Ano 21 - Edição 221 - Agosto/Setembro de 2026
MÉDIA TENSÃO:
TECNOLOGIAS AVANÇAM PARA REFORÇAR A RESILIÊNCIA DOS CIRCUITOS EM RESPOSTA AOS DESAFIOS IMPOSTOS POR EVENTOS CLIMÁTICOS EXTREMOS, RELIGADORES, CABOS, SENSORES E SISTEMAS DE AUTOMAÇÃO GANHAM NOVAS FUNCIONALIDADES
EVENTOS DO SETOR: RESILIÊNCIA, EFICIÊNCIA ENERGÉTICA E NOVA NR-10 GANHAM DESTAQUE NO CINASE CENTRO-OESTE
ARTIGO TÉCNICO - POR RUI ALTIERI CURTAILMENT E O NÓ DA TRANSIÇÃO ENERGÉTICA BRASILEIRA
1
2
Conhecimento técnico para transformar o setor elétrico
6 Cobertura especial
Diretores Adolfo Vaiser - adolfo@atitudeeditorial.com.br
Resiliência, eficiência energética e nova NR-10 ganham destaque no CINASE Centro-Oeste
Simone Vaiser - simone@atitudeeditorial.com.br Editor-chefe - MTB - 0014038/DF
16 Artigo Técnico
Edmilson Freitas - edmilson@atitudeeditorial.com.br
Curtailment e o nó da transição energética brasileira
Coordenação de conteúdo e pauta
Fascículos
Flávia Lima - flavia@atitudeeditorial.com.br Repórter Fernanda Pacheco - fernanda@atitudeeditorial.com.br Marketing e mídias digitais Henrique Vaiser - henrique@atitudeeditorial.com.br Letícia Benício - leticia@atitudeeditorial.com.br Pesquisa e circulação Maria Elisa Vaiser - mariaelisa@atitudeeditorial.com.br
20 Armazenamento de energia o futuro do setor elétrico - Miriam Penna Diniz e Michele dos Reis 28 Instalações elétricas - média e baixa tensão - Luiz Carlos Catelani 32 Data centers: a fronteira do setor elétrico - Alexandre Kontoyanis 40 O setor elétrico na era da IA: eficiência, segurança e novos paradigmas - Leo Almeida 44 Por dentro das normas Paulo Barreto - NBR 13570 / Marcos Rogério - NBR 17193 / Aguinaldo Bizzo – NR 10
Administração Paulo Martins - paulo@atitudeeditorial.com.br Cristina Sato - administrativo@atitudeeditorial.com.br
48 Espaço Aterramento
Comercial
Descargas atmosféricas
Adolfo Vaiser - adolfo@atitudeeditorial.com.br (11) 98188 – 7301 Willyan Santiago - willyan@atitudeeditorial.com.br (11) 98490 – 3718 Oswaldo Christo - oswaldo@atitudeeditorial.com.br (31) 9 9975-7031 / (31) 3412-7031 Diagramação Leonardo Piva - leopiva@gmail.com Colaboradores da publicação: Aline Cristiane Pan, Aguinaldo Bizzo, Alberto Arkader Kopiler, Alexandre Kontoyanis, Caio Huais, Cláudio Mardegan, Daniel Bento, Danilo de Souza, Frederico Boschin, Gabriela Heck, Henrique Parreiras Couto, José Barbosa, José Starosta e Tenorio Barreto, Leo Almeida, Liége Flores, Luiz Carlos Catelani, Luciano Haas Rosito, Marcos Rogério, Michele dos Reis Pereira, Miriam Penna Diniz, Nunziante Graziano, Paulo Barreto, Paulo Edmundo da Fonseca Freire, Roberval Bulgarelli, Rui Altieri e Silvia Maria Carneiro.
50 Espaço Cigre-Brasil Inteligência Artificial Generativa: impactos e desafios para a operação dos sistemas elétricos
51 Espaço Abradee Distribuidoras reforçam tecnologia e planejamento para enfrentar os desafios do El Niño
52 Reportagem Média tensão: tecnologias avançam para reforçar a resiliência dos circuitos
56 Guia setorial Engenharias, consultorias, projetos e instalações
Fale conosco contato@atitudeeditorial.com.br Tel.: (11) 98433-2788 A Revista O Setor Elétrico é uma publicação mensal da Atitude Editorial Ltda., voltada aos mercados de Instalações Elétricas, Energia e Iluminação, com tiragem de 13.000 exemplares. Distribuída entre as empresas de engenharia, projetos e instalação, manutenção, indústrias de diversos segmentos, concessionárias, prefeituras e revendas de material elétrico, é enviada aos executivos e especificadores destes segmentos. Os artigos assinados são de responsabilidade de seus autores e não necessariamente refletem as opiniões da revista. Não é permitida a reprodução total ou parcial das matérias sem expressa autorização da Editora. Capa: Latóratório de Ensaio do Cepel Impressão - Gráfica Grafilar Distribuição - Correios Atitude Editorial Publicações Técnicas Ltda. www.osetoreletrico.com.br atitude@atitudeeditorial.com.br Filiada à
Colunas 58 Aline Cristiane Pan - Inovação e Equidade no Setor Elétrico 60 Frederico Boschin - Conexão Regulatória 61 José Barbosa – Proteção contra raios 62 Cláudio Mardegan – Análise de sistemas elétricos 64 Daniel Bento – Redes subterrâneas e resiliência 65 Luciano Rosito – Iluminação pública 66 Nunziante Graziano – Quadros e painéis 67 Aguinaldo Bizzo – Segurança do trabalho 68 Danilo de Souza – Energia, Ambiente e Sociedade 70 Roberval Bulgarelli – Instalações Ex 71 Caio Huais – Manutenção estratégica 72 José Starosta – Energia com qualidade 73 Tenorio Barreto – Pesquisa e Desenvolvimento 3
Sumário Edição 221
4 Editorial
Editorial
Conhecimento técnico para transformar o setor elétrico
C
Cumprindo o seu papel de fomentar o desenvolvimento técnico da cadeia industrial do setor elétrico, a edição de agosto/setembro desta publicação está repleta de conteúdos imperdíveis, todos cuidadosamente pensados e elaborados por grandes especialistas, em suas respectivas áreas, fazendo uma abordagem 360 dos grandes temas que desafiam diariamente especialistas, engenheiros,
projetistas, instaladores, fabricantes, concessionárias e profissionais de manutenção. Um dos assuntos pelos quais essa publicação tem se debruçado nos últimos meses, é o tema da atualização da Norma Regulamentadora, NR-10, que estabelece os requisitos e as condições mínimas de prevenção para garantir um ambiente de trabalho seguro em todas as etapas de geração, transmissão, distribuição e consumo de energia elétrica. Uma das importantes mudanças estabelecidas na nova redação da Norma, destacada pelo especialista Aguinaldo Bizzo, é que a partir de junho de 2027, início da vigência da nova NR-10, será obrigatória a previsão de requisitos de segurança para os segmentos atingidos pela norma ainda na concepção das instalações. O projeto, a especificação dos equipamentos, a avaliação dos riscos e as medidas de engenharia passam a assumir papel cada vez mais relevante na prevenção de acidentes. A abordagem do arco elétrico, da proteção contra choques elétricos e da integração entre as normas técnicas mostra que a segurança não pode ser tratada como uma etapa posterior: ela precisa nascer junto com o projeto. Essas e outras mudanças estão destrinchadas por Bizzo, tanto na sua coluna “Segurança do Trabalho”, quanto na editoria por Dentro das Normas, onde o especialista trata do assunto. Além da reportagem, que aborda a evolução dos equipamentos e circuitos de média tensão, frente às mudanças climáticas, um conteúdo de destaque desta edição é o artigo técnico escrito pelo Diretor-Presidente da Associação Brasileira dos Produtores Independentes de Energia Elétrica – APINE, Rui Altieri. Sob o título “Curtailment e o nó da transição energética brasileira”, o texto aborda os desafios impostos ao Sistema Interligado Nacional (SIN), pela rápida expansão das fontes eólica e solar fotovoltaica. “No centro dessa discussão está o aumento do curtailment, que se tornou problema sistêmico. Quando usinas operacionais são impedidas de injetar energia na rede por restrições de transmissão ou excesso de oferta, o prejuízo recai diretamente sobre os geradores. Isso compromete a previsibilidade do fluxo de caixa e a viabilidade financeira de novos projetos. Dados do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) apontam que, de janeiro a julho de 2026, o volume médio de restrição de geração eólica e solar atingiu 3.629 MWmed, ou seja, 19,3% de toda a geração potencial das usinas afetadas, um aumento de 2,5% em relação aos 16,8% (3.068 MW médios) registrados no mesmo período de 2025”, ressalta o artigo. Altieri também aborda de forma detalhada as alternativas e caminhos mais viáveis para a busca de solução para o curtailment. “A questão não é desincentivar a geração própria, mas reconhecer a física do sistema elétrico. A injeção não gerenciada da MMGD reduz a carga líquida atendida pela geração centralizada e contribui para as sobras sistêmicas, que resultam no desligamento de usinas de grande porte. Por isso, a MMGD deve ser formalmente incluída na apuração e na mitigação dos impactos da sobreoferta, em bases proporcionais e isonômicas”, destaca trecho do artigo. O crescimento da economia digital coloca a energia elétrica no centro de uma nova fronteira de infraestrutura, com o aumento da demanda por grandes empreendimentos de data centers. Nesta edição, Alexandre Kontoyanis, responsável pelo fascículo sobre o assunto, trata sobre a “Classificação de Geradores em Data Centers: Análise Técnica da ISO 8528-1:2018 e dos Requisitos de Operação Contínua”. O texto é extremamente didático e completo, não perca. Boa leitura!
Edmilson Freitas edmilson@atitudeeditorial.com.br Acompanhe nossas novidades pelas redes sociais:
@osetoreletrico
4
Revista O Setor Elétrico
Revista O Setor Elétrico
Revista O Setor Elétrico
5
Cobertura Especial
Resiliência, eficiência energética e nova NR-10 ganham destaque no CINASE Centro-Oeste Realizado em Goiânia, entre os dias 5 e 6 de agosto, evento reuniu mais de 2.300 pessoas, entre especialistas, técnicos, gestores e os grandes players do mercado para discutir o futuro do setor elétrico goiano Por Edmilson Freitas
6
A resiliência da rede elétrica de Goiás e eficiência energética na indústria e no agronegócio estiveram no centro dos debates do
manutenções, para preparar a rede para ficar mais resiliente para os períodos de maior impacto climático”, detalha Lener Silva Jayme.
Circuito Nacional do Setor Elétrico – CINASE, edição Centro-Oeste,
Um dos diferenciais do estado, segundo o gestor, é o nível de
realizado entre os dias 5 e 6 de agosto, em Goiânia/GO. O desafio
monitoramento integrado do sistema, que permite uma resposta
de tornar os sistemas de distribuição e transmissão mais robustos,
rápida, com equipes estrategicamente posicionadas para o
preparados para eventos climáticos extremos e capazes de responder
atendimento aos chamados. “Hoje, o estado de Goiás tem um dos
com maior agilidade às novas demandas do sistema elétrico foram
centros de operação integrada mais desenvolvidos do país. Nós
abordados por diferentes ângulos, entre especialistas, técnicos e
temos um nível de automação, que implantamos aqui no Goiás, que
gestores do estado.
é algo que realmente impressiona. Monitoramos a nossa rede 24hs
Os painéis dedicados ao tema da resiliência da rede elétrica
por dia, permitindo o acompanhamento de falhas e ocorrências, em
frente os eventos climáticos, que mobilizaram, inclusive, o Diretor-
tempo real, possibilitando, inclusive, que atuemos para evitar falhas
Presidente da Equatorial Goiás, Lener Silva Jayme, e o Diretor da EDP
no sistema. Temos uma comunicação em tempo real com todos os
Transmissão do estado, Rafael Holanda, colocaram em evidência
equipamentos automatizados. Esse centro de operações faz com
questões como confiabilidade, continuidade do fornecimento,
que a gente tenha um índice de mais de 98% de confiabilidade
modernização da infraestrutura e adoção de tecnologias que
e comunicabilidade com esses equipamentos, com pessoas
contribuam para aumentar a capacidade de resposta da rede diante
trabalhando 24hs por dia neste monitoramento”, destaca Jayme.
de situações adversas.
Para além dos investimentos em monitoramento, manutenção
Com maior frequência de eventos extremos e maior intensidade,
e melhoria da rede, Rafael Holanda, que está à frente da EDP
o clima, definitivamente, aumentou a complexidade operacional do
Transmissão do Goiás, defende uma reformulação completa nos
sistema elétrico no estado. Essa foi uma das principais conclusões
parâmetros usados para o dimensionamento e planejamento dos
feitas logo na abertura do evento pelo Diretor-Presidente da
ativos elétricos. “O desafio não está somente no clima, o desafio
Equatorial, empresa que administra mais de 200 mil quilômetros de
está em reconhecer que hoje, as premissas que usamos para fazer
rede, o equivalente a cinco voltas ao redor da terra, e atende mais
e desenvolver os sistemas de transmissão, precisam evoluir. Cada
de 3,8 mil clientes, distribuídos em diferentes realidades: grandes
vez que olharmos para os novos projetos a gente vê que eles foram
centros urbanos e extensas áreas rurais, tudo isso, contrastando,
concebidos por uma linha de estudos que foram feitos no passado,
com um crescimento econômico acelerado, puxado, especialmente,
condizentes com condições climáticas que hoje já não são mais as
pela forte atuação do agronegócio goiano. Em 2025, o segmento foi
mesmas. Esses cálculos utilizados para projetar torres, e até para
responsável por 3,8% das exportações brasileiras no ano, ocupando
licenciamento ambiental, estão todos ultrapassados, considerando
a 8ª posição entre os estados exportadores.
os eventos climáticos vivenciados pelas nossas redes hoje. Isso exige
“A resposta não começa depois da ocorrência, temos que ser
uma mudança de mentalidade conjunta”, afirma Rafael Holanda.
preditivos, trabalhar com antecedência. Não podemos esperar que o
Essa mudança, segundo Holanda, precisa constar, inclusive,
evento aconteça para que a gente tenha agilidade na recuperação, isso
no regulamento dos grandes projetos e dos leilões do setor. “Hoje
é só uma parte do processo. Temos que nos antecipar, nos preparar
temos eventos climáticos com uma frequência muito maior que
e capacitar a rede para os eventos severos. Uma das estratégicas,
no passado. Precisamos discutir isso com o regulador, órgãos
é investir na manutenção prévia, aproveitando, por exemplo, as
ambientais, operador do sistema, não só isoladamente com um
equipes que estão ali de plantão, no período de seca, para fazer mais
player, mas sim, com uma atuação conjunta. Precisamos construir
7
Cobertura Especial
um planejamento com parâmetros e projetos com instrumentos que tenham novos critérios de cálculos matemáticos para compreender essa nova realidade. Tudo começa com o planejamento e não podemos mais utilizar os parâmetros do passado”, alertou Holanda. Presente no debate, Lindemberg Reis, Gerente de Planejamento e Inteligência de Mercado na Abradee, afirmou que o tema tem ganhado bastante atenção na entidade, que inclusive vem buscando referências internacionais para o aprimoramento das ações em curso no país. “Desde o final de 2024, a Abradee vem desenhando um projeto de pesquisa e desenvolvimento chamado ‘Melhores práticas para o segmento de distribuição para o enfrentamento aos eventos climáticos extremos’. Ele consiste na busca por experiências nacionais e internacionais relacionadas ao tema. Estamos verificando como estão os planos de contingência em outros países, também fomos buscar as melhores práticas regulatórias. O grande legado deste projeto é entender como distribuidoras de energia, órgãos de avaliação de dados meteorológicos, a sociedade e o consumidor, podem desenhar uma forma mais orgânica de enfrentamento a este tema”, destacou Lindemberg Reis. Os painéis sobre o tema de resiliência da rede elétrica em Goiás contaram ainda com a participação do Presidente do Sindienergias, Diretor da FIEG e Conselheiro do Sinduscon GO, Célio Eustáquio, da Executiva de Projetos e Fiscalização da Equatorial Energia, Kariane Pauluk e do especialista em redes subterrâneas e resiliência, Daniel Bento. EFICIÊNCIA ENERGÉTICA NA INDÚSTRIA E NO AGRONEGÓCIO Outro assunto que despertou a atenção dos participantes foi o painel que tratou sobre o tema da eficiência energética nos segmentos industriais e do agronegócio. Representando o Governo do Estado, Kamilla Pires, que é Gerente de Eficiência Energética, listou uma série de iniciativas do governo local para estimular os diversos setores da economia goiana, inclusive, para estimular o setor público a adotar medidas voltadas à eficiência energética operacional. “A redução de custo de energia, o incentivo a fontes renováveis, participação e captação de recursos via editais do Programa de Eficiência Energética e também fazer integração, fomentar e unir o planejamento junto ao setor produtivo. Nosso papel é incentivar e promover o setor privado, a indústria, que é a nossa principal área, com maior consumo, a ter resultados grandiosos. Para isso, eles precisam entender que não é apenas desligar a luz, eficiência é modernização, troca de equipamentos, com essas medidas, a gente consegue sim, ter resultados reais”, afirma Kamilla Pires. Em cinco anos, segundo a secretária, o programa já resultou em economia de mais de R$ 110 milhões, oriundos da revisão de mais de 200 contratos. “Em 2025, a gente participou do edital realizado pela Equatorial e conseguimos captar mais de 6 milhões para o setor público. Estamos visualizando resultados e queremos incentivar que a indústria participe disso. Estamos abertos a receber os diversos segmentos, estamos prontos para ouvi-los para destravar este processo e também mudar o pensamento de que se trata apenas de um financiamento, pois
8
já temos retornos comprovados”, complementou Kamilla.
em Eficiência Energética e Geração Distribuída da entidade. “Muitas
Integrando também o painel, o Diretor-presidente da Equatorial
empresas e indústrias, ainda hoje, têm a visão de que fazer alguma
chamou a atenção para o uso inteligente e alternado da energia,
eficiência energética, como troca de motores, troca de iluminação, é o
especialmente em segmentos como o agronegócio, que podem, por
suficiente. A grande virada na consultoria de eficiência energética que
exemplo, realizar seus planos de irrigação em horários mais econômicos,
estamos fazendo no SENAI Goiás é deixar o legado da continuidade
fora do pico de consumo.
desses projetos. É preciso ter uma gestão energética na indústria. Não
“Precisamos tratar da eficientização da melhor maneira possível,
é só fazer a consultoria e não implementar. Por isso que temos hoje
estudando o mercado, inclusive, quando da implementação de uma
um programa, que além da consultoria de eficiência energética, nós
indústria ou de agronegócio. Até o local físico de instalação pode fazer
fazemos o treinamento do pessoal, e dependendo do projeto, a gente
a diferença. Precisamos estudar como a gente pode tratar consumo de
implanta uma comissão interna de conservação de energia. Isso é muito
energia em momentos fora do horário do pico, com maior economia,
importante, porque garante continuidade das ações”, ressaltou Okigami.
maior rentabilidade para o negócio. O Estado de Goiás é praticamente
Assim como no SENAI, o Sebrae também desenvolve ações
do agro e temos muitos irrigantes nas pontas das nossas redes em todo
semelhantes, porém, voltadas às micro e pequenas empresas. “O
o estado, ou seja, é preciso estudar maneiras de dar partidas nesses
Sebrae atende o empresário pequeno, encara a energia como um custo
motores de forma mais eficiente, como fazer esta irrigação em horários
necessário. Por isso, é preciso serem feitas outras dinâmicas, colocando
mais vantajosos. Então, temos investido bastante em eficientização
os objetivos do negócio dentro de um contexto de planejamento
energética no estado. Temos muito orgulho de poder participar e fazer
estratégico. A energia pode ser um ativo muito importante, mas também
parte dessa transformação”, reforça Lener Silva Jayme.
pode ser um custo decisivo, para inclusive, quebrar o negócio. No Sebrae,
Além de atuar na área de educação profissionalizante, o SENAI
o tema da energia é uma linha de negócio, com um atendimento para
Goiás também desenvolve programas de capacitação para eficiência
micro e pequenas empresas, direcionada justamente para esse contexto
energética, conforme explicou Paulo Takao Okigami, Especialista
da eficiência. Esse trabalho, que inclusive é gratuito, chama-se ‘Jornada
STX40
Sistema portátil de localização de falhas em cabos
Mais informações
Único sistema de sua categoria com 7 métodos de localização de falhas incorporados: • Teste de resistência de isolamento • Reflectometria de domínio do tempo (radar) • Teste CC de prova de alta tensão (hipot CC) • Métodos de pré-localização transientes e baseados em ecômetro Megger.com
• Picos/batidas em vários estágios de tensão • Testes da blindagem e detecção de falhas da blindagem através de pinpointing • Queima 9
Cobertura Especial
de consumo’, onde as empresas podem solicitar e fazemos uma análise completa do negócio com esse objetivo”, detalha Michele Swistalski, Consultora do SEBRAE Energia. NOVA NR 10 A nova NR 10, que traz impactos importantes para profissionais e empresas envolvidos com instalações e serviços em eletricidade, também esteve em debate no CINASE Goiás. A nova redação da Norma altera e moderniza substancialmente os requisitos e condições mínimas para garantir a segurança e a saúde dos trabalhadores que interagem, direta ou indiretamente, com instalações elétricas e serviços com eletricidade. Integrante da bancada dos trabalhadores no Grupo de Trabalho Tripartite (GTT), do Ministério do Trabalho e Emprego, que coordenou, nos últimos cinco anos, as mudanças na NR 10, Aguinaldo Bizzo, juntamente com o também especialista do CINASE, Nunziante Graziano, apresentaram as principais mudanças que irão impactar todos os trabalhadores com eletricidade atingidos pela norma. FEIRA DE NEGÓCIOS Desenhada para oferecer um ambiente único e fértil de networking e negócios, a feira de exposição do CINASE Goiás, à exemplo das demais edições do evento pelo país, contou com a participação de um público altamente qualificado e com poder de decisão em suas empresas e
10
organizações, gerando grandes oportunidades entre expositores e
Com um estande máster na feira de exposição, o empresário
visitantes. Com 35 patrocinadores, o espaço, de mais de quatro mil
explicou que a estratégia da empresa no CINASE foi dividida em
metros quadrados, recebeu o showroom de grandes marcas como:
duas frentes: valorização dos parceiros que já conhecem a empresa e
Embrastec; Itaipu Transformadores (Grupo Sabe); Romagnole; Ajel;
prospecção de novos parceiros. “A construção do estande foi generosa,
Connectwell; Gimi; INK Energy; Kraper; Pextron; ABB; Choice; Cobrecom;
para mostrar tudo que temos no nosso portfólio. Fizemos um trabalho
Frontec; KRJ; Kron; Magvatech; Minuzzi; Rittal; Sei do Brasil; Weg; ADEEL;
muito grande voltado à prospecção de novos clientes. O resultado
Mассомevap; Chint; Soprano; Comkap; Siemens; Trael; Elgin; S&C;
disso foi a captação de mais de 100 novos clientes, fora a consolidação
Elantas; Grupo Setta; Sil; Tramontina; Blutrafos e Kraus e Naimer.
do conhecimento. Então, o evento para nós, assim como outros, foi um
Participando pela terceira vez do evento, o Diretor da Adeel
sucesso. Aliás, esse CINASE, em especial, foi definitivamente o melhor
Materiais Elétricos e Iluminação, Rafael Adorno, destacou os benefícios
que eu já participei, casa cheia”, comemorou Rafael Adorno, que
do evento para o setor elétrico goiano e defendeu que o CINASE
destacou ainda a qualificação dos visitantes.
diminua o intervalo de tempo entre as edições no estado, atualmente,
Outra distribuidora de material elétrico goiana que marcou
de cerca de 4 anos. “O evento vem em geral de quatro em quatro anos,
presença no evento foi a Ajel. Segundo a Gerente Comercial da
e nós queremos encurtar isso. Trabalhamos muito no pré-evento, com
empresa, Eurislaine Gomes, o evento proporcionou conexões
todos os atores do segmento: poder público, concessionária, SENAI,
importantes com clientes, fornecedores e parceiros, além de uma boa
Sebrae e claro, o setor privado, à exemplo do que o nosso painel
troca de experiência com profissionais de referência do setor. “Para
de eficiência mostrou. Eu só tenho a agradecer e dizer que aqui é o
a Ajel Materiais Elétricos, participar do CINASE foi muito estratégico
ponto de encontro do setor elétrico e também é onde temos todos os
e enriquecedor. Tivemos a oportunidade de conhecer soluções e
envolvidos, desde o cliente final industrial, até o poder público, dando
ferramentas inovadoras do mercado elétrico, ampliar nossa visão sobre
uma ênfase de como é o papel de um integrador, de uma distribuidora
as tendências do segmento e identificar necessidades do público. Foi
de material elétrico, dentro do mercado elétrico, que é regulado.
um prazer fazer parte desse evento e contribuir para essa troca de
Ele passa por uma concessionária, e essa concessionária, no caso a
conhecimento. Seguiremos conectados às novidades do mercado,
Equatorial, prestigiou o evento, mostrando que o momento da vez é
buscando constantemente oferecer mais qualidade, inovação e as
o estado de Goiás, e por isso, o sucesso do evento”, reforçou Adorno.
melhores soluções aos nossos clientes”, ressalta Eurislaine.
EPCOS agora é TDK A linha EPCOS de Capacitores de Correção de Fator de Potência, Controladores, Contatores e Filtros (SVG e AHF) agora é TDK. Qualidade comprovada
Especificações mantidas
Alta confiabilidade
Produção 100% nacional
Nova identidade Mesma qualidade Dúvidas? Entre em contato pelo e-mail:
TEG-ESP-sales-br-MK@tdk.com 11
Cobertura Especial
HOMENAGENS Na ocasião, também foram homenageadas lideranças e personalidades que são referências regionais e nacionais do segmento elétrico, são elas: DULCIRENE AIRES Atuando há mais de 44 anos no mercado de engenharia, é integrante do Grupo Automatize, que já alcançou a marca de mais de 30 milhões de metros quadrados projetados. Formada em Engenharia Elétrica pela UFG (1982), com Pós-Graduação em Especialização em Instalações Elétricas Prediais pela mesma instituição e Sócia Proprietária da Empresa Dulcirene Aires & Engenheiros Associados que faz parte do Grupo Automatize. É especialista na elaboração de projetos elétricos, iluminação de emergência, grupo gerador e subestação. Também atua com projetos de sistemas de telefonia, antena de TV, interfone, rede estruturada, sistema de segurança, infraestrutura para áudio e vídeo e sistema de proteção contra descargas atmosféricas (SPDA). Também possui larga experiência em automação, supervisão predial, gerenciamento de energia e aspiração central de pó. SÉRGIO ARANTES Engenheiro eletricista formado pela UFG, com especialização em Engenharia de Segurança do Trabalho pela mesma instituição. Possui mais de 40 anos de experiência no setor elétrico, com atuação nas áreas de distribuição, transmissão e obras de alta tensão. Iniciou a carreira em uma empresa de engenharia prestadora de serviços para concessionárias de energia, onde trabalhou por 19 anos, e também foi professor substituto no CEFET-GO. Atuou como sócio de empresa de engenharia antes de ingressar na Celg, em 2005, onde ocupou cargos de Superintendência nas áreas de Distribuição Metropolitana e LesteNorte. Com a entrada da Enel em Goiás, passou a liderar as obras de alta tensão em subestações e linhas de transmissão. Atualmente, integra o Grupo Equatorial Energia como Executivo de Obras de Alta Tensão em Goiás, responsável pela coordenação de equipes de engenharia e pela expansão e construção de subestações no estado. CARLA SENA Engenheira Eletricista e de Segurança do Trabalho, atua no setor elétrico com experiência em análise de sistemas de potência, proteção, operação e gestão técnica. Sua trajetória reúne atuação em concessionárias de energia, ensino, consultoria e pesquisa aplicada. Desenvolve cursos, conteúdos técnicos e soluções voltadas à engenharia elétrica, integrando conhecimento acadêmico e experiência prática. Seu trabalho é pautado pelo rigor técnico, pela didática e pelo compromisso com a disseminação do conhecimento.
COLEMAR ARRUDA Possui graduação em engenharia elétrica pela UFG (1968), especialização em Engenharia Elétrica pela UFRJ (1972), especialização em Engenharia Elétrica Sistemas De Potência pela Universitat Stuttgart (1971), mestrado em Engenharia Elétrica Sistemas De Potência Pela University Of Manchester Institute Of Science And Technology (1979) e doutorado em Engenharia Elétrica pela University Of Manchester Institute Of Science And Technology (1981). Atualmente, é professor titular da UFG. Tem experiência na área de Engenharia Elétrica, com ênfase em Sistemas Elétricos de Potência, atuando principalmente nos seguintes temas: confiabilidade de sistemas de potência e confiabilidade global.
