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Decorar - 170

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Em espaços compactos, o morar bem se revela na inteligência do projeto. Com soluções que valorizam cada ambiente, o projeto deste apartamento cria uma convivência fluida, funcional e sofisticada, ampliando a percepção de espaço. Assinado pela Arquitetando, comprova que morar bem vai muito além da metragem: está na qualidade de um projeto pensado em cada detalhe.

@dimare.arquitetando @marel.gabrielmonteiro


anún UD H


ncio HOUSE


SUMÁRIO

arquitetura |

Cilene Lupi

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32

34

evento |

55 56 57

Trigo Arquitetura

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C

M

Y

CM

MY

CY

CMY

K

decorar + |

58

decorar + |

60

conheça |

62

GRBX Arquitetos

45

Bruno Borges

48

Giovanna Renzetti

CILENE LUPI | 14

decorar + |

decorar + |

DW! 15 anos coluna |

53

Márcia Holland

Elettromec

Júlio Dantès

exposição |

coluna |

38

design de interiores |

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Retail Design Lab

Studio KP Arquitetura entrevista |

decorar + |

Expo Revestir 2026

Daniele Lauria reforma |

50

Ana Serra

Semana de Design de Milão coluna |

opinião |

Patrícia Penna

Design em foco exposição |

49

Simone Saccab

23

design |

decorar + |

STUDIO KP ARQUITETURA | 34

JÚLIO DANTÈS | 40


CONEXÕES CRIATIVAS Cada edição da Decorar nasce de encontros. Entre profissionais, ideias, projetos e histórias que revelam como a arquitetura e o design continuam transformando a maneira como vivemos e nos relacionamos com os espaços. É justamente esse olhar que guia a edição 170. Nossa matéria de capa apresenta um projeto de Cilene Lupi em que um elemento estrutural, antes visto como um desafio, torna-se o grande protagonista da residência. Um exemplo de como a arquitetura é capaz de transformar limitações em oportunidades e criar ambientes que valorizam a convivência. Essa sensibilidade também aparece nos demais projetos desta edição. O Studio KP Arquitetura explora a integração entre arte, natureza e funcionalidade para construir um refúgio urbano acolhedor, enquanto Júlio Dantès demonstra como a arquitetura pode traduzir emoções e acompanhar novos ciclos de vida por meio de espaços afetivos. Também revisitamos os principais acontecimentos que marcaram o design em 2026. A DW! Semana de Design de São Paulo celebrou seus 15 anos reafirmando a força da criatividade brasileira, enquanto a Expo Revestir apresentou as principais inovações em materiais, superfícies e tecnologias para a arquitetura. Neste ano, tive ainda a oportunidade de acompanhar de perto a Semana de Design de Milão, experiência que reforçou uma percepção cada vez mais evidente: o design contemporâneo vai além dos objetos e busca criar experiências, despertar emoções e construir narrativas. Nas páginas seguintes, convidamos você a percorrer diferentes formas de pensar o morar, por meio de projetos, ideias e experiências que revelam a arquitetura como expressão da vida, da cultura e do tempo em que vivemos.

expediente 170 direção geral | publisher Sandra Leise Minchillo sandra@cidad3.com.br editor Attos Henrique jornalismo@cidad3.com.br diretor de arte e diagramação Pedro Candaten arte@cidad3.com.br marketing Jonas Ferreira marketing@cidad3.com.br comercial Sandra Leise sandra@cidad3.com.br

Sugestões de pautas jornalismo@cidad3.com.br Colaboradores Alejandro Ramírez Orozco Dan Hildo Daniela Magario Daniele Lauria Danilo Pasquarelli Marangão Derek Fernandes Evelyn Müller Favaro Jr Gael Oliveira Giovanna Renzetti JP Image Márcia Holland MCA Estúdio Phoética Piergiorgio Sorgetti Raphael Briest Renan Torres Renata Caro Robson Figueiredo Saverio Lombardi Takumi Ota

Boa leitura! Attos Henrique | @attosss

de•cor•ar é uma publicação de Cidad3

www.revistadecorar.com.br facebook.com/revistadecorar @revistadecorar TV Decorar

Não é permitida a reprodução total ou parcial das matérias publicadas nesta revista sem a expressa autorização do Cidad3.


MANÁ MÓVEIS O design como expressão da essência Entre matéria e forma, nasce um design que valoriza o modo como vivemos os espaços. Na Maná Móveis, cada criação parte do encontro entre técnica, sensibilidade e propósito. A escolha criteriosa dos materiais, a precisão dos traços e a atenção ao processo dão origem a peças que conciliam sofisticação, conforto e permanência. Sob a direção de Crystiano Brunner, a marca consolidou uma identidade marcada pelo equilíbrio entre o fazer artesanal e a linguagem contemporânea, resultando em um mobiliário de personalidade discreta e acabamento impecável.

"Mais do que acompanhar tendências, a Maná Móveis constrói uma trajetória baseada na autoria, na consistência e na busca permanente pela qualidade em cada coleção." Especialista em mobiliário para área externa, a Maná desenvolve peças que aproximam arquitetura, paisagismo e design. Soluções concebidas para integrar ambientes internos e externos com naturalidade, aliando desempenho técnico a uma estética elegante e acolhedora.

Essa trajetória ganha novas interpretações por meio de colaborações com importantes nomes da arquitetura e do design. Entre eles está Júlio Dantès, cuja assinatura se destaca pela fluidez das formas e pela elegância de suas proporções. Para a Maná, Júlio assina a Poltrona Áurea, uma peça que traduz esse encontro entre conforto e expressão formal. Suas linhas envolventes acolhem com naturalidade, enquanto a estrutura revela equilíbrio, leveza e rigor construtivo. Uma criação que convida à permanência e evidencia o design como parte da experiência cotidiana. Fiel à sua essência, a Maná Móveis segue ampliando seu repertório por meio de coleções que valorizam a qualidade, a autoria e a relação duradoura entre as pessoas e os espaços que habitam.

(31) 99626 6645

@moveismana

www.moveismana.com.br


COLUNISTAS

DANIELE LAURIA

GIOVANNA RENZETTI

MÁRCIA HOLLAND

Formado em Planejamento Urbano pela

Arquiteta e Urbanista pela Pontifícia

Formada

Faculdade de Arquitetura de Florença,

Universidade

Paraná

Urbanismo, Márcia Holland é mestre

Daniele Lauria iniciou sua carreira na

(PUCPR), Giovanna Renzetti é mestre

e doutora na área de cores, com

equipe de Renzo Piano, participando

em Arquitetura e Urbanismo pela UEM/

especializações

da restauração do complexo Le Murate.

UEL e doutoranda pela Universidade

metodologias de projeto e Inteligência

Em 1999, fundou seu próprio escritório

Presbiteriana Mackenzie. Atualmente,

Artificial

e, no ano seguinte, expôs seu trabalho

realiza estágio de pesquisa no ISCTE

realizou programas de aperfeiçoamento

na Bienal de Arquitetura de Veneza.

– Instituto Universitário de Lisboa,

nas universidades de Harvard, Montreal,

Especialista em restauração, retrofit

com bolsa CAPES. Integra o grupo de

Salamanca e SUNY-NY, aprofundando

e desenvolvimento sustentável, atua

pesquisa Arquitetura: Projeto, Pesquisa e

seus estudos sobre cor e percepção.

internacionalmente

Ensino e participa do projeto Patrimônio

Membro do Color Marketing Group

projetos de preservação do patrimônio

Moderno

legado

(CMG USA), atua como consultora

arquitetônico. Ao longo da carreira,

histórico e salvaguarda contemporânea,

para empresas de diversos setores

colaborou com nomes como Renzo

apoiado pelo CNPq.

produtivos. Professora universitária há

Piano,

Leonardo

Friedman,

Kengo

Doshi

o

e

Architects.

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e

desenvolve

Benevolo, Kuma,

escritório

Yona

Balkrishna

Zaha

Hadid

Católica

do

Ibero-Americano:

em

pela

Artes,

em

Arquitetura

e

neurociência,

UNICAMP.

Também

mais de 40 anos, atualmente é diretora de pesquisa do Portal de Tendências.


arquitetura | Cilene Lupi | Cilene Lupi

A FORMA DO ENCONTRO NESTE APARTAMENTO DE 500 M², A ARQUITETURA ENCONTRA NO ELEMENTO MAIS IMPROVÁVEL SEU PRINCIPAL PROTAGONISTA. A PARTIR DELE, CILENE LUPI CONSTRÓI UMA CASA ONDE FORMA, ACOLHIMENTO E CONVIVÊNCIA CAMINHAM LADO A LADO

Materiais naturais, formas orgânicas e uma composição de tons neutros definem o living, onde a arquitetura assume o protagonismo e a decoração aparece de forma sutil, valorizando a textura das superfícies e a amplitude do espaço

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D

urante mais de 30 anos, este apartamento, localizado no bairro paulistano Jardim Anália Franco, permaneceu intacto, sem jamais ter sido habitado. A planta preservava características típicas de outra época, marcada por ambientes compartimentados, circulação fragmentada e soluções que já não dialogavam com a forma contemporânea de morar. Coube à arquiteta Cilene Lupi reinterpretar essa arquitetura. O ponto de

arquitetura | Cilene Lupi partida surgiu justamente do elemento mais desafiador da residência: um pilar estrutural cilíndrico de aproximadamente 2,50 metros de diâmetro, instalado entre a sala e a varanda. Em vez de escondê-lo, o projeto reconhece sua presença e a transforma na principal identidade da casa. A estrutura abriga uma adega circular em seu interior e recebe, ao redor, um bar curvo, uma lareira e um banco

de contemplação. A composição valoriza sua geometria original e faz dela o centro simbólico da residência, um lugar dedicado aos encontros, às conversas e às celebrações. A partir desse núcleo, living, jantar, varanda gourmet e cozinha passam a compartilhar o mesmo campo visual, ampliando a percepção espacial e fortalecendo a convivência cotidiana. A cliente desejava que a própria arquitetura assumisse o protagonismo, sem excesso de adornos ou objetos decorativos. A materialidade reforça essa intenção. Porcelanatos de grandes formatos estabelecem continuidade entre os ambientes, enquanto pedra moledo, superfícies amadeiradas, revestimentos naturais e uma jardineira com irrigação automatizada acrescentam textura e acolhimento. A iluminação valoriza volumes e materiais sem competir com a arquitetura. A reorganização da planta também recupera áreas antes subutilizadas. Antigos corredores cedem espaço a uma ampla sala de almoço integrada à cozinha clássica, onde pinturas inspiradas em ervas estabelecem um contraponto delicado à linguagem contemporânea predominante no apartamento. Cada ambiente responde aos hábitos da família, em uma composição que privilegia conforto e permanência. A paleta reúne bases neutras, tons terrosos e nuances de verde, combinação recorrente no repertório de Cilene Lupi. A única obra de arte da residência, assinada por Silvana Monteiro, surge como um ponto de pausa em um projeto que atribui à arquitetura o papel principal. Concluído após quatro meses de projeto e um ano de obra, o apartamento demonstra que a potência de uma intervenção nem sempre reside na eliminação das restrições existentes, mas na capacidade de transformar aquilo que já faz parte da construção em identidade.

