Redator: Thiago Jesus Diagramador: Leandro Apolinario Audiovisual: Ivy Sumini Designer: Leandro Apolinario Produtor: Thiago Jesus Diretora de Fotografia: Ivy Sumini Colaboraram nesta Edição: Débora Camilo, Eduardo Machado, Herminia Caroline Mota, Isabella Cristina Pereti e Pablo Brenneasen, Verônica Collares
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Nesta primeira edição da Revista Wave, uma revista do grupo Uni fm, trazemos para você um pouco do mundo upcycling e como é o processo de ressignificar o vestir. Discutimos sobre empreendedorismo feminino e apresentamos uma matéria exclusiva com Neco, professor de capoeira que através do esporte educa e alegra os dias de muitas crianças.
nesta edição
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moda
upcycling: resignificando com originalidade e contexto
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gastronomia
empreendedorismo feminino e uma receita super prática com a Fabi do ‘Boa Baroa’
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versos
Pablo Brenneasen solta o verbo, ou melhor, solta o verso sobre a causa negra
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entrevista
professor Neco fala sobre resistência, ritmo, identidade e inclusão social na capoeira 5
moda
on the streets Upcycling: ressignificando com originalidade e contexto
A indústria da moda, grande causadora de diversos danos ao meio ambiente e de exploração de mão de obra, vem buscando novas formas de produção para amenizar estas questões. 70% de toda fibra fabricada no mundo é sintética, do processo inicial da produção de cada peça de roupa 30% é descartado antes mesmo de chegar ao consumidor. Buscando formas de amenizar os danos causados ao meio ambiente, a indústria da moda se reinventa apostando na ressignificação do que seria descartado, agregando valor e transformando a maneira de ser e vestir. FOTOGRAFIA IVY SUMINI e LEANDRO APOLINARIO MODELOS DÉBORA CAMILO, ISABELLA CRISTINA PERETI e PABLO BRENNEASEN FIGURINO ROUPAS DE BRECHÓ COM UPCYCLING PRODUÇÃO THIAGO JESUS
O conceito não está somente na reutilização criativa e sustentável, também se vê pelo contexto social de quem o faz.
Em cada detalhe das customizações podemos ver a ressignificação da moda.
versos
na pele Um preto de pele clara Sabe o que é clara e salgada? Lágrimas mas nem quero falar sobre armas nem fardas nem fardos nem em fotos capturam o que é Quebrada Detesto Falta de acesso pros meus, isso confesso Em meus versos modelo inverso por isso atenção eu peço reflexo um pouco complexo me refiro a privilégio Nunca ao certo a temática pra preencher corações ou páginas mas minha minha caneta não é apática É parte que alguns percebem palavras soam antipáticas Pra quem nunca padece Sou a lírica didática
Pablo Brenneasen
Estudante; músico; escritor; modelo; ativista das causas negras e LGBT
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entrevista
capoeira
Professor Neco fala sobre resistência, ritmo, identidade e inclusão social FOTOGRAFIA IVY SUMINI e LEANDRO APOLINARIO TEXTO THIAGO JESUS
entrevista Como a capoeira entrou na sua vida?
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Essa ´´consciência negra´´ que confunde muita gente, vai pensando que um dia deixa tudo diferente Letra e música do professor Neco
A
capoeira é uma manifestação cultural que mescla luta, dança e jogo. Faz parte da cultura popular e se configura como filosofia de vida. Já foi proibida, marginalizada e hoje é um símbolo nacional respeitado pelo mundo, embora ainda seja desvalorizada por muitos brasileiros. Entre seus elementos principais está a música, que dá o embalo para o capoeirista ao ritmo dos berimbaus e pandeiros. Através das letras e melodias, problemas sociais são narrados, dando voz à luta trazendo conteúdo sobre a realidade afro, sua cultura e sua luta. Entre as personalidades conheci-
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das em Curitiba e região pela prática da capoeira, o professor Agnaldo, mais conhecido como Neco, difunde a luta e mantém um trabalho social destinado às crianças carentes do município de Pinhais, na região metropolitana. Ele mostra que a capoeira ainda é um símbolo de luta pela liberdade e busca de oportunidades, trabalhando com crianças, muitas vezes, esquecidas pela sociedade. Oferece a elas oportunidade de encontro e acolhimento nas rodas de capoeiras, realizadas no terreno de sua casa. Na entrevista a seguir você conhecerá um pouco mais sobre a sua trajetória, bem como suas realizações.
