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Ano: 2010 . nr 11 . Mês: Dezembro . Mensal . Director: António Serzedelo . Preço: 0,01 €
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Para a criação do Museu do Negro em Portugal culdades socioeconómicas, vertido de terra de emigramas também por escassez de ção em terra de imigração, referências identitárias. talqualmente há 500 anos Seguiu-se um debate bas- atrás. Nesse sentido, a edutante participado, onde cação intercultural faz muitas questões pertinen- hoje todo o sentido, sobretes foram colocadas, tanto tudo aquela que assenta em a nível do funcionamento aumentar o conhecimento interno do mesmo, como sobre as diferentes culturas, acerca dos impactos expec- numa lógica de enriquecitáveis da implementação de mento pessoal e social, repuum projecto desta natureza diando a diluição e homoem Rio de Moinhos. Apesar geneização artificial, ou o de não as podermos apresen- relativismo ou indiferentar aqui, por extensas, não tismo cultural. Conhecer o queremos deixar de agrade- passado é, dentro desta perscer a presença de todos, bem pectiva, não um mero fait como a extrema divers, mas afabilidade e uma necessimpatia com sidade. ComO Charroque que fomos acopreender lhidos. À popua história da Profundurlação de Rio de dos contacra n’O Sul Moinhos, um tos de quem grande bemacolhe e de haja. quem chega, Portugal sofreu desde das discriminações, das prea entrada de Portugal na potências e dos preconceiUnião Europeia, uma das tos, bem como das ideiasmaiores transformações feitas, das pretensas verdaétnicas e culturais da sua des e das alienações colecconstituição social. Um tivas que a este respeito têm documentário de 2004, sido veiculadas e perpetuadenominado Lisboetas, reali- das nos manuais escolares zado por Sérgio Trefaut, que e no senso comum. É nesta encontrou grande sucesso questão, transecular e mune reconhecimento público, dial que se insere a temática reflectia sobre esta mesma deste museu proposto, que realidade. Portugal foi con- privilegiará a história da
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No passado dia 4 de Ciências do Porto e invesDezembro a Prima Folia foi tigador do IPATIMUP, apreà aldeia de Rio de Moinhos, sentou os resultados da preconcelho de Alcácer do Sal, sença de genes antigos africom vista a apresentar e dis- canos na população portucutir com os seus habitan- guesa, mostrando que a sua tes a possibilidade de cria- presença encontra-se em ção do primeiro Museu do todo o país, numa percenNegro em Portugal. A ter- tagem significativa, sendo túlia de carácter infor- em Alcácer apenas ligeimal e quase familiar decor- ramente acima da média. reu durante a Maria Cristarde, na antiga tina Neto, escola primária, a n t i g a Entrevista tendo sido basdocente da a Maria das tante concorFaculdade rida. A sessão de Ciências Dores Meira foi iniciada por de Lisboa e Catarina Cabaantiga invesceira, antiga tigadora do docente da escola, reavi- IICT, narrou os trinta anos vou a memória das histórias que dedicou à investigados negros no vale do Sado, ção histórica dos negros sublinhando tanto as altu- em Portugal e em Alcácer, ras em que os mesmos sen- sublinhando os contributiam na pele a discrimina- tos de investigadores anteção, como também acentu- cessores e outros seus conando as transformações de temporâneos. Por fim, Paulo paradigma, de vergonha em Cardoso, docente da Univerorgulho, particularmente sidade de Évora, partilhou visíveis nas gerações mais os resultados preocupantes jovens. Seguiu-se uma apre- das percepções de grupos de sentação de José Luís Neto adolescentes do distrito de sobre museus dedicados a Setúbal, que demonstram, esta temática existentes no para lá de toda a dúvida mundo, mostrando realida- razoável, as dificuldades de des e condições muito diver- integração dos luso-afrisas. Após, António Amorim, canos na sociedade portudocente da Faculdade de guesa actual, mercê de difi-
presença dos africanos de origem sub-saariana desde a segunda metade do Século XV, em Portugal. Coincidente e resultante, em grande medida, dos Descobrimentos e da Construção do Império, a mítica Idade do Ouro Português, é um ciclo que se fecha, genericamente, com a lei Pombalina de 1761, que conduz à extinção da escravatura, se bem que esta só se torna num facto já no Século XIX. Investigar, conservar e divulgar estas histórias, contribuindo para uma reflexão séria e academicamente sustentada sobre a escravatura e formas de exclusão, deverá ser o objectivo programático do Museu do Negro. Assim se afirmará positivamente que a cultura deve visar o enriquecimento e explanação das potencialidades da personalidade humana, reforçar os direitos e liberdades fundamentais, dignificar os indivíduos, favorecendo a compreensão, a tolerância e a amizade entre todas as nações e todos os grupos raciais, étnicos e religiosos. Maria Madalena Fialho
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Como o saber não ocupa lugar algum
Aqui há uns dias, dei E quem o diz são os por mim a acordar com últimos relatórios das um arrepio na espinha. provas de aferição de Devido a um sonho. conhecimentos – proMelhor, devido a um vas, aliás, que não deipesadelo. E se vivêsse- xam de primar por uma mos num mundo em que clara hiperbolização do sete em cada dez alunos seu ilustre sentido. Resta não demonstrassem acrescentar que as ditas capacidade para colo- crianças não acabaram car por ordem alfabética de aprender o alfabeto. uma lista de nove pala- E por duas razões. Primeiro, enconvras começatram-se no 6º das pela letra Hoje as ano de esco“m”? Pior: e se escolas não laridade; acontecesse segundo, de que a maior instruem. Não facto eles não p a r t e d o s ensinam. sabem o alfaalunos não beto. Pausa. fosse capaz Silêncio. Volde identifitemos atrás. car o sujeito Eu disse 6º e o predicado de uma frase tão simples ano de escolaridade? como “O homem enviou Disse. E disse bem. Desuma carta à lua”? (Não cem as cortinas. O teatro perguntem.) Já devida- ilumina-se. A audiência mente levantado e con- está mortificada. Ou não. Dissipado venientemente medicado, impus-me a per- o primeiro choque, e perante tal macagunta: será possível? Aparentemente é. bro espectáculo, seria
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espectável que a situação fomentasse um pequeno choque na plateia. Nos pais. Nos professores. Nas escolas. Nas associações de pais. Nas associações de professores. No carteiro. No periquito. Em algo ou alguém. Óbvio que nada disso aconteceu. Afinal, como afirmaram alguns especialistas do GAVE (Gabinete de Avaliação Educacional), dependente do Ministério da Educação, os petizes apenas demonstraram algumas «dificuldades» ao nível da «Compreensão da Leitura», bem como, e apenas, capacidades «aquém do que é desejável» no que concerne ao «Conhecimento Explicito da Língua». Coisa, afinal, de pouca monta e insuficiente para um escândalo. Lamento, mas não concordo. E anuncio a minha razão. Para apresentar «dificuldades» em algo vagamente similar à compreensão de um texto é necessário, à partida, algo de fundamental. Algo como saber, por exemplo, ler. Uma capacidade que, manifestamente, as crianças que presentemente habitam as escolas não possuem, nem, aparentemente, estarão em vias futuras de possuir. É claro que só falámos da Língua Portuguesa. E a matemática? Por favor. Isso é realmente uma disciplina? Para quem, com 11 ou 12 anos, se demonstra incapaz de calcular “um quarto de oito” (verídico), aparentemente não. O problema, aliás, já nem se prende com o simples facto de, nos testes de aferição de conhecimento, se fazerem perguntas de dificuldade, digamos, primária; mas sim com o facto de que nem a essas perguntas primárias os
