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Revista Plano B Brasília n.º 43

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Ano 4 - Edição 43 - R$ 14,90


SUMÁRIO

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Escolas têm até 8 de setembro para escolher livros didáticos para 2027 PAULO TAVARES “O problema não é o posto. É o imposto.” Brasília e eu Governo sanciona lei que permite reduzir tributos sobre combustíveis As correntes que nos Prendem Voos de drones terão restrição temporária na área do Desfile de 7 de Setembro Equipe brasiliense fica em 6o em Campeonato Mundial de Canoa Havaiana TJDFT mantém condenação por cancelamento de plano durante tratamento A história da primeira biblioteca pública de Brasília Bernard Shaw e eu Um à frente, dois atrás Eleições 2026: saiba o que é permitido e proibido no dia da votação Música, frequências e bem-estar: a pesquisa por trás de “Sons de Cura II”

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Crescimento populacional caiu para 0,37% em 2026, estima IBGE Votar: a faculdade de pensar antes de obedecer Imazon aponta desmatamento zero em 60% de terras indígenas na Amazônia Brasil cria plano para emergências na saúde por mudanças climáticas Para além do inverno, Serra Catarinense é destino para ir o ano todo Areia branca e piscinas flutuantes: o paraíso que está conquistando seus visitantes com paisagens lindas Gláucia do Arruda: a política como instrumento de transformação Daniel Cargnin é ouro no Grand Slam de Lausanne de judô Morte súbita: quando cada segundo pode salvar uma vida A reforma da Previdência que os candidatos evitam debater Sonhos e delírios em busca da boquinha


EXPEDIENTE

E D I TO R I A L

Diretor Executivo Paulo Henrique Barreto Paiva Diretor Administrativo Rócio Barreto Chefe de Redação: Paulo Henrique Paiva Colaboradores: Angela Beatriz, Ana Beatriz Barreto, José Gurgel, Humberto Alencar, Mila Ferreira, Renata Dourado, Paulo César e Wilson Coelho Design Grafico: Alissom Lázaro Redação: Ana Luíza Fontes Fotografia: Ronaldo Barroso Tiragem: 10.000 exemplares Periodicidade: Mensal Redação: Comentários sobre o conteúdo editorial, sugestões e criticas às matérias: revistaplanobbrasilia@gmail.com Acesse o site da Revista Plano B e tenha acesso a todo o conteúdo na íntegra, inclusive a Revista Digital.

Entre a sala de aula e a bomba de combustível Professor, servidor público, empresário e dirigente sindical, Paulo Tavares construiu uma trajetória marcada pela educação, gestão e pelo debate sobre os desafios de quem trabalha e empreende no Brasil. A trajetória de Paulo Tavares atravessa diferentes universos. Começou na educação, passou pela tecnologia e pela gestão pública, chegou ao empresariado e ganhou dimensão sindical à frente da representação dos revendedores de combustíveis do Distrito Federal. Essa experiência múltipla moldou seu olhar sobre um dos setores mais sensíveis da economia. Para Tavares, entender o preço dos combustíveis exige olhar toda a cadeia, produção, refino, distribuição, impostos e revenda. Sua principal bandeira é por mais transparência, concorrência e debate sobre a carga tributária.

www.revistaplanob.com.br Agosto / 2026 Ano 04 - Edição 43 - agosto 2026 Publicada em 30 de agosto de 2026 É proibida a reprodução total ou parcial dos conteúdos da Revista Plano B sem autorização prévia. As opiniões expressas em artigos assinados são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam, necessariamente, a posição editorial da revista.

A entrevista também revela o homem por trás do dirigente sindical: brasiliense, pai de cinco filhos, professor aposentado e empresário que conheceu de perto os desafios do pequeno empreendedor. Agora, sua trajetória ganha um novo capítulo. Depois de anos acompanhando as decisões que afetam o setor, Tavares amplia sua atuação e leva para o debate público uma pergunta que resume sua inquietação: por que o custo de trabalhar e empreender no Brasil é tão alto, e quem paga essa conta? Por Rócio Barreto

A Revista Plano B é uma publicação colaborativa e independente, cujas contribuições são realizadas de forma voluntária e sem remuneração.

ISSN 2966-0688

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EDUCAÇÃO

Escolas têm até 8 de setembro para escolher livros didáticos para 2027 Por PH Paiva Fonte Agência Brasil

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ora de as escolas públicas escolherem os livros didáticos, pedagógicos e literários que são utilizados pelas escolas do 1o ao 5o ano do ensino fundamental no ciclo 2027-2030. O prazo de seleção termina em 8 de setembro. Os professores dos anos iniciais, coordenadores e gestores escolares devem analisar as obras disponíveis e avaliar quais materiais estão mais alinhados à proposta pedagógica da unidade, os objetivos de ensino, bem como as características e as necessidades da comunidade escolar. O Programa Nacional do Livro e do Material Didático (PNLD) é uma política pública executada pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) e pelo Ministério da Educação (MEC). A distribuição dos livros às escolas de todo o país é gratuita.

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Escolas aptas

As escolas pertencentes a redes públicas de ensino com adesão ao PNLD para essa etapa devem participar da escolha. As unidades também precisam ter registrado estudantes no Censo Escolar de 2025.

Categorias dos livros

Os materiais para os estudantes do 1o ao 5o ano do ensino fundamental 1 (EF1) estão organizados em três categorias para escolha. 1o – escolha obrigatória para estudantes do 1o e 2o anos com os seguintes conteúdos: . língua portuguesa; . arte; . educação física*;


EDUCAÇÃO . matemática; . ciências da natureza, história e geografia (obra interdisciplinar); . educação digital e midiática. Nesta primeira categoria, todos os livros do estudante são consumíveis (não reutilizáveis) e permanecem com o aluno, que pode escrever e interagir diretamente com o material e, por exemplo, escrever nas páginas. 2o – escolha obrigatória para estudantes do 3o, 4o e 5o anos, com os seguintes conteúdos: . língua portuguesa; . arte; . educação física; . matemática; . ciências da natureza; . história; . geografia; . livro regionalizado de história e geografia; . produção de texto; . educação digital e midiática. Nesta segunda categoria, as obras de história e geografia apresentam conteúdos relacionados às respectivas regiões das escolas. Os livros de língua portuguesa e matemática não são reutilizáveis. Os demais são reutilizáveis e devem ser devolvidos à escola ao final do ano letivo.

Como escolher os livros

O processo deve ser feito pelos profissionais da educação de todo o país exclusivamente no sistema PNLD Gestão. Os professores e gestores precisam estar cadastrados no Sistema Gestão Presente (SGP), que centraliza as informações educacionais de mais de 46 milhões de estudantes da educação básica no Brasil, ou possuir cadastro anterior no Portal do Livro Digital e utilizar uma conta Gov.br. A escola pode selecionar coleções distintas para cada disciplina curricular. Não é necessário escolher a mesma coleção para todas elas. Em cada componente, devem ser selecionadas as coleções disponíveis no processo de escolha. A escola que não desejar receber determinada obra ou componente deverá registrar a opção “NÃO DESEJO RECEBER O LIVRO”, no sistema. Para as categorias 1 e 2, caso a escola não realize a escolha nem registre a opção de não recebimento, o FNDE fará a atribuição dos exemplares com base em critérios técnicos previamente estabelecidos. Na categoria 3, como a adesão é voluntária, caso a escola não manifeste interesse, não haverá atribuição técnica.

Guia digital

Para ajudar neste processo, o Ministério da Educação (MEC) disponibilizou o Guia Digital do Programa Nacional do Livro e do Material Didático (PNLD). A ferramenta reúne informações sobre as obras aprovadas e incluem: . resenhas e dados sobre as obras . metodologias propostas para facilitar o planejamento das aulas; . estrutura dos conteúdos; . avaliação realizada para aprovação das obras e alinhamento com a Base Nacional Comum Curricular (BNCC). . orientações aos profissionais das redes públicas de ensino para fazer as escolhas mais adequadas;

O FNDE explica que os livros de educação física das Categorias 1 e 2 são destinados exclusivamente aos professores. 3o – escolha optativa: 1o ao 5o ano, para língua espanhola e língua inglesa. Os livros da categoria três 3 são reutilizáveis e devem ser devolvidos à escola no fim do ano letivo.

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C A PA

Por Rócio Barreto

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indicalista com longa trajetória no setor de combustíveis, Paulo Tavares foi eleito para o seu segundo mandato à frente do sindicato que representa os revendedores do Distrito Federal, presidência da qual se encontra licenciado, na forma da lei, para concorrer ao cargo de Deputado Federal. Nesta entrevista, ele fala sobre sua história, a transformação do mercado de combustíveis, os desafios enfrentados pelos pequenos postos e a necessidade de mais transparência na formação dos preços. Em uma conversa franca, revela também o homem por trás do dirigente, professor, empresário, brasiliense, pai de família, e o novo capítulo que decidiu abrir na vida pública. Uma vida entre a educação, a tecnologia e a política Revista Plano B — Quem é Paulo Tavares? Paulo Tavares — Sou, antes de tudo, um trabalhador. Minha primeira vocação foi a carreira acadêmica: formei-me em Matemática e em Ciência da Computação, iniciei um mestrado em Estatística e fui professor concursado da rede pública de ensino, estou aposentado há três anos. Foi nesse caminho que comecei a me aproximar da política e da gestão pública. Trabalhei com o governador Cristovam Buarque e com o deputado Chico Floresta e, quando Cristovam assumiu o Ministério da Educação, fui convidado a atuar

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Foto: Thaís Tavares Lima

PAULO TAVARES “O problema não é o posto. É o imposto.”


C A PA

Do professor ao empresário Revista Plano B — Em que momento o combustível entrou definitivamente na sua vida? Paulo Tavares — Por volta de 2012, quando adquiri um pequeno posto na 214 Norte, em Brasília, e passei a trabalhar diretamente na operação. Era um trabalho muito prático: eu era gerente, operador de caixa, cuidava de tudo. O posto vendia cerca de 100 mil litros por mês e, em dois anos, praticamente dobramos esse volume. Foi ali que passei a conhecer, por dentro, a realidade do setor e os seus desafios. A crise que transformou o mercado Revista Plano B — A Operação Dubai marcou uma mudança no mercado de combustíveis de Brasília. O que aconteceu naquele período? Paulo Tavares — O mercado mudou completamente. Houve uma crise intensa, uma guerra de preços, e um dos efeitos foi a saída de muitos pequenos revendedores e a concentração de postos nas mãos de grupos maiores, empresários que tinham poucos estabelecimentos passaram a adquirir os postos de quem não conseguiu atravessar aquele período. Eu também cresci naquela fase, mas cresci com a mão na massa: estava dentro do posto, na operação, tentando sobreviver à guerra de preços como todo pequeno revendedor.

Paulo Tavares — Essa foi, justamente, uma das pautas que sempre defendi: mostrar que o problema não é simplesmente o posto, é preciso olhar para a composição do preço. O consumidor vê o valor na bomba e imagina que toda a diferença em relação ao preço da Petrobras fica com o revendedor. Não fica. Existe uma cadeia inteira: o produto sai da refinaria, passa pela Transpetro, chega à distribuição, já com os impostos e o frete, recebe a mistura do etanol e, só então, alcança a revenda. O revendedor não determina o preço na bomba, e o que sempre procurei fazer, ao longo da minha trajetória no setor, foi explicar como esse preço se forma. O que falta, principalmente nos elos intermediários da cadeia, é transparência. Menos imposto e mais transparência Revista Plano B — Existe espaço para reduzir o preço dos combustíveis no Distrito Federal? Paulo Tavares — Acredito que sim. Uma das principais questões é a carga tributária, pauta que defendo há muitos Foto: Thaís Tavares Lima

no INEP, na área de estatística. Depois passei pelo FNDE, na área de tecnologia, e pelo Ministério Público do Distrito Federal, cuidando de contratos de tecnologia. Foi uma trajetória que me deu experiências muito distintas entre si, educação, tecnologia, gestão pública, política, e que, mais tarde, viria a somar-se ao setor de combustíveis.

O desafio dos pequenos postos Revista Plano B — Hoje ainda é possível sobreviver apenas vendendo combustível? Paulo Tavares — Está cada vez mais difícil, sobretudo para o pequeno revendedor. A margem é apertada, e os custos, folha de pagamento, aluguel, taxas de cartão, manutenção, operação, pesam muito. Por isso, hoje, a maioria dos postos precisa de outras frentes de receita: loja de conveniência, lava-rápido, borracharia. Em muitos casos, a pista, sozinha, não sustenta o negócio. Os grandes players, que vendem volumes muito maiores, vivem uma realidade completamente diferente. “O problema não é o posto. É o imposto.” Revista Plano B — O consumidor costuma responsabilizar o posto pelo preço alto da gasolina. Essa percepção está equivocada?

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anos. Precisamos discutir por que o combustível é tão tributado e se há espaço para reduzir essa carga sem comprometer a arrecadação, além de debater como o preço se constrói antes de chegar à bomba. O consumidor precisa saber quanto custa o produto, quanto é imposto, quanto é distribuição e qual é a margem de cada elo da cadeia. Transparência é fundamental.

