Batemos um papo com a banda expoente “O Espelho do Zé” sobre o single “Não
Há Mais Nada”
De tráfico humano e escravidão
Precisamos falar sobre a Masculinidade
Tóxica
Aeroporto de Porto Alegre reinicia embarque e desembarque
Governo do Tocantins investe R$ 430 milhões em obras rodoviárias no primeiro semestre do ano
18 Tocantins apresenta diminuição dos casos de leishmaniose dos tipos visceral e tegumentar
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Governo do Tocantins suspende a emissão e a vigência das autorizações de queima controlada em todo o Tocantins
20 Buda é mesmo Peste?
22 No G20, Brasil reafirma compromisso de combate ao racismo
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Brasil deixa lista dos 20 países com mais crianças não vacinadas
26 Clodo, Jovem Guarda e velocidade
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Le Smart: ciência, modernidade e inovação de mãos dadas
Conferência pede recursos para direitos de pessoas com deficiência
36 Fundo para Pandemias quer arrecadar US$ 2 bilhões nos próximos 2 anos
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Ter ou ser ?
Economia brasileira cresceu 0,25% em maio
40 Ministério autoriza uso da Força Nacional em Roraima e áreas indígenas
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Como Kamala Harris bateu recorde de doações em um dia de campanha
Como a Reforma Tributária afeta o bolso do brasileiro?
46 Grandes Armações
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Junho/2024
Ano 02 – Edição 18 – Julho 2024
Publicada em 26 de julho de 2.024
Não é permitida a reprodução parcial ou total das matérias sem prévia autorização dos editores.
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ISSN 2966-0688
Influência perversa
O caso da ex-modelo e influenciadora brasileira Katiuscia Torres Soares, a Kat Torres, que foi condenada pela Justiça Federal do Rio de Janeiro a oito anos de prisão por tráfico humano e escravidão, acendeu um alerta quanto ao perigo das redes sociais. A ilusão causada por fotos com celebridades, milhares de seguidores e uma beleza de padrões europeus levou duas jovens brasileiras a vivenciarem momentos de horror nas mãos da perversa influenciadora.
Como é que a ex-modelo que conheceu Leonardo DiCaprio e apareceu na capa de revistas internacionais conseguiu atrair seus seguidores para a exploração sexual?
A manipulação começou pelo Instagram, onde Kat ostentava uma vida luxuosa, fazendo com que muitas jovens cobiçassem aquele estilo de vida e sentissem vontade de se aproximar dela. No entanto, o que parecia um cenário de sucesso se tornou o caminho para um pesadelo. Após serem enganadas e exploradas, duas jovens brasileiras finalmente conseguiram justiça e Kat Torres está atrás das grades cumprindo pena pelos crimes de tráfico humano e por manter pessoas em condições análogas à escravidão nos Estados Unidos.
Após investigação feita pelo serviço de inteligência americano, o FBI, Kat Torres foi da ascensão e glória nas redes sociais à penitenciária de Bangu, no Rio de Janeiro.
Uma investigação baseada em denúncias de outras mulheres contra Kat está em curso no Brasil. Confira mais detalhes sobre este caso e uma análise dos desdobramentos na nossa reportagem de capa, com uma análise do quadro construído pela BBC e o cientista político e sociólogo Rócio Barreto, pensado especialmente para os leitores da Revista Plano B.
Por Mila Ferreira e Rócio Barreto
Batemos um papo com a banda expoente “O Espelho do Zé” sobre o single “Não Há Mais Nada”
Por Paola Zambianchi
Formada na capital paulista em 2014 pelos músicos Mariana Cintra (Voz), Gabo Peret (Guitarra), Gabi Schubsky (Baixo) e André Guaxupé (Bateria), a banda O Espelho do Zé transita entre o rock, o pop e a música brasileira, sem medo de experimentar, misturar, inventar e reinventar. Conversamos com eles para saber mais sobre a nova fase do grupo e o single recém-lançado single “Não Há Mais Nada”, lançado em videoclipe, com direção de Lucas Santos.
Sejam bem-vindos a Plano B, Mariana Cintra e Gabi Schubsky. Antes de começarmos, preciso saber: de onde veio o nome O Espelho do Zé? Que história é essa? Conta pra gente!
Mariana: Muito obrigada! Um prazer estarmos com vocês! O nome da banda surgiu na intenção de transmitir a ideia de que somos, de certa forma, o reflexo de cada pessoa e, ao mesmo tempo, de uma grande coletividade. O “Zé” pode ser qualquer um de nós, e nossas canções refletem essa pessoa que anseia por romper um ciclo vicioso ao qual não se identifica. Falando assim parece muito filosófico (risos), mas é bem simples!
Foto: Lucas Santos
O Espelho do Zé diz estar passando por uma repaginação desde o álbum homônimo de estreia lançado em 2018. Quais são essas mudanças e como elas interferem no som da banda?
Gabi Schubsky: Acho que a gente se preocupou um pouco menos com a forma e mais com o conteúdo nesse novo trabalho. Acredito que nosso som tem ficado mais pop, tanto na melodia das canções, quanto nos arranjos. E as letras estão mais pessoais, de uma maneira geral.
O single “Não Há Mais Nada” marca essa nova fase d’O Espelho do Zé. Qual o significado dessa música?
Gabi Schubsky: Essa canção aborda a solidão que não necessariamente está relacionada com o “estar sozinho” literal, mas na companhia de pessoas que não se compreendem de maneira mais profunda. Quando nos damos conta e enxergamos que, muitas vezes, estamos a sós com nossa consciência e visão de mundo. Era um pouco esse o sentimento quando escrevi a letra.
Apesar de ser uma balada, vocês convidaram o guitarrista Martín Fúria, da banda de thrash metal Destruction para masterizar “Não Há Mais Nada”. Qual era o intuito desse ‘crossover’?
Mariana: A banda sempre foi muito plural internamente.
Muitas influências nessa salada que virou O Espelho do Zé. Sempre acompanhamos e admiramos o trabalho do Fúria. Foi unânime que essa era a faixa perfeita para essa parceria. Pois, apesar de ser uma balada, ela tem um peso muito grande. E o Fúria conseguiu fazer todo esse peso transparecer com maestria.
O single fará parte de um EP de 5 faixas, previsto ainda para este ano. O que as pessoas podem esperar dessas outras quatro canções?
Mariana: Acho as pessoas irão perceber nas próximas canções todas essas diferentes influências que permeiam O Espelho do Zé. Mas ao mesmo tempo verão também a nossa assinatura em cada uma das faixas. E eu acho que essa é a grande sacada desse EP. Esse foi um trabalho mais coletivo desde as composições até os arranjos. Espero que a galera curta tanto quanto a gente se divertiu nesse processo.
Mariana, Gabriel, obrigada pela disponibilidade em atender a Plano B. Para quem ainda não conhece “O Espelho do Zé”, como encontrar vocês nas redes sociais?
Gabi Schubsky: No Instagram @oespelhodoze, Tik Tok @oespelhodoze e em todas as plataformas de streaming. Muito obrigado pelo espaço!
Foto: Lucas Santos
De tráfico humano e escravidão
Por João Fellet e Hannah Price Role - BBC Eye Investigations e da BBC News Brasil
Por Rócio Barreto
Saiba quem é Kat Torres, a ex-modelo e influenciadora brasileira condenada pela Justiça Federal do Rio de Janeiro a oito anos de prisão. Leiam uma análise do quadro construído pela BBC e o cientista político e sociólogo Rócio Barreto, para os leitores da Revista Plano B
Quando duas jovens brasileiras foram consideradas desaparecidas em setembro de 2022, suas famílias e o FBI (polícia federal dos EUA) iniciaram uma busca desesperada para encontrá-las. Tudo o que sabiam era que elas estavam morando com a influenciadora brasileira Kat Torres, nos Estados Unidos. Em 28 de junho de deste ano, a paraense de 31 anos foi condenada a oito anos de prisão por submeter uma dessas mulheres a condições análogas à escravidão após ter praticado tráfico humano. Uma outra investigação sobre acusações de outras vítimas contra Kat está em curso no Brasil.
Porém, a pergunta é: como a ex-modelo que conheceu Leonardo DiCaprio e apareceu na capa de revistas internacionais conseguiu atrair seus seguidores para a exploração sexual?
O tema dita o enredo do documentário “Do like ao cativeiro: ascensão e queda de uma guru do Instagram”, publicado no canal da BBC News Brasil, no YouTube.
“Para mim ela era uma pessoa de confiança capaz de entender a minha dor e o que eu estava passando naquele momento”, diz Ana ao descrever o início de sua relação com Kat após conhecê-la pelo Instagram, em 2017. Apesar de não ser uma das desaparecidas que motivaram a busca do FBI, Ana foi vítima da coerção de Kat e também foi fundamental no resgate das mulheres.
De acordo com ela, Kat a atraiu ao apresentar sua trajetória, por ter deixado uma infância pobre em Belém e chegado às passarelas internacionais, bem como às festas com celebridades em Hollywood. “Ela dizia que já tinha superado vários relacionamentos abusivos e era justamente isso que eu tava
Foto: Lucas Santos
buscando”, disse Ana a uma equipe da BBC Eye Investigations e da BBC News Brasil.
Ana relatou estar em situação vulnerável após ter vivido uma infância violenta e enfrentado relacionamento abusivo até mudar-se sozinha do sul do Brasil para os EUA. Kat Torres havia publicado recentemente o livro autobiográfico A Voz, no qual afirma poder fazer previsões e ter poderes espirituais, e já havia aparecido em programas de TV no Brasil. “Ela estava em capas de revistas, ela foi vista com pessoas famosas como Leonardo DiCaprio, tudo o que eu vi parecia confiável”, disse ela.
Ana diz que ficou especialmente atraída pela abordagem de Torres sobre espiritualidade. O que Ana não sabia é que a história inspiradora que Kat contava se baseava em meias verdades e mentiras. O ator e escritor Luzer Twersky, que dividiu um apartamento com Kat em Nova York, nos contou que a brasileira mudou após frequentar círculos de ayahuasca com amigos em Hollywood.
Originária da Amazônia, a ayahuasca é uma bebida psicodélica considerada sagrada por algumas religiões e povos indígenas. “Foi quando ela começou a perder o controle”, diz ele. Twersky disse que também acreditava que Kat estava trabalhando como sugar baby, recebendo dinheiro por envolvimentos amorosos com homens ricos e poderosos - e que bancavam o apartamento que ele dividia com a amiga. Para o Cientista Político e Sociólogo Rócio Barreto, muitas vezes as pessoas são avaliadas pelo que veem em redes sociais, sem analisarem a capacidade técnica, formação acadêmica ou pessoas que foram atendidas, como uma forma de referências.
O site de Kat tinha um serviço de assinatura e prometia aos clientes “amor, dinheiro e autoestima com que você sempre sonhou”. Vídeos dela ofereciam
conselhos sobre relacionamentos, bem-estar, sucesso nos negócios e espiritualidade – incluindo hipnose, meditação e programas de exercícios.
Por US$ 150 adicionais (R$ 817), os clientes podiam agendar consultas em vídeo individuais com Kat, com as quais ela dizia ser capaz de resolver qualquer problema. Amanda, outra ex-cliente, diz que Kat a fez se sentir especial. “Todas as minhas dúvidas, meus questionamentos, minhas decisões: sempre levava primeiro para ela, para que pudéssemos tomar decisões juntas”, diz Amanda. Mas os conselhos de Kat podiam levar a mudanças radicais.
Ana, Amanda e outras ex-seguidoras dizem que se viram cada vez mais isoladas psicologicamente de amigos e familiares e dispostas a fazer qualquer coisa que Kat sugerisse. Quando Kat pediu a Ana em 2019 que se mudasse para a casa dela em Nova York para trabalhar como sua assistente, ela concordou.
Ela estava cursando uma faculdade de Nutrição em Boston, mas, em vez disso, decidiu fazer as aulas virtualmente e diz que aceitou uma oferta para cuidar dos pets de Kat, cozinhar, lavar e limpar por cerca de US$ 2.000 (R$ 10.900) por mês.
Ao chegar ao apartamento de Kat, porém, ela logo percebeu que as condições não correspondiam à perfeição exibida no Instagram. “Foi chocante porque a casa estava muito bagunçada, muito suja, não cheirava bem”, diz ela.
Ana diz que Kat parecia incapaz de fazer até mesmo as coisas mais básicas, como tomar banho, sozinha, porque não suportava ficar sem a companhia de alguém. Ela diz que tinha de estar constantemente à disposição de Kat e só podia dormir algumas horas por vez num sofá sujo com urina de gato.
