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Revista O Setor Elétrico Ed. 221 (setembro)

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Ano 21 - Edição 221 - Agosto/Setembro de 2026

MÉDIA TENSÃO:

TECNOLOGIAS AVANÇAM PARA REFORÇAR A RESILIÊNCIA DOS CIRCUITOS EM RESPOSTA AOS DESAFIOS IMPOSTOS POR EVENTOS CLIMÁTICOS EXTREMOS, RELIGADORES, CABOS, SENSORES E SISTEMAS DE AUTOMAÇÃO GANHAM NOVAS FUNCIONALIDADES

EVENTOS DO SETOR: RESILIÊNCIA, EFICIÊNCIA ENERGÉTICA E NOVA NR-10 GANHAM DESTAQUE NO CINASE CENTRO-OESTE

ARTIGO TÉCNICO - POR RUI ALTIERI CURTAILMENT E O NÓ DA TRANSIÇÃO ENERGÉTICA BRASILEIRA

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Conhecimento técnico para transformar o setor elétrico

6 Cobertura especial

Diretores Adolfo Vaiser - adolfo@atitudeeditorial.com.br

Resiliência, eficiência energética e nova NR-10 ganham destaque no CINASE Centro-Oeste

Simone Vaiser - simone@atitudeeditorial.com.br Editor-chefe - MTB - 0014038/DF

16 Artigo Técnico

Edmilson Freitas - edmilson@atitudeeditorial.com.br

Curtailment e o nó da transição energética brasileira

Coordenação de conteúdo e pauta

Fascículos

Flávia Lima - flavia@atitudeeditorial.com.br Repórter Fernanda Pacheco - fernanda@atitudeeditorial.com.br Marketing e mídias digitais Henrique Vaiser - henrique@atitudeeditorial.com.br Letícia Benício - leticia@atitudeeditorial.com.br Pesquisa e circulação Maria Elisa Vaiser - mariaelisa@atitudeeditorial.com.br

20 Armazenamento de energia o futuro do setor elétrico - Miriam Penna Diniz e Michele dos Reis 28 Instalações elétricas - média e baixa tensão - Luiz Carlos Catelani 32 Data centers: a fronteira do setor elétrico - Alexandre Kontoyanis 40 O setor elétrico na era da IA: eficiência, segurança e novos paradigmas - Leo Almeida 44 Por dentro das normas Paulo Barreto - NBR 13570 / Marcos Rogério - NBR 17193 / Aguinaldo Bizzo – NR 10

Administração Paulo Martins - paulo@atitudeeditorial.com.br Cristina Sato - administrativo@atitudeeditorial.com.br

48 Espaço Aterramento

Comercial

Descargas atmosféricas

Adolfo Vaiser - adolfo@atitudeeditorial.com.br (11) 98188 – 7301 Willyan Santiago - willyan@atitudeeditorial.com.br (11) 98490 – 3718 Oswaldo Christo - oswaldo@atitudeeditorial.com.br (31) 9 9975-7031 / (31) 3412-7031 Diagramação Leonardo Piva - leopiva@gmail.com Colaboradores da publicação: Aline Cristiane Pan, Aguinaldo Bizzo, Alberto Arkader Kopiler, Alexandre Kontoyanis, Caio Huais, Cláudio Mardegan, Daniel Bento, Danilo de Souza, Frederico Boschin, Gabriela Heck, Henrique Parreiras Couto, José Barbosa, José Starosta e Tenorio Barreto, Leo Almeida, Liége Flores, Luiz Carlos Catelani, Luciano Haas Rosito, Marcos Rogério, Michele dos Reis Pereira, Miriam Penna Diniz, Nunziante Graziano, Paulo Barreto, Paulo Edmundo da Fonseca Freire, Roberval Bulgarelli, Rui Altieri e Silvia Maria Carneiro.

50 Espaço Cigre-Brasil Inteligência Artificial Generativa: impactos e desafios para a operação dos sistemas elétricos

51 Espaço Abradee Distribuidoras reforçam tecnologia e planejamento para enfrentar os desafios do El Niño

52 Reportagem Média tensão: tecnologias avançam para reforçar a resiliência dos circuitos

56 Guia setorial Engenharias, consultorias, projetos e instalações

Fale conosco contato@atitudeeditorial.com.br Tel.: (11) 98433-2788 A Revista O Setor Elétrico é uma publicação mensal da Atitude Editorial Ltda., voltada aos mercados de Instalações Elétricas, Energia e Iluminação, com tiragem de 13.000 exemplares. Distribuída entre as empresas de engenharia, projetos e instalação, manutenção, indústrias de diversos segmentos, concessionárias, prefeituras e revendas de material elétrico, é enviada aos executivos e especificadores destes segmentos. Os artigos assinados são de responsabilidade de seus autores e não necessariamente refletem as opiniões da revista. Não é permitida a reprodução total ou parcial das matérias sem expressa autorização da Editora. Capa: Latóratório de Ensaio do Cepel Impressão - Gráfica Grafilar Distribuição - Correios Atitude Editorial Publicações Técnicas Ltda. www.osetoreletrico.com.br atitude@atitudeeditorial.com.br Filiada à

Colunas 58 Aline Cristiane Pan - Inovação e Equidade no Setor Elétrico 60 Frederico Boschin - Conexão Regulatória 61 José Barbosa – Proteção contra raios 62 Cláudio Mardegan – Análise de sistemas elétricos 64 Daniel Bento – Redes subterrâneas e resiliência 65 Luciano Rosito – Iluminação pública 66 Nunziante Graziano – Quadros e painéis 67 Aguinaldo Bizzo – Segurança do trabalho 68 Danilo de Souza – Energia, Ambiente e Sociedade 70 Roberval Bulgarelli – Instalações Ex 71 Caio Huais – Manutenção estratégica 72 José Starosta – Energia com qualidade 73 Tenorio Barreto – Pesquisa e Desenvolvimento 3

Sumário Edição 221

4 Editorial


Editorial

Conhecimento técnico para transformar o setor elétrico

C

Cumprindo o seu papel de fomentar o desenvolvimento técnico da cadeia industrial do setor elétrico, a edição de agosto/setembro desta publicação está repleta de conteúdos imperdíveis, todos cuidadosamente pensados e elaborados por grandes especialistas, em suas respectivas áreas, fazendo uma abordagem 360 dos grandes temas que desafiam diariamente especialistas, engenheiros,

projetistas, instaladores, fabricantes, concessionárias e profissionais de manutenção. Um dos assuntos pelos quais essa publicação tem se debruçado nos últimos meses, é o tema da atualização da Norma Regulamentadora, NR-10, que estabelece os requisitos e as condições mínimas de prevenção para garantir um ambiente de trabalho seguro em todas as etapas de geração, transmissão, distribuição e consumo de energia elétrica. Uma das importantes mudanças estabelecidas na nova redação da Norma, destacada pelo especialista Aguinaldo Bizzo, é que a partir de junho de 2027, início da vigência da nova NR-10, será obrigatória a previsão de requisitos de segurança para os segmentos atingidos pela norma ainda na concepção das instalações. O projeto, a especificação dos equipamentos, a avaliação dos riscos e as medidas de engenharia passam a assumir papel cada vez mais relevante na prevenção de acidentes. A abordagem do arco elétrico, da proteção contra choques elétricos e da integração entre as normas técnicas mostra que a segurança não pode ser tratada como uma etapa posterior: ela precisa nascer junto com o projeto. Essas e outras mudanças estão destrinchadas por Bizzo, tanto na sua coluna “Segurança do Trabalho”, quanto na editoria por Dentro das Normas, onde o especialista trata do assunto. Além da reportagem, que aborda a evolução dos equipamentos e circuitos de média tensão, frente às mudanças climáticas, um conteúdo de destaque desta edição é o artigo técnico escrito pelo Diretor-Presidente da Associação Brasileira dos Produtores Independentes de Energia Elétrica – APINE, Rui Altieri. Sob o título “Curtailment e o nó da transição energética brasileira”, o texto aborda os desafios impostos ao Sistema Interligado Nacional (SIN), pela rápida expansão das fontes eólica e solar fotovoltaica. “No centro dessa discussão está o aumento do curtailment, que se tornou problema sistêmico. Quando usinas operacionais são impedidas de injetar energia na rede por restrições de transmissão ou excesso de oferta, o prejuízo recai diretamente sobre os geradores. Isso compromete a previsibilidade do fluxo de caixa e a viabilidade financeira de novos projetos. Dados do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) apontam que, de janeiro a julho de 2026, o volume médio de restrição de geração eólica e solar atingiu 3.629 MWmed, ou seja, 19,3% de toda a geração potencial das usinas afetadas, um aumento de 2,5% em relação aos 16,8% (3.068 MW médios) registrados no mesmo período de 2025”, ressalta o artigo. Altieri também aborda de forma detalhada as alternativas e caminhos mais viáveis para a busca de solução para o curtailment. “A questão não é desincentivar a geração própria, mas reconhecer a física do sistema elétrico. A injeção não gerenciada da MMGD reduz a carga líquida atendida pela geração centralizada e contribui para as sobras sistêmicas, que resultam no desligamento de usinas de grande porte. Por isso, a MMGD deve ser formalmente incluída na apuração e na mitigação dos impactos da sobreoferta, em bases proporcionais e isonômicas”, destaca trecho do artigo. O crescimento da economia digital coloca a energia elétrica no centro de uma nova fronteira de infraestrutura, com o aumento da demanda por grandes empreendimentos de data centers. Nesta edição, Alexandre Kontoyanis, responsável pelo fascículo sobre o assunto, trata sobre a “Classificação de Geradores em Data Centers: Análise Técnica da ISO 8528-1:2018 e dos Requisitos de Operação Contínua”. O texto é extremamente didático e completo, não perca. Boa leitura!

Edmilson Freitas edmilson@atitudeeditorial.com.br Acompanhe nossas novidades pelas redes sociais:

@osetoreletrico

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Revista O Setor Elétrico

Revista O Setor Elétrico

Revista O Setor Elétrico


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Cobertura Especial

Resiliência, eficiência energética e nova NR-10 ganham destaque no CINASE Centro-Oeste Realizado em Goiânia, entre os dias 5 e 6 de agosto, evento reuniu mais de 2.300 pessoas, entre especialistas, técnicos, gestores e os grandes players do mercado para discutir o futuro do setor elétrico goiano Por Edmilson Freitas

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A resiliência da rede elétrica de Goiás e eficiência energética na indústria e no agronegócio estiveram no centro dos debates do

manutenções, para preparar a rede para ficar mais resiliente para os períodos de maior impacto climático”, detalha Lener Silva Jayme.

Circuito Nacional do Setor Elétrico – CINASE, edição Centro-Oeste,

Um dos diferenciais do estado, segundo o gestor, é o nível de

realizado entre os dias 5 e 6 de agosto, em Goiânia/GO. O desafio

monitoramento integrado do sistema, que permite uma resposta

de tornar os sistemas de distribuição e transmissão mais robustos,

rápida, com equipes estrategicamente posicionadas para o

preparados para eventos climáticos extremos e capazes de responder

atendimento aos chamados. “Hoje, o estado de Goiás tem um dos

com maior agilidade às novas demandas do sistema elétrico foram

centros de operação integrada mais desenvolvidos do país. Nós

abordados por diferentes ângulos, entre especialistas, técnicos e

temos um nível de automação, que implantamos aqui no Goiás, que

gestores do estado.

é algo que realmente impressiona. Monitoramos a nossa rede 24hs

Os painéis dedicados ao tema da resiliência da rede elétrica

por dia, permitindo o acompanhamento de falhas e ocorrências, em

frente os eventos climáticos, que mobilizaram, inclusive, o Diretor-

tempo real, possibilitando, inclusive, que atuemos para evitar falhas

Presidente da Equatorial Goiás, Lener Silva Jayme, e o Diretor da EDP

no sistema. Temos uma comunicação em tempo real com todos os

Transmissão do estado, Rafael Holanda, colocaram em evidência

equipamentos automatizados. Esse centro de operações faz com

questões como confiabilidade, continuidade do fornecimento,

que a gente tenha um índice de mais de 98% de confiabilidade

modernização da infraestrutura e adoção de tecnologias que

e comunicabilidade com esses equipamentos, com pessoas

contribuam para aumentar a capacidade de resposta da rede diante

trabalhando 24hs por dia neste monitoramento”, destaca Jayme.

de situações adversas.

Para além dos investimentos em monitoramento, manutenção

Com maior frequência de eventos extremos e maior intensidade,

e melhoria da rede, Rafael Holanda, que está à frente da EDP

o clima, definitivamente, aumentou a complexidade operacional do

Transmissão do Goiás, defende uma reformulação completa nos

sistema elétrico no estado. Essa foi uma das principais conclusões

parâmetros usados para o dimensionamento e planejamento dos

feitas logo na abertura do evento pelo Diretor-Presidente da

ativos elétricos. “O desafio não está somente no clima, o desafio

Equatorial, empresa que administra mais de 200 mil quilômetros de

está em reconhecer que hoje, as premissas que usamos para fazer

rede, o equivalente a cinco voltas ao redor da terra, e atende mais

e desenvolver os sistemas de transmissão, precisam evoluir. Cada

de 3,8 mil clientes, distribuídos em diferentes realidades: grandes

vez que olharmos para os novos projetos a gente vê que eles foram

centros urbanos e extensas áreas rurais, tudo isso, contrastando,

concebidos por uma linha de estudos que foram feitos no passado,

com um crescimento econômico acelerado, puxado, especialmente,

condizentes com condições climáticas que hoje já não são mais as

pela forte atuação do agronegócio goiano. Em 2025, o segmento foi

mesmas. Esses cálculos utilizados para projetar torres, e até para

responsável por 3,8% das exportações brasileiras no ano, ocupando

licenciamento ambiental, estão todos ultrapassados, considerando

a 8ª posição entre os estados exportadores.

os eventos climáticos vivenciados pelas nossas redes hoje. Isso exige

“A resposta não começa depois da ocorrência, temos que ser

uma mudança de mentalidade conjunta”, afirma Rafael Holanda.

preditivos, trabalhar com antecedência. Não podemos esperar que o

Essa mudança, segundo Holanda, precisa constar, inclusive,

evento aconteça para que a gente tenha agilidade na recuperação, isso

no regulamento dos grandes projetos e dos leilões do setor. “Hoje

é só uma parte do processo. Temos que nos antecipar, nos preparar

temos eventos climáticos com uma frequência muito maior que

e capacitar a rede para os eventos severos. Uma das estratégicas,

no passado. Precisamos discutir isso com o regulador, órgãos

é investir na manutenção prévia, aproveitando, por exemplo, as

ambientais, operador do sistema, não só isoladamente com um

equipes que estão ali de plantão, no período de seca, para fazer mais

player, mas sim, com uma atuação conjunta. Precisamos construir

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Cobertura Especial

um planejamento com parâmetros e projetos com instrumentos que tenham novos critérios de cálculos matemáticos para compreender essa nova realidade. Tudo começa com o planejamento e não podemos mais utilizar os parâmetros do passado”, alertou Holanda. Presente no debate, Lindemberg Reis, Gerente de Planejamento e Inteligência de Mercado na Abradee, afirmou que o tema tem ganhado bastante atenção na entidade, que inclusive vem buscando referências internacionais para o aprimoramento das ações em curso no país. “Desde o final de 2024, a Abradee vem desenhando um projeto de pesquisa e desenvolvimento chamado ‘Melhores práticas para o segmento de distribuição para o enfrentamento aos eventos climáticos extremos’. Ele consiste na busca por experiências nacionais e internacionais relacionadas ao tema. Estamos verificando como estão os planos de contingência em outros países, também fomos buscar as melhores práticas regulatórias. O grande legado deste projeto é entender como distribuidoras de energia, órgãos de avaliação de dados meteorológicos, a sociedade e o consumidor, podem desenhar uma forma mais orgânica de enfrentamento a este tema”, destacou Lindemberg Reis. Os painéis sobre o tema de resiliência da rede elétrica em Goiás contaram ainda com a participação do Presidente do Sindienergias, Diretor da FIEG e Conselheiro do Sinduscon GO, Célio Eustáquio, da Executiva de Projetos e Fiscalização da Equatorial Energia, Kariane Pauluk e do especialista em redes subterrâneas e resiliência, Daniel Bento. EFICIÊNCIA ENERGÉTICA NA INDÚSTRIA E NO AGRONEGÓCIO Outro assunto que despertou a atenção dos participantes foi o painel que tratou sobre o tema da eficiência energética nos segmentos industriais e do agronegócio. Representando o Governo do Estado, Kamilla Pires, que é Gerente de Eficiência Energética, listou uma série de iniciativas do governo local para estimular os diversos setores da economia goiana, inclusive, para estimular o setor público a adotar medidas voltadas à eficiência energética operacional. “A redução de custo de energia, o incentivo a fontes renováveis, participação e captação de recursos via editais do Programa de Eficiência Energética e também fazer integração, fomentar e unir o planejamento junto ao setor produtivo. Nosso papel é incentivar e promover o setor privado, a indústria, que é a nossa principal área, com maior consumo, a ter resultados grandiosos. Para isso, eles precisam entender que não é apenas desligar a luz, eficiência é modernização, troca de equipamentos, com essas medidas, a gente consegue sim, ter resultados reais”, afirma Kamilla Pires. Em cinco anos, segundo a secretária, o programa já resultou em economia de mais de R$ 110 milhões, oriundos da revisão de mais de 200 contratos. “Em 2025, a gente participou do edital realizado pela Equatorial e conseguimos captar mais de 6 milhões para o setor público. Estamos visualizando resultados e queremos incentivar que a indústria participe disso. Estamos abertos a receber os diversos segmentos, estamos prontos para ouvi-los para destravar este processo e também mudar o pensamento de que se trata apenas de um financiamento, pois

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já temos retornos comprovados”, complementou Kamilla.

em Eficiência Energética e Geração Distribuída da entidade. “Muitas

Integrando também o painel, o Diretor-presidente da Equatorial

empresas e indústrias, ainda hoje, têm a visão de que fazer alguma

chamou a atenção para o uso inteligente e alternado da energia,

eficiência energética, como troca de motores, troca de iluminação, é o

especialmente em segmentos como o agronegócio, que podem, por

suficiente. A grande virada na consultoria de eficiência energética que

exemplo, realizar seus planos de irrigação em horários mais econômicos,

estamos fazendo no SENAI Goiás é deixar o legado da continuidade

fora do pico de consumo.

desses projetos. É preciso ter uma gestão energética na indústria. Não

“Precisamos tratar da eficientização da melhor maneira possível,

é só fazer a consultoria e não implementar. Por isso que temos hoje

estudando o mercado, inclusive, quando da implementação de uma

um programa, que além da consultoria de eficiência energética, nós

indústria ou de agronegócio. Até o local físico de instalação pode fazer

fazemos o treinamento do pessoal, e dependendo do projeto, a gente

a diferença. Precisamos estudar como a gente pode tratar consumo de

implanta uma comissão interna de conservação de energia. Isso é muito

energia em momentos fora do horário do pico, com maior economia,

importante, porque garante continuidade das ações”, ressaltou Okigami.

maior rentabilidade para o negócio. O Estado de Goiás é praticamente

Assim como no SENAI, o Sebrae também desenvolve ações

do agro e temos muitos irrigantes nas pontas das nossas redes em todo

semelhantes, porém, voltadas às micro e pequenas empresas. “O

o estado, ou seja, é preciso estudar maneiras de dar partidas nesses

Sebrae atende o empresário pequeno, encara a energia como um custo

motores de forma mais eficiente, como fazer esta irrigação em horários

necessário. Por isso, é preciso serem feitas outras dinâmicas, colocando

mais vantajosos. Então, temos investido bastante em eficientização

os objetivos do negócio dentro de um contexto de planejamento

energética no estado. Temos muito orgulho de poder participar e fazer

estratégico. A energia pode ser um ativo muito importante, mas também

parte dessa transformação”, reforça Lener Silva Jayme.

pode ser um custo decisivo, para inclusive, quebrar o negócio. No Sebrae,

Além de atuar na área de educação profissionalizante, o SENAI

o tema da energia é uma linha de negócio, com um atendimento para

Goiás também desenvolve programas de capacitação para eficiência

micro e pequenas empresas, direcionada justamente para esse contexto

energética, conforme explicou Paulo Takao Okigami, Especialista

da eficiência. Esse trabalho, que inclusive é gratuito, chama-se ‘Jornada

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Cobertura Especial

de consumo’, onde as empresas podem solicitar e fazemos uma análise completa do negócio com esse objetivo”, detalha Michele Swistalski, Consultora do SEBRAE Energia. NOVA NR 10 A nova NR 10, que traz impactos importantes para profissionais e empresas envolvidos com instalações e serviços em eletricidade, também esteve em debate no CINASE Goiás. A nova redação da Norma altera e moderniza substancialmente os requisitos e condições mínimas para garantir a segurança e a saúde dos trabalhadores que interagem, direta ou indiretamente, com instalações elétricas e serviços com eletricidade. Integrante da bancada dos trabalhadores no Grupo de Trabalho Tripartite (GTT), do Ministério do Trabalho e Emprego, que coordenou, nos últimos cinco anos, as mudanças na NR 10, Aguinaldo Bizzo, juntamente com o também especialista do CINASE, Nunziante Graziano, apresentaram as principais mudanças que irão impactar todos os trabalhadores com eletricidade atingidos pela norma. FEIRA DE NEGÓCIOS Desenhada para oferecer um ambiente único e fértil de networking e negócios, a feira de exposição do CINASE Goiás, à exemplo das demais edições do evento pelo país, contou com a participação de um público altamente qualificado e com poder de decisão em suas empresas e

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organizações, gerando grandes oportunidades entre expositores e

Com um estande máster na feira de exposição, o empresário

visitantes. Com 35 patrocinadores, o espaço, de mais de quatro mil

explicou que a estratégia da empresa no CINASE foi dividida em

metros quadrados, recebeu o showroom de grandes marcas como:

duas frentes: valorização dos parceiros que já conhecem a empresa e

Embrastec; Itaipu Transformadores (Grupo Sabe); Romagnole; Ajel;

prospecção de novos parceiros. “A construção do estande foi generosa,

Connectwell; Gimi; INK Energy; Kraper; Pextron; ABB; Choice; Cobrecom;

para mostrar tudo que temos no nosso portfólio. Fizemos um trabalho

Frontec; KRJ; Kron; Magvatech; Minuzzi; Rittal; Sei do Brasil; Weg; ADEEL;

muito grande voltado à prospecção de novos clientes. O resultado

Mассомevap; Chint; Soprano; Comkap; Siemens; Trael; Elgin; S&C;

disso foi a captação de mais de 100 novos clientes, fora a consolidação

Elantas; Grupo Setta; Sil; Tramontina; Blutrafos e Kraus e Naimer.

do conhecimento. Então, o evento para nós, assim como outros, foi um

Participando pela terceira vez do evento, o Diretor da Adeel

sucesso. Aliás, esse CINASE, em especial, foi definitivamente o melhor

Materiais Elétricos e Iluminação, Rafael Adorno, destacou os benefícios

que eu já participei, casa cheia”, comemorou Rafael Adorno, que

do evento para o setor elétrico goiano e defendeu que o CINASE

destacou ainda a qualificação dos visitantes.

diminua o intervalo de tempo entre as edições no estado, atualmente,

Outra distribuidora de material elétrico goiana que marcou

de cerca de 4 anos. “O evento vem em geral de quatro em quatro anos,

presença no evento foi a Ajel. Segundo a Gerente Comercial da

e nós queremos encurtar isso. Trabalhamos muito no pré-evento, com

empresa, Eurislaine Gomes, o evento proporcionou conexões

todos os atores do segmento: poder público, concessionária, SENAI,

importantes com clientes, fornecedores e parceiros, além de uma boa

Sebrae e claro, o setor privado, à exemplo do que o nosso painel

troca de experiência com profissionais de referência do setor. “Para

de eficiência mostrou. Eu só tenho a agradecer e dizer que aqui é o

a Ajel Materiais Elétricos, participar do CINASE foi muito estratégico

ponto de encontro do setor elétrico e também é onde temos todos os

e enriquecedor. Tivemos a oportunidade de conhecer soluções e

envolvidos, desde o cliente final industrial, até o poder público, dando

ferramentas inovadoras do mercado elétrico, ampliar nossa visão sobre

uma ênfase de como é o papel de um integrador, de uma distribuidora

as tendências do segmento e identificar necessidades do público. Foi

de material elétrico, dentro do mercado elétrico, que é regulado.

um prazer fazer parte desse evento e contribuir para essa troca de

Ele passa por uma concessionária, e essa concessionária, no caso a

conhecimento. Seguiremos conectados às novidades do mercado,

Equatorial, prestigiou o evento, mostrando que o momento da vez é

buscando constantemente oferecer mais qualidade, inovação e as

o estado de Goiás, e por isso, o sucesso do evento”, reforçou Adorno.

melhores soluções aos nossos clientes”, ressalta Eurislaine.

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Cobertura Especial

HOMENAGENS Na ocasião, também foram homenageadas lideranças e personalidades que são referências regionais e nacionais do segmento elétrico, são elas: DULCIRENE AIRES Atuando há mais de 44 anos no mercado de engenharia, é integrante do Grupo Automatize, que já alcançou a marca de mais de 30 milhões de metros quadrados projetados. Formada em Engenharia Elétrica pela UFG (1982), com Pós-Graduação em Especialização em Instalações Elétricas Prediais pela mesma instituição e Sócia Proprietária da Empresa Dulcirene Aires & Engenheiros Associados que faz parte do Grupo Automatize. É especialista na elaboração de projetos elétricos, iluminação de emergência, grupo gerador e subestação. Também atua com projetos de sistemas de telefonia, antena de TV, interfone, rede estruturada, sistema de segurança, infraestrutura para áudio e vídeo e sistema de proteção contra descargas atmosféricas (SPDA). Também possui larga experiência em automação, supervisão predial, gerenciamento de energia e aspiração central de pó. SÉRGIO ARANTES Engenheiro eletricista formado pela UFG, com especialização em Engenharia de Segurança do Trabalho pela mesma instituição. Possui mais de 40 anos de experiência no setor elétrico, com atuação nas áreas de distribuição, transmissão e obras de alta tensão. Iniciou a carreira em uma empresa de engenharia prestadora de serviços para concessionárias de energia, onde trabalhou por 19 anos, e também foi professor substituto no CEFET-GO. Atuou como sócio de empresa de engenharia antes de ingressar na Celg, em 2005, onde ocupou cargos de Superintendência nas áreas de Distribuição Metropolitana e LesteNorte. Com a entrada da Enel em Goiás, passou a liderar as obras de alta tensão em subestações e linhas de transmissão. Atualmente, integra o Grupo Equatorial Energia como Executivo de Obras de Alta Tensão em Goiás, responsável pela coordenação de equipes de engenharia e pela expansão e construção de subestações no estado. CARLA SENA Engenheira Eletricista e de Segurança do Trabalho, atua no setor elétrico com experiência em análise de sistemas de potência, proteção, operação e gestão técnica. Sua trajetória reúne atuação em concessionárias de energia, ensino, consultoria e pesquisa aplicada. Desenvolve cursos, conteúdos técnicos e soluções voltadas à engenharia elétrica, integrando conhecimento acadêmico e experiência prática. Seu trabalho é pautado pelo rigor técnico, pela didática e pelo compromisso com a disseminação do conhecimento.

