28 A Última Liberdade e a Estátua da Responsabilidade
30
Agrotóxicos estão mais nocivos em todo o mundo, aponta estudo
32 Sônia Dourado: A Mulher que Transformou Arte em Liberdade!
alerta para violência vicária; entenda
Selic em 15%: os desafios da queda do juros no Brasil em 2026
Superávit primário do Governo Central fica em R$ 86,9 bilhões
34 Paraíso em Goiás é eleito um dos 10 destinos mais acolhedores do mundo
36 3 destinos para viajar na Bahia sem gastar muito dinheiro
37 Malta entra no mapa do Caminho de Santiago
38 Nova promessa do rock alternativo, O Boto fala sobre a estreia dos singles que antecipam o álbum “Diferente de Ninguém”
42 Doutora Jane Klebia do Nascimento
Deputada Distrital | Delegada de Polícia | Professora | Mãe
GDF organiza dados para unificar políticas de promoção da diversidade
DF registra melhor resultado da história no acompanhamento de saúde do Bolsa Família
44 Ministérios repudiam ato de machismo contra árbitra no Brasileirão
46 Deus é Mesmo Brasileiro?
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Fevereiro / 2026
Ano 04 - Edição 37 - Fevereiro 2026
Publicada em 28 de Fevereiro de 2026
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Movimento é vida, com responsabilidade
Vivemos um tempo em que a longevidade deixou de ser apenas um desejo e passou a ser um projeto. Comer melhor, dormir bem, cuidar da saúde mental e, sobretudo, manter o corpo em movimento tornaram-se escolhas centrais para quem busca viver mais e melhor. A ciência é clara: a atividade física regular é uma das ferramentas mais eficazes para prevenir doenças, preservar a autonomia e garantir qualidade de vida ao longo dos anos.
Mas tão importante quanto se movimentar é como nos movimentamos.
Estudos recentes reforçam que variar os tipos de exercícios, combinando força, resistência, equilíbrio e atividades aeróbicas, traz ganhos significativos para o corpo e para o cérebro. Pequenos gestos, como se equilibrar em uma perna só, podem revelar muito sobre nossa saúde e até indicar caminhos para um envelhecimento mais seguro e ativo.
Ainda assim, é preciso lembrar que o exercício físico não deve ser encarado como uma solução genérica ou improvisada. Cada corpo carrega uma história, limites e necessidades próprias. Por isso, a prática de qualquer atividade física deve ser feita com orientação profissional e acompanhamento médico, especialmente a partir da meia-idade ou na presença de condições crônicas.
Cuidar do corpo não é sobre desempenho, comparação ou excesso. É sobre constância, consciência e respeito aos próprios limites. É entender que saúde se constrói no longo prazo, com escolhas equilibradas e sustentáveis.
Mover-se, sim. Mas com atenção, orientação e propósito. Porque longevidade não é apenas viver mais, é viver melhor.
Projeto do DF ganha projeção internacional 27
49 Feito Pipa é premiado no Festival Internacional de Cinema de Berlim
ISSN 2966-0688
Mercado imobiliário do DF movimentou R$
Governo derruba alta de imposto para smartphones e eletrônicos
Por PH Paiva Fonte Agência Brasil
Após repercussão negativa no Congresso e nas redes sociais, o governo federal decidiu revogar parte do aumento do imposto de importação sobre produtos eletrônicos e bens de capital anunciado no início do mês.
A medida foi aprovada nesta sexta-feira (27) pelo Comitê-Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior (Gecex), vinculado à Câmara de Comércio Exterior (Camex).
A decisão restabelece as alíquotas anteriores para 15 produtos de informática, incluindo smartphones e notebooks. A Camex também zerou a tarifa de importação para 105 itens classificados como bens de capital (máquinas e equipamen -
tos usados na produção) e produtos das áreas de informática e telecomunicações.
Nos dois casos, a redução de tarifas de importação ocorre por meio do mecanismo de ex-tarifário, que reduz alíquotas para itens sem produção de similar ou equivalente no Brasil.
Smartphones
Com o recuo, a alíquota de importação de smartphones retorna a 16%. A proposta anterior previa elevação para 20%. Em alguns casos, o aumento poderia chegar a até 7,2 pontos percentuais.
Também tiveram as tarifas restabelecidas produtos como notebooks, que retornam à alíquota original de 16%; gabine-
tes com fonte de alimentação (10,8%); placas-mãe (10,8%); mouses e track-balls (10,8%); mesas digitalizadoras (10,8%) e unidades de memória SSD (10,8%).
Segundo o governo, as alterações passam a valer a partir da publicação da resolução no Diário Oficial da União. A lista completa de produtos beneficiados está disponível no site da Camex.
Desgaste político
O aumento inicial atingia cerca de 1,2 mil itens e gerou reação de parlamentares da oposição e de setores empresariais, que alertaram para possível impacto nos preços ao consumidor.
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, vinha defendendo a medida sob o argumento de proteção à indústria nacional e de correção de distorções no comércio exterior. Ele esclareceu que mais de 90% dos produtos afetados são produzidos no Brasil, e o aumento só atingia produtos importados.
No caso de eletrônicos produzidos ou montados no país com insumos importados, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) esclareceu que os com-
ponentes seriam beneficiados pelo mecanismo de drawback, que reduz o Imposto de Importação de insumos usados para fabricar produtos destinados à exportação. O governo estimava arrecadar até R$ 14 bilhões em 2026 com a elevação das alíquotas. A Instituição Fiscal Independente (IFI), órgão consultivo do Senado, previa receita maior, de R$ 20 bilhões neste ano.
Pressão
Diante da pressão política, o Executivo optou por um recuo parcial. Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), a decisão acolheu pedidos protocolados por empresas até 25 de fevereiro e já estava prevista nas regras de ex-tarifário, mecanismo que permite zerar imposto para produtos sem similar nacional. A pasta informou que as alíquotas mais altas anunciadas no início do mês não chegaram a entrar em vigor.
Os 105 produtos que tiveram a tarifa reduzida a zero permanecerão com isenção por 120 dias. Novas revisões poderão ocorrer nas próximas reuniões do Gecex, que delibera mensalmente sobre realinhamentos tarifários.
Limerência: quando o amor vira obsessão
Sentimento intenso e eufórico é frequentemente confundido com paixão, mas especialistas alertam para os riscos emocionais e comportamentais desse estado psicológico ainda pouco estudado
Por Rócio Barreto Fonte: BBC NEWS
Ela começa como um arrebatamento. Pensamentos acelerados, euforia, esperança constante. Mas, para algumas pessoas, o que parece paixão é, na verdade, limerência, um estado psicológico marcado por desejo intrusivo, idealização extrema e dependência emocional. Ainda pouco compreendida pela ciência, a limerência pode provocar sofrimento, prejudicar relacionamentos e, em casos extremos, levar a comportamentos obsessivos.
O que é limerência?
O termo foi criado nos anos 1970 pela psicóloga americana Dorothy Tennov, no livro Love and Limerence: The Expe-
rience of Being in Love. Após entrevistar mais de 300 pessoas sobre amor romântico, Tennov identificou um fenômeno específico: um desejo involuntário, intrusivo e incontrolável por outra pessoa — o chamado “objeto limerente”. Diferentemente da paixão tradicional, a limerência é sustentada pela incerteza. A dúvida sobre a reciprocidade alimenta o ciclo de esperança e ansiedade, mantendo o indivíduo preso a pensamentos repetitivos e fantasias constantes. Tennov estimou que um episódio limerente pode durar entre 18 meses e três anos, às vezes mais. E alertou: se não for controlado, pode gerar impactos emocionais devastadores.
Quando a euforia vira sofrimento
O neurocientista Tom Bellamy viveu essa experiência mesmo estando em um casamento feliz. Ele desenvolveu
sentimentos intensos por uma colega de trabalho, sem jamais agir sobre eles. Ainda assim, não conseguia parar de pensar nela.
Bellamy descreve a limerência como “um estado alterado de consciência”, inicialmente marcado por energia elevada e otimismo. Mas, com o tempo, o sentimento torna-se estressante e fora de controle.
“Você se sente impotente”, afirma. Pesquisas recentes indicam que a limerência pode afetar entre 4% e 5% da população, embora seja difícil mensurar com precisão. O interesse pelo tema tem crescido nos últimos anos, especialmente nas redes sociais e fóruns online.
O “lampejo” da esperança
Um dos conceitos centrais da limerência é o chamado “lampejo”: qualquer pequeno sinal interpretado como possível reciprocidade. Um sorriso, uma mensagem, um olhar, tudo pode ser supervalorizado.
Segundo o psicólogo Ian Tyndall, da Universidade de Chichester, quanto maior a incerteza, maior o desejo. A pessoa limerente pode não querer necessariamente um relacionamento, mas precisa que seus sentimentos sejam correspondidos.
Esse estado gera:
. Pensamentos intrusivos constantes
. Ruminação obsessiva sobre interações passadas
. Negligência da própria saúde e rotina
. Ansiedade intensa diante da pessoa desejada
. Oscilações extremas de humor
A mente fica dominada pela figura idealizada — e pouco espaço sobra para o restante da vida.
Limerência não é paixão, nem diag-
nóstico
Embora compartilhe elementos com a paixão romântica, a limerência vai além.
A paixão envolve desejo de intimidade e construção de vínculo. Já a limerência é marcada por obsessão e dependência emocional.
Pesquisadores apontam possíveis conexões com estilos de apego ansioso, TDAH ou transtorno obsessivo-compulsivo, mas ainda não há consenso científico. A limerência não é reconhecida formalmente como transtorno psicológico.
A professora Emma Short, da Universidade Metropolitana de Londres, diferencia limerência de stalking. Apesar de poder evoluir para comportamentos prejudiciais em casos raros, a maioria das pessoas limerentes mantém consciência de que seus sentimentos são internos e não justificam invasão de limites.
Os três estágios da limerência
Especialistas descrevem três fases principais: Paixão inicial – atração intensa e idealização.
Cristalização – obsessão, dependência emocional e oscilações entre euforia e desespero.
Deterioração – enfraquecimento gradual do apego.
O ciclo costuma se sustentar pela esperança. Quando há rejeição clara ou corte total de contato, a tendência é que o estado diminua.
Existe tratamento?
Ainda há pouca literatura específica sobre intervenções para limerência. No entanto, abordagens terapêuticas como:
Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC)
Terapia de Aceitação e Compromisso (ACT) podem ajudar no manejo de pensamentos intrusivos e na regulação emocional.
Entre as estratégias recomendadas estão:
Reduzir ou cortar contato com o objeto limerente
. Estabelecer limites claros
. Praticar autoconsciência e identificar gatilhos
. Desenvolver autocompaixão
. Buscar apoio psicológico
Reconhecer o fenômeno é considerado o primeiro passo para quebrar o ciclo.
Amor ou dependência emocional?
A limerência desafia a ideia romantizada de que intensidade é sinônimo de amor. Embora possa evoluir para um relacionamento saudável, como no caso de Bellamy e sua esposa, ela também pode gerar sofrimento profundo.
Ainda pouco compreendida, a limerência levanta uma questão contemporânea: em tempos de hiperconexão e estímulos constantes, estamos mais vulneráveis a confundir amor com obsessão?
A resposta ainda está em construção, pela ciência e por cada pessoa que aprende a reconhecer os limites entre sentir intensamente e perder o controle.
Limerência na era digital: redes sociais e reforço da obsessão
A internet ampliou drasticamente o campo da limerência. Curtidas, visualizações de stories, status “online” e respostas demoradas funcionam como microestímulos intermitentes, verdadeiros “lampejos digitais”.
A lógica algorítmica das redes sociais intensifica o ciclo de expectativa e recompensa. Pequenos sinais são interpretados como provas de interesse. A ausência de resposta, por sua vez, alimenta a ansiedade.
Nesse contexto, o objeto limerente está permanentemente acessível, ainda que virtualmente, dificultando o distanciamento necessário para interromper o ciclo.
Limerência e neurociência: o cérebro em estado de recompensa
Estudos indicam que estados de paixão intensa ativam o sistema dopaminérgico, responsável pela sensação de recompensa. Na limerência, essa ativação pode se tornar mais persistente e dependente da incerteza.
A dopamina é liberada de forma mais intensa quando a recompensa é imprevisível, o mesmo mecanismo envolvido em jogos de azar. É essa imprevisibilidade que mantém o indivíduo preso à esperança.
Por isso, a limerência pode assumir características semelhantes à dependência: o sujeito não busca necessariamente a relação em si, mas a sensação provocada pela expectativa.
Impactos na vida profissional e familiar
Quando prolongada, a limerência pode afetar significativamente a rotina.
