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Arte Cultura y Sociedad Brasil número 3

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A Ceilândia, uma favela de Brasília

SIMONE REGO

A igualdade de gênero também é problema seu

SYLVIA DOBRY

MORADIA E FAVELA MORADIA E FAVELA

JAVIER VILLANUEVA

DIRETÓRIO

Gestão Geral

Roberto Garza

Gestão Editorial e Comercial

Javier Villanueva

Direção de Projeto

Gabriela Arenas

Dirección de Diseño

Enrique Riojas

Edição Geral

Laura Delgado

Webdesign

Vanessa Martínez Sepúlveda

Administração

Víctor Hurtado

Conselho Editorial

Javier Villanueva

Roberto Garza

Gabriela Arenas

Isaac Morales Fernández

Laura Delgado

Ignacio Mendoza

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Moradia e favela

A arquiteta Sylvia Dobry, argentina radicada no Brasil desde 1979, nos comenta sobre um tema que interessa profundamente a quem mora nas periferias, bairros marginais e favelas das grandes cidades brasileiras e no mundo: a moradia. Junto com o emprego e a saúde, são temas tão urgente quanto a educação.

CONTEÚDO

O conteúdo do Os editoriais são de responsabilidade de seus autores e não representam necessariamente a linha editorial do periódico.

Ano 1 | Número 3

Esta edição foi publicada 31 de Janeiro de 2026

Outra perspectiva: Buñuel em cores mexicanas

Como parte das comemorações internacionais, especificamente em São Paulo, por ocasião do 125º aniversário do nascimento de Luis Buñuel, o ilustre cineasta espanhol naturalizado mexicano, o Consulado Geral do México em São Paulo, em colaboração com a Librería Española e Hispanoamericana e o Instituto Cervantes de São Paulo, organizou a exposição “O Outro Olhar: Buñuel em Cores Mexicanas”. A exposição foi inaugurada em 6 de agosto no Instituto Cervantes de São Paulo e permaneceu aberta ao público durante todo o mês.

A Ceilândia, uma favela de Brasília

A tragédia acontecida dias finas de outubro nas favelas da Penha e do Alemão, na cidade do Rio de Janeiro, com a morte de mais de 120 pessoas (números ainda não oficializados) numa megaoperação militar contra o narcotráfico deixa claro que as comunidades mais carentes não recebem o respeito e os cuidados necessários num momento tão grave como esse. Os amargos acontecimentos nos levam a aprofundar no tema das favelas como comunidades nas quais moram milhões de brasileiras e brasileiros e que apenas são menos esquecidos que a também enorme população de moradores de rua, os chamados sem-teto.

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Os Diversos Povos que habitam as Favelas do Brasil

Entre os muitos povos favelados no Brasil há descendentes dos antigos quilombolas, mulheres e homens escravizados fugidos ao interior e escondidos por décadas nas matas; há também descendentes de centenas dos povos originários morando nas favelas ou, ainda em piores condições, nas ruas das grandes cidades, na condição de moradores de rua, sem-teto.

Editorial

Ambos os países compartilham não apenas a distinção de serem duas das maiores economias da América Latina, mas também um cenário social marcado pela dualidade. Em ambas as nações, a modernidade de muitas de suas cidades coexiste com uma realidade dolorosa: comunidades que cresceram à margem do desenvolvimento formal.

Enquanto o Brasil é conhecido por suas favelas, assentamentos urbanos densamente povoados com serviços precários, o México enfrenta o desafio de seus próprios cinturões de pobreza e áreas rurais esquecidas. Essa semelhança não é meramente estatística; ela reflete uma dívida histórica que ambos os países devem pagar para atingir seu verdadeiro potencial.

A existência dessas comunidades revela, sem dúvida, uma falha estrutural na distribuição de renda e um modelo incompleto de desenvolvimento social. Nas favelas do Rio de Janeiro, por exemplo, ou nas periferias da Região Metropolitana da Cidade do México, talento e disposição para o trabalho abundam, enquanto as oportunidades são escassas. Infelizmente, vemos como essas áreas são frequentemente estigmatizadas pela violência, quando, na realidade, abrigam a força de trabalho que sustenta as grandes cidades.

Historicamente, ambos os países implementaram programas sociais ambiciosos. O Brasil, por um lado, implementou iniciativas como o Bolsa Família, um programa que tirou milhões da extrema pobreza e se tornou uma referência global em transferências condicionais de renda. O México, por sua vez, implementou programas de apoio monetário direto a diferentes setores, incluindo programas de previdência e bolsas de estudo universais, que certamente produziram resultados.

SITUAÇÃO ATUAL NO MÉXICO E NO BRASIL

No caso do Brasil, apesar de ter alcançado uma

México e Brasil, o desafio da equidade

De que adianta a redução da pobreza por meio da
redistribuição de renda se essa redução não for resultado de uma maior criação de valor por seus sistemas produtivos?

redução de 3,5% na pobreza extrema em todo o país até 2025, o número de pessoas vivendo em favelas cresceu mais de 40% nos últimos 12 anos, chegando a 16 milhões de pessoas distribuídas em mais de 12 mil favelas.

No caso do México, observamos que os níveis de pobreza caíram consideravelmente entre 2018 e 2024, com mais de 13 milhões de pessoas saindo da pobreza nesse período.

Contudo, ambos os países alcançaram esses resultados principalmente por razões semelhantes: aumento das transferências de programas sociais e elevação do salário mínimo. Essas duas ações oferecem alívio imediato, mas são insuficientes por si só para romper o ciclo intergeracional da pobreza.

O QUE PRECISA ACONTECER PARA QUE ESSAS COMUNIDADES SE TORNEM VERDADEIROS CENTROS DE CRESCIMENTO?

Uma mudança fundamental será a transição de programas assistenciais para investimentos produtivos e sociais. O verdadeiro crescimento só ocorrerá quando os governos não apenas fornecerem recursos financeiros, mas também garantirem o desenvolvimento da população e o acesso a infraestrutura adequada: água potável, conectividade, transporte eficiente e, acima de tudo, educação de qualidade. As favelas e o cinturão da pobreza devem deixar de ser vistos como problemas a serem resolvidos e passar a ser tratados como ecossistemas econômicos que necessitam de formalização e apoio ao empreendedorismo local.

Para que o México e o Brasil alcancem uma redução irreversível e sustentável da pobreza, é preciso criar projetos sólidos e bem programados que permitam, num futuro próximo limitar os programas assistenciais e os aumentos do salário mínimo como únicas formas de transferências de renda a favor dos setores atualmente mais empobrecidos, evoluindo para um modelo de

empoderamento estrutural que inclua, entre outros aspectos:

Urbanismo Social e Conectividade – Investimento em transporte público de qualidade que conecte as periferias aos centros de emprego. A pobreza de tempo é quase tão destrutiva quanto a pobreza económica.

Conexões Produtivas e Educação Técnica – Os programas de transferência econômica devem ser tanto um meio quanto uma ponte para a produtividade. Corredores industriais devem ser criados perto de áreas marginalizadas, e incentivos devem ser oferecidos às empresas para que se instalem nesses locais.

Fortalecimento do Estado de Direito – A segurança deve ser garantida e o controle territorial de grupos criminosos deve ser eliminado, pois os programas sociais não podem funcionar se o crime organizado drenar a renda das famílias. A recuperação do espaço público é vital para esse fim.

Sustentabilidade Fiscal para Investimentos –Para financiar a transformação sem cair em uma crise da dívida, ambos os países devem reformar seus sistemas tributários. O crescimento da produtividade deve ser o objetivo final: pessoas mais qualificadas geram mais valor, consomem mais e pagam mais impostos, criando um ciclo virtuoso que substitui os subsídios permanentes.

Especialistas e organizações apontam que a redução da pobreza pode ser insustentável a longo prazo se não for acompanhada por um crescimento econômico real. De que adianta diminuir a pobreza por meio da redistribuição de renda se isso não resultar em maior geração de valor pelo sistema produtivo ou na integração de favelas ou áreas empobrecidas ao desenvolvimento real do país?

Qual a sua opinião?

Roberto Garza

Ambos países no solo comparten el ser dos de las economías más grandes de América Latina; sino también el tener una fisonomía social marcada por la dualidad. En ambas naciones, la modernidad de muchas de sus ciudades convive con una realidad lacerante: el tener comunidades que han crecido al margen del desarrollo formal.

Mientras Brasil es reconocido por sus favelas, asentamientos urbanos de densa población y servicios precarios, México enfrenta el desafío de sus propios cinturones de miseria y zonas rurales olvidadas. Una similitud que no es meramente estadística; sino el reflejo de una deuda histórica que ambos países deberán saldar para alcanzar su verdadero potencial.

La existencia de estas comunidades evidencia sin duda, una falla estructural en la distribución de la riqueza y un modelo de desarrollo social incompleto. En las favelas de Río de Janeiro por ejemplo o en las periferias de la Zona Metropolitana del Valle de México, el talento y la voluntad de trabajo sobran, mientras que las oportunidades escasean. Tristemente, vemos como esas zonas suelen estar estigmatizadas por la violencia, cuando en realidad, son el hogar de la fuerza laboral que sostiene a las grandes ciudades.

Históricamente, ambos países han implementado programas sociales ambiciosos. Brasil, por un lado, ha implementado iniciativas como la de Bolsa Família, programa que ha logrado sacar a millones de la pobreza extrema y se ha convertido en un referente global de transferencias monetarias condicionadas. México, por su parte, ha implementado programas de apoyos monetarios directos a diferentes sectores, incluyendo programas de pensiones y becas universales que ciertamente han dado resultados.

SITUACIÓN ACTUAL EN MÉXICO Y BRASIL

En el caso de Brasil, a pesar de haber logrado una reducción en el 2025 del 3.5% en la pobreza extrema a nivel país, el número de personas viviendo en “favelas” creció en más de un 40% en los últimos 12 años, alcanzando los 16 millones de personas, distribuidas en más de 12,000 favelas.

En el caso de México, observamos que sus niveles de pobreza bajaron considerablemente entre 2018 y 2024, saliendo de la pobreza más de 13 millones de personas en ese periodo de tiempo.

robgarza@att.net.mx

México y Brasil, el reto de la equidad

De qué sirve que exista una baja en la pobreza a través de una redistribución del ingreso, si esta no es el resultado de una mayor generación de valor por parte de su sistema productivo.

Sin embargo, ambos países lograron obtener dichos resultados principalmente debido a razones similares: al aumento en las transferencias de programas sociales y al incremento del salario mínimo, dos acciones que ofrecen un alivio inmediato, pero que son insuficientes por si solas para romper el ciclo intergeneracional de la pobreza.

¿QUÉ DEBE OCURRIR PARA QUE ESTAS COMUNIDADES SE CONVIERTAN EN VERDADEROS POLOS DE CRECIMIENTO?

Fundamental será el pasar del asistencialismo a la inversión productiva y social. El verdadero crecimiento deberá gestarse cuando los gobiernos no solo entreguen un recurso económico, sino cuando garanticen el desarrollo de la población y el acceso a infraestructuras dignas: agua potable, conectividad, transporte eficiente y, sobre todo, educación de calidad. La “favela” y el “cinturón de miseria” deberán dejar de ser vistos como problemas a resolver y ser tratados como ecosistemas económicos que requieren formalización y apoyo al emprendimiento local.

Para que México y Brasil logren una reducción de la pobreza irreversible y sostenible, deberán limitar los apoyos asistencialistas y aumentos al salario mínimo y evolucionar a un modelo de empoderamiento estructural que incluya entre otros puntos los siguientes:

Para que México y Brasil logren una reducción de la pobreza irreversible y sostenible, deberán crear proyectos sólidos y bien planificados que permitan en un futuro cercano, limitar los apoyos asistencialistas y aumentos al salario mínimo, como únicas formas de transferencia de ingresos a los sectores más pobres, evolucionando así hacia un modelo de empoderamiento estructural que incluya, entre otros aspectos:

Urbanismo Social y Conectividad – Inversión en transporte público de calidad, que conecte las periferias con los centros de trabajo. La “pobreza de tiempo” es casi tan destructiva como la económica.

Vinculación Productiva y Educación Técnica – Los programas de transferencias económicas deberán ser un medio y un puente hacia la productividad. Se deberán crear corredores industriales cerca de las zonas marginadas y otorgar incentivos a las empresas para instalarse en ellos.

Fortalecimiento del Estado de Derecho –Se deberá brindar seguridad y acabar con el control territorial de grupos delincuenciales, ya que no hay forma de que un programa social funcione, si el crimen organizado “drena” el ingreso de las familias. La recuperación del espacio público es vital para este propósito.

Sostenibilidad Fiscal para la Inversión – Con el fin de financiar la transformación sin caer en crisis de deuda, ambos países deberán reformar sus sistemas recaudatorios. El crecimiento de la productividad debe ser el objetivo final: gente más capacitada genera más valor, consume más y paga más impuestos, creando un círculo virtuoso que sustituye al subsidio permanente.

Expertos y organismos señalan que la reducción de la pobreza podría ser insostenible a largo plazo, si esta no se acompaña de un crecimiento económico real. De qué sirve que exista una baja en la pobreza a través de una redistribución del ingreso, si esta no es el resultado de una mayor generación de valor por parte de su sistema productivo o debido a una integración de sus “favelas” o “cinturones de miseria” al desarrollo real del país.

¿Usted qué opina?

robgarza@att.net.mx

OPINIÃO | OPINIÓN

PARA O QUÊ SERVE UMA REVISTA CULTURAL?

¿PARA QUÉ SIRVE UNA REVISTA CULTURAL?

Essa é a pergunta que fazíamos na primeira edição de Arte, Cultura e Sociedade-Brasil, e de fato nos perguntávamos a nós mesmos também, quando, impulsionados pelo firme apoio de nossos amigos da AC&S-México, a publicação original, nos propusimos criar uma revista bilíngue México-Brasil dedicada à difusão do pensamento artístico e cultural contemporâneo.

E assim chegamos à edição número 3, que, segundo muitos especialistas, é quando o futuro de uma revista é verdadeiramente definido. Porque é disso que se trata a AC&S-Brasil: uma revista que reúne ensaios, entrevistas e obras que celebram o diálogo entre a literatura, as artes visuais e a música do Brasil e do mundo hispano-americano, com uma visão para o futuro.

Portanto, nesta terceira edição, trazemos novamente anotações sobre a mulher brasileira: a artista, a lutadora social e inclusive a mulher dedicada à música em qualquer lugar do mundo. Também conversamos sobre a moradia e sua expressão mais extrema se fala de carestia no Brasil: a favela e a luta de seus habitantes por educação, saúde e alimentação saudável, o que é muito mais do que apenas moradia. Para não deixar a um lado a literatura, trazemos novas (e antigas) pontes entre a literatura brasileira, tão pouco conhecida na Hispano-América, e todas elas tão latino-americanas. Conversamos também sobre as línguas crioulas e as novas influências do português brasileiro além de suas fronteiras.

Por fim, como uma grande experiência de arte e construção de pontes, compartilhamos nossa experiência com Samuel Rodríguez Medina, mexicano que nos trouxe, em agosto de 2025, sua exposição “Buñuel: 125 Anos” , com as cores de um Brasil e um México cada vez mais unidos por seus laços culturais. E retornamos aos nossos pensamentos ao lançar a revista: Para o quê serve uma revista de pensamento e de cultura? Aos poucos, vamos respondendo que, embora inicialmente uma revista como a nossa não conte com um público amplo, aqueles interessados nos temas que trazemos, e os colunistas que nos acompanham com carinho e dedicação, são fatores de crescimento e divulgação, sobretudo em uma realidade tão rica e dinâmica como a brasileira, tão ávida por temas que nos afastem da imediatidade das redes sociais e nos levem a refletir profundamente, a criar opiniões sólidas e bem fundamentadas.

Era lo que preguntábamos -y en realidad nos preguntábamos a nosotros mismos en el 1er número de Arte, Cultura e Sociedade-Brasil, cuando, impulsados por el firme apoyo de nuestros amigos de AC&S-México, la revista original, nos proponíamos generar una publicación bilingüe México-Brasil dedicada a la difusión del pensamiento artístico y cultural contemporáneo.

Y así llegamos al número 3, con el que, según muchos especialistas, es cuando realmente se define la vida futura de una revista. Porque de eso se trata cuando definimos a AC&S-Brasil: de una revista que reúne ensayos, entrevistas y obras que celebran el diálogo entre la literatura, las artes visuales y la música de Brasil y del mundo hispanoamericano, con una visión de cara al futuro.

Por ello, en este número 3 traemos nuevamente notas sobre la mujer brasileña, la artista, la luchadora social, e incluso la mujer dedicada a la música en cualquier otro lugar del mundo. Hablamos también de la vivienda y su expresión más extrema cuando se habla de carencias en Brasil: la favela y la lucha de sus habitantes por educación, salud y alimentación saludable, lo que es más que solamente vivienda. Para no dejar de lado las letras, traemos nuevos (y antiguos) puentes entre la literatura brasileña, tan poco conocida en Hispanoamérica, y todas ellas tan latinoamericanas. Hablamos también de las lenguas criollas y de las nuevas influencias del portugués brasileño fronteras afuera.

Por fin, como gran experiencia de arte y construcción de puentes, contamos la experiencia que tuvimos con Samuel Rodríguez Medina, mexicano que nos trajo, en agosto de 2025, su Exposición de Buñuel: 125 años, con los colores de un Brasil y un México que se hermanan cada vez más en sus lazos culturales. Y volvemos a nuestros pensamientos al lanzar la revista: ¿Para qué sirve una revista de pensamiento y de cultura? Pues de a poco nos vamos respondiendo que, aunque inicialmente una revista como la nuestra no cuente con un público amplio, los interesados en los temas que traemos, y los articulistas que nos acompañan con cariño y dedicación, son factores de crecimiento y de divulgación, sobre todo en una realidad tan rica y en movimiento como la brasileña, tan ávida de temas que nos saquen de la inmediatez de las redes sociales y nos lleven a reflexionar con profundidad, a crear opiniones sólidas y bien fundamentadas.

E assim chegamos à edição número 3, que, segundo muitos especialistas, é quando o futuro de uma revista é verdadeiramente definido

Y así llegamos al número 3, con el que, según muchos especialistas, es cuando realmente se define la vida futura de una revista

ESPECIAL

OUTRA PERSPECTIVA: BUÑUEL EM CORES MEXICANAS LA OTRA MIRADA: BUÑUEL EN COLORES MEXICANOS

Nos gustaría agradecer al Consulado de México en São Paulo y, muy especialmente al amigo Rodrigo Vázquez Ortega, Cónsul encargado de asuntos económicos-comerciales, promoción y asuntos culturales y educativos, por su enorme colaboración con nuestros proyectos a lo largo de 2025

Como parte das comemorações internacionais, especificamente em São Paulo, por ocasião do 125º aniversário do nascimento de Luis Buñuel, o ilustre cineasta espanhol naturalizado mexicano, o Consulado Geral do México em São Paulo, em colaboração com a Librería Española e Hispanoamericana e o Instituto Cervantes de São Paulo, organizou a exposição “O Outro Olhar: Buñuel em Cores Mexicanas”. A exposição foi inaugurada em 6 de agosto no Instituto Cervantes de São Paulo e permaneceu aberta ao público durante todo o mês.

Seu sucesso inegável decorre de dois elementos fundamentais. Primeiro, acredito que a exposição constitui uma homenagem visual, criativa e propositiva à obra e ao legado do mestre cineasta, a partir de uma perspectiva profundamente mexicana em suas cores, formas e propostas, destacando o diálogo artístico e cultural que une México, América Latina e Espanha há décadas, e a mexicanização da obra e da produção de Buñuel, bem como de seu legado internacional.

Um segundo elemento é o fato de a exposição mencionada ser composta por ilustrações, pinturas, colagens e imagens criadas por artistas do norte do México.

O elemento-chave reside na promoção e no apoio concedidos pelo Consulado Geral do México em São Paulo a um grupo de artistas talentosos que, com seus trabalhos nesta exposição no Brasil, contribuíram para a arte mexicana e alcançaram reconhecimento internacional. Alguns deles viajaram para São Paulo, e diplomatas puderam conhecê-los pessoalmente e identificar novas iniciativas de promoção artística.

Vale destacar que esse grupo de artistas conseguiu reinterpretar,

Como parte de las celebraciones internacionales, y específicamente en São Paulo, con motivo del 125° aniversario del nacimiento de Luis Buñuel, destacado cineasta español naturalizado mexicano, el Consulado General de México en São Paulo, en colaboración con la Librería Española e Hispanoamericana y el Instituto Cervantes de São Paulo, organizó la exposición “La Otra Mirada: Buñuel en colores mexicanos”, que se inauguró el 6 de agosto en el Instituto Cervantes de esta ciudad y permaneció abierta durante todo el mes.

Su indudable éxito se deriva de dos elementos fundamentales. En primer lugar, considero que la exposición constituye un homenaje visual, creativo y con propósito a la obra y el legado del maestro cineasta desde una perspectiva profundamente mexicana en sus colores, formas y propuestas, destacando el diálogo artístico y cultural que ha unido a México, Latinoamérica y España durante décadas y la mexicanización de la obra y la producción de Buñuel, así como su legado internacional.

Un segundo elemento se entiende como la citada exposición está integrada por ilustraciones, pinturas, collages e imágenes creadas por artistas del norte de México.

Lo fundamental está en la promoción y el apoyo dado por el Consulado General de México en São Paulo a un colectivo de talentosos artistas quienes con su trabajo en esta exposición en Brasil han contribuido al arte mexicano al tiempo de adquirir notoriedad internacional. Algunos de ellos hicieron el viaje a São Paulo y el personal diplomático pudo conocerlos personalmente e identificar nuevas iniciativas de promoción artística.

Vale decir que este colectivo de artistas logró que sus obras

por meio de suas obras, a estética, os temas e as emoções que marcaram os filmes de Buñuel não apenas durante sua passagem pelo México, mas ao longo de toda a sua produção. Por meio de uma paleta de cores vibrante, essencialmente mexicana, e de uma visão ousada e contemporânea, as obras dos artistas testemunharam o impacto que o cineasta teve no mundo do cinema, no imaginário e na sensibilidade artística e visual. Esse impacto é evidentemente mais pronunciado no México, mas não é exclusivo do nosso país.

Desde o início, quando a proposta da exposição foi apresentada, o Consulado Geral do México a acolheu e se dedicou a ajudar a organizar sua chegada e implementação em São Paulo, estabelecendo uma relação de trabalho e colaboração para torná-la possível. Para tanto, coordenou diversos encontros com as instituições colaboradoras e participantes, bem como com Samuel Rodríguez Medina, professor e artista que idealizou a exposição.

O projeto refletiu, em uma exposição extremamente enriquecedora, a vocação do Consulado Geral do México em São Paulo para promover o intercâmbio cultural e fortalecer os laços entre as comunidades artísticas do México e do Brasil, bem como as da Espanha e de outras latitudes. Com o apoio do Instituto Cervantes e da Librería Española e Hispanoamericana, a exposição foi complementada por outras atividades promocionais, incluindo duas palestras sobre o cinema mexicano e seu diálogo com o cinema brasileiro, em especial as semelhanças e inspirações conceituais entre Buñuel e Glauber Rocha.

Dessa forma, o projeto conjunto reafirma a importância da arte como ferramenta de diplomacia cultural e como veículo de difusão da riqueza da criatividade mexicana em espaços internacionais, neste caso em uma metrópole tão importante para a arte e a cultura como São Paulo.

É com satisfação que podemos afirmar que aqueles que visitaram a exposição enfatizaram seu valor simbólico e criativo, pois ela celebra a universalidade do mundo de Buñuel, uma redescoberta de sua essência, sua estética e sua emoção, bem como a profundidade de sua conexão com o México.

Com iniciativas como esta, o México, por meio do Consulado Geral em São Paulo, reafirma seu compromisso com a diplomacia cultural e o apoio aos artistas mexicanos.

reinterpretasen la estética, los temas y las emociones que marcaron la filmografía de Buñuel durante no solamente su etapa mexicana sino toda su producción. A través de una paleta cromática esencialmente mexicana, vibrante y de una mirada contemporánea y audaz, los artistas ofrecieron en sus obras un testimonio del impacto que el cineasta tuvo en el ámbito cinematográfico, en la imaginación y en la sensibilidad artística y visual. Evidentemente, ese impacto es más marcado en México, pero no es exclusivo de nuestro país.

Desde el primer momento que se planteó la propuesta de la exposición, el Consulado General de México la cobijó y se dispuso a organizar su llegada y realización en São Paulo, para lo cual construyó una relación de trabajo y colaboración con miras a hacerlo posible. Para ello, coordinó diversas reuniones con las instituciones colaboradoras y participantes, así como con Samuel Rodríguez, profesor y artista que idealizó la exposición.

El proyecto reflejó, en una exposición sumamente enriquecedora, la vocación del Consulado General de México en São Paulo por promover el intercambio cultural y fortalecer los vínculos entre las comunidades artísticas de México y Brasil, así como de España y otras latitudes. Con el apoyo del Instituto Cervantes y la Librería Española e Hispanoamericana, la exposición se complementó con otras actividades de promoción, incluyendo dos conferencias sobre la cinematografía mexicana y su diálogo con la brasileña, particularmente las similitudes e inspiración conceptual entre Buñuel y Glauber Rocha.

De esta forma, el proyecto en conjunto reafirma la importancia del arte como herramienta de diplomacia cultural y como vehículo para difundir la riqueza de la creatividad mexicana en espacios internacionales, en este caso en una metrópoli tan importante para el arte y la cultura como lo es São Paulo.

Es con satisfacción que se puede afirmar que quienes visitaron la exposición destacaron su valor simbólico y creativo pues celebra la universalidad del mundo de Buñuel, un redescubrir de su esencia, de su estética y de su emoción, así como la profundidad de su vínculo con México.

Con iniciativas como esta, México, a través del Consulado General en São Paulo, reafirma su compromiso con la diplomacia cultural y el apoyo a artistas mexicanos.

OPINIÃO | OPINIÓN

A CEILÂNDIA, UMA FAVELA DE BRASÍLIA A CEILÂNDIA, UNA FAVELA EN BRASILIA

Atragédia acontecida nos dias finais de outubro nas favelas da Penha e do Alemão, na cidade do Rio de Janeiro, com a morte de mais de 120 pessoas (números ainda não oficializados) numa megaoperação militar contra o narcotráfico deixa claro que as comunidades mais carentes não recebem o respeito e os cuidados necessários num momento tão grave como esse.

Os amargos acontecimentos nos levam a aprofundar no tema das favelas como comunidades nas quais moram milhões de brasileiras e brasileiros e que apenas são menos esquecidos que a também enorme população de moradores de rua, os chamados sem-teto.

O conceito de favela nasceu no Rio de Janeiro a partir da ocupação dos morros por ex-soldados da Guerra de Canudos, que batizaram o local de “Morro da Favela” em homenagem ao nome de uma planta que crescia na região da guerra. O conflito armado tinha sido motivado pela miséria e a brutal desigualdade social no sertão nordestino, onde Antônio Conselheiro liderou uma comunidade que buscava uma vida mais digna e lutava contra os latifundiários e a República.

Terminada a guerra com a derrota e Canudos, os soldados que lutaram no sertão não receberam seus soldos. Essa situação gerou protestos após o conflito, com os soldados desmobilizados indo protestar ao Rio de Janeiro, capital da república na época, onde acabaram acampando no Morro da Providência,

Esse evento inicial foi seguido por outros processos sociais graves, como a desocupação de moradias muito pobres -chamadas de cortiços- durante as reformas urbanas que seguiram, e também a falta de habitação para as mulheres e homens libertos após a abolição da escravatura, o que foi empurrando a população mais pobre para as encostas dos morros.

Já a Ceilândia surgiu em 1971 em Brasília -nova capital da república desde abril de 1960- a partir da Campanha de Erradicação de Invasões (CEI) como um plano do governo para realocar pessoas que viviam em áreas irregulares, as chamadas “invasões”, no centro de Brasília. O nome CEI + lândia (cidade) deu origem a Ceilândia. As primeiras famílias foram transferidas para a nova

La tragedia ocurrida a finales de octubre en las favelas de Penha y Alemão, en Río de Janeiro, con la muerte de más de 120 personas (las cifras exactas aún no han sido confirmadas oficialmente) en un operativo militar contra el narcotráfico, evidencia que las comunidades más pobres no reciben el respeto ni la atención necesarios en un momento tan crítico. Estos amargos sucesos nos llevan a profundizar en el tema de las favelas, comunidades donde viven millones de brasileños, y que solo son menos olvidadas que la igualmente enorme población de personas sin hogar, los sintecho o en situación de calle.

El concepto de favela se originó en Río de Janeiro a partir de la ocupación de las colinas por exsoldados de la Guerra de Canudos, quienes bautizaron el lugar como “Morro da Favela” en homenaje a una planta que crecía en la región. El conflicto armado fue motivado entre 1896 y 97 por la miseria y la brutal desigualdad social en el interior del noreste, donde Antônio Conselheiro lideraba una comunidad que buscaba una vida más digna y luchaba contra los terratenientes y la recién instalada República.

Tras el fin de la guerra con la derrota de Canudos, los soldados que lucharon en el interior no recibieron su paga. Esta situación generó protestas, y los soldados desmovilizados se dirigieron a Río de Janeiro, la capital de la República en aquel entonces, para manifestarse, donde acamparon en el Morro da Providência.

A este acontecimiento inicial le siguieron otros procesos sociales graves, como el desalojo de viviendas precarias —conocidas como vecindades en México o conventillos en el Río de la Plata— durante las reformas urbanísticas posteriores, y la falta de vivienda para las mujeres y los hombres liberados tras la abolición de la esclavitud, lo que obligó a la población más pobre a asentarse en las laderas de las colinas circundantes.

Por su parte, Ceilândia surgió en 1971 en Brasilia —la nueva capital de la república desde abril de 1960— a partir de la Campaña para la Erradicación de las Invasiones (CEI), un plan gubernamental para reubicar en el centro de Brasilia a las personas que vivían en asentamientos irregulares, las llamadas «invasiones». El nombre CEI + lândia (ciudad) dio origen a Ceilândia. Las primeras familias fueron trasladadas a la nueva

região em março de 1971. Apesar de iniciar com precariedade, a Ceilândia tornou-se a cidade mais populosa do Distrito Federal, com uma rica cultura.

Ocorre que a no final dos anos 1960, a realidade da população do Distrito Federal era bem diferente do que os idealizadores de Brasília imaginavam ou tinham sonhado nas suas pranchetas. Muito provavelmente o urbanista Lúcio Costa, que criou o Plano Piloto, e o arquiteto Oscar Niemeyer, responsável pelo projeto arquitetônico dos principais edifícios e monumentos da cidade, ou o engenheiro Joaquim Cardozo, jamais teriam imaginado que em menos de uma década já haveria cerca de 20% dos habitantes morando em ocupações irregulares e sem uma infraestrutura básica para a sobrevivência.

De fato, nove anos depois da sua fundação, a capital federal tinha 79 mil pessoas em situação de pobreza extrema, em quase 15 mil barracos nos que se amontoavam os migrantes que chegavam e se encontravam com a falta total de habitações populares. Esta situação extrema levou à construção de moradias em áreas desabitadas e em ocupações descontroladas.

Para minimizar a situação, o governador Hélio Prates criou a Campanha de Erradicação de Invasões (CEI), o primeiro projeto de erradicação de favelas do Distrito Federal.

CONTEXTO HISTÓRICO

Diferente dos anos da construção e inauguração de Brasília, que foi uma época de desenvolvimento e democracia, a criação de Ceilândia ocorreu durante a ditadura militar de 1964-85. O então governador Hélio Prates, e sua esposa Vera Silveira, queriam resolver o problema das ocupações irregulares e da precariedade das moradias nas proximidades do centro de Brasília. Em março de 1971, as primeiras famílias foram transferidas da Vila do IAPI e de outras áreas para Ceilândia, um projeto assinado pelo arquiteto Ney Gabriel de Sousa.

región en marzo de 1971. A pesar de sus inicios bastante precarios, Ceilândia se convirtió en la ciudad más poblada del Distrito Federal, con una rica cultura propia.

Resulta que, a finales de la década de 1960, la realidad de la población del Distrito Federal era muy distinta de lo que los planificadores de Brasilia habían imaginado o soñado en sus planos, encima de sus mesas de dibujo. Probablemente, ni el urbanista Lúcio Costa, creador del Plan Piloto, ni el arquitecto Oscar Niemeyer, responsable del diseño arquitectónico de los principales edificios y monumentos de la ciudad, ni el ingeniero Joaquim Cardozo, habrían imaginado que, en menos de una década, cerca del 20% de los habitantes ya viviría en asentamientos irregulares sin la mínima infraestructura básica para sobrevivir.

De hecho, nueve años después de su fundación, la capital federal contaba con 79 mil personas viviendo en extrema pobreza, en casi 15 mil chozas en donde los migrantes recién llegados se hacinaban, enfrentando una situación de total falta de viviendas asequibles. Esta condición extrema propició la construcción de viviendas en zonas antes deshabitadas y en asentamientos irregulares e ilegales. Para mitigar la situación, el gobernador Hélio Prates creó la Campaña para la Erradicación de las Invasiones (CEI), el primer proyecto de supresión de barrios marginales en el Distrito Federal.