COLEMAR ARRUDA Possui graduação em engenharia elétrica pela UFG (1968), especialização em Engenharia Elétrica pela UFRJ (1972), especialização em Engenharia Elétrica Sistemas De Potência pela Universitat Stuttgart (1971), mestrado em Engenharia Elétrica Sistemas De Potência Pela University Of Manchester Institute Of Science And Technology (1979) e doutorado em Engenharia Elétrica pela University Of Manchester Institute Of Science And Technology (1981). Atualmente, é professor titular da UFG. Tem experiência na área de Engenharia Elétrica, com ênfase em Sistemas Elétricos de Potência, atuando principalmente nos seguintes temas: confiabilidade de sistemas de potência e confiabilidade global.

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PRÊMIO O SETOR ELÉTRICO Marcada por momentos de alegria, gratidão e reconhecimento, a noite de homenagens e de solenidade do Prêmio O Setor Elétrico contou com a participação de autoridades, empresários, especialistas e acadêmicos de todo o estado de Goiás. Com diversos projetos inscritos nas cinco categorias, o prêmio tem como objetivo reconhecer e dar visibilidade a projetos e iniciativas que apresentam soluções inovadoras para o setor elétrico brasileiro. Confira a seguir os vencedores da premiação, que foi realizada na noite do dia 4 de agosto, também no Centro de Eventos Goiânia:

C

M

INSTALAÇÕES ELÉTRICAS INDUSTRIAIS E COMERCIAIS:

Y

Complexo Dubai. Empresa: Automatize Engenharia.

CM

Responsáveis pelo Projeto: Dulcirene Maria Aires; Livia de Oliveira Ribeiro; e Erica Carolina Correia Silva.

MY

CY

PROJETO LUMINOTÉCNICO:

CMY

Retrofit Luminotécnico do Ipasgo - Eficiência Energética, Qualidade da Iluminação e Geração Fotovoltaica. Empresas: Senai Goiás; Grupo

K

Equatorial Energia; Aneel; e Ipasgo Saúde. Responsáveis: Haroldo Escudelário; Gidean de Sousa Rodrigues; Paulo Takao Okigami; e Dinah David Meireles. PESQUISA & DESENVOLVIMENTO: Sistema de Armazenamento de Energia em Baterias Íon-Li com Geração Fotovoltaica para Suprimento de Cargas Essenciais dos Serviços Auxiliares de Subestações. Empresas: UFGO; Geração Energia S.A.; e Transmissoras Cooperadas. Responsáveis: Marcelo Nogueira Bousquet; Ananias Vieira de Andrade; Mírian Pérola Rabelo de Lima; Alexandre T. A. Moreira; Enes Gonçalves Marra; José Wilson Lima Nerys; Sérgio Pires Pimentel; Leovir Cardoso Aleluia Junior; e Tiago Alves Barros Rosa. ENERGIAS RENOVÁVEIS: Rede Elétrica Inteligente da Base Aérea de Anápolis – REIBAAN. Empresas: Grupo Equatorial Energia; Equatorial Energia Maranhão; EQT LAB; Cummins; SPDT; Soluções Em Energia; SE Engenharia; UFMA; Instituto De Energia Elétrica – IEE/UFMA; Universidade Federal de Campina Grande; Technical University Of Denmark; Base Aérea de Anápolis – Baan/Força Aérea Brasileira; Fundação Sousândrade de Apoio ao Desenvolvimento Da UFMA; e Aneel/Programa de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação. Responsáveis pelo projeto: Hércules Araújo Oliveira; Lucas de Paula Assunção Pinheiro; Orlando da Silva Santos; Júlio Cesar Mendes; José Gomes de Matos; Luiz Antonio de Souza Ribeiro; Alexandre Cunha Oliveira; Amiron Wolff dos Santos Serra; Osvaldo Ronald Saavedra; Yury Vinícius Texeira Damasceno; Alyston Claydson Verissimo do Nascimento; Khristian Augusto Freitas Nascimento; Felype Pestana Paixão; Luis Felipe Moreira Teixeira; Rodrigo da Silva Pereira; e Hellen Dianne Pereira De Souza. INOVAÇÃO TECNOLÓGICA: Interligação De Barramento Aéreo Com Cabo Subterrâneo 230 Kv - Se Cachoeira Dourada. Empresas: EDP Transmissão Goiás e Centuray. Responsáveis: Danilo Moreira Ramos; Marco Antônio Carossi; Joao Paulo Ananias Silva; João Paulo Silva Oliveira; e Renato Teixeira Souza

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Artigo Técnico

CURTAILMENT E O NÓ DA TRANSIÇÃO ENERGÉTICA BRASILEIRA

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O setor elétrico brasileiro vive um paradoxo. O país é líder em

da Resolução nº 1030/2022 e o acordo conduzido pelo Ministério de

sustentabilidade, com uma matriz predominantemente limpa,

Minas e Energia (MME) para tratar o passivo dos cortes são passos

impulsionada pela rápida expansão das fontes eólica e solar

importantes, que reconhecem a gravidade do quadro e buscam

fotovoltaica. Mas o ritmo dessa transformação expôs gargalos

trazer previsibilidade e segurança jurídica aos agentes. Entretanto, os

estruturais que colocam em risco a estabilidade financeira dos

desafios do curtailment têm um escopo muito maior, que atravessa

empreendimentos e a operação do Sistema Interligado Nacional

o aumento da micro e minigeração distribuída (MMGD), formação de

(SIN).

preços e crescimento do consumo. O ponto principal da discussão é

No centro dessa discussão está o aumento do curtailment, que se tornou problema sistêmico. Quando usinas operacionais são

que precisamos de uma solução estrutural e planejada, olhando para o futuro do sistema.

impedidas de injetar energia na rede por restrições de transmissão ou

Para equacionar a questão sem afetar a atratividade dos

excesso de oferta, o prejuízo recai diretamente sobre os geradores.

investimentos em energia limpa, o setor precisa atualizar o arcabouço

Isso compromete a previsibilidade do fluxo de caixa e a viabilidade

regulatório e comercial. Buscar soluções para o curtailment é

financeira de novos projetos.

condição para preservar a segurança jurídica, a integridade dos

Dados do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) apontam

contratos e o equilíbrio econômico de toda a cadeia.

que, de janeiro a julho de 2026, o volume médio de restrição de

Uma das origens do problema está na assimetria da formação

geração eólica e solar atingiu 3.629 MWmed, ou seja, 19,3% de toda

de preços e na sinalização tarifária. O modelo de precificação precisa

a geração potencial das usinas afetadas, um aumento de 2,5% em

refletir as condições físicas da rede em tempo real, integrando a

relação aos 16,8% (3.068 MW médios) registrados no mesmo período

dinâmica operativa à comercial. Em momentos de clara sobreoferta,

de 2025.

os modelos computacionais e a operação do sistema devem apontar

A dimensão do problema elevou o tema ao topo da agenda do setor. A Consulta Pública 45/2019 da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), que já caminha para a fase de conclusão, a revisão

preços mínimos adequados para orientar as decisões dos agentes de mercado. Nesse contexto, cabe reavaliar o valor mínimo do Preço de

17


Artigo Técnico

A questão não é

custos decorrentes do excesso de geração, uma questão que não

desincentivar a geração

passa de 52 GW instalados no país, representa cerca de 20,6% da

própria, mas reconhecer a física do sistema elétrico. A injeção não gerenciada da

deve ser tratada como restrita às usinas centralizadas. A MMGD já capacidade total do SIN em 2026. Essa expansão acelerada alterou significativamente o perfil da curva de carga e o fluxo de potência nas redes de distribuição e transmissão, especialmente nos períodos de maior radiação solar. Na parcela em que injeta energia na rede, a MMGD impacta a operação e os custos do sistema do mesmo modo que um gerador centralizado. No entanto, a regulação atual isenta o segmento de participar do rateio comercial e do esforço operacional durante os cortes de geração. A questão não é desincentivar a geração própria, mas reconhecer

MMGD reduz a carga

a física do sistema elétrico. A injeção não gerenciada da MMGD reduz

líquida atendida pela

as sobras sistêmicas, que resultam no desligamento de usinas de

geração centralizada e contribui para as sobras

a carga líquida atendida pela geração centralizada e contribui para grande porte. Por isso, a MMGD deve ser formalmente incluída na apuração e na mitigação dos impactos da sobreoferta, em bases proporcionais e isonômicas. Essa medida precisa vir acompanhada do combate firme ao crescimento clandestino da MMGD. As conexões irregulares e

sistêmicas, que resultam

fraudulentas (o chamado "gato") distorcem a operação e ocultam

no desligamento de

transferem aos consumidores e geradores regulares o custo dessa

usinas de grande porte.

segurança técnica do setor.

Por isso, a MMGD deve

gestão de cortes e limitação da oferta. O caminho estrutural passa

ser formalmente incluída

convertendo o excedente renovável em fator de desenvolvimento

na apuração e na mitigação dos impactos da sobreoferta, em bases proporcionais e isonômicas.

o comportamento real da demanda: sobrecarregam a rede e geração de energia clandestina, prejudicando a governança e a Por fim, a solução para o curtailment não pode se restringir à pela capacidade de estimular e absorver a energia limpa que produz, econômico. É fundamental criar incentivos regulatórios e sinalizações tarifárias que atraiam vetores de consumo intensivo e flexível. A atração de data centers de grande porte, veículos elétricos e o desenvolvimento da indústria do hidrogênio verde — estrategicamente implantados próximos aos centros de produção renovável — surgem como alternativas sustentáveis para transformar a sobra de energia em valor agregado. O desafio regulatório é capturar esse crescimento de carga de forma coordenada com a oferta excedente de renováveis. Ao direcionar o excesso de geração a novos segmentos industriais e tecnológicos, o país otimiza o aproveitamento de sua infraestrutura existente, alivia a pressão sobre os troncos de transmissão e fortalece a competitividade nacional. A Apine defende que o diálogo técnico e transparente entre os agentes, a Aneel, o ONS, a EPE e o MME é o caminho para harmonizar

Liquidação das Diferenças (PLD). Manter um piso desconectado da

a expansão das renováveis com a confiabilidade do sistema.

realidade de custos e da abundância de oferta mascara os incentivos

Alocar os riscos de forma justa, modernizar a formação de preços

para o despacho eficiente do parque gerador. A distorção inibe a

e incentivar o crescimento da demanda são os pilares indispensáveis

resposta da demanda, desestimula arranjos comerciais flexíveis

para garantir que a transição energética brasileira continue a ser

e retarda a viabilização de tecnologias de armazenamento, como

referência global de eficiência, estabilidade e sustentabilidade.

as baterias (BESS), essenciais para absorver excedentes e prover serviços ancilares à rede. Além da precificação, é preciso enfrentar a alocação dos

18

Rui Altieri é Diretor-Presidente da Associação Brasileira dos Produtores Independentes de Energia Elétrica (APINE)


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19


Armazenamento de energia e o futuro do setor elétrico Ao longo de 2026, este fascículo abordará os avanços das tecnologias de armazenamento de energia e sua crescente relevância para o setor elétrico. Em um sistema cada vez mais renovável e complexo, soluções de estocagem se tornam essenciais para garantir flexibilidade, confiabilidade e segurança energética. As abordagens contarão com a expertise e o olhar de duas grandes especialistas no tema: Miriam Penna Diniz, que traz em sua bagagem mais de 20 anos de experiência em engenharia industrial e no setor elétrico. Pioneira no setor fotovoltaico nacional, ministra cursos e mentorias sobre autoprodução; e Miriam Penna Diniz Michele dos Reis Michele dos Reis - engenheira eletricista pela Pontifícia de Minas Gerais e mestre em Sistema Elétrico de Potência pela UFMG. Atualmente é Gestora de Inovação em Baterias e Armazenamento na CEMIG, onde também já atuou nos processos de Operação e Manutenção de Usinas, Planejamento da Expansão de Transmissão e Distribuição e Gestão de Qualidade, Saúde, Segurança e Meio Ambiente.

Capítulo 6 Armazenamento e a transição energética: Sinergia entre fontes renováveis, digitalização e resiliência dos sistemas elétricos

Fascículo

Por *Henrique Parreiras Couto e Michele dos Reis Pereira

20


1 - BESS COMO ATIVO DA DISTRIBUIDORA

em 2019, o valor anual saltou para R$ 28,1 milhões em 2025 — um crescimento de 466% em apenas seis anos, acumulando R$ 108,4

1.1 - Saturação das redes de distribuição com GD

milhões pagos desde 2011.

Em 2025, a potência instalada de GD no Brasil superou 42 GW segundo registro oficial da ANEEL [1], o equivalente a três usinas de Itaipu, distribuída em milhões de sistemas conectados à rede, majoritariamente solares fotovoltaicos. Em agosto de 2026, esse número já havia saltado para 51 GW. E há um componente ainda mais preocupante do ponto de vista do planejamento: o ONS estimou, em nota técnica de abril de 2026, uma capacidade adicional entre 11,8 GW e 14,6 GW de micro e minigeração não declarada oficialmente [2]. Somando as duas parcelas, a potência de GD efetivamente conectada ao sistema pode já superar 65 GW, com trajetória de crescimento que não dá sinais de desaceleração. Na Cemig-D, esse movimento segue o mesmo padrão acelerado. A potência de GD instalada na área de concessão saltou de 446,6

Mais relevante do que a magnitude isolada de cada série é a

MW acumulados em 2019 para 5.332,3 MW ao final de 2025 [1],

força da relação entre elas. Ao cruzar a potência de GD acumulada

um crescimento de quase 12 vezes em seis anos. Essa trajetória

na rede da Cemig-D com o valor de compensação pago a cada ano,

de crescimento é o retrato, em escala local, do mesmo fenômeno

o coeficiente de correlação resultante é de 0,916, demonstrando um

nacional: redes originalmente projetadas para fluxo unidirecional

nítido vínculo estatístico. Em outras palavras, não se trata de uma

de potência, das subestações para os consumidores, hoje precisam

coincidência temporal entre dois fenômenos que crescem juntos por

absorver volumes crescentes de fluxo reverso, sobretudo em trechos

acaso, mas de uma relação de causalidade técnica bem estabelecida:

remotos e em alimentadores com alta concentração de GD e baixo

quanto mais GD se conecta à rede, maior o fluxo reverso, maior

consumo local.

a sobretensão e, consequentemente, maior o desembolso da distribuidora com penalidades regulatórias. É esse cenário de saturação, replicado, em maior ou menor grau, em praticamente todas as distribuidoras do país, que torna o armazenamento não apenas uma tecnologia promissora para a transição energética em escala de sistema (como discutido nos fascículos anteriores desta série), mas também um ativo de interesse direto e imediato para a própria distribuidora. 1.2 - Limitações do BESS para mitigação dos impactos da GD Os Sistemas de Armazenamento de Energia em Baterias (SAEB) ou, na sigla em inglês, Battery Energy Storage System (BESS), são

Inversão de Fluxo em subestações - Medições de potência ativa da SE Bocaiúva

hoje a tecnologia de armazenamento mais promissora e versátil

Esse descompasso técnico já tem preço, e ele está registrado nos

prestar múltiplos serviços, de regulação de frequência a suporte de

indicadores de conformidade que a ANEEL disponibiliza publicamente

tensão, graças à eletrônica de potência que controla sua injeção e

[3]. Entre 2019 e 2025, as distribuidoras brasileiras foram obrigadas a

absorção de energia. É justamente essa flexibilidade que torna o

pagar R$ 396 milhões em compensações financeiras por violação dos

BESS um candidato natural para mitigar os impactos da GD sobre a

limites regulatórios de tensão. Em termos anuais, esse valor cresceu

rede de distribuição. Mas "candidato natural" não significa "solução

279%, saltando de R$ 32 milhões em 2019 para R$ 121 milhões em

completa". O BESS resolve bem alguns dos problemas trazidos

2025 — sendo que apenas o último ano já representa cerca de 30%

pela GD, mas é tecnicamente inviável para outros, e entender essa

de tudo o que foi pago no período completo.

fronteira é essencial para qualquer discussão séria sobre o tema.

do setor elétrico. Capazes de responder em milissegundos, podem

A Cemig-D concentra sozinha 21,7% desse total nacional, tendo desembolsado R$ 86,2 milhões em compensações entre 2019 e 2025

USO PARA CONTROLE DE TENSÃO (VOLT-VAR E VOLT-WATT)

[3]. O histórico completo da distribuidora, que remonta ao início da

Para entender onde o BESS realmente ajuda, vale uma explicação

GD em 2011, mostra a mesma inflexão: de R$ 4,97 milhões pagos

simples de como um sistema de armazenamento conectado à rede

21


pode atuar no controle de tensão. Todo BESS se conecta à rede por

É essa diferença de escala que torna a solução inviável. Regular

meio de um inversor, que pode fazer bem mais do que simplesmente

o fluxo de uma subestação inteira exige que o sistema absorva e

injetar ou absorver energia ativa da rede. Ele também pode trocar

devolva volumes de energia muito grandes, sustentados por horas

uma segunda forma de energia com o sistema, a chamada energia

seguidas — o que multiplica o dimensionamento necessário e,

reativa, que não realiza trabalho útil, mas tem papel direto na

com ele, o investimento requerido, em uma ordem de grandeza

sustentação do nível de tensão da rede.

que dificilmente se paga pelos benefícios evitados de sobretensão

É aí que entram as funções Volt-VAr e Volt-Watt. De forma

e compensação regulatória. O armazenamento, portanto, esbarra

simplificada, o Volt-VAr funciona como um regulador: o inversor

na própria física do problema: neutralizar na origem um fluxo de

monitora a tensão local e, quando ela sobe acima do esperado, passa

energia que se mede em dezenas de megawatts exige um ativo de

a absorver energia reativa da rede, o que ajuda a "puxar" a tensão de

armazenamento igualmente dimensionado em megawatts-hora, e

volta para dentro dos limites regulatórios. Quando a tensão cai, ele

é justamente esse volume que inviabiliza a solução em escala de

faz o oposto e injeta energia reativa na rede. Já a função Volt-Watt

subestação.

atua de um jeito mais direto: quando a tensão se aproxima de um

Por esse motivo, o armazenamento mostra-se mais eficiente

patamar crítico, o próprio inversor reduz a potência ativa que está

quando utilizado de forma localizada e estratégica, atacando

sendo injetada (ou aumenta a que está sendo absorvida, no caso do

problemas específicos da rede em vez de buscar neutralizar

BESS), aliviando a pressão sobre a rede na origem do problema. As

integralmente o fluxo reverso.

duas funções operam de forma automática, em resposta contínua às condições locais de tensão, sem depender de comando humano. Para o problema específico da sobretensão causada pela GD,

1.3 - Das microrredes ao carro elétrico: os múltiplos usos do BESS na distribuição

essa capacidade é bastante eficaz: instalado em pontos estratégicos

Se o controle de tensão representa a aplicação mais imediata

da rede, normalmente próximo ao final dos alimentadores mais

do BESS na distribuição, é no conceito de Non-Wire Alternatives

afetados, um BESS equipado com essas funções pode ajudar a

(NWA) que esse ativo revela seu potencial mais estratégico. A

estabilizar a tensão localmente, reduzir a necessidade de bancos de

lógica é simples: em vez de responder a um problema local de

capacitores e reguladores eletromecânicos tradicionais e responder

capacidade, confiabilidade ou congestionamento com uma obra

a variações rápidas de geração solar, algo que os equipamentos

tradicional de rede (nova rede, recondutoramento de cabos, novo

convencionais, mais lentos, não conseguem acompanhar.

transformador, nova subestação), a distribuidora instala um sistema de armazenamento no ponto certo do alimentador e resolve o

INVIABILIDADE DE USO PARA CONTROLE DE FLUXO EM LARGA

mesmo problema com uma fração do investimento, do prazo de

ESCALA

licenciamento e do impacto ambiental.

Uma ideia bastante difundida no setor elétrico acerca da

Essa lógica fica particularmente evidente em regiões remotas

aplicação dos sistemas de armazenamento em baterias é a de

ou de difícil acesso, onde o custo de estender ou reforçar a rede

que esses sistemas poderiam ser instalados em subestações de

convencional é desproporcionalmente alto frente ao número de

distribuição para regular o fluxo de potência como um todo e,

consumidores atendidos. É exatamente esse o cenário do projeto

assim, neutralizar diretamente o fluxo reverso causado pela GD. A

de microrrede com armazenamento implementado pela Cemig

ideia é intuitiva: se a GD está "empurrando" energia excedente de

no município de Serra da Saudade (MG): em vez de arcar com o

volta para a subestação, bastaria um BESS grande o suficiente para

custo elevado de uma obra de reforço tradicional para atender uma

absorver esse excedente e devolvê-lo à rede em outro momento.

localidade isolada, o BESS local permite melhorar a qualidade do

Na prática, porém, essa solução esbarra em uma barreira física e

fornecimento de energia, com ganhos imediatos.

Fascículo

econômica difícil de contornar.

Mas o maior valor de uma microrrede com armazenamento

O problema está na escala de energia envolvida. Uma

é a resiliência. Ao permitir que um trecho da rede opere de

subestação de distribuição atende, tipicamente, dezenas de

forma ilhada em caso de falha a montante, o BESS viabiliza a

milhares de unidades consumidoras e escoa dezenas (ou centenas)

recomposição autônoma do sistema local (black start) e mantém

de megawatts. Para que um BESS conseguisse absorver de forma

o atendimento a cargas críticas mesmo durante contingências

relevante o excedente de geração solar que provoca o fluxo

severas. E é aqui que a sinergia com a própria GD se torna virtuosa:

reverso ou, em alguns casos, apenas amenizá-lo marginalmente,

a mesma geração solar distribuída que, em condições normais de

ele precisaria ter capacidade de armazenamento da ordem de

operação conectada à rede, provoca os problemas de sobretensão

dezenas de megawatt-hora. Isso significa não um sistema de

discutidos anteriormente, passa a ser um recurso local valioso

porte moderado, mas um empreendimento de armazenamento

quando a microrrede opera ilhada. Ao suprir parte da carga local,

de grande escala, com todo o custo de capital, área física e

a GD permite estender a autonomia operacional da Microrrede

complexidade operacional que isso implica.

para um determinado tamanho de BESS. Assim, é possível manter

22


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23


trechos da rede em operação isolada durante períodos estendidos,

que transforma essa resposta pontual em flexibilidade operacional

garantindo atendimento de qualidade aos clientes enquanto a

de fato, ampliando a capacidade da distribuidora de controlar, em

conexão com o sistema principal não é restabelecida. O que era,

tempo real, o comportamento de uma rede cada vez mais dinâmica

sob um ângulo, fonte do problema, torna-se, sob outro, parte da

e imprevisível.

solução.

Essa orquestração acontece, na prática, por meio de plataformas

Fora do contexto de microrredes isoladas, o mesmo

como o ADMS (Advanced Distribution Management System) e o

princípio de NWA se aplica a alimentadores urbanos e rurais mais

DERMS (Distributed Energy Resources Management System). O

convencionais, onde o BESS pode ajudar a postergar ou até mesmo

ADMS funciona como o centro de operação da rede de distribuição

evitar investimentos em reforços de rede que seriam necessários

moderna, reunindo informações de toda a infraestrutura

apenas para atender a picos de demanda. Em vez de dimensionar a

(sensores, equipamentos de proteção, medidores) em uma visão

infraestrutura para o pior caso, a distribuidora dimensiona um ativo

única e atualizada em tempo real. O DERMS, por sua vez, atua

de armazenamento para cobrir esse pico específico, ganhando

especificamente sobre os recursos energéticos distribuídos (BESS,

tempo e flexibilidade para decidir se e quando a obra tradicional

geração solar, cargas controláveis, veículos elétricos) coordenando

realmente se justifica.

o despacho de cada um deles de acordo com as necessidades

Um uso emergente que segue essa mesma lógica de

momentâneas da rede. É essa camada de coordenação inteligente

flexibilidade é a modulação da demanda de recarga de veículos

que multiplica o valor de cada BESS instalado, permitindo que um

elétricos. A expansão da frota elétrica traz um desafio já conhecido

único ativo físico preste múltiplos serviços ao longo do dia, em vez

pelas distribuidoras: pontos de recarga concentrados, como

de ficar dedicado a uma única função fixa.

garagens de ônibus elétricos ou coincidência no horário de

Essa lógica de coordenação se estende para além dos limites

carregamento, principalmente ao fim do dia, criam picos de

da própria distribuidora por meio dos agregadores e das Virtual

demanda que podem sobrecarregar trechos específicos da rede.

Power Plants (VPPs). Uma VPP pode ser definida como a agregação

Um BESS instalado junto a um ponto de recarga, ou mesmo a um

coordenada de diversos recursos energéticos distribuídos, operados

conjunto de carregadores, pode absorver esse pico ao suprir parte

através de plataformas digitais capazes de transformá-los em um

da energia demandada a partir de sua própria carga acumulada,

único ativo virtual perante o sistema elétrico. Diferentemente de

em vez de exigir tudo diretamente da rede no mesmo instante,

uma usina convencional, a VPP não possui uma localização física

suavizando a curva de demanda sem restringir a experiência do

única. Sua capacidade de geração, armazenamento e modulação

usuário final e até mesmo reduzindo o seu custo com a tarifa de uso

de demanda está distribuída em centenas ou milhares de pontos da

da rede, ao reduzir a demanda máxima que precisa ser contratada

rede. Os principais recursos que compõem uma VPP incluem:

junto à distribuidora. Por fim, vale mencionar brevemente o uso do BESS instalado

• Sistemas de armazenamento em baterias (BESS);

atrás do medidor como ferramenta de modulação da própria

• Geração solar distribuída;

GD. Nessa configuração, o armazenamento absorve o excedente

• Veículos elétricos com capacidade Vehicle-to-Grid (V2G);

de geração solar do consumidor antes que ele chegue a fluir

• Cargas controláveis e resposta da demanda;

para a rede, fazendo com que a unidade consumidora opere, na

• Microrredes;

prática, com injeção líquida nula ou próxima de zero. Trata-se de

• Pequenos geradores despacháveis.

Fascículo

uma aplicação ainda incipiente no Brasil, mas que aponta para um caminho interessante: descentralizar parte da mitigação do

Na prática, a VPP opera como uma usina convencional sob

problema para o próprio ponto de origem da GD, reduzindo a

a ótica do operador do sistema. Quando há necessidade de

pressão sobre a rede antes mesmo que ela se manifeste.

fornecimento adicional de potência, o agregador pode acionar simultaneamente centenas de sistemas de armazenamento

1.4 - Smart grids e digitalização

distribuídos. Em uma condição oposta, caracterizada por excesso

Todas as aplicações discutidas até aqui (o controle de tensão

de geração renovável no sistema, pode determinar o carregamento

via Volt-VAr e Volt-Watt, as microrredes resilientes, a postergação de

coordenado desses mesmos ativos, absorvendo energia excedente

investimentos, a modulação da recarga de veículos elétricos, o grid

e contribuindo para o equilíbrio entre oferta e demanda.

zero) compartilham uma característica comum: elas só entregam

Além dos benefícios operacionais, as VPPs criam oportunidades

valor pleno quando o BESS deixa de ser um ativo isolado e passa

econômicas. Consumidores que possuem geração distribuída

a operar como parte de um sistema orquestrado em tempo real. É

e baterias passam a participar de mercados de flexibilidade,

aqui que entra a digitalização da rede, pois é a integração digital

permitindo que pequenos ativos individuais passam a gerar

24


valor não apenas para seus proprietários, mas também para

O sintoma mais visível do desequilíbrio entre carga e geração

distribuidoras, operadores e para o próprio Sistema Interligado

distribuída é o curtailment, que é o corte forçado de geração

Nacional.

renovável disponível, motivado por restrições de escoamento na

É um modelo ainda em construção no Brasil, como discutido no

rede ou excedente de geração. O fenômeno já atinge magnitude

Capítulo 5 desta série, mas diversos países como Austrália, Estados

relevante no Brasil, chegando a 29,5% do tempo, segundo dados

Unidos e Alemanha possuem programas de agregação de milhares

do ONS [4].

de baterias residenciais.

