Luis Otavio Santos direção musical William Pereira direção cênica e cenografia FÁbio Namatame figurinos Mirella Brandi iluminação TiÇa Camargo visagismo
Orquestra do Theatro São Pedro Junho dias 22, 27 e 29* Às 20h e dia 24 ÀS 17h Julho dia 1º Às 17h
*rÉCita Com reCursos de aCessibilidade
ALCINA
OU A ÓPERA ITALIANA PARA INGLÊS VER (E OUVIR) No mundo de hoje, onde diferentes
própria, mas ainda assim com alcance e
povos e nações são intensamente
influência muito limitados se comparado ao
influenciados por elementos da cultura
poder da música italiana, ela própria uma
anglo-americana (tais como o cinema,
espécie de linguagem universal que mesmo
seriados de TV, a literatura, o pop e o rock'n'
compositores nascidos em outros países
roll, por exemplo), e como consequência, um
procuravam aprender e se familiarizar, tal
mundo que tem o inglês como uma espécie
como ocorreu com o alemão Georg Friedrich
de idioma universal, pode parecer estranho
Händel (1685-1759).
falarmos de uma Inglaterra fascinada pela
Natural da pequena cidade saxã de Halle
música italiana, pela sonoridade melodiosa
an der Saale (no centro-leste da Alemanha),
de seu idioma e que tinha como verdadeiros
Händel iniciou seus estudos musicais a
ídolos cantoras e cantores exportados
contragosto do pai, um bem-sucedido
a peso de ouro de diversos pontos da
cirurgião-barbeiro que tinha para o filho
península Itálica.
planos para que ele se tornasse advogado.
A bem da verdade, não era apenas
Entretanto, com o passar do tempo, o
a Inglaterra que estava sob o jugo do
incomum talento do jovem Georg Friedrich
"imperialismo italiano" que dominou a
ficou evidente e o pai foi gentilmente
música ocidental entre os séculos XVII e
incentivado a apoiar a carreira musical do
XVIII, pois não havia no Velho Mundo teatro
filho próprio pelo Duque de Weissenfels.
que não fizesse ressoar óperas e árias de
A segunda etapa de sua formação
uma quantidade enorme de compositores
musical passou então a ocorrer em
italianos. Apenas a França e a música em
Hamburgo, centro urbano mais estruturado
torno da corte de Versalhes chegaram a
e com uma vida musical mais ativa, onde
configurar algum tipo de soberania nacional
Händel entrou em contato de forma plena
ao estabelecer uma identidade musical
com a sonoridade exuberante da música
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italiana de seu tempo, e onde em 1705
abastada, ansiosa para gastar suas
compôs e estreou sua primeira ópera,
pequenas fortunas com os prazeres antes
Almira, toda cantada em italiano. Ciente
exclusivos da nobreza.
de que era essa a arte a qual ele deveria
Sua trajetória em Londres começou com
se aprimorar e dominar – que também o
o pé direito, a partir do sucesso obtido com
norte da Alemanha não era o lugar mais
a ópera Rinaldo (1711), valendo-se da grande
apropriado para realizar isso – e em 1707
aceitação que a ópera e, principalmente,
ele parte rumo ao sul do continente, onde
cantoras e cantores italianos então gozavam
viveu, aprendeu e trabalhou em cortes e
na sociedade inglesa.
teatros de cidades como Roma, Nápoles
Foi em Londres onde o compositor
e Veneza, seja tocando em orquestra, seja
desenvolveu o tino comercial herdado do
compondo óperas no idioma local, com
pai, e além de escrever partituras, Händel
relativo sucesso e boa aceitação, ao menos
passou a atuar como empresário, tendo
para um forestiero...
participado da criação da Royal Academy
Três anos depois de sua partida, Händel
of Music (então uma entidade particular) e
retorna à Alemanha atraído pelo cargo de
da realização de diversas temporadas líricas
mestre de capela na corte do Eleitor Georg
e de concertos.
Ludwig, em Hannover (que anos depois
Entretanto, no ano de 1735, as coisas
viria se tornar monarca da Inglaterra). Mas
não estavam lá muito bem para os negócios
assim que assumiu o cargo ele se licenciou
de Händel. Por um lado, havia o verdadeiro
para viajar a Londres, onde oportunidades
frenesi que se seguiu à estreia de The
financeiramente ainda mais atraentes lhe
Beggar's Opera (ou A Ópera do Mendigo)
foram apresentadas.
– espetáculo operístico idealizado pelo
No início do século XVIII, Londres já era
empresário John Gay, que se vale de um
um centro urbano sofisticado, que em breve
estilo musical mais popularesco, com partes
seria o berço da Revolução Industrial e que
cantadas em inglês – que havia abalado a
já abrigava uma classe média relativamente
hegemonia da opera seria italiana (gênero 5
que Händel então dominava como poucos)
mas uma bailarina, a francesa Marie
junto ao público londrino. A isso soma-
Sallé (1707-1756), também ela sensação
se não apenas a situação de falência da
nos palcos londrinos. É sua presença na
companhia de ópera que participava, mas
produção de estreia de Alcina a explicação
também o surgimento de uma concorrente,
para a quantidade relativamente abundante
a Ópera da Nobreza, que então tinha como
de danças e música instrumental em meio
atração principal ninguém menos que
a um gênero caracterizado pela supremacia
o célebre castrado Carlo Maria Broschi,
das árias vocais.
também conhecido por Farinelli (17051782).
De volta para o futuro...
Ainda assim, nesse ano o compositor
A natureza frequentemente histórica,
empreende o que na prática seria seu último
mítica ou mesmo feérica dos enredos
sucesso com a opera seria, uma narrativa
de grande maioria das óperas barrocas
musical baseada numa história do célebre
oferece enorme leque de possibilidades em
poeta italiano Ludovico Ariosto (1474-
termos de encenação, uma vez que essas
1533), Alcina, a partir do libreto de Antonio
narrativas raramente se rementem a um
Fanzaglia.
tempo histórico real ou possível de ser
Em Alcina podemos ouvir um Händel
reconstruído em bases históricas confiáveis.
em pleno domínio da opera seria barroca,
E, de fato, desde que títulos desse repertório
com um nível de elaboração e artesanato
foram redescobertos e encenados a partir
de escritura raros mesmo em outros
de meados do século passado, diretores de
compositores italianos daquele período.
cena de todo mundo encontram na ópera
Nesse título ele reforça os modelos então
barroca um espaço mais livre e generoso
vigentes no gênero, tal como fez com todas
para explorar diferentes aspectos de suas
suas óperas. Entretanto, para fazer frente à
linguagens.
concorrência quase imbatível de Farinelli,
Na versão especialmente elaborada
ele lança mão de um recurso um tanto
para esta montagem do Theatro São
incomum, ao promover como destaque de
Pedro, o diretor William Pereira tem como
seu espetáculo operístico não um cantor,
proposta trazer ao palco todo o frescor e
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encantamento inerentes à ópera barroca.
(a famosa "música antiga") – a partitura de
"Quero que o público perceba a grande
Händel passa por um criterioso processo
diferença cênica, teatral e musical que existe
de interpretação, no qual o trabalho vocal
entre a ópera barroca – mais rara de ser
evidencia o singular colorido da opera seria
ouvida no Brasil – em relação à ópera do
barroca e os instrumentos modernos que
século XIX, mais frequente e aclamada por
integram a orquestra sinfônica soam de
nosso público", afirma Pereira.
maneira diferenciada da tradicional, mais
Nessa montagem, o diretor faz questão de manter o aspecto atemporal inerente à
em sintonia com a sonoridade elegante desse período.
narrativa de Ariosto. Para isso, lança mão de
Entre as diversas adaptações realizadas
um recurso recorrente em sua linguagem,
por Händel para Alcina incluem a inserção
o "cubo branco" que toma conta do espaço
de uma personagem inexistente na história,
cênico do palco. "Com ele retiro o descritivo
o jovem Oberto, que aporta à ilha em busca
e o figurativo e coloco o próprio enredo no
de seu pai. Tal inserção justificou-se apenas
foco da atenção".
do ponto de vista musical, uma vez que
Apesar disso, a montagem não se
na estreia Händel utilizou o excepcional
mantém na linha da neutralidade, e aponta
talento de um menino-cantor com registro
para o futuro ao caracterizar a indumentária
de soprano. As partes destinadas a essa
de suas personagens inspirando-se no
personagem foram suprimidas nessa
visual característico de filmes de ficção
produção (fato também comum em outras
científica, de exploração espacial e das
produções e gravações desse título), sem
sagas intergalácticas, em especial, Guerra
que isso acarrete qualquer prejuízo e
nas Estrelas. É dessa maneira que o
demérito para apreciação da música e do
diretor reafirma seu compromisso com um
espetáculo como um todo.
universo destituído de verossimilhança, típico das narrativas mitológicas. Mas se pelo lado cênico essa montagem aponta para o futuro, pelo lado musical ela retoma de maneira criativa e engenhosa uma série de elementos das práticas
LEONARDO MARTINELLI, compositor e professor
instrumentais e vocais da primeira metade do século XVIII. Sob a direção musical de Luis Otavio Santos – violinista, regente e um dos principais nomes da interpretação musical historicamente orientada no Brasil 7
MarĂlia Vargas Alcina Thayana Roverso Morgana David Feldman Ruggiero Carolina Faria Bradamante Caio Duran Oronte Norbert Steidl Melisso
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SINOPSE Toda a ação ocorre numa ilha feérica, domínio da feiticeira Alcina. Esta é conhecida não apenas pelos muitos amantes que teve ao longo de sua existência – jovens guerreiros conquistados pela força de sua magia – mas também por condená-los a uma existência miserável quando deles se desafeiçoa, transformando-os em feras. A ópera se inicia quando Alcina já tem sob seu feitiço o cavaleiro Ruggiero, até então noivo da jovem Bradamante.
