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A Mesa Redonda da Soja Responsável(RTRS) inicia, a partir da safra 2025/2026, um módulopilotodecertificaçãoemagriculturaregenerativanoBrasil.Onovomodelo amplia o escopo da certificação tradicional da soja responsável ao avaliar não apenasapresençadaspráticas,mastambémoníveldesuaaplicaçãoeintegração naspropriedadesrurais.
OestudoestabeleceuumalinhadebaseparaoCerradomato-grossense,combase em 160 propriedades certificadas, distribuídas em 39 municípios. A avaliação, conduzida pela Produzindo Certo, utilizou dados de campo, análises documentais e referências científicas, permitindo mensurar o estágio atual de adoção das práticasregenerativasesuassinergiasno sistemaprodutivo.
Osresultadosindicamqueoplantiodireto(93,1%)estáconsolidado,representando uma base sólida para o avanço da regeneração. Em nível intermediário de adoção aparecem práticas como redução de pesticidas sintéticos (66,2%), análise de solo (55,6%),rotaçãodeculturas(53,7%),usodebiológicos(55,6%)epreservaçãodeAPPs (46,2%), que demonstram alto potencial de expansão, mas ainda dependem de maior difusão técnica e incentivos econômicos. Já em estágio incipiente, estão práticas como adubação orgânica (23,1%), uso de energia renovável (30%), reflorestamento(33,1%),cercasvivas(31,9%)ecaptaçãodeáguadachuva(6,3%),cuja ampliaçãoéessencialparaaresiliência ecológicadaspropriedades.
Dopontodevistaambiental,76,2%daspropriedadesapresentamdéficitdeReserva Legal, enquanto apenas 22,5% estão em conformidade com o Código Florestal, revelandoumdosprincipaisdesafiosparaaadequaçãosocioambientalnoCerrado. Além disso, a análise do Estoque de Carbono Orgânico no Solo (COS) apontou estoques médios de 39,6 t C/ha na área total e 44,6 t C/ha nas áreas agrícolas, com tendência de estabilidade ou leve incremento entre 2013 e 2023, refletindo o impacto positivo de práticas conservacionistas como o plantio direto, a cobertura permanente eadiversificaçãodeculturas.
O estudo evidencia que a regeneração depende da integração entre práticas complementares, como o plantio direto aliado à rotação de culturas, a cobertura vegetal associada ao uso de bioinsumos, a conectividade entre APPs e áreas de reflorestamento, e o uso de energia limpa combinado a irrigação eficiente. Com essa linha de base, o Cerrado mato-grossense desponta como região-chave para liderar a transição rumo a uma agricultura mais resiliente, produtiva e ambientalmente responsável, apoiada pelo fortalecimento da assistência técnica, crédito diferenciado e instrumentos de mercado como Pagamentos por Serviços Ambientais(PSA)ecréditosdecarbono.
A agricultura regenerativa é uma abordagem que visa restaurar os ecossistemas agrícolas, com foco na saúde do solo, na biodiversidade e na resiliência climática. Diferente da agricultura sustentável, que busca manter os recursos ao longo do tempo, a regenerativa propõe uma atuação ativa na recuperação da fertilidade do solo, por meio de práticas como plantio direto, rotação de culturas, compostagem e integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF), promovendo sinergias ecológicas e maioreficiênciaprodutiva(AgroReceita,2025).
Além de reduzir o uso de insumos químicos, essa abordagem contribui para o sequestro de carbono, a retenção hídrica e a mitigação dos efeitos das mudanças climáticas. Segundo Gheler-Costa et al. (2023), a agricultura regenerativa pode ser definida tanto por seus processos como o manejo integrado do solo, quanto pelos resultados mensuráveis, como o aumento da biodiversidade e a melhoria da qualidade ambiental. Essa flexibilidade permite adaptar práticas às diferentes realidadesregionais,tornandoomodeloviávele escalávelnoBrasil.
Dessemodelo,após15anoscertificandoaproduçãodesojasustentávelnoBrasil,a associação suíça RTRS (sigla em inglês para Mesa Redonda de Soja Responsável) inicia, na safra 2025/2026, um projeto-piloto para avaliar também a adoção de práticasdeagriculturaregenerativaporprodutoresbrasileirosdaoleaginosa.
A possível nova certificação de agricultura regenerativa será oferecida como um módulo complementar à RTRS. Para acessá-la, os produtores precisam, obrigatoriamente,possuiracertificaçãoprincipaldaproduçãodesojaresponsável.
Hoje,aRTRSjátemessascertificaçõescomplementares,queaorganizaçãochama de “add-ons”, para garantir que a produção de biocombustíveis em linha com os padrões do mercado europeu, para a soja não geneticamentemodificada (OGM) e paraaproduçãode milhoresponsável.
A principal diferença em relação ao novo padrão regenerativo está na forma de avaliação. Enquanto o modelo atual verifica se o produtor realiza ou não determinadaprática,onovomóduloatribuipontuaçõescombasenaproporçãode aplicaçãodecada técnica.
Dessa forma a Produzindo Certo trabalha com uma Linha de Base para o Cerrado noMatoGrosso,ondeaspráticasdeagriculturaregenerativaserãoanalisadaspara entender qual o cenário atual que seencontramas propriedades inseridas da área deinteresse.
A RTRS, após mais de uma década certificando a produção responsável de soja no Brasil, dá um novo passo rumo à sustentabilidade ao lançar um projeto-piloto de certificaçãoemagriculturaregenerativa,previstoparaasafra2025/2026.Estenovo módulo, que complementa a certificação RTRS principal, propõe uma abordagem mais aprofundada e quantitativa, avaliando o grau de adoção de práticas regenerativas, como plantio direto, rotação de culturas, uso de culturas perenes e manejoeficiente de insumos. A proposta é mensurar indicadoresdas quatro áreas de impacto: solo, água, biodiversidade e clima, estabelecendo pontuações proporcionaisaoníveldeimplementação dessastécnicasnocampo.
O projeto se conecta diretamente a uma metodologia estruturada em diretrizes práticas, que orienta os produtores sobre como integrar essas ações regenerativas àssuasrotinasagrícolas,sempreemconformidadecomalegislaçãovigente.Assim, anovacertificaçãodaRTRSnãoapenasreforçaocompromissoambientaldacadeia da soja, mas também oferece aos produtores uma ferramenta concreta para a transição a sistemas produtivos mais resilientes, eficientes e comprometidos com aregeneração dosecossistemasagrícolas.
Ométododeavaliaçãofoiestruturadoparafornecerumabasetécnicasólidacapaz de medir, de forma comparável e objetiva, o grau de adoção das práticas de agricultura regenerativa no contexto da produção de soja. Diferente de certificações tradicionais, que apenas verificam a presença ou ausência de determinadas práticas, o projeto piloto de agricultura regenerativa da RTRS busca mensurar o nível de implementação em cada propriedade, estabelecendo uma linha debaseclara quepermitirámonitoraravançosaolongo dotempo.
AProduzindoCerto(PC),parceiratécnicadaRTRS,foiresponsávelpelaexecuçãoe sistematização da avaliação. A empresa dispõe de um banco de dados robusto, alimentado por visitas técnicas presenciais realizadas diretamente nas propriedades rurais. Para esse recorte foram selecionadas propriedades que possuemvisitas apartirde01/01/2022.
Nessas visitas, consultores especializados aplicaram um checklist socioambiental, que reúne mais de 70 indicadores relacionados a aspectos ambientais, sociais e produtivos. Essediagnósticoinicialnãoapenasdelimitaa situação atual das fazendas, como também cria um referencial técnico e bibliográfico para orientar a aplicação prática da agriculturaregenerativa.





Os dados coletados passaram por processos de tratamento, validação e padronização, de modo a garantir que a amostra seja confiável e representativa. A partir dessa base estruturada, foram integrados três componentes centrais da metodologia:
Diagnóstico Socioambiental –aplicação do checklist em campo, gerando o Score Produzindo Certo, quevariade0a100erefleteonívelde conformidade da propriedade com boas práticaseexigênciaslegais.
Plano de Ação Sob Medida –construção de recomendações específicas para cada propriedade, destacando ospassos necessários
paraatransiçãorumoasistemasregenerativos,emconformidadecomalegislação socioambientalealinhadosàsmelhorespráticasdemanejo.
PlanodeMonitoramento – acompanhamento contínuo da implementação das práticas, realizado tanto in loco (em novas visitas técnicas) quanto por meio de ferramentasdigitaiseimagensdesatélite.
Esseencadeamentogarantequeaavaliaçãonãoselimiteaumafotografiapontual da adoção das práticas,mas sim estabeleça um processo contínuo de diagnóstico, planejamento e monitoramento. Dessa forma, cria-se uma linha de base comparável entre diferentes propriedades e regiões, permitindo identificar avanços, desafios e oportunidades para a certificação em agricultura regenerativa no âmbitodaRTRS.
Assim, o processo estruturado não apenas fortalece a confiabilidade dos dados coletados, como também permite uma visão evolutiva da adoção das práticas regenerativas ao longo do tempo. Cabe destacar, contudo, que algumas práticas ainda não são avaliadas pela Produzindo Certo; nesses casos, os parâmetros de referênciaforambuscadosemfontesdaliteraturaespecializada,garantindo maior robustezmetodológica.
Com base nessa abordagem, foi possível organizar as etapas de desenvolvimento da metodologia em uma sequência lógica e transparente, facilitando sua compreensão e aplicação.Para ilustrar de forma clara o processo de construção desse método de avaliação, a seguir apresentamos uma linha do tempo com as principais etapasquederamorigemà metodologiaadotadaneste estudo.

Na definição da área de interesse, foram utilizados os dados de vegetação do projeto RADAM BRASIL, iniciativa pioneira no levantamento sistemático dos recursos naturais brasileiros. Conduzido principalmente nas décadas de 1970 e 1980, o projeto realizou extensos levantamentos aerotransportados, permitindo caracterizardeformadetalhadadiversosbiomas,incluindooCerradoeaAmazônia.
Para dar consistência a esse processo, o cerrado mato-grossense foi escolhido como bioma de referência, tanto pela sua relevância estratégica na produção de soja quanto pela pressão ambiental que enfrenta. Essa escolha garante que os resultados reflitam uma região de grande importância produtiva e alto potencial deimpacto positivocomaadoção depráticasregenerativas.
As propriedades que participam da área de estudo estão abrangendo um total de 39 municípios. A maior concentração de propriedades foi registrada na região do norte mato-grossense, que representou 78,12% do total de propriedades, com destaque para o município de Diamantino. Esse município, além de ser um dos principais polos do agronegócio no Cerrado, conta com produtores tecnificados, estrutura logística consolidada e uma forte cultura de adoção de inovações no campo. A região do sudeste mato-grossense também teve participação significativa, especialmente nos municípios de Alto Garças e Guiratinga, onde há grande pressão por desmatamento e, portanto, alto potencial de impacto positivo comaadoção desistemasregenerativos.


Fonte: RADAM BRASIL. Disponível em: https://www.sgb.gov.br/radam-d Acesso em agosto de 2025 .
A avaliação das práticas de agricultura regenerativa selecionadas neste estudo foi realizada por meio de um sistema de classificação que permite comparar seu desempenhoemdiferentesdimensões.Paracadaprática,foramdefinidoscritérios quecontemplamaspectoseconômicos,ambientaisedeimplementação,deforma a fornecer uma visão equilibrada sobre seus benefícios e desafios. Os critérios consideradosforam:
Benefícioeconômico – impacto em produtividade, redução de custos ou diversificação derenda.
Custo –necessidadede investimento paraadoçãodaprática
Escalabilidade –potencialdeexpansãoregionalenacional.
Impactoambiental –contribuiçãoparasolo,água,biodiversidadeecarbono.
Níveldeadoçãoatual –grauemqueapráticajáestádifundida(Baixode0% a40%;Médiode40%a80%;Alto paraadoção acimade80%).
Viabilidadedeimplementação – facilidade de adoção considerando barreirastécnicaseculturais.
Cada critério recebeu uma nota representada por círculos preenchidos “●”, em uma escalade1 a 3, ondeumcírculo indicamenor intensidadeou relevância etrês círculos representam o nível mais elevado. Esse sistema visual simplifica a análise, permitindo identificar rapidamente pontos fortes e oportunidades de melhoria de cadaprática.
A combinação desses critérios possibilita uma avaliação comparativa entre as práticas, orientando a priorização daquelas que apresentam maior potencial de impacto positivo e maior viabilidade de adoção no contexto da produção de soja sustentável.
Critério
Benefício Econômico
Custo
Escalabilidade
Impacto Ambiental
Impacto limitado na redução de custos ou geração de renda
Exige altos investimentos em insumos ou máquinas
Restrita a contextos específicos, difícil replicação
Efeito restrito sobre solo, água, biodiversidade ou carbono
Nível de Adoção Atual Pouco difundida (<40% dos produtores)
Viabilidade de Implementação
Requer mudanças culturais profundas ou barreiras técnicas/financeiras relevantes
Contribui parcialmente para eficiência ou produtividade
Requer ajustes moderados ou recursos parcialmente disponíveis
Pode ser expandida regionalmente com apoio técnico
Promove melhorias perceptíveis em alguns indicadores ambientais
Adoção parcial (40–80% dos produtores)
Viável com algum apoio técnico ou adaptação de manejo
Gera ganhos claros em economia de insumos, produtividade ou diversificação
Prática acessível, com pouca ou nenhuma necessidade de investimento
Prática consolidada e replicável em larga escala
Contribui fortemente para solo saudável, sequestro de carbono e biodiversidade
Já consolidada no campo (>80% dos produtores)
Prática simples, já conhecida e de fácil adoção
As práticas de agricultura regenerativa selecionadas pela RTRS para este estudo foramdefinidasapartirde umestudode benchmarking depráticasregenerativas, utilizando o padrão do Regenagri. A escolha buscou contemplar práticas já utilizadas no campo, divididas em 4 áreas de impacto (melhoria do solo, biodiversidade, água e clima), com potencial de expansão e impacto positivo comprovado tanto na produtividade quanto na conservação ambiental. Entre elas estão o uso de culturas de cobertura, o plantio direto, a rotação e o consórcio de culturas, estratégias de adubação orgânica e redução de fertilizantes sintéticos, manejo biológico de pragas, irrigação eficiente, análise e monitoramento de solo, alémde ações voltadasàpromoçãoda biodiversidade.Essas práticasrepresentam um conjunto diversificado de soluções que contribuem para a melhoria da saúde do solo, a redução de insumos químicos e a construção de sistemas agrícolas mais resilientesesustentáveis.



Plantas de cobertura são espécies vegetais — gramíneas, leguminosas ou consórcios — cultivadas em áreas de pousio ou antes de culturas comerciais, com oobjetivodeprotegerosoloemelhorarsuafertilidade.Elasfornecempalhadapara o Sistema de Plantio Direto, mantendo o solo coberto, reduzindo erosão, compactaçãoeajudandoaconservaraumidade.
Além da proteção física, promovem benefícios químicos e biológicos, como aumento da matéria orgânica, ciclagem de nutrientes e estímulo à diversidade microbiana, favorecendo o desenvolvimento das culturas subsequentes. Quando bem manejadas, contribuem para reduzir a necessidade de insumos químicos, aumentar a produtividade e fortalecer a resiliência do sistema agrícola, alinhandoseaos princípios daagriculturaregenerativa(Silvaetal.,2021).
Atualmente, a Produzindo Certo não realiza a coleta do dado sobre adoção da prática de cultura de cobertura em suas visitas. Contudo, uma pesquisa realizada pela Embrapa Cerrados revelou que 74% dos produtores rurais utilizam plantas de cobertura em suas propriedades. Embora 26% tenham indicado não adotar a tecnologia, foi possível notar que praticamente todos esses manifestaram disposição em considerar o seu uso. O estudo recebeu contribuições de todo o Brasil, porém o estado com a maior contribuição foi Minas Gerais, seguido do Paraná,SãoPauloeGoiás(EmbrapaCerrados,2025).