Relatos incluem: queda de produtividade no trabalho; dificuldade de concentração; conflitos conjugais; isolamento social e negligência com autocuidado.
A pessoa pode permanecer funcional externamente, mas internamente vive uma batalha constante entre razão e emoção. Em alguns casos, relacionamentos estáveis são colocados em risco não por traição concreta, mas pela intensidade emocional vivida em segredo.
Amor romântico, idealização e cultura da intensidade
Para o sociólogo Rócio Barreto, a limerência não surge no vazio. Ela dialoga com a forma como a sociedade contemporânea construiu o imaginário do amor.
Desde o romantismo literário até as narrativas cinematográficas atuais, a ideia de que “amar é sofrer”, “amar é desejar intensamente” ou “amar é não conseguir viver sem o outro” foi naturalizada. A cultura pop frequentemente glorifica relações obsessivas como prova de profundidade emocional.
Além disso, vivemos em uma sociedade marcada por: relações mais fluidas e instáveis; medo de rejeição e solidão; busca constante por validação e exposição permanente nas redes.
A incerteza, elemento central da limerência, tornou-se quase estrutural nas relações contemporâneas. Aplicativos de relacionamento, interações digitais e a lógica do “talvez”, criam um ambiente perfeito para que o desejo se mantenha suspenso.
A limerência pode ser vista, nesse sentido, como um sintoma da cultura da intensidade. Em uma sociedade que valoriza experiências extremas, emoções fortes e conexões imediatas, sentimentos moderados parecem insuficientes.
Ao mesmo tempo, há uma contradição: quanto mais autonomia e liberdade individual conquistamos, maior se torna o medo de rejeição e abandono. A limerência pode representar uma tentativa inconsciente de garantir pertencimento emocional em um mundo cada vez mais fragmentado.
Entre o encantamento e o limite
A limerência desafia a linha tênue entre amar e se perder. Ela pode começar como um impulso humano profun -
damente compreensível: o desejo de ser visto, escolhido e correspondido. Mas, quando se transforma em dependência emocional e obsessão, deixa de ser construção e passa a ser aprisionamento.
Ainda não é um diagnóstico formal. Ainda carece de pesquisas amplas. Mas já é reconhecida por milhares de pessoas que descrevem a mesma experiência: pensamentos intrusivos, idealização extrema e a sensação de que a própria vida ficou suspensa à espera de um sinal.
Talvez o maior aprendizado esteja na distinção entre intensidade e profundidade. Amor saudável não se sustenta na incerteza permanente, nem na esperança intermitente.
Reconhecer a limerência não significa negar o romantismo, mas compreender que amar não deve custar a própria autonomia.
Em tempos de hiperconexão e emoções amplificadas, saber diferenciar paixão de obsessão pode ser um ato de maturidade, e, acima de tudo, de cuidado consigo mesmo.
CAPA
Sapucaí
Ouvimos gritos desesperados: - Segura, mãe! Segura, os doces estão se movendo!
Não sei se a moça estava drogada, porque eu também tive a mesma impressão.
Mais de dois mil doces se movendo ao som do samba.
A criatividade das pessoas que fazem as festas não tem limites, graças a Deus!
A tendência desse ano são as alegorias repletas de luzes de led.
Está muito interessante, juro!
Achei justa a preocupação do rapaz, e juntei meus gritos aos dele: - Mãe, segura os doces! Segura-a-a-a!
As bandejas, as balas e as forminhas sambando...
Que viagem!
Queria que Alice assistisse esse espetáculo.
Coisa linda de se ver, coisa linda de viver...
A bateria é coisa de louco. Levanta morto morrido!
Cada tabuleiro mais lindo do que o outro, e a gente não consegue decidir qual o mais bonito.
Ah, o branco é imbatível!
Que lindo é o dourado!
Pensando bem acho o prata mais elegante.
Pera aí, já se deu conta que o multicolor está magnífico?
O som dos atabaques vai levando e enlevando nossos pensamentos até um mundo mágico.
A avenida lotada de expectadores apaixonados pelas Escolas que fazem o espetáculo.
Torcidas arrepiadas por tanta beleza apresentada.
Os enredos apresentados são maravilhosas aulas de história.
Meu Deus, como se aprofundam nos temas exaltados...
Bailam lindamente os doces conhecidos como mestre-sala e porta-bandeira.
“Fico às vezes com raiva de mim por ser uma pessoa exageradamente emocionada, porque vendo tanta beleza eu fico indecisa.
O pessoal que cria essas embalagens também estuda profundamente a história de cada enfeite.
O desbunde é total, e nós, espectadores ficamos extasiados.”
Fico às vezes com raiva de mim por ser uma pessoa exageradamente emocionada, porque vendo tanta beleza eu fico indecisa.
O pessoal que cria essas embalagens também estuda profundamente a história de cada enfeite.
O desbunde é total, e nós, espectadores ficamos extasiados.
“Eu
só fui”: ex-soldado salva criança de inundação em Juiz de Fora
Por Ana Luíza Silva Fonte Agência Brasil
Oex-soldado do Exército Yuri Souza, de 19 anos de idade, viveu seu maior ato de bravura na última semana de serviço. Na terça-feira (24), poucos dias antes de ser desligado, ele enfrentou uma rua alagada, com água na cintura, para salvar uma bebezinha de 5 meses durante a enchente em Juiz de Fora, Minas Gerais.
Não saiam! Não fujam! Nos perdemos em vocês.
É um grande privilégio ser convidado para a festa das festas.
Não dá para normalizar tanta beleza, não dá para fingir costume diante de tanta criatividade.
Basta aproveitar o ensejo e viajar em tantas alegorias.
As balas de coco são as baianas. Ai, são o uma delícia!
Quanto mais brancas e rodadas, mais tentadoras.
“Isso aqui ô ô, É um pedaço de Brasil iá iá, Deste Brasil que canta e é feliz, Feliz, feliz”
Viva a Marquês de Sapucaí, viva! Lindeza de festa made in Brazil
* Ângela Beatriz Sabbag é bacharel em Direito por graduação e escritora por paixão.
Bailarina Clássica, Pianista e Decoradora de Interiores angelabeatrizsabbag e-mail angelabeatrizsabbag@gmail.com
As fortes chuvas que atingiram a Zona da Mata mineira entram para a história como um dos eventos mais extremos na região, deixando 65 mortos, além de milhares de desabrigados e desalojados, segundo o balanço de sexta-feira (27) do Corpo de Bombeiros de Minas Gerais.
Yuri atuava no resgate de crianças e idosos no bairro Industrial, um dos mais afetados pelas chuvas, quando o pai da bebê pediu ajuda.
“Eu e mais um soldado saímos perguntando quem estava precisando de ajuda e queria ser resgatado, quando o pai da criança me chamou para tirar a bebê e a mãe, presas no segundo andar da casa”, contou.
A família estava em uma das últimas casas da rua onde os soldados atuavam, de difícil acesso.
“O bairro Industrial inteiro estava debaixo d’água”, lembrou Yuri. “Foi até difícil para o Exército chegar, fomos com a viatura até onde deu, até a água bater no motor”.
As imagens que viralizaram nas redes sociais mostram Yuri com água barrenta quase na cintura, caminhando calmamente em um trecho completamente inundado, embaixo de fios da
rede elétrica, com a bebezinha no colo. O ex-soldado conta que o caminhão do Exército estava 300 metros adiante e que era preciso andar até lá para deixar todos em segurança. Então, acompanhado do pai e da mãe da pequena, que não aparecem nas imagens por estarem mais atrás, Yuri segurou firme a criança e caminhou. “Na hora, você não pensa [em riscos, como correnteza]. Na hora eu só fui”, disse. “Estava ali para ajudar e ajudei”, afirmou.
Nesse mesmo dia, ele salvou também duas crianças de colo e idosos, todos carregados no colo até o caminhão. No vídeo, é possível ver uma idosa sendo atendida por soldados.
Yuri não tem filhos, mas disse que ficou emocionado com o pedido de ajuda da família e agradece às inúmeras mensagens e elogios que vem recebendo. Ele ficou dois anos no Exército, corporação da qual se despediu na sexta-feira, ao meio-dia. Ele foi dispensado após cumprir o Serviço Militar obrigatório.
O pai da criança, Jeferson Rinco, também homenageou Yuri com uma mensagem emocionante nas redes.
“No meio daquela inundação, da água levando nossos sonhos, lembranças e tudo o que construímos com tanto esforço, estava a minha filha, pequena, frágil, nos braços do soldado Yuri”, escreveu.
“Quando eu vi aquela imagem, de novo chorei. Eu vi um anjo de farda, que escolheu arriscar a vida para salvar o que temos de mais precioso nesse mundo”, completou.
Na mensagem, Jeferson Rinco revela que o momento era de desespero.
Preocupado em evitar mais exposição para a criança, Jeferson preferiu não dar entrevista em detalhes. Mas informou que a família, incluindo seis gatos, passa bem.
A mãe e a bebê se abrigaram na casa de parentes, enquanto ele e os animais estão no telhado da residência alagada. Eles perderam bens e móveis com as chuvas, mas esperam conseguir recuperar com apoio e doações.
Caso de Itumbiara acende alerta para violência vicária; entenda
Por Ana Luíza Silva Fonte Agência Brasil
Em meio aos mais diversos tipos de violência contra a mulher registrados todos os dias no Brasil, um caso no interior de Goiás trouxe à tona uma modalidade pouco conhecida ou, pelo menos, pouco comentada: a chamada violência vicária, que ocorre quando um homem machuca ou mata pessoas íntimas de uma mulher com o objetivo de puni-la ou de atingi-la psicologicamente.
Na última quarta-feira (11), o secretário de Governo da prefeitura de Itumbiara (GO), Thales Machado, atirou contra os dois filhos na residência onde morava e, em seguida, tirou a própria vida. Um dos meninos, de 12 anos, morreu antes que pudesse ser socorrido. O irmão mais novo, de 8 anos, foi levado ao hospital em estado gravíssimo, mas morreu horas depois.
Em entrevista à Agência Brasil, a secretária nacional de Enfrentamento à Violência contra Mulheres, Estela Bezerra, descreveu o conceito de violência vicária como uma situação em que o agressor ofende e cria situações de dor e até morte para atingir pessoas que têm relação de afeto com a vítima, principalmente filhos, mas também mães e mesmo animais de estimação.
“Na maioria das vezes, são utilizados crianças e adolescentes, filhos daquela mãe, porque são o maior vínculo afetivo que ela tem. Para poder penalizar a mãe – que foi exatamente o caso em Itumbiara, em que o pai matou os dois filhos para atingir a mãe. É como se ela recebesse a maior penalidade que uma pessoa pode receber, que é ter um filho executado”, explicou.
Estela lembrou que, no caso de Itumbiara e na grande maioria dos demais casos, o agressor constrói ainda uma narrativa em que se coloca como vítima e responsabiliza a companheira pelo ocorrido. Antes de atirar contra si mesmo, Thales Machado postou, nas redes socias, uma carta em que cita uma suposta traição por parte da esposa e uma crise conjugal.
“Ele executa os filhos e constrói, antes de morrer, por meio de narrativas, a responsabilização da esposa. E ainda coloca sobre ela a responsabilidade da morte, da execução que ele cometeu, porque estava sendo rejeitado e o relacionamento amoroso já não correspondia ao que ela desejava para a vida dela”, detalhou a secretária.
“O mais grave dessa situação é que há manipulação. O assassino e também suicida construiu uma narrativa para culpabilizar a vítima que, neste caso, é a mulher. Ela teve os filhos assassinados, teve a imagem dela e a história dela expostas e a
responsabilidade, na tragédia, pela narrativa social e pelo machismo, sobrecai nela”, disse. “Esse tipo de violência tenta penalizar a mulher e responsabilizá-la pelo crime cometido. E o crime cometido é escolha de quem mata. Quem mata escolheu matar. Não é responsabilidade da mulher”, completou.
Segundo Estela, casos de violência vicária são muito comuns no Brasil, mas pouco falados.
“Esse tipo de violência é sistemático, acontece no dia a dia. Vai de situações sutis até situações mais explícitas, como essa em que o homem executa os próprios filhos”.
Ela citou outro caso recente de violência vicária registrado no país, em que um servidor da Controladoria-Geral da União (CGU) agride o filho e a ex-companheira.
“Na cena em que vemos um servidor da CGU atacar uma criança e a mulher, ele ataca primeiro a criança. A mulher tenta proteger a criança e ele ataca também a mulher. Ele bate na criança e na mulher. Quando a mulher se livra, ele ataca a criança novamente. Então, atacar o filho, a mãe e até os animais domésticos ou maltratá-los é uma coisa cotidiana, que acontece em situações de violência doméstica.”