alunos do ensino básico nho hábito o real lecciodemonstrem qualquer nar de matérias. Tempos capacidade de oferecer passados, notoriamente. Hoje as escolas não insuma resposta. É claro que tudo isto truem. Não ensinam. tem uma explicação sim- Consta, no entanto, que ples. Afinal, as “escolas”, educam. Nomeadamente já não são exactamente acerca de um nada que a pedagoescolas; mas gia moderna apenas locais A culpa gosta heroionde os pais, camente de por condicio- é do método imaginar é um namento, se que é inadetudo. habituaram quado ou da No final, a d e s c a r - «intervenção tudo isto se tar os filhos educativa» que resume a uma durante o dia. é desajustada. palavra: verE os “profesgonha. Ou sores” não são já exactamente pro- melhor, à falta dela. fessores; mas algo mais Houve um tempo em aparentado com meros que a escola usava o entertainers da crian- saber como um poder çada. Porque, na ver- e a vergonha como uma dade, uma escola, no arma; onde o não-saverdadeiro sentido da ber, não era apenas palavra, tinha por estra- uma condição, mas
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igualmente um ultraje supremo. Hoje tudo isso mudou. A vergonha do não-saber não existe. A vergonha de não ensinar idem. Se o menino não sabe, a culpa, claro, não é dele e da sua falta de estudo. A culpa é do método que é inadequado ou da «intervenção educativa» que é desajustada. De pequenos em pequenos passos, foi possível dar este gigante e vitorioso salto em direcção à total desresponsabilização. Hoje, finalmente, podemos orgulhosamente afirmar que, nas escolas, o saber, efectivamente, não ocupa lugar algum. Tiago Apolinário Baltazar Estudante Universitário
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Maria das Dores Meira faz o balanço e lança
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com grandes capacidades para atrair mais e novo investimento nesta área. A nova escola de hotelaria já em construção no Quartel do Onze, adquirido pela autarquia para esta finalidade e para instalar uma nova galeria municipal de exposições, é uma peça fundamental nesta estratégia, pois garante a disponibilidade de mão de obra qualificada para responder aos novos desafios que se colocam. S – Empenhada pessoal e institucionalmente nas causas da Arrábida, pedimos-lhe que nos diga que visão tem para o Parque Natural? MDM - A visão que tenho do Parque
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2º JOGO GRÁTIS COM A APRESENTAÇÃO DE O SUL
Natural da Arrábida é a de um espaço onde se podem e devem compatibilizar as preocupações com a preservação ambiental, que têm de ser graduadas de
acordo com as várias áreas e realidades que existem no PNA, com a absoluta necessidade de reconhecer que este também é um espaço onde a ocupação humana sempre existiu e deve continuar a existir. Significa isto que é necessária uma gestão do parque que não impeça a existência e o desenvolvimento de actividades humanas que ali existem desde sempre. Necessitamos de uma gestão mais próxima das pessoas, mais sintonizada com as
rui garcia
O SUL - Ao fim de um ano que iniciámos no anterior de mandato, quais foram as mandato, é uma tentativa ideias cumpridas e as que de contrariar esta lógica de ainda não foram realiza- isolamento. O projecto de governância deste equipadas? Maria das Dores Meira - Ao mento obedece a uma firme fim de um ano de mandato, vontade de partilhar aquele temos muitas das ideias em espaço com algumas das mais concretização. Aliás, isso é destacadas associações e probem visível por toda a cidade, motores de cultura do concom um conjunto de obras celho que se fizeram nossas que estão em curso e que têm parceiras no projecto. relevância cultural, patrimo- Naturalmente, ao fim do ano as ideias que lançamos no mannial e urbanística. dato anterior não A nova Casa da estão cumpridas, Cultura de Setúao fim do mas sim em plena bal, que será insano as ideias que execução. Estatalada no edifício onde fun- lançamos no man- mos a requalificar algumas áreas da cionou o antigo dato anterior não cidade, em espeCírculo Cultu- estão cumpridas, cial na zona hisral de Setúbal, mas sim em plena tórica da freguesia é uma obra de execução da Anunciada, na grande imporzona ribeirinha, tância no que vamos avançar respeita à propara a requalifimoção e divulcação dos espagação cultural, mas tem também uma especial ços públicos do Bairro da relevância patrimonial porque Bela Vista e continuamos a recupera um edifício do cen- trabalhar para que seja postro histórico que vai contri- sível garantir uma intervenbuir para uma reanimação ção mais profunda neste do centro da cidade, para um bairro, quer com acções “repovoamento” de uma zona imateriais, quer com que, por contingências várias, intervenções nas próse tem desertificado nos últi- prias habitações, esta mos vinte anos, em particu- sim uma acção que lar a partir do momento em requer uma colaboraque esses espaços públicos ção e disponibilidade que eram os cafés da Praça activa do poder cendo Bocage, pontos de tertú- tral, disponibilidade lia e de discussão de ideias, que, até agora, não começaram a encerrar, obe- temos encontrado decendo à inexorável lógica nesta matéria. do mercado e de novos tem- Apostámos, tampos em que o lazer abando- bém, com grande nou o espaço aberto para se i n t e n s i d a d e n o confinar, de novo, ao recato turismo, em partide um lar dotado e manietado cular porque sabepor múltiplas tecnologias de mos que Setúbal é, neste momento, comunicação. A Casa da Cultura, projecto um pólo urbano
projectos de futuro tido e as populações não compopulações que ali vivem. O caso, recente, de tenta- preendem. tiva de demolir a casa de um pastor, que ali está há mais S - Para quando um e-governo de vinte anos, que faz daque- em Setúbal? Julga ser um insles terrenos a sua única fonte trumento de maior transpade subsistência, melhor, que rência nas acções políticas de contribui activamente para a modo a serem escrutinadas sua preservação e vigilância, pelos cidadãos? ilustra bem a forma como se MDM - Mais do que um e-goolha para o parque, sem que verno, necessitamos de estar se tentem resolver os gran- próximos das pessoas, ouvir, des problemas, ou melhor sem de viva voz, os seus problemas. que se tente limitar as conse- Temo-lo feito com as deslocações programadas quências nocide todo o executivo, vas de alguns acompanhado pelas dos grandes Apostámos, equipas técnicas, a problemas que também, com todas as fregueexistem dentro grande intensidasias do concelho daquela área. de no turismo para ver, conhecer Um desses proe identificar probleblemas é, obviamas, em conjunto mente, a Secil. É com as instituições um problema locais, com as pescomplexo, que soas. Naturalmente, não se resolve simplesmente gritando que a estamos também a trabalhar fábrica tem de sair dali. A Secil para integrar no nosso sítio na é uma empresa importante, internet um conjunto de funproduz riqueza e emprega cionalidades que permitam centenas de pessoas. Temos aos munícipes uma mais fácil de ter sentido de responsa- acesso aos serviços municipais. bilidade na abordagem deste Fomos, até, pioneiros nesta área problema e, por isso, dizemos ao criar uma aplicação que perque estamos sempre disponí- mite a realização de conversas veis para procurar soluções. em tempo real na internet entre Mas também pensamos que os munícipes e a presidente da permitir ali a co-incinera- Câmara, iniciativa que retomação, em pleno parque natu- remos logo que possível. ral, não foi o melhor contri- A Câmara Municipal de Setúbuto que se poderia dar para bal tem uma acção de permao sentido de responsabilidade nente divulgação das suas iniciativas e obras no seu sítio na que é exigível. O poder central não pode ape- internet e junto dos órgãos de nas mostrar que está preo- comunicação social e dispocupado com o problema da nibiliza todas as suas delibeArrábida querendo demolir rações online, o que permite a pequena casa de um pas- aos cidadãos um acompanhator, numa operação que cus- mento mais próximo da actitou dezenas de milhares de vidade municipal. euros, e permitir, depois, que se queimem resíduos perigoAntónio Serzedelo sos ali ao lado. Não faz senDirector d’O Sul