Foto: Thaís Tavares Lima

C A PA

Petrobras, distribuidoras e a formação do preço Revista Plano B — Qual é, na sua avaliação, o principal problema hoje na cadeia de combustíveis? Paulo Tavares — É a falta de transparência na distribuição. O consumidor muitas vezes imagina que o posto compra diretamente da Petrobras, mas não é assim que a revenda funciona: a gasolina percorre diferentes etapas até chegar ao consumidor e, quando há alteração de preço na distribuidora, é o revendedor quem precisa entender, e explicar, essa mudança na ponta. Defendo que as distribuidoras tenham mais transparência na formação de seus preços. Não sou favorável a tabelamento: defendo regulação, fiscalização e transparência, para que a população consiga compreender exatamente por que o preço subiu ou caiu. Uma posição firme sobre a Petrobras Revista Plano B — O senhor também defende uma presença forte da Petrobras no mercado. Por quê? Paulo Tavares — Sou defensor da Petrobras e radicalmente contrário à privatização da empresa. Ela é estratégica para o Brasil, petróleo não é apenas uma commodity; é também um instrumento de poder econômico. Sou igualmente contrário à privatização das refinarias e defendo uma presença maior do Estado na distribuição, não para tabelar preços, mas para ajudar a regular o mercado e garantir a segurança do abastecimento. O Brasil produz muito petróleo, mas ainda enfrenta desafios importantes no refino e na distribuição. Por isso, considero estratégico manter instrumentos que assegurem ao país capacidade de negociação e segurança energética. O homem por trás do dirigente Revista Plano B — Quem é Paulo Tavares fora da atuação sindical e dos negócios? Paulo Tavares — Sou brasiliense. Nasci em 1964 e fui criado entre a região central de Brasília e Taguatinga. Minha família tem uma história muito ligada à construção da cidade: meu pai veio do Rio Grande do Norte ainda nos primeiros anos da capital e construiu a vida aqui, trabalhando no comércio. Minha mãe também tem uma trajetória de muita superação, voltou a estudar depois de ter filhos, formou-se e tornou-se professora. Tenho uma família grande e muito unida: sou pai

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de cinco filhos e casado há 27 anos, e procuro preservar bastante essa convivência. Sempre gostei de esporte, pratiquei corrida, joguei basquete na juventude e hoje mantenho a academia e o boliche. Continuo acreditando que cuidar da saúde e manter uma rotina ativa faz parte de estar preparado para qualquer desafio. Uma nova agenda para o setor — e para Brasília Revista Plano B — Depois de tantos anos à frente do sindicato dos revendedores — presidência da qual está licenciado para disputar as eleições —, qual é a principal missão que o senhor ainda pretende cumprir?


Revista Plano B — Essa trajetória, do quadro-negro à liderança sindical de um setor estratégico, da qual o senhor está licenciado, ganha agora um novo capítulo: o senhor é candidato a Deputado Federal pelo Distrito Federal. Por que, e por que agora? Paulo Tavares — Depois de vinte anos discutindo, no varejo e nos bastidores, os efeitos que as decisões tomadas em Brasília produzem na vida de quem trabalha, o pequeno empresário, o revendedor, o motorista que depende do carro para viver, entendi que era hora de levar essa pauta para dentro do Congresso Nacional, e não apenas para a mesa de negociação. Fui professor, servidor público, empresário e dirigente sindical; em todos esses capítulos, a pergunta foi sempre a mesma: por que o custo de fazer as coisas no Brasil pesa tanto sobre quem trabalha? É essa pergunta que quero levar comigo como Deputado Federal.

Foto: Thaís Tavares Lima

Paulo Tavares — A missão que abracei ao longo de toda essa trajetória foi levar informação à sociedade, e é isso que pretendo continuar fazendo, agora em outro espaço. Quero que as pessoas entendam que o preço dos combustíveis não é uma questão simples, é preciso discutir impostos, distribuição, refino, margem, concorrência e transparência. O posto é a ponta da cadeia, é quem está diante do consumidor todos os dias e, por isso, muitas vezes acaba respondendo por decisões tomadas bem antes de o combustível chegar à bomba. Também quero continuar defendendo, agora no Parlamento, os pequenos revendedores e as condições para que o setor continue competitivo, não podemos ter um mercado cada vez mais concentrado; isso não é bom nem para o consumidor, nem para o próprio setor.

Foto: Thaís Tavares Lima

C A PA

Entre a sala de aula e a bomba de combustível A trajetória de Paulo Tavares é marcada por capítulos distintos: professor, profissional de tecnologia, gestor público, empresário e dirigente sindical. Hoje, sua principal bandeira está diretamente ligada a um produto que influencia a vida de praticamente todos os brasileiros. Mais do que a defesa dos interesses de uma categoria, que marcou sua atuação sindical, ele afirma querer mudar a forma como a sociedade enxerga o setor. Sua tese é direta: para compreender o preço pago na bomba, é preciso olhar para toda a cadeia, e não apenas para quem está atrás do balcão. Com discurso firme e disposição para o debate, Paulo Tavares transformou a comunicação em uma de suas principais ferramentas de atuação. Sua defesa é por menor carga tributária, maior transparência e um mercado em que o consumidor consiga compreender, centavo a centavo, quanto paga pelo combustível que coloca no tanque.

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CO M P O RTA M E N TO

Mila Ferreira*

Brasília e eu

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primeira vez que pisei em Brasília foi quando me muO quadradinho é gigante, efervescente, potente. Mas há dei de vez de Teresina para cá, em 2005. Eu nunca ti- muita gente que nasceu no DF sequer conhece o Plano Piloto, nha vindo aqui antes, mas cultivava um encantameno Parque da Cidade, a Torre de TV, a Ermida Dom Bosco. Ou to por ser a capital do país e por ser uma cidade, até então, conhece, mas não tem oportunidade de desfrutar. misteriosa. Eu não conhecia Brasília e nem tive tempo de Para muitos que vivem, Brasília é encruzilhada, é um deidealizá-la. Foi tudo muito rápido. Quando meus pais anunciaram que nos mudaríamos, eu só comemorei. Brasília me safio diário. Hoje, olho para o céu do Cerrado não apenas com o enchamou. E me abraçou. Não há explicação lógica. Eu já sabia que aqui teriam mais canto de quem chegou, mas com a oportunidades no jornalismo e isso responsabilidade de quem conhece “O quadradinho é gigante, eferme motivou, uma vez que acabara cada canto e cada ferida deste quavescente, potente. Mas há muita de concluir o ensino médio e estava dradinho. na hora de ir em busca do caminho gente que nasceu no DF sequer O meu verdadeiro sonho é ver profissional que havia escolhido desconhece o Plano Piloto, o Parque uma Brasília que pertença inteirade os 12 anos. da Cidade, a Torre de TV, a mente a todos os seus moradores, Mas, mais do que isso, Brasília era Ermida Dom Bosco. Ou conhece, onde as oportunidades e as belezas mistério, e eu, particularmente, adoda capital não estejam restritas a mas não tem oportunidade de ro surpresas. Eu sabia o que os livros uma minoria, mas alcancem cada de História do Brasil tinham para didesfrutar. ” zer sobre Brasília. 50 anos em 5, uma região administrativa de forma juscidade feita para o futuro, planejada, ta e digna. Construir essa cidade moderna. Um bom lugar para renascer. Desvendar a capital verdadeiramente inclusiva depende das nossas escolhas. Por foi transformador para mim. isso, votar de forma consciente é o passo mais poderoso que O clima do Cerrado, a arquitetura monumental, o céu, as podemos dar para transformar a realidade de quem enfrenta pessoas. Tudo isso me causou espanto, assombro, encanto. o desafio diário da desigualdade e, finalmente, fazer da utoNem os alérgicos a bom-dia minaram o meu afeto por pia um direito de todos. Brasília. Sorrio para eles e sigo, de cabeça erguida. Sei que posso estar descrevendo uma cidade utópica, mas o fato é que Brasília não é a mesma para todos. A capital do país é uma joia rara, mas, tal qual um diamante lapidado, *Mila Ferreira, repórter do Correio Braziliense. Formada em Jornalismo pelo IESB e pós-graduada em Direitos Hunão é acessível para todos. Minha vivência como repórter, especialmente na editoria manos, Responsabilidade Social e Cidadania Global pela PUC-RS de Cidades, me fez conhecer o DF a fundo.

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ECO N O M I A

Governo sanciona lei que permite reduzir tributos sobre combustíveis Por Rócio Barreto Fonte Agência Brasil

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presidência da República sancionou a Lei Complementar no 235, de 27 de agosto de 2026 que estabelece regras para a redução de alíquotas de tributos federais sobre a importação, a produção e a comercialização dos principais combustíveis. O texto foi aprovado no início do mês pelo Senado, após ter passado pela Câmara dos Deputados. A concessão de renúncias de receita visa diminuir os impactos econômicos no mercado internacional de energia decorrentes do conflito no Oriente Médio. A nova lei foi publi-

cada no Diário Oficial da União desta sexta-feira (28). O texto permite que eventual redução de tributos incidentes sobre combustíveis seja compensada por receitas extraordinárias obtidas pela União em razão da valorização do petróleo no mercado internacional. Além da questão dos combustíveis, a lei cria condições para benefícios tributários destinados à Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos e ao Programa de Desenvolvimento da Indústria de Fertilizantes, estimulando setores considerados estratégicos para o país. Há também a previsão de um tratamento tributário específico para iniciativas ligadas à realização da Copa do Mundo Feminina de 2027.

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CO M P O RTA M E N TO

Renata Dourado*

As correntes que nos Prendem

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s imagens. São chocantes. Causam náusea, mal estar, Mas, ela foi desacreditada. tristeza. Certamente, considerada como “louca”, por alguns. Uma mulher de 24 anos foi resgatada pela polícia É uma estratégia antiga. em uma casa de Valparaíso de Goiás. Nossos gritos são calados, nossas dores reduzidas. Ela estava acorrentada da cabeça aos pés. Literalmente. Até chegar alguém que faça o que esse criminoso fez. Ainda tinha na cabeça uma máscara para abafar os gritos e pedidos de socorro. Certamente achando que ninguém a encontraria. Emiliane Tamara Nunes Carvalho, de 24 anos, ficou 5 dias Que ficaria impune. no cativeiro. Por sorte, ela foi resgatada. Era dopada e estuprada pelo algoz: o ex-marido, Ailton Mas, carregará para sempre o medo e o trauma de tudo Rodrigues, pai dos dois filhos dela. As imagens repercutiram pelo mundo. As reportagens o que passou. ficaram entre as mais lidas, em alguns países. O caso dela foi extremo, mas, está longe de ser uma vioÉ estarrecedor imaginar a que ponto pode chegar a mal- lência isolada. dade humana. No Brasil, a cada 2 minutos, uma Ele premeditou absolutamente mulher é agredida em ambiente fatudo. “Ele tentou matá-la de algumas miliar. Alugou a casa, fez estoques de maneiras ardilosas: chegou a comida. A cada 6 minutos, uma mulher é Pretendia passar muito tempo soltar o parafuso das rodas do estuprada. com ela daquela forma. Talvez, o Em média, a cada 5 horas, ocorre carro, para causar algum acidenresto da vida. um feminicídio. Ela virou uma prisioneira sexual. te.” Números que mostram que nosSe não fosse dele, não seria de outro homem. Foi o que o criminoso chesos gritos são abafados. gou a dizer para ela várias vezes. Somos acorrentam e aprisionadas com grades invisíveis a Ele não pensou em nada e ninguém, a não ser em si próponto de até nós desacreditarmos de nós mesmas. prio. Que possamos encontrar, liberdade, sermos ouvidas e Essa mulher já tinha pedido medida protetiva, diante das ameaças e tentativas reais de tirar a vida dela. quebrar as correntes que nos prendem a milênios. E o judiciário de Goiás negou o socorro. Ela “gritou” por ajuda. E o estado virou as costas. Era como se as correntes e máscara estivessem com ela * Renata Dourado é psicanalista e jornalista. Trabalha na há muito tempo, antes do cativeiro. TV Ban Ele tentou matá-la de algumas maneiras ardilosas: chegou a soltar o parafuso das rodas do carro, para causar algum aci- deirantes há mais de 15 anos. Apresenta o Band Cidade, jornal local, que vai ao ar, ao vivo, de Segunda a Sexta, às dente. Colocou uma substância tóxica na água da casa dela, tam- 18h50. Também apresenta o Band Entrevista, que vai ao bém para causar uma tragédia. ar, aos sábados.

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BRASÍLIA

Voos de drones terão restrição temporária na área do Desfile de 7 de Setembro Por PH Paiva Fonte Agência Brasil

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ilotos e proprietários de drones devem ficar atentos às restrições temporárias de voo previstas para a área do Desfile Cívico-Militar de 7 de Setembro, em Brasília. Nos dias 29 de agosto e 7 de setembro, da 0h às 18h, será estabelecida uma Zona de Restrição de Voo, conhecida pela sigla FRZ (Flight Restriction Zone), na região destinada ao evento. Durante os períodos de restrição, ficam proibidos os voos de aeronaves não tripuladas na área delimitada, com exceção dos equipamentos pertencentes aos órgãos de segurança pública e às demais instituições previamente autorizadas. A medida faz parte dos procedimentos de segurança adotados para a realização do evento e busca reduzir riscos para o público, autoridades, equipes que trabalham na área e demais operações realizadas no espaço aéreo. A Zona de Restrição de Voo abrange a área destinada ao desfile cívico-militar e seu entorno imediato, conforme delimitação definida para a operação de segurança. Antes de operar um drone nas datas previstas, o piloto deve verificar se o local pretendido está inserido na área restrita e observar as determinações estabelecidas para o período. A proibição alcança os voos recreativos e profissionais que não tenham autorização específica. Equipamentos utilizados por órgãos de segurança pública e instituições previamente autorizadas poderão operar conforme as regras estabelecidas para a atividade. A realização de voos em desacordo

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com as restrições poderá resultar na adoção de medidas de mitigação e na aplicação das sanções administrativas, civis e penais previstas na legislação. As normas relacionadas à operação de drones envolvem diferentes responsabilidades, desde o cumprimento das regras de tráfego aéreo até cuidados para não colocar em risco pessoas, bens, aeronaves ou a própria segurança pública.

Regras

Entre as legislações aplicáveis estão o Código Brasileiro de Aeronáutica, normas específicas sobre aeronaves não tripuladas e dispositivos relacionados às responsabilidades civil e penal decorrentes de operações irregulares. O Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea) atua nas questões relacionadas ao acesso e uso do espaço aéreo. A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) estabelece regras para a operação das aeronaves, enquanto a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) atua na regulamentação dos equipamentos de radiofrequência. Em áreas ou situações relacionadas à segurança presidencial, também são adotados procedimentos específicos coordenados pela Presidência da República, em articulação com os demais órgãos envolvidos na segurança do evento. Por isso, além das regras gerais aplicáveis à utilização de drones, o operador deve observar restrições temporárias estabelecidas para determinadas regiões, datas e eventos.


