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Revista Plano B Brasília n.º 20

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Política

Dia da Democracia: reparação às vítimas da ditadura segue como desaao

Política

Você, seus valores e a democracia

Educadores apoiam possível restrição ao uso de celulares nas escolas

LIVY, a aposta do rock que você precisa conhecer

Em defesa da liberação dos cassinos

Estocolmo

Governo nega confisco de valores esquecidos em bancos

UFF se torna 1o universidade federal do

Rio a criar cotas para trans

Os sons do Eixão

A mulher por trás do Brasília

Educação abre inscrições para a 1o edição do Interpreta Tocantins das escolas estaduais

Por que Brasil de Lula não rompe com Venezuela de Maduro?

36 Prevenção do suicídio: campanha pede menos estigma e mais diálogo

38 Incêndio de grandes proporções atinge Parque Nacional de Brasília 40 Muito a lamentar, pouco a comemorar

Pesquisadores britânicos descobrem novo grupo sanguíneo

Dia da Democracia: reparação às vítimas da ditadura segue como desafio 46 Dino estabelece orçamento de emergência para combate a incêndios

48 Organização Mundial da Saúde pré-qualifica primeira vacina contra mpox

49

Militares do Exército começam a combater incêndios no Tocantins 30 Comitê Pró-animais do Tocantins aprova projeto “Bicho não é lixo” 32

Marco na erradicação da pólio, gotinha dá lugar à vacina injetável

Diretor Executivo

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Diretor Administrativo

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Chefe de Redação: Paulo Henrique Paiva

Colaboradores: Adriana Vasconcelos, Angela Beatriz, Ana Beatriz Barreto, José Gurgel, Humberto Alencar, Mila Ferreira, Renata Dourado, Paulo César e Wilson Coelho

Design Grafico: Alissom Lázaro

Redação: Adriana Vasconcelos

Fotografia: Ronaldo Barroso

Tiragem: 10.000 exemplares

Periodicidade: Mensal

Redação: Comentários sobre o conteúdo editorial, sugestões e criticas às matérias: revistaplanobbrasilia@gmail.com

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www.revistaplanob.com.br

Setembro / 2024

Ano 02 - Edição 20 - Setembro/2024

Publicada em 23 de setembro de 2024

Não é permitida a reprodução parcial ou total das matérias sem prévia autorização dos editores.

A Revista Plano B não se responsabiliza pelos conceitos emitidos nos artigos assinados.

ISSN 2966-0688

A legalização dos cassinos: uma nova perspectiva para o Brasil

A proposta de legalização dos cassinos e do jogo do bicho, defendida pelo senador Irajá Silvestre Filho, levanta um debate crucial sobre o futuro econômico do Brasil. Com a possibilidade de gerar cerca de 1,5 milhão de empregos e arrecadar até R$ 22 bilhões em impostos, a medida pode revitalizar a economia e fomentar o turismo. O impacto positivo no setor de construção civil e em serviços correlatos também merece destaque, pois a instalação de grandes resorts integrados pode impulsionar a infraestrutura local.

No entanto, a legalização não deve ignorar os riscos associados ao vício em jogos. O projeto inclui mecanismos de controle, como cadastro de apostadores e restrições de pagamento, buscando promover um jogo responsável. Apesar das controvérsias, especialmente em relação a preocupações com saúde pública e corrupção, a proposta se apresenta como uma alternativa para atrair investimentos que hoje fluem para fora do país. A questão que permanece é: estamos prontos para transformar um tabu em uma oportunidade de desenvolvimento?

O sucesso dessa iniciativa dependerá não apenas de sua aprovação, mas de uma implementação eficaz que assegure benefícios sociais tangíveis. Para que isso aconteça, é fundamental um diálogo aberto entre governo, sociedade e especialistas, promovendo um entendimento claro sobre os riscos e benefícios envolvidos. A construção de um ambiente regulatório sólido será essencial para garantir que os recursos arrecadados sejam usados de maneira transparente e em prol do bem-estar da população. Assim, a legalização dos jogos pode ser não apenas um avanço econômico, mas também um passo importante em direção a uma sociedade mais justa e equilibrada.

EDUCAÇÃO

Educadores apoiam possível restrição ao uso de celulares nas escolas

Por Agência Brasil - Brasília

Adaptação Ana Luiza Fontes

Professores e orientadores educacionais avaliam como positiva a possibilidade de o Ministério da Educação atuar para banir o uso de celular nas escolas públicas e privadas do país. Prevista para ser apresentada em outubro, essa e outras propostas podem ser adotadas com o objetivo de conter os prejuízos do uso excessivo de telas na infância e na adolescência.

Recentemente, o ministro da Educação, Camilo Santana, defendeu essa ideia durante uma entrevista ao jornal Folha de S.Paulo. Na oportunidade, ele citou algumas pesquisas indicando que o uso dessas tecnologias, além de comprometer aprendizado e desempenho dos alunos, impactaria também a saúde mental de professores.

Orientadora educacional da Secretaria de Educação do Distrito Federal, Marina Rampazzo explica que profissionais que trabalham com educação têm discutido muito esse assunto. “Nas conversas que temos com especialistas de diver-

sas áreas vemos vários prejuízos causados pelo excesso do uso de telas, especialmente em crianças e adolescentes”, disse a pedagoga e psicóloga à Agência Brasil.

Pandemia

Ela lembra que este já era um problema percebido antes da pandemia, mas que, na sequência, se intensificou muito. Segundo ela, para dar conta de todas demandas acumuladas, muitos pais e mães delegaram os cuidados de seus filhos às telas.

“A pandemia deu um poder a mais para a tela. O problema já existia, mas havia um controle maior sobre tempo, espaço, conteúdo. Na medida em que entramos em uma pandemia e todos ficaram trancados dentro de casa, famílias se viram sem outras ferramentas para o jovem dentro de casa”, disse.

Ela acrescenta que não será fácil reverter esse quadro, mas que a escola terá papel decisivo nesse desafio. “Em primeiro lugar, pelo papel social que a escola representa, pensando educação como algo integral que vai além de repassar conteúdos, atuando também no campo cognitivo, desenvolven-

do todos aspectos da vida”, explicou.

De acordo com Marina, essa discussão perpassa a escola porque a socialização é a forma mais eficiente para tirar o estudante da tela. “É na escola que ele passa boa parte do seu tempo. Se fora da escola eles ficam o tempo todo no celular, dentro da escola é a oportunidade para eles se relacionarem com outras pessoas, com livros de verdade e com atividades diversas de cultura, lazer e esporte”, argumentou.

Segundo a orientadora educacional Margareth Nogueira, do colégio privado Arvense, o uso excessivo de telas tem ampliado a antissociabilidade e o bullying nas escolas. “Entre os 10 e os 12 anos é muito importante que os estudantes usem o diálogo em seus três níveis de complexidade, que é o pensar, o refletir e o de consistência, com razões e contraposições a um tema”, explicou.

“Se ele não consegue entrar nesse nível, com argumentos, contra-argumentos e consensos, não há diálogo. O que vemos é que ouvir o outro tem sido, para eles, algo cada vez mais complexo. É muito importante que eles desenvolvam trocas, que se olhem olho no olho. Eles precisam de diálogo, interatividade e de troca de opiniões”, acrescentou.

Segundo ela, os celulares têm prejudicado também a visão dos estudantes. “Eles estão usando óculos cada vez mais cedo por conta do uso excessivo dessas telas”.

Vício

Outra preocupação dos educadores é com a relação viciante proporcionada pelos celulares em crianças e adolescentes.

“Muitos têm manifestado verdadeiras crises de abstinência quando afastados de seus celulares. Eles ficam mais agressivos, impacientes e intolerantes. É cada vez mais comum casos de meni-

nos quebrando a casa inteira quando proibidos de usar o dispositivo”, relatou Marina Rampazzo.

Margareth Nogueira percebe também que, devido a esse “vício tecnológico”, os alunos têm chegado em sala mais agitados, impacientes e agressivos. “A competitividade entre eles também está mais alta, reflexo dos estímulos causados por jogos. A alimentação, a rotina e o sono estão cada vez mais prejudicados. Isso reflete diretamente no funcionamento cerebral”, disse.

“A verdade é que eles não têm maturidade nem resposta cerebral para usar o celular de forma sistemática. E, para piorar, nem sempre é possível que os adultos supervisionem de forma adequada o uso desses aparelhos”, complementou.

Suporte às novas regras

Caso se confirmem as medidas anunciadas pelo ministro, é importante que as escolas garantam uma estrutura suficiente que deem acesso aos materiais da internet considerados interessantes para uso em sala de aula. “Esse acesso deve ser por meio de ferramentas da escola, como computadores, por exemplo. Não pelos celulares dos estudantes. Todos sabemos como é difícil ter controle sobre a forma como eles usarão esses dispositivos”, argumentou Margareth.

Paralelamente, é importante que, em casa, outros estímulos independentes de telas sejam proporcionados pelas famílias “Áreas como arte, cultura, esporte e lazer podem ajudar, nesse sentido. Especialmente quando voltados à socialização”, acrescentou Marina.

LIVY, a aposta do rock que você precisa conhecer

Acantora e compositora LIVY é um aglomerado de experiências. É o resultado da menina curiosa que conheceu Dire Straits com o tio descolado e Robert Plant com a mãe setentista. LIVY é bastante sobre harmonia, mas é mais ainda sobre letra e significado. E é assim, com esse espírito, que ela tem apresentado seu trabalho ao público.

Influenciada por Johnny Cash, Alex Turner, Lana Del Rey, Billie Eilish e Nina Simone, LIVY é uma antena aberta, que capta toda frequência próxima dela, refina e transforma em rádio própria.

“Do eco do Blues carregado pelos negros do Mississipi até a percepção de um Caetano em terra brasileira — tudo me atrai e é útil na hora de transmitir uma mensagem. Considero meu trabalho como exitoso quando acesso, de alguma maneira, outra alma humana. E música é sobre isso. Conectar, revirar, reconstruir e resgatar ”, explicou a cantora.

A revista Plano B conversou com LIVY para saber sobre os últimos singles lançados por ela e o momento atual na sua carreira.

LIVY, para começar, conta pra gente quando foi o momento em que você se entendeu cantora e decidiu se dedicar à música.

LIVY: Creio que me entenda cantora todos os dias, como se fosse a primeira vez — renovando e ressignificado minha voz através de experiências e mudanças naturais no meu trabalho que decorrem delas. Falando em marco temporal acredito que tenha sido

por volta dos 20 anos, quando entrei na faculdade de Direito e, em vez de estudar Processo Civil, analisava as letras de Strokes (rs). Nesse período entrei para uma gravadora de Bauru - SP.

No primeiro semestre de 2024 você lançou uma versão de “Bizarre Love Triangle” do New Order. Qual a importância que a banda inglesa ou esta música especificamente tem na tua trajetória?

LIVY: Tem mais uma importância emocional, de vivências pessoais. Quis, então,

Foto: May Ferraz

transformar em algo para chamar de “meu”. Mas a harmonia desse som é belíssima e me identifiquei com a maneira de fazer música dos anos 80 desde muito nova. Foi uma importante referência.

Você já passou por algumas fases desde que começou. Como tem sido desbravar a cena musical independente, sendo uma cantora que tem liberdade para gravar o que sente vontade – em inglês ou português, sem amarras com gravadora. Você acredita que essa seja uma maneira mais fácil ou mais difícil de trabalhar a sua música?

LIVY: A música enquanto arte tem uma expressão de liberdade absoluta, pra mim. É o lugar em que eu posso ser, sem amarras. Em vista disso, seguir de maneira independente, embora desafiador, é sempre gratificante por viabilizar a preservação da autenticidade do meu trabalho.

No lançamento do seu último single, “Faz Diferente”, você disse que a música é uma mensagem autorreferencial. O processo de criação passa, para muitos artistas, pelas ‘dores e delícias’ da própria existência. Com você funciona assim também? Em que medida?

LIVY: É o batismo e o exorcismo, pra mim. Nascer e morrer, me deleitar e curar, ao mesmo tempo. Navegar nas próprias águas do inconsciente materializando o que eu sinto. É a forma mais suprema de terapia. Mas penso que o grande desafio de um artista é alcançar a si mesmo, temporal e criativamente. ‘Faz Diferente’ foi um importante marco de lançamento, todavia, já me encontro em outro momento musical. Meu papel, que julgo árduo às vezes (risos), é reduzir o tempo de pu-

blicidade no processo que compreende a minha criação e minha essência momentânea. Como equilibrar a velocidade de consumo com a arte? O que posso garantir é que tô em busca dessa e de outras respostas�

Depois do lançamento de vários singles, tem um álbum de estúdio no forno. Qual a previsão desse lançamento e o que as pessoas podem esperar deste trabalho?

LIVY: A previsão de lançamento é para o início do ano que vem. “It was never dead, just resting” será meu álbum de retomada ao rocknroll, com referências às raízes do blues, surf music e todo universo inconsciente inerente ao processo criativo com a banda. É o início e a continuidade de um renascimento musical.

Foto: Levi Quinezi

Em defesa da liberação dos cassinos

Conheça Irajá (PSD-TO), político e relator do projeto de legalização dos cassinos e do jogo do bicho no Brasil. O senador defende que a medida vai gerar emprego, renda e aumentar a arrecadação tributária para os cofres públicos Nascido em Goiânia (GO), mas radicado em Tocantins desde muito pequeno, Irajá formou-se em Administração de Empresas e se especializou em Gestão Empresarial. Antes de entrar para a política, atuou como empresário no setor agropecuário. Mas mudou seu caminho pouco tempo depois, entre outros motivos, pela influência da ex-senadora Kátia Abreu, sua mãe. Foi eleito deputado federal em 2010, reeleito em 2014. Em 2018, chegou ao Senado Federal pelo Partido Social Democrático (PSD) com 214.355 votos, aos 35 anos, sendo o mais jovem senador da história.

