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COM POTENCIAL PARA ATRAIR R$ 57 BILHÕES EM INVESTIMENTOS ATÉ 2035, SOMENTE NO SEGMENTO DE ARMAZENAMENTO, PAÍS PRECISA AVANÇAR NO PROCESSAMENTO DE MINERAIS CRÍTICOS E NA FABRICAÇÃO DE TECNOLOGIAS PARA A TRANSIÇÃO ENERGÉTICA

EVENTOS DO SETOR:


CIDE BATE RECORDE DE PÚBLICO E REFORÇA PAPEL DA INOVAÇÃO NA TRANSFORMAÇÃO DA DISTRIBUIÇÃO DE ENERGIA
ARTIGO TÉCNICO - POR RAFAEL OGANDO
CIBERSEGURANÇA NA CONVERGÊNCIA TI/TO: ESTRATÉGIAS PARA PROTEÇÃO DE OPERAÇÕES CRÍTICAS NO SETOR ELÉTRICO



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A Revista O Setor Elétrico é uma publicação mensal da Atitude Editorial Ltda., voltada aos mercados de Instalações Elétricas, Energia e Iluminação, com tiragem de 13.000 exemplares. Distribuída entre as empresas de engenharia, projetos e instalação, manutenção, indústrias de diversos segmentos, concessionárias, prefeituras e revendas de material elétrico, é enviada aos executivos e especificadores destes segmentos. Os artigos assinados são de responsabilidade de seus autores e não necessariamente refletem as opiniões da revista. Não é permitida a reprodução total ou parcial das matérias sem expressa autorização da Editora.
Capa:
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Distribuição - Correios
Atitude Editorial Publicações Técnicas Ltda. www.osetoreletrico.com.br atitude@atitudeeditorial.com.br Filiada à

4 Editorial
O armazenamento de energia deixa de ser promessa
CIDE bate recorde de público e reforça papel da inovação na transformação da distribuição de energia
18 Artigo Técnico
Cibersegurança na convergência TI/TO: estratégias para proteção de operações críticas no setor elétrico - Rafael Ogando
22 Armazenamento de energia o futuro do setor elétrico - Miriam Penna Diniz e Michele dos Reis
28 Instalações elétricas - média e baixa tensão - Luiz Carlos Catelani
32 Data centers: a fronteira do setor elétrico - Alexandre Kontoyanis
36 O setor elétrico na era da IA: eficiência, segurança e novos paradigmas - Leo Almeida
40 Por Dentro das Normas
Paulo Barreto - NBR 17079 / Marcos Rogério - NBR 17193 / Aguinaldo Bizzo – NR 10
44 Espaço Aterramento
A curva média de resistividade aparente
46 Espaço Cigre-Brasil
Recursos Energéticos Distribuídos: os impactos e desafios para o sistema elétrico brasileiro
Terras raras: reservas abundantes e cadeia produtiva limitada
56 Pesquisa Setorial
Fabricantes, distribuidores e fornecedores de dispositivos elétricos de proteção, manobra e comando em baixa e média tensão
58 Aline Cristiane Pan - Inovação e Equidade no Setor Elétrico
60 Frederico Boschin - Conexão Regulatória
61 José Barbosa – Proteção contra raios
62 Cláudio Mardegan – Análise de Sistemas Elétricos
64 Daniel Bento – Redes subterrâneas e resiliência
65 Luciano Rosito – Iluminação Pública
66 Nunziante Graziano – Quadros e painéis
67 Aguinaldo Bizzo – Segurança do Trabalho
68 Danilo de Souza – Energia, Ambiente & Sociedade
70 Roberval Bulgarelli – Instalações EX
71 Caio Cezar Neiva Huais – Manutenção estratégica
72 José Starosta – Energia com Qualidade
73 José Tenório – Pesquisa e Desenvolvimento
Oarmazenamento de energia deixou de ser um tema do futuro para ocupar uma posição central nas discussões sobre a evolução do setor elétrico brasileiro. À medida que a matriz elétrica incorpora volumes crescentes de geração renovável, surgem novos desafios relacionados à flexibilidade operacional, à confiabilidade do sistema e ao aproveitamento mais eficiente dos recursos energéticos. Nesse contexto, compreender o papel das tecnologias de armazenamento e, principalmente, os avanços regulatórios que viabilizam sua inserção no mercado tornou-se indispensável para todos os profissionais do setor.
O capítulo V do Fascículo dedicado ao tema de armazenamento, assinado pelos especialistas no tema Raphael Gomes e Isadora Filipo, faz uma análise impecável sobre este momento histórico para o setor. No texto, com o título: O cenário regulatório e de mercado para o armazenamento no Brasil: flexibilidade, custeio e segurança jurídica, os autores demonstram como as recentes Resoluções Normativas da ANEEL e a Portaria do Ministério de Minas e Energia sobre o tema representam muito mais do que uma atualização normativa. Elas sinalizam uma mudança estrutural na forma como o armazenamento passa a ser compreendido, deixando de ser tratado apenas como uma tecnologia complementar para assumir o papel de infraestrutura estratégica para a operação do Sistema Interligado Nacional.
O artigo também apresenta uma reflexão importante sobre a própria evolução do setor elétrico. Em um sistema cada vez mais dependente da complementaridade entre diferentes fontes renováveis, a energia deixa de ser avaliada apenas pelo volume produzido e passa a ser valorizada por atributos como potência disponível, rapidez de resposta, flexibilidade, confiabilidade e capacidade de deslocar energia para os momentos de maior necessidade. Essa mudança de paradigma exige novos mecanismos de remuneração e novos modelos de negócios, tema amplamente discutido pelos autores.
Outro destaque do fascículo é a análise dos desafios que ainda precisam ser superados para transformar a evolução regulatória em um mercado sólido e competitivo. Questões como o empilhamento de receitas, o tratamento tarifário do uso da rede, a estruturação do primeiro leilão brasileiro de baterias, os critérios de custeio, a segurança jurídica dos contratos e a correta valoração dos serviços prestados pelos sistemas de armazenamento são abordadas de forma clara, permitindo ao leitor compreender tanto as oportunidades quanto as incertezas que ainda acompanham essa agenda.
Os autores também chamam atenção para um aspecto fundamental: o sucesso do armazenamento dependerá não apenas da evolução tecnológica, mas da capacidade de construir regras estáveis, previsíveis e economicamente equilibradas. O desenvolvimento desse mercado deverá caminhar ao lado da expansão da transmissão, da redução dos cortes de geração renovável, da criação de sinais locacionais eficientes e do contínuo aperfeiçoamento dos procedimentos operacionais e comerciais do setor.
Ao trazer esse e outros importantes debates, a Revista OSE, que já conta com mais de 20 anos de prestação de serviços ao setor elétrico brasileiro, reafirma seu compromisso de acompanhar os temas que moldam o presente e o futuro da indústria elétrica nacional. Mais do que apresentar as novidades regulatórias, buscamos oferecer aos nossos leitores uma visão técnica, crítica e aprofundada dos assuntos que influenciarão as decisões de fabricantes, concessionárias, projetistas, integradores, investidores e formuladores de políticas públicas.
Convidamos você a acompanhar, não só este fascículo, como também os demais conteúdos exclusivos e altamente técnicos que só uma revista com essa tradição e credibilidade, poderia te proporcionar. Boa leitura.


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3ª edição do evento teve mais de 1.500 participantes e reuniu especialistas, profissionais e os maiores players do segmento de distribuição do país
Por Matheus de Paula

A palavra “inovação” dominou os debates da terceira edição do Congresso de Inovação na Distribuição de Energia Elétrica (CIDE), realizado entre os dias 10 e 11 de junho, em São Paulo. Contando com mais de 1.500 participantes, entre executivos, especialistas, representantes de distribuidoras, fabricantes, startups, órgãos reguladores e instituições do setor elétrico, o evento se debruçou sobre temas preciosos ao segmento de distribuição, como a modernização das redes elétricas, adequação às novas normas regulatórias, resiliência do sistema, armazenamento e o impacto do inteligência artificial na operação das concessionárias.
Ao fazer a abertura do evento, a presidente da Abradee, Patrícia Audi, juntamente com o CEO do Grupo O Setor Elétrico, Adolfo Vaiser, destacaram o papel do CIDE no desenvolvimento e estímulo ao segmento de distribuição, ao promover debates qualificados sobre os rumos e dores do setor, além possibilitar aos visitantes interação com as principais tecnologias e soluções voltados a este mercado. "O CIDE nasceu de uma provocação da Abradee para criarmos algo diferente para o mercado. Hoje, vemos esse projeto consolidado, reunindo empresas, especialistas e profissionais comprometidos com a evolução da distribuição de energia. Todo esse trabalho é resultado
de meses de planejamento e da dedicação de uma grande equipe para entregar conteúdo de qualidade, networking e oportunidades de negócios", destacou Vaiser.
Em sua fala, Patrícia Audi afirmou que o segmento de distribuição deverá investir, até 2030, cerca de R$ 260 bilhões, destinados, principalmente, à modernização, digitalização e aumento da resiliência das redes. "A inovação precisa estar no centro da estratégia das distribuidoras e ser percebida pelos consumidores como um diferencial que gera mais qualidade, confiabilidade e eficiência no fornecimento de energia", destacou.
Atuando nos estados de São Paulo, Rio Grande do Sul, Minas Gerais e Paraná, a CPFL Energia, de acordo com o CEO da companhia, Gustavo Estrella, deverá investir cerca de R$ 25 bilhões, até 2030, na modernização da infraestrutura física das redes e na digitalização das operações.
“A gente vem promovendo uma mudança completa da configuração da rede. Na RGE (concessionária responsável pela





distribuição de energia elétrica em grande parte do estado do Rio Grande do Sul), por exemplo, tínhamos 40% da rede com postes de madeira em 2019; hoje esse percentual está em 8% e a expectativa é zerar nos próximos três anos. Mas esse investimento de base é combinado com inovação, automação e digitalização, que são fundamentais para a gestão da rede”, destacou Estrella. Empossado na presidência da Celesc há cerca de três meses, Edson Moritz apresentou os números da companhia durante o painel e destacou o ciclo de investimentos da distribuidora, entre 2023 e 2026. Segundo o executivo, a empresa deverá investir R$ 5,7 bilhões no período, valor cerca de 62% superior ao registrado no ciclo anterior.
Os recursos estão sendo direcionados principalmente para a ampliação e modernização das redes de distribuição e subestações, com foco em acompanhar o crescimento da demanda por energia em Santa Catarina. “O foco dos investimentos está na expansão das redes e subestações, mas também em programas voltados às áreas rurais. O agronegócio catarinense cresce em ritmo acelerado e exige uma infraestrutura elétrica cada vez mais robusta e confiável", destacou.
“Diante da previsão de carga muito baixa e da elevada geração fotovoltaica, mobilizamos o plano emergencial construído junto às distribuidoras e ao regulador. A resposta foi positiva, mas esse desafio não é pontual. Precisamos avançar em soluções estruturais para lidar com a crescente inserção da geração distribuída no sistema”, pontuou.

PALESTRAS E PAINÉIS DE DEBATE
A palestra de abertura do CIDE 2026 foi conduzida pelo advogado e especialista em tecnologia e IA, Ronaldo Lemos, que traçou um panorama de evolução da inteligência artificial iniciado pela OpenAI, com o ChatGPT em 2023, e da IA agêntica, uma inteligência artificial capaz de receber objetivos, organizar-se de forma autônoma e executar tarefas até o fim sem intervenção contínua do usuário.
Ao adentrar os desafios específicos da distribuição de energia, Lemos elencou seis fronteiras de aplicação da IA no segmento: prevenção de incêndios em resposta às tempestades, manutenção por câmeras em drones, combate a furtos e perdas comerciais, modelos de linguagem para gestão de rede, atendimento por assistentes virtuais e gêmeos digitais. Os exemplos vieram de diferentes partes do mundo. Nos Estados Unidos, a Pacific Gas and Electric Company (PG&E), maior distribuidora de energia elétrica da Califórnia, opera mais de 630 câmeras de alta definição e milhares de sensores de IoT integrados a sistemas de IA
"Foram 17 incêndios interceptados e 12 milhões de minutos de interrupção evitados", destacou. Na China, a State Grid desenvolveu
o modelo de linguagem Guangming — cujo nome significa "luz" em mandarim. "Uma transferência de carga que levava 30 minutos passou a ser feita em um minuto. Um planejamento de grande porte que exigia dez horas é concluído em dez minutos", listou Lemos. Nas Filipinas, a distribuidora Meralco usa visão computacional via satélite para mapear painéis solares nos telhados. "Eles conseguem 88% de acurácia para redimensionar a rede e absorver a expansão desordenada do solar, em vez de fazer curtailment, como o Brasil faz", observou.
Para contextualizar o posicionamento do país nesse cenário, Lemos recorreu ao Smart Grid Index, ranking global que avalia 92 distribuidoras em 36 países. A América Latina ocupa posições modestas, com poucas representantes, entre elas a Light, do Rio de Janeiro. A liderança pertence à francesa Enedis. "Em 2020 ela era a 16ª colocada. Em três anos pulou para o primeiro lugar. Isso significa que uma ação bem feita permite adotar inovação em um horizonte curto de tempo", afirmou
Outro tema de destaque no evento diz respeito aos desafios









A linha Mining Block® STRAHL, composta por tomadas e plugues industriais, tomadas com bloqueio mecânico, eletromecânico e proteção elétrica, atende aos mais rigorosos padrões de qualidade e segurança exigidos nas instalações elétricas. Desenvolvidas para garantir segurança e proteção, são indicadas e apropriadas para instalação e uso em ambientes extremamente agressivos, como indústrias de mineração, petroquímicas, siderúrgicas, áreas portuárias, entre outras.
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para o equilíbrio entre geração e carga, em um sistema elétrico cada vez mais impactado pela expansão da geração distribuída.
Tatiane Pestana, gerente executiva de Relacionamento com Agentes e Assuntos Regulatórios na ONS, relembrou a operação realizada durante o feriado de Corpus Christi, quando o ONS acionou um plano emergencial desenvolvido em conjunto com a ANEEL e 12 distribuidoras para lidar com o excedente de geração.
“Diante da previsão de carga muito baixa e da elevada geração fotovoltaica, mobilizamos o plano emergencial construído junto às distribuidoras e ao regulador. A resposta foi positiva, mas esse desafio não é pontual. Precisamos avançar em soluções estruturais para lidar com a crescente inserção da geração distribuída no sistema”, pontuou.
Além da plenária principal, o CIDE 2026 contou com uma intensa programação voltada à disseminação de conhecimento técnico e à apresentação de soluções inovadoras para o setor de distribuição de energia. Ao longo dos dois dias de congresso, 149 profissionais participaram das atividades do evento, incluindo 55 trabalhos
técnicos, 20 startups e 15 apresentações de melhores práticas de segurança.
No período da tarde, três arenas simultâneas ampliaram as oportunidades de troca de experiências entre os participantes. A Arena Inovação reuniu startups com soluções voltadas à transformação digital e à modernização das distribuidoras, enquanto a Arena Melhores Práticas de Segurança promoveu o compartilhamento de casos reais e iniciativas voltadas à proteção de profissionais e ativos do setor. Já o espaço dedicado aos papers e trabalhos estratégicos de inovação apresentou estudos, pesquisas e projetos desenvolvidos por especialistas e empresas, abordando desafios e tendências que vêm moldando o futuro da distribuição de energia elétrica.
A feira de negócios do CIDE 2026 superou os números das edições anteriores e reuniu 57 patrocinadores em uma área de exposição de 6.000 m2. Durante os dois dias de evento, distribuidoras, fabricantes, fornecedores de tecnologia, startups e instituições de pesquisa apresentaram soluções voltadas à modernização da distribuição



Indústria e Assistência Técnica
Cuiabá - MT | Brasil
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Assistência Técnica
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Presente na área de exposição, a Cemig destacou a importância da inovação diante das mudanças que vêm transformando a distribuição de energia. Para Wagner Veloso, gerente de Engenharia, Automação e Sistemas da companhia, o avanço das fontes renováveis e a necessidade de modernização das redes exigem uma busca constante por novas soluções. “A rede de distribuição que temos hoje é completamente diferente da que tínhamos há dez anos por conta das renováveis que entraram no sistema. A inovação precisa ser tratada diariamente e a parceria entre as distribuidoras no CIDE é extremamente plausível", ressaltou.
A CPFL Energia aproveitou a feira para apresentar soluções desenvolvidas em projetos de pesquisa e desenvolvimento voltados ao aumento da confiabilidade das redes e ferramentas digitais baseadas em dados e inteligência artificial para tornar a operação mais eficiente. Segundo o CEO da companhia, Gustavo Estrella, o evento vem demonstrando evolução a cada edição e se consolidando como um importante ambiente de colaboração para o setor elétrico. “Acho que colaboração é uma palavra bastante importante. A gente só avança com todas essas partes colaborando, dividindo soluções”, destacou.
Para Gustavo Travassos, especialista de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação da companhia, a evolução das ferramentas de inteligência artificial foi um dos principais destaques percebidos na edição do evento. “A gente está vivendo um momento muito marcante, com muitos desafios e muita tecnologia sendo desenvolvida. A inteligência já é uma realidade dentro das empresas de distribuição e está avançando em um ritmo muito acelerado”, afirmou.
Participando pela primeira vez como patrocinador da feira de negócios, o Lactec avaliou de forma positiva os resultados obtidos durante o evento. Segundo André Capra, gerente sênior da instituição, a presença com estande ampliou as oportunidades de relacionamento com parceiros e potenciais clientes, gerando inclusive novas oportunidades comerciais. “A gente já tem algumas oportunidades que estão se convertendo em negócio. Desde receber as pessoas, apresentar o Lactec e gerar negócios, que é o que a gente espera, o resultado está sendo muito positivo”, disse.
Estreante também no CIDE, a Nansen apresentou soluções voltadas à medição inteligente e mobilidade elétrica. Segundo João de energia elétrica, consolidando a feira como um dos principais ambientes de networking, demonstração tecnológica e geração de negócios do setor.

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Tabelini, gerente de Eletromobilidade da companhia, a empresa já possui mais de um milhão de pontos de medição inteligente instalados no Brasil, tecnologia que contribui para a eficiência operacional das distribuidoras. Ao avaliar sua primeira participação no congresso, o executivo destacou a oportunidade de acompanhar as principais tendências do setor, “a gente vê também muita empresa de tecnologia trazendo coisas novas. É sempre bom esse tipo de evento, porque a gente vai se atualizando sobre as informações de mercado”, afirmou. Já a Climatempo apresentou soluções voltadas ao monitoramento meteorológico e à gestão de riscos climáticos para o setor elétrico. Segundo Victor Hassan, head de Negócios da companhia, o evento é uma oportunidade para aproximar tecnologias que contribuem para aumentar a resiliência das redes diante dos impactos das mudanças climáticas. “É um grande prazer estar aqui. Trouxemos soluções e inovações climáticas para o setor de energia, com estações meteorológicas, sensores e plataformas voltadas ao monitoramento do tempo e ao manejo da vegetação. O CIDE é uma iniciativa maravilhosa, que está crescendo cada vez mais”, destacou.
A Tivit apresentou soluções voltadas à digitalização e modernização das distribuidoras de energia. Para João Rabaço, head de vendas da companhia, o evento tem se destacado pela qualidade dos debates sobre o futuro do setor e pela troca de experiências entre os participantes. “O CIDE está trazendo grandes insights sobre o futuro da indústria no país e sobre como as empresas estão se adaptando do ponto de vista de tecnologia e inovação”, afirmou.



