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de dimensões comerciais e não fazem parte do contrato de compra e venda do imóvel. A vegetação que compõe o paisagismo retratado nas perspectivas é meramente ilustrativo e
Matéria de capA
HENRIQUE FOGAÇA
O CHEF CONTA SUA TRAJETÓRIA NA GASTRONOMIA, FALA SOBRE DISCIPLINA, IDENTIDADE, LIDERANÇA E COMO O PROPÓSITO MANTÉM MARCAS FORTES 40
Artemis:
Nova
Com “toque premium”, Olive Garden abrirá às portas no Shopping
efe. | A Revista da Folha de Alphaville Avenida Cauaxi, 293 | Ed. Alpha Green Alphaville Barueri/SP | 06454-020 (11) 4208-1600
*Os artigos assinados não refletem, necessariamente, a opinião da revista.
48. ARQ y DSGN
sede do Museu da Casa Brasileira (MCB) será em São José dos Campos
28. Tecnologia
a nova corrida lunar que move trilhões
54. Negócios
Tamboré
56. Turismo
Rota dos grandes lagos chilenos, onde começa a Patagônia
62. Cultura
Cirque du Soleil, que começa em agosto em SP, tem brasileira como uma das protagonistas
Divulgação
Assumir a posição de publisher da revista “efe.” é, antes de tudo, assumir um compromisso com o tempo em que vivemos — Vivemos em uma era em que o conteúdo não é apenas informação, mas influência. Chego com a missão de ampliar horizontes e fortalecer o diálogo com o leitor e o mercado.
Nesta edição olhamos para o futuro com a missão Artemis, da NASA, que simboliza uma nova era de exploração e inovação. Mais do que uma jornada espacial, trata-se de um lembrete poderoso sobre ambição humana, colaboração e tecnologia aplicada a desafios aparentemente impossíveis.
Seguimos para Austin no Texas, no SXSW. Apresentamos as tendências de um dos mais importantes festivais de criatividade, negócios e tecnologia. A ideia aqui é provocar reflexões sobre o que está por vir.
Falando de arte, destacamos a expansão do Museu da Casa Brasileira, que ganha uma nova sede em São José dos Campos. Um movimento que conecta cultura, design e desenvolvimento regional, fortalecendo a economia criativa.
Nossa matéria de capa apresenta a trajetória de Henrique Fogaça, que vai além da gastronomia. Ele representa uma combinação potente de autenticidade, disciplina e visão de negócios — atributos cada vez mais necessários em um mercado competitivo e em constante transformação.
Na nossa tradicional seção “Liderança”, trazemos uma exclusiva com a diretoria do iFood, explorando decisões, desafios e aprendizados em um dos setores mais dinâmicos da atualidade. Juntos observamos o mundo com mais profundidade, conectamos pontos aparentemente distantes e agimos com intenção. Porque, no fim, são as escolhas de hoje que moldam os negócios — e o mundo — de amanhã.
Boa leitura!
Marcelo Foffá Publisher
COLUNISTAS
14. Ricardo Amorim
Ricardo Amorim é economista, empreendedor, comentarista, palestrante e influenciador digital brasileiro. Graduado em Economia pela Universidade de São Paulo (USP) e com pós-graduação em Administração e Finanças Internacionais pela ESSEC Business School, em Paris. Foi apresentador do programa Manhattan Connection, na GloboNews, e eleito pela revista Forbes como um dos “100 mais influentes brasileiros”.
@ricamorim
16. Carlos Alberto Júlio
Carlos Alberto Júlio é um executivo experiente, professor, autor e palestrante de destaque no cenário corporativo brasileiro. Tem sólida formação internacional e extensa experiência como CEO e conselheiro.
@profcarlosjulio
18. João Branco
João Branco é professor e autor do Desmarquetize-se. Ex-VP Marketing McDonald’s, eleito o profissional de Marketing mais admirado do Brasil e top 10 melhores CMOs pela Forbes.
@falajoaobranco
36. Fernando Barra
Fernando Barra é especialista em tecnologia e inovação, professor palestrante, fundador da Skillplace.com.br e autor do livro Meu Emprego Sumiu.
@ofernando.barra
39. Vanessa Pedrosa
Fonoaudióloga especialista em voz, mestre e doutora em Ciências pela Unifesp. Atua como fonoaudióloga na Record São Paulo e nos canais ESPN Disney, além de ser sócia-proprietária da Fonoevidence, consultoria especializada em performance comunicativa. Com 25 anos de experiência, atua com executivos e líderes corporativos em setores estratégicos.
@vanessapedrosafono
Briefing
O resumo de notícias que conecta você ao mercado
ROLEX CELEBRA 100 ANOS DO OYSTER, O RELÓGIO QUE REDEFINIU RESISTÊNCIA E LUXO
>> A Rolex celebra 100 anos do Oyster, o relógio que redefiniu resistência e elegância. Lançado em 1926, foi o primeiro modelo hermético do mundo, símbolo de inovação e precisão. Um século depois, o Oyster segue como ícone da alta relojoaria, atravessando gerações com a mesma promessa: durabilidade, desempenho e prestígio atemporal.
Restaurante Jangada em Alphaville | Nubank adquire naming rights do Estádio do Palmeiras | Heineken abrirá espaço no Parque Villa-Lobos
NUBANK ADQUIRE NAMING RIGHTS DO ESTÁDIO DO PALMEIRAS
>> O Nubank anunciou a aquisição dos naming rights do estádio do Palmeiras, em um movimento que encerra o ciclo da Allianz Brasil como detentora da marca da arena. A iniciativa reforça a estratégia do banco digital de ampliar sua presença no território de esporte e entretenimento, aproximando a marca de grandes audiências e experiências ao vivo. Como parte do lançamento, três opções de nome foram colocadas em votação aberta no site da instituição: Nubank Parque, Parque Nubank e Nubank Arena. A consulta começou durante o evento e deve orientar a escolha final, envolvendo torcedores e consumidores.
META ABRE SUA PRIMEIRA FLAGSHIP STORE FIXA EM
>> A Meta inaugurou recentemente sua primeira loja física no mundo, instalada na Quinta Avenida, em Nova York. Batizado de Meta Lab, o espaço ocupa cerca de 1.400 metros quadrados distribuídos em cinco andares e foi concebido como um hub de experimentação voltado às tecnologias de inteligência artificial e wearables da companhia. A proposta vai além da exposição de produtos. O espaço convida o visitante a interagir com as tecnologias em diferentes pontos da jornada, além de contar com uma cafeteria integrada, reforçando a ideia de permanência e experiência.
JANGADA INVESTE R$ 8 MILHÕES E ESTREIA EM
ALPHAVILLE
>> O restaurante Jangada prepara sua chegada a Alphaville em meio ao avanço da cena gastronômica da região, com abertura prevista para o início de junho e investimento de cerca de R$ 8 milhões. A nova unidade nasce com a ambição de se consolidar como referência em peixes e frutos do mar no mercado local, apostando em um posicionamento “casual premium”, com forte apelo familiar e estrutura também voltada a ocasiões especiais. A escolha de Alphaville reflete um movimento estratégico do grupo, que busca ampliar presença em mercados mais maduros e de alto poder de consumo.
EDITORA GLOBO FIRMA ACORDO PARA ADQUIRIR A CASACOR
>> A Editora Globo anunciou a assinatura de um contrato para a aquisição da CasaCor, tradicional mostra de arquitetura, decoração e design criada em 1987 e consolidada como uma das principais plataformas de conteúdo do setor. A movimentação faz parte da estratégia da empresa de expandir sua presença no segmento de lifestyle e de eventos. A conclusão do negócio ainda depende da aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). Até que o processo seja finalizado, a operação da CasaCor seguirá de forma independente, incluindo o funcionamento do site e o calendário de eventos já programados.
HEINEKEN ABRIRÁ ESPAÇO NO PARQUE VILLA-LOBOS
>> O Grupo Heineken prepara a abertura de um novo espaço no Parque Villa-Lobos, em São Paulo, com proposta que vai além do consumo e aposta na convivência urbana. A chamada Heineken House chega à capital paulista com a ideia de integrar cultura, lazer e gastronomia em um ambiente aberto ao público e com programação gratuita. O local contará com áreas de convivência, incluindo um espaço de coworking acessível, além de uma agenda cultural dinâmica, pensada para acompanhar o ritmo da cidade. A inauguração ainda não tem data confirmada, mas a expectativa é que aconteça no início de maio.
Foto: Divulgação
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NOVA “TRIPLE
Z” MARCA AVANÇO
DA COCA-COLA EM BEBIDAS ZERO
>> A Coca-Cola está ampliando sua linha zero e lançou no início deste ano a “Triple Z”, nova versão “sem nada”: sem açúcar, sem cafeína e sem calorias. A novidade estreou na Europa com a proposta de manter o sabor clássico, mas alinhada a um consumidor cada vez mais atento à saúde e aos rótulos. A expansão para outros mercados, como o Brasil, dependerá da aceitação do público.
L’OCCITANE CELEBRA 50 ANOS E RELANÇA FRAGRÂNCIAS CLÁSSICAS
COM NOVA IDENTIDADE
>> A L’Occitane en Provence celebra 50 anos com um reposicionamento global que mistura luxo, natureza e experiência sensorial. No Brasil, a marca relança sua coleção de fragrâncias com a campanha “Flora Orchestra”, que transforma flores como lavanda em uma “sinfonia” visual. A nova fase traz frascos redesenhados, nomes em francês, estética minimalista e até experiências imersivas com “layering” de perfumes — tudo sob o conceito Maison, que moderniza a marca sem perder seu DNA provençal.
NOVO
>> O aguardado iPhone dobrável da Apple deve estrear em setembro, seguindo o tradicional calendário da marca. Rumores apontam um design inovador, tela interna OLED flexível de cerca de 7,8 polegadas e display externo entre 5,5 e 6,1 polegadas, ambos com tecnologia LTPO. A marca também aposta em reduzir o vinco visível e usar vidro ultrafino (UTG). O preço, porém, deve ser elevado: estimativas indicam valores a partir de US$ 2.000, podendo chegar a US$ 2.400 nas versões mais completas, posicionando o modelo como o mais premium já lançado pela empresa.
NOVA
APOSTA DA HEINZ REDUZ AÇÚCAR E REFORÇA FOCO EM ALIMENTAÇÃO SAUDÁVEL
>> A Heinz aposta na saúde de seus consumidores e lança no Brasil o ketchup sem adição de açúcar. A novidade chega com até 50% menos calorias e 25% menos sódio, mantendo o sabor com maior concentração de tomate. Com investimento de R$ 50 milhões, a marca quer transformar o “zero” em tendência e ampliar seu espaço nas mesas brasileiras.
PANINI ABRE PRÉ-VENDA DO ÁLBUM DA COPA 2026 COM 980 FIGURINHAS
>> A Panini Brasil iniciou a pré-venda do álbum oficial da Copa do Mundo FIFA 2026, que promete ser o maior da história. A coleção terá 980 figurinhas e 48 seleções a serem distribuídas em 112 páginas, além da capa, refletindo o novo formato do torneio. São quase 300 cromos a mais do que na versão de 2022. Os preços partem de R$ 24,90 na versão básica e chegam a R$ 79,90 nas capas especiais, enquanto os pacotes custam cerca de R$ 7 com 7 cromos. O lançamento oficial está previsto para 1º de maio.
JOÃO VITOR XAVIER É NOMEADO CEO DA CNN BRASIL
>> A CNN Brasil anunciou o jornalista e radialista João Vitor Xavier como seu novo CEO. Após cinco mandatos no Legislativo mineiro, ele confirmou que deixará a vida pública e não disputará a reeleição, passando a se dedicar integralmente à gestão do grupo. O executivo também seguirá à frente da Rádio Itatiaia, líder de audiência no país. A nomeação consolida a estratégia de integração entre duas das principais operações de jornalismo do Brasil. Para João Vitor, o desafio vai além da gestão. “Assumir essa posição é uma forma de contribuir com o país, em veículos fundamentais para a democracia e a informação”, afirmou.
JORNALISTA
FERNANDA GENTIL
É A NOVA HEAD CRIATIVA DE GUARANÁ ANTARCTICA
>> O Guaraná Antarctica anunciou a jornalista Fernanda Gentil como nova head criativa de esportes e entretenimento. No cargo, apelidado de “Artilheira de Ideias”, ela terá contrato de dois anos para atuar na criação de conteúdos e campanhas em parceria com o time de marketing e agências. A iniciativa, conduzida com apoio da Crispin e da Suba, busca fortalecer a conexão da marca com o público, especialmente em grandes ciclos esportivos, como a Copa de 2026 e o avanço do futebol feminino. A contratação faz parte da estratégia da Ambev de integrar nomes com forte presença no universo esportivo e digital ao desenvolvimento criativo de suas marcas.
PROXXIMA 20 ANOS: EVENTO RELANÇA
PROGRAMA DE STARTUPS COM FOCO EM IA
>> Em 2026, o ProXXIma completa duas décadas consolidado como uma das principais plataformas de debate sobre inovação em marketing e tecnologia no Brasil. Promovido pelo Meio & Mensagem, o encontro reúne anualmente executivos, líderes de agências e anunciantes no WTC Events Center. Na edição histórica, marcada para 26 e 27 de maio, o evento amplia seu escopo e passa a atuar também como plataforma de fomento ao ecossistema, com o relançamento do ProXXIma Startups. A proposta é identificar, apoiar e conectar novas startups ao mercado, em uma estratégia que vai além do debate e busca impulsionar, na prática, a inovação no setor.
HOT WHEELS MONSTER TRUCKS LIVE CHEGA AO BRASIL COM SHOW EM SÃO PAULO
>> O espetáculo Hot Wheels Monster Trucks Live Glow n’ Fire desembarca no Brasil no segundo semestre, com apresentação em São Paulo no dia 22 de agosto, na Arena Pacaembu. A turnê inclui ainda Porto Alegre, Curitiba e Brasília. Produzido pela Mattel em parceria com a Family Entertainment Live, o evento leva às arenas versões em tamanho real dos icônicos caminhões da Hot Wheels, com manobras radicais, freestyle motocross e efeitos especiais. O show reúne modelos como Mega Wrex™, Tiger Shark™ e Bigfoot®, além de apostar em uma experiência imersiva com luzes neon e pirotecnia.
