Embratur e Google firmam parceria para digitalizar turismo
Os desafios do Brasil do Lula III no cenário internacional
Enchentes no RS causaram prejuízos de R$
Entrevistamos Clemente Nascimento sobre o novo EP do Inocentes “Não Acordem a Cidade”
Governo do Tocantins abre inscrições para a Rota da Pecuária
Pesquisa financiada pelo Governo do Tocantins inicia mapeamento no Monumento Natural das Árvores Fossilizadas
O mundo do Marketing
Em Brasília, Governo do Tocantins apresenta projeto pioneiro no mercado internacional de carbono
Governo x Banco Central na disputa pela Selic
Lula propõe governança global para inteligência artificial
Qual é a notícia?
Não é só gotinha: entenda como funciona a vacinação contra a pólio
Nova Campanha para Mães de Adolescentes
Enchentes no RS causaram prejuízos de R$ 3,32 bilhões ao varejo
Mito da Caverna ou Bode na Sala?
Lula lança selo dos Correios em celebração a obra de Paulo Coelho
Lula propõe governança global para inteligência artificial
Afagos Traiçoeiros
Intenção de consumo das famílias cresce pelo terceiro mês
Joia do Palmeiras de 17 anos, Estêvão é contratado pelo Chelsea
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Junho/2024
Ano 02 – Edição 17 – Junho 2024
Publicada em 24 de Junho de 2024
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Desafios diplomáticos
Em nossa reportagem de capa, cientistas políticos analisam os desafios atuais enfrentados pelo Brasil na política externa. Segundo a análise dos especialistas, neste terceiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva, as relações diplomáticas com líderes de países do G7 e do G20 não é a mesma dos dois primeiros mandatos.
Um dos temas defendidos por Lula na Cúpula do G7, que aconteceu na Itália entre 13 e 15 de junho, foi a taxação de super ricos, um tema sensível e “difícil de endereçar”, segundo a cientista política Fernanda Gonçalves.
“Já passou da hora dos super-ricos pagarem sua justa contribuição em impostos. Essa concentração excessiva de poder e renda representa um risco à democracia”, discursou o presidente.
Na visão do cientista político Guilherme Casarões, a lua de mel de Lula com a comunidade internacional, vivenciada em 2023 na reunião do G7 no Japão, acabou. Neste ano, o presidente do Brasil não contava mais com o “fator novidade” que o destacou na Cúpula do ano anterior, a primeira que ele esteve presente após ser eleito presidente pela terceira vez.
Lula segue sendo uma liderança carismática e o Brasil segue com prestígio internacional, mas, segundo análise dos cientistas políticos ouvidos pela Plano B, o país “não tem a mesma pujança econômica e a região está desorganizada, sem que o país se apresente como uma liderança regional forte, com capacidade de articulação”.
O Palácio do Planalto informou que o Brasil vai sediar o G20. Para o cientista político Rubens Barbosa, o Brasil “não pode ser ignorado” pelos países mais ricos. “É a oitava economia do mundo, tem uma posição muito importante no G20, na COP, nos Brics.
Na nossa reportagem de capa, os cientistas políticos ouvidos pela Plano B analisam a participação de Lula na Cúpula do G7, os encontros bilaterais que o presidente teve na sua viagem à Europa e os temas importantes discutidos na Cúpula, incluindo a fala do papa Francisco. O pontífice destacou os efeitos da inteligência artificial e classificou o tema como ambivalente.
Veja a análise completa na nossa reportagem principal.
Por Mila Ferreira
ECONOMIA
Embratur e Google firmam parceria para digitalizar turismo
Por Douglas Corrêa - Agência Brasil - Rio de Janeiro
Adaptação Rócio Barreto
Para fortalecer a presença digital de micro, pequenas e médias empresas do setor de turismo, incluindo restaurantes, hotéis e agências de viagem, a Agência Brasileira de Promoção Internacional do Turismo (Embratur) firmou hoje (13), no Rio de Janeiro, uma parceria com o Google.
A iniciativa oferece workshops e conteúdos sobre boas práticas para melhorar a competitividade dos produtos e serviços desses negócios. As ações serão divulgadas no site do EmbraturLAB, laboratório de inovação da Embratur, visando fomentar o crescimento do turismo brasileiro, começando pelo Rio.
O projeto “Conecte, engaje e dê seus próximos passos com o Google” foi apresentado no Sheraton Hotel, em São Conrado. A parceria prevê, além de workshops com dicas para uso
de ferramentas do Google – como cardápio digital e reserva de mesas direto pelo aplicativo –, a capacitação de empreendedores para melhor recepcionar visitantes de outros países, fornecendo, por exemplo, informações e menu em mais de um idioma.
Os empresários interessados em fortalecer sua presença digital poderão acessar o site do EmbraturLAB e, nele, ter acesso a treinamentos e tutoriais. As dúvidas poderão ser tiradas através do e-mail embraturlab@embratur.com.br.
O presidente da Embratur, Marcelo Freixo, considera positiva a parceria entre a agência e a gigante tecnológica. “É extremamente importante. Embratur e Google estão há um ano fazendo essa parceria e os primeiros resultados começam a aparecer” disse.
Freixo afirmou, também, que a cooperação “não é importante só para o Google e para a Embratur, é importante para
cada dono de bar, para cada dono de restaurante, de hotel, para as agências de viagens e para todos esses operadores que na ponta recebem esses turistas estrangeiros. Qualquer turista hoje, quando vai visitar um lugar, primeiro ele visita através da tecnologia, através do seu computador”, afirmou.
Ele destacou que a digitalização dos destinos turísticos e dos empreendimentos também ajuda os turistas interessados a visitar o Brasil, conhecendo um pouco do que eles terão à disposição no país.
“Esse é o objetivo: fazer com que mais turistas estrangeiros venham para cá, que [isso] gere mais emprego e renda, e que nossa ponta do turismo [com] nossos donos de bares, restaurantes e hotéis esteja capacitada para esse mundo digital”, observou.
Parceria
Para o diretor de parcerias do Google, Newton Neto, a união entre a Embratur e o Google tem como pilares a promoção internacional dos destinos brasileiros e a chance de equipar os pequenos e médios empreendedores do trade no que se refere a criar uma presença online.
“Ter uma presença robusta na internet faz com que pessoas que estão interessadas em visitar destinos, que buscam por um restaurante, um hotel, um passeio, encontrem esses empreendimentos facilmente no Google Maps e na busca do Google. E capacitar esse setor é fundamental para que eles cresçam o seu negócio”, explicou.
“A parceria entre Embratur e Google é um passo importante para impulsionar a digitalização das pequenas e médias empresas de turismo no Brasil. Ao fornecer ferramentas, capa-
Porta de entrada
Sobre o projeto começar pelo Rio de Janeiro, Freixo lembrou que a capital do estado do Rio é “a grande porta de entrada do Brasil e o lugar mais conhecido”. “Nenhuma cidade do mundo tem esse design que o Rio de Janeiro tem, esse espetáculo de natureza, de cultura, tudo ao mesmo tempo, então é a cidade mais conhecida, a cidade brasileira mais conhecida do mundo e a gente começa por aqui, mas o objetivo é chegar no Brasil inteiro”, antecipou.
Já o presidente da Riotur, Patrick Corrêa, falou de outros
citação e visibilidade, essa iniciativa oferece aos empreendedores a oportunidade de expandir seus negócios, alcançar novos mercados e fortalecer a economia local, promovendo um setor mais competitivo e conectado”, acrescentou Neto.
Bafo da Prainha
Os vídeos da ação piloto da parceria foram lançados durante o evento e promoveram a digitalização do restaurante Bafo da Prainha, com apoio da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes do Rio de Janeiro (Abrasel-RJ).
Focados no perfil empresarial de Raphael Vidal e na operação do restaurante, os vídeos em formato de vlog apresentam, de forma leve e divertida, o processo dos workshops e destacam as mudanças implementadas nos perfis do Google Meu Negócio do Bafo da Prainha.
“Se eu soubesse um pouquinho antes, a gente teria decolado mais rápido. Participar deste movimento com o Google e com a Embratur foi importantíssimo e os resultados já aparecem. Consigo trabalhar o turismo local e ver as informações no nosso painel, como reservas e preços. Isso foi uma vantagem enorme para a gente”, afirmou Raphael.
O presidente da Abrasel/RJ, Pedro Hermeto, destacou a importância da parceria para o segmento de bares e restaurantes. “A Abrasel tem por objetivo dar a mão para o empresário na jornada dele, desde o nascimento até o desenvolvimento do negócio. Contando com o Google, por intermédio da Embratur, a gente é capaz de abrir oportunidades para esses empresários que têm dificuldade de recursos humanos e financeiros para acessar essas ferramentas tecnológicas”, destacou.
projetos que têm ajudado a melhorar a experiência turística no Rio, através de parceria com o laboratório de inovação da Embratur.
“Realizamos constantes parcerias com o EmbraturLAB e uma das que trazem bons resultados são as pesquisas de satisfação do turista por meio QR Code. Elas nos mostram a percepção deles durante a estadia aqui e permitem que os setores público e privado trabalhem em conjunto na captação e na consolidação do Rio como destino”, finalizou.
Os desafios do Brasil do Lula
III no cenário internacional
O mundo mudou e o presidente em seu terceiro mandato precisa se adaptar à nova realidade internacional
As mudanças climáticas, guerras e uma polarização cada vez mais arriscada entre os extremos políticos tornaram o cenário político internacional, que se tornou um desafio para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em seu terceiro mandato. O mundo que reverenciaram o Lula I e II já não é mais o mesmo, nem o Brasil. As dificuldades que o governo Lula III têm enfrentado internamente para lidar com a independência conquistada pelo Legislativo com o orçamento secreto e seu sucessor e também com o Banco Central, também começam a surgir nas relações com os principais atores internacionais, diante da sua posição dúbia em relação a regimes autocratas e ditatórias como os da Rússia
e Venezuela, bem como sua tentativa de liderar o debate ambiental enquanto estimula a Petrobras a explorar novas reservas na margem equatorial da Amazônia, maior reserva florestal intacta do planeta. Segue uma análise do quadro construído pela BBC e o cientista político Rócio Barreto, pensado especialmente para os leitores da Revista Plano B.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi à Itália para participar de encontro do G7 (grupo composto por Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Itália, Japão e Reino Unido), após convite da primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni. Ele também participou de reuniões bilaterais com o Papa Francisco e lideranças internacionais.
O cenário que Lula encontrou no evento, no entanto, foi mais desafiador do que aquele visto na última reunião dos líderes e convidados do G7, no Japão em 2023.
Naquele momento, há pouco mais de um ano, a participação de Lula – então nos primeiros meses do novo mandato – foi celebrada como o retorno do Brasil a este fórum depois de 14 anos sem o país ser convidado.
“Em 2023, houve uma lua de mel do Lula com a comunidade Internacional”, diz o cientista político Guilherme Casarões, professor da FGV EAESP. Ele aponta que a comparação, naquele momento, era com o antecessor, Jair Bolsonaro, “um presidente que teve muitas rusgas com o Ocidente”.
Neste ano, o “fator novidade” não foi mais um benefício extra para Lula, que teve a missão de encontrar holofotes para assuntos de interesse do Brasil – que em novembro sedia a cúpula do G20, no Rio de Janeiro.
“O Lula teve muita visibilidade no ano passado, e terá hoje uma participação menos visível”, afirma Rubens Barbosa, ex-embaixador do Brasil em Londres (1994-99) e em Washington (1999-2004), antes de elencar os temas mais urgentes para países do grupo.
A cientista política Fernanda Nanci Gonçalves , professora de Relações Internacionais na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), diz que Lula segue com “prestígio internacional” e “é uma liderança carismática”. Aponta, no entanto, que o Brasil “não é o mesmo país de suas primeiras gestões, não tem a mesma pujança econômica e a região está desorganizada, sem que o país se apresente como uma liderança regional forte, com capacidade de articulação”. Diz, ainda, que o “o papel do país como mediador de conflitos internacionais também não está forte nesse momento”. Tudo isso, diz a professora, atrapalha “a capacidade de
influenciar os rumos das discussões internacionais”. Procurado pela reportagem, o Palácio do Planalto reforçou que “o Brasil vai sediar o G20 e está participando [do G7] nesse contexto”.
Nesse cenário, quais assuntos Lula deve levar ao G7 – e com quais tópicos o presidente deve tomar cuidado, segundo analistas?
Taxação de super-ricos, clima e combate à fome
A previsão é que Lula fale no G7 sobre redução da fome e da desigualdade; transição energética e mobilização contra mudança do clima; além de taxação dos super-ricos.
A criação de uma taxação global sobre a riqueza de bilionários vem sendo defendida pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad – que já apresentou a ideia, inclusive, para o papa Francisco em visita no início de junho. A ideia é destinar os recursos para medidas de combate à fome e às mudanças climáticas.
Fernanda Gonçalves considera um “tema sensível e difícil de endereçar” e diz que não é um consenso, embora alguns países tenham sinalizado positivamente com o interesse de discuti-lo.
Nesse ponto, Casarões diz que Lula tentará “alavancar partes importantes da pauta econômica do governo junto aos seus interlocutores ocidentais”. O professor avalia que a ideia do governo brasileiro é buscar apoio a temas “que são caros ao governo Lula, mas que não gozam de tanto apoio interno”.