O setor elétrico global está atravessando uma das mais profundas transformações tecnológicas de toda a sua história. A digitalização tornou-se uma realidade inevitável, impulsionada de maneira acelerada pela incorporação de sensores inteligentes, dispositivos de Internet das Coisas (IoT), plataformas baseadas em nuvem, sistemas SCADA avançados e pelo uso de inteligência artificial. Toda essa esteira de inovação tem entregado ao setor elétrico ganhos expressivos no que diz respeito à eficiência operacional, à capacidade de realizar manutenções preditivas e à confiabilidade geral no fornecimento de energia elétrica.
No entanto, essa mesma evolução tecnológica trouxe à tona um desafio de proporções equivalentes: a crescente, e muitas vezes inadiável, integração entre os ambientes de Tecnologia da Informação (TI) e Tecnologia Operacional (TO). Anteriormente, esses dois mundos operavam de forma isolada, mas agora passaram a compartilhar bases de dados, aplicações e conexões de rede e essa convergência, embora seja necessária na modernização industrial, ampliou significativamente os pontos de entrada e a superfície de ataque das infraestruturas críticas, exigindo uma reavaliação completa de como o setor lida com ameaças digitais.
Para compreender a complexidade do desafio da segurança digital, é preciso entender que, historicamente, os universos de TI e TO evoluíram de maneira independente, desenvolvendo culturas e objetivos distintos.
A Tecnologia da Informação sempre esteve concentrada na proteção dos dados, das aplicações e dos serviços corporativos. Seu foco de atuação é orientado por garantir a confidencialidade, a integridade e a disponibilidade das informações corporativas e administrativas.
Por outro lado, a Tecnologia Operacional (TO) possui uma natureza muito mais física e imediata, ela tem a função de controlar

processos físicos operando sistemas complexos como SCADA, Controladores Lógicos Programáveis (CLPs), Dispositivos Eletrônicos Inteligentes (IEDs), além de diversos sensores e equipamentos de campo que, efetivamente, garantem o funcionamento ininterrupto do sistema elétrico. Nesse ambiente crítico, a prioridade máxima e inegociável é garantir a disponibilidade e a segurança da operação, uma vez que qualquer interrupção pode afetar de imediato o fornecimento de energia para toda a população.
Essa profunda diferença estrutural faz com que diversas práticas de segurança cibernética que são consideradas comuns nos ambientes corporativos, nem sempre sejam viáveis na indústria. No ambiente de TO, a continuidade do processo é absolutamente essencial, o que exige uma abordagem engenhosa que consiga conciliar as necessidades administrativas do negócio com as severas restrições operacionais desses sistemas críticos.
A diferença no impacto de uma violação entre esses dois ambientes é notável. Enquanto um incidente cibernético bemsucedido no ambiente corporativo (TI) resulta, geralmente, na indisponibilidade de serviços administrativos ou vazamento de dados, um ataque que atinja a rede operacional (TO) pode comprometer os equipamentos físicos, interromper drasticamente o fornecimento de energia elétrica e gerar impactos econômicos e sociais profundos. Nesse contexto de alto risco, a cibersegurança deixa de ser encarada apenas como uma área da tecnologia e passa a integrar a estratégia principal de continuidade operacional das organizações.
Um exemplo de ataque cibernético no setor ocorreu na Ucrânia, no ano de 2015, onde invasores conseguiram comprometer os sistemas de distribuição de energia do país, resultando em um apagão que deixou centenas de milhares de consumidores no escuro durante horas. Este tipo de incidente nos deixa como aprendizado







A Tecnologia da Informação sempre esteve concentrada na proteção dos dados, das aplicações e dos serviços corporativos.
Seu foco de atuação é orientado por garantir a confidencialidade, a integridade e a disponibilidade
das
informações corporativas e administrativas.
que invasores contemporâneos têm a capacidade de explorar vulnerabilidades nas redes de tecnologia para interferir diretamente no funcionamento e na operação de infraestruturas que são vitais para a manutenção da sociedade. Mesmo que o contexto geopolítico daquele evento em particular fosse muito específico, a realidade que ele evidenciou é atual, à medida que as redes elétricas se tornam mais conectadas e interdependentes, cresce a urgência de proteger não apenas os bancos de dados da empresa, mas sim toda a cadeia operacional responsável por levar eletricidade até o consumidor final.
Toda essa discussão ganha contornos de extrema relevância também no Brasil. O país passa por um rápido e acelerado avanço na digitalização de suas redes elétricas, fenômeno este que é impulsionado de perto pela adoção em massa das chamadas Smart Grids (redes elétricas inteligentes), pelo crescimento exponencial da geração distribuída de energia e pelos massivos investimentos em automação de subestações, sendo assim a proteção robusta de ambientes operacionais tão críticos exige a implementação de uma estratégia estruturada em múltiplas camadas de segurança, visto que já é consenso que não existe uma única tecnologia que seja capaz de eliminar, de forma milagrosa e isolada, todos os riscos existentes.
Como primeiro passo é preciso conhecer os ativos existentes,

ter controle e inventários completos de equipamentos, sistemas e conexões que permitam identificar vulnerabilidades e definir prioridades de proteção.
A segmentação das redes representa outra medida essencial. Separar ambientes corporativos dos sistemas operacionais, utilizando zonas de segurança e redes desmilitarizadas industriais (Industrial DMZ), reduz significativamente a possibilidade de movimentação lateral de um invasor.
Também ganha destaque a adoção do modelo Zero Trust, baseado no princípio de que nenhum usuário, dispositivo ou aplicação deve ser considerado confiável por padrão, cada acesso deve ser autenticado, autorizado e monitorado continuamente, especialmente em cenários com acesso remoto de equipes internas e fornecedores.
O monitoramento contínuo dos ambientes de TO complementa essa estratégia, implementando soluções capazes de identificar comportamentos anômalos em protocolos industriais que permitam detectar ameaças antes que provoquem impactos operacionais relevantes.
Outro aspecto importante é a gestão de vulnerabilidades. Diferentemente dos ambientes tradicionais de TI, nem sempre é possível aplicar atualizações imediatamente em equipamentos industriais. Dessa forma, torna-se necessário combinar planejamento
de manutenção, controles compensatórios e avaliação contínua dos riscos.
Por fim, ter um bom plano de resposta a incidentes e estratégias de recuperação operacional são fundamentais para minimizar impactos caso um ataque ocorra.
O sucesso prático na proteção contra as ameaças cibernéticas modernas depende do fortalecimento na integração institucional entre as áreas de TI e TO. Criar e cultivar uma governança capaz de entender e equilibrar a busca por inovação tecnológica, o aumento contínuo da eficiência na operação e, ao mesmo tempo, a garantia da segurança cibernética é o que difere organizações seguras das vulneráveis.
A convergência entre a Tecnologia da Informação e a Tecnologia Operacional não é uma tendência passageira; ela representa um caminho sem volta para o setor elétrico em escala global. O avanço da digitalização tem como destino continuar impulsionando operações que são a cada dia mais inteligentes, eficientes e integradas, isso significa que investir em cibersegurança e tratar a proteção da convergência TI/TO como uma prioridade de negócio é uma atitude que vai muito além de proteger hardwares e softwares. Significa, assegurar a continuidade no fornecimento ininterrupto de energia
para os lares e empresas, atestar a confiabilidade dos serviços vitais que são prestados e, principalmente, fortalecer de forma duradoura a resiliência de um setor que é absolutamente indispensável para a manutenção da vida urbana e para o pleno desenvolvimento econômico e social do país.
*Rafael Ogando é Diretor Executivo da Concert LAB, com mais de 20 anos de experiência em transformação digital, engenharia de software, computação em nuvem e Inteligência Artificial. Liderou operações de tecnologia, plataformas em nuvem e equipes de alta performance nos setores de tecnologia, saúde e energia.
Atualmente é responsável pela estratégia de crescimento da empresa, pelo desenvolvimento de soluções para o setor elétrico e pela aplicação de Inteligência Artificial em produtos, engenharia de software e operações, conectando tecnologia, negócio e inovação.























Ao longo de 2026, este fascículo abordará os avanços das tecnologias de armazenamento de energia e sua crescente relevância para o setor elétrico. Em um sistema cada vez mais renovável e complexo, soluções de estocagem se tornam essenciais para garantir flexibilidade, confiabilidade e segurança energética. As abordagens contarão com a expertise e o olhar de duas grandes especialistas no tema: Miriam Penna Diniz, que traz em sua bagagem mais de 20 anos de experiência em engenharia industrial e no setor elétrico. Pioneira no setor fotovoltaico nacional, ministra cursos e mentorias sobre autoprodução; e Michele dos Reis - engenheira eletricista pela Pontifícia de Minas Gerais e mestre em Sistema Elétrico de Potência pela UFMG. Atualmente é Gestora de Inovação em Baterias e Armazenamento na CEMIG, onde também já atuou nos processos de Operação e Manutenção de Usinas, Planejamento da Expansão de Transmissão e Distribuição e Gestão de Qualidade, Saúde, Segurança e Meio Ambiente.

O cenário regulatório e de mercado para o armazenamento no Brasil: flexibilidade, custeio e segurança jurídica
O armazenamento de energia deixa de ser promessa
*Por Raphael Gomes e Isadora Filipo
Em um setor marcado por intensa produção normativa, disputas sobre alocação de custos, pressão tarifária e dificuldade crescente de compatibilizar expansão renovável, segurança operativa e modicidade, a agenda de armazenamento de energia trouxe uma rara boa notícia. A conclusão da Consulta Pública nº 39/2023, pela Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), a edição das Resoluções Normativas ANEEL nº 1.161/2026 e nº 1.162/2026 e a publicação da Portaria Normativa MME nº 136/2026 retiraram o armazenamento da condição de promessa tecnológica e o colocaram no centro da regulação setorial. 1
A boa notícia, contudo, não está apenas em admitir baterias, usinas reversíveis e outras tecnologias no âmbito do setor elétrico brasileiro. Está na possibilidade de o Brasil tratar de modo mais maduro um problema que já não é marginal: a energia elétrica deixou de ser apenas uma questão de capacidade instalada e passou a exigir coordenação no tempo – e em tempo real. Em sistemas com elevada participação de fontes renováveis, o momento em que a energia é produzida se tornou tão relevante quanto a quantidade produzida.
Esse é o ponto de partida. O armazenamento não é nova fonte no sentido clássico, nem simples carga, nem equipamento acessório de uma usina. É infraestrutura capaz de absorver potência, injetar energia, deslocar produção no tempo e prestar serviços ao sistema. Por isso, a pergunta relevante não é apenas se o Brasil terá projetos de armazenamento, mas se criará um mercado apto a remunerar os atributos entregues por esses projetos sem transferir novos passivos regulatórios para o futuro.
DA ENERGIA AOS ATRIBUTOS: POTÊNCIA, FLEXIBILIDADE E DESLOCAMENTO NO TEMPO
A matriz elétrica brasileira se transformou de forma acelerada. A expansão eólica e solar fotovoltaica, a redução relativa da capacidade de regularização dos reservatórios hidrelétricos e o aumento de restrições operativas criaram uma realidade em que o sistema precisa de energia, mas também de potência, flexibilidade, velocidade de resposta e capacidade de absorver excedentes em determinados momentos. A
1 BRASIL. Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL). Consulta Pública nº 39/2023, Processo nº 48500.904885/2020-63; Resolução Normativa ANEEL nº 1.161, de 2 de junho de 2026; Resolução Normativa ANEEL nº 1.162, de 2 de junho de 2026. BRASIL. Ministério de Minas e Energia (MME). Portaria Normativa MME nº 136, de 1º de junho de 2026.
2 OPERADOR NACIONAL DO SISTEMA ELÉTRICO (ONS). Plano da Operação Energética – PEN 2025. EMPRESA DE PESQUISA ENERGÉTICA (EPE). Nota Técnica EPE-DEE-076/2023-r0, Metodologia de Estimativa de Requisitos e Recursos de Flexibilidade no SIN, novembro de 2023.




discussão sobre adequabilidade do suprimento passou a incorporar expressamente atributos de capacidade e flexibilidade. 2
Essa mudança tem consequência jurídica direta. Tendo em vista que o sistema demanda atributos distintos, a regulação e os contratos não podem continuar remunerando todos os ativos da mesma forma. Um megawatt disponível em momento crítico, um megawatt-hora produzido em horário de excedente e um recurso capaz de variar rapidamente sua injeção não possuem o mesmo valor sistêmico. Os leilões de reserva de capacidade e a inserção da flexibilidade no debate setorial indicam esse deslocamento.3
Os sistemas de armazenamento se inserem nesse contexto porque sua principal contribuição não é gerar energia primária, mas alterar o tempo de uso da energia disponível. Essa característica permite reduzir o acionamento de recursos mais caros, facilitar a integração de renováveis e mitigar excedentes. Ainda assim, a tecnologia não substitui a (necessária) expansão da transmissão, não elimina a necessidade de sinais locacionais adequados e não resolve retrospectivamente o problema do ressarcimento por cortes de geração. Seu valor é elevado justamente quando inserida em desenho institucional coerente e completo.
O primeiro mérito da Lei nº 15.269/2025 foi reconhecer formalmente a atividade de armazenamento de energia elétrica e atribuir à ANEEL competência para regulá-la e fiscalizá-la. Esse reconhecimento afasta enquadramentos artificiais – como a proposta inicial de enquadramento por semelhança a ativos de geração – e permite que os sistemas de armazenamento sejam tratados conforme sua natureza multifuncional. 4
A partir dessa base legal, a ANEEL optou por uma solução em duas camadas. A Resolução Normativa nº 1.161/2026 estabelece requisitos e procedimentos para a outorga de autorização de sistemas explorados de forma autônoma. A Resolução Normativa nº 1.162/2026, por sua vez, promoveu alterações transversais em normas setoriais, alcançando acesso e uso da rede, comercialização, situação operacional, penalidades, serviços ancilares, resposta da demanda, sistemas colocalizados e usinas reversíveis. 5
A regulação passou a diferenciar, entre outros conceitos, o sistema autônomo, que absorve potência integralmente da rede para posterior injeção ou prestação de serviços, e o sistema colocalizado, instalado em área contígua a uma central geradora e capaz de absorver energia
3 BRASIL. Lei nº 10.848, de 15 de março de 2004, art. 3º, com redação dada pela Lei nº 15.269, de 24 de novembro de 2025. BRASIL. Decreto nº 10.707, de 28 de maio de 2021.
4 BRASIL. Lei nº 15.269, de 24 de novembro de 2025. Altera a legislação do setor elétrico, estabelece diretrizes para a atividade de armazenamento de energia elétrica e altera, entre outras, as Leis nº 9.074, de 7 de julho de 1995, nº 9.427, de 26 de dezembro de 1996, e nº 10.848, de 15 de março de 2004.
5 BRASIL. ANEEL. Resolução Normativa ANEEL nº 1.161, de 2 de junho de 2026, arts. 1º a 3º, 8º, 11 e 18. BRASIL. ANEEL. Resolução Normativa ANEEL nº 1.162, de 2 de junho de 2026, arts. 1º, 12, 14, 15, 17 e 18.

da própria usina ou da rede. A distinção importa porque cada modelo responde a incentivos diversos: o autônomo se aproxima de recurso sistêmico independente; o colocalizado pode otimizar a conexão existente, reduzir cortes, suavizar produção e ampliar a prestação de serviços. 6
Também merece atenção a autorização para empilhamento de receitas, pois os sistemas podem prestar múltiplos serviços ao sistema elétrico, incluindo flexibilidade operativa, potência, qualidade de energia, serviços ancilares e comercialização. Sem empilhamento, muitos projetos podem não se viabilizar economicamente, assim como muitos modelos de negócios podem não atingir escala. Por outro lado, com empilhamento de receitas mal disciplinado, surgem riscos de dupla remuneração e assimetria concorrencial. A abertura regulatória, portanto, precisa ser acompanhada de precisão operacional e previsibilidade de remuneração.
USO DA REDE E ENCARGOS: A DECISÃO QUE PODE EVITAR INVIABILIZAR AS BATERIAS
Um dos temas mais sensíveis da Consulta Pública nº 39/2023 foi a cobrança pelo uso da rede. A ANEEL decidiu que a utilização das redes de transmissão e distribuição pelos sistemas de armazenamento estará condicionada à celebração de contratos de uso, refletindo, como regra geral, a operação bidirecional do ativo, já que este demanda capacidade da rede tanto para carregar, quanto para descarregar na rede. Isto é, o contrato precisa capturar esses dois sentidos. 7
A decisão mais relevante do ponto de vista setorial – e que decorreu de intenso processo e busca da Agência pelo “caminho do meio” entre posições acaloradas – foi o tratamento dado aos sistemas autônomos que se submetam voluntariamente ao despacho integral pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico - ONS (ONS), tanto na carga quanto na injeção. Nesses casos, a demanda ou montante de uso associados ao consumo poderá ser definido como zero, permanecendo a contratação da parcela de injeção conforme a potência máxima de descarga. A lógica é adequada: se o ONS define integralmente quando o ativo carrega e descarrega, buscando o menor custo total da operação e a segurança do sistema, não faria sentido tarifá-lo como carga ordinária que decide livremente quando pressionará a rede. 8
Para sistemas não sujeitos ao despacho integral do ONS, a ANEEL preservou a regra geral de contratação e pagamento pelo uso da rede, justamente porque o agente mantém maior liberdade decisória sobre seus fluxos. A escolha regulatória foi a seguinte: quanto maior a subordinação ao despacho centralizado, maior a justificativa para racionalizar a cobrança pela parcela de consumo.
Nos sistemas colocalizados, a regulação admitiu que, em determinadas condições, a potência máxima de carga do armazenamento seja considerada para reduzir a demanda contratada de injeção da central geradora, observado limite de 30% da máxima
6 BRASIL. ANEEL. Resolução Normativa ANEEL nº 1.161, de 2 de junho de 2026, art. 3º, incisos I a IV.


potência injetável na configuração sem armazenamento. Para centrais com contrato de uso existente, a norma prevê tratamento específico para a primeira solicitação após a conexão do sistema colocalizado, sem aplicação de cobranças por encerramento contratual antecipado. Esse ponto pode ser decisivo para projetos híbridos, nos quais a conexão é um dos ativos econômicos mais relevantes. 9
A decisão sobre encargos seguiu racional semelhante. Como a energia absorvida pelo armazenamento, excetuadas as perdas inerentes ao processo, será posteriormente reinjetada ou utilizada para prestar serviços ao sistema, a ANEEL afastou a incidência, sobre os próprios armazenadores, de encargos associados a usuários finais ou a regimes clássicos de geração quando não houver base legal específica, deixando-os isentos de uma série de encargos relevantes (EER, ERCAP, ESS, PROINFA, CDE, TFSEE e P&D). Mais uma vez a escolha regulatória foi acertada, ao evitar que o armazenamento nascesse artificialmente onerado por cobranças incompatíveis com sua função sistêmica.
A Portaria Normativa MME nº 136/2026, que estabeleceu as diretrizes do primeiro leilão brasileiro destinado à contratação de armazenamento de energia em baterias, representa o primeiro teste concreto do novo arcabouço regulatório.
O leilão de reserva de capacidade voltado a sistemas de armazenamento em baterias foi estruturado para contratação de disponibilidade de potência, e não para venda ordinária de energia. O desenho prevê dois produtos: um associado a requisitos de conteúdo nacional, com certame previsto para 2 de dezembro de 2026, e outro aberto, previsto para 4 de dezembro de 2026, ambos com início de suprimento em 1º de agosto de 2028 e contratos de 15 anos. 10
Os parâmetros técnicos confirmam a natureza do produto. Os empreendimentos deverão ter potência mínima de 30 MW, entrega por quatro horas consecutivas por ciclo completo, até dois ciclos diários e 366 ciclos anuais, eficiência mínima de 85% no ponto de medição individual e recarga completa em até seis horas. Também deverão atender à totalidade dos despachos do ONS na programação diária e na operação em tempo real. 11
Essas condições procuram equilibrar duas necessidades. O operador precisa de recurso efetivo para momentos críticos, com duração suficiente e resposta rápida. Os investidores precisam precificar degradação, substituição de componentes, eficiência, penalidades, disponibilidade e risco de despacho. Baterias não são usinas convencionais: a forma de operação afeta diretamente a vida útil, custo de manutenção e desempenho. Por isso, a clareza sobre ciclos, recarga e penalidades não é detalhe técnico, é condição de financiabilidade.
A portaria também veda a arbitragem de energia pelo empreendedor contratado. A receita fixa deve remunerar todo e
7 BRASIL. ANEEL. Resolução Normativa ANEEL nº 1.162, de 2 de junho de 2026, especialmente as alterações promovidas na Resolução Normativa ANEEL nº 1.000, de 7 de dezembro de 2021, e nas Regras dos Serviços de Transmissão aprovadas pela Resolução Normativa ANEEL nº 905, de 8 de dezembro de 2020.
8 BRASIL. ANEEL. Resolução Normativa ANEEL nº 1.162, de 2 de junho de 2026, art. 12, que inseriu o art. 149-A e alterou o art. 294 da Resolução Normativa ANEEL nº 1.000, de 7 de dezembro de 2021. BRASIL. ANEEL. 11ª Reunião Pública Ordinária, realizada em 2 de junho de 2026.
9 BRASIL. ANEEL. Resolução Normativa ANEEL nº 1.162, de 2 de junho de 2026, art. 12, que alterou os arts. 149, §§ 4º a 6º, e 155, § 3º, da Resolução Normativa ANEEL nº 1.000, de 7 de dezembro de 2021.
10 BRASIL. MME. Portaria Normativa MME nº 136, de 1º de junho de 2026, art. 1º, §§ 2º e 3º, art. 3º, parágrafo único, e Anexo I.
11 BRASIL. MME. Portaria Normativa MME nº 136, de 1º de junho de 2026, art. 4º, §§ 2º a 7º. ONS; EPE. Nota Técnica de Requisitos Técnicos Mínimos para Conexão de Sistemas de Armazenamento de Energia via Baterias, quando aplicável ao edital.