BRASÍLIA

Equipe brasiliense fica em 6º em Campeonato Mundial de Canoa Havaiana Por PH Paiva Fonte Correio Braziliense

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o dia 20 a 29 de agosto, atletas de remo do Brasília Paddle Clube participaram do Mundial de Sprint do esporte, com equipes masculina e feminina, em Singapura. O time masculino 40+ conquistou o 6° lugar na competição. A equipe feminina, apesar de não ter vencido, sai com trajetória marcante. Os atletas vencedores são Guilherme Tizen, Ângelo Resende, Ricardo Arruda, Thiago Vasconcelos e Andherson Reis. O competidor Rafael Maia, da base Kaluanã, participou como convidado da equipe no Mundial. Para Rafael Maia, treinador e competidor, a presença das

atletas brasilienses no Mundial representa um momento especial para o esporte da capital. “Muito significativo, porque a gente tá indo com uma Seleção Brasileira totalmente formada por atletas de Brasília. E é a primeira vez que uma equipe 100% de Brasília, feminina, está indo com uma seleção. Isso é um marco para a nossa cidade também”, afirmou o treinador. O esporte tem crescido muito na capital. A Federação de Canoagem Havaiana de Brasília reúne, atualmente, 13 clubes e tem oito anos de existência. Segundo a vice-presidente da entidade, Renata Maffini, cerca de 50 atletas do Distrito Federal estarão no Mundial, classificados a partir do ranking do Campeonato Brasileiro. “Brasília tem se destacado muito nesse cenário nacional. É muito satisfatório para a Federação ver o esporte ganhar essa força toda.”

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BRASÍLIA

TJDFT mantém condenação por cancelamento de plano durante tratamento Por PH Paiva Fonte Jornal de Brasilia

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5o Turma Cível do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT) considerou irregular o cancelamento de um plano de saúde coletivo de beneficiária que realizava tratamento para obesidade mórbida grave e confirmou a condenação das empresas responsáveis pelo serviço ao restabelecimento da cobertura e ao pagamento de indenização por danos morais. Segundo o processo, o plano foi cancelado sob a alegação de inadimplência, mas a dívida era inferior a 60 dias. A beneficiária estava em tratamento contínuo para obesidade mórbida grave, quadro associado a comorbidades, e necessitava de procedimento cirúrgico considerado indispensável para o tratamento da doença. Em primeira instância, o pedido havia sido julgado parcialmente procedente, com determinação de restabelecimento do plano e condenação ao pagamento de indenização por danos morais. As empresas recorreram, alegando legalidade

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da rescisão contratual, inexistência de dano moral e necessidade de revisão da multa fixada para o caso de descumprimento da ordem judicial. Ao analisar os recursos, os desembargadores destacaram que a Lei no 9.656/98 não autoriza o cancelamento do plano de saúde por inadimplência inferior a 60 dias. O colegiado observou ainda que a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (STJ) exige a prévia notificação do beneficiário e impede a rescisão unilateral do contrato durante o tratamento de paciente com doença grave, quando a interrupção da assistência pode comprometer a saúde e a segurança. Para a Turma, a suspensão indevida da cobertura durante o tratamento ultrapassou o mero descumprimento contratual e causou prejuízos que justificam a indenização por danos morais. Assim, o colegiado manteve o reconhecimento da irregularidade do cancelamento, o restabelecimento do plano de saúde, a incidência da multa pelo descumprimento da decisão judicial e a condenação das rés ao pagamento de compensação pelos danos sofridos pela beneficiária. A decisão foi unânime. O processo tramita em segredo de Justiça.


CRÔNICA

A história da primeira biblioteca pública de Brasília Por PH Paiva Fonte Correio Braziliense

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a manhã de 10 de junho de 1961, um caminhão da Divisão de Obras da Novacap — então sob a presidência de Randal Rocha Pombo, bacharel em direito — parou diante de duas casas geminadas nas quadras 707/708, na W3 Sul, onde funcionava a Biblioteca Visconde de Porto Seguro. Três servidores saltaram do caminhão, entraram na biblioteca e deram início a um pavoroso desmonte. Jogaram as estantes, as cadeiras e as mesas no caminhão. Os 6 mil livros foram largados ao relento, nas áreas verdes da quadra. Não houve comunicado prévio, uma justificativa, um ofício ou qualquer formalidade. Apenas a brusca e incivilizada ação. Queriam as casas para algum membro do novo governo de Jânio Quadros. Morria, ali, a primeira biblioteca pública de Brasília. E, com ela, o início do fim do sonho de se fazer da capital da República um centro nacional e inspirador de arte, de educação e de cultura, como desejava a mente luminosa de Anísio Teixeira, tão admirado por JK. A bibliotecária Lola Barrenechea era esposa do artista plástico Félix Barrenechea. O casal peruano havia sido convidado por Israel Pinheiro para construir o que seria o primeiro Centro Cultural da nova capital ainda em construção. Assim, eles receberam do presidente da Novacap, em 1958, duas casas na 707/708, na W3 Sul, onde seria criada a primeira escola-ateliê de arte e a primeira biblioteca pública da cidade, a Biblioteca Visconde de Porto Seguro — uma homenagem a Adolpho Varnhagen.

Em pouco tempo, Félix reuniu, como alunos, algumas dezenas de crianças, entre elas Cildo Meirelles, artista hoje reconhecido no Brasil e no mundo. Diligente, Lola recebeu, para montar o acevo da primeira biblioteca de Brasília, doações de embaixadas, de instituições culturais dos quatro cantos do país, de grandes intelectuais, de outras bibliotecas e de coleções familiares. Em poucos meses, lá estavam, devidamente catalogados, os primeiros 3 mil livros, um mobiliário adequado, uma pequena coleção de obras de arte e algumas apreciáveis centenas de discos. Havia sala de leitura, empréstimos a domicilio, cursos, exposições, disseminação da informação artística e um espaço de convivência. Lola encontrava-se no hospital, para o nascimento da sua filha, enquanto a biblioteca era destruída. Entre a tristeza e a alegria, ela ainda seria destituída da Novacap e devolvida para a Universidade de Minas Gerais, onde era professora.Em 15 de outubro de 1957, Dia do Professor, foi inaugurada, na Candangolândia, a primeira escola de Brasília, o Grupo Escolar nº 1 (em 1966, passou a chamar-se Escola Classe Júlia Kubistchek). Estavam lá, naquela data memorável: JK e dona Sarah; as filhas Maristela e Márcia; dona Júlia Kubistchek; o presidente da Novacap, Israel Pinheiro; o ministro da Educação e Cultura, Clovis Salgado; e os diretores da Novacap, Bernardo Sayão e Ernesto Silva. Projetada por Niemeyer e edificada de forma emergencial (em 20 dias), a primeira escola já nascia com o ideário escolanovista e a orientação técnica do Instituto Nacional de Estudos Pedagógicos, dirigido por Anísio Teixeira. Com uma carga horária de ensino integral e duas turmas — das 7h30 às 15h e das 9h às 17h — a primeira escola de Brasília, além do curriculum clássico (história, português, matemática, ciências e geografia) oferecia, como atividades complementares, iniciação musical, artes plásticas, educação física, atividades de trabalho e de caráter social.

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CO N TO S E M CO N TA- G OTA S

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Por Ângela Beatriz Sabbag

Bernard Shaw e eu

ntediada, entediadíssima, com meus dias sem nenhum Ele combinou de me levar para conhecer um bairro culpropósito, resolvi ir para Dublin para um encontro com tural, o Temple Bar, cujas ruas são de paralelepípedo, e têm Bernard, o Shaw. muitos pubs com música ao vivo. Aproveitei que o encontraria ainda ali. Nem quando eu bebia, a cerveja era minha bebida prediShaw já escrevia peças há anos, antes de fazer seu primeileta, mas querendo aproveitar que a cervejaria mais icônica ro sucesso, Armas e o Homem. Influenciado por Ibsen, procuda ilha, a Guinness Storehouse está justamente localizada em Dublin, marcamos o nosso encontro lá. A cerveja escura e a rou introduzir o realismo em suas obras. No início do Século XX sua reputação como dramaturgo prosa com Shaw certamente clarearam meus pensamentos. Sempre gostei muito de Pigmalião, pois sempre toca a mi- já estava consolidada. nha alma a lapidação de um diamante bruto. O lado polêmico do escritor e A beleza aparecer diante do que dramaturgo era muito potente tamnão parecia crível é de embasbacar bém. Promoveu a eugenia e a requalquer um. Promoveu a eugenia e a reforma forma do alfabeto. Opôs-se Cheguei à cervejaria e ele já estado alfabeto. Opôs-se fortemente va à minha espera. fortemente contra a vacinacontra a vacinação e à religião orgaCavalheiro, um verdadeiro cavação e à religião organizada. lheiro. nizada. Angariou impopularidade ao Estava precisando colocar em declarar sem pudor algum, que conAngariou impopularidade ao prática uma de suas frases mais cosiderava culpados ambos os lados declarar sem pudor algum, nhecidas: “O progresso é impossível pela Primeira Guerra Mundial. sem mudança.” que considerava culpados Imagino o meu aspecto enleMeus dias estavam monótonos, ambos os lados pela Primeira vado ao ouvir seus relatos sobre as e assim, por consequência, eu estava peças, livros, e pensamentos de um Guerra Mundial. sem nenhum projeto que me instimodo geral. gasse. A minha esperança estava focaAntes de sair de Dublin, resolvi da nas palavras de Bernard. dar uma passada pela Catedral de São Patrick, e então entrar Eu não ia pedir uma sugestão para ele, eu precisava ape- e rezar ao menos uma oração no interior da construção. nas observar as ações. George Bernard Shaw, eu prometo retribuir sua gentileza Creio que contemplando seu aspecto polêmico e de ativista político, teria material mais que suficiente para instigar- quando você vier ao Brasil me visitar. -me a promoção de mudanças expressivas no meu itinerário. A conversa estava tão prazerosa que fui bebendo cerveja além do estimado. Aquele homem tinha muita erudição e criatividade. À medida que ia ouvindo pequenos trechos de suas obras meu entusiasmo por George ia aumentando. Silenciosamente eu prometia a mim mesma ler tantos livros que eu não havia lido.

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* Ângela Beatriz Sabbag é bacharel em Direito por graduação e escritora por paixão. Bailarina Clássica, Pianista e Decoradora de Interiores angelabeatrizsabbag e-mail angelabeatrizsabbag@gmail.com


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M O B I L I DA D E

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Paulo César Marques da Silva *

Um à frente, dois atrás

o mês passado tive oportunidade de comemorar cessoras. Documentos oficiais que tramitam no GDF fazem aqui neste espaço o que parecia ser uma auspiciosa menção a estudos e tratativas sobre a solução anunciada no virada de chave na relação entre governantes e téc- mês passado que datam de seis anos atrás. Suponho – embonicos do Distrito Federal: fundamentado em seus próprios ra não tenha provas, apenas convicção – que essa não tenha estudos, o Detran havia alterado a categoria do trecho de sido a primeira iniciativa de tratar com um mínimo de respeivia entra a via L4 Sul e a ponte JK, implicando na imediata to os pedestres e usuários de transporte coletivo que transiredução do limite de sua velocidade, e anunciado a instala- tam por ali. Mesmo assim, a governadora alegou açodamenção de semáforos atuados por pedestres para proporcionar to do Detran para agir como agiu, mantendo as condições de segurança nos pontos mais usados para a travessia. Volto ao indignidade e insegurança sabe-se lá assunto agora para lamentar a volta por quanto tempo mais. ao status quo ante. O post da governadora gera “Pedi que o órgão de trânsito Como era de certo modo espeduas ordens de indignação. Eis sua realize novos estudos para rado, o anúncio feito em julho pelo íntegra: “Depois de ouvir inúmediretor de engenharia do Detran ras reclamações, determinei que o outras alternativas para desencadeou uma série de reações suspenda e instalação de garantir a segurança e o fluxo Detran na mídia e nas redes sociais, entre as três semáforos nos dois sentidos, quais ganharam destaque as conhede veículos”. Primeiro há o na Ponte JK. Pedi que o órgão de cidas visões catastrofistas de condutrânsito realize novos estudos para negacionismo (olha o trumtores, invariavelmente sem qualquer outras alternativas para garantir a pismo aí de novo!) que a leva fundamentação na realidade. Como segurança e o fluxo de veículos”. também já nos acostumamos a ver, Primeiro há o negacionismo (olha a desautorizar servidores as vozes menos ouvidas pelos veícuo trumpismo aí de novo!) que a leva técnicos para dar ouvidos a los convencionais de comunicação a desautorizar servidores técnicos foram as das pessoas que são subinterlocutores que ela não para dar ouvidos a interlocutores metidas ao risco diário de realizar que ela não identifica. Depois há a identifica.” travessias sem o mínimo de segurandeterminação de que “outras alterça. nativas” devem ser buscadas – claEis que, de repente, na tarde do ramente, para ela os semáforos são inaceitáveis. dia 11 de agosto, a governadora Celina Leão publica nas reConsola-nos que, ao menos até agora, a redução da vedes sociais – parece que Donald Trump anda fazendo escola locidade esteja mantida. Mas é muito triste ver triunfarem o por aqui – sua decisão de suspender a instalação dos semá- desrespeito aos fundamentos técnicos e a opção preferencial foros na via JK e mandar o Detran fazer novos estudos para pela carrocracia em detrimento da cidadania. solucionar o problema. Nunca é demais lembrar que se trata de um problema que já vai fazer 24 anos, pois a ponte JK e seus acessos foram desenhados em plena era Roriz – aque* Paulo Cesar Marques da Silva é professor da área de le governador que chamava seus viadutos monumentais de Transportes da Faculdade de Tecnologia da Universitrânsito inteligente – e as pessoas a pé ou de bicicleta nunca dade de Brasília e pesquisador do Observatório das foram consideradas no projeto. Metrópoles. Possui graduação em Engenharia pela Se é verdade que pessoas fora de carros não estavam no Universidade Federal da Bahia, mestrado pela Uniprojeto original, não se pode dizer que nunca estiveram nas versidade Federal do Rio de Janeiro e doutorado pela preocupações de técnicos do Detran e da Semob e suas ante- University College London.