“Há uma cultura muito machista presente no Brasil e no mundo. Há uma assimetria de gênero muito forte, potencializada em várias áreas, na representação política, na economia, onde mulheres recebem menos do que homens, mesmo sendo mais qualificadas. E a maior expressão dessa assimetria se dá no instrumento de violência, um instrumento de manutenção da mulher num lugar de subalternidade, de medo, que não permite a liberdade”, completou.
Sociedade civil
Ao comentar o caso em Itumbiara, o Instituto Maria da Penha, organização não governamental (ONG) que atua no enfrentamento à violência doméstica e familiar contra mulheres, confirmou que casos de violência vicária não são exceção. “É uma forma de violência de gênero que atinge mulheres por meio de crianças e adolescentes. Quando filhos e filhas são usados como instrumentos de controle, punição ou chantagem”.
“Não estamos falando de conflito familiar. Estamos falando de violência. E de violação grave de direitos humanos. Por muito tempo, essa prática foi naturalizada, invisibilizada ou tratada como disputa privada. O resultado é o sofrimento silencioso de mulheres e o impacto profundo no desenvolvimento emocional de crianças e adolescentes.”
Para a ONG, avançar no debate é fundamental. “O Brasil reconheceu oficialmente [por meio de resolução conjunta do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente e do Conselho Nacional dos Direitos da Mulher] a violência vicária como violência de gênero e estabeleceu diretrizes para
a atuação do Sistema de Garantia de Direitos da Criança e do Adolescente, reforçando a necessidade de prevenção, proteção e resposta interinstitucional”.
“Nomear a violência é o primeiro passo para enfrentá-la. Informação de qualidade também é uma forma de proteção. O Instituto Maria da Penha atua para fortalecer políticas públicas, qualificar o debate e contribuir para que nenhuma forma de violência seja tratada como invisível. A informação precisa circular para proteger vínculos, infâncias e direitos.” A entidade alerta para as seguintes formas em que a violência vicária pode se manifestar:
- ameaças envolvendo os filhos;
- afastamento forçado da convivência;
- manipulação emocional;
- falsas acusações;
- sequestro ou retenção ilegal de crianças.
Defensoria pública
Ao se posicionar sobre o caso em Itumbiara, a Defensoria Pública Estadual de Goiás (DPE-GO) publicou nota em que reforça que atos de abuso, violência e feminicídio são crimes e que a prática de ferir os filhos para atingir a mãe tem nome: violência vicária. “Ela não tem culpa. Ponto final”.
“Em novembro de 2024, a DPE-GO promoveu a campanha Ela Não tem Culpa - 21 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra a Mulher, em que buscou refletir sobre a constante culpabilização e julgamento das mulheres, mesmo quando elas são vítimas”, destacou o órgão.
Selic em 15%: os desafios da queda do juros no Brasil em 2026
Oatual momento da taxa Selic no Brasil é marcado por uma postura firme da autoridade monetária diante de um cenário ainda desafiador para a inflação e para as expectativas econômicas. Em fevereiro de 2026, a taxa básica de juros permanece em 15% ao ano, patamar elevado que reflete a estratégia do Banco Central do Brasil de manter condições monetárias restritivas por um período prolongado. A decisão é tomada pelo Comitê de Política Monetária (Copom), responsável por calibrar os juros com o objetivo principal de assegurar a estabilidade de preços. Esse nível de juros é resultado de um ciclo de aperto monetário que buscou conter pressões inflacionárias persistentes. Embora os índices de inflação tenham apresentado desaceleração em determinados momentos, as expectativas para os anos seguintes ainda exigem cautela. O Banco Central tem sinalizado que não basta observar a inflação corrente; é fundamental garantir que as projeções estejam firmemente ancoradas na meta estabelecida. Nesse sentido, a manutenção da Selic em patamar elevado atua como um mecanismo de contenção da demanda, reduzindo o ritmo do consumo e do crédito e, consequentemente, aliviando pressões sobre os preços.
Ao mesmo tempo, o ambiente internacional adiciona camadas de complexidade à condução da política monetária. Oscilações nos preços de commodities, incertezas geopolíticas e a trajetória dos juros nas principais economias do mundo influenciam o fluxo de capitais e a taxa de câmbio brasileira. Em um contexto global volátil, a manutenção de juros altos também funciona como instrumento de proteção, ajudando a sustentar a atratividade dos ativos domésticos e a conter movimentos abruptos no câmbio que poderiam pressionar ainda mais a inflação.
No âmbito interno, a política fiscal e as sinalizações do governo também exercem influência relevante. O diálogo entre o Banco Central e o Ministério da Fazenda é acompanhado atentamente pelo mercado, pois o equilíbrio das contas públicas afeta diretamente as expectativas de inflação e de crescimento. Uma política fiscal percebida como responsável
tende a reduzir prêmios de risco, criando espaço para cortes de juros no futuro. Por outro lado, dúvidas sobre a trajetória da dívida pública podem exigir uma postura monetária mais conservadora por mais tempo.
As projeções captadas pelo Boletim Focus indicam que parte do mercado financeiro espera uma redução gradual da Selic ao longo de 2026, caso a inflação convirja de forma consistente para a meta. No entanto, o próprio Banco Central tem reforçado que qualquer movimento de flexibilização dependerá da evolução concreta dos dados econômicos. A autoridade monetária busca evitar cortes prematuros que possam comprometer a credibilidade conquistada no combate à inflação.
Os efeitos desse cenário de juros elevados são amplos. Para as famílias, o crédito permanece mais caro, impactando financiamentos imobiliários, empréstimos pessoais e compras parceladas. Para as empresas, o custo de capital elevado tende a adiar investimentos e reduzir a expansão da atividade produtiva. Em contrapartida, investidores encontram na renda fixa doméstica um ambiente de retornos mais atrativos, o que altera a dinâmica de alocação de recursos na economia. Assim, o Brasil vive um momento de transição delicada. A Selic em 15% ao ano representa um esforço para consolidar o controle inflacionário e reforçar a confiança na condução da política monetária. O desafio, daqui para frente, será equilibrar a manutenção da estabilidade de preços com a necessidade de sustentar o crescimento econômico. A trajetória dos próximos meses dependerá da combinação entre disciplina fiscal, comportamento da inflação e estabilidade do cenário externo, fatores que definirão quando e em que ritmo o país poderá iniciar um novo ciclo de redução dos juros.
* Humberto Alencar - especialista em finanças públicas e orçamento público. É formado em jornalismo pela UnB e economia pela Católica. Tem mestrado em economia e doutorado em direito pelo IDP.
Superávit primário do Governo
Central fica em R$ 86,9 bilhões
Por Rócio Barreto Fonte Agência Brasil
Com arrecadação recorde, o Governo Central – Tesouro Nacional, Previdência Social e Banco Central – teve superávit primário de R$ 86,9 bilhões em janeiro deste ano, ante ao resultado positivo de R$ 85,1 bilhões em janeiro de 2025. O resultado foi divulgado nesta quarta-feira (25) pelo Tesouro Nacional.
Apesar do aumento nominal no superávit, em termos reais - descontada a inflação - houve redução de 2,2% no resultado positivo.
O resultado de janeiro deste ano veio melhor que o esperado pelas instituições financeiras. Segundo a pesquisa Prisma Fiscal, divulgada todos os meses pelo Ministério da Fazenda, os analistas de mercado esperavam resultado positivo de R$ 84,7 bilhões no mês.
Em 12 meses até janeiro de 2026, o resultado primário do Governo Central tem um déficit de R$ 62,7 bilhões, equivalente a 0,47% do Produto Interno Bruto (PIB, soma de bens e serviços produzidos no país).
O resultado primário representa a diferença entre as receitas e os gastos, desconsiderando o pagamento dos juros da dívida pública. A meta fiscal estabelecida para 2026 prevê superávit primário de R$ 34,3 bilhões, excluindo o pagamen-
to de precatórios e despesas autorizadas fora do arcabouço fiscal. As regras fiscais, no entanto, estabelecem um limite de tolerância de 0,25 ponto percentual em relação à meta central. Dessa forma, ela será considerada cumprida se o governo obter resultado primário zero ou até um superávit de R$ 68,6 bilhões.
Receitas e despesas
Entre os destaques para o crescimento das receitas no mês passado estão:
- R$ 3,9 bilhões (3,3%) na arrecadação com o imposto de renda, em especial com rendimentos do trabalho e rendimentos do capital, parcialmente compensados por uma queda no Imposto de Renda de Pessoa Jurídica;
- R$ 2,7 bilhões (49,3%) com o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), decorrente da maior arrecadação com operações de câmbio (saída), operações de crédito e títulos e valores mobiliários;
- R$ 2,1 bilhões (43,7%) com outras receitas administradas pela Receita Federal, explicado, entre outros fatores, pelos aumentos das arrecadações relacionadas à participação da União em loterias e aos depósitos judiciais;
- R$ 3,9 bilhões (6,9%) com receita previdenciária, refletindo o dinamismo do mercado de trabalho, o crescimento real dos recolhimentos do Simples Nacional previdenciário e a reoneração da folha.
Porém, houve queda de R$ 5,1 bilhões (27,4%) com exploração de recursos naturais, influenciado, principalmente, pela queda do preço internacional do barril de petróleo e pela apreciação da taxa de câmbio.
Da mesma forma, houve redução de R$ 1,4 bilhão (15,1%) na arrecadação com Imposto de Importação, associa-
do, especialmente, aos decréscimos do valor em dólar das importações, na taxa média de câmbio e na alíquota média efetiva do imposto.
Outro fator que contribuiu para atenuar o crescimento da receita primária líquida foi o aumento de R$ 2,9 bilhões (7,8%) dos repasses dos fundos de participação federativos, que refletiram a dinâmica dos tributos que compõem a base de tais repartições de receitas.
Pelo lado das despesas, os principais aumentos foram:
- R$ 4 bilhões (5,3%) em benefícios previdenciários; explicado pelo aumento do número de beneficiários e pelos reajustes reais do salário-mínimo;
- R$ 3,3 bilhões (10,3%) com pessoal e encargos sociais, em função da base de comparação de janeiro de 2025 não refletir os aumentos concedidos ao funcionalismo público, cujos efeitos se efetivaram a partir de maio do ano passado.
Em sentido oposto, compensando parcialmente os aumentos anteriores, houve redução de R$ 1,5 bilhão (27,1%) nas despesas com abono e seguro desemprego em razão, principalmente, da ausência de pagamentos do seguro-defeso, cujos repasses ocorrerão a partir de fevereiro de 2026.
Também foi registrada queda de R$ 1,9 bilhão (6,5%) com despesas obrigatórias com controle de fluxo, decorrente, sobretudo, da redução de despesas com o Bolsa Família e dos gastos na função saúde.
Governo suspende importação de cacau da Costa do Marfim
Por PH Paiva Fonte Agência Brasil
OMinistério da Agricultura e Pecuária suspendeu temporariamente a importação de cacau da Costa do Marfim, maior produtor mundial da amêndoa. A medida foi publicada no Diário Oficial da União desta terça-feira (24). A suspensão entra em vigor imediatamente e vale para as amêndoas fermentadas e secas.
De acordo com o ministério, a decisão foi adotada por causa da possibilidade de mistura de cacau produzido em países vizinhos à Costa do Marfim nas cargas destinadas ao Brasil, o que eleva o risco de entrada de pragas e doenças em território brasileiro. Esses países não têm autorização para exportar cacau ao Brasil, diferentemente da Costa do Marfim.
“A medida fundamenta-se no risco fitossanitário decorrente do elevado fluxo de grãos de países vizinhos para o território marfinense, o que possibilita a mistura de amêndoas nas cargas destinadas ao Brasil”, informa o despacho publicado no Diário Oficial.
A pasta determinou que as secretarias de Comércio e Relações Internacionais e de Defesa Agropecuária apurem “fatos de triangulação de amêndoas fermentadas e secas de cacau provenientes da República da Costa do Marfim, com possíveis implicações fitossanitárias”.
A suspensão permanecerá até a apresentação de documento formal pela Costa do Marfim, garantindo que não há risco da presença de amêndoas de cacau de países vizinhos nas cargas com destino ao Brasil.
Promulgado protocolo da OIT contra trabalho forçado
Por PH Paiva Fonte Agência Brasil
ODiário Oficial da União publica hoje (25) o Decreto n 12.857/2026, que promulga o Protocolo de 2014 relativo à Convenção 29 da Organização Internacional do Trabalho sobre Trabalho Forçado ou Obrigatório.
O documento, aprovado por mais de 180 países em 2014, complementa a Convenção 29 da Organização Internacional do Trabalho (OIT) e atualiza compromissos internacionais voltados à prevenção do trabalho forçado, à proteção das vítimas e ao fortalecimento de mecanismos de fiscalização e responsabilização.