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ATO I Com o pretexto de que lá chegaram desgovernados em virtude de uma tempestade, Bradamante aporta na ilha de Alcina acompanhada de Melisso, conselheiro de Ruggiero. Porém, precavida da estranheza que a chegada de uma mulher poderia gerar, Bradamante desembarca disfarçada como um homem, atendendo pelo nome de "Ricciardo". Eles são recebidos por outra feiticeira, Morgana, irmã de Alcina, que apesar de comprometida com Oronte (general e homem de confiança de Alcina), apaixona-se instantaneamente por "Ricciardo". Alcina recebe os viajantes em companhia do enfeitiçado Ruggiero, que não reconhece sua noiva e seu conselheiro, mesmo após Bradamante quase botar a perder seu disfarce.
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Oronte percebe o desejo de Morgana por "Ricciardo", e passa a ser dominado por um intenso ciúme, mesmo depois de "Ricciardo" afirmar seu desinteresse por Alcina. Oronte inicia uma intriga, sugerindo ao enfeitiçado Ruggiero que Alcina não o ama mais, e que em breve será substituído pelo forasteiro. Ruggiero, agora também ele tomado por ciúmes, confronta Alcina, acusando-a de infidelidade. Para provar seu amor, a feiticeira sugere que irá transformar "Ricciardo" em uma fera, mas Morgana intervém e dissuade sua irmã desse intento. "Ricciardo" volta a afirmar que não tem interesse por Alcina, e que seu coração bate por outra mulher. Morgana se ilude ao imaginar que essa mulher seria ela mesma...
ATO II
ATO III
Ruggiero encontra-se com Melisso, que disfarçado como seu tutor de infância (de nome Atlante), dá-lhe um anel mágico que quebra o feitiço de Alcina e o faz recobrar sua identidade e memória, incluso o compromisso com Bradamante. Alcina, por sua vez, está mais uma vez prestes a transformar "Ricciardo" em um animal, mas é novamente dissuadida por Morgana. Já livre do feitiço, Ruggiero passa a agir diferentemente, e de forma a enganar Alcina, dizendo que está convencido de sua fidelidade. Sob o pretexto de que sairá para caçar, Ruggiero comunica à feiticeira que se ausentará por uns dias, quando na verdade tem em mente a fuga da ilha. Oronte se dá conta do plano de Ruggiero e o delata à Alcina, que tomada de desespero e ciúmes, quer vingar sua má sorte. Mas é justamente o amor que sente por Ruggiero que a faz perder seus poderes mágicos. Morgana, por sua vez, se dá conta de todo o jogo de disfarces e de que estava apaixonada por uma mulher travestida de homem.
Ciente de seu engano, Morgana pede perdão a Oronte, e eles então se reconciliam. Com Alcina incapacitada de realizar seus feitiços, Bradamante, Melisso e Ruggiero preparam-se para deixar a ilha. Mas antes o cavaleiro encontra a urna na qual estão depositados os poderes de Alcina, e quando ele a destrói, todas as feras que habitam a ilha revelam-se homens, todos antigos amantes da feiticeira. A narrativa termina com um canto de júbilo às virtudes do bem e do amor.
POR LEONARDO MARTINELLI
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LIBRETO
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ALCINA
Georg Friedrich Händel ÓPERA EM TRÊS ATOS LIBRETO: Antonio Fanzaglia baseado no Orlando Furioso de Ludovico Ariosto. A partir de Alcina Delusa da Ruggiero de Antonio Marchi. TRADUÇÃO DE WILLIAM PEREIRA
ALCINA
MORGANA
SOPRANO
SOPRANO
Feiticeira, apaixonada por Ruggiero
Irmã de Alcina, apaixonada por Oronte
RUGGIERO
ORONTE
CONTRATENOR
TENOR
Prisioneiro de Alcina
General de Alcina
BRADAMANTE
MELISSO
MEZZO-SOPRANO
BAIXO
Esposa de Ruggiero
Conselheiro de Bradamante
A ação acontece no palácio encantado de Alcina, em época indeterminada.
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ATTO I
ATO I
Scena Prima
Cena 1
BRADAMANTE O Dei! quivi non scorgo alcun sentiero! MELISSO Taci! Da quello speco donna, mi sembra, ad incontrar ne viene. (Entra Morgana)
MORGANA Qual felice ventura, animosi guerrieri, a noi vi reca? MELISSO Il mar turbato, il vento qui ne sospinse. BRADAMANTE E a chi è 'l felice suolo? MORGANA Della possente Alcina il regno è questo. MELISSO Oh! noi felici! BRADAMANTE Intesi il suo poter, la sua beltà. Ma dinne, lice a noi d'inchinar l'a alta regina?
BRADAMANTE Ai Deus! Não vejo caminho algum! MELISSO Cale-se! Parece-me que daquela gruta, uma mulher vem até nós. (Morgana entra) MORGANA Que feliz ventura os trouxe até aqui, corajosos guerreiros? MELISSO Um mar turbulento e o vento que nos empurrou. BRADAMANTE E a quem pertence esta agradável terra? MORGANA Este é o reino da poderosa Alcina. MELISSO Oh! Estamos felizes! BRADAMANTE Nós conhecemos seu poder e sua beleza. Mas diga-nos, nos será permitido reverenciar a grande rainha?
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MORGANA (fra sé, guardando teneramente Bradamante) Per te, nobil guerriero, un dolce amore mi si desta nell'alma. (a Bradamante e Melisso) In questo loco attendetela sì: verrà fra poco. (fra sé) O s'apre al riso, o parla, o tace, ha un non so che il tuo bel viso, che troppo piace caro al mio cor. Il primo sguardo che in voi fissai, provar mi fè, vezzosi rai, quanto e col dardo possente amor. O s'apre, ecc. (Parte) Scena Seconda (Appare la deliziosa reggia di Alcina, d'ond'ella in atto di adornarsi siede presso a Ruggiero, che le sostiene al volto uno specchio. Il giovinetto Oberto si tiene da un canto, paggi, e damigelle, che le apprestano vari abbigliamenti. Altri giovani cavalieri, e dame coronati di fiori formano il coro)
CORO Questo è il cielo de' contenti, questo è il centro del goder; qui è l'Eliso de vivienti, qui l'eroi forma il piacer. (Bradamante e Melisso si arrestano alquanto ammirare la magnificenza del luogo, e delle feste) 16
MORGANA (para si, olhando ternamente para Bradamante). Por ti, nobre guerreiro, um doce amor nasce em minha alma. (a Bradamante e Melisso) Esperem aqui que ela virá em breve. (Para si) Se abres um sorriso, ou fales, ou fiques em silêncio, Há um não sei o quê em seu lindo rosto, Que é muito querido ao meu coração. O primeiro olhar que nele fixei, fez-me provar Da flecha do poderoso amor. Ou se abre um sorriso, etc. (Sai) Cena 2 (O palácio encantado de Alcina. Ela está sentada, enfeitando-se. Ao seu lado, Ruggiero, que segura um espelho. Suas servas preparam seus trajes. Outros jovens cavalheiros e damas coroadas com flores formam o coro) CORO Este é o céu da felicidade, Este é o centro do desfrute; Aqui é o Elíseo dos vivos, Aqui o herói desfruta do prazer. (Bradamante e Melisso se detém admirados pela magnificência do lugar e da festa)
BRADAMANTE (sotto voce) Ecco l'infido
MELISSO (sotto voce) Taci (avanzando verso Alcina) Alta regina, con Riccardo guerriero, Melisso appiedi tuoi umil s'inchina. ALCINA Fu vostra sorte, amici, al mio regno approdar. MELISSO Diam lodi al cielo. Ti preghiam che pietosa, sin che'l mar sia placato ne permetta restar. ALCINA Tanto mi è grato. E tu, odi Ruggiero, anima mia, mostra lor la mia reggia, e caccie, e fonti. Vegan dove scropimmo all'ombra amica d'un scambievole amor fiamma pudica. Di', cor mio, quanto t'amai, mostra il bosco, il fonte, il rio, dove tacqui e sospirai di chiederti mercè. Dove fisso ne' miei rai, al sospir mio, mi dicesti con un sguardo: "Peno, ed ardo al par di te" Di' cor mio, ecc. (Parte)
BRADAMANTE (em voz baixa) Aí está o traidor! MELISSO (em voz baixa) Cale-se! (Dirigindo-se a Alcina). Grande Rainha, com o guerreiro Ricciardo, Melisso, aos seus pés humildemente se inclina. ALCINA Foi seu destino, amigos, em meu reino aportarem. MELISSO Damos por isso, graças ao céu. Nós imploramos-te que piedosamente, Permita-nos permanecer aqui Até o mar se acalmar. ALCINA Será um prazer. E você, amado Ruggiero, alma minha, mostre-lhes meu palácio, caças e fontes. Que vejam onde, embaixo de uma adorável sombra, Descobrimos a casta chama de um amor recíproco. Diga-lhes , meu coração, o quanto eu te amo, mostre-lhes o bosque, a fonte, o rio, onde me calei e suspirei antes de entregar-te meu coração. Onde suspirando junto com meu suspiro, você me disse com um olhar: "Padeço e ardo como tu". Diga, meu coração, etc. (Sai)
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Scena Quarta
BRADAMANTE Mi ravvisi, Ruggiero, dimmi?