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06 ACTIVISMOS
Documentação legal a apresentar por todos os politicos profissionais* Face aos desmandos da classe política, que persiste em seguir a velha máxima, “fazer o mínimo e retirar o máximo, o “Conselho dos Zés ninguém”, interpretando o sentir da esmagadora maioria do povo, decidiu por unanimidade promulgar o regulamento seguinte, com o intuito de moralizar os costumes das classes privilegiadas. São essas gentes que, beneficiando do desconhecimento e desinteresse da população fomentado por tais beneficiários deste estado de coisas, persistem e ampliam um autêntico assalto às receitas do estado, alimentadas com os nossos impostos. Esperamos que, com as medidas agora adoptadas, seja possível, de uma mesma Assembleia, comunivez por todas, vencer o imo- cando, por sua honra, jamais bilismo que tem permitido o terem observado o candidato desvio dos interesses popula- a retirar macacos do nariz. 2 – Demonstração, através res para um espectáculo permanente que afasta as popu- de exercício rigoroso efectulações dos seus reais interes- ado por entidade devidamente ses. A inexistência de qualquer credenciada, de que o QI do controlo real tem permitido aspirante não é inferior a 50% um verdadeiro saque do erá- da média nacional. 3 – Declaração da Reparrio público por parte daqueles que são considerados iguais tição de Finanças da zona de perante o povo apenas numa residência do candidato em como os seus situação – nas meios de foreleições, quando A inexistuna não ultranos imploram o tência de qualquer passaram o voto. valor dos seus Documentação controlo real tem permitido um verrendimentos obrigatória: profissionais, 1 – Prova docu- dadeiro saque do após ingressar m e n t a l , e e m erário público na situação de supor te vídeo, político profisdemonstrando sional. que o candidato 4 – Declaranão dorme, nem lê jornais ou revistas durante ção similar em relação a todos os debates da AR. Esta prova os seus familiares, ascendenterá de ser acompanhada por tes, descendentes, amásias e uma declaração de 1 bom- amásios. 5 – Demonstração docubeiro e 1 encenador teatral da
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leonardo da silva
*que se candidatem a receber a jorna e as mordomias aplicáveis no exercicio das suas funções
mental da inexistência de acções de apropriação indevida de património ou rendimento a familiares, directos e indirectos, por parte do candidato. Esta demonstração carece da confirmação da junta de freguesia, da esquadra da polícia e do barbeiro da zona de residência. 6 – Declaração do Banco de Portugal da inexistência de incumprimento de pagamentos por parte do candidato perante as imobiliárias, a banca, as seguradoras e outras entidades financeiras, comércio de electrodomésticos, comércio automóvel, comércio de mobiliário e decoração e comércio alimentar. Esta declaração do BP terá de ser acompanhada de um justificativo mensal de compras em pelo menos 2 das entidades de cada um dos sectores indicados com as quais o candidato estabelece relações comerciais regulares. 7 – Atestado da Junta de
Freguesia da zona de residência do candidato, atestando um comportamento fundado nos valores da civilidade, honradez e boa educação da sua parte. Este atestado deve também permitir avaliar da ausência de palavrões na boca do candidato. 8 – Declaração da(o) esposa(o), namorada(o), amante ou concubina (o), atestando a ausência de atitudes violentas por parte do candidato. Esta declaração terá de atestar igualmente o cabal cumprimento das obrigações sexuais, afectivas e domésticas por parte do candidato. 9 – Declaração do porteiro, ou, na sua ausência, do vizinho mais velho, atestando que o candidato mantém um comportamento exemplar em relação a todos os vizinhos. 10 – Declaração do médico de família, atestando que o candidato não é viciado no álcool ou outras drogas e
não sofre de doenças mentais impeditivas do exercício das suas funções. Em particular da mania das grandezas, como o complexo de Napoleão, cleptomania (como sacar o que pode do Orçamento de Estado), mitomania (como considerar-se o homem providencial) e de mentiroso compulsivo. 11 – Relatório de investigação da PJ sobre a ausência de negócios, negociatas, traficâncias, maroteiras, alcavalas, trapaças, fraudes e embustes por parte do candidato, retirando partido do exercício das suas funções oficiais. Toda a documentação, incluindo provas audiovisuais, terá de dar entrada nos Serviços Respectivos até ao dia 30 de Outubro. Terá obrigatoriamente de ser usado como meio de entrega o sistema pombo-correio. José Luís Félix Tertúlia Liberdade
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ACTIVISMOS 07 O caso do Wikileaks versus Assange - capa da “Time” - levanta questões muito interessantes para a nova sociedade global em que já vivemos, particularmente no domínio da net, jurídico, e das Liberdades. Começou por ser um sustoescândalo quando, de repente, fomos confrontados com um acervo de 250 mil documentos, confidenciais ou secretos, a maior parte descontextualizados, enviados de vários organismos diplomáticos americanos para Washington. Os primeiros a reagir, com muita virolência, foram os EUA e a Inglaterra, mas depois, vieram Rússia, Itália, Paquistão, Venezuela e muitos outros, todos a braços com pretensas revelações, que verdadeiras ou não, desequilibraram o stablishment e deram vida a muitas oposições. O Wikileaks veio comprovar um novo modelo de informação, que deixou de ser de massas, controlada por empresas, para ser em rede, e nessa rede cada um forma do caso a sua opinião individual. Abriu também uma interessante batalha pelo controlo da internet, que conflitua com a liberdade total na rede. Os conceitos de segredo e privacidade, obrigam a uma redefinição das diplomacias e abre a luta sem quartel entre aquilo a que se chama a transparência, como contrapeso democrático e a diplomacia, como segurança dos povos. Estamos face à primeira infoguerra mundial, onde o campo de batalha é o Wikileaks, os soldados são os utilizadores da rede e as bombas são lançadas pelo piratas ou pelos governos, para liquidar o inimigo. Houve, no início, duas instâncias que vieram credibilizar o Wikileaks. Os EUA, ao defenderem-se com tanta veemência - houve senadores que apelaram à morte por causa da fuga de documentos que eles não souberam guardar, o que faz lembrar que o sistema de informações do EUA é uma espécie de saboroso queijo Gruyere. Em segundo lugar, uma série de jornais de referência internacionais resolveram acolher essas informações como verídicas, e publicá-las. Muitos
wikileaks
Diplomacia, Liberdade e Morte?