A promulgação insere o texto formalmente no ordenamento jurídico brasileiro. Entre outros pontos, a medida amplia o alinhamento do país a parâmetros internacionais de
direitos humanos e impacta políticas públicas de inspeção do trabalho, persecução penal e responsabilização administrativa.
Veja algumas medidas previstas no documento para prevenir o trabalho forçado ou obrigatório:
Acesso à educação e informação a empregadores e pessoas consideradas vulneráveis;
Aumento da fiscalização esforços para que serviços de inspeção do trabalho sejam fortalecidos;
Proteção de pessoas, principalmente de trabalhadores migrantes, contra práticas abusivas e fraudulentas nos processos de recrutamento;
Fortalecimento dos setores público e privado que atuam na prevenção; e
Ações para abordar as causas profundas e os fatores que aumentam o risco de trabalho forçado ou compulsório.
Macacos pouco sábios
Desde há muitos anos circula por aí um conjunto de três fotos de um mesmo trecho de rua. A primeira mostra o segmento tomado por carros acompanhados do grupo de pessoas que aquela frota é capaz de transportar. Na segunda o mesmo grupo está ao lado de um único ônibus em que cabem todas aquelas pessoas. Na terceira as mesmas pessoas estão montadas em bicicletas confortavelmente distantes entre si, ocupando o espaço correspondente a uns três ônibus. Confirmando o dito de que uma imagem vale mais que mil palavras, as três fotos alinhadas são uma eloquente demonstração dos ganhos em sustentabilidade que representam o transporte coletivo e a mobilidade ativa.
Em tempos de mudanças climáticas e metas de redução do consumo de energia de fontes fósseis, o mercado dos transportes vem experimentando crescentes ganhos de escala de importantes inovações tecnológicas. Embora nem sempre devidamente reconhecido por isso, o Brasil teve papel relevante nesse cenário a partir do último quarto do século passado, quando criou o Proálcool, programa destinado a enfrentar a crise do petróleo deflagrada pela Guerra do Yom Kippur em 1973 com a substituição da gasolina pelo etanol da cana-de-açúcar nos motores de nossos carros. Depois das ênfases dadas à produção de veículos movidos a álcool e à adição de etanol à gasolina, o maior legado do programa foi o desenvolvimento dos motores “flex”, lançados pela indústria brasileira no início deste século e que logo se tornaram o padrão nacional.
um bem impressionado amigo que voltava de Pequim quase vinte anos após a visita anterior.
Se são inegáveis os benefícios da substituição dos combustíveis de origem fóssil nos motores, ainda há um debate aberto para as etapas anteriores (expansão de monoculturas de cana e milho, inundações para manter reservas das hidrelétricas) e posteriores (descarte de baterias) ao momento da realização das viagens. Debates semelhantes ocorrerão com o desenvolvimento de outras alternativas, como o assim anunciado promissor hidrogênio.
“Depois das ênfases dadas à produção de veículos movidos a álcool e à adição de etanol à gasolina, o maior legado do programa foi o desenvolvimento dos motores “flex”, lançados pela indústria brasileira no início deste século e que logo se tornaram o padrão nacional.”
O que nenhuma dessas tecnologias resolve é o comprometimento do espaço urbano com a infraestrutura requerida pela mobilidade individual. Seja para fins de circulação ou de estacionamento (sem falar em instalações de apoio, como estações de abastecimento), todas essas tecnologias implicam na dedicação de significativas parcelas do solo apropriadas privada e desproporcionalmente pelos consumidores dos modos individuais de deslocamento.
Voltando às imagens, há uma versão atualizada das três fotos, todas agora com a mesma imagem da rua tomada por carros. O que muda são as legendas: carros flex, carros elétricos, carros híbridos. Sobre o tema da democratização do espaço urbano, portamo-nos como cegos, surdos e mudos, tais quais os simpáticos primatas de outra imagem famosa.
Governo suspende importação de cacau da Costa do Marfim
Por Rócio Barreto Fonte Agência Brasil
OPlenário da Câmara dos Deputados aprovou no final da noite de terça (24) o projeto de lei antifacção, que prevê o aumento de penas pela participação em organização criminosa ou milícia. A proposta foi enviada pelo governo federal ao Congresso em 31 de outubro, mas houve alterações tanto na Câmara como no Senado.
Na Câmara, o relator foi o deputado Guilherme Derrite (PP-SP), que apresentou substitutivo ao Projeto de Lei 5582/25, de autoria do governo federal.
O texto final, agora, seguirá para sanção do presidente Lula. O projeto estipula a tipificação de condutas comuns de organizações criminosas ou milícias privadas.
Foram excluídas também a taxação de bets para criação de fundo de combate ao crime organizado e mudanças na atribuição da Polícia Federal em cooperações internacionais. Nesta quarta, o presidente da Câmara Hugo Motta anunciou que a possível futura lei deverá ser batizada com o nome do ex-ministro Raul Jungmann, que morreu no mês passado.
Segundo o texto final, haverá restrições ao condenado por esses crimes como proibição de ser beneficiado por anistia, graça ou indulto, fiança ou liberdade condicional.
Mais recentemente, agora com o inegável protagonismo chinês, temos assistido ao avanço da chamada mobilidade elétrica. O impacto da decorrente substituição da frota veicular na qualidade do ar de cidades chinesas até prescinde avaliações técnicas – dia desses ouvi relato nesse sentido de
* Paulo Cesar Marques da Silva é professor da área de Transportes da Faculdade de Tecnologia da Universidade de Brasília e pesquisador do Observatório das Metrópoles. Possui graduação em Engenharia pela Universidade Federal da Bahia, mestrado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro e doutorado pela University College London..
A pena prevista é de reclusão de 20 a 40 anos em um crime categorizado como domínio social estruturado. O favorecimento a esse domínio será punido com reclusão de 12 a 20 anos.
Na Câmara, o projeto de lei Antifacção foi chamado de “Marco legal de enfrentamento do crime organizado”. A maior parte das alterações feitas pelo Senado acabaram rejeitadas.
Ainda, os dependentes de quem se envolver com crime organizado não contarão com auxílio-reclusão se ele estiver preso provisoriamente ou cumprindo pena privativa de liberdade, em regime fechado ou semiaberto, em razão de ter cometido qualquer crime previsto no projeto.
As pessoas condenadas por esses crimes ou mantidas sob custódia até o julgamento deverão ficar obrigatoriamente em presídio federal de segurança máxima se houver indícios concretos de que exercem liderança, chefia ou façam parte de núcleo de comando de organização criminosa, paramilitar ou milícia privada.
GDF organiza dados para unificar políticas de promoção da diversidade
Por PH Paiva Fonte Agência Brasil
ASecretaria de Economia do Distrito Federal (Seec-DF) come -
çou a buscar e catalogar dados sobre os servidores da administração direta e indireta para discutir políticas direcionadas à inclusão, equidade e diversidade, com foco em gênero e raça. O primeiro passo já foi dado: nesta segunda-feira (23), o Distrito Federal (DF) tornou-se a primeira unidade da Federação a fazer parte da Rede Equidade, formada por instituições públicas para compartilhar boas práticas nesse tema.
O acordo foi celebrado pelo secretário de Economia (Seec-DF), Daniel Izaias de Carvalho, e pela diretora-geral do Senado, Ilana Trombka. O trabalho está sendo elaborado pelas secretarias executivas de Valorização e Qualidade de Vida (Sequali) e de Gestão Administrativa (Segea), ambas da Seec-DF.
Atualmente, o GDF possui cerca de 130 mil servidores, sendo a maioria mulheres. “Vamos ampliar a discussão sobre a equidade, criando grupos de trabalho (GTs) valendo-se dos mesmos moldes que usamos para debater questões de saúde mental no trabalho”, destacou a subsecretária de Valorização do Servidor da Sequali/Seec, Tânia Monteiro.
Instituída em março de 2022, por iniciativa de órgãos como o Senado Federal, o Tribunal de Contas da União, o Conselho Nacional de Justiça, o Superior Tribunal de Justiça e outros, a Rede tem por missão promover a diversidade, equidade e inclusão na gestão pública, visando contribuir para a construção de uma sociedade mais justa e susten-
tável. “É um marco para o GDF. Além de demonstrar nossa preocupação com a qualidade de vida e com o bem-estar do servidor, esse é um gesto efetivo para a adoção de políticas locais com foco em gênero e raça”, destacou Daniel Izaias.
“Apesar de a Economia ser uma secretaria técnica, ela tem também como foco criar uma sociedade mais equânime, dando exemplos e definindo rumos dentro da administração pública”, ressaltou a titular da pasta. A diretora-geral Ilana Trombka, por sua vez, lembrou que o trabalho em rede potencializa e fortalece esse espírito de ação e ressaltou que o envolvimento das altas autoridades, se pondo à frente das iniciativas, torna o tema uma política de Estado.
No mês que vem, a Rede Equidade será apresentada à Organização das Nações Unidas (ONU), que demonstrou interesse em espalhar por seus países-membros o modelo de autoavaliação de alguns órgãos participantes.
O secretário-executivo da Sequali, Epitácio Júnior, diz que o termo de adesão firmado pelo GDF/Rede Equidade não implica compromissos financeiros ou transferências de recursos entre os participantes e colaboradores. Com isso, o custeio das despesas de qualquer atividade fica a cargo da gestão da área — seja direta ou indireta, como fundações e empresas públicas.
O prazo de cooperação técnica tem validade de 60 meses. “Essa adesão reforça o compromisso da administração pública local com a diversidade e a inclusão”, reforça o secretário executivo da Segea, Angelo Roncalli.
Também participaram do evento da assinatura do termo de adesão Maria Terezinha Nunes, coordenadora da Rede Equidade pelo Senado; e a assessora especial da Sequali, Gilvanete Mesquita.
DF registra melhor resultado da história no acompanhamento de saúde do Bolsa Família
Por PH Paiva Fonte Agência Brasil
ODistrito Federal alcançou um marco histórico no acompanhamento das condicionalidades de saúde do programa Bolsa Família. Na segunda vigência de 2025, o percentual de cobertura chegou a 86,6%, o melhor já registrado na capital. O índice corresponde à proporção de beneficiários que tiveram o acompanhamento em saúde realizado e devidamente registrado pelas equipes da Atenção Primária à Saúde (APS).
“Esse resultado expressivo demonstra a capilaridade da APS e o trabalho comprometido das equipes que atuam diariamente junto às famílias beneficiárias, garantindo cuidado oportuno, vigilância ativa e acompanhamento qualificado”, destaca o coordenador de Atenção Primária à Saúde, Afonso Mendes. O acompanhamento envolve a atuação de diversos profissionais da Secretaria de Saúde (SES-DF), como equipes das unidades básicas de saúde (UBSs), da Estratégia Saúde da Família (eSF) e agentes comunitários de saúde (ACS), além de gestores da pasta.
Para a coordenadora distrital do Bolsa Família, Christiane Viana, o percentual alcançado significa que quase nove em
cada dez pessoas do público-alvo foram acompanhadas. “O índice mostra a força da APS, com ações de busca ativa, organização do território, engajamento das equipes e articulação intersetorial. O rastreio é fundamental para assegurar que famílias em maior vulnerabilidade não fiquem sem cuidados essenciais”, explica.
O acompanhamento de saúde do primeiro semestre deste ano(janeiro a junho) já começou. Mulheres de 14 a 44 anos, gestantes e crianças menores de 7 anos inscritas no programa devem passar pelo rastreio, realizado na UBS de referência. É necessário levar o cartão do Bolsa Família ou o Número de Identificação Social (NIS), documento com foto, caderneta da criança e, se for o caso, cartão da gestante.
O cumprimento das condicionalidades de saúde é obrigatório e inclui, principalmente, a atualização do calendário vacinal e a avaliação nutricional de crianças, além do acompanhamento da gestação e da realização do pré-natal pelas beneficiárias. O descumprimento pode acarretar medidas como bloqueio, suspensão e, em último caso, desligamento do Bolsa Família.
Projeto do DF ganha projeção internacional
Filhos da Nação, iniciativa que utiliza esportes a remo na promoção da saúde mental de crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade, foi selecionado para participar de conferência sobre o Brasil nos Estados Unidos
Por PH Paiva Fonte Correio Braziliense
Criado no Distrito Federal, o projeto social Filhos da Nação foi selecionado para integrar a Brazil Conference 2026, realizada em Harvard e no MIT. A conferência reúne estudantes, líderes e especialistas para debater soluções e possíveis caminhos para o Brasil. Com o tema “O Futuro do Brasil: Transformando Desafios em Progresso”, o evento, que leva ao cenário internacional iniciativas brasileiras, ocorre entre 27 e 29 de março em Boston, nos Estados Unidos.