“Acho que o governo vai tentar fazer uma espécie de manobra internacional para legitimar certas pautas – principalmente no campo econômico – que são de interesse do governo e para as quais não há consenso interno muito bem definido. Pode ser que o uso dessa plataforma internacional sirva, para o governo legitimar de maneira mais clara sua agenda”.
A participação no encontro do G7, segundo Casarões, gera para o Brasil uma “expectativa importante de alavancar a posição da política externa brasileira, principalmente tendo em vista reunião do G20, e de colocar o Brasil como um país responsável economicamente, uma espécie de liderança do Sul Global também no campo econômico”.
Durante os encontros no âmbito do G7, há também previsão de que Lula fale sobre a proposta do governo brasileiro de criar uma Aliança Global contra a Fome e a Pobreza no âmbito do G20, com lançamento previsto para novembro, quando o Brasil sedia a cúpula, no Rio de Janeiro.
Para Rubens Barbosa, ex-embaixador em Londres e Washington, o Brasil deve estar focado em reafirmar seu papel no G20 e na COP 30, que o país sediará. “Esses dois encontros projetam o Brasil no cenário global.”
A viagem de Lula à Europa, que começou com uma participação no fórum da Coalizão Global pela Justiça Social, em Genebra, é a primeira saída de Lula do Brasil desde as inundações que afetam o Rio Grande do Sul. Para analistas ouvidos pela reportagem, Lula deve destacar o ocorrido. Casarões diz que dar ênfase na tragédia é uma forma de “chamar atenção do mundo para a urgência de uma pauta climática unificada”.
Na volta ao Brasil, Lula também terá de lidar com uma série de reveses domésticos importantes para seu governo.
Elas incluem a anulação de um leilão para compra de arroz após suspeitas de fraude, paralisações e greves de servidores, a devolução pelo Congresso de uma medida considerada fundamental no esforço para equilibrar as contas federais, além da decisão da Polícia Federal de indiciar o ministro das Comunicações, Juscelino Filho (União Brasil), pelos crimes de corrupção passiva, fraude em licitações e organização criminosa, sob a suspeita de ter desviado recursos de emendas parlamentares, quando era deputado federal.
Reuniões de Lula na Itália
Entre os países convidados, além do Brasil, estão Índia, Quênia, Tunísia e Argentina. Não há previsão de reunião de Lula com Milei, segundo o Itamaraty.
Além da reunião entre países-membro do G7 e líderes convidados, Lula teve encontro bilateral com o papa Francisco – pedido pelo governo brasileiro.
Também teve encontros bilaterais, na sexta e no sábado (15/6), com líderes da Índia (Narendra Modi), da França (Emannuel Macron), e da Comissão Europeia, (Ursula von der Leyen), Turquia (Recep Tayyip Erdo�an), Alemanha (Olaf Scholz) e Itália (Meloni).
No primeiro dia da cúpula do G7, na quinta-feira, foi anunciado um acordo para criação de um fundo de US$ 50 bilhões utilizando lucros de ativos russos congelados para ajudar a Ucrânia.
No mesmo dia, os presidentes dos EUA, Joe Biden, e da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, assinaram acordo de 10 anos para reforçar as defesas ucranianas contra a Rússia.
‘Lula versus Lula’
Lula foi convidado para reunião do G7 pela primeira vez em 2003 e, desde então, o Brasil soma oito participações. Isso, segundo Casarões, reflete um interesse “do mundo ocidental de ter o Brasil ao seu lado”.
Em 2024, continua Casarões, existe outra percepção. “Não é o Lula versus o Bolsonaro – que é uma comparação, aliás, muito fácil – mas é Lula versus Lula. É o Lula pós guerra em Gaza, em que o Brasil aparenta estar se posicionando de maneira muito mais contundente, aberta e vocal, no sentido de apoiar a Rússia, a China, a condenação de Israel como um país que está cometendo um genocídio na Faixa de Gaza”, afirma. “Então parece que é uma inflexão da política externa brasileira para longe do ocidente”.
Por isso, diz o professor, o mais recente convite do G7 a Lula também é “uma forma de cortejar o Lula e de tentar for-
çá-lo a uma posição mais equilibrada entre o ocidente e os atuais inimigos do ocidente, notadamente Rússia e China –, mas também esse pedaço do Sul Global que vem se posicionando de maneira cada vez mais contundente e crítica contra Israel também”.
No atual contexto, Rubens Barbosa considera que o Brasil “não pode ser ignorado” pelos países mais ricos. “É a oitava economia do mundo, tem uma posição muito importante no G20, na COP, nos Brics. É normal que eles convivem o Brasil”, diz.
Em entrevista no Itamaraty sobre a viagem de Lula à Itália, o embaixador Maurício Carvalho Lyrio, secretário de Assuntos Econômicos e Financeiros do Ministério das Relações Exteriores, foi questionado sobre o tema e disse que “a atmosfera política na Europa é uma questão europeia”. “Não é um tema previsto na discussão dos líderes do G7 com os demais países.”
Em Genebra, Lula disse que a democracia como é conhecida atualmente está sob risco, ao comentar as eleições na Europa. “O negacionista nega as instituições, nega aquilo que é o Parlamento, aquilo que é a Suprema Corte, aquilo que é o Poder Judiciário, aquilo que é o próprio Congresso. Ou seja, são pessoas que vivem na base da construção de mentiras”, afirmou. Lula também falou que a falta de diálogo entre as
autoridades da Ucrânia e da Rússia sinaliza que eles “estão gostando da guerra”.
“Tem que ter um acordo. Agora, se o Zelensky diz que não tem conversa com Putin, Putin diz que não tem conversa com Zelensky, é porque eles estão gostando da guerra. Senão, já tinham sentado para conversar e tentar encontra uma solução pacífica”, afirmou.
O que é o G7?
O G7 – originalmente G6 – foi criado em 1975, como uma iniciativa do presidente francês Valéry Giscard d’Estaing. Além da França, incluía EUA, Reino Unido, Alemanha, Japão e Itália. O Canadá entrou para o grupo em 1976.
Naquele momento, depois da crise do petróleo de 1973, o objetivo era reunir os países mais industrializados do mundo à época para tratar de questões de política econômica de interesse comum.
De 1997 a 2013, a Rússia também fez parte, mas foi suspensa após a invasão da Crimeia.
O grupo hoje não reúne mais as sete maiores economias do mundo. China e Índia são, respectivamente, a segunda e a quinta maiores economias do mundo em PIB nominal, segundo dados compilados pelo FMI no ano passado.
Com o passar dos anos, o G7 ampliou seu foco. Se inicialmente estava concentrado só nos desafios econômicos, hoje também trata de outros assuntos que considera questões globais.
A presidência do grupo é rotativa entre as nações que compõem o G7 e muda anualmente. O país que preside o G7 recebe a cúpula e define agendas e prioridades. Depois da Itália, neste ano, o próximo será o Canadá.
Direito
de defesa virou direito de vingança, diz Lula sobre
Gaza
Na reunião de integrantes do G7 como países convidados e o papa Francisco, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) usou parte dos seus minutos de fala para criticar o que chamou de uso de “direito de vingança” em Gaza, sem mencionar Israel.
Em Gaza, vemos o legítimo direito de defesa se transformar em direito de vingança. Estamos diante da violação cotidiana do direito humanitário, que tem vitimado milhares de civis inocentes, sobretudo mulheres e crianças”, disse o presidente durante a reunião, que aconteceu na região da Puglia, na Itália.
Sobre a guerra na Ucrânia, Lula disse que o Brasil “condenou de maneira firme” a invasão russa. “Já está claro que nenhuma das partes conseguirá atingir todos os seus objetivos pela via militar. Somente uma conferência internacional que seja reconhecida pelas partes, nos moldes da proposta de Brasil e China, viabilizará a paz.”
“Tem que ter um acordo. Agora, se o Zelensky diz que não tem conversa com Putin, Putin diz que não tem conversa com Zelensky, é porque eles estão gostando da guerra. Senão, já tinham sentado para conversar e tentar encontra uma solução pacífica”, afirmou Lula.
O presidente também mencionou na sua fala no G7, a taxação de bilionários como era esperado. “Já passou da hora dos super-ricos pagarem sua justa contribuição em impostos. Essa concentração excessiva de poder e renda representa um risco à democracia”, disse.
O papa no G7 e inteligência artificial
A fala de Lula, de cerca de 5 minutos, aconteceu durante encontro ampliado do G7, com líderes de países convidados,
incluindo o presidente da Argentina Javier Milei e o Papa, que teve sua primeira participação de um encontro do G7.
O papa Francisco fez um discurso sobre os efeitos da inteligência artificial. Disse que o tema é visto como ambivalente: de um lado, traz entusiasmo por suas possibilidades, mas, por outro, gera temor por possíveis consequências.
Ele também disse que a ferramenta representa “risco de legitimar fake news e de reforçar a vantagem de uma cultura dominante”.
“A educação, que deveria fornecer aos estudantes a possibilidade de uma reflexão autêntica, corre o risco de se reduzir a uma repetição de noções que, cada vez mais, serão consideradas incontestáveis, simplesmente por causa da sua contínua repetição”, afirmou.
Aos líderes internacionais, o papa Francisco disse que é importante uma “política sã” para lidar com os desafios da inteligência artificial.
Por Laís Alegretti - BBC News Brasil
Por Rócio Barreto
Enchentes no RS causaram prejuízos de R$ 3,32
bilhões ao varejo
Por Agência Brasil - Rio de Janeiro
Adaptação Ana Silva
AConfederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) estima perda diária de receitas na ordem de R$ 123 milhões, acumulando um prejuízo de R$ 3,32 bilhões no mês de maio com as enchentes no Rio Grande do Sul.
As consequências afetam também a infraestrutura e o abastecimento dos estabelecimentos comerciais, com queda abrupta de 28% no fluxo de veículos de carga nas estradas do estado, segundo dados preliminares da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).
“O impacto das enchentes no Rio Grande do Sul é devastador, não só em termos de perdas humanas e financeiras, mas também no que diz respeito à infraestrutura vital para o funcionamento do comércio”, afirma o presidente da CNC, José Roberto Tadros. “A confederação, não apenas por meio das estruturas do Sesc e do Senac, mas as federações de comércio de todo o país, está dedicando todos os esforços possíveis para auxiliar o povo gaúcho na reconstrução de suas vidas”, acrescenta Tadros.
O Rio Grande do Sul é a quinta unidade da federação em
termos de movimentação financeira anual. Em 2023, o comércio gaúcho movimentou R$ 203,3 bilhões, representando 7% do total do volume de vendas no varejo brasileiro. Conforme o economista da CNC responsável pelo estudo, Fabio Bentes, as perdas impostas pela tragédia climática deverão trazer o volume de vendas local ao nível observado no primeiro semestre de 2021, prejudicando a recuperação econômica da região.
Até o início do segundo trimestre, o restante do Brasil mostrava sinais de recuperação no comércio varejista. Segundo a Pesquisa Mensal de Comércio (PMC), divulgada nesta quinta-feira (13) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o volume de vendas no comércio varejista brasileiro cresceu 0,9% em abril. O desempenho é o quarto avanço mensal consecutivo no ano. A última vez em que o comércio experimentou quatro meses de crescimento no começo do ano foi em 2012.
A redução das taxas de juros, que recuaram para 52,95% ao ano em abril de 2024, tem ajudado a aliviar o orçamento familiar. Com a taxa de desocupação no menor nível em 10 anos, a continuação da recuperação do varejo dependerá da trajetória dos juros e da inflação. Assim, a CNC mantém a expectativa de crescimento do volume de vendas em 2,1% para este ano.
Entrevistamos Clemente Nascimento
sobre o novo EP do Inocentes “Não Acordem a Cidade”
Por Paola Zambianchi
Uma prévia do projeto acústico do Inocentes acaba de ser lançada. O EP “Não Acordem a Cidade”, de 5 faixas, adianta o que virá no álbum “Antes do Fim”, previsto pelo selo Red Star Records para o início de agosto.
Produzido por Henrique Khoury, “Não Acordem a Cidade” conta com as faixas “O Homem Que Bebia Demais”, “A Noite Lá Fora”, “Não Acordem a Cidade”, “Expresso do Oriente” e “São Paulo”. Conversamos com o vocalista do Inocentes, Clemente Nascimento, para saber mais sobre o novo lançamento e a experiência de um projeto acústico.
Clemente, seja bem-vindo à Plano B. Como e quando surgiu a ideia de fazer um projeto acústico do Inocentes?
Clemente: A ideia de um projeto acústico surgiu durante a pandemia, e cada uma das versões foram sendo criadas durante as lives solitárias que eu fazia na minha casa. A banda gostou do que ouviu e quando se juntaram para tocar juntos, as músicas tomaram forma. A gente não queria deixar esse momento tão importante em nossas vidas sem um registro, por isso é um projeto, que nos dedicamos com muito carinho, pois foi um verdadeiro fio de esperança num momento difícil.
Foto: Alexandre Wittboldt
Como se deu a escolha das faixas para o EP?
Clemente: A banda está tentando seguir um padrão na escolha das faixas, que é o de lançar músicas que não tenham sido regravadas antes, e que os arranjos tenham nos deixado muito satisfeitos. São músicas que acabam tendo um ar de frescor e ineditismo, algumas são velhas conhecidas, outras nem tanto, são verdadeiros lados B, mas que a gente gosta muito.