Ela diz que, às vezes, se escondia na academia do prédio para dormir no colchonete de exercícios. “Agora vejo que ela estava me usando como uma escrava”, diz Ana. Ela diz ainda que nunca foi paga. “Senti como se estivesse presa”, conta ela. “Provavelmente fui uma das primeiras vítimas de tráfico humano da Kat.” Ana havia desistido de sua acomodação universitária em Boston, então não tinha para onde voltar e não tinha renda para pagar por uma moradia alternativa. Ana conta que
Kat, ao ser confrontada, ficou agressiva, o que fez Ana relembrar períodos em que viveu violência doméstica. Depois de três meses, Ana encontrou uma maneira de escapar e foi morar com um novo namorado. Mas esse não foi o fim da participação de Ana na vida de Kat.
Quando as famílias de outras duas jovens brasileiras relataram seu desaparecimento em setembro de 2022, Ana sabia que precisava agir. Naquele momento, Kat estava casada com um homem chamado Zach, um jovem de 21 anos que ela conheceu na Califórnia, e eles moravam numa casa alugada de cinco quartos nos subúrbios de Austin, no Texas. Repetindo o padrão usado com Ana, Kat tinha como alvo suas seguidoras mais dedicadas, tentando recrutá-las para trabalharem para ela.
Em troca, ela prometeu ajudá-las a realizar seus sonhos, se valendo de informações pessoais íntimas que haviam compartilhado com ela durante suas sessões de coaching. Desirrê Freitas, uma brasileira que morava na Alemanha, e a brasileira Letícia Maia - as duas mulheres cujo desaparecimento motivou a operação liderada pelo FBI - mudaram-se para morar com Kat. Outra brasileira, que chamamos de Sol, também foi recrutada. Kat apresentou nas redes sociais o que chamou de seu “clã de bruxas”.
Para Barreto, as pessoas estão tão desorientadas, ansiosas e infelizes que se submetem a situações constrangedoras e inexplicáveis, “o mundo do instagram é muito superficial, todos são lindos, bem sucedidos e felizes, tudo isso faz as pessoas aceitar e fazer as piores atrocidades a troco de nada”.
“Vemos pessoas acreditando em milagres, simplesmente porque influenciadores tem milhares de seguidores e fotos com famosos, ostentando vida inexistente no mundo real.”
A BBC descobriu que pelo menos mais quatro mulheres foram quase
convencidas a se mudar para a casa de Kat, mas desistiram. Algumas das mulheres entrevistadas estavam receosas de aparecer num documentário da BBC, temendo receber agressões on-line e ainda traumatizadas por suas experiências.
Mas conseguimos verificar seus relatos usando documentos judiciais, mensagens de texto, extratos bancários e um livro de Desirrê sobre suas experiências, @ Searching Desirrê, publicado pela DISRUPTalks (2023).
Desirrê conta que, no caso dela, Kat lhe comprou uma passagem de avião para que deixasse a Alemanha e fosse encontrá-la, citando pensamentos suicidas e pedindo ajuda. Kat também é acusada de convencer Letícia, que tinha 14 anos quando iniciou sessões de coaching com ela, a se mudar para os EUA para um programa de au pair (babá que mora na residência da família atendida) e depois morar e trabalhar com ela.
Quanto a Sol, ela diz que concordou em ir morar com Kat depois de ficar sem teto e que foi contratada para fazer leituras de tarô e dar aulas de ioga. Mas não demorou muito para que as mulheres descobrissem que a realidade era muito diferente do conto de fadas que lhes tinha sido prometido. Em poucas semanas, Desirrê diz que Kat a pressionou a trabalhar em um clube de strip e disse que, se não obedecesse, teria que devolver todo o dinheiro gasto com ela em passagens aéreas, hospedagem, móveis para seu quarto e até mesmo rituais de “bruxaria” feitos por Kat.
Desirrê diz que, além de não ter esse dinheiro, também acreditava na época nos poderes espirituais que Kat dizia ter. Por isso, quando Kat ameaçou amaldiçoá-la por não seguir suas ordens, ela ficou apavorada. A contragosto, Desirrê então concordou em trabalhar como stripper. Um gerente do clube de strip-tease, James, disse à BBC que ela trabalhava muitas horas por dia, sete dias por semana. Desirrê e Sol dizem que as mulheres na casa de Kat em Austin eram submetidas a regras rígidas. Eles afirmam que foram proibidas de falar entre si, precisavam da permissão de Kat para sair de seus quartos - até mesmo para usar o banheiro - e foram obrigadas a entregar todo o dinheiro que recebiam. “Era muito difícil sair da situação porque ela ficava com nosso dinheiro”, disse Sol à BBC. “Foi assustador. Achei que algo poderia acontecer comigo porque ela tinha todas as minhas informações, meu passaporte, minha carteira de motorista.”
Mas Sol diz que percebeu que precisava fugir depois de ouvir um telefonema no
qual Kat dizia a outra cliente que ela deveria trabalhar como prostituta no Brasil como “castigo”. Sol conseguiu sair com a ajuda de um ex-namorado. Enquanto isso, as armas que o marido de Kat mantinha em casa começaram a aparecer regularmente em posts no Instagram e se tornaram uma fonte de medo para as mulheres. Nessa época, Desirrê conta que Kat tentou convencê-la a trocar o clube de strip-tease pelo trabalho como prostituta. Ela diz que recusou e, no dia seguinte, Kat a levou de surpresa para um campo de tiro.
Assustada, Desirrê diz que acabou cedendo à exigência de Kat. “Muitas perguntas me assombravam: ‘Será que eu poderia parar quando quisesse?’”, escreve Desirrê em seu livro. “E se a camisinha estourasse, eu pegaria alguma doença? Poderia [o cliente] ser um policial disfarçado e me prender? E se ele me matasse?”
Se as mulheres não cumprissem as metas de dinheiro estabelecidas por Kat, que subiram de US$ 1 mil dólares (R$ 5,45 mil) para US$ 3 mil (R$ 16,35 mil) por dia, não eram autorizadas a voltar para casa naquela noite, dizem. “Acabei dormindo várias vezes na rua porque não consegui bater a meta”, disse Desirrê.
Extratos bancários obtidos pela BBC mostram que Desirrê transferiu mais de US$ 21.000 (R$ 114,5 mil) para a conta de Kat somente em junho e julho de 2022. Ela diz que foi forçada a entregar uma quantia ainda maior em dinheiro. A prostituição é ilegal no Texas, e Desirrê diz que Kat ameaçou denunciá-la à polícia quando ela cogitou parar. Em setembro, amigos e familiares de Desirrê e Letícia no Brasil criaram campanhas nas redes sociais para encontrá-las depois de meses sem contato com as duas.
Nesta altura, elas estavam quase irreconhecíveis. Seus cabelos castanhos foram tingidos de loiro platinado para combinar com os de Kat. Desirrê afirma que, nesse período, todos seus contatos telefônicos foram bloqueados e que ela obedeceu às ordens de Kat sem questionar. À medida que a página do Instagram @SearchingDesirrê ganhava força, a história chegou ao noticiário no Brasil.
Os amigos de Desirrê temiam que ela tivesse sido assassinada, e a família de Letícia fez apelos desesperados para que as duas voltassem para casa. Ana, que morou com Kat em 2019, disse que ficou alarmada assim que viu as notícias. Ela diz ter logo percebido que Kat “estava retendo outras meninas”. Junto com outras ex-clientes, Ana começou a contatar o maior número possível de agências de segurança, incluindo o FBI, na tentativa de prender a influenciadora.
Cinco meses antes, ela e Sol haviam denunciado Torres à polícia dos EUA – mas dizem que não foram levadas a sério. Num vídeo que gravou na época como prova e partilhado com a BBC, ouve-se Ana dizendo, em inglês: “Esta pessoa é
muito perigosa e já ameaçou me matar”.
Em seguida, foram encontrados perfis das mulheres desaparecidas em sites de acompanhantes e prostituição. As suspeitas de exploração sexual, que circulavam nas redes sociais, pareciam se confirmar.
Em pânico com a atenção da mídia, Kat e as mulheres viajaram mais de 3 mil quilômetros do Texas até o Estado de Maine. Em vídeos no Instagram, Desirrê e Letícia negaram estar ali contra sua vontade e exigiram que as pessoas parassem de procurá-las.
Mas uma gravação obtida pela BBC indica o que realmente estava acontecendo naquele momento. A polícia nos EUA monitorava o grupo, e um policial conseguiu entrar em contato com Kat por videochamada para avaliar a situação das mulheres.
Pouco antes do início da conversa, Kat diz no vídeo: “Ele vai começar a fazer perguntas. Gente, eles são truqueiros. Ele é um detetive, muito cuidado. Pelo amor de Deus, vou te chutar se alguém disser alguma coisa. Eu vou dar um grito.”
Em novembro de 2022, a polícia convenceu Kat e as outras duas mulheres a comparecerem pessoalmente a uma delegacia no Condado de Franklin, no Maine. O policial que interrogou Kat, Desirrê e Letícia – o detetive David Davol –disse à BBC que ele e seus colegas ficaram preocupados após notarem uma série de sinais, como desconfiança das mulheres em relação aos policiais, seu isolamento e relutância em falar sem a permissão de Kat. “Traficantes de pessoas nem sempre são como nos filmes, onde você tem uma gangue que sequestra pessoas. É muito mais comum que seja alguém em quem você confia.”
Em dezembro de 2022, as duas mulheres haviam retornado em segurança ao Brasil. Segundo a ONU, o tráfico de
pessoas é um dos crimes que mais crescem no mundo, gerando cerca de US$ 150 bilhões (R$ 817 bilhões) em lucros por ano no mundo. Ele acredita que as redes sociais oferecem uma plataforma para que traficantes encontrem e seduzam vítimas.
Em abril deste ano, nossa equipe recebeu uma permissão judicial para entrevistar Kat na prisão – a primeira entrevista presencial que ela concede desde que foi presa. Naquela época, Kat ainda aguardava o resultado de um julgamento relacionado ao caso de Desirrê. Sorrindo, Kat se aproximou de nós com uma atitude calma e serena. Ela se disse completamente inocente, negando que qualquer mulher tivesse vivido com ela ou que ela tivesse forçado alguém a se prostituir.
“Eu tive crises e mais crises de riso com tanta mentira que eu escutei. Todo mundo na sala podia ver que as testemunhas estavam mentindo”, afirmou. “As pessoas me chamam de guru falsa, mas ao mesmo tempo elas falam: ela é muito perigosa. Cuidado com ela, porque ela pode mudar o que as pessoas pensam.”
Quando a confrontamos com as provas que tínhamos visto, ela ficou mais hostil, acusando-nos de também mentir. “Você pode me ver como Katiuscia, você pode me ver como Kat, você pode me ver como Deus, você pode ver como o que você quiser ver. E você pode pegar o meu conselho ou não, é um problema, uma escolha toda sua”, afirmou.
Ao se levantar para voltar para sua cela, ela sugeriu que
logo descobriríamos se ela tinha poderes ou não. Depois apontou para mim e disse: “Eu não gostei dela”. Em 28 de junho, Kat foi condenada pelo juiz Marcelo Luzio Marques Araújo, da 10 o Vara Federal do Rio de Janeiro, a oito anos de prisão por submeter Desirrê a tráfico humano e condições análogas à escravidão.
O juiz concluiu que Kat atraiu a jovem para os EUA para fins de exploração sexual. Mais de 20 mulheres relataram terem sido enganadas ou exploradas por Kat – muitas das quais compartilharam suas experiências com a BBC. Algumas ainda estão em tratamento psiquiátrico para se recuperarem do que dizem ter experimentado em suas relações com Kat. O advogado de Kat, Rodrigo Menezes, disse à BBC que recorreu da condenação e insiste que ela é inocente.
Uma investigação baseada em denúncias de outras mulheres contra Kat está em curso no Brasil. Ana acredita que ainda mais vítimas poderão se apresentar, assim que lerem sobre os crimes de Kat. Esta foi a primeira vez que Ana falou publicamente.
Ela diz que seu objetivo é fazer com que pessoas reconheçam que as ações de Kat constituem um crime grave e não um “drama de Instagram”. Nas páginas finais de seu livro, Desirrê também reflete sobre suas experiências. “Ainda não estou totalmente recuperada, tive um ano desafiador. Fui explorada sexualmente, escravizada e presa. Espero que minha história sirva de alerta.”
Precisamos falar sobre a Masculinidade Tóxica
Recentemente, em um julgamento sobre o caso de uma criança de 12 anos que afirmou estar sendo assediada pelo professor, um desembargador do Tribunal de Justiça do Paraná , disse que: “as mulheres estão loucas atrás de homens”.
Estranhando as atitudes, minimamente esquisitas do educador, a menina disse que passou a se esconder no banheiro, logicamente, com medo de que algo pior acontecesse.
O meretíssimo doutor desembargador considerou que tudo não passava de “ ego de adolescente” e que não concordava em condenar o homem “ para não estragar a vida dele.”
Confrontado por uma colega, a quem ele denominou de feminista, o que se viu a seguir foi uma sequência de uma aula magistral de machismo, sexismo, misoginia e vergonha alheia, com todo respeito.
Mas, a fala do desembargador tem tantas camadas, ainda contidas na nossa sociedade, que fica até difícil escolher por onde começar e saber se ela tem fim.