BRADAMANTE Sabes quem sou eu, Ruggiero, diga-me?
RUGGIERO Il tuo volto di Riccardo rassembra.
RUGGIERO Seu rosto é parecido com o de Ricciardo.
BRADAMANTE Io pur son quello, germano alla tua cara Bradamante.
BRADAMANTE Pois eu sou ele, sou o irmão de sua querida Bradamante.
RUGGIERO Mia? No: t'inganni. Io son d'Alcina amante.
RUGGIERO Minha? Estás enganado. Eu sou o amante de Alcina.
MELISSO Signor, tu senza il brando, e senza scudo?
MELISSO Senhor, está sem espada e sem escudo?
RUGGIERO Servo ad amor, che va senz'arme, e nudo.
RUGGIERO Sirvo ao amor. Desarmado e nu.
MELISSO Della tua prima fama nulla curi? BRADAMANTE E la fede, Che alla germana mia di sposo desti? RUGGIERO (guardando all'intorno, e sotto voce) E Alcina mia non vien ? (a Bradamante e Melisso) Siete molesti. (a Bradamante) Di te mi rido, semplice stolto. (a Melisso)
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Cena 4
MELISSO E da sua antiga glória, nada resta? BRADAMANTE E a promessa de casar-se com minha irmã? RUGGIERO (olhando ao redor e em voz baixa) E minha Alcina não vem? (para Bradamante e Melisso) Vocês incomodam-me. (para Bradamante) Eu dou risada de você, idiota. (para Melisso)
Sieguo Cupido, amo un bel volto, nè so mancar di fè. Il caro bene, che m'innamora, a me non viene? Non torna ancora? Che fa? Dov'e? Di te mi rido, ecc. Scena Quinta
ORONTE Qua dunque ne veniste d'una donna incostante a involarmi l'amor? Grave è l'offesa. Decida il brando sol la ria contesa. (Tira la spada)
BRADAMANTE Qual ingiuria, qual onta recivesti da noi? ORONTE La spada il dica. Scena Sesta
Sirvo a cupido, amando um belo rosto, A quem nunca serei infiel. O meu bem querido, que me adora, não vem a mim? Ainda não voltou? O que faz? Onde está? Eu rio de você, etc. Cena 5 ORONTE Então viestes aqui para roubar-me o amor de uma mulher infiel? É uma ofensa grave que só minha espada pode resolver. (Desembainha a espada) BRADAMANTE Qual injúria, que ofensa recebestes de nós? ORONTE A espada lhe dirá. Cena 6
(Entra Morgana)
(Entra Morgana)
MORGANA (a Bradamante)
MORGANA (Para Bradamante)
Io sono tua difesa. (ad Oronte) Io tua nemica. Ospite, nol curare. E tu superbo! La reggina offendesti.
BRADAMANTE Volgiamo altrove il piè...
Eu sou a sua defensora. (para Oronte) E sua inimiga. Ele é meu hóspede. E tu, soberbo, ofendestes a rainha. BRADAMANTE Vamos para um outro lugar...
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MORGANA Caro, non voglio, che di Oronte punir saprò l'orgoglio. BRADAMANTE (ad Oronte) È gelosia, (a Morgana) Forza è d'amore, (ad Oronte) Ch'il sen t'affanna, (a Morgana) Che senti al core. (ad Oronte) Ma quest'è ancora la pena mia, (a Morgana) Ma pur tiranna la provo in sen. (ad Oronte) Per un bel volto, che ne vien tolto, tu mesto gemi; (a Morgana) Noi ci sdegniamo, e tutti amiamo senza mercè. È gelosia, ecc. (Parte con Melisso)
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MORGANA Querido, eu não quero, eu punirei o orgulho de Oronte. BRADAMANTE (para Oronte) É inveja (para Morgana) É a força do amor. (para Oronte) Que vos aflige. (para Morgana) O que sentes no coração (para Oronte) Mas este agora é o meu castigo. (para Morgana). Pois sinto sua tirania em meu coração. (para Oronte). Por um belo rosto, que lhe foi tirado, você geme. (para Morgana) Ambos estamos ofendidos, E todos nós amamos sem esperanças. É inveja, etc. (Parte com Melisso)
Scena Settima
ORONTE Io dunque... MORGANA Audace Oronte, in te ritorna, e riconosci omai qual mi son, chi tu sei. Voglio, e non voglio seguir quel che mi piace; puoi tu forse vietarmi? Oronte audace! ORONTE La fè del giuramento? MORGANA La portò seco via rapido il vento. ORONTE Ma cara, la mia doglia? MORGANA Amar e disamar, questa è mia voglia. Men vado, Oronte, addio. (Parte)
ORONTE Ti arresta; odi, crudele idolo mio. (Oronte la segue) Scena Ottava
RUGGIERO La cerco in vano, e la crudel non torna. ORONTE (sotto voce) Nuovo inganno si trovi: un geloso amator all'altro giovi.
Cena 7 ORONTE E eu? Então eu... MORGANA Audaz Oronte, volte a si, E reconheças doravante quem eu sou e quem tu és. Quero, e não quero, seguir aquilo que me apraz; E por acaso podes proibir-me? Audaz Oronte! ORONTE E a fidelidade ao nosso juramento? MORGANA O vento a levou embora rapidamente. ORONTE Mas querida, e a minha dor? MORGANA Amar e desamar, esse é o meu desejo. Eu me vou, Oronte, adeus. (Parte) ORONTE Pare; odiosa, cruel ídolo meu. (Oronte a segue). Cena 8 RUGGIERO Procuro em vão, e a cruel não retorna. ORONTE (Em voz baixa) Eis uma nova oportunidade Um amante ciumento favorece o outro. 21
Senti, Ruggiero, senti: E credi ai sguardi, alla mentita frode d'Alcina tua?
RUGGIERO Così favella Oronte? ORONTE Così. Tu sol non sai che chiudon queste selve mille amanti infelici conversi in onda, in fredde rupi, in belve?
RUGGIERO É Oronte que fala assim? ORONTE Assim é. Por acaso és o único que não sabe Que nessa selva escondem-se mil amantes infelizes que foram transformados em ondas, em frias rochas ou em feras?
RUGGIERO Io so ben di quai lacci per me la strinse amore.
RUGGIERO Eu bem sei quais laços de amor uniram-na a mim.
ORONTE Il laccio è sciolto.
ORONTE Os laços foram desatados.
RUGGIERO Me sol ama e desia. ORONTE Va, che sei stolto; Riccardo è l'idol suo. RUGGIERO Già di lui s'invaghì? ORONTE Lui solo adora; e per lui cangeratti in belva ancora. Semplicetto! A donna credi? Se la vedi, che ti mira, che sospira, pensa e di': ingannar potrebbe ancor. (Parte) Scena Nona (Entrano Ruggiero ed Alcina) 22
Escute Ruggiero, escutes: Ainda acreditas nos olhares, e nas mentiras de tua Alcina?
RUGGIERO Ela ama-me e deseja somente a mim. ORONTE Vá, és um tolo; Ricciardo é o ídolo dela. RUGGIERO Ela já apaixonou-se por ele? ORONTE Ela ama somente a ele; e por ele é capaz De transformar-te em uma fera. Simplório! Acreditas nas mulheres? Se a vês olhando-te, suspirando por ti, Penses que seguramente ela poderia lhe enganar. (Sai) Cena 9 (Entram Ruggiero e Alcina)
RUGGIERO Ah, infedele, infedel! Questo è l'amore? ALCINA Mio tesoro, mio ben, anima mia! Chiami Alcina infedele! RUGGIERO Si, che lo sei, crudele. Va; Riccardo t'attendete. Egli a' tuoi prieghi qui volse il piè: quivi per te dimora. Scena Decima
ALCINA Alla costanza mia, così favella il tuo cuore crudele? E pur ti son fedel, e pur son quella. Sì; son quella! Non più bella, non più cara agli occhi tuoi; Ma se amar tu non mi vuoi, infedel, deh! Non mi odiar. Chiedi al guardo, alla favella, se son quella, dillo ingrato al tuo cuore mentitore, che mi vuole rinfacciar. Sì: son quella, ecc. (Parte) Scena Undicesima
RUGGIERO Ah, infiel, infiel! É este o seu amor? ALCINA Meu tesouro, meu bem, meu bem, minha alma! Chamas Alcina de infiel? RUGGIERO Sim, és cruel. Vá; Ricciardo espera por ti. Veio a seu chamado e permanece aqui por ti. Cena 10 ALCINA Assim respondes o teu cruel coração à minha fidelidade? E, no entanto, sou-lhe fiel e, não mudei. Sim; Eu sou a mesma! Nem mais bela, nem mais cara aos teus olhos; Mas se não queres mais amar-me, traidor, ao menos não odeie-me. Peça-me olhares, palavras... Eu não me transformei, digas ingrato, ao teu coração mentiroso que queres me reprimir. Sim: sou a mesma, etc. (Sai) Cena 11
BRADAMANTE Se nemico mi fossi, potresti peggio far?