O armazenamento ataca esse problema exatamente onde ele

O avanço das VPPs representa um passo além das Smart

nasce: no descasamento temporal entre produção e capacidade de

Grids. Se as redes inteligentes trouxeram visibilidade e capacidade

escoamento. Ao absorver o excedente renovável quando ele seria

de monitoramento dos recursos distribuídos, as VPPs agregam

cortado e reinjetá-lo posteriormente, um BESS transforma energia

inteligência operacional e capacidade efetiva de coordenação,

que seria desperdiçada em energia efetivamente aproveitada.

transformando um conjunto fragmentado de ativos em um recurso

O caso já é reconhecido pelo próprio arcabouço regulatório

sistêmico robusto. Nesse cenário, os sistemas de armazenamento

brasileiro: o primeiro leilão de reserva de capacidade dedicado a

desempenham papel central, deixando de atuar apenas como

baterias, tratado no Capítulo 5 desta série, nasce justamente da

equipamentos locais de suporte à rede e passam a exercer uma

necessidade de criar um produto sistêmico que remunere esse

função estratégica, contribuindo diretamente para a flexibilidade,

tipo de flexibilidade: potência disponível para absorver e devolver

estabilidade e segurança operativa do sistema elétrico.

energia conforme a necessidade do operador, e não simplesmente energia gerada.

2 - PONTO DE VISTA DO SISTEMA INTERLIGADO NACIONAL (SIN)

Vale notar, porém, que o BESS não resolve todas as causas do curtailment. Parte significativa dos cortes decorre de restrições estruturais de transmissão, um problema que o armazenamento

As seções anteriores trataram o armazenamento como um

pode mitigar localmente, mas não substitui a necessidade de

ativo das distribuidoras de energia. Entretanto, o crescimento

expansão da rede de transmissão em si. Ainda assim, na margem

acelerado da MMGD já deixou de ser um problema exclusivo da

em que atua, o armazenamento amplia o fator de capacidade

distribuição e já começou a afetar diretamente a operação do SIN.

efetivo das usinas renováveis já instaladas, reduzindo o desperdício

Nesse contexto, o desafio é o equilíbrio entre oferta e demanda em

sem exigir nova capacidade de geração, representando um ganho

um sistema cada vez mais dependente de fontes cuja geração não

de eficiência que se soma, e não compete, com os investimentos

pode ser programada pelo operador. Essa seção irá explorar como

em infraestrutura de rede.

o armazenamento de energia também pode ser utilizado para auxiliar a mitigar esses problemas sistêmicos.

2.2 - Redução da inércia e piora no controle de tensão

2.1 - Curtailment de fontes renováveis

consumo, a substituição gradual da geração síncrona por recursos

Além do descompasso entre os horários de pico de geração e

25


conectados através de inversores reduz a inércia do sistema e

temporal de energia e funcionando como elemento de flexibilidade,

aumenta os desafios de controle de frequência e tensão.

possibilitando integração de renováveis, digitalização e inteligência

O episódio mais recente dessa vulnerabilidade recente

operacional.

ocorreu na Península Ibérica, em 28 de abril de 2025: um apagão

Na distribuição, essa flexibilidade se traduz em controle de

generalizado que deixou milhões de pessoas sem eletricidade em

tensão, resiliência via microrredes, viabilização de atendimento

Portugal e Espanha. No Brasil, o mesmo tipo de fragilidade já se

remoto, integração de veículos elétricos e postergação de

manifestou. No Dia dos Pais de 2025, a geração distribuída chegou

investimentos em rede. No âmbito do SIN, o BESS ajuda a sustentar

a responder por 37,6% da demanda do sistema em pleno horário

a estabilidade do sistema, reduzir o curtailment renovável e ampliar

de baixo consumo residencial e comercial. Para manter o equilíbrio

a capacidade do país de integrar cada vez mais energia solar e

entre oferta e carga, o ONS precisou reduzir a geração hidrelétrica

eólica sem comprometer a segurança do fornecimento.

e termelétrica despachável e cortar a produção das usinas eólicas

Mas esse potencial só se realiza plenamente quando o

e solares centralizadas. O episódio não resultou em apagão, mas

armazenamento deixa de operar de forma isolada. A digitalização

evidenciou o quão estreita pode se tornar a margem operacional

das redes, somadas a modelos de negócio baseados em

em dias de alta geração renovável e baixa demanda.

agregadores e Virtual Power Plants, que transformam cada

É exatamente nesse tipo de cenário que o BESS se diferencia das

BESS individual em parte de um sistema coordenado, capaz de

fontes de flexibilidade tradicionais. Enquanto uma usina térmica

responder exatamente onde e quando a rede precisa. Mais do que

leva minutos para variar sua produção e uma hidrelétrica depende

uma tecnologia complementar, o armazenamento se afirma como

de disponibilidade hídrica, um sistema de armazenamento

elemento estruturante da Utility 4.0, um dos pilares sobre os quais

equipado com as funções de suporte à rede responde a distúrbios

se constrói um sistema elétrico mais resiliente, sustentável, flexível

em frações de segundo, sem depender de nenhum processo

e preparado para os desafios que a transição energética ainda vai

eletromecânico. O exemplo mais consolidado dessa capacidade

colocar.

é o da bateria de Hornsdale, na Austrália: instalada em 2017 com 100 MW de potência, o sistema passou a responder a eventos de contingência em frações de segundo, contra os vários segundos ou

[1]

Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), “Unidades

minutos típicos de geradores convencionais. Já no primeiro ano de

com Geração Distribuída,” 04 08 2026. [Online]. Available: https://

operação, a bateria reduziu em cerca de 90% o custo médio dos

app.powerbi.com/view?r=eyJrIjoiY2VmMmUwN2QtYWFiOS00Z-

serviços de regulação de frequência do estado da Austrália do Sul,

DE3LWI3NDMtZDk0NGI4MGU2NTkxIiwidCI6IjQwZDZmOWI4LWVjY-

e em 2019 chegou a gerar economia da ordem de AUD 116 milhões

TctNDZhMi05MmQ0LWVhNGU5YzAxNzBlMSIsImMiOjR9.

ao sistema por meio da prestação desses serviços ancilares. Em um

[2]

Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), “Avalia-

episódio de novembro daquele mesmo ano, quando uma falha na

ção de alterações no perfil da carga associadas à MMGD não regis-

interligação isolou a Austrália do Sul do restante da rede nacional,

trada,” 17 04 2026. [Online]. Available: https://agenciainfra.com/

foi justamente a resposta rápida da bateria que evitou um apagão

blog/wp-content/uploads/2026/04/CTA-ONS-DPL-0571-2026-Aval-

na região, sustentando a frequência local até a normalização da

iacao-de-alteracoes-no-perfil-da-carga-associadas-a-MMGD-nao-

interligação.

registrada-Assinado.pdf. [Acesso em 04 08 2026].

Casos como o de Hornsdale ilustram por que o armazenamento

[3]

Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), “Dados

vem sendo cada vez mais reconhecido como um agente ativo de

abertos - Tensão em regime permanente,” 01 04 2026. [Online]. Avai-

formação e sustentação da rede, e não apenas um recurso passivo

lable:

de energia. Ao assumir parte do papel antes exclusivo das máquinas

-conformidade-do-nivel-de-tensao-em-regime-permanente.

síncronas, o BESS devolve ao sistema uma margem de segurança

Fascículo

REFERÊNCIAS

[4]

https://dadosabertos.aneel.gov.br/dataset/indicadores-deOperador Nacional do Sistema (ONS), “Curtailment - infor-

que, de outra forma, se estreitaria à medida que a participação

mações sobre a gestão de excedentes energéticos,” [Online]. Availa-

renovável avança. É esse suporte que, em última instância,

ble: https://www.ons.org.br/Paginas/faq_curtailment.aspx. [Acesso

permite que mais energia solar e eólica seja integrada à matriz

em 17 08 2026].

sem comprometer a estabilidade que sustenta o fornecimento de eletricidade.

[5]

Empresa de Pesquisa Energética (EPE), “Boletim Trimestral

de Consumo de Eletricidade,” 06 2026. [Online]. Available: https:// www.epe.gov.br/pt/publicacoes-dados-abertos/publicacoes/bole-

3 - CONCLUSÃO O armazenamento de energia vem se consolidando como um dos pilares da transição energética, indo além do deslocamento

26

tim-trimestral-de-consumo-de-eletricidade. [Acesso em 06 08 2026]. *Henrique Parreiras Couto, M.Sc ´eEngenheiro de Gestão de Ativos Distribuição, da Cemig


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Instalações elétricas - média e baixa tensão O mercado de instalações elétricas de baixa e média tensão vive um momento ímpar, com a atualização de normas importantes para o segmento, como, por exemplo, a NBR 5410 e NBR 14039. Sob a coordenação do eng. Luiz Carlos Catelani, faremos uma abordagem técnica dos principais pontos dessas revisões, com comentários e explicações voltados à aplicação prática em projetos e instalações. Catelani é graduado em Física e em Engenharia Elétrica pela Unicamp, possui ampla experiência em proteção de sistemas elétricos, subestações de alta tensão, linhas de transmissão e plantas industriais. É membro do COBEI/CB-03 e da IEC TC 64, com atuação direta em normalização e requisitos de segurança para instalações elétricas.

Capítulo 6 Proteção contra arcos elétricos em atendimento às novas normas

Os riscos elétricos estão entre os mais críticos em instalações e serviços com eletricidade, especialmente em sistemas de baixa e média tensão, onde falhas podem resultar em acidentes de elevada gravidade. Entre esses riscos, destaca-se o arco elétrico, fenômeno caracterizado pela liberação abrupta de energia térmica, luminosa, acústica e de pressão, capaz de causar queimaduras severas, lesões fatais e danos significativos a equipamentos e instalações. Diferentemente do choque elétrico, o arco elétrico pode afetar trabalhadores mesmo sem contato direto com partes energizadas, tornando sua análise e mitigação indispensáveis no contexto da segurança elétrica. Com a revisão das normas técnicas e de segurança a adoção de medidas de proteção coletiva e de engenharia são prioritárias antes

Fascículo

mesmo da definição do EPI.

Hierarquia das medidas de controle – cortesia NIOSH©

Os projetos deverão prever dispositivos que protejam as instalações, pessoas e mantenedores do risco oriundo de um arco elétrico.

A NBR 14039 – Instalações elétricas de média tensão de 1,0 kV a 36,2 kV tem caráter eminentemente técnico e construtivo,

A NR-10 – Segurança em Instalações e Serviços em Eletricidade

estabelecendo critérios de projeto, montagem, operação e

estabelece os requisitos mínimos de gestão do risco elétrico, com

manutenção das instalações. Seu enfoque na segurança está

foco direto na preservação da vida e da saúde dos trabalhadores. A

relacionado à redução da probabilidade de falhas elétricas que

norma exige a identificação dos perigos associados às instalações

possam dar origem a curtos-circuitos e arcos elétricos. A norma

e atividades, a avaliação dos riscos envolvidos — incluindo

trata de aspectos como coordenação e seletividade da proteção,

explicitamente os efeitos do arco elétrico — e a adoção de medidas

especificação adequada de equipamentos, níveis de isolamento,

de controle segundo a hierarquia de proteção.

sistemas de aterramento, intertravamentos, compartimentação

28


de painéis, distâncias de segurança e condições de acesso a partes

de Cálculos para Energia Incidente, a corrente de arco é uma função

energizadas. Ao exigir soluções construtivas e operacionais que

da tensão do sistema, da corrente de curto-circuito disponível, do

limitem a exposição do trabalhador e facilitem manobras seguras, a

espaçamento entre condutores (que define o comprimento do arco)

NBR 14039 atua de forma preventiva, reduzindo tanto a frequência

e da localização do arco (em um invólucro ou ao ar livre).

quanto a severidade de eventos de arco elétrico. Dentre os tópicos abordados:

A energia incidente do arco elétrico à qual uma pessoa está exposta é uma função da distância do arco (distância de trabalho), da corrente de arco e da duração do arco (tempo de eliminação).

a) utilização de um ou mais dos seguintes meios: Ei =

– Dispositivos de abertura sob carga; – Chave de aterramento resistente ao curto-circuito presumido;

k . Ibf . V . t Dx

– Sistemas de intertravamento;

Onde:

– Fechaduras com chave não intercambiáveis;

k : constante em função da configuração

b) corredores operacionais tão curtos, altos e largos quanto possível;

Ibf : corrente de curto circuito franca [kA]

c) coberturas sólidas ou barreiras ao invés de coberturas perfuradas

V : tensão nominal do sistema [kV]

ou telas;

t: tempo para eliminação do arco elétrico [s]

d) equipamentos ensaiados para resistir às faltas de arco internas;

D: distância do arco elétrico ao operador [cm]

e) emprego de dispositivos limitadores de corrente;

x : valor que depende da configuração

f ) seleção de tempos de interrupção muito curtos, o que pode ser obtido através de relés instantâneos ou através de dispositivos

Desses três fatores, o profissional tem maior controle sobre o

sensíveis a pressão, luz ou calor, atuando em dispositivos de

tempo de eliminação, e a melhoria desse tempo recebe considerável

interrupção rápidos;

atenção. O tempo de eliminação depende das características do

g) operação da instalação a uma distância segura.

dispositivo que detecta a corrente de arco e atua para eliminar a falha. Uma premissa fundamental na análise de risco de arco elétrico

Para as instalações elétricas em em média tensão as medidas

é que um arco em um invólucro de equipamento envolve todo o

mais efetivas e complementares são o uso de equipamento

invólucro, tornando qualquer dispositivo de proteção dentro do

resistente ao arco interno e o emprego de dispositivos sensíveis à luz

invólucro incapaz de eliminar a falha de arco. Isso significa que a

para promover o rápido desligamento frente a ocorrência de um arco

duração do arco é baseada no tempo de eliminação do dispositivo

elétrico.

de proteção imediatamente a montante da localização da falha de

Conforme descrito na norma IEEE 1584, Guia para Realização

arco, que também está em um invólucro separado.

29


Diagrama recomendado para instalação relé de arco – cortesia Schneider - Electric©

Um relé de arco consiste em um equipamento sensível a luz e/

- Estudo de caso de um painel de alimentação geral de distribuição

ou corrente que promove a deteção de um arco elétrico de maneira

em 13,80 kV.

muito rápida. Para garantir proteção de pessoas e minimizar danos

- Painel de média tensão com inserção e extração do disjuntor porta

no equipamento e cabos recomenda – se que o tempo de atuação

fechada.

total (relé de arco + disjuntor) seja inferior a 85 ms.

- Transformador de 25 MVA. - Icc = 10,40 kA - Distância para cálculo 91 cm. - Configuração HCB. - Tempo da unidade proteção de sobrecorrente (ANSI 50P) – 6kA curva DT 400 ms. - O cálculo de energia incidente só é feito na configuração de porta aberta. - Sem o uso do relé de arco (400+65 ms): 11,71 cal/cm2 - Com o uso do relé de arco (7+65 ms): 1,19 cal/cm2 A vantagem do uso de um relé que detecta arco elétrico por luz e corrente é:

Fascículo

• Reduz a energia incidente • Reduz o dano causado no equipamento Gráfico da energia x tempo – cortesia Schneider - Electric©

• Permite a sua aplicação em equipamentos antigos • Não interfere na coordenação e seletividade

Em sistemas de média tensão consegue-se uma interrupção em

De uma forma geral, o uso de relés de arco elétrico é uma das

72 ms (disjuntor 65 ms + relé arco 7 ms). Em sistema de baixa tensão

formas de atender as diretrizes das normas técnicas e de segurança

o tempo é ligeiramente inferior a 42 ms (disjuntor 35 ms + relé arco

para a proteção coletiva para arcos elétricos. Além de garantir

7 ms). Lembrando que para cálculo do valor de energia incidente, a

segurança de pessoas, minimiza o dano aos equipamentos frente a

norma IEEE 1584 – 2018 recomenda que nenhum tempo de cálculo

um arco elétrico desde que devidamente instalado promovendo o

usado seja inferior a 50 ms por razões de segurança.

desligamento à montante do painel protegido.

30


31


Data centers: a fronteira do setor elétrico Em grande expansão no país, o mercado de data centers vem levantando debates sobre a coexistência de grandes oportunidades em contraste com desafios estruturais ligados à oferta, à confiabilidade e à eficiência da energia elétrica. Ao longo do ano, o tema será esmiuçado aqui, a partir da coordenação do Engenheiro Mecânico formado pela Universidade de Brasília (UnB), Alexandre Kontoyanis, que possui especialização em Gerenciamento de Projetos pela FGV e ampla experiência em operação, manutenção e confiabilidade de ambientes críticos de alta complexidade e disponibilidade. Atualmente, é Diretor de Educação da Associação Brasileira de Data Center- ABDC.

Capítulo 6 classificação de geradores em data centers: análise técnica da ISO 8528-1:2018 e dos requisitos de operação contínua Análise normativa e estratégica sobre ratings de potência e sua aderência aos requisitos do Uptime Institute e da ANSI/TIA-942-C

Fascículo

Por Alexandre Kontoyanis

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1 - INTRODUÇÃO

a limitações temporais podem ser insuficientes para aplicações de alta disponibilidade e como a adoção de ratings compatíveis com

No ecossistema de um Data Center, o grupo gerador (engine-

operação prolongada — como COP, PRP adequadamente derated ou

generator plant) não é meramente um sistema de backup; constitui

classificações específicas de data center — representa uma decisão

um dos elementos fundamentais para assegurar a continuidade da

fundamental na gestão de riscos da infraestrutura.

operação. Na filosofia adotada pelo Uptime Institute, a disponibilidade da concessionária não elimina a necessidade de que a planta de geração

2 - A NORMA ISO 8528-1:2018: VISÃO GERAL

local seja configurada, dimensionada e classificada para sustentar a carga crítica sem limitação de tempo de operação. Essa premissa

A ISO 8528-1:2018 representa o consenso internacional sobre

difere da lógica convencional de engenharia elétrica predial, na qual a

o desempenho de grupos geradores acionados por motores de

concessionária é usualmente considerada a fonte primária e o gerador

combustão interna. Esta norma internacional define cinco categorias

uma fonte secundária de emergência.

de classificação — ESP, PRP, LTP, COP e DCP (Data Centre Power) —

A complexidade dessa infraestrutura exige que engenheiros e

baseadas em variáveis como o fator de carga médio, o perfil de carga

gestores dominem as especificações técnicas que regem os motores

e, crucialmente, a limitação das horas de operação anuais. A categoria

alternativos de combustão interna (RIC). A norma ISO 8528-1:2018 atua

DCP foi introduzida na edição de 2018 especificamente para atender

como o balizador técnico para essas especificações, definindo como

às demandas de data centers, reconhecendo a singularidade dessas

a potência deve ser medida e entregue sob diferentes condições de

aplicações em relação às classificações tradicionais.

estresse. A falha em alinhar o rating do gerador com a carga real do Data

A essência da norma reside na categorização da capacidade de

Center pode resultar em derating significativo, desgaste prematuro de

entrega de energia com base em quatro pilares: o fator de carga médio

componentes internos e, no pior cenário, o desligamento térmico ou

(média ponderada da carga aplicada em relação à potência nominal),

mecânico do sistema durante uma crise.

as horas de operação anuais permitidas, a capacidade de sobrecarga

Além da ISO, normas como a ANSI/TIA-942 e os padrões do

(overload) e o perfil de carga (se a carga é constante ou varia ao longo do

Uptime Institute criam um framework de conformidade que impacta

tempo). Estes parâmetros são fundamentais para o dimensionamento

diretamente o Capital Expenditure (CAPEX) e o Operational Expenditure

térmico do sistema de arrefecimento e para a resistência mecânica dos

(OPEX). Este artigo explora por que ratings de emergência sujeitos

componentes móveis do motor.

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É importante notar que a ISO 8528-1:2018 não impõe uma

generalizados a todos os fabricantes e modelos. O perfil de carga do PRP

classificação, mas fornece as definições para que o fabricante declare

é variável, o que se alinha a diversas aplicações industriais e de geração

a capacidade de seu equipamento. Para profissionais de Data Center,

principal.

a compreensão dessas definições permite diferenciar uma aplicação

Embora o PRP ofereça a vantagem de horas anuais ilimitadas, o

sujeita a limitações temporais de outra em que o grupo gerador, de

fator de carga médio aplicável impõe um desafio de dimensionamento.

acordo com o rating e as condições declaradas pelo fabricante, pode

Se a carga média de um Data Center ao longo do período de referência

sustentar a operação por períodos prolongados ou por um número

atingir, por exemplo, 90% da potência PRP, o grupo gerador poderá

ilimitado de horas.

precisar ser derated ou selecionado em potência superior para manter a aplicação dentro das condições declaradas pelo fabricante. Esse aspecto

3 - AS CINCO CLASSIFICAÇÕES DA ISO 8528-1:2018

aumenta a importância de se analisar o perfil temporal da carga, e não apenas sua demanda máxima. O próprio Uptime Institute admite

3.1 - Emergency Standby Power (ESP) A classificação Emergency Standby Power (ESP) é definida como a

ratings Prime devidamente derateds como solução compatível com o requisito de Tier III/IV.

potência máxima disponível durante uma sequência de carga variável, sob condições operacionais reais, para a qual o grupo gerador é capaz

3.3 Limited-Time Power (LTP)

de fornecer energia em caso de interrupção da rede elétrica. O fator

A classificação Limited-Time Power (LTP) é destinada a aplicações

de carga médio permitido em um período de 24 horas é de 70% da

onde o gerador fornece uma carga constante por um número limitado

potência nominal ESP, a menos que acordado de outra forma com o

de horas. O fator de carga médio é de 100% da potência nominal LTP,

fabricante. Esta classificação é estritamente para uso em emergências,

mas o tempo de operação é restrito, geralmente a um máximo de 500

onde a duração da falha é curta.

horas por ano. Não há capacidade de sobrecarga permitida para esta

Tecnicamente, o rating ESP destina-se à alimentação de cargas

categoria.

variáveis durante interrupções da fonte normal e possui uma limitação

O perfil de carga para LTP é constante (non-varying), o que o torna

de horas de operação associada à classificação. A ISO 8528-1 estabelece,

ideal para aplicações de peak shaving (corte de picos de demanda) ou

para essa aplicação, um limite anual de operação, não havendo

suporte à rede em horários de ponta, onde a duração da operação é

capacidade de sobrecarga incorporada ao rating ESP. O perfil de carga

previsível e limitada. É uma classificação comum em contratos de gestão

deve ser analisado em conjunto com o fator de carga médio e com as

de demanda de energia, onde o objetivo é puramente econômico e não

demais condições declaradas pelo fabricante.

de resiliência de longa duração.

Para Data Centers de missão crítica, um rating ESP sujeito a limitação

No contexto de missão crítica, a principal restrição do LTP é

temporal representa uma restrição relevante. Em caso de interrupção

justamente seu limite temporal de utilização. Embora o rating possa

prolongada da concessionária, o número máximo de horas associado

atender à potência requerida durante o período previsto de operação,

ao rating pode ser atingido antes do restabelecimento da fonte externa.

uma classificação com número máximo de horas não satisfaz,

A operação, além das condições declaradas para o rating, extrapola o

isoladamente, o requisito do Uptime Institute de que a planta de

regime de aplicação considerado para aquela classificação e deve ser

geração de um site Tier III ou Tier IV possa sustentar a demanda N sem

avaliada à luz dos requisitos de manutenção, de vida útil e de garantia

limitação de runtime.

estabelecidos pelo fabricante. Sob a ótica do Uptime Institute, um rating standby sujeito a limitação de tempo de operação não satisfaz, por si só, o requisito aplicável aos grupos geradores de instalações Tier III e Tier IV.

3.4 - Continuous Operating Power (COP) A classificação Continuous Operating Power (COP) define a potência máxima que o grupo gerador é capaz de fornecer continuamente,

Fascículo

3.2 - Prime Rated Power (PRP)

alimentando uma carga elétrica não variável durante um número

A classificação Prime Rated Power (PRP) refere-se à potência que

ilimitado de horas anuais, nas condições operacionais acordadas e

um gerador pode fornecer continuamente com carga variável por um

observados os intervalos e procedimentos de manutenção definidos

número ilimitado de horas anuais. Diferente do ESP, o PRP é projetado

pelo fabricante. Trata-se, portanto, de um rating concebido para

para situações onde não há conexão com a concessionária ou onde a

aplicações de operação contínua.

rede é extremamente instável. O fator de carga médio típico é de 70% da

O COP não incorpora a capacidade de sobrecarga em sua definição

potência nominal PRP em qualquer período de 24 horas, embora alguns

e pressupõe um perfil de carga não variável. Essa característica o

fabricantes permitam valores superiores mediante análise técnica.

diferencia do PRP e de ratings específicos para data centers que

Uma característica possível do PRP é a disponibilidade de

admitem variações de carga durante operação ilimitada. Por isso, sua

capacidade de sobrecarga por períodos limitados. Quando prevista

aplicação exige compatibilidade entre o rating selecionado, a demanda

pelo fabricante, essa capacidade pode superar a potência nominal em

de projeto e o comportamento esperado da carga ao longo do tempo.

até 10% durante intervalos definidos de operação. Entretanto, os limites

Para Data Centers, o COP apresenta uma vantagem importante:

de duração e de horas acumuladas de sobrecarga devem ser verificados

sua definição não impõe uma limitação anual de runtime. Dessa forma,

na documentação técnica do equipamento específico, não devendo ser

quando adequadamente dimensionado para a demanda N e para as

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Classificação

Fator de Carga Médio

Horas/Ano

Sobrecarga

Perfil de Carga

Adequação Tier III/IV

ESP

70%

200h

Não

Variável

Inadequada (Limite 200h)

PRP

Conforme rating /

Ilimitadas

Conforme fabricante

Variável

Adequada com restrições

500h

Não

Conforme aplicação

Inadequada (Limite 500h)

Ilimitadas

Não

Constante

Totalmente Adequada se

Ilimitadas

Conforme fabricante

Variável ou contínua

Depende de condições

fabricante LTP

Até potência LTP declarada

COP

Até potência COP declarada

DCP

Definida pelo fabricante

dimensionado para N específicas declaradas pelo fabricante

condições ambientais do site, o COP atende diretamente ao critério

4 - TABELA COMPARATIVA DAS CLASSIFICAÇÕES

temporal estabelecido pelo Uptime Institute para grupos geradores de instalações Tier III e Tier IV. Essa característica torna o COP uma alternativa

A tabela acima sintetiza as principais diferenças técnicas entre

tecnicamente conservadora e de fácil demonstração documental em

as cinco classificações da ISO 8528-1:2018, facilitando a análise

processos de certificação.

comparativa para fins de especificação em projetos de missão crítica.

3.5 - Data Centre Power (DCP) A classificação Data Centre Power (DCP) foi incorporada à ISO 85281:2018 especificamente para aplicações de data center. Diferentemente

5 - O REQUISITO DO UPTIME INSTITUTE: TIER STANDARD TOPOLOGY

Fascículo

do COP, que considera carga não variável, o DCP admite a alimentação de carga elétrica variável ou contínua por um número ilimitado de horas

O Uptime Institute, por meio do Tier Standard: Topology,

de operação, aproximando o rating das características operacionais

estabelece os critérios para certificação da infraestrutura de Data

observadas em centros de dados.

