direção musical | Ira Levin direção cênica | William Pereira coreografia | Giovanni Di Palma
Orquestra do Theatro São Pedro São Paulo Companhia de Dança Inês Bogéa direção artística
19, 21, 23, 25 e 27 | AGOSTO domingo às 17h, e nos demais dias, às 20h
Pulcinella - Balé em um ato de Igor Stravinsky Arlecchino - Capricho teatral em um ato de Ferruccio Busoni
Temporada LĂrica
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O programa que retoma a temporada lírica do centenário do Theatro São Pedro faz jus à recente vocação operística reivindicada pela casa. Aqui temos um vislumbre da matéria que formou a música e a cultura de todo o século XX – nela, se articulam duas forças complementares, da tradição e da busca pelo novo. Ambas as peças se baseiam em personagens da commedia dell’arte, teatro de rua italiano que floresceu no século XVI – seus personagens são tipos bem definidos, estereótipos, máscaras que representam uma forma de agir, pensar, ser. Esses modelos são repensados a partir da perspectiva moderna, que os ressignifica e traduz, de forma cômica, novas angústias de um novo tempo.
Musicalmente, é notável que Busoni parte dos conflitos artísticos que traz em si, do lirismo da Itália paterna à substância da Alemanha de sua mãe, da restauração do Classicismo à nova música do século XX.
Para escrever o balé Pulcinella (1920), Igor Stravinsky estudou documentos inacabados de Giovanni Pergolesi (1710-1736) e outros autores italianos do século XVIII, e elaborou, à sua maneira, uma peça nova e inovadora para os Ballets Russes. O espetáculo foi um momento emblemático do século passado, reunindo além de Stravinsky e do empresário Sergei Diaghilev, o bailarino Léonide Massine, responsável pela coreografia, e Pablo Picasso, que assinou os figurinos e cenários originais.
Além da dobradinha do balé Pulcinella, de Stravinsky, e da ópera Arlecchino, de Busoni, sobem ao palco do Theatro São Pedro uma produção vinda do Theatro da Paz, de Belém, de Don Giovanni, de Mozart – com direção cênica de Mauro Wrona, e direção musical de Cláudio Cruz –, e a opereta La Belle Hélène, de Offenbach – com direção musical novamente de Cláudio Cruz, e direção cênica de Caetano Vilela.
De forma semelhante, em Arlecchino (1917), Ferruccio Busoni transforma o tradicional personagem e exacerba suas qualidades. O Arlequim apresentado não é apenas um astuto galanteador, mas um conquistador algo inescrupuloso, que se eleva sobre a moral, mostra a vida como ela é – e deixa eventuais julgamentos a cargo do público.
A temporada 2017 do Theatro São Pedro foi elaborada por um conselho artístico que reúne profissionais de diversas áreas e abrange as atividades pertinentes a um teatro – da música popular à música clássica, contemplando todos agentes da orquestra, do regente ao instrumentista, passando pelo cantor, incluindo também a experiência em direção cênica e musical, administração cultural e pesquisa musical.
Em comemoração aos seus 100 anos, o Governo do Estado de São Paulo, a Secretaria da Cultura do Estado e a Santa Marcelina Cultura apresentam uma nova fase do Theatro São Pedro. Respeitando sua história e atento aos novos desafios de seu tempo, o São Pedro recomeça sua temporada e oferece ao público de São Paulo mais uma alternativa cultural de qualidade.
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Commedia dell’arte em dança e ópera
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A commedia dell’arte continua fascinando artistas e públicos séculos após seu surgimento, no século XVI, na Itália. Nascida como um contraponto ou mesmo oposição à comédia erudita, caracteriza-se pelo improviso em cena e grande liberdade de interpretação. Os espetáculos eram apresentados em ruas, praças, em cima de carroças, e muitas companhias mambembes faziam grande sucesso viajando por toda a Europa, principalmente durante a Renascença, como um respiro de liberdade e humor após a Idade Média. Os antigos canovacci – os primeiros “textos” desse tipo de teatro –, definiam temas, descrições de situações e personagens, sem, contudo, definir fala e diálogos como conhecemos na literatura dramática tradicional. Após um período de decadência, sendo renegada nos altos círculos por seu caráter popular, o gênero renasce vigoroso, séculos depois, retomado e reinterpretado por autores ligados às cortes, como Carlo Goldoni, Carlo Gozzi, Molière e Pierre de Marivaux. O que antes era feito de improviso agora passa a ser definido, escrito.
Essa nova tradição chega ao século XX, quando, a partir desse universo, Igor Stravinsky e Ferruccio Busoni escrevem, respectivamente, o balé Pulcinella e a ópera Arlecchino. Conceber e encenar um espetáculo duplo, onde uma obra estabeleça diálogo com a outra, foi o maior desafio da presente produção. Se no balé existe um olhar afetuoso e quase nostálgico na partitura neoclássica de Stravinsky, a ópera de Busoni carrega uma grande dose de ironia, numa espécie de anti-ópera. Crítica às convenções, sua música faz citações a Mozart (Don Giovanni) e Wagner (Lohengrin), criando uma quase paródia, descontruindo tanto a forma da commedia dell’arte quanto os clichês da ópera tradicional. Em comum a ambas estão os encontros e desencontros amorosos, tema básico da commedia dell’arte.
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Pensando na unidade entre o balé e a ópera, foi criado um espaço cênico único, minimalista, branco, neutro, de arquitetura própria. Como em uma exposição de artes plásticas, a obra de arte em destaque são os bailarinos e cantores, e o cenário se torna mais um espaço de suporte para o jogo, para a atuação, do que um elemento descritivo, realista e óbvio das ruas de uma cidade italiana antiga, Nápoles ou Bergamo. Colunas circundam a cena e inúmeras bolas/luminárias pendem do teto e transformam a volumetria do espaço quando movimentadas, tudo amparado pela luz, elemento fundamental do espetáculo que auxilia a narrativa. A luz cria climas e atmosferas, “aquarelando” a tela branca de acordo com a necessidade da cena. Na mesma proposta foram concebidos os figurinos: uma releitura dos trajes tradicionais da commedia dell’arte em que são mantidas a padronagem e cores originais, recriando-se a forma.
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A parceria entre o Theatro São Pedro e a São Paulo Companhia de Dança possibilitou este programa duplo. Assim como Stravisnky recriou em Pulcinella a música de Giovanni Pergolesi, iniciando sua fase neoclássica, o coreógrafo Giovanni Di Palma recriou a coreografia original de Léonide Massine com frescor e jovialidade ao mesmo tempo contemporâneos e fiéis à commedia dell’arte. Aos bailarinos unem-se os cantores líricos, que, nos trajes de Arlequim, Colombina e Leandro, transitam pelo balé, unindo as estórias, já apresentando as personagens da ópera que virá a seguir. É importante sublinhar que o personagem central da ópera Arlecchino, o próprio Arlequim, não foi escrito para um cantor, e sim para um ator. Cria-se um jogo dramático entre texto e música, que favorece o caráter improvisatório do personagem. Essa improvisação respeita os tempos e ritmos da obra de Busoni, que mesmo durante as falas cria um fundo sonoro. Aqui o improviso acontece na fala, um Sprechgesang, criando uma prosódia particular, melodias, sons, gags típicas de Arlequim.
Um personagem para ator, mas que necessita de amplo conhecimento musical, leitura de partitura, percepção aguçada para entradas, pausas, respirações – por essas razões escolhemos um cantor para o papel, que resolve o paradoxo entre o rigor da escrita musical e a liberdade do personagem e seus textos. Assim como na commedia dell´arte, permitimos que os cantores improvisassem textos e movimentos, criando a cada espetáculo novas possibilidades. Com a obra cantada em italiano (a partitura original é em alemão), optamos por apresentar os textos de Arlequim no idioma da plateia, visando uma maior comunicação com o público, um jogo direto e claro, que a legenda eletrônica poderia distanciar. Arlequim comunica-se em português com a plateia e, em alguns momentos, no italiano original com os cantores. Essa mistura de idiomas criou uma poética própria da encenação, um jogo lúdico que transporta o espectador para dentro da cena, da estória, e possibilita variadas situações cômicas.
Parece apropriado que o Theatro São Pedro, comemorando seus 100 anos, apresente uma ópera também centenária – Arlecchino teve sua primeira récita em 1917, em Zurique. Que a dança e o canto, o balé e a ópera possam celebrar o centenário do Theatro São Pedro, reafirmando sua vocação e resgatando a popularidade e a alegria da commedia dell’arte, trazendo um pouco de encantamento e leveza a dias tão conturbados e farsescos como os nossos.
William Pereira diretor cênico
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Igor Stravinsky
PULCINELLA Pulcinella Diego de Paula Pimpinella Thamiris Prata Prudenza Renata Alencar Rosetta Luciana Davi Fourbo Yoshi Suzuki Caviello André Grippi Florindo Nielson Souza Moças do Povo Michelle Molina, Morgana Cappellari e Ammanda Rosa Pequenos Pulcinellas Hiago de Castro, Bruno Veloso, Mozart Mizuyama e Vinícius Vieira
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Balé em um ato de Igor Stravinsky Estreia: dia 15 de maio de 1920, no Teatro Nacional da Ópera de Paris, França
Igor Stravinsky (1882-1971) Figura fundamental da arte do século XX, o compositor russo Igor Stravinsky despontou internacionalmente em Paris, com a excepcional parceria com os Ballets Russes, de Sergei Diaghilev. Desse trabalho resultaram peças incontornáveis, como O Pássaro de Fogo, A Sagração da Primavera, Petrushka e Pulcinella. Ativo até o fim da vida, legou ao mundo da música uma obra estilisticamente rica e variada, referência para os que o sucederam.
Sinopse Pulcinella tem todas as mulheres a seus pés, mas a concorrência e sua namorada não gostam nada disso. Após ser atacado e dado como morto, Pulcinella cria uma elaborada farsa para enganar toda a cidade. Ao final, os casais se rendem ao amor e se casam.
Resumo Caviello e Florindo são apaixonados por Prudenza e Rosetta, mas nenhum deles é páreo para o misterioso Pulcinella. A dupla ataca seu inimigo comum, mas as mulheres vêm em seu socorro. Depois de botarem os invejosos para correr, agora são elas que disputam entre si a atenção do amado. Pimpinella, a namorada titular, expulsa as rivais, e toda a confusão a faz perdoar o herói e suas escapadas. Os jovens cavalheiros voltam à carga e, num ataque mais elaborado, acabam ferindo Pulcinella, que dessa vez é dado como liquidado. Seu corpo fica estirado no chão, e pequenos Pulcinellas trazem o amigo Fourbo para substituir Pulcinella, que na verdade, claro, está vivo. Fourbo se deita no chão como defunto, e inicia-se a farsa. Vestido de feiticeiro, Pulcinella retorna à cena enquanto todos lamentam sua suposta morte, e anuncia que é
capaz de ressuscitar o falecido. Para incredulidade geral, o estranho feiticeiro consegue de fato trazê-lo de volta à vida. Como bom gozador, Pulcinella se revela e a partir daí multiplicam-se os Pulcinellas: além do comparsa Fourbo, Caviello e Florindo também se disfarçam como o herói, buscando uma melhor sorte. Pimpinella foge assustada ao ver seu amor repetido, e Pulcinella envia Fourbo em seu encalço. Enganadas pelas fantasias, Prudenza e Rosetta cedem a Caviello e Florindo. Ao retornar, Pulcinella vê três casais formados, e rapidamente desfaz a farsa que ajudou a criar. Ao fim, casam-se os casais, com exceção de Fourbo.
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Ferruccio Busoni
ARLECCHINO Capricho teatral em um ato de Ferruccio Busoni Estreia: dia 11 de maio de 1917, na Casa de Ópera de Zurique, Suíça
Arlequim Vinicius Atique Colombina Denise de Freitas Leandro Giovanni Tristacci Sr. Matteo del Sarto Rodolfo Giugliani Doutor Bombasto Pepes do Valle Abade Cospicuo Johnny França Annunziatta Luciana Davi Soldados Bruno Veloso e Otávio Portela Rapaz com carroça Vinícius Vieira
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Ferruccio Busoni (1866-1924) O compositor e pianista ítalo-germânico Ferruccio Busoni teve a ambivalência como marca em sua vida. Nascido na cidade de Empoli, filho de pai italiano e mãe alemã, mudou-se com a família para Graz, na Áustria, ainda aos 10 anos de idade, e nunca retornou à sua terra natal, morrendo em Berlim, em 1924. Sua escrita buscava um retorno à clareza e motivação puramente musical do período Clássico, ao mesmo tempo em que acenava para inovações da música moderna de nomes como Schoenberg e Bartók. Arlecchino enquadra-se com precisão nesse esquema: com libreto original em alemão, a peça traz elementos da commedia dell’arte italiana, e resulta numa música particular, típica do diálogo estético do compositor.
