FORADOCOMUM TONYDUNGY&NATHANWHITAKER APRESENTAÇÃO DE BERNARDINHO SEXTANTE 2009 Para meus filhos, que eles possam continuar em suas jornadas a fim de se tornarem homens fora do comum. TONY DUNGY Para minhas filhas, para que elas possam passar a vida ao lado de homens fora do comum. NATHAN WHITAKER
SUMÁRIO NA VIDA COMO NO ESPORTE APRESENTAÇÃO INTRODUÇÃO PARTE I: DESENVOLVA SUA ESSÊNCIA CAPÍTULO 1: Caráter CAPÍTULO 2: Honestidade e integridade CAPÍTULO 3: A humildade e o dom de servir CAPÍTULO 4: Coragem
PARTE II: AME SUA FAMÍLIA CAPÍTULO 5: Como tratar uma mulher CAPÍTULO 6: Paternidade CAPÍTULO 7: Respeito à autoridade PARTE III: ENCORAJE AS PESSOAS CAPÍTULO 8: Amizade CAPÍTULO 9: Aceitando conselhos CAPÍTULO 10: O poder da influência positiva CAPÍTULO 11: Orientação PARTE IV: DESENVOLVA SEU PLENO POTENCIAL CAPÍTULO 12: O poder do pensamento CAPÍTULO 13: Educação e esporte CAPÍTULO 14: Carreira, trabalho e finanças CAPÍTULO 15: Objetivos e riscos CAPÍTULO 16: Álcool e drogas CAPÍTULO 17: Fracasso PARTE V: ESTABELEÇA UMA MISSÃO DE VALOR CAPÍTULO 18: Estilo x conteúdo CAPÍTULO 19: Prioridades CAPÍTULO 20: Ser x fazer CAPÍTULO 21: Seguindo seus sonhos CAPÍTULO 22: Buscando o equilíbrio PARTE VI: OPTE PELA INFLUÊNCIA, NÃO PELA IMAGEM CAPÍTULO 23: Respeitando os outros e a si mesmo CAPÍTULO 24: Integridade sexual CAPÍTULO 25: Experiência CAPÍTULO 26: Modelo de conduta
PARTE VII: VIVA SUA FÉ CAPÍTULO 27: Auto-estima CAPÍTULO 28: Relacionamento com Cristo CAPÍTULO 29: Fé CAPÍTULO 30: Propósito CAPÍTULO 31: Significado EPÍLOGO AGRADECIMENTOS SOBRE os AUTORES
Navidacomonoesporte ESTE É O QUARTO TÍTULO DA COLEÇÃO Na Vida Como no Esporte, organizada pelo técnico da seleção brasileira masculina de voleibol, Bernardinho, com o objetivo de revelar os princípios e valores pelos quais grandes atletas e treinadores pautaram suas trajetórias. A série teve início com Nunca deixe de tentar, um depoimento de Michael Jordan sobre a busca pela excelência. Em Treinador, segundo volume da coleção, o jornalista Michael Lewis conta como o que aprendeu com o temido técnico Fitz no time da escola transformou sua vida. O terceiro volume, Jogando para vencer, apresenta o inspirador modelo de liderança de John Wooden, um dos maiores treinadores de basquete do mundo. Em Fora do comum, o técnico de futebol americano Tony Dungy fala sobre a necessidade de treinadores assumirem um papel que vai além do esporte, orientando os jovens em suas escolhas pessoais e oferecendo bons exemplos de conduta. Assim como nos demais títulos da coleção, este livro apresenta ferramentas úteis para todos aqueles que pretendem buscar a excelência e se tornar não apenas líderes melhores, mas pessoas melhores. A coleção trará ainda outros grandes personagens que tiveram a coragem de fazer a coisa certa, sem jamais visar à sua conveniência ou ceder à mínima transgressão, por entenderem que a coragem não é a ausência do medo e que as
dificuldades podem ser usadas como fonte de motivação e percebidas como oportunidade. São nomes como Vince Lombardi, Bobby Knight, Bill Bradley e muitos outros personalidades bastante diferentes, de várias modalidades de esporte - que vão nos guiar por viagens emocionantes. Suas experiências, no entanto, transcendem o mundo esportivo e são úteis em diversas áreas da vida profissional e pessoal.
Apresentação NENHUM OUTRO LIVRO REPRESENTA TÃO BEM O espírito da coleção Na Vida Como no Esporte quanto Fora do comum. Escrito por um dos maiores técnicos de futebol americano do mundo, o livro fala sobre a essência da vida, sobre valores humanos, sobre a força da fé e a importância de se liderar pelo exemplo. Tony Dungy possui uma retidão de caráter admirável e conquistou os maiores títulos do esporte sem jamais se deixar seduzir pelo caminho mais fácil. É muito comum atletas ficarem deslumbrados com a fama e o dinheiro e acabarem metendo os pés pelas mãos. Ao longo de todos esses anos como técnico de voleibol, já testemunhei diversas situações em que jovens de talento seguiam um caminho errado. E o motivo disso, na maioria das vezes, era a simples falta de bons exemplos e orientação. Assim, a narrativa de Tony Dungy é um convite à reflexão sobre a profunda influência que treinadores, líderes e pais exercem nos jovens. Eles nos veem como modelo, portanto precisamos ensinar que nosso valor como pessoa não é medido pelas vitórias, mas pelos princípios que nos impulsionam a alcançá-las: Uma expressão muito usada no meio esportivo - já citada nos livros de John Wooden e Michael Jordan - diz que, diante das dificuldades, temos de "voltar ao básico", resgatar os fundamentos de nossa atividade para que possamos encontrar o sucesso. Tony Dungy afirma que, da mesma forma, a sociedade precisa recuperar os princípios que nos permitem ter sucesso como seres humanos. Dungy é um homem muito religioso. Eu, como filho de mãe católica e pai positivista (que valoriza a humanidade, a ciência e a razão), não tive uma
formação religiosa muito relevante. Apesar disso, acredito que a fé proporciona equilíbrio, serenidade e força para encarar os desafios. Nós, esportistas, vivemos em um ambiente de muita solidão, sob tensão e pressão constantes. A espiritualidade, defende o treinador, traz a perspectiva de que a vida tem um propósito maior. Fora do comum é um verdadeiro manual de conduta, um livro que transcende o universo esportivo e nos faz pensar em nosso papel na sociedade: mostrar que ética, respeito, humildade e au- toaperfeiçoamento são as bases da realização. Mas não pense que tamanha preocupação com a moral resulta em falta de vontade de vencer. Pelo contrário. Dungy é um campeão de recordes e acumulou diversos prêmios ao longo de sua bem-sucedida carreira: foi o primeiro técnico negro a ganhar o Super Bowl; o treinador com mais aparições consecutivas nas finais, levando 8 de suas 10 equipes a disputar o título; e um dos três únicos atletas a ganhar o campeonato como jogador e como técnico. Extremamente exigente em campo, sabe muito bem o que esperar de cada jogador. Disciplina, responsabilidade e comprometimento são algumas de suas palavras-chave. Assim como o técnico de basquete John Wooden, ele acredita que, para montar um time campeão, é preciso escalar jogadores de caráter, que não desejem ganhar a qualquer custo, que não sejam apenas grandes atletas, mas grandes homens. Apesar da fama e do estrelato, Dungy sempre foi humilde, já que uma de suas principais convicções é a de que as pessoas são definidas por sua personalidade, e não pelas realizações profissionais. O maior desafio que enfrentamos como técnicos e pais é: como valorizar tudo isso num mundo tão competitivo, onde muitas vezes o que diferencia o sucesso do fracasso é apenas a vitória, independentemente de como ela foi alcançada? Talvez a resposta seja simples: dando o exemplo, ajudando os jovens a descobrir que o importante não é o ponto que alcançamos, mas os obstáculos que superamos para chegar lá. Vou continuar tentando. Enquanto puder realizar um trabalho que inspire esses jovens a se tornarem pessoas melhores, vou continuar tentando. BERNARDINHO
Introdução Nem todos os que vagueiam estão perdidos. J. R. R. TOLKIEN DESDE QUE CHEGUEI A INDIANÁPOLIS, fiquei amigo de dois jovens. Embora tenham crescido bem perto um do outro, eles foram criados sob circunstâncias diferentes, em ambientes completamente distintos. Brandon Robinson é branco e cresceu ao lado dos pais na região rural de Indiana. Dallas Clifton é negro e foi criado pela mãe no centro de Indianápolis. Apesar das origens diferentes, os dois garotos têm muito em comum. Ambos são extremamente inteligentes, articulados, divertidos e cativantes. Os dois têm bom coração e boa aparência; são aquele tipo de jovem que você espera que sua filha namore algum dia. Mas Brandon e Dallas têm outra coisa em comum: ambos estão presos - em conseqüência de más escolhas que fizeram e das quais se arrependerão pelo resto da vida. Infelizmente, histórias como a de Brandon e Dallas estão se tornando cada vez mais freqüentes. No Condado de Marion, em Indiana, que inclui a própria cidade de Indianápolis, houve 8.949 prisões de jovens em 2007. Em outras palavras, quase 25 adolescentes eram presos todos os dias por crimes que iam de arruaça e furtos a roubo qualificado. Quando fiquei sabendo dessas estatísticas, pensei imediatamente nas gangues e nas crianças de rua que não têm qualquer tipo de orientação. Mas, graças a Brandon e Dallas, descobri que nem sempre é assim. Dan e Cheryl Robinson criaram Brandon num bairro bastante tranqüilo em Warsaw, Indiana. Seus pais eram amorosos e lhe davam apoio, queriam o melhor para ele e tentavam mantê-lo afastado de qualquer coisa que atrapalhasse seu desenvolvimento. Apesar de ter crescido em condições que podem ser consideradas ideais, o jovem começou a se rebelar contra a autoridade dos pais. Brandon passou a usar maconha e a consumir álcool. Para ele, aquilo não passava de uma diversão inocente. Ele gostava de ser o cara que tinha carteira de identidade falsa e podia comprar bebidas para seus amigos menores de idade. A
brincadeira durou até uma noite de verão, quando Brandon deu carona a seus colegas depois que todos tinham bebido. Era um trajeto curto numa estrada que ele conhecia muito bem. Naquela noite, contudo, Brandon não conseguiu parar no sinal vermelho, atravessou um cruzamento movimentado a quase 100km/h, bateu em um carro e matou três pessoas, ferindo gravemente outras duas. Esse fato - e suas trágicas conseqüências - foram causados por um índice de álcool no sangue de 0,099%, bem acima do limite legal do estado de Indiana, que é de 0,08%. Ele foi condenado a 28 anos de prisão por triplo homicídio e por lesões corporais graves. A história de Dallas é diferente, mas a base é a mesma. Desde o início, Alicia Clifton percebeu que Dallas era um menino especial. Com 4 anos, ele já tocava piano bem. Quando começou a ter aulas, progrediu com uma rapidez impressionante. Aos 15 anos, Dallas tocava música clássica, compunha suas próprias canções e já havia ganhado vários concursos de talentos em Indianápolis e nos arredores. Alicia estimulou o filho a desenvolver seu talento, mas ela também queria que ele se mantivesse em contato com a fé cristã. Quando Dallas começou a tocar órgão em coros de várias igrejas locais, parecia que ele havia encontrado a maneira ideal de fazer as duas coisas. Depois de algum tempo, no entanto, Alicia começou a ficar preocupada. Ela sabia que Dallas era bem pago por suas apresentações, mas às vezes ele parecia ter dinheiro demais. Onde estaria conseguindo toda aquela quantia? Mais tarde, ela descobriu que seu filho estava envolvido com jogos de azar. As apostas começaram ainda na escola, quando os meninos mais velhos lhe ensinaram um jogo de cartas chamado tonk. Em pouco tempo, o joguinho sem importância dera lugar aos dados. Os jogos de dados eram fáceis para Dallas, e em questão de minutos ele podia transformar em 200 os 50 dólares que havia recebido por tocar num casamento. Acima de tudo, jogar era divertido. Dallas apreciava a descarga de adrenalina que corria em suas veias quando as coisas iam bem. Claro que ele nem sempre ganhava, mas conseguia compensar as perdas ocasionais no jogo seguinte. Vencer nos dados trazia várias conseqüências positivas - ele agora podia ajudar a mãe a pagar as contas e
comprar coisas boas para suas irmãs. Dallas tinha dinheiro bastante para dar presentes às garotas, o que o tornava cada vez mais popular na escola. Quando Alicia descobriu a origem do dinheiro extra, alertou o filho sobre as escolhas que ele estava fazendo e os riscos que estava assumindo. Mas tudo vinha dando tão certo para Dallas que ele tinha certeza de que sua mãe estava se preocupando à toa. Dallas se formou na escola secundária e ganhou uma bolsa de estudos de música na Universidade de Kentucky. Certa vez, quando voltou para sua cidade natal durante um recesso nas aulas, ele decidiu procurar uma mesa de apostas para se distrair. Infelizmente, aquele não era seu dia de sorte. Depois de perder quase 200 dólares, ele pediu dinheiro emprestado a um dos companheiros de jogo e acabou perdendo também. O problema é que o sujeito começou a cobrar a dívida, ameaçando a família de Dallas caso ele não pagasse. Preocupado com o que poderia acontecer à mãe e às irmãs depois que voltasse para Kentucky, Dallas se viu diante de um dilema. Como iria arranjar o dinheiro? Ele poderia pedir ajuda à mãe ou a algum membro da igreja. Mas decidiu que, como entrara sozinho nessa confusão, precisava sair dela sozinho também. Ele sabia que muita gente que vive no submundo dos jogos carrega consigo grandes quantias. Então arranjou uma arma e resolveu assaltar uma pessoa que havia acabado de sair de uma mesa de dados. Ele precisava daquele dinheiro apenas para poder voltar para a universidade despreocupado; mas, em vez de resolver a situação, acabou tornando-a ainda mais crítica. Dallas sabia que aquilo não era a coisa certa a fazer, mas achou que era a única maneira de proteger sua família. Aquela decisão transformou Dallas em mais uma estatística. Ele não acreditou que a vítima fosse dar queixa na polícia, mas deu. Com 19 anos, esse universitário, pianista clássico e músico de igreja foi condenado a cinco anos de prisão por assalto à mão armada. Os casos de Brandon e Dallas foram minhas verdadeiras motivações para escrever este livro. Dois meninos, duas origens distintas, duas criações diferentes. Ambos se desvirtuaram e acabaram presos, o que indica que nossa sociedade está enfrentando um problema generalizado. E não é um problema
social, econômico ou religioso. O tipo de idéias que nossos jovens estão absorvendo e a pressão que vêm sofrendo para se adequar estão fazendo com que optem pelo caminho mais cômodo. É muito fácil se deixar levar pela corrente sem saber para onde se está indo. Já vi esta situação inúmeras vezes ao longo dos anos e até mesmo eu já me senti tentado a simplesmente seguir o fluxo. Em várias ocasiões, olhei ao meu redor e pensei: Como é que cheguei até aqui? Onde é aqui? E quem são essas pessoas à minha volta? Infelizmente, parece que esse é o caminho que muitos de nós tomamos. Vivemos num mundo onde ninguém questiona nada, onde as pessoas não se perguntam se a situação poderia ser melhor. Em geral, nos resignamos e aceitamos que as coisas são como são e ponto final. Como homens, carregamos o peso de várias expectativas que a sociedade coloca sobre nós: ser o provedor da família, ser forte, sensível, não chorar, ficar mais em casa, trabalhar mais, trocar fraldas das crianças, sair para se divertir com os amigos, não sair para se divertir com os amigos, e assim por diante. Ensinam aos jovens de hoje que eles devem exigir respeito, ser "malandros", não ser submissos na rua nem na cama, almejar sempre ser o número um. Há quem diga que ser homem atualmente significa ser sensível, carinhoso, educado, compreensível e estar aberto ao diálogo. Mas há também quem defenda a teoria de que fomos criados para explorar cavernas e socar o peito numa espécie de dança cósmica masculina. Afinal, o que realmente significa ser homem? Eis o que digo: ser homem é mais do que ter uma esposa infeliz, filhos abandonados, empregados desmotivados e familiares sem esperança. Tenho certeza de que você pode ser mais do que isso. Você foi criado para ser mais e melhor do que isso. As mensagens que o mundo nos envia - que devemos conquistar todas as mulheres, ter muito dinheiro e ser bem-sucedidos em todas as áreas - não só são injustas como não chegam aos pés daquilo que realmente podemos fazer. E, principalmente, daquilo que podemos ser. Acho que nossa jornada como homens é parecida, apesar de vivermos histórias bem diferentes: alguns de nós são solteiros, outros são casados, alguns moram
com os filhos, outros têm filhos que moram longe, e outros só os veem nos dias determinados pelo juiz. Alguns estão prestes a encerrar seu tempo na Terra, enquanto outros parecem ter toda a vida pela frente. Mas o fundamental não muda: a essência da vida, os princípios que podemos seguir para descobrir nosso lugar são sempre os mesmos. No futebol americano, quando o time não está jogando bem, eu digo "Temos de voltar ao básico", numa referência aos princípios fundamentais que nos permitem jogar com sucesso: bloqueio, ataque, corridas e recepções. Neste momento, nossa sociedade também precisa voltar ao básico, recuperar os princípios fundamentais que nos permitem ter sucesso como homens. Certamente haverá obstáculos pelo caminho. Mas, se pudermos nos apoiar nos valores corretos, sempre poderemos superá-los. Não apenas somos capazes de efetuar esta mudança, como acho que precisamos fazê-la. Este livro surgiu como uma reação a dois acontecimentos distintos, porém relacionados. Primeiro, depois de escrever Quiet Strength (Força silenciosa), em 2007, recebi várias cartas e e-mails de homens - sobretudo jovens - que diziam não saber o que significa ser um homem de verdade nos dias de hoje. Segundo, há 30 anos venho observando os novatos da Liga Nacional de Futebol Americano (NFL), e eles nunca pareceram tão despreparados e desorientados quanto agora. Quando nos reunimos, no fim de 2005, eu disse ao meu time: - Continuem sendo quem são, porque nossos jovens precisam da influência de vocês. E o mais importante: tenham a coragem de ser quem são, porque nossos meninos estão recebendo várias mensagens erradas hoje em dia sobre o que significa ser homem, sobre como devem agir, falar, se vestir e tratar as outras pessoas. Eles nem sempre estão recebendo as mensagens corretas, mas vocês têm a mensagem certa, vocês a vivenciam e nós precisamos dar continuidade a isso. E eu ainda acredito no que disse. Eu não tenho todas as respostas, mas espero que este livro o ajude a refletir sobre o caminho que você está seguindo. Muitas de minhas reflexões se originam da
Bíblia e do que nela está escrito sobre ser um homem de verdade, pois a palavra de Deus sempre foi a melhor fonte de conselhos para mim. Meu técnico de futebol americano na Universidade de Minnesota, Cal Stoll, costumava dizer: "O sucesso é incomum, portanto não é para homens comuns. Eu estou à procura de homens fora do comum." Isso deveria servir para todos nós. Ao longo das próximas páginas, espero que possamos entender o que significa ser um homem. Um homem de verdade, um homem fora do comum.
ParteI Desenvolvasuaessência Experiência é o nome que as pessoas dão aos seus próprios erros. OSCAR WILDE
CAPÍTULO1 CARÁTER Educar a mente sem educar o coração não é educação. ARISTÓTELES EM 1998, DEPOIS DE UMA PÉSSIMA TEMPORADA, O Indianápolis Colts vivia um dilema. O presidente do time, Bill Polian, estava diante de uma escolha difícil entre dois grandes talentos, vindos da universidade: Ryan Leaf e Peyton Manning. Os dois eram grandes jogadores. Olhando para trás, a escolha parece óbvia, mas na época houve muito debate. As opiniões dos analistas da imprensa e dos recrutadores da liga estavam divididas, mas Bill escolheu Manning. Não havia dúvidas quanto à sua capacidade física, mas o que de fato fez a balança pender a seu favor foi seu comprometimento com o trabalho, seu amor pelo esporte, a seriedade com que encarava o futebol e a discrição que mantinha em relação à sua vida privada. Em última análise, na hora de fazer a escolha que
definiria os rumos do time, os Colts tomaram a decisão com base no caráter do jogador, o que resultou em um enorme sucesso para a equipe e para Manning. Para os Colts, caráter é uma qualidade que pode ser medida tanto quanto altura, peso e velocidade. Na verdade, damos mais ênfase à índole de um atleta do que à sua capacidade física. A habilidade e o talento não substituem a falta de caráter. No processo de escalação, poucas coisas impedem que um jogador seja considerado para entrar no time, e esse traço de personalidade é uma delas. No formulário de avaliação, temos uma categoria chamada "EPC" - Excluído por Caráter. Todos os anos, muitos atletas que incluímos nessa categoria são rapidamente escolhidos por outros times, e alguns acabam até mesmo ganhando fama na liga. Mas nós os descartamos porque geralmente há algo no caráter deles que nos faz achar que não valem o risco. Na maioria das vezes, temos razão. E essas ocasiões compensam as vezes em que nos enganamos. No entanto, este não é o pensamento comum hoje em dia. Em geral, dá-se tanta ênfase ao resultado que não importa como você o alcança. Subir na tabela é mais importante do que a maneira como você chegou lá. Não importa o tipo de pessoa que você é, apenas o tipo de jogador que você é. Não importa se você obedece ou não às regras, desde que alcance o topo. Afinal, é disso que todos vão se lembrar. O que você faz não é tão importante quanto como você faz. Estas são as palavras de que me lembro quando me sinto tentado a escolher o que é conveniente em vez de o que é correto. As pessoas que driblam as regras e alcançam o sucesso geralmente são "pegas" em algum momento. E, mesmo que não sejam, elas sempre saberão como chegaram lá. No fundo, elas têm consciência de que são uma fraude e que talvez nunca tivessem conseguido obter os mesmos resultados se agissem de maneira honesta. Para mim, como líder, a forma como você executa seu trabalho é muito mais importante do que aquilo que você faz. Pode-se confiar em você para realizar as coisas da maneira certa? Você tem bons hábitos que lhe permitem enfrentar situações difíceis com sabedoria ou é do tipo que pega atalhos e espera que as coisas deem certo no final? Seu caráter é que determinará as respostas. Meus pais sempre foram muito claros quanto à importância do caráter. "Sua palavra é o seu maior tesouro", dizia minha mãe quando eu era criança. Para ela,
a pior coisa do mundo era imaginar que alguém pudesse considerá-la desonesta ou indigna de confiança. Foi assim que ela ensinou a mim e aos meus irmãos a escolher nossos amigos - não com base no lugar onde viviam ou no que os pais faziam para ganhar a vida. Ela queria que tivéssemos amigos nos quais pudéssemos confiar. Minha mãe acreditava que o caráter de uma pessoa revela o que ela realmente pensa sobre a vida. É importante ser honesto? É necessário obedecer a seus pais o tempo todo ou o que vale mesmo é não ser descoberto? Existe um Deus que recompensa a boa índole ou não há nada de errado em vencer a qualquer custo? Esses conselhos maternos tiveram também um forte impacto em minha carreira. Como minha mãe valorizava muito o caráter, eu sempre o procurava nas pessoas que trabalhavam comigo. Quando monto uma equipe técnica, contrato profissionais talentosos e deixo que eles façam seu trabalho. Isto significa que tenho de contar com pessoas nas quais possa confiar cegamente, porque não vou passar o tempo todo supervisionando meus funcionários. Não quero técnicos ou jogadores que não sejam capazes de nos representar bem, dentro ou fora do estádio. O caráter se desenvolve nas pequenas coisas da vida. Devemos mostrar que somos dignos de confiança em todas as situações, por mais triviais que pareçam. Quando eu era adolescente, meus pais me deixavam ficar na rua até tarde jogando basquete com amigos. Mas isso não aconteceu de uma hora para outra. Aos 13 anos, eu não podia ficar fora de casa até depois da meia-noite. Pouco a pouco, eles foram me dando mais liberdade até que, quando eu tinha 16 ou 17 anos, eles sabiam que, se eu dissesse que estaria jogando bola com os amigos, era exatamente isso que estaria fazendo. Eles observaram meu amadurecimento e me deram oportunidades suficientes para pôr à prova meu caráter. Então, a partir de certo ponto, puderam confiar plenamente em mim. "O caráter pode se manifestar em momentos grandiosos, mas é construído nas pequenas atitudes", escreveu Phillips Brooks, um clérigo americano do século XIX. Com o passar do tempo, nós nos desenvolvemos e moldamos nosso caráter a cada nova conduta.
A reação de uma pessoa à vitória, ao sucesso, à fama, ao reconhecimento ou à aceitação revela seu caráter. Você prefere ser descrito como alguém bemsucedido e famoso ou como uma pessoa honesta, fiel, compreensiva, sensata e responsável? O caráter é testado, revelado e depois desenvolvido pelas decisões que tomamos nas horas difíceis. Temos de saber o que é correto e escolher fazê-lo. É assim que nossos princípios se fortalecem - enfrentando esses momentos de decisão e optando pelo caminho certo diversas vezes seguidas, até que se torne algo natural. Aparentemente, um bom caráter reflete uma vida interior comprometida com a honra e a integridade. Se não oferecermos aos nossos atletas, funcionários ou filhos a chance de viverem com base nesses valores e não os ensinarmos a serem responsáveis por si mesmos, estaremos lhes prestando um grande desserviço. Albert Camus certa vez disse: "A integridade dispensa regras." Concordo. Não tenho muitas regras de comportamento em equipe para meus jogadores. Eles conhecem meus princípios e sabem que terão de arcar com as conseqüências se quebrarem as normas estabelecidas. Tento aplicar de forma equilibrada um conjunto de regras para todo o time, mas ao mesmo tempo reconheço que cada jogador é um indivíduo diferente e que todos têm experiências de vida distintas. É isso que faço com os meus filhos também. Em essência, caráter e amadurecimento não são o resultado do cumprimento de regras, e sim de pequenos atos que praticamos todos os dias. Por isso acredito que seja importante dar aos jogadores um pouco de liberdade - e a responsabilidade que a acompanha - para permitir que cresçam. No final das contas, caráter é uma combinação de coragem, sabedoria e responsabilidade. Num mundo comum, tornar-se um homem fora do comum começa com o cultivo de um bom caráter.
CAPÍTULO2 HONESTIDADEEINTEGRIDADE Honestidade é o primeiro capítulo no livro da sabedoria.
