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Editorial
Embaixadora do Angola, Maria de Jesus dos Reis Ferreira, 50 anos da independência nacional
Javier Peña Puigmoltó, sócio –diretor-geral, Quantum Solutions Emerging Markets
Dos PALOP à Iberoáfrica.
O protagonismo da República de Angola
FUNIBER, um modelo de ensino superior e de cooperação cultural, cientí ca e técnica ao serviço dos países de línguas espanhola e portuguesa
A Universidade Internacional do Cuanza, UNIC, a universidade iberófona e ibero-americana do continente africano
João Luis Traça, presidente da direção da Câmara de Comércio e Indústria Portugal-Angola
Protea hotels, uma aposta no coração de Luanda
Diretor da Revista e Delegado da Academia em Portugal
Jorge Antas da Barros
Presidente Executivo da Academia: Santiago Velo de Antelo
Vice-Presidente da Academia: José Carlos Ruiz-Berdejo y Sigurtá
30º aniversário do Paniberismo, o movimento geopolítico e linguístico que impulsiona a articulação de uma comunidade de países soberanos de línguas espanhola e portuguesa de todos os continentes, o Espaço da Iberofonia
Angola e Portugal: uma aliança estratégica para o século XXI
Repúblia de Angola, per l do país
A Real Academia Europeia de Doutores: integração do conhecimento de uma instituição europeia centenária
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EDITORIAL
Jorge
Antas de Barros. Director.
A Revista Diplomacia Século XXI, órgão oficial da Academia da Diplomacia em Portugal, dirige-se a todas as embaixadas e consulados estrangeiros com representação diplomática no nosso país. Fá-lo no estrito respeito pela ordem internacional, alicerçada nas normas e princípios de um multilateralismo efetivo, na defesa dos direitos humanos, no direito humanitário, nas liberdades fundamentais e na primazia do Estado de Direito.
Dada a sua vocação internacional, a Revista oferece aos seus colaboradores e apoiantes uma oportunidade singular de alcançar um público cuidadosamente definido, o universo diplomático, nas suas múltiplas dimensões, política, económica e cultural.
O presente número é dedicado a Angola, terra de esperança, de riqueza cultural ímpar e de promissor futuro. Um país unido a Portugal por profundos laços políticos, económicos e culturais, que se refletem numa relação de influência mútua e equilibrada, geradora de benefícios para ambas as nações. Queremos agradecer de forma muito especial à FUNIBER, UNIC, Quantum Solutions e à GreatCreation Collection Hotels - a sua presença em Angola é de grande importância para o desenvolvimento do país, cada uma delas nos seus respetivos âmbitos - assim como à El Corte Inglés, pela sua colaboração na edição deste número. Angola destaca-se como um dos países africanos com maior potencial de crescimento económico e relevância estratégica, fruto da sua vasta dimensão territorial, da abundância de recursos naturais e da sua privilegiada posição geográfica. Desde o término da guerra civil, em 2002, o país tem trilhado um caminho de reconstrução sustentada, com diversos sectores em franca expansão. Riquíssima em recursos naturais, Angola é um dos maiores produtores de petróleo em África e membro da OPEP. Possui ainda um potencial crescente no sector do gás natural, tanto para consumo interno como para exportação, além de vastas reservas de minérios e terras raras ainda por explorar plenamente.
No domínio agrícola, dispõe de extensas áreas férteis e de abundantes recursos hídricos, com rios de grande dimensão, como o Kwanza. Estas condições conferem-lhe uma capacidade significativa para gerar receitas externas. Com investimento adequado em tecnologia e infraestruturas, Angola poderá afirmar-se como um dos maiores produtores agrícolas da África Austral.
O seu atlantismo natural, inserido num espaço geográ co lusófono e pan-ibérico que abrange cerca de 800 milhões de pessoas, posiciona Angola como elemento matricial, de uma iberofonia alargada, unindo Á ica, Américas e Europa, com uma visão aberta ao dinamismo asiático.
A sua posição estratégica é igualmente determinante. Com uma extensa costa atlântica superior a 1.600 quilómetros e portos de elevada importância, como os de Luanda, Lobito, Namibe e Cabinda, o país assume-se como uma verdadeira porta de entrada comercial para a África Central e Austral. Em particular, o Porto do Lobito poderá tornar-se um dos mais estratégicos do continente, no contexto do ambicioso projeto logístico do Corredor do Lobito, que liga o Atlântico às regiões interiores ricas em recursos minerais da África Central. Angola apresenta, assim, um vasto potencial nos sectores da energia, mineração, agricultura e turismo. O grande desafio reside, porém, na diversificação da economia, no reforço das infraestruturas e no fortalecimento das instituições.
Reunindo condições económicas, naturais e geográficas verdadeiramente singulares no contexto africano, Angola tem diante de si a possibilidade de se afirmar, nas próximas décadas, como uma das economias mais robustas do continente, desde que se mantenham a estabilidade política, o investimento consistente e uma gestão eficaz.
O seu atlantismo natural, inserido num espaço geográfico lusófono e pan-ibérico que abrange cerca de 800 milhões de pessoas, posiciona Angola como elemento matricial, de uma iberofonia alargada, unindo África, Américas e Europa, com uma visão aberta ao dinamismo asiático. Como sabiamente afirma o povo angolano: “Uma mão não amarra um feixe.”
Que o país saiba cultivar a união e o trabalho coletivo, para que nenhum desafio se revele intransponível.•
EMBAIXADORA DO ANGOLA
MARIA DE JESUS DOS REIS FERREIRA
50 ANOS DA INDEPENDÊNCIA
NACIONAL
Angola e Portugal mantêm uma relação de parceria estratégica multifacetada
Numa altura em que ainda se assinala a passagem dos 50 anos da nossa Independência Nacional, nunca será demais sublinhar que as relações entre Angola e Portugal são intensas, profundas e maduras. Transcendem largamente a relação pós-colonial clássica para se tornarem numa parceria estratégica multifacetada, onde os interesses económicos e os laços humanos são enormes, com
A relação atingiu um tal estado de maturidade que se tornou imune a pontuais divergências de opinião, graças a uma rede densa de interesses comuns e a um diálogo diplomático permanente.
Por isso, o futuro aponta para uma continuação desta espécie de cumplicidade política, com Angola a afirmar-se cada vez mais como um parceiro soberano e Portugal a manter um papel económico e cultural único, numa dinâmica que tenta equilibrar os interesses do presente com uma perspectiva alargada de futuro.
A proclamação da nossa independência simbolizou o triunfo da esperança sobre a opressão, da dignidade sobre a dominação e abriu o caminho para a construção de uma Nação soberana, orgulhosa da sua identidade e da sua história. Foi o resultado, também, de uma conjugação de esforços dos povos de Angola e de Portugal, unidos na luta antifascista a anticolonial.
Ao longo destes últimos 50 anos, Angola inspirou-se na visão humanista e patriótica do Presidente Agostinho Neto, na determinação do Presidente José Eduardo dos Santos para a preservação da soberania nacional, através da pacificação e reconciliação nacional a seguir a anos de uma guerra fratricida que devastou o País e, actualmente, na liderança firme do Presidente João Manuel Gonçalves Lourenço em prosseguir o caminho da consolidação do Estado democrático de direito, alicerçando o país para uma nova etapa de desenvolvimento, modernização e credibilidade internacional.
RELAÇÕES ASSENTES NUM DIÁLOGO FRANCO
As relações excelentes entre Angola e Portugal, sob a liderança do Presidente João Lourenço conheceram uma nova vitalidade e pragmatismo, assente no diálogo franco, no respeito mútuo e na valorização dos laços históricos, culturais e humanos que nos unem.
“As relações excelentes entre Angola e Portugal, sob a liderança do Presidente João Lourenço conheceram uma nova
vitalidade e
pragmatismo, assente
no diálogo anco,
respeito mútuo
e
na
no
valorização dos laços históricos, culturais e humanos que nos unem”.
Tanto o Presidente João Lourenço como o Presidente Marcelo Rebelo de Sousa realizaram frequentes visitas de Estado aos dois países, com acolhimentos populares calorosos e fortes dividendos políticos mútuos. Destacamos aqui, entre outras acções, o reforço da cooperação económica e empresarial através dos vários acordos assinados nos últimos dois anos, –cerca de 20–, em diversas áreas. A acção diplomática do Presidente João Lourenço tem sido guiada por uma visão moderna, aberta e pragmática, orientada para o fortalecimento das parcerias estratégicas, baseadas no respeito recíproco e na busca de benefícios partilhados. Por conseguinte, verificam-se reformas estruturais como aposta na diversificação da economia e melhoria do ambiente de negócios para reforçar a confiança dos investidores e para ampliar as oportunidades de cooperação bilateral. No mesmo espírito, o diálogo político de alto nível entre Luanda e Lisboa tem-se intensificado, tradu-
“Portugal é um dos maiores investidores em Angola (especialmente nos sectores da banca, energia, construção e telecomunicações) e um dos seus principais fornecedores. Agora,
há um foco maior em parcerias empresariais e investimentos portugueses em sectores nãopetrolíferos, como agricultura, turismo e tecnologia”.
zindo-se num relacionamento cada vez mais sólido, equilibrado e mutuamente vantajoso.
Portugal é um dos maiores investidores em Angola (especialmente nos sectores da banca, energia, construção e telecomunicações) e um dos seus principais fornecedores. Agora, há um foco maior em parcerias empresariais e investimentos portugueses em sectores não-petrolíferos, como agricultura, turismo e tecnologia.
Esta nova etapa das relações entre Angola e Portugal reflecte não apenas a maturidade das nossas instituições, mas também a visão de futuro que o Presidente João Lourenço tem imprimido à política externa angolana, pautada pelos princípios do respeito e cooperação mutuamente vantajosa.
Existe uma grande comunidade portuguesa em Angola (estimada em quase 200 mil pessoas) e uma enorme comunidade angolana em Portugal (mais de 90 mil pessoas), ambas com fortes laços culturais e familiares que por vezes nos confundem na sua caracterização.
A língua é o elo mais óbvio e poderoso, com uma cooperação intensa no domínio do ensino e da cultura, existindo um esforço crescente, tanto estatal como da sociedade civil, para a promoção de uma memória partilhada.
ACÇÃO NA POLÍTICA EXTERNA
No plano da política externa, Angola afirma-se como um Estado comprometido com a paz, o diálogo e a cooperação internacional. O país tem desempenhado um papel relevante na promoção da estabilidade regional, nomeadamente na Região dos Grandes Lagos, na SADC e no Golfo da Guiné. A diplomacia angolana, sob a liderança do Presidente João Lourenço, tem fortalecido parcerias estratégica com diversos países e organizações internacionais, consolidando o prestígio e a influência de Angola no continente e no mundo.
Em concreto, no espaço da África Austral, somos parte activa da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC), tendo contribuído significativamente para a independência da Namíbia e do Zimbabwe e para o desmantelamento do sistema do apartheid na África do Sul, para a integração económica, a livre circulação de pessoas e bens e a estabilidade política da região.
Na região dos Grandes Lagos, Angola tem desempenhado um papel de mediação e promoção da paz, empenhada na prevenção e resolução pacífica de conflitos, fiel aos princípios da solidariedade africana e da diplomacia preventiva.
Enquanto um dos membros fundadores da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, Angola tem igualmente reafirmado o seu compromisso com o fortalecimento da cooperação em várias áreas entre os países que partilham a língua portuguesa, fazendo da nossa língua comum um instrumento de aproximação entre povos e continentes. •
Quantum es socio de confianza de gobiernos en África Subsahariana para la financiación y ejecución de proyectos de infraestructuras llave en mano. Con una visión a largo plazo, implantación local y búsqueda de soluciones adaptadas a las necesidades, contribuye así al crecimiento económico.
Algunos ejemplos de proyectos actuamente en ejecución por el grupo QUANTUM:
JAVIER PEÑA PUIGMOLTÓ
Sócio – Diretor-Geral
Conte-nos qual é a atividade da QUANTUM SOLUTIONS EMERGING MARKETS. Como e porquê surgiu esta empresa?
A empresa surge da convicção de que as infraestruturas são um meio eficaz para transferir para a população a riqueza dos ativos naturais. Ao alocar recursos para dotar as populações de infraestruturas básicas, a capacidade empreendedora e o engenho criativo de um continente extremamente jovem têm maiores possibilidades de se desenvolver plenamente e com maior rapidez, contribuindo assim para a melhoria das condições de vida dos seus cidadãos.
QUANTUM SOLUTIONS EMERGING MARKETS
África é o continente do século XXI. Embora as condições geográficas e o acesso aos recursos variem entre países, todos partilham o ativo mais valioso: a juventude (61% da população tem menos de 25 anos), bem como a sua capacidade empreendedora e o facto de que, até ao final do século, África concentrará mais de 40% da população mundial em idade ativa.
A QUANTUM é também um dos sócios fundadores do Afrika Financial Group, um grupo bancário pan-africano com presença em quatro países: Senegal, Costa do Marfim, Mali e Guiné Conacri.
Na QUANTUM, estamos comprometidos com esta transformação. Com um ADN claramente africano, a nossa presença, além de Angola, abrange Senegal, Benim, Togo, Costa do Marfim, Gabão e Camarões. Participamos em todas as etapas dos projetos que executamos, desde a conceção adaptada às necessidades reais e a estruturação do financiamento através de fórmulas inovadoras, até à gestão integral do projeto, garantindo a sustentabilidade das infraestruturas através de programas de formação e manutenção que asseguram a transferência de conhecimento e tecnologia.
Muito rapidamente, África tornou-se o nosso ponto de referência, com a execução de projetos nas áreas de infraestruturas, equipamentos e serviços…
No início do século, a população africana era equivalente à da Europa; no entanto, estima-se que, até 2100, África possa ultrapassar os 4.200 milhões de habitantes, ou seja, sete vezes a população europeia nessa mesma data. Para 2027, isto é, em apenas oito anos, espera-se que a população africana duplique.
Qual é a sua atividade em Angola?
A QUANTUM está presente em Angola há mais de 20 anos, promovendo, desenvolvendo e estruturando o financiamento de projetos de infraestruturas e de fornecimento de equipamentos e bens de capital em diversos setores, como o transporte aeroportuário e ferroviário, energia, água, segurança, defesa e turismo, entre outros.
CONSTRUYENDO PROGRESO
Alguns exemplos destes projetos são os aeroportos do Huambo, Catumbela e Mbanza Congo; oficinas ferroviárias de manutenção de DMUs; eletrificação solar no Kuanza Sul; o troço ferroviário Zenza Cacuso; a prisão de alta segurança em Malanje; a eletrificação do triângulo dos Dembos, no Bengo; o sistema de abastecimento de água em Saurimo; e o centro de calamidades e desastres naturais em Luanda e províncias.
Apesar das graves carências que ainda afetam muitas populações em vários países africanos, existe um verdadeiro interesse e uma necessidade real de responder às exigências das gerações mais jovens. Não se trata apenas de uma necessidade de África, mas também essencial para a Europa, não só pelas oportunidades existentes, mas também pela urgência de responder a problemas cruciais como a migração. Um dos fatores-chave para reduzir os fluxos migratórios é a criação de emprego e de condições de vida adequadas nos países de origem.
Além disso, a QUANTUM participou e executou projetos de consultoria nos setores da água — Programa PDISA do Banco Mundial —, saúde — Programa PASS II do Banco Europeu de Investimento (BEI) — e transporte ferroviário — Corredor Norte-Sul / Malanje-Kuito-Menongue.
A maior parte dos projetos é executada com financiamento bilateral de longo prazo através de bancos de primeira linha, com apoio oficial de agências de crédito à exportação (ECAs), bem como com créditos comerciais complementares do mercado privado. Outros contam com financiamento multilateral e alguns com fundos próprios do Governo de Angola.•
Nuevo Hospital Aristide Le dantec Senegal
Varios tramos de carreteras y construcción de un puente
3 Talleres ferroviarios Aeropouerto de M’Banza Congo
Benín Angola
DOS PALOP À IBEROÁFRICA. O PROTAGONISMO DA REPÚBLICA
DE ANGOLA
O acrónimo “PALOP”, que signi ca Países Africanos de Língua O cial Portuguesa, dá hoje lugar ao espaço da Iberoáfrica, um âmbito conceptualmente mais amplo que inclui também a hispanófona República da Guiné Equatorial e que, sobretudo, liga o conjunto das nações ibero-a icanas à Comunidade Ibero-Americana de Nações, constituída pelos países hispanófonos e lusófonos do continente americano e da Península Ibérica. Neste contexto, o papel de Angola revela-se estratégico.