Sinopse O astuto Arlequim não mede esforços para atingir seu objetivo: seduzir Annunziatta, mulher do alfaiate sr. Matteo del Sarto. Como bom casanova, ilude também Colombina, sua própria mulher – e não hesita em entrar em combate mortal com Leandro, cavaleiro que se apaixona por Colombina e promete vingar a honra da mulher traída. O aparente assassinato de Leandro confunde os tipos da cidade, o abade Cospicuo e o doutor Bombasto. Resignado com a perda da mulher e sem entender muito bem o destino que lhe foi imposto, sr. Matteo volta à triste labuta sem questionamentos.
Resumo Dividida em quatro tempos, a obra apresenta as diversas facetas de Arlequim: velhaco, guerreiro, marido e vencedor. Sentado em frente à sua casa, sr. Matteo del Sarto costura e lê versos da Divina Comédia, de Dante Alighieri. Ao fundo, vê-se que Arlequim corteja Annunziatta, esposa do alfaiate. Para distrair o marido traído, Arlequim diz que os bárbaros estão prestes a invadir a cidade. Sr. Matteo fica aturdido com a notícia e deixa cair as chaves de casa. Arlequim as apanha, e, quando sr. Matteo entra em casa, ele tranca a porta por fora e vai embora cantando. O abade Cospicuo e o doutor Bombasto discutem e trocam ofensas. Ao notarem que sr. Matteo não está trabalhando em frente à casa, chamam pelo alfaiate. Ele finalmente aparece e explica que os bárbaros cercam a cidade, que em breve será palco das maiores atrocidades. O abade e o médico ironizam o alfaiate, dizem que vão avisar o prefeito e entram na taverna para beber. Arlequim retorna vestido de sargento, e bate à porta de sr. Matteo. O alfaiate atende e é intimado a alistar-se para proteger a cidade. Vendo-se livre para entrar na casa de sr. Matteo com a cópia da chave que roubou,
Arlequim é surpreendido por Colombina, sua esposa, que, sem reconhecê-lo, lamentase por seu infiel marido. Arlequim se revela, distrai a mulher queixosa e foge novamente. Então chega Leandro entoando uma romança. Colombina lhe conta seu drama e o cavalheiro promete vingar-lhe a honra. Arlequim surpreende os dois e anuncia que Colombina é sua esposa e desafia o forasteiro para um duelo. Leandro cai aparentemente morto. Visivelmente bêbados, doutor Bombasto e o abade Cospicuo saem da taverna. O médico tropeça no cavalheiro caído e atesta o óbito. Os homens lamentam a morte do desconhecido, mas Colombina os contesta. Ao notar que o homem de fato está vivo, a dupla é surpreendida novamente. Providencialmente, surge um burro que puxa uma carroça. Leandro é acomodado na traseira e todos saem. Da janela da casa de sr. Matteo, Arlequim deseja boa viagem e um feliz casamento ao novo casal, Colombina e Leandro. O alfaiate retorna visivelmente abatido, lê o bilhete deixado pela mulher e, resignado, volta a trabalhar.
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O futuro no passado?
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Três anos separam Arlecchino (1917) e Pulcinella (1920). Poderiam bem ter estreado no mesmo ano, tamanha a comunhão de objetivos e atitudes diante da criação musical. O mergulho mais ou menos simultâneo do russo Igor Stravinsky e do ítalo-germânico Ferruccio Busoni em modelos do passado recente mais remoto, pré-século XIX, visava expurgar a música e o teatro musical dos excessos do romantismo. Uma sensação que o nosso Villa-Lobos também transformou em música genial nas nove Bachianas Brasileiras. São impressionantes as semelhanças e afinidades da trama de ambas as obras. A ideia básica de Busoni em Arlecchino é apresentar um conceito de teatro musical que significa uma “nuova commedia dell’arte”. Batia de frente com a ópera verista. Os personagens são reduzidos a tipos, as máscaras da commedia dell’arte. Na peça que originalmente chamou de “tragédia de marionetes com música”, Arlequim não é só um bufão mas também um Don Juan, não só empilha truques como é um sedutor. Como diz o narrador, esta é uma história de “um homem traído que ignora sua sorte / rivais que lutam por um rosto bonito / um duelo cruel / um burro que logo salvará a casa e o
fantoche / palavras espirituosas e alguns dizeres amargos / a astúcia e a coragem de Arlequim no pequeno mundo de quem pinta a própria cara”. Nosso Arlequim encarna sucessivamente um velhaco, um guerreiro, um marido e um vencedor. Pulcinella, como Arlequim, também é personagem egresso da commedia dell’arte renascentista. E também se multiplica em quatro personas. A história original, que aliás se intitula Os Quatro Pulcinellas, foi colhida em coletâneas folclóricas napolitanas do século XVIII. Igualmente é sedutor e vigarista, engana a tudo e a todos, até ficar com Pimpinela, a mulher que deseja desde o início da ação.
Contra a maldição da continuidade estética Busoni e Stravinsky, cada qual à sua maneira, rebelam-se contra o que o escritor tcheco Milan Kundera chama de “a maldição da continuidade estética”. Só valorizamos a música em função de seu lugar na história. Quando Stravinsky retrabalha, reinventa, constrói uma orquestração moderníssima usando as melodias e os temas de Giovanni Battista Pergolesi (1710-1736) em Pulcinella, é acusado de passadismo (numa expressão
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mais chique, de neoclássico). De igual modo, Busoni também é acusado de fazer meros pastiches, como em Arlecchino, dos estereótipos da commedia dell’arte, envolvendo-a numa música convencional. Ora, o que não sabem, como escreve Alejo Carpentier em Concerto Barroco, pequena novela de 1974, é que criadores musicais como Stravinsky e Busoni vivem no tempo da “fábula”: “De fábulas alimenta-se a Grande História, não se esqueça disso. Fábula parece o que é nosso às pessoas daqui porque estas perderam o senso do fabuloso. Chamam de fabuloso tudo o que é remoto, irracional, situado no ontem.” Afinal, nas fábulas não existem diferenças entre ontem-hoje-amanhã. Tudo se comprime no presente encantado. Em seu genial concerto barroco, Carpentier reúne Vivaldi, Händel e Domenico Scarlatti numa noitada de vinho, mulheres e muita música num carnaval de Veneza no século XVIII. E de manhã, borrachos, eles visitam o túmulo de... Stravinsky, que por eles é acusado de passadismo, pois insistia em beber de fontes historicamente remotas como Apolo, Orfeu, Perséfone. Este achatamento da noção de tempo histórico hoje seria chamado sem dúvida
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de pós-moderno. De repente, os compositores dos anos 1920/30 escolhiam num caleidoscópio onde cabia toda a história da música o que melhor lhes aprouvesse como insumo para a criação musical. Sem vergonha, com a máxima liberdade. Como nós fazemos hoje em nossos smartphones. O neoclassicismo não reconheceu modelos para o presente em nenhum período do passado, aponta Hermann Danuser. E especificamente sobre Stravinsky: “Ele usou a música, desrespeitando suas origens, como material para desfamiliarizar suas práticas composicionais (...). Stravinsky não se sentia obrigado a modificar sua estética antirromântica quando olhava para Beethoven ou Tchaikovsky. O historicismo não tinha consequência para ele, como para Busoni também, outro pioneiro do neoclassicismo que queria purgar materiais musicais da historicidade característica do seu período”. Era uma reação clara à intensa experimentação da vanguarda austro-alemã liderada por Schoenberg, Berg e Webern, que se afastava da tonalidade em prol da música feita com 12 sons, dodecafônica. De um lado, Ravel
compunha Le Tombeau de Couperin, de uma modernidade classicamente concebida; de outro, o capo dos Ballets Russes, Sergei Diaghilev, encomendava em 1917 a Vincenzo Tommasini Le Donne di Buon Umore, sobre sonatas de Domenico Scarlatti, e em 1919 a Ottorino Respighi La Boutique Fantasque, sobre temas de Gioachino Rossini. Mas o tiro de largada mais expressivo da onda neoclássica – trocando em miúdos, não deixava de ser um gesto desesperado para estabelecer uma forma de contemporaneidade musical acessível a parcelas mais amplas de público – aconteceu sem dúvida com Pulcinella, de Stravinsky, em 1920 (mesmo que a etiqueta de neoclassicismo lhe tenha sido colada só três anos depois, numa crítica de Boris de Schlözer). Na cena de abertura de Arlecchino, acontece a única citação direta de Busoni. No caso, à ária do champagne Fin ch’ han dal vino do Don Giovanni de Mozart, compositor por ele qualificado como modelarmente “universal”: Arlequim é visto flertando na janela com a mulher do alfaiate. Aqui ele revela o duplo caráter da figura: Arlequim-Don Juan.
Já Stravinsky usa de fato as melodias de Pergolesi. Ele disse trabalhar “em colaboração” com Pergolesi, onde a novidade é a justaposição inesperada de timbres instrumentais. “Uma cor só tem valor pela relação com outras cores justapostas. Um vermelho não tem valor em si mesmo, ele o adquire só pela proximidade com outro vermelho ou um verde. Quis fazer isso em música.” Busoni e Stravinsky operaram o milagre de tornar realidade a célebre frase pronunciada por Giuseppe Verdi em 1871: “Torniamo all’antico e sarà un progresso” – voltemos ao passado e será um progresso. E de quebra anteviram a pós-modernidade na qual hoje vivemos.
João Marcos Coelho jornalista e crítico musical
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Desenhos dos figurinos por Fรกbio Namatame para a รณpera Arlecchinno
LIBRETO
ARLECCHINO Ferruccio Busoni
CAPRICHO TEATRAL EM UM ATO
SR. MATTEO DEL SARTO | Um alfaiate ABADE COSPICUO | Um religioso DOUTOR BOMBASTO | Um médico ARLEQUIM | Marido de Colombina LEANDRO | Enamorado por Colombina COLOMBINA | Esposa de Arlequim ANNUNZIATTA | Esposa de sr. Matteo
Tradução de Sergio Casoy – julho de 2017
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PRÓLOGO PROLOGO
(falado) Esta ação não é para deuses nem crianças, só se destina ao coração que a compreende; não precisa de explicação mas o melhor se subentende. Os personagens da tradição vocês irão rever com suas virtudes e seus defeitos numa viva sucessão de cenas feitas à moda antiga e com frequencia amenas. Um homem traído que desconhece sua sorte, rivais em luta por um belo rostinho, um duelo sangrento e um burrico que depois salva tudo, palavras argutas e uma ou outra frase amarga, a astúcia e a arrogância do Arlequim: aqui se desenha o rosto do pequeno mundo. E você me dirão se acertei no alvo.
(parlato) Nè per Dei nè fanciulli e quest’azione, sol si rivolge al cuore che l’intende; non ha bisogno d’una spiegazione però che il meglio vi si sottintende. I personaggi della tradizione rivedrete con lor virtù e lor mende in un vivace progredir di scene all’antica tagliate e spesso amene. Un uom tradito di sua sorte ignaro, rivali in lotta per un bel vizino, un duello cruento ed un somaro che salva poi baracca e burattino, parole argute e qualche detto amaro, l’astuzia e la baldanza d’Arlecchino: del picciol mondo e qui dipinto il volto. Voi mi direte se l’ho bene colto.
(Ao maestro)
(Al direttore d’orchestra)
Maestro?...
Maestro?...
