Revista Sincomércio em Ação | Ed 16 - NOV/DEZ 2025
Não é só uma maquininha de cartão. É contar com uma série de possibilidades para o seu negócio evoluir. Abra sua conta
Presidente: José Maria de Faria
Vice Presidente: Sérgio Esper
Secretário: Leandro Marchetti
Tesoureiro: Oswaldo Seo
Suplente: Nildéia de Fátima A. Gasetta
Conselho Fiscal: Antônia Elismar F. Carvalho, José Carlos Garcia e Audriy Alexandre Ferreira
Suplente: Rosângela Fernandes da Silva
PRESIDENTE DO SINDICATO DO COMÉRCIO VAREJISTA DE SÃO JOSÉ DOS CAMPOS EXPEDIENTE
Delegados Representantes: José Maria de Faria e Sérgio Esper
Suplente: Leandro Marchetti
Jornalista Responsável Glauco Turzi 61768SP
Diagramação e Arte Capa Letícia Ribeiro
Coordenação da Revista
Adriana Alencar
Impressão Tiragem - 3 mil
Vita Gráfica - Av. Eng. Juarez de Siqueira Brito Wanderley, 95 Centro Empresarial Eldorado SJCampos SP - (12) 3966-4001
Edição 16 - Novembro/Dezembro de 2025
Av. Nove de Julho, n°211, Vila Adyana
São José dos Campos - SP - (12) 4009-7100
A REVISTA SINCOMÉRCIO EM AÇÃO
Informações essenciais ao empresariado e prestadores de serviços do comércio joseense, com notícias atuais e importantes, entrevistas, dicas, inaugurações, história e as melhores oportunidades para anunciantes interessados em atender a este significativo segmento.
PALAVRA DO PRESIDENTE
JOSÉ MARIA DE FARIA
Chegamos a mais um final de ano. Esperada época pelo comércio vislumbrando bons resultados de vendas e perspectivas para o novo ano.
Época também, de rever, com seriedade, o ano que passou, analisar resultados e preparar-se para 2026.
Temos pela frente um cenário delicado ao país, eleições, copa do mundo e reforma tributária que começa a se efetivar gerando expectativas e também muitas dúvidas.
Atento a este cenário, o Sincomércio SJC programou para o final de 2025 ação voltada a propiciar aos empresários do comércio oportunidade de participar de fórum de discussão da especialista da FecomercioS, a advogada Dra. Sarina Manata, o consultor de economia do Sincomercio SJC Jaime Vasconcelos e da Presidente da Assecon SJC Sra. Roseli Ronchi sobre Reforma Tributária. Evento com alto índice de participantes que você também confere nesta edição.
Em paralelo, promovemos durante todo o mês de novembro, a campanha “DE VOLTA AO CRÉDITO” possibilitando aos consumidores negociarem suas dívidas e reaver o crédito.
Estar atento as nuances da economia e mercado, atuar de forma pontual e efetiva e apoiar o comércio, é nossa função. Para isso, já planejamos para o próximo ano mais ações dedicadas a proximidade com você empresário do comércio.
Convido a todos a acompanharem nossas mídias sociais e a revista Sincomércio em Ação nas versões impressa e digital, onde os manteremos informados de todas as ações.
Um Natal e novo ano repleto de paz, saúde e prosperidade.
DE CAPA O varejo encerra 2025 com a marca de um ano nitidamente dicotômico.
ACONTECEU NO
Sincomércio
1º SIPAT- Simpósio de Prevenção de Acidentes de Trabalho
O Sincomércio SJC realizou o 1º SIPAT com três dias de atividades, palestras e ações educativas voltadas à saúde e segurança no trabalho. A programação foi conduzida pelo Departamento de Medicina do Trabalho, SincoMed, e trouxe orientações essenciais para prevenção e bem estar no ambiente corporativo.