O episódio ocorreu próximo de outra atitude masculina que foi alvo de comentários de boa parte da população do país: a traição do companheiro da cantora Iza, grávida, de seis meses, desse mesmo homem.
Ele, que até então, fazia muitas declarações públicas de amor à cantora, e vice-versa, foi flagrado tendo diálogos tórridos, picantes, bem comprometedores com uma suposta amante. O intrigante da história é que, ao que tudo indica, os dois amantes não chegaram a se encontrar pessoalmente, durante a relação dele com a Iza, embora já tivessem namorado em um passado distante. Era uma traição “virtual”, o que não tira o título de traição, no sentido de quebra de toda e qualquer confiança que poderia haver entre o casal.
O que esses dois casos tem em comum? Muito mais do que podemos supor.
O movimento de mulheres, não gays, que preferem ficar sozinhas, sem manter nenhum tipo de contato com homens, vem aumentando.
Mulheres que estão focadas em outras coisas que não seja uma relação amorosa.
Venhamos e convenhamos: o universo masculino, em geral, é bem decepcionante.
E olha que eu adoro homens. Fui criada com três irmãos, além de um pai extremamente presente. Adoro estar com eles, sair, conversar. Mas, em matéria de relacionamento amoroso, ainda existe uma masculinidade tóxica que prejudica a todos. Inclusive a eles mesmos.
É uma cultura que precisa ser atualizada para o bem de toda a sociedade.
Tenho amigas mais radicais que acham que eles estão felizes, carregando seus privilégios e sequer cogitam a possibilidade de mudar uma vírgula da forma como vivem.
Eu penso diferente. Acho que, cada vez mais, eles vão mergulhar em um abismo profundo, enquanto que nós, mulheres, estamos aprendendo a descobrir a felicidade fora da caixinha do amor romântico e sem o falacioso príncipe encantado. O que é libertador.
Não quero com isso dizer que todos os homens são iguais
Também não sou contra relacionamentos entre homem e mulher. Longe disso.
Mas, a maioria não entrega o que promete. Para dizer o mínimo.
De acordo com o Anuário de Segurança Pública, divulgado recentemente, o Brasil bateu o recorde de feminicídios. Além disso, um estupro é registrado no país a cada seis minutos e a maioria das vítimas é formada por mulheres.
Então, caro senhor desembargador, sinto dizer que, ao contrário do que vossa excelência afirmou, não estamos loucas atrás de homens.
Estamos querendo viver ou sobreviver e loucas em busca de paz, que em geral, só encontramos, longe deles.
* Renata Dourado é formada em Jornalismo pelo Uniceub e trabalha na TV Bandeirantes há mais de 13 anos.
Atualmente, apresenta o Band Cidade Segunda Edição, jornal local, que vai ao ar, ao vivo, de Segunda à Sexta, às 18h50. Também apresenta o Band Entrevista, que vai ao ar, aos sábados. Formada em Psicanálise e Mestranda Especial da UNB em psicologia clínica.
Aeroporto de Porto Alegre reinicia embarque e desembarque
Por Pedro Peduzzi - Agência Brasil - Brasília
Adaptação Rócio Barreto
OAeroporto Salgado Filho reabre, de forma parcial, a partir desta segunda-feira (15) em Porto Alegre, os serviços de embarque e desembarque de passageiros. O processamento de passageiros e o controle de segurança serão feitos nos pisos 2 e 3 do terminal, áreas não impactadas pelas enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul. O serviço de check-in e o embarque de passageiros serão feitos por meio de uma área adaptada no terminal internacional, uma vez que o espaço doméstico está passando por reformas. Sinalizações foram colocadas no local de forma a instruir os usuários para que se dirijam ao embarque nos ônibus, com destino à Base Aérea de Canoas, a cerca de 10 quilômetros do aeroporto Salgado Filho.
Como será
O acesso ao terminal deverá ser feito pela rampa externa que leva ao piso 2. “No primeiro momento, o acesso ao procedimento de embarque será realizado exclusivamente pelas portas 5 e 6. A partir de daí, os passageiros deverão subir ao piso 3 e utilizar a área de embarque internacional para a inspeção de segurança”, informou, em nota, o Ministério de Portos e Aeroportos.
O horário de funcionamento do terminal é das 6h às 21h. É indicado que os passageiros se apresentem, no aeroporto, com três horas de antecedência em relação ao horário do voo. O processo de embarque se encerrará 1h30 antes voo.
Governo do Tocantins investe R$ 430 milhões em obras rodoviárias no primeiro semestre do ano
Por Luzinete Bispo/Governo do Tocantins
Adaptação PH Paiva
OGoverno do Tocantins, por meio da Agência de Transportes, Obras e Infraestrutura (Ageto), fecha o primeiro semestre de 2024 de maneira muito positiva, com investimentos que somados atingem pouco mais de R$ 430 milhões no setor de infraestrutura viária. Esse montante foi aplicado em obras estruturantes que favorecem os setores agroindustrial, de turismo e de logística de transportes no estado.
O semestre termina com a inauguração da nova ponte sobre o Rio Tocantins, ligando os municípios de Porto Nacional e Fátima. A nova Ponte de Porto Nacional Prefeito Antônio Poincaré de Andrade representa um avanço significativo para o estado, facilitando tanto o escoamento da produção agrícola quanto o melhoramento no fluxo de passageiros. Uma obra de suma importância para o sistema logístico e para o agronegócio tocantinense, que teve investimento de R$ 150 milhões. Uma parceria que deu certo entre o Governo do Tocantins e o Banco de Brasília. A obra da ponte possui um total de 1.488 metros.
Também faz parte do balanço de obras entregues nesse período a implantação da pavimentação asfáltica com a inauguração de 50 km na rodovia TO247, no trecho entre Lagoa do Tocantins e São Félix do Tocantins. Foram inves-
tidos R$ 59,7 milhões nesta que é considerada uma das principais vias de acesso ao Jalapão.
O trecho inaugurado representa o início da construção da pavimentação asfáltica da espinha dorsal do Jalapão, que vai ligar Palmas a Lagoa do Tocantins, São Félix do Tocantins, Mateiros ao estado da Bahia e a Brasília.
No mesmo dia da inauguração, o Governo do Tocantins assinou Ordens de Serviços para pavimentar mais três trechos rodoviários e construir duas pontes de concreto armado na região, que somados dão 95 km, com investimento de R$ 237 milhões.
Quanto às pontes, uma delas ficará sobre o Rio Vermelho, entre Lagoa do Tocantins e São Félix, na TO-247, com extensão de 74,20 metros. A outra ponte a ser construída está localizada na Rodovia TO-110, entre São Félix e Lizarda, sobre o Rio Caracol, com extensão de 98,80 metros, que somadas dão um investimento avaliado em R$ 11,4 milhões.
As obras vão proporcionar o aumento do turismo no Jalapão e gerar empregos e renda às famílias, além de facilitar o acesso à saúde e à educação em Palmas e outros centros.
Outra obra, inaugurada ainda no mês de junho deste ano, foi a implantação da pavimentação asfáltica de 33,40 km na rodovia TO-020, em Campos Lindos, usando Concreto Betuminoso Usinado a Quente (CBUQ), considerado um dos asfaltos mais resistentes. Com um investimento de R$ 75 milhões, a pavimentação se estende da área urbana até o território tradicional da Serra do Centro, beneficiando diretamente a comunidade local.
A obra é de extrema importância, não só para os produtores, mas também para a população inteira. Campos Lindos é o maior produtor de soja do estado do Tocantins e a TO-020 asfaltada melhora a qualidade do transporte para o escoamento da produção, valorizando o produto e melhorando a logística.
“Faremos obras de infraestrutura, recuperação asfáltica e também novos asfaltos. Essa não é apenas a nossa expectativa, é o nosso planejamento para 2024, com o objetivo de melhorar a vida dos tocantinenses”, destaca o governador Wanderlei Barbosa.
O presidente da Ageto, Márcio Pinheiro Rodrigues, declara que as obras estão ocorrendo por todo o Estado.
“As obras estão ocorrendo basicamente por meio dos programas: Programa de Implantação de Pavimentação em rodovias de chão natural; e o Programa de Recuperação e Conservação, no qual fazemos uma reciclagem do asfalto velho incorporando-o a um novo asfalto. Aos poucos, conforme as possibilidades, estamos revolucionando o nosso sistema rodoviário, sempre buscando promover o desenvolvimento econômico e social do Tocantins. Essa é a determinação do nosso governador Wanderlei Barbosa. E essas são obras que vão trazer qualidade de vida para o cidadão tocantinense e mais segurança em nossas rodovias”, pontua.
Reconstrução asfáltica
Em fevereiro, o Governo do Tocantins entregou, à população da região do Bico do Papagaio, as obras de recuperação e conservação da TO-210, em Tocantinópolis, no extremo norte. A recuperação e a conservação da TO-210 ligam Tocantinópolis ao entroncamento da BR-230 e, consequentemente, a to-
dos os outros municípios circunvizinhos, além de conectar importantes povoados, como Olho D’Água e Passarinho, ao centro da cidade. Foram investidos R$ 13,5 milhões para recuperar 18,66 km da rodovia.
Em parceria com a Prefeitura do Município, o Governo do Tocantins também levou asfalto para o povoado Chapadinha, na zona rural, a cerca de 10 km do centro da cidade, por meio do Programa de Fortalecimento da Economia, Geração de Emprego e Renda. A obra recebeu investimento de R$ 2 milhões.
Ainda na região do Bico do Papagaio, foi inaugurado o trecho asfáltico de 6,71 km de extensão da TO-202, que liga Esperantina ao povoado Pedra Grande, considerado um momento histórico, dado o tempo que a população local aguardou sua execução. Nessa obra, foram investidos R$ 16 milhões.
Outro trecho do programa de recuperação e conservação de rodovias que está em fase final é o da rodovia TO-050, que liga Palmas a Porto Nacional, com extensão de 71 km. O valor que está sendo investido é de R$ 18,3 milhões.
A obra entre Palmas e Porto Nacional está bem adiantada. E assim que ficar pronta, passará para a jurisdição do Governo Federal sob a denominação de BR-010. O processo de federalização já está em tramitação no Ministério dos Transportes.
TOCANTINS
Tocantins apresenta diminuição dos casos de leishmaniose dos tipos visceral e tegumentar
Por Ananda Santos/Governo do Tocantins
Adaptação
PH Paiva
Com os objetivos de alertar a população e promover ações estratégicas por meio dos dados coletados, a Secretaria de Estado da Saúde (SES-TO) divulgou na segunda-feira, 15, o Informe Epidemiológico do Tocantins referente ao período de janeiro a junho de 2024, com informações sobre a leishmaniose, doença que possui dois tipos: a visceral e a tegumentar.
Segundo o Informe Epidemiológico do Tocantins, entre janeiro e junho de 2024 foram detectados 25 casos novos de leishmaniose visceral, apresentando queda de 57,6% dos casos em relação aos dados do ano passado, quando foram registrados 42 novos casos. Apesar da queda, houve um óbito no município de Pium. Os 25 casos de leishmaniose visceral registrados em 2024 foram confirmados nas seguintes regiões de saúde: Capim Dourado (40%), Bico do Papagaio (20%); médio norte Araguaia (16%), Ilha do Bananal (20%) e Cantão (4%).
Já os dados de leishmaniose tegumentar apresentam queda de 4,1% em relação aos casos do período entre janeiro e junho de 2023, sendo 146 casos em 2023 e 141 casos registrados em 2024, sem registros de óbitos no período. Os dados apontam que em 87,2% dos casos, a forma clínica da doença foi cutânea, já nos 12,8%, a forma clínica foi mucosa. As regiões de saúde que apresentaram casos da doença foram Bico do Papagaio (13,5%), médio norte Araguaia (13,5%), cerrado Tocantins Araguaia (5,7%), Cantão (10,6%), Capim Dourado (32,6%),
Amor Perfeito (7,1%), Sudeste (9,2%) e Ilha do Bananal (7,8%).
O biólogo em saúde e responsável pela área técnica das leishmanioses da SES-TO, Julio Bigeli, ressalta a importância das ações da desenvolvidas pela pasta. “Nós temos trabalhado com o assessoramento das equipes municipais de saúde, com foco na construção de seus planos de ação para intensificação da vigilância e controle da leishmaniose visceral. No primeiro semestre de 2024, realizamos a capacitação 8 toques para a leishmaniose, para qualificação das práticas de assistência à saúde de médicos e enfermeiros, que atuam sobretudo na atenção primária dos municípios, já que essa deve ser a porta de entrada para os pacientes com leishmanioses no SUS [Sistema Único de Saúde]. Estamos fortalecendo a vigilância e a investigação de óbitos suspeitos por leishmanioses; e ainda participamos ativamente de um projeto-piloto promovido pelo Ministério da Saúde com esse objetivo”, destaca.