O primeiro single desse projeto foi “São Paulo”, uma música que apesar de ser da banda 365, ficou bastante conhecida na versão feita pelo Inocentes em 2001 no álbum “O Barulho dos Inocentes” e acabou tendo um significado importante na trajetória de vocês.
Clemente: Fui eu quem produziu o primeiro disco do 365, que tem essa música, e ela foi o carro chefe desse disco. Quando fizemos um disco de covers de punk para cumprir o contrato com a Abril Music, essa música foi a primeira a entrar e teve grande repercussão, tem muita gente que acha que é nossa. Como ela é destaque nos shows e nas plataformas, acabou entrando no repertório acústico, por ela já funcionar muito bem nesse formato. O resultado ficou além do esperado, pois conseguimos trazer mais elementos ao arranjo original, como o piano do Wagner Bernardes e o arranjo de violão do Ronaldo, que deu um frescor e atualização à música.
“Não Acordem a Cidade”, faixa título do EP, foi lançada originalmente no álbum “Pânico em SP” de 1986, mas ela antecede a formação da banda, é isso?
Clemente: Sim! Pode parecer estranho, mas ‘Não Acordem a Cidade’ foi escrita em 1979, quando eu ainda era baixista do Restos de Nada. Ela ficou guardada até 1986, quando o Inocentes decidiu gravá-la. O clima de viajante noturno, pelos becos e vielas da cidade, permeia toda a música.
Já “Expresso Oriente”, uma das faixas lançadas também como single neste novo trabalho, traz reflexões bastante contemporâneas.
Clemente: Ela tem uma atualidade impressionante. Um amigo palestino me falou anos atrás, que era a única música que ele conhecia, fora do Oriente Médio, que citava os palestinos e me agradeceu muito, fiquei emocionado, não sabia dessa relevância.
O álbum “Antes do Fim” será lançado em LP, além de nas plataformas digitais?
Clemente: Sim, o LP já está garantido pela Red Star Records e deve sair no começo de agosto com arte e fotos do Alexandre Wittboldt. Estamos tendo que conter a ansiedade rsrs.
Foto: Alexandre Wittboldt
Foto: Alexandre Wittboldt
Governo do Tocantins abre inscrições para a Rota da Pecuária 2024
Evento ocorrerá entre os dias 24 e 28 de junho, em cinco municípios e tem o objetivo de compartilhar informações e tecnologias utilizadas nas propriedades para beneficiar a pecuária no Estado
Por Elmiro de Deus/Governo do Tocantins
Adaptação PH Paiva
OGoverno do Tocantins, por meio da Secretaria de Estado da Agricultura e Pecuária (Seagro), abre as inscrições para produtores e técnicos participarem da Rota da Pecuária 2024, que será realizada entre os dias 24 e 28 de junho, em visita a cinco municípios tocantinenses. Os interessados devem realizar a inscrição pelo link. Em sua 3o edição, a Rota da Pecuária percorrerá aproximadamente 1,2 mil km, abrangendo os municípios de Dois Irmãos, Brejinho de Nazaré, Paraíso do Tocantins, Marianópolis e Porto Nacional, onde a expedição visitará quatro propriedades e um frigorífico, previamente selecionados pela Seagro, que se destacam em manejo produtivo e gestão.
A ação visa compartilhar informações e tecnologias utilizadas nas propriedades para beneficiar a pecuária no Tocantins. “Queremos que todos os produtores e participantes possam ver o que está sendo feito, como está sendo feito e o que pode ser feito para aumentar a produção. Este é um momento de integração entre o Governo do Tocantins e todos os envolvidos no setor pecuário, em que podemos nos aproximar dos produtores, ouvir suas demandas, conhecer suas tecnologias e contribuir
de maneira efetiva para o desenvolvimento da pecuária no Estado”, explica o diretor de Agricultura, Pecuária e Agronegócio da Seagro, José Américo Vasconcelos.
A expedição tem como objetivo integrar pecuaristas e técnicos, baseado na troca de informações e conhecimento de manejos; identificar tanto os pontos positivos quantos os gargalos de cada projeto e as tomadas de decisões implementadas nos processos produtivos.
Mais informações podem ser obtidas pelo telefone (63) 9 9959-2029
Pesquisa financiada pelo Governo do Tocantins inicia mapeamento no Monumento
Natural das Árvores Fossilizadas
Por Lidiane Moreira/Governo do Tocantins
Adaptação PH Paiva
OMonumento Natural das Árvores Fossilizadas do Tocantins (Monaf), em Bielândia, distrito de Filadélfia, na região norte do Tocantins, recebeu nessa quarta-feira, 12, as atividades em campo da pesquisa que objetiva mapear os afloramentos fossilíferos vulneráveis às atividades humanas impactantes no Monaf. A pesquisa é financiada pelo Governo do Tocantins, por meio de edital de pesquisa em Unidades de Conservação (UCs) do Instituto Natureza do Tocantins (Naturatins) e da Fundação de Amparo à Pesquisa do Tocantins (Fapt). Com financiamento de R$ 100 mil, a execução do projeto conta com coordenação de pesquisadores da Universidade Federal do Tocantins (UFT), câmpus de Porto Nacional, e colaboração de pesquisadores da Universidade Federal do Norte do Tocantins (UFNT), do Museu Nacional do Rio de Janeiro e da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
O Monaf é uma Unidade de Conservação estadual admi-
nistrada pelo Naturatins. Situada na Bacia Sedimentar do Parnaíba, a área abriga fósseis que formam a Floresta Petrificada do Tocantins Setentrional. Este local é um importante cenário para diversas pesquisas científicas, que resultam na produção de trabalhos de relevância nacional e internacional.
O prefeito de Filadélfia, David Bento, colaboradores da sua gestão e representantes do Legislativo municipal estiveram presentes para prestigiar o início das atividades e a promoção do município por meio da ciência.
Conforme o projeto de pesquisa, um dos principais entraves para a preservação dos sítios paleontológicos é a presença de propriedades privadas no Monumento. Embora o Sistema Nacional de Unidades de Conservação permita a presença de tais propriedades na categoria Monumento Natural, o projeto de pesquisa avalia ser difícil conciliar os interesses da UC com os dos proprietários. “Dessa forma, o objetivo deste projeto é identificar e mapear os afloramentos fossilíferos vulneráveis às atividades humanas impactantes à preservação dos fósseis tanto na área quanto na zona de amortecimento do Monaf. Como objetivos específicos, pretende-se propor medidas mi-
tigadoras e compensatórias; prospectar fósseis, possibilitando a reinvestigação de antigas áreas e o registro de novas localidades fossilíferas; incrementar a coleção de Paleontologia do Laboratório de Paleobiologia, da Universidade Federal do Tocantins, câmpus de Porto Nacional, e do Museu Nacional, no Rio de Janeiro; estabelecer afinidades taxonômicas de espécimes da lignoflora fóssil; e inferir as condições paleoambientais e paleoecológicas vigentes no desenvolvimento das plantas”, descreve a coordenadora Etiene Fabbrin Pires Oliveira, da UFT.
Atividades de pesquisa
A metodologia a ser utilizada no projeto envolverá três atividades distintas: mapeamento de afloramentos, com extensas atividades de campo, seleção e mapeamento de afloramentos, com a utilização de técnicas geológicas distintas; análise dos impactos ambientais, realizada de acordo com o roteiro descrito em instrução normativa do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio); análises paleobotânicas, com a coleta e a descrição anatômica de lignoflora fóssil, por meio da confecção de lâminas petrográficas (gimnospermas, monilófitas ou esfenófitas), análise de seções delgadas, datação de amostras dos afloramentos e exposição permanente de peças, visto que parte importante da divulgação científica deste projeto está na exposição permanente de material fóssil do Monaf no Museu Nacional.
O desenvolvimento do projeto objetiva fornecer auxílio à gestão da UC em uma eventual nova proposta de plano de manejo, bem como promover a divulgação científica da UC como importante local de preservação.
Para o supervisor do Monaf, Hermí-
sio Aires, a pesquisa fortalece vínculos institucionais entre Naturatins, UFT, UFNT e Museu Nacional do Rio de Janeiro, além de contribuir com a identificação de atividades humanas que exercem impacto negativo ao Monaf e medidas mitigadoras que serão propostas; e estabelecer novos locais de visitação, coleta e novas investigações paleontológicas. “A pesquisa no Monaf, seja de qual for a natureza, sempre será bem-vinda. A pesquisa que está sendo desenvolvida nesse projeto, que é conhecer para preservar, tem como objetivos identificar e mapear novos afloramentos vulneráveis às atividades humanas impactantes para a preservação dos fósseis em toda a sua área. Com certeza, o resultado desse estudo vai ajudar bastante a gestão do Monaf a tomar decisões mais assertivas, assim como propor medidas de proteção mais específicas no sentido de preservar melhor esse patrimônio cultural”, pontuou o supervisor. Ainda conforme o gestor da UC, outro resultado interessante ao Monaf, e por conseguinte ao Naturatins, será na divulgação do patrimônio aqui existente, visto que a pesquisa também propõe incrementar a coleção de paleontologia da UFT, câmpus de Porto Nacional, assim como a coleta e o encaminhamento de uma amostra de árvore fossilizada que ficará em exposição permanente no Museu Nacional, no Rio de Janeiro. “O que naturalmente trará boa visibilidade ao Monaf/Naturatins e ao Estado do Tocantins por meio desta promoção científica”, celebrou Hermísio.
O mundo do Marketing Digital
Um segmento que está em constante mudança, que exige atualização constante
Em uma entrevista à Revista Plano B, a jornalista Ana Gabrielle Ramos fala desse novo mercado do Marketing de Influência, diante da ascensão de uma legião de influencers no mundo digital movimentando milhões de seguidores/consumidores e, consequentemente, quantias astronômicas de dinheiro. Ela fez especialização em Marketing Digital na Fundação Getúlio Vargas (FGV) e agora está cursando Pós-graduação Lato Sensu - MBA em Negócios e Estética da Moda na instituição de ensino Escola de Comunicações e Artes (ECA-USP) Universidade de São Paulo. Mas ela conta que seu maior aprendizado neste admirável mundo novo foi garantido na prática mesmo. Confira as dicas que Gabrielle compartilhou conosco, voltada para quem está disposto a mergulhar também neste novo mercado de trabalho.
Atualmente sou assessora de imprensa, RP, redatora do Blog JK e marketing de influência no JK Shopping pela DGBB Comunicação & Estratégia.
Para além da atuação em shopping center, atendo clientes de segmentos diversos, como: mercado imobiliário e de construção civil, empresarial, cultura, diversidade e inclusão, saúde, audiovisual afrocentrado e setor cervejeiro.
O que é marketing de influência?
O marketing de influência envolve estratégias direcionadas a pessoas que possuem poder de influenciar potenciais consumidores, seja por meio de liderança ou influência. Geralmente eles possuem um segmentos/nicho específico, como: moda, gastronomia, entretenimento, mundo gamer, ou seja, é importante sempre se atentar ao tipo de comunicação e conteúdo que o influenciador produz e se tem semelhança com o que você vende/divulga. Pois o público desse influenciador, precisa e deve se identificar com o seu serviço/produto.
Como atuante no segmento, vejo que o marketing de influência e, consequentemente, a atuação dos influenciadores interferem nas decisões de compra dos clientes a favor de uma determinada marca.
Isso ocorre porque estabeleceram com ela uma relação de confiança legítima. Ou seja, quando um influenciador começa a falar sobre uma marca, ele automaticamente precisa mostrar verdade e compromisso para além de uma tela de
celular/ e ou propaganda. Ele precisa acreditar na marca.
Resumindo: Eles agem sobre consumidores nas três fases da jornada de compra: reconhecimento, consideração e tomada de decisão.
Por meio do marketing de influência, as marcas estabelecem e nutrem uma relação com os principais influenciadores de seu mercado. E assim conduzem o público que os segue a uma decisão de compra favorável.
Existe cursos e/ou treinamentos para desenvolver essas habilidades?
Bom, não tenho conhecimento de cursos. Eu entrei nesse segmento por demanda de trabalho. Aprendi na prática
e acredito que é a melhor forma de se entender sobre o universo.
Tem muitos artigos e conteúdos na internet sobre o tema que dão uma boa base para quem quer iniciar. Mas a minha dica é: busque saber o que está rolando no mercado, as tendências, mapeamento de influenciadores e criação de relacionamentos. Busque perfis que se assemelhem ao que o seu cliente precisa e acima de tudo, o posicionamento desse influenciador nas redes sociais. Ex.: se ele já se envolveu em polêmicas, linguagem, comportamento� tudo isso influencia.
Como é o trabalho que desenvolve no JK?
Hoje, eu sou assessora de imprensa/Relações Públicas e também atuo com o Marketing de influência pela DGBB Comunicação & Estratégia, uma das maiores agências de comunicação corporativa do Distrito Federal e minha primeira experiência nesse meio é onde eu aprendo muito sobre tudo que eu sei.
Nessas funções, eu preparo releases relacionados aos principais eventos/ ações do shopping, ofereço para a veículos de comunicação que são sempre muito parceiros, acompanho as entrevistas e consolido o cliente na imprensa local.
Também atuo como redatora/conteudista do Blog JK, um projeto recente e bem relevante para o shopping, onde produzo textos com assuntos diversos que vão desde moda à gastronomia.
Fale desse mercado hoje. Há espaços para jovens que queiram ingressar num trabalho como o seu?