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Ricardo Amorim
Economista mais influente do Brasil, segundo a Forbes, e Influenciador nº
1 no LinkedIn
DDe piada a exemplo:
que o Brasil pode e deve aprender com o Paraguai
urante décadas, “paraguaio” era sinônimo de falsificado, barato, de baixa qualidade, aqui no Brasil. Só que o jogo virou. O Paraguai deixou de ser motivo de piada para se tornar destino de investimentos, crescimento e, talvez, o mais simbólico, fuga de talentos e capitais brasileiros. Sim, cada vez mais brasileiros vão para lá com suas empresas, seu dinheiro e sua qualificação. A pergunta é: o que o Paraguai fez de certo e nós não?
A virada não aconteceu por acaso. O Paraguai não resolveu todos os seus problemas - muito longe disso - mas conquistou o que poucos países da América Latina conseguiram manter por muito tempo: estabilidade das regras do jogo econômico.
Ao longo dos últimos anos, a economia do país se tornou mais previsível, com regras mais claras e menos mudanças bruscas. Em economia, previsibilidade cria confiança e confiança atrai investimentos financeiros, que por sua vez geram empregos e crescimento econômico.
Outro ponto central foi a atitude em relação ao ambiente de negócios no país. Enquanto o Brasil, geralmente, complica, o Paraguai simplifica. Os impostos por lá são muito mais baixos do que aqui, e o custo para abrir e manter uma empresa é significativamente menor. O resultado é simples: mais empresas, mais investimentos, mais crescimento econômico e maior melhoria da qualidade de vida da população. Não por acaso, o país vem crescendo cerca de 4% ao ano por duas décadas, aproximadamente o dobro do Brasil no mesmo período, com inflação mais baixa e contas públicas bem mais equilibradas.
Esse conjunto de fatores permitiu que o Paraguai conquistasse o grau de investimen-
to, um selo que indica confiança para investidores internacionais, o mesmo que o Brasil perdeu, em 2015, no governo Dilma Rousseff, e não reconquistou até hoje. Atualmente, estamos dois degraus abaixo deles nessa classificação. Isso ajuda a explicar por que investidores estrangeiros hoje compram títulos da dívida paraguaia em moeda local, algo que, há poucas décadas, era impensável.
Talvez, o sinal mais forte dessa mudança seja outro: o comportamento dos próprios brasileiros em relação ao país. O Brasil já é o maior investidor estrangeiro no Paraguai e essa participação continua crescendo. Empresas e empreendedores brasileiros estão cruzando a fronteira em busca de um ambiente de negócios mais favorável para operar. Empregos e riqueza que poderiam ser gerados no Brasil, acabam sendo gerados em nosso vizinho.
Nada disso significa que o Paraguai virou um país perfeito. Ele ainda enfrenta problemas importantes, como alta informalidade, pobreza significativa e corrupção elevada. A diferença é que, ao contrário de muitos países da região, eles estão melhorando de forma consistente. Se mantiverem o ritmo dos últimos 20 anos, vão alcançar indicadores melhores do que os do Brasil nas próximas décadas. A grande lição aqui é simples, mas poderosa. Crescimento sustentável não vem de soluções mágicas, mas de decisões consistentes ao longo do tempo: regras estáveis, gastos públicos sob controle e um ambiente que, ao estimular quem produz, gera riqueza para todos no país. Dinheiro vai para onde é bem tratado. Talentos são atraídos para onde encontram oportunidades.
Infelizmente, o Brasil tem feito exatamente o contrário disso e, por consequência, perdido capitais, talentos e riqueza.
Carlos Alberto Júlio Executivo, professor e palestrante brasileiro
Contratar humano ou algoritmo
Estamos fazendo a pergunta errada.
A discussão sobre o impacto da inteligência artificial no emprego tem sido conduzida quase sempre pelo lado de quem teme perder espaço. Mas a pergunta mais relevante não vem de quem trabalha, vem de quem contrata.
E ela é simples — e desconfortável: essa função precisa mesmo de um ser humano? Pode parecer frio. Mas, na verdade, é estratégico.
Empresas que desejam construir uma verdadeira cultura de IA não podem tratar a tecnologia como um “plus”, um acessório moderno ou um departamento isolado. IA não é área. É critério de decisão. E começa no RH.
Toda descrição de vaga, a partir de agora, deveria vir precedida de um exercício obrigatório: decompor a função em tarefas e perguntar, com honestidade brutal, quais delas são essencialmente humanas — e quais são apenas operacionais, repetitivas, previsíveis.
Porque, se forem previsíveis, já não são mais humanas. São automatizáveis. E aqui está o ponto que muitos evitam encarar: não é sobre substituir pessoas. É sobre não contratar errado.
Durante décadas, contratamos pessoas para executar tarefas. Agora, precisamos contratar pessoas para resolver problemas, tomar decisões, interpretar contextos, criar, negociar, liderar. O resto — cada vez mais — será feito por algoritmos. Isso exige coragem, porque muda a lógica da contratação.
Antes, o RH buscava aderência a uma lista de atividades. Agora, precisa questionar a própria existência dessas atividades. Antes, desenhávamos cargos. Agora, precisamos redesenhar o trabalho.
E mais: empresas que não fizerem isso estarão, na prática, criando ineficiências estruturais. Estarão pagando salários para tarefas que poderiam ser executadas com mais velocidade, menor custo e maior precisão por sistemas inteligentes.
Mas há um risco ainda maior. Ao não separar claramente o que é tarefa de humano e o que é tarefa de algoritmo, as organizações condenam seus colaboradores a funções de baixo valor. E, com isso, matam o engajamento, a evolução e o próprio senso de propósito.
Ninguém quer competir com uma máquina em tarefas de máquina. Por outro lado, quando essa separação é bem feita, algo poderoso acontece: o trabalho humano sobe de nível. Torna-se mais estratégico, mais criativo, mais decisório. Mais humano, de fato.
Por isso, talvez a nova regra seja simples de enunciar — e difícil de aplicar: se a tarefa é de algoritmo, contrate IA. Se é de humano, contrate gente de verdade.
O problema é que, hoje, muitas empresas ainda contratam pessoas para fazer o trabalho dos algoritmos — e esperam que elas se comportem como humanos. No fim, frustram os dois.
A inteligência artificial não veio apenas para transformar o trabalho. Veio para expor, com clareza brutal, a forma como sempre organizamos mal o trabalho. E talvez o papel mais importante do RH, daqui para frente, não seja contratar mais. Seja contratar melhor. Ou, em alguns casos, não contratar.
Formação médica com qualidade, seriedade e responsabilidade.
SAIBA MAIS
João Branco Professor, autor e ex-VP de Marketing do McDonald’s
O cliente quer ter opções… mas não gosta de escolher. E agora?
Quem nunca entrou em um restaurante, olhou o cardápio, passou 15 minutos avaliando o risoto de camarão, a massa ao molho de cogumelos, o frango empanado com crosta de castanhas e acabou pedindo o mesmo estrogonofe de sempre?
Essa é a contradição moderna do consumidor: ele quer ter opções. Mas na hora de escolher, fica paralisado. Sofre. E isso não é só preguiça ou indecisão, é ciência.
Uma pesquisa muito estudada pelos marketeiros comprovou: entre uma loja que tem 6 sabores de geleias e uma que tem 24, a primeira vende mais. Quem tem maior variedade é até capaz de atrair mais clientes,mas eles ficam cansados no processo da escolha e muitos acabam desistindo de comprar.
O psicólogo Barry Schwartz chamou isso de “Paradoxo da Escolha”, um nome bonito para dizer que quanto mais liberdade a gente tem, mais arrependido e ansioso a gente fica depois. Como quando ficamos
uma hora no iFood olhando 87 restaurantes, e, no final, pedimos o mesmo hambúrguer de sempre. Porque a vida já está difícil demais para se arrepender até da janta.
No SXSW de 2025 Scott Galloway cravou: “A escolha é como se fosse um imposto para o consumidor”.
Forte, mas verdadeiro. Ele compartilhou um dado interessante: os americanos gastam, em média, o equivalente a 1 semana por ano decidindo o que assistir na Netflix. Sete dias escolhendo série! Por outro lado, o TikTok parece ser um alívio para esse processo. Não porque tenha menos opções de conteúdos disponíveis, mas porque o app “escolhe” por você. Nem precisa pensar. É como se ele dissesse: “Relaxa, deixa que eu resolvo”. E a gente ama. Porque o cérebro quer descanso, não mais dilemas.
Quer outro exemplo? A Shein. O famoso e-commerce de “blusinhas” na verdade oferece mais de 10 mil produtos por semana. Parece uma receita para o caos, mas a mágica está no como. No podcast Desmarketize-se, a Raquel Arruda, CIM, diretora da marca, contou o segredo: “nosso diferencial é conseguir hiper personalizar a experiência de compra”. Você achava que a Shein era um fenômeno de lançamentos, mas a grande sacada desse negócio está na sua capacidade de adivinhar o que vai interessar a cada cliente. Ninguém vê 10 mil opções. Para cada cliente aparece
uma “vitrine” diferente. O app aprende o que você curte, e te mostra só aquilo. Para uns, vestidos floridos. Para outros, moletons pretos. Para alguns, glitter e babado. Para outros, cropped minimalista. Parece mágica, mas é algoritmo.
Ou seja: o segredo é entender o que oferecer para quem. Mostrar o certo. O que faz sentido para aquela pessoa, naquele momento.
E é aqui que o marketing ganha uma nova missão: não é mais só sobre exibir, promover, aparecer. É sobre ajudar. Facilitar a vida do cliente. Simplificar. Filtrar. Escolher junto.
Talvez você precise fazer lançamentos para engajar a sua força de vendas, conseguir mais espaço na gôndola e ocupar a capacidade ociosa da fábrica. Mas da próxima vez que tiver que investir pesado em mais uma variação do seu produto, pergunte-se: isso vai ajudar ou vai atrapalhar meu consumidor? Vai empoderar ou vai estressar?
Em tempos de excesso, a escassez pensada vira luxo. O filtro vira diferencial. A curadoria vira carinho. O marketing vira serviço. E o cliente... vira fã.
Porque no fundo, ele quer saber que poderia escolher entre mil coisas. Mas que você já fez isso por ele. E parece que adivinhou exatamente o que ele queria. Esse é o novo marketing.
Ponto de troca de figurinhas
A partir de 2 de maio, o Espaço Arqos será o ponto de Alphaville para troca de figurinhas do álbum da Copa.
Aproveite toda a tranquilidade e segurança, venha resgatar seu álbum, trocar suas figurinhas e participar de sorteios de pacotes e experiências temáticas.
Visite o Espaço Arqos e entre no clima!
SÁBADOS E DOMINGOS, A PARTIR DAS 9H ESPAÇO ARQOS (Em
frente ao colégio St. Nicholas)
Imagem meramente ilustrativa
Realização:
SXSW 2026: o futuro em tempo real
Festival mostra o amadurecimento da tecnologia, com foco em aplicações reais e impacto direto no dia a dia
Por Beatriz Bononi
Um termômetro global de inovação, tecnologia e comportamento. Esse é um dos principais papéis do South by Southwest (SXSW), que em 2026 aconteceu em março, em Austin, no Texas, nos Estados Unidos. A edição do festival reforçou esse posicionamento ao evidenciar uma mudança de chave: o futuro deixou de ser promessa e passou a ser aplicação.
Se, em anos anteriores, conceitos como inteligência artificial e sustentabilidade ainda orbitavam o campo das possibilidades, neste ano eles ganharam corpo — e urgência. A sensação geral foi de amadurecimento: menos discurso e mais prática. Entre os temas centrais, a inteligência
artificial apareceu de forma mais concreta e integrada ao cotidiano. “Nesta edição, observamos um amadurecimento profundo da Inteligência Artificial, saindo do campo das promessas para aplicações práticas e éticas”, afirma Marilia Marton, secretária da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo.
Esse movimento também foi percebido por quem esteve no evento apresentando soluções. Para Vera Kopp, CEO e fundadora da RainCreator, plataforma de inteligência artificial voltada à Creator Economy e que foi uma das startups selecionadas pela InvestSP, o SXSW 2026 consolidou uma virada de percepção sobre a tecnologia.
Imagem
gerada por I.A.
O SXSW FOI CRIADO EM 1987 E REÚNE
PROFISSIONAIS DE DIFERENTES PARTES DO MUNDO
“O que vi e constatei no SXSW deste ano é o grande movimento: a ‘desmitificação’ da IA. Deixamos de falar apenas do potencial futuro para focar na aplicabilidade prática. Notei um forte movimento em direção ao comércio contextual e à economia da confiança. O público está saturado de publicidade tradicional. A tendência agora é o uso da IA para personalizar a autenticidade, e não para substituí-la”, aponta.
Outro eixo forte foi a integração entre tecnologia e sustentabilidade. O debate sobre ESG (Environmental, Social, and Governance) deixou de ser periférico e passou a ocupar o centro das discussões, especialmente em soluções voltadas a desafios globais como clima e saúde.
Ao mesmo tempo, um movimento curioso ganhou força: a valorização das experiências presenciais. Em resposta à saturação digital, o próprio festival reforçou a importância do encontro físico, da troca direta e da vivência coletiva.
Um dos conceitos que sintetizam o espírito da edição é o chamado “Now Over Next” — a priorização de soluções capazes de resolver problemas imediatos, em vez de projeções de longo prazo.
“O festival focou intensamente no conceito de ‘Now Over Next’, priorizando inovações que resolvem desafios globais
imediatos, especialmente em saúde e clima”, diz a Secretária da Cultura.
Na prática, isso se traduz em uma inovação mais pragmática, voltada à eficiência, ao impacto social e à aplicação real.
