responsável por pesquisar uma das leis. Proponha a busca em livros ou na internet, sobre o que dizia a lei e em que ano foi promulgada. Essas informações podem ser apresentada oralmente à classe junto, com comentários críticos: Ela foi escrita por negros? Qual a consequência para os recém libertos? E no século 21, no Brasil, quais as marcas da escravidão dos povos originários da África? BNCC Recorremos novamente às indicações da BNCC (EF08HI19) Formular questionamentos sobre o legado da escravidão nas Américas, com base na seleção e consulta de fontes de diferentes naturezas. (EF08HI20) Identificar e relacionar aspectos das estruturas sociais da atualidade com os legados da escravidão no Brasil e discutir a importância de ações afirmativas. (EF09HI03) Identificar os mecanismos de inserção dos negros na sociedade brasileira pós-abolição e avaliar os seus resultados.

c) Rosh hashaná, a cabeça do ano As fases da lua e as estações do ano marcam as datas das festas judaicas. Na lua nova do mês judaico de Tishrei, os judeus festejam a chegada de um novo ano, Rosh Hashaná, que, em hebraico, significa cabeça do ano. Costuma-se mandar mensagens com votos de bom ano e ouve-se o toque do shofar, instrumento de sopro feito de chifre de carneiro, antílope, bode ou gazela. O toque do shofar é considerado um convite à reflexão. Também é costume fazer um jantar em família com comidas típicas da tradição judaica como a Chalá redonda (o círculo representa a continuidade, a contagem dos dias e meses que sempre recomeçam), a maçã com mel (para um ano novo doce e feliz) e a romã (fruta que tem muitas sementes, para augurar um ano abundante).

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Luiz Gama

A abolição da escravatura dos povos negros no Brasil, advinda com a Lei Áurea em 1888, foi fruto da luta travada por grupos abolicionistas de diversas origens em várias partes do País. Esses grupos tornaram-se ativos ao longo da segunda metade do século 19 e integravam pessoas de diferentes ocupações como jornalistas, políticos, fazendeiros e advogados. Entre os líderes abolicionistas, destacam-se três: Luiz Gama, baiano filho de pai branco português e de uma negra livre, tornou-se advogado autodidata e, mesmo sem diploma, criou uma nova forma de ativismo: ele entrava com ações na Justiça para libertar escravos. Calcula-se que tenha ajudado a conseguir, a partir de diferentes argumentos, a liberdade de cerca de 500 pessoas; Maria Tomásia Figueira Lima, filha de uma família tradicional de Sobral, no Ceará, casouse com o abolicionista Francisco de Paula de Oliveira Lima e tornou-se uma das principais articuladoras do movimento que levou aquele estado a decretar a libertação dos escravos, quatro anos antes da Lei Áurea. Segundo o Dicionário de Mulheres do Brasil, ela foi cofundadora e primeira presidente da Sociedade das Cearenses Libertadoras que, em 1882, reunia 22 mulheres de famílias influentes para argumentar a favor da abolição; e André Rebouças, baiano que nasceu livre, teve formação intelectual e técnica e chegou a ser um destacado advogado e político do Império. Era engenheiro de grandes obras e também membro da Sociedade Brasileira Contra a Escravidão, da Sociedade Abolicionista e da Sociedade Central de Imigração. As ideias de Rebouças incluíam não apenas o fim da escravidão. Ele propunha que os libertos tivessem acesso à terra e direito a serem integrados, não, marginalizados.


Sugestão de atividade – festas e a marcação da passagem do tempo no calendário A sugestão é elaborar um calendário de comemorações, para que a turma inclua as datas de aniversário de todos os alunos, as datas festivas nacionais e as comemorações importantes para a comunidade, como o aniversário da cidade em que moram, por exemplo. Junto com a turma elabore uma lista de comemorações e datas ou épocas do ano em que são comemoradas. O calendário, depois de feito, merece ser colocado em evidência na sala e servir como tema de atividades e conversas. Material necessário: Papel cartão branco, régua e caneta tipo marcador Proposta: Junto à turma, elabore uma lista de festas populares, tanto as que a turma já conhece, como as festas juninas do bairro, ou aquelas que ocorrem em outras regiões do país. Por exemplo: pode ser lembrado o Bumba meu Boi, cujo dia nacional comemora-se em 30 de junho; a Folia de Reis, festejada próxima ao dia 24 de dezembro. Liste as datas de aniversário de todos da turma e outras comemorações que julgar importantes como marcação e entendimento da passagem do tempo. Todos podem participar da ilustração de cada mês. Foto: https://www.flickr.com/photos/caochopp/5870773599 BNCC Também aqui, estaremos afinados com a BNCC (EF02HI07) Identificar e utilizar diferentes marcadores do tempo presentes na comunidade, como relógio e calendário.

A Hagadá (em hebraico, “narração”), é o livro lido nas duas primeiras noites da festa Pessach. Seu texto narra a história da libertação do povo de Israel que era escravo no Egito e foi libertado. Pessach celebra essa libertação narrada na Hagadá, com bênçãos, canções e provérbios judaicos que acompanham essa festividade. Não existe uma única edição de Hagadá, cada linha do judaísmo tem sua variante, cada instituição ou cada família pode confeccionar a sua própria, sempre mantendo a centralidade da narrativa, que é saída da escravidão pelo povo de Israel. Na Hagadá do Sertão, o êxodo é assim contado: “E assim iniciou mais uma travessia/ Amsterdam ou Marrocos pro Recife ou pra Bahia/ Seja lá para onde for, irei com maestria. Pois levo a Torá comigo, que me protege e me guia. E se Moisés aqui vivesse, a Rua dos Judeus frequentaria”. Moacyr Scliar, escritor gaúcho que escreveu inúmeros livros entre romances, contos, ensaios e narrativas infantojuvenis, escreveu também uma Hagadá, ilustrada com litogravuras de Carlos Scliar. Nela está escrito: “Por que esta noite é diferente de todas as noites, meu filho? Porque esta noite lembramos. Lembramos os que foram escravos no Egito, aqueles cujo dorso estalava o látego do Faraó. (...) Lembramos o desamparo dos oprimidos diante da arrogância dos poderosos. Lembramos com alívio: é o passado, Lembramos com tristeza: é o presente. Ainda existem Faraós, ainda existem escravos.”

Museu Judaico de São Paulo • Histórias que trazemos na mala • p.26

Frame in foco


Momento musical Ao assistir ao episódio 3 – Escrito nas Estrelas, ouvem-se várias melodias. A trilha sonora é fundamental, ela está incorporada no que é narrado. Neste caso, acrescenta elementos da cultura judaica, ilustrando sua tradição musical. Nesse episódio as músicas judaicas que ouvidas são: Tantz, Tantz Ydelech (tradicional música klezmer); Birchot Havdalah: música escolhida porque logo adiante, comenta-se a Havdalah. Aqui, foi utilizado um trecho apenas instrumental; Veshamru (reza escolhida para a parte do episódio sobre a criação do mundo e o Shabat. Em sua letra, ela diz que “Em seis dias, Deus criou o céu e a terra / E no sétimo dia, descansou”); Birchot Havdalah: música cantada na cerimônia de Havdalá, ao final do Shabat. Essa melodia, composta por Debbie Friedman, é cantarolada em diversos lugares do mundo, por pessoas de diferentes linhas do judaísmo; Avinu Malkeinu: tradicional rezaé cantada em Rosh Hashaná (o ano novo judaico) e em Yom Kipur (o Dia do Perdão). Seu título significa “Nosso pai, nosso rei”; Ha Lachmá Aniá: música cantada na festa de Pessach, que celebra a libertação dos judeus da escravidão no Egito. Sua letra diz: “Este é o pão da aflição, o pão que nossos ancestrais comeram na terra do Egito.” Esse trecho foi escolhido para a parte sobre a festa de Pessach. No final do episódio, desponta o desejo de que todos os povos sejam livres: “Neste ano, estamos escravizados / No próximo ano, estaremos livres”. Os músicos da gravação foram: Flauta e piano: Aline Silveira; Violino: Alexei Henriques; Voz: Diana Vaisman e Shofar: Sérgio Margulie.