BRADAMANTE Se fosses meu inimigo, poderias estar em pior situação?
RUGGIERO Rival mi sei, t'odio Riccardo.
RUGGIERO És meu rival, odeio-te Ricciardo.
BRADAMANTE Odii il german diletto della tua Bradamante?
BRADAMANTE Odeias o irmão amado da tua Bradamante? 23
RUGGIERO E perciò t'odio ancor. BRADAMANTE Perfido amante; tu così mi dispregi?
BRADAMANTE Pérfido amante; desprezas-me tanto assim?
RUGGIERO Forse d'amor vaneggi?
RUGGIERO Por acaso delirais de amor?
BRADAMANTE Indegno amante! RUGGIERO Che favelli? ed a chi? BRADAMANTE Mirami, altero: Bradamante così parla a Ruggiero. Scena Dodicesima (Entra Melisso)
RUGGIERO Bradamante favella? Bradamante in tal arme? MELISSO Eh! non è quella.
BRADAMANTE Amante indigno! RUGGIERO O que dizes? e para quem? BRADAMANTE Olhe-me, altivo: Bradamante fala assim com Ruggiero. Cena 12 (Entra Melisso) RUGGIERO Ouço Bradamante? Bradamante em armas? MELISSO Eh! não é ela.
BRADAMANTE Sì: va della tua maga a espormi all'ira.
BRADAMANTE Sim, sou eu. Liberte-me da fúria da sua feiticeira.
MELISSO Ruggier, non l'ascoltar.
MELISSO Ruggiero, não escute-o.
RUGGIERO So che delira. La bocca vaga, quell'occhio nero, lo so, t'impiaga; ma è fida ancora; chi t'innamora per te non è. 24
RUGGIERO Por isso odeio-te ainda mais.
RUGGIERO Ele está delirando. Os belos lábios, aqueles olhos negros, eu sei, Esta por quem te apaixonaste, não serão teus.
Va, che sei stolto; cangia pensiero! Piace quel volto, ma datti pace, non è per te. La bocca vaga, ecc. (Partono Ruggiero e Melisso) Scena Tredicesima (Entra Morgana)
MORGANA Fuggi, cor mio, ti affretta! Al geloso Ruggiero concesse al fin l'innamorata maga in belva di cangiarti. BRADAMANTE Va, lo ritrova, e digli che Alcina non desio, che amarla non saprei: che ardo per altro volto.
Vá, és tolo; mude teu pensamento! Gostais daquele rosto, dê-lhe paz, ele não será teu. Os belos lábios, etc. (Saem Ruggiero e Melisso) Cena 13 (Entra Morgana) MORGANA Fuja, meu coração, apresse-se! Para satisfazer o ciumento Ruggiero, sua apaixonada Alcina Decidiu transformar-te em uma fera. BRADAMANTE Vá, encontre-o, e diga a ele que não desejo Alcina , Eu não poderia amá-la: pois ardo por outro rosto.
MORGANA È forse il mio?
MORGANA Por acaso é o meu?
BRADAMANTE Sì.
BRADAMANTE Sim.
MORGANA Me beata! BRADAMANTE E vanne ad Alcina, co' prieghi fa ch'un si fido amante a te non nieghi. MORGANA A lei rivolgo il piede: e sarai mio? BRADAMANTE Tel giuro. Ecco la fede. (Le dà la mano, e poi parte)
MORGANA Eu sou abençoada! BRADAMANTE E vá até Alcina, e peça-lhe para que não te negue um fiel amante. MORGANA Irei até ela: e você será meu? BRADAMANTE Te juro. (Dá a mão a ela e sai) 25
Scena Quattordicesima
MORGANA Tornami a vagheggiar, te solo vuol amar quest'anima fedel, caro mio bene. Già ti donai il mio cor, fido sarà il mio amor; mai ti sarò crudel, cara mia speme. Tornami, ecc
ATTO II Scena Prima (Rica e maestosa sala del palazzo incantato di Alcina)
RUGGIERO Col celarvi a chi v'ama un momento, care luci, crudele voi siete! Io vi cerco, e pur voi mi togliete il contento, la speme d'un sguardo. Col celarvi, ecc. (Entra Melisso nella forma di Atlante, che aveva educato Ruggiero)
MELISSO Taci, taci, codardo. Molle, infame Ruggiero. Così tu corrispondi a tanti miei per te sofferti affanni?
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Cena 14 MORGANA Estou apaixonada novamente. Minha alma só deseja a ti, amado meu. Darei-te todo o meu coração, e o meu amor vos será fiel, Nunca vos serei cruel, cara esperança minha. Estou apaixonada...
ATO II Cena 1 (Rica e majestosa sala do palácio encantado de Alcina) RUGGIERO Escondendo-te do meu olhar, Queridos olhos, sois cruéis! Eu procuro por ti, e ainda assim negas-me a esperança de um olhar. Escondendo-te, etc. (Entra Melisso na forma de Atlante, o antigo tutor de Ruggiero) MELISSO Cala-te, cala-te, covarde. Débil e infame Ruggiero. Então é assim que retribuis os meus cuidados por ti?
RUGGIERO Amor...Dovere... MELISSO E poi? RUGGIERO Cortesia...di...gentil... MELISSO Segui. RUGGIERO Pietate... MELISSO Ti arresti, e ti confondi? D'amor vile guerriero: È questo della gloria il bel sentiero? (Li dà un anello)
RUGGIERO Amor... Dever... MELISSO E então? RUGGIERO A cortesia... de um cavalheiro... MELISSO Prossiga. RUGGIERO Piedade... MELISSO Calas e ficas confuso? Vil guerreiro do amor: É este o belo caminho para a glória? (Dá-lhe um anel)
E se più a me non credi, mira, Ruggiero, e la tua infamia vedi.
E se não acreditas mais em mim, olha, Ruggiero, Contemples a sua infâmia.
(Non così tosto Melisso porge a Ruggiero l'anello stato già di Angelica, che la sala tutta si cangia in loco orrido e deserto. Melisso intanto riprende la sua prima forma)
(O anel mágico, que em outro tempo foi de Angélica, transforma a sala em um lugar horível e desértico. Melisso, no entanto, retoma a sua antiga forma)
RUGGIERO Qual portento mi richiama la mia mente a rischiarar? Ah! Bradamante! MELISSO A te appunto mi manda... RUGGIERO Oh! de' primi anni dei miei fedele educator... Or vane ad Alcina: dille pur, che Ruggiero più non l'ama, che 'l mio cuore ha tradito, e la mia fama.
RUGGIERO Que prodígio devolveu a luz à minha mente? Ah! Bradamante! MELISSO Por ela, precisamente, é por quem estou aqui. RUGGIERO Oh! Fiel preceptor da minha juventude... Vá até Alcina: diga-lhe que Ruggiero não a ama mais, Pois ela traiu meu coração e minha honra. 27
MELISSO Il tuo sdegno sia caro a Bradamante. RUGGIERO Di' a questa, che l'adoro... che bramo...e che far degg'io? MELISSO Ora rivesti tutte prisa l'arme usate; ma taci con Alcina, e fingi il primo amore, il primo volto. Mostra desio di caccia, così fuga, e salute a te procaccia. Ruggiero! Pensa a chi geme d'amor piagata, e sempre teme abbandonata, crudel, da te. Torna ad amarla, e la consola, nè mesta e sola così lasciarla senza mercè. Pensa a chi, ecc. (Parte) Scena Seconda
BRADAMANTE Qual odio ingiusto contro me? RUGGIERO Perdona; vinse la mia ragion forza d'incanto. Fin ora vaneggiai: ecco, a me torno; rompo l' indegno laccio, e se rival mi sei, il tuo crudel destin piango, e t'abbraccio.
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MELISSO O seu desprezo será caro a Bradamante. RUGGIERO Diga-lhe que eu adoro-a... que suspiro por ela... Mas... o que devo fazer? MELISSO A primeira coisa é colocar a tua armadura. Não te descubras diante de Alcina, Finjas seu amor antigo, não mudes o semblante. Demonstres o desejo de caçar, depois fujas, e desejo saúde a ti, Ruggiero! Penses naquela que geme por um amor ferido, e está abatida por seu cruel abandono. Voltes a amá-la e consolá-la, Não a deixes mais tempo sozinha e sem esperanças. Penses naquela, etc... (Sai) Cena 2 BRADAMANTE Por que este ódio injusto contra mim? RUGGIERO Perdoe-me pois um feitiço venceu a minha razão. Até agora eu delirava. Veja, agora sou um homem novo; eu quebro o laço indigno, e se ainda fosses meu rival, Seu cruel destino eu choro, e abraço-te.