Aldebaran Contabilidade • Reforma Tributária
O Sincomércio SJC recebeu um evento fechado da Aldebaran Contabilidade com foco na Reforma Tributária. O encontro reuniu empresários e profissionais para discutir as principais mudanças.
Atendimento funcionários Busca Busca
A equipe de Medicina do Trabalho do Sincomércio, SincoMed, realizou mais de duzentos atendimentos clínicos para os colaboradores da nova unidade da Busca Busca em SJCampos. A ação reforçou o compromisso da instituição com cuidado, apoio e acolhimento às empresas.
O IMPACTO DA REFORMA TRIBUTÁRIA 2026
AReforma Tributária é um dos temas mais importantes e sensíveis para o futuro das empresas brasileiras, e por isso o Sincomércio
São José dos Campos promoveu um encontro exclusivo para esclarecer as principais mudanças que começam a valer já em 2026.
O evento reuniu empresários, contadores e profissionais ligados ao setor para discutir os impactos diretos no consumo, na rotina fiscal e no dia a dia das obrigações acessórias.
Com a presença expressiva do público, fIcou evidente o interesse e a necessidade de compreensão aprofundada sobre o novo cenário tributário. O encontro proporcionou uma visão clara do processo de transição, das adaptações que serão exigidas e das oportunidades que surgem com o novo modelo.
Sarina Manata - Advogada da FecomercioSP
“Em 2026, inicia-se o processo de transição da reforma tributária, com pontos importantes, como a obrigatoriedade de emissão da NFS-e com indicação do IBS/CBS, sob pena de rejeição da nota fiscal, e a possibilidade de adesão ao sistema híbrido do Simples Nacional em setembro de 2026. Esses foram alguns dos alertas relevantes apresentados no evento.”
"O evento sobre reforma tributária realizado pelo Sincomércio São José dos Campos foi necessário e imperativo. A partir de 2026 inicia-se uma transformação do regramento tributário incidente sobre o consumo no país, que durará até 2033, impactando diretamente as obrigações de empresários, contadores e consumidores.
A presença de tanta gente na ocasião só demonstra a preocupação de nossos empresários, o que esclarece que o sindicato caminha na mesma direção do interesse de nossa base representada e parceiros. Foi um ótimo encontro para traduzir cenários econômicos e detalhar as mudanças que já em 2026 impactarão a rotina empresarial com a reforma."
Sérgio Ésper - Vice-presidente Sincomércio SJC, Garcia, Oswaldo Seo e Leandro Marchetti - Diretor Sincomércio SJC, Sarina Manata - Advogada da FecomercioSP, Roseli Ronchi Presidente da Assecon SJC e Jaime Vasconcellos - Consultor de Economia Sincomercio SJC.
Jaime Vasconcellos - Consultor de Economia Sincomercio
De Volta
Local
Negocie, quite, recomece.
O Sincomércio estará de portas abertas para receber você no Mutirão De Volta ao Crédito. É a sua oportunidade de negociar suas dívidas com condições especiais e descontos exclusivos.
8h30 às 16h30
Av. Nove de Julho, 211 - Vila
Adyana (em frente a Caixa
Econômica Federal)
mpresas
• Gold Finger
• Polyotica
• Ótica Kavassaki
• Ótica Supreme
• Valuti
Entre outras.
N e g o c i e O n l i n e
Telefone (12) 4009-7157 WhatsApp (12) 99225-5259 cobranca@sindcomercio com br
F I C A A D I C A | S I N C O M É R C I O S J C Você
O
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Criado para incentivar o crescimento das empresas menores (EPP, ME e MEI). Na prática, as empresas que aderem ao REPIS, podem praticar valores de pisos salariais menores. O maior benefício é diminuir o impacto na folha de pagamento, permitindo maior investimento e economia
Medida está prevista na Lei Complementar n° 123/ 2006 e deve constar na Convenção Coletiva de Trabalho firmada entre os Sindicatos patronal e o de trabalhadores.