No passado dia 11 de novembro de 2025 assinalaram-se cinquenta anos da independência de Angola, o maior país de língua oficial ibérica — portuguesa — do continente africano. Trata-se de um aniversário significativo, tanto para o grande país africano como para as suas relações com Portugal, com o Brasil e com as nações irmãs africanas de língua portuguesa, que alcançaram igualmente a independência no mesmo período. Mas marca também uma data relevante nos seus vínculos com Espanha e com os países hispanófonos do continente americano; Cuba e Espanha foram algumas das primeiras nações do mundo a reconhecer a independência de Angola a partir de 1975 e 1976, respetivamente. Angola é um país central em África, e não apenas num sentido geográfico. A sua posição estratégica, a sua ação diplomática, a sua dimensão territorial, o seu crescente peso demográfico e económico, a sua singularidade cultural e, em suma, a sua importância objetiva no contexto continental constituem uma realidade que não passa despercebida nos centros de estudos internacionais nem nos ministérios dos países com interesses nessa parte do planeta. Angola é uma verdadeira referência na África Subsaariana e nos seus diversos fóruns de integração, cooperação e concertação, como a Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC) e a Comunidade Económica dos Estados da África Central (CEEAC), grupos dos quais faz parte simultaneamente, constituindo verdadeiramente uma espécie de ponto de convergência entre ambos, o que equivale também a dizer um ponto de convergência de dois terços de África ao sul do Saara. Angola é um país essencial da União Africana, que distinguiu o atual presidente angolano, João Lourenço, com o título de “Campeão da Paz” pelo seu trabalho na Conferência
sobre a crise dos Grandes Lagos. Esta nação acolheu em dezembro de 2022 a décima cimeira dos países ACP — África, Caraíbas e Pacífico —, que reuniu setenta e nove nações do chamado “Sul Global”, que procuram enfrentar os seus desafios no mundo interdependente dos nossos dias. Neste contexto, Angola representa igualmente um ponto de equilíbrio entre os dois gigantes africanos: a meridioMapa dos Países Africanos de Língua Portuguesa (PALOP), incluindo a hispanófona Guiné Equatorial. Fonte: Wikipedia.
nal República da África do Sul — tecnologicamente desenvolvida, com modernas infraestruturas e fortes laços com várias potências ocidentais e mundiais — e a equatorial Nigéria, uma potência petrolífera superpovoada que sofre a fratura civilizacional entre o Islão e o universo bantu. Angola, sem os setores nem as características que definem cada uma destas duas nações, assume contudo uma posição sólida e com liderança em todo o amplo espaço intermédio e no Golfo da Guiné, como país que alcançou a maturidade superando as mais duras provas depois de quarenta anos de guerra — primeiro colonial, depois civil — e de vinte anos de difícil reconstrução. Angola é também o principal ponto de equilíbrio entre a anglofonia e a francofonia em África (esta última em claro descrédito em certas zonas do continente), um equilíbrio que é cultural e linguístico, mas também geográfico, estratégico e económico. De facto, Angola representa o principal país da iberofonia continental como maior nação africana de língua portuguesa (os outros países iberófonos de África são Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique e São Tomé e Príncipe). Esta condição confere-lhe um elemento diferenciador em África que vincula Angola a cerca de trinta nações hispanófonas e lusófonas de todos os continentes, perto de 900 milhões de pessoas em todo o mundo, mais de um décimo da população mundial e, grosso modo, um quinto da superfície da Terra: ao Espaço Pan-Ibérico ou da Iberofonia, soma da Comunidade Ibero-Americana e da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa.
Este grande espaço multinacional da Iberofonia encontra na intercompreensão geral entre o espanhol e o português o seu fundamento operativo mais visível, mas não se sustenta apenas nele, apoiando-se também em múltiplos elementos e substratos históricos, culturais e identitários partilhados pelos países iberófonos. Um deles é, precisamente, a africanidade, que se converte em grande medida num denominador comum de grande parte do Mundo Ibérico, como demonstra a própria América Ibérica, que identifica na população afrodescendente um dos seus três principais pilares etnoculturais, juntamente com o ameríndio e o peninsular ibérico. E, naturalmente, a própria Iberoáfrica — ou África iberófona —, que é historicamente a origem maioritária desse sólido e fundamental pilar de base africana.
Disto já têm consciência os países ibero-africanos, e mais particularmente Angola, solar originário da maior parte dos afrodescendentes da Ibero-América e de outras sub-regiões do continente ocidental.
Neste contexto, Angola — nação fundamental em África da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) e principal representante dos PALOP e da Iberoáfrica — pode ter a chave para articular todo o Espaço da Iberofonia, se assumir com iniciativa e liderança uma decisão estratégica no plano geopolítico e multilateral. Com efeito, nas mãos da República de Angola pode recair a iniciativa de aproximar institucionalmente a Comunidade Ibero-Americana de Nações — composta pelos países hispanófonos e lusófonos da América e da Europa — e a CPLP.
Mais ainda, Angola pode ser a nação artífice que consiga, com a sua plena participação, a ampliação dos organismos ibero-americanos em direção à Iberoáfrica, alcançando assim a articulação geral e completa do espaço intercontinental da Iberofonia. Neste sentido, a incorporação formal de Angola como membro pleno da Organização Ibero-Americana de Segurança Social (OISS) ou da Organização de Estados Ibero-Americanos para a Educação, a Ciência e a Cultura (OEI) — organismos dos quais já participa a africana República da Guiné Equatorial — pode ser decisiva e gerar um efeito dinamizador em outros países africanos de língua portuguesa. Consideremos, além disso, que se a Guiné Equatorial já é membro destes organismos, em nenhum cenário poderia negar-se a plena incorporação de Angola ou de outros PALOP… Estamos, sem dúvida, perante uma oportunidade extraordinária para alcançar a plena institucionalização do “Mundo Ibérico”.
A correlativa vinculação de Angola à Cimeira Ibero-Americana de Chefes de Estado e de Governo, na qualidade de Observador Associado da Conferência Ibero-Americana, será outra medida complementar. Assim, a tradicional descrição dos PALOP como grupo poderá já estar a cristalizar no espaço-conceito “Iberoáfrica”, um componente estrutural de um mundo da Iberofonia presente em todos os continentes. A articulação formal deste último pode depender da iniciativa geopolítica e diplomática da República de Angola, que contribuiria assim para apagar definitivamente essa “linha invisível” do Tratado de Tordesilhas que, durante séculos, separou muitas nações de África de muitas nações da América.•
FRIGDIANO ÁLVARO DURÁNTEZ PRADOS
Doutor em Ciência Política, académico de número da Academia de la Diplomacia, académico correspondente da Real Academia de Jurisprudência e Legislación de España e professor da Universidade Europeia do Atlântico. É diretor de Relações Institucionais da Fundação Universitária Iberoamericana e da Cátedra FUNIBER de Estudos Iberoamericanos e da Iberofonia, um enquadramento académico de caráter interdisciplinar, interuniversitário, intercontinental e bilingue. Esta Cátedra de estudos pan-ibéricos — a primeira do seu género ao abordar como objeto de estudo o âmbito mundial pan-ibérico das línguas espanhola e portuguesa — integra a UniversidadeEuropeiadoAtlântico,aUniversidadeInternacionalIberoamericanadoMéxico, a Universidade Internacional Iberoamericana de Porto Rico, a Fundação Universitária Internacional da Colômbia, a Universidade Internacional do Cuanza, de Angola, e a Universidade de La Romana, da República Dominicana. Cátedra
FUNIBER, UM MODELO DE ENSINO
SUPERIOR E DE COOPERAÇÃO
CULTURAL, CIENTÍFICA E
TÉCNICA
AO SERVIÇO DOS PAÍSES DE LÍNGUAS
ESPANHOLA E PORTUGUESA
A Fundação Universitária Iberoamericana (FUNIBER) é uma instituição internacional de referência em matéria de ensino superior e de geopolítica cultural e linguística, que combina a sua atividade na formação universitária com ações de cooperação académica, promoção cultural e desenvolvimento técnico. Consolida-se como a primeira plataforma universitária que abrange todo o Espaço da Iberofonia, composto pelos países de língua espanhola e portuguesa de todos os continentes. Com presença e escritórios de representação em mais de 35 países, a FUNIBER integrou uma extensa rede universitária internacional graças aos acordos estabelecidos com numerosas instituições de ensino superior em todos os continentes, contando também com universidades próprias na América, Europa e Á ica. Este modelo de colaboração permitiu criar uma sólida estrutura de trabalho conjunto que posiciona a FUNIBER como uma referência global em cooperação educativa, cientí ca e técnica.
Desde a sua fundação em 1997, a FUNIBER distingue-se como uma instituição pioneira graças ao seu modelo educativo inovador, desenvolvido tanto na modalidade presencial como à distância. Este enfoque combina a flexibilidade da formação online com a experiência dos campus universitários, oferecendo aos estudantes uma formação adaptada às suas necessidades. Através deste modelo, a FUNIBER criou um espaço global de aprendizagem onde convergem estudantes e docentes de diferentes países, fomentando uma comunidade educativa multicultural que promove a troca de conhecimentos e perspetivas.
Rede universitária
Além dos acordos de cooperação institucional e académica com universidades em diversas regiões do mundo, a FUNIBER criou, até 2025, seis universidades próprias que integram ambas as modalidades de ensino. Nos seus campus universitários, a Universidade Europeia do Atlântico (UNEATLANTICO), em Espanha; a Universidade Internacional do Cuanza (UNIC), em Angola; e a Universidade de La Romana (UNIROMANA), na República Dominicana, centram-se na formação presencial. A UNEATLANTICO oferece também programas de pós-
-graduação, mestrado e doutoramento em formato virtual e semipresencial.
Por outro lado, a rede universitária própria da FUNIBER conta com a Universidade Internacional Iberoamericana do México (UNINI), a Universidade Internacional Iberoamericana de Porto Rico (UNIB) e a Fundação Universitária Internacional da Colômbia (UNINCOL), instituições educativas especializadas na modalidade online para programas de licenciatura, pós-graduação, mestrado e doutoramento.
A metodologia virtual da FUNIBER proporciona a flexibilidade necessária para que os estudantes frequentem programas de pós-graduação com padrões internacionais, eliminando barreiras geográficas e permitindo o acesso a uma formação de qualidade a partir de qualquer lugar. Este modelo supera os desafios tradicionais do ensino superior, como a distância e a mobilidade, oferecendo programas concebidos por especialistas em cada área do conhecimento e disponíveis em espanhol e português. Além disso, devido à sua presença em Itália e em países francófonos de África, alguns programas também estão disponíveis em italiano e francês, ampliando as oportunidades de formação em diferentes idiomas. São igualmente oferecidos programas académicos em inglês.
Responsabilidade social
A FUNIBER reforça a sua responsabilidade social através dos seus programas de bolsas de estudo, concebidos para se adaptarem à realidade socioeconómica de cada estudante e de cada sociedade. Estes programas garantem que o fator financeiro não seja um obstáculo ao acesso a uma educação de qualidade, promovendo assim a igualdade de oportunidades. Com esta visão inclusiva e global,
a Fundação posiciona-se na vanguarda dos modelos educativos contemporâneos.
Inovação académica e visão antecipatória
Em consonância com os seus objetivos estratégicos e o seu âmbito de atuação, a FUNIBER instituiu, em 2022, a Cátedra FUNIBER de Estudos Iberoamericanos e da Iberofonia. Esta cátedra, pioneira no seu género, tem como principal objetivo o estudo do espaço multinacional integrado pelos países de língua espanhola e portuguesa. De caráter interdisciplinar, interuniversitário, intercontinental e bilingue (espanhol-português), a sua missão fundamental é promover o desenvolvimento e a integração das nações iberófonas, fomentando os estudos pan-ibéricos e a cooperação, consolidando assim a projeção global da comunidade iberófona.
PRESENÇA DA FUNIBER EM ANGOLA
A FUNIBER consolidou uma forte presença em Angola, o maior país ibero-africano, principalmente através da UNIC e da sua Obra Cultural, entidades que têm promovido atividades académicas, culturais, científicas e de investigação, impulsionando a cooperação integral e o desenvolvimento social no país.
Com o objetivo de reforçar esta colaboração e fortalecer a cooperação entre as nações iberófonas, a FUNIBER assinou igualmente numerosos acordos de cooperação em Angola, entre os quais se destaca o celebrado em novembro de 2024 com o Ministério da Cultura da República. Este acordo tem como finalidade desenvolver projetos culturais, académicos e científicos em benefício do país
Rede Universitária Internacional
Programas acadêmicos em espanhol e português
UNIVERSIDADE INTERNACIONAL DO CUANZA
africano. No ato de assinatura participaram o presidente da FUNIBER, Dr. Santos Gracia Villar, e o ministro da Cultura angolano, Dr. Filipe Silvino de Pina Zau. Nesse mesmo ano, a FUNIBER assinou também um importante acordo com outra relevante instituição angolana, desta vez com a Fundação Bornito de Sousa, presidida pelo Dr. Bornito de Sousa, ex-vice-presidente da República de Angola entre 2017 e 2022. Este acordo tem como objetivo promover atividades em diversos domínios, como o ensino superior, a cultura, a tecnologia, a ecologia, o desenvolvimento sustentável, a divulgação científica e a inovação.
Como resultado desta estreita colaboração, o Dr. Bornito de Sousa, a sua equipa e uma representação da FUNIBER
reuniram-se na capital de Espanha com altos representantes do Instituto Cervantes, destacando-se o interesse da UNIC em iniciar os procedimentos necessários para obter o estatuto de centro acreditado do Instituto Cervantes. Em março de 2024, este esforço foi reforçado com a assinatura de um protocolo de colaboração entre a FUNIBER e o Instituto Cervantes, instituições representadas respetivamente pelo seu presidente, Dr. Santos Gracia Villar, e pelo seu diretor, Dr. Luis García Montero, com o objetivo, entre outros, de promover a difusão da cultura ibero-americana, especialmente através do ensino do espanhol em Angola.
No âmbito do seu compromisso com a cooperação entre Espanha e Angola, a FUNIBER assinou igualmente um
Membros da equipa da FUNIBER junto de Suas Majestades os Reis de Espanha durante a visita de Estado a Angola em fevereiro de 2023.
O presidente da FUNIBER, Dr. Santos Gracia Villar, explica a missão estratégica da Fundação aos Reis D. Felipe e D.ª Letizia, acompanhado pelo embaixador de Espanha em Angola, Manuel Lejarreta, e outras autoridades.
acordo de colaboração com a Escola Superior Pedagógica do Bié (ESPE-Bié), em Angola, em colaboração com a UNIC e a UNEATLANTICO. Este acordo tem como objetivo reforçar a cooperação académica, científica e cultural entre as quatro instituições, bem como os programas de dupla titulação espanhol-angolana. A FUNIBER estabeleceu ainda estreitas relações de cooperação com outras instituições angolanas, como o Instituto Superior Politécnico de Tecnologias e Ciências (ISPTEC), presidido pelo Dr. João Fernando Manuel.