qualquer uso que o ONS fizer dos sistemas, sem receitas adicionais fora do contrato. A energia será liquidada no mercado de curto prazo segundo as regras aplicáveis, com resultados destinados à Conta de Potência para Reserva de Capacidade, e o empreendedor assumirá riscos específicos relacionados a perdas e excedentes. 12
O desenho do leilão tem virtudes e gera algumas incertezas. A virtude é, antes de tudo, dar o primeiro passo e criar, desde o primeiro certame, produto sistêmico claro, comandado pelo operador e aderente à necessidade de potência. A incerteza é que o modelo não é capaz de constituir, por si só, um mercado amplo de armazenamento. Trata-se de contratação regulada, com receita fixa e vedação de receitas fora do contrato – o que impede o empreendedor de explorar a gama de serviços e possibilidades que as baterias poderiam ofertar ao sistema. Nesse sentido, é importante que o Poder Concedente e o regulador não se limitem a esse desenho nas próximas iniciativas, avançando em temas como: serviços ancilares, resposta da demanda, comercialização, agregação, ativos em distribuição e transmissão, sinais adequados de preço, valoração locacional e efetivo empilhamento de receitas.
CUSTEIO: O PROBLEMA JURÍDICO QUE NÃO PODE FICAR PARA DEPOIS
O entusiasmo com o leilão de baterias precisa conviver com uma preocupação jurídica central: quem pagará a conta, em que proporção e com qual base de cálculo. A Lei nº 15.269/2025 incluiu dispositivo na Lei nº 10.848/2004 prevendo que, no caso de contratação de sistemas de armazenamento em baterias, os custos serão rateados entre geradores de energia elétrica, conforme regulação da ANEEL. A mesma lei também criou regras voltadas a empreendimentos de geração que solicitarem acesso aos sistemas de transmissão e distribuição após a publicação do dispositivo e que, enquanto não atenderem determinados requisitos sistêmicos, deverão custear contratação de reserva de capacidade proporcionalmente à energia gerada. 13, 14
A existência de amparo legal para o leilão não elimina a complexidade do custeio. A expressão "geradores", isoladamente, não resolve perguntas essenciais. Todos os geradores do SIN? Apenas novos empreendimentos? Geradores que solicitaram acesso após determinado marco temporal? Em proporção à energia gerada, à potência instalada, ao uso da rede, ao benefício obtido ou à contribuição para a necessidade sistêmica que motivou a contratação? A resposta determinará o risco de judicialização, o risco de crédito e a percepção de estabilidade do produto contratado.
Há um ponto conceitual incontornável. Como o armazenamento contratado beneficia o sistema como um todo - reduzindo custos operativos, aumentando a segurança, mitigando excedentes e facilitando a integração de renováveis -, é necessário justificar por que o encargo recairá apenas sobre determinado grupo de agentes,


e qual o fundamento jurídico e econômico. A lei fez uma escolha, mas essa escolha precisa ser operacionalizada de forma proporcional, transparente e previsível.
Esse risco é ainda mais relevante porque os contratos terão prazo de 15 anos. O empreendedor vencedor não precisará demonstrar apenas que consegue construir a bateria, mas também que a receita contratada será efetivamente recebida ao longo de todo o período. Caso o encargo dependa de um grupo restrito de pagadores, caso haja controvérsia sobre a base de rateio ou se a arrecadação se tornar litigiosa, o problema atingirá o próprio produto de capacidade, a financiabilidade dos projetos e a credibilidade dos leilões futuros.
Por isso, edital, contratos e regulação não devem tratar o custeio como tema acessório. A disciplina precisa ser prévia, clara, proporcional e aderente à lei. O setor elétrico brasileiro já conhece os efeitos de encargos mal desenhados e passivos regulatórios transferidos ao longo do tempo. Repetir esse roteiro justamente na agenda de armazenamento seria desperdiçar uma janela importante de modernização.
LOCALIZAÇÃO, CURTAILMENT E A AGENDA DE IMPLEMENTAÇÃO
A agenda de armazenamento também deve ser lida em conjunto com o problema dos cortes de geração (curtailment) e das restrições operativas. As baterias podem reduzir, no futuro, situações em que energia renovável disponível é cortada por limitações de rede, excedentes sistêmicos ou descasamento entre produção e carga. Em vez de simplesmente desperdiçar geração, o armazenamento permite deslocar parte dessa energia para momento de maior utilidade. Esse potencial depende de localização. Um sistema instalado em ponto sem relevância sistêmica pode ter valor muito inferior a outro situado em área com restrição de escoamento, necessidade de suporte à rede ou alta concentração de renováveis variáveis. A Portaria Normativa MME nº 136/2026 reconhece essa dimensão ao prever bonificação locacional para determinados barramentos; a ANEEL, por sua vez, recomendou que o ONS divulgue anualmente os melhores pontos de conexão para orientar a instalação de armazenamento no SIN. 15
O sinal locacional é indispensável porque armazenamento não é apenas capacidade, é capacidade situada. Ao mesmo tempo, a tecnologia não deve justificar postergação indefinida de investimentos em transmissão ou substituir uma solução jurídica para cortes já ocorridos. Armazenamento pode reduzir a recorrência do problema, mas não substitui o dever de enfrentar suas causas estruturais.
A regulação aprovada em 2026 inaugurou a fase de implementação. Ainda dependem de aprofundamento os Procedimentos de Rede do ONS, as Regras e Procedimentos de Comercialização da CCEE, a modelagem do armazenamento nos programas computacionais, a atuação de agregadores, a integração à outorga de comercializadores, os sistemas associados a consumidores, o uso em distribuição e
12 BRASIL. MME. Portaria Normativa MME nº 136, de 1º de junho de 2026, art. 9º, especialmente §§ 5º a 9º e § 13.
13 BRASIL. Lei nº 10.848, de 15 de março de 2004, art. 3º-A, § 6º, incluído pela Lei nº 15.269, de 24 de novembro de 2025.
14 BRASIL. Lei nº 9.074, de 7 de julho de 1995, art. 8º-A, incluído pela Lei nº 15.269, de 24 de novembro de 2025.
15 16 BRASIL. ANEEL. Resolução Normativa ANEEL nº 1.162, de 2 de junho de 2026, arts. 17 e 18. BRASIL. ANEEL. Roadmap regulatório dos Sistemas de Armazenamento de Energia, discutido no âmbito da Consulta Pública nº 39/2023, Processo nº 48500.904885/2020-63.

transmissão, as usinas reversíveis de ciclo aberto ou semiaberto e eventuais sandboxes regulatórios. 16
A diferença entre uma boa regra e um bom mercado está na capacidade de transformar conceitos em fluxos operacionais, medição, liquidação, garantias, penalidades e sinais econômicos. A pressa para contratar, compreensível diante das necessidades sistêmicas, não pode dispensar maturidade mínima. O setor elétrico brasileiro tem histórico de resolver urgências por exceções que depois se tornam estruturas permanentes de custo. O armazenamento merece um percurso diferente.
O armazenamento de energia chegou ao setor elétrico brasileiro em momento oportuno. A matriz é renovável, a expansão é relevante, o sistema demanda flexibilidade e o debate sobre potência já está consolidado. A regulação da ANEEL e o leilão do MME podem inaugurar uma etapa importante de modernização, desde que o entusiasmo tecnológico venha acompanhado de solidez jurídica e desenho econômico consistente.
Barreto Eng_1-2Pág_2.pdf 1 07/07/26 20:16
O ponto central é reconhecer que o armazenamento não deve ser remunerado pela tecnologia em si, mas pelos atributos que entrega: potência, flexibilidade, tempo, confiabilidade, qualidade de energia e alívio de restrições. Essa mudança exige abandonar a lógica de que


todos os ativos elétricos entregam o mesmo produto. Exige também cuidado para que encargos, tarifas e riscos não inviabilizem a tecnologia antes de sua implantação em escala.
A agenda é promissora, mas não combina com improviso. A principal função do armazenamento é deslocar energia no tempo; a função da regulação deve ser evitar que a insegurança jurídica seja deslocada para o futuro. Se o setor elétrico pretende usar baterias e outras tecnologias para armazenar energia e reduzir desperdícios, precisa também aprender a armazenar melhor suas próprias boas ideias - antes que elas se percam na descarga rápida de disputas mal resolvidas.
*Raphael Gomes é sócio e Head da área de Energia do Lefosse Advogados. Atua há mais de 25 anos no setor elétrico brasileiro, com experiência em regulação, transações e contencioso estratégico, tendo ocupado, por quase 10 anos, o cargo de Gerente Jurídico-Regulatório na CCEE (Câmara de Comercialização de Energia Elétrica). É presidente do conselho do IBDE (Instituto Brasileiro de Direito da Energia).
*Isadora Filipo é associada da área de Energia do Lefosse Advogados. Atua há 7 anos como advogada especializada em energia elétrica. Possui amplo conhecimento na estruturação de projetos no setor elétrico e a certificação “Certificação de Operadores do Mercado do Setor Elétrico”, pela CCEE/FGV-Ceri.



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Conformidade das instalações elétricas
Curto-circuito, coordenação e seletividade

Instalações elétricas em E.A.S.


Manutenção em instalações elétricas de MT
P.D.A. e aterramento elétrico
Projeto de instalações elétricas BT
Projeto de instalações elétricas MT

Qualidade da energia elétrica www.barreto.eng.br






O mercado de instalações elétricas de baixa e média tensão vive um momento ímpar, com a atualização de normas importantes para o segmento, como, por exemplo, a NBR 5410 e NBR 14039. Sob a coordenação do eng. Luiz Carlos Catelani, faremos uma abordagem técnica dos principais pontos dessas revisões, com comentários e explicações voltados à aplicação prática em projetos e instalações. Catelani é graduado em Física e em Engenharia Elétrica pela Unicamp, possui ampla experiência em proteção de sistemas elétricos, subestações de alta tensão, linhas de transmissão e plantas industriais. É membro do COBEI/CB-03 e da IEC TC 64, com atuação direta em normalização e requisitos de segurança para instalações elétricas.

A discussão sobre o uso desse equipamento na nova revisão da NBR 5410 se refere ao alinhamento cada vez mais com as normas internacionais (IEC 60364) e a necessidade do mercado com inclusão de eletrificação, fontes alternativas de energia e veículos elétricos. A revisão traz destaque à correta especificação dos tipos de DR baseados na natureza da corrente de fuga que eles conseguem detectar e suas aplicações.
A escolha do DR correto deixou de ser "apenas colocar um dispositivo qualquer de 30 mA”. Com a proliferação de inversores de frequência, placas solares, carregadores de veículos elétricos e fontes chaveadas, o comportamento das correntes de fuga mudaram drasticamente.
Os Dispositivos Diferenciais Residuais (DR's) são classificados de três maneiras principais.
Esta é a classificação técnica do disparo interno da componente da corrente que circula. Ela determina o que o DR consegue "enxergar" antes de atuar de forma apropriada.
Tipo AC
Projetado para detectar exclusivamente correntes diferenciais residuais senoidais alternadas. Historicamente foi o modelo mais utilizado em instalações residenciais convencionais, porém apresenta limitações diante das cargas eletrônicas modernas.
Tipo A
Para corrente alternada e/ou pulsante com componentes contínua
• Fontes CA/CC;
• Eletrodomésticos modernos;
• Retificadores monofásicos.
Tipo F
Adequado para corrente alternada e/ou pulsante com componentes CC com detecção de correntes de alta frequência até 1 kHz).
Possui maior imunidade a componentes harmônicas e transitórias.
Tipo B
Desenhado para corrente alternada e/ou pulsante com componentes CC e corrente de falha no lado CC.
É recomendado para:
• Sistemas fotovoltaicos;
• Carregadores de veículos elétricos;
• Conversores de potência;
• Inversores trifásicos.
Além de imunidade a correntes harmônicas possui também imunidade a corrente contínua




Essa divisão define o formato comercial e a proteção conjunta que o dispositivo oferece no quadro elétrico:
IDR (Interruptor Diferencial Residual): É o dispositivo de seccionamento na corrente nominal. Ele só protege contra fuga de corrente (choques e perdas). Ele não protege os cabos contra curtocircuito ou sobrecarga. Exige um disjuntor termomagnético em série para protegê-lo.
DDR (Disjuntor Diferencial Residual): Ele combina as funções do disjuntor comum (termomagnético) e do DR no mesmo invólucro. Protege contra curtos circuitos, sobrecargas e fugas de corrente (choques).
Módulos DR: Blocos acopláveis que você adiciona lateralmente a disjuntores compatíveis de marcas específicas para transformá-los em um DDR.
Instantâneo (Uso geral): Desarma imediatamente ao sinal de fuga que atinja a corrente nominal de disparo (Idisparo > IΔn/2). É o usado nos circuitos terminais (tomadas, pontos de alimentação e chuveiros).
Seletivo (Tipo S): Possui um pequeno atraso intencional na atuação. É utilizado como DR Geral no topo da instalação, servindo para garantir a seletividade. Se houver um choque no banheiro, apenas o DR instantâneo daquele circuito desarma, evitando que a casa ou a empresa inteira fique às escuras.
A regra clássica de sensibilidade para a escolha da corrente de atuação:
• Alta Sensibilidade ( 30 mA): Obrigatório para proteção de pessoas contra contatos diretos (tomadas em áreas molhadas, áreas externas, banheiros, circuitos de lavanderia etc.).
• Baixa Sensibilidade ( 100 mA, 300 mA ou 500 mA): Usado para proteção


patrimonial (contra incêndios causados por falhas de isolamento) ou para coordenação de seletividade em quadros gerais.
O texto mantém a obrigatoriedade nos locais onde o risco de choque elétrico é potencializado pela umidade ou pelo contato direto:
• Locais com banheira ou chuveiro: Todos os circuitos que servem a esses ambientes.
• Cozinhas, copas-cozinhas, lavanderias, áreas de serviço e assemelhados: Circuitos que alimentam tomadas nesses locais.
• Locais internos que alimentam equipamentos na área externa: Circuitos de tomadas situadas em áreas internas, mas que sejam utilizadas para ligar equipamentos que ficam ou mudam para o lado de fora da edificação.
• Tomadas em áreas externas: Qualquer ponto de tomada instalado ao tempo (jardins, quintais, fachadas).
Novas áreas que passam a ser incorporadas à nova norma:
• Os circuitos que sirvam a pontos de utilização em locais de habitação.
A definição de locais de habitação compreendeas unidades residenciais como um todo e, no caso de hotéis, motéis, flats, aparthotéis, casas de repouso, condomínios, alojamentos e similares, as acomodações destinadas aos hóspedes, aos internos e a servir de moradia a trabalhadores do estabelecimento.
• Tomadas que sirvam equipamentos que, fora de serviço, podem causar danos sanitários.
A colocação de DR’s em pontos de tomadas que servem circuitos de refrigeração como geladeiras , freezer e outros equipamentos deve ser usado DR’s com imunidade a ruídos – tipo SI (Super Imunizados)
5 - REQUISITOS DE SENSIBILIDADE DOS DR'S FRENTE À PERTURBAÇÃO ELÉTRICA
Em certos casos, aspectos ambientais podem perturbar o funcionamento correto dos DR’s como o caso de atuação dos DPS (dispositivo proteção contra surtos) frente a descargas atmosféricas ou sobretensão transitória.
Toda instalação de baixa tensão possui uma corrente de fuga em regime normal para a terra, que pode ser causada por:
• Desequilíbrio da capacitância intrínseca entre os condutores energizados e a terra para circuitos trifásicos ou
• Capacitância entre os condutores energizados e a terra para circuitos monofásicos\


Na ausência de dados mais precisos, a corrente de fuga permanente em uma determinada instalação pode ser estimada a partir dos seguintes valores, medidos a 230 V 50 Hz (fonte: Schneider Electric Installation Manual):
• Linha monofásica ou trifásica: 1,5 mA /100 m
• Piso aquecido: 1 mA / kW
• Terminal de fax, impressora: 1 mA
• Microcomputador, estação de trabalho: 2 mA
• Copiadora: 1,5 mA
Componentes de alta frequência (harmônicos, transientes, surtos de tensão.) são gerados por fontes de alimentação de equipamentos de informática, conversores, motores com reguladores de velocidade, sistemas de iluminação LED, nas proximidades de dispositivos de comutação de alta potência e bancos de compensação de energia reativa.
Parte dessas correntes de alta frequência pode fluir para a terra através de capacitâncias parasitas inerentes a instalação.
Embora não sejam perigosas para o usuário, essas correntes ainda podem causar disparos indesejados dos dispositivos diferenciais.
Os DR’s do tipo SI possuem uma curva de resposta de frequência específica, projetada para evitar disparos indesejados quando correntes residuais de alta frequência não perigosas estão presentes.
Estes tipo de DR’s consegue evitar desligamentos por surtos de tensão, atuação dos DPS , correntes harmônicas, circuitos tiristorizados e transitórios na energização de circuitos.
A revisão da NBR 5410 evidencia a evolução das instalações elétricas e a necessidade de adequar os critérios de proteção diferencial residual às novas tecnologias.
A simples especificação de um DR de 30 mA deixa de ser suficiente para garantir segurança e confiabilidade.
O projetista deve considerar fatores como:
• Natureza da carga;
• Forma de onda da corrente residual;
• Presença de componentes contínuas;
• Níveis de imunidade requeridos;
• Critérios de seletividade;
• Correntes de fuga permanentes da instalação.
A correta seleção do dispositivo diferencial residual torna-se, portanto, uma atividade de engenharia especializada, diretamente relacionada à segurança das pessoas, à continuidade operacional e à conformidade normativa das instalações elétricas.





Em grande expansão no país, o mercado de data centers vem levantando debates sobre a coexistência de grandes oportunidades em contraste com desafios estruturais ligados à oferta, à confiabilidade e à eficiência da energia elétrica. Ao longo do ano, o tema será esmiuçado aqui, a partir da coordenação do Engenheiro Mecânico formado pela Universidade de Brasília (UnB), Alexandre Kontoyanis, que possui especialização em Gerenciamento de Projetos pela FGV e ampla experiência em operação, manutenção e confiabilidade de ambientes críticos de alta complexidade e disponibilidade. Atualmente, é Diretor de Educação da Associação Brasileira de Data Center- ABDC.

Avanços tecnológicos e normativos para a confiabilidade em infraestruturas de missão crítica
Por Daglas Ribeiro de Lima*

No cenário atual de transformação digital, os ambientes de missão crítica, como os Data Centers, tornaram-se a espinha dorsal da economia global. A continuidade operacional desses ativos não é apenas uma meta técnica, mas um imperativo estratégico. A evolução tecnológica recente trouxe a convergência IT/OT (Information Technology e Operational Technology), onde a infraestrutura elétrica deixa de ser um sistema isolado para se tornar uma rede de dados complexa e integrada.
Este movimento é acelerado pela ascensão da Inteligência Artificial (IA) e do High-Performance Computing (HPC), que alteraram drasticamente a densidade de carga nos racks. Se anteriormente lidávamos com densidades de `5 kW` a `10 kW` por rack, hoje enfrentamos projetos que superam os `50 kW` ou até `100 kW`. Esse aumento exponencial na densidade térmica e elétrica exige sistemas de proteção com maior granularidade, velocidade de resposta e capacidade analítica, visando mitigar riscos antes que eles se convertam em interrupções dispendiosas ou danos catastróficos aos ativos de TI.
2 - CARACTERÍSTICAS DO SISTEMA DE PROTEÇÃO ELÉTRICA INTELIGENTE
Um sistema de proteção moderno baseia-se na utilização de relés digitais de proteção (IEDs - Intelligent Electronic Devices) e sensores avançados que monitoram grandezas elétricas em tempo real. Diferente dos sistemas legados, esses dispositivos possuem alta capacidade de processamento, permitindo a análise de formas de onda e a detecção de anomalias sutis, ampliando significativamente a capacidade de diagnóstico.
Para viabilizar essa integração de forma robusta, a adoção do padrão IEC 61850 é mandatória. Mais do que um protocolo de comunicação, a norma define a interoperabilidade entre fabricantes distintos, permitindo o uso de mensagens GOOSE (Generic Object Oriented Substation Event). As mensagens GOOSE operam na camada 2 do modelo OSI, eliminando a necessidade de fiação física (hardwired) para intertravamentos e permitindo que os IEDs troquem informações de status e comandos de trip em tempos inferiores a `4 ms`. Em ambientes de missão crítica, isso traduz-se em esquemas de seletividade lógica e transferência de carga ultravelozes, garantindo que a falha seja isolada com o mínimo de estresse térmico e mecânico.
Complementarmente, a precisão do sistema depende da sincronização de tempo. Enquanto o protocolo NTP (Network Time Protocol) oferece precisão na casa dos milissegundos, suficiente para logs de eventos simples, a norma IEC 61850 recomenda o uso do PTP (Precision Time Protocol - IEEE 1588). O PTP garante sincronismo na ordem de microssegundos, o que é fundamental para a análise de Sincrofasores e para a correlação exata de eventos em diferentes pontos da subestação, permitindo uma visão holística do distúrbio elétrico.