desses jornais optaram por condenado ou desaparecido. esta via panfletária porque A internet transformou-se os próprios estão em crise, no palco dos novos conflihá muito tempo, e à procura tos sociais e são os jovens, de formas de reformular os de permeio muitos libertáseus conteúdos, para recupe- rios ou anarquistas, quiçá rar públicos perdidos. Há dez unidos os precários de todo o mundo, que mobilizam esta anos não seria assim. cena, como Outra quesos estudantão interessante Abriu tamtes que lutam é que este desem Londres, vendar de tantos bém uma interesParis ou Milão, segredos sensí- sante batalha pelo a engendrar as veis, acaba por controlo da internet, novas resposdeixar muitos paíque conflitua com tas sociais, que ses em muitíssimo ultrapassam os pior estado que os a liberdade total na velhos sindicaEUA - e há quem rede lismos. Há atajá refira isso, como ques e há vinpossível manipulação - veja-se o que se reve- ganças, encerram-se sites de lou sobre os estados compra- prestigio a mando de instituidos ou vendidos ao narco- ções governamentais e outros tráfico, a corrupção ao nível são fechados à força, por vindas cúpulas dos governos, as gança, por piratas, por terem máfias que os controlam, Itá- colaborado com o stablishelia, Rússia, Marrocos, passando ment. Vimos diabolizar/defender até por Moçambique. O jornalismo tradicional Assange, como se diabolizam/ vê-se agora confrontado com defendem, aqui, líderes políoutra informação, que nos ticos. Assistimos a ataques a faz perceber que não vinha instituições aparentemente já cumprindo o seu papel, estáveis. A diplomacia amemas também constatamos ricana está firme, mas vemos que uma das mais valias do ataques ao euro, à comuniOcidente liberal continua a ser dade europeia, aos direitos a liberdade da imprensa e de consagrados e até à soberainformação. Ninguém imagina nia de países, como Portugal. isto acontecer na China, Rús- Há uma “vontade de transtorsia, Irão, Arábia Saudita ou até nar ou de destruir”, enquanto Israel, sem que o seu autor não outros falam mais no sentido tivesse já sido morto, raptado, “moral”. O mais interessante
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está ainda por vir, quando, gunta: “é isto democracia?” como anunciado, o site come- Convém referir que Assange çar a pôr a nu os negócios da foi preso em Londres, onde banca americana, designada- se entregou à polícia, na mente do banco central ameri- base de uma queixa de duas cano, todos eles fautores desta mulheres suecas, por abuso crise mundial que começou sexual, que tem a ver com o nos EUA. Entretanto o jornal bom ou mau uso do preser“Crónica de el Mundo”, num vativo, quando esteve com trabalho de Daniel Estullin, elas. Assenge afirma que foi afirma que o Wikileads foi sexo consentido. As queiinfiltrado pela Mossad, atra- xas, surgem num momento vés de um académico ameri- muito (in)oportuno e servem cano, e que muitos dos piratas de pretexto para o homem ser que lá trabalham tiveram tra- enviado para a Suécia, onde tos com a KGB, a quem ven- pode vir a ser julgado e até deram por alto preço segre- condenado. A associação de dos americanos em Berlim. direitos humanos Avaaz.org Gustavo Cardoso, investiga- fala numa feroz campanha dor português de informa- de intimidação contra Wikileaks e consição, diz no DN dera estas que a detenção A internet intimidações de Assenge é a um ataque à sua melhor estra- transformou-se no tégia. Ele decla- palco dos novos con- Democracia. Por isso quer r o u a o “ I n d e - flitos sociais reunir, numa pendent”, a 18 de semana, um Junho de 2010, milhão de assique a CIA o procurava desde Março deste ano. naturas a favor de Assange. Já Pode então perguntar-se por- conseguiu 300 mil. Por todo que se foi refugiar em Ingla- o lado se fazem manifestaterra sabendo que este país ções defendendo-o ou ao seu tem tratados de extradição site, dizendo que a questão é com os EUA? Ele sabe que a jurídica, na base da liberdade CIA não lhe interessa mata-lo, de informação, que se afirma uma das marcas de referência mas apenas interrogá-lo. Entretanto, Lula e Putin, da nossa civilização. Agora é condenaram já a prisão de certo: A luta continua! Assenge. Lula diz: “o culpado não é quem divulgou, António Serzedelo é quem escreveu” e Putin perDirector
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08 PERIFERIAS
Corria o ano de 1947 quando Port Moresby e a sua mulher Kit desembarcaram em Marrocos. Estavam casados havia dez anos e rumaram à imensidão do Sahara para recuperar o amor e a paixão que sentiam um pelo outro. A fascinante paisagem do deserto tornou-se assim numa das mais poderosas metáforas dos exotismos e das fantasias sexuais dos seres humanos. A beleza pungente e assustadora, a nossa dimensão face ao absoluto, é uma das imagens mais acabadas de uma das mais fascinantes regiões do globo, através da lente de Bernardo Bertolucci, com as interpretações inesquecíveis de John Malkovich e Debra Winger. O eixo que vai de Ceuta ao Lago Rosa tornou-se num dos mais famosos do mundo, pois nele, vezes sem conta, correram as e os mais bravos pilotos do mundo, competindo no mítico Paris – Dakar. Ano após ano as imagens daquelas paisagens únicas invadiam os noticiários, transportandonos das invernias aos calo- África Eco Race, uma comres dos desertos e finalmente petição organizada por René chegando à África-mãe, já no Metge e que irá percorrer as Senegal. O rali Paris – Dakar pistas de Marrocos, Mauritânia e Senegal, morreu, terminou terminado no pelo perigo que mítico Lac Rose, intrinsecamenA beleza em Dakar. te transportava, pungente e assusDe 28 de Deacicatado pelos tadora, a nossa zembro a 9 de discursos dos Janeiro de 2011, radicais do medo, dimensão face ao decorrerá a 3.ª que contrapõem absoluto, é uma edição e, para Ocidente e Orien- das imagens mais celebrar o este, Cristianismo acabadas de uma pírito curioso contra Islamis- das mais fascie corajoso dos mo. Contudo, o nantes regiões do portugueses, fascínio africano contaremos não cessou com a globo, com uma natuprédica do terror, ral do Montijo, o Sul continua a ser o ponto cardial mais for- comendadora docente de te por estas terras, e surgiu o Geografia e autora de nú-