CONTEXTO HISTÓRICO

A diferencia de los años de construcción e inauguración de Brasilia, que fue una época de desarrollo y democracia, la creación de Ceilândia tuvo lugar durante la dictadura militar de 1964-1985. El entonces gobernador Hélio Prates y su esposa, Vera Silveira, buscaban solucionar el problema de las ocupaciones irregulares y la precariedad habitacional cerca del centro de Brasilia. En marzo de 1971, las primeras familias fueron trasladadas desde Vila do IAPI y otras zonas a Ceilândia, un proyecto diseñado por el arquitecto Ney Gabriel de Sousa.

Comandada pela primeira-dama Vera Silveira, a CEI começou a atuar em 1969 e demarcou 18 mil lotes em uma área de 20 mil km2 ao norte de Taguatinga. Para lá seriam transferidos moradores das favelas da Vila do IAPI, Tenório, Esperança, Bernardo Sayão e do Morro do Querosene.

No início, porém, a cidade não tinha infraestrutura básica, com o abastecimento de água encanada só sendo implementado anos depois.  Contudo, ao longo dos anos, a área urbana se expandiu com a criação de novos bairros e quadras, como Ceilândia Norte, Sul e o Setor O. Ceilândia só foi oficializada como Região Administrativa (IX) em outubro de 1989, mais de 18 anos após a sua fundação.

IDENTIDADE CULTURAL

A cidade tem uma forte identidade nordestina, com muitos migrantes do Nordeste, e por isso abriga a Casa do Cantador, um espaço importante para a cultura nordestina, e a Feira Central, um centro de artesanato e culinária regional. O que não tira a primeira impressão em relação ao seu nascimento, que lembra tristemente das misérias da África do Sul, no pior período do apartheid.

Desde os anos de 1960, o nome CEI ficava em uma placa que era a referência para quem chegava ao loteamento, e foi tão popular, que terminou por batizar uma nova cidade: Ceilândia, oficialmente criada em março de 1971, quando as primeiras famílias começaram a transferência para o local.

Já a caixa d’água, símbolo da cidade, foi inaugurada no terceiro aniversário de Ceilândia, 27 de março de 1974, tornando-se imediatamente um ponto de referência da cidade que funciona até hoje.

Passando os anos e com a quantidade crescente de moradores, novas áreas foram criadas em Ceilândia. Em 1976, foi inaugurada a QNO (Quadra Norte “O”) e, em 1977, o Núcleo Guariroba, situado em Ceilândia Sul. Depois foi a vez dos Setores “P” Norte e “P” Sul (1979). Em 1985, foi expandido o Setor “O”, em 1988 houve o acréscimo do Setor “N”, em 1989, a QNQ e, em 1992, o Setor “R”.

Atualmente, Ceilândia tem mais de 400 mil habitantes e é a região administrativa com o maior número de nordestinos e de comerciários do DF. Também é a única cidade do Distrito Federal, fora do Plano Piloto, que exibe uma obra de Oscar Niemeyer, a Casa do Cantador, inaugurada em novembro de 1986.

Além de ser das maiores cidades do Distrito Federal em número de habitantes também tem altos índices de criminalidade e uma grande quantidade de usuários de drogas circulando pelas ruas até com uma quadra atrás da Caixa D’Água com uma rua que é a cracolândia ceilandense.

O profesor Creomar de Souza, da Fundação Dom Cabral, explica que “Juscelino Kubistchek foi muito bem-sucedido em transformar Brasília em uma terra de sonhos e oportunidades no imaginário popular”, mas não conseguiu dar soluções para o enorme fluxo de população que essas promessas atraíram.

Por sua vez, o professor Rogério Lustosa Victor afirma que Brasília conseguiu em 60 anos sintetizar a “tragédia brasileira”, evidenciando os enormes abismos sociais em pouquíssimo tempo. “Temos o Plano Piloto, como região com renda per capita altíssima para a realidade brasileira, nível de escolaridade também alto, ambiência urbana, muito verde etc. E temos a Ceilândia –o oposto: renda baixa, desemprego alto, escolaridade baixa”.

Dirigida por la Primera Dama Vera Silveira, la CEI comenzó a operar en 1969 y delimitó 18.000 lotes en un área de 20 mil km² al norte de Taguatinga. Allí se reubicarían los residentes de las favelas de Vila do IAPI, Tenório, Esperança, Bernardo Sayão y Morro do Querosene.

Inicialmente, la ciudad carecía de infraestructura básica, y el suministro de agua potable por tubería no se implementó hasta años después. Sin embargo, con el paso del tiempo, el área urbana se expandió con la creación de nuevos barrios y manzanas, como Ceilândia Norte, Sul y Setor O. Ceilândia fue reconocida oficialmente como Región Administrativa (IX) recién en octubre de 1989, más de 18 años después de su fundación.

IDENTIDAD CULTURAL

La ciudad posee una fuerte identidad que refleja al pueblo del nordeste brasileño, con muchos migrantes de esa región. Por ello, alberga la Casa do Cantador, un importante espacio para la cultura del nordeste, y la Feira Central, un centro de artesanía y gastronomía regional. Esto no desmerece la dura impresión inicial de sus orígenes.

Desde la década de 1960, el nombre CEI figura en un letrero que sirve de referencia para quienes llegan a la urbanización. Su popularidad fue tal que terminó dando nombre a una nueva ciudad: Ceilândia, creada oficialmente en marzo de 1971, cuando las primeras familias comenzaron a mudarse al lugar.

La torre de agua, símbolo de la ciudad, fue inaugurada en el tercer aniversario de Ceilândia, el 27 de marzo de 1974, convirtiéndose de inmediato en un punto de referencia que se mantiene en uso hasta el día de hoy.

Con el paso de los años, y el creciente número de residentes, se crearon nuevas zonas en Ceilândia. En 1976 se inauguró el QNO (Quadra Norte “O”) y en 1977 se estableció el Núcleo Guariroba, ubicado en Ceilândia Sul. Posteriormente, en 1979, se crearon los Sectores Norte y Sul “P”. En 1985 se amplió el Sector “O”, en 1988 se añadió el Sector “N”, en 1989 el QNQ y en 1992 el Sector “R”.

Actualmente, Ceilândia cuenta con más de 400 mil habitantes y es la región administrativa con mayor número de personas provenientes del Nordeste de Brasil y de trabajadores del sector comercial en el Distrito Federal. Es también la única ciudad del Distrito Federal, fuera del Plano Piloto, que cuenta con una obra de Oscar Niemeyer: la Casa do Cantador, inaugurada en noviembre de 1986.

Además de ser una de las ciudades más pobladas del Distrito Federal, presenta altos índices de criminalidad y una gran cantidad de dependientes químicos en sus calles, incluyendo una cuadra detrás del depósito de agua donde se encuentra una calle conocida por el consumo de crack o “paco” en Ceilândia.

El profesor Creomar de Souza, de la Fundación Dom Cabral, explica que “Juscelino Kubitschek logró transformar Brasilia en una tierra de sueños y oportunidades en el imaginario popular”, pero no supo dar respuesta a la enorme afluencia de personas que atrajeron estas promesas.

Por su parte, el profesor Rogério Lustosa Victor afirma que Brasilia, en 60 años, logró sintetizar la “tragedia brasileña”, evidenciando las enormes divisiones sociales en muy poco tiempo. “Tenemos el Plano Piloto, una región con una renta per cápita muy alta para la realidad brasileña, un alto nivel educativo, un entorno urbano, muchos espacios verdes, etc. Y tenemos Ceilândia, todo lo contrario: bajos ingresos, alto desempleo, baja escolaridad”.

Hoje, a Ceilândia é, segundo a Codeplan -Companhia de Planejamento do Distrito Federal-, a maior e mais populosa região administrativa da capital federal, com meio milhão de habitantes. A 30km do centro de Brasília, há diversos problemas de infraestrutura, educação e, principalmente, de mobilidade, com um transporte público caro e ineficiente.

Porém, a 35km do centro, a maior favela de Brasília, e uma das maiores do Brasil, é a Favela Sol Nascente, localizada na região oeste da capital federal. Conforme o Censo IBGE 2024, a população da Sol Nascente ultrapassa os 100 mil habitantes, com cerca de 101.866 moradores e mais de 32 mil domicílios, superando a Rocinha, no Rio de Janeiro, e dobrando a população de Heliópolis, a maior de São Paulo, e Paraisópolis, a segunda.

Esse é o panorama e os números frios que tapam as dores de milhares de vidas ao longo do país e que, na última semana de outubro passado mostrou toda a crueldade, o racismo e a falta de respeito mais elementar perante essa enorme porção da nossa nação.

Hoy, según Codeplan, la empresa de planificación del Distrito Federal, Ceilândia es la región administrativa más grande y poblada de la capital federal, con medio millón de habitantes. Ubicada a 30 km del centro de Brasilia, la ciudad presenta varios problemas de infraestructura, educación y, sobre todo, movilidad, con un transporte público caro e ineficiente. Sin embargo, a 35 km del centro, la favela más grande de Brasilia y una de las más grandes de Brasil, es Sol Nascente, ubicada en la zona oeste de la capital federal. Según el Censo IBGE de 2024, la población de Sol Nascente supera los 100 mil habitantes, con aproximadamente 101.866 residentes y más de 32 mil hogares, superando a la Rocinha en Río de Janeiro y duplicando la población de Heliópolis, la más grande de São Paulo, y de Paraisópolis, la segunda más grande de esa ciudad.

Este es el panorama y las frías cifras que ocultan el sufrimiento de miles de personas en todo el país y que, en la última semana de octubre, pusieron de manifiesto toda la crueldad, el racismo y la más básica falta de respeto en relación a estas enormes regiones de nuestra nación.

A PROFISSIONALIZAÇÃO DAS MULHERES NA MÚSICA E AS

ORQUESTRAS DE

MULHERES

NO FINAL DO SÉCULO XIX

LA PROFESIONALIZACIÓN DE LAS MUJERES EN LA MÚSICA Y LAS ORQUESTAS FEMENINAS A FINALES DEL SIGLO XIX

No final do século XIX, um importante fenômeno social tomava corpo no universo musical. Em vários ramos do empreendimento musical, mulheres buscavam espaço como profissionais, lutando pelo direito de fazer parte de uma profissão que esteve, histórica e ideologicamente, ligada ao universo masculino.

O discurso hegemônico do período era claro: uma moça deve saber tocar piano para o deleite doméstico: almejar qualquer atividade musical fora do lar, no entanto, era inimaginável. Mesmo assim, através de um árduo caminho, a participação profissional da mulher foi aumentando gradativamente ao longo do século. Clara Schumann, por exemplo, já na década de 1840 empreendeu uma sólida e reconhecida carreira de pianista, sendo hoje em dia apontada como figura fundamental da consagração de grande parte do repertório pianístico e na consagração do próprio piano (Weber, 2011, p. 351).

É importante frisar que grande parte do sustento financeiro da família Schumann vinha de seus recitais, já que os ganhos de seu marido, o compositor Robert Schumann, não davam conta das necessidades da família (Scherer, 2004, p.58). Além de Clara, outras virtuosas conseguiram empreender carreiras musicais de sucesso, como foi o caso da pianista Arabela Godard. No entanto, a presença da mulher no campo profissional da música ainda era extremamente limitada por fatores ideológicos. É no final do século que as coisas começam, pela primeira vez, a mudar.

A profissionalização da música no século XIX abriu lentamente espaço para a participação efetiva das mulheres no mercado musical. Na luta por um espaço no meio profissional musical, muitas mulheres passaram a dar aulas de piano. Outras, em busca do reconhecimento popular, buscavam espaço no Music Hall como cantoras e dançarinas.  Por um lado, o mercado musical se expandia, aumentando as chances profissionais da mulher no meio musical. A profissionalização da mulher na música, no entanto, não pode ser reduzida somente a uma questão de mercado. Ela também foi resultado de uma luta constante por reconhecimento que envolvia muitas outras questões sociais e políticas.

Um importante fenômeno sócio-musical nos ajuda a entender melhor a questão. Na segunda metade do século XIX surgem orquestras compostas somente por mulheres, as chamadas Ladie’s Orchestra ou Dammenkapellen. A divisão de gêneros na música era extremamente forte no período. Como lembra o musicólogo Derek B. Scott, havia no século XIX uma divisão entre estilos musicais adequados e não adequados para as mulheres. Muitas foram marginalizadas como compositoras, restritas a gêneros socialmente aceitáveis¹. Assim como ocorria quanto aos gêneros musicais, no século XIX era comum dividir os instrumentos entre os adequados e os não adequados para as mulheres.  Como lembra a historiadora Katharine Ellis, o próprio ensino musical reforçava esta ideologia. Durante boa parte do século XIX, além de separar as classes por gênero, os conservatórios restringiam a formação musical das mulheres, formando apenas cantoras, harpistas e pianistas, instrumentos pertencentes à vida doméstica (Ellis, 2001, p. 361).  A solução encontrada por parte das mulheres que buscavam fazer carreira tocando o “instrumento errado” era formar suas próprias orquestras.

As dificuldades eram grandes. Além de receberem menos do que os homens, havia uma tremenda dificuldade de se encontrar musicistas para tocar determinados instrumentos, como os de metal. Muitas vezes, tais naipes ficavam incompletos ou tinham

Afinales del siglo XIX, se gestaba un importante fenómeno social en el mundo musical. En diversas ramas de la música, las mujeres buscaban un estatus profesional, luchando por el derecho a formar parte de una profesión que, histórica e ideológicamente, había estado ligada a la esfera masculina.

El discurso dominante de la época era claro: una joven debía saber tocar el piano para el disfrute doméstico; sin embargo, aspirar a cualquier actividad musical fuera del hogar era inimaginable. Aun así, a través de un camino difícil, la participación profesional de las mujeres aumentó gradualmente a lo largo del siglo. Clara Schumann, por ejemplo, ya en la década de 1840 emprendió una sólida y reconocida carrera como pianista, y hoy se considera una figura fundamental en la consagración de gran parte del repertorio pianístico y en la consagración del piano mismo (Weber, 2011, p. 351).

Es importante destacar que gran parte del sustento económico de la familia Schumann provenía de sus recitales, ya que los ingresos de su esposo, el compositor Robert Schumann, no cubrían las necesidades familiares (Scherer, 2004, p. 58). Además de Clara, otras virtuosas lograron desarrollar exitosas carreras musicales, como la pianista Arabela Godard. Sin embargo, la presencia femenina en el ámbito profesional de la música seguía estando extremadamente limitada por factores ideológicos. Fue a finales de siglo cuando las cosas empezaron a cambiar por primera vez.

La profesionalización de la música en el siglo XIX allanó el camino para la participación efectiva de las mujeres en la industria musical. En su lucha por hacerse un hueco en la escena musical profesional, muchas mujeres comenzaron a enseñar piano. Otras, en busca de reconocimiento popular, buscaron puestos en salas de conciertos como cantantes y bailarinas. Por un lado, el mercado musical se expandió, aumentando las oportunidades profesionales de las mujeres en la industria musical. Sin embargo, la profesionalización de las mujeres en la música no puede reducirse únicamente a una cuestión de mercado. También fue el resultado de una lucha constante por el reconocimiento que implicó muchas otras cuestiones sociales y políticas.

Un importante fenómeno sociomusical nos ayuda a comprender mejor esta cuestión. En la segunda mitad del siglo XIX, surgieron orquestas compuestas íntegramente por mujeres, conocidas como Orquestas de Damas o Dammenkapellen. La brecha de género en la música era extremadamente pronunciada durante este período. Como señala el musicólogo Derek B. Scott, en el siglo XIX existía una división entre los estilos musicales aptos y no aptos para las mujeres. Muchas fueron marginadas como compositoras, restringidas a géneros socialmente aceptables.¹ Del mismo modo que ocurría con los géneros musicales, en el siglo XIX era común dividir los instrumentos entre los adecuados y los inadecuados para las mujeres.  Como nos recuerda la historiadora Katharine Ellis, la misma enseñanza musical reforzaba esta ideología. Durante buena parte del siglo XIX, aparte de separar las clases por género, los conservatorios restringían la formación musical de las mujeres, formando solo cantoras, arpistas y pianistas, instrumentos pertenecientes a la vida doméstica (Ellis, 2001, p. 361).  La solución encontrada por parte de las mujeres que buscaban hacer carrera tocando el “instrumento equivocado” era formar sus propias orquestas.

Las dificultades eran grandes. Aparte de recibir pagos más bajos que os hombres, había una tremenda dificultad de encontrar profesionales músicas para tocar determinados instrumentos,

suas posições ocupadas por homens contratados esporadicamente (Ellis, 2001, p. 362).  Por outro lado, o universo da chamada “grande música” estava fechado a essas orquestras, que jamais tocavam nas grandes salas de concerto. As  ladie’s orquestras  costumavam se apresentar em parques e jardins, promovendo concertos promenade. Outro fator limitador era o repertório, que passava longe das chamadas “obra dos grandes mestres”. A maior parte das peças interpretadas por essas orquestras era de música ligeira. As Dammenkapellen alemãs, por exemplo, se especializaram em tocar aberturas de óperas, marchas e danças. Assim sendo, era difícil obter qualquer reconhecimento artístico: essas orquestras tinham que enfrentar um discurso ideológico plantado por muitos jornais e revistas que insistiam em ver esses empreendimentos como meras curiosidades. O escritor britânico Bernard Shaw deixa claro esta ideologia em uma resenha sobre a passagem da Dammenkapellen de Viena por Londres, ao afirmar que “essas damas vienenses parecem inspiradas pelo encanto feminino da dança que as fazem interpretar a música de salão de maneira muito mais cativante do que seus rivais homens: elas possuem graça, docilidade e moderação” (Scott, 2011, p.21).

Apesar das dificuldades, tais musicistas possuíam o sonho de se estabelecer profissionalmente e receber reconhecimento artístico. É o caso de Dorothea Vincent, regente da Orquestra Feminina de Cremona que, na busca de enfrentar o discurso hegemônico, possuía o desejo de formar uma orquestra de mulheres que fosse aceita nas salas de concerto da Europa, tocando o repertório tradicional (McVeigh, 2010, p.256). A luta por direitos iguais, no entanto, não se resumia a questões puramente musicais, como mostra o caso da  Aeolian Ladie’s Orchestra  de Londres que tocava em muitas reuniões sufragistas (Crawford, 1999, p.129).

Mesmo enfrentando uma forte resistência, algumas dessas orquestras foram extremamente populares na Áustria e na Inglaterra, muitas delas chegando a organizar turnês em diversos países. O número de musicistas costumava variar chegando até a sessenta (Scott, 2011, p. 22). Na Inglaterra, as primeiras  ladie’s orchestras  eram de musicistas amadoras, mas logo o cenário mudou. Adotando um verdadeiro espírito empreendedor, algumas musicistas se arriscaram sozinhas no mercado fundando, administrando e inclusive regendo uma ladie’s orquestra. Esse é o caso de uma musicista conhecida como Mrs. Hunt que havia empreendido anteriormente uma carreira como pianista solista. Com o tempo, ela organizou uma banda formada por mulheres chegando a formar posteriormente a conhecida “Mrs. Hunt Orchestra”. Sua orquestra se apresentava tanto em residências aristocráticas pelo país como em parques, feiras e exibições, chegando a organizar algumas turnês que incluíram França, Escócia e Irlanda.

Apesar do crescimento do número dessas orquestras, elas continuaram enfrentando o preconceito e a exclusão, como mostra o fato de que suas integrantes não eram aceitas como membros da London Orchestral Association. Foi somente em 1913, quando Henry Wood abriu vaga para seis mulheres na orquestra do Queen’s Hall, que surgiu a primeira orquestra mista britânica.

No entanto, se no século XIX foram abertos os caminhos para a inclusão da mulher enquanto profissional da música, muita coisa ainda precisa mudar. Basta lembrar que foi somente em 1997 que a conservadora Orquestra Filarmônica de Viena permitiu pela primeira vez que uma mulher tomasse assento entre os músicos e mesmo no ano de 2013 a orquestra contava com apenas seis musicistas

(IncluURL http://www.theguardian.com/music/2013/mar/11/ vienna-philharmonic-history).

ELLIS, K. “The structures of musical life”, em The Cambridge

como los de metal. Muchas veces, tales formaciones quedaban incompletas o tenían sus posiciones ocupadas por hombres contratados esporádicamente (Ellis, 2001, p. 362).  Por otro lado, el mundo de la llamada “gran música” estaba vedado a estas orquestas, que nunca actuaban en grandes salas de conciertos. Las orquestas femeninas solían actuar en parques y jardines, promoviendo conciertos al aire libre. Otro factor limitante era el repertorio, que se alejaba mucho de las llamadas “obras de los grandes maestros”. La mayoría de las piezas interpretadas por estas orquestas eran música ligera. Las Dammenkapellen alemanas, por ejemplo, se especializaban en interpretar oberturas de ópera, marchas y danzas. Por lo tanto, era difícil obtener reconocimiento artístico: estas orquestas tuvieron que lidiar con un discurso ideológico difundido por numerosos periódicos y revistas que insistían en considerar estas obras como meras curiosidades. El escritor británico Bernard Shaw deja clara esta ideología en una reseña de la visita de las Dammenkapellen de Viena a Londres, afirmando que “estas vienesas parecen inspiradas por el encanto femenino de la danza, lo que las lleva a interpretar la música de salón de forma mucho más cautivadora que sus rivales masculinos: poseen gracia, docilidad y moderación” (Scott, 2011, p. 21).

A pesar de las dificultades, estas músicas soñaban con consolidarse profesionalmente y alcanzar el reconocimiento artístico Este es el caso de Dorothea Vincent, directora de la Orquesta Femenina de Cremona, quien, buscando desafiar el discurso hegemónico,

History of Nineteenth-Century Music, Ed. Samsom, J. (Cambridge: Cambridge University Press, 2001)

MCVEIGH, S. “As the sand on the sea shore: Women violinists in London’s Concert Life”, em Essays on the History of English Music in Honour of John Caldwell, Ed. Hornby E. & Maw, D. (Woodbridge: The Bodwell Press, 2010)

CRAWFORD, E. The Women’s Suffrage Movement: A Reference Guide 1866-1928. London: UCL Press, 1999

WEBER, W. La gran Transformación en el gusto musical: la programación de conciertos de Haydn a Brahms. Buenos Aires: Fondo de Cultura Económica, 2011

SCHERER, F. Quarter notes and Bank notes : the economics of music composition in the eighteenth and nineteenth centuries. New Jersey: Princeton University Press, 2004

SCOTT, D. Sounds of the Metropolis: The 19th Century Popular Music Revolution in London, New York, Paris and Vienna. Oxford: Oxford University Press, 2011

¹ SCOTT, D. The sexual politics of Victor ian musical aesthetics. https://www.academia.edu/594261/The_Sexual_Politics_ of_Victorian_Musical_Aesthetics  Data de acesso: 21/01/2016

deseaba formar una orquesta femenina que fuera aceptada en las salas de conciertos europeas, interpretando repertorio tradicional (McVeigh, 2010, p. 256). Sin embargo, la lucha por la igualdad de derechos no se limitó a cuestiones puramente musicales, como lo demuestra el caso de la Orquesta Femenina Eólica de Londres, que tocó en numerosas reuniones de sufragistas (Crawford, 1999, p. 129).

A pesar de enfrentar una fuerte resistencia, algunas de estas orquestas gozaron de gran popularidad en Austria e Inglaterra, y muchas de ellas incluso organizaron giras por varios países. El número de músicos variaba con frecuencia, llegando hasta sesenta (Scott, 2011, p. 22). En Inglaterra, las primeras orquestas femeninas estaban compuestas por músicos aficionados, pero la situación pronto cambió. Con un auténtico espíritu emprendedor, algunas músicas se lanzaron a la aventura por su cuenta, fundando, gestionando e incluso dirigiendo orquestas femeninas. Tal es el caso de la Sra. Hunt, quien previamente había desarrollado una carrera como pianista solista. Con el tiempo, organizó una agrupación femenina, que finalmente se convirtió en la reconocida “Orquesta de la Sra. Hunt”. Su orquesta actuó tanto en residencias aristocráticas de todo el país como en parques, ferias y exposiciones, llegando incluso a organizar giras por Francia, Escocia e Irlanda.

A pesar del creciente número de estas orquestas, continuaron enfrentándose a prejuicios y exclusión, como lo demuestra el hecho de que sus integrantes no fueran aceptadas en la Asociación Orquestal de Londres. No fue sino hasta 1913, cuando Henry Wood abrió una plaza para seis mujeres en la orquesta del Queen’s Hall, que surgió la primera orquesta mixta británica.

Sin embargo, si bien el siglo XIX allanó el camino para la inclusión de las mujeres en la música profesional, aún queda mucho por cambiar. Basta recordar que fue recién en 1997 cuando la conservadora Orquesta Filarmónica de Viena permitió por primera vez que una mujer se uniera a sus músicos, e incluso en 2013 la orquesta contaba con tan solo seis mujeres.

(URL http://www.theguardian.com/music/2013/mar/11/ vienna-philharmonic-history).

ELLIS, K. “The structures of musical life”, en The Cambridge History of Nineteenth-Century Music, ed. Samsom, J. (Cambridge: Cambridge University Press, 2001).

MCVEIGH, S. “As the sand on the sea shore: Women violinists in London’s Concert Life”, en Essays on the History of English Music in Honor of John Caldwell, ed. Hornby E. y Maw, D. (Woodbridge: The Bodwell Press, 2010). CRAWFORD, E. The Women’s Suffrage Movement: A Reference Guide 18661928. London: UCL Press, 1999

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¹ SCOTT, D. The sexual politics of Victorian musical aesthetics. https://www.academia.edu/594261/The_Sexual_Politics_ of_Victorian_Musical_Aesthetics  Acesso: 21/01/2016

OPINIÃO | OPINIÓN

INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL E EMOÇÕES HUMANAS

INTELIGENCIA ARTIFICIAL Y EMOCIONES HUMANAS

Nada mais atual e ao mesmo tempo tão controverso como o tema da I.A. como se chama já familiarmente, e até com um certo afeto, à Inteligência Artificial.

Neste artigo, do qual vou reproduzir alguns trechos, Sylvia Moretzsohn comenta em detalhes uma visão que muitos poderão achar talvez pouco relevante, e por isso ignoram, que é a da relação entre o “software” dos nossos conhecimentos e experiências -que aos poucos vamos entregando à I.A.- e as reações emocionais que as nossas experiências nos levam a acumular ao longo de uma vida (JV).

AO VENCEDOR, O DESERTO

“Inteligência artificial degenerativa” nos conduz ao mais radical processo de alienação e precisa ser controlada em nome da sobrevivência da espécie.

Sylvia Debossan Moretzsohn. Come Ananás, out 16, 2025

“Há seis anos começaram a circular vídeos que mostravam como as deepfakes eram viáveis e se tornavam cada vez mais verossímeis, como este que abria com uma suposta declaração do ex-presidente Barack Obama, na verdade manipulada digitalmente. Hoje se multiplicam exemplos de estímulo à criação dessas deepfakes. Este aqui, inicialmente, aparenta ser crítico, com o apelo a que as pessoas “questionem o que estão vendo” – como se tivessem tempo, meios e capacidade para fazer esse discernimento –, mas a sequência mostra que é o contrário disso: “Verifiquem no que vocês acreditam e sigam o que vocês quiserem”. Porque, é claro, a verdade é o que eu quero que seja.

“É o ápice do relativismo que, durante décadas, surgiu como potencialmente – e enganosamente – revolucionário, por aparentar a contestação de ordem instituída, real ou supostamente excludente e opressora, e que, agora, constitui o também enganoso mote da extrema-direita pelo mundo. Comandada pelos ‘overlords’ das big techs, a tecnologia que propicia essa indistinção entre realidade e ficção fomenta o estado de permanente incerteza que favorece a erosão do chão comum essencial para qualquer debate racional que permita situarmo-nos no

Nada es más actual y, a la vez, más controvertido que el tema de la IA, como se denomina ahora familiarmente, e incluso cariñosamente, a la Inteligencia Artificial.

En este artículo, del que reproduciré algunos extractos, Sylvia Moretzsohn analiza en detalle una perspectiva que muchos quizás consideren irrelevante y, por lo tanto, igno ren: la relación entre el “software” de nuestros conocimientos y experiencias —que gradualmente entregamos a la IA— y las reacciones emocionales que nuestras experiencias nos llevan a acumular a lo largo de la vida (JV).

AL VENCEDOR, EL DESIERTO.

La “inteligencia artificial degenerativa” nos conduce al proceso más radical de alienación y debe ser controlada para la super vivencia de la especie.

Sylvia Debossan Moretzsohn. Come Ananás, 16 de octubre de 2025

“Hace seis años, comenzaron a circular videos que mostraban cómo los deepfakes eran viables y se volvían cada vez más creíbles, como este que comenzaba con una supuesta declaración del expresidente Barack Obama, en realidad manipulada digitalmente. Hoy en día, se multiplican los ejemplos que fomentan la creación de estos deepfakes. Este inicialmente parece crítico, instando a las personas a “cuestionar lo que ven” —como si tuvieran el tiempo, los medios y la capacidad para discernir—, pero la secuencia muestra lo contrario: “Comprueba lo que crees y sigue lo que quieres”. Porque, por supuesto, la verdad es lo que yo quiero que sea.

Es el colmo del relativismo que, durante décadas, se presentó como potencialmente —y engañosamente— revolucionario, al parecer que desafiaba un orden establecido, ya fuera real o supuestamente excluyente y opresivo, y que ahora constituye el lema igualmente engañoso de la extrema derecha en todo el mundo. Dirigida por los “señores” de las grandes tecnológicas, la tecnología que permite esta difuminación de la realidad y la ficción fomenta un estado de incertidumbre permanente que favorece la erosión de los puntos en común esenciales para

mundo e facilita a manipulação das piores emoções a partir da mobilização de crenças e preconceitos ancestralmente enraizados.

(...)

“Na entrevista ao Roda Viva, o neurocientista Miguel Nicolelis lembrou que, quando lançou o robô Eliza, ‘avó do ChatGPT’, o cientista da computação Joseph Weizenbaum, logo percebeu a relação de dependência que seus alunos e mesmo sua secretária passaram a desenvolver em relação a esse mecanismo, conversando com ele como se houvesse uma pessoa do outro lado. Percebeu que havia uma tendência a antropomorfizar o sistema, simplesmente porque Eliza supria uma das maiores carências da humanidade no mundo contemporâneo: a necessidade de ter um interlocutor. Eliza ouvia as pessoas e elas se sentiam acolhidas (Será por isso que tanta gente vem recorrendo a modelos de IA generativa para fazer terapia: é de graça e é mais fácil, basta apertar um botão. É uma tragédia, mas isso é outra história).

Nicolelis disse que Weizenbaum tentou, sem sucesso, alertar para a impossibilidade de prosseguir com aquele tipo de experimento, por um imperativo ético categórico: “há áreas em que não podemos

No entanto, continuamos avançando, sem limites, sem qualquer constrangimento. O resultado é a progressiva delegação de tarefas intelectuais à máquina. Nicolelis citou o exemplo de recente pesquisa no MIT que demonstrou que 80% dos jovens do grupo testado para escrever redações com o auxílio do ChatGPT não se lembravam do que haviam escrito e, pior, quando lhes mediram a atividade elétrica do cérebro, ‘tinham 50% menos de atividade cortical, ou seja, não estavam pensando, estavam no automático’.

“Agora pensemos nas gerações que estão chegando. As ‘nativas digitais’, estimuladas desde antes de começarem a falar a se distrair nas telas de um celular. O cérebro acostumando-se a rolar as telas ininterruptamente, sem se fixar em nada.

A ‘economia da atenção’ que é, de fato, a economia da dispersão: o adestramento para assistir a vídeos em sequência, vídeos cada vez mais curtos, que mesmo assim nem chegam ao fim porque são interrompidos por publicidade, o cérebro levando esses golpes sistemáticos e habituando-se a isso, tornando-se incapaz de ter paciência para se concentrar no que quer que seja”.

“Se isso já afeta quem se formou no mundo analógico, que dirá quem está chegando agora”.

Sylvia Moretzsohn é jornalista formada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (1981), com mestrado em Comunicação pela Universidade Federal Fluminense (2000) e doutorado em Serviço Social pela UFRJ (2006). Professora de jornalismo no Departamento de Comunicação Social da UFF, aposentada no segundo semestre de 2016. Foi colaboradora regular do Observatório da Imprensa, site de crítica de mídia (2012-2015). É pesquisadora do ObjETHOS, Observatório da Ética Jornalística, projeto do Departamento de Jornalismo e do Programa de Pós-Graduação em Jornalismo da UFSC, e do Núcleo de Pesquisa em Jornalismo (Nupejor - UFRGS/ CNPq). Desenvolveu pesquisas sobre jornalismo e questão social, jornalismo e criminologia, mundo do trabalho dos jornalistas, ética jornalística e as transformações e dilemas do jornalismo no contexto das novas tecnologias. Atualmente, na pesquisa de pós-doutorado iniciada em novembro de 2018 na Universidade do Minho, dedica-se a averiguar a dinâmica da formação de crenças e convicções nas bolhas virtuais e as dificuldades e possibilidades do jornalismo nesse contexto.

cualquier debate racional que nos permita situarnos en el mundo y facilita la manipulación de las peores emociones mediante la movilización de creencias y prejuicios ancestralmente arraigados.