Distribuiçãopercentualdeadoçãodeculturade coberturanoBrasil

Espera-sequeouso rotativodeplantasdecoberturamelhoreaestruturadosolo e eleve o teor de matéria orgânica, ao mesmo tempo em que aumenta a atividade biológica, reduz perdas por erosão e lixiviação de nutrientes e diminui a necessidadedeinsumosquímicos.Alémdisso,leguminosasfixadorasdenitrogênio podem fornecer parte das necessidades nitrogenadas das culturas seguintes, reduzindocustosemitigandoimpactosambientais(Silvaetal.,2021;Carvalho,2019).
Espécies nativas e exóticas de cobertura adaptadas ao Cerrado estão disponíveis comercialmenteepodemserimplantadascomomaquináriobásicodepreparação de solo e semeadura, sem necessidade de grandes investimentos em infraestrutura. Protocolos claros para inoculação de leguminosas, adubação inicial emanejoderesíduovegetalpermitemaoprodutorinserirplantasdecoberturaem sistemasdeplantiodireto erotaçãodeculturas(Silvaetal., 2021;Carvalho,2019).
Asplantasdecoberturaatuamdeformasinérgicaaomanterpalhadaqueprotege o solo sob plantio direto, ao interromper ciclos de pragas e doenças em rotações e consórcios, ao reciclar nutrientes que beneficiam fertilizantes naturais e à redução deinsumossintéticos,eaoconservarumidadeemsistemascomirrigaçãoeficiente ou captação de água da chuva, integrando-se, dessa maneira, a um conjunto de práticas que elevam a produtividade e a resiliência dos agroecossistemas (Silva et al.,2021;Carvalho,2019).
Para se estabelecer no Cerrado, é fundamental escolher espécies tolerantes ao estresse hídrico e com taxa de decomposição mais lenta, capazes de formar cobertura duradoura em regime de baixa oferta de água. Espécies recomendadas incluem crotalárias, guandu, milheto e sorgo, que mantêm a cobertura do solo durante a entressafra e promovem ciclagem de nutrientes de forma eficiente (Carvalho, 2019).
Critériosdeavaliação:


O Sistema de Plantio Direto (SPD), também chamado de sistema de semeadura direta, é uma prática de agricultura conservacionista na qual o solo é revolvido apenas na linha de semeadura. Para ser caracterizado como SPD, o sistema deve atender a três princípios básicos: baixo revolvimento do solo, manutenção de coberturavegetal morta(palhada)erotação deculturas(Nobre,2018).
Segundo a Embrapa, são cultivados 33 milhões de hectares em plantio direto no Brasil,masapenas2,7milhõesdessetotalseguedemaneira completaoSPD. Quando adotado de forma completa, o SPD oferece diversos benefícios, como redução da erosão, melhoria da fertilidade e estrutura do solo, economia de combustível,melhoradaumidadeeestabilidadeprodutiva,maioreficiêncianouso de fertilizantes, possibilidade de fixação biológica de nitrogênio, e redução da infestaçãodeplantasdaninhas.Tambémapresentapotencialparafixaçãodegases deefeito estufa,contribuindo paraasustentabilidadedos sistemasagrícolas.

Das 160 propriedades analisadas, 149 (93,13%) declararam adotar a cultura de cobertura, enquanto 8 (5,0%) não utilizam a prática e em 3 (1,87%) o dado não foi coletado, conformedemonstraográficoabaixo.


O plantio direto melhora significativamente a saúde do solo, elevando os estoques de carbono orgânico, a estrutura e a macro e microagregação, reduzindo erosão e aumentando a retenção de água. Favorece a ciclagem de nutrientes e amplia a atividade biológica, resultando em maior biodiversidade edáfica. Sistemas bem conduzidos podem sequestrar carbono em níveis comparáveis aos de vegetação nativa, contribuindo para a mitigação de gases de efeito estufa e aumentando a resiliênciaaeventos climáticosextremos.
O plantio direto já cobre 61,0 % da área cultivada de grãos no Brasil, cerca de 33 milhões de hectares (Censo Agropecuário 2017, IBGE). A viabilidade econômica se dá pela redução de custos com combustível, manutenção e insumos, compensando o investimento em semeadoras específicas e capacitação de equipes.
O plantio direto integra diversas práticas regenerativas: a cobertura permanente protege o solo, a rotação de culturas diversifica nutrientes e inibe patógenos, e técnicas como semeio em nível e uso de terraços aumentam a infiltração da água, reduzindo escoamento superficial. Essa combinação fortalece a resiliência do sistemaprodutivoecriaumciclo deprodução maissustentável.
No Cerrado mato-grossense, o SPD se beneficia da alternância entre estação chuvosa e estiagem, desde que haja cobertura vegetal suficiente. Os Latossolos VermelhoseVermelho-Amarelos,profundosebemdrenados,sãoadequados,mas exigem rotação de culturas e plantas de cobertura com alta relação carbono/nitrogênio e teores elevados de lignina para garantir palhada persistente eeficiente (Carvalho,2010;Silvaetal., 2022).
Critériosdeavaliação:


A rotação de culturas consiste na alternância planejada de espécies vegetais distintasemumamesmaáreaaolongodeanosdiferentes,visandoexplorarhábitos de raízes, ciclos de crescimento e necessidades nutricionais variados. Esse sistema difere da sucessão de culturas, que ocorre quando duas ou mais espécies são cultivadas em sequência no mesmo ano agrícola. É importante enfatizar que se trata da substituição da cultura principal por outra espécie distinta no ciclo seguinte,caracterizandodefato umarotação.
Entre os principais objetivos da rotação de culturas estão a quebra do ciclo de pragas, doenças e plantas daninhas, a diversificação da produção e a redução da vulnerabilidade associada ao monocultivo. Ao evitar repetir a mesma cultura na sequência, diminui-se a pressão de patógenos específicos e reduz-se o uso de defensivos agrícolas. Além disso, a presença de plantas de cobertura e adubos verdes entre as safras comerciais contribui para a produção de palhada, fundamental parasistemas deplantio direto eparaaconservação dosolo.

Do total, 87 (53,75%) propriedades declararam adotar a rotação de cultura, enquanto 71 (44,38%) afirmam não utilizar. Em 2 (1,88%), a informação não foi coletada,comoépossívelobservarnográficoabaixo.


A rotação de culturas é uma técnica agrícola que alterna espécies vegetais para melhorar a saúde do solo e a produtividade. Ao alternar plantas com diferentes necessidadese sistemas radiculares, essa práticaaumenta a matéria orgânicae os nutrientes do solo, quebra os ciclos de pragas e doenças, e melhora a retenção de água. Como resultado, há um aumento na produção de alimentos, redução na necessidade de agrotóxicos e fertilizantes, e um controle mais eficaz de plantas daninhas,tornando apráticamaissustentáveleeconomicamente vantajosa.
Em muitas áreas do Cerrado, a rotação de culturas mais simples, como a de soja e milho, écomum,maspodecausaradegradaçãodo soloalongoprazoeaumentar problemas com pragas, doenças eervas daninhas, apesar de ser economicamente vantajosanoinício.Paraotimizarosbenefíciosdatécnica,érecomendadoousode uma maior diversidade de espécies, incluindo leguminosas e outras culturas de cobertura como milheto, pastagens e braquiárias, que ajudam a melhorar a saúde dosolo,aumentamaprodutividadeereduzemos custoscom fertilizantes.
O plantio direto integra diversas práticas regenerativas: a cobertura permanente protege o solo, a rotação de culturas diversifica nutrientes e inibe patógenos, e técnicas como semeio em nível e uso de terraços aumentam a infiltração da água, reduzindo escoamento superficial. Essa combinação fortalece a resiliência do sistemaprodutivoecriaumciclo deprodução maissustentável.
A rotação de culturas potencializa a eficácia de outras práticas de agricultura regenerativa ao manter a palhada produzida pelas culturas de cobertura e pelo plantio direto, promovendo ciclagem eficiente de nutrientes e retenção de umidade no solo. A associação com consórcios multiespécie amplia a exploração do perfil radicular e reforça o controle biológico natural de pragas. Sua integração comestratégiasdefertilizantesnaturaiseareduçãodeinsumossintéticospermite adosagemprecisa debiofertilizantesecorretivosminerais.
Critériosdeavaliação:


A consorciação de culturas, também conhecida como cultivo múltiplo, é a prática deplantarduasoumaisespéciesdiferentesaomesmotemponamesmaárea.Essa estratégia busca aproveitar melhor recursos como a luz solar, a umidade do solo e os nutrientes disponíveis. Cultivos múltiplos englobam sistemas nos quais as espécies podem ser semeadas sem fileiras organizadas, em fileiras mistas ou em faixassuficientementelargasparamanejoindependente, masestreitasobastante para permitir a interação entre as plantas (Ministério da Agricultura e Pecuária, 2016).
Os benefícios do consórcio incluem melhor uso do espaço, redução de perdas por erosão e competição por plantas daninhas, controle natural de pragas e doenças peladiversidadedeespéciesnosistema,incrementodoaportedematériaorgânica e da fixação biológicade nitrogênio pelas leguminosas, além de maior resiliência a variações climáticas. Em sistemas sob plantio direto, a consorciação reforça a cobertura viva e morta do solo, promovendo aeração e conservação hídrica, fundamentais para a agricultura de baixo carbono e a sustentabilidade de longo prazodaslavouras(Embrapa,2021).
Das propriedades analisadas, 34 (21,25%) utilizam consorciação de culturas, outras 72 (45,00%) propriedades declararam não fazer consorciação. Além disso, 54 (33,75%) propriedades não possuem informações sobre esse aspecto, conforme ilustrado nográficoaseguir.

Distribuiçãopercentualdeadoçãodemúltiplasespécieseconsórcio

Nãoadotam
Nãoinformado
Espera-secomoconsórciodemúltiplasespéciesoaumentodamatériaorgânicae da atividade biológica do solo, elevando os estoques de carbono e reduzindo a incidência de pragas e doenças específicas, devido à diversidade de sistemas radiculares e à interrupção dos ciclos de patógenos. A consorciação permite a maximização do uso do espaço e dos recursos (água, luz, nutrientes) pelo cultivo simultâneo de espécies com arquiteturas e hábitos de crescimento distintos. A combinação, por exemplo, de milho com braquiária, garante cobertura do solo prolongada após a colheita do milho, protegendo-o da erosão e mantendo a umidade.
A consorciação de culturas é uma prática que pode ser adaptada a diferentes realidades, desde pequenos produtores até fazendas de larga escala. A adoção de sistemasconsorciados,comosoja+gramíneasforrageirasoumilho+leguminosas, já está consolidada, contando com pacotes tecnológicos padronizados pela Embrapa. Os custos adicionais com sementes e equipamentos de semeadura são rapidamente compensados pela economia em fertilizantes nitrogenados e defensivos,alcançando retorno do investimento empoucosanos.
Aconsorciaçãodeculturasseintegracomaculturadecoberturaeo plantiodireto aumentandoaretençãodepalhadaeaciclagemdenutrientes.Aliadaàrotaçãode culturas e ao uso de fertilizantes naturais, ela otimiza a eficiência do nitrogênio fixado por leguminosas e dos corretivos minerais. Quando combinada a medidas de irrigação eficiente e à captação de água da chuva, a consorciação melhora a disponibilidadehídricanoperfildosoloefortaleceabiodiversidadeedáfica,criando umsistemaresiliente ede baixoinsumoquímico.
NoCerrado,oclimatropicalsazonalbeneficiaoestabelecimentodeconsórcios,pois aalternânciadeumidadeimpulsionaafixaçãobiológicadenitrogênioeaciclagem denutrientes.Ossolospredominantesnessaregião,comoosLatossolosVermelhos detexturaargilosa,sãogeralmente debaixafertilidadenatural,ácidos ecombaixo teor de matéria orgânica. Nesses contextos, a consorciação, em especial com adubos verdes, é uma boa opção para promover a melhoria da qualidade física, química e biológica do solo, aumentando os teores de matéria orgânica e a ciclagemdenutrientes.
Critériosdeavaliação:


O cultivo perene éo plantio deespécies vegetais que permanecem produtivas por vários anos sem necessidade de replantio, como frutíferas, forrageiras e plantas madeireiras nativas. Esses sistemas promovem cobertura contínua do solo, reduzindo erosãoevariaçõestérmicas, alémdefavorecera ciclagemdenutrientes e o sequestro de carbono. A Embrapa Cerrados tem liderado programas de pesquisaparadomesticaçãoemanejodeplantasperenes nativas,destacando seu potencialmultifuncionalnapaisagemdo Cerrado (Rochaetal.,2019). AexpansãodeculturasperenesnoCerradotemsidonotável.Porexemplo,acanade-açúcar, considerada uma cultura semiperene, viu sua área colhida no bioma aumentar de 490 mil hectares em 1975 para aproximadamente 5 milhões de hectaresem2015,expandindosuaparticipaçãonacionalde25%para49%.Em2015, oCerradorespondiapor52%dacana-de-açúcardopaís(Bolfeetal.,2020).

A Produzindo Certo não realizou a coleta desse dado das propriedades selecionadas,noentanto,deverásercoletado nosprotocolos futuros.
As estatísticas nacionais indicam uma variação significativa no uso da terra para culturas perenes no Brasil. Entre os Censos Agropecuários de 2006 e 2017, a área destinada a lavouras permanentes caiu 34%, de 11.679.152 para 7.755.817 hectares, enquanto as lavouras temporárias cresceram 14% no período. Apesar da queda, o valor total da produção das lavouras permanentes atingiu R$ 40.221.838 mil em 2017. Em termos de especialização econômica, elas eram a principal atividade de 11,09%dos estabelecimentos especializadosporgrupo deatividade(IBGE,2017).
No bioma Cerrado, as culturas permanentes têm mostrado dinamismo, embora com menor importância relativa que as temporárias. A área colhida aumentou de 481milhectaresem1975para816milhectaresem2015.Sóacana-de-açúcar,muitas vezes tratada como permanente ou semiperene, expandiu-se de 490 mil hectares para cerca de 5 milhões no Cerrado, representando 49% da área colhida nacional (Bolfeetal.,2020).

Aadoçãodecultivosperenespode elevaros estoques decarbono nosoloereduzir a erosão hídrica, graças à cobertura vegetal permanente e ao sistema radicular geralmente profundo que estabiliza o perfil do solo. Além disso, essas espécies criam abrigo e recursos para polinizadores e inimigos naturais de pragas, aumentando a resiliência dos agroecossistemas frente a flutuações climáticas e reduzindo adependênciadedefensivos químicos (Bolfeetal.,2020).
A viabilidade técnica e econômica do cultivo perene no Cerrado se sustenta em orientaçõesconsolidadas,comoomanualdeDomesticaçãodePlantasPerenesda EmbrapaCerradoseoguiadeIrrigaçãodoCaféCanéfora,queoferecemprotocolos de escolha de área, preparo do solo, condução e colheita. Esses documentos demonstramque,cominvestimentosiniciaismoderadosempreparoeirrigaçãode estabelecimento, sistemas perenes podem alcançar retorno financeiro em quatro a seis anos, considerando a longevidade produtiva das culturas (Veiga et al., 2021; Rochaetal.,2019).
Ocultivoperenepotencializaoutrastécnicasdeagriculturaregenerativaaomanter cobertura viva e raízes profundas durante todo o ano. Em consórcios, ele complementa a ciclagem de nutrientes junto às culturas anuais. No plantio direto, pode assegurar aporte contínuo de matéria orgânica. Associada a estratégias de conservação de habitat natural, uma cultura perene fortalece a biodiversidade na paisagem e eleva a eficiência do sistema produtivo (Rocha et al., 2019; Bolfe et al., 2020).
Embora as exigências variem por espécie, cultivos perenes como café conilon (Coffea canephora), cajueiro (Anacardium occidentale) e urucuzeiro (Bixa orellana) apresentam boa adaptação ao clima sazonal e ao solo típico do Cerrado matogrossense.Aescolhadaespécieedasmedidasdeadaptação,queincluemcorreção de pH, adubação, irrigação suplementar nos meses secos, seleção de cultivares tolerantes e sistemas agroflorestais integrados, vai depender de fatores como textura,profundidade efertilidadenaturaldosolo, potencialde mercado e cadeias devalorlocaisparaaumentaraprodutividadeefacilitaroescoamentodaprodução (Veigaetal.,2021;Victoriaet al.,2020).
Critériosdeavaliação:


Os fertilizantes naturais são substâncias orgânicas ou minerais que fornecem nutrientes às plantas sem passar por processos industriais de síntese química. Obtidos diretamente da natureza ou por meio de processos biológicos, como compostagem, fermentação ou decomposição de resíduos orgânicos, esses insumos incluem esterco animal, composto orgânico, húmus de minhoca, farinha deossos,cinzasvegetais,biofertilizanteslíquidosefosfatosnaturais.Atécnicamais amplamente utilizada dentro desse contexto é a adubação orgânica, que consiste na incorporação de materiais orgânicos como o esterco, resíduos agroindustriais, compostos vegetais e adubos verdes ao solo, com o objetivo de melhorar sua fertilidade eaprodutividadedasculturas(EMBRAPA,2021;EMBRAPA,2023).
Essa prática está alinhada com os princípios da agricultura sustentável, pois promove o equilíbrio biológico do solo, reduz a dependência de insumos químicos e contribui para a mitigação dos impactos ambientais da produção agrícola. SegundoaEMBRAPA(2023),osadubosorgânicosatuamcomocondicionadoresdo solo, melhorando sua estrutura física, a capacidade de retenção de água e a atividade microbiológica, fatores essenciais para o desenvolvimento saudável das plantaseparaaresiliênciadossistemasprodutivosfrenteàsmudançasclimáticas.