Saiba + A internet é a maior enciclopédia do mundo, estar no computador é natural para a nova geração, por isso é importante que o grupo aprenda a fazer links e traçar referências neste suporte. Mas, se o acesso a internet não for fácil para os alunos, você pode pesquisar e divulgar seus resultados. Para saber mais sobre o calendário judaico http://www.cjb.org.br/tiferet/culto/tradicoes/14_calend.pdf http://www.hebrew4christians.com/Holidays/Calendar/calendar.html Para saber mais sobre líderes abolicionistas https://www.bbc.com/portuguese/brasil-44091469

Parashá – É o trecho da Torá (para saber + veja o episódio 5) , que constitui os cincos primeiros livros da Bíblia: Gênesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio, lido a cada semana em cultos judaicos. No judaísmo, a Torá é lida publicamente. A cada semana lê-se um trecho que recebe o nome de parashá, até que se completem os cinco livros. Calendário judaico – O calendário judaico é um calendário lunissolar cujos meses são baseados nos ciclos da Lua, enquanto o ano é adaptado regularmente de acordo com o ciclo solar. Por isso ele é composto alternadamente por anos de 12 ou 13 meses e pode ter de 353 a 385 dias. Os meses são: Tishrei, Cheshvan, Kislev, Tevet, Shvat, Adar, Nissan, Iyar, Sivan, Tamuz, Av e Elul. Em alguns anos, acrescenta-se o mês Adar II (Adar Sheni, em hebraico)

MUSEU JUDAICO DE SÃO PAULO • HISTÓRIAS QUE TRAZEMOS NA MALA • P.27

Glossário


Episódio 4

O LIVRO MAIS PRECIOSO DO JUDAÍSMO

Tema: Calendário judaico

Tema: A cidade em que moramos

Bate-papo

Bate-papo

Subtemas

Subtemas

a) A Torá do Museu Nacional b) A Torá que veio na mala

Frame in foco Momento Músical Saiba + Glossário

a) Pontos turísticos b) Meios de transporte c) Lazer na cidade

Frame in foco Momento Músical Saiba + Glossário

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EP 4 - Histórias que trazemos na mala


Tema: Calendário judaico

Bate-papo O povo judeu é reconhecido como um dos povos do livro 1. A Torá é o livro central e mais importante do judaísmo. Ela é constituída pelo grupo dos cinco primeiros livros da Bíblia hebraica, o pentateuco: Gênesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio. Nas comunidades judaicas ao redor do mundo, a Torá, na forma de pergaminho, é usada quando os rolos que a constituem são retirados da Arca Sagrada (Aron Hakodesh), sua capa e os ornamentos que a revestem são cuidadosamente removidos e trechos de sua narrativa são lidos na sinagoga. Às segundas e quintas-feiras, são lidas pequenas seções. A leitura principal ocorre na manhã de Shabat - sábado. Ao longo do ano, todo o pergaminho é lido em sequência e assim, quando concluídos os cinco livros, o ciclo recomeça. A parte especial dos textos a serem lidos é chamada “Parashá” e geralmente tem de três a cinco capítulos. O leitor tem de ser habilidoso para ler o pergaminho, pois constam apenas consoantes, a escrita é elaborada sem as vogais. Além disso, a sua leitura é conduzida entoando uma melodia. Os pergaminhos não são tocados diretamente com a mão, mas com um ponteiro ou Yad (mão) com o formato de uma mão com um dedo estendido, geralmente feito de prata. É uma grande honra para um membro da congregação religiosa ser convidado a participar de uma leitura, durante um culto na sinagoga. Os rolos da Torá são escritos à mão, em hebraico, por um sofer (escriba) em pergaminho de couro animal, usando uma pena de ganso ou de peru, com tinta feita de minerais como era comum na Antiguidade. Pode levar até 18 meses para concluir todo o processo, desde a complexa preparação das peles dos animais até a redação das palavras finais. O acervo do Museu Judaico de São paulo (MUJ) guarda alguns exemplares daTorá que pode ser visualizados em: https://museujudaico.inwebonline.net/ficha.aspx?t=o&id=301

”Muitas pessoas se sentem próximas ao texto bíblico, como se ele fizesse parte de sua própria história. Ao longo dos anos, os homens repetem as narrativas de onde emergem personagens e mensagens que recontactam o leitor com o passado, enquanto ele caminha para o presente, bem como para o futuro. Outro aspecto relevante está na forma como as palavras (o som) e as lacunas (o silêncio) do texto bíblico compõem a narrativa.” A Bíblia contém narrativas, poemas, leis e ideias sobre política e ética. A cultura judaica baseia-se no seu estudo contínuo, na busca de seu sentido tradicional e de novos significados face ao cotidiano atual. O termo hebraico midraxe significa: estudar, pesquisar, investigar ou dar explicação. São essas explicações que esclarecem as dúvidas e expandem a complexidade do texto bíblico. 1 O Alcorão usa o termo em referência a judeus, cristãos e sabianos (pertencentes a religião dos antigos sabeus, do Reino de Sabá, no atual Iêmen) em uma variedade de contextos, desde polêmicas religiosas a passagens enfatizando a comunidade de fé entre aqueles que possuem escrituras monoteístas. 2 Deuteronômio VI, 6-7

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O estudo do texto bíblico corresponde a um dos preceitos do judaísmo: ”E estarão estas palavras que Eu te ordeno hoje, no teu coração, e inculcarás a teus filhos e delas falarás” 2.


Subtemas a) A Torá do Museu Nacional Na seção de Obras Raras da Biblioteca do Museu Nacional no Rio de Janeiro, estão arquivados os nove rolos em pergaminho da Torá que pertenceram a D. Pedro II. Os manuscritos escritos em hebraico foram tombados pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico e Nacional (IPHAN), por sua importância arqueológica e bibliográfica. Eles são conhecidos como “Pergaminhos Ivrim” e pesquisas indicaram que foram confeccionados no Iêmen, por volta do século 13. D. Pedro II era um entusiasta da cultura e história das civilizações, conhecia 9 línguas, entre elas tupi-guarani, árabe, Torá do Museu Nacional /UFRJ turco, sânscrito e hebraico. Em seu reinado, empreendeu três grandes viagens, entre 1876 e 1877, visitando países da Europa, Rússia e Terra Santa (Israel). Sua comitiva tinha aproximadamente 200 pessoas, a maioria escravos. Nessa viagem, o imperador redigiu um diário onde estão anotados seu roteiro e os acontecimentos vividos, por isso sabemos que ele ganhou de presente os pergaminhos nos quais poderia aprimorar seu hebraico. Para aprender o idioma, ele usava também um caderno que está guardado no Museu Imperial de Petrópolis. Para quem ficar curioso, o MUJ tem em seu acervo o facsimile da Torá de Dom Pedro II. Foto: https://www. facebook.com/MuseuNacionalUFRJ/photos/a.1512672655701609/2717901901845339/?locale=hi_IN&paipv=0&eav=AfYISoCKrbQuPH4s9lMgpG3q_ r7pja3wjlCuenb4gLtqanUuYvlbAyN75-GuYu_uVXk&_rdr

Sugestão de atividade – Leis de conduta e convivência A Torá, entre outras características, contém um código de valores éticos para conduzir a vida comunitária de um grupo. Podemos usar a Torá como inspiração para construir o conjunto de regras e combinados para seu grupo de alunos. Por exemplo, a regra de levantar a mão para pedir a palavra.

Proposta: Proponha aos alunos uma conversa sobre regras e combinados de convivência para a sala. Lidere uma roda de conversa em que cada participante proponha uma regra a ser seguida por todos, durante o tempo de convívio em grupo. Converse sobre as ideias de cada um e organize uma lista que resuma as sugestões. Pergunte se estão de acordo e escreva com cuidado sobre um papel especial . Cada um dos alunos pode colocar sua assinatura ao final do texto. O papel pode ser enrolado como o pergaminho de uma Torá e guardado sob uma capa preparada pelo grupo. BNCC Mais uma vez, sigamos as indicações da BNCC (EF12LP10) Ler e compreender, em colaboração com os colegas e com a ajuda do professor, cartazes, avisos, folhetos, regras e regulamentos que organizam a vida na comunidade escolar, dentre outros gêneros do campo da atuação cidadã, considerando a situação comunicativa e o tema/assunto do texto. (EF01LP21) Escrever, em colaboração com os colegas e com a ajuda do professor, listas de regras e regulamentos que organizam a vida na comunidade escolar, dentre outros gêneros do campo da atuação cidadão, considerando a situação comunicativa e o tema/assunto do texto. (EF69LP23) Contribuir com a escrita de textos normativos, quando houver esse tipo de demanda na escola – regimentos e estatutos de organizações da sociedade civil do âmbito da atuação das crianças e jovens (grêmio livre, clubes de leitura, associações culturais etc.) – e de regras e regulamentos nos vários âmbitos da escola – campeonatos, festivais, regras de convivência etc., levando em conta o contexto de produção e as características dos gêneros em questão.

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Material necessário: Papel especial que pode ser enrolado, caneta e capa de papel ou tecido.


b) A Torá que veio na mala No acervo do MUJ, está guardada uma Torá que tem uma longa história. Ela esteve, durante a Segunda Guerra, enterrada em um cemitério de Berlim para que não fosse destruída pelos nazistas, pois era um objeto de inestimável valor religioso para a comunidade judaica alemã. Salva, ela foi trazida a São Paulo e doada à Congregação Israelita Paulista (CIP) em 1965. Desde o final do século 20, ela não é mais lida nos serviços religiosos, devido ao fato de sua escrita estar danificada, como consequência da infiltração de água e sais minerais do solo em seu pergaminho, durante o período em que esteve debaixo da terra. Note como um só objeto pode ajudar a compreender fatos e contextos históricos. Isso ocorre, quando o objeto se torna o disparador de uma narrativa familiar e pessoal. Depois, ele passa a ser um instrumento que dá voz à própria comunidade, para contribuir com o patrimônio material e imaterial. É esse o caso da Torá que foi enterrada em Berlim, hoje tornada parte do acervo do Museu Judaico de São Paulo. As histórias contadas pelos imigrantes, como os judeus de várias partes do mundo, ilustram a construção da cultura brasileira.