SÃO
PAULO NO CENTRO DA CONVERSA
Dentro desse cenário global, São Paulo vem ampliando sua presença estratégica no evento. A SP House, hub de negócios, inovação e internacionalização de startups e empresas paulistas, se consolidou como um dos principais pontos de articulação internacional.
“A SP House se posiciona como o principal ecossistema paulista em Austin. Mais do que um espaço físico, fomos o ponto de convergência para o networking de alto nível entre empreendedores e empresas brasileiras e o mercado internacional”, explica Marilia.
Com o tema “We are Borderless”, a edição de 2026 reforçou essa vocação. Ao longo de quatro dias, o espaço recebeu mais de 31 mil visitantes, mais que o dobro do público do ano anterior — crescimento de 107%.
A programação incluiu mais de 58 horas de conteúdo, distribuídas entre painéis, encontros institucionais e ativações voltadas à geração de negócios e à internacionalização de empresas.
SP House, hub de negócios, inovação e internacionalização de startups e empresas paulistas, esteve presente no festival
Fotos:
Sobre o SXSW
O South by Southwest (SXSW) é um dos principais festivais globais de inovação, tecnologia, música, cinema e cultura, realizado anualmente em março, em Austin, no Texas (EUA).
Criado em 1987, o evento reúne profissionais de diferentes partes do mundo em uma programação que combina palestras, networking e debates sobre o futuro com foco em tecnologia, criatividade e tendências emergentes.
Para startups brasileiras, o ambiente foi também de validação global. “Nosso objetivo foi triplo: validação, escala e posicionamento global. Chegamos ao SXSW com a missão clara de apresentar a RainCreators não apenas como uma ferramenta de influência, mas como uma infraestrutura tecnológica (SaaS) de ponta”, afirma Vera Kopp.
Segundo ela, o evento também evidenciou a competitividade do Brasil no cenário internacional. “O Brasil não é apenas competitivo, nós somos protagonistas em criatividade e adaptabilidade. Estamos deixando de ser apenas grandes consumidores de tecnologia para nos tornarmos exportadores de soluções de IA.”
CREATOR ECONOMY
Outro destaque do evento foi o avanço da chamada Creator Economy. Criadores deixaram de ocupar apenas o papel de influenciadores para se consolidarem como negócios completos, participando ativamente do desenvolvimento de produtos, estratégias e narrativas de marca.
Nesse contexto, soluções que conectam tecnologia e produção de conteúdo ganharam protagonismo. “Percebo que o destaque veio da nossa capacidade de resolver uma ‘dor’ latente das grandes marcas: a falta de escala no conteúdo gerado pelo usuário (UGC). Enquanto muitas so-
luções focam apenas na curadoria ou na descoberta de talentos, a RainCreators se destaca pela infraestrutura programática. Nós transformamos o conteúdo do criador em um ativo de mídia mensurável e escalável através da nossa IA”, explica Vera. Ela aponta ainda uma transformação estrutural nesse mercado. “O futuro da Creator Economy é programático e humano. A IA não irá substituir o criador, mas sim atuar como seu ‘agente de negócios’ e seu otimizador de alcance.”
O QUE FICA PARA O BRASIL
Entre as tendências com maior potencial de impacto no país, uma se destaca: a humanização da tecnologia.
“O SXSW deste ano reforçou que a inovação só faz sentido quando gera bem-estar social e eficiência real no dia a dia das pessoas”, enfatiza Marilia.
Para um estado como São Paulo — complexo, dinâmico e altamente conectado — temas como gestão inteligente de recursos, novos modelos de trabalho e economia da atenção ganham ainda mais relevância.
“O grande diferencial será como utilizaremos essas ferramentas globais para potencializar a nossa criatividade local, tornando nossos serviços e indústrias mais competitivos, sustentáveis e, acima de tudo, focados na experiência do cidadão”, conclui.
Vera Kopp é CEO e fundadora da RainCreator, plataforma de inteligência artificial voltada à Creator Economy e que foi uma das startups selecionadas pela InvestSP
Com o tema “We are Borderless”, a SP House recebeu, neste ano, mais de 31 mil visitantes
A trajetória de Raphael Bozza até chegar no Ifood
Da base em Negócios e Operações às experiências globais em grandes empresas, Raphael Bozza construiu uma trajetória sólida na área de pessoas até chegar ao iFood, onde hoje é Vice-presidente de Pessoas e Cultura e CHRO
Por Aliz Lambiazzi
Em cinco anos no iFood, Raphael Bozza acompanhou de perto a evolução da empresa de uma plataforma de food delivery para o maior ecossistema de delivery on-line da América Latina. Hoje, lidera a área de pessoas de uma operação que reúne mais de 8 mil colaboradores, 500 mil entregadores e 500 mil estabelecimentos parceiros — uma engrenagem que atende mais de 60 milhões de clientes em cerca de 1.500 cidades e que alcançou a marca de 180 milhões de pedidos em um único mês, em novembro de 2025.
Com trajetória construída desde o início na área comercial, Bozza soma mais de uma década dedicada ao desenvolvimento organizacional.
Antes de assumir a vice-presidência de Pessoas e Cultura (CHRO) no iFood, passou por companhias como América Latina Logística, Kraft Heinz e Nubank, acumulando experiências no Brasil e no exterior que consolidaram sua atuação em ambientes de alta transformação.
Em entrevista à Efe., ele detalha os bastidores dessa liderança e os caminhos para alinhar pessoas, inovação e estratégia em larga escala.
efe. - Você está no iFood há 5 anos. O que mudou nesse tempo, tanto na empresa quanto em você?
Bozza - O iFood é uma empresa completamente diferente. Quando eu cheguei, o iFood fazia 60 milhões de pedidos, hoje a gente faz 180 milhões; era uma empresa de food delivery, hoje a gente é um ecossistema que tem food delivery, mercado, farmácia, pet, banco para o restaurante, iFood benefícios, empresas de salão para o restaurante... Do meu lado, o iFood exige adaptabilidade, mudança, e o grande ponto que ano após ano eu venho trabalhando é minha evolução como líder.
efe. - Você viveu o modelo de gestão tradicional de eficiência e a cultura ágil do Vale do Silício brasileiro. O que o RH ‘raiz’ da indústria tem a ensinar para as techs, e o que as techs podem ensinar para o mercado tradicional?
Bozza - Em 5 anos na Craft Heinz eu vivi muito a própria indústria, fábrica mesmo. O RH raiz da indústria traz um ensinamento muito importante do que são os fundamentos ao cuidar de pessoas. É o olho no olho, é o papel da liderança, é a comunicação clara, e acho que isso é algo
que eu carrego e dou muita importância. Do outro lado, empresa de tecnologia tem uma agilidade, uma capacidade de se adaptar, tem pequeno apego às coisas e sim ao ‘entregável’, e muitas vezes a indústria se trava nisso. Esse é um aprendizado que se carrega.
efe. - Diferente de muitos executivos de RH que vêm da psicologia ou pedagogia, você tem uma base forte em Negócios e Operações. Isso te fez enxergar a gestão de pessoas de forma tão diferenciada?
Bozza - Antes de estar no RH eu passei 7 anos na área comercial e isso foi muito importante porque me traz um olhar do outro lado, que é buscar não fazer o RH pro RH. O que o negócio precisa é de uma área de pessoas que estão resolvendo os problemas reais do negócio, também com uma visão de longo prazo, sendo um arquiteto da organização. Isso acaba ajudando muito a ter esse olhar.
efe. - Você já disse que liderança é construir um time melhor que você. Como fazer isso?
Bozza - Clareza no que precisa desenvolver, ajudar a pessoa a sonhar grande, dar confiança para o time e o time confiar em você,
isso é muito importante. A gente tem um elemento aqui na nossa cultura que fala que é assumir o front, colocar a mão na massa, é estar junto, é ser exemplo.
efe. - Você fala muito que o futuro não é sobre cargos, mas sobre habilidades. Como um profissional veterano deve se reinventar para esse novo modelo?
Bozza - É a pessoa olhar o que é o papel dela hoje, se provocar muito em o que vai deixar de existir, sobre o que a IA pode fazer e quais são as novas habilidades que ela pode ter para normalmente estar a uma camada acima ou duas do que ela faz hoje. Como a gente está se reinventado? Estudando muito, lendo muito, aplicando e fazendo cursos, vivendo coisas novas, usando essas novas ferramentas de IA que chegam a todo momento e se conectando com elas. Mas o principal elemento aqui é a abertura para a mudança.
efe. - O que você busca hoje em um profissional de tecnologia e inovação?
Bozza - O que a gente mais olha aqui é o alinhamento cultural. Parte técnica pesa, mas ter o jeito iFood de trabalhar, entender os nossos princípios, faz uma diferença muito grande.
Com uma década de experiência em gestão de pessoas, Raphael Bozza destaca a importância do aprimoramento constante
Regus avança na expansão regional com nova unidade em Alphaville
Novo espaço une localização estratégica, flexibilidade e padrão global para empresas em crescimento
Ofuturo do trabalho já é híbrido, descentralizado e mais próximo das pessoas. Atenta a essa transformação, a Regus, marca líder mundial em espaços de trabalho flexíveis e parte do International Workplace Group (IWG), amplia sua presença na Grande São Paulo com a inauguração da Regus CEA Corporate Alphaville, em um dos endereços corporativos mais valorizados da região metropolitana.
Com 1.262 m² de infraestrutura corporativa de alto padrão, a nova unidade está localizada na Alameda Araguaia, 2104, 13º andar, no coração do Alphaville Industrial, em Barueri. O espaço foi concebido para atender empresas de diferentes portes — de executivos e profissionais independentes a negócios em expansão — que buscam eficiência, conforto e flexibilidade sem abrir mão de uma imagem profissional sólida.
O empreendimento oferece escritórios privativos, estações de trabalho compartilhadas e áreas colaborativas, em um ambiente moderno, funcional e alinhado aos padrões internacionais da Regus. Cada detalhe do projeto foi pensado para proporcionar uma experiência completa de trabalho, combinando design contemporâneo, tecnologia e serviços integrados que apoiam a produtividade do dia a dia. Reconhecida como um dos principais polos empresariais do Estado de São Paulo, Alphaville concentra sedes de empresas nacionais e multinacionais, além de um robusto ecossistema de serviços, comércio e
gastronomia. A região também se destaca pelo fácil acesso às principais rodovias e à capital, tornando-se uma alternativa estratégica para empresas que desejam unir mobilidade, qualidade de vida e proximidade com talentos.
A chegada da Regus ao endereço acompanha a crescente demanda por modelos de trabalho mais flexíveis, impulsionada pelo avanço do formato híbrido. Trabalhar mais perto de casa, reduzir custos operacionais e oferecer melhores condições aos colaboradores já não são diferenciais — tornaram-se decisões estratégicas para organizações que pensam no longo prazo.
Essa expansão reflete, também, o momento histórico vivido pelo IWG. Em 2025, o grupo registrou receita, EBITDA e crescimento de rede recordes, com mais de mil novos contratos assinados globalmente. Hoje, são mais de 5.000 unidades em mais de 120 países, acessíveis por meio de uma plataforma integrada. No Brasil, o IWG soma 114 unidades, operando com as marcas Regus, Spaces, HQ e OpenOffice.
le: Alameda Araguaia, 2104 - 13 andar. Alphaville Industrial. São Paulo
Estudos recentes reforçam essa mudança estrutural no mundo corporativo. Pesquisas conduzidas pelo IWG apontam que o trabalho híbrido pode aumentar a produtividade em até 11%, além de promover melhor equilíbrio entre vida pessoal e profissional, ganhos em saúde e redução de custos para empresas. Não por acaso, a projeção é que, até 2030, cerca de 30% do mercado imobiliário corporativo global seja composto por espaços flexíveis.
“Alphaville é um endereço-chave para os nossos planos de expansão. Estar mais próximo de onde as pessoas vivem e trabalham é fundamental para atender às novas demandas das empresas”, afirma Tiago Alves, CEO do IWG no Brasil. “O trabalho flexível deixou de ser uma tendência para se tornar um modelo consolidado, que gera eficiência, engajamento e resultados.”
Com a Regus CEA Corporate Alphaville, o IWG reforça sua visão de futuro: ambientes inteligentes, conectados globalmente e adaptáveis às reais necessidades dos negócios — hoje e amanhã.
Contato: 0800 047 5002
Endereço: Regus CEA Corporate – Alphavil-
folhadealphaville.com.br
Artemis: a nova corrida
lunar que move trilhões
Com tecnologia de ponta, cooperação global e impacto direto na economia, o programa liderado pela NASA inaugura uma nova era de presença humana no espaço
Por Gláucia Arboleya
Mais de meio século após as missões do programa Apollo levarem o homem à Lua, a humanidade volta a mirar o satélite com ambições significativamente mais amplas. Liderado pela NASA, o Programa Artemis marca não apenas a retomada dos voos tripulados, mas o início de uma nova economia espacial — baseada em permanência, inovação e cooperação global. A missão decolou no dia 1º de abril e retornou à Terra em 10 de abril, cumprindo seu papel como um voo de teste fundamental para validar sistemas e abrir caminho para as próximas etapas do programa.
“O retorno é um marco histórico. Não estamos repetindo o passado, estamos iniciando uma nova fase de presença humana no espaço profundo”, afirma o astronauta brasileiro Marcos Pontes, em entrevista exclusiva à efe.
Diferentemente da lógica geopolítica que impulsionou o Apollo durante a Guerra Fria, o Artemis nasce com um propósito mais direcionado: construir infraestrutura na Lua, validar tecnologias e abrir caminho para missões ainda mais ambiciosas, como Marte. No centro dessa estratégia estão projetos como a cápsula Orion, o foguete Space Launch System e a futura estação lunar Lunar Gateway, que deverá orbitar o satélite.
Além de um esforço científico, o Artemis se consolida como um motor econômico.
Projeções indicam que a economia espacial global pode ultrapassar US$ 1 trilhão nas próximas décadas, impulsionada por investimentos públicos e privados. Empresas como SpaceX, Blue Origin e Lockheed Martin participam ativamente do programa, seja no desenvolvimento de sistemas de pouso, transporte ou tecnologias de suporte à vida.