O cenário do Marketing de Influência está passando por uma revolução contínua. Ele emerge como um elemento crucial para as marcas que buscam destaque em meio ao surgimento
de criadores de conteúdo, como forma de se comunicar com seus consumidores através de meios autênticos.
O TikTok por exemplo é uma rede muito usual por jovens e de tem gerado muitos resultados, para além do Instagram. Então eu vejo que tem um super espaço para jovens, ainda mais aqueles que estão atualizados nas principais tendências e buscando trazer novidades para o mercado.
O que eles precisam para pleitear algum trabalho como esse?
Como falei anteriormente, buscar conhecimento e sempre estar atento as principais tendências do segmento. Criar bons relacionamentos, acompanhar influenciadores relevantes em seus segmentos/nichos atuantes. Organização também é fundamental. A base é interesse e identificação com o segmento e tema.
Considerações finais
Bom, é isto! Espaço tem e o marcado busca profissionais interessados e capacitados. É um segmento que está em constante mudança. Então vale sempre estar se atualizando e buscando crescer nesse espaço.
Qual o plano B de Ana Ana Gabrielle Ramos?
Bom, o meu plano B se encaixa exatamente na resposta anterior, busco sempre me capacitar. Hoje, estou cursando uma MBA em Negócios e Estética da Moda na instituição de ensino Escola de Comunicações e Artes (ECA-USP) Universidade de São Paulo.
A moda é um caminho que eu me identifico e creio que vai auxiliar muito o meu trabalho, não só como assessora de imprensa, mas também no Marketing de Influência, onde estou cada vez mais integrada com personalidades referências nesse meio.
Então vejo que o meu plano B está muito ligado ao que estou buscando hoje. Me tornar referência em assessoria de imprensa do cliente atuante, agregar para a DGBB e me capacitar para oferecer um serviço de qualidade e ainda mais profissional.
Em Brasília, Governo do Tocantins apresenta projeto pioneiro no mercado internacional de carbono
Por Lidieth Sanchez/Governo do Tocantins
Adaptação Rócio Barreto
OGoverno do Tocantins, representado pelo secretário de Estado do Meio Ambiente e Recursos Hídricos, Marcello Lelis; e pelo presidente da Companhia Imobiliária de Participações, Investimentos e Parcerias (Tocantins Parcerias), Aleandro Lacerda, participou nesta quinta-feira, 13, no Senado Federal, em Brasília/DF, de uma audiência pública na Subcomissão Temporária do Mercado de Ativos Ambientais Brasileiro, que discute a compra e a venda de ativos relacionados ao meio ambiente, como créditos de carbono, certificados de energia renovável e outros instrumentos financeiros que incentivam a proteção ambiental. O estado do Tocantins apresentou suas contribuições ao Projeto de Lei no 182/2024, que vai aprimorar a regulamentação dessa prática no Brasil.
Em sua apresentação, o secretário de Estado do Meio Ambiente e Recursos Hídricos, Marcello Lelis, destacou que a presença do Tocantins no debate nacional mostra como o Estado está avançando nas políticas ambientais. “O projeto de lei em debate no Senado é transformador e revolucionário para toda a política ambiental no Brasil. É fundamental que os senadores compreendam que a regulamentação desse mercado não tenha impacto negativo nas iniciativas dos estados, especialmente na iniciativa do Tocantins, que está muito avançada. É muito importante estarmos aqui, apresentando tudo o que está acontecendo no Tocantins ao Senado Federal e contribuindo diretamente para a construção da política nacional de ativos ambientais”, pontuou. O presidente da Tocantins Parcerias, Aleandro Lacerda, ressaltou os altos padrões do REDD+ Jurisdicional do Tocantins. “Ficamos honrados em participar da audiência pública, apresentar a Tocantins Parcerias e mostrar as experiências exitosas e inovadoras do Tocantins, mostran-
do o mercado voluntário internacional, ao tratar principalmente da integridade do programa REDD+; o alinhamento com a iniciativa privada; e a destinação dos recursos por meio do FundoClima”, enfatizou.
A audiência pública foi conduzida pelo presidente da Subcomissão, senador Jorge Kajuru, e contou com a presença do senador Eduardo Gomes; do secretário extraordinário de Representação do Tocantins em Brasília, Carlos Manzini Júnior; da coordenadora-geral de Finanças Verdes do Ministério do Desenvolvimento da Indústria do Comércio e Serviços (MDIC), Beatriz Soares; e da superintendente de Gestão de Políticas Públicas Ambientais da Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Semarh), Marli Santos.
Projeto de Lei do Mercado do Carbono
O secretário extraordinário de Representação do Tocantins em Brasília, Carlos Mazini Júnior, enfatizou que o Estado seguirá presente no debate do Projeto de Lei no 182/2024, conhecido como Projeto de Lei do Mercado do Carbono. “Com a proposta em tramitação no Congresso Nacional, também faz parte do nosso papel na Secretaria de Representação acompanhar de perto cada etapa, avaliando em quais pontos o Tocantins, orientados pelo governador Wanderlei Barbosa e com o apoio da nossa bancada parlamentar federal, pode contribuir. Nossa presença no debate é fundamental para que as medidas aprovadas sejam positivas para o trabalho excepcional que vem sendo realizado pelo Governo do Tocantins nas políticas ambientais”, concluiu.
REDD+ Jurisdicional
O Tocantins foi o primeiro estado do Brasil a apresentar um Programa de REDD+ Jurisdicional. O REDD+ é um incentivo desenvolvido pela Organização das Nações Unidas (ONU) para recompensar financeiramente países em desenvolvimento por seus resultados na redução de emissões de gases de efeito estufa, causados pelo desmatamento e pela degradação florestal. O programa do Tocantins visa garantir que os recursos provenientes do mercado de carbono cheguem aos povos indígenas, às comunidades tradicionais e aos agricultores familiares, que desempenham um papel fundamental na proteção ambiental.
Amã, amanhã
Arrumar malas, fazer um esforço enorme para não esquecer nada...
Metade do pensamento está focado nos itens indispensáveis para colocar na bagagem, e a outra metade já se deliciando com a oportunidade de conhecer novos lugares.
Aprecio cidades onde o moderno e o antigo convivem num imenso contraste, e em Amã há uma mistura ímpar, de tirar o fôlego.
No coração comercial da cidade encontramos tudo o que achamos nas cidades mais sofisticadas do mundo, e artesãos por toda a parte, mantendo a tradição de antiguidade da cidade.
Os subúrbios residenciais, devido ao clima temperado, têm ruas e avenidas bastante arborizadas, ladeadas por casas de um branco quase uniforme, conforme uma lei que exige que todas as edificações devem ser revestidas com pedra local.
As pessoas em Amã são extremamente hospitaleiras, e nisso há um quê de Brasil.
Muito embora haja fartas descrições de Petra, nada lido nos prepara para deparar com toda aquela beleza.
A cidade, de um vermelho rosado, é uma cidade singular, esculpida na face rochosa pelos nababeus.
A entrada para a cidade é feita pelo siq, que é um estreito com pouco mais de um quilômetro de extensão, ladeado por imponentes penedos com mais de oitenta metros de altura.
É uma experiência indescritível caminhar pelo siq . À medida que vamos completando a travessia podemos avistar Al-Khazneh (tesouro).
“Hospedei-me no Petra Marriott Hotel, localizado perto das ruínas, uma das mais lindas e instigantes ruínas que meus olhos já viram. Isso se não for a mais magnífica de todas elas.“
A parte mais baixa da cidade é mais tradicional e antiga, com lojas menores que produzem e vendem de tudo um pouco.
No hotel no qual me hospedei na minha vinda anterior a Amã, um jordaniano lindo e muito educado, guia turístico, me convenceu que ir a Jordânia e não conhecer Petra era como ir a Roma e não ver o Papa.
Usou argumentos irrefutáveis, e graças a Deus conseguiu me convencer.
Depois de uma semana em Amã resolvi ir a Petra, e foi uma das melhores decisões que já tomei na vida.
Quem me conhece sabe que conservo em mim o entusiasmo peculiar das crianças.
Posso ver a mesma flor todos os dias, mas o encanto que sinto é sempre como se fosse a primeira vez.
Assim, creio que não seja execício mental muito elaborado imaginar como fiquei ao desembarcar em Petra : fiquei petrificada (não consegui evitar o trocadilho).
Então descortina-se uma paisagem que parece um sonho aos menos avisados : uma fachada imponente com trinta metros de largura e quarenta e três de altura esculpida na própria face rochosa, de um tom de rosa poeirento, e que faz tudo ao seu lado parecer minúsculo.
Hospedei-me no Petra Marriott Hotel, localizado perto das ruínas, uma das mais lindas e instigantes ruínas que meus olhos já viram. Isso se não for a mais magnífica de todas elas.
Por hoje estou arrumando as bagagens para partir amanhã para Amã , só Amã amanhã, só Amã dessa vez.
* Ângela Beatriz Sabbag é bacharel em Direito por graduação e escritora por paixão.
Bailarina Clássica, Pianista e Decoradora de Interiores angelabeatrizsabbag e-mail angelabeatrizsabbag@gmail.com
Cultura é oxigênio
Aefervescência das quadrilhas na época de festejos juninos sempre me traz uma lembrança do quão diversa e rica é a cultura produzida no Brasil. Como nordestina que sou, me aquece o coração sempre que eu vejo apresentações vibrantes de quadrilhas que, assim como escolas de samba, se preparam o ano inteiro para os circuitos com sangue nos olhos e amor no coração.
Neste mês, o presidente Lula sancionou a lei que reconhece quadrilhas juninas como manifestação da cultura nacional, se unindo a outros marcos como as escolas de samba, o forró e as próprias festas juninas, que já têm o reconhecimento. A democratização da cultura é algo lindo de se ver, mas ainda é necessário mais incentivo, mais estímulo e mais encorajamento por parte do governo e da sociedade. Muito se fala sobre o tanto que viver de arte é difícil, mas pouco se fala sobre o quanto é difícil para o artista não viver fazendo arte.
Dos mais diversos e improváveis rincões do Brasil é sempre possível encontrar talentos que, com incentivo e oportunidade, podem se provar verdadeiras joias da cultura. Um exemplo é o morador do Recanto das Emas Samuel Henrique, o Samuka. Com apenas uma perna e talento de sobra, ele foi destaque no programa America’s God Talent com uma apresentação impecável de breakdance e agora compete pelo prêmio de US$ 1 milhão. Eu só fico imaginando o tanto de talento escondido pelo Brasil que precisa apenas de uma chance.
Como moradora de Brasília, me entristeço em ver o Teatro Nacional fechado há 10 anos, o Dulcina em ruínas, além de importantes espaços culturais fechados.
Eu sou movida a cultura. Eu não vivo sem música e sem teatro. Minha vida seria extremamente miserável se por algum motivo eu não pudesse consumir nenhum tipo de arte.
A arte alimenta a minha alma.
A arte devia estar no calendário escolar obrigatório desde a primeira infância. Devia cair no vestibular. Uma criança que estuda e respira arte desde o início da vida jamais escapará de se tornar um ser humano notável, sem sombra de dúvidas. Arte é expressão, é sensibilidade, é cura. É um caminho para descobrir quem se é, para alimentar o mundo de propósito.
“A arte devia estar no calendário escolar obrigatório desde a primeira infância. Devia cair no vestibular. Uma criança que estuda e respira arte desde o início da vida jamais escapará de se tornar um ser humano notável, sem sombra de dúvidas. Arte é expressão, é sensibilidade, é cura. É um caminho para descobrir quem se é, para alimentar o mundo de propósito.”
As escolas sempre colocam nos outdoors, nas redes sociais e nas propagandas fotos dos alunos que passaram no vestibular para medicina e direito. Os estudantes que passaram para artes cênicas, música ou filosofia, por exemplo, nunca recebem tal reconhecimento. Eu queria dizer a vocês, jovens que estão começando a vida acadêmica e pretendem se dedicar ao estudo de alguma forma de arte ou ciência humana, a escola não colocou a foto de vocês nas redes, mas vocês são muito importantes. Continuem. O mundo precisa de vocês.
Como disse o ex-ministro da Cultura Gilberto Gil: “Precisa acabar com essa história de achar que a cultura é uma coisa extraordinária. Cultura é ordinária! Cultura é igual feijão com arroz, é necessidade básica. Tem que estar na mesa, tem que estar na cesta básica de todo mundo”.
*Mila Ferreira, repórter do Correio Braziliense. Formada em Jornalismo pelo IESB e pós-graduada em Direitos Humanos, Responsabilidade Social e Cidadania Global pela PUC-RS
Mila Ferreira*
Intenção de consumo das famílias cresce pelo terceiro mês
Por Abdala - Agência Brasil - Rio de Janeiro
Adaptação Rócio Barreto
AIntenção de Consumo das Famílias (ICF) cresceu 0,5% em junho deste ano, em relação ao mês anterior. É a terceira alta consecutiva do indicador, neste tipo de comparação, apesar de ter sido a menos intensa, segundo pesquisa divulgada nesta sexta-feira (21) pela Confederação Nacional de Bens, Serviços e Turismo (CNC).
Na comparação com junho do ano passado, o crescimento da intenção de consumo chegou a 5,1%, de acordo com a CNC.