Sugestão de atividade – Montar uma exposição com objetos de família Dia do Objeto Material necessário: Objetos pessoais de família

Objetos pessoais diversos. Acervo: MUJ

BNCC Novamente retomamos orientações da BNCC. (EF02HI05) Selecionar objetos e documentos pessoais e de grupos próximos ao seu convívio e compreender sua função, seu uso e seu significado. (EF02HI06) Identificar e organizar, temporalmente, fatos da vida cotidiana, usando noções relacionadas ao tempo (antes, durante, ao mesmo tempo e depois). (EF02HI08) Compilar histórias da família e/ou da comunidade registradas em diferentes fontes. (EF02ER03) Identificar as diferentes formas de registro das memórias pessoais, familiares e escolares (fotos, músicas, narrativas, álbuns...).

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Proposta: Em um primeiro momento, peça para cada aluno conversar com seus familiares - ou com pessoas conhecidas- sobre objetos significativos que guardam em sua casa. Cada jovem deverá escolher um desses objetos e buscar conhecer sua história e seu significado. Escolhido o objeto, uma legenda explicativa deve ser feita: como é o objeto, qual a sua função, se possível, qual o ano de fabricação, o país de origem e a qual família pertence. Seria interessante, marcar uma dia para expor esses objetos para mostrá-los à comunidade escolar. Os alunos devem elaborar fichas de identificação e, também, dar explicações sobre eles aos que visitarem a exposição.


Frame in foco 1

Cada povo tem seus próprios ritos de passagem, como o baile de debutantes, uma tradição da nobreza européia do século 16, realizado quando as meninas eram apresentadas à sociedade como adultas e prontas para o casamento. No judaísmo, a passagem para a vida adulta se dá no Bar-mitzvá e na Bat-mitzvá. A palavra se origina do aramaico. “Bar” que significa “filho”, e “Mitzvá” que significa “mandamento”. Um menino “Bar Mitzvá” é um “filho do mandamento” e “bat” é a menina filha do mandamento. Reafirmando a ideia da importância dos livros no judaísmo, as cerimônias de Bar e Batmitzvá acontecem quando os jovens se preparam para a leitura de um trecho da Torá, o livro central do judaísmo.

Hoje, algumas congregações norte-americanas usam o termo “brit mitzvah”, que se traduz em “aliança dos mandamentos”, neutro em termos de gênero. E como disse a rabina Rachel Weiss: “O que é mais importante do que o idioma que escolhemos é o processo e a conversa que temos ao lado dele”3. No grupo étnico Kamayurá, habitante do Alto Xingu no Mato Grosso, o rito de passagem das meninas da infância para a idade adulta se dá como um período de reclusão. A jovem reclusa aprende a confeccionar artesanato, a tecer o fio do algodão e a cozinhar com a mãe e outras mulheres do grupo, durante um ano. Concluído o tempo de reclusão, delimitado pelo pai da moça, a jovem é apresentada a toda a comunidade como mulher, passível de pretendentes e propostas de casamento. Esse ritual feminino de iniciação é o momento social que revela tanto a distinção, quanto a separação entre o mundo infantil e o adulto. O ritual feminino de iniciação, entre os Kamayurá, tem correspondente no universo masculino, porém ele é facultativo, aplica-se àqueles jovens que desejam se tornar líderes do grupo ou grandes lutadores do Huka-huka.

Você já viu essas letras escritas no pergaminho da Torá? São letras do alfabeto hebraico. Na língua hebraica -como em algumas outras línguas, como o árabe, o japonês e o chinês- o alfabeto é diferente do empregado no português e o sentido da escrita também. Em hebraico, escreve-se da direita para esquerda; há outras línguas faladas no mundo que também são escritas assim, como o árabe, o persa e o urdu, línguas antigas como o hebraico e usadas ainda hoje. Há também línguas africanas modernas como o N’Ko, escritas da direita para a esquerda. O hebraico pertence à família das línguas afro-asiáticas e foi criado por volta do século 3 a.E.C.. Já naquela época, era usado um alfabeto exclusivamente de consoantes. Tempos depois, escribas introduziram um sistema de sinais vocálicos colocados acima das consoantes, facilitando a leitura dos textos. Hoje, o hebraico é falado por mais de 8,5 milhões de pessoas entre os habitantes do Estados de Israel, tanto árabes quanto judeus. A Torá e os livros de rezas judaicos também estão em hebraico e as bênçãos, recitadas diariamente pelos judeus ortodoxos, são ditas igualmente em hebraico.

3 https://www.timesofisrael.com/american-synagogues-mark-the-100th-anniversary-of-the-first-us-bat-mitzvah/

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Frame in foco 2


Saiba + A internet é a maior enciclopédia do mundo, estar no computador é natural para a nova geração, por isso é importante que o grupo aprenda a fazer links e traçar referências neste suporte. Mas se o acesso a internet não for fácil para os alunos, você pode pesquisar e divulgar seus resultados. Para saber mais sobre a viagem de D. Pedro 2º e os Pergaminhos Ivrim, acesse o canal do Youtube do MUJ https://www.youtube.com/watch?v=yzn1tGsVfBM&t=4143s Há também uma tese da FFLCH-USP sobre D. Pedro 2º e sua relação com o judaísmo https://www.teses. usp.br/teses/disponiveis/8/8138/tde-06102014-190859/publico/2012_NoelyZuleicaOliveiraRaphanelli_VCorr E ainda um artigo da Revista Morashá http://www.morasha.com.br/brasil/judaismo-na-corte-de-dpedro-ii.html

Glossário Bíblia hebraica – É a primeira grande parte da Bíblia cristã, também chamada de Velho Testamento, composta por relatos sagrados reunidos em três coleções: Lei, Profetas e Escritos. A Lei compreende os primeiros cinco livros, a Torá (“Gênesis”, “Êxodo”, “Levítico”, “Números” e “Deuteronômio”). Pentateuco – Significa literalmente em grego “cinco partes ou seções”, é composto pelos cinco primeiros livros da Bíblia. Aron Hakodesh – É o nome do armário ornamentado onde se guardam os livros da Torá de uma sinagoga. Geralmente fica posicionado na parede direcionada para Jerusalém, para a qual também se voltam os judeus em certos momentos da oração. Parashá – Conjunto de textos da Torá que é lido semanalmente. A Torá é dividida em 54 parashiot (plural de parashá), cuja leitura é iniciada e finalizada na Festa de Simchat Torá, quando se dança, na sinagoga, segurando os rolos da Torá.

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Yad – Literalmente “mão”, em hebraico É um apontador ou ponteiro, utilizado no acompanhamento da leitura da Torá. Ele garante que o pergaminho, muito frágil, não seja danificado. Possui também a finalidade prática de indicar, separadamente, cada palavra do texto para que nenhuma delas seja esquecida por descuido.


Tema: A cidade em que moramos

Bate-papo Nos episódios de Histórias que trazemos na mala, Débora, a protagonista, anda por vários lugares de São Paulo, cidade onde ela mora e onde fica a sede do Museu Judaico de São Paulo. Lá há prédios altos e uma população estimada em mais de 12 milhões de habitantes, em 20211. Circulam quase 6 milhões de carros, muitos ônibus, trem e metrô. É enorme o movimento de pessoas nas ruas. São Paulo está localizada na região sudeste do País. Um de seus pontos mais altos é o espigão onde se situa a avenida Paulista. Na parte baixa, em outro bairro, correm o Rio Tietê e seu afluente, rio Pinheiros. Eles são navegáveis, mas poluídos, ninguém entra para nadar. A praia mais próxima de São Paulo, Santos, está distaciada cerca de 80 Km. O clima de São Paulo, na maioria dos dias do ano, é ameno, nem muito frio nem muito quente. No verão, entre dezembro e março, elevam-se as temperaturas e a incidência de chuvas em São Paulo também aumenta. Muitas cidades são citadas nos episódios apresentados por Debora. Ela conta a história de um casal marroquino que traz na mala um lindo vestido de noiva, vindo de Tânger, cidade no Estreito de Gibraltar, ponto de passagem entre Europa e África. Ela também conta que Olga trouxe seu pilão para triturar especiarias e Zaki, seu conjunto de pesos de metal usados para criar jóias. Eles vieram de Alepo, a maior cidade da Síria e também uma das cidades mais antigas do mundo, tendo sido habitada desde 5.000 a.E.C. Cada cidade tem sua peculiaridade, seja seu aspecto físico, como montanhas, rios e clima, seja sua cultura, como construções, vida cultural e modo de vida dos habitantes. O Brasil recebeu e recebe, ainda, muitas pessoas vindas de outros países que trazem objetos, história e culturas distintas. O judaísmo, como outras etnias, constitui-se por grande diversidade cultural, por isso os episódios têm várias histórias para contar.

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1 https://cidades.ibge.gov.br/brasil/sp/sao-paulo/panorama


Subtemas a) Pontos turísticos No início do episódio 1, Débora anda de skate por São Paulo. As imagens da cidade são fotografias recortadas de prédios icônicos da capital, como Theatro Municipal, MASP, SESC Pompeia e o Edifício Copan, projetado por Oscar Niemeyer. Elas aparecem trazem cores diferentes das reais, foram colorizadas. Mesmo assim, são identificados esses pontos de referência, locais que marcam nossa paisagem e os que moradores conhecem bem.