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J U ST I Ç A

Eleições 2026: saiba o que é permitido e proibido no dia da votação

Por Rócio Barreto Fonte Agência Brasil

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om a proximidade do primeiro turno das Eleições 2026, em 4 de outubro, muitos eleitores se perguntam sobre o que podem e o que não podem fazer antes e durante a votação. Para orientá-los, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) formulou o Manual do Eleitor, que reúne em um único documento um resumo explicativo das principais normas e orientações para os cidadãos e cidadãs exercerem seu direito ao voto. O manual é fruto da Resolução no 23.759 que o TSE publicou em março deste ano. Dedicada exclusivamente à participação popular no processo eleitoral, a norma reúne, em 13 capítulos, o conjunto de regras que balizam as eleições. “São orientações práticas sobre o exercício do voto, como a necessidade de apresentação de documento oficial com foto e a proibição do ingresso com aparelho celular na cabine de votação”, explicou o presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, ao apresentar o manual, em junho. Para Marques, a publicação facilita a consulta às informações necessárias ao exercício consciente do voto e ao fortalecimento da cidadania. A votação ocorrerá em todo o Brasil, das 8 horas às 17 horas (horário de Brasília). O segundo turno, se houver, será realizado no dia 25 de outubro. Cada eleitor votará em um candidato a deputado federal, estadual (distrital no caso do Distrito Federal) e em dois candidatos ao Senado, além dos votos para presidente da República e governadores, bem como seus respectivos vices.

Confira, abaixo, alguns itens obrigatórios, permitidos ou proibidos: . O voto é obrigatório a partir dos 18 anos e facultativo para jovens de 16 e 17 anos; maiores de 70 anos e analfabetos. Mas atenção: quem está com o título de eleitor cancelado não pode votar . Para votar, é obrigatório apresentar um documento oficial original, com foto (RG; CNH; passaporte etc) . O eleitor cujo título eleitoral estiver em situação regular pode votar mesmo que não tenha coletado a biometria . Pessoas transgênero têm o direito de ter sua identidade de gênero e nome social respeitados no cadastro eleitoral . É proibido colar propaganda eleitoral em veículos particulares, exceto adesivos microperfurados até a extensão total do para-brisa traseiro e, em outras posições, adesivos até a dimensão máxima fixada . Eleitoras e eleitores que não estiverem em seu domicílio eleitoral no dia do pleito têm direito a votar em trânsito nas capitais e nos municípios com eleitorado superior a cem mil habitantes, mas o prazo obrigatório para pedir a transferência temporária terminou em 20 de agosto No dia da eleição . É proibido ingressar na cabine de votação com aparelhos de telefone celular, que devem ser deixados em local indicado pelos mesários . O eleitor pode levar os nomes e números de registro de seus candidatos anotados em um papel e utilizá-lo na hora de votar . Todo eleitor tem direito, conforme a necessidade, a se ausentar do serviço pelo tempo necessário para votar, sem sofrer descontos salariais ou qualquer outro prejuízo.

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Fotos: Divulgação

E N T R E V I STA

Música, frequências e bem-estar: a pesquisa por trás de “Sons de Cura II” Por Paola Zambianchi

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novo álbum de Márcio Scialis, “Sons de Cura II”, propõe uma experiência musical que vai além da escuta convencional. Com sete faixas instrumentais, o trabalho transita entre a World Music e a New Age e reúne elementos como frequências, escalas, harmonias, melodias e ritmos desenvolvidos a partir da pesquisa e da experiência terapêutica do músico e especialista em neuroacústica. A proposta é explorar as possibilidades da música como ferramenta associada ao relaxamento, ao bem-estar e ao equilíbrio físico e emocional. À frente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas do Som (INEPS) e autor de 25 livros sobre educação, música e terapias, Scialis reúne em sua trajetória diferentes áreas de atuação, como pedagogia, musicoterapia, psicanálise, neuropsicopedagogia e arte-educação. Em “Sons de Cura II”, parte dessa experiência é transformada em uma obra essencialmente sonora, enquanto o livro Sons de Cura, previsto para setembro, apresenta conceitos e técnicas relacionados à forma como a música pode atuar no organismo nos aspectos

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fisiológico e cognitivo. A relação entre som, cérebro, emoções e corpo é o ponto central dessa investigação. Para Scialis, o álbum funciona como uma espécie de aplicação prática das pesquisas apresentadas no livro: se a publicação explica os mecanismos e conceitos, o disco busca proporcionar ao ouvinte uma experiência baseada nesses princípios. Conversamos com o músico sobre a criação do álbum, o papel das frequências e os limites e possibilidades da música como ferramenta voltada ao bem-estar. 1. O que diferencia uma música criada especificamente com uma finalidade de bem-estar de uma composição instrumental convencional? Que elementos precisam ser considerados nesse processo? MARCIO SCIALIS: As músicas populares de entretenimento, sejam instrumentais ou não, possuem uma intenção artística, uma poética que acompanha sua produção pela intenção do estilo que faz parte. As músicas que são produzidas com a intenção da regulação emocional e do reequilíbrio físico, possuem frequências subliminares, escalas musicais,


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2. Você menciona o uso de frequências específicas, escalas, harmonias, melodias e ritmos. Como esses diferentes elementos são escolhidos e combinados durante a criação de uma faixa? MARCIO SCIALIS: Falando especificamente do álbum Sons de Cura II, a escolha dos elementos em cada faixa seguiu um critério “de baixo para cima”, considerando que o ouvinte é conduzido de um estado emocional e físico com padrões básicos, que caminha para o mais elevado em relação à complexidade, essa condução se chama entrainment. A intenção deste álbum é conduzir o ouvinte a uma experiência de apreciação que evolui, faixa a faixa. 3. O álbum incorpora sons relacionados à natureza e até mesmo à rotação dos planetas. O que esses sons representam dentro da proposta de Sons de Cura II e como eles são incorporados musicalmente às composições? MARCIO SCIALIS: A percepção de sons que nos rodeiam, como a rotação do nosso planeta, é naturalmente impossível, por nossa limitação auditiva, mas através de ferramentas, podemos traduzir essas frequências. Ao inserir um som como esse em uma faixa, apresento o som puro, sozinho, depois ele se mistura com a instrumentação no decorrer da música, dando sentido e forma. A intenção é fazer perceber esses sons, como o fogo, a chuva, o vento, somando à poética musical que trago em cada faixa.

4. Quando falamos em neuroacústica, estamos tratando justamente da relação entre o som e o funcionamento do cérebro. O que acontece no organismo quando ouvimos determinados padrões sonoros? MARCIO SCIALIS: Nosso corpo é um grande sistema de padrões, como o batimento cardíaco, as ondas cerebrais, a digestão... Sincronizar trechos de ritmos, escalas e harmonias a esse grande sistema, analisando o ponto de partida e onde queremos chegar, é a função da neuroacústica. Acalmar significa tornar a frequência cerebral, a respiração e os batimentos cardíacos mais lentos, conduzir a mente a um estado lúdico, imaginativo, poético, artístico, interpretativo, de bem estar, fazendo visualizar aquilo que traz alívio para cada pessoa. Tudo isso é encontrado facilmente em uma obra musical, sob o olhar clínico. Resultados diferentes podem acontecer, de acordo com a música e com o ouvinte. Para isso, estudamos a fisiologia do corpo humano, as funções e processos cerebrais e o comportamento humano. 5. A proposta do álbum está relacionada ao relaxamento e ao bem-estar e você também cita sua possível associação a terapias e outras técnicas. Como a música pode atuar como recurso complementar em situações de estresse ou burnout? MARCIO SCIALIS: Ao ouvirmos uma música, somos levados a um universo particular. Cada pessoa teve inúmeras experiências de bem estar e de instabilidade emocional. Essa música “de rádio” produziu uma emoção diferente em cada um de nós, ao ser ouvida, como o primeiro beijo, um fracasso financeiro, um momento

Fotos: Divulgação

padrões rítmicos e melódicos, timbres e outras minúcias que conduzem a mente e o corpo à homeostase, ao bem estar. É claro que o repertório para o bem estar também inclui canções populares, mas surtem resultados diferentes das terapêuticas, pois dependem da memória afetiva de quem as escuta.

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6. Existe uma frequência, escala ou combinação de sons que possa ser considerada universalmente relaxante, ou a resposta à música depende também da história, da cultura e das características individuais de cada ouvinte? MARCIO SCIALIS: Depende de cada ouvinte, mas não deixamos de considerar o que é da natureza humana, como o fato de que 60, 65, 70 batimentos por minuto indicam um estado de relaxamento, o que é comum a todos nós. Uma música com essa velocidade tende a conduzir nossos batimentos e induzir ao relaxamento. Batidas graves e espaçadas nos relembram os batimentos calmos da mãe, no ventre materno, trazendo aconchego e serenidade. Esses elementos, somados à proposta do tema musical, são a combinação perfeita. 7. O livro Sons de Cura apresenta os conceitos e técnicas que estão na base da sua atuação, enquanto o álbum transforma parte dessa pesquisa em experiência sonora. O que você queria que o público compreendesse ou experimentasse ao ouvir o disco depois de conhecer o livro?

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Fotos: Divulgação

político, a conclusão de um curso. Em consultório, relacionamos as associações mentais que um consulente traz consigo e armazenamos em uma pasta que será acessada sempre que se desejar retomar o sentimento associado. Essa é apenas um exemplo simples da utilização de uma obra popular. No álbum Sons de Cura II, apresento músicas instrumentais e sem parte principal, o que estimula o ouvinte a sentir a música como um todo, sem se preocupar com o próximo verso, a próxima parte. Isso desvia a atenção do estresse para novos momentos, trazendo uma distração benéfica.

MARCIO SCIALIS: O livro e o álbum têm independência, mas são interligados pelo tema. Não posso negar que o meu desejo é que conheçam os dois, trazendo questões científicas, histórico-culturais, fisiológicas e aplicações terapêuticas ao conhecimento de todos, apresentando o disco como resultado da minha expertise, das vivências em consultórios, escolas e, por que não, as minhas experiências particulares. Unir a arte à ciência é um ideal antigo, desde criança. Ao ser questionado pela minha professora de artes, na antiga quinta série escolar, enquanto todos falavam de profissões conhecidas, eu mandei um “alquimista” ... Para completar a cena, a professora pegou o dicionário e leu para todos a definição, que entre outras, citava a produção de elixires e fórmulas mágicas. Acredito que me tornei um alquimista do som, usando a ciência comprovada e a arte musical, longe do misticismo infundado.


ECO N O M I A

Crescimento populacional caiu para 0,37% em 2026, estima IBGE Por Ana Luíza Silva Fonte Agência Brasil

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população estimada do Brasil atingiu 214,2 milhões de pessoas no dia 1o de julho deste ano, de acordo com o estudo Estimativas da População, divulgado nesta sexta-feira (28) pela editoria de Estatísticas Sociais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O ritmo de crescimento da população é cada vez menor, destaca o estudo. A expansão populacional do país foi de 0,37% em relação ao ano anterior, mostrando queda em comparação ao período 2024/2025, quando atingiu 0,39%. População por regiões 41,6% estão no Sudeste: 89 milhões de pessoas; 26,8% no Nordeste: 57,4 milhões; 14,7% no Sul: 31,5 milhões; 8,8% no Norte: 18,9 milhões; 8,1% no Centro-Oeste: 17,4 milhões de pessoas. Estados mais populosos São Paulo tem 21,6% da população brasileira: 46,1 milhões de habitantes; Minas Gerais, 10%: 21,5 milhões; Rio de Janeiro, 8,0%: 17,2 milhões. No sentido inverso, as três menores unidades da federação em termos populacionais estão na Região Norte e apresentam menos de 1 milhão de habitantes cada uma: Acre, com 887,8 mil pessoas (0,41% da população total do Brasil); Amapá, com 809,9 mil pessoas (0,38%); e Roraima, 761 mil pessoas (0,36%). Cidades mais populosas São Paulo (SP): 11.911.337 de pessoas; Rio de Janeiro (RJ): 6.731.133; Brasília (DF): 3.009.996 pessoas; Fortaleza (CE): 2.582.360 habitantes; Salvador (BA): 2.559.945 moradores. Juntos, os cinco municípios somam 26.794.771 pessoas, ou o correspondente a 12,5% da população brasileira.

O estudo mostra ainda que os cinco municípios menos populosos são: Serra da Saudade (MG), com 857 habitantes; Anhanguera (GO), com 906 pessoas; Borá (SP), com 935 moradores; Araguainha (MT), com 989 habitantes; e Nova Castilho (SP), com população estimada em 1.070 pessoas. Da lista dos 15 municípios brasileiros com mais de 1 milhão de habitantes, apenas Guarulhos, com 1.351.284 habitantes, e Campinas, 1.189.761 moradores, ambos no estado de São Paulo, não são capitais estaduais. Quatro em cada dez municípios do país (44,3%) têm até 10 mil habitantes. Essas 2.467 cidades somam 6% da população brasileira 12,8 milhões de pessoas. As 27 capitais da Federação concentram população de 49,4 milhões de habitantes, o equivalente a 23,1% da população total. As capitais menos populosas são Palmas (TO), com 333.154 pessoas; Vitória (ES), 343.935 habitantes; e Rio Branco (AC), com estimativa de 390.038 moradores. Crescimento da população Boa Vista (RR) aparece como a capital com maior taxa de crescimento no período 2025-2026, com +3,2%. Por outro lado, as capitais que apresentam queda da população em relação às estimativas de 2025 são Salvador (-0,17%), Natal (-0,13%), Belém (-0,08%) e Belo Horizonte (-0,02%). Segundo o IBGE, as maiores taxas de crescimento populacional foram registradas nos estados de Roraima, Santa Catarina e Mato Grosso: 3,01%; 1,54% e 1,46%, respectivamente. Esses foram, também, os únicos estados a apresentarem valores superiores a 1%. Já as menores taxas foram observadas nos estados do Rio de Janeiro (0,01%), Alagoas (0,01%) e Rio Grande do Sul (0,00%).