A iniciativa Filhos da Nação, criada em 2017, atende a crianças e a adolescentes de 6 a 18 anos sob medida protetiva
judicial. Também são contemplados adultos com deficiência. Por meio da hemoterapia, combinação de esportes a remo, contato com a natureza e princípios da psicologia junguiana, o projeto atende a esse público com o objetivo de promover o desenvolvimento humano e a saúde mental.
A iniciativa atende a mais de 300 pessoas por ano. Gabriela Speziali, cofundadora do projeto, foi escolhida para representar o Centro-Oeste na conferência. Além dela, participarão do evento o ex-capitão da Seleção Brasileira Cafu, a cantora Vanessa da Mata e o jornalista e ativista social Manoel Soares.
Mercado imobiliário do DF movimentou
R$ 4,85 bilhões e valorizou 8% em 2025
O volume de lançamentos e comercialização direta ao consumidor foi de 6 mil unidades em 2025. Os números são da oitava edição do Anuário do Mercado Imobiliário, que será lançado nesta terça-feira (24/2)
Por PH Paiva Fonte Correio Braziliense
O setor imobiliário no Distrito Federal movimentou R$ 4,85 bilhões em vendas no mercado primário, chegando à valorização média de 8% no ano passado. O volume de lançamentos e comercialização direta ao consumidor foi de 6 mil unidades. Esses resultados equivalem a um ticket médio de R$ 808,6 mil, contra R$ 785,5 mil do período anterior. O valor médio do m passou de R$ 13,21 mil para R$ 14,25 mil, uma alta de 7,9%. Os números são da oitava edição do Anuário do Mercado Imobiliário de 2025, que será lançado hoje pela QuadraImob Inteligência Imobiliária e reúne dados consolidados de lançamentos, vendas, valorização e segmentação por padrão. Somente em lançamentos, foram R$ 4,43 bilhões em Valor Geral de Vendas (VGV), com 40 novos empreendimentos, a maior parte do montante. Desses, 24 foram de alto e médio padrão, com ticket médio de R$ 1,39 milhão. No segmento econômico, foram 16 novos empreendimentos, totalizando 2.373 unidades e VGV de R$ 877,59 milhões, com ticket médio de R$ 369,82 mil. Embora a valorização, conforme o estudo, tenha ocorrido de maneira disseminada, três polos centrais se destacaram. O Noroeste, no alto padrão, consolidou a posição como referência para imóveis de alto valor agregado. No médio padrão, Águas Claras, com 2.238
unidades e valor médio de R$ 12,1 mil/m continuou se sobressaindo, inclusive pela diversidade de opções de compra para o consumidor, e foi responsável por 29% de toda a oferta do DF. No segmento econômico, Samambaia liderou com valor médio de R$ 7,49 mil/m uma valorização de 12,83%.
Além de registrar resultados, o estudo, que será divulgado no auditório do Sinduscon, interpreta tendências e identifica os fatores que impulsionam o crescimento, com foco em subsidiar as empresas que atuam no mercado imobiliário. À coluna, Rogério Oliveira (foto), sócio da QuadraImob, explicou a importância da separação por segmento quando se analisam os vetores de expansão para os próximos anos. “Olhando para frente, o Jardim Botânico deve se consolidar como o principal vetor do alto padrão, tanto com condomínios verticais quanto com projetos horizontais de lotes e de casas”, afirmou. “O destaque no médio padrão passa a ser Sobradinho, especialmente por ser uma região com boa infraestrutura viária e grandes áreas (lotes) disponíveis, o que permite projetos de maior escala. Já no segmento econômico, vemos expansão relevante para regiões como Recanto das Emas, especialmente com empreendimentos vinculados a políticas públicas e ao Minha Casa, Minha Vida”, avaliou.
A Última Liberdade e a Estátua da Responsabilidade
Oneuropsiquiatra austríaco Viktor Frankl, sobrevivente do Holocausto, no seu livro Em busca de Sentido, de 1946, legou-nos uma oportunidade de profunda reflexão sobre a essência da alma humana. Em meio à fome e à morte iminente, ele percebeu que os opressores podiam tirar-lhe tudo, exceto a última das liberdades humanas, a capacidade inalienável de escolher a própria atitude diante de qualquer circunstância, defendendo que, mesmo no abismo mais avassalador, o ser humano mantenha o poder de preservar sua bússola moral.
A riqueza dessa escolha fica evidente ao contrastarmos Frankl com Adolf Eichmann, o burocrata nazista estudado pela filósofa judia alemã, Hannah Arendt. Eichmann possuía total liberdade física, mas nenhuma liberdade moral. Sua consciência crítica, a Moralidade Subjetiva descrita pelo filósofo alemão Hegel, estava morta, pois, mecanicamente apenas cumpria ordens. Frankl, por outro lado, não tinha nenhuma liberdade física, mas sua Moralidade Subjetiva permanecia intacta. Ao escolher não se tornar um animal como seus opressores, Frankl quebrou, na prática, o trágico ciclo descrito por Paulo Freire, onde o oprimido, sem uma educação libertadora, apenas sonha em se tornar o opressor. Hoje, não enfrentamos os horrores dos campos de concentração. Em compensação, temos vivido em um ecossistema digital que ataca sorrateiramente essa liberdade interior. Com total liberdade física em nossas casas, somos frequentemente aprisionados moralmente por algoritmos criados para explorar nosso vácuo existencial. Ao premiar a indignação e o ódio com engajamento, as redes sociais nos reduzem a autômatos, ressuscitando a banalidade do mal, de Arendt, e o ciclo de opressão, de Freire, em escala global.
“ Ao premiar a indignação e o ódio com engajamento, as redes sociais nos reduzem a autômatos, ressuscitando a banalidade do mal, de Arendt, e o ciclo de opressão, de Freire, em escala global.”
micos para destruir o outro não é livre; abdicou do seu pensamento crítico, se tornando escravo das Big Techs. É aqui que Frankl nos oferece a chave para o dilema contemporâneo. Ele alerta que a liberdade degenera em arbitrariedade e caos quando não é vivida com responsabilidade. Por isso, sugeriu a Estátua da Responsabilidade como equilíbrio à Estátua da Liberdade, na Costa Oeste dos EUA, defendendo que a real liberdade é a escolha responsável. Temos aí, a raiz indiscutível em defesa da regulação das redes sociais. Censurar é calar o debate legítimo de ideias. Responsabilizar é punir o espalhamento industrial, intencional e criminoso da desinformação. Regulação não é repressão. Para Hegel, ela é o Estado democrático estabelecendo os limites da Moralidade Objetiva para que a vida civilizada seja possível. Com ela, erguemos a nossa Estátua da Responsabilidade coletiva.
Mas essa estrutura institucional exige uma postura íntima e individual. Frankl adverte que devemos parar de perguntar o que esperamos da vida, e entender que somos nós os questionados por ela, continuamente. A nossa resposta, diante do caos informacional, não deve consistir apenas em debates passivos ou indignação vazia, mas em ação e conduta corretas. Viver significa assumir a responsabilidade de cumprir a tarefa ética que o nosso tempo exige. A regulação constrói os muros que protegem a praça pública democrática, mas somos nós, exercendo nossa última liberdade, que decidimos não nos tornarmos os bárbaros dentro dela.
Cria-se, então, um paradoxo perigoso. Indivíduos reivindicam o direito de espalhar desinformação e ódio sob a égide da liberdade de expressão. O que esses e outros pensadores nos mostram é que quem age movido por impulsos algorít-
* Wilson Coelho é especialista em Políticas públicas de Saúde pela UNB, e Informática em Saúde pelo IEP-HSL.
Agrotóxicos estão mais nocivos em todo o mundo, aponta estudo
Por Rócio Barreto Fonte Agência Brasil
Ograu de toxicidade dos pesticidas aumentou em todo o mundo de 2013 e 2019, com o Brasil entre os países líderes. A conclusão está em um estudo publicado este mês na revista Science e contraria a meta de redução de riscos dos pesticidas até 2030, estabelecida na 15 Conferência das Nações Unidas sobre Biodiversidade (COP15). Pesquisadores alemães da universidade de Kaiserslautern-Landau avaliaram 625 pesticidas em 201 países. Eles utilizaram o indicador de Toxicidade Total Aplicada (TAT), que considera o volume usado e o grau de toxicidade de cada substância.
Seis de oito grupos de espécies estão mais vulneráveis aos níveis crescentes de toxicidade. São eles: artrópodes terrestres (como insetos, aracnídeos e lacraias), cuja toxicidade
aumentou 6,4% ao ano; organismos do solo (4,6%), peixes (4,4%); invertebrados aquáticos (2,9%), polinizadores (2,3%) e plantas terrestres (1,9%).
O TAT global diminuiu apenas para plantas aquáticas (−1,7%) e vertebrados terrestres (−0,5% ao ano). Humanos fazem parte desse último grupo.
“O aumento das tendências globais de TAT representa um desafio para o alcance da meta de redução de risco de pesticidas da ONU e demonstra a presença de ameaças à biodiversidade em nível global”, diz um dos trechos do estudo.
Brasil em destaque
O Brasil aparece como um dos principais protagonistas desse cenário. O estudo identifica o país como detentor de uma das maiores intensidades de toxicidade por área agrícola
em todo o planeta, ao lado de China, Argentina, Estados Unidos e Ucrânia. Além disso, Brasil, China, Estados Unidos e Índia respondem juntos por 53% a 68% da toxicidade total aplicada no mundo.
A relevância brasileira está diretamente ligada ao peso do agronegócio, especialmente de culturas extensivas. Embora cereais tradicionais e frutas ocupem grandes áreas, a toxicidade associada a culturas como soja, algodão e milho exerce impacto significativamente maior em relação à extensão cultivada.
Tipos de pesticidas
Um dos achados mais relevantes do estudo indica que o problema é altamente concentrado: em média, apenas 20 pesticidas por país respondem por mais de 90% da toxicidade total aplicada.
O levantamento aponta que diferentes classes químicas dominam os impactos. Classes de inseticidas, como piretroides e organofosforados, contribuíram com mais de 80% do TAT de invertebrados aquáticos, peixes e artrópodes terrestres. Neonicotinoides, organofosforados e lactonas representaram mais de 80% do TAT de polinizadores.
Organofosforados, juntamente com outras classes de inseticidas, foram os que mais contribuíram para os TATs de vertebrados terrestres. Herbicidas acetamida e bipiridil contribuíram com mais de 80% para o TAT das plantas aquáticas, enquanto uma mistura mais ampla de herbicidas (incluindo acetamida, sulfonilureia e outros) definiu o TAT das plantas terrestres. Herbicidas de alto volume, como acetoclor, paraquat e glifosato, pertencem a essas classes e têm sido associados a riscos ambientais e à saúde humana.
Fungicidas conazol e benzimidazol, juntamente com os inseticidas neonicotinoides, aplicados no revestimento de sementes, contribuíram principalmente para o TAT dos organismos do solo.
Meta global distante
O estudo também avaliou a trajetória de 65 países. O diagnóstico é de que, sem mudanças estruturais, apenas um país (Chile) atingirá a meta da ONU de redução de 50% da toxicidade dos pesticidas até 2030.
Segundo os pesquisadores, China, Japão e Venezuela estão no caminho para atingir a meta e apresentam tendências de queda em todos os indicadores. Mas precisam de uma aceleração nas mudanças de uso de agrotóxicos.
Tailândia, Dinamarca, Equador e Guatemala estão se afastando da meta, com pelo menos um indicador dobrando nos últimos 15 anos. Eles precisam reverter as tendências de rápido aumento para voltar a trajetória anterior.
Todos os outros países do estudo, o que inclui o Brasil, precisam retornar os riscos de pesticidas aos níveis de mais de 15 anos atrás. O que significa reverter padrões de uso das substâncias consolidadas há décadas, em termos de volume e toxicidade das misturas.
Os pesquisadores indicam três frentes principais para conter a escalada dos riscos: substituição de pesticidas altamente tóxicos, expansão da agricultura orgânica e adoção de alternativas não químicas. Tecnologias de controle biológico, diversificação agrícola e manejo mais preciso são apontadas como estratégias capazes de reduzir impactos sem comprometer produtividade.
Renata Dourado*
Sônia Dourado: A Mulher que Transformou Arte em Liberdade!
Professora visionária e fundadora da Casa de Cultura do Guará, rompeu barreiras, acolheu gerações e fez da arte um instrumento de emancipação, dignidade e resistência no Distrito Federal.