THOMAS JEFFERSON QUANDO EU ERA CRIANÇA, as regras na nossa casa eram sagradas. Se havia uma regra, sabíamos que era melhor segui-la. Uma conseqüência interessante disso é que a honestidade aliviava os castigos. Ainda menino, eu pensava que tinha sido meu pai quem cunhara a frase "a verdade o libertará". Mas, quando cresci, descobri que ele na verdade estava citando Jesus. Foi em casa que aprendi a importância de não ficar dando justificativas ou explicações. Se eu chegava em casa depois do horário estipulado, sabia que o melhor a fazer era contar aos meus pais o motivo do atraso. Eles ficavam irritados, mas o castigo era menor do que seria se eu tivesse inventado uma desculpa. E meu pai devia ter espiões espalhados pelas ruas, porque ele sempre sabia exatamente o que eu estivera fazendo. Para meus pais, a honestidade era a base de tudo. Se você burlar as regras, em algum momento irá sofrer as conseqüências desse ato. Seja fazendo algo ilegal ou simplesmente colando numa prova, talvez você obtenha o resultado esperado e tenha uma sensação imediata de vitória, mas a desonestidade sempre acaba se voltando contra você. Comprovei esse conceito no meu primeiro dia na Universidade de Minnesota. A aula de Psicologia acontecia às segundas, quartas e sextas-feiras, e às terças e quintas a turma se reunia com um professor-assistente para discutir os assuntos das leituras obrigatórias. Assim que entrei na sala na primeira segunda-feira, vi um sujeito segurando uma caixa grande. Dentro dela, havia uma pilha de papéis com anotações sobre as aulas - de todo o trimestre -, que ele estava vendendo por 20 dólares. Várias pessoas faziam fila para comprar os resumos, mas eu era um pouco ingênuo (e pão-duro) na época. - Você faz parte da equipe de professores? - perguntei, e ele negou. Então insisti: - Os alunos precisam comprar essas anotações? - Não, estou vendendo para que você não tenha de freqüentar as aulas. Você só precisa participar dos grupos de discussão, duas vezes por semana. Sem esconder minha indignação, retruquei:
Como você conseguiu essas anotações antes das aulas acontecerem? E se o professor resolver tratar de outros assuntos? - Essa é uma aula virtual. O assunto não muda nunca. Enquanto conversávamos, ele continuava vendendo. Ao que parece, a maioria dos alunos estava comprando os resumos da matéria, mas eu ainda estava inseguro, por isso fui até a sala de aula. Realmente, o professor estava falando por meio de um vídeo. Depois da aula, o vendedor ainda se encontrava do lado de fora, dessa vez cercado por uma multidão de alunos. Seu mercado consumidor crescera depois que todos assistiram ao vídeo. Eu pensava em várias coisas ao mesmo tempo: E se esse resumo não for completo? E se algumas passagens importantes tiverem sido ignoradas? Mas e se as anotações forem boas, será que estarei fazendo papel de bobo se não comprar? O problema era que eu sabia que, se meu pai estivesse lecionando aquela matéria, um dia ele apareceria para dar uma aula ao vivo, só para pegar os alunos de surpresa. Mas todo mundo estava comprando os resumos. Achei que talvez fosse assim que as coisas funcionavam na universidade. Tive medo de ficar em desvantagem se não comprasse os textos, e eu não queria que isso acontecesse. Então eu, que jamais havia considerado fazer uma coisa daquelas, em apenas uma hora estava criando justificativas para minha necessidade de fazê-la. Acabei comprando os resumos, mas enquanto me dirigia à aula seguinte, comecei a ficar receoso. Aquilo não estava certo. Tentei me convencer de que as anotações seriam apenas um material de apoio. Elas estavam disponíveis a qualquer um, portanto usá-las não era realmente trapacear. Mas, no fundo, eu sabia que, como professores, minha mãe e meu pai jamais aprovariam aquilo. Freqüente as aulas, faça suas próprias anotações, tire 10. Assim, racionalizei mais uma vez: Só vou usar essas anotações como material extra. Vou assistir às aulas e fazer meus próprios resumos. Confesso que, à medida que o trimestre foi passando e foi ficando mais frio, várias vezes me senti tentado a não ir à aula, principalmente depois que percebi que as anotações eram realmente bem completas. Mas não desisti, já que sempre temi que o professor aparecesse algum dia. E, mais do que isso, havia algo dentro de mim - algo que meus pais haviam me ensinado - que me fazia sentir -
que não era certo matar aula. As palavras da minha mãe continuavam ecoando em minha mente: Às vezes é mais fácil fazer a coisa errada, mas é sempre melhor fazer o que é certo. Assim é a vida. Assim é a integridade. A escolha entre o que é cômodo e o que é certo. Esse tipo de escolha tem mais conseqüências a longo prazo do que podemos imaginar. Acho que foi Abraham Lincoln quem disse que você pode enganar todas as pessoas durante algum tempo e algumas pessoas o tempo todo, mas não pode enganar todas as pessoas o tempo todo. Integridade é o que você faz quando ninguém está olhando; é fazer a coisa certa o tempo todo, ainda que isso o coloque em desvantagem. Integridade é manter a sua palavra; é a bússola interna que o leva aonde você sabe que deve ir, mesmo quando tudo ao seu redor o empurra para um caminho diferente. Algumas pessoas pensam que reputação é o mesmo que integridade, mas são coisas distintas. Sua reputação é a percepção pública de sua integridade. Como se trata da opinião de outras pessoas a seu respeito, ela pode não ser correta. São os outros que determinam sua reputação, mas apenas você determina sua integridade. Integridade é fundamental porque é a base da confiança. Posso confiar em você para ser meu companheiro de equipe, para realizar suas tarefas e treinar durante a pré-temporada? Você passará o tempo necessário analisando os vídeos e aprendendo o plano de jogadas? Posso contar com você para ser meu sócio ou tenho de ficar de olhos bem abertos enquanto você atende os clientes? Posso confiar em você para ser minha esposa ou meu marido? Você estava sendo sincero quando trocamos nossas alianças ou nosso amor só será eterno se tudo estiver bem? Vou precisar me preocupar se vai me trair porque você não é honesto em outras áreas da sua vida? Posso contar com você para fazer aquilo a que se propôs, apesar das dificuldades que possam surgir? Boa parte do meu trabalho depende de coisas que meus jogadores e técnicos fazem quando ninguém está vendo. É claro que eu poderia observá-los mais de perto, mas não gosto desse tipo de controle. Não é uma maneira eficiente de usar meu tempo. Afinal, se pretendo ajudar as pessoas a crescerem como seres
humanos, preciso deixar que elas assumam a responsabilidade pelo que fazem quando estão sozinhas. Integridade é também um elemento essencial em um casamento. Para mim, isso significa fazer o que está ao meu alcance para garantir que minha esposa, Lauren, esteja feliz e confiante. A natureza da minha profissão, as horas que gasto trabalhando e os vários dias que passo longe de casa criam dificuldades para ela. Não quero causar mais problemas deixando-a aflita ou nervosa. Durante as três semanas e meia em que estou no campo de treinamento todos os anos, Lauren tem de fazer tudo sozinha em casa. Meus compromissos incluem reuniões que se estendem até a madrugada, por isso nem conseguimos conversar direito. Estarmos afastados já é ruim demais; imagine se ela ainda tiver que se preocupar com o que estou fazendo à noite - se estou me encontrando com outra mulher, se saí para farrear com os garotos. Então faço tudo o que posso para que Lauren tenha total confiança em mim e no nosso relacionamento. A integridade não tem nenhuma ligação com posição social, condição financeira, raça ou gênero. Ela não é determinada por circunstâncias instáveis, pela dinâmica cultural ou pelas realizações de um indivíduo. No momento em que nasce, você determina se será uma pessoa íntegra. Não há níveis de integridade. Ou você a tem ou não. No Antigo Testamento, Daniel era um conselheiro do rei Dario. Os outros nobres do reino tinham inveja de seu prestígio junto ao rei e tentaram encontrar algo de ruim a respeito dele que causasse sua desgraça, mas nada conseguiram. "Não puderam achar nele falta alguma, pois ele era fiel; não era desonesto nem negligente" (Daniel 6:4). O que os outros pensam de mim é algo que está fora do meu controle. O que importa mesmo é o que eu penso a meu respeito. Minha integridade. Isso é algo que eu posso controlar - prestando atenção às pequenas coisas, todos os dias, quando ninguém está olhando. Porque eu estou - e Deus também.
CAPÍTULO3
AHUMILDADEEODOMDESERVIR Não podemos todos ser heróis porque alguém tem de se sentar na platéia e aplaudir enquanto passamos. WILL ROGERS TODOS OS ANOS, QUANDO novos jogadores entram na NFL, percebo que eles demonstram uma tendência cada vez maior a tentar chamar atenção. Essa atitude não parece ser motivada pelo ego, mas originada da dificuldade de se sobreviver num mundo tão competitivo. Na cabeça de nossos jogadores, quanto mais eles se destacarem, mais valiosos serão para a equipe e mais dinheiro ganharão. Os garotos justificam esse comportamento dizendo que, se não defenderem seu espaço, ninguém fará isso por eles. Livros de administração e liderança afirmam que isso se aplica também a outras profissões. O problema é que na verdade ninguém presta atenção quando tentamos "aparecer". Além disso, a pessoa que fica se vangloriando é bastante inconveniente. Minha mãe sempre me alertou para que jamais fizesse isso, provavelmente baseada na advertência contida em Provérbios 27:2, que diz: "Que outros façam elogios a você, não a sua própria boca; outras pessoas, não os seus próprios lábios." Muhammad Ali, contudo, provocou o efeito oposto em vários garotos da minha geração. "Eu sou o melhor" era seu bordão e, quanto mais ele dizia isso, mais pessoas compravam ingressos para assistir às suas lutas. Muitos iam aos ringues para vê-lo apanhar, mas isso não o incomodava - quanto mais gente houvesse na platéia, mais dinheiro ele ganhava. Ali tinha total confiança em seu talento e estava apenas tentando criar alguma polêmica para aumentar a venda de ingressos. Naquela época, não havia muitos negros capazes de uma ousadia daquelas e, em pouco tempo, Ali se tornou um ícone para a comunidade afroamericana. Sua carreira começou no momento em que a cobertura televisiva dos esportes estava crescendo, e ele era exatamente o que esse novo meio de comunicação queria: atração. A imagem do atleta humilde, que se expressava apenas dentro de
campo, começara a ruir. A imprensa parecia dar preferência aos que rendiam manchetes. Nós afirmamos gostar de esportistas discretos, mas na verdade não são eles que nos chamam a atenção - pelo menos não tanto quanto os que vivem tentando ficar em evidência. Barry Sanders e Deion Sanders entraram juntos para a NFL em 1989. Barry era um jogador "à moda antiga". Ele fazia o que tinha de fazer e jogava incrivelmente bem. Quando marcava um touchdown, entregava a bola para o árbitro e depois voltava para o banco. Depois dos jogos, ele nunca falava sobre o seu desempenho. Barry elogiava os colegas e se retirava, permanecendo afastado das câmeras o máximo que podia. Por mais talentoso que Barry fosse, a imprensa sempre gravitava em torno de Deion, que se autoproclamava a atração principal do time. Deion era exibido e vaidoso. Ele jogava bem e estava sempre disposto a aparecer, especialmente na frente dos jornalistas. Nos bastidores, porém, Barry e Deion não eram tão diferentes um do outro. Todos que jogaram com Deion diziam que ele era batalhador, um grande companheiro de equipe e que não tinha nada a ver com o personagem que criara. Mas ele havia percebido que, em nossa sociedade, era essa imagem que deveria passar se quisesse ter sucesso. Ele tinha patrocínios, linhas exclusivas de roupas e tênis, e notoriedade. Mas há um problema nisso. Existe um ditado que diz "O orgulho vem antes da destruição" (Provérbios 16:18). Em várias ocasiões vemos exemplos de casos em que o limite tênue entre a autoconfiança e o orgulho foi ultrapassado, resultando em desgraças. O orgulho é um sentimento individual; mas a confiança é a percepção de que Deus me deu talento e me criou para exercer um papel único que mais ninguém pode desempenhar. Nascida da humildade, a confiança é o reconhecimento de que minha vida não pode ser centrada em mim. Devo usar os dons e talentos com os quais fui abençoado para ajudar a equipe e influenciar os outros. Admiro essa forma de humildade. Não alardear suas conquistas não significa falsa modéstia nem uma forma de se depreciar. Pelo contrário, é uma tentativa de estimular os outros. É aceitar a idéia de que você foi criado para compartilhar
esse pensamento com outras pessoas, que também foram criadas para exercer uma determinada função. Uma vez que você seja capaz de agir assim, terá muito mais facilidade para se libertar da necessidade de status e prestígio. Em vez de insistir que os outros nos respeitem, precisamos ter certeza de que nós estamos respeitando os outros, tratando-os com a devida consideração. Aqueles que conseguem viver de acordo com esse princípio se tornam melhores pais, parceiros, companheiros de equipe, amigos, sócios, etc. Pare um instante e pense nas pessoas que você conhece e que estão tentando realizar todo o seu potencial. Estamos dando esse exemplo para nossas crianças? Tenho esperança de que estejamos ensinando a elas que a humildade - isto é, a noção de que a vida não se restringe ao indivíduo, mas abrange as outras pessoas e é algo maior do que nós é valorizada. Importante, mas não indispensável Meu pai, Wilbur Dungy, era Ph.D. em fisiologia pela Universidade Estadual de Michigan. Sempre que se apresentava, contudo, ele dizia simplesmente "Will Dungy" - e não Dr. Wilbur Dungy. Nunca pensei sobre isso. Esse era o jeito do meu pai. Conheço um juiz federal que ocupa um cargo importante na Suprema Corte dos Estados Unidos há mais de 30 anos. Ele foi nomeado pelo presidente Richard Nixon e julgou processos de todos os tipos. Ainda assim, sempre que conhece alguém, apresenta-se apenas como "Terry". As pessoas que já o viram no tribunal costumam chamá-lo de "Vossa Excelência", porque acreditam ser esse o tratamento apropriado para se dirigir a ele. Mas o juiz jamais exigiu isso. Ele é humilde no que diz respeito à função para a qual foi nomeado e à vida a que foi chamado para viver. Sua filosofia de que "estamos todos no mesmo barco, apenas desempenhando funções diferentes" é o que o torna tão respeitado na comunidade jurídica e na sociedade em geral. Se ele insistisse em ser chamado pelo título honorífico, arruinaria o modo como é visto pelos demais. Com o tempo, o hábito de se vangloriar acaba tendo o efeito contrário e destrói qualquer respeito que você julga merecer. Foi Chuck Noll, técnico do Pittsburgh Steelers de 1969 a 1991, membro do Hall da Fama e ganhador de quatro Super Bowls, que me introduziu na NFL, primeiro
como jogador e mais tarde como técnico. Ele tinha uma ótima estratégia para fazer seus jogadores manterem as coisas em perspectiva. Noll costumava afirmar - tanto através de suas palavras quanto da maneira como nos tratava - que todo jogador era importante, mas que ninguém era indispensável. Nós sabíamos que, se um dos titulares estivesse machucado, ainda poderíamos jogar bem e vencer. Assim, apesar de termos tantos atletas no Hall da Fama, nossos jogos nunca foram uma questão de realização individual. O trabalho em equipe era valorizado acima de tudo. Não se tratava de "eu", e sim de "nós". Nenhum de nós se achava a peça mais importante do quebra-cabeça. Sabíamos que éramos um elemento importante da equipe e que todos eram necessários para alcançarmos os objetivos propostos. Com o passar dos anos, descobri que é muito mais saudável ver a mim mesmo desta forma: importante, mas não indispensável. O esporte sempre nos deu grandes exemplos de verdadeira humildade. Art Rooney, fundador dos Steelers, é um deles. Quando cheguei ao time como jogador, em 1977, ele ainda morava na mesma casa no centro de Pittsburgh onde sempre vivera. Ele ia caminhando até o trabalho e conversava com todos na vizinhança, apesar de ser o proprietário de um consagrado time de futebol americano. Para os vizinhos, ele era simplesmente um amigo. Quando os Steelers se classificaram pela primeira vez para o Super Bowl, em New Orleans, ele recusou a limusine que era tradicionalmente concedida ao dono do time. Ele faria o que sempre fizera: iria a pé ou pegaria o ônibus, ou então chamaria um táxi se precisasse. O Sr. Rooney era assim e não iria mudar só porque estava agora sob os holofotes da grande final. Obediênciaedisponibilidade Quando penso em obediência e disponibilidade, lembro-me de dois homens: o técnico Tom Landry e o reverendo Billy Graham. Ambos personificam a humildade em todos os sentidos da palavra. O técnico Landry já não está mais entre nós, mas eu o observei muito quando ainda era novato. O que mais me impressionava nele era que, embora fosse
inteligente e criativo, com um histórico admirável, ele jamais parecia ser o centro das atenções. Aprendi muito com ele a respeito desta característica essencial da humildade. Ele era calado, talvez até tímido, mas esse era apenas seu jeito de demonstrar humildade diante de Deus e dos homens. Se você insistisse, Landry acabaria contando que já fora técnico do Dallas Cowboys, mas essa não seria uma das primeiras coisas sobre as quais ele falaria. Landry lhe contaria sobre a família dele e depois perguntaria a respeito da sua. Quem teve a oportunidade de ouvi-lo falar não o citaria entre os melhores oradores do mundo - apenas entre os mais eficientes. Testemunhei ocasiões em que ele começava a falar, baixinho e um tanto hesitante, enquanto os membros da platéia aos poucos se inclinavam para a frente, a fim de ouvir-lhe cada palavra. Dinâmico? Não, de jeito nenhum. Suave, modesto, autêntico, interessante? Com certeza. E marcante. Esse poder não lhe pertencia; era um poder que vinha de Deus. A vida de Tom Landry não se resumia a ele mesmo; era uma vida de obediência à fé que ele professava. O reverendo Billy Graham é muito parecido com o técnico Landry em diversos aspectos. Mas, ao contrário de Landry, Dr. Graham era um orador dinâmico e enérgico. Ele falava com clareza e paixão, apresentando milhões de fiéis ao Senhor. Mas apesar de ser uma pessoa famosa, Dr. Graham jamais se sentiu uma celebridade. E ele seria o primeiro a dizer que estava ali apenas para transmitir a mensagem de Deus. Ambos eram homens comuns e Deus os usou para influenciar a vida dos outros. Geralmente é assim que age o Senhor: por intermédio de pessoas simples e abertas que entregam suas vidas a Ele. Deus transforma nossos atos corriqueiros em algo majestoso e eterno. Algo incomum. Precisamos nos lembrar e refletir sobre esse conceito todos os dias. Eu tive muita sorte de conhecer vários homens que realizaram grandes feitos e ainda assim eram humildes - homens como meu pai, como Art Rooney, Tom Landry e Dr. Graham. Infelizmente, homens como esses estão se tornando cada vez mais raros. Odomdeservir
Uma extensão natural do conceito de humildade é o dom de servir. Uma compreensão clara do que é ser um servidor não apenas reforça a idéia de que nossa vida não se restringe a nós como também nos faz crer que tudo diz respeito a Deus. É fácil aceitarmos essa idéia - ao menos em nossas palavras e em nosso intelecto -, mas permitir que nossa vida cotidiana seja guiada pelo dom de servir e pela doação... bem, isso é algo completamente diferente. A maneira como gastamos nosso dinheiro é um dos principais indicadores da nossa capacidade de compreender ou não o conceito de servir. Mas ele não diz respeito apenas ao dinheiro. Tem a ver também com o tempo e com nossos talentos e habilidades. O que você faz com as 24 horas que o dia lhe oferece? O que você faz para desenvolver seus dons naturais? A idéia de servir ao próximo é mais um conceito sobre o qual nossos jovens têm recebido mensagens equivocadas nos últimos anos. Vejo muito isso nos nossos atletas. Eles acreditam que, como trabalharam duro e se sacrificaram, agora que se tornaram jogadores profissionais merecem receber todas as recompensas: carros caros, roupas da moda e todas as coisas que sempre desejaram. No entanto, eles não costumam pensar em ser um modelo de conduta, em retribuir de alguma forma à comunidade. Essa retribuição não precisa ser necessariamente financeira: pode ser doando parte de seu tempo, encorajando ou simplesmente servindo de exemplo - ensinando aos jovens que eles não precisam seguir a multidão, que não precisam se adequar aos estereótipos. Dar o exemplo é uma bela maneira de sermos gratos a Deus pelo papel que nos foi confiado. Não me entenda mal, não sou tão bom assim. Ao longo dos anos, tive a sorte de trabalhar com algumas pessoas que representam muito melhor do que eu a idéia de doação e de servir ao próximo. E essas pessoas me inspiram. Ainda tenho a tendência a tomar decisões equivocadas quanto ao uso do meu tempo, vou empurrando com a barriga várias situações e me apego demais a certas coisas. Começamos a nos aproximar da verdadeira compreensão do que é o dom de servir quando percebemos que tudo o que temos é um presente de Deus. Nós somos Dele, e o que temos sob nosso controle são as coisas que Ele nos confiou para usarmos com sabedoria. Quando passamos a nos ver como guardiões dos
recursos que controlamos - e não como donos deles -, estamos perto de entender o que significa o dom de servir, sejam esses recursos nossos corpos, talentos, bens ou mesmo nosso tempo. Portanto, se tudo se origina de Deus, suponho que uma das perguntas que Ele deva estar fazendo é: "Posso confiar em você para cuidar daquilo que estou lhe dando?" Para respondê-la, você terá de fazer a si mesmo várias outras: Como uso aquilo que tenho? Sou digno de ter mais? Cuido bem do corpo que me foi dado por Deus? Preciso de um dia mais longo ou simplesmente devo ser mais eficiente e estabelecer prioridades para aproveitar as 24 horas que Ele me concedeu? Por fim, como servos de todas as coisas que temos sob o nosso controle, devemos perguntar: eu invisto na eternidade? Eu realizo coisas que sobreviverão à minha existência? Eu invisto na vida dos outros? Eu invisto na expansão dos desígnios de Deus? Dom de servir e doação - tudo diz respeito a Ele.
CAPÍTULO4 CORAGEM Daqui a 20 anos, você estará mais arrependido das coisas que não fez do que das coisas que fez. Então, solte as amarras. Navegue para longe do porto seguro. Aproveite os ventos favoráveis. Explore. Sonhe. Descubra. MARK TWAIN UMA DAS LIÇÕES MAIS IMPORTANTES que aprendi com o passar dos anos é ter coragem para defender minhas convicções - aquelas coisas que sei que estão corretas, aqueles princípios básicos que tenho de seguir. Às vezes isso significa me destacar na multidão, às vezes significa não ser popular, mas em certos momentos é a única atitude responsável a assumir. Toda essa retidão não torna necessariamente a vida mais fácil, mas pelo menos sinto que estou no caminho certo.
Quando eu era jovem, muitos dos meus amigos da escola tinham suas vidas previamente traçadas: após o ensino médio, conseguiriam um bom emprego, comprariam um belo carro e, talvez, se casariam. Meus pais, contudo, sempre deixaram bem claro que eu e meus irmãos iríamos para a universidade. Estudar era necessário tanto para conseguir entrar para um curso superior quanto para aprender os assuntos de que precisaríamos mais tarde. Isso às vezes me colocava em conflito com meus amigos, que queriam que eu fosse jogar bola ou brincar com eles. É claro que meus pais me permitiam fazer essas coisas, mas só depois que eu tivesse estudado. Eles criaram essa regra porque, naquela época, eu não tinha coragem de dizer para meus colegas: "Não posso sair com vocês agora porque tenho que estudar." Era bem mais fácil dizer: "Não posso ir porque meus pais não deixam." Mas em algum momento a capacidade de dizer a verdade teria de surgir. Lynn Swann foi um dos maiores recebedores da história do futebol americano. Um astro na Carolina do Sul, Lynn foi um dos grandes jogadores do Pittsburgh Steelers. Lynn também fazia balé - algo não muito comum entre os homens, mas ele acreditava que a dança o ajudaria a aperfeiçoar sua coordenação motora e, consequentemente, o tornaria um jogador melhor. No mundo machista dos esportes, a atitude dele não era considerada normal, e sei que ele sofreu muito por conta disso. Mas Lynn não se importava com o que os outros diziam a respeito de suas aulas de balé: ele apenas fazia. E isso exige coragem, fazer o que você acha certo, mesmo correndo o risco de ser ridicularizado. Pensando em seus quatro títulos no Super Bowl e em seu nome no Hall da Fama, tenho certeza de que Lynn Swann fica orgulhoso de não ter cedido à pressão naquela época. Ninguém está imune à influência dos colegas, e somos suscetíveis a ela em qualquer idade. Somente quando ficamos mais velhos é que conseguimos racionalizar ou esconder seus efeitos. Ao longo dos anos, aprendi outra maneira de lidar com isso. Hoje, quando sinto o fardo da pressão coletiva, me certifico de que sei o que é certo e de que estou preparado para me manter fiel ao que acredito. Pode-se demonstrar coragem enfrentando o valentão da escola ou intervindo para evitar que um desconhecido se machuque. Mas, em geral, o mais
difícil é vasculhar dentro de si mesmo até encontrar a coragem para enfrentar, sozinho, os problemas cotidianos. Eu presto atenção à minha bússola interna. Acho que ela sempre existiu e me orientou, mas quando amadureci, passei a ouvi-la melhor e com mais freqüência. Ela me ajuda a reproduzir o pedido desesperado de Ulisses para evitar ser atraído para a morte pelo canto das sereias: "Amarrem-me ao mastro!" O mito ecoa porque podemos encontrar um elo com a sensação vivida pelo herói grego. Mesmo quando sabemos que estamos rumando para uma situação capaz de nos levar à ruína, às vezes ela pode nos parecer insuportavelmente atraente. Essa bússola interna, aprimorada pela influência positiva dos meus amigos e pelo estudo da Bíblia, me mantém preso ao mastro. Contratei Mike Tomlin como técnico assistente em 2001, quando eu ainda estava à frente da equipe técnica do Tampa Bay Buccaneers. Ele era um excelente e enérgico treinador da Liga Universitária, extremamente inteligente, e eu acreditava que estava destinado a uma carreira vitoriosa. Seis anos mais tarde, Mike estava terminando sua primeira temporada como coordenador na NFL com o Minnesota Vikings. Eu estava preparando os Colts para o Super Bowl XLI quando Dan Rooney, que estava à procura de um técnico principal para os Steelers, me ligou para conversar sobre Mike. Os Steelers já tinham dois excelentes candidatos ao cargo, e a maioria das pessoas no mundo do futebol americano acreditava que um deles ocuparia a função. Mas Dan jamais deixou que as expectativas dos outros determinasse o que era melhor para sua equipe. Mike tinha apenas 34 anos e ainda não havia sido incluído em nenhuma lista de técnicos em potencial, algo que parecia ser um pré-requisito de contratação naquela época. Muita gente achava que Mike estava sendo cogitado apenas por ser negro, para satisfazer às exigências da NFL. Mas eu tinha certeza de que isso não era verdade. Duas semanas depois, Dan Rooney apresentou Mike Tomlin como o mais jovem técnico principal de um time da liga. Os Rooneys são realmente fiéis às suas convicções, e isso exige uma grande dose de coragem para enfrentar as críticas e as opiniões contrárias.
Assim como o técnico Noll, eles foram essenciais para o meu desenvolvimento, me ensinando desde o meu primeiro ano como treinador, em 1981, que eu deveria ser fiel a mim mesmo. No meu coração, isso significava que eu podia seguir meus princípios cristãos enquanto treinava minha equipe. "Deus nos dá convicções por algum motivo", sempre me disseram. Jogamos contra o Atlanta Falcons recentemente e, antes da partida, saí para dar uma caminhada. Acabei chegando à Igreja Batista Ebenezer, congregação de Martin Luther King. Refleti sobre seu legado, sua coragem e sua abordagem incomum em relação à natureza humana. Ele era um homem de convicções. Apesar da forma como era tratado, mantinha sua dignidade, graça e amor. E também sua coragem. Fiquei refletindo sobre a bravura desse líder e dos demais personagens que estiveram ao lado dele. Por causa da luta desses homens, nossos atletas negros não tiveram de ficar hospedados num hotel separado naquele dia. Minha esposa não precisaria se sentar nos fundos do ônibus quando fosse assistir ao jogo. Eu podia ser um técnico participando do Super Bowl. E Mike Tomlin nunca teria de se preocupar em encontrar um restaurante que o servisse com respeito. "A maior tragédia desse período não foram as palavras de ódio e as ações violentas das pessoas más, mas também o assombroso silêncio das pessoas boas", disse Martin Luther King. Seja fiel às suas convicções. Reúna a coragem para ser incomum. SEGREDOSPARADESENVOLVERSUAESSÊNCIA 1.
Lembre-se de que o que você faz quando ninguém está olhando é importante. 2. Os meios são tão importantes quanto os fins - se não mais. 3. Persevere. O caráter se revela na adversidade. 4. Amadurecemos tanto por meio das situações corriqueiras quanto por meio dos grandes acontecimentos. 5. A verdade é fundamental. Ser verdadeiro, também. 6. Não invente desculpas para ser desonesto. 7. Não fique se gabando pelo que fez.
8.
Não tenha falsa modéstia. Você possui talentos incríveis; reconheça que os outros também os possuem. 9. Você é importante, mas não indispensável. O mesmo serve para as outras pessoas. Veja a si mesmo como um elemento significativo no processo. 10. Tenha cuidado com o que você faz com o seu tempo e com os seus bens, dons e talentos. Você tem responsabilidade sobre eles. 11. Alguns dos momentos mais recompensadores da vida acontecem quando você está sozinho, mesmo que esteja incomodado com a solidão. 12. A vida é dura. Ter coragem é essencial. 13. Nunca desista. Nunca.
ParteII Amesuafamília Seja quem você é e diga o que você sente, porque quem não se importa não é importante e quem é importante não se importa. DR. SEUSS
CAPÍTULO5 COMOTRATARUMAMULHER Aprendi o conceito da não violência no meu casamento. MAHATMA GANDHI EM ALGUM MOMENTO, a maneira como você trata as mulheres terá um impacto em sua vida. Isso envolve mais do que suas relações com sua esposa ou namorada, sua mãe, suas amigas ou filhas. Seu caráter se revela pelo modo como você trata os outros e como lida com os relacionamentos.