Fotos: Rafael Renzo

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arquitetura | Cilene Lupi

A varanda amplia a área de convivência e reforça o diálogo entre arquitetura e natureza. A jardineira contínua, a marcenaria curva e a presença da madeira criam uma atmosfera serena e acolhedora

O pilar revestido em madeira ripada, executado pela Mada Marcenaria, abriga adega circular e um bar que organiza a área social e estabelece o ponto de encontro da residência

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arquitetura | Cilene Lupi

Integrado ao living, o espaço gourmet privilegia a convivência por meio de uma linguagem marcada por superfícies contínuas, marcenaria em madeira natural e uma paleta de tons acolhedores

O antigo pilar estrutural, antes um desafio da planta, tornou-se o protagonista do projeto. O volume cilíndrico incorpora um banco de contemplação e uma lareira, transformando um elemento estrutural em uma peça arquitetônica multifuncional que conecta os ambientes

Fotos: Rafael Renzo

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No espaço gourmet, o revestimento em tom terroso contrasta com a marcenaria ripada e o inox dos equipamentos, enquanto a ilha central reúne preparo e convívio em um só gesto

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Rua General Jardim, 808 cj 304, São Paulo @cordaodecor 11 91978-3971 | 11 91230-9565 19


arquitetura | Cilene Lupi

A sala de almoço ganhou banco contínuo emoldurado por pinturas inspiradas em ervas, que introduzem um traço artesanal em meio à linguagem predominante no apartamento

Entre a copa e a cozinha, um aparador em madeira natural organiza o dia a dia da família, enquanto portas de vidro canelado e retratos afetivos dão um tom pessoal ao ambiente

Fotos: Rafael Renzo

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A cozinha clássica reúne marcenaria branca, ferragens douradas e bancadas em pedra, compondo uma linguagem própria que dialoga, por contraste, com o restante do apartamento

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arquitetura | Cilene Lupi

A suíte master ganhou banheira de hidromassagem emoldurada por bambus naturais, que filtram a vista da cidade e aproximam arquitetura e natureza

No quarto, a marcenaria curva em madeira e laca branca acompanha o desenho do ambiente, enquanto a mesa de cabeceira escultural e a iluminação pontual compõem um cenário voltado ao descanso

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DESIGN EM FOCO

design | lançamentos

A SP-Arte 2026 reafirmou a força do design autoral brasileiro ao reunir lançamentos que evidenciam a diversidade da produção contemporânea. Nossa seleção destaca criações marcadas pela pesquisa formal, pela inovação e pela valorização dos materiais. Confira!

ESCALA EMOCIONAL

Foto: Cacá Bratke

Assinada por Erik Bonissato, a Coleção Monumental reúne sofá, luminárias, mesas e assentos que exploram a relação entre mobiliário e arquitetura. Com volumes marcantes e caráter escultórico, os móveis foram concebidos para assumir protagonismo nos ambientes, valorizando conceitos como perenidade, escala emocional e identidade. Entre os destaques estão o sofá Monumento e a luminária de piso Vinco, que sintetizam a linguagem expressiva da coleção.

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design | lançamentos

ESCULTURAS LUMINOSAS As luminárias da coleção Fractais, de Gustavo Neves, buscam inspiração nos padrões geométricos encontrados na natureza. Produzidas em bronze, cristal de rocha e vidro soprado artesanal, evocam referências orgânicas e transformam a luz em expressão artística.

ELEGÂNCIA NATURAL Inspirada no florescimento do jasmim, a coleção Jasmine, da Tidelli, combina linhas orgânicas e elegância em criações assinadas pelos designers italianos Valerio Sommella e Simone Bonanni. A novidade marca a estreia das cordas bouclé desenvolvidas pela marca e reforça o diálogo entre inovação e artesania.

VOLUME ACOLHEDOR A poltrona Piranga, assinada por Ricardo Van Steen para a Folio, destaca-se pelo volume arredondado e pelas camadas de tecido enrugado que conferem textura e profundidade visual. Com estética envolvente, une personalidade e conforto e acolhe o corpo com suavidade.

Foto: Divulgação

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design | lançamentos

FORMAS EMPILHADAS A mesa Jejo, assinada por Lucas Dualde e Pali Cornelsen, combina tampo circular em madeira maciça ebanizada com base formada por troncos empilhados e pintados à mão. O móvel sintetiza a pesquisa da dupla sobre estrutura, matéria e construção, destacando a expressividade dos materiais e do fazer manual.

POÉTICA DA MATÉRIA A mesa de centro Vértice integra a série Sobrepor, primeira colaboração entre Domingos Tótora e Gabriel De La Cruz. O móvel traduz o conceito central da coleção ao explorar camadas sobrepostas e uma configuração que nasce da própria matéria. Produzida a partir da pesquisa de Tótora com papelão reciclado, terra e água, evidencia texturas, irregularidades e marcas do processo produtivo.

DESENHO SONORO Inspirada na clave de sol, a cadeira Clave, de Marina Moreira, transforma um gesto contínuo em uma criação de linhas fluidas e sofisticadas. Produzida em latão e alumínio fundidos, a peça explora o contraste entre o acabamento preto brilhante e o metal polido.

Foto: Divulgação

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exposição | Semana de Design de Milão | por Attos Henrique

MILÃO 2026: O DESIGN ALÉM DO OBJETO ENTRE INSTALAÇÕES IMERSIVAS, MODA, DESIGN COLECIONÁVEL E A FORTE PRESENÇA BRASILEIRA, A SEMANA DE DESIGN DE MILÃO CONFIRMOU NESTE ANO UMA MUDANÇA DE PARADIGMA: O DESIGN CONTEMPORÂNEO BUSCA CRIAR EXPERIÊNCIAS, DESPERTAR EMOÇÕES E CONSTRUIR NARRATIVAS CAPAZES DE CONECTAR PESSOAS, ESPAÇOS E CULTURA

Nilufar Grand Hotel, uma das instalações mais comentadas do Fuorisalone 2026, transformou o Nilufar Depot em um hotel imaginário onde peças vintage, design contemporâneo e obras colecionáveis se unem em ambientes cenográficos que exploram a hospitalidade como experiência cultural Fotos: Alejandro Ramírez Orozco

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exposição | Semana de Design de Milão | por Attos Henrique

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Semana de Design de Milão 2026 reafirmou sua posição como o principal termômetro do design mundial, mas talvez a palavra que melhor define esta edição seja transformação. A cidade italiana se consolidou como um grande laboratório criativo onde arquitetura, arte, moda, tecnologia e hospitalidade se encontram para discutir novos modos de viver e habitar. Ao longo de uma semana, palácios, hotéis, showrooms e antigos espaços industriais foram convertidos em cenários para experiências imersivas que exploravam temas como memória, sustentabilidade, artesanato, bem-estar e identidade cultural. O design apareceu menos como produto e mais como narrativa. Menos preocupado em impressionar e mais voltado a provocar emoções e construir significado. Essa mudança ficou evidente em praticamente todos os circuitos da cidade. Do Fuorisalone aos pavilhões do Salone del Mobile, o que se viu foi um design mais sensorial, mais humano e mais conectado às experiências do cotidiano. Em uma época marcada pela velocidade das informações e pelo avanço das tecnologias digitais, Milão parece ter respondido com uma busca por acolhimento, autenticidade e permanência. A cidade como cenário de experiências Entre os destaques da semana esteve o Nilufar Grand Hotel, projeto idealizado por Nina Yashar que transformou o Nilufar Depot em um hotel imaginário. Em vez de uma exposição convencional, o espaço foi concebido como uma experiência de hospitalidade onde mobiliário vintage, peças contemporâneas e criações da Nilufar Edition conviviam em ambientes que pareciam saídos de um filme. Cada quarto apresentava uma atmosfera distinta, criada por diferentes designers, e reforçava a ideia de que o design contemporâneo não se resume à criação de objetos, mas à construção de universos. Alcova e a força dos espaços imperfeitos Se existe um lugar capaz de traduzir o espírito experimental da Semana de Design de Milão, esse lugar continua

Assinado pela designer e artista têxtil Allegra Hicks, este quarto criado para o Nilufar Grand Hotel propõe um refúgio de contemplação e acolhimento. A coleção inédita Trame di Confine combina bronze escultural, crochê artesanal e superfícies pictóricas para criar uma atmosfera sensorial onde os limites entre interior e exterior, função e emoção, se tornam fluidos

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sendo a Alcova. Nesta edição, a plataforma ocupou dois espaços muito distintos: a Villa Pestarini, residência projetada por Franco Albini, e o Hospital Militar Baggio, um enorme complexo institucional desativado. Foi justamente no antigo hospital que a Alcova encontrou sua maior potência. Corredores silenciosos, galpões industriais e ambientes marcados pela passagem do tempo serviram como pano de fundo para instalações que discutiam espiritualidade, coletividade e novas formas de convivência. Entre elas, chamou atenção Devices for Connection, do designer brasileiro Leo Lague em parceria com o coletivo Versa. Com som, luz e tecnologia, a instalação propunha uma reflexão sobre a necessidade contemporânea de reconexão. A Alcova mostrou, mais uma vez, que os lugares imperfeitos e carregados de história continuam sendo alguns dos cenários mais férteis para a experimentação criativa.