“A exploração espacial sempre impulsionou inovação na Terra — em áreas como medicina, materiais, comunicação e energia. É um motor de desenvolvimento”, destaca Pontes.
AINDA HAVERÁ OUTRA EXPEDIÇÃO, EM 2027, ANTES DO POUSO NA LUA; PROGRAMADO PARA 2028
TECNOLOGIA E INOVAÇÃO NO CENTRO DA ESTRATÉGIA
Entre os avanços mais relevantes estão sistemas de suporte à vida de longa duração, automação, inteligência artificial e novos materiais capazes de suportar condições extremas. A própria Orion foi pensada para missões prolongadas, ampliando a capacidade humana de permanência no espaço profundo.
Outro foco estratégico é o chamado “lado oculto” da Lua, região protegida de interferências terrestres e considerada promissora para pesquisas astronômicas e geológicas. “Ali é possível estudar mais profundamente o universo e entender melhor a formação do sistema solar”, explica Pontes.
A missão decolou no dia 1º de abril
Astronauta brasileiro Marcos Pontes em missão, no ano de 2006
Fotos: NASA
Foto: Arquivo pessoal
Há ainda o interesse crescente na identificação de recursos naturais, como água congelada nas regiões polares lunares — elemento-chave tanto para o suporte à vida quanto para a produção de combustível, ponto essencial para a viabilidade de uma economia fora da Terra.
O Artemis também inaugura um novo modelo de colaboração internacional, por meio dos Acordos Artemis, que reúnem países e instituições em torno de um ecossistema global de inovação.
O Brasil está entre os signatários. “Temos competências em ciência, engenharia e tecnologia. Com investimento contínuo e visão estratégica, podemos ampliar nossa relevância nesse cenário”, afirma Pontes, que participou da formalização do acordo quando esteve à frente do Ministério da Ciência e Tecnologia.
Mais do que destino final, a Lua passa a ser tratada como plataforma estratégica. “Ela é um laboratório natural. É onde testamos tecnologias e a resistência humana para missões mais longas. Marte é o próximo grande passo — e ele começa na Lua”, resume o astronauta.
Esse reposicionamento transforma o Artemis em uma proposta de longo prazo,
com impacto direto em cadeias produtivas que vão de materiais avançados à inteligência artificial, passando por energia, telecomunicações e biotecnologia.
Apesar do avanço, os desafios permanecem significativos. Missões como a Artemis II — que prevê o envio de astronautas para uma órbita ao redor da Lua — são consideradas etapas importantes, mas ainda intermediárias. Especialistas apontam que a fase mais complexa está na construção de uma presença sustentável na superfície lunar.
Entre os principais obstáculos estão o desenvolvimento dos módulos de pouso — como a versão lunar da Starship, da SpaceX, e o Blue Moon, da Blue Origin —, além da necessidade de operações inéditas, como o reabastecimento de combustível em órbita. Trata-se de um dos desafios de engenharia mais sofisticados do programa.
Ao mesmo tempo, o cronograma sofre pressão política e estratégica. A meta de um pouso tripulado até o fim da década ocorre em um contexto de crescente competição internacional, especialmente com o avanço do programa espacial chinês.
A distância supera 200 mil milhas da Terra
O LANÇAMENTO DA CÁPSULA ORION E DO FOGUETE SLS (SPACE LAUNCH SYSTEM) ACONTECEU EM 1º DE ABRIL, NO CENTRO ESPACIAL KENNEDY, NA FLÓRIDA. A EQUIPE PASSOU POR SIMULAÇÕES INTENSAS DE REENTRADA, CONSIDERANDO QUE A CÁPSULA ATINGE A ATMOSFERA A CERCA DE 40.000 KM/H, GERANDO CALOR EXTREMO
Astronautas da Artemis II registram o lado oculto da Lua — um olhar inédito sobre a face mais misteriosa do satélite natural da Terra
O valor estratégico do hélio-3
A nova corrida lunar vai além da ciência e da geopolítica. No centro da estratégia está um ativo raro: o hélio-3. Em tese, o isótopo poderia ser utilizado em reatores de fusão nuclear mais seguros
OS ASTRONAUTAS
A bordo da cápsula Orion, os astronautas Reid Wiseman, Victor Glover e Christina Koch, além de Jeremy Hansen, da Agência Espacial Canadense, completaram um voo rasante ao redor da Lua que quebrou recordes e levou a tripulação mais longe no espaço do que qualquer ser humano havia ido até hoje. A experiência deixou marcas profundas nos astronautas, que voltaram com relatos carregados de emoção.
Marte
No horizonte, Marte surge como objetivo de longo prazo, ainda cercado de incertezas técnicas e logísticas. Viagens de meses, exposição à radiação e desafios de pouso em um ambiente hostil colocam o planeta vermelho como um projeto para as próximas décadas.
Ainda assim, o Artemis já reposiciona a exploração espacial no centro da agenda global. A integração entre setor público e iniciativa privada, somada ao avanço tecnológico, cria um ambiente que vai além da ciência — conectando negócios, inovação e geopolítica.
“Estamos ampliando a presença humana no espaço de forma estruturada. Isso muda a forma como enxergamos nosso papel como humanidade”, conclui Pontes.
Em um mundo cada vez mais orientado por tecnologia, a nova corrida lunar deixa de ser apenas uma disputa por território simbólico — e passa a ser uma disputa por protagonismo na economia do futuro.
“Victor, Christina e Jeremy, nós estamos unidos para sempre, e ninguém aqui embaixo jamais saberá pelo que nós quatro acabamos de passar”, afirmou Wiseman. “Foi a coisa mais especial que jamais acontecerá em minha vida.”
A distância extrema — mais de 200 mil milhas da Terra — trouxe não apenas deslumbramento, mas também uma percepção intensa de vulnerabilidade e pertencimento. “Antes do lançamento, parece o maior sonho do mundo. Mas, quando você está lá fora, tudo o que quer é voltar para sua família e seus amigos”, disse o comandante, visivelmente emocionado.
A experiência reforçou uma percepção recorrente entre astronautas: não há lugar como a Terra. “É uma coisa especial ser humano e é uma coisa especial estar no planeta Terra”, completou Wiseman, ao lado dos colegas, em um momento de celebração e alívio após a missão.
Para Glover, o impacto ainda está sendo assimilado. “Eu ainda não processei completamente o que fizemos”, admitiu. “A gratidão de ver o que vimos, fazer o que fizemos e estar com quem eu estava é grande demais para caber em um corpo só.”
PRÓXIMOS PASSOS
A próxima etapa será a Artemis III, prevista para 2027. Diferentemente do plano original, a missão não deverá realizar o pouso na Lua. O foco será validar sistemas críticos, como o acoplamento entre espaçonaves e tecnologias essenciais para as fases seguintes — uma etapa considerada decisiva para reduzir riscos operacionais.
O primeiro pouso tripulado desta nova era lunar ficou, assim, para a Artemis IV, atualmente prevista para 2028. Será a primeira vez, desde a Apollo 17, em 1972, que astronautas voltarão a caminhar na superfície da Lua.
No mesmo ano, a agência projeta ainda a realização da Artemis V, que deve consolidar o início de uma cadência mais regular de missões — um passo fundamental para a construção de uma presença sustentável no satélite.
A estratégia reflete uma mudança de abordagem: em vez de um salto direto, a NASA aposta em um avanço gradual, com testes sucessivos de sistemas e tecnologias. O objetivo é aumentar a segurança das tripulações e criar as bases para uma operação contínua no ambiente lunar.
Nesse contexto, a Artemis II, recém-concluída, é vista como um marco. A missão levou astronautas de volta ao entorno da Lua pela primeira vez em mais de cinco décadas, desde o fim do programa Apollo, restabelecendo a capacidade humana de operar no espaço profundo.
Como parte desse cronograma, a agência também incluiu, para meados de 2027, uma missão de demonstração em órbita baixa da Terra. Será testado um ou ambos os módulos de pouso lunar desenvolvidos por SpaceX e Blue Origin— um dos pontos mais desafiadores de todo o programa.
Com esse planejamento, a NASA busca não apenas retornar à Lua, mas estabelecer as bases de uma presença contínua e segura, pavimentando o caminho para a próxima fronteira: Marte.
O OLHAR DE QUEM JÁ ESTEVE NO ESPAÇO
A nova corrida espacial que ganha forma com o programa NASA e as missões Artemis encontra eco na experiência de quem já ultrapassou a atmosfera terrestre.
Os quatro astronautas passaram dez dias na missão
O astronauta brasileiro Marcos Pontes, único do país a ir ao espaço, traduz em palavras o que está por trás de cada lançamento: uma combinação de precisão técnica e emoção extrema.
“O lançamento é um dos momentos mais intensos da vida de um astronauta. Quando o foguete começa a subir, você sente uma força enorme te pressionando contra o assento. Ali, não tem mais volta”, relembra. Segundo ele, é nesse instante que treinamento, confiança e propósito se encontram — especialmente quando há uma dimensão simbólica envolvida. “Eu sabia que estava representando o Brasil”, afirma.
A experiência de ver a Terra do espaço, descrita por Pontes como “impossível de explicar completamente”, reforça um dos principais argumentos por trás da retomada das missões lunares: a mudança de perspectiva. “A Terra é linda, frágil e sem fronteiras. Você entende que todos estamos no mesmo lugar”, diz. Para ele, essa visão tem impacto direto na forma como a humanidade encara desafios globais — um dos pilares da nova fase da exploração espacial.
Durante sua estadia de cerca de oito dias na Estação Espacial Internacional, Pontes vivenciou uma rotina intensa, marcada por experimentos científicos e atividades rigorosamente planejadas. A adaptação à microgravidade, no entanto, não é imediata. “O corpo estranha bastante: você perde
a noção de ‘cima’ e ‘baixo’, sente pressão na cabeça e até alteração no paladar. Mas ele se adapta”, explica.
Mesmo com planejamento extremo, o risco é inerente. “Toda missão espacial envolve riscos, mas eles são minimizados pelo treinamento e pela confiança na equipe”, afirma. Ainda assim, é o impacto emocional que permanece. “Você volta diferente, física e emocionalmente.”
Para o astronauta, o maior legado de uma missão vai além dos avanços científicos. A chamada “visão orbital” — a percepção da Terra como um sistema único — reforça a importância da colaboração e do pensamento de longo prazo. “Quando você vê o planeta do espaço, entende que não existem divisões”, conta.
Essa perspectiva se conecta diretamente com os objetivos do programa Artemis: não apenas retornar à Lua, mas estabelecer uma presença sustentável e preparar o caminho para missões mais profundas, como Marte. Para Pontes, o futuro depende de continuidade. “É preciso investimento, formação de profissionais e integração internacional. Não acontece de um dia para o outro, mas é totalmente possível.”
Ao olhar para o próprio passado, ele não hesita: “Faria tudo de novo e eu vou fazer”. Uma afirmação que sintetiza o espírito de uma nova era da exploração espacial — mais tecnológica, mais colaborativa e, sobretudo, mais ambiciosa.
Preparação para a chegada, em 10 de abril
Astronautas registram o momento do eclipse
A cápsula Orion pousou no Oceano Pacífico (EUA)
Fotos: NASA
Fernando Barra
Especialista em tecnologia, inovação e fundador da Skillplace
Quem não sabe pra onde vai, será levado por qualquer algoritmo
Você acorda. Antes de abrir os olhos, a mão já foi para o celular. Notificação, e-mail, notícia, um vídeo que alguém mandou no grupo, uma oferta daquilo que você pesquisou ontem. Vinte minutos depois, você ainda está na cama e já tomou umas trinta microdecisões sem pensar em nenhuma delas.
Ninguém te pediu nada, ninguém te obrigou, mas seu dia já começou no ritmo de outra coisa, de outro alguém, de outro algoritmo.
Vivemos na era do excesso. De informação, de estímulo, de resposta instantânea. Tem conteúdo demais, ferramenta demais, opinião demais. E a sensação, no fim do dia, é quase sempre a mesma: fiz tanta coisa e não saí do lugar.
O motivo é mais simples do que parece: sem intenção, a tecnologia não te guia, ela te dispersa.
Eu aprendi isso na prática. Quando descobri o poder da Inteligência Artificial, fiquei fascinado. Queria usar para tudo.
Pedia pra ela escrever textos, montar apresentações, organizar ideias, gerar nomes para projetos. No fim da semana, olhei pra trás e percebi: tinha produzido muito, mas nada daquilo tinha direção. Eu estava usando a ferramenta mais poderosa do mundo como quem abre a geladeira só porque está entediado.
E aqui mora o ponto que quase ninguém enxerga: o problema nunca foi a tecnologia, o problema é a gente sem bússola.
Quando você não sabe pra onde vai, qualquer algoritmo te leva. O feed decide o que você vê. A notificação decide o que você faz. A tendência decide o que você pensa. E a IA responde tudo, mas se você não sabe o que perguntar, ela te entrega volume sem valor.
Informação sem intenção é barulho. Produtividade sem propósito é esteira. Velocidade sem direção é só pressa disfarçada de progresso.
Eu tive que parar. Literalmente. Fechar o computador, pegar um caderno e me fazer uma pergunta incômoda: o que eu
realmente quero construir? Não o que a internet sugere, não o que está em alta, não o que o algoritmo acha que eu preciso. O que eu quero.
Foi a partir dessa pergunta simples, desconfortável e silenciosa que tudo mudou. Porque quando soube para onde ia, a IA deixou de ser distração e virou alavanca. Cada pergunta ficou mais precisa. Cada resposta, mais útil. Cada minuto, mais intencional.
A tecnologia é como um barco potente, mas sem leme, até a embarcação mais moderna se perde no mar. A pergunta certa funciona como esse leme, e cabe a você, não ao algoritmo, decidir o rumo.
