Skip to main content

Programa Kátia Kabanová, de Leos Janacek

Page 1

IRA LEVIN direção musical ANDRÉ HELLER-LOPES concepção e direção cênica RENATO THEOBALDO cenografia FÁBIO RETTI iluminação

Orquestra do Theatro São Pedro AGOSTO Dias 17, 22, e 24 às 20h Dias 19 e 26 às 17h


Quando nos debruçamos sobre a produção de nomes como Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791), Franz Schubert (1797-1828) e Felix Mendelssohn (1809-1847), é impossível não ficar espantado com a precocidade desses compositores – gente que parece que “nasceu sabendo”, de tão cedo que começou a escrever obras-primas. Já o tcheco Leos Janácek (1854-1928) é um exemplo não menos louvável de um talento de outro tipo: o que não sucumbiu à ansiedade de fama juvenil, persistiu com paciência em seu caminho, sem desistir, e só veio a receber o reconhecimento na terceira idade. Nascido no vilarejo de Hukvaldy, estudou em Leipzig e Viena, mas se manteve basicamente como um nome de reputação provinciana, em sua Morávia natal, até entrar na casa dos 60 anos. O ponto de virada foi a ópera Jenufa, que ele estreara com êxito em Brno, em 1904, mas só veio a ser encenada na capital tcheca, Praga, em 1916. Essa encenação, em meio à Primeira Guerra Mundial, foi uma avalanche: a Universal Edition promoveu performances de Jenufa em Viena, Berlim e outras cidades 4

do mundo germânico, e o célebre escritor Max Brod (1884-1968, responsável pela publicação póstuma dos escritos de Franz Kafka) traduziu o libreto para o alemão. Janácek era apenas quatro anos mais velho do que Puccini, e parecia ser seu equivalente eslavo. Suas óperas rapidamente superaram a barreira da língua, sendo encenadas até hoje, em todo o planeta. Mesmo um intelectual arredio à música de fora do mundo germânico como Theodor Adorno chegou a chamar sua arte de “magnífica”: “todas suas tendências folclorísticas devem claramente ser contadas como parte da dimensão mais progressista da música artística europeia”. Para Adorno, tratava-se de “música verdadeiramente exótica, cujo material, embora familiar, é organizado de forma totalmente diferente do Ocidente, com um poder de alienação que o coloca em companhia da vanguarda, não da reação nacionalista”. Janácek felizmente teve saúde e ânimo não apenas para desfrutar na plenitude do sucesso de Jenufa, como ainda pôde compor várias obras em seguida. Os biógrafos


costumam creditar esse florescimento criativo tardio à aparição, na vida do compositor, de uma musa: Kamila Stösslová, 38 anos mais nova, mãe de dois filhos e casada com um antiquário. O próprio Janácek também tinha laços matrimoniais, desde 1881, com Zdenka Schulzová (sua ex-aluna, 11 anos mais jovem, e mãe de seus filhos Vladimír e Olga), o que não o impediu de, aos 63 anos de idade, em 1917, arder de paixão pela moça de 25. Não há certeza quanto ao que realmente aconteceu entre Leos e Kamila: sabe-se que o casal clandestino trocou mais de 700 cartas ardentes, e que a amada foi a inspiradora de diversas criações da última fase do compositor. Como a ópera que ouviremos hoje, Kátia Kabanová. O fato de ser enamorado pelo folclore de seu país não excluía, em Janácek, o interesse por outras culturas. E ele sempre demonstrou paixão pela Rússia, país que visitou mais de uma vez, encontrando na literatura daquele país fonte constante de inspiração. Sua Pohádka (1910), para violoncelo e piano, brotou do Conto do Tsar Berendiêi, de Vassíli

Jukóvski (1783-1852); a rapsódia orquestral Taras Bulba (1918) descreve três episódios da novela homônima de Nikolai Gógol (18091852); e sua última ópera, Da Casa dos Mortos, estreada postumamente em 1930, adapta romance de Fiódor Dostoiévski (1821-1881). Mesmo seu quarteto de cordas Sonata a Kreutzer (1923) não foi inspirado na célebre obra para violino e piano de Beethoven, mas sim na novela de Lev Tolstói (1828-1910), na qual a criação beethoveniana desempenha papel decisivo. Dessa vez, resolveu se voltar para um escritor pouco conhecido no Brasil, porém fundamental para o teatro russo: o dramaturgo Aleksandr Ostróvski (18231886), cuja peça A Tempestade inspirara, em 1876, uma abertura em mi menor de um compositor que Janácek admirava e conheceu pessoalmente – Piotr Ilitch Tchaikóvski (que ainda compôs, em 1873, uma fantasia em fá menor baseada na peça homônima de Shakespeare – embora ambas as obras se chamem, em português, A Tempestade, os títulos em russo são diferentes). 5


Nas palavras de Jacó Guinsburg, “as construções de Ostróvski são em sua maioria habitadas por gente do povo, sendo tipicamente russas na forma, espírito e linguagem. Delas, saltam essas mesmas classes médias em seus estratos mais baixos, que seriam as principais defensoras da 'escola natural' e que se viam refletidas nela, com seus problemas e sua maneira de viver.” Seu sucesso avassalador como dramaturgo não foi desacompanhado de polêmica. Muito pelo contrário: A Tempestade foi o epicentro de uma controvérsia que incendiou as letras russas em meados do século XIX. Acusado de plagiar o romance Madame Bovary, de Flaubert, Ostróvski recebeu críticas por romper as convenções teatrais da época. Como afirma Sonia Branco: “A narrativa possui um quadro de personagens bastante complexo e suas cenas se sucedem em deslocamentos abruptos de uns para outros desses personagens, não seguindo tradicionalmente o percurso da protagonista, e trazendo para o primeiro plano assuntos diversos e tramas paralelas; as cenas são quase estáticas e não há surpresas ao final, tendo sido o desenlace, de certa forma, anunciado no início”. 6

Para a posteridade, contudo, prevaleceu a defesa do texto feita pelo escritor Ivan Turguêniev e pelo crítico Nikolai Dobroliúbov: A Tempestade é hoje a peça mais célebre de Ostróvski, reconhecido, por seu turno, como o maior nome do realismo russo no teatro. Uma tradução tcheca, de Vincenc Cervinka, foi publicada em 1918, e encenada em Brno, em 1919, chamando a atenção de Janácek. Ele mesmo adaptou o libreto, preservando a estrutura de diálogos da peça original: o resultado é uma “prosa musical” fluente afastando-se de números musicais convencionais como árias e duetos. Janácek compôs Kátia Kabanová entre 9 de janeiro de 1920 e 17 de abril de 1921, e estreou-a em Brno, sete meses mais tarde, em 23 de novembro de 1921. O compositor dedicou a arrebatada história de amor extraconjugal a Kamila Stösslová, que parece ter inspirado a caracterização musical do personagem-título. Considera-se Kátia Kabanová o marco inicial do glorioso período final da carreira de Janácek, definido como “enxuto e vigoroso” por Alex Ross: “as melodias são desbastadas sem perder a graça. Os ritmos lembram a agulha de um gramofone, ora saltando, como


se os sulcos do disco os aprisionassem, ora ficando mais lentos, como se alguém brincasse com a velocidade da rotação”. Um ponto crucial para entender o idiossincrático melodismo de Janácek – e que faz com que seja ainda mais importante executar as obras deste autor em seu idioma original, e não em tradução – é sua relação com a linguagem falada. A partir de 1897, o compositor passou a estudar e anotar a fala das pessoas. Como explica The New Grove Dictionary of Opera, “as melodias da fala não eram, em nenhum sentido, material temático para Janácek, mas, sim, material de estudo, para ajudá-lo a produzir estilizações cantadas dos padrões irregulares da fala cotidiana. O resultado foi um afastamento gradual da estrutura métrica regular nas partes vocais de suas óperas (a fraseologia regular geralmente permanece na orquestra), na direção de uma abordagem mais irregular, usando uma variedade maior de ritmos”. O musicólogo Richard Taruskin assinala que, em Janácek, “a parte orquestral, que fornece a continuidade essencial nessas obras declamatórias, consiste grandemente em ostinatos extraídos das frases vocais

chave (além de leitmotifs de um tipo mais convencional)”. E, para ele, o “grande laboratório” do compositor nessa técnica foi justamente Kátia Kabanová. Ao analisar a cena final da protagonista na ópera, Taruskin afirma que, inicialmente, poderia ser traçado um paralelo com a cena de loucura de Lucia di Lammermoor, de Donizetti. Contudo, se, no bel canto italiano, a cena de loucura era um momento de luxúria musical e ornamentação, com Janácek temos despojamento. “O que é maximizado aqui é o laconismo, 'a fala simples' deliberadamente desprovida de 'poesia', em nome da 'verdade sem enfeites' – a corrente realista ou naturalista da literatura e da música influenciada pela literatura do século XIX levada ao ápice”, diz Taruskin. Ou, como diria Nelson Rodrigues, “a vida como ela é”.

jornalista, crítico musical e tradutor

7


(1854-1928) Nascido em Hukvaldy, em 1854, Leoš Janáček é contemporâneo de outro grande compositor tcheco, Antonín Dvořák (1841-1904). Seu fazer artístico, no entanto, o coloca ao lado de compositores duas gerações mais jovens que ele, e como um dos principais autores do século XX. Toda sua trajetória pessoal e musical está ligada à cidade de Brno, a segunda maior da República Tcheca, onde morou desde a juventude, deixando um legado cultural inestimável. Leia mais sobre a vida de Leoš Janáček aqui:

Baseada na peça A Tempestade, de Ostróvski, Kátia Kabanová se passa na Rússia, e narra a trágica história do amor extraconjugal de Kátia, a esposa de um mercador fraco e dominado pela mãe, e Boris, jovem tiranizado pelo tio rude. Atormentada pela culpa, e sem forças para escapar do claustrofóbico e embrutecido ambiente social que lhe castra os desejos e ambições, Kátia vai ao encontro de seu destino fatal, o único que lhe parece possível, em uma noite de tempestade.

8


SOLISTAS Gabriella Pace | Kátia Kabanová Eric Herrero | Boris Claudia Riccitelli | Kabanicha Luisa Francesconi | Varvara Giovanni Tristacci | Kudrjás Savio Sperandio | Dikoj Juremir Vieira | Tichon Vinicius Atique | Kuligin Tati Helene | Glasa Fernanda Nagashima | Feklusa

CORO | ACADEMIA DE ÓPERA THEATRO SÃO PEDRO Athos Bueno* Charles Keiti Miyazaki Cintia Maria Costa da Cunha Claus Xavier* Daiane Scales Cezario Eduardo Javier Garcia Gutierrez Elisa Braga* Lais Assunção do Carmo Larissa Guimarães Marques Luisa Brack Aguilar Marco Mautav* Marcus Danilo* Micael Coutinho Midiã Alvarenga Machado Nathalia Rezende Carvalho Nelmon Henrique dos Santos Costa Paulina Luciuk Paulo Lanine* Rodrigo Kenji Tatiane Reis da Silva *cantores complementares 9


CENA 1

Em um parque, Kudrjás e Glasa admiram o rio Volga, quando chega Dikoj, ralhando com o sobrinho, Boris, que acusa de ser ocioso. Dikoj sai, em busca de Kabanicha, a rica viúva de um mercador, e Boris explica a Kudrjás que só atura os maus tratos do tio por causa da herança. O rapaz confessa ainda estar apaixonado por uma mulher casada. Trata-se de Kátia Kabanová, cônjuge de Tichon, filho de Kabanicha. A mãe recrimina o filho por negligenciá-la por causa da esposa, e exige que Tichon faça uma viagem de negócios até Kazan.

CENA 2

Dentro de casa, Kátia manifesta a Varvara, irmã de seu marido, receio de que o demônio a esteja incitando a algum pecado. Tichon aparece para se despedir. Kátia implora que o marido não viaje, ou a leve consigo. Tichon se recusa. Kátia jura que, durante a ausência do marido, não falará com nenhum estranho. Kabanicha faz Tichon exigir da esposa que a obedeça, e não olhe para outros homens. O casal se despede, e Tichon parte.

10

CENA 1

Kabanicha, Kátia e Varvara estão em casa, bordando. A sogra culpa Kátia por não lamentar a ausência do marido, e sai. Varvara diz à cunhada que vai passear no jardim, e a convida a fazer o mesmo, deixando-lhe a cópia de uma chave que surrupiou de Kabanicha. Após uma crise de consciência, Kátia, sozinha, admite que quer ver Boris, e sai. Dikoj, bêbado, flerta com a viúva que, contudo, rejeita-o.

CENA 2

No jardim dos Kabanov, Kudrjás espera por Varvara, e se depara com Boris, que veio encontrar Kátia. Varvara chega, e vai passear com Kudrjás às margens do Volga. Logo surge Kátia, e ela e Boris declaram seu amor um pelo outro. Kudrjás e Varvara regressam, e agora são Boris e Kátia que saem para passear. Faz-se tarde, e Kudrjás convoca todos a retornarem para suas casas.