“O principal objetivo da nossa equipe atualmente é avançar no processo de descentralização do diagnóstico da leishmaniose visceral por meio do teste rápido para a atenção primária. Iniciamos essa estratégia em 2023, de forma pioneira no país e temos participado, com o Ministério da Saúde, para fortalecer esse trabalho nos demais estados. O intuito é que esse serviço esteja disponível aos pacientes nas unidades básicas de saúde, o que permite ter um diagnóstico mais precoce da doença e, por consequência, seu tratamento oportuno. O processo é simples e já está disponível a todas as secretarias municipais de saúde do Tocantins, basta que as equipes municipais sigam as instruções que publicamos por meio de nota técnica”, acrescenta o responsável.
A leishmaniose é transmitida por insetos hematófagos, que se alimentam de sangue. A tegumentar é caracterizada por feridas na pele, que se localizam com maior frequência nas partes descobertas do corpo. Já a visceral é uma doença sistêmica, pois acomete vários órgãos internos, como fígado, baço e medula óssea. O diagnóstico da leishmaniose é realizado por meio de exames clínicos e laboratoriais, o tratamento é realizado com medicamentos e acompanhamento por profissionais, ofertados gratuitamente pelo SUS.
Governo do Tocantins suspende a emissão e a vigência das autorizações de queima controlada em todo o Tocantins
Por Luzinete Bispo/Governo do Tocantins
Adaptação PH Paiva
OGoverno do Tocantins, por meio do Instituto Natureza do Tocantins (Naturatins), publicou nesta quarta-feira, 17, no Diário Oficial do Estado (DOE), a Portaria n� 125/2024, que suspende a emissão e a vigência das Autorizações Ambientais de Queima Controlada em todo o território tocantinense no período de 20 de julho a 30 de outubro.
O presidente do Naturatins, Renato Jayme, destaca que a medida é fundamental para prevenir a propagação do fogo durante o período de estiagem. “A suspensão busca evitar a ocorrência de incêndios durante a temporada seca, protegendo os ecossistemas e mitigando os impactos negativos sobre a
biodiversidade e a a qualidade do ar no Estado”, frisou.
A Portaria emitida não se aplica às ações de prevenção e combate a incêndios florestais desenvolvidas nas Unidades de Conservação (UCs) e nas comunidades tradicionais do Estado do Tocantins, bem como atividades para fins educacionais e as de agricultura de subsistência exercidas pelas populações tradicionais e indígenas.
A publicação da Portaria atende os preceitos constitucionais de que todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado e à proteção da fauna e da flora. O documento é publicado todos os anos durante o período de estiagem, onde, historicamente, existe o risco de incêndios se manifestarem na vegetação seca do Cerrado, caracterizando alto risco ambiental.
CONTOS EM CONTA-GOTAS
Buda é mesmo Peste?
Não tive tempo de avisar você que estava de malas prontas para conhecer Budapeste.
Chegando aqui, capital da Hungria, descobri que Budapest é escrita assim, mas isso é só um pequeno detalhe.
Você, como minha melhor amiga, sabe o quanto as injustiças me injuriam, e sendo assim vim conferir porque chamam Buda de peste.
Sou católica apostólica romana, e aprendi que devemos respeitar todas as religiões e crenças.
E foi por isso que resolvi abolir os evangélicos radicais dos meus contatos, pois não sou mulher de fazer cara de paisagem e tampouco a egípcia, quando tenho notícias desses radicais destruindo imagens da Mãe de Nosso Senhor.
Isso é coisa que meu estômago não digere, e olha que fui criada comendo calangos nos tempos de extrema penúria.
Respeito toda filosofia que prega a paz e o amor entre os homens.
Reverencio vários iluminados, sejam eles de qualquer doutrina. E por essa razão fiquei tão indignada quando li até no mapa mundi, em letras garrafais : Budapeste.
Marivalda, até tu, sabes que muitos equiparam Buda a Cristo, então como podem chamá-lo de peste?
Agradeci mais uma vez o fato de poder ter vindo para conferir essa história.
Budapeste é uma das cidades mais bonitas que já conheci.
A pulga continuava me incomodando atrás da orelha...
O que terá Buda aprontado por aqui, para ser chamado de peste. Enquanto ia desfrutando das belezas que iam se descortinando à minha frente, ia conversando com as pessoas, tentando obter uma resposta para minha curiosidade. Percebi que estava tendo muita dificuldade em me fazer entender, e assim resolvi procurar por templos budistas na tentativa de encontrar uma explicação para o que tanto estava me atormentando.
“Logo que cheguei tive o privilégio de conhecer o Rio
Danúbio, e não resistindo, comecei a cantarolar : “Danúbio azul...” e me diverti horrores lembrando do quanto ficamos fascinadas quando aprendemos a cantar esse refrão. Daí por diante não paramos de assoviar essa musiquinha, porque a sonoridade dessa estrofe nos encantou”
Logo que cheguei tive o privilégio de conhecer o Rio Danúbio, e não resistindo, comecei a cantarolar : “Danúbio azul...” e me diverti horrores lembrando do quanto ficamos fascinadas quando aprendemos a cantar esse refrão. Daí por diante não paramos de assoviar essa musiquinha, porque a sonoridade dessa estrofe nos encantou.
Menina, descobri que Budapeste é considerada uma das cidades mais bonitas da europa, e agora posso confirmar para você que é verdadeira essa fama.
Não encontrei nenhum templo budista por aqui, mas não ia me deixar abater por tão pequeno detalhe. Continuei com minhas pesquisas, e foi então que descobri que estava hospedada no lado da Peste, e feita essa descoberta parti imediatamente para o outro lado do Danúbio, para Buda.
O parlamento húngaro é de uma beleza ímpar, dessas de suspender o fôlego.
Fica do lado da Peste, mas é de Buda que se tem a melhor vista dele. Lá fica guardada a coroa do primeiro rei húngaro, Santo Estevão.
À noite, quando está todo iluminado, não há palavras que consigam exprimir toda aquela beleza.
Só vindo aqui para ver o que estou falando.
No dia seguinte fui conhecer a Ponte das Correntes, que liga os dois lados : Buda e Peste.
Essa ponte foi totalmente destruída durante a Segunda Guerra Mundial, mas felizmente foi integralmente reconstruída, pois o mundo não poderia ficar privado de tão precioso cartão postal.
Dos dois lados da ponte há leões de pedra, majestosos, como guardiões da construção.
Amiga querida, fiz tantos passeios, aprendi tanto de história, que só pessoalmente para tentar contar.
Fui até Castle Hill, onde fica o palácio de Buda, que agora sei não se tratar do “iluminado” , mas sim de um monumento da cidade, um palácio em estilo barroco medieval, no qual de cima, vislumbramos uma bela paisagem do lado Peste com a magnífica Ponte das Correntes.
Volto apaziguada, pois pelo que pude entender o lado Buda oferece o mais lindo espetáculo húngaro, e portanto nada mais coerente do que chamar o outro lado de Peste.
Por enquanto só posso afirmar que voltarei aqui muitas e muitas vezes, para apreciar tanto Buda quanto Peste.
* Ângela Beatriz Sabbag é bacharel em Direito por graduação e escritora por paixão.
Bailarina Clássica, Pianista e Decoradora de Interiores angelabeatrizsabbag e-mail angelabeatrizsabbag@gmail.com
Foto: Ana Luíza Miranda
No G20, Brasil reafirma compromisso de combate ao racismo
Por Mariana Tokarnia - Agência Brasil - Rio de Janeiro
Adaptação Rócio Barreto
OBrasil reafirmou o compromisso com o combate ao racismo e às desigualdades raciais, durante reunião do G20, nesta terça-feira (23), no Rio de Janeiro. “No momento em que, lamentavelmente, presenciamos manifestações de racismo e discriminação, inclusive no esporte, o Brasil segue comprometido em promover a igualdade étnico-racial, que é não apenas um objetivo nobre, mas um imperativo para construir um mundo mais justo, inclusive sustentável”, afirmou o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, em seu discurso de abertura da segunda sessão Combate às Desigualdades e Cooperação Trilateral, da Reunião Ministerial de Desenvolvimento.
A ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, que também participa do painel de discussão, reforçou que o combate ao racismo e às demais desigualdades devem ser compromisso não apenas do Brasil, mas mundial: “Sabemos também que resolver um problema sistêmico, estrutural e histórico não é tarefa apenas para um único ministério ou sequer um único país”.
Ambos os ministros destacaram a importância do compromisso assumido pelo Brasil em relação à questão. Em discurso na Assembleia Geral da ONU em 2023, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou a criação voluntária do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS) 18, com o objetivo de alcançar a igualdade étnico-racial na sociedade brasileira.
Os ODS são uma agenda mundial para acabar com a pobreza e as desigualdades. Eles foram pactuados pelos 193 Estados-Membros da Organização das Nações Unidas (ONU) e
devem ser cumpridos até 2030. Ao todo, são 17 ODS. Lula propôs nacionalmente que se persiga também um 18o objetivo em busca de igualdade étnico-racial.
Combate à pobreza e à fome
Vieira reforçou que a erradicação da pobreza é prioridade absoluta para o Brasil, mas que, em todo o mundo, esse objetivo ainda está distante. “Em 2023, chegamos à metade do período da Agenda 2030, ainda distantes do cumprimento daquilo que foi acordado pelos países membros da ONU. Não só estamos atrasados, como até recuamos na concepção de muitos dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, como a erradicação da pobreza e da fome”, afirmou.
E complementou: “O mundo está cada vez mais desigual. O 1% mais rico do mundo ficou com quase dois terços de toda a riqueza gerada desde 2020, segundo dados da Oxfam. Os 10% mais ricos são responsáveis por metade das emissões de carbono no planeta. Em 2020, vimos um aumento da desigualdade global pela primeira vez em décadas, com um incremento de 0,7% do índice de Gini Global”. O chamado índice de Gini é um instrumento para medir o grau de concentração de renda.
Segundo Franco, o compromisso global precisa ser reforçado e é preciso que as nações de fato se esforcem para erradicar a pobreza. “As palavras com as quais nos comprometemos hoje não são, na sua maioria, ideias absolutamente inovadoras. Na realidade, são anseios históricos pela garantia da vida digna e da oportunidade de se viver bem, que deveriam ser condições básicas e óbvias, mas que foram transformadas ao longo do tempo em luxos e privilégios”, disse a ministra.
Aliança Global
A reunião do G20 começou nessa segunda-feira (22). Ao longo da semana está prevista uma série de eventos no âmbito do G20.
Nesta quarta-feira (24), com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, será realizado o pré-lançamento da Aliança Global contra a Fome e a Pobreza, uma das prioridades da presidência brasileira do G20.
Franco mencionou também a Agenda de Enfrentamento à Fome e à Pobreza com foco em mulheres negras, que será oficialmente lançada, no dia seguinte, dia 25. A ministra antecipou que o programa contará com cinco grandes metas, 26 ações e mais de R$ 330 milhões investidos em políticas públicas com este objetivo.
G20
O G20 é composto por Argentina, Austrália, Brasil, Canadá, China, França, Alemanha, Índia, Indonésia, Itália, Japão, República da Coreia, México, Rússia, Arábia Saudita, África do Sul, Turquia, Reino Unido e Estados Unidos, além da União Europeia.
Os membros do G20 representam cerca de 85% do Produto Interno Bruto (PIB, soma de todos os bens e serviços produzidos por um país) global, mais de 75% do comércio global e cerca de dois terços da população mundial.
Desde 2008, os países revezam-se na presidência. Esta é a primeira vez que o Brasil preside o G20 no atual formato.
Brasil deixa lista dos 20 países com mais crianças não vacinadas
Por Bruno de Freitas Moura - Agência
Brasil - Rio de Janeiro
Adaptação Rócio Barreto
Oano de 2023 marcou um avanço do Brasil na imunização infantil e fez o país deixar o ranking das 20 nações com mais crianças não vacinadas. A constatação faz parte de um estudo global divulgado nesta segunda-feira (15) pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e a Organização Mundial da Saúde (OMS).
A pesquisa revela que o número de crianças que não receberam nenhuma dose da DTP1 caiu de 710 mil em 2021 para 103 mil em 2023. Em relação à DTP3, a queda entre os mesmos anos foi de 846 mil para 257 mil. A DTP é conhecida como a vacina pentavalente, que protege contra a difteria, o tétano e a coqueluche.
Com a redução na quantidade de crianças não vacinadas, o Brasil, que em 2021 era o sétimo no grupo dos países com mais crianças não imunizadas, deixou a lista negativa. O Brasil apresentou avanços constantes em 14 dos 16 imunizantes pesquisados.
A chefe de Saúde do Unicef no Brasil, Luciana Phebo, destacou que o comportamento da imunização infantil no país é uma retomada após anos de queda na cobertura de vacinação. Ela ressalta a importância de o país seguir em busca de avanços, inclusive levando a vacinação para fora de unidades de saúde, exclusivamente.