No meio de tanta ferramenta, tanta novidade, tanto conteúdo batendo na sua porta, a pergunta mais importante não é “qual IA eu devo usar?” É anterior a isso: você sabe para onde está indo?
Porque quem não escolhe o destino, vira passageiro da própria vida. E o algoritmo não se importa para onde te leva. Isso é problema seu.
Convivência Ética: Convivência Ética:
NOSSO COMPROMISSO COM O FUTURO. NOSSO COMPROMISSO COM O FUTURO.
Na Escola Internacional de Alphaville, a educação transcende a excelência acadêmica. Nossa proposta integra a Convivência Ética como pilar fundamental, consolidando um ambiente seguro, acolhedor e dedicado ao pleno desenvolvimento socioemocional.
Através do diálogo e do respeito mútuo, incentivamos nossos alunos a se tornarem cidadãos globais íntegros e empáticos. Aqui, o aprendizado da convivência é tão intencional quanto o das disciplinas tradicionais, capacitando cada estudante para os desafios de um mundo em constante transformação.
Convivência Ética: Construindo Pontes para o Mundo.
Um futuro brilhante começa com o primeiro passo. Matrículas abertas.
QUEM EDUCA
Desconectar para crescer
Iniciativas como o Movimento Desconecta reforçam a busca por limites no uso de telas. Para Carlos Maffia Neto, da Escola Internacional de Alphaville, a força está na atuação conjunta entre famílias e escola
Por Beatriz Bononi
Ouso excessivo de telas por crianças e adolescentes passou a ocupar o centro das discussões sobre educação, saúde e desenvolvimento. Com o avanço da digitalização, o contato com dispositivos ocorre cada vez mais cedo — e de forma mais intensa —, acendendo um alerta entre especialistas, educadores e famílias.
Nesse cenário, iniciativas como o Movimento Desconecta ganham tração ao propor um pacto coletivo entre pais para adiar o acesso de crianças a celulares e redes sociais. A mobilização, que já se espalha por diferentes regiões, começa a chegar também ao ambiente escolar, incluindo instituições como a Escola Internacional de Alphaville. Embora não lidere o movimento, a escola reconhece o impacto de ações coordenadas entre famílias e instituições de ensino. “Quando as famílias se mobilizam e compartilham dos mesmos princípios que a escola, o impacto educativo é potencializado”, afirma Carlos Maffia Neto, head of school da instituição.
Na entrevista a seguir, ele analisa os efeitos do uso excessivo de telas no desenvolvimento infantil e detalha como a escola busca equilibrar tecnologia e formação integral em um cenário cada vez mais digital.
efe. - Como a escola enxerga hoje o impacto do uso excessivo de telas no desenvolvimento de crianças e adolescentes?
Carlos - A Escola Internacional de Alphaville entende que a tecnologia é parte da vida contemporânea e pode ser uma ferramenta educacional poderosa. No entanto, o uso excessivo de telas, especialmente quando não mediado por adultos, pode impactar negativamente o desenvolvimento das crianças e dos adolescentes. Observamos efeitos possíveis na atenção, na autorregulação emocional, na socialização, na qualidade do sono e no bem-estar geral. Por isso, defendemos uma abordagem equilibrada, que prioriza o desenvolvimento integral do aluno — cognitivo, emocional, social e físico.
“MOVIMENTOS
COMO O DESCONECTA REFLETEM UMA PREOCUPAÇÃO LEGÍTIMA DAS FAMÍLIAS COM A SAÚDE EMOCIONAL E O DESENVOLVIMENTO DAS CRIANÇAS”
efe. - Qual é a política atual da escola em relação ao uso de celulares e dispositivos eletrônicos?
Carlos - A política da Escola Internacional de Alphaville é baseada na intencionalidade pedagógica. O uso de dispositivos eletrônicos acontece apenas quando há um objetivo educacional claro e adequado à faixa etária. Celulares pessoais, de modo geral, não fazem parte da rotina diária e têm seu uso restrito durante o período escolar.
efe. - Como a escola equilibra o uso da tecnologia como ferramenta educacional sem estimular o excesso?
Carlos - O equilíbrio acontece a partir de três pilares: propósito, mediação e diversidade de experiências. A tecnologia só é utilizada quando realmente agrega valor à aprendizagem; o professor atua sempre como mediador; e o currículo garante experiências variadas, incluindo atividades práticas, artísticas, esportivas e colaborativas. Também ensinamos os alunos a refletirem sobre o uso da tecnologia, desenvolvendo autonomia e senso crítico.
efe. - Como a escola vê iniciativas como o Movimento Desconecta, liderado por mães?
Carlos - A escola vê essas iniciativas de forma muito positiva. Movimentos como o Movimento Desconecta refletem uma preocupação legítima das famílias com a saúde emocional e o desenvolvimento das crianças. Eles estão alinhados com valores que a própria escola defende, como equilíbrio, bem-estar e limites saudáveis. Quando as famílias se mobilizam e compartilham dos mesmos princípios que a escola, o impacto educativo é potencializado. A criança recebe mensagens coerentes, tanto em casa quanto na escola, o que fortalece hábitos mais conscientes e saudáveis.
efe. - Existe diálogo entre a escola e os pais sobre esse tema?
Carlos - Sim, o diálogo com as famílias é parte central da cultura da Escola Internacional de Alphaville. Promovemos esse diálogo por meio de reuniões, encontros formativos, comunicações institucionais e conversas individuais.
Criado por um grupo de mães em São Paulo, o Movimento Desconecta nasceu a partir da preocupação com o uso precoce e excessivo de celulares por crianças e adolescentes e da percepção de que a pressão social dificultava decisões individuais. A proposta foi transformar essa escolha em um pacto coletivo: adiar a entrega do primeiro smartphone até os 14 anos e o acesso às redes sociais até os 16. A iniciativa rapidamente ganhou escala. Em poucos meses, mobilizou famílias em diferentes regiões do país e se expandiu por centenas de escolas.
Carlos Maffia Neto é head of school da Escola Internacional de Alphaville
Cofundadoras do Movimento Desconecta
Foto: Divulgação
Conheça mais sobre o Movimento Desconecta
Por que líderes que raciocinam melhor se comunicam melhor
Vanessa Pedrosa Fonoaudióloga especialista em voz e performance comunicativa
Os ambientes corporativos estão cada vez mais complexos e, com isso, exigem dos profissionais habilidades mais sofisticadas. Nesse contexto, a comunicação deixou de ser apenas uma questão de estilo e perfil de personalidade e passou a ser uma competência estratégica. É por meio da comunicação adequada que profissionais conseguem alinhar equipes, persuadir, gerenciar crises, organizar processos e sustentar decisões éticas e bem fundamentadas.
No entanto, a fluidez na comunicação não é sinônimo de qualidade de raciocínio. A capacidade de articular ideias com clareza e segurança não garante, por si só, que o profissional consiga organizar o próprio pensamento de forma lógica e consistente. Muitos líderes se expressam bem, mas enfrentam dificuldades ao estruturar problemas complexos, avaliar alternativas e sustentar decisões de maneira fundamentada, por carecerem de profundidade, critério e autonomia decisória.
É nesse ponto que surge uma competência ainda pouco discutida no ambiente corporativo. Essa habilidade vai além das tradicionais soft skills e hard skills e é conhecida como reasoning skills, habilidades de raciocínio estruturado. No centro da comunicação profissional de alto impacto, o raciocínio é o primeiro ato de um profissional de alta performance.
É aqui que se estabelece a diferença entre pensar e raciocinar. Pensar é natural e automático. O pensamento flui por associações, emoções, experiências passadas e impulsos. Já o raciocínio exige método, intenção e lógica. Ele não acontece sozinho; é construído.
O raciocínio organizado impacta diretamente a forma como líderes falam, decidem e influenciam pessoas. Quando a comunicação é guiada apenas pelo pensamento, tende a ser reativa, marcada por generalizações, julgamentos e baixa clareza.
O raciocínio estruturado é um conceito aprofundado por Fernando Barrichello no livro Reasoning Skills: Raciocínio Estruturado para Decisões de Impacto. Ele parte de outra lógica e organiza o processo decisório antes da fala.
Esse raciocínio se sustenta em três elementos. O primeiro é a capacidade de resolução de problemas, que envolve estruturar desafios, identificar causas e desenvolver soluções. O segundo é a tomada de decisão, baseada na avaliação de cenários e na ação estratégica. O terceiro é o raciocínio crítico, que permite questionar pressupostos, analisar informações e reconhecer vieses cognitivos.
Na prática, a capacidade de raciocínio estruturado transforma o discurso do líder ao torná-lo mais estratégico e menos reativo. O líder decide melhor, em voz alta.
Pensar bem, assim como se comunicar bem, são escolhas que podem ser desenvolvidas e treinadas. O raciocínio estruturado muda a forma de interagir, de conduzir conversas, de julgar situações, de fazer perguntas e de influenciar pessoas. Observando líderes em atuação, percebi como essa habilidade fortalece a comunicação. Uma fala embasada em raciocínio apresenta sustentação, coerência, fluidez e coesão. Líderes se destacam pela qualidade do raciocínio que conseguem expressar por meio de uma comunicação clara, objetiva e orientada à solução.
Pensar é livre, raciocinar é intencional. E liderar é saber transformar pensamento em raciocínio antes de falar.
Imagem gerada
Henrique Fogaça:
o chef que transformou identidade em negócio
ENTRE A ALTA GASTRONOMIA E A GESTÃO DE MÚLTIPLAS MARCAS, O CHEF E EMPRESÁRIO MOSTRA COMO DISCIPLINA, CULTURA E PROPÓSITO SUSTENTAM OPERAÇÕES CONSISTENTES — DENTRO E FORA DE ALPHAVILLE
Por Gláucia Arboleya
“ACREDITO QUE MINHA ‘RECEITA’ PASSA POR DISCIPLINA, TRABALHO DURO E VERDADE. NUNCA TENTEI SER ALGO QUE EU NÃO SOU. SEMPRE IMPRIMI MINHA IDENTIDADE
EM TUDO, SEJA NOS PRATOS, NOS RESTAURANTES OU NA FORMA DE ME POSICIONAR”
Morador de Alphaville, o chef e empresário Henrique Fogaça construiu uma trajetória que vai muito além da cozinha. À frente de marcas consolidadas e com forte presença no mercado gastronômico, ele traduz em negócios uma filosofia baseada em identidade, disciplina e consistência — pilares que sustentam sua relevância ao longo dos anos.
Nascido em Piracicaba, no interior de São Paulo, Fogaça acaba de completar 52 anos e mantém uma rotina intensa dentro e fora dos restaurantes. “Sou um cara que gosta de viver intensamente em tudo que faço”. Entre os seus hobbies preferidos, ele conta que gosta muito de esportes, de treinar, correr, lutar Muay Thai, colecionar motos, viajar e passar tempo de qualidade com a família.
“Alphaville foi uma escolha muito ligada à qualidade de vida. É um lugar que me permite ter mais tranquilidade no dia a dia, estar mais próximo da natureza e da minha família, sem abrir mão da proximidade com São Paulo”, destacou Fogaça.
”Hoje, além do que o público vê, eu sou um cara em constante construção. Um pai presente, um marido que valoriza os momentos simples e alguém que busca equilíbrio entre a correria do dia a dia e o lado pessoal. Também tenho uma banda de hardcore, o Oitão, é ali que me expresso de outras formas além da cozinha.”
Essa busca constante por evolução é, segundo ele, o que ainda o move. “O que me desafia é justamente não me acomodar, estar sempre em movimento. Manter consistência, qualidade e relevância ao longo dos anos exige disciplina e muita resiliência. Além disso, eu me desafio muito no lado pessoal, em evoluir como ser humano, como pai, como líder. O sucesso não pode te deixar estagnado, ele precisa te empurrar para frente.”
O chef destaca que gastronomía é detalhe e exige muita disciplina
Fotos: arquivo pessoal
Sua entrada na gastronomia não seguiu um roteiro tradicional. “Não foi algo planejado desde o início. Eu fui me encontrando na cozinha ao longo da vida. Quando me mudei para São Paulo, aos 22 anos, precisei começar a fazer minha própria comida, e foi aí que tudo começou. Pra me virar melhor, eu pedia receitas pra minha mãe e pra minha avó, testava, errava, aprendia, e acabei criando uma conexão real com a cozinha. Quando percebi, aquilo já fazia parte de mim.”
A “receita” do sucesso, como define, está longe de atalhos. “Acredito que passa por disciplina, trabalho duro e verdade. Nunca tentei ser algo que eu não sou. Sempre imprimi minha identidade em tudo, seja nos pratos, nos restaurantes ou na forma de me posicionar. Para criar, eu me inspiro muito na vida. Viagens, memórias, ingredientes, música, família… tudo pode virar um prato. Gosto de trazer intensidade de sabor, sem firula, com personalidade.”
DE CHEF A EMPRESÁRIO
A transição para o mundo dos negócios aconteceu de forma orgânica, mas estratégica. “Foi de forma natural. Quando você abre um restaurante, você já não é só cozinheiro, você precisa entender de gestão, de pessoas, de marca. Mas teve um momento em que eu entendi que precisava estruturar isso de forma mais estratégica, expandir, criar novos negócios, pensar em marca além da cozinha. Foi quando passei a olhar com mais atenção para o lado empresarial, sem nunca deixar de ser chef, que é a minha essência.”
Hoje, Fogaça lidera duas marcas principais. O Sal Gastronomia, seu restaurante autoral, com unidades no Shopping Cida-
“QUANDO VOCÊ TEM UM NÍVEL ALTO DE EXIGÊNCIA PESSOAL, ISSO NATURALMENTE SE REFLETE NO QUE VOCÊ ESPERA DOS OUTROS. EU LIDERO
PELO EXEMPLO, NÃO DÁ PARA COBRAR ALGO QUE VOCÊ NÃO PRATICA”
de Jardim e na Bela Cintra, nos Jardins, ambas em São Paulo e o Cão Véio, gastropub criado em 2013, que já soma 11 unidades — incluindo Alphaville, além de cidades como São Paulo, Sorocaba, São José dos Campos, Curitiba, Londrina e Goiânia. “São conceitos diferentes, mas que carregam muito da minha identidade, tanto na cozinha quanto na forma de pensar o negócio.” O nome “Cão Véio” nasceu como uma extensão direta da personalidade de Henrique Fogaça — e do conceito que ele queria imprimir no negócio.