CENA 1

Nas arcadas de um prédio em ruínas, Kudrjás, seu amigo Kuligin e outras pessoas, dentre as quais Dikoj, abrigam-se da chuva, que contudo, logo cessa, e a multidão se dispersa. Varvara aparece e chama Boris, contandolhe as novidades: Tichon voltou de viagem, e Kátia está fora de si, trêmula, febril e em prantos, ameaçando contar sua traição ao marido. Kátia chega, e seu comportamento atrai a atenção de todos: logo estão reunidos Dikoj, Tichon e Kabanicha. A chuva volta a cair, transforma-se em tempestade, e Kátia acaba confessando ao marido o que fez em sua ausência. Desmaia nos braços de Tichon, para acordar com um trovão e se precipitar na direção da tormenta.

CENA 2

Anoiteceu. Kudrjás e Varvara combinam de fugir para Moscou, enquanto os demais procuram por Kátia, às margens do Volga. Ela surge, atormentada por pensamentos de morte. Boris encontra-a e abraça-a, contando que foi mandado pelo tio para tomar conta de seus negócios na Sibéria. Kátia inicialmente pede para acompanhá-lo na jornada, depois muda de ideia. Boris parte. Após se despedir do amante, Kátia atira-se na água. Kuligin vêla saltar, e dá o alarme. Ao seu grito, todos acorrem. Tichon acusa Kabanicha de ter destruído sua esposa. Dikoj, por fim, traz o cadáver de Kátia. Kabanicha agradece a todos pela ajuda prestada.

11


12


13


ÓPERA EM TRÊS ATOS De Leos Janácek, libreto do compositor, após tradução de Vicenc Cervinka da obra A Tempestade de Aleksandr Ostróvski Tradução - Irineu Franco Perpetuo

Savël Prokofjevic Dikoj, um comerciante | baixo Boris Grigorjevic, sobrinho de Dikoj | tenor Marfa Ignatevna Kabanová (Kabanicha), viúva de um rico comerciante | contralto

Tichon Ivanyc Kabanov, seu filho | tenor Katerina Kabanová (Kátia), sua esposa | soprano Vána Kudrjas, professor | tenor Varvara, filha adotiva dos Kabanov | mezzo-soprano Kuligin, amigo de Kudrjas | barítono Glasa, criada | mezzo-soprano Feklusa, criada | mezzo-soprano

14


Veřejný sad na vysokém břehu Volhy; daleký výhled do kraje. Vpravo dům Kabanových. Lavičky na cestě k sadu. Keře. Odpolední slunce. KUDRJÁŠ (ssedí na lavičce, dívá se na Volhu) Zázrak! (Glaša přichází z domu Kabanových) Vskutku, třeba říci, že zázrak. Glašo! Vidíš, brachu, dvacet pět let už denně se dívám na Volhu a nemohu se vynadívat. GLAŠA (ledabyle) Nu, a co? KUDRJÁŠ Neobyčejný pohled! Ta krása! Duše se raduje. GLAŠA To je toho! KUDRJÁŠ Rozkoš! A ty jen: „To je toho!“ Měla bys jen přihlédnout, jaká krása tají se v přírodě! GLAŠA Nu, arci! Jaká s tebou řeč! Jsi učitel, chemik, mechanik! KUDRJÁŠ (ukazuje stranou) Podívej se, kdo to tam tak rozkládá rukama! GLAŠA To Dikoj, vadí se se synovcem.

Parque público na margem alta do Volga; uma visão do campo distante. À direita, a casa dos Kabanov. Bancos ao longo da trilha do parque. Arbustos. Sol do entardecer. KUDRJÁS (sentado em um banco, olha para o Volga) Milagre! (Glasa vem da casa dos Kabanov) Há que se dizer que é um milagre. Glasa! Veja, amiga, há vinte anos olho todo dia para o Volga, e não me canso de olhar. GLASA (indiferente) Bem, e daí? KUDRJÁS Visão extraordinária! Que beleza! De alegrar a alma. GLASA É isso! KUDRJÁS Um deslumbre! E você só diz: “É isso!” Você deveria olhar melhor para a beleza que a natureza traz em si! GLASA Ah, claro! Que conversa é essa! Você é professor, químico, engenheiro! KUDRJÁS (apontando para um lado) Veja quem está gesticulando ali! GLASA É Dikoj, está discutindo com o sobrinho.

15


KUDRJÁŠ To si našel místo! GLAŠA Najde si je všude. Upadl mu do rukou Boris Grigorjevič.

GLASA Sempre encontra um bom lugar para pôr as mãos em Boris Grigorjevic.

KUDRJÁŠ Tak si na něm pojezdí! Jako by se od řetězu utrh‘! (Dikoj a Boris se blíží, Glaša odběhne k domu) Pojďme mu z cesty! Ještě by se na nás chytil. (popojde do sadu)

KUDRJÁS Vai cair em cima dele, como se tivesse rompido as cadeias! (Dikoj e Boris se aproximam. Glasa corre para a casa.) Vamos sair de seu caminho! Senão também vai ralhar conosco! (Kudrjás encaminha-se para o parque)

DIKOJ (k Borisovi) Darmochlebe! Přišel jsi sem lelky chytat? Ať se mi ztratíš!

DIKOJ (para Boris) Seu inútil! Veio para a minha casa para ficar zanzando? Deixe-me!

BORIS Co budu doma dělat? Je svátek. DIKOJ Najdeš si práci, jenom chtít! Řekl jsem ti už jednou, dvakrát, třikrát: „Nechoď mi na oči! Nechoď mi na oči!“ Ale všechno marno! Máš snad málo místa? Kam se zvrtnu, všude tě potkám. Fuj, proklatče! Co tu stojíš? Mluvím k tobě, či ne? (podívá se na Borise)

16

KUDRJÁS Encontrou um bom lugar.

BORIS O que vou fazer em casa? É feriado. DIKOJ Encontraria trabalho se quisesse! Já lhe disse uma, duas, três vezes: Saia da minha vista! Saia da minha vista! Mas tudo em vão! Por acaso você tem pouco espaço? Para onde me viro, tropeço em você. Ah, maldito! Por que está parado aí? Estou falando contigo ou não? (olha para Boris)

BORIS Vždyť slyším! Co mám dělat?

BORIS Claro que estou ouvindo. O que devo fazer?

DIKOJ Aby ses propadl! (jde k domu Kabanových) Vida ho, jak se na člověka věší! (ke Glaši, jež stojí na zápraží) Je baryna doma?

DIKOJ Vá para o diabo! (vai para a casa dos Kabanov) Veja como ele fica pendurado nas pessoas! (para Glasa, que está na soleira) A patroa está em casa?


GLAŠA Je v sadu! (Dikoj si odplivne a zajde do sadu) KUDRJÁŠ (popojde k Borisovi) Copak s ním máte za jednání? Nemůžu to pochopit, že se vám chce žít u něho a snášet nadávky. BORIS Kdež by se mi chtělo! Musím! KUDRJÁŠ Ale pročpak musíte, že se tak ptám? BORIS Proč bych neodpověděl? Znal jste moji babičku? KUDRJÁŠ Anfisu Michajlovnu? BORIS Ta neměla tatínka ráda, protože si vzal šlechtičnu. Z té příčiny žili v Moskvě. Maminka říkávala, že nemohla ani tři dny s rodinou se snésti. KUDRJÁŠ Darmo mluvit! BORIS Vše jí připadalo tak kruté! KUDRJÁŠ To by si člověk musil příliš zvykat. BORIS Rodiče nás v Moskvě dobře vychovali, ničeho pro nás nelitovali. Mne dali do obchodní akademie a sestru do penzionátu.

GLASA Está no jardim! (Ele cospe e vai para o jardim) KUDRJÁS (indo até Boris) Que negócios você tem com ele? Não consigo entender por que mora com ele e aguenta seus insultos. BORIS Não é questão de querer! Eu tenho! KUDRJÁS Mas por que, se posso perguntar? BORIS Por que não responderia? Você conheceu minha avó? KUDRJÁS Anfisa Michailovna? BORIS Ela não gostava do meu pai porque ele se casou com uma nobre. Por isso moraram em Moscou. Mamãe dizia que não aguentava nem três dias ficar com sua família. KUDRJÁS Nem precisa dizer! BORIS Ela achava tudo tão cruel! KUDRJÁS Muito difícil de se acostumar. BORIS Os pais nos criaram bem em Moscou, não poupavam nada por nós. Mandaram-me para uma escola de negócios, e minha irmã para um internato. 17


Ale potom oba zemřeli na choleru a já se sestrou jsme zůstali sirotami. Potom slyším, že také babička tady zemřela a zanechala závěť, aby nás strýc vyplatil, až budeme plnoletí. S podmínkou… KUDRJÁŠ Jakou? BORIS …budeme-li k němu uctiví. Kdybych já byl sám, nechal bych všeho a ujel bych. Ale sestry je mi líto. Už pro ni psal, ale maminčini příbuzní ji nepustili. Jaký byl by to pro ni zde život? KUDRJÁŠ Ó je! Jaký neurvalec! BORIS To pomyšlení je mi strašlivé! (Glaša přistoupí k příchozí Fekluši) KUDRJÁŠ Copak je? Snad už nechodí lidí z večerní bohoslužby? Nuž sbohem, půjdu též. BORIS Posečkej! Posečkej ještě! (stísněně) Hubím svoje mládí. Ó, hubím svoje mládí. FEKLUŠA (ke Glaši) Krása je to, má milá! Krása! Spanilost! BORIS Jará léta, jen strádání, jen strádání! A radost života? 18

Mas nossos pais morreram de cólera e eu e minha irmã viramos órfãos. Depois ouvi dizer que minha avó também morreu aqui, e deixou um testamento de que seríamos pagos quando estivéssemos na idade. Com a condição... KUDRJÁS Qual? BORIS ...de respeitá-lo. Então, esses negócios ficaram ruins! Se eu fosse sozinho, deixaria tudo, iria embora, mas tenho pena de minha irmã. Ele já escreveu para ela, mas os parentes de mamãe não a liberaram. Que tipo de vida ela teria aqui? KUDRJÁS Oh, sim! Que paspalho! BORIS A ideia me horroriza. (Glasa vem atrás de Feklusa, que entra) KUDRJÁS O que é? Será que as pessoas já estão saindo das Vésperas? Bem, adeus, eu também vou. BORIS Espere! Espere um pouco! (deprimido) Estou destruindo minha juventude. Oh, estou destruindo minha juventude! FEKLUSA (para Glasa) É uma beleza, querida! Uma beleza! Uma graça! BORIS Meus melhores anos, só sofrimento, só sofrimento! E a alegria da vida?


FEKLUŠA Nač o tom mluvit! Nač o tom mluvit! BORIS Hledej ji v blednoucích červáncích! FEKLUŠA Jací lidé bohabojní, štědří, ti Kabanových. BORIS (vzrušeně) Kabanových? KUDRJÁŠ Je to svatoušek, žebráky poděluje, ale domácí by k smrti ukousala. BORIS Chodím jak omámený. Nač to ještě? Zamilovat se ještě? KUDRJÁŠ A do koho? BORIS Do vdané! Hle, tady jde s mužem a tchyně s nimi. Nuž, nejsem-li hlupák? Nejsem-li hlupák? KUDRJÁŠ Toho musíte nechat, nechcete-li ji zahubit. BORIS Podívejme se na ni za rohem! (ustoupí s Kudrjášem za roh domu. z protější strany přicházejí k domu Kabanových: Katěrina, Varvara, Kabanicha s Tichonem) A potom běž domů. Cha! Cha! Cha! (zmizí s Kudrjášem za rohem) KABANICHA (tvrdě – k Tichonovi) Chceš-li matky poslechnout,

FEKLUSA Para que falar disso? Para que falar disso? BORIS Busque-a no sol vermelho a se pôr! FEKLUSA Que gente pia e generosa são esses Kabanov. BORIS (agitado) Kabanov? KUDRJÁS É uma santarrona, dá esmola aos mendigos, mas joga duro com a criadagem. BORIS Estou encantado. Por que isso? Ainda por cima, me apaixonar! KUDRJÁS E por quem? BORIS Por uma casada! Veja, aí vem com marido e sogra. Ora, não sou um idiota? Não sou um idiota? KUDRJÁS Deixe-a se não quiser destruí-la. BORIS Vamos espiar detrás da esquina! (Vai com Kudrjás para atrás da esquina da casa. Do lado oposto, chegam à casa dos Kabanov: Katerina, Varvara, Kabanicha e Tichon) Agora é correr para casa. Rá! Rá! Rá! Rá! (Desaparece na esquina com Kudrjás) KABANICHA (para Tichon, rude) Se quer obedecer à sua mãe, 19


pojedeš na trh do Kazaně, kam otec vždy jezdíval; a to dnes! TICHON Nu, jak vás neposlechnout! KABANICHA Věřila bych ti, kdybych vlastníma očima neviděla, na vlastní uši neslyšela; už dávno vidím, že je ti žena matky milejší! Už od těch dob, co jsi se oženil, nepozoruji dřívější lásky. TICHON V čempak to shledáváte? KABANICHA Ve všem! Co nevidím očima, o tom poví srdce! TICHON Ale maminko, co vás napadá! KATĚRINA (klidně) Pro mne jste vy, maminko, jako rodná matka. Co vás napadá! A Tichon má vás také rád! KABANICHA Ty bys mohla mlčet, mohla mlčet. Nikdo se tě neptal. Nezastávej se ho. Vždyť ti ho neubude. VARVARA (pro sebe) Našla si místo pro svoje kázání. KABANICHA Vždyť je to také můj syn! Co jsi vyskočila? Do očí sebou zavrtět. Aby viděli snad, jak máš muže ráda? 20

vá ao mercado, em Kazan, para onde seu pai ia; e hoje! TICHON Ora, como desobedecer! KABANICHA Eu acreditaria, se meus olhos não vissem, se meus ouvidos não ouvissem; já vi há muito tempo, que você gosta mais da esposa que da mãe! Desde que se casou, não vejo mais seu antigo amor. TICHON Em que você vê isso? KABANICHA Em tudo! O que não vejo com os olhos, o coração me diz! TICHON Ah, mamãe, que ideias! KATERINA (calma) Para mim, mamãe, a senhora é como a minha mãe. Que ideias! E Tichon também a ama! KABANICHA Você podia ter ficado calada, ninguém lhe perguntou. Não o defenda. VARVARA (para si) Achou o motivo para fazer sermões. KABANICHA Você não vai ter menos do meu filho. Ele também é meu filho, com certeza! Por que você pulou? Para fazê-lo olhar para você. Talvez para que todos vejam como você ama o marido?