12
HÁ 20 ANOS CONECTANDO O BRASIL COM ENERGIA DE QUALIDADE ESPECIALISTA EM CABOS MT, MISCELÂNEA E ACESSÓRIOS PARA REDES DE DISTRIBUIÇÃO
Produtos homologados e certificados
Liderança e solidez no mercado
Amplo estoque e entrega imediata
13
PRÊMIO O SETOR ELÉTRICO Marcada por momentos de alegria, gratidão e reconhecimento, a noite de homenagens e de solenidade do Prêmio O Setor Elétrico contou com a participação de autoridades, empresários, especialistas e acadêmicos de todo o estado de Goiás. Com diversos projetos inscritos nas cinco categorias, o prêmio tem como objetivo reconhecer e dar visibilidade a projetos e iniciativas que apresentam soluções inovadoras para o setor elétrico brasileiro. Confira a seguir os vencedores da premiação, que foi realizada na noite do dia 4 de agosto, também no Centro de Eventos Goiânia:
C
M
INSTALAÇÕES ELÉTRICAS INDUSTRIAIS E COMERCIAIS:
Y
Complexo Dubai. Empresa: Automatize Engenharia.
CM
Responsáveis pelo Projeto: Dulcirene Maria Aires; Livia de Oliveira Ribeiro; e Erica Carolina Correia Silva.
MY
CY
PROJETO LUMINOTÉCNICO:
CMY
Retrofit Luminotécnico do Ipasgo - Eficiência Energética, Qualidade da Iluminação e Geração Fotovoltaica. Empresas: Senai Goiás; Grupo
K
Equatorial Energia; Aneel; e Ipasgo Saúde. Responsáveis: Haroldo Escudelário; Gidean de Sousa Rodrigues; Paulo Takao Okigami; e Dinah David Meireles. PESQUISA & DESENVOLVIMENTO: Sistema de Armazenamento de Energia em Baterias Íon-Li com Geração Fotovoltaica para Suprimento de Cargas Essenciais dos Serviços Auxiliares de Subestações. Empresas: UFGO; Geração Energia S.A.; e Transmissoras Cooperadas. Responsáveis: Marcelo Nogueira Bousquet; Ananias Vieira de Andrade; Mírian Pérola Rabelo de Lima; Alexandre T. A. Moreira; Enes Gonçalves Marra; José Wilson Lima Nerys; Sérgio Pires Pimentel; Leovir Cardoso Aleluia Junior; e Tiago Alves Barros Rosa. ENERGIAS RENOVÁVEIS: Rede Elétrica Inteligente da Base Aérea de Anápolis – REIBAAN. Empresas: Grupo Equatorial Energia; Equatorial Energia Maranhão; EQT LAB; Cummins; SPDT; Soluções Em Energia; SE Engenharia; UFMA; Instituto De Energia Elétrica – IEE/UFMA; Universidade Federal de Campina Grande; Technical University Of Denmark; Base Aérea de Anápolis – Baan/Força Aérea Brasileira; Fundação Sousândrade de Apoio ao Desenvolvimento Da UFMA; e Aneel/Programa de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação. Responsáveis pelo projeto: Hércules Araújo Oliveira; Lucas de Paula Assunção Pinheiro; Orlando da Silva Santos; Júlio Cesar Mendes; José Gomes de Matos; Luiz Antonio de Souza Ribeiro; Alexandre Cunha Oliveira; Amiron Wolff dos Santos Serra; Osvaldo Ronald Saavedra; Yury Vinícius Texeira Damasceno; Alyston Claydson Verissimo do Nascimento; Khristian Augusto Freitas Nascimento; Felype Pestana Paixão; Luis Felipe Moreira Teixeira; Rodrigo da Silva Pereira; e Hellen Dianne Pereira De Souza. INOVAÇÃO TECNOLÓGICA: Interligação De Barramento Aéreo Com Cabo Subterrâneo 230 Kv - Se Cachoeira Dourada. Empresas: EDP Transmissão Goiás e Centuray. Responsáveis: Danilo Moreira Ramos; Marco Antônio Carossi; Joao Paulo Ananias Silva; João Paulo Silva Oliveira; e Renato Teixeira Souza
14
15
Artigo Técnico
CURTAILMENT E O NÓ DA TRANSIÇÃO ENERGÉTICA BRASILEIRA
16
O setor elétrico brasileiro vive um paradoxo. O país é líder em
da Resolução nº 1030/2022 e o acordo conduzido pelo Ministério de
sustentabilidade, com uma matriz predominantemente limpa,
Minas e Energia (MME) para tratar o passivo dos cortes são passos
impulsionada pela rápida expansão das fontes eólica e solar
importantes, que reconhecem a gravidade do quadro e buscam
fotovoltaica. Mas o ritmo dessa transformação expôs gargalos
trazer previsibilidade e segurança jurídica aos agentes. Entretanto, os
estruturais que colocam em risco a estabilidade financeira dos
desafios do curtailment têm um escopo muito maior, que atravessa
empreendimentos e a operação do Sistema Interligado Nacional
o aumento da micro e minigeração distribuída (MMGD), formação de
(SIN).
preços e crescimento do consumo. O ponto principal da discussão é
No centro dessa discussão está o aumento do curtailment, que se tornou problema sistêmico. Quando usinas operacionais são
que precisamos de uma solução estrutural e planejada, olhando para o futuro do sistema.
impedidas de injetar energia na rede por restrições de transmissão ou
Para equacionar a questão sem afetar a atratividade dos
excesso de oferta, o prejuízo recai diretamente sobre os geradores.
investimentos em energia limpa, o setor precisa atualizar o arcabouço
Isso compromete a previsibilidade do fluxo de caixa e a viabilidade
regulatório e comercial. Buscar soluções para o curtailment é
financeira de novos projetos.
condição para preservar a segurança jurídica, a integridade dos
Dados do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) apontam
contratos e o equilíbrio econômico de toda a cadeia.
que, de janeiro a julho de 2026, o volume médio de restrição de
Uma das origens do problema está na assimetria da formação
geração eólica e solar atingiu 3.629 MWmed, ou seja, 19,3% de toda
de preços e na sinalização tarifária. O modelo de precificação precisa
a geração potencial das usinas afetadas, um aumento de 2,5% em
refletir as condições físicas da rede em tempo real, integrando a
relação aos 16,8% (3.068 MW médios) registrados no mesmo período
dinâmica operativa à comercial. Em momentos de clara sobreoferta,
de 2025.
os modelos computacionais e a operação do sistema devem apontar
A dimensão do problema elevou o tema ao topo da agenda do setor. A Consulta Pública 45/2019 da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), que já caminha para a fase de conclusão, a revisão
preços mínimos adequados para orientar as decisões dos agentes de mercado. Nesse contexto, cabe reavaliar o valor mínimo do Preço de
17
Artigo Técnico
A questão não é
custos decorrentes do excesso de geração, uma questão que não
desincentivar a geração
passa de 52 GW instalados no país, representa cerca de 20,6% da
própria, mas reconhecer a física do sistema elétrico. A injeção não gerenciada da
deve ser tratada como restrita às usinas centralizadas. A MMGD já capacidade total do SIN em 2026. Essa expansão acelerada alterou significativamente o perfil da curva de carga e o fluxo de potência nas redes de distribuição e transmissão, especialmente nos períodos de maior radiação solar. Na parcela em que injeta energia na rede, a MMGD impacta a operação e os custos do sistema do mesmo modo que um gerador centralizado. No entanto, a regulação atual isenta o segmento de participar do rateio comercial e do esforço operacional durante os cortes de geração. A questão não é desincentivar a geração própria, mas reconhecer
MMGD reduz a carga
a física do sistema elétrico. A injeção não gerenciada da MMGD reduz
líquida atendida pela
as sobras sistêmicas, que resultam no desligamento de usinas de
geração centralizada e contribui para as sobras
a carga líquida atendida pela geração centralizada e contribui para grande porte. Por isso, a MMGD deve ser formalmente incluída na apuração e na mitigação dos impactos da sobreoferta, em bases proporcionais e isonômicas. Essa medida precisa vir acompanhada do combate firme ao crescimento clandestino da MMGD. As conexões irregulares e
sistêmicas, que resultam
fraudulentas (o chamado "gato") distorcem a operação e ocultam
no desligamento de
transferem aos consumidores e geradores regulares o custo dessa
usinas de grande porte.
segurança técnica do setor.
Por isso, a MMGD deve
gestão de cortes e limitação da oferta. O caminho estrutural passa
ser formalmente incluída
convertendo o excedente renovável em fator de desenvolvimento
na apuração e na mitigação dos impactos da sobreoferta, em bases proporcionais e isonômicas.
o comportamento real da demanda: sobrecarregam a rede e geração de energia clandestina, prejudicando a governança e a Por fim, a solução para o curtailment não pode se restringir à pela capacidade de estimular e absorver a energia limpa que produz, econômico. É fundamental criar incentivos regulatórios e sinalizações tarifárias que atraiam vetores de consumo intensivo e flexível. A atração de data centers de grande porte, veículos elétricos e o desenvolvimento da indústria do hidrogênio verde — estrategicamente implantados próximos aos centros de produção renovável — surgem como alternativas sustentáveis para transformar a sobra de energia em valor agregado. O desafio regulatório é capturar esse crescimento de carga de forma coordenada com a oferta excedente de renováveis. Ao direcionar o excesso de geração a novos segmentos industriais e tecnológicos, o país otimiza o aproveitamento de sua infraestrutura existente, alivia a pressão sobre os troncos de transmissão e fortalece a competitividade nacional. A Apine defende que o diálogo técnico e transparente entre os agentes, a Aneel, o ONS, a EPE e o MME é o caminho para harmonizar
Liquidação das Diferenças (PLD). Manter um piso desconectado da
a expansão das renováveis com a confiabilidade do sistema.
realidade de custos e da abundância de oferta mascara os incentivos
Alocar os riscos de forma justa, modernizar a formação de preços
para o despacho eficiente do parque gerador. A distorção inibe a
e incentivar o crescimento da demanda são os pilares indispensáveis
resposta da demanda, desestimula arranjos comerciais flexíveis
para garantir que a transição energética brasileira continue a ser
e retarda a viabilização de tecnologias de armazenamento, como
referência global de eficiência, estabilidade e sustentabilidade.
as baterias (BESS), essenciais para absorver excedentes e prover serviços ancilares à rede. Além da precificação, é preciso enfrentar a alocação dos
18
Rui Altieri é Diretor-Presidente da Associação Brasileira dos Produtores Independentes de Energia Elétrica (APINE)
Arc Pro Painel resistente ao arco interno
GRANDE LANÇAMENTO!
Alta capacidade de corrente, resistente ao arco interno e controle total de energia incidente para aplicações de baixa tensão até 690 V.
65 kA
Características técnicas: Tensão nominal de utilização (Ue): até 480 V; Tensão nominal de impulso suportável (Uimp): 6 kV;
Corrente nominal do CONJUNTO (InA): até 4000 A; Corrente nominal de curta duração admissível (Icw): 65 kA / 1s; Suportabilidade ao arco interno: 65 kA / 0,1 s CAT - 1 a 7.
19
Armazenamento de energia e o futuro do setor elétrico Ao longo de 2026, este fascículo abordará os avanços das tecnologias de armazenamento de energia e sua crescente relevância para o setor elétrico. Em um sistema cada vez mais renovável e complexo, soluções de estocagem se tornam essenciais para garantir flexibilidade, confiabilidade e segurança energética. As abordagens contarão com a expertise e o olhar de duas grandes especialistas no tema: Miriam Penna Diniz, que traz em sua bagagem mais de 20 anos de experiência em engenharia industrial e no setor elétrico. Pioneira no setor fotovoltaico nacional, ministra cursos e mentorias sobre autoprodução; e Miriam Penna Diniz Michele dos Reis Michele dos Reis - engenheira eletricista pela Pontifícia de Minas Gerais e mestre em Sistema Elétrico de Potência pela UFMG. Atualmente é Gestora de Inovação em Baterias e Armazenamento na CEMIG, onde também já atuou nos processos de Operação e Manutenção de Usinas, Planejamento da Expansão de Transmissão e Distribuição e Gestão de Qualidade, Saúde, Segurança e Meio Ambiente.
Capítulo 6 Armazenamento e a transição energética: Sinergia entre fontes renováveis, digitalização e resiliência dos sistemas elétricos
Fascículo
Por *Henrique Parreiras Couto e Michele dos Reis Pereira
20
1 - BESS COMO ATIVO DA DISTRIBUIDORA
em 2019, o valor anual saltou para R$ 28,1 milhões em 2025 — um crescimento de 466% em apenas seis anos, acumulando R$ 108,4
1.1 - Saturação das redes de distribuição com GD
milhões pagos desde 2011.
Em 2025, a potência instalada de GD no Brasil superou 42 GW segundo registro oficial da ANEEL [1], o equivalente a três usinas de Itaipu, distribuída em milhões de sistemas conectados à rede, majoritariamente solares fotovoltaicos. Em agosto de 2026, esse número já havia saltado para 51 GW. E há um componente ainda mais preocupante do ponto de vista do planejamento: o ONS estimou, em nota técnica de abril de 2026, uma capacidade adicional entre 11,8 GW e 14,6 GW de micro e minigeração não declarada oficialmente [2]. Somando as duas parcelas, a potência de GD efetivamente conectada ao sistema pode já superar 65 GW, com trajetória de crescimento que não dá sinais de desaceleração. Na Cemig-D, esse movimento segue o mesmo padrão acelerado. A potência de GD instalada na área de concessão saltou de 446,6
Mais relevante do que a magnitude isolada de cada série é a
MW acumulados em 2019 para 5.332,3 MW ao final de 2025 [1],
força da relação entre elas. Ao cruzar a potência de GD acumulada
um crescimento de quase 12 vezes em seis anos. Essa trajetória
na rede da Cemig-D com o valor de compensação pago a cada ano,
de crescimento é o retrato, em escala local, do mesmo fenômeno
o coeficiente de correlação resultante é de 0,916, demonstrando um
nacional: redes originalmente projetadas para fluxo unidirecional
nítido vínculo estatístico. Em outras palavras, não se trata de uma
de potência, das subestações para os consumidores, hoje precisam
coincidência temporal entre dois fenômenos que crescem juntos por
absorver volumes crescentes de fluxo reverso, sobretudo em trechos
acaso, mas de uma relação de causalidade técnica bem estabelecida:
remotos e em alimentadores com alta concentração de GD e baixo
quanto mais GD se conecta à rede, maior o fluxo reverso, maior
consumo local.
a sobretensão e, consequentemente, maior o desembolso da distribuidora com penalidades regulatórias. É esse cenário de saturação, replicado, em maior ou menor grau, em praticamente todas as distribuidoras do país, que torna o armazenamento não apenas uma tecnologia promissora para a transição energética em escala de sistema (como discutido nos fascículos anteriores desta série), mas também um ativo de interesse direto e imediato para a própria distribuidora. 1.2 - Limitações do BESS para mitigação dos impactos da GD Os Sistemas de Armazenamento de Energia em Baterias (SAEB) ou, na sigla em inglês, Battery Energy Storage System (BESS), são
Inversão de Fluxo em subestações - Medições de potência ativa da SE Bocaiúva
hoje a tecnologia de armazenamento mais promissora e versátil
Esse descompasso técnico já tem preço, e ele está registrado nos
prestar múltiplos serviços, de regulação de frequência a suporte de
indicadores de conformidade que a ANEEL disponibiliza publicamente
tensão, graças à eletrônica de potência que controla sua injeção e
[3]. Entre 2019 e 2025, as distribuidoras brasileiras foram obrigadas a
absorção de energia. É justamente essa flexibilidade que torna o
pagar R$ 396 milhões em compensações financeiras por violação dos
BESS um candidato natural para mitigar os impactos da GD sobre a
limites regulatórios de tensão. Em termos anuais, esse valor cresceu
rede de distribuição. Mas "candidato natural" não significa "solução
279%, saltando de R$ 32 milhões em 2019 para R$ 121 milhões em
completa". O BESS resolve bem alguns dos problemas trazidos
2025 — sendo que apenas o último ano já representa cerca de 30%
pela GD, mas é tecnicamente inviável para outros, e entender essa
de tudo o que foi pago no período completo.
fronteira é essencial para qualquer discussão séria sobre o tema.
do setor elétrico. Capazes de responder em milissegundos, podem
A Cemig-D concentra sozinha 21,7% desse total nacional, tendo desembolsado R$ 86,2 milhões em compensações entre 2019 e 2025
USO PARA CONTROLE DE TENSÃO (VOLT-VAR E VOLT-WATT)
[3]. O histórico completo da distribuidora, que remonta ao início da
Para entender onde o BESS realmente ajuda, vale uma explicação
GD em 2011, mostra a mesma inflexão: de R$ 4,97 milhões pagos
simples de como um sistema de armazenamento conectado à rede
21
pode atuar no controle de tensão. Todo BESS se conecta à rede por
É essa diferença de escala que torna a solução inviável. Regular
meio de um inversor, que pode fazer bem mais do que simplesmente
o fluxo de uma subestação inteira exige que o sistema absorva e
injetar ou absorver energia ativa da rede. Ele também pode trocar
devolva volumes de energia muito grandes, sustentados por horas
uma segunda forma de energia com o sistema, a chamada energia
seguidas — o que multiplica o dimensionamento necessário e,
reativa, que não realiza trabalho útil, mas tem papel direto na
com ele, o investimento requerido, em uma ordem de grandeza
sustentação do nível de tensão da rede.
que dificilmente se paga pelos benefícios evitados de sobretensão
É aí que entram as funções Volt-VAr e Volt-Watt. De forma
e compensação regulatória. O armazenamento, portanto, esbarra
simplificada, o Volt-VAr funciona como um regulador: o inversor
na própria física do problema: neutralizar na origem um fluxo de
monitora a tensão local e, quando ela sobe acima do esperado, passa
energia que se mede em dezenas de megawatts exige um ativo de
a absorver energia reativa da rede, o que ajuda a "puxar" a tensão de
armazenamento igualmente dimensionado em megawatts-hora, e
volta para dentro dos limites regulatórios. Quando a tensão cai, ele
é justamente esse volume que inviabiliza a solução em escala de
faz o oposto e injeta energia reativa na rede. Já a função Volt-Watt
subestação.
atua de um jeito mais direto: quando a tensão se aproxima de um
Por esse motivo, o armazenamento mostra-se mais eficiente
patamar crítico, o próprio inversor reduz a potência ativa que está
quando utilizado de forma localizada e estratégica, atacando
sendo injetada (ou aumenta a que está sendo absorvida, no caso do
problemas específicos da rede em vez de buscar neutralizar
BESS), aliviando a pressão sobre a rede na origem do problema. As
integralmente o fluxo reverso.
duas funções operam de forma automática, em resposta contínua às condições locais de tensão, sem depender de comando humano. Para o problema específico da sobretensão causada pela GD,
1.3 - Das microrredes ao carro elétrico: os múltiplos usos do BESS na distribuição
essa capacidade é bastante eficaz: instalado em pontos estratégicos
Se o controle de tensão representa a aplicação mais imediata
da rede, normalmente próximo ao final dos alimentadores mais
do BESS na distribuição, é no conceito de Non-Wire Alternatives
afetados, um BESS equipado com essas funções pode ajudar a
(NWA) que esse ativo revela seu potencial mais estratégico. A
estabilizar a tensão localmente, reduzir a necessidade de bancos de
lógica é simples: em vez de responder a um problema local de
capacitores e reguladores eletromecânicos tradicionais e responder
capacidade, confiabilidade ou congestionamento com uma obra
a variações rápidas de geração solar, algo que os equipamentos
tradicional de rede (nova rede, recondutoramento de cabos, novo
convencionais, mais lentos, não conseguem acompanhar.
transformador, nova subestação), a distribuidora instala um sistema de armazenamento no ponto certo do alimentador e resolve o
INVIABILIDADE DE USO PARA CONTROLE DE FLUXO EM LARGA
mesmo problema com uma fração do investimento, do prazo de
ESCALA
licenciamento e do impacto ambiental.
Uma ideia bastante difundida no setor elétrico acerca da
Essa lógica fica particularmente evidente em regiões remotas
aplicação dos sistemas de armazenamento em baterias é a de
ou de difícil acesso, onde o custo de estender ou reforçar a rede
que esses sistemas poderiam ser instalados em subestações de
convencional é desproporcionalmente alto frente ao número de
distribuição para regular o fluxo de potência como um todo e,
consumidores atendidos. É exatamente esse o cenário do projeto
assim, neutralizar diretamente o fluxo reverso causado pela GD. A
de microrrede com armazenamento implementado pela Cemig
ideia é intuitiva: se a GD está "empurrando" energia excedente de
no município de Serra da Saudade (MG): em vez de arcar com o
volta para a subestação, bastaria um BESS grande o suficiente para
custo elevado de uma obra de reforço tradicional para atender uma
absorver esse excedente e devolvê-lo à rede em outro momento.
localidade isolada, o BESS local permite melhorar a qualidade do
Na prática, porém, essa solução esbarra em uma barreira física e
fornecimento de energia, com ganhos imediatos.
Fascículo
econômica difícil de contornar.
Mas o maior valor de uma microrrede com armazenamento
O problema está na escala de energia envolvida. Uma
é a resiliência. Ao permitir que um trecho da rede opere de
subestação de distribuição atende, tipicamente, dezenas de
forma ilhada em caso de falha a montante, o BESS viabiliza a
milhares de unidades consumidoras e escoa dezenas (ou centenas)
recomposição autônoma do sistema local (black start) e mantém
de megawatts. Para que um BESS conseguisse absorver de forma
o atendimento a cargas críticas mesmo durante contingências
relevante o excedente de geração solar que provoca o fluxo
severas. E é aqui que a sinergia com a própria GD se torna virtuosa:
reverso ou, em alguns casos, apenas amenizá-lo marginalmente,
a mesma geração solar distribuída que, em condições normais de
ele precisaria ter capacidade de armazenamento da ordem de
operação conectada à rede, provoca os problemas de sobretensão
dezenas de megawatt-hora. Isso significa não um sistema de
discutidos anteriormente, passa a ser um recurso local valioso
porte moderado, mas um empreendimento de armazenamento
quando a microrrede opera ilhada. Ao suprir parte da carga local,
de grande escala, com todo o custo de capital, área física e
a GD permite estender a autonomia operacional da Microrrede
complexidade operacional que isso implica.
para um determinado tamanho de BESS. Assim, é possível manter
22
TRANSFORMANDO
Energia em
DESENVOLVIMENTO
Indústria e Assistência Técnica Cuiabá - MT | Brasil (65) 3611-6500 Assistência Técnica Ananindeua - PA | Brasil (91) 3255-4004 Trael Transformadores
23
trechos da rede em operação isolada durante períodos estendidos,
que transforma essa resposta pontual em flexibilidade operacional
garantindo atendimento de qualidade aos clientes enquanto a
de fato, ampliando a capacidade da distribuidora de controlar, em
conexão com o sistema principal não é restabelecida. O que era,
tempo real, o comportamento de uma rede cada vez mais dinâmica
sob um ângulo, fonte do problema, torna-se, sob outro, parte da
e imprevisível.
solução.
Essa orquestração acontece, na prática, por meio de plataformas
Fora do contexto de microrredes isoladas, o mesmo
como o ADMS (Advanced Distribution Management System) e o
princípio de NWA se aplica a alimentadores urbanos e rurais mais
DERMS (Distributed Energy Resources Management System). O
convencionais, onde o BESS pode ajudar a postergar ou até mesmo
ADMS funciona como o centro de operação da rede de distribuição
evitar investimentos em reforços de rede que seriam necessários
moderna, reunindo informações de toda a infraestrutura
apenas para atender a picos de demanda. Em vez de dimensionar a
(sensores, equipamentos de proteção, medidores) em uma visão
infraestrutura para o pior caso, a distribuidora dimensiona um ativo
única e atualizada em tempo real. O DERMS, por sua vez, atua
de armazenamento para cobrir esse pico específico, ganhando
especificamente sobre os recursos energéticos distribuídos (BESS,
tempo e flexibilidade para decidir se e quando a obra tradicional
geração solar, cargas controláveis, veículos elétricos) coordenando
realmente se justifica.
o despacho de cada um deles de acordo com as necessidades
Um uso emergente que segue essa mesma lógica de
momentâneas da rede. É essa camada de coordenação inteligente
flexibilidade é a modulação da demanda de recarga de veículos
que multiplica o valor de cada BESS instalado, permitindo que um
elétricos. A expansão da frota elétrica traz um desafio já conhecido
único ativo físico preste múltiplos serviços ao longo do dia, em vez
pelas distribuidoras: pontos de recarga concentrados, como
de ficar dedicado a uma única função fixa.
garagens de ônibus elétricos ou coincidência no horário de
Essa lógica de coordenação se estende para além dos limites
carregamento, principalmente ao fim do dia, criam picos de
da própria distribuidora por meio dos agregadores e das Virtual
demanda que podem sobrecarregar trechos específicos da rede.
Power Plants (VPPs). Uma VPP pode ser definida como a agregação
Um BESS instalado junto a um ponto de recarga, ou mesmo a um
coordenada de diversos recursos energéticos distribuídos, operados
conjunto de carregadores, pode absorver esse pico ao suprir parte
através de plataformas digitais capazes de transformá-los em um
da energia demandada a partir de sua própria carga acumulada,
único ativo virtual perante o sistema elétrico. Diferentemente de
em vez de exigir tudo diretamente da rede no mesmo instante,
uma usina convencional, a VPP não possui uma localização física
suavizando a curva de demanda sem restringir a experiência do
única. Sua capacidade de geração, armazenamento e modulação
usuário final e até mesmo reduzindo o seu custo com a tarifa de uso
de demanda está distribuída em centenas ou milhares de pontos da
da rede, ao reduzir a demanda máxima que precisa ser contratada
rede. Os principais recursos que compõem uma VPP incluem:
junto à distribuidora. Por fim, vale mencionar brevemente o uso do BESS instalado
• Sistemas de armazenamento em baterias (BESS);
atrás do medidor como ferramenta de modulação da própria
• Geração solar distribuída;
GD. Nessa configuração, o armazenamento absorve o excedente
• Veículos elétricos com capacidade Vehicle-to-Grid (V2G);
de geração solar do consumidor antes que ele chegue a fluir
• Cargas controláveis e resposta da demanda;
para a rede, fazendo com que a unidade consumidora opere, na
• Microrredes;
prática, com injeção líquida nula ou próxima de zero. Trata-se de
• Pequenos geradores despacháveis.
Fascículo
uma aplicação ainda incipiente no Brasil, mas que aponta para um caminho interessante: descentralizar parte da mitigação do
Na prática, a VPP opera como uma usina convencional sob
problema para o próprio ponto de origem da GD, reduzindo a
a ótica do operador do sistema. Quando há necessidade de
pressão sobre a rede antes mesmo que ela se manifeste.
fornecimento adicional de potência, o agregador pode acionar simultaneamente centenas de sistemas de armazenamento
1.4 - Smart grids e digitalização
distribuídos. Em uma condição oposta, caracterizada por excesso
Todas as aplicações discutidas até aqui (o controle de tensão
de geração renovável no sistema, pode determinar o carregamento
via Volt-VAr e Volt-Watt, as microrredes resilientes, a postergação de
coordenado desses mesmos ativos, absorvendo energia excedente
investimentos, a modulação da recarga de veículos elétricos, o grid
e contribuindo para o equilíbrio entre oferta e demanda.
zero) compartilham uma característica comum: elas só entregam
Além dos benefícios operacionais, as VPPs criam oportunidades
valor pleno quando o BESS deixa de ser um ativo isolado e passa
econômicas. Consumidores que possuem geração distribuída
a operar como parte de um sistema orquestrado em tempo real. É
e baterias passam a participar de mercados de flexibilidade,
aqui que entra a digitalização da rede, pois é a integração digital
permitindo que pequenos ativos individuais passam a gerar
24
valor não apenas para seus proprietários, mas também para
O sintoma mais visível do desequilíbrio entre carga e geração
distribuidoras, operadores e para o próprio Sistema Interligado
distribuída é o curtailment, que é o corte forçado de geração
Nacional.
renovável disponível, motivado por restrições de escoamento na
É um modelo ainda em construção no Brasil, como discutido no
rede ou excedente de geração. O fenômeno já atinge magnitude
Capítulo 5 desta série, mas diversos países como Austrália, Estados
relevante no Brasil, chegando a 29,5% do tempo, segundo dados
Unidos e Alemanha possuem programas de agregação de milhares
do ONS [4].
de baterias residenciais.
O armazenamento ataca esse problema exatamente onde ele
O avanço das VPPs representa um passo além das Smart
nasce: no descasamento temporal entre produção e capacidade de
Grids. Se as redes inteligentes trouxeram visibilidade e capacidade
escoamento. Ao absorver o excedente renovável quando ele seria
de monitoramento dos recursos distribuídos, as VPPs agregam
cortado e reinjetá-lo posteriormente, um BESS transforma energia
inteligência operacional e capacidade efetiva de coordenação,
que seria desperdiçada em energia efetivamente aproveitada.
transformando um conjunto fragmentado de ativos em um recurso
O caso já é reconhecido pelo próprio arcabouço regulatório
sistêmico robusto. Nesse cenário, os sistemas de armazenamento
brasileiro: o primeiro leilão de reserva de capacidade dedicado a
desempenham papel central, deixando de atuar apenas como
baterias, tratado no Capítulo 5 desta série, nasce justamente da
equipamentos locais de suporte à rede e passam a exercer uma
necessidade de criar um produto sistêmico que remunere esse
função estratégica, contribuindo diretamente para a flexibilidade,
tipo de flexibilidade: potência disponível para absorver e devolver
estabilidade e segurança operativa do sistema elétrico.
energia conforme a necessidade do operador, e não simplesmente energia gerada.