Uma visionária. Estava anos luz à frente do seu tempo. Desde sempre. Veio ao mundo para fazer diferença. E fez. A autenticidade, que poucas vezes vi igual na vida, era uma das características mais marcantes. Assim como a alegria de viver. Como profissão, decidiu ser professora. De artes. Ensinou muito mais do que a matéria. Sua sala, na escola, era o oásis, para os alunos que viviam tempos de repressão política e social. Em suas aulas, jovens aprendiam muito além da teoria, entendiam que poderiam fazer escolhas. Mais do que isso: tinham a liberdade de se perceberem, sem amarras e prisões às cobranças alheias, e se aceitarem como eram. Por isso, foi tão amada.
Dava a cada um a liberdade e o direito de ser quem era. Assim, como dava a si, também. Respirava arte. Vivia a arte. Era a própria arte, em sua essência mais pura. Pintava o cabelo de várias cores, de uma vez só. Um arco-íris ambulante. Criou tendências. Andava descalça, em repartições públicas, com brincos de pena, voava, como uma ave liberta. Não demorou muito para que a sala de aula ficasse pequena para seu talento. Decidiu criar a primeira casa de Cultura do Distrito Federal. Não foi fácil. Precisava do aval do governo.
E para isso, escalar todas as montanhas da burocracia. Visitou gabinetes, conversou com artistas, pegou assinatura da população, escolheu um espaço
desativado que no futuro viria a ser um celeiro de alegria, de arte, de cultura, de acolhimento, de amor. Era persistente. Lutou e conseguiu.
Fundou, no final da década de 80, a Casa da Cultura do Guará. Sua sala de aula se expandiu. Recebia centenas de pessoas por mês. Montou uma biblioteca. Criou cursos de teatro, música, dança... Com sua sensibilidade, percebeu que mulheres precisavam ganhar o próprio dinheiro para se libertarem de relacionamentos tóxicos e violentos. Para terem o mínimo de dignidade. Passou a oferecer cursos de capacitação profissional: manicure, cabeleireira, secretária e vários outros.
Tudo de graça. E de fato, várias mulheres se emanciparam e conseguiram não só se libertar de relações abusivas, como criar os filhos, com o próprio sustento. Com a arte, fazia com que as pessoas sonhassem com uma vida mais bonita.
Ao lado dela, o mundo era melhor, com poesia, música e alegria. Sônia Dourado partiu no dia 26 de abril de 2023. Um voo solo, que deixou uma imensa saudade e um aprendizado inexplicável de respeito à individualidade e à essência do outro e de si, mesma.
Um grupo de artistas, admiradores e de amigos decidiu se unir e lutar para que o espaço que ela criou tenha o nome de Casa Da Cultura Sônia Dourado. E vai conseguir. Em breve veremos essa placa tão sonhada e tão merecida. Sônia Dourado presente!!! Para sempre. Na história e em nossos corações.
* Renata Dourado é psicanalista e jornalista. Trabalha na TV Ban deirantes há mais de 15 anos. Apresenta o Band Cidade, jornal local, que vai ao ar, ao vivo, de Segunda a Sexta, às 18h50. Também apresenta o Band Entrevista, que vai ao ar, aos sábados.
Paraíso em Goiás é eleito um
dos 10
destinos mais acolhedores do mundo
Por Ana Luiza Silva
Fonte Catraca Livre
Tombada como Patrimônio Nacional, a cidade de Pirenópolis, no coração de Goiás, acaba de ser eleita um dos 10 destinos mais acolhedores do mundo pelo Traveller Review Awards 2026, premiação anual da plataforma Booking.com.
Piri, como é carinhosamente chamada por quem frequenta este oásis em pleno cerrado, é a única cidade brasileira a figurar no ranking, que celebra a excelência no acolhimento ao turista. As ruas de quartzo, os casarios coloniais coloridos e o som constante das águas de suas cachoeiras apontam que o luxo reside na simplicidade e na receptividade dos moradores.
Os destinos, segundo a Booking.com, foram selecionados de acordo com a proporção de acomodações parceiras pre-
miadas este ano em cada local, com base em mais de 370 milhões de avaliações verificadas de viajantes de todo o mundo.
Pirenópolis é paraíso em pleno Cerrado
Fundada no século 18 durante o ciclo do ouro, Pirenópolis preserva traços da arquitetura colonial e mantém tradições históricas no traçado urbano. O nome faz referência à Serra dos Pireneus, formação que domina a paisagem e ajuda a definir a identidade local. O Centro Histórico de Pirenópolis reúne casarões coloniais coloridos, igrejas barrocas e ruas de pedra que atravessam gerações. O conjunto urbano é tombado pelo Iphan e integra um dos mais expressivos acervos patrimoniais do Centro-Oeste.
Nos arredores colinas próximas escondem mais de 80 cachoeiras, como a da Meia Lua e as dos Dragões. O acesso pode ser feito de carro alugado ou em passeios guiados que incluem paradas para banho, caminhadas e mirantes naturais. Restaurantes e feiras de artesanato mantêm a produção local visível ao visitante.
Entre abril e junho, a Festa do Divino Espírito Santo ocupa as ruas com cortejos, música e comidas tradicionais, alterando a rotina da cidade histórica.
Onde se hospedar em Pirenópolis
Instalada no Centro Histórico de Pirenópolis, a Confraria da Prata Flats é um refúgio elegante, a apenas 5 minutos a pé da Igreja de Nossa Senhora do Rosário. Os hóspedes contam com apartamentos confortáveis e bem equipados, além de terraço ao sol, jardim e uma piscina ao ar livre. A acomodação oferece ainda área de piquenique e lareira ao ar livre.
Como chegar
Quem pretende visitar Pirenópolis pode desembarcar nos aeroportos de Brasília ou Goiânia e seguir viagem por ônibus ou carro.
A partir de Brasília, o trajeto até Pirenópolis tem cerca de 150 km e leva entre 2h e 2h30, conforme as condições de trânsito.
Desde Goiânia, a distância é de aproximadamente 120 km, com tempo médio de deslocamento entre 1h30 e 2h.
10 destinos mais
acolhedores do mundo
Veja abaixo a lista dos 10 destinos mais acolhedores (em ordem aleatória).
1. Montepulciano, Itália
2. Magong, Taiwan
3. San Martín de los Andes, Argentina
4. Harrogate, Reino Unido
5. Fredericksburg, Estados Unidos
6. Pirenópolis, Brasil
7. Swakopmund, Namíbia
8. Takayama, Japão
9. Noosa Heads, Austrália
10. Klaipeda, Lituânia
3 destinos para viajar na Bahia sem gastar muito dinheiro
OCarnaval acabou e os brasileiros agora aguardam o próximo feriado prolongado, a Semana Santa. A pousada Travel Inn Trancoso, em Porto Seguro, lançou uma promoção com diária grátis. A condição prevê quatro noites de hospedagem com pagamento de três.
O benefício é válido para estadias entre 2 e 5 de abril, com reservas feitas diretamente no site da pousada e uso de cupom PASCOA2026. A oferta permite iniciar a hospedagem antes do feriado ou estender a permanência após o domingo de Páscoa.
O que fazer em Trancoso
Além da Praia do Rio Verde, o litoral de Trancoso tem faixas de areia extensas que permitem caminhadas entre praias
vizinhas, como Itapororoca e Coqueiros, dependendo da maré. Pela manhã, o movimento é menor e concentra praticantes de corrida, yoga e passeios à beira-mar.
O Quadrado Histórico reúne construções coloridas voltadas para a Igreja de São João Batista, de frente para o mar. Ao longo do dia, o espaço é usado para circulação de visitantes e, à noite, concentra restaurantes e lojas. Passeios de bicicleta, visitas a praias mais afastadas e deslocamentos curtos até Caraíva estão entre as atividades frequentes para quem permanece mais dias no destino. O ritmo de visitação varia conforme a época do ano, com aumento no fluxo durante feriados prolongados.
A oferta gastronômica combina culinária baiana, frutos do mar e cozinhas internacionais. Parte dos estabelecimentos funciona em casas adaptadas, mantendo a ocupação horizontal do vilarejo.
Malta entra no mapa do Caminho de Santiago
Desde de janeiro de 2023, o Caminho de Santiago, uma das rotas de peregrinação mais famosas do mundo, tem mais um ponto oficial de partida: o arquipélago de Malta. A inclusão do país cria um trajeto que passa por Sicília, Sardenha e Barcelona até se conectar aos caminhos já existentes no continente e finalizar em Santiago de Compostela.
Batizada de Caminho Maltês, o percurso tem aproximadamente 35 km de extensão. Começa na Gruta de São Paulo, em Rabat, segue para ejtun, o Forte de Santo Ângelo, em Birgu, e finalmente atravessa o porto até Valletta, onde os peregrinos pegam a balsa para a Sicília.
Uma placa indicando a Galícia, na Espanha, foi colocada perto da entrada do Forte de Santo Ângelo, sinalizando-o como a última parada local ao longo do Caminho Maltês antes de partir para território italiano.
A importância religiosa do Caminho Maltês se destaca por vários pontos como a Gruta de São Paulo, onde se inicia a peregrinação, em Rabat, local histórico onde a tradição cristã afirma que o apóstolo Paulo teria se refugiado e pregado durante três meses após naufrágio ocorrido em 60 d.C., sendo um local de grande devoção e peregrinação.
O Forte de Santo Ângelo foi escolhido como etapa final por sua relação com os Cavaleiros de São João e com as rotas marítimas históricas do Mediter-
râneo. O edifício fica de frente para Valletta e integra o conjunto das chamadas Três Cidades —Birgu, Senglea e Cospicua— área fortificada do século 16 com presença de igrejas e antigos itinerários de devoção.
A criação do trajeto não altera as rotas tradicionais do Caminho de Santiago, mas amplia as opções de partida. Peregrinos que iniciam em Malta passam a integrar o fluxo internacional ao chegar à Sicília, seguindo depois por Sardenha e Barcelona até entrar nos caminhos terrestres rumo ao norte da Espanha.
Na prática, o trecho maltês funciona como etapa inicial simbólica e logística, conectando o deslocamento marítimo às rotas já consolidadas no continente.
A estruturação do percurso inclui sinalização, credencial de peregrino e pontos de referência religiosa. A proposta combina caminhada local, travessias por mar e integração com o sistema europeu de rotas jacobeias.
Com a oficialização, Malta passa a figurar na lista de territórios reconhecidos como origem possível da peregrinação, ao lado de países como Portugal, França e Itália.
Por Ana Luiza Silva Fonte Catraca Livre
Por Ana Luiza Silva Fonte Catraca Livre
Nova promessa do rock alternativo, O Boto fala sobre a estreia dos singles que antecipam o álbum
“Diferente de Ninguém”
Por Paola Zambianchi
Com dois singles lançados e um álbum previsto para o segundo semestre de 2026, a banda paulistana O Boto começa a apresentar ao público o universo que pretende abordar em “Diferente de Ninguém”. Formado por João Pedro Rydlewski (voz), Lucas Benez (guitarra), Felipe Troccoli (baixo) e Gabriel Brantes (bateria), o grupo estreou com “Sushi no Violão” e deu sequência ao projeto com “Assiar”, ambas faixas produzidas por Hugo Silva. Na entrevista a seguir, os integrantes falam sobre as temáticas das músicas, o processo de amadurecimento da banda e a construção da identidade sonora.
“Sushi no Violão” marca a estreia oficial do O Boto. Sobre o que a música fala e como vocês enxergam esse primeiro lançamento dentro da trajetória que pretendem construir?
LUCAS: “Sushi no Violão” fala sobre a passagem do tempo, a busca por liberdade e a aceitação do que muda e do que permanece. A letra fala sobre encontrar essa liberdade no corre do dia a dia, seguir em frente sem culpa e viver de acordo com a própria verdade. Essa música é super especial porque foi a primeira que eu e o JP escrevemos juntos depois que retomamos as atividades da banda no começo de 2024, e saiu bem rápido, em pouco mais de 10 minutos. Escolhemos esse som para ser o nosso primeiro lançamento justamente porque ele cria uma atmosfera maneira pra introduzir o álbum. Ela traz
uma história que, de certa forma, simboliza uma mudança de página, que é muito do que estamos vivendo hoje.
A música fala sobre mudança e permanência em meio ao caos urbano. Como essas ideias surgiram e de que forma dialogam com a vivência de vocês em São Paulo?
LUCAS: Os primeiros versos nasceram de uma reflexão sobre as mudanças e permanências das nossas vidas. Somos de uma geração que viveu a infância ainda em um mundo analógico - que brincava e via orelhões na rua, alugava filmes e jogos na locadora, pegou a época de ouro dos desenhos animados na televisão e viveu na pele a transição para o mundo digital.