KATĚRINA To mi říkat nemusíte. Proč mne urážíte? Trpět pro nic za nic. Ať před lidmi, či bez lidí, vždycky jsem stejná. (hrdě odchází a vejde do domu)

KATERINA Não deveria me dizer isso. Por que me ofende? Sofrimento sem motivo. Na frente dos outros, ou sem ninguém, sou sempre a mesma. (Sai, altiva, e entra na casa)

KABANICHA Vida, vážný ptáček! Hnedle se urazila. (k Tichonovi) Možná, žes měl matku rád, dokuds byl sám, ale teď, co máš ženu…

KABANICHA Olha que passarinho imponente. Imediatamente se ofendeu. (para Tichon) Talvez você tenha amado a mãe quando era solteiro, mas agora, que tem mulher...

TICHON Jedno druhému nepřekáží; obě mám rád.

TICHON Uma não exclui a outra; amo ambas.

KABANICHA Tak tedy ženu za matku měníš? A pak se tě má bát, když po tvojím se ženou všeho jen s láskou? Ani pohrozit? Ať si má třeba milence? TICHON Ale maminko, vždyť mě má ráda! KABANICHA To snad také nic není? Ani okřiknout? TICHON (s výhružkou) Ale maminko! KABANICHA No mluv, to také nic není? TICHON Ale – na mou duši!

KABANICHA Então você trocou a mãe por uma esposa? E como ela vai temê-lo se você só a trata com amor? E nem a ameaça? Nem quando ela talvez tenha um amante? TICHON Mas mamãe, ela me ama com certeza! KABANICHA Isso então não é nada? Nem uma palavra rude? TICHON (ameaçador) Mas mamãe! KABANICHA Ora, diga, isso não é nada? TICHON Mas pela minha alma! 21


KABANICHA Hlupáku! Jen pro hřích! Jdu domů! (vzdychne si a chvatně odchází do domu) TICHON (k Varvaře) Tak vidíš, pořád jen pro ni! VARVARA (rozhodně) Copak za to může? Matka ji pronásleduje, a ty také! A pak ještě říkáš, že ji máš rád. Co stojíš, přešlapuješ? Na očích ti vidím, co bys rád: zpít se! (Tichon beze slova odvrávorá) Je mi jí líto. (u domu v rozpacích, má-li vejít) Toť se ví, že líto! Mám ji ráda. (na prahu domu) Proč bych ji neměla mít ráda?

PROMĚNA

Pokoj v domě Kabanových. Vpravo a uprostřed dveře, nalevo výklenek. KATĚRINA (odkládá vyšívání) Víš, co mi napadlo? VARVARA Co? KATĚRINA Proč lidé nelétají. 22

KABANICHA Idiota! Só vai dar em pecado! Vou para casa. (Suspira e caminha suavemente para a casa) TICHON (para Varvara) Como está vendo, é sempre por causa dela! VARVARA (resoluta) É culpa dela? A mãe persegue-a, e persegue você também! Daí você ainda diz que a ama. Por que fica aí parado, arrastando os pés? Vejo em seus olhos do que gostaria: de encher a cara! (Tichon se afasta sem uma palavra) Sinto pena dela. (Na entrada da casa, hesitando quanto a entrar) Pena mesmo! Eu a amo. (Na soleira da casa) Como não amá-la?

INTERMEZZO

Aposento na casa dos Kabanov. Portas à direita e no centro, uma alcova à esquerda. KATERINA (deixa de lado o bordado) Sabe o que me aconteceu? VARVARA O quê? KATERINA Por que as pessoas não fogem?


VARVARA Nechápu, co pravíš? KATĚRINA Povídám, proč lidé nelétají, tak jako ptáci nelétají. Víš, zdává se mi někdy, že jsem pták. Tak mě to láká vzlétnout! Chci to zkusit! (chce létat) VARVARA Co vyvádíš? KATĚRINA (vzdychajíc) Jaká jsem bývala rozpustilá! A u vás jsem docela uvadla. VARVARA Myslíš, že toho nevidím? KATĚRINA Ach, byla jsem zcela jinší! Žila jsem, po ničem netoužíc, jakoptáče na svobodě! Maminka duše ve mně netušila, strojila mě jak panenku! Víš, jak jsem žila za svobodna? Hned ti to povím. Vstávala jsem časně. Bylo-li to v létě, vyšla jsem ke studánce a umyla se. Pak přinesu si vodičky a všechny, všechny květinky v domě zaleju. VARVARA U nás je to zrovna tak! KATĚRINA Potom jsem šla do kostela. Já k smrti ráda chodila do kostela. Bývalo mi, jak bych stoupala do ráje. Nikoho nevidím, neslyším, času nevnímám, ani když bohoslužby končí. (v stále větším vytržení) Maminka říkávala, že na mne všichni hleděli,

VARVARA Não entendo o que você está dizendo! KATERINA Estou dizendo, por que as pessoas não fogem como os pássaros? Veja, às vezes acho que sou um pássaro. Dá vontade de voar! Queria experimentar! (Faz gesto de voar) VARVARA O que está fazendo? KATERINA (suspirando) Como eu era despreocupada! Mas, com vocês, murchei completamente. VARVARA Você acha que eu não vejo? KATERINA Ah, eu era muito diferente! Vivia sem anseios, livre como um pássaro! Mamãe não desconfiava de que eu tivesse alma, vestia-me como uma boneca! Você sabe como era minha vida de solteira? Já conto: acordava cedo, se fosse verão, ia à fonte e me lavava. Daí levava água e regava todas as flores da casa. VARVARA Em nossa casa é a mesma coisa! KATERINA Depois eu ia à igreja. Adorava muito ir à igreja. Para mim, era entrar no paraíso. Não via ninguém, nem nada, não tinha noção do tempo, nem quando a missa terminava. (com êxtase contínuo e crescente) Mamãe dizia que todos estavam olhando para mim, 23


co se to se mnou děje! A víš, za slunečního dne, když z kopule padal takový světelný proud a v něm valil se dým jako oblaka, a stávalo se mi, že jsem v tom sloupu vídala lítat anděly a zpívat. (ztiší se) A já padnu na kolena a pláču, a já sama nevím, proč modlím se a pláču. Tak mě tam našli. A jaké sny se mi zdávaly, jaké sny! Jak bych viděla zlaté, vysoké chrámy a hory a stromy, a bylo mi, jak bych létala, vysoko létala, a všude zpívají hlasy neviditelné! VARVARA Káťo, co je s tebou? KATĚRINA (ve vzrůstajícím rozechvění) A cypřiše voní. VARVARA Co je s tebou? KATĚRINA (chytne Varvaru za ruku, s úzkostí) Nějaký hřích na mne jde! Jako bych stála nad propastí. VARVARA Co se s tebou děje? KATĚRINA Někdo mne do ní strkal, a já nemám za co se chytit. VARVARA (vyděšena) Jsi zdráva? KATĚRINA Zdráva… Raději bych byla nemocná. Taková divná touha v srdce se mi vkrádá a nikam nemohu jí uniknout. 24

para ver o que estava me acontecendo! E, sabe, nos dias de sol, quando uma torrente de luz vinha da cúpula, e a fumaça girava, como nuvens, acontecia-me de ver nas colunas anjos voando e cantando. (volta a si) E eu caía de joelhos e rezava, sem saber por que rezava e chorava, e me encontravam nesse estado. E que sonhos eu sonhava, que sonhos! Via altas catedrais de ouro, montanhas e árvores, e, para mim, era como se elas voassem bem alto, com vozes invisíveis a cantar por toda parte! VARVARA Kátia, o que você tem? KATERINA (com agitação crescente) E ciprestes cheirosos. VARVARA O que você tem? KATERINA (pega a mão de Varvara com ansiedade) Um pecado está se apoderando de mim! Como se eu estivesse à beira do abismo. VARVARA O que acontece contigo? KATERINA Alguém está me empurrando, e não tenho onde segurar. VARVARA (perplexa) Você está bem de saúde? KATERINA Estou... Preferia estar doente. Um anseio estranho se insinua na minha cabeça e não tenho para onde fugir.


Začnu přemýšlet a nemohu myšlenky sebrat. Jazykem přemílám slova, ale na mysli mi tane něco jiného. Jako by mi ďábel našeptával. A samé takové nedobré věci, až je mi hanba před sebou samotnou! A v noci… VARVARA Co se ti zdává? KATĚRINA Varjo! Nemohu spát. Pořád mně zní v uchu takové našeptávání. Kdosi se mnou tak laskavě mluví, jak když holub vrká, jak by mne objímal, tak vřele, tak vřele, horoucně, jak by mě někam vedl a... VARVARA (chvatně) Nu a? KATĚRINA A já jdu a jdu za ním! (náhle se vzpamatuje) Ale nač tobě to vykládám? Jsi dívka! Ale nač tobě to vykládám? Jsi dívka. VARVARA (ohlížeje se) Ó, povídej! Jsem horší než ty! Horší než ty! Povídej! KATĚRINA Nuž, co povídat! Stydím se! VARVARA Není třeba se stydět! Nač bych já tě soudila! Mám svoje hříchy. KATĚRINA Vždyť je to takový hřích, když miluji jiného! Co si počnu? Kam se poděju?

Começo a pensar, e não consigo reunir as ideias. Pronuncio palavras com a língua, mas na minha mente penso coisas diferentes. Como se o demônio me sussurrasse. São as piores coisas, e estou cheia de vergonha! VARVARA E à noite...Com o que você sonha? KATERINA Varja! Não consigo dormir. Esses sussurros me soam no ouvido o tempo todo, alguém me fala com carinho, como um pombo arrulhando, como se me abraçasse com ardor, com ardor, com paixão, como se estivesse me carregando, e... VARVARA (apressada) E? KATERINA E eu vou atrás dele! (volta a si de repente) Mas por que lhe dizer isso? Você é uma garota! VARVARA (olhando ao redor) Oh, diga! Sou pior do que você! Pior do que você! Diga! KATERINA Ora, o que dizer! Tenho vergonha! VARVARA Não precisa ter vergonha! Como posso julgar? Tenho meus pecados. KATERINA Com certeza é pecado se eu amar outro. Que farei? Para onde irei? 25


VARVARA Možná, že se udá s ním se vidět? KATĚRINA Ne, ne, ne, ne, ne, ne! Co myslíš? Chraň Pán Bůh!

KATERINA Não, não! O que você está pensando?

VARVARA Nu což!

VARVARA Deus nos guarde! Pois bem!

KATĚRINA (vrhá se na Tichona a objímá jej) Tišo! Neodjížděj! (Glaša a Fekluša vstupují z pravých dveří, vynášejí zavazadla) FEKLUŠA (ke Glaše) Na dlouho jede? GLAŠA Ne na dlouho. KATĚRINA Tišo, neodjížděj! Holoubku můj! Neodjížděj! TICHON Nelze, Káťo! Jak nepojedu, když maminka posílá! KATĚRINA Vezmi mne také s sebou! Vezmi mne! TICHON (vyvinuje se z jejího objetí) Není to možné! KATĚRINA Proč by nebylo možné? Cožpak už mne nemáš rád? TICHON Ne, mám tě rád! 26

VARVARA Talvez isso vá acontecer se você o encontrar?

KATERINA (corre até Tichon e abraça-o) Tichon, Tichon! Não se vá! (Sai. Glasa e Feklusa entram pela porta da direita, carregando suas malas) FEKLUSA (para Glasa) Parte por quanto tempo? GLASA Por pouco tempo. KATERINA Tichon, não se vá! Meu querido! Não se vá! TICHON Não dá, Kátia! Como não ir, se mamãe mandou! KATERINA Leve-me com você! Leve-me! TICHON (solta-se do abraço dela) Não é possível! KATERINA Por que não é possível? Será que você não me ama mais? TICHON Não, eu te amo!


Ale z takové otročiny člověk by utekl od ženy krasavice nevím jaké, a má-li člověk po celý život takhle žít, uteče i od ženy!

Mas um homem foge dessa escravidão, da sua bela mulher, sem motivo, e se um homem tiver que passar a vida inteira assim, vai fugir até da mulher!