2 - PONTO DE VISTA DO SISTEMA INTERLIGADO NACIONAL (SIN)
Vale notar, porém, que o BESS não resolve todas as causas do curtailment. Parte significativa dos cortes decorre de restrições estruturais de transmissão, um problema que o armazenamento
As seções anteriores trataram o armazenamento como um
pode mitigar localmente, mas não substitui a necessidade de
ativo das distribuidoras de energia. Entretanto, o crescimento
expansão da rede de transmissão em si. Ainda assim, na margem
acelerado da MMGD já deixou de ser um problema exclusivo da
em que atua, o armazenamento amplia o fator de capacidade
distribuição e já começou a afetar diretamente a operação do SIN.
efetivo das usinas renováveis já instaladas, reduzindo o desperdício
Nesse contexto, o desafio é o equilíbrio entre oferta e demanda em
sem exigir nova capacidade de geração, representando um ganho
um sistema cada vez mais dependente de fontes cuja geração não
de eficiência que se soma, e não compete, com os investimentos
pode ser programada pelo operador. Essa seção irá explorar como
em infraestrutura de rede.
o armazenamento de energia também pode ser utilizado para auxiliar a mitigar esses problemas sistêmicos.
2.2 - Redução da inércia e piora no controle de tensão
2.1 - Curtailment de fontes renováveis
consumo, a substituição gradual da geração síncrona por recursos
Além do descompasso entre os horários de pico de geração e
25
conectados através de inversores reduz a inércia do sistema e
temporal de energia e funcionando como elemento de flexibilidade,
aumenta os desafios de controle de frequência e tensão.
possibilitando integração de renováveis, digitalização e inteligência
O episódio mais recente dessa vulnerabilidade recente
operacional.
ocorreu na Península Ibérica, em 28 de abril de 2025: um apagão
Na distribuição, essa flexibilidade se traduz em controle de
generalizado que deixou milhões de pessoas sem eletricidade em
tensão, resiliência via microrredes, viabilização de atendimento
Portugal e Espanha. No Brasil, o mesmo tipo de fragilidade já se
remoto, integração de veículos elétricos e postergação de
manifestou. No Dia dos Pais de 2025, a geração distribuída chegou
investimentos em rede. No âmbito do SIN, o BESS ajuda a sustentar
a responder por 37,6% da demanda do sistema em pleno horário
a estabilidade do sistema, reduzir o curtailment renovável e ampliar
de baixo consumo residencial e comercial. Para manter o equilíbrio
a capacidade do país de integrar cada vez mais energia solar e
entre oferta e carga, o ONS precisou reduzir a geração hidrelétrica
eólica sem comprometer a segurança do fornecimento.
e termelétrica despachável e cortar a produção das usinas eólicas
Mas esse potencial só se realiza plenamente quando o
e solares centralizadas. O episódio não resultou em apagão, mas
armazenamento deixa de operar de forma isolada. A digitalização
evidenciou o quão estreita pode se tornar a margem operacional
das redes, somadas a modelos de negócio baseados em
em dias de alta geração renovável e baixa demanda.
agregadores e Virtual Power Plants, que transformam cada
É exatamente nesse tipo de cenário que o BESS se diferencia das
BESS individual em parte de um sistema coordenado, capaz de
fontes de flexibilidade tradicionais. Enquanto uma usina térmica
responder exatamente onde e quando a rede precisa. Mais do que
leva minutos para variar sua produção e uma hidrelétrica depende
uma tecnologia complementar, o armazenamento se afirma como
de disponibilidade hídrica, um sistema de armazenamento
elemento estruturante da Utility 4.0, um dos pilares sobre os quais
equipado com as funções de suporte à rede responde a distúrbios
se constrói um sistema elétrico mais resiliente, sustentável, flexível
em frações de segundo, sem depender de nenhum processo
e preparado para os desafios que a transição energética ainda vai
eletromecânico. O exemplo mais consolidado dessa capacidade
colocar.
é o da bateria de Hornsdale, na Austrália: instalada em 2017 com 100 MW de potência, o sistema passou a responder a eventos de contingência em frações de segundo, contra os vários segundos ou
[1]
Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), “Unidades
minutos típicos de geradores convencionais. Já no primeiro ano de
com Geração Distribuída,” 04 08 2026. [Online]. Available: https://
operação, a bateria reduziu em cerca de 90% o custo médio dos
app.powerbi.com/view?r=eyJrIjoiY2VmMmUwN2QtYWFiOS00Z-
serviços de regulação de frequência do estado da Austrália do Sul,
DE3LWI3NDMtZDk0NGI4MGU2NTkxIiwidCI6IjQwZDZmOWI4LWVjY-
e em 2019 chegou a gerar economia da ordem de AUD 116 milhões
TctNDZhMi05MmQ0LWVhNGU5YzAxNzBlMSIsImMiOjR9.
ao sistema por meio da prestação desses serviços ancilares. Em um
[2]
Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), “Avalia-
episódio de novembro daquele mesmo ano, quando uma falha na
ção de alterações no perfil da carga associadas à MMGD não regis-
interligação isolou a Austrália do Sul do restante da rede nacional,
trada,” 17 04 2026. [Online]. Available: https://agenciainfra.com/
foi justamente a resposta rápida da bateria que evitou um apagão
blog/wp-content/uploads/2026/04/CTA-ONS-DPL-0571-2026-Aval-
na região, sustentando a frequência local até a normalização da
iacao-de-alteracoes-no-perfil-da-carga-associadas-a-MMGD-nao-
interligação.
registrada-Assinado.pdf. [Acesso em 04 08 2026].
Casos como o de Hornsdale ilustram por que o armazenamento
[3]
Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), “Dados
vem sendo cada vez mais reconhecido como um agente ativo de
abertos - Tensão em regime permanente,” 01 04 2026. [Online]. Avai-
formação e sustentação da rede, e não apenas um recurso passivo
lable:
de energia. Ao assumir parte do papel antes exclusivo das máquinas
-conformidade-do-nivel-de-tensao-em-regime-permanente.
síncronas, o BESS devolve ao sistema uma margem de segurança
Fascículo
REFERÊNCIAS
[4]
https://dadosabertos.aneel.gov.br/dataset/indicadores-deOperador Nacional do Sistema (ONS), “Curtailment - infor-
que, de outra forma, se estreitaria à medida que a participação
mações sobre a gestão de excedentes energéticos,” [Online]. Availa-
renovável avança. É esse suporte que, em última instância,
ble: https://www.ons.org.br/Paginas/faq_curtailment.aspx. [Acesso
permite que mais energia solar e eólica seja integrada à matriz
em 17 08 2026].
sem comprometer a estabilidade que sustenta o fornecimento de eletricidade.
[5]
Empresa de Pesquisa Energética (EPE), “Boletim Trimestral
de Consumo de Eletricidade,” 06 2026. [Online]. Available: https:// www.epe.gov.br/pt/publicacoes-dados-abertos/publicacoes/bole-
3 - CONCLUSÃO O armazenamento de energia vem se consolidando como um dos pilares da transição energética, indo além do deslocamento
26
tim-trimestral-de-consumo-de-eletricidade. [Acesso em 06 08 2026]. *Henrique Parreiras Couto, M.Sc ´eEngenheiro de Gestão de Ativos Distribuição, da Cemig
Relés Inteligentes Pextron ® Alta tecnologia e eficiência para monitoramento do armazenamento e geração de energia.
URPE 7104
URP 6000
URP 1439TU
PCPT 4
PCPU 8
URP 6100
Proteção para cabines primárias e pontos de interconexão.
Os relés URPE 7104 e URP 1439TU são projetados para proteção e monitoramento em cabines primárias, assegurando a integridade elétrica da interface entre a usina solar, o sistema de armazenamento e a rede de distribuição. * Proteção contra sobrecorrentes e falhas elétricas * Supervisão contínua das condições operacionais do sistema * Maior confiabilidade e continuidade no fornecimento de energia * Rearme automático por tensão para Cabines Primárias Inteligentes.
Proteção e controle em sistemas de Geração Distribuída.
Os relés URP 6000 e URP 6100 atuam na proteção e no monitoramento do ponto de conexão entre a geração distribuída e a rede elétrica, garantindo operação segura, sincronismo confiável e estabilidade do sistema. * Monitoramento contínuo de tensão, corrente, potência e frequência * Proteção contra ilhamento, sobrecorrente, subtensão e sobretensão * Base técnica para operação eficiente de usinas solares e sistemas com armazenamento de energia.
Proteção estratégica de inversores e transformadores.
Os relés PCPU 8 e PCPT 4 atuam diretamente na proteção de inversores e transformadores a seco, equipamentos essenciais para o desempenho e a eficiência das usinas solares e sistemas de armazenamento. PCPU 8 | Proteção de inversores * Proteção contra sobrecorrente, subtensão e anomalias operacionais * Preservação do desempenho e da vida útil dos inversores * Redução de falhas e aumento da disponibilidade energética. PCPT 4 | Proteção de transformadores a seco * Monitoramento térmico preciso e proteção contra sobreaquecimento * Preservação da integridade do transformador
SAVE THE DATE
Vendas
pextron.com +55 11 5094 3200
30/09 a 01/10/2026 Rio de Janeiro/RJ
27
Instalações elétricas - média e baixa tensão O mercado de instalações elétricas de baixa e média tensão vive um momento ímpar, com a atualização de normas importantes para o segmento, como, por exemplo, a NBR 5410 e NBR 14039. Sob a coordenação do eng. Luiz Carlos Catelani, faremos uma abordagem técnica dos principais pontos dessas revisões, com comentários e explicações voltados à aplicação prática em projetos e instalações. Catelani é graduado em Física e em Engenharia Elétrica pela Unicamp, possui ampla experiência em proteção de sistemas elétricos, subestações de alta tensão, linhas de transmissão e plantas industriais. É membro do COBEI/CB-03 e da IEC TC 64, com atuação direta em normalização e requisitos de segurança para instalações elétricas.
Capítulo 6 Proteção contra arcos elétricos em atendimento às novas normas
Os riscos elétricos estão entre os mais críticos em instalações e serviços com eletricidade, especialmente em sistemas de baixa e média tensão, onde falhas podem resultar em acidentes de elevada gravidade. Entre esses riscos, destaca-se o arco elétrico, fenômeno caracterizado pela liberação abrupta de energia térmica, luminosa, acústica e de pressão, capaz de causar queimaduras severas, lesões fatais e danos significativos a equipamentos e instalações. Diferentemente do choque elétrico, o arco elétrico pode afetar trabalhadores mesmo sem contato direto com partes energizadas, tornando sua análise e mitigação indispensáveis no contexto da segurança elétrica. Com a revisão das normas técnicas e de segurança a adoção de medidas de proteção coletiva e de engenharia são prioritárias antes
Fascículo
mesmo da definição do EPI.
Hierarquia das medidas de controle – cortesia NIOSH©
Os projetos deverão prever dispositivos que protejam as instalações, pessoas e mantenedores do risco oriundo de um arco elétrico.
A NBR 14039 – Instalações elétricas de média tensão de 1,0 kV a 36,2 kV tem caráter eminentemente técnico e construtivo,
A NR-10 – Segurança em Instalações e Serviços em Eletricidade
estabelecendo critérios de projeto, montagem, operação e
estabelece os requisitos mínimos de gestão do risco elétrico, com
manutenção das instalações. Seu enfoque na segurança está
foco direto na preservação da vida e da saúde dos trabalhadores. A
relacionado à redução da probabilidade de falhas elétricas que
norma exige a identificação dos perigos associados às instalações
possam dar origem a curtos-circuitos e arcos elétricos. A norma
e atividades, a avaliação dos riscos envolvidos — incluindo
trata de aspectos como coordenação e seletividade da proteção,
explicitamente os efeitos do arco elétrico — e a adoção de medidas
especificação adequada de equipamentos, níveis de isolamento,
de controle segundo a hierarquia de proteção.
sistemas de aterramento, intertravamentos, compartimentação
28
de painéis, distâncias de segurança e condições de acesso a partes
de Cálculos para Energia Incidente, a corrente de arco é uma função
energizadas. Ao exigir soluções construtivas e operacionais que
da tensão do sistema, da corrente de curto-circuito disponível, do
limitem a exposição do trabalhador e facilitem manobras seguras, a
espaçamento entre condutores (que define o comprimento do arco)
NBR 14039 atua de forma preventiva, reduzindo tanto a frequência
e da localização do arco (em um invólucro ou ao ar livre).
quanto a severidade de eventos de arco elétrico. Dentre os tópicos abordados:
A energia incidente do arco elétrico à qual uma pessoa está exposta é uma função da distância do arco (distância de trabalho), da corrente de arco e da duração do arco (tempo de eliminação).
a) utilização de um ou mais dos seguintes meios: Ei =
– Dispositivos de abertura sob carga; – Chave de aterramento resistente ao curto-circuito presumido;
k . Ibf . V . t Dx
– Sistemas de intertravamento;
Onde:
– Fechaduras com chave não intercambiáveis;
k : constante em função da configuração
b) corredores operacionais tão curtos, altos e largos quanto possível;
Ibf : corrente de curto circuito franca [kA]
c) coberturas sólidas ou barreiras ao invés de coberturas perfuradas
V : tensão nominal do sistema [kV]
ou telas;
t: tempo para eliminação do arco elétrico [s]
d) equipamentos ensaiados para resistir às faltas de arco internas;
D: distância do arco elétrico ao operador [cm]
e) emprego de dispositivos limitadores de corrente;
x : valor que depende da configuração
f ) seleção de tempos de interrupção muito curtos, o que pode ser obtido através de relés instantâneos ou através de dispositivos
Desses três fatores, o profissional tem maior controle sobre o
sensíveis a pressão, luz ou calor, atuando em dispositivos de
tempo de eliminação, e a melhoria desse tempo recebe considerável
interrupção rápidos;
atenção. O tempo de eliminação depende das características do
g) operação da instalação a uma distância segura.
dispositivo que detecta a corrente de arco e atua para eliminar a falha. Uma premissa fundamental na análise de risco de arco elétrico
Para as instalações elétricas em em média tensão as medidas
é que um arco em um invólucro de equipamento envolve todo o
mais efetivas e complementares são o uso de equipamento
invólucro, tornando qualquer dispositivo de proteção dentro do
resistente ao arco interno e o emprego de dispositivos sensíveis à luz
invólucro incapaz de eliminar a falha de arco. Isso significa que a
para promover o rápido desligamento frente a ocorrência de um arco
duração do arco é baseada no tempo de eliminação do dispositivo
elétrico.
de proteção imediatamente a montante da localização da falha de
Conforme descrito na norma IEEE 1584, Guia para Realização
arco, que também está em um invólucro separado.
29
Diagrama recomendado para instalação relé de arco – cortesia Schneider - Electric©
Um relé de arco consiste em um equipamento sensível a luz e/
- Estudo de caso de um painel de alimentação geral de distribuição
ou corrente que promove a deteção de um arco elétrico de maneira
em 13,80 kV.
muito rápida. Para garantir proteção de pessoas e minimizar danos
- Painel de média tensão com inserção e extração do disjuntor porta
no equipamento e cabos recomenda – se que o tempo de atuação
fechada.
total (relé de arco + disjuntor) seja inferior a 85 ms.
- Transformador de 25 MVA. - Icc = 10,40 kA - Distância para cálculo 91 cm. - Configuração HCB. - Tempo da unidade proteção de sobrecorrente (ANSI 50P) – 6kA curva DT 400 ms. - O cálculo de energia incidente só é feito na configuração de porta aberta. - Sem o uso do relé de arco (400+65 ms): 11,71 cal/cm2 - Com o uso do relé de arco (7+65 ms): 1,19 cal/cm2 A vantagem do uso de um relé que detecta arco elétrico por luz e corrente é:
Fascículo
• Reduz a energia incidente • Reduz o dano causado no equipamento Gráfico da energia x tempo – cortesia Schneider - Electric©
• Permite a sua aplicação em equipamentos antigos • Não interfere na coordenação e seletividade
Em sistemas de média tensão consegue-se uma interrupção em
De uma forma geral, o uso de relés de arco elétrico é uma das
72 ms (disjuntor 65 ms + relé arco 7 ms). Em sistema de baixa tensão
formas de atender as diretrizes das normas técnicas e de segurança
o tempo é ligeiramente inferior a 42 ms (disjuntor 35 ms + relé arco
para a proteção coletiva para arcos elétricos. Além de garantir
7 ms). Lembrando que para cálculo do valor de energia incidente, a
segurança de pessoas, minimiza o dano aos equipamentos frente a
norma IEEE 1584 – 2018 recomenda que nenhum tempo de cálculo
um arco elétrico desde que devidamente instalado promovendo o
usado seja inferior a 50 ms por razões de segurança.
desligamento à montante do painel protegido.
30
31
Data centers: a fronteira do setor elétrico Em grande expansão no país, o mercado de data centers vem levantando debates sobre a coexistência de grandes oportunidades em contraste com desafios estruturais ligados à oferta, à confiabilidade e à eficiência da energia elétrica. Ao longo do ano, o tema será esmiuçado aqui, a partir da coordenação do Engenheiro Mecânico formado pela Universidade de Brasília (UnB), Alexandre Kontoyanis, que possui especialização em Gerenciamento de Projetos pela FGV e ampla experiência em operação, manutenção e confiabilidade de ambientes críticos de alta complexidade e disponibilidade. Atualmente, é Diretor de Educação da Associação Brasileira de Data Center- ABDC.
Capítulo 6 classificação de geradores em data centers: análise técnica da ISO 8528-1:2018 e dos requisitos de operação contínua Análise normativa e estratégica sobre ratings de potência e sua aderência aos requisitos do Uptime Institute e da ANSI/TIA-942-C
Fascículo
Por Alexandre Kontoyanis
32
1 - INTRODUÇÃO
a limitações temporais podem ser insuficientes para aplicações de alta disponibilidade e como a adoção de ratings compatíveis com
No ecossistema de um Data Center, o grupo gerador (engine-
operação prolongada — como COP, PRP adequadamente derated ou
generator plant) não é meramente um sistema de backup; constitui
classificações específicas de data center — representa uma decisão
um dos elementos fundamentais para assegurar a continuidade da
fundamental na gestão de riscos da infraestrutura.
operação. Na filosofia adotada pelo Uptime Institute, a disponibilidade da concessionária não elimina a necessidade de que a planta de geração
2 - A NORMA ISO 8528-1:2018: VISÃO GERAL
local seja configurada, dimensionada e classificada para sustentar a carga crítica sem limitação de tempo de operação. Essa premissa
A ISO 8528-1:2018 representa o consenso internacional sobre
difere da lógica convencional de engenharia elétrica predial, na qual a
o desempenho de grupos geradores acionados por motores de
concessionária é usualmente considerada a fonte primária e o gerador
combustão interna. Esta norma internacional define cinco categorias
uma fonte secundária de emergência.
de classificação — ESP, PRP, LTP, COP e DCP (Data Centre Power) —
A complexidade dessa infraestrutura exige que engenheiros e
baseadas em variáveis como o fator de carga médio, o perfil de carga
gestores dominem as especificações técnicas que regem os motores
e, crucialmente, a limitação das horas de operação anuais. A categoria
alternativos de combustão interna (RIC). A norma ISO 8528-1:2018 atua
DCP foi introduzida na edição de 2018 especificamente para atender
como o balizador técnico para essas especificações, definindo como
às demandas de data centers, reconhecendo a singularidade dessas
a potência deve ser medida e entregue sob diferentes condições de
aplicações em relação às classificações tradicionais.
estresse. A falha em alinhar o rating do gerador com a carga real do Data
A essência da norma reside na categorização da capacidade de
Center pode resultar em derating significativo, desgaste prematuro de
entrega de energia com base em quatro pilares: o fator de carga médio
componentes internos e, no pior cenário, o desligamento térmico ou
(média ponderada da carga aplicada em relação à potência nominal),
mecânico do sistema durante uma crise.
as horas de operação anuais permitidas, a capacidade de sobrecarga
Além da ISO, normas como a ANSI/TIA-942 e os padrões do
(overload) e o perfil de carga (se a carga é constante ou varia ao longo do
Uptime Institute criam um framework de conformidade que impacta
tempo). Estes parâmetros são fundamentais para o dimensionamento
diretamente o Capital Expenditure (CAPEX) e o Operational Expenditure
térmico do sistema de arrefecimento e para a resistência mecânica dos
(OPEX). Este artigo explora por que ratings de emergência sujeitos
componentes móveis do motor.
VX25 VX25 Sistema Sistemamodular modularpara paradistribuição distribuiçãode deenergia energiade debaixa baixatensão tensãode deaté até6300 6300A. A. Com Comengenharia engenhariadigital, digital,configuração configuraçãointuitiva intuitivaeeverificação verificaçãode deprojeto projetoconforme conformeIEC IEC61439. 61439. Principais Principaisvantagens vantagens Corrente Correntenominal nominalde deaté até6300 6300AA Tensão Tensãonominal nominalde deaté até690 690VV Proteção Proteçãocontra contracurto-circuito curto-circuitode deaté até100 100kA kA Aplicação Aplicaçãoem emsistemas sistemasCA CAeeCC CC Verificação Verificaçãode deprojeto projetoconforme conformeIEC IEC61439 61439 Testado Testadocontra contraarco arcoelétrico elétricoconforme conformeIEC IEC61641 61641 Disponibilidade Disponibilidadede deestoque estoqueno noBrasil Brasil Compatível Compatívelcom comos osprincipais principaisfabricantes fabricantes
Configure Configureseu seusistema sistemacom comooRiPower RiPower Acesse Acesseooconfigurador configuradorpelo peloQR QRCode Code
rittal.com.br/pt rittal.com.br/pt
+551136222350 +551136222350
33
info@rittal.com.br info@rittal.com.br
É importante notar que a ISO 8528-1:2018 não impõe uma
generalizados a todos os fabricantes e modelos. O perfil de carga do PRP
classificação, mas fornece as definições para que o fabricante declare
é variável, o que se alinha a diversas aplicações industriais e de geração
a capacidade de seu equipamento. Para profissionais de Data Center,
principal.
a compreensão dessas definições permite diferenciar uma aplicação
Embora o PRP ofereça a vantagem de horas anuais ilimitadas, o
sujeita a limitações temporais de outra em que o grupo gerador, de
fator de carga médio aplicável impõe um desafio de dimensionamento.
acordo com o rating e as condições declaradas pelo fabricante, pode
Se a carga média de um Data Center ao longo do período de referência
sustentar a operação por períodos prolongados ou por um número
atingir, por exemplo, 90% da potência PRP, o grupo gerador poderá
ilimitado de horas.
precisar ser derated ou selecionado em potência superior para manter a aplicação dentro das condições declaradas pelo fabricante. Esse aspecto
3 - AS CINCO CLASSIFICAÇÕES DA ISO 8528-1:2018
aumenta a importância de se analisar o perfil temporal da carga, e não apenas sua demanda máxima. O próprio Uptime Institute admite
3.1 - Emergency Standby Power (ESP) A classificação Emergency Standby Power (ESP) é definida como a
ratings Prime devidamente derateds como solução compatível com o requisito de Tier III/IV.
potência máxima disponível durante uma sequência de carga variável, sob condições operacionais reais, para a qual o grupo gerador é capaz
3.3 Limited-Time Power (LTP)
de fornecer energia em caso de interrupção da rede elétrica. O fator
A classificação Limited-Time Power (LTP) é destinada a aplicações
de carga médio permitido em um período de 24 horas é de 70% da
onde o gerador fornece uma carga constante por um número limitado
potência nominal ESP, a menos que acordado de outra forma com o
de horas. O fator de carga médio é de 100% da potência nominal LTP,
fabricante. Esta classificação é estritamente para uso em emergências,
mas o tempo de operação é restrito, geralmente a um máximo de 500
onde a duração da falha é curta.
horas por ano. Não há capacidade de sobrecarga permitida para esta
Tecnicamente, o rating ESP destina-se à alimentação de cargas
categoria.
variáveis durante interrupções da fonte normal e possui uma limitação
O perfil de carga para LTP é constante (non-varying), o que o torna
de horas de operação associada à classificação. A ISO 8528-1 estabelece,
ideal para aplicações de peak shaving (corte de picos de demanda) ou
para essa aplicação, um limite anual de operação, não havendo
suporte à rede em horários de ponta, onde a duração da operação é
capacidade de sobrecarga incorporada ao rating ESP. O perfil de carga
previsível e limitada. É uma classificação comum em contratos de gestão
deve ser analisado em conjunto com o fator de carga médio e com as
de demanda de energia, onde o objetivo é puramente econômico e não
demais condições declaradas pelo fabricante.
de resiliência de longa duração.
Para Data Centers de missão crítica, um rating ESP sujeito a limitação
No contexto de missão crítica, a principal restrição do LTP é
temporal representa uma restrição relevante. Em caso de interrupção
justamente seu limite temporal de utilização. Embora o rating possa
prolongada da concessionária, o número máximo de horas associado
atender à potência requerida durante o período previsto de operação,
ao rating pode ser atingido antes do restabelecimento da fonte externa.
uma classificação com número máximo de horas não satisfaz,
A operação, além das condições declaradas para o rating, extrapola o
isoladamente, o requisito do Uptime Institute de que a planta de
regime de aplicação considerado para aquela classificação e deve ser
geração de um site Tier III ou Tier IV possa sustentar a demanda N sem
avaliada à luz dos requisitos de manutenção, de vida útil e de garantia
limitação de runtime.
estabelecidos pelo fabricante. Sob a ótica do Uptime Institute, um rating standby sujeito a limitação de tempo de operação não satisfaz, por si só, o requisito aplicável aos grupos geradores de instalações Tier III e Tier IV.
3.4 - Continuous Operating Power (COP) A classificação Continuous Operating Power (COP) define a potência máxima que o grupo gerador é capaz de fornecer continuamente,
Fascículo
3.2 - Prime Rated Power (PRP)
alimentando uma carga elétrica não variável durante um número
A classificação Prime Rated Power (PRP) refere-se à potência que
ilimitado de horas anuais, nas condições operacionais acordadas e
um gerador pode fornecer continuamente com carga variável por um
observados os intervalos e procedimentos de manutenção definidos
número ilimitado de horas anuais. Diferente do ESP, o PRP é projetado
pelo fabricante. Trata-se, portanto, de um rating concebido para
para situações onde não há conexão com a concessionária ou onde a
aplicações de operação contínua.
rede é extremamente instável. O fator de carga médio típico é de 70% da
O COP não incorpora a capacidade de sobrecarga em sua definição
potência nominal PRP em qualquer período de 24 horas, embora alguns
e pressupõe um perfil de carga não variável. Essa característica o
fabricantes permitam valores superiores mediante análise técnica.
diferencia do PRP e de ratings específicos para data centers que
Uma característica possível do PRP é a disponibilidade de
admitem variações de carga durante operação ilimitada. Por isso, sua
capacidade de sobrecarga por períodos limitados. Quando prevista
aplicação exige compatibilidade entre o rating selecionado, a demanda
pelo fabricante, essa capacidade pode superar a potência nominal em
de projeto e o comportamento esperado da carga ao longo do tempo.
até 10% durante intervalos definidos de operação. Entretanto, os limites
Para Data Centers, o COP apresenta uma vantagem importante:
de duração e de horas acumuladas de sobrecarga devem ser verificados
sua definição não impõe uma limitação anual de runtime. Dessa forma,
na documentação técnica do equipamento específico, não devendo ser
quando adequadamente dimensionado para a demanda N e para as
34
DESCUBRA NOSSOS TRANSFORMADORES
Transformadores de Força Ecológico de até 40 MVA em 145 kV
RIO DE JANEIRO/RJ
30 DE SET a 01 DE OUT/2026
PRÓXIMAS
SALVADOR/BA
FEIRAS E EVENTOS
06 e 07 DE OUTUBRO/2026
SAVE THE DATE
19 a 21 DE OUTUBRO/2026
TORONTO, CANADÁ SÃO PAULO/SP
27 e 28 DE OUTUBRO/2026
itaiputransformadores.com.br MARCAS DO
35
ZMBPROPMARK.COM.BR
Subestações Fortes, Energia Confiável:
Classificação
Fator de Carga Médio
Horas/Ano
Sobrecarga
Perfil de Carga
Adequação Tier III/IV
ESP
70%
200h
Não
Variável
Inadequada (Limite 200h)
PRP
Conforme rating /
Ilimitadas
Conforme fabricante
Variável
Adequada com restrições
500h
Não
Conforme aplicação
Inadequada (Limite 500h)
Ilimitadas
Não
Constante
Totalmente Adequada se
Ilimitadas
Conforme fabricante
Variável ou contínua
Depende de condições
fabricante LTP
Até potência LTP declarada
COP
Até potência COP declarada
DCP
Definida pelo fabricante
dimensionado para N específicas declaradas pelo fabricante
condições ambientais do site, o COP atende diretamente ao critério
4 - TABELA COMPARATIVA DAS CLASSIFICAÇÕES
temporal estabelecido pelo Uptime Institute para grupos geradores de instalações Tier III e Tier IV. Essa característica torna o COP uma alternativa
A tabela acima sintetiza as principais diferenças técnicas entre
tecnicamente conservadora e de fácil demonstração documental em
as cinco classificações da ISO 8528-1:2018, facilitando a análise
processos de certificação.
comparativa para fins de especificação em projetos de missão crítica.