Seupapelnorelacionamento Muitos jovens que conheço se encaixam em uma destas duas categorias: ou exibem seus músculos para as mulheres (metaforicamente, em geral) ou se tornam completamente passivos. Nenhum dos dois comportamentos é correto. Mas os jovens não têm culpa disso. Essa nova geração cresceu sem ter bons exemplos - ou porque seus pais não estavam por perto ou porque eles não eram modelos de como amar uma mulher. Alguns jovens têm tanta tendência à agressividade que, quando o respeito não flui naturalmente, eles o exigem, tentando controlar tudo à sua volta, inclusive suas esposas. Com os homens cristãos não é diferente; em geral, podemos ser ainda piores. Confusos com a tensão entre os valores da sociedade e os preceitos das Escrituras, nos apegamos ao conceito de "chefe de família" como uma desculpa para assumirmos o controle, ou então acreditamos que Cristo prefere que sejamos passivos. Por isso, ou rejeitamos a relação com Jesus ou abandonamos os papéis que deveríamos exercer na família e nos demais relacionamentos. Cristo exibia várias qualidades: ele era puro, amoroso, compassivo e atlético (as pessoas andavam muito na época de Jesus, e ele era carpinteiro), para citar apenas algumas. Mas não acho que "bonzinho" fosse uma característica que fizesse parte dessa lista, e estou certo de que "passivo" também não. De acordo com a Primeira Epístola aos Coríntios, capítulo 13, amar significa fazer tudo em benefício do outro. Claro que isso não quer dizer realizar todos os desejos das pessoas, mas sim tomar decisões pensando no bem-estar delas. Amar é estar presente na vida da sua família. Leve-a à igreja. Compareça às reuniões da escola e conheça os professores de seus filhos. Quando possível, busque-os no colégio. Converse com eles e, principalmente, ouça-os. Sente-se com eles. Brinque no território deles - descubra quais são seus interesses. Envolva-se. Caso você esteja pensando que mudei de assunto, está enganado. Isso realmente se refere a como tratar uma mulher. Sim, precisamos lidar com as mulheres com o respeito que merecem - seja falando e agindo educadamente, abrindo as portas
para elas ou pensando em suas necessidades -, mas existem modos indiretos de se demonstrar respeito. Cuidar da família é um deles. Há alguns anos, numa coletiva de imprensa que antecedia a semifinal do campeonato, um repórter me perguntou o que eu havia feito na tarde de sextafeira para me preparar para o jogo. As tardes de sexta durante a temporada são sempre livres para a equipe. Aprendi com o técnico Chuck Noll que você não deve mudar seus hábitos só porque se trata de um jogo decisivo. Assim, como encerramos o treinamento cedo naquela sexta-feira, fui para casa e fiz uma faxina. Lauren estava viajando e voltaria naquela noite, por isso quis que ela chegasse em casa e encontrasse tudo limpo. Sei que isso a faria se sentir bem e que seria um presente melhor do que um passeio ou uma joia cara. Quando contei isso ao repórter, ele riu, pensando que eu estivesse brincando. Mas eu estava falando sério. Tento encontrar maneiras de fazer de nossa casa um santuário para Lauren. Aprendi isso com meu pai, que proporcionava algum tempo livre para minha mãe nos levando a um parque ou nos mantendo ocupados por toda uma tarde. Isso dava a ela a oportunidade de sair, fazer compras ou o que quer que fosse. Por mais que meu pai gostasse de fazer coisas junto com minha mãe, ele sabia que dar a ela a oportunidade de ficar longe de nós por algum tempo era muito importante. Mas ele também fazia questão de criar ocasiões em que nós todos fizéssemos algum programa juntos. Isso era importante por dois motivos: primeiro, ele estava incutindo lembranças de nós como uma família unida e, segundo, estava usando seu comportamento em relação à minha mãe como exemplo para nós. Na época não dos demos conta disso, mas essa atitude causou uma impressão marcante em todos nós. Meu irmão e eu aprendemos a honrar e a respeitar uma mulher. Minhas duas irmãs passaram a ter um referencial das qualidades que deveriam procurar num marido. Quantas mulheres se contentam com relações insatisfatórias porque não têm esse tipo de referência? Muitos homens se sentem continuamente frustrados com a esposa ou não conseguem descobrir uma maneira de interagir com a família. Há numerosos livros a respeito de como as mulheres pensam, mas podemos resumir tudo no
seguinte: elas são diferentes de nós. Foi tudo o que consegui aprender. Elas não são como os homens. Sei que isso parece ridiculamente óbvio, mas não podemos tratá-las como se fossem um de nossos amigos. Então o que você deve fazer? Envolver-se com elas. Repito: faça tudo para o bem da sua amada. Se eu não tivesse me envolvido profundamente com Lauren durante todos esses anos e tentado ouvir não apenas suas palavras, mas também seu coração, não teria dado certo. Nós investimos em nosso casamento. A noite, conversávamos sobre nossa situação financeira e nossos filhos. Saíamos para namorar. Fiz o possível para criar um ambiente agradável para ela. O interessante é que Lauren estava tentando fazer o mesmo por mim. A organização All Pro Dad distribui camisetas com os dizeres "Dez maneiras de você ser um pai e atleta profissional". A primeira? Ame sua esposa. E o jeito mais importante de demonstrar esse amor é estar envolvido: como líder, ouvinte e incentivador. Seja um líder ajudando-a a ter disciplina e cooperando com ela. Ouça-a, não tentando resolver seus problemas, como geralmente fazemos. Apenas ouça, de modo que ela saiba que você se importa. Ela é inteligente o bastante para resolver seus próprios dilemas. Ela gosta de ouvir sua opinião, mas quando você o faz no momento certo - ou seja, mais tarde. Enquanto isso, incentive-a, diga-lhe quanto você a ama, ofereça apoio para algo que ela esteja tentando fazer e a abrace sempre que ela se aproximar. Esteja presente. UmaparceriacriadaporDeus Nos círculos religiosos, há muita discussão sobre o papel do homem e o da mulher no casamento. O que me preocupa é que essas discussões tendem a se concentrar em qual dos dois está no comando. Mas a Bíblia deixa claro que tanto o marido quanto a esposa devem cuidar do bem-estar um do outro, independentemente de quem detém o poder. Isto significa que, como marido, devo fazer tudo para o bem da minha esposa. Olhe-se no espelho e lembre-se de todas as coisas nas quais você é bom: no trabalho, em casa, com seus filhos, na igreja e na comunidade. Agora pense nas
coisas que você adora fazer. Então pense naquilo em que você não é tão bom ou de que não gosta. Agora faça o mesmo questionamento em relação à sua esposa. No que ela é realmente boa? O que ela adora fazer? O que ela faria de excepcional se tivesse a oportunidade de tentar? Se você for honesto, vai perceber que ambos têm talentos e paixões bem diferentes. A idéia de que "os opostos se atraem" nem sempre se aplica aos relacionamentos, mas tenho de admitir que Lauren e eu somos opostos em muitas coisas. Há uma explicação simples para isso: fomos criados de modo único, diferente de todos. E Deus nos uniu para que nos completássemos. Cada um de nós obteve conhecimentos, idéias, experiências e desejos exclusivos. Cada um de nós trouxe para o casamento o dom que Ele deu, para o bem um do outro, de nossa relação e de todos aqueles que são influenciados por ela. E quanto ao seu casamento? Que decisões ou dificuldades você e sua esposa enfrentam juntos? Será que um de vocês está mais preparado para assumir a liderança numa dessas situações? Não há nada de errado em dividir tarefas. Como vocês decidem quem ficará responsável por determinada função? Os dois têm direito de opinar? Vocês respeitam os dons, as habilidades, a sabedoria, a intuição e as idéias do outro? Você está disposto a ajudar sua esposa num assunto pelo qual ela é responsável, a fim de demonstrar seu amor? São essas as perguntas que o homem precisa responder para garantir o bem-estar emocional de sua parceira e permitir que seu relacionamento seja um estímulo aos talentos dos dois. Umvotosolene Para compreender este trecho, você vai precisar voltar um pouco no tempo, para o momento em que você e sua esposa disseram sim um para o outro. Talvez você só relembre esse dia nas ocasiões especiais, ou talvez ele ainda esteja firmemente gravado em sua mente. Lembre-se das palavras que disseram um para o outro, das declarações cheias de entusiasmo e esperança. Essas promessas grandiosas se sobrepunham a todas as dificuldades que vocês enfrentariam nos anos vindouros.
A questão é: essas palavras ainda têm o mesmo significado para vocês ou sua relação atual demonstra que aquela promessa foi feita no entusiasmo da festa, influenciada pela emoção? Mais uma vez, a resposta a essa pergunta é a diferença entre ser comum e incomum. Muitas pessoas afirmam que o discurso proferido no casamento é apenas uma parte da cerimônia, que as palavras não traduzem o que de fato querem dizer: que vamos tentar levar o relacionamento adiante e que, se minha esposa fizer o que espero que ela faça, eu a amarei e a respeitarei. Mas, se ela não corresponder às minhas expectativas, posso simplesmente procurar alguém que o faça. Por outro lado, Cristo vê os relacionamentos de uma outra forma: o que Deus uniu o homem não separa. Eu tenho o dever de fazer este casamento dar certo, de ser um homem de palavra. Lembre-se de que, às vezes, a melhor parte vem depois da pior. Persista. Se sua vida for de certo modo parecida com a minha, você e sua esposa já passaram por muitas coisas desde que se casaram. Quando a situação fica difícil, com que freqüência vocês retornam àquele momento no altar em busca de algo que os ajude a superar os problemas? Talvez seja útil voltar ainda mais, para algum instante ainda mais milagroso na história de vocês. A primeira vez que li o Evangelho de João pensando em Lauren, a compreensão de seu significado me atingiu em cheio: "Porque Deus tanto amou o mundo que deu o seu Filho Unigênito." JOÃO 3:16 As implicações desse versículo me levam a orar e a pedir perdão. Perdão por todos os momentos que deixei de apreciar a singularidade de sua criação. Por todas as vezes que ignorei uma gargalhada dela, um gesto de ternura ou de compreensão, por puro egoísmo. Quando as coisas não estão indo bem, essa citação bíblica me faz orar e pedir a Deus que mude não minha esposa, mas a mim. Talvez esse versículo o leve a fazer o mesmo. Deus ama sua esposa e a valoriza - do jeito que ela é, do jeito que
Ele a criou - e demonstrou Seu amor por ela dando-lhe Seu Filho. Talvez isso faça você mudar seus sentimentos e aceitá-la completamente, com toda sua beleza e sua graça. Acredito que você perceberá as respostas à sua oração por meio do sorriso que começará a se formar em seu rosto, na risada que enrugará seus olhos, na admiração cálida que começará a inflar seu coração por aquela pessoa com a qual Ele o uniu naquele altar. Lembre-se: o que começa com entusiasmo e exuberância se torna um voto solene diante de Deus. Escolhendoaparceira Se você ainda não for casado, tenha paciência e ore para que Deus lhe mostre quem será a pessoa com quem irá partilhar sua vida. Essa é uma das decisões mais importantes que terá de tomar e que afetará todo o seu futuro: família, finanças, carreira e aposentadoria. E para as mulheres que estão lendo isto, não aceite qualquer homem. Você merece um marido terno e cuidadoso. Tenha paciência e encontrará a pessoa que Deus reservou para você. A Bíblia diz para não nos colocarmos em jugo desigual com os descrentes (2Coríntios 6:14-16). Acredito que os versículos vão ao âmago da questão: você deve encontrar alguém cuja filosofia de vida seja a mesma que a sua. Em resumo, a fé dela provém da mesma fonte que a sua? E os valores? Além disso, Deus tem a maravilhosa habilidade de complementar nossas vidas com pessoas que podem torná-las mais plenas. Ou seja, não importa que vocês tenham concepções políticas diferentes, que torçam para times rivais ou que discordem de vários assuntos ao longo do dia. Tudo é possível quando há amor de verdade e quando nossas vidas se enriquecem ainda mais por causa dele.
CAPÍTULO6 PATERNIDADE Um pai vale mais do que cem professores. ANTIGO PROVÉRBIO INGLÊS A PATERNIDADE É UMA AVENTURA. O poeta William Wordsworth descreveu a paternidade de forma grandiosa: "Pai! - nem para o próprio Deus conseguimos dar um nome mais sagrado." Já o comediante Bill Cosby tem uma visão um pouco mais prosaica das coisas: "Ser pai é fingir que o seu presente favorito é um sabonete." Ambos estão certos. A paternidade continua sendo uma das fundações mais importantes para a sanidade da nossa geração e das próximas. O modo como a paternidade será vista no futuro dependerá, em grande parte, de como os pais, avôs e figuras masculinas de hoje lidam com as responsabilidades desse papel. Estarpresente Estou preocupado com o vazio que criamos devido ao problema crescente dos pais ausentes. Parece que se tornou perfeitamente aceitável que você não faça parte da vida de seu filho, desde que cumpra com suas responsabilidades financeiras. Tudo estaria certo se a pensão alimentícia definisse a paternidade. O homem acredita que, se entrar com o dinheiro, a mãe pode dar aos filhos todo o suporte emocional de que precisam. Discordo veementemente disso. Veementemente. Sei que nem todos vocês são pais, mas para os que são, tenho um pedido a fazer: estejam presentes na vida de seus filhos. Muitos jovens estão crescendo sem ter um modelo masculino em casa para lhes mostrar o que significa ser um homem. Há vários outros motivos além do apoio financeiro para que estejamos presentes - realmente presentes, física e emocionalmente - na vida de nossos filhos. Pesquisas revelam que a relação do pai com a filha é o principal indicador do
sucesso do casamento e dos relacionamentos futuros dela. A pesquisa revela que se uma menina não é bem tratada pelo pai ou se não tem um pai em casa para criá-la, amá-la e fazê-la se sentir segura, ela tentará preencher esse vazio por meio de relações com outros homens. E quanto aos filhos do sexo masculino, se não houver um pai para servir de exemplo, eles jamais aprenderão o que significa ser homem ou pai. E mesmo os pais que estão em casa precisam ter cuidado para não se tornarem ausentes, legando o cuidado dos filhos à televisão ou a outras pessoas enquanto freqüentam eventos sociais, saem com os amigos, se concentram na carreira ou fazem qualquer outra coisa "importante". Muitas crianças vão para cama sem que o pai esteja em casa, ou sem que esteja ali regularmente. Precisamos nos dar conta de que esses meninos talvez se tornem pais e essas meninas talvez se tornem mães, e que, sem algum tipo de intervenção, estarão destinados a dar continuidade a esse ciclo problemático. Essas crianças estão perdendo uma parte importante do estímulo emocional de que precisam: o convívio com os pais. Sei que tive sorte. Meu pai sempre fez parte da minha vida. Ele ficou casado com minha mãe até o dia em que ela morreu e se envolvia em tudo o que eu e meus irmãos fazíamos. Estou tentando fazer o mesmo com meus filhos. Acredite: é difícil. Por mais que eu me esforce, não acho que esteja fazendo um trabalho tão bom quanto o que ele realizou. Quando se trata de estar presente na vida de nossos filhos, as limitações e os obstáculos são enormes. Alguns homens são divorciados, outros chegam tarde do trabalho ou precisam viajar com freqüência. De qualquer modo, é difícil descobrir um jeito de estar em casa todas as noites na hora do jantar, de participar das atividades dos filhos e de colocá-los para dormir. Mas todas essas coisas são importantes para o desenvolvimento saudável das crianças. Desde 1984, quando minha primeira filha, Tiara, nasceu, venho tentando descobrir como passar mais tempo com minha família. Quando aceitei o emprego no Kansas City Chiefs, em 1989, minha jornada de trabalho aumentou ainda mais. Acabei decidindo abrir mão do golfe. Eu gostava de jogar, mas, além
de não ser muito bom com o taco, queria estar em casa sempre que tivesse oportunidade. Quando vivia em Tampa, eu sempre levava meus filhos para a escola. Algumas vezes, no dia seguinte a um jogo que se estendera até tarde, outros pais me olhavam com estranhamento, como se dissessem: "Eu não o vi em San Diego na noite passada na TV?" Mas sempre acreditei que, na condição de pai dos meus filhos e marido de Lauren, eu era responsável por levar as crianças à escola. Portanto, ganhando ou perdendo, apesar do cansaço - ou mesmo que eu tivesse sido demitido no dia anterior -, eu levava a garotada ao colégio. Percebi quanto meu trabalho estava afetando meus filhos quando eles deixaram de querer sair comigo, para ir até mesmo ao mercado, ao cinema ou a um restaurante. Eles estavam cansados de serem interrompidos o tempo todo por pessoas que me reconheciam. Foi então que me dei conta de que minha carreira roubava o convívio com minha família - seja porque eu tinha de estar ausente muitas vezes ou porque éramos abordados demais quando estávamos em público. Como nosso tempo é tão limitado, acaba sendo mais precioso. Para eles e para mim. Tenho certeza de que continuarei a avaliar o tempo que passo com minha família enquanto meus filhos morarem sob o mesmo teto que eu. É minha obrigação para o bem deles e para o meu próprio. Oquevocêdizefaz Só porque você cometeu um erro não significa que não esteja qualificado para ser um bom pai. A Bíblia não foi escrita para os sábios; ela é a Palavra de Deus para aqueles que estão confusos na vida. Devemos nos lembrar de que "todos pecaram e estão destituídos da Glória de Deus" (Romanos 3:23), mas que recebemos de Cristo a liberdade para esquecer o passado e olhar adiante, para o que nos aguarda quando prosseguimos em direção ao alvo (Filipenses 3:13-14). Se você achou que eu iria compartilhar o que penso sobre a paternidade porque sou um especialista no assunto, verá que não sou nada disso. Mas se você estiver
disposto a ler sobre as coisas que acho que fiz certo e as que aprendi com os erros que cometi, então pode continuar a leitura. Eis aqui algo para pensar: Como você fala com seus filhos? O que dizemos é extremamente importante. Incluí esse conceito neste capítulo porque nossos filhos são emocionalmente dependentes de nós, mas poderia tê-lo inserido naquele que ensina como tratar a esposa (quantas mulheres estão sujeitas à violência emocional e verbal perpetrada por maridos que sequer sonham em agredi-las fisicamente?) ou no capítulo que aborda o nosso relacionamento com amigos, colegas e outras pessoas que influenciamos. As palavras são poderosas, como muitos já notaram ao longo dos tempos. Em Tiago 3:3-6, lê-se: "Quando colocamos freios na boca dos cavalos para que eles nos obedeçam, podemos controlar o animal todo. Tomem também como exemplo os navios; embora sejam tão grandes e impelidos por fortes ventos, são dirigidos por um leme muito pequeno, conforme a vontade do piloto. De maneira semelhante, a língua é um pequeno órgão do corpo, mas se vangloria de grandes coisas. Vejam como um grande bosque é incendiado por uma simples fagulha. Assim também, a língua é um fogo; é um mundo de iniqüidade. Colocada entre os membros do nosso corpo, contamina a pessoa por inteiro, incendeia todo o curso de sua vida, sendo ela mesma incendiada pelo inferno." Do mesmo modo, Ralph Waldo Emerson notou o poder - tanto o bom quanto o mau - de nossas palavras: "Nenhum homem tem tamanha ou tão firme prosperidade que duas ou três palavras não possam desalentá-la; e não há calamidade que as palavras certas não possam reparar." Nossas palavras podem animar, curar e dar poder - ou não. Elas podem inspirar, reacender uma sensação de encantamento e orientar, ou então podem deprimir espíritos, condenar idéias e destruir iniciativas. Todos nós já vimos exemplos
disso. O que dizemos pode ser usado para dar alegria e proporcionar conforto, algo especialmente necessário no caso de nossos filhos. Eles estão sempre buscando afirmação e o reconhecimento de que são importantes para você, mesmo quando o comportamento deles indica o contrário. Palavras podem trazer paz a uma família, podem recuperar uma alma, podem certamente instruir e aconselhar. Podem também alegrar os oprimidos, dar forças aos fracos e erguer aqueles que caíram. Seus filhos precisam que você os estimule. Assegure-se de estar se comunicando de maneira franca e amorosa com sua família. Tenha um propósito ao escolher suas palavras. Jim Caldwell, que foi técnico ao meu lado em Tampa Bay e em Indianápolis, começou a escrever cartões para a filha quando ela saiu de casa para entrar na universidade. Ela estava na Caroli- na do Sul jogando basquete e Jim estava em Indiana trabalhando como treinador, por isso o tempo de que dispunham juntos era muito limitado e até mesmo as ligações telefônicas eram esporádicas. Mas como conta Jim, Natalie sabia que, se estivesse encrencada porque ultrapassara o orçamento mensal, podia recorrer ao pai. Com uma sabedoria única, Jim lhe enviava dinheiro, mas também usava a oportunidade para escrever à filha um bilhete de estímulo ou confiança. "Eu geralmente me restringia a um simples cartão", disse Jim. "Nunca achei que tivesse escrito qualquer coisa especialmente profunda, nem que ela esperasse pelos meus cartões. Então eu e minha esposa viajamos para visitá-la no segundo ano dela na universidade. Na parede da sala de estar do apartamento de Natalie, presos num quadro, estavam todos os cartões que eu lhe enviara. De repente me dei conta de que não havia escrito o suficiente." Elestambémestãoolhando Além de procurar oportunidades para animar seus filhos com palavras, você deve tomar muito cuidado com o que faz. Eles são mais observadores e espertos do que você pode imaginar.
O que dizemos é importante, mas nem tanto quanto o que fazemos. Nossos filhos são inteligentes - eles notarão se estivermos levando uma vida que não condiz com aquilo que dizemos ou ensinamos. Quem tem filhos sem dúvida já percebeu a incrível tendência que eles têm de nos imitar. Para quem ainda será abençoado com filhos ou quem não tem muitas oportunidades de estar por perto deles, acredite quando eu digo que Rodney Atkins captou a essência desse conceito na música "Watching You" (Observando você). Na canção, o pai está pondo o filho para dormir e o menino começa espontaneamente a fazer suas orações. O pai, surpreso, pergunta à criança onde ela aprendera a rezar daquele jeito: Ele disse: "Observei você, Papai, não é legal? Sou seu cowboy, quero ser como você... Quero fazer tudo o que você fizer Por isso vou estar sempre observando você." Vivenciei algo parecido recentemente com Jordan, meu filho de 7 anos. Sempre que algo dá errado, seja no campo ou em casa, as primeiras palavras que me saem da boca são: "Você só pode estar brincando!" Então certo dia, quando meu filho Justin, de 2 anos, quebrou um dos brinquedos preferidos de Jordan, a primeira reação do mais velho foi repetir: "Você só pode estar brincando!", inclusive dando ênfase à palavra "pode", como eu. Nossas crianças estão nos observando; não há dúvida quanto a isso. Se você diz a seu filho que é importante tratar bem as mulheres mas não demonstrar isso em suas atitudes, ele vai perceber a divergência. Quando você ensina o conceito de honestidade e depois avisa à funcionária do caixa no mercado que ela lhe deu troco a mais e lhe devolve o dinheiro, seus filhos também verão isso. Se eles virem que trabalho e prestígio é o que mais importa para você - mais do que a família -, não adianta afirmar o contrário; eles também vão aprender a dar valor a essas coisas.
Palavrassãoopcionais Mesmo enfatizando a importância das palavras de afirmação para nossos filhos, às vezes a melhor coisa que podemos fazer é não dizer nada. Nossos filhos precisam saber que estaremos sempre do lado deles, não importa a situação. Enquanto atravessamos as dificuldades inerentes à paternidade, precisamos lembrar que Deus nos ama. Não importa o que tenhamos feito ou onde estejamos, Ele estará lá para nos abraçar, por pior que seja a circunstância. Ele é o nosso exemplo de paternidade. Não os modelos fracassados ou ausentes da nossa própria infância, e sim o Deus amoroso que se apresenta sempre disposto a nos aceitar em Seus braços. E é isso que queremos que nossos filhos saibam que Deus os ama. Eles verão isso através do nosso exemplo. Com certeza fracassaremos, mas para o bem de nossos filhos - e dos filhos deles e dos filhos dos filhos deles - precisamos nos esforçar para refletir o amor que nos é demonstrado diariamente por Deus. Nos Jogos Olímpicos de 1992, em Barcelona, Derek Redmond acreditava que podia ganhar uma medalha para a Grã-Bretanha na prova de atletismo. Depois de cinco anos treinando todos os dias e de oito cirurgias no tendão de aquiles, Derek venceu as duas primeiras baterias e estava disputando a semifinal dos 400 metros livres. As coisas estavam saindo conforme o planejado até que, na saída da primeira curva, ele ouviu um estalo e sentiu uma dor intensa na perna esquerda. Derek mancou durante um tempo e depois caiu na pista, notando que seu tendão esquerdo se rompera e, com isso, encerrava-se seu sonho de ganhar uma medalha olímpica. Então ele se levantou e começou a correr - a pular num pé só, na verdade - para terminar a corrida. Quando já estava quase desistindo, sentiu uma mão em seu ombro. Derek estava determinado a completar a corrida e, portanto, queria fugir dos médicos que corriam atrás dele com uma maca. Ele tentou se livrar da mão que o ajudava, até que se virou e viu o rosto do seu próprio pai, Jim. Quando Jim Redmond percebeu o que havia acontecido ao filho, ele abriu caminho em meio à multidão e correu em direção à pista para dizer a Derek que
ele não precisava completar a prova. Mas quando Derek insistiu que iria concluir a corrida, Jim disse que faria isso junto com ele. Derek chorava nos ombros do pai enquanto eles caminhavam os metros que faltavam, os médicos atrás deles, num esforço para ajudar a dupla. Jim agora era quem os afastava, afirmando que ninguém o impediria de estar ao lado de seu filho. Nossos filhos precisam saber que estamos por perto para ajudá-los a recolher os cacos de seus sonhos despedaçados, para lhes dizer que está tudo bem, para ajudá-los a ver que o fracasso não é o fim e que, quando derem os próximos passos, não estarão sozinhos. É preciso envolver-se com eles, com suas lições de casa, com suas atividades. Eles precisam ter um tempo de qualidade conosco. Mesmo quando não houver nenhum programa divertido a fazer, eles precisam saber que nós optamos por estar naquela sala ao lado deles, mesmo tendo várias outras coisas competindo pelo nosso tempo. Confiançassagradas-memóriassagradas Eis algo em que quero que você pense nos próximos dias: Qual foi a última vez que você fez alguma coisa divertida com seus filhos? Quando foi a última vez que fez algo inesperado e espontâneo, algo de que seus filhos se lembram até hoje - como entrar na piscina de roupa, começar uma briga de travesseiros ou pular nas poças d'água depois de uma chuva de verão? Quando foi a última vez que você deixou de lado todas as coisas "importantes" que tinha para fazer e seguiu seus filhos aonde quer que eles quisessem ir? Eles pediram que você fizesse alguma coisa recentemente? Talvez você tenha dito "não" tantas vezes que eles já nem peçam mais nada. Espero que não seja este o caso. Pense nisto: quantos momentos como esses você ainda vive? Quanto tempo levará até que outros interesses e exigências na vida de seus filhos roubem as oportunidades que vocês têm de fazerem algo juntos, de abrirem seus corações, de conversarem sobre coisas que eles precisam saber?
Desde que meu filho mais velho morreu, em 2005, tenho conversado com centenas de pais que perderam seus filhos em acidente, por doença ou violência. Todos, inclusive eu, queriam ter passado mais tempo com eles, fazendo algo divertido juntos. A Bíblia diz que o amanhã não está garantido. Precisamos aproveitar as oportunidades que temos hoje. A vida é aquilo que acontece enquanto estamos fazendo outros planos. Quanto tempo irá demorar até que sua casa esteja arrumada, limpa e em perfeita ordem, sem as risadas e os encantos dos anjinhos de Deus? Suas paredes sagradas estarão cheias de arrependimentos ou de belas lembranças? Você verá as marcas de Deus em cada esconderijo de Seus preciosos mensageiros ou verá apenas um memorial de tudo o que poderia ter sido? Trent Dilfer, que fora recrutado pelos Buccaneers dois anos antes de mim, é um homem e um pai incrível. Em 2003, durante uma visita à Disneylândia, o filho dele, Trevin, teve uma doença que parecia uma gripe. Ele tinha apenas 5 anos e Trent jamais imaginaria que o coração do menino estava sendo atacado por um vírus. Apesar de receber todos os cuidados possíveis no hospital da Universidade de Stanford, Trevin morreu seis semanas depois, com a mãe, o pai e as três irmãs ao lado dele. Nós sofremos por Trent. Na época, eu não entendi como ele foi capaz de lidar tão bem com essa perda. Quando perguntei, Trent atribuiu sua força à sua imensa fé. Mal sabia eu que minha família se apegaria a essa mesma fé dois anos mais tarde, quando iríamos enfrentar o mesmo sofrimento. Não sei o que está acontecendo em sua vida neste momento. Não sei o que você tem de importante diante de si. Não sei o que ou quem o está incomodando. Mas fico me perguntando se você não está precisando ouvir melhor o sussurro de Deus, lembrando-se diariamente de que deve aproveitar os momentos sagrados ao lado das pessoas que ama - seus queridos amigos, aqueles que precisam de você e, sobretudo, suas preciosas crianças. São momentos dos quais você se recordará com grande arrependimento ou alegria. De qualquer modo, a lembrança vai durar para sempre.
CAPÍTULO7 RESPEITOÀAUTORIDADE Quando eu tinha 14 anos, meu pai era tão ignorante que eu mal podia suportálo ao meu lado. Mas quando completei 21, fiquei impressionado ao perceber quanto ele aprendera em apenas sete anos. MARK TWAIN MEU PAI ADORAVA PECHINCHAR. Ele sabia o valor do dinheiro e não admitia desperdícios. Eu nem sempre apreciei essa atitude, principalmente quando se tratava de comprar alguma coisa para mim. Lembro-me claramente de uma dessas ocasiões. Eu estava no oitavo ano e minha bicicleta era pequena demais para mim. Meu pai sabia que eu queria muito uma bicicleta nova e eu sabia quanto era importante para ele me dar uma. Mas o processo não foi tão simples assim. Acho que visitamos umas oito lojas diferentes - em três cidades. Naquela época, não era possível fazer pesquisas na internet, portanto era necessário perder tempo correndo atrás dos melhores preços. Tentei convencer meu pai de que os nossos gastos com o combustível acabariam suplantando qualquer oferta que encontrássemos, mas ele discordou. Só fui dar valor àquilo mais tarde, quando finalmente compreendi as lições por trás da cansativa viagem: a importância do dinheiro, a necessidade de se iniciar um processo tendo um propósito e a recompensa da gratificação. Nem todas as atitudes do meu pai faziam sentido para mim quando eu era garoto, mas aprendi desde cedo que deveria respeitá-lo e que podia confiar na sua autoridade de pai, mesmo que não concordasse com ele. Assim, não será surpresa alguma se eu lhe disser que, na época, as decisões dele nem sempre me pareciam justas. Mas à medida que cresci, foi ficando bem claro que meus pais se preocupavam mais com o que era melhor para mim e para meus irmãos do que com eles mesmos. Eles esperavam que os honrássemos e respeitássemos as decisões que haviam tomado para nossas vidas.