(...)

“En la entrevista en Roda Viva, el neurocientista Miguel Nicolelis recordó que cuando lanzó el robot Eliza, ‘la abuela de ChatGPT’, el científico de la computación Joseph Weizenbaum, se dio cuenta rápidamente de la dependencia que sus estudiantes e incluso su secretaria empezaron a desarrollar con respecto a este mecanismo, conversando con él como si hubiera una persona al otro lado. Se dio cuenta de que había una tendencia a antropomorfizar el sistema, simplemente porque Eliza satisfacía una de las mayores necesidades de la humanidad en el mundo contemporáneo: la necesidad de tener un interlocutor. Eliza escuchaba a las personas y estas se sentían atendidas (¿Es por eso que tanta gente recurre a modelos de IA generativa como terapia? Es gratis y más fácil, solo hay que pulsar un botón. Es una tragedia, pero esa es otra historia).

“Nicolelis dijo que Weizenbaum intentó, sin éxito, advertir sobre la imposibilidad de proceder con ese tipo de experimento, debido a un imperativo ético categórico: ‘hay áreas en las que no podemos penetrar’.

“Sin embargo, seguimos avanzando sin límites ni restricciones. El resultado es la delegación progresiva de tareas intelectuales a las máquinas. Nicolelis citó el ejemplo de una investigación reciente del MIT que demostró que el 80 % de los jóvenes del grupo evaluado escribiendo ensayos con la ayuda de ChatGPT no recordaban lo que habían escrito y, peor aún, cuando se midió su actividad eléctrica cerebral, ‘tenían un 50 % menos de actividad cortical; es decir, no pensaban, estaban en piloto automático’.

(...)

“Ahora pensemos en las generaciones venideras: los ‘nativos digitales’, a quienes, desde antes de hablar, se les inculca la distracción con las pantallas de los teléfonos móviles. Su cerebro se acostumbra a desplazarse ininterrumpidamente por las pantallas, sin concentrarse en nada”.

“La ‘economía de la atención’ es, de hecho, la economía de la distracción: entrenar al cerebro para ver vídeos en secuencia, vídeos cada vez más cortos que ni siquiera llegan al final porque están interrumpidos por publicidad; el cerebro recibe estos golpes sistemáticos y se acostumbra a ellos, volviéndose incapaz de tener la paciencia para concentrarse en nada”.

“Si esto ya afecta a quienes se formaron en el mundo analógico, ¿qué podemos decir de quienes recién llegan?”

Sylvia Moretzsohn es periodista, licenciada por la Universidad Federal de Río de Janeiro (1981), máster en Comunicación por la Universidad Federal Fluminense (2000) y doctora en Trabajo Social por la Universidad Federal de Río de Janeiro (UFRJ) (2006). Fue profesora de periodismo en el Departamento de Comunicación Social de la Universidad Federal de Río de Janeiro (UFF) y se jubiló en el segundo semestre de 2016. Fue colaboradora habitual del Observatório da Imprensa, un sitio-web de crítica de medios (2012-2015). Es investigadora en ObjETHOS, el Observatorio de Ética Periodística, un proyecto del Departamento de Periodismo y el Programa de Posgrado en Periodismo de la UFSC, y en el Centro de Investigación en Periodismo (Nupejor - UFRGS/ CNPq). Ha realizado investigaciones sobre periodismo y cuestiones sociales, periodismo y criminología, el mundo del periodismo, la ética periodística y las transformaciones y dilemas del periodismo en el contexto de las nuevas tecnologías. Actualmente, en su investigación postdoctoral, que comenzó en noviembre de 2018 en la Universidad de Minho, se dedica a investigar la dinámica de la formación de creencias y convicciones en burbujas virtuales y las dificultades y posibilidades del periodismo en este contexto.

ENTREVISTA

ENTREVISTA AO ESCRITOR

E PROFESSOR DE ARTE

CONTEMPORÂNEA, ESTÉTICA E CINEMA, SAMUEL RODRÍGUEZ

ENTREVISTA AL ESCRITOR Y PROFESOR DE ARTE

CONTEMPORÁNEO, ESTÉTICA Y CINE, SAMUEL RODRÍGUEZ

JV: Sua presença em São Paulo, Brasil, junto com três artistas plásticos e 18 obras em sua Expo Luis Buñuel - 125 anos foi um sucesso internacional. Os trabalhos apresentados, a curadoria e a sua coordenação e ideia original são impecáveis, sem dúvida. Mas, o que você acha que o Brasil contribuiu para alcançar tal sucesso?

SRM: Brasil e Buñuel são na verdade uma combinação natural, essa estranha embriaguez das ruas brasileiras é um espelho do Surrealismo original. As ruas brasileiras, assim como as mexicanas, são espaços de aparições ora violentas, ora oníricas onde o olhar explode e se rebela. Vi muitas coisas de Buñuel em São Paulo, vi aquela fúria indomável, vi as manifestações de fé. E o seu encontro com o profano, e aquela mistura particular pela qual Buñuel também se apaixonou quando andou pelo México ou por Michoacán.

O Brasil é Surreal, é tão surreal que às vezes transborda fantasia e sonho, mas sua parte indomável é muito palpável.

A exposição O Outro Olhar, Buñuel em Cores Mexicanas, apresentada no Centro Buñuel de Calanda, Espanha e no Instituto Cervantes de São Paulo, não rompe nenhuma paisagem da Espanha, do Brasil ou do México, é apenas uma continuação da própria realidade. Talvez na Suíça, ou na Alemanha a nossa exposição possa ser considerada o outro, o diferente, mas nos nossos países é outra janela, este é o seu sucesso e esse é o seu destino, respeitando o Surrealismo e acreditando nele.

O Brasil, como grande potência cultural, chama a atenção do mundo e nossa exposição foi replicada em mais de 60 meios de comunicação ao redor do mundo, o que indica duas coisas: que o trabalho é bom e que São Paulo é um promotor das artes. Só quero destacar que a curadoria é da Marcela García, ideia original minha e do trabalho de cada artista, tudo se integra perfeitamente porque somos uma grande equipe.

J.V: Como você acha que esta exposição de sucesso ajuda e abre portas para nossos objetivos de integração cultural latino-americana?

SRM: A América Latina está integrada e não, ou seja, estamos perante a necessidade de pronunciar os avatares sociais que são muito semelhantes em todo o continente, mas estamos limitados pelo fato de não existir um circuito integrado de arte ou plataformas claras onde os artistas possam circular, gerar rendimentos, mostrar a sua arte e partilhar experiências, tudo funciona por ilhas.

Por isso o Instituto Cervantes é exemplar; é uma plataforma muito séria para a integração cultural que, no entanto, respeita e se alimenta nas diferenças.

Parece-me que as reaproximações México-Brasil como duas grandes potências deveriam ser mais contínuas e nisso quero destacar o grande trabalho do Consulado Mexicano e da Librería Española e Hispanoamericana, que são dois dínamos culturais que promovem esses encontros tão necessários para nos entendermos como um bloco cultural.

É um bom momento para fortalecer a literatura, o cinema, a pintura, a música, para fazer hibridizações culturais e sociais. É hora para o Brasil estar mais próximo do México.

@samuelrodriguezdiciembre

JV: Tu presencia en São Paulo, Brasil, junto con tres artistas plásticas y 18 obras en tu Expo Luis Buñuel-125 años fue todo un éxito internacional. Las obras presentadas, la curadoría y tu coordinación e idea original son impecables, sin dudas. Pero ¿qué te parece que aportó Brasil para alcanzar tal éxito?

SRM: Brasil y Buñuel son en realidad una combinación natural, esta extraña ebriedad de la calle brasileña es un espejo del Surrealismo original. La calle brasileña como la calle mexicana son espacios de apariciones a veces violentas, a veces ensoñadoras en donde la mirada revienta y se rebela.  Yo vi muchas cosas de Buñuel en Sao Paulo, vi esa furia indómita, vi las manifestaciones de la fe. Y su encuentro con lo profano, y esa mezcla tan particular que también enamoró a Buñuel cuando caminó por México o por Michoacán.

Brasil es Surrealista, es tan Surrealista que a veces se desborda de fantasía y sueño, pero su parte indomable es muy palpable.

La Exposición La otra mirada, Buñuel en colores mexicanos que se presentó en el Centro Buñuel de Calanda, España y en el Instituto Cervantes de Sao Paulo no rompe ningún paisaje ni de España, ni de Brasil, ni de México, es solo una continuación de la realidad misma. Tal vez en Suiza, o en Alemania nuestra expo si pueda considerarse lo otro, lo diferente, pero en nuestros países es una ventana más, este su éxito y ese su destino, respetar el Surrealismo y creer en él.

Brasil, como gran potencia cultural, recoge la atención del mundo y nuestra expo fue replicada en más de 60 medios de todo el planeta, lo cual indica dos cosas: que los trabajos son buenos y que Sao Paulo es un propulsor de las artes. Solo quiero vdestacar que la curaduría es de Marcela García, la idea original mía y la obra de cada artista, todo se integra perfectamente porque somos un gran equipo.

J.V: ¿Cómo te parece que esta muestra exitosa ayuda y abre puertas para nuestros objetivos de integración cultural latinoamericana?

SRM: Latinoamérica está integrada y no, es decir, nos atraviesa la necesidad de pronunciar los avatares sociales que son muy parecidos en todo el continente, pero nos limita que no existe un circuito de arte integrado o plataformas claras en donde los artistas puedan moverse, generar ingresos, mostrar su arte y compartir experiencias; todo funciona por islas. Por este motivo

El Instituto Cervantes es ejemplar, es una plataforma muy seria de integración cultural que sin embargo respeta y se nutre de las diferencias.

Me parece que los acercamientos México-Brasil como dos grandes potencias deben ser más continuos y en esto quiero hacer notar el gran trabajo del Consulado Mexicano y de la Librería Española e Hispanoamericana, que son dos dínamos culturales que promueven estos encuentros tan necesarios para entendernos como bloque cultural.

Es un buen momento para estrechar literatura, cine, pintura, música, para hacer hibridaciones culturales y sociales. Es momento de que Brasil esté más cerca de México.

@samuelrodriguezdiciembre

MORADIA E FAVELA VIVIENDA Y FAVELA

Existem duas maneiras de não sofrer. A primeira é fácil para a maioria das pessoas: aceitar o inferno e tornar-se parte deste até o ponto de deixar de percebê-lo. A segunda é arriscada e exige atenção e aprendizagem contínuas: tentar saber quem e o que, no meio do inferno, não é inferno, e preservá-lo, e abrir espaço. (Palavras finais de Ítalo Calvino, em As cidades invisíveis).

Javier Villanueva: A arquiteta Sylvia Dobry, argentina radicada no Brasil desde 1979, nos comenta sobre um tema que interessa profundamente a quem mora nas periferias, bairros marginais e favelas das grandes cidades brasileiras e no mundo: a moradia. Junto com o emprego e a saúde, são temas tão urgente quanto a educação.

MÁQUINA, NATUREZA E SOCIEDADE

Sylvia Dobry: Segundo Freud, a cultura inclui todas as atividades e valores úteis ao homem - já que colocam a terra a seu serviço e o protegem contra a violência das forças da natureza-, inclusive a invenção das ferramentas, que potencializam os próprios órgãos e acrescentam-lhes forças gigantescas.1 Pode-se dizer que se fez realidade o mito grego de Prometeu, que roubou o fogo dos deuses, para transformar o destino dos homens. Não estranha, diz Freud, que o homem possa considerar-se quase um deus onipotente: realizou tantas conquistas – por meio da ciência e tecnologia –, que aparecem como a materialização dos contos de fadas, principalmente ao se comparar com o fato de ter iniciado sua vida sobre a Terra como um débil organismo animal, um recém-nascido desamparado, porém “não esqueçamos que o homem atual não se sente feliz em sua semelhança com Deus”2. Uma explicação plausível para esse desconforto pode ser atribuída à relação do homem moderno com a máquina, que ocupa o mesmo lugar semântico que a natureza teve para o homem do século 18: uma relação marcada pelas oscilações entre o entusiasmo e o temor.3

Javier Villanueva: E como estas ideias que poderiam parecer aplicáveis a quase todas as ciências e artes criadas pelas sociedades humanas podem ser focadas nos problemas urbanos -e sobretudo nas mazelas suburbanas- de moradia para as populações mais carentes?

Sylvia Dobry: Na arquitetura, as novas tecnologias poderiam dar oportunidade a desenvolver a ansiada liberdade criativa, porém esta era, em certos aspectos, incompatível comas demandas prementes de produção pré-fabricada racional, que tinha como base as urgentes necessidades sociais que deveriam ser atendidas, nos primeiros anos do século 20 e na pós-Primeira Guerra

Hay dos maneras de evitar el sufrimiento. La primera es fácil para la mayoría: aceptar el infierno y formar parte de él hasta el punto de dejar de notarlo. La segunda es arriesgada y requiere atención y aprendizaje continuos: intentar saber quién y qué, en medio del infierno, no es infierno, preservarlo y hacerle espacio. (Palabras finales de Ítalo Calvino, en Las ciudades invisibles)

Javier Villanueva: La arquitecta Sylvia Dobry, argentina residente en Brasil desde 1979, nos habla de un tema que preocupa profundamente a quienes viven en las periferias, barrios marginales y favelas de las grandes ciudades brasileñas y del mundo: la vivienda. Junto con el empleo y la salud, estos problemas son tan urgentes como la educación.

MÁQUINA, NATURALEZA Y SOCIEDAD

Sylvia Dobry: Según Freud, la cultura abarca todas las actividades y valores útiles al hombre, ya que ponen la tierra a su servicio y lo protegen de la violencia de las fuerzas de la naturaleza, incluyendo la invención de herramientas que potencian nuestros órganos y los dotan de una fuerza gigantesca.1 Podría decirse que el mito griego de Prometeo, quien robó el fuego a los dioses para transformar el destino de la humanidad, se ha hecho realidad. No es de extrañar, dice Freud, que el hombre pueda considerarse casi un dios omnipotente: ha logrado tantas conquistas —mediante la ciencia y la tecnología— que parecen la materialización de cuentos de hadas, especialmente si se compara con haber comenzado su vida en la Tierra como un organismo animal débil, un recién nacido indefenso. Sin embargo, “no olvidemos que el hombre moderno no se siente feliz en su parecido con Dios”. 2 Una explicación plausible de esta incomodidad puede atribuirse a la relación del hombre moderno con las máquinas, que ocupa el mismo lugar semántico que la naturaleza ocupaba para el hombre del siglo XVIII: una relación marcada por oscilaciones entre el entusiasmo y el miedo. 3

Javier Villanueva: ¿Y cómo pueden estas ideas, que podrían parecer aplicables a casi todas las ciencias y artes creadas por las sociedades humanas, centrarse en los problemas urbanos —y especialmente en los suburbios— de la vivienda para las poblaciones más pobres?

Sylvia Dobry: En arquitectura, las nuevas tecnologías podían brindar oportunidades para el desarrollo de la anhelada libertad creativa, pero esto era, en ciertos aspectos, incompatible con las apremiantes demandas de la producción racional de prefabricados, basadas en las urgentes necesidades sociales que debían satisfacerse a principios del siglo XX y en el período posterior a la Primera

1 FREUD, Sigmund, 2010, p. 87 e 90

2 FREUD, S., 2010, p. 92.

3 SUBIRATS, Eduardo, 1987, p. 43.

Mundial. Isto é expresso nas ideias debatidas por Taut e pelos arquitetos expressionistas da Corrente de Cristal (1910-1925), nos manifestos racionalistas do grupo D ́Stijl (1917-1931), nas visões do Futurismo Italiano (1909-1914), do Construtivismo Russo (1918- 1932), nas ideias da escola Bauhaus (19119-1932), de Ernest May, de Hannes Meyer, entre outros arquitetos.4 A máquina era também a materialização do símbolo de uma nova realidade: a da racionalidade técnico-científica.

PROGRESSO E ANGÚSTIA FRENTE À DESTRUIÇÃO

O clima da pós-Primeira Guerra Mundial sinalizou uma mudança no imaginário e na percepção: as ilusões de progresso, que a técnica e a ciência traziam no final do século 19 e início do 20, transformaram-se em profundo pessimismo, frente ao caráter mortífero e destruidor das máquinas. A técnica e as máquinas passaram a ser vistas também em sua dimensão de instrumentos da opressão e da morte, lançando sobre a experiência cotidiana uma sombra maligna5. No entanto, nesse período, o surgimento de grandes invenções não só transformara a vida urbana, como contribuíra para a formação, em grande parte, das imagens da arte mais original dessa época. Tanto Kandinsky, professor da escola Bauhaus, quanto Mondrian, um dos fundadores do Grupo D ́Stijl, visualizavam a ordem racional e a espiritualidade cultural.

Em estreita e explícita vizinhança com visões do caos e da destruição. Ambos os mundos, o de uma ordem racional fundada na razão técnico-científica e o da destruição e da angústia chegam

Guerra Mundial. Esto se expresa en las ideas debatidas por Taut y los arquitectos expresionistas de la Corriente Cristal (1910-1925), en los manifiestos racionalistas del grupo D’Stijl (1917-1931), en las visiones del futurismo italiano (1909-1914), el constructivismo ruso (1918-1932) y en las ideas de la escuela Bauhaus (1911-1932), Ernest May, Hannes Meyer y otros arquitectos.4

La máquina fue también la materialización del símbolo de una nueva realidad: la de la racionalidad técnico-científica.

PROGRESO Y ANGUSTIA ANTE LA DESTRUCCIÓN

El clima posterior a la Primera Guerra Mundial marcó un cambio en la imaginación y la percepción: las ilusiones de progreso que la tecnología y la ciencia trajeron a finales del siglo XIX y principios del XX se transformaron en un profundo pesimismo ante la naturaleza mortal y destructiva de las máquinas. La tecnología y las máquinas pasaron a ser vistas también en su dimensión de instrumentos de opresión y muerte, proyectando una sombra malévola sobre la experiencia cotidiana. Sin embargo, durante este período, la aparición de grandes inventos no solo transformó la vida urbana, sino que también contribuyó, en gran medida, a la formación de las imágenes artísticas más originales de la época. Tanto Kandinsky, profesor de la escuela Bauhaus, como Mondrian, uno de los fundadores del grupo De Stijl, imaginaron el orden racional y la espiritualidad cultural.

En estrecha y explícita proximidad con visiones de caos y destrucción. Ambos mundos —el de un orden racional fundado en la razón técnico-científica y el de

4 Para mais detalhes, ver FRAMPTON, Kenneth,1983

5 ANDERSON, Perry, 1999, p.102.

Sylvia Dobry.

a se relacionar intimamente nos [...] expoentes da arte e da arquitetura das vanguardas. São exemplos disto as formulações críticas da arquitetura expressionista.6

Como diz Subirats, na realidade social e política das cidades, a contradição entre a ideia de progresso e o sentimento de angústia não conseguiu conciliação, permanecendo atual. A isto, soma se o fato de que essa cultura, pretensamente autônoma e independente, persiste, na contemporaneidade, submetida a contradições similares às vivenciadas frente à natureza, que oscilam entre a admiração à sua beleza e ao terror, à angústia produzida por sua força incontrolável, como no caso dos maremotos, furacões, terremotos e outros desastres naturais, que se fazem presentes, cada vez com mais frequência, em decorrência, entre outras coisas, do aquecimento global. Porém, na atualidade, como afirma Slavoj Zizek, “mais que a brutalidade de um furacão e uma suposta natureza humana, o colapso social da cidade revela a força sublime da dinâmica capitalista”. 7

Esse autor, ao analisar o caos que se verificou em 2005, em Nova Orleans –durante e depois da passagem do furacão Katrina –, compara-o com fenômenos vistos e/ou relatados em outros lugares, sobretudo no chamado Terceiro Mundo, e/ou nas guerras civis, por exemplo, em Bagdá, Cabul, Somália e Libéria. O que sucede comumente nesses lugares apresentou-se imprevistamente no chamado Primeiro Mundo, nos EUA, em Louisiana, apelidada a parte terceiro-mundista do país. Ainda na visão de Zizek, a catástrofe natural – o furacão Katrina –desvendou a dimensão social de várias formas: de um lado, com o desabamento de parte dos muros construídos para proteger a cidade; de outro, com a desintegração da ordem social.

O efeito do furacão deixou a cidade submersa soba água, no que se inclui erro técnico, já que os diques protetores falharam, e as autoridades não estavam preparadas para responder com rapidez às urgências decorrentes do desastre. No entanto, o choque mais forte aconteceu depois, como se a catástrofe natural se repetisse sob a forma de catástrofe social. O caos ocorrido na cidade tornou ainda mais visível a divisão racial persistente nos EUA, já que 68% da população de Nova Orleans – negra, pobre e marginalizada –,por não possuírem meios de deixar a cidade, ficaram sem assistência e com fome, o que originou a explosão social violenta.8

Como afirma Zizek, a tensão que levou a essa explosão em Nova Orleans é a existente entre a natureza humana e a força da civilização, que a mantém sob controle. No entanto cabe aqui a pergunta: Se, ao procurar controlar explosões como as da cidade citada, as forças da lei e da ordem se vissem diante da natureza do capitalismo em sua forma mais pura, a lógica da competição individual, da autoafirmação impiedosa gerada pela dinâmica capitalista, uma natureza muito mais ameaçadora e violenta que todos os furacões e terremotos?9

A catástrofe de Nova Orleans provocada pelo furacão Katrina oferece um exemplo similar do sublime: “Por mais brutal que seja o vórtice do furacão, ele não é capaz de subverter o vórtice da dinâmica capitalista”10. Pode-se perceber que, muitas vezes, a angústia frente ao poder incontrolável da natureza ou às forças irracionais dos homens foi transferida, partir do século 19, também para a tecnologia, simbolizada pela máquina.

O terror que Voltaire descreve sentir, ante um terremoto, pode ser comparado ao medo que a consciência contempo-

la destrucción y la angustia— se relacionan íntimamente en [...] los exponentes del arte y la arquitectura de vanguardia. Ejemplos de ello son las formulaciones críticas de la arquitectura expresionista.6

Como afirma Subirats, en la realidad social y política de las ciudades, la contradicción entre la idea de progreso y la angustia no se ha conciliado y sigue vigente hoy en día. A esto se suma el hecho de que esta cultura, supuestamente autónoma e independiente, persiste en la época contemporánea, sujeta a contradicciones similares a las experimentadas frente a la naturaleza, que oscilan entre la admiración por su belleza y el terror, hasta la angustia producida por su fuerza incontrolable, como en el caso de tsunamis, huracanes, terremotos y otros desastres naturales, cada vez más presentes debido, entre otras cosas, al calentamiento global. Sin embargo, hoy, como afirma Slavoj Zizek, “más que la brutalidad de un huracán y una supuesta naturaleza humana, el colapso social de la ciudad revela la fuerza sublime de la dinámica capitalista”.7

Este autor, al analizar el caos ocurrido en 2005 en Nueva Orleans —durante y después del huracán Katrina—, lo compara con fenómenos observados o reportados en otros lugares, especialmente en el llamado Tercer Mundo o durante guerras civiles, como en Bagdad, Kabul, Somalia y Liberia. Lo que suele ocurrir en estos lugares apareció inesperadamente en el llamado Primer Mundo, en Estados Unidos, en Luisiana, apodada la parte del país del Tercer Mundo. Desde la perspectiva de Zizek, el desastre natural —el huracán Katrina— reveló la dimensión social de varias maneras: por un lado, con el derrumbe de parte de los muros construidos para proteger la ciudad; por otro, con la desintegración del orden social.

Los efectos del huracán dejaron la ciudad sumergida bajo el agua, incluyendo un error técnico, ya que los diques de protección fallaron, y las autoridades no estaban preparadas para responder con rapidez a las emergencias derivadas del desastre.

Sin embargo, el impacto más fuerte llegó después, como si el desastre natural se repitiera en forma de catástrofe social. El caos que se desató en la ciudad hizo aún más visible la persistente división racial en Estados Unidos, ya que el 68% de la población de Nueva Orleans —negra, pobre y marginada— carecía de medios para salir de la ciudad, dejándola sin asistencia y hambrienta, lo que desencadenó la violenta explosión social.8

Como afirma Zizek, la tensión que condujo a esta explosión en Nueva Orleans es la tensión entre la naturaleza humana y la fuerza de la civilización que la mantiene bajo control. Sin embargo, surge la pregunta: ¿Qué pasaría si, al intentar controlar explosiones como las de la ciudad mencionada, las fuerzas del orden se encontraran confrontadas con la naturaleza del capitalismo en su forma más pura, la lógica de la competencia individual, la despiadada autoafirmación generada por la dinámica capitalista, una naturaleza mucho más amenazante y violenta que todos los huracanes y terremotos?9

La catástrofe de Nueva Orleans causada por el huracán Katrina ofrece un ejemplo similar de lo sublime: “Por brutal que sea el vórtice del huracán, es incapaz de subvertir el vórtice de la dinámica capitalista”10. Se puede observar que, a menudo, la angustia ante el poder incontrolable de la naturaleza o las fuerzas irracionales del hombre también se trasladó, a partir del siglo XIX, a la tecnología, simbolizada por la máquina.

El terror que Voltaire describe sentir ante un terremoto puede

6 SUBIRATS, E., 1987, p. 45

7 ZIZEK, Slavoj, 2005, p. 05.

8 IBID.

9 IBID.

10 IBID. Nesta ideia, o autor remete à filosofia kantiana.

rânea manifesta frente a muitos produtos da tecnologia, por seu potencial agressivo, tema desenvolvido pelo cinema e pela literatura – entre outras artes –, em diversos momentos históricos e lugares.

Javier Villanueva: Como você acha que sentem a mulher, o homem e as crianças dos centros urbanos, sobretudo nas periferias dos grandes conurbanos estas angústias das mazelas da cidade moderna?

OLHAR

DISTRAÍDO...

OLHAR DA SOLIDÃO...

Sylvia Dobry: Muitas vezes, o homem contemporâneo percebe sem questionamento –como se fosse natural – que rios de carros congestionam as avenidas de fundo de vale, ignorando que eram rios carregados de peixes, com amplas encostas cobertas de vegetação, protegendo a água e nos protegendo das enchentes. Ou que cadeias de altos edifícios, na maioria das cidades litorâneas, como novas barreiras montanhosas, impedem a visão do mar e dificultam a passagem dos ventos. Estreitíssimas calçadas, muros conformando corredores opressivos passam despercebidos, para grande parte da população que por eles transita. Na atual percepção da cidade, o privado predomina sobre o público, e essa relação pode ser notada, ao considerarmos o uso dos espaços: as ruas, as praças, os parques, muitas vezes, deixam de ser usufruídos, e a residência passa a prevalecer como o espaço urbano da intimidade, o esconderijo; situações reforçadas por grades, portões, altos muros e até arame farpado e eletrificado, verdadeira arquitetura de guerra. A cidade deixa de ser o lugar da sociabilidade, para transformarse no lugar da solidão. Muitos de seus moradores refugiam-se em hábitos de autoproteção, incentivados e mitificados pelos objetos da publicidade, tais como a condução própria, o sítio de fim de semana, a casa de praia, o condomínio fechado; esses objetos ultrapassam seu valor de uso, e são valorizados também pelo que representam e expressam,11 incluindo-se no que Marx chamou de fetichismo da mercadoria.12

E aqui vem a lembrança de Tamara, uma das “cidades invisíveis”, de Ítalo Calvino:

Penetra- se por ruas cheias de placas que pendem das paredes. Os olhos não veem coisas, mas figuras de coisas que significam outras coisas. [...] Se um edifício não contém nenhuma insígnia ou figura, a sua forma e o lugar que ocupa na organização da cidade bastam para indicar sua função: o palácio real, a prisão, a casa de moeda, a escola pitagórica, o bordel. Mesmo as mercadorias que os vendedores expõem nas bancas valem não por si próprias, mas como símbolo de outras coisas: a tira bordada para a testa significa elegância; a liteira dourada, poder; os volumes de Averróis, sabedoria; a pulseira para o tornozelo, voluptuosidade”.13

Javier Villanueva: No teu artigo original, você fala de cinema e lembra um filme forte, contundente ao tratar as questões da moradia que é reservada aos setores mais empobrecidos da população, às vezes, inclusive, como “soluções” pelo poder público e/ ou pelo lucro desmedido do setor privado. Que filme é esse?

Sylvia Dobry: No filme Redentor, escuta-se a voz over pertencente a Célio, o jovem jornalista que assume a missão de salvar a família arruinada pelo golpe de um empreiteiro de imóveis que recolheu as prestações, mas não entregou os apartamentos do Edifício Paraíso e nem sequer pagou os operários. Estes formaram uma favela ao lado do prédio

compararse con el miedo que la conciencia contemporánea manifiesta hacia muchos productos tecnológicos, debido a su potencial agresivo, un tema desarrollado por el cine y la literatura —entre otras artes— en diversos momentos y lugares históricos.

Javier Villanueva: ¿Cómo cree usted que las mujeres, los hombres y los niños de los centros urbanos, especialmente en las afueras de las grandes conurbaciones, sienten estas ansiedades sobre los males de la ciudad moderna?

MIRADA DISTRAÍDA... MIRADA DE SOLEDAD...

Sylvia Dobry: A menudo, el hombre contemporáneo observa sin rechistar, como si fuera natural, que ríos de coches obstruyen las avenidas en el fondo de los valles, ignorando que antaño fueron ríos cargados de peces, con amplias laderas cubiertas de vegetación, que protegían el agua y nos resguardaban de las inundaciones. O que las cadenas de altos edificios, en la mayoría de las ciudades costeras, como nuevas barreras montañosas, bloquean la vista del mar y dificultan el paso del viento. Aceras extremadamente estrechas, muros que forman corredores opresivos, pasan desapercibidos para gran parte de la población que las transita. En la percepción actual de la ciudad, lo privado predomina sobre lo público, y esta relación se aprecia al considerar el uso de los espacios: calles, plazas y parques a menudo quedan sin uso, sin poder ser disfrutadas Y el hogar se convierte en el espacio urbano de la intimidad, el escondite; situaciones reforzadas por vallas, portones, altos muros e incluso alambres de púas y electrificados, una auténtica arquitectura de guerra. La ciudad deja de ser un lugar de sociabilidad para convertirse en un lugar de soledad. Muchos de sus residentes se refugian en hábitos de autoprotección, fomentados y mitificados por objetos publicitarios, como coches particulares, casas de fin de semana, casas de playa y urbanizaciones cerradas; estos objetos trascienden su valor de uso y también se valoran por lo que representan y expresan11, abarcando lo que Marx llamó el fetichismo de la mercancía.12

Y aquí viene el recuerdo de Tamara, una de las “ciudades invisibles” de Ítalo Calvino:

Uno entra en calles flanqueadas por placas que cuelgan de las paredes. Los ojos no ven cosas, sino figuras de cosas que significan otras cosas. [...] Si un edificio no lleva insignias ni figuras, su forma y lugar en la organización de la ciudad bastan para indicar su función: el palacio real, la prisión, la casa de la moneda, la escuela pitagórica, el burdel. Incluso las mercancías que los vendedores exhiben en sus puestos tienen valor no en sí mismas, sino como símbolos de otras cosas: la frontalera bordada significa elegancia; la litera dorada, poder; los volúmenes de Averroes, sabiduría; la tobillera, voluptuosidad.¹³

J. V.: En su artículo original, Ud. menciona el cine y recuerda una película impactante y contundente que aborda el problema de la vivienda reservada a los sectores más pobres de la población, a veces incluso considerada como “soluciones” por el gobierno o el afán de lucro excesivo del sector privado. ¿De qué película se trata?

Sylvia Dobry: En la película “Redentor”, escuchamos la voz en off de Célio, el joven periodista que asume la misión de salvar a una familia arruinada por una estafa de un promotor inmobiliario que cobró las cuotas, pero no entregó los apartamentos del Edificio Paraíso ni pagó a los trabajadores. Los

11 FERRARA D’ALESSIO, Lucrecia, 1999, p. 222.

12 Para mais detalhes, ver MARX, K. O capital, V. Seção 4. Várias edições.

13 CALVINO, Ítalo, s/data:p.08 - 09, disponível em:http:// ppta.dominiotemporario. com/doc/Italo-Calvino-AsCidades-Invisiveis.pdfacesso em 01/11/2010. Fig. 6. Tamara (uma das “cidades invisíveis”, de Ítalo Calvino). Ilustração realizada por Sylvia Dobry, publicada por Faggin Pereira Leite, Maria Ângela, 1999: 49.

inacabado, terminando por invadi-lo, para desespero dos compradores logrados.14

Otávio, um dos personagens, decide ir para Brasília, pedir ajuda a um ministro, enquanto os invasores são expulsos pela polícia. “O tom das imagens conecta Brasília com a especulação imobiliária, tomada como um emblema da corrupção nacional”, ainda segundo Xavier.15

Essa especulação imobiliária pode também ser constatada na complexa situação de que metade das favelas de São Paulo fica às margens dos reservatórios que fornecem água à cidade. A crescente expansão periférica da metrópole paulistana até as represas Guarapiranga e Billings, nas últimas décadas, traz a marca da desigualdade social associada à degradação ambiental da região, que deveria ser protegida, por sua função de produção e reservatório de água.