3.5 - Data Centre Power (DCP) A classificação Data Centre Power (DCP) foi incorporada à ISO 85281:2018 especificamente para aplicações de data center. Diferentemente
5 - O REQUISITO DO UPTIME INSTITUTE: TIER STANDARD TOPOLOGY
Fascículo
do COP, que considera carga não variável, o DCP admite a alimentação de carga elétrica variável ou contínua por um número ilimitado de horas
O Uptime Institute, por meio do Tier Standard: Topology,
de operação, aproximando o rating das características operacionais
estabelece os critérios para certificação da infraestrutura de Data
observadas em centros de dados.
Centers. Para instalações Tier III e Tier IV, um dos requisitos relevantes
Entretanto, o DCP apresenta uma particularidade relevante para
para a planta de geração é sua capacidade de sustentar a demanda
sua especificação. A potência efetivamente disponível não deve ser
N sem limitação de runtime. Essa exigência decorre da necessidade
presumida exclusivamente com base na denominação da classificação:
de que a infraestrutura suporte a carga crítica independentemente
cabe ao fabricante estabelecer o nível de potência que o grupo gerador
da duração de eventual indisponibilidade da fonte externa.
pode fornecer para atender à aplicação, considerando as características
Consequentemente, um rating ESP que imponha limite de
do site, a disponibilidade de uma rede confiável e eventuais adaptações
horas de operação não satisfaz, naquela condição, o requisito
de hardware, software ou do plano de manutenção.
aplicável à planta de geração de um site Tier III ou Tier IV. Isso
Dessa forma, o DCP não deve ser interpretado simplesmente
não significa, entretanto, que apenas o COP seja admissível. O
como um COP para cargas variáveis, nem como sinônimo dos ratings
próprio Uptime Institute esclarece que podem se qualificar ratings
proprietários oferecidos pelos fabricantes. Embora todos estejam
contínuos, ratings Prime adequadamente derated e ratings Standby
relacionados à operação de data centers, suas condições de aplicação
que não apresentem limitações de runtime, desde que sustentem
devem ser analisadas individualmente.
a demanda requerida.
Essa distinção também é relevante para a certificação Tier. O
O Uptime Institute reforçou este posicionamento no
Uptime Institute exige que a planta de geração destinada a Tier III e
Accredited Tier Designer Technical Paper Series: Engine-Generator
Tier IV seja capaz de sustentar a demanda N sem limitação de runtime.
Ratings. O documento esclarece que a conformidade não é
Portanto, a simples designação DCP não é suficiente para concluir pela
apenas uma questão de "rodar o gerador", mas de garantir que
conformidade: é necessário verificar se o nível de potência declarado
ele possa rodar pelo tempo que for necessário. Em auditorias de
pelo fabricante para aquela aplicação atende integralmente à demanda
certificação, a documentação do fabricante (datasheet) deve
do site sem depender, para esse desempenho, da disponibilidade da
demonstrar que o rating declarado suporta a carga de projeto sem
concessionária.
restrições temporais, protegendo o investimento contra falhas de
Em consequência, a principal vantagem conceitual do DCP é
infraestrutura externa de longo prazo.
reconhecer formalmente a especificidade dos data centers dentro da ISO 8528-1:2018, permitindo cargas variáveis ou contínuas e operação
6 - CRITÉRIOS PARA SELEÇÃO DO RATING EM DATA CENTERS
por horas ilimitadas. Sua aplicação, entretanto, permanece dependente da declaração específica do fabricante e das condições de projeto do empreendimento.
36
6.1 - Requisito de Confiabilidade e Disponibilidade A confiabilidade em Data Centers está diretamente relacionada
Confira a linha completa de produtos em nosso site.
SIL, CONFIANÇA QUE LIGA O BRASIL DE PONTA A PONTA!
Presente em todo o país, a SIL faz parte da rotina dos profissionais que escolhem excelência em suas instalações. Há mais de 50 anos, construímos uma trajetória reconhecida nacionalmente pela confiança, qualidade e segurança presentes em cada projeto.
SE É SIL, LÍDER DO BRASIL, PODE CONFIAR!
37
à capacidade de sustentar a operação durante indisponibilidades
a 80% de seu rating. Essa condição deve ser confrontada com o
prolongadas da fonte externa. Nesse contexto, ratings sem
fator de carga médio admitido pelo fabricante para determinar a
limitação de runtime reduzem o risco de que a própria classificação
necessidade de derating ou de seleção de outro rating.
do grupo gerador se torne uma restrição à continuidade da
O COP, ao permitir operação contínua até a potência declarada
operação. O COP apresenta uma vantagem clara nesse aspecto,
para aquele rating e sob carga não variável, alinha a capacidade
pois admite operação por um número ilimitado de horas sob carga
do equipamento à realidade da carga crítica. Isso permite um
não variável, desde que observadas as condições ambientais e os
dimensionamento mais preciso (right-sizing). Em vez de comprar
procedimentos de manutenção especificados pelo fabricante.
um gerador PRP muito maior apenas para "encaixar" a carga nos
A seleção de um rating compatível com o regime efetivo de
70% permitidos, o engenheiro pode selecionar um gerador COP
operação reduz a possibilidade de utilização do equipamento fora
cuja potência nominal coincida com a demanda máxima projetada,
das condições consideradas pelo fabricante. Para uma infraestrutura
otimizando o uso de espaço e recursos.
de missão crítica, essa compatibilidade entre potência, perfil
O regime de carga também influencia o comportamento
de carga, runtime, condições ambientais e manutenção é mais
térmico e a combustão do motor. Operações prolongadas em
relevante do que a simples potência máxima indicada na placa do
cargas excessivamente baixas podem favorecer fenômenos como
grupo gerador.
o wet stacking, razão pela qual o perfil de utilização deve ser considerado tanto no dimensionamento quanto na estratégia
6.2 - Conformidade com Certificação
de testes e de manutenção. Isso não significa, entretanto, que a
Em projetos que buscam certificação Tier III ou Tier IV,
operação permanente a 100% seja necessariamente o ponto ideal
a documentação do sistema de geração deve demonstrar o
para todos os motores ou aplicações; devem prevalecer as faixas e
atendimento aos requisitos aplicáveis à demanda N. O COP
condições recomendadas pelo fabricante.
apresenta simplicidade conceitual nesse aspecto, pois sua própria definição contempla operação por um número ilimitado
7 - CONSIDERAÇÕES SOBRE ESPECIFICAÇÃO E PROJETO
de horas. Entretanto, essa característica não torna o COP a única solução possível, uma vez que outros ratings podem atender
A especificação de um sistema de geração para um Data Center
ao mesmo requisito quando adequadamente declarados e
deve ir além da mera escolha do rating. Recomenda-se que os
dimensionados.
engenheiros projetistas realizem uma análise aprofundada das
O DCP (Data Centre Power), por sua vez, é uma classificação
condições ambientais do site. Altitudes elevadas e temperaturas
formal da ISO 8528-1:2018 criada para aplicações de data center e
ambientais extremas podem provocar derating da potência
admite carga variável ou contínua durante horas ilimitadas. Contudo,
disponível. Um gerador classificado como COP para 25°C ao nível
a potência aplicável é definida pelo fabricante considerando as
do mar pode não entregar o mesmo desempenho em uma cidade
condições específicas da aplicação, inclusive a disponibilidade de
a 1000 metros de altitude, com picos de 40°C. Esses fatores devem
uma utility confiável. Dessa forma, sua designação não deve ser
ser considerados no rating efetivamente selecionado para garantir
interpretada, isoladamente, como demonstração automática de
a entrega da demanda N nas condições ambientais de projeto.
Fascículo
conformidade Tier.
Outro ponto vital é a validação do sistema de arrefecimento.
Projetos também podem utilizar ratings PRP mediante derating
Radiadores, ventiladores, circuitos de água, sistemas de ventilação
ou ratings específicos desenvolvidos por fabricantes para aplicações
da sala e demais componentes de rejeição de calor devem ser
de data center. Nesses casos, a documentação técnica deve tornar
dimensionados para a potência efetivamente requerida nas
inequívocos a potência disponível, o perfil de carga admitido e a
condições ambientais de projeto. Temperatura ambiente, altitude,
inexistência de restrições temporais incompatíveis com a demanda
restrições de instalação e recirculação de ar podem reduzir a
N. A escolha entre COP e alternativas deve, portanto, resultar de
capacidade disponível do grupo gerador e devem ser consideradas
uma avaliação conjunta de confiabilidade, dimensionamento,
em conjunto com o rating declarado.
espaço, custo, perfil operacional e requisitos de certificação.
Finalmente, a integração com o plano de comissionamento e manutenção é essencial. Testes com bancos de carga devem
6.3 - Fator de Carga e Perfil de Operação
verificar o desempenho do sistema nas condições de projeto
Data Centers modernos podem apresentar patamares elevados
previstas, respeitando as limitações e recomendações do fabricante.
de consumo durante longos períodos. Nesse contexto, o fator de
A documentação do rating, dos critérios de derating, das condições
carga médio associado ao rating deve ser analisado com atenção.
ambientais e dos resultados dos testes nas Basis of Design (BOD) e
Se, por exemplo, a carga média de um grupo gerador PRP de
nos registros de comissionamento contribui para assegurar que a
2.000 kW ao longo do período de referência for de 1.600 kW, o
estratégia de alta disponibilidade do proprietário seja efetivamente
equipamento estará submetido a uma carga média equivalente
traduzida na infraestrutura instalada.
38
8 - CONCLUSÃO
das aplicações de data center, especialmente a possibilidade de cargas variáveis ou contínuas por períodos ilimitados. Sua utilização, contudo,
A análise técnica das classificações estabelecidas pela ISO 8528-
exige análise das condições específicas declaradas pelo fabricante, não
1:2018 demonstra que a escolha do rating de um grupo gerador
devendo sua denominação ser interpretada automaticamente como
tem implicações diretas sobre a confiabilidade, o dimensionamento
equivalente ao COP ou como garantia isolada de conformidade Tier. De
e a capacidade de uma infraestrutura de Data Center de sustentar
forma semelhante, ratings proprietários, como o Prime-DCP da Caterpillar,
sua operação durante indisponibilidades prolongadas da fonte
devem ser avaliados com base nas características efetivamente declaradas
externa. A seleção não deve se limitar à potência nominal indicada
em seus respectivos datasheets.
na placa do equipamento, mas deve considerar conjuntamente o perfil de carga, o fator de carga médio, as condições ambientais,
REFERÊNCIAS
a capacidade de sobrecarga, os requisitos de manutenção e, especialmente, eventuais limitações de runtime. Para instalações que buscam atendimento aos requisitos Tier III e
1.
ISO 8528-1:2018 - Reciprocating internal combustion engine driven
alternating current generating sets — Part 1: Application, ratings and
Tier IV do Uptime Institute, o elemento determinante é a capacidade da
performance. International Organization for Standardization.
planta de geração de sustentar a demanda N sem limitação de runtime.
2.
Uptime Institute. Tier Standard: Topology. Uptime Institute LLC.
O COP atende diretamente a esse requisito temporal e representa, por
3.
Uptime Institute. Accredited Tier Designer Technical Paper Series:
isso, uma solução tecnicamente conservadora e de demonstração
Engine-Generator Ratings. Uptime Institute LLC.
documental relativamente simples. Não constitui, entretanto, a
4.
única alternativa: o próprio Uptime Institute admite ratings Prime
Telecommunications Industry Association.
adequadamente derated e ratings Standby sem limitação de runtime,
5.
desde que atendam integralmente à demanda requerida.
driven alternating current generating sets — Part 5: Generating sets.
A introdução do DCP (Data Centre Power) pela norma ISO 8528-1:2018 representa um avanço ao reconhecer formalmente as particularidades
6.
ANSI/TIA-942-C.
Data
Center
Infrastructure
Standard.
ISO 8528-5:2025 - Reciprocating internal combustion engine Caterpillar Inc. Understanding Generator Set Ratings. Electric
Power Technical Information.
39
O setor elétrico na era da IA: eficiência, segurança e novos paradigmas A inteligência artificial inaugurou uma nova fase para o setor elétrico, redefinindo padrões de eficiência, segurança e operação dos sistemas. Coordenado por Leo Almeida, Head of Sales, Energy & Industries do Google, este fascículo analisa como a IA vem sendo aplicada na geração, transmissão e distribuição de energia, além de discutir os novos paradigmas tecnológicos, regulatórios e operacionais que emergem com essa transformação.
Capítulo 6 Operação X: a revolução da inteligência artificial e a Visão 360º na sala de controle do SIN Um blueprint estratégico de eficiência de capital, antifragilidade e criação de valor para o C-SUITE do setor elétrico brasileiro
SUMÁRIO EXECUTIVO
nos encontramos no estágio embrionário de uma transmutação
Fascículo
setorial sem precedentes. Esta metamorfose, impulsionada por O Setor Elétrico Brasileiro (SEB) atravessa a transição mais
tecnologias habilitadoras disruptivas e modelos de gestão de
profunda e célere de sua história. A convergência entre a
vanguarda, converge para o paradigma da Visão 360°, redefinindo a
descentralização acelerada da carga, a transição para fontes
fronteira da inovação operacional.
renováveis não síncronas, a abertura total do mercado livre e o
Este artigo apresenta o conceito da Operação X (ou
avanço da regulação responsiva exige uma mudança estrutural na
Utility-X), que representa o novo paradigma operacional
forma como os ativos elétricos são geridos.
no qual a sala de controle deixa de ser um centro de custo e
Ao
longo
dos
últimos
anos,
tenho
implementação
de
diversas
iniciativas
acompanhado estruturantes
a
supervisão ativa/passiva para se consolidar como o motor
que
autônomo de eficiência de capital, proteção do EBITDA e
fundamentam este artigo. Contudo, é imperativo reconhecer que
garantia de resiliência sistêmica.
A Matriz de Criação de Valor da Operação X
40
R$ 12,6 BILHÕES / ANO
15% A 30% CAPACIDADE
RECUPERAÇÃO DE EBITDA
Valor da Coordenação do
Adicional via DLR/Atmos
Redução do Curtailment Eólica
SIN (Estudo PSR/ONS)
(Diferimento de CAPEX)
/ Solar (~25%)
MODELO CONVENCIONAL LEGADO
PARADIGMA DA OPERAÇÃO X (UTILITY-X)
Reativo e Passivo (Humano no SCADA)
Preditivo e Autônomo (Agentes de IA e Edge AI)
Amostragem Offline (A cada 2-4 segundos)
Telemetria Fasorial em Tempo Real (30-60 Hz WAMS)
Silos Isolados (GIS, SCADA, ERP, PSS/E)
Tecido Semântico Unificado via Ontologia CIM
Foco Estrito em Expansão de Ativos (CAPEX)
Eficiência de Capital e Valor do Negócio (EBITDA)
A liderança executiva das utilities brasileiras (CEOs, CFOs, CIOs e membros do Conselho de Administração) enfrenta uma
Os caminhos futurísticos da aplicação de IA na Operação englobam:
decisão estratégica existencial. O modelo tradicional de gestão de infraestrutura que está focado unicamente na expansão física pesada
1 - Automação Fechada de Borda (Edge AI): Decisão autônoma em
de ativos amortizados (Asset-Centric) e na supervisão humana
janela inferior a 500 milissegundos nas subestações de 500 kV e 750
reativa através de software SCADA convencional, que para os moldes
kV para contenção de colapsos dinâmicos de frequência e tensão.
atuais tornou-se financeiramente e fisicamente insustentável.
2 - Inteligência Climática de Alta Computação: Integração de modelos
A Operação X emerge como a resposta estratégica a esse
de aprendizado profundo probabilístico (Google WeatherNext)
impasse. Ela redefine a sala de controle como uma plataforma digital
executados em Supercomputadores (HPC) para previsão preventiva
aberta, preditiva e descentralizada (Customer-Centric), na qual a
de riscos atmosféricos e nowcasting de rampas renováveis.
Inteligência Artificial Agêntica de Tecnologia da Operação (TO) e
3 - Agentes Generativos Operacionais: Assistentes baseados nos
os dispositivos de computação na borda (Edge AI) orquestram o
Procedimentos de Rede do ONS para eliminação de "tempestades de
sistema elétrico em tempo real. Embora a maturidade dos modelos
alarmes" e diagnósticos de causa-raiz em segundos.
exija salvaguardas rigorosas contra alucinações algorítmicas que ameacem a integridade do SIN, a evolução exponencial da IA
A TRÍADE TEÓRICA DO SEB — TALEB, CHRISTENSEN E
Generativa e das arquiteturas emergentes pavimenta o caminho
SCHUMPETER NA TRANSIÇÃO DA TO
Barreto Eng_1-2Pág_2.pdf 1 07/07/26 20:16 para a consolidação desse roadmap disruptivo em um horizonte não
tão distante.
A transformação da sala de controle encontra embasamento conceitual rigoroso na fusão de três influentes teorias econômicas:
A sua segurança em instalações elétricas Prestação de serviços:
Cursos e treinamentos:
Inspeção Comissionamento Consultoria Perícia Avaliação de projetos Avaliação técnica de produto Avaliação para acréscimo de carga
PROAP - Programação de atualização e aperfeiçoamento profissional Conformidade das instalações elétricas Curto-circuito, coordenação e seletividade Instalações elétricas em E.A.S. Manutenção em instalações elétricas de MT P.D.A. e aterramento elétrico Projeto de instalações elétricas BT Projeto de instalações elétricas MT Qualidade da energia elétrica www.barreto.eng.br (11) 5031-1326 São Paulo/SP
41
1. A Antifragilidade de Nassim Nicholas Taleb: Da Redoma de
CASO AXIA ENERGIA
Vidro à Hidra Operacional Nassim Taleb conceitua um sistema Frágil como aquele que
O Projeto Atmos, desenvolvido pela AXIA Energia (Eletrobras)
sofre danos catastróficos quando exposto à volatilidade. O SIN
com Google Cloud e Cepel, utiliza o modelo Google WeatherNext
histórico comportava-se como uma "Redoma de Vidro": estável
rodando em HPC para entregar:
enquanto protegido por grandes turbogeradores síncronos, porém vulnerável sob a penetração de Inverter-Based Resources (IBRs). A
1 - Previsão com Inteligência Artificial: Integra imagens de satélite,
Operação X estabelece a "Hidra Operacional" (Antifrágil): um sistema
radares e estações meteorológicas utilizando modelos avançados
que consome as oscilações e a intermitência como insumos de
de IA (como parcerias com o Google Cloud e o WeatherNext) para
aprendizado por reforço para se auto-otimizar.
reproduzir camadas da atmosfera. 2 - Mitigação de Riscos: Antecipa com antecedência eventos
2. O Dilema da Inovação de Clayton M. Christensen e o "Efeito
climáticos extremos, a exemplo de tempestades, enchentes e fortes
do Navio a Vela"
rajadas de vento que possam ameaçar torres e redes elétricas.
Christensen demonstra como empresas líderes fracassam ao
3 - Gestão Integrada: Funciona em conjunto com outras plataformas
investir no refinamento incremental de tecnologias legadas. No SEB, a
de controle de ativos para permitir a mobilização imediata de equipes
insistência em atualizar visualmente supervisórios SCADA analógicos
de operação e segurança antes que falhas aconteçam.
representa o "Efeito do Navio a Vela" (The Sailing Ship Effect). A expansão da Micro e Minigeração Distribuída, o Open Energy e a migração ao
CASO EQUATORIAL ENERGIA
mercado livre varejista exigem uma inteligência ágil de milissegundos. Para garantir a resiliência física e a eficiência econômica do SIN,
O Grupo Equatorial integrou TO/SCADA aos sistemas de
a sala de operação precisa de uma Visão 360° integrando quatro
inteligência climática e canais omnichannel via Equatorial Customer
dimensões críticas:
360:
1 - Inteligência Climática e Atmosférica: Previsão probabilística
1 - Visão integrada: Analisa fluxos de dados de canais como o telefone
(nowcasting) de rampas eólicas e solares e cálculo de capacidade
0800, agências presenciais, site, redes sociais e assistentes virtuais de
térmica via Dynamic Line Rating (DLR).
WhatsApp.
2 - Mercado, Despacho e Otimização Energética: Co-otimização
2 - Priorização de Despacho por Custo Financeiro Evitado: O
em janelas de 5 minutos de despacho e reserva operativa (RPO) pelo
sistema utiliza a criterios para priorizar circuitos com maior risco de
software NCP (PSR) e convergência com o PLD Horário.
multas pela REN 1.000/2021.
3 - Regulação, Governança e Explicabilidade: Mitigação de Parcela
3 - Ação antecipada: Identifica gargalos no atendimento e direciona
Variável (PV), consumo de metas de DIC/FEC (REN 1.000/2021) e
soluções rápidas para melhorar a experiência do cliente nas
blindagem semântica em Grafos de Conhecimento CIM.
concessionárias do grupo.
4 - Resiliência Digital e Cibersegurança OT: Latência de barramento
4 - Engajamento Transparente: Envio de notificações personalizadas
de controle e imunidade a ataques cibernéticos em protocolos de TO .
com Tempo Estimado de Restabelecimento (ETR) via WhatsApp, reduzindo a sobrecarga no call center.
O estudo "Projeto Valor Agregado do ONS", desenvolvido pela PSR Consulting e apoiado pelo Banco Mundial, quantificou que
A gestão de uma sala de controle no SIN não lida apenas
a atuação coordenada no SIN gera R$ 12,6 bilhões por ano em
com elétrons, mas com um dilúvio ininterrupto de informações:
benefícios:
Procedimentos de Rede do ONS, relatórios pós-operação (RAPs),
Fascículo
telemetria em tempo real, especificações técnicas de equipamentos e • Coordenação das Cascatas Hidrelétricas: R$ 6,36 bilhões/ano
regras de mercado dos orgãos reguladores e etc. O estresse cognitivo
(Otimização via modelo SDDP).
do operador humano, exposto a centenas de alarmes simultâneos
• Perturbações e Apagões Evitados: R$ 4,97 bilhões/ano (Ações de
durante uma perturbação sistêmica, é o calcanhar de Aquiles da
controle e monitoramento fasorial).
resiliência operacional.
• Plano de Ampliação e Reforços (PAR): R$ 470 milhões/ano
E se construíssemos uma resposta para esse desafio? Que reside
(Otimização do planejamento).
na transposição da metodologia Building a Second Brain (BASB), de
• Critérios de Aversão ao Risco: R$ 450 milhões/ano (Segurança em
Tiago Forte, para a Tecnologia da Operação (TO), combinada com o
cenários de hidrologia adversa).
poder de Grandes Modelos de Linguagem (LLMs). Ao terceirizar a
• Gestão da Reserva de Potência Operativa: R$ 365 milhões/ano
memorização e o processamento de primeiro nível para um cérebro
(Dimensionamento eficiente de reservas).
digital estruturado, a mente do operador é liberada para sua função
42
mais estratégica: julgamento crítico, liderança e tomada de decisão
Tiago Forte, a destilação ocorre por "Resumos Progressivos" manuais.
de alta velocidade.
Na Operação X, os LLMs realizam essa destilação instantaneamente.
O fluxo de processamento de informações de Tiago Forte
Durante uma contingência, em vez de folhear PDFs de 300 páginas,
— CODE (Capture, Organize, Distill, Express) abrange uma nova
o LLM destila os procedimentos exatos de restabelecimento em uma
dimensão quando automatizado por agentes de IA e LLMs:
lista concisa de 3 passos práticos em milissegundos. 4 - Expressar (Express) via Tomada de Decisão: A expressão máxima
1 - Capturar (Capture) com Fricção Zero: A captura de relatórios
do Segundo Cérebro na operação é a ação segura. O operador humano
pós-falha (RAP), boletins meteorológicos, transcrições de áudio de
utiliza a síntese gerada pelo cérebro digital para autorizar manobras
manobras de campo e alertas de SCADA deixa de ser uma tarefa
com segurança, gerar relatórios pós-operação em segundos e se
humana manual. Agentes de IA filtram e capturam automaticamente
comunicar de forma transparente com as equipes de campo e clientes.
os dados operacionais mais relevantes em tempo real, indexando-os A VISÃO OPERAÇÃO X PARA O C-SUÍTE
diretamente. 2 - Organizar (Organize) via PARA Operacional: Em vez de pastas temáticas estáticas que geram silos de informação, a estrutura
A transformação digital da operação não é uma opção
PARA (Projects, Areas, Resources, Archives) é aplicada com base na
tecnológica, é uma sobrevivência competitiva. A inércia estratégica
acionabilidade:
custa bilhões em EBITDA, multas regulatórias e desperdício de capital.
a - Projetos (Projects): Planos de contingência específicos para
Para o C-Suite, o tempo de discutir a viabilidade da "Operação X"
um evento climático iminente, comissionamento de uma linha
acabou. A pergunta que define o futuro da sua companhia é simples:
de transmissão específica ou uma auditoria regulatória em andamento.
1 - Eficiência: Você prefere continuar financiando a ineficiência de
b - Áreas (Areas): Responsabilidades contínuas sem data de
ativos legados ou quer converter volatilidade em EBITDA através de
término, como a manutenção preventiva de transformadores,
inteligência autônoma?
estabilidade dinâmica da subestação ou monitoramento de
2 - Capacidade: Sua empresa suportará taxas de curtailment
metas de DIC/FIC.
superiores a 25% sem uma gestão preditiva de ativos?
c - Recursos (Resources): Manuais técnicos de disjuntores,
3 - Resiliência: Sua sala de controle ainda é uma "Redoma de Vidro"
ontologias do Common Information Model (CIM) ou guias de
vulnerável ou já se tornou uma "Hidra Antifrágil" que aprende com
Procedimentos de Rede do ONS.
cada oscilação do SIN?
d - Arquivos (Archives): Relatórios de perturbações passadas (RAPs finalizados) ou auditorias regulatórias encerradas.
O "Segundo Cérebro" operacional não é um luxo, é o imperativo
O organizador de IA direciona automaticamente novas
cognitivo para um setor que exige decisões de milissegundos. O
informações para o quadrante PARA correto.
mercado não perdoa, e a tecnologia já está disponível. O custo da
3 - Destilar (Distill) Através de LLMs: No modelo tradicional de
inércia é o seu lucro de amanhã.
w w w. m a d e m R E E L S . c o m
reduzA suas emissões de CO2 fortaleÇA sua estratégia ESG COM CARRETÉIS MADEM NEUTROS EM CO2 !
KD-HT ISPM 15
43
Por dentro das normas
Confira insights e curiosidades sobre o processo de atualização das normas NR 10, NBR 13570 e NBR 17193 NBR 13570 INSTALAÇÕES ELÉTRICAS DE BAIXA TENSÃO | Por Paulo Barreto
INSTALAÇÕES ELÉTRICAS EM LOCAIS DE AFLUÊNCIA DE PÚBLICO: REQUISITOS ESPECÍFICOS
Publicada pela primeira vez em fevereiro/1996, com segunda
salas técnicas e ambientes análogos.
revisão publicada em 08/12/2021, essa norma apresenta requisitos para instalações elétricas em locais de afluência de público. Locais esses definidos na própria norma e que são caracterizados por
Portanto, muito cuidado com as distinções de “local” de afluência de público e “ambiente” acessível ou não acessível ao público.
possuírem certa dificuldade para as pessoas conseguirem abandonálos em segurança, em condições de incêndio. Os locais considerados
LINHAS ELÉTRICAS
como sendo de afluência de público são muitos e indicados no Anexo A da NBR 13570. A seguir são apresentados os principais requisitos da NBR 13570.
Só devem ser utilizados fios e cabos de cobre. Ou seja, não se admite fios e cabos de alumínio. Em todos os ambientes acessíveis e não acessíveis ao público os
DEFINIÇÕES
cabos devem ser livres de halogênio e com baixa emissão de fumaça e gases tóxicos (LSHF), independentemente do tipo de conduto.
Inicialmente, é importante entender dois termos muito empregados na norma quando se tratar de local de afluência de
Caso haja conduto aparente, este também deve ter essa mesma característica.
público: PROTEÇÃO CONTRA CHOQUES ELÉTRICOS • Ambiente acessível ao público: ambiente no qual é prevista a presença do público, nas condições normais de funcionamento e operação do local.