Pratico capoeira desde 1999. Comecei em São Paulo, conheci a luta através de um acidente que tive com 10 anos de idade que me deixou monocular. Entrei em depressão à época e hoje digo “ a capoeira me tirou da depressão”. Sempre tive vontade de dar aula em projeto social, em São Paulo dei aula em academias, mas, quando vim para Pinhais e vi a realidade das crianças aqui, isso fortaleceu mais ainda essa vontade. Hoje tenho meu projeto ‘O sonho de menino’, que tem por objetivo tirar as crianças das ruas e trazer para o esporte.
Como se iniciou, como funciona e como é mantido o projeto? Começou da necessidade de tirar as crianças da rua, mostrando o caminho do esporte, cultura, educação. Há mais ou menos 14 anos, comecei a dar aula em escolas e projetos sociais. A capoeira ajuda a formar cidadãos e a ideia do projeto não é só treinar capoeiristas, mas preparar nossos alunos para o mundo.
Qual a importância da capoeira para a vida dessas crianças ?
“
Aqui com meus alunos, o que cobro é que sejam 10 na capoeira e 1000 na vida
Quando criança eu era muito bagunceiro, muito ativo, brigava muito. A capoeira chegou à minha vida fazendo uma grande transformação, eu treinava e tirava toda aquela energia, fui me tornando uma criança mais tranquila e mais educada através da capoeira, pois o esporte educa. Aqui com meus alunos, o que cobro é que sejam 10 na capoeira e 1000 na vida: pra treinarem, devem trazer os boletins e serem disciplinados na escola no dia-a-dia. Uma professora relatou que um de nossos alunos antes da capoeira era uma pessoa, e hoje em dia ele melhorou muito o comportamento e nas notas. A capoeira agrega muito na vida dos alunos.
Como seria a capoeira sem a música ? A musicalidade é muito importante dentro da capoeira, se colocar um capoeirista pra jogar dentro de uma roda sem música não vai fluir. A música traz aquela harmonia, conta a história de nosso povo e isso nos dá energia para a roda.
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Você sente que o brasileiro não dá valor à capoeira? Lá fora a capoeira é muito mais valorizada que aqui dentro do Brasil. Quem faz projeto social, sabe o quanto e difícil ter gente que acredite na capoeira. Tenho vários amigos que saíram do Brasil por causa disso. Muitos governantes e pessoas têm uma visão errada do esporte por não conhecer e não se aprofundar na história da capoeira, que é muito rica. Quando a gente se aprofunda na capoeira vê o que ela é de verdade, de onde surgiu, o que faz, a história de mestres que lutaram e deram sua própria vida lá atrás.
O que a capoeira te ensinou sobre as questões sociais e culturais? A capoeira sempre trouxe um significado de luta dos escravos, eu sempre falo para meus alunos que estamos aqui com o mesmo objetivo: lutar. Seja por nossos direitos, pelas coisas da vida ou pela educação. A capoeira sempre sofreu preconceito, e isso acontece até hoje. Muitas crianças não vêm para a capoeira por causa do preconceito pelas religiões afro.
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Qual o recado que você deixaria para quem tem vontade e curiosidade sobre a capoeira? Digo que venham conhecer a capoeira. Não é só uma luta ou dança, é uma forma de expressão. Hoje sou grato por ter conhecido a modalidade, não sei viver sem ela. E quem quiser conhecer nosso projeto estaremos sempre de portas abertas.
Utilize o código QR abaixo para acessar o vídeo exclusivo com com o Professor Neco. Nele você ficará sabendo mais sobre o projeto “Sonho de Menino”:
youtu.be/rs55mDDi_DE
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gastronomia
empreendedorismo feminino Batemos um papo com a Fabi, proprietária da ‘Boa Baroa’, para saber como tem sido essa empreitada para ela E ainda tem uma receita super prática: Calabresa acebolada com molho de alho e iogurte
FOTOGRAFIA IVY SUMINI e LEANDRO APOLINARIO TEXTO IVY SUMINI
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os últimos 15 anos a porcentagem de mulheres empreendedoras no Brasil deu um importante salto: de 29% em 2003 o índice subiu para 65% em 2018. Do total de empreendedores no país, 52,2% são mulheres, encabeçando seus negócios por escolha própria e não ‘apenas’ por necessidade. A autoconfiança feminina se faz cada vez mais presente e, dentre os principais motivos para esse aumento, estão a busca por independência financeira, realização profissional e a necessidade de gerir seu próprio negócio, conforme aponta a pesquisa realizada pelo GEM (Monitoramento de Empreendedorismo Global) em 2018. Um exemplo desse crescimento é a chef de cozinha e empreendedora Fabi Ferreira que, contrariando vários paradigmas e estereótipos, trocou a estabilidade que tinha trabalhando em uma grande empresa para investir em seu próprio negócio, o espaço Boa Baroa. Confira a nossa entrevista com a Fabi, proprietária do ‘Boa Baroa’.