A ideia era criar um gastropub com atitude, informal, estilo rock’n’roll e sem os códigos tradicionais da alta gastronomia. O nome também dialoga com o estilo do próprio Fogaça — direto, intenso e autêntico — e com a proposta do restaurante, que mistura boa comida, ambiente descontraído e uma estética mais “crua”, longe do refinamento clássico.
Além disso, há um elemento afetivo: o chef sempre teve uma relação forte com cachorros, que inclusive aparecem na identidade visual da marca. Em resumo, o nome funciona como branding puro: fácil de lembrar, carregado de personalidade e totalmente alinhado ao posicionamento do negócio.
Para ele, o diferencial competitivo está na construção de marca. “É a identidade. Quando a marca tem verdade, propósito e consistência, ela se sustenta ao longo do tempo. A comida boa tem que estar acompanhada de outros fatores como experiência, posicionamento, cultura e conexão com o público. Uma marca forte sabe exatamente quem é, não tenta agradar todo mundo e entrega sempre o que promete, com personalidade.”
Desde criança, o chef gostava de atividades físicas e esportes
Henrique Fogaça tem uma banda de hardcore, o Oitão
“SÃO OS MOMENTOS DIFÍCEIS QUE TE MOLDAM, QUE TE FAZEM CRESCER, REVER ROTA, GANHAR CASCA. EU APRENDI MUITO NESSES MOMENTOS”
QUANDO A MARCA TEM VERDADE, PROPÓSITO E CONSISTÊNCIA, ELA SE SUSTENTA AO LONGO DO TEMPO. UMA MARCA FORTE SABE EXATAMENTE QUEM É, NÃO TENTA AGRADAR TODO MUNDO E ENTREGA SEMPRE O QUE PROMETE, COM PERSONALIDADE
“ACHO QUE MUITA GENTE ME VÊ COMO UM CARA MAIS DURO, MAIS DIRETO, MAS, NO FUNDO, EU SOU UM BRUTO DE ALMA DOCE. TENHO UM LADO SENSÍVEL, LIGADO À FAMÍLIA, AOS
MEUS FILHOS, MEUS CACHORROS, SÓ
QUE NEM SEMPRE ISSO APARECE”
CONSUMIDOR MAIS EXIGENTE E OPERAÇÃO COMPLEXA
Fogaça observa uma mudança clara no comportamento do público de alto padrão. “Hoje é um consumidor muito mais informado, exigente e atento aos detalhes, ele busca autenticidade. Quer entender a história por trás do prato, do ingrediente, da marca. Valoriza qualidade, serviço e ambiente. É um público que percebe quando existe verdade, e isso faz toda a diferença na escolha.”
Apesar do glamour associado à gastronomia, o empresário reforça o peso da operação. “As pessoas veem o prato pronto, o salão cheio, mas não veem a engrenagem que faz tudo funcionar. É uma operação pesada: gestão de equipe, controle de custos, fornecedores, padrão de qualidade, treinamento constante, é pressão o tempo inteiro. Gastronomia é detalhe, e qualquer detalhe fora do lugar pode comprometer tudo. É um trabalho de muita disciplina e resiliência.”
Os desafios fazem parte do caminho. “Empreender é lidar com incerteza o tempo todo. Já enfrentei momentos difíceis, mas isso faz parte do jogo. O importante é não se deixar paralisar pelo medo. Eu sempre fui de encarar os problemas de frente e seguir trabalhando. No fim, são esses momentos que te fortalecem e te deixam mais preparado.”
LIDERANÇA E CULTURA
A construção de equipes é um dos pilares do negócio. “Tudo começa com cultura e exemplo. A equipe precisa entender o padrão, mas também o porquê dele existir. Eu gosto de estar próximo, de participar, de formar pessoas, treinamento é constante, mas atitude e comprometimento contam muito. Mais do que técnica, eu busco gente que queira crescer, que tenha disciplina e que vista a camisa. Porque restaurante é time, ninguém faz nada sozinho.”
Exigente, ele deixa claro onde está o maior rigor: “Comigo, sem dúvida. Acho que, quando você tem um nível alto de exigência pessoal, isso naturalmente se reflete no que você espera dos outros. Eu lidero pelo exemplo, não dá pra cobrar algo que você não pratica.”
E não tem dúvidas sobre o que mais o transformou: “As dificuldades, com certeza, o sucesso é consequência, ele vem depois. São os momentos difíceis que te moldam, que te fazem crescer, rever rota, ganhar casca. Eu aprendi muito nesses momentos.”
EXPOSIÇÃO, EQUILÍBRIO E LEGADO
Conhecido também pelo grande público como jurado do MasterChef Brasil, programa exibido pela Rede Bandeirantes, Fogaça viu sua trajetória ganhar novos contornos a partir de 2014. “Na época, meus restaurantes já estavam consolidados e eu fui procurado por um diretor e um produtor que buscavam um perfil autêntico, com personalidade. Fiz um teste e, depois disso, ficou um silêncio de uns quatro meses, achei até que não tinha rolado. Passado esse tempo, recebi a ligação dizendo que o programa tinha fechado com a Band e que eu era um dos jurados escolhidos. Foi algo bem inesperado, mas que acabou mudando muita coisa na minha trajetória. Sobre as próximas edições, o programa já é consolidado e segue sendo um sucesso, então teremos próximas edições (Fogaça está participando das gravações da futura temporada).”
A pressão e a exposição fazem parte do jogo — e são administradas com disciplina. “Eu aprendi a lidar com isso. A exposição é uma consequência do trabalho, então procuro manter os pés no chão e não me deixar levar por isso. E a responsabilidade eu levo muito a sério, seja com a minha
equipe, com os meus negócios ou com o público que acompanha o que eu faço. No fim, é sobre consistência e caráter.”
Por trás da imagem firme, ele revela um lado pouco conhecido: “Acho que muita gente me vê como um cara mais duro, mais direto, mas, no fundo, eu sou um bruto de alma doce. Tenho um lado sensível, ligado à família, aos meus filhos, meus cachorros, só que nem sempre isso aparece.”
O equilíbrio entre vida pessoal e profissional segue como um desafio constante. “Não é fácil, e eu não vou romantizar isso.
A minha vida sempre foi muito intensa, principalmente na cozinha e nos negócios, mas com o tempo eu entendi que, se você não cria esse equilíbrio, uma hora a conta chega. Hoje eu busco estar mais presente com a minha família, com os meus filhos, respeitar meus momentos fora do trabalho e valorizar o tempo de qualidade.”
E é justamente nesses momentos que ele desacelera. “Estar com a minha família, sem dúvida. Também gosto de treinar, de viajar, de ter momentos mais introspectivos. Às vezes, desligar um pouco da rotina, sair da cidade, já ajuda a reorganizar a cabeça, são esses momentos que me recarregam.”
Visão de futuro
Mesmo com uma carreira consolidada, Fogaça segue olhando para frente. “Sempre tem algo novo pra construir, melhorar, aprender. Quero continuar expandindo meus negócios de forma consistente, me desafiando em novos projetos e, principalmente, evoluindo como ser humano. Para mim, isso é o mais importante.”
O legado, segundo ele, vai além do business. “Quero deixar um legado de verdade, de consistência e de trabalho sério. Mostrar que é possível construir algo sólido sem abrir mão da identidade. Como empresário, quero ser lembrado por marcas fortes, com propósito. E como pessoa, por alguém que foi correto, que fez a diferença na vida das pessoas ao redor, na minha equipe, na família ou em quem se inspirou na minha trajetória.”
E, se tivesse que resumir tudo em uma frase, a resposta é direta: “Uma construção diária baseada em disciplina, verdade e coragem para nunca parar de evoluir.”
Jurado do programa Master Chef, Fogaça participará da próxima temporada
Ele destacou que prioriza momentos em família e é um pai presente Fotos: arquivo
Por Aliz Lambiazzi
A NOVA MORADA DO DESIGN: MUSEU DA CASA BRASILEIRA ENCONTRA POUSO EM SÃO JOSÉ DOS CAMPOS
Depois de 3 anos “sem lar”, o único museu público brasileiro dedicado à arquitetura e ao design chega a um espaço que parece ter sido criado para ele
Diz o ditado que “a casa é onde o coração está”, mas para uma instituição que guarda a memória do morar brasileiro, ficar sem um teto físico foi um desafio que testou a resiliência da cultura nacional. Após deixar o icônico solar Fábio Prado em 2023, na Faria Lima, o Museu da Casa Brasileira (MCB) está de mudança. O destino escolhido não é um prédio qualquer, mas uma joia da arquitetura moderna que parece ter sido projetada para abraçar as peças que agora recebe: a histórica Residência Olivo Gomes, em São José dos Campos, no interior paulista. Instalada dentro do Parque da Cidade, a nova sede é uma obra-prima assinada pelo arquiteto Rino Levi na década de 1950. Se o antigo solar na Faria Lima remetia a uma São Paulo aristocrática, a residência Olivo Gomes projeta o museu para o futuro. Com suas linhas retas, pilotis e a
integração radical entre interior e exterior, o edifício de 1,656,73 metros quadrados de área construída dialoga com o paisagismo de Roberto Burle Marx.
NOVO ENDEREÇO, MESMO DNA
Mesmo em novo endereço, o DNA do museu permanece. O compromisso em investigar como o brasileiro se senta, cozinha, dorme e recebe continua sendo o norte. Obras de nomes como Sérgio Rodrigues e Lina Bo Bardi ganham novas perspectivas no espaço.
“É um museu dedicado não só à casa, mas ao design. É o único aqui no Brasil. São poucos os equipamentos que tratam da questão dos mobiliários, dos usos e costumes que a gente tem no nosso cotidiano”, afirma Marilia Marton, secretária da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo.
A transferência para o interior, após mais de cinco décadas na capital, faz parte de um plano de descentralização cultural.
“A gente tem plena convicção de que o Museu da Casa Brasileira ali vai criar um outro polo cultural muito importante do nosso Estado de São Paulo”, diz a secretária, que destaca ainda a entrada gratuita no primeiro ano de funcionamento.
A própria residência carrega valor histórico. Encomendada pelo industrial Olivo Gomes a Rino Levi, a casa foi concebida como refúgio familiar e espaço de recepção, combinando modernidade, sofisticação e integração com a natureza — características que agora dialogam diretamente com o acervo.
“A gente vai conseguir ocupar de uma forma muito qualificada, muito emblemática e fazendo jus a um museu que vai tratar da casa brasileira numa tipologia de arquitetura muito própria do Brasil, criada pelos modernistas. A gente junta a oportunidade, o momento e também um grande nome”, diz Marton.
Residência Olivo Gomes envolta ao jardim de Roberto Burle Marx
Foto: Paulo Vieira / Prefeitura de São José dos Campos
A HISTÓRIA DENTRO DA HISTÓRIA
Para o acervo de 1.400 peças, que percorre desde o mobiliário colonial em jacarandá até os ícones do design contemporâneo, o novo endereço funciona como uma moldura viva. É a história do design sendo contada dentro de um dos maiores exemplares da arquitetura residencial do país.
Projetada por Rino Levi em parceria com Roberto Cerqueira César entre 1949 e 1951, a residência se destaca como um manifesto da integração entre arquitetura e paisagem. Implantada no limite da várzea do Rio Paraíba do Sul, a casa rompe com a lógica introspectiva das moradias tradicionais ao se abrir integralmente para o exterior, adotando uma configuração linear que garante a todos os ambientes ampla ventilação natural e vistas contínuas. Fiel à premissa de Levi de que interior e exterior devem constituir uma continuidade ininterrupta, o projeto substitui paredes por extensos panos de vidro, diluindo fronteiras e incorporando o jardim ao cotidiano doméstico.
Nesse contexto, o paisagismo de Roberto Burle Marx — com seus 42.700 metros quadrados de espelhos d’água, viveiros e vegetação nativa — não atua como mero entorno, mas como elemento estrutural da experiência espacial, mediando arquitetura e natureza. A obra sintetiza os princípios da escola paulista de arquitetura moderna, evidenciando o uso honesto dos materiais e soluções como pilotis, planta livre e uma elegante escada caracol, que reforçam a fluidez e a racionalidade do conjunto, dentre muitos outros detalhes icônicos.
“A GENTE VAI CONSEGUIR OCUPAR DE UMA FORMA MUITO QUALIFICADA, EMBLEMÁTICA E FAZENDO JUS A UM MUSEU QUE TRATA DA CASA BRASILEIRA NUMA TIPOLOGIA DE ARQUITETURA MUITO PRÓPRIA DO BRASIL”
Mobília: Peças que integram o acervo do Museu
Cadeira Gaivota
Secretária Estadual de Cultura Marília Marton
Poltrona Mole
Patrimônio cultural tombado
O tombamento da Residência Olivo Gomes estrutura-se em múltiplas instâncias de proteção patrimonial ao longo de diferentes períodos. Em âmbito municipal, o imóvel foi protegido pela legislação do COMPHAC (Lei nº 6.493, de 5 de janeiro de 2004). No nível estadual, foi aprovado pelo CONDEPHAAT e homologado pela Resolução SC nº 97, de 23 de outubro de 2013. Já em esfera federal, o reconhecimento pelo IPHAN ocorreu por meio do processo nº 1368-T-96, formalizado em 10 de novembro de 2021.
Esse conjunto de instrumentos legais assegura a preservação integral da obra de Rino Levi e Roberto Cerqueira César, incluindo sua relação indissociável com os jardins concebidos por Roberto Burle Marx, reafirmando seu valor como patrimônio exemplar da arquitetura moderna brasileira.