DIFUSÃO DA ARTE E DA CULTURA COMO
EIXO EDUCATIVO
A FUNIBER desempenha um papel fundamental na difusão da arte e da cultura, contribuindo para o enriquecimento das comunidades através de iniciativas que integram valores educativos e artísticos. Através da sua Obra Cultural, a Fundação organiza concertos de música clássica, exposições de arte e concursos de fotografia, cujo objetivo é despertar no público o sentido estético e as reflexões que este suscita. Dentro do património artístico da FUNIBER encontram-se obras de grandes figuras como Francisco de Goya, Salvador Dalí, Pablo Picasso e Joan Miró. Estas peças, que fazem parte da história universal da arte, pertencem ao legado cultural de Espanha, cujo usufruto e conhecimento a FUNIBER deseja partilhar com as sociedades de países irmãos. Do mesmo modo, é vontade da Fundação dar a conhecer a criatividade cultural africana e ibero-americana em todas as nações de língua portuguesa e espanhola. Por ocasião da Visita de Estado dos Reis de Espanha, D. Felipe VI e D.ª Letizia, a Angola em fevereiro de 2023, realizou-se a inauguração da exposição das coleções de Joan Miró intituladas O Cântico do Sol e As Maravilhas Acrósticas, no Banco Económico de Luanda, capital de Angola. Neste evento, os monarcas tiveram a oportunidade de conhecer de perto o notável trabalho universitário, social, cultural e sanitário que a instituição espanhola desenvolve no país africano. A inauguração contou com a presença de uma ampla
delegação da FUNIBER, liderada pelo seu presidente, Dr. Santos Gracia, reafirmando o firme compromisso da Fundação com o fortalecimento de projetos de cooperação internacional em Angola.
Além das suas exposições, a Obra Cultural da FUNIBER organiza concertos que destacam o papel da música como meio de expressão e de conexão cultural. Neste contexto, no final de 2023, o violinista e maestro José Manuel Gil de Gálvez, acompanhado pelo tenor angolano Nelson Ebo, realizou uma atuação para o Presidente da República de Angola, Sua Excelência o Sr. João Lourenço, durante a inauguração do novo aeroporto internacional de Angola.
Em 2024, a obra do espanhol Pablo Picasso, intitulada O Enterro do Conde de Orgaz e A Flauta Dupla, foi exposta em várias cidades de Angola: Huambo, Benguela, Huíla e Luanda. A exposição, aberta ao público durante várias semanas, proporcionou à comunidade angolana a oportunidade de admirar a riqueza artística de um dos grandes mestres da arte universal. Anualmente, a FUNIBER organiza também o concurso internacional PHotoFUNIBER, promovendo a criatividade e a valorização da diversidade cultural. O concurso atribui um prémio monetário e uma bolsa de estudo para frequentar um dos programas de pós-graduação da Fundação. Na sua sexta edição, realizada em 2024, foi criada uma categoria especial para premiar as duas melhores fotografias apresentadas por estudantes angolanos. •
O maestro José Manuel Gil de Gálvez, impulsionador da obra cultural da FUNIBER, durante um concerto em Angola.
Exposição de litografias e gravuras de Pablo Picasso O Enterro do Conde de Orgaz e A Flauta Dupla, no Centro Cultural Manuel Rui, em Huambo, Angola.
Infraestructura
A UNIVERSIDADE INTERNACIONAL DO CUANZA, UNIC, A UNIVERSIDADE IBERÓFONA E IBERO-AMERICANA DO
CONTINENTE AFRICANO
A Universidade Internacional do Cuanza (UNIC), da Rede da Fundação Universitária Iberoamericana (FUNIBER), torna-se a primeira universidade a icana com identidade e vocação iberófona e ibero-americana, bem como o principal eixo da cooperação educativa entre Angola e os países de língua espanhola.
A inauguração da Universidade Internacional do Cuanza (UNIC) em Angola representou o fortalecimento das relações de cooperação entre Angola e Espanha. Este marco educacional foi celebrado no dia 5 de outubro de 2021, na cidade do Cuito, província do Bié, pelo Presidente da República de Angola, João Lourenço.
A UNIC é uma instituição de ensino superior promovida pela Fundação Universitária Iberoamericana (FUNIBER). A sua presença em solo angolano é crucial não apenas para o desenvolvimento educacional e cultural do
país, mas também para a ampliação dos laços diplomáticos e econômicos entre as duas nações.
A Universidade reflete o compromisso mútuo entre Angola e Espanha em fortalecer suas relações bilaterais e promover a cooperação em diversas áreas, incluindo educação, cultura e desenvolvimento institucional.
A visita do Presidente João Lourenço ao Reino de Espanha em setembro de 2021 foi um catalisador importante desse processo. Durante sua estadia em Madrid, o Presidente da República, que foi recebido por Suas Majesta-
des os Reis de Espanha, não apenas explorou objectivos infraestruturais e institucionais na capital espanhola, mas também teve encontros cruciais com autoridades espanholas de destaque, incluindo o Presidente do Governo.
VISITA DE ESTADO DO REI E DA RAINHA DE ESPANHA
É importante destacar que em fevereiro de 2023, Sua Majestade o Rei D. Felipe e Sua Majestade a Rainha D. Letizia visitaram Angola. Durante essa visita, a equipe da FUNIBER realizou uma apresentação sobre a Universidade Internacional do Cuanza (UNIC) no Banco Econômico de Luanda, a capital angolana. Nesta apresentação, Suas Majestades foram informados sobre o centro universitário inaugurado com o apoio espanhol em 2021 na cidade do Cuito, sede da província do Bié. No âmbito cultural, a presença do Rei destaca o desejo de estreitar os laços culturais e promover um maior intercâmbio entre as nações. A cultura é um veículo poderoso para a diplomacia, e eventos culturais conjuntos podem ajudar a fomentar a compreensão e a colaboração mútua. A UNIC representa não apenas um centro de excelência acadêmica, mas também um espaço onde o intercâmbio de ideias e conhecimentos fortalece os laços bilaterais. Este campus universitário simboliza um compromisso com o futuro, promovendo uma educação de qualidade que atenderá às necessidades de uma nova geração de angolanos, ao mesmo tempo em que solidifica a parceria entre Angola e Espanha.
AMPLA GAMA ACADÉMICA E DIVERSIDADE CULTURAL
A Universidade Internacional do Cuanza destaca-se por sua ampla variedade de cursos de licenciatura, proporcionando uma rica experiência educacional a estudantes de diversas nacionalidades. Com uma comunidade acadêmica que abrange não só Angola, mas também, Cuba, República Democrática do Congo, Senegal, Mauritânia e outros.
Actualmente a UNIC conta com um total de 15 cursos de licenciatura disponíveis, oferecendo oportunidades educacionais que abrangem uma ampla gama de áreas de estudo, desde ciências até humanidades.
A presença de professores de diferentes origens étnicas e culturais, como Chile, Moçambique, Colombia, Venezuela, Cuba, Brazil e Espanha, enriquece não apenas o ambiente de aprendizagem, mas também prepara os alunos para um mundo globalizado, onde a compreensão intercultural e a colaboração são habilidades essenciais. Esta integração nacional e internacional contribui para o intercâmbio de conhecimento e o desenvolvimento de relações acadêmicas e profissionais além das fronteiras.
INTERNACIONALIZAÇÃO DA UNIC E COLABORAÇÃO COM A UNIVERSIDAD EUROPEA DEL ATLÁNTICO (SANTANDER,
ESPANHA)
A Universidade Internacional do Cuanza firmou um convênio com a Universidad Europea del Atlántico, localizada em Santander, Espanha, da Rede universitária de FUNIBER. Este acordo oferece uma oportunidade única para os alunos de graduação da UNIC, permitindo que eles concluam seus estudos na Espanha. Através da convalidação dos créditos
Alunos da UNIC no Laboratório de Química Física.
Laboratório de Enfermagem.
Laboratório Clínico Avançado.
Laboratório de Electrónica.
já cursados em Angola, os estudantes poderão obter uma dupla titulação reconhecida pela União Europeia. Os alunos que optarem por esta experiência internacional deverão realizar uma estância mínima de um ano e meio no campus da universidade espanhola. Durante esse período, eles terão a chance de aprofundar seus conhecimentos acadêmicos, vivenciar uma nova cultura e aprimorar suas competências linguísticas e profissionais.
A colaboração entre as duas instituições visa promover a troca de conhecimento e a cooperação em diversos campos do saber. Este convênio é um exemplo concreto do esforço contínuo da UNIC em ampliar suas redes de parceria e oferecer oportunidades únicas para o desenvolvimento acadêmico e profissional de seus alunos.
QUALIDADE DO ENSINO, INFRAESTRUTURA DE PONTA E ADAPTAÇÃO AO MERCADO DE TRABALHO
A integração entre a teoria e a prática é essencial para proporcionar uma educação de qualidade, preparando os estudantes para os desafios do mercado de trabalho. Com esse objectivo a UNIC investiu na construção e equipagem de laboratórios modernos e bem equipados, permitindo aos alunos aplicar os conhecimentos adquiridos em sala de aula em ambientes reais.
A UNIC oferece laboratórios especializados nas áreas de saúde e engenharias, garantindo um espaço adequado para o desenvolvimento prático das habilidades dos alunos. Entre os destaques, estão: Laboratório de
Alunos no laboratório de Informática
Da esquerda para a direita, o Diretor de Relações Institucionais da FUNIBER, Dr. Frigdiano Álvaro Durántez Prados; o Embaixador de Espanha em Angola, Sr. Manuel Lejarreta Lobo; o então Governador da província do Bié, Dr. Pereira Alfredo; e o Reitor da UNIC, Dr. Carlos Jélvez Martínez, durante a inauguração do espaço "Ágora Reis de Espanha" em 2023.
Enfermagem, Dietética; Simulação Clínica Avançada; Hospital de Campanha; Laboratório de TICs; Laboratório de Física-Química; Laboratório de Informática e UNIC Rádio.
Além dos laboratórios, a UNIC dispõe de uma residência universitária pronta para acomodar até 186 estudantes, oferecendo serviços essenciais como lavanderia e armazenamento de materiais. Essa infraestrutura garante que os estudantes possam focar em seus estudos e práticas, vivendo em um ambiente confortável e funcional.
UNIC, UMA UNIVERSIDADE EM PORTUGUÊS
E EM ESPANHOL. A IBEROFONIA
A Iberofonia é um conceito de destaque na Universidade Internacional do Cuanza pela promoção de uma ampla intercompreensão linguística e cultural entre os países de língua espanhola e portuguesa. Esta vantagem é sustentada pelo elevado grau de intercompreensão mútua entre falantes de português e espanhol, que chega a 89%, o mais alto entre as línguas faladas nos cinco continentes. Esse factor de intercompreensão facilita a comunicação e a cooperação entre estudantes, professores e pesquisadores de diferentes nações hispanofalantes e lusófonas. O português e o espanhol são línguas ibero-românicas ocidentais derivadas do latim, o que torna a aprendizagem e a compreensão mútua mais acessível. Esta proximidade linguística permite que estudantes e profissionais de países de língua espanhola e portuguesa se comuniquem eficazmente, reduzindo barreiras linguísticas e culturais. A intercompreensão entre essas línguas promove uma integração cultural e acadêmica mais profunda, permitindo trocas educacionais e culturais enriquecedoras. A capacidade de se comunicar em português e espanhol amplia as oportunidades de mobilidade acadêmica e profissional. Estudantes da Universidade Internacional do Cuanza podem aproveitar programas de intercâmbio, bolsas de estudo e parcerias com instituições de ensino superior em toda a Ibero-América.
A proficiência em espanhol e português abre portas para um mercado de trabalho vasto e diversificado. Graduados da Universidade Internacional do Cuanza têm a vantagem de serem elegíveis para oportunidades de emprego em países da CPLP e da Comunidade Ibero-Americana, aumentando sua empregabilidade e potencial de carreira. A Iberofonia mundial representa, pois, uma vantagem estratégica para a Universidade Internacional do Cuanza, promovendo a intercompreensão linguística, a integração cultural, a mobilidade acadêmica e profissional, a cooperação internacional e ampliando o mercado de trabalho para seus graduados. Esta realidade reforça a importância da universidade como um centro de excelência que valoriza a diversidade linguística e cultural, preparando seus alunos para um futuro globalizado.
UNIC, UMA UNIVERSIDADE RECONHECIDA E PREMIADA
Em 2023, a UNIC foi agraciada com os II Prêmios Archiletras de la Lengua Española na categoria de Universidade do Ano, destacando-se entre finalistas de prestígio, como a Cátedra UB-DIBA de Comunicação Clara aplicada à Admi-
O Presidente da República de Angola, Dr. João Lourenço, durante a inauguração da UNIC no dia 5 de Outubro de 2021, na presença do então Embaixador de Espanha, Dr. Manuel Hernández Ruigómez, e de outras autoridades.
O antigo vice-presidente da República de Angola, Dr. Bornito de Sousa, ladeado pelo Governador Dr. Pereira Alfredo e Reitor Carlos Jélvez.
nistração Pública da Universidade de Barcelona e o Grupo Psylex da Universidade de Zaragoza, em Espanha. Este reconhecimento, presidido em honra de Sua Majestade o Rei de Espanha, reflete o compromisso e a excelência acadêmica da UNIC no campo da linguística e da comunicação.
A cerimônia de premiação contou com a presença de importantes figuras políticas, cuja participação não apenas conferiu maior prestígio ao evento, mas também destacou o reconhecimento governamental da importância das universidades na promoção da língua e da comunicação eficaz.
Poucos anos após sua inauguração em 2023, a UNIC foi reconhecida como a segunda melhor universidade de Angola, além de conquistar uma posição de prestígio no ranking das melhores Universidades da África
Este reconhecimento destaca o rápido progresso e a dedicação da UNIC em oferecer educação de qualidade. Em apenas três anos, a universidade conseguiu se estabelecer como uma das principais instituições de ensino superior em Angola, demonstrando um compromisso significativo com a excelência acadêmica, a pesquisa e a inovação.
A colocação no ranking africano também reflete o impacto positivo da UNIC na educação superior em nível continental. Conquistar uma posição de destaque em todo o continente africano, que abriga milhares de universidades, é uma realização notável que destaca a importância do investimento em infraestrutura educacional e no desenvolvimento de programas acadêmicos robustos e competitivos.
Este marco é um testemunho do trabalho árduo de todos os membros da comunidade acadêmica da UNIC, incluindo estudantes, professores e administradores, que se dedicam continuamente para elevar os padrões da instituição.
A Universidade Internacional do Cuanza está continuamente investindo para garantir melhorias futuras e excelência contínua, estabelecendo-se como um pilar fundamental na formação de profissionais competentes e na promoção do desenvolvimento socioeconômico de Angola e da África.•
Estúdio de Rádio UNIC.
O reitor da UNIC, Dr. Carlos Jélvez Martínez, o segundo a contar da esquerda para a direita, ao lado de elementos da sua equipa administrativa e docente.
Quantum é um parceiro de confiança de governos na África Subsaariana para o financiamento e execução de projetos de infraestruturas chave na mão. Com uma visão de longo prazo, presença local e foco na procura de soluções adaptadas às necessidades, contribui assim para o crescimento económico.
Alguns exemplos de projetos atualmente em execução pelo grupo QUANTUM:
Benim Vários troços de estrada e construção de uma ponte Angola 3 Oficinas ferroviárias
Aeroporto de M’Banza Congo
CONSTRUINDO PROGRESSO
Senegal
Novo Hospital Aristide Le Dantec
JOÃO LUIS TRAÇA
PRESIDENTE DA DIREÇÃO DA CÂMARA DE COMÉRCIO E INDÚSTRIA PORTUGAL-ANGOLA UM
PAÍS ABENÇOADO
O título deste artigo, não é infelizmente, da autoria do seu autor, uma vez que foi uma frase dita pelo Ministro da Coordenação Económica de Angola, Dr. José de Lima Massano, num evento em Lisboa no dia 6 de Março de 2026.
E de facto, Angola beneficia de várias bênçãos. Vejamos algumas delas.