Os dados de Adubação Orgânica no Checklist Produzindo Certo foram analisados em 100% das propriedades do projeto, onde 75% não fazem a utilização da técnica emsuasáreas.Outras23%daspropriedadesutilizamdessatécnica,gerando assim o gráfico abaixo, que descreve como ficaram divididas as propriedades neste quesito.Em2%destaspropriedadesessedadonãofoi coletado.


A utilização de fertilizantes naturais, como compostos orgânicos, esterco curtido e biofertilizanteslíquidos,temdemonstradoimpactospositivosnafertilidadedosolo, na qualidade da produção agrícola e na sustentabilidade do sistema produtivo (Mendes et al., 2020; Silva & Oliveira, 2022). Esses insumos atuam como condicionadores do solo, melhorando a retenção de água, a porosidade e a atividade microbiológica, o que favorece o desenvolvimento radicular e reduz a necessidadede irrigação,especialmente emsolos arenosos.
A adubação orgânica reduz as emissões de gases de efeito estufa, ao evitar o uso excessivo de fertilizantes nitrogenados sintéticos e promover a fixação de carbono no solo(Speraetal., 2016).
A viabilidade da adubação orgânica está diretamente ligada à sua integração com práticas sustentáveis como rotação de culturas, plantio direto e uso de culturas de cobertura, que potencializam seus efeitos agronômicos e ambientais (UFV, 2022). Iniciativas estaduais em Goiás e Mato Grosso têm incentivado a compostagem e o reaproveitamento de resíduos agroindustriais para fortalecer a fertilidade natural dos solos (MAPA, 2024). A eficiência dessa prática depende de planejamento técnico, análise de solo e controle da decomposição, considerando fatores como relação C/N, temperatura, umidade e presença de microrganismos decompositores.
A adubação orgânica apresenta forte sinergia com a conservação da biodiversidade, pois estimula a atividade biológica do solo, favorece a presença de organismos benéficos e reduz a contaminação de corpos hídricos por nitratos e fosfatos.
No Cerrado mato-grossense, por exemplo, os solos são naturalmente ácidos e pobres em matéria orgânica, o que torna a adubação orgânica uma estratégia eficaz para corrigir deficiências nutricionais e aumentar a resiliência das lavouras frente às variações climáticas (SILVA et al., 2021). A aplicação de compostos orgânicosfavoreceaciclagemdenutrientes,reduzperdasporlixiviaçãoeestimula aformaçãodeagregados estáveis, essenciaisparaaconservaçãodosolo.
Critériosdeavaliação:


A adubação química, amplamente utilizada na agricultura moderna, baseia-se na aplicação de fertilizantes sintéticos formulados com macronutrientes como nitrogênio, fósforoepotássio,sendo eficazparaaumentaraprodutividadeagrícola e contribuir para a segurança alimentar (EMBRAPA, 2022). No entanto, seu uso indiscriminado pode gerar sérios impactos ambientais, como a contaminação de lençóis freáticos por nitratos (Silva & Oliveira, 2021) e a eutrofização de corpos hídricos devido ao excesso de fósforo, comprometendo a biodiversidade aquática (Speraetal.,2016).

As coletas realizadas pela Produzindo Certo não avaliam a prática de redução de fertilizantes sintéticos. Com isso, os dados foram gerados apenas pelo item de Adubação Química, que descrevem que em 100% das propriedades analisadas no projetocontemplamautilizaçãodeadubaçãoquímicaemsuasáreas.
Em um estudo de Nascimento (2024), foi identificada uma falha metabólica na agricultura brasileira, evidenciada pela disparidade entre o crescimento do uso de fertilizantessintéticos(nitrogênio,fósforoepotássio)eoaumentodaprodutividade das principais culturas — soja e milho, gerando impactos ecológicos que incluem mineralização e salinização do solo, eutrofização de corpos hídricos e perda de biodiversidade edáfica. Enquanto o uso desses insumos cresceu em média quatro vezes mais que a produtividade, o Brasil tornou-se altamente dependente da importação de fertilizantes, o que compromete sua soberania e o torna vulnerável àsflutuaçõesdo mercado internacional.
Outra pesquisa complementa esses dados, onde segundo Moreira et al., (2012) descreve que a agricultura nos municípios de Lucas do Rio Verde e Campo Verde, ambos no Mato Grosso, está afetando os recursos hídricos e a biota local, com tendência de agravamento devido à expansão da área cultivada no estado. Foram detectados resíduos de agrotóxicos em águas de chuva e córregos, indicando contaminação atmosférica que alcança até centros urbanos e compromete a qualidadedaáguapotável.Dessaforma,percebemosaimportânciadesesubstituir esses produtos químicos por práticas e produtos mais sustentáveis, comobioinsumose aagroecologia. Descritos também como medidas do Governo Federal, em que a redução de agrotóxicos no Brasil é o objetivo do Programa NacionaldeReduçãodeAgrotóxicos (Pronara - Decretonº 12.538/2025.

A redução do uso de fertilizantes sintéticos, como ureia, superfosfato e cloreto de potássio, é uma estratégia essencial para promover a sustentabilidade agrícola e preservar os recursos naturais. Embora esses insumos sejam eficazes na nutrição vegetal, seu uso excessivo está associado à degradação do solo, contaminação hídrica, desequilíbrio microbiológico e emissão de gases de efeito estufa (Mendes et al., 2020). A aplicação intensiva de fertilizantes nitrogenados, por exemplo, contribui significativamente para a liberação de óxidos de nitrogênio (NOx), agravando o aquecimento global. Estudos indicam que a substituição parcial por fontes orgânicas pode reduzir em até 40% essas emissões em sistemas tropicais (Oliveiraetal.,2021).
Areduçãodousodefertilizantessintéticospodeseralcançadapormeiodediversas estratégiascomplementares.Umadelaséaadubaçãoorgânicaeacompostagem, queutilizamresíduosorgânicoscomofontedenutrientes,melhorandoaestrutura dosoloediminuindoadependênciadeinsumosquímicos(EMBRAPA,2022).Outra alternativa eficaz é o uso de biofertilizantes, compostos por microrganismos como bactérias fixadoras de nitrogênio e fungos micorrízicos, que aumentam naturalmente a disponibilidade de nutrientes para as plantas (IPAM, 2023). A agricultura de precisão também desempenha papel fundamental nesse processo, ao empregar tecnologias capazes de monitorar em tempo real as necessidades nutricionaisdasculturas,reduzindodesperdícioseotimizandoousodefertilizantes (UFV,2022).
Aintegraçãoentreadubaçãoquímicaepráticassustentáveis,comooplantiodireto, a rotação de culturas e a adubação verde contribuem para a reciclagem de nutrientes e a melhoria da fertilidade do solo, tornando o sistema agrícola mais equilibrado e sustentável (MAPA, 2023), podendo reduzir os efeitos negativos e promoverumaagriculturamaisequilibrada.
Emregiõescomclimatropicalúmido,porexemplo,aelevadataxademineralização da matéria orgânica permite maior liberação de nutrientes, o que pode ser aproveitado por culturas de ciclo curto com menor dependência de fertilizantes sintéticos(MAPA, 2023).
Critériosdeavaliação:


A estratégia natural de proteção de culturas envolve o uso de agentes biológicos, como predadores, parasitoides e microrganismos e extratos botânicos, para controlar pragas e doenças, substituindo ou reduzindo o uso de defensivos químicos. Nesse modelo, cada produto de controle biológico (CCP) é selecionado conformesuaespecificidadeaopatógenoouinseto-alvoeàscondiçõesambientais locais. Registros de aplicação (data, área tratada e agente empregado) e a tipificação dos CCPsutilizados permitem avaliar a adequação da estratégia ao tipo decultura.
OusodeCCPsevitaresíduostóxicosnosalimentos,preservaafaunanaturalereduz riscos de resistência de pragas, promovendo diversos benefícios agronômicos e ambientais. Estudos demonstram que sistemas bem manejados mantêm populações de inimigos naturais estáveis, resultando em supressão contínua de pragas ediminuiçãodecustos com insumosquímicosamédio elongoprazos.
Do total das propriedades visitadas, 89 (55,62%) fazem uso de produto de controle biológico, enquanto 12 (7,50%) não usam a prática e 59 produtores (36,88%) não informaramessedado,conformeapresentado nográficoabaixo.
Distribuiçãopercentualdeadoçãodecontrolebiológico

Adotam
Nãoadotam
Nãoinformado

AadoçãodeCCPspodereduzirousodeinseticidassintéticos,melhoraraqualidade do solo e da água ao eliminar resíduos químicos e favorecer a biodiversidade de inimigosnaturais,criandosistemasdeproduçãomaisresilientesasurtosdepragas. Para a cultura do algodão, por exemplo, o controle biológico de pragas como o pulgão (Aphis gossypii) visa combater danos que limitam a produtividade sem as consequências graves da aplicação de agrotóxicos, como danos à saúde do agricultor e resistência das pragas (TAVEIRA, 2017). Programas de sucesso, como o do baculovírus para a lagarta-da-soja (Anticarsia gemmatalis), demonstraram redução da necessidade de inseticidas químicos, minimizando o impacto ambiental (FONTES;VALADARES-INGLIS,2020).
Asestratégiasbiológicasdemandammaiorconhecimentoedetalhamentonouso, o que pode ser um desafio para localidades com pouca tradição nessas práticas. A falta de capacitação específica e a escassez de técnicos especializados em assistência rural são entraves significativos que devem ser considerados. Porém, embora a aquisição de insumos biológicos e o treinamento técnico demandem investimento inicial, projetos de extensão rural e parcerias com fornecedores de bioinsumos podem levar à diminuição de gastos com defensivos e ao incremento deprodutividade decorrente doequilíbrioecológico.
Estratégias naturais de proteção integram-se eficientemente a outras práticas regenerativas:amanutençãodecoberturavegetaleoplantiodiretocriamrefúgios para agentes biológicos, enquanto a rotação de culturas quebra ciclos de pragas, potenciando aaçãodos CCPsefortalecendoumciclovirtuoso decontrolenatural.
O Cerrado mato-grossense, com estiagem de 4 a 6 meses e solos ácidos e pouco férteis, apresenta desafios e oportunidades para espécies adaptadas. A seleção de plantashospedeiraseinimigosnaturaisdeveconsideraressascondições.Atextura dosoloinfluenciaaeficáciadeagentesdecontrole:abactéria Pasteuriapenetrans atuamelhoremsolosarenosos,enquantooestabelecimentodefungospredadores de nematoides varia conforme densidade populacional e condições edafoclimáticas.
Critériosdeavaliação:


Consistem em práticas e tecnologias que visam o uso racional da água na agricultura, garantindo que cada gota seja aplicada no momento e na quantidade adequada para atender às necessidades hídricas das plantas. Essas técnicas incluem sistemas como irrigação por gotejamento, aspersão automatizada, sensores de umidade do solo, uso de hidrogel agrícola e irrigação subsuperficial, todos voltados à redução de perdas por evaporação, escoamento superficial e lixiviação denutrientes(123ECOS,2024).
Sendo necessária a licença ambiental para o uso da água, onde é obrigatório para projetos de irrigação que visam avaliar e autorizar a viabilidade de um empreendimento,considerandoseusimpactosambientaiseousosustentáveldos recursoshídricos.Alémdalicençaambiental,oprocessotambémincluiaobtenção de uma outorga de uso da água, que autoriza o uso dos recursos hídricos (superficiais ou subterrâneos) para fins de irrigação, de acordo com os termos estabelecidos pelo órgão ambientalcompetente (CONAMA,2001).
Resultados
95% do total das propriedades não tiveram seus dados coletados, como pode ser observado no gráfico abaixo. Tendo apenas 5% das propriedades que fazem o uso de irrigação na lavoura de soja, sendo ele, em sua totalidade, por meio do Pivô Centrale,em umapropriedadeéutilizado oCanhãoHidráulico.



Desta forma vemos que os resultados obtidos evidenciam que em apenas 8 das propriedades apresentam uso de Irrigação em seus domínios, onde em apenas duas propriedades foi apresentado o documento de “Possui procedimentos de boas práticas de irrigação implementada na propriedade”, sendo essa uma das perguntas inseridasno Checklist daProduzindo Certo.
A adoção tem se mostrado uma estratégia fundamental para aumentar a produtividade agrícola, conservar os recursos hídricos e promover a sustentabilidade dos sistemas produtivos. Essas medidas incluem o uso de tecnologias como irrigação por gotejamento, aspersão automatizada, sensores de umidade do solo, manejo racional da lâmina de irrigação e integração com dados climáticos. Tais práticas visam aplicar a água na quantidade e no momento certos, reduzindoperdasporevaporação,escoamentosuperficialelixiviaçãodenutrientes (EMBRAPA,2021).
SegundoPiresetal.(1999),sistemasdeirrigaçãobemmanejadospodemaumentar aeficiênciadousodaáguaematé90%emelhoraroaproveitamentodosnutrientes aplicados ao solo.
Depende de fatores como o tipo de solo, a cultura cultivada, a disponibilidade hídrica e o nível de tecnificação da propriedade. Pesquisas realizadas em Buritis (RO) e São Luiz Gonzaga (RS) demonstram que sistemas irrigados e mecanizados apresentam melhores indicadores econômicos, com baixo risco de retorno desfavorável, quando comparados a sistemas convencionais sem irrigação (OLIVEIRA;MAXIMENCO,2012).
Destaca-seaanálisedosolo,quepermiteajustarairrigaçãoconformeacapacidade de retenção hídrica, textura e profundidade do solo. Estudos da Embrapa (2021), mostram que solos bem monitorados por meio de análises apresentam melhor resposta à irrigação localizada, evitando perdas por infiltração excessiva ou escoamento superficial. A cultura de cobertura e o plantio direto também são altamente compatíveis, pois aumentam a matéria orgânica do solo, reduzem a evaporaçãoemelhoramainfiltraçãodaágua.
No Cerrado mato-grossense, os solos variam entre arenosos e argilosos, com baixa capacidade de retenção de água e alta vulnerabilidade à erosão, com clima seco bem definido e temperaturas elevadas, exigindo sistemas que minimizem perdas por evaporação e otimizem a infiltração da água no solo (EMBRAPA, 2025). O manejoadequadodairrigaçãodeveconsideraraevapotranspiraçãodasculturas,a umidade relativa do ar, a radiação solar e a velocidade dos ventos, ajustando as lâminaseosintervalosdeirrigaçãoconformeademandahídricadasplantas(PIRES etal.,1999).
Critériosdeavaliação:


A análise de solo é o conjunto de procedimentos laboratoriais e de campo destinados a quantificar atributos físicos, químicos e biológicos do perfil edáfico, fornecendo diagnósticos sobre fertilidade, acidez, textura e teor de matéria orgânica. Os resultados orientam ainda o manejo de cobertura, a escolha de espécies para adubação verde e a incorporação de insumos biológicos, contribuindo para a recuperação e conservação das funções ecológicas do solo. A análise desoloéclassificadacomo umapráticatécnicafundamental,sendo abase paraatomadadedecisão agronômica(TEIXEIRAetal.,2017).
Além de subsidiar o planejamento de práticas agrícolas mais sustentáveis, ela permiteidentificardeficiênciasnutricionais,riscosdecompactaçãoedesequilíbrios químicos que comprometem a produtividade das culturas. A partir dessas informações, é possível definir estratégias de correção e adubação mais precisas, reduzindo o uso excessivo de fertilizantes e o impacto ambiental associado. Em sistemas regenerativos, a análise de solo também assume papel estratégico no monitoramento da qualidade biológica, possibilitando avaliar indicadores como carbono orgânico, atividade enzimática e biomassa microbiana, que refletem a saúdeea resiliência doecossistemaedáfico.
Assim,apráticacontribuinão apenasparaoaumento daeficiênciaprodutiva, mas também para a construção de sistemas agrícolas mais equilibrados, resilientes às mudanças climáticas e alinhados aos princípios da agricultura regenerativa e de baixocarbono.