RESTAURAÇÃO
As obras estão a todo vapor. O grande restauro já havia sido feito, o que demanda bastante atenção são as adaptações para receber o rico acervo, como criação de luminotécnica, que é o estudo científico da aplicação da luz artificial, unindo arte, engenharia e design para criar ambientes funcionais, estéticos e eficientes.
A instalação de ar condicionado é o que está dando mais trabalho, conforme informou o órgão estadual, uma vez que a residência não tinha esse tipo de aparato e ele é necessário para muito além do bem-estar humano. “As pessoas pensam em ar condicionado só para agradar ao público, mas a temperatura também tem a ver com o tipo de equipamento. Quadros, por exemplo, não podem ficar em lugar quente, tem controle de umidade, e tudo isso está sendo feito para receber os nossos acervos”, detalha Marília. O plano é abrir as portas ao público em julho deste ano.
O ANTIGO E O CONTEMPORÂNEO DE MÃOS DADAS
Como não só de peças antigas vive o Museu da Casa Brasileira, e honrando seu papel de seguir contando a história do habitar e suas minúcias ao longo do tempo
– inclusive o agora –, a evolução do design também encontra lugar sobre esse teto. O já consagrado Prêmio Design MCB, que chegou à 36ª edição em 2025, tem justamente a missão de reverenciar a criatividade e a contemporaneidade dos designers brasileiros. Aliadas a costumes imortalizados no antigo acervo, essas novas produções podem ajudar a resgatar traços humanos que estão sumindo com o crescimento do virtual, como presença e convivência.
“A classe cultural têm uma responsabilidade imensa de romper bolhas. Quando
a gente fala de um Museu da Casa Brasileira é realmente reconectar aquele ambiente que era do encontro familiar. Hoje é como se cada um entrasse na sua casa e fosse pro seu mundinho, e aí você não tem a conversa, você não tem o encontro, você não tem a troca de saberes que esta máquina [humana] sabe produzir”, finaliza Marília.
O Museu da Casa Brasileira ainda não definiu as próximas exposições. Mas além das atrações locais, o órgão realiza mostras itinerantes e ações de fomento à história e à cultura em diferentes locais.
Cadeira São Paulo
Na Residência, paredes são feitas de extensos panos de vidro
Cadeira Paulistano
Foto: Paulo Vieira / Prefeitura de São José dos Campos
Foto: Gal Oppido / SCEIC-SP
SP-Arte 2026 amplia horizontes e consolida integração entre arte, design e mercado
Com novos setores, programação expandida e presença internacional, feira reforça seu papel como plataforma estratégica da produção contemporânea
Por Aliz Lambiazzi
OPavilhão da Bienal, no Parque do Ibirapuera, nunca pareceu tão vibrante quanto nos primeiros dias do mês. Entre 8 e 12 de abril, a 22ª edição da SP-Arte 2026 apresentou não apenas obras e galerias, mas um ecossistema completo que articula mercado, pensamento crítico e experimentação estética, transformando-se em um manifesto sobre a identidade brasileira e latino-americana.
Com 180 expositores entre galerias de arte e estúdios de design nacionais e internacionais, museus, espaços independentes e editoras, e um público que ultrapassou a marca de 35 mil visitantes, o evento provou que mesmo em tempos de volatilidade econômica a arte e o design de alta gama permanecem como ativos de refúgio e paixão.
“Chegamos à 22ª edição da SP-Arte com a consagração do design dentro e fora da feira, com a presença de novos estúdios e daqueles que estão conosco desde o começo. Ao mesmo tempo, o segmento de arte segue reunindo importantes galerias com ordinárias especialmente pensadas para o evento. A programação de conversas amplia o diálogo, aproximando os colecionadores, os profissionais e o público”, afirma a fundadora e diretora-executiva da feira, Fernanda Feitosa.
O DESIGN EM SEU ÁPICE: 10 ANOS DE EVOLUÇÃO
O grande destaque desta edição foi a celebração de uma década do setor de Design dentro da feira. O que começou como uma aposta tímida em 2016, hoje ocupa uma fatia estratégica do evento, com 64 marcas e estúdios — o maior número da história.
A principal novidade foi a criação do espaço Design NOW, dedicado ao mobiliário e seus criadores. Lá, reuniram-se 10 estúdios, nove deles estreantes na feira, apresentando um recorte da cena independente do design brasileiro.
MAIS NOVIDADES
A programação de conteúdo foi outro ponto forte da edição. A Arena Iguatemi recebeu um ciclo de conversas reunindo nomes relevantes para discutir arte, cultura e comportamento. Já o Palco SP-Arte contou com uma agenda voltada ao mercado e ao colecionismo,
promovendo debates sobre aquisição de obras, formação de acervos e dinâmicas do setor. Outro destaque foi a reunião de instituições culturais, espaços de patrocinadores e o Premium Lounge da SP-Arte, ampliando as possibilidades de convivência, networking e experiências durante o evento.
A valorização da produção contemporânea também se refletiu na entrega de prêmios voltados a artistas e designers, incentivando novas trajetórias e reconhecendo talentos emergentes.
PRESENÇA INTERNACIONAL
A vocação internacional da SP-Arte ficou evidente em 2026 com a presença de galerias de diferentes continentes e uma ampla diversidade geográfica. Entre estreias e retornos figuraram nações como Uruguai, Reino Unido, Bolívia, Colômbia, México, Estados Unidos, França, Bélgica, Espanha, Itália, Peru, Argentina e Portugal.
Fotos:
Divulgação
SP-Arte
Espaço Baró
A exposição “Existe uma árvore” teve destaque com peças em madeiras nativas
Espaço Firmacasa
AREA transforma resíduos verdes em solução ambiental e reduz impacto nos aterros
AAREA, por intermédio do seu departamento de Manutenção, vem garantindo sua atuação com um serviço técnico de compostagem que transforma podas de árvores, arbustos e grama em adubo orgânico, reduzindo de forma significativa o volume de descarte em aterros sanitários.
A operação acontece em uma área de 6,5 mil metros quadrados, localizada nas proximidades da unidade Tamboré do Parque Ecológico do Tietê, espaço cedido pelo Departamento de Águas e Energia Elétrica (DAEE). No local, os resíduos verdes coletados diariamente passam por um processo estruturado: são triturados, recebem aditivos orgânicos e seguem para decomposição controlada.
O ciclo completo leva, em média, 60 dias. O resultado é uma redução expressiva de volume — a cada 100 metros cúbicos de resíduos processados, cerca de 20 metros cúbicos retornam ao sistema como adubo orgânico, reaplicado em canteiros e áreas verdes da cidade.
Na prática, a iniciativa ataca dois pontos críticos da gestão urbana: diminui a pressão sobre aterros sanitários e fecha o ciclo dos resíduos orgânicos, reintegrando-os ao meio ambiente de forma produtiva.
A iniciativa se alinha a uma lógica de eficiência ambiental. A compostagem conduzida pela AREA segue os princípios dos 3Rs — reciclar, reutilizar e reduzir — e opera como ferramenta concreta de política pública sustentável.
O impacto é direto: menos resíduos acumulados, menor emissão associada ao transporte e descarte, e ganho ambiental com a devolução de nutrientes ao solo.
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Num cenário em que cidades enfrentam limites cada vez mais evidentes na gestão de lixo, iniciativas como essa deixam de ser diferencial e passam a ser necessidade. A compostagem, nesse contexto, deixa de ser apenas técnica e assume papel estratégico na construção de um modelo urbano mais sustentável — movimento que também vem sendo fortalecido pela atuação da AREA Alphaville, ampliando o alcance das práticas ambientais na região.
Olive Garden escolhe Alphaville como eixo estratégico para expansão no mercado premium brasileiro
A nova unidade está em implantação no Shopping Tamboré e deve abrir às portas nas férias de julho
Por Gláucia Arboleya
Achegada do Olive Garden a Alphaville reforça o protagonismo do bairro no mapa de expansão de grandes marcas internacionais. A nova unidade, em implantação no Shopping Tamboré, é parte de uma estratégia que combina posicionamento premium acessível, escala e experiência.
Para o CEO Jerônimo Junior, a escolha da região segue uma lógica clara de negócios. “Alphaville representa um dos polos residenciais e de negócios mais qualificados do Brasil, alinhando-se perfeitamente ao nosso posicionamento de casual dining
premium. A escolha do Shopping Tamboré baseia-se em nosso rigoroso processo de seleção de locais, que prioriza visibilidade, acessibilidade e proximidade a centros de atividade consolidados”, afirma.
Segundo ele, o endereço permite levar a proposta da marca a um público exigente. “Vamos transmitir a essência da hospitalidade italiana para um público que valoriza conveniência e qualidade de experiência.”
A operação já está em fase de obras, com inauguração prevista para as férias de julho. “Quanto à equipe, cada unidade é liderada por um Gerente Geral altamen-
te treinado para garantir que os padrões globais e o nosso ‘Jeito Hospitaliano’ sejam aplicados em cada detalhe do serviço”, explica.
HOSPITALIDADE COMO ATIVO DE MARCA
No centro da estratégia está o conceito de hospitalidade da rede. “Nossa filosofia é clara: ‘When you’re here, you’re family’. Nossos clientes são tratados como convidados da nossa casa”, diz o executivo. “Traduzimos isso no conceito Hospitaliano, que é a nossa paixão por deixar os convidados plenamente satisfeitos e felizes.”
A proposta inclui manter pilares clássicos da marca. “A generosidade italiana é inegociável. Oferecer saladas, sopas e nossos icônicos breadsticks de forma ilimitada com os pratos principais é a base do valor que entregamos”, reforça.
A adaptação ao mercado brasileiro ocorre sem perder a identidade global. “Mantemos a integridade da marca, mas ajustamos menus para refletir o paladar local. É um equilíbrio entre a autoridade de uma rede com mais de 950 unidades nos EUA e a sensibilidade de entender o ritual de refeição do brasileiro.”
EXPERIÊNCIA,
DESIGN E POSICIONAMENTO
O Brasil é visto como um mercado com forte conexão cultural com a proposta da marca. “O brasileiro adora comida italiana. Assim como nos Estados Unidos, o Olive Garden é um lugar de celebração — com família, amigos ou colegas de trabalho”, afirma Jerônimo. “Tudo isso se traduz na nossa comida farta”.
A unidade de Alphaville também marca a chegada de um novo conceito arquitetônico. “ O ‘Domani’ traz um toque contemporâneo ao estilo rústico toscano, criando ambientes para diferentes ocasiões.”
O posicionamento reforça a proposta de valor. “Somos um casual dining premium acessível. O diferencial está na expe-
“MANTEMOS A INTEGRIDADE DA MARCA, MAS AJUSTAMOS MENUS PARA REFLETIR O PALADAR LOCAL. É UM EQUILÍBRIO ENTRE A AUTORIDADE DE UMA REDE COM MAIS DE 950 UNIDADES NOS EUA E A SENSIBILIDADE DE ENTENDER O RITUAL DE REFEIÇÃO DO BRASILEIRO”, JERÔNIMO JR, CEO.
riência: comida excepcional, serviço atento e atmosfera acolhedora. É uma combinação que gera encantamento.”
EXPANSÃO E IMPACTO ECONÔMICO
O investimento médio por unidade gira em torno de R$ 6 milhões, com impacto direto na economia local. “Para Tamboré, prevemos a geração de cerca de 50 empregos diretos, reforçando nosso compromisso com o desenvolvimento de carreiras”, afirma.
Segundo o CEO, o setor vive um momento de transformação. “O mercado está em amadurecimento, com um consumidor mais exigente. Nossa estratégia é crescer com excelência operacional e fortalecer a fidelidade do cliente.”
CARDÁPIO E FUTURO
Entre os destaques do menu, clássicos que definem a identidade da marca.
“O Fettuccine Alfredo, a lasanha e o ‘Tour of Italy’ são indispensáveis. E é impossível falar de Olive Garden sem citar nossos breadsticks e a salada ilimitada, que são favoritos do público.”
A visão de longo prazo é ambiciosa. “Vemos o Olive Garden consolidado como a principal referência de culinária italiana no casual dining no Brasil. Nosso objetivo é expandir de forma sustentável e encantar milhões de novos convidados, mantendo a liderança global que já temos”, conclui.
Entre os destaques do Menu: Fettuccine
Breadsticks está entre os pedidos preferidos dos brasileiros
A lasanha também compõe o cardápio
Jerônimo Jr, CEO
Grandes Lagos do Chile
A região onde começa a Patagônia chilena é uma das mais belas do país, com cidades pitorescas as margens de grandes lagos, vulcões nevados, montanhas, florestas exuberantes, corredeiras de água cor de esmeralda e muita vida selvagem
Johnny Mazzilli
Por
Ao fundo do grande Lago Llanquihue, o majestoso Vulcão Osorno domina a paisagem
PARA ALÉM DA EXUBERANTE NATUREZA, DAS PAISAGENS PRESERVADAS E DAS PECULIARIDADES DO CLIMA, HÁ NESSA REGIÃO
UMA ATMOSFERA ENVOLVENTE QUE CATIVA OS VIAJANTES
OChile é um país de geografia excepcional. Além de seu peculiar formato alongado e estreito, possui ecossistemas únicos e razoavelmente segmentados. Pode-se dividir o Chile, grosso modo, em três partes distintas. No Norte, o grande Atacama, o deserto mais seco do planeta, com seus incontáveis matizes de vermelho, ocre e amarelo, campos de gêiseres, salares, platôs de altitude e imponentes vulcões, como o Ojos del Salado, com 6.893m, o mais alto vulcão do mundo e a segunda maior montanha das Américas.
Mais abaixo, na porção central, encontra-se a capital Santiago, uma região verde e mais povoada, de clima mediterrâneo, com centenas de vinícolas, muitas dotadas de excelente infraestrutura turística, em meio a vales, plantações de Palta (avocado), praias e uma variedade de atrativos turísticos.
Na porção inferior, ao Sul, tem início a extensa Patagônia chilena, que começa nos Grandes Lagos e estende-se ao Sul em uma enorme vastidão muito pouco habitada até os confins da América Latina, no Parque Torres del Paine e à última cidade do país, Punta Arenas.