Em primeiro lugar o petróleo, o qual tem sido o principal sustento da economia angolana ao longo dos últimos anos. Com reservas estimadas em cerca de 5 mil milhões
de barris, Angola é presentemente um dos maiores produtores africanos de petróleo, com uma produção diária de mais de um milhão de barris por dia. O petróleo representa um valor bastante grande de exportações do país, o qual é necessário para assegurar a importação dos vários bens e serviços que hoje Angola necessita, mas que se estima que venham a passar a ser produzidos localmente em função da estratégia de diversificação da economia angolana que tem sido implementada pelas autoridades ao longo das últimas décadas. Uma outra bênção muito importante de Angola é o Rio Kwanza. Presentemente existem neste rio mais de 5 barragens, estando identificado o potencial para a construção de mais 3 barragens, o que permite uma capacidade de produção de energia elétrica superior a 6.5 GW. Estes números são particularmente relevantes pois o atual consumo de energia do país ronda os 7.2 GW, o que significa que Angola tem um elevado potencial de produzir produtos verdes e sustentáveis, tornando-se, deste modo, um parceiro relevante a partir de África para contribuir para a inevitável transição energética. A tudo isto acresce o verdadeiro caso de sucesso em que consistem os parques rurais solares, os quais permitem servir várias províncias e populações, algumas das quais são considerados emblemáticos exemplos da iniciativa Global Gateway da União Europeia.
Do ponto de vista de minerais, Angola também foi abençoada. Em primeiro lugar, tornou-se um dos principais produtores mundiais de diamantes, ultrapassando a pro-
dução a barreira dos 15 milhões de quilates em 2025, correspondendo a cerca de 2 mil milhões de dólares. Para além dos diamantes, estima-se que Angola tenha capacidade de produzir 36 dos 51 minerais mais críticos do mundo. Muitos destes minerais estima-se que sejam transportados através o Corredor do Lobito.
Para os que não estão familiarizados com o mesmo, o Corredor do Lobito é uma linha ferroviária com mais de 1.000 Km que liga o Porto do Lobito, no Oceano Atlântico, à República Democrática do Congo (RDC) e à Zâmbia, e que é apoiado pelos EUA e EU (através da iniciativa Global Gateway). Esse corredor visa promover o desenvolvimento regional, por via da exportação de minerais críticos, como o cobre e o cobalto, e produtos agrícolas ou industriais, e desta forma impulsionando a agricultura, comércio, indústria e criação de emprego. Estima-se que este corredor seja provavelmente o mais importante corredor logístico de África
Ainda a propósito da produção agrícola, embora não seja internacionalmente percecionada como tal, Angola tem apresentado alguns indicadores importantes na produção agrícola, sendo presentemente o maior produtor de banana em África e um dos principais mundiais, com uma produção superior a 4 milhões de toneladas/ano. Angola presentemente exporta abacate, banana, abacaxi, café, algodão, sisal e açúcar. E tudo isto é atingido sem tirar partido completo do seu potencial agrícola, pois presentemente menos de 20% do seu conjunto de terras aráveis é dedicado à produção agrícola.
Todas estas “bênçãos”, das quais apenas se abordaram algumas, são dinamizadas por uma população jovem. Se olharmos para indicadores populacionais, constatamos que entre 60% e 65% da população angolana de cerca de 40 milhões habitantes tem menos de 25 anos, o que corresponde a uma densidade populacional de cerca de 30 habitantes por Km quadrado, um número bastante baixo quando comparado com outros países africanos, como a Nigéria (cerca de 260 habitantes por Km quadrado) ou Marrocos (cerca de 85 habitantes por Km quadrado). Neste momento Angola tem outra “bênção” que é a sua evolução macroeconómica. Em concreto, a inflação tem baixado consideravelmente, encontrando-se em 2025 em cerca de 14% e com as autoridades a acreditarem na redução para valores de um dígito num futuro muito próximo. A tudo isto será necessário acrescentar uma redução do stock de dívida pública para valores inferiores a 50% e uma redução do peso do sector petrolífero de 21% para 27% (entre 2018 e 2025), representando uma diversificação da economia para diversos investidores estrangeiros. Angola está aberta ao investimento estrangeiro, aliás existem muito poucas limitações ao investimento estrangeiro. Fruto desta conjuntura, existem presentemente mais de 1200 empresas com capital, total ou parcialmente, detido por investidores de origem portuguesa em Angola (de longe o país estrangeiro com mais empresas portuguesas) que diariamente colaboram com empresas angolanas nos mais variados sectores, criando empregos e contribuindo
“Existem presentemente mais de 1200 empresas com capital, total ou
parcialmente, detido por investidores de origem portuguesa em Angola (de longe o país estrangeiro com mais empresas portuguesas) que diariamente colaboram com empresas angolanas nos mais variados sectores, criando empregos e contribuindo para o desenvolvimento e crescimento de Angola”.
para o desenvolvimento e crescimento de Angola. Esta presença significativa portuguesa é sinal da confiança dos empresários portugueses no futuro de Angola. Este texto ficou mais longo do que inicialmente esperado, mas não podia ficar mais curto tendo em conta o potencial e as boas notícias da economia de Angola. Compete aos investidores internacionais saberem aproveitar esta bênção.•
Uma aposta no Coração de Luanda
O MOMENTO CERTO, NO LUGAR CERTO
Há momentos na história de um país em que tudo parece convergir. Angola vive hoje um desses momentos. A estabilização económica, a diversificação gradual da economia para além do petróleo, o regresso progressivo da con-
fiança dos investidores internacionais e, acima de tudo, a inauguração de uma infraestrutura que muda tudo — o Aeroporto Internacional Dr. António Agostinho Neto — criam juntos uma janela de oportunidade única para o turismo, os negócios e o desenvolvimento. É precisamente neste contexto que o Protea Luanda by Marriott Luanda ganha todo o seu significado. Não é apenas um hotel. É uma peça estratégica num puzzle maior, a resposta da indústria hoteleira internacional a um país que está, finalmente, a preparar-se para o mundo.
O AEROPORTO QUE TUDO MUDOU
Inaugurado recentemente, o Aeroporto Internacional Dr. António Agostinho Neto é mais do que uma infraestrutura de transporte — é uma declaração de intenções. Com capacidade para 15 milhões de passageiros por ano e posicionado como hub regional para a África Austral, transforma Luanda numa porta de entrada para um continente em aceleração. Para o setor do turismo e dos negócios, a mensagem é inequívoca: Angola está aberta ao mundo, e o mundo tem cada vez mais razões para vir.
Um aeroporto desta ambição precisa de infraestrutura hoteleira à sua altura. E é aqui que o Protea Luanda by Marriott entra.
A RESPOSTA DA MARRIOTT
O Protea Luanda by Marriott chega a Angola como a resposta natural a este novo contexto. Instalado no Bairro do Gamek, no coração de Luanda, é o primeiro hotel da Marriott International em Angola — e esse facto por si só é um sinal poderoso para o mercado nacional e internacional.
Fazer parte do universo Marriott confere ao hotel um ativo difícil de replicar: a confiança imediata de qualquer viajante corporativo global. Para um executivo de Joanesburgo, Londres ou São Paulo que reserve um hotel em Luanda, o nome Marriott elimina a incerteza. Sabe o que vai encontrar, sabe os padrões que pode exigir, sabe que a experiência será consistente com o que conhece em qualquer outra capital do mundo. Este reconhecimento instantâneo é, para Angola, uma ferramenta de atração de investimento e talento que vale tanto quanto qualquer outro argumento de promoção do país.
UMA OFERTA COMPLETA PARA O VIAJANTE EXIGENTE
Com 84 quartos e cinco suites de design contemporâneo, o Protea Hotels by Marriott Luanda foi concebido para responder às necessidades de um hóspede que não quer escolher entre eficiência, segurança ou conforto. Cada espaço foi pensado para o profissional que trabalha sob pressão durante o dia e precisa de verdadeiramente recuperar durante a noite.
Samji, diretora do hotel.
Três salas de reunião totalmente equipadas permitem realizar desde reuniões executivas de pequeno formato a sessões de formação e conferências de maior dimensão, respondendo à crescente procura de Luanda como destino de turismo de negócios e de encontros corporativos internacionais. O parking privado — detalhe que qualquer profissional experiente em Luanda sabe valorizar — completa uma proposta de valor pensada até ao último pormenor. Mas é também na gastronomia que o Protea revela uma outra face fundamental. O restaurante do hotel tornou-se rapidamente uma referência na cidade — e não apenas para os hóspedes. Com uma taxa de ocupação consistentemente elevada e uma cozinha que pratica padrões de qualidade verdadeiramente internacionais, o restaurante afirmou-se como um destino gastronómico por direito próprio em Luanda. Há aqui uma história que vai além da hotelaria: é a história de um espaço que a própria cidade adotou. Também no piso superior, o rooftop bar oferece uma experiência de outra natureza. As vistas sobre Luanda, combinadas com um ambiente sofisticado e cuidado, fazem dele um dos espaços mais procurados da cidade — por hóspedes e por residentes. Há algo de simbólico nesta procura: num espaço que nasceu para servir o viajante de negócios, são também os luandenses que encontram um lugar seu. O bar de piscina acrescenta ainda uma dimensão de lazer e descontração que completa uma oferta verdadeiramente versátil.
Cláudia
“Apostamos no país através de outras empresas do grupo há mais de 25 anos. Acreditamos no turismo como fator de desenvolvimento e de aumento de opções estratégicas, que apoiem o desenvolvimento do país e das pessoas.”
Pedro Pinto COO - Chief Operating Officer da GreatCreation Collection Hotels
ENTRE SEMANA E FIM DE SEMANA: UMA IDENTIDADE DUPLA
O Protea Hotels by Marriott Luanda tem uma identidade que se transforma ao ritmo da semana. De segunda a sexta, o hotel pulsa ao ritmo dos negócios — executivos, consultores, quadros internacionais, delegações, formações corporativas.
É o quartel-general do profissional que precisa de estar em Luanda e quer fazê-lo com o máximo de eficiência e conforto. Ao fim de semana, a atmosfera muda. O hotel abre-se a um turismo de lazer que Angola está ainda a construir, mas que tem um potencial enorme. Neste sentido, o Protea é também um embaixador — demonstra que Luanda pode ser um destino de qualidade para quem quer explorar a cidade, a sua cultura, a sua gastronomia e a sua vitalidade, com a segurança e o conforto de um padrão internacional. Esta dualidade não é acidental. É uma aposta consciente num futuro em que o turismo de lazer em Angola deixa de ser uma promessa e se torna uma realidade. Os resultados falam por si. No primeiro ano completo de funcionamento, 2025, o hotel registou taxas de ocupação bem acima dos 60% — um número expressivo para qualquer mercado, e particularmente revelador num destino em fase de afirmação como Luanda. É a validação mais concreta de que a aposta era certa e de que o mercado estava pronto para receber uma oferta desta qualidade.
A APOSTA MAIS IMPORTANTE: AS PESSOAS
Mas talvez o elemento mais revelador do projeto seja aquele que não está nas brochuras nem nas fotografias de arquitetura. Dos cerca de 90 colaboradores do Protea Luanda by Marriott, a esmagadora maioria são angolanos, com idades entre os 25 e os 35 anos. Jovens profissionais que estão a ser formados com os padrões de excelência da Marriott International, construindo carreiras sólidas num setor que Angola está a descobrir como verdadeiro motor de desenvolvimento económico e social.
O plano de formação interno é ambicioso e transversal — da operação de quartos à gestão de sala, do atendimento ao cliente à liderança de equipas. Trata-se, no fundo, de criar uma nova geração de profissionais de hospitalidade angolanos, com as ferramentas e o conhecimento para competir a nível internacional. É um investimento que vai muito além do hotel. É um investimento em Angola. Esta visão de longo prazo — de impacto real, de construção de capacidade nacional, de compromisso com Angola — é o fio condutor de toda a operação do Protea. Não é um hotel que chegou a Angola para extrair valor. É um hotel que chegou para criar valor, em parceria com o país e com a sua gente.
Délcio Freitas, Salima Nordine, Cláudia Samji e Chefe João Manuel.
O FUTURO EM CONSTRUÇÃO
Angola está a construir o seu futuro de forma determinada. O novo aeroporto internacional é um símbolo dessa determinação — uma infraestrutura de classe mundial que posiciona Luanda como hub regional e convida o mundo a olhar para Angola com olhos novos. O nosso hotel é outra peça desse puzzle — uma demonstração de que o país está pronto para receber o investimento, o turismo e o talento internacionais com a qualidade e o profissionalismo que estes exigem.
UM MINISTÉRIO, UMA VISÃO, UMA ANGOLA PARA O MUNDO
Por detrás de qualquer transformação estrutural há sempre uma decisão política que a torna possível. Em Angola, essa decisão foi tomada em março de 2024, quando o Presidente João Lourenço criou um Ministério do Turismo autónomo — separado da Cultura, com identidade e missão próprias — e entregou a sua liderança a Márcio Daniel. O sinal era inequívoco: o turismo deixava de ser um apêndice de outras políticas para se tornar uma prioridade estratégica do Estado.
O Dr. Márcio Daniel chegou ao cargo com um mandato claro e sem ambiguidades. O Presidente exigiu um diagnóstico profundo para perceber por que razão Angola, com todas as condições que tem, não conseguia ainda atrair turistas de forma verdadeiramente expressiva. Era o reconhecimento cabal de um problema — e o ponto de partida para o resolver. O que se seguiu foi um trabalho sistemático, sem atalhos. O Governo aprovou o Plano Nacional de Fomento ao Turismo, o PLANATUR, um instrumento estratégico que define os eixos de desenvolvimento do setor a longo prazo.
A mensagem que Márcio Daniel leva ao mundo é direta: “Invistam em Angola, invistam no setor do turismo”. Afirmando que “o Estado angolano quer ser um parceiro que remove obstáculos e que faz do sucesso do setor privado a sua própria missão”.
Quando uma das maiores cadeias hoteleiras do mundo decide instalar-se num país, está a emitir um sinal. Está a dizer que vê potencial, que acredita no presente e que aposta no futuro. Para Angola, ter a Marriott em Luanda não é apenas uma boa notícia para o setor hoteleiro. É uma boa notícia para o país.
E isso, no fim de contas, é o que o Protea Hotels by Marriott Luanda representa: uma aposta segura, feita por quem acredita em Angola. E Angola, cada vez mais, está a justificar essa confiança.•
30º ANIVERSÁRIO DO PANIBERISMO, O MOVIMENTO GEOPOLÍTICO E LINGUÍSTICO QUE IMPULSIONA
A ARTICULAÇÃO DE UMA COMUNIDADE DE PAÍSES SOBERANOS DE LÍNGUAS
ESPANHOLA E PORTUGUESA DE TODOS OS
CONTINENTES, O ESPAÇO DA IBEROFONIA
La lógica y la potencialidad derivadas de la afinidad sustantiva entre los dos principales idiomas ibéricos, el español y el portugués –únicas grandes lenguas internacionales recíprocamente comprensibles en líneas generales–, junto a profundos y numerosos elementos de naturaleza cultural, histórica, geopolítica y cooperativa, están en la base del Espacio Multinacional de Países de Lenguas Española y Portuguesa –el llamado Espacio Panibérico o de la Iberofonía–, que corresponde en gran medida al sumatorio de la Comunidad Iberoamericana de Naciones y la Comunidad de Países de Lengua Portuguesa. Se trata de un conjunto multinacional que agrupa a más de 800 millones de personas y una treintena de países de todos los continentes, que constituye el primer espacio lingüístico del mundo, y que representa la quinta parte de la superficie del planeta, así como la décima en términos demográficos.
En los últimos años se han dado pasos concretos y verificables en su proceso de articulación, lo que contribuirá a dar mayor visibilidad e influencia internacional a los países iberófonos, a promover la cooperación horizontal y triangular entre Estados de América, Europa, África y Asia, y a equilibrar en términos geocul- turales –y en beneficio de la mayor diversidad cultural y lingüística de toda la Comunidad Internacional– algunos aspectos y cosmovisiones homogeneizadores de la globalización en curso.