Meus pais também sempre deixaram claro que seus atos se baseavam na palavra de Deus. A Bíblia era seu guia, e como eles tinham sido criados de acordo com os preceitos bíblicos, havia certas coisas que simplesmente seriam feitas de determinado modo, gostássemos ou não. Nós os honraríamos como manda a Sagrada Escritura: mediante nossa obediência e respeito. Eu podia discordar deles, e geralmente discordava, mas tinha de aceitar suas decisões e aprender a lidar com elas. Outrasautoridades Nossos pais não são a única fonte de autoridade em nossas vidas. Deus colocou também outras pessoas exercendo poder sobre nós, e tive consciência disso várias vezes, especialmente quando trabalhava como técnico do Tampa Bay Buccaneers. Em duas ocasiões marcantes, eu sabia que precisava acatar ordens superiores e tive a sorte de contar com bons conselheiros que me ajudaram a tomar as decisões. A primeira aconteceu quando os proprietários do time queriam fazer algumas alterações no grupo e me pediram que demitisse Mike Shula do cargo de coordenador da equipe ofensiva. Mike era não só um bom amigo como também sempre exercera seu papel exatamente como eu lhe pedira, por isso sofri com esse dilema. Conversei sobre a situação com meu pastor, Ken Whitten, e ele compartilhou sua sabedoria comigo. No Novo Testamento, Paulo disse aos primeiros membros da Igreja em Roma que eles deveriam obedecer aos governantes romanos: "Todos devem sujeitar-se às autoridades governamentais, pois não há autoridade que não venha de Deus; as autoridades que existem foram por ele estabelecidas. Portanto, aquele que se rebela contra a autoridade está se colocando contra o que Deus instituiu, e aqueles que assim procedem trazem condenação sobre si mesmos." ROMANOS 13:1-2
Lembre-se, contudo, de que o apóstolo Paulo não diz isso apenas para reconhecer o papel do governo na proteção e no serviço aos cidadãos. Ele também esperava que, ao se submeter às autoridades romanas, os primeiros cristãos pudessem manter a paz e continuar pregando o Evangelho. Claro que se o governo ou qualquer autoridade ligada a ele abusasse do poder, responderia diante de Deus. Acredito que existam exceções a este preceito bíblico, mas tenho certeza de que aquele não era o caso. Depois de muito pensar, cheguei à conclusão de que Deus me colocara sob a autoridade da família Glazer, proprietária dos Buccaneers, e que o que eles estavam me pedindo não era ilegal, imoral ou contrário à minha lealdade e submissão a Deus. Por mais difícil que tenha sido para mim, e por mais que eu discordasse daquela decisão, senti que não tinha opção senão demitir Mike. A segunda ocasião ocorreu quando os Glazers me demitiram. Lauren e eu ficamos decepcionados e ofendidos, mas na noite em que tudo aconteceu, nós nos encontramos com meu amigo Tom Lamphere, capelão do Minnesota Vikings, e ele nos ajudou a entender que nem sempre é fácil se submeter à autoridade. Conversamos sobre o que eu deveria dizer na coletiva de imprensa no dia seguinte e ele me encorajou a não criticar os Glazers. Foi um bom conselho. A entrevista acabou se transformando num momento de alívio para mim e para minha família - e, acredito, para a comunidade como um todo. Durante a coletiva, me concentrei nos elementos positivos do período que passei em Tampa: as lições que aprendi e as lembranças que levaria comigo. Se eu estava decepcionado e triste? Se isto foi um problema para a minha família? Claro, mas há momentos em que as pessoas tomam decisões das quais discordamos, mas com as quais precisamos conviver. Com o tempo, percebemos que a vida continua. Ainfluênciadasuaautoridade Todos nós exercemos algum tipo de autoridade. Por isso, precisamos estar sempre atentos à influência que temos sobre os outros. Alguns de nós são
técnicos de futebol, gerentes de empresas, líderes comunitários, ou então exercemos autoridade na relação com os amigos ou até com pessoas que nunca conhecemos. Eu sempre fico maravilhado diante da inesperada - e imerecida - influência que exerço sobre os jogadores, e tento jamais subestimar esse potencial. Meu filho Eric jogava como wide receiver no time da escola. Como pai, sempre tenho a preocupação de que ele comece bem o dia. - Tome um café da manhã reforçado - insisto milhões de vezes com ele. - E não estou me referindo a comer cereais matinais. - Ele me ouve, enquanto devora o cereal. Recentemente, Eric mudou de escola e no segundo dia de aula teria uma reunião de apresentação do time. Na noite anterior, ele veio conversar comigo antes de dormir. - Papai, vamos precisar sair mais cedo para a escola amanhã. - Claro. Por quê? - O técnico nos disse que precisamos cuidar muito bem do nosso corpo e que tudo começa com um bom café da manhã. A única coisa que temos em casa é cereal, por isso vamos precisar sair mais cedo e parar em algum lugar para comer algo mais nutritivo. Jamais subestime sua autoridade ou influência. Tenhapaciênciacomseuspais Em 2005, meu filho Jamie se matou por motivos que jamais entenderei. Nos dias que se seguiram, minha filha Tiara fez uma observação que me marcou muito: - Eu só queria que ele tivesse chegado aos 20 anos, porque quando eu tinha 17 ou 18 anos, às vezes as coisas que vocês diziam não faziam muito sentido. Mas, quando completei 20, comecei a entender. Eu só queria que ele tivesse chegado a essa idade. Crianças, tenham paciência com seus pais (mesmo vocês que são filhos já crescidos). Estamos fazendo o melhor que podemos, mas nem sempre dizemos o
que precisa ser dito ou tomamos as decisões certas. Apenas saibam que nós os amamos e queremos o melhor para vocês. Eu disse às pessoas que se reuniram durante o velório de Jamie: - Sei que muitos dos que estão aqui hoje têm 13, 14, 15 anos, e que talvez seus pais pareçam antiquados e não lhes deixem fazer algumas coisas que adorariam experimentar. Quando isso acontecer, apenas saibam que eles os amam e que se preocupam com vocês. E essas coisas antiquadas logo começarão a fazer sentido. Tenham paciência. Quandovocênãopodehonrarseuspais Eu sei que você pode reagir à idéia de honrar seus pais e de respeitar a autoridade. Talvez você não tenha tido o privilégio de contar com pais amorosos, cuidadosos e dedicados. Talvez você tenha vivido uma infância terrível em um lar despedaçado. Talvez seu pai ou sua mãe tenha saído de casa e nunca mais voltado, criando um vazio que ainda perdura na sua lembrança. Talvez você tenha sido vítima de algum tipo de abuso - físico, emocional ou qualquer outro - e, além dessas cicatrizes, tenha guardado uma amargura da qual nunca conseguiu se livrar. É possível que você não queira deixar isso para trás, insistindo em manter viva a raiva pelo que lhe fizeram ou achando que, de certo modo, tudo foi culpa sua. Você pode ter aprendido a se ver como alguém sem valor, e as ações nocivas dos outros talvez tenham ofuscado sua idéia do que você pode esperar de seu Pai celestial. Você não quer que sua vida seja assim para sempre, não é? Talvez você precise buscar ajuda profissional ou conversar com um pastor, um terapeuta ou um amigo de confiança. Mas o que você precisa mesmo é se conscientizar de que Deus o criou com dons e talentos únicos. Infelizmente, esses dons não foram devidamente aproveitados e o verdadeiro propósito da sua jornada ainda nem começou - tudo por conseqüência de algo sobre o qual você não teve controle. Os dias e anos da sua vida passaram enquanto você buscava
alívio para sua dor. Como não sabia onde encontrar, se entregava à sua carreira, ao álcool ou às drogas. Enquanto procurava satisfação e plenitude, você provavelmente não percebeu que o Deus que o criou estava ao seu lado, amando-o de forma incondicional e infinita. Talvez você jamais tenha sentido esse tipo de amor incondicional por parte de seus pais, ou nunca tenha recebido as bênçãos paternas e maternas de que tanto precisamos para criar um senso de autoafirmação. Mas de algum modo você precisa ser capaz de seguir em frente, rumo à vida que Deus planejou para você. Perdoe quem lhe fez mal. Nós dois sabemos que o rancor afeta mais a nós mesmos do que à pessoa à qual ele é dirigido. Isso nos deprime e impede que nos tornemos aquilo para o qual fomos destinados. Deus o ama, apesar dos erros, fracassos e problemas de sua vida. O amor Dele é incondicional e infinito. E Ele nunca nos abandona. Deus está pronto para caminhar ao seu lado pelo resto da sua vida. Ele o ajudará a estabelecer um limite entre seu passado e seu futuro; e o fará perdoar e seguir adiante, para a plenitude e a liberdade de uma vida completamente nova. Talvez Ele até o ajude a resolver a situação com seus pais - seja junto deles ou em seu coração -, de modo que você possa não apenas se livrar da dor como também começar a honrá-los oferecendo-lhes a dádiva de seu amor. Um passo grande demais? Sim, enorme! Mas é possível, e você conseguirá seguir em frente por meio de orações, da ajuda de amigos e das pessoas que você ama e da confiança de que Deus nunca o abandonará. Lembre-se: ninguém jamais o amará do modo que Jesus o ama. Ele estava ao seu lado quando você nasceu e está ao seu lado agora. SEGREDOSPARAAMARSUAFAMÍLIA 1.
Seja líder em casa, mas lidere em prol de sua esposa e de seus filhos, não em benefício próprio. 2. Dê à sua esposa folgas de suas responsabilidades diárias. 3. Crie momentos memoráveis. 4. Mantenha seus votos. Às vezes o melhor vem depois dos piores momentos.
5.
Se você não é casado, tenha cuidado ao escolher sua parceira. Esta é uma das decisões mais importantes da sua vida. 6. Esteja presente para sua família - emocional e fisicamente. 7. Tenha cuidado com o que diz e faz. 8. Escreva bilhetes para seus filhos. 9. Respeite aqueles que têm autoridade sobre você. 10. Tenha cuidado com a autoridade e a influência que lhe foram confiadas. 11. Se você não consegue fazer as pazes com seus pais ou com seu passado, procure um profissional para ajudá-lo no processo.
ParteIII Encorajeaspessoas Sempre que você está em conflito com alguém, há um elemento que pode significar a diferença entre arruinar o relacionamento e aprofundá-lo. Esse elemento é a atitude. WILLIAM JAMES
CAPÍTULO8 AMIZADE Nenhum amor ou amizade pode cruzar nosso destino sem deixar nele alguma marca eterna. FRANÇOIS MAURIAC ESCOLHA SEUS AMIGOS pelo valor da amizade. Esta parece uma afirmação bastante óbvia, mas meus pais costumavam repeti-la o tempo todo. Não escolha seus amigos porque eles são populares ou bonitos ou ainda porque são ricos e atléticos. Escolha seus amigos porque você gosta deles e porque são boas pessoas.
Eu ainda sinto muita falta de Jamie. Tenho certeza de que sempre sentirei. Uma das maiores lições que meu filho me ensinou tem a ver com escolher os amigos. Ele nunca se preocupou com o prestígio de uma pessoa. Na verdade, quanto menos popular fosse o outro, maior a chance de freqüentar a nossa casa. A melhor maneira de se tornar amigo de Jamie era parecer alguém que precisasse de um amigo, o que me lembra a frase de Dale Carnegie segundo a qual você fará mais amigos em duas semanas se mostrar interesse verdadeiro pelas pessoas do que fará em dois anos se tentar fazer com que elas se interessem por você. Lembre-se de que a amizade é uma via de mão dupla. Em geral, avaliamos a amizade com base no modo como ela nos beneficia. Mas amizades duradouras são construídas quando conseguimos fazer com que os benefícios fluam em direção à outra pessoa. Que benefícios você traz para seus amigos? Não somos muito bons em fazer isso. Somos rápidos em julgar as pessoas e a determinar o valor delas com base no que elas podem fazer por nós, no lugar onde vivem, no tipo de carro que dirigem, nas marcas de roupas que usam ou no emprego que têm. Escolha seus amigos pelo valor da amizade - a amizade deles em relação a você e, mais importante, a sua em relação a eles. Escolhaseusamigospelosvaloresemqueelesacreditam Sou grato ao legado que meus pais me deixaram. Mas provavelmente eu não deveria lhes dar todo o crédito, porque acredito que eles aprenderam isso dos pais deles. Mas eu vi esta lição ser vivenciada todos os dias na minha casa. Dentro de nossa grande família, eu tinha tios que trabalhavam em diversas áreas: um era oficial da polícia, outro era mecânico de automóveis, outro era banqueiro e assim por diante. Nunca me ocorreu que esses cargos pudessem carregar em si algum valor. Para mim, essas pessoas eram apenas meus tios - todos me amavam e se preocupavam comigo e eu gostava de todos eles. Para mim e para aqueles que os conheciam, o valor deles não era determinado pelo trabalho que exerciam e sim pelo tipo de homem que eram.
Meus pais sempre me estimularam a buscar amigos cujos princípios me ajudariam a amadurecer. Ainda hoje procuro indivíduos que tenham sido criados para compartilhar os mesmos valores que meus pais tentaram incutir em mim. Ao mesmo tempo, eu era desencorajado a me relacionar com pessoas que tivessem valores diferentes dos nossos. Eu sabia que deveria ser gentil com eles, mas não amigo. Muitos dos meus amigos atuais são técnicos de futebol e muitos outros, não. Eu não os selecionei pensando no prestígio que possuem. Pelo contrário, busco pessoas de caráter cuja companhia me agrada. O que mais aprecio nos meus amigos é o modo como suas escolhas reforçam aqueles mesmos valores que foram plantados em mim há tanto tempo. Sempre gostei de freqüentar os encontros de técnicos promovidos anualmente pela Associação dos Atletas Cristãos. Nesses encontros, ninguém se importa com status. Os principais técnicos da NFL interagem com assistentes técnicos de times de escolas secundárias. Se você pudesse ouvir as conversas, jamais saberia quem é quem - o que é bom, porque isso não importa. Eles são apenas homens que compartilham os mesmos valores e as mesmas paixões: gostam de futebol americano, ajudam os jovens e se dedicam a servir ao Senhor. De que clube são técnicos e com que freqüência seus times aparecem na televisão ou quantos jogos ganharam no último ano - essas coisas não têm a menor relevância. O importante, para mim, é como esses encontros reforçam os meus princípios. Podemos não fazer as coisas do mesmo jeito, mas temos os mesmos valores. E, para mim, aquela semana curta que passamos juntos me dá o estímulo necessário e recarrega minhas baterias para voltar ao cotidiano num mundo onde o prestígio é tão valorizado. Amigos:vozesdasabedoriaedaorientaçãodivina Tenho certeza de que você seria capaz de fazer uma lista enorme de pessoas que pode chamar de amigo. Mas a lista provavelmente seria muito reduzida se você citasse apenas as pessoas que procura quando tem de tomar as decisões mais importantes. Aquelas cujas
palavras e sabedoria você busca quando encontra as encruzilhadas da vida. Amigos que lhe dão orientação quando você precisa e que abrem mão de seus próprios interesses para apoiá-lo. O primeiro nome da minha lista é o da minha esposa, Lauren, com quem estou casado há tantos anos que já nem me dou ao trabalho de contar. As palavras dela têm sido a voz de estímulo, amor, caráter e sabedoria divina em nosso relacionamento. Isso, aliás, foi uma das coisas que me atraíram nela; sua voz sempre expressou mensagens importantes, me orientando em direção ao que é certo e ao que é melhor para mim. Essas mensagens moldaram meu caráter em meio ao luxo e glamour de um mundo que está constantemente tentando me afastar do caminho que Deus estabeleceu para mim. Muitos de nós damos ouvidos à multidão, mesmo sabendo que ela não nos dá a resposta certa. Em geral, fazemos isso simplesmente porque há vozes demais e elas falam mais alto: são as vozes da ambição, do poder, da riqueza, da vingança, da ganância, do prazer e do egoísmo. Em algum momento de nossas vidas, todos já nos deixamos levar por algumas dessas vozes. Homens e mulheres. Celebridades, atletas famosos e "modelos de conduta". Líderes religiosos. Casais. Políticos. Pais. Todos nós já ouvimos as vozes que refletem o comportamento mundano. "Vá em frente. Ninguém vai ficar sabendo." "Quem vai se prejudicar?" "Seu emprego está em risco. É melhor você fazer isso." "Mas, mamãe, todos os meus amigos estão fazendo isso." "Comparado ao que os outros estão fazendo, isto não é nada." "Você nunca será promovido se não estiver disposto a agir dessa maneira." Mas mesmo que essas vozes nos bombardeiem, precisamos aprender a discernir aquelas que dizem a verdade. Essas vozes vêm de nossa esposa, de nossos pais ou dos melhores amigos, daquelas pessoas que nos acompanham nos vales e nas montanhas de nossa jornada. Ainda posso ouvir perfeitamente algumas das coisas que minha mãe me disse há 40 anos.
E se ouvirmos com cuidado, talvez até mesmo ouçamos a voz amena, o sussurro de Deus - nosso amigo mais querido - direcionando-nos para a vida fora do comum que Ele deseja para nós.
CAPÍTULO9 ACEITANDOCONSELHOS É um grande sinal de confiança contar a um amigo nossas falhas, uma confiança maior do que apontar as falhas dele. Benjamin Franklin Eu não sei tudo. Houve diversas pessoas em minha vida que deixaram isso bem claro para mim. Portanto, devo me sentir seguro o suficiente para dizer: "Não sei." Na verdade, eu realmente preciso estar seguro para dizer: "Não faço a menor idéia do que você está falando." "Não sei" é sempre uma boa resposta. Especialmente quando é sincera. "Não sei - você poderia, por favor, me explicar?" é uma resposta melhor ainda. Sempre haverá alguém que sabe mais do que você, o que é bom. Recomendo com veemência que você encontre essas pessoas e as leve para almoçar. Podemos aprender muito com quem sabe mais do que nós. Essa é uma das coisas que eu realmente admirava no meu pai. Ele falava com todo mundo - ou melhor, ele ouvia todo mundo. Muitas pessoas o descreviam como uma pessoa tímida, mas somente porque, na maior parte das conversas, ele ouvia muito mais do que falava. Meu pai sentia que podia aprender muito com os outros. Para mim, este é o outro lado de ser líder. Quando você orienta alguém, está intencionalmente ajudando uma pessoa que está atrás de você na jornada da vida. Mas quando você busca um conselho, seu objetivo é procurar alguém que se encontre à sua frente, alguém que possa lhe ensinar algo. Estar aberto ao aprendizado - a ser orientado - é necessário para o processo de amadurecimento, mas não é nada fácil. Em geral, isto se deve à vaidade ou ao orgulho, coisas que têm o poder de prejudicar seu amadurecimento e desenvolvimento.
Todos nós conhecemos alguém que parece saber tudo sobre todas as coisas. Tome cuidado para não ser aquela pessoa que acha que tem todas as respostas e que jamais está aberta à opinião dos outros. Descobri que esse tipo de atitude costuma ser um mecanismo de defesa, uma forma de esconder sentimentos de insegurança ou o medo de ser ridicularizado pela falta de conhecimento. Uma boa equipe técnica é composta por pessoas dispostas a ouvir os outros. Se eu tivesse todas as respostas, não haveria sentido em me cercar de tantos profissionais inteligentes e criativos. A verdade é que todos nós precisamos nos cercar das pessoas mais inteligentes e confiáveis que encontrarmos. E depois temos de deixá-las livres para que façam seu trabalho e nos ofereçam os meios necessários para nos tornarmos melhores. Todas as segundas-feiras, a equipe se reúne para assistir a uma gravação dos jogos do nosso time e determinar o que precisamos melhorar. Depois assistimos ao vídeo do time adversário. Em seguida, discutimos como usar nossos pontos fortes de forma mais eficiente no jogo da próxima semana. Eu aprendo muito nessas reuniões. Não haveria necessidade de uma equipe técnica se eu já tivesse decidido o que o time deveria fazer e se não estivesse disposto a ouvir as opiniões dos demais. Muita gente resiste a mudanças e se sente ameaçada caso alguém surja com um plano melhor. Esse tipo de pessoa age como se nenhuma idéia fosse boa o bastante, a não ser que a idéia seja dela. Não seja assim. Esteja aberto a outras opiniões. Afinal, o Livro dos Provérbios nos ensina que "os conselhos são importantes para quem quiser fazer planos, e quem sai à guerra [ou a um jogo de futebol americano!] precisa de orientação" (Provérbios 20:18). Por isso, cerque-se das melhores pessoas que puder encontrar e depois lhes dê autoridade para que exerçam suas funções. Estabeleça o rumo que você pretende trilhar. Reconheça como as habilidades individuais são importantes para a causa, a equipe ou a empresa, e permita que os participantes usem seus talentos para ajudá-lo a alcançar seu objetivo. Faça com que eles saibam que a colaboração de cada um é importante para o sucesso do grupo. Peça opiniões, ouça-as, decida que direção tomar e, então, sigam juntos. Isso pode significar a diferença entre resultados comuns e excepcionais.
Oconflitoprodutivo Não procure o conflito, mas também não tenha medo dele. O conflito é um dos elementos mais incompreendidos da vida. Em geral, ele é incômodo. Muitas pessoas tentam evitá-lo. Outras parecem tirar vantagem do estresse que ele provoca. Algumas até usam-no para dominar os outros. No entanto, o conflito é mais bem caracterizado como uma oportunidade de entendermos nossas diferenças - desde que ele tenha surgido por esse motivo, ou seja, porque temos pontos de vista distintos. Quando um problema surgir, pense de forma produtiva. Você não deve estar atacando a outra pessoa e ela também não deve estar destratando você. Mas, se estiver, redirecione a discussão para o problema. É com isso que vocês têm de se preocupar: com o assunto, não com a pessoa envolvida nele. Hoje em dia, muita gente permite que as discussões se tornem pessoais - com xingamentos, comentários sarcásticos, ofensas. Acho que o ser humano sempre agiu assim. Não conseguimos permanecer concentrados no problema, por isso ficamos frustrados e partimos para o ataque. Ou então percebemos que nossa opinião deveria mudar, mas não temos autoconfiança suficiente para dar o braço a torcer. Essa parece ser a abordagem mais comum dos conflitos. Não aja assim. Seja produtivo. Seja fora do comum. Permaneça concentrado na solução e na comunicação. Admita quando estiver errado, mas mantenha-se firme quando tiver razão. Sempre gostei do filme Doze homens e uma sentença. Nele, Henry Fonda interpreta o membro de um júri encarregado de dar o veredito para um caso de assassinato. A prova parece inequívoca e os outros 11 jurados estão prontos a considerar o réu culpado e seguir com suas vidas. Mas o personagem de Henry Fonda não está satisfeito com a prova e sente que precisa examiná-la mais uma vez, para desespero dos demais. Depois de várias votações, ele continua insistindo na necessidade de analisarem melhor o caso. Alguns jurados começam a levar a situação para o lado pessoal. O ambiente fica tenso, mas o personagem em questão se atém somente à função que lhe foi atribuída.
Ele convence os demais jurados a reexaminarem a prova entre cada votação, e os resultados começam a mudar: 11x1, 10x2, 8x4, e assim por diante. Por fim, depois de repassarem as evidências diversas vezes, todos concordam que o réu deve ser considerado inocente. Conflitos podem servir para desvendar a verdade ou revelar diferenças. Em qualquer um dos casos, não é algo a se temer.
CAPÍTULO10 OPODERDAINFLUÊNCIAPOSITIVA E acima de tudo: sê fiel a ti mesmo. Assim, como ao dia se segue a noite, Não serás falso com ninguém. William Shakespeare, Hamlet, Ato 1, Cena III A pressão coletiva atua nas duas direções. Às vezes estamos tão ocupados reagindo à pressão de alguém que nos esquecemos de que também a exercemos sobre os outros. Minha mãe deu aulas sobre Shakespeare durante anos na Escola Secundária de Jackson e, por esse motivo, mesmo que eu jamais tenha demonstrado qualquer interesse em conhecer a obra do poeta e dramaturgo inglês, não pude deixar de absorver um pouco de seus ensinamentos ao longo do caminho. A citação acima é o conselho dado por Polônio a seu filho Laerte, antes que este viaje para o exterior. Essas palavras não são menos verdadeiras hoje do que foram séculos atrás ou em qualquer outro período da história. Sê fiel a ti mesmo. É extremamente importante se lembrar disso quando se sai para enfrentar o mundo. Você entrará em contato com pessoas que, intencionalmente ou não, exercerão algum tipo de pressão para que se adapte a elas. Mas também estará em posição de influenciá-las - para o bem. Você pode ajudar seus amigos a tomarem decisões melhores caso sigam o seu exemplo. Mas para ser um exemplo a ser seguido, é preciso ter uma compreensão clara de quem você é.
Quando saí do Pittsburgh Steelers e entrei para o San Francisco 49ers, em 1979, muitas coisas na minha vida mudaram drasticamente. Eu deixei de jogar num time forte em uma cidade relativamente pequena para entrar em um time fraco em uma região maior e cosmopolita. Aos 24 anos, no meu terceiro ano como jogador profissional, eu estava sendo apresentado a um universo diferente, um mundo com mais tentações do que eu jamais havia experimentado. O uso de drogas era comum naquela região no final da década de 1970. Eu me perguntava como reagiria se alguém me oferecesse drogas. Eu não queria parecer um caipira que não tinha a menor idéia do que era o "mundo real". Por causa do meu treinamento como atleta, da influência dos meus pais e das minhas crenças cristãs, eu jamais cogitei fumar, beber ou usar qualquer tipo de droga. Mas tenho de admitir que me senti deslocado. Tinha a impressão de que as pessoas olhavam para mim como se eu fosse um estranho. Não serás falso com ninguém. Mais tarde descobri que alguns atletas estavam de fato me observando - e eu estava causando algum efeito sobre eles. Um dos meus colegas de equipe entrara no mundo das drogas porque achava que era isso que os atletas profissionais faziam. Mas eu era um exemplo de que as coisas não precisavam ser assim: eu vinha de um time vencedor e nunca havia consumido drogas. Essa constatação fez com que ele percebesse que não precisava seguir aquele caminho. Anos depois, meu colega me contou que talvez eu tenha salvado a vida dele. Aquela foi uma lição sobre o poder do exemplo que eu jamais esqueci. Sejaoriginal Para ser um modelo de conduta, você precisa se olhar no espelho. Talvez seja necessário olhar através do espelho e reexaminar seu passado, à procura de coisas que lhe aconteceram e que você ainda esteja tentando compensar. Pode ser que sua infância não tenha sido muito boa ou que sua carreira esteja sem rumo. Talvez você tenha falhado em vários objetivos que tentou alcançar, ou talvez pudesse ter se saído melhor em seus relacionamentos.
Mas cada pessoa foi criada por um motivo. Não importa o que você perdeu ou as besteiras que cometeu, o fato é que seu futuro está diante de você. O que você fará com ele? O que aprendeu com os erros do passado que possa tornar sua jornada melhor daqui para a frente? Quais dessas lições você precisa aplicar em sua vida para servir de modelo para as pessoas ao seu redor? Todos os dias enfrentamos desafios e tentações. Mas Deus deu a cada um de nós dons e características únicos, e ser um exemplo positivo começa com sermos nós mesmos. O cantor Isaac Hayes e o ator Bernie Mac morreram no verão de 2008, com poucos dias de diferença entre eles. Ambos foram entrevistados pouco antes de falecer e os comentários que fizeram na entrevista contêm semelhanças curiosas. Os dois disseram que a originalidade era a fonte de seu sucesso. Hayes disse que ele e outros artistas de sua época estavam em busca de maneiras de se expressar. Ele comentou ter notado que isso acontecia em todas as gerações, exceto na música contemporânea, que se concentra mais nas vendas do que na expressão artística. Perguntaram a Bernie Mac se ele ficava frustrado de alguma forma por ter demorado tanto tempo para alcançar o sucesso, e ele negou: "Nunca quis fazer comédia por motivos superficiais, como ter mulheres, dinheiro, carros ou coisas desse tipo. Eu era original, era dono da minha vida e sempre pensei por mim mesmo. Não havia pressão alguma sobre mim... Nunca fui de me juntar a grupos ou coisa assim. Sou uma tempestade silenciosa. Gosto de fazer o que faço e de estar perto de pessoas que admiro." Mac então prosseguiu dizendo que ele era seu próprio exemplo de comediante e que não estava preocupado em atender às expectativas dos outros. Ele acreditava que essa maneira de pensar pudesse ter contribuído para sua demora em alcançar o sucesso, mas, ao mesmo tempo, duvidava de que teria alcançado o apogeu profissional se não tivesse trilhado seu próprio caminho. Seja você mesmo - o ser que Deus criou.
Algumascoisasnuncadevemmudar Pense por alguns instantes nos relacionamentos que tiveram mais significado para você. Infelizmente, nesta época de e-mail, internet, mensagens de textos e comunidades virtuais, talvez estejamos perdendo oportunidades de desenvolver relações mais profundas. Novas comunidades virtuais brotam a todo momento e, embora tenham vários benefícios, elas me preocupam. As crianças não têm noção da permanência das coisas que divulgam na internet nem percebem o perigo de se tornarem tão vulneráveis e acessíveis a estranhos. É claro que eu também vejo o lado positivo da rede, que permite que as crianças permaneçam em contato com seus amigos mesmo quando eles se mudam para longe. Minha maior preocupação é que, formando laços virtuais, estejamos ignorando a verdadeira interação humana. Como nos comunicamos via bits e bytes, corremos o risco de nos isolarmos ainda mais. Já se foram os dias em que conversávamos com os vizinhos no jardim enquanto nossos filhos andavam de bicicleta com os amigos. Hoje estacionamos o carro na garagem e as portas automáticas se fecham atrás de nós. Nascemos para viver em comunidade. Aprendemos com as outras pessoas o que significa ser humano e o objetivo de estarmos envolvidos com a família e com o lugar onde vivemos. Eu não me preocupo com os avanços tecnológicos, mas gostaria de dar um alerta: tome cuidado com a maneira como sua família está usando essas novas ferramentas. Talvez fosse sábio refletir sobre como toda essa tecnologia pode melhorar nossa qualidade de vida. Hoje em dia estamos conectados o tempo todo, via telefones celulares, internet e outros dispositivos eletrônicos. Isso é ótimo. Mas precisamos ter certeza de que não estamos tão conectados com as coisas lá fora que perdemos a chance de estar ligados às pessoas que estão diante de nós. Porque é nas conexões da vida real que nossa influência pode transformar vidas e causar um impacto duradouro.
Encorajeosoutros Aprendi na pele que a vida é dura. Todos deveríamos ser como Barnabé, um membro dos primórdios da Igreja e cujo apelido significa "encorajador". Não há dúvida de que o apóstolo Paulo ficou feliz quando Barnabé se juntou a ele em sua jornada missionária, pois o homem lhe oferecia coragem e amizade no momento em que ele mais precisava. Jesus diz em Mateus 7:12: "Assim, em tudo, façam aos outros o que vocês querem que eles lhes façam; pois esta é a Lei e os Profetas." Você quer exercer influência positiva na vida de alguém? Então deixe que eu lhe faça mais algumas perguntas. Quando foi a última vez que você visitou alguém que precisava de uma visita? Quando foi a última vez que telefonou - ou escreveu uma carta - para alguém que podia estar precisando de apoio? Quando foi a última vez que você fez um programa romântico com sua esposa ou dedicou um "dia especial" à sua filha, que o adora? Qual foi a última vez que enviou flores a alguém sem motivo específico? Quando foi a última vez que você fez algo que será para sempre uma lembrança positiva na vida de alguém? Quando foi a última vez que você encorajou alguém? Não importa em que estágio de sua jornada você esteja; comece hoje mesmo a criar lembranças positivas na vida das pessoas que o cercam. Lembranças às quais elas se apegarão nos períodos de dificuldade. A vida já nos dá lembranças ruins o suficiente, então por que não criar momentos inesquecivelmente bons ao lado das pessoas que ama? Você não se arrependerá confie em mim.