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CO M P O RTA M E N TO

Wilson Coelho*

Votar: a faculdade de pensar antes de obedecer

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mundo está saturado de informação e, paradoxal- para esses processos amadurecerem. Ela não demoniza a tecmente, cada vez mais vulnerável à ignorância orga- nologia. Propõe formar um cérebro biliterado, capaz de usar nizada. Este é o cenário para as eleições brasileiras o digital e pensar em profundidade. de outubro. Michel Desmurget, por sua vez, reúne estudos para asA frase atribuída a Marco Aurélio em Meditações, “Tudo sociar a expansão do tempo de tela à erosão do tempo deso que ouvimos é opinião, não fato; tudo o que vemos é pers- tinado à leitura e a efeitos sobre linguagem, concentração e pectiva, não verdade”, traz uma advertência real. O estoicis- desempenho escolar. Suas conclusões pedem debate, mas o mo não autoriza o relativismo preguiçoso. Ele exige disciplina alerta central é inescapável: uma sociedade que troca leitura sobre os próprios juízos. sustentada por estímulos incessantes empobrece seu vocaO ambiente digital foi na contramão. Transformou a bulário político. perspectiva, o início da investigação, em dogma identitário, e É nesse déficit de atenção que prosperam os aproveitaconverteu opinião, que deveria admitir revisão, em senha de dores de plantão. Eles não precisam demonstrar, basta repertencimento tribal. petir. Não precisam explicar uma O resultado é um mundo no qual crise fiscal, climática ou social, bas“Sem esse treino, a compleconvicções são exibidas antes de seta nomear um culpado. A fome de rem examinadas. Um vídeo de quinsíntese é legítima, mas o mercado xidade parece suspeita e a ze segundos oferece uma tese pronpolítico a degrada em simplificação resposta imediata assume ta, um inimigo reconhecível e uma fraudulenta. a aparência de inteligência. indignação instantânea. Em seguida, O eleitor sem prática de seo algoritmo recompensa a certeza, guir um argumento se torna mais O cinzento da realidade é não a precisão. exposto à narrativa que promete substituído pelo conforto A dúvida, que para os antigos era resolver tudo por uma palavra de ferramenta de conhecimento, passa ordem: corrupção, comunismo, famoral do bem contra o mal, a ser tratada como fraqueza moral. A mília, liberdade. Palavras reais, proda explicação total contra a verdade deixa de ser uma tarefa coblemas reais, usadas como chaves mum, e se torna propriedade privada falsas para abrir qualquer porta. análise.” de grupos que confundem identidaA resposta não é um moralismo de com razão. A eleição, então, não superior, nem a nostalgia impossícorre apenas entre programas de governo, ela se dá entre vel de uma era pré-digital. É reconstruir hábitos de atenção. capacidades muito distintas de perceber a realidade. Ler textos que resistam à confirmação imediata, comparar A crise da leitura não é um saudosismo de biblioteca. É fontes, suportar a demora de uma conclusão, ensinar a recouma crise de formação do juízo. Ler um livro, um ensaio ou nhecer como uma narrativa fabrica medo, seleciona fatos e uma reportagem obriga o leitor a sustentar atenção, acom- transforma adversários em ameaças existenciais. panhar uma sequência argumentativa, tolerar ambivalências A leitura não é ornamento cultural. Ela é a infraestrutue identificar o mote, a tese que organiza partes aparentemen- ra de cidadania que devolve ao indivíduo a capacidade de te dispersas. Sem esse treino, a complexidade parece suspeita não ser conduzido apenas pelo impulso que o feed decidiu e a resposta imediata assume a aparência de inteligência. O ativar. cinzento da realidade é substituído pelo conforto moral do bem contra o mal, da explicação total contra a análise. Maryanne Wolf sustenta que a leitura profunda mobiliza * Wilson Coelho é especialista em Políticas públicas inferência, empatia, analogia, exame de evidências e análise de Saúde pela UNB, e Informática em Saúde pelo crítica. A leitura por varredura não oferece tempo suficiente IEP-HSL.

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MEIO AMBIENTE

Imazon aponta desmatamento zero em 60% de terras indígenas na Amazônia Por PH Paiva Fonte Agência Brasil

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e agosto de 2025 a julho de 2026, o Sistema de Alerta de Desmatamento (SAD) do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon) aponta que 60% das terras indígenas (TI) na Amazônia registraram desmatamento zero. No período, o desmatamento na região alcançou uma área de 2.702 km2. Do total de área desmatada no bioma, apenas 1,7%, o equivalente a 46,96 km2, foram registrados dentro de terras indígenas. A área desmatada alcançou apenas 40% dos territórios de povos originários e em parcelas, na sua maioria, inferiores a 1 km2. Segundo o Imazon, os números reforçam a “importância dessas terras e de seus povos para a proteção da biodiversidade, manutenção das chuvas e controle das mudanças climáticas”. De acordo com os dados do instituto, os territórios com maiores áreas desmatadas foram a TI Cachoeira Seca, no Pará, que perdeu 4,44 km2 no período, seguida da TI Andirá-Marau (AM/PA), com uma área afetada de 2,83 km2, e TI Porquinhos dos Canela-Apãnjekra, no Maranhão, com 2,53 km2 desmatados. Dentro das unidades de conservação da Amazônia, o desmatamento representou 9% do total do bioma, o equivalente a 239,76 km2. Entre as áreas protegidas mais desmatadas no bioma estão a APA Triunfo do Xingu (PA), que perdeu 90,87 km2 de vegetação nativa, seguida da Flona de Altamira (PA) e da Resex Chico Mendes, no Acre, que tiveram, respectivamente, 25,96 km2 e 17,24 km2 desmatados.

Estados

Em números gerais, os estados mais atingidos foram o Pará, Mato Grosso e Amazonas, com perdas de 818 km2, 565 km2 e 495 km2, respectivamente. A pesquisadora do Imazon Manoela Athaide ressalta que apesar de figurarem entre os que mais desmatam, os três estados apresentaram uma diminuição no desmatamento na comparação com o calendário do ano anterior. “Por possuírem os maiores territórios, esses estados estão com frequência entre os três que mais desmatam, alternando as colocações ao longo dos anos”, destaca

Histórico

Em relação a série histórica, iniciada em 2007, o calendário deste ano apresentou o menor índice de desmatamento para a Amazônia dos últimos 11 anos. Na comparação com agosto de 2024 e julho de 2024, quando houve desmatamento de 3.503 km2, a redução foi de 23%. O Sistema de Alerta de Desmatamento também monitora as áreas degradadas na Amazônia afetadas por fogo ou extração seletiva de madeira, onde parte da vegetação nativa permanece, mas há prejuízo ao funcionamento dos ecossistemas. De agosto de 2025 a julho de 2026, a Amazônia teve 2.577 km2 de área degradada, o que representou uma queda de 93% na comparação com o calendário anterior, quando o bioma teve 35.229 km2 degradados.

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MEIO AMBIENTE

Brasil cria plano para emergências na saúde por mudanças climáticas Por Rócio Barreto Fonte Agência Brasil

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Brasil desenvolveu o Plano de Preparação e Resposta a Emergências em Saúde Pública associadas ao El Niño 2026-2027, o Plano Setorial de Saúde – AdaptaSUS, com estratégias que reúne medidas voltadas à preparação do setor de saúde, diante dos impactos das mudanças climáticas. O El Niño é um fenômeno climático natural que se caracteriza pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial, o que resulta em mudanças de ventos e chuvas em todo o mundo. O plano destaca que os impactos sobre a saúde humana devido às mudanças do clima se tornam cada vez mais evidentes. O documento foi apresentado pelo Ministério da Saúde, na quarta-feira (26), durante a 7o Assembleia do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass), em Brasília.

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O Ministério da Saúde destaca que as situações de mudanças climáticas exigem respostas integradas, sensíveis às desigualdades e orientadas pela justiça climática e equidade, uma vez que as comunidades em situação de vulnerabilidade socioambiental, especialmente aquelas com menor acesso a serviços de saúde, são desproporcionalmente mais afetadas. O entendimento é que é preciso compreender como fatores socioeconômicos, políticas públicas desiguais e comportamentos culturais influenciam as condições de saúde para, então, adotar as medidas eficazes para a redução das desigualdades. O Plano Setorial de Saúde - AdaptaSUS tem a missão de estabelecer estratégias de adaptação na esfera federal de gestão do SUS para reduzir os impactos da mudança do clima na saúde das pessoas e nos serviços de saúde e definir diretrizes para orientar a atuação de estados e estadual e municípios. A preparação para os possíveis impactos do fenômeno está organizada em cinco eixos:


MEIO AMBIENTE . Governança federativa, com Sala de Situação de Emergências Climáticas; . Governança interna, por meio da Sala de Situação Saúde e Clima; . Recursos e kits emergenciais de assistência farmacêutica; . Atuação da Força Nacional do SUS (FN-SUS), com bases regionais capazes de deslocar equipes em até 48 horas; . Organização de serviços e protocolos técnicos de acordo com as características de cada bioma. No médio prazo, o Plano Setorial de Saúde – AdaptaSUS estabelece 27 metas e 93 ações até 2035. Entre as ações relacionadas à segurança hídrica em áreas sujeitas à seca e à estiagem, a Fundação Nacional de Saúde (Funasa) contratou 18,8 mil cisternas, em 397 municípios de sete estados, com aporte de R$ 226,6 milhões destinado a unidades de melhoria sanitária.

Ferramentas

Entre as ferramentas utilizadas para o monitoramento do clima estão o Painel Nacional de Excesso de Calor, o Vigilância em Saúde de Populações Expostas a Poluentes Atmosféricos (VigiAR) e o GeoRisk do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden). O AdaptaSUS ainda conta com os Centros de Informação em Saúde e Clima (Cisc), projeto-piloto desenvolvido em oito cidades das cinco regiões do país. A estratégia também prevê a integração dos sistemas oficiais do Ministério da Saúde usados para detecção precoce, registro, monitoramento e investigação de surtos e outros problemas de saúde pública no Brasil (e-SUS Notifica, Sivep-Gripe e Sinan).

Na Amazônia, a preparação considera ainda a organização da rede de atenção e a estrutura disponível para atendimento às populações em áreas de difícil acesso, incluindo equipes de saúde e Unidades Básicas de Saúde Fluviais (UBSF). O planejamento define que o Ministério da Saúde também institua um painel de especialistas em clima e saúde, com a função de subsidiar tecnicamente as decisões relacionadas à preparação e à resposta aos impactos dos eventos climáticos. O risco da mudança do clima para a saúde envolve a ocorrência de óbitos, traumas, aumento de doenças, o comprometimento na prestação dos serviços de saúde, destruição da infraestrutura e até as emergências de saúde pública. Entre os principais efeitos diretos na saúde estão: . as doenças associadas a extremos de temperatura (calor e frio); . doenças transmitidas pelo acesso inadequado à água, saneamento e higiene doenças transmitidas por vetores e zoonoses; . doenças respiratórias; . doenças associadas à poluição atmosférica; . lesões e mortalidade por eventos climáticos extremos; . desnutrição e doenças não transmissíveis, saúde mental e psicossocial. Além das alterações nos padrões das doenças, as mudanças climáticas ainda podem impactar o sistema de saúde com a ampliação das demandas nos serviços de saúde; a emergência em saúde pública; o comprometimento ou interrupção da prestação dos serviços em estabelecimentos de saúde.

El Niño

No Brasil, até 2027, o fenômeno climático El Niño está classificado como “forte” e pode atingir o patamar “muito forte” já em setembro deste ano. A previsão é que a janela crítica ocorrerá no período entre outubro deste ano e março de 2027. Os efeitos do fenômeno variam de acordo com a região do país: . seca, estiagem e queimadas no Norte e Centro-Oeste; . aprofundamento da seca e calor no Nordeste; . clima mais irregular, com ondas de calor e temporais mail distribuídos no Sudeste.

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TURISMO

Para além do inverno, Serra Catarinense é destino para ir o ano todo Por Ana Luiza Silva Catraca Livre

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om aproximadamente 16 mil km² —o equivalente a 17% do território de Santa Catarina—, a Serra Catarinense vai além da fama de destino de inverno e consolida-se como uma das regiões mais plurais do sul do país. Formado por 18 municípios reunidos pela Associação dos Municípios da Serra Catarinense (Amures), o território combina força econômica, diversidade cultural e um patrimônio natural marcado por cânions, cachoeiras, campos de altitude e matas de araucárias. Para além dos atrativos do turismo rural e de aventura, a região ostenta uma matriz econômica robusta. A produção local é impulsionada pela agropecuária, fruticultura, indústria de alimentos e bebidas, silvicultura e processamento de madeira e celulose, engrenagens que garantem dinamismo econômico ao longo de todo o ano. Para compreender a amplitude dessa geografia e as particularidades de suas vocações locais, a reportagem dividiu o território em três grandes áreas. Embora não formem uma regionalização administrativa oficial, esse recorte permite explorar as identidades, as paisagens e as potencialidades turísticas que definem cada canto da serra.

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Região dos Lagos

No extremo sul da Serra, encontra-se a chamada Região dos Lagos, formada especialmente pelos municípios de Anita Garibaldi, Campo Belo do Sul, Capão Alto e Cerro Negro. A identidade dessa área está fortemente relacionada aos grandes reservatórios formados pela implantação de empreendimentos hidrelétricos. A partir dessa transformação da paisagem, surgiu também uma nova possibilidade de aproveitamento turístico e econômico dos lagos, com iniciativas voltadas ao planejamento e à estruturação do chamado Parque dos Lagos. O projeto reúne cerca de 3.500 km² e nasceu justamente da percepção de que os reservatórios poderiam ser transformados em ativos para o desenvolvimento regional. É uma região com forte vocação para o turismo de natureza, pesca, lazer náutico, turismo rural, gastronomia, experiências no campo e atividades ligadas à contemplação das paisagens. Ao lado disso, possui expressiva produção agropecuária e espaço para novos investimentos em infraestrutura turística, hospedagem, gastronomia e experiências vinculadas ao meio rural. O lugar fortemente trabalhado pela Agência de Desenvolvimento da Região dos Lagos (ADREL) representa, por-


TURISMO tanto, uma Serra ainda pouco explorada em todo o seu potencial turístico. É uma área estratégica para a diversificação da oferta turística catarinense, especialmente por apresentar uma paisagem diferente daquela tradicionalmente associada aos cânions e às altas montanhas.