KATĚRINA (zaražena) Jak tě mám pak mít ráda, když taková slova mluvíš?

KATERINA (franzindo o cenho) Como posso te amar se você diz tais palavras?

TICHON Slova sem, slova tam! Kdo se v tobě vyzná?

TICHON Palavras aqui, palavras acolá! Quem consegue entender?

KATĚRINA (pláče) Kam se já, ubožka, poděju? Kdo se mne zastane? TICHON Přestaň! KATĚRINA (přistoupí k mužovi a přivine se k němu) Tišo, holoubku, kdybys zůstal doma, nebo mě vzal s sebou, tolik bych tě měla ráda, tak bych tě laskala! Tišo, komu mě tady necháš? TICHON Nevyznám se v tobě, Káťo. Jindy člověk slova z tebe nedostane, a teď? KATĚRINA Tišo, komu mě zanecháš? TICHON Vždyť víš, že jinak nelze. Jaká tedy pomoc. KATĚRINA Tišo, stane se bez tebe neštěstí!

KATERINA (chora) Para onde eu, pobre coitada, irei? Quem vai me defender? TICHON Pare! KATERINA (aproxima-se do marido e se estreita contra ele) Tichon, querido, se você ficasse em casa, ou me levasse com você, eu te amaria tanto, eu te acariciaria tanto. Tichon, você vai me deixar com quem? TICHON Kátia, não estou te entendendo. Antes, você não dizia nada, e agora? KATERINA Tichon, você vai me deixar com quem? TICHON Você sabe com certeza que não dá para ser diferente. Como posso te ajudar? KATERINA Tichon, sem você vai acontecer uma desgraça! 27


Stane se neštěstí. (náhle) Víš tedy, co? Žádej ode mne nějakou strašlivou přísahu… TICHON Jakou přísahu? KATĚRINA Nu, takovou: že za tvojí nepřítomnosti za žádnou cenu s nikým cizím ani nepromluvím, nikoho nespatřím, že ani pomysliti neopovážím se, kromě na tebe. TICHON Ale nač to? Nač to? KATĚRINA Pro pokoj mojí duše, prokaž mi tu milost! TICHON Jakpak můžeš za sebe ručit? KATĚRINA (padá na kolena) Abych ani otce, ani matky vícekrát nespatřila, abych bez pokání umřela, jestliže… TICHON (zdvihá ji ze země) Nu, copak? Co děláš? Vždyť je to takový hřích! KABANICHA (za scénou) Je čas, Tichone! (Káťa a Tichon jako přimrazeni, Kabanicha vstoupí) Nu tak! Všecko je hotovo, koně už dojeli. 28

Vai acontecer uma desgraça. (subitamente) Sabe o que, então? Exija de mim um juramento terrível. TICHON Que juramento? KATERINA Bem, assim: que durante a sua ausência, de jeito nenhum, com nenhum estranho, não vou nem falar, nem colocar os olhos, nem ousarei pensar em ninguém, a não ser você. TICHON Mas para que isso? Para quê? KATERINA Pela paz da minha alma, faça-me esse favor! TICHON Como pode jurar isso? KATERINA (cai de joelhos) Nunca mais botarei os olhos em meu pai, em minha mãe, morrerei sem remissão, se... TICHON (levanta-a do chão) Ora, o quê? O que está fazendo? É um tremendo pecado. KABANICHA (fora do palco) Está na hora, Tichon. (Katerina e Tichon ficam petrificados, Kabanicha entra) Bem, está tudo pronto, já atrelaram os cavalos.


TICHON Ano, prosím, bude čas, maminko! KABANICHA Nu tak, copak stojíš? TICHON Co poroučíte? KABANICHA Copak neznáš pořádku? Nařiď ženě, jak se chovat za tvé nepřítomnosti. TICHON Však ona jistě sama ví… KABANICHA Žádné odmlouvání! Rychle nařizuj, abych i já slyšela, co nařizuješ, a pak, až se vrátíš, zeptáš se jí, zda všecko splnila. TICHON Poslouchej maminku! KABANICHA Řekni jí, aby nebyla hrubá. TICHON Nebuď hrubá… KABANICHA Aby ctila tchyni jak rodnou matku… TICHON Káťo, cti matičku jako rodnou matku. KABANICHA Ať nesedí se založenýma ručičkama. TICHON Pracuj něco za mojí nepřítomnosti.

TICHON (indeciso) Sim, por favor, está na hora, mãe. KABANICHA Então por que está aí parado? TICHON O que manda? KABANICHA Não conhece o procedimento? Diga como a mulher deve se comportar na sua ausência. TICHON Mas ela deve saber, com certeza... KABANICHA Sem tergiversar! Diga logo, para que eu ouça a ordem, e então, quando você voltar, vai lhe perguntar se fez tudo. TICHON Obedeça mamãe! KABANICHA Diga-lhe para não ser rude. TICHON Não seja rude... KABANICHA Para respeitar a sogra como a própria mãe. TICHON Kátia, respeite minha mãe como se fosse a sua. KABANICHA Que não fique sentada de mãos cruzadas. TICHON Faça algum trabalho na minha ausência. 29


KABANICHA Ať nebloumá očima z oken. TICHON (vybuchne) Ale maminko! KABANICHA Bude to? TICHON Nedívej se z oken. KABANICHA Ať po mladých lidech nekouká. TICHON (prudce) Ale maminko, na mou duši! KABANICHA Jen žádné okolky! Je lépe všechno přikázat! TICHON Nedívej se na mladíky. (Káťa zhroucena) KABANICHA (odchází, na zápraží se zastavuje) A teď si spolu promluvte. (odchází) TICHON Hněváš se na mne?

30

KABANICHA Que não fique olhando pela janela. TICHON (estoura) Mas mamãe! KABANICHA Será assim? TICHON Não fique olhando pela janela. KABANICHA Que não fique de olho nos jovens. TICHON (veemente) Ah, mamãe, pela minha alma! KABANICHA Sem falatório! Melhor dar todas as ordens! TICHON Não fique de olho nos jovens. (Katerina desaba) KABANICHA (Kabanicha sai. Ela para na soleira) Agora falem vocês dois. (parte) TICHON Está brava comigo?

KATĚRINA Ne! (tvrdě) Sbohem! (vrací se a s ní Varvara a Glaša)

KATERINA Não. (ríspida) Adeus. (Katerina volta com Varvara e Glasa)

KABANICHA Nu, Tichone, už máš čas. Jeď sbohem! (posadí se) Sedněte všichni! (všichni usednou)

KABANICHA Bem, Tichon, está na hora. Vá com Deus! (senta-se) Sentem-se todos! (todos se sentam)


Nuž sbohem! (povstane a všichni za ní povstanou) TICHON (přistoupí k matce) Sbohem, maminko! KABANICHA (posunkem ukazuje k zemi) K nohám, k nohám! (Tichon pokloní se až k nohám, potom se líbá s matkou) Se ženou se rozluč! (Káťa padne Tichonovi kolem krku) Nestydatá! Loučíš se s milencem? TICHON Sbohem, sestřičko! Sbohem, Glašo! (rychle vyběhne)

Útulný výklenek pracovní v domě Kabanových. Z výklenku dveře do zadu, v pokoji šero. Odpoledne, v podvečer. (Kabanicha, Káťa a Varvara vyšívají) KABANICHA Vida, chvástala jsi se, jak máš muže ráda! Jiná pořádná žena, když muže doprovodí, půldruhé hodiny naříká, na podsíni leží. Ale ty, jakoby nic!

Pois bem, adeus. (levanta-se, e todos se levantam atrás dela) TICHON (vai até a mãe) Adeus, mamãe! KABANICHA (aponta para o chão) De joelhos, de joelhos! (Ele se ajoelha, depois troca beijos com a mãe) Despeça-se de sua mulher! (Katerina vai devagar na direção de Tichon e se lança em seu pescoço) Sem-vergonha! Está se despedindo do amante? TICHON Adeus, irmãzinha, adeus, Glasa! (Sai rapidamente)

A confortável alcova de trabalho na casa dos Kabanov. Da alcova, sai uma porta lateral; no quarto, penumbra. Entardecer, começo da noite. (Kabanicha, Kátia e Varvara estão bordando) KABANICHA Veja, você sempre se gaba de amar o marido! Uma mulher decente, quando vê o marido partir, lamenta uma hora e meia, deitada na soleira. Mas, para você, é como se não fosse nada!

31


KATĚRINA Není proč! Není proč! Ani toho nedovedu. Pročpak bych měla být na posměch lidem? KABANICHA Kdybys měla muže ráda, naučila by ses tomu! A když to nedovedeš, kdyby ses aspoň pokusila; bylo by slušnější. Svět nezná teď než pletky a nesvár. Půjdu! Nevyrušujte mě! (odchází) VARVARA (stoupne si před zrcadlo a upravuje si šátek na hlavě) Půjdu se též projít. Glaša nám ustele v zahradě. Za malinami jsou vrátka, maminka vždycky je zavírá na zámek a klíč schovává, schovává! Vzala jsem si ho a dala místo něho jiný, aby si toho nevšimla. Uvidím-li ho, řeknu mu, aby přišel k vrátkům. (podává Kátě klíč) KATĚRINA Nač to? (ulekne se, odmítá klíč) Není třeba! Nechci! VARVARA Tobě není třeba a mně se hodí. Jen si ho vem, však tě nekousne! KATĚRINA Cos to natropila, ty svůdnice! Cožpak je to možné? Zbláznila jsi se! Opravdu zbláznila! VARVARA Nemiluji mnoho řečí. 32

KATERINA Não há motivo! Não há motivo! Nem sou capaz disso. Por que devo me ridicularizar diante das pessoas? KABANICHA Se amasse o marido, aprenderia a fazê-lo! E, se não é capaz, deveria ao menos tentar; seria mais decente. Vou embora! Não me incomode. (sai) VARVARA (posta-se diante do espelho e ajeita a echarpe na cabeça) Vou dar um passeio. Glasa vai preparar nossas camas no jardim. Atrás das framboeseiras há um portãozinho, Mamãe sempre o deixa trancado e esconde a chave, esconde! Eu a peguei e coloquei outra no lugar, de modo que ela não vai reparar. Caso eu o veja, direi para vir ao portãozinho. (oferece a chave a Katerina) KATERINA Para quê? (assustada, recusa a chave) Não precisa. Não quero. VARVARA Você não precisa, mas para mim é útil. Só pegue, ela não morde! KATERINA Por que fez isso, sua tentadora? Será possível? Ficou louca, ficou louca mesmo! VARVARA Não gosto de muito papo.


Nemám teď na to kdy. (rychle odchází) KATĚRINA (pohlíží na klíč) Vida! Neštěstí! Tady je to neštěstí! (chvátá k oknu) Zahodit klíč! Zahodit daleko do vody. Abych ho nikdy nenašla! (přemýšlí) Pálí mne jako žhavý uhel. Někdo přichází! (rychle schová klíč) KABANICHA (za scénou k Dikojovi) Přišel jsi s něčím, pak mluv pořádně! Nekřič! KATĚRINA Ne, ne! Nikdo! Tak mi srdce přestalo bít! Ne, nikdo! Jak jsem sepolekala! A klíč jsem schovala! Je vidět, osud tomu chce! A jakýpak hřích, když na něho pohlédnu, třeba zdaleka? Třeba s ním pohovořím, to všecko není ještě neštěstí! Ale co mluvím, čím se obelhávám? Ať si třeba zemru! Jen když ho uvidím! Jen uvidím! Buď jak buď, uvidím Borise! Jen kdyby už byla noc! (přehodí bílý šátek přes sebe a odejde zadními dveřmi) (Kabanicha vstoupí se světlem a se zákusky do pokoje, za ní Dikoj. Výklenek tmavý, pokoj osvětlený)

Estou sem tempo para isso. (sai rapidamente) KATERINA (olha para a chave) Vejamos! Desgraça! Aqui está a desgraça de que falei! (precipita-se para a janela) Jogar fora! Jogar fora, na água. Assim nunca a encontrarei. (fica pensativa) Queima como carvão incandescente. Tem alguém vindo! (esconde a chave rápido) KABANICHA (fora do palco, para Dikoj) Se veio atrás de algo, fale direito! Não grite! KATERINA Não, não. Ninguém. Meu coração parou de bater! Não, ninguém! Como me assustei! E escondi a chave. Claro que é a vontade do destino. E que pecado será, se eu olhar para ele, talvez de longe? Talvez eu fale com ele, nada disso ainda é a desgraça! Mas o que estou dizendo, com o que estou me enganando? Não ligo se morrer, caso possa vê-lo! Apenas vê-lo. Seja como for, verei Boris! Ah, se apenas fosse noite! (coloca um xale branco e sai pela porta dos fundos) (Kabanicha entra no aposento com uma luz e doces, com Dikoj atrás dela. A alcova está escura, o aposento iluminado)

33


DIKOJ Nic zvláštního, jenom jsem trochu nachmelen. KABANICHA Tedy jdi spát! DIKOJ A kam mám jet? KABANICHA Domů! DIKOJ Ale když nechci domů!

KABANICHA Então vá dormir! DIKOJ E para onde eu deveria ir? KABANICHA Para casa! Para onde mais? DIKOJ Mas se não quero ir para casa!

