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Edição 009 - Revista Efe

Page 1


Ricardo Amorim

O futuro já chegou. Você está preparado para crescer com ele?

Vanessa Pedrosa

Presença executiva: clareza de comunicação, solidez e coerência

JOEL JOTA

NEGÓCIOS

Restaurantes de carne viram extensão das reuniões de negócio em Alphaville

Mercado IMOBILIÁRIO

O novo luxo do mercado imobiliário: vender sensações, não só metros quadrados

Cidades inteligentes

O futuro urbano já começou — e ele é conectado, eficiente e centrado nas pessoas

Carlos alberto Júlio

Governança: o único meio de construir uma empresa que sobreviva a você

João Branco

Empresas existem para prover felicidade às pessoas

Ele transformou mentalidade de atleta em estratégia de negócios e construiu um dos maiores ecossistemas de performance do país

E mais:

Copa do Mundo, Fórmula 1, arquitetura e destinos que inspiram

NEGÓCIOS | NETWORK | IDEIAS | TENDÊNCIAS

Joel Jota

EX-ATLETA, PROFESSOR E HOJE EMPRESÁRIO, ELE CONTA COMO CONSTRUIU UM ECOSSISTEMA QUE VAI DO CONTEÚDO AO INVESTIMENTO

38

Matéria de capA

Copa do Mundo: onde o jogo é transmitido e disputado

34. Negócios

Em Alphaville, restaurantes especializados em carne viram palco de decisões

52. Cidades inteligentes

Inovação e conectividade colocam eficiência e bem-estar no centro do planejamento urbano

Fomos

PUBLISHER

Cesar Foffá

DIRETOR DE NOVOS NEGÓCIOS

Marcelo Foffá

DIRETORA ADMINISTRATIVA

Lourdes Foffá

EDIÇÃO E REPORTAGEM

Gabriela Ribeiro e Thais Sant’Ana

EDITOR DE ARTE E PROJETO GRÁFICO

Fábio Tateno

FOTOGRAFIA

Omar Paixão

COLABORADORES

Beatriz Bononi

Carlos Alberto Júlio

Fernando Barra

João Branco

Johnny Mazzilli

Ricardo Amorim

Vanessa Pedrosa

CIRCULAÇÃO

Joselito Santos

FINANCEIRO

Thiago Castillo

TECNOLOGIA

Guilherme dos Reis Silva

IMPRESSÃO

Margraf

JORNALISMO jornalismo@revistaefe.com.br (11) 95595.3433 | 3811.2820

PUBLICIDADE

Marcelo Foffá marcelo@revistaefe.com.br (11) 98890.6308

ASSINATURAS assinaturas@revistaefe.com.br (11) 95595.3433

efe. | A Revista da Folha de Alphaville Avenida Cauaxi, 293 | Ed. Alpha Green Alphaville Barueri/SP | 06454-020 (11) 4208-1600

*Os artigos assinados não refletem, necessariamente, a opinião da revista.

28. Mercado imobiliário Quando vender imóvel vira experiência
18. Mídia
24. Branding A Fórmula 1 virou território de marca
62. Turismo

COLUNISTAS

12. Ricardo Amorim

Ricardo Amorim é economista, empreendedor, comentarista, palestrante e influenciador digital brasileiro. Graduado em Economia pela Universidade de São Paulo (USP) e com pós-graduação em Administração e Finanças Internacionais pela ESSEC Business School, em Paris. Foi apresentador do programa Manhattan Connection, na GloboNews, e eleito pela revista Forbes como um dos “100 mais influentes brasileiros”.

@ricamorim

O valor do caminho

Existe uma ideia romantizada de que o sucesso acontece da noite para o dia. Mas quem vive o mundo real dos negócios sabe: por trás de toda conquista consistente, existe tempo, disciplina e construção contínua.

Na nossa entrevista de capa, Joel Jota resume isso de forma precisa ao dizer que o seu “sucesso da noite para o dia” levou oito anos para acontecer. Uma frase simples, mas que carrega a essência de quem entende que resultado é consequência de processo.

Essa visão dialoga diretamente com o espírito de Alphaville, uma região que se consolidou como um dos principais polos de empreendedorismo e desenvolvimento do país. Aqui, empresas nascem, crescem e se reinventam todos os dias. Não por acaso, Alphaville é feito de pessoas que constroem, ajustam rotas e persistem. Gente que entende que o verdadeiro sucesso não é imediato, é construído.

A revista efe. nasce e evolui dentro desse mesmo princípio. A cada edição, nosso compromisso é claro: entregar um conteúdo cada vez mais relevante, sofisticado e conectado com os interesses e os negócios da região. Não se trata apenas de informar, mas de gerar valor — para quem empreende, para quem consome e para quem faz Alphaville acontecer.

E, claro, como sempre, nesta edição, além da nossa matéria de capa, você encontra uma curadoria de temas que refletem o estilo de vida de quem é daqui. Tem Copa do Mundo; Fórmula 1 e motos; destinos inspiradores em turismo - Oslo é a bola da vez; gastronomia; arquitetura; e muito mais.

Boa leitura.

Thais Sant’Ana

Editora da Revista efe.

14. Carlos Alberto Júlio

Carlos Alberto Júlio é um executivo experiente, professor, autor e palestrante de destaque no cenário corporativo brasileiro. Tem sólida formação internacional e extensa experiência como CEO e conselheiro.

@profcarlosjulio

16. João Branco

João Branco é professor e autor do Desmarquetize-se. Ex-VP Marketing McDonald’s, eleito o profissional de Marketing mais admirado do Brasil e top 10 melhores CMOs pela Forbes.

@falajoaobranco

46. Vanessa Pedrosa

Fonoaudióloga especialista em voz, mestre e doutora em Ciências pela Unifesp. Atua como fonoaudióloga na Record São Paulo e nos canais ESPN Disney, além de ser sócia-proprietária da Fonoevidence, consultoria especializada em performance comunicativa. Com 25 anos de experiência, atua com executivos e líderes corporativos em setores estratégicos.

@vanessapedrosafono

56. Fernando Barra

Fernando Barra é especialista em tecnologia e inovação, professor palestrante, fundador da Skillplace.com.br e autor do livro Meu Emprego Sumiu.

@ofernando.barra

Briefing

O resumo de notícias que conecta você ao mercado

NIKE E JORDAN LANÇAM UNIFORME DA SELEÇÃO

>> A Nike e a Jordan Brand apresentaram o novo uniforme da Seleção Brasileira, com destaque para a camisa reserva azul que traz o logotipo Jumpman no lugar do tradicional swoosh. O modelo estreia no amistoso contra a França, no dia 26 de março. A peça chama atenção por misturar códigos do basquete com o futebol

— uma combinação rara até aqui — e deve ganhar força também fora de campo, especialmente entre fãs de streetwear e colecionadores.

Nas próximas páginas você também encontra

Nova sede do Santander no Itaim Bibi | BATH & BODY WORKS no Brasil | Ferrari apresenta Amalfi Spider | Últimas novidades do mercado e muito mais!

SANTANDER PROJETA NOVA SEDE NO ITAIM BIBI

>> O Santander anunciou a construção de sua nova sede corporativa em São Paulo, ocupando um quarteirão inteiro na Avenida Juscelino Kubitschek, no Itaim Bibi, no terreno onde funcionava uma unidade do Extra. A mudança está prevista para o segundo semestre de 2028. Batizado de Campus JK, o complexo terá mais de 101 mil m² de área construída e será formado por três torres interligadas, com espaços abertos e áreas projetadas para estimular colaboração, inovação e bem-estar. O novo campus faz parte da estratégia de longo prazo do banco, que aposta em um modelo de trabalho mais integrado, flexível e alinhado às novas dinâmicas corporativas.

OS EMPREGOS MENOS

AMEAÇADOS PELA IA, SEGUNDO A ANTHROPIC

>> Levantamento da Anthropic aponta que algumas profissões seguem menos expostas ao avanço da inteligência artificial — principalmente aquelas que exigem trabalho manual, presença física e interação humana direta. Entre os exemplos estão enfermeiros, terapeutas, trabalhadores da construção civil, cuidadores e profissionais de serviços essenciais. O estudo indica que essas funções têm menor risco de automação por dependerem de contexto, sensibilidade e tomada de decisão no mundo real. Na prática, reforça um movimento já percebido no mercado: enquanto a IA avança sobre tarefas digitais e repetitivas, profissões mais “humanas” tendem a ganhar resiliência.

BATH & BODY WORKS ESTREIA NO BRASIL COM LOJA EM SÃO PAULO

>> A Bath & Body Works inaugura sua primeira loja no Brasil em março, no MorumbiShopping, em São Paulo. A marca americana é conhecida por produtos de cuidados pessoais e fragrâncias para o ambiente, como cremes, sabonetes e velas perfumadas, itens que já conquistaram consumidores brasileiros no exterior. A chegada faz parte do plano de expansão do shopping, que passa por um processo de renovação do mix de lojas.

FERRERO ADQUIRE BOLD SNACKS E AMPLIA ATUAÇÃO NO BRASIL

>> A Ferrero anunciou a aquisição da brasileira Bold Snacks, marca de barras de proteína que vem ganhando espaço no segmento de alimentação saudável. A operação marca mais um movimento da companhia para expandir seu portfólio no país. A Bold é uma das principais marcas do segmento no Brasil e representa cerca de 40% das vendas de barras proteicas no mercado nacional. Com a compra, a Ferrero avança além do universo tradicional de chocolates e doces, reforçando presença em categorias ligadas a bem-estar e nutrição — um dos segmentos que mais crescem na indústria de alimentos.

NESPRESSO INAUGURA NOVA BOUTIQUE EM ALPHAVILLE

>> Localizada no Shopping Tamboré, a nova boutique da Nespresso propõe uma experiência imersiva, em que o cliente pode explorar diferentes perfis de café, aromas e métodos de preparo com o apoio de especialistas. A unidade reúne o portfólio completo da marca e também incorpora iniciativas de sustentabilidade, como o programa de reciclagem de cápsulas, já integrado à jornada de compra. A abertura faz parte do movimento da Nespresso de ampliar sua presença física em mercados estratégicos, com foco na experiência como diferencial.

SADIA PATROCINA SELEÇÃO BRASILEIRA ATÉ 2030

>> A Sadia firmou um acordo de patrocínio com as Seleções Brasileiras de Futebol até 2030. Com isso, a marca passa a integrar o grupo de patrocinadores oficiais da CBF, reforçando sua presença no território esportivo. A parceria amplia a estratégia de conexão da marca com o público por meio do futebol, um dos principais ativos de engajamento no país.

MACBOOK NEO É A NOVIDADE DA APPLE

>> A Apple apresentou o MacBook Neo, seu notebook mais acessível até agora, marcando uma mudança importante na estratégia da marca. O modelo, com versões coloridas, chega com tela Liquid Retina de 13 polegadas, design em alumínio e bateria para o dia todo, mantendo o padrão visual da linha mesmo em uma faixa de entrada. A principal novidade está no uso do chip A18 Pro — o mesmo dos iPhones — no lugar dos tradicionais chips da linha M.

FERRARI APRESENTA AMALFI SPIDER COM MOTOR V8 DE 640 CV

>> A Ferrari lançou o Amalfi Spider, novo conversível da marca equipado com motor V8 biturbo de 640 cv e capota retrátil que abre em 13,5 segundos. O modelo amplia a linha com foco no chamado “lifestyle esportivo”, combinando alta performance com uso voltado também ao dia a dia. O lançamento reforça a estratégia da fabricante de equilibrar esportividade e experiência ao volante, mirando um público que busca potência sem abrir mão de conforto e design.

HEINEKEN APRESENTA VERSÃO SEM ÁLCOOL E ZERO CALORIA

>> A marca revelou a Heineken 0.0 Ultimate, nova variação da sua linha sem álcool que também elimina açúcar e calorias. O lançamento começa pelos Estados Unidos e Polônia, com testes previstos em outros mercados, como a Holanda. A novidade dá sequência à expansão da família 0.0, já presente em mais de 100 países, e acompanha o avanço global de bebidas que equilibram consumo social e escolhas mais leves.

AGORA, NESTLÉ TEM MARCA VOLTADA AO PÚBLICO 40+

>> A Nestlé escolheu o Brasil para lançar a Nestlé Vital, nova marca direcionada ao público acima dos 40 anos. A linha foi desenvolvida para atender demandas nutricionais específicas dessa faixa etária, com produtos pensados para diferentes momentos do dia. O movimento acompanha uma mudança demográfica relevante: o avanço de consumidores mais maduros, ativos e atentos à alimentação, que passam a demandar soluções mais direcionadas e menos genéricas.

NIKE APRESENTA NOVA CAMISA 1 DA SELEÇÃO

>> A Nike revelou a nova camisa número 1 da Seleção Brasileira para a Copa do Mundo de 2026. O modelo resgata um tom de amarelo mais claro, chamado “canary”, e traz detalhes em verde nas laterais, além de referências visuais a uniformes históricos do Brasil. A peça também incorpora a tecnologia Aero FIT, desenvolvida para aumentar a respirabilidade e o conforto em campo, com tecido mais leve e ventilação aprimorada para jogos em alta intensidade.

STANLEY ENTRA NO MERCADO PET

>> A Stanley anunciou a chegada de sua linha de produtos para pets ao Brasil, com comedouros e bebedouros voltados ao dia a dia de cães e gatos. Os itens começam a ser vendidos inicialmente para membros do hub de relacionamento da marca. Conhecida pelos produtos térmicos, a Stanley leva para o segmento pet o mesmo apelo de durabilidade e design funcional, agora adaptado à rotina dos animais.

PETLOVE REFORÇA MARKETING COM AMANDA FERRACINI

>> A Petlove anunciou Amanda Ferracini como sua nova CMO. Com cerca de 20 anos de experiência, a executiva acumula passagens por empresas como Amazon, Banco Inter e SoftBank, além de ter liderado a expansão da consultoria Winclap no Brasil. Na nova função, chega com o desafio de fortalecer a experiência do cliente ao longo de toda a jornada, do digital ao atendimento.

C&A PROMOVE JOÃO

SOUZA À VICEPRESIDÊNCIA COMERCIAL

>> A C&A anunciou a promoção de João Souza ao cargo de vice-presidente comercial, em um movimento que reforça a reorganização da área em um momento de transformação do varejo de moda. O executivo, que já atuava na companhia, assume a posição no lugar de Francislei Donatti, que deixa a empresa após mais de 30 anos para atuar como advisor. Com a mudança, Souza passa a liderar a estratégia comercial da marca, incluindo categorias de produto, planejamento de coleções e performance de vendas.

NUBANK APOSTA EM LIDERANÇA GLOBAL DE MARKETING

>> O Nubank contratou Kim Farrell para liderar o marketing global da companhia. Ex-head global de creators do TikTok, a executiva será responsável pela arquitetura da marca, campanhas e parcerias internacionais, reportando-se à cofundadora Cristina Junqueira. A contratação sinaliza o movimento do banco de fortalecer sua presença global e consolidar sua marca em novos mercados.

ROCK IN RIO CONFIRMA RISE AGAINST, THE HIVES E MGK NO LINE-UP

>> O Rock in Rio anunciou novos nomes e completou a programação dos palcos Mundo e Sunset em dias dedicados ao rock. Entre os destaques estão Rise Against, The Hives, Machine Gun Kelly, Bad Omens e Sepultura, que se apresentam ao lado de headliners como Foo Fighters e Avenged Sevenfold. As atrações reforçam o retorno mais consistente do gênero à programação do festival, com uma combinação de nomes clássicos e artistas da nova geração do rock e metal.

WTM LATIN AMERICA REÚNE SETOR DE TURISMO EM SÃO PAULO

>> Considerada um dos principais encontros B2B do setor de viagens na América Latina, a WTM Latin America reúne profissionais da indústria para networking, negócios e apresentação de tendências. A feira acontece de 14 a 16 de abril, no Expo Center Norte, em São Paulo, e deve atrair empresas, destinos e especialistas do turismo, reforçando o papel da capital paulista como hub de grandes encontros do setor.

Oportunidades que você não pode ignorar

Omundo está atravessando mudanças cada vez mais rápidas e profundas. A capacidade de adaptação nunca foi tão importante. Carreira, inteligência artificial e negócios não são mais temas isolados. Eles estão conectados e já estão redefinindo, na prática, as grandes oportunidades. Carreiras tradicionais, encaradas de forma também tradicional, estão com os dias contados. Em um mundo definido pela inovação e por tecnologias emergentes, o profissional precisa ser resiliente e adaptável, mas acima de tudo, um eterno aprendiz. Poucas profissões desaparecerão, todas ou quase todas vão mudar. Aqueles que combinarem conhecimento técnico com habilidades humanas, como criatividade e empatia, vão se destacar. Não são as tecnologias que substituem empregos, mas a falta de preparo para utilizá-las.

Inteligência artificial não é mais promessa — já está presente em praticamente todas as áreas. Está mudando a forma como empresas operam, como decisões são tomadas e como valor é gerado. Quem souber usar IA ganha escala, produtividade e vantagem competitiva. Quem não usar, fica para trás.

Na economia global, o cenário é decisivo. O mundo está redesenhando suas cadeias produtivas, encurtando distâncias e buscando mais eficiência. O Brasil, com todo o seu potencial, tem uma janela de oportunidade relevante para crescer. Setores como agronegócio, tecnologia e energia seguem como motores importantes, mas o avanço brasileiro dependerá de políticas econômicas consistentes e, principalmente, responsabilidade fiscal.