BRADAMANTE Ed è ver, mi rammembri?
BRADAMANTE E é verdade que lembras-te de mim?
RUGGIERO Si. Ah! fosse teco ancora l'adorata mi sposa, tua sorella.
RUGGIERO Sim, ah! Sim minha adorada esposa, sua irmã esteve aqui há pouco.
BRADAMANTE Ruggier, non mi conosci? e pur son quella.
BRADAMANTE Ruggiero, ainda não me reconheces? Sou ela mesma.
RUGGIERO Numi! è ver? Bradamante! Ma Bradamante? e come? Un nuovo incanto sì, che d'Alcina è questo. Non l'avria no taciuto chi m'offerse il bel dono. Va, insidiosa maga, della mia donna amata tu mentir voi la forma, e la favella.
RUGGIERO Deuses! É verdade? Bradamante! Mas Bradamante? E como é possível? Um novo encantamento de Alcina, Se fosses quem dissestes ser, Não terias permanecido calada. Vá embora feiticeira insidiosa, Que pretendes imitar a aparência e a voz de minha mulher.
BRADAMANTE Crudel, tu mi discacci, e pur son quella. Vorremi vendicarmi del perfido cor, amor dammi l'armi m'appresta il furor. Sei barbaro, ingrato, ver chi per te langue; ma prendi, spietato, se vuoi anche il mio sangue. Vorrei vendicarmi, ecc. (Parte) Scena Terza
RUGGIERO Chi scopre al mio pensiero, se tradito pur son, o s'odo il vero? Mi lusinga il dolce affetto con l'aspetto del mio bene. Pur chi sa? Temer conviene, che m'inganni amando ancor. Ma se quella fosse mai che adorai, l'abbandono; infedele, ingrato io sono, son crudele e traditor. Mi lusinga, ecc. (Parte)
BRADAMANTE Cruel, tu me renegas, e ainda assim sou eu. Queria vingar-me do teu malvado coração, Amor, dê-me as armas e a fúria. És bárbaro, ingrato, com quem sofre por ti; Impiedoso, se desejas também bebas meu sangue. Queria vingar-me, etc. (Sai) Cena 3 RUGGIERO Quem poderia dizer-me, Se sou traído ou se escuto a verdade? Ofusca-me o doce afeto com a aparência do meu bem. Quem a conhece? Devo temer para que o amor não engane-me. Mas se ela for aquela que eu adoro, e que abandonei, Sou infiel, ingrato, sou cruel e traidor. Devo temer, etc. (Sai)
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Scena Quarta (Loco che conduce ai giardini reali, con statua di Circe nel mezzo, che cangia gli uomini in fiere. Alcina, sola)
ALCINA S'acquieti il rio sospetto, che tormenta il mio ben. Vesta Riccardo ferina spoglia. O voi termute larve, al noto imper scendete. A te, figlia del sole, porgo i miei prieghi usati. (Entra Morgana)
MORGANA Ancor per poco sospendi il suon di magiche parole! ALCINA Importuna: mi arresti? Scena Quinta (Entra Ruggiero)
MORGANA (a Ruggiero) E la tua pace, con tanta crudeltà comprar si deve? ALCINA Caro, ti vuò appagar. RUGGIERO Ciò basta, Alcina. Più non chiede il mio amor. Veggo a tai segni che Riccardo non ami. Or pago sono, e se fu mio rivale, io gli perdono.
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Cena 4 (Local que conduz aos jardins reais, com a estátua de Circe no meio, que transforma os homens em feras. Alcina, sozinha) ALCINA Que dissipem-se as suspeitas de meu amado. Que Ricciardo seja transformado em uma fera. Ó tenebrosas sombras, desçam ao meu pedido. Oh filha do sol, a ti dirijo meus rogos. (Entra Morgana) MORGANA Pare com as palavras mágicas! ALCINA Importuna: interrompes-me? Cena 5 (Entra Ruggiero) MORGANA (a Ruggiero) Deves comprar a tua paz com tanta crueldade? ALCINA Querido, quero satisfazê-lo. RUGGIERO Já basta, Alcina. Não precisas mais do meu amor. Eu vejo os sinais de que não amas Ricciardo. Se alguma vez foi meu rival, agora eu o perdoo.
MORGANA (a Ruggiero) Ama, sospira, ma non ti offende; (ad Alcina) D'amor si accende, ma non per te. Pena, ma chiede da me conforto, pace da me. Ama, sospira, ecc. (Parte) Scena Sesta
ALCINA Non scorgo nel tuo viso il contento di pria. Di' che ti offende? RUGGIERO Una oziosa virtute or mi riprende. ALCINA Pensa a goder... RUGGIERO Concedimi, o regina, almen, che nel mio usbergo faccia guerra alle fiere, per ravvivar lo spirto mio languente. ALCINA Al tuo voler sempre s'uni mia mente. Vanne, ma sia per poco: ma pensa al mio martiro. Temo; partir te lascio, e ne sospiro. RUGGIERO Mio bel tesoro, fedel son'io, al ben, che adoro, all' idol mio prometto fè (ma non a te) Il caro amante non segue il piede, e fido resta
MORGANA (para Ruggiero) Ame, suspire, mas não se ofenda; (para Alcina) Ele está incendiado de amor, mas não por ti. Ele sofre, mas pede a mim, conforto e paz. Ame, suspire, etc. (Sai) Cena 6 ALCINA Não vejo em seu rosto a felicidade de outrora. Diga-me, o que te afliges? RUGGIERO Uma virtude adormecida renasce em mim. ALCINA Penses em desfrutá-la... RUGGIERO Conceda-me, ó rainha, que com minha armadura Vá a caça de feras selvagens, Para reavivar assim meu espírito desfalecido. ALCINA Ao seu desejo sempre se une o meu pensamento. Vá, mas que seja por pouco tempo e penses em meu sofrimento. Tenho medo; deixo-te partir, mas suspiro. RUGGIERO Meu belo tesouro, eu sou fiel ao bem que adoro, Ao meu ídolo prometo ser fiel (mas não a ti) O amante fiel não se extravia, e permanece fiel 31
(ma no con te), con chi li chiede costante e mesta pace e mercè. Mio bel tesoro, ecc. (Parte) Scena Ottava (Entra Oronte)
ORONTE Regina, sei tradita. Con segreto consiglio degli ospiti malvagi, a fuggir s'apparecchia il tuo Ruggiero. ALCINA Numi! che intendo, Oronte! e questo è vero? ORONTE Purtroppo: ed... ALCINA Or intendo perché l'arme vesti; crudel, spergiuro! Di lui, di lor, farne vendetta io giuro. Ah! mio cor! schernito sei! Stelle, dei! Nume d'amore! Traditore! t'amo tanto; puoi lasciarmi sola in pianto. Oh! Dei perché? Ma, che fa gemendo Alcina? Son regina, è tempo ancora: resti, o mora, peni sempre, o torni a me. Ah! mio cor, ecc. Scena Nona (Entra Morgana)
ORONTE Or, che dici, Morgana? Il tuo novello amante 32
(mas não a ti), Àquela que lhe pede carinho e compreensão. Meu lindo tesouro, etc. (Sai) Cena 8 (Entra Oronte) ORONTE Rainha, traíram-te. Depois de um encontro secreto com os hóspedes infames, O teu Ruggiero prepara-se para fugir. ALCINA Deuses! O que eu ouvi, Oronte! É isso verdade? ORONTE Infelizmente: é... ALCINA Agora entendo porque vestiu a armadura; Cruel, perjuro! Dele e todos eu vingarei-me, eu juro. Ah! meu coração! zombam de ti! Estrelas, deuses! Deus do amor! Traidor! Eu te amo tanto; Tu me deixaste sozinha aos prantos. Oh! Deuses, por quê? Mas o que faz Alcina gemendo? Sou a Rainha, ainda é tempo: fique, Padeça eternamente ou volte para mim. Ah! meu coração, etc. Cena 9 (Entra Morgana) ORONTE O que estás dizendo, Morgana? Seu novo amante
con perfidia ed inganno ti abbandona; lo sai?