A integração dos sistemas de proteção eleva o índice de disponibilidade (uptime) ao reduzir drasticamente o MTTR (Mean Time To Repair). O MTTR é composto pelo tempo de detecção, diagnóstico e reparo; a digitalização atua diretamente nos dois primeiros pilares. Com a utilização de registros de SOE (Sequence of Events) com resolução de até `1 ms`, os engenheiros de operação podem realizar uma Análise de Causa Raiz (RCA) precisa, identificando se a falha foi originada por um componente interno, por uma transigência da concessionária ou por uma falha de coordenação.
A localização de faltas torna-se cirúrgica, eliminando o método de tentativa e erro nas manobras de restabelecimento. Além disso, a seletividade lógica assegura que apenas a menor parcela possível da carga seja desligada em caso de evento. Em um Data Center Tier III ou IV, essa precisão é o que evita que uma falha em um PDU (Power Distribution Unit) cause um desligamento em cascata que atinja o barramento principal da UPS (Uninterruptible Power Supply).
Estudos indicam que a manutenção e a operação de sistemas elétricos podem corresponder a aproximadamente 35% do OPEX de um Data Center ao longo de seu ciclo de vida. Sistemas integrados permitem a transição da manutenção preventiva baseada em tempo para a manutenção preditiva baseada em condição. Ao monitorar o desgaste de contatos de disjuntores e a temperatura de barramentos via sensores wireless, as intervenções são realizadas apenas quando necessárias.
Outro ponto crucial é o monitoramento de harmônicas e do fator de potência (FP). A presença de harmônicas de corrente aumenta as perdas por efeito Joule nos condutores e nos transformadores. Ao mitigar a distorção harmônica total (THD) e manter o fator de potência próximo à unidade, reduz-se a corrente circulante desnecessária, o que diminui o estresse térmico nos equipamentos de manobra e refrigeração, otimizando o PUE (Power Usage Effectiveness) global da instalação.
5.1 Disjuntores Inteligentes e Comunicação Aberta
Os disjuntores de baixa e média tensão atuais atuam como verdadeiros sensores de rede. Equipados com unidades de disparo eletrônicas de última geração, eles realizam a medição de energia integrada com precisão de Classe 0.5S ou 1, eliminando a necessidade de medidores externos e transformadores de corrente (TCs) adicionais. A comunicação via protocolos abertos como Modbus TCP/IP e IEC 61850 permite que esses dados fluam nativamente para os sistemas de supervisão, facilitando o rateio de custos de energia por cliente (billing) e o monitoramento da saúde do ativo.




5.2 Proteção contra Arco Elétrico
A segurança ocupacional e a integridade física dos painéis são garantidas por sistemas de detecção de arco ultravelozes, fundamentados tecnicamente pela norma IEEE 1584. A inovação reside na coordenação entre proteção óptica e sobrecorrente. Para evitar disparos indevidos causados por flashes de câmeras ou luz solar, o sistema utiliza uma lógica "E" (AND gate): o trip só é enviado se o sensor óptico detectar o brilho intenso do arco simultaneamente a um aumento súbito de corrente detectado pelo relé. Essa coordenação ocorre em menos de `50 ms`, tempo insuficiente para que a energia incidente cause danos estruturais ao cubículo.
5.3 Integração BMS e DCIM via Telemetria
A convergência entre o BMS (Building Management System) e o DCIM (Data Center Infrastructure Management) permite uma visão holística. A telemetria elétrica detalhada alimenta algoritmos de eficiência energética que ajustam, em tempo real, o setpoint do sistema de climatização (chillers e CRAHs) com base na carga térmica real dissipada pelos servidores. Essa integração transforma dados elétricos brutos em inteligência operacional, permitindo o planejamento de capacidade (capacity planning) baseado em dados reais e não em estimativas de placa.
7 - BENEFÍCIOS DA PROTEÇÃO INTEGRADA
Os principais benefícios observados na adoção de arquiteturas integradas incluem:
• Redução de Riscos: Mitigação de falhas em cascata e proteção contra
erros humanos através de intertravamentos lógicos via GOOSE.
• Conformidade Normativa: Alinhamento com padrões internacionais como IEC 61850, IEEE 1584 e NR-10.
• Agilidade na Tomada de Decisão: Dashboards com dados estruturados e SOE que permitem respostas rápidas a eventos críticos.
• Sustentabilidade e Vida Útil: Melhor aproveitamento da energia, redução de perdas térmicas e extensão da vida útil dos ativos por menor estresse elétrico.
8 - CONCLUSÃO
A implementação de sistemas integrados de proteção elétrica não é mais uma opção, mas uma necessidade para garantir a resiliência exigida pelo mercado de missão crítica. A visão deve transcender a instalação inicial, focando na governança de ativos e no ciclo de vida completo da infraestrutura. É fundamental que o projeto seja acompanhado de um rigoroso processo de comissionamento (Cx) e que as equipes de operação recebam treinamento contínuo para interpretar a vasta gama de dados disponíveis. Somente a união entre hardware de ponta, protocolos normatizados e uma gestão focada na melhoria contínua pode assegurar a confiabilidade total que o setor elétrico e a economia digital demandam.
Daglas Ribeiro de Lima é Engenheiro Eletricista, especialista em Controle e Automação e pós-graduado em Missão Crítica. Atua como Gestor de Missão Crítica em Data Centers, acumulando mais de 10 anos de experiência em operação e gestão de infraestruturas críticas, sistemas de automação, manutenção de ambientes de alta disponibilidade e liderança de equipes técnicas.





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A inteligência artificial inaugurou uma nova fase para o setor elétrico, redefinindo padrões de eficiência, segurança e operação dos sistemas. Coordenado por Leo Almeida, Head of Sales, Energy & Industries do Google, este fascículo analisa como a IA vem sendo aplicada na geração, transmissão e distribuição de energia, além de discutir os novos paradigmas tecnológicos, regulatórios e operacionais que emergem com essa transformação.

O setor elétrico brasileiro atravessa uma profunda transformação estrutural, tecnológica e regulatória, impulsionada pelas mudanças climáticas, pela expansão das fontes renováveis e pelo novo comportamento do consumidor diante da desregulamentação do mercado. Historicamente focado na engenharia de grande porte e em um modelo centrado no ativo (asset-centric), o setor tratava o usuário final como um "consumidor cativo" e passivo. A energia era vista como uma commodity homogênea, sem relevância na jornada do cliente até que ocorresse uma interrupção no fornecimento. Com o avanço do Ambiente de Contratação Livre (ACL), o consumidor assume um papel central e soberano. Este artigo analisa como a centralidade no cliente (CX) deixou de ser mero marketing institucional para se tornar a principal estratégia de sobrevivência no setor elétrico nacional.
O LEGADO MONOPOLISTA E A ILUSÃO DA CONFORMIDADE REGULATÓRIA
Tradicionalmente, o sucesso no relacionamento com o cliente no Brasil era medido pelo Índice ANEEL de Satisfação do Consumidor (IASC), utilizado pelas concessionárias muito mais como uma métrica de conformidade regulatória do que como um diferencial competitivo real.
As distribuidoras concentravam seus esforços em manter os indicadores sistêmicos de continuidade (DEC e FEC) dentro dos limites contratuais. Sem poder de escolha, o cliente assimilava a conta de energia como um tributo obrigatório e não como um serviço baseado em valor.
Essa abordagem gerou uma cultura organizacional reativa e sistemas de TI fragmentados em silos isolados. Diante de falhas na rede, o atendimento ao usuário tornou-se burocrático, evidenciando como a conformidade regulatória camuflava a falta de incentivos para inovar na jornada humana.
A publicação de marcos regulatórios disruptivos, como a Portaria nº 50/2022 do Ministério de Minas e Energia, estendeu o direito de livre escolha de fornecedor a todos os consumidores conectados em alta e média tensão (Grupo A), inaugurando a era da hipercompetição.
O mercado potencial agora abrange milhares de pequenas e médias empresas. O preço deixa de ser o único fator decisivo, e a simplicidade no processo de migração, a transparência na demonstração dos ganhos e os contratos customizados passam a ditar as novas armas de conquista do cliente.
Para ilustrar de forma clara a magnitude dessa transição estrutural entre o modelo herdado e o ecossistema que emerge com a desregulamentação total, detalhamos a matriz de fricção operacional a seguir:
Dimensão Estratégica
Orientação Organizacional
Métricas de Sucesso de CX
Estrutura de Contratação
Natureza da Informação
Estratégia de Retenção

Modelo Legado (Mercado Cativo)
Centrada no Ativo (Asset-Centric) e na Infraestrutura
IASC ANEEL, limites regulatórios de DEC e FEC
Tarifas fixas e compulsórias por área geográfica
Assimétrica, fechada e faturada mensalmente por estimativa
Inexistente
(barreira de saída legal e absoluta)
No mercado livre varejista, controlar a taxa de cancelamento (churn rate) é vital devido ao alto custo de aquisição de clientes (CAC). A sobrevivência das comercializadoras exige uma mudança de paradigma: migrar da engenharia pura para o fornecimento de inteligência de dados e eficiência.
A rápida expansão da geração distribuída fotovoltaica, dos sistemas de armazenamento por baterias e dos veículos elétricos gerou um fluxo bidirecional, descentralizando a física do sistema elétrico tradicional e transformando as redes por meio de recursos distribuídos.
Surge o "Prosumidor", um agente que gera e consome energia sob uma lógica marcadamente financeira e sustentável. Ele gerencia sua infraestrutura como um ativo estratégico de otimização de portfólio, monitorando curvas de carga com rigor analítico contínuo.
O setor elétrico brasileiro, e as comunidades enfrentam os efeitos colaterais das mudanças climáticas por meio de eventos extremos recorrentes. No setor, as tempestades e ondas de calor exigem mais resiliência das redes e tornam as falhas de atendimento intoleráveis.
A volatilidade das bandeiras tarifárias e o risco climático exigem das concessionárias transparência radical e previsibilidade. A experiência do cliente em momentos de crise deixa de ser um indicador secundário e passa a ser o elemento central que define a reputação de uma marca.
Na era digital, os dados de consumo possuem um valor econômico e operacional equivalente ao da própria energia física. O conceito de Open Energy, impulsionado pela Consulta Pública nº 07/2025 da ANEEL, consagra a soberania do cliente sobre seu perfil de carga histórica.


Modelo Emergente (Varejo ACL)
Centrada no Cliente (Customer-Centric) e no Serviço
Net Promoter Score (NPS), Churn Rate, Customer Lifetime Value
Portfólios dinâmicos, contratos customizados, indexação flexível
Transparente, em tempo real via telemetria IoT e APIs abertas
Modelagem preditiva de churn com inteligência artificial


No modelo tradicional, a distribuidora local atuava como guardiã exclusiva das informações, utilizando essa assimetria técnica como uma barreira de entrada que sufocava a concorrência e impedia que comercializadoras desenhassem propostas comerciais aderentes.
Com a implementação regulatória do Open Energy, essa barreira é eliminada pela padronização de APIs seguras e abertas. O consumidor poderá autorizar o compartilhamento imediato de sua telemetria, reduzindo drasticamente os custos de transação no setor elétrico.
O acesso instantâneo aos dados de alta granularidade permite que algoritmos criem propostas personalizadas e otimizadas em segundos, espelhando movimentos globais de sucesso como o Consumer Data Right (CDR) estruturado na Austrália para forçar a eficiência das concessionárias.
ENGENHARIA DE SOFTWARE AGÊNTICA E ARQUITETURAS DE PRÓXIMA GERAÇÃO
A gestão eficiente desse volume massivo de dados em tempo real requer a modernização das arquiteturas de CRM, Atendimento e ERP's, e a eliminação de sistemas legados monolíticos, alinhando a infraestrutura de TI às diretrizes de usabilidade voltadas para Operações e Manutenção (O&M).
A aplicação de técnicas de Process Mining permite realizar auditorias contínuas nos fluxos de trabalho, identificando gargalos ocultos que oneram o PMSO e corrigindo falhas crônicas de sincronização entre a validação comercial e o atendimento técnico de campo.
A Engenharia de Software Agêntica supera os chatbots tradicionais ao introduzir Agentes Autônomos de IA, e esses agentes operam com raciocínio lógico e planejamento multicritério, sendo capazes de executar chamadas de API diretamente no ambiente computacional da empresa.
Pense que, orquestrados em infraestruturas escaláveis na nuvem, os sistemas agênticos monitoram fluxos complexos de eventos em tempo real, agindo preditivamente para blindar a operação do cliente corporativo contra falhas e oscilações indesejadas.
Essa automação transforma a percepção de valor por parte do cliente. A distribuidora de energia deixa de ser uma mera remetente de faturas e assume o papel de consultora analítica e tecnológica em tempo real, co-gerenciando a eficiência energética e protegendo suas margens.
Para balizar essa transformação no Brasil, as lideranças devem analisar casos de sucesso práticos que redefiniram as fronteiras de excelência em CX. O maior referencial de disrupção global contemporâneo é a companhia britânica Octopus Energy.
A Octopus estruturou seu crescimento exponencial no


desenvolvimento de uma plataforma tecnológica proprietária chamada Kraken. Baseada em um modelo de dados unificado, ela centraliza toda a jornada do cliente e automatiza o balanceamento dinâmico de carga via IA avançada.
PLATAFORMA AGREGADORA DE RESPOSTA DA DEMANDA DA AXIA ENERGIA
No cenário nacional de inovação, a AXIA Energia, em parceria com o Google Cloud, desenvolveu a plataforma digital "Agregadora de Resposta da Demanda". Essa solução permite que empresas atuantes no Mercado Livre de Energia ofereçam, de forma voluntária, seu excedente energético ao Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) nos horários de pico de consumo nacional (geralmente entre 18h e 22h), gerando receita adicional para o cliente e evitando o acionamento de usinas térmicas mais caras e poluentes.
O principal diferencial estratégico da plataforma está na democratização do acesso ao mecanismo de Resposta da Demanda (RD) instituído pela ANEEL. Enquanto o modelo regulatório padrão exige uma oferta mínima de 5 MW, limitando o programa a grandes consumidores, a ferramenta da AXIA funciona como um pool que consolida propostas menores a partir de 1 MW, permitindo que pequenas e médias empresas participem ativamente dos leilões do ONS.
PROJETO EQUATORIAL 360 E A RESILIÊNCIA NO VAREJO
Como modelo de alto impacto para operações de utilities de varejo, a Equatorial implementou o ecossistema Customer 360 utilizando a tecnologia em nuvem e Inteligência Artificial. Focado na comunicação de interrupções e na integração omnicanal, o sistema unifica dados de telemetria e canais digitais (como o WhatsApp). Isso permite o disparo automático de alertas em tempo real sobre o status do sistema e os tempos de restabelecimento do fornecimento durante crises climáticas, fortalecendo a confiança do consumidor.
Essa evolução converge com a visão de Maurício Veloso, diretor de Clientes, Inovação e Serviços do grupo Equatorial, sobre os impactos da abertura do mercado livre para a baixa tensão. Neste ano, em entrevista a veículos de comunicação, o executivo destaca que a vinda de aproximadamente 14 milhões de novos consumidores exigirá uma transformação profunda, tornando o processo de contratação significativamente mais digital do que é hoje para garantir a viabilidade operacional desse novo cenário.
HUB DE DADOS DA COMERC ENERGIA E INTELIGÊNCIA B2B
No Ambiente de Contratação Livre (ACL), a Comerc Energia

consolidou-se como o benchmark de inovação tecnológica centrada no cliente, e atuando como parceira estratégica de grandes clientes industriais. O diferencial competitivo da empresa baseia-se em seu Hub de Dados proprietário, integrado às plataformas de telemetria. Por meio da infraestrutura da Comerc é possível capturar dados de consumo e estabilidade da rede em tempo real. Esses dados são processados e entregues via aplicativo, capacitando os clientes corporativos a:
- Auditar faturas de energia em tempo real: Correlacionando instantaneamente os dados de consumo com as tarifas contratuais do mercado livre, o que evita discrepâncias de faturamento retroativo e permite uma auditoria orçamentária precisa.
- Otimizar encargos de demanda de pico: Emitindo alertas automáticos aos gerentes de fábricas quando o consumo em tempo real se aproxima dos limites da demanda contratada, prevenindo pesadas penalidades financeiras das distribuidoras locais.
O MANIFESTO DA LIDERANÇA ENERGÉTICA EMERGENTE
O veredito do mercado e da regulação é claro: o modelo mental centrado no ativo e focado na figura do consumidor cativo


e passivo acabou. Ergue-se uma nova ordem econômica moldada por prosumidores e clientes livres empoderados pela portabilidade universal de dados do Open Energy.
Na Teoria U de Otto Scharmer, os executivos do setor elétrico devem desapegar-se das certezas confortáveis oferecidas outrora pelas tarifas reguladas e monopólios protegidos, aprendendo a liderar a partir do futuro estrutural que emerge.
A única barreira de defesa competitiva sustentável é o verdadeiro conhecimento das corporações modernas que residem na inteligência em rede, caracterizada pela agilidade preditiva da IA agêntica e pela percepção diária de valor personalizado gerado na ponta final do consumo.
Com o suporte integrado de nuvem, IoT e aprendizado de máquina para prever comportamentos e mitigar falhas, oferecer uma experiência ruim ao cliente deixa de ser uma limitação técnica inerente à infraestrutura e passa a representar uma clara falha de gestão executiva.
A revolução da inteligência de dados no setor de utilidades públicas brasileiro já começou. O troféu da vitória pertencerá às companhias que incorporarem em sua cultura a premissa de que a informação fluirá de forma mais veloz e possuirá maior valor econômico.


REQUISITOS PARA INSTALAÇÕES EM LOCAIS ESPECIAIS - MOBILIÁRIOS
Publicada em 21/06/2023, com vigência estabelecida a partir de 21/06/2025, a norma ABNT NBR 17079 apresenta requisitos complementares à ABNT NBR 5410 para as instalações elétricas dos circuitos que alimentam mobiliários e para as instalações dos componentes elétricos que fazem parte dos mobiliários, como luminárias, tomadas de corrente, dispositivos de seccionamento e linhas elétricas (condutos, condutores e seus acessórios).
Seus requisitos são aplicáveis aos componentes elétricos do mobiliário cuja tensão nominal fase-neutro (Uo) não seja superior a 220 V (em corrente alternada) e a corrente de carga total não seja superior a 32 A. Por outro lado, seus requisitos não são aplicáveis aos equipamentos elétricos de uso em mobiliário que sejam cobertos por outras normas da ABNT, como rádio, televisor, refrigerador, mesa de laboratório, instalados no mobiliário e pronto para ser conectado às instalações elétricas da edificação por meio de plugue e tomada de corrente.
Para efeitos desta norma, mobiliário é definido como elementos móveis ou imóveis, como mesas, cadeiras, bancadas de trabalho, expositores de lojas, armários, estantes, sofás, poltronas, camas, etc., que são utilizados para as atividades associadas ao trabalho ou ao lazer.
Ao que nos parece, embora tenha ocorrido comunicação às associações do setor, os fabricantes de mobiliários desconhecem essa norma. Portanto, urge divulgá-la ao máximo para evitar retrabalhos

pós entrega e montagem de mobiliários que contenham instalação elétrica, tais como aqueles encontrados em ambientes corporativos e comerciais.
A norma prevê que as partes metálicas de mobiliários que contenham instalação elétrica sejam fornecidas, pelo fabricante, com ponto de conexão para condutor de equipotencialização. Caso haja mais de uma parte condutiva no mobiliário, seu fabricante deve garantir que elas estejam interligadas e que exista pelo menos um ponto para a ligação equipotencial.
Caso não seja utilizado dispositivo DR com IΔn ≤ 30 mA nos circuitos que alimentam o mobiliário, o projeto deve conter informação quanto à medida de proteção contra choques adotada, com base na ABNT NBR 5410.
A norma não admite a utilização de cabo “do tipo PP”, nem de outros tipos de cordões, como instalação elétrica do mobiliário. Nem mesmo para sua ligação à tomada de corrente da instalação elétrica fixa. Caso o condutor a ser utilizado no mobiliário seja do tipo isolado (dotado apenas de isolação – sem cobertura) ele

deverá ser instalado no interior de elemento de proteção mecânica, como eletroduto, canaleta, etc. Caixas ou quaisquer compartimentos destinados à instalação de dispositivos elétricos (por exemplo, tomadas de corrente e tomadas USB) devem estar de acordo com a norma ABNT NBR 60670-1.
Esta é apenas uma pequena amostra dos requisitos constantes da norma ABNT NBR 17079. Consulte a própria norma para mais informações.


Transformar o setor energético com excelência e inovação. Garantindo a qualidade da distribuição da energia com segurança e sustentabilidade para todos os mercados.
Macorin Energia, qualidade que impulsiona o futuro.
No atual debate sobre a segurança das instalações elétricas, já não basta avaliar a geração distribuída FV apenas pela ótica da eficiência energética. Em edificações residenciais e comerciais, a presença de um sistema fotovoltaico (SFV) reconfigura o risco de incêndio e adiciona precauções mais abrangentes na fase de projeto, onde a proteção da vida pela prevenção de acidentes passa a ocupar maior importância.
A publicação da ABNT NBR 17193:2025 chamou a atenção dos projetistas para o fato de que nas edificações com SFV incorporados, os módulos FV, cabos e conexões do lado c.c. permanecem energizados sob a incidência de luz solar, mantendo um risco residual de choque elétrico mesmo após o desligamento da alimentação elétrica na entrada da edificação.
Entre todas as prescrições trazidas pela Norma, a que representa um dos maiores avanços foi a exigência da Função de Desligamento Rápido (FDR). Ela chama a atenção dos projetistas para o fato de que o simples seccionamento da alimentação em c.a. na entrada da instalação - como usualmente executado em casos de incêndio ou manutenção - não afasta o perigo do choque elétrico para aquelas equipes em uma edificação com SFV. Podemos ler em 7.1:
7.1 Os circuitos do SFV instalados em edificações devem incluir uma função de desligamento rápido (FDR) para reduzir o risco de choque elétrico, pois no caso de um incêndio ou na ocasião da instalação ou manutenção, quando os módulos fotovoltaicos estejam sob condição de iluminação solar, estes continuam a gerar eletricidade, o que representa um risco para equipes de bombeiros e para equipes de instalação ou manutenção que possam estar trabalhando no local.
Na prática, a Norma provoca uma mudança na forma de conceber um projeto quando um SFV é aplicado (BAPV) ou integrado (BIPV) à edificação. A Função de Desligamento Rápido passa a integrar as prescrições técnicas relacionadas à segurança daquelas instalações, o que vai envolver novos conceitos em arquitetura, projeto elétrico, concepção e estratégia de seccionamento e nas instruções para operação e emergências. Deste modo, o tema que era “boas práticas” recomendáveis passa a ingressar as exigências técnicas para a proteção das pessoas.
Mas, onde e como aplicar a FDR para garantir essa proteção? Consultando 7.3 temos:
7.3 Os seguintes circuitos devem ter a tensão controlada pelo sistema de desligamento rápido:

1) circuitos c.c. do SFV;
2) circuitos de saída c.a. de inversores localizados dentro do limite do arranjo. Os circuitos c.a. de inversores fotovoltaicos devem ser desenergizados após a inicialização do desligamento, incluindo os circuitos de alimentação de cargas de backup.
Vemos aqui dois importantes conceitos: limite do arranjo FV e tensão controlada. O limite do arranjo (definido em 7.4) engloba a área onde os módulos FV estão instalados e um espaço adicional de 300 mm em volta dos módulos FV conforme a figura 1.