Centers. Para instalações Tier III e Tier IV, um dos requisitos relevantes

Entretanto, o DCP apresenta uma particularidade relevante para

para a planta de geração é sua capacidade de sustentar a demanda

sua especificação. A potência efetivamente disponível não deve ser

N sem limitação de runtime. Essa exigência decorre da necessidade

presumida exclusivamente com base na denominação da classificação:

de que a infraestrutura suporte a carga crítica independentemente

cabe ao fabricante estabelecer o nível de potência que o grupo gerador

da duração de eventual indisponibilidade da fonte externa.

pode fornecer para atender à aplicação, considerando as características

Consequentemente, um rating ESP que imponha limite de

do site, a disponibilidade de uma rede confiável e eventuais adaptações

horas de operação não satisfaz, naquela condição, o requisito

de hardware, software ou do plano de manutenção.

aplicável à planta de geração de um site Tier III ou Tier IV. Isso

Dessa forma, o DCP não deve ser interpretado simplesmente

não significa, entretanto, que apenas o COP seja admissível. O

como um COP para cargas variáveis, nem como sinônimo dos ratings

próprio Uptime Institute esclarece que podem se qualificar ratings

proprietários oferecidos pelos fabricantes. Embora todos estejam

contínuos, ratings Prime adequadamente derated e ratings Standby

relacionados à operação de data centers, suas condições de aplicação

que não apresentem limitações de runtime, desde que sustentem

devem ser analisadas individualmente.

a demanda requerida.

Essa distinção também é relevante para a certificação Tier. O

O Uptime Institute reforçou este posicionamento no

Uptime Institute exige que a planta de geração destinada a Tier III e

Accredited Tier Designer Technical Paper Series: Engine-Generator

Tier IV seja capaz de sustentar a demanda N sem limitação de runtime.

Ratings. O documento esclarece que a conformidade não é

Portanto, a simples designação DCP não é suficiente para concluir pela

apenas uma questão de "rodar o gerador", mas de garantir que

conformidade: é necessário verificar se o nível de potência declarado

ele possa rodar pelo tempo que for necessário. Em auditorias de

pelo fabricante para aquela aplicação atende integralmente à demanda

certificação, a documentação do fabricante (datasheet) deve

do site sem depender, para esse desempenho, da disponibilidade da

demonstrar que o rating declarado suporta a carga de projeto sem

concessionária.

restrições temporais, protegendo o investimento contra falhas de

Em consequência, a principal vantagem conceitual do DCP é

infraestrutura externa de longo prazo.

reconhecer formalmente a especificidade dos data centers dentro da ISO 8528-1:2018, permitindo cargas variáveis ou contínuas e operação

6 - CRITÉRIOS PARA SELEÇÃO DO RATING EM DATA CENTERS

por horas ilimitadas. Sua aplicação, entretanto, permanece dependente da declaração específica do fabricante e das condições de projeto do empreendimento.

36

6.1 - Requisito de Confiabilidade e Disponibilidade A confiabilidade em Data Centers está diretamente relacionada


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à capacidade de sustentar a operação durante indisponibilidades

a 80% de seu rating. Essa condição deve ser confrontada com o

prolongadas da fonte externa. Nesse contexto, ratings sem

fator de carga médio admitido pelo fabricante para determinar a

limitação de runtime reduzem o risco de que a própria classificação

necessidade de derating ou de seleção de outro rating.

do grupo gerador se torne uma restrição à continuidade da

O COP, ao permitir operação contínua até a potência declarada

operação. O COP apresenta uma vantagem clara nesse aspecto,

para aquele rating e sob carga não variável, alinha a capacidade

pois admite operação por um número ilimitado de horas sob carga

do equipamento à realidade da carga crítica. Isso permite um

não variável, desde que observadas as condições ambientais e os

dimensionamento mais preciso (right-sizing). Em vez de comprar

procedimentos de manutenção especificados pelo fabricante.

um gerador PRP muito maior apenas para "encaixar" a carga nos

A seleção de um rating compatível com o regime efetivo de

70% permitidos, o engenheiro pode selecionar um gerador COP

operação reduz a possibilidade de utilização do equipamento fora

cuja potência nominal coincida com a demanda máxima projetada,

das condições consideradas pelo fabricante. Para uma infraestrutura

otimizando o uso de espaço e recursos.

de missão crítica, essa compatibilidade entre potência, perfil

O regime de carga também influencia o comportamento

de carga, runtime, condições ambientais e manutenção é mais

térmico e a combustão do motor. Operações prolongadas em

relevante do que a simples potência máxima indicada na placa do

cargas excessivamente baixas podem favorecer fenômenos como

grupo gerador.

o wet stacking, razão pela qual o perfil de utilização deve ser considerado tanto no dimensionamento quanto na estratégia

6.2 - Conformidade com Certificação

de testes e de manutenção. Isso não significa, entretanto, que a

Em projetos que buscam certificação Tier III ou Tier IV,

operação permanente a 100% seja necessariamente o ponto ideal

a documentação do sistema de geração deve demonstrar o

para todos os motores ou aplicações; devem prevalecer as faixas e

atendimento aos requisitos aplicáveis à demanda N. O COP

condições recomendadas pelo fabricante.

apresenta simplicidade conceitual nesse aspecto, pois sua própria definição contempla operação por um número ilimitado

7 - CONSIDERAÇÕES SOBRE ESPECIFICAÇÃO E PROJETO

de horas. Entretanto, essa característica não torna o COP a única solução possível, uma vez que outros ratings podem atender

A especificação de um sistema de geração para um Data Center

ao mesmo requisito quando adequadamente declarados e

deve ir além da mera escolha do rating. Recomenda-se que os

dimensionados.

engenheiros projetistas realizem uma análise aprofundada das

O DCP (Data Centre Power), por sua vez, é uma classificação

condições ambientais do site. Altitudes elevadas e temperaturas

formal da ISO 8528-1:2018 criada para aplicações de data center e

ambientais extremas podem provocar derating da potência

admite carga variável ou contínua durante horas ilimitadas. Contudo,

disponível. Um gerador classificado como COP para 25°C ao nível

a potência aplicável é definida pelo fabricante considerando as

do mar pode não entregar o mesmo desempenho em uma cidade

condições específicas da aplicação, inclusive a disponibilidade de

a 1000 metros de altitude, com picos de 40°C. Esses fatores devem

uma utility confiável. Dessa forma, sua designação não deve ser

ser considerados no rating efetivamente selecionado para garantir

interpretada, isoladamente, como demonstração automática de

a entrega da demanda N nas condições ambientais de projeto.

Fascículo

conformidade Tier.

Outro ponto vital é a validação do sistema de arrefecimento.

Projetos também podem utilizar ratings PRP mediante derating

Radiadores, ventiladores, circuitos de água, sistemas de ventilação

ou ratings específicos desenvolvidos por fabricantes para aplicações

da sala e demais componentes de rejeição de calor devem ser

de data center. Nesses casos, a documentação técnica deve tornar

dimensionados para a potência efetivamente requerida nas

inequívocos a potência disponível, o perfil de carga admitido e a

condições ambientais de projeto. Temperatura ambiente, altitude,

inexistência de restrições temporais incompatíveis com a demanda

restrições de instalação e recirculação de ar podem reduzir a

N. A escolha entre COP e alternativas deve, portanto, resultar de

capacidade disponível do grupo gerador e devem ser consideradas

uma avaliação conjunta de confiabilidade, dimensionamento,

em conjunto com o rating declarado.

espaço, custo, perfil operacional e requisitos de certificação.

Finalmente, a integração com o plano de comissionamento e manutenção é essencial. Testes com bancos de carga devem

6.3 - Fator de Carga e Perfil de Operação

verificar o desempenho do sistema nas condições de projeto

Data Centers modernos podem apresentar patamares elevados

previstas, respeitando as limitações e recomendações do fabricante.

de consumo durante longos períodos. Nesse contexto, o fator de

A documentação do rating, dos critérios de derating, das condições

carga médio associado ao rating deve ser analisado com atenção.

ambientais e dos resultados dos testes nas Basis of Design (BOD) e

Se, por exemplo, a carga média de um grupo gerador PRP de

nos registros de comissionamento contribui para assegurar que a

2.000 kW ao longo do período de referência for de 1.600 kW, o

estratégia de alta disponibilidade do proprietário seja efetivamente

equipamento estará submetido a uma carga média equivalente

traduzida na infraestrutura instalada.

38


8 - CONCLUSÃO

das aplicações de data center, especialmente a possibilidade de cargas variáveis ou contínuas por períodos ilimitados. Sua utilização, contudo,

A análise técnica das classificações estabelecidas pela ISO 8528-

exige análise das condições específicas declaradas pelo fabricante, não

1:2018 demonstra que a escolha do rating de um grupo gerador

devendo sua denominação ser interpretada automaticamente como

tem implicações diretas sobre a confiabilidade, o dimensionamento

equivalente ao COP ou como garantia isolada de conformidade Tier. De

e a capacidade de uma infraestrutura de Data Center de sustentar

forma semelhante, ratings proprietários, como o Prime-DCP da Caterpillar,

sua operação durante indisponibilidades prolongadas da fonte

devem ser avaliados com base nas características efetivamente declaradas

externa. A seleção não deve se limitar à potência nominal indicada

em seus respectivos datasheets.

na placa do equipamento, mas deve considerar conjuntamente o perfil de carga, o fator de carga médio, as condições ambientais,

REFERÊNCIAS

a capacidade de sobrecarga, os requisitos de manutenção e, especialmente, eventuais limitações de runtime. Para instalações que buscam atendimento aos requisitos Tier III e

1.

ISO 8528-1:2018 - Reciprocating internal combustion engine driven

alternating current generating sets — Part 1: Application, ratings and

Tier IV do Uptime Institute, o elemento determinante é a capacidade da

performance. International Organization for Standardization.

planta de geração de sustentar a demanda N sem limitação de runtime.

2.

Uptime Institute. Tier Standard: Topology. Uptime Institute LLC.

O COP atende diretamente a esse requisito temporal e representa, por

3.

Uptime Institute. Accredited Tier Designer Technical Paper Series:

isso, uma solução tecnicamente conservadora e de demonstração

Engine-Generator Ratings. Uptime Institute LLC.

documental relativamente simples. Não constitui, entretanto, a

4.

única alternativa: o próprio Uptime Institute admite ratings Prime

Telecommunications Industry Association.

adequadamente derated e ratings Standby sem limitação de runtime,

5.

desde que atendam integralmente à demanda requerida.

driven alternating current generating sets — Part 5: Generating sets.

A introdução do DCP (Data Centre Power) pela norma ISO 8528-1:2018 representa um avanço ao reconhecer formalmente as particularidades

6.

ANSI/TIA-942-C.

Data

Center

Infrastructure

Standard.

ISO 8528-5:2025 - Reciprocating internal combustion engine Caterpillar Inc. Understanding Generator Set Ratings. Electric

Power Technical Information.

39


O setor elétrico na era da IA: eficiência, segurança e novos paradigmas A inteligência artificial inaugurou uma nova fase para o setor elétrico, redefinindo padrões de eficiência, segurança e operação dos sistemas. Coordenado por Leo Almeida, Head of Sales, Energy & Industries do Google, este fascículo analisa como a IA vem sendo aplicada na geração, transmissão e distribuição de energia, além de discutir os novos paradigmas tecnológicos, regulatórios e operacionais que emergem com essa transformação.

Capítulo 6 Operação X: a revolução da inteligência artificial e a Visão 360º na sala de controle do SIN Um blueprint estratégico de eficiência de capital, antifragilidade e criação de valor para o C-SUITE do setor elétrico brasileiro

SUMÁRIO EXECUTIVO

nos encontramos no estágio embrionário de uma transmutação

Fascículo

setorial sem precedentes. Esta metamorfose, impulsionada por O Setor Elétrico Brasileiro (SEB) atravessa a transição mais

tecnologias habilitadoras disruptivas e modelos de gestão de

profunda e célere de sua história. A convergência entre a

vanguarda, converge para o paradigma da Visão 360°, redefinindo a

descentralização acelerada da carga, a transição para fontes

fronteira da inovação operacional.

renováveis não síncronas, a abertura total do mercado livre e o

Este artigo apresenta o conceito da Operação X (ou

avanço da regulação responsiva exige uma mudança estrutural na

Utility-X), que representa o novo paradigma operacional

forma como os ativos elétricos são geridos.

no qual a sala de controle deixa de ser um centro de custo e

Ao

longo

dos

últimos

anos,

tenho

implementação

de

diversas

iniciativas

acompanhado estruturantes

a

supervisão ativa/passiva para se consolidar como o motor

que

autônomo de eficiência de capital, proteção do EBITDA e

fundamentam este artigo. Contudo, é imperativo reconhecer que

garantia de resiliência sistêmica.

A Matriz de Criação de Valor da Operação X

40

R$ 12,6 BILHÕES / ANO

15% A 30% CAPACIDADE

RECUPERAÇÃO DE EBITDA

Valor da Coordenação do

Adicional via DLR/Atmos

Redução do Curtailment Eólica

SIN (Estudo PSR/ONS)

(Diferimento de CAPEX)

/ Solar (~25%)


MODELO CONVENCIONAL LEGADO

PARADIGMA DA OPERAÇÃO X (UTILITY-X)

Reativo e Passivo (Humano no SCADA)

Preditivo e Autônomo (Agentes de IA e Edge AI)

Amostragem Offline (A cada 2-4 segundos)

Telemetria Fasorial em Tempo Real (30-60 Hz WAMS)

Silos Isolados (GIS, SCADA, ERP, PSS/E)

Tecido Semântico Unificado via Ontologia CIM

Foco Estrito em Expansão de Ativos (CAPEX)

Eficiência de Capital e Valor do Negócio (EBITDA)

A liderança executiva das utilities brasileiras (CEOs, CFOs, CIOs e membros do Conselho de Administração) enfrenta uma

Os caminhos futurísticos da aplicação de IA na Operação englobam:

decisão estratégica existencial. O modelo tradicional de gestão de infraestrutura que está focado unicamente na expansão física pesada

1 - Automação Fechada de Borda (Edge AI): Decisão autônoma em

de ativos amortizados (Asset-Centric) e na supervisão humana

janela inferior a 500 milissegundos nas subestações de 500 kV e 750

reativa através de software SCADA convencional, que para os moldes

kV para contenção de colapsos dinâmicos de frequência e tensão.

atuais tornou-se financeiramente e fisicamente insustentável.

2 - Inteligência Climática de Alta Computação: Integração de modelos

A Operação X emerge como a resposta estratégica a esse

de aprendizado profundo probabilístico (Google WeatherNext)

impasse. Ela redefine a sala de controle como uma plataforma digital

executados em Supercomputadores (HPC) para previsão preventiva

aberta, preditiva e descentralizada (Customer-Centric), na qual a

de riscos atmosféricos e nowcasting de rampas renováveis.

Inteligência Artificial Agêntica de Tecnologia da Operação (TO) e

3 - Agentes Generativos Operacionais: Assistentes baseados nos

os dispositivos de computação na borda (Edge AI) orquestram o

Procedimentos de Rede do ONS para eliminação de "tempestades de

sistema elétrico em tempo real. Embora a maturidade dos modelos

alarmes" e diagnósticos de causa-raiz em segundos.

exija salvaguardas rigorosas contra alucinações algorítmicas que ameacem a integridade do SIN, a evolução exponencial da IA

A TRÍADE TEÓRICA DO SEB — TALEB, CHRISTENSEN E

Generativa e das arquiteturas emergentes pavimenta o caminho

SCHUMPETER NA TRANSIÇÃO DA TO

Barreto Eng_1-2Pág_2.pdf 1 07/07/26 20:16 para a consolidação desse roadmap disruptivo em um horizonte não

tão distante.

A transformação da sala de controle encontra embasamento conceitual rigoroso na fusão de três influentes teorias econômicas:

A sua segurança em instalações elétricas Prestação de serviços:

Cursos e treinamentos:

 Inspeção  Comissionamento  Consultoria  Perícia  Avaliação de projetos  Avaliação técnica de produto  Avaliação para acréscimo de carga

PROAP - Programação de atualização e aperfeiçoamento profissional  Conformidade das instalações elétricas  Curto-circuito, coordenação e seletividade  Instalações elétricas em E.A.S.  Manutenção em instalações elétricas de MT  P.D.A. e aterramento elétrico  Projeto de instalações elétricas BT  Projeto de instalações elétricas MT  Qualidade da energia elétrica www.barreto.eng.br (11) 5031-1326 São Paulo/SP

41


1. A Antifragilidade de Nassim Nicholas Taleb: Da Redoma de

CASO AXIA ENERGIA

Vidro à Hidra Operacional Nassim Taleb conceitua um sistema Frágil como aquele que

O Projeto Atmos, desenvolvido pela AXIA Energia (Eletrobras)

sofre danos catastróficos quando exposto à volatilidade. O SIN

com Google Cloud e Cepel, utiliza o modelo Google WeatherNext

histórico comportava-se como uma "Redoma de Vidro": estável

rodando em HPC para entregar:

enquanto protegido por grandes turbogeradores síncronos, porém vulnerável sob a penetração de Inverter-Based Resources (IBRs). A

1 - Previsão com Inteligência Artificial: Integra imagens de satélite,

Operação X estabelece a "Hidra Operacional" (Antifrágil): um sistema

radares e estações meteorológicas utilizando modelos avançados

que consome as oscilações e a intermitência como insumos de

de IA (como parcerias com o Google Cloud e o WeatherNext) para

aprendizado por reforço para se auto-otimizar.

reproduzir camadas da atmosfera. 2 - Mitigação de Riscos: Antecipa com antecedência eventos

2. O Dilema da Inovação de Clayton M. Christensen e o "Efeito

climáticos extremos, a exemplo de tempestades, enchentes e fortes

do Navio a Vela"

rajadas de vento que possam ameaçar torres e redes elétricas.

Christensen demonstra como empresas líderes fracassam ao

3 - Gestão Integrada: Funciona em conjunto com outras plataformas

investir no refinamento incremental de tecnologias legadas. No SEB, a

de controle de ativos para permitir a mobilização imediata de equipes

insistência em atualizar visualmente supervisórios SCADA analógicos

de operação e segurança antes que falhas aconteçam.

representa o "Efeito do Navio a Vela" (The Sailing Ship Effect). A expansão da Micro e Minigeração Distribuída, o Open Energy e a migração ao

CASO EQUATORIAL ENERGIA

mercado livre varejista exigem uma inteligência ágil de milissegundos. Para garantir a resiliência física e a eficiência econômica do SIN,

O Grupo Equatorial integrou TO/SCADA aos sistemas de

a sala de operação precisa de uma Visão 360° integrando quatro

inteligência climática e canais omnichannel via Equatorial Customer

dimensões críticas:

360:

1 - Inteligência Climática e Atmosférica: Previsão probabilística

1 - Visão integrada: Analisa fluxos de dados de canais como o telefone

(nowcasting) de rampas eólicas e solares e cálculo de capacidade

0800, agências presenciais, site, redes sociais e assistentes virtuais de

térmica via Dynamic Line Rating (DLR).

WhatsApp.

2 - Mercado, Despacho e Otimização Energética: Co-otimização

2 - Priorização de Despacho por Custo Financeiro Evitado: O

em janelas de 5 minutos de despacho e reserva operativa (RPO) pelo

sistema utiliza a criterios para priorizar circuitos com maior risco de

software NCP (PSR) e convergência com o PLD Horário.

multas pela REN 1.000/2021.

3 - Regulação, Governança e Explicabilidade: Mitigação de Parcela

3 - Ação antecipada: Identifica gargalos no atendimento e direciona

Variável (PV), consumo de metas de DIC/FEC (REN 1.000/2021) e

soluções rápidas para melhorar a experiência do cliente nas

blindagem semântica em Grafos de Conhecimento CIM.

concessionárias do grupo.

4 - Resiliência Digital e Cibersegurança OT: Latência de barramento

4 - Engajamento Transparente: Envio de notificações personalizadas

de controle e imunidade a ataques cibernéticos em protocolos de TO .

com Tempo Estimado de Restabelecimento (ETR) via WhatsApp, reduzindo a sobrecarga no call center.

O estudo "Projeto Valor Agregado do ONS", desenvolvido pela PSR Consulting e apoiado pelo Banco Mundial, quantificou que

A gestão de uma sala de controle no SIN não lida apenas

a atuação coordenada no SIN gera R$ 12,6 bilhões por ano em

com elétrons, mas com um dilúvio ininterrupto de informações:

benefícios:

Procedimentos de Rede do ONS, relatórios pós-operação (RAPs),

Fascículo

telemetria em tempo real, especificações técnicas de equipamentos e • Coordenação das Cascatas Hidrelétricas: R$ 6,36 bilhões/ano

regras de mercado dos orgãos reguladores e etc. O estresse cognitivo

(Otimização via modelo SDDP).

do operador humano, exposto a centenas de alarmes simultâneos

• Perturbações e Apagões Evitados: R$ 4,97 bilhões/ano (Ações de

durante uma perturbação sistêmica, é o calcanhar de Aquiles da

controle e monitoramento fasorial).

resiliência operacional.

• Plano de Ampliação e Reforços (PAR): R$ 470 milhões/ano

E se construíssemos uma resposta para esse desafio? Que reside

(Otimização do planejamento).

na transposição da metodologia Building a Second Brain (BASB), de

• Critérios de Aversão ao Risco: R$ 450 milhões/ano (Segurança em

Tiago Forte, para a Tecnologia da Operação (TO), combinada com o

cenários de hidrologia adversa).

poder de Grandes Modelos de Linguagem (LLMs). Ao terceirizar a

• Gestão da Reserva de Potência Operativa: R$ 365 milhões/ano

memorização e o processamento de primeiro nível para um cérebro

(Dimensionamento eficiente de reservas).

digital estruturado, a mente do operador é liberada para sua função

42


mais estratégica: julgamento crítico, liderança e tomada de decisão

Tiago Forte, a destilação ocorre por "Resumos Progressivos" manuais.

de alta velocidade.

Na Operação X, os LLMs realizam essa destilação instantaneamente.

O fluxo de processamento de informações de Tiago Forte

Durante uma contingência, em vez de folhear PDFs de 300 páginas,

— CODE (Capture, Organize, Distill, Express) abrange uma nova

o LLM destila os procedimentos exatos de restabelecimento em uma

dimensão quando automatizado por agentes de IA e LLMs:

lista concisa de 3 passos práticos em milissegundos. 4 - Expressar (Express) via Tomada de Decisão: A expressão máxima

1 - Capturar (Capture) com Fricção Zero: A captura de relatórios

do Segundo Cérebro na operação é a ação segura. O operador humano

pós-falha (RAP), boletins meteorológicos, transcrições de áudio de

utiliza a síntese gerada pelo cérebro digital para autorizar manobras

manobras de campo e alertas de SCADA deixa de ser uma tarefa

com segurança, gerar relatórios pós-operação em segundos e se

humana manual. Agentes de IA filtram e capturam automaticamente

comunicar de forma transparente com as equipes de campo e clientes.

os dados operacionais mais relevantes em tempo real, indexando-os A VISÃO OPERAÇÃO X PARA O C-SUÍTE

diretamente. 2 - Organizar (Organize) via PARA Operacional: Em vez de pastas temáticas estáticas que geram silos de informação, a estrutura

A transformação digital da operação não é uma opção

PARA (Projects, Areas, Resources, Archives) é aplicada com base na

tecnológica, é uma sobrevivência competitiva. A inércia estratégica

acionabilidade:

custa bilhões em EBITDA, multas regulatórias e desperdício de capital.

a - Projetos (Projects): Planos de contingência específicos para

Para o C-Suite, o tempo de discutir a viabilidade da "Operação X"

um evento climático iminente, comissionamento de uma linha

acabou. A pergunta que define o futuro da sua companhia é simples:

de transmissão específica ou uma auditoria regulatória em andamento.

1 - Eficiência: Você prefere continuar financiando a ineficiência de

b - Áreas (Areas): Responsabilidades contínuas sem data de

ativos legados ou quer converter volatilidade em EBITDA através de

término, como a manutenção preventiva de transformadores,

inteligência autônoma?

estabilidade dinâmica da subestação ou monitoramento de

2 - Capacidade: Sua empresa suportará taxas de curtailment

metas de DIC/FIC.

superiores a 25% sem uma gestão preditiva de ativos?

c - Recursos (Resources): Manuais técnicos de disjuntores,

3 - Resiliência: Sua sala de controle ainda é uma "Redoma de Vidro"

ontologias do Common Information Model (CIM) ou guias de

vulnerável ou já se tornou uma "Hidra Antifrágil" que aprende com

Procedimentos de Rede do ONS.

cada oscilação do SIN?

d - Arquivos (Archives): Relatórios de perturbações passadas (RAPs finalizados) ou auditorias regulatórias encerradas.

O "Segundo Cérebro" operacional não é um luxo, é o imperativo

O organizador de IA direciona automaticamente novas

cognitivo para um setor que exige decisões de milissegundos. O

informações para o quadrante PARA correto.

mercado não perdoa, e a tecnologia já está disponível. O custo da

3 - Destilar (Distill) Através de LLMs: No modelo tradicional de

inércia é o seu lucro de amanhã.

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43


Por dentro das normas

Confira insights e curiosidades sobre o processo de atualização das normas NR 10, NBR 13570 e NBR 17193 NBR 13570 INSTALAÇÕES ELÉTRICAS DE BAIXA TENSÃO | Por Paulo Barreto

INSTALAÇÕES ELÉTRICAS EM LOCAIS DE AFLUÊNCIA DE PÚBLICO: REQUISITOS ESPECÍFICOS

Publicada pela primeira vez em fevereiro/1996, com segunda

salas técnicas e ambientes análogos.

revisão publicada em 08/12/2021, essa norma apresenta requisitos para instalações elétricas em locais de afluência de público. Locais esses definidos na própria norma e que são caracterizados por

Portanto, muito cuidado com as distinções de “local” de afluência de público e “ambiente” acessível ou não acessível ao público.

possuírem certa dificuldade para as pessoas conseguirem abandonálos em segurança, em condições de incêndio. Os locais considerados

LINHAS ELÉTRICAS

como sendo de afluência de público são muitos e indicados no Anexo A da NBR 13570. A seguir são apresentados os principais requisitos da NBR 13570.

Só devem ser utilizados fios e cabos de cobre. Ou seja, não se admite fios e cabos de alumínio. Em todos os ambientes acessíveis e não acessíveis ao público os

DEFINIÇÕES

cabos devem ser livres de halogênio e com baixa emissão de fumaça e gases tóxicos (LSHF), independentemente do tipo de conduto.

Inicialmente, é importante entender dois termos muito empregados na norma quando se tratar de local de afluência de

Caso haja conduto aparente, este também deve ter essa mesma característica.

público: PROTEÇÃO CONTRA CHOQUES ELÉTRICOS • Ambiente acessível ao público: ambiente no qual é prevista a presença do público, nas condições normais de funcionamento e operação do local.

Em escolas, creches, locais de ensino e/ou práticas de esportes individuais ou coletivos e locais análogos, todos os tipos de circuitos

• Ambiente não acessível ao público: ambiente no qual não

em ambientes acessíveis ao público devem ser protegidos por

é prevista a presença do público, nas condições normais de

dispositivo DR com I∆n ≤ 30 mA, independentemente do esquema

funcionamento e operação do local. Tais como, áreas administrativas,

de aterramento adotado. Podem ser excluídos desse requisito os

44


pontos de tomada de corrente destinados aos circuitos de aparelhos de refrigeração (por exemplo, geladeira e freezer). OUTROS TÓPICOS Quadros de distribuição e quadros de distribuição terminal instalados em ambientes acessíveis ao público devem ter invólucro metálico ou, se for não metálico, que satisfaça o ensaio de fio incandescente especificado na norma ABNT NBR IEC 60695-11 na temperatura de 750 ºC. Se o quadro não metálico for instalado em parede oca (por exemplo, dry wall), a temperatura passa a ser de 850 ºC. Nos ambientes acessíveis ao público com área superior a 100 m2 devem ser previstos no mínimo dois circuitos terminais de iluminação. Lâmpadas instaladas em ambientes acessíveis ao público, situadas a uma altura inferior a 2,50 m do piso acabado, devem ser dotadas de proteção específica contra impactos ou outras solicitações mecânicas. Todo circuito terminal que sirva ambientes acessíveis ao público deve ser protegido contra sobrecorrentes por dispositivo que assegure o seccionamento simultâneo de todos os

Imagem criada por inteligência artificial

condutores fase (ou seja, não se admite fusível – nesses circuitos terminais).