Nos negócios, agilidade e inovação deixam de ser diferencial e passam a ser pré-requisito. Empreendedores que enxergarem oportunidades onde os outros veem obstáculos vão continuar levando vantagem.

As redes de relacionamento também têm um papel central. Em um mundo ultraconectado, conexões estratégicas e autênticas trazem uma enorme vantagem competitiva. Não se trata apenas de conhecer pessoas, mas de construir pontes que gerem valor para todos os envolvidos. Em outras palavras, trata-se de construir e nutrir ecossistemas.

A pergunta não é mais se esse futuro vai chegar. Ele já chegou.

A pergunta é: você está preparado para crescer com ele ou vai assistir os outros crescerem no seu lugar?

Governança: a ponte entre gerações

Ao longo dos últimos artigos discutimos dois temas que costumam provocar desconforto nas empresas familiares: sucessão e governança. Primeiro lembramos que o problema raramente são os herdeiros. Depois exploramos uma ideia que surpreende muitos fundadores: governança não limita o empreendedor — ela o liberta.

Chegamos agora ao ponto central dessa conversa: governança não é sobre controle. É sobre continuidade.

Empresas familiares são responsáveis por uma parcela extraordinária da riqueza e da geração de empregos no mundo. No Brasil, estima-se que mais de 80% das empresas tenham origem familiar. Ainda assim, os números da longevidade empresarial são conhecidos e inquietantes: poucas chegam à segunda geração, menos ainda à terceira.

Não é falta de talento, não é falta de mercado. Na maioria das vezes, é falta de estrutura. O fundador constrói o negócio com visão, coragem e sacrifício. Mas o que constrói uma empresa não é necessariamente o que garante sua perpetuação. A passagem do tempo exige novas competências, novos processos e, principalmente, novas formas de decisão.

É nesse momento que a governança deixa de ser um conceito abstrato e passa a ser uma ferramenta estratégica. Governança cria espaços de diálogo onde antes havia apenas hierarquia. Estabelece critérios onde antes predominava a intuição. E, talvez o mais importante, separa três dimensões que frequentemente se confundem nas empresas familiares: família, propriedade e gestão.

Quando essas esferas se misturam sem regras claras, surgem conflitos, decisões emocionais e, muitas vezes, paralisia. Quando cada uma encontra seu lugar — conselho de família, conselho de administração e gestão executiva — a empresa ganha clareza.

Governança não tira poder do fundador, ela distribui responsabilidade. Também não significa burocracia, significa previsibilidade. E previsibilidade é o que permite que um negócio sobreviva à inevitável mudança das gerações.

Empresas familiares que prosperam por décadas têm algo em comum: elas compreendem que legado não se constrói apenas com patrimônio, mas com instituições.

No fim, governança é exatamente isso — a ponte que conecta a coragem de quem começou com a capacidade de quem continuará. Porque construir uma empresa é um grande feito. Mas construir uma empresa que sobreviva a você é uma obra muito maior.

Imagem gerada por I.A.

OBRAS AVANÇADAS

Alto potencial de valorização

Zoneamento exclusivo

Residências, comércios e serviços

Potencial construtivo até 5x o tamanho do lote O novo eixo urbano de Vargem Grande Paulista para empreender, investir e morar.

Não venda como se fosse urgente. Sirva como se fosse importante

Construir marcas exige uma paciência que está ameaçada de extinção. O ranking anual das marcas mais valiosas do mundo, divulgado pela Interbrand, ajuda a enxergar esse fenômeno com clareza. Ao longo da última década, a soma do valor das marcas mais valiosas do mundo diminuiu consistentemente. Não estamos falando de empresas mal geridas ou pouco conhecidas, mas de organizações com enorme investimento em marketing, dados e tecnologia. O ponto não é que as marcas estejam acabando, mas que manter valor consistente ficou mais difícil em um ambiente cada vez mais orientado ao “hoje e agora”.

Jeff Bezos, fundador da Amazon, sempre dizia que, “no longo prazo, os interesses dos acionistas estão perfeitamente alinhados com os interesses dos clientes”. Mas, quem consegue esperar para confirmar?

O curto prazo está cada vez mais curto. E nessa corrida, o resultado de vendas do fim de semana vale mais do que qualquer indicador.

O foco na falsa urgência abre espaço para decisões que parecem racionais nas planilhas, mas que são corrosivas na percepção do cliente: Que tal reduzir um pouco a qualidade do produto a cada ano?

Ou cortar esforços de treinamento e atendimento? Ou aumentar os preços acima da inflação, de modo recorrente, sem checar se a percepção de valor acompanhou?

O roteiro é quase sempre o mesmo: “Primeiro a gente resolve o bolso, depois a gente vê como maquiar para o cliente não perceber”.

Empresas de capital aberto sentem essa pressão com intensidade estrutural, mas pequenos negócios não estão imunes. Quando o caixa aperta, a tentação de fazer o mínimo possível para vender rápido é enorme: promoção sem propósito, comunicação genérica, atalho no atendimento, “jeitinho” operacional. Parece solução emergencial, mas vai minando a confiança do cliente aos poucos. E o que constrói relação raramente aparece de imediato na conta bancária... aparece na memória, na recomendação, na escolha repetida.

Claro, às vezes as urgências são reais e decisões difíceis são necessárias. Não adianta ter clientes e ter prejuízo o tempo todo. Se sua empresa estiver em apuros de verdade, você precisa de medidas de emergência. O problema é transformar os apuros em estilo de gestão.

Tomar decisões de curto prazo o tempo todo em um negócio que vai bem é deixar de lado a razão desse negócio existir.

“Empresas não existem para acumular montanhas de dinheiro, mas para prover felicidade às pessoas.” Essa frase não veio de um filósofo, nem de um líder religioso: veio do empresário B. C. Forbes, fundador da revista que leva seu sobrenome, e foi publicada na primeira edição, em 1917.

Parece chocante ouvir isso de alguém ligado a um símbolo tão forte do capitalismo? Pode ser que sim, só que precisamos enxergar o que Forbes notou de extraordinário: marcas fortes vivem muito mais no território do sentido do que no dos números.

Vou mais fundo para deixar isso prático: você vende pijamas porque tem uma fábrica moderna ou porque tem gente que precisa dormir com conforto? Você quer abrir uma clínica odontológica porque tem o sonho de ser chamado de doutor ou porque quer deixar seus pacientes com um sorriso mais bonito? Você está decidindo demitir duzentas pessoas de uma vez porque quer uma notícia que faça a ação subir este mês ou porque precisa deixar a operação sustentável para servir mais clientes no futuro?

Colocar o cliente no centro não muda só a decisão. Muda a intenção da decisão. E isso não vale só para o seu negócio, vale para você também.

O EVENTO QUE PARA O MUNDO

Mesmo em um cenário de audiência fragmentada, a Copa do Mundo segue como o ativo mais valioso da mídia — agora disputado por TV, plataformas digitais e criadores de conteúdo

HOJE, O TORCEDOR NÃO ASSISTE APENAS AO JOGO. ELE COMENTA, COMPARTILHA, REAGE E ACOMPANHA O QUE ACONTECE DENTRO E FORA DE CAMPO AO MESMO TEMPO

De quatro em quatro anos, acontece algo que já não deveria ser possível no mundo atual: bilhões de pessoas param ao mesmo tempo para assistir ao mesmo evento.

Em um cenário dominado por algoritmos, consumo sob demanda e múltiplas telas, a Copa do Mundo continua sendo uma das raras experiências coletivas de escala universal. Um momento em que o público deixa de assistir sozinho e volta a assistir junto.

Os números ajudam a explicar essa força. Segundo dados da FIFA, cerca de 5 bilhões de pessoas acompanharam a Copa de 2022 em diferentes plataformas, e a final entre Argentina e França reuniu aproximadamente 1,42 bilhão de espectadores ao redor do mundo.

“A Copa ainda consegue reunir bilhões de pessoas ao mesmo tempo, algo raríssimo no consumo fragmentado de hoje”, afirma Marcelo Paganini de Toledo, professor de Gestão e Marketing Esportivo da ESPM. “Esse alcance, somado ao fato de acontecer a cada quatro anos, mantém o torneio como um dos ativos mais valiosos do mercado de mídia.”

Mas, se a dimensão do evento continua a mesma, a forma de consumir mudou completamente.

Hoje, o torcedor não assiste apenas ao jogo. Ele comenta, compartilha, reage e acompanha o que acontece dentro e fora de campo ao mesmo tempo.

“O torcedor deixou de ser espectador passivo. Ele acompanha a transmissão e, ao mesmo tempo, o que as pessoas estão dizendo sobre o jogo”, explica Paganini.

Esse novo comportamento não apenas transformou a experiência de quem assiste, mas também redesenhou a disputa entre quem transmite.

Se antes a Copa era território quase exclusivo da televisão, hoje ela é palco de uma

concorrência mais complexa, que envolve emissoras tradicionais, plataformas digitais e criadores de conteúdo disputando atenção, audiência e investimento publicitário.

A AUDIÊNCIA MAIS DISPUTADA DO PLANETA

Se a Copa continua sendo o evento que reúne o mundo, é natural que ela também seja o território mais competitivo da indústria de mídia. Mas o que está em jogo já não é apenas audiência, é o valor dessa atenção. Porque a experiência não está só no jogo.

Está na voz que narra o lance antes mesmo dele acontecer. No comentarista que antecipa a jogada. Na câmera que escolhe o melhor ângulo. No replay que prolonga o gol por alguns segundos a mais. A Copa do Mundo não é apenas um evento esportivo. É uma experiência mediada.

A forma como essa vivência é construída passa diretamente por quem está no ar. A escolha dos narradores, comentaristas e repórteres deixou de ser apenas uma decisão editorial, e passou a ser também estratégica.

Na Globo, por exemplo, a narração dos jogos da seleção ficará sob responsabilidade de Luís Roberto, enquanto nomes como Everaldo Marques, Gustavo Villani, Ana Thaís Matos e Caio Ribeiro integram a equipe escalada para a cobertura.

No SBT, a aposta passa também pela força de nomes reconhecidos do público, como Galvão Bueno e Tiago Leifert, reforçando a estratégia de construir identificação imediata com a audiência.

Mais do que informar, essas vozes ajudam a moldar a experiência do jogo e influenciam diretamente o engajamento do público.

E é justamente nesse ponto que começa a disputa mais valiosa. A capacidade de concentrar milhões de pessoas ao mesmo tempo se tornou um ativo raro. E, claro, essa concentração é o que sustenta o apetite do mercado.

Thiago Leifert

A Casa CazéTV foi pensada para levar ao ambiente presencial a experiência construída no digital, com transmissões ao vivo, estúdios abertos, áreas de convivência, shows e ativações de marca

Quem transmite a Copa no Brasil (2026)

TV Globo / sportv / ge / Globoplay

• Cobertura multiplataforma

• Mais de 400 profissionais envolvidos

• Transmissões, programas, bastidores e conteúdos digitais

CazéTV (YouTube)

• Transmissão dos 104 jogos ao vivo e gratuitos

• Conteúdo estendido e interação em tempo real

• Linguagem digital e foco em comunidade

SBT

• TV aberta como eixo principal

• Integração com digital e redes sociais

• Aposta em nomes fortes e linguagem acessível

“Nenhum outro evento entrega ao mesmo tempo escala, engajamento e carga emocional tão intensa”, afirma Marcelo Paganini, da ESPM. “Para as marcas, é praticamente insubstituível.”

Na prática, isso se traduz em uma disputa que vai além da transmissão. Hoje, diferentes players competem por fatias dessa audiência, cada um com um modelo próprio de distribuição, linguagem e monetização.

No ambiente digital, por exemplo, as cotas de patrocínio da CazéTV para a Copa de 2026 foram integralmente comercializadas antes mesmo do início do torneio, refletindo o interesse das marcas em formatos que combinam alcance e engajamento. Em 2025, transmissões esportivas do canal alcançaram 52 milhões de dispositivos únicos, com picos de 5,6 milhões de acessos simultâneos. O resultado é um novo desenho de mercado.

Mais do que uma disputa por quem transmite, a Copa passou a ser um território compartilhado, em que diferentes plataformas capturam partes complementares da audiência e transformam essa atenção em valor comercial de maneiras distintas.

A NOVA LÓGICA DA TRANSMISSÃO

Para as emissoras, esse cenário exige uma mudança de estratégia. No SBT, a aposta está na força da televisão aberta como ponto de encontro nacional, combinada com uma operação integrada ao digital.

“A televisão aberta continua sendo o meio de maior alcance no Brasil. A Copa mobiliza o país inteiro e dialoga diretamente com a nossa essência”, afirma Mauro Lissoni, diretor artístico da emissora.

Ao mesmo tempo, o canal reconhece que o consumo já não acontece em um único lugar.

“Hoje não faz mais sentido pensar televisão de forma isolada. O conteúdo precisa circular entre diferentes plataformas”, diz.

Essa integração se traduz em uma cobertura que vai além dos jogos: bastidores, cortes em tempo real, conteúdos para redes sociais e formatos pensados para quem acompanha a Copa também pelo celular.

A estratégia também passa pela construção de uma narrativa mais próxima do público.

“Queremos oferecer uma cobertura que vá além da transmissão das partidas, trazendo bastidores, contexto e histórias que ampliem a experiência do torcedor”, afirma Lissoni.

Segundo o executivo, a proposta é combinar informação, análise e entretenimento em uma linguagem mais acessível, característica histórica da emissora. “A Copa é um momento em que o público busca emoção, mas também identificação. Nosso objetivo é transformar esse evento em uma experiência completa de conteúdo.”

Na Globo, a resposta passa por escala e integração total. Para 2026, a emissora es-

truturou uma operação com centenas de profissionais no Brasil e no exterior, conectando TV aberta, canais pagos e plataformas digitais em uma cobertura contínua.

Segundo a empresa, serão mais de 400 profissionais envolvidos, em um modelo que distribui conteúdo entre TV Globo, sportv, ge, Globoplay e Ge TV.

“Vamos entrar em campo para manter uma tradição que vem desde 1970: vestir o Brasil de Copa do Mundo”, afirmou o diretor de Esportes, Renato Ribeiro, em comunicado.

A estratégia aposta em presença constante: transmissão, programas ao vivo, séries especiais, bastidores e conteúdo digital funcionando de forma integrada ao longo de todo o torneio.

No fundo, o movimento das emissoras aponta para a mesma direção: a Copa deixou de ser um evento de grade e passou a ser um fluxo contínuo de conteúdo.

QUANDO A COPA VIRA COMUNIDADE

Se as emissoras ampliam suas operações, é no ambiente digital que a lógica da transmissão muda de forma mais radical.

A CazéTV, em parceria com o YouTube, será o único canal no Brasil a transmitir todos os 104 jogos da Copa de 2026, ao vivo e gratuitamente. Mas o diferencial não está apenas na quantidade de partidas. Está na forma de assistir.

“Estamos criando formatos que integram as marcas ao ambiente e à linguagem

Foto:
Divulgação

das transmissões de forma natural, autêntica e relevante. É uma oportunidade inédita de ativar a Copa dentro de um contexto real de engajamento”, afirma Giamile Rossato, head de negócios da CazéTV.

Nesse caso, a transmissão deixa de ser linear e se transforma em conversa. O público comenta em tempo real, interage com os apresentadores, participa da narrativa e acompanha o jogo dentro de um ambiente coletivo.

A equipe da CazéTV também reflete essa proposta, reunindo apresentadores, criadores e jornalistas em uma linguagem mais próxima do público, com nomes como Casimiro, Bárbara Coelho, Fernanda Gentil e Luisinho.

“O sucesso comercial da Copa na CazéTV demonstra o poder da plataforma em unir criadores, marcas e uma comunidade de fãs apaixonada”, afirma Aline Moda, diretora do Google Brasil.

Esse modelo também se reflete no mercado publicitário. Todas as cotas de patrocínio do projeto foram vendidas antes mesmo do início do torneio, com marcas como Ambev, Itaú, Coca-Cola, Vivo, Mercado Livre e iFood.

“Estamos construindo uma nova forma de viver a Copa do Mundo, conectando marcas e torcedores em um ambiente de alto engajamento”, afirma Christian Mutzig, sócio da LiveMode.

Mais do que audiência, o modelo aposta em pertencimento. Durante a Copa, essa

lógica também ganha forma física com a chamada Casa CazéTV, que terá edições em cidades como São Paulo e Rio de Janeiro.

Os espaços foram pensados para levar ao ambiente presencial a experiência construída no digital, com transmissões ao vivo, estúdios abertos, áreas de convivência, shows e ativações de marca. A proposta é transformar o público em parte da cobertura, aproximando torcedores, criadores e patrocinadores em um mesmo ambiente.

Com estrutura montada em locais de grande circulação — como o Parque Villa-Lobos, na capital paulista — e capacidade para milhares de pessoas por dia, o projeto funciona como um parque de experiências da Copa, conectando conteúdo, entretenimento e presença física.

A COPA EM MÚLTIPLAS TELAS

Hoje, o consumo da Copa se fragmenta em tempo real entre diferentes formatos. E isso já aparece de forma clara nos dados de comportamento do público. No Brasil, 66% dos torcedores permanecem conectados enquanto assistem aos jogos, e mais da metade (54%) utiliza mais de um dispositivo ao mesmo tempo durante as partidas.