Em escolas, creches, locais de ensino e/ou práticas de esportes individuais ou coletivos e locais análogos, todos os tipos de circuitos
• Ambiente não acessível ao público: ambiente no qual não
em ambientes acessíveis ao público devem ser protegidos por
é prevista a presença do público, nas condições normais de
dispositivo DR com I∆n ≤ 30 mA, independentemente do esquema
funcionamento e operação do local. Tais como, áreas administrativas,
de aterramento adotado. Podem ser excluídos desse requisito os
44
pontos de tomada de corrente destinados aos circuitos de aparelhos de refrigeração (por exemplo, geladeira e freezer). OUTROS TÓPICOS Quadros de distribuição e quadros de distribuição terminal instalados em ambientes acessíveis ao público devem ter invólucro metálico ou, se for não metálico, que satisfaça o ensaio de fio incandescente especificado na norma ABNT NBR IEC 60695-11 na temperatura de 750 ºC. Se o quadro não metálico for instalado em parede oca (por exemplo, dry wall), a temperatura passa a ser de 850 ºC. Nos ambientes acessíveis ao público com área superior a 100 m2 devem ser previstos no mínimo dois circuitos terminais de iluminação. Lâmpadas instaladas em ambientes acessíveis ao público, situadas a uma altura inferior a 2,50 m do piso acabado, devem ser dotadas de proteção específica contra impactos ou outras solicitações mecânicas. Todo circuito terminal que sirva ambientes acessíveis ao público deve ser protegido contra sobrecorrentes por dispositivo que assegure o seccionamento simultâneo de todos os
Imagem criada por inteligência artificial
condutores fase (ou seja, não se admite fusível – nesses circuitos terminais).
45
Por dentro das normas
NBR 17193 SISTEMAS DE COMBATE A INCÊNDIOS – SCI PARA INSTALAÇÕES COM SISTEMAS FOTOVOLTAICOS | Por Marcos Rogério
BIPV - AS EXIGÊNCIAS DE PROTEÇÃO ALÉM DO CONCEITO ARQUITETÔNICO
Nas edificações BIPV - Sistemas Fotovoltaicos Integrados à
câmaras ventiladas ou selagens. Essa condição torna impossível
Construção, onde os módulos FV passam a integrar a envoltória
depender apenas de procedimentos manuais de desconexão em
da construção, a aplicação da NBR 17193 deve ser tratada
uma emergência.
como requisito de projeto desde a concepção arquitetônica.
Por essa razão, o uso de RSD (sistema de desligamento rápido)
Diferentemente de um sistema FV aplicado sobre uma cobertura
deve ser considerado essencial para a proteção em fachadas BIPV.
ou estrutura, o BIPV substitui ou compõe elementos de fachada,
O RSD reduz rapidamente a tensão dos circuitos FV para níveis
brises, guarda-corpo ou revestimento externo. Com isso, a
mais seguros após o acionamento do comando de emergência,
instalação elétrica deixa de ter um fácil acesso e passa a ficar
limitando a exposição de equipes de manutenção, bombeiros e
incorporada ao sistema construtivo sem acesso direto aos
usuários. Em uma fachada integrada, na qual não existe acesso
componentes após o fechamento da fachada.
prático aos componentes do FV, o RSD funciona como barreira
Em 1.1 somos informados que a norma “se aplica à segurança contra incêndios em instalações fotovoltaicas em edificações,
de segurança indispensável entre a geração FV e as pessoas que precisam atuar na edificação.
suas envoltórias e áreas de risco associadas.” Em fachadas BIPV, a
É essencial que o projeto defina onde o RSD será instalado,
aplicação da NBR 17193 precisa ser integrada às normas de reação
como será acionado, quais trechos permanecerão energizados, o
ao fogo dos materiais aplicados nas edificações e desempenho
tempo de resposta esperado e identificar o sistema como prescrito
de sistemas externos da fachada (NBR 16626). O objetivo não
em 8.1: “... todas as instalações que contenham SFV devem possuir
deve ser apenas garantir geração de energia, mas assegurar
placas indicativas e desenhos com detalhes físicos da instalação
que a solução não introduza riscos inaceitáveis de choque e
... “.
arco elétrico, ignição de materiais combustíveis ou propagação vertical de chamas.
Além do choque elétrico, a prevenção de incêndio exige atenção às falhas de conexão e ao arco elétrico. Conectores de
Exemplos típicos de aplicação incluem fachadas com vidro
fabricantes diferentes, crimpagem inadequada, umidade, isolação
fotovoltaico laminado, brises fotovoltaicos, guarda-corpos solares
envelhecida, esforços mecânicos e cabos pressionados por perfis
em varandas, revestimentos opacos geradores de energia em
podem gerar aquecimento e ignição. Como esses pontos podem
fachadas ventiladas. Em todos esses casos, o módulo FV deixa de
ficar inacessíveis após a montagem da fachada, o controle de
ser apenas equipamento elétrico; ele participa do desempenho da
qualidade deve ocorrer antes do fechamento do sistema.
fachada e deve ser analisado como parte do sistema construtivo.
Em fachadas ventiladas, o efeito chaminé merece cuidado
Um dos pontos críticos é a proteção de pessoas contra o
especial, pois o fluxo de ar na cavidade pode acelerar a propagação
choque elétrico. Enquanto houver irradiância, os módulos FV
vertical das chamas (Fig.1). A norma prescreve em 4.2.1 e 4.2.4 que
podem manter tensão c.c. mesmo com o disjuntor c.a. desligado.
a seleção dos materiais deve considerar classificação de reação ao
Diferente dos sistemas convencionais, no BIPV os condutores
fogo e compatibilidade com o uso em envoltórias.
ficam ocultos na fachada, atrás de vidros, perfis metálicos,
Fig. 1 - Sem barreiras
A propagação de incêndio em fachadas BIPV deve ser
Fig. 2 - Com barreiras
analisada como desempenho do conjunto, e não apenas do
A aplicação adequada da NBR 17193 em BIPV depende, então,
módulo FV isolado. O projeto deve evitar continuidade vertical
de coordenação entre arquitetura, elétrica, fachada, segurança
de materiais combustíveis, prever barreiras corta-fogo entre
contra incêndio e operação predial. Com essa abordagem, a
pavimentos, selagens adequadas nas passagens de cabos,
edificação poderá produzir energia limpa sem comprometer
interrupções de cavidade conforme Fig.2, proteção de aberturas e
a segurança dos ocupantes, das equipes de manutenção e dos
ser compatível com a compartimentação da edificação.
agentes de emergência.
SEGURANÇA EM INSTALAÇÕES E SERVIÇOS EM ELETRICIDADE | Por Aguinaldo Bizzo
PERSPECTIVAS COM A NOVA NR-10
A atualização da NR 10 é resultado de um processo iniciado há
diferentes tipos de instalações e sistemas elétricos.
quase seis anos no âmbito da CTPP (Comissão Tripartite Paritária
A atualização representa um marco histórico justamente por
Permanente), reunindo representantes do governo, empregadores e
tornar a norma mais abrangente e compatível com a realidade
trabalhadores. Mais do que revisar dispositivos técnicos, procurou-se
atual das atividades desenvolvidas com eletricidade. A revisão
adequar a norma às transformações ocorridas no setor elétrico
incorpora novas tecnologias, aperfeiçoa os critérios de gestão dos
nas últimas duas décadas, incorporando novos cenários de risco, a
riscos elétricos, fortalece o planejamento das atividades e amplia a
evolução das tecnologias e da matriz energética (solar, eólica, carros
proteção para trabalhadores que antes não eram contemplados de
elétricos, outros), além da necessidade de alinhamento com a atual
forma clara, como profissionais de telefonia e telecomunicações que
estrutura das Normas Regulamentadoras, especialmente a NR-1.
atuam em redes compartilhadas ou em proximidade de instalações
Em um cenário marcado pela expansão de novas tecnologias, pela
elétricas.
diversificação das fontes de energia e pela crescente complexidade
Promove uma transformação estrutural, altera a forma como as
das instalações elétricas, a prevenção também precisou evoluir. É
organizações devem enxergar a segurança elétrica, onde a própria
nesse contexto que surge a nova redação da NR-10 (Segurança em
denominação da norma deixa evidente essa mudança ao deslocar o
Instalações Elétricas e Serviços em Eletricidade). Publicada pelo MTE
foco para a segurança das instalações elétricas. “A eletricidade deixou
(Ministério do Trabalho e Emprego) por meio da Portaria nº 737, de
de ser apenas um bem de consumo e passou a ser matéria-prima
29 de maio de 2026, a revisão representa a mais ampla atualização da
dos processos produtivos. A principal mudança de paradigma é
norma em mais de duas décadas.
compreender que a segurança começa na construção de instalações
Embora sua vigência esteja prevista apenas para junho de 2027,
elétricas seguras”.
o texto já impõe às empresas a necessidade de revisar processos,
Na prática, isso significa que a prevenção deixa de estar centrada
documentos, capacitações e critérios técnicos para garantir
apenas no comportamento do trabalhador e passa a começar
conformidade e maior proteção aos trabalhadores.
ainda na fase de projeto das instalações. A nova NR 10 determina
Além de incorporar novos requisitos, a norma reforça uma
que os memoriais descritivos considerem as influências externas
mudança de conceito: a gestão do risco elétrico passa a estar
previstas nas normas técnicas da ABNT, os critérios de segurança
integrada ao GRO (Gerenciamento de Riscos Ocupacionais),
das instalações de baixa e média tensão, os estudos de energia
alinhando-se à NR-1 e consolidando a hierarquia das medidas de
incidente e de classificação de áreas, quando aplicáveis, além de
prevenção. A prioridade passa a ser a eliminação do perigo por meio
outras medidas de engenharia necessárias para reduzir a exposição
de soluções de engenharia e da desenergização das instalações,
aos riscos elétricos.
antes da adoção das medidas coletivas, administrativas e do uso de EPI (Equipamento de Proteção Individual).
Também passa a incorporar, de forma explícita, requisitos técnicos das normas ABNT NBR 5410, para instalações elétricas de
A revisão atualiza definições técnicas, reorganiza treinamentos,
baixa tensão, da ABNT NBR 14039, para instalações de média tensão,
amplia exigências relacionadas ao risco de arco elétrico, altera
e referências internacionais relacionadas ao gerenciamento do risco
critérios para documentação e incorpora novos requisitos para
de arco elétrico.
47
Espaço Aterramento
Descargas atmosféricas *Paulo Edmundo da Fonseca Freire é engenheiro eletricista e Mestre em Sistemas de Potência (PUCRJ). Doutor em Geociências (Unicamp), membro do Cigre e do Cobei e sócio na Paiol Engenharia.
A
s descargas atmosféricas constituem um dos fenômenos
Breakdown Stage), no qual o intenso campo elétrico existente no
naturais mais complexos da eletrodinâmica da atmosfera,
interior da nuvem desencadeia os primeiros processos de ionização
envolvendo uma sucessão de processos físicos que
do ar. Nessa fase, surgem pequenos canais descontínuos de plasma,
ocorrem em diferentes escalas espaciais, de centímetros a vários
acompanhados de intensos pulsos de radiofrequência, conhecidos
quilômetros, e temporais, de nanossegundos a centenas de
como Initial Breakdown Pulses (IBPs), que constituem alguns dos
milissegundos. O desenvolvimento de um raio vai muito além do
primeiros sinais observáveis da formação da descarga. Em seguida,
clássico modelo, formado por um líder descendente seguido de uma
ocorre o processo de ruptura baseado em streamers (Fast Streamer-
descarga de retorno, e compreende uma sequência de mecanismos
Based Breakdown). Os streamers são finos filamentos ionizados que
interdependentes que controlam a iniciação, a propagação, a
se propagam rapidamente sob a ação do campo elétrico, formando
conexão com o solo e o decaimento do canal ionizado. Em conjunto,
uma extensa rede de regiões ionizadas. Esses filamentos promovem
esses processos mostram que uma descarga atmosférica é um
a ruptura progressiva do ar e estabelecem as condições necessárias à
fenômeno extremamente complexo, dinâmico e multifásico, no
formação e ao desenvolvimento do canal principal da descarga.
qual mecanismos de ionização, propagação de plasma, transporte
À medida que a descarga evolui, forma-se o líder descendente,
de carga, aquecimento e interação eletromagnética atuam de forma
que avança de forma descontínua, por meio de sucessivos saltos.
integrada.
Cada salto corresponde à formação de um novo segmento de
A descarga atmosférica envolve diversos processos de ruptura
canal, geralmente com dezenas de metros de extensão, seguido de
dielétrica, ramificação, reconexão e reativação do canal, cuja
uma breve pausa. Durante esse intervalo, processos de ionização
compreensão é essencial tanto para o estudo da física dos raios
e de transporte de carga contribuem para o desenvolvimento
quanto para o desenvolvimento de sistemas mais eficazes de
e a reconstituição das condições necessárias à continuidade da
proteção contra descargas atmosféricas. A formação, a propagação
propagação. Essa propagação por saltos está associada à intensa
e, finalmente, a conexão do canal da descarga com o solo ou
atividade eletromagnética. Na extremidade do líder encontra-se a
com estruturas situadas em sua superfície envolvem processos
chamada zona de streamers (Streamer Zone), uma região altamente
eletromagnéticos extremamente complexos. Esses processos
ionizada, composta por numerosos filamentos que se estendem à
incluem a iniciação do canal, sua propagação por meio de líderes e
frente do canal principal. Essa zona funciona como uma frente de
streamers, a fase de conexão com o solo ou com estruturas elevadas,
ionização que explora continuamente novas regiões do espaço,
a formação da descarga de retorno e os diversos fenômenos
criando as condições para o avanço subsequente do líder.
subsequentes que se desenvolvem no interior e nas proximidades
Observações realizadas com câmeras ultrarrápidas revelaram
do canal, como descargas subsequentes, componentes M, corrente
que, à frente da extremidade do líder, podem surgir pequenas
contínua e líderes abortados, que não conseguem completar sua
regiões luminosas denominadas space stems. Essas estruturas
propagação.
constituem núcleos localizados de ionização que podem evoluir
Dentre os diversos processos físicos envolvidos, destacam-se o
para space leaders, pequenos canais de plasma que se desenvolvem
estágio inicial de ruptura do dielétrico do ar, associado à formação e
independentemente e, posteriormente, podem estabelecer conexão
propagação de streamers; os sucessivos saltos do líder escalonado;
com o canal principal. A interação e a conexão dessas estruturas com
as zonas de streamers; os space stems e space leaders; as chamadas
o líder constituem parte importante do mecanismo responsável pela
agulhas (needles); a descarga de retorno; as descargas subsequentes;
formação dos sucessivos saltos do líder escalonado.
as componentes M; e os líderes abortados. O processo tem início com o estágio de ruptura inicial (Initial
48
Durante a formação e a evolução da descarga também podem surgir as chamadas agulhas (needles), pequenas estruturas ou
descargas luminosas observadas no interior ou nas proximidades de
significativos. Em determinadas circunstâncias, uma descarga desse
canais previamente formados. Essas estruturas têm curta duração e
tipo pode provocar a ignição de vapores inflamáveis em atmosferas
podem se repetir diversas vezes. Embora tenham sido observados
classificadas ou, caso um líder ascendente se desenvolva a partir de
experimentalmente, seu mecanismo físico e seu papel exato na
uma pessoa, produzir consequências fisiológicas graves.
evolução do canal ainda não estão completamente compreendidos. Quando o líder descendente se aproxima do solo, o campo elétrico na superfície aumenta significativamente, favorecendo a formação de líderes ascendentes a partir de objetos elevados. Quando um desses líderes estabelece conexão com o líder descendente, forma-se um canal condutor contínuo entre a nuvem e o solo. Nesse instante ocorre a descarga de retorno (Return Stroke), durante a qual uma corrente intensa, que pode atingir dezenas ou centenas de kA, propaga-se rapidamente a partir da região de conexão com o solo em direção à nuvem. O canal é aquecido a temperaturas da ordem de 30.000 K, superiores às da fotosfera solar (a superfície do Sol que nós vemos). Esse aquecimento intenso produz a emissão luminosa característica do raio e uma rápida expansão do ar, gerando uma onda de choque responsável pelo trovão. A descarga de retorno é uma das fases do raio que produz os maiores esforços elétricos e eletromagnéticos sobre instalações e sistemas elétricos. Após a descarga de retorno, o canal permanece parcialmente ionizado e com elevada condutividade durante um determinado intervalo de tempo. Nesse período, podem ocorrer descargas subsequentes, nas quais um novo líder, normalmente um dart leader, utiliza o canal previamente formado e reestabelece a conexão com o solo, produzindo uma nova descarga de retorno. A repetição desse processo explica a ocorrência de múltiplas descargas no mesmo canal ionizado. Também podem ocorrer as chamadas componentes M, que correspondem a variações ou injeções adicionais de corrente em um canal já estabelecido. Diferentemente de uma nova descarga de retorno, a componente M apresenta variação de corrente geralmente mais lenta e de amplitude menor do que a associada às descargas impulsivas e contribui para a manutenção do canal ionizado. Ao longo da evolução da descarga, pode também persistir uma componente de corrente contínua (continuing current), cuja intensidade é muito inferior aos picos das descargas impulsivas, mas cuja duração é muito maior, podendo alcançar dezenas ou centenas de milissegundos. Em razão de sua longa duração, a corrente contínua pode transferir uma quantidade significativa de carga e produzir efeitos térmicos significativos, incluindo aquecimento e ignição de materiais inflamáveis, além de contribuir para danos térmicos em estruturas atingidas. Finalmente, durante a evolução da descarga podem ocorrer líderes abortados, tanto descendentes quanto ascendentes. São estruturas de ionização que iniciam sua propagação, mas não conseguem completar a conexão necessária para formar ou sustentar um canal contínuo e, consequentemente, deixam de avançar e se extinguem. Embora suas correntes sejam muito inferiores às associadas às descargas de retorno, podem produzir efeitos locais
49
Espaço Cigre-Brasil
Inteligência Artificial Generativa: impactos e desafios para a operação dos sistemas elétricos Por Alberto Arkader Kopiler*
A
operação dos sistemas elétricos de potência vive grandes
ajuste fino (fine-tuning) e Geração Aumentada por Recuperação
transformações. A expansão das fontes renováveis, a
(RAG), além de discutir arquiteturas em nuvem, locais e híbridas.
descentralização e a digitalização tornam as redes mais
Em aplicações críticas, destaca-se a combinação de modelos
dinâmicas e complexas. Nesse cenário, decisões rápidas e
especializados com bases documentais e sistemas corporativos,
precisas garantem a segurança, a confiabilidade e a continuidade do fornecimento de energia.
preservando privacidade, rastreabilidade e segurança. Desenvolvida de forma colaborativa por especialistas do setor
Os centros de operação, apoiados na experiência dos
elétrico, a brochura também consolida uma pesquisa com empresas
operadores, em procedimentos técnicos e em sistemas SCADA/EMS,
brasileiras e reúne iniciativas nacionais e internacionais. Entre
lidam com volume crescente de informações, alarmes e eventos
as aplicações de maior interesse estão a consulta inteligente de
simultâneos. A renovação das equipes e as ameaças cibernéticas
documentos, o apoio à decisão, a análise de alarmes, o treinamento
exigem ferramentas capazes de reduzir a carga cognitiva e facilitar o
de operadores e a automação de fluxos técnicos. Também são
acesso ao conhecimento operacional.
abordados sistemas multiagentes aplicados à operação.
É nesse contexto que a Inteligência Artificial Generativa (IAG)
Os resultados mostram que a IAG pode reduzir o tempo de
surge como uma tecnologia de grande potencial para a operação e
resposta, ampliar o aproveitamento do conhecimento corporativo
o controle de sistemas de potência. Por meio dos Grandes Modelos
e apoiar uma operação mais eficiente e resiliente. Sua adoção,
de Linguagem, torna-se possível consultar documentos técnicos
entretanto, deve ser gradual e orientada por risco, com validação,
em linguagem natural, interpretar instruções operativas, resumir
explicabilidade, proteção contra alucinações e supervisão humana. A
registros e apoiar a análise de alarmes e a tomada de decisão. Mais do
tecnologia deve ampliar a capacidade do operador, que permanece
que automatizar tarefas, a IAG cria novas formas de interação entre
responsável pelas decisões de maior impacto.
operadores, sistemas e bases de conhecimento.
A publicação oferece, assim, uma visão técnica e prospectiva
Diante desse cenário, o Comitê de Estudos C2 - Operação e
sobre a incorporação da IA Generativa à operação e à modernização
Controle de Sistemas de Potência, do CIGRE-Brasil, por meio do GT
segura do setor. O sumário da brochura está disponível para consulta
C2.52, publicou a brochura técnica “O Impacto da IA Generativa na
pública no portal do CIGRE-Brasil. O conteúdo completo em PDF é
Operação e Controle de Sistemas de Potência sob uma Perspectiva
um dos benefícios oferecidos aos associados, que também podem
Operacional”. O documento analisa fundamentos, aplicações,
consultar o acervo técnico e participar da elaboração de novos
oportunidades, limitações e riscos da IAG em ambientes operacionais
estudos.
críticos, propondo diretrizes para sua adoção segura. A publicação apresenta conceitos como Grandes Modelos de Linguagem (LLMs) e Pequenos Modelos de Linguagem (SLMs),
50
*Alberto Arkader Kopiler é pesquisador sênior do Cepel e coordenador do Grupo de Trabalho GT C2.52 do CIGRE-Brasil.
O total de investimento previsto para o setor é de R$ 260 bilhões até 2030
C
huvas intensas no Sul, estiagem prolongada no Norte
mais sujeitas às queimadas, monitoramento remoto e integração
e Nordeste, ondas de calor no Centro-Oeste e Sudeste.
com serviços de meteorologia ajudam a antecipar riscos durante
Em um país de dimensões continentais, o El Niño não
o período seco.
impõe um único desafio às distribuidoras de energia,
Os planos de contingência são outra ponta importante. Com
mas vários ao mesmo tempo. Para responder a cenários tão
base na experiência acumulada nos últimos anos, houve uma
distintos, o setor antecipou investimentos, revisou protocolos e
extensa atualização. Em termos práticos, quando há previsão de
ampliou o uso de tecnologia para tornar as redes mais resilientes
um evento extremo, as empresas conseguem reforçar equipes,
diante de eventos climáticos extremos.
ampliar estoques de materiais, reposicionar equipamentos e
"A preparação começa muito antes da chegada de uma
direcionar profissionais para as áreas de maior risco. Os Centros
tempestade ou de um período de seca. O setor está investindo
de Operação acompanham a evolução das condições climáticas
R$ 260 bilhões até 2030 para tornar as redes mais modernas
em tempo real e coordenam toda a resposta.
e resilientes. Desse total, cerca de 40% será destinado à
Outro diferencial é a cooperação entre distribuidoras.
modernização e projetos de resiliência, como automação,
Acordos de compartilhamento permitem que equipes, veículos
digitalização e reforço estrutural da rede. É uma resposta à nova
e equipamentos sejam deslocados rapidamente de uma área de
realidade climática do país", afirma a presidente da Abradee,
concessão para outra sempre que um evento de grande porte
Patricia Audi.
supera a capacidade operacional local. A atuação integrada
A preparação começa antes mesmo dos eventos climáticos
ganhou força após ocorrências em São Paulo e no Rio Grande
extremos. Drones, imagens de satélite, sensores térmicos e
do Sul e passou a fazer parte da estratégia permanente do
outras tecnologias ajudam a monitorar áreas de difícil acesso,
setor.
identificar pontos de risco e antecipar situações que podem comprometer a rede elétrica.
O trabalho também depende de uma forte articulação com o poder público e esse diálogo começou antes que as situações
Durante os eventos, a tecnologia também permite respostas
de crise ocorressem. O objetivo é facilitar a atuação conjunta
mais rápidas. Sensores inteligentes identificam falhas em tempo
quando for necessário. Assim, as distribuidoras, a Defesa Civil,
real, enquanto redes autorrecuperáveis, conhecidas como
o Corpo de Bombeiros, as prefeituras e os órgãos ambientais
self-healing, conseguem isolar automaticamente os trechos
realizam um esforço coordenado para liberar acessos, retirar
danificados e buscar caminhos alternativos para manter o
árvores, isolar áreas de risco e criar as condições necessárias
fornecimento.“Na prática, quando um evento climático provoca
para que as equipes possam reparar ou reconstruir a rede com
uma ocorrência na rede, esses sistemas conseguem identificar
segurança. Em muitos casos, o desafio não é apenas religar a
rapidamente onde está o problema, isolar aquele trecho e
energia, mas substituir equipamentos danificados.
redirecionar a energia por outro caminho. Isso reduz a quantidade
"As mudanças climáticas exigem uma adaptação permanente.
de consumidores afetados e ajuda a acelerar a recomposição do
Eventos extremos passaram a ocorrer com maior frequência e
serviço”, explica Patrícia Audi, presidente da Abradee.
intensidade, tornando indispensável combinar investimentos,
Além disso, as ações preventivas em campo têm papel
inovação, planejamento e atuação coordenada entre empresas
fundamental. As distribuidoras ampliaram a poda preventiva
e poder público. É esse conjunto de ações que permite reduzir
de árvores, reforçaram estruturas, modernizaram subestações
os impactos para a população e acelerar o restabelecimento do
e intensificaram a limpeza das faixas de segurança. Nas regiões
fornecimento", conclui Patricia Audi.
51
Espaço Abradee
Distribuidoras reforçam tecnologia e planejamento para enfrentar os desafios do El Niño
Reportagem
MÉDIA TENSÃO: TECNOLOGIAS AVANÇAM PARA REFORÇAR A RESILIÊNCIA DOS CIRCUITOS Em resposta aos desafios impostos por eventos climáticos extremos, religadores, cabos, sensores e sistemas de automação ganham novas funcionalidades Por: Fernanda Pacheco
A infraestrutura elétrica brasileira está sendo pressionada por
traduzir esse desafio em números: uma forte chuva registrada
desafios que chegam de diferentes direções. Enquanto a expansão
naquele período deixou 158.268 imóveis sem energia elétrica
da inteligência artificial, dos data centers, da geração distribuída
na Grande São Paulo, sendo 137 mil endereços afetados apenas
e da eletrificação aumenta a complexidade da operação e criam
na capital paulista. O relatório Estado do Clima, Extremos de
novas demandas para o sistema, eventos climáticos extremos
Clima e Desastres no Brasil em 2025, do Centro Nacional de
colocam à prova a capacidade das redes de manter o fornecimento
Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden),
e se recuperar de ocorrências. Entre a necessidade de acompanhar
mostra que o episódio foi apenas um entre os diversos eventos
a transformação tecnológica e a de se preparar para condições
extremos registrados ao longo do ano, que também contabilizou
cada vez mais adversas, a resiliência ganhou espaço como um dos
sete ondas de calor, sete ondas de frio e chuvas excepcionais,
caminhos para tornar a infraestrutura elétrica mais preparada para o
como os 689,4 milímetros acumulados em Teresópolis (RJ) em
que vem pela frente.
abril, volume 548% superior à média histórica. No total, os
Um episódio ocorrido em dezembro de 2025 ajuda a
desastres registrados em 2025 afetaram diretamente 336.656
Laboratório de pesquisa da Prysmian em Poços de Caldas (MG), voltado ao desenvolvimento e testes de cabos de energia de alta e média tensão. Imagem: divulgação/Prysmian.
52
pessoas e provocaram aproximadamente R$ 2,9 bilhões em danos materiais. Esse cenário ganha ainda mais relevância diante da formação de um novo episódio de El Niño em 2026. Associado ao aquecimento anômalo das águas do Pacífico equatorial, o fenômeno altera padrões de chuva, temperatura e vento e pode produzir efeitos distintos entre as regiões brasileiras. As projeções indicam um episódio potencialmente forte, com modelos apontando para um pico de aquecimento superior a 3°C no Pacífico entre setembro e dezembro, embora a intensidade final ainda seja incerta. Para o setor elétrico, a possibilidade de mudanças nos regimes de chuva e temperatura reforça a necessidade de considerar diferentes cenários climáticos no planejamento da infraestrutura. No caso das distribuidoras, essa adaptação envolve não apenas antecipar os possíveis impactos sobre a rede, mas também estar preparada para identificar falhas, isolar trechos afetados e recompor o fornecimento rapidamente. É nesse contexto que equipamentos instalados diretamente nos circuitos de média tensão vêm incorporando novas tecnologias, materiais e recursos de automação, acompanhando a necessidade de tornar a infraestrutura mais preparada para condições adversas. Religadores, cabos, isoladores e dispositivos de proteção contra sobretensões estão entre os componentes que passam por esse processo de evolução, com diferentes estratégias para reduzir vulnerabilidades e preservar a
Religador TripSaver II instalado em uma rede de distribuição da Copel, no Paraná. A solução contribui para a resiliência do sistema ao detectar faltas temporárias e restabelecer automaticamente o fornecimento. Imagem: divulgação/S&C.
continuidade do fornecimento. No caso da Chardon Group, a direcionalidade tem sido apontada DO RELIGAMENTO À AUTOMAÇÃO
como uma das principais mudanças observadas nos religadores nos
Entre os equipamentos que atuam de forma mais direta
últimos anos. De acordo com o gerente de vendas e aplicação da
na resposta às ocorrências estão os religadores automáticos.
empresa, Rafael Junqueira, a expansão da geração distribuída, com fontes
Ao detectar uma condição anormal, eles podem interromper o
como usinas fotovoltaicas e pequenas centrais hidrelétricas conectadas
circuito e, de acordo com a configuração e o tipo de falha, tentar
aos circuitos, passou a exigir equipamentos capazes de identificar e
restabelecer o fornecimento ou manter isolado o trecho afetado.
atuar sobre falhas nos dois sentidos do fluxo de energia. Assim, além
Mais recentemente, a evolução desses dispositivos passou a envolver
do tradicional sentido fonte-carga, os religadores precisam reconhecer
também a automação de operações e a comunicação com outros
ocorrências também no sentido carga-fonte.
elementos do sistema, ampliando seu papel na gestão dos circuitos.