45


Por dentro das normas

NBR 17193 SISTEMAS DE COMBATE A INCÊNDIOS – SCI PARA INSTALAÇÕES COM SISTEMAS FOTOVOLTAICOS | Por Marcos Rogério

BIPV - AS EXIGÊNCIAS DE PROTEÇÃO ALÉM DO CONCEITO ARQUITETÔNICO

Nas edificações BIPV - Sistemas Fotovoltaicos Integrados à

câmaras ventiladas ou selagens. Essa condição torna impossível

Construção, onde os módulos FV passam a integrar a envoltória

depender apenas de procedimentos manuais de desconexão em

da construção, a aplicação da NBR 17193 deve ser tratada

uma emergência.

como requisito de projeto desde a concepção arquitetônica.

Por essa razão, o uso de RSD (sistema de desligamento rápido)

Diferentemente de um sistema FV aplicado sobre uma cobertura

deve ser considerado essencial para a proteção em fachadas BIPV.

ou estrutura, o BIPV substitui ou compõe elementos de fachada,

O RSD reduz rapidamente a tensão dos circuitos FV para níveis

brises, guarda-corpo ou revestimento externo. Com isso, a

mais seguros após o acionamento do comando de emergência,

instalação elétrica deixa de ter um fácil acesso e passa a ficar

limitando a exposição de equipes de manutenção, bombeiros e

incorporada ao sistema construtivo sem acesso direto aos

usuários. Em uma fachada integrada, na qual não existe acesso

componentes após o fechamento da fachada.

prático aos componentes do FV, o RSD funciona como barreira

Em 1.1 somos informados que a norma “se aplica à segurança contra incêndios em instalações fotovoltaicas em edificações,

de segurança indispensável entre a geração FV e as pessoas que precisam atuar na edificação.

suas envoltórias e áreas de risco associadas.” Em fachadas BIPV, a

É essencial que o projeto defina onde o RSD será instalado,

aplicação da NBR 17193 precisa ser integrada às normas de reação

como será acionado, quais trechos permanecerão energizados, o

ao fogo dos materiais aplicados nas edificações e desempenho

tempo de resposta esperado e identificar o sistema como prescrito

de sistemas externos da fachada (NBR 16626). O objetivo não

em 8.1: “... todas as instalações que contenham SFV devem possuir

deve ser apenas garantir geração de energia, mas assegurar

placas indicativas e desenhos com detalhes físicos da instalação

que a solução não introduza riscos inaceitáveis de choque e

... “.

arco elétrico, ignição de materiais combustíveis ou propagação vertical de chamas.

Além do choque elétrico, a prevenção de incêndio exige atenção às falhas de conexão e ao arco elétrico. Conectores de

Exemplos típicos de aplicação incluem fachadas com vidro

fabricantes diferentes, crimpagem inadequada, umidade, isolação

fotovoltaico laminado, brises fotovoltaicos, guarda-corpos solares

envelhecida, esforços mecânicos e cabos pressionados por perfis

em varandas, revestimentos opacos geradores de energia em

podem gerar aquecimento e ignição. Como esses pontos podem

fachadas ventiladas. Em todos esses casos, o módulo FV deixa de

ficar inacessíveis após a montagem da fachada, o controle de

ser apenas equipamento elétrico; ele participa do desempenho da

qualidade deve ocorrer antes do fechamento do sistema.

fachada e deve ser analisado como parte do sistema construtivo.

Em fachadas ventiladas, o efeito chaminé merece cuidado

Um dos pontos críticos é a proteção de pessoas contra o

especial, pois o fluxo de ar na cavidade pode acelerar a propagação

choque elétrico. Enquanto houver irradiância, os módulos FV

vertical das chamas (Fig.1). A norma prescreve em 4.2.1 e 4.2.4 que

podem manter tensão c.c. mesmo com o disjuntor c.a. desligado.

a seleção dos materiais deve considerar classificação de reação ao

Diferente dos sistemas convencionais, no BIPV os condutores

fogo e compatibilidade com o uso em envoltórias.

ficam ocultos na fachada, atrás de vidros, perfis metálicos,

Fig. 1 - Sem barreiras

A propagação de incêndio em fachadas BIPV deve ser

Fig. 2 - Com barreiras


analisada como desempenho do conjunto, e não apenas do

A aplicação adequada da NBR 17193 em BIPV depende, então,

módulo FV isolado. O projeto deve evitar continuidade vertical

de coordenação entre arquitetura, elétrica, fachada, segurança

de materiais combustíveis, prever barreiras corta-fogo entre

contra incêndio e operação predial. Com essa abordagem, a

pavimentos, selagens adequadas nas passagens de cabos,

edificação poderá produzir energia limpa sem comprometer

interrupções de cavidade conforme Fig.2, proteção de aberturas e

a segurança dos ocupantes, das equipes de manutenção e dos

ser compatível com a compartimentação da edificação.

agentes de emergência.

SEGURANÇA EM INSTALAÇÕES E SERVIÇOS EM ELETRICIDADE | Por Aguinaldo Bizzo

PERSPECTIVAS COM A NOVA NR-10

A atualização da NR 10 é resultado de um processo iniciado há

diferentes tipos de instalações e sistemas elétricos.

quase seis anos no âmbito da CTPP (Comissão Tripartite Paritária

A atualização representa um marco histórico justamente por

Permanente), reunindo representantes do governo, empregadores e

tornar a norma mais abrangente e compatível com a realidade

trabalhadores. Mais do que revisar dispositivos técnicos, procurou-se

atual das atividades desenvolvidas com eletricidade. A revisão

adequar a norma às transformações ocorridas no setor elétrico

incorpora novas tecnologias, aperfeiçoa os critérios de gestão dos

nas últimas duas décadas, incorporando novos cenários de risco, a

riscos elétricos, fortalece o planejamento das atividades e amplia a

evolução das tecnologias e da matriz energética (solar, eólica, carros

proteção para trabalhadores que antes não eram contemplados de

elétricos, outros), além da necessidade de alinhamento com a atual

forma clara, como profissionais de telefonia e telecomunicações que

estrutura das Normas Regulamentadoras, especialmente a NR-1.

atuam em redes compartilhadas ou em proximidade de instalações

Em um cenário marcado pela expansão de novas tecnologias, pela

elétricas.

diversificação das fontes de energia e pela crescente complexidade

Promove uma transformação estrutural, altera a forma como as

das instalações elétricas, a prevenção também precisou evoluir. É

organizações devem enxergar a segurança elétrica, onde a própria

nesse contexto que surge a nova redação da NR-10 (Segurança em

denominação da norma deixa evidente essa mudança ao deslocar o

Instalações Elétricas e Serviços em Eletricidade). Publicada pelo MTE

foco para a segurança das instalações elétricas. “A eletricidade deixou

(Ministério do Trabalho e Emprego) por meio da Portaria nº 737, de

de ser apenas um bem de consumo e passou a ser matéria-prima

29 de maio de 2026, a revisão representa a mais ampla atualização da

dos processos produtivos. A principal mudança de paradigma é

norma em mais de duas décadas.

compreender que a segurança começa na construção de instalações

Embora sua vigência esteja prevista apenas para junho de 2027,

elétricas seguras”.

o texto já impõe às empresas a necessidade de revisar processos,

Na prática, isso significa que a prevenção deixa de estar centrada

documentos, capacitações e critérios técnicos para garantir

apenas no comportamento do trabalhador e passa a começar

conformidade e maior proteção aos trabalhadores.

ainda na fase de projeto das instalações. A nova NR 10 determina

Além de incorporar novos requisitos, a norma reforça uma

que os memoriais descritivos considerem as influências externas

mudança de conceito: a gestão do risco elétrico passa a estar

previstas nas normas técnicas da ABNT, os critérios de segurança

integrada ao GRO (Gerenciamento de Riscos Ocupacionais),

das instalações de baixa e média tensão, os estudos de energia

alinhando-se à NR-1 e consolidando a hierarquia das medidas de

incidente e de classificação de áreas, quando aplicáveis, além de

prevenção. A prioridade passa a ser a eliminação do perigo por meio

outras medidas de engenharia necessárias para reduzir a exposição

de soluções de engenharia e da desenergização das instalações,

aos riscos elétricos.

antes da adoção das medidas coletivas, administrativas e do uso de EPI (Equipamento de Proteção Individual).

Também passa a incorporar, de forma explícita, requisitos técnicos das normas ABNT NBR 5410, para instalações elétricas de

A revisão atualiza definições técnicas, reorganiza treinamentos,

baixa tensão, da ABNT NBR 14039, para instalações de média tensão,

amplia exigências relacionadas ao risco de arco elétrico, altera

e referências internacionais relacionadas ao gerenciamento do risco

critérios para documentação e incorpora novos requisitos para

de arco elétrico.

47


Espaço Aterramento

Descargas atmosféricas *Paulo Edmundo da Fonseca Freire é engenheiro eletricista e Mestre em Sistemas de Potência (PUCRJ). Doutor em Geociências (Unicamp), membro do Cigre e do Cobei e sócio na Paiol Engenharia.

A

s descargas atmosféricas constituem um dos fenômenos

Breakdown Stage), no qual o intenso campo elétrico existente no

naturais mais complexos da eletrodinâmica da atmosfera,

interior da nuvem desencadeia os primeiros processos de ionização

envolvendo uma sucessão de processos físicos que

do ar. Nessa fase, surgem pequenos canais descontínuos de plasma,

ocorrem em diferentes escalas espaciais, de centímetros a vários

acompanhados de intensos pulsos de radiofrequência, conhecidos

quilômetros, e temporais, de nanossegundos a centenas de

como Initial Breakdown Pulses (IBPs), que constituem alguns dos

milissegundos. O desenvolvimento de um raio vai muito além do

primeiros sinais observáveis da formação da descarga. Em seguida,

clássico modelo, formado por um líder descendente seguido de uma

ocorre o processo de ruptura baseado em streamers (Fast Streamer-

descarga de retorno, e compreende uma sequência de mecanismos

Based Breakdown). Os streamers são finos filamentos ionizados que

interdependentes que controlam a iniciação, a propagação, a

se propagam rapidamente sob a ação do campo elétrico, formando

conexão com o solo e o decaimento do canal ionizado. Em conjunto,

uma extensa rede de regiões ionizadas. Esses filamentos promovem

esses processos mostram que uma descarga atmosférica é um

a ruptura progressiva do ar e estabelecem as condições necessárias à

fenômeno extremamente complexo, dinâmico e multifásico, no

formação e ao desenvolvimento do canal principal da descarga.

qual mecanismos de ionização, propagação de plasma, transporte

À medida que a descarga evolui, forma-se o líder descendente,

de carga, aquecimento e interação eletromagnética atuam de forma

que avança de forma descontínua, por meio de sucessivos saltos.

integrada.

Cada salto corresponde à formação de um novo segmento de

A descarga atmosférica envolve diversos processos de ruptura

canal, geralmente com dezenas de metros de extensão, seguido de

dielétrica, ramificação, reconexão e reativação do canal, cuja

uma breve pausa. Durante esse intervalo, processos de ionização

compreensão é essencial tanto para o estudo da física dos raios

e de transporte de carga contribuem para o desenvolvimento

quanto para o desenvolvimento de sistemas mais eficazes de

e a reconstituição das condições necessárias à continuidade da

proteção contra descargas atmosféricas. A formação, a propagação

propagação. Essa propagação por saltos está associada à intensa

e, finalmente, a conexão do canal da descarga com o solo ou

atividade eletromagnética. Na extremidade do líder encontra-se a

com estruturas situadas em sua superfície envolvem processos

chamada zona de streamers (Streamer Zone), uma região altamente

eletromagnéticos extremamente complexos. Esses processos

ionizada, composta por numerosos filamentos que se estendem à

incluem a iniciação do canal, sua propagação por meio de líderes e

frente do canal principal. Essa zona funciona como uma frente de

streamers, a fase de conexão com o solo ou com estruturas elevadas,

ionização que explora continuamente novas regiões do espaço,

a formação da descarga de retorno e os diversos fenômenos

criando as condições para o avanço subsequente do líder.

subsequentes que se desenvolvem no interior e nas proximidades

Observações realizadas com câmeras ultrarrápidas revelaram

do canal, como descargas subsequentes, componentes M, corrente

que, à frente da extremidade do líder, podem surgir pequenas

contínua e líderes abortados, que não conseguem completar sua

regiões luminosas denominadas space stems. Essas estruturas

propagação.

constituem núcleos localizados de ionização que podem evoluir

Dentre os diversos processos físicos envolvidos, destacam-se o

para space leaders, pequenos canais de plasma que se desenvolvem

estágio inicial de ruptura do dielétrico do ar, associado à formação e

independentemente e, posteriormente, podem estabelecer conexão

propagação de streamers; os sucessivos saltos do líder escalonado;

com o canal principal. A interação e a conexão dessas estruturas com

as zonas de streamers; os space stems e space leaders; as chamadas

o líder constituem parte importante do mecanismo responsável pela

agulhas (needles); a descarga de retorno; as descargas subsequentes;

formação dos sucessivos saltos do líder escalonado.

as componentes M; e os líderes abortados. O processo tem início com o estágio de ruptura inicial (Initial

48

Durante a formação e a evolução da descarga também podem surgir as chamadas agulhas (needles), pequenas estruturas ou


descargas luminosas observadas no interior ou nas proximidades de

significativos. Em determinadas circunstâncias, uma descarga desse

canais previamente formados. Essas estruturas têm curta duração e

tipo pode provocar a ignição de vapores inflamáveis em atmosferas

podem se repetir diversas vezes. Embora tenham sido observados

classificadas ou, caso um líder ascendente se desenvolva a partir de

experimentalmente, seu mecanismo físico e seu papel exato na

uma pessoa, produzir consequências fisiológicas graves.

evolução do canal ainda não estão completamente compreendidos. Quando o líder descendente se aproxima do solo, o campo elétrico na superfície aumenta significativamente, favorecendo a formação de líderes ascendentes a partir de objetos elevados. Quando um desses líderes estabelece conexão com o líder descendente, forma-se um canal condutor contínuo entre a nuvem e o solo. Nesse instante ocorre a descarga de retorno (Return Stroke), durante a qual uma corrente intensa, que pode atingir dezenas ou centenas de kA, propaga-se rapidamente a partir da região de conexão com o solo em direção à nuvem. O canal é aquecido a temperaturas da ordem de 30.000 K, superiores às da fotosfera solar (a superfície do Sol que nós vemos). Esse aquecimento intenso produz a emissão luminosa característica do raio e uma rápida expansão do ar, gerando uma onda de choque responsável pelo trovão. A descarga de retorno é uma das fases do raio que produz os maiores esforços elétricos e eletromagnéticos sobre instalações e sistemas elétricos. Após a descarga de retorno, o canal permanece parcialmente ionizado e com elevada condutividade durante um determinado intervalo de tempo. Nesse período, podem ocorrer descargas subsequentes, nas quais um novo líder, normalmente um dart leader, utiliza o canal previamente formado e reestabelece a conexão com o solo, produzindo uma nova descarga de retorno. A repetição desse processo explica a ocorrência de múltiplas descargas no mesmo canal ionizado. Também podem ocorrer as chamadas componentes M, que correspondem a variações ou injeções adicionais de corrente em um canal já estabelecido. Diferentemente de uma nova descarga de retorno, a componente M apresenta variação de corrente geralmente mais lenta e de amplitude menor do que a associada às descargas impulsivas e contribui para a manutenção do canal ionizado. Ao longo da evolução da descarga, pode também persistir uma componente de corrente contínua (continuing current), cuja intensidade é muito inferior aos picos das descargas impulsivas, mas cuja duração é muito maior, podendo alcançar dezenas ou centenas de milissegundos. Em razão de sua longa duração, a corrente contínua pode transferir uma quantidade significativa de carga e produzir efeitos térmicos significativos, incluindo aquecimento e ignição de materiais inflamáveis, além de contribuir para danos térmicos em estruturas atingidas. Finalmente, durante a evolução da descarga podem ocorrer líderes abortados, tanto descendentes quanto ascendentes. São estruturas de ionização que iniciam sua propagação, mas não conseguem completar a conexão necessária para formar ou sustentar um canal contínuo e, consequentemente, deixam de avançar e se extinguem. Embora suas correntes sejam muito inferiores às associadas às descargas de retorno, podem produzir efeitos locais

49


Espaço Cigre-Brasil

Inteligência Artificial Generativa: impactos e desafios para a operação dos sistemas elétricos Por Alberto Arkader Kopiler*

A

operação dos sistemas elétricos de potência vive grandes

ajuste fino (fine-tuning) e Geração Aumentada por Recuperação

transformações. A expansão das fontes renováveis, a

(RAG), além de discutir arquiteturas em nuvem, locais e híbridas.

descentralização e a digitalização tornam as redes mais

Em aplicações críticas, destaca-se a combinação de modelos

dinâmicas e complexas. Nesse cenário, decisões rápidas e

especializados com bases documentais e sistemas corporativos,

precisas garantem a segurança, a confiabilidade e a continuidade do fornecimento de energia.

preservando privacidade, rastreabilidade e segurança. Desenvolvida de forma colaborativa por especialistas do setor

Os centros de operação, apoiados na experiência dos

elétrico, a brochura também consolida uma pesquisa com empresas

operadores, em procedimentos técnicos e em sistemas SCADA/EMS,

brasileiras e reúne iniciativas nacionais e internacionais. Entre

lidam com volume crescente de informações, alarmes e eventos

as aplicações de maior interesse estão a consulta inteligente de

simultâneos. A renovação das equipes e as ameaças cibernéticas

documentos, o apoio à decisão, a análise de alarmes, o treinamento

exigem ferramentas capazes de reduzir a carga cognitiva e facilitar o

de operadores e a automação de fluxos técnicos. Também são

acesso ao conhecimento operacional.

abordados sistemas multiagentes aplicados à operação.

É nesse contexto que a Inteligência Artificial Generativa (IAG)

Os resultados mostram que a IAG pode reduzir o tempo de

surge como uma tecnologia de grande potencial para a operação e

resposta, ampliar o aproveitamento do conhecimento corporativo

o controle de sistemas de potência. Por meio dos Grandes Modelos

e apoiar uma operação mais eficiente e resiliente. Sua adoção,

de Linguagem, torna-se possível consultar documentos técnicos

entretanto, deve ser gradual e orientada por risco, com validação,

em linguagem natural, interpretar instruções operativas, resumir

explicabilidade, proteção contra alucinações e supervisão humana. A

registros e apoiar a análise de alarmes e a tomada de decisão. Mais do

tecnologia deve ampliar a capacidade do operador, que permanece

que automatizar tarefas, a IAG cria novas formas de interação entre

responsável pelas decisões de maior impacto.

operadores, sistemas e bases de conhecimento.

A publicação oferece, assim, uma visão técnica e prospectiva

Diante desse cenário, o Comitê de Estudos C2 - Operação e

sobre a incorporação da IA Generativa à operação e à modernização

Controle de Sistemas de Potência, do CIGRE-Brasil, por meio do GT

segura do setor. O sumário da brochura está disponível para consulta

C2.52, publicou a brochura técnica “O Impacto da IA Generativa na

pública no portal do CIGRE-Brasil. O conteúdo completo em PDF é

Operação e Controle de Sistemas de Potência sob uma Perspectiva

um dos benefícios oferecidos aos associados, que também podem

Operacional”. O documento analisa fundamentos, aplicações,

consultar o acervo técnico e participar da elaboração de novos

oportunidades, limitações e riscos da IAG em ambientes operacionais

estudos.

críticos, propondo diretrizes para sua adoção segura. A publicação apresenta conceitos como Grandes Modelos de Linguagem (LLMs) e Pequenos Modelos de Linguagem (SLMs),

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*Alberto Arkader Kopiler é pesquisador sênior do Cepel e coordenador do Grupo de Trabalho GT C2.52 do CIGRE-Brasil.


O total de investimento previsto para o setor é de R$ 260 bilhões até 2030

C

huvas intensas no Sul, estiagem prolongada no Norte

mais sujeitas às queimadas, monitoramento remoto e integração

e Nordeste, ondas de calor no Centro-Oeste e Sudeste.

com serviços de meteorologia ajudam a antecipar riscos durante

Em um país de dimensões continentais, o El Niño não

o período seco.

impõe um único desafio às distribuidoras de energia,

Os planos de contingência são outra ponta importante. Com

mas vários ao mesmo tempo. Para responder a cenários tão

base na experiência acumulada nos últimos anos, houve uma

distintos, o setor antecipou investimentos, revisou protocolos e

extensa atualização. Em termos práticos, quando há previsão de

ampliou o uso de tecnologia para tornar as redes mais resilientes

um evento extremo, as empresas conseguem reforçar equipes,

diante de eventos climáticos extremos.

ampliar estoques de materiais, reposicionar equipamentos e

"A preparação começa muito antes da chegada de uma

direcionar profissionais para as áreas de maior risco. Os Centros

tempestade ou de um período de seca. O setor está investindo

de Operação acompanham a evolução das condições climáticas

R$ 260 bilhões até 2030 para tornar as redes mais modernas

em tempo real e coordenam toda a resposta.

e resilientes. Desse total, cerca de 40% será destinado à

Outro diferencial é a cooperação entre distribuidoras.

modernização e projetos de resiliência, como automação,

Acordos de compartilhamento permitem que equipes, veículos

digitalização e reforço estrutural da rede. É uma resposta à nova

e equipamentos sejam deslocados rapidamente de uma área de

realidade climática do país", afirma a presidente da Abradee,

concessão para outra sempre que um evento de grande porte

Patricia Audi.

supera a capacidade operacional local. A atuação integrada

A preparação começa antes mesmo dos eventos climáticos

ganhou força após ocorrências em São Paulo e no Rio Grande

extremos. Drones, imagens de satélite, sensores térmicos e

do Sul e passou a fazer parte da estratégia permanente do

outras tecnologias ajudam a monitorar áreas de difícil acesso,

setor.

identificar pontos de risco e antecipar situações que podem comprometer a rede elétrica.

O trabalho também depende de uma forte articulação com o poder público e esse diálogo começou antes que as situações

Durante os eventos, a tecnologia também permite respostas

de crise ocorressem. O objetivo é facilitar a atuação conjunta

mais rápidas. Sensores inteligentes identificam falhas em tempo

quando for necessário. Assim, as distribuidoras, a Defesa Civil,

real, enquanto redes autorrecuperáveis, conhecidas como

o Corpo de Bombeiros, as prefeituras e os órgãos ambientais

self-healing, conseguem isolar automaticamente os trechos

realizam um esforço coordenado para liberar acessos, retirar

danificados e buscar caminhos alternativos para manter o

árvores, isolar áreas de risco e criar as condições necessárias

fornecimento.“Na prática, quando um evento climático provoca

para que as equipes possam reparar ou reconstruir a rede com

uma ocorrência na rede, esses sistemas conseguem identificar

segurança. Em muitos casos, o desafio não é apenas religar a

rapidamente onde está o problema, isolar aquele trecho e

energia, mas substituir equipamentos danificados.

redirecionar a energia por outro caminho. Isso reduz a quantidade

"As mudanças climáticas exigem uma adaptação permanente.

de consumidores afetados e ajuda a acelerar a recomposição do

Eventos extremos passaram a ocorrer com maior frequência e

serviço”, explica Patrícia Audi, presidente da Abradee.

intensidade, tornando indispensável combinar investimentos,

Além disso, as ações preventivas em campo têm papel

inovação, planejamento e atuação coordenada entre empresas

fundamental. As distribuidoras ampliaram a poda preventiva

e poder público. É esse conjunto de ações que permite reduzir

de árvores, reforçaram estruturas, modernizaram subestações

os impactos para a população e acelerar o restabelecimento do

e intensificaram a limpeza das faixas de segurança. Nas regiões

fornecimento", conclui Patricia Audi.

51

Espaço Abradee

Distribuidoras reforçam tecnologia e planejamento para enfrentar os desafios do El Niño


Reportagem

MÉDIA TENSÃO: TECNOLOGIAS AVANÇAM PARA REFORÇAR A RESILIÊNCIA DOS CIRCUITOS Em resposta aos desafios impostos por eventos climáticos extremos, religadores, cabos, sensores e sistemas de automação ganham novas funcionalidades Por: Fernanda Pacheco

A infraestrutura elétrica brasileira está sendo pressionada por

traduzir esse desafio em números: uma forte chuva registrada

desafios que chegam de diferentes direções. Enquanto a expansão

naquele período deixou 158.268 imóveis sem energia elétrica

da inteligência artificial, dos data centers, da geração distribuída

na Grande São Paulo, sendo 137 mil endereços afetados apenas

e da eletrificação aumenta a complexidade da operação e criam

na capital paulista. O relatório Estado do Clima, Extremos de

novas demandas para o sistema, eventos climáticos extremos

Clima e Desastres no Brasil em 2025, do Centro Nacional de

colocam à prova a capacidade das redes de manter o fornecimento

Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden),

e se recuperar de ocorrências. Entre a necessidade de acompanhar

mostra que o episódio foi apenas um entre os diversos eventos

a transformação tecnológica e a de se preparar para condições

extremos registrados ao longo do ano, que também contabilizou

cada vez mais adversas, a resiliência ganhou espaço como um dos

sete ondas de calor, sete ondas de frio e chuvas excepcionais,

caminhos para tornar a infraestrutura elétrica mais preparada para o

como os 689,4 milímetros acumulados em Teresópolis (RJ) em

que vem pela frente.

abril, volume 548% superior à média histórica. No total, os

Um episódio ocorrido em dezembro de 2025 ajuda a

desastres registrados em 2025 afetaram diretamente 336.656

Laboratório de pesquisa da Prysmian em Poços de Caldas (MG), voltado ao desenvolvimento e testes de cabos de energia de alta e média tensão. Imagem: divulgação/Prysmian.