Na igreja do antigo Hospital Militar Baggio, a instalação Devices for Connection, de Leo Lague e do coletivo Versa, transformou o espaço em uma experiência imersiva que conectou espiritualidade, tecnologia e arquitetura Foto: Piergiorgio Sorgetti

Assinada pela arquiteta Lina Ghotmeh para a MoscaPartners, a instalação Metamorphosis in Motion transformou o pátio do Palazzo Litta em um labirinto rosa que convidava os visitantes a percorrer caminhos, encontros e pausas, traduzindo o conceito de metamorfose que guiou a edição de 2026

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Foto: Takumi Ota

Metamorfose como palavra-chave A ideia de transformação atravessou toda a semana, mas encontrou sua expressão mais clara na MoscaPartners, instalada no Palazzo Litta. Sob o tema Metamorphosis, a mostra reuniu designers, arquitetos, artistas, universidades e empresas em torno de uma discussão sobre adaptação, regeneração e novos modelos de vida. Logo na entrada, a arquiteta Lina Ghotmeh apresentou Metamorphosis in Motion, uma instalação concebida como um ecossistema vivo. A estrutura ocupava o pátio histórico do palácio, criava percursos e encontros inesperados e convidava o visitante a refletir sobre a relação entre espaço, natureza e coletividade. A exposição funcionou como um manifesto sobre a capacidade do design de responder aos desafios contemporâneos sem perder sua dimensão cultural. Quando a moda fala a linguagem do design A presença das grandes marcas de luxo também reforçou uma tendência cada vez mais evidente: a dissolução das fronteiras entre moda, design, arte e arquitetura. A Gucci apresentou Gucci Memoria, uma instalação imersiva instalada no histórico Chiostri di San Simpliciano. A exposição percorreu os 105 anos da maison por meio de tapeçarias monumentais, jardins botânicos e cenografias inspiradas em diferentes momentos da trajetória da marca. Já a Louis Vuitton ocupou os salões do Palazzo Serbelloni com uma exposição


que reuniu novas peças da coleção Objets Nomades e uma homenagem ao universo Art Déco. O percurso apresentou mobiliário, iluminação, têxteis e objetos decorativos que reinterpretam o legado da maison por meio de formas sofisticadas, materiais nobres e um cuidadoso diálogo entre tradição e contemporaneidade. Brasil em evidência A presença brasileira em Milão demonstrou a crescente maturidade do design nacional. A Lovato levou ao Salone del Mobile um estande que sintetizava sua pesquisa em mobiliário outdoor ao combinar desenvolvimento tecnológico, produção industrial e valorização do trabalho artesanal. A marca apresentou peças que reforçam uma visão de design pautada pela durabilidade e pela atemporalidade. A St. James escolheu um caminho mais poético. Instalada no Senato Hotel Milano, a exposição Floresta Futurística, assinada por Matteo Cibic, transformou o espaço em uma paisagem imaginária onde design, arte e natureza conviviam em equilíbrio. Flores monumentais, esculturas e fontes criavam um cenário onírico para apresentar a coleção Cafuné, desenvolvida em parceria com a Bosa Ceramiche. As peças exploram o encontro entre metal e cerâmica por meio de formas orgânicas e bem-humoradas e desfazem os limites entre objeto, escultura e organismo vivo.

exposição | Semana de Design de Milão | por Attos Henrique

Uma das tapeçarias da exposição Gucci Memoria retrata o diretor criativo Demna Gvasalia em uma cena inspirada na tradição pictórica renascentista. A instalação utilizou obras têxteis monumentais para revisitar os 105 anos da maison e refletir sobre memória, identidade e herança cultural Foto: Attos Henrique

Desenvolvida pela Bottega Veneta em parceria com o artista coreano Kwangho Lee, a instalação Lightful transformou tiras de couro trançadas em esculturas luminosas que exploram os encontros entre luz, sombra e matéria

Na EuroCucina, a Marel apresentou a coleção Per La Vita, construída a partir de conceitos ligados à neuroarquitetura e ao conforto cognitivo. Curvas suaves, materiais acolhedores e soluções multifuncionais mostraram uma preocupação crescente com o impacto dos ambientes sobre o bem-estar das pessoas. Os números do Salone e o nascimento do Salone Raritas A força da Semana de Design de Milão também se refletiu nos números. O Salone del Mobile recebeu mais de 316 mil visitantes de 167 países e reuniu cerca de 1.900 expositores, confirmando sua posição como o principal encontro internacional do setor. Mas uma das novidades mais relevantes da edição foi a criação do Salone Raritas, espaço dedicado ao design colecionável, peças únicas, edições limitadas e manufatura de alta excelência.

Formas orgânicas, materiais sofisticados e acabamentos minuciosos revelaram a abordagem autoral que marca o universo da Louis Vuitton para a casa

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Curado por Annalisa Rosso e concebido pelo estúdio Formafantasma, o novo setor surgiu em resposta ao crescente interesse por objetos raros e autorais. Em um mercado onde hotéis, residências e empreendimentos buscam construir identidades próprias com mais frequência, peças exclusivas assumem um papel estratégico. O Salone Raritas trouxe para o centro do debate a importância da autoria, da excelência artesanal e do valor simbólico dos objetos. Em tempos de produção acelerada e consumo instantâneo, a raridade aparece como uma forma de preservar narrativas, técnicas e identidades.

Para destacar o valor do fazer manual, a Lovato levou ao Salone del Mobile o artesão Anderson Freitas, responsável por trançar ao vivo a cadeira Flor de Mandacaru, criação do designer Sérgio Mattos. A iniciativa aproximou o público dos processos construtivos da peça e evidenciou a importância do artesanato na produção do design brasileiro Foto: Dan Hildo

O que fica de Milão 2026 Ao final da semana, a sensação era de que o design atravessa uma mudança importante. A inovação continua presente, mas já não está concentrada apenas em novas tecnologias ou soluções produtivas. Ela aparece na capacidade de criar experiências, contar histórias e estabelecer conexões. Os projetos mais marcantes desta edição não foram necessariamente os mais grandiosos, mas aqueles capazes de construir narrativas memoráveis. Do hotel imaginário da Nilufar ao hospital abandonado da Alcova, da floresta futurista da St. James às tapeçarias da Gucci, o que uniu os principais destaques de Milão foi a busca por significado. Em um momento em que o mundo parece cada vez mais acelerado e digital, Milão apontou para uma direção oposta: um design que valoriza a memória, o artesanato, a experiência sensorial e a singularidade. Um design que não se limita à forma ou à função, mas atua como uma ferramenta de conexão cultural e emocional.

O designer Matteo Cibic com uma das peças da coleção Cafuné, desenvolvida para a St. James em parceria com a Bosa Ceramiche. Ao fundo, a instalação Floresta Futurística transformou o Senato Hotel Milano em um cenário onírico

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A Marel estreou no Salone del Mobile com um estande pautado pelos conceitos da coleção Per La Vita, que valoriza conforto, funcionalidade e bem-estar. A participação marca um importante passo na expansão internacional da marca brasileira

A Galerie Zippenfenig, de Viena, destacou-se na estreia do Salone Raritas ao apresentar peças exclusivas e edições limitadas que transitam entre design e arte contemporânea. Entre os destaques estava o tapete Ohrenteppich (1999), criado pelo arquiteto e artista Heidulf Gerngross, além de outros exemplos de mobiliário autoral e experimental de•cor•ar 31


coluna | Daniele Lauria

OS PROJETOS DO STUDIO LAURIA NETWORK NA ALBÂNIA

Cypressus Tower | Torre residencial em Tirana que reinterpreta a figura do cipreste por meio de uma fachada leve e sofisticada, tornando-se um novo marco da paisagem urbana da capital albanesa

H

oje, olhar para a Albânia significa observar um dos laboratórios urbanos e territoriais mais fascinantes e efervescentes de todo o panorama europeu. Superadas definitivamente as complexidades da transição pós-comunista, a Terra das Águias vive uma extraordinária primavera construtiva e cultural, impulsionada por um crescimento econômico sólido e pelos massivos financiamentos europeus vinculados à sua próxima adesão

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à União Europeia. Nesse contexto de profunda metamorfose, as cidades albanesas — lideradas pelo dinamismo incessante da capital, Tirana — transformaram-se em uma tela em branco para a experimentação de projetos, atraindo a atenção e a assinatura dos maiores escritórios do mundo. É aqui que a silhueta urbana (skyline) se redesenha continuamente: das geometrias provocativas do MVRDV, com a revitalização da célebre Pirâmide e o arranha-céu Downtown One, às visões espa-

ciais do Teatro Nacional assinado pelo BIG (Bjarke Ingels Group). Sem esquecer que outros grandes nomes da cena mundial também atuam no país: de Kengo Kuma ao OMA (Rem Koolhaas), dos portugueses do OODA a Steven Holl, de Alejandro Aravena ao recente vencedor do Prêmio Pritzker, Smiljan Radić Clarke. Nesse cenário de altíssima competitividade internacional, o Studio Lauria Network já


Bylis Museum | Projeto vencedor de concurso internacional para o novo museu da área arqueológica de Bylis, concebido para integrar arquitetura contemporânea e preservação do patrimônio histórico.

assinou diversas intervenções projetuais, todas marcadas pelo desejo de conjugar as linguagens contemporâneas, uma profunda sensibilidade pela estratificação histórica local e a criatividade made in Italy. A atuação do escritório liderado por Daniele Lauria em território albanês move-se em uma via de mão dupla, tanto intelectual quanto operacional: de um lado, assumindo grandes intervenções institucionais e culturais; de outro, a fluidez dos projetos privados dedicados às novas formas de habitar, ao luxo e à paisagem urbana. O Legado Público e Institucional: Museus e Memória Comissionado diretamente pelo Banco Europeu de Investimento, o Studio Lauria Network elaborou o Master Plan estratégico dos espaços museológicos de Shkodër (Scutari), polo cultural nevrálgico do norte do país, redefinindo sob uma ótica contemporânea as conexões entre a memória histórica local e os modernos fluxos do turismo cultural europeu. A mesma prestigiada instituição financeira europeia confiou posteriormente ao escritório a delicada e crucial revisão do projeto de restauração e da nova expografia do Museu Histórico Nacional em Tirana, o coração pulsante da memória identitária albanesa, localizado na centralíssima Praça Skanderbeg. Essa vertente de intervenções monumentais encontra sua consagração máxima na recente vitória no concurso internacional para o novo museu e centro de visitantes da área arqueológica de Bylis. Destinado a guardar

os segredos da antiga civilização ilíria, este projeto de vanguarda — cujas obras devem começar até 2026 — configura-se como uma arquitetura capaz de se integrar perfeitamente ao perfil topográfico para acolher o visitante sem alterar a sacralidade do sítio antigo, estabelecendo uma ponte poética entre o passado e o futuro do lugar. A Dinâmica do Setor Privado Paralelamente à salvaguarda da memória pública, o Studio Lauria Network expressa sua vocação internacional experimentando soluções de grande apelo para o setor privado, transformando a topografia e as paisagens albanesas em cenários de puro dinamismo. Nos arredores da capital, o plano de urbanização da colina de Mullet traduz-se em uma imponente intervenção de 15 mil metros quadrados. O projeto foi batizado “Zig Zag” devido à geometria fortemente expressiva e escultórica de suas coberturas. Este marco (landmark) residencial acolhe uma planejada pluralidade de tipologias habitacionais, transitando com elegância de vilas unifamiliares — que atualizam e nobilitam os materiais e elementos estilísticos das casas tradicionais alba-nesas — a complexos multifamiliares perfeitamente integrados ao verde das colinas.