Das propriedades analisadas, 89 (55,62%) comprovaram realizar, enquanto 69 (43,12%)nãoapresentaramosresultadosdasanáliseseem2propriedades(1,25%)o dado nãofoi coletado, conformepodeservisualizadono gráficoabaixo.
Distribuiçãopercentualdeadoçãodeanálisedesolo

Nãoadotam
Nãoinformado
A adoção da análise de solo permite diagnosticar os teores de nutrientes, o pH e o conteúdo de matéria orgânica, possibilitando correções dirigidas que elevam a produtividade ematé 20 % e reduzemo uso de fertilizantes químicos em até 30 %. Além disso, o monitoramento contínuo contribui para a conservação do solo, diminuindoperdasporlixiviaçãoemitigandoacontaminaçãodeáguassuperficiais esubterrâneas,assegurandoasustentabilidadeagrícolaalongoprazo.
A análise de solo é o único subsídio técnico para a decisão sobre o que, quando e quanto aplicardecalcárioefertilizante.A Embrapapossuiumprotocolodeanálise de solo padronizado pela Embrapa Solos que está disponível em laboratórios públicos e privados credenciados em todas as regiões do Cerrado, com métodos reproduzíveis que utilizam equipamentos de custo moderado e kits de coleta de amostrasacessíveis.
A análise de solo integra-se a diversas práticas de agricultura regenerativa: em sistemas de cultura de cobertura e plantio direto, quantifica a decomposição da palhadaealiberaçãodenutrientes,orientandoaescolhadeespéciesedensidades ideais; na rotação de culturas e em consórcios multiespécie, revela padrões de extração e reposição de nutrientes, permitindo ajustar calendários de adubação verde e orgânica; ao associar-se a estratégias de fertilizantes naturais e à redução de insumos sintéticos, fornece parâmetros precisos para dosagens de biofertilizantesecorretivos minerais;
As coletas devem ocorrer ao final da estação chuvosa, com o solo em umidade ótima, em profundidades de 0–20 cm e 20–40 cm nos Latossolos Vermelhos e Térreos. Nesses pontos, as amostras refletem reservas de nutrientes e matéria orgânica, orientando protocolos de manejo adequados às condições edáficas e climáticas. A representatividade não pode ser comprometida, evitando coletas em solosencharcados.Aqualidadedaanálisedependedaamostragemcorretanaárea a ser plantada, feita em zigue-zague, com 15 a 20 pontos diferentes, dividindo-se o terreno emáreas uniformesde até 10hectares. Não devem ser coletadas amostras próximasadepósitosdeadubosoulocaissemelhantes.
Critériosdeavaliação:


Em sua definição ampla, a biodiversidade refere-se à variabilidade de organismos vivos de todas as origens, englobando ecossistemas terrestres, marinhos e aquáticos,eoscomplexosecológicosdosquaisfazemparte.Essacomplexidadede organização da vida inclui três níveis principais de variação: a diversidade dentro das espécies (diversidade genética, essencial para a evolução em resposta à mudança), a diversidade entre espécies (riqueza e abundância de diferentes organismos, indicando um ecossistema saudável e resiliente), e a diversidade de ecossistema.Manterpopulaçõesdeespéciessaudáveisediversificadasédegrande importância para garantir a saúde e a resiliência dos ecossistemas a longo prazo e sustentar as contribuições da natureza para as pessoas. Nesse sentido, a preservação e o aumento da biodiversidade dependem de práticas como a implementação de corredores ecológicos e a adoção de um uso do solo diversificadoeplanejado,quefavoreçaaconectividadeentrehabitatsearesiliência dos sistemasprodutivos.
Não há a coleta do dado de biodiversidade no atual protocolo de coleta da ProduzindoCerto.Noentanto,noRTRSexistemduasperguntascorrelatas:“Proíbe caçaepesca” e“Existerelatório quedocumenta faunaeflora”.

A estatística sobre a biodiversidade brasileira revela a imensa riqueza biológica do País, ao mesmo tempo que quantifica as pressões e as lacunas de conhecimento. O Brasil é um dos 17 países classificados como megadiversos, e detém a maior diversidade biológica entre eles. Estima-se que o País abrigue 13,2% da biota mundial, com a flora correspondendo a aproximadamente 45.000 espécies de plantas,oquerepresentacercade20% a22%dasplantasconhecidasnoplaneta.A fauna é igualmente diversa, com cerca de 200.000 espécies de animais e mais de 9.000espéciesdevertebrados(IBGE,2022).OCerrado,reconhecidocomoasavana tropical mais rica do mundo em biodiversidade, é o segundo bioma com maior diversidadedeangiospermas,totalizando12.829spp.deplantasterrestres(Bolfeet al.,2020).OBrasilpossuidoishotspotsdebiodiversidade(MataAtlânticaeCerrado) e quase 1.500 unidades de conservação. Uma avaliação do risco de extinção da fauna, coordenada pelo ICMBio, analisou 12.254 espécies no primeiro ciclo (20092014),das quais 1.182 (9,6%)foramclassificadasemalgumacategoriadeameaça.

Práticascomoaagriculturaregenerativaeas agroflorestas,quese enquadram em soluções baseadas na natureza, visam aumentar a diversidade nas propriedades, restaurar a biodiversidade e elevar o armazenamento de carbono. Economicamente, a implementação dessas práticas pode levar a aumentos sustentáveis no rendimento das culturas e nos lucros para os agricultores. A nível ecológico, o aumento da agrobiodiversidade protege o sistema produtivo, dado que a perda de diversidade nas culturas alimentares reduz a resiliência da agricultura,tornando-amais vulnerável apragasecondiçõesclimáticasextremas.
A implementação de práticas que promovem a biodiversidade em propriedades rurais é viável e oferece benefícios ambientais e econômicos. Medidas como áreas de preservação, cercas vivas, corredores ecológicos, rotação de culturas e sistemas agroflorestais conservam o solo, equilibram o recurso hídrico e controlam pragas naturalmente. Além disso, aumentam a resiliência dos sistemas produtivos e podemgeraracessoamercadosdiferenciadoseprogramasdecertificação.Apesar dos desafios iniciais, incentivos, apoio técnico e demanda do consumidor fortalecemaadoção dessaspráticas amédio elongoprazo.
A combinação e a sinergia entre a prática de biodiversidade e outras intervenções da agricultura regenerativa são o cerne da resiliência agroecológica e da estabilidadeprodutiva.Práticascomoarotaçãodeculturasdiversificadas,oplantio semintervençãomecânicanosolo(SPD)eacoberturavegetalcontínuaatuamem conjunto, gerando efeitos sinérgicos que melhoram a estrutura física e a capacidade de retenção de água no solo, aumentam o carbono orgânico e promovemadiversidadebiológicado solo.
No Cerrado mato-grossense, as condições edafoclimáticas de solos ácidos e de baixa fertilidade, somadas ao regime climático marcado por longos períodos de secaechuvasconcentradas,tornamessencialaadoçãodepráticasquepromovem a biodiversidade para aumentar a resiliência e a produtividade agrícola. A diversificação de espécies em sistemas agroflorestais, rotação de culturas e uso de plantas de cobertura contribui para melhorar a estrutura e a fertilidade do solo, reduzir a erosão e ampliar a capacidade de retenção de água, aspectos cruciais diantedaestacionalidadeclimática.
Critériosdeavaliação:


A proteção ao redor de cursos d’água baseia-se na delimitação de Áreas de Preservação Permanente (APP). As faixas marginais de qualquer curso d’água natural, perene e intermitente (excluídos os efêmeros), são consideradas APP, sendo a largura mínima contada a partir da borda da calha do leito regular. As larguras mínimas das APPs são definidas pelo Código Florestal: 30 m para cursos até10mdelargura,50mpara10–50m,100mpara50–200m,200mpara200–600 me500mparamaisde600m,contadasapartirdabordadacalhadoleitoregular.
A proteção dos cursos d’água é uma exigência estabelecida pela Lei nº 12.651/2012 (Novo Código Florestal), que revogou o Código Florestal anterior (Lei nº 4.771/1965) e a Medida Provisória nº 2.166-67/2001. O estado de Mato Grosso está totalmente incluído na Amazônia Legal, conforme definido pela legislação, o que confere ao cumprimento das APPs uma importância estratégica para a região. As matas ripárias (mata ciliar e mata de galeria) do Cerrado são protegidas pela legislação devidoàsuareconhecidaimportância.

Das propriedades analisadas, 74 (46,25%) estão emconformidade com a legislação e não têm APP a recuperar, enquanto 86 (53,75%) possuem APP a recuperar, conformedemonstraográficoabaixo. 0%20%40%60%80%100%
DistribuiçãopercentualdeconformidadedeAPP SemAPParecuperar ComAPParecuperar

A recomposição e manutenção da vegetação às margens de cursos d’água promovem a estabilização das margens, redução da erosão e retenção de sedimentos, além de melhorarem a qualidade da água ao filtrar nutrientes e contaminantes. Essas faixas vegetadas também funcionam como corredores para faunaaquáticaeterrestre,favorecendo aconectividadedehabitatsecontribuindo paraamanutençãodosrecursos hídricos.
A manutenção e a recuperação de APPs são sustentadas por métodos de regeneração natural e plantio isolado ou intercalado de espécies nativas com exóticas autorizadas, além de cercamento e sinalização da área. Esses procedimentos exigem baixo investimento inicial, basicamente mão de obra, mudas e correção de solo quando necessária, e podem ser integrados às práticas agrícolas de rotina, tornando o cumprimento da legislação ambiental economicamente viável para propriedades de diferentes portes. Por ser uma exigêncialegal,manterasAPPsprotegidasevita,também,multase embargos em casodefiscalização dosórgãosambientais.
AsfaixasdeAPPintegram-sedeformasinérgicaaoutraspráticasregenerativasao servir de suporte para a captação de água da chuva, controlar a infiltração e favorecer a biodiversidade de insetos aquáticos e terrestres, potencializando o controlebiológicodepragaseaciclagemdenutrientes.
AsAPPmarginaisocorrememsolosaluviaisouhidromórficossujeitosainundações sazonais e períodos de estiagem, com altos teores de matéria orgânica e capacidade de retenção hídrica. Esses fatores, associados ao regime pluviométrico eaociclohidrológicolocal,exigemousodeespéciesnativasadaptadasavariações de umidade e solo encharcado. Em geral, o uso de vegetação nativa, com cercamento da área, é suficiente para a preservação das áreas de APP (AQUINO; VILELA, 2008).
Critériosdeavaliação:


Barreiras contra o vento, também conhecidas como quebra-ventos ou cortinas vegetais, são fileiras de árvores dispostas perpendicularmente à direção predominante dos ventos. Seu propósito principal é reduzir a velocidade do vento em áreas agrícolas, protegendo culturas, solos e construções rurais. Ao atenuar correntes de ar fortes, essas estruturas vegetais minimizam a erosão eólica, conservam a umidade do solo e diminuem a evapotranspiração excessiva das plantas.
Entre os benefícios do uso de barreiras quebra-vento, destacam-se a proteção de culturas contra acamamento, o aumento da produtividade devido à melhoria do microclima e a mitigação da erosão do solo. Barreiras bem implantadas também criamcorredoresdebiodiversidade,oferecemabrigoaogadoecapturamcarbono, contribuindo para sistemas agrícolas mais resilientes e de baixo carbono (Foelkel, 2016).
Do total das propriedades visitadas, 51 (31,88%) adotam cercas vivas ou barreiras contra o vento, enquanto 106 (66,25%) não utilizam e 3 (1,88%) não informaram se fazemuso daprática,deacordo como gráficoabaixo.
Distribuiçãopercentualdeadoçãodequebra-vento

Adotam
Nãoadotam
Nãoinformado

A implantaçãode cercas vivas ebarreiras contra o vento pode reduzir a velocidade dos ventos, diminuindo perdas de solo por erosão e ressecamento superficial e favorecendo incremento de produtividade agrícola nas áreas protegidas. Além disso, a palhada e o estrato arbóreo associados atuam como corredor para fauna auxiliar e dispersão de sementes, elevando a biodiversidade local e melhorando a qualidade do microclima ao atenuar extremos térmicos e reduzir a evapotranspiração.
Paraotimizaroestabelecimentoealongevidadedascercasvivasebarreirascontra o vento, recomenda-se o plantio em solos com boa drenagem e profundidade mínima de 50 cm e textura franco-arenosa a franco-argilosa, tais características favorecem o enraizamento vertical sem risco de estagnação hídrica. Sob essas condições,espéciesnativascomoa Mimosa caesalpiniaefolia (sabiáousansão-docampo),comumenteutilizadaparaesse fim,devemsedesenvolvercomfacilidade.
A Mimosacaesalpiniaefolia éumaespéciederápidocrescimento(cercade1metro porano),com boa adaptabilidadeemadeiradeexcelente qualidade.
Quando integradas a outras práticas de agricultura regenerativa, cercas vivas e quebra-ventos potencializam seus benefícios. Quando combinadas a sulcos de infiltraçãoeterraços, aumentamainfiltração deáguanosolo.Comoplantiodireto e culturas de cobertura, ampliam a retenção de matéria orgânica e evitam o carreamento de sedimentos. Em conjunto com o uso de capim Vetiver (Chrysopogon Zizanioides) como barreira viva contra enxurradas, as cercas vivas fortalecem a estabilidade de taludes, reduzem assoreamento de cursos d’água e criammicroambientespropícios àatividadebiológicado solo.
Para implantar quebra-ventos no Cerrado mato-grossense, é necessário escolher espéciesadaptadasasolosácidosedebaixafertilidadeeaolongoperíododeseca, como o sabiá (Mimosa caesalpiniaefolia). A adubação otimiza o crescimento, enquanto espécies com raízes profundas evitam competição com culturas agrícolas eajudam areciclarnutrientes dascamadasmais profundasdosolo.
Critériosdeavaliação:


A conservação do habitat natural, em uma perspectiva global, é frequentemente estruturadaatravésdoestabelecimentodesistemasdeáreasprotegidasdedicados à manutenção da diversidade biológica e dos recursos naturais e culturais. Em diversospaíses,comoArgentina,EstadosUnidos,CanadáeAustrália,aproteçãoem terras privadas não segue necessariamente um percentual fixo de Reserva Legal como no Brasil, mas foca na preservação de zonas ecologicamente sensíveis e específicas,comoasáreasripárias(margensdecursosd'água)eencostasíngremes. O objetivo central nesses sistemas internacionais é assegurar a representatividade e a adequação ecológica, protegendo amostras de ecossistemas regionais para garantiraviabilidadeeintegridadedas espéciesalongoprazo.