Embora a legislação de proteção aos mananciais vigore há mais de 30 anos, como não se estabeleceram mecanismos de gestão e controle, permitiram-se aos perversos mecanismos do mercado desvalorizar a região e, consequentemente, acolher as populações pobres expulsas de lugares mais valorizados. Estes filmes marcaram visualmente o fato de que, no Brasil, como em outros países, as cidades contêm partes que podem ser classificadas, como diz Ermínia Maricato, como não cidades: as extensas periferias, que, além das casas autoconstruídas, contam apenas com o precário transporte, a luz e a água.16

O contraste entre os bairros “de primeiro mundo” e as extensas periferias faveladas remete à noção de que o processo de desenvolvimento capitalista é desigual e combinado. A realidade apresenta uma unidade de contrários, uma simbiose, em que o “atrasado” alimenta o “moderno”, ou, dito de outra forma, o subdesenvolvimento está incluído na formação capitalista.17

As moradias urbanas de periferia, em grande parte, são autoconstruídas em mutirão, no marco da ilegalidade que é sustentada sobre uma estrutura fundiária arcaica, contribuindo para o baixo custo de reprodução da força de trabalho e formando uma paisagem favelada, com pouco fornecimento de infraestrutura.

Frente a essa realidade, é notável, como diz Ermínia Maricato, como o pensar a cidade e as soluções propostas para seus problemas permanecem, com exceções, alienadas da realidade.18

Por isso, a importância de encontrar brechas que, na contracorrente do processo de alienação – de que faz parte o sentimento de não pertencimento aos lugares de vida –, permita encontrar proposições positivas às problemáticas atuais das cidades, lugar das contradições contrastantes. Nesse contexto, destaca-se a relevância de que o ensino de arquitetura e urbanismo participe da mesma intenção, dando visibilidade às contradições da paisagem, condição indispensável à produção de uma reflexão crítica, que permita elucidar soluções criativas. Nesse sentido, vêm à lembrança as palavras finais de Ítalo Calvino, em As cidades invisíveis,

Existem duas maneiras de não sofrer. A primeira é fácil para a maioria das pessoas: aceitar o inferno e tornar-se parte deste até o ponto de deixar de percebê-lo. A segunda é arriscada e exige atenção e aprendizagem contínuas: tentar saber quem e o que, no meio do inferno, não é inferno, e preservá-lo, e abrir espaço.

trabajadores crearon una favela junto al edificio inacabado y finalmente la invadieron, para gran consternación de los compradores engañados.14

Otávio, uno de los personajes, decide ir a Brasilia a pedir ayuda a un ministro, mientras la policía expulsa a los invasores. «El tono de las imágenes conecta a Brasilia con la especulación inmobiliaria, vista como un símbolo de la corrupción nacional», según Xavier.15

Esta especulación inmobiliaria también se refleja en la compleja situación en la que la mitad de las favelas de São Paulo se ubican a orillas de los embalses que abastecen de agua a la ciudad. La creciente expansión periférica de la metrópoli paulista hacia los embalses de Guarapiranga y Billings en las últimas décadas lleva la marca de la desigualdad social, sumada a la degradación ambiental de la región, que debería ser protegida por su papel como productora y reservatorio de agua.

Aunque la legislación que protege las fuentes de agua lleva más de 30 años en vigor, al no haberse establecido mecanismos de gestión y control, se ha permitido que mecanismos perversos del mercado devalúen la región y, en consecuencia, alberguen a poblaciones pobres desplazadas de zonas más valiosas. Estas películas destacaron visualmente que, en Brasil, como en otros países, las ciudades contienen partes que pueden clasificarse, como lo expresa Ermínia Maricato, como no-ciudades: las extensas periferias, que, además de viviendas autoconstruidas, solo cuentan con transporte, electricidad y agua precarios.16

El contraste entre los barrios del “primer mundo” y las extensas periferias similares a favelas evoca la idea de que el proceso de desarrollo capitalista es desigual y combinado.

La realidad presenta una unidad de opuestos, una simbiosis en la que lo “atrasado” alimenta lo “moderno” o, dicho de otro modo, el subdesarrollo se integra en la formación capitalista.17

La vivienda urbana en la periferia se construye en gran medida mediante esfuerzos colectivos, en un marco de ilegalidad sustentado por una estructura territorial arcaica, lo que contribuye al bajo coste de la reproducción laboral y crea un paisaje de barrios marginales con escasa infraestructura.

Frente a esta realidad, es notable, como afirma Ermínia Maricato, cómo la forma en que pensamos la ciudad y las soluciones propuestas para sus problemas siguen, salvo excepciones, alejadas de la realidad.18

Por lo tanto, es importante encontrar brechas que, a contracorriente del proceso de alienación —del cual forma parte el sentimiento de no pertenecer al propio lugar de vida—, permitan encontrar propuestas positivas para los problemas actuales de las ciudades, un espacio de contradicciones contrastantes.

En este contexto, es importante que la formación en arquitectura y urbanismo comparta este mismo objetivo, destacando las contradicciones del paisaje, condición indispensable para la producción de una reflexión crítica que permita la elucidación de soluciones creativas. En este sentido, me vienen a la mente las palabras finales de Italo Calvino en Ciudades Invisibles:

Hay dos maneras de evitar el sufrimiento. La primera es fácil para la mayoría: aceptar el infierno y formar parte de él hasta el punto de dejar de notarlo. La segunda es arriesgada y requiere atención y aprendizaje continuos: intentar saber quién y qué, en medio del infierno, no es infierno, preservarlo y hacerle espacio.

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Acesso em 02/9/2025

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Consultado: 2 de septiembre de 2025

OURO, VOZES E FRONTEIRAS: MIGRAÇÃO

BRASILEIRA

E IDENTIDADE LINGUÍSTICA NO SURINAME

ORO, VOCES Y FRONTERAS: MIGRACIÓN BRASILEÑA

E IDENTIDAD LINGÜÍSTICA

SURINAM

Chegar ao Suriname é cruzar mais do que uma fronteira geográfica; é adentrar um território onde as vozes se entrelaçam: do brasileiro falado pelos migrantes brasileiros às línguas surinamesas dos maroons (descendentes dos primeiros africanos escravizados que se libertaram do jugo escravocrata europeu), que ecoam como testemunhos vivos de resistência ancestral. Ao lado do sranan tongo das ruas (literalmente: língua do Suriname ou surinamês) e do neerlandês oficial, essas línguas guardam histórias de fuga, liberdade e reinvenção. Nesse país de muitas línguas, a língua brasileira (ou como denominamos, neste trabalho, brasileiro) circula entre garimpos, mercados e celebrações, costurando identidades em um espaço que fala muito, mas ainda não escuta todas as vozes.

A presença brasileira no Suriname não é nova, mas continua invisível aos olhos das instituições. Invisível nos documentos, nas políticas públicas, nas escolas e nos hospitais. Mas não nas ruas, nas feiras, nos cultos religiosos e nas redes de apoio que se formam entre migrantes. É nesse espaço informal que o brasileiro falado se afirma como território de pertencimento, mesmo sem reconhecimento oficial.

SURINAME: TERRITÓRIO

DE VOZES E MEMÓRIAS

O Suriname é um país singular na América do Sul. Com raízes coloniais holandesas e uma população marcada por fluxos migratórios diversos: africanos, indianos, javaneses, chineses, judeus, brasileiros; e com uma população pré-colonial presente até hoje, os indígenas, povos originários que já habitavam a região há mais de 4mil anos. Em um território de aproximadamente 164 mil km², com pouco mais de 600 mil habitantes, o país abriga uma ecologia linguística pouco comum; são mais de 20 línguas em uso cotidiano, entre elas o neerlandês (língua oficial), o surina-

Llegar a Surinam es cruzar más que una frontera geográfica; es adentrarse en un territorio donde las voces se entrelazan: desde el brasileño hablado por los migrantes brasileños hasta las lenguas surinamesas de los maroons (descendientes de los primeros africanos esclavizados que se liberaron del yugo colonial europeo), que resuenan como testimonios vivos de resistencia ancestral. Junto al sranan tongo de las calles (literalmente: lengua de Surinam o surinamés) y al neerlandés oficial, estas lenguas guardan historias de fuga, libertad y reinvención. En este país de muchas lenguas, el brasileño (como denominamos al portugués brasileño) circula entre minas de oro a cielo abierto, mercados y celebraciones, hilando identidades en un espacio que habla mucho, pero que aún no escucha todas las voces.

La presencia brasileña en Surinam no es nueva, pero sigue siendo invisible ante los ojos de las instituciones. Invisible en los documentos, en las políticas públicas, en las escuelas y en los hospitales. Pero no en las calles, en las ferias, en los cultos religiosos ni en las redes de apoyo que se forman entre migrantes. Es en ese espacio informal donde el (portugués) brasileño se afirma como territorio de pertenencia, incluso sin reconocimiento oficial.

SURINAM: TERRITORIO DE VOCES Y MEMORIAS

Surinam es un país singular en América del Sur. Con raíces coloniales neerlandesas y una población marcada por diversos flujos migratorios: africanos, indios, javaneses, chinos, judíos, brasileños; además de una población precolonial aún presente: los pueblos indígenas, pueblos originarios que ya habitaban la región hace más de cuatro mil años. En un territorio de aproximadamente 164 mil km², con poco más de 600 mil habitantes, el país alberga una ecología lingüística poco común. Se hablan más de veinte lenguas en el uso cotidiano, entre ellas: el neerlandés (lengua oficial), el surinamés (sranan o sranan tongo) como lengua franca, el inglés,

POR ANTONIO L. DORMAL CALLEJA

mês (língua franca), o inglês, o sarnami (língua dos imigrantes provenientes da Índia), o javanês, o chinês, as línguas indígenas (o aruak, o karib e o warão) e as línguas maroons (o saramakan, o matauai, o nadijuka, o Kuinti, o Paramakan e o Aluku).

Essa diversidade não é apenas estatística: ela compõe o tecido vivo da sociedade surinamesa, onde cada língua carrega histórias de migração, resistência e pertencimento.

As línguas faladas no Suriname não apenas coexistem: elas se entrelaçam, se adaptam, se reinventam. As línguas maroons, por exemplo, são heranças vivas de comunidades maroons ou quilombolas (no Brasil), que resistiram à escravidão e criaram formas próprias de organização, cultura e expressão; carregam memórias de luta e pertencimento e que continuam sendo faladas em aldeias, rituais e espaços comunitários.

O surinamês, por sua vez, é uma língua crioula que surgiu do contato entre africanos escravizados e colonizadores europeus no centro urbano de Paramaribo, capital do país. Hoje, é amplamente falada nas ruas, nos mercados e nas interações cotidianas. Embora não tenha status oficial, é reconhecida como língua de convergência nacional e símbolo de identidade surinamesa.

Nesse cenário, a presença da língua brasileira, falada por migrantes que chegam ao país em busca de trabalho, especialmente no garimpo, é uma adição recente, mas significativa. Embora não reconhecida oficialmente, a língua brasileira se faz ouvir nos cantos da cidade, especialmente no bairro brasileiro de Belenzinho ou Klein Belém (em neerlandês), nas trocas comerciais, nas celebrações religiosas e nas redes de apoio entre compatriotas. Essa língua dos brasileiros se insere no mosaico linguístico surinamês como língua de migrantes, marcada por deslocamento, adaptação e sobrevivência.

MIGRAÇÃO BRASILEIRA E A LÍNGUA EM TRÂNSITO

A migração brasileira para o Suriname é marcada por informalidade, precariedade, resistência e insistência. Muitos migrantes chegam a partir do aeroporto de Belém, no Pará; outros, pela fronteira fluvial com o estado do Amapá ou Pará. Todos os brasileiros estão em busca de oportunidades no garimpo ou em atividades comerciais. São trajetórias que envolvem deslocamentos físicos e simbólicos: cruzar a fronteira ou o rio é também cruzar línguas, culturas e territórios de pertencimento.

Nesse processo, o (português) brasileiro se torna mais do que meio de comunicação: é abrigo, memória e identidade. Falado em contextos de trabalho, fé, afeto e sobrevivência, o brasileiro se adapta ao ambiente multilíngue do Suriname. Mistura-se ao surinamês, incorpora palavras do neerlandês, e, em muitos casos, até se aproxima das línguas maroons, alternando seus códigos nas falas, tanto dos garimpeiros brasileiros como dos maroons.

Essa variedade linguística, que os pesquisadores têm chamado de português brasileiro (PB), nós a denominamos, como já escrito acima, de brasileiro falado no Suriname (BFS) ou brasileiro. O BFS é marcado por traços fonológicos, morfossintáticos, semântico-pragmáticos e lexicais próprios, embora não tenha sido possível atestar, até então, um largo conjunto desses fenômenos. Chamamos a atenção, no entanto, para: o uso do rótico /r/ do holandês em posição final de sílaba nas palavras do BFS, o empréstimo de termos locais, a alternância de códigos linguísticos de duas ou mais línguas em contato (codeswitching multidirecional) em um único enunciado. Todos esses aspectos já apontados em pesquisas sobre o BFS corroboram a existência de uma variedade da língua brasileira em trânsito, viva e resistente.

el sarnami (lengua de los inmigrantes provenientes de la India), el javanés, el chino, lenguas indígenas como el aruak, el karib y el warao, y las lenguas maroons, entre ellas el saramakano, el matauai, el nadiyuka, el kuinti, el paramakano y el aluku. Esta diversidad no es solo estadística: constituye el tejido vivo de la sociedad surinamesa, donde cada lengua lleva consigo historias de migración, resistencia y pertenencia.

Las lenguas habladas en Surinam no solo coexisten: se entrelazan, se adaptan, se reinventan. Las lenguas maroons, por ejemplo, son herencias vivas de comunidades cimarrones, palenques o quilombos (en Brasil), que resistieron la esclavitud y crearon formas propias de organización, cultura y expresión. Estas lenguas conservan memorias de lucha y pertenencia, y siguen siendo habladas en aldeas, rituales y espacios comunitarios.

El surinamés (sranan tongo o sranan), por su parte, es una lengua criolla que surgió del contacto entre africanos esclavizados y colonizadores europeos en el centro urbano de Paramaribo, la capital del país. Hoy en día, se habla ampliamente en las calles, en los mercados y en las interacciones cotidianas. Aunque no tiene estatus oficial, es reconocida como lengua de convergencia nacional y símbolo de identidad surinamesa.

En este escenario, la presencia de la lengua brasileña, hablada por migrantes que llegan al país en busca de trabajo, especialmente en la minería de oro a cielo abierto, es una incorporación reciente pero significativa. Aunque no reconocida oficialmente, la lengua brasileña se escucha en los rincones de la ciudad, especialmente en el barrio brasileño de Belenzinho o Klein Belém (en neerlandés), en los intercambios comerciales, en las celebraciones religiosas y en las redes de apoyo entre compatriotas. Esta lengua de los brasileños se inserta en el mosaico lingüístico surinamés como lengua migrante, marcada por el desplazamiento, la adaptación y la supervivencia.

MIGRACIÓN

BRASILEÑA Y LA LENGUA EN TRÁNSITO

La migración brasileña hacia Surinam está marcada por la informalidad, la precariedad, la resistencia y la insistencia. Muchos migrantes llegan desde el aeropuerto de Belém, en el estado de Pará (Brasil); otros cruzan la frontera fluvial desde el estado de Amapá o Pará (también en Brasil). Todos buscan oportunidades en la extracción de oro o en actividades comerciales. Son trayectorias que implican desplazamientos físicos y simbólicos: cruzar la frontera o el río es también cruzar lenguas, culturas y territorios de pertenencia.

En ese proceso, el (portugués) brasileño se convierte en algo más que un medio de comunicación: es refugio, memoria e identidad. Hablado en contextos de trabajo, fe, afecto y supervivencia, el brasileño hablado se adapta al entorno multilingüe de Surinam. Se mezcla con el surinamés, incorpora palabras del neerlandés y, en muchos casos, incluso se aproxima a las lenguas maroons, alternando sus códigos en los discursos tanto de los garimpeiros (buscadores de oro) brasileños como de los maroons.

Esta variedad lingüística, que algunos investigadores han denominado portugués brasileño (PB), la llamamos aquí de brasileño hablado en Surinam (las iniciales en brasileño - BFS) o brasileño. El BFS está marcado por rasgos fonológicos, morfosintácticos, semántico-pragmáticos y léxicos propios, aunque hasta ahora no ha sido posible documentar un conjunto amplio de estos fenómenos. Señalamos, sin embargo, el uso del sonido /r/ del neerlandés en posición final de sílaba en palabras del BFS, el préstamo de términos locales, y la alternancia de códigos lingüísticos de dos o más lenguas en contacto (code-switching multidireccional) en un mismo enunciado. Todos estos aspectos, ya señalados en investigaciones sobre el BFS, corroboran la existencia de una variedad de la lengua brasileña en tránsito, viva y resistente.

Mais do que uma variação do português brasileiro, o BFS parece se tratar de um ‘código híbrido’, moldado pela experiência migrante. O BFS carrega marcas de deslocamento, adaptação e criatividade; é uma ‘variedade’ da língua brasileira que se transforma para sobreviver, mas que também afirma uma identidade coletiva que não se define apenas pela origem brasileira, mas pela vivência compartilhada em território estrangeiro surinamês.

AS LÍNGUAS SURINAMESAS MAROONS E O DIÁLOGO INVISÍVEL

As línguas maroons são parte fundamental do tecido cultural surinamês. Faladas por comunidades descendentes de africanos escravizados que escaparam das plantações coloniais e formaram sociedades autônomas, essas línguas são expressão de liberdade, ancestralidade e resistência.

No contato com os migrantes brasileiros, as línguas maroons criam pontes invisíveis, não necessariamente de compreensão linguística, mas de reconhecimento histórico. Tanto as línguas marrons como o BFS carregam marcas de exclusão, de marginalização institucional, de sobrevivência fora dos centros de poder. São línguas de resistência. O BFS e as línguas maroons compartilham uma condição: são línguas que vivem à margem das políticas oficiais, mas que sustentam comunidades inteiras. São línguas que não aparecem nos documentos, mas que constroem vínculos, narrativas e afetos.

Esse diálogo invisível entre línguas periféricas é também um convite à escuta. Escutar o BFS é escutar histórias de migração, de trabalho, de fé. Escutar as línguas maroons é escutar histórias de fuga, de resistência, de ancestralidade, de liberdade. Essas línguas em conjunto merecem ser reconhecidas como parte legítima do patrimônio cultural surinamês e da identidade dos territórios onde elas sobrevivem, mesmo que em muitos casos, sejam minoritárias, em termos demográficos.

DIREITOS LINGUÍSTICOS E

EXCLUSÃO INSTITUCIONAL

A invisibilidade do BFS (falado por aproximadamente 5% da população total do Suriname), por parte das instituições oficiais surinamesas é uma questão de direitos humanos. O acesso à informação, à saúde, à educação e à justiça em uma língua falada em um dado território é um direito reconhecido por diversos acordos internacionais, como a Declaração Universal dos Direitos Linguísticos (UNESCO), o Pacto Global para Migração Segura (ONU) e os princípios da ONU sobre inclusão linguística. No entanto, esses princípios se chocam com a prática. Migrantes brasileiros no Suriname enfrentam barreiras linguísticas em hospitais, escolas e delegacias. Muitos não compreendem o neerlandês escrito nas instituições oficiais e acabam excluídos de serviços básicos. Ainda que, redes de solidariedade entre brasileiros auxiliem bastante na compreensão do neerlandês, a ausência de intérpretes ou de materiais informativos em BFS, reforça a vulnerabilidade dos brasileiros no Suriname.

A falta de reconhecimento do BFS como parte do mosaico linguístico surinamês revela uma lacuna entre o discurso internacional e a realidade local. Enquanto os acordos falam em inclusão, na prática, a exclusão é mantida. Enquanto se celebra a diversidade, a presença concreta de línguas migrantes é ignorada.

Reconhecer o BFS como parte legítima do território linguístico surinamês é um passo fundamental para garantir dignidade, inclusão e justiça. Não se trata apenas de traduzir documentos, mas de reconhecer trajetórias, vozes e identidades. É preciso que

Más que una variación del portugués brasileño, el BFS parece ser un “código híbrido”, moldeado por la experiencia migrante. El BFS lleva marcas de desplazamiento, adaptación y creatividad; es una “variedad” de la lengua brasileña que se transforma para sobrevivir, pero que también afirma una identidad colectiva que no se define únicamente por el origen brasileño, sino por la vivencia compartida en territorio surinamés.

LAS LENGUAS MAROONS DE SURINAM Y EL DIÁLOGO INVISIBLE

Las lenguas maroons son parte fundamental del tejido cultural surinamés. Habladas por comunidades descendientes de africanos esclavizados que escaparon de las plantaciones coloniales y formaron sociedades autónomas, estas lenguas son expresión de libertad, ancestralidad y resistencia.

En el contacto con los migrantes brasileños, las lenguas maroons crean puentes invisibles, no necesariamente de comprensión lingüística, sino de reconocimiento histórico. Tanto las lenguas maroons como el BFS (brasileño hablado en Surinam) llevan consigo marcas de exclusión, de marginación institucional, de supervivencia fuera de los centros de poder. Son lenguas de resistencia. El BFS y las lenguas maroons comparten una misma condición: son lenguas que viven al margen de las políticas oficiales, pero que sostienen comunidades enteras. Son lenguas que no aparecen en los documentos, pero que construyen vínculos, narrativas y afectos.

Este diálogo invisible entre lenguas periféricas es también una invitación a la escucha. Escuchar el BFS es escuchar historias de migración, de trabajo, de fe. Escuchar las lenguas maroons es escuchar relatos de fuga, de resistencia, de ancestralidad, de libertad. Estas lenguas, en conjunto, merecen ser reconocidas como parte legítima del patrimonio cultural surinamés y de la identidad de los territorios donde sobreviven, aunque en muchos casos sean minoritarias en términos demográficos.

DERECHOS LINGÜÍSTICOS Y EXCLUSIÓN INSTITUCIONAL

La invisibilidad del BFS (brasileño hablado en Surinam), que representa aproximadamente el 5 % de la población total del país, por parte de las instituciones oficiales surinamesas, constituye una cuestión de derechos humanos. El acceso a la información, a la salud, a la educación y a la justicia en una lengua hablada en un determinado territorio es un derecho reconocido por diversos acuerdos internacionales, como la Declaración Universal de los Derechos Lingüísticos (UNESCO), el Pacto Mundial para una Migración Segura (ONU) y los principios de la ONU sobre inclusión lingüística. Sin embargo, estos principios chocan con la práctica cotidiana. Los migrantes brasileños en Surinam enfrentan barreras lingüísticas en hospitales, escuelas y comisarías. Muchos no comprenden el neerlandés escrito utilizado en las instituciones oficiales y acaban excluidos de servicios básicos. Aunque las redes de solidaridad entre brasileños ayudan considerablemente en la comprensión del neerlandés, la ausencia de intérpretes o de materiales informativos en BFS refuerza la vulnerabilidad de la comunidad brasileña en Surinam.

La falta de reconocimiento del BFS como parte del mosaico lingüístico surinamés revela una brecha entre el discurso internacional y la realidad local. Mientras los acuerdos promueven la inclusión, en la práctica se mantiene la exclusión. Mientras se celebra la diversidad, se ignora la presencia concreta de lenguas migrantes.

Reconocer el BFS como parte legítima del territorio lingüístico surinamés es un paso fundamental para garantizar dignidad, inclusión y justicia. No se trata únicamente de traducir docu-

Antonio L. Dormal Calleja é doutorando em Linguística pela Universidade de São Paulo (USP) e membro do Grupo de Estudos de Línguas em Contato (GELIC). Nascido em Bruxelas, criado nas Astúrias, adulto em Amsterdam e residente no Brasil desde 1999, transita entre territórios e línguas. É mestre pela USP, com pesquisa sobre o contato linguístico da língua brasileira em Paramaribo, Suriname, e apresenta seus trabalhos em congressos internacionais sobre linguística de contato, línguas crioulas e direitos linguísticos. Professor de espanhol, tradutor, intérprete e formador de professores, também é DJ nas horas que a língua dança, capoeirista em pausa e iniciante no surf. Pai de uma carioca e marinheiro linguístico por vocação, para ele toda língua é migrante.

Márcia Santos Duarte de Oliveira é professora doutora da Universidade de São Paulo (USP) atuando na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciência Humanas desde 2005. É uma das principais referências em linguística de contato no Brasil, com foco em variedades do português, especialmente em Angola (África). Munida de uma sólida formação, com dois pós-doutorados que a levaram da histórica Universidade de Coimbra, em Portugal, ao vibrante Instituto Politécnico do Libolo, em Angola, Márcia Oliveira expande sua pesquisa para desvendar as complexas dinâmicas linguísticas do português. Autora de diversos textos acadêmicos e organizadora de livros, Márcia Oliveira tece conexões vitais entre o Brasil, o continente africano e, em uma importante parceria com Antonio Lorenzo Dormal Calleja, explora o português brasileiro em “paisagens linguísticas caribenhas” do Suriname.

a escuta institucional acompanhe a escuta comunitária, aquela que já acontece nas ruas, nos cultos e nas redes de solidariedade.

CULTURA, FÉ E RESISTÊNCIA

Apesar da exclusão institucional, o BFS encontra espaços de resistência na cultura popular; nos cultos religiosos, nas festas comunitárias, nas músicas tocadas nos mercados, nos espaços públicos, o BFS dos brasileiros se afirma como expressão de fé, afeto e pertencimento.

Migrantes brasileiros criam redes de apoio, compartilham saberes, constroem espaços de convivência onde a língua é celebrada. A oralidade é central no contar histórias, na criação das relações, no ensino de receitas, no cuidar do corpo, na construção de famílias, nos conselhos, nas expressões de gratidão, de amor ou de reverência; tudo isso se dá por meio do BFS, com suas variações, sotaques e influências locais surinamesas, próprias das comunidades onde as brasileiras e os brasileiros convivem nessa área caribenha e amazônica.

O BFS não é apenas a língua dos brasileiros no Suriname falando entre si. É também a língua dos brasileiros no encontro com outras línguas. O surinamês aparece na interação dos brasileiros falantes de BFS nas trocas comerciais e nas relações sociais; o encontro entre as falas em neerlandês e em BFS se dá nas tentativas dos brasileiros acessarem os serviços públicos ou as escolas dos filhos. Quanto às línguas maroons, embora menos compreendidas pelos brasileiros, são compartilhadas, em todo o Suriname, por exemplo, nas regiões de garimpo, no interior da selva amazônica surinamesa, onde as expressões lexicais de línguas marrons são incorporadas no dia a dia do BFS com bastante vigor.

O BFS, no contexto de garimpo surinamês não é apenas sobrevivência, é criação, é cultura, é identidade. O BFS se transforma em canto, em lamento, em gesto, em alegria, em reunião. Essa língua se afirma como território simbólico, mesmo quando não reconhecida oficialmente. E é nesse gesto de afirmação que reside sua força: a capacidade de existir mesmo quando não é legitimada.

ESCUTAR TODAS AS VOZES

Se o Suriname é um país de muitas línguas, o que falta para que todas as suas línguas sejam ouvidas?

Reconhecer a língua brasileira, o BFS, como parte legítima do território linguístico surinamês é mais do que uma política pública: é um gesto de escuta, de acolhimento, de reconhecimento. É entender que a linguagem não é apenas código: é memória, é identidade, é pertencimento, é troca constante.

Entre o ouro que atrai, as fronteiras que se cruzam e as vozes que resistem, o BFS é uma língua invisível que insiste em existir. E talvez seja justamente essa insistência que nos convide a escutar com mais atenção, não apenas o que é dito, mas o que ainda não foi legitimado.

A escuta verdadeira começa quando deixamos de perguntar “qual é a língua oficial?”. A escuta se dá quando perguntamos: “quem está falando, e por que não está sendo ouvido?”. Nesse gesto, reconhecemos que toda língua carrega uma história, e que toda história merece espaço para ser contada.

A língua brasileira, o BFS, com suas variações, influências e afetos, é uma dessas histórias. Uma história que atravessa fronteiras, que se mistura com outras vozes, que resiste no silêncio institucional. E que, ao ser reconhecida, transforma o mapa, não apenas o geográfico, mas o humano. É território: espaço vivo.

mentos, sino de reconocer trayectorias, voces e identidades. Es necesario que la escucha institucional acompañe la escucha comunitaria, esa que ya ocurre en las calles, en los cultos religiosos y en las redes de solidaridad.

CULTURA, FE Y RESISTENCIA

A pesar de la exclusión institucional, el BFS (brasileño hablado en Surinam) encuentra espacios de resistencia en la cultura popular, en los cultos religiosos, en las fiestas comunitarias, en las músicas que suenan en los mercados y en los espacios públicos, donde el BFS se afirma como expresión de fe, afecto y pertenencia.

Los migrantes brasileños crean redes de apoyo, comparten saberes, construyen espacios de convivencia donde la lengua es celebrada. La oralidad es central: contar historias, crear vínculos, enseñar recetas, cuidar el cuerpo, formar familias, dar consejos, expresar gratitud, amor o reverencia; todo eso ocurre a través del BFS, con sus variaciones, acentos e influencias locales surinamesas, propias de las comunidades donde brasileñas y brasileños conviven en esta región caribeña y amazónica.

El BFS no es solo la lengua que los brasileños hablan entre sí en Surinam. Es también la lengua del encuentro con otras lenguas. El surinamés aparece en las interacciones comerciales y sociales; el neerlandés, en los intentos de acceder a servicios públicos o a las escuelas de sus hijos. En cuanto a las lenguas maroons, aunque menos comprendidas por los brasileños, son compartidas en todo el país, especialmente en las zonas de minería, en el interior de la selva amazónica surinamesa, donde expresiones léxicas de estas lenguas son incorporadas con fuerza en el día a día del BFS.

En el contexto del garimpo surinamés, el BFS no es solo supervivencia: es creación, es cultura, es identidad. Se transforma en canto, en lamento, en gesto, en alegría, en reunión. Esta lengua se afirma como territorio simbólico, incluso cuando no es reconocida oficialmente. Y es en ese gesto de afirmación donde reside su fuerza: en la capacidad de existir, incluso cuando no es legitimada.

ESCUCHAR TODAS LAS VOCES

Si Surinam es un país de muchas lenguas, ¿qué falta para que todas sean realmente escuchadas?

Reconocer la lengua brasileña, el BFS, como parte legítima del territorio lingüístico surinamés es más que una política pública: es un gesto de escucha, de acogida, de reconocimiento. Es comprender que el lenguaje no es solo código: es memoria, es identidad, es pertenencia, es intercambio constante.

Entre el oro que atrae, las fronteras que se cruzan y las voces que resisten, el BFS es una lengua invisible que insiste en existir. Y quizás sea justamente esa insistencia la que nos invita a escuchar con más atención, no solo lo que se dice, sino lo que aún no ha sido legitimado.

La escucha verdadera comienza cuando dejamos de preguntar “¿cuál es la lengua oficial?” y empezamos a preguntar “¿quién está hablando, y por qué no está siendo escuchado?”. En ese gesto, reconocemos que toda lengua lleva consigo una historia, y que toda historia merece espacio para ser contada.

La lengua brasileña, el BFS, con sus variaciones, influencias y afectos, es una de esas historias. Una historia que atraviesa fronteras, que se mezcla con otras voces, que resiste en el silencio institucional. Y que, al ser reconocida, transforma el mapa, no solo el geográfico, sino el humano. Es territorio: espacio vivo.

Antonio L. Dormal Calleja es doctorando en Lingüística por la Universidad de São Paulo (USP) y miembro del Grupo de Estudios de Lenguas en Contacto (GELIC). Nacido en Bruselas, criado en Asturias, adulto en Ámsterdam y residente en Brasil desde 1999, transita entre territorios y lenguas. Es magíster por la USP, con investigación sobre el contacto lingüístico de la lengua brasileña en Paramaribo, Surinam, y presenta sus trabajos en congresos internacionales sobre lingüística de contacto, lenguas criollas y derechos lingüísticos. Profesor de español, traductor, intérprete y formador de docentes, también es DJ en las horas en que la lengua baila, capoeirista en pausa e iniciado en el surf. Padre de una carioca y marinero lingüístico por vocación, cree que toda lengua es migrante.