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PRIMEIRO TEMPO PRIMO TEMPO
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1. Introdução, Cena e Canção
1. Introduzione, Scena e Canzonetta
(Em Bergamo: uma rua tortuosa e cheia de lombadas na parte alta da cidade. Mais para frente, a rua se bifurca em Y. Na bifurcação, há uma pracinha. Do lado esquerdo, vê-se antes a casa de sr. Matteo, um pouco mais para cima, à direita, uma porta com o símbolo de uma cantina. O crepúsculo ilumina pitorescamente as janelas dos últimos andares e os tetos. Na porta de sua casa, Matteo está sentado à uma bancada movel de trabalho. Está costurando um manto; tem aberta, diante de si a Divina Comédia, que lê em voz alta para melhor saborear os versos. De uma janela bem acima de sua cabeça, olham, furtivamente, o Arlequim e a jovem e bela esposa de Matteo, o qual lê com gravidade, mas pouco a pouco se acalma, se entusiasma, prorrompe em exclamações. O modo de se exprimir-se, um pouco cansado e lamentoso, contrasta com seu entusiasmo explícito)
(A Bergamo: Una strada tortuosa e montuosa nella parte alta della città. Più in fondo la strada si biforca a guisa di un Y. Al punto di biforcazione una piazzola. A sinistra sul davanti la casa di Ser Matteo, un poco più in sù, a destra, una porta con l’insegna d’un’osteria. Il tramonto illumina pittorescamente le finestre degli ultimi piani e i tetti. Davanti alla sua casa Matteo si è accomodato un tavolo trasportabile da lavoro. Sta cocendo un mantello; ha davanti a sè aperta la Divina Commedia, che legge ad alta voce per bene assaporarne i versi. Da una finestra, proprio sopra il suo capo, guardano furtivamente Arlecchino e la giovine e bella moglie di Ser Matteo. Questi legge gravemente, ma a poco a poco si rasserena, si entusiasma, prorompe in esclamazioni. Il suo modo di esprimersi contrasta col suo manifesto entusiasmo per un che di stanco e di querulo)
MATTEO
ARLEQUIM
MATTEO
ARLEQUIM
Versos divinos que penetram no coração: “Este, que jamais se afaste de mim a boca me beijou, todo trêmulo. Galeotto foi o livro e seu autor.”
O versi divini che al cor scendete: “Questo che mai da me non fia diviso la bocca mi baciò tutto tremante. Galeotto fu il libro e chi lo scrisse.”
(interrompe a leitura)
(s’interrompe)
Compreendo, compreendo, vocês são símbolos! Luxúria, luxúria, você é o verdadeiro Galeotto! Aqui te espera a danação!
V’intendo, v’intendo: simboli siete! Lussuria, lussuria, tu sei il vero Galeotto! T’attende dannazione qui!
(cutuca o livro com o dedo. Na janela, Arlecchino e a esposa de Matteo se beijam e riem)
(picchia col dito sul libro. Alla finestra Arlecchino e la moglie di Matteo si baciano e ridono)
Lendo estes versos me parece ouvir a melodia de uma ópera... Oh, meu Mozart! “A boca me beijou, todo trêmulo” Aqui, as flautas devem trinar, e as violas suspirar.
Leggendo questi versi mi par d’udir la melodia di un’opera... Oh mio Mozart! “La bocca mi baciò tutto tremante.” Dovrebber qui trillare i flauti, sospirar le viole.
(está em êxtase. O trabalho lhe cai das mãos)
(è in estasi. Il lavoro gli cade di mano)
(na janela) E agora como eu faço? A porta está fechada e a chave está com o alfaiate. Amarrar-se é doce, escapar é coisa grave. Meu Deus!
(alla finestra) Or come far? La porta è chiusa e il sarto tien la chiave. Annodare è dolce cosa, liberarsi cosa grave. Mio Dio!
(declama com entusiasmo) “Este, que jamais se afaste de mim a boca me beijou, todo trêmulo.”
(declama con entusiasmo) “Questo che mai da me non fia diviso la bocca mi baciò tutto tremante.”
(decidido) As mulheres usam sua astúcia, mas o homem tem sua espada. Adeus!
(deciso) Le donne giocano d’astuzia, ma l’uomo ha la sua spada. Addio!
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MATTEO
ARLEQUIM
MATTEO
ARLEQUIM
MATTEO
ARLEQUIM
MATTEO
ARLEQUIM
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Seguem-se agora os baixos. “Galeotto foi o livro”...
Incalzan ora i bassi. “Galeotto fu il libro”...
(Arlequim pula da janela e cai bem diante do alfaiate, que fecha o livro e exclama descaradamente)
(Arlecchino è saltato giù dalla finestra in modo da trovarsi proprio davanti al sarto, al quale chiude il libro esclamando con sfrontatezza)
“Naquele dia, nós não lemos mais nada.” Por hoje basta, sr. Matteo.
“Quel giorno più non vi leggemmo avante.” Basta per oggi, Ser Matteo.
Que foi? De onde você vem? O que procura? Quem é você?
Che c’è? Donde venite? Cosa cercate? Chi siete?
Saiba, sr. Matteo, que enquanto o senhor está musicando a Divina Comédia, os bárbaros se aproximam da entrada. Daqui a pouco chegam e pegam nossas mulheres. Em um instante, um daqueles bárbaros lhe enfia a sua lança.
Sappiate, Ser Matteo, mentre state mettendo in musica la Divina Commedia, il barbaro s’avvicina alle porte. Fra poco è qui e si prende le nostre donne. In un baleno un di quei barbari v’infilza sulla sua lancia.
(apavorado) Meu Deus! Você é um bárbaro?
(impaurito) Mio Dio! Voi siete un barbaro?
(tirando a espada de madeira) Eu sou o arcanjo Gabriel e mato o dragão.
(estraendo la spada di legno) Io sono l’arcangelo Gabriele e uccido il drago.
(agarra o alfaiate)
(afferra il sarto)
Céus!
Cielo!
Atenção! Faz de conta que eu sou o inimigo. Viva a Bíblia! Abaixo a estirpe dos guelfos! E agora me entregue seu belo punhal.
Attento, orsù! Io mi fingo il nemico. Viva la Bibbia! Abbasso la genia dei guelfi! Or consegna il bel pugnale.
MATTEO ARLEQUIM
(prende a tesoura do alfaiate em sua própria cintura)
(inforca le forbici del sarto alla propria cintura)
Atenção, sr. Matteo. Já estou vendo nascer em sua cabeça bárbaros cornos de touro.
Attento, Ser Matteo. Barbariche corna taurine già vedo spuntarvi sul capo.
(enfia o manto na espada de madeira)
(infila il mantello sulla spada di legno)
Elevemos a insígnia da fé!
In alto l’insegna della fede!
(o alfaiate cai no chão; a chave de casa cai do seu bolso)
(il sarto cade a terra; la chiave di casa gli esce di tasca)
Vitoria, as chaves da cidade! “E caí, como cai um corpo morto.” Assim termina o canto. E agora, rápido para casa. Atenção aos bárbaros... Você não está escutando? Tap, tap, bum, bum, sangue, peste e estupros. Há pouco para se brincar.
Vittoria, le chiavi della città! “E caddi come corpo morto cade.” Così finisce il canto. Ed ora presto in casa. Attento! I barbari... Non udite? Tap, tap, bum, bum, sangue, peste e stupri. C’è poco da scherzare.
Você é o diabo?
Siete il diavolo?
Ande ou eu fecho a porta. Para seu próprio bem, não faça barulho, entre, vá!
Via, io chiudo l’uscio. Pel vostro bene non fate chiasso, entrate, orsù!
(empurra Matteo, que está tremendo de medo, para dentro de casa. Fecha a porta atrás dele e põe a chave no bolso. E agora se apropria do manto e se embrulha nele.)
(ha spinto in casa Matteo che trema di paura. Chiude dietro di lui la porta e intasca la chiave. Ora si avvolge nel mantello conquistato)
Vitória! Butim! Um prisioneiro!
Vittoria! Bottino! Un prigioniero!
(atrevido, passa aos poucos, com elegância, dadeclamação ao canto)
(baldanzoso, passa a poco a poco con grazia dalla recitazione al canto)
Fortuna, você é caprichosa, segundo o vento que sopra. Mas o soldado te persegue e te subjuga.
Capricciosa sei, fortuna, secondo il vento che spira. Ma il soldato ti rincorre e aggioga. 25
(olha ao redor e atira um beijo)
(si guarda intorno, e getta un bacio)
Já dois olhos enamorados estão me espiando. Querida, voltarei logo para você. La, la, la, la.
Già due occhi innamorati stan spiando. Ritorno, cara, tosto a te. La, la, la, la.
(atrás da cena, afastando-se. Matteo (dietro la scena, allontanandosi. fecha as venezianas. Por um instante, Matteo chiude le imposte. Per qualche attimo la scena resta vuota) a cena permanece vazia)
2. Dueto
2. Duetto
(o abade e o doutor entram conversando)
(l’abbate e il dottore entrano conversando)
Eu preciso lhe agradecer...
Debbo ancora ringraziarvi...
Imagine, por quê?
Ma vi pare, di che?
Porque com sua maestria o senhor manda antes do tempo tanta gente ao Criador.
Che per vostra maestria m’inviate tanta gente anzi tempo al Creatore.
Que pretende com isso?
Che intendete con ciò?
ABADE COSPICUO
Só que o senhor é muito apressado, e não dá tempo para que eles se preparem para a viagem!
Sol che usate troppa fretta, non date il tempo per prepararsi al viaggio!
DOUTOR BOMBASTO
(malvado) Bem, bem. Se o senhor fosse tão conhecedor da sua profissão quanto eu sou da minha, agora seria cardeal em Roma. Em vez disso, a cor púrpura o senhor só tem no rosto: tendência a congestão.
(maligno) Già, già. Se del vostro mestiere esperto foste quant’io lo sono del mio, ora sareste cardinale a Roma. Invece la porpora vi brilla soltanto in faccia: tendenza a congestione.
ABADE COSPICUO DOUTOR BOMBASTO
ABADE COSPICUO
DOUTOR BOMBASTO
26
ABADE COSPICUO
DOUTOR BOMBASTO
ABADE COSPICUO
DOUTOR BOMBASTO
ABADE COSPICUO
DOUTOR BOMBASTO
ABADE COSPICUO
São muito ruins os bens divididos aqui em baixo. Conheci cardeais dignos de serem tratados pelo senhor.
Male assai sono i beni partiti quaggiù. Conobbi cardinali degni invero d’esser curati da Voi.
Acho-o um pouco vermelho, e ademais um pouco colérico: aperta o estomago a toda hora!
Vi trovo un po’ sanguigno, per giunta un po’ collerico: gravate assai lo stomaco!
Não lhe pedi uma consulta. As suas poções, os frasquinhos, as gotas, meu bom doutor, certamente não valem uma só garrafa de vinho Chianti degustado sob o sol da Toscana. Toscana! Quanta virtude, que vigor nos inspira aquele vinho portentoso. A terra ri, a natureza canta um hino. Parece-me renascer, mais digno, mais feliz. Creia-me: nesse vinho eu sinto a presença do Senhor!
Non vi ho chiesto un consulto. Le vostre tinture, le fiale, le goccie, buon dottore, certamente non valgono un solo fiasco di Chianti gustato sotto il cielo di Toscana. Toscana! Qual virtù, qual vigore infonde quel vino portentoso. Ride la terra, canta un inno la natura. Mi par di rinascer più degno, più felice. Credete a me: in questo vino io sento la presenza del Signore!
Deus, segundo o senhor, está em toda a parte.
Vo insegnate che dovunque è Iddio.
Não, quem diz isso são os furiosos e as bobinhas que Deus se esconde até em cada sapo. Que haveria no senhor de divino?
No, lo dicono i irati e le clonnette che Dio s’asconde anche in ogni rospo. Che ci sarebbe in voi di divino?
Padres e mulheres são a sua mais nobre clientela.
Frati e donne son la vostra più nobile clientela.
(em voz baixa) O senhor se esquece dos doutores... As mulheres, depois...
(sottovoce) Obliate i dottori... Le donne poi... 27
DOUTOR BOMBASTO
ABADE COSPICUO DOUTOR BOMBASTO
ABADE COSPICUO DOUTOR BOMBASTO ABADE COSPICUO
DOUTOR BOMBASTO ABADE COSPICUO
DOUTOR BOMBASTO
ABADE COSPICUO
ABADE, DOUTOR
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(resmungando) As mulheres, as mulheres...
(brontolando) Le donne, le donne...
As mulheres embelezam a vida.
Le donne abbelliscono la vita.