MORGANA Nol credo, Oronte. La gelosia ti sprona: ma più gli affetti miei per te non sono. Libera son, nè chieggo a te perdono. (Parte sorridendo, e facendogli una gran riverenza) Scena Decima
ORONTE All'offesa, il disprezzo giunge l'ingrata? Su: coraggio, Oronte, scaccia costei dall'alma; e se mai torna pentita a riamarti, deludi l'arti sue con l'istessarti. È un folle, è un ville affetto, non è la sua beltà, che trionfar la fa superba del mio cor. Vieni, sul labbro e al ciglio, sdegno, che nutro il petto, figlio d'offeso amor. È un folle, ecc. (Parte) Scena Undicesima (Entrano Ruggiero e Bradamante)
RUGGIERO Eccomi a' piedi tuoi, generosa donzella, doppio error me fa reo... (Vuole inginocchiarsi)
BRADAMANTE Sorgi, Ruggiero! Serbiamo a miglior uso tu le discolpe, io le querele.
com traição e decepção abandona-te; sabias? MORGANA Eu não acredito, Oronte. O ciúme move-te Não sinto afeto algum por ti. Sou livre e não preciso do teu perdão. (Sai fazendo uma grande reverência). Cena 10 ORONTE Poderia essa ingrata ser mais ofensiva? Então: coragem, Oronte, arranque-a de sua alma; E se não retornar lamentando-se, farei com que suas artimanhas fracassem. É uma loucura, é um afeto vil, não é a sua beleza, Que a faz triunfar soberba no meu coração. Venha, aos meus lábios e cílios, desprezo, filho do amor ultrajado, que aninha-se em meu peito. É uma loucura, etc. (Sai) Cena 11 (Entram Ruggiero e Bradamante) RUGGIERO Aqui estou aos seus pés, generosa donzela. Sou duplamente culpado. (Ele quer se ajoelhar) BRADAMANTE Levante-se, Ruggiero! Façamos um melhor uso de suas desculpas e minhas reclamações. 33
Andiamo: temo sempre dovunque il guardo volga, vedere Alcina ria, che mi ti tolga.
RUGGIERO (si abbracciano) Bradamante, cor mio!
BRADAMANTE Ruggiero amato, fuggiam l'infame loco. MORGANA (che ha tutto ascoltato in disparte; si presenta loro infuriata. A Bradamante) Mentitrice, che vuoi? (a Ruggiero) Che pensi, ingrato? Alcina vi darà giusta mercede,
RUGGIERO (abraçam um ao outro) Bradamante, meu coração! BRADAMANTE Ruggiero amado, fujamos desse lugar infame. MORGANA (que oculta, ouvia tudo, se apresenta enfurecida a Bradamante). Mentirosa, o que queres? (Para Ruggiero) O que pensas ingrato? Alcina dar-te-á o justo castigo.
(a Bradamante)
(Para Bradamante).
Ospite ingannatrice,
Hóspede traiçoeiro.
(a Ruggiero)
(Para Ruggiero)
Uom' senza fede!
Um homem infiel!
(Parte sdegnata)
(Parte irritada)
RUGGIERO Verdi prati, selve amene, perderete la beltà. Vaghi fior, correnti rivi, la vaghezza, la bellezza presto in voi se cangerà. Verdi prati, selve amene, perderete la beltà. E cangiato il vago oggetto all'orror del primo aspetto, tutto in voi ritornerà. 34
Vamos: eu sempre temo para onde quer que olhe, Vejo Alcina, que te leva para longe de mim.
RUGGIERO Verdes prados, florestas selvagens, vós perdereis a tua beleza. As doces flores, e correntes o seu aroma, Rapidamente toda a beleza em vós desaparecerá. Verdes prados, florestas selvagens, vós perdereis a tua beleza. E tudo retornará ao horroroso aspecto antigo.
Verdi prati, selve amene, perderete la beltà. Scena Dodicesima (Stanza sotterranea delle magie, con varie figure e strumenti, che appartengono a quest'uso)
ALCINA Ah! Ruggiero crudel, tu non mi amasti! Ah! che fingesti amor, e m'ingannasti! E pur ti adora ancor fido mio core. Ah! Ruggiero crudel, sei traditore! Del pallido Acheronte spiriti abitatore, e de la notte ministri di vendetta cieche figlie crudeli, a mi venite! Secondate i miei voti, perchè Ruggiero amato non fugga de me ingrato. (guarda d'intorno, e sospesa) Ma, ohimè! Misera! E quale insolita tardanza? Eh! non m'udite? Vi cerco, e vi ascondete? Vi comando, e tacete? Evvi inganno ? Evvi frode? La mia verga fatal non ha possanza? Vinta, delusa Alcina, e che ti avanza? Ombre pallide, io so, mi udite; d'intorno errate, e vi celate, sorde da me: perchè? perchè? Fugge il mio bene; voi lo fermate deh! Per pietate, se in questa verga, ch'ora diprezzo, e voglio frangere forza non è. Ombre pallide, ecc. (Parte con impeto agitando via la verga magica)
Verdes prados, florestas selvagens, vós perdereis a tua beleza. Cena 12 (Sala subterrânea para prática de magia, com várias figuras e ferramentas, para este uso) ALCINA Ah! Ruggiero cruel, não me amastes! Ah! Fingistes amor e me enganastes! E mesmo assim meu coração te adora. Ah! Cruel Ruggiero, és um traidor! Venham espíritos sombrios do Aqueronte, E as ministras noturnas da vingança cega venham a mim! Ajudem-me a atingir meus desejos, De que o ingrato e amado Ruggiero não fuja de mim. (olha ao redor e espera) Mas oh! Ai de mim. Miserável! E por que esta insólita demora? Eh! não me escutas? Eu procuro por ti e se escondeis? Eu ordeno, e nada? Minha vareta não tem mais seu poder fatal? Vencida, enganada Alcina, o que te resta? Sombras sinistras, eu sei, ouçais-me; flutuais ao meu redor E permanecestes surdas a mim: Por quê? Por quê? Meu amado foge de mim, detenham-o, por piedade. Desprezo esta vareta e quero quebrá-la, pois perdeu o seu poder. Sombras sinistras, etc. (Parte com ímpeto sacudindo a varinha mágica)
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ATTO III Scena Prima (Atrio del palagio)
ORONTE Voglio amar e disamar, così mi piace. MORGANA La tua costanza? ORONTE È persa. MORGANA La tua promessa fede? E il giuramento? ORONTE Questi portolli via rapido il vento. MORGANA Vendicarti tu vuoi d'un innocente inganno, e pur t'adoro, Oronte, anima mia. ORONTE Per altra io moro. MORGANA Credi, ch'uno straniero poteva mai?
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ATO III Cena 1 (Átrio do palacio) ORONTE Eu quero amar e desamar, assim que eu gosto. MORGANA E a sua fidelidade? ORONTE Está perdida. MORGANA Sua promessa de fidelidade? E o juramento? ORONTE O vento a levou embora rapidamente. MORGANA Queres vingar-te de um engano inocente, e eu ainda te adoro, Oronte, alma minha. ORONTE Eu morro por outra. MORGANA Acreditais que um estrangeiro pudesse alguma vez?
ORONTE E pur l'amasti, ingrata. Ma più gli affetti miei per te non sono. MORGANA Se t'offesi mio ben, chiedo perdono. Credete al mio dolore, luci tiranne, e care! Languo per voi d'amore, bramo da voi pietà! Se pianger mi vedete, se mio tesor vi chiamo, e dite, che non v'amo, è troppa crudeltà. Credete al mio dolore, ecc. (Parte)
ORONTE (fra sé) M'inganna, me n'avvengo, e pur ancor l'adoro... Se ben mi fu infedel, è 'l mio tesoro. Un momento di contento dolce rende a un fido amante tutto pianto che versò. Suol' amore, dal dolore tirar balsamo alle pene, e sanar, chi pria piagò. Un momento, ecc. (Parte) Scena Seconda
RUGGIERO (sotto voce) Molestissimo incontro!
ALCINA Ahimè! Ruggiero, è ver che m'abbandoni?
ORONTE E ainda assim o amaste, ingrata. E eu não sinto mais afeto por ti. MORGANA Se eu te ofendi meu bem, peço-te perdão. Acredites na minha dor, cruéis e queridos olhos! Choro de amor por ti, imploro por tua piedade! Se me vês chorar, se chamo-te de meu tesouro, ainda assim rejeitas-me, é muita crueldade. Acredites na minha dor, etc. (Sai) ORONTE (para si mesmo) Ela me engana, eu sei, mas mesmo assim eu a adoro... Me foi infiel, mas ela é o meu tesouro. Um só momento de doce felicidade, devolve A um amante fiel todo o pranto derramado. Só o amor pode tirar da dor um bálsamo para suas penas, E cicatrizar assim as feridas que causou. Ela me engana, eu sei, etc. (Sai) Cena 2 RUGGIERO (Em voz baixa) Desagradável encontro! ALCINA Ai de mim! Ruggiero, é verdade que me abandonas?
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RUGGIERO M' invita la virtute, che langue nell'amore. ALCINA E non pensi, mio caro, al mio dolore? RUGGIERO Il passato suo inganno rimira con orrore un'alma grande. ALCINA Ah! che sei mentitore! Fuggi da me, per darti a un'altra amante. RUGGIERO Quella è mia sposa. ALCINA Oh! Dei! E scordar tu mi puoi, mia cara speme?
ALCINA E não pensas, meu querido, na minha dor? RUGGIERO Uma alma nobre não olha para trás, recordando os seus horrores. ALCINA Ah! Como és um mentiroso! Foges de mim, para entregar-te a outra amante. RUGGIERO Essa é minha esposa. ALCINA Oh! Deuses! E tu, minha esperança, poderás esquecer-me?
RUGGIERO Dover, amor, virtù pugnano insieme.
RUGGIERO O dever, o amor e a virtude devem andar juntos.
ALCINA Per questi sospir miei...
ALCINA Por esses meus suspiros...
RUGGIERO Li spargi al vento. ALCINA Ti fui sempre fedel... RUGGIERO Scorda il passato. ALCINA Ti adoro ancor.