Sugestão de atividade – Post turístico A proposta desta atividade é criar um anúncio turístico da sua cidade em forma de post, em grupo ou individual. O ponto de partida seria uma volta no quarteirão da escola com o grupo ou, se possível, uma caminhada pela cidade para observá-la com calma e novos olhos. O que ela tem de interessante e bonito? A praça, a igreja, a praia? Cada aluno observará algo que gostaria de mostrar para alguém que viesse de fora. Material necessário: Celular ou lápis, caneta e papel Proposta: Peça ao grupo que, ao longo da caminhada de observação, faça um registro do que lhe chamar a atenção, seja um desenho, uma frase escrita ou uma foto. [O post deve ter texto e imagem], Cada estudante deve produzir um texto com no máximo 400 caracteres, descrevendo o lugar escolhido e indicando o que ele tem de especial. Concluída a peça publicitária, ela deve ser divulgada: cartazes na escola; cartão a ser enviado a amigos e parentes ou, ainda, a ser trocado com colegas de outras turmas; ser postada no Instagram ou Facebook. A/O docente, neste exercício, conforme o nível dos alunos, deverá aproveitar a oportunidade para o estudo dos recursos argumentativos da linguagem. BNCC

b) Meios de transporte Débora, a narradora de Histórias que trazemos na mala, usa boné e anda de skate, é assim que passeia por São Paulo. Conta que seus avós chegaram de navio em Santos e pegaram o trem para São Paulo. Hoje há muitos carros e ônibus nas ruas de São Paulo, há também o metrô e o trem urbano que formam uma rede terrestre interligada. Assim, as pessoas podem atravessar a cidade usando um veículo individual ou o transporte coletivo. Em algumas estações de trem ou metrô, há um bicicletário para guardar bicicletas e skates, usados para chegar ao trabalho, à escola ou à própria residência. Os rios de São Paulo, mesmo navegáveis, não são usados para o transporte. Nos céus da cidade, vêem-se muitos helicópteros, usados para observar e noticiar o trânsito e, também, por quem precisa de um transporte ultrarrápido. (foto:https://commons.wikimedia.org/ Trem da linha Coral- CPTM, São Paulo

wiki/File:Trem_Linha_Coral_CPTM.jpg)

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A BNCC também se exprime sobre peças publicitárias (EF69LP09) Planejar uma campanha publicitária sobre questões/problemas, temas, causas significativas para a escola e/ou comunidade, a partir de um levantamento de material sobre o tema ou evento, da definição do público-alvo, do texto ou peça a ser produzido – cartaz, banner, folheto, panfleto, anúncio impresso e para internet, spot, propaganda de rádio, TV etc. –, da ferramenta de edição de texto, áudio ou vídeo que será utilizada, do recorte e enfoque a ser dado, das estratégias de persuasão que serão utilizadas etc.


Sugestão de atividade – Gráfico dos meios de transporte Os meios de transporte evoluíram lentamente antes da Revolução Industrial, mas, depois dela, evoluíram bastante. Durante o século 19 e princípio do século 20, surgiram novos meios e aperfeiçoaram-se os já existentes (navio, trem, automóvel, balão, avião, helicóptero). A partir de 1950, com a diminuição de custos, além de maiores velocidade e segurança, os meios de transporte tornaram-se acessíveis. A proposta consiste em analisar essa evolução no contexto em que vivem seus alunos. Sugira fazer entrevistas com familiares e conhecidos, tomar notas e organizar os dados para serem analisados. Material necessário: Papel, lápis ou caneta. Lousa e marcador Proposta: Esta atividade começa individualmente. Cada jovem em sua casa ou em sua vizinhança, pesquisará quais meios de transporte seus pais usam para ir trabalhar e, se possível, quais meios seus avós e bisavós usavam. Haverá respostas variadas, o importante seria separar gerações, pais / avós / bisavós. Na sequência, a atividade desenvolve-se individualmente ou em grupos. Os dados recolhidos, serão trazidos para a classe e, com sua orientação, serão elaboradas uma tabela e um gráfico na lousa. Sugerimos organizar os dados da seguinte maneira: em cada geração: quantos usam carro; quantos, bicicleta; quantos vão a pé; quantos utilizam um meio de transporte coletivo. Com esses números, será possível montar um gráfico de barras para que a comparação fique evidente e possa ser analisada e discutida por todos. BNCC Mais uma vez, recorremos ao texto da BNCC (EF02GE03) Comparar diferentes meios de transporte e de comunicação, indicando o seu papel na conexão entre lugares, e discutir os riscos para a vida e para o ambiente e seu uso responsável. (EF05GE06) Identificar e comparar transformações dos meios de transporte e de comunicação. (EF69LP32) Selecionar informações e dados relevantes de fontes diversas (impressas, digitais, orais etc.), avaliando a qualidade e a utilidade dessas fontes, e organizar, esquematicamente, com ajuda do professor, as informações necessárias (sem excedê-las) com ou sem apoio de ferramentas digitais, em quadros, tabelas ou gráficos.

c) Lazer na cidade Débora adora seu skate. Como outros esportes, skate é também lazer. Em São Paulo, há locais projetados para sua prática, como a Praça Roosevelt, que tem um centro de manobras de skate. A capital paulista tem dezenas de locais para a prática desse esporte e de patins também, como o vale do Anhangabaú ou o Parque Villa Lobos.

Sugestão de atividade – Mapas colaborativos e sustentabilidade Você já ouviu o termo mapear? Tanto a produção de um mapa físico quanto o levantamento de espaços e pessoas de uma região fazem parte dessa ação. Os mapas evidenciam a distribuição de recursos numa dimensão espacial ou temporal, relacionando-a com diferentes fatores sociais, como a presença, ausência ou ampliação de assentamentos humanos. Os mapas colaborativos são criados por uma comunidade que o conserva e realimenta, modificando os dados, em função de mudanças. O maior e mais famoso desses mapas é o OpenStreetMap, projeto colaborativo, inspirado por sites como a Wikipédia, com a finalidade de criar um mapa livre e editável do mundo. A proposta desta atividade é mapear os espaços de lazer do seu grupo. Existem diferentes instrumentos de mapeamento: é possível traçar mapas em cartolinas, no computador, em tabelas e planilhas. A partir desse mapeamento, perguntas e análises contribuiriam para enriquecer o conhecimento sobre sua cidade e modos de vida mais sustentáveis.

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Eles fazem parte dos locais de lazer da cidade, onde as crianças e jovens, acompanhados ou não de suas famílias, podem brincar e praticar esportes. Nos centros urbanos brasileiros, muitas vezes é dada pouca importância ao espaço de lazer.


Material necessário: Cartolina e canetinhas Proposta: Esta atividade consiste em fazer um mapa com todo o grupo que, depois, será usado como tema de discussão. Primeiro, reúna o grupo e pergunte a cada participante quais são as áreas de lazer que frequenta, seja o próprio quintal, a própria rua, seja o pátio da escola. Essas áreas serão marcadas em um mapa desenhado pela turma a partir das próprias observações. Em seguida, novas perguntas podem ser formuladas: É bom morar na nossa cidade? O que ela nos oferece e o que mais poderia oferecer? Como podemos ajudar o nosso bairro a ser um lugar melhor para todos? Como podemos contribuir para tornar nossa cidade sustentável? Os alunos conhecem os ODS (Objetivos de Desenvolvimento Sustentável) da ONU? Essa é a proposta da Organização aos países membros da criação da Agenda 2030 baseada nos 17 ODS elaborados para combater os principais desafios relacionados a questões sociais, econômicas e ambientais em todo o mundo. Acesse os objetivos em: https://brasil.un.org/pt-br/sdgs. Sua escola já adotou alguns desses objetivos? Caso sim, quais são eles? Caso não, quais as suas sugestões a respeito?

17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU

A BNCC manifesta preocupação em relação à sustentabilidade. (EF04MA16) Descrever deslocamentos e localização de pessoas e de objetos no espaço, por meio de malhas quadriculadas e representações como desenhos, mapas, planta baixa e croquis, empregando termos como direita e esquerda, mudanças de direção e sentido, intersecção, transversais, paralelas e perpendiculares. (EF01GE09) Elaborar e utilizar mapas simples para localizar elementos do local de vivência, considerando referenciais espaciais (frente e atrás, esquerda e direita, em cima e embaixo, dentro e fora) e tendo o corpo como referência. (EF02GE08) Identificar e elaborar diferentes formas de representação (desenhos, mapas mentais, maquetes) para representar componentes da paisagem dos lugares de vivência. foto: https://memoria.ebc.com.br/tecnologia/2014/09/conheca-tres-experiencias-de-mapas-colaborativos-na-web

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BNCC


Saiba + Hoje a internet é a maior enciclopédia do mundo, estar no computador é natural para a nova geração, por isso é importante que o grupo aprenda a fazer links e traçar referências neste suporte. Mas se o acesso a internet não for fácil para os alunos, livros e material impresso a partir de pesquisas na web podem ser distribuídos. Dicas de links que falam sobre cidades: Ação de uma escola que fez tijolos com cascas de mariscos que estavam sujando a praia em Sergipe: https://g1.globo.com/como-sera/noticia/2018/03/cascas-de-mariscos-sao-usadas-para-fazer-tijolos.html ODS - https://brasil.un.org/pt-br/sdgs Dentre as 20 cidades mais populosas do mundo, São Paulo ocupa a quarta colocação: https:// brasilescola.uol.com.br/geografia/cidades-mais-populosas-mundo.htm Acesse dados sobre todas as cidades brasileiras, com dados, mapas e gráficos https://cidades.ibge.gov.br/

Glossário Post – É todo o formato de conteúdo publicado na internet podendo ser encontrado em diferentes formatos e mídias. Mapear -– A palavra mapear significa traçar os contornos geográficos de uma região ou, então, relacionar um conjunto de dados a outros.