Márcia Santos Duarte de Oliveira es profesora, doctora por la Universidad de São Paulo (USP), y trabaja en la Facultad de Filosofía, Letras y Ciencias Humanas desde 2005. Es una de las figuras más destacadas de la lingüística de contacto en Brasil, especializada en las variedades del portugués, especialmente en Angola (África). Con una sólida trayectoria, que incluye dos estudios posdoctorales realizados entre la histórica Universidad de Coimbra en Portugal y el dinámico Instituto Politécnico de Libolo en Angola, Márcia Oliveira amplía su investigación para desentrañar la compleja dinámica lingüística del portugués. Autora de numerosos textos académicos y editora de libros, Márcia Oliveira establece conexiones esenciales entre Brasil, el continente africano y, en una importante colaboración con Antonio Lorenzo Dormal Calleja, explora el portugués brasileño en los paisajes lingüísticos caribeños de Surinam.

CULTURA

OS DIVERSOS POVOS QUE HABITAM AS FAVELAS DO BRASIL

Entre os muitos povos favelados no Brasil há descendentes dos antigos quilombolas, mulheres e homens escravizados fugidos ao interior e escondidos por décadas nas matas; há também descendentes de centenas dos povos originários morando nas favelas ou, ainda em piores condições, nas ruas das grandes cidades, na condição de moradores de rua, sem-teto.

Vejamos agora a história de um desses povos, outrora gloriosos lutadores na resistência contra os abusos do branco.

Os Kadieuwi no Mato Grosso, Brasil

Nos anos de 1950, havia na Argentina uma visão revisionista histórica de raiz americanista sobre a Guerra do Paraguai. Autores como José María Rosa, Milcíades Peña, e Scalabrini Ortiz, pouco conhecidos no Brasil, até negaram mais tarde a responsabilidade inglesa no conflito da Tríplice Aliança, culpando só ao Império brasileiro e à Argentina de Mitre, como fizera Milcíades Peña num texto clássico. Ele disse que “Nem a monarquia coroada brasileira, nem a oligarquia de Bartolomé Mitre fizeram a Guerra do Paraguay por encomenda da Inglaterra”.

No Brasil também essa historiografia foi desconhecida. Hoje há um terceiro tipo de releitura do conflito que, - voltando aos mitos dos adeptos de Mitre e Caxias sobre um Solano López que teria provocado a guerra só pela sua ambição expansionista- invertem toda a perspectiva revisionista e retomam o vitimismo do Império e de Buenos Aires supostamente agredidos pelo Paraguai.

Há ainda uma outra visão que, negando as antes mencionadas, afirma desde os anos 1960, desde um ponto de vista mais afim à luta ideológica da época entre capital e socialismo, que o motivo do conflito seriam os interesses britânicos que queriam impedir a ascensão de um Paraguai poderoso, econômica e militarmente.

Depois de 1980, novos estudiosos como o argentino Pomer sugerem que as causas poderiam ser uma combinação das hipóteses anteriores, o que pinta melhor os processos contraditórios de construção de cada um dos estados nacionais na região. Nenhuma dessas visões fala, porém, do papel dos povos nativos no processo.

EFAVELAS DE BRASIL

LOS VARIOS PUEBLOS QUE HABITAN LAS

ntre los numerosos pueblos que habitan las favelas de Brasil se encuentran descendientes de los antiguos quilombolas, mujeres y hombres esclavizados que huyeron al interior del país y se ocultaron durante décadas en la selva; también hay descendientes de cientos de pueblos indígenas que viven en las favelas o, en condiciones aún peores, en las calles de las grandes ciudades, como personas sin hogar o, como son llamadas últimamente, sin-techo…

Analicemos ahora la historia de uno de estos pueblos, otrora gloriosos luchadores en la resistencia contra los abusos del hombre blanco.

Los Kadieuwi en Mato Grosso, Brasil

En la década de 1950, en Argentina, surgió una visión revisionista histórica de raíces americanistas respecto a la Guerra del Paraguay. Autores como José María Rosa, Milcíades Peña y Scalabrini Ortiz, poco conocidos en Brasil, incluso negaron posteriormente la responsabilidad inglesa en el conflicto de la Triple Alianza, culpando únicamente al Imperio brasileño y a la Argentina de Mitre, tal como lo había hecho Milcíades Peña en un texto clásico. Afirmó que “ni la monarquía coronada brasileña ni la oligarquía de Bartolomé Mitre libraron la Guerra del Paraguay a instancias de Inglaterra”. En Brasil, esta historiografía también era desconocida. Hoy en día existe un tercer tipo de reinterpretación del conflicto que —retomando los mitos de los partidarios de Mitre y Caxias sobre la supuesta provocación de la guerra por parte de Solano López, impulsada únicamente por ambiciones expansionistas— invierte por completo la perspectiva revisionista y retoma la narrativa de victimización del Imperio y de Buenos Aires, supuestamente atacados por Paraguay.

Existe otra perspectiva que, en contraposición a las anteriores, sostiene desde la década de 1960, desde un punto de vista más afín a la lucha ideológica de la época entre capital y socialismo, que el motivo del conflicto fueron los intereses británicos, que buscaban impedir el ascenso de un Paraguay poderoso, tanto económica como militarmente. Después de 1980, nuevos estudiosos, como el argentino Pomer, sugieren que las causas podrían ser una combinación de las hipótesis previas, lo cual ilustra mejor los procesos contradictorios de construcción de cada uno de los estados-nación de la región. Sin embargo, ninguna de estas perspectivas aborda el papel de los pueblos originarios en dicho proceso.

Conheci o historiador argentino León Pomer em 1994, num curso em Assis, e ficamos mais de três horas falando sobre a Guerra da Tríplice Aliança e os Kadeweu, os Índios Cavaleiros. Pomer vinha de visitar o historiador guarani Ilfo Rivero, e falar com Próspero R. Garay, herói da outra guerra trágica, a do Chaco entre Paraguai e Bolívia. Meu encontro com Pomer parecia continuar o que tive com o também argentino amante do Brasil, o artista Caribé, quando inauguramos o Fondo de Cultura Económica do México em São Paulo, em 1991, e tive a honra de trazê-lo ao Memorial da América Latina. Lembrei também de Eric Hobsbawm, que dizia que alguns argentinos eram eternos êmulos de San Martín, cruzando cordilheiras e serras, atrás da integração e a irmandade dos povos da nossa sofrida Ameríndia.

Eu nem imaginava que, 24 anos depois, numa viagem a Bonito, no MS, iria reencontrar o espírito, se não a presença viva, do Próspero R. Garay, homem de 103 anos que foi tema de longos papos na Casa da Memória Raída, de Bonito, um lugar de combate ao esquecimento e de resistência ao descuido histórico na pequena cidade turística, bem na rota do avanço dos paraguaios por território brasileiro ao início da Guerra. Um paraguaio, que eu já tinha visto em Bodoquena, estava na Casa, e falamos sobre os Kadiweu e as línguas Guaikurus. Era sobrinho neto de Próspero R. Garay. Parecia tudo coincidência, mas no dia seguinte, à porta do hotel, uma família sem-teto pedia comida e algum dinheiro.

Eram Kadiweus, da outrora orgulhosa nação dos Índios Cavaleiros, hoje não mais de mil habitantes no Pantanal Sul, entre a Bodoquena e os Rios Nabileque e Aquidavão, ao norte do município de Porto Murtino, MS, que numa época teve 1.629 assentados num território de meio milhão de hectáres, criado em 1903.

Nativo da velha nação, Santos, o pai do grupo de pedintes, é um dos últimos sobreviventes dos Guaikuru do Grande Chaco. Guaycurú em espanhol, ou Guaikuru em português, era nome ofensivo que os Guaranis davam aos Mbayá do Paraguai. O Guaikuru é um povo que, desde cedo, se tornou especialista em cavalos. Não se sabe bem quando o Guaikuru passou a domar o cavalo, que os espanhóis levaram ao Chaco no século XVI em grandes rebanhos que cobriram os pastos.

Já no fim do século, os nativos capturaram e adotaram o cavalo, o que lhes deu uma mobilidade que provocou grandes mudanças na sociedade, na caça, na guerra contra outros povos e contra os espanhóis, e ampliou seu território. Sua sociedade criou classes de nobres, guerreiros, servos vassalos -os Guará- e escravos cativos de outras tribos. Os Jesuítas tentaram formar uma missão com os antepassados de Santos em 1609, e outra em 1613, mas deixaram tudo em 1626 pela falta de resultados, e sobretudo pela simples ausência dos nativos, sempre em viagens nômades de caça, pesca e colheita. Os padres tentaram o cultivo, mas para os Guaikurus essa era atividade de cativos.

Quando atacaram as missões jesuíticas do Itatim e o lugar virou a Terra Mbaiânica, entre os rios Taquari e Jejuí, os Guaikurus já eram expertos cavaleiros. }

Vencedores, deram novos nomes à geografia: os rios que os castelhanos chamavam Corrientes e Piray logo foram o Apa e o Aquidaban; o distrito de Pitun, Piray e Itati, foi o Aguaguigo. Isso, que embaralhou tanto a geografia e a demarcação de limites, é uma prova do domínio territorial Guaikuru.Falei também com a esposa de Santos, que dizia em suas poucas palavras em português, que na visão original do seu povo não havia o termo “território”. Isso só veio após o contato com o branco. Antes, o nativo ia e vinha, e ele próprio definia sua vida e destino sem tutela nem limitações. Depois do contato com o branco há dominação,

Conocí al historiador argentino León Pomer en 1994, en un curso en la ciudad de Assis, y pasamos más de tres horas conversando sobre la Guerra de la Triple Alianza y los Kadeweu-Guaikurus, los Indígenas jinetes. Pomer acababa de visitar al historiador guaraní Ilfo Rivero y de conversar con Próspero R. Garay, héroe de la otra guerra trágica, la Guerra del Chaco entre Paraguay y Bolivia. Mi encuentro con Pomer pareció dar continuidad al que tuve con el también artista argentino Caribé, un apasionado de Brasil, cuando inauguramos el Fondo de Cultura Económica do México en São Paulo, en 1991, y tuve el honor de llevarlo al Memorial da América Latina. También recordé a Eric Hobsbawm, quien decía que algunos argentinos eran eternos imitadores de San Martín, cruzando sierras y colinas en busca de la integración y la fraternidad entre los pueblos de nuestra Amerindia sufrida. Jamás imaginé que, 24 años después, en un viaje a Bonito, en Mato Grosso do Sul, volvería a encontrarme con el espíritu, si no con la presencia viva, de Próspero R. Garay, un hombre de 103 años con quien mantuve largas conversaciones en la Casa da Memória Raída de Bonito, un lugar dedicado a combatir el olvido y resistir la negligencia histórica en este pequeño pueblo turístico, situado justo en la ruta del avance paraguayo a través del territorio brasileño al comienzo de la guerra. Un paraguayo, a quien ya había visto en Bodoquena, estaba en la Casa, y hablamos sobre las lenguas kadiweu y guaikuru. Era sobrino nieto de Próspero R. Garay. Todo parecía una coincidencia, pero al día siguiente, en la entrada del hotel, una familia sin hogar pedía comida y dinero.

Eran Kadiweus, de la otrora orgullosa nación de los Indios jinetes, hoy no más de mil habitantes en el Pantanal Sur, entre Bodoquena y los ríos Nabileque y Aquidavão, al norte del municipio de Porto Murtino, MS, que en su momento llegó a tener 1.629 pobladores en un territorio de medio millón de hectáreas, creado en 1903. Santos, originario de la antigua nación y padre del grupo de mendicantes, es uno de los últimos sobrevivientes de los Guaikuru del Gran Chaco. Guaycurú en español, o Guaikuru en portugués, era un nombre ofensivo que los guaraníes daban a los Mbayá de Paraguay. Los Guaikuru son un pueblo que, desde tiempos remotos, se especializó en el cuidado de los caballos. Se desconoce con exactitud cuándo comenzaron a domesticar el caballo, que los españoles llevaron al Chaco en el siglo XVI en grandes manadas que cubrían los pastizales.

Hacia finales de siglo, los nativos capturaron y adoptaron el caballo, lo que les proporcionó la movilidad necesaria para transformar su sociedad, la caza, la guerra contra otros pueblos y contra los españoles, y la expansión de su territorio. Su sociedad se componía de clases sociales: nobles, guerreros, sirvientes vasallos —los guará— y nativos esclavizados, cautivos de otras tribus. Los jesuitas intentaron establecer una misión con los antepasados de Santos en 1609 y otra en 1613, pero la abandonaron en 1626 por falta de resultados y, sobre todo, por la ausencia de los nativos, quienes se dedicaban constantemente a la caza, la pesca y la recolección. Los sacerdotes intentaron cultivar la tierra, pero para los guaikurus, esta actividad era propia de los cautivos.

Cuando atacaron las misiones jesuitas de Itatim y el territorio se convirtió en la Tierra Mbaiânica, entre los ríos Taquari y Jejuí, los guaikurus ya eran jinetes expertos. Victoriosos, rebautizaron la región: los ríos que los castellanos llamaban Corrientes y Piray pronto se convirtieron en Apa y Aquidaban; el distrito de Pitun, Piray e Itati pasó a llamarse Aguaguigo. Este cambio, que alteró la geografía y la demarcación de fronteras, es prueba del dominio territorial de los guaikurus. También hablé con la esposa de Santos, quien me dijo, en sus pocas palabras de portugués, que en la cosmovisión original de su pueblo, el término “territorio” no existía. Este concepto surgió únicamente tras el contacto con los blancos. Antes, el indígena venía y se iba, y él mismo definía su vida y su destino sin tutelas ni limitaciones.

exploração e violência, dizia Ana Santos, e repetia que hoje o indígena precisa afirmar-se; antes não, a natureza garantia isso. A terra garante; por isso a terra é tudo.

Os Guaikurus-Kadiweu, numa longa faixa a ambos os lados do Paraná, fronteira com o Paraguai, viviam em grupos familiares. Seu território, rico de erva-mate, explorada na pós-guerra, era a principal fonte econômica. Quase todo o território original Guaikcuru foi arrendado à Companhia Matte Larangeira. O avô de Santos, que trabalhou na Companhia, dizia que ao fim da guerra e nos anos de 1930, com a decadência da empresa, as frentes agrárias e pastoris começam a ocupar o território. Depois veio a fazenda de gado e, em 1970, a monocultura da soja e a derrubada sistemática da mata nativa, que era o habitat dos Guaikurus. A família de Santos e outras que viviam nas fazendas, foram forçadas a ir para as reservas demarcadas pelo governo, criando superpovoamento dessas áreas. A investida final do agronegócio -me conta Santos-, foram as usinas de álcool e açúcar, com extensas plantações de cana que usam mão-de-obra indígena para o corte. Nesses anos de perdas territoriais, o povo Guaikuru- Kadiweu e outros do Mato Grosso do Sul, na década de 1970, passam a exigir a devolução do território perdido.

Santos diz, orgulhoso, que os Guaikurus tem sua história guerreira, contada hoje por seus descendentes, os Kadiwéus de Mato Grosso do Sul. O Criador Gô-noêno-Hôdi tirou todos os povos de um poço e deu a cada um funções diversas. Uns pegaram na enxada e foram agricultores, outros artesãos. Só que o Criador esqueceu dos Kadiwéus, que saíram por último do buraco. Por isso, conta Santos, o Criador deixou que roubassem um pouco de cada povo. Na Casa da Memória Raída, de Bonito, ouvi que os ancestrais dos Kadiwéus podem ter vindo da Patagônia argentina, parentes talvez de Tehuelches e Mapuches, e até dos supostamente extintos povos Charruas uruguaios.

Outros acham que a origem é andina. O real é que a região ocupada por eles no centro da América do Sul, tinha influências amazônicas, dos Pampas e das grandes civilizações andinas dos Incas. Os vizinhos viraram lavradores sedentários, mas eles seguiram a vida errante, divididos em tribos sem unidade política, mas com uma língua e costumes bastante semelhantes. O domínio da área era dos Guaikurus. Os relatos contam que mataram o português Aleixo Garcia em 1526, quando deixou Santa Catarina com uma tropa guarani, saqueou postos avançados dos Incas e na volta foi vencido pelos Guaikurus. Tratavam as outras tribos com o mesmo rigor que os nobres europeus aos seus camponeses, pilhando seus bens e obrigando-as a tratar a terra para eles. Cobravam tributo, a troca de proteção, como os Astecas e Incas aos seus vizinhos. O poder dos Guaikuru formava os jovens em rituais de iniciação guerreira desde criança, usando os cavalos dos europeus, o que fez que os Mbayá-Guaikuru ampliassem seu raio de ação. A pintura de corpo dos Kadiwéus, diziam os avós de Santos, impactou o antropólogo Lévi-Strauss por sua complexidade e simetria. Darcy Ribeiro (ver o número 1 de ACeSociedade-Brasil), que visitou os Kadiwéu em 1940, viu que eles tinham interesse nulo pelos mais humildes. Ao contrário, ‘o seu património lendário” diz Darcy, era “a mentalidade de um povo cuja característica mais elaborada é o etnocentrismo, a ideia de predestinação do Kadiwéu para governar o mundo”. “Adotando o cavalo, que para os outros índios era uma caça que crescia nos campos, se formaram como chefes pastoris, enfrentando com vigor o invasor, infringindo-lhe derrotas e perdas que ameaçaram a expansão europeia. Um dos cronistas da expansão civilizatória sobre seus territórios nos diz, claramente, que “pouco faltou para que exterminassem os espanhóis do Paraguai”. Francisco Rodrigues do Prado, membro da Comissão de Limites da América hispânica e da portuguesa, avaliou em 4 mil o número de paulistas mortos por eles ao longo das vias de comunicação com Cuiabá”

Tras el contacto con los blancos, llegó la dominación, la explotación y la violencia, afirmó Ana Santos, y reiteró que hoy los pueblos indígenas necesitan reivindicarse; antes no era así, la naturaleza se encargaba de ello. La tierra lo garantiza; por eso la tierra lo es todo.

Los Guaikurus-Kadiweu, en una larga franja a ambos lados del río Paraná, en la frontera con Paraguay, vivían en grupos familiares. Su territorio, rico en yerba mate, explotado tras la guerra, era su principal fuente de sustento económico. Casi todo el territorio original de los Guaikurus fue arrendado a la Compañía Matte Larangeira. El abuelo de Santos, quien trabajaba para la Compañía, contó que al finalizar la guerra y en la década de 1930, con el declive de la empresa, los frentes agrícolas y ganaderos comenzaron a ocupar el territorio. Luego llegaron las estancias ganaderas y, en 1970, el monocultivo de soja y la tala sistemática del bosque nativo, hábitat de los Guaikurus. La familia de Santos, junto con otros habitantes de las fincas, se vio obligada a trasladarse a reservas delimitadas por el gobierno, lo que generó sobrepoblación en estas zonas. El último empujón de la agroindustria —me cuenta Santos— fueron los ingenios azucareros y las plantas de etanol, con extensas plantaciones de caña de azúcar que emplean mano de obra indígena para la cosecha. El último empujón de la agroindustria —me cuenta Santos— fueron los ingenios azucareros y de alcohol, con extensas plantaciones de caña de azúcar que emplean mano de obra indígena para la cosecha. Durante esos años de pérdidas territoriales, el pueblo Guaikuru-Kadiweu y

conta Darci Ribeiro em “O Povo Brasileiro”. A colonização ibérica se consolidou na região no Fuerte Burbom e Concepción no lado castelhano, e do outro, em Coimbra, Albuquerque e Miranda também se criaram condições para uma guerra tripartite entre espanhóis, portugueses e Guaykurus. Os ibéricos lutavam entre eles para expandir suas fronteiras, e os Guaykurus contra ambos para proteger seu território. A vitória só seria de quem pudesse aliar-se aos nativos. Os Guaikurú foram muito astutos contra ambos os dois inimigos. Conta meu novo amigo Santos na pracinha de Bonito, que se aproximaram mais com os portugueses, o que finalmente culmina no tratado de paz e amizade firmado em 1791. Até 1826, já não há mais violência entre os luso-brasileiros e os temíveis cavaleiros.

Com os castelhanos de Assunção os índios tinham um jogo duplo: fingiam aproximar-se, mas seguiam atacando a fronteira. Isso cresce depois da independência do Paraguai. O governo paraguaio desmata a floresta perto de Concepción, onde os nativos anualmente colhiam cocos, e eles então aumentam os ataques contra o Paraguai. Ao mesmo tempo, crescia a relação com os brasileiros, que forneciam armas e munições, e compravam os seus botins de guerra. Em 1850, Brasil e Paraguai negociavam a navegação dos rios da região, vital para o Mato Grosso, mas uma tropa de nativos e brasileiros toma o Fuerte Olimpo, e o governo mato-grossense é forçado a castigar seus aliados Guaikurús.

Quando a ocupação do Mato Grosso pelas tropas paraguaias deu início à Guerra da Tríplice Aliança, a defesa do país exigiu o

otros de Mato Grosso do Sul, en la década de 1970, comenzaron a exigir la devolución de su territorio perdido.

Santos afirma con orgullo que los Guaikurus tienen su historia guerrera, narrada hoy por sus descendientes, los Kadiwéus de Mato Grosso do Sul. El Creador Gô-noêno-Hôdi sacó a todos los pueblos de un pozo y les asignó a cada uno funciones distintas. Algunos tomaron la azada y se convirtieron en agricultores, otros en artesanos. Pero el Creador se olvidó de los Kadiwéus, quienes fueron los últimos en emerger del pozo. Por eso, dice Santos, el Creador les permitió tomar prestado un poco de cada pueblo. En la Casa da Memória Raída, en Bonito, escuché que los ancestros de los Kadiwéus podrían haber venido de la Patagonia argentina, quizá parientes de los Tehuelches y Mapuches, e incluso de los extintos Charruas uruguayos.

Otros creen que su origen es andino. Lo cierto es que la región que ocuparon en el centro de Sudamérica recibió influencias amazónicas, de la Pampa y de las grandes civilizaciones andinas de los Incas. Los vecinos se convirtieron en agricultores sedentarios, pero continuaron su vida nómada, divididos en tribus sin unidad política, pero con una lengua y costumbres bastante similares. Los guaikurus dominaban la zona.

Santos afirma con orgullo que los Guaikurus tienen su historia guerrera, narrada hoy por sus descendientes, los Kadiwéus de Mato Grosso do Sul. El Creador Gô-noêno-Hôdi sacó a todos los pueblos de un pozo y les asignó a cada uno funciones distintas. Algunos tomaron la azada y se convirtieron en agricultores, otros en artesanos. Pero el Creador se olvidó de los Kadiwéus, quienes fueron los últimos en emerger del pozo. Por eso, dice Santos, el Creador les permitió tomar prestado un poco de cada pueblo. En la Casa da Memória Raída, en Bonito, escuché que los ancestros de los Kadiwéus podrían haber venido de la Patagonia argentina, quizá parientes de los Tehuelches y Mapuches, e incluso de los supuestamente extintos Charrúas uruguayos.

Otros creen que su origen es andino. Lo cierto es que la región que ocuparon en el centro de Sudamérica recibió influencias amazónicas, de la Pampa y de las grandes civilizaciones andinas de los Incas. Los vecinos se convirtieron en agricultores sedentarios, pero continuaron su vida nómada, divididos en tribus sin unidad política, pero con una lengua y costumbres bastante similares. Los guaikurus dominaban la zona. Según los relatos, mataron al portugués Aleixo García en 1526, cuando este partió de Santa Catarina con una tropa guaraní, saqueó puestos avanzados incas y, a su regreso, fue derrotado por los Guaikuru. Trataban a otras tribus con la misma severidad con que los nobles europeos trataban a sus campesinos, saqueando sus bienes y obligándolos a cultivar la tierra para ellos. Recaudaban tributo a cambio de protección, al igual que los aztecas e incas con sus vecinos. El poder de los Guaikuru radicaba en el entrenamiento de los jóvenes en rituales de iniciación guerrera desde la infancia, utilizando caballos europeos, lo que permitió a los Mbayá-Guaikuru expandir su territorio. La pintura corporal de los Kadiwéu, según los abuelos de Santos, impresionó al antropólogo Lévi-Strauss por su complejidad y simetría. Darcy Ribeiro (véase el número 1 de ACeSociedadeBrasil), quien visitó a los Kadiwéu en 1940, observó que no tenían interés en las personas más humildes. Por el contrario, “su herencia legendaria”, dice Darcy, “era la mentalidad de un pueblo cuya característica más elaborada es el etnocentrismo, la idea de la predestinación de los Kadiwéu a gobernar el mundo”. “Al adoptar el caballo, que para otros indígenas era un animal que crecía en los campos, se formaron como jefes pastoriles, enfrentando vigorosamente al invasor, infligiéndole derrotas y pérdidas que amenazaban la expansión europea.

apoio dos indígenas do Pantanal, me conta Santos que relatava seu avô. Grande parte dos povos do Chaco foram para a luta contra o Paraguai a favor do Império do Brasil. Alguns, “voluntários da pátria”, mesmo com recrutamento forçado, lutaram às ordens do Império por uma nação que nem sabiam o que era, porque tinham sua guerra particular dentro da grande guerra. Os nativos desse tempo, depois de acabada a guerra, ainda mostravam prêmios de recompensa pelos seus atos de bravura, e passeavam com trajes da guerra que simbolizavam o orgulho da sua participação. No Pantanal, contam Ana e Santos, os Gaiukurus atacavam os paraguaios por meio de guerrilhas. Em 1865, os Terena derrotaram os paraguaios, matando três indígenas e onze soldados de Solano Lopez e roubando munições. Mais tarde, sob fogo pesado, cercaram o inimigo até fazê-lo deixar os campos, levando muitos animais. Depois disso, já sem munição, correram às forças imperiais a pedir reposição. Segundo o avô contou ao amigo Santos, um oficial brasileiro disse que o pedido seria atendido “porque eles têm feito muito”. Na memória do seu povo, diz a mulher de Santos, a Guerra do Paraguai dividiu as águas. O fato - contava seu avô Victoriano – foi testemunhado pela estudiosa Mônica Pechincha, que conheceu os Kadiwéu em 1992, e depois de ouvir dezenas de histórias concluiu que a guerra do Paraguai “é o evento que define a relação dos Kadiwéu com a nação brasileira. E é uma parte fundamental na reivindicação dos seus direitos territoriais”.

A fim do século XVIII, os Guaikurus, mesmo próximos dos luso-brasileiros, e estabelecidos perto de Forte Coimbra e da vila de Albuquerque, não se deixavam seduzir tão fácil pelas propostas insistentes do estado brasileiro de concentrar-se em “reservas”. Quem vai descrever os Guaikurus dizia Vitoriano Santos fala logo dos traços mais visíveis: fortes, corajosos até quase serem temerários; mas selvagens e violentos; traiçoeiros, embora bonitos, orgulhosos e vivos. A figura do Guaicuru impactava: “Seu tamanho, beleza e elegância de suas formas e sua força são muito superiores aos espanhóis, e eles consideram a raça europeia muito inferior à sua” resume nos seus relatos o explorador Félix de Azara. Quando em 1864 o exército paraguaio invadiu Mato Grosso e quis levar os GuaiKuru para seu território, a nação nativa recusou e a maioria morreu de varíola. Assim foi a guerra de seis anos. Os indígenas ajudaram os brasileiros a fugir para Cuiabá, cruzaram o Rio Apa e atacaram os paraguaios. Dom Pedro II deu um território na Serra da Bodoquena na borda sudoeste do Pantanal aos Kadiwéu em gratidão pelo seu auxílio na Guerra do Paraguai. -Mas não é suficiente para nós, não foi o que o rei prometeu-, dizem Santos e sua esposa.

A guerra terminou no Tratado de Limites de 1872 e os Guaikuru se desintegraram rápido, por causa da mestiçagem intertribal, do álcool e as epidemias de varíola. As últimas décadas do século XIX, foi o tempo do crescimento artístico, da fabricação de cerâmicas e pinturas corporais complexas. Levi-Strauss fez uma coleção de 400 diferentes desenhos. Os assentamentos da época, semi-sedentários, em cabanas de palha e folhas de palmeira em semicírculo, em locais altos pelas inundações, e os acampamentos temporários de tapiri nas viag ens de caça e pesca -contava o avô de Ana Santos-, se somavam aos engenhos e caldeiras para tirar o caldo da cana. Desde então os Kadiwéu fabricam cerâmicas e tecem panos coloridos de lã e algodão, com contas de vidro; e trançam esteiras, leques e outros artigos de junco. Nos anos de1930 o estado quis modernizar o povo, juntando-o em aldeias, com casas, escola e farmácia, mas as aldeias eram abandonadas. Em 1935 Levi Strauss os achou morando fora das casas em barracas, fabricando chapéus de palha para vender. O território cedido por Dom Pedro II aos Kadiwéu criou muitos conflitos. Em 1957 fazendeiros soltaram 15 mil cabeças de gado, mas o Supremo Tribunal favoreceu os nativos. Durante outros 60 anos, porém, o governo alugou as terras dos Kadiwéu e depois as vendeu aos fazendeiros por preços abaixo do valor. O povo usava só uma

Uno de los cronistas de la expansión de la civilización en sus territorios nos dice claramente que “casi exterminaron a los españoles de Paraguay”. Francisco Rodrigues do Prado, miembro de la Comisión de Límites de Hispanoamérica y Portuguesa, estimó que 4.000 personas de São Paulo fueron asesinadas por ellos a lo largo de las rutas de comunicación con Cuiabá”, relata Darcy Ribeiro en “El pueblo brasileño”. La colonización ibérica se consolidó en la región, principalmente en Fuerte Borbón y Concepción, en el lado castellano, y en Coímbra, Albuquerque y Miranda. Allí también se dieron las condiciones para una guerra tripartita entre españoles, portugueses y guaikurus. Los íbéricos luchaban entre sí para expandir sus fronteras, y los guaikurus combatían contra ambos para proteger su territorio. La victoria solo la alcanzarían quienes lograran aliarse con los nativos. Los guaikurus demostraron gran astucia frente a ambos bandos. Mi nuevo amigo Santos, en la pequeña plaza de Bonito, cuenta que se acercaron a los portugueses, lo que finalmente culminó en el tratado de paz y amistad firmado en 1791. Para 1826, ya no había violencia entre los portugueses-brasileños y los temibles caballeros.

Con los españoles de Asunción, los indígenas jugaron a dos bandas: fingían acercarse, pero continuaban atacando la frontera. Esta situación se intensificó tras la independencia de Paraguay. El gobierno paraguayo deforestó el bosque cercano a Concepción, donde los nativos recolectaban cocos anualmente, y luego aumentaron sus ataques contra Paraguay. Al mismo tiempo, se fortaleció la relación con los brasileños, quienes les suministraban armas y municiones y les compraban el botín de guerra. En 1850, Brasil y Paraguay negociaron la navegación de los ríos de la región, vitales para Mato Grosso, pero una tropa de nativos y brasileños tomó Fuerte Olimpo, y el gobierno de Mato Grosso se vio obligado a castigar a sus aliados guaikurú.

Cuando la ocupación de Mato Grosso por las tropas paraguayas dio inicio a la Guerra de la Triple Alianza, la defensa del país requirió el apoyo de los pueblos indígenas del Pantanal, me cuenta Santos, relatando la historia de su abuelo. Gran parte del pueblo chaco se unió a la lucha contra Paraguay a favor del Imperio de Brasil. Algunos, “voluntarios de la patria”, incluso bajo reclutamiento forzoso, lucharon bajo las órdenes del Imperio por una nación cuya existencia ni siquiera conocían, porque libraban su propia guerra particular dentro de la guerra mayor.

Los nativos de aquella época, incluso después de terminada la guerra, seguían exhibiendo condecoraciones por sus actos de valentía y desfilaban con sus atuendos de guerra, símbolo del orgullo por su participación. En el Pantanal, Ana y Santos relatan que los Gaiukuru atacaron a los paraguayos mediante la guerra de guerrillas. En 1865, los Terena derrotaron a los paraguayos, matando a tres indígenas y a once soldados de Solano López, y robando municiones. Más tarde, bajo fuego intenso, rodearon al enemigo hasta obligarlo a abandonar los campos, llevándose consigo muchos animales. Después, ya sin municiones, corrieron a pedir reabastecimiento a las fuerzas imperiales. Según lo que su abuelo le contó a su amigo Santos, un oficial brasileño dijo que la petición sería concedida «porque han hecho mucho». En la memoria de su pueblo, dice la esposa de Santos, la Guerra de Paraguay fue un momento crucial. El suceso —relatado por su abuelo Victoriano— fue presenciado por la investigadora Mônica Pechincha, quien conoció a los Kadiwéu en 1992 y, tras escuchar decenas de relatos, concluyó que la Guerra del Paraguay “es el acontecimiento que define la relación de los Kadiwéu con la nación brasileña. Y es parte fundamental de la reivindicación de sus derechos territoriales”.

A finales del siglo XVIII, los guaikuru, a pesar de su cercanía con los portugueses-brasileños y su asentamiento cerca

fração da terra. Nos anos 80 a FUNAI não tinha recursos para ajudar o povo. O comércio, ensino e assistência médica contra o sarampo, tuberculose e malária eram das missões evangélicas.