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RUGGIERO A virtude me chama, a que sofre no amor.
RUGGIERO Espalhe-os ao vento. ALCINA Eu sempre fui fiel a ti... RUGGIERO Esqueça o passado. ALCINA Eu ainda te adoro.
RUGGIERO Non è più tempo. ALCINA Ingrato!
RUGGIERO Não há mais tempo. ALCINA Ingrato!
RUGGIERO Mi richiama la gloria.
RUGGIERO A glória me chama.
ALCINA È un van pretesto.
ALCINA É um vão pretexto.
RUGGIERO Mi stimola l'onore.
RUGGIERO A honra me estimula.
ALCINA Va: m'oltraggiasti assai. Va, traditore. Ma quando tornerai di lacci avvinto il piè, attendi pur da me rigore e crudeltà. E pur, perché t'amai, ho ancor di te pietà. Ancor placar mi puoi, mio ben, cor mio; non vuoi? Mi lascia, infido, e va. Ma quando tornerai, ecc. (Parte) Scena Terza (Entrano Melisso e Bradamante)
ALCINA Vá: já me ultrajastes o bastante. Vá, traidor. Mas quando regressares com correntes em seus pés, Só encontrarás em mim rigor e crueldade. E porque te amo, ainda tenho piedade de ti. Todavia podes me apaziguar, meu bem, meu coração, não queres? Deixe-me, infiel, e vá. Mas quando regressares, etc. (Sai) Cena 3 (Entra Melisso e Bradamante)
MELISSO Tutta d'armata squadre l' isola è cinta, e d'incantati mostri.
MELISSO Toda a ilha está cercada de barcos armados e de monstros enfeitiçados.
RUGGIERO Mio farò via col braccio.
RUGGIERO Abrirei caminho com os meus braços.
BRADAMANTE E colla spada.
BRADAMANTE E com a espada.
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MELISSO Non basta umana forza. Prendi di fede lo scudo, poi di virtute il brando, ed or li usa. RUGGIERO (a Bradamante) Partir da te, mio ben, l'alma funesta. Sta nell'Ircana pietrosa tanta tigre sdegnosa, e incerta pende, se parte, o attende il cacciator. Dal teso strale guardar si vuole; ma poi la prole lascie in periglio. Freme, e l'assale desio di sangue, pietà del figlio; poi vince amor. Sta nell'Ircana, ecc. (Parte) Scena Quarta
MELISSO Vanne tu seco ancora: dove fa seno il mare, ed è la nave ascosa, ambo vi attendo. BRADAMANTE Non partirò, se pria, sciolto ogni infame incanto, a chi privo ne stà vita non rendo. (Melisso parte) All'alma fedel amore placato, il fato ed il ciel promette pietà. In mezzo ai martiri la gioia ravviso, e dopo i sospiri il riso verrà. All'alma fedel, ecc. (Parte)
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MELISSO A força humana não é suficiente. Pegue o escudo da fidelidade e a espada da virtude e use-os agora. RUGGIERO (Para Bradamante) Abandonar-te, deixa minha alma funesta. Uma tigresa, na pedregosa Ircania, Vive na incerteza se deve fugir ou esperar pelo caçador. Ela quer evitar a flecha, Mas não pode deixar seus filhotes em perigo. Se agita ansiosa de sangue e, ao mesmo tempo, Teme por seus filhos; finalmente vence o amor. Uma tigresa na pedregosa, etc. (Sai) Cena 4 MELISSO Vá com ele, até a enseada onde esconde-se nosso barco. Lá encontrar-me-ei com vocês. BRADAMANTE Não partirei até que se desfaça o infame feitiço, E devolva a vida a todos. (Melisso sai) A uma alma fiel e um amor terno, O destino e o céu prometem piedade. Em meio às minhas dores, a alegria chegará, E depois dos suspiros, o sorriso se verá. A uma alma fiel, etc. (Sai)
Scena Quinta
Cena 5
(Entrano Oronte ed Alcina)
(Entram Oronte e Alcina)
ORONTE Niuna forza lo arresta. Vinse Ruggiero.
ORONTE Nenhuma força o detém. Ruggiero venceu.
ALCINA Ahimè! perfide stelle! Ma i miei guerrier? ORONTE Giaccion dispersi al suolo. ALCINA E quell'ingrato dunque fuggi? ORONTE No. L'isola minaccia. (sotto voce) Rende amore a costei giusta mercede: di tanti ch'oltraggiò miseri amanti, val questa pena sua tutti i lor pianti. (Parte)
ALCINA Mi restano le lagrime. Direi dell'alma i voti; ma i dèi resi ho implacabili, e non m'ascolta il ciel. Potessi in onda limpida sottrarmi al sole, al dì; potessi in sasso volgermi, che finirei così la pena mia crudel. Mi restano le lagrime, ecc. (Parte)
ALCINA Ai de mim! estrelas traiçoeiras! Mas e os meus guerreiros? ORONTE Derrotados, dispersos pelo chão. ALCINA E aquele ingrato então fugiu? ORONTE Não. A ilha ameaça. (Em voz baixa) Amor, dá-lhe a justa recompensa pelo tanto que ultrajou amantes miseráveis. Esta punição é a recompensa pelas suas lágrimas. (Sai) ALCINA Só restaram minhas lágrimas. Direi dos votos da alma; mas os deuses se tornaram implacáveis, E não me ouve o céu. Eu poderia escapar do sol, do dia, esconder-me em uma onda límpida; Poderia me transformar em pedra, Que acabariam assim, todas as minhas dores. Só restam minhas lágrimas, etc. (Sai)
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Scena Settima (Entrano Bradamante e Ruggiero)
(Entram Bradamante e Ruggiero)
BRADAMANTE Le lusinghe, gl'inganni, non udir più, mio caro sposo amado.
BRADAMANTE Amado esposo, não ouças mais suas bajulações e enganos.
ALCINA Che inganni? Anzi ho pietà; piango il suo fato. RUGGIERO Non l'ascoltar. BRADAMANTE Detesto le sue offerte, e gli auguri. ALCINA (a Ruggiero) Per questa cara destra...
ALCINA Que enganos? Pelo contrário, tenho piedade; eu choro o vosso destino. RUGGIERO Não a escutes. BRADAMANTE Eu odeio suas ofertas e cumprimentos. ALCINA (Para Ruggiero) Por esta querida mão...
RUGGIERO Ormai mi lascia.
RUGGIERO Deixa-me em paz.
ALCINA (a Bradamante)
ALCINA (Para Bradamante)
Bradamante, ai tuoi piedi...
BRADAMANTE A me t'invola. ALCINA A morir tu ten vai. RUGGIERO Cura è del cielo.
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Cena 7
Bradamante, aos teus pés... BRADAMANTE Desapareças da minha vista. ALCINA Vós morrereis. RUGGIERO O céu decide isso.
ALCINA (a Bradamante) Tu, vedova dolente lo piangerai. RUGGIERO (a Bradamante) Non l'ascoltar, che mente.
ALCINA (a Ruggiero) Non è amor, nè gelosia...è pietà.
BRADAMANTE Che ascose frodi! ALCINA (a Bradamante) È desio, che lieta godi.
RUGGIERO Che fallaci infidi accenti!
ALCINA (Para Bradamante) Vós, triste viúva, vai prantea-lo. RUGGIERO (Para Bradamante) Não a escutes, ela mente. ALCINA (Para Ruggiero) Não é amor nem ciúme, é pena. BRADAMANTE Que fraude asquerosa! ALCINA (Para Bradamante) Desejo sua felicidade. RUGGIERO Que palavras falsas e astutas!
ALCINA (a Bradamante)
ALCINA (Para Bradamante)
Non t'offendo.
Eu não ofendi-lhe.
RUGGIERO Indegna, taci! ALCINA (a Ruggiero) Non t'inganno!
BRADAMANTE Iniqua, menti!
RUGGIERO Indigna, cales a boca! ALCINA (Para Ruggiero) Eu não vos engano! BRADAMANTE Malvada, mentes!
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ALCINA Cruda donna! rio tiranno! Non vogl'io da voi mercè.
ALCINA Mulher cruel! tirano malvado! Eu não preciso de vossa piedade.
RUGGIERO Non sperar da noi mercè.
RUGGIERO Nem espere-a.
BRADAMANTE Non sperar da noi mercè.
BRADAMANTE Não esperes por nós em misericórdia.
BRADAMANTE Caro sposo! RUGGIERO Anima mia! ALCINA Solo affanni, e solo pene...
RUGGIERO Minha alma! ALCINA Só tormentos, e dores...
RUGGIERO Solo gioie, e solo bene...
RUGGIERO Apenas alegrias e apenas o bem...
BRADAMANTE Solo gioie, e solo bene...
BRADAMANTE Apenas alegrias e apenas o bem...
ALCINA Premio fian di vostra fè.
ALCINA Os prêmios por sua fidelidade.
RUGGIERO Premio fian di nostra fè.
RUGGIERO Os prêmios por nossa fidelidade.
BRADAMANTE Premio fian de nostra fè.
BRADAMANTE Os prêmio de nossa fidelidade.