Durante seus mandatos no Congresso Nacional, Irajá atuou em especial a pautas relacionadas ao desenvolvimento econômico, agronegócio e políticas públicas voltadas para a infraestrutura. Entre suas principais atuações, destacam-se: Relator da Medida Provisória do Agro (MP 897/2019), que ampliou o acesso ao crédito rural no Brasil; Relator do PL 2234/2022, conhecido como Marco dos Jogos, que autoriza o funcionamento de cassinos, criando regras e meios de

fiscalização e relator do Marco Legal dos Jogos Eletrônicos.

Quem é Irajá?

Um cidadão tocantinense, como milhares de tocantinenses apaixonados pelo estado natal. Admiro meu Tocantins, que tenho procurado ajudar ao máximo os 139 municípios, onde busco colocar sempre em evidência nacional e, acima de tudo, com muito orgulho em defender esse lugar. Embora não tenha nascido no Tocantins, pois foi fundado em 1988 na Constituinte (nasci em Goiás, mas me mudei no ano de fundação), mas me considero um tocantinense de coração.

O que te motivou entrar na política?

Foi uma circunstância do destino. Se você fizesse essa pergunta antes de 2010, provavelmente eu ia brigar com você, porque eu não gostava da política. Apesar de acompanhar, minha mãe já era da política, mas eu não vivia, não participava como militante e nem como entusiasta. Tive minha formação para ser empresário e atuar na iniciativa privada. Mas quis o destino que eu entrasse para a política em 2010, de uma ideia que na época foi do governador Siqueira Campos. Dali para frente eu entrei e, como tudo na vida, eu gosto de fazer as coisas bem-feitas e procurei sempre me dedicar muito a esse projeto também.

Senador, o que achou de ser o relator e de trabalhar nesse projeto que propõe a legalização dos cassinos e do jogo do bicho no Brasil?

É um grande desafio relatar esse projeto de tamanha importância para o Brasil, e importantíssimo para o turismo brasileiro. Isso não foi por acaso. Eu não caí de paraquedas na relatoria. Pelo contrário, desde que assumi o Senado, em 2019, eu procurei por alguns projetos que pudessem gerar emprego e renda no país, pudessem fomentar economia, gerar ambiente de negócio. Nesse estudo me ocorreu a ideia de apresentar um projeto voltado à legalização dos jogos e apostas no Brasil, proibidos desde 1946.

Então, eu tive a chance de conhecer vários modelos de jogos, de países que como Estados Unidos, Itália, Espanha e Portugal. Na América do Sul também, como Argentina, Uruguai, Chile. Na Ásia, busquei saber sobre Singapura, Macau e, mais recentemente, Japão. Pude constatar que todos os países que aprovaram se deram bem. Os indicadores econômicos e sociais são positivíssimos e o número de turistas dobrou depois de 5 anos da aprovação dessas legislações. Cheguei à conclusão de que não podia o mundo todo estar errado e o Brasil certo. Foi quando apresentei um projeto de minha autoria no Senado Federal, tratando exclusivamente dos resorts integrados e esse projeto acabou não avançando. No entanto, um outro texto foi aprovado na Câmara. Quando chegou no Senado, o presidente (Rodrigo) Pacheco me confiou essa relatoria por saber acerca de meus estudos sobre o tema, pois eu já tinha analisado com profundidade os cenários internacionais. Assim, me deu a responsabilidade dessa função.

Quais às expectativas em relação aos impactos econômicos e sociais da liberação dos jogos de azar?

Os estudos oficiais demonstram que uma vez legalizado e regulamentado, os jogos e apostas do Brasil podem criar um novo ambiente de negócio no país e trazer investimentos na ordem de R$ 100 bilhões, pois os grandes resorts integrados passarão a funcionar no Brasil. Para isso, eles serão construídos e a própria instalação dentro das modalidades previstas do projeto, vai obviamente fomentar a cadeia do turismo, porque você tem a construção civil e vem todo um efeito dominó. É um investimento na vida real das pessoas. Esse é o primeiro aspecto. Outra vantagem é a geração de empregos. De acordo com o mesmo estudo, serão gerados quase 1,5 milhão de novos empregos diretos e indiretos. Além disso, recursos de arrecadação de impostos, que hoje a gente não tem, pois esses dividendos ficam fora do país, seria de quase R$ 22 bilhões por ano. Todo esse novo ambiente, esse novo mercado, vai gerar emprego, vai gerar renda, vai gerar oportunidades com os investimentos e, além disso, vai gerar também recursos para o governo investir em áreas, como a educação, saúde, segurança, e passa a ser uma nova perspectiva no país, assim como acontece em todo o restante do mundo.

No Brasil, as pessoas têm um certo medo em relação aos jogos, por conta das pessoas se viciarem. Como que vai ser esse controle? Apenas o cadastro das pessoas que forem aos cassinos será suficiente, bem como o cadastro dos apostadores?

A gente precisa ter a consciência, primeiramente, de que o vício é um mal no qual a sociedade, infelizmente, convive; e enfrentá-lo com responsabilidade. Existe vício em cigarro, em bebida, há pessoas quimicamente dependentes, e várias outras modalidades de vício. O jogo também, de forma compulsiva, é prejudicial à saúde e, obviamente, nós não queremos isso. Nós queremos legalizar um jogo responsável, para atrair investimentos, gerar emprego, cativar turistas para o Brasil. Esse é o nosso objetivo. Mas, mesmo assim, pensando nisso, nessas preocupações, nós criamos no projeto com algumas ‘vacinas’. Então, o jogador que entrar num cassino, num bingo ou em qualquer outra modalidade de jogo, para poder apostar e receber um

prêmio dessa aposta, ele precisa abrir uma conta digital no próprio CPF, e é com essa conta digital que vai fazer suas movimentações. Dessa forma, primeiramente, você sinaliza que a evasão de divisas e a sonegação fiscal estarão vigiadas, ou seja, é um processo auditável. A Receita Federal e a Polícia Federal podem fiscalizar essa conta, como fazem nas questões bancárias. Você fica passível de ser fiscalizado pelos órgãos de controle. Em segundo lugar, você não pode jogar na modalidade de cartão de crédito e nem em nenhuma modalidade de empréstimo. Apenas no débito e no PIX, justamente para coibir o endividamento ou mesmo o jogo compulsivo. Essa é uma segunda exigência muito clara e expressa dentro do texto do projeto. Terceiro ponto: será criado um cadastro nacional. Assim como existe um Serasa dos maus pagadores, onde o lojista pode consultar para vender no crediário ou não, também haverá um cadastro nacional dos apostadores. Dessa forma, aqueles jogadores que frequentam o ambiente, lá em Tocantins, e querem jogar em São Paulo, vão ter seu cadastro verificado, com informações sobre endividamento, compulsividade ou mesmo sobre frequência em excesso. Isso pode coibir esses tipos de práticas.

Quais suas propostas para melhorar a saúde e a educação pública no Brasil?

Essa pergunta é abrangente, mas eu sempre acredito que as boas soluções não permeiam a reinvenção da roda, mas aquelas simples, eficazes e que funcionam. Então, precisamos olhar para dentro do Brasil, os estados onde as coisas estão indo bem, dando certo nas suas diferentes áreas e adaptá-las à realidade do seu território ou mesmo trazer também soluções de fora, de outros países. Nesse contexto, para dar um exemplo, um projeto muito interessante apresentado por mim e que vem dando certo na área de saúde em Tocantins, são as policlínicas com especialidades. Existe uma demanda reprimida de entendimentos em algumas áreas essencialmente, como a ortopedia. Há muita gente se acidentando de moto e isso nos preocupa. A psiquiatria também, pois os transtornos psicológicos são o mal do século. A ginecologia para saúde da mulher e, por fim, a pediatria. Essas quatro são especialidades atendidas em formato piloto dentro de uma policlínica na cidade de Araguaína. A cidade virou uma grande vitrine. Nós implantamos em outubro de 2023. Quase um ano de funcionamento lá e nós já atendemos quase 4 mil pessoas entre consultas, exames e cirurgias eletivas. São pessoas que estavam esperando nas filas dos hospitais há muito tempo para fazer uma cirurgia de laqueadura ou vasectomia, catarata ou hérnia, por exemplo. É muito gratificante você apostar numa ideia, num projeto e esse projeto dar certo. Vamos expandir esse piloto para o Tocantins inteiro. Um

segundo exemplo é na educação, uma área tão importante quanto a saúde. Trata-se de um programa que as pessoas fazem exame de vista e quem tiver alguma deficiência visual recebe os óculos. Os indicadores provam e demonstram que os alunos da rede pública de ensino, principalmente, do ensino básico e do ensino médio, com alguma deficiência visual, têm comprometimento na capacidade de aprendizado enorme. Muitos reprovam e outros tantos desistem. Quando você proporciona a esses estudantes a possibilidade de fazer o exame oftalmológico e receber um óculos, você garante o futuro. A educação é isso. Esse programa, com o nome Ver Melhor, Educa Já, é uma iniciativa que eu acredito muito e vai ser iniciado no Tocantins. Paraíso, outra cidade grande do estado, será um piloto e a gente pretende, depois de demonstrar o sucesso do programa, levar isso para as outras regiões do estado.

Há algo que pode prejudicar a aprovação do projeto?

Estou confiante em ter os votos necessários para aprovar a proposta, está madura e pronta para ser votada. Há um ano e meio tem sido discutida no Senado. Fizemos várias audiências públicas, sessão de debate no plenário e o presidente Pacheco sinalizou para pautá-lo logo. Então, eu acredito que a gente consiga aprovar e, aí sim, o presidente da República, que já se manifestou publicamente a não rejeitar o texto se aprovado no Senado; vai sancionar. Isso foi uma demonstração muito clara de que é um projeto importante e estratégico para a economia brasileira. Estou muito confiante em, até

outubro, estar com esse projeto aprovado no Senado e sancionado pelo presidente da República, para a podermos andar com o país para frente, trazendo investimentos, geração de emprego e renda, gerando impostos e a economia prosperando. O próprio vice-presidente, Geraldo Alckmin, fez uma declaração favorável. O próprio ministro da Fazenda Fernando Haddad também esteve comigo e fez um vídeo manifestando apoio ao projeto, até com base em uma nota técnica. Tivemos também posicionamentos favoráveis do Ministério do Turismo, do Desenvolvimento Social, do Trabalho, todos através de notas técnicas, documentos oficiais. As entidades públicas são favoráveis. As entidades privadas, como hotéis, entretenimento, games, todos os seguimentos relacionados, também. Então, se há realmente um clamor muito favorável à aprovação dessa matéria, é porque todos entendem, sem exceção, que essa é uma matéria capaz de gerar emprego, renda e impostos para o país.

Nos estudos desse projeto, fala-se em R$ 22 bilhões de impostos a serem arrecadados e divididos entre estados, municípios e União. Como devem ser usados esses recursos?

É muito diferente do que as pessoas imaginam. Esse recurso a ser arrecadado não vai apenas para os cofres da União. Tem-se a previsão de 16% ser destinado aos municípios brasileiros, os outros 16% dividido igualmente entre os estados, mas há também uma parte para o esporte, para a saúde, para a segurança pública, então há toda essa divisão pré-estabelecida, de modo que esse recurso fique com um destino social definido de imediato, não depois. Agora, a gente sabe que, às vezes, esse número encanta os olhos das pessoas, pois é uma cifra alta. Para o cidadão co-

mum entender: se a gente pegar os R$ 22 bilhões e dividir por 100 mil, referente ao valor médio de uma casa popular, nós estamos falando em algo em torno de 220 mil casas populares construídas por ano no Brasil. São quase 10 mil casas por estado. Isso é um número muito significativo. Se você fizer essa análise na saúde, nós estamos falando da construção de 22 mil postos de saúde por ano. São quase quatro novos postos de saúde construídos em cada uma das 5,5 mil cidades brasileiras. Então, é um recurso muito bem-vindo ao país que, atualmente, não arrecadamos. Esse dinheiro está ficando fora, pois, as empresas são proibidas de trabalhar, de operar no Brasil, e preferem continuar atuando em outros locais. As pessoas com celular já apostam em bingos e jogam em cassinos. Fazem o jogo do bicho e continuam fazendo. As empresas que estão sediadas fora do Brasil pagam os impostos fora do Brasil e ficam também os empregos fora, mas recebem o dinheiro dos nossos cidadãos.

Vimos, recentemente, a Polícia Federal batendo às portas do governador Wanderlei Barbosa (Republicanos). Qual sua avaliação acerca dessa ação?

É muito triste, mais uma vez, a gente assistir esse filme de terror no estado. Quando eu falo filme de terror é porque ele já se tornou recorrente. Há 20 anos, praticamente, que o Tocantins não termina um governador sentado na cadeira. Todos que foram afastados ou cassados foi por corrupção relacionada à prática ilegal de desvio de dinheiro público. Então, eu não vou entrar no mérito da gravidade de um ou do outro, mas o fato é que a justiça brasileira, o Superior Tribunal de Justiça do Brasil, através da Polícia Federal, promoveu essas buscas e apreensões tanto na casa do governador quanto dentro do seu gabinete, dentro de todas as empresas relacionadas a esse esquema de desvio público, na compra de cestas básicas, o que é mais cruel, no período mais crítico da nossa história: a pandemia. Quando todos nós sofremos com a perda de entes queridos. Enquanto isso, estava o governador roubando dinheiro e tirando comida da mesa de gente que estava passando fome. Isso é crueldade e de uma gravidade que não tem como qualificar. Portanto, é triste porque a gente sabe que o estado, mais uma vez, é notícia nacional nas manchetes

dos maiores veículos de comunicação. A gente se torna piada nacional, porque isso está se tornando tão frequente que as pessoas já não acreditam mais na possibilidade de um governo dar certo, pois isso acontece de forma repetida. Mas, por outro lado, eu acho que, agora, o Tocantins está passando por uma faxina. Limpar essa história do Tocantins e começar uma história nova, virtuosa, não nociva como vem acontecendo. Não é possível que a sociedade não aprenda com essas lições, e escolha, realmente, pessoas preparadas, ou seja, gente decente para governar o estado, seja na esfera estadual, municipal e no legislativo. Eu acho que isso cansa as pessoas. O Tocantins está cansado de picareta à frente do governo local e não podemos mais achar que quem rouba, faz e quem está fazendo, pode roubar. Isso é intolerável. Isso é inadmissível. Outra coisa, quem não tem vergonha de roubar, passa vergonha. Então, infelizmente, está passando vergonha. Eu acredito que a justiça vai punir com rigor e de forma exemplar os responsáveis pelo ocorrido no Tocantins. Eu espero que isso passe rapidamente, porque, infelizmente, quem sai mais prejudicado é o tocantinense. Nós vamos dar essa volta por cima e reestabelecer uma ordem seja saudável, decente e um governo que possa realmente fazer a diferença no estado.