KABANICHA (měkčeji) Nu, čeho si přeješ ode mne?

KABANICHA (mais branda) Pois bem, o que você quer de mim?

DIKOJ Hned ti to povím! (kňouravě) Domluv mi přece, aby moje srdce se uklidnilo. (rozplývá se) Ty jediná v celém světě mě dovedeš rozebrat.

DIKOJ Já digo! (lamuriando-se) Console-me com sua fala, para que meu coração se acalme. (derrete-se) Só você, na cidade inteira, sabe como me ajudar.

KABANICHA Chtěli na tobě zase peněz? DIKOJ Dám, dám! Ale nadám! Mukneš o penězích, nic jinak, nic jinak, jak bys vnitřnosti pálil! KABANICHA Nemáš nad sebou starších, proto se troufáš! DIKOJ Mlč, kmotra! Kdysi… o velikém postě kál jsem se a postil, kál jsem se a postil. 34

DIKOJ Nada especial, só estou um pouco bêbado.

KABANICHA Queriam dinheiro de você de novo? DIKOJ Sim, sim! Mas não dou! Se você só falar de dinheiro, e nada mais, vai fazer meu estômago arder! KABANICHA Não existe ninguém mais velho do que você, daí você ousa! DIKOJ Calma, vizinha. Uma vez... na Quaresma eu me arrependi e jejuei, arrependi e jejuei, e, então,


V tom nějaká nečistá síla namane mi mužika do cesty. Dříví vozil, pro peníze přišel. Čert ho pro hřích v takovou dobu přines! Zhřešil jsem! Nadal jsem mu, div neztloukl. (měkce, přisedá blíže ke Kabaniše) Vidíš, jaké mám srdce! Potom jsem ho prosil za odpuštění, k nohám jsem se mu skláněl. Vidíš, kam mne až srdce přivádí. Vidíš, kam mne až srdce přivádí. (padá Kabaniše k nohám) V blátě na zemi jsem k nohám padl! V blátě! Oh! (žebroní) KABANICHA (odmítá Dikoje) Posaď se! Nemuč se! Ale dbej dobrých mravů, dobrých mravů!

PROMĚNA

Rokle zarostlá křovím; nahoře plot zahrady Kavbanových a v něm vrátka. Shora po svahu pěšina. Letní noc. (s kytarou) KUDRJÁŠ Nikoho tu není! To si zazpíváme z dlouhé chvíle. (určité) Po zahrádce děvucha již ráno se procházela, do potoka na své líce často pohlížela! Chodí za ní, chodí za ní šohajíček švarný. Drahé dárky kupované vždy on nosí za ní. Za dukáty, za červené svoje dárky volí, sukénky to, šátečky to, botečky sobolí. Copak dělá, že nepřichází?

uma força sobrenatural, colocou um mujique no meu caminho. Trazia lenha, veio atrás de dinheiro. O diabo o trouxe para que eu pecasse! Pequei! Xinguei-o, e não bati nele por milagre. (com suavidade, senta-se mais perto de Kabanicha) Veja que tipo de coração eu tenho! Daí implorei-lhe perdão, e me curvei a seus pés. Veja até onde o coração me leva. (cai aos pés de Kabanicha) Caí aos pés dele, no lodo! No lodo! Oh! (implora) KABANICHA (rechaça Dikoj) Sente-se! Não se torture! Mas tenha bons modos, bons modos!

INTERMEZZO

Um barranco coberto de arbustos; acima, a cerca do jardim dos Kabanov, com um portãozinho. Acima, uma trilha em uma encosta. Noite de verão. (Kudrjás com um violão) KUDRJÁS Não tem ninguém! Vamos cantar para passar o tempo. (decidido) De manhã, uma garota foi passear no jardim, mirou seu rosto muitas vezes na fonte! Um garoto bonito vai atrás dela. Sempre leva presentes caros que comprou. Escolhe os presentes em troca de ducados, de moedas vermelhas, saias, echarpes, sapatos de zibelina, O que ela está fazendo que não vem? 35


(sedne si) Ej, půjdu já, mladušenká na trh pohlédnouti a co se mi líbit bude, koupím na své pouti. Ej, koupím já, mladušenká voňavé dvě máty, zasadím já obě máty podle svojí chaty. Nedeptej jich, švarný šohaj, pod mýma oknama, ne pro tebe sadila já, aniž zalívala! (Boris vstoupí, Kudrjáš ho zahlédne) Vida, taky si vyšel na toulku! BORIS To jste vy, Kudrjáši? KUDRJÁŠ Ano, Borisi Grigorjiči! BORIS A proč jste tady? KUDRJÁŠ Já? Patrně mám proč. Pro nic za nic bych sem nechodil. A copak vás sem vede? BORIS Hleď, Kudrjáši, oč jde! (ohlíží se kolem pátravě, tajemně) Mně je třeba tady zůstat. Nebyl bych přišel, kdyby mně nebylo uloženo. KUDRJÁŠ A kdo vám co uložil? BORIS Nějaká dívka řekla mi na ulici, abych přišel sem, na stráň zahrady Kabanových, kde je pěšinka.

36

(senta-se) Ei, eu, uma garota, vou ao mercado olhar, comprando o que quiser no caminho. Ei, eu, uma garota, vou comprar duas mentas cheirosas. Vou plantar ambas ao lado de minha cabana. Não as esmague, garoto, debaixo da minha janela, Não foi para você que eu as plantei e reguei! (Boris entra. Kudrjás avista-o) Veja, ele também veio passear! BORIS É você, Kudrjás? KUDRJÁS Sim, Boris Grigorjevic! BORIS Mas por que está aqui? KUDRJÁS Eu? Obviamente com motivo. Não viria aqui sem razão. E o que o traz aqui? BORIS Veja, Kudrjás, qual é a questão! (olha ao redor, perscrutando misteriosamente) Tenho que ficar aqui. Não teria vindo se não me mandassem! KUDRJÁS E quem mandou? BORIS Uma garota me disse, na rua, que eu devia vir aqui, à encosta do jardim dos Kabanov, onde tem uma trilha.


KUDRJÁŠ Vždyť jsem vás varoval; zamilovat se nerozvážně! BORIS (nesměle) Ano, to je moje hoře. KUDRJÁŠ Tak do té vdané? BORIS Ano. KUDRJÁŠ To ji chcete zahubit? BORIS Prosím tě, nestraš mě! KUDRJÁŠ A má ona vás ráda? BORIS Nevím! Pouze jednou jsem ji uviděl u strýce. Jinak vídávám ji v kostele. Ach, Kudrjáši, kdybys viděl, jak se modlí, jaký andělský úsměv hrá jí na líci! A z líce jak by světlo zářilo! KUDRJÁŠ To je tedy Kabanová! BORIS Ano! KUDRJÁŠ Tak vida, vida! (Varvara vstoupí z vrátek a zpívá) VARVARA Za vodou, za vodičkou můj Váňa stojí.

KUDRJÁS Eu o avisei; apaixonar-se de um jeito tão tolo! BORIS (tímido) Sim, essa é a minha desgraça. KUDRJÁS É uma mulher casada? BORIS Sim. KUDRJÁS Você quer destruí-la? BORIS Não me assuste, por favor! KUDRJÁS E ela te ama? BORIS Não sei! Só a vi uma vez, na casa de meu tio. Além disso, vejo-a na igreja. Ah, Kudrjás, se você visse como ela reza, que sorriso angelical leva no rosto! E que luz irradia de seu rosto! KUDRJÁS Então é Kabanová. BORIS Sim. KUDRJÁS Está vendo, está vendo! (Varvara vem do portãozinho e canta) VARVARA Para lá da água, para lá da fonte, está meu Vânia.

37


KUDRJÁŠ (popojde k Varvaře) Tovar nakupuje carevně svojí. VARVARA Nech jsem já i děvucha, to z izby temné. KUDRJÁŠ To láska zrobila carevnu z tebe. VARVARA (sejde dolů po pěšince, zakryje si tvář šátkem a přistoupík Borisovi) Ty, mládenče, počkej! Dočkáš se! (ke Kudrjášovi) Pojďme k Volze! (zajde s k Kudrjášem) BORIS Ta noc! Písně, dostaveníčko! Jdou zavěšeni, veselí. Také já čekám. Ale nač čekám, nevím, ani představit si nedovedu! Srdce mi bije. Nevím, co jí řeknu…Tu jde! (Káťa se blíží tiše po pěšince, oči k zemi klopíc, pomlka) (nejistě) Jste to vy, Katěrino Petrovno? (Káťa mlčí) Ani nevím, jak vám děkovati… (Káťa mlčí) Ach, kdybyste, Katěrino Petrovno, kdybyste věděla… jak vás mám rád! KATĚRINA (s úlekem, ale oči nepozdvihujíc) Nedotýkej se mne, ach nedotýkej se mne! Jdi ode mne pryč! BORIS Jak vás mám rád! 38

KUDRJÁS (vai até Varvara) Está comprando coisas para sua tsarina. VARVARA Embora eu seja uma garota de um quarto sombrio. KUDRJÁS O amor fez de ti uma tsarina. VARVARA (vai pela trilha, escondendo o rosto com a echarpe. Chega até Boris) Jovem, espere! Vai compensar! (para Kudrjás) Vamos até o Volga! (Sai com Kudrjás) BORIS Essa noite! Canções, encontros! Vão de braços dados, alegres. Eu também espero. Mas por que espero, não posso nem imaginar! Meu coração palpita. Não sei o que lhe direi... Lá vem ela! (Katerina aproxima-se calmamente pela trilha, com os olhos no chão; uma pausa) (indeciso) É você, Katerina Petrovna? (Katerina fica em silêncio) Nem sei como agradecer.... (Katerina fica em silêncio) Ah, se você soubesse, Katerina Petrovna, o quanto eu te amo! KATERINA (chocada, mas sem levantar os olhos) Não me toque, ah, não me toque! Afaste-se de mim! BORIS Como eu te amo!


KATĚRINA Vždyť víš, že toho hříchu neodčiním, nikdy neodčiním. Vždyť mi jako kámen padá na duši, jako kámen. BORIS Neodhánějte mne, neodhánějte mne od sebe!

KATERINA Você sabe que jamais expiarei esse pecado, jamais expiarei! Pesa-me na alma como uma pedra. BORIS Não me afaste, não me afaste de você!

KATĚRINA Proč jsi přišel, proč jsi přišel! Vždyť jsem vdaná žena, vždyť mám až do hrobu žíti se svým mužem… Co to na sebe chystám? Ty chceš mojí zkáze?

KATERINA Por que você veio? Por que você veio? Pois sou uma mulher casada. Tenho que viver com meu marido até a morte... O que estou aprontando? Você quer me arruinar!

BORIS Proč bych chtěl vaší zkáze? Když vás miluji víc než všechno na světě!

BORIS Por que eu quereria te arruinar, se te amo mais do que tudo no mundo?

KATĚRINA Chceš sebe zahubit, nás zahubit? BORIS Vaši vůli! KATĚRINA Že jsem domov opustila, v noci přišla za tebou, nemám svobodné vůle! Kdybych měla svobodné vůle, nebyla bych přišla za tebou! Co nevidíš? (pozdvihne oči, zadívá se na Borise, se stoupajícím rozechvěním) Tvoje vůle nade mnou vládne! Což to nevidíš? (vrhne se Borisovi kolem krku) Živote můj! BORIS Živote můj! (oba zůstávají v objetí) KATĚRINA Tak se mi zachtělo zemřít…

KATERINA Quer se destruir, quer nos destruir? BORIS Como você quiser! KATERINA Deixei minha casa, vim atrás de você à noite, não tenho vontade própria! Se tivesse vontade própria, não viria atrás de você! Não está vendo? (ergue os olhos e crava-os em Boris, com agitação crescente) Sua vontade manda em mim! Não está vendo? (atira-se no pescoço de Boris) Minha vida! BORIS Minha vida! (Ficam ambos abraçados) KATERINA Como queria morrer de repente... 39


BORIS Pročpak umírat, když je nám krásně žít? KATĚRINA Nikoli, mně nelze žít! BORIS Neříkej mi takových slov! Nemuč mě! Což mi tebe není líto? KATĚRINA Nač mě litovat? Nikdo není vinen, já sama, sama přišla za tebou. Nelituj mě, zahub mě, ať všichni vědí, všichni vidí, co dělám! BORIS Nač na to pomýšlet! KATĚRINA Když jsem pro tebe se hříchu dopustila, proč netrpět! BORIS Nač na to pomýšlet! (prudce se objímají) VARVARA (vrací se s Kudrjášem) Nuže, shodli jste se? BORIS (překvapen) Shodli!

40

BORIS Por que morrer quando é lindo viver? KATERINA Nada disso, para mim é impossível viver! BORIS Não me diga tais palavras! Não me torture. Não tenho pena de você? KATERINA Por que ter pena de mim? Ninguém é culpado, eu mesma vim atrás de você. Não tenha pena de mim, destrua-me, que todos saibam, que todos vejam o que estou fazendo! BORIS Por que pensar nisso? KATERINA Se pequei por sua causa, por que não sofrer! BORIS Por que pensar nisso? (Abraçam-se apaixonadamente) VARVARA (volta com Kudrjás) Então, entraram em acordo? BORIS (surpreso) Entramos!