piscina e amplas áreas de lazer comuns, onde as fachadas dos edifícios mimetizam a fluidez do movimento das ondas. Por fim, o desafio da verticalidade atinge seu ápice no vibrante centro de Tirana com a Cypressus Tower. Esta torre, predominantemente residencial e de vinte pavimentos, reinterpreta um elemento simbólico comum tanto à paisagem albanesa quanto à toscana — terra natal e matriz cultural do Studio Lauria. Envolta por uma sofisticada pele de engenharia composta por painéis microperfurados e semitransparentes, a torre atua como um magnífico filtro de luz e privacidade. Ao mesmo tempo, abre-se em total transparência para o panorama da silhueta urbana, do grande parque e do lago de Tirana, consolidando-se como um ícone de absoluta leveza, elegância e modernidade. Por meio desse extraordinário leque de projetos em diferentes escalas — que variam do milenar fragmento arqueológico ao desafio da torre vertical —, o Studio Lauria Network demonstra uma sólida visão internacional. O escritório confirma que a Albânia de hoje não é vista meramente como um lugar para construir, mas sim como um extraordinário espaço intelectual e de vanguarda para redefinir o papel social, estético e poético da arquitetura global do século XXI.

O diálogo profundo com os elementos naturais desloca-se para o litoral adriático setentrional, próximo à charmosa “Praia de São Pedro”. Trata-se de um complexo residencial chamado de “Durrës Waves” de alto padrão com mais de oitenta apartamentos exclusivos, restaurante, de•cor•ar

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reforma | Studio KP Arquitetura

CURVAS E CONEXÕES ARTE, ARQUITETURA E NATUREZA SE ENTRELAÇAM NESTE APARTAMENTO DE 200 M², EM UM PROJETO ASSINADO PELO STUDIO KP ARQUITETURA, NO QUAL CADA ELEMENTO ESTRUTURAL GANHA PROPÓSITO POÉTICO

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reforma | Studio KP Arquitetura

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ste apartamento em São Paulo, assinado pela arquiteta Karina Passarelli, do Studio KP Arquitetura, é o terceiro capitulo de uma parceria com a mesma família, um jovem casal com dois filhos, que divide a rotina entre o interior paulista e a capital. A missão: criar um refúgio urbano funcional para os dias de semana, capaz de abrigar desde reuniões de trabalho até momentos de descanso.

Entregue pela construtora em configuração tradicional, o imóvel passou por transformação radical. A arquiteta redistribuiu os ambientes com precisão, desmembrou um dos dormitórios para ampliar o living, criou um closet generoso na suíte master e eliminou o hall do elevador, o que fez com que o apartamento se abra diretamente para a área social.

O grande protagonista do projeto nasceu de um obstáculo. Entre a cozinha e o living, um pilar retangular de mais de um metro impunha sua presença estrutural, inegociável. O elemento ganhou curvas revestidas em madeira escura e recebeu uma escultura de musgo preservado criada pelo artista Cusco Rebel. O que poderia ser um problema virou ponto focal — natureza, arte e arquitetura em simbiose. Na cozinha, a integração é total. Um amplo corredor multifuncional conecta preparo, churrasqueira e convívio por meio de uma ilha de geometria orgânica, desenhada em dois níveis. O antigo banheiro de serviço foi convertido em adega climatizada, visível do living. Uma parede galeria exibe obras de Abraham Palatnik, Sanches, Onesto, Sator, Andy Hope e uma escultura criada por Osgemeos, além da poltrona Vermelha dos Irmãos Campana. A materialidade reforça a sofisticação: tons neutros nos porcelanatos e pedras, madeira escura de textura pronunciada nas curvas, paredes em chumbo e azul acinzentado em contraste com couros e estofados em nuances terrosas.

No living integrado, arte e arquitetura se encontram. O recorte curvo no forro valoriza o pé-direito, enquanto a parede galeria e o tapete customizado organizam a composição

Fotos: Robson Figueiredo

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reforma | Studio KP Arquitetura

Obras de Abraham Palatnik, Sanches, Onesto, Sator e Andy Hope integram a coleção dos moradores e ganham destaque sobre o revestimento em madeira. A poltrona em azul royal e o mobiliário de design pontuam o ambiente integrado à varanda

A mesa conecta living e área gourmet, com cadeiras em veludo vermelho que trazem cor e personalidade para o projeto. A luminária escultórica suspensa dialoga com as curvas do projeto. Vegetação natural e iluminação embutida completam a composição

O pilar estrutural foi transformado em protagonista do projeto. O elemento que poderia ser obstáculo ganhou curvas revestidas em madeira e recebeu escultura de musgo preservado do artista Cusco Rebel. A ilha multifuncional integra cozinha, churrasqueira e área de refeições, com banquetas Pantosh criadas pelo Lattoog

Fotos: Robson Figueiredo

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Portas de vidro revelam a coleção de vinhos na adega, enquanto objetos de design ocupam as prateleiras. A cadeira vermelha dos irmãos Campana se destaca no ambiente em tons de azul acinzentado

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entrevista | Elettromec

VILLA ELETTROMEC: UMA NOVA EXPERIÊNCIA PARA O MORAR

A NOVA UNIDADE DA ELETTROMEC, NA ALAMEDA GABRIEL MONTEIRO DA SILVA, É MAIS QUE UM SHOWROOM, O ESPAÇO REÚNE DESIGN, GASTRONOMIA E TECNOLOGIA EM UM AMBIENTE PENSADO PARA INSPIRAR PROFISSIONAIS E CONSUMIDORES

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relação entre arquitetura, design e experiência ganha uma nova dimensão com a inauguração da Villa Elettromec São Paulo. Localizada na Alameda Gabriel Monteiro da Silva, um dos endereços mais prestigiados do setor no país, a nova unidade propõe um conceito que vai além da exposição de produtos. O espaço foi concebido para proporcionar vivências que conectam tecnologia, gastronomia, convivência e design, reunindo em um único endereço as marcas Elettromec, Viking, Fulgor Milano e Falmec. Nesta entrevista exclusiva para a Decorar, Diamantino Netto, fundador e CEO do Grupo Elettromec, fala sobre a importância estratégica da nova Villa, as transformações no comportamento do consumidor de alto padrão e os planos de expansão da empresa.

Diamantino Netto, fundador e CEO do Grupo Elettromec

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A Alameda Gabriel Monteiro da Silva é considerada um dos principais polos de arquitetura, design e decoração do país. O que motivou a Elettromec a escolher esse endereço para a nova Villa? A Alameda Gabriel é um dos maiores polos de arquitetura, design e decoração da América Latina. Estar presente nesse endereço representa uma decisão estratégica para fortalecer ainda mais nossa proximidade com arquitetos, designers de interiores, especificadores e consumidores que buscam soluções de alto padrão para seus projetos. A inauguração da Villa Elettromec São Paulo marca um novo capítulo para o grupo, consolida nossa presença em um mercado extremamente relevante e reforça nosso posicionamento como referência em eletrodomésticos de luxo e experiências para o morar contemporâneo.


entrevista | Elettromec

Materiais naturais, linhas contemporâneas e tecnologia de ponta definem os ambientes da Villa Elettromec São Paulo

A proposta das Villas vai muito além do conceito tradicional de showroom. Como surgiu essa ideia de transformar a loja em um espaço de experiências? Percebemos que o consumidor de alto padrão não busca apenas adquirir um produto, mas compreender seu valor por meio da experiência. Foi a partir dessa visão que desenvolvemos o conceito das Villas, ambientes que unem arquitetura, design, gastronomia e tecnologia. Criamos espaços de convivência e relacionamento onde profissionais e clientes interagem com as marcas de maneira autêntica por meio de eventos, workshops, degustações e experiências culinárias. Outro diferencial é a possibilidade de apresentar de forma completa o portfólio do Grupo Elettromec. A amplitude dos espaços permite que arquitetos, designers e consumidores conheçam as soluções das marcas Elettromec, Falmec, Fulgor e Viking em um contexto real e compreendam como cada uma delas atende diferentes perfis e necessidades. O projeto conta com cozinhas temáticas e ambientes como o Villaggio Cucina. Como esses espaços contribuem para aproximar o público dos produtos? Quando o cliente vê um produto inserido em um ambiente real, consegue vi-

sualizar melhor sua aplicação e entender como aquela solução pode fazer parte da sua rotina. As cozinhas temáticas e o Villaggio Cucina foram concebidos justamente para proporcionar essa imersão. Nesses espaços realizamos demonstrações gastronômicas e experiências práticas que permitem explorar funcionalidades, desempenho e design de forma muito mais tangível. Essa vivência aproxima o consumidor das marcas, facilita a tomada de decisão e também inspira arquitetos e designers na criação de projetos personalizados para seus clientes. O mercado de eletrodomésticos premium passou por importantes transformações nos últimos anos. Quais tendências têm se destacado entre os consumidores de alto padrão? O consumidor está cada vez mais informado e exigente. Observamos uma busca crescente por produtos que combinem design sofisticado, tecnologia, alta performance e praticidade. A integração entre equipamentos, conectividade e soluções que promovem bem-estar e conveniência também ganha relevância. Além disso, há uma valorização cada vez maior da experiência dentro de casa, especialmente nos ambientes de convivência e gastronomia. O cliente deseja investir em produtos duráveis, que agreguem valor ao imóvel e proporcionem momentos diferenciados para sua família e convidados.