Com relação ao pregão suspenso pelo TCE. Isso ocorreu por alguma desconfiança em relação a algo ou apenas a critério de prevenção?

O Tribunal de Contas do Estado afirma que há suspeitas e indícios de irregularidades no contrato de quase R$ 800 milhões de empresas para poder fazer recuperação asfáltica nas rodovias estaduais. Há indícios de favorecimento a essas instituições, de falta de objeto, de falta de transparência de dizer o que vai fazer dentro de um serviço. Isso é básico. Então, é mais um indício muito forte de corrupção no estado, de tantos outros casos que, inclusive, eu denunciei e, finalmente, estão sendo fiscalizados por todos os órgãos. Tocantins é, atualmente, o estado mais fiscalizado do Brasil. Há fiscalização pelo Tribunal Regional Eleitoral, pelo Tribunal Superior Eleitoral, pela CGU, pelo TCU, pelo Ministério Público e, agora, pela Receita Federal e pelo Tribunal de Contas do Estado. Ou seja, não é possível que está todo mundo pegando no pé do governador e ele está certo. Eu não acredito nisso. E acho, de verdade, que é intolerável o governador declarar publicamente sobre a empresa e chamar propina de consórcio entre amigos, como se tivesse mudado de nome. Propina é propina. É o que ele recebeu na conta dele e já confessou ter recebido.

E para 2026, algum projeto?

Muitos projetos. Com toda a franqueza, eu estou muito feliz aqui, defendendo o Tocantins no Senado Federal. É um

cargo extremamente honroso. É um privilégio poder estar no Senado Federal. É um dos cargos mais honrosos da República e eu tenho procurado corresponder à altura. Pelo menos, eu tenho me esforçado. Agora, honestamente, eu gostaria muito de poder continuar defendendo o Tocantins no Senado Federal, mas a gente precisa combinar com o freguês, que é o eleitor. Então, no momento oportuno, em 2026, é fazer uma grande avaliação, fazer uma grande pesquisa, ver como vai estar a situação do meu estado, que, infelizmente, a gente não sabe qual o destino vai trilhar devido às incertezas do governo, mas eu estou pronto para qualquer outro desafio também. Não me falta humildade nem vontade de trabalhar. Então, eu estarei pronto para servir o estado em qualquer posição, como se fosse um time de futebol, que você pode jogar no ataque, na defesa, na lateral, ou até no gol, se for preciso.

O nome da revista é Plano B. Qual o plano B de Irajá?

Com todo o respeito ao nome da revista, mas eu só tenho o plano A. E o plano A é continuar trabalhando pelo meu estado. Tenho ainda mais dois anos e meio de mandato, que eu tenho muito orgulho de representar aqui, em Brasília, levando recursos para os municípios. Você sabe que, graças à confiança do povo de Tocantins, a gente tem algo em entregas em todas as cidades do estado, ou seja, nas 139 cidades. Isso é motivo de orgulho, mas também de dever cumprido. Agora, a gente tem muitos projetos para poder, ainda, trabalhar para o estado. É muito debate para fazer e muita situação para fiscalizar. Portanto, o meu plano, realmente, é continuar defendendo o Tocantins, fazendo um grande mandato que possa honrar os votos recebidos. E, depois, aí sim, quando a gente tiver finalizado o mandato, fazer uma avaliação e ver se a gente ainda combina com o gosto do freguês para poder submeter, novamente, nosso nome para os tocantinenses e para continuar, aqui, representando o meu estado.

De Estocolmo

Cíntia,

Você bem sabe que estou muito cansada desse povinho da nossa terra, que só fala de si, e então, quando ensaiamos abrir a boca para contar um pouco que seja das nossas vidas, uma “silver tape” imaginária nos cala, desencorajando-nos de pronto a fazê-lo.

Pois bem, passeando pelo shopping, detive-me por alguns minutos diante de uma agência de turismo, e um nome ficou brilhando em frente dos meus olhos : Estocolmo.

Sem titubear entrei na agência e comprei uma passagem de ida para lá, porque só fui escolher o hotel em que me hospedarei depois de chegar em casa e pesquisar bastante.

Amiga, já imaginou que luxo uma cidade onde está sempre aberto o convite para que você diga como está?

As pessoas devem ser altruístas e interessadas nas nossas histórias de vida. Gente que fala de si mas tem a delicadeza de ouvir o que você tem para contar.

Você, melhor que qualquer um, sabe o quanto me incomoda o egoísmo das pessoas daí, e isso foi a gota d’água para eu tomar tal resolução.

Comprei passagem só de ida porque vou ficando por lá até sentir vontade de ir embora, e isso só saberei chegada a hora.

Ao chegar em casa corri para fazer a pesquisa, e imediatamente me decidi pelo Grand Hôtel Stockholm. Pareceu-me bárbaro.

Dá uma olhada para me contar sua impressão.

Ainda há um luxo agregado à escolha desse hotel, que é o serviço de traslado à bordo de uma limusine com chofer e serviço de quarto durante vinte e quatro horas.

Tenho certeza que fiz a escolha acertada.

Assim que estiver na capital da Suécia, sei que ficarei deslumbrada pela combinação de atrações modernas com o charme histórico do local, pois essa mescla me encanta em toda parte do mundo.

Já recebi algumas dicas de amigos que conhecem Estocolmo.

Aconselharam que eu inicie minha estadia conhecendo dois Patrimônios Mundiais da UNESCO : o Palácio Real de Drottningholm (residência da família real) e o cemitério-parque Skogskykogården.

Também me sugeriram passear pelas ruas de paralelepípedos do centro histórico e atravessar as pontes pitorescas que cruzam os canais da cidade.

O museu Skansen, que data do Séc. XIX, foi o primeiro

museu a céu aberto do mundo e é essencial para que se conheça a história da Suécia.

Cíntia, você consegue imaginar a belezura de um museu ao ar livre? Só de imaginar já estou dando piruetas imaginárias no ar.

Bem, isso é o que posso adiantar por enquanto, pois você sabe que não gosto das coisas muito planejadas.

Depois de desembacar na cidade, vai que eu não faça nada disso, ou que faça, mas não nessa ordem, sendo possível até que me hospede em outro hotel, caso ao vivo e a cores, eu descubra um outro que combinei mais comigo.

Espero que haja muitos tradutores espalhados pela cidade, pois de nada adianta eu falar pelos cotovelos sobre como eu estou, se as pessoas embora imbuídas das melhores intenções, não me entenderem.

Faz pensamento positivo por mim, amiga querida, e pode ficar tranquila porque tudo o que eu encontrar no comércio local que me lembre você, será trazido para lhe presentear, nas minhas malas, e se eu não retornar, despacho tudo pelos Correios.

Espero que fique bem na minha ausência, e claro, vamos nos comunicando via WhatsApp ou telefone, todos os dias.

Beijos,

Sua amiga, Eleonora

P.S. Essa carta estou escrevendo do avião para o seu e-mail.

* Ângela Beatriz Sabbag é bacharel em Direito por graduação e escritora por paixão.

Bailarina Clássica, Pianista e Decoradora de Interiores angelabeatrizsabbag e-mail angelabeatrizsabbag@gmail.com

Governo nega confisco de valores esquecidos em bancos

Por Agência Brasil - Brasília

Adaptação Rócio Barreto

Aincorporação dos cerca de R$ 8,56 bilhões esquecidos no sistema financeiro às contas do Tesouro Nacional não representa confisco de recursos, esclareceu na noite desta sexta-feira (13) a Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom). Em nota, o órgão ressaltou que os donos dos recursos poderão pedir o saque, mesmo após a incorporação.

A transferência dos recursos ao Tesouro Nacional consta do projeto que compensa a prorrogação da desoneração da folha de pagamento de 17 setores da economia e de 156 municípios, aprovado de forma definitiva pela Câmara dos Deputados na quinta-feira (12). Os R$ 8,56 bilhões comporão os R$ 55 bilhões que entrarão no caixa do governo para custear a extensão do benefício.

No comunicado, a Secom destacou que a previsão para incorporação desses recursos pelo Tesouro Nacional está prevista em legislação há mais de 70 anos, por meio da Lei 2.313 de 1954. O texto esclarece que, diferentemente de um confisco tradicional, os cidadãos poderão reclamar os valores esquecidos.

O Ministério da Fazenda, informou a Secom, publicará um edital no Diário Oficial da União com informações sobre os valores a receber. O recolhimento poderá ser contestado pelos que tiverem direito.

O Banco Central e o Ministério da Fazenda divergem sobre a forma de contabilizar os valores esquecidos. Para o BC, a transferência dos valores esquecidos para o Tesouro não representa um esforço fiscal porque não resulta de economia de recursos do governo, mas de dinheiro dos correntistas. Haddad diz que há precedentes que permitem a inclusão dos R$ 8,5 bilhões deixados de lado no sistema financeiro na meta fiscal de déficit primário zero para 2024.

Na última quarta-feira (11), o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, informou que existe precedente que permite a inclusão dos R$ 8,5 bilhões para reforçar as contas do Tesouro Nacional. O ministro citou o caso dos R$ 26,3 bilhões parados no antigo fundo PIS/Pasep.

No fim de 2022, a emenda constitucional da transição autorizou a transferência do dinheiro para o Tesouro Nacional. A Fazenda considera que o dinheiro reforçou o caixa do governo em 2023, mas o BC não reconheceu o valor, o que levou à maior divergência entre as estatísticas dos dois órgãos da história.

UFF se torna 1ª universidade federal do Rio a criar cotas para trans

Por Bruno de Freitas Moura - Agência Brasil - Brasília

Adaptação Ana Luiza Fontes

AUniversidade Federal Fluminense (UFF) se tornou a primeira instituição federal de ensino superior do Rio de Janeiro a criar cotas para pessoas trans - que não se identificam com o gênero ao qual foi designado em seu nascimento) - em cursos de graduação. A decisão foi aprovada na quinta-feira (19) pelo Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão.

A partir de 2025, serão reservados para estudantes trans 2% das vagas dos cursos de graduação. A expectativa da universidade é que mais de 300 pessoas sejam beneficiadas com ingresso no ensino superior no primeiro ano da política de ação afirmativa.

“A UFF fez história”, comemora a pró-reitora de Assuntos Estudantis, Alessandra Siqueira Barreto, ressaltando que as discussões que levaram à aprovação das cotas são fruto de protagonismo dos estudantes e diálogos com a administração da universidade.

“Foi um processo de escuta ativa. Os coletivos de estudantes trans da universidade se movimentam para defender as suas pautas e levam essa proposição para a gestão. A minuta foi construída conjuntamente, e isso traz uma força para esse processo”, explica.

Na pós-graduação mestrado e doutorado, 18 cursos já reservavam vagas para estudantes trans. Com a nova política, todos os programas devem disponibilizar ao menos uma vaga a partir do próximo ano.

Com sede em Niterói, cidade da região metropolitana do Rio de Janeiro, a UFF tem cerca de 66 mil alunos e nove campi no estado.

A pró-reitora disse que será criada uma banca de heteroidentificação para participar do processo de ação afirmativa, uma demanda dos coletivos. A heteroidentificação é um procedimento complementar à autodeclaração, que consiste na percepção de outras pessoas sobre a autoidentificação do candidato.

Permanência estudantil

Alessandra Barreto garantiu que a universidade manterá contato próximo com os cotistas trans para oferecer um acolhimento que sirva de escudo para comportamentos preconceituosos e discriminatórios. Segundo ela, 50% das bolsas acadêmicas oferecidas são destinadas ao universo de todos os alunos cotistas.

“Não é só o ingresso. A gente precisa criar agora os protocolos de permanência estudantil”, disse a pró-reitora.

De acordo com a presidente da Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra), Bruna Benevides, “a luta da organização vai além do ingresso nas universidades, defendendo a permanência e o sucesso acadêmico das pessoas trans”.

A associação pretende divulgar, em breve, uma carta com diretrizes para a implementação dessas cotas, abordando temas como segurança e políticas de permanência.

Mais universidades

A Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) é outra instituição que pode decidir pela criação de cota para estudantes trans em cursos de graduação. Em agosto, a Rural, como é conhecida, divulgou um cronograma sobre o debate interno.

As outras duas unidades federais do estado são a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio).

Com a UFF, ao menos 12 instituições de ensino federais adotam política de cotas para a população trans. A mais recente a fazer parte da lista foi a Uni-

versidade Federal de São Paulo (Unifesp), que comunicou a decisão no dia 11 de setembro.

A Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB) já aplicava a reserva específica em 2018. Outras instituições são a Federal do ABC (UFABC), Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (Unilab), Federal da Bahia (UFBA), Federal de Lavras (UFLA), Federal de Santa Catarina (UFSC), Federal de Santa Maria (UFSM), Federal do Rio Grande (FURG), Federal de Rondônia (UNIR) e Federal de Goiás (UFG).

Em todo o país, a Lei 14.723/23 determina que instituições federais de educação superior reservem vagas para “estudantes pretos, pardos, indígenas e quilombolas e de pessoas com deficiência, bem como daqueles que tenham cursado integralmente o ensino médio ou fundamental em escola pública”.

Os sons do Eixão

Dia desses os frequentadores do Eixão do Lazer foram surpreendidos com a ação ostensiva da fiscalização do GDF. A surpresa se transformou imediatamente em indignação e proliferaram abaixo-assinados, petições, pronunciamentos de políticos, manifestações de comerciantes e artistas e do público em geral, denunciando a suposta ameaça à tradição de 33 anos.