“É fundamental continuar avançando ainda mais rápido para encontrar e imunizar cada menina e menino que ain-
da não recebeu as vacinas. Esses esforços devem ultrapassar os muros das unidades básicas de saúde e alcançar outros espaços em que crianças e famílias - muitas em situação de vulnerabilidade - estão, incluindo escolas, Cras [Centro de Referência de Assistência Social] e outros espaços e equipamentos públicos”, assinala.
O resultado de avanço do Brasil está na contramão do cenário global, no qual houve aumento no número de crianças que não receberam nenhuma dose da DTP1, passando de 13,9 milhões em 2022 para 14,5 milhões em 2023.
O número de crianças que receberam três doses da DTP em 2023 estagnou em 84% (108 milhões). A DTP é considerada um indicador chave para a cobertura de imunização global.
Em 2023 havia no mundo 2,7 milhões de crianças não vacinadas ou com imunização incompleta, em comparação com os níveis pré-pandemia de 2019.
Ao todo, o levantamento do Unicef e da OMS traz dados de 185 países.
Uma forma prática de entender a importância da vacinação é por meio da observação de certas doenças, como o sarampo, que apresentou surtos nos últimos cinco anos.
Nos últimos cinco anos, surtos de sarampo atingiram 103 países – onde vivem aproximadamente três quartos dos bebês do mundo. A baixa cobertura vacinal nessas regiões (80% ou menos) foi um fator importante. Por outro lado, 91 países com forte cobertura vacinal não experimentaram surtos.
Um dado positivo, porém, insuficiente no levantamento, é a vacinação de meninas contra o papilomavírus humano (HPV), causador do câncer do colo do útero. A proporção de adolescentes imunizados saltou de 20% em 2022 para 27% em 2023.
No entanto, esse nível de cobertura está bem abaixo da meta de 90% para eliminar esse tipo de câncer como um problema de saúde pública. Em países de alta renda, o nível é de 56%, e nos de baixa e média, 23%.
Clodo, Jovem Guarda e velocidade
Depois do lançamento do livro “Comunicação e Música”, fruto da famosa disciplina homônima que criou na UnB, mandei para Clodo Ferreira o link para uma postagem antiga, dizendo “Quando ouvi seu relato sobre a Jovem Guarda ontem, me lembrei que escrevi isso”. Ele respondeu “Li o artigo. Uma coincidência feliz”. E prosseguiu falando do método que registrou no livro para desenvolver observações entre música e outros temas. Esse era o generoso e dedicado amigo, que infelizmente nos deixou este mês. Esta republicação vai para você, Clodo!
Por que corro demais?
Não lembro exatamente o dia, mas durante a Semana Nacional de Trânsito (18 a 25 de setembro) fui convidado a participar de uma conversa na Rádio Câmara. Recebi na hora marcada a ligação que foi transferida para o estúdio. Antes de começar a conversa comigo, ainda ouvi o finalzinho de “Por isso corro demais”, cantada pelo autor Roberto Carlos, e um comentário do apresentador do programa destacando a glamourização do carro naqueles tempos de Jovem Guarda.
– pelo menos para meu próprio consumo – um significado em certa medida perturbador que o carro e a velocidade tiveram para aquela juventude.
Não tanto na canção que mereceu o comentário do apresentador da Rádio. Ali o rei corria apenas para estar perto da namorada e, quando estava com ela, abandonava a velocidade para esticar o tempo. É quase uma espécie de antiglamourização da velocidade. Um sinal, aliás, que já estava presente um ano antes, em “O Calhambeque”: nela o rei descobre que o sucesso com as garotas é muito maior quando ele anda no charmoso carrinho velho do que quando desfila no potente Cadillac, que ele acaba abandonando na oficina.
“Ainda assim, acho que descobri – pelo menos para meu próprio consumo – um significado em certa medida perturbador que o carro e a velocidade tiveram para aquela juventude”
Não tive oportunidade de puxar o assunto durante minha participação no programa nem consegui localizá-lo depois na internet. Por isso fiquei encasquetado com aquele comentário, que logo me trouxe à memória o excelente texto “Entrei na rua Augusta a 120 por hora”, publicado por Raquel Rolnik em sua coluna na Folha de S. Paulo. Mas “Rua Augusta” é de um período um pouquinho anterior ao nascimento oficial da Jovem Guarda. Então resolvi dedicar um pedacinho de meu último fim de semana à deliciosa tarefa de revisitar alguns clássicos da segunda metade dos anos 60, tentando identificar a natureza da tal glamourização.
Claro que o resultado dessa minha incursão não tem qualquer valor científico, e tenho plena consciência de que morreria de fome se minha sobrevivência dependesse de meu talento para a crítica musical. Ainda assim, acho que descobri
O sentido que me soou perturbador mesmo aparece com toda força dois anos mais tarde, em “As Curvas da Estrada de Santos”. Dirigir o carro numa estrada perigosa, abusando da velocidade não tem nada de sedutor. Muito pelo contrário, o que o rei faz com o carro ali é o que gerações anteriores faziam com o álcool ou, por exemplo, com a heroína – parece que a droga variava com o estilo musical. Aliás, não é justo falar só da Jovem Guarda e gerações anteriores. Também nas ondas posteriores o abuso do uso de drogas continua sendo um caminho para fugir de frustrações e decepções as mais diversas, mas principalmente de ordem amorosa.
Bem, não tenho a mínima intenção de fazer qualquer discurso moralista aqui. Só não me pareceu adequado deixar passar a impressão de que naqueles tempos a velocidade era só tudo de bom.
* Paulo Cesar Marques da Silva é professor da área de Transportes da Faculdade de Tecnologia da Universidade de Brasília. Possui graduação em Engenharia Mecânica pela Universidade Federal da Bahia (1983), mestrado em Engenharia de Transportes pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (1992) e doutorado em Transport Studies pela University of London (University College London) (2001).
Le Smart: ciência, modernidade e inovação de mãos dadas
Clinica apresenta soluções médicas sob medida para cada paciente, a partir de um atendimento oferecido por toda uma rede de parceiros multidisciplinares Clinica apresenta soluções médicas sob medida para cada paciente, a partir de um atendimento oferecido por toda uma rede de parceiros multidisciplinares
Por Rócio Barreto
Com foco no atendimento humanizado e personalizado, a Le Smart amplia sua atuação em Brasília com o modelo medicina concierge, que se refere ao cuidado desde o primeiro contato do paciente tem com a clínica até o pós-atendimento
A atuação da Le Smart consiste em uma abordagem personalizada e conectada com uma equipe multidisciplinar, focando em longevidade saudável.
Trata-se de uma clínica especializada em melhorar a performance física e mental do paciente, embasada no aconselhamento nutrogenético individual, na otimização do perfil
A clínica é fruto de uma parceria sólida e consciente entre os sócios Marcelo Zacarkim, Marcelo Nascimento e Milena Silvestre, que busca criar soluções antes nunca pensadas, utilizando todo o seu arcabouço médico de nível nacional e internacional, para atender as demandas dos pacientes.
metabólico e no emagrecimento saudável.
Outra característica da clínica é o pioneirismo. Mais recentemente passaram a adotar o método Roundgluteo, agora Roundgluteo Brasília, que já é sucesso no Brasil todo no que diz respeito a tratamento para o bumbum. Os responsáveis pelas técnicas são Higor Guerin e Natasha Ramos, criadores e desenvolvedores do método.
A Revista Plano B ouviu Milena Silvestre (CEO da Clínica Le Smart)
Milena Silvestre é catarinense, mas mora no DF há três anos. Movida a desafios, encarou o desafio de estar à frente de uma clínica de medicina avançada com o objetivo de criar algo inovador na área da saúde, foi quando lançou a Le Smart. Uma clínica em franca expansão, ele dedicou agregar mais serviços inovadores, foi quando implantou a Roundgluteo Brasília, sucesso no Brasil em tratamento estético. O que impulsionou você a investir num negócio dessa natureza?
Investir em algo na saúde sempre foi motivo de muito privilégio e querência para mim, visto que a área da saúde é algo que tem a crescer e a agregar, todos querem, precisam e veem como necessidade estar bem consigo mesmo.
Como você chegou ao método Roundgluteo?
Cheguei à Natasha pelo fato de o procedimento ser feito em muitas pessoas famosas, principalmente em época de verão, onde todas as mulheres querem se sentir bem e estar bem consigo mesmas. Por conta disso, esse método me chamou a atenção e a vontade de ter em nosso espaço esse procedimento, que tem um grande ponto positivo: usar produtos permanentes.
E como foi o início dessa parceria?
A Natasha me foi apresentada pelo meu sócio e querido amigo Dr. Marcelo Zacarkim, que é amigo profissional e pessoal dela. Trata-se de uma profissional de renome, e eu não poderia trazer ninguém menos do que ela. Natasha Ramos e o Dr. Higor Guerin atuam em conjunto e fazem um trabalho espetacular. Estamos falando de uma equipe muito procurado pelas mulheres brasilienses e de fora da capital do Brasil. Dessa maneira, ela e o método roundgluteo nos conquistaram por alcançarem grandes resultados.
Você já experimentou o procedimento? Se sim, como você descreveria em poucas palavras a sua experiência?
Já sim, não poderia descrever em outras palavras que não fossem, “autoestima elevada”, por me sentir mais imponente e única, ou seja, ter o meu valor.
Como é administrar uma clínica desse porte?
Tanto quando responsabilidade e valor agregado por estarmos na capital do Brasil, a Le Smart tem sido meu aprendizado diário, de gestão, de vivências, de networking, e principalmente por estar e aprender tanto com meu sócio o renomado Dr. Marcelo Zarcakim. É uma grande honra aprender, viver e ser ensinada por alguém que tem uma bagagem notória e única. Isso não tem preço.
Por que decidiram montar a sede da clínica em Brasília?
Porque sinto que Brasília precisa desse tipo de serviço, com esse cuidado concierge, esse olhar único e minucioso em detalhes, realmente Brasília precisa disso. Temos uma grande proporção de empresários, políticos e até mesmo de pessoas de fora que estão com a gente pelo nosso serviço de excelência. É isto que nos dá certeza, propósito e vontade de estarmos aqui fazendo a diferença de todos que nos procuram.
Há previsão de abrir alguma filial fora do DF? Se sim, onde e por quê?
Ainda não pensamos a respeito. Queremos entregar nos-
so máximo e 100% aos nossos pacientes brasilienses, mas sempre pensando na possibilidade de expandir para outras cidades e porque não dizer países?
Sabe-se que na nova geração de procedimentos estéticos estão cada vez mais acessíveis para o público masculino, já ocorreu de um homem realizar o round glúteos? Se não, há algum projeto que você visa para trazer esse público para a clínica?
Atualmente, em Brasília, ainda não, mas o método é sim feito em homens. Temos relatos de procedimentos em São Paulo e Rio de Janeiro, que também contam com o roundgluteo. Apesar de muito conhecido e reconhecido, os homens brasilienses ainda não tem, digamos, “coragem” assim como nós mulheres. Para ter ideia, o método já foi utilizado por famosas como Paola Oliveira, Gretchen, Virgínia e tantas outras.
Qual é a sua visão para o futuro da clínica? Onde você vê a clínica em 5 anos?
Nos vemos muito grandes, maiores do que já somos, sendo exemplo e referência pelo nosso atendimento, que vai do pré ao pós-atendimento, entregando 100% em todo o tratamento, desde a entrada de nosso paciente na clínica. Queremos, como todo empreendimento, expandir e ir muito além de onde estamos. A Le Smart tem muito a evoluir e vai chegar onde muitas clínicas ainda não chegaram no que diz respeito a potencial, à entrega e a resultados.
*- Existem planos para novas colaborações ou protocolos inovadores no futuro?*
Claro. Nosso espaço está sempre disposto a ter mais profissionais de ponta agregando junto com a gente, com valores, e princípios em comum , prezando sempre pelo bem-estar estar e pela satisfação dos nossos pacientes.
Como sabemos, estamos em uma era tecnológica. Como você conseguiu associar a humanização no atendimento e as tecnologias de ponta, que a clínica possui? A princípio, isso foi desafiador?
Através de cursos, palestras e conhecimentos de quem já entende e tem experiência na área. Temos alguns aparelhos na clínica com o propósito de potencializar e agregar resultados cada vez mais positivos. Queremos sempre entregar o nosso melhor aos nossos pacientes, por esse motivo, trazer coisas sempre inovadoras e tecnológicas potencializam a satisfação de nossos pacientes, pois isso faz parte
dos nossos resultados também. Toda inovação e conquista tem um preço. Toda área que envolve auto-estima precisa de uma certa responsabilidade antes de adquirir o produto ou trazer a tecnologia inovadora e revolucionária para oferecer a quem nos deposita confiança de poder adquirir a entrega de resultados que depende de nós.
Você como empresária, tem em mente explorar novas áreas além da saúde e estética? Se sim, qual?
Não no momento. Atualmente, minha dedicação integral é nessa área que tanto tem me ensinado.
Uma entrevista engrandecedora, com certeza. Quais seriam suas considerações finais?