CAPÍTULO11 ORIENTAÇÃO A luz que a experiência nos dá é como um farol de popa num navio: ilumina apenas as ondas pelas quais já passamos. SAMUEL TAYLOR COLERIDGE
PARA MUITA GENTE, a vida é o melhor professor - por motivos óbvios. Mas não para meu filho Jordan. Ele teve de aprender várias lições intelectualmente e não por experiência própria. Jordan é uma das poucas pessoas no mundo que sofrem de uma insensibilidade congênita à dor. Em suma, ele não sente dor do mesmo modo que nós sentimos. Por conseqüência, já fomos parar várias vezes na emergência do hospital por causa dele. Jordan jamais aprendeu a evitar objetos afiados ou abrasivos porque cortes e ferimentos simplesmente não lhe causam desconforto. Algumas visitas rotineiras ao médico já se transformaram em internações por conta de pequenos machucados que Jordan tinha no pé. Se eu ou você ferimos o pé, naturalmente o tiramos do chão até que a dor passe ou diminua. Mas ele não. Como corre por todos os lados sem sentir dor, qualquer pequeno corte pode infeccionar facilmente. Depois a infecção se espalha e ele precisa ficar internado até se curar. Por isso ainda estamos tentando explicar ao nosso filho caçula - de uma maneira que ele possa absorver racionalmente - que certas coisas podem ser perigosas e precisam ser evitadas. Ele continua sem perceber que está machucado. Sabe apenas que algumas coisas fazem com que ele permaneça no hospital enquanto nós voltamos para casa. "Não se pode aprender sem sofrer", afirmou Aristóteles. Sem a reação negativa da dor que Deus colocou em nossa vida, ignoraríamos muitas das lições mais importantes da nossa existência. É provável que eu consiga ensinar aos meus filhos algumas lições que aprendi sofrendo, de forma que eles não tenham de passar pela mesma dor que eu. Mas sei que, assim como acontece com Jordan, algumas coisas não podem ser aprendidas sem a dor verdadeira. Por outro lado, discutindo suas realizações científicas, Isaac Newton escreveu: "Se enxerguei mais longe é porque me apoiei nos ombros de gigantes." Por mais que esses gigantes sejam os pais, a família ou os amigos em quem se pode confiar, Newton estava se referindo àquelas pessoas que defendem nossos interesses e nos ajudam a nos tornar aquilo que desejamos ser. Os verdadeiros
gigantes são sábios, experientes e leais - fortes o bastaste para que nos apoiemos em seus ombros. Em essência, isto é o que significa orientar: forjar o caráter na vida dos outros e criar um legado. Ajudandoumgrupo Entre todos os grandes atletas que tive o privilégio de treinar ao longo dos anos, Derrick Brooks está entre os meus preferidos. Não só porque ele é um ótimo jogador e incrivelmente inteligente, mas também porque sempre se importou em retribuir. Depois que chegou a Tampa, em 1995, Derrick se filiou ao Boys & Girls Club, uma organização não governamental que ajuda crianças a encontrar esperança e oportunidades de crescimento e aprendizado. Ele queria retribuir, já que havia sido ajudado pela mesma instituição no passado. A contribuição de Derrick começou com um programa de distribuição de ingressos para dar à garotada a chance de assistir a seus jogos, mas ele acabou desejando fazer mais: estava em busca de algo que realmente causasse impacto na vida das crianças. Então teve a idéia de levá-las para uma viagem educativa, que ele esperava que fosse um evento não apenas divertido como também inspirador. Elas escolhiam um lugar que gostariam de visitar e depois passavam o ano inteiro aprendendo sobre esse destino. No primeiro ano, aqueles que completaram o programa acompanharam Derrick a Atlanta, a fim de visitar o The King Center, um memorial dedicado a dar continuidade ao legado de Martin Luther King. Antes da viagem, as crianças aprenderam tudo o que podiam sobre o líder do maior movimento pacifista americano pela justiça, igualdade e paz. Derrick ficou impressionado com a quantidade de crianças que jamais haviam saído de Tampa e se comprometeu a ampliar seus horizontes e a motivá-las a pensar em si mesmas como futuros líderes. Em 2000, Derrick convidou a mim e a Lauren para viajarmos junto com o grupo daquele ano. Parece ótimo, pensei. Eles já haviam ido a Atlanta e Washington, D.C., mas eu sabia que Derrick estava pensando num destino mais ousado.
Ficaremos honrados em ajudar - disse-lhe. - Para onde vamos? - Para a África - respondeu Derrick, com seu sorriso contagiante. E assim acompanhamos o grupo até a África do Sul e a Suazilândia. Viajamos durante dez dias, fizemos um safári e visitamos a cela onde Nelson Mandela ficara preso. Dessa forma, Derrick está influenciando muitas pessoas e seu trabalho está agregando valor a inúmeras vidas. Isso é orientar. E criar um legado. Ano passado, a primeira turma do "Grupo do Brooks" se formou na faculdade, e eu não tenho dúvida de que o envolvimento de Derrick exerceu papel fundamental no sucesso de muitos daqueles jovens. Assim como Derrick, Warrick Dunn também estava à procura de uma maneira de ajudar os outros desde que passou a fazer parte da NFL. Warrick entrou para o Tampa Bay dois anos depois de Derrick, como um dos primeiros selecionados no recrutamento de 1997. Seu maior desejo era auxiliar mães solteiras a adquirir casa própria. Ele pagava uma parte das hipotecas e mobilizava empresas e outras organizações para comprar móveis para as casas. Derrick e Warrick são indivíduos especiais, mas ambos dizem que não estão fazendo nada de extraordinário. Eles estão apenas se esforçando para ajudar alguém a conseguir um lugar para morar, dando uma força para criar melhores oportunidades, usando os dons que Deus lhes deu e olhando para além de si mesmos a fim de fazerem a diferença. Nem todos dispõem de condições financeiras para levar estudantes para viajar ou para pagar a hipoteca da casa dos outros. Mas não acho que esta seja a parte mais importante do que esses homens estão fazendo. A orientação que eles oferecem requer mais do que dinheiro. Requer tempo. Isso significa abrir mão de coisas que poderiam estar fazendo para si mesmos. Os professores fazem isso todos os dias. Há vários outros trabalhos que os professores poderiam realizar, que pagariam mais e causariam menos estresse. Mas eles escolheram abdicar de coisas materiais a fim de influenciar a vida dos jovens. Eles escolheram orientar. Criar um legado. Procure alguém para quem você possa estender a mão. Você não precisa ser famoso ou rico para fazer isso. As conversas mais agradáveis que tive foram com -
jovens que não sabiam qual era o meu trabalho. Eles apenas sabiam que eu estava disposto a parar, ouvir, me importar e ajudar. Isso também serve para você. Nossos jovens precisam de mentores, de exemplos, e você pode fazer esse papel, não importa com quais talentos e experiências você possa contribuir. Acredite em mim: há uma criança lá fora que precisa saber que você se importa. SEGREDOSPARAENCORAJARASPESSOAS 1. Escolha seus amigos com base nos valores que eles carregam. 2. Ouça as pessoas em quem você confia, e não a multidão. 3. Esteja aberto a ouvir conselhos de pessoas nas quais você confia. 4. O conflito pode ser positivo. Não o tema. 5. Quando o conflito ocorrer, ataque o problema, não a pessoa. 6. Seja você mesmo. Outras pessoas podem precisar do seu exemplo, mesmo que
você não perceba. 7. Seja sincero ao ajudar os outros. Retribua à medida que você progredir na vida.
ParteIV Desenvolvaseuplenopotencial Não pense que você está no caminho certo só porque é um caminho já trilhado por muitos. ANÔNIMO
CAPÍTULO12 OPODERDOPENSAMENTO O que eu temia veio sobre mim; o que eu receava me aconteceu. Jó 3:25
A VIDA É UM DESAFIO. Eu gostaria de poder dizer que você sempre estará no alto de uma montanha, mas a realidade é que há dias em que nada dá certo, em que você não apenas não está no alto como também não tem a menor idéia de como chegar lá. Faça um favor a si mesmo e não torne as coisas ainda mais difíceis. Nesses momentos: Tenha cuidado com o que você fala a si mesmo; Tenha cuidado com o que você pensa de si mesmo; Tenha cuidado com a maneira como você age; Tenha cuidado com a maneira como você segue em frente. Sejaotimista Temos uma incrível capacidade de realizar qualquer coisa que nossa mente diga que podemos fazer. O escritor americano Henry James escreveu: "Não tenha medo da vida. Acredite que a vida vale a pena e sua crença ajudará a concretizar esse fato." James podia ter sido técnico de futebol americano. A primeira coisa que você tem de fazer quando está tentando transformar um time perdedor numa equipe vencedora é construir a crença de que é possível virar o jogo. Na maioria das vezes, o talento para realizar grandes feitos já existe, mas o que não existe é a crença de que isso acontecerá. Nossa mente é um instrumento poderoso que não deveria ser desprezado. Não sei exatamente como isso acontece, mas já ouvi casos de prisioneiros de guerra que, quando voltaram para casa, foram capazes de realizar atividades que nunca haviam praticado antes. Enquanto permaneciam em cativeiro, eles visualizavam o que gostariam de fazer. Algumas equipes de futebol americano usam a visualização para aumentar suas chances de sucesso. Os jogadores fazem visualizações de maneiras diversas: alguns conseguem apenas imaginar um diagrama de estratégia e se vêem em determinada situação; outros têm de assistir à jogada em vídeo; e outros ainda precisam executá-la em campo. Isso é o que fazemos durante os treinamentos. Decidimos as jogadas que usaremos no jogo e as aperfeiçoamos contra nossos
falsos adversários - nossos reservas, cuja função é simular as técnicas do outro time tão fielmente quanto possível, a fim de que os atletas possam ver com precisão como suas jogadas se desenvolverão durante a partida. Ao treinarmos determinada jogada várias vezes durante a semana e vendo-a executada com sucesso, podemos visualizar o que acontecerá no domingo. Se nos aperfeiçoamos durante o treinamento, ficamos seguros de que as coisas sairão do mesmo jeito durante a partida. Todos os jogadores usam a visualização, mas essa técnica é ainda mais importante para os chutadores. Adam Vinatieri é um dos melhores chutadores da NFL há dez anos. Ele é assim tão bom porque consegue manter uma concentração extrema durante o lançamento, sem se preocupar com a distância, o vento ou o placar. O treinamento que desenvolveu consiste em fazer tudo sempre igual antes de cada chute - seja num treino ou numa decisão do Super Bowl. Adam também tem a capacidade de esquecer os fracassos anteriores e permanecer otimista. Ele nunca deixa que erros do passado afetem seu chute seguinte, pois analisa o que deu errado e aprende com a experiência. Assim, quando chega a hora de chutar novamente, ele confia em seu talento, em seu treinamento e retoma seus costumes, acreditando que sua jogada será perfeita. E em geral é. Para agir com disciplina e conquistar seus sonhos, é preciso, antes de tudo, controlar seus pensamentos. Concentre-se nas coisas que você quer que ocorram, não naquelas que você não quer que se concretizem. Não estou sugerindo que a vida será mais fácil ou que bênçãos se abaterão sobre você simplesmente porque começou a pensar positivamente. O que estou querendo dizer é que o pensamento negativo não faz nada além de impedir seu progresso. Bill Russell, uma estrela da NBA que jogou basquete durante anos pelo Boston Celtics, entendia bem o poder do pensamento: - A idéia não é bloquear qualquer arremesso. A idéia é fazer com que o adversário acredite que você é capaz de bloquear todos os arremessos - dizia. Se o adversário estava com medo de que seu arremesso fosse bloqueado pensando negativamente -, Russell sabia que nem precisaria se esforçar para bloqueá-lo. O adversário tirava o foco de seu objetivo, a cesta, e o colocava em
Russell, acabando por errar jogadas simples porque achava que Russell estaria em todos os lugares da quadra ao mesmo tempo. É claro que isso era impossível, mas um pouco de dúvida basta para provocar muito estrago, principalmente se a dúvida se transforma no principal ponto de seus pensamentos. Eu gosto da idéia da "profecia auto-realizável". Já fiz parte de várias equipes que saíam dos vestiários esperando realizar bem cada bloqueio e executar com perfeição todas as jogadas, e, no final, conseguiam exatamente isso. E claro que talento e preparação contam muito para a criação dessa crença positiva, mas, com freqüência, é a expectativa do sucesso que define os times campeões. Todos precisamos ter expectativas. É difícil se formar na faculdade quando ninguém da nossa família conseguiu tal feito ou tampouco espera conseguir. Como é possível que você desenvolva pensamentos positivos e alimente a crença de que você pode? Quando comecei a trabalhar como técnico da NFL, em 1981, havia 14 assistentes técnicos afro-americanos, mas nenhum técnico principal ou coordenador negro. Eu imaginava meu futuro e sonhava em ganhar o Super Bowl, e não permiti que o fato de não haver negros nessas funções de alto nível atrapalhasse meus planos. Sempre acreditei que, por causa das pessoas para as quais estava trabalhando e daquelas ao meu redor, eu aprenderia o bastante para ser um ótimo profissional. E se eu me tornasse bom o suficiente, seria apenas uma questão de surgir uma oportunidade. Você nem sempre alcançará as expectativas que tem em relação a si mesmo, mas jamais será capaz de ultrapassar o limite mental que construiu para essas expectativas. A que ponto você quer elevar suas expectativas? Até onde você gostaria de chegar? Sua vida também será afetada por quanto você permitir que as coisas ao seu redor o afastem do rumo. Você não poderá remover todas as distrações que encontrar pelo caminho. Portanto, o segredo é manter seus pensamentos concentrados em onde você quer chegar. Como você quer que seja seu futuro? Deixe que sua mente e seu coração o guiem.
Águasalgadaoudoce Referindo-se ao poder das palavras, o Novo Testamento afirma que uma fonte de água salgada não pode produzir água doce (Tiago 3:11-12). Ou, como diz meu amigo Ken Whitten: "O que está lá embaixo no poço virá à tona no balde." O que existe no seu poço? Que fonte o abastece? De onde você extrai forças e orientações para sua vida? O apóstolo Paulo, em sua epístola aos Filipenses, oferece bons conselhos sobre como viver: "Finalmente, irmãos, tudo o que for verdadeiro, tudo o que for nobre, tudo o que for correto, tudo o que for puro, tudo o que for amável, tudo o que for de boa fama, se houver algo de excelente ou digno de louvor, pensem nessas coisas. Ponham em prática tudo o que vocês aprenderam, receberam, ouviram e viram em mim. E o Deus da paz estará com vocês." Filipenses 4:8-9 Então, o que há no fundo do seu poço? O que quer que haja lá dominará seus pensamentos para seu presente e futuro. Encha-o com sabedoria.
CAPÍTULO13 EDUCAÇÃOEESPORTE Filho, me parece que você está passando tempo demais envolvido com um só assunto. SHELBY METCALF, técnico de basquete para um jogador que ia mal nos estudos. SE HÁ ALGUMA ÁREA DA VIDA em que invertemos o valor das coisas, é no campo da educação e dos esportes. Se pudéssemos escolher o futuro de nossos filhos, quantos de nós escolheriam que eles se tornassem Ph.D. em física em vez de atletas? Poucos, acredito.
Hoje em dia, dá-se muito valor às realizações esportivas. Ainda que pensem em todas as dificuldades da vida ligada ao esporte - como a carreira curta, a chance de lesões físicas permanentes, a dificuldade de desenvolver habilidades em outras áreas -, muitas famílias incentivam seus filhos a seguir esse caminho. Vemos esse quadro se repetir incontáveis vezes. Observamos isso quando as crianças são estimuladas ou pressionadas a participar de competições esportivas; e também quando pais, e às vezes treinadores, tentam usá-las para compensar suas próprias experiências esportivas frustradas. Mas a verdade é que poucas dessas crianças conseguem chegar ao nível profissional. Enquanto isso, as crianças não estão recebendo quase nenhum estímulo à educação. Mesmo aqueles que constroem carreiras esportivas bem-sucedidas sabem que elas terminam em poucos anos, o que significa que precisarão ter algum conhecimento a mais para conseguir outro trabalho. Por exemplo, considerando que o tempo médio de carreira de um jogador de futebol americano é 3,3 anos, ele terá aproximadamente 26 quando se "aposentar". E descobrirá que fora do campo as habilidades atléticas não têm tanto valor na busca de uma nova atividade profissional. Em geral, os talentos não atléticos desses meninos não foram devidamente cultivados. Outro efeito colateral dessa supervalorização é a perda do significado real do esporte, que implica diversão, cooperação, trabalho em equipe, desenvolvimento do equilíbrio para lidar com a adversidade, formação do caráter e busca da excelência. Mas isso é passado. Quando eu era criança, praticava esporte porque gostava. Era divertido e eu adorava o desafio de aprender a fazer coisas novas, como andar de patins de costas. Infelizmente, muitas crianças hoje em dia não se divertem. Já ouvi histórias de meninos de 8 anos de idade que desistiram de praticar outras modalidades esportivas porque um técnico lhes disse que deveriam se dedicar a apenas um tipo de esporte de cada vez. Tudo em nome da chance mínima de que essa criança se torne uma estrela e dispute os Jogos Olímpicos. E o que me deixa ainda mais triste é o fato de que muitas delas não estão se divertindo. Estão sendo treinadas e pressionadas como adultos, acreditando que precisam ser melhores do que os outros.
Sou grato aos meus pais por envolverem a mim e meus irmãos em esportes e outras atividades, mas eles também queriam que tivéssemos uma boa educação. De algum modo fiz parte da estatística e parei de jogar profissionalmente depois de três anos na NFL, encerrando minha carreira atlética aos 25 anos de idade e precisando muito de outros talentos para levar minha vida adiante. Se meus pais ou técnicos tivessem sugerido que eu me concentrasse exclusivamente num único esporte, tenho certeza de que teria escolhido o basquete - e assim teria impedido minha futura carreira como jogador e técnico de futebol americano. Precisamos dar às crianças a oportunidade de explorarem e se desenvolverem. A vida é uma aventura e os jovens precisam ser estimulados para além das atividades nas quais se destacam. Useoesporteparacomplementarsuaeducação Hunter Smith, treinador do Colts, tem filhos gêmeos que acabaram de se formar na Universidade Estadual da Flórida. Hunter recentemente voltou de Tallahassee e me perguntou se eu conhecia o orador do evento, Ernest Cook. Respondi que sim. Eu conhecera Ernie há mais de 30 anos, mas perdera contato com ele. Conheci Ernie durante uma viagem de recrutamento à Universidade de Minnesota quando eu estava no último ano da escola. Ele cursava o primeiro ano de medicina lá e havia encerrado sua carreira como jogador no ano anterior. Ernie havia sido convocado por um time da NFL, mas não assinara o contrato, optando por se matricular na faculdade. Os técnicos e diretores de cada universidade que eu visitava sempre faziam um longo discurso sobre a educação que ofereciam, mas conversar com Ernie foi completamente diferente de tudo o que eu ouvira de qualquer outra pessoa. Como sou filho de professores, sua mensagem ecoou tanto em mim que ainda sou capaz de me lembrar dela... quase 35 anos depois. - Eles me disseram que eu podia ir para a NFL, mas nunca me importei com isso - ele me contou. - O futebol americano era apenas uma oportunidade de conseguir uma bolsa de estudos e os técnicos daqui me disseram que me ajudariam a entrar na faculdade de medicina. E foi o que fizeram.
A princípio, Ernie assinara um contrato para se tornar o primeiro atleta negro com uma bolsa de estudos esportiva na Universidade Estadual da Flórida, mas ele recebera tantas ameaças de morte que decidiu se transferir para Minnesota. Perguntei por que ele não quis seguir a caneira esportiva quando foi recrutado eu não conhecia ninguém que deixaria de tentar jogar se tivesse uma oportunidade. Afinal, você sempre pode entrar para a faculdade depois de encerrar a carreira esportiva. Ernie, contudo, me disse que seu objetivo jamais fora se tornar jogador profissional. Sua meta era formar-se em medicina e depois voltar para sua cidade natal, Daytona Beach. Fiquei impressionado e de certo modo chocado com aquilo - um atleta talentoso, na verdade um dos principais jogadores da universidade, que não estava deslumbrado com a perspectiva de jogar profissionalmente nem com a riqueza e a fama que isso traria. Ele queria seguir por um caminho fora do comum. Queria fazer a diferença em sua cidade, trabalhando em prol de outras pessoas, não apenas de si mesmo. Ele percorreu o caminho menos trilhado, e eu percebi isso mesmo tendo apenas 17 anos na época. Agora ali estava ele, voltando como vice-presidente de um hospital, depois de trabalhar num consultório próprio durante anos em Daytona Beach, falando na cerimônia de graduação da universidade onde, tantos anos antes, sua vida havia sido ameaçada. Será que temos as habilidades necessárias para realizar aquilo para o qual fomos destinados? Tenha certeza de que você está fazendo todo o possível para dar a si mesmo essa oportunidade.
CAPÍTULO14 CARREIRA, TRABALHOEFINANÇAS Os mercenários sempre derrotarão os recrutas, mas os voluntários arrasarão os dois. CHUCK NOLL Trabalhar é bom.
Agregar valor é positivo. Já vi muitas vezes os jovens tentando descobrir que faculdade irão cursar e por quê. Em última análise, essa escolha não é apenas uma questão de carreira, e sim de propósito. O que farei da minha vida? Todos nós precisamos responder a questões profundas a respeito do objetivo, do significado e das realizações de nossas vidas. Mas não fique paralisado por ter de escolher uma carreira. Homens que permanecem fazendo o mesmo tipo de trabalho por mais de três décadas estão se tornando dinossauros. O que você está fazendo hoje talvez não seja o que estará fazendo no futuro distante e possivelmente nem mesmo no futuro próximo. Em vez de tomar decisões com base no dinheiro, escolha alguma atividade que você queira fazer. É maravilhoso adorar seu trabalho e uma bênção se divertir com ele. Motivaçõeserradas Como técnico principal, Chuck Noll estava preocupado não apenas com o bemestar físico, mas também com a saúde emocional da equipe. Ele adorava a citação que abre este capítulo, porque é totalmente verdadeira. Pessoas que são obrigadas a realizar algo são pouco eficientes, enquanto as que têm uma motivação externa (dinheiro, no caso dos mercenários) são eficientes até certo ponto. Mas aqueles que possuem uma motivação interna, que se dispuseram à luta porque acreditam nela, estes chegarão ao topo. O dinheiro pode ser uma motivação, mas não bastará para apoiar sua decisão quando as coisas ficarem difíceis. O técnico Noll me disse repetidas vezes que eu "jamais deveria tomar uma decisão profissional com base no dinheiro", primeiro quando eu era jogador, depois quando me tornei um de seus treinadores. Ele não estava desprezando o dinheiro ou o poder que ele tem de conseguir determinadas coisas; estava apenas se certificando de que eu entendia quais eram seus limites.
Vejo freqüentemente jogadores serem obrigados a tomar decisões difíceis. Eles adoram jogar para os Colts, gostam dos colegas e da equipe técnica, suas famílias estão confortáveis em Indianápolis e eles se divertem muito. Mas então outro time lhes oferece dois milhões de dólares a mais. Quando esses jovens entram na minha sala e me perguntam o que devem fazer, tenho de admitir que nem sempre me sinto à vontade para dar o mesmo conselho que Noll me deu. Tenho medo de que soe como um interesse particular meu - quero que permaneçam conosco e recebam um salário menor porque eles podem nos ajudar a vencer. Mas a verdade é que, na maioria dos casos, é realmente melhor não se deixar levar pelo dinheiro. O problema é que é muito difícil fazer isso. Existem muitas pessoas em volta deles dizendo que seria loucura não aceitar a proposta. E quanto ao seu futuro e sua segurança financeira? E quanto ao sustento de suas famílias? Quando temos a oportunidade de receber mais, é tentador pensar "Isto é o melhor para minha família" ou "Este patrão me valoriza mais" ou "Aquele time (ou empresa) me respeita mais". A realidade, contudo, é que o dinheiro não é uma boa medida do que é o melhor para você e para a sua família. Quanto mais você basear suas decisões em termos monetários, maiores as chances de seus filhos acreditarem que o dinheiro é a coisa mais importante da sua vida. E, consequentemente, da deles. Depois de afirmar que o dinheiro não deveria motivar decisões profissionais, também tenho de dizer isto: decisões financeiras erradas podem deixar suas mãos atadas, reduzir suas opções e levá-lo a tomar decisões ainda piores por causa do desespero. As empresas de cartões de crédito gastam centenas de milhões de dólares para vender seus cartões a jovens e estudantes, e não fazem isso para prestar um favor. Eis uma coisa que agradeço ao meu pai por ter me ensinado: comprar a crédito custa muito dinheiro; por isso, sempre que possível, pague à vista. Pegar dinheiro emprestado custa caro. As empresas de cartão de crédito não lhe dirão isso. É muito lucrativo para essas empresas permitir que você gaste uma quantia além de suas possibilidades, comprando coisas de que não precisa com o
dinheiro que não tem. Quando colocam as garras em você, é muito difícil se livrar da situação. E isso pode limitar suas escolhas profissionais futuras. Não faça isso. Você talvez não encontre de imediato uma carreira que o deixe entusiasmado. Continue procurando, mas dê uma chance à sua função atual. Muitos cargos de iniciantes ou de nível médio não são lá muito interessantes, mas podem ser importantes etapas ao longo do tempo. Seu cargo talvez envolva atividades entediantes ou "não condizentes com seu talento", mas todos os trabalhos são na verdade um treinamento para os próximos. Às vezes os empregadores usam os cargos mais simples para avaliar as habilidades e o comprometimento dos funcionários. Muitos trabalhos requerem confiança e os empregadores precisam saber que podem confiar em você para coisas pequenas antes que lhe confiem algo mais importante. Tome cuidado para não avaliar a posição de um ponto de vista equivocado. Ao mesmo tempo, tenha em mente que você não precisa fazer o mesmo trabalho para sempre. Muitas pessoas acreditam que encontrarão seu "destino" mais tarde e adiam suas vidas até que alcancem determinado ponto - elas não sabem ao certo qual ponto, mas acham que o reconhecerão quando chegarem lá - e nunca vivem de verdade. Tenha certeza de não estar agindo assim. Quando me tornei profissional, o salário da maioria dos jogadores era modesto, inclusive o meu. Por isso, muitos arrumavam outros empregos quando não estavam em temporada. Trabalhei em banco, em loja de departamentos e em vários outros lugares, mas nunca encontrei algo que amasse - até que tive a oportunidade de começar a ser treinador. Sou grato por amar o que faço. Não posso me imaginar fazendo a mesma coisa durante 30 anos se não a amasse. Váparacasa Algumas pessoas usam o trabalho como uma maneira de fugir da vida doméstica, simplesmente ignorando qualquer coisa que não tenha relação com suas carreiras. Vejo isso o tempo todo na minha profissão. Como certa vez escreveu o jornalista esportivo Frank Deford, técnicos de futebol americano são um dos
poucos profissionais que se parabenizam pelo tempo que passam trabalhando. Em qualquer outro lugar, você seria demitido se a única maneira de realizar seu trabalho fosse dormindo no escritório - noite após noite, semana após semana. Em sua análise irônica (pelo menos espero que tenha sido irônica), ele está absolutamente certo. Denny Green, técnico principal do Minnesota Vikings na época em que eu era o coordenador da defesa, me ensinou que são necessários três dias para se preparar para um jogo. Salvo uma vez ou outra que temos um dia a mais de treinamento, sabemos que temos três longos e cansativos dias de trabalho antes do jogo. É isso. Mas com freqüência vejo outros técnicos passando todas as horas disponíveis na semana assistindo a mais um vídeo ou planejando mais uma jogada. Suponho que seu trabalho também seja assim. Há sempre alguma coisa que você poderia estar fazendo. Sempre há mais uma pesquisa a fazer, algo que você poderia deixar adiantado para o dia seguinte. Mas, num determinado ponto, acho que temos de parar e admirar o que fizemos. Quando você tem um belo e produtivo dia de trabalho, isso deveria bastar. E quando você chegar em casa, esteja em casa. Sem dúvida sua mente vai voltar aos assuntos do trabalho - se é que saiu de lá -, mas tente reduzir esses pensamentos ao mínimo. Seus amigos, sua esposa, seus filhos, e até você mesmo, merecem um tempo bem gasto e de entrega total. E se você ainda não percebeu, acredite no que vou dizer: as crianças sabem quando você está com elas apenas de corpo presente, enquanto sua mente está a quilômetros dali. Você tem de fazer um esforço consciente para não fazer isso. Vá para casa e esqueça os problemas do trabalho. Tenha certeza de que você não está ocupado demais ganhando a vida a ponto de se esquecer de viver. Viva! Agora!