Na comparação com maio, o crescimento do indicador foi puxado principalmente pelos componentes nível de consumo atual (1,7%) e renda atual (1,5%). Também apresentaram alta perspectiva de consumo (0,9%), perspectiva profissional e momento para a compra de bens duráveis (ambos com 0,5%),
além de emprego atual (0,2%). O acesso ao crédito foi o único componente que não cresceu e ficou estável.
Em relação a junho de 2023, a maior alta foi observada no momento para a compra de duráveis (13,4%), seguido por renda atual (8,2%), nível de consumo atual (8%), acesso ao crédito (5,9%), perspectiva de consumo (3,8%) e emprego atual (3,6%).
A perspectiva profissional foi o único componente a apresentar queda nesse tipo de comparação (-2,3%).
No Rio Grande do Sul, a ICF apresentou quedas de 3,4% em relação a maio e de 23,3% na comparação com junho do ano passado, devido ao evento climático extremo que atingiu o estado recentemente. Todos os componentes apresentaram quedas nas duas comparações temporais.
ECONOMIA
Governo x Banco Central na disputa pela Selic
OComitê de Política Monetária - Copom do Banco
Central manteve a Selic em 10,5% ao ano na última reunião de junho de 2024, o que gerou certa insatisfação na ala política do governo federal. A Selic é a taxa de referência da economia para empréstimos, financiamentos e também para quem investe. O principal olhar do Banco Central ao decidir sobre a Selic é como andam as pressões inflacionárias. Se tem inflação alta, a tendência é a manutenção dos juros altos, para frear o consumo e desaquecer a economia. Quando a inflação cai, o Banco Central reduz também os juros. Basicamente essa é a lógica.
Quando a taxa Selic está alta, o crescimento da economia tende a ser menor, o que provoca uma redução na popularidade do governo. Com a Selic alta, o custo do dinheiro também é alto, e a tendência são empréstimos e financiamentos mais caros para a população. O que gera insatisfação. Então há um dilema nessa questão da política monetária em muitos momentos, ter juros maiores e uma inflação mais controlada? Ou o contrário? Os membros do governo sabem disso, mas porque existem tantas críticas públicas sobre a atuação do Banco Central vindas do governo federal?
Aí é preciso separar o discurso político do discurso técnico. Quem critica a atuação do Banco Central são as vozes políticas do governo. O próprio presidente Lula nos últimos meses criticou as altas taxas de juros e colocou parte da culpa no presidente do Banco Central, Roberto Campos. A presidente do PT, Gleisi Hoffmann, também foi na mesma linha e criticou a recente manutenção da taxa de juros em 10,5%. É como se dissessem, olha a economia não está acelerada porque o Banco Central é independente do governo, e está com o freio de mão puxado. E quem indicou Roberto Campos foi o presidente anterior. Ou seja, se não houver crescimento da economia em 2024 a culpa é do Bolsonaro.
As narrativas fazem parte do discurso dos políticos, mas e a parte técnica. Na última reunião do Copom, todos os membros votaram a favor da manutenção da taxa em 10,5%, inclusive os quatro diretores indicados pelo presidente Lula,
o que deixou o governo sem muitos argumentos para fazer críticas políticas. Enquanto isso, a parte técnica do governo parece trabalhar mais alinhado com o Banco Central independente, principalmente o Ministro da Fazenda, Fernando Haddad, que vem sendo a principal voz do governo junto ao mercado.
Este ano tem eleições municipais, que diga-se de passagem deveriam coincidir com as eleições para presidente e governador. Eleições de quatro em quatro anos dariam uma folga para se pensar de maneira mais técnica e racional, sem a preocupação de resultados eleitorais a todo momento e sem a necessidade do mundo político viver tão apegado a construir narrativas para ganhar votos a todo instante. Isso também ajudaria a reduzir a polarização eleitoral entre fantasiosas “esquerda” e “direita”, algo que mais atrapalha do que ajuda o cidadão a enxergar melhor os reais problemas e as possíveis soluções.
E qual é o principal argumento para se ter um Banco Central independente? É justamente para que essa instituição não seja usada em períodos eleitorais para aquecer a economia, aumentar o consumo e o emprego no curto prazo, mesmo que isso cause depois das eleições uma bomba inflacionária. Com um Banco Central independente, a instituição pode focar em combater a inflação sem precisar olhar para o calendário eleitoral. É o que funciona na maioria dos países desenvolvidos do mundo.
Esse é um assunto interessante, então voltaremos a tratar disso nas próximas colunas.
* Humberto Nunes Alencar, Analista de Orçamento do Ministério do Planejamento. Mestre em economia pelo IDP e doutorando em direito pela mesma instituição. Dá aulas online para pessoas que querem aprender mais sobre economia e finanças pessoais. Contatos: 061 - 994054114 e Instagram: @humbertoalencar.bsb
Lula propõe governança global para inteligência artificial
Por Andreia Verdélio - Agência Brasil - Brasília
Adaptação Rócio Barreto
Opresidente Luiz Inácio Lula da Silva propôs, nesta sexta-feira (14), a instituição de uma governança global e representativa para o tema da inteligência artificial, para que seus benefícios sejam “compartilhados por todos”. “As instituições de governança estão inoperantes diante da realidade geopolítica atual e perpetuam privilégios”, disse Lula durante a sessão de engajamento externo da Cúpula do G7, reunião de líderes de sete das maiores economias do mundo.
O evento começou na quinta-feira (13) e vai até amanhã (15) em Borgo Egnazia, na região da Puglia, no sul da Itália. A sessão de trabalho começou com os discursos da primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, e do papa Francisco. A fala do presidente Lula e de outros líderes não foi transmitida, mas o texto lido foi divulgado pelo Palácio do Planalto.
Para o presidente brasileiro, os desafios atuais envolvem a condução de uma revolução digital inclusiva e o enfrentamento das mudanças do clima. Nesse sentido, segundo ele, a inteli-
gência artificial pode potencializar as capacidades dos Estados de adotarem políticas públicas para o meio ambiente e contribuir para a transição energética.
“Precisamos lidar com essa dupla transição tendo como foco a dignidade humana, a saúde do planeta e um senso de responsabilidade com as futuras gerações. Na área digital, vivenciamos concentração sem precedentes nas mãos de um pequeno número de pessoas e de empresas, sediadas em um número ainda menor de países. A inteligência artificial acentua esse cenário de oportunidades, riscos e assimetrias”, disse.
Para o presidente, qualquer uso da inteligência artificial deve respeitar os direitos humanos, proteger dados pessoais e promover a integridade da informação. “Uma inteligência artificial que também tenha a cara do Sul Global [países do Hemisférios Sul, considerados em desenvolvimento], que fortaleça a diversidade cultural e linguística e que desenvolva a economia digital de nossos países. E, sobretudo, uma inteligência artificial como ferramenta para a paz, não para a guerra. Necessitamos de uma governança internacional e intergovernamental da inteligência artificial, em que todos os Estados tenham assento”, disse Lula aos líderes.
As cúpulas do G7 costumam contar com a presença de países convidados. Esta é a oitava vez que Lula participa da Cúpula do G7. As seis primeiras ocorreram nos dois primeiros mandatos, entre os anos de 2003 e 2009. Desde então, o Brasil não comparecia a um encontro do grupo. A sétima participação do presidente brasileiro foi no ano passado, na cúpula em Hiroshima, no Japão.
No segmento de engajamento externo deste ano, foram discutidos, entre outros, os temas de inteligência artificial e de energia, bem como a cooperação com a África e no Mar Mediterrâneo. Para Lula, os africanos são parceiros indispensáveis e devem ser considerados no enfrentamento dos desafios globais.
“Com seus 1,5 bilhão de habitantes e seu imenso e rico território, a África tem enormes possibilidades para o futuro. A força criativa de sua juventude não pode ser desperdiçada cruzando o Saara para se afogar no Mediterrâneo. Buscar melhores condições de vida não pode ser uma sentença de morte”, disse, em referência às mortes de migrantes no Mar Mediterrâneo.
“Muitos países africanos estão próximos da insolvência e destinam mais recursos para o pagamento da dívida externa
do que para a educação ou a saúde. Isso constitui fonte permanente de instabilidade social e política. Sem agregar valor a seus recursos naturais, os países em desenvolvimento seguirão presos na relação de dependência que marcou sua história. O Estado precisa recuperar seu papel de planejador do desenvolvimento”, acrescentou o presidente.
O G7 é composto por Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Itália, Japão e Reino Unido. Além dos membros do grupo, da Santa Sé e do Brasil, foram convidados para a reunião África do Sul, Arábia Saudita, Argélia, Argentina, Emirados Árabes Unidos, Índia, Jordânia, Mauritânia (representando a União Africana), Quênia e Turquia. Entre os organismos internacionais, os convidados são União Europeia (com status de observadora no G7), Organização das Nações Unidas, Fundo Monetário Internacional, Banco Mundial, Banco Africano de Desenvolvimento e Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico.
Hoje e amanhã, Lula terá diversos encontros bilaterais com líderes presentes no evento. A previsão é que a comitiva presidencial retorne ao Brasil no domingo (16)
Qual é a notícia?
Há coisas que merecem registro por seu próprio mérito, porque trazem informações relevantes, pelo menos para parte do público. Mas elas podem parecer meio frias para quem as publica, então se faz um certo esforço para destacar algo que as esquente. O exercício às vezes leva à armadilha da obviedade que só quem deu a notícia não viu. Até aí nada demais, talvez só motivo de uma ou outra piada. O problema é que certas ênfases, ou a falta delas, podem nos levar a não enxergar o que realmente merece ser visto.
Meses atrás, durante a cobertura dos efeitos de eventos extremos no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, uma emissora de televisão veiculou matéria cujo destaque era a severidade dos ciclones que têm atingido os dois estados. Em determinado momento, com o apoio de uma arte rica em gráficos bem elaborados, o âncora mostrou como era surpreendente que mais de 90% dos ciclones extratropicais afetem a Região Sul. Na verdade, considerando que o Trópico de Capricórnio corta o país à altura da Região Metropolitana de São Paulo, surpreendente mesmo seria descobrir que a maioria desses fenômenos ocorriam fora da Região Sul, portanto na porção intertropical de nosso território.
ainda separa o Riacho Fundo do Recanto das Emas antes de chegar de novo à EPNB, onde nasceu. Com mais de 130 km, é a rodovia mais longa do DF. De novo, surpreendente seria a campeã de sinistros ser a EPAR (Estrada Parque Aeroporto), com seus 3,8 km.
No outro extremo, há dados muito relevantes – do ponto de vista das análises de longo prazo da efetividade de políticas públicas, por exemplo – que parecem não despertar o interesse dos veículos de comunicação. Talvez porque não se reflitam na venda dos jornais ou no número de cliques nos portais. Vejamos o caso das estatísticas de mortes no trânsito.
“Claro que a frequência de sinistros deriva de uma série de fatores, a começar pelo volume de tráfego de cada via. Mas é óbvio que, quanto mais longa a rodovia, maior será a probabilidade de ocorrerem sinistros.”
Nos anos 1990 o DF tinha um escandaloso recorde. As estatísticas do Detran registraram em 1995 a taxa de 14,94 mortes por 10 mil veículos da frota. O ano seguinte viu uma gigantesca caminhada no Eixão deflagrar o programa Paz no Trânsito do governo Cristovam Buarque. No ano 2000 a taxa caiu para menos da metade: 7,38 mortes por 10 mil veículos. Isso foi notícia na época, mas a partir de então deixou de ser, embora a taxa tenha caído à metade também em 2010 (3,74) e de novo em 2019 (1,49).
Falando de mobilidade, toda vez que os órgãos de trânsito divulgam dados de sinistros nas rodovias do DF a imprensa local chama atenção para o fato de a DF-001 ser a campeã das ocorrências. Claro que a frequência de sinistros deriva de uma série de fatores, a começar pelo volume de tráfego de cada via. Mas é óbvio que, quanto mais longa a rodovia, maior será a probabilidade de ocorrerem sinistros. Se o leitor não sabe, a DF-001 é a EPCT, Estrada Parque Contorno, que inclui o Pistão Sul e o Pistão Norte, segue até Brazlândia, contorna a Floresta Nacional pelo Lago Oeste, passa pela Torre de TV Digital e pela Barragem do Paranoá, margeia os condomínios do Jardim Botânico, cruza o Viaduto do Periquito e
2020 registrou 1,20, mas vamos descartar o primeiro ano da pandemia. O curioso é que nem o governo parece estar interessado nas informações, porque o portal do Detran não tem registros depois de 2020...
* Paulo César Marques da Silva é professor da área de Transportes da Faculdade de Tecnologia da Universidade de Brasília. Possui graduação em Engenharia Mecânica pela Universidade Federal da Bahia (1983), mestrado em Engenharia de Transportes pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (1992) e doutorado em Transport Studies pela University of London (University College London) (2001).
Não é só gotinha: entenda como funciona a vacinação contra a pólio
Por Paula Laboissière – Agência BrasilBrasília
Adaptação Ana Silva
Símbolo da vacinação no Brasil, o personagem Zé Gotinha surgiu pela primeira vez no fim da década de 80, encabeçando a luta pela erradicação da poliomielite nas Américas. Na época, a doença, provocada pelo poliovírus selvagem, só podia ser prevenida por meio de duas gotinhas aplicadas na boca das crianças. O esquema de vacinação atual, entretanto, vai além da vacina oral e utiliza ainda doses injetáveis para combater a chamada paralisia infantil. De acordo com esquema divulgado pelo Ministério da Saúde, as três primeiras doses contra a pólio são injetáveis e devem ser aplicadas aos 2 meses, aos 4 meses e aos 6 meses de vida, conforme previsto no Calendário Nacional de Vacinação. Em seguida, devem ser administradas mais duas doses, conhecidas como doses de reforço, essas sim, orais: uma aos 15 meses de vida e a última, aos 4 anos.