Em 2025 cumprem-se trinta anos da criação, por Frigdiano Álvaro Durántez Prados, da Sociedade Paniberista Espanhola, a primeira entidade constituída com o objetivo especí co de impulsionar a articulação de uma
A ese proceso geopolítico y cooperativo de definición y articulación panibérica ha contribuido directamente, desde inicios de la década de los noventa del pasado siglo, la labor académica, profesional y proactiva de Frigdiano Álvaro Durántez Prados, quien nos presenta en esta obra los hechos y las bases conceptuales y constructivistas de esta tendencia y de este proyecto. Ahora es el momento de que las instancias oficiales afronten en conjunto, con visión de futuro y altura de miras, este desafío ineludible, porque es un reto y una propuesta que redundan en beneficio de todos los pueblos de lenguas española y portuguesa del mundo, y de la misma Comunidad Internacional.
frIgDIano Álvaro DurÁntez PraDos
“Comunidade Panibérica de Nações” integrada Iberofonía y PanIberIsmo
“Comunidade Panibérica de Nações” integrada pela totalidade dos países de línguas espanhola e portuguesa de todos os continentes, sem exceções geográ cas
Em dezembro de 1995, o hoje reconhecido politólogo e internacionalista espanhol Frigdiano Álvaro Durántez Prados, pioneiro da corrente moderna de pensamento geopolítico e cooperativo denominada paniberismo ou iberofonia, criou, com 26 anos de idade, a Sociedade Paniberista Espanhola com o objetivo de conceituar e impulsionar, em todos os âmbitos – oficiais, institucio-
A Academia da Diplomacia, de Espanha, assumiu e apoiou precoce e formalmente os postulados da Iberofonia intercontinental, enquanto a Fundação Universitária Ibero-Americana (FUNIBER) se constitui como a primeira plataforma universitária mundial de âmbito panibérico e identidade iberófona. primeira entidade constituída com o objetivo
DefInIcIón y artIculacIón Del munDo IbérIco
Frigdiano Europeus Política pionero Iberofonía que propugna Multinacional de todos
EFE/Hidalgo
nais, académicos e não governamentais – a articulação de um espaço multinacional que acolhesse todos os países “iberofalantes” do mundo, sem exclusões geográficas.
Na prática, tratava-se de superar o quadro ibero-americano, integrado pelas nações americanas e europeias de línguas espanhola e portuguesa, incorporando a este âmbito linguístico e cultural os Estados africanos e asiáticos de línguas ou raízes ibéricas (Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique, São Tomé e Príncipe, Timor-Leste, Filipinas); mas também outros povos ou comunidades não estatais com claras vinculações históricas, culturais e linguísticas de origem ibérica, como os hispânicos dos Estados Unidos da América, o povo sefardita, comunidades norte-africanas de cultura hispânica, comunidades lusodescendentes de diferentes continentes, e inclusive povos oceânicos historicamente ligados ao Mundo Hispânico. Em 1996, poucos meses após constituir a Sociedade Paniberista Espanhola, Durántez deslocou-se a Moçambique, onde tratou com as autoridades do país esta proposta, e desde então e ao longo da sua dilatada trajetória não deixou de trabalhar em todos os âmbitos e em nações de diferentes continentes em favor da “iberofonia mundial”. Como resultado, em parte, da sua intensa atividade institucional, profissional e académica em altas instâncias, registam-se algumas realizações notáveis na aproximação formal “panibérica” verificada entre países de línguas portuguesa e espanhola de diferentes regiões. Em 2002, a Associação Ibero-Americana de Academias Olímpicas adotou a denominação “panibérica” como primeira entidade contemporânea com este âmbito de atuação.
A fundamentação e a crónica deste espaço multinacional foram plasmadas na sua tese de doutoramento (2013), bem como no tratado de geopolítica panibérica de sua autoria intitulado Iberofonia e Paniberismo. Defi nição e articulação do Mundo Ibérico (Última Línea, 2018). Segundo o Dr. Durántez, o Espaço Panibérico ou da Iberofonia continua a articular-se até hoje com marcos significativos que muitas vezes passam despercebidos, mas que demonstram uma tendência inegável de aproximação entre os países iberofalantes. Frigdiano Álvaro Durántez proferiu múltiplas conferências sobre esta temática em países de vários continentes. É académico de honra (2015) e académico efetivo (2023) da Academia da Diplomacia, de Espanha, e desde 2022 é diretor de Relações Institucionais da Fundação Universitária Iberoamericana (FUNIBER) e da Cátedra de Estudos Iberoamericanos e da Iberofonia. A FUNIBER constitui a primeira plataforma universitária mundial de âmbito panibérico e identidade iberófona, e a cátedra que dirige representa igualmente o primeiro enquadramento académico cujo objeto concreto é o estudo do espaço panibérico intercontinental.•
PANIBERISMO
E IBEROFONÍA
Frigdiano Álvaro Durántez Prados presenta
A revista Diplomacia Siglo XXI, órgão de comunicação da Academia da Diplomacia, de Espanha, dedicou o seu nº 85 (julho de 2015) à proposta do Paniberismo e da Iberofonia. Nesse mesmo ano, no mês de maio, o autor foi nomeado Académico de Honra da Academia da Diplomacia “em reconhecimento pelos seus trabalhos em matéria de geopolítica hispânica e, em particular, pela sua iniciativa pioneira e pela sua atividade permanente no âmbito do paniberismo, tendência orientada para a de nição e a articulação de um espaço multinacional de países de línguas ibéricas sem exceções geográ cas”.
las claves para la articulación del Mundo Ibérico
Órgano de comunicación de la Academia de la Diplomacia
Artigo de opinião | Revista Diplomacia
ANGOLA E PORTUGAL:
UMA ALIANÇA ESTRATÉGICA PARA O SÉCULO XXI
João Antas de Barros.
Do legado histórico partilhado à construção de um espaço lusófono e ibérico de futuro
I. ANGOLA NA MEMÓRIA DE PORTUGAL:
UMA HISTÓRIA COMUM
Poucas nações no mundo partilham um vínculo tão profundo, tão contraditório e, ao mesmo tempo, tão fecundo como Portugal e Angola. Durante séculos, as duas margens do Atlântico foram unidas por rotas de comércio, de cultura e, também, pela violência de uma relação colonial que a história não pode nem deve apagar. É precisamente por isso — e não apesar disso — que a compreensão lúcida deste passado se torna o alicerce mais sólido para construir um futuro digno e promissor. O historiador Orlando Ribeiro, um dos maiores geógrafos portugueses do século XX, recordava que “Portugal olhou sempre para o mar não como fronteira, mas como caminho.” Angola foi, durante séculos, o destino mais consequente desse olhar atlântico. Luanda, fundada em 1576, tornou-se uma das cidades mais antigas de fundação europeia em África, e a sua história é inseparável da própria identidade portuguesa. Como nos ensinava José Saramago, “a memória é a única pátria inviolável” — e
nenhum dos dois povos pode compreender-se plenamente sem reconhecer o outro como parte constitutiva de si mesmo.
A independência de Angola, proclamada em 11 de Novembro de 1975, não representou o fim dessa ligação, mas antes a sua inevitável refundação. Cinquenta anos volvidos, é tempo de transformar o peso histórico em projecto conjunto.
II. SINERGIAS E COOPERAÇÃO:
O IMPERATIVO DO PRESENTE
A relação bilateral entre Portugal e Angola atravessa hoje um momento de maturidade crescente. Os dois países partilham acordos de cooperação em áreas vitais: educação, saúde, defesa, justiça e desenvolvimento económico. Angola é, há vários anos, um dos maiores parceiros comerciais de Portugal em África, e a diáspora angolana em Portugal — que ultrapassa as 100.000 pessoas — constitui uma ponte humana de valor incalculável.
Como sublinhou o economista Amílcar Moreira, “a complementaridade estrutural entre Portugal e Angola cria oportunidades únicas que nenhum dos países pode desperdiçar.” Com efeito, Angola dispõe de recursos naturais vastos — petróleo, diamantes, terras férteis, minerais estratégicos — enquanto Portugal oferece capital humano qualificado, tecnologia, acesso ao mercado europeu e uma rede diplomática consolidada. Esta assimetria, longe de ser um obstáculo, é o fundamento de uma parceria verdadeiramente simbiótica.
No plano académico e científico, os laços entre universidades portuguesas e angolanas intensificam-se de ano para ano. A formação de quadros angolanos em Portugal e a crescente presença de investigadores portugueses em Luanda são sinais de uma relação que amadurece sem complexos e com olhos postos no futuro.
III. ANGOLA NO HEMISFÉRIO SUL
E NO ATLÂNTICO: UMA POTÊNCIA
EMERGENTE
Angola ocupa uma posição geopolítica singular. Com 1.246.700 km² e fronteiras com seis países, Angola é uma potência regional em formação. O seu litoral banha o Atlântico Sul ao longo de mais de 1.600 quilómetros, tornando-a um actor incontornável nas rotas marítimas que ligam a Europa, a África e as Américas.
O pensador camaronês Achille Mbembe, na sua obra Crítica da Razão Negra, argumenta que África deve ser compreendida não como periferia do sistema global, mas como “espaço de futuro.” Angola é, neste contexto, um microcosmo das promessas e dos desafios africanos: um país que superou décadas de guerra civil, que conheceu um crescimento económico acelerado e que se posiciona hoje como actor central na SADC e na União Africana. No quadro da segurança atlântica, Angola é membro fundador da Zona de Paz e Cooperação do Atlântico Sul (ZOPACAS) — um fórum que Portugal, enquanto membro da NATO com raízes atlânticas profundas, deveria explorar estrategicamente, aproveitando a sua relação privilegiada com Luanda para aprofundar a segurança cooperativa no Atlântico Sul.
IV. NO ESPAÇO LUSÓFONO E O
PAN-IBERISMO: UMA COMUNIDADE DE DESTINO
O filósofo Eduardo Lourenço, um dos maiores intérpretes da identidade portuguesa do século XX, escreveu que Portugal viveu sempre em tensão entre “a grandeza imaginária do seu passado e a modéstia da sua presença no presente.” A lusofonia, porém, é muito mais do que nostalgia imperial: é uma plataforma real, viva e em expansão, que reúne o Brasil, Angola, Moçambique, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe, Guiné-Bissau, Timor-Leste e a Guiné Equatorial numa comunidade civilizacional única.
No contexto do pan-iberismo contemporâneo — aqui entendido não como projecto hegemónico, mas como horizonte de convergência voluntária — Portugal e Espanha reconhecem cada vez mais que a cooperação ibérica potencia as suas capacidades individuais. Se a Ibéria olhar para os seus espaços lusófono e hispanofalante como extensões naturais da sua influência construtiva, estamos perante uma das maiores comunidades culturais e económicas do planeta, reunindo mais de 800 milhões de falantes.
V. O FUTURO QUE NOS UNE: UM ESPAÇO DE TODOS, UMA FORÇA COMUM
Vivemos um momento de profunda reconfiguração da ordem mundial. A hegemonia unipolar dos últimos trinta anos dissolve-se num sistema multipolar ainda em formação. Neste contexto de incerteza e redefinição, os espaços de identidade partilhada — linguística, cultural, histórica — adquirem um valor estratégico que transcende em muito o domínio do sentimento.
A língua portuguesa é hoje falada por mais de 260 milhões de pessoas em quatro continentes. A Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), fundada em 1996, une esta vasta constelação de nações. Angola, com a sua dimensão continental e o seu dinamismo económico, é um dos pilares desta comunidade — e a sua afirmação internacional é, inevitavelmente, uma afirmação da língua e da cultura que partilhamos.
O filósofo Jürgen Habermas defendeu ao longo de décadas que a “esfera pública transnacional” é o único antídoto eficaz contra o isolacionismo e o populismo. O espaço lusófono e ibérico pode ser precisamente esse laboratório: um lugar onde a cooperação multilateral se ancora em laços reais, onde a diferença é riqueza e onde o passado, mesmo quando doloroso, se transforma em capital de entendimento mútuo.
Angola e Portugal têm, neste horizonte, um papel insubstituível a desempenhar. Angola, como porta de entrada privilegiada na África austral e no Atlântico Sul; Portugal, como elo entre a Europa, a América Latina e a África lusófona. Juntos, com Espanha e com as nações hispanofalantes das Américas, formamos um espaço que pode afirmar-se com autoridade moral e capacidade real nos grandes fóruns internacionais: nas Nações Unidas, na OMC, nas negociações climáticas, na governança da inteligência artificial.
Como recordava o poeta e primeiro Presidente de Angola, Agostinho Neto, “a luta continua” — mas hoje, felizmente, a luta é outra: a de construir, de cooperar, de imaginar em conjunto um futuro que nos engrandeça a todos. Este espaço lusófono e ibérico é de todos nós. Nele nos podemos apoiar, nele nos podemos reconhecer — e, acima de tudo, nele podemos vencer, juntos, os desafios de um mundo que não espera pelos indecisos.•
ANGOLA
República de Angola
PERFIL DO PAÍS
O Gabinete de Informação Diplomática do Ministério dos Negócios Estrangeiros, União Europeia e Cooperação de Espanha disponibiliza aos profissionais dos meios de comunicação e ao público em geral a presente ficha de país. A informação contida nesta ficha é pública e foi extraída de diversas fontes, não defendendo qualquer posição política, nem deste Ministério nem do Governo de Espanha, relativamente ao país a que se refere.
1.DADOS BÁSICOS
1.1. Características gerais
Nome oficial: República de Angola.
Superfície: A superfície de Angola é de 1.246.700 km², com 1.650 km de costa atlântica e 4.837 km de fronteira terrestre. Angola é o sexto país em extensão de África. A extensão máxima no sentido Norte-Sul é de 1.277 km e no sentido Este-Oeste de 1.236 km.
Limites: Angola está situada na costa ocidental da África Austral, a 12º30’ Sul e 18º30’ Este. Faz fronteira a Norte e Nordeste com a República Democrática do Congo, a Sudeste com a Zâmbia e a Sul com a Namíbia. A Oeste possui uma costa de 1.650 km sobre o Oceano Atlântico. A Norte possui o enclave de Cabinda, situado entre os dois Congos e o oceano.
População: Segundo estimativas do Instituto Nacional de Estatística de Angola (INE), a população de Angola em 2021 é de 32.097.671 habitantes.
Capital: Luanda: 9.079.811 habitantes
Outras cidades:
Huíla: 3.185.244 habitantes (Fonte: Projeções INE Angola ’14 para 2022).
Huambo: 2.645.080 habitantes (Fonte: Projeções INE Angola ’14 para 2022).
Benguela-Lobito: 2.749.300 habitantes (Fonte: Projeções INE Angola ’14 para 2022).
Cuanza Sul: 2.370.936 habitantes (Fonte: Projeções INE Angola ’14 para 2022).
*Segundo estimativas do INE (2014), a população em 2022 será de 33.086.278 habitantes.
Idioma: A língua oficial é o português. Falam-se também mais de 40 línguas, maioritariamente de origem bantu, destacando-se o umbundu, kimbundu, kikongo, chokwe, mbunda, luvale, nhaneca, gangela e xikuanyama.
Religião: 90% da população é cristã, sendo 45% católicos e 45% cristãos não católicos.
Moeda: A unidade monetária é o kwanza.
Forma de Estado: República unitária presidencialista. Divisão administrativa: 18 províncias: Bengo, Benguela, Bié, Cabinda, Cuando-Cubango, Kwanza Norte, Kwanza Sul, Cunene, Huambo, Huíla, Luanda, Lunda Norte, Lunda Sul, Malanje, Moxico, Namibe, Uíge e Zaire. As províncias dividem-se em 164 municípios, subdivididos em comunas. Os bairros — tradicionalmente denominados musseques — e as povoações constituem as menores divisões administrativas nas cidades e no meio rural, respetivamente.
1.2. Geografia
Angola apresenta um clima tropical na parte Norte e desértico na parte Sul. O ponto mais alto do país é o Monte Moco (2.620 m), localizado na província do Huambo. Com um regime de chuvas privilegiado em relação ao resto do continente, os principais rios são o Kwanza, o Zaire, o Cunene e o Cubango.
1.3. Indicadores sociais
Densidade populacional: A densidade média é de 25,53 hab./km² (Fonte: INE Angola, ’14 para 2022), variando entre a aglomeração urbana de Luanda (9.079.811 habitantes) e a província de Bengo (497.721 habitantes). 63,44% da população vive em áreas urbanas. Rendimento per capita e Índice de Desenvolvimento
Humano: O rendimento per capita em Angola situa-se em 2022 nos 3.791 USD a preços correntes (Fonte: FMI, 2021). O Banco Mundial classifica o país como de “rendimento médio-baixo”.