Acreditar que podemos inovar e mudar a vida de pessoas através daquilo que oferecemos e acreditamos ser o melhor, não tem preço. Potencializar resultados, mudar autoestima e levar saúde com leveza e mudança de hábitos nos faz acreditar no nosso propósito e nos dá a certeza que estamos no caminho certo.
O nome da Revista é Plano B, qual o seu Plano B?
Após a ampliação da Le Smart Brasília, e Roundgluteo Brasília, temos em pensamento e em conversa a expansão dos mesmos para um espaço maior, visto que nosso espaço tem sido pequeno para comportar e receber tantos pacientes que tem nos procurado. Queremos sempre entregar o nosso melhor, seja em atendimento, em serviço, em tratamentos, em procedimentos, pois somente assim assim saberemos que entregamos os nossos melhores resultados.
Conferência pede recursos para direitos de pessoas com deficiência
Por Welton Máximo - Agência Brasil - Brasília
Adaptação Rócio Barreto
“Não existe política de direitos humanos sem orçamento.
O resto é fantasia. Fantasia perversa, que faz as pessoas acreditarem em coisas que nunca vão se realizar. Peço a todos e todas que tenham em mente que a luta pelos direitos humanos é uma luta no campo da economia política, no campo financeiro-orçamentário.”
Com essas palavras, o ministro dos Direitos Humanos e da Cidadania, Silvio Almeida, abriu a 5o Conferência Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência, que começou neste domingo (14) e vai até quarta-feira (17).
Além de pedir mais recursos para os direitos humanos, Silvio Almeida garantiu que o governo federal está aberto ao
diálogo com todos os governadores para implementar o plano Novo Viver sem Limite, lançado em 2023. Com R$ 6,5 bilhões em investimentos de diversos ministérios em 95 ações em todo o país, o Novo Viver sem Limites tem, até agora, a adesão de cinco estados: Bahia, Ceará, Maranhão, Paraíba e Piauí. Rio Grande do Norte, Espírito Santo, Alagoas e Pará estão em processo de adesão.
“O Novo Viver sem Limite depende dessa repactuação depois do que nos devastou nos últimos anos. Nós vamos conversar com todos os governadores e governadoras que queiram fazer da política de direitos humanos e de pessoas com deficiência uma realidade. Não quero saber de que partido é. Se é governador, nós vamos conversar. Não haverá nenhum óbice do governo federal para a implementação das políticas públicas”, declarou o ministro.
Fundo especial
Presidente da Comissão de Defesa dos Direitos das Pessoas com Deficiência da Câmara dos Deputados, o deputado Weliton Prado (Solidariedade-MG) se disse comprometido com a criação do Fundo Nacional para as Pessoas com Deficiência. “Nossa prioridade máxima na Câmara dos Deputados é garantir o Fundo Nacional para as Pessoas com Deficiência. Isso é fundamental. Temos fundos para a Criança, os Idosos. Temos que garantir um fundo para garantir que as políticas para as pessoas com deficiência saiam do papel”, destacou.
O parlamentar lembrou que a comissão aprovou um fundo de 0,5% dos prêmios de loteria para as Associações de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae). “A gente está tentando aprovar no Plenário da Câmara para que isso vire lei”, ressaltou.
Ele citou como desafios conjuntos do governo federal e da Câmara dos Deputados o mapeamento das pessoas com deficiência, com a unificação nacional dos cadastros, o aumento do limite de renda per capita por família para receber Benefício de Prestação Continuada (BPC) e a regulamentação da avaliação biopsicossocial do Novo Viver Sem Limites.
Com 1,2 mil participantes de todo o país, a 5o Conferência Nacional dos Direitos das Pessoas com Deficiência marca a volta desse tipo de evento depois de oito anos. O encontro é resultado de 453 conferências municipais, 51 conferências ou fóruns regionais, uma conferência livre de acessibilidade cultural e 27 conferências realizadas em todas as unidades federativas.
Maria da Penha
A ativista Maria da Penha, que batizou a lei de combate à violência contra a mulher após ficar paraplégica por um
ataque do então marido, participou do evento de abertura por meio de um vídeo. Ela recordou que os desafios para assegurar os direitos das pessoas com deficiência são antigos.
“No início da minha paraplegia, participei aqui em Fortaleza da militância da causa das pessoas com deficiência. Dentre outras conquistas, como a dos transportes públicos acessíveis, conseguimos, no fim da década de 80, que os lesados medulares recebessem os insumos para a realização do cateterismo vesical e garantissem a não perda da função renal”, lembrou.
Maria da Penha destacou a falta de acessibilidade em meio às viagens pelo país após a sanção da lei, em 2006. “Com o advento da Lei Maria da Penha, comecei a viajar por todo o Brasil. Quando necessário, eu mencionava as falhas sobre acessibilidade encontradas naquela cidade. Em uma das minhas primeiras viagens, ao chegar depois da meia-noite no hotel, não consegui entrar no apartamento porque a porta de entrada era estreita demais. Aguardei um longo tempo até encontrarem um outro hotel disponível”, relembrou.
Luta de décadas
Vice-presidente do Conselho Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência (Conade), Décio Gomes Santiago destacou que a luta para garantir os direitos da categoria vem de décadas. “A geração de ouro [das pessoas com deficiência] não tinha ponto de negociação. Essa geração, na Constituição de 1988, conseguimos colocar um artigo para as pessoas com deficiência sem nenhum deputado federal, junto com toda a sociedade civil”, frisou.
A secretária nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, Anna Paula Feminella, recordou que os próprios participantes da conferência enfrentaram desafios para virem a Brasília.
“Saímos dos nossos territórios, das nossas famílias, das nossas instituições. Saímos de barco, saímos para uma situação de incerteza. Isso exigiu de muitos de nós muito esforço, muita audácia também. Muitos de vocês vieram de barco, de balsa,
DIREITOS HUMANOS
de ônibus, de bicicleta, de avião e, nessas viagens, encontraram muitas pessoas que ficaram surpresas em nos ver a caminho de Brasília”, destacou.
Próximas ações
Além da implementação do Novo Viver sem Limite, o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania listou ações a serem adotadas pelo governo federal. Em breve, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinará decreto que regulamentará a instituição do cordão de girassóis para a identificação de pessoas com deficiências ocultas. Outro decreto criará o Sistema Nacional de Cadastro da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista, para facilitar a emissão da carteira nacional de identificação desse segmento da sociedade.
O ministério também prometeu ampliar a cooperação com organismos multilaterais para garantir os direitos das pessoas com deficiência. A pasta também abrirá uma consulta pública sobre o 40 Relatório Nacional sobre o Cumprimento da Convenção Interamericana para a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra as Pessoas com Deficiência.
Por fim, uma portaria conjunta dos Ministérios dos Direitos Humanos e da Cidadania e da Gestão e Inovação em Serviços Públicos estabelecerá os procedimentos para melhorar a acessibilidade em prédios públicos.
Cuidados
O evento está sendo realizado com todos os cuidados para garantir o entendimento pelas pessoas com deficiência auditiva e visual. Após a exibição do vídeo do Hino Nacional na abertura, um grupo de intérpretes executou a versão do Hino na
Língua Brasileira de Sinais (Libras), com um pedido para que o público não ficasse de pé em respeito aos cadeirantes.
Os demais números musicais, a execução de Asa Branca pelo sanfoneiro Luzico do Acordeon e duas canções do rapper brasiliense Felipe Costa, que tem parte da perna direita amputada, também foram interpretadas em Libras. Antes da exibição do vídeo de Maria da Penha, uma voz relatou a audiodescrição do cenário. Todos os discursos têm intérpretes em língua de sinais.
Programação
Na segunda-feira (15), palestras abordarão os cinco eixos temáticos da conferência. As discussões pretendem fortalecer a construção de políticas públicas inclusivas e assegurar os direitos das pessoas com deficiência no Brasil.
Os cinco eixos temáticos são os seguintes:
. Estratégias para manter e aprimorar o controle social assegurando a participação das pessoas com deficiência;
. Garantia de acesso das pessoas com deficiência às políticas públicas e avaliação biopsicossocial unificada;
. Financiamento da promoção de direitos da pessoa com deficiência;
. Cidadania e Acessibilidade;
. Os desafios para a comunicação universal.
A terça-feira (16) será dedicada ao aprofundamento dos debates sobre os eixos temáticos pelos grupos de trabalho. A plenária final será realizada no último dia, na quarta-feira, seguida pela apresentação da Carta de Brasília. O encerramento da conferência está previsto para as 17h.
Fundo para Pandemias quer arrecadar
US$ 2 bilhões nos próximos 2 anos
Por Felipe Souza e Leandro Machado - BBC News Brasil
Adaptação Ana Luiza Silva
Tubarões no litoral do Rio de Janeiro testaram positivo para cocaína, segundo pesquisadores marinhos da Fundação Oswaldo Cruz.
Biólogos marinhos testaram 13 cações-rola-rola (também conhecidos como tubarão-bico-fino-brasileiro) no litoral do Rio e detectaram altos níveis de cocaína em seus músculos e fígado.
A pesquisa é a primeira a detectar cocaína em tubarões. E a concentração é cerca de cem vezes maior do que a verificada em outros animais marinhos.
Existem algumas hipóteses que tentam explicar como a droga foi parar no organismo dos animais. Alguns especialistas acreditam que a cocaína está chegando à água através de laboratórios ilegais usados para fabricar a droga ou através das
fezes de usuários de drogas.undial e o Banco Asiático de Desenvolvimento.
“Nosso artigo postula que ambas as hipóteses podem ser a causa da cocaína detectada: exposição crônica devido ao uso humano de cocaína no Rio de Janeiro (uso, metabolização e descargas através de urina e fezes humanas por emissários de esgoto), bem como de laboratórios ilegais”, explica uma das autoras do estudo, Rachel Davis, bióloga e pesquisadora do Laboratório de Avaliação e Promoção da Saúde Ambiental do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz).
“Normalmente não vemos muitos fardos de cocaína despejados ou perdidos no mar aqui, ao contrário do que é relatado no México e na Flórida. Então preferimos ambas as hipóteses acima mencionadas.”
E há ainda a tese de que a droga se espalha pela água do mar quando mergulhadores tentam abastecer navios para que levem a cocaína para outros países.
Sara Novais, uma ecotoxicologista marinha do Centro de Ciências Ambientais e Marinhas da Universidade Politécnica de Leiria, em Portugal, disse à revista científica Science que a descoberta é “muito importante e potencialmente preocupante”.
Todas as fêmeas no estudo estavam grávidas, mas não se sabe qual é o efeito da exposição de cocaína para os fetos. Também é preciso haver mais pesquisa para determinar se a droga está alterando o comportamento dos tubarões.
Pesquisas anteriores indicam que drogas provavelmente têm efeitos semelhantes em animais e humanos. Os pesquisadores apenas analisaram uma espécie de tubarão, mas eles acreditam que outras espécies da região também possam testar positivo para cocaína.
“Como os tubarões são carnívoros e a principal via de exposição de muitos poluentes químicos é a via alimentar, é muito provável que os animais que nossos tubarões atacam (crustáceos, outros peixes) estejam contaminados”, disse Rachel Davis.
Brasil é rota de escoa-
mento de cocaína
A presença da cocaína no Brasil é significativa porque o país é geograficamente atrativo para o escoamento da droga para outros mercados consumidores, principalmente para a Europa e África, explica Camila Nunes Dias, doutora em sociologia pela Universidade de São Paulo (USP) e professora na Universidade Federal do ABC (UFABC).
Segundo ela, isso tornou o país um HUB estratégico para as facções criminosas que organizam esse transporte.
“A questão geográfica é central por conta da fronteira do lado oeste do Brasil com os países produtores da droga — Peru, Colômbia e Bolívia — e a saída para o Atlântico por diversos portos. Eu acho que isso explica por que uma boa parte desse produto que vai para a Europa e a África passa pelo Brasil. O país tem uma dimensão continental e está posicionado de forma muito estratégica.” Camila Nunes acredita que, ao contrário do
que dizem os autores da pesquisa, a água não foi contaminada por cocaína refinada em laboratórios da região, mas sim por mergulhadores durante o transbordo da droga em navios.
“Nós identificamos muitas estratégias para colocar cocaína nos navios por meio de mergulhadores. A minha avaliação, olhando de longe, é que faz muito mais sentido essa explicação”, diz a especialista, que também faz parte do NEV, o Núcleo de Estudos da Violência da USP.
A pesquisadora afirma que a cocaína chega ao Brasil por meio de rios e estradas antes de ser enviada para a Europa por meio de diversos portos e aeroportos do país. Ela explica que o controle da cocaína enviada para os Estados Unidos é feito majoritariamente por traficantes mexicanos e colombianos. Mas o Brasil é um importante HUB de envio para Europa e África.
“Todos os portos brasileiros são saídas. O uso de cada um desses portos é controlado por diversos grupos criminosos, como PCC e Comando Vermelho”.