E É A C O M P A N H E :
Um
balanço
do varejo e o desafiador ano de 2026
Ovarejo encerra 2025 com a marca de um ano nitidamente dicotômico. A primeira metade manteve algum fôlego herdado dos melhores resultados de 2024, quando o maior ritmo de aceleração do mercado de trabalho resiliente e a maior confiança das famílias sustentou o consumo. Esse impulso inicial ainda se fez sentir até meados deste ano, garantindo aos lojistas movimento razoável, especialmente em segmentos de giro rápido e maior essencialidade. Contudo, a partir do terceiro trimestre, o cenário virou. Os impactos dos juros altos na economia real, o encarecimento do crédito, o avanço do endividamento das famílias e uma inadimplência elevada criaram um ambiente mais hostil à expansão das vendas. A pressão de preços, mesmo sem os picos inflacionários do passado recente, seguiu “salgada”, limitando o poder de compra da renda, mesmo ela sendo sustentada pelo emprego aquecido.
Nesse contexto, os setores de bens essenciais mostraram a sua tradicional resiliência. Supermercados e lojas de alimentos mantiveram estabilidade estrutural, sustentados pelo caráter inadiável da demanda, ainda que com consumidores mais seletivos e focados em marcas de melhor custo-benefício. As farmácias também continuaram exibindo desempenho consistente, reforçado pelo envelhecimento populacional e pela ampliação do autocuidado. Em São José dos Campos/SP, por exemplo, do saldo positivo de 714 empregos criados no varejo da cidade até janeiro de 2025, exatos 590 vieram dos ramos supermercadistas e de farmácias.
Já o comércio de vestuário teve um alívio pontual: o inverno mais intenso elevou as vendas de itens de frio, contribuindo para um semestre melhor. Ainda assim, trata-se de um segmento que segue em recuperação póspandemia, enfrentando comprador sensível a preço e forte concorrência digital.
Por outro lado, os setores dependentes de crédito, especialmente o de bens duráveis, como eletrodomésticos, móveis e automóveis, sentiram com mais força o baque dos juros elevados. E isso não é apenas uma realidade regional. O tíquete médio alto, combinado à maior seletividade dos bancos, reduziu a disposição ao parcelamento e retraiu as vendas. A competição acirrada também impactou a margem: grandes players pressionam preços, enquanto pequenos e médios varejistas lutam para manter rentabilidade. Soma-se a isso um problema crescente de gestão interna: dificuldade em contratar mão de obra qualificada e a alta rotatividade, elevando custos de treinamento e prejudicando a experiência do consumidor. Inclusive, cabe-nos constar que no varejo joseense a taxa de rotatividade da mão de obra celetista no período de janeiro a julho de 2025 atingiu os 37,8%, o maior patamar da série histórica.
Com esse pano de fundo, 2026 se aproxima com perspectivas cautelosas. A desaceleração projetada para a economia brasileira tende a se refletir diretamente no varejo, que historicamente sente mais rapidamente os movimentos de renda, emprego e crédito. Para os gestores, o ano exigirá disciplina operacional e rigor na alocação de capital. Evitar estoques excessivos será crucial para preservar caixa, minimizando imobilizações desnecessárias num cenário de demanda moderada. Cuidar da liquidez do estabelecimento, negociando prazos, revisando custos e buscando eficiência logística, fará diferença entre atravessar ou não períodos de menor fluxo e crédito ainda caro.
Outro ponto central será a intensificação do marketing e a preparação estratégica para datas especiais, que ganharão peso ainda maior na composição do faturamento anual. Campanhas segmentadas, presença digital consistente e ofertas mais agressivas poderão ser determinantes para preservar participação em um ambiente competitivo. Em síntese, 2026 não deverá ser um ano de expansão robusta, mas sim de gestão cuidadosa, foco
em eficiência e proximidade com o consumidor. Para quem souber equilibrar prudência financeira e ações comerciais assertivas, será possível enfrentar a travessia sem comprometer a sustentabilidade do próprio negócio.