A mudança representa uma diferença importante em relação à lógica
Na avaliação da S&C Electric Company, essa ampliação das
radial tradicional, na qual o fluxo de energia seguia predominantemente
funcionalidades está entre as principais evoluções do segmento.
em uma única direção. Junqueira explica que, atualmente, as
A empresa destaca soluções como os religadores TripSaver® II e
concessionárias também instalam religadores em pontos de interligação
TripSaver FX®, que incorporam recursos voltados à automação
entre circuitos, permitindo que outra linha assuma parte da carga em caso
da distribuição e à redução dos impactos das interrupções sobre
de falha. A transferência, por sua vez, exige que os equipamentos contem
consumidores e concessionárias.
com medições de tensão dos dois lados.
Essa automação não se restringe apenas aos religadores.
Para a Magvatech, empresa de origem israelense que iniciou, em
Outro exemplo citado pela fabricante são os interruptores de falta
2022, a fabricação de todo o seu portfólio de produtos e equipamentos
IntelliRupter® PulseCloser®, que permitem identificar ocorrências
no Brasil, parte dessa evolução está na própria tecnologia empregada nos
e isolar automaticamente os trechos afetados, preservando o
religadores. Um exemplo está na combinação de interruptores a vácuo e
fornecimento aos consumidores não atingidos pela falha. Em situações
atuadores magnéticos, que permite desenvolver equipamentos com alta
como tempestades e outros eventos severos, a solução pode contribuir
capacidade de operação, baixa necessidade de manutenção e elevada
para reduzir tanto a extensão quanto a duração das interrupções.
vida mecânica. Na atual família de religadores da Magvatech, há modelos
53
Reportagem
especificados para até 30 mil operações de abertura e fechamento, além
planejam sua operação e mobilizam recursos diante de situações de
de sensores integrados de corrente e tensão.
risco. Na Copel Distribuição, esse trabalho envolve o acompanhamento
Entre os recursos citados pela fabricante estão ainda registros de
das condições meteorológicas e a tradução das previsões em possíveis
eventos e faltas, oscilografia e comunicação com sistemas de supervisão
impactos sobre a rede, como indica o diretor de Operação e Manutenção
e controle. Com isso, o equipamento passa a fornecer informações que
da companhia, Gustavo Theodor: “A Copel atua fortemente na utilização
podem ser utilizadas não apenas durante uma ocorrência, mas também
de previsões meteorológicas, não apenas de médio e longo prazo,
na análise posterior do comportamento do circuito, ampliando as
mas também de curto prazo. Em parceria com o SIMEPAR (Sistema de
possibilidades de diagnóstico e permitindo acompanhar padrões de falha
Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná), desenvolvemos uma
e de operação ao longo do tempo.
solução que utiliza inteligência artificial para traduzir essas previsões em impactos operacionais. O sistema considera as variáveis climáticas e nos
Os materiais, sem dúvidas, também entram nessa equação A resiliência também depende da capacidade dos componentes físicos de suportar condições adversas de operação. Nas redes aéreas de distribuição,
apresenta o potencial de clientes que podem ser interrompidos, levando em conta a topologia da rede, as condições da vegetação e características históricas”.
o Grupo Alubar produz cabos cobertos de alumínio com múltiplas camadas
Essa abordagem ganha importância justamente porque eventos
de proteção, desenvolvidas para aumentar a resistência ao aquecimento e às
severos podem ser localizados e ter duração muito curta. Theodor indica
agressões ambientais. A empresa relaciona o uso desses cabos à necessidade
que determinados fenômenos, como tornados, podem oferecer uma
de manter a confiabilidade do fornecimento em condições como ventos
janela de apenas minutos para preparação, o que torna a antecipação e a
fortes, chuvas intensas, variações de temperatura e queimadas.
capacidade de mobilização elementos centrais da resiliência. A partir dos
Entretanto, quando a questão são os componentes elétricos, novas
cenários previstos, a Copel pode antecipar turnos de equipes e operadores,
soluções precisam estar em sintonia com requisitos técnicos, normas e
reforçar estoques, cancelar ou antecipar desligamentos programados e
processos de validação, como explica o gerente de Engenharia de Produtos
adotar outras medidas previstas em seu plano de contingência.
da Alubar, Thiago Alves Ferreira: “Por se tratar de um segmento altamente
O caso de um intenso tornado que atingiu os municípios de Rio
regulamentado, as inovações tendem a ocorrer de forma gradual e
Bonito do Iguaçu (PR) e região, em novembro do ano passado, ilustra essa
suportadas por extensos programas de ensaios e validações. Dessa forma,
lógica: segundo a companhia, mais de 300 postes foram substituídos e
os elementos construtivos básicos dos cabos permanecem relativamente
100% da rede foi restabelecida em menos de 72 horas, resultado atribuído
estáveis, com avanços mais direcionados ao aperfeiçoamento de
à prontidão das equipes e dos materiais, à coordenação operacional e à
materiais, processos produtivos e requisitos de desempenho específicos”.
articulação com autoridades locais.
Outra camada de proteção dos circuitos está nos para-raios de média tensão, que atuam diante de surtos provocados por descargas
O clima muda. Os critérios de projeto também.
atmosféricas, manobras de chaveamento e outras sobretensões
A necessidade de rever padrões não se limita às decisões das
transitórias. Tais equipamentos conduzem para a terra, de forma
distribuidoras. De acordo com dados do Instituto Nacional de Pesquisas
controlada, a corrente associada ao surto, limitando a sobretensão e
Espaciais (INPE) enviados à Revista O Setor Elétrico, já há evidências
protegendo ativos como transformadores, cabos e religadores.
de aumento dos eventos de precipitação diária extrema no Brasil,
De acordo com Leandro Borges, Market Manager de High Voltage
especialmente nas regiões Sul e Sudeste, além de mudanças na
Products da Hitachi Energy no Brasil, a principal evolução desse tipo de
intensidade dos ventos observadas nos últimos anos. O instituto também
equipamento está no uso de resistores de óxido metálico (MOV) sem
aponta um crescimento consistente da frequência e da duração das ondas
centelhadores, que oferecem resposta rápida e capacidade de absorção
de calor nas últimas quatro décadas.
de energia. Os invólucros poliméricos de silicone também substituíram
Diante desse cenário, a adaptação passa também por uma mudança
amplamente soluções mais antigas baseadas em porcelana, trazendo
na forma de projetar e manter a infraestrutura. Os pesquisadores André
menor peso e maior resistência a condições como radiação ultravioleta,
Rodrigues Gonçalves, Felipe Husade Poyer e Rodrigo Santos Costa, do
umidade, névoa salina e poluição industrial.
INPE, defendem a incorporação de projeções climáticas ao planejamento
Borges menciona que as tecnologias atuais também permitem
da infraestrutura elétrica, em substituição à dependência exclusiva das
posicionar os para-raios em pontos estratégicos da rede, como
séries históricas. Para eles, “com a intensificação dos eventos extremos,
transformadores de distribuição e trechos críticos de alimentadores,
critérios tradicionais de dimensionamento precisam ser revistos para
abordagem que contribui para limitar a propagação dos efeitos de um
incorporar projeções climáticas e reconhecer explicitamente as incertezas
evento severo e acelerar a recuperação do sistema após perturbações.
associadas”. Entre as medidas apontadas estão a atualização das normas
“Os para-raios não evitam a ocorrência do fenômeno climático, mas
de projeto, o planejamento baseado em projeções climáticas, o uso de
reduzem significativamente seus impactos sobre a infraestrutura elétrica,
previsões meteorológicas na operação e a adoção de uma manutenção
aumentando a continuidade do fornecimento de energia”, acrescenta.
orientada por risco.
Resiliência começa antes da falha
climáticos não é simples e, por isso, demanda muita cautela. Modelos
“No entanto, é importante lembrar que a incorporação de cenários A preparação dos sistemas para eventos extremos passa também
climáticos globais, isoladamente, não representam adequadamente
pela forma como as distribuidoras monitoram as condições da rede,
fenômenos locais, como tempestades severas e microexplosões”,
54
ressaltam os pesquisadores. Eles defendem que é necessário combinar
exemplo, os disjuntores digitais EvoPacT HVX contam com sensores
regionalização climática, observações, reanálises e modelagem de alta
integrados que permitem acompanhar a condição de componentes
resolução para produzir informações úteis à engenharia. “O objetivo
e obter diagnósticos voltados à manutenção preditiva. O produto foi
deixa de ser projetar para um único cenário e passa a ser construir uma
desenvolvido para aplicações de longa vida útil, com capacidade para até
infraestrutura robusta e adaptável diante de diferentes futuros climáticos
50 mil operações, monitoramento de condição integrado e inteligência
possíveis”, concluem.
baseada em IoT.
Mais dados, mais inteligência na operação
Schneider Electric, Patrícia Cavalcanti, essa tecnologia representa
Para a vice-presidente de Digital Energy e Power Products da À medida que sensores, medidores, religadores e outros dispositivos
uma mudança na forma de acompanhar e manter os equipamentos.
passam a produzir uma quantidade maior de dados, cresce também a
“Trazer a conectividade para o interior do disjuntor possibilita que a
necessidade de sistemas capazes de organizar essas informações e apoiar
máquina comunique seu estado operacional aos gestores. Isso muda
a operação da rede. A EDP Brasil, por exemplo, concluiu recentemente a
completamente a rotina de manutenção, que deixa de ser reativa e passa
implantação de um Advanced Distribution Management System (ADMS),
a ser preditiva.”
uma ferramenta que reúne em uma única plataforma informações antes
O sensoriamento também pode ser utilizado para acompanhar
distribuídas em diferentes sistemas. A companhia afirma que a solução
continuamente as condições de operação dos equipamentos. Neste caso,
amplia a capacidade de acompanhar a rede em tempo real, identificar
Patrícia menciona o uso de sensores sem fio instalados em barramentos
situações de risco e coordenar a operação. Além disso, ela permite a
e conexões, capazes de monitorar o comportamento térmico e emitir
incorporação de informações meteorológicas ao monitoramento da rede,
alertas diante de alterações anormais. A vice-preseidente explica que os
contribuindo para uma preparação mais adequada diante de diferentes
algoritmos analisam não apenas o valor absoluto da temperatura, mas
cenários.
também alterações em seu perfil, permitindo que a plataforma identifique
“Mais do que uma modernização tecnológica, estamos construindo
mudanças em tempo real e emita alertas imediatos.
as bases para uma distribuição de energia cada vez mais inteligente, resiliente e preparada para os desafios da transição energética. Ao integrar
Inteligência artificial amplia o mapa de riscos
dados, processos e pessoas em uma única plataforma, ampliamos nossa
Tamanha camada de informação também abre espaço para
capacidade de antecipar eventos, responder com mais agilidade às
aplicações de inteligência artificial voltadas à identificação antecipada
ocorrências e oferecer um serviço cada vez mais seguro, eficiente e
de riscos. Essa é a proposta das soluções da Fu2re Smart Solutions,
confiável aos nossos clientes”, declara o diretor-presidente de Distribuição
startup que utiliza o SmartVision AI como plataforma para treinamento
da EDP, Dyogenes Rosi.
de modelos de visão computacional. A tecnologia permite desenvolver
A incorporação de inteligência aos equipamentos também aparece
sistemas capazes de reconhecer automaticamente elementos como
em outros componentes de média tensão. Na Schneider Electric, por
árvores, postes, cabos, torres e isoladores em imagens, sem depender de programação tradicional para cada aplicação. Uma dessas soluções, o SmartAssets, faz uso de imagens capturadas por veículos (como os utilizados pelo Google Maps) para identificar ativos da rede e a vegetação presente em sua proximidade. Com essas informações em mãos, a distribuidora pode priorizar ações de poda considerando os trechos de maior risco. A solução também pode utilizar imagens de drones, helicópteros, aeronaves ou satélites em aplicações de maior alcance. O Founder & Managing Partner da Fu2re, André Sih, destaca que tal tecnologia tem relevância porque permite comparar o cenário antes e depois de uma intervenção e retroalimentar os modelos com dados de ocorrências reais, ampliando gradualmente a capacidade de identificação de riscos. “Essa solução permite ter muito mais informação para o planejamento futuro, porque a IA aprende. Ela está em contínuo aprendizado”, avalia o executivo. O uso de visão computacional também já foi aplicado a um problema menos óbvio: a identificação de cabos de telecomunicações instalados nos postes da rede de distribuição. O SmartAssets permite reconhecer padrões desses cabos e diferenciá-los dos condutores da rede elétrica, contribuindo para o mapeamento de situações de ocupação e sobrecarga
Disjuntor a vácuo EvoPacT HVX, da Schneider. O equipamento não utiliza gás SF6, oferecendo vida útil de até 50 mil operações. Imagem: divulgação/Schneider.
das estruturas. O exemplo mostra como a adaptação do sistema elétrico passa não apenas por novos equipamentos, mas também pela capacidade de interpretar melhor o que acontece ao redor deles.
55
56
x x
x x
x x
x x
x x
x x
x x
x x x
x x x x
x
x
x
x
x x x
x x x x x
x x x x x x
x
x
x
x
x
x
x
x
x
x x
x
x
x x x x
x x x
x x x x
x x x x
x x
x
Não oferecemos serviços
x x
Treinamento
x
Laudos técnicos
x
Execução de obras
x
Direção de obras
x
Fiscalização de obras
x
Pesquisa, experimentação e ensaios
x
Ensino
Divulgação técnica
x
Perícias
x
Vistorias
UF
Avaliações
SP São Paulo São Bernardo do Campo SP PR Curitiba PR Curitiba MT Cuiabá SC Penha SP Jundiaí CE Fortaleza MG Belo Horizonte BA Andorinha PR São José dos Pinhais SP Barueri MG Contagem PR Toledo SP São Paulo MG Belo Horizonte SP Guarulhos SP Itápolis MG Belo Horizonte RS Erechim SC São José SP São Paulo ES Vila Velha MG Patos de Minas SP São Paulo PI Teresina SP Sertãozinho MG Belo Horizonte SP Orlândia MG Belo Horizonte MG Belo Horizonte RJ Rio de janeiro PR Curitiba MG Belo Horizonte SP Aruja MG Belo Horizonte Santa Bárbara d'Oeste SP GO Goiânia SP São Paulo SP São José dos Campos CE Fortaleza RS Porto Alegre SP Paulinia RS Porto Alegre RJ Rio das Ostras RS Porto Alegre SP Santos SC Blumenau SP São Roque RS Porto Alegre MT Campo Verde SP São Paulo SP Jundiai RS Porto Alegre MT/ SP Cuiabá / SP SP São Paulo SP Piracicaba SP São Paulo MG Belo Horizonte SP São José dos Campos
Análises
Cidade
www.acaoengenharia.com.br www.alumbra.com.br www.artiere.com.br www.catena.eng.br www.ccr.eng.br www.cergatgroup.com www.cfkenergia.com.br www.cpe-ce.com.br www.elaborar.eng.br www.eletrosolar.ba.com.br www.elos.com.br www.engepower.com www.engetron.com.br www.engeup.com.br www.enprel.com.br www.escoenergy.com.br www.fastweld.com.br www.jim.com/a/fabio-henrique-153 www.forcaeletrica.com.br www.fzpme.com.br www.gini.eng.br www.glolani.com.br www.grunner.com.br www.gruposetta.com www.heilind.com.br www.hidroeletricacenter.com.br www.icengenharia.com.br www.idgengenharia.com www.intellistorm.com.br www.kascher.com.br www.krconsultoria.com.br www.kra2energia.com www.lclsintec.com.br www.lojaeletrica.com.br www.lpeng.com.br www.lumensengenharia.com.br www.maex.com.br www.makroservice.com.br www.maquimp.com.br www.masztereng.com.br www.nextum.com.br/ www.opgengenharia.com.br www.paiolengenharia.com.br www.plenobras.com.br www.pontoengenharia.com.br www.engpotencial.com.br www.powerworks.com.br www.provolt.com.br/pt-br www.radartech.com.br www.restartbrasil.com.br www.retrofit-ea.com.br www.rrpprojetos.com www.siemens.com/br/ www.spengel.com.br www.techmaxsolar.com.br www.tecproenergia.com.br www.varixx.com.br www.vetxrom.com.br www.virtoengenharia.com.br www.vorien.com.br
Consultoria
Site
Projetos
Telefone (11) 3883-6050 (11) 4393-9300 (41) 3018-4444 (41) 3336-1737 (65) 3359-5691 (11) 99775-0336 (11) 96064-7832 (85) 99973-2326 (31) 3361-6406 (74) 99147-1780 (41) 3383-9290 (11) 3579-8777 (31) 3514-5800 (45) 99148-9633 (11) 3729-7099 (31) 3273-1001 (11) 2423-2430 (14) 98827-4999 (31) 99539-0261 (54) 3522-1035 (48) 99656-7952 (11) 2294-1133 (27) 98157-0018 (34) 3826-7800 (11) 3017-8797 (86) 3223-1250 (16) 99243-6116 (31) 3285-1661 (16) 98171-9871 (31) 3481-7811 (31) 99566-6963 (21) 97527-1862 (41) 3494-0025 (31) 3218-8000 (11) 2901-7033 (31) 3286-0189 (19) 3455-5266 (62) 3216-4080 (11) 2802-9002 (12) 99718-3236 (85) 3094-5877 (51) 99683-7516 (19) 3844-4488 (51) 2101-6800 (22) 99203-3225 (51) 3222-6459 (13) 3512-0105 (47) 3036-9666 (11) 93067-9271 (51) 99909-3180 (66) 98100-6260 (11) 2501-5804 (11) 98860-8020 (51) 99370-6505 (65) 98142-1844 (11) 96224-1806 (19) 98377-0036 (11) 3672-0506 (31) 3464-9549 (11) 94237-8053
Estudos
EMPRESA AÇÃO ENGENHARIA E INSTALAÇÕES ALUMBRA MATERIAIS ELÉTRICOS ARTIERE ENG. ELETROELETRÔNICA CATENA ENGENHARIA CCR MONTAGENS INDUSTRIAIS CERGAT GROUP CFK CONSULTORIA CPE - ESTUDOS E PROJETOS ELABORAR ENGENHARIA & PROJETOS ELETROSOLAR & CLIMATIZAÇÃO ELOS ELETROTÉCNICA ENGEPOWER ENGETRON ENGEUP ENGENHARIA ELÉTRICA ENPREL ENGENHARIA ESCO ÁGUA E ENERGIA FASTWELD FHS FORCA E ELÉTRICA FZP COMÉRCIO GINI ENGENHARIA ELÉTRICA GLOLANI COMERCIAL GRUNNER ENERGIA GRUPO SETTA HEILIND ELECTRONICS BRASIL HIDROELÉTRICA HOME CENTER IC ENGENHARIA IDG ENGENHARIA INTELLI STORM KASCHER ENGENHARIA KR CONSULTORIA KRA2ENERGIA LCL SINTEC LOJA ELETRICA LPENG ENGENHARIA LUMENS MAEX ENGENHARIA MAKRO SERVICE MAQUIMP MASZTER ENGENHARIA NEXTUM INDÚSTRIA E COMÉRCIO OPG ENGENHARIA PAIOL ENGENHARIA PLENOBRAS PONTO ENGENHARIA POTENCIAL ENGENHARIA POWER WORKS PROVOLT TECNOLOGIA ELETRONICA RADAR TECH ENGENHARIA RESTART BRASIL INDÚSTRIA RETROFIT ENERGIAS RRP PROJETOS DE INSTALAÇÕES SIEMENS BRASIL SPENGEL ENGENHARIA TECHMAX SOLAR TECPRO ENERGIA VARIXX VEXTROM INDÚSTRIA E COMÉRCIO VIRTO ENGENHARIA VORIEN SOLUÇÕES
Tipos de serviços
Nenhuma das opções acima
e instalações
Instalação e Manutenção Elétrica
Atividade da empresa
Pareceres
consultorias, projetos
Engenharia e Consultoria Elétrica
Guia setorial
Engenharias,
x x x x x x x x x x x x
x x x
x x x x x
x
x x x x x x
x x
x x
x x
x x
x
x x
x x x x x
x x
x x x
x x x x
x x x
x x x x
x x x x
x x x
x x
x x
x
x
x x x
x x x
x
x
x
x
x x
x
x
x x
x
x
x
x x
x
x
x x
x
x x
x
x x
x
x
x
x x x
x x
x x x
x
x
x
x
x x x
x x
x x x x
x
x
x
x
x
x x x
x x x x x x x x x
x x x x x
x
x x
x x x
x x
x x x
x x x x x x x
x x x x x x x
x x x x x x x
x x x
x x x
x x x
x x
x x
x x x x
x
x
x x
x x
x
x x x x
x x x
x
x
x
x
x x x x x x
x x
x x
x x
x x x x x
x
x x x
x
x x
x
x x x x x x x
x x x
x
x x x x x x
x x x x x x x
x
x
x
x
x
x
x x x x
x
x
x
x x
x x x
x
x
x
x x x x x x x x x x x x
x
x
x x
x
x x
x
x x
x x
x x x
x
x x x
x x
x x x
x x x x
x x x
x x x x
x x
x x
x x x x
x x
x x
x
x x
x
x
x x
x x x
x
x
x x
x
x
x
x
x x x x
x
x
x
x x x x x
x
x x
x x
x x
x x
x x
x x
x x
x x
x x
x
x
x x x
x x
x x x
Nesta edição, apresentamos um levantamento setorial com algumas das principais empresas de engenharia, consultorias, projetistas e instaladoras que atuam no setor elétrico. Responsáveis pelo desenvolvimento de estudos, projetos e especificações, esses empreendimentos desempenham papel fundamental na expansão, modernização, segurança e confiabilidade da infraestrutura elétrica, atendendo às demandas de diferentes segmentos e aplicações.
x x x
x x x x x
x
x x
x x x x
x x x x x x
x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x
x x x x
x x x
x x x
x x x x x x x x x x x x x x x x x x x
x x x x x x x x
x x x
x x x
x x x
x
x
x x
x x x x x x x x x x x x x x x x x x
x
x x x
x x x x x x x x
x x
x
x x x x x x
x x x
x x x
x x x x x
x x x
x
x x
x x x
x x x x
x x
x x
x x
x
x
x
x
x
x x
x x
x x
x x
x x
x x x x
x x x x
x x x x x x x
x
x x x x
x x x x x x x
x x x
x x
x x x x x
x x x
x x x x x
x x
x x x x x x x x x x x x x x x x x
x
x
x
x x x x
x
x
x x
x x
x x x
x
x
x
x x x
x
x
x x x x x
x
x
x x x x x x x
x x
x
x
x x x
x
x x
x x
x x x
x x x x x x x x
x x x x
x x x x x x
x x x
x x
x x x
x x x
x
x x
x x
x x x x x x
x x x
x x
x x
x
x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x
x x
x x x x x x x x x
x x x x x
x x x x x x x x x
x
x
x x x x
x
x
x
x
x x
x
x x x x x x
x x x x
x x x x x
x x
x x x
x x
x x x x
x
x x
x x
x x x x x x x
x x x x x x x
x x
x
x
x x
x x
x
x x x x x x x x x x
x x
x x
x x
x x
x x
x x
x x
x
x x
x x
x
x x x x
x
x x
x
x
x
x x x x
x x x x x
x x
x x
x x
x x x x x x x x x x
x x x x x
x x
x x
x
x
x
x
x
x x x x x x x x x
x x x x x x x x
x
x x
x
x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x
x
x
x x
x x x x
x x x x x x x x x x x x x x
x x
x x x
x x x x
x x x x x x x
x
x x x
x x x
x x
x x x
x
x x
x x x x
x x
x x
x x
x
x x x x
x x
x x
x
x
x x x x x
x
x
x x x
x
x x x x x
x
x
x
x x x
x x
x
x
x x x x x
x x x x
x x
Compra produtos, equipamentos, componentes, etc.
x x x x x x
x x x
x x
x x
x x x
x x
x x x
x x
x x x
x
x
x x x x
x x
x x
x
x
x
x
x x
x x x x
x
x x x
x
x
x x x
x
x
x
x
x x x x
x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x
x
x x x x x x x
x
x x x x x x x x x x x x x x x x x x
x x x x x x x x
x
x
x
x x x x x x x x x x x x x x x x x
x
x x x
Especifica produtos, equipamentos, componentes, fornecedores
Programas na área de responsabilidade social
x x
x
x x
x x
x x
x
x
x
x x x x x x x x
x x
x x x x
x x x
x
x
x x x x
x x x x
x x x
ISO 14001 (ambiental)
x x
x
ISO 9001 (qualidade)
x x x
x x x x
x
x x x x x
x x x
Fabricantes de produtos e equipamentos elétricos
Indústria em geral
x
Empresas de manutenção
Concessionárias de energia elétrica
x
Outras empresas de engenharia
Distribuição de energia
x
Condomínios
x x x x
x x x
Comércio
x x x x
Transmissão de energia
x
Geração de energia
Eólica
Residencial
x x
x
Instaladoras
x x x
x x x x
Construtoras
x
x x x x
Serviços
x
x
Possui Certificado ISO
Principais clientes
x
x x
x x x x x x x
x x x
x
x x x
x x x
x x x
x
57
Ano de início de atividades da empresa
x x x
x x x x x x
x x x x x x
Industrial
x x
x x
Comercial
x x x x x x x
Proteção Contra Descargas Atmosféricas
Fotovoltaica e Recursos Energéticos Distribuídos
Atmosferas explosivas
Telecomunicações
Cabeamento estruturado
Segmentos de atuação
Número de funcionário
x
x x x x x x x x x x
Instrumentação e controle
x
Automação
Média tensão
x x x x x x x x x x
Alta tensão
Baixa tensão
Áreas de atuação
acima de 30 acima de 30 até 5 acima de 30 acima de 30 de 10 a 20 de 5 a 10 de 5 a 10 de 10 a 20 até 5 acima de 30 acima de 30 acima de 30 de 20 a 30 até 5 de 20 a 30 de 20 a 30 até 5 até 5 até 5 até 5 até 5 até 5 acima de 30 acima de 30 acima de 30 até 5 acima de 30 de 5 a 10 de 20 a 30 até 5 até 5 até 5 acima de 30 acima de 30 de 5 a 10 de 5 a 10 acima de 30 de 10 a 20 até 5 acima de 30 até 5 até 5 acima de 30 até 5 de 10 a 20 de 5 a 10 acima de 30 até 5 acima de 30 de 10 a 20 de 5 a 10 acima de 30 até 5 de 20 a 30 até 5 acima de 30 de 10 a 20 de 10 a 20 até 5
1993 1963 2002 1995 2012 2022 2018 2000 2014 2017 1999 1995 1977 2019 1988 1996 1998 2022 1990 2007 2010 1973 2014 1996 1974 1985 2016 1999 2.004 1986 2026 2020 2015 1947 1987 1990 1995 1982 1998 2004 2007 2015 2014 1993 2011 1991 2003 1988 2009 2009 2011 2014 1905 2018 2020 2011 1976 2014 2017 2014
Inovação e Equidade no Setor Elétrico
Transição energética em todas as línguas Aline Cristiane Pan é Doutora em Energia Solar Fotovoltaica e Professora na UFRGS, onde coordena o Grupo de Pesquisa em Transição Energética. Co-fundadora da Rede Brasileira de Mulheres na Energia Solar, tem mais de 25 anos de experiência no setor. Por Aline Cristiane Pan, *Liége Flores e *Gabriela Heck
Q
uando falamos em transição energética justa, uma
os estudantes participam da construção dos recursos que utilizarão,
pergunta deveria orientar nossas escolhas: quem
a verdadeira acessibilidade acontece.
está conseguindo participar dessa transformação? A
A experiência mostra que a acessibilidade não deve aparecer
energia está presente na vida de todas as pessoas, mas o acesso ao
apenas ao final de um projeto, como adaptação pontual. Precisa
conhecimento, às tecnologias, às oportunidades profissionais e aos
estar presente desde o planejamento, orientando comunicação,
espaços de decisão do setor elétrico é desigual.
metodologias, tecnologias e formas de participação. As práticas
Tenho abordado as desigualdades de gênero. Esse recorte
acessíveis do projeto contribuem para a alfabetização científica
permanece indispensável, mas a justiça exige que ampliemos nosso
e energética inclusiva. Quando estudantes surdos participam
olhar. Pessoas com deficiência também enfrentam barreiras para
da construção dos sinais, vídeos e materiais usados em sua
acessar informações, processos formativos e espaços profissionais.
aprendizagem, a transição energética deixa de ser apenas um tema
Para a comunidade surda, há um obstáculo adicional: grande parte
técnico e se torna um exercício de participação e justiça social. É a
do conhecimento científico e tecnológico é difundida sem considerar
expressão do lema “nada sobre nós sem nós”: inovar também é
a Libras, primeira língua de muitas pessoas surdas.
criar condições para que mais pessoas compreendam, debatam e
Não se trata apenas de traduzir palavras do português. Alguns
intervenham nos caminhos da energia.
conceitos científicos e técnicos não possuem sinais amplamente
O trabalho evidencia um desafio para todo o setor elétrico.
difundidos, e sua compreensão requer explicações visuais,
Como comunicamos as mudanças na matriz energética? Programas
contextualização e construção coletiva. Muitas pessoas surdas,
de eficiência energética, cursos, consultas públicas, alertas de
além disso, reconhecem-se como integrantes de uma comunidade
segurança e processos seletivos são acessíveis? Quantas pessoas
linguística e cultural, não exclusivamente a partir da deficiência.
deixam de participar porque a comunicação, os ambientes ou as
Respeitar essa identidade é parte da inclusão.
tecnologias foram concebidos para um único padrão de usuário?