A Norma então prescreve dois níveis de tensão controlada quando a FDR é acionada; uma fora do arranjo FV e outra dentro do arranjo FV. Encontramos em 7.4a e 7.4b:
7.4 a) Os circuitos controlados localizados fora do limite do arranjo (grifo nosso) devem ser limitados à classificação de tensão decisiva tipo A (DVC-A) em até 30 s após a inicialização do desligamento rápido, conforme a Tabela 1. A tensão deve ser medida entre dois condutores quaisquer e entre qualquer condutor e a terra. 7.4 b) Os circuitos controlados localizados dentro do limite do arranjo (grifo nosso) devem ser limitados a não mais de 120 V c.c., conforme a ABNT NBR 5410:2004, Anexo A, Faixa I, em até 30 s após a inicialização do desligamento rápido. A tensão deve ser medida entre polo e terra e entre polos.

Concluímos então que os circuitos controlados fora do arranjo, devem ser limitados, considerando-se ambiente úmido (Tabela 1, a 35 V. Por outro lado, os circuitos controlados dentro do arranjo têm sua tensão limitada a 120 V.
Finalizando nosso comentário nesta edição, destacamos que em 7.4.1 são permitidos dois tipos de atuação da “FDR”:
7.4.1 O sistema de desligamento rápido deve operar por meio
de uma única manobra em qualquer uma das seguintes formas de inicialização disponíveis [...]:
a) atuação manual por interruptor de emergência prontamente acessível, denominado de “chave de desligamento rápido”;
b) atuação automática quando for realizado o desligamento do circuito de c.a. geral da edificação.
Nos encontramos na próxima edição da OSE!
Aguinaldo Bizzo
O “novo texto” da Norma Regulamentadora nº 10 (NR-10)Segurança em instalações elétricas e serviços em eletricidade, publicado no Diário Oficial da União pela Portaria MTE Nº 737, DE 29 DE MAIO DE 2026, conforme previsto, traz alterações significativas no processo de Gestão de Perigos e Riscos Elétricos.
Abrange inúmeros processos como PGR- Programa de Gerenciamento de Riscos da NR1, projetos, instalações elétricas, EPI, autorização, documentação, procedimentos, processo de autorização, capacitação, treinamentos etc., onde inúmeros questionamentos estão sendo feitos nas diversas áreas de atuação. Os temas ‘treinamento e capacitação’ têm gerado discussões e interpretações diversas, inclusive, equivocadas, e, dessa forma, alguns esclarecimentos são oportunos:
No texto vigente, os temas autorização, capacitação e treinamentos são tratados de forma integrada no capítulo 10.11 - Autorização, Habilitação, Qualificação e Capacitação, e, no “novo texto” da NR10, esses temas foram separados em capítulos específicos sendo:
10.8 - Qualificação, habilitação e capacitação dos trabalhadores; 10.9 - Treinamento de segurança e saúde no trabalho; 10.10 - Autorização dos trabalhadores.
O tema “capacitação” se refere a preparar e\ou ensinar o profissional a realizar suas atividades, desenvolvendo novas habilidades e conhecimentos, sendo que, no novo texto, esse profissional é tratado como “trabalhador-capacitado”, que diferente do Profissional Qualificado, não possui formação técnica específica na área elétrica, e, dessa forma, necessita de “capacitação operacional

‘específica’, conforme definido no novo texto, no item 10.8.4.
A organização deve incluir os seguintes módulos na capacitação do trabalhador - capacitado, conforme alínea "a" do item 10.8.3 desta NR: a) Módulo "Fundamentos de eletricidade básica", com carga horária mínima de 40 horas; b) Módulo "Qualidade, saúde, meio ambiente nos serviços em eletricidade", com carga horária mínima de 16 horas; c) Módulo "Fundamentos de SEP - geração, transmissão e distribuição", com carga horária mínima de 40 horas; d) Módulo "Sistema elétrico de consumo", com carga horária mínima de 24 horas; e) Módulo "Compartilhamento de infraestruturas do sistema elétrico de potência".
O treinamento deve ter carga horário mínima de 24h, onde os referidos módulos devem compor o Programa de Capacitação conforme atividade, ou seja, profissionais que trabalham no Sistema Elétrico de Potência (SEP), Sistema Elétrico de Consumo (SEC) e serviços em proximidade de instalações elétricas com o compartilhamento de infraestruturas do SEP.
Além dessa ‘capacitação operacional’, o profissional caracterizado como ‘trabalhador – capacitado’, para ser autorizado formalmente, conforme prescrições estabelecidas na NR10, deverá participar dos Treinamentos de Segurança e Saúde no Trabalho, descritos no item 10.9 da nova NR10 (que em gênero também se trata de “capacitação”, entretanto, específica para o tema Segurança do Trabalho).
Ressalta-se, novamente, que a condição no novo texto da NR-10 definida para o trabalhador, já existe no texto vigente, salvo requisitos específicos, especialmente no que se refere aos Programas de Capacitação com conteúdos e carga horária customizados, sendo que no texto atual, essa ‘capacitação operacional’ fica a critério da organização.
*Paulo Edmundo da Fonseca Freire é engenheiro eletricista e Mestre em Sistemas de Potência (PUCRJ). Doutor em Geociências (Unicamp), membro do Cigre e do Cobei e sócio na Paiol Engenharia.
Aresistividade elétrica do solo apresenta, em geral, uma distribuição log-normal, o que significa que os logaritmos das resistividades seguem uma distribuição normal (ou Gaussiana), simétrica em torno da média, característica da chamada “curva do sino”. Esse comportamento não é exclusivo da resistividade, pois diversos outros parâmetros físicos do solo, como densidade, porosidade e permeabilidade, também costumam apresentar distribuição log-normal. Essa característica estatística tem impacto direto na forma como se deve proceder à modelagem geoelétrica.
O processo de obtenção de um modelo geoelétrico envolve a determinação de uma curva média de resistividades aparentes, a partir das medições de campo, que será posteriormente invertida para gerar o modelo unidimensional (1D), composto por camadas horizontais paralelas de resistividade e espessura definidas. Alguns programas de processamento aceitam uma nuvem de pontos e possuem algoritmos que calculam automaticamente a curva média, enquanto outros exigem que o usuário forneça manualmente essa curva. Em qualquer dos casos, a média deve ser calculada no espaço logarítmico, ou seja, considerando os logaritmos das resistividades aparentes para cada espaçamento entre os eletrodos. Esse procedimento é equivalente ao cálculo da média geométrica das resistividades aparentes, o que garante consistência

Esse aspecto foi uma das principais correções introduzidas na revisão de 2020 da norma NBR-7117 – Medição de Resistividades do Solo e Modelagem Geoelétrica. A versão anterior da norma recomendava, de forma inadequada, o uso da média aritmética no cálculo da curva média de resistividades aparentes, além de propor o uso do desvio padrão dos valores lineares de resistividade para identificar dados não representativos. Entretanto, o desvio padrão é uma medida estatística válida apenas para distribuições normais e não é apropriado para distribuições log-normais. Na versão revisada de 2020, a norma passou a admitir corretamente o cálculo tanto da média quanto dos desvios-padrão a partir dos logaritmos das resistividades aparentes, garantindo maior coerência estatística e precisão na representação dos parâmetros elétricos do solo. Frequentemente, observa-se certa confusão entre as médias aritmética e geométrica, especialmente quando a norma menciona o cálculo da média aritmética dos logaritmos das resistividades aparentes. Matematicamente, o cálculo da média geométrica das resistividades aparentes equivale ao da média aritmética dos logaritmos dessas resistividades, seguido do cálculo do antilogaritmo do resultado. A média geométrica representa adequadamente a tendência central dos dados, enquanto a média aritmética tende a ser influenciada pelos valores mais elevados, o que pode introduzir vieses, especialmente quando o




logarítmica. Portanto, quando a norma menciona a média aritmética dos logaritmos, está apenas descrevendo uma forma alternativa de calcular a média geométrica.
Um segundo aspecto polêmico diz respeito ao procedimento de exclusão dos chamados outliers. A norma pressupõe que os logaritmos das resistividades aparentes pertençam a uma única população estatística aproximadamente gaussiana. Nessa condição, a eliminação dos valores situados além de ±2 desvios-padrão é um procedimento estatístico clássico, capaz de remover observações anômalas sem comprometer a representatividade da amostra.
Uma leitura atenta do item 6.1.2 da norma mostra que ela propõe, como alternativa ao processo convencional de filtragem de outliers, o cálculo dos logaritmos de todos os valores de resistividade aparente para cada espaçamento investigado. Em seguida, calcula-se a média aritmética e o desvio padrão desse conjunto de valores transformados. Após a eliminação dos pontos situados fora da faixa de ±2 desvios-padrão, recalcula-se a média dos valores remanescentes e, finalmente, aplica-se o antilogaritmo ao resultado obtido. Porém, se a aplicação desse critério resulta na eliminação de uma parcela significativa dos dados — por exemplo, mais de 30% dos valores —, isso indica que a premissa básica do método pode não estar sendo atendida.
Nessas situações, a elevada dispersão dos resultados dificilmente pode ser atribuída apenas à presença de alguns valores discrepantes. É mais provável que existam múltiplas populações geoelétricas sendo






unidades geológicas, variações laterais significativas de resistividade ou ainda a ocorrência de desvios estáticos. Em levantamentos geoelétricos, especialmente os realizados para projetos de aterramento, sejam de subestações ou de linhas de transmissão, a heterogeneidade lateral do terreno é frequentemente a regra, e não a exceção. Assim, forçar os dados a se ajustarem a uma única distribuição estatística pode levar à eliminação de informações geologicamente relevantes.
Nesse contexto, chama a atenção o fato de que a própria NBR 7117, antes de apresentar o procedimento estatístico da nota, recomenda a análise do conjunto de curvas em gráfico log-log para facilitar a identificação dos valores que extrapolam a faixa típica de resistividades da área. Essa recomendação reconhece implicitamente que a interpretação física e geológica deve preceder a aplicação de critérios puramente estatísticos. Em outras palavras, a estatística deve servir de ferramenta de apoio à interpretação, e não substituí-la.
Por esse motivo, em muitas situações práticas, a análise de todo o conjunto de curvas de resistividade aparente fornece informações mais valiosas do que a simples aplicação de filtros automáticos. A inspeção visual das curvas permite identificar erros evidentes de aquisição, problemas de contato dos eletrodos, variações patológicas nas curvas, comportamentos incompatíveis com o contexto geológico e, principalmente, distinguir entre valores realmente anômalos e respostas legítimas associadas a diferentes domínios geoelétricos. Não raramente, pontos considerados "outliers" do ponto de vista estatístico podem representar informações








*Por Leonardo Henrique de Melo Leite
Aindústria de energia elétrica vive um momento de grandes transformações, marcando a transição para o que vem sendo chamado de Utility 4.0, em alusão à Quarta Revolução Industrial aplicada ao setor elétrico. Esse novo paradigma no Sistema Elétrico de Potência (SEP) é impulsionado pelos “4 Ds” da transição energética (Descarbonização, Descentralização, Digitalização e Democratização da Eletrificação), que orientam mudanças tecnológicas, regulatórias e de modelos de negócio na busca por um sistema elétrico mais sustentável, eficiente e resiliente. No que tange às redes de distribuição, estas foram tradicionalmente concebidas como infraestruturas passivas, com a função principal de distribuir eletricidade das fontes de geração centralizadas aos consumidores finais. O planejamento e a operação eram amplamente centralizados, e as redes de distribuição desempenhavam um papel subordinado no ecossistema energético. Esse paradigma, entretanto, está mudando rapidamente. As redes de distribuição assumem papel central na transição energética, impulsionadas pela crescente inserção dos Recursos Energéticos Distribuídos (RED) (Distributed Energy Resources – DER). Esses recursos, como geração distribuída, sistemas de armazenamento de energia, veículos elétricos, gerenciamento pelo lado da demanda e eficiência energética, estão sendo progressivamente integrados às redes de distribuição, que deixam de atuar apenas como condutores passivos para desempenhar um papel ativo no sistema elétrico, proporcionando maior flexibilidade operacional, balanceamento energético e viabilizando novos arranjos técnico-comerciais, como Microrredes e Usinas Virtuais de Energia (Virtual Power Plants – VPP).
Os avanços tecnológicos vêm acelerando essa transformação. Inovações como as Microrredes e as VPPs, que agregam e coordenam REDs para atuarem como uma única entidade despachável, estão redefinindo o arcabouço operacional dos sistemas de distribuição.
Nesse contexto, o Comitê de Estudos C6 – Redes Ativas de Distribuição e Recursos Energéticos Distribuídos, do CIGRE-Brasil, por meio do Grupo de Trabalho GTRED (Grupo de Trabalho de Recursos Energéticos Distribuídos), publicou a brochura técnica "Impactos dos Recursos Energéticos Distribuídos no Sistema Elétrico Brasileiro".
O documento foi desenvolvido de forma colaborativa, com a participação de especialistas de concessionárias de energia, centros de pesquisa, universidades, fabricantes e consultorias, refletindo a diversidade de conhecimentos e experiências necessárias para tratar um tema de elevada complexidade técnica e impacto

sistêmico. A publicação reúne uma análise técnica, regulatória e operacional sobre os impactos da crescente inserção dos Recursos Energéticos Distribuídos no sistema elétrico brasileiro, oferecendo subsídios para apoiar decisões estratégicas e operacionais diante das transformações em curso no setor.
O sumário da brochura está disponível para consulta pública no portal do CIGRE-Brasil. Já o acesso ao conteúdo completo e ao download da publicação em PDF é um dos benefícios oferecidos aos associados da instituição, que também têm acesso a um amplo acervo de brochuras e estudos técnicos produzidos no âmbito do CIGRE e podem contribuir para os debates técnicos e para a elaboração de novas brochuras e estudos.
*Leonardo Henrique de Melo Leite é Consultor Técnico Sênior da FITec Labs e Coordenador do Comitê de Estudos C6 do CIGRE-Brasil


Com potencial para atrair R$ 57 bilhões em investimentos até 2035, somente no segmento de armazenamento, país precisa avançar no processamento de minerais críticos e na fabricação de tecnologias para a transição energética
















Perfurar um poço a mais de 5 mil metros de profundidade, atravessando uma camada de sal que se movimenta e se deforma sob pressão, era considerado inviável pela indústria mundial de petróleo até o início dos anos 2000. Após mais de uma década de desenvolvimento tecnológico, a Petrobras transformou esse desafio em realidade e hoje o pré-sal responde por mais de 80% da produção nacional de petróleo, que atingiu média de 3,7 milhões de barris por dia em 2025 - número que posiciona o Brasil entre os dez maiores produtores do mundo.
Duas décadas depois, outro desafio industrial e tecnológico começa a definir o papel do Brasil na transição energética global. Desta vez, o protagonista são os minerais raros, um grupo de 17 elementos químicos essenciais para a fabricação de veículos elétricos, turbinas eólicas, equipamentos eletrônicos e sistemas de armazenamento de energia. Embora o Brasil detenha a segunda maior reserva mundial desses minerais, atrás apenas da China, o país ainda enfrenta gargalos estratégicos relacionados à mineração das chamadas “terras raras”. Assim como outras nações, o país enfrenta o desafio de transformar esse potencial geológico em capacidade industrial para processar, refinar e agregar valor aos materiais que abastecem a cadeia global de produtos e soluções tecnológicas exclusivas de um mercado altamente disputado no planeta: a produção de semicondutores, baterias, smartphones, computadores, servidores, chips, smartwatches e equipamentos de telecomunicações.
A corrida pelas terras raras (neodímio, disprósio, térbio, lítio, cobalto, grafite, tântalo, nióbio e tungstênio) coincide com a abertura de um novo mercado para o setor elétrico brasileiro. Em junho deste ano, o Ministério de Minas e Energia (MME) publicou as diretrizes para a realização dos primeiros Leilões de Reserva de Capacidade (LRCap) voltados aos sistemas de armazenamento em baterias (BESS), previstos para dezembro de 2026. A iniciativa, somada aos avanços regulatórios conduzidos pela Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), inaugura um novo mercado no país e deverá impulsionar investimentos bilionários na próxima década.
Segundo estudo da Deloitte, os sistemas de armazenamento em baterias poderão atrair mais de R$ 57 bilhões em investimentos até 2035. Mais do que ampliar a capacidade de armazenamento do Sistema Interligado Nacional (SIN), a expectativa é que a regulamentação e a continuidade dos leilões estimulem a formação de uma cadeia produtiva nacional, reduzindo a dependência de equipamentos importados e criando condições para que o Brasil
avance também na fabricação de baterias e no processamento de minerais críticos.
Para Jovanio Santos, diretor de Strategy & Transactions para os setores de Power & Utilities da Deloitte, a previsibilidade regulatória proporcionada pelos leilões é o principal fator capaz de destravar investimentos industriais e atrair fabricantes para o país.
“O que eu queria destacar é que a sinalização que o governo traz, com a contratação regulada desse tipo de tecnologia no Brasil, pode ter um efeito real no mercado nacional, por exemplo, permitir o aumento da capacidade produtiva de fabricação de baterias no país. Isso vai fazer com que a cadeia de suprimentos comece a se desenvolver naturalmente, o que ajuda a reduzir o custo de um eventual produto nacional em comparação com equipamentos importados das grandes potências que conhecemos hoje, como a China", diz Jovanio.
Segundo o executivo, a continuidade dos leilões e a manutenção de mecanismos que incentivem o conteúdo nacional são fatores considerados essenciais para dar segurança aos investidores e estimular a instalação de fabricantes no país.