Segundo dados do PNUD (2021), Angola ocupa a posição 148.º entre 187 países no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), sendo considerado um país de “baixo desenvolvimento humano”.
Coeficiente de Gini: 51,3 (Fonte: Banco Mundial, 2018).
guerra civil. Após esse período, entrou em crise em 2015, na pior recessão da sua história recente, da qual começa agora a recuperar.
Esta situação provocou escassez de reservas devido à queda das receitas do petróleo, limitando a capacidade de transferências externas. O resultado foi uma paralisação de quatro anos nos pagamentos internacionais, afetando o abastecimento essencial numa economia altamente dependente das importações.
Taxa de natalidade: 40,232 nascimentos por cada 1.000 habitantes (Fonte: Banco Mundial, 2019).
Taxa de fecundidade: 5,9 filhos por mulher (Fonte: CIA World Factbook, 2021).
Esperança de vida à nascença: 61,147 anos (Fonte: Banco Mundial, 2019).
1.4. Estrutura do PIB
Atualmente, Angola começa a sair da crise: após cinco anos consecutivos de crescimento negativo, em 2022 o PIB cresceu pelo segundo ano seguido (3%); a dívida pública reduziu-se significativamente (para cerca de 96% do PIB em 2021); a inflação começa a moderar (previsão de 23%); os problemas da balança de pagamentos diminuíram e a moeda nacional, após forte desvalorização, teve uma recuperação recente, retomando a tendência de depreciação. Entre os problemas estruturais com que o país se depara, o mais difícil de resolver a curto prazo é a ausência de indústria (o que o torna dependente das importações). Adicionalmente, o ranking “Doing Business” do Banco Mundial em 2020 coloca Angola na posição 177 entre 190 países.
PIB: Angola começa a sair de uma longa recessão de 5 anos, resultante da drástica queda dos preços do petróleo em 2014, que provocou uma redução das receitas fiscais de cerca de 70%. Após o programa de ajustamento macroeconómico do FMI (2018-2021), em 2021 retoma-se o crescimento económico (0,7%) e em 2022 o PIB cresce já 3%.
Angola é um país muito rico em recursos naturais (petróleo, diamantes, minerais, pesca, etc.), com uma economia típica de país em desenvolvimento, apresentando sérios problemas estruturais que o Governo atual tenta resolver. O país tem uma estrutura económica pouco diversificada e depende fortemente do petróleo (que representa cerca de 50% do PIB, 95% das exportações e 80% das receitas públicas), bem como das importações. O setor público é o principal agente económico e tem um impacto significativo no conjunto da economia. O custo de vida é muito elevado, especialmente na capital.
Apesar de um rendimento per capita superior a 3.500 USD, a distribuição da riqueza é desigual, com uma minoria muito rica e uma maioria a viver perto do limiar da pobreza. A classe média é pouco significativa.
Inflação: Nos últimos anos, o crescimento do IPC chegou aos 27%, embora em 2022 tenha moderado ligeiramente (23%). A política monetária apresenta um caráter moderadamente restritivo (o FMI recomenda maior rigor). O fator-chave tem sido a taxa de câmbio, que nos últimos anos pressionou em alta os preços.
Taxa de câmbio e reservas: O mercado cambial continua a funcionar de forma anómala e o acesso dos agentes económicos às reservas do país é limitado. Angola abandonou o regime de taxa de câmbio fixa (com bandas de 2% em relação ao euro) no final de 2018, o que levou a uma forte depreciação do kwanza. A partir de meados de 2021, a moeda começou a apreciar-se (até cerca de 45%), provavelmente devido a intervenção política associada às eleições de agosto. Atualmente, voltou à tendência de depreciação.
Balança de pagamentos: Nos últimos anos, a balança de pagamentos em conta corrente tem sido excedentária, graças ao superávit comercial gerado pelas exportações de petróleo. Por sua vez, a conta financeira é deficitária desde 2015, devido à reversão dos fluxos de investimento direto. A grave crise económica, aliada às dificuldades cambiais, levou à quase impossibilidade de efetuar pagamentos e transferir lucros para o exterior, o que provocou a saída massiva de empresas instaladas no país.
Em termos de crescimento económico, Angola foi uma das economias que mais cresceram no mundo entre 2002 e 2008, embora partisse de níveis muito baixos após a
O saldo da conta de operações oficiais tem sido negativo desde 2014 até à atualidade, embora a previsão para 2023 seja de aumento das reservas.
Dívida pública: A recuperação do preço do petróleo em 2021-2022 permitiu ao governo de Angola reduzir significativamente a dívida. Segundo o FMI, o endividamento caiu de 136,5% do PIB em 2020 para cerca de 52,5% previsto para o final deste ano. Em termos de distribuição dessa dívida entre credores residentes e não residentes, cerca de dois terços correspondem a dívida externa, enquanto o terço restante é dívida interna. Segundo o Banco Nacional de Angola, os principais credores são a China (43,5%), o Reino Unido (25,3%), organismos internacionais (12,3%) e Israel (4,4%).
2. SITUAÇÃO POLÍTICA
Política externa
Princípios fundamentais
A Constituição de 2010 prevê no seu artigo 12.º os princípios fundamentais da política externa nos seguintes termos:
A República de Angola respeita e aplica os princípios da Carta da Organização das Nações Unidas e da Carta da União Africana, estabelecendo relações de amizade e cooperação com todos os Estados e povos, com base nos seguintes princípios:
Breve referência às relações com os países vizinhos
Em termos geopolíticos, Angola procura desenvolver, na região da África Austral e Central, um papel preponderante, de primeiro nível, reconhecido a nível mundial, com base na sua posição geográfica e no seu potencial de crescimento económico.
Este objetivo assenta na abundância de recursos naturais e na força do seu exército, que permaneceu em situação de guerra durante os 27 anos de conflito civil (1975–2002). Esta estratégia traduz-se numa “realpolitik” quando Angola analisa a instabilidade dos países vizinhos, caracterizada por fronteiras permeáveis e crises de refugiados. Angola tem desempenhado um papel ativo de mediação em conflitos envolvendo Uganda e Ruanda, bem como na crise da República Democrática do Congo (RDC) e da República Centro-Africana (RCA).
Grandes Lagos e África Central
Angola tem impulsionado iniciativas diplomáticas que colocaram representantes angolanos à frente de organizações regionais, como a Conferência Internacional sobre a Região dos Grandes Lagos (CIRGL) e a Comunidade Económica dos Estados da África Central (CEEAC).
Com estas nomeações, Angola pretende orientar estas organizações no sentido da pacificação de conflitos na região.
– Respeito pela soberania e independência nacional;
– Igualdade entre os Estados;
– Direito dos povos à autodeterminação e à independência;
– Resolução pacífica de conflitos;
– Respeito pelos direitos humanos;
– Não ingerência nos assuntos internos de outros Estados;
– Reciprocidade de vantagens;
– Repúdio e combate ao terrorismo, narcotráfico, racismo, corrupção e tráfico de seres humanos e de órgãos humanos;
– Cooperação com todos os povos para a paz, justiça e progresso da humanidade;
– A República de Angola defende a abolição de todas as formas de colonialismo, agressão, opressão, domínio e exploração nas relações entre os povos.
A República de Angola empenha-se no reforço da identidade africana e no fortalecimento da ação dos Estados africanos em prol da valorização do património cultural dos povos africanos.
Angola e os dois Congos
Angola y la RDC comparten más de 2500 kilómetros de Angola e a RDC partilham mais de 2.500 km de fronteira. Angola teve um papel importante na resolução da crise política interna da RDC.
As relações entre os presidentes João Lourenço e Félix Tshisekedi são excelentes, facilitando a política de estabilização regional.
Com o Congo-Brazzaville, Angola mantém igualmente uma relação estreita, incluindo cooperação no âmbito da OPEP.
Sahel
Angola opõe-se firmemente ao terrorismo islâmico no Sahel e manifesta preocupação com a entrada de populações através das suas fronteiras porosas.
Utiliza a sua posição regional para atuar como mediador e agente estabilizador, tanto na ONU como na União Africana.
O Estado angolano não permite a instalação de bases militares estrangeiras no seu território, sem prejuízo da participação, no âmbito de organizações regionais ou internacionais, em forças de manutenção da paz e em sistemas de cooperação militar e de segurança coletiva.
Do mesmo modo, o artigo 13.º estabelece que o Direito Internacional geral ou comum, nos termos da Constituição, integra o ordenamento jurídico nacional.
Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP)
Angola assumiu em 2021 a presidência rotativa da CPLP, acolhendo a XIII Cimeira em Luanda.
Durante o seu mandato, Angola procura promover a mobilidade entre os países membros e reforçar a cooperação económica e empresarial.
Mantém relações especialmente próximas com Guiné-Bissau, Cabo Verde e São Tomé e Príncipe.
Ibero-América
Angola mantém relações estreitas com o Brasil e Cuba. O Brasil tem forte presença empresarial no país, enquanto a relação com Cuba é histórica, ligada ao apoio militar durante a guerra civil. Atualmente, cerca de 3.000 cubanos, sobretudo profissionais de saúde, trabalham em Angola.
Organismos internacionais Âmbito universal
Angola tornou-se membro da ONU em 1976 e participou no Conselho de Segurança como membro não permanente.
Integra várias organizações internacionais, como o FMI, Banco Mundial e Banco Africano de Desenvolvimento. É membro da OPEP desde 2007 e um dos principais produtores mundiais de diamantes.
Âmbito regional
Angola participa em várias organizações, incluindo:
– União Africana (UA)
– Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC)
– Comunidade Económica dos Estados da África Central (CEEAC)
– Comissão do Golfo da Guiné (CGG)
– CPLP e PALOP
– Conferência Internacional da Região dos Grandes Lagos (CIRGL)
Relações com a União Europeia
As relações entre Angola e a UE têm mais de 35 anos. Em 2012 foi assinado o acordo Joint Way Forward, que
reforça o diálogo político e a cooperação em áreas como segurança, economia, energia, ambiente e educação.
Desde 2014 realizaram-se várias cimeiras ministeriais entre ambas as partes.
3. RRELAÇÕES BILATERAIS COM ESPANHA
3.1. Diplomáticas
As relações diplomáticas entre Espanha e Angola foram estabelecidas em 1977.
Desde então, têm sido muito positivas, com acordos de cooperação e resolução da dívida angolana com Espanha.
Destacam-se várias visitas oficiais de alto nível, incluindo as de Pedro Sánchez e do Rei Felipe VI, que realizou em 2023 a sua primeira visita de Estado à África Subsaariana.
3.2. Económicas
Espanha tem uma boa imagem em Angola e os seus produtos são bem conhecidos.
Angola oferece oportunidades importantes para empresas espanholas devido aos seus recursos naturais e potencial económico.
Em 2021:
– Exportações espanholas: 140 milhões
– Importações: 625 milhões (principalmente petróleo, 96%)
Os principais produtos exportados incluem:
– Máquinas
– Veículos
– Material elétrico
– Papel e plástico.•
Cidade de Luanda, capital de Angola.
A
REAL ACADEMIA EUROPEIA DE
EUROPEIA CENTENÁRIA
Escreve Alfredo Rocafort. Presidente da Real Academia Europeia de Doutores.
1. INTRODUÇÃO
A Real Academia Europeia de Doutores (RAED) insere-se na tradição das instituições académicas europeias que, desde a consolidação da universidade moderna, têm desempenhado um papel essencial na ordenação, validação e projeção do conhecimento científico, técnico e humanístico. A sua existência responde a uma necessidade estrutural das sociedades avançadas: dispor de espaços estáveis de reflexão rigorosa capazes de integrar saberes especializados e orientá-los para a compreensão e melhoria da realidade. Neste enquadramento institucional, a Fundação Pro Real Academia Europeia de Doutores, constituída em 2018, atua como instrumento de apoio e projeção da atividade académica, facilitando o desenvolvimento de iniciativas científicas, culturais e formativas, bem como a articulação de projetos de alcance nacional e internacional. A sua função não é substitutiva, mas complementar, permitindo dotar a Academia de uma maior capacidade operativa e de projeção, especialmente em domínios relacionados com a transferência de conhecimento, a organização de atividades e a colaboração com outras instituições.
DOUTORES: INTEGRAÇÃO DO CONHECIMENTO DE UMA INSTITUIÇÃO
colaboração e afinidade com outras corporações académicas e espaços de pensamento relevantes, entre os quais se destaca a Academia de Diplomacia do Reino de Espanha. Esta relação evidencia a convergência entre o domínio do conhecimento científico e o da ação institucional e diplomática, reforçando a capacidade de ambas as entidades para contribuir, a partir das suas respetivas perspetivas, para a análise e compreensão dos processos internacionais contemporâneos, bem como para a articulação de espaços de diálogo em torno dos grandes desafios globais.
Nesta mesma lógica de projeção institucional, a Real Academia Europeia de Doutores mantém vínculos de
No contexto contemporâneo, esta função adquire uma relevância singular. A aceleração da mudança tecnológica, a crescente interdependência das economias, a complexidade dos sistemas organizacionais e a magnitude dos desafios globais transformaram profundamente as condições em que o conhecimento é gerado e aplicado. Neste cenário, a especialização disciplinar, embora imprescindível, revela-se insuficiente para abordar problemas que exigem abordagens integradas e uma compreensão sistémica dos fenómenos.
A RAED responde a esta exigência através de uma conceção do conhecimento que ultrapassa as fronteiras tradicionais entre disciplinas. O seu caráter multidisciplinar
Salão de Atos da Real Academia Europeia de Doutores.
não constitui apenas uma característica organizacional, mas um princípio estrutural que orienta a sua atividade. No seu seio convergem contributos provenientes das ciências experimentais, das ciências sociais, das humanidades, da engenharia, da medicina ou da economia, configurando um espaço de diálogo intelectual onde se articulam perspetivas diversas sobre questões de relevância científica e social.
Esta vocação integradora é complementada por uma clara orientação para a projeção social do conhecimento. A Academia não se limita à reflexão teórica, promovendo ativamente a transferência de saberes para o domínio institucional, económico e cultural. Deste modo, contribui para reforçar os vínculos entre o mundo académico e os espaços onde se tomam decisões que afetam o funcionamento das sociedades contemporâneas, posicionando-se como um interlocutor qualificado na análise dos processos de mudança.
Neste sentido, a RAED ocupa uma posição singular no ecossistema do conhecimento. A sua estrutura e funcionamento permitem ligar a produção científica à experiência profissional, gerando um ambiente onde a análise rigorosa se combina com uma compreensão direta dos problemas reais. Esta interação favorece o desenvolvimento de abordagens que possuem simultaneamente solidez teórica e relevância prática, permitindo superar a tradicional separação entre o domínio académico e o domínio aplicado.
A dimensão europeia da Academia reforça ainda mais esta capacidade. A incorporação de académicos provenientes de diferentes países e tradições intelectuais alarga o horizonte de análise e enriquece o debate científico. Num contexto em que os principais desafios — económicos, tecnológicos, ambientais ou institucionais — têm uma natureza transnacional, a articulação de espaços de reflexão à escala europeia adquire um valor estratégico, ao permitir a comparação de abordagens e a construção de quadros interpretativos mais amplos. Esta projeção internacional encontra uma expressão particularmente significativa na composição do seu corpo académico. A Real Academia Europeia de Doutores conta entre os seus Académicos de Honra com dezoito Prémios Nobel de diferentes disciplinas —Física, Química, Medicina, Economia e Paz— cuja participação nas atividades da instituição reforça a sua projeção global e a sua capacidade de se situar no núcleo do pensamento científico contemporâneo. Esta presença não se limita a um reconhecimento simbólico, traduzindo-se numa contribuição efetiva para o desenvolvimento de iniciativas académicas de alcance internacional, consolidando a RAED como um espaço de excelência intelectual. Numa perspetiva mais ampla, a RAED participa na consolidação de um modelo de conhecimento característico das sociedades avançadas, no qual a geração de ideias, o seu confronto crítico e a sua aplicação prática fazem parte de um processo contínuo. Neste modelo, as academias desempenham uma função insubstituível como garantes
do rigor intelectual e como fóruns de debate qualificado, capazes de articular a diversidade de saberes em torno de problemas complexos.