Quem fala “mulher” fala “dano” e “desgraça”.
Chi dice donna dice danno e malanno.
Elas são a nossa consolação.
Son esse la nostra consolazione.
Arre!
Oibò!
(bonachão) Justamente aqui mora a bela esposa do sr. Matteo. Uma pequena planta que cresceu na sombra, mas que estende, com desejo, seus ramos ao sol da primavera.
(con serena bonarietà) Proprio qui sta la bella moglie di Ser Matteo. Un giovin virgulto cresciuto all’ombra, ma che stende desioso le sue rame al sol di primavera.
Bem, bem!
Già, già!
(mudando a voz) Olhe!
(con voce mutata) Guardate!
Que foi?
Che cosa c’è?
Todas as janelas estão fechadas. Aqui há um mistério.
Son chiuse tutte le imposte. Qui c’e un mistero.
(chamando)
(chiama)
Ei, senhor Matteo!
Ehi, Ser Matteo!
Senhor Matteo!
Ser Matteo!
(silêncio)
(silenzio)
O senhor morreu? Ainda não é de noite. Senhor Matteo, alô, em nome de Deus!
Siete morto? Non è ancor notte. Ser Matteo, olà, in nome di Dio!
(abre cuidadosamente meia janela) Quem é? Monsenhor?
(apre cautamente mezza finestra) Chi è? Monsignore?
Sim.
Sì.
E o senhor, doutor?
E voi, dottore?
Sim.
Sì.
MATTEO
Imprudentes, estão andando na rua?
Imprudenti, girate per la strada?
ABADE COSPICUO
Mas o que o senhor viu de estranho?
E che ci trovate di strano?
Eu também queria saber.
Vorrei saperlo anch’io.
Vocês não sabem que...
Non sapete che...
3. Trio
3. Terzetto
Que coisa?
Che cosa?
Os bárbaros...os bárbaros cercaram a cidade!
I barbari... i barbari circondan la città!
Os bárbaros?
I barbari?
Dentro de poucas horas, como uma avalanche cairão sobre nós!
Fra poche ore come valanga piomberanno qua.
MATTEO
ABADE COSPICUO
MATTEO DOUTOR BOMBASTO
DOUTOR BOMBASTO MATTEO
ABADE, DOUTOR MATTEO
ABADE, DOUTOR MATTEO
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ABADE, DOUTOR
Será possível? Os bárbaros?
Possibile? I barbari?
MATTEO
Sim, sim, os bárbaros! Os bárbaros, os bárbaros!
Sì, si, i barbari! I barbari, i barbari!
MATTEO
Têm sobre a cabeça cornos tortos, têm no rosto o trejeito da morte e se encontram às nossas portas.
Han sul capo corna torte, hanno il ghigno della morte e si trovano alle porte.
Às nossas portas?
Alle porte?
A voz deles nos assusta, é o lamento de uma hiena seu sangue é uma gangrena. Trazem luto e pestilência, degolam, esquartejam, violentam as mulheres.
La lor voce mette pena, è il lamento d’una iena, il lor sangue una cancrena. Portan lutto e pestilenza, sgozzano, squartano, alle donne fan violenza.
(gritando) Oh Rosinha, Lucinda, Marietinha, Agnese, Beatriz, Conceiçãozinha, Francisca, Vitorina, pobres das minhas filhas que será de vocês!
(prorompendo) Oh Rosina, Lucinda, Mariettina, Agnese, Beatrice, Concettina, Francesca, Vittorina, povere figlie mie, che mai di voi sarà!
Convém pensar!
Convien pensarci!
Convém pensar! Sim, pensemos.
Convien pensarci! Si, pensiamo.
(aprofundam-se em meditações. O abade é o primeiro que se mexe, e faz os outros se agritarem)
(sprofondano in meditazione. L’abbate si scuote per primo e fa sobbalzare i compagni)
Deus misericordioso, Tu saberás proteger as minhas queridas filhinhas! É dever do homem, pelo bem dos outros, poupar-se!
Dio misericorde, Tu saprai proteggere le mie figliole care! È dover dell’uomo per il ben degli altri risparmiarsi!
Certo!
Già!
ABADE, DOUTOR MATTEO
ABADE COSPICUO
DOUTOR BOMBASTO MATTEO
ABADE COSPICUO
MATTEO
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ABADE, DOUTOR
MATTEO
ABADE, DOUTOR
MATTEO ABADE, DOUTOR
MATTEO
ABADE COSPICUO DOUTOR BOMBASTO
MATTEO
DOUTOR BOMBASTO
ABADE COSPICUO
DOUTOR BOMBASTO
E enquanto o senhor, sr. Matteo, faz o seu testamento...
E mentre voi, Ser Matteo, stendete il testamento...
O testamento...?
Il testamento...?
Nós dois nos dirigiremos ao respeitabilíssimo burgomestre.
Noi due ci recheremo dal colendissimo borgomastro.
Vocês vão até o burgomestre?
Vi recate dal borgomastro?
Voltaremos para cá com notícias mais precisas, depois veremos!
Con nuove più certe ritorniamo qua, poi si vedrà!
Está bem.Voltem logo. Eu ficarei em casa.
Va bene. Ritornate presto. A casa me ne sto.
Coragem, sr. Matteo!
Coraggio, Ser Matteo!
O senhor deveria tomar um calmante. Dovreste prender un calmante. Uma boa sangria pode ajudar. Un buon salasso gioverà. Ui! Para que minha mulher se lamente ainda mais do meu sangue fraco!
Uh! Perché mia moglie ancor più si lamenti del mio debile sangue!
(fecha a janela)
(chiude la finestra)
(voltando-se e rindo) Ah, ah, ah, ah.
(volgendosi, ridendo) Ah, ah, ah, ah.
(indicando a porta da taverna) O que me diz? Entremos por um instante!
(accennando la porta dell’osteria) Che dite? Entriamo solo un istante!
Eu o acompanho.
V’accompagno.
31
ABADE COSPICUO
SEGUNDO TEMPO SECONDO TEMPO ARLEQUIM
MATTEO ARLEQUIM
MATTEO
ARLEQUIM
MATTEO ARLEQUIM MATTEO ARLEQUIM
32
Muito bem! Vamos dar um exemplo fecundo de perfeita concórdia entre pessoas que discordam.
Benone. Diamo un esempio fecondo di concordia perfetta alle discorde genti.
4. Marcha e Cena
4. Marcia e Scena
Mandei fazer uma segunda chave. Assim, como um cavalheiro, devolvo a propriedade alheia. Suum cuique. À fechadura, sua chave.
Mi son fatto fare una seconda chiave. Così da galantuomo restituisco la roba altrui. Suum cuique. Alla toppa la sua chiave.
(bate à porta com força. Matteo põe a cabeça para fora, mas se retira gritando)
(batte alla porta con forza. Matteo sporge il capo, ma si ritira subito gridando)
Os bárbaros!
I barbari!
(em tom de comando) Ei! Estou falando!
(in tono di comalido) Ehi, dico!
(com ar submisso) O que deseja?
(facendosi piccolo) Desiderate?
É você o sr. Matteo, o alfaiate, casado e fora de serviço?
Sei tu Ser Matteo del Sarto, ammogliato e fuori di servizio?
Mas...
Ma...
Sim ou não?
Sì o no?
Em nome de Deus.
In nome di Dio.
Eu sou o capitão encarregado do alistamento. Teu nome consta da minha lista. Agradeça pela honra!
Io sono il capitano incaricato del reclutamento. Il tuo nome spicca sulla mia lista. Ringrazia per l’onore!
MATTEO
ARLEQUIM
Leve com você todos os seus mosquetões, canhões, espadas, cavalos, mulas ou elefantes, te dou três minutos de tempo para juntar tuas coisas. Não Respire! Mexa-se!
Porta teco tutti i tuoi schioppi, cannoni, spade, cavalli, muli o elefanti. Ti do’ tre minuti di tempo per mettere a posto la tua roba. E non fiatare. Spicciati!
(para si mesmo) “Agora começam os lamentosos gritos.”
(fra sè) “Ora incomincian le dolenti note.”
(vai embora)
(si ritira)
(dirigndo-se aos guardas, com violência)
(rivolgendosi ai birri, con violenza)
Idiotas, vou fazer o sangue preguiçoso de vocês circular. Tartarugas, gafanhotos apodrecidos. Atenção! Agora, assaltem a taverna! Fora!
Scemi, vo’ farvi circolar il pigro sangue. Tartarughe, putride locuste. Attenti! Ora, assalto all’osteria! Via!
(os guardas correm)
(i birri corrono)
Alto!
Alt!
(param na frente da taverna)
(s’arrestano davanti l’osteria)
(diz para si mesmo)
(fra sè)
Se eu os deixasse entrar, sei bem que não seria fácil fazê-los sair! Bêbados!
Se vi lasciassi entrare, so bene che non sarebbe cosa facil farvi uscire! Beoni!
(forte)
(forte)
Agora, retirada estratégica! Retaguarda!
Ora ritirata strategica! Dietro front!
(os guardas marcham rapidamente junto a Arlequim)
(i birri marciano rapidamente verso Arlecchino)
Alto!
Alt!
(diz para si mesmo)
(fra sè)
Passaram-se os três minutos.
I tre minuti son passati. 33
MATTEO ARLEQUIM
MATTEO
ARLEQUIM
MATTEO
ARLEQUIM
34
Não estou achando a chave da porta.
Non trovo la chiave della porta.
A chave? Ao fechar, você a deixou do lado de fora da porta, cabeça nas nuvens. Apresse-se.
La chiave? Chiudendo, l’hai lasciata nella toppa esterna, acchiappanuvole. Fatti innanzi.
(Matteo aparece com uma pitoresca farda de batalha improvisada)
(appare Ser Matteo in pittoresca divisa di guerra improvvisata)
O senhor permite que eu leve comigo o meu Dante?
Permettete che io porti meco il mio Dante?
(fecha a porta)
(chiude con la porta)
Que jamais se diga que um capitão declarou guerra à arte. Siga estes intrépidos, vá para onde te guiarem. Eu, nesse meio tempo, vigiarei a casa. Vá!
Non sarà detto mai che un capitan all’arte mosse guerra. Segui questi intrepidi dove ti guidano. Io vigilo intanto la casa. Via!
(afastando-se com os guardas) “Através de mim se vai à cidade dolorosa, através de mim se vai até a gente perdida.”
(allontanandosi fra i birri) “Per me si va nella città dolente, per me si va fra la perduta gente.”
(desaparece)
(scompare)
E agora, eu fico aqui. Nunca se deve fazer as coisas pela metade. É melhor não começar que interromper.
Ed ora il resto. Non bisogna mai fare le cose a metà. Meglio non incominciare che interrompere.
(tenta abrir)
(tenta di aprire)
A chave ainda é nova. Chave nova e chave enferrujada, trabalham mal as duas. E agora...
La chiave è ancor nuova. Chiave nuova e chiave arrugginita lavoran male entrambe. Ed ora...
TERCEIRO TEMPO TERZO TEMPO
COLOMBINA
ARLEQUIM
COLOMBINA
ARLEQUIM
COLOMBINA
5. Cena e Ária
5. Scena e Aria
(Colombina, Arlequim)
(Cézanne: Arlecchino)
(entra em cena) Perdoe, capitão...
(entra in scena) Capitano, perdonate...
(vira-lhe as costas. Com voz alterda)
(le volge le spalle. Con voce alterata)
Madame?
Madama?
(diz para si mesmo)
(fra sè)
Que o céu me fulmine imediatamente se esta não for a voz da minha esposa.
Che tosto il ciel mi fulmini se questa non è la voce di mia moglie.
Capitão, proteja uma mulher traída.
Capitano, una donna tradita proteggete.
(como antes) Madame, seria em vão. Proteja-se a si mesma.
(come sopra) Madama, sarebbe vano. Proteggetevi voi stessa.
Ouça...
Ascoltate...
(Arlequim se volta de improviso. Colombina o reconhece)
(Arlecchino si volge improvvisamente. Colombina lo riconosce)
Ah, você voltou, aventureiro, infame, ingrato e mentiroso. Você está disfarçado? Que nova trama está urdindo? Onde você esteve? Noite e dia te espero chorando.
Ah, sei ritornato, avventuriero, infame, ingrato e menzognero. Camuffato sei? Qual nuova trama ordisci? Dove sei stato ancora? I giorni, le notti t’attendo in pianto.