Finalmente o governador veio a público declarar que o Eixão do Lazer vai continuar acontecendo e que a ação do fim de semana tinha o único objetivo de disciplinar o comércio e a realização de atividades para evitar abusos. A argumentação focava no controle da venda de alimentos e bebidas e do som das atividades musicais, destacando que havia uma demanda por parte de moradores, incomodados com o volume das apresentações.

“Mas sei que foi bem perto, não só pelo som que me chegava como pelo uso intenso, mas nada abusivo, dos espaços de estacionamento da quadra, quase sempre ociosos.”

Moro há duas décadas na 206 Norte. A janela de minha sala está a 200 m da borda do Eixinho L e não há obstáculos no caminho, exceto a vegetação não tão densa a ponto de impedir que eu veja as pistas, especialmente durante a estação seca. Fiquei intrigado com o que pode estar acontecendo em outras quadras, porque na minha só incomodam as raras ocasiões em que algum candidato ou alguma igreja resolve promover carreata com carro de som.

Talvez porque alguém descobriu minha curiosidade e resolveu satisfazê-la, logo no domingo seguinte à ação minha quadra foi brindada com a apresentação de um grupo de música nordestina. O local exato da performance estava fora de meu campo de visão e eu não desci para verificar, ocupado que estava corrigindo as últimas provas desse primeiro semestre prolongado por nossa greve. Mas sei que foi bem perto, não só pelo som que me chegava como pelo uso intenso, mas nada abusivo, dos espaços de estacionamento da quadra, quase sempre ociosos.

Não sou especialista na arte, mas a música me chegava de forma prazerosa, não só pelo repertório como pela qualidade da execução. Pensei, é isso que incomoda os vizinhos amigos

do governador? Então busquei um aplicativo que diz transformar o telefone em decibelímetro e fiz uma medição de minha janela. Achei a marca de inacreditáveis 70 dB, que daria razão aos vizinhos porque, segundo o site do Brasília Ambiental, os limites durante o dia são respectivamente de 50 e 55 dB para áreas estritamente residenciais urbanas e áreas mistas, predominantemente residenciais. Repeti as medições e, como achei os mesmos valores, quase me convenci de que a qualidade da banda tinha alargado muito minha tolerância. No dia seguinte voltei à mesma janela antes de sair para o trabalho, por volta das 9h da manhã. Não havia música, apenas o som abafado do trânsito de qualquer segunda-feira. Saquei o celular, abri o aplicativo e voilá... 70 dB! Por um instante achei que o aparelho não estava medindo coisa alguma, mas um sabiá tratou de mostrar que o simulacro é, sim, sensível ao som. De meu experimento para lá de amador, a primeira suspeita é de que o aplicativo não produz resultados confiáveis. Porém, se o erro é de calibração, é razoável supor que a boa música do domingo e o triste ruído do tráfego da segunda afetam nossos tímpanos da mesma forma. Agora estou à espera de Ibaneis proibir definitivamente a circulação de veículos motorizados no Eixão.

* Paulo César Marques da Silva é professor da área de Transportes da Faculdade de Tecnologia da Universidade de Brasília. Possui graduação em Engenharia Mecânica pela Universidade Federal da Bahia (1983), mestrado em Engenharia de Transportes pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (1992) e doutorado em Transport Studies pela University of London (University College London) (2001).

FASHION WEEK

A mulher por trás do Brasília Trends Fashion Week

Ela aprendeu a costurar, ainda criança, com a mãe para ajudar nas despesas de casa e, hoje, tornou-se um dos principais nomes da moda em Brasília. Conheça Bernardeth Martins

Em 2018, um novo evento passou a movimentar o mercado da moda em Brasília. Carente de uma proposta no segmento, o público candango finalmente ganhou algo para chamar de seu. O Brasília Trends Fashion Week chegou para suprir uma lacuna deixada pelos grandes encontros de moda na capital do país. Composto por desfiles, palestras, artesanato e espaço para comercialização de marcas locais, o evento chegou com um caráter ainda mais abrangente. Com o ob-

jetivo de transcender as passarelas e discutir tendências, o público passou a conferir a pluralidade e a inclusão social. Por trás disso tudo, a empresária e visionária Bernardeth Martins, percussora e pioneira de realizações como essa em terras brasilienses.

Filha mais velha de três irmãos, aprendeu a costurar aos nove anos para ajudar a sua mãe com as despesas domésticas. Esse caminho a levou a ser o que é hoje. Ao se aposentar em 2012, mudou o seu ramo de atividade, e tornou-se empresária. Hoje é proprietária da Loja Cirandinha, do seguimento de roupas infantis. Ou seja, a moda sempre esteve em seu DNA. Confira um bate-papo exclusivo com essa empreendedora nata. O que inspirou a criação do Brasília Trends Fashion Week?

Primeiramente, foi uma forma de homenagear minha mãe que me inspirou a trabalhar nesse meio. Além disso, Brasília estava precisando de uma semana que fomentasse a moda do Distrito Federal. Temos excelentes eventos pontuais, em que algum shopping promove desfiles com as marcas específicas do estabelecimento ou desfiles individualizados; mas, já havia um tempo que não tínhamos uma semana de moda. Foi aí que decidimos enfrentar o grande desafio e realizarmos, em 2018, a primeira edição do Brasília Trends Fashion Week.

Quais os principais objetivos que você deseja alcançar com o Brasília Trends Fashion Week?

Queremos apoiar a consolidação da imagem de Brasília como cidade criativa do design, um título concedido pela Unesco a partir de 2017. Além disso, objetivamos promover Brasília como destino de moda e design no mercado local, nacional e internacional. Temos excelentes profissionais que aguardam somente por uma chance para divulgarem suas criações. Para isso, temos que realizar eventos como esse para que esses profissionais possam ter essa oportunidade.

Como percebe o papel da moda em Brasília e sua influência na cultura local?

Depois da construção civil, a moda é o segmento que mais emprega no Distrito Federal. E, dentro do setor da moda, 80% é mão de obra feminina. Somente isso já demonstra a importância do papel da moda no Distrito Federal como gerador de emprego e renda; além de fortalecer o empreendedorismo feminino. Nós, do Brasília Trends, acreditamos no fato de a moda ser muito mais do que o ato de se vestir. Ela vai muito além de apenas seguir tendências. É uma forma de expressão cul-

FASHION WEEK

tural que permite o uso da imaginação desde seus criadores até o estilo pessoal de cada indivíduo que é influenciado por diversos aspectos culturais, como por exemplo: a história, a religião, a economia e até mesmo a política. Ao observar o modo como as pessoas se vestem em diferentes regiões do mundo, é possível perceber como o estilo está ligado à cultura. Através do Brasília Trends buscamos mostrar essa diversidade levando para a passarela desfiles das mais diversificadas marcas, inclusive de outros estados e países.

Quais os maiores desafios que você enfrentou ao organizar um evento como esse?

Não é nada fácil realizar um evento desse porte. O maior desafio, sem dúvida, é conseguir apoiadores que acreditem no grande potencial do segmento da moda do Distrito Federal. Infelizmente, recebemos muitos “nãos”, mas com garra e cora

gem vamos transformando esses desafios em tijolos, e usamos cada um para construirmos a nossa jornada.

Como você seleciona os designers e marcas participantes?

Buscamos dar oportunidades para os designers e as marcas que nos procuram. Ao nos contatarem, o nosso produtor faz uma visita a cada um deles para conhecer as peças e coleções, e os ajudam a montar os desfiles para que possam fazer uma bela apresentação.

Você pode compartilhar algum momento marcante das edições anteriores?

Eu tenho vários, negativos e positivos. Mas prefiro mencionar um deles que foi superpositivo. Para mim um momento que foi bem marcante foi quando fomos abraçados pela nossa madrinha Luiza Brunet. É uma mistura de emoção com uma gratidão sem fim.

Como o Brasília Trends Fashion Week contribui para o crescimento da indústria da moda no Brasil?

Contribuímos, especialmente, com a promoção e geração de emprego e renda não apenas no DF, mas, também, para as marcas que vêm de fora do nosso quadradinho. É importante destacar a cadeia produtiva que cada desfile promove e movimenta. São estilistas, costureiras, aquisição de tecidos, de material, contratação de modelos, construção da passarela, iluminação, som, produção; enfim, para cada desfile realizado, é necessário envolver vários segmentos, contribuindo não somente para o crescimento da indústria, mas também da economia de um modo geral.

Há planos para expandir ou diversificar o evento nos próximos anos?

Sim. A cada ano o Brasília Trends busca melhorar e promover mais e mais a moda, principalmente, do Distrito Federal.

Qual é a sua visão sobre o futuro do Brasília Trends Fashion Week?

A minha visão é um sonho, ainda que distante: ser o maior evento de moda do Brasil.

Como você engaja o público e a comunidade local no evento?

Buscamos diversificar as atrações, levando palestras, ambiente agradável, desfiles bem produzidos e importantes temas, diretamente, relacionados com a moda, em que são debatidos nas mesas redondas que realizamos sobre tráfico de

pessoas, trabalho escravo e infantil, violência contra a mulher, e sobre a importância da inclusão no mundo da moda. Ou seja, temas que devem ser tratados insistentemente nesse âmbito, para que o público, principalmente, os jovens, conheça todos os benefícios e também os riscos que são ligados ao mundo da moda.

Para além da moda, como era seu trabalho na OIT?

Em 1979, fiz um Curso de Secretariado e de Taquigrafia no Senac-DF. Essa capacitação me permitiu iniciar, em 1980, a minha carreira na Organização Internacional do Trabalho, uma das Agências Especializadas das Nações Unidas. A OIT foi o meu primeiro e único emprego, e lá fiz a minha carreira profissional, iniciando no posto de secretária e finalizando, ao me aposentar em 2012, no posto de Oficial de Finanças, Administração e de Recursos Humanos da OIT no Brasil. Sinto-me lisonjeada em dizer que, durante essa jornada, tão gratificante, a OIT me agraciou com vários méritos em reconhecimento ao compromisso e dedicação com que eu sempre busquei desempenhar as minhas tarefas, funções e responsabilidades.

E como é na Cirandinha?

O Grupo Cirandinha é composto pela loja física, virtual e pelo nosso maior produto, o Brasília Trends Fashion Week. Com mais de 10 anos de história e vários clientes em Brasília, buscamos promover a inclusão, realizar projetos de sustentabilidade social, respeitar e valorizar as nossas colaboradoras, e, claro, atendermos com excelência os nossos clientes. Temos vários projetos dentro do grupo que fazem a responsabilidade social ser um dos nossos maiores produtos. E, por isso, somos gratos aos nossos clientes que estão sempre comprando na Cirandinha, pois isso nos ajuda a ajudar. A nossa recente adesão ao Pacto Global da ONU demonstra que não é preciso ser uma grande empresa para se ter uma responsabilidade social bem aguçada, basta ter boa vontade e querer fazer alguma diferença.

Então a Cirandinha é mais que uma loja de roupas?

Como eu disse, o Grupo Cirandinha é prova de que não é necessário ser uma grande empresa para exercer o seu lado

social. Por isso, a responsabilidade social está enraizada em seu DNA. A logo do grupo é um beija-flor, pois foi inspirada na fábula em que o beija-flor leva, incansavelmente, as gotas de água em seu bico para apagar o incêndio da floresta. Quando lhe criticam dizendo-lhe que ele nunca iria conseguir apagar o incêndio com aquelas gotas, ele contesta dizendo que sabia que não apagaria, mas, sabia que ele estava fazendo a sua parte. E assim somos nós, do Grupo Cirandinha, sabemos que não vamos acabar com as injustiças sociais, mas estamos certas de que estamos fazendo a nossa parte, sempre respeitando as diversidades do mundo que nos cerca.

Qual o seu plano B?

Na verdade, o que eu faço hoje em dia já é o meu plano B! Porque o meu plano A sempre foi ser agradecida a Deus pela vida que tenho, buscar ser feliz comigo mesma e com a minha família e amigos que me cercam, e, claro, apoiar diferentes causas sociais.

Você, seus valores e a democracia

Você já parou para pensar se seus atos estão em harmonia com seus princípios e valores?

O que foi que descobriu? Consegue dizer que suas palavras podem ser ratificadas pelos seus atos? Ao olhar com sinceridade para o seu EU, você poderia dizer que tem deixado boas energias por onde passa?

Estamos passando por momentos sombrios, em que a viralização de fake news pode ofuscar a capacidade de avaliação, dada a avalanche de informações que nos chegam a todo momento, juntamente com o tal do imediatismo que tomou conta de nossas vidas.

E aqui colocamos o imediatismo não somente no sentido de querer ser o primeiro a passar aquela notícia ou informação adiante, mas, também, no sentido de não nos determos diante daquilo que nos chega, para uma avaliação mais cautelosa, mais apurada, devido às necessidades impostas, falsamente, pelo ritmo que nossas vidas seguem atualmente.

Notícias falsas sempre existiram. Sempre foram uma arma poderosa para destruição da reputação daqueles que resolvessem agir contra opressores, poderosos e falsos profetas.

“Hoje

Daí, recorremos a Sócrates, em Apologia de Platão, relembrando a colocação de que “a vida não examinada não vale a pena ser vivida”, questionando os atenienses sobre as virtudes que defendiam e cobravam, mas não as exerciam, ou delas dispunham.

Naquele momento, havia um contraste entre o conhecimento político incorporado pelos dêmos, habitantes do entorno de Atenas, que era compartilhado entre todos, e o que, em Atenas, só ocorria entre os grupos familiares aristocráticos.

o tempo para esse desmentido é infinitamente menor, o que leva a um estrago potencialmente perigoso e danoso. Cada vez mais precisamos de uma imprensa livre, madura, que faça, cada vez mais, apurações esclarecedoras, sérias e rápidas, já que é impossível, impedir a disseminação de fake news. Pelo menos em um médio espaço de tempo.”

Apesar de seu poder destrutivo, a velocidade da disseminação era outra. Havia uma brecha para que um trabalho de esclarecimento pudesse mitigar o absurdo efeito que causaria nas pessoas mais distantes daquela possível realidade.

Hoje o tempo para esse desmentido é infinitamente menor, o que leva a um estrago potencialmente perigoso e danoso. Cada vez mais precisamos de uma imprensa livre, madura, que faça, cada vez mais, apurações esclarecedoras, sérias e rápidas, já que é impossível, impedir a disseminação de fake news. Pelo menos em um médio espaço de tempo.