Cocaína pode entrar no organismo humano pelo consumo de tubarão como alimento
E o efeito da contaminação por cocaína nos tubarões pode chegar aos humanos via cadeia alimentar. A pesquisadora Rachel Davis afirma que a droga pode acabar entrando no organismo humano pelo consumo comum no Brasil do tubarão-cação-rola-rola como alimento. “A cocaína já entrou na cadeia alimentar, uma vez que os tubarões são consumidos rotineiramente pelos humanos no Brasil e em muitos outros países, incluindo os EUA, o Reino Unido, o México e muitos outros, muitas vezes vendidos genericamente como flocos, ‘fish and chips’, cação e outros nomes”, diz Davis.
Mas não está claro se a quantidade da droga ingerida por meio do consumo desses animais pode fazer mal à saúde.
“As preocupações com a saúde humana ao longo da cadeia alimentar ainda não podem ser estabelecidas, uma vez que não foram estabelecidos limites relativamente aos efeitos negativos para a saúde. No que diz respeito à saúde humana por outra via, que inclui a exposição direta à água, acreditamos que esta seria mínima.”
Ter ou ser ?
Tudo na natureza é construído com um fim. Essa premissa defendida por Aristóteles, nos leva à reflexão sobre o quanto temos nos afastamos de nossa capacidade de crescer e de enriquecer o ambiente de condições que permitam que outras pessoas também possam crescer e evoluir.
E por que destacamos o “evoluir”? Porque não somos e não devemos nos comportar como algo que apenas cresce ou que vem ao mundo para sobreviver enquanto dispuser de saúde.
Aristóteles prega que o que nos diferencia de um animal ou de um vegetal, é a capacidade que temos de agir segundo a razão. Então, é a habilidade de organizar nossas ações que nos coloca em um patamar que permite decisões sobre nosso papel nesse mundo.
Essa é uma capacidade que tem sido relegada por muitos. Seja pela falta de oportunidade de aprender e entender o seu papel na sociedade, seja pela manipulação, muitas vezes consciente, do seu comportamento, de suas virtudes.
A ânsia por fazer parte de algo grande, sem esse prévio entendimento, está levando milhões de pessoas a perderem sua individualidade, suas ideias e sua identidade.
Esses indivíduos não estão sendo capazes de utilizar as habilidades apontadas acima, para aprimorar sua existência com a vida vivida, com o passado.
“Em
algo absoluto e autossuficiente, sendo também a finalidade da ação”.
No entanto, ele também deixa claro que não se pode confundir a felicidade efêmera, advinda de uma ação que resultou na posse de um bem, por exemplo, com aquela que resulta de ações que unem princípios, valores e virtudes.
Enquanto os princípios regem nossa existência e a virtude guia nossas ações, os valores são padrões sociais relacionados e mantidos pelo meio em que vivemos.
A todo momento somos bombardeados por propagandas que tentam nos induzir “valores” que nada têm a ver com nossos ideais. Valores são pessoais e subjetivos e não devem subjugar nossos princípios e virtudes.
A Ética a Nicômaco, obra desenvolvida por Aristóteles há mais de 2.300 anos, é colocado que a construção da felicidade, apesar da histórica falta de consenso sobre seu sentido, vem das escolhas que fazemos utilizando a razão. Ela é “[...] algo absoluto e autossuficiente, sendo também a finalidade da ação”
Ao não serem capazes de perceberem, estabelecerem e evoluírem a sua função nesse mundo, se tornam mais do mesmo, ficando sem história e sem herança que possam deixar aos demais.
Em A Ética a Nicômaco, obra desenvolvida por Aristóteles há mais de 2.300 anos, é colocado que a construção da felicidade, apesar da histórica falta de consenso sobre seu sentido, vem das escolhas que fazemos utilizando a razão. Ela é “[...]
Ao contrário, é preciso que valores, princípios e virtudes estejam sempre alinhados. Essa tríade é a chave para construir uma felicidade que se renove a cada realização.
Não devemos deixar brechas para que pessoas falsamente identificadas como “de sucesso” ou influentes, possam macular essa tríade.
Há de se reconhecer e aceitar que a felicidade é um produto de nossas ações no longo prazo, como disse Aristóteles. Vem das escolhas que fazemos de forma virtuosa, racional e do trabalho que fazemos conosco em busca do melhoramento de nossas habilidades para alcançarmos nossos objetivos. Assim como uma andorinha só não faz verão, uns poucos dias não fazem o homem feliz e venturoso.
* Wilson Coelho é especialista em Políticas públicas de Saúde pela UNB, e Informática em Saúde pelo IEP-HSL e professor-tutor na Faculdade Unyleya
Economia brasileira
cresceu 0,25% em maio
Por Pedro Peduzzi - Agência Brasil - Brasília
Adaptação Rócio Barreto
Aeconomia brasileira cresceu 0,25% em maio, segundo dados do Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) divulgado nesta segunda-feira (15). O IBC-Br é um dos principais sinalizadores do Produto Interno Bruto (PIB) do país.
Com isso, o índice observado em maio ficou em 148,86 pontos. Dessazonalizado, o índice sobe para 149,60 pontos. Em abril, o índice dessazonalizado estava em 149,23.
Na comparação com maio de 2023, quando o índice observado estava em 146,95 pontos (dessazonalizado em 145,93 pontos), a alta chega a 1,3%. No acumulado do ano (janeiro a maio), a alta é de 2,01%; e no dos últimos 12 meses chega a 1,66%.
Além de indicar a expansão da economia, o IBC-Br é também uma das referências adotadas pelo BC para a definição da taxa básica de juros (Selic), que está atualmente em 10,5% ao ano.
Ministério autoriza uso da Força Nacional em Roraima e áreas indígenas
Por Alex Rodrigues - Agência BrasilBrasília
Adaptação Ana Luiza Silva
OMinistério da Justiça e Segurança Pública autorizou, nesta segunda-feira (15), o emprego de agentes da Força Nacional de Segurança Pública em duas cidades de Roraima e de quatro áreas da União, no Rio Grande do Sul, destinadas ao usufruto exclusivo indígena.
Em Roraima, a tropa federativa atuará na capital, Boa Vista, e em Pacaraima, na fronteira do Brasil com a Venezuela. Segundo o texto da Portaria 719, publicada no Diário Oficial da União, os agentes atuarão “em apoio aos órgãos de segurança pública estaduais; nas atividades e nos serviços imprescindíveis à preservação da ordem pública e da incolumidade [integridade] das pessoas e do patrimônio” por noventa dias a partir de hoje.
Criada em 2004 e coordenada pelo ministério, a Força Nacional é composta por policiais militares e civis, além de bombeiros e profissionais de perícia cedidos temporariamente pelos governos estaduais e do Distrito Federal. Conforme o próprio Ministério da Justiça e Segurança Pública informa, não se trata de uma tropa federal, uma vez que a atuação da Força Nacional nos estados é dirigida pelos gestores públicos locais.
As autorizações para que os agentes da Força Nacional auxiliem as ações de controle ao fluxo migratório, em Pacaraima, e de reforço do policiamento das ruas de Boa Vista vêm sendo renovadas desde 2018, quando milhares de vene-
zuelanos passaram a cruzar a fronteira entre os dois países fugindo da crise política e econômica na Venezuela.
A Portaria 720 dispõe sobre o emprego da Força Nacional de Segurança Pública na região da Terra indígena Cacique Doble. Os agentes atuarão em conjunto com os órgãos de segurança pública gaúchos, dando apoio à Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) “nas atividades e nos serviços imprescindíveis à preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio”, por 90 dias.
Conforme a Agência Brasil noticiou em dezembro de 2023, a Terra Indígena Cacique Doble, no município de mesmo nome, no noroeste gaúcho, próximo à divisa com Santa Catarina, tem sido palco de violenta disputa entre grupos indígenas rivais que brigam pela liderança da área. Segundo a Polícia Federal (PF), a mais recente “onda de conflitos na reserva” começou em agosto de 2022, quando quatro indígenas foram assassinados. Durante a investigação da Polícia Federal, três líderes locais foram presos preventivamente.
“Mesmo com o estabelecimento de nova liderança, diversos crimes continuaram sendo cometidos, como tentativas de homicídio, lesões corporais, danos, porte ilegal de arma de fogo, ameaças e indícios de formação de milícias privadas, motivados pela disputa entre grupos rivais”, informou a PF em outubro de 2023, ao deflagrar a segunda fase de uma operação (Menés) para tentar restabelecer a ordem pública a apurar os crimes.
Os agentes da Força Nacional também atuarão na Terra Indígena Passo Grande do Rio Forquilha, localizada entre Sananduva e Cacique Doble, e, conforme a Portaria 721, nas reservas Guarita e Nonoai. A Guarita abrange parte do território das cidades de Tenente Portela, Redentora e Miraguaí. Já Nonoai fica no município de Planalto, no norte gaúcho.
Como Kamala Harris bateu recorde de doações em um dia de campanha
Por Nadine Yousif e Rachel Looker - BBC News
Adaptação Ana Luiza Silva
Democratas investiram US$ 81 milhões de dólares (cerca de R$ 451 milhões) em doações na campanha presidencial da vice-presidente Kamala Harris desde que o presidente Joe Biden desistiu da disputa à reeleição no domingo (21/07).
É a maior arrecadação num período de 24 horas de campanha na história presidencial.
Mais de 888 mil doadores fizeram contribuições de menos de US$ 200 (ou R$ 1,1 mil) no dia seguinte à saída de Biden.
“Os apoiadores estão entusiasmados e animados em apoiá-la como candidata democrata”, disse no X a ActBlue, plataforma que reúne e consolida as doações.
A sigla arrecadou mais de US$ 27,5 milhões (mais de R$ 150 milhões) nas primeiras cinco horas da campanha presidencial de Kamala Harris. Esse número quase dobrou até o final do dia.
E, em 24 horas, a soma quebrou o recorde de arrecadação de fundos para um candidato a Presidência nos EUA.
O aumento nas doações nas últimas 24 horas é o maior em contribuições on-line aos democratas desde 2020, de acordo com o jornal americano New York Times.
Naquele ano, a ActBlue arrecadou US$ 73,5 milhões após a morte da juíza da Suprema Corte Ruth Bader Ginsberg, que era tida como progressista.
Os novos recursos marcam uma reviravolta significativa para o Partido Democrata, que viu o apoio dos principais doadores diminuir após o fraco desempenho de Biden no debate presidencial de junho contra o candidato republicano e ex-presidente Donald Trump.
O financiamento popular de pequenos doadores também diminuiu, de acordo com membros da campanha de Biden citados pela imprensa dos EUA.
Mas logo após o anúncio de Biden de desistir da disputa e seu apoio à candidatura de Kamala Harris à Casa Branca, os
democratas entraram na internet para contribuir em um ritmo surpreendente.
Win With Black Women, um grupo de mulheres negras em cargos de liderança, realizou uma teleconferência do Zoom com mais de 44 mil participantes na noite de domingo para apoiar a vice-presidente.
O grupo afirma que arrecadou mais de US$ 1,5 milhão em três horas para sua campanha presidencial.
Empresários
ricos voltaram a investir
Joe Cotchett, um angariador de fundos político para os democratas com sede em São Francisco, disse à emissora NBC News que os doadores “agora estão prontos para tirar de seus bolsos”.
Entre eles está Gideon Stein, presidente do Fundo Moriah e doador do partido, que disse à agência de notícias dos EUA que retomará seu financiamento após uma pausa devido a preocupações com a elegibilidade de Biden.
Vários outros doadores também indicaram apoio a Kamala Harris como candidata do Partido Democrata.
Reid Hoffman, cofundador do LinkedIn, chamou a vice-presidente de “a pessoa certa na hora certa”.
“Eu apoio de todo coração Kamala Harris e sua candidatura à presidência dos Estados Unidos em nossa luta pela democracia em novembro”, disse ele em um post no X.
Outro grande doador, Alexander Soros, filho do filantropo George Soros, disse que Harris é “a melhor e mais qualificada candidata que temos”.
Mas outros, como o empresário e investidor Vinod Khosla, pediram um processo aberto na convenção e “não uma coroação”.
“A chave ainda é quem pode melhor vencer Trump acima de todas as outras prioridades”, escreveu ele no X.
O cofundador da Netflix, Reed Hastings, conhecido por ser um mega-doador democrata, disse anteriormente ao New York Times que Biden deveria deixar o cargo de candidato do Partido Democrata.
“Os delegados do Partido Democrata precisam escolher um candidato que possa vencer o voto dos indecisos em estados pêndulo”, escreveu ele no X, no domingo após o anúncio de Biden.
Os estados pêndulo são aqueles que oscilam entre candidatos democratas e republicanos - e que serão cruciais nas eleições de novembro.
ECONOMIA
Como a Reforma Tributária afeta o bolso do brasileiro?