Região Central

No coração da Serra Catarinense está a região que tem Lages como principal centro urbano e econômico, articulando os municípios de Bocaina do Sul, Correia Pinto, Lages, Otacílio Costa, Painel, Palmeira, Ponte Alta e São José do Cerrito. Lages exerce papel de polo regional, concentrando comércio, serviços, educação, saúde, eventos, logística e atividades empresariais que atendem não apenas ao município, mas a uma extensa área do território serrano. É também uma região marcada pela força do agronegócio, da pecuária, da madeira, da silvicultura, da indústria e do turismo rural. A própria história de Lages está profundamente relacionada à atividade tropeira, à criação de gado e à cultura do campo, elementos que permanecem presentes na identidade regional. Nesse território, encontra-se uma combinação importante entre economia tradicional e novas oportunidades. A produção agropecuária convive com empreendimentos industriais, serviços especializados, eventos, gastronomia, turismo de experiência, cicloturismo e propriedades rurais abertas à visitação. Lages também funciona como uma espécie de porta de entrada e centro de distribuição de visitantes para diferentes destinos serranos. A criação de novas rotas turísticas reforça essa integração. Um exemplo é a Rota do Cicloturismo da Serra Catarinense, ainda em

fase embrionária, que irá conectar Lages a Bocaina do Sul, Rio Rufino, Bom Retiro, Urupema, Urubici, Bom Jardim da Serra, São Joaquim e Painel, em um percurso de aproximadamente 600 quilômetros. Assim, a região central possui papel fundamental na estratégia de desenvolvimento da Serra: é onde se encontram a força econômica, a infraestrutura urbana e de serviços e uma ampla base para a conexão entre os diferentes destinos turísticos.

Região de Altitude

No setor de maior altitude da Serra Catarinense estão Bom Jardim da Serra, Bom Retiro, Rio Rufino, São Joaquim, Urubici e Urupema. É a região que mais projetou a Serra Catarinense no cenário nacional quando o assunto é frio, neve, paisagens de montanha e turismo de natureza. São Joaquim, Urupema, Urubici e Bom Jardim da Serra formam um dos principais corredores turísticos da região, reunindo atrativos como a Serra do Rio do Rastro, o Morro da Igreja, a Pedra Furada, cânions, cachoeiras, campos de altitude, trilhas e mirantes. A altitude também criou condições para o desenvolvimento de uma atividade que transformou a economia e a imagem da região: a vitivinicultura de altitude. Vinícolas, experiências enogastronômicas, hospedagens diferenciadas e restaurantes passaram a integrar uma nova cadeia econômica, atraindo visitantes interessados não apenas no frio, mas também em vinho, gastronomia, cultura e experiências.

Experiência integrada

Estudos sobre o turismo regional apontam Urubici, Lages, Urupema, São Joaquim e Bom Jardim da Serra entre os municípios mais visitados da Serra Catarinense. O levantamento também destaca atrativos como o Morro da Igreja, em Urubici; o Morro das Antenas e a Cachoeira que Congela, em Urupema; a Vinícola Villa Francioni, em São Joaquim; e o Mirante da Serra do Rio do Rastro, em Bom Jardim da Serra.

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TURISMO

Areia branca e piscinas flutuantes: o paraíso que está conquistando seus visitantes com paisagens lindas Por Ana Luiza Silva Catraca Livre A Praia Fluvial de Albergaria dos Fusos, no Alentejo Central, em Portugal, parece deslocada do cenário normalmente associado ao interior do país. Às margens de uma albufeira, o destino reúne areia clara, águas tranquilas, piscinas flutuantes e paisagem marcada por sobreiros e azinheiras. A estrutura recente transformou o local em alternativa para quem procura banho, natureza e atividades ao ar livre longe das praias oceânicas.

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Onde fica esse paraíso de areia branca no interior de Portugal? A praia fluvial está localizada perto de Vila Ruiva, no concelho de Cuba, em pleno Alentejo. O espaço integra o Ecopark do Alentejo Central e aproveita as águas da albufeira para criar uma área balnear estruturada em uma região conhecida pelo verão quente e pela paisagem rural. Em vez de ondas e mar aberto, o visitante encontra água calma e uma faixa de areia preparada para lazer. A combinação permite passar praticamente o dia inteiro no local sem depender apenas do banho. Praia de água doce no interior do Alentejo;


TURISMO Faixa de areia branca junto à albufeira; Paisagem cercada pelo típico montado alentejano; Áreas de sombra para os dias mais quentes; Estrutura voltada para famílias e atividades ao ar livre. Por que as piscinas flutuantes chamam tanta atenção? As piscinas flutuantes são o elemento mais incomum do projeto. Instaladas diretamente sobre a água, elas criam zonas delimitadas para banho, incluindo espaços pensados para adultos e crianças. Vistas da margem, parecem piscinas convencionais colocadas no meio do lago, criando uma imagem que rapidamente se tornou uma das marcas do destino. O que é possível fazer além de entrar na água? A visita não se limita às piscinas. O entorno foi planejado para aproveitar o lago e a vegetação do Alentejo, com possibilidades de atividades náuticas e percursos em contato com a natureza. Isso transforma a praia em uma opção tanto para quem quer descansar quanto para quem prefere permanecer ativo. Praticar canoagem; Usar stand up paddle; Explorar trilhas na paisagem do montado; Observar aves da região; Praticar esportes de areia; Aproveitar restaurante e áreas de descanso. Qual é a melhor época para conhecer Albergaria dos Fusos? O verão europeu é o período em que a praia fluvial ganha mais movimento, especialmente durante a época balnear, quando a estrutura funciona de forma mais completa e há vigilância

da área de banho. As altas temperaturas do Alentejo ajudam a explicar por que junho, julho, agosto e setembro concentram grande parte da procura. Dias de semana tendem a ser mais tranquilos; Fins de semana de verão recebem maior movimento; As horas centrais do dia podem registrar calor intenso; Protetor solar, água e proteção contra o sol são importantes; Vale confirmar previamente o funcionamento das estruturas na data da viagem. A praia mostra um lado do Alentejo que muita gente não espera encontrar Albergaria dos Fusos também ganhou projeção após receber a Bandeira Azul, reconhecimento ligado a critérios ambientais, qualidade, segurança e gestão de áreas balneares. Mais do que criar uma praia artificialmente bonita, o projeto aproveitou um reservatório existente para desenvolver turismo de natureza em uma região afastada do litoral português. É esse contraste que torna a Praia Fluvial de Albergaria dos Fusos tão curiosa. No meio da paisagem seca e dourada do Alentejo surgem areia clara, água, esportes náuticos e duas piscinas que parecem flutuar sobre o lago. Para quem associa férias em Portugal apenas ao Atlântico, o destino revela que alguns dos cenários mais diferentes do país também podem estar muitas dezenas de quilômetros longe do mar.

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E N T R E V I STA

Gláucia do Arruda: a política como instrumento de transformação Por Revista Plano B

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dvogada e professora de Direito, com mais de 30 anos de experiência, Gláucia do Arruda construiu uma trajetória marcada pela defesa das famílias, das mulheres e das pessoas com deficiência. Agora, amplia esse compromisso com uma visão de políticas públicas mais humanas, integradas e próximas da realidade. Do Direito à Vida Real Revista Plano B — Quem é Gláucia do Arruda? Gláucia do Arruda — Sou advogada, professora de Direito e, acima de tudo, uma mulher que escolheu colocar sua trajetória profissional a serviço das pessoas. Ao longo de mais de 30 anos de experiência jurídica, conheci de perto as dificuldades enfrentadas por famílias, mulheres, pessoas com deficiência e famílias neurodivergentes. Muitas vezes, as pessoas conhecem seus direitos, mas não encontram no poder público o suporte necessário para exercê-los. Minha caminhada na advocacia me ensinou que o Direito precisa sair dos livros e chegar à vida real. Por isso, sempre busquei atuar não apenas na defesa de direitos individuais, mas também na construção de soluções capazes de transformar a realidade de muitas pessoas. Hoje, minha atuação está diretamente ligada à defesa da família, da mulher, das pessoas com deficiência e à busca por políticas públicas que realmente funcionem. Entendo que a política deve ter como propósito servir, ouvir e transformar. O que os processos revelam sobre as famílias Revista Plano B — Ao longo de sua experiência jurídica, quais foram as principais lições sobre as necessidades e os desafios enfrentados pelas famílias brasileiras? Gláucia do Arruda — A principal lição foi entender que, por trás de cada processo, existe uma história, uma família e, muitas vezes, uma pessoa atravessando um dos momentos mais difíceis de sua vida. Aprendi que muitas famílias não precisam apenas de uma decisão judicial. Elas precisam de orientação, acolhimento, acesso à saúde, educação de qualidade, segurança, transporte e oportunidades. Muitas vezes, o problema chega ao Judiciário porque outros caminhos falharam.

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Também aprendi que políticas públicas não podem ser construídas apenas a partir de números e estatísticas. É preciso ouvir quem está na ponta, quem enfrenta diariamente filas, falta de atendimento, ausência de medicamentos, transporte precário e falta de profissionais especializados. Justiça não pode ser privilégio de quem tem informação ou recursos. Ela precisa ser acessível a todos. Proteger antes que a violência chegue ao extremo Revista Plano B — Quais são hoje os principais desafios para garantir proteção, autonomia e dignidade às mulheres, especialmente às vítimas de violência doméstica? Gláucia do Arruda — Um dos maiores desafios é romper o


E N T R E V I STA ciclo da violência. A violência doméstica não começa necessariamente com uma agressão física. Pode começar pelo controle, pela humilhação, pelo isolamento e pela violência psicológica e financeira, até chegar a situações extremamente graves. Precisamos fortalecer a rede de proteção e fazer com que ela funcione de maneira integrada. Não basta termos leis importantes se a mulher não consegue atendimento, apoio psicológico, segurança ou condições financeiras para romper com uma relação abusiva. A autonomia também é uma forma de proteção. Uma mulher sem independência financeira, moradia ou rede de apoio encontra enormes dificuldades para sair de uma situação de violência. Por isso, defendo políticas públicas que trabalhem prevenção, acolhimento, segurança, capacitação profissional, autonomia econômica e educação. Precisamos proteger a mulher antes que a violência chegue ao extremo. Inclusão além da lei Revista Plano B — O que é necessário para que pessoas com deficiência e famílias atípicas tenham mais inclusão e acesso aos serviços públicos? Gláucia do Arruda — Precisamos transformar a inclusão prevista na legislação em uma inclusão real. Hoje, muitas famílias conhecem seus direitos, mas enfrentam uma verdadeira peregrinação para conseguir aquilo que deveria ser básico: diagnóstico, atendimento especializado, terapias, medicamentos, educação inclusiva, transporte e acompanhamento adequado. Também precisamos olhar para além da infância. Pessoas com deficiência e neurodivergência crescem, tornam-se adolescentes e adultos e continuam precisando de políticas públicas, oportunidades de trabalho, autonomia, convivência social e qualidade de vida.

Um dos projetos que defendo é a Casa das Famílias Atípicas, um centro de integração com contraturno e equipe multidisciplinar para acolher e proteger tanto as famílias quanto as pessoas que necessitam de atendimento e acompanhamento. Mas essa construção precisa envolver saúde, educação, assistência social e outras áreas do poder público. E, principalmente, precisa ouvir as próprias famílias. Quem vive essa realidade todos os dias sabe exatamente onde estão os problemas. A política pública precisa deixar de ser feita apenas de cima para baixo e passar a ser construída também com quem está na ponta. Educação para a Cidadania Revista Plano B — Como a educação pode contribuir para formar cidadãos mais conscientes de seus direitos? Gláucia do Arruda — A educação transforma porque oferece conhecimento, autonomia e capacidade de questionar. Ensinar Direito não deve significar apenas ensinar leis e artigos. É preciso ensinar cidadania. Quando uma pessoa conhece seus direitos, deixa de ser apenas espectadora e passa a ter condições de reivindicar, fiscalizar e participar. Uma sociedade mais justa começa justamente por pessoas que conhecem seus direitos, respeitam os direitos dos outros e entendem que também possuem um papel na transformação da realidade. Serviços públicos mais humanos e integrados Revista Plano B — Quais mudanças são mais urgentes para aproximar as políticas públicas da realidade das famílias? Gláucia do Arruda — A primeira mudança é ouvir mais as pessoas e saber o que realmente funciona e o que não funciona. As políticas públicas precisam ser construídas a partir da realidade de quem utiliza os serviços. Não podemos aceitar que uma família tenha de enfrentar uma verdadeira maratona para conseguir uma consulta, um diagnóstico, uma vaga em uma escola adequada ou um atendimento especializado.