Das160propriedadesanalisadas,amaioria(76,25%)apresenta déficitdevegetação nativa em relação aos 35% exigidos pelo Código Florestal. Apenas 36 imóveis (22,50%)cumpremouexcedemametalegal,comexcedentesquevariamde0,22% a 44,70%. Duas propriedades não forneceram dados suficientes para a análise, conformedemonstraográficoabaixo.

Atabelaabaixoapresentaaquantidadedepropriedadesporfaixadeexcedentede conservação.

Tabela 2 – Propriedades por faixa de excedente de conservação
Em termos de área, do total de 252.570,46 hectares de vegetação nativa monitorados,15.310,28hectaresconfiguramexcedentedeconservação.
O primeiro aspecto a ser considerado é a valorização dos serviços ecossistêmicos prestados pela vegetação nativa. Áreas conservadas contribuem para a regulação hídrica, controle biológico de pragas, manutenção da fertilidade dos solos e resiliênciafrente a eventosclimáticosextremos(Silvaetal., 2020).Estudosindicam quefazendascommaiorcoberturavegetaltêmdesempenhoagrícolasuperiorem longo prazo devido à integração desses serviços ao sistema produtivo (Spera et al., 2016).
A conservação do habitat natural está associada à participação em projetos de Pagamento por Serviços Ambientais (PSA), como o programa Conserv do IPAM, queremuneraprodutorespormantervegetaçãonativaalémdasexigênciaslegais. Esse modelo é promissor no Cerrado mato-grossense, onde os custos de preservaçãosãomenoreseos incentivos ajustadosàrealidadelocal.
Além disso, há a possibilidade de emissão de Cotas de Reserva Ambiental (CRA), que permitem compensar déficits de vegetação em outras propriedades. Proprietários com mais vegetação que o exigido por lei podem registrar tais áreas no CAR e gerar CRA, ativos negociáveis no mercado de compensações. Segundo Oliveira etal. (2024), o município de Rondonópolis-MTapresenta umexcedente de 5.849hectarespara CRA,evidenciando opotencialeconômico.
A conservação do habitat natural contribui ainda para a melhoria da estrutura do solo, favorecendo práticas como cultura de cobertura, rotação de culturas e estratégias naturais de fertilização, especialmente quando associadas à análise do solo eao uso defertilizantesorgânicos.
Do ponto de vista climático, o Cerrado apresenta regime de chuvas concentrado entreoutubroeabril,comestaçãosecabemdefinida.Essasazonalidadeinfluencia diretamenteosciclosderegeneraçãodavegetaçãoeadinâmicadosnutrientesno solo.Aconservaçãodohabitatnaturalemáreascomessascaracterísticascontribui para a regulação do microclima local, reduzindo a amplitude térmica e aumentando a umidade relativa do ar, o que favorece tanto a biodiversidade quanto aprodutividadeagrícolanas áreas adjacentes(ADV DO BRASIL,2024).
Critériosdeavaliação:


O reflorestamento é uma prática de restauração ecológica que consiste no plantio de árvores nativas ou adaptadas em áreas degradadas, desmatadas ou suscetíveis à erosão, com o objetivo de recuperar funções ambientais, promover a biodiversidade e melhorar a qualidade dos recursos naturais. Em contextos agrícolas, o reflorestamento pode ser realizado em áreas de preservação permanente(APPs),aoredordenascentes,margensderios,encostasecorredores ecológicos, contribuindo diretamente para a estabilidade hídrica, proteção do solo eregulaçãomicroclimática(RODRIGUES etal.,2011).
Além de restaurar a cobertura vegetal, essa prática fortalece os serviços ecossistêmicos essenciais ao equilíbrio ambiental, como o sequestro de carbono e a ciclagem de nutrientes. Também favorece a conectividade entre fragmentos florestais, criando habitats para fauna silvestre e aumentando a resiliência da paisagem frente a eventos climáticos extremos. Quando associada a sistemas produtivos sustentáveis, o reflorestamento pode integrar estratégias de manejo que conciliam conservação e geração de renda, como os sistemas agroflorestais e acompensaçãoambiental.
Resultados
Das 160 propriedades analisadas no projeto, 105 não contêm em seu interior Áreas emregeneração. Outras53propriedadesapresentaramÁreasemregeneração em seus domínios, onde essas áreas variam de 0,05 a 1.963,60 hectares. Já outras 2 propriedades não tiveram dados para serem analisados nos valores de Área em regeneraçãonaPlataforma,comopodeserobservado no gráficoabaixo.



Desta forma vemos que os resultados obtidos evidenciam que 65,63% das propriedades não contêm Áreas em regeneração em seus territórios e, apenas 33,13%estãocontempladasnessequesito.
Dito isso, dos 828.445,21 hectares da soma das áreas totais das propriedades do projeto,temosapenas5.156,18hectarescontabilizadoscomoÁreasderegeneração.
Dopontodevistaambiental,oaumentodacoberturavegetalreduzoescoamento superficial, favorece a infiltração da água no solo e contribui para a recarga dos aquíferos. Estudos realizados por Brancalion et al. (2019) demonstram que áreas reflorestadas apresentam maior retenção hídrica, menor temperatura do solo e maior diversidade biológica,especialmentede polinizadores efauna edáfica. Além disso, o reflorestamento atua como barreira natural contra ventos e erosão, protegendo lavourasemelhorandoaqualidade do areda água.
Noaspectoagronômico,oreflorestamentoemáreasestratégicaspromovemelhor desempenho das lavouras, especialmente quando integrado a sistemas agroflorestais. A presença de árvores favorece o sombreamento controlado, melhoraaestruturadosoloeaumentaadisponibilidadedematériaorgânica,oque resulta em maior produtividade e menor necessidade de insumos químicos (SOUZA et al., 2020). Além disso, a vegetação nativa atua como refúgio para inimigosnaturaisdepragas,fortalecendoocontrolebiológicoereduzindoousode defensivos.
Segundo a cartilha do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural - SENAR (2020), a implantação de projetos de reflorestamento pode ser adaptada a diferentes perfis de propriedades, desde pequenas áreas limítrofes até grandes extensões destinadas à recomposição florestal. A viabilidade econômica está associada à escolhadeespéciescomvalorcomercialouecológico,comoeucalipto,pinus,ervamate e espécies nativas do Cerrado, que podem gerar retorno financeiro por meio davendademadeira,sementes,produtosnãomadeireirosoucréditosdecarbono. Estudos realizados no Paraná demonstram que o reflorestamento em áreas de bordadura de pequenas propriedades rurais apresenta bom desempenho econômico, especialmente com espécies como erva-mate e pinus, que oferecem retorno em ciclos produtivos de médio prazo. A análise de viabilidade utilizou indicadores como Valor Presente Líquido (VPL), Razão Benefício/Custo (RB/C) e Taxa Interna de Retorno (TIR), comprovando que o reflorestamento pode ser competitivo frente a outras atividades agropecuárias, desde que bem planejado (MALINOVSKI,2006).
A análise do solo é uma etapa fundamental para o sucesso de projetos de reflorestamento, pois permite identificar limitações físicas e químicas, orientar a escolha de espécies nativas e definir estratégias de manejo adequadas (MORFO,
2023). Solos bem monitorados por meio de análises favorecem o crescimento das mudasereduzema mortalidadeemcampo.
Aproteçãoaoredordecursosd’águaéoutrapráticaaltamentecomplementar,pois o reflorestamento de áreas ripárias contribui para a estabilização das margens, a reduçãodoassoreamentoeamelhoriadaqualidadedaágua.SegundooMinistério do Meio Ambiente, a vegetação ciliar atua como filtro natural, retendo sedimentos econtaminantesantesquealcancemos corpos hídricos (MMA,2025).
Alémdisso,ousodefertilizantesnaturaisearedução defertilizantessintéticossão compatíveis com áreas reflorestadas, pois evitam a contaminação do solo e da água, além de promoverem a ciclagem de nutrientes de forma mais equilibrada (Embrapa,2024).
Condições edafoclimáticas
Em relação ao clima, o reflorestamento atua como um sumidouro de carbono, absorvendoodióxidodecarbono(CO₂)daatmosferaeajudandoareduzirosefeitos doaquecimentoglobal.Outroimpactorelevanteéaregulaçãodociclohidrológico. Florestas restauradas protegem as nascentes, aumentam a infiltração da água no solo e reduzem o risco de erosão e assoreamento de corpos hídricos. Isso é especialmente importante em regiões como o Cerrado e a Amazônia, onde a cobertura vegetal influencia diretamente a distribuição das chuvas e a disponibilidade hídrica.
Critériosdeavaliação:


A qualidade da água refere-se ao conjunto de propriedades físicas, químicas e biológicas que determinam sua adequação para diferentes usos como: abastecimentohumano,irrigação,dessedentaçãoanimaleconservaçãoambiental. Esses parâmetros incluem turbidez, pH, condutividade elétrica, presença de nutrientes, metais pesados, coliformes fecais e resíduos orgânicos, sendo monitorados por normas técnicas como a Portaria GM/MS nº 888/2021, que estabelece os padrões de potabilidade no Brasil (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2024). Já a prevenção da poluição consiste em um conjunto de ações voltadas à proteção dos corpos hídricos contra fontes de contaminação, sejam elas pontuais como efluentesindustriaiseesgotodomésticooudifusas,comooescoamentosuperficial defertilizanteseagrotóxicosemáreasagrícolas(EMBRAPA,2018).

Das 160 propriedades analisadas no projeto, apenas 12 destas realizam o monitoramentodaqualidadedaáguaemsuasáreaspróprias.Porém,maisde93% das propriedades analisadas, ou seja, 148 desta não realizam a análise da água dos seus cursos hídricos ou não tiveram esses dados coletados, como pode ser observado no gráfico abaixo.

Já no quesito de lançamento de efluentes da produção em corpos hídricos, 159 propriedades não o realizam e só uma propriedade em que esse dado não foi coletado. Porém com os lançamentos de efluentes domésticos em solo ou em corpos hídricos o valor já é distinto, contendo 29 propriedades que fazem esse lançamentoe54 quenãotiveramseusdadoscoletados,mas77disseramque esse lançamento indevido não é realizado em seus domínios, como podem ser observadosnosgráficos abaixo.



Desta forma vemos que os resultados obtidos evidenciam que as propriedades ainda precisam se adequar a esse item de Qualidade da Água e Prevenção da Poluição, pois apresentam uma porcentagem pequena no quesito de análise de água e ainda realizam o lançamento indevido de efluentes domésticos em solo ou emcorposhídricos.
A água limpa reduz a incidência de doenças transmitidas por patógenos, melhora odesempenhodasculturasirrigadasepreservaabiodiversidadeaquática.Estudos da Embrapa indicam que a adoção de boas práticas de manejo do solo e da água, aliada ao monitoramento contínuo dos parâmetros hídricos, pode reduzir significativamente a carga de poluentes e aumentar a disponibilidade de água potável nas propriedades (NICODEMO et al., 2018). Além disso, a redução da poluição contribui para a recuperação de nascentes, o controle da erosão e a diminuição da turbidez dos cursos d’água, favorecendo a infiltração e o armazenamento hídricono solo.
A viabilidade para implementar medidas de melhoria na qualidade da água e prevenção da poluição em propriedades rurais é considerada alta, especialmente quando integrada a práticas de manejo sustentável, incentivos públicos e tecnologias acessíveis. Essas ações são fundamentais para garantir segurança hídrica,produtividadeagrícolaeconformidadecomnormasambientais.
Segundo o Guia para Implementação da Norma de Qualidade da Água para Consumo Humano, elaborado pelo Ministério da Saúde, é possível aplicar protocolos de monitoramento e controle da qualidade da água mesmo em sistemas descentralizados, como poços, cisternas e nascentes em áreas rurais. O
documento orienta sobre parâmetros físicos, químicos e microbiológicos, além de estratégias paraadequação defonteshídricascombaixocusto ealta efetividade.
A viabilidade técnica também é reforçada por estudos da Embrapa, que mostram que práticas como cercamento de nascentes, manutenção da vegetação ciliar, controle da erosão e uso racional de insumos agrícolas são eficazes na redução da poluição difusa e na melhoria da qualidade da água disponível para irrigação e consumo(WINCKLER;PILLON,2021).
A vegetação nativa e as práticas de conservação do solo, como plantio direto e cultura de cobertura, atuam como barreiras naturais contra a poluição difusa, promovendo a infiltração da água e a recarga dos aquíferos. O uso de indicadores de qualidade da água, como turbidez, pH, oxigênio dissolvido e presença de coliformes,éessencialparaodiagnósticoeoplanejamentodasaçõesdeprevenção (WINCKLER;PILLON,2021).
Além disso, estratégias como o cercamento de áreas úmidas, o tratamento de efluentes e a captação de água da chuva contribuem para a conservação dos recursos hídricose paraoequilíbrio hidrológicodaspropriedades.
No Cerrado mato-grossense, os solos são predominantemente ácidos, com baixa fertilidadenaturalealtasuscetibilidadeàerosãoquandodesprovidosdecobertura vegetal. A estação seca bem definida e os períodos de chuva intensa favorecem o escoamento superficial, que pode transportar sedimentos, nutrientes e contaminantesparaoscorposhídricos (EMBRAPA,2021).
Critériosdeavaliação:


A poluição plástica éconsiderada uma das maioresameaças ambientais do século XXI, afetando ecossistemas terrestres, aquáticos e a saúde humana. Estima-se que mais de 460 milhões de toneladas de plástico sejam produzidas anualmente, das quais cerca de 40% são descartáveis e menos de 10% são recicladas (EMBRAPA, 2025).Esseacúmuloderesíduosresultanacontaminaçãodesolosecorposd’água, na morte de animais por ingestão ou emaranhamento e na formação de micro e nanoplásticos, que já foram detectados em alimentos, água potável e até no ar, representandoriscosàsaúdehumanae àsegurançaalimentar.
A prevenção da poluição plástica exige uma abordagem sistêmica, que envolva mudanças nos padrões de produção, consumo e descarte. A adoção de práticas sustentáveis em propriedades rurais pode contribuir significativamente para mitigar esse problema. Medidas como o manejo adequado de embalagens de agrotóxicos, a substituição de plásticos convencionais por materiais biodegradáveis, o uso de tecnologias de reaproveitamento e reciclagem, e a implementação de programas de logística reversa fortalecem o compromisso ambiental do setor. Além disso, a conscientização dos produtores e trabalhadores rurais sobre o descarte responsável e a economia circular é fundamental para reduziroimpacto ambientalepromovercadeiasprodutivasmaissustentáveis.

Das 160 propriedades analisadas no projeto, no primeiro indicador (Possui lixeiras na propriedade?), 113 (71%) possuem lixeiras para descarte de resíduos em seu interior.Outras44propriedades,ouseja,27,5%destasnãoapresentaramlixeirasem seusdomínios.Emoutras3propriedadesnãotiveramdadosparaseremanalisados. Já no indicador de (Possui pneus inservíveis (pneus velhos/sem uso) dispostos ou armazenados em local a céu aberto?), 78 (48,8%) propriedades não apresentam esseuso, indicando queos pneustêm alguma destinação. Porém28 propriedades apresentampneusemdesusoemseuinterioreem54propriedadesessedadonão foi coletado, somando nestes dois últimos pontos, mais de 50% das propriedades analisadas.

Porúltimo, mas nãomenos importante,temosoindicadorde(Resíduo reciclável é encaminhadoparacidade?),sendo que todooresíduoreciclávelnecessita deuma destinação, tendo 64 das propriedades, ou 40%, destinando-o para a cidade, 56 (35%) não tendo destinação, sendo ele aterro próprio, queima, o que não é permitido ou outro destino. E em 40 propriedades esse dado não foi coletado, estando em25% das propriedades.
Todososdadosdos3indicadoresacimapodemserobservadosnosgráficosabaixo.