Jovanio Santos, diretor de Strategy & Transactions para os setores de Power & Utilities da Deloitte | Foto: Deloitte


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No entanto, segundo o geólogo, ampliar o conhecimento sobre o subsolo brasileiro é apenas parte da equação. O
maior desafio está
em desenvolver uma cadeia produtiva capaz de agregar valor aos minerais extraídos, reduzindo a dependência do processamento realizado no exterior.
"A continuidade dos leilões daqui para frente, incorporando essa exigência de conteúdo nacional, é importante para que investidores locais e empresas estrangeiras que queiram se estabelecer no Brasil tenham uma visão de futuro. Começamos bem, com um leilão que já contempla um produto voltado a conteúdo nacional, para depois dar a sinalização de investimentos necessária a consolidar uma indústria nacional de baterias competitiva para os leilões futuros", afirma o diretor da Deloitte.
RESERVAS ABUNDANTES X CADEIA PRODUTIVA LIMITADA
A possibilidade de estruturar uma indústria nacional de baterias, no entanto, esbarra em um desafio que antecede a própria fabricação dos equipamentos: o desenvolvimento da cadeia de minerais críticos. Para Caiubi Kuhn, presidente da Federação Brasileira de Geólogos (Febrageo), a posição ocupada pelo Brasil no ranking mundial de reservas representa apenas os recursos já identificados e comprovados por estudos geológicos. O potencial do território brasileiro, segundo ele, pode ser ainda maior.
"Se olharmos o cenário atual do mapeamento geológico brasileiro, falando de terras raras especificamente, ainda temos muito a evoluir. Muitas áreas ainda não estão devidamente mapeadas e estudadas. Isso significa que existe a possibilidade de, no futuro, o Brasil se transformar no principal país do mundo em reservas de terras raras, ou de outros recursos importantes para a transição energética. A quantidade de depósitos e de reservas que o país possui pode ser ampliada, à medida que as pesquisas avancem e os mapeamentos sejam realizados", afirma Caiubi.
Para isso, defende o geólogo, o país precisa avançar no mapeamento geológico nacional. Atualmente, Minas Gerais é o único estado mapeado na escala 1:100.000, considerada adequada para identificar depósitos minerais com maior precisão. Em contrapartida, grande parte da Amazônia Legal e outras regiões estratégicas do país, ainda possuem levantamentos em escalas muito inferiores e menos detalhadas. "Conforme esse mapeamento avançar, podemos ter novas descobertas. O maior contraste é justamente entre a região da Amazônia Legal e o estado de Minas Gerais, mas há outros estados no meio-termo que também precisam avançar no mapeamento", explica.
No entanto, segundo o geólogo, ampliar o conhecimento sobre o subsolo brasileiro é apenas parte da equação. O maior desafio está em desenvolver uma cadeia produtiva capaz de agregar valor aos minerais extraídos, reduzindo a dependência do processamento realizado no exterior.
Essa avaliação é compartilhada pelas empresas que atuam no desenvolvimento de projetos de terras raras no país. Para Klaus Petersen, Country Manager e Diretor-Executivo da Viridis Mining & Minerals, responsável pelo Projeto Colossus, em Poços de Caldas (MG), a mineração representa apenas o primeiro elo de uma cadeia produtiva muito mais ampla, que envolve beneficiamento químico, separação dos óxidos, refino e, posteriormente, a fabricação de componentes de alto valor agregado.
Segundo o executivo, o Brasil ainda precisa avançar significativamente nessa estrutura industrial, para aproveitar plenamente o potencial de suas reservas. "Atualmente, o Brasil ainda não conta com uma cadeia industrial capaz de realizar as etapas posteriores de processamento desse material. A expectativa é que o desenvolvimento dessa capacidade leve pelo menos uma década”.
Na tentativa de reduzir essa lacuna, a Viridis negocia a implantação de uma unidade de separação por solventes, etapa
essencial para a obtenção dos óxidos de terras raras, e desenvolve, em parceria com uma empresa australiana, um projeto de reciclagem de ímãs permanentes em Poços de Caldas, cuja planta demonstrativa tem previsão de entrar em operação em 2027.
Embora o avanço da mineração seja condição necessária para atender à crescente demanda por sistemas de armazenamento, outro elo importante para atender essa cadeia de suprimentos é desenvolver a capacidade de transformar esses recursos em materiais aptos para a fabricação de baterias.
Para Alberto Bianchi, fundador da Powerhouse e professor da Poli/USP, um dos equívocos mais comuns é associar a vulnerabilidade da cadeia apenas à escassez de minerais. Na prática, o principal gargalo está nas etapas intermediárias de processamento e refino, responsáveis por converter os recursos extraídos em insumos com qualidade adequada para a indústria de baterias.
"Do ponto de vista mineral, lítio, níquel e manganês não são simplesmente 'raros'. O aperto está em outro ponto: refino, transformação química, grau bateria, qualidade, escala industrial e domínio tecnológico. Muita gente confunde ter reserva no chão com capacidade de processar, certificar e entregar para uma cadeia exigente. São coisas bem diferentes. O gargalo de verdade costuma ficar no meio do caminho, entre a mina e a fábrica", afirma o especialista.
Na avaliação de Bianchi, o Brasil reúne vantagens competitivas que poucos países conseguem combinar. Além da disponibilidade de recursos minerais, possui uma matriz elétrica predominantemente renovável, experiência industrial e um mercado que tende a demandar volumes crescentes de armazenamento de energia nos próximos anos.
"O Brasil é um gigante geológico que ainda hesita em levantar da cadeira. Tem posição relevante em grafite natural, reservas importantes de terras raras e níquel, além de produção de lítio em expansão. A natureza fez a parte dela com generosidade. Falta saber se vamos transformar essa sorte em projeto industrial ou deixá-la escorrer entre os dedos”.
Segundo ele, o diferencial competitivo não estará apenas na exportação de matérias-primas, mas na capacidade de agregar valor aos minerais ao longo da cadeia produtiva. "A diferença entre vender concentrado mineral e produzir compostos de grau, bateria, componentes, materiais ativos, células, sistemas e serviços é a diferença entre ser fornecedor de matéria-prima e ser protagonista da transição energética", conclui Bianchi.


Após receber a Licença Prévia em dezembro de 2025, a Viridis protocolou, em maio de 2026, o pedido da Licença de Instalação para o projeto de Poços de Caldas | Foto: Viridis
"O
Brasil é um gigante geológico que ainda hesita em levantar da cadeira. Tem posição relevante em grafite natural, reservas importantes de terras raras e níquel, além de produção de lítio em expansão. A natureza fez a parte dela com generosidade. Falta saber se vamos transformar essa sorte em projeto industrial ou deixá-la escorrer entre os dedos”.
À medida em que assistimos o aumento do volume de lixo eletrônico, oriundo da transformação tecnológica, como, por exemplo, das baterias dos veículos elétricos, a reciclagem de minerais críticos começa a ganhar espaço como uma alternativa complementar para reduzir a pressão sobre a extração de matérias-primas e fortalecer a segurança da cadeia de suprimentos.
Para Caiubi Kuhn, presidente da Federação Brasileira de Geólogos (Febrageo), a chamada economia circular deverá assumir papel cada vez mais relevante no abastecimento desses materiais, sobretudo diante da elevada concentração de elementos estratégicos presentes em equipamentos eletrônicos.

“Se pegarmos uma tonelada de celulares, ela pode ter até 100 vezes mais ouro do que uma tonelada de rocha de mineração de ouro. Então há uma concentração de diversos elementos importantíssimos para a sociedade nos eletrônicos, que não podemos simplesmente desperdiçar. Certamente, no futuro, a reciclagem, a economia circular desses componentes, vai ser algo fundamental", analisa.
Esse cenário, segundo observa o geólogo, reforça que a expansão da cadeia de suprimentos dependerá de diferentes frentes de atuação. Além da abertura de novas minas e do fortalecimento da indústria de processamento, será necessário investir em tecnologias de reciclagem capazes de recuperar materiais estratégicos presentes em baterias, equipamentos eletrônicos e outros produtos ao fim de sua vida útil.

EMPRESA
ABB ELETRIFICAÇÃO
ADEEL MAT. ELÉTRICOS
ADKL ZELLER ELETRO SIST.
BAHIATECH
BRAVUS SOL. EM ENERGIA
CHINT
CONEC TECNOLOGIA
CRONOS ENGENHARIA
D'LIGHT
EATON
ECOSUNPOWER ENERGIA
ELETRO TRANSOL TECNO.
ELETROBLINDADOS
ELETROEL TRANS.
ELETROSOLAR & CLIMAT.
ELETROTRAFO
ELOS ELETROTÉCNICA
ELUZ ENGENHARIA
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KRAUS & NAIMER
KRON MEDIDORES
LOGMASTER TECNOLOGIA
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MERSEN DO BRASIL
NEFAG ENG. E SERVIÇOS
PHOENIX CONTACT
PIO ENGENHARIA
PREAMAR PROJ. E CONS.
PROLUX ENG. DE SISTEMAS
SCHNEIDER ELECTRIC
SOPRANO
TAMURA BRASIL
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SANTA RITA DO SAPUCAÍ PIRACICABA
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Residencial
Montadores de painéis
Distribuidores/Atacadistas
Venda direta ao
Telemarketing
Possui certificado ISO 9001 (qualidade)
Possui certificado ISO 14001 (ambiental)
Possui serviço de atendiemnto ao cliente por telefone e/ou internet
Possui programas na área de responsabilidade social
Exporta produtos
Importa produtos acabados
corpo técnico especializado para oferecer suporte ao cliente
Oferece treinamento técnico para os clientes
Nesta edição, apresentamos uma relação completa dos principais fabricantes, distribuidores e fornecedores de dispositivos elétricos de proteção, manobra e comando em baixa e média tensão. Essenciais para a segurança e a confiabilidade das instalações elétricas, esses equipamentos garantem a proteção dos sistemas, o controle das operações e a continuidade do fornecimento de energia, em aplicações residenciais, comerciais, industriais e de infraestrutura.
DISPOSITIVOS DE PROTEÇÃO DE BAIXA TENSÃO
Fusíveis
DISPOSITIVOS DE COMANDO, CONTROLE, SECCIONAMENTO, ACIONAMENTO E SINALIZAÇÃO DE BAIXA TENSÃO
Tipo NH
Tipo D
Tipo cartucho
Tipo gG / aM / aR
Miniatura
Térmico X
Resetável (PTC)
Especiais
De alta sensibilidade (30 mA)
De média sensibilidade (300 ou 500 mA)
De falta à terra
X De subtensão
De sobrecorrente
De falta de fase
De sequência de fases
Térmico (sobrecarga de motores)
Fotoelétrico (controle de iluminação) Acessórios para fusíveis
Temporizador
De nível (boias/reservatórios)
De monitoramento de tensão ou corrente
Automática
Comutadora
Reversora
Seccionadora
Seccionadora fusível
Fusível
Interruptor para iluminação
Dimmer
Minuteria
Sensor de presença
Temporizador Acessórios para disjuntores X
Botoeira X
Chave fim de curso
Contato
Relé de Impulso
Sensores em geral
X
Disjuntores
Chave-fusível X X X X
De proteção básica
Sinalizadores em geral X X X X X X X X X X X X X X Programador horário X X X X X X X X X X X X X Acessórios para fusíveis X X X X X X X X X X X X X Pára-raios X X X X X X X X X X X X X X X Digitais inteligentes (IEDs) X X X X X X X X X X X X X X Para proteção de transformador X X X X X X X X X X
Para proteção de motor
Para proteção de linha
Aline Cristiane Pan é Doutora em Energia Solar Fotovoltaica e Professora na UFRGS, onde coordena o Grupo de Pesquisa em Transição Energética. Co-fundadora da Rede Brasileira de Mulheres na Energia Solar, tem mais de 25 anos de experiência no setor.
Por Aline Pan e *Bibiana Ferraz
Entre os dias 1º e 2 de julho, tive a honra de participar das comemorações dos 75 anos da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES).
Mais do que celebrar a trajetória de uma das instituições que mais contribuíram para a ciência brasileira, o encontro foi uma oportunidade para refletirmos sobre o futuro da educação superior e, consequentemente, sobre o futuro do nosso país.
Enquanto acompanhava as homenagens e os debates, minha memória voltou mais de vinte anos no tempo, quando recebi minha primeira bolsa da CAPES. Naquele momento iniciava o mestrado em Engenharia e Tecnologia de Materiais na PUCRS.
Anos depois, a instituição voltaria a transformar minha trajetória ao financiar meu doutorado pleno em Energia Solar Fotovoltaica na Universidad Politécnica de Madrid, na Espanha.
Tenho absoluta convicção de que, sem essas bolsas, minha história teria sido diferente. Elas não representaram apenas apoio financeiro, mas a oportunidade de construir uma carreira na ciência. Hoje, como professora da UFRGS, pesquisadora e coordenadora de projetos voltados à transição energética e à equidade de gênero, procuro devolver à sociedade, por meio do ensino, da pesquisa e da extensão, o investimento que um dia ela fez em mim.
Ao longo de seus 75 anos, a CAPES ajudou a consolidar a pós-graduação brasileira e a formar milhares de pesquisadores que hoje produzem conhecimento, inovação e desenvolvimento em universidades, institutos de pesquisa, empresas e órgãos públicos.
Nesta celebração participei como integrante do Comitê Permanente de Equidade de Gênero e suas Interseccionalidades da CAPES, que busca contribuir para uma pós-graduação mais diversa, inclusiva e comprometida com a excelência científica.
Um dos momentos mais marcantes foi a conferência do professor Naomar Monteiro de Almeida Filho, que refletiu sobre os desafios contemporâneos da universidade diante da mercantilização da educação, dos ataques à ciência, do

negacionismo e das rápidas transformações tecnológicas. Mais do que apontar problemas, ele nos provocou a pensar sobre a necessidade de reinventar a universidade e formar profissionais preparados para lidar com problemas cada vez mais complexos. Enquanto o ouvia, pensei imediatamente no setor elétrico. Falamos diariamente sobre transição energética, inteligência artificial, digitalização, armazenamento de energia e descarbonização. Mas nenhuma dessas transformações acontecerá sem pessoas preparadas para liderá-las.
Precisaremos de profissionais capazes de integrar diferentes áreas do conhecimento e compreender que inovação, sustentabilidade e inclusão caminham juntas. A transição energética não é apenas uma transformação tecnológica; é uma transformação humana.
Outro momento que me marcou foi a apresentação da minha colega de Comitê, Professora Daniela Santos Anunciação. Ao compartilhar as ações do grupo, ela deixou uma mensagem que continua ecoando em mim: transformar instituições exige coragem. Coragem para reconhecer desigualdades e fazer com que intenção e ação caminhem juntas.
Essa é justamente a missão do nosso Comitê. Mais do que sensibilizar sobre a importância da equidade, buscamos fortalecer mudanças institucionais capazes de ampliar oportunidades e tornar a ciência mais diversa e representativa.
Ao deixar Brasília, pensei em quantos estudantes hoje recebem sua primeira bolsa da CAPES sem imaginar onde ela poderá levá-los. Eu também não imaginava.
Mais de vinte anos depois, compreendo que aquela oportunidade não formou apenas uma pesquisadora. Formou uma professora que acredita profundamente que a ciência só cumpre seu papel quando transforma a vida das pessoas.
Talvez esse seja o maior legado da CAPES em seus 75 anos: lembrar que investir em pessoas continua sendo a forma mais inteligente de construir o futuro. Inclusive o futuro da transição energética brasileira.




1
Frederico Boschin é Diretor Executivo da Noale Energia e Sócio da Ferrari Boschin Advogados. Advogado (UFRGS); MBA Gestão Empresarial (FGV/RS); Mestre em Direito Econômico pela Universidade de Lisboa; Pós-graduado em Engenharia de Energia (PUC/RS) e em Regulação do Setor Elétrico (UFRJ). Coordenador da ABSOLAR (Santa Catarina); Membro do Conselho de Infraestrutura da FIERGS; Conselheiro do SindienergiaRS; Professor da PUC/RS e PUC/MG;
Diferente de outras commodities como o gás ou o petróleo, a eletricidade possui uma característica física única: ela precisa ser consumida no exato instante em que é produzida. Em um sistema de potência, a oferta e a demanda devem coincidir milimetricamente em tempo real; qualquer desequilíbrio significativo resulta em variações de frequência e tensão que podem levar ao colapso do sistema (blackout) ou desperdício de energia (curtailment).
O avanço da transição energética global impôs um novo desafio aos reguladores e operadores de sistemas: como garantir o equilíbrio instantâneo entre carga e geração em um cenário de crescente intermitência? Se no passado a flexibilidade era um atributo intrínseco às grandes hidrelétricas com reservatórios ou térmicas de base, hoje ela emerge como um serviço sistêmico autônomo, essencial para a integridade das redes e para a eficiência dos preços de mercado. Ou seja, a geração passou a ser ditada pelo clima (sol, vento e chuva), exigindo que a flexibilidade atue como o "amortecedor" que compensa a volatilidade de ambos os lados da equação. Não há transição energética sem flexibilidade.
Estudos preliminares na Europa indicam que as necessidades de flexibilidade do sistema podem dobrar até 2030 e aumentar seis vezes até 2050 (em comparação com os níveis do início de 2020). O principal motor até 2030 é a expansão da solar fotovoltaica, enquanto no longo prazo (2040-2050) o domínio será o aumento da demanda por eletricidade.
Há uma ligação direta entre a expansão das redes de transmissão e a necessidade de flexibilidade. Se a infraestrutura de rede não crescer no ritmo necessário, os custos de despacho e o curtailment (corte) de geração renovável dispararão; porém, exige uma distinção técnica clara entre necessidades de Rede e de Sistema:
(1) Flexibilidade de Rede (Network Needs): Refere-se à capacidade de ajustar a geração ou o consumo para resolver problemas físicos

locais, como congestionamentos em troncos de transmissão ou variações de tensão na distribuição; e (2) Flexibilidade de Sistema (System Needs): Focada no equilíbrio global e subdividida em três subcategorias críticas: Integração de Renováveis: Necessidades de longo prazo para acomodar o perfil sazonal de fontes eólicas e solares; Necessidades de Rampa (Ramping): A agilidade necessária para seguir a curva de carga líquida (ex: a rápida subida da demanda quando a geração solar declina ao fim do dia); Flexibilidade de Curto Prazo: Resposta a eventos imprevistos, como falhas forçadas ou erros abruptos de previsão meteorológica.
Portanto, o conceito de flexibilidade deixou de ser apenas uma questão de curto prazo (confiabilidade diante de erros de previsão meteorológica) para abranger múltiplas escalas temporais com a Gestão de Recursos e Redes/Transmissão, de forma a manter níveis de tensão adequados, tanto na transmissão quanto na distribuição. Enquanto o Brasil discute a inserção de sistemas de armazenamento (BESS) e a regulação da Resposta da Demanda, o cenário internacional já aponta para o "empilhamento de receitas" (revenue stacking), e nesse contexto, a flexibilidade não deve ser vista apenas como um custo de segurança, mas como um ativo comercializável.
As baterias, com queda acentuada de custos, provaram ser imbatíveis na prestação de serviços ancilares de frequência. Já a Resposta da Demanda, impulsionada pela digitalização e pelos medidores inteligentes, transforma o consumidor de um agente passivo em um fornecedor de flexibilidade, ajustando o consumo em resposta aos sinais de preço ou restrições da rede.
A criação de mercados de serviços ancilares competitivos e a definição clara de metas de flexibilidade não-fóssil nos Planos Decenais de Expansão (PDE) são urgências para que o Brasil não apenas tenha uma matriz limpa, mas uma rede resiliente e economicamente eficiente.

Asolda exotérmica é solução técnica para conexões permanentes em aterramento e equipotencialização, mas sua execução envolve riscos ocupacionais relevantes. O processo produz metal fundido acima de 1400 °C e liberação localizada de fumaça.
O risco não está apenas no resultado da conexão, mas nas condições de execução em campo. Fabricantes tratam a atividade como operação que exige treinamento, EPI, ventilação, controle de incêndio e afastamento de pessoas próximas.
A preparação do molde, dos condutores e do local é ponto crítico. Umidade, contaminantes, moldes gastos, quebrados ou mal ajustados podem provocar projeção ou vazamento de metal fundido, com risco direto de queimadura para o instalador.
O risco térmico permanece após a reação. Fichas de segurança registram que o produto fundido pode causar queimaduras graves e que metal, molde, condutores e junta podem permanecer quentes por tempo prolongado. O EPI para queimaduras não deve ser acessório. As fontes indicam luvas, vestimenta adequada, proteção ocular e facial, pois a atividade envolve material quente, respingos, molde aquecido e resíduos da reação.
Além das queimaduras, há exposição ao pó e aos fumos. As fichas recomendam evitar respirar poeira, fumos, gases, névoas, vapores ou aerossóis, usar ambiente ventilado e empregar proteção para mãos, olhos, face e corpo. Quando a ventilação não for suficiente, a proteção respiratória deve ser compatível com fumos metálicos.
O pó pode contaminar mãos, luvas, roupas, ferramentas e barba durante o manuseio do material, do molde ou dos resíduos. Por isso, as fichas recomendam lavar as mãos, não comer, beber ou fumar durante o uso e remover roupas ou equipamentos contaminados antes de áreas de alimentação. Resíduos nas mãos podem ser levados à boca durante refeição ou ingestão de água.
A barba do instalador também exige atenção. Quando a proteção respiratória depende de vedação facial justa, barba ou pelos na região de vedação podem impedir o contato adequado da máscara com a pele. Assim, fumos ou partículas podem passar por falhas de vedação e reduzir a eficácia do respirador.
A execução em altura agrava o risco. Telhados, estruturas metálicas, escadas, andaimes, plataformas ou pontos elevados do
José Barbosa é engenheiro eletricista, relator do GT-3 da Comissão de Estudos CE: 03:064.010 - Proteção contra descargas atmosféricas da ABNT / Cobei responsável pela NBR5419. | www.eletrica.app.br

SPDA combinam risco de queda com reação quente. Molde aquecido, pó, ferramentas, cabo de acionamento, fumaça, luvas, máscara e proteção facial podem reduzir mobilidade, campo visual e destreza; por isso, a execução em altura deve ser evitada sempre que houver alternativa técnica viável em solo, pré-montagem, conexão por compressão ou outro método que reduza a exposição do instalador.
A combinação entre altura e material quente aumenta a severidade de um eventual acidente. Uma queda pode ser agravada pelo contato com itens quentes, equipamentos em operação ou partes metálicas salientes. Também podem cair ferramentas, resíduos, escórias ou partes aquecidas sobre pessoas, materiais ou áreas inferiores.
Uma medida de mitigação é a ignição à distância por cabo.
Sistemas comerciais usam cabos de aproximadamente 1,8 m ou 4,6 m, guarda de gatilho e atraso de ignição. A solução afasta o instalador do ponto de reação e reduz o risco de inalação direta dos fumos liberados na ignição.
Outra alternativa é a conexão por compressão hidráulica, quando compatível com projeto, materiais e requisitos aplicáveis. Quando aplicável, ela reduz riscos associados a metal fundido, fumaça da reação, projeção por umidade e contaminação por pó.
Em síntese, a especificação deve considerar queimaduras, fumos metálicos, higiene, barba, trabalho em altura, proteção de níveis inferiores e alternativas como ignição remota ou compressão hidráulica.
Cláudio Mardegan é CEO da EngePower Engenharia, Membro Sênior do IEEE, Membro do Cigrè | claudio.mardegan@engepower.com

2 – POR QUAIS CAUSAS UM TRANSFORMADOR PODE
QUEIMAR RELATIVAMENTE A SURTOS? (CONTINUAÇÃO)
No tempo entre a publicação da parte 1 deste artigo e esta que ainda será publicada descobrimos uma sexta causa de queima de transformadores que é frequência elevada.
a) Frequência elevada
Para entender o que queremos dizer com frequência elevada, vamos primeiro entender a frequência das descargas atmosféricas. Você poderá estar se perguntando, frequência existe para ondas periódicas e descarga atmosférica não é periódica, como saber então a frequência de uma de descarga atmosférica? Temos que ajustar uma senoide que coincida seu pico com a crista da frente de onda. A Figura 7, mostra isso.