Primo de Ana, o líder Kadiwéu Ambrósio da Silva, acertou em 1985 com os fazendeiros, para pagar aluguel direto aos nativos. A FUNAI levantou uma escola e uma clínica em Bodoquena, mas sem suficientes professores e enfermeiros. O povo quis ter uma escola própria com professores Terena, e a Missão Evangélica Unida ajudou a escola e deram assistência médica.

Santos e sua esposa Ana, já quase esquecidos do glorioso passado, e hoje pedintes sem teto onde morar, vagam pelas ruas de Bonito com as suas memórias embrulhadas nas sacolas pobres com seus escassos pertences.

Javier Villanueva Bonito, Mato Grosso do Sul. Agosto de 2018.

del Fuerte Coimbra y la ciudad de Albuquerque, no se dejaron seducir fácilmente por las insistentes propuestas del Estado brasileño de concentrarlos en “reservas”. “Quien describe a los guaikuru”, dijo Vitoriano Santos, “habla inmediatamente de sus rasgos más visibles: fuertes, valientes hasta la temeridad; pero salvajes y violentos; traicioneros, aunque hermosos, orgullosos y vivaces”. La figura de los guaikuru era imponente: “Su tamaño, belleza y elegancia, así como su fuerza, superan con creces a los españoles, y consideran a la raza europea muy inferior a la suya”, resume el explorador Félix de Azara en sus relatos. Cuando, en 1864, el ejército paraguayo invadió Mato Grosso e intentó llevar a los guaikuru a su territorio, la nación indígena se negó, y la mayoría murió de viruela. Así terminó la guerra de seis años. Los indígenas ayudaron a los brasileños a huir a Cuiabá, cruzaron el río Apa y atacaron a los paraguayos. Dom Pedro II cedió territorio en la Serra da Bodoquena, en el extremo suroeste del Pantanal, a los Kadiwéu en agradecimiento por su ayuda en la Guerra de Paraguay. -Pero no nos basta, no era lo que el rey prometió-, dicen Santos y su esposa.

La guerra terminó con el Tratado de Límites de 1872, y el pueblo Guaikuru se desintegró rápidamente debido al mestizaje, el consumo de alcohol y las epidemias de viruela. Las últimas décadas del siglo XIX fueron una época de florecimiento artístico, con la producción de cerámica y complejas pinturas corporales. Lévi-Strauss reunió una colección de 400 diseños diferentes. Los asentamientos de la época, semisedentarios, consistían en chozas de paja y hojas de palma dispuestas en semicírculos, construidas en terrenos elevados para protegerse de las inundaciones. Los campamentos temporales improvisados durante las expediciones de caza y pesca —como relataba el abuelo de Ana Santos— se complementaban con ingenios azucareros y calderas para extraer el jugo de la caña de azúcar. Desde entonces, el pueblo Kadiwéu ha producido cerámica y tejido coloridas telas de lana y algodón con cuentas de vidrio; además de trenzar esteras, abanicos y otros artículos de junco. En la década de 1930, el Estado intentó modernizar a la población, agrupándola en aldeas con casas, una escuela y una farmacia, pero estas fueron abandonadas. En 1935, Levi Strauss los encontró viviendo en tiendas de campaña a la intemperie, tejiendo sombreros de paja para vender. El territorio cedido por Dom Pedro II a los Kadiwéu generó numerosos conflictos. En 1957, los ganaderos liberaron 15.000 cabezas de ganado, pero el Tribunal Supremo falló a favor de los indígenas.

FUNAI* Fundación

Nacional de los Pueblos Indígenas de Brasil, es una agencia gubernamental encargada de proteger y de promover los derechos de los pueblos indígenas en todo el país. Fundada en 1967, sus funciones principales incluyen la demarcación de tierras indígenas, la protección de los pueblos aislados, la fiscalización y la implementación de políticas para el desarrollo sostenible y el respeto a la cultura y los derechos indígenas.

Durante otros 60 años, el gobierno arrendó las tierras Kadiwéu y luego las vendió a agricultores por debajo del precio de mercado. La gente solo utilizaba una fracción de la tierra. En la década de 1980, la FUNAI (Fundación Nacional del Indio) carecía de los recursos necesarios para ayudar a la población. Las misiones evangélicas proporcionaban comercio, educación y asistencia médica contra el sarampión, la tuberculosis y la malaria.

El primo de Ana, el líder Kadiwéu Ambrósio da Silva, llegó a un acuerdo en 1985 con los agricultores para pagar la renta directamente a los indígenas. La FUNAI* construyó una escuela y una clínica en Bodoquena, pero sin suficientes maestros ni enfermeras. La gente quería tener su propia escuela con maestros de la nación Terena, y la Misión Evangélica Unida colaboró con la escuela y brindó asistencia médica.

Santos y su esposa Ana, casi olvidados de su glorioso pasado, ahora mendicantes sin techo para vivir, vagan por las calles de Bonito con sus recuerdos envueltos en unas pocas bolsas y pobres paquetes que contienen sus escasas pertenencias.

Javier Villanueva Bonito, Mato Grosso do Sul. Agosto de 2018.

MÚSICA

QUANDO DESCOBRI O TANGO

CUANDO DESCUBRÍ EL TANGO

Ouço um tango e uma música de rock, e pressinto

que sou eu”
(Charly García)

Eu ouvia tango no rádio dos meus avós quando tinha 5 ou 6 anos. Esse rádio de madeira tocava todos os dias, e sempre durante a transmissão em que passavam tangos. Para mim, naquela época, aquilo era apenas um barulho de fundo. Mais tarde, já crescido, soube que meus avós maternos, que não eram argentinos, tinham dançado tango; mas não os meus pais, que eram argentinos, pois eles pertenciam à velha geração do Rock and Roll. Meus pais chegaram a dançar rock e contavam que dançavam com todas as piruetas que essa dança permitia, especialmente ao ritmo de Rock Around the Clock (1956), de Bill Haley and His Comets. Meu padre me disse que o filme havia causado uma enorme sensação. Por meio dos meus padres, fui apresentado a Elvis, aos Beatles, ao Creedence Clearwater Revival, ao Pink Floyd, a Jimi Hendrix, a Almendra, a Manal, entre outros, do rock argentino.

O que acontecia nos bastidores era que a nossa música — tanto o tango quanto a música folclórica — estava cedendo espaço para aqueles ritmos estadunidenses ou ingleses, cantados em inglês, como é óbvio. Não conheço tão bem o destino da música folclórica, que teve muitos de seus grandes representantes exilados devido à perseguição ideológica; o mesmo não se pode dizer do tango, ou pelo menos não na mesma medida, já que, na época da perseguição mais violenta, o tango já estava em declínio. Estou falando das décadas de 1960 e 70. Quanto ao tango, a década de 1960 já mostrava uma música que estava perdendo popularidade rapidamente. Até mesmo o próprio Troilo — que dizia: “Não sou músico, sou cantor de tango” — tocava em lugares onde quase ninguém ia; ele, o mestre do bandoneon.

Por outro lado, o grande bailarino Carlos Copes e sua parceira María Nieves (hoje com 90 anos), não encontrando espaços para desenvolver seu tango-dança — aquele tango improvisado, que se desenrolava no chão, sem nunca romper o abraço — tiveram que considerar uma alternativa. Decidiram levar sua dança para o palco, inventando assim o hoje famoso “Tango de Palco”: mais espetáculo, mais para o público do que para a dança em si, já que apenas bailarinos altamente habilidosos e fisicamente preparados conseguem atingir a excelência nessa modalidade. E sim, Copes e Nieves tiveram que tomar liberdades, como abrir o abraço para

“Escucho un tango y un rock y presiento que soy yo”
(Charly García)

Conocí el tango en la radio de mis abuelos, cuando yo tenía unos 5 o 6 años. Esa radio de madera sonaba todo el día y siempre en la audición donde pasaban tangos. Para mí, en aquel entonces, era apenas un sonido de fondo. Más grande supe que mis abuelos maternos, que no eran argentinos, habían bailado tango; no así mis viejos, sí argentinos, porque ya pertenecían a la generación hija del Rock n’ Roll. Mis padres llegaron a bailarlo y contaban que lo hacían con todas las piruetas que ese baile permitía, especialmente al ritmo de Rock Around the Clock (1956), de Bill Haley and His Comets. Me contaba mi padre que había sido un furor tremendo la película. De mis padres conocí desde Elvis, Beatles, Creedence, Pink Floyd, Jimy Hendrix, Almendra, Manal, entre otros, del rock argentino.

Lo que pasaba, de manera subterránea, era que nuestra música —tanto el tango como el folclore— iba cediendo lugar a esos ritmos estadounidenses cantados en inglés, como es obvio. No conozco tanto los destinos del folclore, que sí tuvo muchos de sus grandes representantes exiliados por persecución ideológica; no así el tango, o al menos no en la misma medida, ya que en los tiempos de mayor persecución violenta el tango ya estaba en decadencia.

Hablo de los años 60 y 70 del siglo pasado. En lo que respecta al tango, los años 60 ya mostraban una música que declinaba vertiginosamente a nivel popular. El mismísimo Troilo —quien decía: “yo no soy músico, yo soy tanguero”— tocaba para espacios donde casi no iba nadie; él, El bandoneón mayor.

Por otra parte, el gran bailarín Carlos Copes y su compañera María Nieves (hoy con 90 años), al no encontrar lugares donde desarrollar su danza-tango —ese tango al piso, improvisado, sin soltar jamás el abrazo— tuvieron que pensar alguna alternativa. Se les ocurrió llevar su danza a los escenarios y así inventaron el hoy famoso “Tango Escenario”: más show, más para ver que para bailar, ya que sólo bailarines con mucha destreza y preparación física lo pueden lograr en su excelencia. Y sí, Copes y Nieves tuvieron que darse licencias como la de abrir el abrazo para realizar pasos más complejos y coreografías novedosas,

executar passos mais complexos e coreografias inovadoras, incorporando alguns truques de palco emprestados de outras disciplinas, mantendo, ao mesmo tempo, a essência apaixonada do tango. Essa inovação abriu uma nova forma de apresentar o tango-dança, posteriormente adotada por grandes nomes como Virulazo e Carlos Gavito, “o bailarino do silêncio”, e gerações mais jovens como os irmãos Zotto — com Miguel Ángel se destacando acima de Osvaldo —, ou os virtuosos Roberto Herrera e Vanina Bilous. Claro que, antes de todos eles, devemos mencionar “El Cachafaz” e Carmencita Calderón, que levaram a dança do tango para o cinema no auge de sua popularidade, com as melhores orquestras ao vivo e muitas milongas, como se diz, “cheias de gente”, com todos se movendo sempre em sentido anti-horário. O tango passou a promover uma cultura do tango com sua visão de mundo às vezes beirando o dramático, embora com algumas letras humorísticas como o tango “Chorra”, escrito pelo grande Discépolo e popularizado por Gardel.

Como dissemos, o tango havia entrado em um período de dormência em termos de casas de dança e das grandes orquestras, onde as pessoas se encontravam através de abraços e algumas nunca mais se separavam; por quase duas décadas. No meu caso, filho dos filhos do Rock ‘n’ Roll, cresci com alguns dos LPs do meu pai, mas principalmente canções de tango—aquele formato que Gardel inventou com “El día que me quieras”—como cantam Goyeneche ou Eladia Blázquez; aqui Adriana “la Gata” Varela.

Houve também músicos que captaram a essência do tango e a transformaram em música não destinada à dança popular, mas sim para ser ouvida ou coreografada, como o fizeram Piazzolla, Atilio Stampone, Rodolfo Mederos ou o grupo de rock Alas, que incluía bandoneons. Eu mesmo cheguei a criar e dançar, ao lado de Miriam Albarrán, coreografias com música de Piazzolla, incorporando elementos do “novo tango”, com a marca de Mariano “Chicho” Frúmboli: um tango com um abraço aberto, que permitia movimentos novos, complexos e difíceis que distanciavam ainda mais os setores populares dessa dança. Isso foi uma moda passageira, e hoje o próprio Frúmboli, se autocrítica e retornou a um tango com raízes mais populares, com o abraço peito a peito, o chamado “verdadeiro tango”. Mas com Miriam nos afastamos do novo tango de Frúmboli, bem como do estereótipo do tango de palco, e incorporamos a dança contemporânea e a teatralidade como um ingrediente intensamente emocional, com olhares apaixonados e explorando o erotismo e a sensualidade, elementos que não são estranhos à essência do tango.

Mas, como foi que o tango ressurgiu como uma dança popular, dançada nas milongas, aquele tango clássico, no chão, abraçado e improvisado? Paradoxalmente, isso aconteceu não na Argentina, mas na França, com o espetáculo Tango Argentino, que estreou em Paris em 1983. Seu sucesso foi tão grande que chegou à Broadway em 1985. Dizem que o grande Virulazo, então um homem grande e asmático, carregava um aquecedor a querosene para se aquecer. Essa anedota encantadora nos lembra que o tango nasceu entre a classe trabalhadora, entre as pessoas que o dançavam. Virulazo era uma dessas pessoas do povo. É verdade que, mesmo em seu auge, havia orquestras que levavam o tango às salas de estar das famílias mais privilegiadas econômica e culturalmente, e ele se tornou cada vez mais sofisticado. Orquestras como a de Di Sarli ou a de Pugliese no final da década de 1940, assim como Troilo e outras, elevaram o tango com arranjos mais sofisticados e complexos sem abandonar a fórmula de compasso 2/4, o ritmo para dançar na pista de dança.

O tango de palco continuou como um espetáculo, mas despertou em todos o desejo de dançar tango.

As milongas retornaram e o tango deixou de ser ensinado entre familiares; em vez disso, surgiram professores. As exigências físicas do tango de palco nas décadas de 80, 90 e posteriores

con algunos trucos escénicos sacados de otras disciplinas, manteniendo la esencia tanguera y apasionada. Esa innovación abrió un nuevo modo de presentar la danza-tango que más tarde retomaron grandes como Virulazo o Carlos Gavito, “el bailarín del silencio”; y camadas más jóvenes como los hermanos Zotto —destacándose Miguel Ángel por sobre Osvaldo—, o los virtuosos Roberto Herrera y Vanina Bilous.

Claro que, antes que todos ellos, hay que mencionar a “El Cachafaz” y Carmencita Calderón, quienes llevaron la danzatango al cine en pleno apogeo del tango, con las mejores orquestas en vivo y las milongas llenas, como se dice: “sacándole viruta al piso”, con todos moviéndose siempre en el sentido contrario a las agujas del reloj. El tango llegó a promover una cultura tanguera con su cosmovisión a veces rayana en lo dramático, aunque con algunas letras humorísticas como el tango Chorra, escrito por el gran Discépolo y difundido por Gardel.

Como dijimos, el tango había entrado en un letargo en cuanto a los espacios de baile y sus grandes orquestas, donde la gente se conocía en el abrazo y algunos nunca se soltaron; durante unas dos décadas. En mi caso, hijo de los hijos del Rock n’ Roll, crecí con algunos LP de mi viejo, pero de tango más del tipo canción —ese formato que inventó Gardel con El día que me quieras— como los que cantaban Goyeneche o Eladia Blázquez; hoy Adriana “la Gata” Varela.

También hubo músicos que tomaron la esencia tanguera para transformarla en música no pensada para el baile popular sino para ser escuchada o coreografiada, como Piazzolla, Atilio Stampone, Rodolfo Mederos o el grupo de rock Alas, que incluyó bandoneones. Yo mismo llegué a crear y bailar, junto a Miriam Albarrán, coreografías con música de Piazzolla, incorporando elementos del “tango nuevo”, con la impronta de Mariano “Chicho” Frúmboli: un tango con abrazo abierto, que permitía nuevos movimientos, complejos, difíciles que alejaron más a los sectores populares de esa danza (esto fue moda, y hoy el mismo Frúmboli, se autocriticó y volvió a un tango más de raíces populares, con el abrazo pecho a pecho, el dicho “verdadero tango”), pero con Miriam salimos del tango nuevo de Frúmboli así como del estereotipo del tango escenario y le incorporamos danza contemporánea así como teatralidad en cuanto ingrediente intenso, emocional, con apasionadas miradas y explorando erotismo y sensualidad, elementos que no son ajenos en cuanto esencia tanguera.

¿Pero cómo resurgió el tango como danza popular, bailada en milongas, ese tango clásico, al piso, abrazado e improvisado? Eso ocurrió, paradójicamente, no en Argentina sino en Francia, con el espectáculo Tango Argentino, estrenado en París en 1983. Su éxito fue tan grande que en 1985 llegó a Broadway. Cuentan que el gran Virulazo, ya un hombre corpulento y asmático, se llevaba un calentador a kerosén para poder entrar en calor. Esa anécdota simpática, nos recordaba que el tango había nacido en los sectores populares, en el pueblo que lo bailaba. Virulazo era pueblo.

Es cierto, todavía en su auge, hubo orquestas que llevaron el tango a los salones de las familias más favorecidas en lo económico y en lo cultural y se fue sofisticando; las orquestas como la de Di Sarli o el Pugliese de fines de los 40, así como Troilo y otras elevaron el tango en cuanto a arreglos más sofisticados y complejos sin abandonar el 2x4, el compás para bailarlo en las pistas.

El tango escenario siguió como show, pero suscitó el deseo de todos querer bailar tango. Volvieron las milongas y ya no se enseñaba a bailar tango entre familiares sino que aparecieron

eram incompatíveis com a ideia de que todos pudessem dançar tango. Uma dança popular deveria poder ser dançada por qualquer pessoa, independentemente do seu tipo físico. É claro que certas posturas para essa dança melhoram o alinhamento corporal e fortalecem o corpo como um todo.

As mulheres também apreciavam o tango porque ele lhes permitia — além de experimentar a emoção de um abraço — ter as pernas esculpidas pelos anos e exibi-las até que o desejo de dançar desaparecesse, algo que quase nunca acontece enquanto esse desejo existir.

Hoje, com o Google, qualquer pessoa pode pesquisar. Mas a verdade é que, a partir dos anos 80, começamos a ver o tango ressurgir em todo o mundo, inclusive em Buenos Aires. Ele não está mais tão ligado à classe trabalhadora — aqui hoje mais inclinada ao reggaeton, cumbia ou cuarteto — mas sim àqueles com maiores recursos econômicos, que gostam de se vestir com roupas e sapatos caros, inacessíveis aos menos afortunados. Digamos: um tango mais elitista, da classe média alta aos mais ricos, que, no entanto, promovem tanto o turismo europeu a Buenos Aires para dançar — porque ainda há um nível de dança mais alto aqui do que no exterior — quanto o turismo de argentinos e sul-americanos que viajam para a Europa, Japão ou Estados Unidos. Há também o enorme fluxo de turismo interno europeu para países onde o tango é mais popular: França, Itália, Espanha, Alemanha... Todos vêm para se deleitar com essa música intensa e apaixonada que, em um abraço, se torna algo inefável e misterioso.

Sim, claro: também aprendi a dançar tango no início dos anos 90. Meu treinamento anterior em dança e música complementou minha vida como poeta. Hoje, o tango continua vivo no mundo, difundido por músicos e dançarinos, mas também por organizadores como Gabriel Sodini, um DJ internacional de grande sucesso e criador de festivais em Catânia, Dubai, Costa Brava, Bordéus e outros lugares. Além disso, sua participação em um belo filme, *La vida es una Milonga* (A Vida é uma Milonga), que está se tornando cada vez mais conhecido, documenta como as milongas de bairro ainda são organizadas por aqui. O tango foi declarado Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade pela UNESCO em setembro de 2009. Agora ele pertence a todos, como pertencia aos meus avós, que hoje dançam a milonga pelo cosmos com seu rádio de madeira... assim como muitos de vocês fazem aqui na Terra, “levantando lascas do chão”.

Deixo vocês com um poema que compus para o meu livro de poesias, Olhos do Deserto.

los profesores y profesoras. Es que la exigencia física del tango escenario de los 80 y 90 en adelante no era compatible con la idea de que todos pudieran bailar tango. Una danza popular la tiene que poder bailar cualquiera con el cuerpo que tenga. Claro que cierta postura para bailar esa danza mejora la alineación corporal y fortalece el cuerpo en general. Las mujeres también apreciaron el tango porque les permite -además de emocionarse en un abrazo-, que los años les modelen las piernas y poder lucirlas hasta que las ganas de bailar no se apaguen, algo que mientras haya deseo casi nunca ocurre.

Hoy, con Google, cualquiera puede ir investigando. Pero lo cierto es que, a partir de los 80, empezamos a ver cómo el tango se encendía de nuevo en todo el mundo, inclusive en Buenos Aires. Ya no está tan ligado a los sectores más populares — acá hoy asociados al reguetón, la cumbia o el cuarteto— sino a otros con mayor capacidad económica, que gustan vestirse con ropas caras y zapatos poco accesibles para los sectores menos favorecidos. Digamos: un tango más de élite, de capas medias acomodadas, hasta las más abastadas que, sin embargo promueven tanto el turismo de europeos que vienen a Buenos Aires a bailar —porque todavía acá hay mejor nivel de baile que en el exterior— como de argentinos y sudamericanos que viajan a Europa, Japón o EEUU. También está el enorme turismo interno europeo hacia países donde más se baila tango: Francia, Italia, España, Alemania... Todos y todas para deleitarse con esta música tan intensa y apasionada que, en un abrazo, se vuelve algo inefable y misterioso.

Sí, claro: yo también aprendí a bailar tango a comienzos de los 90. Mi formación previa en danza y música completó mi vida de poeta. Hoy el tango vive en el mundo, difundido por músicos y bailarines pero también por organizadores como Gabriel Sodini, enorme DJ internacional y creador de festivales como Catania, Dubai, Costa Brava, Bordeaux y otros. Por otro lado, su participación en una hermosa película, La vida es una Milonga, que se va haciendo cada día más conocida, llevando el registro de cómo acá todavía se arman las milongas de barrio.

El tango fue declarado Patrimonio Cultural Inmaterial de la Humanidad por la UNESCO en septiembre de 2009. Ya es de todos y todas, como lo fue para mis abuelos, que hoy milonguean por el cosmos con su radio de madera... como lo hacen hoy muchos de ustedes acá en la tierra, “sacándole viruta al piso”.

Les dejo un poema que compuse para mi libro de poemas Ojos de desierto.

Paulo Baudouin foi descoberto nas redes sociais, onde costumava compartilhar seus pensamentos e alguns poemas. Foi nas redes sociais que ele cativou seus primeiros leitores e, a partir daí, surpreendeu o editor da Biblos, uma editora digital sediada em São Paulo, Brasil. Paulo Baudouin é o arquiteto de um feito raro: escreve tanto em espanhol quanto em português. E, ao fazê-lo, demonstra a inexistência de fronteiras na arte. Seus escritos possuem a intensidade e a delicadeza com que ele ama a vida, as mulheres, a filosofia, a política e a família. A natureza contagiante de sua poesia evoca um sentimento de plenitude no leitor. Ele é uma joia rara no cenário literário latinoamericano, povoado por escritores frequentemente sombrios e introspectivos, embora jovens. Baudouin não se esquiva do claro-escuro da vida contemporânea e fala do amor com toda a sua alegria e tristeza. Mas ele conduz o leitor por caminhos profundos de emoção e significado. O que ele escreve comove, faz pensar — e por que não? — dá vontade de dançar. (Luciano Martins Costa- editor)

Paulo Baudouin fue descubierto en las redes sociales, donde solía divulgar sus pensamientos y alguna poesía. Fue en las redes que cautivó a sus primeros lectores y desde allí llegó a sorprender al editor de Biblos, editora digital sediada en Sao Paulo, Brasil.  Paulo Baudouin es artífice de rara hazaña: escribe en español y portugués. Y al hacerlo, comprueba la inexistencia de fronteras en el arte.  Sus escritos tienen la intensidad y delicadeza con que ama la vida, las mujeres, la filosofía, la política y la família. El contagio de su poesía provoca en quién lo lee una sensación de plenitud. Es una joya rara en el escenario latinoamericano, hecho de unos escritores lóbregos y sombrios, aunque jóvenes.  Baudouin no huye de lo clarooscuro de la vida contemporánea, y habla de amor con lo que hay de alegre y triste en el tema. Pero lleva al lector por senderos profundos de emoción y significado. Lo que él escribe commueve, hace pensar - y por que no? - bailar. (Luciano Martins Costa- editor)

Tanguera

Os recantos costumam ser evidências de milagres e    Ali, com as sombras abraçadas a ti, resplandecias pelos subterrâneos Ímãs da noite. Eu te avisei, a milonga acaba sempre espreitando e 0o abraço se deseja.

Primeiro te peço, logo te vejo e finalmente te abraço.

Antes da tua voz, Senti-me aceite pelos teus olhos que fechavas Ao tempo

Que o meu abraço ia te rodeando. (Penso que se fosse melhor dançar com os olhos abertos jamais os fecharias).

Os primeiros dois passos são suficientes    Para se saber o que virá logo depois: A amizade, a traição, a loucura, ou sua legalidade:  a cordura.

Mas para chegar a tal grau de percepção, O tanguero sabe que primeiro há que saber sofrer, depois...

E compartilhamos o abraço com as sombras   E seus plenilúnios, com o compasso e suas armadilhas; melodias e abismos, Profundos como os espaços que deixam tuas pernas      Confundidas com as minhas, que me permitem,  sem medos, Rastejar outras paragens. ¿Qual será o teu nome? Soube antes do teu cheiro que de ti, Também, de como teus seios me captavam, quais duas antenas, Para que eu pudesse te conduzir a outras margens, As que pedias silenciosamente a gritos, que eu soube escutar.

Atravessamos pontes estelares, como gigantescos vimes entrelaçados, Passando longe da avaria, mas a segundos do esquecimento, cheios Como uma colméia ordenada desde o mel e o acaso; Sorteando encruzilhadas, Quase sempre suaves como a brisa do teu rosto, Bem perto do meu.

Tanguera

Los rincones suelen ser evidencias de milagros y Allí, con las sombras abrazadas a ti, resplandecías por los subterráneos Imanes de la noche.

Te advertí, la milonga acaba siempre acechando  y el abrazo se desea.

Primero te pido, luego te miro y finalmente  te abrazo.

Antes que tu voz, Me sentí aceptado por tus ojos que cerrabas Al tiempo

Que mi abrazo te iba rodeando.

(Pienso que si fuera mejor bailar con los ojos abiertos no los cerrarías).

Los primeros dos pasos son suficientes

Para saber qué seguirá luego:

La amistad, la traición, la locura o su legalidad:  la cordura.

Pero para llegar a tal grado de percepción, El tanguero sabe que primero

Hay que saber sufrir, después...

Y compartimos el abrazo con las sombras

Y sus plenilunios, con el compás y sus trampas; melodías y abismos,

Profundos como los espacios que dejan tus piernas

Confundidas con las mías y que me permiten,  sin miedo, Rastrear otros parajes.

¿Cuál será tu nombre?

Supe antes de tu olor que de ti, También, de cómo tus senos me captaban, cuales dos antenas.

Para que yo pudiera llevarte hacia otras orillas, Las que pedías silenciosamente a gritos y que supe escuchar: Atravesamos puentes estelares, como gigantescos mimbres entrelazados, Pasando lejos de la avería, pero a segundos del olvido, llenos

Como un colmenar ordenado desde la miel y el azar; Sorteando encrucijadas, Casi siempre suaves como la brisa de tu rostro,   Cerca del mío.

Paulo C. Baudouin

EDUCAÇÃO | EDUCACIÓN

ALTOS E BAIXOS NO ENSINO DE ESPANHOL NO BRASIL ALTIBAJOS DE LA ENSEÑANZA DEL ESPAÑOL EN BRASIL

POR GRETEL ERES FERNANDEZ1

Por que você tem interesse no curso de espanhol? Para que dedicar tantos anos na universidade ao espanhol? Por que você não escolhe outro idioma? Por que você quer estudar espanhol se já fala essa língua? Para que perder tempo se todo mundo entende o espanhol e não é tão difícil assim de falar? Esses são exemplos de algumas perguntas que me fizeram no início dos anos 80, quando ingressei na universidade para cursar Letras Espanhol e Português. As mesmas perguntas foram feitas a muitos professores ao longo das últimas décadas. E vão continuar fazendo. Contudo, curiosamente, nunca me fizeram perguntas parecidas relacionadas ao Português e, até onde posso imaginar, também não foram feitas a nenhum colega da área. Afinal, se há quem pense - de forma totalmente errada - que o fato de ser falante nativo de um idioma estrangeiro é suficiente para poder ensiná-lo, deveriam ter a mesma opinião sobre a língua materna...

No começo eu procurava responder educadamente a quem me fazia essas perguntas, mas, com o passar do tempo e com menos paciência, passei simplesmente a ignorá-las ou a dar respostas vazias de efetivo significado: se tinham a capacidade de formular esse tipo de questão e de hipótese, seria muito difícil que entendesem as efetivas razões da minha escolha. Optei por dar tempo ao tempo e a eles mesmos: algum dia eles perceberiam a importância de estudar espanhol. Utopia? Talvez!

Exercitemos a memória e percorramos a história do Espanhol no Brasil. Será um percurso muito breve e, por isso, não vamos nos deter em aspectos que apesar de serem importantes, não são o foco de nossa atenção agora.

A presença do espanhol no sistema educativo brasileiro está permeada de altos e baixos constantes - quer dizer, mais baixos do que altos - resultado de movimentos políticos relacionados às políticas linguísticas (quando e se é que houve tais iniciativas) ou governamentais em geral.

Essa alternância foi reiterada desde a sua primeira inserção, em 1905, quando o idioma foi incluído em um dos cursos mantidos pela Academia de Comércio do Rio de Janeiro e na Escola de Estado Maior - EEM (Guimarães, 2016, p. 31). Logo depois começou a sua intermitência, uma vez que no caso desta última instituição o espanhol foi excluído em 1908. Alguns anos depois,

Por qué te interesa la carrera de español? ¿Para qué dedicarle tantos años en la universidad al español? ¿Por qué no eliges otro idioma? ¿Por qué quieres estudiar español si ya lo hablas?3 ¿Para qué perder tiempo si cualquiera entiende el español y no es difícil hablarlo? Esas son algunas de las preguntas que me hicieron al principio de los 80 cuando ingresé en la universidad para seguir la carrera de «Letras Español y Portugués»4. A muchísimos profesores les han hecho las mismas preguntas a lo largo de las últimas décadas. Y seguirán haciéndolas. Sin embargo, es curioso que nunca me hayan hecho preguntas semejantes relacionadas al portugués y, hasta donde puedo suponer, tampoco a ningún compañero. Total, si hay quienes consideran - de manera totalmente errónea - que ser hablante nativo de un idioma extranjero es suficiente para enseñarlo, deberían opinar lo mismo en relación con la lengua materna...

Al principio procuraba contestar educadamente a quienes me dirigían esas preguntas, pero con el paso del tiempo y con menos paciencia, pasé simplemente a ignorarlas o a dar respuestas vacías de significado real: si eran capaces de formular ese tipo de interrogante y de hipótesis, difícilmente entenderían las efectivas razones de mi elección. Opté por darle tiempo al tiempo y a ellos mismos: en algún momento se darían cuenta de la importancia de estudiar español. ¿Utopía? ¡Quizás!

Hagamos un poco de memoria y recorramos la historia del español en Brasil. Será un recorrido muy breve y por eso no nos detendremos en aspectos que, a pesar de importantes, no son el centro de nuestra atención en esta ocasión.

La presencia del español en el sistema educativo brasileño está marcada por altibajos constantes - o mejor dicho, más por bajos que por altos - resultado de movimientos políticos relacionados a las políticas lingüísticas (cuando y si es que las hubo) o gubernamentales en general.

Eso ha sido reiterado desde su inserción por primera vez, el año 1905, cuando se incluyó el idioma en uno de los cursos mantenidos por la «Academia de Comércio do Rio de Janeiro» y en la «Escola de Estado Maior - EEM» (Guimarães, 2016, p.31). Y pronto comienza su discontinuidad, ya que en el caso de esta última institución se excluye el año 1908. Años más tarde,

3 Esta pregunta se debe al hecho de ser hablante nativa del idioma.

4 Filología del Español y del Portugués.

em 1917, como um gesto de reciprocidade com o Uruguai e também como movimento político1, o governo brasileiro propôs uma cadeira de espanhol no Colégio Pedro II, também localizado no Rio de Janeiro.

Entretanto, o fato de que a disciplina tivesse caráter facultativo, de que não estivesse prevista a reprovação dos alunos e a ausência de uma política linguística consistente, levou ao desinteresse pelo seu estudo e, consequentemente, à sua eliminação dos currículos das instituições educativas militares (em 1920) e das escolas de nível médio (em 1925).

Tal menosprezo pelo espanhol também foi sentido em 1925 quando se estabeleceu que um ano de estudo desse idioma era suficiente nos cursos superiores comerciais, porque a língua espanhola era mais acessível do que outras línguas estrangeiras para os brasileiros, afirmação que já havia sido feita pelo Professor Antenor Nascentes: «o espanhol é parecidissimo com o portuguez, como toda a gente o sabe. Quem conhece o portuguez, com falicidade lê e comprehende o espanhol» (Guimarães, 2016, p.47).