Em áreas rurais e regiões de alta biodiversidade, como o Cerrado e a Amazônia Legal,apoluiçãoplásticarepresentaumaameaçasilenciosa.EstudosdaExpedição Silent Amazon revelaram a presença de microplásticos em peixes, plantas aquáticaseaté em avesque utilizamresíduosplásticosparaconstruirseusninhos, demonstrando a penetração desses contaminantes nos ecossistemas mais sensíveis do país (National Geographic, 2021). A falta de saneamento básico em grande parte das cidades amazônicas contribui para a dispersão de plásticos nos rios, tornando o bioma um dos hotspots mundiais de contaminação por microplásticos(FAPESP, 2025).
A proteção ao redor de cursos d’água, por exemplo, impede que resíduos plásticos sejam transportados por enxurradas, atuando como barreira física e biológica (IEC, 2025).
Além disso, práticas como a análise do solo e o uso de estratégias naturais de proteção de culturas contribuem para reduzir a necessidade de insumos plásticos, como embalagens, lonas e tubos de irrigação. A adoção de alternativas biodegradáveis ou reutilizáveis é essencial para conter a geração de resíduos e promoverumaagriculturamaislimpa eeficiente.
A vegetação nativa do Cerrado, quando preservada ou restaurada, atua como barreirafísicaebiológicacontraodeslocamentoderesíduossólidos.Práticascomo o reflorestamento, a proteção de matas ciliares e a conservação do habitat natural são fundamentais para reter plásticos leves, como sacolas e embalagens agrícolas, evitandosuafragmentaçãoemmicroplásticoseposteriorcontaminaçãodesolose águas subterrâneas (SOARES-FILHO et al., 2014). Além disso, a cobertura vegetal contribui para a regulação da temperatura e da umidade do solo, fatores que influenciamadegradação físicaequímicadospolímeros plásticos.
Acombinaçãodechuvasintensasnoverãoelongosperíodosdeestiagemfavorece o transporte de resíduos plásticos por enxurradas, especialmente em áreas com baixa cobertura vegetal e solos expostos (EMBRAPA, 2025). A erosão hídrica, comum em solos arenosos e desprotegidos, facilita a dispersão de plásticos para cursos d’águaeáreasderecarga aquífera,agravandoos impactos ambientais.
Critériosdeavaliação:


A captação de água da chuva é uma prática muito simples que permite aos produtoresreduziradependênciadefontesexternasefortaleceraresiliênciafrente a secas. Ao coletar o recurso diretamente do telhado e outras superfícies de construções, por meio de calhas e condutores, é possível maximizar o uso de água parairrigação,limpezadeinstalaçõesedessedentaçãoanimal,reabastecimentode reservatórios subterrâneos, diminuindocustoseimpactos sobremananciais. Garantir a qualidade da água coletada é imprescindível, sobretudo quando usada emculturasalimentares. Para isso, éimportantequehaja o descartedas primeiras águas. Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) analisaram parâmetros comopH,condutividadeelétrica,nitrogêniototalecarbonoorgânicodissolvidoem diferentes estágios do sistema de captação, concluindo que o descarte das primeiras águas (2 a 5 mm) se mostrou eficiente para remover impurezas, assegurando água de qualidade adequada para irrigação de hortaliças (CARVALHO,2014).
Do total das propriedadesvisitadas, 10(6,25%) realizam reaproveitamento deágua, enquanto 149 (93,13%) não realizam a prática e 1 produtor (0,62%) não informou, de acordocomográficoabaixo.
Distribuiçãopercentualdeadoçãodereaproveitamentodeágua

Adotam
Nãoadotam
Nãoinformado

A captação de água da chuva amplia a disponibilidade hídrica em períodos de estiagem, garantindo irrigação suplementar e dessedentação animal sem sobrecarregar aquíferos e mananciais. Simultaneamente, ao diminuir o escoamentosuperficial,reduzaerosãoefavoreceainfiltração,elevandoaumidade útil do solo e contribuindo para a estabilidade da microbiota edáfica e para a regulaçãotérmicado sistemadeprodução(EMBRAPA SUÍNOS EAVES,2015).
Aviabilidadeeconômicadeimplantarsistemasdeaproveitamentopluvialdepende principalmente de três fatores: precipitação média, área de coleta e perfil de consumonãopotável.UmapesquisadaUniversidadeFederaldeGoiásdemonstrou que, em edificações com demanda constante para usos como lavagem de máquinasebebedouros,oretornodoinvestimentoocorreemmenosdecincoanos quando oprojeto édimensionadoconformeasazonalidaderegional (SILVA,2023).
Acaptaçãodeágua dachuvaé umapráticaestratégicaquefortaleceaagricultura regenerativa,alémdeseressencialparaairrigaçãocomplementardeplantaçõese pomares durante a seca. Quando combinada com outras técnicas de armazenamento como cisternas e barragens, a captação de água da chuva melhora a gestão hídrica, aumenta a autonomia da propriedade rural e permite a diversificação de culturas, o que resulta em maior produtividade e viabilidade econômica.
No Cerrado mato-grossense, o clima tropical sazonal apresenta-se com estação chuvosabemdefinida,deoutubroaabril,concentrandoentre1200e1800mm de precipitaçãoanual,eestaçãosecarigorosa,demaioasetembro,quandoobalanço hídricoevidenciadéficitsquepodemultrapassar400mm.Ossolosdominantessão Latossolos Vermelhos e Térreos, profundos, de ótima drenagem e elevada porosidade,masdefertilidadenaturalmentebaixa,pHácidoebaixoteordematéria orgânica.Essacombinaçãodefortesazonalidadepluviométricaedecaracterísticas edáficas de alta infiltração realça a importância de captar e armazenar a água das chuvas paragarantirsuprimento contínuoduranteosmesessecos.
Critériosdeavaliação:


A energia renovável é obtida a partir de recursos naturais que se regeneram continuamente,comoosol,ovento,aágua,abiomassaeocalordaTerra.Diferente das fontes fósseis, essas alternativas não se esgotam com o uso humano e apresentam menor impacto ambiental. No Brasil, a matriz elétrica é uma das mais limpasdomundo,comcercade88%dageraçãoprovenientedefontesrenováveis, segundo relatório da Agência Internacional para as Energias Renováveis (IRENA, 2025).
A energia solar, por exemplo, tem crescido de forma acelerada. Somente no primeirotrimestrede2025,quase300milnovosconsumidorespassaramaintegrar o sistema de geração distribuída, consolidando o país como um dos líderes mundiaisemenergiafotovoltaica(ANEEL,2025).

No contexto agropecuário, seu uso mais direto ocorre em bombeamento e pressurizaçãoparairrigação,refrigeraçãoeprocessamentonafazenda,iluminação, eletrificação de cercas, automação e secagem, além da substituição de geradores a diesel por sistemas fotovoltaicos e eólicos; e da valorização de resíduos orgânicos via biodigestores para produção de biogás e biofertilizante.Em síntese, trata-se de trocarcombustíveis fósseis por fontes debaixo carbono, com maior previsibilidade de custo e adequada integração água–energia–alimento (FAO, 2018; MEKHILEF; SAIDUR;KAMALISARVESTANI,2012;IRENA,2015).
Apenas 49 propriedades confirmaram que se beneficiam do uso de alguma fonte deenergiarenovável,sendoelaeólicaou,namaioriadoscasos,solar.Outras57e54 propriedadesnãoapresentaramusodeenergiarenováveleodadonãofoicoletado para determinada propriedade, respectivamente, como pode ser observado no gráficoabaixo.


Desta forma vemos que os resultados obtidos evidenciam que em apenas aproximadamente 30% das propriedades apresentam algum uso de energia renovável em seus domínios e, quase 70% das outras propriedades não tem nenhumusodeenergiarenovável ouodadonãofoi coletado.
Primeiro, há redução direta de emissões e poluição local: a substituição de motobombas a diesel por bombeamento fotovoltaicoelimina emissões de CO2 na operação, reduz NOx/MP e ruído, e diminui riscos de derramamento de óleo, com ganhos ambientais e de saúde ocupacional (MEKHILEF; SAIDUR; KAMALISARVESTANI,2012;IRENA,2015).
Em sistemas de irrigação, a energia solar associada ao gotejamento e manejo por sensores melhora a eficiência do uso da água ao casar oferta energética com demanda hídrica da cultura, reduzindo perdas por evaporação, escoamento e lixiviaçãodenutrientes;estudostécnicos-econômicosindicamaltaconfiabilidadee custos nivelados competitivos para bombeamento fotovoltaico em propriedades remotas(CAMPANA;LI;ZHANG,2015;FAO,2018).
A energia solar, em especial, tem ganhado destaque pela alta incidência de radiaçãosolarnaregiãodoCerrado,commédia anualsuperiora5,5 kWh/m²/dia,o quefavorecea eficiênciados sistemasfotovoltaicos(EDP, 2025).
A viabilidade econômica da energia renovável está associada à disponibilidade de incentivos fiscais, linhas de crédito específicas e programas de financiamento, comooFundoClimaeoProgramadeDesenvolvimentodaGeraçãoDistribuídade EnergiaElétrica(PROGD).Sistemassolaresfotovoltaicos,porexemplo,apresentam retornofinanceiroemmédioprazoebaixamanutenção(ABRADEE,2025).
ComaPolíticaNacionaldeEnergia(Leinº9.478/1997)eoPlanoNacionaldeEnergia 2050 estabelecendo diretrizes para o desenvolvimento sustentável do setor energético, priorizando fontes renováveis e a eficiência energética. A expansão dessas fontes é incentivada por programas como o Proinfa e o Renovabio, que visamaumentaraparticipação deenergiaslimpas namatriznacional(MME,2025). Além de ser reforçada por iniciativas estaduais, como o Programa Mato-grossense de Energia Rural Renovável, que oferece linhas de crédito específicas, capacitação técnica e incentivos fiscais para produtores interessados em adotar fontes limpas de energia (EDP, 2025). Segundo o Plano Estratégico para o Desenvolvimento de EnergiasRenováveisemMatoGrosso,elaboradopelaUFMTeONUMeioAmbiente (2019), a geração distribuída no meio rural pode reduzir custos operacionais, aumentaraautonomiaenergéticaevalorizarapropriedadenomercado agrícola.
A adoção de energia renovável fortalece a sustentabilidade ambiental do Cerrado mato-grossense ao substituir fontes fósseis por alternativas limpas, contribuindo diretamente para a redução das emissões de gases de efeito estufa, a preservação
da biodiversidade e o cumprimento das metas climáticas nacionais (SOARESFILHO et al., 2014). Essa transição energética, quando integrada a práticas conservacionistas como o reflorestamento, a conservação do solo e a proteção de cursos daágua,ampliaosbenefíciosecológicosesociais.
A região do Cerrado mato-grossense apresenta condições edafoclimáticas favoráveisparaaimplementaçãodesistemasdeenergiarenovável,especialmente solar, eólica, biomassa e pequenas centrais hidrelétricas (EDP, 2025). A topografia plana e a baixa densidade populacional facilitam a instalação de painéis solares e aerogeradores,enquantoventosconstantesemáreasabertasampliamopotencial parageração eólica local(UFMT;ONUMeioAmbiente,2019).
A disponibilidade de biomassa agrícola, proveniente de resíduos da produção de grãos, pecuária e agroindústria, permite o uso de biodigestores e sistemas de cogeração, promovendo o reaproveitamento energético de materiais orgânicos e reduzindo aemissãodegasesdeefeito estufa(MARTINS etal.,2022).
Critériosdeavaliação:


Aemissãode gases deefeito estufa(GEE)éumdos principaisfatoresresponsáveis pelas mudanças climáticas globais. Esses gases, como dióxido de carbono (CO₂), metano(CH₄),óxidosdenitrogênio(NOₓ)egásesfluorados, possuemacapacidade de reter calor na atmosfera, intensificando o efeito estufa natural e provocando o aquecimento global (IPCC, 2023). No Brasil, as principais fontes de GEE estão relacionadas ao desmatamento, à agropecuária, à indústria e ao setor de transportes(MCTI,2024).
A Política Nacional sobre Mudança do Clima (Lei nº 12.187/2009) estabelece diretrizes para a redução das emissões e a promoção de práticas sustentáveis. O monitoramento e a quantificação dos GEE são realizados por meio do Sistema de Estimativas de Emissões de Gases de Efeito Estufa (SEEG), que fornece dados atualizados sobre os setores emissores e suas respectivas contribuições (SEEG, 2025).
Já a pegada de carbono é a medida da quantidade total de emissões de gases de efeito estufa (GEE) causadas direta ou indiretamente por um processo ou produto. Nocasodaagricultura,elaconsideratodasasemissõesaolongodociclodevidado produto,desdeaprodução deinsumos atéaentreganatrader.
E dessa forma, para a implementação do GEE pelo método do GHG é necessário definir,antesdequalqueranáliseassuasfronteiras,oslimitesparaidentificaçãodos gases, as diferentes fontes de emissão, a área geográfica e o intervalo de tempo coberto,sendoesse últimocomno mínimodeumano.

OsinventáriosdeGasesdeEfeitoEstufa(GEE)foramelaboradosemconformidade comasdiretrizesdoGHGProtocol,apartirdedadosprimárioscoletadosinloco.Do universo de160propriedadesavaliadas,55 dispõemde inventáriosconsolidados.

Ressalta-se que os resultados apresentados referem-se exclusivamente às emissões associadas às culturas agrícolas (soja e milho), não contemplando o balançototaldeemissõesemníveldepropriedade.
Para fins deste estudo, foi considerada uma área cultivada total de 201.596,24 hectares, sendo 143.248,23 hectares destinados à cultura da soja e 58.348,01 hectares à cultura do milho. As emissões totais de GEE associadas a essas culturas foramestimadasem436.789,73tCO₂eqparaasojae74.328,55tCO₂eqparaomilho.
Adicionalmente, foram calculados indicadores de intensidade de emissões com basenaáreacultivada.Paraasoja,aintensidadefoide178,93tCO₂eq/ha.Enquanto paraomilho foide57,97 tCO₂eq/ha.
A figura a seguir apresenta valores médios por propriedade, incluindo emissões totais médias, intensidade por hectare (tCO₂eq/ha) e intensidade por produção (tCO₂eq/ton).