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Templo Beth El - Antes de abrigar o Museu Judaico de São Paulo (MUJ), o edifício situado na Rua Martinho Prado era a sede do Templo Beth El que, em 1932 abriu suas portas como uma sinagoga de rito asquenazita, isto é, que aceitava rabinos das mais diversas origens, confirmando o que está escrito em hebraico na fachada do Templo: “Que esta seja uma casa de orações para todos os povos”. O edifício foi projetado e construído por Samuel Roder, ele mesmo imigrante da atual Ucrânia. O edifício foi tombado Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo (CONPRESP) que justifica o seu valor: ”Considerando o valor arquitetônico e patrimonial dessa sinagoga, cujo projeto, desenvolvido, em 1928, pelo arquiteto Samuel Roder, formado em Kiev (...), expressa a procura por uma linguagem judaica na arquitetura religiosa, inspirada em modelos bizantinos e inspirada nas mais imponentes sinagogas construídas na segunda metade do século XIX”.


Episódio 5

RECEITAS DE FAMÍLIA EP 5 - Histórias que trazemos na mala

Tema: Culinária, uma tradição judaica

Bate-papo a) Comidas de afeto b) Dietas alimentares

Frame in foco Momento Músical Saiba + Glossário

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Subtemas


Bate-papo O episódio 5 da série Histórias que trazemos na mala é muito gostoso! Ele trata da culinária em um lugar cheio de boas lembranças, a cozinha da avó de Débora. Os imigrantes chegados a São Paulo no começo do século 20, como os avós de Débora, trouxeram memórias de cheiros e sabores dos pratos que comiam em família, nos países de origem. As receitas vinham escritas ou estavam fixadas nas lembranças e os pratos de vários cantos do mundo passaram a ser feitos no Brasil. Alguns imigrantes também trouxeram utensílios de cozinha, como Olga, a esposa de Zaki vindo de Alepo, na Síria, que trouxe o pilão para triturar especiarias que, agora, pode ser visto no acervo do Museu Judaico de São Paulo. Mas, muitas vezes acontecia ingredientes comuns nos países de origem não eram encontrados no Brasil, como o macarrão de grão duro, a que os italianos estavam acostumados; ou os pignoli, semente extraída de um certo tipo de pinheiro da Europa, com os quais faziam doces maravilhosos, como a pizza com frutas cristalizadas, amêndoas e passas. Foi preciso fazer adaptações e trocas de ingredientes. Assim como a história do judaísmo é feita de deslocamentos e migrações, também sua culinária adapta-se a cada novo lugar em que um imigrante se estabelece. No Brasil, a culinária trazida pelos imigrantes judeus é muito rica e diversa. Os habitantes do Leste Europeu trouxeram a receita deliciosa dos latkes, bolinhos de batata crua ralada. Há um prato consumido por muitos judeus, com especial significado para os ashkenazim, udeus originários da Europa oriental: o guefilte fish, bolinhos de peixe. Conta-se que, originalmente, a pele do peixe, em geral da carpa, era retirada, cozida e colocada novamente, para ser servida como se fosse um peixe inteiro. Mas como eram pobres e não podiam comprar peixe fresco, os judeus ashkenazim maquiavam o prato. A carne do peixe era retirada e incrementada com cebola, ovos e pão, para aumentar a quantidade. Também com os imigrantes europeus chegou a receita do cholent, um ensopado de carne, batatas, feijões e ovos que cozinhava por muitas horas e descansava durante a noite da sexta-feira, para ser comido no dia seguinte, pois para os judeus ortodoxos é proibido cozinhar no Shabat. Por sua vez, os judeus vindos do Oriente trouxeram pratos como o cuscuz, tradicional do norte da África. Os sefaradim, os judeus de cultura oriental são famosos pelos doces feitos com tâmaras, nozes e pistaches como os knafes, sables, menenas de tâmaras e o basbussa, um bolo feito com semolina. No judaísmo há um código de conduta que rege a alimentação, são as leis da Kashrut. Essas regras estão na Torá, o livro sagrado dos judeus. Uma delas, por exemplo, diz que não é permitido misturar carne e leite em uma mesma refeição, conforme o mandamento: “Não cozerás o cabrito no leite de sua mãe” 1. Assim, judeus que seguem essas leis estritamente saboreiam cada uma das refeições ou com pratos de carne ou com pratos à base de leite e seus derivados separadamente, e com distanciamento de algumas horas entre elas.

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1 Êxodo 23:19, Êxodo 34:26 e Deuteronômio 14:21


Subtema a) Comidas de afeto Nas festas judaicas, nos jantares em família são servidas comidas tradicionais como os guefilte fish, os bolinhos de peixe; os varenikes, massa recheada com batata; o borscht, a sopa de beterraba; o cuscuz e o falafel, o bolinho de grão de bico. Vindos da África, da Europa e do Oriente, os judeus trouxeram ao Brasil diferentes tradições alimentares. No Brasil, no século 21, cada imigrante que chega traz consigo receitas que logo são adaptadas aos ingredientes e Livro de cozinha para senhoras , 1896. Acervo: MUJ cultura locais. Em São Paulo, por exemplo, é possível encontrar restaurantes chineses, japoneses, italianos, espanhóis. Recentemente, abriram-se locais de comida coreana, taiwanesa, com cardápio mediterrâneo-libanês e que promovem apresentações de música étnica e danças palestinas. Também há restaurantes venezuelanos, peruanos, turcos, angolanos e congoleses. Os pratos preparados estão ligados à região de que vieram, às tradições e à fé de cada um, mas ajustados aos ingredientes disponíveis e ao gosto brasileiro.

Sugestão de atividade – Caderno de receitas Até o advento do computador e da internet no final do século 20, as receitas de família eram escritas e guardadas em cadernos. Muitas cozinheiras os guardavam como preciosidades já que continham os segredos de seus melhores pratos. Material necessário: Papel, lápis ou caneta, e se houver diponibilidade, celular e computador Proposta: Introduza o assunto mostrando cadernos de receitas ou livros de culinária e proponha aos alunos fazer uma pesquisa das receitas de família, dos pratos de que mais gostam, como a macarronada do domingo, por exemplo. Lembre-se de que numa receita há o título, a lista de ingredientes, o número de porções e o modo de fazer. Se possível, uma foto ajudaria o leitor a saber como o prato deve ficar no final. Reunidas as receitas trazidas por todos, edite um caderno de receitas da classe: pode ser em e-book, pode ser manuscrito e cada página traria a caligrafia de um dos colaboradores. Nesse caso, o ideal seria fazer cópias para distribuir a cada um dos co-autores. (Fotos: https://www.behance.net/gallery/10768799/Viajar-preciso-cozinhar-nao-preciso)

A BNCC reserva um espaço para falar de alimentação. (EF02ER06) Exemplificar alimentos considerados sagrados por diferentes culturas, tradições e expressões religiosas. (EF02ER07) Identificar significados atribuídos a alimentos em diferentes manifestações e tradições religiosas.

b) Dietas alimentares A kashrut corresponde às regras de alimentação baseadas no que está escrito na Torá seguida pelos judeus ortodoxos. Há vários tipos de dietas alimentares, como o veganismo e o vegetarianismo. Por vezes, a restrição a certos alimentos decorre de problemas de saúde. Os celíacos, pessoas alérgicas a glúten também seguem uma dieta especial; os diabéticos sofrem restrição de açúcar; existem alergias de vários tipos, os alérgicos são alertados a evitar comer algo que possa prejudicá-los. A palavra “dieta” nos remete, quase sempre, a regime, à privação de alimentos gostosos, mas dieta não se restringe a isso, pois o termo vem do grego (díaita) - significa “modo de viver” - e do latim

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BNCC


(diaeta), “equilíbrio no comer e no beber”. Assim, “dieta” refere-se aos hábitos alimentares individuais que podem ser saudáveis ou não 2. Uma proposta de dieta saudável para os brasileiros é aquela que segue o Guia Alimentar para a População Brasileira 3. Guias alimentares são documentos com orientações para estruturar políticas públicas e programas de nutrição e saúde em um determinado país. Eles levam em conta a cultura e os hábitos alimentares de cada nação. Na última edição do guia brasileiro, foi introduzida a advertência sobre o risco de alimentos ultraprocessados, com ingredientes, em sua maioria, de uso exclusivamente industrial, como corantes e aromatizantes. Diversas evidências científicas vêm demonstrando a relação desses produtos com o desenvolvimento de obesidade, diabetes, câncer e outras doenças crônicas não transmissíveis. Além disso, é importante pensar sobre a sustentabilidade na alimentação, conceito que engloba o impacto que nossas escolhas alimentares têm no planeta e nas pessoas que trabalham no setor alimentício. (Acesse o Guia Alimentar em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/guia_alimentar_populacao_brasileira_2ed.pdf )