VARVARA Tak projděte se! Váňa vás zavolá, až bude třeba.

VARVARA Então vão passear! Vânia chamará quando for preciso.

KUDRJÁŠ (k Varvaře) To jste si vymyslily pěknou věc!

KUDRJÁS (para Varvara) Você planejou um belo negócio!


Lézt skrz zahradní vrátka! (usedne s Varvarou na kámen) VARVARA To všechno já! KUDRJÁŠ To je ti podobno. Ale nepřijde-li na to maminka? VARVARA Eh, ani jí na mysl nepřijde! Prvý spánek bývá tvrdý KUDRJÁŠ Přece však, pojednou jí čert nedá spát.. VARVARA Co na tom, ze dvora vedou vrátka, která se zevnitř zavírají. Bude klepat… odejde. Ráno jí řeknu, že jsme tvrdě spaly A pak, Dikoj je u ní návštěvou.

Insinuar-se pelo portãozinho do jardim! (Senta-se com Varvara em uma pedra) VARVARA Tudo obra minha. KUDRJÁS É a sua cara. Mas e se sua mãe descobrir? VARVARA Oh, não vai nem lhe passsar pela cabeça! O primeiro sono costuma ser profundo. KUDRJÁS Porém, de repente, o diabo pode não deixá-la dormir. VARVARA E daí? Há um portãozinho no quintal, que fecha por dentro. Ela vai bater... vai sair. De manhã, vou dizer que dormimos pesado. E, ainda, Dikoj está com ela, de visita.

KATĚRINA (z dálky) Už dávno jsem tě znala!

KATERINA (ao longe) Já te conhecia de longa data!

BORIS (z dálky) Už dávno jsem tě znal!

BORIS (ao longe) Já te conhecia de longa data!

VARVARA Takoví hrubci a rozumějí si! Ostatně na stráži stojí Glaša. Kdyby se něco šustlo, zavolá. BORIS (z dálky) Zdá se mi, že kraj světa šel bych za tebou! VARVARA Ostatně, bez nebezpečí to nejde! Než se naděješ, padneš do neštěstí! Kdybychom věděli, kolik je hodin?

VARVARA Gente tão tosca, mas se entendem! Para isso, Glasa está de vigia, Se algo acontecer, chama. BORIS (ao longe) Acho que te seguiria até o fim do mundo! VARVARA Aliás, nada acontece sem riscos! Quando menos espera, você cai em desgraça! Sabe que horas são? 41


KUDRJÁŠ Jedna!

KUDRJÁS Uma!

VARVARA Jak víš?

VARVARA Como sabe?

KUDRJÁŠ Ponocný tloukl… KATĚRINA (z dálky) Živote můj, kraj světa šla bych, šla bych za t bou! BORIS (z dálky) Živote můj! VARVARA Je čas! Zavolej na ně! BORIS (z dálky) Kraj světa, živote můj! KUDRJÁŠ (volá zpěvem) Všecko domů, domů, všecko domů, domů! A já domů nepůjdu!“ BORIS (za scénou) Slyším! (s Varvarou stoupají po pěšince k vrátkům)

42

KUDRJÁS O vigia da noite anunciou... KATERINA (ao longe) Minha vida, eu te seguiria até o fim do mundo! BORIS (ao longe) Minha vida! VARVARA Está na hora! Chame-os! BORIS (ao longe) Até o fim do mundo, minha vida! KUDRJÁS (chama cantando) Todos para casa, todos para casa, mas eu não vou para casa! BORIS (fora do palco) Estou ouvindo. (Kudrjás vai com Varvara até o portãozinho, pela trilha)

KUDRJÁŠ Choď si, dívko, do času, do večerního času, aj, leli, leli, leli, do večerního času.

KUDRJÁS Fique passeando, garota, até o entardecer, ai, leli, leli, até o entardecer.

VARVARA A já dívka jsem mladá, a já raděj do rána, aj, leli, leli, leli, do ráníčka, do rána.

VARVARA Sou uma garota, e prefiro ficar até o amanhecer, ai, leli, leli, até o amanhecer.


KUDRJÁŠ A jak zora vstávala, já se domů sebrala, aj, leli, leli, leli, já se domů sebrala.

KUDRJÁS E quando a estrelad'alva apareceu, parti para casa, ai, leli, leli, parti para casa.

(Káťa s Borisem rychle vstoupí)

(Katerina entra rapidamente com Boris)

VARVARA (volá k nim) Zdalipak se rozloučíte?

VARVARA (chama-os) Perguntava-me se vocês iam se separar.

(Káťa jde sama po pěšince nahoru, těžce, Boris zůstává dole stát)

V popředí galerie, klenutí staré, rozpadávající se budovy. Tu a tam tráva a keře. Za oblouky břeh a výhled za Volhu. Šero, jak za deštivého počasí. K večeru. KULIGIN Krápe!

(Kátia vai sozinha pela trilha, pesadamente)

Ao fundo, as arcadas de um velho prédio dilapidado. Aqui e ali, grama e arbustos. Detrás das arcadas, uma margem, com vista para o Volga. Penumbra, como em tempo chuvoso. Entardecer. KULIGIN Está chovendo!

KUDRJÁŠ Přijde bouře. (vchází s Kudrjášem pod klenbu)

KUDRJÁS Lá vem tempestade! (Kuligin e Kudrjás vão para debaixo das arcadas)

KULIGIN Dobře, že je kde se schovat!

KULIGIN É bom ter onde se abrigar!

KUDRJÁŠ A co lidu na bulváru! KULIGIN Zdá se, že se všecko nahrne sem! (Pod klenutím procházejicí se utíkají)

KUDRJÁS Quanta gente no bulevar! KULIGIN Parece que todo mundo vai se enfiar aqui. (As pessoas que estavam passeando correm para debaixo das arcadas) 43


KUDRJÁŠ Kupcové jdou naparáděné KULIGIN A vida! Tady je vymalováno! (rozhlíží se po stěnách) Místy je to znát. KUDRJÁŠ Vyhorelo! KULIGIN Je to Gehenna, pekelný oheň? KUDRJÁŠ Po požáru neopravili. KULIGIN Všeho druhu lidé do něho padají. KUDRJÁŠ Tak, brachu milý! KULIGIN Všech důstojností! KUDRJÁŠ Tak, tak, dobře's to pochopil.

KULIGIN Mas veja! Tem pintura aqui! (Dá uma olhada nas paredes) Em alguns lugares dá para distinguir. KUDRJÁS Queimado. KULIGIN Seria Gehenna, o fogo do inferno? KUDRJÁS Não restauraram depois do incêndio. KULIGIN Todo tipo de gente caiu nele. KUDRJÁS Sim, caro amigo! KULIGIN De todas as classes! KUDRJÁS Isso, isso, você entendeu direito.

KULIGIN Taky mouřenínové!

KULIGIN Inclusive mouros!

KUDRJÁŠ Taky, taky mouřenínové.

KUDRJÁS Inclusive mouros.

(Vstoupí Dikoj: všichni se před ním uklánějí a uctivě se před něho stavějí) DIKOJ Celého mne to pokropilo! KUDRJÁŠ Savjole Prokofjiči! 44

KUDRJAS As mulheres de mercadores estão todas chiques.

(Entra Dikoj; todos se inclinam para ele, e se postam diante dele com respeito) DIKOJ Estou todo molhado. KUDRJÁS Savjol Prokofjevic!


DIKOJ (ke Kudrjášovi) Odraz ode mne! Odraz! Co na mne lezeš? Možná, že nechci s tebou ani mluvit! Přímo rypákem se žene do hovoru! KUDRJÁŠ Bouře zde často bývají. DIKOJ Nesmysl! KUDRJÁŠ Hromosvodů nemáme! DIKOJ Nesmysl! Nu, a jaképak máš ty hromosvody? KUDRJÁŠ Ocelové! DIKOJ (zlostně) Co dál? KUDRJÁŠ Ocelové tyče. DIKOJ Slyšel jsem, že tyče. KUDRJÁŠ Spustí se tyče. (ukazuje, jak se spouštějí) DIKOJ Co dál? Co dál? KUDRJÁŠ Nic víc! DIKOJ (podkasává se) A co je bouřka po tvojím rozumu?

DIKOJ (para Kudrjás) Afaste-se de mim! Afaste-se! Por que está me incomodando? Talvez não queira nem falar com você! Jogando-se na conversa com essa fuça! KUDRJÁS Aqui as tempestades são frequentes. DIKOJ Bobagem! KUDRJÁS Não temos para-raios! DIKOJ Bobagem! E que tipo de para-raios existe? KUDRJÁS De aço. DIKOJ (zangado) O que mais? KUDRJÁS São varetas de aço. DIKOJ Entendi que são varetas. KUDRJÁS Colocam as varetas. (Mostra como são colocadas) DIKOJ E então? E então? KUDRJÁS Nada mais. DIKOJ (cada vez mais bravo) E o que é uma tempestade, na sua opinião? 45


KUDRJÁŠ Elektřina! DIKOJ (zlostně zadupá nohou) Jakápak elektřina? Jaká elektřina? Vida! Potom nejsi loupežník? (přesvědčivě) Bouře je za trest na nás, abychom moc boží pociťovali! A ty chceš tyčemi, nebo rožni nějakými proti ní se bránit! Co jsi ty? Jsi Tatar? Tatar? Nu, mluv! Tatar? KUDRJÁŠ Savjole Prokofjiči! Vaše slovutnosti! (divadelně) Děržavin praví: “Mé tělo rozpadne se v prach, však rozum hromem svlád!“ (Kudrjás mávne rukou a chce odejít) DIKOJ Velectění, co to povídal? Podržte ho! Takový falešný mužíček! (náhle obrátí se k lidu kolem stojícímu) Darmo, proklatci, člověka ve hřích uvádíte! (ke Kudrjášovi) Přestalo pršet? KUDRJÁŠ (ledabyle) Zdá se. DIKOJ (napodobuje Kudrjáše) Zdá se. Jdi a podívej se! A to si řekne: „Zdá se!“ (Dikoj odchází, všichni za ním) (scéna je nějakou chvíli prázdná, pod klenutí hbitě vstoupí Varvara, přikrčuje se a vyhlíží ven) 46

KUDRJÁS Eletricidade! DIKOJ (bate o pé, zangado) Que tipo de eletricidade? Que tipo de eletricidade? Está vendo! Não é um bandido? (convicto) A tempestade é uma punição, para que sintamos o poder de Deus! E você quer, com varetas, ou algum tipo de espeto, defender-se dela? Quem é você? Um tártaro? Um tártaro? Diga então! Um tártaro? KUDRJÁS Savjol Prokofjevic! Excelência! (dramaticamente) Derjávin diz: “Meu corpo há de se decompor em pó, mas minha mente domina o trovão!” (Kurdjás acena com a mão e quer sair) DIKOJ (furioso) Prezados, o que ele disse? Detenham-no! Que mujique falso! (Vira-se, de repente, às pessoas ao redor) Malditos, é em vão que levam a pessoa ao pecado. (para Kudrjás) Parou de chover? KUDRJÁS (indiferente) Parece. DIKOJ (imitando Kudrjás) Parece. Vá olhar! Tudo que ele diz é: “Parece!” (Dikoj sai, seguido pelos outros) (o palco fica vazio por um tempo. Varvara entra furtivamente nas arcadas, agacha-se, e olha ao redor)


KUDRJÁŠ (ledabyle) Přestalo! (Boris se zastavuje v hloubi scény s Kudrjášem) VARVARA (kývá na Borise) Pssst! Pssst! Zdá se, že je to on! (Boris přijde k ní) Co si počnems Katěrinou! BORIS (ustrašen) Co se děje? VARVARA Ale hotové neštěstí! Nic jinak! Muž se jí vrátil, víš už o tom? BORIS Nevím! VARVARA A Katěrina je prostě nesvou! BORIS Ach, to ji už nespatřím! VARVARA Ach, ty! Poslyš mě přece! Celá se chvěje, jak by jí zimnice lomcovala! Je bledá, potácí se po domě, jak by něco hledala! Oči má jak šílená! Dnes ráno začala plakat, stále vzlykat: Ach! Báťušky! Co si mám počít? Takových věcí natropí… BORIS Ach bože! Co si počít? VARVARA že, pravím ti, že praští sebou o zem a všechno mu poví. BORIS (ulekne se) Je-li možná?

KUDRJÁS (indiferente) Parou. (Boris está no fundo do palco, com Kudrjás) VARVARA (acenando para Boris) Pst! Pst! Parece que é ele! (Boris vai até ela com urgência) Que vamos fazer com Katerina? BORIS (assustado) O que acontece? VARVARA Um desastre completo! Nada mais! O marido voltou, está sabendo? BORIS Não sabia! VARVARA E Katerina está simplesmente fora de si! BORIS Ah, nunca mais colocarei os olhos nela! VARVARA Ah, você! Ouça-me! Está toda tremendo, como se tivesse febre! Está pálida, fica cambaleando em casa, como se procurasse algo! Tem olhos de maníaca! Hoje cedo começou a chorar, sempre soluçando: “Ah! Céus! O que fazer?” Está fazendo isso. BORIS Ah, Deus, que fazer? VARVARA Estou lhe dizendo, ela vai se jogar no chão e contar tudo para ele. BORIS (assustado) Seria possível? 47


VARVARA U ní je všechno možné! Maminka si toho všimla, pořád na ni kouká, jako zmije kouká a jí je z toho hůř! Tu jdou! Maminka jde s nimi! (Boris vyjde z podloubí) Schovej se! (hřmí z dálky)

VARVARA Com ela, tudo é possível! Mamãe notou, está sempre de olho nela, com olhos de víbora, o que só a faz piorar! Lá vêm! Mamãe vem com eles. (Boris sai das arcadas) Esconda-se! (Troveja ao longe)

KATĚRINA (vběhne, chopí Varvaru za ruku) Ach, Varvaro! Moje smrt!