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Um Chá no Deserto. Entre o fascínio africano e a febre do Sul
meros manuais de secundário da área, a Elisabete Jacinto. Diz-nos que “Este tem sido de facto um ano excelente. A equipa conseguiu ultrapassar todas as dificuldades derivadas da juventude do nosso MAN TGS e está a trabalhar cada vez melhor. Isso permitiu-me encarar as duas competições que tiveram lugar na Tunísia e em Marrocos com sucesso”, explica Elisabete Jacinto, que acrescenta: “Parto agora para o Africa Eco Race entusiasmada e preparada para enfrentar aquela que é, sem dúvida, a grande maratona africana. Vou consciente das grandes dificuldades que te-
rei de enfrentar não só ao nível das características do percurso mas também ao nível das difíceis condições que esta prova pressupõe. Vou ter pela frente vários adversários, também eles empenhados em lutar pela vitória. O objectivo é rodar entre os três primeiros camiões tendo por meta a vitória e terminar entre os dez primeiros da classificação geral.” Dizem-nos também que “No Africa Eco Race 2011, Elisabete Jacinto irá ser navegada por José Marques que vai ocupar o lugar que ao longo do corrente ano pertenceu ao belga Charly Gotlib. O mecânico Marco
Cochinho será, como habitualmente, o terceiro elemento da tripulação do MAN TGS. Trata-se de uma equipa 100% portuguesa e apoiada pelo construtor germânico de camiões MAN. José Marques é um experiente navegador, conhecedor de África e que já participou várias vezes no Dakar. De salientar que, Elisabete Jacinto é o piloto português com mais participações em provas africanas de todo-o-terreno. São quase três dezenas, as competições que já disputou em África, cuja estreia teve lugar em 1997, no Rali da Tunísia, de moto”. José Luís Neto
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CULTURA 09 Moçambique tem um jardim evocativo da escravatura, mas é em Angola que encontramos o Museu Nacional da Escravatura. Trata-se de um museu pertença do Instituto Nacional do Património Cultural. Criado em 1997, o museu está instalado na “Capela da Casa Grande”, datada do Século XVII, em Luanda. Está instalado na antiga casa de D. Álvaro Carvalho Matoso, comerciante de escravos e a capela que alberga as colecções era o local onde os escravos eram baptizados antes de embarcarem nos navios negreiros. No Brasil a realidade é distinta. Em primeiro lugar chamamos a atenção para o Museu Afro Brasil, projectado por Óscar Niemeyer, idealizado por Emanoel Araújo (antigo director da Pinacoteca de S. Paulo) e instalado no Parque de Ibirapuera, zona nobre da maior cidade da América do Sul. Com 11 000 m2, ali se apresentam 4 500 obras, na sua maioria da colecção de Emanoel Araújo. Criado em 2004, Organização da Sociedade Civil de Interesse Público, apresenta-se dividido em seis núcleos: África, Trabalho e escravidão, O sagrado e o profano, Religiosidade afrobrasileira, História e memória e Arte, sendo que todos estes núcleos têm interfaces entre eles. Para além do museu e galeria de exposições tempo-
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Os museus do negro na tradição cultural lusófona
rárias, o museu conta ainda com uma biblioteca especializada com 6 000 volumes. O Museu Afro-Brasileiro, de S. Salvador da Baía, foi criado em 1982, partindo de uma iniciativa do Centro de Estudos Afro-Orientais da Universidade Federal da Bahia, em conjunto com o Ministério das Relações Exteriores, o Ministério da Educação e Cultura, o governo da Bahia e o município de S. Salvador. Instalado no Terreiro de Jesus, no edifício da primeira escola de medicina do Brasil, em pleno centro histórico, foi inicialmente idealizado por Pierre Verger. O acervo é composto por peças de origem ou ins-
piração africana, representativas da vida quotidiana, dos processos tecnológicos, do sistema de crenças, das tradições artísticas e da tradição oral em África, para além das alusivas ao Candomblé de S. Salvador. Pertença do Instituto do Património Histórico e Artístico Nacional é o Museu da Abolição, no Recife. Foi criado em 1957, mas apenas inaugrado em 1986. Pouco depois foi fechado, até 1996. Reabilitado o edifício, que foi antiga morada de João Alfredo, Conselheiro e abolicionista proeminente, conta com uma exposição permanente relacionada com a escravidão, sala de exposi-
ções temporárias, centro de documentação e um mini-auditório com capacidade para 50 pessoas. Existe também o Museu do Negro de S. Luís do Maranhão, espaço modesto, uma secção no Museu Comunitário do Marajó. O Museu do Negro de Campinas apresenta um outro bem distinto modelo. Campinas foi a última cidade brasileira a abolir a escravatura e ali se vê resistência. Instalado numa moradia, na Rua Emílio Ribas n.º 1468, ocupa uma área de 150 m2. Foi criado em 2002, a partir da comunidade negra local. O acervo é constituído por fotografias e documentos que resgatam o contributo dos
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negros para a construção de Campinas. Procura criar bases documentais sobre essa memória, através das recolhas gravadas das histórias dos elementos mais idosos da comunidade, em parceria com o município. Também com as escolas as acções são intensas, procurando formações frequentes. No museu é leccionada a capoeira e a música, bem como ali ensaia o coral de vozes negras. Na realidade funciona mais como centro cultural do que museu conforme atesta o número de visitantes de 2002 a 2003, cerca de 200 pessoas. José Luís Neto
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Mahatma gandhi e o dia internacional da não-violência (i) «É POSSIVEL QUE AS GERAÇÕES FUTURAS, MAL CONSIGAM ACREDITAR QUE UM HOMEM ASSIM, DE CARNE E OSSO, ANDOU POR ESTE MUNDO»