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ARLEQUIM COLOMBINA
ARLEQUIM
COLOMBINA ARLEQUIM
COLOMBINA 36
(diz para si mesma)
(fra sè)
Com certeza, estou toda desarrumada.
Sconvolta son certo.
(tira um espelho e pó-de-arroz da bolsa e retoca o rosto apressadamente)
(estrae dalla borsetta lo specchietto e il piumino e ritocca in fretta la faccia)
Você está bem bonita.
Sei ben graziosa.
Cale-se! Você me toma por qualquer outra mulher. Qualquer saia te serve. Mas ainda não basta. Você cria discussões contínuas, engabela gente honesta, sempre semeia brigas, apronta mil desgraças. Sim, traidor, você trai a todos e mais do que os outros, trai a mim.
Taci! Mi soppianti lì per lì per qualunque femmina. Ogni gonna fa per te. Ma non basta ancora. Tu fai continue beghe, gabelli gente onesta, semini liti ognor, combini mille guai. Sì, traditore, tu tradisci tutti e più degli altri tradisci me.
Madame, a fidelidade é a fratura da perna no primeiro passo, a injustiça prejudicando terceiros, o arco que atira uma flecha só, o navio que está ainda num só porto, o sol que ilumina um único planeta. Não sou amigo dela e o demonstro com palavras e com fatos a quem quiser ouvir, e à luz do dia. Por isso, sinto minha consciência tranquila e dumo o meu sono inocente como um menino. Você dormiu bem, Madame
Madama, la fedeltà è la frattura della gamba al primo passo, l’ingiustizia a danno di terzi, l’arco che scocca una sola freccia, la nave che si ancora in un solo porto, il sole che illumina un solo pianeta. Io non sono un suo amico e lo dimostro con le parole e coi fatti a chiunque, e alla luce del giorno. Per questo mi sento con la coscienza a posto e dormo il mio sonno innocente come un bambino. Dormiste bene, Madama?
Discurso odioso o seu!
Parlare odioso il tuo!
Linguajar florido é um dote que infelizmente me falta.
Fiorito eloquio, è una dote che purtroppo mi manca.
(mudando sabiamente de tom) O teu sutil engenho,
(mutando sapientemente di tono) il tuo ingegno sottile,
ARLEQUIM
COLOMBINA
a tua presença e inteligência, o teu aspecto viril as mulheres me invejam. As estúpidas! Que servem elas para você? Oh, meu querido Arlequim, você sabe, te amarei com todo meu coração se você permanecer fiel a mim.
la tua prestanza e intelligenza, l’aspetto tuo virile dalle donne invidiata sono. Le sciocche! A che ti servono? O mio Arlecchino caro, lo sai, di tutto core t’amerò, se resti a me fedele.
(Arlequim demonstra impaciência)
(Arlecchino da segni d’impazienza)
Eu danço, toco o tamborim e canto, sei preparar-te os pratos mais deliciosos,
Io ballo, suono il tamburello e canto, so prepararti i piatti più squisiti,
(abraça-o)
(gli si stringe contro)
sei cuidar de você, e arrumar a casa... Arlequim! Arlequim!
ti so curar, ed assestare la casa... Arlecchino! Arlecchino!
(diz para si mesmo) Uma disputa franca entre homens, vá lá, mas estes melindres me enfadam.
(fra sè) Una disputa franca fra uomini, sta bene, ma queste moine m’attediano.
(dissimulando, em voz alta)
(dissimulando, a voce alta)
Minha Colombina, você está vendo aquela estrela? Olhe-a bem, olhe-a profundamente. Mesmo que fosse um cometa funesto, não saberia salvar-me mais rápido do que isso.
Mia Colombina, vedi tu quella stella? Fissala belle, fissala a lungo. Anche se fosse una cometa funesta, non saprei salvarmi più in fretta di così.
(enquanto Colombina olha para o céu, Arlequim foge)
(Mentre Colombina fissa il cielo, Arlecchino scappa)
Sim, Arlequim.
Sì, Arlecchino.
(volta-se e fica paralisada)
(si volge e rimane di stucco)
Fugiu. Os homens...que velhacos! Certamente aqui nesta casa ele queria ganhar alguma pombinha, aquele ladrão.
È scappato. Gli uomini... che vigliacchi! Certo in questa casa egli voleva carpire qualche colombella, il ladro. 37
VOZ
LEANDRO
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Senão, o que ele estaria fazendo na entrada? Quero saber...
Altrimenti, che se ne stava a far davanti all’uscio? Voglio sapere...
(bate primeiro de forma contida, depois com violência. Ninguém responde. Deu uma rua escondida, chega uma voz afetada de tenor e o som de um alaúde. Colombina, a princípio indiferente, depois fica atenta e recua um pouco, para sair no momento justo, com a atitude de que se sente dominado pela comoção)
(bussa prima a colpi misurati, poi con violenza. Nessuno le risponde. Da una strada nascosta giunge intanto una svenevole voce di tenore e un suon di liuto. Colombina è rimasta dapprima indifferente, ma poi si fa attenta e arretra un poco, per uscire al momento buono nell’atteggiamento di chi si senta sopraffatto dalla commozione)
6. Dueto / Trio
6. Due / Trio
Romança
Romanza
(interna) Com o alaúde, com a espada vai solitário o trovador. Ilumina sua estrada o sorriso do amor. Coração franco, pensamentos ousados são os dotes do cantor; o amanhã se assemelha ao ontem se ele, fiel, persegue o amor.
(interna) Con il liuto, con la spada va solingo il trovatore. Gli rischiara la sua strada il sorriso dell’amore. Franco cuor, baldi pensieri son le doti del cantor; il doman somiglia al ieri se fedel ei segue amor.
(durante as últimas palavras, o cavaleiro Leandro entra em cena seguro de si e vai até Colombina. Não muito magro nem jovem, com chapéu de plumas, o espadim e o alaúde, ele representa o tipo de tenor de ópera do tempo antigo)
(alle sultillle parole il cavaliere Leandro entra in scena spavaldo e va verso Colombina. Non molto snello, nè giovane, con berretto piumato, lo spadino e il liuto, egli rappresenta il tipo del tenore d’opera di vecchio stampo)
Oh Colombina, por você, abri o cofre dourado dos meus sonhos enamorados, e por você o poço artesiano do meu coração jorra em direção ao céu e goteja, depois, doçura sobre os canteiros do teu florido jardim.
O Colombina, per te dischiusi l’aurato forziere dei miei sogni innamorati, e per te il fonte artesiano del mio cuore sprizza al cielo e stilla poi dolcezza sulle aiole del tuo florido giardino.
(toca um acorde)
(prende un accordo)
Oh Colombina.
O Colombina.
COLOMBINA LEANDRO COLOMBINA LEANDRO
COLOMBINA
LEANDRO
COLOMBINA
LEANDRO
Você caçoa de uma infeliz?
Vi burlate d’un infelice?
Eu? Caçoar?
Io? Burlarmi?
Estou triste! Fui traída!
Me triste! Son tradita!
Oh! Traída? Ah, ah, ah, ah! Aquele traidor deverá provar a implacável ponta da minha lâmina. Que ele morra!
Oh! Tradita? Ah, ah, ah, ah! Quel traditore dovrà saggiar della mia lama l’implacabil punta. Ei muoia!
(rindo) Ah, ah, ah, ah!
(ride) Ah, ah, ah, ah!
(puxa a espada e entoa melodramaticamente)
(sguaina la spada e intona melodrammaticamente)
Eu me vingarei do impiedoso traidor, alegria minha, por teu amor matarei o malvado.
Contro l’empio traditore la vendetta compirò, gioia mia, per il tuo amore il malvagio ucciderò.
Pior para você se o ultrajar, pois o amo e sempre o amarei. Sim, tivemos bate-bocas, mas a culpa é minha, eu sei!
Guai a voi se l’oltraggiate, l’amo e sempre l’amerò. Sì, ci furono scenate, ma la colpa è mia, lo so!
Tingirei minha espada de vermelho com aquele sangue traidor.
Di quel sangue traditore la mia spada arrosserò.
(sorrindo, se inclina para o público, com a mão no coração)
(sorridendo fa un inchino al pubblico colla mano al cuore)
Oh Colombina, já sinto o desejo queimar meus lábios com fogo amoroso. Eu te amo, eu sou rico, eu a quero proteger.
O Colombina, già le labbra desiose bruciar mi sento d’un amoroso fuoco. Io t’amo, sono ricco, ti vo’ protegger. 39
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COLOMBINA
LEANDRO
COLOMBINA LEANDRO
COLOMBINA
LEANDRO
COLOMBINA
LEANDRO COLOMBINA LEANDRO COLOMBINA
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(medindo-o com olhar experiente) Ah, se eu ainda pudesse acreditar em um homem.
(misurandolo con occhio esperto) Ah, potessi ancor creder a un uomo.
Você terá as abotoaduras que as minhas antepassadas usaram, será uma dama nobre, Dona Colombina!
Avrai le gemelle che portavano le mie ave, sarai nobildama, Donna Colombina!
Dona Colombina!
Donna Colombina!
Os servos na antessala, nas escuderias os valetes prontos para obedecer ao seu sinal.
Nell’antisala i servi, e nelle scudieri i valletti già pronti ad obbedir al vostro’cenno.
Mas você realmente fala a verdade?
Ma dite proprio il vero?
Juro sobre a tumba de uma antepassada que morreu assassinada!
Lo giuro sulla tomba d’un’ava che morì assassinata!
(fica horrorizado)
(inorridisce)
(que permaneceu indiferente, diz para si propria) Se eu pudesse assim deixar Arlequim despeitado.
(che e rimasta del tutto indifferente, fra sè) Se così potessi indispettir Arlecchino.
Fale!
Parlate!
Que pressa!
Qual fretta!
Fale!
Parlate!
(dando-lhe a mão) E se depois você achar que eu sou um pouco inconstante?
(gli dà la mano) E se trovaste poi che sono un po’ incostante?
LEANDRO
COLOMBINA
LEANDRO COLOMBINA
LEANDRO
COLOMBINA
LEANDRO
COLOMBINA
Ah, minha imensa alegria! Então você consente? A minha esperança enfim sobe aos céus. Amor, que trombeteiem as notas do teu triunfo. Suspirem, melodias de profunda embriaguez. Vênus no céu, serena...
Ah, mia gioia immensa! Dunque voi consentite? La mia speranza s’inciela al fine. Amor, squillin le note del tuo trionfo. Sospirate, melodie dell’ebbrezza profonda. Venere in ciel serena...
(para si própria) Meu Deus, que cena bufa!
(fra sè) Mio Dio, che buffa scena.
Nos manda seu fulgor...
Il suo fulgor c’invia...
Mas isso te parece realmente de bom gosto?
Ma ciò vi sembra proprio di buon gusto?
O sim, de gosto escolhido e refinado, Amor, menino caprichoso, fere o coração sorrindo.
O sì, di gusto eletto e sopraffino. Amor, fanciullo capriccioso, ferisce sorridendo il cuor.
(ri) Essa ariazinha está começando a ficar sem sentido...
(ride) Gaglioffa assai diventa questa arietta...
Agora vem a stretta com o dó final. Amor, deus imortal tu nunca és suficientemente louvado. De uma chama, dois corações fazem um incêndio celestial.
Ora vien la stretta con il do finale. Mai laudato a sufficienza sei tu, Amore, dio immortale. Fan due cuori d’una ardenza un incendio celestial.
(quebra na nota aguda)
(spezza in chiusa la nota acuta)
Que velharia, parece burrice.
Che vecchiume qual scemenza.
(ri)
(ride) 41
Basta, não posso mais.
Basta, non ne posso più.
(Arlequim, com sua roupa habitual sob o manto negro, observava o casal já há algum tempo. Agora, ele avança corajosamente)
(Arlecchino nel suo solito costaule sotto il mantello nero, sta da qualche tempo osservando con l’occhialino la coppia. Ora s’avanza arditamente)
ARLEQUIM
Madame, percebo que a senhora andou estudando na minha escola. O progresso da aluna é o orgulho do professor. Congratulo-me com a senhora e comigo.
Madama, mi accorgo che vi state educando alla mia scuola. I progressi dell’allieva sono l’orgoglio del maestro. Mi congratulo con voi e con me.