Figura 7 – Senóide ajustada em uma onda de Impulso Atmosférico.
Muitos equipamentos elétricos, entre os quais se incluem o transformador são testados para uma onda de impulso de 1.2/50 μs. Ondas com frente de onda menores que 1.2 μs promoverão stresses dielétricos que podem comprometer a isolação do equipamento.
Para um impulso com frente de onda de 1 ms, o período desta onda será T = 4 x 10-6= 4 μs. A frequência será:
f = = 250000 Hz = 250 kHz 1 1000 x 103 T 4 =
O significado da onda de 250 kHz é que terá uma frente de onda menor do que 1.2 μs.
O impulso de 1.2/50 μs é suportado pouquíssimas vezes pelo equipamento, sucessivos (dv/dt)s aplicados vão diminuindo a vida útil da isolação, podem levar à descarga parcial e posterior ruptura da isolação.
A norma IEEE Std C57.142 apresenta em sua Tabela 1 as frequências de chaveamento esperadas em função do comprimento do cabo. Na Tabela 1 seguinte, fiz uma interpolação para saber até que comprimento de cabo temos risco dessas frequências elevadas.
Tabela 1 - Frequência da Tensão Oscilatória no terminal do Transformador em função do Comprimento do Cabo
(*) Estrapolado pela EngePower
Analisando a tabela anterior pode-se observar que até 140 m de cabo existe alta chance de se ter frequências elevadas que geram frentes de onda muito íngremes.
Assim, esta tabela vem nos dizer que até 140 m de comprimento de cabo entre o dispositivo de chaveamento e o transformador deve ser provida uma proteção de surto adequada. Existem vários tipos de proteção de surto, que serão vistos no item 3, “Métodos e Eficácia de Proteção de Surto”, porém a mais completa e eficiente é o SNUBBER, utilizado em conjunto com para-raios.
Ninguém consegue saber quantas vezes um equipamento suporta o ensaio de impulso, mas sabe-se que poucas vezes. Chaveamentos podem ocorrer muitas vezes e podem envelhecer a isolação quando essas frequências elevadas aparecem. Continuaremos na próxima edição.

Um reconhecimento internacional para a distribuição de energia.




O projeto Sinfonia da Distribuição de Energia, desenvolvido pela Abradee em parceria com a Africa Creative e o maestro Jarbas Agnelli, conquistou o Leão de Ouro no Cannes Lions 2026, o mais importante festival mundial da criatividade.















































A partir de fotogra as de pássaros pousados sobre redes elétricas, nasceu uma composição inédita que transformou a infraestrutura da distribuição de energia em música.


Uma conquista da inovação.














Mais do que um prêmio para um projeto, esse reconhecimento mostra que até os temas mais técnicos podem emocionar, aproximar pessoas e fortalecer a reputação de um segmento essencial para o desenvolvimento do Brasil.



Uma conquista das distribuidoras de energia.















































































Daniel Bento, PMP, é Eng. Eletricista e atua com redes subterrâneas de média tensão desde 1989. Coordenou o Comitê de Estudos B1 do CIGRE. Foi responsável técnico pela rede de distribuição subterrânea de SP. 4 vezes na lista dos 100+ Influentes da Energia. Atualmente é CEO da BAUR do Brasil e da BAUR USA Corp, e conselheiro do CIGRE-Brasil.
Na coluna anterior, encerrei meu artigo com uma provocação:
“A pergunta já não é quanto custa tornar a rede mais resiliente. A pergunta é quanto custa não torná-la.”
A primeira reação costuma ser dizer que essa conta é impossível de calcular. Mas ela não é.
Em 2016, a ANEEL encomendou um estudo específico para avaliar os custos econômicos associados às interrupções de energia elétrica. O trabalho, desenvolvido por um consórcio liderado pela Sinapsis Inovação em Energia, buscou justamente responder uma pergunta simples: quanto a sociedade perde quando a energia deixa de ser fornecida?
O estudo estimou o chamado Custo da Energia Não Suprida (CENS), um indicador que procura medir os prejuízos causados por interrupções no fornecimento. Para consumidores comerciais, o valor mediano encontrado foi de R$ 34,31 por kWh não fornecido. Para consumidores industriais, R$ 24,73 por kWh. Em atualização própria pelo IPCA para valores de 2026, esses números equivalem aproximadamente a R$ 58/kWh para o setor comercial e R$ 42/kWh para o setor industrial.
O dado mais importante, porém, não é o valor em si.
É o fato de que o setor elétrico já desenvolveu métodos para estimar economicamente o custo das interrupções. Mesmo assim, quando discutimos investimentos em infraestrutura, quase sempre analisamos apenas um lado da equação.
Sabemos calcular com precisão o custo de uma subestação, de uma linha ou de uma rede automatizada. Mas raramente calculamos com a mesma profundidade o custo da sua ausência. Os eventos recentes em São Paulo ajudam a ilustrar esse ponto. Após o temporal de outubro de 2024, mais de três milhões de consumidores ficaram sem energia. Segundo estimativas da FecomercioSP, as perdas para os setores de comércio e serviços chegaram a aproximadamente R$ 1,65 bilhão.
Evidentemente, esse valor não representa um cálculo formal de CENS. Ainda assim, ajuda a visualizar algo que os estudos já indicavam: o impacto econômico das interrupções vai muito além da energia que deixou de ser fornecida.
A conta da interrupção não fica restrita à distribuidora. Ela se espalha pela economia, aparece na produção que não aconteceu, nas vendas que não foram realizadas, nos serviços que deixaram de funcionar e nos impactos que atingem diretamente a população.
Durante décadas, a principal pergunta feita ao setor elétrico foi:
“Quanto custa construir?”
Essa continua sendo uma pergunta necessária, mas talvez ela já não seja suficiente. Os estudos mostram que o custo da interrupção existe, pode ser estimado e, principalmente, não é igual para todos os consumidores e para todas as regiões. Talvez o próximo passo não seja apenas discutir quanto investir em resiliência, mas entender onde a falta dela custa mais caro para a sociedade.

ANEEL. Contrato nº 107/2015. Avaliação dos Custos Relacionados às Interrupções de Energia Elétrica e suas Implicações na Regulação. Consórcio Sinapsis Inovação em Energia, Mercados de Energia Consultoria e Mercados Energéticos Consultores, 2016.
IBGE. Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), atualização monetária realizada pelo autor para valores de 2026.
FecomercioSP. Estimativas de perdas econômicas decorrentes dos apagões ocorridos na Região Metropolitana de São Paulo em 2024.

Luciano Rosito é engenheiro eletricista, especialista em iluminação e iluminação pública. Professor de cursos de iluminação pública no Brasil e exterior
Por Silvia Maria Carneiro de Campos* e Luciano Haas Rosito
tema da coluna deste mês remete a um assunto que vem sendo cada vez mais discutido e conhecido para quem trabalha com iluminação pública e evoluindo globalmente para termos uma iluminação mais segura, que respeite as necessidades do ser humano sendo a menos agressiva possível ao meio ambiente, fauna e flora. E qual seria o limite de luz azul aceitável para iluminação pública?
Sabendo que quanto mais alta a temperatura de cor, maior a tendência de termos alto percentual de luz azul.
Para o sistema melanópico humano, e para a preservação do equilíbrio biológico e ambiental, o impacto da luz está diretamente atrelado à curva de sensibilidade intrínseca das células ganglionares da retina fotossensíveis (ipRGCs), que possuem o fotopigmento melanopsina. O "limite" do azul pode ser compreendido sob dois aspectos: o pico de sensibilidade máxima (onde o estímulo é mais destrutivo para o ciclo circadiano noturno) e o limite de corte seguro (onde o azul deixa de exercer influência significativa no sistema melanópico).
O PICO DE ESTÍMULO MELANÓPICO
A curva de eficiência circadiana (ou curva melanópica) mostra que o sistema neuroendócrino é extremamente sensível a um intervalo muito estreito de comprimentos de onda: Está localizado em torno de 480 nm (azul-ciano, porque o céu é azul ciano). De 460 nm a 490 nm, a exposição à comprimentos de onda dentro dessa faixa durante a noite sinaliza imediatamente ao cérebro que é "dia", bloqueando a síntese de melatonina e fragmentando os ritmos circadianos. É por isso que a luz branca neutra/fria (4000K a 6500K), que tem um "pico de azul" nessa região pela fabricação do LED (fósforo amarelo sobre chip que emite luz azul), são bioincompatíveis para o período noturno.
O LIMITE DE CORTE SEGURO (CUT-OFF)
Para que uma fonte de luz seja considerada verdadeiramente segura para a noite, isto é, para que ela tenha um estímulo melanópico nulo ou desprezível —o espectro de emissão deve respeitar limites rígidos de filtragem: A sensibilidade melanópica começa a cair ao cruzar os 530 nm (espectro verde). O Limite de Segurança situa-se acima de 570 nm, corroborado pelos protocolos da FDA. Abaixo disso, qualquer emissão de energia, mesmo em percentuais baixos — ativa os fotorreceptores ipRGCs. Portanto, para o projeto de iluminação biocompatível e ecologicamente responsável, o limite técnico para a supressão do estímulo melanópico é a eliminação completa de comprimentos de onda abaixo de 570 nm.
PRÁTICOS
Para garantir que a iluminação respeite esses limites sem depender exclusivamente de análises espectrográficas laboratoriais para cada peça, a física da luz e as normativas mais rigorosas utilizam métricas específicas: Trabalhar na contramão do pico de 480 nm, priorizando o espectro expandido no âmbar e no vermelho, é o único caminho cientificamente viável para desenhar espaços que protejam a integridade celular e a saúde. O sistema melanópico é extremamente sensível. Não é necessária uma luz ofuscante para interromper a produção de melatonina. A partir de apenas 1 a 2 lux fotópicos de luz branca fria (rica em azul) incidindo diretamente na córnea vertical durante a noite, o processo de supressão de melatonina já pode ser iniciado.
Para garantir que a iluminação não cause distúrbios circadianos à noite, o recomendável é manter a iluminância melanópica abaixo de 1 Melanopic EDI lux ao nível dos olhos, seguindo o Padrão Internacional (CIE S 026). Por isso, na iluminação biocompatível, o controle da intensidade caminha de mãos dadas com a pureza espectral: à noite, reduz-se a iluminância ao mínimo e elimina-se o azul; de dia, eleva-se a intensidade e abre-se o espectro para mimetizar a luz do sol. Para determinar a iluminância segura no piso com uma fonte que possui 7% de azul no espectro (fração comum em algumas lâmpadas de LED branco quente de 2700K a 3000K), precisamos cruzar a física da distribuição da luz no espaço com o limite biológico da retina. Para que o ambiente seja considerado seguro à noite, o objetivo regulatório e científico é não ultrapassar 1 lux melanópico (Melanopic EDI) ao nível dos olhos (plano vertical).
Traduzindo isso para a iluminância prática no piso (plano horizontal), o cálculo envolve os seguintes passos técnicos: Considerando a margem de segurança para blindar o sistema circadiano contra os 7% de azul, a iluminância máxima recomendada no piso seria de 4 a 6 lux fotópicos. Se o projeto ultrapassar essa faixa no piso, a dispersão da luz e a reflexão nas superfícies farão com que a quantidade de azul que entra na pupila ultrapasse o limiar de 1 lx EDI, disparando a supressão de melatonina.
No próximo artigo, vamos aprofundar o tema e explicar como viabilizar o projeto com esta restrição.
*Silvia Carneiro é colaboradora no CB03 COBEI /ABNT, Dark Sky Defender da América Latina 2024, presidente da Comissão de Estudos da Poluição Luminosa da UBA (União Brasileira de Astronomia) e coordenadora da Dark Sky Brasil @darkskybrasil/ silvicarneiro@terra.com.br
Nunziante Graziano é engenheiro eletricista, mestre em redes e equipamentos, Ph.D. Em Business Administration e CEO do Grupo Gimi |nunziante@gimi.com.br
Anova NR-10 (Portaria MTE nº 737/2026, de 29/05/2026) representa a maior mudança na norma desde 2004 e traz impactos diretos no projeto, fabricação e especificação de quadros elétricos de baixa e média tensão, especialmente porque passa a integrar fortemente engenharia com gestão de risco ocupacional.
A nova redação passa a exigir que o risco elétrico seja tratado dentro do Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO/PGR). Desta forma, os painéis deixam de ser só “equipamentos elétricos” e passam a ser elementos formais de controle de risco. Importante perceber também que o projetista precisa fornecer os dados para análise de risco (corrente de curto, tempo de atuação, energia incidente) para que os painéis sejam então, adequadamente especificados e construídos.
A nova NR-10 também inova ao estabelecer que as instalações elétricas devem ser seguras. A consequência prática mais imediata é que os projetos passam a exigir rastreabilidade técnica completa, e que especificações genéricas deixam de ser aceitáveis pois não é razoável que uma especificação genérica seja adequada a diversas instalações elétricas com aplicações e requisitos diferentes.
A nova redação introduz de forma mais explícita o tratamento do risco de arco elétrico, incluindo cálculo de energia incidente. Essa nova fronteira traz impactos diretos nos quadros, exigindo que o projeto construtivo utilize compartimentação interna (forma 2, 3, 4 – IEC 61439) com maiores níveis de segregação, uso de barreiras isolantes, invólucros com maior resistência e melhor compartimentação ao arco, entre outras mudanças nos critérios de escolha. O uso de painéis resistentes ao arco interno (tipo IAC) em Média Tensão, mandatório na NBR-IEC-62.271-200, fica absolutamente evidente, assim como àqueles de baixa tensão conforme o NBR-IEC-TR-61641. A utilização destas tecnologias mecânicas são classificadas como medidas de proteção PASSIVAS ao arco elétrico.
Estudos de seletividade associados a memoriais de cálculo de energia incidente são fundamentais para as boas práticas de gerenciamento de riscos, e utilizam entre outras tecnologias disjuntores com atuação rápida, relés de proteção com seletividade refinada, integração com sistemas de mitigação de

arco e monitores e sensores e sistemas de monitoramento de temperatura que evitam a degradação dos isoladores e materiais isolantes, evitando riscos de arco elétrico nestes pontos.
Outra contribuição interessante da revisão da NR-10 é que passa a exigir mais rigor técnico documental ao longo do ciclo de vida. A consequência prática é a obrigatoriedade de diagramas unifilares atualizados, estudos de curto-circuito, coordenação e seletividade, estudos de energia incidente (novidade crítica), entrega de dossiê técnico mais completo PIE (Prontuário das instalações elétricas) e a integração com o ciclo de vida.
A mudança da abordagem do PIE, incluindo o ciclo de vida completo, reorganiza a norma considerando: projeto construção operação manutenção descomissionamento.
O Impacto nos quadros é que os painéis devem ser projetados já considerando:
- Manutenção segura
- Substituição de componentes
- Operação com portas fechadas
- Manobra externa (manopla)
- Medição externa (sem exposição)
- Extração segura (disjuntores ou gavetas)
A nova NR-10 reforça que devem ser adotadas normas técnicas oficiais (ex: IEC, ABNT). Assim sendo, consolida-se a obrigatoriedade de aplicação de normas como: NBR-IEC-61439 e NBR-5410 para a baixa tensão, e NBR-IEC-62271 e NBR-IEC-14039 para média tensão.
Por fim, a segurança operacional é incorporada ao design, ou seja, a norma passa a exigir padronização de procedimentos e permissões de trabalho. Desta forma, intertravamentos mecânicos/elétricos, bloqueios para LOTO (lockout/tagout), Indicação clara de estado energizado, entre outros.
A nova NR-10 muda, portanto, o papel dos quadros elétricos de equipamento passivo para barreira ativa de segurança. Na prática, isso gera elevação dos custos de engenharia e fabricação, aumenta a complexidade técnica, eleva o valor agregado dos fabricantes qualificados e impede o uso de soluções não certificadas através de normas técnicas ABNT.

Aguinaldo Bizzo de Almeida é engenheiro eletricista e atua na área de Segurança do trabalho. É membro do GTT – NR10 e inspetor de conformidades e ensaios elétricos ABNT – NBR 5410 e NBR 14039, além de conselheiro do CREA-SP.
O“novo texto” da Norma Regulamentadora nº 10 (NR-10)Segurança em instalações elétricas e serviços em eletricidade, publicado no Diário Oficial da União pela Portaria MTE Nº 737, de 29 de maio de 2026, conforme previsto, traz alterações significativas no processo de Gestão de Perigos e Riscos Elétricos.
Abrange inúmeros processos como o PGR - Programa de Gerenciamento de Riscos da NR1, Projetos, Instalações Elétricas, EPI, Autorização, Documentação, Procedimentos, Processo de Autorização, Capacitação, Treinamentos etc., onde inúmeros questionamentos estão sendo feitos nas diversas áreas de atuação.
Os temas “treinamento e Capacitação” têm gerado discussões e interpretações diversas, inclusive equivocadas, e, dessa forma, alguns esclarecimentos são oportunos:
No texto vigente, os temas Autorização, capacitação e treinamentos são tratados de forma integrada no capítulo 10.11 -Autorização, Habilitação, Qualificação e Capacitação, e, no “novo texto” da NR10, esses temas foram “separados” em capítulos específicos sendo: 10.8 - Qualificação, habilitação e capacitação dos trabalhadores; 10.9 Treinamento de segurança e saúde no trabalho; e 10.10 Autorização dos trabalhadores.
O tema “capacitação” se refere a preparar e\ou ensinar o profissional a realizar suas atividades, desenvolvendo novas habilidades e conhecimentos, sendo que no novo texto esse profissional é tratado como “trabalhador-capacitado”, que diferente do Profissional Qualificado, não possui formação técnica específica na área elétrica, dessa forma, esse profissional necessita de “capacitação operacional “específica.
O novo texto define no item 10.8.4” A organização deve incluir
os seguintes módulos na capacitação do trabalhador - capacitado, conforme alínea "a" do item 10.8.3 desta NR:... a) módulo "Fundamentos de eletricidade básica", com carga horária mínima de 40 horas, b) módulo "Qualidade, saúde, meio ambiente nos serviços em eletricidade", com carga horária mínima de 16 horas, c) módulo "Fundamentos de SEP - geração, transmissão e distribuição", com carga horária mínima de 40 horas, d) módulo "Sistema elétrico de consumo", com carga horária mínima de 24 horas, e) módulo "Compartilhamento de infraestruturas do sistema elétrico de potência", com carga horária mínima de 24h.
Os referidos módulos devem compor o Programa de Capacitação conforme atividade, ou seja, profissionais que trabalham no Sistema Elétrico de Potência (SEP), Sistema Elétrico de Consumo (SEC) e serviços em proximidade de instalações elétricas com o compartilhamento de infraestruturas do SEP.
Além dessa “capacitação operacional”, o profissional caracterizado como “trabalhador – capacitado”, para ser Autorizado formalmente conforme prescrições estabelecidas na NR10, deverá participar dos “Treinamentos de Segurança e Saúde no Trabalho descritos no item 10.9 da nova NR10, que em gênero, também se trata de “capacitação”, entretanto, específica para o tema Segurança do Trabalho.
Ressalta-se novamente que a condição no novo texto da NR10 definidas para o “Trabalhador- capacitado” já existe no texto vigente, salvo requisitos específicos, especialmente no que se refere aos Programas de Capacitação com conteúdo e carga horária customizados, sendo que no texto atual, essa “capacitação operacional” fica a critério da Organização

Dr. Danilo de Souza é professor na Universidade Federal de Mato Grosso, sendo Coordenador do Núcleo Interdisciplinar de Estudos em Planejamento Energético – NIEPE, Presidente da Abracopel e é Coordenador Técnico do CINASE – Circuito Nacional do Setor Elétrico. Danilo também é pesquisador no Instituto de Energia e Ambiente da USP | www.profdanilo.com