Fabi, como você sente a presença feminina hoje no meio empreendedor?
mulheres como chefs? Comente um pouco sobre o meio em que você atua.
Sinto que o crescimento da presença feminina no meio empreendedor melhorou muito, mas ainda temos um grande caminho a percorrer. Eu vejo grandes empresas que possuem comitês onde colocam mulheres em cargos de liderança e isso é sensacional pois de certa forma também serve de referência para que outras abram seus negócios.
Como em outros segmentos nos deparamos diariamente com situações de assédio, piadinhas, etc. Eu já presenciei uma Chef (minha professora) tendo que responder comentarios bestas em uma aula de churrasco, dando explicações sobre um churrasco ter relação com técnica e não com gênero. Já estive em situações em que meus irmãos mais velhos estavam trabalhando para mim, mas os clientes se referiam a eles como os donos
Se dizem que ‘lugar de mulher é na cozinha’, por que ainda vemos poucas
simplesmente por serem homens mais velhos próximos de uma mulher de avental Como se sente sobre seu nicho de mercado e a presença de mulheres nesse meio? Percebo que o nicho da gastronomia está em ascensão, todos os dias novos lugares abrem por aí. Acredito que programas de culinária e a `gourmetização` desenfreada colaboraram para esse crescimento. Na cozinha vivemos esse histórico onde homens são predominante-
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mente os líderes, a própria frase `lugar de mulher e na cozinha` é extremamente machista, sabemos disso. Mas hoje, em cursos de gastronomia já vemos um público mais misto, a cada dia provamos que nosso lugar é onde quisermos. Estamos cada vez mais tomando conta dos espaços e a quantidade de chefs mulheres vem aumentando aos poucos. Como foi apostar no seu próprio negócio? Teve apoio para seguir esse novo caminho? Não foi nada fácil trocar minha estabilidade financeira por uma mudança radical dessas. Troquei o salto pelo avental, eu tinha paixão de sobra e pouca técnica, além dos obstáculos de se tornar ‘dona’. Se ilude quem acha que ter seu próprio negócio é fácil (principalmente para
nós mulheres), isso envolve muito esforço, muita coragem. Fabi, o que tem a dizer para mulheres que almejam se tornar empreendedoras, seja no segmento gastronômico ou em outras áreas? Estudem muito a área em que pretendem atuar, encontrem aquelas que lhe representam. Eu, por exemplo tenho como inspiração a Paola Carosella, ela me inspira por sua história apaixonante, com seu amor e respeito pela cozinha. Se vejam em outras mulheres e se ajudem, sejamos referência uma para outra. Não será fácil e possivelmente em alguns dias vão querer desistir, mas é muito gratificante ter seu próprio negócio.
Fabi Ferreira, que aposta em receitas simples e descomplicadas, aproveitou o tempo em que passamos conversando para nos mostrar uma receita rápida e prática de se fazer com o que tinha na geladeira.
Veja ela em ação no vídeo exclusivo pelo código QR.
Receita 1 calabresa fatiada finamente em rodelas 1 cebola média cortada ao meio e depois em fatias finas Na frigideira pré aquecida colocar um fio de azeite de oliva, colocar as calabresas e dourar por uns 3 min, adicionar a cebola e fritar junto até a calabresa e cebola estarem bem douradinhas Creme de alho 2 colheres de sopa de iogurte natural 1 colher de sopa de requeijão 1 colher de café de alho moído Sal e pimenta do reino branca a gosto Misturar todos os ingredientes e misturar até ter uma mistura homogênea Servir com fatias de pão.
youtu.be/CFhbVs9quPc
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ACESSÓRIOS E PEÇAS COMPLETAS donaannabrecho
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