LEANDRO
Quem ousa introduzir a dissonância no acorde amoroso?
Chi osa portare la dissonanza nell’amoroso accordo?
Com você, meu nobre musicófilo, eu resolvo em duas palavras. A senhora, madame, me espere naquela estalagem aonde me permitirá acompanhá-la.
Con te, mio nobile’ musicofilo, mi sbrigo subito in due parole. Voi, madama, attendetemi in quella locanda dove mi permetterete d’accompagnarvi.
(ele lhe oferece o braço e a conduz até a porta da estalagem. Colombina entra e Arlequim a deixa com uma reverência)
(le offre il braccio e la conduce davanti all’osteria. Colombina entra e Arlecchino la lascia con un inchino)
(para Leandro)
(a Leandro)
Eu sou o marido daquela....dama. Puxe sua espada!
Io sono il marito di quella... dama. Fuori la spada!
Você é da minha classe social?
Siete un mio pari?
Se você recusa a se bater, então te bato eu!
Se rifiuti di batterti, ti batto io.
Se você não for um cavaleiro, então não devo.
Se non siete cavaliere, non dovrei.
Eu poderia ser filho de um duque, nunca se sabe. Em guarda ou te costuro como um rato.
Potrei esser figlio d’un duca, non si sa mai. In guardia o t’infilo come un topo.
ARLEQUIM
LEANDRO ARLEQUIM LEANDRO ARLEQUIM
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LEANDRO ARLEQUIM
ARLEQUIM
QUARTO TEMPO QUARTO TEMPO
DOUTOR BOMBASTO
ABADE COSPICUO
Eu o faço em legítima defesa.
Lo faccio per legittima difesa.
(indicando o alaúde) A tua preciosa matraca Poderia sair danificada. Tire-a.
(indicando il liuto) La tua preziosa raganella potrebbe venir danneggiata. Levala.
(Leandro, com um gesto nobre, afasta o alaúde)
(Leandro con nobile gesto getta il liuto lontano da sè)
A nós!
A noi!
(no primeiro assalto, Arlecchino arranca a espadado cavaleiro e o golpeia. O cavaleiro cai como morto. Arlecchino grita com força)
(al primo assalto Arlecchino fa cadere di mano la spada al cavaliere e lo colpisce. Il cavaliere cade come morto. Arlecchino grida con forza)
Ajuda!
Aiuto!
(e foge para a casa do alfaiate antes que chegue alguém)
(e fugge nella casa del sarto prima che sopraggiunga qualcuno)
7. Cena, Quarteto e Melodrama
7. Scena, Quartetto e Melodramma
(logo em seguida, saem da taverna o abade e o médico, este visivelmente embriagado, depois Colombina. O crepúsculo está terminando).
(subito dopo escono dall’osteria l’abbate e il dottore, quest’ultimo visibilmente alticcio, poi i Colombina. Il crepuscolo è sul finire)
(confuso) Já está muito escuro. Demoramos muito bebendo!
(incerto) È già buio fitto. Bevendo abbiamo tardato assai!
A lua já saiu? Não! Melhor assim. A lâmpada do céu frequentemente ilumina as más ações dos homens.
La luna c’e? No! Meglio così. La lampada del cielo illumina spesso le azioni malvagie dell’uomo.
(ao doutor)
(al dottore)
Providencie uma lanterna.
Procurate una lanterna. 43
COLOMBINA
Agora pouco me pareceu ouvir um pedido de ajuda e eu temo...
Poc’anzi mi sembrò d’udir chiamare aiuto ed io temo...
Não é necessário temer de antemão, se o mal não é evidente. Se eu temesse estar um pouco bêbado, faria mal, em verdade, a mim mesmo.
Temer non e d’uopo, se prima il mal non sia palese. Se io temessi d’essere un po’ brillo farei torto, per vero, a me stesso.
DOUTOR BOMBASTO
(com a lanterna) Anuncia-se um cataclisma, a terra oscila. Dê-me o braço que assim eu vejo melhor.
(con la lanterna) S’annuncia un cataclisma, la terra oscilla. Date il braccio, così vedrò già meglio.
ABADE COSPICUO
O navio abandona o porto, eu sou a luz de proa, e a graciosa senhorita será a estrela da manhã.
Il naviglio abbandona il porto, io sono il lume di prua, e la graziosa damina sarà la stella mattutina.
(começam a andar)
(si mettono in moto)
Vamos até o burgomestre. Sim! Os bárbaros!... Colocaram algo tóxico no vinho, e por isso....
Andiamo dal borgomastro. Già! I barbari!... Nel vino han messo un tossico, per questo...
Parem, um rochedo. Manobrem o barco!
Fermi, uno scoglio. Virate!
(dá uma topada no corpo de Leandro e cai em cima dele. Levanta-se com dificuldade)
(incespica contro il corpo di Leandro e gli cade sopra. Si rialza faticosamente)
Este homem morreu.
Quest’uomo è morto.
(Colombina dá um grito e se joga sobre o corpo de Leandro que não dá sinal de vida. Todas as janelas, com exceção da do sr. Matteo, vão se iluminando e se enchendo de cabeças curiosas)
(Colombina dà un grido e si getta sul corpo di Leandro che non dà segno di vita. Tutte le finestre, fuorché quella di Ser Matteo, vanno illuminandosi e popolandosi di teste curiose)
ABADE COSPICUO
DOUTOR BOMBASTO
ABADE COSPICUO
DOUTOR BOMBASTO
44
ABADE COSPICUO
A morte é um grande mistério.
La morte è un gran mistero.
Não sei explicar este caso.
Non so spiegarmi questo caso.
(entreolham-se embaraçados)
(si guardano l’un l’altro imbarazzati)
E agora, o que fazer? Chamar gente? Este é um caso complicado! Aqui, somente podem ajudar ação imediata e mente clara.
Or che fare? Chiamar gente? Intricato è questo affare! Pronto agir e mente chiara qui sol possono giovar.
Aqui está o padre!
Qui c’è il prete!
E aqui o doutor!
Qui il dottore!
(juntos) Tudo em vão, já é tarde demais!
(insieme) Tutto è vano, tardi è già!
COLOMBINA
(plenamente controlada) Este homem não está morto!
(pienamente padrona di sè) Non è morto quest’uomo!
DOUTOR BOMBASTO
(imitando grosseiramente) Este homem não está morto! Está morto!
(scimmiottando) Non è morto quest’uomo! È morto, sì.
Não acredito.
Non credo.
Mais que morto!
Più che morto.
Não!
No!
Arquimorto!
Archimorto!
Não!
No!
DOUTOR BOMBASTO
ABADE, DOUTOR
DOUTOR BOMBASTO ABADE COSPICUO ABADE, DOUTOR
COLOMBINA DOUTOR BOMBASTO COLOMBINA DOUTOR BOMBASTO COLOMBINA
45
DOUTOR BOMBASTO ABADE COSPICUO
COLOMBINA DOUTOR BOMBASTO
ABADE COSPICUO
46
Aí está: mors fulminans!
Ecco: mors fulminans!
Apoplexia.
Apoplessia.
(que neste meio tempo examinou o falso morto)
(che intanto ha esaminato il finto morto)
Ressurreição! Louvado seja o Senhor!
Risurrezione. Lodato sia il Signore!
Bem que eu disse!
Lo dicevo io!
Não se explicar. O diabo está brincando por aqui.
Non lo so spiegare. Il diavolo è qui in gioco.
Vamos levar o cavaleiro ressuscitado até a casa do nosso alfaiate. Sr. Matteo, sr. Matteo. Tudo quieto.
Orsù portate il cavalier risorto nella casa del nostro sarto. Ser Matteo, Ser Matteo. Tutto tace.
(para si próprio)
(fra sè)
Por que ninguém responde?
Perché nessun risponde?
(bate numa porta em frente)
(bussa a un uscio di fronte)
Amigo, me escute! Temos um ferido.
Amico, ascoltatemi! Qui giace un ferito.
(a janela de cima se fecha e uma sombra se retira)
(la finestra sovrastante si chiude e un’ombra si ritira)
Ai de mim!
Ohimè!
(bate noutra porta)
(bussa a un altro uscio)
Patrão, abra por favor!
Padron, di grazia, aprite!
(obtém o mesmo resultado. Vai de casa em casa, mas as janelas sempre se fecham para ele e as pessoas desaparecem, com sagrado desdém)
(ottiene lo stesso risultato. Fa il giro di tutte le case, ma sempre gli si chiudono le finestre e le persone spariscono con sacro sdegno)
ABADE COSPICUO
LEANDRO
DOUTOR BOMBASTO
COLOMBINA
TODOS
Decididamente, o homem tende a ocultar sua inata bondade. Mas, para suprir sua falta, existe a Providência. E eis que ela chega sob a forma de um asno.
Decisamente l’uomo propende ad occultare la sua innata bontà. Ma in suo difetto v’è la provvidenza. Ed ecco, ch’essa arriva in forma d’un asino.
(de repente, surge um burro puxando uma carroça; ao lado, um carroceiro)
(a una svolta comparisce un asino che traina una carretta; a fianco un carrettiere)
Poderia nos ajudar, bom homem? Deus esteja convosco. E aqui vai um escudo. Agora ouça:
Ci volete aiutar, buon uomo? Dio è con voi. E qui uno scudo. Ora udite:
Quarteto
Quartetto
Asinus providentialis, você é nossa boa estrela. Agora devolva o cavaleiro ao amor da sua bela.
Asinus providentialis, tu sei la nostra buona stella. Or riporta il cavaliere all’amor della sua bella.
Morri, mas agora estou vivo, já que ela permaneceu fiel, estou sem espada, sem alaúde, mas me basta só o seu amor.
Già morii, ma or son vivo, ché fedele ella è rimasta, son di spada e liuto privo, ma il suo amore sol mi basta.
A fé é o prêmio da inocência, o amor é ilusão dos sentidos. Mais profunda, mais veraz é a ciência do doutor.
Fede è il premio d’innocenza, illusion dei sensi è amore. Più profonda, più verace è la scienza del dottore.
O homem, seja bravo ou vil, é sempre um grande safado. Mas se um me traiu, vou zombar deste outro amante.
L’uom sia egli prode o vile, è pur sempre un gran furfante. Ma se l’uno m’ha tradita, vo’ beffar quest’altro amante.
Amém.
Amen.
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DOUTOR BOMBASTO
ARLEQUIM
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(o carroceiro, ajudado pelo abade, coloca o cavaleiro na carroça, na qual os outros também se instalam, o doutor com o alaúde a tiracolo e a lanterna, o abade com as mãos postas e Colombina, solícita, ao lado do cavaleiro).
(il carrettiere, aiutato dall’abbate, adagia il cavaliere sulla carretta, dove prendono posto anche gli altri, il dottore, con il liuto a tracolla e la lanterna, L’abbate con le mani giunte e Colombina, premurosa accanto al cavaliere)
(com tom professoral) Ao hospital.
(con tono dottorale) Al lazzaretto.
(a carroça parte)
(la carretta parte)
(do sótão da casa do sr. Matteo)
(dall’abbaino della casa di Ser Matteo)
Boa viagem, felizes bodas e filhos homens!
Buon viaggio, felici nozze e figli maschi!
(esticando-se para a frente)
(si sporge innanzi)
Espero que não se esqueçam de me convidar para o casamento.
Spero che non dimenticherete d’invitarmi a nozze.
(sobe no teto)
(sale sul tetto)
Brilhe, minha estrela!
Splendi, mia stella!
(abre os braços como se fosse abraçar o mundo)
(allarga le braccia come per abbracciare il mondo)
O mundo é meu. a terra é jovem, o amor é livre.
Il mondo è mio, è giovine la terra, l’amore è libero.
(com grande desprezo)
(con gran disprezzo)
Vocês arlequins!
Voi arlecchini!
(desliza agilmente pela calha, abre a porta, dá o braço à bela jovem que o esperava dentro e se afasta rapidamente com ela)
(scivola giù agilmente per la grondaia, apre la porta, dà il braccio alla bella che lo attendeva all’interno e si allontana in fretta con lei)
MATTEO
8. Monólogo
8. Monologo
(entra em cena visivelmente descontrolado) Agora não sei mais realmente o que dizer. Parece que estou perdido na selva de Dante. Sorte que, na minha casa, está o capitão que gosta de mim. Os outros dois foram embora. Aonde? Só Deus sabe! Esta Bérgamo é muito grande!