Viria de tão longe a nossa incapacidade, como eleitores, de realizarmos boas escolhas nas eleições?

Essa liberdade que nos foi dada, de escolha dos candidatos por meio de votações, sem termos cidadãos capazes de entender o básico da organização da vida política, é uma liberdade real?

Essa tomada de decisão, voto, com escassos conhecimento e interesse pela política já era uma estratégia para a manutenção do poder. Aliada agora, às fake news e a força das mídias sociais, não só tem tudo para a perpetuação do poder, como para a construção e manutenção de um país dividido.

A busca incansável pela informação real e pelo esclarecimento faz parte dos valores que devem estar presentes em nossas vidas.

Se você possui valores bem definidos, o ato de votar será fácil. Se não, você ficará confuso ao ter que tomar essa decisão, tornando não só a sua, mas a nossa vida refém das empossadas “autoridades”.

* Wilson Coelho é especialista em Políticas públicas de Saúde pela UNB, e Informática em Saúde pelo IEP-HSL.

Educação abre inscrições para a 1ª edição do Interpreta

Tocantins das escolas estaduais

Por Ana Luiza Dias/Governo do Tocantins

Adaptação Rócio Barreto

OGoverno do Tocantins, por meio da Secretaria de Estado da Educação (Seduc), abriu as inscrições para a 1o edição do Interpreta Tocantins, concurso que busca incentivar os estudantes das escolas estaduais a praticarem a arte de recitar versos e a narrativa oral a partir da leitura. O certame prevê premiações de até R$ 3 mil para os estudantes, para a unidade escolar e para o professor orientador.

As inscrições podem ser realizadas até o dia 9 de outubro deste ano e devem ser efetivadas pelas unidades escolares. Cada escola poderá inscrever dois alunos, sendo um para a categoria poema e outro para a categoria conto.

Os interessados precisam enviar, para o e-mail oficial da competição interpretatocantins@seduc.to.gov.br, um vídeo recitando sua obra escolhida, que deve ser obrigatoriamente de autores nacionais, além dos formulários disponíveis no edital.

“Esse projeto é muito importante, porque estimula o talento literário dos jovens e incentiva o envolvimento deles em

projetos artísticos”, destacou o secretário de Estado da Educação, Fábio Vaz.

O concurso será realizado em duas fases: uma classificatória, que vai avaliar as inscrições enviadas pelas escolas; e a etapa final, que será realizada de forma presencial, em Dianópolis, no dia 4 de dezembro.

Os estudantes selecionados na fase inicial irão se apresentar diante de um corpo de jurados com experiência na área de literatura.

Premiação

Os três primeiros colocados de cada categoria na competição presencial, seus respectivos professores e unidades escolares serão contemplados com as seguintes premiações:

1o lugar: troféu e R$ 3 mil para o estudante, R$ 3 mil para a escola e R$ 1 mil para o professor;

2o lugar: troféu e R$ 2 mil para o estudante, R$ 2 mil para a escola e R$ 1 mil para o professor;

3o lugar: troféu e R$ 1 mil para o estudante, R$ 1 mil para a escola e R$ 1 mil para o professor.

Militares do Exército começam a combater incêndios no Tocantins

Por Wellton Máximo - Agência Brasil - Brasília

Adaptação PH Paiva

Ocombate aos incêndios florestais no Tocantins ganhou o reforço das Forças Armadas. O Exército enviou 190 militares para ajudar o Corpo de Bombeiros, os brigadistas, a Defesa Civil e os órgãos estaduais de meio ambiente na contenção das chamas.

A equipe chegou no sábado (14) e começou a trabalhar neste domingo (15). Os integrantes do Exército estão distribuídos da seguinte forma: em relação aos militares especializados no combate a incêndios, 60 foram para a Ilha do Bananal, principal foco de incêndio no estado; 60 trabalham na região metropolitana da capital, Palmas; e 40 formam um contingente de reserva para reforçar as equipes. Além da equipe especializada, 30 militares dão suporte logístico à operação.

A força-tarefa de combate aos incêndios florestais no estado se reuniu no sábado no 22o Batalhão de Infantaria Mecanizado do Exército, em Palmas. O governo estadual participou do encontro por meio do Corpo de Bombeiros,

da Defesa Civil Estadual, do Instituto Natureza do Tocantins (Naturatins), da Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Semarh) e de outros órgãos envolvidos nos trabalhos.

Neste ano, o fogo consumiu cerca de 250 mil hectares na Ilha do Bananal, reserva da biosfera e uma das áreas de maior biodiversidade do país por ficar numa zona de confluência entre o Cerrado e a Floresta Amazônica. Os ventos fortes e que mudam de direção dificultam o controle das chamas.

A maior preocupação da força-tarefa na Ilha do Bananal neste momento é a Mata do Mamão, habitat de povos indígenas isolados, onde 8 mil hectares foram devastados. A Ilha do Bananal abriga três etnias indígenas.

Outros pontos turísticos do Tocantins foram afetados por incêndios recentes. No período de 4 a 7 de setembro, o Parque Estadual do Jalapão, que abriga as famosas Dunas do Jalapão, ficou fechado por causa do fogo que atingiu cerca de 10 mil hectares na Serra do Espírito Santo. Um dos portais de entrada do parque, a Lagoa da Serra, teve quiosques destruídos pelo fogo, o que forçou a evacuação às pressas de um grupo de turistas de São Paulo.

Comitê Pró-animais do Tocantins aprova projeto “Bicho não é lixo”

Por Cleide Veloso/Governo do Tocantins

Adaptação Rócio Barreto

Os novos membros do Comitê Estadual de Proteção e Defesa dos Animais do Tocantins (Comitê Pró-Animais) tomaram posse nessa quinta-feira, 19, no mandato para o biênio 2024-2026 e aprovaram por unanimidade, o projeto-piloto Bicho não é lixo.

Representando o poder público, o Governo do Tocantins preside o Comitê por intermédio da Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Semarh), que reuniu os novos membros no encontro em formato híbrido para a solenidade de posse, análise e votação das pautas na 9o Reunião Ordinária do colegiado.

Na ocasião, também foram aprovadas a proposta de alteração do Decreto de criação do Comitê e a proposta de alteração do Regimento Interno. Em seguida, foram pedidas vistas, para análise e sugestões de ajustes do Fluxograma de Maus Tratos de Animais e do Plano de Ação 2024-2026.

A secretária-executiva do Comitê Pró-Animais, Meriele Oliveira, conduziu a reunião representando o coordenador Marcello Lelis e destacou que, “o projeto foi aprovado na sua integridade, porque se trata de um projeto-piloto que visa atender a demanda de recipiente para comportar alimento e água aos animais em situação de vulnerabilidade. Nesta

edição a confecção desses recipientes será realizada por alunos de duas escolas, sendo uma turma do Colégio Militar de Palmas e o outra da Escola Entre Rios, em Taquaruçu, para abranger também a comunidade da zona rural aqui da nossa capital. Esta produção-piloto será destinada aos órgãos públicos que têm animais em condição de vulnerabilidade em sua proximidade”.

Meriele Oliveira acrescentou que foi proposta a realização da 1o Feira Estadual de Adoção de PET, em parceria com as Organizações Não Governamentais (ONGs) e o intuito de diminuir a fila de animais disponíveis. Durante o debate, os membros sugeriram que esse projeto contemple outros municípios e escolas, abrangendo a comunidade rural. “Na zona rural, há muitos animais em condição de vulnerabilidade, então a ideia é que o projeto seja expandido e voltado nessa área para os animais domésticos, especificamente cães e gatos”, comentou a secretária-executiva do Comitê.

Como convidada, a diretora de Educação Ambiental para Sustentabilidade da Semarh, Erliette Gadotti, acompanhou a aprovação do projeto na reunião e apreciou também a validação da proposta de alteração do decreto que institui o Comitê, para inclusão de parceiros que atuam na causa animal, como o Conselho Regional de Biologia da 4o Região (CRBio 4), que regulamenta a profissão dos biólogos.

Atualmente com seis câmaras técnicas, os membros do

Comitê aprovaram a alteração do Regimento Interno para inclusão de uma Câmara Técnica específica para captação de recursos.

Na sequência, os membros sugeriram o adiamento da análise e a votação do Fluxograma de Maus-Tratos de Animais que, para a representante titular do Instituto Natureza do Tocantins, Marilene dos Santos Demétrio, necessita de revisão da estrutura, ao questionar a indefinição do tipo de animal a ser atendido. Para a análise do fluxograma, a representante titular da OAB Tocantins, Silvana Pinho, considera essencial que a revisão seja acompanhada por técnicos e especialistas para discutir os ajustes desde as políticas públicas.

A representante titular das Entidades da Sociedade civil e Associações, com sede no Estado do Tocantins, que atuam em temas relacionados à proteção e defesa dos animais, Kesia Abreu dos Santos Porto, enfatizou que não há um padrão, cada município adota um procedimento, porém existem várias ONGs regularizadas, o que pode favorecer a descentralização do atendimento. O suplente Diego Pires sugeriu ainda suporte para regularização de ONGs que possuem pendência de documentação e incentivo à criação de políticas públicas municipais, para que uma unidade não tenha que cobrir vários municípios.

Os membros concordaram ainda com o adiamento da análise e da votação do Plano de Ação 2024-2026, que conforme a representante do CRBio4, Angélica Beatriz, pode receber contribuições que ajustem esse documento às propostas aprovadas e em análise.

Nova composição

Conforme Portaria da Semarh no 03/2024, tomaram posse os novos membros representantes titulares e suplentes da Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Recursos Hídricos; da Secretaria de Estado da Agricultura e Pecuária; da Secretaria de Estado da Educação; Secretaria de Estado da Saúde; Secretaria de Estado da Segurança Pública; Instituto Natureza do Tocantins (Naturatins); Batalhão de Polícia Militar Ambiental; Assembleia Legislativa do Tocantins; Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis; Conselho Regional de Medicina Veterinária do Estado do Tocantins; entidades da Sociedade civil e Associações, com sede no Estado do Tocantins, que atuam em temas relacionados à proteção e à defesa dos animais; Comissão da Defesa dos Animais da Ordem dos Advogados do Brasil, Seccional Tocantins.

Por que Brasil de Lula não rompe com Venezuela de Maduro?

Adaptação

Arelação entre Brasil e Venezuela passa por um de seus momentos mais tensos até hoje após disputas em relação ao resultado da eleição presidencial e o mais recente embate em torno da custódia da embaixada da Argentina no país.

O Brasil estava tomando conta das instalações argentinas em Caracas desde o início de agosto, quando o governo de Nicolás Maduro decidiu expulsar as equipes diplomáticas de pelo menos sete países — incluindo a Argentina — após acusações de fraude nas eleições presidenciais.

Mas, no último final de semana, Maduro anunciou a decisão de retirar a autorização para o Brasil custodiar a embaixada da Argentina no país.

Em resposta, o Ministério das Relações Exteriores brasileiro afirmou que informou à Venezuela que seguirá representando os interesses argentinos em Caracas até que seja designado um substituto.

O pedido pela Justiça venezuelana de prisão de Edmundo González Urrutia, candidato que concorreu pela oposição nas eleições, também agravou a crise entre as duas nações. González deixou o país e recebeu asilo da Espanha.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem feito críticas a Maduro e à recusa do venezuelano em divulgar as atas das eleições para estabelecer a credibilidade do processo, mas rejeita

cobranças sobre romper as relações entre Brasil e Venezuela.

Na sexta-feira (6/9), antes do anúncio da decisão venezuelana sobre a representação diplomática, Lula reiterou que não pretendia romper as relações ou fazer bloqueio contra o governo de Maduro.

“Estamos em uma posição, Brasil e Colômbia, a gente não aceitou o resultado das eleições, mas não vou romper relações e também não concordo com a punição unilateral, o bloqueio. Porque o bloqueio não prejudica o Maduro, o bloqueio prejudica o povo e eu acho que o povo não deve ser vítima disso”, disse o presidente brasileiro em entrevista à rádio Difusora Goiânia na sexta.

A posição de Lula vai na contramão da adotada por outros líderes sul-americanos, como o presidente de esquerda do Chile, Gabriel Boric, que declarou que os resultados que apontariam vitória de Maduro “eram difíceis de acreditar”.

O governo de Jair Bolsonaro (PL) também rompeu com Maduro quando reconheceu o deputado da oposição Juan Guaidó como presidente interino em 2019.

Mas por que o governo Lula tem insistido em manter uma posição neutra?

Administração da relação

Diplomatas ouvidos pela BBC News Brasil em caráter reservado ao longo dos últimos dois meses e especialistas explicam que uma das razões principais pelas quais o governo brasileiro não pretende romper relações com a Venezuela a despeito dos últimos acontecimentos é a necessidade de administrar o diálogo com um país com o qual compartilha 2,2 mil quilômetros de fronteira.

Um diplomata da cúpula do Itamaraty afirmou que a tentativa de isolar a Venezuela observada durante os anos em que o Brasil foi governado por Bolsonaro não surtiu o resultado esperado (uma mudança de regime) e trouxe problemas

aos principais vizinhos do país como o Brasil, que teve de lidar com um aumento massivo da imigração venezuelana tendo pouca ou nenhuma interlocução com autoridades do país vizinho.

Ainda segundo esta fonte, a extensa fronteira entre os dois países e a existência de comunidades brasileira e venezuelana nos dois países fazem com que seja importante manter canais de diálogo com o país vizinho.

“A avaliação é que o rompimento com um país vizinho, além de produzir poucos benefícios, gera uma série de dificuldades no dia a dia da gestão da relação”, diz Oliver Stuenkel, professor de Relações Internacionais da Fundação Getulio Vargas (FGV).

Segundo o especialista, as consequências de romper relações vão além da política e poderiam refletir, por exemplo, na administração de questões consulares, tais como o atendimento a brasileiros que vivem na Venezuela.

Além disso, a manutenção da relação permite que o Brasil atue de forma mais próxima na gestão do fluxo de imigrantes venezuelanos que chegam ao país e em outros temas fronteiriços e alfandegários.