Por esse motivo, a orientação da pasta é que, anualmente, todas as crianças menores de 5 anos sejam levadas aos postos de saúde durante a Campanha Nacional de Vacinação contra Poliomielite para checagem da caderneta e atualização das doses, caso haja necessidade. Mesmo as crianças que estão com o esquema vacinal em dia, mas na faixa etária definida pela pasta, devem receber as gotinhas ou doses de reforço.
Campanha
Este ano, a Campanha Nacional de
Vacinação contra Poliomielite começou no último dia 27 e termina nesta sexta-feira (14). Estados e municípios, entretanto, podem prorrogar a campanha em casos de baixa adesão. A meta do Ministério da Saúde, conforme recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), é imunizar pelo menos 95% do público-alvo – cerca de 13 milhões de crianças menores de 5 anos.
A partir de 2024, o Brasil passa a substituir gradativamente a vacina oral contra a pólio pela dose injetável, versão inativada do imunizante. Com a mudança, a vacina injetável, já utilizada nas três primeiras doses do esquema vacinal contra a pólio, será disponibilizada também como dose de reforço aos 15 meses. Já a segunda dose de reforço, até então administrada aos 4 anos, deixará de existir.
A substituição foi debatida e aprovada pela Câmara Técnica de Assessoramento em Imunização (CTAI), que considerou novas evidências científicas para proteção contra a doença. Em nota, o ministério reforçou que a atualização não representa o fim imediato das gotinhas, mas um avanço tecnológico para maior eficácia do esquema vacinal. A dose oral deve ser extinta após período de transição.
“O Zé Gotinha, símbolo histórico da importância da vacinação no Brasil, também vai continuar na missão de sensibilizar as crianças, os pais e responsáveis em todo Brasil, participando das ações de imunização e campanhas do governo federal”, destacou a pasta.
Casos
Dados do ministério indicam que, desde 1989, não há notificação de casos de pólio no Brasil. As coberturas vacinais contra a doença, entretanto, sofreram quedas sucessivas ao longo dos últimos anos. Em 2022, por exemplo, a cobertura ficou em 77,19%, longe da meta de 95%.
Nova Campanha para Mães de Adolescentes
Obs. Este texto tem ironia e fantasia.
Ninguém nunca me disse que conviver com um adolescente seria como andar, todo dia, em uma montanha- russa.
O problema é que eu fujo, com todas as minhas forças, de parques de diversões e, em especial, de montanhas-russas.
Tenho verdadeiro pavor daquele sobe e desce, insano.
Não me recordo de ter sido tão complexa assim, na minha adolescência. Mas, com certeza, minha mãe deve ter achado.
Por falar na minha mãe, ela merece mesmo todos os troféus do mundo.
Imagine ter quatro filhos: 3 homens e uma mulher- se separar do marido, com os filhos pequenos, e ter que lidar com tanta testosterona junta...
Sinceramente, não sei como ela não surtou.
Acho que o fato de ela trabalhar fora ajudou e muito a manter a saúde mental em dia.
Caso contrário, teria enlouquecido.
Se bem que me recordo de algumas cenas, que Freud, certamente, chamaria de crises histéricas.
Uma delas foi quando um dos meus irmãos, na época com uns 15 anos, passou a noite fora, sem dar notícia.
Ela ficou desesperada, achando que algo grave tinha acontecido com ele.
Quando o moleque chegou em casa, dia amanhecendo, minha mãe lhe deu uma bela surra e ainda quebrou uma cadeira (de plástico, é bem verdade) para mostrar quem mandava ali.
Por alguns meses, ele ficou bem obediente.
Como mágicos, que tiram das cartolas coisas inusitadas, quando a plateia menos espera, meus irmãos apareciam lá em casa, com surpresas nada convencionais.
Objetos que iam de armas a animais , como cobras em garrafas.
E achavam que iam conseguir esconder, logo de quem: da minha mãe, a pessoa mais perspicaz que conheci na vida.
Ela era um misto de detetive, médium, bruxa e pitonísia.
Resultado: sempre encontrava tudo e dava um jeito de sumir com os “presentinhos” de grego.
Às vezes, com direito a escândalos cinematográficos.
Mas, o que a deixava indignada mesmo era quando fla-
grava, na cama dela, os meninos, com “namoradas” que ela nunca tinha visto. Costumava expulsar os dois aos berros. E as meninas, coitadas, saiam correndo, com as roupas, nas mãos...
Mas, raiva de mãe é passageira.
E era comum ouví-la contar essas histórias, às gargalhadas.
Enfim, meu adolescente vai crescer e por incrível que pareça, tenho certeza que vou sentir falta dessa fase, desafiadora, para dizer o mínimo.
Porque todas as fases da vida tem os dilemas e as flores. Hoje, por mais difícil que às vezes seja a convivência, ele está sob o meu teto, sob a minha vista e com a “impressão” de um controle.
Ao contrário dos meus irmãos, meu filho nunca trouxe nenhuma surpresinha para casa, pelo menos, por enquanto.
Mas, juro que, alguns dias, eu tenho a plena certeza de que para ele, eu sou a pior pessoa do Universo inteiro.
Ainda assim, todos os dias eu agradeço a Deus por ter me dado o meu maior presente.
E apesar de todo esse amor, o paradoxo é que: por uma questão de saúde pública, eu defendo que toda mãe de adolescente tenha o direito de receber do SUS um frasco de Rivotril, a cada três meses. Ou dois. A depender do caso.
* Renata Dourado é formada em Jornalismo pelo Uniceub e trabalha na TV Bandeirantes há mais de 13 anos. Atualmente, apresenta o Band Cidade Segunda Edição, jornal local, que vai ao ar, ao vivo, de Segunda à Sexta, às 18h50. Também apresenta o Band Entrevista, que vai ao ar, aos sábados, às 18h50.
Formada em Psicanálise e Mestranda Especial da UNB em psicologia clínica.
Enchentes no RS causaram prejuízos de R$ 3,32 bilhões ao varejo
Por Agência Brasil - Rio de Janeiro
Adaptação Rócio Barreto
Milhares de crianças e adolescentes continuam fora das escolas no Rio Grande do Sul desde que fortes chuvas devastaram o estado em maio. Na rede estadual de educação, 27 escolas permanecem fechadas e mais de 8,4 mil estudantes estão sem aulas. E, segundo dados da Secretaria Estadual de Educação, 36 mil estão em sistema de ensino remoto.
Na rede municipal de educação de Porto Alegre, há 7 mil alunos sem aulas e 14 escolas municipais ainda continuam sem condições de uso por causa dos alagamentos. Em Canoas, na região metropolitana, uma das cidades mais atingidas, apenas oito das 44 escolas municipais voltaram a funcionar somente a partir de terça-feira (18). Mais seis retomam as atividades na próxima semana e 30 ainda precisam passar por limpeza ou estão sendo usadas como abrigos.
Entre as que voltaram às aulas nesta semana está a Escola Municipal de Ensino Fundamental Rio Grande do Sul, no bairro Mato Grande, que atendia cerca de 700 alunos antes da enchente. A água chegou a 40 centímetros dentro das salas, destruindo parte da biblioteca e do material didático e literário.
Por enquanto, cerca de 60% dos alunos dessa escola voltaram a estudar no local. O diretor da instituição, Fernando Lazzaretti, explicou que muitos estudantes estão alojados em outros municípios e não puderam voltar.
Para o pedagogo, o impacto das enchentes será mais grave que o da pandemia. “Na pandemia, as pessoas tinham minimamente o conforto de suas casas, e muitos da nossa comunidade não têm mais casa, não têm para onde retornar. Então, na pandemia, por mais que tivemos que ficar isolados, o contato foi virtual. Nesse período de 45 dias aproximadamente muitos alunos não têm nem esse contato virtual. Por isso, a gente acha que, em curto e médio prazos, o impacto da enchente vai ser maior que o impacto da pandemia.”
A professora de dança Ana Paula Fagundes, de 34 anos, foi buscar a pequena Maria Luiza, de 7 anos na escola, e a menina estava feliz por poder voltar a estudar. “Saiu da rotina dela, saiu de perto dos colegas. Ela ficou bem ansiosa por isso, coitada, e demorou a entender que todo mundo tinha perdido tudo. Ontem não deu para a gente vir, e ela chorou horrores porque eu não a trouxe, [disse] que não era justo”, contou a mãe.
Sem escolas
Não tiveram a mesma sorte os três filhos da dona de casa Janete da Silva Campos, de 38 anos. As crianças, de 7, 12 e 14 anos, estão matriculadas na Escola Municipal de Ensino Fundamental Assis Brasil, que está fechada e coberta de entulho.
“Mesmo que o colégio abra, hoje não tem como voltar porque eles não receberam material, nem uniforme. Eles até falam que queriam voltar para o colégio. Alguns dos amiguinhos deles já estão ali na [escola] Rio Grande do Sul. Eles ficam em casa o dia todo, perdem tempo com brincadeira, correndo na rua”, contou a mãe. Janete conta que nenhum dos três filhos sabe ler e escrever bem devido também à pandemia.
A Agência Brasil visitou ainda a maior escola de Canoas que atendia cerca de 1,3 mil alunos antes da enchente, a Escola Municipal de Ensino Fundamental Thiago Würth, no popular bairro de Mathias Velho, um dos mais atingidos pelas chuvas e onde ainda é possível ver montanhas de entulho em quase todas as ruas.
Nesta sexta-feira 921), o Exército brasileiro tentava retirar o entulho e limpar a Escola Thiago Würth para retomar as atividades. O assessor pedagógico José de Jesus D’Avila trabalha há 31 anos no estabelecimento escola e se emocionou ao falar da situação.
“Fora o prejuízo econômico, é um sentimento de tristeza ver as crianças fora da sala de aula. Elas estão sendo prejudicadas pedagogicamente, mas o pessoal tem força. Nós vamos levantar a escola de novo”, afirmou.
Matemática
O bairro da professora e líder comunitária Gisele Vidal, de 35 anos, não foi atingido pelos alagamentos. Mesmo assim, a escola do seu filho, Gabriel, de 8 anos, não está funcionando porque virou abrigo para as pessoas que perderam suas casas.
“Ele pergunta quando volta quase todos os dias. Ele perguntou se a gente ia voltar antes da festa de São João. Ele estava de aniversário em maio, e a festinha ia ser na escola”, lembrou Gisele Vidal.
O pequeno Gabriel disse que sente saudade dos “temas”,
que são as atividades da escola. “Estou com saudades da minha professora, dos meus amigos e de estudar os temas. Porque eu sou bom na matemática, e eu gosto de temas de matemática”, afirmou.
Governos
O secretário municipal de Educação de Canoas, Aristeu Ismailow, afirmou à Agência Brasil que espera que todas as escolas retomem as atividades até a metade do mês de julho. “Firmamos uma parceria com o Exército e também temos uma contratação para a limpeza das nossas escolas”, disse.
Ismailow acrescentou que o calendário escolar está sendo reorganizando para dar o máximo de dias letivos possível. O Ministério da Educação (MEC) flexibilizou o mínimo de 200 dias letivos para escolas do Rio Grande do Sul, mas manteve a obrigação de cumprir 800 horas/aulas no ano. “Provavelmente com o uso dos sábados, mas sabemos que teremos que usar atividades complementares para conseguir atingir as 800 horas/aulas das quais não se abre mão”, completou.
Nesta semana, o governo gaúcho iniciou a entrega de novo mobiliário para duas escolas, uma em Canoas e outra em Venâncio Aires, totalizando 352 cadeiras e carteiras e 18 mesas. “Até 26 de junho, mais 15 escolas estaduais de Canoas, São Leopoldo, São Sebastião do Caí e Montenegro receberão os novos mobiliários”, disse, em nota, a secretaria estadual de Educação.
Já o MEC abriu prazo para as escolas e redes municipais solicitarem material didático para substituir o perdido pelas chuvas. Além disso, uma medida provisória (MP) do governo federal abriu crédito extraordinário de R$ 25,8 milhões para alimentação escolar e mais R$ 46,1 milhões para limpeza e pequenas reformas no Rio Grande do Sul, entre outras ações.
Mito da Caverna ou Bode na Sala?
Épossível que poucos conheçam o livro Mito da Caverna, metáfora elaborada por Platão em A República, escrita entre os anos 380 e 370 a.C. Mas quase todos conhecem a expressão “Bode na Sala”.
Se, por um lado, a expressão traz à tona nossa opção de não querer lidar com os problemas, seja por não saber como enfrentá-los ou para evitar possíveis conflitos, por outro lado, temos a metáfora onde Platão constrói um cenário em que o homem caminha em direção ao conhecimento racional, ao se libertar das amarras que o prendiam a uma monarquia intelectual.
Em O Mito da Caverna, Platão discorre sobre uma realidade imposta aos moradores de uma caverna, uma vez que somente eram capazes de enxergar o que lhes era exposto na parede que ficava à sua frente. Realidade essa criada pelas sombras projetadas por aqueles que detinham o poder.