(entra in scena visibilmente disfatto) Ora non so proprio più che dire. Mi sembra di errar nella dantesca selva. Fortuna che ho in casa il capitano che mi vuol bene. Gli altri due se ne sono andati. Dove? Lo sa Iddio! Questa Bergamo è vasta assai!
(chegou à sua porta e olha ao redor, a rua está deserta e tranquila)
(è giunto alla sua porta e si guarda intorno nella strada deserta e tranquilla)
Tenho a impressão que a paz voltou.
Ho l’impressione che la pace sia tornata.
(suspira, entra em casa, e reaparece imediatamente numa janela com uma lamparina a óleo numa mão e um bilhete na outra. Lê.)
(sospira, entra in casa, appare subito dopo ad una finestra con una lucerna ad olio in una mano e un biglietto nell’altra. Legge)
“Fui à igreja ouvir as vésperas, Volto assim que puder. A tua Annunziata.” Agora é que não entendo mais nada... nada!
“Mi sono recata a udire i vespri. Ritornerò appena potrò. La tua Annunziata.” Ora non capisco proprio niente... niente!
(humildemente resignado)
(umilmente rassegnato)
Vou esperar por ela aqui em baixo.
Vo’ aspettare qui giù il suo ritorno.
(sai da janela; pouco depois reaparece na porta com a lamparina, os instrumentos de alfaiate e seu livro de Dante, acomodando-se em sua bancada de trabalho. A lua saiu)
(si ritira dalla finestra; poco dopo riappare all’uscio con la lucerna, gli arnesi da sarlo e il suo Dante e si accomoda presso il suo tavolo trasportabile da lavoro. S’è levata la luna)
Eu não entendo...não entendo!
Io non capisco... non capisco!
(folheando o livro)
(sfogliando il libro) 49
ARLEQUIM
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Eu tinha parado no Galeotto. Não pode demorar muito... É o quinto canto. Aqui: “Galeotto foi o livro e seu autor.”
A Galeotto m’ero pria fermato. Molto non può tardare... È il quinto canto. Qui: “Galeotto fu il libro e chi lo scrisse.”
(cai lentamente uma cortininha)
(scende lento un tendalino)
Procissão e Dança
Processione e Danza
(dois trombeteiros na libré tradiconal do teatro se colocam à esquerda e à direita da cortininha, tocam as trombas e se retiram. O cavaleiro Leandro e Colombina cruzam a cena, param diante do alçapão do ponto inclinam-se para o público e se retiram. O mesmo fazem o doutor acompanhado do abade, a carroça com o burro que também se inclina, os dois guardas e finalmente o Arlequim de braço dado com Annunziata. O Arlequim para no meio da cena, tira a máscara e diz)
(due trombettieri nella tradizionale livrea da teatro si appostano a destra e a sinistra del tendalino, danno fiato alle trombe e si ritirano. Il cavaliere Leandro e Colombina attraversano la scena, innanzi alla buca del rammendatore si fermano per fare un inchino al pubblico e si ritirano. Seguono allo stesso modo il dottore accompagnato dall’abbate, la carretta con l’asino che fa pure un inchino, i due birri e infine Arlecchino che dà il braccio ad Annunziata. Arlecchino si arresta nel mezzo della scena, si toglie la maschera e dice)
Senhoras e senhores, tenho o grande prazer de lhes apresentar minha nova esposa que, como até agora era a mulher do alfaiate, não teve jeito de exibir diante de vocês o seu fascínio. Admirem-na, agora, em toda a sua beleza. Ela se sente muito honrada em poder se inclinar diante deste público respeitável e culto.
Signori e Signore, ho il grande piacere di presentarvi la mia nuova sposa che finora come moglie del sarto non aveva certo il modo di spiegare innanzi a voi i suoi fascini. Ammiratela ora in tutta la sua bellezza. Ella si sente molto onorata di poter inchinarsi davanti a questo spettabile e colto pubblico.
(Annunziata se inclina)
(Annunziata si inchina)
Minha primeira esposa, a uma devida distância contraiu novas núpcias. Agora, pertence à melhor nobreza e assim permanecerá até novos acontecimentos.
La sposa di prima mano ora ha contratto a dovuta distanza una nuova unione. Essa appartiene alla nobiltà più eletta e tale rimarrà fino a nuovi avvenimenti.
E agora deixo às senhoras a tarefa de julgar a moral. Mas que estou dizendo? Novos acontecimentos? Não se repete tudo nas eternas e imutáveis voltas da vida? Quem vence? Quem sucumbe? Quem é que, no final, sabe se impor? É só aquele que com suas próprias forças, Seguindo as sugestões do coração e com a mente vigilante escolhe o caminho reto; quem se contenta em permanecer fiel a si próprio; Quem mesmo usando vestes andrajosas conserva sua integridade e não se dobra diante de ninguém, como eu mesmo pude experimentar.
Ed ora lascio alle signore di stillarne la morale. Ma che dico? Nuovi avvenimenti? Non si ripete tutto nel giro eterno ed immutabile della vita? Chi vince? Chi soccombe? Chi sa farsi valere alla fine? Solo colui che con le proprie forze, seguendo i suggerimenti del cuore e con vigile mente sceglie la via diritta; chi si accontenta di restare fedele a sè stesso; chi anche in vesti rattoppate serba la sua interezza e non si inchina a nessuno, come ho potuto farne esperienza io stesso.
Deixo agora aos homens o encargo de extrair a verdade radical de tudo isso, e especialmente aos críticos, meus benevolentes juízes.
Lascio ora agli uomini di estrarne la radice verità, e specialmente ai critici, miei giudici benevoli.
Senhoras e Senhores, boa noite!
Signore e Signori, buona notte!
(Arlequim enlaça Annunziata pela cintura; juntos dançam brevemente, uma dança vivaz, lançando braços e pernas para cima. Afastam-se apressadamente, sempre dançando)
(Arlecchino recinge alla vita Annunziata; insieme a lei svolge una breve danza vivace, slanciando in aria braccia e gambe. Ballando s’allontanano in fretta)
(Quando, depois do aplauso, a cortina se erque novamente, vê-se o sr. Matteo junto à lanterna, costurando, lendo, esperando)
(Quando, dopo l’applauso, si rialza il sipario, si vede Ser Matteo presso alla lucerna, che cuce, legge, attende)
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Ira Levin direção musical Reconhecido internacionalmente pela grande versatilidade de suas atividades musicais, Ira Levin já conduziu mais de uma centena de apresentações operísticas, somando 75 títulos – além de um vasto repertório sinfônico e concertante. Premiado pianista, foi aluno e assistente do lendário Jorge Bolet no Instituto de Música de Curtis. Foi maestro principal das Casas de Ópera de Bremen e Dusseldorf (19881996, 1996-2002), o principal maestro convidado do Teatro Colón de Buenos Aires, entre 2011 e 2015, e diretor artístico e musical do Theatro Municipal de São Paulo, entre 2002 e 2005. Atualmente, trabalha como o principal maestro convidado da Ópera Nacional de Sofia, onde ele conduzirá O Anel do Nibelungo, de Richard Wagner, em 2018, bem como no Teatro Bolshoi de Moscou.
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William Pereira direção cênica e cenografia Graduado em direção teatral pela ECA-USP, William Pereira estagiou em teatro lírico na English National Opera e na Royal Opera House, em Londres. Tem se destacado nas temporadas líricas e teatrais do país em espetáculos com grande repercussão de público e crítica. Entre seus principais trabalhos, estão as estreias mundiais das óperas A Tempestade, de Ronaldo Miranda, Olga, de Jorge Antunes, e Onheama e Natividade, de João Guilherme Ripper. Ganhador dos prêmios Carlos Gomes, APCA, Governador do Estado e Shell.
Giovanni Di Palma coreografia
Fábio Namatame figurinos
Mirella Brandi iluminação
Considerado um dos grandes nomes do cenário da dança, Giovanni Di Palma graduouse pela Academia Nacional de Dança de Roma e, ao longo de sua carreira, participou de montagens de coreógrafos como Uwe Scholz, George Balanchine, Jirí Kylián, John Neumeier, John Cranko e Marco Goecke. Em 2000, juntou-se ao Leipzig Ballet como primeiro bailarino. Criou Romeu e Julieta (2013) para a São Paulo Companhia de Dança, para quem remontou O Pássaro de Fogo (2010), Supernova (2009) e Suíte para Dois Pianos (1987).
Cenógrafo e figurinista, formado em Comunicação e Artes pela FAAP, tem entre os seus principais trabalhos musicais, óperas, balés e teatro de prosa. Desenhou os figurinos de My Fair Lady, West Side Story, O Rei e Eu, Evita, Cabaret, Crazy For You, Chaplin - O Musical, Antes Tarde do que Nunca e Alegria, Alegria. Tem ainda em sua trajetória as óperas Bodas de Fígaro, Romeu e Julieta, O Pescador de Pérolas, Olga, Madama Butterfly e A Viúva Alegre. Recebeu dezenas de prêmios importantes como Shell, Apetesp e APCA.
Mirella Brandi realiza projetos de iluminação cênica para companhias nacionais e internacionais de dança, teatro, óperas e shows. Como artista multimídia, pesquisa a luz como condução narrativa em projetos de cinema expandido, instalações imersivas e música visual tendo participado de vários festivais e mostras. Selecionada pelo programa Rumos Itaú Cultural, durante três anos consecutivos, para aprofundamento da pesquisa e desenvolvimento de projetos que visam a luz como linguagem e condução narrativa.
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Arlequim Vinicius Atique
Colombina Denise de Freitas
Leandro Giovanni Tristacci
O barítono estudou com Carmo Barbosa, no Brasil, e Mark Pedrotti, no Canadá. Apresentou-se nos principais teatros do país, tendo cantado obras como L’Enfant et les Sortilèges, I Puritani, La Bohème, Carmen e O Barbeiro de Sevilha. Em 2016, debutou como Silvio, em Pagliacci, e no papel-título de Don Giovanni. Em 2017, interpretou Stárek, em Jenufa, no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, e estrelou o ciclo de canções Winterreise, no Theatro Municipal de São Paulo. Atualmente, se aperfeiçoa com a mezzo-soprano Dolora Zajick.
Artista de grande expressividade musical e cênica, ganhou prêmios como melhor cantora lírica e um APCA de melhor CD, advindos de seus 20 anos de experiência interpretando grandes papéis para a voz de mezzo-soprano nos maiores teatros do Brasil com os mais renomados maestros. Iniciou 2017 com grande sucesso de público e crítica com suas interpretações de Adalgisa na ópera Norma e da obra sinfônica Il Tramonto de Respighi.
Bacharel em música pela UFRJ, Giovanni Tristacci estudou no Conservatori del Liceu, em Barcelona, no Centre de Perfeccionamiento Placido Domingo, em Valência, e na Chapelle Musicale Reine Elisabeth, em Bruxelas. Atuou em grandes salas de espetáculo e teatros do Brasil e Europa, com destacada performance dentro do repertório operístico, sinfônico e camerístico. Atualmente, é orientado por Isabel Maresca.
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Sr. Matt e o del Sart o Rodolfo Giugliani
Dout or B ombast o Pepes do Valle
Abade Cospicuo Johnny França
Não faltam elogios ao sólido trabalho do barítono Rodolfo Giugliani. Em 1999, durante uma apresentação de La Traviata, recebeu excelente crítica da revista Ópera Internacional de Paris. Desde então, o barítono tem se destacado nos principais teatros do Brasil e do exterior. Se apresentou na Espanha, Chile, Itália e Áustria. Vencedor do Concurso de Canto Aldo Baldin, Concurso de Canto Bidu Sayão, Concurso de Canto Maria Callas e o Concurso de Canto Jaume Aragall.
Considerado um dos mais representativos baixosbarítonos no cenário lírico brasileiro, teve como professores de canto Neyde Thomas e Rio Novello. Com uma respeitável extensão vocal, são históricas as suas atuações. Suas performances como baixo buffo são hilárias, deixando marcas impagáveis como Dr. Bartolo em As Bodas de Fígaro. Com mais de 45 óperas em seu repertório, Pepes do Valle atua nos principais teatros brasileiros. É solista permanente da Companhia de Ópera Curta, onde se apresenta em quatro espetáculos do repertório em circulação.