“A crise dos refugiados é algo que, na minha avaliação, é muito mais significativo do que a afinidade ideológica”, afirma Carolina Silva Pedroso, professora de Relações Internacionais da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

“O Brasil se tornou nos últimos anos o quarto principal destino dos venezuelanos, há uma pressão grande na fronteira e da própria opinião pública sobre essa questão.”

Para Laura Trajber Waisbich, diretora do programa de Estudos Brasileiros da Universidade de Oxford, no Reino Unido, a fragilidade política venezuelana também não interessa ao Brasil.

A instabilidade econômica da Venezuela afeta o Brasil de maneira muito direta, não só por conta do aumento no fluxo de imigrantes, mas também por proporcionar um contexto propício para o uso da fronteira na região amazônica por organizações criminosas, diz a especialista.

“Essa fronteira está cada vez mais porosa e ingovernada”, afirma, ressaltando a relevância da região para o tráfico de cocaína e a atuação de organizações como o Primeiro Comando da Capital (PCC).

Tradição diplomática

Outro fator relevante mencionado pelas fontes ouvidas pela BBC Brasil é a prática diplomática conciliatória brasileira.

“A tradição diplomática brasileira não dispõe do rompimento de relações diplomáticas com tanta facilidade”, afirma Pedroso.

“Embora esse recurso tenha sido utilizado com bastante frequência no mundo, em tese, deveria ser uma das últimas ações a se tomar, quando todas as possibilidades de diálogo estivessem esgotadas.”

Laura Waisbich explica ainda que a tradição brasileira também passa pelo cumprimento do princípio de não interferência em assuntos de política interna de outros países.

“A política externa brasileira é uma prática mais reticente a esse tipo de gesto de rompimento, sobretudo quando esse rompimento tem a ver com situações de caráter doméstico do país”, diz.

“A Venezuela é um país parceiro vizinho e o que acontece ali pode impactar no Brasil, mas no final das contas tratam-se de acontecimentos da própria dinâmica do processo político venezuelano.”

Para além da tradição brasileira, há ainda uma prática diplomática comum na América Latina nos últimos anos que se apoia na ideia de que os problemas da região devem ser resolvidos internamente, dizem as especialistas.

“Há uma tradição na América Latina, que começou na América Central na década de 80 e foi evoluindo desde então, de construir uma cultura de mediação e negociação diplomática interna” para evitar a influência de atores externos, explica Waisbich.

Papel de mediação

O papel de destaque do Brasil nas negociações políticas entre governo Maduro e oposição é também um fator de peso na relação.

Desde que Maduro se declarou vencedor das eleições presidenciais e a oposição questionou os resultados, Brasil e Colômbia vem se empenhando em uma a tentativa de diálogo. Além de fazer consultas com ambos os lados, os dois países também lançaram um pacote de ideias para tentar resolver a crise política no país vizinho.

VENEZUELA

Os esforços não parecem ter dado grande resultado na crise atual, mas diplomatas consultados pela BBC Brasil afirmam que o governo brasileiro deseja manter sua posição como mediador para um eventual aprofundamento da instabilidade.

O argumento é o de que um eventual rompimento pioraria uma situação que já ruim e dificultaria ou impossibilitaria ainda mais qualquer tentativa de influenciar o governo Maduro.

Em resumo, a tese é: se mesmo próximo, o Brasil enfrenta dificuldades para influenciar o regime venezuelano, ao ficar distante essa missão poderia se tornar impossível.

Os especialistas consultados pela reportagem concordam com a abordagem.

“É importante manter alguma interlocução básica para que se houver sinais de instabilidade do regime no futuro, o Brasil esteja relativamente bem posicionado para ter algum diálogo”, diz Oliver Stuenkel.

Para Carolina Pedroso, existe uma crença entre muitos dos observadores internacionais de que não haverá saída pacífica para a crise atual sem algum grau de auxílio externo - e o Brasil se prepara para isso.

“Uma das confluências do governo Lula e da tradição diplomática brasileira é a aposta em recursos de mediação, conciliação e diálogo, por isso há uma resistência em ‘abandonar’ a Venezuela à própria sorte”, diz.

Influência externa

Outro diplomata brasileiro com experiência na região sul-americana afirmou à BBC que o Itamaraty também entende que isolar ainda mais a Venezuela, além de não garantir uma

melhora no ambiente democrático do país, poderia ter como efeito colateral um aumento da dependência do governo de Maduro em relação a potências extra-regionais como a China e a Rússia.

Não por acaso, os dois países foram alguns dos poucos que reconheceram como legítimos os resultados das eleições presidenciais de julho deste ano. Tanto o presidente russo, Vladimir Putin, quando o líder chinês, Xi Jinping, enviaram mensagens parabenizando Maduro pelo resultado.

Para Waisbich, o Brasil deseja manter uma ponte de diálogo justamente para evitar que atores de influência histórica na região, como os Estados Unidos, e outros mais recentes, como a China, tomem sua posição de protagonismo.

“Se o Brasil sair de cena por conta de um rompimento de relações, esses outros atores vão ocupar o espaço político rapidamente”, diz.

Pedroso explica que o conflito interno da Venezuela incorpora diversas outras disputas geopolíticas globais.

“Além da proximidade de Maduro com China, Rússia, Irã, Turquia, Cuba e outros atores que desafiam a ordem internacional liberal, do outro lado a oposição não é só muito próxima de Estados Unidos e União Europeia em termos ideológicos, mas também dos interesses do capital privado de empresas que desejam explorar o petróleo venezuelano”, diz.

O diplomata brasileiro ouvido pela reportagem afirmou, no entanto, que a atual postura do Brasil pode sofrer uma mudança a partir de 10 de janeiro de 2025. Esta é a data prevista para o começo do novo mandato de Maduro.

À medida que o Brasil ainda não reconheceu os resultados das eleições venezuelanas, a posse de Maduro para mais um mandato deverá obrigar o governo Lula a se posicionar novamente sobre o tema.

Até agora, disse esta fonte, Maduro está no legítimo cumprimento de seu atual mandato.

Mas o que acontece após ele assumir um novo mandato por meio de eleições cujo resultado o Brasil não reconhece?

Segundo este diplomata, a eventual posse de Maduro deverá criar novos impasses para o governo brasileiro.

Entre eles está a decisão sobre a permanência ou não da Venezuela em fóruns internacionais dos quais o Brasil faz parte, como a Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac).

Pressões internas e histórico da relação

Para Lula, há ainda o desafio de se equilibrar entre a posição adotada pelo seu governo oficialmente, por meio do Itamaraty, e a sua própria relação e do Partido dos Trabalhadores com o chavismo.

A legenda reconheceu a vitória de Maduro no dia seguinte à eleição, com uma nota que tratava o venezuelano como “presidente agora reeleito”, apesar da posição mais cuidadosa do Ministério de Relações Exteriores.

“Importante que o presidente Nicolás Maduro, agora reeleito, continue o diálogo com a oposição, no sentido de superar os graves problemas da Venezuela, em grande medida causados por sanções ilegais”, disse em nota da Executiva Nacional do PT, comandado pela deputada Gleisi Hoffmann (PR).

Lula foi questionado sobre a nota, e buscou minimizar as críticas ao partido.

“Não tem nada de grave, não tem nada de assustador. Eu vejo a imprensa brasileira tratando como se fosse a Terceira Guerra Mundial. Não tem nada de anormal”, disse o presidente.

“Teve uma eleição, teve uma pessoa que disse que teve 51%, teve uma pessoa que disse que teve 40 e pouco por cento. Um concorda, o outro não. Entra na Justiça e Justiça faz.”

A oposição venezuelana, porém, diz não ser possível confiar no Judiciário do país por ser dominado por Maduro.

Também contesta a noção de que haja uma normalidade no processo político do país, apontando que, ao longo dos anos, o chavismo passou a controlar órgãos como a Suprema Corte e o Conselho Eleitoral.

Além disso, órgãos de direitos humanos, como o da Organização das Nações Unidas (ONU), apontam violações em resposta a protestos no país e prisões arbitrárias de oponentes, além da inabilitação política de muitos deles.

O PT é um aliado histórico do chavismo na Venezuela. O presidente Lula também nutriu, durante seu histórico na política, relações cordiais com Hugo Chávez e outros representantes da esquerda latino-americana.

Esses antecedentes, segundo analistas, também tornam um rompimento total de relações com a Venezuela improvável.

Mas, para Pedroso, é principalmente o posicionamento do PT que pesa para essa decisão.

“Há uma a aproximação de alas do PT com o processo da Revolução Bolivariana e o entendimento de que os problemas que ocorrem lá são fruto da ingerência do imperialismo norte-americano e de uma oposição mancomunada com os Estados Unidos”, afirma.

“Ou seja, uma interpretação da realidade que subestima ou até ignora os problemas endógenos do chavismo.”

Segundo a pesquisadora, diferente do que muitos acreditam, Lula e Chávez não eram tão próximos no nível interpessoal como se supõe.

Pedroso cita relatos de diplomatas que atuaram em negociações durante os primeiros mandatos do petista e que afirmam terem presenciado momentos de irritação de Lula com Chávez por conta de alguns arroubos do venezuelano, além da visão distinta que eles tinham do papel da integração regional.

Ainda assim, Lula expressou apoio claro ao atual presidente venezuelano publicamente em diversas ocasiões.

Após assumir seu terceiro mandato, o petista mandou reabrir a embaixada brasileira em Caracas, desativada por Bolsonaro, nomeou uma nova embaixadora e recebeu Maduro em Brasília com honras de chefe de Estado durante uma cúpula de líderes da América do Sul, em maio do ano passado.

Na ocasião, foi ainda criticado por afirmar que as alegações de que o regime de Maduro é autoritário eram, na verdade, parte de uma “narrativa” que deveria ser combatida pelo líder venezuelano.

Mas o tom mudou bastante com a aproximação das eleições presidenciais. Antes do pleito, Lula disse ter ficado assustado com declarações de Maduro sobre um eventual banho de sangue no país caso não vencesse a disputa.

O venezuelano respondeu com um recado ríspido para Lula: “A quem se assustou, que tome chá de camomila”.

Pedroso afirma não acreditar que a posição mais radical de algumas alas do PT em relação ao chavismo seja compartilhada por Lula ou pelo seu assessor direto Celso Amorim, que além de “guru” da política externa é filiado ao PT. “Mas há cobranças internas”, afirma a pesquisadora.

“O Lula tem que lidar, claro, com as realidades geopolíticas, mas também com um partido que tem uma visão bastante radical nesse quesito”, resume Stuenkel.

Prevenção do suicídio: campanha pede menos estigma e mais diálogo

Por Paula Laboissière – Agência Brasil - Brasília

Adaptação Ana Luiza Fontes

Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) indicam que, todos os anos, mais de setecentas mil pessoas no mundo tiram a própria vida. No Dia Mundial da Prevenção do Suicídio, lembrado nesta terça-feira (10), a entidade - em parceria com a Associação Internacional para a Prevenção do Suicídio (IASP, na sigla em inglês) - alerta para a necessidade de reduzir o estigma e encorajar o diálogo sobre o tema.

Até 2026, a campanha que faz alusão à data - encabeçada por ambas as organizações - tem como tema Mudando a Narrativa sobre o Suicídio. A proposta, segundo a OMS, é romper com a cultura do silêncio e do estigma, dando lugar para a abertura ao diálogo, compreensão e apoio. Números da entidade mostram que o suicídio figura, atualmente, como a quarta principal causa de morte entre jovens de 15 a 29 anos.

Em nota, a OMS cita consequências sociais, emocionais e econômicas de longo alcance provocadas pelo suicídio e que afetam profundamente indivíduos e comunidades. Para

a organização, uma simples conversa é uma ferramenta com o potencial de contribuir para uma sociedade mais solidária e compreensiva, independentemente do tempo de duração desse diálogo.

Outro ponto de destaque da campanha é enfatizar a necessidade de se priorizar a prevenção do suicídio e a saúde mental em meio às definições de políticas públicas. A proposta é que ações de governo, de maneira geral, coloquem em primeiro plano o contexto da saúde mental, ampliando o acesso ao tratamento e também fornecendo apoio aos que precisarem.

Por fim, a OMS lembra que reduzir a taxa global de suicídio em pelo menos um terço até 2030 é uma das metas dos chamados Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, definidos pela Organização das Nações Unidas (ONU).

“Os desafios que levam uma pessoa a tirar a própria vida são complexos e associam-se a fatores sociais, econômicos, culturais e psicológicos, incluindo a negação de direitos humanos básicos e acesso a recursos”, destaca a organização.

O suicídio, para a entidade, pode ser impulsionado ainda por eventos registrados ao longo da vida e capazes de gerar tensão, como a perda de meios de subsistência, pressões no

trabalho, rompimentos de relacionamentos e discriminação. “A meta é dedicar maior atenção ao problema, reduzir o estigma e aumentar a consciência de organizações, governos e o público ressaltando que os suicídios são evitáveis”.

Setembro Amarelo

No Brasil, uma das principais campanhas de combate ao estigma na temática da saúde mental é o Setembro Amarelo que, este ano, tem como lema Se precisar, peça ajuda.

Definido por diversas autoridades sanitárias como um problema de saúde pública, o suicídio, no Brasil, responde por cerca de 14 mil registros todos os anos. Isso significa que, a cada dia, em média, 38 pessoas tiram a própria vida.

Na avaliação de Héder Bello, psicólogo e especialista em Trauma e Urgências Subjetivas, transtornos mentais representam fatores de vulnerabilidade em meio à temática do suicídio – mas não são os únicos.

Ele cita ainda uma pessoa ser LGBT (lésbicas, gays, bissexuais, transgêneros e queer), estar em situação de precariedade financeira ou social, ser refugiado político ou enfrentar ameaças, abuso ou violência. “Esses e outros fatores contribuem para processos de ideação (fase criativa) ou até de tentativa de suicídio”.

“Políticas públicas que possam, de alguma maneira, falar sobre esse assunto, sem tabu, são importantes. Instrumentos nas áreas de educação e saúde também podem ser amplamente divulgados – justamente para que a gente possa mostrar que existem possibilidades e recursos amplos para lidar com determinadas situações que são realmente muito estressantes e de muita vulnerabilidade.”