Hoje nos deparamos com milhões de indivíduos vivendo uma vida inautêntica, seja pela falta de coragem ou por pressão social.
nos encontramos em uma rede situacional. De que o ambiente onde estamos compõe a nossa própria existência. Por isso, todos os nossos movimentos, comportamentos e, principalmente, posicionamentos, mantêm uma interação constante com esse meio.
Assim, percebemos que podemos ser tanto aqueles que geravam as sombras na caverna de Platão, quanto o sol que trouxe à tona as cores dos objetos vistos em sombras, e as capacidades de questionamento e de desconfiança das aparências, profundamente enterradas por massivas campanhas de desinformação.
“Pressão social quando esse indivíduo, deixando de se aprofundar em si mesmo, escanteia sua capacidade, e até responsabilidade, em criar um significado no ambiente e nas relações que detém com os outros, rendendo-se às convenções.”
Falta de coragem para enfrentar os possíveis conflitos advindos da simples exposição do seu eu, de suas aspirações ou de suas convicções. Pressão social quando esse indivíduo, deixando de se aprofundar em si mesmo, escanteia sua capacidade, e até responsabilidade, em criar um significado no ambiente e nas relações que detém com os outros, rendendo-se às convenções.
Essas pessoas se encontram no interior da caverna, em um mundo de aparências, deixando-se levar pelos sentidos, acreditando ser realidade o que lhes é mostrado pelas sombras, simplesmente por não conhecerem nada além. Seja por não terem a capacidade de discernir, ou por não conseguirem examinar um costume sem preconceito, ou avaliarem detalhadamente uma ideia, um valor.
É urgente e necessário que tenhamos consciência de que
Platão escancara para quem quiser ver, que a realidade percebida pelos nossos sentidos é ilusória. Portanto, passageira como as sombras projetadas na caverna, que se esmaecem à medida que a fogueira vai perdendo suas chamas.
Essas sombras somente serão eliminadas quando os indivíduos forem libertos da ignorância, do engodo e da manipulação. As correntes que os prendem no fundo da caverna, somente serão quebradas quando eles tiverem vontade de buscar a verdade.
É preciso tirar o bode da sala e reconhecer que nossas políticas educacionais são incapazes de fomentar a reflexão crítica trazida por Platão, forjando, assim, cidadãos capazes de sobreviver às versões distorcidas da realidade e de questionar as narrativas trazidas pelas redes sociais e, de forma assustadora, pela Inteligência Artificial.
Ao enfrentarmos essa monarquia intelectual, estaremos livres da realidade das sombras. Será?
* Wilson Coelho é especialista em Políticas públicas de Saúde pela UNB, e Informática em Saúde pelo IEP-HSL e professor-tutor na Faculdade Unyleya
Lula lança selo dos Correios em celebração a obra de Paulo Coelho
Por Agência Brasil - Brasília
Adaptação Rócio Barreto
Opresidente Luiz Inácio Lula da Silva participou, nesta quinta-feira (13), do lançamento do selo dos Correios em comemoração aos 35 anos da publicação do livro O Alquimista, do escritor brasileiro Paulo Coelho. O evento ocorreu na Embaixada do Brasil, em Genebra, capital da Suíça, onde mora o escritor. Em agenda na Europa, o presidente discursou mais cedo em evento da 112� Conferência da Organização Internacional do Trabalho (OIT) e, ainda hoje, segue para a Itália, para a Cúpula do G7, reunião de líderes de sete das maiores economias do mundo.
O Alquimista conta a história de Santiago, um jovem pastor do Sul da Espanha que viaja ao Egito após ter um sonho profético. A obra, publicada em 1988, é um best-seller internacional de Paulo Coelho, com cerca de 90 milhões de exemplares vendidos em todo o planeta e tradução para dezenas de idiomas.
O livro é também o título brasileiro mais vendido de todos os tempos e o detentor do recorde mundial de livro mais traduzido de um autor vivo.
“Assim como o senhor, eu fui atacado, mas não desisti; sabia aonde queria chegar e venci. Tanto é que tem o selo aí”, disse Paulo Coelho, referindo-se ao presidente da República, a quem agradeceu pelo “que tem feito pelo Brasil”. “Se não fosse o senhor, presidente, íamos estar muito, muito mal. Mas o senhor combateu o bom combate,
manteve a fé e está aqui, levando um Brasil que hoje em dia é uma referência no mundo”, declarou. O escritor celebrou a homenagem. “Toda criança sonha em ter uma coleção de selo”, disse.
“Paulo Coelho é uma figura extraordinária, que nos enche de orgulho. Em nome dos Correios e de todos os seus leitores gostaria de expressar minha mais profunda admiração pelo seu talento. Que permaneça iluminando nossos corações e mentes e das gerações futuras”, afirmou o presidente da empresa estatal, Fabiano Silva dos Santos, que também agradeceu Lula por ter retirado os Correios da lista de companhias públicas que seriam privatizadas.
A nova modalidade de Selo Institucional, criada em 2023 pelos Correios, busca ressaltar temáticas do universo sociocultural, de repercussão nacional e internacional. Após o lançamento de cada edição, o selo fica disponível para comercialização nos canais de venda físico e digital (Correios Online), na quantidade mínima de uma folha (com 12 selos) e pelo prazo de até dois anos.
Entre os selos institucionais aprovados estão os de 80 anos de criação do estado do Amapá, de 50 anos de carreira do cantor Sidney Magal, do Orgulho LGBTQIA+ e do Dia Nacional das Tradições de Raízes de Matrizes Africanas e Nações do Candomblé. A novidade se junta às outras duas modalidades: Selos Comemorativos/ Especiais e Selos Personalizados.
Lula propõe governança global para inteligência artificial
Por BBC News Brasil em São Paulo
Adaptação Rócio Barreto
Inesperado e assustador. É assim que pessoas que vivem ou trabalham na região do Pantanal têm definido os incêndios no bioma em pleno junho, período em que historicamente não há tanto fogo no bioma.
“A gente não esperava o fogo, que chegou muito antes da hora. É algo assustador”, afirma Ângelo Rabelo, presidente do Instituto Homem Pantaneiro (IHP).
O Pantanal registrou recorde de incêndios em junho, mesmo ainda faltando mais de uma semana para o final do mês.
O bioma, importante planície de inundação contínua, enfrenta uma seca histórica.
“Estamos passando por uma estiagem rigorosa, tivemos uma quantidade de chuva muito abaixo da média de novembro a março deste ano. Em abril, excepcionalmente choveu bastante, mas não foi o suficiente para levantar o nível do rio a ponto de refletir no Pantanal”, afirma o biólogo Carlos Roberto Padovani, pesquisador da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) Pantanal.
Em maio, a Agência Nacional de Águas (ANA) declarou situação crítica de escassez hídrica na região.
O rio Paraguai — o mais importante da hidrografia pantaneira — passa por um período extremamente crítico, como mostra a principal medição dele, uma régua localizada na região de Ladário, no Mato Grosso do Sul.
O mês de junho não costuma ser um período de seca, que geralmente começa a partir do segundo semestre.
Mas conforme os dados atualizados da Marinha do Brasil, o nível do rio atualmente é de 120 centímetros. Nesse período de junho, a média é de 400 centímetros.
Com chuva insuficiente, o Pantanal tem recebido pouca ou quase nenhuma água para alagar a sua planície, que está seca em inúmeras regiões.
A vegetação está seca, o que faz com que os incêndios propaguem mais rapidamente e qualquer foco de fogo pode tomar grandes proporções.
Os ativistas dizem que o cenário da falta de água chamava a atenção meses atrás, mas admitem que não esperavam que a situação dos incêndios seria tão intensa já neste mês.
Os problemas inéditos para o período causam preocupação sobre os próximos meses — agosto, setembro e outubro —, historicamente mais difíceis por conta da estiagem.
No primeiro semestre deste ano, o Pantanal registrou um aumento de mais de 1.000% nos focos de incêndio em relação ao mesmo período do ano passado, segundo monitoramento de queimadas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).
A situação começou a se agravar e preocupar ainda mais nas últimas semanas.
Somente nos primeiros 18 dias de junho, foram registrados 1.434 focos de incêndio no Pantanal.
É o maior número em todo o mês desde que o Inpe começou a fazer esse tipo de monitoramento, em 1998.
O número atual remonta ao cenário de 2020, quando o Pantanal atraiu a atenção do mundo após um quarto do bioma brasileiro ser atingido por incêndios sem precedentes.
“Um número assustador de hectares foi queimado nas últimas semanas”, diz o biólogo Alcides Faria, diretor da ONG Ecoa - Ecologia & Ação.
“E o vento na região está forte, até 30 km/h, o que tem facilitado a propagação do fogo, que tem caminhado muito rapidamente, enquanto equipes de bombeiros tentam conter.”
As consequências do fogo já começaram a ser sentidas. Há registros de animais queimados, ponte atingida pelo fogo, vasta área de vegetação destruída, aulas suspensas em uma escola da região e pessoas com problemas respiratórios causados pela fumaça.
Os governos federal e do Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, que abrigam o Pantanal, anteciparam medidas de combate aos incêndios, que costumam ser adotadas de modo mais intenso nos meses considerados mais difíceis para o bioma.
Os incêndios no Pantanal
Os especialistas apontam que cerca de 95% do fogo atual no bioma é causado pela ação humana, sendo proposital ou não.
“Lamentavelmente não há como responsabilizar ações humanas pequenas, como ações como extração de mel ou queima de pequenas folhas. E as condições climáticas como umidade baixa, alta temperatura e, principalmente, o vento forte, contribui para que o fogo se propague em uma velocidade assustadora”, diz Ângelo Rabelo, do IHP.
Outro fator apontado pelos especialistas é a queima de vegetação para abrir novas áreas de pasto para a criação de gado.
“O mais comum é que esses incêndios comecem com fazendeiros queimando pastagem”, diz o biólogo Alcides Faria, da Ecoa.
Em entrevista à BBC News Brasil, o presidente da Associação de Criadores de Mato Grosso do Sul (Acrisul), Guilherme Bumlai, rechaçou a possibilidade de que os incêndios que atingem o Pantanal possam ter sido resultado da ação criminosa de produtores rurais. A Acrisul é a principal representante dos pecuaristas do Estado.
“De forma nenhuma esses incêndios podem ser imputados aos produtores rurais porque eles são os maiores interessados em proteger suas fazendas. Estamos num período muito seco e há muito capim seco nas propriedades. Isso é um barril de pólvora”, afirma Bumlai.
Bumlai atribuiu os incêndios no Pantanal sul-matogrossense a acidentes causados pela suposta ação descuidada de pescadores e motoristas.
“Muitas vezes, o pescador faz uma fogueira na beira do rio e não apaga direito [...] também temos aquelas pessoas que não têm noção (do perigo) e jogam uma bituca de cigarro pela janela e o fogo sai de controle”, afirmou.
Em meio à rápida propagação do fogo no bioma, as equipes de combate encontram dificuldades para agir.
“Em uma semana havia quatro ou cinco frentes de fogo em dimensões que surpreenderam a todos no Pantanal. Os bombeiros foram acionados, mas a verdade é
que a gente tem que admitir que, em alguns momentos, a situação chega a um nível humanamente difícil de ser controlada”, diz Rabelo.
O biólogo Alcides Faria, da Ecoa, diz que o Corpo de Bombeiros está lutando contra o fogo, mas afirma que “é muito difícil conter os incêndios”.
“Chega uma hora em que o vento fica muito forte e isso coloca em risco a vida das pessoas que estão no enfrentamento”, afirma Faria.
“Até onde vai esse fogo? Vamos ter que esperar a chuva? Esperar haver menos massa vegetal para queimar?”
Equipes de brigadistas lutam para preservar pontes, vegetações e moradias da região.
Há áreas atingidas pelo fogo que ainda estavam em recuperação após os incêndios de 2020.
“Essas áreas estavam em processo de restauração e foram fulminadas mais uma vez”, diz Rabelo.
“Isso é um impacto bastante significativo na biodiversidade, porque eram áreas ainda em recuperação. Eram árvores que ainda estavam brotando e espécies que estavam se restabelecendo no território.”
Entre os animais atingidos pelo fogo estão, principalmente, os répteis.
“No primeiro momento, os mais afetados são cobras, lagartos e jacarés”, afirma Rabelo.
“Depois do fogo de 2020, trabalhamos muito no estabelecimento de inúmeros caminhos que possam ser rota de fuga para os animais silvestres, mas ainda é um desafio proteger essas espécies.”
O atual cenário do Pantanal compromete a saúde de famílias da região. Entre as principais afetadas estão aquelas que vivem em Corumbá (MS), onde mais de 95% da área total da cidade faz parte do Pantanal.
“A estiagem e a seca têm intensificado os incêndios e a intoxicação pela fumaça está comprometendo a saúde das famílias ribeirinhas de Corumbá”, diz a gestora ambiental Bárbara Banega, do programa Acaia Pantanal.
Nesta semana, a cidade de Corumbá foi coberta por fumaça. “Isso intensificou na área urbana na quarta-feira (19/6)”, diz Banega.
Especialistas costumam alertar com frequência que os incêndios florestais podem causar diversos problemas respiratórios, porque a fumaça contém diversos elementos tóxicos.
“Com a poluição dos rios pelas cinzas e a morte de muitos animais, a pesca e a catação de isca – principais fontes de renda dos ribeirinhos – foram severamente impactadas”, diz a gestora ambiental.