de acordo com os seus principios, como budha e jesus, viveram de acordo com a sua filosofia. Um dia, um padre cristão perguntou a gandhi o que deveria fazer, para propagar a sua fé e converter as Albert Einstein pessoas á sua religião. Sorrindo, gandhi respondeu: “viva como jesus viveu e quer que Mohandas karamchand o senhor viva. O seu modo de gandhi, nasceu a 2 de outubro vida sincero e simples fará de 1869, na india. Conheci- com que as pessoas sigam do como mahatma gandhi ( a sua fé”. Não admira que a assemmaha-grande; atma-alma),foi o lider indiscutivel da luta de bleia da o.N.U tenha declalibertação face ao imperia- rado o dia internacional da lismo britânico. Ao libertar não-violência, o dia 2 de outua india do jugo estrangeiro, bro. Gandhi e a sua filosofia, ajudou a libertar o mundo merecem a nossa profunda e de alguns preconceitos ab- sincera homenagem e, estudá-lo permitirá caminharmos surdos. Em 2007 a assembleia geral no sentido da justiça. Todos os paises possuem das nações unidas,fixou o dia 2 de outubro, o dia interna- uma galáxia de grandes homens que concional da nãotribuiram para o violência, como o summumdesenvolvimento reconhecimenbonum (bem supreda nossa civilito do seu papel na divulgação mo) de toda a huma- zação. Gandhi da india, foi um da mensagem nidade, consistia deles. Estava de paz para em seguir o “camiconvencido de todo o mundo. nho da verdade e da que o summumF a l a m o s não-violência bonum (bem sude mahatma premo) de toda gandhi porque a humanidade, continuamos consistia em a vi v e r n u m mundo agressivo e materia- seguir o “caminho da verdalista , num clima de violência de e da não-violência”.Forgeneralizada e precisamos de mado em direito em londres, um sistema de ideias e um gandhi era profundamente caminho para nos libertarmos espiritual. Gandhi orava e cantava didesta violência. Gandhi e tantos outros, áriamente, na companhia de mostraram-nos um cami- companheiros, amigos e connho para nos libertarmos vidados.Cantavam hinos de da violência cada vez mais vários poetas e religiões,de sofisticada. Assim , apresen- várias linguas, que selecciotamos alguns aspectos mais nava. Por exemplo, narasimh relevantes do pensamento mehata, tukaram, cardeal do mahatma. Gandhi viveu newman, evangelho segun-
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do são mateus, pritama, etc. Muitos não se encontram traduzidos para português. Porque dominava três linguas, usava- as em simultâneo nos discursos. O hindi, lingua nacional da india e sua lingua-mãe , o gujarati e inglês. O gujarati e o hindi e as
15 linguas da india, têm a sua origem no sânscrito. Na áfrica do sul gandhi trabalhou arduamente para melhorar os direitos dos emigrantes indianos e desenvolveu a crença na resistência passiva contra a injustiça: “satyagraha”. “Satya” vocábulo
sânscrito significa “verdade” e “graha”, insistência. Satya é universal e eterno, tendo origem a partir da autorealização, que provém da consciência pura. É para ser vivida e realizar-se plenamente. Só é possivel através de uma persistente dedicação à pura-consciência, ao longo da vida. O homem poderá perceber deus, apenas se seguir o caminho da pura consciência – verdade. Deus não se encontra em nenhum livro sagrado, lugar de culto ou ritual. Deus existe por toda a parte, se deus existir no nosso coração e se o realisarmos com a nossa pura consciência. Deus, pode ser alcançado por qualquer pessoa, sem o recurso a qualquer ritual. A pura consciência, é o único caminho para o alcançarmos. Gandhi, introduziu na india o conceito de “satyagraha”, no contexto da vida social e politica , na luta contra todo o tipo de injustiça. ”Satyagraha” significa “a insistência da verdade contra a injustiça”, desprovida de hostilidade, de ira e de violência. Verdade e deus, são conceitos que constituem uma unidade.O sistema de castas, religião ou nacionalidade não os podem separar.Estas divisões foram estabelecidas pelos homens e contradizem a noção de verdade e deus.Estes obstáculos devem ser eliminados . A humanidade não pode continuar dividida. (Continua no número seguinte) Professor anil samarth. Samarthanil@gmail.Com Setubal,30 de setembro 2010
Noites Escaldantes para derreter o gelo do Inverno A Associação Festróia e a Prima Folia – Cooperativa Cultural associaram-se para ajudar a preencher a recente lacuna existente na cidade de Setúbal. A partir de Janeiro, todas as Quintas-feiras serão sinónimo de noite de cinema. Estas terão a já reconhecida qualidade que o nome Festróia oferece. Os filmes terão inicio ás 21h30 e o primeiro ciclo terá como tema “a Sedução”. É curioso, e mesmo digno de justíssimo reparo, o que assistimos actualmente em Setúbal. Numa fase em que, por razões talvez entendíveis mas nem por isso justificáveis, a cidade vê-se coarctada das suas salas de cinema de eleição, as pessoas voltam a reunir-se em cineclubes, para usufruírem colectivamente do fascínio da fita, para poderem conviver e partilhar esse mesmo gosto e culto, em locais de resistência e efervescência intelectual. Assim, os amantes do cinema podem desfrutar de uma oferta qualitativamente interessante, com as quartas-feiras preenchidas no La Bohéme, numa colaboração com a Experimentáculo e às quintas-feiras, na Academia Problemática e Obscura. Passados muitos anos, retornou-se às soluções
subversivas e libertárias de um mítico pré 25 de Abril, onde grupos intimistas se reúnem na procura franca de caminhos culturais a explorar, o que é deveras entusiasmante. Retornamos atrás, a soluções já experimentadas e que obtiveram sucesso, porque a realidade é dinâmica, de confrontos dialécticos, correspondendo a necessidades comuns com as de outras gerações, porque a vontade de conhecer, a ansiedade mental e o saciar a vista com bom cinema não se suspende por decreto. A liberdade começa aqui, agora, hoje. Dia 6 de Janeiro: • The Gallery (28’) • Why Don’t We Do It On The Road (28’) • On Top Down Under (27’) • The Insatiable Mrs. Kirsh (25’) Dia 13 de Janeiro: • A Day In The Life Of Richard (2’) • The Story Of Richard O’ (75’) Dia 20 de Janeiro: • Delicious Sake (11’) • Breaking The Surface (92’) Dia 27 de Janeiro: • Médium Rare (13’) • Addiction (101’)
O beijo, Gustav Klimt
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mário gaspar
O crime do Graffiti?