Essas e outras opiniões semelhantes levaram muitos cursos a excluírem o espanhol e somente se voltou a pensar no assunto a partir de 1940, quando o Brasil decidiu incrementar a integração com a América Latina. Tal medida levou, então, a que em 1942 o espanhol fosse incluído nos cursos clássico e científico, agora com caráter obrigatório. Porém, essas determinações caíram por terra em 1961, quando uma nova lei educativa transformou as línguas estrangeiras em disciplinas optativas e o espanhol começou a perder interesse, situação que se manteve inclusive durante o

en 1917, como señal de reciprocidad con Uruguay y también como gesto político5, el gobierno brasileño propone una cátedra de español en el Colegio Pedro II, también de Rio de Janeiro.

Sin embargo, el hecho de que la asignatura tuviera carácter facultativo, de que no previese la reprobación de los estudiantes y la ausencia de una politica lingüística consistente, llevó al desinterés por su estudio y, en consecuencia, a su eliminación de los programas de enseñanza de las instituciones militares (el año 1920) y de los colegios secundarios (en 1925).

El menosprecio por el español se hace sentir también cuando, el año 1925, se decide que un año de estudio de ese idioma es suficiente en los cursos superiores comerciales pues es más asequible para los brasileños que otras lenguas extranjeras, algo que ya había afirmado el Profesor Antenor Nascentes: «o espanhol é parecidissimo com o portuguez, como toda a gente o sabe. Quem conhece o portuguez, com falicidade lê e comprehende o espanhol» (Guimarães, 2016, p.47).

Esas y otras opiniones semejantes llevaron a la exclusión del español de muchos cursos y solo se vuelve a pensar en el asunto a partir de 1940, cuando Brasil se dispone a fomentar la integración con Latinoamérica. De ahí que en 1942 se incluya el español en los cursos clásico y científico, ahora con carácter obligatorio. Pero esas determinaciones terminan el año 1961, cuando una nueva ley educativa convierte las lenguas extranjeras en asignaturas optativas y el español pasa a perder interés, situación que se mantendrá incluso durante el período de vigencia de la ley de 1971, año en el que se produjo

1 Para informações detalhadas a respeito de todo o processo histórico, veja-se Guimarães, 2016.

5 Se puede acceder a información muy detallada sobre todo el proceso histórico en Guimarães, 2016.

período de vigência da lei de 1971, momento em que ocorreu uma nova reforma educacional geral.

Esse panorama oficial perdurou mesmo quando um novo texto legal (Lei 9.394/96) foi promulgado, já que o inglês permaneceu quase como língua exclusiva no ensino regular, apesar da relevância que o espanhol demonstrava no cenário nacional, tanto comercial quanto econômico. Vale lembrar que desde os últimos anos da década de 80, com a assinatura do Tratado do Mercosul e com o aumento dos investimentos estrangeiros no Brasil, as relações comerciais, econômicas e políticas entre o Brasil e vários países hispano-falantes também foram ampliadas.

Além disso, não se pode esquecer que o «boom do espanhol», vivenciado no Brasil durante os anos 90, impulsionou a oferta de cursos do idioma ao mesmo tempo em que a indústria editorial começou a oferecer materiais didáticos em profusão, fossem importados da Espanha, fossem produzidos no território nacional e também aumentou consideravelmente o interesse pelas certificações internacionais que atestavam o domínio dessa língua estrangeira. Devido a esse crescimento, a necessidade de professores com habilitação legal levou à multiplicação dos cursos de Licenciatura em Letras-Espanhol e, paralelamente, surgiram muitos cursos, oficinas e eventos cuja preocupação central era oferecer uma formação continuada aos docentes.

Era um momento maravilhoso para o espanhol! Poderia ficar melhor? Sim!

Como a conjuntura política era benéfica para a ampliação e para o fortalecimento das relações internacionais, em 2005 foi sancionada a «Ley do Espanhol», como ficou conhecida a Lei 11.161/05. Mais ou menos nessa mesma época, o Ministério da Educação estava elaborando um novo documento orientador do ensino médio2 e, devido à Lei do Espanhol, o governo considerou que deveria ser incluído um capítulo específico para esse idioma. E foi o que aconteceu: pela primeira vez na história havia uma publicação, referendada pela autoridade educacional, exclusiva para a língua espanhola. Tanto a lei de 2005 quanto o texto orientador foram muito positivos para o ensino do idioma pois auxiliaram a viabilizar, entre outras medidas, a sua inclusão no Programa Nacional do Livro e do Material Didático (PNLD) e no Programa Nacional Biblioteca da Escola (PNBE).

Contudo, não há bem que sempre dure. E foi assim que tudo mudou do dia para a noite com a revogação da ley de 2005 e com a determinação de que o inglês seria obrigatório nas escolas. Desse momento em diante tivemos que enfrentar a grande queda sofrida pelo espanhol. E, novamente, tivemos que voltar a mostrar - e demonstrar - o óbvio: a importância do idioma, porque é importante aprendê-lo, porque é necessário ser capaz de se comunicar adequadamente em espanhol em diferentes contextos etc., etc., etc. E também a partir daquele momento tivemos que nos preparar para o desmoronamento a que levou a determinação legal: fechamento de cursos, demissão de uma quantidade enorme de professores, retirada da disciplina de um sem-número de escolas, exclusão do PNLD...

A história se repetia. Entre tantos altos e baixos este golpe nos levava ao subterrâneo.

E é aí onde mais ou menos estamos agora, apesar das inúmeras reivindicações de docentes, estudantes e de diferentes instituições voltadas ao espanhol. Mesmo tendo sido retomado o PNLD e considerando que o espanhol permanece no EnemExame Nacional do Ensino Médio - (não sabemos até quanto), não vemos qualquer gesto político oficial que sugira a efetiva inclusão da língua espanhola no sistema educativo nacional.

otra reforma educativa general.

Ese panorama oficial se mantiene incluso cuando un nuevo texto legal (Ley 9.394/96) se hace público, pues el inglés sigue casi como exclusivo en la enseñanza regular, pese a la relevancia que el español demostraba en el escenario nacional, tanto comercial como económico. Recordemos que, desde finales de los años 80, con la firma del Tratado del Mercosur y con el incremento de las inversiones de muchas instituciones extranjeras en Brasil, se ampliaron las relaciones comerciales, económicas y políticas entre Brasil y varios países hispanohablantes.

Además, no debemos olvidar que el «boom del español», vivido en Brasil durante los años 90, incrementó la oferta de cursos de ese idioma y la industria editorial pasó, igualmente, a ofrecer materiales didácticos en abundancia, tanto importados de España, como producidos en tierras brasileñas; asimismo, se produjo un gran interés por las certificaciones internacionales que comprobaban el dominio de esa lengua extranjera. A raíz de ese crecimiento, la necesidad de contar con profesores habilitados legalmente llevó a que se multiplicaran los cursos superiores de Licenciaura en LetrasEspañol y, en paralelo, surgieron muchísimos cursos, talleres y eventos preocupados en ofrecer una formación continuada a los docentes.

¡Era un momento excelente para el español! ¿Podría ser mejor? ¡Sí!

Como la coyuntura política era favorable para la ampliación y fortalecimiento de las relaciones internacionales, el año 2005 se firma la que quedó conocida como la Ley del Español6. Por esa misma época el Ministerio de Educación elaboraba un nuevo documento destinado a direccionar la enseñanza media7 y en función de la Ley del Español el gobierno consideró que debería destinarse un capítulo específico para ese idioma y así ocurrió: por primera vez se contaba con una publicación, avalada por la autoridad educativa, exclusiva para la lengua española. Tanto la ley del 2005 como el texto de orientación favorecieron mucho la enseñanza de la lengua española, pues auxiliaron a hacer viable, entre otras medidas, su inclusión en el «Programa Nacional do Livro e do Material Didático (PNLD)» y en el «Programa Nacional Biblioteca da Escola (PNBE)».

Pero no hay bien que dure para siempre. Y todo cambió de la noche a la mañana con la revocación de la ley del 2005 y la determinación de la enseñanza de inglés como obligatoria. Desde entonces tuvimos que hacer frente a la cuesta abajo por donde cayó el español y una vez más tuvimos que tratar de mostrar lo obvio: la importancia del idioma, porqué es relevante aprenderlo, porqué interesa ser capaz de comunicarse adecuadamente en español en diferentes ámbitos, etc., etc., etc. Y también desde aquel momento tuvimos que prepararnos para todo el bajón que tal determinación legal supuso: cierre de cursos, cesantía de muchísimos profesores, eliminación de la asignatura en una infinidad de colegios, exclusión del PNLD...

La historia se repetía. Entre tantos altibajos este golpe nos llevaba al subterráneo.

Y ahí es más o menos donde estamos, pese a las muchas reivindicaciones de docentes, estudiantes y de diferentes instituciones volcadas al español. Aunque se haya retomado el PNLD y el español siga en el Enem - Exame Nacional do Ensino Médio - (no sabemos hasta cuándo), no se ve ningún gesto político oficial que señale hacia la efectiva inclusión de la lengua española en el sistema educativo nacional.

6 Ley 11.161, de 05 de agosto de 2005.

7 Orientações Curriculares para o Ensino Médio.

Diante desse panorama, muitos profesores tiveram que mudar de área, seja por falta de opção, seja por desencanto. Paralelamente, escolas, faculdades e universidades excluíram o espanhol dos seus currículos por não verem perspectivas de melhorias. E aqueles que resistem - estudantes, docentes, instituições de ensino - tornam a se perguntar: para que estudar espanhol?

REFERENCIAS

BRASIL. Lei no 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Estabelece as diretrizes e bases da educação nacional.

Disponible en: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/ l9394.htm. Acceso: 04 ago. 2025.

BRASIL. Lei no 13.415, de 16 de fevereiro de 2017. Altera a LDB de 1996. Disponible en: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2017/lei/l13415.htm. Acceso: 04 ago. 2025.

BRASIL. Medida Provisória no 745, de 22 de setembro de 2016. Altera a LDB de 1996. Disponible en: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2016/Mpv/mpv746.htm. Acesso: 04 ago. 2025.

BRASIL. Orientações Curriculares para o Ensino Médio. Linguagens, códigos e suas tecnologias. Brasília, Ministério da Educação/Secretaria de Educação Básica, 2006.

BRASIL. Resolução n° 8/71, de 1° de dezembro de 1971, do CFE. Fixa o núcleo -comum para os currículos do ensino de 1° e 2° graus, definindo-lhe os objetivos e a amplitude. In: Documenta nº 133, Rio de Janeiro, dez. 1971. Disponible en: https://www. histedbr.fe.unicamp.br/pf-histedbr/resolucao_n._8-1971fixa_o_ nucleo_comum.pdf. Acceso: 04 ago. 2025.

GUIMARÃES, Anselmo. Panaméricas utópicas: a institucionalização do ensino de espanhol no Brasil (1870-1961). São Cristóvão, Editora UFS, 2016.

PAIVA, Vera Lúcia Menezes. A LDB e a legislação vigente sobre o ensino e a formação do professor de língua inglesa. In: STEVENS, C.M.T e CUNHA, M.J. Caminhos e Colheitas: ensino e pesquisa na área de inglês no Brasil. Brasília: UnB, 2003. p.53- 84. Disponible en: https://www.veramenezes.com/ensino. htm. Acceso: 04 ago. 2025.

Frente a ese panorama, muchos profesores han cambiado de área, bien por falta de opción, bien por desencanto, a la vez que colegios, facultades y universidades han excluido el español de sus programas por no verse perspectivas de cambios. Y los que se resisten - estudiantes, docentes, instituciones de enseñanza - vuelven a preguntarse: ¿para qué estudiar español?

REFERENCIAS

BRASIL. Lei no 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Estabelece as diretrizes e bases da educação nacional.

Disponible en: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/ l9394.htm. Acceso: 04 ago. 2025.

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LITERATURA

ANDREA

CENTENO

Me casé virgen a los veinticinco. No por convicción, o sí: se lo había prometido a mamá y a la abuela, que se habían casado vírgenes como sus madres, abuelas y bisabuelas. Todas ellas habían hecho honor a la tradición familiar, la de casarse y, sobre todo, inmaculadas. Solo una mujer de nuestra familia no lo había hecho. Y fue trágico. Mi tía Nora, cuya desgracia fluctuaba como una nube cargada de granizo sobre el ala de la genealogía femenina. Es una leyenda maldita y por lo que recuerdo estaba prohibido pronunciar su nombre dentro y fuera de la casa.

No podíamos nombrarla con las cuatro letras. Todas debíamos olvidar a la tía Nora. Ni una foto de ella colgada, incluso mi madre solía decir que tenía tres hermanas: Beatriz, Luisa y Susana. Nada de la tía Nora. Mi abuela, cuando le preguntaban sobre sus hijas, respondía que muchas. Y si le insistían o le pedían detalles, apenas decía que cuatro. Ni muerta ni no nacida. La tía Nora había sido expulsada a la exosfera de la memoria familiar. Pese al paso de los años, su ausencia era atroz, lo llenaba todo en la casa, principalmente los silencios.

Alguna vez se había colado en una imagen en blanco y negro que la abuela escondía bruscamente bajo el delantal de cocina, enmudecida, o en algún recuerdo involuntario de mis tías más grandes.

—Juanita se quebró las dos piernas cuando se tiró al pozo que habían cavado para que pasaran las cloacas en la esquina, cuando se tiró con la Nora —recordó una tarde Susana, para explicar a una amiga de la escuela por qué yo era -soy- tan renga.

—Juanita se tiró sola —la corrigió mamá inmediatamente. Ante la insistencia de Susana y la mudez de la abuela los ojos de mamá parecían destellar fuego como la boca de un dragón. Prefería a los dragones mucho más que a los unicornios y a las princesas, aunque no me

La dinastía de las Mujeres Vírgenes

gustaba ver esa mirada de mamá, sobre todo mientras recordaba a la tía.

Me había tirado al pozo con ella mientras jugábamos a ser aventureras. Fue la tía Nora que se quedó abrazándome, besando mis lágrimas y prometiendo que todo iba a estar bien mientras yo me partía de dolor escupiendo sangre hasta que desmayé y, seguramente, fue entonces que decidió dejarme sola en ese confín humedecido, a más de dos metros de profundidad. Buscó ayuda.

Quería mucho a la tía Nora y la adoré incondicionalmente desde aquel pozo, en el que además perdí un diente y medio. Ella era la hermana más pequeña de las cinco y yo deseaba -en aquel entonces, cuando a mamá le brillaban los ojos mercuriales- poder verla, aunque fuera una vez más. Me acuerdo de que la tía Nora me enseñó a cantar canciones de ronda -amaba el Arroz con leche-, me llevaba a la calesita y jugaba conmigo a las gitanas: íbamos por el barrio pidiendo monedas y caramelos a cambio de adivinar la suerte. Pero no tenía más de cinco años y mamá dice que no hay memorias de esa primera infancia y la ropa de gitana desapareció y nunca más vi a la tía; creo que desde que cumplí los siete. Sé que existió y que era la más divertida, apenas era una adolescente. Le admiraba los rulos siempre enredados más allá de la cintura. Rara vez, en algún invierno, la vi abrigada: la recuerdo con remeras con tiritas amarradas en moños sobre los hombros. Apenas salíamos de la casa se quitaba el corpiño con habilidad de mago y lo guardaba, hecho un bollo, en un bolsillo del jean. Se jactaba de nunca sentir frío. Con ojos grises era hermosa la tía Nora.

—Mamá, ¿se murió la tía Nora? ¿por qué no vamos al cementerio? —pregunté en un rapto de coraje una tarde que caminábamos por el barrio.

De la mano, íbamos andando por las mismas veredas en las que habíamos prometido adivinar la suerte con la tía y me ganó la nostalgia. Animada

a nombrarla, no hice apenas una pregunta y sí dos seguidas.

—¡Callate la boca! —reaccionó mamá. Otra vez le destellaron los ojos, pero de una manera diferente a la de cuando parecía una dragona. Creí que iba a llorar; solo moqueó.

—Perdón, mamá, pero es que a veces extraño mucho a la tía Nora.

—Yo también, hijita —dijo y se secó una mejilla con el puño de la campera.

—La tía era mi persona favorita, mamá. Perdoname porque no sos vos…

Mamá me acarició la raya del pelo, luego la frente y me hizo un mimo en la oreja. Llegó la revelación:

—La tía Nora no murió, está viva y a lo mejor divirtiéndose. Vamos a pensarla así, vamos a olvidarla así. Y no se habla más del asunto.

No lo hablamos más al tal asunto. No entendí por qué si estaba viva ya no la veíamos ni nos visitaba, pero seguí andando callada.

Mamá era mayor que la tía y parece que Nora había sido un descuido de la abuela. Eso escuché salir de boca de la abuela mientras conversaba con su hermana Clotilde, que, inusualmente tierna, le pedía que no se culpara, que así eran los designios de Dios.

El mandato matriarcal era ser monjas o casarse vírgenes; la abuela había querido ser monja y en eso estaba cuando se enamoró del abuelo y largó los hábitos, aún antes de vestirlos por completo. Era internada en un convento, se había despojado de la cabellera, pero aún no había prometido entregar su vida a Dios y serle fiel eternamente -más o menos eso explicaba-. Se preparaba para ser Sor Consuelo hasta que una tarde caminó a la oficina de correo del pueblo cargando

cincuenta invitaciones para la ceremonia de las novicias. En el correo se cruzó con el abuelo, que en la época trabajaba en una tabacalera con la rutina de viajar por el valle tucumano. Lo hacía en una camioneta pintada como si fuera un gran paquete de cigarrillos y, según una foto ámbar que conservaba, vestido con camisa blanca arremangada y el antebrazo apoyado en la ventanilla, el abuelo joven se asemejaba a un cigarro quebrado sobresaliendo del atado. Él era repartidor de tabaco y ella proyecto de monja. Fue amor a primera vista. Los dos solían contar que la vez que se conocieron conversaron durante más de tres horas en un banco de la plaza y les cerró el correo, por lo que la abuela regresó al convento con la correspondencia sin enviar y en la camioneta del abuelo. La madre superiora la vio bajarse del atado móvil y la puso de patitas fuera del claustro. Dio adiós a Sor Consuelo y nueve meses después se casó con el abuelo. Virgen, como le había mandado su madre a la que no conocí. Dejó eso que definía como virtud en la noche de bodas, en el cuartito de atrás de la casa de los suegros.

Soy la más pequeña de tres hermanas. No tengo un nombre magnífico como Elena y Sofía, sino de abuela y de loca: Juana, como la madre de la madre de la madre de mi papá, a la que tampoco conocí. Aunque luego supe que Juana de Castilla, por caso, fue reina y antes princesa y que su padre Enrique IV era impotente sexual, pero son detalles aleatorios que eran desconocidos por mis padres a la hora de elegir que yo sea una simple Juana y no una grandiosa Catalina, Elizabeth o Victoria. Y tampoco conozco Castilla ni procuro hacerlo.

Elena es la mayor, casi nueve años más que yo, y se casó a los veintinueve con un compañero de la facultad. Los dos son ingenieros, estuvieron cinco años de novios y tienen gemelas feas con dudosa inteligencia; tal vez en el futuro honren el dinastismo. Siempre creí que Elena es frígida, porque cada vez que se refiere a su luna de miel en el Caribe protesta por el calor, los lugareños más lentos de lo normal, la arena y el aire acondicionado del hotel. Y termina cada recuerdo con la aseveración de que al Caribe no vuelvo más. Y porque, además, padece de un dolor constante de cabeza, habla de sexo con cara de acabo de descubrirme una várice y se refiere al acto sexual como hacer el favor.

Sofía, la del medio, tiene cuatro años menos que Elena y cinco más que yo, es decoradora de vidrieras, se casó a los veintisiete y no puede tener hijos por más que haga cuanto tratamiento de fertilización le propongan. Tiene los brazos tan agujereados como recién huida de Trainspotting, incluso ojeras; los labios partidos y sus nalgas son igual a un colador de arroz. Es alegre y su tenacidad le impide darse por vencida, aunque si llega a los treinta y cinco sin procrear, jura, adoptará una niña vietnamita o tailandesa.

No nacen niños varones en nuestra familia.

Elena y Sofía van con mamá y la abuela a misa,

todos los domingos. Son devotas de la Virgen del Valle. No voy a misa. No tengo paciencia y supongo que es por cierto rencor hacia el cura, que una vez le dijo a la abuela que la tía Nora iba a ir al infierno por ser tan puta -sí, el cura dijo puta y se persignó-. La abuela llo-raba desconsolada, se ahogaba con su saliva (o con las lágrimas) debajo de la mantilla.

Un tiempo después de escuchar al padre Miguel decir puta y asociarlo con la tía Nora volví a la capilla y me arrodillé en el confesionario. Tal vez el viejo supiera más sobre la desaparición de la tía.

—Salve, Padre.

—Salve, Juana. ¿Y cómo sigue?

—Sigo bien, Padre, gracias. ¿Y usted?

—Juana, estoy bien, pero es cómo sigue tu saludo, no mi salud. Debes decir ave María, purísima para comenzar la confesión, y te diré sin pecado concebida y luego me dices en qué has pecado y tus faltas ante Dios.

A mí no se me ocurría un solo pecado para empezar. Hubo unos instantes de silencio que pesaron como una eternidad. El padre tosió y una vez rota la pausa muda me esforcé para que no volviera el clima de sepulcro.

—Padre, he pecado porque extraño abrazar a una pecadora, según su iglesia y las creencias de mi familia.

—¿Te gustan las niñas, Juana?

—No padre, me gusta mi tía Nora. A ella quiero abrazar. Pensé que tal vez usted podría ayudarme.

—No es grave, Juana. Reza dos aves María y un Padre nuestro y ven a la misa del próximo domingo. Verás que te sientes mejor.

—Rezaré, Padre, pero no se me van a quitar las ganas de abrazar a la tía Nora.

—Todo pasa en esta vida terrenal, Juana.

—Pero la vuelta de la tía demora mucho. ¿Dónde está Padre? ¿Adónde fue? Quiero saber por qué ella va a ir al infierno y no al paraíso…

—Juana, en estos tiempos ni los pecadores temen al infierno. Hay lugar para todos en la viña del Señor, incluso para los rebeldes.

—¿La tía es una rebelde? Eso es bueno, ¿no?

El cura se internó en carraspeos y no pude evitar reír. Luego llorar.

Otra eternidad y cesó la tormenta en la garganta del padre Miguel. Por fin, se sacudió y deduje que estaba parándose agarrado de la puerta del confesionario. La misa había terminado media hora antes y el lugar era enorme, más si estaba

despoblado. Estirándose la sotana hacia los pies, apareció desde dentro del cubículo, con la frente marcada en pequeños rombos por la rejilla que finge anonimato durante las confesiones. Chorreaba sudor.

—Ay, madre santa, que no estoy para estos trotes ni para este recinto de curas flacos —dijo.

Se persignó sobre su barriga. Había perdido la severidad del día en que lo oí pronunciar puta; parecía un abuelito de telenovela de la tarde más que un sacerdote que reparte penitencias. Entre suspiros, evocación a los santos y el pañuelo desparramando transpiración, lamentó que la tía hubiera perdido su virtud (otro que usaba el vocabulario de la abuela) antes de casarse, antes de tener novio, incluso, y que Dios la hubiera castigado con crueldad -debo admitir, pero no juzgar, dijo-. Por eso -sermoneó- yo debía aguardar a casarme pura -destacó- para evitar que la maldición de la tía Nora me alcanzara.

Se partieron su voz y el relato, sabía que se asfixiaba en el calor del confesionario, pero no quería irme sin saber más. Sabía también, aun siendo niña, que los sacerdotes amenazan más con la posibilidad de pecar que con la persecución de maldiciones. El padre Miguel no sonaba coherente. Las rodillas dolían, las estiré y, con mi metro y medio en pie, le tendí las manos para rescatarlo. Las agarró, sentí su piel pegajosa entre mis dedos.

—Norita sucumbió a la carne y la hicieron sufrir mucho. Quedó manchada para siempre.

—¿La mataron, Padre?

—Fue como si lo hubieran hecho. A ella y más aún a don Giuseppe. Desde lo de Norita el pobre viejo quedó como un muerto en vida.

—¿Y dónde está, Padre?

—No lo sé, pero tengo certeza de que donde esté habrá alcanzado su redención. Era muy humilde la Norita, como María Magdalena, casi. No importa donde esté, lo fundamental es que sus lágrimas habrán lavado las manchas. Tengamos la tranquilidad de que ya habrá sido guiada de regreso al Señor.

—¿Adónde encuentro al Señor, padre?

—Es él quien nos encuentra, Juanita. El Señor nos guía y eso mismo le he dicho a tu abuelo.

El abuelo Giuseppe era un hombre triste y me había acostumbrado a que fuera así, quizás por ello no había notado que hacía una vida que no reía o que apenas andaba movido por motivaciones concretas, como buscar un vaso de agua. Todos los días se sentaba en el umbral de la casa, puntualmente a las siete de la tarde, hasta que la abuela lo llamara a cenar. En verano, el abuelo no vestía más que una bermuda marrón con elástico en la cintura, una camiseta blanca

con canelones de tela de algodón, sin mangas, y alpargatas con los talones pisados, descoloridas: siempre olía a eucaliptus. El abuelo era el único hombre al que se respetaba en la casa. Y estaba mi padre, a quien la abuela y las hermanas de mamá esculcaban como a sapo de otro pozo.

—Me siento como un indocumentado en mi propio hogar —se quejaba a veces papá.

La verdad es que raramente hablaban. Ni papá ni el abuelo tenían opinión contundente sobre nada, aunque por lo que recuerdo mi padre siempre fue así mientras que el abuelo fue perdiéndola con el tiempo. Era como si esperase por alguien, sentadito solo y con su pelo blanco desarreglado como plumas al viento, mirando a la vereda como una estatua.

Papá sufría hepatitis y pululaba de la cama a la cocina cual una alerta amarilla. Mamá sentenció que, en ese estado, pareciendo un fideo de huevo ambulante, arruinaría las fotos del casamiento. Además, era una amenaza para el cura. Por eso, le pedí al abuelo que me acompañara al altar rumbo a mi futuro marido. Fue cuando volví a ver a don Giuseppe con un atisbo de felicidad.

—Con el mayor placer, nietita —dijo. Sonrió con toda la cara como cuando me llevaba a la plaza, a sabiendas de que adoraba dar vueltas en la calesita, pero ese era otro recuerdo de antes de mis cinco, de esos que según mamá no se pueden preservar.

—Gracias, abuelo. Además, mi novio te adora y no conoce a papá.

—Ojalá que Lautaro te haga feliz, Juanita —dijo, suspiró y abrió el ropero.

Tenía dudas a veces sobre mi novio. Y las ocultaba. Él era gentil y limpito, pero no decidía si quería pasar el resto de mi vida bajo el mismo techo. La verdad es que me esmeraba más por no ser yo también una leyenda maldita, sin casarme. Me aterraba, debo admitirlo, perder la virginidad a destiempo y dejar de pertenecer a la dinastía familiar de mujeres nombrables. Sobre todo, no quería ser monja: era lo que más no quería ser. La tía abuela Clotilde vestía los hábitos hacía un siglo y daba la sensación de ser agria, más cuando miraba de reojo a las vecinas. Pero no podía poner las dudas ni los miedos en palabras.

Faltaba tan poco para estar a salvo.

Lautaro era mi primer premio.

—Te sacaste la lotería —se alegraba la abuela, repetía mamá, cada vez que mi novio llegaba con flores, bombones o alguna colonia para las mujeres de la casa. Él hacía regalos colectivos; cada vez que se presentaba con un paquete, sabíamos que todas recibiríamos algo, aunque fuera apenas una cosa, como una botella de sidra o un budín. Lo celebraban como si se tratase de un obsequio celestial sin que les importara mi fastidio.

Había visitado dos veces el convento en paseos escolares. No quería volver. Las pesadillas me aterrorizaban cada vez con más frecuencia en las madrugadas: quedaba rezagada, rezando en la capilla en la que oró como novicia la abuela, y, cuando quería salir de ese sitio al que le decían la Casa de Dios, un hombrecito con cuernos y sin piernas, humeante sobre una llama naranja, me arponeaba por la espalda. Corría por la capilla, pero jamás alcanzaba la salida, por los hábitos largos, porque soy renga y pisaba el ruedo en la desesperación por escapar de aquel demonio que buscaba robar mi tesoro, hacer que no fuera virgen. En esa huida, despertaba. Desvelada, me acariciaba la entrepierna, empapada, y metía uno, dos, tres dedos hasta verificar que nada había allí más que mi interior; el himen intacto. Desesperador, acababa siendo placentero.

—Menos mal que apareció Lautaro, Juanita. ¿Quién te va a querer así, tullida? —preguntó la abuela mientras cortábamos las frutas para el clericó con jugo de polvito. Debe de haber sido un

final de año, porque hacíamos el clericó para las nochebuena y nochevieja.

Quizás supe qué contestar, pero no si debía decir lo que estaba pensando. No dije nada.

Con Lautaro nos habíamos conocido en un grupo de rehabilitación al que fui luego de la quinta operación de fémur. Lauti, como le decían todos y a mí me sonaba a nombre de cachorrito, era ayudante de los terapeutas, estudiaba fisiatría y había sido un paciente: tenía una rara enfermedad que le iba degenerando las extremi-dades y debía reeducar la coordinación de movimientos. No era feo, muy pelirrojo para mi gusto; padecía ataques de pánico y pavor al agua profunda. No sabía nadar. De cualquier modo, aceptaba que nadar fuera mi actividad preferida. En el agua no se notaba mi defecto. Tanto me sostenía por la cintura cuando abandoné las muletas, que aprendió las curvas de mi cuerpo con las puntas de sus dedos. Me gustaban las camisetas de bandas que usaba: The Velvet Undreground y Pink

Floyd. Empezamos a caernos bien.

Tal vez el abuelo había advertido antes que nosotros que nos preferíamos y fue por ello su mueca radiante de cuando le pedí que entrara conmigo a la iglesia. Con el ropero abierto, desempolvó el traje y el moñito que había usado para su casamiento, los de las tías Beatriz, Luisa y Susana, mi mamá y mis hermanas. Hasta rio y me obsequió un relicario de oro con la foto de su mamá que, me dijo sin más detalles, había guardado durante años para agasajar a Norita en el día de la boda que no llegó.

Fue la mejor tarde de mi vida, sin contar las de la infancia con la tía Nora.

—¿Por qué Norita nunca se casó, abuelo?

—No tenía más que ofrecer a un buen marido.

—¿Qué hay que ofrecer a un buen marido?

—La flor de la mujer, Juanita, una estupidez con la que ha crecido tu abuela.

Yo sí tenía la flor y se iba a marchitar junto a Lautaro en un crucero de dieciséis días a las islas Canarias, presente que mis casi suegros nos habían dado para la luna de miel. A él no le importó que el agua nos rodeara, porque notó mi entusiasmo con la idea de sumergirme en un mar que no conocía, incluso mayor al del casamiento. Sí, elegí el destino. Inicialmente sería el sur de Italia, pero argumenté contra los excesivos días en alta mar, las playas de piedra, las veredas angostas. Lo más importante era, y luego fue clave, que mi prometido ni mis futuros suegros tenían idea de que el día del ropero abierto el abuelo Giuseppe me había confiado que el hijo de un excolega de la tabacalera creía haber visto a la tía Nora en la barra de un bar de Lanzarote.

Las manos del abuelo temblaban mientras envolvía el relicario con un pañuelo que sacó del cajón de los calzoncillos. Enredaba la cadenita de la joya entre sus dedos cuando relataba cómo él y la abuela fueron una noche al campamento escolar para llevar la bombita para el asma de la tía Nora. La sorprendieron con tres alumnos del último año del secundario.

—Fue terrible en esa carpa —lamentó. Parecía asfixiarse cada vez que cerraba los ojos repitiendo pobrecita, pobre Norita. El abuelo se paró, me dio la es-palda, dio un puñetazo sobre la cómoda. Soltó más:

—Ella pedía, pobrecita, que la llenaran toda y uno de los tres tenía el pene en su boca. Los otros dos la invadían y se miraban entre ellos. Estaban borrachos, ella también, pobre mi Norita.

El abuelo se hacía un ovillo mientras hablaba, como si cada palabra lo hiriera más que la anterior:

—Fue la mismísima representación del demonio —terminó. Se tiró en la cama, Parecía una piltrafa

con sus pelos blancos, encogido alrededor de un almohadón. Pasé mi mano por su espalda; pensaba que aquel demonio que había visto el abuelo era más carnal que el de mis pesadillas.

La tía Nora gozaba, yo sufría mientras dormía. El abuelo también sufría, torturado por la memoria, la ausencia, la consciencia de que su hija fue lastimada. El desprecio: después de la visita a la carpa, la abuela la expulsó de la casa y la censuró de la memoria familiar. Me dolió a mí el dolor del abuelo en esas horas a solas en su dormitorio.