O psicólogo detalha ainda como abordar uma pessoa que pensa em tirar a própria vida. “Não é questionar a pessoa sobre o motivo daquilo ou dizer que ela tem que valorizar a vida, mas ouvir essa pessoa atentamente, tentar entender o ponto de vista dela e quais são os motivos que fizeram com que ela não conseguisse lidar de outras maneiras com a situação que está passando.”

“Isso nem sempre é fácil e, muitas vezes, nem profissionais da área da saúde e da saúde mental têm um treinamento mais extenso para lidar com essa questão de ideação suicida ou com as tentativas de suicídio”, concluiu.

No Brasil, o Centro de Valorização da Vida (CVV) é um serviço voluntário de apoio emocional e prevenção ao suicídio para quem precisa conversar. O atendimento está disponível 24 horas por dia pelo telefone 188.

Incêndio de grandes proporções atinge Parque Nacional de Brasília

Por Wellton Máximo – Agência Brasil - Brasília

Adaptação Rócio Barreto

Um incêndio de grandes proporções atinge o Parque Nacional de Brasília desde o fim da manhã deste domingo (15). Segundo o Corpo de Bombeiros do Distrito Federal, a ocorrência foi recebida às 11h24. Sete caminhões e uma aeronave de asa fixa estão sendo usadas no combate às chamas.

De acordo com os bombeiros, ainda não é possível estimar a área afetada. A corporação, no entanto, confirmou que o incêndio é de grande porte. Vídeos nas redes sociais mostram que as chamas começaram próximo à Estrada Parque

indústria e Abastecimento (Epia), entre a Granja do Torto e a Água Mineral.

O último grande incêndio no Parque Nacional de Brasília foi registrado em 2022. Na ocasião, o fogo consumiu 7,7 mil hectares, o equivalente a 20% da área. As chamas chegaram perto do reservatório de Santa Maria, o segundo maior do Distrito Federal e que abastece o Plano Piloto, a área central de Brasília.

Há uma semana, o Distrito Federal registrou grande incêndio na Floresta Nacional de Brasília (Flona). Em cinco dias, as chamas consumiram 2.586 hectares, equivalente a 45,85% da unidade de conservação. Segundo o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), foi o pior incêndio no local nos últimos dez anos.

Muito a lamentar, pouco a comemorar

Sem querer olho pela janela do meu apartamento e, com tristeza, vejo meu horizonte diminuindo, quase sumindo, tenho saudade de admirar o cair da tarde olhando para o Parque Ezechias Heringer (Parque do Guará), então, meus olhos ficam marejados, acho que é a fumaça das queimadas.

Fica difícil acreditar que a população continue nessa pasmaceira, alheios a tal situação, sem se ligar muito para a sobrevivência do nosso parque, difícil imaginar tanta alienação por parte da população do Guará.

Será que precisa que o nosso parque caia nas mãos de inescrupulosos especuladores imobiliários, esses que só se importam com o lucro crescente imediato e pouco se importam com o que nos aguarda no futuro?

A grande verdade é que a preservação do parque passa pela manutenção da nossa já combalida qualidade de vida, quiça nossa sobrevivência, lutar por ele é uma questão de honra para o Guará.

Muita conversa e pouca ação bem no estilo dessa turma, com o GDF sempre protelando, pois sai governo entra governo não vemos uma ação enérgica para a definitiva implantação do parque, retirando os que ainda teimam em fincar raízes numa área de preservação ambiental, berço de mananciais, flora abundante, uma beleza que só a natureza com a sua força pode nos proporcionar.

Muitos dos nossos parlamentares já moraram por essas bandas, hoje moram em outras localidades e só andam no Guará em época de eleições.

Até agora não vi uma manifestação em favor da preservação do parque por parte de nenhum deles, talvez mais importante do que a defesa do parque seja a manutenção do curral eleitoral.

Pena que a famigerada especulação imobiliária continua jogando a vontade do povo para escanteio, dando uma rasteira no bom senso e no futuro dessa linda cidade, amada por muitos, mas cobiçada muito mais.

O Guaraense tem que se mobilizar, mostrar que tem força e exigir de volta o que é nosso. Nada de pedir favor, apenas exigir o que é de direito.

Acorda Guará!!!

Mimos

O Caixa Preta já começa o dia me telefonando, estou tentando conseguir escrever, mas o cabra não para de me perturbar, querendo dar uma chegada lá no Porcão.

Começar o dia ouvindo os casos cretinos, as novidades do Guará, além de ter que aturar os doces coices do Galak é preciso muita paciência, coisa que não está fácil conseguir.

O velho Caixa estava meio nervoso, pois segundo ele no Guará apesar da avalanche de reclamações da população, continuamos a nadar no seco, pois os reclames da população muitas vezes não são ouvidos, muitos são ignorados, empinam o nariz e dizem que nada podem fazer, esse filme já é bem antigo por aqui.

O mundo parece que acaba pra alguns, que não se sentem capacitados em dar um retorno do dinheiro destinado pra cidade, mas nunca é realmente aplicado por aqui, trazendo melhorias ou sanando problemas que são recorrentes por aqui.

Com isso a bomba acaba como sempre no lombo do pobre contribuinte, que muitas vezes fica calado sem reação alguma, somos de certa forma culpados com o descaso que vem sofrendo o nosso Guará.

Gozador como sempre o velho Caixa, me contou que agora parece que a Secretaria de Segurança resolveu cuidar dos nossos jardins, pois está estranhando ver os funapeiros cuidarem com tanto desvelo de um jardim, plantado grama, ajudando na reforma do espaço de responsabilidade do condomínio.

Vamos esperar que tal benesse seja estendida a todos os outros sem distinção, pois são tão contribuintes quanto os outros, mas aqui no Guará tudo é diferente, talvez leis não sejam aplicáveis por aqui.

Sempre aparecem aquelas figurinhas carimbadas, desempregados ou candidatos a uma vaguinha nas fartas tetas do Estado, mas sem uma solução plausível para estancar esse nosso crescimento desordenado, os desvios das leis e regimentos vigentes, que em muitos raros casos são realmente respeitados.

Nossa cidade carece cada vez mais de obras de infraestrutura e o que se vê é um festival de má utilização de di-

TIJOLADAS DO CAIXA

nheiro público sem que nada venha solucionar ou minorar os problemas por que passa o Guará, que cada dia sente mais esse crescimento desordenado imposto por visões distorcidas e alheias as reais necessidade de nossa cidade.

Até quando vamos ter que aguentar esse show de incompetência, sem que tenhamos um projeto que venha a oferecer o que a população espera e tem direito.

Sem quebrar o erário ou fazer pequenos favores aos senhores de engenho, com o suado dinheiro do contribuinte.

Chega de farra!

A força do amor

Encontrei com meu amigo Caixa Preta, ele estava muito preocupado, me falou que agora só os bonitos estão morrendo e citou Alain Delon, quase morro de rir quando olhei pro cabra.

Mas lá no Porcão enquanto tomávamos nossa cerveja, ouvindo aquela gritaria saudável parecendo o Maracanã em dias de clássico, comecei a relembrar de algo que ouvi.

Mas o meu pensamento estava focado no que tinha ouvido em uma reunião dessas muitas que acontecem no Guará pra resolver ou tentar discutir uma solução para os graves problemas da cidade.

Tem gente querendo fazer a todo custo acreditar que tudo feito por essas bandas, só acontecem por causa do amor e dedicação, como querem nos fazer acreditar algumas vaquinhas de presépio.

Tudo fruto do amor, fica-se até emocionado, com o show de puxa saquismo onde com a voz embargada, mentem como se todos fossem otários pra acreditar.

A população tem que ficar atenta a esses santos de plantão, que parece ter virado moda por essas bandas, onde tudo é feito na base do amor, sem reclamar das aberrações que campeiam no Guará, se reclamar corre-se o risco de ser excomungado.

As idiotices são a tônica dessas reuniões pra encher linguiça, apenas para dourar a pílula, pois como eles mesmo dizem, o poder público sustentado com o dinheiro do contribuinte, não pode fazer a coisa andar e nem tampouco resolver os problemas da população, isso tudo dito na maior cara de pau, apenas pra justificar a incompetência reinante por aqui, onde por tudo fazem biquinho e se sentem ofendidos.

Querem fazer tudo na base do ao, ao ou não reclamem do que têm direito apenas escrevam que vamos encaminhar ao fulano, ao sicrano e com toda certeza nada será resolvido, disso tenham certeza.

Precisamos ficar atentos aos falsos santos que estão surgindo, numa falsidade de fazer inveja a nota de três reais, onde o amor é a mola mestra, mas estão procurando apenas uma sombra na frondosa jaqueira da viúva, deixando para população o ônus do descaso reinante.

Vidraça depois de quebrada, só colocando uma nova.

O nosso Fim

Procurei meu amigo Caixa Preta, estava precisando botar o papo em dia, muita coisa acontecendo na cidade, fomos até o Porcão o nosso escritório oficial, onde entre uma cerveja os assuntos iam sendo discutidos, os delírios aumentam.

Tem muita coisa estranha acontecendo no mundo, sempre o pobre é atingido de forma avassaladora, parece que querem varrer o pobre da face da terra.

Os ricos estão tirando dos pobres a alegria de viver, tudo vem para tirar a nossa alegria, uma coisa orquestrada contra

o pobre que não aguenta mais tanta privação de coisas do nosso dia a dia.

Pode até parecer que estou exagerando, que talvez seja mais uma sacanagem passageira, mas vamos prestar atenção no meu relato.

Tomemos como exemplo as sandálias Havaianas, todo pobre de vergonha tinha uma, sempre com o cuidado de ter uma sobressalente guardada ou metia um prego pra continuar usando.

Foi só o rico começar a usar o preço disparou hoje não se encontra uma boa Havaianas por menos de 70,80 reais, um absurdo, não tem pobre mais usando Havaianas.

Outro exemplo clássico é o dindim, o famoso sacolé, baratinho, por um real dava pra comprar dez, hoje inventaram o tal de Dindim Gourmet, o preço disparou, por menos de cinco reais você não encontra.

Até o transporte do pobre que era a bicicleta, baratinha levava o pobre para o trabalho e nos finais de semana quem tinha namorada, botava ela na garupa e ia pra praça encontrar os amigos ou mesmo ir à missa.

Os ricos passaram a usar a bicicleta, hoje não se encontra bicicleta por menos de mil e quinhentos reais, quem aguenta?

Mas o que mais me preocupa é o rico resolver comer cuscuz, o preço irá as alturas, peço encarecidamente que os ricos não comam, pois o pobre não vai nunca mais ter o prazer de comer um delicioso cuscuz, sob pena desse alimento diário sumir nossas das mesas.

Chega de perseguição!

Pesquisadores britânicos descobrem novo grupo sanguíneo

Por Agência Brasil - Brasília

Adaptação Ana Luiza Fontes

Pesquisadores britânicos divulgaram nesta semana a descoberta de um novo grupo sanguíneo, denominado MAL.

Em artigo publicado na revista acadêmica Blood, da Sociedade Americana de Hematologia, os pesquisadores do sistema público de saúde do Reino Unido (NHS Blood and Transplant), do seu laboratório especializado (International Blood Groups Reference Laboratory) e da Universidade de Bristol divulgaram o resultado, que resolve um mistério que existia há 50 anos.

O grupo sanguíneo MAL possibilita a identificação e o tratamento das pessoas que não têm um antígeno pouco conhecido, mas já mapeado há décadas, denominado AnWj, em homenagem às duas primeiras pessoas de que se teve conhecimento que eram AnWj negativas (Anton e Wj).

Os grupos sanguíneos são complexos. Os dois sistemas de grupos sanguíneos mais conhecidos são ABO e Rh. Dentro de cada grupo sanguíneo, as hemácias podem carregar marcadores de superfície chamados antígenos (por exemplo, no sistema ABO, as pessoas de podem ter o antígeno A, o B, o

A e o B ou ausência de antígeno, chamada de O). Atualmente, há 47 sistemas de grupos sanguíneos e 360 antígenos reconhecidos.

O estudo publicado online como pré-impressão identifica o MAL como o 47� sistema de grupo sanguíneo, ao qual pertence o antígeno AnWj. O grupo sanguíneo é identificado pela proteína Mal, que se encontra na superfície dos glóbulos vermelhos do sangue. As pessoas que são AnWj negativas apresentam essa proteína de forma incompleta, o que pode ser hereditário (e aparecer em pessoas saudáveis) ou motivado por distúrbios hematológicos ou alguns tipos de câncer.

Foram estudados cinco indivíduos AnWj negativos, inclusive uma senhora que tinha participado da pesquisa que identificou o AnWj negativo publicada em 1972. A forma herdada foi identificada em uma família árabe-israelense. Ainda não foram analisadas as etnias de todos os casos, nem se há alguma etnia em que esse tipo sanguíneo seja mais comum.

Se pessoas que são AnWj-negativas receberem sangue AnWj-positivo, podem ter uma reação na transfusão. Segundo nota da Universidade de Bristol, “essa pesquisa permite o desenvolvimento de novos testes de genotipagem para detectar tais indivíduos raros e reduzir o risco de complicações associadas à transfusão”.

Dia da Democracia: reparação às vítimas da ditadura segue como desafio

Por Guilherme Jeronymo e Bruno Bocchini - São Paulo

Adaptação Rócio Barreto

Aparticipação popular nas decisões e regras coletivas é defendida pela Organização das Nações Unidas (ONU) desde sua criação, em outubro de 1945, após a vitória do bloco aliado na Segunda Guerra Mundial. Foram necessários 62 anos para a ONU reconhecer o dia 15 de setembro como Dia Internacional da Democracia, em 2007, em alusão à Declaração Universal da Democracia, assinada dez anos antes em conferência interparlamentar, na cidade do Cairo, no Egito.