Convenção Coletiva do Comércio Varejista de São José dos Campos
Nodia 27 de outubro de 2025, a Convenção Coletiva do Sindicato do Comércio Varejista de São José dos Campos, com vigência de 1° de setembro de 2025 a 31 de agosto de 2026, foi oficialmente assinada.
Este documento estabelece um conjunto de regras, direitos e deveres que devem orientar as relações de trabalho durante sua vigência.
A atuação do Sindicato Patronal foi essencial para garantir que as condições pactuadas fossem equilibradas, justas e viáveis para os empregadores, contribuindo para a estabilidade e o desenvolvimento das empresas do Comércio Varejista de São José dos Campos. Diante disso, é fundamental que todas as empresas observem cuidadosamente cada cláusula e assegurem o
cumprimento integral da Convenção, especialmente considerando que, atualmente, o convencionado prevalece sobre o legislado em diversos aspectos das relações trabalhistas. Além disso, o cumprimento das disposições convencionais reduz riscos de passivos trabalhistas, fortalece a segurança jurídica e promove um ambiente de trabalho mais organizado e transparente. Assim, a convenção não apenas cumpre seu papel normativo, mas também se transforma em uma ferramenta estratégica de gestão e proteção empresarial.
Dra. Josy França
Advogada do Sincomércio de São José dos Campos OAB/SP 110.406
Telefone: (12) 4009-7123
Assembléia CCT 2025/2026
Eliamary Pavan - Coordenadora depto. SCPC, Sérgio Ésper - Vice Presidente, Dr. Dilermando Cruz Adv. Sincomércio Mogi das Cruzes, José Maria de Faria - Presidente, Dra Josy - Advogada Trabalhista, Adriana Alencar Gerente Administrativa e Jaime Vasconcellos Consultor de Economia.
Aaprovação pela Câmara dos Deputados do projeto que amplia a isenção do Imposto de Renda trouxe como contrapartida a tributação de dividendos distribuídos acima de R$ 50 mil, com retenção de 10% na fonte.
Embora o governo apresente a medida como instrumento de justiça tributária, é inegável que ela representa mais um obstáculo ao ambiente de negócios brasileiro, afetando diretamente o empresariado que gera empregos, investe e sustenta a economia real do país.
O empresariado brasileiro já convive com um sistema tributário excessivamente oneroso, marcado por complexidade, insegurança jurídica e alta carga sobre a produção.
A nova regra de tributação de dividendos, em vez de fomentar a competitividade, transfere ao setor produtivo o peso de uma renúncia fiscal decorrente da ampliação da faixa de isenção para a base da pirâmide.
Na prática, cria-se um sistema que desestimula a distribuição de resultados, impactando a previsibilidade de fluxo de caixa dos sócios e limitando a atratividade de investimentos no mercado nacional.
O argumento de que apenas uma pequena parcela de contribuintes será afetada não pode obscurecer o fato de que esses contribuintes são justamente empresários, investidores e profissionais que arriscam capital em atividades que sustentam o crescimento econômico.
Tributar dividendos acima de determinado patamar é, em essência, penalizar quem gera riqueza, ignora os riscos do investimento privado e compromete a capacidade de reinvestimento em setores estratégicos.
Essa lógica inibe a expansão de negócios e fragiliza a competitividade do Brasil frente a outros países, muitos dos quais adotam regimes mais equilibrados para dividendos, com alíquotas progressivas, incentivos de reinvestimento e acordos bilaterais que evitam dupla tributação.
Adaptação de forma legal e estratégica
Diante desse novo cenário, é fundamental que os empresários se adaptem de forma legal e estratégica, sempre em conformidade com o texto aprovado.
Algumas alternativas devem ser consideradas com seriedade.