Uns fartos e outros obcecados pelo graffiti; são, na grande maioria, estes os dois tipos de pessoas que olham para o graffiti diariamente. Quem os vê, todos os dias em locais impertinentes, ilegais grande parte das vezes e há aqueles que os cria e adora. Temos então uma batalha diária, entre o certo e o errado, legal ou ilegal, o artístico ou nem tanto. Comecemos pelo básico e
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coloquemos a questão: Graffiti é arte? Sim! Graffiti é arte, como uma pintura de Van Gogh ou um desenho de Leonardo da Vinci, mudando apenas o suporte de pintura. Não é por acaso que existem exposições em grandes museus, mundialmente conhecidos, que recebem visitantes nas ordens dos milhares, quando têm uma exposição sobre este tema. Não é por acaso que o graffiti tem centenas de revistas a ele dedicadas, onde
aparece como tema central ou de grande importância, e temos também quem consiga viver somente desta arte, mesmo em Portugal. Então mas se é arte, porque também é considerado crime? O erro está na interpretação das pessoas em geral, que ao verem constantemente graffitis feitos em locais menos adequados, condenam toda a prática do graffiti, sem que quem o faça correctamente seja ilibado.
Primeiro e o fundamental de toda esta questão, o graffiti não é crime, nem nunca será, mas sim a prática do graffiti em certos locais o pode ser. A culpa, e com razão, é de quem pratica esta arte em locais públicos e privados sem o consentimento ou autorização dos donos e que, infelizmente, acaba por ser grande parte de quem pratica esta arte. Temos quem pinte com alguma qualidade, em locais apropriados, e que pintando em
casas, instituições, entre outros, consegue fazer disto um parttime. Uma coisa é certa, todos começaram na rua a pintar o que não deviam, de onde a maioria não sai, pois foi também desta forma que o graffiti começou há pouco mais de 50 anos, em Nova Iorque. Desta forma não devemos julgar o graffiti como um todo igual. Mário Gaspar “DEZ”
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O teatro é uma actividade económica e, como tal, geradora de riqueza. Gera bens que são naturalmente transaccionados e, ao mesmo tempo, consome serviços e outros bens e produtos de que necessita. Mas o teatro e a criação artística em geral são ainda legítimos depositários de um património imaterial que cumpre ao Estado, nomeadamente às autarquias preservar, difundir e actualizar. A inexistência de um sistema nacional de teatro põe em risco a conservação (e transmissão às novas gerações) deste património, o que conduz à necessidade do estabelecimento de parcerias entre o Estado e as estruturas teatrais. Compete em primeira instância ao poder central a maior fatia das responsabilidades, mas as autarquias não podem demitir-se de intervir nestas matérias (na verdade, o maior investimento na cultura em Portugal desde 1974 é feito pelas autarquias locais). Nenhum modelo sustentável de desenvolvimento pode descurar a área da cultura e as artes, nem se pode falar de investimento sem pensar na sua sustentabilidade. Os projectos e acções de formação e de educação artística, tal como a dinamização cultural comunitária, são vias que garantem a sustentabilidade desse investimento. Conseguem-no através da melhoria técnica e artística (qualificação) dos seus agentes, nomeadamente a formação de novos profissionais, bem como pelo seu contributo para a promoção de novos públicos. Por via autónoma e/ ou em estreita ligação com os agentes e instituições educativas, as acções de formação teatral constituem uma forma de garantir a continuidade das práticas artísticas na e pela comunidade. No mesmo sentido,
leonardo da silva / grupo de teatro ser vivo
Mudar o paradigma – porquê? para quê?. III PARTE (Parte I inclusa no n.º 8, Parte II no n.º 10)
as parcerias entre o teatro e áreas como a animação sociocultural ou a inclusão social podem trazer grandes vantagens para o desenvolvimento de grupos comunitários. De resto, as práticas teatrais são por natureza multidisciplinares, chamando normalmente a
si um conjunto diversificado de recursos materiais e profissionais de um vasto leque de áreas e actividades. Cria e mantém emprego, num vasto quadro de profissões. Noutra direcção, as mesmas práticas podem contribuir para a dinamização de espaços públicos e de lazer ou
a promoção de marcas e produtos, o que abre portas também para múltiplas relações entre as artes do espectáculo e as actividades turísticas e comerciais, nomeadamente através da colaboração com as indústrias criativas. De modo a potenciar es-
tas relações entre diferentes áreas e entidades torna-se necessária a definição de critérios de avaliação dos projectos. Dois factores parecem essenciais, são eles a gestão económicofinanceira e a qualificação dos recursos humanos. A regularidade da actividade é outro elemento importante nesta avaliação. Também a capacidade para captaçãointegração de artistas se afigura como tal. A mobilidade na área garante a inovação, o emprego e as trocas, que potenciam ainda mais a diversidade. Por outro lado, a capacidade para angariação de parcerias, nomeadamente através de co-produções, permite assegurar meios e vias de difusão, bem como o alargamento dos públicos. Finalmente, um mundo em rápida e permanente mudança, como é o nosso, a desejada democracia (e democratização) cultural e a participação cidadã exigem que estas parcerias sejam objecto de concursos públicos, de modo a proporcionar as circunstâncias de igualdade de tratamento entre as diferentes propostas e projectos. Exigem também a instituição das práticas de co-produção entre espaços e equipamentos culturais e os agentes no terreno, estruturas de criação e artistas. Só deste modo alcançaremos plena liberdade e a democracia será uma realidade, também, na área da cultura e das artes. Estas são algumas das expectativas por cumprir, espera-se que os responsáveis políticos e económicos, os diferentes agentes culturais e a comunidade, em geral, consigam mudar o paradigma. Fernando Casaca fernandocasaca@teatrodoelefante.net
FICHA TÉCNICA: Propriedade e Editor: Prima Folia - Cooperativa Cultural, CRL Morada: Rua Fran Paxeco nr 178, 2900 Setúbal Telefone: 96 388 31 43 NIF: 508254418 Director: António Serzedelo Subdirectores: José Luís Neto Consultor Especial: Fernando Dacosta e Raul Tavares Conselho Editorial: Catarina Marcelino,Hugo Silva, Leonardo da Silva, Maria Madalena Fialho, Paulo Cardoso Directora de Arte: Rita Oliveira Martins Consultor Artístico: João Raminhos Morada da redacção: Rua Fran Pacheco n.º 176 1.º andar 2900-374 Setúbal E-mail: info@ jornalosul.com Site: http://www.jornalosul.com Registo ERC: 125830 Depósito Legal: 305788/10 Periodicidade: Mensal Tiragem: 10.000 exemplares Impressão: Tipografia Rápida de Setúbal Morada da tipografia: Travessa Gaspar Agostinho, nr 1 - 2º - 2900-389 Setúbal Telefone: 265 539 690 Fax: 265 539 698 E-mail: trapida@bpl.pt