Em 1997, quando o Brasil assinou a Declaração Universal da Democracia, a Constituição do país passava pelo processo de regulamentação, nove anos após a promulgação. A Ditadura Militar, acabada em 1985, ainda era um processo recente e uma memória próxima. O fim do estado de exceção da era Vargas estava a distantes 60 anos, em 1937, e mesmo a proclamação da República tinha pouco mais de um século.

Na 17o edição do Dia Internacional da Democracia, comemorado neste domingo (15), especialistas ouvidos pela Agência Brasil chamaram a atenção para a necessidade de manter continuamente ativa a defesa da democracia diante dos riscos experimentados nos últimos anos. O país agora passa por um duro processo de radicalização política e polarização que teve seu auge no pleito de 2017 e esteve perto de ameaçar a continuidade do respeito às urnas, na tentativa de golpe em 08 de janeiro de 2023.

“A democracia brasileira vem so-

frendo com ataques sistemáticos e a violação de sua constituição por parte de setores nada comprometidos com o estado democrático de direito. Isso ficou ainda mais evidente no último governo [de Jair Bolsonaro], e, sobretudo, com os atentados no dia 8 de janeiro de 2023. Se não fosse, justamente, o compromisso e a solidez de algumas das nossas instituições, não estaríamos falando hoje sobre a fragilidade da democracia brasileira, ou, até mesmo como aperfeiçoá-la”, destaca o diretor-executivo do Instituto Vladimir Herzog, Rogério Sottili.

Segundo ele, a democracia brasileira ainda carece de mecanismos robustos para a promoção de direitos e justiça, que impeçam a impunidade daqueles que atentaram contra o regime democrático no passado.

“Quando um país não articula seu passado de violência, agindo contra aqueles que atentaram e atentam livremente e abertamente contra o estado democrático de direito, como o Brasil não fez no passado, o que temos é uma cultura de impunidade, que favorece ataques como os que temos visto”, ressalta.

“Precisamos entender que o passado está sempre à nossa porta e enquanto não agirmos efetivamente, tornaremos a vivenciar episódios de ataques contra a nossa democracia hoje e amanhã”, acrescenta.

Justiça

A procuradora Regional da República e presidenta da Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos, Eugenia Gonzaga, enfatiza que o Brasil não fez sua Justiça de Transição, após o período da ditadura militar (1964-1985), e que agora paga pelo erro.

“No mundo todo, onde se estuda situações em que houve quebra da legalidade, em que se passou de ditaduras para regimes democráticos, verifica-se que

se fez necessário promover a reparação das vítimas, a responsabilização dos autores, dos agentes de segurança que contribuíram para essa situação”, afirma.

A falta de responsabilização abre caminho para a repetição de novas ações contra a democracia, segundo ela. “O 8 de Janeiro de 2023 tem tudo a ver com esse processo de não revelação da verdade, de omissão, de negação daquilo que aconteceu como golpe. Tem a ver com a impunidade desses autores, com a divulgação da falsa história de que [o golpe de 1964] salvou o país do comunismo”.

“A defesa da democracia infelizmente é um processo muito delicado, muito difícil é por isso que a gente tem que ter instrumentos de combate a essas arbitrariedades e a essas tentativas de se jogar para baixo do tapete as investidas contra a democracia”, acrescenta.

A Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos foi reinstalada em julho deste ano pelo presidente Lula, depois de ter sido encerrada em 2022, durante o governo Bolsonaro. Sessenta anos após o golpe (confira especial), estudos apontam a existência de 144 pessoas desaparecidas na ditadura militar. Existem também casos de pessoas com a morte confirmada pelo Estado, mas com o corpo desaparecido. Entre elas, o estudante de geologia da Universidade de Brasília, Honestino Guimarães, possivelmente morto em 1973 por agentes da ditadura.

Desinformação

Segundo Nilmário Miranda, jornalista e ex-deputado federal, preso político nos anos 1970 e assessor especial de Defesa da Democracia, Memória e Verdade do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC), a

construção de memórias baseadas na verdade é um dos principais pilares da democracia. Esse processo, no entanto, foi colocado em xeque em razão das fake news.

“Não há democracia com base em Fake News, apropriação e mudança da história. A Democracia só se relaciona com memória verdadeira e com a construção de memórias, por isso a sua manutenção e ações como a Comissão da Verdade vão além dos governos e se relacionam com políticas de Estado”, defende.

“Há uma importância em manter a memória viva e ainda é válido e necessário lembrar o lema da Comissão: para que não se esqueça, para que nunca mais aconteça. Isso tem de estar na vida do país, tem de fazer parte da educação, para evitar algo como o golpe que quase aconteceu em 8 de janeiro”, acrescenta.

Ele lembra que na ditadura militar foram 750 parlamentares cassados, mais de 30 mil pessoas relataram algum tipo de tortura e houve 434 mortos e desaparecidos. “Isso tem de ser de conhecimento de todos. Se não, volta, se repete. A História mostra que volta. A verdadeira democracia precisa disso”.

Avanço

Adriano Diogo, geólogo e político, preso político durante a Ditadura Militar, e membro da Comissão da Verdade do Estado de São Paulo, considera que a democracia tem enfrentado um grande desafio na era da comunicação digital. Ele ressalva, no entanto, que o sistema democrático ainda é o mais avançado que existe.

“Estamos em um momento difícil, em que o peso da comunicação digital atrapalha o processo, mas não podemos parar de lutar, de gritar, de disputar e ganhar eleições, que é a única forma de garantir a continuidade da Democracia”.

“Ela pode ter todos os seus problemas, mas é o mais avançado e revolucionário que temos no momento, e o que garante a participação do povo, que é o centro da decisão. É a partir da vontade popular que se constrói gerações”, acrescenta.

Dino estabelece orçamento de emergência para combate a incêndios

Por Wellton Máximo – Agência Brasil - Brasília

Adaptação Rócio Barreto

Até o fim do ano, o governo federal terá à disposição um orçamento de emergência climática para enfrentar os incêndios florestais que atingem cerca de 60% do país. O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino autorizou a União a emitir créditos extraordinários fora dos limites fiscais para o combate às chamas.

Com a autorização de Dino, o governo poderá enviar ao Congresso Nacional medida provisória (MP) apenas com o valor do crédito a ser destinado. Embora, por definição, os créditos extraordinários estejam fora da meta de déficit primário e do limite de gastos do atual arcabouço fiscal, a decisão de Dino evita que os gastos voltem a ficar dentro das limitações, caso o Congresso não aprove a MP ou o texto perca a validade.

Na prática, a decisão cria um modelo de gastos semelhante ao adotado na pandemia de covid-19. Em 2020, o Congresso autorizou um orçamento especial para as ações contra o coronavírus, apelidado de Orçamento de Guerra.

Dino também flexibilizou a regra para a manutenção e a contratação de brigadistas temporários. Até o fim do ano, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e o Instituto Chico Mendes da Biodiversidade (ICMBio) não precisarão esperar três meses para recontratar os brigadistas com contrato expirado.

A recontratação desses profissionais, que receberam treinamento e conhecem os territórios, poderá ser feita instantaneamente até o fim do ano.

Por causa da legislação, o contrato dos brigadistas temporários dura até dois anos. Para evitar vínculo empregatício permanente, esses quadros precisam cumprir um intervalo mínimo entre dois contratos. Anteriormente de dois anos, o prazo foi reduzido para seis meses. Em julho, uma medida provisória editada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva havia diminuído o intervalo mínimo para três meses.

Polícia Federal

Na decisão, de 40 páginas, Flávio Dino também determinou o uso do Fundo para Aparelhamento e Operacionalização das Atividades-Fim da Polícia Federal (Funapol) para mobilizar recursos e permitir que o órgão trate como prioridade os inquéritos sobre queimadas e incêndios O ministro também determinou que quaisquer obstáculos às medidas sejam avisados a ele.

Em nota, o STF informou que a decisão possibilita a ampliação de ações do governo federal, “desamarrando as mãos do Executivo, retirando obstáculos para que as ações prossigam com mais intensidade”.

Aquarela sobre papel

100% algodão

Flávia Mota Herenio @motaflaviafm

Organização Mundial da Saúde préqualifica primeira vacina contra mpox

Por Paula Laboissière – Agência BrasilBrasília

Adaptação Ana Luiza Fontes

AOrganização Mundial da Saúde (OMS) anunciou nesta sexta-feira (13) que pré-qualificou a vacina contra a mpox produzida pela farmacêutica Bavarian Nordic. Este é o primeiro imunizante contra a doença que passa a integrar a lista de insumos pré-qualificados da entidade.

Na prática, a dose, a partir de agora, pode ser distribuída a países de baixa renda e que enfrentam surtos de mpox por meio de entidades como o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e a Aliança Mundial para Vacinas e Imunização (Gavi, na sigla em inglês).

“A aprovação da pré-qualificação deve facilitar o acesso ampliado e oportuno a um insumo essencial em comunidades com necessidades urgentes, para reduzir a transmissão e ajudar a conter surtos”, avaliou a OMS em nota.

Para o diretor-geral da entidade, Tedros Adhanom Ghebreyesus, a primeira pré-qualificação de uma vacina contra a mpox representa um passo importante no combate à doença, tanto do ponto de vista dos atuais surtos registrados na África como considerando cenários futuros relacionados à doença.

“Precisamos agora intensificar urgentemente a aquisição, as doações e a distribuição, para garantir acesso equitativo às doses onde elas são mais necessárias, juntamente a outras ferramentas de saúde pública, no intuito de prevenir infecções, interromper a transmissão e salvar vidas”, completou.

De acordo com a OMS, a vacina produzida pela Bavarian Nordic pode

ser administrada em pessoas com 18 anos ou mais em esquema de duas doses, com intervalo de quatro semanas entre elas. Após armazenamento frio prévio, a dose pode ser mantida em temperatura que varia de 2 a 8 graus Célsius (�C) por até oito semanas.

A entidade ressalta que, embora o imunizante não esteja atualmente licenciado para aplicação em menores de 18 anos, o chamado uso off label está permitido em crianças e adolescentes e também em gestantes e pessoas imunossuprimidas. “Isso significa que o uso da vacina é recomendado em situações de surto onde os benefícios superam os riscos potenciais”.

A OMS também recomenda a aplicação de dose única em situações de surto combinado à oferta limitada do imunizante. A entidade destaca, entretanto, a necessidade de coleta de dados sobre segurança e eficácia da vacina nesse tipo de circunstância.

“Dados disponíveis mostram que uma única dose da vacina administrada previamente à exposição tem eficácia estimada de 76% na proteção contra a mpox, enquanto o esquema de duas doses atinge eficácia estimada de 82%. A vacinação após exposição ao vírus é menos eficaz do que a vacinação pré-exposição.”

Ainda de acordo com a organização, a vacina da Bavarian Nordic apresenta bom perfil de segurança e desempenho, demonstrado em estudos clínicos e também em meio à primeira emergência global por mpox, declarada em 2022.

“Em razão da mudança epidemiológica e do surgimento de novas variantes do vírus, continua sendo importante colher o máximo de dados possível sobre a segurança e eficácia da vacina em diferentes contextos”, completou.

Dados da OMS indicam que, até o momento, 120 países confirmaram mais de 103 mil casos de mpox desde 2022. Apenas este ano, foram contabilizados 25.237 casos suspeitos e confirmados, além de 723 mortes pela doença, provenientes de surtos distintos, causados por variantes diferentes, em 14 países africanos.

Marco na erradicação da pólio, gotinha dá lugar à vacina injetável

Por Paula Laboissière - Agência BrasilBrasília

Adaptação Ana Luiza Fontes

A vacina oral poliomielite (VOP, na sigla em inglês), será oficialmente aposentada no Brasil em menos de dois meses. Popularmente conhecida como gotinha, a dose será substituída pela vacina inativada poliomielite (VIP, na sigla em inglês), aplicada no formato injetável. De acordo com a representante do Comitê Materno-Infantil da Sociedade Brasileira de Infectologia, Ana Frota, a previsão é que a retirada da VOP em todo o país ocorra até 4 de novembro.

Ao participar da 26� Jornada Nacional de Imunizações, no Recife, Ana lembrou que a VOP contém o vírus enfraquecido e que, quando utilizada em meio a condições sanitárias ruins, pode levar a casos de pólio derivados da vacina, considerados menos comuns que as infecções por poliovírus selvagem. “Mas, quando se vacina o mundo inteiro [com a VOP], você tem muitos casos. E quando eles começam a ser mais frequentes que a doença em si, é a hora em que as autoridades públicas precisam agir”.

A substituição da dose oral pela injetável no Brasil tem o aval da Câmara Técnica de Assessoramento em Imunização (CTAI) e é recomendada pela Organização Mundial da Saúde (OMS). “Nos parece bem lógica a troca das vacinas”, avalia Ana, ao citar que, a partir de agora, a orientação é que a VOP seja

utilizada apenas para controle de surtos, conforme ocorre na Faixa de Gaza, no Oriente Médio. A região notificou quatro casos de paralisia flácida - dois descartados para pólio, um confirmado e um que segue em investigação.

Ana lembrou que, entre 2019 e 2021, cerca de 67 milhões de crianças perderam parcial ou totalmente doses da vacinação de rotina. “A própria iniciativa global [Aliança Mundial para Vacinas e Imunização, parceria da OMS] teve que parar a vacinação contra a pólio por quatro meses durante a pandemia”, destacou. Outras situações que, segundo ela, comprometem e deixam lacunas na imitação incluem emergências humanitárias, conflitos, falta de acesso.

Entenda

Em 2023, o Ministério da Saúde informou que passaria a adotar exclusivamente a VIP no reforço aplicado aos 15 meses de idade, até então feito na forma oral. A dose injetável já é vinha sendo aplicada aos 2, 4 e 6 meses de vida, conforme o Calendário Nacional de Vacinação. Já a dose de reforço contra a pólio, antes aplicada aos 4 anos, segundo a pasta, não será mais necessária, já que o esquema vacinal com quatro doses vai garantir proteção contra a pólio.

A atualização considerou critérios epidemiológicos, evidências relacionadas à vacina e recomendações internacionais sobre o tema. Desde 1989, não há notificação de casos de pólio no Brasil, mas as coberturas vacinais sofreram quedas sucessivas nos últimos anos.

www.kimcartunista.com.br

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