Había más. Y peor. Dos noches después, agonizaba en un baldío. Fue cosida por delante y por detrás; tardó meses en recuperarse hospedada por las monjas del mismo convento del que habían echado a la abuela. Un día la tía Nora desapareció. Nadie volvió a verla en el valle.

—Fui algunas veces a preguntarles a las monjas por ella, si se comunicaba, si sabían algo, pero nada. Norita estaba rota. No ocupa un rinconcito de mi corazón, me ocupa entero, la tengo en mí. La tristeza del abuelo desbordó el vacío alrededor de su cama. Guardé el relicario conmigo y le juré que jamás repetiría sus palabras. Me tocó una mejilla.

Me casé y bailamos salsa, tarantelas desparejas, tangos, boleros y un vals en mitad de la fiesta. Cinco horas después, sin probar acariciarnos en alguno de los sillones que nos habían regalado los compañeros de rehabilitación, embarcamos rumbo a las Canarias. Todo hubiese confluido en un final feliz si yo no hubiera insistido para ver el mar desde la cubierta más alta del buque. Si no hubiese sentido tanto temor al trance de perder la virginidad. Si él no hubiera acompañado mi capricho de salir antes de decir adiós a la flor... Si Lautaro no hubiera pronunciado las palabras del abuelo.

Como he dicho, fui de ese tipo de niñas que adoraban las calesitas; me enamoré en algún giro y reía al rodar con la tía Nora en la taza de loza o en un caballito preso a su eje. Nuestros ojos se mimaban en los espejos y nos contagiábamos la ansiedad por ensartar la sortija. Felices. Esas impresiones me sobrecogieron en la voz de Lautaro cargando la estrechez de los peldaños. Sonaron como un vendaval que arrebataría los recuerdos con la tía.

Los dos subiríamos para contemplar las olas que no se veían desde el camarote. Llevamos tiempo, porque la escalera era angosta y los escalones separados, y tengo una pierna que es ocho centímetros más corta que la otra. Cuando estábamos casi en el último tramo, Lautaro me frenó agarrándome por la cintura, como en la rehabilitación, y subió hasta el escalón en el que hacía equilibrio. Me besó, empujando la lengua contra mis dientes y fue excitante; me besó más y fue mejor. Mientras improvisaba chupones de diferentes intensidades sus manos perdían el control dentro de mi escote (tampoco uso corpiño, como aprendí de la tía Nora). Con torpeza

abrió mis piernas, se frotó, su cierre lastimaba, sus manos hurgaron en mi culo con violencia o tal vez con inhabilidad.

—Quiero llenarte toda de mí —se embaló. Sonó al abuelo.

Sentí sus dedos que un día iban a deformarse por la enfermedad, sus uñas que recordé sucias y me asqueé. Me mareé. Lo empujé con una fuerza que desconocía poseer. Cayó, lo vi caer y después flotar, mover sus brazos en la pileta de la cubierta más baja.

Debió de haber aprendido a nadar, pensé. Fueron segundos, intenté bajar, pero la cojera hizo la tarea más lenta. Diez minutos, o veinte, hasta llegar con torpeza a la pileta en la que mi marido había dejado de moverse; ni siquiera intenté quitarlo del agua. Inmóvil, se me ocurrió que no era más que un charco y él, además de cargar con un metro y ochenta centímetros de altura, estaba excedido en el peso. Lo saludé, no retribuyó. Necesitaba desesperadamente tomar un baño y fui al camarote. Lautaro no volvió esa noche.

Al día siguiente, el capitán golpeó la puerta de lo que iba a ser nuestro rincón de amor y sexo. Dio la mala nueva.

—Debe de haber tropezado y cayó, puede que hasta había bebido un poco, porque la piscina tiene un metro y noventa y dos centímetros de profundidad y él era muy alto —supuso.

Me afligí lo necesario y pedí quedarme a solas. Lautaro yacía en la morgue por si quería despedirme y lo enviarían de regreso al puerto de embarque apenas atracásemos en Tenerife. Fui a verlo, besé su mano y percibí que así había sabido siempre, a sal y escarcha.

Doce centímetros de agua le arrebataron mi flor a mi marido.

Pisé las Canarias siendo una de la dinastía. Y más: casada, viuda y virginal. Sola, dos maletas, un relicario y la imagen de la tía Nora girando, espléndida, como en la calesita.

La dinastía de las mujeres vírgenes es uno de los 14 relatos del libro La parte extraña, publicado por la editorial Equidistancias.

Andrea Centeno es licenciada en comunicación social y periodista, nació en San Nicolás de los Arroyos, Buenos Aires, Argentina. Vive desde 2005 en São Paulo, Brasil. En la ciudad de Buenos Aires trabajó en diarios, revistas, TV y radio. Publicó varios reportajes en la revista mexicana Gatopardo. Ha publicado la novela Nadie me llevará flores (Literálika, 2021) y el libro de relatos La parte extraña (Equidistancias, 2022). Recientemente está en las librerías su más reciente novela Lo que deja la lluvia (también publicada por Equidistancias), una novela que contrasta el día a día de artistas nómades con el de los migrantes.

LITERATURA

DECLARAÇÃO DE AMOR DE MARINA GUGLIOTTI PESTANA PELA

BIBLIOTECALATINO-AMERICANA,

DEL MEMORIAL DA AMÉRICA

LATINA, EM SÃO PAULO/BRASIL

DECLARACIÓN DE AMOR DE MARINA

GUGLIOTTI PESTANA A LA

@BIBLIOTECALATINO-AMERICANA,

DEL MEMORIAL DA AMÉRICA

LATINA, EN SÃO PAULO, BRASIL

Construída sob uma viga de 90 metros de extensão suspensa entre dois pilares, suas curvas poéticas, desenhadas por Oscar Niemeyer, abrigam os ideais de Darcy Ribeiro, nosso sonhador maior.

Por meio de seu acervo, podemos o uvir as vozes da Nossa América, concretizando a utopia de integração de Simón Bolivar e San Martin. E, sobretudo, tornando realidade o paraíso borgeano:

“Nadie rebaje a lágrima o reproche

Esta declaración de la maestría

De Dios que con magnífica ironía

Me dio a la vez los libros y la noche

[...]

Lento en mi sombra, la penumbra hueca

exploro con el báculo indeciso, yo, que me figurava el Paraíso bajo la especie de una biblioteca.”

Construida bajo una viga de 90 metros de largo suspendida entre dos columnas, sus poéticas curvas, diseñadas por Oscar Niemeyer, encarnan los ideales de Darcy Ribeiro, nuestro mayor soñador.

A través de sus colecciones, podemos escuchar las voces de Nuestra América, haciendo realidad la utopía de integración de Simón Bolívar y San Martín. Y, sobre todo, convirtiendo en realidad el paraíso borgiano:

“Nadie rebaje a lágrima o reproche

Esta declaración de la maestría

De Dios que con magnífica ironía

Me dio a la vez los libros y la noche

[...]

Lento en mi sombra, la penumbra hueca

exploro con el báculo indeciso, yo, que me figurava el Paraíso bajo la especie de una biblioteca.”

Marina Gugliotti Pestana é historiadora e bibliotecária. Trabalha na Biblioteca Latino-americana da Fundação Memorial da América Latina no setor de referência e também é reponsável pelo acervo de obras raras e especiais.

Aparecida da Graça Guimarães é bibliotecária e gerente da Biblioteca Latinoamericana da Fundação Memorial da América Latina.

Marina Gugliotti Pestana es historiadora y bibliotecaria. Trabaja en el departamento de referencia de la Biblioteca Latinoamericana de la Fundación Memorial de América Latina y también es responsable de la colección de obras raras y especiales.

Aparecida da Graça Guimarães es bibliotecaria y directora de la Biblioteca Latinoamericana de la Fundación Memorial de América Latina.

LITERATURA

O EDIFÍCIO, DE MURILO RUBIÃO

EL EDIFICIO, DE MURILO RUBIÃO

Muitos podem se perguntar o que essa passagem literária tem a ver com uma edição da Arte, Cultura e Sociedade-Brasil que trata em sua maior parte das favelas e da luta pela sobrevivência de grande parte da população brasileira — e latino-americana —, que, além de viver em espaços precários, está sempre em risco de perdê-los, seja pela violência que os aflige, pela falta de trabalho digno ou pela falta de apoio estatal.

O tema do livro que vamos examinar brevemente relaciona-se à utopia dos séculos XX e XXI: crescer, adquirir e acumular, mesmo que às vezes não entendamos por que o fazemos e para onde estamos caminhando com esse ritmo de vida.

A literatura portuguesa, e especialmente a brasileira, é quase um mistério para nós, falantes de espanhol nas Américas. Justamente por isso, e como mencionei anteriormente em outro artigo para a A.C. y S-Brasil, nossa intenção é sempre ajudar a construir pontes dentro do vasto continente latino-americano.

Mais uma vez, trago à tona Rubião, um autor com uma obra pequena, mas cuja escrita atinge um nível de realismo mágico comparável ao de outros gênios da literatura latino-americana, como Gabriel García Márquez, Horacio Quiroga ou Adolfo Bioy Casares.

Segundo Jorge Luis Borges, essa literatura de realismo mágico “visa oferecer metáforas da realidade — por meio das quais o escritor busca transcender as observações prosaicas do realismo — e escapar para um território livre”.

O fantástico produz imagens que fogem à ordem racional das palavras e da própria cultura, transbordando e negando o convencional; transcendendo.

A natureza intrínseca da arte literária é criar — sem dispensar as palavras — uma ilusão: expressar uma realidade através do fantástico e transformá-la em ficção, da qual surge a denúncia do absurdo dessa realidade. E Rubião é talvez o melhor exemplo brasileiro do que estamos dizendo.

Muchos podrán preguntarse qué tiene que ver este trecho literario en un número de Arte, Cultura y Sociedad-Brasil que trata en gran parte del tema de las favelas y la lucha por la subsistencia de una gran sector de la población brasileña -y también latinoamericana- que, aparte de vivir en espacios precarios, siempre corre el riesgo de perderlos, sea por la violencia que los afecta, por la falta de trabajo digno y de apoyo estatal.

El tema del libro que vamos a ver rápidamente tiene que ver con la utopía del siglo XX y XXI, que es la de crecer, adquirir y acumular, aunque a veces no logremos entender por qué lo hacemos y hacia adónde vamos en ese ritmo de vida tan centrada en el consumo.

La literatura en portugués, y sobre todo las letras brasileñas, son casi un misterio para los que hablamos español en América y, como ya lo dije antes, en otro artículo de A. C y S-México, nuestra intención es siempre ayudar a tender puentes dentro del enorme continente latinoamericano.

Otra vez traigo acá a Rubião, un autor de poca producción, pero que en su obra alcanza un vuelo tan alto de realismo fantástico como el de otros genios de las letras latinoamericanas, como Gabriel García Márquez, Horacio Quiroga o Adolfo Bioy Casares.

Según Jorge L. Borges, esta literatura del realismo mágico “tiene más bien el objetivo de ofrecer metáforas de la realidad —a través de las cuales el escritor busca trascender las observaciones pedestres del realismo— y escapar a un territorio libre”.

Lo fantástico trae imágenes que huyen del orden racional de las palabras y de la misma cultura, desbordando y negando lo convencional; trascendiendo.

La naturaleza intrínseca del arte literario es crear —sin prescindir de las palabras— una ilusión: expresar una realidad a través de lo fantástico y transformarla en ficción, de donde surge la denuncia del absurdo de esta realidad. Y Rubião es tal

Nos quase 70 anos que se passaram desde a publicação do primeiro livro de Murilo Rubião, O ex-Mágico, em 1947 — obra que já discutimos na Revista Arte, Cultura e Sociedade- México — o que mais se destacou foi seu status como precursor de um gênero fantástico sem precedentes na literatura brasileira.

Os primeiros artigos sobre a obra de Rubião alertavam para a impossibilidade de definir o que eram suas histórias; havia certa surpresa, uma mistura de desconforto, provocada por um conjunto de trabalhos tão diferente de tudo o que se vira no Brasil até então. Moacir de Andrade, no jornal Estado de Minas, em 3 de dezembro de 1947, afirmou categoricamente que a única coisa que se podia dizer com certeza era que se tratava de “histórias de Murilo Rubião”. Nada mais.

“O Prédio”, de Murilo Rubião, é um conto que narra a construção de um edifício com incontáveis andares, uma espécie de Torre de Babel moderna. A história acompanha o engenheiro João Gaspar, o gerente da obra e os operários, que enfrentam desafios e conflitos em meio a um projeto de propósito duvidoso.

A história começa com uma descrição mais ou menos detalhada do ambicioso e aparentemente ilimitado projeto do edifício, que seria o arranha-céu mais alto já construído, evocando imediatamente a mítica Torre bíblica.

João Gaspar, o engenheiro responsável, enfrenta a tarefa de coordenar a construção e prevenir potenciais conflitos e desentendimentos entre os operários, situações que se intensificam à medida que o projeto avança em direção ao inacessível — ou pelo menos inimaginável — octogésimo andar.

A narrativa explora a estranheza e o absurdo de toda a situação, marcas registradas do realismo fantástico do escritor brasileiro Murilo Rubião. A história questiona o verdadeiro significado do projeto, o propósito do enorme esforço despendido pelos operários e pelo próprio mestre de obras; e lança dúvidas sobre o destino dos trabalhadores, que parecem cada vez mais presos, sem saída possível, em um ciclo interminável de construção.

A história apresenta uma crítica à modernidade, à rápida urbanização e ao trabalho mecanizado, que consomem os indivíduos e os distanciam do sentido da sua própria existência, alienando-os não só do produto do seu trabalho.

De algum modo, evoca a cena da fábrica de Charles Chaplin em Tempos Modernos, enquanto a personagem de João Gaspar representa a impotência do homem perante processos que não consegue compreender ou controlar, mas que o consomem, tanto física como mentalmente.

Murilo Rubião utiliza elementos fantásticos para explorar a realidade e a condição humana. A construção do edifício serve de metáfora para a sociedade moderna, com os seus excessos, a sua falta de sentido e a alienação do trabalho.

O absurdo da existência humana é narrado numa história que questiona o propósito da vida e o impacto da modernidade nas experiências de mulheres e de homens.

A obra explora não só a relação da humanidade com o trabalho, mas também seu distanciamento, seu afastamento dos objetivos iniciais de alimentação e abrigo, e sua transformação em mera engrenagem de um processo produtivo, o que leva à falta de diálogo e à dificuldade de entendimento mútuo, além de tantas outras características negativas da sociedade contemporânea.

JV. São Paulo, enero de 2026

vez el mejor ejemplo brasileño de esto que decimos.

En los casi 70 años transcurridos desde la publicación del primer libro de Murilo Rubião, El Ex Mago, en 1947, —obra que ya comentamos antes en nuestra Revista mexicana— lo que más se ha destacado es su condición de precursor de un género de fantasía sin precedentes en la literatura brasileña. Los primeros artículos sobre la obra de Rubião alertan sobre la imposibilidad de definir qué son sus cuentos; se siente en ellos una cierta sorpresa, una mezcla de incomodidad, provocada por una obra tan distinta a todo lo que se había visto en Brasil hasta entonces. Moacir de Andrade, en el periódico Estado de Minas, el 3 de diciembre de 1947, dice sin tapujos que lo único que se puede afirmar con certeza es que son “cuentos de Murilo Rubião”. Nada más.

“El Edificio” es un relato corto que narra la construcción de un rascacielo de infinitas plantas, una especie de Torre de Babel moderna. La historia sigue al ingeniero João Gaspar, director de obra, y a los obreros, quienes enfrentan desafíos y conflictos en medio de un proyecto de dudosa finalidad.

La historia empieza con una descripción más o menos detallista del ambicioso y aparentemente ilimitado diseño del edificio, que sería el más alto jamás construido, y uno en seguida se acuerda de la mítica Torre de Babel.

João Gaspar, el ingeniero a cargo, se enfrenta a la tarea de coordinar la construcción y evitar los posibles conflictos y desacuerdos entre los obreros, situaciones que se van intensificando en la medida que el proyecto avanza hacia el inaccesible —o por lo menos inimaginable— piso ochocientos.

La narrativa explora lo extraño y lo absurdo de toda la situación, que son los sellos distintivos del realismo fantástico del brasileño Murilo Rubião. La historia cuestiona el sentido real de la obra, el propósito del enorme esfuerzo aplicado por los obreros y por el mismo encargado; y pone en duda el destino de los trabajadores, quienes parecen cada vez más atrapados, sin salidas posibles, en un ciclo interminable de construcción.

La historia presenta una crítica a la modernidad, a la urbanización acelerada y al trabajo mecanizado, que consumen a los individuos y los distancian del sentido de su propia existencia, y no solo los aliena del producto de sus labores. Nos recuerda el Charles Chaplin de la fábrica de Tiempos Modernos, mientras que la propia figura de João Gaspar representa la impotencia del hombre ante procesos que no puede comprender ni controlar, pero que lo consumen, física y mentalmente.

Murilo Rubião utiliza elementos fantásticos para explorar la realidad y la condición humana. Mientras que la construcción del edificio sirve como metáfora de la sociedad moderna, con sus excesos, sus sinsentidos y la enajenación del trabajo.

El absurdo de la existencia humana se relata en una historia que cuestiona el propósito de la vida y el impacto de la modernidad en la experiencia de mujeres y hombres.

No solo explora la relación de la humanidad con el trabajo, sino también su alienación, su alejamiento de los objetivos iniciales de alimentación y abrigo, y su transformación en un mero engranaje de un proceso productivo, lo que lleva a la falta de diálogo y a la dificultad del entendimiento mutuo, como tantas otras características negativas de la sociedad contemporánea.

JV. São Paulo, enero de 2026v

Murilo Rubião.

UM POUCO MAIS SOBRE A CULTURA, A ARTE E A LITERATURA BRASILEIRAS.

Trecho de uma palestra proferida por Javier Villanueva a um grupo encantador de senhoras patrocinadoras do Museu MACRO em Monterrey, México, antes de sua visita a São Paulo em setembro passado.

Revista Noigandres (1952 a 1962)

Noigandres foi um grupo de poetas formado em 1952 em São Paulo, Brasil. Seus membros foram Haroldo de Campos, Décio Pignatari, Augusto de Campos e, posteriormente, Ronaldo Azeredo e José Lino Grünewald. Com esse grupo, surgiu no Brasil o movimento da Poesia Concreta, e uma teoria sobre ela foi desenvolvida, tendo como órgão a revista Noigandres e Invenção, publicada de 1952 a 1962.

UN POCO MÁS DE CULTURA, ARTE Y LETRAS BRASILEÑAS.

Extracto de una charla ofrecida por Javier Villanueva a un simpático grupo de señoras patrocinadoras del Museo MACRO de Monterey, México, antes de su visita a São Paulo en el mes de septiembre pasado.

Revista Noigandres (1952 a 1962)

Noigandres fue un grupo de poetas formado en 1952 en São Paulo, Brasil. Estaba integrado por Haroldo de Campos, Décio Pignatari, Augusto de Campos y, más tarde, por Ronaldo Azeredo y José Lino Grünewald. Con el grupo, surgió en Brasil el movimiento de la Poesía Concreta, y se creó una teoría sobre dicho movimiento, cuyo órgano fue la revista Noigandres e

Almuerzo en lo alto de un rascacielos, fotografía de 1932 de Charles Ebbets.

A enigmática palavra noigandres aparece em um dos poemas do trovador Arnaut Daniel, artista do século XIII cuja obra foi escrita em occitano, no dialeto limusino, serviu como título da revista que a promoveu e como nome do grupo de poesia concreta. Henri Pascal de Rochegude, autor de “Essai d'un glossaire occitanien: pour servir à l'intelligence des poésies des Troubadours”, um dicionário publicado em Toulouse (1819), registra a palavra com o significado de “noz-moscada”; no entanto, especula-se que seja um simples erro ortográfico.

Por meio de sua publicação na revista Noigandres, três autores brasileiros tentaram disseminar a poesia concreta no país. Essa revista, que assumiu a forma de um manifesto, também destacou os fundamentos da poesia concreta, bem como os principais componentes que desafiavam os críticos e poetas da época.

A Revista Pau Brasil

O Movimento Pau Brasil foi um dos diversos momentos modernistas que se desenvolveram durante a Primeira Fase do Modernismo no Brasil, conhecida como a "fase heroica". Essa fase apresentou diferentes formas de abordagens patrióticas.

Esse movimento teve início em 1924 com a publicação do Manifesto Poético Pau Brasil, escrito por Oswald de Andrade.

O manifesto é uma declaração que expressa a importância do Brasil desenvolver sua própria literatura; foi publicado no jornal carioca Correio da Manhã em 18 de março de 1924.

O Manifesto Poético Pau Brasil inicia com o seguinte trecho:

A poesia existe nos fatos. Os casebres de açafrão e de ocre nos verdes da Favela, sob o azul cabralino, são fatos estéticos.

O Carnaval no Rio é o acontecimento religioso da raça. Pau-Brasil. Wagner submerge ante os cordões de Botafogo. Bárbaro e nosso. A formação étnica rica. Riqueza vegetal. O minério. A cozinha. O vatapá, o ouro e a dança.

Em 1925, foi publicado Pau-Brasil, um livro de poemas de Oswald de Andrade (1890-1954) ilustrado por sua esposa, a artista Tarsília do Amaral (1886-1973).

JV. São Paulo, janeiro de 2026

Invenção que fue publicada de 1952 a 1962.

La enigmática palabra noigandres, aparece en uno de los poemas del trovador Arnaut Daniel, - artista del siglo XIII, cuya obra fue escrita en occitano, en dialecto limousin- y sirvió como título de la revista que la promovió y como nombre del grupo de poesía concreta. Henri Pascal de Rochegude, autor de “Essai d'un glossaire occitanien: pour servir à l'intelligence des poésies des Troubadours”, un diccionario publicado en Toulouse (1819), registra la palabra con el significado de “nuez moscada”; sin embargo, se ha especulado que se trata de un simple error ortográfico.

Mediante su publicación en la revista Noigandres, tres autores brasileños intentaron difundir la poesía concreta en el país. Esta revista, que adoptó la forma de un manifiesto, también destacó los fundamentos de la poesía concreta, así como los componentes clave que desafiaron a los críticos y poetas de la época.

Las publicaciones de periódicos y revistas de arte y cultura buscaban compartir una base de referencia común con los lectores, permitiéndoles comprender y disfrutar de la poesía concreta y las innovaciones que trajo al mundo literario.

Sin embargo, al dirigirse a un público con suficiente capital social para validar el proyecto, estas obras citaban exhaustivamente a autores de diversos campos, lo que dificultaba la comprensión de la propuesta por parte de un público más amplio.

De hecho, en 1957, cinco años después de la publicación del primer volumen de Noigandres, la poesía concreta recibió el estatus de poesía erudita y se consideró imprescindible para la reflexión sobre la literatura brasileña. Sin embargo, siguió siendo un arte restringido. Al leer fragmentos de Augusto y Haroldo de Campos y Décio Pignatari, uno se da cuenta de que sus teorizaciones son casi impenetrables. Esto, en última instancia, compromete la recepción de las obras literarias producidas e incluso puede generar aversión en el lector.

La revista Pau Brasil.

El Movimiento Pau-Brasil fue uno de los varios modernistas que se desarrollaron durante la Primera Fase del Modernismo en Brasil, conocida como la "fase heroica". Esta fase presentó diferentes formas de enfoques patrióticos.

Este movimiento comenzó en 1924 con la publicación del Manifiesto de la Poesía Pau-Brasil, escrito por Oswald de Andrade.

El manifiesto es una declaración que transmite la importancia de que Brasil desarrolle su propia literatura; se publicó en el periódico Correio da Manhã, de Río de Janeiro, el 18 de marzo de 1924.

El Manifiesto de la Poesía Pau-Brasil comienza con el siguiente fragmento:

“La poesía existe en los hechos. Las chozas color azafrán y ocre en el verdor de la favela, bajo el azul cabraliano, son hechos estéticos.

El Carnaval de Río es el evento religioso de la raza. Pau Brasil. Wagner se sumerge ante las bandas de Botafogo.

Bárbaro y nuestro. La rica formación étnica. La riqueza vegetal. La riqueza mineral. La gastronomía. Vatapá, el oro y la danza”.

En 1925 se publicó Pau-Brasil, un libro de poemas de Oswald de Andrade (1890-1954) ilustrado por su esposa, la artista Tarsília do Amaral (1886-1973).

LITERATURA

A IGUALDADE DE GÊNERO TAMBÉM É PROBLEMA SEU LA IGUALDAD DE GÉNERO

TAMBIÉN ES TU PROBLEMA

POR SIMONE REGO

Dados da UIP - união interparlamentar e ONU, revelam um processo limitado no alcance da igualdade de gênero em mais de três vezes nas posições executivas e legislativas em todo o mundo. O Brasil segue a tendência e continua mal posicionado133a. colocação no ranking global de representação parlamentar de mulheres.

• 18% da câmara dos deputados é composta por mulheres - são 93 parlamentares.

• 19,8% no senado - 16 mulheres.

• 32,5% cargos ministeriais.

• 10 das 31 pastas estão com mulheres.

É hora de os governos agirem para garantir que as mulheres tenham um assento igual em todas as mesas onde o poder é exercido.

Precisamos fazer da igualdade uma causa comum, e não sucumbir ao “dividir e governar.”

Para liderar a luta contra a desigualdade, o congresso deve liderar pelo exemplo. Não dá para ter esperança de realizar mudanças para combater a desigualdade no país se ele mesmo incorpora a discriminação.

Como as mulheres podem acreditar que um parlamento predominantemente masculino entende suas vidas? É um desafio para todos os partidos de esquerda ter candidatas de todas as origens e sobretudo da classe trabalhadora. Nós precisamos participar das discussões, pois quem não ocupa espaço não faz a diferença.

SOBRE O PROJETO CAROLINAS

* O projeto atua em quatro favelas da região, beneficiando cerca de 7 mil pessoas.

* Além de distribuir alimentos e produtos de higiene, o projeto também oferece apoio emocional e ajuda a identificar pessoas que precisam de assistência médica.

Datos de la UIP (Unión Interparlamentaria) y de la ONU revelan un progreso limitado en el logro de la igualdad de género, con una desventaja de más del triple en puestos ejecutivos y legislativos a nivel mundial. Brasil sigue esta tendencia y se mantiene en una posición desfavorable: ocupa el puesto 133 en el ranking mundial de representación parlamentaria femenina.

• El 18% de la Cámara de Diputados está compuesta por mujeres: 93 parlamentarias.

• El 19,8% del Senado está integrado por mujeres: 16 mujeres.

• El 32,5% de los cargos ministeriales.

• Diez de los 31 ministerios están ocupados por mujeres.

Es hora de que los gobiernos actúen para garantizar que las mujeres tengan una participación equitativa en todos los ámbitos donde se ejerce el poder.

Necesitamos hacer de la igualdad una causa común y no sucumbir a la estrategia de “divide y vencerás”.

Para liderar la lucha contra la desigualdad, el Congreso debe predicar con el ejemplo. No hay esperanza de lograr cambios para combatir la desigualdad en el país si él mismo la fomenta.

¿Cómo pueden las mujeres creer que un parlamento que es predominantemente masculino va a comprender sus vidas? Es un reto para todos los partidos de izquierda contar con candidatas de todos los orígenes, especialmente de las clases trabajadoras. Necesitamos participar en los debates, porque quienes no ocupan un espacio no generan un cambio.

SOBRE EL PROYECTO CAROLINAS:

* El proyecto opera en cuatro favelas de la región, beneficiando a aproximadamente 7.000 personas.

* Además de distribuir alimentos y productos de higiene, el proyecto también ofrece apoyo emocional y ayuda a identificar a personas que necesitan asistencia médica.

TRABALHOS DE SIMONE REGO

* Simone Rego é conhecida por seu trabalho em parceria com a comunidade local, ajudando a fortalecer o espírito de comunidade e a promover a conscientização sobre os direitos sociais.

* Ela também participa de eventos e atividades que visam discutir questões sociais e promover a solidariedade.

Outras Atividades: Simone Rego também lidera e participa de eventos como a Cozinha Comunitária Academia Carolinas, na Cidade Tiradentes, e à Horta Comunitária da Vila Nancy, em Guaianases, para discutir o papel desses espaços no combate à fome em territórios vulneráveis.

Simone Rego é professora da rede pública de São Paulo que se destaca por seu trabalho social em comunidades carentes, especialmente na Cidade Tiradentes, zona leste da capital paulista. Ela criou o Projeto Carolinas, que visa ajudar famílias vulneráveis na região, fornecendo alimentos e apoio emocional.

LA LABOR DE SIMONE REGO

* Simone Rego es reconocida por su trabajo en colaboración con la comunidad local, contribuyendo a fortalecer el espíritu comunitario y a promover la concientización sobre los derechos sociales.

* También participa en eventos y actividades que buscan debatir temas sociales y promover la solidaridad.

Otras actividades: Simone Rego también lidera y participa en eventos como la Cocina Comunitaria de la Academia Carolinas en Cidade Tiradentes y el Huerto Comunitario Vila Nancy en Guaianases, para debatir el papel de estos espacios en la lucha contra el hambre en territorios vulnerables.

Simone Rêgo es maestra en el sistema de educación pública de São Paulo y se destaca por su labor social en comunidades marginadas, especialmente en Cidade Tiradentes, en la Zona Este de la ciudad de São Paulo. Creó el Proyecto Carolinas, cuyo objetivo es ayudar a familias vulnerables de la región brindándoles alimentos y apoyo emocional.

OPINIÃO | OPINIÓN

A VOZ DO ACRE, PREOCUPAÇÃO COM A NATUREZA E OS POVOS

ORIGINÁRIOS

LA VOZ DE ACRE. LA PREOCUPACIÓN

CON LA NATURALEZA Y LOS PUEBLOS ORIGINARIOS

POR LUCIANO BARRIONUEVO

Iniciada no canto em um coral de igreja, Lara Pontes aperfeiçoou sua voz durante o período em que estudou no Rio de Janeiro e em Maringá (PR).

De volta ao Acre, ela se aprofundou em uma pesquisa sobre as sonoridades regionais e criou o projeto “Zum Zum da Mata”, que foi premiado pela Lei Aldir Blanc e circulou pelo Acre em 2018.

Agora, rebatizado como “Rios Voadores do Norte ao Sul”, Lara se lança numa primeira oportunidade de levar o seu projeto além das fronteiras do Acre, em direção ao resto do Brasil e do mundo, levando a música amazônica, com arranjos que misturam raízes, floresta e experimentação.

Assim, enquanto as mudanças climáticas estavam no centro dos debates da Conferência do Clima da ONU, a COP-30, em Belém, a cantora acreana levava um pouco do clima musical da Floresta Amazônica para o Sul do país, a Santa Catarina. Laura se apresentou em Florianópolis no dia 15, feriado da Proclamação da República, na concha acústica no Lounge do Open Shopping Jurerê.

No repertório, o melhor da música brasileira, embalada pelo samba e pela bossa nova. O menu musical também conta com sons regionais de compositores acreanos: os sambas “A Natureza” e “Exaltação ao Seringueiro” e a bossa “Seringais”.

Iniciada en el canto en un coro de iglesia, Lara Pontes perfeccionó su voz durante el período en que estudió en Río de Janeiro y en Maringá (estado de Paraná).

De vuelta a Acre, se sumergió en una investigación sobre las sonoridades regionales y creó el proyecto “Zum Zum da Mata”, que fue premiado por la Ley Aldir Blanc y circuló por Acre en 2018.

Ahora, rebautizado como “Rios Voadores do Norte ao Sul”, Lara se lanza en una primera oportunidad de llevar el proyecto más allá de las fronteras del Acre, revelando al resto del Brasil y del mundo la música amazónica, con arreglos que mezclan raíces, selva y experimentación.

De este modo, mientras los cambios climáticos estaban en el centro de los debates de la Conferencia del Clima de la ONU, la COP-30, en Belém, la cantora acreana llevaba un poco del clima musical de la Selva Amazónica para el Sur del país, a Santa Catarina. Laura se presentó en Florianópolis el día 15 de noviembre, feriado de la Proclamación de la República, en la concha acústica en el Lounge del Open Shopping Jurerê.

En su repertorio iba lo mejor de la música brasileña, embalada por el samba y por la bossa nova. El menú musical también cuenta con sonidos regionales de compositores acreanos: los sambas “A Natureza” y “Exaltação ao Seringueiro” y la bossa “Seringais”.

Luciano Barrionuevo é argentino, tradutor/intérprete, professor de idiomas e mestre de kick-boxing e boxe; conheceu a cantante Lara Pontes em uma de suas muitas viagens a trabalho ao longo do país.

Luciano Barrionuevo es argentino, traductor/ intérprete, profesor de idiomas e instructor de kickboxing y boxeo; conoció a la cantante Lara Pontes durante uno de sus muchos viajes de trabajo por el país.

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Arte Cultura y Sociedad Brasil número 3 by Revista Arte, Cultura y Sociedad - Issuu