KATERINA (entra correndo, agarra a mão de Varvara) Ah, Varvara! Minha morte!

ŽENA Z LIDU Nějaká ženská náramně se bojí!

MULHER (dentre as pessoas) Tem uma mulher muito assustada!

VARVARA (ke Kátě) Nu dosti, dosti! SBOR Vida, krasavice! Co komu není souzeno, tomu neuteče!

CORO Não se pode escapar do destino! Vejam essa beldade!

VARVARA Vzmuž se!

VARVARA Coragem!

KATĚRINA Nemohu…

KATERINA Não consigo.

VARVARA Vzpamatuj se!

VARVARA Controle-se!

KATĚRINA Vzpamatuj se!

KATERINA Meu coração dói.

KUDRJÁŠ (vesele) Čeho se bojíte, prosím vás? SBOR Ej, krasavice!

48

VARVARA (para Katerina) Basta, basta!

KUDRJÁS (com Boris atrás de si; alegre) Do que você tem medo, eu pergunto! CORO Ei, bonita!


KUDRJÁŠ Každé kvítko raduje se, a vy se schováváte?

KUDRJÁS Cada florzinha está alegre, e você se esconde?

KÁŤA (zhlédne Borise) Ach! Co tu ještě chce! Či je mu toho ještě málo? Či je mu toho ještě málo, jak já se mučím?

KATERINA (percebe Boris) Ah, o que mais ele quer aqui? Ou isso ainda é pouco para ele? Ou todo meu tormento ainda é pouco para ele?

VARVARA (vstupuje Dikoj s Kabanichou a Tichon) Utiš se, poklekni, pomodli se!

VARVARA (entra com Kabanicha e Tichon) Silêncio, ajoelhem, rezem.

DIKOJ (ke Kabaniše, ukazuje na Káťu) Jaképak může mít zvláštní hříchy? KABANICHA Cizí duše: temnota! KATĚRINA (náhle padá na kolena) Maminko! Tichone! Hříšná jsem před Bohem, před vámi! Hříšná jsem! Což jsem se vám nezapřísáhla, (v dálce hřmí) že se na nikoho ani nepodívám za tvé nepřítomnosti? A víš-li, co jsem nemravná bez tebe udělala? Hned první noc… TICHON Mlč, není třeba! VARVARA Neví, co mluví! KATĚRINA Jsem z domu utekla.

DIKOJ (aponta Katerina para Kabanicha) Quais os pecados particulares dela? KABANICHA A alma alheia são as trevas. KATERINA (cai de joelhos) Mãe! Tichon! Pequei perante Deus, perante vocês. Sou uma pecadora! Não é verdade que jurei a você (trovão à distância) não olhar para ninguém na sua ausência? E sabe o que eu, imoral, fiz quando você não estava? Logo na primeira noite... TICHON Silêncio, não é necessário! VARVARA Ela não sabe o que diz... KATERINA Fugi de casa.

49


KABANICHA No, mluv, mluv, když jsi již začala! KATĚRINA A celých deset nocí s ním se toulala. (vzlyká, Tichon ji chce obejmout)

KATERINA E passeei com ele por dez noites. (Soluça. Tichon quer abraçá-la)

KABANICHA S kým? S kým?

KABANICHA Com quem?

DIKOJ S kým?

DIKOJ Com quem?

KABANICHA S kým? S kým?

KABANICHA Com quem?

VARVARA Vždyť ona lže, neví, co mluví!

VARVARA Claro que está mentindo, não sabe o que diz.

KATĚRINA S Borisem Grigorjičem! (Káťa padne beze smyslů v náruč mužovu) KABANICHA (plna zloby) Synku, dočkal jsi se! TICHON Katěrino! (Blěsky, údery hromu. Káťa se náhle vytrhne Tichonovi a vběhne do bouře, všichni zmateně prchají)

PROMĚNA

Volha. Osamělé místo na břehu; hustý soumrak přechází v noc.

50

KABANICHA Ora, diga, diga, já que começou!

KATERINA Com Boris Grigorjevic! (tomba sem sentido nos braços do marido) KABANICHA (cheia de raiva) Filhinho, é o que se esperava! TICHON Katerina! (trovão. Katerina de repente se solta de Tichon e se precipita para a tempestade. Todos fogem, em confusão)

INTERMEZZO

O Volga; um lugar isolado à margem; o crepúsculo se transforma em noite.


Silně se setmělo. Tichon, vyběhne a rozlíží se, za ním Glaša s lucernou.

Escureceu bastante. Tichon entra correndo, procurando, com Glasa atrás dele, com uma lanterna.

TICHON Ach, Glašo! Co může být horšího! Utlouci ji, to je málo! Maminka povídá: “Do země za živa ji zakopat, aby svou vinu smyla!“ Ale já ji mám rád, líto je mi jenom se prstem se jí dotknout! (odbíhá)

TICHON Ah, Glasa! O que poderia ser pior! Bater nela até matar é pouco! Mamãe diz: “Enterre-a viva para lavar sua culpa!” Mas eu a amo, dói-me machucá-la com um dedo que seja. (sai correndo)

GLAŠA Katěrino! (Kudrjáš chvatně vstoupí, za ním Varvara) VARVARA Na zámek mě zavírá, týrá! Řekla jsem jí: “Nezavírejte mě, bude zle! Bude zle! Bude zle!“ Pouč mě, jak mám teď žít? KUDRJÁŠ Jak žít? Teď utéci! VARVARA Utéci? KUDRJÁŠ V Moskvu matičku! VARVARA V nový, veselý život! (rychle zajdou) TICHON (z dálky) Katěrino! GLAŠA (z dálky) Katěrino!

GLASA Katerina! (Kudrjás entra apressadamente, com Varvara atrás dele) VARVARA Ela me tranca a chave, ela me maltrata. Eu lhe disse: “Não me tranque, serei má! Serei má!” Esclareça-me, como devo viver agora? KUDRJÁS Como viver? Fuja já! VARVARA Fugir? KUDRJÁS Para a mãe Moscou? VARVARA Para uma vida nova e alegre! (saem rapidamente) TICHON (ao longe) Katerina! GLASA (ao longe) Katerina!

51


KATĚRINA (volně vyjde z protější strany) Ne! Nikdo tu není, co as chudák dělá? Vidět se s ním, rozloučit, pak třeba zemřít! Vždyť mi tím není ulehčeno! Tak jsem sebe zahubila, sebe o čest připravila! Ano! Sebe o čest, jemu pokoření! KULIGIN La- la- la! (přejde, zadívá se na Káťu) KATĚRINA (přikrčí se) Vzpomenu si, jak ke mně hovořil? Jak mě litoval? Nevzpomenu! Ach, ty noci, jak jsou mi těžké! Všichni jdou spát – tak lehce, i já jdu! Ale, jak bych se do mohyly kladla. Ta hrůza potmě! Nějaký hluk!

KULIGIN Lalalala. (passa e crava os olhos em Katerina) KATERINA (cobre-se) Vou me lembrar de como ele me falou? Como teve pena de mim? Não me lembrarei! Ah, essas noites, como são duras! Todos dormem tão fácil, até eu! Mas como se jazesse em uma cova. Esse horror na escuridão! Um barulho!

SBOR (z dálky tichy zpev bez textu)

CORO (canta ao longe, sem texto)

KATĚRINA A to zpívání! Jako by někoho pochovávali! A člověk je rád, když konečně je světlo!

KATERINA E esse canto! Como se enterrassem alguém! E a gente se alegra quando o sol finalmente se põe!

(přejde podnapilý chodec, zadívá sena ni) Proč se tak chovají? Říká se, že takové ženské zabíjeli! Kdyby mě tak vzali a hodili do Volhy! Ale tak žij, žij! Žij, žij! (zoufale) A muč se se svým hříchem! Však už jsem zmučena! A dlouho-li mám se mučit? 52

KATERINA (entra devagar, do lado oposto) Não! Ninguém aqui. O que aquele coitado está fazendo? Encontrá-lo, despedir-me, depois talvez morrer! Claro que nada disso aliviou meu sofrimento! Assim me destruí, privei-me de honra! Sim! Privei-me de honra, e humilhei-o!

(um bêbado passa e olha para ela) Por que se portam assim? Dizem que matavam mulheres assim! Se me pegassem e jogassem no Volga! Mas devo viver, viver! Viver, viver! (em desespero) E ser torturada pelo pecado! Porém, já estou torturada até a morte! E por quanto tempo devo ser torturada?


Nu, nač mám tu ještě žít? Nu? Nač? Ni nepotřebuji. Nic mi není milo! Ani to boží světlo mi není milo! Ale smrt nepřichází! Toužíš po ní – ona nepřichází! Ať vidím cokoli, ať slyším cokoli, jenom tady, tady to bolí! (ukazuje na srdce) Snad kdybych s ním mohla žít, bych ještě nějakou radost zažila... jak se mi po něm stýská! Když tě už neuvidím, kdybys aspoň z dáli mě uslyšel! (v zanícení) Vy větry bujné! Doneste mu žalostný můj stesk! Ach, baťušky, stýská se mi! (přistoupí ke břehu a volá ze všech sil) Živote můj, radosti moje, duše má, jak tě mám ráda! Ozvi se! Ach, ozvi se! BORIS (vystoupí, nevidí ji zpočátku) Vždyť je to její hlas! KÁŤA Ozvi se, ach, ozvi se! (přiběhne k Borisovi)

Bem, por que devo continuar vivendo? Por quê? Bem, por quê? Não preciso de nada. Não gosto de nada. Não gosto nem da luz de Deus. Mas a morte não vem; você anseia por ela, ela não vem! Tudo que vejo, tudo que ouço (aponta para o coração) dói aqui, só dói aqui! Talvez se eu pudesse viver com ele ainda sentiria alguma alegria... Como sou sozinha sem ele! Se eu nunca mais te vir, se você pelo menos pudesse me ouvir ao longe! (extasiada) Oh, ventos agitados! Levem-lhe meu pesar aflito! Ah, céus, como sou sozinha! (aproxima-se da margem do rio e grita com toda força) Minha vida, minha alegria, minha alma, como eu te amo! Responda! Ah, responda! BORIS (Boris se aproxima, e inicialmente não a vê) Essa voz é mesmo dela! KATERINA Responda, ah, responda! (corre até Boris)

BORIS Káťo! (padají si do náručí)

BORIS Kátia! (abraçam-se)

KATĚRINA a BORIS Přece tě ještě vidím!

KATERINA e BORIS Depois de tudo, ainda te vejo! 53


(Katěrina pláče na jeho hrudi; zůstanou v němém objetí. Po chvíli se vzpamatují) BORIS Svedl nás Bůh! KATĚRINA Nezapomněls na mě? BORIS Jak bych měl zapomnět, co myslíš? KATĚRINA (prudce) Ne, ne! Chtěla jsem něco jiného říci. Nezlobíš se na mě? BORIS Proč bych se měl zlobit? KATĚRINA Nechtěla jsem tvého zla! Nebyla jsem sebe mocna, když jsem všechno prozradila. Ale ne, ale ne! Chtěla jsem ti něco jiného říci. (rychle se vzpamatuje) Co budeš dělat? Co bude s tebou? BORIS Strýc mě vyhání až na Sibiř! Do obchodu v Kjachtě! KATĚRINA Vezmi mě sebou! (náhle) Ach ne! Jeď sbohem, netrap se pro mne. BORIS Což já jsem volný pták! Což já bych o sobě uvažoval! Ale co bude s tebou? A co tchyní? 54

(Katerina chora no peito dele; abraçam-se silenciosamente. Voltam a si) BORIS Deus nos guiou! KATERINA Você não me esqueceu? BORIS Como poderia te esquecer, o que você está pensando? KATERINA (ríspida) Não, não! Queria dizer outra coisa. Está bravo comigo? BORIS Por que deveria estar bravo? KATERINA Não queria te fazer mal. Estava fora de mim quando revelei tudo. Mas não, mas não! Queria te dizer outra coisa. (volta a si rapidamente) O que vai fazer? O que vai te acontecer? BORIS Meu tio me baniu para a Sibéria! Para seus negócios em Kiakhta! KATERINA Leve-me com você. (subitamente) Ah, não! Vá com Deus, não se preocupe comigo. BORIS Sem dúvida, sou livre como um pássaro! Sem dúvida, decido meu destino! Mas o que será de você? E a sogra?