A Villa Elettromec reúne marcas reconhecidas internacionalmete, como Viking, Fulgor Milano e Falmec. Como esse novo espaço fortalece o posicionamento do grupo e quais são os próximos passos da empresa? A Villa Elettromec São Paulo materializa nosso ecossistema de marcas de luxo em um único endereço. Ela permite apresentar ao mercado a força do portfólio do Grupo Elettromec por meio de uma experiência integrada e destaca a identidade e os diferenciais de cada marca. O espaço reforça nosso compromisso com excelência, inovação e relacionamento próximo com especificadores e consumidores. Para os próximos anos, seguimos atentos às oportunidades de crescimento em mercados estratégicos, com investimentos na evolução do conceito das Villas, no fortalecimento da nossa rede de parceiros e na ampliação de experiências que conectam nossas marcas aos principais polos de arquitetura, design e gastronomia do país.

Foto: divulgação

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design de interiores | Júlio Dantès

METAMORFOSE SENSÍVEL

TEXTURAS ACOLHEDORAS, MATERIAIS NATURAIS E UMA CURADORIA MINUCIOSA DEFINEM A IDENTIDADE DESTE APARTAMENTO, ONDE O DESIGN AFETIVO TRANSFORMA EMOÇÕES EM ESPAÇOS DE ACOLHIMENTO

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á projetos que nascem de uma necessidade funcional e outros que surgem do desejo de dar forma aos sentimentos. Nesta reforma assinada pelo designer de interiores Júlio Dantès, a arquitetura assume esse papel ao materializar uma nova etapa de vida por meio dos espaços. Localizado em São Caetano do Sul, o apartamento de 320 m² reflete o momento de transformação vivido pela moradora. O objetivo era criar um lar capaz de expressar sua identidade, sua liberdade e o início de uma nova jornada. Cada escolha segue esse princípio e transforma a residência em uma extensão natural de quem a habita. Para dar vida a esse conceito, Júlio apostou no que define como um design afetivo. A materialidade ocupa lugar de destaque com uma combinação de linho, madeira e tapetes que desperta sensações de acolhimento e conforto. Em vez de recorrer a excessos ou elementos puramente decorativos, a proposta valoriza texturas que convidam ao toque e constroem uma atmosfera intimista, na qual o bem-estar faz parte da experiência cotidiana. A paleta de cores acompanha a mesma proposta e traduz os sentimentos dos moradores em uma composição equilibrada. Entre nuances acolhedoras e tons envolventes, os ambientes expressam serenidade, calor e personalidade, reforçando a atmosfera de acolhimento presente em toda a residência. Entre os destaques estão os cristais Baccarat e os tapetes personalizados da By Kamy, selecionados para acrescentar refinamento e reforçar o caráter exclusivo do projeto. As peças dialogam com a curadoria de materiais e acabamentos, resultado da atenção dedicada a cada detalhe da composição.

A sala de jantar ganha personalidade com as paredes na cor framboesa, que contrastam com a leveza da mesa em pedra clara. O lustre em cristal se destaca como ponto focal, valorizando a elegância e a atmosfera do espaço Fotos: Danilo Pasquarelli Marangão

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design de interiores | Júlio Dantès

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design de interiores | Júlio Dantès

O living privilegia a convivência por meio de linhas limpas, tons neutros e materiais naturais. Sofás generosos, tapete sob medida e iluminação indireta conferem conforto e equilíbrio visual

Estar, jantar e home office compartilham um layout fluido, marcado pela marcenaria clara, madeira natural e detalhes em tons quentes. As escolhas reforçam a identidade da moradora e traduzem uma maneira sensível de habitar

Integrado à área social, o home office alia funcionalidade e conforto. A luz natural, o mobiliário em madeira e o piano evidenciam o caráter intimista e personalizado da residência

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O espaço gourmet foi planejado para receber. A ilha central reúne madeira natural e pedra clara, enquanto a iluminação cênica, a marcenaria e o paisagismo completam o cenário com elegância

A cliente Regiane Pasquarelli ao lado do designer de interiores Júlio Dantès, autor do projeto

Fotos: Rafael Renzo

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design de interiores | Júlio Dantès

Concebida como extensão da área interna, a varanda gourmet reúne mobiliário em tons terrosos, tapete de formas orgânicas e cortinas rolô. A integração com o espaço gourmet amplia a sensação de continuidade entre os espaços

Na suíte master, o painel em tons terrosos, a cabeceira estofada e a sobreposição de tecidos criam uma atmosfera serena. A iluminação indireta e o pendente em cristal completam o clima de descanso e conforto

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evento | DW! 15 Anos

DW! 2026: UMA CIDADE EM ESTADO DE DESIGN AO COMPLETAR 15 ANOS EM 2026, A DW! SEMANA DE DESIGN DE SÃO PAULO OCUPOU A CIDADE COM EXPOSIÇÕES, LANÇAMENTOS E EXPERIÊNCIAS QUE EVIDENCIARAM A MATURIDADE DO DESIGN BRASILEIRO E SUA CRESCENTE PROJEÇÃO INTERNACIONAL

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ão Paulo voltou a se transformar na capital brasileira do design entre os dias 5 e 15 de março de 2026. Em sua edição comemorativa de 15 anos, a DW! Semana de Design ocupou diferentes regiões da cidade com uma programação plural, que reuniu exposições, instalações, lançamentos e encontros capazes de conectar indústria, criadores, mercado e público em torno das principais discussões do setor.

A edição marcou um momento de reflexão sobre a trajetória e o futuro do design brasileiro. “Chegar aos 15 anos é a confirmação de um projeto coletivo que amadureceu junto com o próprio design brasileiro”, afirma Lauro Andrade, idealizador da DW!. Segundo ele, o festival evoluiu de uma programação que reunia cerca de 40 profissionais em 2012 para um movimento que hoje conecta mais de 1.500 criativos e centenas de marcas

em diferentes regiões da cidade. Para Lauro, esse crescimento reflete a transformação do próprio setor. “Hoje temos criadores autorais mais estruturados, uma indústria mais aberta à colaboração com designers independentes e um consumidor mais informado, que valoriza identidade, processo criativo e propósito”, observa.

A exposição Dentro de Casa, apresentada durante a DW! Semana de Design de São Paulo, reuniu mais de 30 designers na Galeria Metrópole. Com curadoria de Daniel Virgnio e Natália Martucci, a mostra propôs um diálogo entre design, arte e o universo do morar contemporâneo

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evento | DW! 15 Anos Nesse contexto, a DW! consolidou-se como uma plataforma de difusão cultural capaz de ampliar o repertório do público e fortalecer a presença do design brasileiro no cenário internacional. Integrante da World Design Weeks, o festival também ampliou sua conexão com os principais polos criativos do mundo. “A DW! se tornou uma vitrine internacional, onde profissionais estrangeiros vêm entender o que está sendo produzido no Brasil, enquanto nossos criadores passam a circular com mais força em outros festivais e mercados”, destaca Andrade. Entre os lançamentos da coleção Futuro Retrô, do Estúdio Mula Preta, as cadeiras 60 e Noodle que exploram o encontro entre referências vintage e design contemporâneo

Na linha Botânica, Marina Linhares transforma as formas das flores e a fluidez da água em mobiliários de traços orgânicos e elegantes, desenvolvidos para a Pátio Brasil como parte da Coleção Zen

Dentro de Casa: o morar como experiência coletiva Entre os destaques da programação esteve a exposição Dentro de Casa, apresentada na Galeria Metrópole. Com curadoria de Daniel Virgnio e Natália Martucci, a mostra reuniu mais de 30 designers para refletir sobre as relações entre design, arte e cidade a partir do espaço doméstico. Ao ocupar um dos ícones da arquitetura moderna paulistana, o projeto promoveu um diálogo entre o universo íntimo da casa e a dimensão urbana e tornou-se uma das exposições mais comentadas da DW!. Mula Preta e o olhar sobre o retrofuturismo O Estúdio Mula Preta apresentou a exposição Futuro Retrô, que explorou o retrofuturismo por meio de uma coleção inédita de mobiliário, iluminação e peças de convivência. Entre os destaques estiveram a mesa de gamão Nard, as cadeiras inspiradas no modernismo e as luminárias Melt e Bird. Com cenografia inspirada no movimento Space Age, a mostra propôs uma releitura contemporânea de referências do passado. A Coleção Zen da Pátio Brasil A Pátio Brasil apresentou a Coleção Zen, inspirada em conceitos de equilíbrio, contemplação e conexão com a natureza. Com foco em materiais naturais, texturas sensoriais e formas orgânicas, a coleção reuniu nomes como Lattoog, Marina Linhares e Suíte Arquitetos. Entre os destaques estiveram peças que traduzem o morar contemporâneo por meio de linhas fluidas, referências afetivas e soluções que combinam conforto e funcionalidade.

Os designers Bruno Niz, Luisa Moysés e Victor Vasconcelos, responsáveis pelas primeiras criações da coleção Círculos: O Ciclo que Sustenta, que reúne peças inspiradas nos conceitos de continuidade, acolhimento e design consciente

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evento | DW! 15 Anos Sustentabilidade e design autoral na Breton A Breton apresentou a coleção Círculos: O Ciclo que Sustenta, inspirada em conceitos de continuidade, sustentabilidade e design consciente. A iniciativa também celebrou os 10 anos da EcoBreton e reuniu criações de Luisa Moysés, Bruno Niz e Victor Vasconcelos. Entre os destaques esteve a linha Nihon, de Bruno Niz, inspirada na estética japonesa, além de peças que exploram formas acolhedoras, materiais naturais e processos produtivos alinhados às práticas sustentáveis. A síntese formal da Lumini Entre os lançamentos da DW!, a Lumini apresentou as luminárias Dupla e Quadra, desenvolvidas pela Metro Arquitetos com curadoria de Clarissa Schneider. As peças exploram linhas e planos rigorosos, resultando em uma linguagem visual marcada pela simplicidade formal e pelo diálogo entre iluminação e arquitetura.