A primeira é a revisão das políticas de dividendos, priorizando o reinvestimento de parte dos lucros no próprio negócio, o que além de reduzir a base tributável fortalece a capacidade de crescimento da empresa.
Outra alternativa é a adoção de uma remuneração mista, combinando pró-labore com dividendos. Essa estratégia, quando bem planejada, pode equilibrar a carga tributária e oferecer maior previsibilidade ao empresário, sem descumprir a legislação.
A estruturação societária também passa a ganhar relevância.
A utilização de holdings familiares ou empresariais, dentro dos limites legais, permite centralizar resultados e administrar a distribuição de dividendos de forma organizada, otimizando a carga fiscal e assegurando maior controle sucessório e patrimonial.
Além disso, empresários podem direcionar parte de seus investimentos para ativos incentivados e isentos, como LCIs, LCAs, CRIs,
CRAs, FIIs e Fiagros, que o próprio texto legal preservou da tributação mínima.
Esses instrumentos podem representar uma alternativa legítima de proteção do capital e de diversificação de portfólio em um cenário de maior carga tributária.
Articulação política para aperfeiçoar projeto
É igualmente relevante que o empresariado brasileiro atue de forma coordenada junto ao Senado e às entidades representativas, buscando aperfeiçoar a redação do projeto, exigir segurança jurídica e pleitear mecanismos de compensação federativa claros.
A articulação política e institucional é uma saída legítima para defender que ajustes sejam feitos, de modo a equilibrar arrecadação e preservar a competitividade nacional.
Não se trata de negar a importância da progressividade tributária ou da necessidade de ampliara justiça fiscal. Trata-se de reconhecer que, sem empresários fortes, não há geração de empregos, inovação ou crescimento sustentável.
A nova tributação de dividendos pode ser absorvida com menos prejuízo se houver planejamento estratégico, reorganização societária e utilização consciente de instrumentos de mercado preservados pelo legislador.
Cabe agora ao empresariado agir de maneira proativa, buscando soluções legais que garantam continuidade, competitividade e segurança frente a mais este desafio.
Em resumo, a mensagem que precisa ser reafirmada é clara: tributar dividendos sem oferecer contrapartidas adequadas é penalizar quem sustenta a economia. O Brasil não pode seguir na contramão de países que incentivam o investimento produtivo. A defesa dos empresários, portanto, é também a defesa do desenvolvimento nacional.
2025 caracterizou-se por intensa movimentação do Sincomércio SJC no sentido de implementar ações que trouxessem mais dinamismo nas relações internas e externas da presença do Sindicato. Para tanto, empreendemos extensa agenda de serviços, eventos, cursos, parcerias e visitas ao longo do ano.
Estarmos cada vez mais envolvidos no cotidiano do comércio, tem hoje inúmeros canais e veículos, procuramos cobrir desde a visita pessoal a um efetivo posicionamento em mídias sociais levando informação e atuando, de forma consistente, no oferecimento de produtos e serviços voltados a capacitação profissional e troca de informação qualificada com parceiros de forte atuação empresarial em nossa cidade.
Para 2026, já estamos finalizando o planejamento que envolverá incremento de eventos informativos e uma presença ainda mais marcante no meio digital.
Nesta edição de fim de ano, trazemos a você uma breve retrospectiva dos aconecimentos de 2025.