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E N T R E V I STA Também precisamos melhorar a gestão dos recursos públicos, estabelecer metas claras e acompanhar resultados. Não basta anunciar programas ou construir estruturas se o atendimento não chega à ponta. É fundamental ter profissionais capacitados para atender às diferentes demandas da população. Defendo uma atuação pública mais eficiente, integrada, humana e humanizada. Saúde, educação, assistência social, segurança e transporte não podem funcionar como departamentos isolados. Para uma família, todos esses serviços fazem parte da mesma realidade. Mobilidade é qualidade de vida Revista Plano B — Como tornar o transporte público mais eficiente e compatível com a realidade dos trabalhadores do DF e do Entorno? Gláucia do Arruda — Mobilidade urbana é qualidade de vida e beneficia toda a sociedade. Quando o transporte público não funciona, a população perde horas do dia dentro de ônibus e metrôs, chega mais tarde em casa, tem menos tempo com a família e muitas vezes precisa escolher entre pagar uma passagem e atender outra necessidade básica. Precisamos pensar a mobilidade de forma integrada, considerando o Distrito Federal e o Entorno. É necessário ampliar e integrar linhas, melhorar a frequência, garantir veículos e estações mais seguros e acessíveis, investir na manutenção da infraestrutura e utilizar tecnologia para melhorar a gestão do sistema. Também defendo a ampliação das linhas do metrô para regiões como Santa Maria e Gama e uma conexão mais eficiente com Sobradinho, Planaltina e outras áreas do DF e do Entorno. O transporte público precisa ser eficiente, previsível e economicamente acessível. Um legado de coragem para transformar Revista Plano B — Que legado gostaria de construir a partir de sua trajetória? Gláucia do Arruda — Quero deixar a certeza de que é possível usar conhecimento, experiência e coragem para transformar vidas. Minha trajetória no Direito e na educação me ensinou que conhecimento só faz sentido quando colocado a serviço das pessoas. Quero contribuir para uma sociedade em que a família seja respeitada, a mulher seja protegida, as pessoas com deficiência tenham seus direitos efetivamente garantidos e os serviços públicos funcionem para quem mais precisa. Os valores indispensáveis são ética, respeito, responsabilidade e coragem, mas, principalmente, compromisso com as pessoas. Transformar a sociedade exige coragem para en-

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frentar problemas, humildade para ouvir e responsabilidade para cumprir aquilo que foi prometido. Coragem para liderar. Essa sou eu, Gláucia do Arruda. Entre o direito e a transformação A trajetória de Gláucia do Arruda revela uma profissional que transformou a experiência jurídica em instrumento de escuta e defesa de direitos. Para ela, o desafio não está apenas em criar novas leis, mas em fazer com que os direitos já existentes cheguem a quem precisa. Família, mulheres, pessoas com deficiência, educação, saúde e mobilidade formam o eixo de uma visão que aposta em políticas públicas construídas com quem vive os problemas diariamente. Mais do que conhecer a lei, Gláucia defende que é preciso conhecer a realidade. E é nesse encontro entre conhecimento, experiência e coragem que ela pretende construir seu próximo capítulo.


E S P O RT E S

Daniel Cargnin é ouro no Grand Slam de Lausanne de judô Por PH Paiva Fonte Agência Brasil

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judoca Daniel Cargnin ganhou a medalha de ouro no Grand Slam de Lausanne, na Suíça. Durante a final, na manhã deste sábado, o brasileiro superou o russo Danil Lavrentev com um ippon nos segundos finais da luta após estar perdendo o duelo durante quase todo tempo. Na primeira luta, contra Mikheili Bakhbakhashvli (GEO),

o adversário foi desclassificado. Na etapa seguinte, Ibrahim Demiral (TUR) foi excluído após três advertências no golden score. Nas quartas, Cargnin superou Kazbek Naguchev (UAE) com um yuko. Na semifinal, Said-Magomed Khalidov levou um waza-ari no golden score. O vice-campeão mundial da categoria em 2025 e medalhista de bronze nos Jogos Olímpicos de Tóquio em 2021, chegou ao segundo título de Grand Slam depois da etapa de Brasília, em 2019, e soma 10 medalhas no Circuito Mundial.

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C U LT U R A

Calila das Mercês lança livro e celebra literatura feita no interior

Por Ana Luiza Silva Fonte Agência Brasil

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Minhas primeiras escolas são os quintais: o sertão e o recôncavo baiano, duas geografias interioranas que compõem essa minha primeira relação com a literatura”, conta Calila das Mercês. A pesquisadora, jornalista e escritora é uma das curadoras da quarta edição do Festival Literário de Paracatu, cidade mineira a 500 quilômetros de Belo Horizonte (MG). Calila assina a curadoria ao lado de Sérgio Abranches e Afonso Borges, idealizador e presidente do festival. Neste ano, o tema Sertão em Nós: Meu Lugar no Mundo propõe uma conversa entre dois pensadores fundamentais do Brasil profundo: Milton Santos, cujo centenário foi comemorado em maio, e João Guimarães Rosa, que apresentava

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ao mundo o seu Grande Sertão: Veredas, há 70 anos. Calila fala com carinho dos livros de Guimarães Rosa. Grande Sertão ela chama de “fabuloso”. Campo Geral, de 1956, a deixou “muito emocionada”. Com Milton, ela divide o lugar, o território e o interior da Bahia. “A gente está homenageando também meu conterrâneo, que é o Milton Santos, que marcou sua existência, no Brasil e no mundo, trazendo discussões que nos são muito caras. Sobre a questão do nosso lugar, mas também sobre como a gente pode pensar o território sem engessar”. A escritora, que já assinou eventos literários em Cachoeira (BA) e em Cavalcante (GO), celebra a realização desses encontros pelo interior do Brasil. Ao mesmo tempo, demonstra preocupação com o manejo dessas festas e com o risco de que se tornem palanques políticos, festas com “donos”, que ditariam como a literatura deve adentrar esses locais. Além


C U LT U R A disso, ela defende um olhar respeitoso sobre o que é produzido em cada um desses lugares. “Acho que o grande desafio é a gente produzir uma ideia de que o pensamento não chega de fora. Ele não, necessariamente, chega dos grandes centros. Eu acho que Paracatu é um lugar que produz pensamento, que tem trazido consigo também uma identidade, um jeito muito daqui de fazer acontecer”. Para ela, o festival consegue criar as condições de integrar pessoas e promover conversas surpreendentes, com pessoas de diferentes sotaques, respeitando a literatura produzida na cidade. Entre os nomes que passam por Paracatu este ano estão Mia Couto, Alê Santos, Bruna Lombardi, Eliana Alves Cruz, Jeferson Tenório, Jeovanna Vieira, Paulliny Tort e Renato Nogueira.

Às margens do São Francisco

Calila, que já publicou livros de poesias e de contos, lançou em julho Nódoa, seu primeiro romance, pela Companhia das Letras. Ela conta que ainda está aprendendo a falar sobre o livro, que foi todo escrito em movimento. Um movimento que é feito sem que ela deixe de carregar suas referências. “Eu escrevi dentro do ônibus, eu escrevi em uma rodoviária, escrevi no barulho, escrevi com mudança. Mudanças necessárias, mudanças de casa. Condições mais precárias, condições mais tranquilas. É um livro sobre movimento e eu escrevo tudo me movendo”, lembra. Nesse movimento, Calila foi quatro vezes ao rio São Francisco e foi ver o maior cajueiro do mundo. Segundo ela, o objetivo foi se conectar com os pedaços de natureza e também de urbanidade. Nesse contato com a natureza, viu sua escrita germinar, com toda a criatividade e a radicalidade que seus textos exigem.

Livro

O livro Nódoa é narrado por Regina e por Lurdes Maria. As muitas mulheres do livro estão em constante movimento sem, entretanto, se perderem umas das outras. O livro também é pensado na forma, na materialidade da escrita, em maiúsculas e minúsculas. Os recursos são usados para traduzir cada personagem: a que não sabe nem ler nem escrever; a que só fala baixinho, com vergonha; a artista plástica.

“Eu queria usar o papel e também essa parte da editoração, da parte gráfica, para elucidar esse trabalho das maiúsculas e minúsculas, de quem fala em terceira pessoa, de quem fala abaixo, de quem só tem a oralidade como fonte de comunicação e o gesto e o corpo e os silêncios. Então, uso muito silêncio nas páginas”. O livro, continua Calila, foi todo feito pensando na força das outras linguagens. As palavras formam desenhos. Há um trabalho sensorial e de oralidade que entrega ao leitor outras formas de ver e ler a obra. E que deixam marcas, que deixam nódoas. “Às vezes a nódoa lembra a gente de um suco que caiu na roupa, um suco que alguém que a gente ama fez. Às vezes uma mancha de dendê que não saiu, mas que foi de um caruru, aquela avó que nem está ali mais. Então, eu acho que as nódoas também mancham, e deixam marcas que ficam e que são importantes”.

Sobre o festival:

4o Festival Literário Internacional de Paracatu (Fliparacatu) De 26 a 30 de agosto de 2026 Local: Centro Histórico de Paracatu Entrada gratuita

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SAÚDE

Dr. Eduardo José Alves Nogueira*

Morte súbita: quando cada segundo pode salvar uma vida

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morte súbita cardíaca é um evento inesperado e fa* Histórico familiar de morte súbita em pessoas jovens. tal, geralmente causado por uma arritmia grave que Esses sinais não significam necessariamente uma doença interrompe abruptamente o funcionamento do co- grave, mas devem ser investigados. ração. Embora possa parecer imprevisível, em muitos casos A prevenção começa antes da emergência Não existe um único exame capaz de prever todos os caexiste uma doença cardíaca ou fator de risco que poderia ter sido identificado e tratado previamente. É justamente aí que sos. A prevenção começa pelo controle dos fatores de risco cardiovascular, como hipertensão, diabetes, colesterol elevaestá a oportunidade de prevenção. do, tabagismo, obesidade e sedentarismo. Três conceitos que não devem ser confundidos Em pacientes selecionados com maior risco de arritmias Parada cardiorrespiratória ocorre quando o coração deixa de bombear sangue de forma eficaz, levando à perda de fatais, o cardiodesfibrilador implantável (CDI) pode ser indicado na prevenção secundária, após uma parada cardíaca, ou consciência e da respiração normal. Infarto agudo do miocárdio acontece quando o fluxo de na prevenção primária. Medicamentos, ablação por cateter e sangue para uma parte do músculo cardíaco é interrompido, acompanhamento cardiológico também podem fazer parte do tratamento, conforme a doença geralmente por uma obstrução coe o risco individual. ronariana. Na emergência, cada segundo Morte súbita cardíaca é o desfe“Cuidar do coração começa conta cho fatal e inesperado, geralmente muito antes da emergência: Se uma pessoa perde a consprovocado por uma arritmia ventriciência e não respira normalmente: começa na prevenção, no cular grave. Pode ser desencadeada 1. Acione imediatamente o por um infarto ou por outras doendiagnóstico, no acompanhaSAMU 192. ças cardíacas. mento e na informação.” 2. Inicie as compressões toráciAs causas variam conforme a cas sem demora. idade 3. Utilize o DEA assim que dispoEm adultos, especialmente nos nível, seguindo as orientações do aparelho. mais velhos, a doença arterial coronariana está entre as prinReconhecer precocemente sinais de deterioração clínica cipais causas de morte súbita. Insuficiência cardíaca, cardiomiopatias, doenças valvares e arritmias também podem au- também é fundamental para evitar a evolução para uma parada cardiorrespiratória. mentar o risco. Em crianças, adolescentes e adultos jovens, destacam-se Conhecimento salva vidas Nem toda morte súbita pode ser evitada. Mas reconhedoenças estruturais, como a cardiomiopatia hipertrófica e a cer fatores de risco, valorizar sinais de alerta, tratar adequacardiomiopatia arritmogênica, além da miocardite e de doendamente as doenças cardíacas e saber agir diante de uma ças genéticas do ritmo, como síndrome do QT longo, síndroparada cardiorrespiratória podem aumentar as chances de me de Brugada e taquicardia ventricular catecolaminérgica. Quando ocorre morte súbita em uma pessoa jovem, a sobrevivência. avaliação cardiológica dos familiares pode ser importante, especialmente quando existe suspeita de doença hereditária. Sinais que merecem atenção * Desmaio sem explicação; * Palpitações frequentes; * Dor no peito; * Falta de ar desproporcional ao esforço; * Tontura intensa;

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Clínica Samcordis – DF Dr. Eduardo José Alves Nogueira – CRM-DF 9736 • Graduação em Medicina – Universidade de Brasília (UnB) • Residência em Clínica Médica – RQE Nº 18713 • Residência em Cardiologia – RQE Nº 18714 • Hospital de Base do Distrito Federal (HBDF)


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ECO N O M I A

Humberto Alencar*

A reforma da Previdência que os candidatos evitam debater

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m grupo de cinco especialistas apresentou na quinta- a frase de Rolim sobre não ver diferença entre Lula e Flávio -feira (27.ago.2026) uma proposta técnica de reforma Bolsonaro. A campanha de Lula tem se apoiado no estímulo da Previdência que deveria estar no centro da campa- ao consumo, na Reforma Tributária e na isenção do Imposnha presidencial, mas não está. Organizado por Armínio Fra- to de Renda até R$ 5.000; a Previdência não é tema central, ga, ex-presidente do Banco Central, e coordenado por Paulo apesar do envelhecimento que o próprio estudo documenta. Tafner, o grupo defende unificar em 67 anos a idade mínima Olhando para o conjunto dos presidenciáveis, porém, há pode aposentadoria de homens e mulheres, hoje fixada em 65 e sições bem distintas entre si. 62 anos. O texto cria ainda um gatilho automático: a cada seis Romeu Zema (NOVO) em coletiva no dia 22 de agosto, meses de aumento na expectativa de vida, a idade mínima após se reunir com aposentados vítimas de descontos indevisobe quatro meses. dos do INSS, defendeu que o tempo de contribuição aumenA lógica é simples: se as pessoas vivem mais, o sistema pre- te conforme a expectativa de vida, mecanismo equivalente videnciário precisa acompanhar essa mudança, ou o custo se ao gatilho proposto pelos especialistas. “Aquela reforma de torna insustentável. O estudo mostra que a população com 2019 não é mais suficiente. A expectativa de vida aumentou 65 anos ou mais dobrou desde 2001, e, consequentemente, o tempo de enquanto o contingente em idade contribuição tem de aumentar”, de trabalhar cresceu apenas 30% no afirmou. Zema também sinalizou “A lógica é simples: se as pesperíodo. Sem mudanças, os gastos disposição para rever os reajustes soas vivem mais, o sistema previdenciários, hoje 8% do PIB, chede aposentadorias e do BPC, hoje previdenciário precisa acomgariam a 13% em 2070 e 17,4% em vinculados a ganhos reais do salá2100. Com a reforma, ficariam em rio mínimo, sem detalhar o modelo panhar essa mudança, ou o 10% e 10,4%. alternativo, e defendeu formalizar custo se torna insustentável.” O desenho também merece desmais trabalhadores como forma de taque pela sofisticação. Em vez de ampliar a arrecadação. mexer só na idade mínima, o grupo Renan Santos (Missão) aprepropõe dividir as contribuições em duas contas: metade re- sentou mecanismo semelhante em seu plano de governo, o munerada pelo mercado financeiro, em capitalização, e me- “Livro Amarelo”, documento de quase 500 páginas coordetade corrigida pela variação da soma dos salários no país. É nado pelo deputado federal Kim Kataguiri: vincular a idade um modelo híbrido, que reparte o risco entre indivíduo e eco- mínima à expectativa de vida do IBGE. Somou a isso proposnomia sem abandonar de imediato o modelo de repartição ta mais controversa, a “PEC do Equilíbrio Fiscal”: desindexar atual, daí a transição de até 30 anos prevista. o reajuste de aposentadorias e BPC do ganho real do salário Vale registrar também o crédito de 1,5 ano de contribui- mínimo, corrigindo só pela inflação, com economia estimada ção por filho, biológico ou adotado, concedido às mulheres em R$ 1,1 trilhão até 2031 quando somada a outros cortes. na nova regra. Leonardo Rolim, que presidiu o INSS entre Diferentemente do grupo Fraga-Tafner, que preserva a ló2020 e 2021, resumiu o racional: hoje a mulher se aposenta gica de reposição de renda e protege quem já está perto de mais cedo como compensação pela dupla jornada, mas isso se aposentar, essa proposta atinge diretamente o poder de não a torna incapaz de trabalhar antes que o homem. O pro- compra de quem já está aposentado — a mais dura entre os blema exige outro tipo de política pública, não uma regra pre- presidenciáveis. videnciária que penaliza o sistema como um todo. A campanha de Flávio Bolsonaro também sinaliza nessa Diante desse detalhamento técnico, chama atenção a direção, pelo senador Rogério Marinho, que a coordena e foi distância entre o debate técnico e o que aparece nas campa- secretário de Previdência no governo Jair Bolsonaro. Marinhas, embora o quadro seja mais heterogêneo do que sugere nho repete que um governo Flávio vai “revisitar” a Previdên-