Criadas pela Metro Arquitetos e apresentadas pela Lumini, as luminárias Dupla e Quadra destacam-se pelo desenho preciso e pela síntese formal

O design artesanal da 6F Decorações Durante a DW! 2026, a 6F Decorações apresentou na Galeria Proarte a coleção Pompeii, criada pelo arquiteto Wair de Paula em parceria com o artesão Renato Gobbi. Desenvolvida em papel machê, a série reúne vasos, ânforas, bowls e objetos decorativos produzidos manualmente, com peças numeradas e únicas. Inspirada nas cerâmicas gregas da Antiguidade, a coleção propõe uma reflexão sobre a imperfeição como valor estético e reafirma o compromisso da marca com o design autoral, o fazer artesanal e a produção em pequena escala. Um festival que acompanha a evolução do design brasileiro Com centenas de eventos e milhares de profissionais, a DW! 2026 reforçou seu papel como plataforma de lançamentos, reflexão e conexão para o setor. Para Lauro Andrade, o crescimento do festival reflete um ecossistema cada vez mais maduro, formado por criadores autorais mais estruturados, uma indústria aberta à colaboração e um público que compreende o design como valor cultural e econômico. A DW! mostrou mais uma vez como o design brasileiro amplia sua capacidade de gerar experiências, provocar debates e propor soluções para os desafios contemporâneos. Um movimento que ajuda a explicar por que, ao chegar aos 15 anos, o festival se consolida como um dos principais acontecimentos culturais da cidade de São Paulo.

Peças da coleção Pompeii, desenvolvida por Wair de Paula e Renato Gobbi para a 6F Decorações

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coluna | Giovanna Renzetti

O MAIOR MUSEU DE AZULEJOS A CÉU ABERTO

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ecebido a notícia de que iria cursar um semestre do meu doutorado em Lisboa, vários sentimentos tomaram conta de mim, assim como uma lista enorme de museus, igrejas, monumentos, parques, etc. começou a tomar forma, mas nada me animava tanto quanto pensar em todos os azulejos portugueses que eu teria a oportunidade de ver ao vivo e a cores – literalmente. Sejam aplicados em fachadas, pisos, paredes internas, os azulejos sempre me despertaram uma animação inexplicável, e esse gosto foi crescendo à medida em que visitei as igrejas barrocas de Minas Gerais, os projetos coloniais paulistanos, baianos e cariocas, mas também nossos edifícios modernos que recorreram a esse elemento decorativo tão memorável e versátil. Há quase seis meses morando em Lisboa, faço questão de registrar toda fachada que encontro revestida por azulejos, algumas mais conservadas, outras deterioradas pelas intempéries e passar dos séculos e outras já revitalizadas, porém todas com algo em comum: a beleza inegável de seus desenhos e cores que se integram com a arquitetura em

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suas mais diferentes tipologias. Do vocabulário árabe al zulecha provém do verbo zallajo – liso, escorregadio. Mas o porquê de vermos tantos azulejos na arquitetura portuguesa? Essa pergunta ainda não consigo responder em sua totalidade, mas afirmo que um dos motivos foi, e continua a ser, o clima do sul mediterrâneo de Portugal e o solo de boas argilas (matéria-prima) para a fabricação, que apresenta uma técnica específica, atribuindo o caráter isolador e durável de cada peça, as quais geralmente são produzidas em formatos 14x14cm, 15x15cm ou, mais dificilmente, 18x18cm, com camada em esmalte translúcido, às vezes em alto relevo. É possível identificar quatro tipologias (clássicas): figurativos, ornamentais, de padrões e de figura avulsa, sendo mais comum nos interiores os motivos simbólicos. A introdução dos azulejos na península ibérica ocorreu, por uma série de eventos históricos, pelos muçulmanos, chegando à Espanha e, posteriormente, à Portugal, por isso os motivos de muitas peças são orientais, florais, remetendo ao oriente. Outro ponto do uso intenso e recorrente dessa arte decorativa é sua

flexibilidade em relação à superfície, sendo assentados com argamassa de cal e areia, acompanhando os contornos do edifício de modo a respeitar e exaltar sua forma e beleza. Sem dúvidas os portugueses encontraram na arte dos painéis cerâmicos uma expressão estética e artística própria, o que pode ser percebido também em algumas construções de suas colônias: Brasil, São Tomé e Principé, Angola e Goa.


decorar + | Simone Saccab | Bontempo

ELEGÂNCIA SOB MEDIDA

EM UM APARTAMENTO DE 350 M² NA VILA OLÍMPIA, A ARQUITETA SIMONE SACCAB CRIA UMA ATMOSFERA ACOLHEDORA, ONDE A MARCENARIA SOB MEDIDA CONDUZ A IDENTIDADE DOS AMBIENTES

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A cozinha combina armários em laca azul-petróleo com molduras clássicas, quartzito Taj Mahal e um piso Chevron que estabelece uma transição contínua entre madeira e porcelanato

oncebido para um casal com dois filhos pequenos, o projeto prioriza integração, conforto e flexibilidade, com ambientes amplos e acolhedores que acompanham a dinâmica da família. A marcenaria desenvolvida pela Bontempo assume papel protagonista ao unificar a linguagem dos espaços por meio de painéis, armários e soluções sob medida que aliam precisão técnica e refinamento estético. Presente em diferentes ambientes, ela evidencia o cuidado com os detalhes, da continuidade dos revestimentos aos acabamentos em laca, das molduras clássicas à integração discreta de equipamentos e portas, e consolida a unidade visual do projeto. “Há 20 anos atuando na arquitetura, aprendi que um bom projeto é resultado da união entre criatividade, técnica e parceiros que compartilham os mesmos valores de qualidade. Em cada projeto de interiores, contar com uma empresa comprometida com acabamentos impecáveis, soluções personalizadas e atenção aos detalhes faz toda a diferença no resultado final”, destaca a arquiteta Simone Saccab sobre a parceria com a Bontempo.

Bontempo @bontempo_oficial Al. Gabriel Mont. da Silva, 2068 Jardim America, São Paulo - SP Tel: (11) 3882-8299

Simone Saccab Arquitetura e Interiores O living reúne painel em travertino natural, sofá ilha e uma paleta pontuada por tons suaves. As mesas de centro com tampo em ônix completam a composição

Em contraste com o grande painel de madeira do living, o bar e a adega climatizada em laca off-white revelam o cuidado da marcenaria sob medida da Bontempo, enquanto o nicho em pedra destaca a curadoria de objetos

sisaccab.com.br @si_saccab 11 3571-0444 Fotos: Evelyn Müller

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opinião | Patricia Penna

ATEMPORALIDADE: O SEGREDO DOS INTERIORES QUE ATRAVESSAM GERAÇÕES PATRICIA PENNA REVELA OS ELEMENTOS QUE TRANSFORMAM UM PROJETO EM UM ESPAÇO ELEGANTE, FUNCIONAL E RESISTENTE ÀS MUDANÇAS DE ESTILO

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m um cenário marcado por tendências cada vez mais rápidas, criar ambientes capazes de atravessar o tempo sem perder relevância tornou-se um dos grandes desafios da arquitetura de interiores. Nesse contexto, a atemporalidade surge como a capacidade de construir espaços duradouros, que permanecem atuais por meio de escolhas consistentes, materiais de qualidade e uma estética equilibrada. Para a arquiteta Patricia Penna, a longevidade de um projeto nasce da combinação entre escolhas estéticas consistentes, materiais duráveis e soluções que valorizam o conforto e o bem-estar. Em seus trabalhos, a profissional busca equilibrar referências clássicas e contemporâneas, criando ambientes sofisticados que permanecem atuais independentemente das tendências do momento. Com base em sua experiência profissional, Patricia destaca cinco aspectos fundamentais para quem deseja investir em interiores atemporais. Equilíbrio entre o clássico e o contemporâneo A união de elementos de diferentes épocas confere personalidade e profundidade aos ambientes. Peças clássicas, reinterpretadas em novas composições, convivem harmoniosamente com mobiliário contemporâneo e ajudam a construir espaços únicos. “O segredo está no equilíbrio. Os estilos precisam dialogar entre si, sem disputarem protagonismo”, explica a arquiteta. Para alcançar esse resultado, ela costuma apostar em bases neutras que valorizam

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Foto: Raphae Briest


Com formas orgânicas, materiais nobres e uma paleta suave, o ambiente assinado por Patricia Penna para a mostra Artefacto 2026, traduz os princípios da atemporalidade ao combinar elegância, conforto e permanência estética.

tanto os elementos clássicos quanto os contemporâneos. Materiais que resistem ao tempo A escolha dos materiais exerce papel decisivo na longevidade dos projetos. Pedras naturais, madeiras nobres e acabamentos de qualidade permanecem valorizados ao longo dos anos e carregam uma beleza que ultrapassa modismos. “Os materiais contam histórias. Sua permanência na arquitetura comprova sua relevância estética e funcional”, afirma Patricia. Formas orgânicas e acolhedoras As curvas ocupam um lugar especial na história do design e continuam presentes nos interiores contemporâneos. Sofás, poltronas e mesas de desenho orgânico contribuem para ambientes mais fluidos, leves e convidativos. Além do apelo visual, as formas curvas favorecem a circulação e ampliam a sensação de conforto, características que ajudam a explicar sua permanência ao longo das décadas.

Iluminação que valoriza o bem-estar A iluminação indireta segue como uma das soluções mais eficientes para criar atmosferas acolhedoras. Ao distribuir a luz de maneira suave e uniforme, ela proporciona conforto visual e destaca texturas, materiais e elementos arquitetônicos. Segundo Patricia, a luz excessivamente intensa pode comprometer a experiência dos moradores, enquanto a iluminação bem planejada reforça a sensação de aconchego e sofisticação.

Mais do que uma característica estética, a atemporalidade traduz a capacidade de criar ambientes que preservam seu valor ao longo do tempo. Sustentados por materiais duráveis, proporções equilibradas e soluções autênticas, esses espaços permanecem atuais e acolhedores em diferentes contextos e épocas.

A força das tonalidades neutras Tons neutros continuam entre os principais aliados dos projetos atemporais. Branco, off-white, bege, cinza, marrom e nuances suaves de cores quentes criam uma base elegante e versátil, capaz de acompanhar diferentes estilos ao longo do tempo. Além de transmitir sofisticação, essas tonalidades permitem a inclusão de cores mais marcantes em objetos, obras de arte e acessórios, sem comprometer a harmonia do conjunto. Foto: JP Image

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decorar + | Ana Serra | Portobello Shop Santo André

INTEGRAÇÃO NATURAL

EM UM APARTAMENTO DE 84 M² NA VILA MARIANA, ANA SERRA ORGANIZA OS ESPAÇOS POR MEIO DE SOLUÇÕES SOB MEDIDA E REVESTIMENTOS QUE REFORÇAM A CONTINUIDADE ENTRE OS AMBIENTES

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om foco na integração e no melhor aproveitamento da planta, o projeto transforma um apartamento compacto em uma residência fluida e acolhedora. A cozinha se torna o centro da rotina, articulada pela ilha que aproxima os espaços de convivência e dialoga com a varanda, enquanto a marcenaria sob medida incorpora soluções que preservam a organização sem comprometer a leveza dos ambientes. Os revestimentos da Portobello acompanham essa proposta ao definir a identidade de cada espaço: o Aeterna Bianco estabelece uma base contínua e luminosa para a área social e o Zigzag Aquamarine imprime textura aos banheiros. “Nossa parceria com a Portobello é construída ao longo de muitos anos de confiança. É uma marca que sempre faz parte das nossas especificações pela qualidade dos produtos, pela diversidade de acabamentos e, principalmente, pelo atendimento próximo e acolhedor da equipe”, destaca a designer de interiores Ana Serra.