Em minha segunda viagem ao Chile, em 2011, fiz a primeira incursão à região dos Grandes Lagos. Essa viagem teve início lá no Norte, no Atacama, desceu para a porção central mediterrânea e se encerrou na cidade de Puerto Varas, localizada às margens do gigantesco Lago Llanquihue (Djanquíue), com nada menos que 871 km2 de superfície. Na paisagem, os vulcões Osorno (2.652m) e Calbuco (2.015m) pairam como sentinelas silenciosas. Falando em vulcões, o Chile possui mais de 2.000 em seu território, sendo um dos países com maior atividade vulcânica no mundo. En-
tre 90 e 95 vulcões são ativos ou potencialmente ativos, com vários continuamente monitorados devido ao risco de erupções. Naquele ano, eu peguei um voo em Puerto Montt, cidade vizinha à Puerto Varas, com destino a Santiago e, menos de duas horas após a minha partida, o Puyehue, um vulcão próximo, situado no complexo vulcânico Puyehue-Cordón Caulle, entrou em erupção após 51 anos de inatividade, lançando durante semanas uma coluna de cinzas de mais de 10 km de altura, obliterando voos em uma extensa área ao redor.
Com 40 mil habitantes, a linda Puerto Varas é a cidade referência da região dos Grandes Lagos, ao lado de sua vizinha maior, Puerto Montt, uma importante cidade portuária com cerca de 200.000 habitantes. Embora maior, economicamente mais relevante e onde se encontra o aeroporto regional, Puerto Montt tem menos atrativos turísticos e não tem o valor cênico de sua charmosa vizinha.
Puerto Varas é a porta de entrada para o turismo de inverno e de verão, com grande número de visitantes que vão praticar
esqui, canoagem, trekking, escalada em rocha, alpinismo, para desfrutar as belezas dos lagos e, também, para o birdwatching, a observação de aves selvagens.
A colonização da Região de Los Lagos –chamada de “Região X” teve início em 1853, com um plano do governo chileno para povoar o entorno à época quase desabitado do Lago Llanquihue. Para isso, foram enviados imigrantes alemães, que receberam do governo terras cultiváveis. Os alemães colonizaram e urbanizaram com sua peculiar arquitetura de madeira, a gastronomia e as tradições locais, criando uma “cidade alemã” no sul do Chile. Tal influência é marcante até hoje na arquitetura, visível nas casas de madeira de estilo alemão - muitas preservadas desde o início de 1900 - no urbanismo e na culinária até há pouco tempo de prevalência germânica. O mesmo estilo se propagou para cidades vizinhas, como a charmosa Frutillar. Situada a 28 km de Puerto Varas, Frutillar tem apenas 15 mil habitantes e é um típico balneário de verão. De sua tranquila praia central, projetam-se imponentes na paisagem os vulcões Osorno, Calbuco e Ponteagudo.
Lago Llanquihue em Puerto Varas
Centollas no Mercado Angelmó, Puerto Montt
Fotos: Johnny Mazzilli
VULCÃO CALBUCO (2010M). APESAR DE SUA MODESTA ALTITUDE, É UM COMPLEXO VULCÂNICO QUE REQUER ATENÇÃO E CONTÍNUO MONITORAMENTO. APÓS 43 ANOS DE INATIVIDADE, ENTROU EM ERUPÇÃO EM ABRIL DE 2015, LANÇANDO UMA COLUNA DE CINZAS DE MAIS DE 15 KM DE ALTURA. SUAS ENCOSTAS SÃO PERIGOSAMENTE INSTÁVEIS E SÃO FREQUENTES AS AVALANCHES DE ROCHA. TAIS RISCOS LEVARAM O GOVERNO CHILENO A PROIBIR SUA ESCALADA.
A 150 km de Puerto Varas encontra-se o Lago Ranco, com 442 km2 de superfície e boa infraestrutura turística balneária. Em janeiro, as temperaturas ultrapassam os 30ºC por alguns dias – uma raridade naquela latitude - e os chilenos não perdem a oportunidade para se banhar. São praias de seixos escuros e miúdos, polidos e água fria, mas nada disso desanima os locais, que aproveitam a curta temporada de calor para se divertir.
Em um recanto de sua extensa margem encontra-se a vila de Futrono, com cerca de 15 mil habitantes. No passado, foi um território habitado pela etnia Mapuche, que por muito tempo defendeu suas terras das investidas dos espanhóis. Em toda parte, bandos de grandes aves barulhentas, as bandurrias – no Brasil chamadas de Curicacas (Theristicus caudatus), pastam nos campos e, à tarde, recolhem-se à parte alta das árvores.
Coihue de los Columpios (Balanços de Cochamó)
Lago Ranco nos arredores de Futrono
A menos de 100 km de Puerto Varas encontra-se uma joia da região, a pitoresca Cochamó, situada defronte ao grande Estero (estuário) Reloncavi, um santuário preservado de animais marinhos de delicado equilíbrio ecológico. Tecnicamente, a geografia marítima defronte a Cochamó é um fiorde, descrito por geógrafos como o “primeiro fiorde”, onde se inicia a zona de fiordes da Patagônia Chilena. Cochamó é um paraíso para escaladores, conhecida como a “Yosemite da América do Sul”, com dezenas de paredões de rocha com até 1.000 metros de extensão, coisa para iniciados.
Em 2011, ao visitar Puerto Varas pela primeira vez em uma viagem inesquecível, me encantei com a pequena e charmosa cidade. Viajando intensamente pelo mundo, nunca me esqueci daquele lugar incrível e prometi voltar. E, em 2020, no início da pandemia, minha filha que vivia há uns anos em Santiago se mudou para... Puerto Varas. Como uma feliz ironia do destino, desde então vou visitá-la e me dedico com alegria a explorar os recantos da maravilhosa região dos Grandes Lagos do Chile.
Vista da praia central de Frutillar, com os vulcões ao fundo
Estuário Reloncavi (Fiorde de Cochamó)
Fotos: Johnny Mazzilli
Força, equilíbrio e movimento na roda Cyr
O clássico reinventado “Alegría –Um Novo Dia” traz o Cirque du Soleil de volta ao Brasil em agosto
São Paulo e Curitiba são as cidades brasileiras escolhidas para receber a nova temporada – e a nova versão – do espetáculo que consolidou a identidade do Cirque du Soleil no mundo
Por Aliz Lambiazzi
Há espetáculos que atravessam o tempo. Outros o reinventam. Ao revisitar um de seus maiores sucessos, o Cirque du Soleil não apenas remonta um clássico — o reconstrói para uma nova era. Assim nasce “Alegría – Um Novo Dia”, que chega ao Brasil em 2026 como um convite à emoção, à memória e à reinvenção.
A temporada no país começa em 20 de agosto, no Parque Villa-Lobos, em São Paulo, e vai até 8 de novembro; de lá, encerra a passagem pelo país em Curitiba, onde ficará de 19 de novembro a 13 de dezembro, ocupando o Expotrade. Em São Paulo, sob a icônica Grande Tenda, o público será transportado para um universo onde passado e futuro coexistem em tensão e em beleza.
UM CLÁSSICO QUE NUNCA
DEIXOU DE PULSAR
Originalmente apresentado entre 1994 e 2013, Alegría não foi apenas um sucesso, foi um marco. Assistido por mais de 14 milhões de pessoas em 255 cidades do mundo, o espetáculo ajudou a consolidar a identidade artística do Cirque du Soleil — uma fusão singular de teatro físico, acrobacia, música e poesia visual.
Sua trilha sonora, lançada em 1995, tornou-se igualmente lendária. A canção-título, “Alegría”, transcendeu o espetáculo e conquistou o mundo, rendendo indicação ao Grammy e permanecendo, até hoje, como o álbum mais popular da companhia.
No Brasil, a turnê de 2006-2007 criou um vínculo duradouro com o público, uma relação que agora se renova com ainda mais intensidade.
UMA NOVA LEITURA PARA UM NOVO TEMPO
Em Alegría – Um Novo Dia nada é simplesmente repetido. A narrativa foi redefinida, os números acrobáticos reinventados e a estética atualizada com uma sensibilidade contemporânea, sem perder o DNA barroco e onírico que consagrou o original.
A história continua girando em torno de um reino em decadência após a perda de seu rei. No centro da trama, a disputa entre uma ordem antiga e uma juventude inquieta que exige transformação. É uma metáfora potente sobre poder, renovação e esperança que dialoga diretamente com o espírito deste novo tempo.
A grandiosidade em cada detalhe
Com um elenco de 54 artistas de diversas partes do mundo, a produção impressiona pela precisão técnica e pelo impacto visual. Como é tradição do Cirque du Soleil, cada elemento é pensado como parte de uma engrenagem sensorial: figurinos exuberantes, cenários dinâmicos, iluminação dramática e uma trilha executada ao vivo que atravessa o corpo do espectador.
Desde sua estreia, em 2019, essa nova versão já encantou mais de 3,5 milhões de pessoas em sete países — e vem sendo celebrada por crítica e público como uma reinvenção à altura do original.
TALENTO BRASILEIRO EM CENA
Oito brasileiros compõem o elenco internacional do espetáculo desta nova fase, e dentre os destaques está a cantora e atriz brasileira Cássia Raquel, de 39 anos, com o grupo desde 2021. Com ele já esbanjou talento em países como EUA, Canadá, Coreia do Sul, Japão, Reino Unido, Espanha, Itália, Bélgica, França e Alemanha.
Ela é uma das protagonistas vocais da produção, na qual interpreta a personagem “Singer in Black”. Ela conduz o espetáculo ao lado de “Singer in White”, representando opostos que se complementam. Sua potência vocal e presença de palco têm sido constantemente elogiadas pela crítica internacional.
Performance emocionante baseada na dança guerreira tradicional samoana
Entrevistada com exclusividade pela Efe., Cássia diz estar ansiosa para a temporada em sua terra natal. “O brasileiro ama e clama pelo Alegría há muito tempo. Vão sentir euforia, orgulho dos outros brasileiros daqui, vão se sentir num mundo de fantasia. Tenho certeza que muita gente vai sair com os olhos cheios de lágrimas de emoção”, prevê a artista. Ela descreve sua persona-
gem como “uma mãezona”: firme quando necessário, mas que não perde a doçura. “Eu trago muita brasilidade na minha atuação. As músicas são grandiosas e levam energia para os atletas. Canto principalmente para os Bronxs, que fazem contraste com os anjos e os aristocratas”, revela.
“Cantar sempre como se fosse a primeira vez” é o que a brasileira considera o
maior desafio vocal e emocional da turnê. “Para alguém do público será! Não posso fazer no automático. Se me sinto cansada, eu sei como disfarçar. Me esforço para ter foco total e olhar nos olhos de quem está encantado com o show”, expressa Cássia, que começou a cantar ainda jovem e ganhou visibilidade ao participar do programa Ídolos em 2008.
A brasileira Cássia Raquel é uma das protagonistas vocais do espetáculo
Nova temporada Cirque du Soleil no Brasil – Alegría –Um Novo Dia
São Paulo
Parque Villa-Lobos
Av. Queiroz Filho, 1.315 (Bolsão B), Vila Hamburguesa - São Paulo
De 20 de agosto a 8 de novembro de 2026
Curitiba
Expotrade
Rod. Dep. João Leopoldo Jacomel, 10.454 - Vila Amelia, Pinhais - PR De 19 de novembro a 13 de dezembro de 2026
Ingressos: Eventim (https://www.eventim.com.br)
Duração: 2h15, com 25 minutos de intervalo
Classificação: Livre. Menores de 12 anos de idade somente acompanhados dos pais ou responsáveis legais.
Pop Andino: arte, identidade e provocação no MASP E
Primeira exposição individual de La Chola Poblete no Brasil transforma referências pop e ancestrais em um discurso potente sobre colonialismo e pertencimento
Por Aliz Lambiazzi
Exposição:
La Chola Poblete: Pop Andino
Local:
Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (MASP)
Endereço:
Avenida Paulista, 1578
Bela Vista — São Paulo
Telefone: (11) 3149-5959
Período:
6 de março a 2 de agosto de 2026
Ingressos:
R$ 85 (inteira); R$ 42 (meia-entrada)
Horários: terças grátis, das 10h às 20h (entrada até as 19h); quarta e quinta das 10h às 18h (entrada até as 17h); sexta das 10h às 21h (entrada gratuita das 18h às 20h30); sábado e domingo, das 10h às 18h (entrada até as 17h)
ntre cores vibrantes, símbolos religiosos e referências à cultura de massa – inclusive massa de pão (pois é!) –, a exposição “La Chola Poblete: Pop Andino” ocupa o Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (MASP) até 2 de agosto com uma proposta que vai além do impacto visual.
A produção transita entre desenhos, esculturas feitas com pão e fotografias performáticas, nas quais Poblete assume personas que vão de cantora pop a figura mitológica. Em séries como Vírgenes cholas, referências religiosas, cultura pop e elementos autobiográficos se misturam, criando imagens que tensionam identidade e pertencimento. Essa sobreposição também aparece em trabalhos que simulam cartazes de turnês musicais, deslocando a figura da “chola” para o lugar de protagonismo. Já no Manifesto Pop Andino, a artista sintetiza sua proposta ao afirmar: “Meu gênero é artista”, recusando categorias fixas.
Com curadoria de Adriano Pedrosa e Leandro Muniz, a exposição parte da trajetória da artista para discutir os legados coloniais na América Latina.
Mais do que uma exposição, a mostra funciona como um gesto de reapropriação. Ao transformar sua própria identidade em linguagem, Poblete reposiciona narrativas históricas e afirma a arte como espaço de disputa, visibilidade e reinvenção.
La Chola Poblete é o nome artístico e identidade adotada por Mauricio Poblete. A artista trans andina nasceu em Guaymallén, na Argentina, em 1989.
Onde e quando visitar
La Chola Poblete, Il Martirio di Chola, 2014
Virgen del Carmen de Cuyo, da série Virgenes Cholas
La Chola Poblete em pinturas e esculturas no MASP
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