Esse hábito não é periférico, é central. Uma pesquisa recente mostra que 38% do público assiste aos jogos na TV enquanto usa o celular simultaneamente, transformando a chamada “segunda tela” em parte essencial da experiência.

“O evento acontece tanto no campo quanto na timeline”, resume Marcelo Paganini.

“A TELEVISÃO ABERTA CONTINUA SENDO O MEIO DE MAIOR ALCANCE NO BRASIL. A COPA MOBILIZA O PAÍS INTEIRO E DIALOGA DIRETAMENTE COM A NOSSA ESSÊNCIA”, MAURO LISSONI, DIRETOR ARTÍSTICO DO SBT
Foto: Divulgação
SBT combina nomes fortes na transmissão e linguagem acessível, marca registrada da emissora

Como o brasileiro consome a Copa hoje

ficam conectados durante os jogos 66%

usam mais de um dispositivo ao mesmo tempo 54%

assistem na TV enquanto usam o celular 38% consomem conteúdos complementares 82%

já preferem conteúdos alternativos (reações, análises, etc.) 56%

Fonte: pesquisas de consumo digital (YouTube / mercado)

“MAIS DO QUE TRANSMITIR JOGOS, ESTAR NA COPA SIGNIFICA PARTICIPAR DE UM DOS MOMENTOS DE MAIOR EMOÇÃO COLETIVA DO PAÍS”, MARCELO TOLEDO, PROFESSOR DA ESPM

Essa mudança também altera o papel do conteúdo. Para além da transmissão, o público passa a buscar cortes, bastidores e comentários em tempo real, muitas vezes com maior nível de interação do que o próprio jogo.

Esse ecossistema não se limita às telas. O áudio também segue relevante na experiência do torcedor.

Dados da Kantar IBOPE Media, referência em mensuração de audiência no Brasil, indicam que o rádio mantém presença significativa entre fãs de futebol, especialmente em situações de mobilidade. Levantamentos do setor apontam que mais de 70% dos interessados no esporte consomem conteúdo esportivo pelo meio, reforçando seu papel como complemento à transmissão principal.

Em períodos como a Copa do Mundo, esse hábito tende a se intensificar, acompanhando a dinâmica de um público que nem sempre está diante da tela, mas não abre mão de acompanhar o jogo em tempo real.

Segundo levantamento do YouTube, 82% dos fãs de esportes no Brasil consomem regularmente conteúdos complementares, como análises, reações e watch parties, enquanto 56% já preferem esse tipo de abordagem à cobertura tradicional.

Ao mesmo tempo, essa dinâmica cria

um novo desafio para o mercado. “O desafio é garantir que o principal produto não perca valor frente aos anunciantes”, explica o professor.

O resultado é uma mudança estrutural: a transmissão deixa de ser o único ponto de contato e passa a dividir atenção com um conjunto de conteúdos paralelos que, muitas vezes, disputam o protagonismo da experiência.

MAIS DO QUE UM EVENTO

No fim das contas, a Copa do Mundo continua sendo o maior evento da mídia do mundo. Mas o que mudou foi o centro da experiência.

Não é mais apenas o jogo, é a forma como ele é contado.

Seja pela força das emissoras tradicionais, pela escala das operações ou pela linguagem das plataformas digitais, é na transmissão que se define a experiência do público — e o valor desse território para o mercado.

E para o público, talvez a maior mudança seja essa: a Copa já não é apenas algo que se assiste. É algo que se vive. “Mais do que transmitir jogos, estar na Copa significa participar de um dos momentos de maior emoção coletiva do país”, resume Lissoni.

Luis Roberto foi o escolhido para comandar as transmissões da Seleção Brasileira na TV Globo
A CazéTV, em parceria com o YouTube, será o único canal no Brasil a transmitir todos os 104 jogos da Copa de 2026, ao vivo e gratuitamente
Foto: Divulgação
Foto: Globo/Bob Paulino

Excelência ACADÊMICA

Uma formação global que se traduz em conquistas no Brasil e no exterior.

As conquistas acadêmicas de nossos alunos refletem uma formação que desenvolve pensamento crítico, autonomia e visão global.

Em 2025, nossos estudantes conquistaram vagas em instituições de destaque no Brasil e no exterior, incluindo duas aprovações na Universidade de São

Fórmula 1 e a corrida das marcas

Como o principal campeonato do automobilismo se transformou em um dos ambientes mais estratégicos para construção de marca. E por que empresas disputam espaço dentro e fora das pistas

Por Gabriela Ribeiro

Arelação entre o Brasil e a Fórmula 1 nunca foi apenas esportiva. Para uma geração inteira, as manhãs de domingo eram marcadas por motores acelerando, bandeiras quadriculadas e um nome que atravessou o tempo: Ayrton Senna. Mesmo décadas depois, o campeonato continua ocupando um lugar especial na cultura esportiva brasileira — uma combinação rara de paixão popular, tecnologia de ponta e espetáculo internacional.

Essa conexão emocional ajuda a explicar por que o esporte segue atraindo grandes investimentos e empresas de diferentes setores. Hoje, mais do que um campeonato automobilístico, a Fórmula 1 se consolidou como uma poderosa plataforma de posicionamento para companhias de tecnologia, mobilidade, finanças e energia.

Os números ajudam a dimensionar essa força. Segundo dados divulgados pela própria Fórmula 1 e pela Formula One Management, responsável pela gestão comercial da competição, o esporte alcança cerca de 1,5 bilhão de telespectadores acumulados por temporada, com transmissões para mais de 200 territórios e presença em mais de 20 países no calendário anual. A modalidade também reúne uma base estimada de 445 milhões de fãs em todo o mundo, de acordo com dados divulgados pela Liberty Media, grupo que controla os direitos comerciais da competição.

Ao mesmo tempo, o campeonato vive uma fase de expansão entre públicos mais jovens, impulsionada por estratégias digitais e produções audiovisuais que ampliaram o alcance do esporte para além das pistas. A série Drive to Survive, da Netflix, tornou-se um dos exemplos mais visíveis desse movimento ao revelar bastidores das equipes e rivalidades entre pilotos. Essa aproximação com o entretenimento ganhou ainda mais força com o lançamento de “F1: O Filme”, produção estrelada por Brad Pitt, com participação direta da organização da Fórmula 1 e produção do piloto Lewis Hamilton. O projeto, que conquistou o Oscar de “Melhor Som”, foi filmado durante etapas reais do campeonato e integrado à estrutura das corridas. Tudo isso reforça como o esporte passou a ocupar também espaço na indústria cultural e no audiovisual, ampliando sua presença junto ao público e ao mercado publicitário.

Para Roberto Kanter, professor da FGV, esse crescimento está diretamente ligado à transformação da Fórmula 1 em um ecossistema de mídia e entretenimento.

“A Fórmula 1 deixou de ser apenas um campeonato esportivo e passou a operar como um sistema internacional de mídia,

entretenimento e tecnologia. Para as empresas, isso altera profundamente a lógica do investimento. O patrocínio deixa de ser apenas exposição e passa a integrar uma estratégia mais ampla de posicionamento.”

Segundo ele, existe também um componente simbólico que explica o interesse crescente das companhias. “A competição representa atributos extremamente valorizados pelas empresas: alta performance, engenharia de ponta, inovação tecnológica e precisão operacional. Organizações que desejam comunicar esses valores encontram nesse ambiente um espaço altamente coerente para construir reputação.”

UMA VITRINE PARA MARCAS NO MUNDO TODO

O crescimento da Fórmula 1 como plataforma de branding também aparece no volume de investimentos que orbitam o campeonato. Estima-se que as equipes e a própria organização movimentem bilhões de dólares por temporada em contratos de patrocínio, licenciamento e direitos de mídia.

Entre as empresas presentes no paddock estão gigantes como Rolex, DHL, Aramco, Lenovo, Salesforce e TAG Heuer, que utilizam o esporte para associar suas identidades a conceitos como tecnologia, velocidade e inovação.

Para as companhias, o retorno acontece em diferentes frentes. “A primeira é o alcance internacional qualificado. A segunda é a associação simbólica com valores como tecnologia e inovação. E a terceira é a ativação comercial, já que a Fórmula 1 também se tornou um espaço relevante de relacionamento com clientes estratégicos.”, explica Kanter.

Esse cenário ajuda a explicar por que montadoras e empresas de tecnologia continuam se aproximando da Fórmula 1. A Audi, por exemplo, confirmou sua entrada no grid como parte de sua estratégia de posicionamento ligada à mobilidade do futuro e à inovação tecnológica.

Segundo a montadora, a participação no campeonato faz parte de um reposicionamento da indústria automotiva diante da transição energética. A introdução de novos regulamentos para motores híbridos neste ano tornou o esporte ainda mais relevante como plataforma de desenvolvimento tecnológico e transferência de conhecimento para veículos de produção.

“O automobilismo é parte essencial do DNA da Audi. A Fórmula 1 é ao mesmo tempo uma vitrine internacional para a marca e um laboratório extremamente desafiador de desenvolvimento”, afirmou Markus Duesmann, então CEO da Audi, no anúncio da entrada da empresa no grid.

“A COMPETIÇÃO REPRESENTA

ATRIBUTOS EXTREMAMENTE VALORIZADOS PELAS EMPRESAS: ALTA PERFORMANCE, ENGENHARIA DE PONTA, INOVAÇÃO TECNOLÓGICA E PRECISÃO OPERACIONAL.”, ROBERTO KANTER, PROFESSOR DA FGV

Kimi Antonelli e George Russell, pilotos da Mercedes-AMG PETRONAS F1 Team
Foto: Divulgação

FINANÇAS ACELERAM NA PISTA

Entre os exemplos mais recentes dessa estratégia está o Nubank, que anunciou uma parceria de longo prazo com a equipe Mercedes-AMG Petronas F1 Team. De acordo com a companhia, o acordo marca a entrada da instituição financeira brasileira em um dos esportes mais internacionalizados do planeta e reforça sua estratégia de expansão fora da América Latina.

Segundo a empresa, a parceria prevê um conjunto de ativações de branding dentro e fora das pistas, com iniciativas voltadas à criação de experiências para os fãs da competição. As ações incluem momentos de aproximação do público com os pilotos da equipe — o britânico George Russell e o jovem italiano Kimi Antonelli — além de interações com o CEO e chefe de equipe Toto Wolff.

A parceria também reflete a expansão internacional da fintech, que hoje possui mais de 90 milhões de clientes na América Latina e busca ampliar sua presença em novos mercados.

“A Fórmula 1 é uma das poucas plataformas de fãs verdadeiramente internacionais, e a Mercedes-AMG PETRONAS F1 Team é uma força definidora no esporte, com um histórico incomparável. Essa parceria nos dá uma oportunidade poderosa de conexão com centenas de milhões de fãs no Brasil, no México, na Colômbia, nos Estados Unidos e em outras regiões”, afirmou Cristina Junqueira, cofundadora do Nubank e Chief Growth Officer da companhia.

Nesse universo, associações desse tipo são comuns. Ao vincular suas marcas a equipes ou ao próprio campeonato, empresas conseguem construir narrativas de inovação e desempenho que dialogam diretamente com suas estratégias de posicionamento.

A CORRIDA PELO PATROCÍNIO

O retorno da Fórmula 1 à Globo também reacendeu a disputa entre anunciantes. Segundo reportagem publicada pela Meio & Mensagem, o plano comercial da emissora tem seis cotas principais de patrocínio, avaliadas em cerca de R$ 125 milhões cada. Ainda de acordo com a publicação, cinco dessas cotas já haviam sido vendidas antes mesmo do início da tem-

porada, somando aproximadamente R$ 625 milhões.

Entre as empresas confirmadas estão Heineken, Santander, Claro, Chevrolet e 99, que terão presença nas transmissões da TV Globo, nos canais sportv e nas plataformas digitais do grupo.

Mais do que visibilidade na televisão, as cotas incluem integração com conteúdos multiplataforma, presença em chamadas promocionais, ativações digitais e participação em projetos especiais ligados ao campeonato.

Esse modelo reflete uma mudança na lógica do marketing esportivo. A exposição publicitária continua importante, mas cada vez mais as empresas buscam construir experiências e narrativas ao redor dos grandes eventos.

O retorno da Fórmula 1 à Globo também reforça o peso histórico do esporte no mercado brasileiro de mídia esportiva. A emissora transmitiu o campeonato por quase quatro décadas e voltou a exibi-lo nesta temporada, após cinco anos fora da programação.

De acordo com o canal, o novo acordo inclui transmissões em TV aberta, no sportv e nas plataformas digitais do grupo, em um modelo multiplataforma com contrato válido até 2028.

Na TV Globo, 15 corridas da temporada serão exibidas ao vivo, enquanto o sportv transmitirá todas as etapas do calendário, incluindo treinos livres, classificações e corridas sprint.

A equipe principal contará com Everaldo Marques na narração e Luciano Burti nos comentários, com Mariana Becker diretamente dos autódromos, participando da análise das corridas e da cobertura de bastidores.

Ainda segundo a emissora, para a nova fase da cobertura, os estúdios das transmissões foram projetados com produção virtual e recursos de realidade aumentada, permitindo apresentar dados técnicos, pistas e carros em escala real durante as análises.

Além das corridas, a cobertura também contará com programas especiais, conteúdos digitais e integração com diferentes plataformas do grupo, estratégia que busca ampliar o alcance do esporte e dialogar com novos públicos.

Fórmula 1 em números

820 milhões de fãs estimados em todo o mundo

24 corridas no calendário da temporada

US$ 2 bilhões em receitas anuais de patrocínio das equipes

76 milhões de espectadores em média por corrida

mais de 20 países recebem etapas do campeonato

Fonte: Formula 1 / Liberty Media / relatórios de mercado.

Equipe da Globo que comandará a cobertura da Fórmula 1 no retorno da categoria à emissora
Filmado durante corridas oficiais, “F1 – O FIlme” exemplifica como o esporte tem expandido sua presença no entretenimento, movimento que amplia audiência e atrai novos públicos
Foto: Globo/Bob Paulino

QUANDO UM PAÍS POSSUI UM PILOTO COMPETITIVO NO GRID, O CAMPEONATO TENDE A GANHAR AINDA MAIS VISIBILIDADE LOCAL, AMPLIANDO O ALCANCE DAS TRANSMISSÕES, O INTERESSE DO PÚBLICO E O POTENCIAL DE ATIVAÇÃO COMERCIAL

A EXPECTATIVA POR UM NOVO ÍDOLO

O interesse brasileiro pela Fórmula 1 também pode ganhar um novo impulso com a presença de Gabriel Bortoleto no grid. Campeão da Fórmula 3 em 2023 e da Fórmula 2 em 2024, o piloto foi confirmado como titular da Sauber para a temporada de 2025, equipe que passou a competir como Audi F1 Team em 2026.

A presença de um brasileiro novamente entre os titulares encerra um período de quase uma década sem representantes fixos do país no campeonato e reacende a expectativa do público nacional.

Historicamente, a presença de pilotos brasileiros sempre teve impacto direto no engajamento da audiência. Foi assim nas eras de Emerson Fittipaldi, Nelson Piquet e Ayrton Senna, e mais recentemente com Felipe Massa, último brasileiro a disputar temporadas completas na Fórmula 1.

Para as empresas, esse fator emocional também tem peso estratégico. Quando um país possui um piloto competitivo no grid, o campeonato tende a ganhar ainda mais visibilidade local, ampliando o alcance das transmissões, o interesse do público e o potencial de ativação comercial.

MAIS DO QUE UM ESPORTE

A Fórmula 1 vive hoje um momento de transformação que vai além das pistas.

grid da Fórmula 1

A presença no campeonato reúne empresas de diferentes setores da economia global.

Oracle – patrocinadora da Red Bull Racing

HP – parceira tecnológica e patrocinadora da Ferrari

Aramco – patrocinadora da Aston Martin

Mastercard – naming partner da McLaren

Atlassian – patrocinadora principal da Williams

Nubank – nova parceira global da Mercedes-AMG PETRONAS

Além dessas empresas, o grid também reúne grandes fabricantes automotivos como Ferrari, Mercedes, McLaren e Aston Martin, enquanto novas montadoras, como a Audi, fizeram sua estreia na temporada de 2026.

Sob a gestão da Liberty Media, o campeonato ampliou sua presença digital, investiu em produções audiovisuais e expandiu o calendário para novos mercados. O esporte também passou a explorar novas narrativas, aproximando o automobilismo de públicos que antes não acompanhavam a modalidade.

Para as empresas, esse cenário representa uma oportunidade rara: associar-se a um esporte que combina inovação tecnológica, espetáculo internacional e alto valor simbólico.

“A Fórmula 1 produz narrativas permanentes: rivalidades, evolução tecnológica, decisões estratégicas. Esse conteúdo pode ser explorado pelas empresas durante todo o ano”, resume Kanter.

No fim das contas, a corrida mais importante da Fórmula 1 pode não acontecer apenas nas pistas. Ela acontece também no território das marcas.