Sincomércio em Ação Ed. 13
Sincomércio em Ação Ed. 13
EDUARDO PASTORE, FAZ PALESTRA PARA EMPRESARIOS NO SINCOMÉRCIO SJC SOBRE NR 1
100 DIAS DA ADMINSISTRAÇÃO ANDERSON FARIAS
INAUGURAÇÃO SICREDI SANTANA
Sincomércio em Ação Ed. 15
EVENTO BIOAGE
Sincomércio em Ação Ed. 15
Matéria sobre Economia a TV RECORD
Sincomércio em Ação Ed. 15
VISITA A FECOMERCIOSP Novembro 2025
COOPER 90 ANOS
Sincomércio em Ação Ed. 15
VISITA AO PROCON SJC Novembro 2025
Ação de Divulgação campanha SCPC Blitz Stereo Vale
Reforma tributária: o novo tempo do dinheiro nas empresas
Areforma tributária que entra em vigor gradualmente a partir de 2026 promete simplificar o sistema de tributos sobre o consumo no Brasil. Mas, para além da discussão técnica, há um aspecto que ainda tem sido pouco explorado e que será decisivo para a vida das empresas: o impacto sobre o fluxo de caixa. A mudança na lógica de recolhimento dos impostos (e a introdução de mecanismos como o split payment) redefine o tempo do dinheiro nas organizações e exigirá uma nova cultura de gestão financeira.
O modelo atual, com múltiplos tributos e regras distintas, é confuso, oneroso e repleto de brechas. Com a criação do IVA dual, dividido entre a CBS (federal) e o IBS (estadual e municipal), a promessa é de um sistema mais transparente, neutro e não cumulativo. A grande inovação será o crédito financeiro amplo, que permitirá às empresas descontar todos os impostos pagos nas etapas anteriores da cadeia. Em tese, isso reduz distorções e litígios. Contudo, a novidade traz também um efeito colateral relevante: o crédito só poderá ser apropriado após o efetivo pagamento do tributo pelo fornecedor, o que desloca o momento de recuperação e pode pressionar o capital de giro, especialmente em cadeias longas ou com prazos de pagamento estendidos.
Ainda mais transformador será o split payment, sistema no qual o valor do tributo será automaticamente destacado e direcionado ao fisco no ato do pagamento da nota fiscal.
A empresa compradora pagará ao fornecedor apenas o valor líquido da operação, enquanto o imposto seguirá diretamente para o governo. Na prática, o imposto deixa de “transitar” pelo caixa da empresa, reduzindo riscos de inadimplência tributária e sonegação, mas também eliminando o fôlego financeiro temporário que muitos negócios utilizavam entre o recebimento e o recolhimento. Trata-se de uma verdadeira mudança de paradigma: o dinheiro das vendas deixará de passar integralmente pelo caixa, afetando o
planejamento de tesouraria, o giro de capital e até as estratégias de financiamento de curto prazo.
Essa nova dinâmica exigirá das empresas maior integração entre as áreas contábil, fiscal e financeira. O foco deixará de ser apenas o cálculo correto dos tributos e passará a incluir o controle rigoroso dos fluxos de entrada e saída de caixa, considerando o tempo de crédito, o momento do pagamento e a incidência do split. Haverá também necessidade de ajustes nos sistemas de gestão (ERPs) e maior atenção à conciliação automática de notas fiscais e tributos recolhidos.
Durante o período de transição, entre 2026 e 2033, as empresas enfrentarão ainda o desafio de conviver com dois sistemas em paralelo, o atual e o novo, o que tende a aumentar temporariamente a complexidade operacional e o custo de conformidade. Esse duplo regime, somado à introdução gradual dos mecanismos de crédito e de recolhimento automático, reforça a importância de uma gestão de caixa preventiva e estratégica.
Em um cenário de juros ainda elevados e margens apertadas, qualquer alteração no ciclo financeiro pode ser determinante para a saúde das empresas. O sucesso na adaptação à reforma tributária não estará apenas na compreensão das novas regras, mas na capacidade de antecipar seus efeitos sobre o fluxo de recursos, no gerenciamento do capital de giro e do nível de liquidez do estabelecimento.
Mais do que uma mudança tributária, o país viverá uma mudança de ritmo financeiro. Mesmo que em período de testes em 2026, o dinheiro das empresas passará a circular de forma diferente, e quem entender cedo essa nova lógica terá vantagem competitiva. No fim, a reforma tributária é também uma reforma do tempo: o tempo do crédito, do recolhimento e, sobretudo, o tempo do caixa.