Durante grande parte da história moderna, os Sapiens passaram a enxergar-se como algo separado da natureza. Essa transformação não ocorreu de forma repentina. Foi resultado de séculos de construção filosófica, religiosa, econômica e “científica” que consolidaram uma ideia poderosa: a de que os Sapiens ocupam uma posição singular no planeta e, por isso, não estariam submetidos às mesmas limitações que condicionam as demais espécies.
Essa visão, que a sociologia ambiental contemporânea passou a denominar excepcionalismo humano, sustenta que a sociedade humana existe de forma independente dos ecossistemas que a sustentam. A natureza seria fornecedora de recursos, absorvedora de resíduos e prestadora de serviços ambientais, mas a trajetória humana seria determinada principalmente pela cultura, pela economia, pela política e pela tecnologia. A biosfera, nesta perspectiva, aparece como um cenário externo à história humana, e não como sua condição fundamental de existência. Assim, esta visão gerou uma consequência profunda: a tendência a enxergar os limites ecológicos como obstáculos temporários que poderão ser superados por novas tecnologias. No setor energético, esta crença é recorrente. Quando discutimos escassez de recursos, mudanças climáticas ou impactos ambientais, a resposta quase sempre se relaciona a alguma inovação tecnológica futura. Se houver escassez de petróleo, haverá novas fontes de energia. Se as emissões crescerem, haverá captura de carbono. Se a eletrificação aumentar a demanda por minerais críticos, encontraremos substitutos ou novas formas de exploração. Essa confiança na capacidade humana de adaptação é compreensível e, em certa medida, justificada pela própria história do desenvolvimento tecnológico. O problema surge quando ela se transforma na crença de que as leis ecológicas e biofísicas deixaram de existir. Para compreender melhor essa questão, é útil observar a figura abaixo. Nela, os sistemas naturais e os sistemas humanos aparecem como entidades distintas, cada qual com seus
próprios processos internos, conectados por mecanismos de acoplamento e interação. A representação é extremamente útil para demonstrar as influências mútuas entre a sociedade e a natureza. Entretanto, ela também mostra uma das marcas mais profundas do pensamento moderno: a ideia de que há dois sistemas separados que interagem entre si.
A crítica formulada por autores como William Catton, Riley Dunlap, Herman Daly, Carl Folke, Johan Rockström, Ildo Sauer e Vaclav Smil vai além dessa interpretação. Para esses pesquisadores, o problema é que, além da necessidade de compreender as interações entre sociedade e natureza, precisamos reconhecer que a própria separação entre ambas é artificial. O sistema humano não existe fora da natureza. A economia não existe fora da biosfera. A política não existe fora das restrições impostas pela disponibilidade de energia, de materiais e de água, e pela estabilidade climática. A sociedade é, em última instância, um subsistema inserido em um sistema ecológico muito maior.
Essa constatação parece óbvia quando observamos os organismos vivos. Nenhum animal existe fora dos fluxos de energia e de matéria que sustentam os ecossistemas. Nenhuma espécie está desconectada dos ciclos biogeoquímicos que regulam a disponibilidade de nutrientes, de água e de condições ambientais. Entretanto, quando passamos a analisar fenômenos sociais, frequentemente abandonamos essa lógica. A pobreza passa a ser discutida apenas como um problema econômico ao longo de toda a história humana. O crescimento é tratado como uma variável financeira. A urbanização é compreendida como um processo essencialmente social. A segurança energética é reduzida a uma questão tecnológica. Em muitos casos, as bases biofísicas que sustentam todos esses fenômenos desaparecem do debate.
Talvez esse seja um dos aspectos mais curiosos da modernidade. A sociedade desenvolveu uma extraordinária capacidade de compreender sistemas complexos, mas frequentemente analisa os fenômenos humanos como se estivessem parcialmente desvinculados de sua base ecológica. O resultado é a fragmentação do conhecimento. As ciências sociais estudam a sociedade. As ciências naturais estudam a natureza. As engenharias estudam as tecnologias. E, muitas vezes, perde-se a compreensão de que todos esses elementos fazem parte de um mesmo sistema.
Essa desconexão se manifesta em diversos campos. Na economia, a riqueza é medida predominantemente por indicadores monetários, enquanto a degradação dos sistemas naturais costuma ser tratada como uma externalidade. Na política, os debates priorizam legitimamente emprego, renda, inflação e crescimento econômico, mas raramente discutem com a mesma intensidade a estabilidade climática, a disponibilidade hídrica ou a resiliência ecológica que tornam possível a própria atividade econômica. Na educação, a história costuma ser apresentada como uma sucessão de eventos humanos, com pouca atenção ao papel da energia, dos recursos naturais e das transformações ambientais na formação das civilizações, como por exemplo, falar em revolução industrial sem abordar o carvão e o petróleo como elemento possibilitante desta transformação.
As cidades oferecem outro exemplo emblemático. Frequentemente são apresentadas como espaços artificiais, independentes da natureza. Entretanto, nenhuma cidade produz sua própria água, seu próprio alimento, seus próprios materiais ou sua própria estabilidade climática. As áreas urbanas apenas tornam invisíveis os sistemas ecológicos dos quais dependem. Quanto mais sofisticada a infraestrutura, maior tende a ser essa ilusão de autonomia.
No campo energético, essa reflexão ganha especial importância. A energia é, talvez, a manifestação mais evidente
da dependência humana em relação aos sistemas naturais. Toda sociedade depende de fluxos energéticos para produzir alimentos, movimentar mercadorias, construir infraestrutura, transportar pessoas e sustentar atividades econômicas. Os recursos energéticos podem mudar ao longo do tempo, mas a dependência física permanece.
A própria transição energética ilustra essa realidade. A substituição dos combustíveis fósseis por fontes de baixo carbono representa uma transformação tecnológica extraordinária e necessária. Contudo, ela não elimina a materialidade dos sistemas energéticos. Painéis fotovoltaicos exigem silício, alumínio, cobre e vidro. Aerogeradores exigem aço, concreto e minerais críticos. Baterias exigem lítio, níquel, grafite e cobalto. Redes elétricas exigem enormes quantidades de materiais, energia e território. Em outras palavras, a transição energética altera os fluxos materiais e energéticos da sociedade, mas não elimina sua dependência da biosfera.
Talvez seja justamente esse o principal avanço teórico construído a partir do debate em torno da sustentabilidade. Durante décadas, o debate energético concentrou-se em garantir a oferta, a confiabilidade e os custos competitivos. Esses objetivos continuam fundamentais. Entretanto, os desafios contemporâneos exigem uma visão mais ampla. Sustentabilidade não significa apenas utilizar tecnologias mais eficientes ou reduzir as emissões. Deveria reconhecer que a economia está inserida na sociedade e que esta é apenas um dos subsistemas da biosfera.
Essa percepção não reduz a importância da tecnologia. Pelo contrário. Ela permite compreender seu verdadeiro papel.
A inovação tecnológica pode ampliar os limites, aumentar a eficiência, reduzir os impactos e melhorar a qualidade de vida. O que ela não pode fazer é eliminar a dependência humana dos processos biofísicos que sustentam a vida.
Ao discutir energia, sustentabilidade e desenvolvimento, talvez a pergunta mais importante não seja qual tecnologia desenvolveremos nas próximas décadas. Talvez a questão fundamental seja outra: continuaremos a enxergar a sociedade como algo separado da natureza ou passaremos a reconhecê-la como parte inseparável dela?
Para os leitores interessados em aprofundar essa discussão, recomenda-se a leitura do artigo "Conceptualizing Human–Nature Relationships: Implications of Human Exceptionalist Thinking for Sustainability and Conservation", de Kim et al., publicado na revista Topics in Cognitive Science (2023). O trabalho apresenta uma análise abrangente do conceito de excepcionalismo humano, suas origens cognitivas e culturais e suas implicações para a sustentabilidade, a conservação ambiental e a formulação de políticas públicas, complementando e aprofundando as reflexões apresentadas neste texto.
Roberval Bulgarelli é engenheiro eletricista e consultor sobre equipamentos e instalações em atmosferas explosivas.
Aatualização da Norma Regulamentadora NR-10 (Segurança em Instalações Elétricas e Serviços em Eletricidade), publicada em 29/05/2026, após 22 anos sem revisão, representa uma evolução importante para a segurança das instalações elétricas em áreas classificadas. A nova redação incorpora os princípios do Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO), previstos na NR-1, e promove maior alinhamento com as Normas da Série ABNT NBR IEC 60079.
Os riscos de ignição decorrentes de equipamentos e instalações elétricas passam a integrar o Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR), exigindo identificação, avaliação e controle das possíveis fontes de ignição capazes de inflamar atmosferas explosivas formadas por gases inflamáveis, vapores ou poeiras combustíveis.
A NR-10 reforça os requisitos relacionados aos serviços de classificação de áreas, seleção, instalação, inspeção, manutenção e reparo de equipamentos "Ex", fortalecendo a aplicação das normas ABNT NBR IEC 60079-10-1, 60079-10-2, 60079-14, 60079-17, 60079-19, IEC TS 60079-32-1, IEC TS 60079-44 e IEC 61892-7.
A Seção 10.6.6.1 determina que instalações elétricas em áreas classificadas adotem medidas destinadas à eliminação de fontes de ignição e sejam submetidas às inspeções previstas na NR-10. Equipamentos, componentes e sistemas "Ex", nacionais, importados ou reparados, devem possuir certificação de conformidade e ser compatíveis com o estudo de classificação de áreas, considerando Zona, Grupo, Classe de Temperatura ou temperatura máxima de superfície, EPL e tipo de proteção.
As características de certificação dos equipamentos ficam agora vinculadas ao estudo de classificação de áreas, assegurando compatibilidade entre os riscos identificados e as características certificadas dos equipamentos “Ex”.
As inspeções iniciais e periódicas ganham maior relevância, devendo ser executadas conforme a ABNT NBR IEC 60079-17. Os relatórios destas inspeções “Ex” passam a integrar obrigatoriamente o Prontuário das Instalações Elétricas (PIE), ampliando a rastreabilidade e a gestão da integridade das instalações.
Outra mudança relevante é a ampliação dos treinamentos. O treinamento complementar para atividades em áreas classificadas passa a exigir carga mínima de 16 horas, contemplando fundamentos sobre atmosferas explosivas, classificação de áreas, tipos de proteção, certificação, inspeções, instrumentos de medição, Permissões de Trabalho e atividades práticas.

O PIE também foi fortalecido, reunindo estudos técnicos, certificados, análises de risco, inspeções, procedimentos e responsabilidades técnicas. A NR-10 reforça ainda a atuação do Profissional Legalmente Habilitado (PLH) na elaboração e atualização dessa documentação e na gestão das modificações.
A NR-10 estabelece que qualquer serviço elétrico em áreas classificadas somente pode ser realizado mediante Permissão de Trabalho, análise de riscos e procedimento específico, contribuindo para a segurança “Ex” em refinarias, plataformas, petroquímicas, terminais, mineradoras, siderúrgicas, agroindústrias, armazéns e silos.
A Seção 10.6.6.2 requer medidas contra eletricidade estática em processos capazes de gerar cargas eletrostáticas, como carregamento de caminhões-tanque, correias transportadoras, filtros de mangas, transporte pneumático, silos e operações com solventes, conforme a ABNT IEC TS 60079-32-1.
A NR-10/2026 substitui uma abordagem predominantemente prescritiva por um modelo integrado de gerenciamento de riscos, fortalecendo a PREVENÇÃO da ignição, a CONFORMIDADE técnica, a GESTÃO da integridade das instalações "Ex" e a HARMONIZAÇÃO com as melhores práticas internacionais “Ex”.


Caio Huais é engenheiro industrial, especialista em Engenharia Elétrica e Automação com MBA em engenharia de manutenção e gestão de negócios. Atualmente, ocupa posição de gerente corporativo de manutenção no Grupo Equatorial, respondendo pelo desempenho da Alta Tensão de 7 concessionárias do Brasil.
Ainteligência artificial inaugurou uma nova corrida mundial por infraestrutura crítica. A cada novo data center anunciado, cresce a demanda por potência elétrica, mas cresce também um desafio pouco discutido: a qualidade da onda de energia entregue ao sistema.
O setor elétrico sempre esteve preparado para responder ao crescimento da carga ativa. Agora, porém, enfrenta uma mudança bem mais complexa: a transformação da própria natureza dessa carga, que deixa de ser predominantemente linear e resistiva para se tornar majoritariamente eletrônica.
Servidores, UPS estáticas, retificadores, inversores, fontes chaveadas e demais conversores estáticos tornaram-se predominantes nas instalações modernas. Diferentemente das cargas convencionais, esses equipamentos operam por comutação e apresentam comportamento não linear, drenando correntes em pulsos que se decompõem em múltiplas componentes de frequência sobrepostas à fundamental de 60 Hz. O resultado é uma infraestrutura submetida a novos mecanismos de degradação térmica e dielétrica.
Segundo a IEEE 519, o controle das distorções harmônicas de tensão e corrente (THD-V e THD-I) é fundamental para preservar a integridade dos sistemas elétricos e evitar impactos sobre os equipamentos conectados. As normas IEC 61000-4-7 e IEC 610004-30, por sua vez, estabelecem metodologias para medição, classificação espectral e monitoramento contínuo da qualidade da energia. Na prática, essas recomendações deixam de ser um requisito de projeto e passam a representar uma necessidade operacional.
Considere um data center de 60 MW de carga crítica. Toda essa potência percorre sucessivos estágios de conversão eletrônica — CA-CC, CC-CC e CC-CA — até chegar aos racks de processamento. Cada estágio introduz componentes harmônicas de ordem ímpar (5ª, 7ª, 11ª, 13ª) que elevam a corrente eficaz (RMS), aumentam as perdas por efeito Joule e modificam o comportamento elétrico da instalação como um todo.
Os primeiros ativos a sentir esses efeitos são os transformadores. As perdas adicionais por efeito pelicular, correntes parasitas no núcleo e dispersão magnética provocam aquecimento localizado e aceleram o envelhecimento da isolação celulósica. Em muitos
casos, transformadores corretamente dimensionados em potência aparente (kVA) tornam-se termicamente insuficientes quando submetidos a níveis elevados de distorção harmônica. Por isso, projetos destinados a data centers, frequentemente exigem análise conforme a IEEE C57.110, uso de transformadores com fator K, estudos de “derating” térmico e avaliações específicas de perdas adicionais.
Os impactos também alcançam barramentos, cabos, bancos de capacitores, sistemas de aterramento e proteção. Fenômenos de ressonância harmônica, disparos indevidos de disjuntores, sobrecargas no condutor neutro (pela soma das harmônicas “triplens”) e envelhecimento acelerado dos ativos deixam de ser eventos isolados e passam a representar riscos permanentes à operação.
Essa mudança exige uma nova forma de enxergar a confiabilidade. Historicamente, os programas de manutenção concentravam esforços na integridade física dos equipamentos. Em infraestruturas digitais, no entanto, a degradação pode ocorrer mesmo sem alterações visíveis, como resultado de solicitações elétricas contínuas e cumulativas que reduzem silenciosamente a vida útil dos ativos. Sob a ótica da ABNT NBR ISO 55001, esse cenário reforça um princípio essencial: decisões sobre ativos devem considerar risco, desempenho e ciclo de vida. Monitorar apenas temperatura, óleo isolante ou número de operações já não é suficiente — é preciso incorporar indicadores espectrais de qualidade da energia, conteúdo harmônico individual e total, carregamento dinâmico e comportamento elétrico ao processo de gestão de ativos.
É justamente nesse contexto que sensores permanentes, monitoramento on-line, plataformas analíticas e inteligência artificial passam a exercer papel estratégico. A expansão dos data centers representa uma das maiores oportunidades para o setor elétrico brasileiro nas próximas décadas. Mas essa expansão exige uma infraestrutura projetada não apenas para fornecer potência, e sim para preservar estabilidade, qualidade da energia e confiabilidade operacional.
Os desafios da nova economia digital serão resolvidos com engenharia, e, sobretudo, com uma gestão de ativos capaz de compreender que, na era dos data centers, potência e qualidade de energia passam a ser inseparáveis.
Por: Eng José Starosta – Diretor da Ação Engenharia e Instalações Ltda jose.starosta@acaoengenharia.com.br
As recomendações das normas nacionais (NBR 5410, NBR 14039), internacionais (IEC, IEEE, NEC) e documentos técnicos se referem aos sistemas de aterramento das instalações como um porto seguro para a manutenção das referências das tensões com o aterramento adequado das fontes e proteção física segura contra os choques elétricos em caso de ocorrência de baixa isolação de algum equipamento das instalações, além da garantia da atuação dos dispositivos de proteção e dos dispositivos diferenciais residuais. Nos projetos e execução das instalações efetuadas, mesmo de formas adequadas e conformes, é comum verificar a existência de correntes circulando pelos sistemas de aterramento das instalações, causando preocupação aos usuários.
A primeira condição deve considerar que só ocorrerá corrente no aterramento próxima a zero em situações que possuam equipamentos e instalações com isolação tão alta que superam quaisquer expectativas de correntes de fuga, falhas estruturais e envelhecimento. O uso de um sistema “super isolado” parece longe das expectativas até de instalações concebidas com alto grau de confiabilidade de resiliência. As normas recomendam ajustes dos dispositivos de proteção de correntes com valores da ordem de 10% da corrente nominal da fonte. Assim, um transformador de 1000 kVA com alimentação em 380V, terá uma corrente nominal máxima de 1521 A e pick-up do relé de proteção de fuga à terra de até 152 A, com ajuste fino a critério de cada projeto que normalmente reduz esse valor.
O segundo ponto considera o acompanhamento e preservação dos sistemas de isolamento com programas de manutenção dos equipamentos e instalações de forma adequada, mantendo esses valores em níveis adequados de correntes de fuga.
Um terceiro ponto bastante comum de falha é a inadequação da interligação do neutro ao sistema de aterramento que desconsidera padrões adotados pelas normas considerando um ponto único de interligação, normalmente tratado por BEP.
Outras razões que provocam circulação de corrente no aterramento são as ligações equivocadas entre neutro e terra e interligações entre aterramentos que causam “loops” de corrente. Os

efeitos de circulação de corrente podem afetar instrumentação de processos e falhas nos sistemas de automação e controle.
Poderá também ocorrer atuação intempestiva da proteção por extrapolação dos limites ajustados seja por falhas de componentes e mesmo por transientes de tensão que possam induzir respostas das correntes das cargas que venham atuar a proteção como o registrado na figura 1 que indica a circulação de corrente pelas fases e aterramento da instalação que ocorre após um transiente da tensão da rede. Observam-se as componentes de correntes de terceira harmônica nas fases em vermelho (valores máximos de até 350 A, valores semelhantes às correntes na corrente fundamental em azul) e a corrente de terceira harmônica pelo neutro em lilás de até 1050 A compostas por correntes de terceiras harmônicas nas fases que se somam no sistema de aterramento. O registro da corrente fundamental pelo aterramento em verde indica valores abaixo de 50 A.

Figura 1 - Registro de correntes de fase e aterramento no sistema de aterramento com as correntes fundamentais e de terceira harmônica Fonte: Ação Engenharia e Instalações Ltda
Nessa situação ocorreu a atuação da proteção de fuga à terra por conta da passagem pelo sistema de aterramento da corrente de terceira harmônica somada no condutor de proteção.
Pesquisas efetuadas com análise detalhada da topologia de aterramento em conjunto com medições, normalmente resolvem as anomalias quando os sistemas e componentes do sistema de aterramento se encontram íntegros.

Barreto é Mestre pela PUC-Rio em Metrologia, Inovação e Qualidade, Engenheiro Eletricista. É Sócio-Diretor da B&S Consultoria em Projetos.
Osetor elétrico brasileiro vive um momento de profunda transformação impulsionado pela digitalização, descentralização da geração, transição energética, inteligência artificial, redes inteligentes e novas exigências regulatórias. Nesse contexto, a inovação deixou de ser uma atividade complementar para se tornar um fator estratégico de competitividade e sustentabilidade. Entretanto, muitas concessionárias ainda enfrentam desafios culturais e de governança que limitam o potencial dos investimentos em Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PDI).
A maturidade de concessionárias com relação ao tema Inovação varia significativamente entre as organizações, mas, de forma geral, muitas concessionárias ainda carregam características típicas de empresas altamente reguladas: forte aversão ao risco, estruturas hierárquicas rígidas, foco em conformidade regulatória e processos decisórios lentos.
Essas características conservadoras foram fundamentais para garantir segurança e confiabilidade do sistema elétrico ao longo das últimas décadas. Contudo, podem dificultar a adoção de uma cultura de experimentação, aprendizado rápido e inovação contínua. O maior paradoxo é a busca de risco técnico baixo, mas esperando resultados que tragam diferenciais competitivos.
Entretanto, as concessionárias mais maduras vêm tratando o PDI como um instrumento estratégico capaz de gerar valor através da redução de custos operacionais, aumento da eficiência dos ativos, melhora nos indicadores de qualidade e desenvolvimento de novos modelos de negócio.
Quando alinhado ao planejamento estratégico corporativo, o PDI deixa de ser um centro de custo regulatório e passa a funcionar como um mecanismo estruturado de geração de valor.
No entanto, ainda falta alinhamento entre os mais diferentes stakeholders ligados ao processo, que possuem visões, expectativas e maturidades no assunto inovação, completamente diferentes.
Muitas vezes os projetos são concebidos pela área de PDI das empresas, sem o envolvimento efetivo das áreas operacionais. Como resultado, surgem soluções tecnicamente interessantes, porém desconectadas das necessidades reais do negócio.
Assim, devemos adotar práticas que possam aumentar o engajamento dos colaboradores das concessionárias frente a um modelo matricial. Os projetos devem nascer de problemas concretos enfrentados pelas áreas operacionais. Cada projeto deve possuir um patrocinador da área de negócio, responsável por acompanhar resultados e facilitar a implementação. Equipes operacionais devem participar desde a definição do problema, passando pela seleção dos parceiros e validação das soluções.
O principal desafio da inovação no setor elétrico não é tecnológico, mas cultural e organizacional. Recursos financeiros, universidades qualificadas, startups e fornecedores especializados já estão amplamente disponíveis. O diferencial competitivo está na capacidade das concessionárias de criar uma cultura que valorize a experimentação, integrar as áreas operacionais ao processo de inovação e estabelecer uma governança que combine controle regulatório com proximidade do negócio.

























































