Algumas das marcas presentes no
Gabriel Bortoleto, agora no projeto da Audi, mantém o Brasil representado no grid da Fórmula 1
Foto: Divulgação

Eventos, ativações de marca e estratégias digitais ajudam incorporadoras a aproximar clientes dos empreendimentos e acelerar a decisão de compra

Experiência antes da chave: o marketing criativo que está transformando a venda de imóveis

O MARKETING PRECISA OFERECER CONTEÚDO RELEVANTE E NARRATIVAS CAPAZES DE EVIDENCIAR OS DIFERENCIAIS DO EMPREENDIMENTO DESDE OS PRIMEIROS PONTOS DE CONTATO

Cinema ao ar livre, festivais gastronômicos, experiências imersivas e até corridas de rua. No mercado imobiliário, estratégias que antes pareciam distantes da venda de imóveis passaram a fazer parte da rotina das incorporadoras. A ideia é permitir que o cliente vivencie o estilo de vida proposto pelo empreendimento antes mesmo de ele existir fisicamente.

Em um setor cada vez mais competitivo e com compradores mais informados, o marketing deixou de se limitar à divulgação de plantas, metragem e valor do metro quadrado. Hoje, as empresas investem em experiências de marca, ativações em estandes de vendas e narrativas capazes de conectar o projeto ao estilo de vida do público.

Na MPD Engenharia, por exemplo, ações desse tipo têm sido utilizadas para aproximar a comunidade dos empreendimentos e criar vínculos com futuros moradores.

Recentemente, a empresa promoveu o Natal MPD Experience, realizado no empreendimento Andrômeda, em Alphaville. O projeto recebeu uma vila natalina imersiva, com cenografia temática, apresentações e espaços preparados para interação do público, transformando o local em um ponto de encontro para famílias da região durante o período de festas.

No mesmo empreendimento também foi realizado o Andrômeda Festival, que trouxe uma programação com gastronomia, ativações para crianças e música.

Além disso, o espaço recebeu o Cine Andrômeda, que proporcionou a experiência de cinema ao ar livre.

No ano passado, a empresa promoveu ainda a corrida MPD Run pelas ruas de Alphaville como parte das celebrações de seus 43 anos de história — uma iniciativa que buscou fortalecer a conexão com a comunidade, promover o bem-estar e valorizar o espaço urbano por meio do movimento.

“Os lançamentos imobiliários têm uma janela de atenção muito curta e uma decisão de compra muito longa. O evento precisa criar uma memória afetiva forte o suficiente para sobreviver a essa distância entre o primeiro contato e a assinatura do contrato. Quando o cliente lembra de uma ativação de Natal com cenografia temática, de uma tarde em que trouxe o filho ou o cachorro para um espaço que ainda vai se tornar o lar dele, ele defende essa escolha para a família, para o cônjuge, para si mesmo. O setor como um todo ainda trata evento como mídia. A gente prefere tratar como hospitalidade”, aponta Lígia Machado, head de Marketing da MPD.

Aline Neri é diretora de Marketing e Vendas da NLS Incorporadora
Lígia Machado é head de Marketing da MPD Foto: Divulgação
“O SETOR COMO UM TODO AINDA TRATA EVENTO COMO MÍDIA. A GENTE PREFERE TRATAR COMO HOSPITALIDADE”, APONTA LÍGIA

Aline Neri, diretora de Marketing e Vendas da NLS Incorporadora, reforça que a experiência é uma forma poderosa de apresentar um projeto.

“Sempre buscamos criar momentos em que o cliente possa vivenciar o conceito do empreendimento, entender melhor a proposta e se aproximar da empresa. Para nós, mais importante do que grandes ações é a qualidade do relacionamento que construímos nesses encontros”.

ESTRATÉGIA E COMUNICAÇÃO

Esse movimento reflete uma mudança mais ampla na forma de comunicar os empreendimentos. Durante muito tempo, vender um imóvel significava destacar localização, metragem e valor do metro quadrado. Hoje, com uma clientela cada vez mais exigente, apresentar apenas as características do produto já não basta.

De acordo com Aline, o marketing

imobiliário precisa combinar inteligência de dados com uma comunicação transparente sobre o projeto.

“Trabalhamos bastante a presença digital, o relacionamento com corretores e, principalmente, o contato direto com o cliente. E o marketing influencia muito. Um bom projeto precisa ser bem comunicado desde o início. Quando o marketing consegue traduzir claramente o conceito, o público e os diferenciais do empreendimento, isso impacta diretamente na velocidade de vendas. Hoje não se vende apenas metragem ou planta; é preciso comunicar valor, experiência e estilo de vida”, explica.

Lígia destaca que o comprador chega cada vez mais informado à jornada de compra. Por isso, segundo ela, o marketing precisa oferecer conteúdo relevante e narrativas capazes de evidenciar os diferenciais do empreendimento desde os primeiros pontos de contato.

No ano passado, a empresa promoveu ainda a corrida MPD Run pelas ruas de Alphaville

ÚLTIMAS UNIDADES

SEGUNDO LÍGIA, OS LANÇAMENTOS IMOBILIÁRIOS

TÊM

UMA JANELA DE ATENÇÃO MUITO CURTA E UMA DECISÃO DE COMPRA MUITO LONGA

“Recentemente passamos a utilizar soluções de Inteligência Artificial para apoiar análises de mercado, estruturar narrativas e ampliar a capacidade de produção de conteúdos institucionais. Com mais conteúdo e mais inteligência de dados, conseguimos adaptar a mensagem para perfis distintos de público, diferentes regiões e momentos da jornada de compra, tornando a comunicação muito mais relevante e eficiente”.

Um levantamento recente do RD Station, no relatório Panorama de Marketing 2025, mostra que o setor imobiliário tem investido cada vez mais em estratégias digitais para atrair compradores. Entre as principais ações estão mídia paga (67% das empresas do setor utilizam), redes sociais (61%), marketing de conteúdo (58%), inbound marketing (42%) e e-mail marketing (33%).

PAPEL DAS REDES SOCIAIS

As redes sociais também têm influenciado cada vez mais a decisão de compra de um imóvel e se tornaram um dos primeiros pontos de contato entre o cliente e o empreendimento.

“As redes sociais hoje são o lugar onde praticamente todos os públicos estão, em maior ou menor intensidade. É ali que conseguimos apresentar os projetos aos poucos, mostrar bastidores, compartilhar valores da empresa e encantar o cliente de forma natural, sempre com cuidado para não ultrapassar limites ou transformar a comunicação em algo excessivamente comercial. Já as experiências digitais, como os tours virtuais, ajudam muito o cliente a entender melhor o produto antes da visita presencial”, afirma Aline.

Lígia vai além e diz que, muitas vezes, a primeira impressão do cliente não acontece mais no estande de vendas, mas na tela do celular.

“Na MPD temos explorado esse espaço de forma intencional. As ferramentas digitais, tours virtuais, modelagens em 3D, experiências imersivas e recursos de Inteligência Artificial para simulação de arquitetura e decoração entram nesse contexto com um papel muito específico: reduzir a distância entre o desejo e a convicção. O cliente que chega ao estande depois de ter explorado o apartamento virtualmente chega com

À mesa, os negócios acontecem

Em Alphaville, casas de carnes se consolidam como extensão do ambiente corporativo — onde confiança, tempo e experiência moldam decisões importantes

Por Thais Sant’Ana

NO BRASIL 72% DAS PESSOAS ALMOÇAM FORA

DE CASA AO MENOS UMA VEZ POR MÊS, SENDO QUE GRANDE PARTE DESSAS REFEIÇÕES ESTÁ ASSOCIADA AO TRABALHO

No mundo corporativo, poucos ambientes são tão estratégicos quanto uma boa mesa de restaurante. É ali, durante almoços de negócios, que negociações ganham confiança, relações se aprofundam e decisões importantes acontecem com mais naturalidade.

Há uma explicação clara para isso. A sala de reunião impõe hierarquia. O escritório carrega pressão. O tempo é contado, os papéis são definidos e cada palavra parece ter um peso maior do que deveria.

Já o almoço cria um território neutro.

E, como negócios não são feitos apenas de lógica, mas também de confiança, é nesse ambiente que eles avançam. À mesa, as pessoas se sentem mais confortáveis e negociam melhor.

“O clima agradável favorece conversas produtivas e decisões importantes. É muito comum vermos encontros estratégicos acontecendo durante almoços e jantares”, afirma João Gallopi, diretor de marketing e vendas do Fogo de Chão Brasil, churrascaria que chegou recentemente ao Shopping Tamboré.

Os dados reforçam esse comportamento. No Brasil, o hábito de comer fora está diretamente ligado à rotina profissional: 72% das pessoas almoçam fora de casa ao menos uma vez por mês, sendo que grande parte dessas refeições está associada ao trabalho. Em ambientes corporativos, esse número é ainda mais expressivo: 87% consideram a alimentação fora um benefício essencial no dia a dia. Mas há um recorte importante dentro desse universo. Entre as diversas opções gastro-

nômicas, as casas de carnes se consolidaram como a escolha predominante para encontros de negócios. E não apenas pela comida.

Estudos do setor de food service mostram que fatores como ambiente, atendimento e atmosfera são determinantes na escolha de um restaurante. Em outras palavras, não se trata apenas do que está no prato, mas do que o espaço permite.

E é exatamente nesse ponto que as casas de carnes ocupam um lugar único: oferecem tempo com qualidade. Tempo suficiente para desenvolver conversas, construir relações e tomar decisões.

Em Alphaville, um dos principais polos empresariais do país, esse comportamento ganha ainda mais força. O almoço deixou de ser uma pausa na agenda para se tornar uma ferramenta de negócios.

Ao longo dos anos, o bairro consolidou um ecossistema próprio. Executivos, empresários, fundos de investimento e lideranças corporativas convivem em um raio geográfico compacto, onde decisões relevantes acontecem com frequência — e proximidade.

Esse contexto ajuda a explicar por que o segmento de carnes segue em expansão. Em um mercado de food service que deve movimentar cerca de R$ 241 bilhões em 2025 no Brasil, segundo o Instituto Foodservice Brasil (IFB), operações que conseguem combinar experiência, previsibilidade e ticket médio mais elevado encontram espaço para crescer — especialmente em regiões com alta concentração de renda e atividade corporativa.

Recém-inaugurado no bairro, o Tendall Prime foi desenhado para atender, com precisão, o público executivo da região
As casas de carnes se consolidaram como a escolha predominante para encontros de negócios. Na foto, prato do Pobre Juan
Fotos:
Divulgação

AS CASAS DE CARNE DE ALPHAVILLE

“O TENDALL PRIME NASCE COM A MISSÃO DE ELEVAR O RODÍZIO A UMA EXPERIÊNCIA ESPECIAL. ACREDITAMOS

QUE A ESCOLHA POR UM RESTAURANTE DE CHURRASCO MUITAS VEZES É UM RITUAL DE CELEBRAÇÃO”, DR. ANTÔNIO ALBERTO SARAIVA, PRESIDENTE E FUNDADOR DO GRUPO HABIB’S

Onde sentar para cada tipo de reunião

Reuniões rápidas e objetivas

NB Steak

Ambiente ágil, serviço direto e tempo otimizado.

Almoços recorrentes / rotina executiva

Tendall Prime | Novilho de Prata

Operação consistente e conforto para encontros frequentes.

Para impressionar clientes e parceiros

Pobre Juan

Ambiente sofisticado e experiência mais elaborada.

Receber executivos internacionais

Fogo de Chão – Shopping Tamboré

Padrão global e segurança na experiência.

Conversas sensíveis e negociações confidenciais

El Uruguayo

Ambiente mais intimista e reservado.

Nesse cenário, alguns restaurantes deixaram de ser apenas bons endereços gastronômicos e passaram a funcionar como pontos de encontro recorrentes do capital.

Recém-inaugurado no bairro, o Tendall Prime surge como um dos protagonistas desse novo momento. A marca, que já conta com seis unidades do Tendall Grill, apresenta agora sua primeira casa no conceito premium, elevando o modelo tradicional de rodízio a um novo patamar de experiência.

O projeto foi desenhado para atender, com precisão, o público executivo da região. O equilíbrio entre eficiência, conforto e atenção aos detalhes aparece tanto no serviço quanto no ambiente — elementos que, no contexto corporativo, fazem diferença real.

Mais do que uma refeição, a proposta é criar um espaço funcional para encontros que exigem tempo, fluidez e previsibilidade.

“O Tendall Prime nasce com a missão de elevar o rodízio a uma experiência especial. Acreditamos que a escolha por um restaurante de churrasco muitas vezes é um ritual de celebração, e nossa proposta é oferecer um momento acolhedor. Alphaville recebe uma casa criada para transformar qualquer refeição em memória”, afirma Dr. Antônio Alberto Saraiva, presidente e fundador do Grupo Habib’s.

Consistência, aliás, é um ativo relevante no universo corporativo. Em agendas cada vez mais comprimidas, saber exatamente o que esperar, do atendimento ao tempo de serviço, reduz ruídos e aumenta a eficiência das reuniões.

Mas isso não significa estagnação. Mesmo em um formato altamente padronizado, o setor segue em movimento. Um dos sinais dessa transformação está na ampliação do repertório de cortes e na diversificação do consumo de proteínas no país. Nos últimos anos, a carne suína ganhou espaço relevante na dieta do brasileiro. Dados da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) e do IBGE mostram que o consumo per capita passou de 15,3 kg para 19 kg, impulsionado por avanços na qualidade dos cortes e mudanças no hábito alimentar. É dentro desse contexto que casas tradicionais também vêm atualizando seus cardápios.

Dentro dessa lógica, grandes redes também ocupam um espaço estratégico. É o caso do Fogo de Chão, uma das casas de carnes mais tradicionais do mundo, fundada em 1979 e com presença internacional consolidada. Em Alphaville, a unidade reforça esse papel ao oferecer uma experiência padronizada e reconhecida globalmente, especialmente relevante em um bairro que recebe executivos de diferentes países.

O El Uruguayo é uma das casas mais tradicionais de Alphaville
O Fogo de Chão é uma das últimas novidades do Shopping Tamboré

Ao mesmo tempo, a marca acompanha as mudanças de consumo. Entre as novidades recentes do cardápio sazonal estão cortes suínos, como pork chops e assado de tiras, movimentos que refletem a diversificação do paladar do consumidor brasileiro.

A previsibilidade, nesse caso, segue sendo um diferencial competitivo.

Segundo Gallopi, a escolha recorrente por esse tipo de restaurante passa também pela estrutura oferecida. “Serviço consistente, privacidade e ambientes preparados, com salas reservadas e recursos multimídia, fazem desses espaços uma extensão natural do ambiente corporativo”, diz. Essa mesma lógica se aplica à NB Steak, que traduz a padronização em eficiência. Com um modelo mais enxuto e serviço direto, atende um perfil crescente de executivo: aquele que precisa resolver, decidir e seguir. Sem excessos, sem dispersão, apenas o essencial, com qualidade.

Já o Pobre Juan, embora também opere dentro de uma estrutura consolidada, atua em outra dimensão: a da experiência. Inspirado nas casas argentinas, combina ambiente sofisticado, forte presença de vinhos e um ritmo mais desacelerado. É o tipo de escolha ideal para encontros que exigem construção de relacionamento, negociação mais elaborada e impacto emocional.

FAMILIARIDADE COMO ATIVO

Se as redes trazem consistência, as casas tradicionais oferecem algo igualmente valioso: familiaridade.

O Novilho de Prata, presente há décadas na região, é um exemplo desse modelo. Sua longevidade no bairro consolidou um público fiel e um ambiente onde tudo já é conhecido. E, no mundo dos negócios, isso reduz barreiras.

O mesmo acontece com o El Uruguayo, que há anos integra o circuito gastronômico de Alphaville com uma proposta mais intimista e autêntica. Menos corporativo,

mais próximo, o restaurante se tornou uma escolha recorrente para encontros que exigem discrição e confiança.

No fim, o que se observa em Alphaville é um padrão claro: o restaurante certo não é apenas aquele que serve bem, mas aquele que entende seu papel no contexto da reunião.

Porque, entre um corte bem executado e um serviço impecável, o que está em jogo não é apenas a refeição. É também o ambiente. E, muitas vezes, é ali que o negócio começa.

Onde estão as princi pais casas de carne de Alphaville

Tendall Prime Al. Rio Negro, 200

Fogo de Chão

Shopping Tamboré Av. Piracema, 669

NB Steak Alphaville Al. Rio Negro, 650

Pobre Juan

Iguatemi Alphaville Al. Rio Negro, 111

Novilho de Prata Al. Mamoré, 843

El Uruguayo Av. Copacabana, 166

Com um modelo mais enxuto e serviço direto, o NB Steak atende um perfil crescente de executivos
Inspirado nas casas argentinas, o Pobre Juan combina ambiente sofisticado, forte presença de vinhos e um ritmo mais desacelerado

Joel Jota:

“O sucesso do dia pra noite levou uns oito anos”

EX-ATLETA E TREINADOR DE NATAÇÃO, ELE CONTA COMO SAIU DO AMBIENTE ACADÊMICO, ENTROU DE VEZ NO DIGITAL, VIROU SÓCIO DO GRUPO PRIMO, ESTRUTUROU O “JVERSO” E FEZ DA DISCIPLINA DO ESPORTE UM MÉTODO PARA NEGÓCIOS — SEM ABRIR MÃO DE “SAÚDE, FAMÍLIA, TRABALHO”

Por Thais Sant’ Ana Fotos Omar Paixão

“MINHA

MUDANÇA DO UNIVERSO ESPORTIVO E ACADÊMICO PARA O DOS NEGÓCIOS

COMEÇOU

COM A LEITURA. ME RODEEI DE LIVROS DOS ASSUNTOS QUE EU QUERIA, SOBRETUDO FINANÇAS. DEPOIS DOS LIVROS EU FUI PARA OS AMBIENTES

EM QUE ESTAVAM AS PESSOAS COM QUEM EU QUERIA FAZER NETWORKING”

Pontualidade e estratégia parecem andar juntas na trajetória de Joel Jota. No dia desta entrevista, ele apareceu cerca de vinte minutos antes do horário combinado, pediu licença e avisou: “Vou entrar em uma reunião rápida e já volto.” Exatamente no horário marcado, reapareceu. É um gesto pequeno, mas que ajuda a explicar um traço recorrente em sua história: planejamento e execução caminham juntos.