Vencedor do Concurso de Canto Maria Callas em 2014 e 2016, Johnny França é formado pela Academia de Ópera do Theatro São Pedro e Ópera Estúdio EMESP. Interpretou Fígaro, em As Bodas de Fígaro, e Einsenstein, em Die Flerdemaus, dirigido por Mauro Wrona e com regência de Emiliano Patarra. Sob o comando de Roberto Duarte, atuou em O Menino e a Liberdade, de Ronaldo Miranda. Participou de As Bodas de Fígaro, Bodas no Monastério e Adriana Lecouvreur, sob a batuta de Luiz Fernando Malheiro. Com regência de André dos Santos, atuou em Gianni Schicchi.
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Pulcinella Diego de Paula Natural de Suzano (SP), iniciou seus estudos em dança em 1995, no Studio Márcia Belarmino. Em 2001, foi admitido na Akademie des Tanzes, dirigida por Birgit Keil, em Mannheim (Alemanha). Em 2003, foi contratado pela Badisches Staatstheater Karlsruhe, também na Alemanha, onde foi promovido solista em 2006, e primeiro bailarino em 2008, cargo que ocupou até 2011. Entrou para a São Paulo Companhia de Dança em 2011.
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Pimpinella Thamiris Prata Natural de Santos (SP), formou-se em balé clássico pela Escola de Bailado Municipal de Santos no ano de 2002. Em 2006, participou do espetáculo O Quebra-Nozes pela Cisne Negro Cia. de Dança. Ganhou medalha de ouro no Festival de Dança de Joinville em 2001, e participou do Youth America Grand Prix (YAGP), em Nova York. Licenciou-se em Educação Física, em Santos, no ano de 2008. Integra o elenco da São Paulo Companhia de Dança desde 2008.
São Paulo Companhia de Dança Criada em janeiro de 2008 pelo Governo do Estado de São Paulo, a São Paulo Companhia de Dança (SPCD) - gerida pela Associação Pró-Dança - é dirigida por Inês Bogéa, doutora em artes, bailarina, documentarista e escritora. A São Paulo é uma companhia de repertório, ou seja, realiza montagens de excelência artística, que incluem trabalhos de grandes peças clássicas e modernas a obras contemporâneas especialmente criadas por coreógrafos nacionais e internacionais. A difusão da dança, produção e circulação de espetáculos é um dos núcleos principais de seu trabalho, que se completam com ações educativas e de memória da dança. A SPCD apresenta espetáculos de dança no Estado de São Paulo, no Brasil e no exterior, e é hoje considerada uma das mais importantes companhias da América Latina pela crítica especializada. Desde sua criação já foi assistida por um público superior a 600 mil pessoas em 15 diferentes países, passando por 119 cidades, em mais de 700 apresentações.
Desenhos dos figurinos por Fábio Namatame para o balé Pulcinella
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Flautas Marco André Batista dos Santos Filipe de Castro Oboés Alexandre Bocalari Maria Fernanda Gonçalves* Corne Inglês Renato Gabriel Sales
1º Violinos Maria Fernanda Krug | spalla* Anderson Bitencourt Santoro Cleber Olivares de Albuquerque Indira Torres Morales Jair Guarnieri Almeida Maria Emília Paredes Aline Pascutti* 2º Violinos Mariela Giovanini Micheletti Hugo Leonardo de Farías Jonathan Souza Cardoso dos Santos Karina Caramori Petry* Paulo Lucas Moura da Silva* Renan Rodrigues* Violas Fábio Luis Rossini Schio Diogo Guimarães Edmur de Oliveira Mello Júnior Samuel Passos* Victor Botene* Violoncelos Fabricio Leandro Rodrigues Camila Hessel Sotero Denise Ferrari* Luiz Daniel Sales* Contrabaixos Fernando Ap. Rodrigues de Freitas Fernando Tosta* Waldir Bertipaglia*
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Clarinetes Daniel Aparecido de Oliveira Paula Roberta A. Pires Fagotes Clarissa Oropallo Renato Santos Perez y Perez Trompas Rafael de Paula Nascimento Eraldo Alves de Araujo (Fumê) André Ficarelli* Trompetes Fábio Augusto Silva Simão Moisés Américo da Silva* Trombone Tenor Agnaldo Gonçalves Ricardo Pacheco Trombone Baixo Mauricio Martins da Silva Percussão Rubens José de Oliveira Junior Bruno de Oliveira Leandro de La Cruz Lui* Harpa Rafaela L. dos Santos de Oliveira Piano Renan S. Branco Músicos convidados*
Pulcinella & Arlecchino Direção Artística de Produção Rosana Caramaschi Pianista Preparador Rafael Andrade Tradução do Libreto de Arlecchino Sergio Casoy Tradução de Texto Falado de Arlecchino William Pereira Make Up Designer Anderson Bueno Assistente de Cenografia Fernando Passetti Coordenação de Luz Muepetmo Assistente de Luz Camille Laurent Diretor de Palco André Di Peroli Assistente de Direção Cênica Henrique Pina Programação e Operação de Luz | Pulcinella Nicolas Marshi Programação e Operação de Luz | Arlecchino Paulo Gobbi Voinichs Coordenação de Produção Vânia Almeida Assistente Produção de Figurinos Karina Sato Assistente de Figurinos Juliano Lopes Camareira Coordenação Terezinha Silvia da Cruz Editoração e Operação de Legendas Piero Schlochauer Cenotécnica Jorge & Denis Produções Cenográficas
Cenotécnicos Responsáveis Jorge Ferreira Silva e Denis Nascimento Coordenação de Cenotécnica Jonas Soares Equipe Cenotécnica Serralheria Dalton Nunes, Everton Dávida, Reginaldo Nascimento, Bruno Teixeira e Edilson Santos Marcenaria Renato dos Santos, Francolino Gomes e Murilo Manino Pintura Reginaldo Nascimento Adereço Karen Luizi Administrativo Isabela Nascimento Confecção das Máscaras José Toro-Moreno Equipe Maquiagem e Cabelos Cabeleireiras Alexandra Rodrigues e Fátima Heberaldo Maquiadora Elaine Donini
Theatro São Pedro Conselho Artístico Adriana Schincariol Vercellino, Cláudio Cruz, Giuliana Frozoni, Mauro Wrona, Paulo Braga, Paulo Zuben, Renato Bandel e Ricardo Appezzato Produtor Marcio Branco Analista Artístico-Pedagógico Gilberto Ferreira Assistente Administrativo Francimar da Conceição Rodrigues e Maria de Fátima Oliveira
Aprendiz Administrativo Isabelle da Silva Andrade e Juliana Brito Santos Montador da Orquestra Alessandro Neves Gonçalves Operador de Som e Iluminação Vinícius Andrade Sonorização Almir Agustinelli Assistente de Palco Carlos Eduardo Silva, Chefe de Maquinário Rodrigo Nascimento Maquinistas Antônio Carlos da Silva, Júlio de Oliveira e Wellington Nunes Pinheiro Serviços Gerais Roselaine Dias Magalhães
Associação Pró-Dança CONSELHO ADMINISTRATIVO Presidente Rodolfo Villela Marino Vice-presidente Eric Klug CONSELHO FISCAL Presidente Durval Borges Morais
São Paulo Companhia de Dança Diretora Artística Inês Bogéa Superintendêntes Luca Baldovino e José Galba de Aquino Coordenador de Ensaio Giovanni Di Palma Professor Ensaiador Milton Coatti
Assistente de Ensaio Beatriz Hack Auxiliar de Ensaio Ana Carolina Florêncio Nogueira Bailarinos Ammanda Rosa, André Grippi, Bruno Veloso, Diego de Paula, Hiago Castro, Luciana Davi, Michelle Molina, Morgana Cappellari, Mozart Mizuyama, Nielson Souza, Renata Alencar, Thamiris Prata, Vinícius Vieira e Yoshi Suzuki Coordenador de Produção Antonio Magnoler Coordenador Técnico Luiz Antônio Dias Assistente de Produção André Souza Técnico de Som Rodolfo Paes Dias Iluminador Nicolas Marchi Assistente de Palco Espedito Peixoto dos Santos Camareira Elizabete Roque Assistente de Comunicação Celina Cardoso Assistente de Educativo Patrícia Farhat Coordenador de Memória Charles Lima Coordenador Administrativo Marcio Tanno Assistente de Direção Morgana Wagner de Lima
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Programação Theatro São Pedro Temporada Lírica ÓPERAS
DON GIOVANNI Wolfgang Amadeus Mozart Cláudio Cruz | direção musical Mauro Wrona | direção cênica
28 e 30 de outubro, 1º, 3 e 5 de novembro domingo às 17h, e nos demais dias, às 20h
LA BELLE HÉLÈNE Jacques Offenbach Cláudio Cruz | direção musical Caetano Vilela | direção cênica
29 de novembro, 1º, 3, 5 e 7 de dezembro domingo às 17h, e nos demais dias, às 20h
60
POC KET ÓPERAS A Flauta Mágica Wolfgang Amadeus Mozart 1ºde setembro, 20h 2 de setembro, 15h 3 de setembro, 17h La Cenerentola Gioachino Rossini 6 de outubro, 20h 7 de outubro, 15h 8 de outubro, 17h
Falstaff Giuseppe Verdi 15 e 16 de dezembro, 20h 17 de dezembro, 17h
ÓPERA NO HALL Elixir do Amor Gaetano Donizetti 16 de agosto, 12h40
As Bodas de Fígaro Wolfgang Amadeus Mozart 13 de setembro, 12h40
Temporada Sinfônica Orquestra do Theatro São Pedro Ravel, Bartók, Wagner e Schoenberg Ligia Amadio regente convidada 16 de setembro, 20h 17 de setembro, 17h Vivaldi Ricardo Kanji regente convidado 30 de setembro, 20h 1º de outubro, 17h
Così Fan Tutte Wolfgang Amadeus Mozart 18 de outubro, 12h40 11 2122.4070
Mais informações no site: www.theatrosaopedro.org.br theatrosaopedro santamarcelinacultura
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Governo do Estado de São Paulo Governador do Estado | Geraldo Alckmin Secretário da Cultura de Estado | José Luiz Penna Coordenador de Unidade de Formação Cultural | Dennis Alexandre Rodrigues de Oliveira Santa Marcelina Cultura Presidente do Conselho de Administração | Irmã Ivânia Vassali Diretora-Presidente | Irmã Rosane Ghedin Administrador Geral | Odair Toniato Fiuza Diretor Artístico-Pedagógico | Paulo Zuben Gestora Artístico-Pedagógica | Giuliana Frozoni Gestor de Produção | Walter Gentil Coordenadora Artístico-Pedagógica | Adriana Schincariol Vercellino Coordenador Artístico-Pedagógico | Renato Bandel Coordenador Artístico-Pedagógico | Paulo Braga Coordenador Artístico-Pedagógico | Ricardo Appezzato Coordenadora Área Social | Marta Bruno Coordenador de Desenvolvimento Institucional | Mauricio Cruz Coordenador de Produção | Marcelo Silva Coordenadora de Recursos Humanos | Marcia Almeida Escola de Música do Estado de São Paulo – Tom Jobim Coordenadores de Área | Edu Ribeiro, Ana Beatriz Valente Zaghi e Luis Otavio Santos Supervisora Artístico-Pedagógica | Fátima Leria Secretária Geral da Secretaria Pedagógica | Sabina Martins Secretário de Coordenação Pedagógica | Luiz Fernando Conceição do Evangelho Secretária de Coordenação Pedagógica | Samara Ribeiro Linguitte Supervisora de Produção e Elenco | Sandra Lacal Produtores | Giancarlo Carreto, Juliana Durães e Lívia Nonato Analista Administrativa de Produção | Ana Paula Bressani Donaire Supervisora de Relacionamento Institucional | Monica Toyota Analista de Relacionamento Institucional | Agnes De Munno Técnico de Estúdio | Andre Malinardi Encarregado de Montagem | Ednilson de Campos Pinto Créditos do Programa Supervisora de Comunicação | Renata Franco Analistas de Comunicação | Marina Panham e Rafael Zanatto Designer | Juliana Azevedo Assistente Administrativo | Geslaine Cardoso
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