A atividade da Academia insere-se, assim, numa tradição que concebe o conhecimento como um fim em si mesmo e como um instrumento ao serviço do desenvolvimento social. Esta orientação implica assumir a responsabilidade de analisar em profundidade os processos que configuram a realidade contemporânea e de contribuir, a partir do domínio do pensamento, para a formulação de respostas fundamentadas, integrando dimensões científicas, económicas, jurídicas e sociais.
Em coerência com estes princípios, a Real Academia Europeia de Doutores configura-se como um espaço onde convergem excelência académica, pluralidade de abordagens e compromisso com a sociedade. A sua trajetória reflete a continuidade de uma tradição intelectual que, adaptando-se às transformações do contexto, mantém como eixo central a procura do conhecimento e a sua projeção em benefício do conjunto da sociedade.
2. ORIGEM E EVOLUÇÃO HISTÓRICA
DA RAED
A Real Academia Europeia de Doutores tem a sua origem em Barcelona no ano de 1914, num contexto histórico caracterizado pela consolidação das estruturas universitárias modernas e pela crescente institucionalização do conhecimento científico como fator determinante do progresso social e económico. A sua criação responde à iniciativa de um grupo de doutores que, para além das suas respetivas especializações, partilhavam a vontade de constituir um espaço estável de encontro intelectual orientado para a troca de ideias, a reflexão rigorosa e a projeção do conhecimento para além do âmbito estritamente universitário.
Com Mario Molina, Prémio Nobel da Química e Académico de Honra da RAED.
Nas suas primeiras etapas, a instituição adotou a forma de uma agrupação de doutores matriculados, estreitamente vinculada ao meio universitário. Esta origem reflete uma conceção do doutoramento não apenas como um grau académico, mas como uma condição que implica responsabilidade intelectual e compromisso ativo com a geração, transmissão e aplicação do conhecimento. A partir desta perspetiva, a Academia configurou-se desde o início como um espaço destinado a prolongar a atividade investigadora e reflexiva num enquadramento mais amplo do que o da universidade, favorecendo a continuidade do pensamento científico em diálogo com a realidade social. Ao longo das décadas, a instituição experimentou um processo de evolução progressiva que afetou tanto a sua denominação como a sua estrutura e funções. Este processo deve ser situado no contexto das profundas transformações políticas, sociais e académicas que marcaram o século XX em Espanha e na Europa. Num ambiente atravessado por períodos de instabilidade, mudanças de regime e reconfigurações do sistema universitário, a Academia soube manter a continuidade da sua atividade, adaptando-se às novas circunstâncias sem renunciar aos princípios que orientaram a sua fundação.
A transição de uma agrupação de doutores para uma academia plenamente consolidada representou uma mudança qualitativa na sua orientação. Este processo implicou uma progressiva formalização das suas estruturas, uma definição mais precisa dos seus objetivos e uma ampliação dos seus domínios de atuação. A instituição foi assim adquirindo um caráter mais próximo do das academias científicas tradicionais, ao mesmo tempo que preservava a sua característica distintiva: a integração de perfis diversos num mesmo espaço de reflexão.
solidou a sua posição institucional e reforçou a sua visibilidade no conjunto das corporações académicas. Este reconhecimento representou uma validação simbólica e a afirmação da Academia como uma entidade de referência nos domínios científico, técnico e cultural.
Durante a segunda metade do século XX, a RAED continuou a ampliar a sua base intelectual, incorporando especialistas de diferentes áreas do conhecimento e reforçando o seu caráter multidisciplinar. Este processo respondeu tanto ao desenvolvimento interno da instituição como à crescente complexidade do conhecimento científico, que tornava cada vez mais necessária a existência de espaços capazes de articular o diálogo entre disciplinas. Neste período, a Academia consolidou o seu papel como fórum de reflexão e como ponto de encontro entre ciência, sociedade e mundo profissional.
Um marco particularmente relevante nesta evolução foi o reconhecimento oficial do título de “Real”, que con-
A evolução mais significativa na história recente da instituição ocorre com a sua abertura ao espaço europeu, processo que culmina na adoção da sua atual denominação como Real Academia Europeia de Doutores. Esta mudança não deve ser interpretada apenas como uma ampliação geográfica, mas como uma transformação substancial na sua conceção e projeção. A dimensão europeia implica a adoção de um quadro de referência mais amplo, no qual os problemas analisados transcendem as fronteiras nacionais e exigem abordagens comparativas e integradas.
Esta projeção tem sido reforçada nas últimas décadas através da incorporação de académicos provenientes de diferentes países, o que permitiu integrar tradições
Ingresso na RAED dos Prémios Nobel Richard Schrock e Barry Barish.
Com Sua Majestade o Rei Juan Carlos, Rei Emérito de Espanha, nos Emirados Árabes.
intelectuais diversas e enriquecer o debate científico. A RAED evoluiu assim para um espaço de reflexão de alcance internacional, no qual convergem perspetivas heterogéneas sobre os grandes desafios contemporâneos. Neste processo de consolidação e abertura, iniciado em 2012, a instituição desenvolveu iniciativas orientadas para posicionar a RAED no centro dos debates académicos contemporâneos. Este processo foi acompanhado por uma modernização das suas estruturas e por uma adaptação aos novos formatos de produção e difusão do conhecimento. Um dos traços mais distintivos desta etapa foi a intensificação da sua atividade internacional, materializada na organização de congressos em diferentes países e na participação de figuras de elevado prestígio no domínio científico. A incorporação, como Académicos de Honra, de um número significativo de Prémios Nobel contribuiu para reforçar o prestígio da instituição e consolidar o seu posicionamento no âmbito do pensamento global. Paralelamente, a Academia tem vindo a desenvolver uma maior articulação com o meio social e económico, reforçando a sua função como espaço de mediação entre a reflexão teórica e a prática. Esta evolução traduziu-se numa crescente orientação para a transferência de conhecimento, bem como na participação em iniciativas que abordam questões de relevância estratégica em áreas como a economia, a tecnologia, a saúde ou a governação. No seu conjunto, a trajetória histórica da Real Academia Europeia de Doutores reflete um processo contínuo de adaptação, consolidação e expansão. Desde as suas origens como agrupação de doutores até à sua configuração atual como academia de dimensão europeia e internacional, a instituição soube evoluir em consonância com as transformações do contexto, mantendo simultaneamente a coerência do seu projeto intelectual. Esta evolução evidencia a capacidade das instituições académicas para se renovarem sem perder a sua identidade, integrando novas perspetivas e ampliando o seu alcance sem renunciar aos princípios que justificaram a sua criação. Neste sentido, a RAED constitui um exemplo significativo de continuidade e transformação no âmbito das organizações dedicadas ao conhecimento, combinando tradição académica e projeção contemporânea.
3. NATUREZA INSTITUCIONAL E FUNÇÕES
A Real Academia Europeia de Doutores configura-se como uma corporação de direito público que desenvolve funções de natureza científica, técnica e cultural orientadas para a promoção, elaboração e difusão do conhecimento. Esta natureza jurídica implica que, embora mantendo autonomia organizativa e funcional, a instituição participe na prossecução de fins de interesse geral, situando-se numa posição intermédia entre o domínio estritamente académico e o institucional.
atividade. A Academia não atua apenas como um fórum de intercâmbio intelectual entre especialistas, mas como um agente qualificado na produção de conhecimento relevante para a sociedade. A sua legitimidade assenta tanto na excelência académica dos seus membros como na sua capacidade de gerar análises rigorosas sobre questões de interesse coletivo, contribuindo para o debate público a partir de uma posição de independência intelectual. Um dos traços definidores da RAED é o seu caráter multidisciplinar. Ao contrário de outras corporações académicas estruturadas em torno de áreas específicas do conhecimento, a Academia integra especialistas provenientes de campos muito diversos, o que permite abordar os fenómenos a partir de uma perspetiva transversal. Esta pluralidade disciplinar não responde apenas a um critério de representatividade, mas a uma conceção do conhecimento que reconhece a interdependência entre as diferentes áreas do saber.
Neste enquadramento, a RAED atua como um espaço de articulação intelectual no qual convergem contributos provenientes das ciências experimentais, das ciências sociais, das humanidades, da engenharia, da medicina ou da economia. A interação entre estas perspetivas favorece a elaboração de análises mais completas, permitindo ultrapassar as limitações associadas a abordagens excessivamente fragmentadas e facilitando a construção de quadros interpretativos de natureza sistémica.
Este enquadramento não é meramente formal, determinando de forma direta o alcance e a orientação da sua
Do ponto de vista funcional, a atividade da Academia estrutura-se em torno de várias linhas fundamentais. Em primeiro lugar, destaca-se a sua função de promoção da investigação, entendida como geração de conhecimento original e como impulso à reflexão crítica sobre questões relevantes em diferentes domínios do saber. A RAED proporciona um ambiente no qual os académicos podem desenvolver e contrastar as suas contribuições num contexto de exigência intelectual, favorecendo a qualidade e a solidez dos resultados. Em segundo lugar, a instituição desempenha uma função essencial na difusão do conhecimento. Esta atividade
Com os irmãos Roca – 3 Estrelas Michelin – Académicos de Honra da RAED.
materializa-se através da organização contínua de sessões académicas, conferências, congressos e encontros científicos, que constituem o núcleo da sua atividade institucional. Estes espaços permitem a apresentação de trabalhos, bem como o seu contraste crítico através do debate, contribuindo para o aperfeiçoamento do conhecimento produzido e para a sua projeção junto da comunidade científica e da sociedade em geral.
A atividade editorial constitui outro dos pilares fundamentais da RAED. Através das suas publicações, entre as quais se destaca a revista científica Tribuna Plural, a Academia estabelece um canal estável para a difusão de trabalhos académicos e reflexões interdisciplinares. Estas publicações permitem estruturar o conhecimento produzido no seu seio, garantindo a sua acessibilidade, permanência e projeção para além do âmbito imediato da instituição. Outra dimensão relevante é a função consultiva que a Academia pode desempenhar. Enquanto corporação de direito público, a RAED está em condições de atuar como órgão consultivo em matérias relacionadas com os seus domínios de competência, fornecendo critérios fundamentados no conhecimento especializado e na experiência dos seus membros. Esta função reforça o seu papel como interlocutor qualificado na análise de questões que afetam o desenvolvimento económico, social e cultural. Paralelamente, a Academia desenvolve uma função essencial de integração e reconhecimento do talento académico e profissional. A seleção dos seus membros responde a critérios exigentes de excelência, trajetória e contribuição para o conhecimento, permitindo constituir uma comunidade intelectual de elevado nível. Esta comunidade não representa apenas um espaço de prestígio, mas também um ambiente de colaboração no qual se geram sinergias entre disciplinas e se favorece o desenvolvimento de projetos conjuntos. No que respeita à sua estrutura interna, a RAED organiza-se de forma a conjugar eficazmente a especialização com a interação interdisciplinar. Esta organização articu-
la-se em diferentes secções académicas que agrupam os seus membros em função das suas áreas de conhecimento — entre elas, de forma representativa, as ciências sociais e jurídicas, as ciências económicas e empresariais, as ciências da saúde, as ciências experimentais e tecnológicas, bem como as humanidades.
Longe de responder a uma lógica meramente classificatória, esta estrutura permite ordenar o conhecimento em torno de grandes domínios epistemológicos, mantendo simultaneamente a existência de espaços comuns de encontro que favorecem o diálogo transversal. Deste modo, as secções funcionam como unidades de especialização integradas num quadro institucional aberto, no qual a interação entre disciplinas é possível e constitutiva, facilitando a elaboração de abordagens sistémicas e a construção de conhecimento de maior alcance.
Com base nesta estrutura, a RAED articula também uma tipologia diferenciada de membros que responde a critérios de trajetória, vinculação e grau de participação na vida académica. Neste sentido, a instituição distingue entre Académicos de Número, que constituem o núcleo estável da corporação e participam de forma ativa e continuada nas suas atividades científicas e de governo; Académicos Correspondentes, vinculados à Academia pela sua relevância académica ou profissional, frequentemente em contextos geográficos diversos, contribuindo para a sua projeção nacional e internacional; e Académicos de Honra, distinção reservada a personalidades de extraordinário prestígio e reconhecimento, cuja incorporação reforça o posicionamento intelectual e a visibilidade global da instituição.
A estas categorias juntam-se outras figuras que podem corresponder a situações específicas no percurso académico, configurando no seu conjunto uma estrutura que combina exigência, abertura e reconhecimento do mérito, e que permite integrar perfis de elevado nível num enquadramento institucional coerente e dinâmico. Um aspeto particularmente relevante da sua natureza institucional é a sua orientação para a projeção social do conhecimento. A Academia não concebe a atividade científica como um exercício isolado, mas como uma prática ligada à realidade. Neste sentido, promove ativamente a transferência de conhecimento para o domínio empresarial, institucional e social, contribuindo para a melhoria dos processos de tomada de decisão e para a definição de respostas fundamentadas aos desafios contemporâneos.
Esta orientação traduz-se também numa atenção crescente a questões de particular relevância no contexto atual, como a transformação digital, a sustentabilidade, a inovação, a governação económica ou a evolução dos modelos organizacionais. A capacidade de abordar estes temas a partir de uma perspetiva multidisciplinar reforça a utilidade social da instituição e a sua capacidade para antecipar tendências e problemáticas emergentes.
Ao contrário de outras instituições académicas de caráter mais estritamente especializado, a RAED distingue-se pela sua capacidade de articular de forma eficaz a relação entre conhecimento científico, experiência profissional e proje-
Com o Presidente da Academia da Diplomacia, do Reino de Espanha, Santiago Velo de Antelo.
ção institucional. Esta tripla dimensão permite-lhe situar-se numa posição singular no ecossistema do conhecimento, atuando como um espaço no qual o saber é produzido e orientado para a sua aplicação em contextos reais. No seu conjunto, a natureza institucional da Real Academia Europeia de Doutores e as funções que desenvolve posicionam-na como um ator relevante no sistema do conhecimento contemporâneo. A sua capacidade de combinar rigor académico, diversidade disciplinar e orientação prática permite-lhe desempenhar um papel singular na articulação entre o pensamento científico e as necessidades da sociedade, consolidando-se como uma instituição de referência no âmbito europeu. Neste contexto, e em coerência com a sua vocação europeia, a Real Academia Europeia de Doutores considera prioritário reforçar o papel dos países da Península Ibérica — a República Portuguesa e o Reino de Espanha — no projeto comum europeu, não já em termos de integração — plenamente consolidada —, mas como um espaço de liderança ativa na geração de pensamento, na articulação de propostas e na definição dos grandes eixos de desenvolvimento científico, económico e cultural do continente. A partir desta perspetiva, a RAED promove uma visão na qual o espaço ibérico se configura como um polo de referência capaz de exercer uma influência significativa na evolução do sistema europeu do conhecimento.
4. A RAED COMO ESPAÇO DE INTEGRAÇÃO DO CONHECIMENTO
Um dos traços mais distintivos da Real Academia Europeia de Doutores é a sua função como espaço de integração do conhecimento num contexto caracterizado por uma crescente especialização disciplinar. O desenvolvimento da ciência moderna tem sido marcado por um processo contínuo de diferenciação das áreas do saber, que permitiu avanços significativos em domínios específicos, mas que, ao mesmo tempo, gerou uma fragmentação que dificulta a compreensão global de fenómenos complexos. Neste cenário, a RAED configura-se como uma instituição orientada para superar as limitações dessa fragmentação, não através da negação da especialização, mas por meio da sua articulação em quadros analíticos mais amplos. A sua estrutura e dinâmica favorecem a interação entre disciplinas que, noutros contextos, tendem a desenvolver-se de forma autónoma, permitindo estabelecer conexões que não são evidentes a partir de uma única perspetiva. A integração do conhecimento promovida pela Academia assenta numa conceção sistémica da realidade. Os fenómenos económicos, sociais, tecnológicos ou culturais não podem ser compreendidos como entidades isoladas, mas como componentes de sistemas complexos nos quais interagem múltiplas variáveis e níveis de análise. Esta complexidade exige abordagens capazes de combinar diferentes metodologias, linguagens e tradições científicas, superando os limites das perspetivas estritamente disciplinares.