Ex-atleta de natação, professor universitário e hoje empresário e investidor, Joel construiu a carreira a partir de uma sequência de posicionamentos estratégicos. Primeiro no esporte, depois na academia, mais tarde no empreendedorismo e, por fim, no digital — sempre com movimentos pensados, mas sustentados por consistência ao longo do tempo. “O sucesso do dia para a noite levou uns oito anos”, costuma dizer.

Seu escritório em Alphaville também conta um pouco dessa trajetória. O ambiente chama atenção pela quantidade de obras de arte espalhadas, mas o que mais impressiona é a biblioteca instalada logo na sala de estar, à vista de todos que chegam. Os livros ocupam um espaço central, quase como um manifesto silencioso de algo que Joel repete com frequência: aprender é parte do trabalho.

Por falar em livros, praticamente tudo que ele faz acaba se transformando em um. Palestras, eventos, ideias que nasceram no palco ou nas redes sociais viraram publicações — muitas delas dispostas ali mesmo, ao alcance de quem visita o espaço. A lógica parece simples: aquilo que gera impacto precisa ganhar permanência.

Hoje, à frente de um ecossistema de empresas, investimentos e de um dos podcasts mais ouvidos do país na área de negócios, Joel fala de disciplina, ambiente e posicionamento com a mesma naturalidade com que fala de casa. E é justamente ali que algumas das lições mais importantes continuam acontecendo. Confira a entrevista.

ENTREVISTA

efe. - Vamos falar um pouco da sua história, em ordem cronológica. Onde você nasceu, cresceu e como foi o começo?

JJ - Eu vivi minha juventude inteira e grande parte da minha vida adulta em Santos. Saí de lá em 2020. Minha vida sempre esteve muito ligada à Universidade Santa Cecília. Eu estudei lá, fiz Educação Física, fui atleta de natação, depois treinador e professor universitário. Meu primeiro emprego foi treinador de natação, depois virei professor. Tive um braço esportivo e um braço acadêmico muito forte.

efe. - Em que momento você começou a transição do acadêmico para o empreendedor? Foi junto. Eu deixei de ser atleta em 2007, mas eu já era treinador desde 2001. Em 2006, me tornei professor universitário. Então, em determinado momento, eu fazia as três coisas ao mesmo tempo: era atleta no fim de carreira, treinador em ascensão e professor universitário começando a docência. Em 2008, virei professor de pós-graduação. Em 2009, lancei meu primeiro livro. Eu ainda era treinador, professor e estava no mestrado. Quando esse livro saiu, eu criei minha primeira empresa de consultoria para nadadores. Foi ali que comecei a empreender de forma estruturada — livro, palestras, consultoria.

efe. - O que mudou na sua vida profissional depois disso?

JJ - Quando eu comecei a consultoria, eu aprendi que precisava desenvolver marketing, vendas e conteúdo. Em 2011, criei minha conta no Facebook e comecei a colocar conteúdo, divulgar livro e palestras. Ainda em 2011, me tornei sócio de uma empresa de cursos para educadores físicos. Em 2012, o pessoal da universidade começou a ficar incomodado com o fato de eu estar empreendendo e resolveu me desligar.

efe. - Você ainda pensava em seguir carreira acadêmica?

JJ - Sim. Em 2013, terminei meu mestrado na USP e minha vida ainda era muito acadêmica. Eu morava em Santos e a minha cabeça era: “Vou ser doutor, concursado, professor doutor, e vou empreender também — palestras e consultoria”. Só que em 2013 eu percebi que, com o maior esforço que eu fizesse como doutor, aquilo ia me dar um resultado financeiro muito pequeno. Foi aí que resolvi não avançar para o doutorado e colocar toda a energia nos negócios.

efe. - E o Instituto Neymar Jr.? Como isso entra na sua trajetória?

JJ - Em 2014, fui convidado a trabalhar com o Neymar Pai — eu tinha dado aula para ele na faculdade em 2008. Ele lançou o Instituto Neymar Jr. e me chamou para ser coordenador-geral. Eu continuei com a empresa, continuei palestrando, com livro e colocando conteúdo na internet. Em 2018, pedi demissão e segui 100% minha carreira sozinho.

efe. - Em que momento a internet se transforma em estratégia concreta?

JJ - Até 2014, eu não sabia exatamente o que fazer na internet. Eu só sabia onde precisava estar: nas redes sociais. Eu publicava conteúdos técnicos de natação, biomecânica, esporte. Mas também compartilhava reflexões. Eu sentia que havia mais ali. Com a chegada dos infoprodutos, eu percebi que aquele poderia ser um modelo viável. Em 2016, fui intencional: comecei a frequentar ambientes de pessoas que faziam milhões na internet. Entendi estratégia, posicionamento, mentalidade. Em 2017, eu já tinha convicção de que daria certo. Eu falava de alta performance de maneira autoral, havia pouca concorrência nesse recorte. Passei a usar minha própria história como instrumento de autoridade. Eu

efe. - Quanto o esporte te moldou para esse caminho?

JJ - A natação me deu comportamento: disciplina, resiliência, persistência, objetividade, trabalho em equipe, competitividade, lidar com frustração e com o fracasso. No mundo dos negócios, eu percebi que muita gente não tinha essa força mental — não porque não quer, mas porque não foi treinada. Eu também não nasci assim, eu fui treinado. Aí eu coloquei na cabeça que ia ser um treinador de alta performance de empresários.

efe. - Você ainda vive essa rotina “de atleta”?

JJ - Sim. Hoje eu não sou atleta, mas vivo uma vida de atleta. Eu treino, mantenho a mente aguçada, a disciplina alinhada. Fiz uma prova de Ironman em 2023 — eu comecei a treinar na pandemia. Hoje estou na musculação: é eficiente, eu gosto, fico forte, posturado e não ocupa tanto tempo.

fui atleta de alta performance — por que não traduzir isso para o universo empresarial? Em 2018, já havia feito meu primeiro milhão na internet. Em 2019, um vídeo gravado na praia viralizou. Não foi planejado. Foi espontâneo. Ali eu percebi que era a combinação entre assunto, linguagem e cenário. O sucesso do dia para a noite levou uns oito anos.

efe. - Essa viralização de 2019, como aconteceu?

JJ - Viralizou um vídeo que eu gravei correndo na praia: “transforma o seu corpo num tanque de guerra”. Eu estava correndo cedo, fiquei inspirado, pedi para um amigo gravar. O vídeo foi compartilhado, atingiu algo como 430 a 450 mil pessoas. Aí eu comecei a ir todo dia para a praia e gravar. Isso acumulou em 2019, e aí veio a pandemia: muita gente em casa, eu estava pronto.

efe. - Durante a pandemia você criou um movimento que ganhou grande alcance. Como nasceu “A Travessia”?

JJ - Eu tinha um escritório em frente à praia de Santos. Meu irmão e minha cunhada tinham uma agência de marketing e perderam 50% dos clientes, porque muita empresa quebrou. Eu olhei aquilo e pensei: tem um monte de empresário quebrando e eu aqui bombando, preciso fazer alguma coisa. Eu vi um navio passando e pensei: “Já sei: vou fazer um projeto chamado A Travessia”. Eu achei que ia durar seis, oito semanas.Comecei a fazer lives ensinando renda extra: “Aluga a garagem”, “dá aula de como cortar cabelo em casa”, “faz brigadeiro e entrega”. Criei o “dinheirômetro”, uma planilha coletiva para que as pessoas registrassem quanto estavam conseguindo gerar a mais por semana. Em seis semanas, somamos 15 milhões de reais de renda adicional. Ali eu compreendi o poder da causa, do movimento e da internet como ferramenta de mobilização.

efe. - Você falou de uma decisão de posicionamento: escolher com quem falar. Como foi essa virada?

JJ - Foi uma decisão: com quem eu quero falar e com quem eu não quero mais falar. Eu adoro falar com atleta, mas decidi falar com empresário. O atleta precisa de apoio e o empresário também, mas o atleta não tem dinheiro e o empresário tem. A segunda coisa foi sair do ambiente esportivo, que era minha zona de conforto, e ir para o ambiente dos empresários — e deixar isso público. A terceira foi consistência: repetir o posicionamento, estar nos lugares, manter agenda aberta.

efe. - E essa mudança de ambiente foi só mental ou física também?

JJ - Primeiro foi na cabeça. Eu não saí da cidade de imediato. Eu me rodeei de livros dos assuntos que eu queria — e eu sou leitor. Sobretudo finanças. Depois, dos livros eu fui para os ambientes que essas pessoas frequentavam. Mais tarde, eu mudei fisicamente: saí da Praia Grande, fui para um bairro em Santos, depois outro melhor em Santos, e depois vim para Alphaville. Em Alphaville eu já mudei três vezes. Vim em 2020.

efe. - Por que Alphaville? O que isso mudou na sua vida?

JJ - Aqui a concentração de pessoas do meu mercado é muito maior. Quando eu montei meu podcast, lá em 2019, em Santos, ele se chamava DNACast e eu só conseguia entrevistar pessoas de Santos. Para trazer alguém de São Paulo era complicado, tinha deslocamento, agenda. Eu comecei a pensar: “Se eu gravar quatro episódios em São Paulo, tudo fica mais fácil”. Quando eu virei sócio do Grupo Primo, eu sabia que precisava estar aqui para o negócio acontecer. Era uma decisão estratégica. Mas, quando eu cheguei, eu percebi outra coisa: Alphaville era um hub. Os empresários estavam aqui. Era bom para relacionamento, bom para gravar, bom para conversar, bom para construir. Virou um ponto de conexão. Um lugar onde as pessoas do meu mercado circulam. Isso facilitou muito as relações, os negócios, o podcast. E continua sendo um hub muito forte. Foi uma mudança estratégica — mas também foi uma mudança de ambiente que acelerou tudo.

Acima, Joel como professor; abaixo como nadador

“ATÉ 2014, EU NÃO SABIA EXATAMENTE O QUE FAZER NA INTERNET. EU SÓ SABIA ONDE PRECISAVA ESTAR: NAS REDES SOCIAIS. EU PUBLICAVA CONTEÚDOS TÉCNICOS DE NATAÇÃO, BIOMECÂNICA, ESPORTE. MAS TAMBÉM COMPARTILHAVA REFLEXÕES. EU SENTIA QUE HAVIA MAIS ALI”

NO PODCAST, EU QUERO CONHECER A HISTÓRIA DAS PESSOAS. EU ESCUTO, APRENDO, FAÇO PERGUNTAS MELHORES — E PERGUNTAS MELHORES GERAM RESPOSTAS MELHORES, QUE TOCAM NO ÍNTIMO.

E COM CONSISTÊNCIA: A GENTE NÃO PARA HÁ CINCO ANOS

“DIFERENTE DE EMPRESAS QUE DESCENTRALIZAM O FUNDADOR, EU CENTRALIZEI: EU ME TORNEI UM ATIVO. ANTES, EU GERAVA UM NEGÓCIO QUE NÃO SE SUSTENTAVA SEM

MIM. HOJE, EU TAMBÉM AJUDO A FORTALECER NEGÓCIOS QUE EXISTEM E QUE SEGUEM SEM DEPENDER DA MINHA INFLUÊNCIA”

efe. - Como foi a experiência no Grupo Primo?

JJ - Eu fiquei dois anos. Foi um momento importante para eu me consolidar no mundo dos negócios como orientador de empresários. O Grupo Primo tem uma veia forte de finanças; eu vinha mais de desenvolvimento pessoal e alta performance. Eu percebi que o grupo estava corretamente indo para finanças, e eu não queria ir para esse lado. Aí decidi me separar para seguir desenvolvimento pessoal e empreendedorismo. Foi uma grande escola. Em 2021, pela primeira vez, a gente fez mais de 100 milhões de reais só com infoproduto — 110 a 115 milhões naquele ano. Isso me projetou, conheci muita gente. A saída foi tranquila e estratégica, num timing perfeito.

efe. - O podcast muda de patamar quando vira “JJ Podcast”?

JJ - Em 2020, a gente muda o nome para JJ Podcast — eu não gostei no começo, foi sugestão do time, mas foi uma das melhores coisas. Eu aprendi a fazer podcast de maneira profissional: narrativa, entrevista, convidado, frequência, consistência. Eu consegui trazer grandes personalidades e me estabelecer. E em 2022 eu deixo o cabelo crescer e faço uma trança — isso vira uma marca visual muito singular.

efe. - O que faz o JJ Podcast tocar tanta gente, na sua visão?

Bons convidados, boas histórias, e a minha entrevista é genuinamente interessada no convidado. Eu quero conhecer a história das pessoas. Eu escuto, aprendo, faço perguntas melhores — e perguntas melhores geram respostas melhores, que tocam no íntimo. E consistência: a gente não para há cinco anos. Uma coisa que eu mais escuto na rua é: “Eu te escuto todos os dias”. Virou um hábito.

efe. - E como você trabalhou sua marca como empresa — inclusive com publicidade? Eu comecei de um jeito simples: eu falava no podcast “se alguma marca quiser me patrocinar, me patrocina”. As marcas começaram a chegar. Eu escolho marcas que eu uso, gosto, e que não conflitam com meus valores: não falo de bebida alcoólica, jogos de azar, temas polêmicos ou sensíveis. Depois, passei a ir de maneira intencional em marcas que eu acredito que fazem sentido

para o ouvinte. Hoje recebemos muitos pedidos e escolhemos com carinho. O JJ Podcast virou uma BU própria, que gera múltiplos milhões de reais por ano — direto e indireto, com um ecossistema por trás.

efe. - Você citou o “Jverso”. O que é isso, exatamente?

JJ - A Jota virou um ecossistema: tem JLab (espaço de evento), JJ Podcast (canal de conteúdo), o Joel Jota (eu), e a Jota Company, que é a holding que cuida das empresas. Tem também a Jota Studios, que aluga estrutura de podcast. O Jverso são todos os negócios que eu faço utilizando o Joel Jota como ímã. Eu invisto em empresas via mídia for equity, eu sou embaixador em empresas, eu tenho participação. Diferente de empresas que descentralizam o fundador, eu centralizei: eu me tornei um ativo. Antes, eu gerava um negócio que não se sustentava sem mim. Hoje, eu também ajudo a fortalecer negócios que existem e que seguem sem depender da minha influência.

efe. - Como você concilia tantas frentes — empresa, rotina e família?

JJ - Eu e a Larissa temos uma vida de acordos. Eu levo as crianças na escola, ela busca. Final de semana eu não trabalho — se eu fizer algo, é porque eu quis. Uma vez por semana temos a “quarta do chamego”, para falar da vida e dos projetos. Não tem tela para as crianças, não tem celular na mesa. Duas ou três vezes por semana eu coloco os meninos para dormir. E os acordos são renovados sempre.

efe. - Seus filhos são pequenos, né?

JJ - Sim. O João tem seis, o Joaquim tem quatro e o Pedro tem um ano e três meses.

efe. - Você contou um episódio recente com o Joaquim que ilustra bem isso. O que aconteceu?

JJ - O Joaquim ficou teimoso na hora de ir para a escola. Ele dizia: “Eu não vou.” Eu falei: “Grita. Pode gritar. Põe para fora. Mas você vai para a escola.” Ele esperneou, entrou no carro bravo, ficou quieto no caminho. Quando chegamos, ele entrou na escola sozinho. Não avisou, não deu tchau. Depois eu falei: “Tchau, Joaquim.”. Eu entendi ali que ele estava querendo experimentar autonomia, a sensação de que consegue também. É o jeito dele extravasar. Disciplina não é anular a emoção. É dar direção.

efe. - A frase “saúde, família, trabalho. Não inverta a ordem” é um eixo do seu conteúdo. De onde vem isso?

JJ - É filosofia de vida. Eu enterrei meu pai cedo: ele tinha 62 anos e abusou muito da saúde, teve falência múltipla dos órgãos. Eu pensei: “inverteu a ordem”. Então eu decidi

que, se depender de mim, eu não vou inverter. Ao mesmo tempo, eu entendo que tem momentos em que as pessoas invertem — eu já inverti. Eu só sugiro que coloquem prazo, porque senão a médio prazo você se arrepende.

efe. - O que é a Mentoring League Society e por que você chama de seu maior negócio?