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pessoas e provocaram aproximadamente R$ 2,9 bilhões em danos materiais. Esse cenário ganha ainda mais relevância diante da formação de um novo episódio de El Niño em 2026. Associado ao aquecimento anômalo das águas do Pacífico equatorial, o fenômeno altera padrões de chuva, temperatura e vento e pode produzir efeitos distintos entre as regiões brasileiras. As projeções indicam um episódio potencialmente forte, com modelos apontando para um pico de aquecimento superior a 3°C no Pacífico entre setembro e dezembro, embora a intensidade final ainda seja incerta. Para o setor elétrico, a possibilidade de mudanças nos regimes de chuva e temperatura reforça a necessidade de considerar diferentes cenários climáticos no planejamento da infraestrutura. No caso das distribuidoras, essa adaptação envolve não apenas antecipar os possíveis impactos sobre a rede, mas também estar preparada para identificar falhas, isolar trechos afetados e recompor o fornecimento rapidamente. É nesse contexto que equipamentos instalados diretamente nos circuitos de média tensão vêm incorporando novas tecnologias, materiais e recursos de automação, acompanhando a necessidade de tornar a infraestrutura mais preparada para condições adversas. Religadores, cabos, isoladores e dispositivos de proteção contra sobretensões estão entre os componentes que passam por esse processo de evolução, com diferentes estratégias para reduzir vulnerabilidades e preservar a

Religador TripSaver II instalado em uma rede de distribuição da Copel, no Paraná. A solução contribui para a resiliência do sistema ao detectar faltas temporárias e restabelecer automaticamente o fornecimento. Imagem: divulgação/S&C.

continuidade do fornecimento. No caso da Chardon Group, a direcionalidade tem sido apontada DO RELIGAMENTO À AUTOMAÇÃO

como uma das principais mudanças observadas nos religadores nos

Entre os equipamentos que atuam de forma mais direta

últimos anos. De acordo com o gerente de vendas e aplicação da

na resposta às ocorrências estão os religadores automáticos.

empresa, Rafael Junqueira, a expansão da geração distribuída, com fontes

Ao detectar uma condição anormal, eles podem interromper o

como usinas fotovoltaicas e pequenas centrais hidrelétricas conectadas

circuito e, de acordo com a configuração e o tipo de falha, tentar

aos circuitos, passou a exigir equipamentos capazes de identificar e

restabelecer o fornecimento ou manter isolado o trecho afetado.

atuar sobre falhas nos dois sentidos do fluxo de energia. Assim, além

Mais recentemente, a evolução desses dispositivos passou a envolver

do tradicional sentido fonte-carga, os religadores precisam reconhecer

também a automação de operações e a comunicação com outros

ocorrências também no sentido carga-fonte.

elementos do sistema, ampliando seu papel na gestão dos circuitos.

A mudança representa uma diferença importante em relação à lógica

Na avaliação da S&C Electric Company, essa ampliação das

radial tradicional, na qual o fluxo de energia seguia predominantemente

funcionalidades está entre as principais evoluções do segmento.

em uma única direção. Junqueira explica que, atualmente, as

A empresa destaca soluções como os religadores TripSaver® II e

concessionárias também instalam religadores em pontos de interligação

TripSaver FX®, que incorporam recursos voltados à automação

entre circuitos, permitindo que outra linha assuma parte da carga em caso

da distribuição e à redução dos impactos das interrupções sobre

de falha. A transferência, por sua vez, exige que os equipamentos contem

consumidores e concessionárias.

com medições de tensão dos dois lados.

Essa automação não se restringe apenas aos religadores.

Para a Magvatech, empresa de origem israelense que iniciou, em

Outro exemplo citado pela fabricante são os interruptores de falta

2022, a fabricação de todo o seu portfólio de produtos e equipamentos

IntelliRupter® PulseCloser®, que permitem identificar ocorrências

no Brasil, parte dessa evolução está na própria tecnologia empregada nos

e isolar automaticamente os trechos afetados, preservando o

religadores. Um exemplo está na combinação de interruptores a vácuo e

fornecimento aos consumidores não atingidos pela falha. Em situações

atuadores magnéticos, que permite desenvolver equipamentos com alta

como tempestades e outros eventos severos, a solução pode contribuir

capacidade de operação, baixa necessidade de manutenção e elevada

para reduzir tanto a extensão quanto a duração das interrupções.

vida mecânica. Na atual família de religadores da Magvatech, há modelos

53


Reportagem

especificados para até 30 mil operações de abertura e fechamento, além

planejam sua operação e mobilizam recursos diante de situações de

de sensores integrados de corrente e tensão.

risco. Na Copel Distribuição, esse trabalho envolve o acompanhamento

Entre os recursos citados pela fabricante estão ainda registros de

das condições meteorológicas e a tradução das previsões em possíveis

eventos e faltas, oscilografia e comunicação com sistemas de supervisão

impactos sobre a rede, como indica o diretor de Operação e Manutenção

e controle. Com isso, o equipamento passa a fornecer informações que

da companhia, Gustavo Theodor: “A Copel atua fortemente na utilização

podem ser utilizadas não apenas durante uma ocorrência, mas também

de previsões meteorológicas, não apenas de médio e longo prazo,

na análise posterior do comportamento do circuito, ampliando as

mas também de curto prazo. Em parceria com o SIMEPAR (Sistema de

possibilidades de diagnóstico e permitindo acompanhar padrões de falha

Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná), desenvolvemos uma

e de operação ao longo do tempo.

solução que utiliza inteligência artificial para traduzir essas previsões em impactos operacionais. O sistema considera as variáveis climáticas e nos

Os materiais, sem dúvidas, também entram nessa equação A resiliência também depende da capacidade dos componentes físicos de suportar condições adversas de operação. Nas redes aéreas de distribuição,

apresenta o potencial de clientes que podem ser interrompidos, levando em conta a topologia da rede, as condições da vegetação e características históricas”.

o Grupo Alubar produz cabos cobertos de alumínio com múltiplas camadas

Essa abordagem ganha importância justamente porque eventos

de proteção, desenvolvidas para aumentar a resistência ao aquecimento e às

severos podem ser localizados e ter duração muito curta. Theodor indica

agressões ambientais. A empresa relaciona o uso desses cabos à necessidade

que determinados fenômenos, como tornados, podem oferecer uma

de manter a confiabilidade do fornecimento em condições como ventos

janela de apenas minutos para preparação, o que torna a antecipação e a

fortes, chuvas intensas, variações de temperatura e queimadas.

capacidade de mobilização elementos centrais da resiliência. A partir dos

Entretanto, quando a questão são os componentes elétricos, novas

cenários previstos, a Copel pode antecipar turnos de equipes e operadores,

soluções precisam estar em sintonia com requisitos técnicos, normas e

reforçar estoques, cancelar ou antecipar desligamentos programados e

processos de validação, como explica o gerente de Engenharia de Produtos

adotar outras medidas previstas em seu plano de contingência.

da Alubar, Thiago Alves Ferreira: “Por se tratar de um segmento altamente

O caso de um intenso tornado que atingiu os municípios de Rio

regulamentado, as inovações tendem a ocorrer de forma gradual e

Bonito do Iguaçu (PR) e região, em novembro do ano passado, ilustra essa

suportadas por extensos programas de ensaios e validações. Dessa forma,

lógica: segundo a companhia, mais de 300 postes foram substituídos e

os elementos construtivos básicos dos cabos permanecem relativamente

100% da rede foi restabelecida em menos de 72 horas, resultado atribuído

estáveis, com avanços mais direcionados ao aperfeiçoamento de

à prontidão das equipes e dos materiais, à coordenação operacional e à

materiais, processos produtivos e requisitos de desempenho específicos”.

articulação com autoridades locais.

Outra camada de proteção dos circuitos está nos para-raios de média tensão, que atuam diante de surtos provocados por descargas

O clima muda. Os critérios de projeto também.

atmosféricas, manobras de chaveamento e outras sobretensões

A necessidade de rever padrões não se limita às decisões das

transitórias. Tais equipamentos conduzem para a terra, de forma

distribuidoras. De acordo com dados do Instituto Nacional de Pesquisas

controlada, a corrente associada ao surto, limitando a sobretensão e

Espaciais (INPE) enviados à Revista O Setor Elétrico, já há evidências

protegendo ativos como transformadores, cabos e religadores.

de aumento dos eventos de precipitação diária extrema no Brasil,

De acordo com Leandro Borges, Market Manager de High Voltage

especialmente nas regiões Sul e Sudeste, além de mudanças na

Products da Hitachi Energy no Brasil, a principal evolução desse tipo de

intensidade dos ventos observadas nos últimos anos. O instituto também

equipamento está no uso de resistores de óxido metálico (MOV) sem

aponta um crescimento consistente da frequência e da duração das ondas

centelhadores, que oferecem resposta rápida e capacidade de absorção

de calor nas últimas quatro décadas.

de energia. Os invólucros poliméricos de silicone também substituíram

Diante desse cenário, a adaptação passa também por uma mudança

amplamente soluções mais antigas baseadas em porcelana, trazendo

na forma de projetar e manter a infraestrutura. Os pesquisadores André

menor peso e maior resistência a condições como radiação ultravioleta,

Rodrigues Gonçalves, Felipe Husade Poyer e Rodrigo Santos Costa, do

umidade, névoa salina e poluição industrial.

INPE, defendem a incorporação de projeções climáticas ao planejamento

Borges menciona que as tecnologias atuais também permitem

da infraestrutura elétrica, em substituição à dependência exclusiva das

posicionar os para-raios em pontos estratégicos da rede, como

séries históricas. Para eles, “com a intensificação dos eventos extremos,

transformadores de distribuição e trechos críticos de alimentadores,

critérios tradicionais de dimensionamento precisam ser revistos para

abordagem que contribui para limitar a propagação dos efeitos de um

incorporar projeções climáticas e reconhecer explicitamente as incertezas

evento severo e acelerar a recuperação do sistema após perturbações.

associadas”. Entre as medidas apontadas estão a atualização das normas

“Os para-raios não evitam a ocorrência do fenômeno climático, mas

de projeto, o planejamento baseado em projeções climáticas, o uso de

reduzem significativamente seus impactos sobre a infraestrutura elétrica,

previsões meteorológicas na operação e a adoção de uma manutenção

aumentando a continuidade do fornecimento de energia”, acrescenta.

orientada por risco.

Resiliência começa antes da falha

climáticos não é simples e, por isso, demanda muita cautela. Modelos

“No entanto, é importante lembrar que a incorporação de cenários A preparação dos sistemas para eventos extremos passa também

climáticos globais, isoladamente, não representam adequadamente

pela forma como as distribuidoras monitoram as condições da rede,

fenômenos locais, como tempestades severas e microexplosões”,

54


ressaltam os pesquisadores. Eles defendem que é necessário combinar

exemplo, os disjuntores digitais EvoPacT HVX contam com sensores

regionalização climática, observações, reanálises e modelagem de alta

integrados que permitem acompanhar a condição de componentes

resolução para produzir informações úteis à engenharia. “O objetivo

e obter diagnósticos voltados à manutenção preditiva. O produto foi

deixa de ser projetar para um único cenário e passa a ser construir uma

desenvolvido para aplicações de longa vida útil, com capacidade para até

infraestrutura robusta e adaptável diante de diferentes futuros climáticos

50 mil operações, monitoramento de condição integrado e inteligência

possíveis”, concluem.

baseada em IoT.

Mais dados, mais inteligência na operação

Schneider Electric, Patrícia Cavalcanti, essa tecnologia representa

Para a vice-presidente de Digital Energy e Power Products da À medida que sensores, medidores, religadores e outros dispositivos

uma mudança na forma de acompanhar e manter os equipamentos.

passam a produzir uma quantidade maior de dados, cresce também a

“Trazer a conectividade para o interior do disjuntor possibilita que a

necessidade de sistemas capazes de organizar essas informações e apoiar

máquina comunique seu estado operacional aos gestores. Isso muda

a operação da rede. A EDP Brasil, por exemplo, concluiu recentemente a

completamente a rotina de manutenção, que deixa de ser reativa e passa

implantação de um Advanced Distribution Management System (ADMS),

a ser preditiva.”

uma ferramenta que reúne em uma única plataforma informações antes

O sensoriamento também pode ser utilizado para acompanhar

distribuídas em diferentes sistemas. A companhia afirma que a solução

continuamente as condições de operação dos equipamentos. Neste caso,

amplia a capacidade de acompanhar a rede em tempo real, identificar

Patrícia menciona o uso de sensores sem fio instalados em barramentos

situações de risco e coordenar a operação. Além disso, ela permite a

e conexões, capazes de monitorar o comportamento térmico e emitir

incorporação de informações meteorológicas ao monitoramento da rede,

alertas diante de alterações anormais. A vice-preseidente explica que os

contribuindo para uma preparação mais adequada diante de diferentes

algoritmos analisam não apenas o valor absoluto da temperatura, mas

cenários.

também alterações em seu perfil, permitindo que a plataforma identifique

“Mais do que uma modernização tecnológica, estamos construindo

mudanças em tempo real e emita alertas imediatos.

as bases para uma distribuição de energia cada vez mais inteligente, resiliente e preparada para os desafios da transição energética. Ao integrar

Inteligência artificial amplia o mapa de riscos

dados, processos e pessoas em uma única plataforma, ampliamos nossa

Tamanha camada de informação também abre espaço para

capacidade de antecipar eventos, responder com mais agilidade às

aplicações de inteligência artificial voltadas à identificação antecipada

ocorrências e oferecer um serviço cada vez mais seguro, eficiente e

de riscos. Essa é a proposta das soluções da Fu2re Smart Solutions,

confiável aos nossos clientes”, declara o diretor-presidente de Distribuição

startup que utiliza o SmartVision AI como plataforma para treinamento

da EDP, Dyogenes Rosi.

de modelos de visão computacional. A tecnologia permite desenvolver

A incorporação de inteligência aos equipamentos também aparece

sistemas capazes de reconhecer automaticamente elementos como

em outros componentes de média tensão. Na Schneider Electric, por

árvores, postes, cabos, torres e isoladores em imagens, sem depender de programação tradicional para cada aplicação. Uma dessas soluções, o SmartAssets, faz uso de imagens capturadas por veículos (como os utilizados pelo Google Maps) para identificar ativos da rede e a vegetação presente em sua proximidade. Com essas informações em mãos, a distribuidora pode priorizar ações de poda considerando os trechos de maior risco. A solução também pode utilizar imagens de drones, helicópteros, aeronaves ou satélites em aplicações de maior alcance. O Founder & Managing Partner da Fu2re, André Sih, destaca que tal tecnologia tem relevância porque permite comparar o cenário antes e depois de uma intervenção e retroalimentar os modelos com dados de ocorrências reais, ampliando gradualmente a capacidade de identificação de riscos. “Essa solução permite ter muito mais informação para o planejamento futuro, porque a IA aprende. Ela está em contínuo aprendizado”, avalia o executivo. O uso de visão computacional também já foi aplicado a um problema menos óbvio: a identificação de cabos de telecomunicações instalados nos postes da rede de distribuição. O SmartAssets permite reconhecer padrões desses cabos e diferenciá-los dos condutores da rede elétrica, contribuindo para o mapeamento de situações de ocupação e sobrecarga

Disjuntor a vácuo EvoPacT HVX, da Schneider. O equipamento não utiliza gás SF6, oferecendo vida útil de até 50 mil operações. Imagem: divulgação/Schneider.

das estruturas. O exemplo mostra como a adaptação do sistema elétrico passa não apenas por novos equipamentos, mas também pela capacidade de interpretar melhor o que acontece ao redor deles.

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www.acaoengenharia.com.br www.alumbra.com.br www.artiere.com.br www.catena.eng.br www.ccr.eng.br www.cergatgroup.com www.cfkenergia.com.br www.cpe-ce.com.br www.elaborar.eng.br www.eletrosolar.ba.com.br www.elos.com.br www.engepower.com www.engetron.com.br www.engeup.com.br www.enprel.com.br www.escoenergy.com.br www.fastweld.com.br www.jim.com/a/fabio-henrique-153 www.forcaeletrica.com.br www.fzpme.com.br www.gini.eng.br www.glolani.com.br www.grunner.com.br www.gruposetta.com www.heilind.com.br www.hidroeletricacenter.com.br www.icengenharia.com.br www.idgengenharia.com www.intellistorm.com.br www.kascher.com.br www.krconsultoria.com.br www.kra2energia.com www.lclsintec.com.br www.lojaeletrica.com.br www.lpeng.com.br www.lumensengenharia.com.br www.maex.com.br www.makroservice.com.br www.maquimp.com.br www.masztereng.com.br www.nextum.com.br/ www.opgengenharia.com.br www.paiolengenharia.com.br www.plenobras.com.br www.pontoengenharia.com.br www.engpotencial.com.br www.powerworks.com.br www.provolt.com.br/pt-br www.radartech.com.br www.restartbrasil.com.br www.retrofit-ea.com.br www.rrpprojetos.com www.siemens.com/br/ www.spengel.com.br www.techmaxsolar.com.br www.tecproenergia.com.br www.varixx.com.br www.vetxrom.com.br www.virtoengenharia.com.br www.vorien.com.br

Consultoria

Site

Projetos

Telefone (11) 3883-6050 (11) 4393-9300 (41) 3018-4444 (41) 3336-1737 (65) 3359-5691 (11) 99775-0336 (11) 96064-7832 (85) 99973-2326 (31) 3361-6406 (74) 99147-1780 (41) 3383-9290 (11) 3579-8777 (31) 3514-5800 (45) 99148-9633 (11) 3729-7099 (31) 3273-1001 (11) 2423-2430 (14) 98827-4999 (31) 99539-0261 (54) 3522-1035 (48) 99656-7952 (11) 2294-1133 (27) 98157-0018 (34) 3826-7800 (11) 3017-8797 (86) 3223-1250 (16) 99243-6116 (31) 3285-1661 (16) 98171-9871 (31) 3481-7811 (31) 99566-6963 (21) 97527-1862 (41) 3494-0025 (31) 3218-8000 (11) 2901-7033 (31) 3286-0189 (19) 3455-5266 (62) 3216-4080 (11) 2802-9002 (12) 99718-3236 (85) 3094-5877 (51) 99683-7516 (19) 3844-4488 (51) 2101-6800 (22) 99203-3225 (51) 3222-6459 (13) 3512-0105 (47) 3036-9666 (11) 93067-9271 (51) 99909-3180 (66) 98100-6260 (11) 2501-5804 (11) 98860-8020 (51) 99370-6505 (65) 98142-1844 (11) 96224-1806 (19) 98377-0036 (11) 3672-0506 (31) 3464-9549 (11) 94237-8053

Estudos

EMPRESA AÇÃO ENGENHARIA E INSTALAÇÕES ALUMBRA MATERIAIS ELÉTRICOS ARTIERE ENG. ELETROELETRÔNICA CATENA ENGENHARIA CCR MONTAGENS INDUSTRIAIS CERGAT GROUP CFK CONSULTORIA CPE - ESTUDOS E PROJETOS ELABORAR ENGENHARIA & PROJETOS ELETROSOLAR & CLIMATIZAÇÃO ELOS ELETROTÉCNICA ENGEPOWER ENGETRON ENGEUP ENGENHARIA ELÉTRICA ENPREL ENGENHARIA ESCO ÁGUA E ENERGIA FASTWELD FHS FORCA E ELÉTRICA FZP COMÉRCIO GINI ENGENHARIA ELÉTRICA GLOLANI COMERCIAL GRUNNER ENERGIA GRUPO SETTA HEILIND ELECTRONICS BRASIL HIDROELÉTRICA HOME CENTER IC ENGENHARIA IDG ENGENHARIA INTELLI STORM KASCHER ENGENHARIA KR CONSULTORIA KRA2ENERGIA LCL SINTEC LOJA ELETRICA LPENG ENGENHARIA LUMENS MAEX ENGENHARIA MAKRO SERVICE MAQUIMP MASZTER ENGENHARIA NEXTUM INDÚSTRIA E COMÉRCIO OPG ENGENHARIA PAIOL ENGENHARIA PLENOBRAS PONTO ENGENHARIA POTENCIAL ENGENHARIA POWER WORKS PROVOLT TECNOLOGIA ELETRONICA RADAR TECH ENGENHARIA RESTART BRASIL INDÚSTRIA RETROFIT ENERGIAS RRP PROJETOS DE INSTALAÇÕES SIEMENS BRASIL SPENGEL ENGENHARIA TECHMAX SOLAR TECPRO ENERGIA VARIXX VEXTROM INDÚSTRIA E COMÉRCIO VIRTO ENGENHARIA VORIEN SOLUÇÕES

Tipos de serviços

Nenhuma das opções acima

e instalações

Instalação e Manutenção Elétrica

Atividade da empresa

Pareceres

consultorias, projetos

Engenharia e Consultoria Elétrica

Guia setorial

Engenharias,

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Nesta edição, apresentamos um levantamento setorial com algumas das principais empresas de engenharia, consultorias, projetistas e instaladoras que atuam no setor elétrico. Responsáveis pelo desenvolvimento de estudos, projetos e especificações, esses empreendimentos desempenham papel fundamental na expansão, modernização, segurança e confiabilidade da infraestrutura elétrica, atendendo às demandas de diferentes segmentos e aplicações.

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Compra produtos, equipamentos, componentes, etc.

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Especifica produtos, equipamentos, componentes, fornecedores

Programas na área de responsabilidade social

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ISO 14001 (ambiental)

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ISO 9001 (qualidade)

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Fabricantes de produtos e equipamentos elétricos

Indústria em geral

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Empresas de manutenção

Concessionárias de energia elétrica

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Outras empresas de engenharia

Distribuição de energia

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Condomínios

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Comércio

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Transmissão de energia

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Geração de energia

Eólica

Residencial

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Instaladoras

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Construtoras

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Serviços

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Possui Certificado ISO

Principais clientes

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57

Ano de início de atividades da empresa

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Industrial

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Comercial

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Proteção Contra Descargas Atmosféricas

Fotovoltaica e Recursos Energéticos Distribuídos

Atmosferas explosivas

Telecomunicações

Cabeamento estruturado

Segmentos de atuação

Número de funcionário

x

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Instrumentação e controle

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Automação

Média tensão

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Alta tensão

Baixa tensão

Áreas de atuação

acima de 30 acima de 30 até 5 acima de 30 acima de 30 de 10 a 20 de 5 a 10 de 5 a 10 de 10 a 20 até 5 acima de 30 acima de 30 acima de 30 de 20 a 30 até 5 de 20 a 30 de 20 a 30 até 5 até 5 até 5 até 5 até 5 até 5 acima de 30 acima de 30 acima de 30 até 5 acima de 30 de 5 a 10 de 20 a 30 até 5 até 5 até 5 acima de 30 acima de 30 de 5 a 10 de 5 a 10 acima de 30 de 10 a 20 até 5 acima de 30 até 5 até 5 acima de 30 até 5 de 10 a 20 de 5 a 10 acima de 30 até 5 acima de 30 de 10 a 20 de 5 a 10 acima de 30 até 5 de 20 a 30 até 5 acima de 30 de 10 a 20 de 10 a 20 até 5

1993 1963 2002 1995 2012 2022 2018 2000 2014 2017 1999 1995 1977 2019 1988 1996 1998 2022 1990 2007 2010 1973 2014 1996 1974 1985 2016 1999 2.004 1986 2026 2020 2015 1947 1987 1990 1995 1982 1998 2004 2007 2015 2014 1993 2011 1991 2003 1988 2009 2009 2011 2014 1905 2018 2020 2011 1976 2014 2017 2014


Inovação e Equidade no Setor Elétrico

Transição energética em todas as línguas Aline Cristiane Pan é Doutora em Energia Solar Fotovoltaica e Professora na UFRGS, onde coordena o Grupo de Pesquisa em Transição Energética. Co-fundadora da Rede Brasileira de Mulheres na Energia Solar, tem mais de 25 anos de experiência no setor. Por Aline Cristiane Pan, *Liége Flores e *Gabriela Heck

Q

uando falamos em transição energética justa, uma

os estudantes participam da construção dos recursos que utilizarão,

pergunta deveria orientar nossas escolhas: quem

a verdadeira acessibilidade acontece.

está conseguindo participar dessa transformação? A

A experiência mostra que a acessibilidade não deve aparecer

energia está presente na vida de todas as pessoas, mas o acesso ao

apenas ao final de um projeto, como adaptação pontual. Precisa

conhecimento, às tecnologias, às oportunidades profissionais e aos

estar presente desde o planejamento, orientando comunicação,

espaços de decisão do setor elétrico é desigual.

metodologias, tecnologias e formas de participação. As práticas

Tenho abordado as desigualdades de gênero. Esse recorte

acessíveis do projeto contribuem para a alfabetização científica

permanece indispensável, mas a justiça exige que ampliemos nosso

e energética inclusiva. Quando estudantes surdos participam

olhar. Pessoas com deficiência também enfrentam barreiras para

da construção dos sinais, vídeos e materiais usados em sua

acessar informações, processos formativos e espaços profissionais.

aprendizagem, a transição energética deixa de ser apenas um tema

Para a comunidade surda, há um obstáculo adicional: grande parte

técnico e se torna um exercício de participação e justiça social. É a

do conhecimento científico e tecnológico é difundida sem considerar

expressão do lema “nada sobre nós sem nós”: inovar também é

a Libras, primeira língua de muitas pessoas surdas.

criar condições para que mais pessoas compreendam, debatam e

Não se trata apenas de traduzir palavras do português. Alguns

intervenham nos caminhos da energia.

conceitos científicos e técnicos não possuem sinais amplamente

O trabalho evidencia um desafio para todo o setor elétrico.

difundidos, e sua compreensão requer explicações visuais,

Como comunicamos as mudanças na matriz energética? Programas

contextualização e construção coletiva. Muitas pessoas surdas,

de eficiência energética, cursos, consultas públicas, alertas de

além disso, reconhecem-se como integrantes de uma comunidade

segurança e processos seletivos são acessíveis? Quantas pessoas

linguística e cultural, não exclusivamente a partir da deficiência.

deixam de participar porque a comunicação, os ambientes ou as

Respeitar essa identidade é parte da inclusão.

tecnologias foram concebidos para um único padrão de usuário?

Foi dessa compreensão que surgiu, no projeto Energizando a

Incluir pessoas com deficiência não significa apenas garantir

Equidade: Meninas e Mulheres Impulsionando a Transição Energética, a

acesso físico. Significa assegurar comunicação acessível, autonomia,

proposta de adaptar para Libras o jogo “Perfil para Energias Renováveis”.

formação, empregabilidade e participação nas decisões. É reconhecer

Suas cartas apresentam pistas sobre fontes como solar, eólica,

essas pessoas como consumidoras, estudantes, pesquisadoras,

hidrelétrica, biomassa e hidrogênio verde. Na versão acessível, códigos

trabalhadoras, empreendedoras e produtoras de conhecimento.

QR dão acesso a vídeos em Libras, com legendas em português.

Uma transição que substitui tecnologias, mas mantém

A inovação, entretanto, não está apenas na tecnologia.

pessoas à margem, pode ser energética — porém não será justa.

Estudantes e professores surdos participam da discussão dos

Se a transformação diz respeito ao futuro de todos, precisa ser

conceitos, da construção do glossário, da revisão das regras e da

compreendida, construída e vivida por todos, inclusive em Libras.

produção dos vídeos. Em vez de receberem um material pronto, tornam-se protagonistas de sua criação. A pesquisa é construída com

*Liége Flores é professora de apoio técnico no projeto

a comunidade surda, e não apenas para ela.