CAPÍTULO15 OBJETIVOSERISCOS Segurança é uma superstição. Ela não existe na natureza nem na forma que os filhos do homem a vivenciam. Evitar o perigo não é mais seguro do que se expor às intempéries. Ou a vida é uma aventura cheia de ousadia ou não é nada. Helen Keller EM GERAL, MEUS OBJETIVOS são qualitativos e não quantitativos. Nunca estipulo um número de jogos que quero vencer, mas busco o melhor time, cujos atletas sejam valiosos para a comunidade e sirvam de exemplo. São essas coisas que analiso no fim de cada temporada. Avalio o time comparando nosso desempenho com nosso potencial - esta é a única medida razoável a se usar. Tento melhorar a cada ano. Quando eu era técnico assistente, meu objetivo era aprender o bastante para me tornar um bom técnico da defesa e ajudar meus atletas a jogarem o melhor possível. Mais tarde, meu objetivo continuou sendo aprender e melhorar, mas minha meta era que me considerassem habilitado para assumir o cargo de coordenador defensivo. Um pouco depois, eu almejava me tornar o técnico principal do time. Mas preste atenção: ainda que quisesse ser coordenador e depois técnico, eu continuava mantendo o foco no objetivo que estava sob meu controle - aprimorar meus talentos a fim de estar preparado para tais funções. Eu não podia controlar se seria ou não promovido. Algumas coisas estão nas mãos de outras pessoas (e de Deus) e, portanto, não há sentido em querer ter domínio sobre elas. Às vezes, esses objetivos requerem um risco. Quando Herm Edwards deixou minha equipe, os Tampa Bay Buccaneers, para se tornar o técnico principal dos New York Jets, fui obrigado a substituir um técnico maravilhoso. Por sorte, e levando em conta nosso sucesso e o fato de esta ser apenas uma entre as 32 funções dentro da NFL, os candidatos foram muitos. Como já mencionei antes, acabei contratando Mike Tomlin, um jovem técnico recém-saído da Universidade de Cincinnati. Mike estava na universidade havia apenas dois anos, mas eu o escolhi porque adorei o que vi: um líder com muita
energia. Algumas pessoas devem ter pensado que essa foi uma jogada arriscada, porque eu estava substituindo um veterano extremamente respeitado na NFL por alguém sem qualquer experiência na liga. Mas foi Mike quem assumiu o maior risco. Ele estava bem em Cincinnati, seguro em seu cargo como técnico. Mesmo assim, decidiu sair de sua zona de conforto e se juntar a uma equipe que estava passando por uma transformação, num clube onde corriam rumores de que ninguém manteria o emprego se não chegássemos ao Super Bowl. Entrando para nossa equipe, Mike poderia muito bem terminar a temporada desempregado. Muitos acreditavam que sair da Universidade de Cincinnati e entrar para os Buccaneers era uma oportunidade única, mas Mike teve de pensar nas condições e arriscar. Mas valeu a pena. Eu realmente fui demitido depois daquela temporada, mas Mike permaneceu no time pelas quatro temporadas seguintes. Depois, ele foi trabalhar no Minnesota por um ano como coordenador defensivo. Sete anos após tomar a decisão de correr o risco, Mike foi nomeado técnico principal do Pittsburgh Steelers. Mas nem sempre assumir um risco vale a pena. Quando deixei os Steelers, em 1988, Lauren e eu sofremos muito para decidir o que fazer. Recebi diversas ofertas de emprego, mas como estávamos planejando aumentar nossa família, achamos que não seria bom morar numa cidade grande como Nova York ou San Francisco. Então acabei aceitando a proposta de Marty Schottenheimer, dos Chiefs, e nos mudamos para Kansas City. A qualidade de vida lá era ótima, e seria um lugar perfeito para criar nossos filhos. Mas depois de três anos com os Chiefs, senti que era necessário mudar, por motivos que eram mais pessoais do que profissionais. Nesse meio-tempo, dois dos times que eu havia recusado, os Giants e os 49ers, haviam ganhado o Super Bowl. Seria fácil criticar minha decisão, mas a verdade é que não há caminho seguro na vida. Tomamos decisões com base nas informações de que dispomos, o que, em geral, é um tiro no escuro. O que aprendi é que o melhor é reunir o máximo de informações possível, orar, tomar uma decisão e seguir em frente. Com certeza eu aprendo com minhas decisões e as conseqüências delas, para que não repita os mesmos erros no
futuro, mas não critico as escolhas que fiz. Não adianta nada. Ainda que não tenhamos ganhado um Super Bowl em Kansas City, muitas das coisas que aprendi e muitas relações que firmei naquela época me beneficiam até hoje. A não ser que você tenha uma chance de voltar atrás em suas decisões, o melhor a fazer é se manter firme e dar a si mesmo um tempo para pensar enquanto realiza o melhor que pode com o que tem. Algumas de suas escolhas serão bemsucedidas. Outras serão um desastre. Uma das maiores lições de vida que aprendi no esporte é que ninguém ganha todos os jogos. Nós podemos vencer campeonatos mesmo depois de perder algumas partidas. De qualquer modo, aprendemos com nossas experiências, porque perdemos a ilusão de segurança e nos tornamos ativos no jogo da vida. Às vezes as pessoas irão criticar suas decisões, principalmente se elas não compartilharem sua maneira de ver o mundo. Muita gente acredita que você nunca deve rejeitar uma promoção no trabalho, ou seja, não deve dizer "não" a dinheiro ou prestígio. Se descarta uma promoção porque não tem tempo para sua família, os críticos de plantão irão acusá-lo de irresponsável. Não dê ouvidos a essas pessoas. Tenha a coragem de defender suas convicções. Seja fora do comum.
CAPÍTULO16 ÁLCOOLEDROGAS A embriaguez é simplesmente uma insanidade voluntária. SÊNECA O RECRUTAMENTO DA NFL é um evento que dura dois dias, o auge de todo um ano de buscas. Os olheiros viajam durante vários meses, assim como os dirigentes dos times, procurando possíveis novos jogadores. Em vários clubes, até mesmo os técnicos participam do processo, seja vendo vídeos de jogos ou assistindo aos treinamentos. Quando chega a hora da seleção, todos estão compreensivelmente nervosos, porém preparados. Pode-se montar um novo time usando três métodos: contratar
jogadores com passe livre, trocar seus jogadores pelos de outros times e recrutar jogadores de faculdades que estejam prontos para atuar no nível profissional. As 32 equipes participantes da liga se revezam em diversas rodadas para a escolha de suas equipes. O processo é cansativo: fazemos longos debates sobre as estratégias de escolha, elaboramos listas de jogadores que talvez estejam disponíveis, avaliamos o talento dos profissionais, discutimos o caráter de cada um e analisamos seu valor no mercado. Os clubes enviam representantes para Nova York, onde acontece o grande evento, enquanto o restante da equipe fica nas sedes dos times, comendo, conversando, assistindo a vídeos - mais uma vez! - e falando ao telefone. Ao final do segundo dia, quando tudo termina, todo mundo está exausto. Em abril de 2001, no final daquele que seria meu último recrutamento para os Buccaneers, conversávamos sobre o evento e nossas aquisições. Pouco depois das dez horas da noite, voltei para casa. Nathan Whitalker, coautor deste livro e um dos olheiros do time, contou que assim que saí da sala, levantaram uma toalha que estivera "escondendo" uma caixa cheia de cerveja gelada. Em respeito a mim, eles haviam esperado até que eu fosse embora para começar a beber. Durante vários anos tentei explicar que, apesar de não beber, eu não me importava que eles bebessem. Eu não me incomodo com festas - Jesus participou de várias festividades. Mas só porque eu não acho certo beber não significa que os outros não possam fazê-lo. Afinal, o primeiro milagre de Jesus foi justamente transformar água em vinho. Ainda assim, por algum motivo, eles não bebiam quando eu estava por perto. O grande problema do álcool é que a sociedade não o vê como ele realmente é: uma droga. Alertamos nossas crianças a respeito dos perigos do cigarro e das drogas, mas às vezes parece que temos uma "relação diferente" com o álcool, como se ele fosse uma outra coisa. E a mensagem que isso envia aos jovens que me preocupa. Não é permitido beber antes dos 18 anos, mas o efeito colateral dessa lei é lastimável. Como não se pode comprar bebida antes dessa idade, o aniversário de 18 anos acaba sendo uma espécie de rito de passagem para a maturidade, que quase sempre termina em bebedeira.
Esse assunto é muito delicado para mim. Boa parte do faturamento da NFL vem do patrocínio da indústria de bebidas alcoólicas, que com certeza ajuda a pagar meu salário. Essa é uma das coisas que mais me incomodam em trabalhar na liga. Sei que indiretamente meu trabalho defende o consumo de álcool. Eu estaria disposto a viver com menos dinheiro se isso ajudasse a evitar que pelo menos um jovem se envolvesse com a bebida. Acho que todos estaríamos melhor assim. Adecisãodeumpai Quando penso na influência que meu pai teve em minha vida, uma das coisas pelas quais mais sou grato é o fato de ele ter optado por não ingerir qualquer espécie de bebida alcoólica. Não teria problema algum se ele bebesse, mas sua abstinência foi um exemplo marcante para mim, talvez até mais do que eu tenha percebido na época. Na escola ou na faculdade, sempre que eu me encontrava em algum lugar onde todos estavam bebendo, lembrava-me do meu pai. Como uma pessoa que eu respeitava tanto havia escolhido não beber, pude fazer a mesma escolha com segurança. Além do meu pai, também contei com o exemplo dos meus colegas de time na época em que ainda era jogador dos Steelers. No vôo de retorno após meu primeiro jogo fora de casa, vi que os comissários estavam distribuindo cervejas. Não bebo, mas, como o novato do grupo, ainda estava um pouco nervoso e sem saber ao certo o que fazer. Então notei que alguns atletas estavam recusando a bebida, e fiz o mesmo. Foi um momento de influência coletiva positiva para mim e que me trouxe à memória a verdade contida em Romanos 14:21: "É melhor não comer carne nem beber vinho, nem fazer qualquer outra coisa que leve seu irmão a cair." O exemplo daquelas pessoas me ajudou a não cair. Quanto a outras substâncias que alteram a consciência, meu conselho é simples: não chegue perto. O lado "bom" das drogas - a chance de fugir da realidade - é passageiro, e o lado ruim, seja ele uma decisão errada ou toda uma vida de vício, não vale a pena.
Tivemos um jogador no Colts que vinha trilhando um caminho brilhante, deixando de ser um jogador universitário que ninguém queria para se tornar uma das estrelas da nossa equipe. Mas tudo mudou quando ele foi parado no trânsito por dirigir em alta velocidade. O policial sentiu cheiro de maconha no carro e encontrou um pouco da droga no veículo. O jogador foi preso e, no final do dia seguinte, já não fazia mais parte dos Colts. Ele conhecia nossas regras. Sua carreira profissional desmoronou em um único instante. Todos os dias, o abuso de álcool e drogas tira a vida de jovens. Em geral, eles não são famosos, mas a morte deles é igualmente trágica. Como jamais usei substâncias psicotrópicas, não sei dizer se elas podem fazer com que você se sinta temporariamente bem. Mas, por melhor que seja o efeito, simplesmente não consigo acreditar que o risco valha a pena. Muitas pessoas afirmam que bebem com responsabilidade. Como podem ter certeza disso? Como são capazes de se manter no controle da situação, mesmo sob a influência do álcool? Como sabem que não tomaram uma dose a mais? Como podem garantir que não se tornarão viciadas? Tome cuidado com o álcool e não chegue perto de nenhum tipo de droga. Simplesmente não compensa fazer isso consigo mesmo para se tornar parte do grupo, e os prejuízos podem ser muito piores do que os possíveis efeitos agradáveis que as drogas possam causar.
CAPÍTULO17 FRACASSO Somente aqueles que ousam fracassar imensamente podem realizar coisas imensas. Robert F. Kennedy Eu REALMENTE jovem.
GOSTARIA
de ter aprendido mais sobre o fracasso quando era
Eu não sabia com que freqüência ele se mostraria. Quando via pessoas bemsucedidas pessoal e profissionalmente, nunca parava para pensar no trabalho árduo e nas dificuldades que acompanhavam esse sucesso. Hoje costumo ser apresentado como uma das três pessoas a vencerem o Super Bowl como jogador e técnico. Mas nunca comentam sobre as 27 temporadas que terminaram em decepção entre uma vitória e outra. O que aprendi em minha vida como esportista é que fracassos acontecem regularmente. Eles são uma constante na experiência humana. Também aprendi que, se você tem medo do fracasso, não se esforça o suficiente. Mas se pretende realizar sonhos e fazer coisas importantes, precisa estar disposto a errar algumas vezes. Espero que você venha a fracassar menos do que eu, mas mesmo assim todos nós falhamos. Pode ter certeza. Quanto mais conheço as pessoas que admiro por suas vitórias, mais começo a admirá-las pela maneira como lidaram com seus fracassos. O sucesso é, na verdade, uma jornada de persistência e perseverança, apesar dos fracassos. Em certas ocasiões, os fracassos parecem pequenos segredos sujos porque as pessoas raramente querem conversar sobre suas próprias falhas. Mas a realidade é que todos nós usamos máscaras para encobrir nossas deficiências e acreditamos que apenas nós falhamos. Nada mais errado. O fracasso faz parte da natureza humana. A diferença entre fracasso e adversidade é que o fracasso é encarado como uma conseqüência e a adversidade, como uma situação que você atravessa. Mas acredito que para realmente conquistar seus objetivos o fracasso tem de ser visto como uma parte do processo. Thomas Edison dizia que ele não errou repetidas vezes; apenas descobriu mil maneiras de como não se cria uma lâmpada. A adversidade é inevitável se estamos nos esforçando para melhorar. Se as coisas estão indo bem, por que alguém precisaria de auto-análise e amadurecimento? Por que precisaríamos parar para avaliar o que poderíamos fazer melhor se fôssemos sempre bem-sucedidos, se sempre alcançássemos os resultados que determinamos? Os jogadores fazem musculação diariamente e aperfeiçoam seus corpos porque aprenderam - por meio das dificuldades e da experiência de terem sido derrotados por atletas mais fortes do outro time - que precisam melhorar
para chegar ao sucesso. Meu pai me explicou que, no levantamento de peso, as fibras musculares se rompem quando estão sob pressão, fazendo com que o músculo cresça. O princípio é válido para outros tipos de crescimento. Por meio da pressão, do estresse e da adversidade, nós somos fortalecidos - em nosso caráter, em nossa fé e na habilidade de levantarmos da cama todos os dias e tentar uma vez mais. Obstinação Nossos jogadores geralmente afirmam que são obstinados, mas não sei se eles têm alguma idéia do que isto realmente significa. Sua força se revela na maneira como você reage às adversidades. Você é capaz de reagir sem perder o controle e a direção? Se for, isto significa que você é realmente obstinado. A vida é complicada. Nem sempre temos um final feliz e às vezes mesmo o meio não é nem um pouco agradável. Você nunca conhece o grau de resistência de uma pessoa até que ela se depare com alguma dificuldade. É fácil ser obstinado quando tudo está saindo conforme planejamos e quando estamos no controle. O homem verdadeiramente obstinado é aquele que se mantém fiel aos seus valores e concentrado em seus objetivos quando está diante de uma situação desafiadora. Quando as coisas não acontecem como o previsto, ele demonstra determinação para alcançar suas metas, não importam os obstáculos que tenha de enfrentar. Tento dar aos nossos jogadores uma certa liberdade e deixar que errem, para que possam aprender a reagir aos problemas e crescer. A obstinação, mesmo no contexto do esporte, é mais uma qualidade mental do que física. Muitas vezes me perguntam por que Deus permite que coisas ruins aconteçam a pessoas boas. Obviamente, não há uma resposta fácil para essa questão. Mas sei de uma coisa: apesar de tudo, Deus está constantemente operando em nós, moldando-nos para nos tornarmos aquilo que Ele nos criou para ser. E é justo nos momentos mais difíceis que Ele mais está presente, transformando-nos em pessoas fora do comum.
SEGREDOSPARAREALIZARSEUPLENOPOTENCIAL 1.
Seja otimista. Sua mente é mais poderosa do que você imagina. 2. Tenha expectativas aitas sobre os outros. 3. O que quer que haja no fundo do poço sobe à tona no balde. Encha-se de coisas positivas. 4. Sua educação importa. Não pegue atalhos - você estará apenas enganando a si mesmo. 5. O esporte é ótimo... como um complemento aos estudos. 6. Encontre um trabalho que o estimule não apenas pelo salário. 7. Não contraia dívidas. 8. Não leve problemas do trabalho para casa. 9. Ter objetivos é importante, mas tenha certeza de que suas metas valem a pena - afinal, você pode realmente alcançá-las. 10. Não tema o risco - a vida é uma aventura, não um ensaio geral. 11. Tome suas decisões depois de refletir e orar, e não se critique por elas. Você fez o melhor que pôde. 12. Tenha cuidado com substâncias que alterem sua consciência, mesmo as legalizadas. Você pode se viciar e destruir sua vida. 13. Não tenha medo de ser diferente. 14. Você fracassará. Lembre-se disso, mas não tenha medo. 15. A verdadeira obstinação tem a ver com a maneira como você reage às adversidades.
ParteV Estabeleçaumamissãodevalor Em nossa sociedade, o contrário da coragem não é a covardia, é o conformismo. ROLLO MAY
CAPÍTULO18 ESTILOxCONTEÚDO Não se contente com estilo. O sucesso está no conteúdo. WYNTON MARSALIS QUANDO EU ERA CRIANÇA, meus pais sempre se preocuparam que eu tivesse o equipamento adequado para qualquer atividade que fosse praticar. Ou seja, isso significava tênis apropriados e acessórios práticos e eficientes. Tenho uma vivida lembrança que ilustra bem o que quero dizer. Eu estava no oitavo ano e queria um par de tênis de basquete que estava na moda. Quando meu pai me levou até a loja, ele insistiu para que eu levasse a versão "genérica", que custava a metade do preço, argumentando que ambos eram feitos do mesmo material e tinham a mesma qualidade. Tentei explicar que era importante para mim ter os tênis de marca, que todos os meus amigos tinham um par daqueles e que eu não queria me destacar por ter uma imitação barata. Eu não estava preocupado com a publicidade, e sim com a opinião dos meus amigos. Os anúncios prometiam que aqueles tênis me tornariam parte do grupo. Meu pai não disse que eu não poderia levar os tênis. Disse que ele não gastaria mais para comprá-los. Sua obrigação era me dar um equipamento confortável e seguro para minhas atividades. Se eu quisesse algo além disso, o problema era meu. Eu ainda me lembro de suas palavras: - Eles são idênticos, mas se isso é tão importante para você, trabalhe mais para pagar a diferença. Comprei os tênis que queria, mas sabendo que estava pagando pelo estilo. E, durante um mês, tive de fazer trabalhos extras, diferentes das minhas tarefas habituais, para pagar os quatro dólares que meu pai havia me emprestado.
Percepçãoxrealidade Converso regularmente com meu time sobre a diferença entre percepção e realidade. A batalha entre estilo e conteúdo é travada diversas vezes no esporte, assim como na vida. Percepções são criadas com base em várias coisas: reputação, cobertura da imprensa e às vezes até desempenhos anteriores. Colocar os pés no chão às vezes exige um pouco de esforço. Alguns atletas são vistos pelos fãs e pela mídia como "pessoas diferentes" e certas equipes são consideradas especiais. Mas para vencer e ser eficiente, quero que meu time saiba exatamente com o que estamos lidando, por isso tentamos enxergar a realidade além da percepção. O primeiro passo para desenvolver um bom plano de jogo é saber quem você é, tanto individualmente quanto como equipe. É preciso conhecer seus pontos fortes e fracos, assim como os do adversário. Este é também um bom primeiro passo para desenvolver o plano de tornar-se um homem fora do comum. Há várias idéias hoje em dia sobre masculinidade e sobre como ser bemsucedido. Acredito que precisamos analisá-las com profundidade e recorrer a fontes como a Bíblia para nos ajudar a definir o que de fato significa ser um homem. Algumas das definições que nossos jovens usam atualmente não lhes oferecem nenhuma oportunidade de terem sucesso. Uma das mais atraentes e enganadoras percepções que se tem hoje em dia é a de que o respeito se origina do status. Damos importância demasiada ao que fazemos, a quanto ganhamos, a nossa aparência, ao que vestimos e ao que possuímos. Assim, passamos a buscar um trabalho que nos dê o prestígio que almejamos e um salário que nos permita comprar as coisas que aumentarão esse prestígio. Precisamos nos vestir de certo modo e freqüentar determinadas escolas. A mídia vê tudo isso com deferência, perpetuando a idéia de que o respeito é conseqüência do status. E então, com freqüência, começamos a ver e a avaliar as pessoas também por esses parâmetros. Se elas não têm certos tipos de empregos, se não usam roupas de marca, se não têm dinheiro ou não possuem os bens materiais que trazem status, concluímos que não são bem-sucedidas e, portanto, não merecem respeito.
Com a consolidação desse tipo de mentalidade, o prestígio se transformou numa das medidas mais importantes da masculinidade. É o estilo superando o conteúdo, a percepção superando a realidade - em todos os lugares para onde olhamos. O sucesso, ou mesmo a aparência do sucesso, se tornou mais importante do que qualquer coisa. Permitimos que nossos sentimentos a respeito de nossa importância e nosso valor sejam moldados por isso. Acho que é por esse motivo que tantos atletas passam por dificuldades quando deixam o futebol. Eles sentem que já não têm o mesmo prestígio de antes, por isso é tão complicado encontrar sentido em qualquer outra atividade. Depois que o prestígio desaparece, eles acreditam que não têm mais valor algum. Claro que essa questão atormenta o homem em todos as áreas da vida, não apenas no esporte. Em algum momento, perdemos a noção de que o respeito surge quando apreciamos uma pessoa pelo que ela é. Mas hoje não respeitamos uma pessoa; respeitamos o que ela faz ou possui. O perigo de dar mais importância ao estilo do que ao conteúdo é que nos impede de enxergar as coisas que realmente têm valor. Ser um pai presente, um marido leal e comprometido, dar um bom exemplo, orientar aqueles que precisam de ajuda - essas coisas podem não render prestígio, mas ainda são fundamentais para Deus. Estilo ou conteúdo? A escolha é clara se queremos viver uma vida com significado.
CAPÍTULO19 PRIORIDADES Se as pessoas se concentrassem nas coisas verdadeiramente importantes da vida, haveria uma escassez de varas de pescar. DOUG LARSON ESTABELECER PRIORIDADES é uma das tarefas mais tensas que temos na vida.
E nada é mais difícil do que olhar no espelho e ver todos os erros que cometemos. Mas a nossa história ainda não está totalmente escrita; por isso, podemos mudar e assumir o controle das nossas prioridades. Perto do fim de sua vida, Salomão, rei de Israel e um dos homens mais ricos e sábios que já existiram, refletiu sobre essa questão: "Tenho visto tudo o que é feito debaixo do sol; tudo é inútil, é correr atrás do vento!" "Que proveito tem um homem de todo o esforço e de toda a ansiedade com que trabalha debaixo do sol?" "O que o homem ganha com todo o seu trabalho em que tanto se esforça debaixo do sol?" "'Que grande inutilidade!', diz o Mestre. 'Que grande inutilidade! Nada faz sentido!'" Eclesiastes 1:14; 2:22; 1:3; 1:2 Salomão diz que passar a vida em busca das coisas terrenas é viver "perseguindo o vento". A partir de sua própria experiência, ele nos diz que a vida baseada somente em valores mundanos e bens materiais é "uma grande inutilidade". É vazia e insatisfatória. Já em seus últimos dias de vida, depois de passar por todas as suas experiências, Salomão disse: "Lembre-se do seu Criador nos dias da sua juventude, antes que venham os dias difíceis e se aproximem os anos em que você dirá: 'Não tenho satisfação neles'; antes que se escureçam o sol e a luz, a lua e as estrelas e as nuvens voltem depois da chuva. (...) Agora que já se ouviu tudo, aqui está a conclusão: tema a Deus e obedeça aos seus mandamentos, porque isso é o essencial para o homem. Pois Deus trará a julgamento tudo o que foi feito, inclusive tudo o que está escondido, seja bom, seja mau." Eclesiastes 12:1-2,13-14
A solução de Salomão para uma vida plena de sentido e realização é Deus. Embora ele fosse "bem-sucedido", jamais viveu completamente a vida que pretendia viver. Vários dos homens que conheço vivem em busca de fama, fortuna, reconhecimento, recompensas, conforto, bens materiais e segurança financeira. Suas prioridades começam aí e, como essas coisas geralmente não deixam tempo para mais nada, também acabam aí. Mas em seu leito de morte, esses homens não vão pedir a seus gerentes de banco que fiquem ao seu lado e vejam todos seus diplomas nas paredes ou os troféus que juntam poeira nas prateleiras. De repente, essas coisas parecem não ter mais a importância que tiveram um dia. Ao contrário, no fim da vida, esses homens pedirão que seus familiares e outras pessoas queridas estejam ao lado deles; infelizmente, elas estiveram ali o tempo todo mas não eram uma prioridade para eles. Nos últimos dez anos, perdi minha mãe, meu pai e meu filho mais velho. Depois da morte do meu filho, conversei com centenas de pais que também perderam seus filhos e com centenas de crianças que perderam irmãos. Todos diziam sentir exatamente o mesmo que eu: quando se perde um ente querido, não importa a idade dele, você sempre deseja ter tido a chance de passar mais tempo com ele. Convivi 46 anos com minha mãe, 48 com meu pai e 18 com meu filho. Sou grato pelas lembranças que tenho, mas ainda assim eu queria mais. Nós nunca sabemos ao certo quanto tempo Deus nos permitirá ficar com as pessoas que amamos. Às vezes serão apenas algumas semanas. Nem sempre parece justo, mas acho que Deus usa esses momentos para nos lembrar de que a vida e o amor não estão garantidos. Ele quer que organizemos nossas prioridades. Sempre digo aos jogadores que, apesar de dedicarmos muito tempo à preparação para os jogos, e por melhor que seja a sensação de ganhar, jamais devemos deixar que nosso trabalho seja mais importante do que nossa família. Se fizerem isso, sei que algum dia se arrependerão. A lamentável verdade é que, para muitas pessoas, é isso o que acontece. Mas não precisa ser assim para sempre. Redefinir prioridades requer algumas mudanças em sua vida, mas vale a pena.
A mudança começa com os princípios que Salomão aprendeu no fim da vida. Uma vida centrada em Cristo não apenas ajuda a nos libertarmos das preocupações a respeito de sucesso, carreira e finanças - coisas que Salomão considera "correr atrás do vento" - como também redireciona nosso foco para aquilo que realmente importa. Todos nós perdemos muitas lembranças e momentos em nossas vidas por conta de prioridades mal-ordenadas. Mesmo assim, nunca é tarde para colocar as coisas no lugar e começar a aproveitar as bênçãos de Deus que estão ao nosso redor - podem estar na beleza de um pôr do sol, no rosto enrugado de um recémnascido, na risada confiante de uma criança, no amor que sentimos por nossos filhos já adultos ou ainda na "segunda chance" que Deus nos dá através de nossos netos. Então como priorizar o que é certo para sua vida e não dar ouvidos ao que o mundo diz ser importante? Não é fácil, mas é absolutamente fundamental se você quer mesmo ter certeza de que não está perdendo nada do que realmente importa. Comece por aqui: "Busquem, pois, em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça, e todas essas coisas lhes serão acrescentadas"(Mateus 6:33). Reserve um momento para ficar em silêncio e unir-se a Deus. Ele amenizará suas preocupações quanto ao futuro e o libertará da pressão das prioridades "urgentes" do mundo. Dedicar algumas horas do seu tempo às prioridades que Deus lhe confiou pode não parecer significativo agora, mas para aqueles que precisam de você, pode fazer toda a diferença. E para você também.
CAPÍTULO20 SERxFAZER Insista em si mesmo. Seja original. RALPH WALDO EMERSON
EM NOSSA SOCIEDADE, essa disputa entre o ser e o fazer começa muito cedo e costumamos estimulá-la inadvertidamente. Quando você pergunta ao seu filho o que ele quer ser quando crescer, na verdade está perguntando o que ele quer fazer. Se ele adora os animais, você não ficará surpreso se ele disser que pretende ser veterinário. Algumas crianças sonham em ser banqueiros, atletas ou artistas. Talvez queiram ganhar dinheiro, viver numa casa enorme ou ter muitos carros. Grandes sonhos, mas todos relacionados ao fazer, não ao ser. Essas perspectivas de futuro não nos dizem nada sobre quem nossos filhos são - ou quem desejam ser, ou mesmo quais são seus valores e prioridades apenas nos mostram o que eles gostariam de fazer. Separar o ser do fazer é um desafio para todo mundo, mas creio que seja ainda mais difícil para os homens. Culturalmente, o homem se sente pressionado a atrelar seu valor pessoal à sua carreira. O apóstolo Paulo fala sobre o fruto do Espírito em Gálatas 5:22-23: "Amor, alegria, paz, paciência, amabilidade, bondade, fidelidade, mansidão e domínio próprio." Ainda assim, raramente adotamos essas características porque elas não parecem se adequar ao mundo competitivo dos esportes ou dos negócios. Em geral, acreditamos que o valor de um homem é determinado por suas conquistas. Infelizmente, muitos de nossos jogadores sentem essa pressão. Eles confundem o que fazer para ganhar a vida com o que realmente são por dentro. Depois que param de jogar, não sabem mais quem são. Não sei se isto é bom ou ruim, mas eles terão o resto da vida para descobrir. O efeito disso se reflete no casamento desses atletas. Muitos terminam em divórcio, já que os jogadores não têm uma idéia clara de seu valor pessoal depois que abandonam o esporte, além do fato de que muitas vezes as esposas foram seduzidas justamente pelo prestígio e pelo estilo de vida anterior do marido. Uma crítica negativa ou uma demissão pode ser algo devastador. Já passei por isso. Ainda que perder o emprego seja algo compreensivelmente traumático, não precisa ser definitivo. Espero que você jamais tenha de passar por isso, mas é bem provável que passe. E quando acontecer, lembre-se: você não é a sua carreira.
No meu ambiente de trabalho, todos os dias eu recebo avaliações de desempenho, geralmente realizados por pessoas completamente desqualificadas para realizá-las. Admito que não ouço muitos programas esportivos no rádio, mas há algum tempo decidi analisar as críticas feitas pelos meus superiores, por jogadores, técnicos assistentes e até por repórteres. Tentar melhorar constantemente significa estar aberto ao aprendizado ao longo da vida. Percebi que não posso controlar o que dizem e não permito que a crítica afete minha percepção de quem eu sou. As pessoas são livres para criticarem o que quiserem, porém eu não deixo que suas palavras causem um impacto negativo sobre mim. Sei que fui criado por Deus com todas as minhas qualidades e limitações. O fato de alguém apontar minhas falhas - sejam elas reais ou não não altera meus pontos fortes. Ser x fazer - aprender a diferença entre essas duas coisas faz toda a diferença em nossa vida.