Sugestão de atividade – Purim, uma festa judaica muito alegre No mês de Adar, do calendário judaico, que cai em fevereiro ou março, acontece a festa de Purim. Nessa data os judeus comemoram a união de seu povo contra os propósitos de Haman, o primeiro-ministro do rei persa Achashverosh que quis exterminar o povo de Israel. Ele havia sorteado um dia para isso, daí o nome da festa: Purim (palavra em hebraico que significa sorteios). O povo, então, se uniu e com astúcia venceu o tirano. Há vários mandamentos e costumes relativos a essa festa, um deles é ler o seu relato histórico na Bíblia, na Meguilat Ester. Outro é comer um doce que imita o formato da orelha de Haman (Acesse a receita em: https://www.youtube.com/watch?v=WrwGWGvGQok), o Oznei Haman. Um costume divertido é se fantasiar, como no carnaval, quando as crianças e também os adultos saem às ruas para se divertir. Outro costume é a doação aos carentes, Meguilta Ester Acervo: MUJ de dinheiro, roupas ou alimentos. Que tal reunir a turma para uma conversa sobre quem ou qual organização da cidade poderia se beneficiar com uma (ou mais de uma) cesta de alimentos feita pelos alunos? Crie uma data no calendário da turma para essa doação. Material necessário: Alimentos duráveis e saudáveis como feijão, arroz, sal, macarrão e óleo. Proposta: Organize a turma em dois grupos, cada grupo escolherá a quem se destinará sua cesta e se essa ação generosa será pontual ou periódica. A partir daí, o grupo se organizará para listar tipos de alimentos que entrarão na cesta; organizar o recolhimento dos alimentos (se cada um da turma trará um item ou se haverá uma ação mais ampla, uma campanha com envolvimento de toda escola, por exemplo); acondicionar os alimentos e organizar a sua entrega.

A BNCC reserva um espaço para falar de alimentação. (EF02ER06) Exemplificar alimentos considerados sagrados por diferentes culturas, tradições e expressões religiosas. (EF02ER07) Identificar significados atribuídos a alimentos em diferentes manifestações e tradições religiosas. (EF05GE02) Identificar diferenças étnico-raciais e étnico-culturais e desigualdades sociais entre grupos em diferentes territórios.

Sugestão de atividade – Adivinhe que alimento é esse A biodiversidade de nosso planeta é incrivelmente variada, como ilustra o número de frutos comestíveis. O tema poderia ser o assunto de uma apresentação oral dos alunos, com apoio de imagens. A ideia é mostrar frutos diferentes daqueles encontrados na localidade da escola, frutos típicos de outros países ou outras regiões do Brasil, mostrando local de origem, características e modo de consumo. O fruto é parte de uma planta do tipo angiosperma (aquela que possui frutos, flores e sementes). A principal função do fruto é a de proteger as sementes, enquanto elas amadurecem. Os 2 https://educacao.uol.com.br/planos-de-aula/fundamental/ciencias-dietas-alimentares.htm 3 A edição mais recente do Guia Alimentar para a População Brasileira foi publicada em 2014 em parceria com o Núcleo de Pesquisas Epidemiológicas em Nutrição e Saúde (Nupens/USP) com o apoio da Organização Pan Americana da Saúde (Opas/Brasil).

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BNCC


frutos costumam ficar maduros ao mesmo tempo em que as sementes ficam prontas para germinar. Material necessário: Imagens dos frutos típicos de outras regiões e de outros países Proposta: A proposta desta atividade é que cada aluno pesquise um fruto, desconhecido para ele, buscando descobrir sua origem, o local onde é mais consumido, e suas características como cor e sabor. No dia marcado para as apresentações orais, propõe-se um jogo de adivinha, quando cada aluno poderá apresentar seu “fruto” para a turma reconhecer. (Foto: https://pxhere.com/pt/photo/1523593)

BNCC A BNCC dedica atenção ao modo de fazer uma apresentação (EF02CI06) Identificar as principais partes de uma planta (raiz, caule, folhas, flores e frutos) e a função desempenhada por cada uma delas e analisar as relações entre as plantas, o ambiente e os demais seres vivos. (EF15LP09) Expressar-se em situações de intercâmbio oral com clareza, preocupando-se em ser compreendido pelo interlocutor e usando a palavra com tom de voz audível, boa articulação e ritmo adequado. (EF15LP13) Identificar finalidades da interação oral em diferentes contextos comunicativos (solicitar informações, apresentar opiniões, informar, relatar experiências etc.).

Os bisavós da Débora que vieram da Rússia provavelmente tinham uma cozinha como esta do “frame” com muita madeira, fogão a lenha, uma chaleira de metal para fazer o chá e um lindo samovar dourado. No acervo do Museu Judaico de São Paulo (MUJ) (Acesse em: https://museujudaico. inwebonline.net/geral.aspx) há vários exemplares de samovares que os imigrantes judeus trouxeram quando vieram ao Brasil, há até uma boneca com uma grande saia de pano colorida para ser colocada sobre o samovar para enfeitar e ajudar a manter o calor. O costume russo é preparar um chá bem forte que é despejado em xícaras e diluído na água, mantida quente dentro do samovar. Há samovares dos mais variados formatos, enfeitados, lisos e de diferentes materiais como louça, latão, cobre, prata ou estanho. Os não elétricos têm um lugar interno para o carvão, pinhas ou outro material combustível que, em brasa, manterá aquecida a água colocada no recipiente em volta desse tubo interno. No acervo do MUJ há também um samovar elétrico de estanho fabricado em São João del Rei, Minas Gerais. O samovar é tão importante na cultura russa, que há um museu, na cidade de Tula, ao sul de Moscou, dedicado aos samovares.

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Frame in foco


Saiba + A internet pode ser uma fonte de ideias e receitas para o seu grupo. Desde como fazer uma horta ou receitas rápidas para fazer em grupos. Veja os links que você e seus alunos podem acessar: Para saber mais sobre culinária judaica e as regras da Kashrut – http://basilio.fundaj.gov.br/pesquisaescolar/index.php?option=com_content&id=548&Itemid=182 Para saber mais sobre Purim – https://www.conib.org.br/glossario/purim/ Para saber mais sobre o Guia Alimentar para a população brasileira – https://www.fsp.usp.br/nupens/guia-alimentar-para-a-populacao-brasileira/ Para fazer uma horta na escola – https://leiturinha.com.br/blog/horta-caseira-beneficios-para-os-pequenos-e-para-familia/ No Tudo Gostoso tem receitas de pratos e doces para fazer com crianças – https://blog.tudogostoso.com.br/cardapios/receitas-para-fazer-com-as-criancas-nas-ferias/

Glossário Tishrei – É um dos meses do calendário lunar. Os outros são Cheshvan, Kislev, Tevet, Shevat, Adar, Nisan, Iyar, Sivan, Tammuz, Av e Elul. Cada mês tem 29 ou 30 dias. Judeus ortodoxos – São aqueles que cumprem estritamente os preceitos estipulados pela Lei Judaica. Esses preceitos estão ligados principalmente a hábitos a serem adotados como a dieta kasher que estipula quais e como os alimentos devem ser consumidos, o descanso aos sábados e as leis da pureza familiar. Kasher/Kashrut – em hebraico, “apropriado” ou “permitido”. É o conjunto de deveres alimentares estabelecidos pela lei judaica, que os judeus ortodoxos seguem estritamente. Uma das leis especifica a separação entre leite e carne na mesma refeição. Outra dita o modo como os animais devem ser abatidos, sem sofrimento. Outras, ainda, citam os animais que podem ser consumidos: os ruminantes, como vaca, ovelha, cabra e veado; entre as aves estão frango, pato, ganso e peru. Os répteis e anfíbios não são considerados kasher; Os peixes como atum, salmão e truta são kasher, enquanto crustáceos, moluscos e mamíferos marinhos não são.

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Meguilat Ester - É um dos livros da Bíblia Hebraica que compreende a Torá, os Profetas e os Escritos Sagrados. Ele conta a história da rainha Ester na festividade de Purim. A leitura é feita a partir de um rolo de pergaminho escrito à mão.