Banega acrescenta que a redução das atividades turísticas devido ao fogo agrava ainda mais a situação, “resultando no au-
mento da vulnerabilidade social e insegurança alimentar”.
Uma escola ribeirinha, de pouco mais de 50 alunos da região, chegou a suspender as aulas por causa do fogo há duas semanas.
A unidade de ensino voltou a funcionar nesta semana, porque o fogo na região havia sido controlado, mas passaram a conviver com intensa fumaça de outros incêndios no bioma.
Uma ponte de madeira foi destruída pelo fogo, que havia começado em uma área de mata e logo se alastrou.
“O vento estava muito forte e atingiu a ponte, já que embaixo dela não tinha mais água”, relata Alcides Faria, da Ecoa.
Agora, os moradores da região vivem a incerteza sobre como ficará o bioma nos próximos meses.
Escassez de água e recorde de incêndios
A atual preocupação é como será o cenário no período em que historicamente há pouca ou nenhuma chuva na região.
Os fenômenos climáticos, como a passagem do El Niño e a chegada do La Niña, que afetam as temperaturas em diversas regiões, são apontados como fatores que acentuam as dificuldades do bioma.
Em nota, o Ministério do Meio Ambiente (MMA) afirmou à BBC News Brasil que “historicamente, o período de seca no Pantanal ocorre no segundo semestre, mas a mudança do clima e os efeitos do El Niño anteciparam e agravaram a estiagem”.
Mas essa antecipação do período de fogo no Pantanal já era prevista, afirmou o climatologista Paulo Artaxo, professor do Instituto de Física da Universidade de São Paulo (USP) e
membro do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês), órgão nas Nações Unidas.
“A gente já sabia que isso ia acontecer quando vimos aquele evento no Rio Grande do Sul”, declarou o especialista em entrevista à BBC News Brasil.
Segundo Artaxo, uma consequência possível do fenômeno climático que provocou o excesso de chuvas no Sul era justamente uma antecipação da seca no Pantanal. “É como se as chuvas tivessem ficado presas no Rio Grande do Sul”, diz.
Na sexta-feira (14/6), o governo federal anunciou a criação de uma “sala de situação para ações de prevenção e controle de incêndios e secas em todos os biomas, com foco inicial no Pantanal”. A primeira reunião ocorreu na segunda-feira (17/6).
Os governos de Mato Grosso do Sul e Mato Grosso, Estados que abrigam o Pantanal, anunciaram investimentos que ultrapassam mais de R$ 100 milhões em diferentes frentes de combate ao fogo.
Em nota à BBC News Brasil, o governo de Mato Grosso, que abriga 35% do bioma, alega que o Estado enfrenta um período atípico desde o fim de 2023, “com pouca incidência de chuvas e baixa umidade”.
“Com isso, o material orgânico seco, como a turfa, se acumula, o que tem facilitado a combustão”, disse o governo.
Entre as medidas anunciadas pelo Mato Grosso, está a antecipação do período proibitivo de queimadas no Pantanal, que estava previsto para começar em 1� de julho e foi adiantado para segunda-feira (17/6).
INCÊNDIOS
“A estiagem severa e a baixa umidade do ar que este ano assola Mato Grosso têm contribuído para a propagação das chamas e, por isso, o Corpo de Bombeiros pede que a população colabore e respeite o período proibitivo de uso do fogo, que teve início no Pantanal na segunda-feira (17/6)”, informa o governo de Mato Grosso.
Em abril, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul assinaram um Acordo de Cooperação Técnica no qual se comprometeram a fazer ações conjuntas para a preservação do Pantanal.
Entre as medidas previstas estão uma legislação semelhante sobre o uso dos recursos naturais do bioma e a elaboração de um plano para prevenção e resposta aos incêndios florestais no bioma.
Já o governo do Mato Grosso do Sul, que abriga 65% do Pantanal brasileiro, afirma que os incêndios no bioma se multiplicaram diante de janeiro a junho deste ano em razão das “condições climáticas muito parecidas às ocorridas em 2020 (estiagem, baixa umidade do ar, altas temperaturas e ventos fortes).” Em nota, o governo afirma que “tem atuado na prevenção e proteção do bioma ao longo dos últimos anos” e pontua que em abril foi decretado “estado de emergência ambiental” para tentar coibir os incêndios.
Apesar do recorde de queimada em junho, os dois Estados e o governo federal afirmam que já estavam preparados para combater os problemas no Pantanal, como por meio de contratação de brigada e compra de equipamentos para enfrentar o fogo no bioma.
Afagos Traiçoeiros
Por José Gurgel
Aqui frente ao computador querendo me lembrar de alguns fatos da semana, no Guará tudo é festa, principalmente quando o assunto é enganar a população.
Quando de repente o telefone toca,era o meu amigo Caixa Preta, achei até bom ele ter telefonado, pois não aguento mais ver a turma do me engana que eu gosto, fazendo das tripas coração para tentar encobrir as mazelas que os chamados donos da cidade teimam em aprontar, principalmente quando se trata de coisa pública, parecem um bando de Pitbull’s adestrados.
O pior é ver alguns tentando justificar o dinheiro do contribuinte ser criminosamente jogado fora, com armações que fedem a alguns quilômetros de distância.
Fazer isso é o mesmo que tapar o sol com uma peneira furada, querendo esconder ou defender o indefensável, como se a população fosse trouxa em não agradecer as migalhas investidas em melhorias na cidade, choramos de barriga cheia, pois os milhões estão chegando, segundo os mentirosos de plantão.
Nada temos a agradecer, muito a reclamar, espero que o Guará acorde, pois a coisa não está boa.
A farra tá boa aqui no Guará, invasões a granel e construções irregulares ou suspeitas no atacado, tudo na base do ninguém sabe, ninguém viu e se viu faz de conta que não viu.
Sempre que se fala nesse festival de irregularidades que por aqui acontecem, alguns puxa sacos correm para
fazer a defesa do malfeito,pra isso recebem migalhas e danam o pau a postar as mentiras deslavadas.
Não podemos continuar aceitando essa condição de sempre levar o tapinha nas costas como se fôssemos animais de estimação para sermos acariciados.
Até quando esses aproveitadores de plantão vão continuar a levar a população do Guará no beiço com essa conversa de bonzinho? Chega dessa enrolação.
A população tem que ficar atenta e muito ligada, pois do contrário irá, sem dúvida alguma, ouvir dessas bocas risonhas o pedido de votos nas próximas eleições, ou o objetivo é outro?
O Guará envelhece, está passando o tempo e nada de melhorar, se cuida Guará!
TIJOLADAS DO CAIXA
REMINISCÊNCIAS
Como sempre as nossas conversas sempre terminam naquela cerveja gelada lá no Porcão, sentindo aquela gostosa catinga de gordura velha filtrada na palha de aço, o Galak , entre um palavrão e outro nos traz o cardápio, não sei qual a utilidade, pois, nada muda.
Al-Qaeda preparava a nossa gororoba de cada dia, senti até um frio no estômago, confesso que estava arrependido, o dia nada prometia de bom, mas estava querendo ouvir algum caso do Caixa Preta, que sempre tem uma boa pra contar.
Olhei para o velho Caixa, vi logo que teria de pagar a conta, rezei para ele não querer encher a cara para não ir a bancarrota de uma vez, pois a situação não está muito boa.
Aqui no Guará continua tudo na mesma, eles mentem a população desinformada diz que acredita, trocam juras de amor e a coisa vai de mal a pior, parece que esse ciclo está longe de acabar.
Basta dar uma olhada nas construções feitas nas coxas ali no famoso Polo de Modas, segundo o Caixa Preta a muito que está fora de moda, basta dar uma olhada na esculhambação reinante naquela área. Tem de tudo por lá, está tudo desvirtuado de seu projeto original, uma verdadeira colcha de retalhos que não contribui para o crescimento ordenado da cidade.
Quero saber até quando a população vai assistir de braços cruzados essa onda de irregularidades praticadas por aqui sem tomar uma atitude, pois hoje os nossos problemas são gigantescos e não vemos nada que aponte para resoluções, apenas maquiagem para encobrir o que temos de pior por aqui.
Essa falta de visão e irresponsabilidade de quem deveria agir com rapidez e seriedade nessa situação está custando muito caro ao nosso querido Guará e será mais dispendioso ainda para as futuras gerações, pois caos não tem conserto, mas pode ser estancado antes que piore.
O Guará que realmente queremos é esse?
A FARRA CONTINUA
A farra tá boa aqui no Guará, invasões a granel, construções irregulares ou suspeitas no atacado, tudo na base do “ninguém sabe, ninguém viu” e se viu faz de conta que não viu.
Sempre que se fala nesse festival de irregularidades que por aqui acontecem, alguns puxa sacos correm para fazer a defesa do malfeito.
Nunca se viu em país algum, crescimento e progresso sem seguir o que tem de estabelecido nas leis vigentes. Não se educa um país sem o real comprometimento da população e governantes com as leis vigentes, nada de “quebração de galho” ou gambiarras, na base de dois pesos, duas medidas como sempre acontece por aqui.
As construções na orla do Guará II continuam em ritmo bastante acelerado, mas nada de fiscalização, tudo dominado, como sempre, por mais que a população reclame continuam acontecendo, todos fazendo a já famosa cara de paisagem.
Ninguém aparece pra contestar ou questionar pois acham que encher a cidade com prédios fora dos padrões urbanísticos é sinal de progresso.
Quando vão a qualquer reunião com moradores, levam um monte de comissionados e puxas sacos para bater palmas e elogiar, nada de questionamentos ou perguntas embaraçosas, que não respondem ou não sabem o que responder, dando as desculpas esfarrapadas de sempre.
Outro dia numa dessas reuniões que fazem apenas pra encher linguiça, pois nada é realmente resolvido, apenas pra constar dizendo que realmente se preocupam com o que se passa por aqui, alguns faltaram por acharem que não valia a pena se preocupar com tão pouco, o que acontece por aqui não tem tanta importância.
A verdade é que não tinha quorum para tirar umas fotografias para colocar no Facebook ou Instagram, para uma bela propaganda política.
TIJOLADAS
Não se pode mais aturar esse tipo de atitude de pessoas que se dizem responsáveis pela cidade, pois as reclamações são muitas em todas as áreas, mas parece que a turma que foi escalada para ouvir a população estava lá apenas para tentar se cacifar.
SAUDADE DOLORIDA
Lá no Porcão onde bebíamos uma cerva, jogando conversa fora eu e meu amigo Caixa Preta discutíamos o lançamento ou relançamento de um projeto, que parecia ter sido engavetado, agora querendo voltar com força total, uma cretinice agora totalmente estilizada.
Voltamos a falar do Adote Uma Praça, parece agora voltando com o pomposo nome de Detone Uma Praça, que abandonadas pela Administração, agora querem implantar mais uma nova sacanagem com a população que pena na mão dessa turma.
Como exemplo vamos citar a tal praça das artes lá na QI-22, onde um gaiato implantou um monstrengo, o já famoso quiosque.
Não satisfeito com a agressão com o aval de não sei quem, isso já era de se esperar pois filho feio não tem pai, quer agora adotar uma área verde arborizada do outro lado da rua para usar como estacionamento para o dito trambolho.
Sabe-se que a muito as praças do Guará de um modo geral sofrem completo abandono por parte da Administração, na sua maioria ocupadas por quiosques, vagabundos, usuários de drogas e tudo que pode ser ocupado numa praça abandonada, com bancos, quadras esportivas detonadas, um lixão a céu aberto.
Dá saudade de quando tínhamos praças, onde era tradição a população
se encontrar para bater um papo descontraído no final da tarde ou mesmo a noite, levando a tiracolo os filhos pequenos para curtir, mas muitos desses espaços públicos estão praticamente abandonados à disposição de aventureiros que devagarzinho vão se apossando, sem acrescentar qualquer benfeitoria. .
O velho Caixa meio saudosista me falou que lá pela década de 60 tinha uma música que falava justamente das praças, mais ou menos assim: A mesma praça, o mesmo banco, as mesmas flores e o mesmo jardim, esses versos embalaram muito namoro por aqui, não é da minha época, mas já ouvi falar.
Saudade assim faz doer!
Joia do Palmeiras de 17 anos, Estêvão é contratado pelo Chelsea
Por Agência Brasil - Rio de Janeiro
Adaptação PH Paiva
OChelsea (Inglaterra) anunciou neste sábado (22) a contratação do jovem atacante Estêvão, jóia do Palmeiras, que tem despontado no Campeonato Brasileiro. O jogador canhoto, de 17 anos, assinou hoje com o clube inglês, após passar por exames médicos. Ele se juntará ao elenco do Chelsea em julho de 2025, após o Mundial de Clubes da Fifa. Estevão chegará ao Chelsea com 18 anos – ele completará a maioridade em abril do ano que vem - para disputar a primeira divisão do futebol inglês, a Premier League.
A estimativa é de que a negociação do atleta tenha superado US$ 60 milhões (quase R$ 350 milhões). Também pelas redes sociais o Verdão comunicou a oficialização do acordo fechado com o Chelsea.
Estevão estreou como jogador profissional do Palmeiras na última partida do Brasileirão do ano passado, na conquista do título. O desempenho em campo lhe valeu o apelido de “Messinho” e comparações com Neymar. O jovem atacante já atuou
em 10 jogos do Brasileirão, somando dois gols e duas assistências. Estevão também já entrou em campo cinco vezes com a seleção brasileira Sub 17 e anotou três gols.
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