CAPÍTULO21 SEGUINDOSEUSSONHOS A vida é como um filme, escreva sua própria cena final. MUPPETS - O FILME O MÚSICO JOHN ONDRASIK criou um website cujo nome é whatkindofworlddoyouwant.com ("que tipo de mundo você quer?"). O site se baseia na premissa de que todos temos algo que gostaríamos de mudar na sociedade, mas geralmente nos restringimos a reclamar. Os visitantes são convidados a ver a situação de outra perspectiva e imaginar como seria o mundo se eles pudessem reinventá-lo a seu modo. É um grande exercício que leva as pessoas a pensarem positivamente - em vez de apenas criticar as coisas de que não gostam, tentam bolar uma maneira de mudá-las. Apesar de possibilitar que os internautas façam doações a organizações assistencialistas por meio do site, John afirma que espera das pessoas algo mais do que assinar um cheque: "Doar é uma iniciativa egoísta", diz ele. "Do jeito que
o mundo funciona, quando eu faço uma doação, acabo doando para meu próprio benefício." No site, as pessoas podem compartilhar da visão de John publicando vídeos de si mesmas respondendo à questão proposta por ele: "Que tipo de mundo você quer?" Cada vídeo é relacionado a uma instituição de caridade e cada vez que ele é exibido a instituição recebe 1 dólar. O vídeo que o próprio John gravou como introdução desafia os espectadores a perseguir seus sonhos, a pensar diferente e a descobrir formas de melhorar a vida de outra pessoa - e depois outra pessoa, outra, e outra... Aintegridadedosapo Meus filhos adoram Muppets - O filme, cujo tema principal é a integridade do sapo Caco. Convidado por um caça-talentos que lhe promete fama e riqueza, Caco deixa o pântano e segue para Hollywood. Ele aceita o convite não apenas para ficar rico e famoso, mas para perseguir seu sonho de "fazer milhões de pessoas felizes". Ele faz uma promessa a si mesmo e a esse sonho. O filme narra a sua jornada para cumprir essa promessa. Várias vezes ao longo do caminho, Caco é abordado pelo Doutor Hopper, um empresário que faz de tudo para promover sua cadeia de fast-food, cuja especialidade é perna de sapo frita. Caco recusa a oferta de riqueza fácil porque pretende realizar seu sonho. Num ponto crítico do filme, depois que os amigos de Caco se juntam a ele para também alcançar o estrelato, o carro quebra e todos ficam parados no meio do deserto. Deprimido, o sapo vê que seus sonhos parecem perdidos e que a integridade que o levou até esse ponto está prestes a acabar. Então um segundo Caco - sua consciência, talvez - surge em cena e eles começam a conversar sobre como enfrentar seus sentimentos e decidir o que fazer nesse momento difícil. Caco se sente culpado, acreditando que colocou seus amigos em apuros. Ele está infeliz e sente pena de si mesmo. Sua consciência, no entanto, afirma que ele também se sentiria infeliz se tivesse permanecido no pântano e não tivesse coragem de perseguir seus objetivos.
De repente, Caco se dá conta de que a principal pessoa para quem ele fizera a promessa era ele mesmo. Ele se dispôs a realizar algo grande e seus amigos o seguiram porque acreditavam no seu sonho. Lembre-se de que a principal razão para Caco ter ido a Hollywood era seu desejo de "fazer milhões de pessoas felizes". Não sei se ele ou Jim Henson - o criador dos Muppets - perceberam, mas a missão de Caco era cumprir uma promessa e realizar um sonho que Deus honraria. Sua integridade e seu objetivo exigiam que ele permanecesse no rumo certo. E, ao fim da cena, o sapo acaba percebendo isso. A conversa que o personagem tem consigo mesmo quando o carro quebra no meio do deserto revela algumas verdades. Todos nós teremos dúvidas. Nada na vida é fácil e vamos questionar nossas próprias escolhas em momentos importantes. Às vezes, qualquer lugar onde não estejamos parece melhor do que aquele em que estamos. Veja bem, a vida muda. Ela nos lança desafios. Alguns dias, parece que estamos enfrentando batalha após batalha. As pessoas se afastam e nos decepcionam. As coisas ficam confusas, entes queridos não nos compreendem e as relações ficam tensas. O medo nos domina e nos afastamos de nossos sonhos. E isso em geral acontece quando nosso carro quebra no deserto, quando nossa vida segue rumos inesperados ou quando somos atingidos por tragédias. Mas em meio a tudo isso, os sonhos que Deus põe em nossos corações nunca se alteram. Sua integridade a promessa que você fez a si mesmo - exige que você se levante e continue em frente. Siga seus sonhos.
CAPÍTULO22 BUSCANDOOEQUILÍBRIO Em se tratando de coisas que desaparecem, nada supera as oito horas que supostamente sobram depois das oito horas de sono e das oito de trabalho. DOUG LARSON
Sou CAPAZ DE REALIZAR várias coisas no dia anterior a uma viagem de férias. É um fenômeno incrível essa nossa capacidade de atingir a produtividade máxima antes de sairmos de férias, deixando a mesa do escritório e a consciência limpas. Pegamos nossa lista de tarefas e ao longo do dia vamos realizando tudo o que for necessário, sem deixar nada por fazer. Não sei se isso é apenas autodisciplina. A autodisciplina é algo que Lauren e eu tentamos ensinar a nossos filhos e um dos motivos que me levam a dar aos jogadores o máximo de liberdade possível. Nós somos melhores como equipe e como seres humanos quando aprendemos a nos controlar e a ser responsáveis por nós mesmos e pela missão do time. Tenho dificuldades para administrar a disciplina, principalmente quando se trata de meus filhos. Quero corrigir o comportamento deles e mostrar-lhes as conseqüências negativas de certas ações. Este é meu objetivo maior. Tento atrair a atenção deles sem ser severo, para que minhas palavras não sejam mais relevantes do que a lição que quero passar. Nem sempre é fácil alcançar esse equilíbrio. Luto para ter o mesmo equilíbrio em relação aos jogadores. Assim como meus filhos, meus atletas às vezes fazem coisas que requerem uma ação disciplinar. Então sou obrigado a determinar a melhor maneira de reagir. Se o comportamento deles for muito prejudicial para a equipe ou se demonstrarem um padrão de escolhas erradas ou atitudes problemáticas, provavelmente cogitarei dispensá-los. Mas sempre que possível, prefiro evitar essa atitude, já que minha função é ajudar o time a melhorar e estimular os atletas a se desenvolverem, dentro e fora do campo. Meus pais eram muito bons na tarefa de equilibrar castigo e lição. Aprendi com eles que cada situação é única, mas que eu teria de enfrentar as conseqüências de qualquer comportamento inadequado. Mesmo quando ficava chateado com o castigo, no fundo eu sabia que eles queriam o melhor para mim e estavam tentando me ensinar algo que seria útil para minha vida futura. Eu tinha de aceitar o castigo, aprender e amadurecer. Meus pais adaptavam as punições à personalidade de cada filho para garantir que o castigo de fato nos afetaria. No
meu caso, isso significava a perda de vários privilégios, freqüentemente envolvendo a prática de esportes. Era muito eficiente. Criandoequilíbrionavida Nada muda quando você se torna adulto, exceto o fato de que você não tem mais a influência direta de outras pessoas, como seus pais. Não importa qual seja a sua idade agora; a mesma premissa que meus pais me ensinaram permanece verdadeira: quando você for capaz de ter disciplina para fazer aquilo que precisa, então será livre para fazer aquilo que quiser. As pessoas costumam me perguntar como é possível que, sem que eu seja um "disciplinador", nosso time jogue de modo tão disciplinado. Acho que isso se deve ao nosso desejo de prestar atenção aos detalhes e não desvalorizar nada. Pedimos aos jogadores que façam seus trabalhos como devem e se orgulhem de realizá-los bem. Fazer as coisas do jeito certo e melhorar em determinados aspectos é a diferença entre ser campeão e ser medíocre. Atingir tantas personalidades diferentes enquanto os ajudamos a crescer como pessoas e a se autodisciplinarem é uma das habilidades que se exigem de um técnico. Essa era mais ou menos a abordagem que meus pais tinham com relação à educação. Assim, sou capaz de criar limites em minha vida e alcançar um equilíbrio entre as coisas que eu tenho de fazer e as que eu quero realizar. Eu me esforço para administrar meu tempo, de modo que, depois que cumpro com minhas responsabilidades, posso ir para casa. Em outras palavras, se eu trabalho duro e termino minhas tarefas, posso voltar para casa sabendo que dei o melhor de mim. Se, em casa, sou prestativo e me mostro presente para Lauren e as crianças, então posso sair com a consciência tranqüila e com as relações em harmonia quando chega a hora de voltar para o escritório. Os dois maiores obstáculos que vejo na criação para tais limites em nossas vidas são a péssima administração do tempo e o vício em trabalho. O primeiro o impede de sentir que pode se permitir deixar o escritório, enquanto o segundo
está relacionado a uma questão de prioridades equivocadas, a uma autoimagem distorcida ou a uma espécie de combinação dessas duas coisas. Conheço muitos homens que têm suas realizações profissionais como prioridades: subir na escala corporativa até o posto mais alto. Para alguns deles, essa atitude provavelmente se origina da idéia de que tal ambição os tornará mais valiosos como homens - ou pelo menos parecerão mais valiosos para si mesmos e para os outros. Eles acreditam que terão respeito, prestígio ou poder por meio do trabalho. Já outros têm uma imagem inadequada de si mesmos e acreditam às vezes inconscientemente - que o trabalho os completa. Eles se veem como homens determinados, zelosos, comprometidos e, portanto, passam tempo demais no escritório tentando corresponder a essa imagem que criaram. Havia um jovem funcionário num time da NFL que era a última pessoa a ir embora. Ele não estava preocupado com o status do seu cargo e acho que realmente gostava do tempo que ficava em casa. Eu insistia para que ele fosse para casa, até que descobri qual era o problema: a imagem que ele tinha de um homem provedor e forte era a de alguém que trabalhava muito. O pai dele havia sido técnico assistente da liga durante 30 anos e sempre saía de casa muito cedo e voltava bem tarde. Sem perceber, nosso funcionário estava reproduzindo o comportamento do pai. Quanto a mim, sempre chego em casa cedo o bastante para que meus filhos saibam que minha família é mais importante do que meu emprego. Alguns homens usam o trabalho como um meio de fuga dos problemas domésticos. Para eles, meu conselho é: tenham coragem. Mudem algumas coisas. Voltem para casa e reconstruam seus relacionamentos diariamente. Fugir não resolve nada; apenas serve como salvação temporária. Para a maioria das pessoas, contudo, a incapacidade de definir prioridades é o que mais as impede de ter tempo para fazer as coisas que gostariam de fazer. SEGREDOSPARASEESTABELECERUMAMISSÃOQUEIMPORTE 1. Saiba
que o mundo valoriza o estilo, mas o que realmente importa é o conteúdo.
2. Tome decisões conscientes para determinar suas prioridades. Se houver outras
pessoas envolvidas nesse processo (se você for noivo ou casado, por exemplo), sentem-se juntos e registrem as decisões por escrito. 3. Prepare-se para fazer com que suas ações complementem sua lista de prioridades. 4. Nunca confunda o que você faz com quem você é. 5. Vá em busca de seus sonhos. Não os leve para o túmulo. É melhor fracassar tentando do que jamais tentar. 6. Aprenda a se auto-disciplinar para que você possa aproveitar mais a vida. 7. Equilibre as prioridades em sua vida - esforce-se para gastar o tempo apropriado em cada atividade.
ParteVI Optepelainfluência,nãopelaimagem Sempre me perguntei por que alguém não fazia alguma coisa sobre isso. Então me dei conta de que eu era este alguém. LILY TOMLIN
CAPÍTULO23 RESPEITANDOOSOUTROSEASIMESMO Os homens só são dignos de respeito se respeitam os outros. RALPH WALDO EMERSON HARDY NICKERSON FOI CONTRATADO pelo Tampa Bay Buccaneers em 1993. O time passava por um momento complicado e estava em último lugar na tabela da NFL. Hardy era um jogador experiente e foi uma surpresa para todos ele trocar os poderosos Pittsburgh Steelers pelos Bucs. Quase que imediatamente, tornouse o capitão da defesa e líder da equipe.
Durante minha primeira temporada com os Bucs, as coisas começaram a melhorar e iniciamos a temporada de 1997 com altas expectativas. Logo no primeiro jogo, Hardy foi penalizado por conduta anti-desportiva por brigar com um jogador do time adversário. Fiquei pasmo com a atitude dele. Eu passara muito tempo tentando mostrar aos atletas que eles não podiam ser penalizados por besteiras se pretendiam ganhar jogos difíceis, por isso chamei Hardy no canto e lhe perguntei o que havia acontecido. - Ele me desrespeitou - disse Hardy. Fiquei mudo. Como capitão, ele sabia que estávamos tentando construir um time forte, com base no equilíbrio, no caráter e na responsabilidade mútua. Perguntei se ele estava disposto a sacrificar toda a equipe - e nosso objetivo de vitória simplesmente porque alguém duvidou de sua honra. - Tudo muda quando alguém me desrespeita. Aquele foi um momento crucial para nós dois. Hardy e eu nos encontramos na semana seguinte e então expliquei que esse tipo de comportamento em campo não era adequado a um membro da nossa equipe. Essa foi apenas uma das primeiras lições que aprendi sobre o respeito. Se um de nossos atletas mais experientes pensava dessa maneira, provavelmente esse sentimento estava muito mais disseminado entre os jovens do que eu imaginava. Muitas pessoas acreditam que respeito é um direito, algo que lhes pertence desde que nascem. Ao contrário, o respeito é algo que você conquista com seu caráter. Às vezes acho que temos a tendência de confundir respeito com medo. "Vou fazê-lo me respeitar", ouço os atletas dizerem o tempo todo. Poder, status, dinheiro - é daí que muitos jovens acreditam que surge o respeito. O problema disso é que, ao valorizarmos essas coisas, deixamos de valorizar aquelas que realmente importam. Há uma ou duas gerações, respeitávamos a honestidade, o fato de a pessoa sustentar sua família, se envolver na comunidade ou na igreja, trabalhar duro. Como já mencionei anteriormente, Art Rooney, proprietário dos Steelers, sempre morou no mesmo bairro e tinha uma ótima relação com os vizinhos e com todas as pessoas que conhecia. O que ele demonstrava todos os dias, tanto no escritório
quanto na comunidade, era um respeito sincero por todos aqueles que tocavam sua vida e que eram tocados pela dele. Certa vez, a companhia de limpeza urbana de Pittsburgh entrou em greve. O lixo se acumulava em todos os cantos da cidade - exceto na frente da casa do Sr. Rooney. Mais tarde, descobriu-se que alguns garis estavam recolhendo o lixo dele por conta própria. Eles não precisavam fazer aquilo, mas faziam questão de recolher o lixo do homem que sempre demonstrara interesse e preocupação por eles e por tantos outros. Um homem que os respeitava. O verdadeiro respeito começa pela maneira como você trata os outros e é algo que se adquire ao longo de toda uma vida de bondade, honradez e dignidade.
CAPÍTULO24 INTEGRIDADESEXUAL A orientação sobre o sexo é tão importante quanto a orientação sobre a comida. Mesmo assim, não só nossos adolescentes não aprendem nada quanto à fisiologia do sexo como também nunca são alertados a respeito da forte atração sexual que pode existir entre pessoas de gostos e interesses tão incompatíveis que não suportariam viver juntas durante uma semana, quanto mais por toda uma vida. George Bernard Shaw MUITOS HOMENS TÊM MEDO de conversar com os filhos sobre sexo. Eles adiam a conversa o máximo possível, transferem essa tarefa para a esposa ou simplesmente nunca tocam no assunto. É compreensível, porque é mesmo um tema delicado. Porém, por mais incômodo que seja, precisamos ser mais diretos sobre o sexo e seus efeitos em nossa vida. A maioria das pessoas concorda que a infidelidade durante o casamento é errada, mas tenho certeza de que jamais chegaremos a um consenso quanto ao sexo antes do casamento. Talvez você não concorde com as opiniões bíblicas sobre o sexo fora do casamento (seja ele antes ou durante), mas decerto já percebeu os problemas que isso está causando em nossa sociedade.
Conseqüênciasemocionais Acredito que a mídia é uma péssima influência nesse sentido. Em muitos filmes e programas de televisão, o elemento natural da formação de qualquer relacionamento romântico é o sexo. Os espectadores se envolvem tanto com os personagens que acabam torcendo para que a mocinha e o galã vão para a cama. Mas, na vida real, as coisas são bem diferentes. Por causa da intimidade que o sexo carrega em si, ele pode afetar negativamente um relacionamento que, de outro modo, talvez tivesse a oportunidade de se transformar numa amizade sólida e até num casamento. Por que sabotar o potencial dessa relação apenas por uns poucos momentos de prazer? Como nos lembra a citação de Bernard Shaw no início deste capítulo, o sexo não garante que duas pessoas se tornem mais próximas. Em relação aos jovens, infelizmente, o sexo apenas esconde outros problemas existentes nos relacionamentos. Conseqüênciasfísicas O sexo pode criar outro problema: uma gravidez indesejada. Até que você se case e esteja preparado para ser um bom pai, estará correndo o risco de se transformar num daqueles pais que pagam pensão alimentícia e se esforçam para passar algum tempo com os filhos. Claro que há meios de se evitar a gravidez, mas será que o risco vale a pena? E essa não é a única conseqüência. O sexo fora do casamento sempre envolveu riscos à saúde. Na época do meu pai, temia-se a sífilis e a gonorreia; no meu tempo, o herpes genital; e hoje temos a AIDS. O que virá a seguir? Não sabemos, mas a história nos mostra que certamente haverá alguma novidade no que diz respeito às doenças sexualmente transmissíveis.
Conseqüênciasespirituais Ainda hoje se aconselha às meninas que permaneçam virgens até o casamento. Mas por que não damos esse mesmo conselho aos garotos? Por algum motivo, há um preconceito em relação às mulheres que têm muitos parceiros sexuais, mas a sociedade parece olhar com outros olhos quando se trata dos homens. Somos levados a pensar que isso é aceitável só porque "é o que todos os homens fazem". Mas a Bíblia diz: "Fujam da imoralidade sexual. Todos os outros pecados que alguém comete, fora do corpo os comete; mas quem peca sexualmente, peca contra o seu próprio corpo". (1 Coríntios 6:18) Deus criou você. Seu corpo é valioso. Não seja descuidado com o que faz com ele. Não o desperdice. Protejasuamente Mantenha seus pensamentos sob vigilância. A pornografia é uma das maiores indústrias da internet, o que torna fácil para os homens levá-la para dentro de casa e de sua rotina. Ainda que ela se infiltre sorrateiramente nas revistas, na televisão ou no computador, a melhor maneira de evitar o vício da pornografia é não ter qualquer contato com ela. O vício da pornografia é tão real quanto o vício do álcool e das drogas, e pode causar os mesmos danos. Assim como os demais, ele costuma começar de maneira imperceptível. Você não precisa entrar numa locadora exclusiva para adultos, por exemplo, para seguir por esse caminho. A pornografia está em todos os lugares. Mesmo que nos consideremos maduros o bastante para reconhecê-la e evitá-la, o que fazer em relação aos nossos filhos? Da próxima vez que você se sentir tentado a olhar algum material de sexo explícito, lembre-se disto: tenho amigos envolvidos em organizações que combatem o tráfico de seres humanos. Eles me dizem que há uma grande chance de que a pessoa que você está vendo seja uma escrava, que aquele sorriso sedutor seja falso e esconda uma vida sofrida e sem esperanças. Simplesmente não entre nessa.
Ouseserdiferente É preciso que o homem seja forte para estar disposto a adotar a pureza sexual em vez de optar por um caminho que lhe oferece prazeres fáceis. Atualmente, um dos parâmetros que a sociedade usa para avaliar os homens é a quantidade de conquistas sexuais deles. Eu acho isso horrível. Horrível para os homens e para os jovens que eles influenciarão, horrível para as mulheres e as meninas. O fato de os homens serem valorizados por seus talentos sexuais não é um fenômeno recente. Ele está entre nós há mais tempo do que podemos imaginar. Percebo a disseminação desse comportamento em jogadores de todos os níveis, desde as categorias juvenis até as profissionais. Os atletas acreditam que devem ter muitas mulheres. E, quando não fazem isso, as pessoas começam a se perguntar o que há de errado com eles. É difícil não aceitar esse tipo de pensamento quando você está imerso num ambiente em que ele impera. Se acreditamos que fazer sexo fora do casamento e gostar de pornografia são atitudes erradas ou prejudiciais, temos de ensinar nossos jovens a verem as coisas deste modo também. Alguns pais têm dificuldades de abordar esses assuntos com seus filhos porque eles próprios já se deixaram levar por esses caminhos. Se este for o seu caso, use as lições que aprendeu ao longo da vida para evitar que seus filhos também tomem decisões equivocadas. Por exemplo, você pode ter fumado cigarro tempos atrás e resolvido parar depois de descobrir as graves conseqüências desse vício. No entanto, você não pode permitir que seus filhos fumem só porque cometeu esse erro uma vez. Se você ainda não é casado, procure relacionamentos positivos, baseados na amizade, e permaneça firme na idéia de que sua masculinidade não depende de uma lista interminável de conquistas sexuais. Estar disposto a ser avaliado por outros critérios faz parte das características dos homens fora do comum.
CAPÍTULO25
EXPERIÊNCIA Faça todo o bem que puder, Usando todos os meios que puder, De todas as maneiras que puder... Para todas as pessoas que puder, Durante o maior tempo que puder. JOHN WESLEY VOCÊ TEM VÁRIOS MEIOS de causar impacto no mundo. Geralmente esperamos que os outros façam a diferença, ou então achamos que é melhor esperar até que determinada coisa aconteça para então mudarmos nossa atitude. Vou fazer isso mais tarde, dizemos a nós mesmos, quando eu tiver mais tempo. Quando as crianças estiverem mais velhas. Ou quando eu tiver mais dinheiro. Ou quando for mais reconhecido no trabalho. Muitas vezes achamos que não temos o conhecimento necessário para mudar o que precisa ser mudado. Ninguém vai nos ouvir mesmo. As coisas que precisam ser feitas são tão grandes que nem sabemos por onde começar. Quando enveredamos por essa linha de pensamento, nem nos damos ao trabalho de prometer realizar algo mais tarde. Simplesmente lavamos as mãos e esperamos que outra pessoa o faça. Pouco tempo atrás, o pai de um jovem me telefonou. A noiva do rapaz havia morrido num acidente e ele estava preocupado com o filho. O dia em que seria o casamento se aproximava e ele parecia estar caindo em depressão, chegando até a falar em suicídio. Liguei para o jovem e conversamos várias vezes ao longo das semanas seguintes. Eu lhe disse que podia não parecer, mas as coisas iriam melhorar, e que acabar com a própria vida não era uma solução. Havia muitas pessoas que o amavam e que ele deixaria para trás, arrasadas. Elas se perguntariam o que deveriam ou poderiam ter feito para evitar aquela tragédia. Eu queria fazê-lo ver que havia muita gente que se importava com ele, apesar do sofrimento terrível pelo qual estava passando. Eu conhecia a dor da perda e estava tentando ajudá-lo a
compreender que aquela sensação, infelizmente, era muito real. A vida é cheia de situações dolorosas, mas embora pensemos que a dor sempre permanecerá ao nosso lado, Deus nos ajuda a seguir em frente. Nós nos falamos algumas vezes e, por fim, a data marcada para o casamento passou. Aos poucos, aquele jovem estava saindo das trevas para encontrar novamente a luz do sol. Ele ainda estava sofrendo, mas era possível perceber, pela sua voz, que o desespero que tomara conta dele depois da morte da noiva começava a se dissipar. Ele me agradeceu e disse que ficaria bem. - Aliás - ele me perguntou -, o que é que você faz da vida? Contei-lhe que era técnico de futebol americano. - Ah, legal! - disse ele. - De um time de escola ou de faculdade? Ele não sabia mesmo quem eu era. A questão é que para ele não fazia a menor diferença o fato de eu ser famoso. Sempre que conversávamos, eu era apenas um conhecido do pai dele que havia perdido um filho - e que se importava o bastante para passar tanto tempo falando com ele ao telefone. Espero que você entenda isto: as pessoas não se importam com quem você é ou com o que faz; elas precisam sentir que você se importa com elas. Perder um filho me deu um tipo de sabedoria que eu jamais buscaria. Mas como eu havia vivenciado essa perda e aquele pai me conhecia, tive a oportunidade de ajudar o rapaz. Se eu era um terapeuta qualificado? Claro que não. Meu trabalho realmente permite conversar com muitos jovens, mas sou apenas um técnico de futebol, um pai e alguém que já viveu um luto. Quando uma pessoa me procurou e precisou do meu apoio, fui capaz de usar minha experiência para fazer a diferença. Sinto que é importante para os jogadores e técnicos do nosso time entenderem a importância das experiências que têm em suas vidas. Elas não são muito diferentes das nossas, afinal, muitos de nós somos maridos, pais, amigos, colegas de equipe. Cada um de nós possui uma sabedoria que pode usar para causar um impacto positivo nas pessoas à nossa volta. Também é fundamental que eles percebam a importância de jogarem na NFL num mundo que valoriza tanto o esporte. Eles têm a chance de influenciar as
pessoas, de mobilizá-las para uma mudança positiva, de alegrá-las e de estimulálas a fazerem o mesmo por aqueles que encontrarem pelo caminho. Podemos ser receptores ou doadores. Os receptores absorvem os ensinamentos que as outras pessoas têm a oferecer. Todos nós somos receptores, e isso é bom, pois nos ajuda a alcançar nosso pleno potencial. Agradeço a Deus pelas pessoas que me cercam e que agregaram valor à minha vida. Mas não podemos apenas receber! Também devemos dar ou agregar valor à vida das pessoas ao nosso redor. Não importa quem você seja ou o que faça da vida: você tem uma experiência única que pode tocar vidas que ninguém mais pode influenciar. Como nossos momentos de convívio social estão ficando cada vez mais raros, precisamos aproveitar todas as oportunidades possíveis para interagir com os outros e trocar experiências. Lembre-se: o lugar que você ocupa neste mundo é único. Talvez você nunca descubra o impacto que causa em alguém que o admira por seu caráter, por seu trabalho, pela maneira como trata sua família ou até mesmo pela amizade entre vocês. As pessoas o respeitam, acreditam e confiam em você. Isso significa que você tem um papel importante na vida delas. Desempenhe-o com sabedoria e de uma maneira fora do comum.
CAPÍTULO26 MODELODECONDUTA Não se importe com o fato de as crianças nunca ouvirem o que você diz; preocupe-se com o fato de elas sempre observarem o que você faz. Robert Fulghum Todos nós exercemos influência. Freqüentemente me pedem para conversar com alguém que está passando por um momento de dificuldade. Ainda que eu fique feliz em fazer isso, me pergunto se a pessoa em questão não preferiria ouvir uma palavra de apoio de um amigo do que de mim. A princípio, elas ficam empolgadas por serem "orientadas" por uma celebridade, mas essa sensação logo passa e eu não tenho a chance de criar
uma conexão profunda. O que eu quero dizer com isso é que todos nós somos exemplos de conduta para alguém. Podemos não querer admitir isso, ou talvez não nos sintamos dignos de exercer esse papel. Mas mesmo assim, com certeza alguém está nos tomando como exemplo. Temos vários jogadores que são excelentes modelos de conduta. Quando as pessoas ficam sabendo que levamos em consideração o caráter dos atletas na hora da seleção, acho que algumas delas imediatamente pensam que estamos menos preocupados com a vitória e mais interessados em criar um time de noviços. Nem uma coisa nem outra. Na verdade, estamos à procura de homens fortes - física e mentalmente - que sejam bons colegas de equipe. O caráter contribui para isso. Também estamos em busca de pessoas que sirvam de exemplo, dentro e fora do campo, para os jogadores mais jovens. John Stallworth foi uma dessas pessoas. Ele entrou no Pittsburgh Steelers três anos antes de mim e, junto com outros colegas do time, foi fundamental para o meu desenvolvimento como homem. Apesar de ele já ter ganho quatro Super Bowls, sido escolhido quatro vezes um dos melhores jogadores do campeonato e eleito para o Hall da Fama, o que mais impressiona nele é o seu caráter. Quando comecei minha carreira como jogador, eu era um garoto sensato, que teve uma boa criação e que queria fazer o certo, mas aquela era uma situação nova para mim - e situações novas parecem nos tornar mais suscetíveis à pressão coletiva. Eu esperava entrar para o time e me adequar. John foi um belo exemplo de conduta para mim naquela época. Ele era um ótimo amigo, encorajador e divertido. Mas quando o treino terminava, John ia direto para casa. Ele tinha esposa e filhos e assim que seus compromissos profissionais terminavam, ele queria estar com a família. Eu me espelhava nele como jogador e como pessoa, e me vi desejando aquilo também: uma vida pessoal estável e interesses que iam além do futebol americano. Aprendemos de várias fontes diferentes. Nós nos espelhamos em nossos pais, amigos, irmãos e colegas de trabalho. Somos influenciados pela televisão e pelo cinema.