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Charroque converrsa com O Sul – A entrrevista mais esperrada du ano O SUL – Como nasceu o Char- tas palavras. Aproveito para dizer que a minha mulher tem roque? Charroque – O Charroque é dado imenso apoio e acredium resultado de muita experi- tado neste projecto. Logo de ência da minha vida, disso não seguida comecei a apresentar tenho dúvida. Sempre estive a amigos, fui desenvolvendo ligado a projectos D.I.Y. (do it o blog, coloquei no Faceyourself), sempre gostei deste book. Chegou a um ponto conceito, faz tu mesmo, sem que achei que este personaprecisares de mais nada nem gem não poderia ter só graça, de niguem. Assim dando um teria que ter um papel activo salto de dezenas de anos, no despertar das cabecinhas comecei na gravação de jogos adormecidas, isto será o darkpiratas do ZX Spectrum, e o side do Rui Garcia... auge desta carS – O que reira foi ter tido Há um princi- motiva o teu uma distribuitrabalho, o dora alternativa pio muto velho e é ódio ou o de material punk/ bem verdade “o não amor à culhardcore. Muito já tens há partida”, tura setubaligado à anarquia, por isso eu não me lense? direitos dos aniC – Ódio ou mais e muito con- canso de inventar e a m o r, e i s a certo para aba- propor, depois logo questão. É nar a carola. Este se vê. s ó a m o r. O espírito sempre Charroco é ficou cá dentro. um azedo, é A minha outra verdade, mas parte é que semsó quero despre achou que em Setúbal as pessoas são pertar, eu sou muito positivo pouco activas, mas since- e de quase tudo gosto de retiramente, acho que até nem rar o que há de positivo numa é em Setúbal, é em Portugal situação, amizade ou outra e mais concretamente neste coisa qualquer. Uma outra planeta. Nós é que gostamos coisa que motiva o meu trade nos queixar daquilo que balho é que na realidade farconhecemos. Saltando para to-me de rir sozinho quando quase dois anos atrás, eu tinha escrevo os meus textos! Isto um blog pessoal, gostava de tem uma razão, eles são todos dar a conhecer o que fazia, escritos de rajada, de improviso, nem para ganhar proxieu prómidade com amiprio sei o gos e família, é intena realidade que vou ressante. É o que se farto-me de rir soziescrever faz hoje com o Facenho quando escrevo e consigo book. Um dia, numa surpreennoite senti que pode- os meus textos! der-me! ria fazer uma coisa diferente, criei um S – Contiblog e dei-lhe direcnuas com tamente esse nome, coragem "Charroque da Prrofundurra", achei que conse- para prosseguir com sentido guia escrever directo em Setu- de humor ou pensas que a balense a carregar no R's sem nossa sociedade já perdeu a hesitação, e lá fiz um texto piada? de apresentação. Fui com- C – Eu não continuo, eu sinto pondo o blog e passado uma que estou a começar. O humor semana escrevi segundo texto. vai ser de certeza o mote prinA minha mulher, que tam- cipal. Uma das coisas que me bém é blogueira e assídua da deu mais gozo foi participar internet, descobriu o meu blog na manifestação contra o secreto e perguntou-me logo fecho das urgências pediátri"Aquilo do Charroco é coisa cas no hospital de Setúbal. Fiz tua não é? Já chorei a rir..." um folheto à moda do CharSinceramente fez-se um click roque, peguei na minha filha e não me esqueci mais des- de 7 anos, vestimos t-shirts do
que eu dou-lhe conversa e bebemos umas minis. S – E que pensa o Charroque do Fórum Luísa Todi estar encerrado para obras? C – Eu sinceramente não penso mal, a minha casa também tem uma série de obras para serem feitas há muitos mais anos! As coisas podem levar o seu tempo, há muitas razões, mas nisto tudo só penso numa coisa, acreditem que vai ser uma cena muito boa para a nossa cidade. Quando aparecer é certo que vamos só ouvir opiniões destrutivas, estou ansioso por essa altura para fazer umas pexêrradas!
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rui garcia - Charroquedaprrofundurra.blogspot.com
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Charroque e distribuímos 250 folhetos, foi lindo. Havia gente que pedia mais papéis e que estavam lá porque o Charroco ia...brutal! Dias mais tarde, tive pessoas a pedirem-me o folheto. Este tipo de coisa é o que mais quero fazer. Deixo só aqui o alerta que partidos políticos "descusam" de vir ter comigo uma vez que só realizo trabalho sem ligação directa com politica. Eu trabalho com pessoas que queiram atingir um objectivo comigo, independentemente daquilo que são ou pertencem. S – O que faz o Charroque na manifestação anti-NATO? C – Esse texto...na realidade era para ser bem mais light,
mas acho que nessa noite bebi um copo de tinto que volatilizou as minhas ideias mais profundas. Eu sou um homem muito básico, prático, não me metam pelos olhos adentro que certas coisas são assim porque há muitos anos se faz assado, ou que temos que fazer isto para conseguir aquilo. Na NATO, Portugal é um manso, pau mandado e tudo isto tem custos brutais e não se faz para guerra nenhuma. Investiguem, e vejam quem tem ganho com tudo isto. Eu estava a escrever o texto e reparei que já não era Charroque nenhum que estava a falar, era o Rui Garcia. Fica assim, quero lá saber, o Obama que passe lá em casa
S – Tens pulmões ou tens guelras? C – Tem dias...Para descansar sabe bem ter um bons pulmões, respirar fundo, chegar ao fim do dia e saber que está a valer a pena. Na batalha do dia a dia é melhor ter guelras e tomates também, sem medos, olhar em frente e acreditar naquilo que fazemos. Há um principio muto velho e é bem verdade "o não já tens há partida", por isso eu não me canso de inventar e propor, depois logo se vê. S – Lançaste um livro recentemente. Quais as expectativas? C – Estou satisfeitíssimo com o livro. O livro tem um grande objectivo. O Charroque tem sobrevivido à custa da internet, com o livro as coisas vão mudar bastante. Vou conseguir alcançar as pessoas que não andam pela internet ou que não têm paciência para blogs e que não conhecem o personagem. Vou chegar a mais pessoas. O livro teve para já uma edição de 250 livros. Sou eu que financio tudo, funciono na lógica do que eu chamo micro-investimentos. Sinceramente nem gosto desta palavra, investimento, o que faço é trabalhar com pequenas bases garantidas. Eu tenho a certeza que irei vender 10.000 livros um dia, mas como não quero morrer afogado. Ficamos assim. Leonardo da Silva e José Luís Neto
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