JJ - É uma empresa de educação empresarial. A tese é que existem educação formal, educação livre e educação empresarial — e empresário aprende com outro empresário. A gente pega empresários bem-sucedidos e ensina a abrirem um braço educacional na empresa para ensinar o mercado. Hoje nós somos 160 clubes de mentoria high ticket, com 9.500 clientes que pagam em média 107 mil reais por ano — com mentorias de 60 mil até 3 milhões por ano. Ano passado, esse conglomerado fez 650 milhões; este ano deve fazer 1,3 bilhão. Estamos abrindo na Europa e nos Estados Unidos. É uma empresa criada por mim, Flávio Augusto e Caio Carneiro; em março, faz dois anos. Quando eu digo “maior”, é em resultado, valuation, escala, visão e alcance.

efe. - Entre tantos projetos, qual é o seu “queridinho”?

JJ - É difícil escolher, porque cada um marcou uma fase diferente da minha vida. A turnê do “100%” é muito querida. Eu rodei 19 cidades, fiz 21 shows. Foi uma experiência muito forte. O “Hora H”, em Santos, quando eu coloquei 2.000 pessoas no mar fazendo uma dinâmica, também é um queridinho. Tem foto disso. Foi simbólico demais. O Guinness do ano passado é um queridaço. É uma coisa que fica para sempre. A turnê da Trinca, que a gente fez duas vezes, também foi muito especial. O evento no Allianz Parque, em 2020, na pandemia, também foi muito marcante. E tem o meu primeiro livro best-seller, “100%”. Esse é muito querido. Foi um marco. Um livro que vendeu milhões de cópias. Foi um projeto maravilhoso na minha vida. São muitos queridinhos. Muitos queridões. Cada um representa uma virada, um momento de expansão.

efe. - E qual foi a decisão mais desafiadora — a que mais te deu medo?

JJ - Foi pedir demissão do Instituto Neymar Jr. em 2018. Eu adorava o lugar, o que fazia, com quem trabalhava. Eu tinha apoio, salário bom, respeito, admiração, confiança. Sair foi difícil porque eu não tinha certeza. Levei oito meses para decidir. Mudou minha vida toda. Eu cheguei a falar que ia sair e me deram tempo, e eu não consegui sair de primeira. Fiquei mais uns meses, mas dentro de mim não estava certo: o corpo num lugar e a mente em outro. Aí eu saí.

“PEDIR

DEMISSÃO DO INSTITUTO NEYMAR JR. FOI A DECISÃO MAIS DIFÍCIL DA MINHA VIDA. EU ADORAVA O LUGAR, O QUE FAZIA, COM QUEM TRABALHAVA. EU TINHA APOIO, SALÁRIO BOM, RESPEITO, ADMIRAÇÃO, CONFIANÇA. MAS FOI ISSO QUE MUDOU MINHA VIDA TODA”

Na página ao lado, Joel em seu escritório em Alphaville. Ao lado, um dos seus livros; abaixo, com a família

Presença executiva:
Por que alguns líderes são ouvidos antes mesmo de falar?

Em um dos polos corporativos mais competitivos do país, a presença executiva é um critério muito relevante de promoção. Muitos executivos buscam desenvolver essa habilidade porque entendem que além da entrega de resultados, eles precisam ser percebidos como profissionais que inspiram confiança, conduzem equipes e representam a empresa com credibilidade. No livro Comunicação Consciente, a fonoaudióloga Dra. Mara Behlau e a consultora organizacional Marisa Barbara definem presença executiva como a capacidade de projetar, quase instantaneamente, a imagem de quem está no comando — alguém que transmite segurança para equipes, pares e superiores.

A psicologia amplia esse entendimento ao explicar que presença é estar inteiro e conscientemente disponível durante uma interação: corpo atento, mente focada, emoções reguladas. Na prática, essas duas perspectivas convergem. Quando há presença, corpo, fala e valores se alinham, e isso é percebido imediatamente. A presença executiva é, portanto, a versão corporativa dessa presença integrada.

1. CLAREZA E CONCISÃO

Executivos de alta performance falam com foco e intenção. Evitam rodeios, controlam o ritmo da fala, usam pausas e dão peso às palavras. Essa combinação resulta em clareza. Essas características usadas em excesso, podem soar como arrogância, algo comum entre profissionais que cresceram sem embasamento emocional ou técnico.

2. ASSERTIVIDADE COM ELEGÂNCIA

A assertividade tem uma definição ampla. Eu trabalho as características de assertividade aprimorando a consciência sobre a comunicação, a intenção e as manifestações verbais, não verbais, de linguagem, coerência discursiva e emocionais. Em reuniões, líderes assertivos estabelecem o tempo da discussão, escutam sem perder o foco, fazem perguntas que direcionam à solução e reconhecem contribuições.

3. INTEGRIDADE E REPUTAÇÃO

A reputação não é auto declarável, é o que o outro enxerga e reconhece em você. O “walk the talk” continua sendo o indicador mais decisivo de integridade. Uma pessoa que demonstra presença sem integridade é só aparência.

4. INTELIGÊNCIA EMOCIONAL VISÍVEL

Líderes que sabem lidar com o próprio estado emocional interno evitam personalizar conflitos. Demonstram maturidade ao separar o problema da pessoa, posicionam-se com clareza e mantêm o ambiente emocional sob controle.

5. CAPITAL VISUAL COERENTE

A aparência comunica antes da fala. A estética, a organização e o estilo fazem parte da cultura corporativa. Respeito e coerência visual é um sinal de inteligência profissional e fortalece a percepção de liderança.

É importante não confundir presença executiva com a criação de um personagem. O profissional deve reconhecer e demonstrar autenticidade de forma elaborada, consciente e compatível com o ambiente. A percepção de comunicação clara, postura sólida e imagem congruente é a competência. É importante não confundir presença executiva com a criação de um personagem com performance teatral, é coerência entre identidade, comportamento e ambiente. O profissional precisa demonstrar autenticidade de forma elaborada, consciente e compatível com o ambiente. No fim, a verdadeira competência está no conhecimento técnico, na clareza da comunicação, na solidez da postura e na coerência da imagem.

48 QUEM EDUCA

Formar para o futuro sem perder a essência da educação

Em entrevista à efe., Rodrigo Reis, diretor do Colégio Pentágono Alphaville, explica que, apesar de todas as mudanças, valores e vínculos continuam sendo pilares que sustentam qualquer inovação

Em um cenário de rápidas transformações tecnológicas, sociais e culturais, a escola precisa ir além da transmissão de conteúdos para formar cidadãos preparados para um mundo cada vez mais complexo. À frente do Colégio Pentágono em Alphaville, o diretor Rodrigo Reis ressalta que, na instituição, essa missão passa por equilibrar inovação pedagógica, formação humana e excelência acadêmica. “No Pentágono, entendemos que o essencial permanece: a relação humana, a escuta atenta, a intencionalidade pedagógica e a formação integral do aluno”. Confira a entrevista.

efe. - Quais transformações marcaram mais profundamente a prática educativa, e o que continua sendo essencial para o Pentágono? Rodrigo - A educação passou por transformações profundas, especialmente no que diz respeito ao papel do aluno, que deixou de ser apenas receptor de conteúdos para assumir uma posição mais ativa no processo de aprendizagem. Metodologias mais participativas, o uso consciente da tecnologia e a ampliação do olhar para competências socioemocionais são mudanças marcantes. Apesar disso, no Pentágono entendemos que o essencial permanece: a relação humana, a escuta atenta, a intencionalidade pedagógica e a formação integral do aluno. Conteúdo, valores e vínculos continuam sendo pilares que sustentam qualquer inovação. E tudo isso mantendo o reconhecimento do docente como figura fundamental em todo esse processo de desenvolvimento.

efe. - Quais competências vocês consideram indispensáveis para preparar estudantes que enfrentam um mundo globalizado e em constante mudança?

Rodrigo - Além do domínio acadêmico, consideramos indispensáveis competências como pensamento crítico, autono-

“ALPHAVILLE REÚNE FAMÍLIAS ALTAMENTE ENGAJADAS, COM GRANDE EXPECTATIVA EM RELAÇÃO À FORMAÇÃO ACADÊMICA E AO FUTURO DOS FILHOS”

mia, colaboração, criatividade e comunicação eficaz. A capacidade de aprender continuamente, lidar com a diversidade, resolver problemas complexos e agir com responsabilidade ética também é central. Nosso compromisso é formar alunos confiantes, adaptáveis e conscientes do seu papel no mundo.

efe. - Como a dimensão bilíngue contribui para ampliar as perspectivas dos alunos e seu protagonismo na aprendizagem e na vida?

Rodrigo - A dimensão bilíngue amplia horizontes culturais, acadêmicos e profissionais. Mais do que aprender um idioma, os alunos desenvolvem fluência para transitar entre culturas, acessar diferentes fontes de conhecimento e se posicionar com segurança em

contextos internacionais. As imersões e certificações fortalecem o protagonismo, pois estimulam autonomia, responsabilidade e visão global desde cedo. efe. - Quais são os principais desafios que a escola enfrenta hoje para manter excelência educacional e sustentabilidade do negócio?

Rodrigo - Um dos grandes desafios é equilibrar inovação constante com consistência pedagógica, mantendo a qualidade em um cenário de rápidas transformações. Outro ponto importante é alinhar as expectativas das famílias, o bem-estar das equipes e a sustentabilidade financeira. A excelência educacional exige investimento contínuo em pessoas, processos e infraestrutura, sempre com gestão responsável e visão de longo prazo.

efe. - Como vocês equilibram o uso das ferramentas digitais com a experiência humana e o desenvolvimento integral dos alunos?

Rodrigo - Enxergamos a tecnologia como meio, não como fim. Ela potencializa a aprendizagem, amplia possibilidades e personaliza experiências, mas nunca substitui o contato humano. Buscamos um equilíbrio consciente, no qual as ferramentas digitais convivem com livros físicos, projetos colaborativos, experiências presenciais, desenvolvimento socioemocional e momentos de reflexão, garantindo uma formação integral.

efe. - A unidade de Alphaville está inserida em um contexto sociocultural muito particular. Quais aspectos do território — valores familiares, demandas das famílias e perfil dos estudantes — enriquecem ou desafiam o trabalho educativo?

Rodrigo - Alphaville reúne famílias altamente engajadas, com grande expectativa em relação à formação acadêmica e ao futuro dos filhos. Isso enriquece o trabalho educativo, pois há parceria, diálogo e valorização da educação. Ao mesmo tempo, desafia a escola a oferecer uma proposta sólida, inovadora e alinhada a um perfil exigente, cuidando também do equilíbrio emocional e do desenvolvimento humano dos alunos.

efe. - Quais tendências devem orientar a educação nos próximos anos, especialmente em polos como Alphaville?

Rodrigo - Nos próximos anos, a educação deve avançar em direção a uma aprendizagem cada vez mais personalizada, ao fortalecimento da educação bilíngue e multicultural, ao desenvolvimento de competências socioemocionais e à integração consciente da tecnologia a projetos pedagógicos significativos. Em polos como Alphaville, ganha ainda mais relevância a educação parental, entendida como a construção de uma parceria consistente entre escola e família.

Rodrigo Reis atua na área educacional desde 2021 e construiu uma experiência sólida em gestão escolar

folhadealphaville.com.br

CIDADES INTELIGENTES E QUE APRENDEM

Como tecnologia, dados e inteligência artificial estão transformando a gestão urbana. E por que municípios como Barueri e Santana de Parnaíba aparecem no mapa das cidades inteligentes do Brasil

Por Gabriela Ribeiro

Por muito tempo, o conceito de cidade inteligente esteve associado a uma ideia quase futurista: sensores espalhados pelas ruas, carros autônomos, prédios conectados e serviços públicos totalmente digitais. Na prática, porém, a transformação urbana tem acontecido de forma mais gradual e, muitas vezes, longe das grandes capitais.

Hoje, cidades com forte atividade econômica e capacidade de investimento começam a ganhar protagonismo nesse cenário. É o caso de Barueri e Santana de Parnaíba, que vêm aparecendo com frequência em rankings nacionais de cidades inteligentes e conectadas. Mais do que tecnologia visível, o avanço dessas cidades está relacionado à combinação entre planejamento urbano, infraestrutura, gestão baseada em dados e capacidade de investimento público.

Segundo Thomaz Assumpção, CEO da Urban Systems, consultoria responsável por estudos e rankings sobre desenvolvimento urbano no país, o conceito de cidade inteligente evoluiu significativamente nos últimos anos. “A tecnologia deixou de ser apenas uma ferramenta e passou a orientar decisões de gestão urbana.”, afirma. Para ele, o principal avanço está na forma como municípios passaram a utilizar indicadores, plataformas digitais e análise de dados para orientar decisões e melhorar a eficiência dos serviços públicos.

Na região de Alphaville — bairro que se estende entre Barueri e Santana de Parnaíba e concentra um dos principais polos empresariais da Grande São Paulo — esse movimento se conecta também à infraestrutura que sustenta o crescimento econômico local. As rodovias Castello Branco e Raposo Tavares, por exemplo, estão passando por um processo de digitalização que inclui

monitoramento automatizado, câmeras inteligentes e novos sistemas de cobrança de pedágio. “Até setembro de 2026, instalaremos câmeras inteligentes capazes de detectar automaticamente incidentes e teremos monitoramento de 100% da malha”, explica Igor Barros, diretor-superintendente da Ecovias Raposo Castello.

Mais do que soluções isoladas, essas iniciativas apontam para uma transformação mais ampla: cidades que começam a integrar infraestrutura, tecnologia e gestão pública em busca de maior eficiência, segurança e qualidade de vida.

ONDE BARUERI E SANTANA

ENTRAM NESSE MAPA

Na edição de 2025 do Ranking Connected Smart Cities, estudo elaborado pela Urban Systems que analisa dezenas de indicadores urbanos como mobilidade, governança, economia, urbanismo, sus-

tentabilidade e tecnologia em centenas de municípios brasileiros, Barueri alcançou o 7º lugar no ranking nacional e o 4º lugar entre as cidades do Sudeste. Ano passado, o município também recebeu o Prêmio InovaCidade, concedido pelo Instituto Smart City Business America durante o Smart City Business Brazil Congress, pelo projeto que utiliza geolocalização no atendimento e registro de ocorrências de defesa social.

Entre outras iniciativas adotadas pelo município estão a ampliação do monitoramento urbano, com mais de 500 câmeras integradas ao sistema municipal, e a expansão da infraestrutura digital, que hoje conta com cerca de 600 quilômetros de rede própria de fibra óptica e pontos públicos de Wi-Fi espalhados pela cidade. As ações fazem parte do programa municipal de cidade inteligente, que reúne diversas inicia-

tivas voltadas à inovação, sustentabilidade e digitalização de serviços públicos.

Santana de Parnaíba também tem avançado nessa agenda. Em 2024, o município instituiu por decreto um grupo intersecretarial responsável por estruturar o projeto municipal de cidade inteligente, atualmente em fase de consolidação e planejamento das ações.

De acordo com a prefeitura, a infraestrutura digital da cidade foi ampliada ao longo da última década com a instalação de mais de 300 quilômetros de rede de fibra óptica, incluindo uma infovia de cerca de 180 quilômetros que conecta prédios públicos, datacenter e serviços digitais da administração municipal.

Outro eixo da estratégia é o uso de dados e inteligência artificial na gestão pública. “A Central Municipal de Indicadores reúne

“A

TECNOLOGIA DEIXOU DE SER APENAS UMA FERRAMENTA E PASSOU A SER PARTE DA ESTRATÉGIA DE GESTÃO DAS CIDADES”, THOMAZ ASSUMPÇÃO, CEO DA URBAN SYSTEMS

analistas e cientistas de dados responsáveis por monitorar informações de diferentes áreas da administração e apoiar a tomada de decisões estratégicas”, informa a prefeitura, por meio da Secretaria de Comunicação.

Na área de segurança, o município implantou recentemente o Smart+ Santana de Parnaíba, centro integrado de monitoramento que reúne dados de segurança pública, trânsito e defesa civil. O sistema utiliza câmeras analíticas com leitura de placas e biometria integradas a bases estaduais e federais, permitindo identificar veículos roubados, foragidos da justiça e situações críticas em tempo real. “Desde o início da implementação em fevereiro de 2026, o Smart+ Santana de Parnaíba, auxiliou na captura de pelo menos três foragidos no carnaval de 2026 e mais um no mês de março”, explica a prefeitura.

Para Thomaz Assumpção, o desempenho dessas cidades está diretamente relacionado à capacidade de planejamento e

investimento. “São municípios que conseguem combinar planejamento urbano, arrecadação relevante e gestão pública estruturada. Esse conjunto cria um ambiente favorável para implementar iniciativas de cidade inteligente e melhorar a qualidade de vida da população”, explica.

O LABORATÓRIO URBANO DO EIXO CASTELLO BRANCO

O avanço das cidades inteligentes também está diretamente ligado à forma como os territórios se desenvolvem. Regiões com forte atividade econômica e grande circulação de pessoas e empresas tendem a demandar soluções mais sofisticadas de mobilidade, infraestrutura e gestão urbana.