Energizando a Equidade. Contato: liegedflores@gmail.com

A elaboração coletiva do glossário favoreceu o envolvimento

*Gabriela Heck é professora colaboradora no Mestrado

com o conteúdo e fortaleceu a autonomia, o interesse e a confiança

Nacional em Ensino de Física (MNPEF-UFRGS) e bolsista de

dos estudantes para discutir conceitos científicos relacionados à

pós-doutorado pelo CNPq no projeto Energizando a Equidade.

energia. O processo trouxe um aprendizado fundamental: quando

Contato: heck.gs@gmail.com

58


59


Conexão Regulatória

A crise no sistema de preços de energia elétrica no Brasil Frederico Boschin é Diretor Executivo da Noale Energia e Sócio da Ferrari Boschin Advogados. Advogado (UFRGS); MBA Gestão Empresarial (FGV/RS); Mestre em Direito Econômico pela Universidade de Lisboa; Pós-graduado em Engenharia de Energia (PUC/RS) e em Regulação do Setor Elétrico (UFRJ). Coordenador da ABSOLAR (Santa Catarina); Membro do Conselho de Infraestrutura da FIERGS; Conselheiro do SindienergiaRS; Professor da PUC/RS e PUC/MG;

A

formação de preços de energia no Brasil baseia-se

o preço é indexado ao CMO e às restrições de transmissão/

historicamente

distribuição em períodos específicos.

no

despacho

centralizado

e

na

otimização hidrotérmica. Durante décadas, o sinal de

O objetivo central é emitir sinais de preço eficientes para

preço foi calculado em base semanal e dividido em patamares

os consumidores. Ao encarecer a energia nos horários de pico

de carga inflexíveis.

e barateá-la nos momentos de sobra de geração, o sistema

A recente inserção de fontes intermitentes tornou esse

incentiva o deslocamento de carga e o corte de pico. Isso

modelo obsoleto. No sentido da modernização, a adoção do PLD

otimiza o uso da infraestrutura de rede, reduz a necessidade de

Horário através do modelo DESSEM1, o Ambiente de Contratação

acionamento de térmicas caras e facilita a integração de fontes

Livre – ACL passou a precificar a energia hora a hora, refletindo

intermitentes.

a realidade física do sistema — como a queda de preços ao

Neste conceito, tarifas horárias alteram a própria arquitetura

meio-dia devido ao pico solar e a necessidade de acionamento

estrutural do mercado, que foi desenhado onde a oferta segue a

térmico rápido no final da tarde.

demanda (geradores são despachados para atender ao consumo

A formação de preços baseia-se no CMO e no PLD, calculados

quando ele ocorre). Com a tarifa horária a demanda dita a oferta.

por modelos de otimização estocástica (NEWAVE2 e DECOMP3).

Pressionada pelos riscos operativos à segurança do SIN

Em teoria, o PLD deveria sinalizar o custo de oportunidade

relatados pelo ONS, a ANEEL adotou postura mais assertiva

do sistema, orientando de forma eficiente as decisões de

através da CP 046/2025 (NT Conjunta nº 8/2025 e RAIR nº 1/2025),

investimento e contratação.

onde propôs a migração compulsória para a tarifação horária até

Contudo, o mercado enfrenta atualmente uma crise de

o fim de 2026, os consumidores B1 (residencial), B2 (rural) e B3

liquidez, agravada pela formação de preço que se mostra, em

(comercial, industrial e outros) com consumo mensal igual ou

diversos momentos, dissociado da lógica fundamentalista.

superior a 1 MWh. Esse segmento representa apenas 2,5% das

A imprevisibilidade do PLD, afetada por vulnerabilidades

unidades da baixa tensão, mas 25% do consumo, possuindo alta

e representações inadequadas de usinas eólicas e solares,

capacidade de resposta aos sinais de preço.

inviabilizou o trade fundamentalista de energia, que hoje requer

Essa quebra da inércia tarifária alinha-se a um movimento

modulação horária, e que eleva a percepção de risco e encarece

mais amplo de reforma setorial capitaneado pela Lei nº

a energia. A coexistência de intensa geração renovável, sujeita a

15.269/2025, que estrutura o setor em três eixos: justiça tarifária,

curtailment, e de preços atingindo o teto regulatório ilustra uma

equilíbrio setorial e liberdade do consumidor. Com a abertura

contradição econômica que afeta toda a cadeia produtiva.

total do mercado livre prevista para o final de 2027 (setembro

Assim, o conceito de tarifa horária de energia é um

para o comércio e indústria, e novembro para residências), a

mecanismo regulatório onde o valor da energia elétrica varia ao

existência de um ambiente de preços estável, transparente e

longo do dia. Em vez de uma tarifa volumétrica fixa (monômia),

dinâmico torna-se um pré-requisito fundamental.

1 O programa DESSEM é um modelo de otimização desenvolvido pelo Cepel. Seu principal objetivo é determinar a programação diária da operação de sistemas hidrotérmicos, incluindo as fontes intermitentes, em um horizonte de até duas semanas e com discretização de até meia hora. Disponível em: https://www.cepel.br/linhas-de-pesquisa/dessem-saibamais/ 2 O programa NEWAVE é um modelo otimização estocástica para aplicação no planejamento da operação e expansão de sistemas hidro–termo-eólicos interligados de longo e médio prazo. Disponível em: https://cepel.br/linhas-de-pesquisa/newave-saiba-mais/ 3 O DECOMP é um modelo computacional de otimização, voltado ao planejamento da operação energética de curto prazo de sistemas hidrotermo-eólicos. Disponível em: https://www.cepel.br/linhasde-pesquisa/decomp/

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José Barbosa é engenheiro eletricista, relator do GT-3 da Comissão de Estudos CE: 03:064.010 - Proteção contra descargas atmosféricas da ABNT / Cobei responsável pela NBR5419. | www.eletrica.app.br

A

adoção de novas tecnologias na proteção contra descargas atmosféricas exige cuidado para que inovação

ao processo internacional de normalização, propondo sua incorporação às normas pertinentes da IEC.

comercial não seja confundida com conformidade

A IEC possui estrutura própria para isso. O TC 81 – Lightning

normativa. No Brasil, a ABNT NBR 5419:2026 é a referência para a

Protection é responsável pela normalização internacional da

proteção contra descargas atmosféricas, abrangendo avaliação,

proteção contra descargas atmosféricas, incluindo as séries IEC

projeto, instalação, inspeção e manutenção. Embora estabeleça

62305 e IEC 62561. Nesse ambiente, especialistas de diferentes

requisitos para materiais e componentes, não é uma norma de

países podem avaliar requisitos, métodos de ensaio, desempenho e

certificação de produtos.

integração de novas tecnologias.

Uma norma estrangeira não se torna internacional pelo simples

Também é necessário distinguir produtos de aplicação. A

fato de ser utilizada fora do país em que foi publicada. Normas

incorporação dos critérios de aplicação e do desempenho relevante

internacionais são elaboradas por organismos como IEC e ISO. Uma

ao projeto na IEC 62305 e, quando aplicável, dos requisitos e

norma nacional francesa, portuguesa ou de qualquer outro país

ensaios do componente na IEC 62561 representa forte indicativo

continua sendo uma norma estrangeira no Brasil.

de integração da tecnologia ao sistema internacional. Como a NBR

A distinção já é relevante na NR-10 atualmente vigente. Seu item 10.1.2 determina a observância das normas técnicas

5419 é fortemente alinhada à IEC 62305, isso cria base consistente para futura integração ao sistema normativo brasileiro.

oficiais estabelecidas pelos órgãos competentes e, na ausência

O silêncio de uma norma não pode ser interpretado como

ou omissão destas, das normas internacionais cabíveis. A nova

aprovação. O fato de determinado produto não ser nominalmente

redação da NR-10, publicada em 2026 e com vigência a partir de

proibido não comprova seu desempenho nem autoriza que suas

1º de junho de 2027, mantém esse princípio e o torna ainda mais

alegações alterem os critérios previstos para o SPDA. Ausência de norma

explícito: admite normas internacionais aplicáveis na ausência

específica de produto não significa ausência de norma para a instalação.

ou omissão das normas técnicas oficiais, desde que assegurem

Esse

cuidado

é

especialmente

necessário

quando

o

níveis iguais ou superiores de segurança e saúde. Além disso, o

desempenho atribuído a um componente é utilizado para ampliar

novo item 10.6.8 aplica expressamente esse critério à proteção

a área de proteção ou simplificar captação, descidas, aterramento,

contra descargas atmosféricas. Em ambas as redações, a referência

equipotencialização ou proteção contra surtos. Um captor

supletiva expressamente prevista é às normas internacionais, e não

não desempenha as funções dos demais elementos. O SPDA é

às normas nacionais estrangeiras.

um sistema coordenado, e a alegação de desempenho de um

Na proteção contra descargas atmosféricas existe uma estrutura

componente não pode substituir os critérios da instalação.

internacional consolidada. A série IEC 62305 estabelece princípios

Diante de uma tecnologia não contemplada pelas referências

e requisitos para o sistema de proteção contra raios, enquanto a

brasileiras e internacionais aplicáveis, não basta perguntar “existe

série IEC 62561 trata de requisitos e ensaios de componentes do

alguma norma que permita?”. É necessário verificar as evidências

SPDA. Para os DPS, existem normas da série IEC 61643, algumas já

que sustentam o desempenho e, principalmente, se seus critérios

adotadas no Brasil como ABNT NBR IEC. A NBR 5419:2026 mantém

de aplicação foram incorporados ao sistema normativo aplicável.

elevado alinhamento técnico com a IEC 62305.

Na engenharia, a inovação deve ser acolhida quando sustentada

Quando surge uma tecnologia nova, sustentada por evidências científicas

independentes,

reproduzíveis

e

tecnicamente

consistentes, o caminho tecnicamente mais coerente é submetê-la

por evidências. Mas a ausência de proibição não é comprovação de eficácia, ensaio de componente não é conformidade da instalação e norma estrangeira não é norma internacional.

61

Proteção contra raios

Norma estrangeira não é norma internacional


Análise de sistemas elétricos

Estamos especificando os transformadores secos corretamente? Noções básicas – Parte 3 Cláudio Mardegan é CEO da EngePower Engenharia, Membro Sênior do IEEE, Membro do Cigrè | claudio.mardegan@engepower.com

4 – SOLUÇÕES TÍPICAS

TVP Controle a magnitude da tensão, o dv/dt, a ressonância paralela.

Capacitores de Surto É uma solução que diminui a frequência do surto. Quanto menor o valor do capacitor,

Na ressonância série onde ocorre aumento de corrente não é tão efetivo. Não existe controle da vida útil dos MVOs.

menor sua efetividade para isto. Não controla a magnitude nem as ressonâncias (série e paralela). Veja Figura 4.1.

Figura 4.4 – TPV ® - Marca registrada Hitachi.

Figura 4.1 – Capacitor de Surto.

RC Snubber + Para-raios Controlam a magnitude da tensão, o dv/dt e as ressonâncias

Para-raios É uma solução que controla apenas a magnitude da tensão. Não

série e paralela. Vide unifilar esquemático na Figura 4.6. Montagem do Snubber vide Figura 4.5.

controla dv/dt nem ressonâncias (série e paralela). Veja Figura 4.2.

Figura 4.5 – Snubber. Figura 4.2 – Para-raios.

Transformadores Reforçados O

transformador

pode

ser

projetado e fabricado para um NBI maior, bem como ter a isolação entre espiras reforçadas. Não tem controle da magnitude, dv/dt e nem de ressonância. Veja Figura 4.3. Figura 4.6 – Esquemático de um Snubber.

Figura 4.3 – Transformador reforçado.

62

Continua na próxima edição.


63


Redes subterrâneas e resiliência

Resiliência não muda a engenharia das obras, mas muda a engenharia das prioridades Daniel Bento, PMP, é Eng. Eletricista e atua com redes subterrâneas de média tensão desde 1989. Coordenou o Comitê de Estudos B1 do CIGRE. Foi responsável técnico pela rede de distribuição subterrânea de SP. 4 vezes na lista dos 100+ Influentes da Energia. Atualmente é CEO da BAUR do Brasil e da BAUR USA Corp, e conselheiro do CIGRE-Brasil.

N

os dois artigos anteriores desta coluna procurei

Mas os desafios mudaram. A maior frequência de eventos

desenvolver duas ideias: a primeira foi mostrar que

climáticos extremos levou a ANEEL a incorporar formalmente a

confiabilidade e resiliência são conceitos diferentes

resiliência ao marco regulatório, pela REN 1.137/2025. A partir

e complementares; a segunda foi demonstrar que

daí, a infraestrutura passa a ser avaliada também pela forma

a falta de resiliência tem um custo econômico real, e que

como reage a eventos severos, não apenas pelo desempenho em

esse custo já pode ser estimado. Agora, surge uma pergunta

condições normais. Essa mudança merece uma reflexão.

diferente: como decidir onde investir para aumentar a resiliência da infraestrutura?

O Plano de Desenvolvimento da Distribuição da ANEEL organiza os investimentos em expansão, melhoria e renovação.

Essa discussão ganha peso em um momento em que o setor

Essa estrutura funciona bem para planejar obras, mas não diz

elétrico brasileiro prevê aproximadamente R$258 bilhões em

muito sobre resiliência: uma expansão pode só acompanhar

investimentos na distribuição entre 2026 e 2030. A contribuição

o crescimento da carga, ou pode reduzir a exposição de uma

de cada obra para a resiliência do sistema aparece de forma

região inteira a eventos extremos. O mesmo vale para renovação

menos explícita nessa conta. Nunca foi tão importante decidir

e melhoria. Isso não significa que a engenharia tenha ignorado

onde e como investir.

criticidade, redundância e vulnerabilidade até aqui. Ela sempre

Durante mais de duas décadas, o setor evoluiu apoiado em

considerou isso ao projetar. A novidade é levar esse mesmo

princípios que produziram avanços importantes para o país.

raciocínio para a fila de investimentos, não só para o desenho

Modicidade tarifária, eficiência operacional, investimentos

de cada obra.

prudentes e indicadores como DEC e FEC elevaram a qualidade

Ao incorporar formalmente a resiliência ao marco regulatório,

do fornecimento e orientaram a expansão das redes. Esse

a ANEEL leva essa mesma lógica para outro nível de decisão. O

modelo respondeu bem aos desafios de seu tempo.

desafio deixa de ser só como executar uma obra e passa a incluir quais obras, entre milhares previstas dentro de um programa de investimentos de R$ 258 bilhões, devem vir primeiro. Nesse ponto, resiliência funciona como critério de priorização. As redes subterrâneas ajudam a ilustrar esse raciocínio. Elas não são solução universal, nem devem substituir indiscriminadamente as redes aéreas. Mas, quando aplicadas onde uma interrupção provoca maior impacto para a sociedade, podem ser uma das estratégias mais eficazes para aumentar a resiliência. O mesmo vale para automação, proteção, monitoramento e outras tecnologias. O papel da engenharia continua o mesmo: entender onde cada solução entrega o maior benefício. A pergunta do setor elétrico sempre foi simples: quanto custa construir? Essa pergunta continua necessária. Mas talvez ela precise ser acompanhada por outra: quais investimentos devem vir primeiro para que a infraestrutura continue servindo a sociedade quando ela for mais necessária?

64


seguro na iluminação pública? Parte 2 Luciano Rosito é engenheiro eletricista, especialista em iluminação e iluminação pública. Professor de cursos de iluminação pública no Brasil e exterior. Por Silvia Maria Carneiro de Campos* e Luciano Haas Rosito

D

ando sequência ao tema do último artigo vamos

e um agente prejudicial ao meio ambiente.

aprofundar o tema e trazer aspectos práticos de como

Lembrando que as zonas de proteção ambiental não devem

viabilizar o projeto para que esteja dentro dos limites

ser iluminadas. Prática adotada em diversos países com sua devida

seguros de luz azul.

defesa técnica por causar extinções à biodiversidade. Conforme

Se o espaço demandar níveis de iluminância mais altos no piso, por

as diretrizes ecológicas da Flórida/EUA e da FDA, ao realizar o

questões de segurança, técnica ou tráfego (por exemplo, 15 a 20 lux), é

corte absoluto abaixo de 570 nm (migrando para o âmbar puro ou

matematicamente impossível usar uma fonte com 7% de azul. Nesse

vermelho), a razão M/P cai de forma tão expressiva que o sistema

cenário, a única saída biocompatível é alterar o espectro para Âmbar

melanópico torna-se essencialmente cego a essa luz.

Puro ou reduzir o azul para níveis inferiores a 1%, zerando a razão M/P.

A legislação chilena provou que forçar os chips de LED a

O limite de 1% de azul foi adotado na legislação do Chile, a mais

emitirem apenas 1% ou menos de radiação azul viabiliza o uso de

adaptada ao tema até o momento, e tem sua defesa científica. Ao

níveis seguros de iluminação para caminhabilidade humana (até 20

reduzir a presença de azul no espectro para apenas 1%, o cenário

lux horizontais), sem interferir nos biorritmos e na preservação da

muda drasticamente a favor da biocompatibilidade. Com quase toda

fauna que depende do equilíbrio da escuridão (como os vagalumes

a energia concentrada nas faixas de onda mais longas (como o âmbar

e aves migratórias). Onde não tem vagalumes, é porque tem muita

e o vermelho-alaranjado), a eficiência da luz em ativar as células

poluição luminosa.

ipRGCs despenca. Isso significa que a física do olho agora tolera até 20 lux fotópicos verticais, incidindo diretamente na retina, antes que

*Silvia Carneiro é colaboradora no CB03 COBEI /ABNT, Dark

o gatilho da supressão de melatonina comece a ser ativado.

Sky Defender da América Latina 2024, Presidente da Comissão de Estudos da Poluição Luminosa da UBA (União Brasileira de

O LIMITE SEGURO NO PISO COM 1% DE AZUL

Astronomia) e coordenadora da Dark Sky Brasil @darkskybrasil

Com a filtragem quase total do azul, a margem segura de trabalho no plano horizontal expande-se de forma extraordinária, até 50 lux fotópicos. Essa diferença de 5 lux (com 7% de azul) para 50 lux (com 1% de azul) muda completamente as possibilidades de um projeto noturno saudável: 50 lux na horizontal é uma quantidade de luz mais do que suficiente para garantir a segurança de tráfego, o reconhecimento de caminhos e o conforto visual em praticamente qualquer ambiente residencial, hoteleiro ou de circulação externa noturna. Para níveis acima de 50 Lux, é necessário eliminar totalmente o espectro azul. Com uma iluminação biocompatível, o projetista ganha a liberdade de iluminar superfícies sem o medo constante de que as reflexões difusas (paredes, pisos claros) saturem o sistema circadiano dos usuários. Fica evidente que a busca pela saúde biológica não se faz "apagando" o mundo ou reduzindo a luz a níveis de penumbra desconfortáveis, mas sim, limpando o espectro. Ao confinar o azul a 1% ou menos, o lux fotópico deixa de ser um inimigo do ser humano

65

Iluminação pública

Qual é o limite de luz azul


Quadros e painéis

Intertravamentos, bloqueios e procedimentos de energização e desenergização - integração entre NBR IEC 61439, NBR 5410 e nova NR-10 – Parte1/2 Nunziante Graziano é engenheiro eletricista, mestre em redes e equipamentos, Ph.D. em Business Administration e CEO do Grupo Gimi | nunziante@gimi.com.br

A

segurança na operação e manutenção de quadros elétricos

que outra pessoa possa religá-lo inadvertidamente. Em um

não deve ser tratada apenas como uma característica do

exemplo prático, para realizar manutenção em um alimentador

equipamento, mas como resultado da integração entre

de motor, o operador desliga o disjuntor, coloca o dispositivo na

projeto, construção, dispositivos de proteção, intertravamentos,

posição apropriada e instala um cadeado de bloqueio individual,

bloqueios e procedimentos operacionais. Essa abordagem ganha

acompanhado de identificação e sinalização. O cadeado

ainda maior importância com a nova NR-10, aprovada em 2026, que

permanece sob controle do trabalhador responsável pelo serviço.

reforça a necessidade de incorporar os recursos de segurança desde a fase de projeto. A ABNT NBR IEC 61439-1 estabelece requisitos para conjuntos de

Em um CCM, o bloqueio pode ser realizado diretamente no mecanismo da gaveta ou do disjuntor, impedindo mecanicamente sua movimentação ou fechamento.

manobra e comando de baixa tensão e contempla soluções destinadas

Para instalações críticas, podem ser utilizados sistemas de

a evitar operações inadequadas, especialmente em conjuntos que

chaveamento e transferência de chaves, incluindo sistemas do tipo

possuem unidades removíveis ou extraíveis. Já a ABNT NBR 5410

Kirk, nos quais a retirada de uma chave de um equipamento condiciona

estabelece requisitos para seccionamento, comando e proteção

fisicamente a possibilidade de operação de outro equipamento.

das instalações de baixa tensão, incluindo medidas para impedir a energização inadvertida. A nova NR-10 amplia essa abordagem ao

3 - DESENERGIZAÇÃO: UMA SEQUÊNCIA E NÃO APENAS UM

relacionar projeto, análise de risco, impedimento de reenergização,

DESLIGAMENTO

sinalização e procedimentos de trabalho.

A nova NR-10 estabelece uma sequência de segurança para a desenergização. Na prática, essa sequência deve ser transformada em

1 - INTERTRAVAMENTOS: IMPEDIR FISICAMENTE UMA OPERAÇÃO PERIGOSA

procedimento operacional claramente definido. Exemplo prático de procedimento de manutenção de um QGBT:

O intertravamento tem como objetivo impedir que uma determinada operação seja realizada enquanto existir uma condição

1 - Identificar o circuito e todas as suas possíveis fontes de alimentação;

insegura. Em um exemplo prático, um CCM com gavetas extraíveis tem

2 - Desligar o dispositivo de seccionamento;

uma gaveta de partida de motor deve possuir intertravamento mecânico

3 - Confirmar a abertura do dispositivo;

que impeça sua extração enquanto o disjuntor estiver fechado. Para

4 - Realizar a constatação da ausência de tensão utilizando instrumento

extraí-la, primeiro o operador desliga o disjuntor e, somente então, a

adequado;

gaveta pode ser deslocada da posição inserida para teste ou seccionado.

5 - Instalar o bloqueio contra reenergização;

Outro exemplo é o intertravamento entre a porta e o disjuntor, no

6 - Instalar sinalização de impedimento de reenergização;

qual a porta do compartimento somente pode ser aberta quando o

7 - Avaliar e controlar eventuais fontes alternativas, como geradores,

dispositivo de proteção estiver na condição adequada de segurança.

UPS, bancos de capacitores ou alimentação reversa;

Esse recurso reduz significativamente a possibilidade de acesso a

8 - SEMPRE que aplicável, realizar aterramento temporário e

partes energizadas durante uma condição operacional inadequada.

equipotencialização;

Em sistemas com duas fontes de alimentação, como rede normal e gerador, pode ser utilizado intertravamento mecânico ou elétrico

9 - Proteger partes energizadas existentes nas proximidades; e 10 - Delimitar e sinalizar a área de trabalho.

para impedir que as duas fontes sejam conectadas simultaneamente quando o sistema não foi projetado para essa condição.

O ponto fundamental é que a simples indicação “DESLIGADO” presente no disjuntor não comprova ausência de tensão. A constatação

2 - Bloqueio: impedir a reenergização inadvertida

deve ser realizada por meio de procedimento apropriado.

É importante diferenciar desligamento de bloqueio. Desligar um disjuntor interrompe o circuito; bloquear significa impedir

66

Continua na próxima edição.


Aguinaldo Bizzo de Almeida é engenheiro eletricista e atua na área de Segurança do trabalho. É membro do GTT – NR10 e inspetor de conformidades e ensaios elétricos ABNT – NBR 5410 e NBR 14039, além de conselheiro do CREA-SP.

O

“novo texto” da Norma Regulamentadora nº 10 (NR-10) -

De forma explícita evidencia a obrigatoriedade do cálculo de energia

Segurança em instalações elétricas e serviços em eletricidade,

incidente e da distância de segurança para arco elétrico, além de outras

publicado na Portaria MTE Nº 737, de 29 de maio de 2026,

medidas de controle coletivas.

conforme previsto, ratificou a expectativa quanto ao reconhecimento do

10.7 Medidas Administrativas e de Organização do Trabalho 10.7.7.1

risco de arco elétrico de forma intrínseca e explícita ao perigo eletricidade.

Os painéis e quadros elétricos devem possuir no mínimo: b) sinalização do

Em vários pontos do novo texto são descritos requisitos específicos

nível de tensão, advertência quanto ao perigo de choque e arco elétrico e à

para o arco elétrico, onde destacam-se: Campo de aplicação: 10.2.3 Esta NR aplica-se igualmente nas situações em que haja exposição ao risco de arco elétrico, ainda que não caracterizada

restrição de acesso por pessoas não autorizadas. O risco de arco elétrico, obrigatoriamente, deve constar na sinalização de painéis elétricos:

a entrada na zona controlada, conforme Anexo II desta NR, inserindo de forma intrínseca e explicita a distância de segurança para o risco de arco elétrico. 10.3 Gerenciamento de Risco Ocupacional: 10.3.1 No processo de identificação de perigos e avaliação de riscos, a organização deve levar em consideração, além do previsto na NR-1:

10.11 Medidas de Proteção Individual: 10.11.2 A seleção de EPI de proteção contra os efeitos do arco elétrico deve ser realizada de acordo com os Quadros do Anexo IV desta NR, observado o disposto na NR-6. 10.11.2.3 Para as condições não previstas no Anexo IV ou para

a) as características das exposições ocupacionais quanto ao choque

especificação de EPI de proteção contra os efeitos do arco elétrico de

elétrico e arco elétrico; d) as necessidades das medidas de prevenção e controle

categoria menor do que as previstas no Anexo IV, a Organização deve

dos riscos decorrentes da exposição ao choque e/ou arco elétrico.

realizar o estudo de energia incidente, de acordo com a alínea "a" do item 10.6.5 desta NR, observado o disposto na NR-6.

A norma insere de forma intrínseca a obrigatoriedade do PGR contemplar o risco de arco elétrico:

10.11.2.4 Ficam dispensados da utilização de EPI de proteção contra os efeitos do arco elétrico os trabalhadores que realizam atividades não relacionadas à eletricidade e que, em suas tarefas, não estejam expostos a situações que possam

10.4 Segurança em Projetos: 10.4.12 O projeto deve considerar, quando aplicável, o estudo de energia incidente, com vistas à definição das medidas de proteção contra os efeitos térmicos do arco elétrico.

resultar em arco elétrico, conforme indicado na análise de risco. Define critérios para especificação de EPI para proteção ao risco de arco elétrico, e cria o ANEXO IV- ESPECIFICAÇÃO MÍNIMA DE EPI PARA PROTEÇÃO CONTRA O ARCO ELÉTRICO.

O Memorial Descritivo de Novos Projetos também deve contemplar o risco de arco elétrico:

10.13 Segurança em Instalações Elétricas Desenergizadas: 10.13.1 Somente serão consideradas desenergizadas as instalações elétricas liberadas para trabalho, mediante os procedimentos apropriados,

10.6.5 A organização deve adotar medidas de proteção coletiva contra

obedecida a sequência abaixo e prevista no projeto: e) proteção dos

arcos elétricos, conforme definido em projeto, com a implantação de uma ou

elementos energizados existentes na zona controlada (Anexo II desta NR) e

mais proteções a seguir: a) operação da instalação a uma distância segura

proteção dos trabalhadores para os efeitos do arco elétrico;

definida de acordo com o estudo do nível de energia incidente, conforme método estabelecido em norma técnica nacional e, na sua ausência ou

Por fim, o texto promove mudanças estruturais no conceito de

omissão, norma técnica internacional vigente; b) utilização de painéis

circuitos desenergizados onde o risco de arco elétrico, obrigatoriamente,

elétricos resistentes a arco elétrico; c) dispositivos de abertura sob carga; d)

deve ser considerado através da distância de segurança para arco

chave de aterramento resistente ao curto-circuito presumido; e) sistemas de

elétrico. Os programas de treinamentos de segurança também

intertravamento; f) fechaduras com chave não intercambiáveis; g) emprego de

contemplam o tema arco elétrico.

dispositivos limitadores de corrente; h) seleção de tempos de interrupção muito

Além desses itens específicos, apresentados de forma estratificada,

curtos; ou i) adoção de outros meios e/ou tecnologias, conforme projeto, que

o risco de arco elétrico deve ser contemplado de forma integrada no

propiciem a minimização e/ou eliminação da exposição ao arco elétrico.

Programa de Gerenciamento de Perigos e Riscos Elétricos na NR-10 e NR-1.