A integração entre estar, cozinha e varanda amplia a percepção dos 70 m², enquanto o revestimento Aeterna Bianco, da Portobello, estabelece uma base contínua e luminosa para a área social

Portobello Shop Santo André @portobelloshopsantoandre Rua das Esmeraldas, 334, Jardim, Santo André, SP Tel: (11) 2774-8600

Ana Serra Interiores @anaserra.interiores 11 96132-5219

Fotos: Renata Caro

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A ilha central organiza a circulação e concentra os principais momentos da rotina. Ao fundo, o Aeterna Bianco, da Portobello, reforça a unidade visual do ambiente e dialoga com a marcenaria em azul profundo

No banheiro, o revestimento Zigzag Aquamarine, da Portobello, imprime textura às paredes e cria um jogo sutil de luz e sombra, contrastando com a marcenaria em madeira e a bancada de linhas precisas


exposição | Expo Revestir 2026

EXPO REVESTIR 2026: MATÉRIA, TECNOLOGIA E DESIGN REVESTIMENTOS, METAIS, LOUÇAS E ELETRODOMÉSTICOS REVELAM AS NOVIDADES QUE MARCARAM A EDIÇÃO DE 2026 DA FEIRA

Inspirada no tradicional terrazzo italiano, a Série Granato da Roca Cerâmica combina o efeito carving a diferentes formatos e paginações

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ealizada entre os dias 9 e 13 de março, no São Paulo Expo, a Expo Revestir 2026 reafirmou sua posição como a principal plataforma de negócios dos setores de revestimentos e acabamentos da América Latina. A feira reuniu mais de 300 marcas expositoras, ocupou uma área de 65 mil m² e recebeu 72 mil visitantes. Além dos lançamentos e inovações apresentados pela indústria, o evento ampliou sua proposta com iniciativas como o retorno da Central da Arquitetura, o lançamento do Circuito Oficial Expo Revestir e as tradicionais premiações Best in Show e Prêmio Destaque Expo Revestir & Revista Anamaco. Com isso, fortaleceu a conexão entre fabricantes, especificadores e varejo e reafirmou seu papel estratégico no desenvolvimento do setor.

A Neolith by Alicante apresentou a linha Architectural, com novas texturas e modelos desenvolvidos para revestimentos internos e fachadas ventiladas de•cor•ar

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A 24ª edição da Expo Revestir apresentou um panorama da evolução do mercado, marcado pela integração entre tecnologia, pesquisa e design. Entre os destaques, revestimentos, superfícies, painéis de MDF, metais e eletrodomésticos revelaram soluções que unem desempenho técnico, qualidade estética e novas possibilidades de especificação.

Assinado por Arthur Casas, o MDF Carvalho Nórdico propõe uma nova interpretação da madeira natural, com desenho contínuo das catedrais ao longo da chapa

Representante oficial da Neolith no Brasil, a Alicante apresentou a nova linha Neolith Architectural, desenvolvida para revestimentos internos e fachadas ventiladas. Com espessura de apenas 6 mm, a coleção incorpora as inéditas texturas Rigato e Cava, inspiradas na pedra natural, além dos modelos Serpeggiante, Azahar e Obsidian, que ampliam as possibilidades de aplicação em diferentes propostas arquitetônicas. No segmento de painéis de MDF, a Guararapes apresentou sua coleção 2026, desenvolvida a partir de um estudo exclusivo da WGSN. O principal lançamento foi o Carvalho Nórdico, criado em parceria com o arquiteto Arthur Casas. O padrão propõe uma nova interpretação da madeira natural e se destaca pelo desenho contínuo das catedrais ao longo da chapa, característica especialmente valorizada em grandes superfícies.

Assinadas pelo Studio MK27, as linhas Hatch e Pedra exploram diferentes expressões da materialidade e reforçam a aposta da Docol no design autoral

Nos metais e louças, a Docol reforçou sua aposta no design autoral ao apresentar uma nova coleção do Projeto Domos, desta vez assinada pelo Studio MK27, fundado por Marcio Kogan. As linhas Hatch e Pedra exploram diferentes interpretações da materialidade, ora inspiradas na linguagem gráfica dos desenhos arquitetônicos, ora nas formas orgânicas das rochas naturais. A marca também destacou sua estratégia voltada ao bem-estar, com soluções que integram tecnologia, design e funcionalidade aos espaços de banho. A presença do Grupo TECNO marcou a estreia da empresa na Expo Revestir com um estande dedicado às cozinhas e áreas gourmet. Entre os lançamentos, a coleção Heritage, da Bertazzoni, reuniu fogões, cooktops, fornos, coifas e soluções de refrigeração que reinterpretam a tradição do design italiano por meio de tecnologia de ponta e acabamento refinado.

A coleção Heritage, da Bertazzoni, reúne eletrodomésticos que reinterpretam o design italiano clássico com tecnologia e alto desempenho para cozinhas 54

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Da releitura de materiais tradicionais ao desenvolvimento de novas tecnologias, os lançamentos apresentados nesta edição demonstram como a indústria tem ampliado seu repertório para atender diferentes linguagens projetuais. Um panorama que antecipa os produtos e acabamentos que devem ganhar protagonismo na arquitetura e no design de interiores nos próximos meses.


decorar + | Retail Design Lab | Alicante

FORMA EXPOSTA

NA 24ª EXPO REVESTIR, O RETAIL DESIGN LAB TRANSFORMOU O ESTANDE DA ALICANTE EM UMA EXPERIÊNCIA ARQUITETÔNICA, ONDE MATERIAIS, COR E PERCURSO REVELAM O POTENCIAL DOS REVESTIMENTOS

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oncebido pelo Retail Design Lab para a Expo Revestir 2026, o estande da Alicante transformou a materialidade no principal elemento da experiência. A arquitetura utilizou revestimentos e mármores não apenas como superfícies, mas como componentes capazes de definir a identidade do espaço. A volumetria marcante, o layout aberto e a presença da cor vermelha conduziram o visitante por um percurso que valorizava texturas, acabamentos e diferentes possibilidades de aplicação. Cada elemento foi pensado para organizar um portfólio amplo de forma clara e envolvente. “O maior diferencial do projeto foi a integração entre arquitetura, materialidade e narrativa da marca. O espaço revelou o potencial dos revestimentos por meio da arquitetura e consolidou uma identidade visual forte para a Alicante”, destaca Roberta Branchini, Head de Growth e Development do Retail Design Lab.

A arquitetura organiza o amplo portfólio da Alicante em uma exposição clara, onde grandes superfícies, nichos iluminados e diferentes escalas de aplicação evidenciam a diversidade de revestimentos e rochas naturais

RETAIL DESIGN LAB @retaildesignlab retaildesignlab.com.br (11) 95695-4155 Rua Paulistânia, 381 - Sl 31 - Vila Madalena A volumetria de forte presença e o lançamento da superfície Neolith Architectural marcou a fachada do estande para destacar a identidade da Alicante já no primeiro contato com o visitante

Os nichos iluminados organizam as diferentes linhas de revestimentos em uma exposição clara e intuitiva, reforçando a proposta do projeto de transformar os materiais em protagonistas da experiência

Fotos: Phoética

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coluna | Márcia Holland

A COR COMO ATIVO ESTRATÉGICO NO PROJETO CONTEMPORÂNEO

A produtividade não depende apenas de processos e tecnologia. A forma como percebemos o ambiente também influencia na colaboração, engajamento e desempenho. A Estratégia Cromática revela como transformar cor, materiais e luz em ativos capazes de gerar valor para pessoas e organizações

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urante muito tempo, a cor foi tratada como a etapa final do projeto. Uma escolha estética, muitas vezes intuitiva, definida após a forma, o layout e os materiais. Mas há uma pergunta que todo designer já enfrentou: como justificar tecnicamente a escolha de uma cor quando o cliente questiona? Em um mercado cada vez mais competitivo, escolher bem não basta. É preciso saber argumentar, sustentar e transformar essa escolha profissional em valor percebido. A cor não é ornamento e sim uma decisão estratégica que irá impactar no design de produtos e espaços. O cérebro decide antes da razão A neurociência demonstra que o julgamento estético acontece antes da análise racional. Em frações de segundo, o cérebro ativa memória, emoção e percepção de valor. Antes mesmo de o cliente avaliar metragem, custo ou funcionalidade, ele já formou uma impressão simbólica do ambiente. Ignorar esse impacto é deixar o desempenho invisível do projeto ao acaso. A insegurança silenciosa da escolha cromática Poucos profissionais receberam formação sistemática para transformar escolhas cromáticas em argumentos técnicos. A Foto: divulgação

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maioria aprende por observação, experiência acumulada ou repertório visual. Embora esses fatores sejam valiosos, nem sempre oferecem critérios objetivos para sustentar decisões diante de clientes, equipes multidisciplinares ou processos de validação corporativa. Além da cor ser entendida como matiz, saturação e luminosidade, existem questões importantes do CMF (Color, Material & Finish). O tratamento de superfície altera a percepção de valor. O contraste reorganiza hierarquia visual. O brilho modifica leitura de qualidade. A cor é algo sempre relacional.

Da intuição à estratégia Nos últimos anos, tenho aprofundado pesquisas na interface entre cognição, materialidade e design. Esse trabalho resultou na consolidação de uma abordagem estruturada para tomada de decisão, desenvolvida a partir de experiências acadêmicas, pesquisas aplicadas e atuação profissional junto ao mercado. Projetar com consciência cromática é valorizar o conceito intencional de um projeto. Neste artigo, não é possível direcionar a metodologia desenvolvida no livro Estratégia Cromática.