Episódio 6

MANDE NOTÍCIAS EP 6 - Histórias que trazemos na mala

Tema: Imigrantes de todos os lugares

chegam ao Brasil

Subtemas

a) Os judeus e o Brasil b) Cartas e fotografias dos imigrantes e viajantes c) Fotografias como memória

Frame in foco Momento Músical Saiba + Glossário

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Bate-papo


Bate-papo Débora conta que, mal desembarcaram do navio em Santos, seus avós já pegaram o trem com destino a uma nova vida na cidade de São Paulo. Eram imigrantes judeus, como tantos outros que fugiram de fome, guerras e dificuldades de sobrevivência, vindos da Europa, do Norte da África e do Oriente. O Brasil recebeu imigrantes de diferentes países, sobretudo entre meados do século 19 e meados do século 20. A maioria era de nacionalidade italiana, portuguesa ou espanhola. No início, ora se estabeleciam em locais próximos às estações de trem onde tinham desembarcado, ora se dirigiam diretamente às fazendas, pois já haviam sido previamente contratados para o trabalho na lavoura. Para os trâmites de imigração, muitos documentos eram expedidos pelas autoridades de fronteira, dando permissão à entrada dos imigrantes no País. Em certos períodos da história, era preciso que os imigrantes provassem que alguém lhes garantiria o sustento num primeiro momento, geralmente familiares que já moravam no Brasil. Esses parentes deviam mandar uma “Carta de chamada”. Como não havia computador nem internet, as notícias circulavam por meio de cartas sobre a longa viagem e o novo lugar, com outro idioma e outros costumes. Muitas fotografias registrando a paisagem do país, assim como cartas, fotos e cartões estão sendo preservados no Museu da Imigração do Estado de São Paulo e no Museu Judaico de São Paulo. Infelizmente, no mundo, ainda há fome e falta de trabalho. Ondas migratórias continuam a acontecer no século 21. Pessoas de várias nacionalidades chegam a nosso País, à procura de melhores condições de vida. 70% deles são haitianos e venezuelanos 1. Os haitianos percorrem vários países, até alcançar a Guiana ou a Venezuela para entrar de van pelo norte do Brasil. De modo semelhante aos que chegaram no século passado, trazem poucos pertences e logo procuram uma rede de ajuda que os apoie na hora de se estabelecer. Hoje em dia, é possível a comunicação com os familiares que ficaram no país de origem pelo celular. Há várias organizações que se responsabilizam pela assistência aos imigrantes. O principal órgão responsável é o Comitê Nacional para Refugiados (CONARE), vinculado ao Ministério da Justiça. Atuam no Brasil, também, a Agência da ONU para Refugiados (ANCUR); a Caritas; o Centro de Apoio e Pastoral do Migrante (CAMI); o Instituto Adus; o Serviço Franciscano de Solidariedade (SAFRAS), entre outros.

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1 https://g1.globo.com/rr/roraima/noticia/2019/12/16/nova-onda-de-haitianos-chega-ao-brasil-pela-guiana-e-engrossa-exodo-de-estrangeiros-em-roraima.ghtml


Subtemas a) Os imigrantes judeus e o Brasil O judaísmo está presente no Brasil desde a era colonial. Hoje, no início do século 21, a comunidade judaica no Brasil é a segunda maior da América Latina, com 120 mil judeus, ou seja, 0,06% da população 2 dos mais 212 milhões de brasileiros, . Nas Américas, a primeira sinagoga e o primeiro rabino, assim como a primeira comunidade abertamente judaica, foram instaladas no Brasil, entre 1630 e 1654 quando parte do Nordeste foi conquistada pelos holandeses, em meio a uma disputa entre potências coloniais. A fim de comercializar açúcar, a Holanda ocupou Pernambuco e, nesse contexto, vieram para o Brasil judeus perseguidos pela Inquisição espanhola e portuguesa. Foi fundada em Recife a primeira sinagoga e centro comunitário judaico das Américas, a “Kahal Kadosh Zur Israel” (Santa Comunidade Rochedo de Israel). Foram criados também uma escola religiosa e um cemitério. O primeiro rabino nas Américas foi Isaac Aboab da Fonseca, nascido em Portugal, que, ainda criança, foi para Amsterdã, onde havia importante comunidade de exilados da Península Ibérica. Lá ele se destacou no estudo das tradições judaicas e em 1642 chegou a Recife para ser rabino, o primeiro da congregação local. A segunda comunidade judaica organizada no Brasil foi fundada em Belém do Pará, na década de 1820, quando o ciclo da borracha atraiu imigrantes de vários países, incluindo judeus. Entre 1840 e 1850, foi inaugurada no Rio de Janeiro a instituição judaica “União Shel Guemilut Hassadim”, por judeus marroquinos vindos do norte do Brasil. A partir dos anos 1910, sobretudo nas décadas de 1920 e 1930, quando os Estados Unidos, Canadá e Argentina estabelecem restrições à imigração, o Brasil tornou-se um destino importante para os judeus provenientes da Europa Ocidental e Oriental. A maioria deles veio da Europa Oriental, em especial da Polônia, mas também da Rússia, Bessarábia, Lituânia e Ucrânia. Nos anos 1920, chegou a São Paulo um grupo do Oriente Médio, do Líbano e da Síria. A eles se juntam mais de 35 mil judeus que desembarcaram no país entre 1926 e 1935 fugidos da ascensão do nazismo na Europa. Na década de 50, chegaram ao Brasil judeus do Egito .

Pela sua formação histórica, a sociedade brasileira é um país miscigenado cultural e etnicamente. Em um primeiro momento, miscigeram-se indígenas, portugueses e negros escravizados. Num segundo momento, no final do século 19, chegou uma nova leva de imigrantes portugueses, em virtude das difíceis condições econômicas de Portugal. Os imigrantes alemães vieram do início do século 19 ao final do século 20, fixando-se em Santa Catarina, no Rio Grande do Sul, no Paraná, em São Paulo e no Rio de Janeiro. A imigração de italianos ampliou-se a partir de 1870, quando a Itália passava por conflitos internos. Eles se estabeleceram em São Paulo, Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Os espanhóis vieram principalmente no final do século 19 e fixaram-se em São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná, Minas Gerais e Rio Grande do Sul. Sírios e libaneses começaram a chegar ao Brasil no final do século 19, motivados pelas dificuldades enfrentadas nos países de origem. Fixaram-se em São Paulo, no Pará, no Amazonas, no Acre e no Ceará e desenvolveram sobretudo atividades comerciais. Os Japoneses chegaram em maior número a partir de 1908, quando o Japão sofria um sério problema econômico e grande parte de sua população passava fome, concentrandose principalmente em São Paulo, Paraná, Pará e Mato Grosso do Sul. Desenvolviam atividades agropecuárias, implantando novas técnicas de cultivo e produção no país. Proponha à turma que cada um busque descobrir a própria origem, entrevistando familiares e parentes. Material necessário: celular para gravar e tirar fotos, papel e caneta 2 https://www.conib.org.br/historia/

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Sugestão de atividade – E você, qual a sua origem?


Proposta: Proponha aos alunos que, por meio de entrevistas com seus familiares, descubram as origens da própria família. O ideal seria entrevistar os mais velhos, avós, tios-avós e bisavós. Antes das entrevistas, conviria preparar um roteiro de perguntas, incluindo nome, idade, local de nascimento, histórias da família. A partir dos dados coletados, ainda seria viável montar uma árvore genealógica a ser apresentada aos colegas e aos próprios familiares. A partir daí, podem ser feitas comparações, buscando semelhanças e diferenças entre as histórias relatadas. BNCC Renova-se o recurso às sugestões da BNCC (EF01HI02) Identificar a relação entre as diferentes histórias: as histórias de sua família e as de sua comunidade. (EF04GE01) Selecionar, em seus lugares de vivência e em suas histórias familiares e/ou da comunidade, elementos de distintas culturas (indígenas, afro-brasileiras, de outras regiões do país, latino-americanas, europeias, asiáticas etc.), valorizando o que é próprio de cada uma delas e sua contribuição para a formação da cultura local, regional e brasileira. (EF04GE02) Descrever processos migratórios e suas contribuições para a formação da sociedade brasileira. (EF08GE02) Relacionar fatos e situações representativas da história das famílias do Município em que se localiza a escola, considerando a diversidade e os fluxos migratórios da população mundial.

b) Cartas dos imigrantes e viajantes Talvez a carta mais famosa do Brasil seja aquela escrita por Pero Vaz de Caminha, escrivão da frota de Pedro Álvares Cabral, destinada ao rei português D. Manuel, para comunicarlhe o descobrimento das novas terras em 1500. Ele registrou suas impressões sobre a terra que posteriormente viria a ser chamada de Brasil. Eis o final: “Beijo as mãos de Vossa Alteza. Deste Porto Seguro, da vossa Ilha da Vera Cruz, hoje, sexta-feira, 1º dia de maio de 1500.” Nas cartas, geralmente os autores escrevem sobre o que veem e o que sentem, isto é, indicam suas impressões pessoais. Esse formato de escrita inicia com o local e a data, o nome do destinatário, seguido do texto propriamente dito. No final, vem uma expressão de despedida e a assinatura do emissário. As cartas constituem uma rica fonte de pesquisa para os historiadores. Graças à carta de Caminha, sabemos o dia e o ano em que os portugueses chegaram à costa brasileira.