A partir desta perspetiva, a interdisciplinaridade não é concebida como uma mera justaposição de contributos provenientes de diferentes áreas, mas como um processo de construção conjunta do conhecimento. A interação entre especialistas permite agregar perspetivas, questionar pressupostos implícitos, reformular problemas e desenvolver quadros conceptuais mais robustos. Este processo dá origem a uma forma de conhecimento que não pertence exclusivamente a nenhuma disciplina, mas que emerge da sua interseção.
A RAED facilita esta dinâmica através da sua própria configuração institucional. A coexistência de académicos provenientes de diferentes domínios gera um ambiente no qual o intercâmbio de ideias ocorre de forma natural, favorecendo o surgimento de abordagens transversais. Este tipo de interação revela-se particularmente valioso na análise de questões de elevada complexidade, como a transformação digital, a sustentabilidade, a governação global ou a evolução dos sistemas económicos contemporâneos. Neste contexto, a Academia atua como um espaço de convergência intelectual no qual se articulam diferentes níveis de conhecimento: desde o mais teórico, orientado para a formulação de modelos e conceitos, até ao mais aplicado, ligado à resolução de problemas concretos. Esta convergência permite gerar um tipo de conhecimento que combina profundidade analítica e relevância prática, superando a dicotomia tradicional entre teoria e aplicação. Um elemento central nesta função integradora é a capacidade da RAED para incorporar diferentes tradições científicas e culturais. A sua dimensão europeia introduz uma pluralidade de abordagens que enriquece o debate e amplia o horizonte de análise. A comparação entre distintos quadros conceptuais e metodológicos permite não só identificar convergências, mas também compreender as divergências como fonte de enriquecimento intelectual, favorecendo a construção de perspetivas mais complexas e matizadas.
Do mesmo modo, a integração do conhecimento é reforçada pela orientação da Academia para problemas reais. A interação entre disciplinas não ocorre de forma abstrata, mas em torno de questões concretas que exigem soluções fundamentadas. Esta abordagem evita o risco de uma interdisciplinaridade meramente formal e orienta o diálogo para a produção de contributos úteis, ligando a análise académica às necessidades da sociedade. Neste sentido, a RAED desempenha uma função que pode ser qualificada como estrutural no sistema do conhecimento: a de criar condições para a síntese intelectual. Num contexto marcado pela sobreabundância de informação e pela crescente complexidade dos problemas, a capacidade de integrar, interpretar e conferir coerência aos diferentes fragmentos do saber torna-se um elemento essencial. A Academia contribui para esta tarefa ao proporcionar um enquadramento no qual as diversas componentes do conhecimento podem ser articuladas num conjunto significativo.
Esta função adquire particular relevância no domínio das ciências sociais e económicas, onde os fenómenos anali-
sados estão sujeitos a múltiplos condicionantes e apresentam uma elevada interdependência. A interação entre economia, direito, sociologia, tecnologia ou gestão permite desenvolver análises mais completas e evitar reducionismos que podem conduzir a interpretações parciais ou simplificadas.
Ao mesmo tempo, a integração promovida pela RAED não implica a homogeneização do conhecimento, mas antes o reconhecimento da sua diversidade estrutural. A coexistência de diferentes abordagens, metodologias e tradições não é vista como uma limitação, mas como uma condição necessária para a compreensão da complexidade. Neste sentido, a Academia atua como um espaço no qual a pluralidade se converte num recurso epistemológico. Ao contrário de outras abordagens à interdisciplinaridade, frequentemente limitadas a colaborações pontuais ou à simples agregação de perspetivas, a RAED configura um modelo estável de integração baseado na continuidade do diálogo entre disciplinas. Esta continuidade permite a acumulação de conhecimento partilhado e a consolidação de quadros interpretativos que transcendem os contributos individuais, gerando uma cultura intelectual própria. Em última instância, a Real Academia Europeia de Doutores configura-se como um espaço no qual a integração do conhecimento não constitui um objetivo abstrato, mas uma prática efetiva que se materializa nas suas atividades, na composição da sua comunidade académica e na orientação dos seus trabalhos. Esta capacidade de articular saberes diversos constitui um dos elementos que explicam a sua relevância no contexto académico contemporâneo e a sua contribuição para o desenvolvimento de um conhecimento mais completo, rigoroso e socialmente útil.
5. ATIVIDADE CIENTÍFICA E PROJEÇÃO
SOCIAL
A atividade da Real Academia Europeia de Doutores articula-se em torno de um conjunto de iniciativas que refletem a sua dupla vocação: por um lado, a geração e difusão do conhecimento num quadro de rigor académico; por outro, a sua projeção para a sociedade enquanto instituição capaz de aportar valor na compreensão e resolução dos grandes desafios contemporâneos. No plano estritamente académico, a RAED desenvolve uma atividade contínua através da realização de sessões científicas nas quais os académicos apresentam investigações, reflexões teóricas e análises aplicadas. Estas sessões constituem um dos núcleos fundamentais da vida institucional, ao permitirem o confronto crítico de ideias num ambiente caracterizado pela exigência intelectual e pela pluralidade de perspetivas. A sua dinâmica favorece a difusão do conhecimento e o seu aperfeiçoamento através do debate, contribuindo para a consolidação de contributos com elevado nível de rigor.
bito nacional e internacional que permitem situar a sua ação no contexto dos grandes debates contemporâneos. Entre estas iniciativas destacam-se os Congressos Europeus de Investigações Interdisciplinares, concebidos como espaços de encontro entre cientistas, académicos e profissionais de diferentes áreas. Estes congressos, realizados em diversos países europeus, contaram com a participação de especialistas de elevado prestígio, incluindo vários Prémios Nobel, consolidando-se como fóruns de reflexão sobre a evolução da ciência, da economia e da sociedade no século XXI.
No plano internacional, a Real Academia Europeia de Doutores desenvolveu uma sequência contínua de atos académicos que refletem a sua progressiva consolidação como espaço de reflexão científica de alcance global.
O I Ato Internacional, realizado em Barcelona em 2014 sob o lema Tomada de decisões globais, marcou o início da sua projeção internacional contemporânea. O II Ato Internacional, celebrado no México em 2015, consolidou a dimensão ibero-americana da instituição e reforçou vínculos académicos duradouros entre a Europa e a América Latina.
O III Ato Internacional, desenvolvido nos Países Bálticos em 2017 em colaboração com a Real Academia Sueca de Ciências, aprofundou a análise da evolução da ciência no século XXI. O IV Ato Internacional, realizado em Roma em 2018 na Pontifícia Academia das Ciências, reafirmou a ligação entre ciência, ética e humanismo. O V Ato Internacional, em Budapeste em 2019, abordou o debate sobre a Europa dos cidadãos face à Europa dos Estados. Após o interregno imposto pela pandemia, o VI Ato Internacional, realizado nas Ilhas Galápagos em 2022, culminou na formulação do Manifesto em defesa dos oceanos. O VII Ato Internacional, celebrado em 2024 na Biblioteca de Alexandria sob o lema Ciência e civilização: um diálogo milenar, valorizou a relação entre conhecimento e tradição cultural. O VIII Ato Internacional, em 2025 nos Emirados Árabes Unidos, aprofundou os grandes desafios tecnológicos e geopolíticos do século XXI. Nesse mesmo ano, o IX Encontro Académico Internacional, realizado em Las Palmas de Gran Canaria, reforçou a dimensão euro-atlântica da reflexão académica da instituição.
Paralelamente a esta atividade regular, a Academia organiza congressos, encontros e eventos académicos de âm-
Nesta mesma linha de continuidade, em março de 2026 realizou-se o X Ato Internacional ao longo do rio Reno, concebido como um percurso intelectual pelo coração da Europa no qual tradição e vanguarda dialogaram em torno dos grandes desafios do presente. Neste contexto, a colaboração com a Universidade Alemã do Desporto de Colónia introduziu uma dimensão académica e institucional particularmente relevante, reforçando o caráter interdisciplinar do encontro e a sua ligação a áreas como a ciência, a saúde e a inovação.
Posteriormente, no mesmo ano, terá lugar em Guanajuato (México) o XI Ato Internacional, em colaboração com a Universidade Humani Mundial, sob o lema Ponto de encontro: onde as ideias convergem, consolidando novamente o espaço ibero-americano como eixo estratégico de
cooperação académica entre a Europa e a América Latina. Esta dupla dimensão, nacional e internacional, evidencia a capacidade da RAED para sustentar ao longo do tempo uma atividade científica estruturada, territorialmente diversificada e orientada para a geração de conhecimento relevante em contextos globais.
A atividade editorial constitui outro eixo essencial do seu funcionamento. Através das suas publicações, e em particular da revista científica Tribuna Plural, a RAED canaliza a difusão estruturada do conhecimento produzido no seu seio. Estas publicações reúnem tanto contributos individuais como trabalhos coletivos e resultados de debates interdisciplinares, conferindo-lhes um valor acrescentado em termos de integração do conhecimento. A sua orientação combina rigor académico com vocação de abertura, facilitando o acesso a conteúdos de qualidade a um público alargado sem abdicar da exigência científica. Neste domínio editorial, a Real Academia Europeia de Doutores desenvolveu igualmente uma coleção institucional de grande relevância, que reúne já mais de duas centenas de publicações. Estas obras recolhem os contributos individuais dos académicos nos seus respetivos domínios de especialização, configurando um corpus intelectual que reflete tanto a diversidade disciplinar da instituição como o elevado nível de excelência dos seus membros. Longe de constituir uma mera agregação de trabalhos, esta coleção articula-se como uma expressão estruturada do conhecimento gerado no seio da Acade-
mia, permitindo projetar para a comunidade científica e para a sociedade uma síntese rigorosa das principais linhas de pensamento que a atravessam. Um traço particularmente significativo da atividade da Academia reside na sua capacidade de estruturar espaços de reflexão em torno dos grandes desafios contemporâneos. Neste contexto, o programa Retos Vitales para una nueva era constitui uma das suas iniciativas mais consolidadas e de maior alcance, ao articular um ambiente de pensamento interdisciplinar orientado para a análise dos processos de transformação que atravessam as sociedades atuais. Neste âmbito, académicos, ex-chefes de Estado, Prémios Nobel, empresários e responsáveis políticos, entre outros especialistas de elevado nível, contribuem através da elaboração de estudos e artigos que, no seu conjunto, dão origem a uma publicação anual de referência. Através deste programa, a RAED desenvolveu uma linha de trabalho contínua na qual convergem contributos provenientes de diferentes áreas do saber — desde as ciências experimentais até às ciências sociais e às humanidades — abordando questões-chave como a transformação digital, a sustentabilidade, a saúde, a educação ou a governação global. Esta abordagem permite não só analisar a complexidade dos fenómenos contemporâneos, mas também avançar na formulação de respostas fundamentadas a partir de uma perspetiva integradora.
A evolução do projeto estrutura-se numa sequência de edições que evidenciam uma progressiva densificação
Sede da Real Academia Europeia de Doutores em Barcelona.
Academia da Diplomacia, do Reino de Espanha. Corpo Consular de Barcelona. Fundação Universitária Iberoamericana (FUNIBER). Real Academia Europeia de Doutores (RAED).
do em transformação. Esta nova edição orienta-se para analisar, a partir de uma perspetiva rigorosamente interdisciplinar, o impacto das tecnologias emergentes sobre os fundamentos éticos, culturais e sociais das nossas sociedades, com o objetivo de contribuir para a construção de um quadro conceptual que permita integrar o progresso tecnológico com os valores próprios do humanismo. No seu conjunto, o programa Retos Vitales configura-se assim como uma plataforma estável de pensamento estratégico, na qual a RAED não só analisa os grandes desafios do nosso tempo, como também contribui ativamente para a construção de quadros interpretativos e propostas
orientadas para a ação.
conceptual e uma ampliação sustentada do seu alcance analítico.
Retos Vitales 2021 estabeleceu as bases meto-
Retos Vitales 2022
Retos Vitales 2023 cen-
dológicas de uma abordagem sistémica orientada para o estudo dos grandes desafios globais; aprofundou a análise dos efeitos estruturais das transformações sanitárias e tecnológicas; e trou-se na reconfiguração do poder num contexto marcado por crescente incerteza.
Este percurso atinge um ponto de especial relevância em Retos Vitales 2024 mensão interdisciplinar do projeto, integrando de forma madura e coerente diferentes perspetivas, adquirindo ainda um caráter singular no contexto do 110.º aniversário da instituição. Nesta edição, a obra materializa-se em dois volumes que, no seu conjunto, ultrapassam as duas mil páginas e reúnem 110 contributos de especialistas de elevado nível, configurando-se como uma síntese ambiciosa e representativa do pensamento académico contemporâneo sobre os grandes desafios do nosso tempo.
o meio académico e outros contextos de decisão. A inte-
A projeção social da RAED manifesta-se igualmente na sua capacidade de atuar como espaço de mediação entre o meio académico e outros contextos de decisão. A interação com o mundo empresarial, institucional e profissional permite transferir os resultados da reflexão académica para contextos nos quais podem contribuir de forma efetiva para a tomada de decisões. Esta função de transferência não se limita à difusão de conteúdos, implicando também a geração de quadros interpretativos e propostas
nal permite transferir os resultados da reflexão académica aplicáveis na prática.
Neste sentido, a Academia afirma-se como um interlocutor qualificado na análise de questões que afetam o desenvolvimento económico e social. O seu caráter independente e a diversidade de perfis que compõem a sua comunidade académica permitem abordar os problemas a partir de uma perspetiva plural, evitando reducionismos e favorecendo a
vimento económico e social. O seu caráter independente elaboração de diagnósticos mais completos.
A adaptação às transformações nos formatos de comunicação constitui igualmente um elemento-chave na evolução recente da RAED. A incorporação de ferramentas digitais, a realização de atividades em formato híbrido e a ampliação dos canais de difusão permitiram alargar o alcance das suas iniciativas e facilitar o acesso ao conhecimento produzido. Esta capacidade de adaptação revela-se essencial num contexto em que a produção e circulação do conhecimento ocorre em ambientes cada
num
vez mais dinâmicos.
Em linha de continuidade, Horizontes da Europa: chaves para o futuro análise nos desafios estratégicos do continente europeu num contexto de transformação global. Por sua vez, tos Vitales 2026 der, tecnologia e sociedade arquitetura global do poder, a emergência de novos atores e a necessidade de uma ética da responsabilidade capaz de orientar a governação do século XXI.
Retos Vitales 2025, sob o título , centrou a sua Re, intitulado Geopolíticas da mudança. Po, aprofunda a transformação da
Em continuidade com esta trajetória, a Academia encontra-se já a trabalhar na edição de Retos Vitales 2027, sob o título Humanismo digital: pensamento e valores num mun-
No seu conjunto, a atividade científica da Real Academia Europeia de Doutores e a sua projeção social evidenciam uma conceção do conhecimento que ultrapassa o âmbito académico em sentido estrito. A combinação de rigor, interdisciplinaridade e orientação prática permite à instituição desempenhar um papel relevante na análise dos processos contemporâneos e na formulação de propostas
uma conceção do conhecimento que ultrapassa o âmbifundamentadas.
Esta capacidade de articular produção intelectual e projeção social constitui um dos elementos que explicam a continuidade e a relevância da RAED no panorama académico europeu. Num contexto marcado pela complexidade e pela incerteza, a Academia consolida-se como um espaço no qual o conhecimento é produzido e projetado ativamente para a sociedade, contribuindo para a construção de respostas fundamentadas aos desafios do presente e do futuro.•
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