Foi dessa compreensão que surgiu, no projeto Energizando a
Incluir pessoas com deficiência não significa apenas garantir
Equidade: Meninas e Mulheres Impulsionando a Transição Energética, a
acesso físico. Significa assegurar comunicação acessível, autonomia,
proposta de adaptar para Libras o jogo “Perfil para Energias Renováveis”.
formação, empregabilidade e participação nas decisões. É reconhecer
Suas cartas apresentam pistas sobre fontes como solar, eólica,
essas pessoas como consumidoras, estudantes, pesquisadoras,
hidrelétrica, biomassa e hidrogênio verde. Na versão acessível, códigos
trabalhadoras, empreendedoras e produtoras de conhecimento.
QR dão acesso a vídeos em Libras, com legendas em português.
Uma transição que substitui tecnologias, mas mantém
A inovação, entretanto, não está apenas na tecnologia.
pessoas à margem, pode ser energética — porém não será justa.
Estudantes e professores surdos participam da discussão dos
Se a transformação diz respeito ao futuro de todos, precisa ser
conceitos, da construção do glossário, da revisão das regras e da
compreendida, construída e vivida por todos, inclusive em Libras.
produção dos vídeos. Em vez de receberem um material pronto, tornam-se protagonistas de sua criação. A pesquisa é construída com
*Liége Flores é professora de apoio técnico no projeto
a comunidade surda, e não apenas para ela.
Energizando a Equidade. Contato: liegedflores@gmail.com
A elaboração coletiva do glossário favoreceu o envolvimento
*Gabriela Heck é professora colaboradora no Mestrado
com o conteúdo e fortaleceu a autonomia, o interesse e a confiança
Nacional em Ensino de Física (MNPEF-UFRGS) e bolsista de
dos estudantes para discutir conceitos científicos relacionados à
pós-doutorado pelo CNPq no projeto Energizando a Equidade.
energia. O processo trouxe um aprendizado fundamental: quando
Contato: heck.gs@gmail.com
58
59
Conexão Regulatória
A crise no sistema de preços de energia elétrica no Brasil Frederico Boschin é Diretor Executivo da Noale Energia e Sócio da Ferrari Boschin Advogados. Advogado (UFRGS); MBA Gestão Empresarial (FGV/RS); Mestre em Direito Econômico pela Universidade de Lisboa; Pós-graduado em Engenharia de Energia (PUC/RS) e em Regulação do Setor Elétrico (UFRJ). Coordenador da ABSOLAR (Santa Catarina); Membro do Conselho de Infraestrutura da FIERGS; Conselheiro do SindienergiaRS; Professor da PUC/RS e PUC/MG;
A
formação de preços de energia no Brasil baseia-se
o preço é indexado ao CMO e às restrições de transmissão/
historicamente
distribuição em períodos específicos.
no
despacho
centralizado
e
na
otimização hidrotérmica. Durante décadas, o sinal de
O objetivo central é emitir sinais de preço eficientes para
preço foi calculado em base semanal e dividido em patamares
os consumidores. Ao encarecer a energia nos horários de pico
de carga inflexíveis.
e barateá-la nos momentos de sobra de geração, o sistema
A recente inserção de fontes intermitentes tornou esse
incentiva o deslocamento de carga e o corte de pico. Isso
modelo obsoleto. No sentido da modernização, a adoção do PLD
otimiza o uso da infraestrutura de rede, reduz a necessidade de
Horário através do modelo DESSEM1, o Ambiente de Contratação
acionamento de térmicas caras e facilita a integração de fontes
Livre – ACL passou a precificar a energia hora a hora, refletindo
intermitentes.
a realidade física do sistema — como a queda de preços ao
Neste conceito, tarifas horárias alteram a própria arquitetura
meio-dia devido ao pico solar e a necessidade de acionamento
estrutural do mercado, que foi desenhado onde a oferta segue a
térmico rápido no final da tarde.
demanda (geradores são despachados para atender ao consumo
A formação de preços baseia-se no CMO e no PLD, calculados
quando ele ocorre). Com a tarifa horária a demanda dita a oferta.
por modelos de otimização estocástica (NEWAVE2 e DECOMP3).
Pressionada pelos riscos operativos à segurança do SIN
Em teoria, o PLD deveria sinalizar o custo de oportunidade
relatados pelo ONS, a ANEEL adotou postura mais assertiva
do sistema, orientando de forma eficiente as decisões de
através da CP 046/2025 (NT Conjunta nº 8/2025 e RAIR nº 1/2025),
investimento e contratação.
onde propôs a migração compulsória para a tarifação horária até
Contudo, o mercado enfrenta atualmente uma crise de
o fim de 2026, os consumidores B1 (residencial), B2 (rural) e B3
liquidez, agravada pela formação de preço que se mostra, em
(comercial, industrial e outros) com consumo mensal igual ou
diversos momentos, dissociado da lógica fundamentalista.
superior a 1 MWh. Esse segmento representa apenas 2,5% das
A imprevisibilidade do PLD, afetada por vulnerabilidades
unidades da baixa tensão, mas 25% do consumo, possuindo alta
e representações inadequadas de usinas eólicas e solares,
capacidade de resposta aos sinais de preço.
inviabilizou o trade fundamentalista de energia, que hoje requer
Essa quebra da inércia tarifária alinha-se a um movimento
modulação horária, e que eleva a percepção de risco e encarece
mais amplo de reforma setorial capitaneado pela Lei nº
a energia. A coexistência de intensa geração renovável, sujeita a
15.269/2025, que estrutura o setor em três eixos: justiça tarifária,
curtailment, e de preços atingindo o teto regulatório ilustra uma
equilíbrio setorial e liberdade do consumidor. Com a abertura
contradição econômica que afeta toda a cadeia produtiva.
total do mercado livre prevista para o final de 2027 (setembro
Assim, o conceito de tarifa horária de energia é um
para o comércio e indústria, e novembro para residências), a
mecanismo regulatório onde o valor da energia elétrica varia ao
existência de um ambiente de preços estável, transparente e
longo do dia. Em vez de uma tarifa volumétrica fixa (monômia),
dinâmico torna-se um pré-requisito fundamental.
1 O programa DESSEM é um modelo de otimização desenvolvido pelo Cepel. Seu principal objetivo é determinar a programação diária da operação de sistemas hidrotérmicos, incluindo as fontes intermitentes, em um horizonte de até duas semanas e com discretização de até meia hora. Disponível em: https://www.cepel.br/linhas-de-pesquisa/dessem-saibamais/ 2 O programa NEWAVE é um modelo otimização estocástica para aplicação no planejamento da operação e expansão de sistemas hidro–termo-eólicos interligados de longo e médio prazo. Disponível em: https://cepel.br/linhas-de-pesquisa/newave-saiba-mais/ 3 O DECOMP é um modelo computacional de otimização, voltado ao planejamento da operação energética de curto prazo de sistemas hidrotermo-eólicos. Disponível em: https://www.cepel.br/linhasde-pesquisa/decomp/
60
José Barbosa é engenheiro eletricista, relator do GT-3 da Comissão de Estudos CE: 03:064.010 - Proteção contra descargas atmosféricas da ABNT / Cobei responsável pela NBR5419. | www.eletrica.app.br
A
adoção de novas tecnologias na proteção contra descargas atmosféricas exige cuidado para que inovação
ao processo internacional de normalização, propondo sua incorporação às normas pertinentes da IEC.
comercial não seja confundida com conformidade
A IEC possui estrutura própria para isso. O TC 81 – Lightning
normativa. No Brasil, a ABNT NBR 5419:2026 é a referência para a
Protection é responsável pela normalização internacional da
proteção contra descargas atmosféricas, abrangendo avaliação,
proteção contra descargas atmosféricas, incluindo as séries IEC
projeto, instalação, inspeção e manutenção. Embora estabeleça
62305 e IEC 62561. Nesse ambiente, especialistas de diferentes
requisitos para materiais e componentes, não é uma norma de
países podem avaliar requisitos, métodos de ensaio, desempenho e
certificação de produtos.
integração de novas tecnologias.
Uma norma estrangeira não se torna internacional pelo simples
Também é necessário distinguir produtos de aplicação. A
fato de ser utilizada fora do país em que foi publicada. Normas
incorporação dos critérios de aplicação e do desempenho relevante
internacionais são elaboradas por organismos como IEC e ISO. Uma
ao projeto na IEC 62305 e, quando aplicável, dos requisitos e
norma nacional francesa, portuguesa ou de qualquer outro país
ensaios do componente na IEC 62561 representa forte indicativo
continua sendo uma norma estrangeira no Brasil.
de integração da tecnologia ao sistema internacional. Como a NBR
A distinção já é relevante na NR-10 atualmente vigente. Seu item 10.1.2 determina a observância das normas técnicas
5419 é fortemente alinhada à IEC 62305, isso cria base consistente para futura integração ao sistema normativo brasileiro.
oficiais estabelecidas pelos órgãos competentes e, na ausência
O silêncio de uma norma não pode ser interpretado como
ou omissão destas, das normas internacionais cabíveis. A nova
aprovação. O fato de determinado produto não ser nominalmente
redação da NR-10, publicada em 2026 e com vigência a partir de
proibido não comprova seu desempenho nem autoriza que suas
1º de junho de 2027, mantém esse princípio e o torna ainda mais
alegações alterem os critérios previstos para o SPDA. Ausência de norma
explícito: admite normas internacionais aplicáveis na ausência
específica de produto não significa ausência de norma para a instalação.
ou omissão das normas técnicas oficiais, desde que assegurem
Esse
cuidado
é
especialmente
necessário
quando
o
níveis iguais ou superiores de segurança e saúde. Além disso, o
desempenho atribuído a um componente é utilizado para ampliar
novo item 10.6.8 aplica expressamente esse critério à proteção
a área de proteção ou simplificar captação, descidas, aterramento,
contra descargas atmosféricas. Em ambas as redações, a referência
equipotencialização ou proteção contra surtos. Um captor
supletiva expressamente prevista é às normas internacionais, e não
não desempenha as funções dos demais elementos. O SPDA é
às normas nacionais estrangeiras.
um sistema coordenado, e a alegação de desempenho de um
Na proteção contra descargas atmosféricas existe uma estrutura
componente não pode substituir os critérios da instalação.
internacional consolidada. A série IEC 62305 estabelece princípios
Diante de uma tecnologia não contemplada pelas referências
e requisitos para o sistema de proteção contra raios, enquanto a
brasileiras e internacionais aplicáveis, não basta perguntar “existe
série IEC 62561 trata de requisitos e ensaios de componentes do
alguma norma que permita?”. É necessário verificar as evidências
SPDA. Para os DPS, existem normas da série IEC 61643, algumas já
que sustentam o desempenho e, principalmente, se seus critérios
adotadas no Brasil como ABNT NBR IEC. A NBR 5419:2026 mantém
de aplicação foram incorporados ao sistema normativo aplicável.
elevado alinhamento técnico com a IEC 62305.
Na engenharia, a inovação deve ser acolhida quando sustentada
Quando surge uma tecnologia nova, sustentada por evidências científicas
independentes,
reproduzíveis
e
tecnicamente
consistentes, o caminho tecnicamente mais coerente é submetê-la
por evidências. Mas a ausência de proibição não é comprovação de eficácia, ensaio de componente não é conformidade da instalação e norma estrangeira não é norma internacional.
61
Proteção contra raios
Norma estrangeira não é norma internacional
Análise de sistemas elétricos
Estamos especificando os transformadores secos corretamente? Noções básicas – Parte 3 Cláudio Mardegan é CEO da EngePower Engenharia, Membro Sênior do IEEE, Membro do Cigrè | claudio.mardegan@engepower.com
4 – SOLUÇÕES TÍPICAS
TVP Controle a magnitude da tensão, o dv/dt, a ressonância paralela.
Capacitores de Surto É uma solução que diminui a frequência do surto. Quanto menor o valor do capacitor,
Na ressonância série onde ocorre aumento de corrente não é tão efetivo. Não existe controle da vida útil dos MVOs.
menor sua efetividade para isto. Não controla a magnitude nem as ressonâncias (série e paralela). Veja Figura 4.1.
Figura 4.4 – TPV ® - Marca registrada Hitachi.
Figura 4.1 – Capacitor de Surto.
RC Snubber + Para-raios Controlam a magnitude da tensão, o dv/dt e as ressonâncias
Para-raios É uma solução que controla apenas a magnitude da tensão. Não
série e paralela. Vide unifilar esquemático na Figura 4.6. Montagem do Snubber vide Figura 4.5.
controla dv/dt nem ressonâncias (série e paralela). Veja Figura 4.2.
Figura 4.5 – Snubber. Figura 4.2 – Para-raios.
Transformadores Reforçados O
transformador
pode
ser
projetado e fabricado para um NBI maior, bem como ter a isolação entre espiras reforçadas. Não tem controle da magnitude, dv/dt e nem de ressonância. Veja Figura 4.3. Figura 4.6 – Esquemático de um Snubber.
Figura 4.3 – Transformador reforçado.
62
Continua na próxima edição.
63
Redes subterrâneas e resiliência
Resiliência não muda a engenharia das obras, mas muda a engenharia das prioridades Daniel Bento, PMP, é Eng. Eletricista e atua com redes subterrâneas de média tensão desde 1989. Coordenou o Comitê de Estudos B1 do CIGRE. Foi responsável técnico pela rede de distribuição subterrânea de SP. 4 vezes na lista dos 100+ Influentes da Energia. Atualmente é CEO da BAUR do Brasil e da BAUR USA Corp, e conselheiro do CIGRE-Brasil.
N
os dois artigos anteriores desta coluna procurei
Mas os desafios mudaram. A maior frequência de eventos
desenvolver duas ideias: a primeira foi mostrar que
climáticos extremos levou a ANEEL a incorporar formalmente a
confiabilidade e resiliência são conceitos diferentes
resiliência ao marco regulatório, pela REN 1.137/2025. A partir
e complementares; a segunda foi demonstrar que
daí, a infraestrutura passa a ser avaliada também pela forma
a falta de resiliência tem um custo econômico real, e que
como reage a eventos severos, não apenas pelo desempenho em
esse custo já pode ser estimado. Agora, surge uma pergunta
condições normais. Essa mudança merece uma reflexão.
diferente: como decidir onde investir para aumentar a resiliência da infraestrutura?
O Plano de Desenvolvimento da Distribuição da ANEEL organiza os investimentos em expansão, melhoria e renovação.
Essa discussão ganha peso em um momento em que o setor
Essa estrutura funciona bem para planejar obras, mas não diz
elétrico brasileiro prevê aproximadamente R$258 bilhões em
muito sobre resiliência: uma expansão pode só acompanhar
investimentos na distribuição entre 2026 e 2030. A contribuição
o crescimento da carga, ou pode reduzir a exposição de uma
de cada obra para a resiliência do sistema aparece de forma
região inteira a eventos extremos. O mesmo vale para renovação
menos explícita nessa conta. Nunca foi tão importante decidir
e melhoria. Isso não significa que a engenharia tenha ignorado
onde e como investir.
criticidade, redundância e vulnerabilidade até aqui. Ela sempre
Durante mais de duas décadas, o setor evoluiu apoiado em
considerou isso ao projetar. A novidade é levar esse mesmo
princípios que produziram avanços importantes para o país.
raciocínio para a fila de investimentos, não só para o desenho
Modicidade tarifária, eficiência operacional, investimentos
de cada obra.
prudentes e indicadores como DEC e FEC elevaram a qualidade
Ao incorporar formalmente a resiliência ao marco regulatório,
do fornecimento e orientaram a expansão das redes. Esse
a ANEEL leva essa mesma lógica para outro nível de decisão. O
modelo respondeu bem aos desafios de seu tempo.
desafio deixa de ser só como executar uma obra e passa a incluir quais obras, entre milhares previstas dentro de um programa de investimentos de R$ 258 bilhões, devem vir primeiro. Nesse ponto, resiliência funciona como critério de priorização. As redes subterrâneas ajudam a ilustrar esse raciocínio. Elas não são solução universal, nem devem substituir indiscriminadamente as redes aéreas. Mas, quando aplicadas onde uma interrupção provoca maior impacto para a sociedade, podem ser uma das estratégias mais eficazes para aumentar a resiliência. O mesmo vale para automação, proteção, monitoramento e outras tecnologias. O papel da engenharia continua o mesmo: entender onde cada solução entrega o maior benefício. A pergunta do setor elétrico sempre foi simples: quanto custa construir? Essa pergunta continua necessária. Mas talvez ela precise ser acompanhada por outra: quais investimentos devem vir primeiro para que a infraestrutura continue servindo a sociedade quando ela for mais necessária?
64
seguro na iluminação pública? Parte 2 Luciano Rosito é engenheiro eletricista, especialista em iluminação e iluminação pública. Professor de cursos de iluminação pública no Brasil e exterior. Por Silvia Maria Carneiro de Campos* e Luciano Haas Rosito
D
ando sequência ao tema do último artigo vamos
e um agente prejudicial ao meio ambiente.
aprofundar o tema e trazer aspectos práticos de como
Lembrando que as zonas de proteção ambiental não devem
viabilizar o projeto para que esteja dentro dos limites
ser iluminadas. Prática adotada em diversos países com sua devida
seguros de luz azul.
defesa técnica por causar extinções à biodiversidade. Conforme
Se o espaço demandar níveis de iluminância mais altos no piso, por
as diretrizes ecológicas da Flórida/EUA e da FDA, ao realizar o
questões de segurança, técnica ou tráfego (por exemplo, 15 a 20 lux), é
corte absoluto abaixo de 570 nm (migrando para o âmbar puro ou
matematicamente impossível usar uma fonte com 7% de azul. Nesse
vermelho), a razão M/P cai de forma tão expressiva que o sistema
cenário, a única saída biocompatível é alterar o espectro para Âmbar
melanópico torna-se essencialmente cego a essa luz.
Puro ou reduzir o azul para níveis inferiores a 1%, zerando a razão M/P.
A legislação chilena provou que forçar os chips de LED a
O limite de 1% de azul foi adotado na legislação do Chile, a mais
emitirem apenas 1% ou menos de radiação azul viabiliza o uso de
adaptada ao tema até o momento, e tem sua defesa científica. Ao
níveis seguros de iluminação para caminhabilidade humana (até 20
reduzir a presença de azul no espectro para apenas 1%, o cenário
lux horizontais), sem interferir nos biorritmos e na preservação da
muda drasticamente a favor da biocompatibilidade. Com quase toda
fauna que depende do equilíbrio da escuridão (como os vagalumes
a energia concentrada nas faixas de onda mais longas (como o âmbar
e aves migratórias). Onde não tem vagalumes, é porque tem muita
e o vermelho-alaranjado), a eficiência da luz em ativar as células
poluição luminosa.
ipRGCs despenca. Isso significa que a física do olho agora tolera até 20 lux fotópicos verticais, incidindo diretamente na retina, antes que
*Silvia Carneiro é colaboradora no CB03 COBEI /ABNT, Dark
o gatilho da supressão de melatonina comece a ser ativado.
Sky Defender da América Latina 2024, Presidente da Comissão de Estudos da Poluição Luminosa da UBA (União Brasileira de
O LIMITE SEGURO NO PISO COM 1% DE AZUL
Astronomia) e coordenadora da Dark Sky Brasil @darkskybrasil
Com a filtragem quase total do azul, a margem segura de trabalho no plano horizontal expande-se de forma extraordinária, até 50 lux fotópicos. Essa diferença de 5 lux (com 7% de azul) para 50 lux (com 1% de azul) muda completamente as possibilidades de um projeto noturno saudável: 50 lux na horizontal é uma quantidade de luz mais do que suficiente para garantir a segurança de tráfego, o reconhecimento de caminhos e o conforto visual em praticamente qualquer ambiente residencial, hoteleiro ou de circulação externa noturna. Para níveis acima de 50 Lux, é necessário eliminar totalmente o espectro azul. Com uma iluminação biocompatível, o projetista ganha a liberdade de iluminar superfícies sem o medo constante de que as reflexões difusas (paredes, pisos claros) saturem o sistema circadiano dos usuários. Fica evidente que a busca pela saúde biológica não se faz "apagando" o mundo ou reduzindo a luz a níveis de penumbra desconfortáveis, mas sim, limpando o espectro. Ao confinar o azul a 1% ou menos, o lux fotópico deixa de ser um inimigo do ser humano
65
Iluminação pública
Qual é o limite de luz azul
Quadros e painéis
Intertravamentos, bloqueios e procedimentos de energização e desenergização - integração entre NBR IEC 61439, NBR 5410 e nova NR-10 – Parte1/2 Nunziante Graziano é engenheiro eletricista, mestre em redes e equipamentos, Ph.D. em Business Administration e CEO do Grupo Gimi | nunziante@gimi.com.br
A
segurança na operação e manutenção de quadros elétricos
que outra pessoa possa religá-lo inadvertidamente. Em um
não deve ser tratada apenas como uma característica do
exemplo prático, para realizar manutenção em um alimentador
equipamento, mas como resultado da integração entre
de motor, o operador desliga o disjuntor, coloca o dispositivo na
projeto, construção, dispositivos de proteção, intertravamentos,
posição apropriada e instala um cadeado de bloqueio individual,
bloqueios e procedimentos operacionais. Essa abordagem ganha
acompanhado de identificação e sinalização. O cadeado
ainda maior importância com a nova NR-10, aprovada em 2026, que
permanece sob controle do trabalhador responsável pelo serviço.
reforça a necessidade de incorporar os recursos de segurança desde a fase de projeto. A ABNT NBR IEC 61439-1 estabelece requisitos para conjuntos de
Em um CCM, o bloqueio pode ser realizado diretamente no mecanismo da gaveta ou do disjuntor, impedindo mecanicamente sua movimentação ou fechamento.
manobra e comando de baixa tensão e contempla soluções destinadas
Para instalações críticas, podem ser utilizados sistemas de
a evitar operações inadequadas, especialmente em conjuntos que
chaveamento e transferência de chaves, incluindo sistemas do tipo
possuem unidades removíveis ou extraíveis. Já a ABNT NBR 5410
Kirk, nos quais a retirada de uma chave de um equipamento condiciona
estabelece requisitos para seccionamento, comando e proteção
fisicamente a possibilidade de operação de outro equipamento.
das instalações de baixa tensão, incluindo medidas para impedir a energização inadvertida. A nova NR-10 amplia essa abordagem ao
3 - DESENERGIZAÇÃO: UMA SEQUÊNCIA E NÃO APENAS UM
relacionar projeto, análise de risco, impedimento de reenergização,
DESLIGAMENTO
sinalização e procedimentos de trabalho.
A nova NR-10 estabelece uma sequência de segurança para a desenergização. Na prática, essa sequência deve ser transformada em
1 - INTERTRAVAMENTOS: IMPEDIR FISICAMENTE UMA OPERAÇÃO PERIGOSA
procedimento operacional claramente definido. Exemplo prático de procedimento de manutenção de um QGBT:
O intertravamento tem como objetivo impedir que uma determinada operação seja realizada enquanto existir uma condição
1 - Identificar o circuito e todas as suas possíveis fontes de alimentação;
insegura. Em um exemplo prático, um CCM com gavetas extraíveis tem
2 - Desligar o dispositivo de seccionamento;
uma gaveta de partida de motor deve possuir intertravamento mecânico
3 - Confirmar a abertura do dispositivo;
que impeça sua extração enquanto o disjuntor estiver fechado. Para
4 - Realizar a constatação da ausência de tensão utilizando instrumento
extraí-la, primeiro o operador desliga o disjuntor e, somente então, a
adequado;
gaveta pode ser deslocada da posição inserida para teste ou seccionado.
5 - Instalar o bloqueio contra reenergização;
Outro exemplo é o intertravamento entre a porta e o disjuntor, no
6 - Instalar sinalização de impedimento de reenergização;
qual a porta do compartimento somente pode ser aberta quando o
7 - Avaliar e controlar eventuais fontes alternativas, como geradores,
dispositivo de proteção estiver na condição adequada de segurança.
UPS, bancos de capacitores ou alimentação reversa;
Esse recurso reduz significativamente a possibilidade de acesso a
8 - SEMPRE que aplicável, realizar aterramento temporário e
partes energizadas durante uma condição operacional inadequada.
equipotencialização;
Em sistemas com duas fontes de alimentação, como rede normal e gerador, pode ser utilizado intertravamento mecânico ou elétrico
9 - Proteger partes energizadas existentes nas proximidades; e 10 - Delimitar e sinalizar a área de trabalho.
para impedir que as duas fontes sejam conectadas simultaneamente quando o sistema não foi projetado para essa condição.
O ponto fundamental é que a simples indicação “DESLIGADO” presente no disjuntor não comprova ausência de tensão. A constatação
2 - Bloqueio: impedir a reenergização inadvertida
deve ser realizada por meio de procedimento apropriado.
É importante diferenciar desligamento de bloqueio. Desligar um disjuntor interrompe o circuito; bloquear significa impedir
66
Continua na próxima edição.
Aguinaldo Bizzo de Almeida é engenheiro eletricista e atua na área de Segurança do trabalho. É membro do GTT – NR10 e inspetor de conformidades e ensaios elétricos ABNT – NBR 5410 e NBR 14039, além de conselheiro do CREA-SP.
O
“novo texto” da Norma Regulamentadora nº 10 (NR-10) -
De forma explícita evidencia a obrigatoriedade do cálculo de energia
Segurança em instalações elétricas e serviços em eletricidade,
incidente e da distância de segurança para arco elétrico, além de outras
publicado na Portaria MTE Nº 737, de 29 de maio de 2026,
medidas de controle coletivas.
conforme previsto, ratificou a expectativa quanto ao reconhecimento do
10.7 Medidas Administrativas e de Organização do Trabalho 10.7.7.1
risco de arco elétrico de forma intrínseca e explícita ao perigo eletricidade.
Os painéis e quadros elétricos devem possuir no mínimo: b) sinalização do
Em vários pontos do novo texto são descritos requisitos específicos
nível de tensão, advertência quanto ao perigo de choque e arco elétrico e à
para o arco elétrico, onde destacam-se: Campo de aplicação: 10.2.3 Esta NR aplica-se igualmente nas situações em que haja exposição ao risco de arco elétrico, ainda que não caracterizada
restrição de acesso por pessoas não autorizadas. O risco de arco elétrico, obrigatoriamente, deve constar na sinalização de painéis elétricos:
a entrada na zona controlada, conforme Anexo II desta NR, inserindo de forma intrínseca e explicita a distância de segurança para o risco de arco elétrico. 10.3 Gerenciamento de Risco Ocupacional: 10.3.1 No processo de identificação de perigos e avaliação de riscos, a organização deve levar em consideração, além do previsto na NR-1:
10.11 Medidas de Proteção Individual: 10.11.2 A seleção de EPI de proteção contra os efeitos do arco elétrico deve ser realizada de acordo com os Quadros do Anexo IV desta NR, observado o disposto na NR-6. 10.11.2.3 Para as condições não previstas no Anexo IV ou para
a) as características das exposições ocupacionais quanto ao choque
especificação de EPI de proteção contra os efeitos do arco elétrico de
elétrico e arco elétrico; d) as necessidades das medidas de prevenção e controle
categoria menor do que as previstas no Anexo IV, a Organização deve
dos riscos decorrentes da exposição ao choque e/ou arco elétrico.
realizar o estudo de energia incidente, de acordo com a alínea "a" do item 10.6.5 desta NR, observado o disposto na NR-6.
A norma insere de forma intrínseca a obrigatoriedade do PGR contemplar o risco de arco elétrico:
10.11.2.4 Ficam dispensados da utilização de EPI de proteção contra os efeitos do arco elétrico os trabalhadores que realizam atividades não relacionadas à eletricidade e que, em suas tarefas, não estejam expostos a situações que possam
10.4 Segurança em Projetos: 10.4.12 O projeto deve considerar, quando aplicável, o estudo de energia incidente, com vistas à definição das medidas de proteção contra os efeitos térmicos do arco elétrico.
resultar em arco elétrico, conforme indicado na análise de risco. Define critérios para especificação de EPI para proteção ao risco de arco elétrico, e cria o ANEXO IV- ESPECIFICAÇÃO MÍNIMA DE EPI PARA PROTEÇÃO CONTRA O ARCO ELÉTRICO.