Carta de Pero Vaz de Caminha ao Rei D. Manuel

Cartas de imigrantes. Acervo: MUJ

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Há cartas para pessoas queridas, cartas de escritores para outros escritores, cartas de imigrantes que contam sobre o novo local de morada, cartas contendo pedidos, como a de Mahatma Gandhi a Hitler, pedindo pela paz, em 1939. Existem cartas que nunca chegaram: aquelas escritas por prisioneiros dos campos de concentração da Segunda Grande Guerra mundial; ou por encarcerados em porões de governos ditatoriais que sequer foram enviadas aos destinatários. O Museu Judaico de São Paulo (MUJ) guarda em seu acervo cartas escritas em várias línguas, como iídiche e iugoslavo;


e de vários tipos, como aquela que traz respostas de um estudioso da lei religiosa em resposta a um judeu questionador. Essas decisões são chamadas Responsa (plural do latim responsum,’resposta’) e compreendem um conjunto de pareceres proferidos por estudiosos da lei religiosa em resposta a perguntas que lhes são dirigidas. No judaísmo, seria como um “Pergunte ao rabino”. As questões encaminhadas geralmente são práticas e por vezes dizem respeito a novas contingências para as quais não havia previsão nos códigos de lei. (Foto: https://fundacaoperovazdecaminha.weebly.com/)

Sugestão de atividade – Cartas pessoais A ideia desta atividade é retomar o conhecimento dos alunos sobre o que acabam de aprender e fixar os conteúdos mostrados dos episódios de Histórias que trazemos na mala. Material necessário: papel e lápis ou caneta Proposta: Depois de explicar ao grupo a organização de uma carta (data e local, saudação, corpo da carta, despedida e assinatura) peça a eles que escrevam cartas de boas-vindas às crianças venezuelanas, congolesas, bolivianas e de outras nacionalidades que imigraram ao Brasil com suas famílias, em busca de uma vida melhor. BNCC Acompanhe, mais um vez, a orientação da BNCC (EF02LP13) Planejar e produzir bilhetes e cartas, em meio impresso e/ou digital, dentre outros gêneros do campo da vida cotidiana, considerando a situação comunicativa e o tema/assunto/finalidade do texto.

c) Fotografias como memória

As fotografias são uma fonte de dados riquíssima, para estudar a história e os costumes de um povo. Esse registro permite entender as mudanças da paisagem natural ou, no caso de retratos, usos e costumes, como modo de se vestir e de morar. Mas, hoje a fotografia não precisa mais da traquitana que o lambe-lambe carregava, todo mundo pode ser fotógrafo com seu celular. A foto não precisa ser revelada, a imagem torna-se um arquivo digital que pode ser enviado ou publicado, a partir do exato momento em que você clica no seu aparelho eletrônico.

Fotografia de Chaia Zingerevitz no Jardim da Luz s/d. Acervo: MUJ

Fotografia de Haim Jurist, Década de 1920. Acervo: MUJ

Fotografia de Retrato de Bruna Klein Steinberg, 1930. Acervo: MUJ

Fotografia de família de Samuel Anijar (judeus de Belém), 1930. Acervo: MUJ

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Débora, a protagonista de Histórias que trazemos na mala, conta que no tempo de seu avô, no Jardim da Luz, ao lado de uma estação de trem no centro de São Paulo, havia vários fotógrafos lambe-lambes. Eles tiravam retratos e revelavam ali, na mesma hora, dentro de uma caixa escura, uma máquina-caixote, revestida com couro cru, madeira ou metal e coberta, na parte posterior, com uma espécie de saco negro, com três aberturas: duas para os braços e uma para enfiar a cabeça na hora de bater ou revelar a fotografia. Esse personagem desapareceu no final do século 20, assim como o tocador de realejo.


Sugestão de atividade – fotobiografias A ideia desta atividade é fazer uma fotobiografia, ou seja, uma biografia visual evidenciada pela escolha e montagem de fotografias selecionadas Material necessário: 3 ou 4 fotos impressas de família de épocas diferentes e uma cartolina. Proposta: Proponha que cada aluno reúna 3 ou 4 fotos impressas de sua família. Caso a família não possua fotos, tente pedi-las emprestadas a uma pessoa amiga ou a um vizinho, de preferência, idoso. Em uma cartolina branca de tamanho A4, as fotos podem ser dispostas sem colar, para que possam retornar aos donos intactas. Ela serão inseridas em quatro pequenos cortes enviesados feitos na cartolina, em locais correspondentes aos quatro cantos da foto. Uma marcação a lápis deve ser feita antes da realização desses cortes. As fotos devem ser distribuídas na cartolina numa ordem que ilustre a passagem do tempo ou numa organização por gênero ou por proximidade afetiva. Na etapa seguinte, os colegas comentam as imagens e o autor do cartaz confirma qual teria sido sua intenção e se os colegas acertaram. O objetivo é conjugar palavras (narração verbal) e fotografias (narração visual). BNCC Veja as sugestões da BNCC (EF01HI02) Identificar a relação entre as suas histórias e as histórias de sua família e de sua comunidade. (EF02HI04) Selecionar e compreender o significado de objetos e documentos pessoais como fontes de memórias e histórias nos âmbitos pessoal, familiar, escolar e comunitário.

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Vemos, também, a fachada da malharia “Leirner e Irmãos”. Isai e Felícia Leirner, ambos judeus poloneses, chegaram ao Brasil em 1927 e se estabeleceram no Bom Retiro. Poucos anos depois, fundaram a malharia que funcionava no quintal da casa deles, na rua Ribeiro de Lima. O irmão Zymon cuidava da malharia Tricot que vendia roupas de seda, lã e algodão para homens, senhoras e crianças como se vê no cartão de visitas. Depois, juntos, os irmãos fundaram a indústria têxtil “Tricot-Lã”. Além de empresários, a família Leiner fomentou o campo da arte no Brasil, patrocinando prêmios, galerias. além de ser uma família de colecionadores e artistas. No “frame”, há ainda a foto do “Buffet Jacob”, aberto em 1928 por Jacob Givertz, um imigrante polonês. O buffet fazia festas para bar- mitzva- a maioridade religiosa dos garotos judeus que completavam 13 anos- e casamentos O requinte do bufê era finalizar a festa com a distribuição de maçãs devidamente arrumadas em bandejas de prata aos convidados. Importadas e caras na época, as maçãs se esgotaram, antes mesmo de os garçons alcançarem o centro do salão com suas bandejas.” Na mercearia, eram oferecidos produtos como guefilte fish, arenques, conserva de pepino e sanduíche de pastrami no pão preto. “Quase diariamente era o próprio Jacob quem abastecia os tonéis de madeira onde eram feitas as conservas de pepino azedo. Os pepinos frescos eram lavados e acomodados dentro de uma solução composta por partes iguais de vinagre e água, temperada com cabeças de alho e ramos de dill. A iguaria simples era também a mais versátil e popular entre os clientes – acompanhava os sanduíches de pastrami no pão preto ou servia de acompanhamento para o arenque, que repousava sempre à mostra na vitrine refrigerada por enormes barras de gelo.”

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A maioria dos imigrantes que chegaram ao bairro do Bom Retiro, em São Paulo, no início do século 20, iniciou a vida profissional como comerciante, seja como vendedor ambulante autônomo, seja abrindo uma pequena loja. No “frame” vemos a Carteira de ambulante, uma permissão de trabalho emitida pela prefeitura de São Paulo de um imigrante russo, chamado José.


Saiba + Incentive seus alunos a usar a internet como fonte de conhecimento. Os sites de museus e universidades são boas fontes de conhecimento e leitura. Ofereça ao grupo a oportunidade de cruzar informações e links na internet. Sobre a arte da fotografia, descubra a experiência de Rosangela Tamagnone, ao ensinar a fotografia como linguagem visual, na escola EEEF Ismael Chaves Barcellos em 2009. – https://www.youtube.com/watch?v=FNnOA91uUxM O Museu da Imigração do Estado de São Paulo guarda um acervo notável sobre a imigração no Estado de São Paulo, inclusive com as listas de bordo que trazem a relação dos imigrantes desembarcados entre 1888 e 1965 no porto de Santos, principalmente vindos de portos europeus, – http://www.inci.org.br/acervodigital/ O acervo do Museu Judaico pode ser pesquisado em: https://museujudaicosp.org.br/acervo/ Sobre a atual onda imigratória para o Brasil, veja – https://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2021-12/numero-de-novos-imigrantes-cresce-244no-brasil-em-dez-anos

Glossário Inquisição – A Inquisição, ou Santa Inquisição foi um grupo de instituições dentro do sistema jurídico da Igreja Católica Romana cujo objetivo era combater a heresia, blasfêmia, bruxaria e costumes considerados desviantes, o que atingiu judeus, mulheres consideradas praticantes de bruxaria, cientistas e pessoas que não seguiam a fé católica. A Inquisição espanhola foi estabelecida em 1478 pelos Reis Católicos, Fernando II de Aragão e Isabel I de Castela e a portuguesa, iniciada em 1536. Cartas de chamada – Era um documento utilizado para viabilizar a vinda de uma ou mais pessoas, a um determinado país. No Brasil muitos imigrantes só obtinham seu visto de entrada, se tivessem em mãos uma carta de chamada, garantia de que alguém no novo país se responsabilizaria pelo seu acolhimento. Iídiche - idioma originário do alemão medieval, falado por judeus da Europa Oriental.

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Realejo – Palavra que designa instrumentos musicais movidos por uma manivela. O tipo mais comum é o barril ou piano, órgão portátil usado por um músico de rua.


Histórias que trazemos na mala Realização Museu Judaico de São Paulo Sapoti Projetos Culturais Coordenação geral Daniela Chindler Pesquisa Daniela Chindler Judith Tarasantchi Juliana Portenoy Leonardo Nogueira Vitulli Linda Derviche Blaj Roberta Alexandr Sundfeld Ruth Tarasantchi Roteiro Daniela Chindler Flavia Rocha Juliana Portenoy Colaboração Daniela Ghertman Yael Sandberg Esquenazi Produção Executiva Linda Derviche Blaj Vinicius Zavalis

Encontros na Sala de Aula Linda Derviche Blaj Daniela Chindler Wilma Temin

Patrocínio Patrocinador anônimo Em memória dos judeis que passaram pelo Holocausto

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MUSEU JUDAICO DE SÃO PAULO • HISTÓRIAS QUE TRAZEMOS NA MALA • P.53


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