Esse é o caso do eixo da rodovia Castello Branco, que conecta São Paulo à região de Alphaville e se consolidou como um dos principais eixos logísticos e corporativos da Grande São Paulo. Com a con-

Thomaz Assumpção, CEO da Urban Systems
Em Santana de Parnaíba, o projeto municipal de cidade inteligente está em fase de consolidação e planejamento das ações

Iniciativas de cidade inteligente na região

Barueri

• cerca de 600 km de rede própria de fibra óptica, conectando órgãos da administração municipal

• Wi-Fi público gratuito em quase 200 pontos da cidade

• sistema de monitoramento urbano com mais de 500 câmeras integradas às forças de segurança

• centros de controle e monitoramento voltados à gestão urbana e segurança pública

• projetos de inovação em defesa social reconhecidos com o Prêmio InovaCidade

Santana de Parnaíba

• mais de 300 km de rede de fibra óptica instalada

• infovia de aproximadamente 180 km conectando prédios públicos e serviços digitais

• Central Municipal de Indicadores, com analistas e cientistas de dados para apoio à gestão

• centro de monitoramento Smart+, integrado à segurança pública e trânsito

• plataforma de inteligência artificial Anna-IA para comunicação com cidadãos e acompanhamento de indicadores

centração de negócios, centros logísticos e condomínios corporativos, o território passou a enfrentar desafios típicos de áreas em rápida expansão: tráfego intenso, pressão por infraestrutura e necessidade de planejamento urbano mais integrado.

Ferramentas de monitoramento, análise de mobilidade e planejamento baseado em indicadores têm se tornado fundamentais para lidar com esse crescimento. “O uso estruturado de dados permite que gestores antecipem demandas por serviços e infraestrutura e planejem o desenvolvimento de forma mais equilibrada”, afirma Assumpção.

Parte dessa transformação passa também pela infraestrutura rodoviária que conecta esses municípios. Na Castello Branco e na Raposo Tavares, por exemplo, a concessionária responsável pela operação está implantando sistemas inteligentes de monitoramento capazes de identificar automaticamente incidentes na pista.

Segundo Igor Barros, diretor-superintendente da Ecovias Raposo Castello, a digitalização da malha viária deve ampliar a capacidade de resposta a incidentes e melhorar a gestão do fluxo de veículos. Além do monitoramento automatizado, os novos contratos também preveem a implantação de pedágios por pórtico e sistemas de pesagem em movimento para caminhões, tecnologias que reduzem gargalos operacionais e ampliam a segurança viária.

Mais do que uma modernização da infraestrutura rodoviária, essas iniciativas fazem parte de uma tendência global de integração entre mobilidade, dados e gestão urbana.

TALENTO E TECNOLOGIA

O avanço das cidades inteligentes também depende de um fator menos visível, mas igualmente estratégico: a formação de profissionais capazes de desenvolver e operar essas tecnologias.

Para Viviane Minati Panzeri, diretora da Fatec Barueri, o mercado já começa a exigir uma combinação entre conhecimento técnico e visão multidisciplinar. “A transformação digital das cidades exige profissionais preparados para trabalhar com tecnologia, dados e inovação”, afirma.

Nesse cenário, áreas como análise de dados, inteligência artificial, internet das coisas e integração de sistemas passam a ganhar relevância na formação de novos profissionais. Mais do que desenvolver soluções tecnológicas, o desafio é aplicá-las de forma estratégica para resolver problemas reais das cidades — do trânsito à segurança, da gestão de recursos à eficiência dos serviços públicos.

Instituições de ensino e centros tecnoló-

gicos passam a desempenhar papel importante nesse processo ao formar profissionais capazes de atuar em ambientes urbanos cada vez mais digitais e interconectados.

O FUTURO DAS CIDADES

INTELIGENTES

Se hoje o conceito de cidades inteligentes começa a ganhar forma em municípios brasileiros, em algumas partes do mundo ele vem sendo testado há mais tempo. Cidades como Singapura, Barcelona e Tallinn se tornaram referências internacionais ao integrar tecnologia, planejamento urbano e gestão baseada em dados para melhorar serviços públicos e qualidade de vida.

Em Singapura, sensores urbanos monitoram desde fluxo de veículos até consumo de energia, permitindo ajustes em tempo real na gestão da cidade. Em Barcelona, sistemas inteligentes ajudam a otimizar iluminação pública, coleta de lixo e uso da água. Já Tallinn, na Estônia, se tornou um exemplo global de governo digital, com praticamente todos os serviços públicos disponíveis online.

Esses exemplos mostram que o verdadeiro diferencial das cidades inteligentes está menos na tecnologia isolada e mais na capacidade de integrar diferentes sistemas e transformar dados em decisões mais eficientes.

No Brasil, essa transformação ainda ocorre de forma gradual, mas o avanço de tecnologias tende a acelerar esse processo nos próximos anos.

No fim, o que define uma cidade inteligente não é apenas a quantidade de tecnologia instalada nas ruas, mas a capacidade de transformar dados, infraestrutura e planejamento em soluções concretas para o cotidiano da população. Para regiões como Barueri e Santana de Parnaíba, o desafio agora é transformar crescimento econômico e inovação tecnológica em políticas urbanas capazes de sustentar o desenvolvimento e melhorar a qualidade de vida de quem vive e trabalha por aqui.

Cidades inteligentes do Brasil e do mundo

Singapura

Sensores espalhados pela cidade monitoram trânsito, consumo de energia e fluxo de pedestres em tempo real. Esses dados permitem ajustar semáforos automaticamente, planejar transporte público e até prever áreas de maior demanda urbana.

Barcelona A cidade implantou sensores nos contêineres de lixo que avisam quando estão cheios. O sistema otimiza a rota dos caminhões de coleta e reduz custos operacionais.

Tallinn (Estônia)

Quase todos os serviços públicos são digitais. Os cidadãos podem votar, pagar impostos, acessar prontuários médicos e abrir empresas totalmente online.

Copenhague

Sensores monitoram qualidade do ar e uso de bicicletas para orientar políticas de mobilidade e planejamento urbano.

Barueri recebeu o Prêmio InovaCidade em 2025
A ampliação do monitoramento urbano, com mais de 500 câmeras integradas ao sistema municipal, é uma das iniciativas adotadas por Barueri

Nos últimos anos, a prática de atividades físicas tem avançado de forma consistente no Brasil. Levantamento recente da Brain Inteligência aponta que 42% dos brasileiros passaram a se exercitar no último ano. A tendência reforça um movimento observado ao longo da última década: dados do Ministério da Saúde indicam que a prática de atividade física cresceu 25,7% entre 2009 e 2018. Ainda assim, o país convive com desafios — cerca de metade da população adulta não atinge o nível mínimo recomendado de exercícios semanais. Nesse cenário, espaços públicos adequados tornam-se fundamentais para estimular hábitos mais saudáveis.

Em Alphaville, um dos principais pontos dedicados à prática de atividades físicas é a pista de cooper localizada na Ala-

Pista de cooper de Alphaville se consolida como espaço de bem-estar e atividade física

Com cerca de 1 km de extensão, estrutura acompanha avanço da prática esportiva no país e reforça papel da manutenção urbana na qualidade de vida

meda Mamoré, no coração do bairro. Com cerca de 1 quilômetro de extensão, ela se estende entre a portaria do Alphaville Tênis Clube e a portaria do Residencial 1 e oferece estrutura adequada para caminhadas e corridas ao ar livre.

Ao longo dos anos, a pista se consolidou como referência local em qualidade de vida. Além do trajeto da pista, em pedrisco, o espaço conta com equipamentos de ginástica e áreas de apoio que ampliam as possibilidades de uso, atendendo desde iniciantes até praticantes mais frequentes.

A conservação e o funcionamento do espaço são responsabilidade da Associação Residencial e Empresarial de Alphaville (AREA), entidade que atua na gestão e manutenção das áreas comuns do bairro. A associação mantém uma equipe de manutenção dedicada permanentemente à pre-

servação não apenas da pista de cooper, mas também de parques, jardins e demais espaços públicos da região.

Diariamente, são realizados serviços de limpeza, jardinagem, irrigação, pintura e conservação geral, garantindo que os ambientes permaneçam organizados, seguros e adequados ao uso da comunidade.

A manutenção contínua é um dos fatores que contribuem para a longevidade e a qualidade da infraestrutura urbana, especialmente em um contexto de crescente adesão à prática de atividades físicas.

Com estrutura acessível e cuidados permanentes, a pista de cooper da Alameda Mamoré segue como um dos principais ativos urbanos de Alphaville, acompanhando uma mudança de comportamento que valoriza cada vez mais saúde, bem-estar e convivência ao ar livre.

Telefone Segurança AREA: (11) 4191-2300

Praça Oiapoque, 333 – Alphaville, Barueri @areaalphaville

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À esquerda, pista de cooper da Alameda Mamoré; à direita, equipe de manutenção da AREA em ação

Especialista em tecnologia, inovação e fundador da Skillplace

Chegou a hora de definirmos quem controla a inteligência artificial!

Ainteligência artificial acaba de cruzar uma nova fronteira, e isso muda mais do que parece. Uma decisão recente do governo dos Estados Unidos revelou algo que muitos ainda tratavam apenas como hipótese: a IA deixou de ser apenas uma tecnologia emergente e passou a integrar a infraestrutura estratégica de poder dos Estados.

Durante décadas, a supremacia militar esteve ligada a arsenais, satélites ou capacidade industrial. Agora, ela passa também pela capacidade de treinar modelos, processar dados em escala e integrar inteligência artificial em sistemas críticos de decisão.

A tecnologia, portanto, não cria intenções. Ela potencializa as estruturas nas quais está inserida. Por isso, talvez a pergunta mais importante não seja o que a inteligência artificial é capaz de fazer. A questão real é outra: quem controla os sistemas que estão sendo ampliados.

Após um impasse ético envolvendo o uso de inteligência artificial em armas autônomas e sistemas de vigilância em larga escala, a empresa Anthropic foi retirada de contratos federais ligados à área de defesa. Pouco tempo depois, a OpenAI anunciou um acordo para disponibilizar seus modelos em redes classificadas do Departamento de Defesa americano.

À primeira vista, pode parecer apenas uma troca de fornecedor, mas o que está acontecendo é algo mais profundo: governos começam a incorporar inteligência artificial diretamente em suas estruturas militares. Quando isso acontece, a tecnologia deixa de ser apenas inovação. Ela passa a ser também um ativo estratégico, capaz de alterar equilíbrios de poder entre nações.

A reação pública ao anúncio foi imediata. Segundo dados da empresa Sensor Tower, as desinstalações do aplicativo ChatGPT nos Estados Unidos aumentaram 295% em um único dia após a divulgação do acordo.

Esse movimento revela algo importante: as pessoas já perceberam que a inteligência artificial não é apenas um produto ou uma ferramenta digital. Ela também envolve poder, valores e impacto social.

No meu livro Inteligência Ampliada, defendo uma ideia central: a IA não substitui a inteligência humana, ela amplifica os sistemas de decisão que já existem. Se o sistema dominante é científico, a IA acelera descobertas. Se é empresarial, ela acelera mercados.

E se é militar, ela amplia capacidade estratégica e poder de guerra.

À medida que governos, empresas e instituições começam a integrar IA em suas infraestruturas mais críticas, entramos em uma nova disputa — não apenas tecnológica, mas também política e ética — sobre quem define os limites dessa amplificação.

E isso nos leva a uma pergunta inevitável. Quem deveria estabelecer os limites do uso da inteligência artificial em contextos militares? Empresas de tecnologia, que desenvolvem os sistemas? Governos, que detêm o poder soberano? Ou algum tipo de governança internacional capaz de criar regras globais para uma tecnologia que já ultrapassa fronteiras?

Talvez o verdadeiro debate sobre inteligência artificial não seja sobre máquinas que pensam, mas sobre as estruturas de poder que elas estão prestes a ampliar.

Conceito que aproxima os ambientes construídos do mundo natural ganha espaço nas residências e reforça a busca por bem-estar, conforto e qualidade de vida

Biofilia. Palavra de origem grega que significa “amor à vida”. O termo se refere à necessidade inata do ser humano de se conectar com a natureza — uma relação considerada essencial para o bem-estar físico e mental. O conceito ganhou força nos anos 1980 com o biólogo Edward O. Wilson e, desde então, passou a ser incorporado à arquitetura e ao design como forma de reduzir o estresse, aumentar a produtividade e promover saúde. Hoje, essa abordagem se torna cada vez mais presente nos projetos residenciais.

O arquiteto Thiago Menniti explica que, na prática, a biofilia significa projetar espaços considerando a relação natural que o ser humano estabelece com o ambiente ao seu redor. Em vez de criar ambientes totalmente isolados do exterior, os projetos buscam incorporar luz natural, ventilação, vistas para o verde e materiais naturais dentro das casas.

“Isso se traduz em decisões muito concretas no projeto: posicionar janelas para captar vento e luz, criar integração entre áreas internas e externas, utilizar madeira, pedra e texturas naturais, além de pensar em proporções e aberturas que façam o ambiente ‘respirar’. O objetivo é que a arquitetura funcione quase como uma extensão da natureza, promovendo conforto e qualidade de vida”, aponta.

ARQUITETURA BIOFÍLICA: QUANDO A NATUREZA PASSA A FAZER PARTE DO PROJETO

Em seus projetos, Leandro traz a biofilia de uma forma mais suave

Já o arquiteto Leandro Mostardo destaca que outro aspecto importante da biofilia está no uso de materiais naturais, como madeira, pedra e fibras vegetais, capazes de proporcionar sensações táteis e visuais que reforçam a conexão com o ambiente natural.

“No mobiliário buscamos as mesmas premissas listadas anteriormente, reforçando a presença da natureza dentro dos ambientes. Utilizamos no design formas orgânicas inspiradas em elementos da natureza e materiais naturais, como madeira, tecidos, fibras e pedras, criando peças visualmente mais leves e fluidas. O uso de vasos e jardineiras integradas aos móveis também é bastante utilizado. A biofilia deve ser parte integrante de qualquer projeto, e não um estilo ou tendência a ser seguida”, destaca.

BIOFILIA E DESIGN ORGÂNICO

Inspirado nas formas e ritmos da natureza, o design orgânico se tornou uma das estéticas mais marcantes da arquitetura e da decoração contemporânea. Curvas suaves, materiais naturais e integração entre os espaços caracterizam essa abordagem, que costuma resultar em ambientes que convidam à calma e à contemplação. Apesar de distintos, os dois conceitos frequentemente se complementam. Segundo Thiago, enquanto o design orgânico está mais relacionado à estética e às formas inspiradas na natureza — como curvas, linhas fluidas e elementos que remetem a estruturas naturais —, a arquitetura biofílica envol-

ve uma experiência mais ampla do espaço.

“O design orgânico está mais ligado à estética e às formas inspiradas na natureza — curvas, linhas fluidas e elementos que lembram estruturas naturais. Já a arquitetura biofílica vai além da forma. Ela envolve a experiência do espaço: iluminação, ventilação, presença de materiais naturais e conexão com o ambiente externo. Em muitos projetos contemporâneos, esses dois conceitos acabam se encontrando, porque ambos buscam trazer para a arquitetura referências que vêm da própria natureza”.

ALPHAVILLE E A BIOFILIA

Os especialistas afirmam que empreendimentos residenciais de alto padrão, como os encontrados em Alphaville, oferecem um contexto especialmente favorável para a arquitetura biofílica.

“Os lotes maiores, a presença de áreas verdes e a busca por qualidade de vida criam oportunidades interessantes no projeto”, afirma Thiago.

Leandro acrescenta que, em grandes centros urbanos, onde a disponibilidade de áreas verdes é limitada, a presença da natureza passa a ser percebida como um elemento de valor.

“Um grande exemplo é a Cidade Matarazzo, um complexo que une hospitalidade, gastronomia e cultura no centro de São Paulo, onde a natureza e o paisagismo são incorporados à arquitetura e vendidos como luxo”.

OS EMPREENDIMENTOS RESIDENCIAIS DE ALTO PADRÃO, COMO OS ENCONTRADOS EM ALPHAVILLE, OFERECEM UM CONTEXTO ESPECIALMENTE FAVORÁVEL PARA A ARQUITETURA BIOFÍLICA

Segundo Thiago, a arquitetura biofílica envolve três pilares principais: natureza direta, natureza indireta e qualidade do espaço
Thiago Menniti recebeu prêmios em sua carreira, como o 1º Lugar no “Grande Prêmio de Arquitetura corporativa 2006”
Leandro Mostardo é Arquiteto e Urbanista formado pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e está à frente da BOX14 Arquitetura

DESIGN COM

ALMA NA NATUREZA

Trazer a natureza para dentro de casa é uma das premissas da biofilia — conceito que valoriza a conexão entre os ambientes construídos e o mundo natural. Na arquitetura e no design, essa ideia se traduz em escolhas que priorizam materiais naturais, formas orgânicas, texturas acolhedoras e a presença do verde, criando espaços mais equilibrados e agradáveis para viver. Na seleção a seguir, reunimos produtos que dialogam com esse conceito. Peças em madeira, fibras naturais, cerâmicas e elementos que evocam as formas e cores da natureza ajudam a compor ambientes que estimulam bemestar, conforto e uma sensação maior de proximidade com o exterior.