O Memorial Descritivo de Novos Projetos também deve contemplar o risco de arco elétrico:
10.13 Segurança em Instalações Elétricas Desenergizadas: 10.13.1 Somente serão consideradas desenergizadas as instalações elétricas liberadas para trabalho, mediante os procedimentos apropriados,
10.6.5 A organização deve adotar medidas de proteção coletiva contra
obedecida a sequência abaixo e prevista no projeto: e) proteção dos
arcos elétricos, conforme definido em projeto, com a implantação de uma ou
elementos energizados existentes na zona controlada (Anexo II desta NR) e
mais proteções a seguir: a) operação da instalação a uma distância segura
proteção dos trabalhadores para os efeitos do arco elétrico;
definida de acordo com o estudo do nível de energia incidente, conforme método estabelecido em norma técnica nacional e, na sua ausência ou
Por fim, o texto promove mudanças estruturais no conceito de
omissão, norma técnica internacional vigente; b) utilização de painéis
circuitos desenergizados onde o risco de arco elétrico, obrigatoriamente,
elétricos resistentes a arco elétrico; c) dispositivos de abertura sob carga; d)
deve ser considerado através da distância de segurança para arco
chave de aterramento resistente ao curto-circuito presumido; e) sistemas de
elétrico. Os programas de treinamentos de segurança também
intertravamento; f) fechaduras com chave não intercambiáveis; g) emprego de
contemplam o tema arco elétrico.
dispositivos limitadores de corrente; h) seleção de tempos de interrupção muito
Além desses itens específicos, apresentados de forma estratificada,
curtos; ou i) adoção de outros meios e/ou tecnologias, conforme projeto, que
o risco de arco elétrico deve ser contemplado de forma integrada no
propiciem a minimização e/ou eliminação da exposição ao arco elétrico.
Programa de Gerenciamento de Perigos e Riscos Elétricos na NR-10 e NR-1.
67
Segurança do trabalho
Risco de arco elétrico na nova NR-10
Energia, ambiente e sociedade
“Rebranding” da energia nuclear Dr. Danilo de Souza é professor na Universidade Federal de Mato Grosso, sendo Coordenador do Núcleo Interdisciplinar de Estudos em Planejamento Energético – NIEPE, Presidente da Abracopel e é Coordenador Técnico do CINASE – Circuito Nacional do Setor Elétrico. Danilo também é pesquisador no Instituto de Energia e Ambiente da USP | www.profdanilo.com
A
história energética do século XX foi marcada por sucessivas
passou a considerar, além do custo da eletricidade, a diversidade
transformações: o carvão sustentou a industrialização;
da matriz, a disponibilidade contínua, a estabilidade de preços e a
o petróleo ganhou protagonismo nos transportes; e a
resiliência a choques externos (IEA, 2022).
eletrificação ampliou o uso da hidroeletricidade e dos combustíveis
Essa mudança tem sido construída sobretudo no cenário
fósseis. Após a Segunda Guerra Mundial, o programa Atoms for Peace,
europeu, no sentido de que não há contradição entre a ampliação do
anunciado pelos Estados Unidos em 1953, impulsionou as aplicações
parque de energia nuclear e as “renováveis” de baixo carbono”. O IPCC
civis da tecnologia atômica. A partir da usina de Obninsk, inaugurada
projeta participação crescente da energia solar e eólica, mas ressalta
em 1954, diversos países desenvolveram programas nacionais, e
que sistemas com elevada presença de fontes variáveis precisam
a energia nuclear passou a simbolizar modernização industrial,
combinar redes ampliadas, armazenamento, gerenciamento da
soberania tecnológica e segurança de suprimento (IAEA, 2009).
demanda, integração regional e geração firme ou despachável.
Essa trajetória, contudo, não foi linear. Os acidentes de Three Mile
A eletrificação dos transportes, edifícios, centros de dados e de
Island, em 1979, Chernobyl, em 1986, e Fukushima Daiichi, em 2011,
partes da indústria aumenta simultaneamente o consumo e a
ampliaram as preocupações com a segurança, os resíduos radioativos
importância da confiabilidade. Nesse contexto, a energia nuclear
e a capacidade institucional. O IPCC reconhece que esses eventos
pode complementar as renováveis ao fornecer eletricidade e calor
reduziram o apoio público à energia nuclear, embora seus efeitos
de baixo carbono de forma contínua, além de contribuir para a
tenham variado conforme a experiência nacional, a confiança nos
adequação de capacidade e a estabilidade do sistema (IPCC, 2022;
reguladores e a percepção dos riscos. Não houve, portanto, abandono
IEA, 2022).
mundial uniforme: parte da Europa e da América do Norte desacelerou
É nesse sentido que a IEA identifica sinais de uma nova era nuclear.
os investimentos ou adotou políticas de saída, enquanto países asiáticos
Em 2025, havia quase 420 reatores em operação, responsáveis por
continuaram a expandir seus programas (IPCC, 2022; IAEA, 2009).
pouco menos de 10% da eletricidade mundial e pela segunda maior
Fukushima representou a ruptura mais profunda desse período
parcela de geração de baixa emissão, depois da hidrelétrica. Outros
recente. O Japão suspendeu todos os seus reatores e passou a
63 reatores, totalizando mais de 70 GW, estavam em construção,
depender mais de combustíveis fósseis importados. Em outras
e mais de 40 países planejavam novos projetos ou os avaliavam.
economias do Atlântico Norte principalmente, grandes projetos
Entre 2020 e 2023, os investimentos anuais em novos reatores e
nucleares enfrentaram atrasos, custos crescentes e dificuldades de
em extensões de vida útil cresceram em quase 50%, alcançando
financiamento. Paralelamente, a liderança construtiva deslocou-se
cerca de USD 65 bilhões, sobretudo devido à implantação de nova
para a China e a Rússia: entre os 52 reatores cuja construção começou
capacidade. A retomada, porém, permanece desigual e cada vez
em 2017, 48 utilizavam projetos de ambos os países. A retração
mais concentrada na Ásia (IEA, 2025).
ocidental não significou, neste caso, um declínio energético; significou a redistribuição geográfica das capacidades industriais (IEA, 2025).
Na Europa, a inflexão tornou-se visível nos âmbitos regulatório e industrial. Em 2022, a Taxonomia da União Europeia classificou
A crise energética iniciada em 2022 tornou essa transformação
determinadas atividades nucleares como de transição, sujeitas a
mais visível. O conflito da Ucrânia e as interrupções no comércio de
critérios de segurança, de gestão de resíduos e de financiamento do
energia expuseram a vulnerabilidade europeia ao gás importado
descomissionamento. A medida abriu espaço para seu financiamento
e recolocaram a segurança de suprimento no centro das decisões.
na transição climática. Em 2023, a proposta do Net-Zero Industry
No Japão, a dependência de combustíveis importados reforçou o
Act incluiu reatores modulares pequenos e tecnologias nucleares
interesse no retorno gradual dos reatores, aprovados conforme os
avançadas entre as tecnologias de impacto zero; o regulamento
novos requisitos de segurança. Em diferentes países, a discussão
entrou em vigor em 2024, ano em que também foi criada a European
68
Bilhões de US$ (2023, MER)
Extensão da vida útil
Novos reatores
Figura 1 - Investimento global em energia nuclear por tipo, 2000–2023. Fonte: IEA (2025).
Industrial Alliance on Small Modular Reactors (European Commission,
da mineração de urânio, e mais de 99% da capacidade de
2022, 2023; IEA, 2025).
enriquecimento concentra-se em quatro fornecedores, com a Rússia
O movimento também ocorre fora da Europa. Até 2024, o Japão
representando cerca de 40%. A segurança nuclear exige, portanto, a
havia religado 14 dos 54 reatores comerciais desligados em 2011, sob
diversificação das etapas do ciclo do combustível, dos estoques e da
requisitos adicionais de segurança contra terremotos, tsunamis, perda
cooperação internacional (IPCC, 2022; IEA, 2025).
de resfriamento e outros riscos. Os Estados Unidos ampliaram o apoio
Até 2040, não haverá uma combinação tecnológica única para
às extensões de vida útil e aos reatores avançados; a Coreia do Sul
todos os países, pois recursos, infraestrutura, capacidade financeira
preservou um papel relevante para a energia nuclear. A China colocou
e aceitação pública continuarão a definir trajetórias distintas. Ainda
em operação comercial, em 2023, o reator de alta temperatura HTR-PM
assim, a energia nuclear tende a ampliar sua presença nas estratégias
e mantém a maior carteira mundial de novas construções. Índia,
de descarbonização que valorizam geração firme, contínua e de baixa
Turquia e Emirados Árabes Unidos também incorporaram projetos
emissão. Ela não substitui outras fontes de baixo carbono, mas pode
nucleares às suas estratégias energéticas (IEA, 2025).
complementar a eficiência energética, as redes, o armazenamento e
Os Small Modular Reactors ocupam posição central nessa expectativa de renovação. Com menor potência, fabricação modular
as gerações solar, eólica e hidráulica. Permanecem, contudo, desafios de segurança, de custos, de resíduos radioativos e de governança.
e maior padronização, eles podem reduzir o investimento de cada projeto, permitir a implantação gradual e atender a redes menores e a
REFERÊNCIAS
instalações industriais. Alguns projetos também incorporam sistemas
[1] INTERNATIONAL ATOMIC ENERGY AGENCY. Status and Trends of Nuclear
passivos de segurança e maior capacidade de monitoramento de
Technologies: Report of the International Project on Innovative Nuclear
carga. Alianças europeias, programas de demonstração nos Estados
Reactors and Fuel Cycles (INPRO). IAEA-TECDOC-1622. Vienna: IAEA, 2009.
Unidos e iniciativas na China, no Reino Unido, na França, no Canadá
[2] CLARKE, L. et al. Energy Systems. In: IPCC. Climate Change 2022:
e na Índia mostram que esse interesse já se materializou em políticas
Mitigation of Climate Change. Contribution of Working Group III to the Sixth
industriais e projetos concretos (IEA, 2022, 2025).
Assessment Report of the Intergovernmental Panel on Climate Change.
Entretanto, modularidade não garante eletricidade mais barata. O
Cambridge: Cambridge University Press, 2022. Chapter 6, p. 613–746. DOI:
IPCC observa que o investimento total de um SMR pode ser menor, mas
10.1017/9781009157926.008.
o custo por unidade de potência pode superar o de grandes reatores,
[3] INTERNATIONAL ENERGY AGENCY. The Path to a New Era for Nuclear
sobretudo nos primeiros projetos. Os ganhos esperados dependem de
Energy. Paris: IEA, 2025.
fabricação em série, da padronização, da estabilidade regulatória, de
[4] INTERNATIONAL ENERGY AGENCY. Nuclear Power and Secure Energy
fornecedores maduros e da aprendizagem entre unidades sucessivas. A
Transitions: From Today’s Challenges to Tomorrow’s Clean Energy Systems.
própria IEA condiciona uma expansão acelerada à redução dos custos de
Paris: IEA, 2022.
construção, ao controle dos atrasos e à mobilização de financiamento.
[5] EUROPEAN COMMISSION. EU Taxonomy: Complementary Climate
Os SMRs devem, portanto, ser apresentados como uma possibilidade
Delegated Act on Certain Nuclear and Gas Activities: Accelerating
promissora ainda sujeita à demonstração comercial, e não como solução
Sustainable Investments. Brussels: European Commission, 2022.
de custo e prazo já comprovada (IPCC, 2022; IEA, 2025).
[6] COMISSÃO EUROPEIA. Proposta de Regulamento do Parlamento
A dimensão geopolítica também exige equilíbrio. Assim como
Europeu e do Conselho que estabelece um quadro de medidas para reforçar
as tecnologias renováveis dependem de cadeias concentradas
o ecossistema europeu de fabrico de produtos com tecnologia de impacto
de minerais críticos, a energia nuclear apresenta vulnerabilidades
zero (Regulamento Indústria de Impacto Zero). COM(2023) 161 final.
próprias. Quatro países respondem por mais de três quartos
Bruxelas, 16 mar. 2023.
69
Instalações Ex
IEC 60079-10-2 Ed. 3.0:2026 - Nova edição da norma para classificação de áreas contendo atmosferas explosivas de poeiras combustíveis Roberval Bulgarelli é engenheiro eletricista e consultor sobre equipamentos e instalações em atmosferas explosivas.
A
IEC publicou, em 29 de junho de 2026, a terceira edição da IEC 60079-10-2 – Explosive atmospheres – Part 10-2: Classification of areas – Combustible dust atmospheres,
elaborada pelo Comitê Técnico TC 31 – Equipment for Explosive Atmospheres. Esta edição substitui a versão de 2015 e representa uma revisão técnica abrangente dos critérios para classificação de áreas com presença de poeiras combustíveis. A norma estabelece uma metodologia para identificar a possibilidade de formação de atmosferas explosivas por poeiras combustíveis, avaliar a probabilidade e a duração dessas atmosferas, classificar as áreas em Zona 20, Zona 21 ou Zona 22, definir os Grupos IIIA, IIIB e IIIC e fornecer subsídios para a seleção de equipamentos elétricos e mecânicos com proteção “Ex”, bem como para o projeto das instalações e a adoção das medidas de proteção adequadas.
Os exemplos de aplicação foram atualizados para instalações
A classificação de áreas considera fatores como as propriedades
típicas, como silos, armazéns graneleiros, filtros de mangas, esteiras
físico-químicas das poeiras, taxa de liberação, condições de
transportadoras, elevadores de canecas, moinhos e estações de
ventilação, formação e acúmulo de camadas de poeira, possibilidade
ensacamento, facilitando a aplicação prática da metodologia de
de ressuspensão, além das condições normais e anormais previsíveis
classificação.
de operação. Seu escopo abrange instalações onde possam ocorrer
Como resultado, esta nova edição proporciona maior
atmosferas explosivas devido à presença de poeiras combustíveis
uniformidade entre os estudos de classificação para gases inflamáveis
condutivas ou não condutivas, fibras combustíveis e partículas em
e poeiras combustíveis, aperfeiçoa a avaliação dos riscos associados
suspensão no ar.
a depósitos e ressuspensão de poeiras e fortalece a rastreabilidade
Entre as principais alterações técnicas introduzidas na Edição 3.0
da documentação técnica, contribuindo para projetos, auditorias e
destacam-se a revisão dos critérios para determinação da frequência
inspeções mais consistentes em instalações com equipamentos “Ex”.
de ocorrência de nuvens de poeira, o aprimoramento da avaliação
No âmbito da normalização brasileira, a Comissão de Estudo
da duração das atmosferas explosivas, a consideração explícita de
CE 003.031.006, vinculada ao Subcomitê SCB 003.031 – Atmosferas
condições operacionais anormais previsíveis e a harmonização com
Explosivas, do COBEI/ABNT, acompanhou todas as etapas de
a norma IEC 60079-10-1, aplicável à classificação de áreas com gases
elaboração, análise de comentários, votação e aprovação desta
inflamáveis.
edição da IEC, em conjunto com os demais países participantes
Também foram revisados os conceitos relacionados à formação
do TC 31. Após sua publicação, a Comissão iniciou a atualização
de depósitos de poeira, ressuspensão de camadas, influência das
da correspondente ABNT NBR IEC 60079-10-2, conforme os
práticas de limpeza (housekeeping) e manutenção das instalações,
procedimentos estabelecidos na ABNT Diretriz 3 – Adoção de
tornando a avaliação do risco mais consistente. A documentação
Documentos Técnicos Internacionais, assegurando o alinhamento da
técnica passou a receber maior destaque, exigindo o registro das
normalização brasileira aos requisitos técnicos internacionais mais
características das poeiras, das premissas adotadas, das fontes
recentes.
de liberação, das condições de ventilação, dos limites das zonas classificadas e das justificativas técnicas utilizadas no estudo.
70
O preço da segurança das instalações em atmosferas explosivas é a eterna vigilância.
Caio Huais é engenheiro industrial, especialista em Engenharia Elétrica e Automação com MBA em engenharia de manutenção e gestão de negócios. Atualmente, ocupa posição de gerente corporativo de manutenção no Grupo Equatorial, respondendo pelo desempenho da Alta Tensão de 7 concessionárias do Brasil.
A
o longo da minha trajetória em manutenção, proteção e
seletividade, bloqueios, intertravamentos e tempos de transferência precisam
comissionamento de subestações, aprendi uma coisa que
ser avaliados dentro da filosofia operacional. Não basta perguntar se o relé
parece simples: equipamento aprovado não significa sistema
atuou corretamente. A pergunta seguinte é mais importante: depois que ele
confiável. Transformador, relé, disjuntor, UPS, gerador ou sistema de
atuou, o sistema fez exatamente o que deveria fazer?
automação podem passar individualmente por todos os ensaios e, ainda
Essa visão encontra respaldo na NFPA 70B, que trata o comissionamento
assim, a instalação falhar quando esses ativos precisam responder juntos.
como processo de verificação e documentação de requisitos funcionais em
Em data centers isso fica ainda mais crítico. A perda da alimentação
nível de componente e de sistema, incluindo a obtenção de informações de
principal dispara uma sequência que não admite improviso. A proteção
referência para operação e manutenção. A IEEE 3007.2 também relaciona
precisa identificar e isolar a falta, a UPS sustentar a carga, os geradores
manutenção de sistemas elétricos industriais e comerciais à definição de
partir, os sistemas de transferência reconhecer tensão e frequência
estratégias e métodos de ensaio. Para mim, esse ponto é fundamental: um
adequadas e os disjuntores operar na sequência prevista. Ao mesmo
bom comissionamento já é o primeiro ato da manutenção.
tempo, supervisão, automação e climatização precisam permanecer
Os valores obtidos nessa etapa deveriam acompanhar o ativo durante
disponíveis. O que está sendo testado, portanto, não é mais um
toda a sua vida. Tempos de abertura e fechamento, ajustes de proteção,
equipamento. É o comportamento do sistema.
tempos de transferência, correntes, temperaturas, autonomia das baterias
É justamente aí que entra o comissionamento integrado,
e registros oscilográficos formam a primeira fotografia confiável do
especialmente os Integrated Systems Tests (IST). FAT e SAT são
sistema. Quando esses dados são preservados, a manutenção futura deixa
indispensáveis e fazem parte de qualquer boa engenharia. Mas existe uma
de comparar o ativo apenas com limites genéricos e passa a compará-lo
diferença importante entre comprovar que cada componente funciona e
também com ele mesmo, quando novo e saudável.
provocar condições degradadas para verificar como a instalação reage.
A ABNT NBR ISO 55001 reforça essa lógica ao colocar risco, desempenho
Perda de fonte, falha de gerador, indisponibilidade de UPS, perda de
e geração de valor no centro da gestão de ativos. Encontrar uma falha
comunicação ou retorno da alimentação são situações que revelam
de integração durante um teste custa muito menos do que encontrá-la
problemas que dificilmente aparecem em ensaios isolados.
durante uma contingência real. Por isso, nunca enxerguei comissionamento
Já vi muitas vezes o problema estar exatamente na interface. O relé atua corretamente, mas a lógica seguinte não responde como esperado. O
apenas como a última etapa da obra. Ele é a primeira barreira contra a indisponibilidade futura.
gerador parte, mas um permissivo impede a transferência. A alimentação
Para quem trabalha com manutenção, talvez essa seja a principal
principal retorna, porém um intertravamento mantém o sistema em
reflexão. Muitas falhas relevantes não nascem no equipamento; nascem
condição degradada. Em outros casos, tudo está correto no circuito
entre equipamentos, lógicas, sistemas e procedimentos. E são justamente
de potência, mas uma falha na alimentação CC, na comunicação ou na
essas interfaces que uma manutenção convencional pode não enxergar.
automação impede a recomposição. São falhas pequenas na origem e enormes nas consequências. Por isso, proteção e automação não podem ser tratadas separadamente durante o comissionamento. Funções 50/51, 27/59, 81, diferenciais,
No fim, a falha mais perigosa pode não ser aquela encontrada durante um ensaio. Pode ser aquela que permanece escondida entre dois sistemas que nunca foram testados juntos. Comissionar bem é encontrá-la antes que a operação encontre.
71
Manutenção estratégica
Comissionamento integrado: a falha que só aparece quando o sistema é testado
Energia com qualidade
As regulações aplicáveis às distribuidoras atendem às necessidades da qualidade da energia dos consumidores? Por: Eng José Starosta – Diretor da Ação Engenharia e Instalações Ltda jose.starosta@acaoengenharia.com.br
O
poder concedente brasileiro, Agência Nacional de Energia
valores de distorção total de tensão de até 7%, independente da carga,
Elétrica-ANEEL, é responsável por definir a regulação
que pode atender o limite máximo de THVD<8% estabelecido pelo
do fornecimento de energia, incluindo os aspectos de
módulo 8, mas efetivamente não atende às premissas do sistema de
qualidade da energia elétrica. O tema é tratado no módulo 8 do
compensação reativa, merecendo tratamento fora do convencional,
Procedimento à Distribuição, PRODIST.
mesmo com reator antirressonante p7%.
O módulo 8 trata dos aspectos da qualidade do produto, de serviços, de qualidade comercial e dos aspectos de segurança. Especificamente no tema qualidade do produto, são definidos limites de fornecimento no ponto de conexão entre a rede da distribuidora e das instalações dos consumidores de energia, na tensão de distribuição definida. Os limites consideram atendimentos mínimos das variáveis. Em regime permanente: tensão em regime permanente; fator de Potência; distorção harmônica de tensão; desequilíbrio de tensão; flutuação de tensão - flicker; e variação de frequência.Em regime transitório são considerados as VTCD’s na análise dos distúrbios de afundamentos, elevações e interrupções de tensão entre 1 ciclo e 3 minutos. As questões a serem consideradas estão relacionadas aos aspectos de atendimento às premissas da regulação, no caso o módulo 8, no ponto de conexão e os aspectos de atendimento às cargas de forma desejável, isto é, condições de operação dentro de seus limites de imunidade que são diferentes daqueles estabelecidos pela regulação e seus limites de fornecimento. Adicionalmente, deve-se considerar os efeitos das impedâncias típicas dos componentes das instalações elétricas dos consumidores, como os circuitos de distribuição nem sempre instalados de forma adequada, transformadores, cargas não lineares, capacitores que podem causar ressonâncias harmônicas, correntes transitórias causadas por cargas da instalação, sistemas de aterramento, entre outros. As soluções de adequação são baseadas em inspeções físicas, análise de projetos, análise de comportamento de cargas e medições elétricas adequadas que complementam as verificações e inspeções. Importante definir se as soluções corretivas sejam elas de intervenções físicas nas próprias instalações ou soluções que considerem inserção de equipamentos de condicionamento da energia como UPS, geradores, filtros ou compensadores de afundamento sejam adequadas aos diversos pontos da instalação. A figura 1 ilustra o comportamento da distorção de tensão THDV no ponto de conexão de um terminal portuário que apresenta
72
Figura 1 – THDV no ponto de conexão em terminal portuário
Algumas soluções de condicionamento de energia são listadas a seguir, no quadro da figura 2, e podem tornar as instalações e podem tornar as instalações operacionalmente confiáveis atendendo a imunidade das cargas se adequadamente especificadas. As indicações RP e RT indicam aplicações em regimes permanentes e transitórios. Figura 2 – Lista de equipamentos de condicionamento da Energia Elétrica 1 - Transformadores Isoladores com blindagem eletrostática - RP+RT 2 -Filtros de alta frequência - Agrupamento adequado de elementos passivos -RP 3 - DPS (dispositivos de proteção de surtos- Associação de elementos passivos e varistores - RT 4 - Filtro passivo de correntes harmônicas -Reatores em série com capacitores - RP 5 - Compensador estático de energia reativa -Reatores em série com capacitores com manobra estática – RP+RT 6 - Estabilizadores de tensão-BT – RP 7 - Grupo motogerador - Composto por acoplamento de motor ou turbina (diesel/gás/outro) com gerador elétrico. -RP 8 - UPS (“no-break”) estático -Conjunto de conversores e elementos estáticos e fonte de energia redundante (em geral baterias estacionárias). RT+RP 9 - UPS Dinâmico – Sistema de energia Ininterrupta composto por máquina síncrona (conjunto de gerador e motor elétrico) e flywheel ou baterias – RP+RT 10 - DRUPS – Sistema de energia Ininterrupta composto por máquina síncrona, flywhell e gerador diesel com sistema de acoplamento RP+RT 11 - Compensador de afundamentos e elevação de tensão (VSC) RT 12 - Compensador de micro interrupções RT 13 - Filtro ativo de harmônicas - RP 14 - Filtro híbrido de harmônicas – RP+RT
no setor elétrico: do hype à geração de valor no PDI ANEEL Tenorio Barreto é Engenheiro Eletricista, Mestre pela PUC-Rio em Metrologia, Inovação e Qualidade. É Sócio-Diretor da B&S Consultoria em Projetos.
A
combinação de Inteligência Artificial (IA), analytics,
novas combinações de problemas ou novas formas de resolver
digital twins, computação em nuvem, Internet das Coisas
problemas antigos.
(IoT), automação, robótica e tecnologias associadas
Portanto, devemos partir dos problemas e não das
à cibersegurança está modificando a forma como empresas de
tecnologias, pois quando o ponto de partida é a tecnologia,
geração, transmissão e distribuição planejam, operam, mantêm e
corre-se o risco de procurar posteriormente um problema
se relacionam com seus ativos e consumidores.
para justificá-la. Já quando o ponto de partida é o problema, a
Nesse contexto, surge uma questão central para os
tecnologia passa a ser escolhida em função de sua capacidade
programas de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PDI):
de produzir uma solução. Ainda nesse cenário, talvez uma das
estamos efetivamente utilizando novas tecnologias para
maiores oportunidades de inovação do setor elétrico não esteja
resolver problemas relevantes do setor ou apenas incorporando
em uma nova tecnologia, mas em algo que as empresas já
tecnologias que estão em evidência?
possuem em enorme quantidade: dados.
A pergunta é particularmente importante no ambiente
Empresas de energia acumulam dados sobre consumidores,
regulado. O PDI não deveria ser compreendido como um
consumo, ativos, ocorrências, manutenção, qualidade, clima,
mecanismo para financiar a adoção de tecnologias emergentes,
perdas,
mas principalmente um instrumento capaz de reduzir incertezas,
equipamentos, redes e operações. Entretanto, possuir dados
desenvolver competências, testar soluções e gerar conhecimento
não significa necessariamente possuir um ativo estratégico.
aplicável aos desafios estratégicos do setor elétrico.
Para que os dados se transformem em ativo, é necessário que
Poucas tecnologias despertam expectativas tão grandes quanto a IA. No setor elétrico, suas aplicações potenciais
investimentos,
interrupções,
equipes
de
campo,
sejam: acessíveis + confiáveis + integrados + governados + interpretáveis + utilizados na tomada de decisão.
são numerosas: previsão de demanda, previsão de geração
Muitas empresas ainda convivem com dados fragmentados
renovável, manutenção preditiva, detecção e combate às
entre sistemas, áreas e processos. Em alguns casos, existe
perdas não técnicas, análise de imagens, identificação de
grande quantidade de dados históricos, mas pouca capacidade
anomalias, otimização de redes, gestão de ativos, atendimento
de transformá-los em conhecimento operacional. O PDI pode
ao consumidor e apoio à tomada de decisão.
desempenhar um papel importante nessa transformação. Nesse
Dessa forma, qual problema estratégico do setor elétrico pode ser resolvido de maneira efetiva com a utilização da
sentido, dados podem ser uma infraestrutura de inovação tão importante quanto equipamentos físicos e sistemas digitais.
IA? Por exemplo, desenvolver um algoritmo para prever
Como ponto a refletir, entendo que a próxima fronteira de
falhas em transformadores pode parecer, isoladamente, um
inovação do setor elétrico provavelmente não será definida
projeto tecnológico. Entretanto, se a solução permitir reduzir
por uma única tecnologia. A IA, digital twins, analytics, drones,
interrupções, antecipar falhas críticas, diminuir custos de
robôs, IoT e outras tecnologias são componentes de uma
manutenção e melhorar indicadores de continuidade, o projeto
transformação muito mais ampla. O verdadeiro desafio será
passa a apresentar uma clara conexão entre tecnologia e geração
combinar tecnologias, dados, pessoas, processos e regulação
de valor e é isso que se espera das novas tecnologias.
para resolver problemas que ainda não possuem soluções
Uma das questões mais difíceis para os programas de PDI é
satisfatórias.
identificar problemas que realmente mereçam investimento, pois
Nesse cenário, o PDI/ANEEL pode e vem desempenhando um
temos 26 anos do Programa de Inovação ANEEL e muitos temas
papel estratégico. Mais do que financiar projetos tecnológicos,
já foram intensamente explorados. Isso gera uma pergunta:
pode funcionar como mecanismo de experimentação, redução
onde ainda estão os grandes problemas não resolvidos do
de riscos, desenvolvimento de competências, produção de
setor elétrico? A resposta está em identificar novos problemas,
conhecimento e aceleração da transformação do setor.
73
Pesquisa e Desenvolvimento
Digitalização e novas tecnologias
Índice de anunciantes
AÇÅO ENGENHARIA
63
BARRETO ENG 41 BREE 39 COBRECOM 15 EXPONENCIAL 45 GAZQUEZ 3ª CAPA GRUPO GIMI
2ª CAPA E 19
INPOL POLIMEROS
17
INTELLI 4ª CAPA ITAIPU 35 KRAUS & NAIMER
31
KRJ 59 MADEM 43 MEGGER 9 PEXTRON 27 RITTAL 33 ROMAGNOLE 13 SIL 37 TDK 11 TECSYSTEM 5 TRAEL 23 74
75
76