A gente chegou a ouvir músicas em CD, mas pegou o começo do YouTube, das redes sociais, o
início do Spotify, e tudo isso, obviamente, afetou muito a nossa vida. E o louco é que, ao mesmo tempo que essas transformações não param de acontecer, o nosso dia a dia e muitas das sensações que vivemos na rotina são sempre as mesmas. A gente se vê enfrentando a monotonia nos pequenos detalhes, pegando os mesmos caminhos para ir e voltar da escola, faculdade, trabalho, se atropelando nas mesmas emoções. O tempo passa, as estações do ano continuam mudando, e a sensação é de que as coisas são do jeito que sempre foram. É como se o cenário mudasse, mas a sensação de estarmos presos nesse ciclo permanecesse.
FELIPE: Acho que muita gente em São Paulo pode se identificar com a busca por um escapismo dentro do caos urbano. A gente sempre tá indo de um lado pro outro e querendo estar em lugares diferentes. ‘Sushi’ carrega um pouco disso, sobre querer viver uma liberdade que muitas vezes parece inatingível, mas que a gente acaba achando nos detalhes do dia a dia e na forma de viver a vida de uma forma geral.
O refrão traz imagens como “jato de fuga pro Japão” e “sushi em cima do violão”. Como essas ideias surgiram?
JP: A ideia surgiu de um momento bem descontraído, com a gente se divertindo no processo de composição e conversando sobre a vontade de fugir da monotonia, das cobranças e responsabilidades do cotidiano. Em algum momento me veio essa ideia de largar tudo e fugir pro Japão, e a imagem do refrão surgiu na hora. A ideia era uma fuga com destino, um escape de tudo, e imaginei eu lá, tranquilo, longe de tudo e sem dever nada pra ninguém, comendo sushi em cima do meu violão.
O Boto nasceu de uma amizade. De que maneira essa conexão pessoal influencia o processo criativo e as decisões musicais da banda?
JP: Nosso som vem dessa troca real entre amigos. O Troccoli e o Lucas se conhecem desde os 6 anos na escolinha de esportes, eu conheci o Troccoli na faculdade de produção musical aos 19, o Gab e o Lucas estudaram na mesma escola de música e chegaram até a fazer um show juntos em um outro projeto. A gente tem muito carinho um pelo o outro e acho que isso aparece no som também.
GABRIEL: Quando tocamos os quatro juntos pela primeira vez todo mundo sentiu que era diferente. A gente se complementa de uma forma muito irada tanto musicalmente quanto como pessoas e sempre aprendemos muito uns com os outros.
FELIPE: A proximidade que a rotina da banda proporciona e nossa amizade faz com que a gente se sinta confortável pra falar sobre as nossas vidas e escrever sobre coisas muito vulneráveis. Acho que não teríamos escrito metade das músicas até agora se não tivéssemos essa afinidade antes de tudo.
O segundo single, “Assiar” aborda o amor adolescente e a vulnerabilidade. Como foi transformar essas dualidades em música?
FELIPE: O processo de transformação da dualidade foi muito natural, na medida em que, ao olhar para dentro da nossa própria experiência, nossos sentimentos e contradições, percebemos o nosso amadurecimento dentro da constante batalha interna entre se permitir vulnerável e aceitar a possibilidade de se machucar.
A música traz um jogo de palavras com o nome ‘Raíssa’. Como surgiu essa ideia e qual a importância desse recurso para o significado da música?
JP: A ideia da música veio exatamente quando pensei nesse jogo de palavras, em um momento com uma ex-namorada minha. Ela dormia do meu lado, e eu, sem sono, resolvi brincar com os nossos nomes ao contrário na minha cabeça. Quando percebi o duplo sentido no nome “Raíssa”, que virou “Assiar” (Ah, se ar fosse tudo que eu precisasse...”), a música já veio surgindo junto.
O verso “Te amar sempre vai ser como andar de bicicleta” sintetiza um sentimento complexo de forma simples. Vocês buscam essa combinação entre leveza e profundidade nas composições?
JP: Sim, acho que essa é uma forma natural de compor pra nós. Parte do nosso processo vem de traduzir aquilo que vivemos. Às vezes, sentimos a necessidade de manter o sentimento mais cru, de forma mais profunda, mas em outras composições, os sentimentos mais complexos acabam se transformando em algo mais simples. E essa combinação entre leveza e profundidade pode surgir de várias maneiras: tanto no conteúdo da letra, na forma como escolhemos as palavras e imagens, quanto na própria sonoridade da música. Às vezes a letra é mais direta e a profundidade tá na atmosfera, nos arranjos, na interpretação. Em outras, como ‘Assiar’, a mensagem carrega algo mais denso por trás da estética ensolarada do som. É um equilíbrio que não é necessariamente calculado, mas quando acontece, é de forma orgânica no nosso processo criativo.
Os dois lançamentos já apontam para diferentes camadas emocionais. O álbum “Diferente de Ninguém” seguirá essa diversidade de temas e atmosferas?
JP: O álbum é um recorte da nossa vida. E acho que isso reflete bem nos 11 sons que compõem ele, passando pelos romances, dúvidas e questionamentos que fomos vivendo ao longo dos anos. Algumas músicas nasceram há 8 anos, outras surgiram pouco antes da gravação do disco, então é inevitável que elas atravessem momentos muito diferentes nossos. Acho que essa diversidade vem justamente daí. A gente mudou, amadureceu, viveu coisas novas e o álbum acompanha esse movimento.
O título do álbum sugere uma afirmação de identidade. O que significa ser “Diferente de Ninguém” para o O Boto?
LUCAS: Para nós, ser “Diferente de Ninguém” tem tudo a ver com a ideia de que todos somos únicos e, ao mesmo tempo, parte de um todo. Nós 4 nascemos e crescemos em São Paulo e, apesar de vivermos nossas vidas e percebermos o mundo sob uma lente individual, muitas vezes acabamos nos encontrando nos mesmos dilemas e vivências. Seja pelo vira-lata caramelo que ronda o quarteirão, pelo pastel com caldo de cana em uma quarta-feira qualquer, por cada história de amor que deixamos para trás e por cada noite de insônia, com um milhão de pensamentos inquietos na mente... cada faixa do disco é uma forma de transformar essas vivências individuais em narrativas coletivas. No final, acaba que o disco é uma celebração do que temos em comum: ser diferente... exatamente como todo mundo.
Lançando de forma independente, quais são os principais desafios e aprendizados que vocês têm enfrentado nesse início de trajetória?
JP: Acho que, ao longo dos anos, a forma de lidar com os processos e o dia a dia de uma banda mudou bastante. Hoje em dia, os artistas,
de maneira geral, acabam tendo que exercer muitas outras funções e correr atrás de várias coisas que não estão diretamente relacionadas com a música em si. Ao longo do tempo, a gente foi desenvolvendo formas de lidar com esses aspectos de maneira mais eficiente, mas, no fundo, acho que esse aprendizado se acumula durante o caminho, sabe? A ideia é sempre aprender mais e melhorar no processo. Não estamos competindo com ninguém.
O que o público pode esperar dos próximos passos da banda até o lançamento do álbum em 2026?
LUCAS: A rapaziada pode ficar de olho nos próximos singles, que vão sair até o álbum e estão irados, e também na nossa agenda de shows! Todas as músicas do álbum estão no setlist então é uma boa oportunidade de estar por dentro dos spoilers e já chegar no show de lançamento do disco cantando tudo. Ah, e já podem aproveitar pra acompanhar as nossas redes sociais, onde postamos muito conteúdo de músicas inéditas, versões maneiras e compartilhamos todas as novidades e o dia a dia da banda. O ano está só começando e tem muita coisa boa vindo por aí. ‘Vamo’ pra cima.
Doutora Jane Klebia do Nascimento Deputada
Distrital | Delegada de Polícia | Professora | Mãe
Por Rócio Barreto
Nascida em Sobradinho (DF), Doutora Jane é filha de baianos que chegaram a Brasília em 1960, movidos pelo sonho de construir uma vida na nova capital do País, símbolo de esperança e oportunidade.
Ainda na infância enfrentou o abandono paterno, experiência que marcou profundamente sua trajetória. Criada pela mãe, Dona Evenita, servidora da saúde pública e mulher de fé, aprendeu desde cedo o valor da dignidade, do trabalho e da perseverança. Foi na Igreja Batista que consolidou seus princípios morais e espirituais.
Da mãe, herdou também a convicção que norteou sua caminhada: “Estudar é a única forma que o pobre tem de vencer na vida.”
Aluna de escola pública, formou-se no ensino médio aos 18 anos e ingressou no serviço público como auxiliar de enfermagem na Secretaria de Saúde do DF, atuando no Hospital Regional de Sobradinho, na Pediatria, enquanto sua mãe trabalhava na Maternidade. Casou-se aos 20 anos e é mãe de Esdras Vinicius e Marcos Felipe, formados em Direito e Jornalismo. Hoje, também é avó, papel que reforça sua defesa das políticas voltadas à família e às futuras gerações.
Vocação para servir
Movida pela inquietação e pelo compromisso com o serviço público, prestou diversos concursos e foi aprovada em importantes instituições: Fundação Hospitalar, INAMPS, DASP, IDR, PMDF, Secretaria de Educação (professora nível II e III), Polícia Civil do DF (Agente e Delegada) e Polícia Federal.
É pós-graduada em Administração Escolar e Polícia Judiciária.
Como professora de Geografia, compreendeu a educação como instrumento de transformação social. Em sala de aula, formou não apenas alunos, mas cidadãos. Na segurança pública, consolidou sua vocação para a defesa da lei, da justiça e da proteção das pessoas.
Experiência executiva e enfrentamento de desafios
Como Delegada de Polícia, ocupou cargos estratégicos no Executivo do Distrito Federal:
Delegada-chefe adjunta da 6 o DP (Paranoá)
Delegada-chefe da 31o DP (Planaltina)
Chefe da Controladoria da Codeplan
Chefe da Procuradoria Jurídica da FAPDF
Secretária de Estado da Criança, Adolescente e Juventude
Administradora Regional de Sobradinho, Sobradinho II e Fercal.
Sua trajetória é marcada pela atuação firme na segurança pública, gestão administrativa e políticas sociais.
Mulher negra em espaços historicamente masculinos, Doutora Jane conhece na prática os desafios do preconceito e da desigualdade. Essa vivência fortalece sua defesa do empoderamento feminino, da equidade racial e da ocupação de espaços de decisão por mulheres.
Mandato Parlamentar
Eleita Deputada Distrital com 19.006 votos, tomou posse na Câmara Legislativa do Distrito Federal comprometida com a defesa de Brasília, das mulheres, da população negra e das instituições públicas.
Em três anos de mandato, aprovou 14 leis , com foco em proteção social, segurança, educação, inovação e cidadania.
Sua atuação é marcada por presença territorial, escuta ativa da população e produção legislativa técnica e consistente.
Proteção às mulheres como prioridade
A defesa da vida e da dignidade das mulheres é eixo central do mandato. Sete leis aprovadas fortalecem a rede de proteção no DF, entre elas:
Criação do Comitê de Proteção à Mulher
Programa Educa por Elas
Na Hora Mulher
Programa de Saúde Reprodutiva da Mulher
Plano DF Social com SOS Mulher
Medidas de transparência e comunicação obrigatória em casos de violência
Essas iniciativas ampliam o acolhimento, fortalecem políticas preventivas e promovem respostas mais ágeis e humanizadas às mulheres em situação de vulnerabilidade.
Educação, inovação e cidadania
Quatro leis estruturantes consolidam a educação e a inovação como pilares do desenvolvimento:
Sistema Distrital de Ambientes de Inovação
Programa Educação com Movimento
Política Distrital de Educação para a Integridade
Letramento Racial
As medidas fortalecem a formação cidadã, promovem consciência social e estimulam o desenvolvimento econômico sustentável.
Saúde, inclusão e valorização profissional
Outras iniciativas ampliam o acesso a serviços públicos e reconhecem categorias profissionais. Entre elas:
Programa Rotas Rurais e Endereçamento Digital
Datas oficiais de valorização da advocacia e defesa de prerrogativas
O foco é garantir cidadania, acesso e reconhecimento institucional.
Posicionamento Político
Doutora Jane construiu sua trajetória no serviço público e consolidou sua atuação política com base em três pilares:
Segurança com responsabilidade institucional
Proteção às mulheres e defesa da família
Educação como ferramenta de mobilidade social
Seu perfil combina firmeza na defesa da lei com sensibilidade social. Atua como parlamentar independente, técnica e comprometida com resultados concretos.
Síntese
A história de Doutora Jane é a trajetória de quem venceu limitações por meio da educação, do trabalho e da fé. Servidora pública por vocação, gestora por competência e parlamentar por compromisso, representa uma política com raízes populares, experiência administrativa e foco em transformação social.