APARADOR ORGANIC BEGE E BRANCO

Peça com forma orgânica, desenvolvida por Andrés Fernandez R$ 8.099 | westwing.com.br

CRISTALEIRA COM PORTA RICCA SLIM COM PALHINHA SEXTAVAD

Produto da coleção Vimea, que traduz o encontro entre o feito à mão e o essencial. Combina madeira e palhinha natural, que é memória, textura e beleza natural

R$ 8.599 | westwing.com.br

LUMINÁRIA DE MESA CAFEZAL

Confeccionada artesanalmente em madeira (Café) com acabamento em verniz selador e tratamento contra insetos R$ 192,80 | tokstok.com.br

BANCO MARAÍ

Banco com estrutura em madeira maciça (Marupá) tingida com aplicação de verniz

R$ 1.599 | tokstok.com.br

MESA GEOMETRIC

Mesa de seis lugares feita com madeira

Pequiá e acabamento em óleo natural

R$ 5.580 | arboreal.online

SOFÁ ORGÂNICO CURVO HUG

Peça elegante e moderna, concebida para proporcionar conforto e estilo. Com formas orgânicas suaves, oferece uma sensação de abraço acolhedor R$ 4.808,04 | deluxecor.com.br

CADEIRA BUTTERFLY VIMEA COM PALHINHA SEXTAVADA

Produto da coleção Vimea, feito à mão. Assento em palhinha sextavada e acabamento em verniz fosco

R$ 1.699 | westwing.com.br

POLO DA ALTA CILINDRADA

Região tem se consolidado como referência e se destaca por abrigar grandes concessionárias do segmento

Vento no rosto, adrenalina nas alturas e aquela sensação inconfundível de liberdade. Os amantes de motocicletas sabem bem do que estamos falando. Quando o assunto é motociclismo, vale ressaltar, a região tem se consolidado como referência. Alphaville abriga grandes concessionárias do segmento, como Honda, Yamaha, BMW Motorrad, Triumph e Ducati.

Para Renato Fabrini, general manager da Triumph Brasil, a região é um dos principais mercados de motocicletas de alta cilindrada do país, com um público exigente e que valoriza tecnologia, design e exclusividade. “São clientes conectados, que buscam não apenas desempenho e segurança, mas também motos que traduzem personalidade e estilo de vida. Recursos como conectividade, modos de pilotagem e eletrônica embarcada avançada estão entre os mais valorizados. Além disso, há um interesse crescente por sustentabilidade e eficiência, tanto na escolha dos modelos quanto na relação com marcas que prezam por responsabilidade ambiental e inovação”, afirma Fabrini.

Segundo Vladimir Zaitseff, proprietário da unidade da Ducati em Alphaville — em funcionamento há pouco mais de um ano —, o bairro reúne um público de alta demanda pelo segmento premium e de luxo, que vai ao encontro do produto oferecido pela marca. “Quando falamos de Ducati, falamos de uma marca reconhecida por sua combinação de tecnologia sofisticada, beleza única e um inconfundível estilo esportivo italiano. A Ducati comercializa uma obra de arte sobre duas rodas, não apenas uma motocicleta”, aponta.

TENDÊNCIAS DO MERCADO

Renato explica que o mercado caminha para uma valorização cada vez maior da autenticidade e da experiência, além

da busca por produtos que expressem propósito e estilo de vida: “No design, há uma forte tendência em unir o visual clássico ao desempenho moderno, algo que a Triumph expressa muito bem em suas linhas. Em tecnologia, o destaque vai para os sistemas de segurança, como o controle de tração, já presente inclusive nas motos de entrada de 400cc (Speed e Scrambler), além dos modos de pilotagem e da eletrônica embarcada que proporcionam mais segurança, conforto e confiança em toda a nossa linha”.

Vladimir, por sua vez, ressalta não apenas o avanço tecnológico, mas também a alta demanda por personalização: “A avançada tecnologia nos desenvolvimentos das motos Ducati prezam pela segurança ativa avançada como o ABS em Curvas e o Controle de Tração sensível à inclinação, além de conectividade total através de painéis TFT que integram navegação e smartphones”.

NOVIDADES NO MERCADO

No início de novembro, a Ducati apresentou a sétima geração da Panigale V4. Definida como uma maravilha da engenharia italiana, ela representa o auge da evolução técnica e estética da marca, unindo potência extrema, controle refinado e design inspirado na lendária Ducati 916.

É a primeira motocicleta do mundo equipada com pinças de freio dianteiras Brembo HypureTM e a primeira moto esportiva com ABS de curvas aprimorado com função Race eCBS. Na versão V4S, a Panigale traz uma relação potência/peso de 1:1,15 cv/kg, pesa apenas 187 kg — dois a menos que o modelo anterior — e ganhou ainda mais potência, atingindo 216 cv mesmo sob a rigorosa homologação Euro5+. O novo modelo chega ao Brasil com quatro anos de garantia e preços a partir de R$ 169.990.

MERCADO CAMINHA PARA UMA VALORIZAÇÃO CADA VEZ MAIOR DA AUTENTICIDADE E DA EXPERIÊNCIA, ALÉM DA BUSCA POR PRODUTOS QUE EXPRESSEM PROPÓSITO E ESTILO DE VIDA.

Já em dezembro, a Scrambler 400 XC, nova integrante da linha Modern Classic de 400cc, deve desembarcar nas concessionárias Triumph no Brasil. Com preço sugerido de R$ 37.990, o modelo traz rodas raiadas e pneus Metzeler Karoo Street sem câmara, combinando estilo clássico e funcionalidade moderna, um diferencial importante para quem busca praticidade e segurança tanto no asfalto quanto fora dele.

A moto vem equipada com o motor TR monocilíndrico de 398cc, que entrega 40 cv e 37,5 Nm de torque, associado a uma transmissão de seis marchas com embreagem assistida e deslizante. Entre os destaques tecnológicos estão o controle de tração comutável, o painel misto com LCD, iluminação full-LED com DRL, carregador USB-C e imobilizador eletrônico de série.

Concessionárias de motos em Alphaville

• BMW Motorrad Grand Brasil Alphaville Alameda Tocantins, 855 - 2º andar grandbrasil.com.br/bmw-motorrad

• Ducati Alphaville Alameda Araguaia, 272 – Loja 02 ducatialphaville.com.br

• Honda Japauto Alphaville Alameda Araguaia, 1800 japauto.com.br

• Triumph MAGGI Alphaville Alameda Amazonas, 282 triumphmotorcycles.com.br

• Yamaha Dahruj Alameda Araguaia, 620 yamaha-motor.com.br

• Kawasaki K Point Alphaville Alameda Araguaia, 520 kpointkawasaki.com.br

Renato Fabrini, General Manager da Triumph Brasil
Vladimir Zaitseff, proprietário da unidade da Ducati em Alphaville

Oslo, capital da arte escandinava

A revista efe. esteve na capital norueguesa e mostra porque Oslo se consolida como o maior polo cultural e de arquitetura moderna da Escandinávia

Oslo, Estocolmo e Copenhagen, as três capitais escandinavas, têm em comum uma forte tradição artística e arquitetônica, ainda não muito conhecidas pelos viajantes que transitam pelos principais destinos turísticos da Europa, como Portugal, Espanha, França, Itália e Alemanha.

A Finlândia, por sua vez, é um país nórdico, mas não faz parte da Escandinávia, uma região que compartilha estreitos laços históricos, linguísticos e políticos. Com uma população de apenas 725 mil habitantes, sua capital é uma cidade pequena, pacata e muito organizada, que vem experimentando uma rápida expansão populacional, causada principalmente pela imigração.

Nesse contexto de grande prosperidade – a Noruega é um dos países mais ricos do mundo – surge em Oslo (e em outras cidades norueguesas) uma arquitetura urbana moderna e arrojada, pontuada por monumentos belíssimos, prédios públicos, grandes parques e novos museus. A revista efe. foi até lá conferir.

Nossa visita começou pelo maior cartão postal da cidade, o Vigeland, um dos maiores parques europeus e o maior do mundo dedicado à obra de um só artista, Gustav Vigeland. Poucos sabem, mas Vigeland foi o artista responsável pela criação da medalha do Prêmio Nobel. Nascido em uma família de artesãos em uma pequena cidade do sul da Noruega, graças à ajuda moral e financeira de um grande escultor

Ao lado, Munch Museet, que reúne obra do mais famoso pintor norueguês, Edvard Munch. Abaixo, uma de suas obras mais famosas: O Grito

LUDVIG

KARSTEN FOI UM DOS MAIS DESTACADOS PINTORES NORUEGUESES, CONTEMPORÂNEO DE MUNCH.

ENTRE OS DOIS, HAVIA RIVALIDADE, ADMIRAÇÃO MÚTUA E CONFLITOS PONTUAIS

da época, Brynjulf Bergslien, se estabeleceu em Oslo para aprimorar seus estudos. Na França, frequentou o ateliê de Auguste Rodin, seu maior influenciador. Na Itália, absorveu a arte renascentista. Naqueles anos, alguns dos temas que dominavam a época da sua maior produção artística começaram a surgir em sua obra: a morte, o cotidiano, a relação entre homem e mulher.

Nossa investigação seguiu pelo fantástico novo museu de Edvard Munch, inaugurado em 2021. Sua abertura, no bairro Bjørvika, a área mais valorizada junto ao centro da capital, ressignificou a cena cultural de Oslo. Além da vasta obra do mais famoso pintor norueguês, o Munch Museet oferece arte contemporânea, exposições internacionais itinerantes, programação musical, apresentações e palestras.

É neste museu que se encontram três das principais versões de sua obra máxima, O Grito, bem como o quadro Det Syke Barn (A Criança Doente), uma homenagem à sua jovem irmã, de saúde muito frágil, constantemente acometida por enfermidades e que faleceu jovem. Uma pintura eventualmente considerada ainda mais expressiva que sua maior obra.

Ainda no Munch Museet, visitamos a exposição temporária de Ludvig Karsten, outro famoso pintor norueguês e contemporâneo de Munch. Karsten foi um neoimpressionista cuja obra foi fortemente influenciada por Munch, Matisse e pela pintura francesa contemporânea.

The Blue Chair, de Ludvig Karsten, no Munch Museet
Vigeland Park

Do Munch seguimos para o museu Astrup Fearnley, reduto de arte contemporânea. Talvez a maior obra deste museu seja a sua arquitetura arrojada e impressionante no Tjuvhomen, bairro chiquérrimo e central de Oslo. Contrastando com a vastidão de suas instalações, exibe um número reduzido de obras. Talvez um dos principais papéis da arte contemporânea seja provocar questionamentos, desconforto e estranhamento - entender é o de menos. Uma de suas principais instalações é o intrigante My Private Sky, do artista norueguês Børre Sæthre, que mistura um cavalo empalhado, compensado, painéis acrílicos, tecido, porta de correr, carpete, luzes de led, luminárias e uma sonorização misteriosa. O equino, um cavalo islandês, viveu e morreu (de causas naturais) na Islândia e, empalhado, foi trazido à Noruega, recebeu um chifre na testa, transformou-se em unicórnio e tornou-se o centro dessa obra tão curiosa como pouco compreensível. Mais fácil não tentar entender e apenas apreciar.

ALGUNS DOS DESTAQUES DE OSLO SÃO O PARQUE DE ESCULTURAS VIGELAND PARK, O MUNCH MUSEET E OUTROS MUSEUS NA PENÍNSULA DE BYGDØY

Defronte ao Munch, na Baía de Oslo, uma linda escultura de 12 metros de altura em esquadrias de aço e vidro encanta os passantes. A obra gira sob influência dos ventos e da maré. Criada em 2010 pela artista italiana Monica Bonvicini, “She Lies” (ela mente) é uma releitura da pintura “O Mar de Gelo” (1823), de Caspar David Friedrich, simbolizando a luta entre a natureza e a ambição humana. Seu movimento, aliado à variação da luz, exibe belíssimos reflexos de forma dinâmica. No dia seguinte, seguimos para Jevnaker, a 60 km de Oslo, para visitar o inusitado Kistefos, um parque de esculturas com uma surpreendente galeria de arte contemporânea “torcida” – The Twistsobre o rio Randselva. A galeria estava em reforma, mas pudemos apreciar as esculturas do parque, como a reluzente obra “I’m Alive”, do inglês Tony Cragg. De volta à cidade, fomos ao Museu Nacional, inaugurado em 2022, onde dentre mais de 400.000 obras, encontra-se o qua-

Museu Astrup Fearnley
My Private Sky, de Børre Sæthre, no Museu Astrup Fearnley: um cavalo islandês empalhado, que recebeu um chifre na testa e transformou-se em unicórnio

dro de outro famoso pintor norueguês, Harald Sohlberg, “Vinternatt i Fjellene” (Noite de Inverno) de 1914, uma pintura que retrata as montanhas de Rondane sob uma luz azulada e mística. Muitos críticos a consideram a “pintura nacional da Noruega”, a despeito da fama infinitamente maior de “O Grito”, de Edvard Munch.

E chegamos à obra intrigante de Odd Nerdrum. Nascido na Suécia e naturalizado norueguês, Odd faz um trabalho que, segundo ele próprio, deve ser entendido como pintura kitsch e não como arte propriamente. São cenas sombrias, não raro apocalípticas e alegóricas, pintadas em painéis de grande tamanho. Desiludido com a forma de arte ensinada na academia e com a arte moderna em geral, Nerdrum começou a aprender sozinho a pintar num estilo pós-moderno, fortemente influenciado por Rembrandt e Caravaggio. Pode-se gostar ou não do trabalho de Odd. Difícil é ficar indiferente.

NO VIGELAND PARK SÃO 212 ESTÁTUAS EM GRANITO, FERRO E BRONZE E UM MUSEU DEDICADO À OBRA DO ARTISTA.

Frenzied Woman de Odd Nerdrum
I’m Alive, de Tony Cragg, no Kistefos
She Lies, de Monica Bonvicini, na Baía de Oslo

Arte a céu aberto

Os novos museus e centros culturais que vão redesenhar o circuito global

1) Cais das Artes, Paulo Mendes da Rocha + Metro Arquitetos, Vitória, Brasil - Último projeto de Paulo Mendes da Rocha, com colaboração do Metro Arquitetos. O complexo reúne teatro, museu e praça em um novo marco cultural à beira-mar; 2) Museu do Grande Canal, Herzog & de Meuron, Hangzhou, China - Assinado por Herzog & de Meuron, o museu celebra o histórico canal Jing–Han. O projeto combina narrativa histórica com arquitetura contemporânea; 3) Shanghai Grand Opera House, Snøhetta, Xangai, China - O escritório Snøhetta projeta um novo ícone para a cidade, com salas de espetáculo e praça pública. Destaque para a escada em espiral ao ar livre; 4) LACMA, Peter Zumthor + SOM, Los Angeles, EUA - Reformado por Peter Zumthor com colaboração do SOM, o museu reabre ampliado. A estrutura horizontal propõe uma nova experiência expositiva; 5) MIS, Diller Scofidio + Renfro, Rio de Janeiro, Brasil - Projeto do escritório nova-iorquino Diller Scofidio + Renfro. Na orla de Copacabana, o edifício se destaca pelos volumes empilhados; 6) Sesc Dom Pedro II, Una Arquitetos, São Paulo, Brasil - O Una Arquitetos assina o complexo de 30 mil m² no centro histórico. Integra cultura, esporte e convivência em projeto de revitalização urbana; 7) Lucas Museum, MAD Architects, Los Angeles, EUA - Projeto do MAD Architects para o museu criado por George Lucas. O edifício tem formas orgânicas e linguagem futurista marcante; 8) Casa Wabi Mushroom Pavilion, OMA, Oaxaca, México - Desenvolvido pelo OMA para o campus da Casa Wabi, de Bosco Sodi. O pavilhão experimental tem forma orgânica inspirada em um ovo; 9) Yidan Center, Zaha Hadid Architects, Shenzhen, China - O Zaha Hadid Architects projeta um complexo de 165 mil m² com volumes curvos. Terraços e um “cânion” central articulam os espaços; 10) V&A East Museum, O’Donnell + Tuomey, Londres, Reino Unido - Assinado por O’Donnell + Tuomey, o novo V&A aposta em arquitetura angular. O espaço amplia o alcance do museu no Olympic Park; 11) Museu de Arte Contemporânea de Suzhou, BIG, China - O escritório BIG combina formas contemporâneas com referências à tradição chinesa. O museu se integra à paisagem local; 12) Ewés Cultural Center, Kéré Architecture, Notsè, Togo - Projeto do Kéré Architecture valoriza técnicas construtivas locais. O centro conecta cultura, espiritualidade e comunidade; 13) Guggenheim Abu Dhabi, Frank Gehry, Emirados Árabes - Último grande projeto de Frank Gehry, será o maior da rede Guggenheim. Consolida Abu Dhabi como polo global de arte; 14) Muzej Lah, David Chipperfield Architects, Bled, Eslovênia - O escritório David Chipperfield Architects propõe integração com a paisagem alpina. Abriga a coleção contemporânea da Fundacija Lah; 15) New Museum, OMA, Nova York, EUA - Expansão liderada pelo OMA, com Shohei Shigematsu e Rem Koolhaas. O projeto dobra as áreas expositivas e melhora a circulação; 16) Kanal Centre Pompidou, noAarchitecten + Sergison Bates + EM2N, Bruxelas, Bélgica - Projeto coletivo transforma antiga garagem em centro cultural. Receberá obras, arquivos e programação do Pompidou; 17) Centre Pompidou Hanwha, Jean-Michel Wilmotte, Seul, Coreia do Sul - Reforma do arquiteto Jean-Michel Wilmotte leva o Pompidou à Ásia. O espaço foca em exposições globais e intercâmbio cultural.

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