(Partono, Alcina per una parte e Bradamante per un'altra) Scena Ottava (Entra Oronte, a cui Ruggiero rende la spada. Ruggiero si avanza per rompere l'urna coll'anello incantato; ed Alcina frettolosa lo trattiene) 44
BRADAMANTE Querido marido!
(Elas saem, Alcina por um lado e Bradamante por outro). Cena 8 (Entra Oronte, a quem Ruggiero entrega a espada. Ruggiero avança para quebrar a urna com o anel encantado; e apressada Alcina o detém).
ALCINA Ah! mio Ruggier, che tenti? RUGGIERO Voglio la libertade degl'infelici, che qui chiudi. ALCINA Ed io lo farò... (Entra Bradamante)
BRADAMANTE Non fidarti; Lascia, che faccia il colpo il braccio mio. (Va per spezzar l'urna) Scena Nona (Entra Morgana)
ALCINA Misera, ah, no! MORGANA Per quella vita, che t'ei serbai, lascia... Scena Ultima (Entrano Melisso ed Oberto)
MELISSO (a Ruggiero) A che tardi? Struggi l'infame nido: rendi altrui la salute! RUGGIERO Sì ORONTE Sì
ALCINA Ah! meu Ruggiero, o que pretendes? RUGGIERO Eu quero a liberdade dos infelizes, que estão presos aqui. ALCINA Eu mesma farei isso... (Entra Bradamante) BRADAMANTE Não confies; Deixe-me fazer isso com o meu braço. (Vai quebrar a urna). Cena 9 (Entra Morgana) ALCINA Miserável, ah, não! MORGANA Pela vida que salvei-lhe, pare... Última cena (Entra Melisso) MELISSO (Para Ruggiero) O que esperas? Destrua esse ninho infame e devolva a vida a todos! RUGGIERO Sim. ORONTE Sim. 45
MELISSO, BRADAMANTE Spezza, Ruggiero! ALCINA, MORGANA O noi perdute! (Si ritirano) (Ruggiero spezza l'urna, e subitamente precipita, e si dilegua tutto ciò, che appariva all'intorno, sorgendo su quelle ruine il mare, che si vede da una vasta, e sotterranea caverna, dove molti sassi si cangiano in uomini)
CORO Dall'orror di notte cieca, chi ne reca colla vita la smarrita libertà? Io fui belva, io sasso, io fronda, io qui sciolto erravo in onda: chi ne ha resa umana voglia? Che ni spoglia la già appresa ferità? Dopo tante amare pene, già proviam conforto all'alma; ogni mal si cangia in bene, ed al fin trionfa amor. Fortunato è questo giorno, che ne reca bella calma, dell' inganno e insidie a scorno già festeggia il nostro cor.
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MELISSO, BRADAMANTE Destruas, Ruggiero! ALCINA, MORGANA Estamos perdidas! (Elas se retiram) (Ruggiero quebra a urna e súbitamente o palácio de Alcina desmorona e desaparece, surgindo o mar sobre aquelas ruínas, que se vê de uma gruta grande e subterrânea, de onde muitas pedras se transformam em homens) CORO Quem nos libertou do horror e da noite escura e nos devolveu a vida e a liberdade? Eu fui fera, eu pedra, eu árvore, e eu aqui errava como uma onda: Quem nos trouxe de volta nossa humanidade? Quem nos libertou das formas selvagens? Depois de tantos amargos sofrimentos, nosso espírito se consola e todo o mal se transforma em alegria, pois no final, triunfa o amor. Afortunado seja esse dia, que nos traz uma bela calmaria, destruindo as intrigas e mentiras. Nosso coração está em festa.
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ALCINA Direção Musical Luis Otavio Santos Direção Cênica e Cenografia William Pereira Figurino Fábio Namatame Iluminação M808 Produções - Mirella Brandi Visagismo Tiça Camargo Regente Assistente Fernando Cordella Assistente de Direção Cênica e Diretor de Palco Ronaldo Zero Assistente de Cenografia Fernando Passetti Assistente de Figurino Juliano Lopes Produção Fernanda Câmara Assistente de Iluminação Guilherme Paterno Coreografia Anselmo Zola Bailarinos Arthur Haroyan Arthur Medeiros Emanuel Faioli Heitor Garcia Júnior Gadelha Leandro Affonso Rafael Luz Sidnei Araújo Maquiadoras Mara Feres Giulia Piantino Gleice Diana Leão Luciana Santini Letícia Waechter Roberta Sanches
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Pianista Preparador Sin Ae Lee Afinação dos Cravos William Takahashi Tradução do Libreto William Pereira Editoração e Operação de Legendas Piero Schlochauer Camareiras Elizabete Roque Marineide De Lima Correia Viviane Santos Maquinista Lucas Filho Confecção de Figurinos Fábio Hitoshi Namatame Hair Fashion Assistente Administrativa Elisa Galdino Costureiras Shirley Descrove Rodrigues Carol Franceschini Andy Lopes Estação da Luz Programação de Operação de Luz Paulo Gobbi Voinichs Técnico de Luz Yves Christian Almeida Santos Execução de Cenários Marcenaria Cenotécnica Denis Nascimento Cenotécnicos Responsáveis Jorge Ferreira Silva Denis Nascimento Coordenação de Projeto Jonas Soares Produção de Cenografia Luciana Conte Serralheria Dalton Nunes (responsável) Everton Dávida Marceneiros Guilherme Nascimento Antonio Erlany Eletricista Fábio Silva
THEATRO SÃO PEDRO Direção Artístico-Pedagógica Paulo Zuben Coordenação Artística Ricardo Appezzato Supervisora de Elenco Sandra Lacal Analistas Artístico-pedagógicos Gilberto Ferreira e Renata Borges Arquivo Musical Jean Guilmer e Graziela Gomes Coordenação de Produção de Eventos Anna Patrícia Araújo Produção de Eventos Márcio Branco e Ana Vanessa Analista Administrativo Fátima Oliveira Supervisora Técnica Daniela Gogoni Chefe de Maquinário Rodrigo do Nascimento Maquinistas Antônio Carlos da Silva e Júlio de Oliveira Técnico de Iluminação Carlos Eduardo Silva Técnico de Sonorização Almir Agustinelli Montadores da Orquestra Alessandro Neves e Francimar Rodrigues Assistente de Palco Wellington Nunes Pinheiro Aprendizes Administrativos Isabelle Andrade e Juliana dos Santos Copeira Silvia Aparecida P. Nascimento Supervisora de Relacionamento Institucional Monica Toyota Analista de Relacionamento Institucional Agnes De Munno
Orquestra do Theatro São Pedro 1ºs Violinos Renan Gonçalves - spalla Mariela Micheletti - solista Maria Emília Paredes Indira Torres Jonathan Cardoso Letícia Andrade* 2ºs Violinos Jair Guarnieiri Almeida - solista Hugo Leonardo Farias Cléber Albuquerque Anderson Santoro Lemuel Cordeiro* Violas Fabio Schio - chefe de naipe Diogo Guimarães - solista Edmur Mello Hellen Mizael* Violoncelo Fabrício Rodrigues - chefe de naipe Camila Hessel - solista Denise Piotto* - solista Contrabaixo Fernando de Freitas - chefe de naipe Flauta Doce Cesar Vilavicencio* - solista Paula Calegari* - solista Oboés Alexandre Boccalari - chefe de naipe Renato Sales - solista Fagote Clarissa Oropallo - chefe de naipe Trompas André Ficarelli* - solista Rafael Nascimento - solista Teorba Guilherme de Camargo* Cravo Fernando Cordella* *músicos complementares
Agradecimentos MAC Cosméticos City Design
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GOVERNO DO ESTADO DE SÃO PAULO GOVERNADOR DO ESTADO | Márcio França SECRETÁRIO DE ESTADO DA CULTURA | Romildo Campello COORDENADOR DE UNIDADE DE FORMAÇÃO CULTURAL | Dennis Alexandre Rodrigues de Oliveira
SANTA MARCELINA CULTURA PRESIDENTE DO CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO | Irmã Edimar Zanqueta DIRETORA-PRESIDENTE | Irmã Rosane Ghedin ADMINISTRADOR GERAL | Odair Toniato Fiuza DIRETOR ARTÍSTICO-PEDAGÓGICO | Paulo Zuben GESTORA PEDAGÓGICA | Giuliana Frozoni COORDENADORES PEDAGÓGICOS | Adriana Schincariol Vercellino, Edu Ribeiro, Mauro Wrona, Narayani Sri Hamsa de Freitas e Paulo Braga COORDENADOR ARTÍSTICO | Ricardo Appezzato COORDENADORA DA ÁREA SOCIAL | Marta Bruno COORDENADOR DE DESENVOLVIMENTO INSTITUCIONAL | Mauricio Cruz COORDENADORES DE PRODUÇÃO | Anna Patrícia Lopes Araújo e Marcelo Silva COORDENADORA DE RECURSOS HUMANOS | Marcia Almeida
CRÉDITOS DO PROGRAMA SUPERVISORA DE COMUNICAÇÃO | Renata Franco ANALISTAS DE COMUNICAÇÃO | Marina Panham e Rafael Zanatto ASSISTENTE DE COMUNICAÇÃO VISUAL | Juliana Azevedo DESIGN | Prata Design
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