Valor percebido é construção perceptiva Os ambientes de alto padrão utilizam contraste controlado, profundidade tonal e coerência material para criar sofisticação. Os espaços comerciais empregam estímulos cromáticos para direcionar fluxo e decisão. Projetos residenciais equilibram acolhimento, identidade e bem-estar. Quando a cor é concebida como sistema, ela se torna fundamento técnico e não apenas recurso estético. Em um mercado onde tendências circulam rapidamente e referências se repetem ou se contrapõem, dominar a aplicação perceptiva da cor se torna diferencial competitivo.

Tratar a cor como ativo estratégico não muda apenas a estética do espaço, mas transforma a sua performance perceptiva, o seu posicionamento comercial e a segurança do profissional ao apresentar e defender as suas escolhas. Talvez a principal transformação contemporânea não esteja nas novas cores que surgem a cada temporada, mas na forma como aprendemos a justificar suas escolhas para se tornar uma habilidade estratégica.


decorar + | Trigo Arquitetura | Portobello São Bernardo do Campo

ESSÊNCIA ATEMPORAL

PROJETADO PARA UM NOVO CAPÍTULO NA VIDA DE SEU MORADOR, PROJETO DE APARTAMENTO ASSINADO PELO TRIGO ARQUITETURA, TRADUZ ELEGÂNCIA, FUNCIONALIDADE E INTEGRAÇÃO EM AMBIENTES PENSADOS PARA RECEBER E VIVER BEM

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riado para um morador em busca de um recomeço, o apartamento de 178 m², em Santo André, traduz uma arquitetura pautada pela funcionalidade e pela elegância. Assinado pelas arquitetas Silvia Silot e Mariane Vanzei, da Trigo Arquitetura, o projeto valoriza a integração entre living, cozinha e gourmet, com iluminação cênica, marcenaria sob medida, automação e uma paleta sóbria de madeira, preto e grafite. Os revestimentos da Portobello assumem papel de destaque na composição. As lastras Folk Grey, em grandes formatos, conferem unidade visual e reforçam o caráter atemporal dos ambientes, em sintonia com bancadas em lâminas sinterizadas e acabamentos de alta qualidade. “A Portobello Shop São Bernardo do Campo é uma importante aliada no nosso processo de criação. Seu amplo repertório de materiais e o atendimento personalizado ampliam nossas possibilidades projetuais e garantem soluções sofisticadas e tecnicamente precisas para os clientes”, afirmam Silvia e Mariane.

Pensado para receber, o living integra estar, jantar e cozinha em uma composição marcada pela iluminação indireta, pela marcenaria sob medida e pelas lastras Folk Grey, da Portobello, aplicadas de forma contínua para ampliar a sensação de unidade nos ambientes

Portobello Shop São Bernardo do Campo @portobelloshopsbc R. Continental, 405, Jardim do Mar, São Bernardo do Campo, SP Tel: (11) 3181-7373

Trigo Arquitetura Silvia Silot e Mariane Vanzei Integrada à área social, a cozinha gourmet aposta na continuidade das lastras Folk Grey, da Portobello, e em uma paleta de tons escuros para reforçar a identidade do projeto

No banho da suíte master, o minimalismo se traduz em linhas limpas. O porcelanato aplicado no piso e paredes, a bancada em lâmina sinterizada, a marcenaria suspensa e os metais pretos criam uma composição elegante e atemporal

@trigoarq trigoarquitetura.com.br (11) 98711-1122 Fotos: Renan Torres

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decorar + | GRBX Arquitetos | Romanzza Perdizes

TRAÇO CONTÍNUO

EM UM APARTAMENTO NA CHÁCARA KLABIN, SÃO PAULO, PROJETO DE GUSTAVO ARBEX TRANSFORMA A MARCENARIA EM UM ELEMENTO CONDUTOR, QUE CONECTA OS AMBIENTES E REFORÇA A UNIDADE DA ARQUITETURA

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esenvolvido para uma cliente de longa data do escritório, o projeto nasce da relação de confiança construída ao longo dos anos para dar forma a um apartamento acolhedor, elegante e cheio de personalidade. A marcenaria executada pela Romanzza materializa esse conceito por meio de uma linha contínua que percorre toda a residência com painéis, portas ocultas e curvas suaves, estabelecendo uma linguagem visual entre os ambientes. Mais do que organizar a circulação, esse desenho cria um percurso fluido que acompanha a rotina da moradora e revela os espaços de forma gradual. A composição combina uma base em tons claros com a presença marcante dos painéis em madeira escura, responsáveis por costurar os ambientes e orientar o olhar ao longo do apartamento. A padronização da altura dos painéis reforça a horizontalidade da arquitetura, amplia a percepção dos espaços e confere equilíbrio ao conjunto, enquanto a marcenaria incorpora soluções discretas que preservam a leveza do projeto. “A Romanzza foi uma escolha assertiva. Tivemos uma negociação transparente, comunicação direta durante todo o desenvolvimento do projeto e uma equipe comprometida com prazos e soluções. Essa parceria foi fundamental para alcançarmos o resultado que imaginamos”, destaca o arquiteto Gustavo Arbex.

GRBX Arquitetos

Romanzza Perdizes @romanzzaperdizes Av. Sumaré, 1401 - Perdizes, São Paulo - SP Tel: (11) 3862-8992

@grbx.arquitetos grbxarquitetos.com (11) 3214-1488

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O painel contínuo em madeira desenha o percurso entre estar e jantar, incorpora portas ocultas e estantes e faz da marcenaria da Romanzza o elemento que unifica a arquitetura do apartamento

Integrada à sala por amplos caixilhos de vidro, a varanda prolonga a área social com uma composição leve, marcada por tons neutros, iluminação acolhedora e mobiliário que convida à permanência

A marcenaria organiza o closet com vitrines em vidro, perfis metálicos e iluminação embutida, transformando bolsas, perfumes e objetos pessoais em parte da composição do ambiente


OS MESMOS VINHOS, EXPERIÊNCIAS INESXQUECÍVEIS Adegas com tecnologias de alta performance e design exclusivo. Qualidade que se vê e sente. ARTDESCAVES.COM.BR | (11) 5525-52400


decorar + | Bruno Borges | Contato Iluminação

LUZ INTERIOR NO BANHO DA SAUDADE, BRUNO BORGES TRANSFORMA A LUZ EM PARTE DA NARRATIVA, CONDUZINDO O VISITANTE POR UM PERCURSO DE MEMÓRIA, CONTEMPLAÇÃO E PRESENÇA

A iluminação fornecida pela Contato Iluminação valoriza nichos, prateleiras e obras de arte, enquanto a linha de luz do corredor, deslocada para a esquerda, conduz o olhar de forma intuitiva ao longo do percurso até a área seguinte do ambiente

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m sua estreia na CASACOR São Paulo 2026, Bruno Borges concebe um ambiente que convida à desaceleração e ao mergulho nas próprias lembranças. Entre obras de arte, materiais naturais e elementos simbólicos, a luz desempenha um papel essencial ao revelar texturas, destacar percursos e construir uma atmosfera de introspecção que acompanha toda a experiência. As luminárias fornecidas pela v Iluminação integram essa composição com discrição,

Contato Iluminação @contatoiluminacao Av. Washington Luís, 3.600 Jd. Aeroporto, São Paulo - SP Tel: (11) 95763-0188

Bruno Borges

@viabrunoborges bsbarq.com (11) 97767-0500

Fotos: MCA Estúdio

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valorizando a arquitetura sem sobrepor a delicadeza da proposta. “O Banho da Saudade propõe, assim, um espaço de pausa, memória e reconexão. Um mergulho na mente, revelando fragmentos que o tempo transformou em memória. Um convite para olhar para dentro e reconhecer que, mesmo quebrados, continuamos inteiros”, resume o arquiteto Bruno Borges.


Mesmo sem a incidência de luz natural, o vitral artesanal permanece iluminado por um sistema interno que mantém sua presença ao longo do dia. A tela tensionada no teto completa o efeito ao simular a entrada de luz zenital e intensificar a experiência sensorial

Nas cabines, a iluminação de rodapé acentua o efeito de vertigem, enquanto o espelho devolve a pergunta que atravessa todo o Banho da Saudade: “Quem é você quando ninguém está olhando?”

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CONHEÇA

CILENE LUPI

JÚLIO DANTÈS

STUDIO KP ARQUITETURA

Cilene Lupi está à frente do escritório Cilene Lupi Arq+Design há mais de 35 anos. Com atuação eclética, desenvolve projetos de arquitetura e interiores para os segmentos residencial, comercial, corporativo, hoteleiro e gastronômico, além de espaços para eventos e retrofit de fazendas. Sua produção transita por diferentes escalas e programas, sempre com atenção à qualidade dos espaços e à experiência de quem os habita.

Formado pelo Instituto Nacional de Arte e Projeto, em Minas Gerais, Júlio César Dantès é designer de interiores e se define como moderno, inovador, barroco e clássico ao mesmo tempo. Destaca-se pelo design democrático, com harmonização de estilos. Desenvolve projetos de interiores e já participou de mostras de decoração como CASACOR e Morar Mais.

Fundado pela arquiteta Karina Passarelli, o Studio KP Arquitetura une expertise técnica e visão criativa em projetos conduzidos com atenção a cada detalhe. Com 22 anos de experiência, o escritório transforma ideias em espaços precisos e duradouros, tendo a excelência como prática cotidiana.

CONTATOS Bonni Design bonni.design

Fuorisalone fuorisalone.it

Patricia Penna patriciapenna.arq.br

Cilene Lupi Arq + Design cilenelupi.com.br

Grupo Elettromec elettromec.com.br

Roca Cerâmica rocaceramica.com.br

Docol docol.com.br

Grupo Tecno grupotecno.com.br

Salone del Mobile.Milano salonemilano.it

Domingos Tótora domingostotora.com.br

Guararapes guararapes.com.br

Studio de la Cruz studiodelacruz.com.br

Dualde Cornelsen dualdecornelsen.com

Gustavo Neves @_gneves______

Studio KP Arquitetura @studiokp.arq

DW! Semana de Design de São Paulo dwsemanadedesign.com.br

Júlio Dantès @juliodantes

Tidelli tidelli.com

Expo Revestir exporevestir.com.br

Marina Moreira marinamoreira.studio

Folio folioliving.com.br

Neolith by Alicante alicante.com.br


Poltrona Par por Nicholas Oher

Banqueta Bacio por Karol Suguikawa

Poltrona Ondira por Gabriel Rosa

@ B R E TO N OFICIA L

| BR ETON.CO


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