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ECO N O M I A cia, cogitando elevar a idade mínima a 70 anos, e o próprio Rolim reconheceu que Marinho “seria o melhor para aprovar uma ampla reforma”. O problema é que essa disposição não aparece no plano oficial de Flávio, registrado no TSE: o documento foca em digitalização do INSS, pacote antifraude e subsídio a idosos de baixa renda, sem mencionar idade mínima ou gatilho demográfico. Ronaldo Caiado (PSD) trata do assunto em termos vagos, o que chama atenção porque a coordenação de seu plano ficou a cargo de Roberto Brant, ex-ministro da Previdência no primeiro governo Lula. Mesmo assim, o documento concentra o ajuste fiscal num genérico “Orçamento da Verdade”, sem mencionar idade mínima ou mecanismo demográfico. Em jantar com empresários, em agosto, o candidato disse apenas que “saberá buscar a sustentabilidade da Previdência” — intenção declarada, não proposta. Augusto Cury (Avante) ilustra o outro extremo. Seu plano, de quase 200 páginas e 18 projetos, detalha semipresidencialismo, mandato fixo para ministros do STF e telemedicina no SUS, mas não apresenta reforma da Previdência. Há uma ironia nisso: Cury tem 67 anos, exatamente a idade mínima proposta pelo grupo Fraga-Tafner, mas não dedicou uma linha do plano ao tema. Para um candidato que fez da “gestão da emoção” bandeira central, a omissão de um item que já

consome 8% do PIB é reveladora do tipo de agenda que ainda domina a disputa. É preciso fazer uma ressalva: nenhuma das propostas mais avançadas chega ao nível de detalhamento do grupo Fraga-Tafner, e a de Renan Santos, ao mexer no reajuste de quem já está aposentado, é fiscalmente mais agressiva do que o estudo dos especialistas. Ainda assim, a distância entre reconhecer a necessidade da reforma, como fazem Zema, Renan Santos e, em menor grau, Marinho, e ignorá-la por completo, como Caiado e Cury, não é pequena, num país que discute demografia e Previdência há mais de duas décadas sem resolver o problema de fundo. A proposta do grupo Fraga-Tafner não é uma PEC pronta para votação, nem um documento imune a críticas — a transição de até 30 anos, por exemplo, adia a maior parte dos ganhos fiscais para décadas à frente. Ainda assim, seu mérito é colocar números concretos onde hoje, na maior parte das campanhas, só existe vácuo ou meia palavra. Que os candidatos, todos eles, se sintam provocados a responder.

* Humberto Alencar - professor de finanças públicas e orçamento público. Mestre em economia e doutor em direito pelo IDP.

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T I J O L A DA S D O C A I X A

Sonhos e delírios em busca da boquinha Por José Gurgel

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falta de inspiração estava de lascar, na frente do computador tentava escrever, com a boca seca pensei em dar uma chegada lá no Porcão, com o Caixa Preta sempre tem um bom tema pro meu artigo semanal. Encontrei o velho Caixa, muito sorridente, senti que o meu artigo estava no papo, depois que a nossa cerveja chegou na mesa, o cabra começou dizendo que tem muita coisa que não mais o surpreende, mas quando o assunto é política muita coisa ainda o deixa embasbacado. Agora com a temporada eleitoral em pleno andamento, o que não falta são motivos pra dar umas boas risadas, diante de tantos delírios. Os postulantes a cargos eletivos são tantos, aqui no nosso quadrado tem um bocado, e de uma variedade incrível, principalmente para deputado distrital. Gente que nem sabia onde era o Guará, tem um que foi importado e veio morar por aqui, mas aparece todo sorridente distribuindo aqueles falsos abraços, está se achando o cara. Todo risonho, beijando até cachorro pra ver se salva a boquinha, a população adora o nada, nunca aprende com erros do passado, pois essa turma tem estrada. Fico abismado com a quantidade de líderes de araque que aparecem se achando o candidato que a cidade tanto espera, como dizem por aí, todos se achando o cara. Diz o Caixa que esse bando de cara de pau anda dizendo que até a chuva que só poderá cair no Guará, com ajuda deles assim como o brilho do sol, as árvores frutíferas e ou-

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tros leros, dá até vontade de vomitar. Mas tenha a certeza que as promessas serão logo esquecidas, pois assim que passar essa onda, dará uma linda banana pra população. Enquanto isso, olhamos em volta e nos deparamos com o desleixo criminoso com a coisa pública, basta dar uma volta observando direitinho. São obras feitas nas coxas, distribuição de quiosques a granel, como se fossem balinhas, sem se preocupar com o futuro, isso sem contar as licenças para ambulantes. Essa cambada acha que popularidade é comprada no mercadinho ali da esquina ou contando vantagens para tentar se cacifar, é mentira a dar com o pau. A verdade é que essas coisas surgem naturalmente sem forçar a barra. Acho que esses pseudos candidatos não passam de pessoas sem noção do ridículo, servem apenas para compor nominatas ou trabalhar para o cacique dono do partido, visando quem sabe uma boquinha para abrigar a incompetência. Tenham certeza de uma coisa, vontade e direito de sonhar todos têm, sonhar é saudável mas delirar é doentio, não abusem da nossa inteligência.


T I J O L A DA S D O C A I X A

Agora é guerra!

Começa o mês mais longo do calendário, pra muita gente um mês aziago, tem gente que não faz nada de importante nesse mês, pois superstição pouca é bobagem. Fui direto ao Porcão, quem sabe o Caixa Preta pudesse esclarecer algo sobre o mês que iniciamos, o cabra já estava na mesa me esperando, só fiquei meio cabreiro quando ele ao me ver, bateu três vezes na mesa. Pois foi lá na nossa mesa preferida, perto da porta pra uma eventual fuga, também pra não sentir aquela catinga, que vem da cozinha mas que parece ser de um esgoto próximo. Aproveitei e falei sobre o Dia dos Pais, como nada passa batido a esse gozador nato, resolveu fazer algumas observações sobre o tal dia, tudo na base da gozação, sem dó nem piedade. Quase morro de rir, mesmo achando a coisa meio cretina, o velho Caixa desceu a lenha, o cabra não é muito chegado nessa conversa de datas, para não passar batido, resolveu falar sobre o tal dia, parecia sinceramente indignado com o tratamento recebido pelos pais no seu dia, ele como pai, aproveitou para desabafar, fazendo algumas considerações que até concordei. O nosso dia estranhamente só cai no domingo, nada de feriado pra emendar, o pior são os presentes, nós os pais estamos de saco cheio de receber camisetas fajutas com aquelas inscrições cretinas bolada pelo pessoal do marketing, tipo: Super Pai, Papai Eu Te Amo, Papai Meu Herói e mais um monte de frases que não consigo lembrar agora. Isso sem contar com as canecas estilizadas cheias de dizeres e juras de amor, com um monte de elogios que as vezes nem merecemos, fotos etc, etc. Nós pais temos de nos mobilizar para ter um dia igual ao Dia das Mães, onde

só rola presente caro. É bolsa de grife, celular de última geração, as vezes acompanhados daqueles tamancos de bico fino com calcanhar fininho, tudo muito caro. Por que temos que aceitar essas coisas baratas? Principalmente o tal de guaraná Dolly no almoço, que você não encontra em nenhum supermercado de responsa, pois só aparece na TV no nosso dia. Conclamo a todos os pais a fazer uma grande manifestação na Esplanada, pois queremos presentes caros também, queremos isonomia já, chega desses presentes tranqueiras. Basta ! Feliz Dia dos Pais.

Culturalmente rico, politicamente pobre

Auditório lotado muita gente no lançamento da Coletânea Artística do Guará, o auditório ficou pequeno, mas não era pra menos pois reuniu escritores, com fortes vínculos com a região, o sucesso foi grande.

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A Coletânea Artística do Guará reúne textos de escritores, poetas, cronistas e autores com vínculo com a região. A obra forma um registro coletivo de memórias, afetos, histórias e olhares sobre o Guará, apresentando diferentes formas de narrar a cidade a partir da experiência de quem vive, viveu ou mantém relação direta com o território. Mais do que um livro, a coletânea funciona como um retrato literário da comunidade. Seus textos ajudam a preservar lembranças, revelar personagens, registrar mudanças urbanas e valorizar a identidade local. A publicação também amplia a visibilidade de autores do Guará e aproxima a literatura do cotidiano dos moradores. A iniciativa contribui para dar circulação aos trabalhos e fortalecer o reconhecimento dos nossos artistas que atuam no Guará e no Distrito Federal. Foi com o imenso orgulho que me vi envolvido nesse evento entre tantos bons escritores e artistas, amo o Guará. Fiquei até envaidecido, aproveitei pra rever pessoas que a muito não via, foi realmente um evento que marca essa cidade com cultura, pena que esteja abandonada por quem deveria cuidar. O que chama atenção por aqui apesar de contar com muita gente que se diz esclarecida, ainda vive de bajular essa turma que em época de eleição aparece beijando todo mundo. Graças a Deus não deram as caras no evento, cultura não é coisa que interessa a políticos, preferem as besteiras que circulam entre nós. Não adianta muita cultura sem cuidar desse lado, pois infelizmente o que se vê quase todo dia é essa revoada de aproveitadores, rodeado de puxas sacos fazendo juras de amor pelo Guará. Está passando da hora de criar vergonha e varrer esse lixo que nos atrasa.

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Além Mar

Estava com saudades do meu amigo portuga, fui procurar o Caixa Preta pra me contar algo do velho amigo só pra tirar sarro, essa ele contou jurando que é a mais pura verdade. O velho Caixa que o conhecia a muito tempo, disse que quando gajo chegou aqui no Guará, veio puxando a cachorra como dizem por aí, mas como sempre foi um incansável trabalhador, meteu os peitos e com a cara e a coragem começou a trabalhar. Montou uma vendinha que aos trancos e barrancos estava indo muito bem, freguesia sempre aumentando, não podia reclamar. Como todo caso tem que ter um percalço no caminho com o portuga não foi diferente, um bando de vagabundos aproveitando a noite arrombaram o estabelecimento, os gatunos fizeram um limpa geral, não sobrou nem uma caixa de fósforo pra contar a história. Foi lá na delegacia onde viu como era conhecido, uma multidão de amigos cercavam o Portuga para prestar-lhe solidariedade, mas a maioria foi por curiosidade, mas todos sabiam do esforço pra montar e manter a vendinha. Os comentários eram os mais variados, do tipo : Que belo prejuízo hein ? Tú se lascou ! Falavam com carinho os amigos, que nem sabiam o que dizer. Sem perder a pose, o gajo respondeu : Tive muita sorte, quem se deu mal foram os ladrões. Sem entender bulhufas os amigos se entreolhavam sem acreditar no que ouviam, parecia até que o descendente de Cabral tinha pirado depois do choque provocado pelo roubo. Surpreendente foi a explicação, o portuga com aquele ar de sábio, parecia até um asno de duas patas, foi de lascar. - É que justo hoje, eu ia remarcar todos os preços! Já pensou se me roubassem hoje a noite? O prejuízo ia ser muito maior. E a igreja batiza !!


E S P O RT E S

Isaquias Queiroz é campeão mundial no C1 500m na Polônia Por PH Paiva Fonte Agência Brasil

história do torneio (oito ouros, uma prata e seis bronzes).

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prata e o bronze, respectivamente.

saquias Queiroz escreveu mais uma página dourada na brilhante trajetória na canoagem. O baiano ganhou a prova do C1 500m no Mundial de Canoagem, neste sábado (29), em Poznan (Polônia) com o tempo de 1m46s08. Essa foi a quinta medalha de ouro do brasileiro em mundiais nessa prova (2013, 2014, 2018, 2022 e 2026) e a 15o na

O tcheco Martin Fuksa e o chinês Bowen Ji ficaram com a Nos Jogos Olímpicos de Los Angeles 2028, a prova do C1 500m não faz parte do programa. A distância olímpica individual é o C1 1000m, na qual Isaquias não foi ao pódio.

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