Uma liderança forjada na superação e consolidada na responsabilidade pública.
Ministérios repudiam ato de machismo contra árbitra no Brasileirão
Por Ana Luiza Silva Fonte Agência Brasil
Os Ministérios das Mulheres e do Esporte disseram repudiar com veemência as declarações do zagueiro Gustavo Marques, do Red Bull Bragantino, e manifestaram solidariedade à árbitra Daiane Muniz, que apitou o jogo do time contra o São Paulo, nas quartas de final do Campeonato Paulista, neste sábado (21).
O Red Bull Bragantino perdeu por 2 a 1 na partida apitada por por Muniz. Após a partida, o zagueiro disse que uma mulher não deveria apitar um jogo envolvendo grandes times. Ele alegou que o Bragantino foi prejudicado pela arbitragem.
“Muniz é uma árbitra FPF/CBF/FIFA altamente qualificada e um homem na mesma posição jamais seria desqualificado
pelo fato de ser homem. Ainda que houvesse discordância sobre sua atuação, sua competência não seria questionada por ser homem. Esse é o ponto central que precisa ser enfrentado”, diz a nota conjunta.
Os ministérios destacam ainda que o respeito às mulheres é inegociável e que mulheres devem estar onde quiserem: no campo, na arbitragem, na gestão, na imprensa ou em qualquer outro espaço. Ser mulher não diminui competência, autoridade ou capacidade.
“Seguiremos firmes na promoção da igualdade e no enfrentamento de qualquer forma de discriminação no esporte brasileiro. Vamos acompanhar atentamente os desdobramentos do caso na Justiça Desportiva, confiando na apuração dos fatos e na responsabilização cabível”, ressaltam as pastas.
Nota da FPF
A Federação Paulista de Futebol afirmou que recebeu a entrevista do atleta com profunda indignação e revolta e que a declaração em relação à árbitra Daiane Muniz reflete uma visão primitiva, machista, preconceituosa e misógina, incompatível com os valores que regem a sociedade e o futebol.
“É absolutamente estarrecedor que um atleta, em qualquer circunstância, questione a capacidade de um árbitro com base em seu gênero. A FPF tem orgulho de contar em seu quadro com 36 árbitras e assistentes e continua trabalhando ativamente para que este número cresça”, diz a nota publicada no site da instituição.
A FPF destaca que Daiane Muniz é uma árbitra FPF/CBF/FIFA “da mais alta qualidade técnica, correta e de caráter” e que reforça todo apoio a ela e a todas as mulheres que atuam ou desejam atuar em qualquer área do futebol.
“Nosso trabalho diário é para garantir que o futebol seja um ambiente seguro e justo para todas as mulheres.
A FPF encaminhará tais declarações à Justiça Desportiva, para que esta tome todas as providências cabíveis”.
Pedido de desculpas
Em sua manifestação no site do clube, o Red Bull Bragantino reforçou o pedido de desculpas a todas as mulheres e, principalmente, à árbitra, dizendo que não compactua e repudia a fala machista do zagueiro.
Em suas redes sociais Marques escreveu um pedido de desculpas e disse que estava com a cabeça quente e muito frustrado com resultado obtido pela equipe e acabou falando o que não deveria nem podia. O jogador disse estar muito triste, que espera sair desse episódio sendo uma pessoa melhor e promete aprender com esse erro.
“Isso não justifica minha atitude e peço desculpas a todas as mulheres e em especial a Daiane, o que já fiz pessoalmente no estádio. Reconheço meu erro e a infelicidade da minha declaração”.
“Ainda no estádio, o jogador e o diretor esportivo do clube, Diego Cerri, se dirigiram até o vestiário da arbitragem para pedir desculpas pessoalmente em nome da instituição e reconhecer o erro. Sabemos que o peso de uma eliminação é frustrante, mas nada justifica o que foi dito. Seja no futebol ou em qualquer meio da sociedade. O clube vai estudar nos próximos dias a punição que será aplicada ao atleta”.
Deus é Mesmo Brasileiro?
Por José Gurgel
Fico muito preocupado com a nossa imprensa que volta e meia foge do trivial, que é dar a previsão do tempo, o resultado da loteria, dar umas puxadas de sacos em políticos enganadores.
Alguns insistem em investigar as ações de alguns políticos como se eles fossem criminosos comuns e não membros de facções qualificados.
No meio da enxurrada de mentiras, outros com extrema irresponsabilidade,crueldade divulgam verdades que chegam a nos assustar quando nos deparamos com os noticiários diários, ao ponto de alguns políticos proibirem até leituras de jornais aos seus filhos.
Não poderemos jamais esquecer que estamos no país do futebol, do carnaval e da falta de vergonha de muitos políticos e eleitores, muitos até batem no peito para confirmar a imbecilidade nossa de cada dia, pois aqui os milagres acontecem.
Com três dias de folga remunerada para brincar Carnaval, duvido que consigam fazer fantasias mais bonitas, carros alegóricos, trios elétricos, sambas enredos bem elaborados, pois sempre gostamos de sambar nas mãos dessa turma. O povo adora sambar, e como samba!
Mas pra que tanta preocupação? Se temos verdadeiros templos para a prática do indigente futebol, sambódromos, além do circo principal que é esse Congresso, onde verdadeiros espetáculos de falta de vergonha são encenados, sem nada que se aproveite para os contribuintes.
Para que esquentar a cabeça com essas coisas, continuaremos sem saúde pública, sem escolas, sem segurança mas tiramos tudo de letra, basta ver o show de corrupção que varre o país de ponta a ponta, somos imunes a tudo.
Mas que venham alagamentos, deslizamentos, apagões, políticos inúteis e corruptos, afinal, Deus é brasileiro, mas mora na Suíça.
Alô, Alô Fevereiro
Quando chega Fevereiro, com a aproximação do Carnaval, o povo fica de cabelo em pé com a aproximação cruel da entrada da Mangueira.
Noites insones, inquietação marcam o período que antecede a entrada, mas pelo jeito esse ano vai entrar rasgando,
deixando a população mais uma vez fantasiada de palhaço com confete na mão.
Um governo que diz não ter dinheiro, pois o que não pode faltar é aquele contrato com time de futebol do Rio de Janeiro.
Mas apesar de passar por dificuldades, está alardeando ao quatro ventos que vai torrar alguns milhões com a folia de momo.
Parece que o grande circo já está armado e os grandes beneficiados com essa grana já estão babando de alegria.
Mas pelo jeito a população vai sambar no que é realmente importante e necessário, vendo dançar o suado dinheiro dos impostos, arrancado na marra do nosso bolso.
Até quando o povo vai aguentar viver dessa enganação, os governantes aumentam o gasto com o circo e deixam faltar o pão.
O pão que falo, são os serviços básicos tais como saúde, segurança, educação, mobilidade, saneamento básico, tudo isso vem sendo negado constantemente desde o início deste governo.
Mas esperar o que dessa turma? Até janelas já foram inauguradas, isso entre outras trapalhadas, que apesar de provocar risos, fazem chorar aqueles que realmente necessitam dos serviços do Estado, que constantemente é negado ao pobre cidadão.
Mas chego a pensar que merecemos, basta ver a quantidade de candidatos sedentos por uma boquinha, até os roubos escancarados estão sendo tratados como pequenos furtos, apesar de atingirem a casa dos bilhões. É triste, mas é verdade.
Vai Começar a Brincadeira
O Caixa Preta não perdoa, principalmente quando o assunto é os candidatos a Deputado Distrital. Nessa época eles saem das tocas, acompanhados de um bando de desocupados (cabos eleitorais) atrás de uma boquinha que os proteja dos tempos bicudos que estamos passando, principalmente pela falta de capacidade da maioria de conseguir algo que não seja puxando o saco de políticos profissionais.
O lado social que realmente os preocupa é o deles mesmos, pois vivem correndo atrás de quem lhes arranje algo, nem que para isso se transformem em verdadeiros capachos, dá pena ver tanta vassalagem, mas é só o que sabem fazer.
O Velho Caixa dava umas boas risadas dizendo que tem muita coisa que não mais o surpreende, embora quando o assunto é política, muita coisa ainda o deixa embasbacado.
Com a temporada eleitoral em pleno andamento, o que não falta é motivo para dar umas boas risadas. Os postulantes a cargos eletivos são tantos e de uma variedade incrível, é abismadora com a quantidade de líderes de “araque” que aparecem se intitulando “O” candidato que a cidade tanto espera, como dizem por aí, se achando o cara.
Por falta do que prometer, alguns estão prometendo transformar o Guará em um novo Jardim do Éden, isso sem falar em geração de empregos(pa-
ra os cabos eleitorais), mas é bom aprender a fazer outra coisa, pois desse mato não sairá coelho, o que vai sair é muita dívida pra pagar durante os próximos quatro anos, a quebradeira vem aí, aguardem.
Diz o Caixa que esse bando de cara de pau anda dizendo que até aquela chuva que andou caindo fora de época no Guará, foi provocada por eles.
Alguns se transformam em heróis, grandes defensores de causas diversas, principalmente do próprio rabo, além de um amontoado de mentiras que são cantadas
em prosas e versos pelos amigos do safado, sempre na maior cara de pau, chegam até a ganhar contos da carochinha em alguns veículos de comunicação, numa demonstração de imbecilidade total.
Lascou!
Desbravadores
Só agora pude compreender os desbravadores, eles se embrenhavam na mata para descobrir um lugarzinho discreto onde pudessem cagar em paz.
Mas deu tudo errado, desbravaram tanto que criaram esse país onde a trilogia: samba, futebol e carnaval passou a reinar, o atraso era inevitável.
Nessa sanha expansiva, o portuga que é uma raça reconhecidamente não muito inteligente se mesclou com índios, negros, cafuso, mameluco, emboaba e alguns fedapê, olha no que deu.
Por aqui só se fala em educação quando o assunto é colégio eleitoral ou escola de samba, pois brasileiro só vai ao ginásio quando tem jogo de vôlei feminino.
Além dos que se dizem formados no colégio da vida, basta bater o papo com alguns, pra perceber de cara que são repetentes até em burrice.
O nosso povo é hoje sempre ligado na Internet e What’sWapp, tornou-se um povo crédulo e orgulha-se de sua exuberante ignorância.
Tenho certeza que só aqui acreditamos em economistas, nas mentiras que contam e o que é pior em planos de economistas.
Agora mesmo dei uma olhada nos boletos que chegaram, um me chamou a atenção pelo valor, pois acho que incluíram a luz do sol, luz da lua, da luz divina e a luz do fim do túnel, levei um susto de lascar.
Há anos somos explorados por essas quadrilhas que infestam o poder público em todos os níveis, ninguém se indigna, quando muitos fazem piadas com a própria miséria.
Nossa liberdade cada dia é mais e mais cerceada, matam brancos, negros, índios, mulheres, gays sem que ninguém levante a voz ou se manifeste nas ruas contra tais absurdos, calados estão e calados ficam.
Uma verdadeira República de Bananas!
Feito Pipa é premiado no Festival Internacional de Cinema de Berlim
Por Rócio Barreto Fonte Agência Brasil
Ofilme brasileiro Feito Pipa, dirigido por Allan Deberton, foi premiado no Festival Internacional de Cinema de Berlim, que começou no dia 12 de fevereiro e se encerra neste domingo (22).
O longa conquistou o Grand Prix do Júri Internacional de Melhor Filme da mostra oficial Generation Kplus e o Crystal Bear (Urso de Cristal), concedido pelo Júri Jovem.
Ao lado de Deberton trabalharam no filme o produtor Marcelo Pinheiro, o roteirista André Araújo e a diretora assistente e produtora de casting Luciana Vieira. O ator Lázaro Ramos participa do filme interpretando Batista, o pai de Gugu, vivido pelo ator Yuri Gomes.
O filme conta a história de Gugu, um menino de 12 anos, que sonha em se tornar um grande jogador de futebol. Cria-
do por sua a avó Dilma (Teca Pereira), uma professora aposentada que o educa de forma livre e afetuosa, sem se preocupar com os julgamentos dos moradores da cidade. Gugu evita morar com seu pai, com quem não tem uma boa relação devido à sua ausência.
Neto e avó vivem nas proximidades de uma barragem que, após a água baixar devido anos de seca, aparecem ruínas de uma cidade antiga. Com isso, as memórias de um passado traumático começam a despertar em Dilma os primeiros sinais de Alzheimer. Gugu então tenta esconder de seu pai a doença da avó.
Para o júri, o filme conquista por ter uma narrativa vibrante e com o protagonista jovem multifacetado, confiante e feroz; e com as formas frequentemente bem-humoradas e comoventes com que aborda suas questões existenciais. Os jurados também destacaram a interpretação de Yuri Gomes e Teca Pereira. !