Impactosesperados
A redução das emissões de GEE contribui diretamente para o cumprimento das metas climáticas nacionais e internacionais, como o Acordo de Paris. Além disso, práticasmitigadoraspromovembenefícioscolateraiscomomelhoriadaqualidade do solo, aumento da produtividade e redução de custos operacionais (SILVA et al., 2022). A adoção de tecnologias limpas também favorece a imagem institucional daspropriedadesesuainserçãoemmercadossustentáveis.
Viabilidadedeimplementação
Aviabilidadedeimplementaçãoporpartedosprodutoreséagrandequestão,pois
cálculosdo GEEé necessário umvolumealto deinformações edocumentos,contendodesdeosdadosevaloresdeconsumodeenergia,detoda apropriedade,doanoemproposto,atéosgastoscomcombustívelsegregadospor safra e por cultura, sendo que estes pontos são procedimentos que demandam tempo e cooperação de várias áreas de uma propriedade, onde a movimentação emumafazenda,emépocasdeplantação ecolheita,setornambemdinâmicas. Já a viabilidade econômica da mitigação de GEE está associada à participação em programasdePagamentoporServiçosAmbientais(PSA)eaomercadodecréditos de carbono. Propriedades queadotam práticas sustentáveis podem gerar créditos certificados e comercializá-los em plataformas nacionais e internacionais (CARBONO BRASIL, 2025). O uso de biodigestores, por exemplo, além de reduzir emissõesde metano,geraenergia renovável e fertilizantes orgânicos, com retorno financeiro emmédio prazo.
Combinaçãoesinergiaentrepráticas
A mitigação de GEE apresenta sinergia com práticas como o plantio direto, a rotação de culturas, o uso de bioinsumos e a restauração ecológica. A integração dessasaçõespotencializaacapturadecarbono,melhoraaestruturadosoloereduz adependênciadeinsumosquímicos(SOARES-FILHOetal.,2021).Acombinaçãode estratégias permite que as propriedades alcancem maior resiliência climática e competitividadenosetor agropecuário.
Condiçõesedafoclimáticas
Influenciam diretamente na emissão e na mitigação de GEE. Solos argilosos, por exemplo, possuem maior capacidade de retenção de carbono, enquanto solos arenosossãomaissuscetíveisàperdadematériaorgânica.Oregimedechuvasea temperatura média também afetam os ciclos de decomposição e a liberação de gasescomometanoeóxidosdenitrogênio(EMBRAPA,2025).Aadoçãodepráticas adaptadasàscondiçõeslocaiséessencialparamaximizarosbenefíciosambientais eeconômicos.
Critériosdeavaliação:


A redução de pesticidas sintéticos, que são produtos químicos usados para controlar e exterminar pragas, é vista como uma necessidade urgente para o desenvolvimento sustentável da agricultura. Historicamente, a intensificação do uso de pesticidas foi a solução encontrada para garantir a disponibilidade de alimentos diante do crescimento demográfico acelerado. Contudo, essa prática geravaumacontaminaçãoambientalmuitogrande,poisnãoexistiatecnologiaque atingisse apenas o alvo, atacando todo o conjunto lavoura-praga. O impacto negativo é significativo, incluindo a destruição de organismos não-alvo (como minhocas, polinizadores e predadores naturais), levando à perda de diversidade biológicaebiomassadosolo,ecausandosériosriscosàsaúdehumana.Defato,55% das substâncias ativas sintéticas carregam advertências de perigo, sendo significativamente mais perigosas do que as substâncias naturais. Portanto, o objetivocentraléminimizaroimpactonasaúdehumanaesobreomeioambiente por meio de alternativas, como a adoção do Manejo Integrado de Pragas (MIP) e o usodaAgriculturadePrecisão.
O uso de pesticidas sintéticos foi avaliado de acordo com a adoção do Manejo Integrado de Pragas (MIP) pelos produtores. De 106 (66,25%) propriedades, foi apresentado o documento que atesta o uso do MIP e 54 (33,75) propriedades não apresentaramodocumento,conformedemonstraográficoaseguir.

DistribuiçãopercentualdaadoçãodoManejoIntegradodePragas (MIP)

A redução do uso de pesticidas químicos contribui diretamente para um manejo mais eficiente e sustentável das lavouras. Em vez de aplicações generalizadas, práticascomooManejoIntegrado dePragas(MIP) easferramentasdeagricultura de precisão permitem direcionar os insumos apenas onde são realmente necessários. Isso melhora o controle das pragas, reduz desperdícios e diminui a exposição desnecessária do ambiente e das pessoas a produtos químicos. Além disso, o uso mais criterioso de pesticidas ajuda a preservar organismos benéficos, como polinizadores, inimigos naturais e a biota do solo, favorecendo o equilíbrio ecológicoeamanutençãodabiodiversidade.
A viabilidade da redução passa porumamudança comportamental dos usuários e pelaadoçãodeabordagensalternativasde manejodepragas.OManejoIntegrado de Pragas (MIP) é uma alternativa fundamental, utilizando uma combinação de técnicas como o controle biológico (uso de parasitoides, predadores, nematoides, etc.), tratos culturais e o uso racional de produtos químicos. O uso de bioinsumos (biopesticidas, bioprodutos) apresenta um "enorme potencial" para substituir produtosquímicos.
A sinergia entre a redução de pesticidas sintéticos e as práticas de agricultura regenerativa baseia-se na transição para sistemas alimentares agroecológicos resilientes.EssacombinaçãoécentradanaadoçãodoManejoIntegradodePragas, quebuscaequilibrarcontrolebiológico,monitoramentoeusoracionaldeinsumos.
As condições edafoclimáticas (solo e clima) exercem grande influência sobre a eficácia, a persistência e o transporte dos pesticidas no ambiente. Em termos climáticos, pesticidas e biopesticidas são altamente sensíveis às mudanças climáticas,poisumaumentonatemperaturaenaradiaçãoUV,ouumadiminuição da umidade relativa do ar, pode torná-los menos eficazes. Essas alterações podem levar a um aumento considerável nas quantidades utilizadas para compensar a perda de eficiência. Além disso, o uso de produtos químicos está diretamente condicionadoàscaracterísticasedáficaseclimáticas.Eventoscomoondasdecalor, estiagens prolongadas ou mesmo picos populacionais de pragas tendem a demandarmaiorfrequênciaevolumedeaplicações.
Critériosdeavaliação:

O carbono orgânico no solo (COS) corresponde à fração de carbono presente na matéria orgânica— resultanteda decomposição de resíduos vegetais e animais — e constitui um indicador-chave da qualidade, saúde e fertilidade do solo. Está diretamente relacionado à estrutura e estabilidade dos agregados, à retenção de água e nutrientes, e à atividade biológica, desempenhando papel essencial na produtividadeagrícolaenaregulaçãoclimática,pormeiodosequestrodecarbono edareduçãodasemissõesdegasesdeefeitoestufa(GEE).Assim,omonitoramento do COS é fundamental para compreender os impactos e benefícios dos sistemas agrícolas regenerativos.
Nesse contexto, foram selecionadas 81 fazendas certificadas pela RTRS, representando um conjunto de propriedades rurais comprometidas com práticas agrícolas mais responsáveis e sustentáveis no Cerrado mato-grossense. Essas fazendassomamaproximadamente469milhectaresdeáreatotal,dosquaiscerca de342milhectares correspondemàáreaagropecuáriaefetivamente utilizada.

Adistribuiçãoespacialdessaspropriedadesabrange31municípios,distribuídosem quatro das cinco mesorregiões do estado, refletindo a diversidade territorial e a
relevância econômica da produção agrícola — especialmente de soja — no Mato Grosso. Entre os municípios analisados, Sapezal se destaca como o principal polo, concentrando13das81fazendas.Localizadonamesorregiãonortemato-grossense, o município abriga 56 das propriedades avaliadas, configurando-se como área estratégicaparaaconservação eo manejosustentáveldosolo.
Do ponto de vista ambiental, as áreas certificadas exercem papel expressivo na manutenção dos estoquesde carbono. As estimativas apresentadas foram obtidas apartirdedadosdoMapBiomas,umainiciativacolaborativaqueutilizaimagensde satélite e algoritmos de classificação para mapear anualmente o uso e a cobertura da terra no Brasil. A metodologia combina séries temporais de sensoriamento remoto, dados de campo e validações cruzadas, permitindo mensurar a dinâmica docarbono orgânicono solodeformaespacialmente explícita.
Para este estudo, foi considerado o período de 2013 a 2023, possibilitando avaliar a evolução dos estoques de carbono ao longo da última década. Os resultados indicam que, em média, as fazendas apresentam 39,6 toneladas de carbono por hectare quando considerada a área total (incluindo agricultura, pastagens e vegetação nativa). Apenas nas áreas agrícolas, o valor médio é superior, atingindo 44,6 toneladas de carbono por hectare, refletindo sistemas produtivos mais estáveis, com maioracúmulo dematéria orgânicaemanejo conservacionista.
A análise temporal revela que, entre 2013 e 2023, os estoques de carbono mantiveram-seestáveisouemlevecrescimento,especialmentenasáreasagrícolas sob manejoconservacionista. Essatendência demonstra que práticas sustentáveis — como o plantio direto, a rotação de culturas e o uso de culturas de cobertura — têm contribuído para preservar e aumentar gradualmente o COS. Além disso, a estabilidade observada indica que as propriedades evitaram perdas significativas decarbono,mesmoemum cenário de expansãoagrícola.