Por isso é importante se ver como um modelo de conduta. Estando você certo ou errado, alguém, em algum lugar, está sempre o observando. Às vezes fico preocupado porque acreditamos que as próximas gerações irão absorver automaticamente as lições que precisam aprender na vida. Sempre que nos preparamos para a seleção dos novos jogadores e avaliamos as origens dos jovens que estão saindo da Liga Universitária, vejo as dificuldades que os jovens têm. Cerca de 70% dos jogadores que entram na NFL cresceram sem uma figura paterna em casa. Muitos passam por problemas fora do campo quando vão para um time profissional, mas a culpa não é toda deles. Ninguém os ajudou a se preparar para a vida que agora estão vivendo. Qual foi o modelo de conduta que tiveram? Olhando para trás, vejo que uma das grandes bênçãos de ter crescido numa família com pai e mãe foi a influência positiva dos meus tios. Se meu pai não estivesse por perto na minha infância, meus tios não teriam feito parte da minha vida. Isso teria me custado metade de meus parentes. E essa seria uma perda enorme. Graças a meus pais e familiares, pude aprender como cuidar da minha esposa, como me relacionar com meus filhos e como tratar todas as pessoas com respeito. Foi naqueles anos de formação, naquele ambiente informal, que aprendi que todo trabalho honesto que você realize para sustentar sua família é digno. Não tenho certeza se as pessoas vêem que ser um modelo de conduta faz parte da nossa obrigação. Muitas não percebem a necessidade de dar o exemplo de forma intencional, ou então acreditam que, como já cometeram muitos erros, não servem como referencial para ninguém. Isso é um grande engano. Alguns dos melhores conselhos que dou aos jovens é que não repitam os meus erros! Quando admito já ter feito escolhas equivocadas, me torno mais qualificado para mostrar como as conseqüências podem ser terríveis. Você não é desqualificado por causa de seus erros - ninguém é perfeito. Agradeço a Deus porque os homens que ajudaram a construir o meu caráter não pensavam assim. Eu os observava, os imitava e aprendia. Eu admirava os meninos mais velhos treinando na escola. Para minha sorte, havia alguns garotos legais que não se incomodavam em ajudar um "menininho" e me ensinaram um
monte de coisas importantes. Tenho certeza de que alguém havia feito o mesmo por eles no passado. Então, para vocês que estão na escola, lembrem-se de que há meninos e meninas mais novos que os consideram especiais, mesmo que vocês não estejam percebendo. Tenham cuidado com o que fazem e dizem. Essa preocupação é extremamente importante hoje em dia, pois cada vez mais crianças estão crescendo longe dos pais. Se não estivermos lá para influenciá-los, quem preencherá essa lacuna? Que lições aprenderão? Devemos estar dispostos a agir, nos aproximando e compartilhando dos interesses deles. Não podemos desprezar a necessidade de dar bons exemplos. Lembre-se de que todo mundo é um modelo, mas nem todos são um modelo positivo. Por isso, aja intencionalmente no sentido de ser um bom exemplo. Nossas crianças precisam de você. E alguns de nossos adultos também. SEGREDOS PARA OPTAR PELA INFLUÊNCIA E NÃO PELA IMAGEM 1. Você ganha o respeito dos outros pela maneira como os trata. 2. Respeite as pessoas pelo caráter, não pelo prestígio. 3. O sexo tem conseqüências. Seja responsável. 4. Tome cuidado com o que povoa sua mente. 5. Você tem conhecimentos únicos. Use-os para mudar a vida das pessoas ao seu
redor. 6. Você é um exemplo de conduta para alguém. Tenha consciência disso e seja um bom exemplo. 7. Seus erros não o desqualificam para mudar o mundo para melhor.
ParteVIl Vivasuafé
Se você ler as páginas da História, descobrirá que os cristãos que mais contribuíram para o mundo atual foram aqueles que mais pensaram na vida depois da morte. Desde que deixaram de pensar no outro mundo, eles se tornaram tão ineficientes neste. C. S. LEWIS
CAPÍTULO27 AUTO-ESTIMA Tu criaste o íntimo do meu ser e me teceste no ventre de minha mãe. Eu te louvo porque me fizeste de modo especial e admirável. Tuas obras são maravilhosas! Digo isso com convicção. Meus ossos não estavam escondidos de ti quando em secreto fui formado e entretecido como nas profundezas da terra. Os teus olhos viram o meu embrião; todos os dias determinados para mim foram escritos no teu livro antes de qualquer deles existir. Como são preciosos para mim os teus pensamentos, ó Deus! Como é grande a soma deles! Se eu os contasse, seriam mais do que os grãos de areia. Se terminasse de contá-los, eu ainda estaria contigo. Salmos 139:13-18 MUITOS DOS ASSUNTOS que tenho discutido neste livro - temas como respeito, a fachada da força física, a necessidade de ouvir os pais, de respeitar a autoridade e de não seguir a multidão - se originam da auto-estima. Se eu pudesse lhe ensinar apenas uma coisa, seria a noção de que você foi criado por Deus. Antes de você nascer, Deus já sabia quem você seria. Seus talentos, interesses e paixões foram combinados dentro de você de forma exclusiva. Você é único. É assim que Deus quis que fosse. Ele conhece suas necessidades e seus desejos antes mesmo que você peça. Ele se preocupa com você todos os dias, tanto nos seus momentos de alegria quanto nos de dor, nas horas de entusiasmo e nas de tristeza.
Pare um pouco e pense nisso por um instante. Não sei quais são suas experiências de vida nem como elas afetaram o modo como você se vê, mas depois de ler estas palavras - Deus se importa com você em todas as circunstâncias - você pensa em si mesmo de outra maneira? Fico preocupado com as crianças que não acreditam que isso se aplica a elas também, pois se veem como "acidentes cósmicos". Quando alguém vê a vida como algo acidental, desperdiçá-la ou matar outra pessoa não representa um grande problema. Se uma criança acredita que ninguém se importa com ela, como você acha que ela vai pensar em si mesma? Fico muito incomodado ao ver como a nossa sociedade desvaloriza a vida e como reforça essa idéia para as crianças por meio de videogames, músicas, filmes e programas de televisão. Isso contribui para que as crianças não percebam que a vida deve ser respeitada, cultivada, protegida. O verão de 2008 foi o pior trimestre na história da cidade de Indianápolis no que diz respeito a homicídios. Os suspeitos eram quase todos jovens, homens que provavelmente não davam valor à vida nem a viam como algo importante para Deus. E a cada assassinato perdemos duas pessoas: a vítima, que deixou este mundo, e o assassino, que talvez acabe na prisão. De alguma maneira, precisamos reverter este quadro e acho que um bom começo é ensinar nossas crianças a se verem como Deus as vê. A vida é preciosa e deve ser vista como tal. Você foi criado por Deus.
CAPÍTULO28 RELACIONAMENTOCOMCRISTO Bem-aventurados os pobres em espírito, pois deles é o Reino dos Céus. Bem-aventurados os que choram, pois serão consolados.
Bem-aventurados os humildes, pois eles receberão a terra por herança. Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, pois serão satisfeitos. Bem-aventurados os misericordiosos, pois obterão misericórdia. Bem-aventurados os puros de coração, pois verão a Deus. Mateus 5:3-8 DEUS QUER QUE VOCÊ PASSE a eternidade ao lado Dele. As Escrituras dizem que o caminho para isso é reconhecer que você precisa Dele. Não somos perfeitos e por causa de nossos pecados (viver aquém das expectativas de Deus) nos afastamos Dele. Deus nos ama tanto que enviou seu único filho à Terra para que morresse por nós e assumisse o castigo por nossa natureza pecadora, de modo que pudéssemos ter uma relação direta com Ele e com Jesus Cristo. Quando acreditamos sinceramente nisso e aceitamos Cristo como nosso Salvador (Ele morreu na cruz por nós) e Senhor (tornando-O a maior prioridade de nossas vidas), teremos certeza de que passaremos a eternidade com Ele no paraíso (veja João3:16-17). Bem-aventuradosospurosdecoração Para Jesus, é no coração que tudo começa. Nosso coração reflete aquilo que somos - o personagem interno que exibimos para o mundo exterior. Nosso coração guia todas as decisões que tomamos em nossa jornada, determina o que deixaremos para trás e dita o rumo de todos os dias de nossas vidas. Jesus mencionava com freqüência a função do coração. Em determinado momento, Ele estava falando a um grupo de líderes religiosos muito cuidadosos no cumprimento das Leis de Deus. As afirmações de Jesus lhe atingiram a alma:
"Raça de víboras, como podem vocês, que são maus, dizer coisas boas? Pois a boca fala do que está cheio o coração. O homem bom do seu bom tesouro tira coisas boas, e o homem mau do seu mau tesouro tira coisas más." Mateus 12:34-35 Quando se trata de proteger o coração e mantê-lo puro, poucas estratégias são úteis. Primeiro, tenha cuidado com aquilo que pensa. As coisas às quais damos muita ênfase geralmente ganham força, querendo ou não. Em segundo lugar, leia a Palavra de Deus. Há vários bons livros que trazem mensagens positivas que poderão confortá-lo. Mas duvido que qualquer livro o ajude tanto quanto a Bíblia, que traz diretamente a palavra de Deus. Muitos jovens afirmam que é difícil entender a Bíblia, mas já existem edições publicadas com linguagem atual. Algumas têm até comentários explicando as passagens mais complexas. Por fim, ore. Ore sozinho e em grupo, junto com sua esposa e seus filhos. Se você é jovem e seus pais nunca oraram com você, peça-lhes que o façam. Pode parecer estranho a princípio, mas essa atitude os ajudará a se aproximar de Deus e de si mesmos. Lembre-se de que orar é simplesmente conversar com Deus. Não existem regras ou palavras especiais. A profundidade e a qualidade da nossa relação com Jesus são ditadas pelo coração. É ele que revela os motivos por trás dos nossos atos. Precisamos ter certeza de que nosso objetivo ao servir à igreja ou à comunidade seja voltado para Cristo e não para obter prestígio ou aceitação. Você ora e lê a Bíblia apenas para atender às expectativas dos outros ou por um desejo sincero de se aproximar de Deus, aprender mais sobre Ele e descobrir o que Ele quer para a sua vida? Nos relacionamentos, nosso coração revela como vemos as pessoas que nos cercam. Será que enxergamos nossa esposa e nossos filhos apenas como "esposa" e "filhos", associando-os a todas as responsabilidades tradicionais que se espera de nós, ou como criaturas especiais de Deus, como Seus filhos queridos cujo cuidado nos foi confiado?
Encaramos as amizades como fardos ou como bênçãos? Realmente acreditamos que fomos criados de maneira única por um Deus que nos ama e que nos acompanha? A Bíblia diz: "Bem-aventurados os puros de coração", e depois faz a eles uma grande promessa: "porque eles verão a Deus."
CAPÍTULO29 FÉ É a fé em alguma coisa e o entusiasmo por algo que tornam a vida digna de se viver. Oliver Wendell Holmes Não podemos controlar tudo. Às vezes é difícil admitir esse fato, mas este é um conceito fundamental para refletirmos sobre alguns dos temas que nos afligem. Tenho filhos pequenos que contam comigo para que nenhum mal lhes aconteça. Digo a eles e a mim mesmo que estou fazendo exatamente isso. Estou sempre vigilante, protegendo-os. Recentemente, eu estava colocando Jade para dormir. Nós oramos juntos e eu a cobri e me inclinei para beijá-la. Ela enlaçou meu pescoço, me puxou e sussurrou no meu ouvido: - Você vai me proteger enquanto eu estiver dormindo, né? - Claro que sim, querida. E eu estava sendo sincero. A verdade é que fazemos tudo o que podemos, mas por mais que nos esforcemos para controlar o mundo, sempre fracassaremos. Como sou apenas uma entre as mais de seis bilhões de pessoas no planeta, não posso sequer sonhar que eu esteja no comando de tudo. Portanto, recorro à fé o tempo todo. Tenho fé de que a gravidade vai me levar de volta ao chão sempre que eu der um salto. Fé de que o piloto do avião em que estou voando não vai dormir na cabine enquanto eu cochilo na minha poltrona. Fé de que a pessoa que programou os semáforos determinou que a luz do outro
lado do cruzamento fique vermelha quando a minha ficar verde. Fé de que meus filhos voltarão para casa em segurança quando a aula terminar. Também usamos a fé o tempo todo no futebol americano. Nossa estratégia de defesa depende de funções pré-determinadas, por isso os jogadores precisam confiar uns nos outros e ter fé de que a jogada funcione. Não é permitido que façam lances livres ou que simplesmente corram com a bola. Eles precisam acreditar que todos os outros jogadores cumprirão seu papel para que a tática defensiva seja eficiente. Nosso instinto nos manda correr imediatamente em direção à bola - é o mecanismo de controle que temos dentro de nós. Queremos controlar tudo, exercer todas as funções e estar em todos os lugares do campo. Em geral, a maioria dos jogadores precisa ser orientada para fazer o seu papel e permanecer em sua posição, não importa para onde a bola esteja indo. Mas alguns fazem isso naturalmente. É desses que precisamos. Aqueles que não aceitam seguir a estratégia não servem para nós. A estratégia de ataque também envolve fé. O quarterback lança a maioria dos passes para um determinado ponto enquanto o recebedor ainda está correndo. Ele precisa acreditar que o recebedor correrá pelo caminho certo e chegará ao ponto correto quando a bola estiver lá. Já o recebedor precisa crer que, se correr na velocidade adequada até o local previamente combinado, a bola chegará lá de forma que ele possa pegá-la. A vida funciona do mesmo modo. Podemos agir como se estivéssemos no controle ou como se soubéssemos tudo, porque Jesus foi claro ao dizer que o amanhã não é garantido. Apenas Deus sabe como tudo acontecerá. Nossas vidas serão melhores se vivermos de acordo com o plano Dele e não tentarmos realizar as coisas de acordo com a nossa vontade. Em sua epístola aos Romanos, Paulo escreveu que "Deus age em todas as coisas para o bem daqueles que o amam" (Romanos 8:28). Isso não quer dizer que tudo sairá como esperamos, e sim que Deus está vendo tudo e que Ele fará com que as coisas aconteçam pelo Seu propósito. A Seu tempo. Nossos problemas, preocupações, pecados e sofrimentos serão resolvidos quando Deus quiser e com o propósito que Ele definir.
E é nesse ponto que entra a fé. Algumas coisas estão além da nossa compreensão. Há dias - ou anos - em que parece que nada dá certo e que estamos numa maré de azar. Nossos filhos adolescentes não nos ouvem e se comportam de forma preocupante. Nosso casamento passa por uma crise e nada sai como planejamos. Nossos treinadores, professores, pais ou chefes estão agindo de maneira insana e nos tratando com injustiça. Mesmo nessas circunstâncias, Deus está ao seu lado. Ele está com você em cada passo da sua jornada e sabe aonde tudo isso vai levá-lo. Quanto a mim, sei que não posso viver confiando apenas na minha inteligência e perseverança. A vida é dura demais e acontecem muitas coisas sobre as quais não tenho controle. Algumas pessoas tentam se iludir pensando que é possível ser auto-suficiente, mas é uma estupidez pensar que não precisamos ter fé em ninguém ou em nada. E é uma maneira solitária de encarar a vida. E ignora a perspectiva da vida eterna.
CAPÍTULO30 PROPÓSITO What kind of world do you want? Think anything Let's start at the start Build a masterpiece History starts now Be careful what you wish for Start now.I Five For Fighting, "World" POR QUE VOCÊ ESTÁ AQUI? Por que você está lendo estas palavras agora? Acredito que Deus sabia que você estaria aqui e agora, com suas paixões e seus talentos exclusivos. Acredito que o legado que você deixará neste mundo não Que tipo de mundo você quer?/ Imagine o que quiser/ Vamos começar do princípio/ Crie uma obra-prima/ A História começa agora/ Tenha cuidado com o que deseja/ Comece agora. I
será obra do acaso. Sua vida foi projetada intencionalmente por Deus para que tivesse uma importância única e um impacto eterno no mundo ao seu redor. Pense melhor sobre isso. Sua vida foi planejada por Deus para causar impacto sobre todas as pessoas que você conhece e sobre aquelas que jamais conhecerá. Se aceitássemos essa idéia como verdadeira, como seria nossa vida a partir de então? Que coisas tentaríamos realizar? Que diferenças começaríamos a fazer na vida das pessoas à nossa volta? Como seria nossa comunidade? Como seriam nossas escolas? Nosso país? Quantas das nossas crianças e jovens sem esperança começariam a enxergar as possibilidades de suas vidas? Que problemas do mundo que hoje parecem complexos demais para serem resolvidos começariam a ser solucionados? Penso que fui intimado a perguntar: "Que tipo de mundo eu quero?" Qualquer pessoa pode reclamar, mas eu preciso estar preparado para oferecer idéias de como posso melhorar - a mim mesmo, minha casa, minha cidade, meu país e o mundo. Há pouco tempo, fiquei sabendo que os meninos das escolas públicas de Indianápolis tinham o pior índice de aprovação dos Estados Unidos, 19%. Meu objetivo, então, não deveria ser encontrar um culpado para essa situação, mas descobrir o que posso fazer para interferir nessa estatística, nem que seja ajudando "apenas" um garoto. Um garoto, ou um grupo pequeno - e depois outro, e outro. E, quem sabe? À medida que a notícia da minha cruzada solitária se espalhar, talvez alguém mais se junte aos meus esforços. Dessa forma, quantas crianças poderemos ajudar? Existem pessoas em situação pior do que a nossa, que não têm nenhuma esperança de mudar sem algum tipo de intervenção externa. Há gente morrendo de fome e doenças em países subdesenvolvidos pela falta de comida, remédios e de outras coisas que consideramos triviais. Podemos não ter a solução ou os recursos financeiros para solucionar tais problemas sozinhos - mas temos nossas paixões e talentos e podemos começar a fazer a diferença hoje mesmo. Acredito que meu propósito seja este: servir ao Senhor e usar tudo o que Ele me deu para ajudar os outros. Quando permaneço concentrado neste objetivo, ele me
permite descobrir a alegria e a vida abundante que Cristo prometeu, mesmo que eu não ganhe o Super Bowl ou que não alcance todas as minhas metas. Nem sempre vamos conseguir o que realmente desejamos; na verdade, o fracasso pode ocorrer até com mais freqüência do que o sucesso. Mas podemos encontrar a paz e a felicidade sabendo que estamos nos esforçando em nosso verdadeiro propósito de honrar a Deus. Se nos empenhamos apenas por nós mesmos, ficaremos sempre ansiosos e insatisfeitos.
CAPÍTULO31 SIGNIFICADO O sucesso deve ser medido não tanto pela posição que alguém alcançou na vida, mas pelos obstáculos que teve de superar. BOOKER T. WASHINGTON CONCORDO COM A MANEIRA de pensar de Chuck Noll: nosso sucesso nos jogos nem sempre pode ser medido pelo placar. Às vezes, jogamos bem mas somos derrotados no final da partida. Para o mundo, somos perdedores. Outras vezes, jogamos mal mas acabamos ganhando o jogo. Para o mundo, somos vencedores. Chuck preferia jogar bem e perder a jogar mal e ganhar. É fácil cair na armadilha de analisar erradamente o placar. Concluímos que técnicos, CEOs, celebridades ou bilionários são pessoas importantes. Não penso assim. Essas pessoas podem até ter importância, mas não simplesmente porque ocupam determinada posição ou porque têm dinheiro. Importância é mais do que isso. Você já descobriu os motivos pelos quais você está aqui? Está usando os seus talentos da melhor forma possível? Aí é que reside a resposta para o que é importante. É libertador ter essas respostas. Eu tive sorte de levar um time a vencer o Super Bowl e de alcançar o ponto mais alto da minha profissão. Mas esse nunca foi meu maior objetivo. Em determinado momento, percebi que, embora ganhar o campeonato fosse um objetivo pelo qual eu me empenhasse, não era algo que
tornaria a minha vida completa - e também não a arruinaria caso eu não ganhasse. Por isso, tentei me ater às minhas prioridades. Eu já havia decidido o que era importante para mim: ser um bom técnico, aprender o suficiente para me tornar ainda melhor e passar meu tempo livre com minha família e no exercício da minha fé. É claro que eu queria vencer. Ainda quero. Deus me criou para ser competitivo e provavelmente também fez você assim. Deus não o colocou na Terra para que sua existência fosse uma série de casualidades e coincidências. Antes que você nascesse, Ele já sabia que sua vida o levaria aonde está hoje. Ele já sabia quais pessoas você influenciaria e quais ainda irá influenciar. Por tudo isso, o seu legado - a marca que sua vida deixa neste planeta - é que vai dizer se sua vida valeu a pena. Nathan Whitaker sempre sonhou em escrever livros. Durante uma palestra, ele estava contando ao público as dificuldades pelas quais passou para atingir seu objetivo. Ele quase desistiu, até que lhe disseram que, enquanto Deus não fechasse todas as portas, ele deveria perseverar. Foi o que ele fez. Então, depois de três anos de muita insistência, acabei concordando em escrever Quiet Strenght junto com ele. Nathan finalizou a palestra mostrando o surpreendente desempenho do livro no mercado: mais de um milhão de exemplares comercializados e 26 semanas na lista dos 10 mais vendidos. Depois, citou a Bíblia: "Consagre ao Senhor tudo o que você faz, e os seus planos serão bem-sucedidos" (Provérbios 16:3). Nathan explicou que o versículo não diz exatamente onde podemos obter o sucesso, mas mostra que o sucesso virá no tempo que Deus determinar. Ele também provou que os planos de Deus são sempre maiores do que os nossos: três anos antes, sua meta era apenas escrever o livro, sem se importar com quantos exemplares venderia. Quando a palestra terminou, um amigo chamou Nathan e disse que sua conclusão estava completamente equivocada: - Você está usando medidas mundanas de sucesso, como números de vendas e listas de mais vendidos, para definir se o livro foi ou não bem-sucedido. Eu vi
você bater com a cabeça na parede durante três anos. Para mim, isso é sucesso, independentemente de o livro ter sido publicado ou ter vendido algum exemplar. Meu "placar" desse jogo é ligeiramente diferente. Assim que eu topei escrever Quiet Strenght com Nathan, soube que o livro venderia bastante - só não imaginava quanto. Mas Deus quer que eu me lembre de que, aos Seus olhos, o sucesso é medido pelas vidas tocadas e não pela quantidade de exemplares vendidos. Deus nos chamou para que fôssemos fiéis, e não bem-sucedidos. Ele quer que realizemos nossos sonhos e que os busquemos com todas as forças. Talvez esses sonhos se tornem um sucesso do ponto de vista mundano, talvez sejam vistos como mera futilidade. Talvez eles possam transformar vidas, ou quem sabe a única vida transformada seja a nossa própria. O placar de Deus é diferente do nosso. Ele quer nos abençoar, mas Seu método de avaliação não inclui dinheiro, bens materiais, fama ou prestígio. Ele nos julga pelo que trazemos no coração e pelo nosso desejo de servi-Lo. "O Senhor, contudo, disse a Samuel:'Não considere sua aparência nem sua altura, pois eu o rejeitei. O Senhor não vê como o homem: o homem vê a aparência, mas o Senhor vê o coração."' 1 Samuel 16:7 Jamais se subestime. Há muita coisa a ser feita e muita coisa que você é capaz de fazer. Que tipo de mundo você quer? Imagine o que quiser. Mas tenha cuidado com o que deseja. Comece agora a ser uma pessoa fora do comum. SEGREDOSPARAVIVERASUAFÉ 1. Lembre-se
de que você foi criado por Deus à Sua imagem, especial e única. Não há outra pessoa igual a você. Aceite Jesus como seu Salvador. 2. Cuide do seu coração. O rei Davi foi descrito como "um homem segundo o coração do próprio Deus" (veja 1 Samuel 13:14 e Atos 13:22). Davi estava concentrado em realizar o que acreditava que Deus queria que ele fizesse.
3. Reconheça
que você não pode cuidar do seu coração sozinho. Leia a Bíblia e
ore. 4. Saiba que você fracassará. Você cometerá erros, mas pode se recuperar e persistir. 5. Não se esqueça de que a fé é saber que Deus fará todas as coisas para o bem daqueles que O amam, mesmo que não sejamos capazes de ver. 6. Continue em busca do propósito que Deus tem para sua vida. O que quer que ele tenha colocado em seu coração é maior do que você. 7. O objetivo de Deus é que sejamos fiéis, e não bem-sucedidos. Se você se lembrar disso, acabará sendo as duas coisas - aos olhos Dele.
EPÍLOGO Todo mundo pode ser bom... porque todo mundo pode ajudar. Você não precisa de um diploma universitário para ajudar. Você não precisa saber concordância verbal para ajudar. Você precisa apenas de um coração cheio de graça, uma alma gerada no amor. MARTIN LUTHER KING ACREDITO QUE A VIDA seja uma jornada. Prestamos tanta atenção ao ponto de chegada ou às coisas que temos de realizar que às vezes nos esquecemos de apreciar o lugar onde estamos e a maneira como chegamos aqui. Enquanto eu escrevia este livro, Brandon Robinson estava no décimo ano de sua sentença de 28 anos de prisão. Ele conseguiu um diploma da escola secundária, um diploma universitário e até um MBA enquanto estava preso. Como parte da pena, ele deveria prestar serviços à comunidade, então permitiam que ele saísse da penitenciária para ministrar palestras a jovens sobre os erros que cometera. Pedi a ele que viesse conversar com meus atletas não apenas sobre os perigos de misturar álcool e direção, mas também sobre os riscos desse estilo de vida. A palestra causou nos jogadores um impacto maior do que qualquer coisa que eu pudesse dizer. Brandon entrou em contato com as famílias das cinco vítimas do acidente e foi perdoado por algumas delas.
Porém, por mais que tente, ele nunca poderá esquecer as más escolhas que o levaram àquela terrível noite e jamais será capaz de apagar as conseqüências que elas causaram. Dallas Clifton está no segundo ano de prisão. Ele espera poder voltar à escola quando for solto. É muito difícil para ele pensar em quanto sofrimento causou para sua mãe e suas irmãs. A vida na cadeia não é nada fácil, mas lhe deu tempo suficiente para refletir sobre muitas coisas, principalmente sobre as escolhas que fez no passado e as que fará no futuro. Ele olha para as péssimas decisões que tomou e deseja que tudo tivesse sido diferente. Mas a vida é como o futebol americano: depois que a jogada começa, você não pode mais voltar atrás. É preciso aceitar os resultados daquele lance. A única coisa que você pode fazer é seguir em frente e tentar melhorar a situação. Eu realmente acredito que tanto Dallas quanto Brandon farão isso. Assim como eles, muitas vezes optamos por seguir a multidão, mas as conseqüências dessa escolha nos fazem sentir num beco sem saída. Lembre-se: Você tem dons e habilidades que eu não tenho, e eu provavelmente tenho alguns que lhe faltam. Mas nós dois somos infinitamente valiosos aos olhos de Deus e capazes de realizar muito mais do que nos dizem que podemos. Não deveríamos jogar de acordo com as regras que o mundo prega. A sociedade alterou o valor das coisas significativas da vida, substituindo-as por outras sem importância alguma. A maioria de nós, no entanto, acaba seguindo o fluxo e se deixando levar por essa análise equivocada do que realmente tem sentido em nossa vida. Não faça isso. Tenha coragem de agir diferente. Não há nada de errado em ficar sozinho: "Não se amoldem ao padrão deste mundo, mas transformem-se pela renovação da sua mente, para que sejam capazes de experimentar e comprovar a boa, agradável e perfeita vontade de Deus." Romanos 12:2
Seja diferente. Enquanto todo mundo está correndo de um lado para outro tentando descobrir como obter prestígio e sucesso, continue jogando seu próprio jogo. Comece agora. Seja fora do comum.
Agradecimentos SOMOS EXTREMAMENTE gratos pela contribuição de muitos que já se foram, aqueles que influenciaram nossas vidas e tornaram este livro e seu conteúdo possíveis. Em especial, gostaríamos de agradecer os conselhos de Jim Caldwell, Mark Merrill, John Ondrasik, Ken Whitten e Alan Williams. Muito obrigado às ótimas pessoas da Tyndale House Publishers, entre elas Lisa Jackson, Jan Long Harris e Doug Knox, que foram de grande ajuda neste projeto, assim como nosso agente literário, D. J. Snell. Agradecemos especialmente a Lauren, Amy e nossos familiares, que nos permitiram ter tempo de escrever este livro em meio a uma agenda já apertada. Por fim, somos gratos aos nossos pais: a Scott Whitaker, por forjar características especiais em Nathan e ajudá-lo em sua parte do manuscrito; e a Wilbur Dungy, cuja vida fora do comum serviu de motivação para este projeto e cujo espírito o guiou até o fim.
Sobreosautores TONY DUNGY é o primeiro técnico negro de futebol americano a conquistar o Super Bowl. Antes de vencer este campeonato com o Indianápolis Colts, em 2007, ele já havia levado oito de seus dez times anteriores à fase final. Dungy foi contratado pelos Colts em 2002, depois de ser considerado o mais bem-sucedido técnico na história do Tampa Bay Buccaneers, time no qual trabalhou de 1996 a 2001. Ele também exerceu funções de técnico assistente na Universidade de Minnesota, Pittsburgh Steelers, Kansas City Chiefs e Minnesota Vikings. Antes de se tornar técnico, Dungy atuou como jogador durante três
temporadas da NFL, tornando-se uma das três pessoas a conquistar o Super Bowl nas duas categorias. Ele está envolvido em várias organizações filantrópicas e é co-autor de Quiet Strenght, livro que já figurou em primeiro lugar na lista de mais vendidos do The New York Times. Dungy e sua esposa, Lauren, têm seis filhos: Tiara, Jade, Eric, Jordan, Justin e James. Eles dividem a vida entre Indianápolis, no estado de Indiana, e Tampa, na Flórida. NATHAN WHITAKER é o co-autor de Quiet Strenght e diplomado pela Faculdade de Direito de Harvard. Atualmente, seu escritório de advocacia representa a NFL e treinadores e administradores de times universitários. Nathan também atua na área do sacerdócio e mora na Flórida com sua esposa, Amy, e suas duas filhas, Hannah e Ellie Kate.