ACâmara dos Deputados aprovou a regulamentação da Reforma Tributária na última semana. O projeto está no Senado, mas 99% do texto deve ser mantido. E como fica o bolso do brasileiro? É um erro achar que os tributos afetam todos de forma igual. Isso não é verdade. Quando alguém diz “no Brasil a carga tributária é muito alta” está dizendo uma verdade, ou uma mentira. Depende. Muito alta para quem?
O gráfico 1, abaixo, mostra de onde saem os tributos no Brasil. Em vermelho está o percentual da carga tributária que incide sobre o consumo de bens e serviços, historicamente acima de 40%. Logo abaixo estão os tributos que incidem sobre o salário, que gira em torno de 27,5%. Esses dois grupos afetam principalmente as pessoas mais pobres. Ou seja, pobres pagam proporcionalmente mais tributos no Brasil, ao contrário dos países mais desenvolvidos.
No meio do gráfico 1, com um percentual menor da carga tributária estão os tributos que incidem sobre a renda, em cerca de 25%. Neste caso a renda não é sobre a atividade laboral, mas para casos como o recebimento de aluguéis ou
resultado de investimentos financeiros.
E na porção inferior do Gráfico 1 estão os tributos que incidem sobre o patrimônio no Brasil, menos de 5%. Em países desenvolvidos a lógica é o inverso da brasileira. Nesses países a carga tributária é concentrada nos mais ricos, ou seja, em quem tem mais patrimônio e renda. Ou seja, os ricos no Brasil pagam pouco, diferente do que acontece em países desenvolvidos, e os pobres pagam muito.
Para corrigir as distorções, é necessário que os ricos paguem mais tributo sobre a propriedade e a renda, principalmente os super-ricos (0,01%). E que os pobres paguem menos. De acordo com dados da Fundação Getúlio Vargas - FGV, os super-ricos (0,01%) dos brasileiros tiveram sua renda aumentada quase 3 vezes mais do que o restante da população brasileira entre 2017 e 2022. E uma das causas é justamente o sistema tributário.
Na ideia de manter a mesma arrecadação, para reduzir a carga tributária sobre os salários e o consumo no geral, que afeta principalmente os mais pobres, é preciso aumentar a carga tributária sobre o patrimônio e a renda passiva. Prin-
GRÁFICO 1 - RECEITA TRIBUTÁRIA POR BASE DE INCIDÊNCIA (2007-2022)
Fonte: Receita Federal do Brasil
cipalmente porque o orçamento público é engessado com despesas obrigatórias, o que não permite reduzir a máquina de uma hora para outra. Ou seja, a solução ideal não existe.
A atual Reforma Tributária discutida no Congresso trata apenas dos tributos que incidem sobre o consumo de bens e serviços. E não sobre os tributos que incidem sobre o patrimônio e renda. O principal ponto da Reforma é juntar os tributos federais (IPI, PIS e Cofins), o tributo estadual (ICMS) e o tributo municipal (ISS) em um Imposto sobre o Valor Agregado - IVA. Com isso o sistema ficará mais simples. E com a regra geral de uma alíquota de 26,5% para todos os produtos e serviços, ficará mais fácil identificar quanto se paga de tributo nas compras dos produtos e serviços.
No geral os produtos (alimentos, vestuário etc.) tendem a ficar mais baratos e os serviços (restaurantes, academias etc.) tendem a ficar mais caros. Como a população mais pobre consome principalmente produtos e não serviços, haverá uma melhora na equidade fiscal. Já alguns produtos e serviços que se deseja desestimular o consumo tendem a ficar mais caros por conta do Imposto Seletivo, apelidado de “Imposto do Pecado”, tais como: cigarros, alimentos açucarados, álcool, jogos de azar etc.
ECONOMIA
É preciso lembrar que desde a Constituição de 1988, há um desejo de se fazer uma Reforma Tributária para simplificar os tributos que incidem sobre o consumo. No entanto, existem outros diversos problemas tributários que precisarão ser enfrentados no futuro, principalmente, a tributação sobre as empresas que precisa ser reduzida.
Não existe mágica, para que a população como um todo pague menos, os mais ricos, principalmente os 1%, precisam pagar mais. Exatamente como acontece nos países desenvolvidos. Então, quando alguém vier com esse papo de que se paga muito imposto no Brasil, de que a carga tributária é alta, a melhor resposta é: “alta para quem?”.
Dada a complexidade, voltaremos a esse tema nas próximas colunas.
* Humberto Nunes Alencar, Analista de Orçamento do Ministério do Planejamento. Mestre em economia pelo IDP e doutorando em direito pela mesma instituição. Dá aulas online para pessoas que querem aprender mais sobre economia e finanças pessoais. Contatos: 061 - 994054114 e Instagram: @humbertoalencar.bsb
Grandes Armações
Por José Gurgel
Parece até brincadeira essa canalhice que estão aprontando contra o Guará, não há como expressar de outra forma essa falta de atenção com a nossa cidade.
Muita gente pode até estar estranhando com o assunto que é recorrente hoje por aqui, apesar dos puxas sacos se desdobrarem para encobrir as armações que querem aprontar no nosso quadrado.
A população está cansada desse amontoado de mentiras em grupos de WhtsApp, parecendo até matéria paga, dado a insistência de alguns em querer defender o indefensável, danam o pau a propagar um amontoado de baboseiras a respeito do que acontece, replicam sem dó nem piedade.
Mas o que mais chama a atenção além do pseudo - dono da cidade querendo substituir o executivo, coisa que está acontecendo com muita frequência, sem que o GDF mova uma palha para dar um fim nesse descalabro.
O espaço esportivo público do Guará, o famoso CAVE sofre de uma das mais danosas forma de abandono por parte da Administração, mas com pompas e circunstâncias foi transferida a responsabilidade para a Secretaria de Esportes e Lazer - SELDF, a população meio desconfiada achou que a coisa poderia melhorar, ledo engano, parece que a coisa vai degringolar de vez.
Foi lançado um programa para reforma e implantação de espaços esportivos em todas as regiões administrativas,
mas pasmem os senhores contribuintes, o Guará está fora de qualquer plano para a melhoria do Cave e dos nossos espaços esportivos espalhados por toda cidade, destinados ao usufruto da população.
Demonstrando mais uma vez, falta de sensibilidade, responsabilidade e respeito gritante, o Guará fica de fora, numa prova cabal que o Guará só interessa a essa galera em época de eleição, quando todos os dias, numa humildade de deixar São Francisco no chinelo, frequentam até o Porcão e o Mil e Uma Moscas.
Continuo afirmando que hoje quem governa o DF não conhece o Guará, quando muito a pastelaria da Feira do Guará. Portanto senhores governantes, está na hora de tirar a bunda da cadeira e mesmo com toda incompetência, desleixo, falta de respeito com o contribuinte até agora demonstrada em relação ao Guará, botar ordem nessa zona que foi transformada a região.
O Guará merece e exige mais atenção !
TAXAÇÃO DE FORTUNAS
Sem nada para fazer o frio me deixa mais preguiçoso ainda, mas querendo saber das novidades fui até o Porcão, quem sabe por lá eu não encontrava o Caixa Preta que sempre tem uma novidade para contar.
Sentei numa mesa, logo Galack o garçom se aproximou e carinhosamente chutou a cadeira em que tinha me sentado perguntando: Vai beber ou veio ficar sentado olhando a paisagem ? Se for só pra ficar olhando é melhor ir lá para o Pontão do Lago.
Todo sorridente me aparece o cabra, pronto pra soltar umas boas cheias de ironia como sempre, muito inspirado foi soltando as novidades.
Depois do grande sucesso do programa Meu Quiosque, Minha Vida lançado anteriormente por aqui parece que agora a onda vai ser estacionamento, com o programa: PAE –Programa de Aceleração de Estacionamentos, todos logo serão com toda a certeza, devidamente atendidos, desde que more perto de um templo evangélico, escola privada, ou um amigo fiel.
Parece que a grande meta agora é encher o Guará de estacionamentos, de calçadas onde não precisa,nada de asfalto no interior das quadras,mas o seu estacionamento está garantido tudo feito a toque de caixa para agradar a alguns privilegiados,o resto, prá que se preocupar ? Pensando bem, o resto é o resto, fica para algum dia não muito próximo. Esse clientelismo desbragado ainda vai custar muito caro ao Guará, que está vendo a sua qualidade de vida sendo destruída apenas para atender aos chegados, sem o mínimo de planejamento ou real necessidade de tais equipamentos públicos.
Pra fechar com chave de ouro, o Caixa Preta me contou essa, os donos de quiosques no Guará estão preocupados com a taxação de grandes fortunas, alguns estão revoltados.
Para você tenha uma ideia, segundo o velho Caixa, por essas bandas basta ter uma tábua de pirulitos, passa a fazer parte do rol de empresários, empreendedores e afins, tive que dar umas boas risadas com os comentários.
Guará é o circo!
TIJOLADAS
DO CAIXA
APADRINHAMENTO
Quando ouço falar em padrinho, sempre lembro de Don Corleone, o poderoso chefão, fazia-se de bonzinho e lascava meio mundo.
O Guará completou 55 anos, não é mais uma criança, não é pagão, pois a muito foi batizado pelo amor de quem ama esse pedaço de terra.
A verdade é que volta e meia cai na mão de aventureiros que só chegam com o propósito de criar o seu feudo, ajudado por puxas sacos que de alguma forma se aproveitam disso, tornando a vida da população um inferno aqui na terra.
Chega de enganadores, não foram poucos que por aqui passaram deixando um rastro de irregularidades e desorganização na cidade. Misturam religião, política ou politicalha e administração deixando em segundo plano o bem - estar do sacrificado e espoliado contribuinte,sem ligar para o que falta na cidade.
E sobretudo,sem atentar para o clamor da população, que é a nossa tão cara qualidade de vida, que essa turma teima em jogar no ralo. O Guará precisa acordar antes que seja muito tarde para tomar providências enérgicas e expulsar de vez esses aproveitadores de plantão, que usam e abusam dessa Administração pra se dar bem de alguma forma, mesmo que para isso transformem a nossa cara cidade em um simples povoado interiorano onde tudo fazem de errado e nada acontece de certo.
Senhor Governador, está na hora de pôr ordem na bagaça, pois o seu governo até agora nada fez de proveitoso, principalmente para o Guará, pois pintar meio-fio, varrer ruas e tirar o lixo é uma obrigação, pra isso o povo paga e paga caro, até agora a sua turma não disse a que veio, estão batendo cabeça, mais perdidos que cego em tiroteio. Desça do seu pedestal, aproxime-se dos problemas que hoje enfrentam as Administrações Regionais, não adianta ficar melindrado com as críticas. Como todo gestor público, o senhor mais do que todos está sujeito a elas, tenha pelos menos a humildade de aceitá-las, principalmente em relação a problemas sérios que passam a nossa cidade, o Guará.
Respeite o Guará!!
YES, NÓ TEMOS SÃO
JOÃO
Com chegada do mês de Junho, um frio de lascar, gosto muito de curtir as festas de São João, pois estou louco pra tomar um quentão, dançar forró, ver o pessoal dançar Quadrilha, não aquela do Planalto Central onde as quadrilhas nos fazem dançar o ano inteiro.
Então falemos de festas, pois em festas juninas, gostoso é o ronco do fole, onde o sanfoneiro toca Pula Fogueira e as nossas pernas ficam inquietas, nos empurrando até o meio do arraial para dançar ao som de um acordeão inquieto.
Mesmo com um frio de lascar, o Caixa Preta me ligou convidando pra dar uma espiada na festa de São João do
Guará que rolava lá pras bandas do Consei, o velho Caixa já me esperava pra tomar um quentão, curtir a festa, se divertir esquecendo por momentos as agruras do dia a dia.
Não me arrependi, revi alguns amigos ouvindo o som do forró pé de serra pra lá de animado, no terreiro uma multidão se divertindo na maior alegria que contagiava a todos, tinha gente de todo lugar. Velhos, crianças, jovens numa animação que fazia inveja a muitos eventos que paralelamente acontecem por aí em diversos pontos do DF. São festas assim que o nosso Guará merece, fazendo com que a população saia de casa numa noite fria de junho, com toda a família para desfrutar de uma festa tão popular como o São João.
Tinha muita animação , quentão, milho assado, até sarapatel, enfim, tudo que uma boa festa de São João exige.
No auge da folia junina, meus pés já não se continham e ameacei uns passos tímidos ao som das músicas que tocavam para a alegria de todos. Apesar do calor da festa, o frio me atacava, a idade nos torna mais vulneráveis. Saí de fininho com aquele gostinho de quero mais, ainda ouço a voz do sanfoneiro:
Eu esse ano vou me embora pro sertão
Pra dançar pelo São João, farrear com mais de mil
Ver os velhotes atirar de granadeiro
E a moçada no terreiro tirar fogo sem fuzil...
Quem foi gostou e muito, quem não foi aguarde, pois no próximo ano vai se melhor ainda, tenham certeza que os promotores da festa já devem estar pensando em como tornar esse evento muito melhor, agora uma marca tradicional não só do Guará, mas do DF.
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