KATĚRINA Mučí mě, zavírá. Na mne všichni se dívají, do očí se mi smějí, tebe mi vyčítají. BORIS A co tvůj muž? KATĚRINA Chvílemi je laskav, hned se zas zlobí. Pije! Mne bije. (zamyslí se) Ale ne! Vždyť mluvím stále něco jiného! Chtěla jsem ti něco jiného říci… Stýskalo se mi po tobě. A hle, nyní jsem tě opět uviděla! (dětinsky) Počkej, počkej, co jsem ti chtěla říci… V hlavě se mi to plete… BORIS Už mám čas! KATĚRINA Na nic se nemohu vzpomenout. Počkej, hnedle ti to povím! (mírně) Až půjdeš cestou, dej každému žebráku almužnu, žádného neopomeň! (setmělo se docela) SBOR (z dálky zaznívá táhly zpěv beze slov. Zpívá se hláskou polo U, polo O, jako vzdech Volhy) KATĚRINA A nyní dej se na sebe podívat naposledy! Co to zpívají?… Buď sbohem! Nuž jdi! Buď sbohem!

KATERINA Ela me atormenta, tranca-me, Todos ficam me olhando, riem na minha cara, recriminam-me por sua causa. BORIS E o seu marido? KATERINA Às vezes é bom; de repente, fica bravo de novo. Bebe! Bate em mim. (medita) Mas não! Fico falando de outra coisa! Queria te dizer outra coisa... Estava com saudades de você. E, olha, agora te revejo! (infantil) Espere, espere, o que eu queria dizer... Minha cabeça está embrulhada... BORIS Está na minha hora! KATERINA Não me lembro de nada. Espere, digo já! (calma) Quando pegar a estrada, dê esmola aos mendigos, sem exceção! (escureceu completamente) CORO (fora do palco, canta meio O, meio U, como o suspiro do Volga) KATERINA E, agora, deixe-me olhar para você pela última vez! O que estão cantando? Adeus! Vá! Adeus! 55


BORIS Ó, kdyby věděli, jak těžko se loučím! Jak těžko se loučím! (zachází) Jak těžko se loučím! Těžko! SBOR (doznívá z dálky zpěv beze slov) KATĚRINA (prudce) A ještě zpívají! (přiblíží se na pokraj břehu) Ptáčci přiletí na mohylu, vyvedou mláďata a kvítka vykvetou, červeňoučká, modroučká, žluťoučká. (blíží se k řece) Tak ticho, tak krásně! Tak krásně! A třeba umřít! (skříží ruce a skočí do vody) KULIGIN (na druhém břehu) Nějaká ženská skočila do vody! POZDNÍ CHODEC (na druhém břehu) Hej, loďku sem! DIKOJ (přichvátá s lucernou) Kdo to volá? GLAŠA Hej, loďku sem! (z různych stran chvátají lidé s lucernami) TICHON Ó, baťušky, baťušky, to je jistě ona! ! (přichází za Dikojem, zadržuje Tichona)

56

BORIS Ah, se eles soubessem, como é difícil me separar! Como é difícil me separar! (sai) Como é difícil me separar! Difícil! CORO (ao longe, sem palavras) KATERINA (ríspida) E ainda estão cantando! (aproxima-se da margem do rio) Pássaros voarão até a tumba, trarão seus filhotes, e flores vão florescer, vermelhinhas, azuizinhas, amarelinhas. (aproxima-se do rio) Tão calmo, tão belo! Tão belo! E tenho que morrer! (junta as mãos, pula no rio) KULIGIN (do outro lado da margem) Uma mulher pulou na água! HOMEM (na outra margem do rio) Ei, mande aqui um barco! DIKOJ (apressa-se com uma lanterna) Quem está gritando? GLASA Ei, mande aqui um barco! (pessoas acorrem de todos os lados com lanternas) TICHON Oh, céus, céus, deve ser ela! (Kabanicha vem atrás de Dikoj; retém Tichon)


TICHON Pusťte mě KABANICHA Nepustím! Stálo by za to sebe zničit! TICHON Vy jste ji zahubila! Vy, vy jen samotná! KABANICHA Co ty? Nejsi při smyslech? Nevíš, s kým mluvíš? (Dikoj přináší mrtvou Katěrinu) TICHON (padá na Káťu, vzlyká) Káťo! Káťo! DIKOJ Zde máte svou Katěrinu! (Odchází rozrušen) KABANICHA (uklání se na všechny strany) Děkuji vám, děkuji vám, dobří lidé, za úslužnost! (Lid s hruzou se dívá na mrtvolu) Konec opery.

TICHON Solte-me! KABANICHA Não solto! Não vale a pena se destruir! TICHON Você a destruiu. Você, só você! KABANICHA O quê? Perdeu a cabeça? Sabe com quem está falando? (Dikoj carrega Katerina, morta) TICHON (tomba sobre Katerina, soluçando) Kátia! Kátia! DIKOJ Aqui está sua Katerina. (Dikoj sai, perturbado) KABANICHA (inclina-se em todas as direções) Obrigada, boa gente, obrigada por seus favores! (As pessoas, horrorizadas, olham para o cadáver) Fim da ópera.

57


58


VOCÊ PODE INVESTIR NO FUTURO DA MÚSICA LÍRICA! SEJA UM APOIADOR DO THEATRO SÃO PEDRO PESSOA FÍSICA Pode destinar até 6% do seu IR Devido para projetos aprovados na Lei de Incentivo à Cultura do Ministério da Cultura – Lei Rouanet. Declaração do IR por meio do Modelo Completo.

PESSOA JURÍDICA Pode destinar até 4% do seu IR Devido para projetos aprovados na Lei de Incentivo à Cultura do Ministério da Cultura – Lei Rouanet.

SEJA PARCEIRO DO THEATRO SÃO PEDRO!

Relacionamento Institucional: ri@santamarcelinacultura.org.br | (11) 3585-9861

São Pedro, #NossoTheatro Conheça o trabalho que a Santa Marcelina Cultura realiza: www.santamarcelinacultura.org.br | ww.emesp.org.br www.gurisantamarcelina.org.br | www.theatrosaopedro.org.br Realização

59


CONFECÇÃO DE FIGURINOS

DIREÇÃO MUSICAL Ira Levin CONCEPÇÃO E DIREÇÃO CÊNICA André Heller-Lopes CENÓGRAFO Renato Theobaldo CENÓGRAFO ASSOCIADO Beto Rolnik ILUMINAÇÃO Fábio Retti VISAGISMO Anderson Bueno REGENTE ASSISTENTE Juliano Dutra PIANISTA PREPARADOR Rafael Andrade ASSISTENTE DE DIREÇÃO CÊNICA e DIRETOR DE PALCO André di Peroli ASSISTENTE DE FIGURINO Fernanda Câmara ASSISTENTE DE ILUMINAÇÃO Kuka Batista ASSISTENTE DE DIRETOR DE PALCO Henrique Pina COACH DE LÍNGUA TCHECA Igor Herzog EQUIPE DE VISAGISMO Alexandra Rodrigues Xavier Elaine Donini Elizabeth Seabra Emily Cristina da Silva Barbosa José Wellington de Carvalho Maria Luiza Rados TRADUÇÃO DO LIBRETO Irineu Franco Perpetuo EDITORAÇÃO e OPERAÇÃO DE LEGENDAS Piero Schlochauer CAMAREIRAS Elizabete Roque Marineide de Lima Correia Viviane Santos MAQUINISTA Lucas Filho

60

CONFECÇÃO/MODELAGEM Judite G. de Lima COSTUREIRAS Josefa Gomes Dilma Tibiriça Maria Lúcia da Silva

EXECUÇÃO DE CENÁRIOS

Praxinoscópio Produções Cenográficas BR2 Produções Cenográficas

EQUIPE DE PROJETO

ASSISTENTE DE CENOGRAFIA Amanda Venturelli DESENHO TÉCNICO Maria Beatriz Rodrigues

EQUIPE DE CENOGRAFIA

COORDENAÇÃO DE SERRALHERIA José Gomes dos Santos ASSISTENTE DE SERRALHERIA Sandoval Vieira ADERECISTA Sati Inafuku ASSISTENTES DE ADERECISTA Willian Cruz Carolina Queiroz COORDENAÇÃO DE MARCENARIA Cassio Omae ASSISTENTES DE MARCENARIA Cléber Martins José Veríssimo PRODUÇÃO E ADMINISTRAÇÃO Any Ribeiro


DIREÇÃO ARTÍSTICO-PEDAGÓGICA Paulo Zuben COORDENAÇÃO ARTÍSTICA  Ricardo Appezzato SUPERVISORA DE ELENCO  Sandra Lacal ANALISTAS ARTÍSTICO-PEDAGÓGICOS  Gilberto Ferreira e Renata Borges ARQUIVO MUSICAL  Jean Guilmer COORDENAÇÃO DE PRODUÇÃO DE EVENTOS  Anna Patrícia Araújo PRODUÇÃO DE EVENTOS  Márcio Branco e Ana Vanessa ANALISTA ADMINISTRATIVO  Fátima Oliveira SUPERVISORA TÉCNICA  Daniela Gogoni CHEFE DE MAQUINÁRIO  Rodrigo Nascimento MAQUINISTAS  Antônio Carlos da Silva e Júlio de Oliveira TÉCNICO DE ILUMINAÇÃO  Carlos Eduardo Silva TÉCNICO DE SONORIZAÇÃO  Almir Agustinelli MONTADORES DA ORQUESTRA  Alessandro Neves e Francimar Rodrigues ASSISTENTE DE PALCO  Wellington Nunes Pinheiro COPEIRA  Silvia Aparecida P. Nascimento SUPERVISORA DE RELACIONAMENTO INSTITUCIONAL Monica Toyota ANALISTA DE RELACIONAMENTO INSTITUCIONAL Agnes De Munno

1 ºS VIOLINOS Renan Gonçalves – spalla Mariela Micheletti – solista Jair Almeida Jonathan Cardoso Cléber Albuquerque Alecksandro Maciel* Alessandro Oliveira* Mayra Pezzuti 2ºS VIOLINOS Hugo Leonardo Farias – chefe de naipe Anderson Santoro Maria Emília Paredes Indira Torres Paulo Lucas* Lemuel Cordeiro*

VIOLAS Fabio Schio – chefe de naipe Diogo Guimarães – solista Edmur Mello Antonio Carlos Mello* VIOLONCELO Fabrício Rodrigues – chefe de naipe Camila Hessel – solista Denise Piotto* Stefanie Guida* CONTRABAIXO Fernando de Freitas – chefe de naipe Adriano Chaves* Fernando Tosta* FLAUTA Marco André dos Santos – chefe de naipe Filipe de Castro – solista André Cortesi – solista OBOÉS Alexandre Boccalari – chefe de naipe Renato Mendes Sales – solista Rafael Felipe* CLARINETE Daniel Oliveira – chefe de naipe Edmilson Nery* – solista Germano Blume* FAGOTE Ivan Ferreira* – solista Clarissa Oropallo – solista Nara Flores* – solista TROMPAS Rafael Nascimento – solista Edson Nascimento* – solista Nelson Faria* Jessica Alves* TROMPETE Danilo Oliveira Oya – solista André Lacerda* – solista Fábio Simão – chefe de naipe TROMBONE Agnaldo Gonçalves – chefe de naipe André Machado – solista Maurício Martins – chefe de naipe TUBA Rubens Mattos - solista HARPA Rafaela Lopes - solista CELESTA Sin Ae Lee* - solista TÍMPANO Rubens de Oliveira – chefe de naipe PERCUSSÃO Carlos Santos *músicos complementares

61


GOVERNO DO ESTADO DE SÃO PAULO SECRETÁRIO DE ESTADO DA CULTURA | Romildo Campello COORDENADOR DE UNIDADE DE FORMAÇÃO CULTURAL | Dennis Alexandre Rodrigues de Oliveira

SANTA MARCELINA CULTURA PRESIDENTE DO CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO | Irmã Edimar Zanqueta DIRETORA-PRESIDENTE | Irmã Rosane Ghedin ADMINISTRADOR GERAL | Odair Toniato Fiuza DIRETOR ARTÍSTICO-PEDAGÓGICO | Paulo Zuben GESTORA PEDAGÓGICA | Giuliana Frozoni COORDENADORES PEDAGÓGICOS | Adriana Schincariol Vercellino, Edu Ribeiro, Mauro Wrona, Narayani Sri Hamsa de Freitas e Paulo Braga COORDENADOR ARTÍSTICO | Ricardo Appezzato COORDENADORA DA ÁREA SOCIAL | Ana Lucia Giovanetti Antunes COORDENADOR DE DESENVOLVIMENTO INSTITUCIONAL | Mauricio Cruz COORDENADORES DE PRODUÇÃO | Anna Patrícia Lopes Araújo e Marcelo Silva COORDENADORA DE RECURSOS HUMANOS | Marcia Almeida

CRÉDITOS DO PROGRAMA SUPERVISORA DE COMUNICAÇÃO | Renata Franco ANALISTAS DE COMUNICAÇÃO | Marina Panham e Rafael Zanatto ASSISTENTE DE COMUNICAÇÃO VISUAL | Juliana Azevedo DESIGN | Prata Design

62


Turn static files into dynamic content formats.

Create a flipbook
Programa Kátia Kabanová, de Leos Janacek by Santa Marcelina Cultura - Issuu