67

Segurança do trabalho

Risco de arco elétrico na nova NR-10


Energia, ambiente e sociedade

“Rebranding” da energia nuclear Dr. Danilo de Souza é professor na Universidade Federal de Mato Grosso, sendo Coordenador do Núcleo Interdisciplinar de Estudos em Planejamento Energético – NIEPE, Presidente da Abracopel e é Coordenador Técnico do CINASE – Circuito Nacional do Setor Elétrico. Danilo também é pesquisador no Instituto de Energia e Ambiente da USP | www.profdanilo.com

A

história energética do século XX foi marcada por sucessivas

passou a considerar, além do custo da eletricidade, a diversidade

transformações: o carvão sustentou a industrialização;

da matriz, a disponibilidade contínua, a estabilidade de preços e a

o petróleo ganhou protagonismo nos transportes; e a

resiliência a choques externos (IEA, 2022).

eletrificação ampliou o uso da hidroeletricidade e dos combustíveis

Essa mudança tem sido construída sobretudo no cenário

fósseis. Após a Segunda Guerra Mundial, o programa Atoms for Peace,

europeu, no sentido de que não há contradição entre a ampliação do

anunciado pelos Estados Unidos em 1953, impulsionou as aplicações

parque de energia nuclear e as “renováveis” de baixo carbono”. O IPCC

civis da tecnologia atômica. A partir da usina de Obninsk, inaugurada

projeta participação crescente da energia solar e eólica, mas ressalta

em 1954, diversos países desenvolveram programas nacionais, e

que sistemas com elevada presença de fontes variáveis precisam

a energia nuclear passou a simbolizar modernização industrial,

combinar redes ampliadas, armazenamento, gerenciamento da

soberania tecnológica e segurança de suprimento (IAEA, 2009).

demanda, integração regional e geração firme ou despachável.

Essa trajetória, contudo, não foi linear. Os acidentes de Three Mile

A eletrificação dos transportes, edifícios, centros de dados e de

Island, em 1979, Chernobyl, em 1986, e Fukushima Daiichi, em 2011,

partes da indústria aumenta simultaneamente o consumo e a

ampliaram as preocupações com a segurança, os resíduos radioativos

importância da confiabilidade. Nesse contexto, a energia nuclear

e a capacidade institucional. O IPCC reconhece que esses eventos

pode complementar as renováveis ao fornecer eletricidade e calor

reduziram o apoio público à energia nuclear, embora seus efeitos

de baixo carbono de forma contínua, além de contribuir para a

tenham variado conforme a experiência nacional, a confiança nos

adequação de capacidade e a estabilidade do sistema (IPCC, 2022;

reguladores e a percepção dos riscos. Não houve, portanto, abandono

IEA, 2022).

mundial uniforme: parte da Europa e da América do Norte desacelerou

É nesse sentido que a IEA identifica sinais de uma nova era nuclear.

os investimentos ou adotou políticas de saída, enquanto países asiáticos

Em 2025, havia quase 420 reatores em operação, responsáveis por

continuaram a expandir seus programas (IPCC, 2022; IAEA, 2009).

pouco menos de 10% da eletricidade mundial e pela segunda maior

Fukushima representou a ruptura mais profunda desse período

parcela de geração de baixa emissão, depois da hidrelétrica. Outros

recente. O Japão suspendeu todos os seus reatores e passou a

63 reatores, totalizando mais de 70 GW, estavam em construção,

depender mais de combustíveis fósseis importados. Em outras

e mais de 40 países planejavam novos projetos ou os avaliavam.

economias do Atlântico Norte principalmente, grandes projetos

Entre 2020 e 2023, os investimentos anuais em novos reatores e

nucleares enfrentaram atrasos, custos crescentes e dificuldades de

em extensões de vida útil cresceram em quase 50%, alcançando

financiamento. Paralelamente, a liderança construtiva deslocou-se

cerca de USD 65 bilhões, sobretudo devido à implantação de nova

para a China e a Rússia: entre os 52 reatores cuja construção começou

capacidade. A retomada, porém, permanece desigual e cada vez

em 2017, 48 utilizavam projetos de ambos os países. A retração

mais concentrada na Ásia (IEA, 2025).

ocidental não significou, neste caso, um declínio energético; significou a redistribuição geográfica das capacidades industriais (IEA, 2025).

Na Europa, a inflexão tornou-se visível nos âmbitos regulatório e industrial. Em 2022, a Taxonomia da União Europeia classificou

A crise energética iniciada em 2022 tornou essa transformação

determinadas atividades nucleares como de transição, sujeitas a

mais visível. O conflito da Ucrânia e as interrupções no comércio de

critérios de segurança, de gestão de resíduos e de financiamento do

energia expuseram a vulnerabilidade europeia ao gás importado

descomissionamento. A medida abriu espaço para seu financiamento

e recolocaram a segurança de suprimento no centro das decisões.

na transição climática. Em 2023, a proposta do Net-Zero Industry

No Japão, a dependência de combustíveis importados reforçou o

Act incluiu reatores modulares pequenos e tecnologias nucleares

interesse no retorno gradual dos reatores, aprovados conforme os

avançadas entre as tecnologias de impacto zero; o regulamento

novos requisitos de segurança. Em diferentes países, a discussão

entrou em vigor em 2024, ano em que também foi criada a European

68


Bilhões de US$ (2023, MER)

Extensão da vida útil

Novos reatores

Figura 1 - Investimento global em energia nuclear por tipo, 2000–2023. Fonte: IEA (2025).

Industrial Alliance on Small Modular Reactors (European Commission,

da mineração de urânio, e mais de 99% da capacidade de

2022, 2023; IEA, 2025).

enriquecimento concentra-se em quatro fornecedores, com a Rússia

O movimento também ocorre fora da Europa. Até 2024, o Japão

representando cerca de 40%. A segurança nuclear exige, portanto, a

havia religado 14 dos 54 reatores comerciais desligados em 2011, sob

diversificação das etapas do ciclo do combustível, dos estoques e da

requisitos adicionais de segurança contra terremotos, tsunamis, perda

cooperação internacional (IPCC, 2022; IEA, 2025).

de resfriamento e outros riscos. Os Estados Unidos ampliaram o apoio

Até 2040, não haverá uma combinação tecnológica única para

às extensões de vida útil e aos reatores avançados; a Coreia do Sul

todos os países, pois recursos, infraestrutura, capacidade financeira

preservou um papel relevante para a energia nuclear. A China colocou

e aceitação pública continuarão a definir trajetórias distintas. Ainda

em operação comercial, em 2023, o reator de alta temperatura HTR-PM

assim, a energia nuclear tende a ampliar sua presença nas estratégias

e mantém a maior carteira mundial de novas construções. Índia,

de descarbonização que valorizam geração firme, contínua e de baixa

Turquia e Emirados Árabes Unidos também incorporaram projetos

emissão. Ela não substitui outras fontes de baixo carbono, mas pode

nucleares às suas estratégias energéticas (IEA, 2025).

complementar a eficiência energética, as redes, o armazenamento e

Os Small Modular Reactors ocupam posição central nessa expectativa de renovação. Com menor potência, fabricação modular

as gerações solar, eólica e hidráulica. Permanecem, contudo, desafios de segurança, de custos, de resíduos radioativos e de governança.

e maior padronização, eles podem reduzir o investimento de cada projeto, permitir a implantação gradual e atender a redes menores e a

REFERÊNCIAS

instalações industriais. Alguns projetos também incorporam sistemas

[1] INTERNATIONAL ATOMIC ENERGY AGENCY. Status and Trends of Nuclear

passivos de segurança e maior capacidade de monitoramento de

Technologies: Report of the International Project on Innovative Nuclear

carga. Alianças europeias, programas de demonstração nos Estados

Reactors and Fuel Cycles (INPRO). IAEA-TECDOC-1622. Vienna: IAEA, 2009.

Unidos e iniciativas na China, no Reino Unido, na França, no Canadá

[2] CLARKE, L. et al. Energy Systems. In: IPCC. Climate Change 2022:

e na Índia mostram que esse interesse já se materializou em políticas

Mitigation of Climate Change. Contribution of Working Group III to the Sixth

industriais e projetos concretos (IEA, 2022, 2025).

Assessment Report of the Intergovernmental Panel on Climate Change.

Entretanto, modularidade não garante eletricidade mais barata. O

Cambridge: Cambridge University Press, 2022. Chapter 6, p. 613–746. DOI:

IPCC observa que o investimento total de um SMR pode ser menor, mas

10.1017/9781009157926.008.

o custo por unidade de potência pode superar o de grandes reatores,

[3] INTERNATIONAL ENERGY AGENCY. The Path to a New Era for Nuclear

sobretudo nos primeiros projetos. Os ganhos esperados dependem de

Energy. Paris: IEA, 2025.

fabricação em série, da padronização, da estabilidade regulatória, de

[4] INTERNATIONAL ENERGY AGENCY. Nuclear Power and Secure Energy

fornecedores maduros e da aprendizagem entre unidades sucessivas. A

Transitions: From Today’s Challenges to Tomorrow’s Clean Energy Systems.

própria IEA condiciona uma expansão acelerada à redução dos custos de

Paris: IEA, 2022.

construção, ao controle dos atrasos e à mobilização de financiamento.

[5] EUROPEAN COMMISSION. EU Taxonomy: Complementary Climate

Os SMRs devem, portanto, ser apresentados como uma possibilidade

Delegated Act on Certain Nuclear and Gas Activities: Accelerating

promissora ainda sujeita à demonstração comercial, e não como solução

Sustainable Investments. Brussels: European Commission, 2022.

de custo e prazo já comprovada (IPCC, 2022; IEA, 2025).

[6] COMISSÃO EUROPEIA. Proposta de Regulamento do Parlamento

A dimensão geopolítica também exige equilíbrio. Assim como

Europeu e do Conselho que estabelece um quadro de medidas para reforçar

as tecnologias renováveis dependem de cadeias concentradas

o ecossistema europeu de fabrico de produtos com tecnologia de impacto

de minerais críticos, a energia nuclear apresenta vulnerabilidades

zero (Regulamento Indústria de Impacto Zero). COM(2023) 161 final.

próprias. Quatro países respondem por mais de três quartos

Bruxelas, 16 mar. 2023.

69


Instalações Ex

IEC 60079-10-2 Ed. 3.0:2026 - Nova edição da norma para classificação de áreas contendo atmosferas explosivas de poeiras combustíveis Roberval Bulgarelli é engenheiro eletricista e consultor sobre equipamentos e instalações em atmosferas explosivas.

A

IEC publicou, em 29 de junho de 2026, a terceira edição da IEC 60079-10-2 – Explosive atmospheres – Part 10-2: Classification of areas – Combustible dust atmospheres,

elaborada pelo Comitê Técnico TC 31 – Equipment for Explosive Atmospheres. Esta edição substitui a versão de 2015 e representa uma revisão técnica abrangente dos critérios para classificação de áreas com presença de poeiras combustíveis. A norma estabelece uma metodologia para identificar a possibilidade de formação de atmosferas explosivas por poeiras combustíveis, avaliar a probabilidade e a duração dessas atmosferas, classificar as áreas em Zona 20, Zona 21 ou Zona 22, definir os Grupos IIIA, IIIB e IIIC e fornecer subsídios para a seleção de equipamentos elétricos e mecânicos com proteção “Ex”, bem como para o projeto das instalações e a adoção das medidas de proteção adequadas.

Os exemplos de aplicação foram atualizados para instalações

A classificação de áreas considera fatores como as propriedades

típicas, como silos, armazéns graneleiros, filtros de mangas, esteiras

físico-químicas das poeiras, taxa de liberação, condições de

transportadoras, elevadores de canecas, moinhos e estações de

ventilação, formação e acúmulo de camadas de poeira, possibilidade

ensacamento, facilitando a aplicação prática da metodologia de

de ressuspensão, além das condições normais e anormais previsíveis

classificação.

de operação. Seu escopo abrange instalações onde possam ocorrer

Como resultado, esta nova edição proporciona maior

atmosferas explosivas devido à presença de poeiras combustíveis

uniformidade entre os estudos de classificação para gases inflamáveis

condutivas ou não condutivas, fibras combustíveis e partículas em

e poeiras combustíveis, aperfeiçoa a avaliação dos riscos associados

suspensão no ar.

a depósitos e ressuspensão de poeiras e fortalece a rastreabilidade

Entre as principais alterações técnicas introduzidas na Edição 3.0

da documentação técnica, contribuindo para projetos, auditorias e

destacam-se a revisão dos critérios para determinação da frequência

inspeções mais consistentes em instalações com equipamentos “Ex”.

de ocorrência de nuvens de poeira, o aprimoramento da avaliação

No âmbito da normalização brasileira, a Comissão de Estudo

da duração das atmosferas explosivas, a consideração explícita de

CE 003.031.006, vinculada ao Subcomitê SCB 003.031 – Atmosferas

condições operacionais anormais previsíveis e a harmonização com

Explosivas, do COBEI/ABNT, acompanhou todas as etapas de

a norma IEC 60079-10-1, aplicável à classificação de áreas com gases

elaboração, análise de comentários, votação e aprovação desta

inflamáveis.

edição da IEC, em conjunto com os demais países participantes

Também foram revisados os conceitos relacionados à formação

do TC 31. Após sua publicação, a Comissão iniciou a atualização

de depósitos de poeira, ressuspensão de camadas, influência das

da correspondente ABNT NBR IEC 60079-10-2, conforme os

práticas de limpeza (housekeeping) e manutenção das instalações,

procedimentos estabelecidos na ABNT Diretriz 3 – Adoção de

tornando a avaliação do risco mais consistente. A documentação

Documentos Técnicos Internacionais, assegurando o alinhamento da

técnica passou a receber maior destaque, exigindo o registro das

normalização brasileira aos requisitos técnicos internacionais mais

características das poeiras, das premissas adotadas, das fontes

recentes.

de liberação, das condições de ventilação, dos limites das zonas classificadas e das justificativas técnicas utilizadas no estudo.

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O preço da segurança das instalações em atmosferas explosivas é a eterna vigilância.


Caio Huais é engenheiro industrial, especialista em Engenharia Elétrica e Automação com MBA em engenharia de manutenção e gestão de negócios. Atualmente, ocupa posição de gerente corporativo de manutenção no Grupo Equatorial, respondendo pelo desempenho da Alta Tensão de 7 concessionárias do Brasil.

A

o longo da minha trajetória em manutenção, proteção e

seletividade, bloqueios, intertravamentos e tempos de transferência precisam

comissionamento de subestações, aprendi uma coisa que

ser avaliados dentro da filosofia operacional. Não basta perguntar se o relé

parece simples: equipamento aprovado não significa sistema

atuou corretamente. A pergunta seguinte é mais importante: depois que ele

confiável. Transformador, relé, disjuntor, UPS, gerador ou sistema de

atuou, o sistema fez exatamente o que deveria fazer?

automação podem passar individualmente por todos os ensaios e, ainda

Essa visão encontra respaldo na NFPA 70B, que trata o comissionamento

assim, a instalação falhar quando esses ativos precisam responder juntos.

como processo de verificação e documentação de requisitos funcionais em

Em data centers isso fica ainda mais crítico. A perda da alimentação

nível de componente e de sistema, incluindo a obtenção de informações de

principal dispara uma sequência que não admite improviso. A proteção

referência para operação e manutenção. A IEEE 3007.2 também relaciona

precisa identificar e isolar a falta, a UPS sustentar a carga, os geradores

manutenção de sistemas elétricos industriais e comerciais à definição de

partir, os sistemas de transferência reconhecer tensão e frequência

estratégias e métodos de ensaio. Para mim, esse ponto é fundamental: um

adequadas e os disjuntores operar na sequência prevista. Ao mesmo

bom comissionamento já é o primeiro ato da manutenção.

tempo, supervisão, automação e climatização precisam permanecer

Os valores obtidos nessa etapa deveriam acompanhar o ativo durante

disponíveis. O que está sendo testado, portanto, não é mais um

toda a sua vida. Tempos de abertura e fechamento, ajustes de proteção,

equipamento. É o comportamento do sistema.

tempos de transferência, correntes, temperaturas, autonomia das baterias

É justamente aí que entra o comissionamento integrado,

e registros oscilográficos formam a primeira fotografia confiável do

especialmente os Integrated Systems Tests (IST). FAT e SAT são

sistema. Quando esses dados são preservados, a manutenção futura deixa

indispensáveis e fazem parte de qualquer boa engenharia. Mas existe uma

de comparar o ativo apenas com limites genéricos e passa a compará-lo

diferença importante entre comprovar que cada componente funciona e

também com ele mesmo, quando novo e saudável.

provocar condições degradadas para verificar como a instalação reage.

A ABNT NBR ISO 55001 reforça essa lógica ao colocar risco, desempenho

Perda de fonte, falha de gerador, indisponibilidade de UPS, perda de

e geração de valor no centro da gestão de ativos. Encontrar uma falha

comunicação ou retorno da alimentação são situações que revelam

de integração durante um teste custa muito menos do que encontrá-la

problemas que dificilmente aparecem em ensaios isolados.

durante uma contingência real. Por isso, nunca enxerguei comissionamento

Já vi muitas vezes o problema estar exatamente na interface. O relé atua corretamente, mas a lógica seguinte não responde como esperado. O

apenas como a última etapa da obra. Ele é a primeira barreira contra a indisponibilidade futura.

gerador parte, mas um permissivo impede a transferência. A alimentação

Para quem trabalha com manutenção, talvez essa seja a principal

principal retorna, porém um intertravamento mantém o sistema em

reflexão. Muitas falhas relevantes não nascem no equipamento; nascem

condição degradada. Em outros casos, tudo está correto no circuito

entre equipamentos, lógicas, sistemas e procedimentos. E são justamente

de potência, mas uma falha na alimentação CC, na comunicação ou na

essas interfaces que uma manutenção convencional pode não enxergar.

automação impede a recomposição. São falhas pequenas na origem e enormes nas consequências. Por isso, proteção e automação não podem ser tratadas separadamente durante o comissionamento. Funções 50/51, 27/59, 81, diferenciais,

No fim, a falha mais perigosa pode não ser aquela encontrada durante um ensaio. Pode ser aquela que permanece escondida entre dois sistemas que nunca foram testados juntos. Comissionar bem é encontrá-la antes que a operação encontre.

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Manutenção estratégica

Comissionamento integrado: a falha que só aparece quando o sistema é testado


Energia com qualidade

As regulações aplicáveis às distribuidoras atendem às necessidades da qualidade da energia dos consumidores? Por: Eng José Starosta – Diretor da Ação Engenharia e Instalações Ltda jose.starosta@acaoengenharia.com.br

O

poder concedente brasileiro, Agência Nacional de Energia

valores de distorção total de tensão de até 7%, independente da carga,

Elétrica-ANEEL, é responsável por definir a regulação

que pode atender o limite máximo de THVD<8% estabelecido pelo

do fornecimento de energia, incluindo os aspectos de

módulo 8, mas efetivamente não atende às premissas do sistema de

qualidade da energia elétrica. O tema é tratado no módulo 8 do

compensação reativa, merecendo tratamento fora do convencional,

Procedimento à Distribuição, PRODIST.

mesmo com reator antirressonante p7%.

O módulo 8 trata dos aspectos da qualidade do produto, de serviços, de qualidade comercial e dos aspectos de segurança. Especificamente no tema qualidade do produto, são definidos limites de fornecimento no ponto de conexão entre a rede da distribuidora e das instalações dos consumidores de energia, na tensão de distribuição definida. Os limites consideram atendimentos mínimos das variáveis. Em regime permanente: tensão em regime permanente; fator de Potência; distorção harmônica de tensão; desequilíbrio de tensão; flutuação de tensão - flicker; e variação de frequência.Em regime transitório são considerados as VTCD’s na análise dos distúrbios de afundamentos, elevações e interrupções de tensão entre 1 ciclo e 3 minutos. As questões a serem consideradas estão relacionadas aos aspectos de atendimento às premissas da regulação, no caso o módulo 8, no ponto de conexão e os aspectos de atendimento às cargas de forma desejável, isto é, condições de operação dentro de seus limites de imunidade que são diferentes daqueles estabelecidos pela regulação e seus limites de fornecimento. Adicionalmente, deve-se considerar os efeitos das impedâncias típicas dos componentes das instalações elétricas dos consumidores, como os circuitos de distribuição nem sempre instalados de forma adequada, transformadores, cargas não lineares, capacitores que podem causar ressonâncias harmônicas, correntes transitórias causadas por cargas da instalação, sistemas de aterramento, entre outros. As soluções de adequação são baseadas em inspeções físicas, análise de projetos, análise de comportamento de cargas e medições elétricas adequadas que complementam as verificações e inspeções. Importante definir se as soluções corretivas sejam elas de intervenções físicas nas próprias instalações ou soluções que considerem inserção de equipamentos de condicionamento da energia como UPS, geradores, filtros ou compensadores de afundamento sejam adequadas aos diversos pontos da instalação. A figura 1 ilustra o comportamento da distorção de tensão THDV no ponto de conexão de um terminal portuário que apresenta

72

Figura 1 – THDV no ponto de conexão em terminal portuário

Algumas soluções de condicionamento de energia são listadas a seguir, no quadro da figura 2, e podem tornar as instalações e podem tornar as instalações operacionalmente confiáveis atendendo a imunidade das cargas se adequadamente especificadas. As indicações RP e RT indicam aplicações em regimes permanentes e transitórios. Figura 2 – Lista de equipamentos de condicionamento da Energia Elétrica 1 - Transformadores Isoladores com blindagem eletrostática - RP+RT 2 -Filtros de alta frequência - Agrupamento adequado de elementos passivos -RP 3 - DPS (dispositivos de proteção de surtos- Associação de elementos passivos e varistores - RT 4 - Filtro passivo de correntes harmônicas -Reatores em série com capacitores - RP 5 - Compensador estático de energia reativa -Reatores em série com capacitores com manobra estática – RP+RT 6 - Estabilizadores de tensão-BT – RP 7 - Grupo motogerador - Composto por acoplamento de motor ou turbina (diesel/gás/outro) com gerador elétrico. -RP 8 - UPS (“no-break”) estático -Conjunto de conversores e elementos estáticos e fonte de energia redundante (em geral baterias estacionárias). RT+RP 9 - UPS Dinâmico – Sistema de energia Ininterrupta composto por máquina síncrona (conjunto de gerador e motor elétrico) e flywheel ou baterias – RP+RT 10 - DRUPS – Sistema de energia Ininterrupta composto por máquina síncrona, flywhell e gerador diesel com sistema de acoplamento RP+RT 11 - Compensador de afundamentos e elevação de tensão (VSC) RT 12 - Compensador de micro interrupções RT 13 - Filtro ativo de harmônicas - RP 14 - Filtro híbrido de harmônicas – RP+RT


no setor elétrico: do hype à geração de valor no PDI ANEEL Tenorio Barreto é Engenheiro Eletricista, Mestre pela PUC-Rio em Metrologia, Inovação e Qualidade. É Sócio-Diretor da B&S Consultoria em Projetos.

A

combinação de Inteligência Artificial (IA), analytics,

novas combinações de problemas ou novas formas de resolver

digital twins, computação em nuvem, Internet das Coisas

problemas antigos.

(IoT), automação, robótica e tecnologias associadas

Portanto, devemos partir dos problemas e não das

à cibersegurança está modificando a forma como empresas de

tecnologias, pois quando o ponto de partida é a tecnologia,

geração, transmissão e distribuição planejam, operam, mantêm e

corre-se o risco de procurar posteriormente um problema

se relacionam com seus ativos e consumidores.

para justificá-la. Já quando o ponto de partida é o problema, a

Nesse contexto, surge uma questão central para os

tecnologia passa a ser escolhida em função de sua capacidade

programas de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PDI):

de produzir uma solução. Ainda nesse cenário, talvez uma das

estamos efetivamente utilizando novas tecnologias para

maiores oportunidades de inovação do setor elétrico não esteja

resolver problemas relevantes do setor ou apenas incorporando

em uma nova tecnologia, mas em algo que as empresas já

tecnologias que estão em evidência?

possuem em enorme quantidade: dados.

A pergunta é particularmente importante no ambiente

Empresas de energia acumulam dados sobre consumidores,

regulado. O PDI não deveria ser compreendido como um

consumo, ativos, ocorrências, manutenção, qualidade, clima,

mecanismo para financiar a adoção de tecnologias emergentes,

perdas,

mas principalmente um instrumento capaz de reduzir incertezas,

equipamentos, redes e operações. Entretanto, possuir dados

desenvolver competências, testar soluções e gerar conhecimento

não significa necessariamente possuir um ativo estratégico.

aplicável aos desafios estratégicos do setor elétrico.

Para que os dados se transformem em ativo, é necessário que

Poucas tecnologias despertam expectativas tão grandes quanto a IA. No setor elétrico, suas aplicações potenciais

investimentos,

interrupções,

equipes

de

campo,

sejam: acessíveis + confiáveis + integrados + governados + interpretáveis + utilizados na tomada de decisão.

são numerosas: previsão de demanda, previsão de geração

Muitas empresas ainda convivem com dados fragmentados

renovável, manutenção preditiva, detecção e combate às

entre sistemas, áreas e processos. Em alguns casos, existe

perdas não técnicas, análise de imagens, identificação de

grande quantidade de dados históricos, mas pouca capacidade

anomalias, otimização de redes, gestão de ativos, atendimento

de transformá-los em conhecimento operacional. O PDI pode

ao consumidor e apoio à tomada de decisão.

desempenhar um papel importante nessa transformação. Nesse

Dessa forma, qual problema estratégico do setor elétrico pode ser resolvido de maneira efetiva com a utilização da

sentido, dados podem ser uma infraestrutura de inovação tão importante quanto equipamentos físicos e sistemas digitais.

IA? Por exemplo, desenvolver um algoritmo para prever

Como ponto a refletir, entendo que a próxima fronteira de

falhas em transformadores pode parecer, isoladamente, um

inovação do setor elétrico provavelmente não será definida

projeto tecnológico. Entretanto, se a solução permitir reduzir

por uma única tecnologia. A IA, digital twins, analytics, drones,

interrupções, antecipar falhas críticas, diminuir custos de

robôs, IoT e outras tecnologias são componentes de uma

manutenção e melhorar indicadores de continuidade, o projeto

transformação muito mais ampla. O verdadeiro desafio será

passa a apresentar uma clara conexão entre tecnologia e geração

combinar tecnologias, dados, pessoas, processos e regulação

de valor e é isso que se espera das novas tecnologias.

para resolver problemas que ainda não possuem soluções

Uma das questões mais difíceis para os programas de PDI é

satisfatórias.

identificar problemas que realmente mereçam investimento, pois

Nesse cenário, o PDI/ANEEL pode e vem desempenhando um

temos 26 anos do Programa de Inovação ANEEL e muitos temas

papel estratégico. Mais do que financiar projetos tecnológicos,

já foram intensamente explorados. Isso gera uma pergunta:

pode funcionar como mecanismo de experimentação, redução

onde ainda estão os grandes problemas não resolvidos do

de riscos, desenvolvimento de competências, produção de

setor elétrico? A resposta está em identificar novos problemas,

conhecimento e aceleração da transformação do setor.

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Pesquisa e Desenvolvimento

Digitalização e novas tecnologias


Índice de anunciantes

AÇÅO ENGENHARIA

63

BARRETO ENG 41 BREE 39 COBRECOM 15 EXPONENCIAL 45 GAZQUEZ 3ª CAPA GRUPO GIMI

2ª CAPA E 19

INPOL POLIMEROS

17

INTELLI 4ª CAPA ITAIPU 35 KRAUS & NAIMER

31

KRJ 59 MADEM 43 MEGGER 9 PEXTRON 27 RITTAL 33 ROMAGNOLE 13 SIL 37 TDK 11 TECSYSTEM 5 TRAEL 23 74


75


76


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Revista O Setor Elétrico Ed. 221 (setembro) by Revista O Setor Elétrico - Issuu