Legenda: Estoques médios de carbono orgânico no solo (COS) nas propriedades RTRS (2013–2023).
A análise da linha de base evidencia um cenário heterogêneo na adoção das práticas de agricultura regenerativa entre os produtores avaliados. Algumas práticas já estão amplamente consolidadas, enquanto outras ainda se encontram emestágiosiniciais deimplementação ou sãopoucodifundidas.
A prática de plantio direto apresenta alta adoção entre os produtores (acima de 80%), refletindo o amadurecimento técnico do setor quanto a esse aspecto. Esse resultado indicaqueos produtoresjá incorporaram essa prática fundamental para aconservaçãodosolo,criandoumabase sólidaparaavançosfuturos.
No grupo de adoção intermediária (40% a 80%), aparecem práticas como o uso de agentes biológicos, a rotação de culturas e a análise de solo. Elas representam um campodegrandepotencial,umavezquejá estãoparcialmente incorporadas, mas ainda carecem de maior difusão e capacitação técnica para se tornarem práticas correntes. A tendência é de crescimento, dado o alinhamento com demandas de mercado ebenefícioscomprovadosàprodutividade.
Por outro lado, as práticas de baixa adoção (abaixo de 40%), como fertilizantes orgânicos, energia renovável, cercas vivas e reflorestamento, revelam importantes oportunidades de avanço. Apesar de seupapelestratégicopara a sustentabilidade ambiental e a conformidade legal (caso da conservação da vegetação nativa no habitat natural), sua implementação ainda esbarra em fatores como custos elevados,necessidadedemaior apoiotécnicoefaltadeincentivos adequados.
De maneira geral, os resultados indicam que o setor já apresenta boas condições em práticas básicas de conservação, mas precisa avançar em iniciativas de maior impacto ambiental e social. O fortalecimento da assistência técnica, incentivos econômicos e políticas públicas mais direcionadas serão determinantes para ampliaraadoçãodaspráticasatualmente emestágioinicial.
1 Plantiodireto 93,13% Alta Práticaconsolidada Melhoriadaqualidade
2 Rotaçãodeculturas 53,75% Média Potencialsignificativo Diversificaçãodeespécies
3 Consorciaçãodecultura 21,25% Baixa Práticatradicional Sistemasmaiscomplexos
4 Estratégiasdefertilizantes naturais 23,13% Baixa Alternativasustentável Produçãolocal
5 Reduçãodefertilizantes sintéticos - Baixa Conhecimentolimitado Reduçãodecustosemelhoriasna saúdedasplantas
6 Estratégiasnaturaisde proteçãodeculturas 55,62% Média Tecnologiaemexpansão Reduçãodepesticidassintéticos
7 Medidasdeirrigação eficiente 5,00% Baixa Limitadaporinvestimento Sistemasmaiseficientes
8 Análisedesolo 55,63% Média Rotinaestabelecida Parâmetrosbiológicos
9 Proteçãoaoredordecurso d’água 46,25% Média Baselegalestabelecida Recuperaçãodasdegradadas
10 Cercasvivasebarreiras contraovento 31,88% Baixa Proteçãoebiodiversidade Corredoresecológicos
11 Conservaçãodohabitat natural 22,50% Baixa Déficitlegalsignificativo Programasdeadequação
12 Reflorestamento 33,13% Baixa Recuperaçãoambiental AdequaçãodaReservaLegal
13 Qualidadedaáguae prevençãodapoluição 7,5% Baixa Complianceambiental Sistemasdetratamento
14 Prevençãodapoluição plástica 35,00% Baixa Gestãoderesíduos Programasdereciclagem
15 Captaçãodeáguada chuva 6,25% Baixa Baixoconhecimento Capacitaçãotécnica
16 Energiarenovável 30,00% Baixa Tecnologiaemergente Incentivoseconômicos
17 EmissõesdeGEE 34,37% Baixa Baixoconhecimento Reduçãodegasesdeefeitoestufa
18 Reduçãodepesticidas sintéticos 66,25% Média Conhecimentolimitado Reduçãodepesticidassintéticos
N° Prática Taxa de Adoção Nível de Adoção Características Oportunidades
1 Cultura de cobertura 74% Média Prática consolidada Melhoria da qualidade
2 Cultivo perene 40% Baixa Prática limitada Diversificação de sistemas
3 Biodiversidade - Baixa Déficit legal significativo Benefícios para os sistemas naturais
Abaixo são apresentadas as aplicações das principais práticas de agricultura regenerativa nas propriedades rurais, com foco na promoção da sustentabilidade, conservação do solo, biodiversidade e eficiência no uso de insumos naturais. Para cadaprática,sãoindicados os seguinteselementos:
1. Viabilidadedeaplicação: classificaafacilidadedeimplementaçãodapráticano contexto do campo, levando em consideração fatores como recursos disponíveis, infraestruturaexistente,níveldeconhecimentotécnicodosprodutoresecondições ambientais locais. As categorias utilizadas — Alta, Média e Baixa — permitem identificar rapidamente quais práticas podem ser adotadas de forma imediata, quais demandam adaptação ou capacitação e quais necessitam de planejamento einvestimento mais robustos.
2. Coleta: define o método de verificação da prática, que pode ocorrer de forma Presencial, por meio de inspeções em campo; Remota, utilizando imagens de satélite, drones ou outras tecnologias de sensoriamento; ou Híbrida, combinando ambos os métodos.Essa distinção é fundamental para organizar o cronograma de monitoramento e otimizar recursos, garantindo maior precisão na avaliação das práticasimplementadas.
3. Avaliação: descreve como a prática é monitorada na rotina agrícola, incluindo inspeçõesvisuais,conferênciaderegistrosdemanejoehistóricodeatividadesjunto aoprodutor.Essaavaliaçãopermiteverificaracorretaimplementaçãodaspráticas, identificar oportunidades de melhoria e assegurar que os efeitos regenerativos desejadosestejam sendoalcançados deformaconsistente ao longo dotempo.
4. Tiposdeevidência: detalha os elementos que comprovam a aplicação efetiva das práticas, garantindo transparência e confiabilidade na avaliação. As evidências podemserclassificadasemquatrograndesgrupos:
Documentos técnicos (receituários agronômicos, planos de manejo, notas fiscaisdeinsumos);
Registrosfotográficos;
Evidências geoespaciais (sensoriamento remoto, mapas e geoprocessamento);
Outros registros (histórico de plantio, inventários de espécies, cálculos de emissões).
1 Culturade cobertura Média Presencial
2 Plantiodireto Média Presencial
3 Rotaçãode culturas Média Presencial
4 Múltiplas espéciese consórcio Baixa Presencial
5 Cultivoperene Baixa Presencial
6 Estratégiade fertilizantes naturais Alta Presencial
7 Reduçãode fertilizantes sintéticos Baixa Presencial
8 Estratégias naturaisde proteçãode culturas Alta Presencial
Verificaçãoemcampoda presençadeplantasde coberturaentresafras.
Inspeçãodomanejodosolo, presençadepalhadae ausênciaderevolvimento.
Conferênciadohistóricode plantionasúltimassafras juntoaoprodutor.
Avaliaçãovisualdasespécies cultivadassimultaneamente.
Identificaçãodiretada presençadeespécies perenesimplantadas.
Checagemdousode compostosoubioinsumos.
Comparaçãoderegistrosde usodeinsumosquímicos comsafrasanteriores.
Observaçãodousode controlebiológico, armadilhas,barreiras naturaisouextratosvegetais.
Registrofotográfico;mapade sensoriamentoremoto; planejamentoMIPD;planode rotaçãodecultura.
Registrofotográfico;relatóriode atividadedecampo
NFsdassementesdasculturas plantadas;Registrofotográfico
NFsdasculturasplantadas; Registrofotográfico
Nfsdasculturasplantadas;plano demanejo;Registrofotográfico; sensoriamentoremoto
Documento:receituário agronômico;fichadeaplicação; planodereduçãoousubstituição.
Documento:receituário agronômico;fichadeaplicaçãodos últimosanos;NFsdosfertilizantes usadosnasúltimassafras;planode reduçãoousubstituição.
Registrofotográfico;fichade aplicaçãodebiológicos;MIP;NFs decompradoproduto.
9 Medidasde irrigação eficiente Baixa Presencial
Avaliaçãodapresençade sistemasdeirrigação localizada(gotejamento, aspersãodebaixapressão)e manejodafrequência.
10 Análisedosolo Média Presencial
11 Biodiversidade Baixa
12 Proteçãoao redordecursos d’água Média
13 Cercasvivase barreirascontrao vento Média
14 Conservaçãodo habitatnatural Média
Presencial/ remota
Conferênciadelaudos laboratoriaiseperiodicidade deanálises.
Observaçãodapresençade áreaspreservadas, corredoresecológicose diversidadedeespéciesna paisagem.
Presencial/ remota
Inspeçãovisualouvia imagemaérea/satéliteda manutençãodeAPPse vegetaçãociliar.
Presencial
Checagemvisualda existênciadefileirasde árvoresouarbustos implantados.
Presencial
15 Reflorestamento Média
Presencial/ remota
16 Qualidadeda águae prevençãoda poluição Baixa Presencial
Avaliaçãodamanutençãode áreasdevegetaçãonativae ausênciadedesmatamento.
Verificaçãodaimplantação demudaseestágiode crescimentodasáreas reflorestadas.
Revisãodeanálisesdeágua eobservaçãodepráticasde contençãode contaminantes.
Documento:planodemanejoe monitoramentodeirrigaçãoe outorgadeusodaágua.Registro fotográfico
Documento:análisedesolo; históricodeanálisedosúltimos anos;planodemanejodosolo.
Registrofotográfico,inventáriode espéciesegeoprocessamento
Registrofotográficoe/ou geoprocessamento
Registrofotográfico; sensoriamentoremoto.
Documento:CAR(porcentagemde ReservaLegal);sensoriamento remoto.
Registrofotográficoe geoprocessamento;PRAD
Documentoanálisedeáguaem corposd'água;planodemanejoda águaeregistrofotográfico.
17 Prevençãoda poluiçãoplástica Alta Presencial
18 Captaçãode águadachuva
Baixa Presencial
Avaliaçãodomanejode resíduosplásticos (embalagensdeinsumos, filmesplásticos,classificação seletiva,etc.).
Verificaçãodaexistênciade cisternasoucaixasdecoleta.
Documento:Planode GerenciamentodeResíduos Sólidos(PGRS),comprovantede destinaçãodosresíduosdetodas asclasseseregistrofotográfico. CDF.
Planodegestãodaáguadachuva; volumecaptado;Registro fotográfico
19 Energia renovável
20 Emissãode GasesdoEfeito Estufa(GEE)
Baixa Presencial
Checagemdapresençade paineissolares,biodigestores ououtrossistemas instalados.Levantamentode dadosdeconsumo energético.
Documento:Contadeenergia; contratocomacompanhia;e registrofotográfico
21 Reduçãode Pesticidas Sintéticos
Baixa Presencial
Média Presencial
Levantamentodedadosde consumoenergéticoe demaisinformações relacionadasaosescoposde emissõesdeGEE.
Comparaçãoderegistrosde usodeinsumosquímicos comsafrasanteriores.
CalculadoraGEE;inventárioGEE; planodemelhoriacontínua.
Documento:receituário agronômico;fichadeaplicaçãodos últimosanos;NFsdosfertilizantes usadosnasúltimassafras;planode reduçãoousubstituição.
A adoção de práticas regenerativas enfrenta uma série de obstáculos que podem ser categorizados em quatro dimensões principais: técnicas, econômicas, culturais e regulatórias. A análise integrada desses fatores é essencial para orientar estratégias de superação e promover a transição para sistemas produtivos mais sustentáveis.
Do ponto de vistatécnico, a limitação de conhecimento específico e a escassez de assistência técnica especializada representam barreiras de alto impacto, especialmente para práticas que demandam maior complexidade, como a integração de fertilizantes orgânicos, sistemas de irrigação eficientes ou manejo avançado de água. A ausência de protocolos adaptados às condições regionais e a dificuldade de monitoramento contínuo também dificultam a avaliação de resultadoseoajustedas práticas.
No âmbito econômico, os custos iniciais de implementação e o retorno financeiro delongoprazosãoos principaisentraves,sobretudoparatecnologiasemergentes, comoenergiasrenováveis,ouparainvestimentoseminfraestrutura,comosistemas de tratamento de efluentes. A falta de mercado que valorize diferencialmente produtos sustentáveis e as limitações de crédito específico para práticas regenerativasreduzemoestímulo àadoção.
Os aspectos culturaisrevelam uma significativa resistência à mudança, muitas vezes associada ao receio de perdas produtivas e ao apego a modelos tradicionais.
A percepção de risco, ainda que nem sempre fundamentada, tem alto impacto na decisão do produtor. Já a tradição familiar e a pressão social exercem influência maismoderada,mas podemreforçara manutençãodo statusquo.
Por fim, na esferaregulatória, destacam-se a complexidade legal e a burocracia envolvidaemprocessosderegularizaçãoambiental,comoaadequaçãodeReserva Legal e APP. A falta de incentivos adequados e a inconsistência na fiscalização geram desconfiança e reduzem a adesão a políticas públicas voltadas à sustentabilidade.
Atabelaabaixosintetizaosprincipaisentravesidentificados,suadescriçãoeonível deimpacto associado:
N° Prática
1 Plantio direto
2 Cultura de cobertura
3 Rotação de culturas
4 Múltiplas espécies e consórcio
5 Estratégias naturais de proteção de culturas
6 Estratégias de Fertilizantes naturais
7 Biodiversidade
8 Cultivo perene
9 Redução de fertilizantes sintéticos
10
Qualidade da água e prevenção da poluição
Entraves Técnicos
Conhecimento limitado sobre manejo adequado
Ausência de protocolos regionais para espécies
Dificuldade de monitorar frequência e resultados
Escassez de assistência técnica especializada
Carência de capacitação e pesquisa aplicada
Baixa disponibilidade local / logística
Conhecimento limitado sobre manejo adequado
Ausência de protocolos regionais para espécies
Entraves Econômicos
Custo de maquinário específico
Investimento inicial em sementes
Benefícios apenas no médio prazo
Mercado ainda pouco valorizado
Custos de implementação inicial
Retorno a longo prazo
Custo inicial
Investimento inicial alto
Dificuldade de monitorar frequência e resultados Benefícios apenas no médio prazo
Conhecimento limitado
Custo de implementação
Entraves Culturais
Resistência a abandonar preparo convencional
Entraves Regulatórios
Burocracia em projetos de conservação
Tradição familiar de monocultura Incentivos inadequados
Apego a práticas tradicionais
Medo de perdas produtivas
Ausência de políticas de estímulo
Complexidade legal para registro de sistemas
Risco percebido (eficácia incerta) Falta de políticas claras de incentivo
Baixa aceitação cultural Fiscalização inconsistente
Resistência a abandonar sistema convencional
Burocracia em projetos de conservação
Tradição familiar de cultura anual Incentivos inadequados
Apego ao uso convencional Ausência de políticas de estímulo
Baixa adesão cultural Incentivos inadequados
11 Análise do solo
12 Energia renovável
13 Medidas de irrigação eficiente
14 Captação de água da chuva
15 Proteção ao redor de cursos d’água
16 Conservação do habitat natural
Conhecimento limitado sobre a necessidade Custo inicial
Necessidade de conhecimento técnico especializado
Monitoramento técnico deficiente
Pouco conhecimento técnico em dimensionamento
Falta de assistência técnica em recomposição
Deficiência técnica em restauração
17 Reflorestamento Falta de protocolos técnicos locais
18 Cercas vivas e barreiras contra o vento
19 Prevenção da poluição plástica
20 Emissão de gases de efeito estufa (GEE)
21 Redução de pesticidas sintéticos
Necessidade de escolha correta de espécies
Falta de infraestrutura de coleta seletiva rural
Falta de protocolos técnicos locais
Conhecimento limitado
Alto investimento inicial
Custos elevados de sistemas modernos
Custos de reservatórios
Custos de recuperação
Sem retorno econômico direto
Investimento alto sem retorno rápido
Custos de implantação e manutenção
Custos logísticos de destinação
Sem retorno econômico direto
Benefícios apenas no médio prazo
Risco percebido (eficácia incerta)
Falta de políticas claras de incentivo
Pressão social por práticas convencionais Licenciamento ambiental complexo
Tradição de depender apenas da chuva Outorga de uso da água burocrática
Resistência cultural (prática nova) Regras de licenciamento hídrico
Resistência em destinar área produtiva
Exigência legal (multas se não cumprido)
Resistência familiar à recomposição Complexidade legal / CAR / CRA
Baixa adesão cultural Políticas de incentivo insuficientes
Resistência por percepção de “perda de área produtiva”
Ausência de incentivos
Cultura de descarte inadequado Falta de políticas locais de reciclagem
Resistência cultural Complexidade
Medo de perdas produtivas Incentivos inadequados
A linha de base construída no Cerrado mato-grossense evidencia um retrato equilibrado entre avanços, limitações e oportunidades para a agricultura regenerativa. O plantio direto, presente em mais de 90% das propriedades, é a prática mais difundida e constitui a base para outras estratégias de conservação, mas seu potencial regenerativo pleno depende da integração com rotação de culturas, plantas de cobertura e consórcios multiespécies, ainda em níveis intermediários deadoção.
Emcontrapartida,práticascomoadubaçãoorgânica,irrigaçãoeficiente,captação de água da chuva e energia renovável estão em estágio inicial ou pouco representativo. A conservação da vegetação nativa no habitat natural e proteção ao redor de cursos d’água apresentam déficit significativo. Esses pontos representamgargalosimportantesparaumatransiçãomaisconsistente.
Outro desafio está na falta de dados quantitativos e de frequência das práticas. Embora seja possível identificar sua presença ou ausência, ainda não há clareza sobre intensidade e continuidade, como quantos ciclos de rotação são realizados ou qual a área efetivamente coberta por culturas consorciadas. Essa lacuna é relevante, pois a eficácia regenerativa depende não apenas da adoção nominal, masdaconstânciaequalidadeao longo dotempo.
Essadificuldadeemconsolidarmétricastambémserefletenaliteraturacientífica, que privilegia análises qualitativas ou estudos de caso pontuais. Isso reforça a necessidade de pesquisas que tragam indicadores robustos e comparáveis para monitoraraevolução daagriculturaregenerativano Brasil.
Aanáliseintegradaconfirmaqueocaminhodaregeneraçãonãoestánasomade práticasisoladas,masnaformacomoelassearticulamemsinergia.Plantiodireto aliado a cobertura e rotação, somado a insumos biológicos, cria sistemas resilientes de solo. Áreas de Preservação Permanente (APPs) que foram recuperadas,juntoareflorestamentoecercasvivas,fortalecemabiodiversidadee a proteção hídrica. Energia solar combinada a irrigação eficiente amplia a autonomiadas propriedades.
Os entraves identificados; custos de implementação, acesso restrito a crédito, carência de assistência técnica e complexidade regulatória, reforçam a necessidade de apoio estruturado. É fundamental ampliar capacitação, linhas de financiamento e instrumentos de mercado como Pagamento por Serviços Ambientais (PSA). Assim, a linha de base cumpre sua função: oferecer uma fotografia clara da realidade atual e indicar os próximos passos. O Cerrado já demonstra avanços relevantes e potencial de liderança, mas a consolidação da agriculturaregenerativadependedaintegraçãoefetivadaspráticas,dasuperação debarreirase dofortalecimento daspolíticasdeincentivo.
AnálisedeSolo
Estudolaboratorialquemedenutrientes,pH,texturaeparâmetrosquímicospara subsidiarrecomendaçõesdemanejoeadubação.
AmostragemdeSolo
Processo de coleta representativa do solo para análises químicas, físicas ou biológicas,basedequalquerdiagnósticodefertilidade.
BoasPráticasAgrícolas(BPA)
Conjunto denormas e manejos que promovem eficiência produtiva,conservação ambiental esegurançaalimentar.
BoasPráticasdeManejo(BPM)
Técnicasvoltadasaousoracionaldeinsumos,reduçãodedesperdícioseprodução sustentável.
CarbonoOrgânicodoSolo(COS)
Frações de carbono presentes na matéria orgânica. Reflete saúde do solo e capacidadedesequestrodecarbono.
CiclagemdeNutrientes
Movimentaçãoetransformaçãodosnutrientesnosistemasolo–planta–ambiente, influenciadapormatériaorgânica,microbiotaemanejo.
CompactaçãodoSolo
Reduçãodovolumeporpressãomecânica,diminuindomacroporosedificultando crescimento radiculareinfiltraçãodeágua.
ConservaçãodoSolo
Conjunto de técnicas para reduzir erosão, manter estrutura física e preservar a fertilidade.
CulturaemSafra/SegundaSafra(Safrinha)
Produção agrícola em mais deum ciclo anual,comum no Centro-Oeste com soja seguidademilhoououtrasculturas.
DisponibilidadeHídrica
Quantidadedeáguanosoloacessívelàsplantas,dependentedetextura,estrutura eprofundidadedasraízes.
ErosãoHídrica
Perda de solo por ação da chuva e enxurrada, prejudicando produtividade e sustentabilidade.
EmissõesdeGEE(GasesdeEfeitoEstufa)
Liberação de gases como CO₂, CH₄ e N₂O. Na agricultura, são influenciadas por fertilização,manejodesolo eresíduos.
EstoquedeCarbono
Quantidadetotaldecarbonoarmazenado nosolo enabiomassavegetal.
FertilidadedoSolo
Capacidade do solo de fornecer nutrientes e condições para que as plantas se desenvolvamadequadamente.
FixaçãoBiológicadeNitrogênio(FBN)
Processonaturalrealizadoporbactériasquetransformamnitrogênioatmosférico emformas assimiláveispelasplantas.
InfiltraçãodeÁgua
Movimentação da água da superfície para camadas mais profundas do solo. Essencialparareduzirerosãoefavorecerraízes.
IntegraçãoLavoura-Pecuária-Floresta(ILPF)
Sistemaquecombinaagricultura,pecuáriaeflorestasparaotimizarusodaterrae melhorarsustentabilidade.
IrrigaçãoComplementar
Aplicação de água para suprir déficits hídricos em momentos críticos do ciclo da cultura.
Lixiviação
Perda de nutrientes pela movimentação para camadas mais profundas do solo, abaixodazonaradicular.
ManejoIntegradodePragas(MIP)
Estratégia que combina métodos biológicos, químicos e culturais para controle racionaldepragas.
MatériaOrgânicadoSolo(MOS)
Material originado da decomposição de resíduos vegetais e animais, essencial parafertilidadeeestruturafísica.
MicrobiotadoSolo
Comunidade de microrganismos responsáveis por processos de ciclagem, degradaçãoesaúde do solo.
pHdoSolo
Indicadordeacidezoualcalinidade,influenciandodisponibilidadedenutrientese atividadebiológica.
PlantioDireto(SPD)
Sistema sem revolvimento do solo, mantendo palhada e reduzindo erosão, aumentandomatériaorgânicaeeficiênciahídrica.
RotaçãodeCulturas
Alternância planejada de espécies ao longo dos anos, favorecendo saúde do solo, quebradeciclosde pragasemelhor uso denutrientes.
SequestrodeCarbono
Captação earmazenamento decarbonoatmosféricoemsolosevegetação.
SistemasConvencionais
Baseadosempráticastradicionais,geralmentesemirrigação,commenornívelde tecnificação, maior dependência das condições climáticas e menor uso de tecnologiasmecanizadasedemanejoavançado.
SistemadeProdução
Conjunto de práticas adotadas numa fazenda: preparo, plantio, colheita, adubação,manejo depragasetc.
TexturadoSolo
Proporção de areia, silte e argila, determinando dinâmica hídrica, compactação e fertilidade.
Evapotranspiração
Somadaevaporaçãodaáguadosoloedatranspiraçãodasplantas,utilizadacomo referênciapara omanejodairrigaçãoconformeademandahídricadas culturas.
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